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Meio Ambiente e Impactos Ambientais Para começar Neste capítulo, iremos estudar os aspectos gerais e específicos do meio ambiente; o conceito e as suas espécies. Trataremos do meio ambiente e de sua relação com a Constituição Federal; o desenvolvi- mento sustentável, entre outros objetos que envolvem o meio ambiente. Aprenderemos sobre a impor- tância da água e o problema de sua contaminação. Veremos ainda os impactos ambientais, em suas prin- e cipais vertentes: a avaliação dos impactos ambientais e suas repercussões no meio ambiente, bem como o licenciamento ambiental. espejar 1.1 Conceito e espécies de meio ambiente os Você saberia dizer que é meio ambiente? Você já parou para pensar que tudo que nos rodeia urba- é considerado meio ambiente? Tudo que está a nossa volta integra o meio ambiente. Você já deve que ter um ouvido determi- falar Observe. ambiente do trabalho é leve, que o ambiente Poderá de tal ter equipe ouvido é ainda que um filme foi ambien- essamento, a que nado restaurante época tem determinada um ambiente ou aconchegante. ainda que a temperatura meio ambiente. ambiente é agradável. Perceba que isso a redu- oria dos R's e, tado tudo em demonstra uma a intensa sobre relação problemas do homem ambientais com como o muito contaminação mais fácil a de visualização rios, falta do de água, que é desma- o meio Ao falarmos aquecimento global, poluição etc., fica tamento, ambiente, porém esse não é o seu único aspecto. 9 Os autores de Efluentesmeio ambiente cultural: formado pelo patrimônio histórico, artístico, arqueológico, espe- cultural, paisagístico e turístico; 1.2 - Museu do Ipiranga, localizado na cidade de São Paulo - SP. o prédio do Museu do país, do Ipiranga em 1822. Figura às do riacho do Ipiranga, onde D. Pedro I declarou a independência da Independência. A foi grandiosa construído construção, margens em estilo neoclássico renascentista, está situada ao fundo do Parque meio ambiente artificial: constituído pelo conjunto de edificações (espaço urbano) e equi- pamentos públicos (áreas verdes, praças, ruas, avenidas etc.). com Figura um 1.3 espaço - Conjunto urbano de que edificações. também faz É parte um meio do meio ambiente ambiente. artificial, 11venção meio salubridade a pre. do ambiente do trabalho: integra a proteção do homem no local do seu de acidentes, as condições e normas de segurança, saúde, higiene e e f pode atua meio ai prida ap virão a e a perpetu Figura 1.4 - Meio ambiente do A preocupação com a saúde Para e segurança do trabalhador é objeto de proteção tas na Cons É fundamental a observação e conservação do meio ambiente em todas as suas Não há vida saudável sem o equilíbrio ambiental. 1.2 meio ambiente e a Constituição Federal No Brasil, não havia a consciência e preocupação com a proteção do meio ambiente nas Cons- tituições anteriores à de 1988. Não havia nem ao menos o emprego do termo meio Havia tão somente referência a alguns de seus elementos, como minério, a pesca, floresta, entre outros, 0 que denotava apenas uma preocupação com aspectos econômicos, e não Com advento da Constituição Federal de 1988, inaugurou-se uma nova fase, destacando-se a importância da proteção do meio ambiente no cenário nacional e mundial ao estabelecer, em seu artigo 225, que: Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coleti- vidade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. A atual Constituição é considerada por muitos doutrinadores uma Constituição "verde e m 12 Análise Ambiental - Gerenciamento de Resíduos e Tratamento de Efluentes Meio Ambiente e Impactos AmbientDiante desse cenário, dispõe ela que o meio ambiente é de uso comum do povo, ou seja, não pertence a indivíduos isolados, mas a toda a sociedade É essencial e indispensável à sadia qualidade de vida, isso porque não há como se ter vida saudável sem a existência de um meio ambiente sadio e ecologicamente equilibrado. A Constituição Federal, ao proteger meio ambiente ecologicamente equilibrado, tutela a vida em todas as suas formas, não somente a vida humana, incluindo-se aqui toda a fauna e flora existentes, o que é muito pertinente, pois ainda desconhecemos grande parte de nossa biodiversi- dade, então protegê-la é, sem dúvida, o melhor caminho a ser seguido. leitor pode imaginar: o direito ao meio ambiente sadio e equilibrado é um direito humano e fundamental para a existência de uma vida digna. A defesa e preservação do meio ambiente são dever do poder público. Não há faculdade, não pode deixar de defendê-lo ou preservá-lo sob qualquer argumento. Perceba que o poder público não atua se quiser, ele é obrigado a cumprir tais determinações em razão do mandamento constitucional. Cabe também à coletividade igual dever, pois todos temos o dever de defender e proteger o meio ambiente, juntamente com o poder público. Ressalte-se que essa obrigação não é para ser cum- prida apenas para o momento atual, para os que aqui vivem, mas é para resguardar as gerações que virão a existir para que possam gozar também de um meio ambiente sadio e equilibrado, garantindo a perpetuação da espécie para o futuro. Para defender e preservar o meio ambiente, o poder público tem obrigações de: específicas previs- tas na Constituição Federal, e que, conforme o artigo 225, parágrafo primeiro, são I preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológi- CO das espécies e ecossistemas; II preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético; III em especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas dos definir, todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus compo- nentes somente a através serem de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade atributos que justifiquem sua proteção; forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente de impacto IV causadora exigir, de na significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio ambiental, a que se dará publicidade; a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos ambiente; e subs- V tâncias controlar que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública VI promover para a preservação a do meio ambiente; VII proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da de lei, espécies as práticas ou submetam que coloquem os ani- em risco sua função ecológica, provoquem a extinção mais a crueldade. 