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Fonologia Fonologia é ramo da linguistica que estuda os sons e as sílabas. Fonema é o menor elemento sonoro capaz de estabelecer uma distinção de sentido entre as palavras. Ou seja, fonema é som, enquanto as letras são os símbolos representativos do som. O mesmo fonema pode ser representado por mais de uma letra, assim como uma letra pode representar mais de um fonema. Os fonemas são classificados em vogais, semivogais e consoantes. As vogais podem orais, quando o ar sai apenas pela boca, ou nasais, quando o ar sai também pelas fossas nasais. As vogais podem ser ainda átonas ou tônicas (mais intensa) e em toda silaba há apenas uma vogal. Com exceção da letra “a”, as demais vogais podem ser semivogais, quando não são p ronunc iados de mane i r a comple t a , especialmente “i” e “u”. OBS: o “m” no fim das palavras junto com “e” e “a” também é considerado semivogal. Os encontro vocálicos são agrupamento de vogais e semivogais, sem consoantes intermediárias. Dividem-se em ditongo, tritongo e hiato. • Ditongo: vogal (1) + semivogal (1/2). Podem ser crescentes, quando a semivogal vem antes, ou decrescentes, quando a vogal vem antes. Assim como as vogais, podem ser orais ou nasais. • Tritongo: semivogal + vogal + semivogal, SEMPRE nessa ordem, numa mesma sílaba. Também pode ser oral ou nasal (marcado pelo “~” ou pelo “m”) • Hiato: sequencia de duas vogais em uma mesma palavra que pertencem a saladas diferentes ou o encontro entre uma semivogal e uma vogal que pertencem a silabas diferentes (ex: ge-lei-a, pa-pa-gai-o etc) A semi vogal sempre se agarra à primeira vogal que aparecer. O e n c o n t r o c o n s o n a n t a l é o agrupamento de duas ou mais consoantes sem que haja vogal intermediária. Existem 3 tipos: • Consoantes + r ou l: ocorrem numa mesma sílaba. 1 • As duas consoantes estão em sequencia na palavra, mas pertencem a silabas diferentes. • Grupos consonantes que surgem no início dos vocábulos, por isso, são inseparáveis (ex: pneu, gnomo, psicólogo). Geralmente são consoantes “mudas”. Os dígrafos ocorrem quando duas letras são usadas para representar um único fonema. Podem ser: • Consonantais: lh nh ch rr ss qu (quando u não é pronunciável) gu (quando u não é pronunciável) sc sç xc • vocálicos: ã (am ou an) ~e (em ou en) ~i (im ou in) õ (om ou on) ~u (um ou un) OBS: “gu” e “qu” são dígrafos somente quando, seguido de “e” ou “i”, representam fonemas /g/ e /k/: guitarra, aquilo. Nestes casos, a letra “u” não corresponde a nenhum fonema. Há palavras, no entanto, em que o “u” represente uma vogal ou semivogal (ex: aguentar, linguiça, aquífero). Nelas, “gu” e “qu” NÃO são dígrafos. Por fim, também não há dígrafo os casos seguidos de “a” ou “o”. Sílabas são grupos pronunciados numa emissão de voz. Precisam de uma vogal inteira. Quanto ao número de silabas, são classificadas em: • Monossílabas: uma única sílaba • Dissílaba: duas sílabas • Trissílaba: três sílabas • Polissílaba: quatro ou mais sílabas Na divisão silábica, deve-se respeitar: 1. Não se separam ditongos e tritongos; 2. Não se separam os dígrafos “ch”, “lh”, “gu” e “qu”; 3. Não se separam os encontros consonantais que iniciam a sílaba; 4. Separam-se as vogais dos hiatos; 5. Separam-se as letras dos dígrafos “rr”, “ss”, “sc”, “sç” e “xc”; 6. Separam-se os encontros consonantais das sílabas internas, executando-se aqueles em que a segunda consoante é “l” ou “r” (ex: ap-to) OBS: depois do prefixo, se houver vogal, segue a regra normal (ex: bi-sa-vó) Quanto a classificação da sílaba tônica: • Oxítonas: quando for a última • Paroxítonas: quando for a penúltima • Proparoxítonas: quando for a antepenúltima 2 Acentuação gráfica, ortografia e significação das palavras Como já foi dito, as proparoxítonas tem a antepenúltima sílaba como tônica. Devem ser SEMPRE acentuadas. As palavras monossilábicas, por outro lado, são classificadas em tônicas e átonas. • Tônicas: Não necessariamente as tônicas s e r ã o a c e n t u a d a s . D i z - s e q u e a s monossílabas tônicas tem autonomia fonética, isto é, existem na frase sem precisar de outra palavra. Nesta regra, acentuam-se as monossílabas tônicas terminadas em: a(s), e(s) e o(s). • Átonas: não possuem autonomia fonética, são proferidas fracamente, como se fossem sílabas dos vocábulos nos quais se apoiam. São representados por artigos, pronomes oblíquos, elementos de ligação (preposição e conjunção). Ex: o(s), a(s), um, uns, me, te, lhe, nos, de, em, e, que … OBS: Há monossílabas que são tônicos em uma frase e átonos em outra. Ex: Há sempre um mas para questionar (tônico) / Eu sei seu nome, mas não me recordo agora (átono). As oxítonas, cuja sílaba tônica é a última, são acentuadas quando terminadas em: a(s), e(s), o(s), em ou ens. Assim, entram nessa regra os verbos conjugados (ex: ele mantém, eles mantêm), e formas verbais com pronomes oblíquos (ex: observá-los, repô-los). As paroxítonas, apresentam sílaba tônica na penúltima posição e estão em maior quantidade na lingua portuguesa, devem ser acentuadas quando terminadas em: r, i(s), n, l, u(s), x, ps, on(s), ditongos crescentes e decrescentes (seguidos ou não de s), ã(s), ão(s) e um(uns). OBS: 1. as paroxítonas terminadas em “n” são acentuadas, mas em “ens” NÃO (ex: hífen → hifens) 2. NÃO são acentuados os prefixos terminados em “i” e “r” (ex: semi, super) 3. Acentuam-se as paroxítonas terminadas em ditongo crescente: ea(s), oa(s), (eo(s), (ua(s), ia(s), ue(s), ie(s), uo(s) e io(s). 4. Não há consenso sobre os encontros vocálicos das palavras mágoa, vídeo, níveo, área e espontâneo serem ditongos. As regras especiais são destinadas a pôr em evidencia alguns detalhes sonoros das palavras. Não eram um problema até a reforma ortográfica em que caíram os acentos dos ditongos abertos nas palavras paroxítonas (ex: assembleia, boia, colmeia, coréia, estreia etc). Os ditongos abertos éi, éu e ói continuam sendo acentuados quando tiverem pronuncia aberta em oxítonas (ex: anéis, trofeu, herói). 3 OBS: a palavra destróier é acentuada por ser um paroxítona terminada em “r”, não por possuir um ditongo aberto (ói). Quanto aos hiatos, acentuam-se as vogais “i” e “u” tônicas que estiverem sozinhas na sílaba ou seguidas de “s” (ex: ju-í-zes, e-go- ís-ta, fa-ís-ca, he-ro-í-na etc) OBS: 1. Não se coloca acento ajudo no “i” e no “u” quando, precedidos de vogal que, com eles não forma ditongo, e são seguidos de “l”, “m”, “n”, “r”, “z” e “nh” que não iniciam sílabas (ex: com-tri-bu-in-te, ju-iz, ra-i-nha etc) 2. Pela nova regra ortográfica, quando as vogais “i” e “u” ocorrem na sílaba tônica de palavras paroxítonas, não recebem acento se precedidas de ditongo (ex: bai-u- ca e fei-u-ra) 3. Não recebi acento agudo no “u” tônico precedido de “g” ou “q” e seguido de “e” ou “i” nas flexões rizotônicas (quando a sílaba tônica fica dentro do radical de um verbo) dos verbos arguir, redarguir, aguar, apaziguar, averiguar, obliquar, enxaguar, delinquir. 4. Nos verbos anteriormente e afins ou são acentuadas no u, mas sem acento gráfico ou têm a forma averíguo, enxáguo, delinquem, águo etc. Os verbos “ter” e “vir”, assim como seus derivados, são acentuados na terceira pessoa do plural. Já os vermos “crer”, “dar”, “ler” e “ver” são acentuados no singular “crê”, “dê”, “lê” e “vê” mas quando no plural, dobra-se a vogal e não há acento. Pela nova ortografia, também não são acentuadas as paroxítonas com hiato “o-o” seguidos ou não de “s” (ex: voos, enjoo, ebençoo) O acento diferencial foi excluído, mantendo-se nestas 4 palavras, para distinguir uma da outra que se grafa de igual maneira: • Pôde (verbo poder no passado) / pode (verbo poder no presente) • Pôr (verbo) / Por (preposição) A ortografia é o emprego das letras,a distancia - alguém que explica a distancia entre elementos). Não se usa crase: 1. Antes de palavra masculina 2. Antes de verbos 3. Antes da maior parte dos pronomes 4. Em expressões com palavras repetidas 5. Antes de palavras femininas no plural se o “a” tiver no singular (ex: não pessoa favor a pessoas de caráter duvidoso). Casos facultativos: 1. Antes de substantivos próprios femininos no singular 2. Antes dos pronomes possessivos femininos (minha, tua, nossa) e indefinido (outra). Nestes casos, quando no plural, é obrigatório o uso da crase. 3. Depois da locução prepositiva “até a” Há ainda casos específicos para o uso da crase: 1. Antes de nomes de localidades. Dica: volta a, volto da → crase no a. 2. Antes da palavra terra, só se usa crase quando o termo se referir ao planeta ou uma localidade específica (ex: fui à terra onde nasci). No sentido de chão, não se usa. 3. Antes da palavra “casa”, o uso exige que o termo esteja determinado com um adjunto adnominal (ex: vou à casa dos meus pais). Frase, oração, período e tipos de sujeito Frase é um enunciado de sentido completo, a unidade mínima de comunicação. A sintaxe descreve as regras para as palavras se combinarem, formando as frases. Estas poderão se construídas de uma só palavra ou de várias palavras. Quando a frase contém verbo, ela também pode ser uma oração. Toda oração é frase mas nem toda frase é oração. A frase pode conter uma ou mais orações. Contém uma só oração quando apresenta uma só forma verbal. Analogamente, contém mais de uma oração quando possui mais de uma forma verbal. As locuções verbais são uma sequencia de dois ou mais verbos que juntos exercem a função morfológica de um só verbo, então é necessário ficar atento. Mesmo havendo dois verbos, não há duas orações neste caso. Elas são formadas por verbos auxiliares e um verbo principal, que são a ideia central da ação. O período é a frase organizada em orações. Pode ser: • Simples: quando só houver uma oração. • Composto: quando houver duas ou mais orações. 32 O período sempre se inicia com letra maiúscula e termina por uma pausa bem definida que pode ser ponto final, exclamação interrogação, reticencias ou até mesmo dois pontos. Sujeito e predicado são termos essenciais da oração. O sujeito é o ser sobre o qual se faz uma declaração e é o elemento que estabelece concordância com o verbo. O predicado é tudo que se declara sobre o sujeito. É em torno desses dois elementos que as orações são estruturadas. O núcleo do sujeito é a palavra com cara mais significativa em torno do sujeito. Pode ser expresso por qualquer palavra substantivada. O sujeito pode ser determinado (simples, composto, oculto), indeterminado ou inexistente. • Simples: possui um só núcleo • Composto: possui mais de um núcleo. • Oculto: não está materialmente expresso na oração mas pode ser identificado ou pela desinência verbal, ou pela presença do sujeito em outra oração do mesmo período ou de período contíguo. • Indeterminado: ocorre quando o verbo não se refere a uma pessoa determinada, ou por se conhecer quem executa a ação, ou por não haver interesse em seu conhecimento. Nestes casos, o verbo pode aparecer na 3 pessoa do plural, na terceira pessoa do singular com o pronome “se” ou no infinitivo impessoal (ex: era penoso estudar todo aquele conteúdo) • Inexistente: não há relação entre o sujeito e o verbo porque o verbo é impessoal. - Verbos que denotam fenômenos da natureza - Verbo “haver” no sentido de existir - Verbos “haver, fazer e ir” quando indicam tempo decorrido - Verbo “ser” quando indica tempo em geral Tipos de predicado O predicado é a parte da oração que contém o verbo e que traz informações sobre o sujeito, pode ser verbal, nominal ou verbo- nominal • Nominal: quando no predicado o verbo é de ligação e a informação mais importante não está centrada no verbo, tem-se um predicado nominal. Verbos de ligação expressam: - Estado permanente - Estado transitório - Mudança de estado - Continuidade de estado - Aparência de estado • Verbal: quando o núcleo do predicado for o verbo, geralmente em verbos de ação, tem- se um predicado verbal. • Verbo-nominal: ocorre quando temos um verbo significativo (de ação) mas o predicativo refere-se ao sujeito, como se houvesse um verbo de ligação oculto (ex: maria viajou cansada / maria viajou e estava cansada). 33 É importante estar atento ao fato de que alguns verbos atuam ora como ligação, ora como significativos. Logo, deve-se olhar o contexto. O predicativo pode ser: • Substantivo • Adjetivo • Pronome • Numeral • Oração substantiva predicativa O pronome “o” quando funciona como predicativo, é demonstrativo. O predicativo pode referir-se ao objeto. Quando se deseja dar ênfase ao predicativo, costuma-se repeti-lo (ex: tive motivo para crer que o perverso fora-o ele próprio). É o que se chama de predicativo pleonástico.. Termos integrantes da oração A sintaxe estuda a estrutura da frase, analisando as funções que as palavras desempenham numa oração e as relações que estabelecem entre si. A análise morfológica estuda a palavra independente da posição que ela ocupe na oração. Já a análise sintática verifica a relação estabelecida pela palavra com os outros termos, ou seja, sua função. A análise sintática está dividida em: • Termos essenciais: sujeito e predicado • Termos integrantes: objeto direto e indireto, predicativo do sujeito, predicativo do objeto, complemento nominal e agente da passiva. • Termos acessórios: adjunto adnominal, verbal e aposto O vocativo é um termo isolado. Os complementos verbais são os objetos (direto e indireto). O objeto direto é o complemento de um verbo transitivo direto, normalmente ligado ao verbo sem preposição e indica o ser para o qual se dirige a ação verbal. Pode ser: substantivo, pronome (substantivo), numeral, pronome pessoal, expressão substantivada, oração substantivada. Há casos particulares em que o objeto direto é preposicionado pela preposição “a”: • Com verbos que exprimem sentimentos • Para evitar ambiguidades • Quando vem antecipado (ex: a medico e letrado nunca enganes) • Quando expresso por pronome pessoal obliquo tônico (ex: não odeio a ti) O objeto direto pleonástico ocorre quando se quer chamar atenção para o objeto direto que precede o verbo. Costuma-se repetí- lo e para isso, utiliza-se pronome pessoal átono. O objeto indireto, por sua vez, é o complemento de um verbo transitivo indireto, liga-se por preposição e pode ser: substantivo, pronome, numeral, expressão substantivada ou oração substantivada (objetiva indireta). É 34 importante salientar que não vem precedido de preposição o objeto indireto representado pelos pronomes oblíquos “me, te, lhe, nos, vos, lhes” e pelo reflexivo “se”. Note que o pronome “lhe(s)” é essencialmente objeto indireto. Analogamente, o objeto indireto pleonástico é repetido para ser realçado. Usa-se um pronome pessoal átomo. O predicativo do sujeito é o termo da oração que atribui característica ao sujeito. Aparece majoritariamente no predicado nominal, juntamente com um verbo de ligação. A função do predicativo pode ser desempenhada por: • Adjetivo ou locução adjetiva • Substantivo • Pronome • Numeral • Oração substantiva predicativa Tanto o objeto direto como indireto podem ser modificados por predicativo. Assim como do sujeito, o predicativo do objeto pode vir antecedido por preposição ou pelo conectivo “como”. O predicativo do objeto aparece apenas no predicado verbo-nominal e pode ser: • Substantivo • Adjetivo O agente da passiva é o complemento que, na voz passiva analítica, designa o ser que pratica a ação sofrida ou recebida pelo sujeito. Esse complemento verbal, normalmente introduzido pela preposição “por”e algumas vezes por “de” pode ser representado por: • Substantivo • Pronome • Numeral • Oração substantivada O complemento nominal vem sempre ligado por preposição ao substantivo abstrato, ao adjetivo ou ao adverbio cujo sentido integra