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Biologia 97 Pró-Reitoria de Extensão – PROEX A célula que recebe a molécula híbrida é composta por DNA de origens diferentes, acaba funcionando como uma máquina de xerox, fazendo duplicações dessa molécula a cada divisão celular. Sendo assim, cada fragmento é produzido em larga escala, o que permite localizar em qual fragmento está o gene de interesse que pretendemos isolar. Tal processo, que explora a natural capacidade das células de replicar sua molécula de DNA, é denominado clonagem gênica, pois cria uma população de clones idênticos geneticamente. Enzimas de restrição são produzidas por bactérias como mecanismo de defesa contra vírus. Essas enzimas têm a capacidade de destruir DNA “estranho” que entra na célula, elas reconhecem e se ligam a sequências de nucleotídeos específicas denominadas “sequências de reconhecimento” ou “sítios de restrição”. Para saber qual enzima deve ser usada, é preciso conhecer o gene de in- teresse, onde ele começa e onde termina, para isso, podem ser utilizados bancos de dados na internet. Para formar a molécula de DNA recombinante, são utilizados vetores, constituídos de DNA, geralmente plasmídeos, que são pequenas moléculas de DNA circular portadoras de genes que não são imprescindíveis para a vida das bactérias. Às vezes, essas moléculas passam de uma bactéria para outra, trocando características genéticas entre as células. Sendo a bactéria a principal célula hospedeira utilizada no processo de clonagem para multiplicar fragmentos, o plasmídeo é, desta forma, um veículo ideal para transportar os fragmentos de DNA para dentro delas. Existe um segundo tipo de clonagem − a clonagem reprodutiva –, que se refere ao processo de gerar um animal com exatamente o mesmo DNA nuclear que outro animal já existente. Como exemplo, pode ser citado o caso da ovelha Dolly, criada pelo método de clonagem reprodutiva. Os responsáveis por tal procedimento foram os pesquisadores Wilmut e Campbell, do Instituto Roselin. O primeiro passo do procedimento realizado consti- tuiu-se na obtenção de células somáticas da glândula mamária de uma ovelha da raça Finn Dorset, com seis anos de idade. Posteriormente, com auxílio de uma agulha, foi retirado o núcleo de um óvulo não fertilizado de uma ovelha da raça Scottish Blackface. Um pulso elétrico provocou a fusão entre a célula da glândula mamária e o óvulo anucleado. Depois da ocorrência de várias divisões celulares em uma placa de Petri, o embrião foi transferido para o útero de uma terceira ovelha, que também era da raça Scottish Blackface. E após cinco meses, quando o embrião completou seu de- senvolvimento, nasceu a ovelha Dolly. Por meio da análise do genótipo ficou provado que Dolly era um clone, pois seu DNA era igual ao da ovelha da raça Fin Dorset. 98 Ciências da Natureza Pró-Reitoria de Extensão – PROEX 6.7 aPliCações de teCnoloGias relaCionadas ao dna a investiGações CientíFiCas, deterMinação da Paternidade, investiGação CriMinal e identiFiCação de indivíduos A alta sensibilidade da técnica de PCR aumenta dramaticamente as possi- bilidades de análise do DNA em aplicações forenses. No início da ultima década, o DNA mitocondrial, molécula de DNA ex- tracelular presente apenas nas mitocôndrias, passou a fazer parte do arsenal para identificação humana, sendo esse tipo de DNA uma herança exclusivamente mater- na. O estudo do DNA mitocondrial permite a identificação de um indivíduo através da comparação do seu DNA com aqueles de seus parentes maternos geneticamente. O avanço do conhecimento científico sobre a estrutura da molécula de DNA resultou na geração de ferramentas tecnológicas imprescindíveis na identifica- ção humana. Tais análises podem ser utilizadas em testes de paternidade, maternida- de e identificação de indivíduos em crimes. 6.8 aPliCações de BioteCnoloGia na Produção de aliMentos, FárMaCos e CoMPonentes BiolóGiCos Atualmente, muitas descobertas vêm sendo atribuídas ao uso de biotec- nologias avançadas, como o desenvolvimento de alimentos transgênicos, clonagem, entre outras. Com relação à alimentação, a biotecnologia vem sendo aplicada para tornar o cultivo de plantas mais eficiente. O desenvolvimento de espécies vegetais resistentes a insetos e tolerantes a herbicidas reduz o uso de agrotóxicos. O futuro aponta para a criação de vegetais transgênicos que contenham propriedades nutricionais melhoradas ou que produzam medicamentos e, também, para o desenvolvimento de plantas que apresentem tolerância ao estresse hídrico (seca). Na área da saúde, uma das principais aplicações da biotecnologia é a produ- ção de insulina humana por microorganismos transgênicos para o uso em diabéticos. Há, também, vacinas que usam a tecnologia do DNA recombinante para utilização em animais. Há algumas que ainda estão em fase de pesquisa em diversos laboratórios pelo Brasil. A biotecnologia também pode ser utilizada em animais, com diferentes propósitos. Por exemplo, com intuito de acabar com a dengue no Brasil, mosquitos Aedes Aegypti transgênicos vêm sendo utilizados no combate à doença. Insetos ge- neticamente modificados geram proles que não sobrevivem à fase larval, morrendo antes de chegar à fase adulta. Mosquitos machos transgênicos são liberados em locais