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17/11/2025 1 Profa. Dra. Carolina de Alvarenga Cruz PNSE • INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 17, DE 8 DE MAIO DE 2008 • O PNSE visa ao fortalecimento do complexo agropecuário dos equídeos, por meio de ações de vigilância e defesa sanitária animal • A coordenação do PNSE será exercida por um representante do Departamento de Saúde Animal - DSA 17/11/2025 2 PNSE • Para prevenir, diagnosticar, controlar e erradicar doenças que possam causar danos ao complexo agropecuário dos equídeos, o PNSE promoverá as seguintes atividades: – I - educação sanitária; – II - estudos epidemiológicos; – III - controle do trânsito; – IV - cadastramento, fiscalização e certificação sanitária; – V - intervenção imediata quando da suspeita ou ocorrência de doença de notificação obrigatória. Mormo 17/11/2025 3 Introdução • Doença infectocontagiosa solípedes • Piogranulomatosa • Lesões: respiratórias, linfáticas, cutâneas • Bactéria Burkholderia mallei • Não tem cura e até agora não foi descoberta vacina para combatê-lo • Lista de Enfermidades da OMSA • Doença de notificação obrigatória sacrifício dos animais acometidos • Zoonose Sinonímia • Catarro de burro • Catarro de mormo • Cancro nasal • Lamparão • Farcinose • Doença do catarro • Catarro bravo 17/11/2025 4 Histórico • Uma das mais antigas doenças dos equídeos – Aristóteles e Hipócrates nos séculos II e IV a.C • Séculos: problema mundial • Alta morbidade e letalidade: ocorre em diferentes países do mundo • 1862 Loeffler e Schutz: isolamento e reprodução da enfermidade em animais • 1882 agente descrito com mais detalhes Histórico • Vitimou tropas inteiras de equinos: I GM • 1914-1918: arma biológica contra equinos dos EUA • 1940: Romênia, Polônia e Rússia • Décadas subsequentes restrita – Norte da África – Leste da Europa – Leste da Ásia – Oriente médio (Índia, Paquistão, Iraque, Turquia) • EUA, Inglaterra e Austrália: erradicada • Notificações recentes: Emirados Árabes e Brasil • Agente temido: bioterrorismo 17/11/2025 5 Histórico Brasil • Introdução: Ilha de Marajó, 1811 – Equinos importados da região do Porto – Primeiros casos da doença: catarro e cancro nasal • 1896: grande surto – Companhia Paulista de Viação: equídeos para tração de bondes • 1908-1909: epidemia no exército brasileiro – Animais – Humanos 1910: 1ª escola de veterinária do país no RJ Histórico Brasil • 1960 a 1968 considerada praticamente erradicada • 1999 UFRPE – Casos graves de doença infecciosa quadros de linfangite, lesões cutâneas purulentas, pneumonia abscedante – Apresentação evolução altamente letal – Apesar de considerado erradicado: mormo – Agente causal isolado em laboratório oficial da OMSA 17/11/2025 6 Histórico Brasil • Notificação: sanções ao trânsito e comércio de equídeos – Normatização de medidas de controle – Erradicação de focos: serviço de defesa • 2007 endêmica no Nordeste • 03/09/2008 Santo André- SP • 2012 MG e BA • 2013 equino positivo em SP • 2014 + animais da polícia montada • Atualmente: – Endêmico no NE – Diagnosticado em praticamente todos os Estados brasileiros Importância • Ameaça da movimentação de equinos reintroduzir o mormo em países que já erradicaram a doença • Não existe tratamento 17/11/2025 7 Importância • Saúde pública: ZOONOSE – Grave – Curso geralmente fatal: diagnóstico e/ou instituição tardia de tratamento – Não há registros atuais – Transmissão • Inalação de aerossóis • Inoculação traumática do microrganismo – PE: mucosas – PI: variável meses – Estudos recentes: vacinas vivem em zonas endêmicas Etiologia Burkholderia mallei • Bastonete Gram negativo • Anteriormente