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ATOS ADMINISTRATIVOS
CONCEITO
Uma corrente minoritária adota um conceito de ato administrativo mais amplo, que leva em consideração o aspecto subjetivo, isto é, o sujeito que o pratica (a Administração Pública). Por essa linha de interpretação, todas as manifestações da Administração Pública seriam atos administrativos, incluindo-se os atos normativos, os contratos, os atos materiais e os atos de gestão (estes últimos – gestão - são regrados pelo regime jurídico de direito privado). 
Mas o conceito de ato administrativo que é adotado pela maioria da doutrina é mais estrito, isto é, leva em conta não apenas o sujeito que o pratica, mas principalmente o aspecto objetivo (ou material) do ato. Por essa corrente, somente é considerado ato administrativo aquele praticado pela Administração Pública e que se constitui de uma manifestação unilateral de vontade, em caso concreto, e que produza efeitos jurídicos imediatos.
Cada poder do Estado tem sua função principal: ao Legislativo, cabe editar as leis, ao Judiciário exercer a jurisdição, ou seja, dizer o direito aplicável ao caso concreto e, finalmente, ao Executivo compete exercer a função administrativa ou executiva que é destinada a prática dos atos administrativos. Não obstante, os poderes legislativos e judiciários também exercem funções administrativas em caráter secundário, quando, por exemplo, ordenam seus serviços, dispõem sobre seus bens ou dispõem sobre seus servidores. A aposentadoria de servidor de qualquer um dos três poderes é ato administrativo.
O ato administrativo é espécie do gênero ato jurídico. Este é todo ato lícito, que tem por fim imediato adquirir, declarar, resguardar, transferir, modificar ou extinguir direitos. Para que o ato administrativo se destaque do ato jurídico é necessário acrescentar ao conceito o fato de a administração pública ser a expedidora do ato, bem como a sua submissão ao regime jurídico administrativo, com destaque para a finalidade pública do ato.
Conforme Hely Lopes Meirelles: “ato administrativo é toda a manifestação unilateral de vontade da administração pública, que agindo nesta qualidade, tenha por fim mediato adquirir, resguardar, transferir, modificar, extinguir e declarar direitos ou impor obrigações aos administrados ou a si própria.”
Maria Sílvia Zanella Di Pietro ensina que ato administrativo é uma declaração de vontade do Estado, que produz efeitos jurídicos imediatos, sujeito ao regime jurídico administrativo e sujeito ao controle judicial.
A Administração Pública, no exercício de suas diversificadas tarefas, pratica diversas modalidades de atos jurídicos. São os chamados atos da Administração. O ato administrativo é uma das espécies de atos da administração, mas nem todo ato da Administração é ato administrativo. Ato da administração é gênero e ato administrativo é espécie. Seguem alguns atos da Administração que não se enquadram em atos administrativos:
- atos normativos: são atos que regulamentam leis ou que tratam da organização da administração pública; distinguem-se dos atos administrativos, pois estes versam sobre decisões em casos concretos e individualizados, ao passo que os atos normativos são normas gerais e abstratas;
- contratos administrativos: pois são atos bilaterais, enquanto os atos administrativos são unilaterais;
- atos meramente materiais: consistem na prestação concreta de serviços, faltando-lhes o caráter prescritivo próprio dos atos administrativos. Exemplos - construção de uma ponte, ministração de uma aula na escola publica.
- atos regidos pelo direito privado ou atos de gestão: constituem casos raros em que a Administração Pública ingressa em relação jurídica submetida ao direito privado, ocupando posição de igualdade perante o particular, isto é, destituído de poder de império. Exemplo: locação imobiliária e contrato de compra e venda.
- atos enunciativos e de opinião: para Di Pietro, os atos enunciativos e de opinião não são atos administrativos, pois não geram efeitos jurídicos imediatos. Ex. certidão (apenas noticia uma situação jurídica) e parecer (uma opinião, que não tem o poder de alterar, por si, posições jurídicas)
Também não se enquadram no conceito de atos administrativos aquelas manifestações típicas dos poderes políticos no exercício de suas funções constitucionais e que estejam previstas na própria Constituição Federal, quais sejam:
- atos políticos ou de governo, que são os praticados em obediência direta a constituição federal. Exemplos: a sanção e veto de Lei, a intervenção federal nos estados etc.
