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HISTÓRIA DA COMUNICAÇÃO 
AULA 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Ana Heck 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Olá! Como você tem visto em nosso estudo, a sociedade foi 
profundamente influenciada por uma série de avanços na área da comunicação 
ao longo da história. Nesta etapa, você vai entender a trajetória dos meios 
audiovisuais, compreendendo seus contextos históricos e examinando como 
essas formas de mídia se entrelaçaram com os eventos e as dinâmicas sociais 
que as cercavam. 
CONTEXTUALIZANDO 
As invenções revolucionárias da fotografia, do rádio, do cinema e da 
televisão surgiram em um mundo assolado por conflitos políticos, guerras 
devastadoras, flutuações econômicas e uma sociedade em constante 
transformação. Elas testemunharam os horrores das guerras, tornaram-se 
instrumentos de propaganda política, refletiram as mudanças sociais e culturais, 
além de moldarem indústrias poderosas que impulsionaram o comércio e a 
economia. 
TEMA 1 – FOTOGRAFIA: A REVOLUÇÃO DA IMAGEM FIXA 
O nascimento da fotografia é como o despertar de um novo sentido, capaz 
de registrar e eternizar momentos de forma única. A câmera permitiu capturar 
momentos em retratos pintados com luz e sombra. 
A fotografia é resultado de uma série de descobertas ao longo dos anos, 
não foi um simples clique. Surge em um momento em que o mundo estava 
passando por muitas transformações: a industrialização estava em pleno vapor, 
provocando mudanças na economia, nas relações de trabalho e no estilo de vida 
das pessoas. Além do crescimento urbano, essa época foi marcada pela 
descoberta da eletricidade , o desenvolvimento de novas formas de transporte 
e comunicação, e a busca pela compreensão do mundo através das ciências. 
Uma das criações que surgiram antes da fotografia foi a câmara escura. 
Conhecida desde a antiguidade na China e na Grécia, é um dispositivo ótico 
simples que consiste em uma caixa escura ou uma sala com um pequeno orifício 
em uma das paredes. Essa abertura permite a entrada de luz refletida por um 
 
 
3 
objeto externo, formando uma imagem invertida do lado oposto da caixa ou sala. 
Era usada como ferramenta para observar eclipses solares e projetar imagens. 
Durante o século XVI, artistas e cientistas começaram a utilizá-la para auxiliar no 
desenho e na pintura. 
Já no século XVII, a câmara escura foi aprimorada com o uso de lentes 
para melhorar a qualidade da imagem. Isso contribuiu para a popularização e a 
ferramenta teve papel importante no desenvolvimento da fotografia. No final do 
século XVIII, o químico alemão Johann Heinrich Schulze descobriu compostos 
químicos sensíveis à luz que mudavam de cor quando expostos a ela. 
Os primeiros experimentos fotográficos foram feitos por Robert Boyle, 
Johann Heinrich Schulze e Thomas Wedgwood, que criaram imagens 
temporárias, mas não encontraram um meio de torná-las permanentes, fixá-las 
no papel. 
Mas Joseph Nicéphore Niépce é conhecido como um dos principais 
responsáveis pelo desenvolvimento dos primeiros processos fotográficos. Ele 
ficou curioso e interessado em capturar imagens permanentes já na década de 
1790. O inventor buscou uma forma de fixar uma imagem. Em 1826, conseguiu 
criar a primeira foto permanente conhecida, chamada View from the Window at 
Le Gras, um marco na história da fotografia. No entanto, o processo de Niépce 
era lento e exigia longos tempos de exposição, o que dificultava o uso 
generalizado. 
Niépce continuou a aprimorar seu processo e colaborou com Louis 
Daguerre, que posteriormente desenvolveu o daguerreótipo, em 1839. Foi um 
dos primeiros métodos fotográficos amplamente utilizados. O francês 
aperfeiçoou uma técnica que permitia a fixação de imagens e o aparelho 
produzia fotos detalhadas, mas ainda exigia longos tempos de exposição e não 
era reprodutível. 
Quase ao mesmo tempo em que surgiu o daguerreótipo, o inglês William 
Henry Fox Talbot desenvolveu o processo do negativo-positivo, conhecido como 
calotipia ou talbotipia, que permitia fazer cópias. Você já deve ter visto rolos de 
filme fotográfico, os negativos, são a evolução dessa criação. 
Ao longo do século XIX, houve uma série de avanços tecnológicos na 
fotografia: o tempo de exposição foi reduzido, as câmeras foram aprimoradas e 
 
