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Abertura II
Espécies: caprino.
SID: quantidade de administração por dia sid (uma vez por dia).
Linfo-histiocitário: presença de células linfocitárias. 
Pediculose: Infestação por piolhos.
Multi-sepitarios: várias divisões.
Hiperqueratose: espessamento da pele.
Hipertermia: Aumento de temperatura 
Lesão sistêmica: lesões profundas/generalizadas.
Pool: .Amostra de um rebanho.
Lamelas córneas: Região dos cornos (chifres).
Acantose: hemoglobina baixa/ manchas escurecidas.
Edema: Inchaço (liquido intersticial)
Espécie: Cão
Hipocromasia: Diminuição da coloração.
Policromasia: Várias cores.
Anisocitose: Diferença formato/tamanho.
CVEprocedência) 
Eritema: (vermelhidão/sangue).
Inapetência: Falta de apetite/falta de atividade.
Ozorio terapia: Tratamento para dermatites. piolhos/pulgas/acelera a cicatrização.
Diagnósticos diferenciais na cabra: 
Mais comum em grandes ruminantes:
· Papiloma (viral):
· Sarna:
· CCE (carcinoma de células epiteliais):
· Dermafilose (bactéria “Gram. Positiva” formato de pincel os pelos):
· Dermatofitose (fungo):
· Fotossenssibilidade:
Mais comum em pequenos ruminantes:
· Ectima contagioso:
· Linfadenite caseosa:
· Pediculose:
Mais comum em equinos:
· Tecido de granulação exorbitante:
· Feridas traumáticas:
· Miíase:
· Habromemose:
· Pediculose:
· Pitiose:
· Dermatofilose:
· Dermatofitose:
Diagnósticos diferenciais na cadela:
· Alergias (DAPP “Dermatite Alérgica por Picada de Pulga”):
· Ectoparasitos (pulga, carrapato e ácaros da sarna):
· Lúpus:
· Dermatite de contato:
· Dermatite atópica:
· Lesões traumáticas (manejo de feridas):
· Pênfigo:
· Dermatofitose (fungo):
· Micose (fungo):
· Leishmaniose:
· Miíase:
· Abcesso:
· Ecomocase;
· Neoplasias (TVT, CCE):
· Dermatofilose (bactéria):
· Psoríase:
Caso N° 1
Caso: 07/11/2023 Ano/semestre: 2023.2
Espécie: Caprina (CAPRA HIRCUS) Raça: Anglo nubiana Idade: 3 anos Sexo: Fêmea Peso: cerca de 25 Kg
Médico veterinário responsável: Kalina M. G. Simplício.
	Anamnese 
	Ao final do intenso período chuvoso, com os níveis de precipitação em média 50mm ao mês, o Hospital Veterinário Escola UFS foi solicitado para atender uma cabra que estava com perda progressiva de peso e por tanto, apesar de parida a dois meses e amamentando, encontrava-se com baixo grau de escorre corporal. A fêmea não apresentava prurido, mas possuía lesões e crostas difusas. Era a única do rebanho com o quadro no momento, mais uma outra cabra, também recém parida, estava apresentando lesões na pele, bem como cabritas que estavam no lote de desmame. O proprietário frisou que ano passado, da metade para o final das chuvas, também apresentaram animais com lesões parecidas, mais como estavam no início, ele foi orientado por um colega a vender o lote.
	Exames clínicos 
	A cabra evidenciava apatia lesões crostosas, com conteúdo purulento em sua base, o qual só era visível mediante remoção das crostas. As lesões eram bem delimitadas, elevadas, não pruriginosas, difusas pela superfície corporal, com desprendimento de quantidade expressiva de pelos, em especial nas regiões da vulva, úbere e região nasal. A cabra apresentava temperatura retal de 39,8 °C (que normalmente é de 38,5 a 40,0 ºC). Já a fêmea recém parida e as cabritas do lote de desmame apresentavam lesões menos crostosas, com pelos em tufos, lembrando o formato de pincel ao serem destacadas, e que também não aparentavam serem pruriginosas. Estes animais não apresentam hipertermia ou quais alterações que saltem aos olhos. Apenas perda de peso progressiva e a constatação de pediculose em vários animais do rebanho, de diferentes faixas etárias. Foram colhidas várias amostras das crostas dos animais afetados e também fezes.