- atos jurisdicionais: decisões proferidas por juízes em suas funções típicas;
- atos legislativos: leis emanadas do poder legislativo nas esferas federal, estadual, distrital e municipal.
ATRIBUTOS OU CARACTERÍSTICAS DO ATO ADMINISTRATIVO
O ato administrativo é informado por atributos ou características que lhe são próprias:
a) A presunção de legalidade (legitimidade) e de veracidade: 
O atributo da presunção de legitimidade, também conhecido como presunção de legalidade ou presunção de veracidade, significa que o ato administrativo, até prova em contrário, é considerado válido para o Direito.
Trata-se de uma derivação da supremacia do interesse público, razão pela qual sua existência independe de previsão legal específica.
A presunção de legitimidade é um atributo universal aplicável a todos os atos administrativos e da Administração.
Importante destacar que se trata de uma presunção relativa ou juris tantum, isto é que admitem prova em contrario. O efeito prático das presunções é de inverter o ônus de agir, cabendo ao interessado lesado pelo ato o ônus de atuar para afastar as presunções seja na esfera administrativa ou judicial.
Há quem diferencie presunção de legitimidade (ou legalidade) e presunção de veracidade. A presunção de legitimidade diria respeito à validade do ato em si, isto é, que o ato, em princípio, foi praticado de acordo com as normas legais, enquanto a presunção de veracidade consagraria a verdade dos fatos motivadores do ato.
b) A imperatividade ou coercibilidade:
Pela imperatividade a administrativos que cria obrigações aos administrativos independentemente de sua concordância. A imperatividade também é chamada de poder extroverso, porque os atos administrativos interferem na esfera jurídica dos administrativos tão somente pela vontade a administração pública. Exemplo imposição de multa ao motorista infrator.
O atributo da imperatividade só está presente nos atos administrativos que criam obrigações aos administrados, estes atributos não estão presentes nos atos chamados de atos negociais que conferem direitos aos administrados. Este atributo também não está presente nos atos enunciativos, tais como certidão por tempo de serviço, atestado de invalidez do servidor etc.
c) A autoexecutoriedade:
Pela autoexecutoriedade a administração põe em prática seus atos utilizando meios coercitivos próprios. Há quem divida o atributo da autoexecutoriedade em: exigibilidade e executoriedade.
Pela exigibilidade a administração pode fazer uso de meios indiretos de coação. Ex: notifica o munícipe a limpar seu terreno sob pena de multa.
Pela executoriedade a própria administração pode executar o ato administrativo e utilizar meios direitos de coação. Ex: apreensão de mercadoria vencida, interdição de estabelecimento, demolição do prédio em ruínas.
A executoriedade é mais do que a exigibilidade e só existe nos seguintes casos:
- se houver previsão legal;
- houver razão de urgência que imponha a prática do ato, sob pena do interesse público ser irremediavelmente comprometido.
d) A tipicidade:
Pela tipicidade deve o ato administrativo deve se ajustar o disciplinado em lei para atingir sua finalidade especialmente pretendida pela administração publica. Ex: para atender a necessidade de serviço o ato típico é o ato de remoção do servidor; para que haja a desapropriação de um imóvel, há necessidade da edição de um decreto expropriatório.
ELEMENTOS OU REQUISITOS DO ATO ADMINISTRATIVO
A doutrina diverge quanto à quantidade de elementos ou requisitosde validade do ato administrativo, especialmente pelo fato de o tema ainda não ter sido objeto de tratamento legislativo direto. Há basicamente duas correntes: a clássica e a corrente mais moderna.
A corrente clássica defendida por Hely Lopes Meirelles e majoritária para concursos públicos está baseada no artigo 2º da Lei nº 4.7171/65, segundo o qual “são nulos os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo anterior, nos casos de: a) incompetência; b) vício de forma; c) ilegalidade do objeto; d)inexistência dos motivos; e) desvio de finalidade”.
De acordo com essa visão, os requisitos do ato administrativo são: competência (ou sujeito), objeto, forma, motivo e finalidade.
São cinco os elementos ou requisitos dos atos administrativos, sujeito ou competência, objeto, forma, motivo e finalidade = FFCOM
a) Sujeito ou competência:
A competência é requisito vinculado. 
Para que o ato seja válido, inicialmente é preciso verificar se foi praticado pelo agente competente segundo a legislação para a prática da conduta. No Direito Administrativo, é sempre a lei que define as competências conferidas a cada agente, limitando sua atuação àquela seara específica de atribuições.