ou limita. É um termo que completa o sentido dos nomes. Pode ser: • Substantivo • Pronome • Numeral • Expressão substantivada • Oração completiva nominal Termos acessórios da oração Os termos acessórios podem ser retirados sem alterar sua estrutura sintática. Entretanto, podem ser importantes para a compreensão da mensagem transmitida. São termos acessórios: • Adjunto adverbial • Adjunto adnominal • Aposto 35 Adjunto adnominal, complemento nominal e predicativo O complemento nominal associa-se a nome e é sempre indicado por preposição. O adjunto adnominal também está associado a nome e pode ser iniciado por preposição. O que diferencia os dois é que o complemento é termo integrante, seu anterior precisa ser complementado porque tem transitividade. Já o adjunto é acessório, pode ser retirado sem prejuízo. O ad junto adnominal modifica substant ivo concre to ou abs t ra to . O complemento nominal só completa substantivo abstrato, adjetivo ou advérbio. A maior dúvida então é em torno dos substantivos abstratos. Se o termo for agente da ação → adjunto adnominal (ex: a leitura do aluno agradou a todos = adjunto adnominal / a leitura do livro f o i b o a = c o m p l e m e n t o n o m i n a l ) . Analogamente, se o termo em estudo é paciente (ele quem sofre) da ação, ele será complemento nominal. A diferença entre predicativo e adjunto adnominal se dá porque o predicativo exprime característica nova, circunstancial, atribuída ao n o m e , e n q u a n t o o a d j u n t o e x p r i m e característica fixa, constante, já conhecida do nome. Concordância verbal A concordância verbal é a relação que precisamos estabelecer entre sujeito e verbo. É necessário ficar atento às particularidades. Quando o sujeito é constituído por expressão partitiva (ex: parte de, uma porção de, o resto de, metade de, etc) e um substantivo ou pronome plural, o verbo pode ir para o singular ou para o plural. A expressão “menos de dois” leva o verbo para o plural, enquanto a expressão “mais de um” deixa o verbo no singular. Concordância Nominal A concordância nominal diz que todos os determinantes (adjetivo, numeral, pronome adjetivo e artigo) devem harmonizar-se quanto ao gênero e numero do substantivo. Com adjetivos pospostos, deve concordar com o substantivo mais próximo ou com todos eles. Neste caso, assume forma plural masculina se houver substantivo feminino e masculino. Quando o adjetivo é anteposto, ele também deve concordar com o substantivo mais próximo. Se os substantivos forem próprios ou exprimam graus de parentesco, devem ficar no plural. Se o adjetivo for predicativo do sujeito, ele teve concordar com todos os elementos do sujeito. Neste caso, se o predicativo estiver 36 anteposto, pode concordar só com o núcleo mais próximo. Analogamente, adjetivos que são predicativos do objeto, ele deve concordar em gênero e numero com o núcleo do objeto e ir para o masculino plural se houver mais de um núcleo e gêneros diferentes. Quando houver oração com numerais ordinais, todos antecedidos por artigo, o substantivo pode ficar no singular ou no plural. Se o substantivo estiver posposto e não houver artigos, deve ser pluralizado. Os artigos permanecem no singular, concordando com o numeral. Orações Coordenadas A s o r a ç õ e s c o o r d e n a d a s s ã o sintaticamente independentes, ou seja, não exercem entre si função sintática. Quando iniciadas por conjunção, são chamadas sindéticas, já aquelas que não tem conjunção são assindéticas. A classificação destas orações levará em conta a relação que se estabelece entre elas, podendo ser: aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas ou explicativas. As orações coordenadas sindéticas aditivas tem papel de somar e geralmente são conectadas por “e, nem, mas também, como também”. As adversativas exprimem oposição entre fatos e conceitos e são marcadas pelo uso das conjunções “mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, não obstante”. As alternativas são a ideia de alternância ou exclusão mútua “ou, ora…ora, já…já, quer… quer”. As conclusivas expressam uma conclusão lógica que se deu a partir da oração anterior e são marcadas por “por isso, logo, por tanto, pois, assim, então, por conseguinte, de modo que, em vista disso”. Finalmente, tem-se as explicativas, que justificam uma ordem, sugestão ou suposição com “que, porque, pois”. Para não confundir explicação com causa, lembre-se que a explicação é sempre posterior ao fato que a gerou e a causa é anterior a sua consequência. No mesmo período podem ocorrer orações coordenadas sindéticas de vários tipos. Nem todas as conjunções encabeçam uma oração, podem variar de posição. Orações Subordinadas Substantivas As orações subordinadas funcionam sempre como termos essenciais, integrantes ou acessórios de outra oração. As orações subordinadas classificam-se em substantivas, adjet ivas e As orações subordinadas substantivas vem normalmente introduzidas pela conjunção integrante “que” e as vezes por “se” e podem ser: • Subjetiva: quando exercem função de sujeito. O verbo da oração principal fica 37 sempre na terceira pessoa do singular. Geralmente tem-se: verbo de ligação + predicativo / verbo na voz passiva sintética ou analítica / verbos como convir, cumprir, acontecer, importar, ocorrer, parecer, constar, urgir na terceira pessoa do singular. • Objetiva direta: são objeto indireto. Nas frases interrogativas indiretas, as orações subordinadas substantivas objetivas diretas podem ser introduzidas pela conjunção “se” e por pronomes ou advérbios interrogativos. • Objetiva indireta • Completiva nominal • Predicativa • Apositiva • Agentes da passiva: quando desempenham função de agentes da passiva iniciam-se por pronomes indefinidos (quem, quantos, qualquer etc) precedidos de uma preposição por ou de. A conjunção integrante “que” pode ser omitida em algumas situações. Após verbos que exprimem ordem, desejo ou súplica, por exemplo. Num período composto é normal que um conjunto de orações subordinadas substantivas crise uma unidade sintática e semântica. Orações Subordinadas Adverbiais Funcionam como adjunto adverbial do verbo da oração principal e vem, normalmente, introduzidas por uma das conjunções subordinativas que expressam circunstancia. É comum que aparecem antes da oração principal. Podem ser: • Casual: se a conjunção subordinativa é causal (ex: porque, como, pois, já que, uma vez que, visto que). É preciso ter atenção para mão confundir explicação com causa. Explicação é sempre posterior ao fato que a gerou. • Temporal: exprimem ideia de tempo, como em: quando, enquanto, assim que, mal (ex: mal cheguei e recebi a noticia = assim que cheguei, quando cheguei), sempre que, antes que, depois que desde que • Final: exprimem a intenção, a finalidade do que se declara (ex: a fim de que, para que ou porque quando = para que) • Proporcional: a ideia de proposcionalidade é expressa com “à medida que, à proporção que, quanto mais, quanto menos, tanto mais, tanto menos” • Condicional: denotam a condição através das conjunções “se, caso, contanto que, desde que, salvo se, exceto se, a menos que, sem que, uma vez que” • Concessiva: a ideia de concessão está diretamente ligada a ideia de contraste, quebra de expectativa (embora, contanto, ainda que, mesmo que, se bem que, apesar de que). Podem aparecer de forma intensificada (ex: por mais que, por melhor que…) ou reduzida a palavra “que”. 38 • Consecutiva: exprimemo efeito, a consequência daquilo que se declara. É caracterizada por ter termos intensivos na oração principal (ex: tal, tão, tamanho) e a conjunção “que” fazendo a ligação. A conjunção pode estar omitida • Comparativa: a comparação é explícita pelos termos: como, tão…como/quanto, mais que, menos que. • Conformativa: exprimem uma regra, um modelo, um caminho para a execução do que se declara (ex: conforme, consoante, segundo, como) Orações Subordinadas Adjetivas São um adjetivo em forma de oração. A conexão entre a oração adjetiva e o termo da oração principal que ela modifica é geralmente um pronome relativo. Essas orações são adjuntos adnominais de um substantivo antecedente. Quanto ao sent ido, as orações subordinadas adjetivas podem ser restritivas e explicativas. • Restritivas: limitam a significação do substantivo, ou pronome, antecedente. São indispensáveis ao sentido da frase e não são separados dos termos a que se referem. • Explicativas: acrescentam ao antecedente uma qual idade acessór ia , ou seja , esclarecem melhor sua significação, como um aposto. Não são indispensáveis ao sentido essencial da frase. A oração subordinada explicativa é separa da oração principal por vírgula. Orações Subordinadas Reduzidas São consideradas reduzidas as orações subordinadas que não se iniciam por conjunção subordinativa, nem por pronome relativo, e que o verbo está em uma das suas formas nominais (infinitivo, gerúndio ou particípio). As orações subordinadas substantivas, adjetivas e adverbiais podem estar: • Desenvolvidas: quando encabeçadas por nexo subordinativo e com verbo no indicativo ou subjuntivo; • Reduzidas: quando não apresentam nexo subordinativo e o verbo está no infinitivo, gerúndio ou particípio. Orações reduzidas de infinitivo podem vir ou não regidas de preposição e classificam- se em: • Substantivas: subjetivas, objetivas diretas, objetivas indiretas, predicativas e apositivas • Adjetivas: a redução mais comum é de gerúndio • Adverbiais: causais, concessivas, finais, condicionais, consecutivas e temporais. 39 Orações reduzidas de gerúndio podem ser adjetivas ou adverbiais. Quando usada de forma adjetiva, pode gerar ambiguidade. Já no caso das adverbiais, como o gerúndio exprime principalmente tempo, as orações subordinadas adverbiais na maioria dos casos serão temporais. Entretanto, também podem ser causais, concessivas e condicionais. As orações reduzidas de particípio também podem ser adjetivas ou adverbiais. Estas são mais comuns quando temporais, mas analogamente podem ser causais, concessivas ou condicionais. Período Composto por Coordenação e Subordinação Já sabemos que a análise sintática é a parte interna da oração, composta por termos essenciais, integrantes e acessórios. Na análise de um período composto, precisamos ter em mente: • A oração principal não exerce nenhuma função sintática em outra oração do período. • A oração subordinada desempenha sempre função analítica (sujeito, objeto direto ou indireto, predicativo, complemento nominal, agente da passiva, adjunto adverbial ou aposto) em outra oração, uma vez que ela é termo ou parte do termo; • A oração coordenada, como a principal, nunca é termo de outra oração nem a ela se refere, pode relacionar-se com outra coordenada, mas em sua integridade. Pode ser que ela seja principal em relação à oração seguinte. Pontuação Os sinais de pontuação podem ser classificados em dois grupos: • Os que são destinados a marcar as pausas: - Virgula - Ponto - Ponto e virgula • Os que são destinados a marcar a entonação: - Dois pontos - Ponto de interrogação - Ponto de exclamação - Reticencias - Aspas - Parênteses, colchetes - Travessão A vírgula marca uma pausa de pequena duração. É utilizada não só para separa elementos de uma oração, mas também orações de um período. Quando no interior de uma oração, serve para: • Separar os elementos que exercem a mesma função sentar ia (sujei to composto, complementos e adjuntos) que não vem unidos por conjunção “e, ou e nem”. Quando estas conjunções vem repetidas numa enumeração (ex: abrem-se os lírios, e 40 jasmins, e rosas), convém separa por virgula os elementos coordenados. • Para separar elementos que exercem funções sintáticas diversas, geralmente com a finalidade de realçá-los - Isolar aposto (ou qualquer elemento apenas explicativo) - Isolar o vocativo - Isolar elementos repetidos - Isolar o adjunto adverbial antecipado OBS: quando os adjuntos adverbiais são de pequeno corpo (advérbios, por exemplo), costuma-se dispensar a virgula. Mas, ela é regra quando pretende-se realçá-los. • Separar, na datação de um escrito, o nome do lugar • Para indicar supressão de uma palavra (geralmente verbo) ou de um grupo de palavras (ex: no céu azul, dois fiapos de nuvens → suprime-se o verbo havia / no céu azul havia dois fiapos de nuvens) Já entre orações, são usadas para: • Separar orações coordenadas assindéticas • Separar as orações coordenadas sintéticas, salvo as introduzidas pela conjunção “e” OBS: Separam-se geralmente por virgula as orações coordenadas unidas pela conjunção “e” quando tem sujeito diferente (ex: o sol já ia fraco, e a tarde era amena). Costuma-se também separar por virgula as orações introduzidas por essa conjunção quando ela vem reiterada (ex: e eles riem, e eles cantam, e eles dançam) • Conjunções adversativas. “Mas” emprega-se sempre no começo da oração; “porém, no entanto, todavia, entretanto, contudo” podem vir ora no inicio, ora após algum termo. Quando no início, a circula vem antes da conjunção. • Conjunções conclusivas. “Pois” vem sempre posposto a um termo da oração a que pertence e, portanto, isolado por virgulas. As demais conjunções conclusivas podem encabeçar a oração ou pospor um de seus termos e escrevem-se com virgula anteposta ou entre virgulas. • Isolar orações intercaladas • Isolar orações subordinadas adjetivas explicativas • Separar as orações subordinadas adverbiais, principalmente quando antepostas à principal • Separar as orações reduzidas de infinitivo, gerúndio e particípio, quando equivalentes a orações adverbiais. Em suma, toda oração ou termo meramente explicativo é pronunciado entre pausas e, por isso, isolados por vírgula na escrita. Os termos essenciais e integrantes ligam-se sem pausa, logo, não podem ser separados por virgula. Há poucos casos em que o emprego da virgula não represente uma pausa real na fala (ex: sim, senhor) 41 A virgula é proibida nos seguintes casos: • Entre sujeito e predicado • Entre o verbo e o complemento • Entre o nome e o adjunto adnominal • Entre o nome e o complemento nominal A visual só é possível nestes casos para isolar um termo deslocado (ex: muitos países, felizmente, estão investindo em energia limpa). O ponto assinala a pausa máxima de um grupo fônico. Indicam o término de uma oração dec lara t iva mas também são obrigatórios após abreviaturas. O ponto e virgula é intermediário entre o ponto e a vírgula, por isso, seu emprego depende do contexto. Ele divide longos períodos em partes menores e em geral, é usado quando: • Deseja-se separar num período as orações da mesma natureza que tenham certa extensão (ex: não sabe mostrar-se magoada; é toda perdão e carinho) • Deseja-se separar as partes de um período, das quais uma pelo menos esteja subdivida por vírgula (ex: chamo-me Inácio; ele, Benedito) • Deseja-se separar os diversos itens de enunciados enumerativos • Substitui a virgula antes de conjunções adversativas (ex: mas, porem, todavia, continuo, no entanto…) e das conclusivas (logo, portanto, por isso…) colocadas no início da oração coordenada. Com o alongamento da pausa, acentua-se o sentido adversativo ou conclusivo das referidasconjunções. Os dois pontos são usados para marcar, na escrita, uma sensível suspensão de voz na melodia de uma frase. Enunciam: • Uma citação; • Uma enumeração explicativa; • Um esclarecimento, uma síntese ou uma consequência do que foi enunciado Ponto de interrogação é o sinal que se usa em internações diretas, ainda que a pergunta não exija resposta. Nos casos que a pergunta envolve dúvida, o ponto de interrogação costuma ser seguido por reticencias (ex: então?