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CURSO DE GRADUAÇÃO EM FARMÁCIA BIOQUÍMICA CLÍNICA PROFESSOR: ROBERTO RICARDO ALUNAS: DIONE MENDES JAQUELINE ALMEIDA JOÃO BATISTA LILIANE RODRIGUES RAFAELA LIMA STHEFANY MACIEL Relatório de Aula Prática URINÁLISE • INTRODUÇÃO - O exame de urina de rotina é constituído por três fases: análise física, análise química e análise do sedimento. • ANÁLISE FÍSICA - Compreende a observação do aspecto, da cor e da densidade. Aspecto - A urina normal possui um aspecto claro, transparente. Turvações podem aparecer quando ocorrerem formações de uratos amorfos em urinas ácidas ou fosfatos amorfos em urinas alcalinas (temperatura ambiente baixa). - Outros: leucócitos, células, bactérias (patológicos). - A urina pode se apresentar mais escura (maior concentração) ou mais clara (diluição). Cor - A cor da urina normal varia do amarelo ao âmbar e é devida à presença de um pigmento chamado urocromo. a) Cor rosada, vermelha ou castanha: sangue. b) Cor âmbar escuro: urobilina ou bilirrubina. c) Amarelo-vivo, verdes ou mesmo azuis: medicamentos. d) Cor marrom-escuro: porfirinas, melanina ou ácido homogentísico. - Adicionalmente, a urina ainda pode assumir diferentes colorações dependendo da ingestão de alimentos corantes e drogas. Densidade - O uso da densidade como índice de avaliação parcial da integridade renal é baseado no conceito de que o túbulo renal normal é capaz de modular o volume de líquido a ser reabsorvido a partir do filtrado glomerular, poupando ou não água, na dependência das necessidades imediatas do organismo. • ANÁLISE QUÍMICA pH - Os rins são importantes órgãos reguladores do equilíbrio ácido-básico do organismo. - A regulação se dá pela secreção de hidrogênio e de ácidos orgânicos fracos e pela reabsorção de bicarbonato do ultrafiltrado pelos túbulos contornados. - A determinação do pH urinário pode auxiliar no diagnóstico de distúrbios eletrolíticos sistêmicos de origem metabólica ou respiratória e no acompanhamento de tratamentos que exijam que a urina se mantenha num determinado pH. - Utilizar tiras reagentes ou pHmetro. Esta determinação deve ser feita sempre em amostra recente. Proteínas - Proteinúria é a excreção elevada de proteínas na urina, sendo um indicador importante de lesão renal. Glicose - Em circunstâncias normais, praticamente toda a glicose filtrada pelos glomérulos é reabsorvida no túbulo contornado proximal e a pesquisa de glicose na urina, pelos métodos habituais, é negativa. - A reabsorção é feita por transporte ativo e contribui para a poupança de grande quantidade de glicose. - O nível sanguíneo no qual a reabsorção tubular é superado é chamado de limiar renal e, para a glicose, está entre 160 e 180mg/dl. - Esse conceito deve ser considerado nas situações em que a glicose aparece na urina. Cetonúria - Metabolismo incompleto dos ácidos graxos como fonte alternativa à glicose leva à produção de corpos cetônicos. - A cetonúria ocorre no jejum prolongado, em dietas para redução de peso, em estados febris, após exercícios físicos intensos, no frio intenso, mas, principalmente, no diabetes mellitus. - Os três corpos cetônicos presentes são: ácido acetoacético (20%), acetona (2%) e ácido beta hidroxibutírico (78%). Bilirrubina e urobilinogênio - Bilirrubina indireta: não solúvel. - Bilirrubina direta: hidrossolúvel. - Perda de urobilinogênio na urina. - Há dois grupos de doenças que podem acarretar alterações nos níveis de excreção urinária: 1. Doença hepática: a bilirrubina direta não é excretada, por obstrução biliar, por exemplo, reflui para o sangue. - Como essa bilirrubina é solúvel no plasma e, portanto, filtrada pelos glomérulos renais, à medida que sua concentração aumenta no sangue, aumenta a excreção renal. - Como não chega bilirrubina no intestino, a produção de urobilinogênio é reduzida, chegando a ser negativa sua pesquisa na urina. 