	Exames complementares 
	Citologia: Os esfregaços das crostas e secreções revelaram a presença de estruturas similares a cocos que se arranjavam em filamentos semelhantes a “trilhos de trem” ou “pilhas de moedas” e eram gram-positivas. 
Histopatologia: Presença de hiperqueratose com acumulo de leucócitos, principalmente neutrófilos em meio ás lamelas córneas, presença de inúmeros filamentos multisseptados, camada epidérmica mostrando acantose e derme superficial com moderado processo inflamatório linfo-histiocitário.
Parasitológico de fezes: Amostras das duas cabras adultas e um pool do lote de desmame apresentou contagem entre 1000 a 6000 opg de Eimeria ssp e opg de Strongyloides sp.
Eimeria spp:. São um protozoário, que acomete ruminantes, equinos, suínos, lagomorfos e aves. Dentre os hospedeiros, os caprinos e ovinos podem ser infectados por diversas espécies de Eimeria, causando importantes perdas econômicas na produção, devido ao atraso do desenvolvimento e mortalidade de animais.
Strongyloides sp: É um gênero de parasitas do sistema gastrointestinal. As espécies desse gênero possuem ciclos de vida complexos, onde larvas podem seguir diferentes caminhos de desenvolvimento, levando a formas sexuais de vida livre ou a estágios infecciosos.
	Diagnósticos diferenciais/ confirmado: Dermatofilose. 
	Mais comum em grandes ruminantes:
· Papiloma (viral):
· Sarna:
· CCE (carcinoma de células epiteliais):
· Dermafilose (bactéria “Gram. Positiva” formato de pincel os pelos):
· Dermatofitose (fungo):
· Fotossenssibilidade:
Mais comum em pequenos ruminantes:
· Ectima contagioso:
· Linfadenite caseosa:
· Pediculose:
Mais comum em equinos:
· Tecido de granulação exorbitante:
· Feridas traumáticas:
· Miíase:
· Habromemose:
· Pediculose:
· Pitiose:
· Dermatofilose:
· Dermatofitose:
	Tratamento 
	Foi recomendado o isolamento dos animais doentes daqueles sadios, bem como desinfecção de todos os utensílios usados no manejo dos animais doentes. Também foi sugerido o tratamento de todo o rebanho com deltametrina para controle de ectoparasitos.
Aos animais com lesões iniciais ficou indicada a aplicação tópica de tintura de iodo a 2% nos locais de lesões. 
Aqueles animais com lesões sistêmicas, foi recomendado o tratamento com 70.000 UI/Kg de penicilina, por via I.M., SID durante 10 dias.
	Prognostico?
	( ) Favorável ( ) Desfavorável (X) reservado 
1. Qual a suspeita clínica? Descreva quais motivos te levaram a escolha.
2. Quais doenças estão incluídas no diagnóstico diferencial?
3. Quais são os achados dos exames?
4. Você solicitou mais algum? (quais e justifique)
5. Como você realizou o tratamento?
Caso N°2
Caso: 14/11/2023 Procedência: CVE (Clínica veterinária escola) N° da ficha original: 23134 Espécie: Canina Raça: SRD Idade: 2 anos Sexo: Fêmea Peso: 8 Kg.
	Anamnese 
	Durante a anamnese a queixa principal do tutor era prurido intenso (coceira intensa), sensibilidade cutânea, lambedura excessiva, mas patas que havia piorado nos últimos dias, alopecia, apatia e inapetência. O tutor também relata que o canino tem costume tomar banhos semanais com shampoo neutro, não tem costume de passar perfume após o banho e relata que a cadela foi ao petshop tomar banho com ozonoterapia dias anteriores a fim de aliviar a coceira e sensibilidade porém piorou os sinais do animal. O canino não fazia controle de ectoparasitas, e a vacinação encontre-se atrasada. 
	Exames clínico 
	A cadela estava ativa, magra, com temperatura de 38,5 °C (38-39 °C), ausência de ruídos e sons cardíacos e respiratórios, frequência cardíaca de 125 bpm (90-140 bpm), frequência respiratória de 22 rpm (10-30 rpm). Áreas de alopecia e eritema (é o nome clínico para manchas vermelhas na pele) nos cotovelos, orelhas e pernas. Na vulva, observou-se aumento de volume irregular semelhante a neoplasias cutâneas, miíases e sangramentos.