Assim, não é competente quem quer mais quem a lei determina.
Além da competência, segundo Di Pietro, deve-se verificar também se o sujeito que pratica o ato tem capacidade para tanto, sobretudo se é o titular da competência e se não há nenhum impedimento de agir, como, por exemplo, o chefe da repartição que, por ser irmão do servidor, não pode participar da comissão processante, na hipótese de processo administrativo disciplinar.
A competência:
- pode ser atribuída a pessoas, órgãos, colegiados; 
- é inderrogável, isto é, não pode ser modificada por acordo de vontade dos interessados ou de terceiros;
- é delegável, como regra; somente em casos excepcionais, previstos em lei, é que a competência não poderá ser delegada;
- pode ser avocada, mas somente em casos excepcionais;
- é irrenunciável, ou seja, o agente competente não pode deixar de assumir suas atribuições na prática de atos administrativos que lhe sejam atribuídos.
b) Objeto
Também é denominado como conteúdo do ato administrativo, é o efeito jurídico imediato que o ato produz é aquilo que se cria, declara, se extingue, modifica na ordem jurídica. Ex: o objeto de um ato da desapropriação e a própria perda da propriedade para o desapropriado.
O objeto deve ser:
- lícito - ajustado as existências normativas (exemplo de objeto ilícito: licitação para instalação de jogo de bingo, pois há proibição desta atividade)
- possível - realizável nos mundos dos atos dos direito; deve ser possível juridicamente (ex. venda de bem público de uso comum ou especial sem ser realizada a desafetação é juridicamente impossível); deve também ser possível fisicamente (ex. não é possível fisicamente, ainda, uma viagem ao centro da terra). 
- certo - definido com precisão (ex. o decreto expropriatório deve conter o bem imóvel desapropriado, com todas as suas descrições)
- moral - de acordo com as exigências de boa-fé ética e honestidades (é imoral o ato que nomeia parentes até 3º grau para cargo de confiança do agente público).
c) Forma
Forma é modelo determinada pela lei para a prática do ato administrativo.
Os atos que não exigem formas típicas, ou que não sejam obrigatórias, são sanáveis.
A regra e que o ato administrativo seja praticado pela forma escrita e se envolver direito real sobre imóvel, exige-se escritura pública. 
Admitem-se também ordens verbais e sinais convencionais como formas do ato administrativo. As placas de sinalização do trânsito, os apitos dos guardas de trânsito são sinais convencionais.
O silêncio administrativo pode interpretado como um ato administrativo positivo (de anuência / deferimento) ou negativo (de discordância / indeferimento), como, por exemplo, alguns parcelamentos do REFIS Federal, em que a omissão geralmente era interpretada como deferimento (ou ato) tácito. A lei é quem dá o sentido ao silêncio administrativo: deferimento ou indeferimento. Se não houver nenhuma sinalização do sentido do silêncio administrativo, estar-se-á apenas diante de uma omissão administrativa, que não produz nenhum efeito jurídico e, portanto, não pode ser considerado ato administrativo.
Formalidades processuais estão inseridas no conceito de forma. A inobservância do devido processo legal, notadamente no que tange aos aspectos de ampla defesa e contraditório, podem constituir-se ausência do requisito ou do elemento “Forma”, trazendo nulidades à decisão final (ao ato administrativo), como, por exemplo, no ato punitivo expedido pelo superior hierárquico que não garante ao processado o direito de se defender adequadamente. 
d) motivo
É o pressuposto de fato e de direito que embasa a prática do ato, ou seja, o pressuposto de fato e o acontecimento com todas as suas circunstancias que levam a administração a praticar o ato. 
O pressuposto de direito (ou jurídico) são as normas da legalidade (leis, regulamentos etc.) que fundamentam a prática do ato.
Motivo não é sinônimo de motivação, embora estejam intimamente relacionados. Motivação e a exposição detalhada dos motivos que conduziram à prática do ato.
Por exemplo: no ato administrativo punitivo de um servidor, o motivo é a infração de uma norma administrativa. A motivação é o exposição fática e a fundamentação jurídica. É dizer que o servidor federal Fulando de Tal, no dia tal, em tais circunstâncias, praticou um determinado ato, e que essa conduta constitui-se em uma ofensa aos deveres jurídico-administrativos previstos na lei nº X, art. Y.