13 AmbientaisObservem proteção que todos do meio os incisos ambiente, do parágrafo bem como primeiro tratam do da artigo de educação 225 da CF/1988 Isso cuidam mostra da o preservação quão importantes e são a conscientização e a efetiva necessidade se preservar e defender 0 meio ambiente. da cidadania ambiental, gerada pela educação ambiental, e a É somente com do meio o exercício ambiente que as decisões e políticas públicas envolvendo a exploração vação recursos e proteção naturais ou outros recursos ambientais poderão se tornar mais sustentáveis ambientalmente de Figura 1.5 Meio ambiente natural. ar, os rios, a vegetação, a terra, os peixes, entre outros elementos do meio ambiente, são de uso comum do povo Todos têm o dever constitucional de proteger, defender e preservar o meio ambiente. Fique de olho! o meio ambiente é para o homem o que a alma é para o corpo. Não há vida de um sem o outro. Estão 1.3 desenvolvimento sustentável e meio ambiente O desenvolvimento econômico no Brasil foi costumeiramente realizado de forma poluidora e degradadora. Sem qualquer preocupação com a sustentabilidade, os produtos eram extraídos da natureza. O processo de industrialização foi realizado sem nenhuma preocupação com a preservação ambiental, que também ocorreu na maioria dos países. O marco inicial da conscientização dos governantes e da opinião pública sobre os problemas e os danos ambientais causados pelo crescimento econômico e pela produção industrial, como a 14 Análise Ambiental Gerenciamento de Resíduos e Tratamento de Efluentespoluição da terra, do ar e da água, ocorreu em 16 de junho de 1972, em Estocolmo, na Suécia, com a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Humano, que contou com a par- ticipação de países desenvolvidos e em Compareceram representantes de 113 países, organizações não governamentais e organismos da ONU. Essa Conferência foi primeiro grande evento internacional a adotar medidas de proteção ao meio ambiente de forma global. Nessa Conferência, foram determinados quais seriam os princípios comuns que serviriam aos povos do mundo, como inspiração e guia, para preservar e melhorar o meio ambiente humano, sur- gindo assim o documento chamado "Declaração da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Humano", também conhecido como "Declaração de Estocolmo", com sete pontos em seu preâmbulo e 26 princípios. A Declaração de Estocolmo afirma em seu preâmbulo que homem é ao mesmo tempo obra e construtor do meio ambiente, que pode transformar tudo que cerca, mas deve ter discernimento de fazê-lo de forma correta, para poder levar a todos os povos os benefícios do desenvolvimento e oferecer-lhes a oportunidade de enobrecer sua existência. Afirma ainda que o homem, ao promover o progresso, criando tecnologias novas etc., também é responsável por inúmeros danos ambientais, como a poluição da água, do ar, da terra, causando males aos seres vivos, a destruição e o esgotamento de recursos insubstituíveis, entre outros. Informa que o homem deve aplicar seus conhecimentos para criar um meio de todas ambiente as nações melhor e para as gerações combater presentes os e futuras, riscos que mediante ameaçam a participação o meio ambiente e a cooperação e que deve empregar um esforço povos; para a educação que deve em questões ambientais, dirigida tanto às gerações jovens como aos adultos. Foi também criado, na Conferência de Estocolmo, o Programa das Nações ONU. Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), a primeira agência ambiental internacional, no âmbito da em 1987, quinze anos depois da Conferência de Estocolmo, o sobre Relatório Meio Brundtland, Ambiente e Surge Comum, documento produzido pela Comissão Mundial de desenvol- ou Nosso Futuro da Organização das Nações Unidas (ONU), que propõe necessidades o conceito do presente, sem Desenvolvimento sustentável como sendo desenvolvimento que atende às necessidades". vimento comprometer a capacidade de as futuras gerações atenderem às próprias Brundtland considerou duas variáveis: ressaltou não o desenvolvimento só o componente deveria ambiental ser Relatório o componente social do desenvolvimento, ou seja, sustentável que e economicamente viável. como não só também ambientalmente sustentável como também socialmente ONU, das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento na Declaração da em de A Conferência a Declaração Rio 92, em que reafirmou os valores da Terra consagrados e apresentou 27 princípios 1992, produziu integral e interdependente internacional. Estocolmo, que reconheceu observados a natureza para a proteção ao meio ambiente local e deveriam ser de princípios consagrou o ser humano como o natureza. centro das preocupações, garantindo-lhe Essa declaração direito à vida saudável e produtiva, em harmonia com a 15A Declaração de Princípios serve como um norte a ser seguido a fim de influenciar e as políticas e as decisões ambientais de um país. Esses princípios direcionam os países a adotar dirigir regras que efetivamente venham defender e proteger o meio leis e A Declaração estabelece que os Estados têm o direito de explorar seus recursos ambientais ponsabilidade de não causar danos. Salienta a necessidade de o desenvolvimento sustentável e a tado atentando-se para os problemas ambientais, visando resguardar a existência das gerações futuras. execu- Outra preocupação da Declaração é reafirmar a necessidade de erradicação da ações internacionais na área ambiental, atendendo a todos os países, prioritariamente aos países de ção entre os países. desenvolvimento. Traz ainda, em seu bojo, o princípio da participação, da prevenção e da coopera- em Valoriza por sua vez a participação da mulher, dos jovens e do indígena na proteção ambiente. Preza por uma solução pacífica dos conflitos ambientais entre os países e reafirma ao meio sidade da participação de todos em busca de um futuro melhor e um desenvolvimento a neces- Ainda das na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento nização Nações Unidas (ONU) de 1992, foi elaborado um programa de ação, conhecido da Orga- humanidade. Agenda 21, que É visa garantir o desenvolvimento