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atua antes do aparecimento da doença) e na prevenção 
secundária, na identificação de grupos de alto risco (aque- 
la que atua quando a doença já se instalou, buscando 
diagnóstico precoce nesses grupos). 
Quatro tipos de fatores de risco fazem parte do proces- 
so de causalidade de doenças. Todos podem ser neces- 
sários, mas raramente são suficientes para causar uma doen- 
ça: 
1. Fatores predisponentes, como idade, sexo e doenças 
prévias, criam um estado de suscetibilidade do indivíduo ao 
agente da doença. 
2. Fatores facilitadores, como desnutrição, moradia ina- 
dequada, falta de saneamento e falta de atenção médica, fa- 
vorecem o desenvolvimento da doença. 
3. Fatores precipitantes: são os agentes específicos as- 
sociados ao início da doença, devendo sempre estar presen- 
te - são os agentes biológicos (parasitas, vírus, bactérias). 
4. Fatores agravantes: são os fatores que, quando a ex- 
posição é repetida, podem agravar ou estabelecer o estado 
de doença. 
Um associação entre um fator de risco e uma doença é 
causal quando sua presença aumentar a probabilidade da 
ocorrência da doença e sua ausência diminuir esta probabi- 
lidade. A Fig. 3.7 apresenta a cadeia de causalidade para 
leishmaniose. A Leishmania sp. é o agente necessário, mas 
não suficiente para que a infecção ocorra. I 
Avaliar uma associação observada entre um fator de ris- 
co e uma doença consiste essencialmente em distinguir as 
três hipóteses sugeridas: artefactual, indireta ou causal. Se 
um estudo é bem planejado e conduzido, a hipótese 
artefactual deverá ser uma explicação pouco provável para 
a associação estatística observada. 
O grande desafio de um estudo epidemiológico consis- 
te em determinar se a associação observada é indireta ou se I 
Exposição aos 
flebotomineos 
Morar em 
área rural 
Contato com 
matas 
Presença de 
reservatórios 
silvestres 
Presença de 
reservatbrios 
domésticos 
Cepas de Leishmania sp. 
Infecções intercorrentes 
Fatores genbticos 
Fatores nutricionais 
Fatores demográficos 
(sexo, idade) 
Capitulo 3 
4 b 
Fatores de risco para infecção 
4 
Fatores de risco para doença 
Fig. 3.7 - Cadeia de causalidade na leishmaniose. 
tem significado etiológico (causal). As evidências mais di- 
retas de uma relação causal entre o fator de risco e a doen- 
ça seriam fornecidas pelos estudos experimentais e pela de- 
terminação dos mecanismos biológicos. Os estudos experi- 
mentais conduzidos em populações humanas fornecem uma 
prova absoluta da associação causal. Entretanto, por ques- 
tões éticas, estes estudos praticamente não são realizados. 
Os experimentos conduzidos em animais também poderiam 
fortalecer uma hipótese causal, mas nem sempre podem ser 
generalizados para populações humanas. A determinação 
da patogênese, ou seja, o conhecimento da seqüência de 
eventos que vão da exposição a manifestação clínica da 
doença, poderia explicar o mecanismo causal. No entanto, o 
conhecimento atual dos mecanismos biológicos raramente 
permite um entendimento completo das seqüências de even- 
tos em uma doença. 
Os estudos epidemiológicos fornecem evidências in- 
diretas que permitem diferenciar entre uma associação cau- 
sal e uma associação indireta. Inferência causal é a expres- 
são utilizada para determinar se a associação observada em 
um estudo epidemiológico é etiológica. Algumas evidências 
epidemiológicas, que devem ser consideradas para inferên- 
cia causal, são: 
relação temporal: a causa deve perceber o efeito; 
consistência da associação: os resultados devem 
ser semelhantes em diferentes estudos, diferentes 
populações, diferentes locais; 
força de associação: magnitude do risco relativo; 
quanto maior o risco, maio é a evidência de uma as- 
sociação; 
grau de exposição: existência da resposta a dose ou 
a diferentes gradientes de exposição; 
plausibilidade biológica: os resultados devem 
ser consistentes com os conhecimentos exis- 
tentes. 