 
4 
novos materiais sensíveis à luz foram desenvolvidos, tornando-a mais acessível 
e prática. 
À época, George Eastman fundou a Eastman Kodak Company e lançou a 
primeira câmera Kodak em 1888. Essa foi projetada para ser fácil de usar, com 
o lema “Você aperta o botão, nós fazemos o resto”. A câmera era pré-carregada 
com um rolo de filme e, depois de tirar as fotos, o filme era enviado de volta à 
empresa para processamento e impressão. Assim, qualquer pessoa poderia 
fazer fotos. 
Os cientistas escocês James Clerk Maxwell e o britânico Thomas Sutton 
trabalharam juntos para criar a primeira fotografia colorida utilizando a técnica de 
filtros tricromáticos. No final do século XIX, o processo mais notável para o 
desenvolvimento da fotografia colorida foi o autocromo, inventado pelos irmãos 
Lumière em 1903. Eles utilizavam grãos de amido de batata que funcionavam 
como filtros, eram tingidos em vermelho, verde e azul para registrar as cores da 
cena. 
Desde então, a fotografia continuou a evoluir com o avanço da tecnologia: 
com novas câmeras e tipos de filtros. A partir de 1960, cientistas começaram a 
desenvolver dispositivos eletrônicos capazes de converter a luz em sinais 
elétricos, o início da fotografia digital. A princípio, era usado na astronomia, mas 
seu desenvolvimento fez com que chegasse às mãos das pessoas. 
Durante a década de 1980, houve avanços na diminuição dos sensores 
de captura e no aumento da resolução das imagens digitais, medido em 
megapixels (minha primeira câmera digital tinha 4 megapixels). No início dos 
anos 1990, a introdução dos cartões de memória e outros formatos similares 
tornou possível armazenar e transferir imagens digitais de maneira mais 
conveniente. O desenvolvimento de algoritmos de compressão de imagem, 
como o formato JPEG, permitiu a redução do tamanho dos arquivos de imagem 
sem perda de qualidade. 
As câmeras digitais substituíram em grande parte o uso de filmes e 
surgiram novas formas de captura de imagem, como câmeras de telefone 
celular. Isso levou ao surgimento de câmeras digitais avançadas, smartphones 
com câmeras de alta resolução e o compartilhamento instantâneo de fotos pela 
internet. A fotografia se tornou uma parte essencial da vida das pessoas, 
registrando momentos importantes, documentando o mundo ao redor e 
 
 
5 
permitindo a expressão criativa compartilhada em tempo real nas mídias sociais. 
Muita coisa aconteceu antes da “era dos filtros do Instagram”, percebe?! 
1.1 Fotografia no Brasil 
A fotografia chegou no Brasil no século XIX, pouco tempo após a sua 
invenção, com a técnica da daguerreotipia por volta de 1840. Nos primeiros anos, 
a fotografia no país era dominada por retratos, que eram populares entre a elite 
e a nobreza. 
No final do século XIX, a fotografia começou a ser usada para documentar 
paisagens, cidades e pessoas com uma perspectiva mais ampla. Fotógrafos 
como Marc Ferrez e Flavio de Barros registraram o desenvolvimento urbano, a 
arquitetura, o cotidiano e a diversidade cultural do país. 
Durante o movimento modernista do século XX, a fotografia ganhou 
destaque como uma forma de expressão artística. Artistas como José Oiticica 
Filho, Geraldo de Barros e Thomaz Farkas exploraram novas técnicas e estilos, 
incorporando a fotografia em suas práticas artísticas. 
A partir da década de 1940, a fotografia ganhou relevância no campo do 
fotojornalismo e documentário social. Profissionais como Jean Manzon e Henri 
Ballot registraram eventos históricos, movimentos sociais e a vida cotidiana do 
povo brasileiro, documentando a cultura e as transformações sociais do país. 
Nas décadasmais recentes, a fotografia brasileira continuou a evoluir e 
se diversificar. Fotógrafos contemporâneos exploram diferentes abordagens e 
técnicas, utilizando a fotografia como meio de questionar questões sociais, 
políticas, culturais e pessoais, mas também para consumo, como a fotografia de 
moda e publicitária. 
Leitura obrigatória 
Leia as páginas 8 a 24 do livro Educomunicação e fotografia, de Roberto 
Svolenski, disponível na biblioteca virtual Pearson. 
 
