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PSICOLOGIA SOCIAL E ORGANIZACIONAL 
Me. Denise Marques Alexandre 
GUIA DA 
DISCIPLINA 
 
 
 
1 Psicologia Social 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
1. A PSICOLOGIA COMO CIÊNCIA INDEPENDENTE. 
 
Afinal, o que estuda a Psicologia? 
 
A Psicologia tem suas raízes na Filosofia, e nesse período a natureza humana era 
estudada mediante a especulação, a intuição e a generalização. Para ocupar o status de 
ciência precisou romper com suas raízes e utilizar métodos bem sucedidos nas ciências 
físicas e biológicas. 
 
A psicologia é uma ciência e vai sendo construída à medida que os homens vão 
construindo a si e a seu mundo. A preocupação do homem com as chamadas atividades 
subjetivas é tão antiga quanto as primeiras formas do pensamento racional, ou seja, quando 
o homem pensa acerca do mundo, dos outros homens e de si mesmo, elabora ideias 
psicológicas, ideias que se referem a processos individuais e subjetivos, como, por 
exemplo, as percepções e as emoções. 
 
A psicologia se "desliga" da filosofia e se configura enquanto ciência independente 
quando deixa de buscar a essência humana e passa a adotar métodos para não só 
conhecer, mas também intervir nesse ser humano. Deixando mais claro: 
 
A filosofia através da observação das atividades humanas com base nas reflexões 
sobre estas atividades busca determinar a natureza humana e suas relações com o mundo. 
Busca a essência desta natureza (Misiak, 1964, p 15). 
 
Enquanto: 
 
A psicologia através de métodos científicos estuda o comportamento humano, tanto 
o comportamento manifesto como as atividades concomitantes como o sentir, perceber, 
pensar. Seja na descrição ou mensuração deste comportamento a Psicologia se vincula a 
outras ciências como as ciências sociais e as ciências biológicas (idem, p.15). 
 
Fato histórico que marcou o nascimento da Psicologia Científica, foram os 
experimentos propostos por Wundt, no laboratório de Psicologia Experimental, na 
Universidade de Leipzig. Depois outros pesquisadores surgiram e avançaram na 
construção da Psicologia Científica. 
 
 
2 Psicologia Social 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
 
Vamos conhecer as escolas de pensamento que constituíram o movimento da 
Psicologia Científica. 
 
 
 
 
 
Fonte da imagem: https://www.g44brasil.com 
 
Para iniciarmos a nossa jornada de conhecimento sobre as escolas de pensamento 
é necessário compreender o que elas significam para a ciência psicológica. Vamos lá! 
 
As escolas de pensamento eram compostas por pensadores e pesquisadores que 
se associavam ideológica e, às vezes, geograficamente ao líder de um movimento. Os 
membros de uma escola de pensamento trabalhavam em problemas comuns e 
compartilhavam de uma orientação teórica. 
 
Uma das características mais marcantes da História da Psicologia foi o surgimento 
das escolas de pensamento diferentes que, por vezes, surgiam simultâneas e 
subsequentemente vinham ao declínio e eram substituídas por outras. 
 
As escolas do pensamento são: 
Você sabe o que 
significa escola de 
pensamento?
 
 
3 Psicologia Social 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
 
Fonte da imagem: Desenvolvido pela autora (2021) 
 
Vamos começar conhecendo três importantes escolas do final do século XIX que 
impulsionaram a construção da Psicologia como ciência. Leia o quadro abaixo e observe 
as diferenças de cada uma delas: 
 
ESCOLAS DE PENSAMENTO – Final Século XIX 
 ESTRUTURALISMO FUNCIONALISMO ASSOCIALISMO 
TEÓRICO 
Edward Titchner (1867-
1927): Seguidor de Wundt 
propôs o estruturalismo, o 
qual pretende analisar a 
consciência nas suas 
partes constituintes para 
assim determinar a sua 
estrutura. 
William James (1820-1903): 
Investigou a utilidade/função 
dos processos mentais para o 
organismo nas suas 
permanentes tentativas de se 
adaptar ao meio ambiente. 
 
 
Edward Thorndike (1874-
1949): Elaborou uma teoria 
objetiva e mecanicista da 
aprendizagem que se 
concentra no 
comportamento manifesto. 
Importante pesquisador no 
desenvolvimento da 
Psicologia Animal. 
 
OBJETO DE ESTUDO 
Estrutura da consciência 
 
Consciência 
Comportamento 
Aprendido 
Estruturalismo
Funcionalismo
Associalismo
Behaviorismo
Gestalt
Psicanálise
 
 
4 Psicologia Social 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
MÉTODO 
Introspecção 
qualitativa, consistia que 
observadores 
descrevessem o seu 
estado consciente após 
sujeitos a um dado 
estímulo. 
Observação 
Introspectiva e técnicas de 
obtenção de dados, como a 
pesquisa fisiológica, testes 
mentais, questionários e 
descrições objetivas do 
comportamento 
Experimental que consistia 
em estabelecer 
conexões/associações 
entre situações e respostas 
 
 
 
Tabela desenvolvida pela autora (2021) 
 
Agora iremos conhecer as novas escolas de pensamento que surgiram e indicaram 
as tendências teóricas da Psicologia no século XX. O criador do Behaviorismo é John B, 
Watson (1870-1959) doutorado pela Universidade de Chicago. Descontente com a situação 
que se encontrava a Psicologia, e inspirado pelo grande desenvolvimento das ciências 
naturais na época, Watson propôs um novo objeto de estudo para a Psicologia: o 
comportamento. Agora iremos compreender o que as escolas de pensamento do final do 
século XIX trouxeram de transformação para a ciência psicológica. 
 
ESCOLAS DE PENSAMENTO – Século XX 
 BEHAVIORISMO GESTALT PSICANÁLISE 
TEÓRICO 
John Watson (1878-
1959): Rompe com a 
Psicologia introspectiva e 
reafirma status de ciência 
ao propor o 
comportamento como 
objeto mensurável, 
observável e passível de 
reprodução. 
 Os principais representantes 
Max Wertheimer, Wolfagag 
Kohler, Kurt Lewin (1890-
1947): Movimento de origem 
alemã, o lema da Gestalt era “o 
todo é mais do que a soma das 
partes”. Psicologia da Forma. 
 Sigmund Freud (1956-
1939): Importante médico 
vienense. Revolucionou o 
modo de pensar a vida 
psíquica. 
OBJETO DE ESTUDO 
Comportamento 
observável. 
 
Percepção e pensamento como 
totalidade 
 
Inconsciente 
 
 
5 Psicologia Social 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
MÉTODO 
Experimental, 
descartou os estudos dos 
fenômenos mentais, 
sensações, funções 
mentais e, também, a 
introspecção como 
método. 
 
Introspecção e experimental. 
 
Analítico através da 
associação livre 
 
Tabela desenvolvida pela autora (2021). 
 
Apesar das contribuições da Gestalt e da Psicanálise, até a Segunda Guerra Mundial 
o Behaviorismo dominava a psicologia, principalmente nos EUA. Depois da guerra 
aumentou o interesse pela psicologia. Devido a necessidade de fornecer tratamentos aos 
veteranos de guerra, a Psicologia Aplicada se expande (Psicologia Clínica, Avaliação 
Psicológica e Psicologia Educacional). 
 
Diante desse movimento houve o surgimento de novas abordagens teóricas 
trazendo avanços na ciência psicológica. No Behaviorismo surgiram abordagens do 
Behaviorismo Radical (Burrhus Skinner), Neobehaviorismo (Albert Bandura), na Gestalt a 
Fenomenologia (Heiddeger, Pearls) e a partir da Psicanálise Psicologia Analítica (Jung), 
Psicologia Kleiniana (Melanie Klein), Lacaniana (J. Lacan). 
 
O Humanismo é um movimento mais recente em Psicologia, que enfatiza a 
necessidade de estudar o homem, indivíduos normais psicologicamente, sem 
exclusivamente tratar as questões patológicas. Tem o intuito de estudar processos mentais 
tipicamente humanos, como: o pensar e o sentir. São representantes do Humanismo: 
Abraham Maslow, Rollo May e Carl Rogers. 
 
Bleger (1979) assinala que a Psicologia não é a ciência apenas das manifestações 
observáveis e nem apenas de fenômenos mentais, mas abarca o estudo de todas as 
manifestações. 
 
A distinção que se costuma fazer entre ciência “pura” e ciência “aplicada é dizer: 
 
 
 
6 Psicologia Social 
Universidade Santa Cecília - Educaçãoautores, portanto, as identidades sociais consistem 
em categorias socialmente construídas que se mostram mais ou menos salientes, em 
função das características da situação social. 
 
 
37 Psicologia Social 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
A teoria da identidade social, em suas múltiplas vertentes, pode ser vista, portanto, 
como uma abordagem que, nos últimos 30 anos, vem procurando elucidar o papel 
desempenhado pelo autoconceito nos processos e relações intergrupais, mediante a 
articulação de fenômenos de natureza sociocognitiva, motivacional e macrossocial que 
permeiam a vida coletiva. Inicialmente surgida na Europa, ela tem sido adotada cada vez 
mais como referencial por pesquisadores de diversas partes do mundo, incluindo-se aí 
muitos psicólogos norte-americanos, podendo ser considerada atualmente uma das mais 
significativas teorias para a análise das relações entre o indivíduo e o grupo (Hogg, 2006). 
 
Nesse sentido, ela vem sendo utilizada mais recentemente não apenas no estudo 
das relações intergrupais, mas também na investigação da auto categorização e de vários 
processos grupais, como a coesão, a liderança, a influência social etc. No entanto, ela 
continua sem resolver um de seus principais desafios, qual seja promover a maior 
compreensão dos aspectos afetivos que se encontram subjacentes às formas mais hostis 
e destrutivas de comportamento intergrupal (Brown, 2000). 
 
Tema de estudo: Representações sociais 
Segundo Moscovici (1981), as representações sociais englobam um conjunto de 
conceitos, imagens e explicações que se originam do senso comum, no contexto das 
interações e comunicações interpessoais. 
 
Nesse sentido, elas vão se modificando à medida que novos significados vão sendo 
acrescentados à realidade. Ainda de acordo com o autor (Moscovici, 1984), a função das 
representações sociais é dar sentido ao desconhecido, transformando o não familiar em 
algo familiar. Para tanto, apoia-se nos processos de ancoragem e objetivação. O primeiro 
se ocupa de inserir o fenômeno não familiar em uma rede de categorias e imagens 
familiares, de modo a que ele possa ser interpretado, enquanto o segundo tem por objetivo 
transformar o que é abstrato em algo concreto e que pode ser tocado. 
 
A teoria das representações sociais foi amplamente difundida nas décadas seguintes 
à sua introdução na literatura sociopsicológica, especialmente entre os psicólogos 
europeus e latino-americanos, com os pesquisadores de tal corrente procurando aplicar 
seus princípios teóricos a inúmeros eventos aos quais podem ser atribuídos significados 
que emergem do senso comum. Nesse sentido, a análise das teorias mantidas pelo homem 
comum tem contribuído para a compreensão de fenômenos tão diversificados quanto a 
 
 
38 Psicologia Social 
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saúde/doença, a doença mental, a violência, a justiça, o desemprego, a amizade, os 
sistemas tecnológicos, os sistemas econômicos etc. 
 
Teoria: Núcleo central. 
A Teoria do Núcleo Central é uma extensão do trabalho de Moscovici que foi 
proposta por Abric (1994) e defende que toda representação social se organiza em torno 
de um núcleo central e de elementos periféricos. O núcleo central consiste no elemento 
essencial da representação, em função de organizá-la e lhe dar sentido. Ele é mais rígido 
e ancora-se na memória coletiva do grupo, em suas condições históricas e sociais. Já os 
elementos periféricos são mais móveis e flexíveis. Sua função é proteger a estabilidade do 
núcleo central e permitir a adaptação de grupos e indivíduos a situações específicas. O 
núcleo central é, portanto, normativo, enquanto os elementos periféricos são funcionais, por 
possibilitarem a ancoragem da representação na realidade do momento (Sá, 1996). 
 
A unidade sete mostrou o importante papel da Psicologia Social na Europa, 
especialmente a Teoria das Representações Sociais, ressaltando que as representações 
sociais participam da construção da realidade, a qual só existe nas interações dos 
indivíduos e grupos com os objetos sociais. 
 
 
 
 
39 Psicologia Social 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
8. GRUPOS, AÇÕES COLETIVAS E MOVIMENTOS SOCIAIS. 
 
Como vimos na unidade um os homens 
vão construindo a si e a seu mundo, e nesta 
unidade teremos a oportunidade de abordar 
brevemente sobre três microteorias que explicam 
como ocorrem os contatos entre grupos, bem 
como, de que forma os movimentos sociais 
mobilizam as ações coletivas. 
 
 
Em psicologia Social, um grupo caracteriza-se principalmente pela ocorrência de 
interações que se mantem ao longo do tempo e pela percepção que seus componentes 
têm deles como algo real e de si mesmos como membros. 
 