As inferências derivadas dos estudos epidemiológicos 
não devem ser feitas isoladamente; devem sempre ser 
consideradas juntamente com todas as informações bio- 
lógicas relevantes. As evidências epidemiológicas e bio- 
lógicas devem se somar para mostrar que a hipótese cau- 
sal é a mais provável. Infelizmente, nem sempre é pos- 
sível quantifícar o grau de certeza atingido por todas as 
evidências em favor de uma hipótese causal; um certo 
grau de subjetividade pode permanecer. Entretanto, mes- 
mo que a hipótese causal seja somente provável, os co- 
nhecimentos adquiridos são muitas vezes suficientes 
para a aplicação de medidas preventivas e ações de saú- 
de pública. 
Capitulo 3 
 
David Pereira Neves 
O numero dos seres vivos existentes na Natureza é tão 
grande que, para serem estudados, têm que ser agrupados 
conforme sua morfologia, fisiologia, estrutura, filogenia etc. 
Esse appamento obedece a leis e possui um vocabulário 
próprio. A seguir, citaremos alguns termos fundamentais e 
sua significação: 
"É a ordenação dos seres vivos em classes, baseando- 
se no parentesco, semelhança ou ambos" (Simpson). 
NOMENCLATURA 
"É a aplicação de nomes distintos a cada uma das clas- 
ses reconhecidas numa dada classificação" (Simpson). 
TAXONOMIA 
"Taxonomia é o estudo teórico da classificação, incluin- 
do as respectivas bases, princípios, normas e regras" 
(Simpson). 
Sistemática é o estudo científico das formas de organis- 
mos, sua diversidade e toda e qualquer relação entre elas" 
(Sirnpson). 
Os termos taxonomia e sistemática geram muita confu- 
são. Em outras palavras, pode-se dizer que "a taxonomia 
reconhece, classifica e identifica os seres vivos, enquanto 
a sistemática estuda as características fisicas, fisiológicas ou 
comportamentais para permitir a classificação". 
A classificação dos seres vivos deve ser feita baseada 
em vários aspectos da biologia e morfologia. Algumas ve- 
zes, no entanto, a classificação é baseada unicamente na 
morfologia externa do animal. Vemos, portanto, que existem 
dois tipos de classificação: o natural e o artificial. No pri- 
meiro, os trabalhos são baseados na filogenia (relaciona- 
mento da espécie estudada com outros menos evoluídos 
ou fósseis); na ontogenia (formação e desenvolvimento da 
espécie, desde ovo até adulto); na fisiologia, morfologia e, 
muitas vezes, na ecologia e etologia. No segundo, os 
trabalhos são baseados exclusivamente na morfologia ex- 
terna da espécie, sendo esse tipo, por conseguinte, passivel 
de erro. De alguns anos para cá, ao lado dos outros crité- 
rios para clasificação, têm sido largamente empregados cri- 
térios bioquímicos, com grande sucesso. 
A designação científica é regulada por regras de nomen- 
clatura promulgadas em congressos e denominadas Regras 
Internacionais de Nomenclatura Zoológica. Resumidamen- 
te, apresentaremos alguns itens mais importantes: 
a. O ponto de partida para a nomenclatura binária (gêne- 
ro e espécie) é a 10P edição do Systema Naturae, de Carl von 
Linné (Linnaeus), 1758. 
b. A unidade taxonômica (unidade, grupo etc.) denomina- 
se thon (plural taxa), que pode corresponder a diversos níveis 
de classificação ou categoria taxonômica, que em zoologia 
são sete: reino, filo, classe, ordem, família, gênero, espécie. 