	Exames complementares 
	· Suabe da vulva para exame citológico.
· Raspado de pele para exame parasitológico.
· Ecografia abdominal.
	Urinálise 
	Método de coleta: cateterizarão 
Obs: Presença de gotículas de gordura no sedimento.
	Exame físico
	Cor
	Consistência 
	Odor 
	Aspecto 
	Densidade específica (1,015-1,045)
	Amarelo
esverdeado
	Fluida 
	n.d.Turvo 
	1,022
	Exame químico 
	pH (5,5-7,5)
	Corpos cetônicos 
	Glicose 
	Pigmentos biliares 
	Proteínas 
	Hemoglobina 
	Sangue 
	Nitritos 
	7,5
	-
	-
	-
	-
	-
	-
	-
	Sedimento urinário (n° médio de elementos por campo de 400 x)
	Células epiteliais: 3
Cilindros:
Outos:
	Tipo: escamosas 
Tipo:
Tipo:
	Hemácias:e da natureza mais precisa das lesões microscópicas, diversas terminologias são igualmente utilizadas: “dermatite liquenoide idiopática”, “dermatite liquenoide fotoagravada”, “dermatite solar nasal”, “nariz de Collie”.
A região nasal é sua principal localização. As lesões possuem gravidade muito variável e geralmente são fotossensíveis; depois, um eritema que, geralmente, dá lugar a uma simples despigmentação, seguida de úlcera, mais grave quando podem gerar episódios de epistaxes graves. Nos casos mais clássicos, a trufa é inicialmente afetada e, posteriormente, as lesões se estendem, eventualmente, ao chanfro.
Mais raramente, as outras lesões podem evoluir para os pavilhões auriculares, cantos internos das pálpebras, margens anais, prepúcio ou vulva.
O diagnóstico
Se baseia na correlação entre as lesões clínicas e histopatológicas: degeneração hidrópica da membrana basal, incontinência pigmentar e infiltração dérmica subjacente de natureza linfoide.
O prognóstico
É globalmente bom. No entanto, é frequente que o tratamento deve ser especificamente adaptado a cada indivíduo e é periodicamente readministrado (tratamento “sequencial, à demanda”).
– Os protetores solares tópicos (tolerância “mecânica” varia segundo os animais), conjugados a uma exposição mínima ao sol e, em casos especiais, associados a dermocorticoides tópicos
(Dermoval *) podem permitir o controle das formas menores.
– Pode ser necessária a prescrição de uma corticoterapia moduladora.
– A administração prolongada de vitamina E (Éphynal *), na dose de 50 mg/kg/dia aos adaptados, em particular para as formas iniciais ou menores, mais particularmente aqueles que tentam evitar a corticoterapia, quando essa parece contraindicada: sabe-se que os resultados só são visíveis após várias semanas e que, nesse protocolo, não se dispensa a proteção solar. Uma variante associa a vitamina E e os ácidos graxos essenciais.
– A associação nicotinamida-tetraciclinas (na razão de 250 mg/animal/dia de cada princípio ativo [Nicobin* e Tétracycline*] para os animais com menos de 25 kg, e de 500 mg/animal/dia nos maiores) é considerada eficaz em 50 a 75% dos casos. A tolerância é boa e esse tratamento é compatível com uma administração “pela vida”, adaptada às formas mais severas. A proteção solar é considerada indispensável em razão da administração de tetraciclina (fotossensibilizante).
– O tacrolimus (Protopic* fórmula a 0,1%: aplicado 2 vezes por dia durante 15 dias; depois, somente uma aplicação diária) é proposto como uma alternativa aos dermocorticoides. Ele é um imunomodulador tópico considerado como um avanço terapêutico, apesar da possibilidade de intolerância local, cujas consequências regressam rapidamente após o fim do tratamento.
Nos gatos: 
Observa-se envolvimento cutâneo em um quarto dos casos: mais lesões ou localização não específica, podendo simular múltiplas dermatoses: crostas ceratosseborreicas; dermatite escamocrostosa, eritematosa e alopécica, afetando mais frequentemente a face, os pavilhões auriculares e as extremidades podais.