Durante o processo de formação do grupo, normas internas são criadas e fazem com 
que determinados comportamentos sejam aprovados (ser gentil com o vizinho) e outros 
sejam vetados (ofender um amigo). Nos grupos também surgem posições que passam a 
representar papéis sociais dos membros, como aqueles representados por professor e 
aluno ou pelos líderes de grupo. Por fim os grupos são caracterizados pelas relações 
afetivas que estabelecem (Fraser, 1978): é pouco provável que os membros de um grupo 
sejam emocionalmente neutros ou indiferentes entre si. 
 
Para que os indivíduos se percebam pertencentes a um grupo, é preciso que 
aconteçam processos de categorização social, por exemplo ser torcedor do Brasil faz com 
que os torcedores brasileiros sejam considerados endogrupo e os não pertencentes a outra 
torcida tornam-se o exogrupo (como o grupo de torcedores de outro país). Portanto, a 
característica definidora do comportamento intergrupal é a distinção entre endogrupo e 
exogrupo. 
 
O processo cognitivo de categorização social é condição imprescindível para a 
existência das teorias e da pesquisa em relações intergrupais é ativada em determinada 
situação diferencia o endogrupo de um exogrupo. De acordo com o paradigma do grupo 
mínimo (Tajfel, 1970), qualquer distinção situacionalmente significativa entre endogrupo e 
Fonte da imagem: https://www.g44brasil.com 
 
 
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exogrupo é suficiente para ativar respostas diferenciadas em relação a outros com base na 
pertença deles ao endogrupo ou ao exogrupo. 
 
Por exemplo, um contato interpessoal entre estudantes pode tornar-se um episódio 
de contato intergrupal se eles começarem a discutir a política de cotas para negros nas 
universidades e suas opiniões divergirem. A discussão passa a ser guiada pelas atitudes 
(positivas ou negativas) em relação a grupos étnicos, e não mais pela identidade pessoal 
de cada estudante envolvido na discussão. Quando as atitudes em relação ao outro grupo 
são negativas, chamamos de preconceito. O preconceito pode acontecer em relação a 
qualquer exogrupo. (Neiva e Torres, 2011). 
 
Quando as respostas dos indivíduos advêm de uma orientação intergrupal, pode 
ocorrer conflito, competição ou comparação, de acordo com as redes de relações 
intergrupais. A natureza dessas relações tem efeitos independentes sobre os processos de 
discriminação e preconceito – a favor do endogrupo e em detrimento do exogrupo. Duas 
teorias desenvolvidas conforme essa orientação são a teoria de conflito realístico e a teoria 
da privação relativa, descritas mais adiante. 
 
A teoria do conflito realístico foi assim denominada por Campbell (1965) ao estudar 
teorias na sociologia, antropologia e psicologia social cuja premissa fosse a de que o 
comportamento intergrupal poderia ser explicado pela natureza e compatibilidade das 
metas grupais. A teoria baseia-se em três pressupostos: 
 
 
1. as pessoas são egoístas e tentam maximizar suas
recompensas (este também é um dos pressupostos da
teoria da equidade);
2. o conflito é resultado de interesses incom patíveisentre
grupos e
3. aspectos sociopsicológicos do comporta mento
intergrupal são consequência (e não determinantes) da
compatibilidade ou da incompatibilidade desses interesses
(Taylor e Moghaddam, 1994)
Adaptado pela autora: Psicologia Social -temas e vertentes (Neiva, 2010, p. 
247) 
 
 
41 Psicologia Social 
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Uma grande vantagem dessa teoria é explicar mudanças em níveis de preconceito 
ao longo do tempo e em diferentes contextos sociais, as quais podem ser atribuídas a 
mudanças nas relações políticas e econômicas entre os grupos envolvidos (Brenner e 
Brown, 1998). 
 
Já a teoria da privação relativa baseia-se na ideia de que o grau de satisfação do 
indivíduo com aspectos específicos de sua vida é determinado por sua própria percepção, 
e não pela situação objetiva (real) na qual se encontra (Taylor e Moghaddam, 1994). É uma 
teoria que explica quando ocorrem protestos e ações coletivas no grupo (motins) e delimita 
quem está mais motivado a participar de protestos e ações coletivas. 
 
O ponto chave para compreender a teoria da privação relativa é a teoria de 
comparação social (Festinger, 1954; Tajfel, 1970), ou seja, as comparações que os 
indivíduos fazem entre si, que os indivíduos fazem com os grupos e que os grupos fazem 
entre si. 
 
A teoria da equidade fala que as noções de equidade se baseiam em formulações 
que remontam à época de Aristóteles. Contemporaneamente, incluem os trabalhos de 
Homans (1961), Blau (1964), e Adams (1965). A teoria da equidade é também chamada de 
teoria de troca por alguns autores e, sob a influência das pesquisas citadas, foi derivada do 
conceito de justiça distributiva desenvolvido por Homans (1961), sendo também associada 
por Adams (1963) a conceitos relacionados à teoria de dissonância cognitiva de Festinger 
(1957). 
 
Os modelos de justiça distributiva representam um grande avanço no campo de 
justiça social, considerando que os modelos anteriores não conseguiam explicar como 
ocorre o julgamento das pessoas quanto ao seu merecimento em relação a algo ou alguém 
(Tyler e Smith, 1998). 
 
A teoria da equidade lida essencial mente com duas questões (Walster, Walster e 
Berscheid, 1978): 
 
 
 
42 Psicologia Social 
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De acordo com Tyler e Smith (1998), equidade pressupõe que satisfação e 
comportamento dependem da percepção do indivíduo sobre os resultados obtidos em 
comparação aos resultados que ele julga que sejam justos. 
 
Uma questão importante é que a teoria da equidade tem como aspecto fundamental 
o conceito de que preferimos ser tratados de forma justa e dar o mesmo tratamento às 
outras pessoas. Pode-se dizer que se trata da chamada regra de ouro (“Faça aos outros o 
queres que te façam”) (Kimble et al., 2002), ou seja, ocorrem contribuições dinâ micas, 
como uma via de mão dupla, que são intercambiadas entre os indivíduos ou grupos. 
Qualquer coisa que recebemos pode ser avaliada pela equidade (dinheiro, elogios). A 
relação de equidade pode ser avaliada em diversos níveis: entre indivíduo‐indivíduo; entre 
grupo‐grupo; entre indivíduo‐grupo. 
 
No decorrer do capítulo oito tivemos a oportunidade de conhecer um pouco mais 
sobre grupos e o contato intergrupal, agora ampliaremos nossa concepção em relação aos 
movimentos grupais, assunto de extrema importância para o Serviço Social. 
 
Vimos nas aulas anteriores que nossas concepções de mundo foram sendo 
construídas ao longo do tempo e das sociedades, a expansão na noção de mundo se 
modifica na medida que as necessidades sociais aparecem. 
 
Pensando nos novos movimentos sociais, Melucci (1989a) identifica as dimensões 
subjetivas, afetivas e culturais como indissociáveis do contexto sócio-histórico, isso os 
distingue dos antigos movimentos sociais, no entendimento de Touraine (1992), que se 
concentravam no controle do poder e na organização do trabalho. 
1.1. O que as pessos pensam ser justo e equitativo? 
1.2. Como elas respondem quando recebem mais ou menos que o justo ou merecido
em suas relações com os outros? Como reagem quando seus companheiros re cebem
benefícios que não merecem ou quando recebem sofrimento prolongado que
também não merecem?
Adaptado pela autora: Psicologia Social -temas e vertentes (Neiva, 2010, p. 
258) 
 
 
43 Psicologia Social 
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Os movimentos articulam as questões da esfera privada — como as discriminações 
que sofrem, os estigmas que lhes são atribuídos, e até mesmo a recepção interpessoal 
negativa (repulsa) a atributos físicos ou de personalidade relacionados a determinados 
grupos sociais (Jesus, 2011a) — com as reivindicações da esfera pública, para construir 
espaços de intimidade e sociabilidade. 
 
 Um movimento social pode ser caracterizado como uma forma de ação coletiva na 
qual as dimensões da solidariedade, do conflito e da ruptura com a lógica do sistema social 
se inter-relacionam (Melucci, 1999). Os movimentos sociais são definidos por Scherer- 
Warren (1989) como sendo: 
(...) uma ação grupal para transformação (a práxis) voltada para a realização dos 
mesmos objetivos (o projeto), sob a orientação mais ou menos consciente de 
princípios valorativos comuns (a ideologia) e sob uma organização diretiva mais ou 
menos definida (a organização e sua direção) (p. 20). 
 
Os movimentos sociais têm sido entendidos, sob o enfoque clássico da Psicologia 
Social, como resultantes dos esforços de determinadas pessoas em resolver coletivamente 
problemas que elas têm em comum (Toch, 1965), em reação a um estado mental de 
insatisfação. 
 
Podemos dizer que os movimentos sociais participam de um projeto macro de 
construção de uma sociedade efetivamente democrática: “o processo de democratização 
ocorreu e ocorre pelo desempenho dos movimentos sociais, posto que a própria redefinição 
da democracia emergiu de tal luta” (Gohn, 2003, p. 18). Tais movimentos, geram 
mobilizações da sociedade civil organizada, como as marchas, paradas, ocupações, e 
podem ser definidas como ritos, ao romperem temporariamente com a rotina e realizarem 
performances de identidades e papéis sociais não-hegemônicos (Jesus, 2010). 
 
Em uma perspectiva psicossocial, considera-se que as pessoas se organizam em 
grupos e protestam em nome de uma causa comum, muitas vezes sacrificando seu conforto 
pessoal, por várias razões, que podem estar fundamentadas em diferentes fatores, entre 
eles: sentimento de injustiça, eficácia de grupo, identidade social e afetividade. 
 
 
 
44 Psicologia Social 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
 
 
 
O capítulo oito teve como objetivo abordar definições, pressupostos, origens, 
aplicações e limitações de três importantes microteorias de contato intergrupal: o conflito 
realístico, a privação relativa e a equidade. Também tivermos a oportunidade de falar sobre 
os movimentos sócias e as ações coletivas. É interessante destacar a influência das 
percepções dos indivíduos sobre seu modo de julgar e de se comportar no mundo, 
especialmente para os estudantes de Serviço Social. 
 
 
 
 
Sentimento de Justiça - De acordo com o princípio do sentimento de injustiça, as pessoas sentem
que estão contribuindo mais para a sociedade do que têm de retorno, em um contexto de
superação do desamparo aprendido, quando as pessoas deixam de acreditar, ou acreditam
menos, que não têm controle sobre a situação
Eficácia do Grupo - De acordo com essa linha de pensamento, as pessoas se mobilizam
socialmente porque têm a expectativa de que problemas relacionados a características grupais
podem ser resolvidos com maior eficácia por meio da ação coletiva (Bandura, 1994)
Identidade Social - A participação é explicada pela formação de uma identidade coletiva, que
estimula as pessoas a protestar em nome dos grupos sociais com os quaisse identificam
(Melucci, 1989b; Simon et al., 1998)
Afetividade - a importância das emoções e sentimentos nas relações interpessoais e intergrupais,
considerando que um mesmo evento pode ter respostas afetivas diversas para diferentes sujeitos
(Goodwin, Jasper & Polletta, 2001; Jesus, 2011a)
Desenvolvido pela autora (2021). 
 
 
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9. PRÁTICAS DE PESQUISA E INTERVENÇÃO NA PSICOLOGIA 
SOCIAL 
 
A última unidade do Guia tem como foco/temática as práticas de pesquisa e 
intervenção, percorremos ao longo das unidades que que a Psicologia Social estuda a 
relação recíproca entre o indivíduo e seu meio social: deu um lado trata do impacto que as 
pessoas exercem em seus amigos, familiares, colegas e até desconhecidos. Por outro lado, 
estuda a maneira como cada um de nós é influenciado pelos outros no que diz respeito a 
nossos sentimentos, experiências e comportamentos. 
 
Notamos que essa relação recíproca entre o indivíduo e um dado meio social sempre 
diz respeito a um objeto, espaço, ideia, pessoa (a si próprio, ao meio social ou a terceiros) 
sobre os quais se tem atitudes, experiências ou disposições comportamentais. 
 
Como o conteúdo desse Guia da disciplina sugere: a psicologia social estuda um 
grande número de assuntos e envolve um número diversificado de abordagens 
metodológicas. Porém, podemos especificar os três principais caminhos para se estudar e 
compreender o comportamento humano no contexto da psicologia social empírica: 
 
 
 
Por conta da ampliação de temas relacionados aos dilemas e desafios éticos 
presentes nos conhecimentos e nos projetos e programas de intervenção socio comunitária, 
a discussão sobre ética tem recebido destaque em vários campos disciplinares e de 
conhecimento. 
1. observar o comportamento que ocorre naturalmente no ambito
da vida real;
2. criar situações artificiais e registar o comportamento diante
das tarefas definidas para estas situações;
3. perguntar às pessoas sobre o que fazem, pensam ou experienciam
a cerca de algo no passado, no presente e no futuro.
Adaptado pela autora: Psicologia Social -temas e vertentes (Gunther, 2010, 
p. 59) 
 
 
46 Psicologia Social 
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As discussões são ligadas aos temas relativos aos impactos gerados a partir das 
diferentes relações estabelecidas entre os profissionais e as comunidades às quais seus 
trabalhos se dirigem, seja no campo da educação, saúde, ciências humanas e sociais, 
urbanismo e planejamento urbano ou rural, políticas sociais e públicas. 
 