classificado nos gêneros Pseudomonas e Actinobacillus • 1992: novo gênero, denominado Burkholderia 17/11/2025 8 Etiologia • Sem cápsula • Imóvel • Não formam esporos • O bacilo do mormo é anaeróbio, oxidase, catalase positiva e redutor de nitrato • Crescem bem em meios que contenham glicerol ou sangue • Não produz hemólise no ágar sangue • As colônias apresentam aspecto mucoide e brilhante Mormo 17/11/2025 9 Etiologia Resistência • Resistência – Prolongada em ambientes molhados ou úmidos – Desinfetantes à base de compostos fenólicos • Sensível – Desinfetantes usuais como hipoclorito de sódio e iodo – Calor e raios solares diretos – Calor a 55ºC por dez minutos e pela irradiação ultravioleta. Etiologia • Fatores de virulência pouco conhecidos • Comprovou recentemente que um polissacarídeo capsular é essencial para a virulência em hamsters e ratos 17/11/2025 10 Epidemiologia • Principais hospedeiros: equinos, muares e asininos – Domésticos: cães, gatos, caprinos, ovinos – Silvestres: zebras, camelídeos e leões • O homem é suscetível • Resistentes: bovinos, suínos e aves Epidemiologia • Equídeos • Nordeste: equídeos velhos >= 10 anos • Trabalho intenso e estressante • > frequência: dietas deficiente proteína • Treinamento excessivo • Aglomeração • Condições impróprias de higiene • Intenso parasitismo intestinal 17/11/2025 11 Epidemiologia • Vias de eliminação: – Secreções nasais purulentas*** – Aerossóis – Secreções de lesões cutâneas e linfáticas – Fezes e urina: ocasionalmente • Meios de transmissão: – Pasto, água, alimentos, utensílios – Contato direto • Porta de entrada: – Via oral*** – Transcutânea – Respiratória Epidemiologia • A doença também pode acometer seres humanos e alguns carnívoros qdo: – Ingerem carne contaminada ou órgãos infectados de equídeos – Contato e penetração das bactérias nos tecidos a partir de ferimentos cutâneos ou mucosos – Por via aerógena 17/11/2025 12 Epidemiologia Patogenia • PI animais pode manifestar-se logo em seguida à infecção ou tornar-se latente • Para fins de transporte internacional – PI: OMSA é de 6 meses 17/11/2025 13 Patogenia Linfonodos da cabeça e mesentéricos Disseminação sistêmica via linfo- hemática Manifestação aguda Linfática: linfangite e formação de nódulos Mormo Penetração da bactéria na mucosa intestinal Bactéria na corrente sanguínea Septicemia (aguda) Bacteremia (crônica) 17/11/2025 14 Sinais clínicos • Burros e jumentos forma aguda • Na forma aguda ocorre • Febre alta • Tosse • Corrimento nasal • Úlceras disseminadas na mucosa nasal • Nódulos na pele da extremidades dos membros ou abdome • Septicemia e morte Sinais clínicos • Cavalos forma crônica • 3 formas 1. Forma nasal: – Inicia-se com nódulos de aproximadamente 1 cm de diâmetro – Ulceram, ocorre corrimento nasal seroso uni ou bi- lateral, tornando-se muco-sanguinolento com o evoluir da doença – No processo de cicatrização as ulceras são substituídas por uma cicatriz em forma de estrela. 17/11/2025 15 Sinais clínicos 2. Forma pulmonar: – Pneumonia crônica acompanhada de úlceras na pele dos membros e na mucosa nasal – Tosse – Epistaxe frequente e respiração dificultada – Secreção nasal serosa que evolui para purulenta com estrias de sangue – Febre (≥ 40° C) – Apatia – Caquexia Sinais Clínicos 3. Forma cutânea – Nódulos subcutâneos de 1-2 cm de diâmetro que ulceram e liberam uma secreção purulenta amarronzada – Vasos linfáticos fibrosos e espessados irradiam das lesões e formam redes – Os linfonodos regionais podem fistular Principal lugar das lesões cutâneas: região medial do jarrete, mas pode acometer qualquer região do corpo 17/11/2025 16 Indicadores clínicos