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Diretrizes WSAVA 2022 Dor Animal

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Questões resolvidas

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Diretrizes da WSAVA de 2022 para reconhecimento, 
avaliação e tratamento de dor 
AUTORES: 
B. P. Monteiro 1,*, B. D. X. LasceLLes †, J. MurreLL ‡, S. Robertson §, P. V. M. Steagall ¶,** e 
B. Wright║ 
*Departamento de Ciências Clínicas, Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Montréal, 3200 rue Sicotte, Saint-Hyacinthe, Quebec, Canadá 
†Seção Laboratorial e Cirúrgica de Pesquisa Comparativa em Dor, Universidade do Estado da Carolina do Norte, 4700 Hillsborough Street, Raleigh, NC, EUA 
‡Highcroft Veterinary Referrals, 615 Wells Rd, Whitchurch, Bristol, BS149BE, Reino Unido 
§Diretor Médico Sênior, Lap of Love Veterinary Hospice, 17804 N US Highway 41, Lutz, FL 33549, EUA 
¶ Departamento de Ciências Clínicas, Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Montréal, 3200 rue Sicotte, Saint- Hyacinthe, 
Quebec, Canadá 
║Mistral Vet, 4450 Thompson Pkwy, Fort Collins, CO 80534, EUA 
**Departamento de Ciências Clínicas Veterinárias e Centro de Saúde e Bem-Estar de Animais de Companhia, Faculdade de Medicina Veterinária e de Ciências da 
Vida, Universidade da Cidade de Hong Kong, Hong Kong, Hong Kong S.A.R. 
E-mail do autor correspondente: beatrizpmonteiro@gmail.com 
 
 
Senciência animal se refere à capacidade dos animais de sentirem emoções tanto positivas quanto 
negativas, inclusive dor. Como profissionais de saúde veterinária, temos o dever médico e ético 
de mitigar o sofrimento da dor o máximo que pudermos. Em 2014, foram publicadas as primeiras 
Diretrizes para Reconhecimento, Avaliação e Tratamento da Dor do Conselho de Dor da 
Associação Mundial de Veterinários de Pequenos Animais (WSAVA) as quais continuam sendo até 
hoje um dos documentos mais importantes e mais divulgados deste tipo. As Diretrizes Mundiais de 
Manejo da Dor da WSAVA de 2022 evoluiram em relação ao primeiro documento com informações 
científicas atualizadas que refletem os grandes avanços na medicina da dor veterinária nos 
últimos 10 anos. Este documento se destina a oferecer ao usuário fundamentos essenciais de fácil 
implementação do reconhecimento e tratamento bem sucedido da dor no contexto da prática 
clínica cotidiana de pequenos animais. São fornecidas informações básicas e práticas com uma 
extensiva lista de referências para orientar aqueles que desejam ampliar seus conhecimentos 
sobre manejo da dor. As Diretrizes Mundiais para Manejo da Dor publicadas pela WSAVA em 2022 
devem ser facilmente implementadas independentemente do ambiente e/ou localização da 
clínica para promoção e avanço do tratamento da dor e do bem-estar dos animais. 
 
Journal of Small Animal Practice • © 2022 British Small Animal Veterinary Association 1 
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A traduçao deste documento do inglês para o português foi gentilmente feita pela 
Zoetis Brasil e revisada pela Ana Reisinho, de Portugal. 
 
 
https://orcid.org/0000-0002-5722-5687
https://orcid.org/0000-0002-2950-9009
https://orcid.org/0000-0003-0456-5159
https://orcid.org/0000-0002-4471-5687
https://orcid.org/0000-0003-4150-6043
mailto:beatrizpmonteiro@gmail.com
B. P. Monteiro et al. 
 
 
 INTRODUÇÃO 
 
A capacidade de sentir dor é universalmente compartilhada por todos os mamíferos e outros vertebrados, incluindo peixes, aves, 
répteis e anfíbios. Observações fisiológicas e comportamentais mostram que os animais experimentam o aspecto sensorial da dor, 
mas também o desconforto, a aversão e as emoções negativas associadas a essa experiência. Senciência animal refere-se à capacidade 
dos animais de sentir emoções positivas e negativas e é observada por animais que buscam prazer e evitam o sofrimento. A senciência 
animal é agora legalmente reconhecida em vários países e jurisdições. 
 
Como profissionais de saúde veterinária, temos a obrigação moral e ética de mitigar o sofrimento causado pela dor tanto quanto 
pudermos. A despeito de avanços no reconhecimento e tratamento da dor, ainda há um hiato entre sua ocorrência e seu tratamento 
bem sucedido. Este problema certamente seria beneficiado pelo desenvolvimento, ampla disseminação e adoção de diretrizes de 
avaliação e manejo da dor. A Associação Mundial de Veterinários de Pequenos Animais (WSAVA) é a voz mundial da equipe de 
saúde veterinária de pequenos animais com uma longa e bem sucedida história de desenvolvimento de diretrizes globais para 
reconhecimento, diagnóstico e/ou tratamento de enfermidades/doenças comuns dos pequenos animais de relevância global. O 
Conselho Global de Dor (Global Pain Council - GPC) é um dos comitês da WSAVA encarregados de desenvolver diretrizes de 
manejo da dor de relevância universal, considerando diferenças regionais de atitudes, educação e modalidades analgésicas disponíveis. 
Precisamente, a missão do GPC é “Conscientizar e mobilizar o mundo com base no conhecimento de que todos os animais são sencientes e podem, 
portanto, sentir dor e sofrer por isso. O GPC busca elevar o nível de confiança e competência no reconhecimento e manejo da dor em pequenos animais.” Em 
2014, as primeiras Diretrizes da WSAVA para Reconhecimento, Avaliação e Tratamento da Dor (“Diretrizes Mundiais de Manejo da 
Dor”) foram publicadas e permanecem sendo até hoje um dos documentos mais relevantes e divulgados de seu tipo, com um 
impressionante número de citações e downloads. As Diretrizes Mundiais de Manejo da Dor da WSAVA de 2022 constituem uma 
evolução em relação ao primeiro documento com informações científicas atualizadas que refletem os principais avanços na medicina 
veterinária dos últimos 10 anos. Elas também complementam o leque de outras Diretrizes da WSAVA disponíveis para ajudar a 
elevar os padrões dos cuidados veterinários em todo o mundo (acesse https://wsava.org/global-guidelines/). 
 
Uso deste documento 
Este documento tem como objetivo fornecer ao usuário fundamentos básicos, fáceis de implementar, para o reconhecimento e 
tratamento bem sucedidos da dor no contexto da prática clínica cotidiana de pequenos animais. Este documento não se destina a ser 
usado como texto exaustivo sobre o assunto, mas sim fornecer informações básicas e práticas com uma extensiva lista de referências 
para orientar aqueles que desejam ampliar seus conhecimentos sobre manejo da dor. Também estão disponíveis materiais adicionais no 
site da WSAVA na Internet (https://wsava.org/committees/global-pain-council/). Não há limitações geográficas para a ocorrência 
da dor, nem para a capacidade de reconhecê-la. Os únicos fatores limitadores são a conscientização, educação e compromisso de 
incluir a avaliação da dor em todos os exames físicos. Assim sendo, as Diretrizes Mundiais de Manejo da Dor da WSAVA de 2022 
devem ser facilmente implementadas, independentemente do ambiente e/ou localização da clínica. Reconhecemos que existem 
diferenças regionais na disponibilidade de analgésicos e no ambiente regulatório/legislativo que governa o uso dos mesmos. Isto 
representa um grande obstáculo para o manejo ideal da dor em várias regiões do mundo, independentemente da capacidade de 
diagnosticá-la. Na seção de tratamento destas diretrizes, estas questões são levadas em consideração através do fornecimento de 
protocolos de manejo “diferenciados” a partir de modalidades abrangentes de manejo da dor, que representam o atual “estado da 
arte”, seguidos por protocolos alternativos que podem ser considerados quando da existência de restrições regulatórias referentes a 
produtosanalgésicos. Também deve-se reconhecer que, em algumas situações, a eutanásia pode ser a única opção moral ou ética 
(consequentemente viável) de tratamento disponível. 
Este documento apresenta somente diretrizes, sendo que as decisões clínicas são tomadas com base em cada paciente individual. 
As informações descritas aqui são, em sua maioria, baseadas em evidências, fornecendo suas respectivas referências. Quando não há 
evidência científica disponível para um determinado assunto, as informações refletem um consenso coletivo. Ao longo destas 
diretrizes, são utilizadas diversas abreviações e termos. Recomendamos que os leitores consultem o final deste documento e o 
apêndice incluído. 
Estas diretrizes são baseadas nas seguintes premissas: 
 
• Dor é uma doença que pode ser reconhecida e tratada efetivamente na maioria dos casos 
• Dor é o quarto sinal vital e deve ser incorporada na avaliação TPR (temperatura, pulso, respiração) de todos os pacientes 
• Analgesia preventiva e multimodal deve sempre ser considerada 
• Dor perioperatória pode se prolongar por vários dias e deve ser tratada de acordo; incluir manejo da dor no “ambiente domiciliar” 
• A percepção de dor é influenciada por diversos fatores internos e externos, incluindo o ambiente social e físico 
• O tratamento da dor deve sempre incluir terapias farmacológicas e não farmacológicas 
 
 
 
 
 
 
 
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 (aguda) 
Tabela 1. Diferenças entre dor adaptativa (aguda) e mal adaptativa (crônica) 
2022 WSAVA Global Pain Management Guidelines 
 
 
 
 SEÇÃO 1 
 
1.1 O que é dor 
Dor é uma experiência multidimensional complexa, envolvendo componentes sensoriais e emocionais. Em outras palavras, “dor não 
é apenas o que se sente, mas como ela nos faz sentir” e são aqueles sentimentos desagradáveis que causam o sofrimento que associamos à 
dor. A definição oficial de dor de acordo com a Associação Internacional para Estudo da Dor (IASP) é: “Uma experiência sensitiva e 
emocional associada, ou semelhante àquela associada, a uma lesão tecidual real ou potencial” (IASP n.d.-a). Ela reconhece que a “incapacidade de a 
comunicar não exclui a possibilidade de um humano ou animal não humano sentir dor.” Dor é uma experiência individual exclusiva, o que torna 
difícil compreender como a pessoa se sente (IASP n.d.-a). A experiência consciente da dor é uma emoção subjetiva, que pode ser 
vivenciada mesmo na ausência de um estímulo nocivo óbvio, e que pode ser modificada pelo medo, ansiedade, memória e estresse. 
Em pacientes não verbais, incluindo os animais, utilizamos sinais comportamentais como a espinha dorsal do reconhecimento e 
avaliação da dor. Nosso conhecimento sobe a gravidade esperada e a causa da dor orienta o manejo clínico. 
A dor é geralmente classificada como aguda ou crônica. Arbitrariamente, dor de mais de 3 meses de duração é considerada crônica. 
Contudo, não há nada que mude subitamente após 3 meses para criar dor “crônica”. Os fatores mecânicos da dor se modificam em 
um contínuo, desde dor nociceptiva aguda até estados de dor patológica. A extensão destas mudanças depende tanto da duração 
quanto da intensidade e tipo da dor e são afetadas por vários outros fatores. O tempo durante o qual a dor está presente é considerado 
um importante fator contribuinte para o estado geral da dor; portanto, a palavra “crônica” ainda pode ser usada para denotar um 
estado de dor no qual as rotas sensoriais são patologicamente alteradas. Os termos dor “aguda” e “adaptativa” e dor “crônica”, “mal 
adaptativa” e “patológica” são usados de forma intercambiável neste documento. Diferenças entre estes fenômenos são descritas na 
Tabela 1. 
“Dor inflamatória” geralmente se inclui na descrição de “dor aguda/ adaptativa”, mas pode obviamente estar presente em condições 
de dor duradoura (crônica). Dor de duração mais longa resulta em alterações na transmissão nociceptiva em múltiplos níveis, 
coletivamente denominada “algoplasticidade”. Essas alterações facilitam e amplificam a dor e podem ser condutoras de dor, 
independente de qualquer contribuição periférica (p.ex., dor do membro fantasma). Estas alterações resultam em uma desconexão 
progressiva entre a lesão periférica e a dor percebida e, como tal, são geralmente descritas como dor “mal adaptativa” ou “patológica”. 
Este tipo de dor possui efeitos prejudiciais acumulativos em múltiplas dimensões (fisiológica, sensorial, afetiva, cognitiva, 
comportamental e sociocultural) (McGuire 1992), incluindo um grande impacto negativo para o aspecto psicológico daquele que 
sente a dor. Dor duradoura (crônica/ mal adaptativa/ patológica) pode ser considerada como um estado de doença em si ou própria 
(Woolf 2010). As abordagens de manejo devem refletir os diferentes perfis neurobiológicos. No geral, a terapia de dor aguda é 
direcionada ao tratamento da causa subjacente e à interrupção dos sinais nociceptivos em diferentes níveis ao longo do sistema 
nervoso. As abordagens de tratamento para dor duradoura são tanto focados na interrupção do estímulo nociceptivo da periferia , 
quanto na reversão das alterações patológicas e dos efeitos negativos globais que a dor tenha causado no corpo. Além disso, “dor 
disfuncional” e “dor neuropática” são consideradas formas de dor crônica/ mal adaptativa/ patológica, e, em algumas publicações, 
a “dor oncológica” é considerada como uma entidade de dor patológica distinta. “Dor mista” é um termo usado para refletir o fato 
de que condições clínicas de dor, principalmente condições duradouras, têm componentes dos diferentes tipos de dor – p.ex., dor 
inflamatória, disfuncional e neuropática ocorrem todas na osteoartrite (OA) estabelecida. 
 
 
1.2 Fisiologia e fisiopatologia da dor 
Dor é uma emoção subjetiva, que pode ser sentida mesmo na ausência de estimulação nociva óbvia, e que pode ser intensificada ou 
eliminada através de uma ampla gama de experiências comportamentais, incluindo medo e memória (Fig 1). Dor fisiológica 
“adaptativa” anuncia a presença de um estímulo potencialmente prejudicial e, portanto, tem uma função essencial de proteção. 
 
 
 
 
Características • Associada a danos teciduais potenciais ou reais 
• Finalidade: alterar rapidamente o comportamento do 
animal para evitar ou minimizar danos e otimizar as 
condições em que a cicatrização pode ocorrer 
• Varia em gravidade e é proporcional ao grau de dano 
tecidual 
• Autolimitante: diminui com a cicatrização e cessa quando a 
cicatrização está concluída 
Exemplos • Procedimentos cirúrgicos 
• Trauma (cortes, ferimentos, fraturas) 
• Doenças de manifestação aguda (p.ex., pancreatite) 
Comentários • Geralmente considerada com uma função de proteção. Contudo, 
no contexto de intervenções cirúrgicas ou terapêuticas 
controladas, esta função de proteção não é necessária 
• Os mecanismos que produzem a dor aguda tendem a refletir 
o sistema fisiológico normal de transmissão da dor e, em 
geral, a dor aguda é mais fácil de tratar do que a dor 
duradoura (crônica) 
• Às vezes pode ser chamada de dor fisiológica e pode 
envolver inflamação 
 
• Persiste além do curso esperado da doença aguda 
• Não associada a cicatrização 
• Sem desfecho claro 
• Associada a condições de doenças recorrentes e duradouras 
• Pode existir sem uma causa 
• Tem pouca ou nenhuma função biológica 
 
 
• Osteoartrite 
• Câncer 
• Doença periodontal 
• Dor pós-cirúrgica persistente indicador cirúrgica aguda que 
se torna crônica 
• Pacientes com dor crônica podem apresentar episódios de dor 
aguda (ou seja, “aguda na crônica” ou “ataque de dor”) 
• Às vezes chamada de dor patológica 
 
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(μm) Velocidade de Condução Fibra 
Tabela 2. As fibras aferentes primárias podem ser divididas em três tipos com base em sua estrutura, diâmetro e 
velocidade de condução 
B. P. Monteiro et al. 
 
 
FIG 1. A dor é influenciada por interações complexas entre vários fatores internos e externos. Estas influências podem resultar em maior ou menor 
percepção da dor. Figura modificada de Monteiro et al. (2020) 
 
 
 
 
Aβ • Grandes fibras mielinizadas e de condução rápida envolvidas no estímulo mecânico 
de limiar baixo (p.ex., toque) 
Aδ • Fibras levemente mielinizadas e de condução lenta envolvidas principalmente 
na sinalização nociceptiva 
• Contribuem para a rápida “pontada” da resposta da dor aguda e funciona 
basicamente como um alerta, resultando em rápida suspensão do estímulo (ou seja, 
dor rápida) 
C • Fibras não mielinizadas e de condução muito lenta envolvidas principalmente na 
sinalização nociceptiva 
• Ativadas por estímulos mecânicos, químicos e térmicos intensos contribuindo para 
a sensação de dor de “queimadura lenta” (ou seja, dor lenta) 
• Uma população de fibras C denominada nociceptores “silenciosos” pode ser 
ativada durante uma inflamação ou danos teciduais e reflete uma da mudanças 
na sensibilização periférica 
Adaptada de Monteiro & Simon 2022 
Mais de 10 de 30 a 100 
 
de 2,0 a 6,0 de 12 a 30 
 
 
 
de 0,4 a 1,2 de 0,5 a 2,0 
 
Em compensação, dor patológica ou mal adaptativa representa mau funcionamento dos mecanismos da dor e não tem finalidade 
fisiológica, levando a síndromes crônicas, nas quais a dor em si pode se tornar a doença principal. A percepção da dor representa o 
produto final de um sistema de processamento de informações neurológicas complexas, resultando da interação de mecanismos 
facilitadores e inibidores por todo o sistema nervoso central (SNC) e periférico. 
A experiência consciente da dor aguda resultante de um estímulo nocivo é mediada por um sistema sensorial nociceptivo de limiar 
alto. A neuroanatomia básica deste sistema é analisada em outro texto (Usunoff et al. 2006). Nociceptores são terminações nervosas 
livres (fibras aferentes/ sensoriais primárias) com seus corpos celulares localizados na raiz dorsal e nos gânglios trigeminais. As fibras 
nervosas aferentes primárias, que transmitem as informações destas terminações nervosas livres até sua localização central, consistem 
de dois tipos principais: fibras C e fibras Aδ (Tabela 2). Dentro destas duas grandes categorias estão várias subcategorias baseadas 
nos exatos receptores que elas expressam. Após o dano tecidual, ocorrem alterações nas propriedades dos nociceptores de forma 
que as fibras Aβ, que normalmente não estão associadas à nocicepção, também podem transmitir “informação de dor” (ou seja, dor 
mal adaptativa). A estimulação nociva contínua resulta na ativação das fibras C, cuja extensão depende da gravidade da lesão. 
As fibras aferentes primárias, que transportam as informações sensoriais dos nociceptores, fazem sinapse no corno dorsal da 
medula espinhal nos neurônios de segunda ordem. Dalí, a informação (a “mensagem nociceptiva”) é projetada para vários centros 
mais superiores. Várias rotas medular-tronco encefálico-medular são ativadas simultaneamente quando ocorre um estímulo nocivo, 
proporcionando ciclos de feedback positivo e negativo através dos quais a informação referente ao estímulo nocivo pode ser 
amplificada (facilitação da dor) ou diminuída (inibição da dor). O córtex cerebral é a sede da experiência consciente da dor (ou seja, 
percepção). Ele exerce controle de cima para baixo (p.ex., enviando sinais para baixo, na medula espinhal), modulando a sensação de 
dor. Isto é conhecido como controle inibitório nocivo descendente. Em outras palavras, a informação nociceptiva vinda da periferia 
para a medula espinhal é modulada (amplificada/ facilitada ou diminuída/ inibida) localmente, mas também por sinais que vêm do 
córtex cerebral antes de a informação ser enviada ao córtex cerebral e ser percebida como “dor”. Considera-se que a dor consiste de 
três componentes principais: um componente sensorial-discriminativo (temporal, espacial, térmico/ mecânico), um componente afetivo 
(subjetivo e emocional, descrevendo associação ao medo, tensão e respostas autônomas) e um componente avaliativo, que descreve 
a magnitude da qualidade (p.ex., lancinante/ palpitante; leve/ severa). Indubitavelmente, a experiência de dor de um animal possui 
estes três componentes; contudo, nossa tendência é focar somente na intensidade da dor. 
 
4 Journal of Small Animal Practice • © 2022 British Small Animal Veterinary Association 
Ambiente 
físico e 
social 
Estado 
emocional 
Função 
cognitiva 
Experiências 
anteriores 
Neurobio-
logia 
Dor 
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2022 WSAVA Global Pain Management Guidelines 
 
 
Tabela 3. Tipos de dor 
Descrição Mecanismos relevantes 
Dor inflamatória • Dor pós-operatória aguda até a cicatrização da ferida 
• De início rápido. Em geral, sua intensidade e duração estão 
diretamente relacionadas à gravidade e duração do dano 
tecidual 
• Resulta da atividade de células inflamatórias e imunes, e 
dos produtos do dano tecidual 
 
 
 
 
 
Dor neuropática • Causada ou iniciada por uma lesão, ferimento ou disfunção 
primária no sistema nervoso periférico ou no SNC 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dor disfuncional • Um estado em que o sistema nervoso é basicamente normal (ou 
seja, não há danos físicos), mas o funcionamento do SNC é anormal 
• Conhecida como dor funcional ou disfuncional 
 
 
 
 
 
 
SCN Sistema nervoso central, SNP Sistema nervoso periférico 
• Alterações no sistema nociceptivo são geralmente reversíveis 
(ou seja, a sensibilidade normal do sistema é restaurada). 
Porém, se o insulto nocivo foi severo, ou se persistir um foco 
de inflamação contínua, então a dor persistirá 
• Informação nociva de maior duração e/ou maior intensidade 
para o sistema de detecção da dor resulta, 
progressivamente, em maiores alterações na função do 
sistema de transmissão da dor. 
Estas alterações não envolvem apenas os neurônios, mas as 
células de apoio (p.ex., glia) e células imunes/ inflamatórias 
(Fig 3). Isto resulta em dor patológica, ou mal adaptativa 
• Relacionada a uma infinidade de alterações no SNP, medula 
espinhal, tronco cerebral e cérebro à medida que os nervos 
danificados se ativam espontaneamente e desenvolvem 
hiper-responsividade a estímulos tanto inflamatórios quanto 
normalmente inócuos (Woolf 2010) 
• Os sistemas endógenos que normalmente controlam a dor 
são menos funcionais 
• Em humanos, dor de membro fantasma pós-amputação e 
neuropatia pós-herpética são exemplos de dorneuropática, 
que é a principal causa de dor pós-operatória em longo 
prazo (Kehlet et al. 2006) 
• Não há muita informação descrita na literatura veterinária 
provavelmente porque a definição de dor neuropática em 
humanos se baseia amplamente em descrições da qualidade 
da dor (p.ex., ardente, lancinante, dormente) 
• O processamento central anormal resulta de informações 
repetidas ao SNC, causando plasticidade do sistema nervoso 
[alterações nos neurônios e na forma com que os elementos de 
apoio (p.ex., glia) se comunicam com os neurônios] com 
consequente amplificação e facilitação do processamento de 
informação nociceptiva 
• Assim como na dor neuropática, a inibição descendente pode 
ser anormal 
 
 
 
Dor clínica 
Dor clínica resulta de um sistema de transmissão de dor alterado – seja por alterações adaptativas ou por alterações patológicas/ mal 
adaptativas (Adrian et al. 2017). O tratamento efetivo da dor se baseia no conhecimento destas alterações – os condutores 
neurobiológicos da dor. Para ajudar nisto, a dor adaptativa foi subclassificada como nociceptiva ou inflamatória, e a dor mal adaptativa 
como funcional ou neuropática (Tabela 3, Figuras 2 e 3) (Woolf 2010). Embora úteis, devemos nos lembrar de que a maioria das 
condições de dor clínica reflete uma mescla destes tipos de dor – p.ex., os tipos inflamatório e patológico de dor ocorrem 
simultaneamente na OA. 
O sistema sensorial nociceptivo é um sistema inerentemente plástico e, quando ocorre lesão ou inflamação no tecido, a 
sensibilidade de uma região lesionada é intensificada de forma que tanto estímulos nocivos quanto por vezes também estímulos 
normalmente inócuos, são percebidos como dolorosos. As marcas registradas clínicas da sensibilização do sistema nociceptivo são 
hiperalgesia e alodinia. Hiperalgesia é uma resposta exagerada e prolongada a um estímulo nocivo, enquanto a alodinia é uma resposta 
dolorosa a um estímulo de baixa intensidade e normalmente inócuo, como o toque delicado ou leve pressão na pele. Hiperalgesia e 
alodinia são uma consequência da sensibilização periférica e central. Sensibilização periférica é o resultado de alterações no ambiente que 
envolve as terminações nociceptivas secundárias à lesão ou inflamação tecidual. Mediadores inflamatórios e neurotransmissores são 
liberados pelas células danificadas que, ou ativam diretamente os nociceptores, ou sensibilizam as terminações nervosas. Isto resulta 
em alterações duradouras nas propriedades funcionais dos nociceptores periféricos. Os nervos sensibilizados e ativados também 
desempenham um papel na inflamação local, através de um fenômeno denominado inflamação neurogênica. Coletivamente, todas 
estas alterações resultam no que chamamos de “sensibilização periférica” (Fig 4). 
Trauma e inflamação também podem suprarregular a transmissão nociceptiva. A manutenção dos estímulos nocivos na medula 
espinhal e centros superiores resulta em alterações progressivas nos mecanismos da dor e sistemas analgésicos endógenos, e na 
consequente facilitação e amplificação desses sinais. O termo “sensibilização central” descreve alterações na medula espinhal, mas 
também mudanças nos níveis supraespinhais, como redução da atividade dos controles inibitórios nocivos descendentes, incluindo 
os sistemas analgésicos endógenos (Fig 5). Sensibilização central pode ocorrer como resultado de cirurgia (Lascelles et al. 1998), mas 
há uma probabilidade maior de ocorrer em condições dolorosas duradouras, nas quais há aporte prolongado de sinais nocivos no 
SNC [p.ex., cães (Knazovicky et al. 2016) e gatos (Monteiro et al. 2020) com OA/doença articular degenerativa (DAD), ou cães com 
dor neuropática crônica (Ruel et al. 2020)]. 
 
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B. P. Monteiro et al. 
 
 
 
 
 
FIG 2. Ilustração esquemática da dor adaptativa. Na dor nociceptiva, um estímulo nocivo (esfera vermelha) ativa os neurônios aferentes primários de limiar alto (linhas 
vermelhas/ amarelas). A mensagem nociceptiva é transmitida para os neurônios de segunda ordem no corno dorsal da medula espinhal e então para o cérebro através dos 
tratos ascendentes na medula espinhal (seta vermelha), onde é interpretado como um alerta de dano tecidual real ou potencial. Controles inibitórios descendentes (linha 
verde) da parte superior do cérebro modulam a mensagem nociceptiva na medula espinhal antes da percepção consciente no córtex cerebral. Na dor inflamatória, danos 
teciduais locais resultam em liberação de mediadores inflamatórios que, ou sensibilizam os nervos sensoriais, ou estimulam-nos diretamente, resultando em uma diminuição 
dos limiares nos nervos sensoriais e na geração de sinais nociceptivos. Da mesma forma, estes sinais são transmitidos pelos neurônios aferentes (linha vermelha) através da 
medula espinhal até o cérebro (seta vermelha). Controles inibitórios descendentes (linha verde) podem modular a mensagem nociceptiva no nível da medula espinhal. A 
maior sensibilidade na periferia, associada à dor inflamatória após dano tecidual, promove proteção da área, permitindo que a mesma cicatrize. Figura reproduzida de 
Adrian et al. (2017) 
 
 
 
 
FIG 3. Ilustração esquemática da dor mal adaptativa. Na dor neuropática, danos físicos aos tecidos do sistema nervoso (círculo amarelo) resultam na ativação anormal de 
neurônios sensoriais que se tornam ativados em resposta a estímulos anteriormente subliminares (círculo azul). A rota subsequente, semelhante à da dor "adaptativa" exceto 
pelo fato de as alterações (plasticidade do sistema nervoso) ocorrerem no nível do gânglio da raiz dorsal e do corno dorsal da medula espinhal, acaba resultando em 
amplificação e facilitação dos sinais nociceptivos. Além disso, os controles inibitórios descendentes, menos efetivos (linha verde tracejada), facilitam, uma vez mais, os 
sinais que estão sendo transmitidos da periferia para os centros mais superiores. Hiperalgesia e alodinia ocorrem em consequência destas alterações. Pode ocorrer dor 
espontânea devido à atividade anormal no sistema nervoso (p.ex., gerada no local da lesão do sistema nervoso). Na dor funcional, o sistema nervoso é basicamente normal, 
porém seu funcionamento é anormal. Este processamento central anormal é resultante da inserção repetida de informações no sis tema, causando plasticidade do sistema 
nervoso [alterações nos neurônios e alterações na forma com que os elementos de apoio (p.ex., microglia) se comunicam com os neurônios] e consequentemente 
amplificação e facilitação da informação nociceptiva. Sob estas condições, um estímulo nociceptivo (círculo azul) ativa um nociceptor fisicamente normal (linha vermelha), 
mas o processamento central anormal na medula espinhal ou no cérebro (inserto) resulta no estímulo que é interpretado como doloroso. Assim como na dor neuropática, os 
controles inibitórios descendentes podem apresentar mau funcionamento (linha verde tracejada) e hiperalgesia, alodinia, podendo ocorrer dor espontânea. Figura 
reproduzida de Adrian et al. (2017) 
 
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Dor Adaptativa 
Estímulos nocivos (p.ex., Calor) 
Estímulo normal de limiar baixo 
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Neurônio sensorial 
nociceptor 
Sistema de alerta 
inicial 
Inflamação e Dano 
tecidual 
Dor adaptativa 
de limiar alto 
PROTETORA 
A sensibilidade 
promove a reparação 
Dano tecidual 
Dor Mal Adaptativa 
Dor neuropática 
Dor funcional 
Dor mal adaptativa de 
limiar baixo 
Hipersensibilidade 
e Alodinia 
Estado doente do 
sistema nervoso 
Sistema nervoso fisicamente normal 
Processamento central (medula 
espinhal ou cérebro) anormal 
Dano estrutural no sistema nervoso 
(p.ex., dano nos nervos periféricos) 
Lesão neural 
(p.ex., dano, 
tumor) 
Processamento central (medula 
espinhal ou cérebro) anormal 
Neurônio sensorial 
nociceptor 
2022 WSAVA Global Pain Management Guidelines 
 
 
FIG 4. A sensibilização periférica resulta em maior sensibilidade ao redor do local da lesão. Os pacientes afetados podem apresentar sinais de hiperalgesia e 
alodinia. Adaptado de Monteiro & Simon (2022). PGs Prostaglandinas, NGF Fator de crescimento nervoso 
 
FIG 5. A constante informação nociva (sinal elétrico), da periferia para a medula espinhal, resulta em sensibilização central. Sensibilização central é o 
resultado da maior facilitação da dor e da menor inibição da dor. Neuroplasticidade e interações neuroimunes também contribuem para este fenômeno 
 
 
1.3 Ética e bem-estar animal 
Ética no manejo da dor 
Os profissionais veterinários têm o dever ético e médico de tratar a dor dos animais (Steagall et al. 2021). O dever ético está relacionado 
ao fato de a dor causar sofrimento, e a “prevenção e alívio do sofrimento” geralmente fazem parte do Juramento do Veterinário. De fato, 
a Ética Médica Veterinária se refere à necessidade destes profissionais prevenirem, diagnosticarem e tratarem a dor (AVMA 2019). 
O dever médico está relacionado ao fato de que a dor é um problema médico que leva a consequências fisiológicas indesejadas, como 
ativação do sistema nervoso simpático, imunossupressão, alterações metabólicas, atraso na cicatrização, aumento da morbidade e 
efeitos na progressão da doença, entre outras alterações. Os veterinários devem tomar decisões livres de influências externas, baseadas 
nas responsabilidades éticas e médicas para com os pacientes, e abster-se de causar sofrimento (Beauchamp 2016, Steagall et al. 2021). 
Ética no manejo da dor é o resultado de uma interação complexa, envolvendo normas culturais e sociais, e a tríplice relação entre o 
animal, o veterinário, e o cliente. Há um custo financeiro para o uso de analgésicos. O GPC-WSAVA se opõe veementemente a dar 
ao cliente a opção de declinar ao uso de analgésicos. 
Dilemas éticos comuns no manejo da dor em pequenos animais incluem onicectomia em gatos e cirurgias estéticas em cães (p.ex., 
cortar as orelhas ou a cauda). Estes procedimentos são raramente justificáveis de um ponto de vista médico e podem resultar em dor 
pós-operatória persistente (Monteiro & Steagall 2019b). Outro conflito ético está relacionado a intervenções dolorosas desnecessárias 
ou fúteis. Com o avanço da medicina veterinária e a referência para especialistas em instalações de ponta, a disposição dos clientes a 
pagar por cuidados veterinários poderia resultar na realização de procedimentos invasivos dolorosos ou “excesso de tratamento”, 
que somente prolonga a vida de um animal, mas sem qualquer benefício para sua verdadeira qualidade de vida (QdV), levando a um 
sofrimento contínuo (Clutton 2017). 
A ferramenta Veterinary Ethics Tool (VET) auxilia na tomada de decisão sobre o tratamento clínico de animais de companhia 
com base em respostas a perguntas relacionadas com o cuidador, o paciente e o médico (Grimm et al. 2018). Finalmente, com base 
no princípio ético de abolir a dor e o sofrimento de um animal, a eutanásia deve sempre ser considerada em casos em que a dor não 
pode ser controlada efetivamente e quando a QdV é insatisfatória. 
 
Manejo da dor e bem-estar animal 
Embora existam várias definições, bem-estar animal pode ser considerado como “um estado de plena saúde mental e física, onde o animal 
está em harmonia com seu ambiente” (Hughes 1976). Isto abrange um espectro que vai desde bom até mau, e tudo o que se encontra entre 
estes. A atual ciência do bem-estar animal se concentra em garantir que os animais tenham uma boa vida. Há uma proposta que 
afirma a existência de cinco domínios que influenciam o bem-estar animal (nutrição, ambiente, saúde, comportamento e estado 
mental), sendo dada maior importância à promoção de estados mentais positivos (afetivos) (Mellor et al. 2020). Dor é sempre 
desagradável e pode influenciar negativamente estes cinco domínios (p.ex., diminuição do apetite e das interações sociais)(Fig. 6). 
 
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Dano tecidual Inflamação Liberação de mediadores 
inflamatórios (p.ex., PGs, 
NGF, interleucinas, 
bradiquinina) 
- Ativação de 
nociceptores silenciosos 
- Expansão do campo 
receptivo 
Os nociceptores 
periféricos se tornam 
sensibilizados e 
hiperexcitáveis 
Sensibilização 
periférica 
Neuroplasticidade 
Facilitação 
da dor 
Desinibição 
da dor 
Interações 
neuroimunes 
Sensibilização 
Central 
B. P. Monteiro et al. 
 
 
 
FIG 6. O modelo dos Cinco Domínios do bem-estar animal. Cada um dos quatro primeiros domínios (nutrição, ambiente, saúde e comportamento) 
podem impactar o quinto domínio (estado mental), tanto positiva quanto negativamente. A dor afeta negativamente os primeiros quatro domínios, e é 
uma emoção desagradável por natureza. Figura modificada de Mellor et al. (2020) 
 
 
À medida que a senciência animal vai se tornando mais amplamente aceita e legalmente reconhecida, a redução do sofrimento e da 
dor se torna um imperativo moral e jurídico (Beauchamp 2016). Consulte as Diretrizes de Bem-Estar Animal da WSAVA para uma 
revisão completa sobre este assunto (Ryan et al. 2019). 
A dor causa emoções negativas (p.ex., estresse, medo, ansiedade e frustração), e as emoções (tanto negativas quanto positivas) 
afetam a percepção da dor. O alívio da dor e, portanto, o bem-estar, pode ser melhorado proporcionando experiências positivas aos 
animais (prazer, conforto, satisfação, curiosidade, alegria e interações sociais positivas) (Lawrence et al. 2019). De fato, a intervenção 
psicológica positiva é utilizada em humanos no tratamento da dor mal adaptativa (Finan & Garland 2015, Hanssen et al. 2017). Existe 
a possibilidade, mesmo que não comprovada, de que, por exemplo, enriquecer o ambiente interno de gatos e proporcionar novas 
experiências positivas para cães pode ajudar a aliviar a dor. 
Deve-se observar que a terminologia referente ao bem-estar animal, QdV e QdV relacionada à saúde (QdVRS) não é 
uniformemente definida na literatura, embora todas estejam relacionadas à avaliação, por parte do observador, da experiência 
subjetiva e individual do animal em um determinado momento ou durante toda sua vida. Neste documento, bem-estar animal se 
refere ao atual estado em que o animal se encontra considerando-se seus estados físico e mental e seu relacionamento com os 
ambientes físico e social. QdV se refere a todos os aspectos da vida de um animal que tornama vida melhor ou pior para aquele 
animal (Belshaw & Yeates 2018). QdV relacionada à saúde se refere às implicações de problemas específicos de saúde na QdV. 
 
 
1.4 Reconhecimento e avaliação de dor aguda em gatos 
Dor aguda é o resultado de um evento traumático, cirúrgico, médico ou infeccioso que começa abruptamente e tem uma duração 
esperada em relação à sua gravidade. Dor aguda pode normalmente ser aliviada através da escolha correta de medicamentos 
analgésicos, mais comumente opioides, agentes anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) e técnicas de anestesia local. Quando a 
cirurgia é eletiva, são dados analgésicos antes do procedimento (analgesia preventiva). Após um trauma, o tratamento deve ser iniciado 
tão cedo quanto possível. A dor deve ser avaliada utilizando-se escalas/ sistemas de classificação/ ferramentas validadas de dor. 
Gatos que sofreram ferimentos ou foram submetidos a cirurgia devem ser monitorados atentamente, e a dor deve ser tratada 
imediatamente para prevenir que ela progrida. O tratamento deve ser continuado até que a reação inflamatória aguda diminua. O 
grau do trauma dita a intensidade e a duração da reação inflamatória. O plano de analgesia (seleção de medicamentos e intervenções 
não farmacológicas e duração do tratamento) deve ser individualizado. 
Ensaios neuroendócrinos, avaliando as concentrações de beta endorfina, catecolamina e cortisol no plasma foram associados a 
dor aguda em gatos; contudo, estes também são influenciados por outros fatores como ansiedade, estresse, medo e medicamentos 
(Cambridge et al. 2000). Exames objetivos, como pressão arterial, frequência cardíaca e frequência respiratória são influenciados pelo 
estresse e não devem servir exclusivamente de base como indicadores de dor (Quimby et al. 2011). Atualmente aceita-se que observações 
feitas por um observador que levam o comportamento, postura corporal e expressões faciais em conta, apresentam maior probabilidade de capturar a experiência 
complexa da dor em um animal. Estão disponíveis escalas de dor multidimensionais mistas para avaliação de dor pós-operatória em gatos, 
incluindo a escala multidimensional da UNESP-Botucatu para avaliação de dor felina – formulário curto (UFEPS-SF) (Belli et al. 
2021, Luna et al. 2022) (vide https://animalpain.org/en/home-en/), e a escala de dor composta de Glasgow - Felina (CMPS-Feline) 
(Reid et al. 2017) (Tabela 4). Estas ferramentas requerem interação com o paciente, o que nem sempre é possível (p.ex., gatos ferais e 
antissociais); no entanto, vários componentes destas escalas podem ser usados para avaliar estas populações. Aparentemente, todos 
os mamíferos, incluindo os gatos, exibem expressões faciais de dor, tornando as escalas de expressão facial específicas para cada 
espécie valiosas (Evangelista et al. 2021). A Feline Grimace Scale© foi desenvolvida para gatos e oferece um boa correlação com 
escalas multidimensionais compostas; é uma ferramenta válida, confiável e valiosa para a avaliação rápida de diferentes tipos de dor 
e quando a interação com um gato não é possível (Evangelista et al. 2019, 2020, Watanabe et al. 2020a) (vide 
https://www.felinegrimacescale. com/) (Fig 7). Estão disponíveis revisões completas das ferramentas atualmente existentes e suas 
aplicações clínicas, incluindo as diretrizes consensuais da Sociedade Internacional de Medicina Felina edição 2022 referente ao manejo 
de dor aguda em gatos (Steagall & Monteiro 2019, Steagall 2020, Steagall et al. 2022). 
 
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DOR 
NUTRIÇÃO AMBIENTE SAÚDE COMPORTAMENTO 
ESTADO 
MENTAL 
2022 WSAVA Global Pain Management Guidelines 
 
Tabela 4. Ferramentas utilizadas para avaliar dor aguda em gatos 
Ferramenta Tipo Condição Comentários Referências 
Feline Grimace Scale 
(FGS) † 
Expressões faciais Qualquer dor cirúrgica ou 
médica incluindo gatos 
com doença oral e os 
submetidos a extrações 
dentárias 
Foi extensivamente estudada e validada. 
Confiável quando usada por veterinários, 
estudantes de veterinária, técnicos/ 
enfermeiros veterinários e cuidadores de 
gatos. 
Consiste de cinco itens que recebem uma 
pontuação de 0 a 2. A pontuação máxima é 
10. Valor de corte para analgesia SOS: 
≥4/10‡ 
Disponível em: 
http://www.felinegrimacescale.com 
Aplicativo para telefone disponível para 
sistemas iOS e Android em inglês, francês e 
espanhol 
(Evangelista et al. 2019,2020, 
Watanabe et. al. 2020ª, 
Evangelista & Steagall 2021) 
 
Escala Unesp-Botucatu Comportamento e Qualquer dor cirúrgica ou Foi extensivamente estudada e validada em (Belli et al. 2021, Luna 
de Dor Felina expressão facial médica oito idiomas além do inglês (chinês, et al. 2022, Brondani (UFEPS-
SF)† inglês, francês, alemão, italiano, et al. 2013) 
japonês, português e espanhol) 
A versão mais recente (Formulário Curto) 
inclui quatro itens, cada um com 
pontuação de 0 a 3. A pontuação 
máxima é 12. Pontuação de corte para 
analgesia SOS: ≥4/12‡ 
Disponível em: http://www.animalpain.org 
Escala de dor composta Comportamento e Qualquer dor cirúrgica Moderadamente validada. Disponível em (Reid et al. 2017, Holden 
de Glasgow - Felinos expressões faciais ou médica inglês e espanhol. Contém 7 itens; cada et al. 2014) 
 (CMPS-Feline) um com uma faixa diferente de possíveis 
pontuações. A pontuação máxima é 20. 
Pontuação de corte para analgesia SOS: 
≥5/20‡ 
Disponível em: http://www.newmetrica.com/ 
acute-pain-measurement/ 
 
†Recomendada para uso em consultório devido a seu alto grau de evidência científica 
‡Pontuação na qual a analgesia SOS deve ser administrada 
 
FIG 7. A Feline Grimace Scale© (FGS) é uma ferramenta para avaliação de dor aguda em gatos baseada em alterações nas expressões faciais. 
Cinco unidades de ação (UA) (posição das orelhas, contração orbital, tensão no focinho, alteração nos bigodes e posição da cabeça) são 
individualmente pontuadas de 0 a 2. A pontuação total da FGS é a soma das pontuações de todas as unidades de ação. A pontuação máxima possível 
é 10. Por exemplo, o gato da esquerda pontuou 0 em todas as UAs, com uma pontuação final da FGS de 0; o gato da direita pontuou 2 em cada UA, 
somando um total de 10 pontos na FGS. Gatos cuja pontuação é de ≥4/10 provavelmente estão sentindo dor e requerem administração de 
analgesia SOS (ou seja, pontuação de corte para analgesia SOS). Está gratuitamente disponível um app para celular nos sistemas Android e iOS nos 
idiomas inglês, francês e espanhol para avaliação da dor em tempo real. Figura cortesia de Paulo Steagall 
 
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Pontuação 0 = UA ausente Pontuação 1 = UA moderadamente 
presente ou há dúvidas 
 
Pontuação 2 = UA presente 
• Orelhas voltadas para frente 
• Olhos abertos 
• Focinho relaxando (formato 
redondo) 
• Bigodes soltos e curvos 
• Cabeça acima da linha doombro 
• Orelhas ligeiramente afastadas 
• Olhos parcialmente abertos 
• Focinho ligeiramente tenso 
• Bigodes ligeiramente curvos ou 
retos 
• Cabeça alinhada com a linha do 
ombro 
• Orelhas achatadas e voltadas para 
fora 
• Olhos semicerrados 
• Focinho tenso (formato elíptico) 
• Bigodes retos e avançando para 
frente 
• Cabeça abaixo da linha dos ombros 
ou inclinada para baixo (queixo em 
direção ao peito) 
http://www.felinegrimacescale.com/
http://www.animalpain.org/
http://www.newmetrica.com/
B. P. Monteiro et al. 
 
