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2 SUMÁRIO 1 EVOLUÇÃO DA GESTÃO DE PESSOAS .................................................. 4 1.1 Gestão .................................................................................................. 5 1.2 Os seis processos de Gestão de Pessoas ........................................... 6 1.3 Características do Gestor e Inovações na Gestão de Pessoas ........... 8 1.4 Gestão de Pessoas ou Gestão de Recursos Humanos ..................... 10 1.5 Política de Gestão de Pessoas na Administração Pública ................. 11 3 RECRUTAMENTO E SELEÇÃO .............................................................. 14 3.1 Processo de Aplicação de Pessoas ................................................... 16 3.2 Acolhimento e Integração ................................................................... 16 3.3 Sistemas de Recompensas ................................................................ 17 3.4 Avaliação e Gestão de Desempenho ................................................. 18 3.5 Formação e Desenvolvimento ............................................................ 19 3.6 Desenvolvimento de Carreira ............................................................. 19 3.7 Gestão de Conflitos ............................................................................ 20 4 QUALIDADE DE VIDA NO AMBIENTE DE TRABALHO .......................... 25 4.1 Autoconhecimento .............................................................................. 27 4.2 Comunicação ..................................................................................... 28 5 DEFINIÇÕES DA MOTIVAÇÃO ................................................................ 30 5.1 Teorias da motivação ......................................................................... 33 5.2 Inteligência emocional ........................................................................ 36 6 LIDERANÇA E COMPETÊNCIAS NA RESOLUÇÃO DE CONFLITOS .... 38 6.1 Habilidade para lidar com pessoas .................................................... 39 6.2 A arte do ouvir .................................................................................... 41 6.3 Concepção e Crenças ........................................................................ 45 6.4 Decisão Estratégica............................................................................ 46 3 INTRODUÇÃO Prezado aluno! O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil. Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que lhe convier para isso. A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser seguida e prazos definidos para as atividades. Bons estudos! 4 1 EVOLUÇÃO DA GESTÃO DE PESSOAS Na década de 1930, o cenário das relações de trabalho no Brasil passou por transformações significativas. Durante o governo de Getúlio Vargas, que assumiu o poder após uma revolução, houve uma série de intervenções estatais nas questões trabalhistas, incluindo a criação do Ministério do Trabalho e a posterior Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) em 1943. Nesse contexto, emergiu a Administração de Pessoal, caracterizada por uma abordagem legal, disciplinada e paternalista. O responsável por essa área se concentrava principalmente em tarefas burocráticas e disciplinares, sem focar na integração, produtividade ou bem-estar dos funcionários, mas sim na gestão de documentos e procedimentos legais. A evolução da gestão de pessoas pode ser dividida em três estágios distintos: • Administração de Pessoal: envolvia rotinas como geração de folha de pagamento, manutenção de registros e controle dos servidores. • Administração de Recursos Humanos: representou um avanço ao considerar o elemento humano e os processos de trabalho, com análise sistêmica da organização e destaque no ambiente laboral. • Gestão de Pessoas: as organizações passaram a valorizar as pessoas como seu principal componente de capital, reconhecendo-as como recurso capaz de gerar riquezas. Chiavenato (2009) destaca que gerenciar pessoas significa cuidar do capital humano da empresa, o recurso mais importante para atingir os objetivos organizacionais. A gestão de pessoas no setor público é entendida como um esforço para suprir, manter e desenvolver pessoas nas organizações públicas, alinhado com as normas constitucionais e legais, considerando as necessidades e condições do ambiente. No âmbito da administração pública, a história das políticas de gestão de pessoas é marcada por transformações significativas na estruturação dos sistemas principais. Nas últimas décadas, essa área tem passado por um processo de evolução, com novas perspectivas que estão provocando mudanças tanto no setor privado quanto no público. 5 As organizações públicas estão atualizando seus conceitos e exigindo de seus servidores valores baseados na ética, responsabilidade, transparência e comprometimento. Além disso, há uma necessidade crescente de qualificação profissional, onde os servidores devem estar mais capacitados e motivados para desempenhar suas funções públicas. Nesse contexto, surgem dois desafios primordiais para a política de gestão de pessoas no serviço público, o primeiro diz respeito ao desenvolvimento de mecanismos eficazes de capacitação e motivação dos servidores, o segundo, ao alinhamento das atividades de gestão de pessoas às estratégias dos órgãos e às diretrizes governamentais. Quanto as limitações dos indivíduos, Chiavenato (2009) as identifica nos dois seguintes grupos: • Capacidades biológicas: relacionadas a aspectos fisiológicos e naturais, como habilidades inatas, como aptidão para resolver problemas, concentração, criatividade e habilidades oratórias. • Fatores ambientais: a influência do meio sobre o comportamento do indivíduo, que pode ser positiva ou negativa, dependendo das circunstâncias. A gestão de pessoas no setor público deve buscar desenvolver um planejamento que inclua mecanismos de capacitação e desenvolvimento dos servidores públicos, melhorando a qualidade do ambiente de trabalho e do atendimento à população. Tradicionalmente, os departamentos de recursos humanos eram estruturados em setores independentes. Com as novas tendências, o foco mudou para a integração, priorizando processos em vez de tarefas, resultados em vez de meios, e trabalho em equipe em vez de cargos individualizados. 1.1 Gestão Atualmente, a sociedade é composta por organizações de diversos tamanhos e naturezas, como hospitais, escolas, igrejas, empresas, governos e organismos oficiais, onde as pessoas trabalham juntas para alcançar objetivos que seriam inatingíveis individualmente. Para Teixeira (2013), a gestão é um processo que envolve obter resultados através do esforço coletivo, pressupondo a existência de uma organização com pessoas trabalhando em conjunto para atingir metas comuns. 6 Isso exclui a ação individual de profissionais que trabalham isoladamente, como os profissionais liberais. Na maioria dos casos, a gestão envolve não apenas a orientação e coordenação de pessoas, mas também o controle de recursos financeiros e materiais (TEIXEIRA, 2013). Peter Drucker (1994), consideradocondições físicas e ambientais de trabalho, salário, benefícios sociais, políticas da empresa, tipo de supervisão recebida, clima de relações entre a direção e os funcionários, regulamentos internos e oportunidades existentes. Esses fatores são limitados na capacidade de influenciar fortemente o comportamento dos empregados. Quando esses fatores são ótimos, aumentam o grau de satisfação, e quando são precários, causam insatisfação (CHIAVENATO, 2010). 35 Por outro lado, a Teoria dos Fatores Motivacionais refere-se ao conteúdo do cargo, às tarefas e aos deveres relacionados a ele. São os fatores motivacionais que produzem um efeito duradouro de satisfação e aumento de produtividade em níveis de excelência. Quando esses fatores são ótimos, aumentam significativamente a satisfação, e quando são precários, causam insatisfação (CHIAVENATO, 2010). A motivação tem se tornado um tema central no comportamento organizacional. Essa área tem sido amplamente estudada ao longo do tempo e é de grande interesse para as organizações e seus gestores. Um dos grandes desafios para um gestor de recursos humanos é motivar seus colaboradores, ajustando suas estratégias às pessoas com quem trabalha, já que cada pessoa é única e distinta de todas as outras Figura 3. Figura 3 – Pirâmide de Maslow Fonte: https://encurtador.com.br/VMQLC Atualmente, os colaboradores estão muito mais exigentes em relação à qualidade de vida no trabalho e buscam um equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Com as diversas teorias explicando a motivação, as empresas estão ampliando o setor de Recursos Humanos para atuar de maneira eficaz, incentivando e implantando projetos motivacionais, como planos de carreira, liderança treinada, política salarial e condições de trabalho, entre outros fatores que influenciam o desempenho profissional. https://encurtador.com.br/VMQLC 36 O desafio de motivar pessoas está na questão de que cada colaborador possui sua individualidade e o que estimula a motivação varia de pessoa para pessoa. Essa diversidade torna o processo motivacional contínuo e requer melhorias para alcançar cada colaborador de maneira personalizada. A dinâmica entre o indivíduo e a organização é fundamental para alcançar os objetivos de ambos. Essa relação é determinada pelas exigências do trabalho e da organização, bem como pelas demandas do empregado (TAMAYO; PASCHOAL, 2003). Contudo, motivar pessoas não é uma tarefa fácil. Às vezes, a primeira ideia é aumentar os salários. Embora essa medida ajude, não é sempre o fator principal. O que realmente satisfaz e motiva os funcionários é o reconhecimento e a recompensa por um bom trabalho; a confiança dos chefes e colegas; um ambiente de trabalho limpo, seguro e confortável; perspectivas de crescimento na empresa; e benefícios como saúde, educação, bônus salarial, brindes e lazer. Todos esses fatores levam os funcionários a trabalharem felizes, buscarem conhecimentos e terem ideias novas, aumentando a produtividade. Assim, as empresas alcançam grande sucesso e mantêm um ambiente de trabalho excelente. 5.2 Inteligência emocional A inteligência emocional é a capacidade de compreender e expressar emoções, integrá-las ao pensamento e perceber e refletir sobre si mesmo e os outros. Indivíduos que desenvolveram a inteligência emocional são mais aptos a gerenciar suas emoções com precisão, lidam melhor com questões sociais e evitam comportamentos problemáticos. A inteligência emocional pode ser dividida em quatro domínios: • Autoconsciência: identificar as próprias emoções. • Autogestão: saber lidar com as próprias emoções. • Consciência social: identificar as emoções dos outros. • Administração de relacionamentos: saber lidar com as emoções dos outros. Para Daniel Goleman (1999), a inteligência emocional está relacionada à inteligência social. Uma pessoa emocionalmente inteligente é aquela que identifica e controla suas emoções. Segundo Goleman, inteligência emocional envolve a capacidade de criar motivações para si mesmo e persistir em objetivos, apesar dos 37 obstáculos; controlar impulsos e aguardar a satisfação dos desejos; manter-se em bom estado de espírito e impedir que a ansiedade interfira na capacidade de raciocínio; ser empático e autoconfiante. Trata-se de aprender a encarar as próprias emoções em diferentes momentos da vida, resultando em melhor comportamento, ações e reações para si e para os outros. A inteligência emocional (IE), de acordo com Goleman (1999), possui cinco habilidades básicas e interdependentes: autoconsciência, automotivação, autocontrole, empatia e sociabilidade. Essas habilidades se referem às reações internas, aos próprios sentimentos e às interações com os outros. Todos enfrentam diferentes desafios diários, relacionados a objetivos pessoais, carreira profissional, reuniões, família, amigos, saúde e finanças. Lidar com diversas emoções a cada instante é uma constante na vida. Desenvolver habilidades de inteligência emocional é essencial para manter a saúde física, mental e social. Goleman (1999) apresentou doze competências em seus estudos sobre inteligência emocional, a saber: • Autoconhecimento emocional: reconhecer as próprias emoções. • Gestão das emoções: gerenciar os impulsos. • Adaptabilidade: disposição para se adaptar a circunstâncias adversas. • Orientação para realização: foco no crescimento pessoal e profissional. • Otimismo: acreditar que é possível e enfrentar os obstáculos com coragem. • Empatia: capacidade de se colocar no lugar do outro. • Consciência organizacional: compreender o trabalho no contexto mais amplo e entender o ambiente de trabalho. • Influência: capacidade de influenciar as pessoas. • Coach e mentor: acompanhar o progresso e orientar os outros. • Gestão de conflitos: evitar problemas e extrair pontos positivos. • Trabalho em equipe: habilidade de trabalhar em conjunto. • Liderança inspiracional: inspirar outras pessoas. Um dos segredos para o sucesso em qualquer área da vida é o conhecimento das próprias emoções. Dessa forma, não é necessário as esconder, subestimá-las ou deixá-las de lado. Precisamos descobrir e aprender a lidar com as emoções de maneira saudável e construtiva. Como resultado, teremos uma visão de mundo 38 diferente, melhoraremos nossos relacionamentos interpessoais e tomaremos decisões mais acertadas. 