…). Já nas perguntas que denotam surpresa, ele é seguido por ponto de exclamação (ex: ah, é a senhora?!). Mas ele nunca será usado em interrogações indiretas (ex: diga-me quem chegou). O ponto de exclamação pode exprimir espanto, alegria, entusiasmo, cólera, dor, súplica etc. Logo, o leitor interpretará o contexto. Normalmente é empregue: • Depois de in te r j e ições ou t e rmos equivalentes, como vocativos intensivos e apóstrofes • Depois de um imperativo As reticencias marcam uma interrupção da frase, suspendendo a sua melodia. Empregam-se em casos variados: 42 • Para indicar que o narrador ou a personagem interrompe uma ideia que começou a exprimir, e passa a considerações acessórias. • Para marcar suspensões provocadas por hesitação, surpresa, dúvida ou timidez de quem fala • Para assinalar certas inflexões de natureza emocional (ex: Há tempos que eu não chorava!… Pois me vieram lágrimas…) • Para indicar que a ideia que se pretende exprimir não se completa com o término gramatical da frase e que se deve ser suprida com a imaginação do leitor. • Para reproduzir, nos diálogos, o corte da frase de um personagem pela interferência da sala de outro (ex: o senhor ia dizer que…) • Para realçar uma expressão (ex: e as pedras… essas… pisa-as toda a gente!) A s r e t i c e n c i a s n ã o s i n a l i z a m necessariamente o final de um período e, por isso, não precisam ser seguidos por letra maiúscula. Podem ser combinados a outros sinais e formam: • Sinal pausa, quando unem-se a virgulas ou ponto e vírgula • Sinal melódico, quando usem-se a pontos de interrogação, exclamação ou os dois conjugados É preciso se atentar para não confundir reticencias com três pontos. Estes indicam que foram suprimidas palavras em uma citação. As aspas empregam-se principalmente: • No inicio e no fim de uma citação para distingui-la do resto do contexto • Para fazer sobressair termos ou expressões, geralmente não peculiares à linguagem normal de quem escreve ou de origem estrangeira • Para acentuar o valor significativo de uma palavra ou expressão • Para realçar ironicamente uma palavra ou expressão • Para indicar mudança de interlocutor nos diálogos • Falar o título de uma obra Os parênteses são utilizados para intercalar num texto qualquer indicação acessória, como: • Exp l i cação dada ou c i r cuns tanc ia mencionada incidentemente • Reflexão, um comentário à margem do que se afirma • Uma nota emocional, expressa geralmente em forma exclamativa ou interrogativa Entre as explicações que costumam ser escrita entre parênteses, incluem-se: • R e f e r e n c i a s a d a t a s , i n d i c a ç õ e s bibliográficas etc • Citação textual de uma palavra ou frase traduzida • Indicações cênicas Os colchetes são uma variedade de parênteses mas seu uso estão restritos: 43 • Quando, numa transcrição de texto alheio, o autor intercala observações próprias. • Quando se quer isolar uma construção internamente já separada por parênteses • Quando se deseja incluir, numa referencia bibliográfica, indicação que não conste da obra citada. O travessão é utilizado: • Para indicar mudança de interlocutor nos diálogos • Para isolar, num contexto, palavras ou frases Os parênteses angulares “” são usados para indicar grafemos ou fonemas. Colocação pronominal Em relação aos verbos, os pronomes átonos podem estar: • Euclítico: depois dele • Proclítico: antes dele • Mesoclítico: no meio dele, fato que só ocorre no futuro do presente ou do pretérito (ex: calar-me-ei) Quando tem função de objeto direto, a posição normal destes pronomes é a ênclise. Não se inicia período com pronome átono e eles também não são aceitos após qualquer sinal de pontuação. A próclise é obrigatória quando: • Palavras negativas: não, nada, jamais, nem etc • Advérbios: aqui, lá, talvez, sempre, rapidamente, muito, já etc. Apenas quando não está isolado por virgula. • Pronomes relativos: que, quem, qual, onde etc • Pronomes indefinidos: alguém, tudo, outros, muitos, alguns etc • Pronomes demonstrativos: este, aquela, aquilo, isto etc • Conjunções subordinativas: que, quando se, porque, embora etc. A próclise é opcional se o verbo não iniciar a oração e não houver fator atrativo, como os enunciados acima. Também são opcionais os casos em que há preposição (de, com, e, para etc), ou palavra negativa, e o verbo está no infinitivo (ex: desejaria nunca me lembrar do que aconteceu / desejaria nunca lembrar-me do que aconteceu). Quando o verbo está no futuro do presente ou do pretérito, pode-se usar próclise ou mesóclise. Se o verbo, no futuro, não iniciar a oração, é valido empregar tanto a mesóclise quanto a pirólise, exceto se houver fator de próclise, quando a mesma é obrigatória. Na variedade padrão, NUNCA ocorre ênclise no futuro. Quando o verbo iniciar a frase, deve-se usar mesóclise ou adaptar para que seja possível a próclise (ex: enviar-te-ei os documentos / eu te enviarei os documentos). A próclise é preferida quando: 44 • Houver ideia de negação e entre o termo negativo e o verbo não houver pausa; • Nas orações iniciadas com pronomes e advérbios interrogativos • Nas oração iniciadas por palavras exclamativas, bem como orações que exprimem desejo (ex: que deus o abençoe!) • Nas orações subordinadas desenvolvidas, ainda que com conjunção oculta • Com gerúndio regido pela preposição em (ex: Em se tratando de contar vantagens, ele é o campeão) Não se dá ênclise nem próclise com os particípios. Quando o particípio vem desacompanhado de auxiliar, usa-se sempre a forma oblíqua regida de preposição (ex: dada a mim a explicação, saiu) Com infinitivos soltos, mesmo quando modificados por negação, é permitida a próclise ou a ênclise (ex: para não fitá-lo, deixei cair os olhos) A ênclise é de rigor quando o pronome tem a forma “o” (principalmente no feminino “a”) e o infinitivo vem regido pela preposição “a” (ex: logo os outros começaram a imitá-la). Há tendencia também para a próclise quando: • Verbo vem antecedido de certos advérbios (bem, mal, ainda, já, sempre, só, talvez etc) • A oração, disposta em ordem inversa, se inicia por objeto direto ou predicativo • O sujeito da oração, anteposto ao verbo, contém numeral ambos ou algum pronome indefinido (tudo, todo, alguém, outro, qualquer etc) • Há orações alternativas (ex: ou as faz ou as faço eu) Sempre que houver pausa entre um elemento capaz de provocar a próclise e o verbo, pode ocorrer ênclise (ex: pouco depois, detiveram-se de novo). O posicionamento mais comum do pronome oblíquo é entre o verbo auxiliar e o principal. Nas locuções verbais em que o verbo principal está no infinitivo ou no gerúndio pode dar-se: • Sempre a ênclise ao infinitivo ou ao gerúndio. • Mesóclise no auxiliar (por estar no futuro) ou ênclise no principal • Próclise no verbo auxiliar quando as condições exigidas para a anteposição pronominal ocorrer: - Locação verbal precedida de negativa sem pausa - Orações iniciadas por pronomes ou advérbios interrogativos - Orações i n i c i adas po r pa l av ra s exclamativas, bem como as que exprimem desejo - Orações subordinadas desenvolvidas, mesmo com conjunção oculta • Ênclise no verbo auxiliar quando não são verificadas as condições que aconselham próclise 45 Quando o verbo está no particípio,o pronome átono não pode vir depois dele. Deve haver próclise ou ênclise ao verbo auxiliar. Quando há ênclise no auxiliar o hífen é facultativo. Funções do “que”, “se” e “porquês” Começando pela palavra “que”, esta pode exercer diferentes funções no enunciado, como: • Substantivo: vem acompanhada do artigo indefinido “um” e pede a preposição “de”. Além disso, deve estar acentuado (ex: essa menina tem um um quê de chique) • Pronome adjetivo: o “que” poderá ser interrogativo, exclamativo ou indefinido (ex: que maravilha! / que horas são?) • Pronome relativo: recupera termos citados antes dele, fazendo-lhes referência. • Pronome interrogat ivo: inicia uma internação direta ou indireta e pode ter função de um dos termos da oração (ex: queremos entender o que você quis dizer com isso / núcleo do objetivo direto do verbo entender) • Pronome indefinido: aparece em unidades exclamativas com a função de adjunto adnominal (ex: que noticia maravilhosa voce acaba de me dar) • Preposição: típico da coloquialidade, o “que” é usado para substituir o “de” após o verbo “ter”. Também pode ter valor das preposições acidentais “salvo, exceto e senão” (ex: temos que estudar para as provas) • Advérbio de modo: substitui “como” (ex: que cama mal arrumada era aquela / como aquela cama era mal arrumada) • Advérbio de intensidade: intensifica o termo ao qual se refere (ex: que inocente fui em acreditar nas suas juras!) • Partícula expletiva ou de realce: não tem função na oração, serve apenas para realçar um termo (ex: há muito tempo que não vou à minha cidade natal) • Partícula interativa: o “que” é repetido para dar ênfase ou realce (ex: que saudades que eu tenho dos nossos momentos juntos) • Interjeição: sempre acentuado (ex: QUÊ! Não acredito que vai custar tudo isso!) • Conjunção coordenativa: - Aditiva (ex: mexe que mexe e não encontra nada) - Alternativa (ex: que aceitem ou que não aceitem, eu vou falar assim mesmo) - Adversativa (ex: pode falar a vontade que não vai fazer efeito) - Explicativa (ex: escutem, que é muito importante) • Conjunção subordinativa: - Integrante: aparece no inicio de uma oração subordinada substantiva e não tem função sintática (ex: falou que não iria) - Comparat iva: in ic ia uma oração subordinada adverbial comparativa (ex: viajar de avião é mais prazeroso que de carro) 46 - Casual: inicia uma oração subordinada adverbial causal (ex: ele nunca me visita, que o trabalho o impede de viajar) - Concessiva: exprime exceção a regra (ex: relevante que seja essa informação, não me interessa) - Consecutiva: expressa uma consequência do que foi afirmado (ex: é tão pequeno que não alcança a geladeira) - Final: l iga a oração principal à subordinada adverbial final (ex: vamos torcer que a economia melhore) Analogamente, a palavra “se” também pode ser classificado como: • Substantivo: quando antecedido de determinante, como artigo, pronome etc, ou especificar outro substantivo • Pronome: oblíquo - Pronome apassivador ou partícula apassivadora: relaciona-se a verbos transitivos diretos ou indiretos, na voz sintética - Índice de indeterminação do sujeito: não possui função sintática e acompanha verbos que não admitem voz passiva (ex: aspira-se uma vida melhor) - Parte integrante do verbo: há verbos que necessariamente trazem para junto de si pronome oblíquo, denotando quase sempre sentimentos e atitudes próprias do sujeito (ex: queixar-se, arrepender-se, vangloriar-se, submete-se…) - Pronome reflexivo: dependendo da predicação, o pronome “se” pode exercer função de objeto direto, indireto ou sujeito de um infinitivo, assumindo o sentido de “a si mesmo” (ex: ela machucou-se com o canivete do pai) - P a r t í c u l a d e r e a l c e : l i g a v e r b o s intransitivos, indicando uma ação proferida pelo sujeito. Acompanha verbos de movimento que exprimem ações do corpo da própria pessoa (ex: foi-se o tempo que não haviam preocupações). O uso e a grafia dos porquês depende do sentido que queremos dar à frase. A forma “por que” equivale a “pelo qual, pelos quais (e semelhantes), por qual razão, por qual motivo ou motivo pelo qual”. Há contextos que admitem também o “para que”. Quando separado e com acento, o “por quê” indica por qual razão ou motivo e é usado no fim das frases. Este também é utilizado quando ocorre omissão do verbo usado da oração anterior (ex: muitos cachorros morreram no bairro. Descobrir por quê é a nossa prioridade). O “porque” é uma conjunção causal ou explicativa e tem o mesmo valor de “pois, já que, visto que, uma vez que ou em razão de”. Pode ser usado também como termo de realce (ex: a história fará justiça. Porque, não duvidem: a verdade é sempre soberana). Já quando escrito junto e acentuado, “porquê” é um substantivo usado como sinônimo de razão ou motivo e admitindo plural (ex: eu procuro um porquê para a minha existência). 47 Variação linguística Linguagem é um sistema de sinais que serve de meio de comunicação entre os indivíduos. Lingua é um sistema gramatical pertencente a um grupo de indivíduos e é o meio pelo qual se manifesta a expressão da consciência de uma coletividade. Vive em evolução porque a sociedade evolui. Discurso é o ato de utilização individual e concreto da lingua no quadro do processo complexo da linguagem. A linguagem mais comum é a falada, que se concretiza através do discurso. A s v a r i a ç õ e s l i n g u i s t i c a s s ã o reinvenções de escrita e fala que envolvem aspectos históricos, sociais, culturais e geográficos, por exemplo. Elas são elementos formadores de identidades e capazes de manter estruturas de poder. • Variação regional ou diatópica: falares locais, regionais ou intercontinentais. Ocorre em razão de diferenças geográficas entre os falantes. • Variação sociocultural ou diastrática: decorre de diferenças de escala social, sendo exemplos as gírias, que são expressões culturais de determinado grupo social ou os jargões, que compõe o linguajar de um grupo específico, podendo ser profissional, cultural ou social. • Variação estilística, situacional ou diafásica: se dá em razão do contexto comunicativo, isto é, a ocasião determina o modo como falaremos com o interlocutor, podendo ser formal ou informal. • Variação histórica ou diatônica: resulta da passagem de tempo, já que a lingua está em constante modificação. Também está associada a processos históricos, como a influencia norte-americana no brasil, por exemplo, ou a diferença etária. Há palavras que caem em desuso e outras que surgem nesse processo • Variação diamésica: ocorre entre a fala e a escrita ou entre os gêneros textuais, ou seja, suportes de transmissão de uma informação que contenham características quase regulares. A distinção entre fala e escrita não é estática, considerando-se que se pode construir um texto escrito marcado por expressões orais. O elemento distintivo é a instantaneidade ou não da formulação. O uso da linguagem padrão e informal depende da situação em que nos encontramos. A língua padrão é feita a partir de regras gramaticais que norteiam seu uso, de modo que os falantes de uma mesma lingua, apesar das variações existentes, consigam entender-se por um padrão comum a todos. Essa linguagem formal é utilizada principalmente em ambientes de trabalho e acadêmicos. Em ambientes informais, no entanto, pede-se o uso de expressões coloquiais, pois há liberdade na maneira de falar. Esta é a linguagem informal, que admite o uso de 48 gírias, frases feitas, interjeições, desvios gramaticas etc. O preconceito linguistico é relacionado com as variações existentes, julgando-as como superiores ou inferiores a partir de um sistema de valores que afirma que determinadas variações são “mais corretas” do queoutras. Assim, gera-se um juízo de valor negativo àqueles que falam “diferente”. Entretanto, não há uma única maneira de expressar-se e, consequentemente, uma correta. A língua e sua expressão variam de acordo com uma série de fatores e sua principal função é o de expressar, ser compreendida e adequada as expectativas no ato da fala. Tipologia e gênero textual Os gêneros textuais são categorias de qualquer tipo de texto. A tipologia textual é classificada de acordo com a estrutura e finalidade de um texto. Assim, leva-se em conta as características linguísticas como tempo verbal, escolha de vocabulário, relações de lógica, construções orais etc. Gêneros literários correspondem às categorias das quais fazem parte somente os textos literários, como contos, poemas, romance, crônicas etc. A divisão dos gêneros leva em conta fundamentos formais e