c. A nomenclatura das espécies deve ser latina e binomi- 
nal, ou seja, a espckie é designada por duas palavras: a primeira 
represente o gênero (deve ser escrita com a primeira letra mai- 
úscula); a segunda a espécie considerada (deve ser escrita com 
letra minúscula, mesmo quando for nome de pessoa). Estas 
palavras devem ser sempre grifa& ou escritas em itálico. 
d. Quando a espécie possui subespécie, essa palavra 
virá em seguida a da espécie, sem nenhuma pontuação. Ex.: 
Culex pipiens fatigam-Culex = gênero; pipiens = espécie; 
fatigans = subespécie. 
e. Quando a espécie possui subgênero, este virá 
interposto entre o gênero e a espécie, separado por parên- 
teses. Ex. : Anopheles (Kerteszia) cruzi. Anopheles = gêne- 
ro; (Kerteszia) = subgênero; cruzi = espécie. 
Outrascategorias são escritas baseadas no gênero-tipo 
e acrescentando-se uma desinência própria. 
Assim temos: 
Capitulo 4 27 
Tribo acrescenta-se ini. Ex.: Culicini 
Subfamília acrescenta-se inae. Ex.: Culicinae 
Família acrescenta-se idae. Ex.: Culicidae 
Superfamília acrescenta-se oidea. Ex.: Oxyuroidea 
f. Quando se vai descrever uma espécie, seu nome deve 
ser simples, homenageando uma pessoa ilustre, ou eluci- 
dativo (o nome representa alguma característica da espécie). 
A grafia deve ser sempre em latim ou latinizada. Quando for 
nome de homem, acrescenta-se um i e ae quando for mulher. 
Por exemplo: cruzi, guimaraesi, mariae etc. Além disso o 
autor deve apresentar a descrição completa, inclusive citan- 
do a bibliografia especializada. Caso uma espécie descrita 
entre em sinonímia, ou seja, quando outro autor já tenha 
descrito aquela mesma espécie, terá validade a que for mais 
antiga (Lei da Prioridade). 
g. Havendo necessidade de escrever o nome de uma es- 
pécie num trabalho, a primeira indicação deverá ter a citação 
do autor. Por exemplo, Polygenis guirnaraesi, Linardi, 1978. 
h. Caso o nome da espécie tenha sido escrito por um 
autor e, posteriormente, reescrito por outro porque havia al- 
guma incorreção no primeiro, a grafia completa da espécie 
deverá conter o nome do primeiro autor entre parênteses. 
Ex.: Aedes (Stegomyia) aegvpti (Linnaeus, 1762). Esta grafia 
indica que outro autor redescreveu essa espécie, anterior- 
mente descrita por Linnaeus, em 1762. 
Espécie 
É definida como sendo uma coleção de indivíduos que 
se assemelham tanto entre si como os seus ascendentes e 
descendentes. Essa identidade de caracteres - caracteres 
específicos - é regulada por genes específicos e homozi- 
góticos e reprodutivamente isolada de outros grupos seme- 
lhantes. 
Dá-se esse nome quando alguns indivíduos de determi- 
nada espécie destacam-se do resto do grupo por possuírem 
uma característica excepcional ou um conjunto de pequenas 
diferenças da forma específica típica, que se perpetuam nas 
gerações seguintes. 
Alguns autores usam subespécies como sinônimo de 
raça ou variedade. Entretanto, achamos mais válido empre- 
gar subespécie como designação própria, definida acima, e 
raça ou variedade (aí sim, essas palavras são sinônimas) 
quando a diferença é fisiológica ou de hospedeiro. Por exem- 
plo: Sarcoptes scabiei, variedade suis (sarna de porco); S. 
scabiei, variedade cannis (sarna de cão) etc. 
G* enero 
Quando várias espécies apresentam caracteres comuns 
para reuni-las num grupo, dá-se a esse grupo o nome de gê- 
nero. Dessa forma vemos que, frequentemente, um gênero 
pode possuir várias espécies e subespécies. 