6 LIDERANÇA E COMPETÊNCIAS NA RESOLUÇÃO DE CONFLITOS Chiavenato (2012b) define liderança como uma influência interpessoal exercida em uma situação específica e conduzida por meio da comunicação entre os indivíduos, com o objetivo de alcançar um determinado propósito. A liderança é primordial em todos os tipos de organizações, tornando fundamental que o administrador compreenda a natureza humana e saiba conduzir as pessoas. Esse processo é o que se chama liderar. Para que uma organização obtenha resultados positivos e alcance seus objetivos, é substancial contar com uma boa liderança. A influência do líder representa uma força psicológica que intencionalmente modifica o comportamento dos liderados. Essa influência pode ocorrer por meio de poder, autoridade ou outras maneiras de provocar mudanças em pessoas ou grupos. O primeiro ingrediente básico de um líder é ter uma visão clara do que deseja alcançar, tanto no campo profissional quanto no pessoal, e a persistência para enfrentar contratempos e até mesmo derrotas. Wagner e Hollenbeck (2010) afirmam que a liderança assume uma influência simbólica, relacionada à motivação e orientação dos funcionários para atingir objetivos e metas, sem a necessidade de interferir diretamente na direção e coordenação dessas atividades. No entanto, nem todo líder é um administrador. Algumas pessoas nascem com a capacidade de influenciar outras, enquanto outras podem se tornar líderes com o tempo. Existem também aqueles que sempreforam bons liderados. Chiavenato (2014b) classifica essa habilidade como um tipo de poder pessoal. Não há comportamentos exclusivos e específicos de líderes. Comportamentos típicos de liderança, como dirigir, planejar, controlar e supervisionar, também podem ser adotados por indivíduos que não ocupam posições de liderança. O líder e o tipo de liderança que exerce são fundamentais, pois suas atitudes influenciam o clima organizacional. Uma boa liderança permite que a organização funcione positivamente, mantendo a produtividade e as relações de trabalho. 39 O relacionamento entre indivíduos faz com que aquele que possui características de liderança exerça grande influência. Onde há um líder, haverá sempre os liderados. Chiavenato (2014b) destaca que a capacidade de influenciar, persuadir e motivar os liderados está relacionada ao poder, que é classificado em cinco tipos: • Poder coercitivo: o liderado teme não atender o líder por medo de punição ou penalidade. • Poder de recompensa: o liderado espera uma recompensa, incentivo, elogio ou reconhecimento do líder. • Poder legitimado: derivado do cargo ou hierarquia. Quem possui um cargo mais elevado é percebido como tendo mais poder. • Poder de competência: baseado no conhecimento técnico. Os liderados reconhecem que o líder possui conhecimentos e conceitos que excedem os seus. • Poder de referência: baseado na atuação e apelo pessoal. O líder é admirado por sua personalidade e carisma. Robbins, Judge e Sobral (2010) afirmam que todo líder é um administrador, mas nem todos os administradores são líderes. Em uma organização hierárquica, ter formalidade e autoridade não garante a capacidade de liderança. Os líderes veem o conflito como uma oportunidade positiva para motivar os envolvidos, unir o grupo, aumentar o conhecimento, a criatividade e incentivar o crescimento. No entanto, os desentendimentos também podem gerar efeitos negativos, que dependem de quem assume a responsabilidade e das estratégias e ferramentas utilizadas para gerenciá- los. Portanto, o líder exerce um papel significativo na gestão de conflitos, devido ao seu poder de persuasão e suas características que o distinguem dos liderados. 6.1 Habilidade para lidar com pessoas Um dos desafios diários é saber lidar com as pessoas, seja no ambiente familiar, de trabalho ou social. Ao longo da vida, encontramos indivíduos com diferentes tipos de personalidade, preferências e comportamentos. Em alguns casos, a aproximação é natural, evoluindo para amizades próximas. Em outros, o 40 desalinhamento de preferências, comportamentos, crenças e valores pode dificultar o convívio. É relevante desenvolver habilidades para lidar com as pessoas da melhor maneira possível, visando a um convívio satisfatório nas relações interpessoais, que contribuem para o desenvolvimento humano dos envolvidos. É comum que as pessoas tenham maior afinidade com aquelas que possuem comportamentos e objetivos semelhantes, facilitando o entendimento mútuo. No entanto, é inevitável encontrar pessoas com comportamentos e atitudes diferentes, como aprender a lidar com essas diferenças para que não afetem negativamente as relações. A seguir, descreveremos algumas ferramentas pessoais que podem auxiliar nesse processo. Inicialmente, é preciso identificar os motivos que levam um indivíduo a desenvolver determinado comportamento ou atitude, evitando pré-julgamentos sem conhecimento adequado da situação. No dia a dia, é comum vivenciarmos momentos em que colegas de trabalho estão estressados sem compreender os motivos. Às vezes, por medo ou falta de atenção, não conseguimos entender as atitudes e comportamentos apresentados. Em tais situações, é fundamental dialogar com a pessoa em um momento de calma, procurando compreender e mostrar que suas atitudes podem prejudicá-la e ao ambiente onde está inserida (ROBBINS; JUDGE; SOBRAL, 2010). O diálogo sobre dificuldades encontradas é substancial para as relações interpessoais, buscando compreender adversidades e auxiliar nas soluções. É significativo trabalhar o contexto para que o outro entenda as diferenças e perceba seus maiores entraves. Em alguns momentos, é possível sentir que estamos no limite emocional. Quem nunca ouviu ou disse a frase: "estou no meu limite com fulano"? Isso significa que a pessoa está exausta, cansada de algo que alguém está fazendo ou da forma como se comporta. Nesse momento, é importante manter o controle, afastando-se temporariamente se necessário. Se o afastamento não for possível, evite conversar enquanto estiver cansado e exausto, prevenindo situações tensas e palavras que possam causar prejuízos pessoais e profissionais. Espere o momento mais complicado passar e, com calma, mostre à pessoa como está se sentindo, contribuindo para que ela melhore suas atitudes e comportamentos. 41 É substancial aprender a respeitar o espaço e o momento das outras pessoas. Quando se percebe que alguém próximo não está bem, é possível perguntar se há algo errado ou se é possível ajudar, deixando claro que se está à disposição. No entanto, não insistir com perguntas sobre os motivos do mal-estar. Uma atitude assertiva é deixar a pessoa à vontade para procurar ajuda quando necessário. Outra ferramenta relevante para lidar com pessoas é evitar comentários inadequados. Não fomentar intrigas e fofocas nos ambientes de convivência ajuda a manter relacionamentos e ambientes harmoniosos. Ambientes onde os comentários paralelos prevalecem sobre o diálogo tendem a ser problemáticos. Ter um diálogo claro e direto também é essencial para lidar com pessoas. Quando alguém não percebe que seus hábitos são incômodos, é pertinente esclarecer de forma tranquila e sem acusações. Isso resulta na superação de atitudes inadequadas e em relacionamentos interpessoais mais harmoniosos (ROBBINS; JUDGE; SOBRAL, 2010). 6.2 A arte do ouvir Para os relacionarmos, é necessário nos comunicar de alguma forma. Com as constantes mudanças, será que realmente sabemos entender o outro? As palavras "escutar" e "ouvir" podem parecer sinônimos, mas possuem significados diferentes. Escutar é um processo fisiológico, em que recebemos estímulos sonoros pela audição. Ouvir é um procedimento que envolve aspectos físicos, emocionais e intelectuais, buscando entender a mensagem do outro. Para compreender bem a mensagem que alguém está transmitindo, é preciso escutar até o fim, permitindo que a pessoa fale sem interrupções. Muitas vezes, apenas escutamos, mas não compreendemos a mensagem, seja por pressa ou por não dar a devida importância ao que está sendo dito. Se for necessário interromper quem está falando, que seja de forma objetiva, fazendo questionamentos para um melhor entendimento (ROBBINS; JUDGE; SOBRAL; 2010). Quem ouve deve escolher um momento sem pressa, aprendendo a ouvir em silêncio e refletir sobre o que está sendo dito antes de responder. Muitos conflitos ocorrem porque não ouvimos com atenção, interpretando mal o que está sendo vivenciado ou negligenciando informações importantes. Além disso, quem está 42 falando percebe a falta de interesse de quem ouve, o que pode prejudicar as relações, já que ninguém gosta de se sentir ignorado. As pessoas tendem a dar mais opiniões do que ouvir. Vamos refletir: quantas vezes alguém compartilhou uma experiência e outro complementou com sua própria vivência, ou você relatou algo e ouviu a experiência do outro? Embora experiências alheias possam nos ajudar a crescer e evitar erros, é preciso que a outra pessoa se sinta realmente ouvida. Ao escutar alguém com atenção genuína, e não de forma mecânica, é possível perceber o estado emocional da pessoa. Muitas vezes, a entonação da voz revela sinais de linguagem não verbal, tornando a comunicação mais eficaz. Um aspecto vital ao ouvir é manter contato visual, pois isso demonstraatenção e receptividade. Muitas pessoas já passaram pela situação desconfortável de falar com alguém que desvia o olhar. O desvio do olhar é frequentemente associado à falta de interesse. Para ser um bom ouvinte, mantenha o olhar na pessoa enquanto ela fala, sem a necessidade de encará-la fixamente, mas o suficiente para demonstrar atenção. Cada indivíduo tem uma maneira particular de expressar o que é importante, emocionante ou angustiante. Alguns conseguem ser claros e diretos, enquanto outros são mais subjetivos. É vital observar não apenas o que está sendo dito, mas também as expressões faciais e corporais, e o que está nas entrelinhas (CHIAVENATO, 2014b). Aqui estão algumas características essenciais para ser um bom ouvinte: • Concentração: prestar atenção ao que está sendo dito, processando as informações para contribuir de forma significativa, motivando o interlocutor a ter insights e novos pontos de vista. • Capacidade de opinar: após ouvir, saber dar opiniões construtivas. Nem sempre é preciso confirmar ou negar o que o outro diz. Opiniões construtivas ajudam no desenvolvimento pessoal e profissional. • Não ser combativo: escutar sem ficar na defensiva, absorvendo críticas de forma tranquila e madura. • Promover um ambiente seguro: fazer com que o outro se sinta acolhido e seguro para falar, proporcionando uma comunicação confortável. 