 
6 
TEMA 2 – RÁDIO: O ADVENTO DA TRANSMISSÃO SONORA EM LARGA 
ESCALA 
A invenção do rádio é a evolução do telégrafo (que você conheceu em 
etapa anterior), e esse marco pode ser comparado a uma ponte que conecta 
pessoas distantes, mas pelo som. O rádio surgiu em um momento de 
urbanização acelerada e crescimento das cidades. 
Economicamente, o período era marcado pelo avanço da industrialização 
e pelo crescimento das cidades. O rádio surgiu como uma nova tecnologia de 
comunicação em massa, oferecendo oportunidades comerciais lucrativas. 
Empresários e investidores viram no rádio uma forma de alcançar um público 
amplo e diversificado, promovendo produtos e serviços com anúncios e 
patrocínios. 
Politicamente, o rádio também desempenhou um papel importante. 
Governos e líderes políticos perceberam o potencial do rádio como uma 
ferramenta de propaganda e controle de informações. 
A ideia da transmissão de sinais sem fio já existia no século XIX, com 
contribuições de cientistas como Michael Faraday e James Clerk Maxwell. Mas 
o engenheiro italiano Guglielmo Marconi é frequentemente creditado como o 
inventor do rádio. Em 1895, ele realizou experimentos bem-sucedidos de 
transmissão de ondas de rádio e, no ano seguinte, obteve sua primeira patente 
para o sistema de telegrafia sem fio. A partir daí, continuou a aperfeiçoar sua 
invenção e estabeleceu comunicações transatlânticas de longa distância. Isso 
trouxe um avanço significativo nas comunicações, especialmente para uso 
marítimo. 
No início do século XX, as transmissões de rádio começaram a se tornar 
mais populares. Em 1906, Reginald Fessenden realizou a primeira transmissão 
de rádio de entretenimento, que incluía música e a leitura de passagens bíblicas. 
Nas décadas de 1910 e 1920, as estações de rádio começaram a se multiplicar 
em todo o mundo. A radiodifusão se tornou um fenômeno popular, ideias e 
notícias eram comunicadas para várias pessoas, no entanto, a maioria era 
analfabeta. Contudo, é importante falar que contribuiu para o desenvolvimento 
de processos políticos e militares em larga escala. 
 
 
7 
As estações de rádio começaram a transmitir programação regular, 
incluindo notícias, música, dramas e programas de variedades — como as rádios 
que você ouve hoje em dia. Na década de 1930, Edwin Armstrong desenvolveu 
a transmissão em frequência modulada (FM), que oferecia uma qualidade de 
som superior à modulação em amplitude (AM). 
Como você viu, o meio revolucionou a disseminação de informações, 
entretenimento e cultura, aproximando as pessoas de diferentes regiões e 
tornando possível uma experiência compartilhada em larga escala. E também se 
adaptou à era digital com a disseminação de rádios on-line para além das ondas 
FM, navegando pela internet sem limites geográficos. 
2.1 Rádio no Brasil 
As primeiras transmissões de rádio no Brasil foram experimentais e 
ocorreram por volta de 1919. O país passava por um intenso processo de 
urbanização e industrialização, com o crescimento das cidades. Essa época foi 
marcada pela emergência de uma nova classe média urbana, que buscava 
acesso à informação, cultura e entretenimento. Através do rádio, a população 
tinha acesso a notícias em tempo real, novelas, músicas, programas de 
variedades e transmissões esportivas. 
O médico e cientista brasileiro Edgar Roquette-Pinto foi um dos pioneiros 
do rádio no Brasil. Em 1922, ele estabeleceu a primeira estação de rádio 
experimental do país, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Roquette-Pinto foi 
um defensor do potencial educativo e cultural do rádio. 
A partir da década de 1920, o número de estações de rádio cresceu 
rapidamente. As transmissões se concentravam principalmente nas principais 
cidades, como Rio de Janeiro e São Paulo, mas gradualmente se expandiram 
para outras regiões do país. 
Em 1923, o governo brasileiro emitiu o Decreto n. 4.815, que estabeleceu 
as bases legais para o funcionamento das estações de rádio no país. Esse 
decreto criou o serviço de radiotelegrafia e radiotelefonia e definiu as regras e 
regulamentos para a operação das estações. 
Entre 1930 e 1940, o rádio no Brasil viveu sua era de ouro. As estações 
de rádio tornaram-se uma importante fonte de entretenimento, música, notícias, 
dramatizações e programas variados. O rádio cresceu e se tornou um meio de 
 