O diagnóstico
Se baseia na presença, por títulos elevados, de anticorpos antinucleares. As lesões cutâneas não
podem ser relacionadas com a doença antes da confirmação de lesões microscopicamente compatíveis: degeneração hidrópica da membrana basal, infiltração linfoide…
O prognóstico é reservado em razão de glomerulonefrite ou de problemas hematológicos.
· Lúpus cutâneo (antigamente chamado de “lúpus discoide”): onde os aspectos cutâneos são dominantes, de fato, exclusivos.
DERMATITE DE CONTATO
Reação inflamatória cutânea resultante do contato direto da pele com uma substância presente no ambiente e que provoca agressão mecânica, física ou química (= dermatite de contato por irritação) e/ou imunológica (= dermatite por alergia de contato).
Etiologia: • A DERMATITE DE CONTATO POR IRRITAçãO resulta da ação irritante direta de substâncias como:
– produtos tópicos diversos (sabão, antissépticos etc.) muito concentrados ou mal enxaguados, particularmente em depressões;
– detergentes e produtos de limpeza (sobre o solo);
– inseticidas (após tratamento ou banho antiparasitário);
– ácidos, bases fortes, alcatrão, essências etc.
Clinicamente superponível à dermatite de contato alérgico.
• A DERMATITE POR ALERGIA DE CONTATO surge somente após contatos prolongados e repetitivos de uma substância alergênica com a pele.
Por este motivo, essas dermatites são relativamente raras em animais carnívoros. Existe uma distinção nos humanos, que, de um lado, são claramente menos protegidos por sua pilosidade e, de outro, muito mais suscetíveis, seja profissionalmente ou devido a práticas cosmetológicas que favorecem contatos repetidos. Todavia, as seguintes causas são bem documentadas no gato e no cachorro:
– Em lugares externos: vegetais, em particular a grama de primavera (spring rash), pesticidas, verniz, pinturas e cimentos.
– Em lugares internos: lã, tapetes de material sintético, borracha, produtos de conservação de madeira, produtos de bronze ou de couro e sais de cromo.
– Objetos colocados em contato com o cachorro ou gato pelo homem: utensílios de plástico (tigelas), coleiras (em particular, as inseticidas), coberturas e aerossóis de uso cotidiano (inseticidas, desodorantes, perfumes etc.).
– Medicamentos de uso externo: produtos tópicos à base de antibióticos (neomicina, penicilina e estreptomicina); anestésicos locais (derivados da procaína); antissépticos (iodetos); derivados de hidrocarbonetos (vaselina) etc.
Lesões
• As zonas mais frequentemente atingidas são as partes com ausência de pelo, sobretudo aquelas com topografia exposta a contatos repetidos: região inferior do corpo em contato com o solo e regiões onde a pelagem é particularmente escassa (virilha, axilas, espaços interdigitais, região perianal, pálpebras, pavilhões da orelha etc.).
Todavia, as regiões com pelo podem ser atingidas por produtos líquidos ou aerossóis e algumas coleiras provocam alopecia crostosa, claramente delimitada ao redor do pescoço (devido ao suporte ou, mais raramente, do princípio ativo, em particular no gato).
• No início da evolução, aparecem as placas de eritema com pápulas, acompanhadas de prurido evidente. O ato de coçar e o de morder levam a lesões mais graves: exulcerações, dermatite úmida, ulcerações marcadas com formação de crostas e, às vezes, superinfecções bacterianas.
Diagnóstico
• A suspeita baseia-se nos seguintes critérios:
– Localização das lesões.
– Epidemiologia: exposição direta e recente a uma substância irritante (dermatite do escroto após banho com enxague insuficiente); profissão do proprietário (garagista etc.), sua atividade (artesanato de fim de semana etc.) etc.
– O reaparecimento sazonal (alergia a alcatrão florescente) ou relacionada a contato com um solo alergizante (tapete sintético).
• A realização de testes epicutâneos (patch tests) é excepcional no cachorro, por razões técnicas e práticas: dificuldade de manter contato com substâncias testadas durante 48 horas, interpretação suficientemente difícil em relação à de uma prática cotidiana etc.
• O diagnóstico diferencial deve ser feito com a dermatite atópica, dermatomicoses, dermatite seborreica, dermatite solar (lúcida) e alergia alimentar.