43 • Evitar preconceitos: entender que cada um tem suas opiniões, que podem ser diferentes das nossas. Não julgar o que o outro fala com base em nossos próprios valores e princípios. A importância do processo de ouvir é destacada pela necessidade de atenção e dedicação, especialmente nos dias de hoje, com o excesso de informações. Ser um bom ouvinte requer preparo, desenvolvido através das experiências cotidianas. Feedback como instrumento de relações O feedback é uma ferramenta relevante nas relações interpessoais, promovendo o desenvolvimento pessoal e profissional no ambiente de trabalho e permitindo o alinhamento das equipes. Ele oferece a oportunidade para que os indivíduos percebam como estão se comportando e se há necessidade de melhorias. O termo feedback vem do inglês e significa retroalimentação. Na comunicação, refere- se ao processo em que o emissor envia uma mensagem ao receptor, que, após compreender, envia uma resposta ou reação. Segundo Missel (2012), o feedback permite dar retornos regulares, tanto no trabalho quanto na vida pessoal, ajudando as pessoas a se conscientizarem de seus desempenhos, sejam eles negativos ou positivos. A habilidade de dar e receber resposta pode contribuir para o desenvolvimento eficaz do indivíduo. No entanto, muitas pessoas não estão preparadas para receber sugestão, o que pode gerar conflitos. Nesse caso, quem oferece deve estar preparado para as possíveis reações. Reagir bem a observação demonstra amadurecimento pessoal e aproveitamento da oportunidade para melhorias. Por outro lado, a recusa ao conselho indica falta de maturidade e resulta em prejuízo, pois a pessoa não aproveita a chance de crescer profissional e pessoalmente. Vamos começar pelo feedback positivo, que vai diante de um simples elogio, pois destaca as qualidades e competências de uma pessoa, valorizando sua capacidade pessoal ou profissional. O objetivo principal é incentivar a continuidade da conduta e atitude apresentadas, potencializando os resultados obtidos. Isso demonstra ao indivíduo que ele é uma referência para futuras ações, promovendo o aprendizado contínuo e estimulando o crescimento e aperfeiçoamento. Esse tipo de resposta fortalece as relações interpessoais, através de sentimentos de cordialidade, respeito, consideração e valorização dos esforços. 44 O feedback negativo é mais difícil de ser dado e recebido. É utilizado quando alguém não consegue realizar algo adequadamente ou seu comportamento não está adequado. Nessa situação, é vital encorajar a pessoa a realizar mudanças, indicando claramente os pontos que precisam ser melhorados. Isso oferece ao indivíduo a oportunidade de fazer os ajustes necessários no seu dia a dia, melhorando suas atitudes e promovendo o crescimento pessoal e profissional. O feedback construtivo é o mais completo, pois abrange tanto os aspectos positivos quanto os negativos do comportamento ou atitudes de uma pessoa. O foco não está apenas em identificar erros e acertos, mas também em oferecer soluções, métodos e caminhos que podem ser seguidos. Quem recebe esse tipo de sugestão interpreta-o como um conselho, resultando em um sentimento mais leve e, na maioria dos casos, trazendo resultados positivos. O feedback ofensivo é o tipo que não deveria ser utilizado, embora seja comum em determinadas situações, especialmente no ambiente de trabalho. Nesse caso, quem dá a advertência ultrapassa os limites do respeito e faz críticas pessoais ao indivíduo ou grupo. Esse tipo de atenção pode prejudicar a saúde mental e física das pessoas (CHIAVENATO, 2014b). O feedback é uma ferramenta valiosa, especialmente no ambiente de trabalho, para alinhar os caminhos a serem seguidos em conjunto com as pessoas. Quando a observação é dada corretamente, produz resultados benéficos, motivando e engajando as pessoas, estabelecendo uma comunicação genuína e criando um ambiente mais tranquilo e seguro. Ressalta-se que dar recomendação não se resume a elogios ou apontar erros, mas sim a uma conversa clara, objetiva e baseada em fatos reais, sem achismos ou rumores. Deve ser uma prática que demonstre respeito e consideração pelos envolvidos, aprimorando o desempenho de todos. Quando a advertência se refere a condutas ou falhas impróprias, deve ser dado de forma individual para evitar exposição desnecessária. Abaixo estão alguns pontos a serem considerados ao dar feedback, seja individual ou em grupo: • Escolha um ambiente que deixe a pessoa ou grupo mais à vontade, diminuindo a tensão; • Antes de iniciar o feedback, familiarize-se com o assunto. Se necessário, faça um roteiro ou anotações de pontos positivos e negativos, com sugestões de melhorias; 45 • Mantenha contato visual durante a conversa; • Dê oportunidade para que a pessoa ou o grupo fale e demonstre atenção ao que está sendo dito; • Seja claro, objetivo e cordial; • Tenha a capacidade de motivar e reforçar as mudanças necessárias; • Esteja disponível para auxiliar no processo de mudança. Todo feedback gera consequências, por isso deve estar preparado para esse momento, buscando resultados satisfatórios para todos os envolvidos. O objetivo almejado é que os conselhos sejam uma oportunidade de amadurecimento e crescimento profissional e pessoal. 6.3 Concepção e Crenças Os seres humanos possuem cinco sentidos: visão, audição, tato, olfato e paladar. Às vezes, a confiança nesses sentidos leva as pessoas a reagirem ao que percebem, e essas percepções nem sempre refletem a realidade. Wagner e Hollenbeck (2010) definem a percepção como o processo pelo qual os indivíduos selecionam, organizam, armazenam e recuperam informações. Essa percepção pode estar relacionada ao tamanho, forma, comprimento, bem como às intenções ou pensamentos das pessoas. As diferenças entre a realidade percebida e a objetiva podem gerar problemas, pois quanto maior a distância entre elas, maior a incompreensão, frustração e conflitos. A percepção é substancial no estudo do comportamento organizacional, pois as pessoas se comportam de acordo com sua percepção da realidade, e não com a realidade em si. "O mundo que importa para o comportamento é o mundo na forma em que é percebido" (ROBBINS; JUDGE; SOBRAL; 2010 p.159). As percepções dos gestores sobre a realidade podem variar significativamente, determinando de forma radical como são as situações de fato. Duas pessoas podem olhar para a mesma coisa e cada uma perceber de maneira diferente. Robbins, Judge e Sobral(2010) identificam uma série de fatores que moldam e distorcem a percepção da realidade. Esses fatores podem estar no perceptor, apresentando características pessoais como atitudes, personalidade, motivações, interesses e expectativas. Podem também estar no objeto ou alvo da percepção, 46 incluindo fatores como novidade, movimento, sons, tamanho, cenário, semelhança e proximidade. Os fatores podem estar no contexto da situação, como o momento, ambiente de trabalho ou ambiente social. Existem também os valores, que são crenças e atitudes básicas que ajudam a determinar o comportamento individual. Os valores variam de pessoa para pessoa e, assim como a percepção, assumem diferentes interpretações sobre se determinado comportamento é ético ou não. Cada indivíduo defenderá seus próprios valores. Esses valores dão personalidade à empresa, definindo uma "ética" para a atuação das pessoas e da organização como um todo. Normalmente, as empresas determinam valores como honestidade, transparência, qualidade, valorização das pessoas e da sua qualidade de vida, espírito de equipe, política do ganha-ganha, respeito ao cliente e responsabilidade social e ambiental (ROBBINS; JUDGE; SOBRAL; 2010). Mais do que apenas definir e divulgar formalmente os valores, é necessário praticá-los diariamente tanto com o público interno quanto com o externo. Esses valores fazem parte da Identidade Organizacional e têm efeito na gestão das pessoas, tornando-se visíveis aos stakeholders, pois representam a ética que rege a forma de agir das pessoas e da organização. Se uma organização não cultiva valores socialmente éticos, dificilmente alcançará resultados positivos a longo prazo. Ao nutrir bons valores, será possível alcançar processos internos mais robustos e uma melhor diferenciação externa. Assim, ao definir bem os valores e vivenciá-los na prática diária, o clima e a cultura organizacional serão mais favoráveis aos bons resultados e relacionamentos. 6.4 Decisão Estratégica Diariamente, inúmeras ordens são tomadas em uma organização, tanto por administradores e líderes quanto por funcionários. Essas decisões variam desde as mais triviais até as que podem afetar diretamente o fluxo da empresa. As escolhas são influenciadas pelas experiências, percepções, crenças e valores das pessoas envolvidas, tornando difícil encontrar uma convicção perfeita. O objetivo é buscar a melhor opção que possa orientar a empresa rumo ao sucesso. 47 As organizações frequentemente enfrentam problemas complexos de escolhas que envolvem riscos e incertezas. Embora o líder possa analisar o problema e escolher a melhor alternativa de forma informal, esses problemas geralmente requerem a opinião e participação de várias pessoas em diferentes níveis funcionais. O processo de decisão deve ser estruturado e resolvido de maneira formal, detalhada, consistente e transparente. Cada pessoa dentro da empresa toma ordem, influenciadas por fatores como intuição, racionalidade e percepção. É fundamental que o administrador, entre várias alternativas, escolha a melhor para o processo decisório da empresa. Os autores enfatizam que o tomador de decisões deve analisar a situação para gerar alternativas, avaliá-las e optar pela melhor escolha, implementá-la na organização e posteriormente avaliar se a escolha foi satisfatória (BERTONCINI et al., 2013). O processo começa com a identificação de um problema. É substancial comparar o estado atual com algum padrão, que pode ser o desempenho anterior, decisões tomadas por outras áreas da organização ou situações semelhantes fora dela. Em seguida, deve-se avaliar a pressão para a tomada de escolhas, como prazos, crises financeiras e expectativas da diretoria. Depois, identificar a autoridade delegada para a deliberar e os recursos necessários para decidir. A tomada de decisão é essencial na administração, pois envolve identificar e selecionar o curso de ação mais adequado para lidar com problemas e aproveitar oportunidades. Portanto, deve distinguir quando algo é realmente um problema ou uma oportunidade. Chiavenato (2014b) destaca que o administrador é, por natureza, um tomador de escolhas. Existem elementos que auxiliam e estão sempre presentes no processo decisório. Os principais são: • Estado de natureza: o tomador de decisão enfrenta certezas, riscos e incertezas no ambiente de propósito. • Tomador de decisão: a pessoa ou grupo que, entre várias alternativas, escolhe apenas uma opção, sempre influenciada pela situação, modo de ver, perceber e interpretar as circunstâncias. • Objetivos: os resultados que o tomador de decisões deseja alcançar. • Preferências: os critérios utilizados na tomada de decisão, como rapidez, eficácia, agilidade e eficiência. • Situação: aspectos do ambiente que envolvem o tomador de decisão. 48 • Estratégia: o melhor curso de ação para atingir os objetivos. • Resultado: consequência ou resultado de uma determinada estratégia. Esses elementos fazem parte do processo, que está sempre ligado ao objetivo que a empresa deseja alcançar. A natureza da determinação, a área afetada, o tempo dos efeitos, os riscos, a racionalidade e a ética também estão presentes nesse processo. Chiavenato (2014b) também menciona que a tomada de decisão é composta por seis etapas: • Identificação da situação; • Obtenção de informações; • Geração de soluções ou alternativas de ação; • Avaliação e comparação das alternativas; • Ação efetiva da escolha; • Avaliação dos resultados obtidos. É preciso observar que os elementos e as etapas do processo decisório estão sistematicamente ligados, e cada etapa influencia diretamente as demais. Portanto, a tomada de determinação é um processo contínuo para o administrador. Analisar se a decisão tomada realmente solucionou o problema e se os objetivos desejados foram atingidos. Se o problema persistir ou não for resolvido, deve-se examinar cuidadosamente se ele foi definido adequadamente, se houve erros na avaliação das alternativas ou se foi implementado de maneira inadequada. Entender como ocorre o processo decisório é importante para relacioná-lo aos desentendimentos. O administrador deve conciliar os elementos e as etapas para resolver os conflitos existentes. Como as causas podem ser variadas, é necessária uma análise detalhada para que o resultado seja justo e não interfira no andamento da empresa. 49 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BERTONCINI, C. et al. Processo Decisório: a tomada de decisão. Revista Científica Eletrônica de Agronomia. v. 20. n. 1. Garça - SP, 2011. BOECHAT, W. A mitopoese da psique: mito e individualização. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 2009. BOM SUCESSO, E. P. Relações Interpessoais e Qualidade de Vida no Trabalho. São Paulo: Qualitymark, 2002. BORDENAVE, J. E. D. O que é Comunicação. São Paulo. Brasiliense. 