 
Avaliação e reconhecimento prático da dor aguda 
Leva em consideração o tipo, localização anatômica e duração da cirurgia ou trauma, o ambiente, variação individual, condição clínica, 
idade e estado de saúde (Quadro 1). Um bom conhecimento do comportamento normal do gato é útil, já que mudanças de 
comportamento em relação ao normal e presença de novos comportamentos (um gato anteriormente amigável se tornando agressivo, 
escondendo-se ou tentando fugir) pode fornecer dicas úteis. Alguns gatos podem não apresentar comportamento óbvio indicativo 
de dor, especialmente na presença de humanos, outros animais ou em situações estressantes. 
 
Expressões faciais e posturas corporais 
Gatos confortáveis devem demonstrar expressões faciais, posturas e atividades normais após uma terapia analgésica bem sucedida 
(Figuras 8 e 9). Alterações nas expressões faciais e posturas faciais podem ser visíveis em gatos que estão sentindo dor (Tabela 5, Fig 
10). 
 
 
 
FIG 8. Exemplos de posturas corporais e expressões faciais normais em gatos sem dor. Figuras cortesia de Sheilah Robertson 
 
FIG 9. Comportamentos relacionados à dor são específicos às espécies. (A) Comportamento normal de um gato alongando-se depois de acordar. 
Observar um gato se alongando após uma cirurgia abdominal indica que o gato está confortável e não sente dor. Gatos com dor abdominal 
normalmente ficam em uma posição curvada (Fig 10). (B) Comportamento anormal de um cão com dor abdominal pós-operatória ("posição de 
oração"). Deve-se observar que os cães também se alongam depois de descansar, como os gatos. No entanto, neste caso, o cão não está se alongando, 
mas adotando uma posição para aliviar a dor abdominal. Essa postura também pode ser observada em cães com dor esofágica. Figuras cortesia de 
Sheilah Robertson 
 
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Quadro 1 P a s s o a p a s so d a a valiação e reconhecimento prático de dor aguda em cães e gatos 
1. Observe o animal à distância em sua gaiola/cama/canil (observe sua postura, expressões faciais, atenção à ferida, interesse 
pelo ambiente circundante, preste atenção ao tipo de vocalização ou à sua ausência; Tabela 5). Se o animal estiver 
claramente dormindo em uma posição confortável e relaxada, não o perturbe. 
2. Aproxime-se do animal calmamente e abra a gaiola/canil enquanto observa a resposta do animal. 
3. Interaja com o animal chamando pelo seu nome usando uma voz suave, acariciando e/ou brincando, enquanto observa 
a reação do animal. Se o animal não mostrar interesse em interagir, não force e dê espaço a ele. 
4. Se possível, enquanto já estiver tocando o animal, passe a mão mais próximo da área dolorida. Primeiro, tente tocá-la, e 
então aplique uma leve pressão. Pare de se aproximar, tocar ou pressionar assim que o animal demonstrar uma reação 
comportamental (p.ex., lamber os lábios, engolir, virar a cabeça em direção à sua mão, recuar, proteger, rosnar, estalar, tentar 
morder, chorar) 
5. Use uma escala de dor para pontuar o nível de dor do animal com base em suas observações. 
 
 
 
2022 WSAVA Global Pain Management Guidelines 
 
 
 
 
• Mudanças nas expressões faciais (Fig 7) 
• Mudança na postura corporal ou posição do corpo (Fig 10) 
• Redução das atividades e/ou disposição para brincar 
• Menos interesse no ambiente 
• Menos disposição para interagir 
• Diminuição do apetite 
• Marcha anormal ou transferência do peso 
• Senta-se ou deita-se em posições anormais (pode refletir 
desconforto e proteção de uma área ferida) 
• Fica quieto e se esconde 
• Sibila, rosna ou demonstra agressividade relacionada a medo 
• Atenção a uma área específica do corpo (normalmente envolvendo 
feridas cirúrgicas) 
• Comportamento de defesa 
• Para de se limpar (ou se limpa mais frequentemente em um local 
específico) 
• Balança a cauda 
• Posição encolhida e/ou abdomen tenso † 
• Dificuldade para pegar a comida e sacode mais a cabeça enquanto se 
alimenta ‡ 
• Depressão e imobilidade; parece tenso e distante do 
ambiente§ 
†Observado quando há dor abdominal devido à cirurgia ou doença 
‡Observado em gatos que sentem dor após várias extrações dentárias 
§Observado em casos de dor severa 
• Mudança na postura corporal ou posição do corpo (Fig 14) 
• Redução da atividade e/ou disposição para brincar 
• Menor interesse no ambiente 
• Menos disposição para interagir 
• Diminuição do apetite 
• Marcha anormal ou transferência do peso 
• Senta-se ou deita-se em posições anormais (pode refletir 
desconforto e proteção de uma área ferida) 
• Mudança de atitude 
• Vocalização (ganido ou choro) 
• Relutância em se movimentar 
• Atenção a uma área específica do corpo (normalmente envolvendo 
feridas cirúrgicas) 
• Reação alterada ao toque ou palpação suave em uma área dolorida 
• Adota posições para aliviar a dor abdominal, como ficar em “posição 
de oração” (Fig 14) ou estender os membros e o tronco enquanto 
deitado de lado ou de costas † 
• Depressão e imobilidade; parece tenso e distante do ambiente§ 
 
 
 
FIG 10. Exemplos de gatos demonstrando sinais de dor aguda, com alterações na postura corporal e expressões faciais. As pessoas que não 
conhecem os comportamentos relacionados à dor em gatos podem pensar, erradamente, que estes gatos estão descansando (“sono fingido”). 
Todos os gatos nestas imagens receberam analgesia SOS. (A) Gato com dor após cirurgia ortopédica com pontuação da Feline Grimace Scale© (FGS) 
de 8/10. (B) Gato com dor severa após esternotomia. Este gato estava deprimido, relutante em se movimentar e desatento ao ambiente 
circundante. A postura corporal estava tensa e a pontuação da FGS era de 8/10. (C) Gata com dor abdominal desinteressada pelo ambiente 
circundante. (D) Gata com dor pós-operatória após procedimento de ovariohisterectomia. A gata estava deprimida, relutante em se movimentar, 
desinteressada no ambiente ao seu redor. Ela se encontrava em posição encolhida, seus olhos estavam semicerrados e a cabeça baixa. Figuras (A) e (C) 
cortesia de Sheilah Robertson. Figuras (B) e (D) reproduzidas de Steagall et al. (2022) 
 
Disforia versus dor 
Debater-se, agitação e atividade contínua podem ser sinais de dor intensa em gatos. Contudo, estes sinais também podem estar 
relacionados a disforia. Este último é normalmente restrito ao período pós-operatório imediato (de 20 a 30 minutos) e está 
associado a recuperações insatisfatórias de anestesia volátil/inalatória, administração de cetamina e/ou após doses altas de opioides. 
 
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Gatos 
B. P. Monteiro et al. 
 
Para fins de diferenciação, podem-se administrar analgésicos. Uma redução nos sinais clínicos observados sugere que o paciente 
estava com dor. Agravamento dos sinais clínicos sugere que o paciente estava disfórico e que um agente de reversão farmacológica 
ou sedativos devem ser administrados. Se forem administrados antagonistas de opioides (p.ex., naloxona), os efeitos analgésicos 
também poderiam ser revertidos, sendo que o paciente deve ser atentamente monitorado em relação a sinais de dor (Steagall & 
Monteiro 2019). 
 
Quando realizar as avaliações 
Idealmente, os gatos devem ser avaliados antes da cirurgia utilizando uma das ferramentas validadas mencionadas anteriormente a 
fim de estabelecer uma linha de base (Fig 11); a atitude de um gato pode influenciar as avaliações de dor, portanto, é importante 
monitorar alterações, mais do que as próprias pontuações numéricas (Buisman et al. 2017). A presença de sedação e alguns 
medicamentos anestésicos podem interferir na avaliação durante o período pós-operatório inicial (Buisman et al. 2016); portanto, 
aguardar até que o gato esteja em posição esternal e orientado em relação ao seu entorno é provavelmente uma boa hora para 
começar. Estudos detectaram dor pós-operatória desde 30 minutos até cerca de 6 a 8 horas após ovariohisterectomias. Os gatos não 
devem ser acordados para se verificar seu status de dor; repouso e sono são bons sinais de conforto, mas é preciso ter certeza de que 
o gato está descansando ou dormindo em uma postura normal (relaxada, enrolada) (Fig 12). Em alguns casos, os gatos ficarão bem 
quietos, pois estão com medo ou com dor demais para se movimentar, e alguns gatos “fingem dormir” quando estão com dor ou 
estressados (Fig 10). 
 
1.5 Reconhecimento e avaliação de dor aguda em cães 
Dor aguda ocorre comumente em decorrência de trauma, cirurgia, problemas médicos, infecções ou doença inflamatória. A 
severidade da dor pode variar de leve a intensa. A duração da dor pode variar de poucas horas a vários dias. O manejo efetivo da dor 
se baseia na capacidade e treinamento da equipe de cuidados veterinários de reconhecer e avaliar a dor de forma confiável. Quando 
o cão recebe alta do hospital, os cuidadores devem ser orientados quanto aos sinais de dor e como tratá-la. Devem-se prescrever 
analgésicos adequadamente. 
Verificações objetivas incluindo frequência cardíaca, pressão arterial e níveis de cortisol e catecolamina no plasma foram associadas 
a dor aguda em cães (Hansen et al. 1997). Contudo, estas informações não são confiáveis, já que o estresse, medo, ansiedade e 
medicamentos anestésicos afetam os parâmetros fisiológicos. Assim sendo, a avaliação da dor é basicamente subjetiva e baseada em 
sinais comportamentais (Fig 13, Tabela 5). 
 
 
FIG 11. A avaliação de dor deve ser realizada antes da cirurgia para comparação com os comportamentos pós-operatórios. (A) Gato antes de um 
procedimento dentário com pontuações de 2/10 da FGS. (B) O mesmo gato após extrações de dentes (1 hora após a extubação) com pontuação de 
FGS de 9/10. Figuras cortesia de Sheilah Robertson 
 
 
FIG 12. Exemplos de gatos dormindo em posição enrolada normal. Gatos com dor não conseguem dormir nesta posição confortável. Em vez disso, pode-
se observar eles “fingindo dormir” (vide Figs 10 e 11). Figura (A) cortesia de Sheilah Robertson. Figura (B) reproduzida de Steagall & Monteiro 
(2019) 
 
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2022 WSAVA Global Pain Management Guidelines 
 
 FIG 13. Exemplos de posturas normais em cães sem dor. Figuras cortesia de Paulo Steagall 
 
FIG 14. Cães demonstrando posturas de dor abdominal após cirurgia abdominal. (A) Esta cadela estava parada com as patas traseiras estendidas 
caudalmente e alongando constantemente os membros traseiros. Embora se comportasse de forma amigável e estoica, foi observado um recuo 
mediante palpação suave ao redor da incisão. As pontuações do Formulário Curto da Escala de Dor Composta de Glasgow eram de 9/24 indicando a 
necessidade de analgesia SOS. (B) Este cão estava agitado e alternando entre “posição de oração” e decúbito externo, com os membros traseiros 
estendidos caudalmente. (C) Esta cadela deitava-se em decúbito esternal e flexionava e estendia os membros traseiros devido a desconforto 
abdominal. (D) Este cão estava adotando a “posição de oração” para aliviar a dor abdominal. Figuras (A), (B) e (C) cortesia de Paulo Steagall. Figura 
(D) cortesia de Sheilah Robertson 
 
Avaliação e reconhecimento prático de dor aguda 
A expressão comportamental de dor é específica às espécies (Fig 9) e influenciada pela idade, raça, atitudes, tipo e duração da dor, 
condição clínica e presença de estressores adicionais, como ansiedade ou medo. Doença debilitante pode reduzir drasticamente o 
leque de indicadores comportamentais de dor que o animal normalmente demonstraria (p.ex., os cães podem não vocalizar e podem 
ficar relutantes em se movimentar para prevenir que a dor piore). Portanto, ao avaliar se um cão está com dor, uma variedade de 
fatores deve ser considerada, incluindo o tipo, localização anatômica e duração da cirurgia, o problema médico, ou a extensão da 
lesão. É útil conhecer o comportamento normal do cão, já que mudanças de comportamento são formas importantes de avaliação 
da dor (Figs 9 e 14). Por exemplo, um cão feliz antes da cirurgia e que não quer mais brincar muitas horas após a cirurgia (quando os 
comportamentos normais já deveriam ter retornado) pode estar sentindo dor. Mudanças na expressão facial devido à dor ainda não 
foram documentadas em cães, mas é provável que existam. 
 
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B. P. Monteiro et al. 
 
Protocolo de avaliação da dor 
O reconhecimento da dor aguda é baseado na avaliação de rotina do cão em relação a sinais de dor. Esses sinais são melhor 
identificados por meio da observação e interação com o paciente, juntamente com o conhecimento do estado da doença/ cirurgia e 
do histórico do animal (Quadro 1). Um protocolo de abordagem específico e consistente é recomendado para avaliação da dor, 
especialmente usando sistemas de pontuação de dor. Disforia deve ser considerada quando o animal está ofegante, com náusea, 
vômito, ou vocalizando após a administração de opioides (Capítulo 1.4). 
Quando se considera que um cão está com dor, o tratamento deve ser administrado imediatamente para proporcionar alívio. Os 
cães devem ser avaliados continuamente para garantir que o tratamento esteja sendo eficaz, e, posteriormente, a cada 2 a4 horas 
diariamente, dependendo da duração da ação dos analgésicos. A dor pode ser avaliada desde 30 minutos após a extubação do 
paciente. A frequência de avaliação da dor dependerá do tipo e intensidade da dor, bem como da duração da ação dos medicamentos 
analgésicos que estão sendo administrados. 
 
Ferramentas de pontuação da dor 
Estas ferramentas devem possuir as principais propriedades de validade, confiabilidade e sensibilidade a mudanças. A dor é algo 
abstrato; sendo assim, não há um padrão-ouro de mensuração da mesma, e, como o objetivo é mensurar o componente afetivo da 
dor (ou seja, como ela faz o cão se sentir), isto pode ser um verdadeiro desafio. O GPC-WSAVA recomenda o uso de escalas de dor 
compostas com validação comprovada (Tabela 6). Exemplos incluem o Formulário Curto da Escala de Dor Composta de Glasgow 
(CMPS-SF) (Holton et al. 2001, Reid et al. 2007) e o sistema de pontuação de dor da Associação Francesa de Anestesia e Analgesia 
Animal, o 4A-Vet (Rialland et al. 2012), que são fáceis de usar e incluem componentes interativos e categorias comportamentais. A 
CMPS-SF é uma ferramenta de tomada de decisão clínica, utilizada em conjunto com a avaliação clínica. Sedação simultânea é um 
fator de confusão, pois cães profundamente sedados tendem a pontuar alto, independentemente de estarem com dor ou não. O efeito 
da sedação nos escores da CMPS-SF deve ser considerado ao avaliar os pacientes e decidir se há necessidade de analgesia adicional. 
 
 
1.6 Reconhecimento e avaliação de dor crônica em gatos 
Como os gatos vivem mais tempo, houve um aumento na prevalência de condições crônicas dolorosas e comorbidades consideradas 
como fatores que impactam negativamente sua QdV [vide Diretrizes para Cuidados de Felinos Idosos da AAFP edição 2021 (Ray et 
al. 2021)]. Esta dor patológica ou mal adaptativa está comumente associada a uma variedade de doenças crônicas (p.ex., DAD/OA, 
estomatite, certos cânceres e doença do disco intervertebral). Também pode estar presente mesmo quando não há doença clínica 
em andamento, persistindo além do curso esperado de um processo de doença aguda – como dor neuropática após onicectomia, 
amputação de membros ou caudas. 
O reconhecimento da dor é o pilar da verificação e manejo eficientes da dor. As mudanças de comportamento associadas à dor 
crônica podem se desenvolver gradualmente e podem ser sutis, tornando-as mais facilmente detectadas por alguém que esteja 
familiarizado com o animal (geralmente, o cuidador). Os gatos, que são tanto predadores quanto presas, são hábeis em mascarar a 
dor através da minimização das manifestações comportamentais da dor. Além disso, eles normalmente não são levados para 
caminhar e espera-se que realizem atividades com seus cuidadores humanos – tudo isso dificulta ainda mais a identificação das 
 
Tabela 6. Ferramentas usadas para avaliar a dor aguda em cães 
Ferramenta Tipo Condição Comentários Referências 
Escala de dor composta de 
Glasgow – Formulário Curto 
(CMPS-SF)† 
Comportament
o 
Qualquer dor 
cirúrgica ou médica 
Moderadamente validada. Disponível em inglês, 
francês, espanhol, alemão, italiano, norueguês e 
sueco. Contém seis itens; cada um com uma gama 
diferente de pontuações possíveis. A pontuação 
máxima é 24 (ou 20, quando não é possível avaliar 
a mobilidade). 
Pontuação de corte para analgesia SOS: ≥6/24 (ou 
≥5/20 quando não é possível avaliar a 
mobilidade) ‡´ 
Disponível em: 
http://www.newmetrica.com/acute-pain-
measurement/ 
(Holton et al. 2001, Reid 
et al. 2007, Murrell et al. 
2008) 
 
Sistema de pontuação de Comportamento Cirurgia ortopédica Foi reportada validação preliminar. (Rialland et al. 2012) 
dor da Associação Francesa Contém 6 itens de pontuação de 0 a 3. A 
de Anestesia e Analgesia pontuação máxima é 18. Não há pontuação 
 (4A-Vet) de corte disponível 
Disponível no artigo original (acesso livre): 
https://doi.org/10.1371/journal. 
pone.0049480 
Escala de Dor da Universidade Comportamento e Ovariohisterectomia Foi realizada validação preliminar. (Firth & Haldane 1999) 
De Melbourne dados fisiológicos Inclui múltiplos descritores em seis categorias 
incluindo dados fisiológicos e reações 
comportamentais. A pontuação máxima é 
27. 
Não há pontuação de corte disponível 
no artigo original 
 
†Recomendada para uso em consultório devido a seu alto grau de evidência científica 
‡Pontuação na qual analgesia deve ser administrada 
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2022 WSAVA Global Pain Management Guidelines 
 
 
FIG 15. Vídeos caseiros podem ser extremamente úteis para avaliar como os animais estão desempenhando atividades rotineiras no ambiente 
domiciliar, sem os efeitos associados ao estresse de estar em um ambiente de clínica ou hospitalar. Idealmente, os gatos devem ser observados 
enquanto realizam atividades rotineiras, como andar, saltar, subir e descer escadas, usar a caixa de areia etc. Figuras (A) e (B) reproduzidas de 
Monteiro & Steagall (2019). Figuras (C) e (D) cortesia de Beatriz Monteiro 
 
mudanças comportamentais associadas à dor mal adaptativa. No geral, o reconhecimento de uma dor mal adaptativa de longa duração 
é baseado em uma combinação da avaliação do cuidador (com a devida educação do cuidador), observação do veterinário e exames 
veterinários. Vídeos caseiros podem ser úteis na identificação de comportamentos relacionados à dor (Fig 15). No futuro, tecnologias 
(como câmeras e utensílios) poderão auxiliar no diagnóstico. 
 
Avaliação e reconhecimento prático de dor crônica 
O pilar fundamental da avaliação de dor mal adaptativa crônica é a avaliação feita pelo cuidador, e esta informação é obtida através 
do uso da Medição de Resultados Relatados pelo Cliente ou dos Instrumentos de Metrologia Clínica (CMIs) (Lascelles et al. 2019, 
Monteiro & Steagall 2019b). Um estudo destacou a importância de se educar o cuidador em identificar a dor crônica (Enomoto et al. 
2020). Educar o cuidador é importante, pois condições de dor duradoura produzem mudanças comportamentais gradativas, que podem não ser claramente 
percebidas pelos cuidadores ou podem ser atribuídas ao envelhecimento. 
Muitas das ferramentas para medição de dor crônica em humanos avaliam seu impacto na QdV do paciente, o que inclui aspectos 
físicos e psicológicos. Há estudos que avaliam a QdV ou a QdVRS em gatos em relação a diversas doenças crônicas (Reid et al. 2018a, 
Monteiro 2020), os quais têm sido sistematicamente revisados (Doit et al. 2021), embora nenhum seja específico para dor. 
A maioria dos trabalhos tem abordado o reconhecimento de dor associada a DAD em gatos (Quadro 2). Recentemente, um 
checklist de triagem de dor musculoesquelética felina [Feline Musculoskeletal Pain Screening Checklist (MiPSC)] foi produzido para 
auxiliar na identificação de gatos com dor de DAD, com base em uma abordagem científica válida (Enomoto et al. 2020) (Tabela 7). 
Esse checklist ajuda a identificar gatos que possam ter dor associada a DAD e pode ser usado como uma importante ferramenta 
educativa para cuidadores. A Medição de Resultados Relatados pelo Cliente ou CMIs foram projetados para padronizar a tomada de 
relatos de cuidadores e facilitar a medição (e a identificação) de dor crônica associada a DAD. Entre exemplos, podemos citar o 
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B. P. Monteiro et al. 
 
 
Índice de Dor Musculoesquelética Felina (FMPI), Medida de Resultado Específico ao Cliente (CSOM), Instrumento de Montreal 
para Teste de Artrite em Gatos (MI-CAT) e Fórmula de Função Física Felina (FPFF) (Lascelles et al. 2007, Klinck et al. 2015, Klinck 
et al. 2018, Stadig et al. 2019, Enomoto et al. 2022) [vide Tabela 7 e o site do GPC (https://wsava.org/committees/global-pain-
council/)]. Estes instrumentos foram projetados basicamente para mensurar o impacto da dor de DAD nos gatos, e monitorar a 
eficácia dos tratamentos. Quando administrados em intervalos ao longo do tempo, eles fornecem dados consistentes que mensuram 
a intensidade da dor crônica associada à DAD. No entanto, eles também podem ser usados para auxiliar no diagnóstico inicial. Cada 
um dos instrumentos acima mensura parâmetros variados, mas todos estes instrumentos avaliam comportamentos semelhantes 
considerados importantes em condições crônicas de dor (Tabela 8). Técnicos e enfermeiros veterinários são valiosos para apresentar 
as escalas de dor aos cuidadores e orientá-los na forma de usá-las, seja no momento da consulta ou através de telemedicina. Com 
base na literatura atual, sugere-se que os médicos utilizem o MiPSC felino para a triagem de pacientes em risco e o FMPI ou a 
CSOM para monitorar sinais de dor e a resposta ao tratamento. 
O uso de monitores de atividade física (Fig 16) para auxiliar na detecção e monitoramento da dor musculoesquelética é uma área 
de pesquisa ativa, mas ainda há muito a entender sobre como a dor musculoesquelética afeta a atividade, e como melhor analisar 
esses dados (Guillot et al. 2013, Gruen et al. 2017, Yamazaki et al . 2020). Estudos atuais estão investigando ferramentas de avaliação 
para outros tipos de dor mal adaptativa crônica nos gatos, incluindo estomatite (Stathopoulou et al. 2018). 
O Teste Sensorial Quantitativo (QST) avalia a transmissão de informações relacionadas com estímulos térmicos, mecânicos e 
químicos da periferia para o córtex somatossensorial. São utilizados dispositivos calibrados para induzir um estímulo nocivo contra 
a pele do animal até que uma reação comportamental seja observada (Fig 17). O desfecho é registrado objetivamente (p.ex., valor em 
Newtons, gramas, °C, segundos). A quantificação da sensibilidade sensorial permite aos pesquisadores comparar animais com e sem 
doença, bem como os efeitos do tratamento. O uso do QST mostra que gatos com OA apresentam hiperalgesia, alodinia e somatória 
temporal facilitada de dor quando comparados a gatos saudáveis, refletindo mecanismos de sensibilização periféricos e centrais 
(Monteiro et al. 2020), parecido com o que é relatado em pessoas e cães (Hunt et al. 2019). 
 
1.7 Reconhecimento e avaliação de dor crônica em cães 
A dor crônica tem longa duração e está comumente associada a doenças crônicas. Também pode estar presente mesmo na ausência 
de doença clínica em andamento (p.ex., dor pós-cirúrgica persistente). Como os cães estão vivendo mais, houve um aumento da 
prevalência de condições crônicas dolorosas, como OA, doença de disco intervertebral, formas tratáveis de câncer e fontes médicas 
de dor (bexiga, rins, gastrintestinal). Contudo, cães jovens com doença ortopédica de desenvolvimento estão especialmente em risco 
de serem afetados pela dor crônica desde as fases iniciais da vida (Quadro 2). A doença OA (secundária a doença do desenvolvimento) 
pode estar presente em cães jovens, e dor associada a OA não é incomum nessa população. Assim, todos os cães de todas as idades poderiam 
ser afetados pela dor crônica. A identificação precoce da dor leva a intervenção precoce, incluindo mudanças de estilo de vida que poderiam 
reduzir a progressão desta doença dolorosa. As opções de tratamento para dor crônica são complexas, e a resposta ao tratamento 
está sujeita a grandes variações individuais. 
Avaliação e reconhecimento prático da dor crônica 
Reconhecer a dor é fundamental para o manejo efetivo da dor. As mudanças de comportamento associadas à dor crônica podem se 
desenvolver gradualmente e podem ser sutis, de forma a serem apenas detectadas por alguém que esteja familiarizado com o animal 
(normalmente o cuidador) (Tabela 8). Vários instrumentos de pontuação de dor estão disponíveis para avaliar a dor crônica ou a 
QdVRS em cães; contudo, apenas poucos deles foram validados (Belshaw et al. 2015, Belshaw & Yeates 2018, Reid et al. 2018a, 
 
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Quadro 2 Diferenças das doenças articulares crônicas entre cães e gatos 
• O termo "DAD" (doença articular degenerativa) abrange a degeneração de todos os tipos de articulações (articulações 
apendiculares sinoviais, articulações fibrocartilaginosas e articulações intervertebrais). Osteoartrite (OA) refere-se a um 
processo degenerativo geral crônico, inflamatório, de baixo grau das articulações sinoviais que não é causado por infecção ou 
doença imunomediada. 
• Gatos que se apresentam para tratamento de dor musculoesquelética claramente têm uma combinação de dor de OA e dor de 
articulações não sinoviais (Gruen et al. 2016, 2021a, Adrian et al. 2021). Além disso, não se sabe se a degeneração articular 
sinovial em gatos é causada por disfunção imunológica, diferentemente da OA em cães. Por essas razões, o termo "DAD" 
referindo-se a gatos que estão sendo tratados de dor articular musculoesquelética é preferível. 
• OA em cães ocorre basicamente como consequência de doença ortopédica do desenvolvimento (p.ex., displasia do quadril e 
cotovelo, luxação de patela, osteocondrose dissecante ou predisposição à ruptura do ligamento cruzado). Doenças do 
desenvolvimento resultam em carga mecânica maior ou anormal na articulação e causa inflamação crônica de baixo grau e 
degradação de tecidos articulares, e dor (Dor de OA). Por estes motivos, OA (e a dor de OA) desenvolve-se no início da vida. 
A osteoartrite deve ser considerada uma "doença de cão jovem", apesar de ser geralmente diagnosticada em seus estágios 
posteriores, quando os sinais de dor de OA já estão óbvios ou requerem atenção urgente. 
• Embora os mecanismos que resultam em DAD em gatos não sejam totalmente compreendidos, eles geralmente não estão 
relacionados a doenças do desenvolvimento. Em gatos, como a OA em humanos, a DAD pode ser considerada uma doença 
relacionada à idade, sendo mais prevalente à medida que os gatos envelhecem. No entanto, dados clínicos indicam que gatos 
jovens podem ser afetados pela DAD ou pela dor associada à DAD. Portanto, cães e gatos de qualquer idade devem ser 
investigados em relação à presença de DAD ou OA, e suas dores relacionadas, respectivamente. 
2022 WSAVA Global Pain Management Guidelines 
 
Tabela 7. Ferramentas utilizadas para triagem e avaliação de dor crônica em gatos (Instrumentos de Metrologia 
Clínica, CMI) e avaliação da qualidade de vida relacionada à saúde (QdVRS) † 
Ferramenta Tipo Condição ComentáriosPrincipal referência 
Checklist de Triagem de 
Dor Musculoesquelética 
Felina (Feline MiPSC)‡ 
 
 
 
 
 
 
Índice de Dor 
Musculoesquelética Felina 
(FMPI)‡ 
 
 
 
 
 
 
 
Medida de Resultado 
Específico ao Cliente 
(CSOM)‡ 
 
 
 
 
 
 
Instrumento de Montreal 
para Teste de Artrite em 
Gatos para uso de 
proprietários (MICAT(C)) 
 
Fórmula de Função Física 
Felina (FPFF) 
 
 
Saúde e Bem-Estar dos 
Gatos (CHEW) 
Triagem DAD/OA Checklist simples de 6 itens que verifica se uma atividade 
específica pode ser realizada normalmente ou não. Os 
cuidadores respondem “sim” ou “não” a cada item. Se a 
resposta for “não” em qualquer um dos itens (ou seja, a 
atividade não é normal), isto deve motivar outras avaliações 
Disponível em: https://cvm.ncsu.edu/research/labs/clinical- 
sciences/comparative-pain-research/clinical-metrology- 
instruments/ 
Veja também: 
https://www.zoetispetcare.com/checklist/osteoarthritis- checklist-
cat 
CMI DAD/OA O mais amplamente estudado dos CMIs “comerciais” (foi 
avaliado em termos de validade estrutural, consistência interna, 
confiabilidade e capacidade discriminativa) 
Uma versão atualizada, o Formulário Curto do FMPI, contém 
nove itens/ atividades que são avaliados em uma escala Likert 
de “normal” a “de forma alguma.” Os itens são relacionados à 
mobilidade e capacidade de realizar atividades cotidianas 
Disponível em: https://cvm.ncsu.edu/research/labs/clinical- 
sciences/comparative-pain-research/clinical-metrology- 
instruments/ 
CMI DAD/OA Já foi amplamente usado, mas não é um questionário 
“comercial”. Na verdade, é feito para cada caso individual no 
qual uma série de atividades é particular a cada gato e ambiente 
domiciliar. Estas atividades são combinadas com o cuidador e 
monitoradas ao longo do tempo 
Disponível em: https://cvm.ncsu.edu/research/labs/clinical- 
sciences/comparative-pain-research/clinical-metrology- 
instruments/ 
CMI DAD/OA Foi realizada uma validação preliminar. Inclui itens relacionados a 
agilidade, comportamentos sociais, de brincadeira e exploração, 
autocuidado, e condicionamento físico 
Disponível como arquivo suplementar do artigo original 
CMI DAD/OA Foi realizada uma validação preliminar. Inclui avaliação de 
quatro domínios (atividade geral, mobilidade, 
temperamento e limpeza) 
Não disponível para download. Os itens são descritos no artigo 
QdVRS Qualquer Foi realizada uma validação preliminar. Contém 33 
itens divididos em 8 domínios (mobilidade, emoção, energia, 
interação, olhos, pelagem, apetite, condicionamento físico) 
Disponível como arquivo suplementar do artigo original 
(Enomoto et al. 2020) 
 
 
 
 
 
 
 
 
(Benito et al. 2013a,b, 
Stadig et al. 2019, 
Enomoto et al. 2022) 
 
 
 
 
 
 
 
(Lascelles et al. 2007, 
Stadig et al. 2019) 
 
 
 
 
 
 
(Klinck et al. 2015, 
2018) 
 
 
(Stadig et al. 2019) 
 
 
 
(Freeman et al. 2016) 
Medição da QdV Felina QdVRS Qualquer Foi realizada uma validação preliminar. Contém 16 itens 
divididos em 2 domínios (comportamentos saudáveis e sinais 
clínicos). Não disponível para download. Os itens são descritos no 
artigo 
VetMetrica de QdVRS p/ gatos QdVRS Qualquer Foi realizada uma validação preliminar. Contém 20 itens 
divididos em 3 domínios (vitalidade, conforto e bem-estar 
emocional) 
Disponível como instrumento on-line via assinatura paga 
(https://www.newmetrica.com/vetmetrica-hrql/). Os 20 itens do 
questionário estão relacionados no artigo original 
CMI Instrumento de metrologia clínica, COP Ciclofosfamida, vincristina e prednisolona, DAD Doença Articular Degenerativa, OA Osteoartrite 
†Todos os instrumentos devem ser completados pelos cuidadores 
‡Recomendado para uso em consultório devido ao alto grau de evidência científica 
(Tatlock et al. 2017) 
 
 
(Scott et al. 2021) 
 
Lascelles et al. 2019) (Tabela 9). Com base nas evidências atuais, o Breve Inventário de Dor Canina (BIDC) e o questionário de 
Osteoartrite em Cães de Liverpool (LOAD) são recomendados para uso em consultório. 
Da mesma forma que em gatos (Capítulo 1.6), outras ferramentas como QST e monitores de atividades são usados em cães. O 
uso do QST pode oferecer uma janela para a avaliação de dor crônica (Knazovicky et al. 2016) e cães com OA demonstraram ter 
maior sensibilidade sensorial disseminada a estímulos externos quando comparados a cães normais (Knazovicky et al. 2016). Uma vez 
validado, o QST junto da jaula testando paradigmas pode ser uma adição útil para a prática clínica. 
 
1.8 Oligoanalgesia e polifarmácia indevida 
Oligoanalgesia 
Oligoanalgesia é a incapacidade de reconhecer e proporcionar analgesia em pacientes com dor aguda (Wilson & Pendleton 1989) 
(Quadro 3). Uma discussão aprofundada sobre como a questão pode influenciar os resultados dos pacientes e suas consequências 
psicológicas já foi publicada anteriormente (Simon et al. 2017). A incapacidade de tratar a dor perioperatória aguda pode levar a 
 
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http://www.zoetispetcare.com/checklist/osteoarthritis-
http://www.newmetrica.com/vetmetrica-hrql/)
http://www.newmetrica.com/vetmetrica-hrql/)
 
Tabela 8. Comportamentos incluídos na avaliação de dor crônica em cães e gatos 
B. P. Monteiro et al. 
 
 
 
 
• Mobilidade geral (p.ex., facilidade de movimentação, fluidez de 
movimentos) 
• Capacidade de realizar atividades cotidianas (p.ex., brincar, caçar, saltar, 
usar a caixa de areia) 
• Comer e beber 
• Asseio (p.ex., coçar-se) 
• Repouso, observação, relaxamento (o quanto estas atividades podem ser 
apreciadas pelo gato) 
• Atividades sociais envolvendo pessoas e outros pets 
• Temperamento 
• Vitalidade e mobilidade (p.ex., se o cão está bem disposto, feliz, ativo/ 
letárgico, contente, brincalhão e como o cão consegue se deitar, ficar em 
pé, sentar, saltar ou tolerar exercícios) 
• Humor e atitudes (p.ex., se o cão está alerta, ansioso, introvertido, 
triste, apático, confiante, brincalhão e sociável) 
• Níveis de sofrimento [p.ex., vocalização (gemendo, grunhindo), e 
reação a outros cães e humanos] 
• Indicadores de dor (p.ex., níveis de conforto, rigidez, claudicação, 
exame ortopédico) 
• Demonstração de dor nas estruturas somáticas (p.ex., exame miofascial, 
padrões de tensão muscular) 
 
 
 
FIG 16. Gato usando um monitor de atividade baseado em um acelerômetro anexado à coleira. Figura reproduzida de Monteiro (2020) 
 
 
FIG 17. Exemplo de teste sensorial quantitativo em um gato utilizando um von Frey que é delicadamente pressionado contra a almofada do 
metacarpo do gato até que se observe uma reação comportamental (p.ex., de retirar a pata). A quantidade máxima de força utilizada para causar esta 
reação é chamada de limiar nociceptivo. Figura reproduzida de Monteiro (2020) 
 
 
sensibilização periférica e central e dor mal adaptativa (p.ex., dor pós-cirúrgica persistente) (Kalso et al. 2001, Johansen et al. 2012). 
Oligoanalgesia é observada em departamentos de emergência humanos após procedimentos de rotina considerados não dolorosos 
em pacientes incapazes de verbalizar a dor, ou naqueles que não recebem atendimento imediato devido a avaliação inadequada da 
dor (Todd et al. 2007, Rose et al. 2013, Carter et al. 2016). Alguns, ou todos esses fatores, poderiam levar à oligoanalgesia na 
medicina veterinária. De fato, estudos revelam que, historicamente, muitos cães e gatos não receberam analgésicos apesarde seus 
status e condições dolorosas (Hansen & Hardie 1993, Dohoo & Dohoo 1996a,b, Wiese et al. 2005), e que a dor é altamente prevalente 
no ambiente emergencial (Wiese et al. 2005, Moran & Hofmeister 2013). Dados recentes mostram que o uso perioperatório de 
analgésicos aumentou (Farnworth et al. 2014, Rae et al. 2021). Por exemplo, mais de 90% dos veterinários no Reino Unido 
administraram algum tipo de analgésico perioperatório para procedimentos de rotina, ao passo que o uso pós-incisional de 
 
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Tabela 9. Ferramentas utilizadas para triagem e avaliação de dor crônica em cães (instrumentos de metrologia clínica, 
CMI) e avaliação da qualidade de vida relacionada à saúde (QdVRS)† 
Ferramenta Tipo Condição Comentários Referências 
Ferramenta de 
Estadiamento de 
Osteoartrite Canina 
(COAST) 
 
 
Breve Inventário de Dor 
Canina (CBPI)‡ 
 
 
 
Questionário de Osteoartrite 
em Cães de Liverpool 
(LOAD)‡ 
 
 
Índice de Dor Crônica de 
Helsinki (HCPI) 
Avaliação do Sono e 
inquietação noturna 
(SNoRE) 
 
 
 
 
Qualidade de Vida Relacionada 
à Saúde (QdVRS) 
 
 
 
Qualidade de Vida Relacionada 
à Saúde (QdVRS) 
Triagem 
 
 
 
 
 
CMI 
 
 
 
 
CMI 
 
 
 
 
CMI 
 
Sono e 
inquietação 
noturna 
 
 
 
 
QdVRS 
 
 
 
 
QdVRS 
 
OA 
 
 
 
 
 
OA e câncer 
ósseo 
 
 
 
OA 
 
 
 
OA 
OA 
 
 
 
 
 
 
Doença 
crônica 
 
 
 
OA 
Foi realizada uma validação preliminar 
Consiste de três passos distintos para graduação do cão, 
da articulação e estadiamento da OA 
Ajuda os veterinários a identificar a OA mais cedo e 
monitorar a progressão com o tempo 
Disponível em: https://www.galliprantvet.com/us/en/coast- 
tools 
Instrumento validado. Consiste de 11 itens para 
avaliação da intensidade da dor e da interferência da 
dor na função, e impressão geral da qualidade de vida. 
Os itens são pontuados em uma escala Likert 
Disponível em: 
https://www.vet.upenn.edu/research/ clinical-
trials-vcic/our-services/pennchart/cbpi-tool 
Instrumento validado. Contém 13 itens para avaliação 
da mobilidade geral e da mobilidade durante 
exercícios. Os itens são pontuados em uma escala 
Likert 
Disponível em: https://www.galliprantvet.com/us/en/coast- 
tools 
Foi realizada uma validação preliminar. Consiste de 11 
itens pontuados em uma escala Likert 
Foi relatada uma validação preliminar. Originalmente 
seis itens, atualmente, uma versão de cinco itens 
(2.0) é recomendada, com questões focadas no 
sono e pontuadas em uma escala Likert 
Disponível em: https://cvm.ncsu.edu/research/labs/ 
clinical-sciences/comparative-pain-research/labs- 
comparative-pain-research-clinical-metrology-instruments- 
snore-evaluation/ 
Instrumento validado. A versão mais recente possui 22 
itens divididos em quatro domínios de qualidade de vida 
em cães (Disposto e Entusiasmado, Feliz e Contente, 
Ativo e Confortável, e Calmo e Relaxado) 
Disponível como instrumento on-line através de 
assinatura paga 
(https://www.newmetrica.com/vetmetrica-hrql/) 
Uma estrutura conceitual para avaliação da QdVRS foi 
desenvolvida como informativo para uma potencial 
ferramenta. Focada em quatro domínios (aparência 
física, capacidade, comportamento e humor) 
Ferramenta ainda não disponível 
(Cachon et al. 2018) 
 
 
 
 
 
(Brown et al. 2008, 2009) 
 
 
 
 
(Walton et al. 2013) 
 
 
 
(Hielm-Bjorkman 
et al. 2009) 
(Knazovicky et al. 2015, 
Gruen et al. 2019) 
 
 
 
 
 
(Reid et al. 2013, 2018b) 
 
 
 
 
(Roberts et al. 2021) 
CMI Instrumento de metrologia clínica, DAD Doença Articular Degenerativa, OA Osteoartrite 
†Todos os instrumentos devem ser completados pelos cuidadores. Esta não é uma lista completa de ferramentas disponíveis, mas sim das que contam com mais estudos 
‡Recomendado para uso em consultório devido ao alto grau de evidência científica 
 
 
analgésicos para castração por parte dos veterinários canadenses também aumentou (Hewson et al. 2006a,b, Hunt et al. 2015). Por 
outro lado, alguns estudos indicam que analgésicos pós-operatórios ainda não são adequadamente prescritos após castração em alguns 
países (Lorena et al. 2014, Perret-Gentil et al. 2014). 
 