comuns às obras literárias e é feita através da estrutura, contexto, semântica entre outros. São exemplos de gêneros literários o lírico, o narrativo e o dramático. • Lírico: escrito em verso, expressa emoções e sentimentos, tem caráter subjetivo, usa figuras de linguagem, rimas, palavras com sentido conotativo, musicalidade. Os temas são amor e natureza. O eu lírico é fictício, uma criação do poeta e faz papel de narrador do poema, ele é a voz da poesia. Poesia é a linguagem, poema é o formato. - São tipos de poema: A. Soneto: duas estrofes com quatro versos e duas estrofes com três versos B. Balada: três estrofes de oito versos e uma de quatro versos C. Randó: estrofes de quatro versos ou estrofes de quatro e oito versos combinadas D. Heical: poema japonês de três versos, sendo que o primeiro e o terceiros tem 5 sílabas poéticas e o segundo 7. E. Ode: poema entusiástico, “canto”. Geralmente, estrofes de quatro versos e sua temática é ligada à natureza. F. Hino: glorificação da pátria ou louvor à entidades religiosas. A estrutura assemelha-se à Ode. G. Éc loga : d iá logo en t re t emas bucólicos e pastoris. H. Idílio: curto e de caráter bucólico, pastoril. Difere-se da écloga por não apresentar diálogo I. Elegia: tristeza e morte 49 J. Sátira: censura os defeitos humanos, evidenciando o ridículo de uma situação K. Vilancete: uma estrofe de quatro versos, ou estrofes de quatro versos combinados com oito versos. L. Epitalamio: homenagem às núpcias de alguém. • Narrativo: escrito quase sempre em prova e também conhecido por épico, este gênero conta com um narrador que fala sobre um evento e narra acontecimentos reais ou imaginários. Há uma sequência de fatos em que os personagens atuam em um determinado espaço e tempo. • Drama: escrito para ser encenado de forma que se divida em atos e cenas. A história é contada por meo de fala das personagens e encenação é favorecida com uso de subterfúgios cênicos. Pode ser: - Auto - Comédia - Tragédia - Tragicomédia - Farsa Os tipos textuais são fixos, mas abrangentes. São a base dos gêneros textuais. • Dissertativo - Argumentativo: possui como finalidade defender uma ideia. Visa persuadir o leitor a concordar com a construção do pensamento e com os argumentos propostos. A principal característica é o desenvolvimento e defesa de uma tese, assim, tem: introdução, desenvolvimento e conclusão. Comum em provas, editoriais, cartas de opinião, ensaios e artigos científicos. - Expositivo: expõe uma informação por meio da explanação, conceitualização, comparação etc. Não tem finalidade de persuadir o leitor. São exemplos as palestras, seminários, entrevistas, verbetes de dicionários e enciclopédias. • Narrativo: conta uma sequencia de fatos baseados no ponto de vista do narrador, pode ser fábula, crônica, romance, novela etc. - Narrador: A. Narrador personagem: história contada em primeira pessoa, ele participa do enredo. B. Narrador Observador: a história é contada em terceira pessoa porque o narrador está do lado de fora, sem participar das ações. Há certa neutralidade. C. Narrador Onisciente: apensar de narrar em terceira pessoa, permite as vezes intromissões, narrando em primeira pessoa. Ele conhece tudo sobre os personagens, inclusive emoções e pensamentos, sendo capaz de revelá-los, em primeira pessoa, com discurso interesso livre. - Enredo: apresenta o desenvolvimento da história com surgimento de personagens e existência de conflitos. Pode ser linear, não linear, psicológico ou cronológico. É 50 c o m p o s t o p o r : i n t r o d u ç ã o → desenvolvimento → clímax → desfecho - Personagens: compõe a história, podendo ser principais ou secundários - Tempo: pode ser cronológico, quando segue a ordem dos acontecimentos, ou psicológico, quando a ação já ocorreu e o narrador apenas lembra os fatos, característico por tanto do narrador onisciente ou personagem. - Espaço: lugar onde se passa a história. - Discurso: pode ser direto, quando a própria personagem fala, indireto, quando o narrador in terfere na fa la do personagem, ou indireto livre, quando há proximidade entre narrador e personagem sem que haja separação na fala de ambos. São textos narrativos: • Romance: narrativa longa, escrita em prosa, centrado em um personagem principal e outros secundários • Conto: é marcado plea concisão, poucos personagens, espaço e tempo restritos e um conflito único que apresenta apenas um clímax. • Cronica: retrata o cotidiano, pode ser: - Descritiva: expõe mais detalhadamente os locais e personagens que aparecem; - Narrativa: feita em primeira ou terceira pessoa e não admitindo longos trechos reflexivos ou argumentativos, sua principal característica é a presença de humor, ação ou crítica. - Dissertativa: apresenta explicitamente a opinião do autor sobre algo cotidiano, sendo escrita na primeira pessoa do singular ou terceira do plural. - Narrativa-descritiva: intercala os dois perfis no decorrer do texto, com acontecimentos retratados em uma sequencia temporal. - Humoristica: utiliza ironia, humor e sarcasmo para tratar de assuntos que impactam a sociedade, como política e economia. - Lírica: linguagem poética e metafórica que exprimem emoções como saudade e paixão. - Poética: versos poéticos em forma de crônica - Histórica: baseada em fatos reais e de linguagem leve e coloquiais - Crônica-ensaio: crítica à instituições de poder e relações sociais por meio de ironia e sarcasmo - Crônica filosófica: reflexão sobre fato ou evento - Jornalista: apresenta notícia ou fatos misturando narrativa e argumentativa para apresentar uma reflexão final. • Descritivo: ricos em detalhes sobre o tema, usam uma grande quantidade de adjetivos. Em geral, apresentam-se em: diários, relatos de viagem, biografias, anúncios de classificados, listas, cardápios, notícias, currículos, etc. Mas dificilmente voce verá um texto exclusivamente descritivo. 51 • Injuntivo: orientam ações e funcionam como ordens, por isso, sua principal característica é o uso do imperativo. São exemplo as propagandas, manuais de instrução, bula de medicaments, receitas culinárias, livro de regras etc. • Prescritos: instruções que devem ser seguidos a risca, são inquestionáveis, como clausulas de contrato, regras gramaticais, editais de concurso, código penal… Generos textuais surgem a partir da função específica de cada forma de comunicação, possuindo padrão comum ao qual outros textos, que cumprem a mesma função, devem se adequar. São subcategorias dos tipos textuais e seus elementos são: • Tema: conteúdo com base na ideologia de quem escreve • Forma composicional: escolhas do autor para vocabulário e estrutura de registro • Estilo: forma como o genero é escrito, também sendo importante o vocabulário e estrutura textual, de forma a cumprir a interação social. Tipos de discurso Discurso diretoé marcado pela reprodução exata das falas dos personagens. Estes, por sua vez, são chamados para apresentar suas próprias palavras. Uma marca deste discurso é a presença de palavras como dizer, afirmar, ponderar, sugerir, perguntar, indagar, responder. Na falta dos mesmos, cabe aos recursos gráficos como dois pontos, aspas e travessão, indicar a fala do personagem. O discurso indireto, por sua vez, preocupa-se em passar ao leitor apenas o conteúdo da mensagem, sem respeito à forma linguistica que teria sido de fato empregada. Embora também contem com os verbos declarativos, estes aparecem em uma oração s u b o r d i n a d a s u b s t a n t i v a , e m g e r a l desenvolvida. A transposição do direto para o indireto merece atenção. Ao passar-se de um tipo de relato ao outro, certos elementos do enunciado se modificam, por acomodação ao novo molde sintático. As principais transformações são: O discurso indireto livre concilia o direto e o indireto. Há uma aproximação entre Discurso direto Discurso indireto Enunciado em 1ª ou 2ª pessoa Enunciado em 3ª pessoa Verbo enunciado no presente Verbo enunciado no preterito imperfeito Verbo no pretérito perfeito Verbo enunciado no pretérito mais que perfeito Verbo no futuro do presente Verbo no futuro do pretérito Verbo no imperativo Verbo no subjuntivo Enunciado justaposto Enunciado subordinado, geralmente introduzido pela integrante “que” Enunciado interrogativo direto Enunciado interrogativo indireto Pronomes este, esta, isto, esse, essa, isso Pronomes aquele, aquela, aquilo Advérbio de lugar “aqui” Advérbio de lugar “ali” 52 o narrador e o personagem, dando-nos a impressão de que passam a falar em uníssono. Dentre suas características são a absoluta liberdade sintática do escritor e sua completa adesão à vida do personagem. Evita-se o acumulo de “quês”, característico do discurso indireto; bem como o corte de aposições dialogadas, do discurso direto. O discurso indireto livre apresenta uma narrativa mais fluente, de ritmo e tom mais artisticamente elaborados. O elo psiquico que se estabelece entre narrador e personagem torna-o preferido dos escritores memorialistas em páginas de monólogo interior. Funções de linguagem A linguagem, falada e escrita, varia em função de suas finalidades. Os estudiosos apontam a existência de pelo menos 6 funções de linguagem, ligadas a elementos da c o m u n i c a ç ã o : e m o t i v a , c o n a t i v a , metalinguística, tática, poética e referencial. A comunicação pode ser verbal (escrita, falada) ou não verbal. Ela se manifesta a partir de elementos: • Emissor: quem emite a mensagem • Receptor: a quem se destina a mensagem • Código: maneira pela qual a mensagem se organiza • Canal de comunicação: meio físico ou virtual, que assegura a circulação da mensagem, garantindo o contato entre emissor e receptor • Mensagem: objeto da comunicação, conteúdo das informações transmitidas • Referente: contexto ao qual a mensagem se refere. Dentre as funções de linguagem, a referencial ou denotativo é uma das mais ut i l izadas no cot idiano. Tem caráter informativo, sendo marcada pelo emprego da ordem direta nas frases e do discurso em terceira pessoa. A mensagem é clara e objetiva, não permitindo interpretações. Por isso, é p redominan te em tex tos c i en t íficos , jornalísticos, informativos e correspondências comerciais. A função conativa, ou apelativa, tem ênfase no destinatário, para persuadi-lo. Há uso do discurso em segunda ou terceira pessoa e é ap resen tada em d i scur sos po l í t i cos , publicidades e propagandas (podendo utilizar ambiguidades), livros de autoajuda, horóscopo e receitas culinárias. Utiliza vocativo, verbos no imperativo e pontos de exclamação. A função emotiva ou expressiva é centrada nos sentimentos, logo, é focada na pessoa que diz. Por essa razão, há muita subjetividade, deve-se atentar a voz, ao olhar e ponto de vista do sujeito nos acontecimentos. O discurso é feito na primeira pessoa do singular e usamos esta para expressar nossos pensamentos e emoções. A função metalinguística é identificada quando a mensagem utiliza o próprio código. 53 A f u n ç ã o p o é t i c a o u e s t é t i c a caracteriza-se pela preocupação com a forma do discurso. O objeto exaltado é a palavra, que deve ser trabalhada e comunicada para atrair o leitor, assim, tem-se: • Palavras com função estética • Utilização de sentido figurado ou conotativo • Textos bem elaborados • Figuras de linguagem como metáfora • Subjetividade • Surpresa Para diferenciar a função emotiva e poética é valido lembrar que nesta o importante é a mensagem, enquanto a emotiva busca emocionar ao mesmo tempo que se preocupa com o emissor. A função fática é chamada também de função de contato por enfatizar o veículo de comunicação a fim de manter a comunicação. Assim, o emissor busca estratégicas para perpetuar a interação com o receptor. Há presente de cumprimento, despedida e vocativos, chamando a atenção do receptor. Figuras de linguagem As figuras de linguagem são recursos usados para dar ênfase à comunicação e torná- la mais bonita. Para isso, é preciso diferenciar as manifestações da linguagem que estão relacionadas com os significados das palavras ou expressões. • Denotação: emprego do sentido real, literal das palavras. • Conotação: emprego do sentido subjetivo, figurado de palavras. Dependendo da sua função, as figuras de linguagem são classificadas como: • Figuras de sintaxe ou construção: interferem na estrutura gramatical da frase (alípse, zeugma, hipérbato, polissíndeto, anacoluto, pleonasmo, silepse e anáfora) • Figuras de palavras ou semântica: estão associadas ao significado das palavras (metáfora, comparação, metonímia, catacrese, sinestesia e perífrase) • Figuras de pensamento: combinam ideias e pensamentos (hipérbole, eufemismo, pinote, ironia, personificação, paradoxo, gradação e apóstrofe) • Figuras de som ou harmonia: sonoridade da p a l a v r a ( a l i t e r a ç ã o , p a r o n o m á s i a , assonância, onomatopéia) Nem sempre as palavras se organizam em absoluta coesão gramatical. As vezes, a coesão é significativa, condicionada pelo contexto. Os processos expressivos que provocam essas particularidades são figuras de sintaxe, como: • Elipse: omissão de um termo que o contexto permite suprir, sendo responsável por casos de derivação imprópria, no qual o termo 54 expresso absorve o conteúdo significativo do omitido, como em “a (cidade) capital”. • Zeugma: é uma forma de elipse. Consiste em fazer um termo expresso em apenas um enunciado, participar de dois ou mais (ex: na v i d a d e l a h o u v e s ó m u d a n ç a d e personagens; na dele, mudança de personagens e de cenários). Denomina-se simples o zeugma em que o termo omitido é exatamente igual ao anter iormente empregado. Ela também pode ser complexa, quando subentende-se um termo já expresso, mas sob outra flexão. • Pleonasmo: superabundância de palavras para enunciar uma ideia. Quando nada acrescenta à força da expressão, sendo resultado da ignorância do sentido exato dos termos, uma falta grosseira, é chamado de pleonasmo vicioso. O pleonasmo de natureza é aquele com adjetivo como epíteto de natureza (ex: céu azul, mar salgado). Quanto ao objeto do pleonasmo, para realçá- lo, costuma-se colocá-lo no início da frase e repetí-lo com a forma pronominal o, a, os, as. O pronome lhe pode reiterar o objeto indireto, bem como os pronomes átonos. • Hipérbole: separação de palavras que pertencem ao mesmo sintagma, pela intercalação de um membro frasico. É um termo genérico que designa a inversão de ordem normal das palavras na oração, por finalidade expressiva (ex: essas que ao vento vem, belas chuvas de junho!) • Anástrofe:tipo de inversão que consiste na anteposição do determinante, preposição + substantivo, ao determinado. • Prolepse: é a antecipação, consiste na deslocação de um termo de uma oração para outra que a preceda, com o qual adquire excepcional realce. • Sínquise: inversão de tal modo violenta das palavras e uma frase, que torna difícil a sua interpretação. • Assíndeto: orações ou palavras se sucedem sem conjunção coordenativa. • Polissíndeto: emprego reiterado de conjunções coordenativas, especialmente das aditivas. • Anacoluto: mudança de construção sintática no meio de um enunciado, geralmente depois de pausa sensível. • Silepse: a concordância não se faz com a forma gramatical, pode ser de número, gênero, pessoa • Anáfora: repetição de termo ou expressão no início de uma sentença, é muito comum em música ou poemas mas pode ocorrer também em textos publicitários pois a repetição chama atenção. Anáfora e catapora podem ser diferenciadas pela primeira referir-se a um elemento de coesão textual, retomando este elemento via outra expressão para não haver repetição. Na catáfora, por outro lado, ocorre a antecipação de um elemento posterior, que ainda será explicado. 