1. ed. 1997. BUSTAMAM, F. L.; TENG, S. S.; ABDULLAH, F. Z. Reward management and job satisfaction among frontline employees in hotem industry in Malaysia (pp. 392- 402). 5 th Asia Euro Conference. Elsevier, 2014. CÂMARA, P. B.; GUERRA, P. B.; RODRIGUES, J. V. Humanator XXI Recursos Humanos e Sucesso Empresarial. 6. ed. 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Isso envolve um conjunto de operações que visam garantir um bom desempenho dos recursos humanos, com o objetivo de atingir os objetivos e metas previamente estabelecidos de forma eficiente e eficaz, através das funções de planejamento, organização, direção e controle. Ao longo dos anos, as teorias sobre gestão evoluíram, mas mantêm o foco principal na compreensão das variáveis que determinam o desempenho das organizações e afetam sua capacidade de criar valor. A gestão tem se centrado principalmente na competitividade, no contexto e nos stakeholders das organizações. Ultimamente, a gestão tem sido associada à sustentabilidade e à importância da criação de valor social e ambiental, como também econômico, por parte das organizações (MENESES, 2012). 1.2 Os seis processos de Gestão de Pessoas A gestão moderna de pessoas envolve uma série de atividades interconectadas que incluem atrair, aplicar, recompensar, desenvolver, manter e monitorar as pessoas. Quando várias pessoas trabalham juntas em direção a um objetivo comum, surgem dinâmicas que formam uma organização. No entanto, as organizações são compostas por indivíduos que superam suas limitações individuais ao desenvolver habilidades específicas e ao trabalhar em equipe. Os processos de gestão de pessoas ocorrem de forma sequencial, mas para avançar para uma etapa subsequente, é indispensável analisar os resultados 7 anteriores. Deve considerar que tanto fatores internos quanto externos podem influenciar esse processo, e um equilíbrio entre eles é necessário. Os fatores internos que influenciam os processos incluem a missão, visão, cultura e objetivos organizacionais, a natureza das tarefas e o estilo de liderança. Já os fatores externos incluem leis e regulamentos, sindicatos, condições econômicas, sociais e culturais, como também competitividade (CHIAVENATO, 2009). Figura 1 – Os seis processos básicos de Gestão de Pessoas são os seguintes Fonte: Chiavenato, 2009. A gestão de pessoas no setor público deve elaborar um planejamento voltado para a capacitação e o desenvolvimento dos servidores, promovendo a integração desses processos entre os colaboradores e os diferentes setores da instituição. O objetivo é melhorar a qualidade do ambiente de trabalho e otimizar os serviços realizados, beneficiando os clientes internos da organização. 8 1.3 Características do Gestor e Inovações na Gestão de Pessoas No cenário atual, a gestão de pessoas assume um papel estratégico, exigindo que essa área tenha um conhecimento profundo da organização e de cada uma de suas unidades para garantir a melhor utilização e distribuição dos recursos humanos. Ela deve ser responsável por possuir informações detalhadas sobre o perfil dos funcionários e os resultados obtidos, coordenando os esforços para atender às necessidades de pessoal de forma técnica, com a identificação de perfis profissionais adequados. Isso envolve criar oportunidades de crescimento profissional para os colaboradores, considerando que novas competências individuais podem ser necessárias. A atuação estratégica dessa área envolve reavaliar as práticas de contratação de funcionários, baseando-se na identificação das competências essenciais para a organização e daquelas que podem ser adquiridas externamente. O foco estratégico deve visar a obtenção dos melhores resultados com a melhor aplicação possível de todos os recursos (CHIAVENATO, 2009). A gestão de pessoas tem sido amplamente discutida nas instituições, com muitas alterações ocorrendo no contexto organizacional. Essa discussão apresenta um paradoxo significativo: por um lado, há uma ênfase na implementação de novos sistemas de gestão que colocam o ser humano no centro da administração das organizações; por outro, observa-se uma grande lacuna entre o discurso e a ação, o que exige das organizações novas formas de pensar e fazer gestão de pessoas. Partindo desse pressuposto, a gestão de pessoas continua a desempenhar um papel estratégico, devendo conhecer a essência da organização e suas áreas para garantir a melhor aplicação dos recursos humanos. Ela deve ser a guardiã das informações sobre o perfil dos funcionários e os resultados, coordenando esforços para suprir as necessidades de pessoal de forma técnica, com a identificação de perfis profissionais adequados. Isso inclui criar oportunidades de crescimento profissional para os colaboradores, considerando que novas competências podem ser necessárias. A modernização da administração pública é um processo contínuo em que modelos gerenciais são constantemente implementados na expectativa de que a estrutura governamental possa atender de modo mais eficiente e eficaz às demandas sociais. A administração pública, especialmente no que diz respeito à gestão de 9 pessoas, precisa revisar alguns procedimentos e atitudes para garantir o atendimento efetivo ao cidadão e evitar que os serviços prestados sejam comprometidos. Do ponto de vista da análise cultural, a gestão de pessoas atua como um canal que materializa a consistência interna da cultura organizacional. Isso ocorre por meio da definição de perfis compatíveis com os valores que orientam o recrutamento e a seleção, bem como o desenho de programas de treinamento e desenvolvimento. Gerenciar pessoas envolve conhecer tanto os processos operacionais e estratégicos quanto os aspectos pessoais. A principal dificuldade na gestão de pessoas é a falta de qualificação dos profissionais e os baixos investimentos em capacitação. Portanto, o setor responsável pela gestão de pessoas precisa contar com profissionais comprometidos e responsáveis, que busquem manter um clima organizacional favorável e sejam focados em resultados. Essas qualidades são relevantes para o sucesso da instituição. Na maioria dos órgãos públicos brasileiros, a área de Recursos Humanos ainda é limitada a um papel burocrático, conhecida como departamento de pessoal. A falta de diretrizes gerais para as políticas de recursos humanos e a escassez de informações fazem com que essa área seja associada à ineficiência, muitas vezes se concentrando em resolver problemas emergenciais e priorizando tarefas rotineiras, enquanto atividades como definição de políticas para contratar, capacitar e remunerar são relegadas a segundo plano. A gestão de pessoas no setor público ainda está em um estágio de evolução, frequentemente exercendo atividades meramente burocráticas. No entanto, para que ocorra uma mudança significativa, o gestor responsável pela gestão estratégica de pessoas precisa estar preparado para lidar com as novas tendências e desafios no cenário da gestão de pessoas (CHIAVENATO, 2009). Os profissionais de Gestão de Pessoas são responsáveis por oferecer suporte necessário para a gestão estratégica de pessoas. Isso inclui estabelecer critérios para questões como planejamento da força de trabalho, implementação de ações de desenvolvimento profissional, criação de carreiras e estruturas remuneratórias, avaliação de desempenho e gestão por competências, entre outras. 10 1.4 Gestão de Pessoas ou Gestão de Recursos Humanos O conceito de "Recursos Humanos" é um legado da Era Industrial, quando as organizações eram vistas como um conjunto integrado de recursos financeiros, materiais, tecnológicos e humanos para atingir objetivos. Embora a ideia de consideraras pessoas apenas como um recurso tenha sido ultrapassada, o termo continua em uso. Atualmente, os recursos humanos são vistos como parceiros ativos e proativos do negócio, contribuindo com competências essenciais para a competitividade e sustentabilidade da organização (CHIAVENATO, 2009). Na literatura, dois modelos de gestão de recursos humanos são frequentemente discutidos: o modelo hard e o modelo soft. O modelo hard considera as pessoas como um recurso a ser gerido para maximizar a rentabilidade ao menor custo possível. Já o modelo soft adota uma visão mais humanista e pluralista, enfatizando a importância das pessoas no negócio. Este modelo busca motivar, envolver e incluir as pessoas nas decisões, promovendo uma cultura organizacional baseada na confiança e no trabalho em equipe (CUNHA, et al., 2014). Os colaboradores podem ser vistos como recursos produtivos das organizações, necessitando de administração, o que envolve planejamento, organização, direção e controle de suas atividades. No entanto, quando as pessoas são vistas como parceiros, elas são fornecedoras de conhecimentos, habilidades e capacidades, proporcionando decisões racionais e direcionando os objetivos globais. Nesse sentido, as pessoas constituem o capital intelectual da organização. As organizações bem-sucedidas tratam seus colaboradores como parceiros, e não apenas como empregados contratados (CHIAVENATO, 2014a). O termo "Gestão de Pessoas" segundo Fischer (1994), não busca simplesmente substituir a noção de "gestão de recursos humanos", mas sim ressaltar a ação de gestão e seu foco nas pessoas. Chiavenato (2014a) identifica cinco aspectos fundamentais para o conceito de Gestão de Pessoas: as pessoas como seres humanos, como parceiros da organização, como ativadoras de recursos organizacionais, como fornecedoras de competências e como capital humano. A gestão de pessoas permite a colaboração eficaz das pessoas para alcançar objetivos organizacionais e individuais, influenciando as forças e fraquezas da organização dependendo de como são tratadas. 11 Os objetivos da gestão de pessoas são variados e incluem contribuir para a eficácia organizacional, ajudar a organização a alcançar seus objetivos, proporcionar competitividade, oferecer pessoal bem treinado e motivado, aumentar a auto- atualização e satisfação no trabalho, melhorar a qualidade de vida no trabalho, administrar mudanças, manter políticas éticas e construir a melhor equipe. Para alcançar esses objetivos, os gestores devem tratar as pessoas como elementos básicos para a eficácia organizacional (CHIAVENATO, 2014a). 1.5 Política de Gestão de Pessoas na Administração Pública As experiências com reformas das políticas e da gestão de recursos humanos no Brasil mostram que os governos estão em diferentes estágios de desenvolvimento sobre o tema. Esse processo de mudanças ocorre em etapas, começando com ajustes, seguidos pela implementação de políticas mais consistentes e, finalmente, pela integração dessas políticas aos objetivos estratégicos da organização. A implantação de políticas de gestão de pessoas que valorizam o desenvolvimento e a valorização dos colaboradores nas organizações deve resultar em produtos e serviços inovadores de alta qualidade, bem como em um atendimento mais flexível e atencioso. Isso ocorre porque um colaborador satisfeito e valorizado tende a realizar suas funções com mais dedicação. É amplamente reconhecido que, entre as políticas de recursos humanos, a capacitação do pessoal é significativa para consolidar a eficiência nas organizações. O desenvolvimento de metodologias adequadas para a implantação do modelo de gestão por competências em organizações públicas é um desafio significativo. O objetivo de um sistema de gestão de pessoas é auxiliar as organizações a desenvolver competências diferenciadas e alcançar um melhor desempenho, crescimento e desenvolvimento, tanto da organização quanto dos indivíduos que nela trabalham, por meio de políticas efetivas. Em muitas organizações públicas brasileiras, as áreas responsáveis pela gestão de pessoal ainda se concentram principalmente em atividades relacionadas à folha de pagamento, benefícios da aposentadoria e proposição de leis e regulamentos, bem como algumas ações pontuais de treinamento e capacitação. A forma de atuação dessas áreas é geralmente reativa, priorizando questões emergenciais e relegando a segundo plano 12 atividades estratégicas como o estabelecimento de objetivos e metas alinhados com a organização. No entanto, muitas organizações públicas não vinculam a realização do trabalho ao desempenho adequado, e este, por sua vez, está desvinculado dos mecanismos de remuneração. A falta de ênfase no desempenho e nos critérios de mérito reflete-se na ausência de mecanismos para o desenvolvimento profissional contínuo e no pouco estímulo à rotação de funções. Embora algumas organizações públicas brasileiras tenham iniciativas para transformar os departamentos de pessoal em unidades de gestão de pessoas, esse novo perfil de gestão estratégica precisa ser consolidado com a efetivação de políticas de gestão de pessoas. A implementação de uma nova política de Gestão de Pessoas permitirá a movimentação dentro das classes por critérios de merecimento. Em muitos casos, embora a estrutura organizacional tenha sido modificada para incluir áreas que realizam atividades típicas de gestão de pessoas, na prática esses campos não têm funcionado com a abrangência e profundidade necessárias. A substituição da denominação de "administração de pessoal" por "gestão de pessoas" requer a implementação de mudanças que, em conjunto, constituem a gestão estratégica de pessoas. As políticas sejam geridas de forma eficiente, contar com um sistema de informações ágil que apoie o processo decisório. Dessa forma, um banco de talentos deve ser estabelecido para acompanhar o desenvolvimento e promover a alocação adequada dos servidores. Uma legislação clara e consolidada, um sistema de comunicação eficaz e um sistema de atendimento que permitam a disseminação da política e o cumprimento de suas regras são igualmente importantes. Por fim, um sistema de avaliação das políticas deve ser implementado para analisar os resultados alcançados na área de recursos humanos e revisar as metas quando necessário (CHIAVENATO, 2014a). 