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Quadro 3 Motivos para oligoanalgesia. Baseado em Simon et al. (2017) 
• Notas ou instruções no registro do paciente que podem levar a interpretações subjetivas como, "analgésicos conforme 
necessário (PRN)", em vez de instruções para uso de um sistema objetivo de pontuação de dor (Hansen & Hardie 1993). 
• Ausência de avaliação da dor, que pode levar a um controle inadequado da dor e da administração de analgésicos. 
• Falta de treinamento em avaliação da dor por parte dos indivíduos envolvidos na primeira linha de tratamento, como 
enfermeiros veterinários, estudantes e veterinários de emergências (Barletta et al. 2016). 
• Medo e equívocos em relação aos efeitos adversos induzidos por analgésicos. 
• Falta de disponibilidade de analgésicos (Berterame et al. 2016). 
• Inobservância da administração de analgésicos por parte do corpo técnico (Armitage et al. 2005). 
• Espécies: os gatos têm historicamente recebido menos analgésicos em comparação aos cães, mesmo seguindo os mesmos 
procedimentos cirúrgicos (Hansen & Hardie 1993, Dohoo & Dohoo 1996a,b, Steagall et al. 2022). 
• Outros fatores: inexistência, no passado, de instrumento de pontuação de dor validado; custos dos analgésicos; potencial para 
o abuso humano de medicamentos com determinados analgésicos; falta de experiência clínica ou confiança na ferramenta de 
avaliação de dor ou no medicamento, e falta de familiaridade com procedimentos de prescrição (Wiese et al. 2005, Moran & 
Hofmeister 2013, Lorena et al. 2014, Hunt et al. 2015). 
http://www.galliprantvet.com/us/en/coast-
http://www.vet.upenn.edu/research/
http://www.galliprantvet.com/us/en/coast-
http://www.newmetrica.com/vetmetrica-hrql/)
http://www.newmetrica.com/vetmetrica-hrql/)
B. P. Monteiro et al. 
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Educação e treinamento em manejo da dor (Mich et al. 2010, Lim et al. 2014, Lorena et al. 2014, Doodnaught et al. 2017), incluindo 
uma discussão sobre métodos alternativos de controle da dor quando não há disponibilidade de analgésicos (Diep et al. 2020), e o 
uso de ferramentas de pontuação de dor validadas, são necessários para solucionar o problema da oligoanalgesia. 
 
Polifarmácia 
Embora a disponibilização de analgesia adequada seja imprescindível para garantir o bem-estar de cães e gatos com dor aguda ou 
crônica, é importante distinguir analgesia multimodal adequada de polifarmácia inapropriada. Polifarmácia é o uso de um grande 
número de medicamentos em combinação sem uma boa justificativa, e que pode levar a complexas interações medicamentosas e a 
um risco maior de efeitos adversos. Por exemplo, combinar medicamentoscom efeitos semelhantes no sistema serotoninérgico pode 
aumentar o risco de síndrome serotoninérgica (Capítulo 2.7). Da mesma forma, administrar um AINE em combinação com um 
corticosteroide aumentará a probabilidade de efeitos adversos, como úlceras ou perfuração gastrintestinal. Embora se reconheça que 
a analgesia multimodal melhora o estado analgésico, o uso indiscriminado de polifarmácia pode ser caro, tanto na clínica quanto 
aplicado no ambiente domiciliar. O seguimento e a adesão a múltiplas medicações em diferentes horários também pode ser difícil. 
Um estudo investigando as percepções dos cuidadores a respeito de dor crônica em cães revelou que ter de administrar muitos 
medicamentos era um fardo significativo para o cuidador em termos de custos e também das questões práticas de garantir que os 
cães tomassem os medicamentos no horário certo (Davis et al. 2019). Administrar medicamentos três vezes ao dia geralmente é 
impraticável para cuidadores, o que leva a baixa adesão. Um fardo mais pesado de medicação com polifarmácia leva a uma maior 
deterioração da relação entre humanos e animais. Por exemplo, mais da metade dos cuidadores reportou que ter de medicar seus 
gatos fez com que seu relacionamento com eles mudasse (Taylor et al. 2022). 
 
 
1.9 Dor neuropática 
Dor neuropática é uma dor que surge em consequência direta de uma lesão ou doença do sistema somatossensorial (Jensen et al. 
2011) (Tabela 3). É um fenômeno mal adaptativo que envolve atividade sensorial ectópica espontânea aberrante, neuroplasticidade, 
sensibilização periférica e central, modulação inibitória endógena prejudicada e ativação da glia, entre outros (Gilron et al. 2015). 
Na medicina veterinária, a dor neuropática é uma síndrome subdiagnosticada, mal compreendida e nova; existem artigos de revisão 
sobre o tema (Grubb 2010, Moore 2016, Epstein 2020). No momento da redação destas diretrizes, não havia nenhum instrumento 
validado para o diagnóstico da dor neuropática em si. A doença é geralmente presumida após exames físicos e neurológicos 
detalhados e, quando possível, exames avançados de imagem da área afetada, como ressonância magnética (RM). Deve-se suspeitar 
de dor neuropática, quando um paciente é refratário à terapia analgésica convencional, demonstra sinais clínicos de alodinia e/ou 
hiperalgesia; no entanto, hipoalgesia também pode estar presente dependendo da lesão e da doença (Ruel et al. 2020). O uso do QST 
(Capítulo 1.6) em cães com hérnia de disco toracolombar (Gorney et al. 2016) e cães com condições neuropáticas de dor demonstrou 
maior facilitação da dor e/ou menor inibição da dor, quando comparados a indivíduos saudáveis (Ruel et al. 2020); O QST poderia 
fornecer informações clínicas úteis se incorporado aos exames físicos/neurológicos no futuro. 
Várias formas de neuropatia foram descritas em espécies veterinárias, incluindo doença de disco intervertebral, condições 
musculoesqueléticas crônicas, neuropatia periférica, dor pós-cirúrgica persistente (Figs 18 e 19). Por exemplo, OA pode levar a 
sensibilização central disseminada e à ocorrência de dor neuropática (Knazovicky et al. 2016). Neuropatia diabética felina é uma 
síndrome desenvolvida secundariamente à diabetes, que causa postura plantígrada e dor neuropática (Mizisin et al. 1998, Estrella et al. 
2008). Malformação de Chiari em cães da raça Cavalier King Charles e Chihuahua, entre outras raças de porte pequeno, e 
siringomielia, são uma fonte significativa de dor neuropática, e estão associadas a comportamentos de medo e redução da QdV 
(Rutherford et al. 2012). Fatores genéticos desempenham um papel nestas condições, nas quais a malformação do crânio e da junção 
craniocervical 
 
 
FIG 18. Exemplos de gatos com dor neuropática. (A) Gato com dor pós-cirúrgica persistente após onicectomia. Este gato frequentemente mantém a 
pata esquerda levantada enquanto sentado, para evitar apoiar o peso sobre a mesma e não gosta de ser tocado nesta mesma pata vários anos após a 
cirurgia. (B) Gato com suspeita de síndrome da hiperestesia felina. Este gato repentinamente começa a arrancar os pelos ao redor da área 
toracolombar e reage ao toque nesta mesma área, demonstrando sinais de alodinia. (C) Gato com síndrome da dor orofacial felina. Este gato esfrega 
freneticamente a face com as patas dianteiras e vocaliza sem “nenhum motivo aparente”. Figuras reproduzidas de from Monteiro & Steagall (2019) 
 
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2022 WSAVA Global Pain Management Guidelines 
 
 
FIG 19. Exemplo de um cão com dor neuropática. Esta fêmea de 13 anos de idade tinha osteoartrite de estágio terminal em múltiplas articulações. Ela 
tinha assimetria acentuada da massa muscular e distribuição do peso de seus membros posteriores. No momento do atendimento, ela se mostrava com 
debilitação severa de mobilidade e lambia excessivamente as patas posteriores. Figura cortesia de Beatriz Monteiro 
 
resulta em compressão do parênquima cerebral com consequente dor e problemas na circulação do líquido cefalorraquidiano (Ancot 
et al. 2018, Knowler et al. 2018). A síndrome da hiperestesia felina (SHF) e a síndrome da dor orofacial felina (SDOF) são transtornos 
de dor com sinais comportamentais altamente suspeitos de dor neuropática (Fig 18). Características clínicas de uma série de casos 
com sete gatos com SHF demonstravam ondulação da pele sobre a área dorsal lombar, episódios de saltos e corridas, vocalização 
excessiva, correr atrás/ mutilação da cauda (Batle et al. 2019). A prevalência de SDOF é elevada entre gatos birmaneses em comparação 
a outras raças. A síndrome da dor orofacial felina tem uma fisiopatologia semelhante à da neuralgia trigeminal em humanos; ela 
apresenta episódios unilaterais agudos e suspeita de componente hereditário que poderia estar relacionado a estresse (Rusbridge et al. 
2010). Os sinais clínicos podem ser desencadeados por movimento da boca, ou podem ocorrer espontaneamente e incluir patadas 
na boca, movimentos exagerados de lamber-se e mordiscar-se, mutilação da língua, vocalização espontânea com comportamento de 
fuga e diminuição do apetite. 
O tratamento de dor neuropática é desafiador. Na literatura veterinária, gabapentinoides (gabapentina ou pregabalina) têm sido 
usados como primeira linha de tratamento da dor neuropática com melhoras significativas da QdV (Plessas et al. 2015, Batle et al. 
2019, Sanchis-Mora et al. 2019, Ruel et al. 2020, Schmierer et al. 2020, Thoefner et al. 2020). Medicamentos anti-inflamatórios não 
esteroidais têm sido usados em combinação com gabapentinoides, quando também há suspeita de uma condição inflamatória. 
Antagonistas dos receptores de N-metil-D-aspartato (NMDA) (ou seja, amantadina) também têm sido usados no tratamento de OA 
em cães (Lascelles et al. 2008) e gatos (Shipley et al. 2021). Diversas modalidades da medicina física, incluindo terapia pelo calor e frio, 
acupuntura e estimulação com agulha no ponto gatilho, alongamento, massagem e exercícios podem ser usados, embora ainda 
precisem ser mais estudados em espécies veterinárias (Shah et al. 2015). Serão necessários estudos incluindo diferentes opções de 
tratamento em uma ampla gama de condições neuropáticas dolorosas e investigações de possíveis efeitos placebo. Veja o Capítulo 
3.12 para mais informações. 
 
1.10 Dor orofacial e dentária 
De acordo com a IASP, dor orofacial é uma forma frequente de dor observada na facee/ou cavidade oral (IASP n.d.-b). Pode ser 
causada por doenças ou transtornos de estruturas regionais, disfunção do sistema nervoso, ou através de transferência de fontes 
distantes (Fig 20). Dor orofacial envolve mecanismos musculoligamentosos, dentoalveolares e/ou neurovasculares. Dor dentária é 
um tipo de dor orofacial causada por doenças odontológicas ou dor transmitida aos dentes. Existem diferenças específicas entre os 
mecanismos de nocicepção dentária e outros tecidos do corpo. O processo nociceptivo subjacente nas condições orofaciais é menos 
bem compreendido do que outros mecanismos de sinalização somática. Por exemplo, a polpa dentária é densamente inervada e 
cercada por dentina mineralizada e esmalte. Este último é avascular, não inervado e não poroso, oferecendo uma camada protetora 
para o dente. Contudo, neste ambiente pouco complacente e durante inflamação, um mínimo inchaço da polpa causará dor intensa, 
principalmente quando há comprometimento do esmalte. 
Dor orofacial é um problema comum na medicina veterinária devido à alta prevalência de transtornos orais (p.ex., doença 
periodontal, fraturas de dentes, estomatite, maloclusão, e neoplasias), levando a dor aguda e crônica, possivelmente afetando a QdV 
dos animais e o vínculo entre o cuidador e o pet. O Comitê de Padronização Dentária da WSAVA publicou um documento extensivo 
sobre o assunto, que inclui informações sobre anestesia e manejo da dor na odontologia (Niemiec et al. 2020). Diretrizes adicionais 
de cuidados dentários elaboradas pela Associação Americana de Hospitais Animais também estão disponíveis (Bellows et al. 2019). 
Doença periodontal é uma condição comum na prática canina e felina, e seu tratamento geralmente envolve anestesia geral e 
extrações dentárias. Por exemplo, gengivoestomatite crônica felina é caracterizada por lesões ulcerativas proliferativas bilaterais, 
multifocais ou difusas e friáveis ao redor da base da língua e da prega palatoglossal, com intenso desconforto oral. Leva à anorexia, 
disfagia, sialorreia, halitose e perda de peso. Também pode produzir hemorragia oral e geralmente requer a extração de todos os 
 
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B. P. Monteiro et al. 
 
FIG 20. Exemplos de condições que causam dor orofacial e dor dentária. (A) Gata com doença periodontal grave. Esta gata dava patadas na boca 
enquanto comia. Ela foi anestesiada para a realização de tratamento dentário incluindo extrações de dentes. Os cuidadores relataram que, após o 
tratamento, os sinais desapareceram, e ela se tornou mais amigável. (B) Cão com osteossarcoma na mandíbula direita. O cão não se interessava mais 
por pegar a bola quando o cuidador a jogava; uma atividade que ele gostava anteriormente. Figura (A) reproduzida de Monteiro & Steagall (2019). 
Figura (B) cortesia de Beatriz Monteiro 
 
dentes (Winer et al. 2016). Outras causas comuns de dor dentária incluem trauma, infecção da polpa dentária (pulpite) ou doença da 
polpa, neoplasia, trauma de oclusão, abscessos, síndrome do dente quebrado, fraturas e procedimentos cirúrgicos orais invasivos (p.ex., 
maxilectomias, mandibulectomias, etc.). Apesar de comum, a dor oral/ dentária ainda é pouco reconhecida, subtratada e negligenciada 
na prática de pequenos animais. Contudo, está recebendo atenção como uma questão de alta prioridade para o bem-estar (Summers et 
al. 2019). Em uma pesquisa de fichas médicas eletrônicas de cães no Reino Unido, transtornos dentários ficaram entre as três doenças 
que mais impactam o bem-estar, com base em sua alta prevalência, longa duração e intensidade. 
Até o momento, a maioria dos estudos sobre o assunto envolve bloqueios anestésicos locais e seu efeito poupador de anestesia, 
mas em termos de analgesia e comportamentos induzidos por dor oral, pouco foi investigado. A dor após extrações dentárias é de 
natureza inflamatória e afeta a nutrição e o comportamento alimentar dos gatos (Watanabe et al. 2019, Watanabe et al. 2020b). Estes 
pacientes necessitam de terapia opioide de longo prazo (até 72 horas em alguns indivíduos) para controle da dor, além do uso de 
um protocolo multimodal durante a cirurgia, envolvendo opioides, anestésicos locais e AINEs. Os gatos demonstram 
comportamentos singulares induzidos pela dor, e são menos brincalhões e ativos; um link para um vídeo de comportamentos 
induzidos pela dor em gatos após extrações dentárias está disponível na publicação original (Watanabe et al. 2020b). Ainda não 
foram realizados estudos semelhantes em cães. Também há a suspeita de que espécies veterinárias com condições orais dolorosas 
sofram um impacto negativo em sua QdV e padrões de sono, como ocorre nos humanos (Ferreira et al. 2017). As condições bucais 
são percebidas pelos veterinários como uma importante causa de dor crônica em cães (Bell et al. 2014); o mesmo é provavelmente 
verdade para os gatos. Com efeito, cães e gatos podem ser afetados por dor orofacial neuropática (vide SDOF no Capítulo 1.9) ou 
por tumores malignos, e não malignos, da cavidade oral, que causem dor crônica (vide Capítulo 3.14). 
A IASP afirma que a natureza multidimensional da dor orofacial requer uma abordagem interdisciplinar para o seu manejo, levando 
à criação de um Grupo de Interesse Especial (IASP s.d.-c). Não foram publicados instrumentos para avaliação da dor, específicos 
para cada espécie, em odontologia veterinária. No entanto, a Feline Grimace Scale© mostrou boa a excelente confiabilidade 
interobservador em gatos após extrações dentárias (Watanabe et al. 2020a). Um protótipo de instrumento composto também pode 
ser útil para a avaliação da dor em cães e gatos com condições orais e maxilofaciais após validação adicional (Della Rocca et al. 2019). 
A abordagem em relação à dor dentária é multimodal. A maioria dos procedimentos diagnósticos (p.ex., radiografias) em animais 
requer anestesia geral, e os procedimentos invasivos e dolorosos, bem como extrações dentárias, devem ser realizados sob anestesia 
geral. Geralmente é necessária a administração de terapia com AINEs em longo prazo após múltiplas extrações dentárias, mesmo 
quando opioides e técnicas anestésicas locais são usados no perioperatório (Bienhoff et al. 2012). No tratamento farmacológico da 
dor crônica, os AINEs, bem como analgésicos de ação central, como gabapentina, amitriptilina e tramadol (apenas gatos) são 
considerados. Exemplos de protocolos dentários podem ser encontrados nos Capítulos 2.5 e 3.7. 
 
 
1.11 Câncer 
A dor pode afetar pacientes com câncer durante todos os estágios da doença. A apresentação clínica pode variar amplamente, 
dependendo da localização e natureza do tumor. Geralmente, tumores que envolvem a cavidade oral, ossos, sistema genitourinário, 
olhos, nariz, raízes nervosas e trato gastrintestinal causam dor considerável (Lascelles 2013), mas outros tipos de câncer, como 
linfoma, têm o potencial de causar dor (Higginson et al. 2013). A dor é mais grave em cânceres que afetam tecidos não complacentes, 
como os ossos, ou quando há um componente de dor neuropática (Bennett et al. 2012). Independentemente disso, à medida que o 
câncer avança, é maior a probabilidade de a dor estar presente e ser intensa. 
Em pacientes humanos com câncer, a dor é um dos sintomas mais temidos e debilitantes, que afeta de 43% a 63% dos pacientes 
em todos os estágios da doença, e até 90% dos pacientes com doença de estágio avançado (van den Beuken-vanEverdingen et al. 
2007). Embora a verdadeira prevalência de dor oncológica em pequenos animais continue sendo desconhecida, pode-se presumir 
que seja alta, considerando que cães e gatos estão vivendo por mais tempo, e que o câncer é uma importante causa de morbidade e 
mortalidade nesta população. A dor oncológica é subdetectada e subtratada em humanos, e o mesmo é provavelmente verdadeiro 
 
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2022 WSAVA Global Pain Management Guidelines 
 
 
para os animais. Uma pesquisa envolvendo veterinários do Reino Unido revelou que 87% concordam que a dor oncológica é 
subdiagnosticada e 66% discordam que a dor oncológica é fácil de tratar (Bell et al. 2014). 
Dor em pacientes de câncer pode ter elementos de dor aguda ou crônica, ou ambas, e é de natureza multidimensional (Tabela 
10). Pode ser somática ou visceral, e geralmente envolve componentes inflamatórios e neuropáticos. 
 
Câncer ósseo 
Câncer ósseo pode ser de natureza primária, como os osteossarcomas em cães (Fig 21), ou resultar da infiltração óssea de outros 
cânceres (p.ex., carcinoma de células escamosas bucais em gatos). Osteossarcoma é um tumor ósseo maligno agressivo e invasivo, que 
causa alterações osteolíticas e proliferativas com predileção por cães de raças grandes e gigantes (Simpson et al. 2017). Estes cânceres 
causam 
 
 
Tabela 10. A dor oncológica é multifatorial e relacionada com a própria doença, mas também com procedimentos 
relacionados ao diagnóstico de câncer e à terapia em si, além de condições concomitantes 
Fator contribuidor para a dor 
oncológica 
Comentários 
Consequência direta do tumor A maioria dos tumores são lesões que ocupam espaços e que causam necrose tecidual, infiltração de tecidos 
moles ou ossos, e afetam os nervos periféricos. Dor inflamatória resulta de lesão e inflamação nos tecidos. 
Dor neuropática resulta do envolvimento ou compressão de nervos periféricos ou outros tecidos nervosos 
Interações neuroimunes A dor oncológica também é uma consequência de interações bioquímicas entre o tumor e seu ambiente 
hospedeiro. Comunicações complexas entre as células cancerosas, o sistema imune e os sistemas nervosos 
central e periférico desempenham um papel fundamental na potencialização do crescimento e 
disseminação de tumores e na geração e manutenção da dor oncológica 
Procedimentos diagnósticos Biopsias, punções aspirativas com agulha, endoscopia e posicionamento para imagiologia podem causar 
dor e desconforto temporários. 
Terapias anticâncer Venopunções, cirurgia, quimioterapia e radioterapia têm potencial de causar dor leve a intensa 
incluindo dor aguda, dor pós-cirúrgica persistente (p.ex., amputação, toracotomia), neuropatia induzida por 
quimioterapia e mucosite e dor induzidas por radiação 
Doença metastática Os cânceres podem invadir tecidos saudáveis, como em metástases ósseas 
Condições dolorosas concomitantes Pacientes com câncer geralmente têm outras fontes de dor crônica incluindo osteoartrite e doença periodontal 
 
 
FIG 21. Cão com osteossarcoma do rádio distal esquerdo e ilustração dos componentes que contribuem para a sensibilização periférica e central em 
pacientes com câncer ósseo. SP Substância P, NGF fator de crescimento nervoso, CGRP Peptídeo relacionado ao gene da calcitonina, PG 
Prostaglandinas, TRPV Receptor de potencial transitório vaniloide. Figura modificada de Monteiro (2019) 
 
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Síntese de 
mediadore
s 
Periósteo 
Componente 
tumoral: 
destruição e inflamação 
de ossos e tecidos 
moles 
Células 
estromais 
Fibras 
sensoriais 
Microambiente 
tumoral 
Interações 
neuroimunes: 
células neoplásicas, 
células estromais e 
fibras sensoriais 
Síntese de 
mediadores 
Componente 
neuropático 
Outros 
Outros 
Bradiquinina 
Endotelina 
Ativação dos 
receptores de TRPV 
e canais iônicos 
sensíveis a ácido 
Perda de força e 
estabilidade 
mecânica; fraturas 
patológicas 
Sensibilização de 
aferentes primários 
Lesão e destruição de 
fibras sensoriais 
Germinação 
patológica e formação 
de neuroma 
Potencializa o 
crescimento e 
disseminação do 
tumor 
Contribui para a 
geração e a 
manutenção da dor 
B. P. Monteiro et al. 
 
dor intensa e os pacientes são normalmente diagnosticados já em estágios avançados da doença. Um estudo com cães com 
osteossarcoma revelou que eles têm maior sensibilidade generalizada à dor, quando comparados a cães saudáveis, o que significa que 
eles sentem mais dor em qualquer lugar do corpo. Eles têm alodinia no local do tumor e hiperalgesia ao redor do tumor e em outros 
locais, e uma disfunção dos mecanismos inibidores de estímulos nocivos. Eles apresentam baixos valores de QdV, menos mobilidade 
e mais transtornos do sono (Monteiro et al. 2018). 
 
Câncer visceral 
Cânceres viscerais (abdominal e torácico) produzem dor, mas sua origem pode ser de difícil localização. Pode resultar da distensão e 
contração de órgãos ocos, dilatação das cápsulas de órgãos sólidos ou superfícies mucosas, isquemia causada por invasão tumoral ou 
compressão do suprimento de sangue visceral, ou da compressão ou invasão de estruturas neurais que alimentam as vísceras ou 
outras estruturas, como ligamentos, vasos ou mesentério (Wordliczek & Zajaczkowska 2013). 
 
 
1.12 Interação entre nutrição e dor 
Há uma ligação indissociável entre alimentação, obesidade e dor de OA em cães e gatos (Frye et al. 2016, Maniaki et al. 2021). Reduções 
na dor associadas a perda de peso foram documentadas em cães (German et al. 2012). Informações sobre a classificação de condições 
corporais e musculares estão disponíveis em https://wsava.org/global-guidelines/global-nutrition-guidelines/. 
Explicações para a intensa relação entre obesidade e dor de OA incluem maior carga mecânica pelo excesso de peso e alterações 
metabólicas, devidas a mediadores pró-inflamatórios derivados do tecido adiposo (Tvarijonaviciute et al. 2012, Van de Velde et al. 
2013, Barić Rafaj et al. 2017). A obesidade é, por si só, uma condição inflamatória, e a gordura é um “órgão” ativo que libera 
quantidades relevantes de citocinas. 
Também se sabe que a obesidade afeta o microbioma do intestino, que, por sua vez, demonstrou afetar tanto a dor quanto o status 
da doença (Schott et al. 2018). Micro-organismos entéricos se comunicam com o sistema nervoso (eixo neuro-imuno-endócrino) e 
influenciam a regulação da dor (Guo et al. 2019). Estados de dor crônica são marcados por neuroinflamação que contribui para a dor 
crônica, e, por sua vez, gera mais neuroinflamação (Nijs et al. 2020). A alimentação também pode contribuir para a neuroinflamação 
através de interações entre o intestino e o cérebro e de alteração do microbioma. Assim sendo, além da obesidade em si alterar a sensação 
de dor, mudanças na alimentação foram implicadas como uma forma de modulara sensação de dor. Porém, as especificidades das 
intervenções alimentares para modificação da dor em humanos não estão claras. Alguns estudos demonstram que dietas com poucas 
fibras e ricas em energia estão associadas a estresse oxidativo, necrose celular e danos teciduais em todo o corpo, via sinalização imune 
central pró-inflamatória e ativação glial (Brain et al. 2021). Outros mostram um benefício das dietas cetogênicas que apresentam alta 
densidade energética e proteica, para produzir alívio da dor e reduzir a inflamação (Field et al. 2021, Ruskin et al. 2021). Algumas 
espécies de micro-organismos entéricos podem produzir triptofano, aumentando a ação analgésica da serotonina, enquanto outras 
podem produzir agonistas dos receptores de NMDA, contribuindo para a sensibilização central (Nijs et al. 2020). Embora não existam 
dados específicos que sugiram o aproveitamento da microbiota para controle da dor, seu uso prebiótico na medicina veterinária está 
se expandindo e vários estudos demonstram benefício em diversas condições gastrintestinais e metabólicas (Grzeskowiak et al. 2015). 
Há uma ligação entre obesidade, inflamação, níveis de glicose e dor (Elma et al. 2020). Uma série de suplementos alimentares que 
reduzem a inflamação entérica (e sistêmica) podem desempenhar um papel, mas os resultados não são uniformes (vide Capítulo 
2.12). Controle alimentar e bloqueadores farmacológicos da neuroinflamação baseada na nutrição podem ter um futuro no manejo 
da dor crônica. Atualmente, as evidências apontam para o controle da obesidade como o método mais comprovado de controle da dor 
(Impellizeri et al. 2000, Smith et al. 2006). 
A dor aguda também pode afetar a ingestão de alimentos e os comportamentos alimentares. O consumo de alimentos secos e 
úmidos era significativamente menor em gatos que sentiam dor após múltiplas extrações dentárias, quando comparados a gatos após 
limpeza dentária ou mínimas extrações dentárias (Watanabe et al. 2019). Além disso, “a dificuldade de pegar alimentos secos com a 
boca” durante a alimentação e o ato de “abanar a cabeça” após as refeições eram comumente observados em gatos após múltiplas 
extrações dentárias, durante até 6 dias após a cirurgia (Watanabe et al. 2020b). 
 
 
1.13 Nível percebido de dor associada a diversas condições 
A classificação de condições em categorias (Tabela 11) visa somente servir como guia. A dor pode variar de acordo com o paciente 
e a condição e sua gravidade. Cada paciente deve ser avaliado individualmente. Também é importante lembrar que o “histórico de 
dor”, ou a “memória de dor” do paciente, impacta a dor que se pode esperar na condição que está senso atualmente tratada – pode-
se esperar que um histórico de dor prévia ou contínua em um paciente amplifique a dor associada a qualquer condição nova ou 
cirurgia (ou seja, agudização de dor crônica). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Tabela 11. Exemplos de condições médicas e cirúrgicas e seus níveis esperados de dor percebida 
2022 WSAVA Global Pain Management Guidelines 
 
 
Severa a excruciante Trombose aórtica em sela 
Fraturas articulares ou patológicas 
Câncer ósseo 
Queimadura 
Infarto/ tumores do sistema nervoso central 
Ablação do canal auricular 
Reparação de fratura quando há lesão extensiva de tecido mole 
Osteodistrofia hipertrófica 
Inflamação (extensiva, p.ex., peritonite, fasciíte) 
Amputação de membro 
Meningite 
Pancreatite necrotizante ou colecistite 
Dor neuropática (compressão/ inflamação de nervo, hérnia de disco intervertebral etc.) 
Cirurgia de coluna 
Trombose/isquemia 
Moderada a severa (varia de acordo com o 
grau da doença ou lesão) 
Dor capsular devido a organimegalia 
Abrasão/ ulceração de córnea 
Cirurgia ortopédica corretiva (osteotomias; cirurgia de ligamento cruzado; artrotomias abertas) 
Distocia 
Fase inicial ou de cura de lesões/inflamação/doença de tecido mole 
Ressecção extensiva e reconstrução após remoção de massas 
Queimadura de frio 
Glaucoma 
Distensão de órgão oco 
Artrite imunomediada 
Doença de disco intervertebral 
Mastectomia 
Mastite 
Torção mesentérica, gástrica, testicular ou outras 
Mucosite (incluindo mucosite associada a radioterapia) 
Câncer de boca 
Pan-osteíte 
Peritonite/Pleurite 
Estomatite 
Trauma (ou seja, ortopédico, extensivo de tecido mole, cabeça) 
Obstrução ureteral/ uretral/ biliar 
Uveíte 
Moderada Cistite 
Doença dentária 
Artroscopia e laparoscopia 
Osteoartrite (pode ser severa se houver envolvimento de dor neuropática; fases terminais de vida) 
Ovariohisterectomia 
Lesões de tecidos moles (ou seja, menos severas do que as descritas acima) 
Obstrução uretral 
Leve a moderada Abscessos e seu manejo 
Castração 
Drenos torácicos 
Doença odontológica 
Cistite 
Otite 
Lacerações superficiais 
As condições são descritas em ordem alfabética, e não de severidade. Pode haver variabilidade individual e a dor deve ser avaliada e verificada caso a caso 
 
1.14 Equívocos comuns sobre dor 
Opioides causam depressão respiratória em cães e gatos acordados 
Falso. Este equívoco surgiu do fato de que humanos são extremamente sensíveis aos efeitos depressores da respiração dos opioides. 
Opioides raramente causam efeitos adversos graves no período perianestésico quando se usam doses adequadas (Wagner et al. 2003). 
Porém, em animais doentes, medicamentos opioides devem ser titulados para se alcançar analgesia, o que minimizará o risco de 
comprometimento respiratório. Observação e monitoramento atentos (p.ex., frequência e profundidade respiratória e oximetria de 
pulso) são recomendados em animais semiconscientes, com patologia intracraniana (p.ex., após traumatismo craniano), e em raças 
braquicefálicas, principalmente com síndrome obstrutiva das vias aéreas dos braquicefálicas. 
 
Animais semiconscientes apresentam maior risco de pneumonia aspirativa 
Verdadeiro. A causa da pneumonia aspirativa (PA) em cães e gatos é multifatorial e pode ocorrer no período perioperatório. Em 
um estudo retrospectivo, 18% dos gatos diagnosticados com PA haviam sido anestesiados (Levy et al. 2019). Em um estudo 
retrospectivo multicêntrico em larga escala, com cães que foram sedados ou anestesiados, a incidência de PA era de 0,17% (Ovbey et 
al. 2014). Nesse estudo, um evento de regurgitação, ou o uso de hidromorfona, foram significativamente associados ao 
desenvolvimento de PA. Pacientes com paralisia laríngea, disfunção esofágica e síndrome braquicefálica, ou naqueles submetidos a 
procedimentos cirúrgicos específicos (p.ex., laparotomia, cirurgia de vias aéreas superiores, neurocirurgia, toracotomia e endoscopia) 
apresentam maior risco de desenvolver PA (Ovbey et al. 2014, Darcy et al. 2018). Embora nenhum estudo relacione causalmente o 
nível de consciência (p.ex., semiconsciente versus totalmente acordado), ao desenvolvimento de PA, parece intuitivo dizer que os 
animais semiconscientes têm menor probabilidade de possuir reflexos laríngeos rápidos e eficazes para proteger suas vias aéreas. 
 
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B. P. Monteiro et al. 
 
Doses altas de opioides intraoperatórios podem causar problemas 
Pode ser verdadeiro. Opioides intraoperatórios são benéficos, já que eles reduzem os requisitos anestésicos e proporcionam 
analgesia. Pode ocorrer depressão respiratória em decorrência dos efeitos combinados com medicamentos anestésicos, mas isto é 
facilmente tratado através de ventilação manual ou mecânica. Podem ocorrer problemas durante a recuperação da anestesia; em um 
estudo, praticamente 25% dos cães que receberam uma taxa contínua de infusão de fentanil intraoperatório para procedimentos 
ortopédicos apresentaram disforia pós-anestésica (Becker et al. 2013). 
Opioides, principalmente em doses altas, quando administrados como único analgésico durante um procedimento, podem 
potencializar o fenômeno “wind-up” da dor, através da ativação da glia (ou seja, hiperalgesia induzida por opioides). Isto não foi 
confirmado na medicina veterinária, mas pode resultar em escalonamento frequente de dose, analgesia inadequada e, em alguns casos, 
hiperalgesia (Colvin et al. 2019). 
 
Agentes anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) são tóxicos para cães e gatos 
Falso. Inflamação é um componente comum da dor aguda e crônica. Portanto, AINEs são um elemento primordial do tratamento. 
AINEs são amplamente utilizados para aliviar dor de curto e longo prazo em muitos animais mundialmente. Os benefícios analgésicos 
superam os possíveis riscos. Os prós e contras do uso de AINEs em animais com função hepática prejudicada e doença renal 
avançada devem ser cuidadosamente considerados. Os eventos adversos mais comumente relatados em cães são vômito, diarreia e 
anorexia (Monteiro-Steagall et al. 2013). Cada paciente deve ser individualmente avaliado em relação a possíveis fatores de risco antes 
da administração e devem ser monitorados durante o tratamento. Vários AINEs aprovados para uso em humanos têm uma margem 
de segurança estreita em animais, devendo ser usados com cautela, ou simplesmente não devem ser usados em animais. Nos casos 
em que há disponibilidade de medicamentos aprovados específicos para as espécies, estes devem ser preferencialmente usados. 
 
Se eu aliviar a dor, o animal vai se movimentar, ficar mais ativo, o que acabará rompendo sua linha de 
sutura/ reparação da fratura 
Falso. Permitir que os animais sintam dor para controlar os movimentos após uma cirurgia é antiético. Quando a atividade precisa 
ser controlada, outros métodos devem ser adotados (p.ex., confinamento em jaula, caminhadas controladas com coleira). Em cães, o 
confinamento pós-operatório foi facilitado pela administração de trazodona (Gruen et al. 2014). Exercício de sustentação controlada 
de peso é essencial para reparo pós-operatório ortopédico, para garantir a devida cicatrização óssea e para manter a massa muscular 
para sustentação do membro. Ausência de sustentação de peso resulta em cicatrização óssea prejudicada, atrofia muscular e 
contratura. Sem a administração de analgésicos, os movimentos e a fisioterapia podem ser dolorosos em excesso. Se a dor associada 
a incisões abdominais ou torácicas não for aliviada, a ventilação normal pode ser prejudicada. 
Pacientes pediátricos não sentem dor 
Falso. Há sólidas evidências que corroboram a premissa de que recém-nascidos humanos sentem dor e podem, na verdade, ser 
mais sensíveis à dor se a mesma não for tratada. Isto pode resultar e sofrimento duradouro (Anand 2001). Exames de imagens de RM 
funcionais em bebês recém-nascidos pressupõem que alguns elementos da dor são semelhantes aos de adultos (Ranger & Brunau 
2015). Com base nas similaridades da neuroanatomia dos mamíferos, pode-se presumir que cães e gatos recém-nascidos podem sentir 
dor, embora esta possa ser diferente da que os adultos experimentam. 
 
Medicamentos analgésicos mascaram os sinais de deterioração do paciente ou impedem o diagnóstico ou 
seguimentos adequados 
Falso. Se um paciente estiver com dor, os analgésicos são necessários por razões éticas e para diminuir os efeitos fisiológicos adversos 
relacionados com a dor, como taquicardia, taquipneia, baixos volumes correntes e íleo paralítico. Devem-se administrar analgésicos o 
mais rapidamente possível após um exame físico. Em alguns pacientes, o exame pode não ser possível até que sua dor tenha sido 
aliviada. Os analgésicos administrados sistemicamente (p.ex., opioides) proporcionarão alívio, mas é improvável que eliminem 
completamente a dor resultante de trauma agudo ou em casos cirúrgicos de emergência (p.ex., dor visceral grave devido à dilatação 
vólvulo gástrica). Opioides de ação rápida podem ser usados e titulados até a obtenção de efeito, para permitir a avaliação do paciente e 
alívio apropriado da dor com sedação mínima (p.ex., exame neurológico). 
 
Medicamentos anestésicos são analgésicos e, portanto, previnem a dor 
Falso. Medicamentos como anestésicos inalatórios (p.ex., isoflurano, sevoflurano) e injetáveis (p.ex., propofol, alfaxalona) 
bloqueiam a percepção da dor e têm sido referidos como analgésicos em alguns livros didáticos. No entanto, eles não são medicamentos 
antinociceptivos e analgésicos clássicos. Portanto, a nocicepção (transdução, transmissão e modulação) ainda ocorre durante a anestesia 
geral, se ocorrerem estímulos nocivos e se não forem administrados medicamentos antinociceptivos. Ao despertar, o paciente sentirá dor 
(uma emoção consciente com alterações neuroendócrinas). 
 
O manejo da dor é focado exclusivamente no uso de medicamentos 
Falso. A abordagem para dor aguda e crônica deve ser integrativa, o que significa combinar terapias farmacológicas e não 
farmacológicas. Exemplos de terapias não medicamentosas incluem, porém não se limitam a acupuntura, massagem medicinal, dieta, 
 
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2022 WSAVA Global Pain Management Guidelines 
 
 
 
 
 
aditivos ou suplementos alimentares, reabilitação física e tratamento e cuidados de apoio. A crioterapia, ou terapia com gelo (Capítulo 
2.10) é uma modalidade eficaz e barata (Wright et al. 2020). Assim como a utilização de combinações de medicamentos analgésicos 
é chamada de multimodal, o uso de técnicas farmacológicas e não farmacológicas também é multimodal e oferece, possivelmente; 
benefícios adicionais para o paciente. 
 
Exercícios são contraindicados em pacientes com dor articular 
Falso. Exercícios controlados reduzem a experiência de dor em vários tipos de dor aguda e alguns de dor crônica (Naugle et al. 
2012). Estudos demonstram que o exercício ativa vários sistemas neuromoduladores analgésicos endógenos, como opioides, óxido 
nítrico, serotonina, catecolaminas e endocanabinoides (Santos & Galdino 2018). O exercício também beneficia a estrutura e a função 
da cartilagem; mobilidade muscular, fascial, tendinosa e ligamentar; estrutura e função do osso e do disco intervertebral. A inatividade 
aumenta a sensação de dor de várias origens a nível dos tecidos moles (Langevin et al. 2018). Exercícios controlados, exercícios 
isométricos e de equilíbrio, de amplitude de movimento e exercícios de fortalecimento, natação e exercício em uma esteira subaquática 
podem ser benéficos. 
 
Animais sedados provavelmentenão sentem dor 
Falso. A sedação apenas mascara os sinais comportamentais da dor e nossa capacidade de reconhecer e avaliar a dor. Sedação com 
medicamentos não analgésicos resulta em pacientes com a aparência externa de estarem confortáveis, mas, se forem analisados (p.ex., 
através de palpação no sítio cirúrgico), provavelmente sentirão dor. A sedação pode ser desejável, mas deve ser obtida através de uma 
combinação de analgésicos e sedativos, ou tranquilizantes, ou com um analgésico com propriedades sedativas (p.ex., 
dexmedetomidina, butorfanol), e o paciente deve ser submetido a avaliações regulares da dor. 
 
Todas as alterações da mobilidade são consequência da dor 
Falso. Dores relacionadas a OA/DAD são causas comuns de dificuldade na mobilidade em cães e gatos. Contudo, há outras causas, 
incluindo mielopatia degenerativa, polineuropatia associada a paralisia de laringe em pacientes geriátricos, neuropatia diabética em 
gatos, ataxia secundária a síndrome vestibular, e unhas demasiadamente compridas. Diminuição da visão ou cegueira podem 
prejudicar o comportamento exploratório de um animal. Diferenciar dor de outras formas de fragilidades ou mobilidade é vital para 
a avaliação da QdV. 
 
Suplementos e ervas são naturais, e, portanto, seu uso é sempre seguro 
Falso. Muitos cuidadores e veterinários defendem o uso de ervas e suplementos como tratamentos adjuvantes para a dor. É 
importante conhecer muito bem estes produtos, incluindo seus efeitos colaterais e interações com agentes farmacológicos. 
Simplesmente ser natural não sugere segurança, como revelam livros sobre plantas tóxicas. Por exemplo, síndrome de serotonina, 
um espectro de sinais clínicos causados por níveis elevados de serotonina, é provavelmente o evento adverso mais comum reportado 
com suplementos como a erva-de-são-joão (Hypericum perforatum). A síndrome de serotonina pode resultar de uma overdose ou do 
facto de o paciente já tomar outros medicamentos (p.ex., clomipramina, fluoxetina, trazodona), que alteram os níveis de serotonina 
(Mohammad-Zadeh et al. 2008, Almgren & Lee 2013). Fitoterápicos como Boswellia e canabinoides podem modificar as enzimas 
hepáticas e a taxa do metabolismo de outros medicamentos. 
A Sociedade Americana de Anestesiologia (2015) sugere a interrupção do uso de várias ervas e suplementos antes da anestesia e 
da cirurgia; isto inclui alho, ginkgo biloba, ginseng e vitamina E, que podem aumentar o sangramento, e kava kava e valeriana que 
podem prolongar os efeitos de alguns medicamentos anestésicos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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B. P. Monteiro et al. 
 