55 Nas figuras de semantica, tem-se: • Metáfora: comparação de palavras com s i g n i fi c a d o d i f e r e n t e s c u j o t e r m o comparativo fica subentendido • Comparação: feita de forma explícita, possui conectivos de comparação • Metonímia: transposição de significado, podendo ser: da parte pelo todo, causa pelo efeito, autor pela obra, inventor pelo invento, marca pelo produto, matéria pelo objeto, singular pelo plural, concreto pelo abstrato, continente pelo conteúdo, gênero pela espécie • Catacrese: emprego impróprio de uma palavra por não existir outra mais específica • Sinestesia: associação de sensações por órgãos de sentidos diferentes, há uma mistura de impressões sensoriais. • Perífrase: ou antonomásia, é a substituição de uma ou mais palavras por outra que a identifique. Quando consideradas as figuras de pensamento, tem-se: • Hipérbole: exagero intencional a expressão • Eufemismo: suavização de discurso • Litote: também é uma forma de suavizar um discurso e é oposição da hipérbole (ex: não é que sejam más companhias… - ou seja, também não são boas) • Ironia: é a representação do contrário do que se afirma • Personificação ou prosopopéia: atribui qualidades e sentimentos humanos aos seres irracionais. • Antítese: uso de termos de sentidos opostos • Paradoxo: representa o uso de ideias de sentidos opostos, não apenas de termos e essas ideias opostas causas contradição ao aparecerem juntas • Gradação: apresentação de ideias que p rogr idem de fo rma c rescen te ou decrescente • Apóstrofe: interpelação feita com ênfase As figuras de com podem ser: • Aliteração: repetição de sons consonantais. • Paranomália: repetição de palavras cujos sons são parecidos • Assonância: repetição de sons vocálicos • Onomatopéia: palavras que imitam sons. Polissemia e ambiguidade A polissemia e a ambiguidade tem grande impacto na interpretação. Quando há mais de uma interpretação possível, dizemos que o enunciado está ambíguo. Isso pode ocorrer devido à colocação específica de uma palavra em uma frase. Palavras polissêmicas induzem as pessoas a fazerem mais do que uma interpretação, necessitando estar atento ao contexto. Esse recurso amplia o sentido da mensagem e contribui para a expressividade do texto, ao passo que instiga a capacidade de compreender jogos de significação dos enunciados. 56 Assim, ambiguidade é aquilo que pode ter ais de um significado ou sentido, sendo uma figura de linguagem e podendo ser usada como recurso estilístico. Podemos classificá-la em: • Estrutural: provocada pela posição das palavras em um enunciado • Lexical: uma palavra assume dois ou mais significados. É muito comum a ambiguidade se dar pelo uso dos pronomes possessivos “seu” e variantes. Isso por que não fica claro de QUEM é o objeto em frases onde há mais de um personagem. A colocação das palavras também pode deixar ambiguidade, por exemplo “as crianças felizes correram para a piscina”. Caso as crianças sejam felizes, está correto. Mas caso elas estejam felizes, seria mais adequado dizer “felizes, as crianças correram para a piscina”. O mesmo ocorre para o uso das formas nominais. Em “ajudei a colega exausta no fim do dia” não está claro se quem está exausta sou eu ou a colega. Também geram ambiguidades os pronomes relativos e as conjunções integrantes. A polissemia é um conceito da área linguistica para se referir a algo que tem muitos significados. Ex: vela → pode ser vela de barco, vela de cera feita pra iluminar ou a conjugação do verbo velar, que significa vigiar. As diferentes variantes podem depender da afinidade etimológica do vocábulo, do seu uso metafórico ou, em última instancia, do contexto. É um elemento estrutural da linguagem e seu oposto é a monossemia. As palavras polissemias guardam uma relação de sentidos entre si, característica que as diferencia de palavras homônimas. Estas tem significando distintos porém mesma grafia e fonemas. Compreensão, interpretação de texto e intertextualidade C o m p r e e n s ã o d e t e x t o é a decodificação da mensagem, análise do que está explícito, sendo objetiva ao assimilar palavras e ideias presentes no enunciado. As expressões que geralmente se relacionam com a compreensão são: • Segundo o autor… • De acordo com o autor… • No texto… • O texto informa que… • O autor sugere… Interpretação de texto é o que fazemos do conteúdo, quais conclusões chegamos por meio da conexão de ideias e, por isso, vai além do texto. Ocorre de modo subjetivo, estando relacionada a dedução do leitor. Hermenêutica é um ramo da filosofia que explora a interpretação de texto em áreas como literatura, 57 religião e direito. Analogamente a compressão, há frases associadas à interpretação de textos, como: • Diante do que foi exposto… • Infere-se do texto que… • O texto nos permite deduzir que… • Conclui-se do texto que… • O texto possibilita o entendimento de… I n f o r m a ç õ e s e x p l í c i t a s s ã o manifestadas pelo próprio texto, ela é clara. As informações implícitas não são manifestadas pelo autor do texto, mas podem ser subentendidas. Assim, devem ser interpretadas. Três erros clássicos podem acontecer quanto ao entendimento de um texto. O p r i m e i r o é a e x t r a p o l a ç ã o , q u a n d o apresentamos ideias que não estão no texto. O segundo é a redução, quando nos prendemos a um aspecto menor e menos importante do texto que é insuficiente para explicar o conjunto. Finalmente, tem-se a contradição, que ocorre quando interpretamos o sentido de maneira contrária ao seu conteúdo. Sendo o mais grave, é muitas vezes fruto da falta de atenção na leitura. A interpretação de um texto poético é geralmente mais complexo que a interpretação da prosa, porque a linguagem poética é carregada de sentidos, intensidades e significados. Não se pode ler apenas em sentido literal, há polissemia. É necessário sensibilidade e tem-se um maior risco de extrapolação. Entretanto, não vale qualquer coisa, por se tratar de um texto poético. É preciso que o significado reconhecido faça realmente parte do campo de sugestões do poema. É preciso lembrar-se que os textos podem conter linguagem verbal, com palavras, não-verbal, com imagens, ou híbridos. Os verbais são considerados de fácil interpretação, a depender do seu grau de conhecimento sobre as palavras inseridas. Já os não-verbais, demandam maior conhecimento de mundo e capacidade de relação com fatos extratextuais. Os híbridos, por fim, exigem uma habilidade de criar sentido a partir da conexão entre as partes verbaise não-verbais. Charges e tirinhas podem ser textos não-termais ou híbridos. A diferença está na quantidade de quadros. A charge apresenta apenas um, bastante impactante, enquanto a tirinha traz dois ou mais para apresentar uma história a ser acompanhada. Geralmente, ambas abordam temas atuais e com tom crítico. A intertextualidade explícita faz referencia ao texto-fonte de forma clara e de fácil percepção, não sendo necessários conhecimentos prévios específicos por parte do leitor. Já a intertextualidade implícita ocorre quando é menos evidente e exige do leitor conhecimentos prévios. Dentre os tipos mais comuns de intertextualidade, está a citação, que ocorre quando as ideias de um autor são trazidas para outra obra. Pode ser direta, copiadas e coladas do texto original, ou indiretas, ou seja, rescritas em outras palavras. São comuns em trabalhos 58 acadêmicos e devem sempre indicar o nome do autor da ideia. A parodia é um recurso intertextual, geralmente utilizado com finalidade cômica. Ela subverte um texto, dando-lhe novo sentido. A paráfrase, por sua vez, ocorre quando um autor reescreve a ideia de outro com suas palavras, sem alterar o sentido da mensagem. Altera-se apenas a estrutura e as palavras escolhidas. Ela diferencia-se da citação indireta por não necessitar da referencia ao texto fonte. A alusão é uma menção a elementos de outro texto. Essa intertextualidade ocorre de maneira indireta e sutil, podendo não se compreendida pelo leitor se ele não conhecer a referência. Tem-se ainda a tradução, que é considerada uma intertextualidade porque para fazê-la é necessário interpretar o texto original e reescrevê-lo da maneira mais próxima ao que pretendia o autor. Isso significa que traduzir uma obra não é apenas reescrevê-la em outro idioma. Outros exemplos de intertextualidade são o crossover, quando há encontro ou diálogo de personagens de universos fictícios diferentes, e a epígrafe, trecho de um texto colocado no início de uma obra e que serve como elemento introdutório, pois dialoga com o conteúdo apresentado a seguir. Coesão e coerência A coerência é resultante da não- contradição entre seguimentos textuais. Como cada seguimento é pressuposto do seguinte, tem-se uma cadeia e nela as conexões devem ser harmônicas. Perde-se a coerência quando há contradição ou quebra dessa concatenação. A coerência também é resultante da adequação entre o que se diz e o contexto extraverbal, ou seja, aquilo que se faz referencia e precisa ser conhecido pelo receptor. A coerência pode ser: • Sintática: relacionada à coesão entre os elementos • Semântica: relacionada ao sentido entre os termos os expressões • Temática: quando não há desvio de tema ou falta de continuidade no assunto. - Dissertativa: na dissertação apresentamos argumentos, dados, exemplos, opiniões a fim de defender uma determinada ideia ou questionar um assunto. Todos estes devem estar alinhados para o seu propósito. - Narrativa: se obedece uma lógica entre ações e personagens. Cada ação obedece um tempo que permite conhecer a ordem dos acontecimentos sem que haja contradição. - Descritiva: faz-se relato de pessoas, coisas e ambientes com detalhes sobre suas particularidades. São usadas figuras 59 que condizem com a cena, o ambiente e o tempo em que estão situados os personagens e fatos. • Pragmática: relaciona-se ao contexto extralinguístico. Pondera considerações de ordem prática, realista e objetiva • Estilística: ocorre quando a variedade linguistica utilizada está de acordo com a situação comunicativa • Genérica: ocorre quando o gênero textual utilizado é o adequado (romance, conto, fábula, lenda, notícia, carta, bula de remédio, lista de compras, cardápio etc) A coerência textual apresenta três princípios: • Não-contradição: ocorre quando as ideias não se contradizem e a lógica não é interrompida • Não-tautologia: ocorre quando um mesmo termo não é repetido exaustivamente, prejudicando a mensagem • Relevância: ocorre quando o interlocutor percebe a obediência à relação de ideias em uma sequencia. Não há quebra. A coesão textual é o elemento facilitador para a compreensão de um texto, mas é a coerência que lhe da sentido. Se um texto tem coesão, não necessariamente há coerência e vice-versa. A coesão está ligada a mecanismos de natureza lexical e gramatical em que os referentes pertencem ao próprio texto. Para tanto, insistimos no emprego adequado dos elementos coesivos (conjunções, pronomes, advérbios, preposições), uma vez que são unidade aos textos, sendo responsáveis pela “amarração” das ideias. A troca de uma conjunção por outra não-equivalente, bem como o uso de pronomes relativos sem antecedência, ou com mais de um antecedente possível, quebra a coesão. Quando o elemento coesivo faz r e f e r enc i a a um t e rmo ap re s en t ado anteriormente, tem-se a anáfora. Deste modo, quando o elemento vem depois, tem-se a ca táfora . Não são apegas e lementos gramaticais os responsáveis pela coesão, a substituição de um termo por outro também cumpre essa função. A coesão pode ser: • Referencial: os termos conectivos anunciam ou retomam as frases, sequencias e palavras que indicam conceitos e fatos (anáfora e catáfora). Os principais mecanismos são a elipse e a reiteração. • Sequencial: maneiro como os fatos se organizam no tempo do texto. Trata-se de um mecanismo coesivo que ocorre por meio de marcadores verbais e conectivos os quais indicam essa progressão. A coesão também atua com o uso dos conectivos. Sem ela, o texto não é linear e a mensagem não pode ser compreendida. 60devendo assim seguir algumas regras. • Uso do x: - Após um ditongo (ex: ameixa, peixe) - Depois de sílaba inicial “en” (ex: enxurrada, enxaqueca). Mas encher e seus derivados são exceção - Depois de me inicial (ex: mexer, mexerica). Mas mecha é exceção. - Palavras de origem indígena, africana, e inglesa que foram aportuguesadas (ex: xingar, xará, xerife, xavante, xangô) • Uso do g: - Nas terminações “ágio”, “égio”, “ígio”, “ógio” e “úgio” (ex: refúgio, pedágio, relógio, colégio) - Nas terminações “agem”, “igem”, “ugem” (ex: viagem - substantivo, malandragem, coragem, ful igem, 4 ferrugem etc). Pajem e lambujem são exceções. • Uso do j: - Verbos terminados em “jar” (ex: viajar, arranjar, desejar etc) - Palavras de origem indígena e africana (ex: pajé, canjica, jiboia, manjericão, jerico) • Uso do s: - Adjetivos terminados em “oso/osa” (ex: honrosa, saboroso, maravilhosa) - Após ditongos (ex: lousa, náusea, pouso) - Em sufixos “esa/isa/ense/ês” indicadores de títulos, profissões ou origens (ex: burguês, marquesa, baronesa, poetisa, chinesa) • Uso do z: - Em sufixos “ez/eza” que formam substantivos abstratos (ex: rigidez, surge, maciez, singeleza) - No sufixo “izar” formando verbos (ex: humanizar, hospitalizar, colonizar, civilizar). A não ser que a palavra que deu origem ao verbo seja com “s” (ex: análise → analisar) • Uso do “s”, “c”, “ç”, “sc” e “ss”: - Verbos grafados com “nd” e substantivos “ns” (ex: ascender → ascensão, suspender → suspensão, pretender → pretensão) - Ve r b o s g r a f a d o s c o m “ c e d ” e substantivos “cess” (ex: ceder → cessão, exceder → excesso, interceder, intercessão). Porem, exceder → exceção - Verbos grafados com “ter” e substantivos “tenção” (ex: deter → detenção, abster → abstenção, conter → contenção) - Verbos grafados com “mitir/cutir” e substantivos “miss/cuss” (demitir → demissão, repercutir → repercussão, discutir → discussão, transmitir → transmissão. Sobre a significação das palavras, tem- se antônimos (ex: ausência - presença) e sinônimos (agradável - aprazível). Os sinônimos sempre consideram o contexto. Há ainda os hiperônimos, que são palavras cujo significado abrangem outras, demonizadas hipônimo (ex: veículo é hiperônimo de carro pois pode significar carro, carroça, trem. Assim, carro é hipônimo de veículo). Essa relação é muito útil para retomada de elementos textuais. Os parônimos, por sua vez, são palavras que se assemelham na grafia e na pronuncia, entretanto, diferem no sentido (ex: absolver - perdoar / absorver - aspirar). Os principais parônimos que caem em concurso são: • Cavaleiro (que cavalga) / cavalheiro (gentil) • Delatar (denunciar) / dilatar (expandir) • Despercebido (não notado) / desapercebido (desprovido de algo) 5 • Eminente (elevado) / iminente (prestes a ocorrer) • Flagrante (evidente) / fragrante (perfumado) Os homônimos são palavras iguais e podem ser divididos em: • Homônimos perfeitos: - Fonética (som): igual - Grafia (escrita): igual - Significado: diferente Ex: caminho (substantivo - itinerário) / caminho (verbo caminhar - “eu caminho por aqui”) • Homófonas: - Fonética (som): igual - Grafia (escrita): diferente - Significado: diferente Ex: Cerrar (fechar, terminar) / Serrar (cortar com serra) • Homógrafas: - Fonética (som): diferente - Grafia (escrita): igual - Significado: diferente Ex: Li apenas o começo do livro (substantivo - início) / Eu começo amanhã (verbo - começar) Estrutura e processo de formação das palavras A morfologia estuda a estrutura, a formação, a classificação e as flexões das palavras. Começando pela estrutura, da-se o nome de morfema às