Tratamento
Consiste, de um lado, em evitar o contato com o agente causal suspeito ou identificado e, de outro, exercer uma ação calmante e/ou anti-inflamatória:
– Evitar a limpeza mecânica de uma inflamação por lambedura (uso de colar).
– Emolientes: Humiderm®.
– Agentes calmantes por efeito de “bandagem”: cremes e loções Nivea®.
Ação emoliente, calmante, anti-inflamatória: Betneval ®* lotion.
– Caso necessário: corticosteroides por via geral (ver CORTICOTERAPIA (p.150)) em dose antiinflamatória, por 3 a 8 dias, imediatamente ou até a descoberta do agente sensibilizante.
Dermatite ATÓPICA CANINA
A dermatite atópica canina é uma doença dermatológica muito comum, particularmente crônica, associada a prurido e lesões inflamatórias pouco específicas cujas localizações devem ser levadas em conta. Todavia, a noçãode dermatite atópica evoluiu consideravelmente no decorrer dos últimos anos e atualmente leva em consideração vários outros fatores, entre os quais a identificação e o controle que aprimoram consideravelmente a gestão dessa entidade, embora ela se mantenha um desafio. Convém mais particularmente citar os seguintes fatores:
– morfológicos (alterações da composição do filme hidrolipídico de superfície);
– infecciosos (principalmente superinfecções por bactérias e leveduras);
– parasitários (provável exacerbação das reações imunológicas contra “superalérgenos” salivares da pulga);
– alimentares, com importância variável das intolerâncias alimentares e dos alérgenos alimentares (trofalérgenos);
– psíquicos, como comprova a grande variabilidade racial e individual observada na expressão do prurido e nos fenômenos de ritualização.
Sintomas
• O PRURIDO é o principal sinal de alerta. Ele pode se expressar diferentemente segundo os animais: ato de lamber, morder, esfregar ou coçar.
O prurido é inicialmente “corticossensível”, porém a importância das superinfecções e a influência negativa da corticoterapia sobre elas diminuem a pertinência dessa observação. Nota-se igualmente que, no início da doença, o prurido pode preceder a aparição de lesões. Convencionalmente, considera-se que a intensidade do prurido que acompanha a dermatite atópica é menor do que o de doenças parasitárias como a sarna. Todavia, convém levar em conta o grau de complicações infecciosas e de variações raciais. Afinal, “um atópico não se coça tanto quanto um sarnento durante a consulta”.
• AS LESõES são pouco específicas. As lesões inflamatórias primárias (eritema) são rapidamente renovadas pelo ato de coçar, pelas superinfecções diversas e pelo desenvolvimento de um estado ceratosseborreico secundário. Progressivamente, as zonas mais atingidas se pigmentam e podem ser o sítio de uma liquenificação.
• A TOPOGRAFIA LESIONAL é essencial e deve ser considerada, tanto pela suspeita quanto pelo diagnóstico diferencial.
– Os elementos-chave são a grande frequência de eritema das faces internas das conchas auriculares, eritema interdigital bilateral anterior (com coloração avermelhada das pelagens claras) e eritema peribucal (lábios e queixo).
– Igualmente, deve-se lembrar bem da importância do eritema, assim como da liquenificação, da face anterior dos carpos e as dobras anteriores dos cotovelos.
– As grandes dobras (axilas e virilhas) estão frequentemente eritematosas, assim como o peito e o ventre, nos casos mais avançados. Todavia, essas lesões são menos específicas do que as anteriores.
Evolução
A dermatite atópica é particularmente crônica e não tem cura espontânea. Todavia, pode apresentar longos períodos de remissão clínica, uma vez que é possível estabelecer uma gestão rigorosa das complicações e dos fatores predisponentes.
Diagnóstico
• UMA SUSPEITA DE DERMATITE ATóPICA deve ser sistematicamente levantada quando há prurido crônico, otite bilateral recidiva, lambedura obsessiva dos espaços interdigitais, dermatite de lambedura, sudação (hiperidrose), urticária ou dermatite piotraumática recidiva, os estados ceratosseborreicos.