 SEÇÃO 2 
 
2.1 Abordagens gerais para tratamento da dor 
A dor é uma doença complexa. É uma experiência desagradável que envolve componentes sensoriais e emocionais e é exclusiva a 
cada indivíduo. A dor é melhor manejada precocemente e com um protocolo robusto. É mais difícil tratar a dor uma vez que a 
mesma já está estabelecida. Obviamente, isso nem sempre é possível, mas, quando é, a prevenção deve ser o foco do plano analgésico. 
No tratamento da dor, o objetivo é aboli-la ou, pelo menos, reduzi-la ao mínimo. 
Os termos "analgesia preemptiva" e "analgesia preventiva" podem ser confusos. Analgesia preemptiva refere-se à administração de 
analgésicos antes do dano/insulto tecidual (ou seja, no pré-operatório). Analgesia preventiva é uma abordagem clínica mais adequada, 
pois se refere à administração de analgésicos no pré, intra e pós-operatório. Considera fatores em todos os momentos perioperatórios 
que podem contribuir para a sensibilização periférica e central e envolve quaisquer técnicas/medicamentos analgésicos 
perioperatórios para alívio da dor (Dahl & Kehlet 2011). Os medicamentos geralmente usados para analgesia preventiva incluem 
AINEs, anestésicos locais, opioides, agonistas alfa-2-adrenérgicos, antagonistas de NMDA (p.ex., cetamina) e gabapentina. A terapia 
fria é a opção não farmacológica mais acessível utilizada no pós-operatório (Wright et al. 2020). Estas terapias reduzem a intensidade 
da dor perioperatória e podem contribuir para uma redução na prevalência de dor pós-cirúrgica persistente. 
Analgesia multimodal consiste no uso de terapias farmacológicas e não farmacológicas (abordagem integrativa). A administração 
concomitante de medicamentos e tratamentos que atuam em diferentes sítios da rota nociceptiva, proporcionam analgesia ideal. 
Como eles objetivam diferentes mecanismos da dor, podem ser administradas doses mais baixas de cada medicamento, minimizando 
a ocorrência de efeitos adversos. A escolha do(s) medicamento(s) usado(s) para tratar a dor dependerá de sua causa subjacente, sua 
gravidade e duração. É necessário conhecimento sobre a farmacologia medicamentosa em cada espécie, e em pacientes de diferentes 
idades e estados físicos. Por exemplo, é provável que os perfis farmacocinéticos dos medicamentos sejam diferentes entre pacientes 
adultos, pediátricos (filhotes de cães e gatos de <12 semanas de idade), idosos (cães e gatos que atingiram >75% da expectativa de 
vida) e pacientes com comorbilidades, que poderiam alterar os esquemas posológicos. Os dados farmacocinéticos não devem ser 
extrapolados de uma espécie para outra, particularmente entre cães e gatos. 
Terapias não farmacológicas devem ser adicionadas ao protocolo de manejo da dor sempre que possível. Emoções positivas 
desempenham um papel significativo na diminuição da dor. Todas as medidas para reduzir o estresse, o medo e a ansiedade, e para 
proporcionar estímulo mental e físico positivo são encorajadas. No período perioperatório, estas medidas incluem proporcionar um 
lugar quente, limpo e confortável para dormir em um ambiente tranquilo, acariciar suavemente e interagir positivamente com o 
animal, fornecer esconderijos e superfícies elevadas para gatos, levar cães para passeios frequentes, se possível, etc. Na dor crônica, 
estas providências incluem aumentar a atividade física, estimular o comportamento lúdico, promover interações positivas para 
reforçar o vínculo entre o humano e animal, e proporcionar enriquecimento ambiental. 
 
Dor aguda 
A dor aguda é desencadeada por um evento traumático, cirúrgico ou infeccioso. Dor perioperatória é um exemplo clássico de dor aguda. Ela 
pode ser dividida em quatro principais pontos de tempo: pré-operatória; intraoperatória; pós-operatória imediata ("no hospital"); e 
períodos pós-operatórios posteriores ("em casa", "fase de cicatrização"). O plano analgésico influencia o grau de dor pós-operatória. O 
manejo da dor perioperatória deve incorporar medicamentos de várias classes diferentes, aplicando os conceitos de analgesia preventiva e 
multimodal. O alívio da dor também pode ser proporcionado por terapias não medicamentosas, incluindo crioterapia, acupuntura, 
exercícios de movimento passivo em amplitude, massagem, exercício terapêutico, hidroterapia, ultrassom e estimulação elétrica (Tick et 
al . 2018). Os cuidados de enfermagem, incluindo considerações cuidadosas sobre o ambiente físico, o cuidado com feridas, o esvaziamento 
da bexiga e as interações humano-animal são importantes para melhorar as experiências hospitalares (Capítulo 2.13). O grau de dor 
perioperatória pode ser influenciado pela técnica cirúrgica (Xu & Brennan 2010) e local da intervenção. Manuseamento delicado dos 
tecidos e técnicas que minimizem o trauma (p.ex., pequenas incisões;cirurgias minimamente invasivas, como artroscopia e laparoscopia) 
devem ser empregados sempre que possível (Culp et al. 2009). Quando inflamação ou dor crônica estão presentes antes da cirurgia 
(p.ex., piometria, câncer ou OA), o grau de dor durante e após a cirurgia pode ser maior, requerendo doses mais frequentes ou mais altas 
de analgésicos, durante um período mais prolongado. Isto é frequentemente descrito como "crise aguda de dor crônica". Podem ser usadas 
escalas de dor para otimizar os regimes analgésicos. 
Dor crônica 
Dor crônica, ou mal adaptativa, pode estar associada a uma condição primária, ou existir por si mesma. Em humanos, a dor crônica 
é geralmente acompanhada de medo, ansiedade, depressão e raiva, que podem exacerbar a dor e seu impacto negativo na QdV do 
paciente. Embora possa afetar pacientes de qualquer idade, animais geriátricos são mais frequentemente afetados. Mudanças de 
comportamento relacionadas com a dor crônica têm início insidioso e sutil e são geralmente subdiagnosticadas ou confundidas com 
“envelhecimento normal” (Monteiro & Steagall 2019b). Veterinários que tratam de animais com doenças crônicas (p.ex., otite crónica, 
feridas crônicas, doença inflamatória intestinal, OA) devem sempre considerar o potencial de dor crônica associada. A conduta de 
tratamento depende da causa subjacente da dor, sua duração e quão bem ela já foi manejada anteriormente. Dor crônica pode apresentar 
exacerbações agudas de dor anteriormente bem controlada (“crise aguda de dor crônica”). Uma abordagem multimodal provavelmente será a 
mais eficaz, sendo essencial educar o cuidador, especialmente em termos de expectativas para o tratamento e prognóstico. Os pilares 
fundamentais do tratamento da dor são os AINEs; no entanto, têm surgido mais evidências com outras terapias, como os anticorpos 
monoclonais. Terapias adjuvantes também devem ser consideradas, devendo-se dar atenção especial a terapias que possam reduzir a 
sensibilização disseminada. 
 
 
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2022 WSAVA Global Pain Management Guidelines 
 
 
 
Na dor crônica, os cuidadores de animais de companhia estão altamente envolvidos e interligados como parte da equipe de cuidados 
de saúde. Por exemplo, são eles que observam o animal no ambiente domiciliar, que completam os CMIs avaliados pelo cuidador, e 
que gravam vídeos para compartilhar com a equipe veterinária. São eles também que monitoram a eficácia do tratamento, administram 
analgésicos e aplicam mudanças no ambiente (ou seja, modificações ambientais; Fig 22) e no estilo de vida (p.ex., controle do peso e 
atividade física) do animal. 
 
 
2.2 Opioides 
O que são opioides 
Um opiáceo é um fármaco naturalmente derivado do ópio da flor de papoula. O termo opioide é um termo mais amplo que inclui 
opiáceos e refere-se a qualquer substância, natural ou sintética, que se liga aos receptores dos opioides. Por muitos anos, os opioides 
têm sido a base do tratamento de dor aguda na medicina veterinária. Eles variam em termos de sua especificidade, potência e eficácia 
no receptor, resultando em diferentes efeitos clínicos. Os opioides são geralmente divididos em quatro grupos: agonistas completos 
[morfina, metadona, fentanila e seus derivados, petidina (meperidina), etc.], agonistas-antagonistas (butorfanol e nalbufina), agonistas 
parciais (buprenorfina) e antagonistas (naloxona, nalmefeno e naltrexona). Este último grupo é desprovido de atividade agonista. Os 
opioides têm alta eficácia e são notavelmente seguros em animais, em parte devido à sua reversibilidade (Simon & Steagall 2017). A 
maioria dos opiáceos são substâncias controladas ou listadas e, em alguns países, não são acessíveis aos veterinários. São considerados 
medicamentos essenciais básicos, de acordo com a Lista WSAVA de Medicamentos Essenciais para Cães e Gatos (Steagall et al. 
2020a). A variabilidade individual de resposta após a administração de opiáceos pode ser observada devido a diferenças nos efeitos 
farmacocinéticos-farmacodinâmicos, sexo, idade, genótipo, tipo e número de receptores opioides e sua distribuição dentro do 
SNC, e mecanismos de transporte cerebral. Por exemplo, o metabólito do tramadol (O-desmetiltramadol; metabólito M1) tem 
atividade opioide, mas a capacidade para metabolizar tramadol é espécie-específica. A administração de tramadol em cães, ao 
contrário de em gatos e humanos, não resulta em concentrações plasmáticas significativas deste metabolito (Perez Jimenez et al. 
2016) (vide Capítulo 2.7). 
 
Como eles funcionam 
Os opioides se ligam aos receptores de opioides [μ (mu), κ (kappa), δ (delta), nociceptina e seus subtipos] nos sistemas nervosos central 
e periférico inibindo a liberação de neurotransmissores excitatórios pelas fibras aferentes na medula espinhal, desta forma inibindo a 
transmissão sináptica de estímulos nociceptivos. Após a sinapse, o efluxo aumentado de potássio (K+) causa hiperpolarização neuronal 
dos neurônios de projeção da medula espinhal e inibe as rotas nociceptivas ascendentes. Os opioides não interferem na função motora nem 
na propriocepção (Simon & Steagall 2017). 
 
Indicações 
Opioides produzem analgesia, euforia, midríase (gatos) ou miose (cães), sedação, excitação (disforia) e vários outros efeitos 
fisiológicos dependendo da espécie. Eles são usados para tratamento de dor moderada a intensa. Seus efeitos analgésicos dependem 
do medicamento opioide, dose, via de administração, sistema de aplicação e espécie para a qual o medicamento está sendo 
administrado (Hofmeister & Egger 2004). 
 
FIG 22. Estratégias para modificação ambiental. (A) Exemplos de ferramentas caseiras para estimular os gatos física e mentalmente. Fitas de embrulhos 
de presente, sacolas de mercado e caixas aleatórias podem ser usadas, e várias ideias podem ser encontradas na Internet. Observe que cordames e 
linhas não devem ser usados devido ao risco de ingestão inadvertida, resultando em corpo estranho linear. Nesta imagem, uma caixa de sapatos e rolos 
de papel higiênico foram usados para criar um “quebra-cabeças alimentar”. Grãos de ração seca são distribuídos pelos rolos de papel higiênico e o gato 
precisa procurar e alcançar o alimento. Alternativamente, a comida pode ser dada em caixas de ovos. Estratégias que aumentam o tempo de consumo 
dos alimentos contribuem para a saciedade e controle do peso. (B) Exemplos de árvores de gatos, túneis, arranhadores, quebra-cabeças alimentar e 
roda disponíveis comercialmente. Figura (A) cortesia de Beatriz Monteiro. Figura (B) reproduzida de Monteiro (2020) 
 
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B. P. Monteiro et al. 
 
Os opioides são amplamente utilizados no contexto perioperatório como parte da analgesia multimodal e preventiva, bem como por 
seus efeitos poupadores de anestésicos (ou seja, necessidades reduzidasde anestésicos inalatórios) (Tabela 12). Eles também são 
amplamente administrados no ambiente emergencial e de cuidados críticos (ou seja, pancreatite, queimaduras, trauma, meningite). A 
administração epidural de morfina é usada para proporcionar analgesia pós-operatória no contexto clínico. Os opioides raramente 
causam excitação ("morfinomania") em gatos quando se usam doses e intervalos de administração apropriados. Sedação normalmente 
ocorre em cães e, mais comumente, em doentes geriátricos, pediátricos e criticamente doentes. A administração intravenosa (IV) e 
intramuscular (IM) é preferível (Steagall et al. 2006); no entanto, buprenorfina e metadona podem ser administradas por via 
transmucosa oral (TMO) para produzir antinocicepção em gatos. Os opioides orais têm uma biodisponibilidade extremamente baixa 
em cães e gatos e não devem ser usados para fins de analgesia. 
Pesquisas demonstraram que filhotes de gatos e gatos adultos podem responder de forma diferente à administração de opioides. 
A magnitude da antinocicepção foi consistentemente maior em gatos de 12 meses quando comparada com os de 6 meses de vida. 
Nesse estudo, a hidromorfona proporcionou uma duração menor e menor magnitude de antinocicepção nos mesmos gatos de 6 
meses quando comparados aos de 9 e 12 meses. Esses resultados sugerem que filhotes de gatos de 6 meses de idade podem requerer 
doses mais frequentes de opioides do que adultos (Simon et al. 2019). 
 
Efeitos adversos 
Efeitos adversos podem incluir náuseas e vômitos, disforia, respiração ofegante (cães), bradicardia, liberação de histamina [morfina 
e petidina (meperidina), principalmente quando administradas por injeção rápida IV], incontinência/retenção urinária (após a 
administração de morfina epidural) e depressão respiratória. No entanto, os efeitos adversos geralmente estão associados a altas doses. 
Menos comumente, podem ser observadas inapetência, inquietação, constipação e hipotermia ou hipertermia (mais comumente após 
hidromorfona em gatos). Qualquer um desses efeitos adversos é prontamente revertido com titulação cuidadosa de naloxona ou 
butorfanol (Tabela 12). Contudo, a analgesia também pode ser revertida. 
 
Tabela 12. Recomendações sugeridas para uso de medicamentos analgésicos opioides e do antagonista de opioides 
naloxona em cães e gatos † 
Analgésico opioide Cães – doses e 
frequência 
Gatos – doses e 
frequência 
Via de 
administração 
Comentários 
Morfina 0,3 a 0,5 mg/kg a cada 0,2 a 0,3 mg/kg a cada IM Administração IV lenta é possível após diluição do 
 2 a 4 horas 4 a 6 horas medicamento. Porém, pode haver liberação de histamina 
Petidina (meperidina) 3 a 5 mg/kg a cada 1 a 3 a 5 mg/kg a cada 1 a IM Não administrar IV devido à liberação de histamina 
 2 horas 2 horas 
Metadona 0,3 a 0,5 mg/kg a cada 0,2 a 0,3 mg/kg a cada IM, IV, OTM‡ Possui propriedades antagonistas dos receptores de NMDA. 
A administração TMO produz antinocicepção em gatos 
 3 a 4 horas 4 horas 
Hidromorfona 0,05 a 0,1 mg/kg 0,025 a 0,05 mg/kg IM, IV Pode causar hipertermia em gatos 
 a cada 4 a 6 horas a cada 4 a 6 horas 
Fentanila Bolus de 2 a 5 μg/kg 
+TIC 
Bolus de 1 a 3 μg/kg 
+TIC 
IV Podem-se aumentar as doses para efeito poupador de 
anestésico inalatório ou para analgesia máxima 
 3 a 6 μg/kg/hora 2 a 3 μg/kg/ hora 
Remifentanila 6 a 12 μg/kg/ hora 4 a 6 μg/kg/ hora IV Podem-se aumentar as doses para efeito poupador de 
anestésico inalatório ou para analgesia máxima. Não 
requer bolus. Remifentanila tem metade da potência 
de fentanila 
Butorfanol 0,2 a 0,4 mg/kg a cada 0,2 a 0,4 mg/kg a cada IM, IV Eficácia analgésica limitada, adequado apenas 1 
a 2 horas 1 a 2 horas para tratamento de dor leve 
Nalbufina 0,3 a 0,5 mg/kg a cada 0,2 a 0,4 mg/kg a cada IM, IV Eficácia analgésica limitada, adequado apenas 
2 a 4 horas 2 a 4 horas para tratamento de dor leve. Poucos estudos em 
medicina veterinária 
Buprenorfina 0,01 a 0,02 mg/kg 0,02 a 0,04 mg/kg IM, IV, TMO‡ Há uma fórmula de alta concentração de buprenorfina 
a cada 4 a 8 horas a cada 4 a 8 horas disponível (1,8 mg/mL) (atualmente somente nos 
EUA) – esta fórmula é administrada a 0,24 mg/kg a cada 
24 horas por até 3 dias para controle da dor pós-
operatória em gatos 
Uma solução transdérmica de buprenorfina foi 
recentemente aprovada para uso nos EUA – uma única 
solução transdérmica é aplicada na pele da base do 
pescoço e proporciona até 4 dias de controle da dor 
pós-operatória em gatos. O volume da dose é de 
0,4 mL (8 mg) para cada 1,2 
a 3 kg de peso corporal ou 1 mL (20 mg) para >3 a 7,5 
kg de peso corporal em gatos 
Naloxona (antagonista) 0,04 mg/kg a cada 0,5 0,04 mg/kg a cada 0,5 a IM, IV Diluir e titular lentamente até efeito quando estiver re- a 
1 hora 1 hora vertendo efeitos adversos induzidos por opiodes 
em pacientes com dor. Misture 0,25 mL de naloxona 
(0,4 mg/mL) com 5 a 10 mL de solução salina. 
Lentamente administre 1 mL/minuto da diluição até 
que os efeitos adversos tenham atenuado para evitar 
antagonismo da analgesia do opioide 
 
IM Intramuscular, IV Intravenosa, TMO Transmucosa oral 
†As doses podem ser aumentadas ou diminuídas de acordo com cada caso com base na resposta individual e em outros medicamentos que estiverem sendo administrados 
concomitantemente. A avaliação rotineira da dor e mudanças nos escores de dor orientam as decisões sobre terapia analgésica 
‡A via de administração TMO é usada somente em gatos 
 
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2022 WSAVA Global Pain Management Guidelines 
 
Contraindicações 
 
O veterinário deve pesar os prós e os contras da administração de opioides já que alguns efeitos indesejáveis podem ser clinicamente 
irrelevantes quando o manejo da dor é uma prioridade. 
 
Interações medicamentosas 
 
Opioides são comumente combinados com benzodiazepinas, agonistas dos receptores alpha2-adrenérgicos ou acepromazina 
(neuroleptanalgesia) para pré-medicação. Opioides podem exercer um efeito sinérgico quando combinados com AINEs (Steagall et 
al. 2009) e anestésicos locais como parte da analgesia multimodal. Misturar diferentes grupos de opioides (ou seja, butorfanol e 
buprenorfina, butorfanol e hidromorfona) resulta em efeitos imprevisíveis e, portanto, não é recomendado. 
 
Considerações especiais 
 
Tolerância a opioides é reportada em humanos e em animais de laboratório, mas é raramente um problema com o uso de curta 
duração na medicina veterinária. Há relatos de hiperalgesia induzida por opioides em humanos e ratos; no entanto, ainda não há 
casos documentados na prática de pequenos animais. 
 
Anestesia livre de opioides ou poupadora de opioides 
 
Infelizmente, a comunidade veterinária internacional nem sempre tem acesso a analgésicos opioides, o que leva a um sofrimento 
desnecessário para os animais e fadiga por compaixão entre os profissionais de veterinária. Alternativas a opioides incluem técnicas 
que utilizam analgesia multimodal incluindo anestésicos locais, AINEs e outros analgésicos adjuvantes. Elas são normalmente 
chamadas de anestesia livre de opioides ou poupadora de opioides. Os efeitos anestésicos e analgésicos de um protocolo injetável 
livre de opioides (IM) incluindo cetamina (5 mg/kg), midazolam (0.25 mg/kg) e dexmedetomidina (40 μg/kg) foram estudados em 
gatos submetidos a ovariohisterectomia. Os gatos também receberam bupivacaína intraperitoneal (2 mg/kg)e meloxicam (0.2 mg/kg) 
após a cirurgia. O protocolo proporcionou anestesia adequada para a cirurgia; contudo, a analgesia pós-operatória não foi ideal na 
maioria dos gatos e a prevalência de analgesia SOS foi maior em gatos adultos em comparação a gatos filhotes (Diep et al. 2020). Um 
estudo subsequente de desenho semelhante com gatos adultos comparou um protocolo livre de opioides a um protocolo poupador 
de opioide (ou seja, administração pré-operatória de buprenorfina). O estudo revelou que uma única dose de buprenorfina eliminou 
a necessidade de analgesia SOS no pós-operatório (0/14 e 5/14 gatos necessitaram de analgesia SOS nos grupos poupador de opioides 
e livre de opioides, respectivamente) (Rufiange et al. 2022). Outro estudo subsequente com filhotes de gato comparou um protocolo 
livre de opioides semelhante com ou sem analgesia multimodal. Os filhotes no grupo multimodal receberam meloxicam no pré-
operatório e bupivacaína intraperitoneal no intraoperatório. A prevalência de analgesia SOS foi maior no grupo de controle (n=15/15) 
do que no grupo multimodal (n=1/14) (Malo et al. 2022). Revisões sobre o uso de opioides em cães e gatos incluindo orientação 
clínica, e concepções erradas e controvérsias relacionadas à analgesia com opioides são recomendadas como leitura adicional (Steagall 
et al. 2014, Bortolami & Love 2015, Simon & Steagall 2017, Kongara 2018). 
 
2.3 Agentes anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) 
O que são AINEs 
AINEs exercem efeitos antipiréticos, anti-inflamatórios e analgésicos (Tabela 13). São comumente administrados por via oral, embora 
existam algumas apresentações injetáveis. Os AINEs são primordialmente metabolizados no fígado e excretados por via biliar (fecal) 
e na urina. 
Como eles funcionam 
 
AINEs agem na cascata do ácido araquidônico. Eles ou bloqueiam a atividade das enzimas ciclo-oxigenase (COX) e a consequente 
produção de prostaglandinas, ou, como no caso dos piprants (veja adiante), bloqueiam a interação das prostaglandinas com seus 
receptores (Fig 23). A COX-1 produz uma série de prostaglandinas envolvidas em processos fisiológicos incluindo homeostase 
vascular, gastroproteção, fluxo de sangue renal e coagulação do sangue. A COX-2 também está relacionada a algumas funções 
fisiológicas, mas é basicamente liberada após lesões teciduais para a produção de prostaglandinas inflamatórias (Monteiro & Steagall 
2019a). Ao inibir a atividade da COX, os AINEs proporcionam analgesia (inibição da inflamação e da dor), mas também podem 
resultar em efeitos adversos (inibição de funções fisiológicas). Cada AINE inibe a COX-1 e a COX-2 em diferentes graus. 
Indicações 
 
AINEs inibidores da COX são analgésicos eficazes no período perioperatório, assim como em outros estados de dor aguda e crônica, 
como OA, câncer e outras condições inflamatórias (Tabela 13). Eles são administrados como analgésico único ou em combinação com 
medicamentos adjuvantes dependendo da intensidade da dor (Monteiro & Steagall 2019a). Quando usados para condições de dor 
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B. P. Monteiro et al. 
 
Tabela 13. Agentes anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs): recomendações de doses para cães e gatos† 
Medicamento Indicação Espécie, Dose‡, Via Frequência 
Carprofeno Dor cirúrgica Cães: 4 ou 4,4 mg/kg SC, IV, PO A cada 24 horas por até 4 dias 
Cães: 2 ou 2,2 mg/kg SC, IV, PO A cada 24 horas por até 4 dias 
Gatos: 2 a 4 mg/kg SC, IV Somente uma dose; não continuar 
com nenhuma dose adicional 
Dor crônica Cães: 4 ou 4,4 mg/kg PO A cada 24 horas; usar a menor dose efetiva 
dose Cães: 2 ou 2,2 mg/kg PO A cada 12 horas; usar a menor dose efetiva 
Cimicoxibe Dor cirúrgica Cães: 2 mg/kg PO A cada 24 horas por 4 a 8 dias 
Dor crônica Cães: 2 mg/kg PO A cada 24 horas; usar a menor dose efetiva 
Deracoxibe Dor cirúrgica Cães: 3 a 4 mg/kg PO A cada 24 horas por até 7 dias 
Dor crônica Cães: 1 a 2 mg/kg PO A cada 24 horas; usar a menor dose efetiva 
Enflicoxibe Dor de osteoartrite Cães: dose de ataque de 8 
mg/kg seguida por 4 mg/kg 
PO 
Uma vez por semana 
Firocoxibe Dor cirúrgica Cães: 5 mg/kg PO A cada 24 horas por até 3 dias 
Dor crônica Cães: 5 mg/kg PO A cada 24 horas; usar a menor dose efetiva 
Flunixina meglumina Pirexia Cães e Gatos: 0,25 mg/kg SC Uma vez 
Procedimentos cirúrgicos e oftálmicosCães e Gatos: 0,25 a 1,0 mg/ 
kg SC 
A cada 12 a 24 horas por 1 ou 2 tratamentos 
Grapiprant Dor de osteoartrite Cães: 2 mg/kg PO A cada 24 horas 
Cetoprofeno Dor cirúrgica e crônica Cães: 2,0 mg/kg, IV, SC, IM Uma vez após a cirurgia 
Cães: 1,0 mg/kg PO A cada 24 horas por até 4 dias 
Gatos: a mesma de cães 
Mavacoxibe Dor crônica Cães: 2 mg/kg PO Uma dose no dia 0 e outra no dia 14, 
Depois, uma vez por mês por até 5 
tratamentos adicionais 
Meloxicam Dor cirúrgica/dor 
musculoesquelética 
aguda 
Cães: 0,2 mg/kg IV, SC Uma vez 
Cães: 0,1 mg/kg PO A cada 24 horas 
Gatos: 0,2 a 0,3 mg/kg SC Somente uma dose 
Gatos: 0,05 mg/kg PO A cada 24 horas por até 5 dias 
Dor crônica Cães: 0,2 mg/kg PO Uma vez no Dia 1 
Cães: 0,1 mg/kg PO A cada 24 horas depois do dia 1; usar a 
menor dose efetiva 
Gatos: 0,1 mg/kg PO Uma vez no dia 1 
Gatos: 0,05 mg/kg PO A cada 24 horas depois do dia 1; usar a 
menor dose efetiva 
Metamizol (dipirona) Dor aguda Cães e Gatos: 25 mg/kg IV A cada 8 a 12 horas 
Paracetamol (acetaminofeno) Dor cirúrgica/ aguda ou crônica SOMENTE Cães: 10 a 15 mg/kg PO A cada 8 a 12 horas, Não usar em gatos 
SOMENTE Cães: 10 mg/kg IV 
por 15 min 
A cada 8 a 12 horas, Não usar em gatos 
Piroxicam Inflamação do trato urinário 
inferior 
Robenacoxibe Dor cirúrgica/ dor 
musculoesquelética 
aguda 
Cães: 0,3 mg/kg PO A cada 24 horas por 2 tratamentos, 
depois a cada 48 horas 
Cães: 2 mg/kg SC A cada 24 horas por até 3 dias 
Cães: 1 a 2 mg/kg PO A cada 24 horas 
Gatos: 2 mg/kg SC A cada 24 horas por até 3 dias 
Gatos: 1 a 2 mg/kg PO A cada 24 horas 
Dor crônica Cães: 1 mg/kg PO A cada 24 horas; usar a menor dose efetiva 
Gatos: 1 mg/kg PO A cada 24 horas; usar a menor dose efetiva 
Ácido tolfenâmico Dor aguda e crônica Cães: 4 mg/kg SC, IM, PO A cada 24 horas por 3 a 5 dias, Repetir uma 
vez por semana 
 
IV Intravenosa, SC subcutânea, IM Intramuscular, OTM Transmucosa oral, PO Via oral 
Gatos: a mesma de cães 
†Veja o texto para detalhes sobre as contraindicações para uso. Para produtos aprovados para a veterinária, a bula oferecerá as melhores informações quando ao uso do produto nos respectivos 
países em que está registrado. Os veterinários devem usar produtos com autorização de comercialização para a espécie, quando houver disponibilidade 
‡Dose baseada no peso corporal 
 
crônica (p.ex., OA), eles são geralmente titulados até a menor dose efetiva, mas isto deve ser combinado com uma cuidadosa 
reavaliação do paciente (Wernham et al. 2011). A eficácia clínica pode diferir entre os indivíduos; quando a resposta do paciente é 
insatisfatória, deve-se trocar os AINEs, seguindo um período adequado de wash-out (vida Capítulo 1.14). 
 
Contraindicações 
 
Efeitos adversos relacionados com a administração de AINEs são mais comumente relatados envolvendo o trato gastrintestinal 
(anorexia, vômito, diarreia, diminuição do apetite). Outros efeitos adversos menos frequentes incluem diminuição da agregação 
plaquetária e toxicidade renal e hepática. Os efeitos gastrintestinais são normalmente autolimitantes, emboraulceração e perfuração 
possam ocorrer com a administração indevida (Lascelles et al. 2005). Foram relatadas diminuições na agregação de plaquetas não 
clinicamente relevantes após o uso de AINEs (Lemke et al. 2002). Isto não deve ser uma preocupação em animais saudáveis; contudo, 
recomenda-se cuidado ao 
 
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2022 WSAVA Global Pain Management Guidelines 
 
 
 
 
 
FIG 23. Versão simplificada da cascata do ácido araquidônico com foco na produção de prostaglandinas dependentes da ciclo-oxigenase (COX). Os 
corticosteroides agem inibindo a ação das enzimas fosfolipase logo no início da cascata. Os AINEs agem inibindo as enzimas COX-1 e COX-2 com 
consequente inibição da biossíntese das prostaglandinas. Grapiprant é um antagonista dos receptores de EP4. EP1 a EP4 Receptor de prostaglandina E2, 
HPETE Hidroperóxido eicosatetraenoico, IP Receptor de prostaciclina, PGE2 Prostaglandina E2, PGH2 Prostaglandina H2, PGI2 Prostaciclina, TP 
Receptor de tromboxano, TXA2 Tromboxano A2. Figura reproduzida de Monteiro & Steagall (2020) 
 
usar inibidores seletivos da COX-1 ou aspirina. A aspirina pode inibir a COX durante toda a vida útil das plaquetas; portanto, deve 
ser evitada no pré-operatório e somente administrada no final da cirurgia quando a hemostasia estiver confirmada. Hepatotoxicidade 
é raramente reportada e, na maioria dos casos, é considerada uma reação idiossincrásica (MacPhail et al. 1998). É recomendado 
monitoramento periódico através de telemedicina ou de exame físico ±perfil bioquímico sanguíneo com base individual, nos casos 
de uso prolongado. AINEs são contraindicados em pacientes com doença gastrintestinal descontrolada, doença hepática, transtornos 
de coagulação, hipovolemia, desidratação ou hipotensão. Pacientes felinos concomitantemente com dor crônica e doença renal 
crônica estabilizada [estágios I a III da International Renal Interest Society (IRIS)] podem ser tratados com meloxicam ou 
robenacoxibe, desde que sejam atentamente monitorados (Monteiro et al. 2019). No geral, os AINEs parecem estar associados a uma 
baixa incidência da efeitos adversos, e a maioria dos estudos clínicos não é capaz de demonstrar diferença nos efeitos adversos em 
comparação com um placebo (Monteiro-Steagall et al. 2013); no entanto, a maioria dos estudos não foi devidamente desenhada para 
detectar diferenças significativas entre placebo e cães tratados em termos de efeitos adversos. Quando efeitos adversos ocorrem, eles 
podem ser catastróficos para um determinado paciente, e deve ser fornecida analgesia alternativa. Em casos leves, os médicos são 
aconselhados a interromper imediatamente a administração de AINEs e proporcionar tratamento de suporte, incluindo fluidoterapia 
e gastroprotetores. Casos graves podem requerer intervenção cirúrgica e cuidados críticos (Lascelles et al. 2005). Efeitos adversos 
devem ser reportados ao fabricante do medicamento ou ao órgão regional de vigilância sanitária (p.ex., Centro de Medicina Veterinária 
do Food and Drug Administration (FDA) nos EUA ou a Diretoria de Medicamentos Veterinários no Reino Unido). 
 
Interações medicamentosas 
 
AINEs não devem ser administrados com ou em associação temporal próxima com corticosteroides ou outros AINEs, incluindo 
aspirina. Eles devem ser administrados com cautela em conjunto com inibidores da enzima conversora da angiotensina, diuréticos, 
varfarina, fenobarbital ou quimioterápicos. 
 
Trocando um AINE por outro 
Pode haver variações entre os animais que tomam diferentes AINEs em relação à tolerância de efeitos adversos e resposta clínica. 
Por ambos os motivos (ausência de resposta analgésica ou efeitos adversos), é adequado trocar um AINE por outro, ou um AINE 
inibidor da COX por um não inibidor da COX. Ao considerar trocar de um AINE para outro por motivos de falta de eficácia, deve-
se considerar um período de washout (ou seja, o paciente fica sem tomar nenhum medicamento AINE). Embora a abordagem mais 
conservadora seja usar um período de washout de poucos dias, não há evidência científica de que isto seja necessário, ou qualquer 
evidência científica que diga qual seria a duração adequada do washout. Se estiver considerando a troca de AINE devido a efeitos 
adversos gastrintestinais, a troca rápida por um medicamento que inibe a COX-2 poderia retardar a cicatrização e piorar as lesões. 
Neste cenário, pode ser necessário um período de washout de 7 dias. Em cães, porém não em gatos, paracetamol (acetaminofeno) 
poderia ser usado durante o washout. A substituição de AINEs no período perioperatório não é recomendada (ou seja, se o paciente 
já está tomando um AINE, continue administrando o mesmo). Finalmente, de acordo com a experiência dos autores, não é necessário 
um período de washout quando a troca é entre grapiprant e AINEs embora não haja estudos que avaliem a segurança desta prática. 
 
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Fosfolipídios da membrana celular 
Fosfolipases 
Ciclo-oxigenase 
(COX-1 e COX-2) 
5-Lipo-oxigenase 
Ácido araquidônico 
Inibição pelo 
corticosteroide 
Inibição pelo 
AINE 
Antagonismo 
do Grapiprant 
B. P. Monteiro et al. 
 
Outros medicamentos anti-inflamatórios 
 
Grapiprant é considerado como um AINE – um AINE não inibidor da COX. Grapiprant pertence à classe de medicamentos piprants 
(antagonistas dos receptores de PGE2), que agem mais abaixo na cascata do ácido araquidônico, bloqueando a interação da PGE2 
com seus receptores (Fig 23). Especificamente, grapiprant é um antagonista dos receptores de EP4 com registro em alguns países 
para o controle da dor e da inflamação associada à OA canina. O medicamento demonstrou segurança e eficácia em um estudo 
clínico randomizado controlado por placebo envolvendo cães com OA (Rausch-Derra et al. 2016). 
Paracetamol (acetaminofeno) é um AINE o qual acredita-se agir em uma subforma da COX-1 presente no SNC. Ele possui efeitos 
analgésicos e antipiréticos, porém pouca atividade anti-inflamatória (Pacheco et al. 2020). No período perioperatório, verificou-se que 
tanto paracetamol oral quanto IV eram não inferiores a AINEs aprovados para cães submetidos a cirurgia de tecidos moles ou 
ortopédica (Hernández-Avalos et al. 2020). Controversamente, os escores de dor pós-operatória não eram diferentes quando paracetamol 
ou solução salina eram administrados por via IV em cães após ovariohisterectomia (Leung et al. 2021). Paracetamol, isoladamente ou em 
combinação com codeína, é informalmente usado para dor crônica em cães como parte de uma abordagem multimodal; no entanto, há 
poucas evidências disponíveis que corroborem seu uso no manejo de dor aguda ou crônica em cães (Budsberg et al. 2020). Em gatos, 
paracetamol (acetaminofeno) é estritamente contraindicado devido ao aumento do risco de desenvolvimento de metemoglobinemia. Metamizol 
(dipirona) também éum anti-inflamatório fraco com propriedades analgésicas, antipiréticas e espasmolíticas produzidas 
predominantemente via inibição de uma subforma da COX-1 no SNC. Metamizol (dipirona) está aprovado para uso perioperatório 
em cães em diversos países e pode ser usado em combinação com AINEs (Zanuzzo et al. 2015). Há algumas evidências de eficácia 
em cães e gatos (Imagawa et al. 2011, Teixeira et al. 2020, Pereira et al. 2021). Em gatas submetidas a ovariohisterectomia, metamizol 
(dipirona) (25 mg/kg q24 ou 12,5 mg/kg q12h) proporcionou efeitos analgésico semelhantes aos de meloxicam (0,1 mg kg q24h) 
(Pereira et al. 2021). 
Glucocorticosteroides são analgésicos em condições inflamatórias em virtude de seus intensos efeitos anti-inflamatórios. No entanto, 
eles estão comumente associados a efeitos adversos e não devem ser considerados como analgésicos. Quando a condição da dor não 
é causada por inflamação, os glucocorticoides não são uma opção analgésica eficaz. 
 
2.4 Agonistas dos receptores alfa2 adrenérgicos 
O que são 
Agonistas dos receptores alfa2 adrenérgicos são medicamentos que produzem sedação e hipnose, analgesia e relaxamento muscular (Tabela 
14). Esta classe de medicamentos varia em sua especificidade e potência nos receptores. Os agonistas dos receptores alfa-2 adrenérgicos têm 
o benefício da reversibilidade quando se administra um antagonista (atipamezol ou ioimbina); porém, a analgesia também é revertida. Os 
efeitos sedativos variam de 30 a 90 minutos dependendo do fármaco, da via de administração e dose utilizada. Estes medicamentos são 
metabolizados pelo fígado e excretados pelos rins (Murrell & Hellebrekers 2005). 
Como eles funcionam 
 
Estes medicamentos se ligam a diferentes receptores do subtipo alfa-2 adrenérgicos no corno dorsal da medula espinhal (analgesia 
medular ), no córtex cerebral e lócus cerúleo (sedação e analgesia supraespinhal). Noradrenalina (norepinefrina) é o ligante endógeno 
para estes receptores e está presente em neurônios noradrenérgicos e não noradrenérgicos. Estes medicamentos inibem a liberação 
de neurotransmissores excitatórios através de mecanismos complexos, causando hiperpolarização da membrana de maneira 
semelhante aos medicamentos analgésicos opioides. Os agonistas dos receptores alfa-2 adrenérgicos também se ligam a seus 
receptores no endotélio vascular, causando vasoconstrição periférica com aumentos da resistência vascular sistêmica e pulmonar, 
enquanto diminuem o débito cardíaco de maneira dose-dependente. 
 
Indicações 
 
Os agonistas dos receptores alfa-2 adrenérgicos são amplamente usados para sedação em procedimentos não invasivos, e como parte 
de protocolos de neuroleptanalgesia e anestesia balanceada. São considerados adjuvantes analgésicos em uma variedade de contextos 
clínicos, já que eles podem suplementar a analgesia e ao mesmo tempo reduzir a reação ao estresse. Pequenas doses (de 1 a 2 μg/kg 
IV de dexmedetomidina) podem ser administradas durante a recuperação da anestesia, especialmente em casos de delírio e disforia em 
 
Tabela 14. Características farmacológicas de diferentes agonistas e antagonistas dos receptores alfa-2 adrenérgicos 
Medicamento Componentes Agonista ou 
antagonista 
Seletividade Alfa 1: Alf 2 Duração da ação 
(analgesia)† 
Duração da ação 
(sedação)† 
Medetomidina Dexmedetomidina e Agonista 1:1620 1 hora 2 a 4 horas 
 Levomedetomidina 
Dexmedetomidina Dexmedetomidina Agonista 1:1620 1 hora 2 a 4 horas 
Xilazina Xilazina Agonista 1: 160 15 a 30 minutos 1 a 2 horas 
Romifidina Romifidina Agonista 1:340 Indeterminada 1 a 2 horas 
Atipamezol Atipamezol Antagonista 1: 8500 N/A N/A 
Ioimbina Ioimbina Antagonista Menos seletivo para receptores 
alfa
2 
do que o atipamezol 
N/A N/A 
†A duração dos efeitos analgésico e sedativo é dose-dependente 
 
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2022 WSAVA Global Pain Management Guidelines 
 
 
 
emergências. Seu uso é geralmente reservado para animais saudáveis que conseguem tolerar alterações hemodinâmicas significativas 
e/ou em animais ferais ou antissociais (Pypendop & Verstegen 1998). 
O uso concomitante de agonistas dos receptores alfa-2 adrenérgicos e opioides pode melhorar a analgesia devido a um efeito sinérgico 
com consequente redução das necessidades de opioides (Pascoe et al. 2006). 
 
Infusão contínua 
 
A administração de dexmedetomidina ou medetomidina através de infusão contínua (TIC) está se popularizando no fornecimento de 
sedação ou analgesia contínua no período perioperatório de cães e gatos. Utilizar medicamentos por TIC contorna a limitação da 
duração relativamente curta da analgesia proporcionada por uma dose única de dexmedetomidina ou medetomidina. Utilizar TIC 
no intraoperatório permite um efeito poupador da concentração alveolar mínima (CAM) significativo dos anestésicos inalatórios, ao 
mesmo tempo proporcionando um plano bastante estável de profundidade da anestesia. No pós-operatório, é produzida sedação, 
mas os animais podem reagir a estímulos externos. Isto pode ser útil quando são necessárias reavaliações frequentes do paciente, ou 
para que o paciente ande e faça suas necessidades. No entanto, isto pode ser problemático quando ocorre uma estimulação súbita 
inesperada (p.ex., barulho alto ou estímulo doloroso), resultando em desorientação e levando a um comportamento defensivo (p.ex., 
de morder). Doses que foram investigadas são normalmente de dexmedetomidina 1 μg/kg/hora precedida por uma dose de ataque 
de 1 a 2 μg/kg (Ln et al. 2008, Valtolina et al. 2009). 
 
Dexmedetomidina gel oral 
 
Dexmedetomidina, formulada na apresentação de gel oral (0,1 mg/mL), é comercializada para o controle da aversão a ruídos de cães 
e é administrada entre a bochecha e a gengiva. A dose sugerida de dexmedetomidina é baixa demais para causar sedação, porém 
demonstrou a capacidade de reduzir a ansiedade, presumivelmente através de um efeito que reduz a atividade no lócus cerúleo, um 
importante modulador da vigília, tônus simpático e atenção (Korpivaara et al. 2017). Até ao presente, não foi investigado se a 
dexmedetomidina gel oral tem algum papel na redução da ansiedade em outras situações como a acima, ou durante uma consulta ao 
veterinário. 
 