2. Doença hemolítica: nestas doenças, há um aumento acentuado na produção da bilirrubina indireta. - Como o fígado está normal, grande quantidade de bilirrubina direta é produzida e lançada no intestino, com consequente conversão em urobilinogênio. - Há um aumento da reabsorção de urobilinogênio a nível intestinal, elevando o nível sanguíneo e aumento da sua excreção a nível renal. - Não ocorre excreção de bilirrubina pela urina, uma vez que a fração que está aumentada é a indireta, não solúvel e que circula ligada a proteínas, não sendo filtrada. Hemoglobina - As fitas reagentes possuem áreas que permitem o reconhecimento da presença de hemoglobina na urina, seja com hemácias íntegras, chamado de hematúria, seja como hemoglobina livre, denominado de hemoglobinúria seja em mioglobinúrias. • ANÁLISE DO SEDIMENTO URINÁRIO - O exame microscópico: epiteliais, leucócitos, hemácias, cilindros, cristais, bactérias e fungos. - Elementos figurados do sedimento urinário. Células epiteliais - Escamosas (uretra), transicionais (bexiga) e tubulares renais (quando encontrada, é patológico). - Situações normais: raro. Células sanguíneas - As células do sangue periférico estão, normalmente, presentes em pequeno número na urina. 1. Leucócitos aumentados: indica a existência de processo inflamatório ou infeccioso em algum nível do sistema urinário. - A presença de muitos leucócitos, mais de 50 por campo, ou de grumos de leucócitos degenerados (piócitos) é fortemente sugestivo de infecção bacteriana aguda. 2. Hemácias: processos inflamatórios, infecciosos ou traumáticos das vias urinárias causam o aumento do número de eritrócitos no sedimento. Cilindros - Cilindros são precipitados proteicos formados na luz tubular distal. - Na dependência do conteúdo da matriz proteica, os cilindros são classificados como: 1. Hialinos: são os cilindros compostos principalmente de proteína, sem inclusões. - Clinicamente possuem pouco significado, entretanto estão associados à proteinúria e podem ser observados em praticamente todas as situações em que ela acorre. - Grandes quantidades de cilindros hialinos aparecem na pielonefrite aguda, hipertensão arterial maligna, doença renal crônica, insuficiência cardíaca congestiva e nefropatia diabética. 2. Leucocitários: os cilindros leucocitários aparecem em inflamações intersticiais e doenças glomerulares. - Pielonefrite: diapedese de leucócitos, a nível tubular, gera os cilindros (é bastante comum). 3. Hemáticos: a presença deste tipo de cilindro no exame do sedimento urinário é bastante específico de doença glomerular. - A lesão glomerular permite que as hemácias passem pela membrana basal e atinjam o túbulo renal. 4. Granulosos: a matriz básica de todos os cilindros é proteica. - Quando existem grânulos numa matriz básica, o cilindro é descrito como granuloso. São fases tardias de cilindros celulares. - Cilindros granulosos indicam, quase sempre, a presença de doença renal. - As excreções incluem os breves surtos de cilindros granulosos que se seguem após exercícios intensos ou durante dieta rica em carboidratos. 5. Céreos: são cilindros muito largos. Significam obstrução prolongada do néfron e oligúria. Ocorre em estágios finais de doença renal crônica. 6. Celulares: são compostos, na maior parte das vezes, de células epiteliais descamadas. A presença de cilindros epiteliais renais é indicativa de doença tubular e varia de acordo com a natureza do processo lesivo. Ex.: necrose tubular = cilindros epiteliais renais. 7. Gordurosos: são também chamados de cilindros lipoídeos. Fungos e bactérias - A urina é estéril, mas é, também, um bom meio de cultura. - Se as condições de coleta e preservação não forem adequadas o exame poderá fornecer informações incorretas e até mesmo prejudiciais ao raciocínio clínico. - Ainda que seja possível a ocorrência isolada de bactérias, nos processos infecciosos, inclui aumento no número dos leucócitos, aspecto celular degenerado e agrupados, hematúria e proteinúria. Pode haver bactéria na urina, porém NÃO significar infecção: correlacionar com outros parâmetros clínicos e laboratoriais. - Parcial de urina é técnica de baixa sensibilidade para pesquisa de MO. -O ideal é realizar a urocultura: estudo de microrganismos. Cristais 1. Oxalato de Cálcio: cálcio podem estar presentes em grande número em urinas de indivíduos normais com dietas ricas em alimentos contendo ácido oxálico, tais como tomate, maçã e laranja e bebidas carbonatadas. - A elevação acentuada do número destes cristais, no entanto, pode refletir doença renal crônica grave, ou intoxicação por drogas. - Aparecem como cristais refráteis ou octaédricos, na forma característica de envelopes. 2. Uratos amorfos e ácido úrico: a presença de grande quantidade pode anunciar a nefropatia gotosa. - Cristais de ácido úrico são vistos com frequência em urinas de crianças durante as fases de crescimento corporal acelerado, quando é intenso o metabolismo de nucleoproteínas. image1.png