econômico em condições de igualdade para toda como uma lista de prioridades para os países observarem. a relacionadas Princípio com 1 da o Agenda 21 afirma que "os seres humanos constituem o centro das em com a ções harmonia Natureza". desenvolvimento Têm direito a uma vida saudável e preocupa- produtiva sem Figura se saneamento vive 1.6 é um Casas dever básico de e sem condições Muitos ribeirinhos Exigir moram melhores em pequenas casas de madeira em cima de O desenvolvimento deve ser sustentável condições e capaz é um de proporcionar Cuidar uma do meio vida ou ambiente digna ao lado do em rio, que a 16 Análise AmbientalO Princípio 3 da Agenda 21 dispõe que "o direito ao desenvolvimento deve exercer-se de forma tal que responda equitativamente às necessidades de desenvolvimento e ambientais das gerações presentes e futuras", e o Princípio 4 afirma que, "a fim de alcançar desenvolvimento sustentável, a proteção do meio ambiente deverá constituir parte integrante do processo de desenvol- vimento e não poderá considerar-se de forma isolada". Modificação de ambiente natural. Exploração de jazida de ferro, no município desenvolvimento de Serra do Navio econômico. AP. Figura homem 1.7 deve ter consciência de que a proteção do meio ambiente deve fazer parte do da Agenda 21 têm como base a participação popular, a educação, tratados a vontade pela Agenda política 21 como As fatores propostas indispensáveis vida para na o Terra, desenvolvimento a utilização sustentável. dos recursos São naturais, ainda a proteção dos oceanos global. e temas da atmosfera, como a o qualidade uso de produtos de químicos, o desperdício humano e o crescimento econômico o tema do desenvolvimento sustentável está estampado entre crescimento no artigo 170 econômico, da Constitui- pre- Federal No Brasil, de 1988, que estabelece a necessidade de equilíbrio ção servação ambiental e equidade social. Determina o artigo 170 da Constituição Federal que: fundada na valorização do trabalho humano e na livre da justiça inicia- A tiva, ordem tem por econômica, fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames social, observados os seguintes princípios: I soberania nacional; II - propriedade privada; III - função social da propriedade; IV livre concorrência; 17V defesa do consumidor; do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado confor me VI 0 impacto defesa ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de prestação; VII redução das desigualdades regionais e sociais; VIII busca do pleno emprego; IX tratamento favorecido para as empresas brasileiras de capital nacional pequeno porte; IX tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no (destaques nossos) Perceba que a Constituição Federal de 1988 indicou claramente a necessidade de harmonia entre as atividades econômicas e a preservação ambiental, princípios basilares da sustentabilidade desenvolvimento sustentável, que pode ser obtido com a redução desigualdades regionais A melhor distribuição de renda e a erradicação dos problemas das sociais fazem parte de sociais observadas num crescimento econômico organizado. Fique de olho! Para tratar das questões relacionadas à sustentabilidade, é necessário maior integração das três dimensões do desenvolvi. mento crescimento econômico, a justiça social, conciliados com a preservação A educação desenvolvimento sustentável implica a existência da vida sustentável, e se traduz em viver rumo adequado e em harmonia com a natureza e com os demais seres vivos, no acesso à educação, bem como de boas práticas an na garantia de direitos humanos e fundamentais. Ele é o único ser Faz parte de um desenvolvimento sustentável a conservação dos recursos ambientais que tam a vida no planeta, mediante seu uso sustentável, como a água, ar, solo, as plantas, os animais 1.4 A água e as florestas, os campos, os ecossistemas marinhos e fluviais que dão suporte à pesca, entre A água é um Perceba que 0 uso é considerado sustentável se for delimitado pela capacidade de regeneração as formas de vida na Terr do recurso ambiental, caso contrário será considerado degradação ambiental. É ainda Poderíamos considerar mais um passo em busca da sustentabilidade a minimização do mento dos recursos não renováveis como o petróleo, o gás e o carvão, que poderia ocorrer mediante esgota- tes e resíduos por entre os a reciclagem, como também pela utilização em menor quantidade na fabricação de determinado Aproximadamente 70% produto ou pela adoção de tecnologia limpa. des industriais, ela atua nas e Atitudes como um comportamento com ética ambiental, o consumo sustentável, tura e transformações de maté comunitárias, programas de sustentabilidade podem refletir em um desenvolvimento efetivamente as ações Nosso planeta tem cerca gada, que é imprópria para o con Um dos aspectos primordiais da existência e manutenção do desenvolvimento é dessalinização possuem um custo educação É a educação ambiental que será o instrumento capaz de contribuir sustentável A água cobre 71% da superfíci tência tais de um desenvolvimento sustentável, na medida em que conscientiza dos problemas para ambien- a exis- fera como vapor, nuvens e e sociais, bem como possibilita a participação e o comportamento ético. polares 2,4%, e outros, como rio 18 Análise Ambiental Gerenciamento de Resíduos e Tratamento de EfluentesFigura 1.8 - Desmatamento da floresta amazônica. O progresso econômico deve existir, mas deve ser conciliado com a sustentabilidade ambiental e social. A educação ambiental caminha ao encontro do desenvolvimento sustentável porque mostra o rumo adequado e proporciona a consciência, a possibilidade da multiplicação e do desenvolvimento de boas práticas ambientais e sociais. Afinal, a sustentabilidade da Terra está nas mãos do homem. Ele é o único ser responsável pelo seu futuro e o destino das próximas gerações. 