Detomidina gel oral 
 
Detomidina formulada na apresentação de gel (7,6 mg/mL) é indicada para sedação e contenção química de cavalos e deve ser 
colocada sob a língua. Foram estudadas doses de 0,35 a 2,0 mg/m2 de detomidina gel, colocado na bolsa bucal, para facilitar a 
manipulação e realizar procedimentos minimamente invasivos de curta duração em cães saudáveis (Hopfensperger et al. 2013, 
Messenger et al. 2016, Kasten et al. 2018). O tempo até o pico da sedação é de aproximadamente 45 minutos, com uma duração de 
aproximadamente 30 minutos; os efeitos cardiopulmonares são similares aos induzidos por outros agonistas dos receptores alfa2 
adrenérgicos e tanto estes quanto a sedação são reversíveis com atipamezol (Hopfensperger et al. 2013, Kasten et al. 2018). Em gatos 
saudáveis, doses de 4 mg/m2 proporcionaram sedação variável, tendo ocorrido êmese em todos os casos, sugerindo que esta é uma 
técnica menos desejável nesta espécie (Smith et al. 2020). 
 
Efeitos adversos 
 
Os efeitos adversos mais comuns incluem hipertensão e/ou hipotensão, bradicardia, hipotermia, diminuições no tônus simpático e 
na motilidade gastrintestinal, aumento do débito urinário, hipoinsulinemia e hiperglicemiatransitórias. Outros efeitos adversos menos 
comuns como êmese, salivação e bradiarritmias podem ser observados (Granholm et al. 2006, 2007). 
 
Precauções 
 
Use com cautela em animais com doença cardiopulmonar com, ou sem arritmias ou transtornos de condução, doença sistêmica 
significativa, hipo/hipertensão pré-existente, diabetes mellitus e insuficiência hepática/ renal. Gatos com cardiomiopatia hipertrófica e 
obstrução da via de saída ventricular esquerda (LVOT) podem ser uma exceção: foi demonstrado que medetomidina reduzia a LVOT e a 
frequência cardíaca, melhorando o preenchimento ventricular (Lamont et al. 2002). Deve-se tomar cuidado ao usar em pacientes com 
trauma. O uso de anticolinérgicos em combinação com agonistas dos receptores alfa-2 adrenérgicos é contraindicado, a menos que tanto 
bradicardia quanto hipotensão estejam presentes ao mesmo tempo. 
Antagonista dos receptores alfa-2 adrenérgicos de ação periférica (Vatinoxan/ MK-467) 
Vatinoxan é um antagonista dos receptores alfa-2 adrenérgicos de ação periférica utilizado em combinação com agonistas dos 
receptores alfa-2 adrenérgicos. Ele previne a vasoconstrição mediada perifericamente e, portanto, reduz a bradicardia reflexa 
observada após o uso de agonistas dos receptores alfa-2 adrenérgicos (Kallio-Kujala et al. 2018) e demonstrou melhorar o débito 
cardíaco em cães, quando comparado à administração de um agonista alfa-2 adrenérgico isoladamente (Honkavaara et al. 2011). Foram 
publicados estudos investigando os efeitos sedativos, analgésicos, neuroendócrinos e cardiovasculares dos agonistas dos receptores 
alfa-2 adrenérgicos combinados com vatinoxan em cães e gatos. Vatinoxan deixa os efeitos sedativos e analgésicos praticamente 
inalterados, enquanto os efeitos cardiovasculares e neuroendócrinos são reduzidos. Em março de 2022, a autoridade sanitária dos 
EUA (FDA) aprovou a combinação de medetomidina e cloridrato de vatinoxan injetável para uso como sedativo e analgésico em 
cães durante procedimentos pouco invasivos. 
 
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B. P. Monteiro et al. 
 
 
Considerações especiais 
 
Alguns animais parecem não ser afetados pela administração de medicamentos agonistas dos receptores alfa-2 adrenérgicos e não 
ficam bem sedados após sua administração. Isto geralmente está associado a um estado pré-existente de forte estimulação. 
 
 
2.5 Anestésicos locais 
O que são e como funcionam 
 
Anestésicos locais inibem a despolarização das membranas, a excitação e condução nervosa, bloqueando primordialmente as 
correntes de sódio (Na+) que entram através de canais de Na+ dependentes de voltagem. Estes medicamentos são baratos, não fazem 
parte de listas especiais, estão prontamente disponíveis em todo o mundo e são medicamentos essenciais da Lista de Medicamentos 
Essenciais para Cães e Gatos da WSAVA (Steagall et al. 2020a). Portanto, existe potencial de aplicabilidade disseminada de anestésicos 
locais para o controle da dor em cães e gatos. 
Os medicamentos anestésicos locais mais comumente usados em pequenos animais são a lidocaína, mepivacaína, bupivacaína e 
ropivacaína. Todos estes agentes são classificados como aminoamidas. Anestésicos locais são bases fracas e portanto se equilibram 
dentro do corpo de acordo com seu pKa. O pKa de um medicamento é o pH no qual 50% do medicamento está na forma ionizada 
e 50% do medicamento está na forma não ionizada. Isto é importante para os anestésicos locais, pois é a forma não ionizada do 
medicamento que consegue atravessar a membrana das células neuronais para acessar o canal de Na+ dependente de voltagem, 
enquanto que a forma ionizada do medicamento se liga ao receptor do canal de Na+ bloqueando a entrada do íon de Na+ no neurônio. 
Portanto, anestésicos locais com pKa baixos mais próximos do pH fisiológico, como a lidocaína, terão um início de ação mais rápido, 
pois uma proporção maior do medicamento será não ionizada com pH fisiológico. As outras propriedades fisicoquímicas que 
determinam as características dos medicamentos anestésicos locais são o peso molecular, a lipossolubilidade e a ligação com proteínas 
(Quadro 4, Tabela 15). 
 
Toxicidade sistêmica dos anestésicos locais 
 
Toxicidade sistêmica de anestésicos locais é mais provável de acontecer através de overdose acidental e, portanto, sua probabilidade 
de ocorrência é maior em pacientes de menor porte, como gatos e cães pequenos. 
 
Fatores que afetam a toxicidade sistêmica 
 
• Local da injeção: Pontos de injeção vascular levam a uma absorção mais rápida do medicamento na circulação sistêmica e, portanto, 
concentrações plasmáticas mais elevadas da droga com maior risco de toxicidade. Injeção IV ou intra-arterial inadvertida também 
é um fator de risco significativo de toxicidade, principalmente no caso da bupivacaína. 
 
 
Tabela 15. Propriedades fisicoquímicas de diferentes medicamentos anestésicos locais 
Anestésico local pKa/tempo de 
início (min) 
Ligação com proteínas/duração da 
ação (horas) 
Potência Dose máxima recomendada 
(mg/kg)† 
Lidocaína 7,8/5 a 10 Moderada/1 a 1,5 Moderada Canina: 5 
 Felina: 5 
Bupivacaína 8,1/20 a 30 Longa/3 a 10 Potente Canina: 2 
 Felina: 2 
Ropivacaína 8,1/20 a 30 Longa/3 a 6 Potente Canina: 2 
 Felina: 2 
Mepivacaína 7,7/5 a 10 Moderada/1,5 a 2 Moderada Canina: 5 
 Felina: 3 
†Anestésicos locais devem ser administrados lentamente utilizando melhores práticas, como evitar injeção intravascular acidental durante bloqueios locorregionais. A administração deve ser 
interrompida imediatamente caso sejam observados sinais de toxicose 
 
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Quadro 4 Descrição das características que afetam os anestésicos locais 
• O peso molecular está inversamente relacionado à capacidade do anestésico local se difundir através dos tecidos. 
• A lipossolubilidade determinará a potência do anestésico local e a duração da ação. Medicamentos anestésicos locais com baixa 
lipossolubilidade têm menor potência e menor duração de ação, pois eles não penetram na membrana nervosa tão bem como 
medicamentos com alta lipossolubilidade. Medicamentos com alta lipossolubilidade também tendem a ter um início de ação 
mais lento pelo fato de a droga ficar baínha na mielina ao redor da membrana celular neuronal. 
• A ligação com proteínas determina a duração da ação dos medicamentos anestésicos locais. Medicamentos com forte ligação 
com proteínas se ligam mais firmemente ao local dos receptores dentro do canal de Na+ e, portanto, têm uma duração de ação 
mais prolongada. 
2022 WSAVA Global Pain Management Guidelines 
 
 
 
• Medicamento utilizado: Por exemplo, bupivacaína é especialmente cardiotóxica devido à sua lenta dissociação dos receptores do 
canal de Na+ dependente de voltagem no coração. 
 
Efeitos cardiovasculares dos anestésicos locais 
 
Devido a uma combinaçãode lentidão de condução no miocárdio, depressão miocárdica e vasodilatação periférica, podem ocorrer 
hipotensão, bradicardia e parada cardíaca quando concentrações sistêmicas de anestésicos locais alcançam níveis tóxicos. 
 
Efeitos dos anestésicos locais no SNC 
 
Os anestésicos locais são lipossolúveis e têm baixo peso molecular e, portanto, atravessam a barreira hematoencefálica rapidamente. 
Em concentrações mais altas, causam convulsões seguidas por depressão generalizada do SNC. 
 
Manejo da toxicidade dos anestésicos locais 
 
O tratamento de toxicidade de medicamentos anestésicos locais se concentra no oferecimento de cuidados de apoio e tratamento 
direcionado a eventos adversos (p.ex., convulsões). Benzodiazepinas podem ser administradas para controlar convulsões, juntamente 
com oxigenoterapia e intubação endotraqueal e ventilação, se necessário. Pode ser necessária terapêutica de suporte com fluídos e 
inotrópicos para controlar a cardiotoxicidade. Soluções lipídicas podem conter diretamente a toxicidade do anestésico local, criando 
um compartimento lipídico dentro do plasma que atrai compostos lipofílicos como anestésicos locais, desta forma separando-os da 
fase aquosa do plasma (Weinberg et al. 2003, O’Brien et al. 2010, Muller et al. 2015). 
Técnicas anestésicas/ analgésicas locais para pequenos animais 
 
Técnicas anestésicas locais ainda são geralmente negligenciadas como parte dos regimes anestésicos e analgésicos de pequenos 
animais. Contudo, o uso de uma técnica local consegue, muitas vezes, reduzir a dose de outros medicamentos anestésicos necessários 
para a manutenção da anestesia e contribui para uma técnica analgésica multimodal. O uso de bloqueios nervosos específicos para 
prevenir a transmissão de informações nociceptivas do local da lesão para a medula espinhal, também pode proporcionar analgesia 
preemptiva e prevenir, ou reduzir, o desenvolvimento de sensibilização central. 
Anestesia tópica (transmucosa). A aplicação de alguns medicamentos anestésicos locais em membranas mucosas produz 
analgesia rapidamente (em questão de 5 minutos). Locais de administração tópica incluem a córnea para exames oculares, vias aéreas 
superiores (p.ex., cavidades nasais antes da colocação de uma cânula de oxigênio e laringe durante intubação). A profundidade da 
analgesia produzida nos tecidos é normalmente pequena (de 1 a 2 mm). A absorção de anestésico local através da pele (camada 
córnea) é geralmente baixa. Uma mistura eutética de lidocaína com prilocaína (EMLA) pode produzir anestesia se aplicada à pele e 
coberta por um penso semipermeável por 30 a 40 minutos. Isto é útil para proporcionar analgesia local antes da inserção de um 
cateter IV ou venopunção em cães e gatos. 
 
Anestesia por infiltração. A infiltração de anestésicos locais é comumente realizada na prática veterinária; é segura, confiável e 
não requer experiência extensiva. Devem ser usadas agulhas estéreis. Por exemplo, os anestésicos locais podem ser infiltrados através 
de incisões abdominais e de hemilaminectomia (ou seja, anestesia incisional). Esta técnica pode ser aplicada antes e/ou depois da 
cirurgia. Ao realizar uma hemilaminectomia, uma infiltração peri-incisional pré-cirúrgica proporcionou mais benefícios do que a 
infiltração no momento do encerramento da ferida (McFadzean et al. 2021). 
 
Anestesia regional. O uso de um estimulador nervoso ou ultrassom para localizar os nervos periféricos pode aumentar 
significativamente a precisão do depósito do medicamento e, portanto, a eficácia do bloqueio. Também pode permitir que um menor 
volume total de medicamento anestésico local seja usado, reduzindo os efeitos adversos motores e o risco de toxicidade devido à 
absorção de agentes anestésicos locais na circulação sistêmica (p.ex., o bloqueio do plexo braquial resulta em perda de sensibilidade e 
da função motora distal em relação ao cotovelo). Vide Fig 24 para um exemplo de anestesia regional. 
 
Anestesia epidural. Anestesia epidural lombossagrada pode ser usada para proporcionar analgesia em todos os procedimentos caudais 
em relação ao diafragma (Figs 25 e 26). É especialmente útil para procedimentos ortopédicos nos quadris traseiros. Anestesia epidural 
sacrococcígea pode ser usada para cirurgia urogenital caudal (Fig 26). 
 
Bloqueio de nervo dentário. Bloqueio de nervos maxilares e mandibulares são extremamente úteis para promover analgesia 
em procedimentos dentários ou cirurgia mandibular ou maxilar. Os nervos maxilares e mandibulares podem ser bloqueados desde 
sua saída dos forames infraorbital e mental, respectivamente, ou podem ser bloqueados mais proximalmente de forma a proporcionar 
uma área maior de analgesia. 
 
Disposição intraperitoneal de anestésicos locais. O GPC-WSAVA recomenda anestesia intraperitoneal e incisional para 
o controle da dor, especialmente como técnicas adjuvantes em cães e gatos submetidos a cirurgia abdominal (Steagall et al. 2020b). 
Veja as duas técnicas no link a seguir (https://www.youtube.com/watch?v=76dwKuirqt0). 
 
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http://www.youtube.com/watch?v=76dwKuirqt0)
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http://www.youtube.com/watch?v=76dwKuirqt0)
B. P. Monteiro et al. 
 
 
FIG 24. Anestesia regional intravenosa (bloqueio IVRA/Bier). (1) O membro a ser bloqueado é depilado e o local onde o cateter será implantado é 
assepticamente preparado. Um cateter intravenoso é colocado no membro distal. O cateter pode ser colocado em ambas as direções (proximal ou distal). (2) 
Mantenha o cateter no lugar. O sangue circulante no membro distal é reduzido aplicando-se atadura de pressão sobre o mesmo na direção distal para 
proximal. (3) Um torniquete é colocado exatamente proximal à articulação do cotovelo (ou do jarrete). (4) A atadura é subsequentemente removida com o 
torniquete no lugar. (5) O medicamento anestésico local é injetado por via IV utilizando o cateter previamente inserido. O torniquete pode permanecer no 
lugar por até 60 minutos, devendo ser liberado cuidadosamente, já que altas concentrações de anestésicos locais também serão liberadas na circulação, o 
que poderia induzir toxicidade pelo anestésico local. Ilustração de Alice MacGregor Harvey 
 
 
 
FIG 25. Anestesia epidural lombossagrada. O paciente é posicionado em decúbito esternal com os membros traseiros empurrados para frente. Alguns 
médicos preferem posicionar o paciente em decúbito lateral. A junção lombossagrada é palpada com o dedo indicador enquanto o polegar e o dedo 
médio são posicionados sobre as asas do íleo. (A) Uma pessoa destra usa a mão esquerda para encontrar os pontos anatômicos e (B) a mão direita para 
inserir a agulha. (C) Uma pessoa canhota faz o contrário. (D) A técnica de “gota suspensa” é um mecanismo de controle positivo pelo qual uma gota de 
NaCl 0,9% colocada no corpo da agulha é “sugada” na agulha e no espaço epidural pelo vácuo prevalecente neste espaço virtual. Figuras cortesia de 
Sheilah Robertson 
 
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Cateter 
intravenoso 
Atadura de pressão 
Torniquete 
2022 WSAVA Global Pain Management Guidelines 
 
 
 
 
FIG 26. Locais para administração de anestesia e/ou analgesia epidural lombossagrada (L7-S1) (círculo vermelho) ou sacrococcígea (círculo azul). Ilustração 
de Alice MacGregor Harvey 
 
Uso intravenoso de anestésicos locais 
 
Lidocaína pode ser administrada sistemicamente por TIC para proporcionar analgesia e reduzir a concentração de agente inalatório 
necessária para manter a anestesia (efeito poupador de CAM). Sistemicamente, considera-se que os mecanismos da analgesia são 
múltiplos. A concentração plasmática de lidocaína após a administração sistêmica é baixa demais para bloquear diretamente os canais 
de sódio. Portanto, os mecanismos de bloqueio da produção de citocinas e de inibição dos receptores de NMDA são considerados 
mais importantes. Dados referentes a humanos submetidos a cirurgia abdominal são razoavelmente convincentes de que a lidocaína 
perioperatória proporciona um efeito poupador de analgesia, com um consumo reduzido de opioides pós-operatórios. No entanto, 
dados referentes a outros tipos de cirurgia são menos indiscutíveis (Sun et al. 2012). 
Uma série de estudos investigou os efeitos antinociceptivos da lidocaína perioperatória administrada como TIC em cães 
submetidos a cirurgia. Alguns estudos demostram um benefício positivo de TIC de lidocaína na redução das respostas nociceptivas 
durante a cirurgia (alterações na pressão arterial e frequência cardíaca) e da dor pós-operatória, enquanto outros não mostram nenhum 
benefício (Tsai et al. 2013, Gutierrez-Blanco et al. 2015). As doses que foram estudadas são uma dose de ataque de 2 mg/kg seguida 
por TIC de 50 μg/kg/minuto, embora as doses de fato variem entre os diferentes estudos, tanto em termos de dose de ataque quanto 
de TIC. Há evidências mais convincentes de um efeito poupador de CAM com TIC de lidocaína em cães, o que pode ser vantajoso 
em animais que são hipotensos e requerem altas concentrações de inalatório para manter a anestesia durante a cirurgia (Wilson et al. 
2008, Moran-Muñoz et al. 2014). Este efeito deve ser lembrado quando for anestesiar um animal que está recebendo TIC de lidocaína 
e a concentração do agente inalatório deve ser cuidadosamente ajustada para as necessidades do paciente. O uso de TICs de lidocaína 
para proporcionar analgesia em gatos é controverso, devido ao potencial de efeitos cardiovasculares negativos. Um estudo 
experimental demonstrou que TIC de lidocaína também produzia um efeito poupador de CAM significativo para isoflurano em 
gatos, porém foram observados efeitos hemodinâmicos negativos (Pypendop & Ilkiw 2005). Por este motivo, infusões de lidocaína 
devem ser usadas com cautela em gatos, devido ao risco de depressão hemodinâmica. Contudo, em alguns casos, a lidocaína poderia 
contribuir para a analgesia multimodal em gatos sob intensa estimulação nociva e estados hiperdinâmicos (pressão arterial alta e 
frequências cardíacas altas). 
Anestésicos locais de liberação lenta (suspensão injetável de lipossomas de bupivacaína) são discutidos no Capítulo 2.6. 
 
2.6 Técnicas e ferramentas de administração de analgésicos 
O método pelo qual um medicamento é administrado pode causar um efeito significativo em sua segurança e eficácia. Sistemas de 
administração de medicamentos são usados para minimizar a toxicidade e melhorar a eficácia dos analgésicos no manejo da dor. 
Fórmulas de liberação de dose sustentada ou prolongada se destinam a administrar um medicamento lentamente, ao longo de um 
determinado período (ou seja, horas ou dias). Esses sistemas podem proporcionar analgesia “sem uso das mãos”, minimizar efeitos 
colaterais sistêmicos e acumulação de medicamentos, reduzir oscilações nas concentrações plasmáticas e evitar a necessidade de 
dispositivos de infusão (Krugner-Higby et al. 2011). 
 
Adesivos transdérmicos 
 
Adesivos transdérmicos (AT) (fentanila, lidocaína, e buprenorfina) são pedaços de adesivos aprovados para uso humano, cuja função 
é aplicar uma dose controlada de medicamento ao longo do tempo através da pele, utilizando um reservatório ou adesivo matriz 
(Hofmeister & Egger 2004, Murrell et al. 2007, Weil et al. 2007). Estes adesivos reservatórios têm sido usados para manejo da dor em 
pequenos animais com resultados mistos, já que a absorção depende da espessura, temperatura e vascularização da pele, entre outros 
fatores, e geralmente da capacidade do adesivo de se manter em constante contato com a pele. O uso de medicamentos na 
 
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Medula espinhal 
Espaço epidural 
Processo espinhoso L7 
Espaço 
subaracnoide 
B. P. Monteiro et al. 
 
 
 
apresentação AT não exclui a necessidade de se usar anestésicos locais e outras técnicas analgésicas. 
Em gatos, os efeitos analgésicos de adesivos de fentanila podem ser altamente variáveis, devido à variabilidade individual de sua 
absorção e farmacocinética (Egger et al. 2003). Em cães submetidos a cirurgia ortopédica, AT de fentanila proporcionou analgesia 
pós-operatória adequada, quando administrado juntamente com um AINE (Hofmeister & Egger 2004). Adesivos de fentanila tem 
um período de início de ação longo e devem permanecer no lugar por 12 horas (gatos) a 24 horas (cães) antes que a analgesia seja 
necessária. Adesivos de fentanila baseados em uma matriz são menos suscetíveis a dispersão, já que o medicamento está integrado 
no adesivo. 
Em gatos, um adesivo transdérmico por matriz de buprenorfina não aumentou os limiares térmicos, a despeito de concentrações 
plasmáticas detectáveis do medicamento (Murrell et al. 2007). Os limiares térmicos de fato aumentaram em cães utilizando um adesivo 
de buprenorfina (Pieper et al. 2011). São necessários outros estudos para determinar a aplicação clínica em cães e gatos. 
Formulação de liberação prolongada 
 
Uma suspensão lipossomal injetável de duração prolongada de bupivacaína está aprovada nos EUA para uso em bloqueios de nervos 
periféricos. Ela proporciona até 72 horas de controle da dor pós-operatória regional, mediante uma única administração perineural 
em gatos submetidos a procedimentos de membro distal, e após infiltração em cães submetidos a cirurgia de ligamento cruzado 
anterior (Lascelles et al. 2016, Gordon-Evans et al. 2020, Reader et al. 2020). Esta formulação lipossomal comercial de bupivacaína 
não foi estudada em gatos com menos de 5 meses de vida ou em outras técnicas locorregionais. Uma vantagem desta técnica é a 
adesão “garantida” com analgesia por até 3 dias, pois é colocada pelo cirurgião e não depende dos cuidadores medicarem seus cães 
ou gatos. 
Infusões intravenosas 
 
Infusões de taxa constante envolvem a administração contínua de um regime de dose, estabelecido através de um dispositivo 
eletrônico de administração, para manter níveis plasmáticos constantes. Infusões de taxas variáveis são mais apropriadas, já que as 
doses podem ser tituladas até a obtenção do efeito de acordo com as necessidades analgésicas e a ocorrência de efeitos adversos. 
Infusões alvo-controladas se baseiam em algoritmos complexos, nos quais as taxas de infusão são administradas através de um 
dispositivo de aplicação para obter uma concentração plasmáticaespecífica (local do efeito) para produzir o efeito desejado. 
Os dispositivos de infusão normalmente se tratam de bombas de infusão volumétricas com diferentes sistemas de aplicação (peristáltica, 
por pistão, vaivém). Elas podem aplicar grandes volumes com pouca precisão (±10%). Bombas de seringa são adequadas para a 
administração de formulações analgésicas mais concentradas com maior precisão (±5%). Um dispositivo com calculadora permite que 
o usuário insira o peso corporal, a concentração do medicamento e a taxa de infusão (Amoore & Adamson 2003). Contudo, ainda há 
possibilidade de erro com estas ferramentas de aplicação de medicamentos, quando se inserem concentrações ou regimes de dosagem 
incorretos. 
Cateteres de infusão na ferida 
 
Cateteres de infusão na ferida são cateteres subcutâneos flexíveis, que são inseridos perto de, ou dentro, de sítios cirúrgicos que são 
usados para aplicar infusões intermitentes de anestésicos locais para manejo da dor pós-operatória (Abelson et al. 2009). Infusões 
contínuas foram associadas a uma distribuição não uniforme (Hansen et al. 2013), e a técnica é mais bem usada como parte de uma 
abordagem de analgesia multimodal. 
 
Cateteres epidurais 
 
Cateteres epidurais podem ser usados para aplicações epidurais repetidas de medicamento. A cateterização é feita através do uso de 
kits comerciais (de tamanhos 19-, 20- e 24-gauge). Estes cateteres são normalmente inseridos através do espaço intervertebral 
lombossagrado e permitem a administração intermitente ou contínua de medicamentos analgésicos por períodos pós-operatórios 
prolongados. Cateteres deslocados, enrolados e contaminados são as complicações mais comuns com esta técnica (Valverde 2008). 
Localizadores de nervos 
 
Localizadores elétricos de nervos são dispositivos convenientes, seguros e acessíveis, utilizados para localizar nervos. Seu uso clínico 
ajuda no posicionamento para inserção da agulha e pode encurtar o tempo de início da ação, prolongar sua duração e reduzir o risco de 
lesão nervosa. Eles consistem de um gerador de corrente constante (de baixa frequência e duração) que é conectado a uma agulha com 
isolamento e um eletrodo remoto que é aderido à pele. A agulha avança em direção aos nervos e gera um campo elétrico nos tecidos ao 
redor dos nervos. A localização correta da agulha é identificada quando uma resposta motora específica é obtida durante a estimulação 
elétrica. O volume de anestésico local a ser injetado varia de acordo com a técnica. À medida que a solução é injetada, o nervo é 
mecanicamente deslocado e a resposta motora é perdida (Campoy et al. 2012). Exemplos da técnica podem ser observados nos bloqueios 
de nervo ciático e femoral no seguinte link (https://wsava.org/committees/global-pain-council/). 
Técnicas guiadas por ultrassom 
 
A ultrassonografia pode ser usada para realizar alguns bloqueios de nervos periféricos. Semelhantes ao uso dos estimuladores elétricos 
de nervos, as técnicas locorregionais guiadas por ultrassom têm como objetivo reduzir a dose de anestésico local necessária para 
proporcionar um bloqueio eficaz do nervo, ao mesmo tempo reduzindo a probabilidade de toxicidade do anestésico local e elevando 
a taxa de sucesso. A técnica pode permitir a visualização de nervos, vasos, e estruturas adjacentes durante a administração de bloqueios 
 
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2022 WSAVA Global Pain Management Guidelines 
 
de nervos periféricos. Isto deve minimizar complicações, incluindo danos nervosos, hematomas, e hemorragias. Contudo, é 
necessário treinamento na técnica e equipamentos caros/ específicos. Há publicações de artigos de revisão sobre o assunto (Portela 
et al. 2018a,b). 
 
2.7 Medicamentos adjuvantes 
Medicamentos adjuvantes não são considerados analgésicos “isoladamente”, mas podem ser incorporados em um protocolo de 
manejo da dor em conjunto com opioides, AINEs e anestésicos locais, ou como substituto quando há contraindicação a uma das 
classes de analgésicos acima (Ruel & Steagall 2019) (Tabela 16). 
 
Cetamina 
 
Modo de ação: A ativação dos receptores de NMDA é um dos fatores contribuintes primários para a iniciação e manutenção da 
sensibilização central. Ao antagonizar reversivelmente os receptores de NMDA, a c e t a m i n a modula a sensibilização central e 
Tabela 16. Medicamentos adjuvantes no manejo da dor: recomendações posológicas para cães e gatos † 
Medicamento Indicação Espécies, dose, via Frequência Comentários 
Amantadina Dor crônica Cães e Gatos 2 a 5 mg/ 
kg PO 
A cada 12 a 24 horas Eficácia em cães com OA refratária ao tratamento. 
Administrar com AINEs ou outros analgésicos. Já 
foram reportadas doses de até 14 mg/kg em 
combinação com meloxicam em um cão com dor 
neuropática (Madden et al. 2014) 
Amitriptilina Dor crônica Cães: 1 a 4 mg/kg A cada 12 a 24 horas Não administrar concomitantemente com outros 
medicamentos serotoninérgicos 
Gatos: 2,5 a 12,5 mg total A cada 12 a 24 horas Pouco palatável; pode não ser uma opção se a administração 
se tornar estressante ou forçada. Não administrar 
concomitantemente com outros medicamentos 
serotoninérgicos 
Gabapentina Dor perioperatória Cães: 10 mg/kg PO 2 horas antes da cirurgia Administrar em combinação com opioides 
Gatos: 50 mg total PO 12 horas e de 1 a 2 horas 
antes da cirurgia 
Administrar em combinação com opioides 
Dor crônica Cães e Gatos: 5 a 10 mg/ 
kg PO 
A cada 8 a 12 horas Iniciar com 3 a 5 mg/kg e aumentar gradualmente até 
a dose-alvo. Aumente ou diminua a dose 
dependendo da resposta terapêutica. Doses mais 
altas foram informalmente reportadas. São 
recomendadas doses menores em gatos com 
doença renal crônica. Pode causar sedação e 
ataxia 
Estresse 
relacionado a 
transporte - e 
consulta ao 
veterinário 
Gatos: estudos reportaram 
faixas de dose de 50 a 
200 mg total PO 
 90 minutos antes de levar 
o gato ao veterinário 
Nesta situação, a gabapentina é usada para reduzir o 
estresse e a ansiedade relacionada ao transporte e 
exame físico; contudo, se houver cirurgia 
programada, também pode contribuir para a 
analgesia pós-operatória 
Pregabalina Dor crônica Cães: 2 a 5 m/kg PO A cada 8 a 12 horas Começar com doses e/ou intervalos de administração 
mais baixos e ir aumentando gradativamente até 
a dose-alvo 
Doses de 13 a 19 mg/kg a cada 12 horas foram 
reportadas em cães com dor neuropática 
relacionada a siringomielia (Thoefner et al. 
2020) 
Pode ser administrada uma vez 1 hora antes de 
cirurgia de disco intervertebral, e 
subsequentemente a cada 8 horas por 5 dias 
após a cirurgia 
Gatos: 1 a 4 mg/kg PO A cada 12 horas Pode causar sedação e ataxia 
Estresse 
relacionado a 
transporte 
Gatos: 5 a 10 mg/kg PO 90 minutos antes de 
transportar o gato 
Nesta situação, a pregabalina é usada para reduzir o 
estresse e a ansiedade relacionada ao transporte 
Cetamina Dor perioperatória Cães: 0,2 a 0.5 mg/kg IV 
(bolus) depois 2 a 10 
μg/ kg/minuto (TIC) 
Gatos: 0,2 a 0,5 mg/kg IV 
(bolus) depois 2 a 10 
μg/ kg/minuto (TIC) 
Tramadol Dor perioperatória Gatos: 2 a 4 mg/kg PO, IV 
ou IM 
Bolus (dose de ataque 
antes da cirurgia), depois 
TIC por até 72 horas 
Bolus (dose de ataque antes 
da cirurgia), depois TIC por 
até 72 horas 
Usado para pé-medicação 
em combinação 
com sedativos 
São usadas taxas de infusão mais altas durante a cirurgia 
e depois reduzidas gradativamente apósa cirurgia 
 
São usadas taxas de infusão mais altas durante a 
cirurgia e depois reduzidas gradativamente após 
a cirurgia; alguns gatos podem apresentar sinais 
de anestesia com doses mais altas 
Não administrar concomitantemente com 
outros medicamentos serotoninérgicos 
Dor crônica Gatos: 2 a 4 mg/kg PO A cada 8 a 12 horas Pouco palatável; pode não ser uma opção se a administração 
se tornar estressante ou forçada. Não administrar 
concomitantemente com outros medicamentos 
serotoninérgicos 
IV Intravenosa, SC Subcutânea, IM Intramuscular, PO Via Oral 
†Vide texto para detalhes sobre indicações e contraindicações de uso 
 
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B. P. Monteiro et al. 
 
tem efeitos anti-hiperalgésicos. A cetamina também pode ter efeitos imunomodeladores e suprime, diretamente, a produção de citocinas 
pró-inflamatórias (Beilin et al. 2003). 
Indicações: Para prevenção e tratamento da sensibilização central como parte de um plano de manejo multimodal de dor 
perioperatória em cirurgias invasivas e em pacientes de trauma. Também pode ser administrada em pacientes com dor crônica que 
apresentem sinais severos de hiperalgesia e alodinia. Foi observada analgesia pós-operatória e aumento do apetite em cães submetidos 
a cirurgia (Wagner et al. 2002, Sarrau et al. 2007); no entanto, não há dados sobre seus efeitos analgésicos em gatos. Em pacientes de 
trauma, o tratamento deve ser iniciado assim que possível após a triagem. 
Amantadina 
Modo de ação: Inibição da atividade dos receptores de NMDA semelhante à cetamina, mas é destituída de efeitos alucinógenos. 
Indicações: Síndromes de dor prolongada envolvendo um componente neuropático. Por exemplo, em cães com dor relacionada à 
OA que não são bem controlados somente com AINE (Lascelles et al. 2008). Em gatos com OA apresentaram melhoria dos escores 
de dor reportados pelo cliente; no entanto, demonstraram redução da atividade quando tratados somente com amantadina (Shipley 
et al. 2021). A amantadina é excretada pelos rins; portanto, deve-se tomar cuidado em animais com função renal reduzida. 
Gabapentinoides (gabapentina e pregabalina) 
 
Modo de ação: Semelhante para ambos os medicamentos e não totalmente elucidado; pode modular a dor através da alteração dos 
canais de cálcio e supressão da liberação de glutamato e substância P no corno dorsal da medula espinhal. A pregabalina se liga com 
mais potência aos canais de cálcio do que a gabapentina. 
Indicações: Dor crônica com componente neuropático confirmado ou possível (p.ex., OA, câncer, neuropatia diabética, trauma 
pélvico, amputação, doença de disco intervertebral), tanto em cães quanto em gatos (Capítulo 3.12). Também são usados para reduzir 
a ansiedade durante o transporte e consultas veterinárias, além de como adjuvante em caso de dor aguda. Em cães com dor 
neuropática de ocorrência natural, os escores do Breve Inventário de Dor Canina foram significativamente menores com gabapentina 
como monoterapia e com gabapentina-meloxicam quando comparados aos valores de referência, mas não com placebo (Ruel & 
Steagall 2019, Ruel et al. 2020). Ambos os medicamentos podem estar associados a ataxia e sedação, o que pode complicar o 
tratamento e afetar a QdV (Platt et al. 2006, Bleuer-Elsner et al. 2021). Deve-se considerar reduzir a dose de gabapentina em gatos 
com doença renal crônica, já que a excreção do medicamento pode ser prejudicada (Quimby et al. 2022). Em humanos, a gabapentina 
é administrada antes da cirurgia para proporcionar analgesia pós-operatória e reduzir a ansiedade. Alguns estudos mostram efeitos 
semelhantes em cães e gatos submetidos a cirurgia e em gatos durante o transporte e consultas veterinárias (Crociolli et al. 2015, van 
Haaften et al. 2017, Steagall et al. 2018). Um estudo também demonstrou redução do estresse e ansiedade relacionados ao transporte 
com a administração de pregabalina (Lamminen et al. 2021). Em cães submetidos a amputação de membros anteriores, a adição de 
gabapentina pré-operatória a um protocolo já robusto, que incluía infusão intra e pós-operatória de fentanila e de outros analgésicos, 
não conseguiu proporcionar benefícios significativos nos primeiros três dias de pós-operatório (Wagner et al. 2010). 
 
Amitriptilina 
 
Modo de ação: Antidepressivos tricíclicos (ADTs) bloqueiam a recaptação de catecolaminas, desta forma aperfeiçoando o sistema 
inibitório da dor. A amitriptilina também possui propriedades antagonistas dos receptores de NMDA. 
Indicações: Dor crônica com componente neuropático comprovado ou potencial. ADTs também podem ser usados em combinação 
com enriquecimento ambiental, para tratamento de gatos com doença inflamatória intestinal e doença do trato urinário inferior de 
felinos (DTUIF) (Chew et al. 1998). Porém, existe uma grande variabilidade individual na resposta ao tratamento e muitos gatos com 
DTUIF idiopática não apresentarão melhoras após o curso de tratamento de 7 dias (10 mg/gato a cada 24 horas) (Kraijer et al. 2003). 
Por outro lado, o tratamento em longo prazo de gatos com DTUIF refratária por 12 meses eliminou os sinais observados pelo cliente de 
doença do trato urinário inferior com redução da hematúria e da proteinúria. Sedação, aumento do peso corporal e queda na qualidade da 
pelagem foram observados (Chew et al. 1998). A adição de amitriptilina pode se provar bem sucedida no manejo de alguns casos de 
dor crônica refratária, mas existem poucas evidências disponíveis sobre isto. 
Outros antidepressivos 
 
Embora os ADTs sejam os antidepressivos mais estudados para o controle da dor neuropática em humanos, outros antidepressivos, 
como os inibidores seletivos da recaptação da serotonina e da norepinefrina (p.ex., duloxetina) e os inibidores seletivos da recaptação 
da serotonina (p.ex., fluoxetina) foram estudados, com sólidas evidências de eficácia dos primeiros e ausência de eficácia dos últimos. 
Na medicina veterinária, estes medicamentos foram avaliados no contexto de comportamentos problemáticos, havendo dados 
limitados de sua eficácia no manejo da dor. Observe que a administração concomitante de analgésicos adjuvantes com ações 
serotoninérgicas (p.ex., tramadol, amitriptilina, imipramina, duloxetina) pode resultar em uma condição denominada “Síndrome da 
Serotonina”. Assim sendo, deve-se ter cautela ao lidar com pacientes com dor que estejam sendo tratados de ansiedade e tomando 
medicamentos como inibidores seletivos da recaptação da serotonina, ADTs ou inibidores da monoamina oxidase (p.ex., selegilina). 
A síndrome da serotonina é caracterizada por hiperatividade neuromuscular, febre, taquicardia, taquipneia e agitação 
(Mohammad-Zadeh et al. 2008, Indrawirawan & McAlees 2014). 
 
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Tramadol 
 
Modo de ação: Tramadol é um analgésico de açãocentral com mecanismo de ação duplo (fraco agonismo opioide μ e inibição da 
recaptação da serotonina e da norepinefrina), entre outros mecanismos. 
Indicações: Para o tratamento de dor aguda (apresentação injetável) ou crônica (apresentação oral) em gatos em combinação com 
outros analgésicos (Evangelista et al. 2014, Monteiro et al. 2017, Guedes et al. 2018). 
Diferenças entre cães e gatos: O metabólito mais importante do tramadol, o O-desmetiltramadol (M1), está relacionado aos efeitos 
agonistas dos opioides μ . Este metabólito é produzido a uma velocidade muito mais rápida com meia-vida reportada mais longa e 
clearance mais lento em gatos em comparação a cães (Perez Jimenez et al. 2016). Os cães são incapazes de produzir concentrações 
significativas de O-desmetiltramadol, não tendo sido observados efeitos analgésicos em cães com OA (Budsberg et al. 2018) ou na 
dor pós-operatória (Donati et al. 2021). Existem excelentes evidências em favor do uso de tramadol em gatos (embora seu sabor 
amargo possa impedir a administração oral em alguns casos). O nível de evidência para uso de tramadol em cães é baixo. Portanto, 
tramadol deve ser usado somente como analgésico adjuvante em cães quando houver disponibilidade limitada de medicamentos (ou 
seja, embora não sejam esperados efeitos opioides em cães, pode haver um potencial efeito analgésico causado pela inibição da 
recaptação da serotonina e da norepinefrina). 
 
2.8 Medicamentos não analgésicos no manejo de pacientes com dor 
Glucocorticosteroides (GCs) 
Há poucas evidências que corroborem a administração destes medicamentos no contexto clínico para analgesia; porém, seu uso pode 
resultar em alívio da dor através de suas propriedades anti-inflamatórias. Estes medicamentos são mais indicados para o tratamento 
de transtornos alérgicos e autoimunes (p.ex., anemia imunomediada) e condições inflamatórias específicas (p.ex., doença inflamatória 
intestinal, meningite). É a combinação dos efeitos dos GCs na redução da produção de prostaglandinas, e seu papel na resolução 
destas condições que confere alívio da dor. A combinação de GCs com AINEs é contraindicada devido à maior incidência de efeitos 
adversos (Boston et al. 2003). 
 
Anestésicos inalatórios 
 
Estes são usados para anestesia geral em animais. A profundidade da anestesia pode ser previsível e rapidamente ajustada, e a 
depressão cardiorrespiratória é dose-dependente. Agentes desta classe de medicamentos incluem halotano, isoflurano e sevoflurano 
mas nenhum deles possui propriedades antinociceptivas. Anestésicos inalatórios simplesmente bloqueiam a percepção da dor durante a 
anestesia geral; os pacientes acordam sentindo dor se não forem administrados medicamentos analgésicos. 
 
Maropitant 
 
Maropitant é um antagonista dos receptores de neurocinina 1 (NK-1), utilizado para tratar e prevenir êmese através do bloqueio dos 
receptores de NK-1 na zona de quimiorreceptores despoletantes no SNC. Os receptores de NK-1 e seu ligante, a substância P, estão 
presentes em aferentes sensoriais da medula espinhal envolvidos na nocicepção. Estudos em ratos e coelhos demonstraram que os 
antagonistas dos receptores de NK-1 induziam analgesia consistentemente, mediante estimulação nociva visceral, mas esta 
informação não deve ser extrapolada para pequenos animais, já que a analgesia clínica não parece ser relevante. Maropitant pode 
reduzir a necessidade de anestésicos inalatórios após a administração IV em cães e gatos (Boscan et al. 2011, Niyom et al. 2013). Até 
o presente momento, não há nenhuma evidência clara da possibilidade de utilizar maropitant como analgésico no cenário clínico (Kinobe & Miyake 
2020). Maropitant reduz o vômito, mas não elimina a náusea, e pode contribuir para uma redução da motilidade gastrintestinal (Koh 
et al. 2014, Mikawa et al. 2015). No geral, o medicamento pode ser usado como parte do planejamento anestésico para melhorar a 
experiência hospitalar do paciente e reduzir o enjoo de movimento nos transportes. 
Ondansetrona 
 
Ondansetrona é um antagonista dos receptores de serotonina tipo 3 (5-HT3), sendo também um medicamento antiemético e antinauseante 
eficaz (Santos et al. 2011, Foth et al. 2021). Embora maropitant e ondansetrona não tenham ações analgésicas comprovadas, eles ainda 
são importantes componentes do manejo geral do paciente para prevenção dos efeitos adversos de vômito, e, portanto, para 
promover o conforto do paciente. 
Acepromazina (ACP) 
 
Acepromazina é um dos tranquilizantes mais amplamente utilizados na medicina veterinária; o fármaco não possui propriedades 
analgésicas. A administração de ACP reduz as necessidades de anestésicos injetáveis e inalatórios. Em doses altas ou em animais 
hipovolêmicos, pode causar hipotensão clinicamente significativa. Acepromazina é amplamente utilizada no período perioperatório 
(neuroleptanalgesia) e pode causar hipotermia secundária à vasodilatação periférica e efeitos centrais no hipotálamo. 
 