Segundo esse raciocínio, isto é, agrupamento de carac- 
teres afins, nós teremos a tribo, subfamília, família, superfa- 
mília, ordem, classe e, finalmente, o ramo, ou filo, e reino. 
Assim, se fõssemos classificar o pernilongo transmissor 
da malária em nosso meio, teríamos: 
Reino Animal 
Filo Arthropoda 
Classe Insecta 
Ordem Diptera 
F a d a Culicidae 
Subfarnília Anophelinae 
Tribo Anophelini 
Gênero Anopheles 
Subgênero Nyssornynchus 
Espécie A. (N.) darlingi 
Outros termos importantes: 
Espécie-Tipo. É a primeira espécie descrita que denomi- 
na um gênero. 
Gênero-Tipo. É o primeiro gênero descrito que denomi- 
na uma família (isto é, o nome da família tem como base um 
gênero - o gênero-tipo). 
Tipos. Quando se descreve uma espécie, ela é baseada 
em um ou mais exemplares, que devem ser guardados em 
museus próprios. Esses exemplares (ou apenas um) são os 
tipos, que podem ter as seguintes variações: 
Holótipo ou Tipo. É um exemplar que foi descrito e guar- 
dado em museu próprio (pode ser um exemplar macho ou 
fêmea). 
Alótipo. É a espécie-tipo descrita e também guardada, 
mas de sexo oposto ou holótipo usado. 
Sintipo. São vários exemplares de uma mesma espécie, 
mas descritos e guardados juntos, isto é, dois ou mais exem- 
plares utilizados na proposição original de um nome. 
Parátipo. É o exemplar escolhido como espécie-tipo, en- 
tre vários descritos e guardados juntos. 
Lectótipo. Quando, em uma espécie descrita, não foi 
escolhido o exemplar-tipo (holótipo), seleciona-se um para 
ser o tipo, isto é, lectótipo. 
Neótipo. Quando o holótipo se perdeu, seleciona-se 
novo exemplar-tipo. 
Topótipo. O local onde se capturou a espécie-tipo. 
GRUPOS DE INTERESSE EM 
PARASITOLOGIA 
Os animais que parasitam os humanos estão incluídos 
em cinco grandes filos: Protozoa (animais unicelulares), 
Platyhelminthes (vermes achatados), Nematoda (vermes 
redondos), Acantocephala (vermes arredondados, com 
pseudo-segmentação e apresentando uma probóscida arma- 
da de ganchos) e Arthropoda (insetos e ácaros em geral). 
Antes do estudo de cada filo, faremos sua descrição su- 
mária e apresentaremos a classificação mais moderna, em 
forma de quadro sinóptico. Para cada espécie de interesse 
parasitológico no Brasil, daremos a sua morfologia, biologia, 
métodos de diagnóstico, epidemiologia, profilaxia e citações 
das drogas mais eficazes para a terapêutica. 
28 Capitulo 4 
CLASSIFICAÇÃO DOS PARASITOS 
SEGUNDO O S MODOS DE 
TRANSMIS SÃO 
Para efeito prático mostraremos no quadro abaixo uma 
classificação dos parasitos conforme os seus mecanismos 
de transmissão. 
Este quadro visa, unicamente, possibilitar ao estudante 
um entendimento global do relacionamento dos parasitos 
com os humanos e o meio ambiente, facilitando o estudo 
nos capítulos próprios, dos aspectos epidemiológicos e 
profiláticos de cada um: 
1. Parasitos transmitidos entre pessoas devido ao con- 
tato pessoal ou objetos de uso pessoal (fômites). S. scabiei, 
I? pubis, P humanus, i? vaginalis. 
