Prévia do material em texto
Fluidoterapia e choque · Infusão de líquidos por via enteral ou parenteral com objetivo de: · Manter um equilíbrio hídrico e eletrolítico; · Reidratação · Nutrição parenteral · Correção do equilíbrio ácido básico e restaurar a volemia. Fisiologia · Pressão arterial sistêmica= aumento da pressão hidrostática (líquido extravasa pra fora) · Diminuição da pressão osmótica (mantém o liquido dentro do vaso) pode causar extravasamento do líquido para o insterstício Equilíbrio hídrico · Porcentagem de água · Adultos: 60% do peso · Filhotes/neonatos: 70 a 80% do peso · Obesos: 50% · Osmolalidade plasmática: 280 a 310mOsm/Kg (fluidos isotônicos possuem os mesmos valores) · 66% dos líquidos estão intracelular e 33% extracelular · Sendo que o extracelular possui 25% intravascular e 75% intersticial · A taxa de agua intracelular é maior no cão Necessidade diária de manutenção: o quanto ele precisa por dia de água distribuído entre refeições · Normal: 40 a 60mil/kg por dia (quanto maior o porte mais próximo de 60, gatos 40) - PROVA Perda hídrica · Perdas sensíveis(urina): 20-40ml/kg/dia · Perdas insensíveis(fezes, resp. e suor)20ml/kg/dia Polidipsia:>100ml/kg/dia Poliúria: >50kg/dia · Quando ficar acima de 50 apenas por considerar perdas por temperatura e etc. Desidratação · Perda de liquido intra e extracelular · Causas · Diminuição da ingestão de água (oligo ou adipsia) · Aumento da perda · Poliúria intensa · Vomito · Diarreia · Febre · Taquipneia – perda pela respiração · Queimaduras e feridas extensas · Perdas para o 3º espaço: ascite, sequestro de líquido em alça intestinal (torção volvologástrica) com obstrução Desidratação · Subclínica (10%): permanência de pele em forma de “tenda” no local do teste, enoftalmia importante, aumento do TPC, taquicardia, mucosas extremamente ressecadas, pulso fraco/rápido, hipotensão, nível de consciência alterado(sinais de choque); Outros parâmetros · Azotemia · Densidade urinária alta · Aumento de lactato(aumento da resp. anaeróbica) · ↑ ureia e creatinina · ↑ proteína total plasmática Tipos de solução · Cristaloides: soluções com capacidade de penetrar em todos os compartimentos – moléculas pequenas · Ringer lactato · Coloides: moléculas com alto peso molecular para expansão volêmica duradoura, permanecem dentro dos vasos por mais tempo; · Outros: concentrados de hemácias, solução para nutrição parenteral. Cristaloides · Ringer com lactato · Solução fisiológica de NaCl0,9% (n tem nada de fisiológica · Ringer simples · Ringer com acetato · Glicose 5% (não usar em pacientes desidratados porque não tem eletrólitos) · Hemólise é desencadeada porque seria apenas “água pura” na veia do animal · Glicofisiológica – solução hipertônica nunca utilizar via subcutânea, causa flebite se utilizada por longos períodos · Solução NaCl 7,5% - atrai liquido do interstício para dentro dos vasos mas não dura muito tempo · Normosol- R · Plasma lyte (Essa e a de cima não tem muita diferença do ringer com lactato) Ringer com lactato · Ligeiramente hipotônica (273mOsm/kg) · Leve efeito alcalinizante · Quantidade de cloro mais próxima Às do plasma (do que a solução fisiológica) – PROVA · Contém pequenas quantidades de potássio e cálcio · EVITAR em animais com insuficiência hepática Solução fisiológica(NaCl0,9%) · SOLUÇÃO ACIDIFICANTE DEVIDO A GRANDE QUANTIDADE DE CLORO · Osmolaridade fisiológica (308mOsm/L); · Contém apenas água, cloro e sódio · Desvantagens: acidose met. Hipercloremica ou Hipernatremia (tem mais SÓDIO DO QUE LACTATO) Solução de manutenção (NaCl0,45%+ glicose 2,5%) · Muito utilizada para animais com hiponatremia · Pouco utilizada por não ser tao asséptica Eletroneutralidade · Cloro é acidificante por conta da teoria de eletronegatividade porque de cátions (cargas negativas) temos apenas ele e o bicarbonato, aumentando o cloro diminui bicarbonato. Tipos de solução: · Coloides · Proteicos: albumina · Não proteicos:substancias de alto peso molecular que não saem do vaso e exercem pressão oncótica evitando extravasamento · Incações: · Reanimação volêmica; manutenção da pressão coloidosmótica por um período maior · Aumento da pressão coloidosmótica no plasma · Associar com cristaloides · Cautela com nefropatas em sepse – pela vasodilatação sistêmica pode haver agravamento por conta de ↓ da PA e extravasamento do coloide para o interstício · Desvantages: · Coagulopatias · Nefropatias · Reações anfiláticas Vias de administração de fluidoterapia · enteral · Intraóssea – utilizada em filhotes porque a cortical óssea ainda não está fechada · Subcutânea · Intravenosa · Intraperitoneal Intravenosa · Se houver desidratação, emergências, expansão rápida de volume, manutenção do acesso · Complicações: · Embolia · Flebite – inflamação dos vasos · Infecções · Sobrecarga de volume · Veias mais utilizadas · Cefálicas · Safenas · Femorais – gatos · Jugulares – comum em filhotes · Materiais · Frasco contendo solução · Equipo macro/micro · Macro: 20 gotas = 1ml · Micro:60 gotas = 1ml · Escalpo: não usar para manter o acesso porque é uma agulha diferente do cateter Intraóssea · Excelente alternativa para neonatos · Absorção imediata pela circulação · Locais + utilizados: · Tuberosidade da tíbia · Fossa trocantérica do fêmur · Asa do íleo · Tubérculo maior do úmero · Complicações · Osteomielite · Dor · Sobrecarga de volume Subcutânea · Prática e barata · Não usada para fazer reidratação, apenas para MANTER a hidratação em animais com tendencia a desidratação como DRC · Contra-indicações: · Pacientes com vasoconstrição periférica – absorção lenta · Muito desidratados · Hipotérmicos · Hipotensos · Não usar fluidos como glicose a 5% pode causar necrose · Soluções hipertônicas – causam necrose tbm · Aumento do volume local, desconforto, dor, abcesso (raro) · Pode ser feita pelo tutor em casa mesmo porque não há risco de sobrecarga importante · Após aplicada desce por gravidade e absorção deve ser em 24h Cálculo de fluidoterapia Fluidoterapia de manutenção (40 a 60ml/kg/dia) + reposição de desidratação (repõe o que perdeu)+ estimativa das perdas posteriores · Reposição da desidratação= déficit de fluido(ml): peso(kg)x Desidratação · Perdas posteriores: cálculo das perdas posteriores raramente é feita na rotina apenas em doenças mais graves Velocidade da fluidoterapia · Desidratação leve a moderada: · Reposição em 24 horas · Desidratação grave/choque hipovolêmico: · Realizar provas de carga até estabilização, o restante em 24h · Reposição de 30 a 100% da desidratação nas primeiras 3 a 6 horas, o restante em 24h. · Velocidade máxima maior no cão porque o volume sanguíneo no gato é menor CÁLCULO DE FLUIDOTERAPIA CAI NA PROVA HipoKAlemia · Diminuição de potássio (Volume? · Velocidade · Está em choque e necessita fluido emergencial? · Quando posso retirar o paciente da fluido? · Como retirar? Excesso de fluido · Efusão pleural, pericárdica · Desequilíbrio eletrolítico · Hipertensão · Secreção nasal serosa Choque(De realidade rs) · Produção inadequada de energia celular devido a um desequilíbrio · Principais mecanismos compensatórios: · ↑ atividade simpática (↑FC pelo tônus simpático), vasoconstrição periférica · ↑ secreção de ADH (hormônio antidiurético) para poupar perda de agua · Ativação do sistema renina angiotensina aldosterona · Contração esplênica Fases do choque · Fase inicial (paciente compensado): estimulação de mecanismos de compensação aumentando ou consumo de O2 e energia celular supridos com a elevação do débito cardíaco, taquicardia · Fase intermediária (paciente descompensado) · Fase tardia (irreversível): falha na microcirculação seguida de dano celular irreversível e falência multipla de órgãos Tipos · HIPOVOLEMICO: perda de VOLUME circulante causado por desidratação grave e hemorragia · CARDIOGÊNICO: falha na bomba cardíaca (fluido não adianta) com principal causa sendo a insufic. Cardíaca · DISTRIBUTIVO: falha na distribuição do sangue – vasodilatação causada por choque anafilático, séptico e neurogênico · OBSTRUTIVO: obstrução do fluxo sanguíneo pelo aumento da pressão intratorácica, intrapericárdica e tromboembolismo pulmonar Outras definições recentes de choque: · HIPOXÊMICO: SANGUE POUCO OXIGENADO CHEGA AOS TECIDOS · METABÓLICO: DESORDEM DO METABOLISMO CELULAR COM ↓ DA PROD. DE ENERGIA Alterações comuns no exame físico: · Estado mental: deprimido/estupor(com estímulos ele acorda e dps dorme dnv)/coma · Mucosa hipercorada/pálida (vasoconstrição) · TPC >2s · FC aumentada na fase incial e mais baixa na tardia · Frequencia respiratória: >40bpm · Pulso fraco por PA baixa · Pressão arterial sistólica 2,5mmol em cães e 3,2 em gatos · Temperatura aumentada no inciio e diminuída na tardia CHOQUE HIPOVOLÊMICO · Causado por