Também ligadas às fragilidades e melindres relativos às fronteiras, pouco claras e 
consensuais, entre as autorias da produção de conhecimento e de tecnologias sociais, 
assim como sobre as implicações dos usos inapropriados das ideias ou "origens 
intelectuais" que os pesquisadores e autores demoraram anos para alcançar. 
 
E relacionado à formação que se faz necessária para atuar em instituições e 
comunidades, utilizando programas de ação para diferentes setores e grupos da realidade 
social. Coloca-se, aqui, a discussão sobre "verdades" e "adequações" a respeito de cada 
tipo de formação e os paradigmas predominantes nesse processo formativo. 
 
Vários autores, desde o final do século passado, trouxeram para o debate análises 
a respeito dos limites da ação e organização sociais e dos impactos pessoais e sociais 
produzidos - positivos ou negativos -, seja na perspectiva das redes e movimentos sociais 
e comunitários (Novo, Souza & Andrade, 2001; Ploner, Michels, Schlindwein & Guareschi, 
2003; Gohn, 2010), ou seja na dimensão de como isso poderia contribuir para processos 
de socialização a favor (ou contra) os princípios de civilidade (Altvater, 1999; Appiah, 1999; 
Heller, 1999; Hobsbawm, 2000; Codato, 2006; Sen & Kliksberg, 2010). 
 
Nesse âmbito, pode-se aqui recorrer a Hobsbawm (1998), quando se refere aos 
desafios que a sociedade atual enfrenta quando se depara com a mudança de valores 
básicos de convivência e de sociabilidade. Esse autor chama a nossa atenção para "a atual 
adaptação das pessoas à existência, em uma sociedade desprovida das regras de 
civilização" (Hobsbawm, 1998, p. 268). 
 
A sutileza de alguns processos psicossociais de naturalização da vida cotidiana pode 
ser identificada em exemplos atuais de exploração, sofrimento, humilhação ou mesmo 
admissão de formas de desvalorização, individuais ou coletivas. Essas naturalizações 
acontecem, por exemplo, em situações nas quais há algum grau de aceitação dos episódios 
ou acontecimentos cruéis que aviltam de algum modo a condição humana, ou mesmo 
atribuem "causas" psicológicas para situações que são derivadas das condições de 
 
 
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desigualdades sociais, econômicas, culturais e/ou políticas. Para além da compreensão 
dessa naturalização, parece ser também importante chamar a atenção para o fato de isso 
não gerar um sentimento de indignação, que deveria ser forte o suficiente para impedir que 
tais situações voltassem a acontecer. 
 
[...] todos nos adaptamos à vida em uma sociedade que, pelos padrões de nossos 
avós ou pais - e até pelos padrões de nossa juventude, para os que têm a minha idade -, é 
incivilizada. Acostumamo-nos com ela. Não quero dizer que não conseguimos mais ficar 
chocados com esse ou aquele de seus exemplos. Ao contrário, ficar chocado 
periodicamente por algo invulgarmente terrível é parte da experiência. Ajuda a ocultar o 
quanto nos habituamos à normalidade daquilo que nossos pais - os meus com certeza - 
teriam considerado vida em condições desumanas. (Hobsbawm, 1998, p. 268). 
 
Essa certa "habituação" diante do que não deveria ser admissível e, muito menos, 
tolerável tem afrontado e desrespeitado a vida e a dignidade humanas. "O pior é que 
passamos a nos habituar ao desumano. Aprendemos a tolerar o intolerável" (Hobsbawm, 
1998, p. 279). Isso suscita um debate necessário no campo da ética das ações e das 
práticas humanas que acontecem nos contextos mais variados. Essa habituação gera, ao 
mesmo tempo, um conformismo que coloca em xeque os valores e os princípios 
norteadores do que é chamado de humanamente digno. 
 
Na mesma perspectiva de refletir sobre a vida cotidiana e suas dimensões éticas, 
outros autores apontam o caráter das rápidas mudanças presentes na vida moderna e seus 
impactos para a dinâmica das relações humanas, no sentido disso fragilizar os princípios 
norteadores do agir e interagir coletivos, em diferentes situações. As seguranças a respeito, 
por exemplo, das diferenças entre bem e mal, certo e errado, parecem esvair-se diante da 
volatilidade e esvaziamento de sentidos dos valores e atitudes na vida cotidiana. Parece 
criar-se, na sociedade moderna, uma espécie de zona de conflito e tensão, em que se torna 
cada vez mais preocupante. 
 
[...] a transformação da experiência da vida cotidiana, com a introdução, nos lares e 
mesmo na vida íntima, de uma tecnologia sempre em mudança. Tem-se que mudar hábitos, 
ideias, credos - e reaprender praticamente tudo três vezes na vida. Quanto tempo se 
consegue resistir? Quantas vezes podem as pessoas mudar de atitude na vida? Quantas 
 
 
48 Psicologia Social 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
vezes podem as pessoas mudar de profissão? Quantas vezes podem assumir novas 
orientações? Homens e mulheres sentem que estão perdendo terreno. (Heller, 1999, p. 19) 
 
Buscando analisar as relações entre o processo de investigação e o da práxis no 
campo da intervenção psicossocial em comunidade, propõe-se tomar como ponto de 
partida, para uma primeira reflexão, alguns questionamentos que foram sistematizados por 
Ignácio Martín-Baró (1987) ao pretender analisar criticamente a práxis do(a) psicólogo(a) 
em comunidade. 
 
A partir da perspectiva da psicologiasocial comunitária e da libertação (Dussel, 2002; 
Guzzo, 2010; Freitas, 2010; Flores Osorio, 2011; Gaborit, 2011a e 2011b), Martín-Baró 
(1998) tece críticas a respeito do lugar e compromisso assumidos por esse profissional ao 
atuar e inserir-se nas dinâmicas comunitárias, cuja prática, em sua opinião, deveria 
contribuir para a transformação social e libertação das formas de opressão e exploração na 
vida cotidiana. Três são as perguntas centrais que devem, então, ser feitas, dentro dessa 
perspectiva, quais sejam: a) Como sabemos que o conhecimento da nossa área, ou seja, 
o conhecimento psicológico, possui verdades dirigidas à realidade concreta das 
comunidades? b) Quais são as nossas especificidades históricas e que aspectos são 
cruciais para orientar a nossa prática? c) Que "fazer psicossocial" tem tido a Psicologia em 
relação aos problemas concretos vividos por nossa população? 
 
Essas questões referem-se a eixos colocados por Martin-Baró (1987; 1998) que 
contribuem para que se pense nas dimensões que são importantes para os trabalhos de 
intervenção, assim como para a pesquisa no campo da psicologia social comunitária. 
 
Falar a respeito das relações entre investigação e intervenção dentro das práticas 
comunitárias significa, também, refletir sobre os cuidados éticos que devem estar presentes 
quando da realização desses trabalhos. Considerando-se o contexto das relações 
comunitárias, pode-se dizer que emergem duas preocupações básicas: 
 
 
 
49 Psicologia Social 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
 
 
 
Que a prática deve conduzir a conhecimentos, todos nós concordamos. O que se 
coloca, aqui, é indagar se podem (e devem) ser conhecimentos que levem à mudança. 
Equivale a ter a mesma preocupação colocada no primeiro item, somente ao revés: Em 
outras palavras, podendo levar à transformação, deve-se então perguntar: para quem? A 
favor do quê? E por quê? Em continuação, e tendo a preocupação de compreender a 
relação pesquisa-intervenção, deveríamos refletir sobre: a) O grau de coerência que há 
entre a maneira "como se vê a realidade concreta" (que pressupostos ontológicos nos 
guiam) e a maneira "como se age diante dela" (recursos epistemológicos adotados). Isso 
pode ser traduzido em termos de se há coerência (ou incoerência) entre a cosmovisão que 
nos guia ao olharmos e selecionarmos a realidade com a maneira como atuamos nessa 
realidade e problemas selecionados. b) As estratégias que poderiam ser utilizadas 
para fortalecer redes mínimas de solidariedade e união dentro das relações comunitárias. 
 
Com a proposta de discutir o significado e os conteúdos da intervenção e da 
investigação dentro dos trabalhos comunitários, pretende-se uma reflexão sobre as 
relações entre pesquisa/intervenção e os diferentes tipos de conhecimento produzidos, 
assim como entre o tipo de compromisso assumido e a prática realizada dentro dos projetos 
comunitários. Partiremos, assim, dos desafios e dilemas colocados à prática dos trabalhos 
em comunidade expressados na pergunta: Quais são as exigências metodológicas e de 
produção de conhecimento colocadas a profissionais, sejam pesquisadores(as) e/ou 
trabalhadores(as) comunitários? 
1. uma, se a investigação deveria e poderia conduzir a
práticas comprometidas com a construção de uma vida
mais digna para as pessoas;
2. outra, se a intervenção deveria e poderia contribuir
para a produção de conhecimentos que estivessem
implicados com a mudança das condições responsáveis
pela situação desumana em que as pessoas vivem.
Desenvolvido pela autora (2021). 
 
 
50 Psicologia Social 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Independentemente de quais sejam os objetivos e propostas específicas de cada 
trabalho comunitário, os profissionais envolvidos enfrentam desafios em função das 
características dos programas/projetos comunitários que eles desenvolvem, relacionadas 
às complexas problemáticas com as quais trabalham e ao grau de envolvimento que lhes 
é exigido. Enfrentam, assim, diferentes dilemas: a) os mais práticos e operacionais: como 
fazer o trabalho, como envolver e agregar mais pessoas, como tornar o trabalho de fato 
eficaz e eficiente nas atividades, entre tantos outros; b) os mais "existenciais" e 
epistemológicos, materializados em indagações como: estão sendo respeitadas as 
necessidades e interesses da população? Os encaminhamentos/alternativas escolhidos 
são os melhores para a coletividade/comunidade? Estamos no caminho certo? 
 
Essas são dimensões psicossociais que atravessam as práticas em comunidade e 
que acompanham os vários trabalhadores comunitários, constituindo-se em fatores que 
podem representar entraves e pontos de inflexão para a realização das práticas 
psicossociais em comunidade. São aspectos que interferem, seja para a (des)continuidade 
do trabalho, seja para a explicitação (ou "abrandamento") das perspectivas assumidas, seja 
para a (des)construção dos projetos político-sociais presentes em tais práticas. 
 
Nesse momento, cabe indagar: A condição e situação em que essas pessoas vivem, 
que significado psicossocial tem para elas? Como o pesquisador-profissional apreende 
esses "novos" sentidos de vida para essas pessoas e como os expressa nas diferentes 
etapas do trabalho comunitário, de tal maneira que seja fiel àquilo que elas vivem e sentem 
em seu dia a dia? 
 
Considerações éticas no fazer psicossocial 
Essas são questões que remetem à ética dentro da investigação e das práticas 
comunitárias. Considerar as determinações estruturais e conjunturais evita que se cometa 
o erro de assumir explicações baseadas, precipuamente, nos aspectos individuais e 
internos das pessoas como responsáveis pelos mais diferentes problemas. 
 
Intervenção e investigação: relações e conhecimentos 
Ao se falar de conhecimentos e de práticas, tomando como referência as 
preocupações éticas no fazer psicossocial em comunidade, deve-se considerar duas 
dimensões interligadas: 1. uma relativa às relações que se travam nessa dinâmica 
 
 
51 Psicologia Social 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
intervenção-investigação; e 2. outra ligada à compreensão que temos da nossa prática e 
produção de conhecimento no campo das práticas psicossociais comunitárias. 
 
Que relações há ou são possíveis entre a produção do conhecimento e a intervenção 
psicossocial? O que essas relações significam e o que podem gerar como resultados? 
Podemos considerar três possibilidades derivadas do tipo de relação estabelecida entre o 
alvo das ações em comunidade e o profissional/investigador. 
 
Se entre o profissional/investigador e a comunidade se estabelece uma relação de 
fato dialética. 
 
Se na relação é o pesquisador/profissional quem decide e delimita os conteúdos e 
as fronteiras do que deve ser feito e investigado na comunidade. 
 
Se na relação é a comunidade que determina o foco das atividades, a produção de 
conhecimento caracteriza-se por ser dependente das peculiaridades de cada grupo ou 
comunidade em questão. 
 
O segundo aspecto refere-se à compreensão que temos a respeito da comunidade 
e das problemáticas com as quais trabalhamos, seja na perspectiva da pesquisa ou da 
intervenção. Como concebemos essas problemáticas, grupos e comunidades? Em que 
enquadre teórico e ontológico os situamos? E, como entendemos o processo de 
constituição psicossocial desses personagens? Dessas indagações depreendem-se 
algumas considerações éticas, relacionadas ao fazer psicossocial (prática psicossocial em 
comunidade) e ao investigar (produção de conhecimentos) em comunidade. 
 