1.4 A água e problema de sua contaminação A água é um recurso essencial para o equilíbrio dos ecossistemas e para a existência de todas as formas de vida na Terra. É responsável, ainda, por regular a temperatura corporal, diluir sólidos e transportar nutrien- tes e resíduos por entre os vários órgãos no corpo humano. Aproximadamente 70% da água doce do mundo é utilizada para a agricultura. E, nas ativida- des industriais, ela atua nas etapas de diluição, transporte e resfriamento dos processos de manufa- tura e transformações de matéria-prima. Nosso planeta tem cerca de 370 milhões de quilômetros quadrados de água, mas de água sal- gada, que é imprópria para o consumo doméstico, agrícola ou industrial, sendo que os processos de dessalinização possuem um custo altíssimo. A água cobre 71% da superfície da Terra, sendo que 1,6% estão nos aquíferos e 0,001% na atmos- fera como vapor, nuvens e precipitação. Os oceanos detêm 97% da água superficial. Geleiras e calotas polares detêm 2,4%, e outros, como rios, lagos e lagoas, representam 0,6% da água do planeta. o Meio Ambiente e Impactos Ambientais 19Brasil é apontado como um dos países que tem o maior estoque de água doce aproximadamente 12% do total de água corrente, de rios e lagos, do Nós do mun com segundo rio mais extenso do mundo, que é o rio Amazonas, com mais de mil afluentes, temo aquele com maior fluxo de água por vazão, com uma média superior à dos próximos sete e de maio rios combinados. Figura 1.9 - A vazão do rio Amazonas é enorme, abrangendo aproximadamente 16% da descarga total dos rios do globo nos oceanos e mares. Apesar da abundância, o país sofre com a escassez de água potável em muitos lugares. A distribuição dessa água é desigual no território nacional, com a Amazônia por volta de 70% das nossas reservas de águas correntes, seguida pelo Centro-Sul, com 27%, e pel Região Nordeste, com 3%. Outro fator agravante é a falta de saneamento básico nas residências da população brasileir Atualmente, 55% da população não tem água tratada nem saneamento básico. Calcula-se também a existência de grande desperdício da água por empresas de e por grande parte da sociedade. Você já parou para observar o quanto pequenas atitudes como: não contaminar os curso d'água; aproveitar as águas da chuva, armazenado-as de maneira correta; usar produtos biodegrad veis; fechar a torneira enquanto escova os dentes; evitar o desperdício, entre outras, podem fazer diferença? 20 Análise Ambiental - Gerenciamento de Resíduos e Tratamento deRich Figura 1.10 - Poluição hídrica de um córrego. A educação ambiental é um instrumento capaz de conscientizar a população quanto à importância de se evitar a poluição da água, que é fonte de vida. Alguns pesquisadores estimaram que em 2025 mais da metade da população mundial sofrerá com a falta de água potável. A contaminação da água é um dos principais problemas que surgiram nas últimas décadas. As águas contaminadas com numerosas substâncias recebem o nome de águas residuais. A água pode ser contaminada de muitas maneiras: pela acumulação de lixos e detritos nas fontes, poços e cursos de água; pelo esgoto doméstico que bairros e cidades lançam nos rios e mares; pelo lixo jogado nas ruas, que é carregado pela água da chuva, contaminando rios, lagos, represas e mares; pelos resíduos tóxicos, como solventes, metais pesados, resíduos radioativos, detergentes e desinfetantes, que algumas fábricas e indústrias lançam nos rios; pelos produtos químicos, como os agrotóxicos (inseticida, fungicida, herbicida, bacteri- cida) que os agricultores utilizam para combater as doenças das suas plantações, aumen- tar a produtividade e a qualidade da lavoura, que as águas das chuvas levam para os rios e para os lençóis de água subterrâneos; pelo derramamento de óleo e petróleo nos mares.Figura 1.11 Sistema Abastecimento destinado a captação e tratamento de água para a Grande São Atualmente está em crise em razão do prolongado período de Seus reservatórios já atingiram 8,2% de sua capacidade utilizável. Esses Os resíduos dejetos humanos lançados nos rios, lagos e mares são constituídos de matéria orgânica. denominado causam o aumento da quantidade de nutrientes disponíveis no ambiente, eutroficação (do grego eu, bem, bom, e trofos, nutrição). todo A oxigênio eutroficação proporciona a proliferação de bactérias aeróbicas, que consomem dequado o a existente na água, levando vegetais e animais aquáticos à morte, tornando rapidamente o rio para sobrevivência dos seres vivos, como esgotos a céu como Esses cólera, locais hepatite, são fontes disenteria, de muitas febre doenças, entre com outras. bactérias que podem causar diversas doenças nena e A mata utilização diversas do mercúrio formas de pelos vida. garimpeiros para a separação de ouro e de minério blemas no sistema nervoso Essa Os peixes envenenados pelo metal podem causar bruto enve- Região Norte do Brasil. tem sido uma preocupação constante especialmente sérios pro- na O tratamento para eliminar reaproveitamento dos as impurezas é e a matar melhor os solução micro-organismos. para o problema dos esgotos, que devem ser pela Em da esgotos, matéria podem orgânica, ser utilizados pode ser utilizado como como Os combustível resíduos enquanto o gás metano, resultantes produzido tratados do instituiu Gerenciamento a 1997 Política entrou Nacional em vigor de a Recursos Lei 9.433/1997, Hídricos também conhecida e com para "Lei geração de energia. Essa lei de Recursos Hídricos (Singreh) e da Agência (PNRH) Nacional e a criação do Sistema das Nacional que baseada em seis gerou fundamentos: uma forma de gestão descentralizada e participativa, de Águas a Lei (ANA). das Águas, de e está 22 Análise Ambiental Gerenciamento de1) A água é um bem de domínio público; 2) A água é um recurso natural limitado, dotado de valor econômico; 3) Em situações de escassez, o uso prioritário dos recursos hídricos é para o consumo humano e a dessedentação de animais; 4) A gestão dos recursos hídricos deve sempre proporcionar o uso múltiplo das águas; 5) A bacia hidrográfica é a unidade territorial para implementação da Política Nacional de Recur- Hídricos e atuação do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos; 6) A gestão dos recursos hídricos deve ser descentralizada e contar com a participação do poder público, dos usuários e das comunidades. Amplie seus conhecimentos Observa-se a preocupante situação iniciada em março de 2011, em que um intenso terremoto de grau superior a 9,0 na Escala Richter sacudiu o arquipélago do Japão, principalmente na região de Fukushima e Miyagi, secundado por um vio- lento tsunami, que acabou por destruir toda a região e matar