 
8 
comunicação influente e acessível para a população brasileira. A expansão das 
rádios para além das metrópoles garantia o acesso à informação da população 
– lembre-se de que as ondas de rádio têm alcance geográfico limitado . 
O meio desempenhou um papel fundamental na integração nacional, 
levando informações e entretenimento a regiões distantes e promovendo um 
senso de identidade nacional. Ele também foi utilizado como uma ferramenta de 
propaganda durante a era Vargas, que utilizou o rádio como uma forma de 
controle e difusão ideológica. Nessa época (1935), por exemplo, foi criado o 
programa Voz do Brasil, no ar até hoje, com o objetivo de informar a população 
sobre as atividades do governo e promover a unificação das comunicações no 
país. 
Ao longo dos anos, o rádio no Brasil passou por diversas transformações 
tecnológicas e mudanças na programação. A chegada da televisão na década 
de 1950 trouxe uma concorrência significativa, mas o rádio continuou a 
desempenhar um papel importante na mídia brasileira. Atualmente, o rádio ainda 
é um meio de comunicação relevante no país, oferecendo uma ampla variedade 
de programação e alcance em todo o território nacional. 
Leitura obrigatória 
Leia o capítulo “O rádio” (p. 114-139) do livro História social dos meios de 
comunicação, de Rosa Maria Cardoso Dalla Costa, disponível na biblioteca 
virtual Pearson. 
TEMA 3 – CINEMA: A MAGIA DA IMAGEM EM MOVIMENTO 
O cinema combina elementos como câmeras, lentes, projetores e telas 
para criar um ambiente imersivo em que histórias podem ser contadas de 
maneira visualmente cativante. Assim como um palco oferece um espaço para 
o teatro, o cinema se tornou uma tela para pintar o storytelling visual. 
Os primeiros passos na história do cinema começaram no final do século 
XIX. Antes do seu desenvolvimento, várias invenções e experimentos 
prepararam o terreno para a criação da projeção de imagens em movimento, 
principalmente as descobertas sobre a fotografia que você acabou de ver. 
Como já falei, no final do século XIX o mundo passava por um período de 
transformações e crescimento econômico acelerado. O cinema emergiu como 
 
 
9 
uma indústria lucrativa, impulsionada pela demanda crescente por 
entretenimento e pela capacidade de atrair grandes audiências. Foi também uma 
época de crescimento do consumismo, as pessoas buscavam escapismo e 
diversão. 
Tudo começou em 1895, quando os irmãos Lumière, Louis e Auguste, 
inventaram e patentearam o cinematógrafo, uma câmera que podia projetar 
imagens em movimento. Eles realizaram a primeira exibição pública de filmes 
em 28 de dezembro de 1895, em Paris. 
No início, os filmes eram silenciosos e acompanhados por música ao vivo, 
sons ambientes e narração em tempo real. Com o tempo, os cineastas 
exploraram a narrativa visual e desenvolveram técnicas como o uso de legendas 
para diálogos e intertítulos para contextualização. 
Georges Méliès, outro pioneiro do cinema e ilusionista, introduziu técnicas 
de edição, efeitos especiais e truques de câmera. Em 1909, a Pathé Frères 
desenvolveu a primeira câmeraportátil, permitindo que os cineastas filmassem 
em locais externos. 
Em 1927, o filme O cantor de jazz foi lançado, introduzindo o cinema 
sonoro com a sincronização de som e imagem. Isso levou ao desenvolvimento 
de sistemas de som que permitiam a gravação e reprodução de som diretamente 
no filme. 
Durante as décadas de 1920 a 1950, Hollywood, nos Estados Unidos, se 
tornou um centro mundial da produção cinematográfica. Grandes estúdios como 
Paramount, MGM, Warner Bros., Universal e RKO produziram filmes que se 
tornaram clássicos atemporais. Surgiram estrelas de cinema icônicas, como 
Charlie Chaplin, Mary Pickford, Clark Gable, Marilyn Monroe e Humphrey Bogart. 
Durante o século XX, diversos gêneros cinematográficos se 
desenvolveram, incluindo comédia, drama, ação, terror, romance e filmes 
musicais. Paralelamente, cineastas experimentaram novas técnicas, como o uso 
do movimento de câmera, iluminação expressiva e montagem não linear. 
Nas décadas de 1950 e 1960, ocorreram avanços tecnológicos no 
cinema, como a introdução do cinemascope (formato de tela larga), o 
desenvolvimento de cores vibrantes com o Technicolor e o uso de efeitos 
especiais mais avançados. 
 