Devido à própria história de construção dos trabalhos comunitários, assim como à 
trajetória de luta e consolidação dessas práticas no cenário político-social latino-americano, 
considera-se importante explicitar uma condição básica dessas práticas: os trabalhos 
comunitários, na América Latina, são trabalhose práticas, por excelência, políticos. Essa 
condição, em nosso continente, vincula-se estreitamente à possibilidade de transformação 
social e de superação das condições estruturais e conjunturais responsáveis pela pobreza, 
sofrimento, desemprego, doenças e formas injustas e indignas de vida social. 
 
 
 
52 Psicologia Social 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
A unidade nove teve como proposta ampliar o olhar do estudante frente as diversas 
práticas de atuação do profissional de Serviço Social. 
 
A principal contribuição da pesquisa para o serviço social seria propiciar a construção 
de tipologias, de diagnósticos e tratamento mediante a conversão do conhecimento das 
ciências sociais em princípios para o exercício da prática profissional. 
 
Lembrando que a pesquisa deve proporcionar um aprofundamento do conhecimento 
na área a fim de resultar em melhores decisões e intervenções positivas no contexto social 
que a pesquisa está inserida. 
 
 
DICA - OPÇÕES DE PESQUISA SOCIAL (vide tabela abaixo) 
 
OPÇÕES DE PESQUISA SOCIAL 
PROBLEMA ABORDAGEM TÉCNICA DE PESQUISA 
Obter informação confiável sob 
condições controladas 
Estudar pessoas no laboratório. 
Experimento laboratorial, 
simulação 
Descobrir como as pessoas se 
comportam em público 
Observá-las Observação sistemática 
Descobrir como as pessoas se 
comportam em sua vida privada 
Solicitar que mantenham um 
diário 
Documentos pessoais 
Descobrir o que as pessoas 
pensam 
Perguntar às pessoas 
Entrevistas, questionários, 
escala de atitudes 
Identificar traços de 
personalidade ou habilidades 
mentais 
Administra um teste 
estandartizado 
Testes Psicológicos 
Identificar padrões em material 
escrito ou visual 
Tabulação sistemática Análise de conteúdo 
Compreender um evento não 
usual 
Investigação detalhada e 
demorada 
Estudo de caso 
Descobrir o que as pessoas 
fizeram no passado 
Avaliar documentos públicos Pesquisa de arquivos 
Referência: Somoer e Sommer (2002, p.6) 
 
 
53 Psicologia Social 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
 
 
 
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http://www.abglt.org.br/port/paradas2011.php
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	1. A PSICOLOGIA COMO CIÊNCIA INDEPENDENTE.
	2. INTRODUÇÃO A PSICOLOGIA SOCIAL.
	2.1 Objeto de estudo da psicologia social
	3. PSICOLOGIA SOCIAL: MÉTODOS E OBJETO DE ESTUDO.
	4. PSICOLOGIA SOCIAL NO BRASIL
	5. PSICOLOGIA SOCIAL NA AMÉRICA LATINA.
	5.1 A proposta de Martín-Baró e sua abordagem
	6. PSICOLOGIA SOCIAL NA AMÉRICA DO NORTE
	7. PSICOLOGIA SOCIAL NA EUROPA
	8. GRUPOS, AÇÕES COLETIVAS E MOVIMENTOS SOCIAIS.
	9. PRÁTICAS DE PESQUISA E INTERVENÇÃO NA PSICOLOGIA SOCIALa Distância 
 
 
 
 
 
 
 
 
Os cientistas “aplicados” e “puros” fizeram grandes contribuições para o 
conhecimento básico, bem como, descobriram fatos e teorias que foram quase 
imediatamente aplicados a problemas práticos. Sendo assim, diante de tantas 
transformações da Psicologia como ciência, torna-se importante conhecermos os 
subcampos da Psicologia dedicados à investigação científica: Psicologia Geral, Psicologia 
Fisiológica, Psicologia do Desenvolvimento, Psicologia Animal ou Comparada, Psicologia 
Diferencial, Psicopatologia, Psicologia da personalidade, Psicologia Educacional, 
Psicologia aplicada ao trabalho, Psicologia aplicada à medicina, Psicologia Jurídica e 
Psicologia Social. 
 
No decorrer da disciplina iremos desvendar, especialmente a Psicologia Social, que 
investiga todas as situações, e suas variáveis em que a conduta humana é influenciada e 
influencia a de outras pessoas e grupos. 
 
Vimos nessa unidade que a Psicologia é uma ciência de um campo de aplicação 
muito amplo, o que justifica plenamente sua importância e a denominação que tem recebido 
de “a ciência do nosso século”. Porém, talvez você como estudante de Serviço Social deva 
estar se perguntando de que forma a Psicologia Social poderá contribuir com a sua jornada 
como Assistente Social, e posso afirmar que como objeto de estudo da psicologia social é 
a natureza social do fenômeno psíquico, isto é, a construção do mundo interno a partir das 
relações sociais vividas pelo homem, surge a necessidade de se aproximar de outras áreas 
do conhecimento. 
 
Dessa forma, ao considerar o objeto de estudo do Serviço Social – a questão social 
em suas múltiplas expressões – é possível pensar que o conhecimento produzido por essa 
área do saber pode contribuir para ampliar a leitura e a compreensão em torno das relações 
que se estabelecem entre sujeito e sociedade. 
CIÊNCIA PURA: busca o conhecimento desinteressado, sem vistas
à sua aplicação.
CIÊNCIA APLICADA: Investiga os temas com o objetivo antecipado
de usá-lo em alguma área de atividade humana.
 
 
7 Psicologia Social 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
 
 
DICA DE FILME 
Para compreender a interface da Psicologia Social e Serviço Social e como as 
áreas intervém diretamente com os sujeitos sociais nas mais diversas situações 
do cotidiano 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte da imagem: https://www.g44brasil.com 
 
 
 
 
ANJOS DO SOL (2006) 
Um filme de Rudi Lagemann, Anjos do Sol 
trata da história de Maria, uma menina de 
menos de 12 anos que é vendida para uma 
família no Maranhão, com a crença de que 
teria uma vida melhor. Chegando lá, ela é 
vendida em um leilão de meninas virgens e 
vai para um prostíbulo, onde é explorada 
sexualmente na infância. 
 
 
8 Psicologia Social 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
2. INTRODUÇÃO A PSICOLOGIA SOCIAL. 
 
Sabemos que a Psicologia Social deve estudar o comportamento Social, porém 
surge uma questão polêmica: quando o comportamento se torna social? 
 
Nessa unidade teremos a oportunidade de compreender mais sobre Psicologia 
Social e os estudos de comportamento dos indivíduos e sua influência social. Daqui em 
diante, teremos a clareza que as influências acontecem desde que nascemos, ou mesmo 
antes do nascimento, afinal a gravidez também é um contexto que influência histórica-
socialmente a existência individual. 
 
A Psicologia Social pode ser 
definida como o estudo científico da 
psicologia dos seres humanos nas suas 
relações com outros indivíduos, quer 
sejam influenciados, quer ajam sobre 
eles; pensamos e sentimos de 
determinada maneira porque somos 
seres sociais; o mundo em que vivemos 
é, em parte, produto da maneira como 
pensamos (RODRIGUES, 2000). 
 
Conforme a citação acima, a Psicologia Social estuda o que acontece com o 
indivíduo quando ele está interagindo com outras pessoas ou na expectativa desta 
interação. Podemos considerar que e a integração social, a interdependência entre os 
indivíduos e o encontro social são os objetos investigados por essa área da Psicologia. 
 
Dentro desse pensamento, os principais conceitos são: 
Fonte da imagem: https://www.g44brasil.com 
 
 
9 Psicologia Social 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
 
Desenvolvido pela autora (2021). 
 
De acordo com Rodrigues (2000), alguns autores dizem que a Psicologia Social tomou 
dois caminhos distintos: um tenta atender às necessidades da Psicologia; o outro, atende 
à política das classes dominantes (tal como a Sociologia burguesa). Assim sendo, torna-se 
difícil afirmar que a Psicologia Social está mais próxima da Psicologia ou da Sociologia 
(RODRIGUES, 2000). 
 
Assim podemos perceber que é muito difícil encontrarmos comportamentos humanos 
que não envolvam componentes sociais, e são, justamente, estes aspectos que se tornam 
o enfoque da Psicologia Social. 
 
Para outros autores, como Mansurov (2014), a Psicologia Social surgiu graças as 
conquistas das várias Ciências Sociais. Porém só esse motivo não foi o bastante; o que 
influenciou mesmo foram os interesses ideológicos e políticos da burguesia. Sendo assim, 
é potencializada a ideia dos que notam a Psicologia Social como um ramo da Sociologia 
burguesa, pronta para defender a classe dominante do crescente movimento revolucionário 
da classe operária. 
 
Como cita Sousa (2011), trata-se de uma 
ponte entre a Psicologia e a Sociologia, agregando 
valores dessas duas áreas científicas. Posto isto, 
este ramo considera o indivíduo como influenciado 
pelo meio que o forma e também o sujeito como 
elemento que altera o ambiente em que vive. A 
PERCEPÇÃO SOCIAL
COMUNICAÇÃO
ATITUDES
PROCESSOS DE SOCIALIZAÇÃO
GRUPOS SOCIAIS
PAPÉIS SOCIAIS
Desenvolvido pela autora (2021). 
 
 
10 Psicologia Social 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
importância do comportamento nesse ramo está no fato de que as relações sociais 
influenciam a conduta e os estados mentais dos indivíduos. Agregando valores dessas duas 
áreas científicas. Assim sendo, considera o indivíduo como influenciado pelo meio que o 
forma e também o sujeito como elemento que altera o ambiente em que vive. 
 
Por outro lado, a consciência coletiva de uma sociedade é um campo fértil para 
estudos, como assinala Regader (2015). Portanto, Cherry (2016) ressalta que a Psicologia 
Social não observa apenas as influências do meio, mas também estuda as percepções 
desse meio, tratando-o como uma entidade, visando compreender o comportamento social; 
e analisa as interações que compreendem a sociedade. 
 
Como vimos o ser humano ao nascer necessita de outras pessoas para sua 
sobrevivência e toda a sua vida será permeada por participações em grupos. Em cada 
grupo social encontramos normas que regem as relações entre os indivíduos. Estas normas 
são o que, basicamente se caracterizam os papéis sociais, e que determinam as relações 
sociais. 
 
Por exemplo, a professora só será professora, se houverem alunos e ambos precisam 
exercer seus respectivos papéis para que essa relação ocorra - essa análise poderia ser 
feita em todas as relações existentes e qualquer sociedade. Em termos de papéis sociais, 
nós desempenhamos papéis, regidos por uma determinação social. 
 
Outro ponto importante que precisamos abordar é relacionado os conceitos que 
envolvem a sabedoria popular. Segundo Cherry (2016) é comum o fato de que a Psicologia 
Social seja confundida com a sabedoria popular, Psicologia da personalidade e a 
Sociologia. Veja as diferenças entre elas: 
 
Sabedoria Popular (senso comum) - Observações e interpretações subjetivas.
Psicologia Social - estudos empíricos sobre fenômenos sociais. interessada sobre o
impacto dos ambientes sociais e interações sobre atitudes e comportamentos
Psicologia da Personalidade - estuda os traços individuais, características e pensamentos.
Sociologia- se interessa pelo impacto de instituições e cultura sobre o comportamento
dos indivíduos.
Desenvolvido pela autora (2021). 
 
 
11 Psicologia Social 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Os pesquisadores não apenas fazem suposições sobre como as pessoas se 
comportam, eles planejam e fazem experimentos que permitem destacar a relação entre 
diferentes variáveis. Ao contrário da Psicologia da personalidade, que estuda os traços 
individuais, características e pensamentos, a Psicologia Social estuda situações cotidianas, 
estando interessada sobre o impacto dos ambientes sociais e interações sobre atitudes e 
comportamentos. 
 
Em relação à Sociologia, que se interessa pelo impacto de instituições e cultura 
sobre o comportamento dos indivíduos, a Psicologia Social considera variáveis situacionais 
que afetam o comportamento social. Portanto, percebe-se que estas duas áreas têm 
tópicos similares, mas analisam essas questões a partir de perspectivas diferentes. 
 
A psicologia social é uma ciência que estuda as influências de nossas situações, 
com atenção especial para a maneira como encaramos e afetamos uns aos outros. “Nossas 
vidas estão ligadas por mil fios invisíveis”, disse o romancista Herman Melville. A psicologia 
social tem como objetivo iluminar esses fios. Faz isso formulando questões que tem 
intrigado a todos nós (MEYERS, 2000, p. 02). 
 
Sendo assim é possível dizer que qualquer psicologia que se preocupe com a 
influência social sobre indivíduos e grupos é também psicologia social. Do mesmo modo, 
perceber que o social, muitas vezes colocado como um conceito quase abstrato, é 
constituído por pessoas que podem modificá-lo a partir dos seus interesses. 
 
2.1 Objeto de estudo da psicologia social 
O objeto de estudo da psicologia social está voltado aos processos sociais e 
psicológicos da interação das pessoas, dos grupos sociais e da vida cotidiana, 
compreendendo e explicando o modo do pensamento, sentimento e comportamento do 
indivíduo e suas atividades e o papel que desempenha em virtude da sua posição na 
estrutura social e grupo social que pertence e o modo como as pessoas influenciam e se 
relacionam umas com as outras. 
 