milhares de pessoas. Naquela oportunidade, as seis centrais elétricas da região, geradoras a partir de reatores nucleares, foram fortemente abaladas em suas estruturas de contenção, e passaram a emitir radioatividade não só na atmosfera, mas também na região litorânea do Oceano Pacífico pelas águas empregadas nas tentativas de resfriamento dos núcleos dos reatores nucleares. A radiação emitida com o acidente causou a contaminação da água, peixes e organismos microscópicos a até 600 quilômetros da costa japonesa. Em 2014, assunto voltou novamente à tona quando a agência nuclear do Japão elevou o nível de gravidade de um vazamento de água com radioatividade na usina nuclear de Fukushima, passível de escoar, mais uma vez, para águas da costa marítima japonesa. Figura 1.12 Usina nuclear de Fukushima, no Japão. A água que resfriava os reatores da usina vazou para o Oceano Pacífico, causando a contaminação da água, peixes e organismos microscópicos existentes na costa japonesa. Para saber mais, acesse: -em-3-meses> Meio Ambiente e Impactos 23Para garantir a gestão racional e o uso sustentável planos dos de recursos recursos a Lei hídricos; d'água cobrança em classes, pelo uso segundo da água; os e sistema de informações Nações Unidas (ONU) corpos estabelece seguintes usos preponderantes; sobre recursos uso de os instrumentos de gestão: outorga dos direitos de tando mento, É a em importância importante 22 de março você da água de saber 1992, para que a denominado existência a Organização de "Declaração vida das na Terra. Universal Veja os artigos: dos Direitos redigiu da um 1) região, A água cada faz parte cidade, do cada patrimônio cidadão, é do plenamente planeta. Cada responsável continente, aos olhos cada de povo, cada 2) A água é a seiva de nosso planeta. Ela é condição essencial seriam de a vida de todo ser a cultura ou a agricultura. Sem ela não poderíamos conceber como atmosfera, o clima. a animal 3) Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, limitados. Assim, a água deve ser manipulada com racionalidade, precaução e e 4) O equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água e de Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a seus vida sobre a Terra. Esse equilíbrio depende, em particular, da preservação dos mares nos, por onde os ciclos começam. e 5) A água não é somente herança de nossos predecessores; ela é, sobretudo, um moral aos nossos do sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como a homem para com as gerações presentes e futuras. 6) que A água ela não é, é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor região do mundo. algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear precisa-se em saber qualquer 7) lização A água deve não deve ser feita ser desperdiçada, com nem poluída, nem envenenada. De maneira de esgotamento consciência e discernimento para que não se chegue sua 8) ou de deterioração da qualidade das reservas atualmente a uma para A utilização todo homem da água implica respeito à lei. Sua proteção constitui uma homem nem pelo Estado. ou grupo social que a utiliza. Essa questão não deve ser ignorada obrigação 9) nem pelo de ordem econômica, sanitária A gestão da água impõe um equilíbrio e social. entre os imperativos de sua proteção e as necessidades 10) de O planejamento da gestão da água deve Terra. levar em conta a solidariedade e o consenso sua distribuição desigual sobre a instrumentos Educação para a existência de um meio ambiente combate sadio à poluição e da água e saneamento básico em razão 24 Análise Ambiental Gerenciamento de1.5 Impactos ambientais É necessário submeter a uma análise e controle prévio a implantação de atividades ou obras que efetiva ou potencialmente possam causar degradação ao meio ambiente. Essa atividade é neces- sária a fim de se antever os riscos e possíveis impactos ambientais a serem corrigidos, prevenidos, minimizados e/ou compensados quando da sua instalação, sua operação e, em determinados casos, quando do encerramento das atividades. A palavra "impacto" (do latim impactus) significa "choque" ou "colisão". No direito ambiental ela também aparece nesse sentido, decorrente da realização de obras ou atividades com alteração danosa do ambiente natural, artificial, cultural ou A lei define impacto ambiental como "qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das ativi- dades humanas que, direta ou indiretamente, afetam: a saúde, a segurança e o bem-estar da popula- ção; as atividades sociais e econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; e a qualidade dos recursos ambientais". A Política Nacional do Meio Ambiente, instituída pela Lei n° 6.938/1981, elencou como medi- das preventivas afetas ao Estado a Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) e o licenciamento para a instalação de obras ou atividades potencialmente poluidoras. Vamos estudá-las! 1.5.1 Avaliação de impactos ambientais A Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) é um importante instrumento de planejamento e controle que leva em consideração o meio ambiente na tomada das decisões, levando em conta o fator ambiental em qualquer ação ou decisão. É importante não confundir a Avaliação de Impactos Ambientais (AIA), prevista como ins- trumento da Política Nacional do Meio Ambiente, com uma ferramenta do licenciamento ambiental chamada de Estudo de Impacto Ambiental (EIA), o qual veremos um pouco mais adiante. A Avaliação de Impacto Ambiental foi inspirada no direito americano (National Environmen- tal Policy Act) e foi inserida em nosso direito positivo pela Lei n° 6.803/1980, dentre as diretrizes básicas para o zoneamento industrial nas áreas críticas de poluição. Posteriormente, vários Decretos e Resoluções do Conama-Conselho Nacional do Meio Ambiente foram editados. A Resolução n° 237, de 19/12/1997, do Conama, que alterou parte da Resolução n° 001/1986, proporcionou maior organização e uniformidade ao sistema de licenciamento ambiental até então vigente no país. A referida Resolução do Conama, em seu art. 1°, inciso III, deixa bem claro que a Avaliação de Impacto Ambiental, que ela denomina de "Estudos Ambientais", é gênero, de que são espécies todos os outros estudos relativos aos aspectos ambientais apresentados como elementos