• O DIAGNóSTICO SE BASEIA NA CONSTATAçãO E ANáLISE DOS SEGUINTES CRITéRIOS:
– prurido corticossensível, início de problemas entre os 6 meses e os 3 anos de idade e presença de lesões peribucais, de eritema das faces internas das conchas auriculares e de eritema interdigital bilateral anterior;
– a observação de três desses critérios possui sensibilidade e especificidade na ordem de 80%, que ultrapassa 95% com a presença de quatro elementos.
• TODAVIA, O DIAGNóSTICO é DEFINITIVO APENAS com a eliminação de outras dermatoses pruriginosas crônicas e COMPLETO somente após a consideração de dermatoses frequentemente associadas (complicações).
– Mais particularmente, convém eliminar diversas doenças parasitárias frequentes: sarna sarcóptica, demodicose e também trombiculose.
– A colonização ou invasão bacteriana é sistematicamente procurada (ver PIODERMITES (p.460)), bem como a presença de leveduras lipófilas.
– A avaliação de uma INTOLERâNCIA ou uma ALERGIA ALIMENTAR é considerada essencial por alguns autores. Mais do que um diagnóstico diferencial propriamente dito, uma vez que esses processos patológicos entram atualmente no quadro geral de atopia, sua identificação permite uma melhor gestão global do prurido.
• A REALIZAçãO DE INTRADERMORREAçõES é essencial à gestão da doença a longo prazo.
Gestão Terapêutica
É indispensável distinguir o tratamento dos episódios pruriginosos agudos do tratamento emlongo prazo.
• O TRATAMENTO DE EPISóDIOS AGUDOS visa limitar o prurido e a inflamação ligada à reação alérgica e às prováveis suprainfecções. Também é comumente necessário reestabelecer a confiança no proprietário.
 Na prática, convém geralmente recorrer à CORTICOTERAPIA e à ANTIBIOTICOTERAPIA.
– A corticoterapia sistêmica utiliza princípios ativos de efeitos metabólicos limitados (prednisolona, metilprednisolona) administrados por via oral, durante um período limitado:
Oro-Medrol ®: 1mg/kg/dia em 2 tomadas, até a diminuição clara do prurido (geralmente, sete dias são necessários), seguido, eventualmente, da administração de uma semidose (0,5 mg/kg) apenas pela manhã pelos próximos sete dias.
– A antibioticoterapia deve obrigatoriamente levar em conta a provável presença de estafilococos, frequentemente indutores de penicilinases, os efeitos indesejáveis, a toxicidade e a imagem desses produtos. Synulox®: 25 mg/kg/dia em 2 tomadas, durante, no mínimo, 15 dias, com avaliação da duração do tratamento em função da natureza da PIODERMITE.
– A terapia antifúngica não é sistemática, mas ligada à descoberta de uma DERMATITE POR MALASSEZIA.
Durante esta fase aguda, o uso de medicamentos tópicos é limitado:
– O uso de corticoides tópicos é difícil por conta da lambedura e da característica geralmente extensa das lesões. Todavia, pode ser interessante para limitar a pododermatite, depois de verificarmos mais uma vez a ausência de Demodex (Cortizeme®).
– Os medicamentos tópicos calmantes raramente são indispensáveis. Em caso de necessidade, pode-se recorrer a produtos com reputação não irritante, tais quais os extratos coloidais de aveia (Allercalm®), tendo sempre em mente a grande variabilidade de seu interesse prático.
• O TRATAMENTO EM LONGO PRAZO visa controlar a inflamação e as superinfecções, limitando o quanto possível o uso de produtos suscetíveis a induzir efeitos secundários.
– A corticoterapia sistêmica deve ser prescrita na grande maioria dos casos. Em episódios de absoluta necessidade, deve-se buscar a administração em dias alternados e as menores doses eficazes.
– Os medicamentos tópicos anti-infecciosos são de grande interesse, sendo dirigidos contra bactérias isoladas (Etiderm®) ou, se necessário, contra leveduras (Vetriderm Clorexidina®).
Evidentemente, a frequência de suas aplicações é variável segundo o tamanho do animal, o tipo de pelo e das contingências climáticas. Por outro lado, a tolerância é geralmente muito alta devido à presença de emolientes associados.
– A hipossensibilização (imunoterapia específica) é cada vez mais utilizada, com verdadeiro benefício, quando as indicações são rigorosamente escolhidas e os objetivos, claramente postos. – Convém inicialmente especificar e insistir que o objetivo principal é limitar ao máximo o uso de corticoides, sem excluir, entretanto, sua utilização por alguns dias, com algumas retomadas eventuais por ano.