Discute-se na doutrina se a motivação é obrigatória nos atos vinculados e nos atos discricionários, há três correntes de pensamento:
i) a motivação é obrigatória nos atos vinculados;
ii) a motivação é obrigatória nos atos discricionários;
ii) a motivação é obrigatória tanto nos atos vinculados e nos atos discricionários.
A última corrente é a predominante, a motivação no ato vinculado é mais sucinta do a que a motivação no ato discricionário, já que basta que o administrador demonstre que existe em concreto a situação descrita de modo preciso pelo legislador. Ex: a concessão de aposentaria por invalidez ao segurado que preenche os requisitos do art. 42 da Lei 8213/91.
A motivação somente não será necessária, se a lei não descrever o motivo da prática do ato, como ocorre por exemplo a exoneração ad nutum dos ocupantes dos cargos em comissão, pois trata-se de exoneração a qualquer tempo e sem justificativa. 
Ainda que a lei não exija os motivos da prática do ato, se o administrador indicar os motivos, então estes devem ser verdadeiros e existentes sob pena do ato estar viciado. Trata-se a aplicação da teoria dos motivos determinantes, pela qual a administração se vincula aos motivos que elegeu para a prática do ato, de tal sorte que, se os motivos se revelarem inexistentes ou não verdadeiros o ato estará viciado, e se sujeitará a anulação, mesmo que na hipótese não fosse exigido que a administração declinasse o motivo.
Como exemplo, temos o servidor ocupante em cargo de comissão que é exonerado para a redução de despesa com o pessoal, e, no dia imediato, é nomeado outro ocupante para o cargo. Neste caso, o servidor demitido pode requerer a anulação do ato de exoneração alegando inexistência do motivo, já que a administração está vinculada ao motivo que, no caso, não ficou configurado (se outro servidor foi nomeado está claro que não houve redução das despesas).
e) Finalidade
É o resultado mediato ou o objetivo pretendido pela administração com a prática do ato. 
A finalidade pode ser tomada em um sentido amplo e em um sentido restrito. No sentido amplo, significa que o ato administrativo deve ser praticado para atender o interesse público. Evidente, portanto, estar vedado que atos sejam praticados para o fim deliberado de prejudicar ou favorecer alguém.
Já no sentido restrito, o ato deve atender ao fim especialmente previsto em lei para a hipótese. Caso não se atenda a finalidade tomadano sentido amplo ou restrito existira o vício chamado desvio de finalidade, também denominado de desvio ou abuso de poder.
Ex: de desvio de finalidade no sentido amplo, desapropriação para prejudicar um inimigo político. 
Ex: de desvio de finalidade no sentido restrito, remoção do servidor com a finalidade de puni-lo quando o estatuto correspondente estabelece que a finalidade da remoção é a de atender a necessidade do serviço.
Distinção entre motivo, objeto e finalidade
O motivo é antecedente ao ato, o objeto é a consequência jurídica imediata ou decorrente da prática do ato e a finalidade é o resultado ou objetivo ou mais distante e que também resulta do ato administrativo.
No caso, por exemplo, de uma infração administrativa por servidor público, temos:
Motivo: a infração (descumprimento de dever);
Objeto: a penalidade (advertência, suspensão, demissão);
Finalidade: prevenção e repressão (visando à manutenção da probidade administrativa).
DISCRICIONARIEDADE E VINCULAÇÃO
Na prática dos atos administrativos, a administração ora atua sem liberdade nenhuma, ora atua com certa margem de liberdade. No primeiro caso, quanto atua sem liberdade, este é denominado de ato vinculado ou regrado, em que o administrador não tem liberdade de atuação, pois todos os elementos do ato foram descritos na lei de modo preciso. Ex: aposentadoria voluntária do servidor público - art. 40, § 1º, inc. III, alínea a da CF.
No segundo caso, quando o ato é discricionário, a administração poderá escolher dentre as possibilidades legais aquela que melhor soluciona o caso concreto, segundo os princípios da proporcionalidade, mediante juízo de conveniência e oportunidade.
Como exemplo da escolha da punição do servidor faltoso a lei costuma possibilitar ao superior hierárquico mais de uma possibilidade de pena levando em consideração a pessoa do infrator, a gravidade da infração, os danos causados ao serviço e etc.