 
10 
A partir da década de 1990, o cinema entrou na era digital. Os filmes 
começaram a ser produzidos e projetados em formato digital, permitindo maior 
flexibilidade na edição, efeitos visuais aprimorados e distribuição mais ampla 
através de meios eletrônicos. 
Através do cinema, as pessoas tiveram acesso a novas ideias, tendências 
culturais e diferentes perspectivas sobre o mundo. O meio se tornou uma forma 
poderosa de influenciar e moldar a opinião pública, além de desempenhar um 
papel importante na construção da identidade e da cultura coletiva. 
Além disso, o cinema gerou um mercado de consumo relacionado, como 
a venda de ingressos, pipocas e outros produtos nas salas de cinema, e fora 
delas, ditando moda. Hoje, o cinema continua a evoluir com novas tecnologias, 
como a realidade virtual, e abraça uma ampla variedade de histórias, estilos e 
vozes culturais. É uma forma de arte e entretenimento que continua a cativar e 
influenciar o público globalmente. O meio evolui constantemente, é como uma 
caixa de bombons, você nunca sabe o que vai encontrar – entendeu a 
referência? É de um dos meus filmes preferidos lançado em 1994. 
3.1 Cinema no Brasil 
Em 8 de julho de 1896, o Rio de Janeiro testemunhou a primeira projeção 
cinematográfica do país. O evento ocorreu no Salão de Novidades Paris. A 
popularidade do cinema cresceu rapidamente no país. As primeiras salas de 
cinema foram estabelecidas, e as exibições eram acompanhadas por músicos 
ao vivo. 
O meio logo se tornou uma forma de expressão artística e um veículo de 
comunicação poderoso. Com o passar dos anos, diretores(as) brasileiros(as) 
começaram a produzir filmes nacionais, explorando a cultura, a história e as 
paisagens do país. 
Alguns dos títulos de maior alcance foram O pagador de promessas, 
Central do Brasil, O que é isso companheiro? e Cidade de Deus, todos indicados 
ao Oscar. Bacurau é outra obra que se destacou em grandes premiações e 
colocou o cinema brasileiro em destaque globalmente. Você já assistiu a esses 
filmes? Sugiro que veja também Estômago. 
O cinema no Brasil foi além do entretenimento, também servindo como 
uma ferramenta de reflexão social e política. Em diferentes épocas, filmes 
 
 
11 
brasileiros abordaram questões importantes, como desigualdade, identidade 
nacional, ditadura militar e direitos humanos. Essas obras cinematográficas 
serviram para conscientizar, engajar e despertar debates em todo o país. 
Hoje, o Brasil possui uma indústria cinematográfica diversa, que produz 
filmes aclamados tanto nacionalmente quanto internacionalmente. Festivais de 
cinema, como o Festival de Cinema de Gramado e o Festival do Rio, entre 
outros, celebram e promovem a riqueza e a criatividade do cinema brasileiro. 
TEMA 4 – TELEVISÃO: A ERA DA TRANSMISSÃO AUDIOVISUAL 
A televisão era como um “minicinema” particular em cada sala, em que 
histórias e imagens ganhavam vida através da tela luminosa. A TV se tornou um 
portal para novos mundos, um meio de conectar pessoas e culturas, assim como 
uma janela aberta para explorar o vasto universo da informação e 
entretenimento. 
As transformações sociais, econômicas e políticas do final do século XIX 
e início do século XX abriram caminho para o surgimento da televisão. No 
aspecto social, as mudanças na estrutura familiar, como o aumento da 
urbanização e a diminuição do tempo livre das pessoas, criaram uma demanda 
por formas de entretenimento acessíveis dentro de casa. 
Do ponto de vista econômico, o desenvolvimento de tecnologias de 
transmissão e recepção de imagens em movimento permitiu a comercialização 
da televisão. Já no campo político, o meio desempenhou um papel significativo 
na disseminação de ideias e na formação da opinião pública, sendo o meio mais 
consumido no país até hoje. 
O surgimento da televisão também teve implicações na esfera cultural. A 
programação televisiva refletiu e influenciou os valores, gostos e tendências da 
época, bem como o consumo – aposto que você já quis algum produto que viu 
em alguma novela ou programa de TV. O meio proporcionou a disseminação da 
cultura popular, o compartilhamento de experiências coletivas e o acesso a uma 
diversidade de conteúdos audiovisuais. 
A TV possui características que estabeleceram à época uma afinidade 
com o público analfabeto e semialfabetizado, devido à predominância da 
oralidade em detrimento da escrita e ao uso de uma linguagem popular 
(Rezende, 2000). 
 