2 GESTÃO ESTRATÉGICA DE PESSOAS As tendências atuais apontam para a gestão estratégica das organizações, incluindo a gestão de pessoas. Nesse contexto, o modelo de gestão estratégica de pessoas foi adotado como base para formar profissionais alinhados às modernas 13 tendências de gestão. Atualmente, a sociedade exige do poder público uma atuação cada vez mais eficiente, focada no alcance de resultados e na eficiência. A eficácia e a efetividade da ação governamental são os principais objetivos. Não basta apenas obter a melhor relação custo-benefício se os resultados almejados não forem alcançados e não atenderem às necessidades legítimas. Os usuários dos serviços públicos têm aumentado a cobrança em relação à satisfação de suas demandas. A qualidade e a adequação dos serviços às necessidades dos clientes são aspectos críticos para o bom desempenho de qualquer órgão ou entidade da administração pública. A exigência de transparência e ética, a escassez crescente de recursos e a necessidade de aproximação do usuário em relação aos serviços públicos reforçam a abordagem por meio da eficácia e da descentralização. Isso requer um aumento da flexibilidade, prontidão e capacidade de adaptação dessas organizações, implicando o uso de novas tecnologias, especialmente a tecnologia da informação, e a modernização da estrutura normativa, organizacional e de pessoal. Embora essas transformações não sejam novidade nas organizações privadas, nas públicas elas representam uma grandemudança, não apenas nas formas de estrutura e funcionamento, mas também na ressignificação dos sentidos que tanto o servidor quanto a sociedade atribuem ao que é público. Tal cenário tem levado as organizações públicas a reavaliar seus objetivos e rever suas estruturas e processos para alcançar o desempenho desejado (CHIAVENATO, 2014a). A transformação dos órgãos públicos para um modelo pautado por resultados pressupõe a ruptura com alguns padrões gerenciais vigentes e um profundo repensar de outros. Nessa perspectiva, os servidores públicos precisam estar preparados para adquirir e se atualizar em relação às novas competências conceituais, técnicas e humanas, sistematizadas em um novo perfil, que os permita atender tanto os usuários internos quanto os externos à organização. As pessoas têm o potencial de ampliar ou limitar as forças e fraquezas de uma organização, dependendo de como são tratadas. Para que os objetivos da gestão de pessoas sejam alcançados, os gerentes devem considerar as pessoas como elementos fundamentais para a eficácia organizacional (CHIAVENATO, 2014a). A gestão de pessoas envolve políticas, práticas e sistemas que influenciam o comportamento, as atitudes e o desempenho dos membros da organização, com o 14 objetivo de aumentar a competitividade e a capacidade de aprendizagem da organização (CUNHA et al., 2014). 3 RECRUTAMENTO E SELEÇÃO Os processos de recrutamento e seleção são reconhecidos como práticas na gestão de pessoas. Essas atividades, embora distintas, compõem um mesmo fluxo, cujo objetivo é integrar novos colaboradores à organização. O recrutamento consiste em ações de atração, divulgação e comunicação, enquanto a seleção envolve etapas de análise, classificação e tomada de decisão (CHIAVENATO, 2014a). Do ponto de vista estratégico, essas práticas possuem grande relevância para as empresas. A capacidade dos colaboradores de gerar valor, sua singularidade, a dificuldade de imitação, a impossibilidade de substituição por alternativas estratégicas e sua integração nas políticas organizacionais contribuem para a construção de vantagens competitivas (CUNHA et al., 2014). O recrutamento utiliza métodos e técnicas para captar profissionais qualificados e aptos a assumir funções na empresa. Funciona como um sistema de comunicação que divulga e disponibiliza ao mercado oportunidades de trabalho a serem preenchidas. Esse processo pode ocorrer de forma interna ou externa. No primeiro caso, a organização recorre a seus próprios membros para ocupar vagas, seja por meio de transferências ou promoções. Já no recrutamento externo, a busca é direcionada a candidatos fora da empresa, com o intuito de incorporar conhecimentos e competências ainda não presentes no quadro atual de colaboradores (CHIAVENATO, 2014a). A seleção consiste em um conjunto de procedimentos pelos quais a organização identifica e classifica, entre os candidatos recrutados, aqueles que apresentam maior adequação ao ambiente e potencial para desempenhar as funções do cargo em questão. Trata-se de um processo que combina análise comparativa e tomada de decisão: comparativa, pois envolve a avaliação entre as exigências da vaga e as características dos candidatos; e decisória, já que cabe à equipe de seleção indicar aos responsáveis pela contratação os indivíduos considerados mais preparados para a função (CHIAVENATO, 2014a). 15 As informações necessárias sobre o cargo podem ser coletadas por meio de diferentes métodos e ferramentas. Entre as abordagens mais comuns para identificar os requisitos da vaga e as competências desejadas estão: • Consulta a manuais de descrição e análise de cargos; • Análise de fichas ou documentos de requisição de pessoal; • Pesquisa de mercado, especialmente quando se trata de uma função nova e ainda não totalmente definida na organização. As técnicas utilizadas no processo seletivo variam conforme os dados que se pretende obter sobre os candidatos. Faissal (2005) categoriza as principais metodologias da seguinte forma: • Testes: psicológico, de conhecimento e situacional; • Dinâmicas de grupo; • Entrevistas: técnica, psicológica, tradicional, situacional e comportamental. Por sua vez, Chiavenato (2012a) classifica as técnicas de seleção em: • Entrevista de seleção: método subjetivo que demanda preparo do entrevistador e uma estrutura bem definida para o processo; • Provas de conhecimentos ou capacidades: abordagem objetiva que avalia o nível de habilidades e conhecimentos dos candidatos; • Testes psicológicos: técnica padronizada que analisa comportamentos em condições controladas, comparando os resultados com dados estatísticos; • Testes de personalidade: método subjetivo que identifica traços de caráter (adquiridos) e temperamento (genéticos); • Técnicas de simulação: abordagem subjetiva que observa o comportamento dos indivíduos em grupo, utilizando dinâmicas e dramatizações. A escolha adequada dos profissionais é considerada uma das principais contribuições que um especialista em recursos humanos pode oferecer à organização. 16 3.1 Processo de Aplicação de Pessoas Trata-se do processo em que a organização apresenta ao colaborador selecionado as atividades relacionadas ao cargo que ocupará. Em outras palavras, a aplicação de pessoas envolve ações voltadas para orientar e integrar os novos contratados, definir as funções dos cargos e avaliar o desempenho dos funcionários. Essas práticas podem variar conforme o perfil da empresa, sendo mais ou menos tradicionais. A orientação e a socialização são etapas em que a empresa se apresenta aos novos colaboradores, explicando sua identidade e funcionamento. Orientação Por meio da orientação, a organização busca alinhar os indivíduos à sua realidade. Esse processo inclui formalidades, como cerimônias de boas-vindas e palestras, que visam informar o novo contratado sobre a estrutura formal da empresa, suas responsabilidades, sua posição na hierarquia, a missão do cargo, os objetivos organizacionais e a cultura que deve ser seguida (CHIAVENATO, 2014a). Socialização A socialização tem como objetivo receber e integrar os novos colaboradores ao ambiente da empresa. Utilizando diferentes métodos, essa etapa busca ajustar o comportamento do indivíduo às expectativas e necessidades da organização. Entre as abordagens mais comuns para facilitar a adaptação dos novos funcionários, destacam-se: • Grupos de trabalho: a integração é conduzida por uma equipe que influencia as crenças e atitudes do novo membro; • Programas de integração: iniciativas institucionais que visam treinar o colaborador e familiarizá-lo com os diversos aspectos da organização. 3.2 Acolhimento e Integração As organizações necessitam, cada vez mais, de criar estratégias de acolhimento e integração que permitam aos novos colaboradores tornarem-se produtivos de forma rápida, contribuindo para o sucesso da empresa e garantindo que suas expectativas individuais sejam atendidas. A integração na organização e no 17 cargo é um processo contínuo e dinâmico, que busca alcançar objetivos tanto para a empresa quanto para o indivíduo. Requer um esforço mútuo de adaptação e compreensão, começando com a fase de acolhimento e estendendo-se ao longo do tempo por meio de práticas formais ou informais de socialização. Esse processo tem como finalidade diminuir a ansiedade e a incerteza do novo colaborador, promover uma visão positiva da organização, desenvolver um senso de pertencimento e incentivar o desejo de permanência. Nesse sentido, busca criar condições para que o recém-contratado se torne um membro efetivo, contribuindo com comprometimento e resultados. Uma integração adequada do novo funcionário não apenas minimiza sentimentos de insatisfação e instabilidade, mas também reduz custos e problemas associados à possível saída precoce do colaborador.A socialização organizacional é o meio pelo qual a integração é alcançada, desempenhando um dever significativo na gestão de pessoas. Consiste em um conjunto de práticas formais e informais que capacitam o indivíduo a tornar-se um membro funcional e bem-sucedido do grupo. Diversos autores descrevem fases nesse processo, que, embora variem em nomenclatura, geralmente incluem: socialização antecipatória, encontro, ajustamento e estabilização (FERREIRA et al., 2015). 3.3 Sistemas de Recompensas O sistema de recompensas é uma prática estratégica de gestão de recursos humanos que visa alinhar os objetivos dos colaboradores com as metas organizacionais. Essa ferramenta está diretamente relacionada a outras práticas de gestão, especialmente à avaliação de desempenho. Consiste em um conjunto de benefícios oferecidos aos funcionários em reconhecimento ao seu desempenho, contribuição de longo prazo para o negócio e adesão aos valores e princípios operacionais da empresa (CÂMARA; GUERRA; RODRIGUES, 2013). Segundo Bustamam, Teng & Abdullah (2014), as recompensas representam tudo o que o colaborador pode receber em troca de seu trabalho e dedicação à organização. A ausência de recompensas pode gerar desmotivação, impactando negativamente o desempenho individual. Por isso, a implementação de sistemas de recompensas tem ganhado importância crescente. 18 A eficácia desse sistema pode ser medida pelo nível de satisfação dos colaboradores. Um sistema de recompensas eficaz deve resultar em um alto grau de satisfação no trabalho, sendo necessário avaliar periodicamente esse indicador para identificar e corrigir possíveis falhas. Cada colaborador deve ser recompensado de acordo com suas necessidades prioritárias, considerando sua função e posição na organização. Essa abordagem deve seguir a hierarquia das necessidades proposta por Maslow, permitindo que os gestores personalizem as recompensas para atender às expectativas específicas de cada nível hierárquico. 