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2.9 Reabilitação física 
Reabilitação física envolve a avaliação clínica e o tratamento de fraqueza musculoesquelética e neurológica em tecidos intra-articulares, 
capsulares, ligamentosos, musculares, miofasciais, e nervosos centrais e periféricos. A postura, marcha, função, força, flexibilidade 
muscular, amplitude de movimento passivo e mobilidade articular são avaliados para desenvolver um plano de tratamento (Millis & 
Levine 2014) (veja um exemplo de exame miofascial em https://www.youtube.com/watch?v=69YWXX_zUL8). Modalidades 
físicas, terapia manual e exercícios terapêuticos podem ser usados para tratar a dor (Fig 27). A frequência, intensidade e duração do 
tratamento são decididas de acordo com a capacidade de regeneração do tecido-alvo e da cronicidade da lesão. 
Exercício terapêutico 
 
O exercício melhora o fluxo sanguíneo e linfático, aumenta o suporte dos tecidos moles às estruturas esqueléticas e espinhais, aumenta 
a flexibilidade dos tendões e ligamentos, e melhora a saúde das cartilagens. Os cuidadores do paciente podem ser instruídos sobre 
como realizar exercícios terapêuticos no ambiente domiciliar. Exercícios simples, como sustentação estática de peso, podem ser 
usados na fase aguda da lesão, com aumentos gradativos de intensidade à medida que o processo de cicatrização e a força progridem. 
Em humanos, exercícios de fortalecimento e aeróbicos proporcionam alívio da dor com efeitos analgésicos tão grandes ou até maiores 
do que os observados com AINES (Polaski et al. 2019). 
Modalidades físicas 
Podem ser usadas modalidades físicas para reduzir a dor, promover a cicatrização de tecidos moles, melhorar a extensibilidade muscular e facilitar o 
fortalecimento muscular. 
Termoterapia (calor). A aplicação de calor nos tecidos aumenta a distensibilidade e o fluxo sanguíneo para facilitar a cicatrização. 
O calor pode ser pró-nociceptivo nos estágios iniciais das doenças. No estado crônico, uma vez que a inflamação tenha atenuado; 
restrições musculares e fasciais predominam e o calor pode ter efeitos analgésicos (McCarberg & O’Connor 2004). 
Crioterapia. Vide Capítulo 2.10. 
Fotobiomodulação (laser/ luz fraca). A aplicação de fótons utilizando luz vermelha/infravermelha próxima resulta em 
redução da inflamação e em analgesia. Existem diferentes classes de fotobiomodulação, e a dose é baseada no comprimento de onda, 
potência radiante, irradiância,fluência e área de tratamento. A fotobiomodulação demonstrou eficácia analgésica em cães com dor 
nas articulações do cotovelo ou coxo-femoral (10 a 20 J/cm2) (Looney et al. 2018, Alves et al. 2022). 
Estimulação elétrica. A estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS) proporciona analgesia em cerca de metade dos 
pacientes humanos com dor moderada (Rushton 2002). O tratamento é titulado para cada paciente com base na frequência (pulsos 
por segundo), intensidade (amplitude de pulso) e duração do pulso (tempo de aplicação da corrente elétrica). 
 
FIG 27. Exemplo de um cão fazendo um exercício de fisioterapia usando um disco de equilíbrio. Figura cortesia de Bonnie Wright 
 
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http://www.youtube.com/watch?v=69YWXX_zUL8)
http://www.youtube.com/watch?v=69YWXX_zUL8)
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Terapia eletromagnética pulsátil. A aplicação de terapia eletromagnética não térmica e não invasiva reduziu a dor de OA no 
joelho em pessoas, e melhorou os resultados funcionais em cães após hemilaminectomia (Nelson et al. 2013, Alvarez et al. 2019). 
Terapia de ondas de choque. A deformação de tecidos usando ondas sonoras de alta intensidade promove neovascularização, 
reversão da inflamação crônica, estimulação da produção de colágeno, tratamento de lesões de tendões e ligamentos, e analgesia em 
curto e longo prazo (Chamberlain & Colborne 2016). Estudos revelaram melhora do uso do membro após cirurgia de jarrete em 
cães, e benefícios em longo prazo para humanos com dores lombares (Barnes et al. 2019, Walewicz et al. 2019). 
Pressão no ponto-gatilho. Os pontos-gatilho estão localizados em uma faixa tênsil de fibras musculares (estruturas nodulares 
rígidas, dolorosas). Eles podem ser estimulados através de laser terapêutico, eletroterapia, fisioterapia ou terapias manuais, como 
injeção de anestésicos locais ou acupuntura (agulha seca) (Wall 2014). Embora os dados na medicina veterinária sejam limitados, o 
uso de acupuntura é preferível. 
 
Massagem. Vide Capítulo 2.15. 
 
2.10 Terapia de frio 
O que é 
Terapia de frio é uma ferramenta analgésica não farmacológica medicamente útil, cientificamente comprovada, mundialmente 
disponível e não limitada por regulamentações (Wright et al. 2020). Envolve a aplicação tópica de gelo ou substrato congelado através 
de copos descartáveis, baldes e sacos, ou do uso de dispositivos de compressão a frio e mangas de circulação (Fig 28). Deve ser 
aplicada corretamente e por um período adequado sobre os tecidos-alvo. 
 
Como funciona 
 
A aplicação de frio sobre a pele diminui a temperatura dos tecidos subjacentes até uma profundidade de 2 a 4 cm. Isto resulta na diminuição 
da ativação de nociceptores nos tecidos, e menor velocidade de condução ao longo dos axônios periféricos (neuropraxia induzida por frio) 
(Malanga et al. 2015). Canais iônicos periféricos específicos, sensíveis ao frio, contribuem para a redução da sinalização nociceptiva e para a 
ativação de interneurônios inibitórios (Liu et al. 2013). A terapia de frio também diminui o edema, através de vasoconstrição mediada 
simpaticamente, e reduz os espasmos musculares (Lee et al. 2002). Espasmo muscular pode estar presente em pacientes com dor 
aguda e crônica, sendo uma importante causa de desconforto (Malanga et al. 2015). 
 
Indicações e considerações 
 
A terapia pelo frio é recomendada em qualquer incisão cirúrgica, como componente do protocolo analgésico. A aplicação de frio por 
15 a 20 minutos a cada 6 a 8 horas pode ser realizada imediatamente após a cirurgia e subsequentemente por vários dias; a técnica 
pode ser ensinada aos cuidadores e continuada após a alta (Wright et al. 2020). 
Em casos de dor crônica com um componente inflamatório ou espasmo muscular, a terapia com frio também pode ser de valia. 
Assim como com qualquer medicamento ou procedimento médico, a terapia de frio tem efeitos relacionados à dose, ao tempo e à 
doença que variam de paciente para paciente. Portanto, deve ser usada após uma consideração cuidadosa de seu possível valor para 
cada indivíduo. 
 
FIG 28. Exemplo de terapia de frio. Bolsas de gelo nunca ficam em contato direto com a pele. Deve haver uma camada (p.ex., de papel ou pano) entre 
a bolsa de gelo e a pele. (A) Terapia aplicada em um gato imediatamente após ablação total do canal auricular. Pedaços de gaze estéril são usados 
para proteger a pele. (B) Cão imediatamente após cirurgia de jarrete. Foram utilizados campos cirúrgicos para proteger a pele. Figura (A) 
reproduzida de Steagall et al. (2022). Figura (B) cortesia de Sheilah Robertson 
 
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B. P. Monteiro et al. 
 
 
 
Cuidados incluem evitar danos aos nervos por uso prolongado, ou aplicar sobre regiões sem sensibilidade ou com pouco fluxo 
sanguíneo (p.ex., extremidades distais). Uma barreira apropriada (p.ex., toalha) deve ser colocada entre o material frio e a pele. 
Superfícies não estéreis em contato com incisões cirúrgicas frescas devem ser evitadas. O gelo não deve ser aplicado por mais de 20 
minutos em um período de 1 a 2 horas. A maioria dos pacientes aceita a sensação de frio após um breve período de desconforto que 
não deve durar mais do que 2 minutos (Francisco et al. 2018). Os pacientes podem inicialmente reagir negativamente à terapia de frio, 
mas normalmente demonstram aceitação rapidamente à medida que o tecido vai se tornando dessensibilizado. No entanto, alodinia 
por frio pode ocorrer em síndromes de dor crônica e a terapia deve ser interrompida em pacientes que pareçam desproporcionalmente 
irritados pelo estímulo frio ou que continuem tentando evitar o tratamento. 
 
2.11 Canabinoides 
Sistema endocanabinoide 
Em todos os seres vertebrados, o sistema endocanabinoide age juntamente com outros sistemas neuromodulatórios, como os 
sistemas serotonérgico, dopaminérgico, noradrenérgico e opioidérgico. Estes sistemas interagem em um esforço para manter a 
homeostasia (McPartland et al. 2014). Várias formas de medicina física, como exercícios, acupuntura e alimentação também 
contribuem para alterações no sistema endocanabinoide (Howlett & Abood 2017, Toczek & Malinowska 2018). 
Receptores de canabinoides (CB) são receptores neuromodulatórios acoplados a proteínas G, encontrados nas membranas 
celulares e terminais nervosos pré-sinápticos. Há dois CBs: CB1 (primordialmente no sistema nervoso) e CB2 (extensivamente 
distribuído e relacionado às células imunes). Há três tipos de canabinoides: endocanabinoides (produzidos pelo corpo), 
fitocanabinoides (produzidos a partir de plantas) e canabinoides sintéticos. Estas moléculas modificam os sinais nociceptivos 
perifericamente e centralmente. Através de seus efeitos gliais, eles são anti-hiperalgésicos e podem reduzir condições 
neurodegenerativas (como mielopatia degenerativa) (Fine &Rosenfeld 2013, Fernandez-Trapero et al. 2017). Reconhece-se que uma 
variedade de ligantes endógenos e exógenos capazes de se ligar ou modificar os receptores CB. 
 
Canabinoides exógenos 
 
Fitocanabinoides são derivados principalmente da planta Cannabis sativa e são geralmente mais diversificados do que os compostos 
sintéticos. Canabidiol (CBD) e delta-9-tetrahidrocanabidiol (THC) são duas das moléculas de fitocanabinoides mais estudadas; ainda 
assim, existem mais de 180 compostos. Produtos farmacêuticos aprovados pelas autoridades sanitárias são derivados de fontes 
biológicas e reduzidos a uma ou duas moléculas. Canabinoides derivados de plantas contêm terpenos e flavonoides que também têm 
efeitos biológicos. A ampla variedade de compostos contribui para a complexidade e os efeitos variáveis de diferentes 
fitocanabinoides, e a falta de padronização nos produtos comercialmente disponíveis para a regulação e pesquisa. 
CBD é comumente usado na medicina veterinária para efeitos analgésicos e de imunomodulação nos receptores de CB2. Os efeitos 
psicotrópicos e sedantes são mínimos, enquanto que os efeitos medicinais são relativamente previsíveis (Gamble et al. 2018). THC é 
um robusto agonista dos receptores de CB1 embora também se ligue a CB2. Está associado a efeitos psicoativos, ansiedade, 
taquicardia, e vasodilatação periférica e, portanto é difícil titular o THC para uso medicinal em espécies veterinárias. Contudo, 
pequenas quantidades de THC podem aumentar significativamente a eficácia, quando usados em combinação com CBD (Vaughn et 
al. 2020). 
 
Maconha e canabinoides 
 
Maconha e cânhamo são ambas plantas do gênero Cannabis sativa. A distinção é a quantidade de THC presente (cânhamo tem <0,3% 
de THC por peso seco) (Deabold et al. 2019). As plantas têm uma diversidade incrível devido à hibridização; assim, as espécies 
individuais não são importantes para consideração médica (Solymosi & Kofalvi 2017). Os efeitos variáveis de variedades de plantas 
comuns são baseados na proporção de canabinoides, terpenos e flavonoides ativos (Piomelli & Russo 2016). Um certificado de 
análise fornece estas informações sobre um determinado produto (Wakshlag et al. 2020). 
 
Abordagem clínica para canabinoides 
 
Atualmente, é impossível recomendar uma abordagem universal aos veterinários no que diz respeito aos canabinoides. As leis variam 
muito de regiões onde há pouco risco jurídico até locais em que é um delito penal prescrevê-los ou vendê-los. Estes compostos estão 
sendo amplamente utilizados e geralmente são fornecidos sem supervisão veterinária, mas os profissionais veterinários devem atuar 
como protetores e conselheiros, pelo menos no que diz respeito à redução do sofrimento. Existem programas de educação 
continuada para aumentar o conhecimento sobre o assunto. 
Há vários relatos de intoxicação em cães, principalmente com THC. Os sinais clínicos variam em termos de severidade e incluem 
depressão do SNC, ansiedade, hipersensibilidade sensorial, perda de urina, taquicardia e morte. Canabinoides também são potentes 
inibidores das enzimas do citocromo P450 (principalmente CBD). Deve-se tomar cuidado ao combiná-los com outros medicamentos, 
e deve-se monitorar o paciente para avaliar alterações nas enzimas e função hepática. As doses devem ser reduzidas quando se usam 
canabinoides em combinação com outros medicamentos que atuam através dos canais de cálcio (como a gabapentina) para evitar 
sedação excessiva. Da mesma forma, os efeitos vasodilatadores do THC podem alterar estados de doenças subjacentes, como 
condições renais e cardíacas (Ho et al. 2019). 
 
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O sistema endocanabinoide é um sistema homeostático, e os indivíduos podem ter uma atividade “de linha de base” extremamente 
diferente, resultando em imprevisibilidade do tratamento. A sugestão é começar com doses baixas de fitocanabinoides e titular durante 
um período de semanas. Em cães com OA, doses de 2 mg/kg de óleo de CBD duas vezes ao dia, por via oral, são geralmente usadas, com 
algum grau de eficácia reportado; elevações nas enzimas hepáticas foram observadas em alguns cães (Gamble et al. 2018, Brioschi et al. 
2020, Vaughn et al. 2020). Não há dados de eficácia disponíveis para gatos, mas sua farmacocinética parece ser bastante diferente da dos cães 
(Deabold et al. 2019). O sistema endocanabinoide pode ser imaturo em recém-nascidos, para além da função hepática imatura; 
portanto, devem-se evitar canabinoides em animais gestantes, lactentes e animais de menos de 8 semanas de vida. 
 
2.12 Dieta e suplementos 
Dieta 
Dietas terapêuticas devem ser consideradas no manejo da dor (Vandeweerd et al. 2012). Por exemplo, níveis elevados de atividade 
foram observados em gatos com OA depois de terem sido alimentados com uma dieta rica em ácido eicosapentaenoico (EPA), e 
ácido docosahexaenoico (DHA) e suplementados com extrato de mexilhão de lábios verdes e glicosamina/ sulfato de condroitina 
por 9 semanas (Lascelles et al. 2010a). Da mesma forma, cães com OA que ingeriram uma dieta rica em ácidos graxos ômega 3 de 
óleo de peixe por 90 dias, demonstraram melhora na avaliação objetiva de sustentação de peso (análise de marcha) (Roush et al. 2010). 
A interação entre nutrição e manejo da dor, e como as dietas comerciais poderiam contribuir para a analgesia multimodal em uma 
abordagem multidisciplinar em pequenos animais, ainda precisa ser explorada. 
 
Suplementos 
 
Suplementos são produtos derivados de fontes alimentares que, supostamente, oferecem benefícios adicionais para a saúde além da 
nutrição. Deve-se observar que os suplementos alimentares não requerem comprovação de segurança, eficácia ou controle de 
qualidade para serem comercializados. No entanto, os suplementos têm um longo histórico de uso, há cada vez mais informações 
sobre a eficácia de suplementos específicos, e eles podem ser uma alternativa quando o acesso a produtos farmacêuticos é limitado. 
O Quadro 5 fornece uma lista não exaustiva de compostos básicos. Várias dietas comerciais incluem um ou mais destes 
suplementos. São necessários estudos clínicos prospectivos randomizados para investigar o papel dos suplementos no manejo da 
dor, especialmente em condições crônicas. 
2.13 Enfermagem e cuidados de apoio 
O atendimento de enfermagem de qualidade (TLC, tender loving care, ou tratamento carinhoso e atencioso) deve ser aplicado como 
adjuvante de outras terapias para manejo da dor, ansiedade e estresse (Fig 29). É importante criar um ambiente em que o animal 
esteja emocional e fisicamente confortável. Isto pode ser feito através de modificações ambientais e de manuseio, além de tratamentos 
específicos para dor e conforto. 
 
Modificações ambientais podem incluir o controle de informações auditivas, visuais e olfativas. Informações auditivas negativas podem 
ser limitadas mantendo cães e gatos separados, mantendo os pets quietos longe dos mais tempestuosos, abrigando os pacientes longe de salas de 
tratamento barulhentas, colocando músicas calmas ou ruídos brancos (Hampton et al. 2020, Lindig et al. 2020), e falando calmamente. 
 
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Quadro 5 Exemplos de suplementos 
• Ácidos Graxos Polinsaturados (AGPI) 
• Glicosamina / condroitina 
• Ácido Hialurônico (AH) 
• Insaponificáveis de abacate e soja 
• Mexilhões de lábios verdes (GLM) (Perna canaliculus) 
• Colágeno tipo 2 não desnaturado (UC-II) 
• Boswellia serrata 
• Ashwaganda (Withania somnifera) 
• Curcumina (açafrão-da-terra) 
• Arnica montana ou Solidago chilensis (Arnica brasileira) 
• Garra do Diabo (Harpagophytum procumbens) 
• Casca de salgueiro branco (Salix alba) 
• Quercetina, resveratrol e outros polifenóis 
• Acetil l-carnitina 
• Produtos derivados do leite 
• Cetil miristoleato 
• N-acetil cisteína 
• N-palmitoiletanolamina (PEA) 
• Membrana de casca de ovo fertilizado (Fortetropin) 
B. P. Monteiro et al. 
 
Modificações visuais podem incluir diminuir a iluminação durante o repouso, especialmente à noite, locais para se esconder e subir no 
canil ou gaiola. Há dados que afirmam que luzes de certos comprimentos de onda proporcionam relaxamento ou analgesia (Tamarova et 
al. 2009). Modificações olfativas incluem as adaptações residenciais mencionadas acima, e exposição a feromônios ou agentes herbais que 
contêm qualidades relaxantes (p.ex., feromônios felinos e caninos, e lavanda em certas espécies, como coelhos) (Pageat & Gaultier 2003, 
Amaya et al. 2020, Van Vertloo et al. 2021). Finalmente, o ambiente da gaiola deve idealmente promover conforto, espaço e oportunidades 
de movimentação e possibilidade de se retrair ou esconder. Por exemplo, gatos usam espaços tridimensionais, e dar-lhes uma caixa de 
papelão oferece um “lugar seguro” para eles se esconderem e uma oportunidade de usar espaços verticais (Fig 29). 
Modificações de manuseio podem incluir a identificação de pacientes ansiosos e tratar a ansiedade antes do transporte, e/ou 
durante períodos de hospitalização, com medicamentos ansiolíticos (p.ex., gabapentina ou trazodona) (Gilbert-Gregory et al. 2016) 
(Tabela 16). É imperativo avaliar a dor juntamente com tocar carinhosamente e ter interações positivas com pacientes que buscam 
isto, ao mesmo tempo proporcionando espaço para aqueles que buscam isolamento. Estresse e ansiedade e interrupção do sono 
podem intensificar a dor em todas as espécies (Lefman & Prittie 2019). 
 
Outras técnicas de cuidados de enfermagem para acalmar e reduzir a dor 
Massagem 
Aplicar pressão ou compressão leve e embalar o animal pode aliviar alguns pacientes, tanto fisíca quanto psicologicamente, se eles 
estiverem acostumados ao contato próximo com humanos (Capítulo 2.15). 
Aplicação de calor ou frio. Terapia de frio durante um ferimento agudo pode reduzir o inchaço e proporcionar analgesia 
(Capítulo 2.10). Calor pode ser confortante na ausência de dor inflamatória. 
Manuseio do paciente. Ao manusear e mover o animal, evite áreas dolorosas (sítios cirúrgicos/ de trauma, articulações 
osteoartríticas, etc.), mesmo quando animal está anestesiado ou sedado para evitar infligir um estímulo doloroso. Lesões em ossos longos 
devem sempre ser imobilizadas com gesso ou tala antes de mover o paciente. A contenção deve ser realizada sem aplicação de força 
(p.ex., usando toalhas para envolver o paciente), usar uma voz calma e movimentos delicados. Carregar gatos pelo pescoço deve ser 
evitado a todo custo. Há outro texto que descreve diretrizes para manuseio correto de felinos (Rodan et al. 2011). 
 
FIG 29. Exemplos de cuidados de enfermagem para proporcionar conforto para pacientes hospitalizados. (A) Filhote de gato sendo monitorado durante a 
recuperação da anestesia imediatamente após a ovariohisterectomia. O cuidado de enfermagem garante que este paciente esteja normotérmico e 
confortável antes de ser colocado novamente em sua gaiola. (B) Uma caixa de papelão na gaiola de um gato oferece um local seguro para se esconder e 
oportunidades de subir nas coisas. Isto contribui para o bem-estar de gatos hospitalizados. (C) Cão ansioso após tomar trazodona para reduzir a ansiedade 
pós-operatória. (D) Cão se recuperando envolvido em um cobertor de água quente após a cirurgia. O cuidado de enfermagem garante que o cão esteja em 
um local limpo e tranquilo, sentindo-se quentinho e confortável. Figuras (A), (C) e (D) cortesia de Paulo Steagall. Figura (B) reproduzida de Steagall et al. 
(2022) 
 
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Cama e posicionamento. A criação de uma superfície macia e acolchoada para o animal descansar ajuda a prevenir dores 
adicionais. Ficar deitado por longos períodos em uma superfície dura ou fria é extremamente desconfortável e predispõe o animal a 
ansiedade, amplificando a sensação de dor e a possibilidade de úlceras de decúbito. Cobertores enrolados ou travesseiros podem 
facilitar a escolha da posição corporal mais confortável para o paciente. Ademais, o paciente pode ser auxiliado em um 
posicionamento que estimule a elevação dos membros lesionados para reduzir o edema ou facilitar o fluxo de ar ao redor das feridas. 
Troca de posições. Reposicionar o paciente a cada 4 horas previne rigidez muscular, úlceras de decúbito, atelectasia pulmonar, 
promove a circulação e dá oportunidade para avaliação da dor e ajuste de analgésicos, se necessário. 
 
Movimento e exercícios leves. Quando feitos com cuidado, movimentos e exercícios leves podem reduzir a dor, a rigidez de tecidos 
e melhorar o conforto do paciente (Polaski et al. 2019). Auxílios de mobilidade, como cintas ergonômicas, carrinhos e equipamentos de 
exercícios podem facilitar os movimentos e as atividades. Caminhadas assistidas podem melhorar a atitude, reduzir o estresse e 
permitir a eliminação de dejetos independente em pacientes treinados. 
 
Laserterapia e TENS. Estas modalidades podem fazer parte do cuidado de enfermagem para alívio da dor (Capítulo 2.13). 
 
2.14 Acupuntura 
O que é 
Acupuntura é a colocação e manipulação de agulhas finas em locais definidos do corpo que são ricos em estruturas neurovasculares 
ou miofasciais (pontos neuroanatômicos), para estimular uma resposta endógena para promoção de analgesia, cicatrização e 
imunomodulação. O uso de agulhas envolve mecanotransdução e neuromodulação dos tecidos, como mecanismos por trás dos 
efeitos bioquímicos da acupuntura (Wright 2019). O termo acupuntura é definido pelo uso de agulhas, mas os pontos 
neuroanatômicos não são exclusivos à acupuntura. Estes pontos específicos podem ser estimulados utilizando outras modalidades 
relacionadas, como acupressão, laser, eletroterapias e aquapuntura (injeção de líquido, como vitamina B12 em solução salina em 
pontos de acupuntura) (Fig 30). Embora estas modalidades relacionadas também possam ser eficazes, a confiabilidade da 
mecanotransdução tecidual das mesmas não foi estabelecida (Langevin & Wayne 2018). 
Como funciona 
Abordagem neuroanatômica 
Pontos neuroanatômicos são anatomicamente ricos e caracterizados por nervos mielinizados e não mielinizados, mecanorreceptores 
de limiar baixo, fibroblastos e matriz de colágeno, mastócitos e complexos microcirculatórios (Zhanget al. 2012). Com a colocação 
 
 
FIG 30. Exemplos de cães e gatos submetidos ao tratamento de acupuntura para diferentes condições dolorosas. (A) e (C) Eletroacupuntura. (B) e (D) 
Acupuntura. Figuras (A), (B) e (D) cortesia de Bonnie Wright. Figura (C) cortesia de Sheilah Robertson 
 
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da agulha, ocorre a estimulação direta do nervo, e também secundariamente a forças mecânicas aplicadas na fáscia e no ambiente 
celular na região ao redor do ponto. Por exemplo, fibroblastos são alongados pela tração da agulha na rede de colágeno. A função 
celular dos fibroblastos é modificada através da mecanotransdução por um período de 36 horas, aumentando o fluxo de líquido 
através dos canais linfáticos. O efeito direto das agulhas no nervo e no fibroblasto altera a informação nociceptiva periférica, a 
modulação dos neurotransmissores espinhais, o equilíbrio simpático/ parassimpático e a função imune (Wright 2019). 
Em contraste com os processos fisiológicos documentados, a Medicina Tradicional Chinesa aborda a acupuntura com base em 
descrições do chi (energia invisível) em movimento. Ambas as abordagens envolvem a colocação e a manipulação de agulhas em 
pontos específicos, para a produção de efeitos clínicos benéficos (Kaptchuk et al. 2010). 
 
Indicações 
 
Na medicina humana, a acupuntura tem sido cada vez mais apreciada como tratamento para várias formas de dor aguda e crônica. 
Nos EUA, o Centro Nacional de Saúde Complementar e Integral do Instituto Nacional de Saúde (NIH n.d.) mantém um site na 
internet com dados científicos relacionados à acupuntura e financia pesquisas. Embora as evidências sejam limitadas na medicina 
veterinária, estudos geralmente indicam efeitos analgésicos da acupuntura no manejo de dor aguda e crônica em cães e gatos (ou seja, 
ovariohisterectomia, OA, hemilaminectomia e outras doenças neurológicas e musculoesqueléticas) (Teixeira et al. 2016, Ribeiro et al. 
2017, Silva et al. 2017, Nascimento et al. 2019, Baker-Meuten et al. 2020, Machin et al. 2020). 
 
Efeitos adversos 
 
Os riscos da acupuntura são extremamente baixos, quando realizada por um médico devidamente treinado. Incidentes adversos 
reportados são raros, e incluem perfuração não intencional de estruturas vitais (principalmente pulmões), infecção (relacionada ao 
uso de agulhas reutilizáveis não estéreis), e introdução de material estranho. O uso de agulhas estéreis descartáveis é essencial. 
Implantação não intencional de material estranho (como grânulos de ouro ou fragmentos de metal) não é recomendada. Em cães, 
grânulos de ouro causam alterações inflamatórias prolongadas e, em humanos, já foram relatadas consequências potencialmente fatais 
da migração de agulhas (Lie et al. 2011). O equipamento de acupuntura é barato e está amplamente disponível, porém requer 
treinamento. Foi demonstrado que a acupuntura reduzia as necessidades de opioides e está sendo cada vez mais recomendada como 
alternativa a tratamentos baseados em opioides para dor crônica (Tick et al. 2018). A acupuntura é uma adjuvante valiosa, quando 
utilizada adequadamente, às abordagens farmacêuticas, e deve ser usada em um regime multimodal em vez de como monoterapia. 
 
 
2.15 Mobilização de tecidos moles e massagem 
O conceito de mobilização de tecidos moles requer conhecimento da presença de fáscia e tecido conjuntivo ligando estruturas 
somáticas e viscerais. Com seus diversos componentes, o sistema fascial cria um contínuo tridimensional de tecido conjuntivo fibroso 
macio, contendo colágeno, solto e denso, que permeia o corpo e permite que todos os sistemas corporais operem de forma integrada 
(Zügel et al. 2018). 
Métodos tradicionais de mobilização de fáscia incluem massagem, alongamento e técnicas quiropráticas. Quando se manipula o 
tecido fascial, fatores de crescimento e uma variedade de proteínas e neurotransmissores são liberados, causando mudanças no 
processamento da dor, processos metabólicos, fluxo sanguíneo e capacidade de cicatrização, e reduzindo a sensibilização periférica 
e central, além da inflamação (Weerapong et al. 2005, Langevin 2014, Berrueta et al. 2016). 
Exercícios como forma de mobilização de tecido estão associados a melhora da analgesia e da função na dor crônica, bem como 
influência positiva no sistema imune e redução da imunosenescência relacionada ao envelhecimento (Naugle et al. 2012, Sluka et al. 
2018) (Capítulo 2.9). Pesquisas em acupuntura nos últimos 30 anos revelam que a mobilização fascial é um importante contribuinte 
para os efeitos bioquímicos da acupuntura (Langevin 2014) (Capítulo 2.14). Técnicas mais modernas, que utilizam máquinas para a 
mobilização de tecidos, incluem terapias de ondas de choque focadas e radiais, utilizadas para lesões de tendões, alívio da dor e 
cicatrização óssea (Dedes et al. 2018). 
Mobilização fascial abrange desde técnicas simples, que podem ser realizadas pela equipe de enfermagem, como massagem e toque 
em tecidos moles, até modalidades complexas que requerem treinamento significativo, como terapia de ondas de choque e 
acupuntura. Muitas destas técnicas podem ser adotadas como um componente do controle da dor. As recomendações para 
mobilização de tecidos podem ser tão simples quanto recomendar exercícios regulares e leves como parte do plano de controle da 
dor, principalmente para dor crônica e contínua. 
 
2.16 Procedimentos cirúrgicos de salvamento 
Em alguns casos, uma abordagem cirúrgica para alívio da dor é recomendada. Estes procedimentos são geralmente chamados de 
procedimentos de salvamento, embora eles também possam ser empregados como primeira linha de tratamento. Por exemplo, a dor 
associada ao osteossarcoma de membro pode ser difícil de controlar com terapias analgésicas, e a amputação proporciona um meio 
rápido de alívio da dor. Procedimentos cirúrgicos de salvamento podem ser complexos e devem ser realizados por cirurgiões 
experientes. Muitos dos pacientes submetidos a estes procedimentos terão sentido dor por um período considerável de tempo, 
 
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e devem ser empregadas técnicas analgésicas abrangentes para prevenir dor aguda, além de um estado de sensibilização resultando 
em dor pós-cirúrgica persistente, como observado claramente em humanos. 
Amputação de membro 
 
Indicações: trauma / avulsão severa de membro ou falha na cirurgia reparadora (p.ex., falha de reparo de fratura), osteosarcoma 
apendicular, outras neoplasias dolorosas de membros, outras condições cronicamente dolorosas de membros. 
Com a devida analgesia perioperatória, na maioria dos casos, o tempo de recuperação é rápido, e os animais se adaptam bem a 
andar em três membros. A função é melhor em animais que não tenham doença musculoesquelética nos outros membros e que nãotenham sobrepeso ou obesidade. 
Artroplastia total 
Indicações: para alívio da dor de doença articular (DAD/OA, subluxação, luxação e fratura intra-articular). 
Estes procedimentos (artroplastia total de anca, cotovelo, joelho, artroplastia customizada) são tecnicamente avançados e requerem 
equipamentos especializados. Se realizados corretamente, podem eliminar a dor articular (Lascelles et al. 2010b). 
 
Artroplastia excisional 
Indicações: para alívio da dor de doença articular (DAD/OA, subluxação, luxação e fratura intra-articular). 
Mais frequentemente realizada na articulação da anca (excisão da cabeça e colo do fêmur), este procedimento é menos 
tecnicamente complexo do que a artroplastia total. Contudo, dados indicam que os resultados funcionais não são ideais (Off & Matis 
2010, Montasell et al. 2018). A artroplastia excisional não deve ser considerada como um “conserto fácil” – são necessárias técnicas 
analgésicas perioperatórias eficazes e reabilitação física agressiva para otimizar os resultados. 
 
Artrodese 
 
Indicações: para alívio da dor de doença articular. As técnicas de artrodese visam eliminar permanentemente o movimento de uma 
articulação e a dor associada à mesma; porém, o procedimento normalmente resulta em claudicação mecânica (funcional). 
Desenervação 
Indicações: para aliviar a dor quando terapias médicas fracassam, como alternativa à artrodese. 
A desenervação sensorial visa promover alívio da dor ao desorganizar as vias neurais que transmitem mensagem nociceptiva da 
articulação para o cérebro. Técnicas de desenervação foram descritas na anca (articulação coxofemoral) e cotovelo de cães, sendo 
realizadas quando outros tratamentos, como terapias médicas, cirúrgicas e adjuvantes falham (Zamprogno et al. 2011). A função 
motora pode normalmente ser bem mantida, quando estes procedimentos são corretamente realizados. Não há dados de seguimento 
em longo prazo disponíveis, mas dados conflitantes sobre se a desenervação de uma articulação resulta em degeneração articular 
acelerada ou não. 
 
Os procedimentos destacados acima constituem cirurgias de grande calibre, com potencial de causar dor significativa (aguda e 
persistente), se não for proporcionada analgesia perioperatória por um período suficiente de tempo. Uma abordagem multimodal é 
recomendada com ênfase na analgesia local, especialmente devido ao fato de que a maioria dos pacientes submetidos a estes 
procedimentos sofre de dor patológica crônica antes da cirurgia. Eles somente devem ser realizados por cirurgiões com a devida 
experiência nesses procedimentos e no cuidado pós-operatório dos pacientes (Lister et al. 2009). 
 
2.17 Anticorpos monoclonais para controle da dor 
Anticorpos monoclonais (mAbs) provaram ser extremamente eficazes em uma variedade de doenças em humanos, e agora estão 
sendo introduzidos na medicina veterinária. Anticorpos monoclonais são anticorpos monovalentes que se ligam especificamente a 
moléculas-alvo, incluindo citocinas, receptores ou células (Liu 2014). A ligação resulta no bloqueio da atividade do alvo. Existem 
múltiplos mecanismos através dos quais os mAbs produzem seus efeitos. Entre eles estão o bloqueio da interação ligante-receptor 
ou das rotas de sinalização; alteração das populações celulares (através da ativação de funções efetoras incluindo citotoxicidade celular 
dependente de complemento, citotoxicidade celular dependente de anticorpo; e fagocitose ou apoptose dependente de anticorpo) 
(Khan & Sadroddiny 2015). Os anticorpos terapêuticos precisam ser específicos às espécies para reduzir a prevalência de 
desenvolvimento de uma reação imune contra o medicamento (anticorpos antimedicamento). 
O uso do fator de crescimento neural (NGF) surgiu como um caminho terapêutico potencialmente útil para controle da dor da 
OA, e possivelmente de outras condições. O fator de crescimento neural foi, originalmente, identificado como um fator crítico para 
o desenvolvimento e manutenção de neurônios sensoriais e simpáticos no sistema nervoso em desenvolvimento. Contudo, agora 
está claro que o NGF desempenha um importante papel na pró-nocicepção (Enomoto et al. 2019). O fator de crescimento neural 
sensibiliza os nervos, alterando a forma como eles funcionam, ativando células imunes/ inflamatórias, sensibilizando ainda mais os 
neurônios devido aos produtos liberados por estas células; também contribui para a germinação neuronal em condições 
 
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dolorosas (Barker et al. 2020). Em estudos clínicos com humanos, vários mAbs anti-NGF foram avaliados, tendo demonstrado 
reduzir a dor e melhorar a função em pacientes com OA (Wise et al. 2021). No entanto, atualmente, não há nenhum mAb anti-NGF 
aprovado para uso em humanos, parcialmente devido a preocupações com efeitos adversos, principalmente casos de OA de progressão 
mais rápida (Wise et al. 2021). 
Nos últimos anos, foram publicados estudos que demonstram o grande efeito analgésico de doses únicas de mAbs anti-NGF para 
controle da dor de OA em cães e gatos. Foi descrita a eficácia de um mAb anti-NGF caninizado (ranevetmabe), de um mAb anti-NGF 
totalmente canino (bedinvetmabe) e de um mAb anti-NGF felinizado (frunevetmabe) (Webster et al. 2014, Lascelles et al. 2015, Gruen 
et al. 2016, 2021a,b, Corral et al. 2021). Recentemente, os primeiros mAbs anti-NGF (frunevetmabe e bedinvetmabe) foram aprovados 
para uso na medicina veterinária para alívio da dor da OA em cães e gatos de vários países. Os dados publicados indicam que eles 
são eficazes para dor de OA de gravidade variável em ambas as espécies, e que são apropriados como primeira linha de tratamento. 
Em ambas as espécies, injeções subcutâneas únicas do mAb proporcionaram pelo menos 1 mês de alívio da dor em pacientes com 
OA. Nenhum estudo está atualmente disponível avaliando outras condições dolorosas. MAbs anti-NGF não parecem estar 
associados a efeitos adversos relacionados ao órgão, mas leves reações cutâneas (p.ex., alopecia) foram reportadas em gatos. O perfil 
de segurança completo somente será conhecido uma vez que estes produtos tenham sido usados extensivamente na prática. 
Não obstante a necessidade de informações adicionais de segurança, bem como a necessidade de estudos de eficácia de maior 
porte, o desenvolvimento de anticorpos monoclonais anti-NGF, que sejam específicos às espécies e possam proporcionar várias 
semanas de controle eficaz da dor após uma única injeção em cães e gatos, aborda uma necessidade não atendida na prática clínica. 
 
2.18 Tratamentos musculoesqueléticos adjuvantes 
Medicina regenerativa 
A medicina regenerativa está focada em estratégias de crescimento, reparação ou reposição de células, órgãos ou tecidos lesionados 
ou doentes (Voga et al. 2020). Células estaminais mesenquimatosas/tronco/estaminais (MSC) são utilizadas na medicina regenerativa. 
Tratam-se de células adultas não especializadas com efeitos antimodulatórios e anti-inflamatórios que têm a capacidade de migrar 
para os sítios de lesão tecidual, conhecida como “capacidade de homing”. Estas células podem ser isoladas de diversos tecidos, como 
a medula óssea ou tecido adiposo originários do próprio paciente (autólogo), ou de um doador da mesma espécie (alógeno) ou de 
diferentes espécies (xenogênico) e podem ser administradas por via IV, intra-articular ou através de outras vias. Revisões detalhadas 
sobre este assunto podemser encontradas em outros textos (Voga et al. 2020, Brondeel et al. 2021). Em cães com OA, a terapia com 
MSC é promissora, e os estudos atuais geralmente mostram redução da claudicação, dor articular e amplitude de movimento (Harman 
et al. 2016, Brondeel et al. 2021). Em gatos com OA, a terapia com MSC resultou em remissão total ou melhora clínica substancial em 
alguns gatos com gengivoestomastite refratária severa (Arzi et al. 2016). Futuras evidências esclarecerão o verdadeiro papel das MSC 
no controle da dor crônica em animais, incluindo e melhor abordagem terapêutica (p.ex., administração intra-articular versus IV; 
transplante autólogo versus alógeno versus xenogênico, etc.). 
Terapias administradas através de injeções intra-articulares 
 
Ácido hialurônico (HA) é um componente natural do líquido e cartilagem articular que pode ser injetado em articulações 
osteoartríticas ou administrado por via oral (Capítulo 2.12) e que promove lubrificação. O plasma rico em plaquetas (PRP) contém 
fatores de crescimento e proteínas com propriedades anti-inflamatórias. Ele envolve a coleta e processamento do sangue do paciente 
com subsequente injeção nas articulações afetadas. Tanto o HA quanto o PRP melhoram as dores articulares e a mobilidade nos 
seres humanos. Ainda há poucas evidências na medicina veterinária, mas parece indicar efeitos positivos na dor e na função quando 
HA ou PRP intra-articular são usados isoladamente ou em combinação com MSC em cães com OA (Nganvongpanit et al. 2013, 
Carapeba et al. 2016, Venator et al. 2020, Brondeel et al. 2021, Okamoto-Okubo et al. 2021). 
Coloide de estanho (117mSn) é um dispositivo terapêutico veterinário de conversão de electrões, utilizado na radiosinoviortese. Este 
último se trata da injeção intra-articular de um radioisótopo com o objetivo de reduzir a inflamação sinovial. Este produto foi 
recentemente registrado nos EUA para tratamento de OA no cotovelo de cães e pode proporcionar analgesia por até 1 ano. É 
necessária aprovação regulatória para uso de terapias médicas radioativas. Estudos iniciais demonstram que o produto parece ser 
seguro e oferece analgesia em longo prazo para OA de cotovelo canino (Lattimer et al. 2019, Aulakh et al. 2021, Donecker et al. 
2021a,b). 
Agonistas do receptor de potencial transitório vaniloide 1 (TRPV1) são predominantemente expressados nos neurônios sensoriais 
nociceptivos e são alvos promissores para o tratamento de dor crônica. Resiniferatoxina e capsaicina são potentes agonistas do 
TRPV1 que estão atualmente sendo pesquisados, mas ainda não estão comercialmente disponíveis, demonstrando resultados 
promissores em cães com OA (Iadarola et al. 2018, Campbell et al. 2021). 
Terapias administradas através de injeções intramusculares e subcutâneas 
 
Glicosaminoglicano polissulfatado inibe enzimas catabólicas que são superexpressadas em articulações osteoartríticas e que 
contribuem para a perda de cartilagem. É indicado para uso IM em cães, mas estudos também reportam administração SC em cães 
(Varcoe et al. 2021) e administração em gatos (Adrian et al. 2018). Os poucos estudos disponíveis indicam eficácia em cães com OA 
(de Haan et al. 1994, Fujiki et al. 2007). 
Polissulfato de pentosano é um glicosaminoglicano semissintético que inibe e modula mediadores pró-inflamatórios. É indicado 
para uso SC em cães e também é usado, informalmente, em gatos. As evidências de eficácia clínica em cães são limitadas (Budsberg 
et al. 2007). 
 