Lane (2004) escreve que o início da Psicologia Social remonta ao século XIX, sendo 
o filósofo francês Augusto Conte considerado o pai desta ciência. Para Conte, a Psicologia 
Social seria subproduto da Sociologia e da Moral, sendo encarregada em dizer como o 
 
 
12 Psicologia Social 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
indivíduo poderia ser, ao mesmo tempo, causa e consequência da sociedade. No entanto, 
só após a Primeira Guerra Mundial, por volta de 1920, é que esse ramo se desenvolveria 
como estudo científico e sistemático. Num mundo abalado por crises e conflitos, os 
pesquisadores encontraram um campo a ser amplamente estudado, visando descobrir uma 
maneira de preservar os valores de liberdade e os direitos humanos numa sociedade tensa 
e arregimentada. 
 
Para Lane e Codó (2010, p. 31) “o psicólogo social enxerga o homem como um ser 
que vivem em grupos, sociedades, culturas e organiza sua vida em relação a outros seres 
humanos, influencia e é influenciado pela história, pelas instituições e pelos 
comportamentos”. 
 
Através do trabalho do psicólogo social que auxilia a entender a necessidade que 
sentimos um do outro e a importância da comunicação frente ao comportamento alheio. Os 
psicólogos sociais se interessam em saber como as pessoas influenciam umas as outras 
no contexto da sociedade, entender as atitudes, como o preconceito se forma, a 
conformidade e saber se as pessoas se comportam diferente quando estão em grupo ou 
sozinhas. Outra abordagem que tem sido foco do psicólogo social, o qual atua 
paralelamente ao assistente social, é a atuação frente as políticas públicas, colaborando 
para que as pessoas possam desenvolver e compreender suas habilidades e utilizá-las 
para romper com a vulnerabilidade. Ou seja, instrumentalizar as pessoas para que rompam 
com a situação de manipulação e opressão. 
 
Diante de tudo que foi citado é possível afirmar que a Psicologia Social na atualidade 
tem seu foco no meio e na busca da compreensão do comportamento social. Ela possui 
inter-relação com a Sociologia, pois ambas buscam estudar situações voltadas para o 
cotidiano. 
 
Lane (1984, p. 19) apud Jacques et al (2013, p.16) escreve: Toda a psicologia é 
social. Esta afirmação não significa reduzir as áreas específicas da Psicologia à Psicologia 
Social, mas sim cada uma assumir dentro de sua especificidade a natureza histórico-social 
do ser humano. Desde o desenvolvimento infantil até as patologias e as técnicas de 
intervenção, características do psicólogo, devem ser analisadas criticamente à luz dessa 
concepção do ser humano – é a clareza de que não se pode conhecer qualquer 
comportamento humano, isolando-o ou fragmentando-o, como existisse em si e por si. 
 
 
13 Psicologia Social 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Também com essa afirmativa não negamos a especificidade da Psicologia Social – ela 
continua tendo por objetivo conhecer o indivíduo no conjunto de suas relações sociais, tanto 
naquilo que lhe é específico como naquilo em que ele é manifestação grupal e social. 
Porém, agora a Psicologia Social poderá responder à questão de como o homem é sujeito 
da história e transformador de sua própria vida e da sua sociedade, assim como qualquer 
outra área da Psicologia. 
 
 
 
14 Psicologia Social 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
3. PSICOLOGIA SOCIAL: MÉTODOS E OBJETO DE ESTUDO. 
 
A produção de novas abordagens teóricas, metodológicas e política na Psicologia 
Social, veio da crise, chamada “crise da psicologia social” (LANE, 1981) que devido a 
resultados de pesquisa contraditórios e com a crise mundial e teve repercussão direta sobre 
a maneira como os psicólogos lidaram com sua formação, produção acadêmica e 
intervenção na realidade. 
 
Na psicologia social passou a privilegiar métodos qualitativos em detrimentos dos 
quantitativos, cujas bases se encontravam sedimentadas na Psicologia Social criticada. 
Esse mesmo movimento de contestação à ciência realizada por métodos quantitativos 
também teve sua repercussão, a partir dos anos 1960, em outras ciências humanas e 
sociais, como descrito por Minayo (2000), num momento em que passam a ganhar 
credibilidade as pesquisas qualitativas, como formas legítimas de produção do 
conhecimento. 
 
Atualmente, continuam discussões a respeito dos métodos qualitativos e 
quantitativos, dentro das ciências humanas e sociais. Dentro desse movimento, já se fala 
em triangulação de métodos, como elaborado por Minayo, Assis e Souza (2006), em que 
se cruzam técnicas vindas de ambas as perspectivas para poder estudar um objeto de 
vários ângulos e, assim, ter uma visão mais diversificada e completa a respeito de um 
determinado fenômeno. 
 
Do mesmo modo, Álvaro & Garrido (2006) apontam que um dos desafios da 
Psicologia Social contemporânea é superar tais barreiras e desenvolver pesquisas e 
intervenções que se utilizem dessa combinação, pois a adequação de cada uma das 
técnicas de pesquisa empregadas depende da forma com que elas são ajustadas à 
natureza do objeto de estudo. 
 
No Brasil, assim como em outros países latino-americanos, a Psicologia Social foi 
abraçada pelos psicólogos por uma série de fatores, a Psicologia Social no Brasil foi 
estabelecida dentro dos centros, faculdades, departamentos e institutos de Psicologia. Dito 
de outro modo, existem fatores não devidamente esclarecidos que contribuíram fortemente 
para que a Psicologia Social fosse firmada junto à Psicologia. 
 
 
15 Psicologia Social 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Em decorrência dessa história ainda não-contada da introdução das distintas 
abordagens em Psicologia Social no Brasil emseus respectivos centros, atualmente os 
cursos de graduação em Psicologia possuem cadeiras de Psicologia Social, sendo 
considerada por muitos como um ramo da Psicologia. Segundo o ponto de vista, apesar de 
possuírem nomes semelhantes, muitos pontos de intersecção e serem ministradas dentro 
dos mesmos centros. Foi feita uma esquemática apresentação das principais abordagens 
em Psicologia Social, sendo necessário aprofundamento em cada uma delas para 
desvendar os campos e objetos de estudo, métodos, teorias, conceitos, pressupostos 
epistemológicos e ontológicos. 
 
 As cadeiras de Psicologia Social deveriam ser ministradas de maneira a esclarecer 
os alunos a respeito de sua múltipla origem no contexto da diferenciação das ciências 
sociais e naturais. Clarear, também, as influências recebidas no contexto da Psicologia e 
da Sociologia, o que gerou uma pluralidade de abordagens teóricas e metodológicas 
(Álvaro & Garrido, 2006). Localizar o avanço científico de metodologias quantitativas e 
qualitativas, acompanhado também pela evolução das abordagens na disciplina. Isso viria 
a facilitar a compreensão dos desafios atuais em Psicologia Social, tanto no que se refere 
à ampliação teórica decorrente de seu desenvolvimento acadêmico, quanto de um campo 
de atuação profissional que exige psicólogos capazes de perceber e transformar, para 
melhor, a realidade social brasileira. 
 
Como cada cadeira depende do grupo de professores que a ministra, o que muitas 
vezes implica privilegiar apenas um ponto de vista teórico, é importante mostrar quais as 
raízes epistemológicas da abordagem ensinada e as possíveis interfaces intra e 
interdisciplinares. Igualmente, as pesquisas norteadas por abordagens da Psicologia Social 
deveriam ser guiadas de modo a esclarecer aos estudantes como elas podem contribuir 
para futuras práticas profissionais. Conectar ensino, pesquisa e extensão na formação que 
engloba a Psicologia Social é fundamental para a absorção dos ricos conteúdos oferecidos 
por essa disciplina. 
 
Na esfera das sociedades científicas e instituições representativas da categoria de 
psicólogos no Brasil, há grupos que vêm questionando a formação de psicólogos sociais 
por meio de cursos de Psicologia, por entender que deve haver a devida separação entre 
ambas, no que se refere a: campos de estudo, métodos, conceitos, formação e nichos de 
atuação. Obviamente, essas disputas ocorrem mais no âmbito político do que acadêmico, 
 
 
16 Psicologia Social 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
o que gera intrigas e discórdias entre grupos dominantes e emergentes no cenário nacional 
das políticas da Psicologia. Segundo expõe Stralen (2005), a Psicologia Social se constitui 
como disciplina científica e como campo profissional, apesar de não haver regulamentação 
no Brasil à atuação do psicólogo social, restando-lhe “se manter incluído na categoria 
profissional relativamente mais forte: a psicologia” (p. 95). A nosso entender, esse debate 
deveria ocorrer inicialmente no âmbito acadêmico, ao invés de se restringir ao jogo de 
forças entre grupos políticos, representados por sociedades científicas e pelos Conselhos. 
 
Álvaro e Garrido (2006) colocam a Psicologia Social dentro de um contexto mais 
amplo da diferenciação das ciências sociais. E relembram dois aspectos importantes, que 
destacamos no trecho abaixo: 
 
Desde seu surgimento, no pensamento social europeu do século XIX, a Psicologia 
Social se definia como uma disciplina plural. A pluralidade, tanto de enfoques teóricos como 
de objetos de estudo, continuou caracterizando a Psicologia Social à medida que ocorria 
sua diferenciação e sua consolidação definitiva como disciplina científica independente, o 
que aconteceu simultaneamente na Psicologia e na Sociologia (Álvaro & Garrido, 2006, p. 
40). 
 
O primeiro destaque refere-se ao fato de que a diversidade nas formas de entender 
os fenômenos psicossociais foi fundante de cada uma dessas três disciplinas, marcando 
campos de estudo, métodos, profissão e nicho de atuação. Portanto, a delimitação 
disciplinar ocorreu tanto como tentativa de demarcação dos domínios para cada tipo de 
cientista, quanto pela necessária fragmentação, à mentalidade da época, para 
desenvolvimento de campos do saber. 
 
Em nosso ponto de vista, o que marcou as distinções disciplinares estava mais ligado 
aos cientistas do que à ciência em si, pois as barreiras entre Psicologia, Sociologia e 
Psicologia Social eram tênues e havia muitas intersecções entre elas. 
 
Para Farr (1998), as raízes da Psicologia Social moderna são encontradas nas obras 
de alguns autores, na interface com a Psicologia e a Sociologia – o que resultou em 
enfoques de Psicologia Social psicológica e de Psicologia Social sociológica. Colocado por 
outro ângulo, a pluralidade da Psicologia Social esteve estreitamente ligada à utilização de 
métodos de investigação. Do lado da Psicologia Social psicológica, predominou a 
 
 
17 Psicologia Social 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
experimentação em laboratório e a compreensão de ciência segundo objetivismo e 
universalidade, inerentes à visão positivista. Do lado da Psicologia Social sociológica, a 
busca por novas metodologias resultou no desenvolvimento de pesquisas aplicadas e 
métodos qualitativos, não obstante estes tenham coexistido com estudos de caráter 
quantitativo. 
 
Isso significa que o desenvolvimento das vertentes em Psicologia Social também 
ocorreu sob o crivo das discussões a respeito da objetividade/subjetividade, pesquisa 
quantitativa/qualitativa, experimentalismo/pesquisa aplicada, inerentes aos debates que 
permeavam o destacamento das ciências sociais, das naturais. As respostas a essas 
questões vieram marcar as diferenças nos fundamentos epistemológicos e estatuto 
ontológico de cada uma das linhas teóricas da disciplina – e ainda causa inquietação e 
dissenso entre profissionais, docentes e estudantes nos trabalhos de investigação e 
intervenção. 
 
Para Corga (1998, p.75-183), existem quatro principais “tradições” em Psicologia 
Social, que se sobressaíram não apenas nas origens da disciplina, mas que até hoje têm 
fortes influências tanto no ensino quanto nas pesquisas. São elas: 
 
 
Desenvolvido pela autora (2021). 
 
A) a tradição sociológica americana do interacionismo
simbólico, iniciada por George Herbert Mead (1934/1962) nos
EUA.
B) a tradição do experimentalismo psicológico (Psicologia Social
experimental), ocorrida nos
C) a tradição dos “estudos de grupos sociais”.
D) a tradição sociológica européia das representações sociais.
 
 
18 Psicologia Social 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
A tradição sociológica europeia das representações sociais, iniciada por Serge 
Moscovici (1978), a partir dos anos 1960 na França, com a publicação do livro “A 
representação social da psicanálise”. Moscovici se inspira na obra de Émile Durkheim (com 
seus conceitos de representação individual e coletiva), que critica duramente a Psicologia, 
mas que acrescenta: não temos nenhuma objeção a que se caracterize a Sociologia como 
um tipo de Psicologia, desde que tenhamos o cuidado de acrescentar que a Psicologia 
Social tem suas próprias leis, que não são as mesmas da Psicologia individual (Durkheim, 
1898 citado por Farr, 1998, p. 152-3). 
 
Como se nota, há “tradições” em Psicologia Social no contexto da Sociologia e 
aquelas no contexto da Psicologia, como preferem descrever Álvaro & Garrido (2006), com 
teóricos que se influenciam mutuamente e que são, prioritariamente, de origens europeia e 
norte-americana. As “tradições” no contexto da Sociologia seguiram mais inovações 
metodológicas das abordagens qualitativas, enquanto aquelas no contexto da Psicologia 
desenvolveram-se mais segundo metodologias quantitativas. 
 