2. Parasitos transmitidos pela água, alimentos, mãos su- 
jas ou poeira: E. histolytica, G. lamblia, í7 gondii, H. nana, 
cisticercose (ovos de T. solium), A. lumbricoides, T. 
trichiura, E. vermicularis. 
3. Parasitos transmitidos por solos contaminados por 
larva (geo-helmintoses): A. duodenale, N . americanus, S. 
stercoralis. 
4. Parasitos transmitidos por vetores ou hospedeiros in- 
termediários: Leishmania sp., i? cruzi, Plasmodium sp., S. 
mansoni, i? solium, 7: saginata, K bancrojii, O. volvulus, 
M ozzardi. 
5. Parasitos transmitidos por mecanismos diversos: lar- 
vas de moscas (miíases), 7: penetram (bicho de pé). 
(Classificação modificada de Camargo. E. Ciências Pa- 
tológicas, Ed. Guanabara Koogan, 1983, pág. 54.) 
NOMENCLATURA DAS DOENÇAS 
PARAS ITÁRIAS 
Existe grande controvérsia quanto a terminação das pa- 
lavras indicadoras de doenças parasitárias. Os sufixos ose, 
íase e use (que indicam doença) têm sido usados in- 
discriminadamente, gerando dúvidas. Para normatizar a 
grafia, alguns pesquisadores reunidos (Kassai et al., 1988) 
apresentaram um trabalho no qual sugerem que "dos três 
sufixos, deve-se agregar apenas 'ose' ao nome do gênero do 
agente etiológico, para designar doença ou infecção". 
Essa solução é interessante, entretanto, para algumas 
parasitoses, o termo já consagrado pelo uso é mais eufônico 
que o proposto, como por exemplo: amebíaselamebose; 
tripanossomíase/tripanossomose. Assim, respeitando-se a 
solução proposta, os nomes de alguns doenças parasitári- 
as são: leishmaniose, tricomonose, naegleriose, criptos- 
poridiose, toxoplasmose, plasmodiose, balantidiose, schis- 
tossomose, fasciolose, equinococose, himenolepose, 
teniose, tricurose, enterobiose, ascariose, estrongioloidose, 
necatorose, pediculose, tungose, sarcoptose. 
Capitulo 4 
 
Protozoários 
 
O sub-reino Protozoa é constituído por cerca de 60.000 
espécies conhecidas, das quais 50% são fósseis e o res- 
tante ainda vivem até hoje; destes, aproximadamente 10.000 
espécies são parasitos dos mais variados animais e apenas 
algumas dezenas de espécies infectam o homem. Os 
Protozoa são divididos em sete filos: Sarcomastigophora, 
Apicomplexa, Ciliophora, Microspora, Labyrinthomorpha, 
Ascetospora e Myxospora; destes, apenas os quatro pnmei- 
ros têm interesse emparasitologia humana e serão aqui es- 
tudados. 
Os protozoários englobam todos os organismos protis- 
tas, eucariotas, constituídos por uma única célula. Apresen- 
tam as mais variadas formas, processos de alimentação, lo- 
comoção e reprodução. É uma única célula que, para sobre- 
viver, realiza todas as funções mantenedoras da vida: ali- 
mentação, respiração, reprodução, excreção e locomoção. 
Para cada função existe uma organela própria, como, por 
exemplo: 
núcleo: bem definido e com envelope nuclear. Al- 
guns protozoários têm apenas um núcleo, outros 
têm dois ou mais núcleos semelhantes. Os ciliados 
possuem dois tipos de núcleo - macronúcleo (vege- 
tativo e relacionado com a síntese de RNA e DNA) 
e micronúcleo (envolvido na reprodução sexuada e 
assexuada); 
aparelho de Golgi: síntese de carboidratos e conden- 
sação da secreção protéica; 
retículo endoplasmático: a) liso - síntese de esterói- 
des; b) granuloso - síntese de proteínas; 
mitocôndria: produção de energia; 
cinetoplasto: uma mitocôndria especializada rica em 
Cada organela é mais ou menos semelhante nas várias 
espécies, entretanto, ocorrem pequenas diferenças que po- 
dem ser observadas ao microscópio óptico ou unicamente 
ao microscópio eletrônico. Além destas ferramentas, o estu- 
do dos protozoários inclui também aspectos bioquímicas, de 
biologia celular e molecular. 