 
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 SEÇÃO 3 
 
Exemplos de protocolos e abordagens de manejo da dor em diferentes condições são fornecidos nesta seção. Recomendações 
posológicas podem ser encontradas nas Tabelas 12, 13, 15, 16 e 17. Orientações sobre o manejo anestésico de cães e gatos podem 
ser encontradas em artigos de revisão (Warne et al. 2018, Grubb et al. 2020) ou no link a seguir: 
https://www.fecava.org/policies-actions/fecava-basic-practices-in-anesthesia-and-analgesia/ 
 
3.1 Castração e ovariohisterectomia/ovariectomia: gatos 
Castração e ovariohisterectomia/ovariectomia em gatos estão associadas a dor de gravidade variada que é influenciada pelo grau de 
trauma cirúrgico. Por este motivo, a cirurgia deve ser realizada com manuseio cuidadoso dos tecidos e adesão aos princípios de boas 
práticas. Recomenda-se veementemente o uso de anestesia geral e técnicas de analgesia preventiva/ multimodal. Existem várias 
opções disponíveis para manejo perioperatório (Tabelas 18 e 19). O tratamento pós-operatório com analgésicos pode ser necessário 
por até 3 dias depois da cirurgia, principalmente após ovariohisterectomia/ovariectomia, ou se houver necessidade de laparotomia 
em machos (p.ex., a criptorquidia) para a remoção de um testículo. O mesmo AINE deve ser utilizado no pré e no pós-operatório. 
Em alguns gatos, a administração IM da combinação de um opioide, um agonista dos receptores alfa-2 adrenérgicos e cetamina 
será suficiente para proporcionar analgesia e anestesia para o procedimento cirúrgico (ou seja, agindo como pré-medicação, indução e 
manutenção da anestesia). Estas misturas são geralmente chamadas de “kitty magic” embora existam várias versões diferentes. Deve 
haver um plano para prolongar o tempo de anestesia no caso do gato começar a reagir ou caso surjam complicações. Devido ao curto 
tempo de procedimento, muitos gatos não são intubados; no entanto, o equipamento deve estar disponível para intubação 
endotraqueal. Acesso venoso é recomendado para todos os casos. 
A analgesia pode ser complementada após a maioria das técnicas cirúrgicas através da aplicação de terapias não farmacológicas, 
como terapia de frio, laserterapia, acupuntura e cuidados de enfermagem. 
 
 
Tabela 17. Doses sugeridas para medicamentos sedativos e anestésicos comumente usados em cães e gatos 
Medicamento Cães Gatos Comentários 
Acepromazina† 
Cetamina‡ 
 
Propofol‡ 
Alfaxalona‡ 
Diazepam 
Midazolam 
Pentobarbital§ 
Tiopental‡§ 
Tiletamina/zolazepam 
0,01 a 0,03 mg/kg IV 
3 a 5 mg/kg IV 
 
3 a 5 mg/kg IV 
1 a 2 mg/kg IV 
0,25 mg/kg IV 
0,25 mg/kg IV 
2 a 5 mg/kg IV 
2 a 8 mg/kg IV 
3 a 10 mg/kg IV ou IM 
0,01 a 0,03 mg/kg IM 
5 a 10 mg/kg IM 
3 a 5 mg/kg IV 
3 a 10 mg/kg IV 
3 a 5 mg/kg IV 
0,25 mg/kg IV 
0,25 mg/kg IV 
2 a 5 mg/kg IV 
2 a 8 mg/kg IV 
3 a 4 mg/kg IV ou IM 
 
Doses mais altas são selecionadas para gatos mais 
difíceis de manipular 
Até o efeito desejado 
Até o efeito desejado 
Melhor se administrado por via IV, já que a 
administração IM é dolorosa 
†Podem ser usadas doses mais altas de acepromazina, mas isto normalmente prolonga o efeito sem aumentar a magnitude da ação 
‡As doses são geralmente dadas até o efeito desejado de acordo com as necessidades do paciente, doenças coexistentes, condição de saúde e uso de outros medicamentos sedativos e anestésicos 
§Há expectativa de acúmulo de drogas com recuperações de anestesias prolongadas e agitadas 
 
 
Tabela 18. Protocolos sugeridos para castração de gatos 
 Protocolo com medicamentos 
controlados 
Protocolo sem medicamentos 
controlados 
Protocolo com disponibilidade 
limitada de medicamentos 
analgésicos 
Pré-operatório Opioide ± acepromazina ou agonista dos 
receptores alfa-2 adrenérgicos ± 
cetamina 
AINE + agonista dos receptores 
alfa-2 adrenérgicos 
O mesmo que com 
medicamentos não controlados 
Indução da anestesia IV† Selecioneum dos seguintes: Selecione um dos seguintes: Qualquer agente injetável disponível 
 • Propofol • Propofol 
 • Cetamina + diazepam ou midazolam • Alfaxalona 
 • Alfaxalona 
 IM Agonista dos receptores alfa-2 
adrenérgicos + cetamina 
ou tiletamina/zolazepam 
Agonista dos receptores alfa-2 
adrenérgicos + 
tiletamina/zolazepam 
 
Manutenção da Selecione um dos seguintes: Selecione um dos seguintes: Qualquer agente injetável ou 
anaestesia‡ • Anestesia inalatória • Anestesia inalatória inalatório disponível 
 • Cetamina • Propofol 
 • Propofol • Alfaxalona 
 • Alfaxalona 
Técnicas anestésicas Bloqueio intratesticular O mesmo que com medicamentos O mesmo que com medicamentos 
locais controlados controlados 
Analgesia pós-operatória AINE O mesmo que com medicamentos O mesmo que com medicamentos 
 controlados controlados 
IV Intravenoso, IM Intramuscular, AINE Agente anti-inflamatório não esteroidal 
†Observe que a pré-medicação reduz a necessidade de anestésicos IV; portanto, as doses de indução devem ser tituladas até a obtenção do efeito 
‡Medicamentos injetáveis são administrados por via IV até a obtenção do efeito (1/3 ou 1/2 da dose inicial) 
 
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http://www.fecava.org/policies-actions/fecava-basic-practices-in-anesthesia-and-analgesia/
http://www.fecava.org/policies-actions/fecava-basic-practices-in-anesthesia-and-analgesia/
B. P. Monteiro et al. 
 
Tabela 19. Protocolos sugeridos para ovariohisterectomia/ovariectomia em gatos 
 Protocolo com medicamentos 
controlados 
Protocolo sem medicamentos 
controlados 
Protocolo com disponibilidade 
limitada de medicamentos 
analgésicos 
Pré-operatório Opioide ±acepromazina ou AINE + agonista dos receptores O mesmo que com 
 agonista dos receptores alfa-2 
adrenérgicos ±cetamina 
alfa-2 adrenérgicos medicamentos não controlados 
 
Indução da anestesia IV† Selecione um dos seguintes: Selecione um dos seguintes: Qualquer agente injetável disponível 
 • Propofol • Propofol 
 • Cetamina + diazepam ou • Alfaxalona 
midazolam 
• Alfaxalona 
IM Opioide + agonista dos receptores Agonista dos receptores alfa-2 
alfa-2adrenérgicos + cetamina ou adrenérgicos + 
tiletamina/zolazepam tiletamina/zolazepam 
Manutenção da anestesia‡ Selecione um dos seguintes: Selecione um dos seguintes: Qualquer agente injetável 
• Anestesia inalatória • Anestesia inalatória ou inalatório disponível 
• Cetamina • Propofol 
• Propofol • Alfaxalona 
• Alfaxalona 
Técnicas anestésicas locais Bloqueio incisional ±intraperitoneal O mesmo que com medicamentos O mesmo que com medicamentos 
controlados controlados 
Analgesia pós-operatória AINE O mesmo que com medicamentos O mesmo que com medicamentos 
controlados controlados 
 
IV Intravenoso, IM Intramuscular, AINE Agente anti-inflamatório não esteroidal 
†Observe que a pré-medicação reduz a necessidade de anestésicos IV; portanto, as doses de indução devem ser tituladas até a obtenção do efeito 
‡Medicamentos injetáveis são administrados por via IV até a obtenção do efeito (1/3 ou 1/2 da dose inicial) 
 
3.2 Castração e ovariohisterectomia/ovariectomia: cães 
Castração e ovariohisterectomia/ovariectomia em cães estão associadas a dor de severidade variada que é influenciada pelo grau de 
trauma cirúrgico. Por este motivo, a cirurgia deve ser realizada com manuseio cuidadoso dos tecidos e adesão aos princípios de boas 
práticas. Recomenda-se veementemente o uso de anestesia geral e técnicas de analgesia preventiva/ multimodal. Existem várias 
opções disponíveis para manejo perioperatório (Tabelas 20 e 21). O tratamento pós-operatório com analgésicos pode ser necessário 
por até 3 dias depois da cirurgia, principalmente após ovariohisterectomia/ovariectomia, ou se houver necessidade de laparotomia 
em machos (p.ex., a criptorquidia) para a remoção de um testículo. O mesmo AINE deve ser utilizado no pré e no pós-operatório. 
Em alguns cães, a administração IM da combinação de um opioide, um agonista dos receptores alfa-2 adrenérgicos e cetamina 
será suficiente para proporcionar analgesia e anestesia para o procedimento cirúrgico (ou seja, agindo como pré-medicação, indução e 
manutenção da anestesia). Estas misturas são geralmente chamadas de “doggy magic” embora existam várias versões diferentes. Deve 
haver um plano para prolongar o tempo de anestesia no caso do cão começar a reagir ou caso surjam complicações. Devido ao curto 
tempo de procedimento, muitos cães não são intubados; no entanto, o equipamento deve estar disponível para intubação 
endotraqueal. Acesso venoso é recomendado para todos os casos. 
A analgesia pode ser complementada após a maioria das técnicas cirúrgicas através da aplicação de terapias não farmacológicas, 
como terapia de frio, laserterapia, acupuntura e cuidados de enfermagem. 
 
3.3 Cirurgia ortopédica 
Cirurgia ortopédica tem o potencial de resultar em dor pós-operatória moderada a intensa. A cirurgia deve ser realizada sob anestesia 
geral combinada com analgesia perioperatória agressiva (Tabela 22, Quadros 6 e 7). Técnicas analgésicas preventivas e multimodais 
devem ser utilizadas em todos os procedimentos. O equilíbrio entre analgesia pré-, intra- e pós-operatória dependerá da gravidade 
da condição pré-operatória e da localização e magnitude do trauma cirúrgico, além do estado do paciente. Deve-se avaliar 
frequentemente a dor, e, quando não se consegue controlar corretamente a dor, analgésicos ou técnicas analgésicas alternativas ou 
adicionais devem ser empregadas para aumentar o conforto do paciente. AINEs proporcionam excelente analgesia perioperatória e 
devem ser usados, a menos que contraindicados (preferencialmente, medicamentos aprovados). O mesmo AINE deve ser utilizado 
no pré e no pós-operatório; deve-se evitar trocar AINEs no período perioperatório imediato. Transecção ou manipulação de nervo 
(p.ex., durante amputação de membro) pode levar a dor intensa e desenvolvimento de dor neuropática e dor pós-operatória 
persistente. Pode-se usar gabapentina no período perioperatório, devido a seu possível benefício na prevenção de dor pós-operatória 
persistente. 
A escolha do opioide, agonista dos receptores alfa-2 adrenérgicos ou AINE utilizados variará com base na disponibilidade, 
preferências pessoais e contraindicações. Técnicas anestésicas locorregionais (p.ex., bloqueios nervosos intra-articulares, incisionais e 
locorregionais, cateteres de infusão na ferida) (Fig 31) ou combinações destes antes e/ou depois da cirurgia são recomendadas em 
todos os casos. Tais técnicas devem ser consideradas obrigatórias quando não há disponibilidade de opioides e outros medicamentos 
analgésicos controlados. Agentes anestésicos locais de ação prolongada, como a bupivacaína ou ropivacaína, são recomendados 
devido à duração prolongada de ação dos mesmos. Quando disponível, fórmulas de anestésicos locais de ação prolongada (p.ex., 
suspensão injetável de lipossomas de bupivacaína, que pode proporcionar analgesia por até 72 horas) são recomendadas para anestesia 
incisional, para cirurgia de ligamento cruzado anterior em cães. É imprescindível proporcionar analgesia efetiva depois de o paciente 
receber alta hospitalar. 
 
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2022 WSAVA Global Pain Management Guidelines 
 
 
 
Tabela 20. Protocolo sugerido para castração em cães 
 Protocolo com medicamentos 
controlados 
Protocolo sem medicamentos 
controlados 
Protocolo com disponibilidade limitada de 
medicamentos analgésicos 
Pré-operatório Opioide ±acepromazina ou 
benzodiazepinas (midazolam ou 
diazepam) ±agonista dos 
receptores alfa-2 adrenérgicos 
Selecione um dos seguintes: 
• Propofol 
• Cetamina + diazepam ou 
midazolam 
• Alfaxalona 
Opioide + agonista dos receptores 
alfa-2 adrenérgicos + cetamina 
ou tiletamina/zolazepam 
Selecione um dos seguintes: 
• Anestesia inalatória 
• Cetamina 
• Propofol 
• Alfaxalona 
Bloqueio intratesticular ±incisional 
AINE 
AINE + agonista dos receptores alfa-
2 adrenérgicos 
O mesmo que com medicamentos não 
controlados 
 
Indução da anestesia 
 
IV† 
 
Selecione um dos seguintes: 
• Propofol 
• Alfaxalona 
 
Qualquer agente injetável disponível 
 
IM 
 
Agonista dos receptores alfa-2 
adrenérgicos + 
tiletamina/zolazepam 
 
Manutenção da 
anestesia‡ 
 
Selecione um dos seguintes: 
• Anestesia inalatória ou 
• Propofol 
• Alfaxalona 
Qualquer agente injetável ou inalatório 
disponível 
Técnicas anestésicas 
locais 
Analgesia pós-operatória 
 O mesmo que com medicamentos 
controlados 
O mesmo que com medicamentos 
controlados 
O mesmo que com medicamentos controlados 
O mesmo que com medicamentos controlados 
IV Intravenoso, IM Intramuscular, AINE Agente anti-inflamatório não esteroidal 
†Observe que a pré-medicação reduz a necessidade de anestésicos IV; portanto, as doses de indução devem ser tituladas até a obtenção do efeito 
‡Medicamentos injetáveis são administrados por via IV até a obtenção do efeito (1/3 ou 1/2 da dose inicial) 
 
 
Tabela 21. Protocolo sugerido para ovariohisterectomia/ovariectomia em cães 
 Protocolo com medicamentos 
controlados 
Protocolo sem medicamentos 
controlados 
Protocolo com disponibilidade 
limitada de medicamentos 
analgésicos 
Pré-operatório Opioide ±acepromazina ±agonista 
dos receptores alfa-2 adrenérgicos 
ou benzodiazepinas (midazolam ou 
diazepam) 
Selecione um dos seguintes: 
• Propofol 
• Cetamina + diazepam ou 
midazolam 
• Alfaxalona 
Opioide + agonista dos receptores 
alfa-2 adrenérgicos + cetamina ou 
tiletamina/ zolazepam 
Selecione um dos seguintes: 
• Anestesia inalatória ou 
• Cetamina 
• Propofol 
• Alfaxalona 
Bloqueio incisional ±intraperitoneal 
AINE 
AINE + Metamizol 
(dipirona) + agonista dos 
receptores alfa-2 adrenérgicos 
O mesmo que com medicamentos não 
controlados 
Indução da 
anestesia 
IV† Selecione um dos seguintes: 
• Propofol 
• Alfaxalona 
Qualquer agente injetável disponível 
 
IM 
 
Agonista dos receptores alfa-2 
adrenérgicos + 
tiletamina/zolazepam 
 
Manutenção da 
anestesia‡ 
 
Selecione um dos seguintes: 
• Anestesia inalatória ou 
• Propofol 
• Alfaxalona 
Qualquer agente injetável ou inalatório 
disponível 
Técnicas 
anestésicas locais 
Analgesia pós-
operatória 
 
O mesmo que com medicamentos 
controlados 
AINE ±Metamizol (dipirona) 
O mesmo que com medicamentos 
controlados 
O mesmo que com medicamentos 
controlados 
IV Intravenoso, IM Intramuscular, AINE Agente anti-inflamatório não esteroidal 
†Observe que a pré-medicação reduz a necessidade de anestésicos IV; portanto, as doses de indução devem ser tituladas até a obtenção do efeito 
‡Medicamentos injetáveis são administrados por via IV até a obtenção do efeito (1/3 ou 1/2 da dose inicial) 
 
3.4 Cirurgia de tecidos moles 
Cirurgia de tecidos moles pode causar dor pós-operatória leve, moderada ou grave. Técnicas analgésicas preventivas e multimodais 
devem ser usadas e técnicas anestésicas locais devem ser incluídas sempre que possível. O equilíbrio entre analgesia pré-, intra- e pós-
operatória dependerá da gravidade da condição pré-operatória e da localização e magnitude do trauma cirúrgico (Tabelas 23 e 24, 
Quadro 8). Quando não se consegue controlar corretamente a dor pós-operatória com AINEs, analgésicos ou técnicas analgésicas 
alternativas ou adicionais devem ser empregadas, tais como a administração de opioides. Cirurgias de tecidos moles extensas podem 
levar a dor crônica, que pode ter um componente neuropático. A escolha do opioide, agonista dos receptores alfa-2 adrenérgicos ou 
do AINE variará com base na disponibilidade e contraindicações. Técnicas anestésicas locorregionais , como bloqueios nervosos 
incisionais e específicos, cateteres de infusão na ferida (Fig 31) ou combinações destes, antes e/ou depois da cirurgia, são altamente 
recomendadas em todos os casos. Tais técnicas devem ser consideradas obrigatórias quando não há disponibilidade de opioides e 
outros medicamentos analgésicos controlados. 
 
 
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B. P. Monteiro et al. 
Tabela 22. Protocolo sugerido para cirurgia ortopédica 
Protocolo com medicamentos controlados Protocolo sem medicamentos controlados§ Protocolo com disponibilidade limitada de 
medicamentos analgésicos§ 
Pré-operatório Opioide + AINE ±agonista dos receptores 
alfa-2 adrenérgicos ±cetamina (somente 
gatos) 
AINE ±agonista dos receptores alfa-2 
adrenérgicos ±Metamizol (dipirona) ou 
paracetamol (acetaminofeno) – não em 
gatos ±gabapentina¶ 
O mesmo que com medicamentos não 
controlados 
Indução da anestesia Vide Tabelas 18 a 21 Vide Tabelas 18 a 21 Vide Tabelas 18 a 21 
Manutenção da anestesia Vide Tabelas 18 a 21 Vide Tabelas 18 a 21 Vide Tabelas 18 a 21 
Técnicas anestésicas locais† Selecione um dos seguintes: 
• Bloqueios locorregionais(p.ex., RUMM, 
nervo ciático-femoral, incisional) 
• Bloqueios de nervo neuraxial 
(p.ex., epidural) 
Analgésicos intraoperatórios Bolus e/ou infusão dos seguintes 
isoladamente ou em combinação:‡ 
• Opioides 
• Agonistas dos receptores alfa-2 
adrenérgicos 
• Cetamina 
• Lidocaína (usar com cautela em gatos; 
vide Capítulo 2.5) 
O mesmo que com medicamentos 
controlados 
 
 
 
Bolus e/ou infusão dos seguintes 
isoladamente ou em combinação: ‡¶ 
• Agonistas dos receptores alfa-2 
adrenérgicos 
• Lidocaína (usar com cautela em gatos; 
vide Capítulo 2.5) 
Acupuntura também pode ser usada 
O mesmo que com medicamentos 
controlados 
 
 
 
O mesmo que com medicamentos não 
controlados 
Pós-operatório imediato (24 
horas) 
Opções de medicamentos: 
• AINE (a menos que já administrado no 
pré-operatório) 
• Infusões intraoperatórias contínuas ou 
em bolus com redução gradual das 
doses 
• Analgésicos adjuvantes 
• Bloqueios anestésicos locorregionais ou 
cateteres de infusão na ferida 
Opções não medicamentosas: 
• Terapia de frio 
• Uso adequado de pensos 
• Posicionamento cuidadoso, cama 
confortável, auxílio para eliminação 
• Massagem leve em regiões 
compensatórias (costas, membros não 
operados) 
• Acupuntura 
• Carinho e atenção (TLC) 
O mesmo que com medicamentos 
controlados 
O mesmo que com medicamentoscontrolados 
Dias posteriores de pós-operatório Opções de medicamentos: 
• Opioide com titulação até efeito e 
descontinuação gradativa 
• Anestésicos locais via cateter na 
ferida podem ser usados até à alta 
• Continuar AINEs por dias ou semanas 
exceto se contraindicado 
• Metamizol (dipirona) 
• Paracetamol (acetaminofeno) – não em 
gatos 
• Analgésicos adjuvantes (p.ex., adesivos de 
lidocaína, gabapentina, amantadina) 
Opções não medicamentosas: 
• Primeiros 3 dias: terapia de frio 
por no mínimo 3 dias 
• Depois de 3 dias: alternar terapia de frio e 
calor antes de alongar e sustentar peso 
leve (com terapia de frio após estas 
terapias) 
• Reabilitação física 
• Acupuntura 
Opções de medicamentos:¶ 
• Anestésicos locais via cateter na 
ferida podem ser usados até a alta 
• Continuar AINEs por dias ou semanas 
exceto se contraindicado 
• Metamizol (dipirona) 
• Paracetamol (acetaminofeno) – não em 
gatos 
• Analgésicos adjuvantes (p.ex., adesivos 
de lidocaína, gabapentina, amantadina) 
Opções não medicamentosas: 
• Primeiros 3 dias: terapia de frio 
por no mínimo 3 dias 
• Depois de 3 dias: alternar terapia de frio e 
calor antes de alongar e sustentar peso 
leve (com terapia de frio após estas 
terapias) 
• Reabilitação física 
• Acupuntura 
O mesmo que com medicamentos não 
controlados 
IV Intravenoso, AINE agente anti-inflamatório não esteroidal, RUMM bloqueio dos nervos radial, ulnar, musculocutâneo e mediano 
†Injeções intra-articulares contínuas de anestésicos locais são contraindicadas pois podem resultar em danos à cartilagem; o risco de contaminação ascendente causando infecção é alto 
‡Estes medicamentos podem não ser necessários se for realizado um bloqueio anestésico local eficaz, mas podem proporcionar analgesia adicional e redução da necessidade de anestésicos inalatórios 
§O uso de técnicas anestésicas locais, AINEs, infusões ou bolus IV e terapias não medicamentosas se torna crítico quando não há disponibilidade de opioides 
¶Tramadol injetável (somente em gatos) pode ser administrado no lugar do opioide 
 
 
3.5 Técnicas locorregionais 
Este capítulo descreve algumas técnicas simples. Os leitores poderão encontrar referências para revisão de artigos que contêm 
descrições detalhadas de uma variedade de técnicas anestésicas locorregionais (Grubb & Lobprise 2020a,b) bem como as Diretrizes 
Odontológicas Globais da WSAVA para descrições detalhadas sobre bloqueios de nervos dentários (Niemiec et al. 2020). Além disso, 
há uma série de vídeos institucionais disponíveis no site do GPC (https://wsava.org/Committees/global-pain-council/) da WSAVA. 
 
 
 
 
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https://wsava.org/Committees/global-pain-council/
2022 WSAVA Global Pain Management Guidelines 
 
 
 
 
 
 
FIG 31. Cateteres de infusão na ferida. (A) Exemplo de um cateter estéril que pode ser colocado em cães após (B e C) amputação de membro torácico e 
(D) amputação de membro pélvico para infusão de anestésicos locais. Figuras cortesia de Sheilah Robertson 
 
 
 
 
 
 
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Quadro 6 Exemplo de um protocolo para cães submetidos a osteossíntese de fratura femoral 
Pré-operatório: AINE (dose de 24 horas; idealmente, uma aprovada em cães), metadona 0,3 mg/ kg IM, acepromazina de 0,02 a 0,03 
mg/ kg IM 
Indução da anestesia: propofol IV até o efeito desejado. 
Manutenção da anestesia: anestesia inalatória com administração epidural lombossacral de bupivacaína 0,5% com morfina (sem 
conservantes) de 0,1 a 0,2 mg/kg (1 mL/4 kg até 6 mL antes da cirurgia). 
Pós-operatório imediato (por 24 horas): metadona 0,3 mg/kg IM (a cada 4 a 6 horas dependendo do escore de dor e da necessidade de 
analgesia SOS), gelo, amplitude de movimento e outras técnicas não medicamentosas. 
Dias posteriores de pós-operatório: AINE (o mesmo que do pré-operatório, começando 24 horas após a dose pré-operatória) a cada 24 
horas e gabapentina 5 a 10 mg/kg PO a cada 8 a 12 horas por até 14 dias após a cirurgia. Continuar com técnicas não 
medicamentosas e reavaliar a necessidade de analgésicos nas consultas de seguimento. 
Quadro 7 Exemplo de um protocolo para gatos submetidos a osteossíntese de fratura femoral 
Pré-operatório: AINE (dose de 24 horas; idealmente, uma aprovada em gatos), metadona 0,3 mg/ kg IM, medetomidina 0,01 mg/kg 
IM. 
Indução da anestesia: propofol IV até o efeito desejado. 
Manutenção da anestesia: anestesia inalatória com administração epidural lombossacral de bupivacaína 0,5% com morfina (sem 
conservantes) de 0,1 a 0,2 mg/kg (1 mL/4 kg até 6 mL antes da cirurgia). 
Pós-operatório imediato (por 24 horas): metadona 0,2 a 0,3 mg/kg IV (a cada 4 a 6 horas dependendo do escore de dor e da 
necessidade de analgesia SOS), gelo, amplitude de movimento e outras técnicas não medicamentosas. 
Dias posteriores de pós-operatório: Buprenorfina 0,02 mg/kg OTM (ou IV se houver cateter disponível), a cada 6 a 8 horas por até 3 
dias após a cirurgia (se disponível, a apresentação de alta concentração de buprenorfina (1,8 mg/mL) ou a apresentação 
transdérmica de buprenorfina pode ser usada no lugar; Tabela 12). AINE (o mesmo que do pré-operatório, começando 24 horas 
após a dose pré-operatória) a cada 24 horas após a cirurgia. Por favor, verifique as bulas dos AINEs aprovados para uso em gatos. 
Continuar com técnicas não medicamentosas e reavaliar a necessidade de analgésicos nas consultas de seguimento. 
B. P. Monteiro et al. 
Tabela 23. Protocolo sugerido para pequenas cirurgias de tecidos moles 
Protocolo com medicamentos controlados Protocolo sem medicamentos controlados † Protocolo com disponibilidade limitada 
de medicamentos analgésicos † 
Pré e intraoperatório Opioide + AINE ± agonista dos 
receptores alfa-2 adrenérgicos 
±cetamina 
AINE ±agonista dos receptores alfa-2 
adrenérgicos 
+ Metamizol (dipirona) ou 
paracetamol (acetaminofeno) – não 
em gatos ±gabapentina‡ 
O mesmo que com medicamentos não 
controlados 
Indução da anestesia Vide Tabelas 18 a 21 Vide Tabelas 18 a 21 Vide Tabelas 18 a 21 
Manutenção da anestesia Vide Tabelas 18 a 21 Vide Tabelas 18 a 21 Vide Tabelas 18 a 21 
Técnicas anestésicas locais Selecione um dos seguintes: 
• Bloqueios locorregionais (p.ex., 
incisional) 
• Bloqueios de nervo neuraxial (p.ex., 
epidural) 
O mesmo que com medicamentos controlados O mesmo que com medicamentos 
controlados 
Pós-operatório imediato 
(24 horas) 
Opções de medicamentos: 
• AINE (a menos que já administrado 
no pré-operatório) 
• Opioides 
Opções não medicamentosas: 
• Terapia de frio 
• Uso adequado de pensos 
• Posicionamento cuidadoso, 
cama confortável, auxílio para 
eliminação 
• Acupuntura 
• Carinho e atenção (TLC) 
Opções de medicamentos:‡ 
• AINE (a menos que já administrado 
no pré-operatório) + Metamizol 
(dipirona) ou paracetamol(acetaminofeno) – não em 
gatos 
Opções não medicamentosas: 
• Terapia de frio 
• Uso adequado de ataduras 
• Posicionamento cuidadoso, 
cama confortável, auxílio para 
eliminação 
• Acupuntura 
• Carinho e atenção (TLC) 
O mesmo que com medicamentos não 
controlados 
Dias posteriores de pós-operatório Opções de medicamentos: 
• Continuar com os AINEs por dias 
ou semanas exceto se 
contraindicado 
• Metamizol (dipirona) 
• Paracetamol (acetaminofeno) – não 
em gatos 
Opções não medicamentosas: 
• Primeiros 3 dias: terapia de 
frio por no mínimo 3 dias 
• Acupuntura 
 
IV Intravenoso, AINE agente anti-inflamatório não esteroidal 
O mesmo que com medicamentos controlados O mesmo que com medicamentos controlados 
†O uso de técnicas anestésicas locais, AINEs, infusões ou bolus IV e terapias não medicamentosas se torna crítico quando não há disponibilidade de opioides 
‡ Tramadol injetável (somente em gatos) pode ser administrado no lugar do opioide 
 
Diferentes técnicas de bloqueio anestésico local requerem diferentes níveis de treinamento. Para todas as técnicas anestésicas 
locorregionais, com exceção de bloqueios de nervos dentários, é imperativo manter técnicas de injeção estéril (tricotomia e preparação 
estéril do local da injeção) (Quadro 9). As técnicas devem ser realizadas em pacientes que já estejam anestesiados ou profundamente 
sedados, sendo que os últimos requerem a inclusão de analgésicos, pois a realização destes procedimentos é dolorosa. Depois de 
inserir a agulha e antes da injeção do anestésico local, a seringa deve ser delicadamente aspirada. Se voltar sangue, a injeção não é 
realizada e a agulha é reposicionada. Embora vários pontos de referência e os próprios nervos possam ser palpados 
transcutaneamente, o uso de um estimulador nervoso ou de técnicas guiadas por ultrassom podem reduzir o risco de bloqueios 
incompletos e de danos a estruturas nervosas, vasculares ou outras. 
 
Anestesia incisional 
 
Qualquer ferida (traumática; cirúrgica) ou tecido pode ser infiltrado com anestésicos locais. Por exemplo, em uma celiotomia antes 
de uma ovariohisterectomia, todas as camadas (muscular, subcutânea, hipodérmica) podem ser infiltradas ao longo de toda a 
extensão de ambos os lados da ferida (anestesia incisional). Bupivacaína (2 mg/kg) ou lidocaína (5 mg/kg) podem ser usadas em 
cães e gatos. O volume injetável pode ser aumentado utilizando solução estéril. Isto permite um volume suficiente para injetar a 
solução anestésica local conforme a necessidade (mas sem aumentar a dose). O GPC-WSAVA publicou uma breve revisão sobre o 
assunto (Steagall et al. 2020b). A infiltração é realizada utilizando-se uma técnica de agulha em movimento através da qual a agulha é 
introduzida nos tecidos, e, após a aspiração para garantir que a agulha não esteja em um vaso sanguíneo, a agulha é gradativamente 
retirada enquanto o anestésico local é injetado (https:// www.youtube.com/watch?v=43Km46WJ2zI) . 
 
Intratesticular 
 
O bloqueio intratesticular é realizado em cães e gatos sob anestesia geral e pode proporcionar analgesia pós-operatória, reduzir a 
necessidade de inalatórios, e conter respostas simpáticas à cirurgia. Lidocaína ou bupivacaína (0,2 a 0,3 mL/lado em gatos; 0,5 a 1 
mL/lado em cães) é injetada no parênquima testicular, a qual será absorvida pelos vasos linfáticos e dessensibilizará o cordão 
espermático (Fig 32). Um bloqueio incisional pode ser realizado para dessensibilizar a pele 
(https://www.youtube.com/watch?v=VHfqoUPse-c). 
 
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http://www.youtube.com/watch?v=43Km46WJ2zI)
http://www.youtube.com/watch?v=VHfqoUPse-c)
http://www.youtube.com/watch?v=VHfqoUPse-c)
2022 WSAVA Global Pain Management Guidelines 
 
Tabela 24. Protocolo sugerido para grandes cirurgias de tecidos moles 
Protocolo com medicamentos controlados Protocolo sem medicamentos controlados † Protocolo com disponibilidade limitada 
de medicamentos analgésicos † 
Pré-operatório Opioide + AINE ±agonista dos 
receptores alfa-2 adrenérgicos 
±cetamina 
AINE ±agonista dos receptores alfa-2 
adrenérgicos + Metamizol (dipirona) ou 
paracetamol (acetaminofeno) – não em 
gatos ±gabapentina‡ 
O mesmo que com medicamentos 
não controlados 
Indução da anestesia Vide Tabelas 18 a 21 Vide Tabelas 18 a 21 Vide Tabelas 18 a 21 
Manutenção da anestesia Vide Tabelas 18 a 21 Vide Tabelas 18 a 21 Vide Tabelas 18 a 21 
Técnicas anestésicas locais Selecione um dos seguintes: 
• Bloqueios locorregionais (p.ex., 
intercostal) 
• Bloqueios de nervo neuraxial (p.ex., 
epidural) 
O mesmo que com medicamentos controlados O mesmo que com 
medicamentos controlados 
Intraoperatório Bolus e/ou infusão dos seguintes 
isoladamente ou em combinação:§ 
• Opioides 
• Agonistas dos receptores alfa-2 
adrenérgicos 
• Cetamina 
• Lidocaína (usar com cautela em 
gatos; vide Capítulo 2.5) 
Bolus e/ou infusão dos seguintes 
isoladamente ou em combinação:‡§ 
• Agonistas dos receptores alfa-2 
adrenérgicos 
• Lidocaína (usar com cautela em 
gatos; vide Capítulo 2.5) 
O mesmo que com medicamentos 
não controlados 
Pós-operatório imediato 
(24 horas) 
Opções de medicamentos: 
• AINE (a menos que já administrado 
no pré-operatório) 
• Infusões intraoperatórias contínuas ou 
em bolus com redução gradual das 
doses 
• Analgésicos adjuvantes (p.ex., 
adesivos de lidocaína, gabapentina, 
amantadina) 
• Bloqueios anestésicos 
locorregionais ou cateteres de 
infusão na ferida 
Opções não medicamentosas: 
• Terapia de frio 
• Uso adequado de pensos 
• Posicionamento cuidadoso, cama 
confortável, auxílio para eliminação 
• Acupuntura 
• Carinho e atenção (TLC) 
Opções de medicamentos:‡ 
• AINE (a menos que já administrado no 
pré-operatório) + Metamizol (dipirona) ou 
paracetamol (acetaminofeno) – não em 
gatos 
• Infusões intraoperatórias contínuas ou 
em bolus com redução gradual das 
doses 
• Analgésicos adjuvantes (p.ex., adesivos de 
lidocaína, gabapentina, amantadina) 
• Bloqueios anestésicos locorregionais ou 
cateteres de infusão na ferida 
Opções não medicamentosas: 
• Terapia de frio 
• Uso adequado de pensos 
• Posicionamento cuidadoso, cama 
confortável, auxílio para eliminação 
• Acupuntura 
• Carinho e atenção (TLC) 
O mesmo que com medicamentos 
não controlados 
Dias posteriores de pós-operatório Opções de medicamentos: 
• Opioide com titulação até efeito e 
descontinuação gradativa 
• Anestésicos locais via cateter na 
ferida podem ser usados até à alta 
• Continuar AINEs por dias ou 
semanas exceto se contraindicado 
• Metamizol (dipirona) 
• Paracetamol (acetaminofeno) – não 
em gatos 
• Analgésicos adjuvantes (p.ex., 
adesivos de lidocaína, gabapentina, 
amantadina) 
Opções não medicamentosas: 
• Primeiros 3 dias: terapia de frio 
por no mínimo 3 dias 
• Após 3 dias: alternar terapia de frio 
e calor 
• Reabilitação física 
• Acupuntura 
IV Intravenoso, AINE agente anti-inflamatório não esteroidal
Opções de medicamentos:‡ 
• Anestésicos locais via cateter na ferida 
podem ser usados até à alta 
• Continuar AINEs por dias ou semanas 
exceto se contraindicado 
• Metamizol (dipirona) 
• Paracetamol (acetaminofeno) – não em 
gatos 
• Analgésicos adjuvantes (p.ex., adesivos de 
lidocaína, gabapentina, amantadina) 
Opções não medicamentosas: 
• Primeiros 3 dias: terapia de frio por no 
mínimo 3 dias 
• Após 3 dias: alternar terapia de frioe calor 
• Reabilitação física 
• Acupuntura 
O mesmo que com medicamentos 
não controlados 
†O uso de técnicas anestésicas locais, AINEs, infusões ou bolus IV e terapias não medicamentosas se torna crítico quando não há disponibilidade de opioides 
‡ Tramadol injetável (somente em gatos) pode ser administrado no lugar do opioide 
§ Estes medicamentos podem não ser necessários se for realizado um bloqueio anestésico local eficaz, mas podem proporcionar analgesia adicional e maior redução da necessidade de anestésicos 
inalatórios 
 
Bloqueio em anel 
 
Um “bloqueio em anel” pode ser realizado nas áreas distais do membro ou cauda usando lidocaína ou bupivacaína, por exemplo. 
Soluções anestésicas locais com adrenalina (epinefrina) nunca devem ser usadas para estes bloqueios. A técnica envolve a infiltração 
subcutânea ao redor do membro para dessensibilizar os nervos e ramos sensoriais superficiais distais a onde o bloqueio foi realizado 
(Figs 33 e 34). 
 
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B. P. Monteiro et al. 
 
 
 
 
 
 
FIG 32. Bloqueio intratesticular. A agulha é inserida no centro do testículo e a lidocaína é injetada. Aproximadamente 0,1 a 0,25 mL de anestésico local 
é injetado em cada testículo dependendo do tamanho do gato (ou seja, filhotes versus adultos). O testículo fica firme após a injeção. Ilustração de 
Alice MacGregor Harvey 
 
 
 
Bloqueio intraperitoneal 
 
Analgesia intraperitoneal é um adjuvante útil de outros analgésicos após cirurgia abdominal e para dor associada a condições abdominais, 
especialmente quando não há disponibilidade de opioides (Steagall et al. 2020b). A técnica deve ser realizada sob anestesia geral para evitar 
laceração ou perfuração de órgãos abdominais e peritonite usando bupivacaína (2 mg/kg em cães ou gatos). A técnica de analgesia 
intraperitoneal proporciona analgesia pós-operatória inicial, mas não contém respostas simpáticas ou anestesia vísceras durante a cirurgia. 
 
 
 
 
 
 
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Quadro 8 Exemplo de um protocolo para gatos submetidos a remoção cirúrgica de sarcoma no local 
de injeção felino (grande cirurgia de tecidos moles) 
Pré-operatório: AINE (dose de 24 horas; aprovado para gatos), metadona 0,3 mg/kg im, cetamina 5 mg/kg e midazolam 0,25 mg/ kg 
IM. 
Indução da anestesia: Propofol IV até o efeito desejado. 
Manutenção da anestesia: Anestesia inalatória com taxa de infusão constante de fentanila 5 a 10 μg/kg/hora após uma dose de ataque 
de 5 μg/kg IV, e cetamina a 2 a 10 μg/kg/minuto após uma dose de ataque de 0,5 mg/kg IV. Para anestesia de infiltração com 
anestésicos locais, considere a inserção de um cateter de infusão na ferida. 
Pós-operatório imediato (24 horas): Taxas de infusão constante de fentalina 1 a 3 μg/kg/hora e cetamina 2 a 10 μg/kg/minuto. 
Terapia de frio ±acupuntura. Cateter de terapia na ferida com administração de bupivacaína 0,5% (até 2 mg/kg a cada 8 horas). 
Dias posteriores de pós-operatório: Buprenorfina 0,02 mg/kg OTM (ou IV se houver cateter disponível), a cada 6 a 8 horas por até 3 
dias após a cirurgia (se disponível, a apresentação de alta concentração de buprenorfina (1,8 mg/mL) ou a apresentação 
transdérmica de buprenorfina pode ser usada no lugar; Tabela 12). AINE (o mesmo que do pré-operatório, começando 24 horas 
após a dose pré-operatória) a cada 24 horas após a cirurgia. Por favor, verifique as bulas dos AINEs aprovados para uso em 
gatos. Continuar com técnicas não medicamentosas e reavaliar a necessidade de analgésicos nas consultas de seguimento. 
Quadro 9 Principais passos para a aplicação segura e eficaz de bloqueios anestésicos locais 
• É imperativo que técnicas estéreis sejam utilizadas. Exceto em bloqueios dentários, a área de injeção deve ser tosquiada e 
preparada. 
• Calcule a dose máxima segura e não ultrapasse esta dose. Se for necessário mais volume para uma distribuição mais extensiva 
do medicamento, dilua o anestésico local com cloreto de sódio. 
• Use agulhas e seringas dos tamanhos adequados. Isto minimiza traumas nos tecidos durante a injeção, enquanto que o uso de 
uma seringa de tamanho correto permite a aplicação da dose precisa. 
• Evite injeções intravasculares inadvertidas aspirando a seringa e verificando se não há retorno de sangue antes da injeção. 
2022 WSAVA Global Pain Management Guidelines 
 
 
O medicamento pode ser diluído em partes iguais com solução salina para aumentar o volume da injeção intraperitoneal. Ele pode 
ser instilado diretamente no espaço intraperitoneal de cães ou gatos antes de ovariohisterectomias ou antes do encerramento 
abdominal após cirurgia exploratória abdominal. É necessário o uso de técnica asséptica 
(https://www.youtube.com/watch?v=eLa1UxWboh0). 
 
 
FIG 33. Ilustração de um bloqueio em anel no membro torácico de um cão. Os tecidos subcutâneos ao redor do membro são infiltrados com um 
medicamentos anestésico local. A agulha é inserida paralelamente à pele nos tecidos subcutâneos. Após uma aspiração negativa para sangue, o 
anestésico local é injetado ao mesmo tempo em que a agulha é lentamente retirada. Este procedimento é repetido até que o anestésico local tenha 
sido injetado ao redor de toda a circunferência do membro. A técnica é semelhante a um bloqueio de linha incisional. Ilustração de Alice MacGregor 
Harvey 
 
 
FIG 34. Exemplo de um bloqueio em anel realizado para amputação de cauda em um cão. Figuras cortesia de Sheilah Robertson 
 
 
 
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Subcutâneo 
Pele 
http://www.youtube.com/watch?v=eLa1UxWboh0)
http://www.youtube.com/watch?v=eLa1UxWboh0)
B. P. Monteiro et al. 
 