formadores de convicção para a análise da Licença Ambiental, tais como: relatório ambiental, plano e projeto de controle ambiental, relatório ambiental preliminar, diagnóstico ambiental, plano de manejo, plano de recuperação de área degradada e análise preliminar de risco. Meio Ambiente e Impactos Ambientais 25Ambiental Destaca-se (EIA) que como a própria das Resolução importantes do Conama espécies n° 237/1997 de Avaliação referiu-se de ao Estudo de (AIA) e em seu art. 3° assim uma mais Art. tiva 3° - A licença ambiental para empreendimentos e atividades de ou potencialmente causadoras de significativa degradação do prévio estudo de impacto ambiental e respectivo relatório Servir como meio ambiente (EIA/Rima), ao qual publicidade, garantida no esse suporte audiências públicas, quando couber, de acordo com a a tificar de forma papel instrumento antecipada Parágrafo órgão ambiental competente, verificando que prévio de impacto não é potencialmente causador de significativa a atividade meio ambiente, definirá os estudos pertinentes ao respectivo EIA foi sua Dai de início da execução da essa seja uma de suas mais importantes espécies, conforme já salientado. ao Como se pode ver, a AIA não pode ser reduzida a uma de suas modalidades, EIA/Rima A fim de dicionantes básicos dizer que a Resolução Conama n° 237/1997 deixou claro que EIA é decisão gênero nificativa "avaliação de impactos ambientais" e que ele é exigível somente quando houver risco do relacionadas degradação ambiental, Resolução risco esse presumível, 001/1986. salvo prova em contrário, para as atividades de sig. luindo com outras Quanto inovaçõe a pa no art. da Conama cialmente 1.5.1.1 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Tendo e Estudo de Impacto Ambiental (EIA), seguido do respectivo Relatório de Impacto Ambien disciplinar tal consagrados na expressão EIA/Rima, é a prática mais frequente e conhecida da considerado um dos mais importantes instrumentos de compatibilização do desenvolvimento AIA A ha tro Técnic nômico-social com a preservação do meio ambiente, já que é providenciado antes da instalação dos obra ou de atividade potencialmente causadora de significativa degradação, como preleciona de Somente 225, inc. IV, da CF/1988. Até meados da década de 1980, não se tinha a menor preocupação com meio ambiente quando da análise de projetos desenvolvimentistas, que somente levavam em conta para sua cus ção as variáveis técnicas e econômicas, desprezando-se qualquer preocupação com meio ambiente causando graves impactos locais e regionais, comprometendo em muitas vezes importantes ecossis- temas e grandes bancos genéticos da natureza. A obrigatoriedade do EIA foi um marco na escala evolutiva do direito nacional, pois estávamos ficando cada vez mais pobres em termos ambientais, e se estudos de impacto sérios sem sido elaborados certamente boa parte desses recursos que foram para sempre perdidos poderia ter sido aproveitada e preservada. Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental (Rima) não são sinô- nimos. EIA é um conjunto de estudos realizados da por literatura especialistas científica de diversas e legal áreas, pertinente, com dados traba- técnicos detalhados, e compreende o levantamento conclusão lhos de campo, análises de laboratório e o próprio Rima. Rima faz parte do EIA. E a do EIA deve ser simples e acessível para qualquer interessado. Análise Ambiental 26Servir como suporte para um adequado planejamento de obras ou atividades que interferem no ambiente, esse é o papel do EIA, que tem o dever de qualificar e, na medida do possível, quan- tificar de forma antecipada o impacto ambiental. Não foi por outro motivo que, dado seu papel de instrumento preventivo de danos, a Constituição Federal de 1988 lhe deu nome jurídico de "estudo prévio de impacto ambiental". EIA foi concebido com a ideia de se prever o dano, e, a partir de então, preveni-lo antes de sua manifestação. Daí a necessidade de que seja elaborado no momento correto, ou seja, antes do início da execução da atividade ou obra, ou mesmo antes de atos preparatórios do projeto. A fim de cumprir sua finalidade, que é a prevenção de danos ao ambiente, EIA tem três con- dicionantes básicos: a transparência administrativa, a consulta aos interessados e a motivação da decisão ambiental. Quanto a sua base legal, o EIA, no Brasil, não nasceu com os contornos que tem hoje. Foi evo- luindo com o passar dos anos e se solidificou com a nova ordem constitucional de 1988, que, entre outras inovações, somente tornou exigível o EIA/Rima "para instalação de obra ou atividade poten- cialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente" (art. 225, § 1°, IV, da CF/1988). Tendo em vista que o EIA é um documento científico complexo, envolvendo diversas áreas de conhecimento, optou o legislador brasileiro em deixar sua elaboração a cargo de uma equipe multi- disciplinar habilitada, conforme diz o art. 11 da Resolução Conama n° 237/1997. A habilitação da equipe multidisciplinar se dá com a inscrição de seus membros no Cadas- tro Técnico Federal de Atividades, sob a administração do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), conforme definido pela Resolução Conama n° 001/1988. Somente profissionais, empresas ou sociedades civis regularmente registrados nesse cadastro é que poderão ser aceitos para fins de análise e estudos de impacto ambiental. Também afirma a lei que todas as despesas e custos referentes à realização do EIA, bem como o custo da análise para a obtenção da licença ambiental, correrão por conta do proponente do pro- jeto, pois afinal é ele o interessado direto no projeto e o que irá lucrar com a atividade. Por determinação legal, tanto o EIA quanto o Rima têm um conteúdo mínimo fixado. É uma delimitação material que não deixa qualquer margem de opção ou escolha nem à administração, nem ao proponente do projeto, nem aos cidadãos interessados. Com relação ao EIA, são seus requisitos básicos, a saber: diagnóstico ambiental da área de influência do projeto; II análise dos impactos ambientais; III definição de medidas mitigadoras; IV programa de acompanhamento e monitoramento dos impactos ambientais. Já o Rima refletirá as conclusões do EIA. As informações técnicas que ali devem constar