Para saber se o ato a ser praticado é vinculado ou discricionário, deve ser consultada a legislação. Expressões do tipo: será, deverá ser, por critério vinculado outras equivalentes, indicam que o ato a ser praticado é vinculado; por outro lado, expressões do tipo: poderá ser, é faculdade, por razões de conveniência e oportunidade, por razões de interesse público, mediante juízo discricionário e outras equivalentes, indicam que o ato a ser praticado é discricionário.
Elementos do ato administrativo: vinculados e discricionários?
i) Sujeito / competência: é elemento sempre vinculado, pois a lei estabelece quem é o competente para à pratica do ato.
ii) Finalidade: para a doutrina tradicional é elemento vinculado, pois o ato deve atender o ato de interesse público, considerado genericamente e também ao fim especificamente previsto em lei para a hipótese. A doutrina moderna, ressalva que a finalidade pode permitir um juízo discricionário se a lei mencionar a finalidade por meio de conceitos indeterminados, fluidos, imprecisos, tais como ordem pública, paz social, etc.
iii) Forma: A forma normalmente é vinculada, pois a lei costuma dizer como o ato será exteriorizado; se houver opção de forma, ela será discricionária.
iv) Motivo: o motivo pode ser vinculado ou discricionário, seja vinculado se a lei usar palavras precisas, para dizer do motivo. Ex: o motivo da aposentadoria compulsória do servidor é o que completar 70 anos de idade. Será discricionário se a lei usar conceitos indeterminados, para falar do motivo. Exemplo: praticar conduta escandalosa na repartição motivo para punição do servidor.
v) Objeto ou conteúdo: do ato pode ser vinculado ou discricionário. Será vinculado se a lei estabelecer qual o conteúdo do ato para atender ao fim perseguido. Ex: praticada a infração x a pena é y e nenhuma outra. Será discricionário o conteúdo do ato se a lei estabelecer mais de um conteúdo possível para atender o fim perseguido. Ex: praticada a infração x as penas pode ser y ou z.
Conclui-se então que a discricionariedade, considerando-se os elementos do ato administrativo, reside, como regra, no motivo e no objeto. Os demais elementos, também como regra, são vinculados. É necessário, no entanto, que se analisem os elementos do ato à luz das normas que o disciplinam para determinar o que é vinculado e o que é discricionário. 
CLASSIFICAÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS
Quanto aos destinatários do ato: os atos classificam-se em gerais e individuais. Os atos gerais são os que se destinam a todos que se encontrem numa mesma situação, indistintamente. Ex: deferimento de um benefício a administrativo a um idoso (ato individual); deferimento de licença genérica para construir a todos que residem em um condomínio horizontal (geral).
Quanto ao alcance: os atos classificam-se em internos e externos. Os primeiros são os que produzem efeitos no interior das repartições públicas, e, então, não exigem publicação para deflagração dos efeitos, bastando a cientificação dos interessados. Como exemplo uma escala de plantão de servidor.
Os segundos são os que produzem efeitos para além do interior das repartições e exigem publicação para deflagração de seus efeitos. Como exemplo um edital de concorrência pública.
Quanto ao objeto do ato: os atos classificam-se em “de império”, “de gestão” e “de expediente”.
Os atos de império caracterizam-se por sua imposição coativa aos administrados, fundados nas prerrogativas de autoridade conferidas à Administração Pública, sob regime jurídico de direito público que é exorbitante do regime de direito comum.
Os atos de gestão são os praticados pela Administração sem prerrogativas de autoridade visando gerir seus bens e seus serviços, como qualquer pessoa o faz. São regrados pelo direito privado e, exatamente por isso, para quem adota conceito mais restrito, os atos de gestão não são considerados com atos administrativos.
Os atos de expediente, por sua vez, são os que não têm conteúdo decisório e se destinam a dar andamento aos variados requerimentos, papéis, processos, nas repartições públicas. Por não terem conteúdo decisório, não produzem efeitos jurídicos imediatos. Consequência disso é que alguns juristas defendem que atos de expediente não são considerados atos administrativos.
Quanto ao regramento do ato: classificam-se em atos discricionários e atos vinculados (também chamados de regrados), já analisados anteriormente.
Quanto à formação do ato: os atos classificam-se em simples, complexos e compostos.
Simples são os atos que decorrem da manifestação de vontade de um só órgão, seja ele unitário ou colegiado. Como exemplo decreto de nomeação de um servidor para compor uma comissão de estudo.