Quanto a morfologia, os protozoários apresentam gran- 
des variações, conforme sua fase evolutiva e meio a que es- 
tejam adaptados. Podem ser esféricos, ovais ou mesmos 
alongados. Alguns são revestidos de cílios, outros possuem 
flagelos, e existem ainda os que não possuem nenhuma or- 
ganela locomotora especializada. Dependendo da sua ativi- 
dade fisiológica, algumas espécies possuem fases bem de- 
finidas. Assim temos: 
Trofozoíto: é a forma ativa do protozoário, na qual ele 
se alimenta e se reproduz por diferentes processos. 
Cisto e oocisto: são formas de resistência. O protozoá- 
rio secreta uma parede resistente (parede cística) que 
o protegerá quando estiver em meio impróprio ou em 
fase de latência (os cistos podem ser encontrados em 
tecidos ou fezes dos hospedeiros; os oocistos são 
encontrados em fezes do hospedeiro e são provenien- 
tes de reprodução sexuada). 
Gameta: é a forma sexuada, que aparece em espécies 
do filo Apicomplexa. O gameta masculino é o microga- 
meta e o feminino é o macrogameta. 
A seguir, apresentaremos alguns aspectos da biologia 
dos Protozoa. Mais detalhes e exemplos serão mostrados 
durante os capítulos específicos. 
DNA;. 
lisossoma: vermite a digestão intracelular de partícu- 
REPRODUÇÃO - 
las; Encontramos os seguintes tipos de reprodução: 
microtúbulos: formam o citoesqueleto. Participam dos 
movimentos celulares (contração e distensão) e na 
composição de flagelos e cílios; As SEXUADA 
flagelos, cílios e pseudópodos: locomoção e nutrição; divisão binária ou cissiparidade; 
corpo basal: base de inserção de cílios e flagelos; brotamento ou gemulação; 
axonema: eixo do flagelo; endogenia: formação de duas ou mais células-filhas por 
citóstoma: permite ingestão de partículas. brotamento interno; 
Capitulo 5 33 
esquizogonia: divisão nuclear seguida de divisão do 
citoplasma, constituindo vários indivíduos isolados si- 
multaneamente. Na realidade existem três tipos de 
esquizogonia - merogonia (produz merozoítos), 
gametogonia (produz microgametas) e esporogonia 
(produz esporozoitos). 
Existem dois tipos de reprodução sexuada: 
conjugação: no filo Ciliophora ocorre união temporá- 
ria de dois indivíduos, com troca mútua de materiais 
celulares; 
singamia ou fecundação: no filo Apicomplexa ocorre 
união de microgameta e macrogameta formando o 
zigoto, o qual pode dividir-se formando um certo nú- 
mero de esporozoítos. 
Quanto ao tipo de alimentação, os protozoários po- 
dem ser: 
holofiticos ou autotróficos: são os que, a partir de 
grãos ou pigmentos citoplasmáticos (cromatóforos), 
conseguem sintetizar energia a partir da luz solar 
(fotossíntese); 
holozóicos ou heterotróficos: ingerem partículas orgâ- 
nicas de origem animal, digerem-nas e, posteriormen- 
te, expulsam os metabólitos. Essa ingestão se dá por 
fagocitose (ingestão de partículas sólidas) ou pinoci- 
tose (ingestão de partículas pequenas); 
saprozóicos: "absorvem" substâncias orgânicas de 
origem vegetal, já decompostas e dissolvidas em meio 
liquido; 
mixotróficos: quando são capazes de se alimentar por 
mais de um dos métodos acima descritos. 