unidades significativas mínimas das palavras. São morfemas livres aqueles que podem figurar sozinhos como vocábulos e morfemas presos aqueles que não tem autonomia vocabular. Ex: rua-zinha-s / “rua” existe independente , por isso é morfema livre, enquanto “zinha” e “s” necessitam de uma palavra de apoio, sendo então morfemas presos. Classificação dos morfemas: • Radicais: Os morfemas bases, que dão origem a outras palavras, são chamados de radical. Eles são elementos formadores, capazes de fornecer uma noção significativa à palavra que integra. Além disso, nenhum deles pode sofrer nova divisão. Assim, quando adicionados prefixos ou sufixos, tem- se os cognatos, que são as palavras derivadas deste radical, formando uma família de significação. • Afixos: os afixos são elementos de apoio, integrados ao radical para formar um cognato. Podem ser: - Prefixos: quando colocados antes do radical para se formar uma nova palavra. - Sufixos: quando colocados depois do radical. • Desinências: são morfemas que indicam a flexão das palavras. Surgem na parte final das palavras variáveis. Podem ser nominais (indicam gênero e número) ou verbais (indicam flexões do verbo: número, pessoa, tempo e modo) 6 • Vogais temáticas: é o morfema que liga o radical às suas desinências, constituindo o chamado tema (radical + vogal temática). É ao tema que se acrescentam as desinências. Tanto os verbos quanto os nomes podem apresentar vogal temática. Nos verbos elas indicam a conjugação a que pertencem (1ª verbos terminados em “a”, 2ª verbos terminados em “e” ou 3ª verbos terminados em “i”). • Vogais ou consoantes de ligação: são morfemas que surgem para possibilitar a leitura de determinada palavra (ex: gas-ô- metro, pau-l-ada, cafe-t-eira) Na língua portuguesa, a formação de uma palavra pode ser: • Primitiva: não se forma de outra existente no idioma • Derivada: tem a formação baseada em uma única palavra (ou radical) já existente • Composta: formada por duas (ou mais) palavras já existentes. OBS: existem palavras que são ao mesmo tempo compostas e derivadas (ex: porto- alegrense). A derivação e a composição são considerados processos básicos de formação das palavras. • Derivação: consiste na modificação de determinada palavrada primitiva com acréscimo de afixos. - Derivação prefixal: acréscimo de prefixo à palavra primitiva, alterando seu significado (ex: de-compor) - Derivação sufixal: acréscimo de sufixo à palavra primitiva, que pode sofrer alteração de significado ou classe gramatical (ex: jardinagem) - Derivação prefixal e sufixal: acréscimo de um prefixo e um sufixo ao radical (ex: in- feliz-mente) - Derivação Parassintética: acréscimo simultâneo de prefixo e um sufixo à palavra primitiva (ex: des-alm-ado) OBS: A diferença de derivação prefixal e sufixal para a parassintético é que na prefixal e sufixal, se você tirar o prefixo, o sufixo ou amos, a palavra continua fazendo sentido (ex: in-feliz-mente / sem prefixo → feliz-mente / sem sufixo → in-feliz / sem amos → feliz). O mesmo não ocorre na derivação parassintética. - Derivação regressiva: consiste na redução da palavra derivante por uma falsa análise de sua estrutura. Normalmente forma substantivos indicadores de ação, abstratos (ex: chorar - choro, errar - erro). A ideia precede a ação. - Derivação imprópria: muda a classe gramatical de uma palavra, sem alterar sua forma (ex: jantar / verbo: vou jantar / substantivo: vou servir o jantar). • Composição 7 - Composição por justaposição: quando as palavras se juntam, conservando cada qual a sua integridade, não se perde fonema e pode ou não ter hífen (ex: beija- flor, girassol) - Composição por aglutinação: quando as palavras se juntam e existe a perda de fonema (ex: aguardente - água + ardente, embora - em + boa + hora) Existem outros processos de formação de palavras. São eles: • Abreviação vocabular : consis te na eliminação de um segmento de uma palavra a fim de se obter uma forma mais curta (ex: cinematógrafo - cinema, pneumático - pneu, metropolitano - metrô). • Siglonimização: é a formação de palavras a partirde siglas (ex: FGTS, CPF, AIDS) • Palavra-valise: resulta do acoplamento de duas palavras, permitindo a realização de verdadeira acrobacias verbais (ex: flaflu, portunhol) • Hibridismo: palavra que se origina da união de elementos (radicais) de idiomas diferentes (ex: automóvel / auto - grego, móvel - latim) • Onomatopéia: imitação de sons (ex: tique- taque) • Neologismo: são palavras inventadas • Empréstimos linguísticos: apropriação de palavras de outra cultura (ex: show, stress, abajur). Hífen O emprego do hífen é uma convenção. Estabeleceu-se que só se ligam por hífen os elementos das palavras compostas que guardam a sua independência fonética, conservando cada um a sua própria acentuação, porém formando um novo conjunto de perfeita unidade de sentido. Não existe um único critério para saber se uma palavra tem ou não hífen. A única solução é praticar e tentar memorizar algumas regras específicas. Assim, deve-se empregar o hífen: • Nos compostos cujos elementos, reduzidos ou não, perderam sua significação própria: água-marinha, arco-íris, para-choque, bel- prazer, és-sueste, monta-carga, marca-passo, lero-lero, mata-mata etc OBS: os seguintes casos são aglutinações: girassol, madressilva, passatempo, pontapé, paraquedas, paraquedismo etc • Nos compostos com o primeiro elemento de forma adjetiva, reduzida ou não: afro- asiático, galego-português, greco-romano, histórico-geográfico, ínfero-anterior, latino- americano, luso-brasileiro, lusitano- castelhano etc. • Nos topônimos compostos iniciados pelos adjetivos grã ou grão, ou por forma verbal, ou quando os elementos estão ligados por artigo: grã-bretanha, grão-pará, passa- quadro, todos-os-santos , mas Belo 8 Horizonte, Cabo Verde, Santa Catarina não se enquadram na regra. • Em palavras compostas que designam espécies botânicas e zoológicas, que estejam ou não, ligadas por preposição ou outro elemento: bem-me-quer, ervilha-de-cheiro, formiga-brava, bem-te-vi etc. Malmequer é exceção. • Nos compostos com advérbio de “bem” e “mal”, quando o elemento seguinte começa por vogal ou “h”: bem-educado, bem- humorado, mal-agradecido, mal-humorado. OBS: o adverbio de bem, ao contrário de mal, pode não se aglutinar com o segundo elemento quando ele começa por consoante: bem- nascido, malnascido, bem-falante, malfalante, bem-mandado, malmandado etc. Mas, em muitos compostos, bem aglutina-se com o segundo elemento: benfazejo, benfeito, benfeitor, benquerença etc • Nos compostos com “sem”, “além”, “recém”, “pós”, “pré”, “vice”, “ex”, “pró”: sem-cerimonia, além-mar, aquém-fronteiras, recém-casado, ex-senador, pós-graduação, pré-vestibular, pró-reitor, vice-governador etc Emprega-se hífen por prefixação, recomposição e sufixação nos seguintes casos: • Nas formações com prefixos como “ante”, “anti”, “circum”, “co”, “contra”, “entre”, “extra”, “hiper”, “infra”, “intra”, “pós”, “pré”, “sobre”, “sub”, “super”, “ultra” etc, e em formações por recomposição com pseudoprefixos (gregos ou latinos) como “aero”, “agro”, “arqui”, “auto”, “hio”, “eletro”, “geo”, “hidro”, “inter”, “macro”, “maxi”, “micro”, “mini”, “multi”, “neo”, “pan”, “plurí”, “proto”, “pseudo”, “retro”, “semi”, “tele” etc, só se usa hífen quando: - Nas formações em que o segundo elemento começa por “h”: ant i - histamínico, pan-helênico, sobre-humano, sub-hepático, super-homem etc OBS: como exceção a essa regra “co”, “des”, “dis”, “in” e “re” se aglutinam com o segundo elemento, eliminando o h: coabitar, coerdeiro, desumano, inábil, reabilitar, reospitalizar etc. - Nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo terminam na mesma vogal pela qual começa o segundo elemento: anti-inflamatório, neo-ortodoxo, semi- interno, supra-auricular, arqui-inimigo, sobre-edificar, ante-estreia OBS: são exceções a essa regra “co” e “re”: coordenar, coobrigação, reeleição, reerguer etc. • Nas formações com o prefixo “circim” e o pseudoprefixo “pan”, quando o segundo elemento começa por vogal, “m” ou “n” (além do “h” já mencionado): circim- navegação, circum-mediterrâneo, circum- oceânico, pan-oftalmico, pan-nacionalismo. • Nas formações com prefixos “hiper”, “inter” e “super”, quando o segundo elemento 9 começa por “r”: hiper-religioso, inter- relacionado, super-resistente. • Nas formações com os prefixos “ex” (estado anterior), “sota”, “vice” (ou “vizo”): ex- aluno, ex-presidente, sota-piloto, sota- mestre, vice-almirante, vice-governador, vizo-rei. • Nas formações com prefixos tônicos “pós”, “pré” e “pró” (as formas átonas se aglutinam com o segundo elemento): pós-graduação, pré-universitário, pró-africano • Com “ab”, “ad”, “ob”, “sob” e “sub”, quando seguidos de radical iniciado por “r” ou plea mesma consoante que termina o prefixo: ab-rogar, ad-rogação, ab-reptício, sob-roda, sub-reino, ad-digital, sub- bibliotecário. Por outro lado, NÃO se usa hífen: • Nas formações em que os prefixos ou pseudoprefixos terminam em vogais e o segundo elemento começa em “r” ou “s”, que devem ser duplicados: contrarregra, suprarrenal, pseudorreação, antisséptico, ultrassom, minissaia. • Nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por vogal diferente ou consoante (com exceção dos casos particulares já mencionados de “h”, “r” e “s”): extraescolar, antiaéreo, autoeducação, a u t o d i d a t a , e x t r a c u r r i c u l a r , supramencionado, h idre le t r ic idade , microcâmera, intracelular etc • Em locuções de qualquer tipo, salvo as seguintes exceções: água-de-colônia, arco- da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé- de-meia, ao deus-dará, à queima-roupa. Portanto: fim de semana, sala de jantar, cor de café, cada um, quem quer que seja, à vontade, depois de amanha, a fim de, acerca de, contanto que, visto que etc. OBS: nas formações por sufixais, só se emprega hífen em vocábulos terminados em sufixos de or igem tupi -guarani , que representam formas adjetivas (como “açu”, “guaçu” e “mirim”) quando o primeiro elemento termina em vogal acentuada graficamente ou quando a pronuncia exige a distinção dos dois elementos: amoré-guaçu, andá-açu, ceará-mirim, capim-açu. Substantivo e Artigo Substantivo é toda palavra que dá nome a seres, coisas, lugares, objetivos, sentimentos, ações, acontecimentos, conceitos etc. Quando você completar a sentença “isto se chama …” a palavra em questão é substantivo. Outra maneira de fazer o reconhecimento é usando um artigo antes da palavra. • Comum: denomina todos os seres de uma mesma espécie (ex: cidade, pedra, mundo) • Próprio: dá nome a um único ser de uma determinada espécie (ex: Brasília, Isabel) • Primitivo: não se forma de outra palavra (ex: cidade, Ceará) 10 • Derivado: forma-se de outra palavra (ex: cearense, beleza, infeliz) • Simples: formado por uma única palavra (ex: cidade, desinteresse) • Composto: formado por mais de uma palavra (ex: lobisomem, sexta-feira) • Concreto: nomeia seres de existência própria, real ou imaginária (ex: cidade, Deus, alma, fantasma) • Abstrato: nomeia ações, sensações, sentimentos, conceitos, características e estados (ex: escolha, dor, medo, beleza, vida). OBS: “período” é substantivo concreto, podendo ser verificado nos seguintes critérios: 1º: tem existência própria, real ou imaginária? Sim 2º: é uma ação? Sensação? Emoção? Sentimento? Não, não, não e não. • Coletivo: substantivo comum, mesmo estando no singular, denomina um conjunto de seres de uma mesma espécie (ex: serpentário → coletivo de cobras; junta → bois, médicos, credores, examinadores; plêiade → poetas, artistas; panapaná → borboletas). OBS: elenco é o coletivo de atores. Muitas vezes as pessoas falam sobre “elencar” algo, como sinônimo de listar. Esse emprego é errôneo. A palavra “elencar” não existe. OBS:coletivos que podem se referir a mais de uma família devem ser especificados. Por ex: feixe, que pode ser de lenha ou de capim. Por outro lado, coletivos de única referencia, como arquipélago, não devem ser especificados, para evitar a redundância. Com relação as flexões, os substantivos são classes variáveis de acordo com gênero, número e grau. • Gênero dos substantivos: - Masculino: anteposição do artigo “o” - Feminino: anteposição do artigo “a” Quando se trata de seres que não tem sexo, o gênero é fixado convencionalmente no idioma (ex: a blindagem, a alface, a agravante) Quanto à terminação, dos substantivos terminados em “ão”, os concretos são masculinos e os abstratos são femininos (ex: o algodão, a educação, o balcão, a produção. Exceto “mão” que embora concreto, é feminino) Os substantivos que designam pessoas e animais tem geralmente uma forma para o masculino e o feminino (ex: peixe-boi / peixe- mulher, lebrão / lebre, caxarelo / baleia). Há também os casos de substantivos femininos derivados de radical no masculino. Aqueles terminados em “o” átomo formam normalmente o feminino substituindo essa desinência por “a” (ex: gato / gata). Entretanto, há casos em que a substituição é feita por 11 desinências especiais (ex: diácono / diaconisa, maestro / maestrina, silfo / sílfide). Os substantivos terminados em consoante formam, normalmente, o feminino com acréscimo da desinência “a” (ex: camponês / camponesa) Já os substantivos terminados em “ão” podem formar o feminino de 3 maneiras: A. Mudando a terminação “ão” em “oa” (ex: patrão / patroa) B. Mudando a terminação “ão” em “ã” (ex: ancião / anciã) C. Mudando a terminação “ão” em “ona” (ex: solteirão / solteirona, folião / foliona) OBS: alguns substantivos terminados em “ão” são anômalos, ou seja, não basta mudar conforme as 3 regras anteriores (ex: cão / cadela, zangão / abelha). Alguns substantivos terminados em “or”, “dor” e “tor” formam femininos em “eira” ou “triz” (ex: ator / atriz). Porém para “embaixador” tem-se 2 casos: I. Embaixatriz: casada com o embaixador II. Embaixadora: mulher que exerce o cargo Substantivos que designam títulos de nobreza formam o feminino em “esa”, “essa” e “isa” (ex: Principe / princesa, sacerdote / sacerdotisa, conde / condessa) Há ainda um número pequeno de palavras que trocam o “e” por “a” (ex: elefante / elefanta, presidente / presidenta, hóspede / hóspeda, monge / monja, parente / parenta, gigante / giganta) Os substantivos uniformes podem ser divididos em 3 tipos: • Epicenos: são os nomes de animais que possuem um só gênero-gramatical para designar um ou outro sexo (ex: a água, a cobra, o jacaré). Nestes casos, para especificar o seco, juntam-se ao substantivo as palavras macho ou fêmea (ex: o macho ou a fêmea do jacaré) • Sobrecomuns: tem um só genro gramatical para designar pessoas de ambos os sexos (ex: o algoz, o apóstolo, o cônjuge, o indivíduo, o verdugo). Analogamente, usa-se “ m a s c u l i n o ” e “ f e m i n i n o ” p a r a identificação. • Comuns de dois gêneros: apresentam uma só forma de escrever, mas podem ser distinguidos pelo artigo ou por algum determinante que acompanha (ex: o / a cliente) Mudanças de sentido na mudança de gênero podem ocorrer. São exemplos: O cabeça = líder A cabeça = parte do corpo humano O guia = pessoa realiza o ato de guiar A guia = documento com que se recebem mercadorias ou encomendas ou que as acompanha para poderem transitar livremente São masculinos os substantivos: ágape, clã, diabete, gengibre, soprano. São femininos os substantivos: sentinela, juriti, omoplata, aluvião, filoxera. 