Atos complexos, por sua vez, são os que decorrem da conjugação de vontades de mais de um órgão, unitários ou colegiados, formando um ato único. Ex: posse de ministros ao STF e STJ, pelo Presidente da República, que necessita, antes, da confirmação do Senado.
Finalmente, os atos compostos são os que resultam da vontade de um órgão, mas que é dependente da manifestação prévia ou posterior por parte de outro órgão. Ex: aposentadoria por invalidez que depende de laudo médico que ateste a invalidez.
Ordinariamente, os atos que dependem de autorização, homologação, laudo técnico, etc são considerados compostos.
Há autores que classificam os atos tão somente em simples e complexos, sendo que os atos complexos são os que resultam da manifestação de vontade de mais de um órgão. Ex: nomeação de alguém baseada em lista de nomes elaborada por outro órgão (desembargador do TJ pelo quinto constitucional no caso de advogado ou ministério público: faz-se uma lista sêxtupla enviada pela OAB / MP ao tribunal de justiça; faz-se uma lista tríplice enviada pelo TJ ao Governador, que, por fim, nomeia um deles para o cargo de desembargador) 
ATOS ADMINISTRATIVOS EM ESPÉCIE
Dividiremos os atos quanto ao conteúdo e quanto à forma.
1) Quanto ao conteúdo:
a) atos administrativos negociais: a autorização, a licença, a permissão e a admissão.
A autorização é ato unilateral e discricionário pelo qual a Administração Pública defereao interessado a prática de ato material com base no poder de polícia, como, por exemplo, a autorização para porte de arma, ou então defere o uso privativo de bem público. A autorização fundada no poder de polícia contrapõe-se a licença, quando ela também é fundada no mesmo poder.
A autorização de uso de bem público contrapõe-se a permissão de uso de bem público. Autorização destina-se ao uso episódico, temporário de bem público, por exemplo, para instalação de circo para temporada, em área municipal. A autorização é deferida no interesse predominante do particular, de forma que, mesmo obtida a autorização, caso ele não utilize o bem público, nada lhe ocorrerá.
A permissão de uso de bem público, por sua vez, é ato unilateral e discricionário pelo qual se defere ao particular o uso privativo de bem público, sem o caráter episódico da autorização, mas sujeita a revogação por razões de interesse público. Exemplo: permissão de uso de parte da calçada para instalação de banca de jornal.
Além da permissão de uso de bem público, existe também a permissão de serviço público. A permissão de serviço público tradicionalmente era entendida como ato administrativo unilateral administrativo unilateral e discricionário pelo qual se transferia a alguém a prestação de um serviço público, e, na hipótese de se submeter a prazo, isto é, de permissão condicionada ou qualificada, a revogação antes do fim do prazo acarretava indenização.
A partir da CF/88 o art. 175 confere natureza contratual a permissão de serviço público e a lei 8.987/95, no art. 40, inicia estabelecendo que a permissão de serviço público é contrato de adesão (todo contrato administrativo é de adesão), mas finaliza estabelecendo que é revogável e precário, como se a permissão fosse ato unilateral. Em razão disso, a doutrina se divide, uns sustentando que ela é contrato administrativo e outros que ela é ato administrativo. Em prova de teste preferir a opção contrato.
Por fim, a admissão é ato administrativo unilateral e vinculado a quem atende aos requisitos legais a inclusão em estabelecimento governamental para fruição de um serviço público. Exemplo, admissão em universidade pública.
b) Atos administrativos de controle: aprovação e homologação.
A aprovação é um ato administrativo unilateral e discricionário pelo qual a administração exerce o controle sobre certo ato jurídico, manifestando-se prévia ou posteriormente a sua prática. Exemplo, art. 5º da Lei 9.986/2000.
Homologação é ato administrativo unilateral e vinculado pelo qual a administração pública exerce o controle de legalidade sobre certo ato administrativo a posteriori. Exemplo, art. 43, VI, da Lei nº 8.666/93.
c) Atos administrativos enunciativos: parecer e visto.
Alguns juristas de renome entendem que os atos enunciativos não são aceitos como sendo atos administrativos, dentre eles a Professora Maria Sílvia Zanella Di Pietro. Isso porque os atos a enunciativos não produzem efeitos jurídicos imediatos. 
Parecer é a opinião exarada por órgãos consultivos sobre assuntos técnicos ou jurídicos de sua competência. 
O visto por sua vez é ato unilateral de controle formal sobre certo ato jurídico, não implica concordância quanto a seu conteúdo. Ex.: visto do chefe imediato encaminhado por servidor ao chefe mediato.