devem estar em linguagem clara e acessível ao público, bem ilustradas por mapas com escalas adequadas, quadros, gráficos, imagens etc., de modo que qualquer um que o ler possa compreender claramente Meio Ambiente e Impactos Ambientais 27os possíveis impactos ambientais do projeto e quais seriam suas alternativas, e contras de cada uma delas. Rima deverá ter como conteúdo mínimo: objetivos e justificativas do projeto, sua relação e compatibilidade com as políticas setoriais planos e programas governamentais; II descrição do projeto alternativas tecnológicas e locacionais, especificando uma delas, fases de e suas construção e operação, a área de influência, matérias-primas cada obra, fontes nas de energia, processos e técnicas operacionais, efluentes, emissões de de das de energia, empregos diretos e indiretos a serem gerados, relação dos e benefícios sociais e ambientais; III síntese do diagnóstico ambiental da área de influência do projeto; IV descrição dos impactos ambientais, considerando o projeto, suas alternativas, os tempo de incidência dos impactos, e indicando os métodos, técnicas e critérios adotados para de sua identificação, quantificação e interpretação; V situações caracterização da qualidade ambiental futura da área de influência, comparando as de adoção do projeto e suas alternativas, bem como a hipótese de sua não VI descrição do efeito esperado das medidas mitigadoras previstas em relação aos tivos, mencionando aqueles que não puderem ser evitados e o grau de alteração impactos VII recomendação No quanto à alternativa mais favorável (conclusões e comentários de ordem princípio conhecer os atos pública. primeiro diz respeito ao direito que qualquer publicidade e 0 campo da participação do EIA/Rima temos dois princípios fundamentais: o princípio da cidadão de intervir praticados no procedimento pelos seus agentes públicos. segundo aplica-se ao direito tem de dar publicidade ao que determina ao Estudo o Prévio art. 225, de § de Impacto tomada inciso das IV, decisões da Constituição, que Esses obriga princípios o Poder que estão tem 0 Conama a realização 237/1997, de em seu art. 3°, que determina Ambiental, que ao bem EIA/Rima como se o que dará determina a Público garantida ambiental, diretamente EIA/Rima, de suma no importância direito brasileiro, no controle representa da qualidade hoje um das instrumento decisões públicas fundamental de proteção tam o meio ambiente e privadas que afe- 1.5.1.2 A fim Outras de definir modalidades qual de avaliação de impacto ambiental a AIA contém uma etapa o estudo inicial, apropriado ao licenciamento de cada (AIA) adequação metidos do estudo ambiental EIA. a ser realizado, chamada distinguindo-o de triagem ou daqueles outros de empreendimento âmbito, que devem que realiza ser espe- sub- a à apresentação de 28 Análise Ambiental deNão faz sentido exigirem-se estudos complexos, caros, demorados como EIA/Rima, para ati- vidades ou obras simples e/ou de pequeno porte, que não trazem impactos ambientais relevantes. Por isso, o Conama editou a Resolução n° 237, de 19/12/1997, que relacionou, em um rol exempli- ficativo, as espécies de estudos ambientais, como: Plano e Projeto de Controle Ambiental; Relató- rio Ambiental; Relatório Ambiental Preliminar; Diagnóstico Ambiental; Plano de Manejo; Plano de Recuperação de Área Degradada e Análise Preliminar de Risco. Dessa forma, essas outras modalidades de AIA, ou estudos ambientais, figuram ao lado do Estudo de Impacto Ambiental e seu respectivo Relatório EIA/Rima, que deverá ser utilizado nas hipóteses legais previstas para sua utilização. Temos, ainda, o Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV), que é um dos instrumentos associa- dos à Política Nacional do Meio Ambiente, embora esse nome em específico não conste do diploma legal. EIV é uma modalidade de AIA que será aplicado a estudos de impactos ambientais urbanos, na qual os efeitos repercutirão estritamente na área urbana, podendo abranger um impacto ambien- tal de um sistema viário ou do tráfego urbano. Compreenda que todos esses instrumentos criados de proteção ambiental constituem um criar fer- ramental poderoso para o Poder Público fazer uma gestão ambiental eficaz, desafiando-o a políticas públicas coerentes e concretizadoras. 1.5.2 Licenciamento ambiental licenciamento ambiental é um procedimento administrativo pelo qual o órgão e/ou atividades ambiental autoriza utilizam localização, recursos ambientais e que são consideradas efetiva ou potencialmente a a instalação, a ampliação e a operação de empreendimentos poluidoras ou que daquelas que, sob qualquer forma, possam dar causa a uma degradação degradação da qualidade ambiental resultante características de atividades humanas. do meio ambiente. termo Poluição é a ser compreendido como a alteração adversa das causam degradação ou mesmo o grau degradação pode estabelecer de forma definitiva as atividades que ambiental para determinar se o Não alteração há como adversa ocasionado. Logo, caberá consulta ao órgão empreendimento de necessita de licenciamento. Há atividades que um devem rol de atividades ser necessariamente sujeitas ao licenciadas. licenciamento A ambiental. exemplificativa. Resolução Para Conama as atividades n° 237/97 lá traz, listadas, em o seu licenciamento Anexo I, é essencial. Entretanto, essa relação é apenas ambiental por de outros empreendedor inúmeras responsáveis vezes deve procurar por autorizações o órgão de atividades, Incra, para como exigência atividades as Prefeituras rurais; administração pública da construção civil em geral; órgãos loteamentos urbanos e atividade de lavra e/ou beneficiamento Municipais, para rodovias; DNPM, para de DNER mineral; e Ibama DER, para ou órgão construção ambiental estadual, para do meio portanto, passíveis de licen- ambiente e, à irriga- Podemos ambiental: citar como as atividades potencialmente agropecuárias poluidoras relacionadas à criação de animais, ao cultivo, ciamento 29ção e aos projetos de assentamento e colonização. Os impactos ambientais desmatamento, dessas atividades a são e solos, a desertificação de áreas, a contaminação dos ecossistemas de animais, variados. Métodos de cultivo inadequados podem ocasionar por agrotóxicos, além de gás de forma metano