 
12 
E, para falar da invenção da TV, vou te levar de volta para o final do século 
XIX. Nessa época, inventores como Paul Nipkow, na Alemanha, e Boris Rosing, 
na Rússia, desenvolveram sistemas de transmissão mecânica. Na década de 
1920, o escocês John Logie Baird e o americano Philo Farnsworth foram 
pioneiros na transmissão eletrônica de imagens. Baird demonstrou a primeira 
transmissão de televisão pública em 1926, enquanto Farnsworth apresentou um 
sistema eletrônico totalmente funcional em 1927. 
Em 1928, a primeira emissora comercial de televisão regular começou a 
operar nos Estados Unidos e transmitia apenas algumas horas de programação 
experimental por semana. Três anos depois, a British Broadcasting Corporation 
(BBC) iniciou suas transmissões regulares de televisão no Reino Unido e 
rapidamente se tornou uma das principais emissoras de televisão do mundo. 
É importante mencionar que, inicialmente, a televisão era transmitida para 
salas públicas antes de chegar às casas. A partir de seu surgimento, nos anos 
1920 e 1930, as primeiras emissões televisivas eram exibidas em locais 
específicos, como teatros, centros comunitários ou salas de exposição. Nessas 
salas públicas, as pessoas podiam assistir a programas de televisão em telas 
maiores, compartilhando a experiência com outras pessoas. Bem parecido com 
o cinema, não acha? Mas com o diferencial de ser ao vivo. 
O avanço tecnológico e o interesse crescente pelo meio levaram à 
evolução das transmissões diretamente às residências. Esse processo 
aconteceu gradualmente, com a instalação de antenas e a popularização dos 
aparelhos de televisão nos lares. 
Nas décadas de 1930 e 1940, ocorreram avanços significativos na 
tecnologia da televisão, incluindo o desenvolvimento de tubos de raios catódicos 
mais avançados e sistemas de transmissão em cores. Um marco na história da 
TV na época foi a realização dos primeiros Jogos Olímpicos transmitidos pela 
televisão, em 1936 na Alemanha. 
A partir desses primeiros avanços, as emissoras de televisão foram se 
expandindo e se desenvolvendo em diferentes países ao longo das décadas 
seguintes, levando à popularização da televisão como um meio de comunicação 
de massa. Mas foi somente a partir da década de 1950, com o desenvolvimentode tecnologias mais acessíveis e a expansão das redes de transmissão, que a 
televisão se tornou um elemento comum nas casas das pessoas. A programação 
 