2) Quanto à forma: decreto, resolução, portaria, circular, despacho e alvará.
a) Decreto é a forma pela qual os atos de competência privativa dos chefes do Poder Executivo são praticados, abrangendo tanto ato individual quanto geral. Ex.: decreto de nomeação de servidores, decreto expropriatório.
b) A resolução e portaria são formas pelas quais são praticados os atos gerais e individuais por autoridades diversas dos chefes do Poder Executivo. No Estado de São Paulo pela lei nº 10.177/98 a resolução é ato de competência privativa dos Secretários de Estado, do Procurador Geral do Estado e dos Reitores das Universidades Públicas e a portaria é ato de competência de todas as autoridades até o nível do diretor de serviço, além das autoridades policiais, dos dirigentes de entidades descentralizadas e de eventuais outras autoridades previstas em leis próprias.
c) Circular é a forma pela qual são transmitidas ordens escritas, internas e uniformes dos superiores aos seus subordinados visando ao ordenamento do serviço.
e) Despacho: são as decisões proferidas nos requerimentos, processos sujeitos a apreciação da autoridade administrativa. O despacho é normativo quando acolhe parecer sobre certa matéria e decide o caso concreto dando efeito normativo para reger os casos semelhantes futuros conforme o que ficou decidido.
f) Alvará: é a forma pela qual são exteriorizadas a licença e a autorização para atos submetidos ao poder de policia.
EXTINÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO
O ato administrativo é praticado, produz efeitos e desaparece. Seu ciclo vital encerra-se de diversas maneiras, conhecidas como forma de extinção do ato administrativo.
A. CUMPRIMENTO DE SEUS EFEITOS: em razão do tempo ou do conteúdo do ato; ex. gozo de férias de um funcionário; permissão de uso de bem público por determinado tempo; licença para construir;
B. DESAPARECIMENTO DO SUJEITO OU DO OBJETO: Sujeito - morte do funcionário público ou do permissionário; Objeto - tomada pelo mar de um terreno da marinha dado em aforamento extingue a enfiteuse;
C. REVOGAÇÃO: tem lugar quando uma autoridade, no exercício de sua competência administrativa, conclui que um dado ato ou relação jurídica não atendem ao interesse público e por isso resolve eliminá-los a fim de prover de maneira mais satisfatória às conveniências administrativas. 
É a extinção de um ato administrativo ou de seus efeitos por outro ato administrativo, efetuada por razões de conveniência e oportunidade, respeitando-se os efeitos precedentes. 
O agente que revoga tanto pode ser aquele que produziu o ato, quanto a autoridade superior, no exercício do poder hierárquico (a lei é que define a competência da revogação); 
O objeto da revogação é um ato administrativo válido ou uma relação jurídica válida dele decorrente; 
A faculdade de revogar está fundada no poder genérico de agir de dado órgão da Administração Pública. Mas só é possível revogar onde exista a prerrogativa de modificar ulteriormente a relação jurídica oriunda do ato anterior.
O motivo da revogação é a inconveniência ou inoportunidade do ato ou da situação gerada por ele. É o resultado de uma reapreciação sobre certa situação administrativa que conclui por sua inadequação ao interesse público. É consequência de um juízo feito hoje sobre o que foi produzido ontem, resultando no entendimento de que a solução tomada não convém agora aos interesses administrativos; 
A revogação, quando legítima, de regra, não dá margem à indenização. Com efeito, quando existe o poder de revogar perante a ordem normativa, sua efetivação normalmente não lesa direito algum de terceiro. Contudo, não se pode excluir a hipótese, tanto mais porque, como é sabido, existe responsabilidade do Estado por ato lícito (ex. decreto municipal que fecha as ruas centrais da cidade para veículos automotores, ocasionando danos aos edifícios-garagens que tinham autorização para desempenharem suas atividades);
Não podem ser revogados os atos vinculados, pois não há liberdade de escolha; os que já exauriram seus efeitos ou quando o agente já exauriu sua competência para o ato e não podem ser revogados os atos que geram direitos adquiridos.
D. ANULAÇÃO ou invalidação é o desfazimento do ato administrativo por razões de ilegalidade. Como a desconformidade com a lei atinge o ato em suas origens, a anulação produz efeitos retroativos à data em que foi emitido (ex tunc) ou seja, desde então. 