– Seu princípio é administrar extratos da substância alergênica para induzir uma tolerância progressiva, que deve ser mantida. Os protocolos variam segundo os laboratórios fabricantes. Geralmente, as doses são cruzadas e as injeções são semanais no início do tratamento e, em seguida, mais espaçadas, sem que o intervalo entre doses ultrapasse um mês.
– A eficácia é diretamente relacionada ao número de alérgenos selecionados: quanto mais numerosos, menor a chance de a imunoterapia específica obter sucesso. Como consequência, é indispensável confrontar o resultadodas intradermorreações em dados epidemiológicos. Ainda, a eficácia parece melhor quando o tratamento é instaurado em animais jovens. Enfim, para alguns autores, algumas raças respondem melhor do que outras à imunoterapia (Labrador).
– O interesse em ácidos graxos poliinsaturados (Viacutan®) é duplo: reestabelecer a integridade do filme hidrolipídico de superfície e limitar a produção de eicosanoides pró-inflamatórios.
– A luta contra as pulgas é essencial em todos os casos de dermatite atópica, inclusive na ausência de DAPP. Essa medida é preventiva e aliada ao efeito potencializador de alguns elementos salivares.
– A ciclosporina A (Atopica®, Sandimmum®) aumentou os meios de luta contra a dermatite atópica.
– A ciclosporina é um potente imunomodulador que age por diferentes mecanismos e em
múltiplos alvos.
– Seu interesse na gestão da dermatite atópica tem como base os resultados de um estudo randomizado e duplo-cego, versus metilprednisolona, que não mostrou diferenças significativas em termos de eficácia em 12 semanas, mas que chegou a mínimos efeitos secundários.
– Como consequência, o produto é utilizado no tratamento de uma dermatite atópica severa, mais frequentemente como segunda linha — quando há novas exacerbações agudas no animal ou um proprietário que suporta mal a corticoterapia — bem como na gestão em longo prazo da doença.
– A dose preconizada é de 5 mg/kg/dia até a melhora clínica, que geralmente surge em 4 semanas. Em seguida, a administração pode ser prolongada a dia(s) passado(s) ou ser efetuada apenas 2 vezes por semana.
– Nesta dose, os efeitos secundários são suficientemente pequenos e geralmente limitados a problemas digestivos (diminuição de apetite, vômitos e amolecimento das fezes), geralmente transitórios, e que desaparecem depois de alguns dias de administração. Se este for o caso, a dose reconhecida como eficaz pode ser atingida por níveis crescentes.
– Igualmente, não há evidências de aumento significativo do risco de complicações infecciosas para essa dose.
– Evidentemente, as considerações relacionadas ao preço do produto levam em conta o tamanho do animal e as motivações ou posses do proprietário.
Dermatite atópica felina
Os aeroalérgenos normalmente responsáveis são os ácaros de poeira doméstica e, particularmente, Dermatophagoides sp.
Observa-se que existe uma reação cruzada entre os ácaros de poeira e os ácaros parasitas, em particular Octodectes cynotis.
Clínica
As modalidades mais encontradas são:
– Dermatite miliar;
– Lesão pertencente ao complexo granuloma eosilinofílico;
– Alopecia extensiva;
– Prurido facial.
Esses sintomas aparecem, em geral, em gatos com menos de dois anos de idade. 
Diagnostico 
É baseado nos seguintes elementos:
– Anamnese detalhada, mostrando a existência de prurido no animal jovem com uma possível exacerbação sazonal;
– Aspecto do tegumento;
– Evidenciação de uma sensibilização a aero alérgenos (intradermorreações; desgranulação de basófilos):
– As intradermorreações são uma prática delicada no gato, uma vez que a pele é fina e resistente e que a maioria dos animais não tolera o teste. Também foi sugerido que o estrese poderia modificar a reatividade;
– Ainda, a anestesia geral é praticamente indispensável (cetamina);
– A leitura é igualmente difícil, pois certas reações podem ser transitórias fugazes. De modo geral, podem surgir placas de urticária, menos volumosas e eritematosas do que na espécie canina.
LESÕES TRAUMÁTICAS
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