12 Já na formação do plural, quando terminados em vogal ou ditongo, basta acrescentar o “s” ao singular (ex: mesas, chapéus, leis, mães). Incluem-se a esta regra os substantivos terminados em vogal nasal. Como a natalidade das vogais /e/, /i/, /o/ e /u/, em posição final, é representada graficamente por “m” e não se pode escrever “ms”, muda-se o “m” por “n” (ex: bem → bens) Substantivos terminados em “r”, “z”, “s” e “n” ganham “es” à pessoa no singular (ex: hambúrgueres, mares, gravidezes, gizes). No caso do “n”, pode-se ainda acrescentar “enes” ou só “s” (ex: hífen - hifens - hífenes, cânon - cânones). Alguns substantivos terminados em “s” são invariáveis como atlas, lápis, ônibus, pires, vírus. Os substantivos terminados em “ão” mudam para o plural de três maneiras: 1. A maioria muda a terminação “ão” para “ões”, isso inclui os aumentativos (ex: balão → balões, casarão → casarões) 2. Um número reduzido troca “ão” por “ães” (ex: charlatão → charlatães) 3. Um número pequeno de oxítonas e todos os paroxítonos acrescentam-se “s” à forma singular (cidadão → cidadãos). Incluem-se ainda os monossílabos tônicos: chão, grão, mão, vão. Artesão quando significa “artifice” vira “artesãos” no plural. Mas q u a n d o n o s e n t i d o d e “ a d o r n o arquitetônico”, o seu plural pode ser “artesãos” ou “artesões”. 4. Para alguns substantivos finalizados em “ão” não há ainda uma forma plural definitivamente fixada, porém é mais comum a preferencia pela formação com “ões”. Os casos de plural com alteração de timbre da vogal são chamados de matefonia. Neles, a vogal fechada “o”, além de receberem a desinência “s”, mudam de [ô] para [ó] (ex: Singular Plural Aldeão Aldeões, aldeães, aldeãos Ancião Anciões, anciães, anciãos Charlatão Charlatões, charlatães Cirurgião Cirurgiões, cirurgiães Cortesão Cortesãos, cortesões Faisão Faisões, faisães Hortelão Hortelões, hortelãos Rufião Rufiões, rufiães Sultão Sultões, sultães, sultão Vilão Vilões, vilães, vilãos Zangão Zangões, zangãos Anão Anões, anãos Castelão Castelões, castelãos Corrimão Corrimões, corrimãos Ermitão Ermitões, ermitãos, ermitães Guardião Guardiões, guardiães Refrão Refrãos, refrões Sacristão Sacristãos, sacristães Verão Versões, verãos Vulcão Vulcões, vulcãos 13 esforço → esforços, olho → olhos). A palavra “molho”, tanto representando condimento, quanto “feixe” (ex: molho de chaves), não muda seu timbre quando no plural “molhos”. OBS: caráter → caracteres; cós → coses Nos substantivos terminados em “x” não há variação para plural. Já os terminados em “al”, “el”, “ol” e “ul”, substituem-se no plural o “l” por “is” (ex: papel → papéis, álcool → álcoois, paul → pauis). São excessões as palavras: mal → males, real (moeda) → réis, cônsul → cônsules. Para os substantivos terminados em “il”, quando oxítonos: trocamos o “l” por “s” (ex: ardil → ardis, redil → redis). Já quando são paroxítonos, substituímos o “il” por “eis” (ex: réptil → repteis). Nos deminutivos terminados com os sufixos “zinho” e “oito”, tanto o substantivo primitivo como o sufixo vão para o plural, desaparecendo o “s” do plural do substantivo primitivo (ex: balões + zinhos → balõezinhos). Há ainda substantivos que só se empregam no plural como cãs, fezes, primícias, anais, condolências, núpcias, arredores, exéquias, óculos, espadas, belas- artes, olheiras, férias, pêsames. Há também substantivos que se usam habitualmente no singular e a mudança para plural altera o sentido (ex: ferro → metal, ferros → ferramentas ou aparelhos). Plural nos substantivos compostos seguem algumas normas: • Quando o substant ivo composto é constituído de palavras que se escrevem sem hífen, forma o plural como se fosse um substantivo simples (ex: aguardentes, claraboias, varapaus, malmequeres) • Quando os termos são ligados por hífen, podem variar apenas um componente ou ambos. Uma boa dica é observar se a palavra sozinha pode ir para o plural OBS: Quando o primeiro termo do composto é verbo ou palavra invariável e o segundo é substantivo ou adjetivo, só o segundo vai pro plural Quando os termos componentes se ligam por preposição, com ousem hífen, só o primeiro termo toma a forma de plural. Singular Plural Couve-flor Couve-flores Obra-prima Obras-primas Grão-mestre Grão-mestres Guarda-marinha Guardas-marinha Guarda-roupa Guarda-roupas Singular Plural Guarda-chuva Guarda-chuvas Sempre-viva Sempre-vivas Vice-precidente Vice-presidentes Bate-boca Bate-bocas Abaixo-assinado Abaixo-assinados Grão-duque Grão-duques 14 Outro caso em que só o primeiro termo varia para o plural é quando o segundo é um substantivos que atua como determinante específico. Geralmente, ambos os elementos tomam a forma de plural quando o composto é constituído de dois substantivos, ou de um substantivo e um adjetivo. O grau do substantivo pode ser: • Normal (ex: boca) • Aumentativo: com significação exagerada, intensificada, disforme ou desprezível (ex: bocarra / forma sintética; boca enorme / forma analítica) • Diminutivo: com significância atenuada ou valorizada afetivamente (ex: boquinha / forma sintética; boca minúscula / forma analítica) Mui tas formas or ig inar iamente aumentativas ou diminutivas adquiriram com o passar do tempo significados especiais, por vezes desassociados do sentido da palavra derivante. Passam a ser palavras em acepção normal (ex: cartão, portão, corpete, cartilha, vidrinho, pastilha). Artigos são palavras antepostas ao substantivo para generaliza-lo ou particulariza- lo. Os artigos definidos “o(s)” e “a(s)” indicam um ser já conhecido do leitor ou ouvinte. Já os artigos indefinidos “um(ns)” e “uma(s)” indicam um simples representante de uma dada espécie ao qual não se faz menção anterior. Os artigos podem ainda ser combinados às preposições a seguir: Singular Plural Chapéu de sol Chapéus de sol Pão de ló Pães de ló Pé de cabra Pés de cabra Peroba-do-campo Perobas-do-campo João-de-barro Joões-de-barro Mula sem cabeça Mulas sem cabeça Singular Plural Navio-escola Navios-escola Salário-família Salários-família Banana-prata Bananas-prata Manga-espada Mangas-espada Singular Plural Carta-bilhete Cartas-bilhetes Tenente-coronel Tenentes-coronéis Amor-perfeito Amores-perfeitos Gentil-homem Gentis-homens Vitória-régia Vitórias-régias Prepos. O A Os As A Ao À Aos Às De Do Da Dos Das Em No Na Nos Nas Por/per Pelo Pela Pelos Pelas 15 Quanto a crase, o artigo feminino, quando vem precedido da preposição “a”, funde-se com ela formando a crase. OBS: quando a preposição que antecede o artigo está relacionada ao verbo (no infinitivo), e não ao substantivo que o artigo induz, os elementos ficam reparados (ex: não veio ao colégio pelo fato de as ruas estares alagadas. / Não se usa das) O artigo indefinido pode contrair-se com as preposições “em” e “de”, originando: duma, duns, dumas, num, numa, nuns, numas. Mas, analogamente, não é aconselhável a contração com a preposição que se relaciona com o verbo (no infinitivo) e não com o substantivo que o artigo introduz (ex: não houve aula pelo fato de uns professores estarem adoentados / não duns). OBS: antes de nome próprio, o artigo definido pode apresentar tom de afetividade ou familiaridade. O uso de “ambos”, “todos” e artigos se faz de acordo com: • Se o substantivo determinado pelo numeral “ambos” estiver claro, é de regra o emprego do artigo definido • A presença ou ausência do artigo depois da palavra “todo” depende de tal determinação admitir ou rejeitar o substantivo (ex: todo o Brasil pensa assim / Todo Portugal pensa assim). Há casos que merecem ser analisados: • No plural, anteposto ou posposto ao substantivo, “todos” vem acompanhado de artigo, a menos que haja um determinativo que o exclua (ex: conheceu todos os salões. / Todos estes costumes vão desaparecer) • Não se usa artigo antes de numeral em depois da palavra “todos” (ex: elas são, todas duas, minhas irmãs). No entanto, se o substantivo estiver claro, o artigo é de regra (ex: todas as duas irmãs eu ajudei a criar) • No singular, “todo”: - Virá acompanhado de artigo, quando indicar a totalidade das partes (ex: Toda a praia é um único grito de ansiedade) - Poderá vir ou não acompanhada de artigo quando exprimir a totalidade numérica (ex: todo o homem é bicho, embora nem todo o bicho seja homem). Neste exemplo, o uso do artigo distingue “todo” sinônimo de “qualquer” e “todo” sinônimo de inteiro (ex: toda casa, cedo ou tarde, precisa de reforma / qualquer; toda a casa foi reformada / a casa inteira). OBS: anteposto ao artigo indefinido, “todo” significa “inteiro”, “completo”. Evita-se o artigo indefinido antes de expressões denotadas de quantidade indeterminada, constituídas por substantivos, como: coisa, gente, infinidade, multidão, número, parte, pessoa, porção, quantia, quantidade, soma etc, ou adjetivos, como: escasso, excessivo, suficiente etc (ex: Havia grande número de pessoas). 16 Preposição e conjunção As preposições e conjunções são pontes na lingua portuguesa. • Preposição: une palavras para estabelecer harmonia entre elas . São palavras invariáveis que relacionam dois termos, de tal modo que o sentido do primeiro (antecedente) é explicado ou completado pelo segundo (consequente). Isso significa que, entre os termos ou orações ligados por preposição, haverá uma relação de dependência em que um termo será subordinante e o outro subordinado. - Simples: quando expressas por um só vocábulo. O quadro a seguir mostra as preposições essenciais. Há ainda palavras que, pertencendo normalmente a outras classes, funcionam, às vezes, como preposições e, por isso, se dizem preposições acidentais: afora, conforme, consoante, durante, exceto, fora, mediante, menos, não obstante, salvo, segundo, senão, tirante, visto etc. - Compostas ou locuções prepositivas: quando constituídas de dois ou mais vocábulos, sendo o último deles uma preposição simples (geralmente de) : abaixo de, acima de, acerca de, a fim de, além de, a par de, apesar de, antes de, depois de, ao invés de, diante de, em vez de, graças a, junto com, junto de, à custa de, defronte de, através de, em via de, de encontro a, em frente de, em frente a, sob pena de, a respeito de, ao encontro de etc. Embora as preposições apresentem grande variedade de usos, é possível estabelecer para cada uma delas uma significação fundamental, marcada pela expressão de movimento ou de situação resultante (ausência de movimento) e aplicável aos campos espacial, temporal e nocional. - Fixa: quando não é exigida mas aparecem em estruturas da lingua (ex: de tempos em tempos, estudo para concursos importantes) - Necessária: a preposição exigida pelos verbos/nomes os relaciona com seus complementos (ex: assisti a vários filmes) - Livre: a preposição não é usada por motivação sentaria, mas por razões estilísticas (ex: procuramos por uma pessoa desaparecida / procuramos uma pessoa desaparecida) Como já foi tido, as preposições tem valores, assim: • A A De Por Ante Desde Per Até Em Sem Após Entre Sob Com Para Sobre Contra Perante Trás 17 - Movimento: direção a um limite No espaço (ex: do leme ao posto 6) No tempo (ex: daqui a uma semana…) Na noção (ex: de mal a pior) - Situação: coincidencia, concomitância No espaço (ex: meu pai, à cabeceira, saboreava…) No tempo (ex: ao entardecer, avistei uma povoação…) Na noção (ex: gastava dinheiro à toa / os outros não pareciam à vontade) • Até - Movimento: aproximação de um limite ou insistência nele: No espaço (ex: arrastou-se até o quarto) No tempo (ex: até meados do mês que vem) OBS: “até” quando rege substantivo acompanhado de artigo, pode vir, ou não, seguida da preposição “a”. É necessário ainda distinguir a preposição até, que denota movimento, do advérbio de inclusão “até” (ex: todos foram à peça, até eu) As preposições podem combinar-se e contrair-se. Isso é feito a partir da união de uma preposiçãoà outras palavras. Quando não há redução, chame-se combinação. Já quando sofre redução, denominam-se contrações. São preposições que se contraem: • A - à(s), àquele(s) • De - do(s), da(s), dum, duma, deste(s), desta(s), dele(s), doutro, daqui… • Em - na, nos, nesse, nele… • Per - pela, pelo… • Para - pro, pra… OBS: após algumas preposições acidentais (exceto, salve, inclusive…) a presença de uma preposição essencial em razão da sua exigência por verbo ou nome torna-se facultativa (ex: tanto a frase “discordo de todos, exceto dela” quanto “discordo de todos, exceto ela” estão certas). A repetição de preposições torna-se obrigatória quando necessária para o sentido (ex: falou com o professor e diretor da escola → dá a ideia que a mesma pessoa exerce os dois cargos / falou com o professor e com o diretor da escola → falou com duas pessoas diferentes). Já nas sequencias de termos ou orações coordenadas, a repetição é facultativa (ex: lutamos pela musica, (pela) literatura e (pela) arte) • Conjunção: une orações ou dois termos semelhantes da mesma oração. São palavras invariáveis que servem para relacionar duas orações ou dois termos semelhantes da mesma oração. Podem ser coordenativas ou subordinativas. - Coordenativas (síndeto): relacionam termos ou orações de idêntica função gramatical (independentes) Aditivas Adversativas Alternativas Conclusivas 18 Explicativas Certas conjunções coordenativas podem assumir diferentes significados, de acordo com a relação que estabelecem entre palavras e orações coordenadas. • E: - Valor adversativo ou concessivo - Indicar consequência, conclusão - Expressar finalidade - Valor consecutivo - Introduzir uma explicação enfática - Iniciar frases de alta intensidade afetiva, com valor próximo ao de interjeições - Facilitar a passagem de uma ideia para outra • Mas: - Restrição - Retificação - Atenuação ou compensação - Adição - Subordinativas: ligam duas orações, uma das quais determina ou completa o sentido da outra (orações subordinadas). Elas podem ser: Adverbiais A. Casuais B. Concessivas C. Condicionais D. Finais E. Temporais F. Consecutivas G. Comparativas H. Conformativas I. Porporcionais Integrantes: servem para introduzir uma oração que funciona como sujeito, objeto direto ou indireto, predicativo, complemento nominal ou aposto. São as conjunções “que” e “se”. Quando o verbo exprime uma certeza, usa-se “que”. Quando o verbo exprime incerteza, usa-se “se”. Polissemia conjuncional se dá quando conjunções subordinativas (que, como, porque, se etc) podem pertencer a mais de uma classe. Seu valor está condicionado ao contexto. Locuções conjuntivas são a junção de duas ou mais palavras que tem função de conjunção. Grande parte é formada por advérbios, preposições e particípios, segundos da conjunção “que” (ex: já que, uma vez que, por mais que, sem que, posto que, visto que) Numeral e Interjeição Numeral: indicar a quantidade exata de pessoas ou coisas ou assinala o lugar que elas ocupam numa série. • Cardinais • Ordinais • Multiplicativos • Fracionários As interjeições são palavras invariáveis que exprimem sensações, emoções, estados de 19 espírito, ou que procuram agir sobre o interlocutor, levando-o a adotar determinados comportamentos sem que se faça uso de e s t r u t u r a s l i n g u i s t i c a s . D e v e m v i r acompanhadas de ponto de ! Adjetivo São todas as palavras que caracterizam o substantivo, indicando-lhe qualidade, defeito, estado, condição etc. Há as vezes a substantivação de um adjetivo, quando gramaticalmente, antecipa-se o determinativo (geralmente artigo) ao adjetivo (ex: o céu cinzento indica chuva / o cinzento do céu indica chuva). Quando tem-se o adjetivo anteposto ao substantivo, há uma mudança de sentido do adjetivo (não necessariamente o mesmo é substantivado). As locuções adjetivas são um conjunto de palavras com valor de adjetivo. Compostas normalmente por preposição e substantivo ou preposição e advérbio, costumam ter um adjetivo correspondente (ex: conselho de pai / conselho paterno). Mas em outros casos, não há relação literal, é apenas conhecimento popular (ex: tecnologia de ponta / tecnologia avançada). • Primitivos: apenas o radical • Derivados: presença de afixos • Pátrios ou gentílicos: referem-se a continentes, países, regiões etc. • Simples: um único radical • Compostos: mais de um radical. Apenas o último elemento pode ser flexionado para indicar gêneros e números. Há apenas uma exceção, que costuma cair em concurso: surdo-mudo, surda-muda, surdos-mudos, surdas-mudas. OBS: adjetivos pátrios compostos devem ser unidos por hífen. Adjetivos apresentam flexões de gênero, número e grau. Quanto ao gênero, podem ser uniformes e biformes (ter masculino e feminino). Já sobre o número, eles são flexionados para concordar com o substantivo. O adjetivo que tem origem em substantivo, no entanto, não sofrem flexão (ex: vestidos rosa). Sobre os graus, os adjetivos tem grau: • comparativo: que pode indicar - Superioridade - Igualdade - Inferioridade • Superlativo: que pode indicar - O grau de determinada qualidade (superlativo absoluto) - Que, em comparação à totalidade de uma mesma categoria, um se sobressai (superlativo relativo) OBS: é possível usar as formas analíticas (ex: “mais bom”, “mais grande”) quando se confrontam duas qualidades de um mesmo ser (ex: ele é mais bom que inteligente). 