extensiva, para igualmente a atmosfera contribui devido para às queimadas. o desmatamento A criação e a perda de quando de Fique de olho! A lei de Crimes Ambientais (Lei n° 9.605/98), em seu artigo 60, estabelece que é crime: instalar ou fazer funcionar, em qualquer parte do território nacional, ou serviços potencialmente poluidores sem licença ou autorização dos órgãos ambientais ou normas legais e regulamentares pertinentes". as E determina a seguinte pena: detenção, de um a seis meses, ou multa, ou ambas as penas cumulativamente Igualmente, necessitam de licenciamento ambiental, entre outras, as atividades de: extração e tratamento de minerais; indústria de produtos minerais não metálicos; indústria de couros e peles; indústria de produtos de matéria plástica; indústria de produtos alimentares e bebidas; transporte, terminais e depósitos; indústria de fumo. mapas, cartogramas, processo de licenciamento ambiental é bastante dependente de informações tal. São esses instrumentos coordenadas de localização, que são obtidos com o geoprocessamento constantes de e que potenciais. irão ilustrar e especificar a correta localização dos empreendimentos ambien o alcance dos seus impactos informações das empreendedor em um processo de das informações cartográficas forneci. pelo É muito comum a utilização, pelos órgãos ambientais, mite verificar no e comprovar sistema de posicionamento global (GPS) e Os as analistas utilizam em e licenciadores suas carregam tais e o contexto geográfico em em que campo, se inserem com o maior empreendimento precisão, a veracidade e/ou atividade das informações o que per- Meio Ambiente Os órgãos e, responsáveis no âmbito federal, pelo licenciamento o Instituto no âmbito dos estados são os Órgãos fornecidas infraestrutura rais Renováveis (Ibama), através da Brasileiro do Meio Ambiente Estaduais de forma que atinjam mais de um Diretoria estado de e, Licenciamento ainda, nas atividades Ambiental, de petróleo atuante e dos e Recursos em projetos de gás e çam foi publicada as A principais Lei a 6.938/81 Lei diretrizes Complementar e as para Resoluções a execução n° do do Conselho licenciamento Nacional ambiental do Meio Além Ambiente (Conama) na plata- tra- tendo como fundamento 140/2011, a localização que trata do da competência estadual e federal recentemente para 0 30 Análise Ambiental Gerenciamento de ResidUm processo de licenciamento ambiental possui três etapas distintas: Licença Prévia, Licença de Instalação e Licença de Operação. Os estudos ambientais são elaborados pelas equipes multidisciplinares, devidamente dos e registrados no Cadastro Técnico Federal de Atividades, sob a administração do Ibama, con- forme definido pela Resolução do Conama n° 001/1988, à custa do empreendedor, e entregues aos órgãos ambientais para análise e deferimento. Para cada etapa do licenciamento há estudos específi- cos a serem elaborados. Na fase de licença prévia (LP), em sendo o empreendimento de significativo impacto ambien- tal, o empreendedor deve encaminhar ao órgão ambiental o Estudo de Impacto Ambiental e respec- tivo Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima). Para os demais empreendimentos, são requeridos estudos mais simplificados. Estudo de Impacto Ambiental (EIA) é um documento técnico-científico formado por: diag- nóstico ambiental dos meios físico, biótico e socioeconômico; análise dos impactos ambientais do projeto e de suas alternativas; definição e elaboração das medidas mitigadoras dos impactos negati- vos e programas de acompanhamento e monitoramento ambiental. Relatório de Impacto Ambien- tal (Rima) é um documento público que traz as informações e conclusões do Estudo de Impacto a Ambiental (EIA) e deve ser apresentado de forma objetiva e adequada à compreensão de toda população. Nessa etapa é que são realizadas as audiências públicas para que a comunidade interes- sada e/ou afetada pelo empreendimento ou atividade seja consultada. Na fase de licença de instalação (LI) o empreendedor deve elaborar o Plano Básico Ambiental negativos detalha os programas ambientais necessários para a minimização dos impactos de (PBA), e a maximização que dos impactos positivos, identificados quando da elaboração do Estudo Impacto Ambiental (EIA). fase de licença de operação (LO), o empreendedor deve elaborar um previstas conjunto nas de relatórios etapas de descrevendo Na a implantação dos programas ambientais e medidas mitigadoras licença prévia (LP) e licença de instalação (LI). Vamos recapitular? capítulo aprendemos que o meio ambiente trabalho. é tudo Vimos o que ainda está ao que nosso o meio redor ambiente e que ele está é clas- deve pre- sificado Neste em natural ou físico, cultural, artificial Federal. e do Compreendemos que o desenvolvimento econômico o equilíbrio dos visto e assegurado em nossa sustentável. Constituição Percebemos que a água é um contaminação recurso essencial é um para dos principais pro- ser ecossistemas ambiental e e para socialmente a existência de todas as formas de vida e que sua de blemas surgiram nas últimas décadas. ativi- Observamos que ainda que é necessário submeter a causar uma análise degradação e controle ao meio prévio ambiente, a implantação afetas e como ao Estado instru- a dades mentos ou para obras de viabilizar Impactos que efetiva essa Ambientais atividade ou potencialmente (AIA) estatal e o a licenciamento legislação possam elencou para como a instalação medidas de preventivas obras ou atividades potencial- Avaliação mente poluidoras. 31Agora é com você! desenvolvimento sustentável? É possível conciliar 1) mento Qual a econômico sua opinião com sobre a justiça o social e a preservação do meio ambiente? 0 2) Pesquise em jornais, revistas ou sites da internet práticas de empresas e/ou comunidade. 3) relação do conteúdo exibido e os temas abordados neste capítulo. Assista ao filme indicado a seguir e discuta, com os seus colegas e 4) Pesquise na internet exemplos de Relatório de Impacto Ambiental (Rima), tal ELB/data/Pages/LUMIS46763BB8PTBRIE.htm e discuta com seus colegas Aproveitamento Hidrelétrico Belo Monte, disponível no site: sores o conteúdo, a autoria e a importância da sua realização. e 32 Análise Ambiental -

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