A anulação pode ser feita pela própria administração com base no seu poder de autotutela sobre os próprios atos e, pode ser feita também, pelo Poder Judiciário, mediante provocação dos interessados, que poderão utilizar, para esse fim, quer as ações ordinárias e especiais previstas na legislação processual, quer os remédios constitucionais de controle judicial da AdministraçãoPública.
Maria Sylvia Zanella di Pietro defende que a Administração tem, em regra, o dever de anular os atos ilegais, sob pena de cair por terra o princípio da legalidade. No entanto, poderá deixar de fazê-lo, em circunstâncias determinadas, quando o prejuízo resultante da anulação puder ser maior do que o decorrente da manutenção do ato ilegal; nesse caso, é o interesse público que norteará a decisão (Seabra Fagundes), desde que não haja dolo, dele não resulte prejuízo ao erário, nem a direitos de terceiros (atos praticados por funcionário de fato: pessoa que não tem grau escolar superior para os cargos que exigem essa capacidade; ou praticado por agente que, após atingir a idade limite para aposentadoria compulsória, continua no cargo, ou após vencido o prazo para contratação).
Assim, a ilegalidade do ato poderá ser quando houver vícios quanto aos elementos ou requisitos do ato administrativo:
- Vício relativo ao sujeito: incompetência (quem praticou o ato não é a pessoa / órgão que consta da norma) e incapacidade (ato praticado por pessoa impedida ou suspeita); 
- Vício relativo ao objeto: quando é proibido por lei (desapropriação de um bem da União efetuada pelo município); quando é imoral (contrário aos bons costumes e à ética), incerto (não é feita corretamente a descrição de um imóvel a ser desapropriado) e impossível (física e juridicamente). 
- Vício relativo a forma: o ato é ilegal quando a lei expressamente a exige que determinada atividade só possa ser alcançada por determinada forma. (Ex. o decreto é a forma que deve revestir o ato do Chefe do Poder Executivo; o edital é a única forma possível para convocar interessados em participar de concorrência).
- Vício quanto ao motivo: falsidade ou inexistência de motivo; punição de funcionário e este não praticou qualquer infração ou os fatos são falsos;
- Vício relativo à finalidade: o vício ocorre quando há desvio de poder, abuso de poder ou excesso de poder (Ex. desapropriação para perseguir determinada pessoa ou para favorecer outra; Autoridade aplica pena de remoção ex officio e esta não é pena ou de demissão quando o caso era só de repreensão).
HELY LOPES MEIRELLES não admite a existência de atos administrativos anuláveis, pela impossibilidade de preponderar o interesse privado sobre atos ilegais, ainda que assim o desejem as partes, porque a isso se opõe a exigência da legalidade administrativa. Daí a impossibilidade jurídica de convalidar-se o ato considerado anulável que, na sua opinião, não passa de um ato originariamente nulo.
CONVALIDAÇÃO: é o ato administrativo pelo qual é suprido o vício existente em um ato ilegal, com efeitos retroativos à data em que este foi praticado. É ato discricionário, mas a administração não pode convalidar um ato que cause prejuízo a terceiros ou que tenha sido produzido de má-fé.
Se o vício é quanto ao sujeito e não seja o caso de competência exclusiva, pode ser convalidado pelo superior hierárquico; mas não se admite a ratificação quando haja incompetência em razão da matéria (por ex., quando um Secretaria pratica ato de competência de outra).
Quanto ao motivo e à finalidade não pode haver convalidação; se o fato não ocorreu, não justifica a prática daquele ato, não há o que se convalidar. Do mesmo modo quanto ao objeto; se este não é legal, não pode ser convalidado, mas pode ser, como exceção a regra, convertido (conversão).
PORTANTO:
Revogação: - discricionariedade da Administração
Efeitos "ex nunc"- a partir de agora
Quem tem competência? Enquanto a anulação pode ser feita pelo Judiciário e pela Administração, a revogação é privativa desta última porque seus fundamentos - oportunidade e conveniência - são vedados à apreciação do Poder Judiciário.
Anulação:- atos viciados, ilegítimos ou ilegais
Efeitos "ex tunc"- desde então
Quem tem competência? Pode ser feita pelo Judiciário e pela a Administração.
E. RENÚNCIA – ocorre quando o próprio beneficiário do ato abre mão da situação proporcionada pelo ato. Exemplo: exoneração de cargo a pedido do ocupante.

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