3.4 Avaliação e Gestão de Desempenho A avaliação de desempenho consiste em uma análise sistemática do rendimento de cada colaborador, considerando suas responsabilidades, metas estabelecidas, resultados alcançados e potencial de crescimento. Esse processo permite mensurar o valor, a qualidade e a contribuição individual para os objetivos da organização, bem como revisar a produtividade passada para entender o impacto das ações dos indivíduos no alcance das metas administrativas (CHIAVENATO, 2014a). A gestão de desempenho é um fluxo contínuo que envolve a identificação, medição e desenvolvimento de indivíduos e equipes, alinhando seus resultados aos objetivos estratégicos da empresa. O sucesso organizacional está diretamente ligado a essa prática. Embora frequentemente associada à avaliação de desempenho, reconhecendo que o rendimento da organização depende da soma das contribuições individuais de seus membros. Os objetivos de um sistema de gestão de desempenho são mais abrangentes do que os da avaliação tradicional. Busca-se assegurar o sucesso estratégico sustentável da empresa, não apenas melhorando os comportamentos dos colaboradores, mas também otimizando aspectos organizacionais, tecnológicos e processuais para alcançar altos níveis de competitividade (CUNHA et al., 2015). Esses sistemas são projetados para atender a duas categorias de necessidades: organizacionais e individuais. A primeira envolve a produção de análises sistemáticas que fundamentam decisões sobre recompensas, promoções, transferências ou desligamentos. A segunda inclui a comunicação ao colaborador sobre seu progresso, sugerindo o desenvolvimento de competências alinhadas às 19 demandas da organização, da função e da carreira. O feedback e o aconselhamento do avaliador são elementos-chave para aprimorar comportamentos e resultados. 3.5 Formação e Desenvolvimento A formação desempenha um papel primordial na atração, desenvolvimento e retenção de profissionais qualificados, como também fortalecer a coesão e o senso de pertencimento à organização. Deve ser encarada como um investimento estratégico, gerando impactos positivos a médio e longo prazo. A formação é um processo estruturado que auxilia o indivíduo a aprimorar habilidades, conhecimentos e competências necessárias para desempenhar funções específicas, alinhando-se a objetivos profissionais e organizacionais (FERREIRA et al., 2015). Essa prática traz diversos benefícios para as empresas, especialmente no que diz respeito ao desempenho dos colaboradores. Ao capacitar ou aperfeiçoar competências, a formação eleva a motivação, pois os funcionários percebem o investimento como um sinal de valorização por parte da organização. Isso resulta em maior engajamento e produtividade. Nesse sentido, contribui para a resolução de desafios internos, como a redução da rotatividade, acidentes de trabalho e conflitos. Os ganhos da formação refletem-se no fortalecimento da aprendizagem e do desenvolvimento, elementos essenciais para construir organizações mais competitivas e adaptáveis. Essas empresas, conhecidas como "organizações aprendentes" (learning organizations), estão preparadas para responder de forma flexível às demandas atuais e futuras (CUNHA et al., 2014). O processo formativo é composto por quatro etapas principais: diagnóstico das necessidades, planejamento e organização da formação, execução das atividades e avaliação dos resultados (FERREIRA et al., 2015). 3.6 Desenvolvimento de Carreira Um sistema de gestão de carreiras deve acompanhar e preparar o desenvolvimento dos colaboradores dentro da estrutura hierárquica da organização, geralmente por meio de decisões de promoção. Essa gestão precisa considerar, tanto no presente quanto no futuro, as necessidades da empresa e as expectativas dos 20 trabalhadores. Para isso, é essencial implementar um sistema de avaliação que permita personalizar a gestão de empregos, estabelecer planos de carreira, definir políticas de mobilidade e promoção, e estruturar uma matriz de fluxos de saída (PERETTI, 2011). Atualmente, as organizações têm reduzido seus níveis hierárquicos, resultando em estruturas mais planas. Como consequência, a progressão na carreira ocorre de forma lateral, com colaboradores movendo-se entre diferentes funções, em vez de seguir uma trajetória ascendente tradicional. Essa abordagem permite que os profissionais ampliem seu conhecimento sobre o negócio da organização e desenvolvam novas competências (GARCIA, 2016). 3.7 Gestão de Conflitos Para que ocorra uma evolução nas instituições, é necessário que estas promovam comportamentos alinhados às expectativas de seus colaboradores. A redução de conflitos internos pode ser alcançada por meio de medidas simples, como comunicação clara e direta, saber ouvir, expressar críticas de forma construtiva, discutir ideias com respeito e valorizar as opiniões dos envolvidos. Alguns conflitos, quando bem administrados, podem ser positivos e contribuir para o crescimento tanto dos profissionais quanto da organização. A chave está em resolver os conflitos de maneira eficaz, especialmente quando geram impactos negativos. Assim como em grupos familiares, desentendimentos são naturais e, em certos casos, podem trazer benefícios. Para isso, é relevante que a empresa adote políticas eficientes de gestão de conflitos. O Clima Organizacional é definido como um conjunto de características mensuráveis do ambiente de trabalho, percebidas direta ou indiretamente pelos colaboradores, que influenciam sua motivação e comportamento. Segundo Chiavenato (1999), o clima reflete a maneira como as pessoas interagem entre si, com clientes e fornecedores, bem como indicar o nível de satisfação com o ambiente organizacional. A cultura organizacional representa o conjunto de valores, normas, crenças e expectativas compartilhadas por todosos membros da empresa, distinguindo-a das demais. Trata-se de um sistema de significados que orienta comportamentos e 21 práticas internas. O conflito é uma realidade presente na vida organizacional contemporânea. Manifesta-se de forma explícita, como greves, disputas e processos judiciais, ou de maneira menos visível, como tensões entre colegas, dificuldades de colaboração e resistência a diretrizes da gestão. Nas últimas décadas, fatores como o aumento da diversidade no ambiente de trabalho e as pressões por mudanças e inovação ampliaram o potencial de conflitos nas organizações. Essa diversidade trouxe desafios relacionados a questões éticas, etárias e de gênero, exigindo dos gestores habilidades para lidar com essas complexidades (FERREIRA et al., 2015). A ocorrência de conflitos também é intensificada pela crescente carga de trabalho, insegurança no emprego e necessidade constante de adaptação. Diante desse cenário, os gestores devem desenvolver competências e estratégias para administrar divergências de forma positiva, transformando-as em oportunidades de crescimento. A relação entre empregadores e empregados é regida por normas formais e informais que abrangem aspectos como horários, salários, ritmo de trabalho e responsabilidades. Independentemente do contexto, cada um desses elementos pode se tornar uma fonte potencial de conflito. O ser humano possui características individuais que tornam as divergências uma ocorrência natural. Cabe às lideranças das organizações gerenciar adequadamente esses conflitos, visando preservar a coesão da equipe e a produtividade. Nesse contexto, os conflitos podem ser classificados em três categorias: • Pessoais: relacionados a inquietações internas que afetam um indivíduo, podendo levar ao estresse ou a desentendimentos com outras pessoas. • Interpessoais: surgem quando duas ou mais pessoas possuem perspectivas distintas sobre uma mesma situação. • Organizacionais: originam-se das constantes mudanças nas dinâmicas da organização, muitas vezes influenciadas por fatores externos, e não de valores pessoais. Um sistema de gestão de conflitos consiste em um conjunto de ações integradas que incluem o diagnóstico das causas dos conflitos, a aplicação de práticas eficazes e metodologias colaborativas para prevenção e resolução, com o objetivo de 22 promover uma governança organizacional eficiente. As ações preventivas buscam criar um ambiente favorável à redução de conflitos interpessoais, por meio da implementação de práticas que resultem em acordos prévios bem negociados. Essas decisões, sejam estratégicas, táticas ou operacionais, devem envolver os colaboradores e demais partes interessadas. 4 O PODER DAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS O intercâmbio entre pessoas ocorre de maneira constante nas organizações e exerce influência direta nos resultados alcançados. A interação no ambiente de trabalho pode apresentar desafios, especialmente na ausência de uma compreensão clara sobre o comportamento de cada colaborador. Embora muitos possuam percepções intuitivas ou habilidades empíricas para lidar com diferentes personalidades, confiar apenas nessas percepções pode não ser a abordagem mais adequada. Nas organizações, é importante reconhecer que os comportamentos humanos nem sempre seguem padrões previsíveis. As interações interpessoais podem impactar significativamente o desempenho e alterar expectativas previamente estabelecidas. Segundo Moscovici (1994), a interação humana nas empresas ocorre em dois níveis interdependentes: o nível da tarefa, relacionado à execução de atividades individuais e coletivas, e o nível socioemocional, que abrange os sentimentos gerados pela convivência. Quando as emoções são positivas, as tarefas tendem a fluir com maior eficácia, promovendo bons resultados. Por outro lado, um clima emocional desfavorável pode comprometer tanto as interações quanto a produtividade, refletindo-se em atitudes de antipatia, insatisfação e rejeição. A conexão socioemocional pode impactar positivamente os resultados laborais e as relações entre colegas. Processos bem definidos fomentam a colaboração e um ambiente positivo, fortalecendo a união da equipe. Em contrapartida, a falta de harmonia pode gerar conflitos internos. Para um bom desempenho em equipe, os indivíduos necessitam não apenas de habilidades técnicas, mas também de competências emocionais. A realização pessoal é um importante fator nas interações. A percepção que cada pessoa tem de si mesma, suas motivações e crenças influenciam as relações 23 interpessoais. A harmonia interna, autoaceitação e bem-estar físico e mental contribuem para um equilíbrio nas interações com os outros. Muitas dificuldades nas relações surgem quando há um desequilíbrio interno, tornando o autocuidado vital para uma convivência saudável. No ambiente organizacional, a figura de um líder capacitado se destaca. Um líder que possui inteligência emocional e prioriza o bem-estar de sua equipe tem o potencial de conduzi-la ao sucesso, exercendo uma influência positiva no clima de trabalho. A qualidade de vida no trabalho transcende a remuneração e os benefícios, abrangendo um tratamento humanizado que valoriza a cordialidade, o respeito e a liberdade de expressão. Cada colaborador vivencia e expressa suas emoções de maneira única, e essas interações moldam atmosferas distintas em cada setor. As relações interpessoais são moldadas pelo autoconhecimento e pela empatia, aprimorando a compreensão do comportamento humano no contexto profissional. Bom Sucesso (2002) identifica algumas dificuldades comuns na dimensão interpessoal: • Falta de objetivos pessoais: algumas pessoas enfrentam dificuldades em estabelecer metas para o futuro, desanimando diante de obstáculos e não sendo criativas na busca de soluções. Como resultado, elas frequentemente mudam de direção e dependem dos outros para orientação. Muitas vezes, permanecem em profissões que não apreciam, sem tomar iniciativas para mudar essa realidade. Um exemplo é uma professora do ensino fundamental que, após participar de um programa de integração de equipes, expressou indignação pelos baixos salários da categoria. Dez anos depois, ao participar de outro projeto, ainda se queixava da mesma situação. Ao refletir sobre sua trajetória, reconheceu as consequências