hemorragia por traumas ou cirurgias, perda de plasma pro 3º espaço por queimaduras, peritonite, pancreatite, GEh, sequestro de fluido. · Tratamento: · Serve também p/ diagnostico porque se fizer uma grande quantidade de fluido e ele responder já é indicativo · Provas de carga com cristaloides: SOLUÇÃO FISIOLÓGICA OU RINGER COM LACTATO · 15 a 20 ml/kg em 15 min no CÃO · 10-15ml/kg em 15min no GATO · Obs: 1h após a aplicação apenas 25% do volume infundido permanece nos vasos o resto vai para o interstício (deve haver acompanhamento senão vai voltar a ↓) · Velocidade máx de 90ml/kg/h no cão e 60ml/kg/h no gato · Descontar as provas de carga do cálculo de fluido de 24h · META: · Pas>90 cães e >100 em gatos · Melhora dos parâmetros (TPC, Mucosas, consciência, pulso, FC,FR) ↓ LACTATO · Provas de carga podem ser repetidas, mas se não responder o choque pode não ser APENAS hipovolêmico. Tratamento com solução salina 7,5% · Pode ser usada para puxar o líquido dos tecidos para dentro do vaso e manter a PA adequada · Cão: 4-5ml/kg IV durante 5’ · Gato 2-4ml/kg IV · Seus efeitos duram de 15 a 60min associado com cristaloides · É indicado em animais hipovolêmicos com trauma craniano e ↑ da PIC · Não usar em desidratação hipertônica (perde agua e jogar ainda mais sólido é uma bomba) Tratamento com coloides: · Cães: 20ml/kg em 24h dividido em bolus de 5ml/kg · Gatos:10ml/kg em 24h dividido em bolus de 2,5 a 3ml/kg · Indicado para: · Maior duração da reposição volêmica · Animais com edema antes da reposição volêmica total · Albumina 90mmHgm(cães) e >100mmHg(gatos) · Melhora dos demais parâmetros (FR, FC, T, TPC, consciência) · Débito urinário >1ml/kg/h (SE ESTIVER EM OLIGÚRIA PIORA DO PROGNÓSTICO) · ↓ de 20% do lactato em 2h não aumento em 8h e normalização em 24-48h · Se a PAS não responder a reposição volêmica, iniciar infusão de vasopressores e buscar outros tipos de choques associados. · Reaquecimento: cuidar para não aquecer o paciente tão rapidamente na emergência para evitar queda abrupta da PA, deve ser gradativo (0,5 a 1ºC por hora) CHOQUE HIPOVOLÊMICO HEMORRÁGICO · Apenas quando há perda superior ou igual a 30% do volume sanguíneo total · Transfusão sanguínea com sangue total ou concentrada de hemácias · Estancar hemorragia · Estabilização inicial com cristalóides, salina 7,5%, coloide pode ser usado mas é melhor que use cristalóides SEPSE · Disfunção orgânica com risco de vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro à infecção; · Utiliza os critérios da síndrome da resposta inflamatória sistêmica · Temperatura aumentada ou diminuída · FC aumentada para ambos · FR aumentada · Leucometria · Confirmação quando há 2 criterios+ infecção no cao e 3 ou+ no gato junto com infecção Sinais de disfunção orgânica que podem acompanhar: · Hipotensão ameaçadora · Oligúria · Hiperbilirrubinemia · Cosciencia alterada · Disfunção resp. · Trombocito · Coagulação · Íleo paralítico · Hiperlactatemia Choque séptico: sepse + hipotensão refratária(mesmo após reposição)+ infecção Tratamento: · Triagem eficiente · Diagnostico do foco infeccioso · Reanimação volêmica · Se for séptico não responde a reposição volêmica nesse caso infusões de vasopressores · Coletar material p/cultura + antibiograma · Inciar associação de ATB bactericidas IV · Outros: trat. Da acidose met. · Fluidoterapia com cristaloides – CUIDADO COM A RAPIDEZ · Pode causar extravasamento do liq. Para 3º espaço · Prova de carga com RL – usar com cautela · Acrescentar glicose se necessário · Meta de glicemia 110-250mg · Uso de vasopressores (subst.. que causam vasoconstrição e aumentam PA) – INCIAR NAS 1AS HORAS · Norepinefrina 0,1-1mcg/kg/min – PRIMEIRA ESCOLHA · Vasopressina 0,5-5um/kg/min – associar caso a noripinefrina n funcione · Dobutamina 5-10mcg/kg/min – EM CASOS DE DÉFICIT SISTÓLICO · Casos refratários pode associar glicocorticoides (Hidrocortisona) pra ver se responde melhor as catecolaminas CHOQUE ANAFILÁTICO · Reação alérgica muito exacerbada por reação de hipersensibilidade tipo I dependente de IgE · Principais causas: · Venenos de insetos e répteis · Vacinas (raro) · Medicamentos · Alimentos · Reação transfusional · Liberação massina de mediadores inflamatórios que levam a vasodilatação (choque distributivo) · Tratamento: adrenalina por IV infusão contínua (para reversão da broncoconstrição é mais indicada), norepinefrina