 
13 
televisiva passou a ser amplamente disponível para os telespectadores, 
oferecendo entretenimento, informação e conexão com o mundo. 
É importante falar que guerras interferiram no surgimento da TV, tanto 
freando seu desenvolvimento, quanto impulsionando, mas também sendo 
instrumento de embate político. Embora a televisão ainda estivesse em seus 
estágios iniciais de desenvolvimento durante a Primeira Guerra Mundial (1914-
1918), houve tentativas de utilizá-la para fins militares. 
Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a televisão 
desempenhou um papel mais proeminente. Países como Alemanha, Reino 
Unido, Estados Unidos e Japão utilizaram a televisão para veicular propaganda, 
transmitir notícias, mobilizar a opinião pública e levantar fundos para esforços de 
guerra. Os governos estabeleceram suas próprias emissoras de televisão e 
controlaram rigidamente a programação para garantir que suas mensagens 
fossem difundidas. 
Após a Segunda Guerra Mundial, a rivalidade entre Estados Unidos e 
União Soviética durante a Guerra Fria trouxe uma nova dimensão para o uso da 
televisão em conflitos. Ambos os lados buscaram influenciar a opinião pública 
global por meio de transmissões televisivas. A televisão se tornou um meio eficaz 
para divulgar informações, retratar a superioridade tecnológica e promover 
ideologias. 
Nas décadas seguintes, a televisão continuou a desempenhar um papel 
significativo nos conflitos armados, como nas Guerras do Golfo (1990-1991 e 
2003-2011) e na Guerra do Afeganistão (2001-presente). A cobertura em tempo 
real dos combates, entrevistas com soldados e relatos de jornalistas em campo 
transmitidos pela televisão tiveram um impacto profundo na percepção pública 
desses conflitos. 
No final da década de 1990 até atualmente, desenvolveram-se sistemas 
de televisão a cabo, via satélite, digital, streamings e programação on demand. 
No entanto, você já está familiarizado(a) com tudo isso, não é verdade?! 
4.1 TV no Brasil 
A televisão chegou ao Brasil em 18 de setembro de 1950, com a 
inauguração da TV Tupi, em São Paulo. Essa foi a primeira emissora de televisão 
do país e marcou o início da era televisiva no Brasil. Inicialmente, as 
 
 
14 
transmissões eram restritas a poucas horas por dia e limitadas à cidade de São 
Paulo. 
Assis Chateaubriand, fundador da Tupi, desempenhou um papel 
fundamental no início da televisão no Brasil. Ele foi um empresário e 
comunicador brasileiro que teve um papel visionário na introdução e expansão 
desse meio no país. 
A televisão brasileira ganhou popularidade rapidamente, tornando-se um 
dos principais meios de comunicação e entretenimento do país. O governo 
brasileiro criou até um Fundo de Financiamento de Aparelhos de Rádio e 
Televisão (FINARTE) para promover a compra dos aparelhos. Mas é importante 
ressaltar que, mesmo com essas medidas, a aquisição de uma televisão ainda 
era um privilégio para uma parte da população, especialmente nas áreas 
urbanas. 
A partir dos anos 1960, as telenovelas se tornaram um dos principais 
destaques da programação, conquistando uma audiência fiel e marcando a 
cultura brasileira. As telenovelas brasileiras conquistaram grande popularidade 
e têm sido exportadas para diversos países ao redor do mundo desde a década 
de 1970, com produções como O bem-amado (1973) e Gabriela (1975). Outros 
títulos de destaque exportados posteriormente são Avenida Brasil (2012) e O 
clone (2001). 
Ao longo das décadas, a televisão brasileira passou por diversas 
transformações, como a transição do sinal analógico para o digital, a expansão 
dos canais pagos, o surgimento de novas emissoras e o avanço da TV por 
streaming. Hoje, o país possui uma vasta oferta de canais de televisão abertos 
e por assinatura, oferecendo uma ampla gama de programação para atender 
aos diferentes interesses e preferências do público brasileiro — com destaque 
para o grande conglomerado de mídia de Roberto Marinho. A televisão continua 
desempenhando um papel importante na sociedade brasileira, sendo fonte de 
informação, entretenimento e conexão com o mundo. 
Leitura obrigatória 
Leia o capítulo “A televisão” (p. 142-171) do livro História social dos meios 
de comunicação, de Rosa Maria Cardoso Dalla Costa, disponível na biblioteca 
virtual Pearson. 
 