A importância dos norte-americanos para a Psicologia Social vai além do 
desenvolvimentoteórico-metodológico de teorias que tentassem explicar os “crise da 
psicologia social” (LANE, 1981). Todo e qualquer pesquisador assume um conjunto de 
compromissos, que embora poucas vezes sejam explicitamente apresentados, produzem 
repercussões decisivas na maneira pela qual a atividade científica é concebida e 
desenvolvida. 
 
A utilização de uma das três grandes 
modalidades de obtenção de dados na 
psicologia (Coolican, 2004), a experimentação, 
a observação e o auto relato, impõe a adesão 
a compromissos distintos implícita ou 
explicitamente assumidos por parte do 
pesquisador (Kish, 1987). 
 
 
Ao adotar o método de auto relato como o caminho preferencial para a obtenção de 
dados empíricos, o pesquisador adere ao entendimento de que mediante a instauração de 
um dispositivo dialógico é possível adentrar no universo conceitual do interlocutor e, 
Fonte da imagem: https://www.g44brasil.com 
 
 
19 Psicologia Social 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
consequentemente, circunscrever o sentido das ações humanas através de uma relação 
usualmente denominada intersubjetiva. Uma modalidade usual de auto relato é a pesquisa 
de survey e o compromisso adotado pelo pesquisador que adere a esta modalidade de 
método é com o princípio da representatividade das amostras, sendo perfeitamente natural 
afirmar que a principal preocupação metodológica deste tipo de pesquisa se volta para a 
identificação das condições nas quais os achados obtidos com amostras de dimensões 
reduzidas possam ser generalizados para a população da qual as amostras foram 
extraídas. Se a pesquisa de auto relato é regida pelo compromisso com a 
representatividade amostral, o pesquisador que adere à pesquisa observacional estabelece 
um compromisso com o princípio do realismo das variáveis. Ao delinear o seu estudo 
mediante a adoção de métodos observacionais, o pesquisador se obriga a aceitar a tese 
de que determinados objetos estão presentes no mundo natural, a concordar que estes 
podem ser ostensivamente identificados e reconhecidos e, ademais, assume que é possível 
esclarecer as relações porventura existentes entre estes objetos. O compromisso assumido 
pelo pesquisador que adota a experimentação não é prioritariamente nem com o realismo 
das variáveis, característico da pesquisa observacional, nem com a representatividade das 
amostras, característico da investigação conduzida mediante o uso de surveys. Uma vez 
que a experimentação envolve a manipulação de determinados aspectos do mundo real 
com o intuito de identificar as relações. 
 
A pesquisa experimental não é adotada pelos psicólogos brasileiros na mesma 
proporção em que é utilizada nas pesquisas conduzidas em outros contextos geográficos. 
Com base nesta premissa, procura-se identificar as razões e as justificativas deste relativo 
desinteresse pela metodologia experimental em determinados contextos. Discutem-se as 
diferenças entre a pesquisa experimental e a não experimental, levando-se em 
consideração os compromissos adotados pelos pesquisadores que acolhem a estas 
diferentes modalidades de investigação. Posteriormente são apresentados os principais 
argumentos relativistas contra a adoção da pesquisa experimental e as respostas 
apresentadas pelos experimentalistas. Conclui-se que é injustificado defender a tese de 
que a psicologia pode prescindir de um método adotado com sucesso em várias outras 
disciplinas científicas. 
 
 
 
20 Psicologia Social 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
4. PSICOLOGIA SOCIAL NO BRASIL 
 
Iniciamos a unidade quatro refletindo sobre estudos e abordagens que caracterizam 
a psicologia social brasileira, mostrando seus enfoques muitas vezes divergentes e 
complementares, que foram construídos a partir de conteúdos que possam gerar 
conhecimentos aplicáveis a realidade nacional. 
 
Como vimos na unidade um, a Psicologia Social se beneficia de teorizações oriundas 
dos grandes sistemas psicológicos (Behaviorismo, Gestalt, Psicanálise), porém também 
conta com toda a produção científica realizada ao longo dos anos. 
 
Com isso, vários fenômenos psicossociais foram identificados e analisados, 
enfatizando os principais fatores que os influenciaram. Observando a linha do tempo e o 
desenvolvimento dos conhecimentos advindos da Psicologia Social é possível identificar a 
forte presença da psicologia social-cognitiva avaliando estudos que analisavam fenômenos 
sociais sob a perspectiva individual. 
 
Para compreender o percurso da psicologia Social no Brasil, faz-se necessário 
conhecer sua trajetória histórica no Brasil. De acordo com diversas(os) autoras(es) 
(Bernardes, 2001; Bock & Furtado, 2007; Cordeiro, 2013; Ferreira, 2011; Mancebo, Jacó-
Vilela & Rocha, 2003; Tittoni & Jacques, 2001) dividem a história da Psicologia Social 
brasileira em dois grandes momentos: um anterior e o outro posterior à chamada crise de 
referência, que assolou essa área do conhecimento na década de 1970. Sustentam que, 
antes de tal crise, a Psicologia Social brasileira era marcada pela hegemonia do modelo 
norte-americano, tinha uma base positivista e defendia a neutralidade da ciência, passando, 
após a crise, a fazer uma severa crítica ao modelo biologicista e, principalmente, a defender 
uma ciência comprometida com a transformação social. 
 
Como vimos na unidade três ter consciência dos métodos de investigação e objeto 
de estudo são pontos primordiais para profissionais que atuam com o ser humano, 
compreender sobre a crise de referência trará a clareza cronológica dos fatos na realidade 
brasileira. Mas é importante pontuarmos que essa crise de referência não aconteceu 
somente no Brasil e nem foi um fenômeno restrito à Psicologia Social. Pelo contrário, este 
movimento de questionamento – ou, como diria Lallement (2008), de "pulverização 
 
 
21 Psicologia Social 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
metodológica" e "abalo teórico" – afetou também outras áreas do conhecimento, tal como 
a Sociologia. 
 
As décadas de 1960 e 1970 foram marcadas por uma Sociologia que traduzia, antes 
de mais nada, o declínio do impulso modernizante do pós-guerra. O enfraquecimento da fé 
na igualdade de oportunidades, bem como, o esgotamento das garantias de coesão social 
pelo simples crescimento econômico, fizeram com que instituições – como a escola, a 
prisão e a fábrica – fossem questionadas. 
 
Foi também nesse período que, no Brasil, começaram a ganhar força as críticas ao 
conceito de doença mental e ao modelo hegemônico de intervenção psiquiátrica. O foco é 
deslocado da patologia para a saúde e se enfatiza a importância de ações preventivas junto 
a populações pobres e desatendidas pelo Estado. Ganhou força, também, a preocupação 
com a educação popular. Fundamentada nas ideias de Paulo Freire, a alfabetização de 
adultos passa a ser vista como uma ferramenta de conscientização e resistência contra a 
opressão do regime militar (Lane, 1996). 
 
Observando o decorrer dos movimentos que se estabeleceram nesse período é 
possível compreender que a importância da chamada "crise de referência", pois ela veio 
trazendo à tona a necessidade de refletir sobre o papel da Psicologia em um contexto 
marcado pela violência de Estado, pela miséria e pela desigualdade social. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
De acordo com Bernardes (2001), esse movimento de questionamento da Psicologia 
Social hegemônica começou a se fortalecer no Brasil e em outros países da América Latina 
durante os Congressos da Sociedade Interamericana de Psicologia (SIP) realizados em 
Miami, EUA (1976) e em Lima, Peru (1979). 
 
 
Quem somos? 
O que buscamos? 
 
Qual nossa 
contribuição social? 
Fonte da imagem: https://www.g44brasil.com Desenvolvido pela autora (2021). 
 
 
22 Psicologia Social 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
No caso Brasil especificamente, essas insatisfações levaramao desenvolvimento 
e/ou à adoção de diferentes teorias e metodologias: um grupo de pesquisadores, liderado 
por Georges Lapassade, Osvaldo Saidon e Gregorio Baremblitt, desenvolveu a Análise 
Institucional; já Silvia Lane coordenou o grupo que estabeleceu os fundamentos do que 
mais tarde viria a ser conhecido como a Escola Sócio-Histórica; outro grupo, liderado por 
Ângela Arruda e Celso Sá, começou a realizar trabalhos a partir de teorias europeias, 
especialmente a das Representações Sociais (Jacó-Vilela, 2007). 
 
De acordo com Spink e Spink (2007), a Psicologia Social Crítica é muito mais "uma 
frente de luta ampla do que um movimento articulado; uma aliança de argumentos e práticas 
em vez de uma escola." (p. 576). 
 
A despeito de suas divergências, no geral, essas abordagens expressam seu caráter 
crítico de quatro maneiras: 
 
 
 
Com o fortalecimento das abordagens críticas, começou a se pensar na necessidade 
de criar uma associação brasileira que representasse as "novas" Psicologias Sociais. No 
congresso da SIP, em Lima, foi discutida a necessidade e importância de "fortalecer a 
organização dos psicólogos ligados à área da Psicologia Social, criando espaços para o 
diálogo e o avanço desse campo. 
 
1) se contrapondo às bases epistemológicas do conhecimento, "recolocando 
a ciência como prática social sujeita às vicissitudes dos fazeres humanos" 
2) considerando a centralidade da linguagem na produção dos 
conhecimentos (tanto dos científicos quanto dos do senso comum)
3) radicalizando o potencial transformador da ciência 
4) rompendo com o paradigma positivista de ciência.
Desenvolvido pela autora (2021). 
 
 
23 Psicologia Social 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
No ano seguinte ao congresso, durante a reunião anual da Sociedade Brasileira para 
o Progresso da Ciência (SBPC), o estatuto elaborado anteriormente foi votado e aprovado, 
instituindo oficialmente a Associação Brasileira de Psicologia Social (ABRAPSO). De 
acordo com as autoras: 
 
A construção de uma psicologia social crítica, voltada para os problemas nacionais, 
acatando diferentes correntes epistemológicas, desde que filiadas ao compromisso 
social de contribuir para a construção de uma sociedade mais justa. A ABRAPSO 
nasceu da insatisfação com a psicologia europeia e americana. Os problemas de 
nossa sociedade, marcada pela desigualdade social e pela miséria, não 
encontravam soluções na psicologia social importada como um saber universal dos 
países do Primeiro Mundo. (p. 149). 
 
Atualmente, a ABRAPSO é responsável, entre 
outras coisas, por organizar encontros locais, regionais e 
nacionais, bem como por editar livros e publicar a revista 
Psicologia & Sociedade. Além dessa associação, foram 
criados programas de pós-graduação específicos da área. 
Vimos até aqui avanços importantes para Psicologia Social 
no Brasil, nas próximas unidades desvendaremos a 
Psicologia Social Na América Latina, na América do Norte 
e na Europa. Seguimos em direção a novas descobertas! 
 
 
 
24 Psicologia Social 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
5. PSICOLOGIA SOCIAL NA AMÉRICA LATINA. 
 
Na unidade cinco teremos a oportunidade de percorrer um pouco mais a trajetória 
da Psicologia Social e ampliar o olhar interdisciplinar com o Serviço Social. Iniciamos nossa 
jornada destacando a psicologia da libertação que surgiu na América Latina na década de 
1980. É uma psicologia crítica que tem foco na ação, tomando partido das populações 
oprimidas do continente. 
 
O propositor desta abordagem, Ignacio Martín-
Baró, exerceu a psicologia no contexto da guerra civil de 
El Salvador, sendo ele mesmo uma vítima da opressão do 
Estado. Desde então, as consequências do conflito social 
tem sido temas importantes da psicologia da libertação. 
Outras áreas de foco tem sido a psicologia social 
comunitária, com ênfase no papel dos movimentos sociais, 
e nos comentários e críticas sociais e políticas. 
 
 
 
 
 
A psicologia crítica surgiu em grande parte do que foi chamado de crise da psicologia 
social, que data do final dos anos 1960 até os anos 1970. Dominante, de língua inglesa (e 
especialmente norte-americana), amplamente experimental, a psicologia social foi criticada 
como sendo amplamente irrelevante para as necessidades e contextos humanos reais, e 
porque erroneamente assumiu que seus métodos permitiam a descoberta de princípios 
fundamentais, processos e até mesmo leis de comportamento humano, que pode ser 
generalizado para todas as situações. A essa crítica, em grande parte da psicologia social, 
foram acrescentadas preocupações relacionadas, por exemplo, sobre os abusos da 
psicologia e da medicalização da angústia no sistema de saúde mental (Anonymous, 1970s 
sd.). 
Fonte da imagem: https://www.g44brasil.com 
 
A psicologia crítica tenta corrigir os erros da psicologia 
dominante, mas as maneiras como as diferentes psicologias 
críticas compreenderam e tentaram essa tarefa diferiram muito 
entre diferentes trabalhadores e diferentes lugares. 
Desenvolvido pela autora (2021). 
 