Pode ser feita por meio de dois mecanismos: 
difusão dos metabólitos através da membrana; 
expulsão dos metabólitos através de vacúolos con- 
tráteis. 
Podemos encontrar dois tipos principais: 
aeróbicos: são os protozoários que vivem em meio rico 
em oxigênio; 
anaeróbicos: quando vivem em ambientes pobres em 
oxigênio, como os parasitos do trato digestivo. 
A movimentação dos protozoários é feita com auxílio de 
uma ou associação de duas ou mais das seguintes organelas: 
pseudópodos; 
flagelos; 
cílios; 
microtúbulos subpeliculares que permitem a locomo- 
ção por flexão, deslizamento ou ondulação. 
Segundo Levine e cols. (1980), o sub-reino Protozoa 
pertence ao reino Protista e é constituído por sete filos, dos 
quais os quatro seguintes têm interesse em parasitologia 
humana (Tabela 5.1): 
1) Filo Sarcomastigophora: com núcleos simples; presen- 
ça de flagelos, pseudópodos ou ambos; 
Subfilo: Mastigophora: com um ou mais flagelos; 
Classe: Zoomastigophorea: sem cloroplastos; um ou vá- 
rios flagelos; 
Ordem: Kinetoplastida: um ou dois flagelos, originados 
de uma depressão; presença de cinetoplasto: organela rica 
em DNA; 
Subordem: Trypanosomatina: um flagelo livre ou com 
membrana ondulante. Ex.: Leishmania, Trypanosoma; 
Ordem: Diplomonadida: Corpo com simetria bilateral; um 
a quatro flagelos; cistos presentes; 
Subordem: Diplomonadina: dois corpos parabasais. Ex.: 
Giardia; 
Ordem: Trichomonadida: tipicamente com 4-6 flagelos, 
um deles formando membrana ondulante; presença de cor- 
po parabasal. Ex.: Trichomonas; 
Subfilo: Sarcodina: com pseudópodos; as vezes com fla- 
gelos; 
Superclasse: Rhizopoda: movimentação por diferentes 
tipos de pseudópodos; 
Classe: Lobosea: pseudópodos lobosos ou filiformes, 
mas grossos na base; 
Subclasse: Gyrnnamoebia: sem carapaça; 
Ordem: Amoebida: tipicamente uninucleado, sem flagelo 
em nenhum estágio; 
Subordem: Tubulina: corpo cilíndrico; citoplasma não 
se dirige simultaneamente para duas direções. Ex.: 
Entamoeba; 
Subordem: Acanthopodina: pseudópodos finos, furca- 
dos, originados de um espesso. Ex.: Acanthamoeba; 
Ordem: Schizopyrenida: corpo cilíndnco, movirnentando- 
se emptivamente; flagelos temporários. Ex.: Naegleria. 
2) Filo Apicomplexa: com complexo apical (visível ape- 
nas em microscópio eletrônico, constituído por anel polar, 
micronemas, conóide, roptrias e microtúbulos subpelicula- 
res), presença de plastídeo não-fotossintético ou apicoplas- 
to; sem cílios; todos parasitos; 
Classe: Sporozoea: o conóide, quando presente, forma 
um cone completo; reprodução sexuada e assexuada; loco- 
moção por flexão; 
Subclasse: Coccidia: gametas usualmente presentes, pe- 
quenos, intracelulares; ciclo apresentando merogonia, 
gametogonia e esporogonia; 
Ordem: Eucoccidiida: merogonia presente; ocorre em 
vertebrados e invertebrados; 
Subordem: Eimeriina: esporozoítos incluídos em esporo- 
cistos dentro de oocistos; microgametócito produz numero- 
sos microgametas; zigoto imóvel. Ex.: Toxoplasma, Sarco- 
cystis, Isospora, Cryptosporidium, Cyclospora; 
34 Capitulo 5

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