paralisantes de sua falta de objetivos pessoais e o tempo perdido esperando por valorização profissional. Ela percebeu que poderia ter investido esse período em sua formação acadêmica, permitindo-se atuar em instituições de ensino superior. • Dificuldade em priorizar: muitas pessoas reclamam da "falta de tempo" para realizar suas tarefas, mas essa situação geralmente decorre da dificuldade em estabelecer prioridades. Elas acumulam compromissos sem avaliar sua viabilidade ou têm dificuldade em recusar novas responsabilidades, o que compromete sua capacidade de cumprir o que se propõem. Um exemplo é uma 24 executiva que, fora trabalhar oito horas por dia, gerenciava a vida pessoal com quatro filhos, levava-os à escola e ainda praticava atividades como tênis, yoga e um curso de inglês. Constantemente atrasada, ela acreditava que todas as suas atividades eram essenciais e resistia a abrir mão de qualquer uma delas. Essa postura resultava em baixa qualidade de vida e alta tensão. Ao reavaliar suas prioridades, percebeu que sua busca por prazer em atividades alternativas se tornara uma obsessão, aumentando seu estresse. Decidiu, então, tornar essas atividades eventuais e focar em sua carreira, de delegar novas responsabilidades aos filhos, que estavam se tornando acomodados. Este exemplo ilustra a dificuldade em priorizar o que realmente importa, levando ao acúmulo de tarefas inexecutáveis. • Dificuldade em ouvir: a maioria dos conflitos surge da dificuldade em ouvir e compreender o outro.As pessoas frequentemente julgam os outros com base em seus próprios valores, desconsiderando as diferenças individuais. Essa dificuldade de escuta se intensifica quando há divergências de opinião. Muitos gerentes avaliam suas equipes a partir de seus próprios paradigmas, sem considerar as perspectivas alheias. Para melhorar a dinâmica, é substancial que um gestor busque entender o ponto de vista de sua equipe, faça perguntas antes de emitir juízos, incentive sugestões e crie espaços para diferentes percepções. Grandes corporações reconhecem que a resolução de muitos problemas está na habilidade de ouvir e permitir que os colaboradores contribuam com soluções para o cotidiano (MACKAY, 2002). Saber ouvir O respeito na comunicação se manifesta através da escuta ativa. Isso implica não apenas ouvir as palavras, mas também perceber as nuances da voz, o tom, o ritmo e a linguagem corporal do outro. Para demonstrar que estamos realmente ouvindo, podemos fazer perguntas relevantes, incentivando a pessoa a se expressar. No entanto, sinais como sorrisos e expressões faciais positivas confirmam nosso interesse e atenção. Demonstrar interesse genuíno, com frases como 'compreendo', 'e então?' ou 'isso é interessante', incentiva o interlocutor a prosseguir. Além disso, reconhecer e validar as emoções expressas, através de perguntas como 'você se sente...' ou 'o que te faz pensar assim?', demonstra empatia e consideração pelo ponto de vista alheio. 25 A escuta ativa é, portanto, uma postura de respeito e envolvimento, não uma simples ausência de fala (MACKAY, 2002). 4 QUALIDADE DE VIDA NO AMBIENTE DE TRABALHO A busca pela qualidade de vida no trabalho (QVT) envolve a criação de um ambiente profissional que priorize o bem-estar dos colaboradores, visando tanto o aumento da satisfação quanto o da produtividade. Essa abordagem holística contribui para a eficiência e para o atendimento das necessidades fundamentais dos trabalhadores. No entanto, é substancial compreender que os programas de QVT não são uma panaceia para todos os desafios relacionados à produtividade ou à insatisfação. Ainda assim, sua implementação tende a melhorar o desempenho organizacional e reduzir custos, ao minimizar desperdícios e engajar os funcionários, refletindo positivamente nos resultados. Embora os programas de QVT incluam aspectos técnicos do processo produtivo, muitas empresas priorizam investimentos em máquinas e equipamentos, negligenciando o desenvolvimento humano. Para alcançar seus objetivos de forma sustentável, as organizações devem atender às demandas dos colaboradores e promover seu crescimento, equilibrando o investimento em tecnologia com a atenção ao clima organizacional. A priorização do investimento em tecnologia em detrimento do desenvolvimento humano pode levar à insatisfação dos funcionários, impactando negativamente a qualidade dos produtos e serviços oferecidos. Para mitigar esse risco, é substancial compreender as expectativas e necessidades dos colaboradores, garantindo que esses aspectos sejam considerados para não comprometer a qualidade do trabalho. A insatisfação profissional, frequentemente decorrente da subutilização do potencial e de condições de trabalho inadequadas, pode levar à queda no rendimento e impactar a saúde física e mental dos trabalhadores, resultando em diminuição da rentabilidade da organização. O alto desempenho está intrinsecamente ligado à qualidade de vida dos colaboradores em suas atividades. A qualidade de vida no trabalho visa, portanto, valorizar o ser humano e o ambiente, elementos frequentemente negligenciados em prol do avanço tecnológico e do crescimento econômico. É possível, e desejável, conciliar produtividade com 26 condições de trabalho aprimoradas, reconhecendo a intrínseca relação entre a qualidade dos produtos e a qualidade de vida dos trabalhadores (BOM SUCESSO, 2002). Conduta assertiva A conduta assertiva é a habilidade de expressar necessidades, sentimentos e opiniões de forma clara e respeitosa, evitando conflitos. Essa competência é essencial para uma comunicação eficaz e relacionamentos interpessoais saudáveis, permitindo que os indivíduos defendam seus direitos sem desrespeitar os dos outros e promovendo um ambiente colaborativo. Em dinâmicas de grupo, diferentes papéis são desempenhados, como o porta-voz, o bode expiatório, o sabotador e o líder. Bom Sucesso (2002) destaca a importância da assertividade em contextos profissionais, onde se posicionar com clareza pode impactar positivamente as interações. A comunicação assertiva é caracterizada pela transparência e objetividade, facilitando a compreensão das mensagens. Essa habilidade social pode ser aprimorada por meio da prática e do autoconhecimento. Indivíduos assertivos tendem a ser mais autoconfiantes e expressam suas opiniões mesmo em situações desafiadoras. É relevante notar que assertividade não é sinônimo de agressividade ou passividade; ela busca um equilíbrio saudável entre as necessidades pessoais e as dos outros, enquanto a agressividade ignora os direitos alheios e a passividade desconsidera as próprias necessidades. A conduta assertiva é uma ferramenta valiosa que contribui para relações mais saudáveis e produtivas, tanto na vida pessoal quanto profissional. Conduta assertiva Quando uma criança, em seus primeiros anos de vida, é exposta a mensagens positivas e convive com adultos que respeitam as diferenças, ela tem um bom ponto de partida para desenvolver a assertividade. No entanto, aqueles que não tiveram essa experiência podem aprender comportamentos assertivos posteriormente, por meio da reflexão e da observação constante de suas atitudes e das dos outros. Esse processo contribui para identificar ações que favorecem ou dificultam as relações interpessoais. Uma pessoa assertiva reconhece seus deveres e responsabilidades, ao mesmo tempo em que entende que os outros também possuem direitos e obrigações. Ao 27 assumir suas responsabilidades, ela passa a valorizar e respeitar seus próprios desejos, ampliando a consciência sobre seus sentimentos. No ambiente organizacional, busca-se promover um espaço voltado ao diálogo, o que requer uma mudança de postura baseada na aceitação de diferentes perspectivas, no respeito às diferenças e na convivência harmoniosa. 4.1 Autoconhecimento Ao abordar este tema, surge a pergunta: a pessoa tem um conhecimento suficiente sobre si mesma para identificar suas vontades e necessidades? Muitas vezes, acredita-se ter clareza sobre o próprio ser e suas exigências, mas, ao enfrentar decisões, percebe-se que essa percepção não é tão precisa. O autoconhecimento é primordial para tomar decisões assertivas. Essa habilidade é primordial para o crescimento pessoal e profissional de um indivíduo. A forma como alguém reage a situações externas é influenciada por processos mentais internos, e reconhecê-los é vital para uma vida equilibrada e saudável. A busca pelo autoconhecimento certamente resulta em um maior entendimento de si mesmo. Tanto o autoconhecimento quanto o autodesenvolvimento são essenciais para alcançar objetivos e entender o espaço do outro. Segundo Boechat (2009), o autognose refere-se ao processo psicológico em que o ego se torna gradualmente consciente de sua própria natureza, permitindo uma diferenciação das identidades coletivas. Edinger (2004) observa que, no caminho do autoconhecimento, o indivíduo reúne partes de si mesmo e as traz à consciência. Ao se tornar consciente, ele começa a perceber aspectos que anteriormente não notava, reconhecendo suas diferenças em relação aos grupos sociais, familiares e profissionais. A busca pelo autoconhecimento envolve um compromisso em entender todos os aspectos de si mesmo. Compreender as próprias qualidades e limitações resulta em amadurecimento e na capacidade de aproveitaras oportunidades de aprendizado que surgem diariamente. Esse processo favorece tanto o desenvolvimento pessoal quanto profissional, além de visar promover uma melhor compreensão das pessoas ao redor. Os seres humanos são indivíduos complexos, e para muitos, o desenvolvimento do autoconhecimento é um desafio. Quando uma pessoa consegue 28 alcançá-lo, torna-se ciente de seus desejos, objetivos e metas, revisita suas atitudes, fortalece suas qualidades, enfrenta mudanças, aumenta sua coragem, reconhece e aceita emoções negativas e se empenha em transformá-las. Esse processo permite um crescimento pessoal e uma melhor compreensão de sua essência, resultando em uma qualidade de vida superior e bem-estar, ainda proporcionar autonomia sobre sua vida. O autoconhecimento inicia-se em um ponto, mas nunca chega a um fim definitivo, pois estamos sempre em um processo contínuo de construção desse saber. Para aprimorar o autoconhecimento, é benéfico fazer perguntas a si mesmo com coragem e consciência, respondendo sem receio de confrontar fraquezas. Analisar situações sob diferentes perspectivas e identificar aspectos positivos e negativos contribui para esse processo. Cada pessoa possui suas forças e fraquezas, sendo fundamental descobrir quais são elas para utilizá-las da melhor maneira. As forças devem ser empregadas a favor do indivíduo, facilitando a conquista de objetivos e resultados almejados, enquanto as fraquezas precisam ser reconhecidas para que possam ser superadas, evitando que se tornem barreiras à felicidade e ao sucesso. Buscar a conscientização sobre quem realmente somos permite trabalhar comportamentos e atitudes prejudiciais, levando a uma transformação significativa. Conhecer-se melhor abre portas para novas oportunidades e experiências, incentivando a superação de limites diariamente. Esse é o caminho para alcançar realizações. Uma pessoa que compreende seus pontos fortes, dificuldades, objetivos e necessidades tem maiores chances de sucesso em suas escolhas. O autoconhecimento pode servir como motivação para implementar mudanças em diversas áreas da vida, tanto pessoal quanto profissional. 