 
25 Psicologia Social 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
No entanto, tais inovações foram poucas e a psicologia crítica europeia passou a ser 
caracterizada por um hiperdesenvolvimento de teoria infundada, tipicamente impenetrável 
para quem está de fora, com pouca aplicabilidade aparente à dura realidade social fora da 
academia, chamada de tendência de acadêmica no sentido de torre de marfim da palavra: 
o problema não é o desenvolvimento da teoria, mas a alienação da teoria das causas, 
experiências e lutas sociais. 
 
Na América Latina, outro caminho estava sendo trilhado - não exclusivamente 
porque o vírus pós-moderno era contagioso (Lacerda, 2010) - mas por gente suficiente para 
demonstrar que outra psicologia crítica era possível. O Teatro do Oprimido e a Pedagogia 
Popular, bem como em alguns movimentos sociais da região, proporcionaram um modelo 
alternativo e mais socialmente engajado. 
 
Nas duas áreas originalmente separadas, mas agora ligadas, da psicologia social 
comunitária e da psicologia da libertação, foi tomada a opção preferencial pelas maiorias 
oprimidas, construindo psicologias críticas que tratavam da realidade social, como realidade 
e não como uma aparência linguística. Essa realidade teve que ser esclarecida e nas 
palavras de Ignacio Martín-Baró desideologizou-se para que pudesse ser vista como era, e 
para que pudesse ser mudada (Martín-Baró, 1996a). 
 
A América Latina teve sua parcela de psicologia crítica pós-moderna e hiper-teórica 
e, de fato, talvez isso não seja mais do que outra manifestação de um complexo de 
inferioridade que leva à imitação do trabalho dos países centrais (de la Torre, 1995). No 
entanto, outros desdobramentos podem ser identificados (Gonzalez Rey, no prelo), 
apontando para uma psicologia socialmente comprometida caracterizada pela reconstrução 
da psicologia em relação dinâmica com as questões sociais, a ação social e os movimentos 
sociais. 
 
Essa foi exatamente a abordagem adotada por Martín-Baró em seus artigos 
programáticos e seus textos de psicologia social (Burton, 2004a; 2004b; Burton & Kagan, 
2005; Martín-Baró, 1983; 1986; 1989a; 1996b; 1998). Também caracteriza o melhor da 
psicologia comunitária latino-americana (Góis, 2005; Montero, 1996; Montero & Serrano 
García, 2011; Ximenes, Amaral, & Rebouças, 2008) e trabalhos relacionados no âmbito da 
psicologia da libertação (Barrero & Salas, 2010; Dobles & Baltodano, 2010; Dobles, 
Baltodano, & Leandro, 2007; Guzzo & Lacerda, 2011). 
 
 
26 Psicologia Social 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
5.1 A proposta de Martín-Baró e sua abordagem 
 
 
 
Então, qual é a psicologia da libertação? 
 
 
 
Deve-se notar que tem várias raízes, além da crítica da psicologia anglo-americana, 
que se baseia de forma bastanteeclética na tradição crítica latino-americana mais ampla, 
a teologia e a filosofia da libertação (Martín-Baró fazia parte de um grupo de radicais 
romanos Padres católicos da Universidade da América Central, 5 dos quais foram 
assassinados com ele) e a experiência das Comunidades Cristãs de Base do Brasil, o 
marxismo e o trabalho de psicólogos críticos anteriores do Sul e sua diáspora (Fanon em 
particular), e posteriormente trabalhadores também fizeram uso de correntes radicais na 
psicanálise, psicologia histórico-cultural soviética e cubana e abordagens fenomenológicas 
na psicologia. 
 
Vale a pena citar de seu criador, Martín-Baró (Martín-Baró, 1996): 
 
Conscientização 
Na América Latina, uma noção de desenvolvimento humano libertador surgiu com 
diversas raízes, em uma série de disciplinas e movimentos sociais. Uma ideia-chave é que 
a libertação não é algo que pode ser dado, nem é um evento discreto, mas sim um 
movimento e uma série de processos. Frequentemente, tem origem na interação de dois 
tipos de agentes ou ativistas: agentes externos "catalíticos" (que podem incluir psicólogos) 
e os próprios grupos oprimidos. 
A psicologia latino-americana deve mudar o foco de si
mesma, deixar de se preocupar com seu status
científico e social e se autodefinir como um serviço
eficaz às necessidades da numerosa maioria ... que deve
constituir o objeto principal de seu trabalho ... (p.26).
 
Então qual é a 
Psicologia da 
Libertação? 
 
 
27 Psicologia Social 
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O conceito de conscientização de Freire (Freire, 1972) é uma formulação muito 
citada disso. Martín-Baró (1986, 1996c) considerou a conscientização como um conceito-
chave, explicando-a como uma pessoa ou pessoas se transformando pela mudança de sua 
realidade, por meio de um processo ativo de diálogo em que há uma gradual decodificação 
de seu mundo, como os mecanismos de opressão e desumanização são apreendidos. Isso, 
por sua vez, abre novas possibilidades de ação. O novo conhecimento da realidade 
circundante leva a uma nova auto compreensão sobre as raízes do que as pessoas são e 
do que podem se tornar. Qualquer pessoa que tenha trabalhado de forma facilitadora com 
grupos oprimidos em qualquer momento estará familiarizada com esses processos de 
energização que muitas vezes podem parecer um despertar. 
 
Desideologização 
A realidade social pode ser difícil de ver pelo que é, não apenas para as pessoas, 
mas para a própria teoria e prática da psicologia. É necessário, portanto, desideologizar a 
realidade, descascar as camadas de ideologia que individualizam e naturalizam os 
fenômenos sociais. Martín-Baró o fez em relação ao problema do fatalismo conformista nas 
sociedades latino-americanas e ao mito do 'latino preguiçoso' (Martín-Baró, 1987; 1996d). 
Ele também utilizou pesquisas de opinião para contrariar a propaganda do governo 
salvadorenho sobre as opiniões da população (Martín-Baró, 1989b; 1996a), que ele tanto 
informou (Soto, 2010) quanto disponibilizou para um público internacional, uma importante 
contribuição para minar o apoio dado pelos Estados Unidos aos militares e um motivo de 
seu assassinato pelas forças do Estado (Bernabeu & Blum, 2012). 
 
Memória histórica 
Outra ferramenta na desideologização da realidade social, especialmente importante 
na América Latina, é a recuperação da memória histórica. Martín-Baró destacou que é difícil 
atender às necessidades básicas do cotidiano quando a maioria vive no presente 
psicológico, em um aqui e agora que ignora o passado e o futuro. A ideologia dominante 
estrutura uma realidade aparentemente natural e histórica, levando à sua aceitação sem 
maiores questionamentos. Isso torna difícil tirar lições da experiência e, o que Martín-Baró 
considerou mais importante, descobrir as raízes de sua própria identidade, tanto para 
interpretar seu significado atual quanto para trazer à tona concepções alternativas do que 
ela pode vir a ser - novamente combatendo o fatalismo e tornando-se atores sociais. 
 
 
 
28 Psicologia Social 
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Assim, Martín-Baró (1986; 1996c) recomendou a recuperação seletiva e coletiva de 
elementos do passado que foram eficazes na defesa dos interesses das classes exploradas 
e que poderiam, por sua vez, ser úteis para uma luta consciente por um mundo melhor, 
recuperando o orgulho de pertencer a um povo e ganhar um sentido de identidade com 
uma tradição e uma cultura. 
 
A psicologia da libertação como movimento 
Desde a morte de Martín-Baró, e principalmente a partir do final da década de 1990, 
desenvolveu-se um movimento pela psicologia da libertação na América Latina. Houve 
congressos internacionais em vários países; há coletivos de psicologia da libertação 
estabelecidos na Colômbia e na Costa Rica e um em desenvolvimento em El Salvador, bem 
como outros grupos menos formais em outros lugares 
 
Uma quantidade considerável de trabalho foi conduzida sob a égide dessas redes e 
movimentos, embora a psicologia da libertação permaneça um campo minoritário. Os 
psicólogos com orientação libertadora trabalham em diversos campos, principalmente na 
psicologia social comunitária, em relação ao trauma social resultante do conflito e da 
opressão e na crítica psicológica social da política e da ideologia. 
 
Na melhor das hipóteses, a psicologia da libertação traz novos insights e 
perspectivas para os movimentos sociais, embora às vezes as redes pareçam agir como 
pouco mais do que canais de comunicação de notícias sobre vários locais de repressão 
política e luta. 
 
A luta contra a impunidade 
A libertação não é algo que os psicólogos possam alcançar sozinhos, é essencial 
trabalhar em aliança, como parte de movimentos sociais progressistas mais amplos. A 
psicologia da libertação segue o apelo de Martín-Baró a um olhar para o exterior, 
focalizando não os problemas da disciplina, mas os problemas da sociedade. 
 
 
 
 
29 Psicologia Social 
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6. PSICOLOGIA SOCIAL NA AMÉRICA DO NORTE 
 
Iniciaremos a unidade seis desvendando as contribuições trazidas da América do 
Norte aos estudos da Psicologia Social, será possível perceber a evolução do pensamento 
psicológico e sociológico durante esse período. 
 
No decorrer de sua breve história, a Psicologia Social tem se caracterizado pela 
pluralidade e multiplicidade de abordagens teóricas adotadas como referenciais legítimos 
à produção de conhecimentos sociopsicológicos. Tal contexto tem dificultado sobremodo a 
delimitação do objeto de estudo ou mesmo dos vários objetos de estudo dessa disciplina. 
 
Contudo, o binômio indivíduo-sociedade, isto é, o estudo das relações que os 
indivíduos mantêm entre si e com a sua sociedade ou cultura, sempre esteve no centro das 
preocupações dos psicólogos sociais, com o pêndulo oscilando ora para um lado, ora para 
um lado, ora para o outro. 
 
A evolução da Psicologia Social, nas diferentes partes de mundo, vem ocorrendo, de 
certa forma, associada às várias modalidades ou vertentes da disciplina. Assim é que, na 
América do Norte, e mais especialmente nos Estados Unidos da América, a Psicologia 
Social Psicológica foi e continua sendo a tendência predominante. Já na Europa, é possível 
se notar uma preocupação maior com os processos grupais e socioculturais, que sempre 
estiveram na base das preocupações da Psicologia Social Sociológica. Por outro lado, na 
América Latina, verifica-se a adoção da Psicologia Social Crítica como abordagem 
preferencial à análise dos graves problemas sociais que costumam assolar a região. 
 
Duas obras, publicadas no ano de 1908, irão marcar o embasamento oficial da 
Psicologia Social moderna na América do Norte: O livro Uma introdução à psicologia social, 
de autoria de William McDougall, e o livro Psicologia social: uma resenha e um livro texto, 
de autoriade Edward Ross (Pepitone, 1981). 
 
Contudo, Ross era sociólogo e McDougall, psicólogo, o que fez com que uma das 
obras se situasse no âmbito da Sociologia e outra, no escopo da Psicologia, anunciando, 
já naquela época, a separação ocorrida muito mais tarde entre a Psicologia Social 
Psicológica e a Psicologia Social Sociológica. 
 
 
30 Psicologia Social 
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De tal modo que, durante algum tempo, na América do Norte, a Psicologia Social 
desenvolveu-se paralelamente no contexto de ambas as disciplinas. Logo, porém, ainda 
nas primeiras décadas do século XX, a Psicologia Social Psicológica estabelece-se como 
a tendência predominante no cenário norte-americano, em especial nos Estados Unidos da 
América (EUA), sob forte influência do behaviorismo. 
 
Allport define os contornos da Psicologia Social Psicológica como uma disciplina 
objetiva, de base experimental e focada no indivíduo ao defender que a psicologia social 
deveria concentrar -se no estudo experimental do indivíduo, na medida em que o grupo se 
constituía tão somente em mais um estímulo do ambiente social a que esse indivíduo era 
submetido (Franzoi, 2007). 
 
Os anos de 1920 e 1930 foram dominados pelo estudo das atitudes, da influência 
social interpessoal e da dinâmica de grupos. No que tange às atitudes, a investigação 
concentrou -se no desenvolvimento de diferentes técnicas destinadas a mensurar tal 
constructo tomado como um fenômeno mental (McGarty & Haslam, 1997). 
 
 No que se refere à influência social e dinâmica de grupos, merecem destaque os 
experimentos realizados por Muzar Sheriff e Kurt Lewin, psicólogos europeus que 
imigraram para os EUA e receberam fortes influências do gestaltismo. Já Sheriff (1936) 
estava interessado no processo de formação de normas sociais, tendo chegado à 
conclusão de que os grupos desenvolvem normas que governam os julgamentos dos 
indivíduos que dele fazem parte, bem como dos novos membros que a elas também se 
adaptam, em função das normas grupais existirem à revelia de seus membros individuais 
 
Principais temas 
Dois principais temas marcaram as duas décadas subsequentes, que assinalam o 
período da Segunda Grande Guerra e do pós-guerra: atitudes e percepção de pessoa. A 
investigação das atitudes, iniciada nos anos 20, prosseguiu nas décadas seguintes com os 
experimentos de Carl Hovland e sua equipe sobre comunicação e persuasão (Hovland, 
Janis & Kelley, 1953), que levaram a importantes conclusões acerca dos diferentes fatores 
que interferiam na mudança de atitudes (Goethals, 2003). Tais estudos, bem como os que 
lhes sucederam, conferiram às atitudes um papel fundamental no campo da Psicologia 
Social Psicológica, tendo levado alguns autores (e.g., McGuire, 1968) a afirmar que tal 
fenômeno constituía-se em conceito central à Psicologia Social. 
 