 
15 
TEMA 5 – O PAPEL DA COMUNICAÇÃO AUDIOVISUAL NA SOCIEDADE 
Assim como uma câmera captura e edita momentos da vida, o audiovisual 
molda percepções, influencia emoções e ajuda a compreender melhor a 
complexidade do mundo. A comunicação audiovisual mantém as pessoas 
informadas sobre eventos globais, questões sociais, científicas e políticas, 
ampliando a compreensão do mundo. Filmes, programas de televisão, vídeos 
on-line e conteúdos audiovisuais em geral proporcionam entretenimento e lazer 
às pessoas. As produções podem abordar questões sociais, desafiar 
estereótipos, promover a diversidade e inspirar mudanças. Elas têm o poder de 
moldar atitudes, comportamentos e opiniões. 
Atualmente, o audiovisual também permite que as pessoas compartilhem 
experiências e se conectem em diferentes partes do mundo. Através da 
televisão, cinema, streaming e mídias sociais, é possível assistir e discutir 
conteúdos com amigos(as), familiares e comunidades on-line. Isso ajuda a criar 
um senso de conexão e pertencimento. O audiovisual também é usado 
comercialmente como uma ferramenta eficaz para publicidade e propaganda – 
e não só nos comerciais, mas com outras estratégias como o product placement 
e branded content. 
Em termos sociais, a comunicação audiovisual proporciona uma forma de 
entretenimento e expressão cultural. Reúne as pessoas em torno de 
experiências compartilhadas, permitindo que os indivíduos se conectem 
emocionalmente com histórias, personagens e eventos. Promove a diversidade 
cultural, ampliando o acesso a diferentes culturas e perspectivas, e é acessível 
à população de maneira geral, indiferente da classe ou nível escolar. 
No campo político, desempenha um papel crucial na disseminação de 
informações e no debate público. Através do rádio e televisão, indivíduos podem 
acessar notícias, discursos políticos, debates e análises críticas. Isso fortalece a 
participação cidadã, permitindo que as pessoas formem opiniões informadas e 
influenciem o cenário político. 
No aspecto educacional, o audiovisual é uma ferramenta poderosa. Ele 
permite a transmissão de conhecimento de forma visual e envolvente, facilitando 
a compreensão e retenção de informações. Programas educativos, 
documentários e recursos audiovisuais nas salas de aula são exemplos do uso 
 
 
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da comunicação audiovisual na educação, estimulando a aprendizagem e 
despertando o interesse dos alunos. 
É importante lembrar também que, economicamente, a comunicação 
audiovisual é uma indústria em si. Ela gera empregos, impulsiona a economia 
criativa e contribui para o crescimento do setor de mídia e entretenimento. 
Em resumo, a comunicação audiovisual é uma poderosa forma de 
expressão e influência na sociedade moderna. Informa, entretém, educa, 
conecta e molda perspectivas. 
TROCANDO IDEIAS 
Levando em conta o conteúdo visto nesta etapa, responda: De que forma 
a invenção dos meios audiovisuais moldou a cultura, valores e visão de mundo 
dos(as) brasileiros(as)? 
NA PRÁTICA 
Prepare uma apresentação para falar do impacto da criação da fotografia, 
do rádio, da TV e do cinema na Publicidade. Você deve apresentar brevemente 
os três meios de comunicação, destacar a importância desses meios na 
sociedade e seu papel na transmissão de informações mercadológicas. Busque 
exemplos para enriquecer seus slides. Você pode usar ferramentas para te 
auxiliar no processo, mas o texto deve ser seu. 
FINALIZANDO 
Nodecorrer desta etapa, você conheceu a evolução da comunicação 
audiovisual. Desde o surgimento do rádio, que aproximou pessoas com sua 
transmissão de vozes e músicas, até a revolução da fotografia, que permitiu 
congelar momentos preciosos e eternizar memórias. Em seguida, aprendeu 
sobre a televisão, que trouxe o mundo para as salas de estar, e conheceu a 
história do cinema, uma arte que envolve histórias cativantes e leva a lugares 
além da nossa imaginação. À medida que as tecnologias continuam a avançar, 
é essencial valorizar e refletir sobre esses meios fundamentais, lembrando de 
sua importância na construção do mundo em que você vive hoje. Até a próxima 
etapa. 
 
 
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REFERÊNCIAS 
DALLA COSTA, R. M. C. História social dos meios de comunicação. Curitiba: 
InterSaberes, 2020. 
GIOVANNINI, G. Evolução na comunicação: do sílex ao silício. Rio de Janeiro: 
Nova Fronteira, 1987. 
MARCONDES FILHO, C. Televisão. São Paulo: Scipione, 1994. 
_____. Televisão: a vida pelo vídeo. São Paulo: Moderna, 1998. 
MATTELART, A. História das teorias da comunicação. São Paulo: Loyola, 
2000. 
_____. História da sociedade da informação. São Paulo: Edições Loyola, 
2006. 
MCLUHAN, M. A galáxia de Gutenberg: a formação do homem tipográfico. São 
Paulo: Nacional, 1977. 
_____. Os meios de comunicação como extensões do homem. São Paulo: 
Cultrix, 2006.