de mormo Fonte: EMBRAPA Diagnóstico • Aspectos clínicos-epidemiológicos • Hematológicos • Microbiológico • Anatomo-histopatológicos • Inoculação em animais de laboratório • Reação imunoalérgica (maleinização) • Teste sorológico como fixação de complemento • ELISA 17/11/2025 17 Diagnóstico 1. Aspectos clínicos-epidemiológicos • À anamnese – Idade avançada – Regiões endêmicas – Trabalho/ exercício intensos – Deficiência em manejo nutricional – Participação em eventos com alto fluxo de animais • Clínica – Abscessos – Sinais respiratórios – Linfangite(aspecto de rosário) – Úlceras e cicatrizes oronasais ( ) – Emagrecimento progressivo – Atrtrite e/ou edema Diagnóstico 2. Hematológicos • Não são característicos – Leucocitose – Neutrofilia com desvio à esquerda – Monocitose – Hipergamaglobulinemia – Graus variados de anemia 17/11/2025 18 Diagnóstico 3. Microbiológico • Material purulento • Lavados traqueais • Nódulos cutâneos • Linfonodos • Fragmentos de órgãos à necropsia • Secreções nasais Diagnóstico • Portaria 35 de 17 de abril de 2018 – Maleinização (Maleína PPD)potros até 6 meses – Teste de fixação de complemento trânsito internacional – ELISA substitui a FC, teste de triagem – Western Blotting teste confirmatório • A inoculação de maleína é feita a campo por médicos veterinários oficiais • A maleína é injetada intra-dérmica (0,1ml) na pálpebra inferior, realizando-se a leitura 48 horas após • Uma reação positiva revela edema palpebral com blefaroespasmo e severa conjuntivite purulenta. 17/11/2025 19 Diagnóstico • Teste de fixação de complemento • Deve ser realizado em laboratórios oficiais ou credenciado pelo MAPA • Baseia-se na detecção de anticorpos específicos contra B. mallei que podem ser observados umas semana após a infecção • O teste detecta animais com clínica inaparente e aqueles infectados na fase crônica Diagnóstico • Antígeno da maleína: PPD de B. mallei • Princípio: – Estimulação de linfócitos T – Resposta de hipersensibilidade – Alta especificidade – Baixa sensibilidade 17/11/2025 20 Diagnóstico • Isolamento bacteriano e inoculação em animais de laboratório – material biológico de eleição: • conteúdo purulento dos nódulos cutâneos fechados obtidos por punção aspirativa e “swabs” da mucosa nasal enviados ao laboratório sob refrigeração Diagnóstico Diagnóstico • O material deve ser semeado em ágar sangue ovino desfibrinado e incubado a 37 ˚C durante 48-72 horas • Posteriormente, realiza-se identificação bacteriana, coloração de Gram e provas bioquímicas • O material da coleta deve ser inoculado na cavidade peritoneal das cobaias, observando-se por até duas semanas após a inoculação. 17/11/2025 21 Diagnóstico Diagnóstico • As cobaias apresentarão aumento de volume testicular e sinais de septicemia após 24-48 horas após a inoculação ou abscessos no ponto de inoculação aproximadamente 3-5 dias após • À necropsia observam-se lesões abscedativas em diferentes órgãos Saneamento das propriedades Fonte: EMBRAPA 17/11/2025 22 Defesa Sanitária Fonte: EMBRAPA Diagnóstico diferencial • Garrotilho • Tuberculose • Linfagite Epizoótica • Linfagite Ulcerativa • Esporotricose • Rinosporidiose 17/11/2025 23 Tratamento Tratamento para os animais Não existe: viabilidade intracelular Sacrifício de todos os animais infectados. Controle e prevenção • Sacrifício dos animais positivos às provas de diagnóstico • Enterro ou incineração dos cadáveres • Desinfecção das instalações e de todo material que esteve em contato com os animais doentes • Interdição da propriedade e saneamento do foco • Notificação de qualquer suspeita ao serviço de defesa sanitária animal do Estado • Adquirir animais