 
31 Psicologia Social 
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 A investigação sobre percepção de pessoas, que até hoje consiste em uma das 
áreas centrais de estudo da Psicologia Social Psicológica, inicia-se com os trabalhos de 
Fritz Heider (1944, 1946, 1958), que também imigrou da Alemanha para os EUA durante a 
Segunda Grande Guerra, e recebeu forte influência do gestaltismo. 
 
Na publicação de 1944, o autor realiza o primeiro tratamento sistemático dos 
processos atribuicionais (Goethals, 2003), ao lançar o argumento de que os indivíduos 
associam as ações das pessoas a motivos e disposições internas, em função de 
perceberem uma justaposição ou gestalt entre o modo pelo qual as pessoas se comportam 
e a natureza de suas qualidades pessoais. 
 
Tal argumento sobre como as pessoas realizam atribuições causais será 
aprofundado no livro de 1958, traduzido para o português com o nome de “Psicologia das 
Relações Interpessoais”. No artigo de 1946, Heider desenvolve a teoria do equilíbrio, 
segundo a qual as pessoas tendem a manter sentimentos e cognições coerentes sobre um 
mesmo objeto ou pessoa, de modo a obter uma situação de equilíbrio. Quando esse 
equilíbrio se desfaz, elas vivenciam uma situação de tensão e procuram restabelecê-lo, 
mediante a mudança de algum dos elementos da situação. Tal princípio encontra-se na 
base das teorias da consistência cognitiva que irão proliferar nos anos seguintes. 
 
Evolução teórica e temática 
Festinger (1954), sob a influência das investigações realizadas por Lewin, propõe a 
teoria dos processos de comparação social, na qual defende que as pessoas necessitam 
avaliar suas habilidades e opiniões a partir de comparações realizadas com outros 
indivíduos que lhes são similares. A referida teoria suscitou uma série de experimentos, 
reemergiu algumas vezes ao longo dos anos 70 e encontra-se solidamente estabelecida no 
momento atual, sendo usada, de forma recorrente, como mecanismo explanatório dos 
processos de formação da identidade pessoal e social (Goethals, 2003). 
 
 Posteriormente, Festinger (1957) introduz a teoria da dissonância cognitiva, na qual 
estabelece que as pessoas são motivadas a procurar o equilíbrio entre suas atitudes e 
ações. Nesse sentido, quando instadas a mudar seu comportamento, mostram-se 
propensas a modificar também suas atitudes, de modo a restabelecerem o equilíbrio entre 
ações e atitudes. Apesar de ter sido alvo de críticas, a referida teoria foi uma das principais 
responsáveis pelo desenvolvimento da Psicologia Social Psicológica nas décadas 
 
 
32 Psicologia Social 
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seguintes (Rodrigues, Assmar & Jablonski, 2000), tendo propiciado um grande número de 
pesquisas experimentais rigorosas, conduzidas com a finalidade de testar seus vários 
pressupostos. 
 
As teorias da atribuição irão dominar o cenário sociopsicológico norte-americano a 
partir do final dos anos de 1960 e durante os anos de 1970 e 1980, numa evidência da 
ascensão progressiva do cognitivismo no campo da Psicologia Social Psicológica. 
Apoiando-se nos pressupostos sobre as relações interpessoais antecipados por Heider 
(1944, 1958), as referidas teorias e seus desdobramentos (Jones & Davis, 1965; Kelley, 
1967; Ross, 1977; Weiner, 1986) vão se debruçar. 
 
A partir dos anos 1980, o cognitivismo se consolida de vez como a perspectiva 
dominante na Psicologia Social Psicológica e no cenário norte-americano. Em 
consequência, o principal tema de investigação passa a ser a cognição social, que tem 
como objetivo básico compreender os processos cognitivos que se encontram subjacentes 
ao pensamento social (Fiske & Taylor, 1984). Adotando tal perspectiva, os psicólogos 
sociais cognitivistas se dedicam então a fazer uma reanálise de temas que já vinham sendo 
estudados há algum tempo, procurando agora, porém, desvelar os mecanismos cognitivos 
subjacentes a tais fenômenos, tendência que se mantém até os dias atuais, conforme será 
visto mais à frente. 
 
A breve descrição da evolução teórica e temática da Psicologia Social norte-
americana evidencia que, com o passar do tempo, o modelo de pesquisa-ação orientado 
para a comunidade e para o estudo dos grupos, introduzido por Lewin ainda nos anos de 
1930, foi sendo paulatinamente abandonado e substituído pela investigação de fenômenos 
e processos eminentemente intraindividuais, de natureza cognitiva. Tendo como meta 
última a investigação das leis universais capazes de explicar o comportamento social, a 
Psicologia Social Psicológica estrutura-se progressivamente como uma ciência natural e 
empírica, que desconsidera o papel que as estruturas sociais e os sistemas culturais 
exercem sobre os indivíduos (Pepitone, 1981). 
 
A Psicologia Social na América do Norte: Tendências Atuais 
Na atualidade, os psicólogos sociais da América do Norte continuam se debruçando 
sobre temas tradicionais, que já tinham sido objeto de interesse dos que construíram a 
história da disciplina naquele país, mas também vêm se dedicandoa novas temáticas que 
 
 
33 Psicologia Social 
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contribuíram para expandir e diversificar o espectro de fenômenos sociais investigados no 
contexto norte-americano. De acordo com Ross, Lepper e Ward (2010), em capítulo 
publicado na quinta e mais recente edição do Handbook of Social Psychology, três tópicos 
podem ser considerados centrais à psicologia social, em função do continuado interesse 
que vêm despertando, razão pela qual que se encontram presentes na maioria dos livros 
textos e palestras sobre o assunto. São eles a cognição social, as atitudes e os 
processos grupais 
 
Segundo Carlston (2010), a cognição social pode ser vista atualmente como uma 
subárea da Psicologia, responsável por integrar uma série de microteorias que, ao longo 
do tempo, foram se desenvolvendo no contexto da Psicologia Social para explicar os modos 
pelos quais as pessoas pensam sobre si mesmas e sobre as coisas, formam impressões 
acerca de outras pessoas ou grupos sociais e explicam comportamentos e eventos. 
Apoiada no modelo de processamento de informação (que considera a atenção e 
percepção, a memória e o julgamento como diferentes etapas do processamento cognitivo), 
a cognição social dedica-se, assim, a estudar o conteúdo das representações mentais e os 
mecanismos que se encontram subjacentes ao processamento da informação social. 
 
Atitudes 
As atitudes constituem-se em um dos construtos mais antigos no contexto 
sociopsicológico, embora suas definições nem sempre sejam consensuais. Contudo, 
alguns temas são recorrentes nas várias definições oferecidas pelos autores, como o fato 
de elas se encontrarem associadas a diversas manifestações, incluindo-se as crenças, os 
valores e as opiniões, e de elas envolverem avaliações de objetos sociais (Saucier, 2000). 
De acordo com Fabrigar e Wegener (2010), as atitudes podem ser conceituadas como 
avaliações gerais e duradouras, que variam de um extremo positivo a um extremo negativo, 
dos objetos presentes no mundo social, o que abrange pessoas, grupos, comportamentos 
etc. Nesse sentido, elas integram as cognições e afetos sobre tais objetos (Crano & Prislin, 
2006). 
 
Processos grupais 
O estudo dos fenômenos grupais tem uma longa história na área da Psicologia 
Social, tendo se constituído no objeto de preocupações de vários pioneiros da Psicologia 
norte americana, como Lewin, Sheriff e Asch. Com o passar do tempo, porém, as 
investigações nessa área tenderam a se concentrar em níveis cada vez mais micros de 
 
 
34 Psicologia Social 
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análise, que se focalizavam sobremaneira nas qualidades, características e ações dos 
membros individuais, quando na presença de um grupo. 
 
Neurociência social 
A área de Neurociência Social, assim colocada pela primeira vez por Cacioppo e 
Berntson (1992), surge movida principalmente pelo interesse de investigar as possíveis 
associações existentes entre a cognição social e as funções cerebrais, com o intuito de 
compreender o papel desempenhado pelas estruturas neurais no processamento da 
informação social (Adolphs, 2009). 
 
O pressuposto básico é, portanto, o que determinam os mecanismos neurocerebrais 
que são responsáveis pelo raciocínio social, isto é, que existem determinadas estruturas 
cerebrais especializadas nas atividades de auto percepção e percepção dos demais 
indivíduos e grupos sociais, bem como nas ações que permitem a vida em sociedade 
(Heatherton & Wheatley, 2010). Em resumo, a Neurociência Social dedica-se à análise das 
bases neurobiológicas da cognição social. 
 
Neste capítulo foram descritos alguns dos principais conceitos e teorias que 
permearam a trajetória da Psicologia Social na América do Norte. Aprendemos uma 
maneira peculiar de compreender a cognição social. 
 
 
 
35 Psicologia Social 
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7. PSICOLOGIA SOCIAL NA EUROPA 
A proposta dessa unidade é visualizar as contribuições da Psicologia Social na 
Europa, teremos a oportunidade de compreender a trajetória da conquista da sua própria 
identidade e da sua preocupação com a estrutura social. Bons estudos! 
 
A Psicologia Social na Europa: Evolução e Tendências Atuais 
 
Apesar de inicialmente a Psicologia Social europeia ter caminhado lado a lado com 
a Psicologia Social Psicológica, ela começou, a partir dos anos 1970 e motivada pela crise 
da Psicologia Social na América do Norte, e adquiriu sua própria identidade, demonstrando 
maior preocupação com a estrutura social. Desde então, ela vem crescendo 
progressivamente em tamanho e influência. Entre os temas de estudo mais frequentes no 
contexto europeu encontram-se a identidade social, que se insere principalmente no 
contexto das relações intergrupais, e as representações sociais, que remetem a uma 
psicologia dos grupos e coletividades. 
 
Tema de estudo: teoria de Identidade social 
A teoria da identidade social surge na literatura sociopsicológica com Henri Tajfel, da 
Universidade de Bristol, na Inglaterra, e seus colaboradores que procuraram enfatizar a 
dimensão social do comportamento individual e grupal, ao interceder que o indivíduo é 
moldado pela sociedade e pela cultura. Nesse sentido, defendem que as relações 
intergrupais estão intimamente relacionadas a processos de identificação grupal e de 
comparação social. 
 
A teoria da identidade social apoia-se em três postulados básicos: 
 
 
 
Desenvolvido pela autora (2021). 
(1) o autoconceito é derivado da identificação e pertença grupal;
(2) as pessoas são motivadas a manter uma autoestima positiva;
(3) as pessoas estabelecem uma identidade social positiva
mediante a comparação favorável de seu próprio grupo (in-group)
com outros grupos sociais (out-groups)
 
 
36 Psicologia Social 
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Nesse sentido, quando tal comparação não se mostra favorável ao próprio grupo, 
elas irão adotar diferentes estratégias para recuperar o favoritismo de seu próprio grupo, 
como forma de assegurar uma autoestima positiva 
 
As primeiras demonstrações sobre a identificação social e o favoritismo do próprio 
grupo foram realizadas por Tajfel (1981), mediante o uso de experimentos adotando a 
técnica do paradigma dos grupos mínimos, em que as pessoas eram arbitrariamente 
assinaladas a grupos com os quais não possuíam nenhuma identificação anterior e, mesmo 
assim, tendiam a manter a vantagem do próprio grupo. 
 
Desde então, a identificação social tem sido objeto de inúmeras verificações 
empíricas, dentro e fora do laboratório. Tais estudos têm consistentemente apontado que 
a força da identificação com o próprio grupo e a necessidade de manter uma autoestima 
positiva encontram-se na base das relações intergrupais, ao provocarem o favoritismo do 
próprio grupo e as atitudes discriminatórias daí decorrentes (Brown, 2000). 
 
Assim, por exemplo, a revisão de 34 estudos conduzida por Aberson, Healy e 
Romero (2000) observou que as pessoas de autoestima elevada exibiam maior favoritismo 
ao próprio grupo do que as de autoestima mais baixa. Outros estudos têm verificado que 
as pessoas que vivenciam uma diminuição de sua autoestima tendem a expressar maior 
preconceito (Fein & Spencer, 1997). 
 
Tema de estudo: teoria de autocategorização 
Uma extensão da teoria da identidade social é a teoria da autocategorização de 
Turner, Hogg, Oakes, Reicher e Wetherell (1987). 
 
Seu foco são os fatores que levam os indivíduos a realizarem determinadas 
categorizações, bem como suas consequências para o comportamento coletivo. Admite-
se, assim, que se depender da força da pressão social presente em determinadas 
situações, as pessoas deixarão de lado suas características idiossincráticas 
(autopercepção) e ativarão suas identidades sociais, o que as levará ao engajamento em 
ações coletivas. De acordo com esses

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