4.2 Comunicação A comunicação é o processo de troca de informações entre duas ou mais pessoas, utilizando sinais verbais e não verbais. Por meio dela, expressam-se sentimentos, pensamentos, opiniões, obter respostas e estabelecendo conexões com o ambiente. Os recursos comunicativos incluem fala, gestos, sorrisos, cores, olhares, expressões faciais, sons e melodias (NEVES, 2009). Esse processo desempenha funções substanciais na natureza humana, sendo utilizado para informar, influenciar comportamentos e atitudes, motivar, interagir, 29 realizar atividades ou promover inovações. Ao enviar uma mensagem, é relevante estar atento aos significados associados a palavras, gestos e expressões, que podem transmitir informações corretas ou distorcidas. Para que a comunicação ocorra de forma eficaz, são necessários elementos como emissor, receptor, mensagem, código, canal, ruído e feedback. O emissor é a pessoa que envia a mensagem, que deve ser clara para que o receptor a compreenda. O receptor é quem recebe a mensagem. A mensagem consiste no conteúdo da comunicação e é composta por sinais que possuem significado. O código refere-se aos sinais e regras que possibilitam a compreensão e decodificação da mensagem pelo receptor. O canal é o meio utilizado para a comunicação, podendo ser televisão, telefone, rádio, redes sociais, e-mail, blogs corporativos, revistas ou jornais. O ruído pode interferir ou distorcer a comunicação. Por fim, o feedback representa a resposta do receptor, permitindo avaliar se a comunicação foi eficaz. A comunicação eficaz vai diante da simples troca de informações; envolve a compreensão das emoções e intenções por trás da mensagem do interlocutor, tem que transmitir claramente o que se deseja expressar. Trata-se de entender o que está sendo comunicado e demonstrar que a outra pessoa está sendo ouvida e compreendida. Esse tipo de interação é denominado comunicação interpessoal. É preciso ter cautela ao enviar mensagens, pois uma comunicação inadequada pode resultar em conflitos. O emissor pode ser mal interpretado, gerando desconforto entre ele e o receptor, o que pode levar a situações desnecessárias. A habilidade de se comunicar é substancial para a construção de relacionamentos interpessoais, estabelecendo laços de empatia e confiança por meio de postura adequada, gestos, palavras e tom de voz. Uma forma de cultivar relacionamentos interpessoais é utilizar palavras apropriadas para cada situação: saber agradecer, cumprimentar, fazer elogios sinceros, evitar críticas a terceiros, escutar ativamente e oferecer feedback construtivo sem interesses pessoais. A comunicação efetiva pode transformar a realidade dos envolvidos, permitindo o compartilhamento de experiências, ideias e sentimentos. Sem essa interação, as pessoas seriam como ilhas isoladas (BORDENAVE, 1997). Para se tornarem bons comunicadores, é substancial desenvolver competências em inteligência emocional, que favorecem a argumentação, persuasão e inspiração nas interações. 30 5 DEFINIÇÕES DA MOTIVAÇÃO A motivação, como processo psicológico básico, pode ser definida como uma ação orientada por objetivos, sendo autorregulada de maneira biológica ou cognitiva, persistente ao longo do tempo e ativada por uma combinação de necessidades, emoções, valores, metas e expectativas (SALANOVA; HONTANGAS; PEIRÓ, 1996). Na Figura 2, são especificados os principais aspectos envolvidos no conceito de motivação que influenciam a construção de teorias sobre esse processo psicológico: ênfase, foco, pergunta e resposta. A ênfase refere-se ao que se considera importante para abordar a motivação (ativação, direção, intensidade e persistência). O foco é o alvo ou objeto de atenção, intimamente relacionado à ênfase da abordagem escolhida (estado inicial, alvo, força e manutenção). A pergunta é a indagação feita sobre o objeto; e a resposta é o nível de explicação ou compreensão que se pretende obter (GODOI, 2002). Nas teorias da motivação, as definições adotadas para explicar esse fenômeno escolhem como objeto de estudo uma ou mais das quatro ênfases listadas na Figura 2. A primeira ênfase é a ativação, que se refere ao estado inicial de estimulação do indivíduo. O alvo central de estudo é a indagação sobre o que pode desencadear a ativação, que pode ser extrínseca ou intrínseca à pessoa. Figura 2 – Listagem dos principais fatores implicados na motivação Fonte: https://encurtador.com.br/rCmhA. Por exemplo, o que motivaria uma pessoa a permanecer no trabalho fora do horário estipulado no contrato formal? Entre as inúmeras razões, duas podem ser apresentadas: a primeira é a expectativa de obter uma avaliação positiva do chefe, https://encurtador.com.br/rCmhA 31 com chances de resultar em uma futura promoção (fator extrínseco); e a segunda é a vontade de concluir a tarefa, característica da pessoa que não gosta de deixar nada para o dia seguinte (fator intrínseco). A segunda ênfase é a direção, que se refere ao objeto ou alvo da ação, questionando o nível de consciência do indivíduo na escolha desse alvo. A pessoa controla a direção de sua ação ou essa direção está fora de seu controle consciente? Isso significaria que a pessoa está ciente do que motiva sua ação de continuar trabalhando até tarde, pois busca uma promoção. Caso contrário, a permanência fora do horário pode ser atribuída a um impulso incontrolável (fora do controle consciente), que faz a pessoa continuar trabalhando sem clareza do alvo de sua ação (repetição da conduta). A terceira ênfase é a intensidade, que está ligada à variabilidade da força da ação. A força depende de um estado anterior de carência (necessidade ou afeto) ou de um estado posteriora ser alcançado (alvo). No primeiro caso, o fato de nunca ter sido promovida pode aumentar o interesse da pessoa em suprir essa carência. No segundo, a avaliação positiva dos benefícios que uma promoção traria pode ser suficiente para mobilizar forças para a ação, visando atingir essa meta. Por último, a persistência da ação tenta compreender o fenômeno da motivação pela articulação entre ativação, direção e intensidade da ação, atribuindo sua manutenção a fatores pessoais (necessidades, desejos, características de personalidade ou impulsos) ou ambientais (tipo de tarefa, equipe de trabalho, chefia, condições físicas, clima organizacional, recursos tecnológicos, salário, recompensas externas, etc.). As possíveis combinações das quatro ênfases apresentadas na Figura 1 — ativação, direção, intensidade e persistência da conduta, formam a base da construção das teorias da motivação. Existem pelo menos três modelos de classificação das teorias da motivação na literatura. O primeiro é a classificação unidimensional proposta por Campbell e colaboradores (1970), que diferencia as teorias de conteúdo das teorias de processo. O segundo é a classificação bidimensional proposta por Thierry (1994), que adiciona a dimensão reforçamento versus cognição à dimensão conteúdo versus processo. O terceiro é o modelo unidimensional de Kanfer (1992), que organiza as teorias em um continuum entre proximidade e distanciamento da ação. 32 O primeiro modelo de classificação divide as teorias da motivação em dois grupos: teorias de conteúdo e teorias de processo. As teorias de conteúdo explicam a motivação humana a partir das necessidades (ou carências), afirmando que a conduta é orientada para sua satisfação. O foco está em identificar os diferentes tipos de necessidades que orientam as ações humanas (PÉREZ-RAMOS, 1990). Por outro lado, as teorias de processo compreendem a motivação como um processo de tomada de decisão, envolvendo percepções, objetivos, expectativas e metas pessoais. No segundo modelo de classificação proposto por Thierry (1994), as teorias de conteúdo são diferenciadas das de processo, adicionando uma nova dimensão que distingue entre reforço da conduta e cognição. A inclusão dessa nova dimensão é justificada pelo argumento de que algumas teorias focam no que acontece após a ação (fator externo), ou seja, no que aumenta a probabilidade de repetição dessa ação (reforço). Por outro lado, as teorias que enfatizam a cognição concentram-se no que ocorre no sistema cognitivo da pessoa (fator interno), ou seja, nas percepções, interpretações e informações armazenadas, tratadas e recuperadas, conforme a necessidade de tomar decisões. Nesse sentido, a motivação resulta não do que ocorre após a ação (recompensa), mas do que acontece na mente do indivíduo (desejos, intenções e metas), orientando suas futuras ações. No terceiro modelo de classificação, proposto por Kanfer (1992), as dimensões apresentadas nos dois modelos anteriores não são consideradas. A distinção entre teorias de conteúdo e processo, ou a relação entre motivação e o que ocorre após a ação (reforço) ou na mente do indivíduo que decide agir (cognição), não é o fator central para diferenciar as teorias da motivação. Para Kanfer (1992), a motivação é fundamentalmente uma teoria da ação. Sua relevância deve ser destacada na medida em que influencie ativamente a orientação da mudança de ação do indivíduo. Ou seja, uma teoria da motivação ganha importância na medida em que oferece perspectivas de intervenção para reorientar a ação individual. Esse terceiro modelo organiza as teorias da motivação com base no uso de conceitos mais próximos ou distantes da ação. Nos três modelos de classificação apresentados, é possível observar de maneira geral como as teorias da motivação podem ser organizadas, já que os modelos de classificação ordenam e simplificam os conhecimentos teóricos produzidos sobre determinado tema. Recentemente, no entanto, as teorias da 33 motivação têm sido discutidas em novos arranjos mais complexos, buscando ir adiante de uma concepção centrada apenas no instinto (direção ativada biologicamente), na homeostase (busca por retorno ao estado de equilíbrio) e no hedonismo (busca pelo autoaperfeiçoamento contínuo), mesmo com o desafio de entender a motivação em seu contexto (SCHUNK, 2012). Na psicologia evolutiva, a discussão dos processos psicológicos, incluindo a motivação, foi reposicionada ao redirecionar o foco para sistemas gerais adaptativos e centrados na aquisição do conhecimento. Isso envolve sistemas especializados de regulação, presumidamente mais eficazes na tomada de decisão de comportamentos adaptativos a serem transmitidos às gerações futuras. Dessa forma, a resolução de problemas motivacionais requer elementos computacionais que não são propriamente crenças, metas, desejos e preferências, como tratados pelas teorias motivacionais tradicionais, mas variáveis regulatórias internas que ajudam na tomada de decisão. Para situar melhor essa nova configuração, é vital recuperar alguns aspectos históricos das teorias da motivação (COSMIDES; TOOBY, 2013). 5.1 Teorias da motivação A motivação leva as pessoas a realizarem tarefas com empenho, vigor e atenção. Contudo, o nível de motivação varia de pessoa para pessoa, pois é influenciado por fatores internos e externos. Para as organizações, entender como motivar seus funcionários é importante, pois dependem deles para alcançar metas e objetivos. Portanto, a motivação é considerada uma estratégia organizacional para manter os indivíduos satisfeitos, motivados e felizes em suas atividades. A motivação como um desejo interno de satisfazer uma necessidade. Em uma organização, a motivação está relacionada ao alcance dos objetivos organizacionais. Cada indivíduo age com a intenção de atender suas necessidades e desejos específicos. O processo de motivação leva os funcionários da necessidade ao comportamento, à consequência e à satisfação ou insatisfação. Certos comportamentos dos colaboradores numa organização podem indicar motivação ou desmotivação. Assim, a motivação é inferida pelos comportamentos observáveis dos trabalhadores. Os níveis de motivação dos colaboradores refletem- 34 se no desempenho, seja ele bom ou ruim. Manter os funcionários motivados é essencial para que alcancem altos padrões de desempenho, ajudando as organizações a atingirem seus objetivos e metas. A motivação afeta diretamente o desempenho, pois um funcionário motivado se esforçará mais do que um desmotivado para realizar um bom trabalho. Chiavenato (2010) afirma que a teoria de Maslow é a mais conhecida entre as teorias de motivação. Segundo essa teoria, existe uma hierarquia de cinco necessidades humanas: • Necessidades fisiológicas: necessidades básicas de sobrevivência biológica; • Necessidades de segurança: busca por estabilidade e proteção; • Necessidades sociais: envolvem amor, pertencimento e relacionamento humano; • Necessidades de estima: fatores internos e externos de estima; • Necessidades de autorrealização: impulso para ser aquilo que se é capaz de ser e maximizar as aptidões e competências. Assim, pode-se observar que as necessidades estão organizadas em uma ordem hierárquica e são ilimitadas, pois, à medida que uma necessidade é satisfeita, surgem novas. Embora a teoria de Maslow seja aceita por administradores devido à sua simplicidade, ela carece de sustentação empírica, pois não apresenta mensurações claras de seus conceitos. No entanto, é um dos modelos pioneiros sobre a motivação. Outro modelo é a Teoria dos Dois Fatores, proposta por Frederick Herzberg, conhecida também como teoria dos fatores higiênicos e motivacionais, ou teoria da higiene-motivação A Teoria dos Fatores Higiênicos refere-se às condições que cercam o funcionário enquanto trabalha, como