de propriedades comprovadamente livres da doença • Realização de quarentena 17/11/2025 24 Prevenção e controle INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 6, DE 16 DE JANEIRO DE 2018 • Art. 14. Diante de foco confirmado de mormo, o SVO deverá: – I - manter a interdição da(s) unidade(s) epidemiológica(s); – II - determinar e acompanhar a eliminação do foco, a eutanásia e, a critério do SVO, a realização de necropsia com colheita de amostras, e posterior destruição da carcaça; – III - realizar colheita de amostra para investigação sorológica nos demais equídeos da(s) unidade(s) epidemiológica(s); – IV - realizar investigação epidemiológica, incluindo avaliação da movimentação dos equídeos do estabelecimento pelo menos nos últimos 180 (cento e oitenta) dias anteriores à confirmação do caso, com vistas a identificar possíveis vínculos epidemiológicos; Prevenção e controle INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 6, DE 16 DE JANEIRO DE 2018 • Art. 14. Diante de foco confirmado de mormo, o SVO deverá: – V - supervisionar a destruição do material utilizado para cama, fômites e restos de alimentos do animal infectado e orientar sobre medidas a serem adotadas para descontaminação do ambiente; – VI - realizar investigação clínica e soroepidemiológica nos estabelecimentos com vínculo epidemiológico – VII - notificar a ocorrência de mormo às autoridades locais de saúde pública 17/11/2025 25 Prevenção e controle INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 6, DE 16 DE JANEIRO DE 2018 • Art. 14. Diante de foco confirmado de mormo, o SVO deverá: – Art. 16. Todo foco de mormo deverá ser obrigatoriamente eliminado, observando-se: • I - a realização de eutanásia dos casos confirmados de mormo • II - a realização de testes de diagnóstico consecutivos de todos os equídeos da unidade epidemiológica, com intervalo de 21 (vinte e um) a 30 (trinta) dias entre as colheitas, com prazo máximo de 30 (trinta) dias para a primeira coleta: • a) todos os equídeos das unidades epidemiológicas serão submetidos ao teste de triagem ou complementar, a critério do SVO; • b) para animais com resultado positivo no teste complementar • c) Potros com idade inferior a 6 (seis) meses de idade, filhos de éguas positivas para mormo deverão ser examinados clinicamente e, caso não apresentem sintomas de mormo, devem ser mantidos isolados e submetidos a testes sorológicos ao completarem 6 (seis) meses de vida. Prevenção e controle INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 6, DE 16 DE JANEIRO DE 2018 • A validade do teste será de 60 (sessenta) dias a partir da data de colheita da amostra • O trânsito interestadual de equídeos está condicionado à apresentação de: – I - documento oficial de trânsito animal, aprovado pelo MAPA ; – II - resultado negativo para mormo dentro do prazo de validade, contemplando todo o período da movimentação; – III - demais exigências sanitárias, observada a legislação específica. . 17/11/2025 26 Mormo no ser humano PI: 1 a 14 dias • Curso da doença: agudo ou crônico • Localização: pulmões, mucosas do nariz, laringe e traqueia Mormo no ser humano • Manifestação clínica – Pneumonia, broncopneumonia ou pneumonia lobar com bacteremia – Abscesos pulmonares, efusão pleural – Processo agudo: fluxo mucopurulento do nariz – Processo crônico: lesões nodulares granulomatosas nos pulmões 17/11/2025 27 Mormo no ser humano • Mucosa das fossas nasais e faringe: – úlceras • Na pele, no sítio penetração – celulite com vesiculação, ulceração, e linfadenopatia • A letalidade dos casos clínicos é alta Controle – mormo no ser humano Erradicação da doença nos solípedes