3.6 Procedimentos oftálmicos 
Procedimentos nos olhos, pálpebras e tecidos adjacentes podem estar associados a dor leve a intensa. Infelizmente, pouco se sabe 
sobre dor ocular em pequenos animais. São necessários estudos sobre comportamentos induzidos pela dor e requisitos analgésicos 
nestes pacientes com dor oftálmica clínica ou cirúrgica. 
A conjuntiva e a córnea podem ser dessensibilizadas através da aplicação tópica de colírios anestésicos locais (proximetacaína, 
tetracaína, proparacaína). O número de aplicações deve ser limitado já que a aplicação repetida, especialmente de tetracaína, pode 
causar ceratite epitelial ou estromal (Giuliano2008). Anestésicos locais tópicos têm uma duração de efeito de aproximadamente 15 
minutos e podem ser úteis para exames oftálmicos ou remoções rápidas de corpos estranhos. A aplicação de lágrimas artificiais é 
essencial. 
Anestesia retro ou peribulbar pode ser realizada a fim de produzir anestesia local do olho (nervo óptico, oculomotor, troclear, do 
nervo oftálmico e maxilar, e do nervo abducente) em combinação com opioides e AINEs (Shilo-Benjamini 2019, Grubb & Lobprise 
2020b). Várias técnicas são descritas em detalhes em outros textos (Shilo-Benjamini 2019). Um bloqueio 
retrobulbarinferotemporal com bupivacaína 0,5% (em 2 mL para cães que pesam até 15 kg e 3 mL para cães de >15 kg; ou 
aproximadamente 1 mL/10 kg) demonstrou proporcionar analgesia pós-operatória inicial após enucleação em cães (Myrna et al. 2010). 
Em um estudo retrospectivo, cães submetidos a enucleação tinham um risco muito maior de complicações na recuperação pós-
operatória quando não se realizava bloqueio. O risco de hemorragia durante a cirurgia não pareceu se alterar com a realização ou não 
de um bloqueio retrobulbar (Bartholomew et al. 2020). Portanto, a técnica não eleva o risco de complicações em cães submetidos a 
enucleação. 
Lidocaína (2 mg/kg em bolus seguida por TIC a 25 a 50 μg/kg/minuto) pode proporcionar analgesia intraoperatória semelhante à 
proporcionada pela morfina em cães submetidos a cirurgia ocular. Contudo, deve-se ter cautela ao combinar TIC de lidocaína com 
bloqueio anestésico local para evitar toxicidade. Infusões de lidocaína devem ser usadas com cuidado em gatos devido ao risco de 
comprometimento hemodinâmico (vide Capítulo 2.5). 
O uso de AINEs sistêmicos (começando 24 horas antes da cirurgia) em procedimentos oftalmológicos é indicado, por produzirem 
analgesia e diminuírem o risco de uveíte e produção de prostaglandina no humor aquoso, o que leva a flare de câmara posterior. 
A administração intra e pós-operatória de opioides e/ ou agonistas dos receptores alfa-2 adrenérgicos pode intensificar os efeitos 
analgésicos de anestésicos locais e AINEs. Morfina produz miose em cães e midríase em gatos. Opioides (p.ex., metadona e 
buprenorfina), que não causam vômito e aumentos associados da pressão intraocular (PIO), são preferíveis. 
O uso de cetamina (0,5 a 1 mg/kg) foi associado a elevação da pressão intraocular devido a aumento do tônus muscular extraocular. 
Embora existam claras diferenças entre as espécies, além de resultados conflitantes, ela deve ser usada com cautela em pacientes em 
quem o aumento da PIO pode resultar em expulsão dos conteúdos oculares (p.ex., trauma de córnea ou glaucoma) ou qualquer outra 
manobra que poderia potencialmente aumentar a PIO (p.ex., coleiras tipo enforcador). Se for usada cetamina, outros medicamentos 
(p.ex., benzodiazepinas, agonistas dos receptores alfa-2 adrenérgicos) podem ser administrados concomitantemente para mitigar 
possíveis aumentos da PIO induzidos pela cetamina. É improvável que doses subanestésicas de cetamina (2 a 10 μg/kg/minuto) 
utilizadas para analgesia produzam alterações na PIO. 
Podem ser usadas bolsas de água fria para reduzir o inchaço após a cirurgia. Para analgesia pós-operatória, podem ser administrados 
AINEs (sistêmicos e/ou tópicos). Gabapentina (em cães e gatos) e paracetamol (acetaminofeno) (somente em cães) pode ser 
considerada para analgesia pós-operatória no ambiente domiciliar. Contudo, há poucas evidências que corroborem estes tratamentos. 
Tramadol não proporcionou analgesia em cães após enucleação e não deve ser usado nestes indivíduos (Delgado et al. 2014). Os 
pacientes devem usar lágrimas artificiais por 1 a 3 dias após a cirurgia, já que a anestesia geral e os opioides reduzem a produção de 
lágrimas. 
 
 
3.7 Protocolos dentários 
Doença oral geralmente envolve dor e inflamação. Um planejamento analgésico deve ser instituído durante o período perioperatório 
e por vários dias depois da alta hospitalar (Tabela 25). Veja as tabelas dos Capítulos 2.2, 2.3, 2.4 e 2.5 para doses específicas dos 
medicamentos para cada espécie. A escolha do opioide perioperatório (p.ex., hidromorfona, metadona, morfina, butorfanol ou 
buprenorfina) será baseada na intensidade da dor. Quando são necessárias extrações, técnicas de anestesia local (vide Capítulo 2.5 e 
as Diretrizes Odontológicas Globais da WSAVA), incluindo bloqueios infraorbitários, alveolares inferiores, mandibulares, maxilares, 
palatinos, e de nervo mentoniano devem ser usados dependendo da(s) área(s) afetada(s). 
 
 
3.8 Emergência e cuidados críticos 
Animais feridos ou doentes requerem analgesia para condições dolorosas bem como para procedimentos diagnósticos e emergenciais. 
Devido à sua segurança, os opioides são o pilar fundamental da analgesia imediata na unidade de terapia intensiva (UTI), sendo que a 
maioria deles também proporciona um certo grau de sedação, o que pode facilitar a contenção para procedimentos e diagnósticos 
(Capítulo 2.2). Deve ser instituído um acesso intravenoso assim que possível para que déficits de volume possam ser corrigidos, e 
analgésicos e sedativos adicionais possam ser titulados até o efeito desejado (Dyson 2008, Hansen 2008, Tainter 2012). 
No geral, a preferência é por opioides de curta ação, que devem ser titulados até uma dose eficaz começando com 10% a 20% da 
dose recomendada, aumentando gradativamente até que se obtenha uma resposta positiva (ou seja, alívio da dor ) ao mesmo tempo 
evitando efeitos adversos. Uma TIC pode ser iniciada posteriormente e ajustada à medida que o paciente se estabiliza e passa a ser 
avaliado frequentemente. 
Antagonistas de NMDA como a cetamina podem prevenir ou tratar a sensibilização central especialmente em casos de dor invasiva 
e intensa envolvendo um componente neuropático. Infusões de cetamina (de 5 a 10 μg/kg/minuto após bolus de 0,2 a 0,3 mg/kg 
IV) podem ser iniciadas concomitantemente ou após a terapia com opioides. O medicamento deve ser administrado como infusão, 
já que a ação do bolus é curta e tem maior probabilidade de induzir mudanças de comportamento. Em cães e gatos, lidocaína também 
pode ser administrada por via IV (dose de ataque e infusão), mas infusões de lidocaína devem ser usadas com cautela em gatos devido 
ao risco de comprometimento hemodinâmico (vide Capítulo 2.5). As taxas de TIC devem ser ajustadas com base na avaliação da 
dor, tolerância e resposta do paciente; por exemplo, as taxas podem ser aumentadas para dor episódica (tipo breakthrough), e 
diminuída caso o paciente fique profundamente sedado e com dificuldade para acordar. 
Medicamentos anti-inflamatórios não esteroidais podem ser valiosos em situações de emergência e cuidados críticos, mas devem 
ser suspensos até que o status volumétrico, cardiovascular e renal esteja estabilizado, e com doenças que não envolvam o sistema 
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gastrintestinal. Quando não contraindicados, os efeitos anti-inflamatórios dos AINEs podem ser de grande mais valia para diminuir 
cascatas inflamatórias secundárias (Monteiro-Steagall et al. 2013). Da mesma forma, doses baixas de agonistas dos receptores alfa-2 
adrenérgicos (dexmedetomidina, medetomidina) podem fazer parte da analgesia multimodal e proporcionar sedação e relaxamento 
muscular (Capítulo 2.4). 
Controlar o estresse, o medo e a ansiedade também são uma importante consideração em casos de animais criticamente doentes 
e hospitalizados e podem ser diminuídos com medicações (p.ex., trazodona, acepromazina ou gabapentina), cuidadosde enfermagem 
e técnicas de manuseio de baixo estresse (Lefman & Prittie 2019). 
 
Recursos 
Uma calculadora de TIC está disponível no site da International Veterinary Academy of Pain Management: 
https://ivapm.org/professionals/ cri-calculator/ 
 
 
3.9 Dor médica 
O termo “dor médica” engloba condições não primariamente associadas a cirurgia ou trauma. A dor visceral abdominal, pélvica e 
torácica ocorre em condições associadas a distensão e/ou inflamação de vísceras ocas, isquemia, trombose pulmonar, expansão aguda 
de órgãos sólidos, resultando em estiramento da cápsula, e inflamação de qualquer órgão (p.ex., pancreatite, lesão renal aguda, 
pneumonia/pleurite). A dor visceral tende a ser de natureza difusa e difícil de localizar. O objetivo da terapia é tratar o problema 
médico subjacente, mas analgésicos são frequentemente necessários antes de um diagnóstico definitivo e durante o tratamento 
(Tabela 26). 
Terapias adjuvantes podem ser usadas em todos os níveis de dor quando há indicação: 
 
• Medicamentos antieméticos e antinauseantes são indicados quando há presença de vômito e náusea. 
• Acupuntura pode ser útil para dor em casos gastrintestinais e urinários, em especial. A acupuntura também pode ser usada se 
houver vômito (Wright 2019). 
• Massagem médica, terapia de frio e compressas quentes são recomendadas quando há indicação. 
• Enriquecimento do ambiente para reduzir o estresse e a ansiedade. Em gatos, a terapia com feromônios pode ser útil (Kronen et al. 
2006) 
 
 
3.10 Dor pediátrica 
Estudos em recém-nascidos humanos indicam que, quando a anestesia ou analgesia são suspensas (p.ex., durante a circuncisão), a 
sensibilidade à dor alterada aumenta com experiências dolorosas subsequentes (p.ex., vacinação), quando comparados aos que 
recebem analgesia (Taddio et al. 1997). Também há uma vulnerabilidade maior a transtornos de estresse e ansiedade na vida adulta. 
Isto sugere que os bebês guardam uma “memória” e uma experiência dolorosa, com uma resposta subsequente alterada a um estímulo 
doloroso. Estes fenômenos também ocorrem em animais (Anand et al. 1999). O que foi aprendido sobre dor e seu controle em 
recém-nascidos humanos pode ser aplicado aos animais (Lee 2002). 
Recentemente, as Diretrizes para Fases da Vida da Associação Americana de Medicina Felina/ Associação Americana de Hospitais 
Animais simplificaram a terminologia das diferentes fases da vida. As subdivisões de idade são agora descritas como: filhotes (do 
nascimento até 1 ano de vida), adultos jovens (de 1 a 6 anos), adultos maduros (de 6 a 10 anos) e idosos (10 anos ou mais) (Quimby et 
al. 2021). As raças de cães podem variar em termos de longevidade, mas fases semelhantes de vida podem ser aplicadas. Contudo, 
ainda é aceitável considerar filhotes de cães ou gatos de até 12 semanas como pacientes pediátricos. 
Parece haver apreensão em relação à administração de medicamentos analgésicos em animais jovens, devido à frequentemente citada 
“menor capacidade de metabolizar medicamentos e risco elevado de overdose.” Embora isto possa ser uma possível preocupação, 
há poucos estudos publicados envolvendo filhotes de cães e gatos para orientar o médico, e a posologia continua sendo um desafio 
(Ku & Smith 2015). A redução do clearance de vários medicamentos ocorre em animais jovens em comparação a indivíduos mais 
velhos basicamente devido a: 
 
• Sua maior quantidade de água no corpo, levando a um maior volume de distribuição 
• Uma maior fração da massa corporal que consiste de tecidos de alta perfusão 
• Maturação incompleta dos sistemas de enzimas hepáticas 
• Menor taxa de filtração glomerular e excreção renal 
 
O sistema hepatorrenal continua se desenvolvendo durante as fases iniciais da vida; isto pode resultar em metabolismo e excreção 
reduzidos, que podem requerer alterações de doses, e de intervalos de doses. Medicamentos que agem no SNC (p.ex., opioides, 
sedativos, tranquilizantes, agentes anestésicos), podem alcançar uma concentração mais alta no cérebro neonatal, devido a diferenças 
na barreira hematoencefálica e à imaturidade dos sistemas de transporte de efluxo (Ku & Smith 2015). 
 
Opioides 
Doses mais baixas de fentanila e morfina são necessárias para analgesia de filhotes recém-nascidos (de 0 a 2 semanas) em comparação 
a filhotes de 5 semanas de vida (Luks et al. 1998). Filhotes de cães e gatos também são mais sensíveis aos efeitos de sedação e depressão 
respiratória da morfina do que animais adultos. Fentanila pode ser um opioide mais adequado na pediatria; porém, por ter uma ação 
curta, acesso IV contínuo e titulação são necessários (Luks et al. 1998). Buprenorfina pode ser uma alternativa e está associada a 
mínima depressão respiratória. A duração e magnitude da antinocicepção térmica após a administração de hidromorfona em gatos 
foram mais curtas e menores, respectivamente, em gatos de 6 meses comparadas a gatos de 9 a 12 meses de idade, respectivamente 
(Simon et al. 2019). Em cada caso, a resposta clínica ao tratamento deve orientar a posologia. Opioides podem ser revertidos com 
titulação de naloxona caso haja evidência clínica de overdose (p.ex., depressão respiratória e sonolência pronunciada). 
 
 
 
62 Journal of Small Animal Practice • © 2022 British Small Animal Veterinary Association 
 
† 
Tabela 25. Protocolo sugerido para procedimentos cirúrgicos odontológicos (p.ex., extrações) 
2022 WSAVA Global Pain Management Guidelines 
 
 
 
 
 
Pré-operatório Opioide ±acepromazina ou 
agonista dos receptores alfa-2 
adrenérgicos ou 
benzodiazepinas (midazolam ou 
diazepam) ±AINE 
Acepromazina ou agonista dos 
receptores alfa-2 adrenérgicos ou 
benzodiazepinas (midazolam ou 
diazepam) ±AINE‡ 
O mesmo que com medicamentos não 
controlados ou xilazina 
Indução da anestesia Vide Tabelas 18 a 21 O mesmo que com 
medicamentos controlados 
O mesmo que com medicamentos 
controlados 
Manutenção da anestesia Anestesia inalatória com isoflurano 
ou sevoflurano 
 
Técnicas anestésicas locais Bloqueios dentários quando adequados 
(Capítulo 2.5) 
O mesmo que com 
medicamentos controlados 
 
O mesmo que com 
medicamentos controlados 
IV até efeito: pentobarbital, tiopental, 
propofol ou alfaxalona 
IV ou IM: tiletamina/zolazepam 
O mesmo que com medicamentos 
controlados 
Pós-operatório imediato 
(24 horas) e dias 
posteriores de pós-
operatório 
Opções de medicamentos: 
• AINE (exceto se contraindicado e 
com intervalo de 24 horas se for 
administrada dose pré-operatória) 
e continuado por vários dias 
• Opióides 
Opções não medicamentosas: 
• Alimentos moles 
• Carinho e atenção (TLC) 
Opções de medicamentos:‡ 
• AINE (exceto se contraindicado e 
com intervalo de 24 horas se for 
administrada dose pré-operatória) 
e continuado por vários dias 
• Metamizol (dipirona) 
• Paracetamol (acetaminofeno) – não 
em gatos 
Opções não medicamentosas: 
• Alimentos moles 
• Carinho e atenção (TLC) 
O mesmo que com medicamentos não 
controlados 
 IV Intravenoso, AINE agente anti-inflamatório não esteroidal 
†O uso de técnicas anestésicas locais, AINEs, infusões ou bolus IV e terapias não medicamentosas se torna crítico quando não há disponibilidade de opioides 
‡ Tramadol injetável (somente em gatos) pode ser administrado no lugar do opioide 
 
 
Medicamentos anti-inflamatórios não esteroidais 
 
AINEs raramente recebem autorização de uso em pequenos animais de menos de 12 a 16 semanas de vida; porém, meloxicam está 
aprovado em alguns países para uso em cães e gatos de ≥6 semanas de vida. Isto não significa que eles não podem ser usados em 
populações jovens; na verdade, isto reflete a falta de estudos pré-clínicos em todas as faixas etárias. Agentes anti-inflamatórios não 
esteroidais são usados em cães e gatos submetidos a castração ainda jovens. Gatos na fase pré-puberdade (n=380, de 8 a 12 semanas 
de vida) submetidos a ovariohisterectomia ou castração receberam carprofeno ou meloxicam antes da cirurgia sem nenhumefeito 
adverso relatado (Porters et al. 2015). O médico deve garantir que o paciente seja um candidato apropriado para uso de AINE, p.ex., 
não serem hipovolêmicos ou hipotensos (Capítulo 2.3). 
 
Anestésicos locais 
Anestésicos locais tópicos 
Anestésicos tópicos incluem uma mistura eutética de lidocaína 2,5% e prilocaína 2,5%, e fórmulas de lidocaína 4% encapsulada em 
lipossomas, que podem ser usados para dessensibilizar a pele. Esta técnica é adequada para venopunção, inserção de cateter IV e 
outros procedimentos superficiais de menor porte. A pele sobre a área é tosquiada, limpa e usa-se creme anestésico para cobrir a 
área, e depois um penso oclusivo (p.ex., um filme ou plástico fino) é colocado e fixado utilizando uma ligadura coesiva polivalente. O início da 
ação é variável, mas ocorre entre 15 e 20 minutos. Em gatos, não foram relatados efeitos adversos em nenhum produto e a absorção 
transdérmica de creme de lidocaína 4% encapsulada em lipossomas (a uma dose de 15 mg/kg) resultou em concentrações plasmáticas 
bem abaixo dos níveis tóxicos para esta espécie (Fransson et al. 2002, Gibbon et al. 2003). 
Anestésico local injetável. Devem ser usadas técnicas anestésicas locais sempre que possível. A maturação e composição dos 
órgãos de recém-nascidos devem ser levados em consideração ao escolher as doses apropriadas. Injeções repetidas, ou infusões 
contínuas (p.ex., lidocaína IV), podem levar a acúmulo e devem ser evitadas ou utilizadas com cautela. Se repetidas, doses sucessivas 
ou TIC devem ser reduzidas em comparação a adultos, e o paciente deve ser observado atentamente quanto a sinais de toxicidade 
(Capítulos 2.5 e 3.5). 
No paciente consciente, dor associada à injeção pode ser amenizada utilizando-se agulhas de calibre pequeno (27 a 30 G), injetando 
o produto lentamente, tamponando com bicarbonato de sódio, e aquecendo a solução até a temperatura corporal (Capítulos 2.5 e 
3.5). 
 
 
 
 
 
 
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 Intensidade da dor 
Tabela 26. Opções de tratamento para dor médica intensa, moderada e leve 
B. P. Monteiro et al. 
 
 
 
 
 
Dor intensa • Agonistas dos receptores de 𝜇 opioides podem ser titulados até efeito (Capítulo 2.2); é melhor evitar opioides que causam 
vômito (p.ex., morfina ou hidromorfona). São recomendadas infusões de opioides 
• AINEs (Capítulo 2.3) quando os pacientes estão hemodinamicamente estáveis e quando não há contraindicação; podem ser 
combinados com terapia com opioides 
• Técnicas anestésicas locorregionais (Capítulo 3.5) 
• Cetamina (Capítulo 2.7) e/ ou TIC de lidocaína (Capítulo 2.5). Infusões de lidocaína devem ser usadas com cautela em 
gatos devido ao risco de comprometimento hemodinâmico 
• Bloqueios intrapleurais e intraperitoneais (Steagall et al. 2020b) para dor somática e visceral, respectivamente 
 
Dor moderada • Agonistas dos receptores de 𝜇 opioides conforme descritos para dor intensa. Injeções IM ou SC frequentes são 
dolorosas e estressantes, e devem ser evitadas sempre que possível; portanto, recomenda-se um cateter para 
injeções IV 
• AINE quando os pacientes estão hemodinamicamente estáveis e quando não há contraindicação; podem ser combinados com 
terapia com opioides 
• Cetamina (Capítulo 2.7) e/ ou TIC de lidocaína (Capítulo 2.5). Infusões de lidocaína devem ser usadas com cautela em 
gatos devido ao risco de comprometimento hemodinâmico 
• Buprenorfina pode ser usada, especialmente como parte da analgesia multimodal e quando a dor está controlada (Capítulo 2.2) 
 
Dor leve a moderada 
(pacientes 
hospitalizados ou 
não hospitalizados) 
• AINE de escolha (se não houver contraindicação) ±buprenorfina (OTM é adequado para ambientes domiciliares) 
• Gabapentina 10 mg/kg PO a cada 8 horas em cães, ou a cada 12 horas em gatos pode ser benéfica, embora existam 
poucas evidências publicadas que corroborem seu uso em dor aguda. A administração de gabapentinoides é melhor 
para dor médica crônica, de ocorrência natural, com componente neuropático. Pode-se observar sedação. As doses 
devem ser ajustadas em pacientes com doença renal 
• Soluções de enxaguantes bucais para alívio da dor de mucosite oral (Capítulo 3.14). Enxágue ou irrigue delicadamente 
a cavidade oral usando uma seringa contento um dos seguintes: 
• Solução viscosa de lidocaína 2% misturada a uma proporção de 1:1:1 com hidróxido de magnésio/ alumínio e 
difenidramina: dose máxima de 0,4 mL/kg a cada 8 horas (De Lorimier & Fan 2005, Shanan et al. 2017) 
• Jatos de chá verde podem ser usados na boca ou nas feridas (Liao et al. 2021) 
 
 
Medicamentos agonistas dos receptores alfa-2 adrenérgicos 
O débito cardíaco é dependente da frequência cardíaca em neonatos, e devido à bradicardia associada aos agonistas dos receptores 
alfa-2 adrenérgicos, estes medicamentos não são recomendados. No entanto, vários protocolos de anestesia para castração pediátrica 
incluem uma combinação de um agonista dos receptores alfa-2 adrenérgicos (p.ex., medetomidina ou dexmedetomidina), cetamina e 
um opioide usados como uma técnica injetável total, com sucesso. Há diversos relatos publicados destas técnicas em filhotes de gatos 
com menos de 12 semanas de vida (Joyce & Yates 2011, Porters et al. 2015). 
 
Técnicas não farmacológicas 
 
Boas práticas de enfermagem e manuseio de baixo estresse são importantes em todos os pacientes. Em neonatos, a separação dos 
outros indivíduos da ninhada e da mãe pode ser estressante e deve ser evitada sempre que possível. Em recém-nascidos humanos, 
técnicas não farmacológicas são usadas em conjunto com medicamentos analgésicos para aliviar a dor, a despeito dos graus variáveis 
de evidência corroborando esta prática (Riddell et al. 2015), sendo encorajada uma abordagem integral em filhotes de cães e gatos. 
Técnicas a serem consideradas incluem amamentação, colocar tecidos em volta dos animais, contato corporal com a mãe (ou um 
humano) e aconchego (Gray et al. 2012, Riddell et al. 2015). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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2022 WSAVA Global Pain Management Guidelines 
 
 
3.11 Condições dermatológicas 
Doenças dermatológicas causam inflamação, que resulta em dor leve a intensa (p.ex., fasciíte necrosante). Prurido ou coceira é uma 
sensação comum em cães e gatos e compartilha várias semelhanças com a dor. Pruridoé definido como uma percepção sensorial 
desagradável, que causa um intenso desejo de se coçar, causando um impacto prejudicial na QdV (Grundmann & Stander 2011). As 
sensações de dor e coceira são ambas transmitidas por fibras C não mielinizadas de condução lenta, mas há várias diferenças nos 
mecanismos fisiológicos da dor e do prurido. Este consiste numa sensação, que ocorre em resposta a quimionociceptores dérmicos 
e terminações nervosas livres dos nociceptores polimodais localizadas na junção derme-epiderme, e estas terminações nervosas livres 
são implicadas como causa primária do prurido (Institute of Medicine Committee on Advancing Pain Research, Care, & Education 
2011). A via da fibra C envolvida na sensação de prurido inclui fibras C mecanicamente insensíveis que respondem à histamina. A 
ativação destas fibras leva à liberação de neurotransmissores e neuropeptídeos, como acetilcolina, catecolaminas, substância P, 
somatostatina e neurotensina, que contribuem todos para o prurido (Burkhart & Burkhart 2003). Um grande problema com o prurido 
crônico é o fato de que coçar o local traz alívio psicológico e físico imediato da sensação, mas coçar-se continuamente causa mais 
inflamação e possível sensibilização periférica e central ao prurido, o que o exacerba ainda mais; infecção é outra possível complicação. 
Questionários de QdV preenchidos pelo cuidador foram desenvolvidos para cães e gatos com doença de pele pruriginosa, e foi 
verificado que o prurido diminuía a QdV dos animais e de seus cuidadores em estudos clínicos (Noli et al. 2011a,b, 2019). Isto ilustra 
a importância de controlar efetivamente o prurido em cães e gatos, apesar de que para que o tratamento seja eficaz, seja importante 
estabelecer a causa subjacente. 
Medicamentos específicos usados para controlar o prurido em cães e gatos 
 
Quatro classes diferentes de medicamentos são usadas para controlar o prurido em cães e gatos: esteroides, inibidores da Janus 
quinase (p.ex., oclacitinibe); ciclosporinas (p.ex., ciclosporina); mAbs (p.ex., lokivetmabe). As indicações para estes diferentes 
medicamentos dependem da causa subjacente do prurido, da espécie (considerações de registro) e efeitos adversos (Olivry et al. 2015, 
Saridomichelakis & Olivry 2016). 
 
Analgésicos específicos para prurido 
 
Analgésicos podem ser úteis para o controle do prurido, juntamente com medicamentos específicos para prevenção da sensação de 
prurido. Isto porque ele está normalmente associado a inflamação da pele e, portanto, a dor. Opioides não são a primeira linha de 
tratamento para o manejo da dor associada ao prurido, pois, embora raro, opioides sistêmicos podem causar prurido devido à 
liberação de histamina. Medicamentos anti-inflamatórios não esteroidais podem ser altamente eficazes no tratamento da dor associada 
à inflamação, mas não podem ser administrados em associação com esteroides. Síndromes semelhantes a dor neuropática associadas 
ao prurido foram descritas em cães (p.ex., prurido associado a siringomielia ou síndrome da mutilação acral) (Capítulos 1.9 e 3.12) e 
podem responder a medicamentos como gabapentina ou pregabalina, embora não existam pesquisas robustas sobre o tratamento 
destas condições. 
Doença otológica 
 
Doença otológica (otite externa) é uma doença dermatológica comum, principalmente em cães, e pode ser tratada médica ou 
cirurgicamente, dependendo da causa subjacente e da resposta à terapia médica. Cães com doença otológica proeminente podem 
sentir dor excruciante; portanto, o tratamento com analgésicos, juntamente com tratamento específico para a doença otológica, é 
imprescindível. AINEs são a primeira linha de tratamento para a dor associada à doença otológica em cães e gatos, mas somente se 
não tiverem sido prescritos esteroides. Se tiverem sido prescritos esteroides, então o tratamento analgésico de torna mais desafiador, 
embora paracetamol (acetaminofeno) possa ser administrado com segurança em combinação com esteroides em cães, porém não em 
gatos. No período perioperatório após a cirurgia (p.ex., Ablação Total do Canal Auricular ou Osteotomia Ventral da Bula Timpânica), 
a dor pode ser controlada com um agonista dos receptores μ opioides (bolus ou infusões) (Capítulo 2.2) em combinação com infusões 
de cetamina, por exemplo. 
No ambiente domiciliar, não há boas evidências para orientar o médico na seleção de um analgésico oral, quando AINEs são 
contraindicados. Gabapentina é indicada quando existe a probabilidade de existência de um componente neuropático na dor, como 
ocorre na otite externa crônica. Em cães, mas não em gatos, paracetamol (acetaminofeno) (com ou sem codeína) pode ser prescrito 
junto com AINEs ou corticosteroides para manejo da dor no ambiente domiciliar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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B. P. Monteiro et al. 
 
 
3.12 Protocolos para dor neuropática 
Dor neuropática é classicamente difícil de tratar e as recomendações são baseadas na literatura humana, bem com num crescente 
conjunto de provas na medicina veterinária (Rusbridge et al. 2010). Gabapentinoides (gabapentina ou pregabalina) têm sido usados 
como primeira linha de tratamento, com melhoras significativas na QdV (Plessas et al. 2015, Batle et al. 2019). Estes tratamentos têm 
sido usados, tanto no tratamento médico quanto cirúrgico, da dor neuropática (Sanchis-Mora et al. 2019, Schmierer et al. 2020, 
Thoefner et al. 2020). Medicamentos anti-inflamatórios não esteroidais são usados em combinação com gabapentinoides, quando 
também há suspeita de condição inflamatória. Antagonistas dos receptores de NMDA (ou seja, amantadina) também têm sido usados 
para o tratamento de AO, em cães refratários ao tratamento com AINE isoladamente, sugerindo um possível componente de dor 
neuropática nestes casos (Lascelles et al. 2008). O papel dos mAbs anti-NGF na dor neuropática não foi investigado, mas pode haver 
um benefício. Opioides podem exacerbar a dor neuropática crônica de origem miofascial. Isto inclui o uso de terapia de calor e de 
frio, acupuntura e estimulação com agulha de ponto-gatilho, alongamento, massagem e exercícios. Todas estas modalidades 
necessitam ser mais pesquisadas na medicina veterinária (Shah et al. 2015). Outros estudos precisam ser realizados, que incluam 
diferentes opções de tratamento em uma ampla gama de condições neuropáticas dolorosas e investigações de possível efeito placebo. 
 
Pacientes com dor neuropática crônica 
 
Em pacientes com condições de dor neuropática, como doença de disco intervertebral, dor pós-operatória crônica após amputação 
ou toracotomia, malformação de Chiari, siringolmielia, neuropatia diabética, síndrome da dor orofacial, SHF, entre outros, analgesia 
multimodal provavelmente oferece o maior benefício. Uma abordagem baseada em tentativa e erro pode ser necessária, para definir 
o melhor tratamento para um paciente. Técnicas não farmacológicas devem ser incluídas no tratamento de estados de dor neuropática. 
Tratamentos farmacológicos em cães e gatos podem ser iniciados com a combinação de um AINE, com um ou mais dos seguintes 
analgésicos adjuvantes (vide Tabelas 13 e 16 para doses): gabapentina, pregabalina, amantadina e amitriptilina. A combinação final de 
tratamento, e o tempo de duração do tratamento, serão baseados na resposta do paciente e nos efeitos adversos. As posologias dos 
analgésicos podem às vezes serlentamente reduzidas mediante monitoramento para garantir que os sinais de dor não ressurjam. 
 
Pacientes em crise aguda dor neuropática crônica 
Em cães e gatos que se apresentam com sinais clínicos graves de hiperalgesia e alodinia, pode ser necessária hospitalização para 
aplicação de técnicas neuromodificadoras (p.ex., bloqueios anestésicos locais) e/ ou administração de analgésicos IV como lidocaína 
(1 mg/kg em bolus com TIC de 30 μg/kg/minuto) (infusões de lidocaína devem ser usadas com cautela em gatos devido ao risco 
de comprometimento hemodinâmico; Capítulo 2.5) ou cetamina (bolus de 0,5 a 1 mg/kg seguido por TIC de 2 a 10 μg/kg/minuto) 
em combinação com opioides sistêmicos até a melhora dos sinais clínicos. 
Pacientes submetidos a cirurgias invasivas com potencial de desenvolvimento de dor neuropática 
Vide Capítulo 3.3. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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3.13 Dor musculoesquelética 
O manejo da dor associada a OA e DAD avançou e ficou mais complexo nas últimas duas décadas. Há várias recomendações de 
tratamento da dor e disfunção associadas a esta doença, embora nem todas as opções sejam igualmente eficazes (Aragon et al. 2007, 
Sanderson et al. 2009, Vandeweerd et al. 2012, Monteiro 2020). As opções incluem intervenção cirúrgica, terapia analgésica sistêmica 
(AINEs, mAbs anti-NGF, paracetamol (acetaminofeno) [não em gatos], corticosteroides, medicamentos adjuvantes), terapia 
farmacológica local (transcutânea; intra-articular), exercícios realizados em ambiente domiciliar, exercícios terapêuticos praticados em 
clínicas, otimização do peso, suplementação alimentar, massagem, acupuntura, laserterapia, terapia de frio/ calor, estimulação elétrica 
neuromuscular, estimulação elétrica transcutânea e mobilização articular. Contudo, é preciso lembrar que DAD/OA em qualquer 
paciente não é um único “tipo” de problema – na verdade, agora já se reconhece que a DAD se apresenta de forma diferente nos 
cães ou gatos em crescimento versus de meia-idade versus idosos (Quadro 2). A DAD que se manifesta em diferentes “fases da vida” 
requer diferentes abordagens para otimização do cuidado. Independentemente do estágio da doença ou dos tratamentos selecionados, 
o veterinário deve ter como objetivo maximizar o benefício e minimizar os riscos associados ao manejo desta doença. Os pilares 
fundamentais do tratamento envolvem métodos para alívio da dor, sendo que atualmente as opções analgésicas aprovadas (e, 
portanto, comprovadas) são os AINES inibidores da COX e não inibidores da COX (grapiprant) e os mAbs anti-NGF. Em cães e 
gatos, as categorias gerais de tratamento para dor de OA podem ser resumidas em: 
 
Tratamento não cirúrgico e não medicamentoso - Exercícios, otimização do peso, modulação alimentar (tipo; quantidade); 
exercícios terapêuticos e modalidades físicas; modificações ambientais; suplementos nutricionais; acupuntura. 
 
Administração sistêmica e local de medicamentos - Medicamentos com autorização de comercialização para o tratamento 
de OA (AINES inibidores da COX e não inibidores da COX; mAbs anti-NGF); outras opções analgésicas incluem paracetamol 
(acetaminofeno) (não em gatos), corticosteroides (tratamento de doença imunomediada subjacente resultando em poliartrite, ou 
tratamento intra-articular local); analgésicos adjuvantes (p.ex., tramadol em gatos, amantadina, gabapentina, antidepressivos tricíclicos); 
medicamentos que supostamente modificam a doença (p.ex., glicosaminoglicano polissulfatado). 
 
Cirurgia - Artroplastia de joelho; artroplastia de excisão; artrodese; desenervação articular. A eficácia destas opções de tratamento 
varia imensamente e, infelizmente, há pouca informação disponível para orientar os médicos em termos de eficácia comparativa, ou 
eficácia relativa, destas opções de tratamento. Contudo, análises em medicina humana fornecem informações sobre eficácia relativa 
(Zhang et al. 2010, Katz et al. 2021). 
 
Medicina baseada em evidência no tratamento de OA - No geral, a maior suficiência de prova de eficácia se refere a AINEs 
inibidores da COX e não inibidores da COX (piprant), mAbs anti-NGF, controle do peso, otimização alimentar (conteúdo de ácidos 
graxos ômega-3) e exercício (Aragon et al. 2007, Sanderson et al. 2009, Enomoto et al. 2019, Monteiro 2020). Isto não quer dizer que 
outras opções de tratamento não sejam eficazes, ou que não devam ser usadas, mas os médicos devem priorizar os tratamentos que 
estão associados aos níveis mais altos de eficácia. 
 
 
3.14 Dor relacionada com câncer 
Dor em pacientes de câncer pode estar associada ao próprio câncer, procedimentos diagnósticos, ou tratamentos, ou pode não ter 
relação com o câncer. A dor oncológica em si apresenta graus variados de gravidade, que dependem da duração, localização e tipo 
de câncer. Pode estar associada a inflamação, infiltração de tecidos, fatores mecânicos (p.ex., distensão de órgãos), infiltração nervosa 
ou compressão e, possivelmente, fatores liberados pelo tumor. A maioria dos pacientes de câncer sente dor em algum ponto durante 
o curso da doença. Em pessoas, alguns cânceres, como linfoma e leucemia, estão associados a uma baixa prevalência de dor. A 
prevalência e intensidade da dor associada a vários tipos de câncer não estão bem documentadas. 
Um dos tipos de dor oncológica melhor documentados é o associado a tumores ósseos primários ou metastáticos. A dor resulta da 
invasão direta do osso, microfraturas, maior pressão do endósteo, distorção do periósteo ou inflamação perilesional. Outro 
importante mecanismo é a liberação de mediadores químicos, como aminas, peptídeos, ácidos graxos, potássio e prostaglandinas 
(Mantyh 2014). A dor oncológica, em especial a dor óssea, estão geralmente associadas a sinais clínicos tipo neuropáticos. Cães com 
câncer ósseo podem ser afetados por sensibilidade somatossensorial generalizada, e a dor clínica é geralmente refratária a tratamento 
paliativo com analgésicos administrados por via oral (Monteiro et al. 2018). 
Tratamentos de câncer, incluindo agentes quimioterápicos específicos [neuropatia periférica induzida pela quimioterapia (NPIQ)] 
(Argyriou et al. 2014) e radiação terapêutica [dor associada à radiação (DAR)] (Trotti et al. 2003) podem estar associados a dor 
significativa no momento do tratamento, mas também por períodos prolongados subsequentemente (Tabela 26). Os mecanismos da 
NPIQ e da DAR não são bem compreendidos e estão sendo investigados (Nolan et al. 2017, 2020b, Ma et al. 2018). 
A presença de dor em si (não relacionada ao câncer) pode promover a progressão do câncer (Page et al. 2001), e novas evidências 
apontam que os níveis de dor pré-tratamento de câncer podem estar negativamente relacionadas à sobrevida (Nolan et al. 2020a). 
Além disso, há indicações de que alguns cânceres podem coaptar (ou seja, unir) nervos sensoriais e mecanismos sinalizadores da dor 
para facilitar sua progressão (Gasparini et al. 2019, Venkatesh et al. 2019). 
Embora o conhecimento detalhado dos mecanismos da dor oncológica possa vir a proporcionar recomendações específicas no 
futuro, atualmente, é recomendada uma abordagem medicamentosa multimodal para controle da dor oncológica crônica, além do 
manejo adequado de qualquer dor não relacionada ao câncer, como dores causadas por procedimentos, dor perioperatória ou outrascondições de dor cônica, como OA. No geral, para dor oncológica crônica, recomendam-se AINEs com a adição de opioides e 
medicamentos adjuvantes (como gabapentina), conforme a necessidade. Outras modalidades que podem se provar benéficas são os 
bisfosfonatos, quimioterapia, e radioterapia. Terapias não medicamentosas devem ser usadas concomitantemente. Outras formas de 
terapias adjuvantes tendem a melhorar a QdV de pacientes oncológicos, embora não se saiba se elas induzem diretamente a analgesia. 
 
 
 
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B. P. Monteiro et al. 
 
 
 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Os animais sentem emoções positivas e negativas, incluindo o sofrimento da dor. Dor aguda (adaptativa) e crônica (mal adaptativa) 
são fenômenos diferentes e ambas podem afetar a saúde e o bem-estar dos animais, resultando em estresse, medo, ansiedade e 
frustração. O ambiente social e físico de um animal pode influenciar sua percepção de dor. 
Como profissionais de saúde animal, temos o dever médico e ético de mitigar com todas as nossas forças o sofrimento causado 
pela dor. Isto inclui reconhecer e avaliar adequadamente a dor em todos os animais com base na avaliação dos comportamentos e 
utilizando escalas de dor validadas. Também inclui utilizar estratégias farmacológicas e não farmacológicas para manejo da dor. Em 
relação a medicamentos analgésicos, terapia preventiva e multimodal deve ser considerada como a melhor prática. Quando a terapias 
não medicamentosas, diversas estratégias podem ser facilmente implementadas para reduzir a dor e melhorar a experiência de 
pacientes hospitalizados com dor aguda, e melhorar a QdV e o vínculo animal-humano daqueles que sofrem de dor crônica. Deve-
se também reconhecer que, em algumas situações, a eutanásia pode ser a única opção viável para acabar com o sofrimento da dor. 
Considerando que a dor é o quarto sinal vital e que ela tem um impacto negativo em todos os domínios do bem-estar animal, a 
equipe de atendimento de saúde veterinária deve unir forças no sentido de otimizar o manejo da dor em todos os pacientes para a 
promoção de sua saúde e bem-estar. 
 
 AGRADECIMENTOS 
 
O GPC-WSAVA atualmente recebe apoio financeiro da Zoetis através de patrocínio da WSAVA. O patrocinador não participou ou 
opinou de qualquer maneira na redação, conteúdo e publicação destas diretrizes. 
 
Conflito de interesses 
Todos os autores já atuaram/ atuam como consultores de diversas empresas farmacêuticas. 
 
Abreviações 
PA Pneumonia aspirativa 
CB Receptores de canabinoides 
CBD Canabidiol 
BIDC Breve Inventário de Dor Canina 
NPIQ Neuropatia periférica Induzida pela Quimioterapia 
CMIs Instrumentos de Metrologia Clínica 
CMPS-SF Escala de Dor Composta de Glasgow – Formulário Curto 
SNC Sistema Nervoso Central 
COX Ciclo-oxigenase 
TIC Taxa de Infusão Contínua 
CSOM Medida de Resultado Específico ao Cliente 
DAD Doença Articular Degenerativa 
SHF Síndrome da Hiperestesia Felina 
DTUIF Doença do Trato Urinário Inferior Felino 
FMPI: Índice de Dor Musculoesquelética Felina 
SDOF Síndrome da Dor Orofacial Felina 
FPFF Fórmula de Função Física Felina 
GCs Glicocorticosteroides 
HA Ácido hialurônico 
QdVRS Qualidade de Vida Relacionada à Saúde 
IASP Associação Internacional para Estudo da Dor 
PIO Pressão Intraocular 
IRIS International Renal Interest Society 
IV Intravenoso 
LOAD: Osteoartrite em Cães de Liverpool 
mAbs Anticorpos monoclonais 
CAM Concentração alveolar mínima 
MI-CAT Instrumento de Montreal para Teste de Artrite em Gatos 
MiPSC Checklist de Dor Musculoesquelética Felina 
MSC Células estaminais mesenquimatosas 
NGF Fator de crescimento neural 
NK-1 Receptores de neurocinina 1 
NMDA N-metil-D-aspartato 
AINEs Medicamentos anti-inflamatórios não esteroidais 
OA Osteoartrite 
PRP Plasma rico em plaquetas 
QdV Qualidade de Vida 
QST Teste Sensorial Quantitativo 
DAR Dor Associada à Radiação 
ADTs Antidepressivos tricíclicos 
AT Adesivos transdérmicos 
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