20 Pronomes pessoais e possessivos Pronomes são palavras variáveis que representam os seres ou se referem a eles. Podem ser: • Pessoais • Possessivos • Demonstrativos • Indefinidos • Interrogativos • Relativos Os pronomes pessoais caracterizam-se por: • Denotar as três pessoas gramaticais - Quem fala (eu) - Com quem se fala (tu, vós) - De quem se fala (ele, ela, eles, elas) • Na terceira pessoa, podem representar uma forma nominal anteriormente expressa (ex: cuidem desta alma para que ela se una a Deus). A pessoa com quem se fala também pode ser expressa por pronomes de tratamento, que se constroem com o verbo na terceira pessoa (ex: vossa senhoria deveria comparecer à reunião) Entender o pronome de tratamento como “você” que é um pronome de tratamento mais comum. Os pronomes pessoas podem ser retos, quando funcionam como sujeito da oração ou oblíquos, quando assumem outras funções (ex: objeto direto e indireto). Suas formas podem ainda ser tônicas, quando precedidos por preposição (ex: trouxe o livro para mim) ou átonas, sem preposição (ex: eu o amei por anos). Os oblíquos o, a, os, as colocados depois do verbo (pronome enclítico) podem: • Ser empregados normalmente se o verbo terminar em vogal ou ditando oral • Ganhar a letra l (lo, la, los, las) se o verbo terminar em “r”, “s” ou “z” • Ganhar a letra n (no, na, nos, nas) se o verbo terminar em ditongo nasal OBS: no futuro do presente e no futuro do pretérito, o pronome oblíquo não pode ser enclítico (depois do verbo). Usa-se o problem no meio do verbo e tem-se por exemplo: Vender + ei = vende-lo-ei Pronomes reflexivos e recíprocos apresentam três formas próprias: “se, si, consigo”, que se aplicam a terceira pessoa do singular e do plural. São empregados também para exprimir a reciprocidade da ação. Como Retos Oblícos átonos Obliquos tônicos Eu Me Mim, comigo Tu Te Ti, consigo Ele, ela O, a, se, lhe Ele, ela, si, consigo Nós Nos Nós, conosco Vós Vos Vós, convosco Eles, Elas Os, as, se, lhes Eles, Elas, si, consigo 21 são idênticas as formas dos pronomes rec íp rocos e r eflex ivas , pode haver ambiguidade com um sujeito plural. Remove- se a dúvida usando-se expressões reforçativas. • Para marcar reflexão: a mim mesmo, a ti mesmo, a si mesmo etc • Para marcar reciprocidade: um ao outro, uns aos outros, entre si, reciprocamente,mutuamente. Os pronomes retos empregam-se como: • Sujeito • Predicado • “Tu” e “vós” podem ser vocativos Os pronomes re tos podem ser empregados em: • Plural de modéstia: evita o tom impositivo ou muito pessoal das opniões (nós em lugar de eu) • Fórmula de cortesía (terceira pessoa pela primeira) geralmente vista em documentos formais. Tem-se o realce do pronome sujeito com as palavras mesmo e próprio (ex: eu mesmo não aprovei) ou com a expressão “é que” (ex: eu é que lhe devia desculpas). As preposições “de” e “em” contraem- se com o pronome reto na terceira pessoa “ele(s), ela(s)”, resultando nas formas: dele(s), dela(s), nele(s), nela(s). Mas é preciso ter atenção, não há construção quando o pronome é sujeito (ex: o milagre de ele existir nunca se dera) Os pronomes de tratamento são palavras e locuções que valem por pronomes pessoais, como: você, o senhor, vossa excelência. Embora designem a pessoa da sala, esses pronomes levam o verbo para a terceira pessoa. O pronomes possessivos “vossa” dos pronomes de tratamento devem ser substituídos por “sua” quando o pronome de tratamento se refere não a pessoa com que de fala (2ª) mas a pessoa de quem se fala (3ª) Os pronomes oblíquos tônicos “mim, ti, ele(a), nós, vós, eles(a)” só se usam antecedidos de preposições. Se a preposição Pronome Emprego Você Tratamento informal Os senhores Tratamento formal ou cerimonioso Vossa alteza Principes, princesas, duques Vossa eminencia Cardeais Vossa excelencia Altas autoridades Vossa Magnificencia Reitores de universidades Vossa majestade Reis, imperadores Vossa reverendissima Sarcedotes Vossa senhoria Autoridades, tratamento respeitoso, correspondencia comercial Vossa santidade Papa, Dalai Lama 22 for “com”, dir-se-à “comigo, contigo, conosco, convosco”. Mas o emprego de “com nós” e “com vós” quando os pronomes vem reforçados com “outros, mesmo, próprios, todos, ambos” ou qualquer numeral, está correto. Além disso, depois da preposição “entre” usam-se as formas obliquas (ex: foi um duelo entre mim e a velhice). As formas átonas são próprias do objetivo direto “o, a, os, as”, do objeto indireto e complemento nominal “lhe, lhes”. Podem empregar-se como objeto “me, te, nos, vos”. O pronome obliquo pode ser átono de um infinitivo (ex: mandei-o sair / são 2 verbos: mandei e sair). O pronome de interesse é um recurso expressivo de que se serve a pessoa que fala para mostrar que está vivamente interessada no cumprimento da ordem emitida ou da exortação feita (ex: não me faça uma coisa dessas). O pronome átomo (me, te, lhe, nos, vos, lhes) tem valor possessivo quando se aplicam a parte do corpo de uma pessoa ou a objetos de seu uso particular (ex: beijo-te as mãos). Podemos empregar um só pronome como complemento de vários verbos quando estes admitem a mesma regência. Os pronomes possessivos indicam posse como o próprio nome já diz, estão relacionados aos pronomes pessoais e podem ser adjetivos ou substantivos. São eles “meu(s), minha(S), teu(s), tua(s), seu(s), suas(s), nosso(s), nossa(s), vosso(s), vossa(s), seu(s), sua(s). Mas estes pronomes nem sempre indicam posse, eles podem: • Indicar afetividade (ex: não faça isso, minha filha) • Indicar calculo aproximado (ex: deve ter seus 20 anos) • Atribuir valor indefinido ao substantivo (ex: Marisa tem lá seus defeitos) Quando há necessidade de realçar a ideia de posse, costuma-se usá-los com a palavra “próprio” ou “mesmo”. Mas por vezes os pronomes possessivos também exprimem ideia de ironia, malícia ou sarcasmo. Pronomes demonstrativos, indefinidos, relativos e interrogativos Relembrando que pronomes são termos que representam seres ou se referem a eles, os pronomes demonstrativos indicam a posição desses seres designados em relação às pessoas do discurso, situando-os no espaço, no tempo ou no próprio discurso. São eles: este(s), esta(s), isto, esse(s), essa(s), isso, aquele(s), aquela(s), aquilo. Podem funcionar como pronomes adjetivos e como substantivos. As formas invariáveis (isto, isso e aquilo) são sempre substantivo. O s p r o n o m e s d e m o n s t r a t i v o s combinam-se com as preposições “de” e “em” 23 e contraem-se com a preposição “a”. Também podem ser pronome demonstrativo os termos: o (a, os, as), mesmo, próprio, semelhante e tal. Valores gerais: • Este, esta, isto: indicam proximidade da pessoa que fala ou tempo presente em relação à pessoa que fala • Esse, essa, isso: proximidade da pessoa com quem se fala ou o tempo passado ou futuro com relação à época em que se coloca a pessoa que fala. • Aquele, aquela, aquilo: denotam o que está afastado tanto da pessoa que fala como da pessoa a quem se fala, um afastamento no tempo de modo vago, ou uma época remota. Função dêitica é a capacidade de mostrar um objeto sem nomeado e caracteriza essa classe de pronomes. Mas os pronomes demonstrativos também podem lembrar o receptor o que já foi mencionado ou o que se vai mencionar (função anáfora, quando o termo vem antes e função catafórica, quando o termo vem depois). Em referencia a dois elementos já citados, empregam-se “aquele, aquela, aquilo” para retomar o primeiro elemento citado e “este, esta, isto” o último elemento. Pode-se ainda empregar “esse” no lugar de “este” quando tem0se uma atitude de desinteresse ou de desagrado para com algo que esteja perto de nós. Por vezes também, o pronome demonstrativo tem valor indefinido (ex: e vimos isto: homens de todas as idades, tamanhos e cores; uns de cócoras, outros sentados, estes sentados em pedras, aqueles encostados ao muro…) Por aproximarem ou distanciarem no espaço e tempo as pessoas e coisas a que se referem, esses pronomes permitem a expressão de valores afetivos, em especial os irônicos. Intensificam, com entonação e contexto: • Surpresa, espanto (ex: ainda mais esta!) • Admiração, apreço (ex: aquilo é que é coragem!) • Indignação (ex: isto não fica assim!) • Pena (ex: aquela mulher, flor de poesia, era agora aquilo) • Ironia (ex: este cara! Esse cara! Não lhes digo nada!) • Sarcasmo ou desprezo (ex: isso era até uma vergonha) • Acentuando valor irônico ou depreciativo nos neutros isto, isso e aquilo, quando aplicados a pessoas (ex: aquilo é um desgraçado!) • Alto apreço por determinada pessoa (ex: aquilo é que dava um bom deputado) • Sentido intensivo, superlativante (ex: outro homem não poderia existir com aquela força nos braços, aquele riso na boca e aquele calor no peito) • As formas “esta” e “essa” fixaram-se em construções elípticas (ex: ora essa! Essa é boa!) • A forma “isto” fixou-se como equivalente a “com referencia a”, “no tocante a”, “com respeito a” (ex: isso de filhos é um aborrecimento!) 24 Na utilização de “o(s), a(s)” como pronome demonstrativos, eles serão sempre pronomes substantivos, podendo ser usando quando: • Vem determinado por uma oração ou expressão adjetiva e tem significado de “aquele(s), aquela(s), aquilo” • No masculino equivale a isto, isso, aquilo Os substitutos são usados da seguinte forma: • Tal: - Sinônimo de: este, esta, isto, esse, essa, isso, aquele, aquela e aquilo - Sinonimo de semelhante (ex: em tais ocasiões) • Mesmo e próprio são demonstrativos quando tem sentido de: exato, idêntico, em pessoa (ex: foi a própria Camila quem fez o convite) • Semelhante serve como demonstrativo de identidade (ex: ela recorreu as formulas usadas em semelhante conjunturas). Pronomes relativos referem-se a um termo anterior, substituindo-o na segunda oração e conectando as sentenças. Sempre terão a função sintática do termo que representam. Podem ser: • Variáveis: o qual, a qual, os quais, as quais, cujo(s), cuja(s), quanta(s) • Invariáveis: “quem” quando equivale a “o qual” e flexões, “onde” quando equivale a“no qual” e flexões. Antecedido de “a” e “de”, “onde” → “aonde” e “donde”. O pronome “que” com antecedente substantivo, pode ser substituído por: o qual (oi as devidas viáveis). Além disso, o relativo “que” emprega-se, preferencialmente, após as preposições “a, com, de, em e por”. As demais preposições, constroem-se obrigatoriamente com o pronome “o qual”. “O qual” também é usado como partitivo após certos indefinidos, numerais e superlativos. “Qual” quando repetido simetricamente, equivale a “um…outro”. “Quanto” tem por antecedente “tudo, todos ou todas” mas estes podem ser omitidos, deixando o valor indefinido. Já “quem,” só se empresa com referencia a pessoa ou coisa personificada. Analogamente, utiliza-se “onde” apenas para lugares e “aonde” para verbos que indiquem movimento. Uma boa dica, quando houver dúvida, é tentar substituir por “para onde". “Cujo”, por sua vez, é relativo e possessivo, equivalente a “do qual, de quem, de que” e emprega-se apenas como pronome adjetivo, concordando com a coisa possuída em gênero e número. Os pronomes interrogativos (que, quem, qual e quanto) são usados pata formular uma pergunta direta ou indireta. “Que” e “quem” são invariáveis enquanto “qual” flexiona-se em número e “quanto” em gênero e número. • Que: 25 - Pronome substantivo quando significa “que coisa” - Pronome adjetivo quando significa “que espécie de” (referindo-se a coisas e pessoas) • Quem é pronome substantivo e se refere apenas a pessoas ou algo personificado • Qual tem valor seletivo e refere-se tanto a pessoas como a coisas. Usa-se como pronome adjetivo. A ideia seletiva pode ser reforçada com o emprego da expressão “qual dos” e seus similares; • Quanto é quantitativo indefinido, refere-se a coisas e pessoas e usa-se como pronome substantivo ou adjetivo Tem-se o emprego dos exclamativos dos interrogativos, denotando admiração (ex: que vovozinha que nada!) Os pronomes indefinidos fazem referencia de forma vaga, a 3ª pessoa do discurso. Variáveis: algum, nenhum, todo, outro, muito, pouco, certo, vários, tanto, quanto, qualquer. Invariáveis: alguém, ninguém, tudo, outrem, nada, cada, algo. Anteposto a substantivo, “algum” tem valor positivo, sendo o contrario de “nenhum”. Posposto a um substantivo, algum assume valor negativo. Isso acontece em frases que já existem formas negativas (não, nem, sem). Pode ter ainda valor afetivo quando no feminino (alguma). “Nenhum”, reforçado por negativa, equivale ao indefinido “um”. “Cada” é empregado como pronome adjetivo, quando não há substantivo, usa-se “cada um(s), cada qual”. Pode preceder numera cardinal ou ter valor intensivo em frases do tipo “voce tem cada uma!”. “Nada” significa “nenhuma coisa” mas equivale a “alguma coisa” em frases interrogativas negativas (ex: ele não come nada?). Quando com adjetivo ou verbo intransitivo tem força adverbial (ex: o cavalo não correu nada). “Outro” pode empregar-se como adjetivo na acepção de “diferente”, “mudado”, “novo”. Por fim, “qualquer”, por vezes tem denotação pejorativa, principalmente quando precedido de artigo indefinido. “Todo” anteposto a um elemento nominal, tem sentido de inteiramente, em todas as suas partes, muito. Já “tudo” refere-se a coisas, mas pode ser aplicado a pessoas, só que costuma dar sentido pejorativo. Há ainda as locução pronominais indefinidas, são elas: cada um, cada qual, quem quer que, todo aquele que, seja quem for, seja qual for, etc. Verbos Verbos são palavras que denotam ação, m o v i m e n t o , e s t a d o o u f e n ô m e n o meteorológico. Possui flexões de modo (indicativo, subjuntivo e imperativo), tempo (passado, presente e futuro), numero (singular 26 e plural), pessoa (1ª, 2ª ou 3ª) e voz (ativa ou passiva). OBS: os poucos verbos terminados em “or” (ex: pôr, compor, depor etc) são considerados da segunda conjugação porque tem origem no latin. Ponere → poer → pôr. Antes da vogal temática, temos o radical dos verbos. Quando a silaba tônica está dentro do radical do verbo, chamamos de formas rizotônicas (ex: ando). Já quando o acento tônico recai na terminação, chamamos de formas arrizotônicas (ex: andava) O modo possibilita ao falante revelar sua própria atitude em relação ao fato expresso pelo verbo • Indicativo: atitude de certeza • Subjuntivo: hipótese, dúvida, desejo • Imperativo: ordem, pedido, conselho, ameaça, convite. Pode aparecer na forma negativa ou afirmativa. O tempo do verbo exprime se o fato ocorreu no momento da fala, antes da fala ou após a fala. O presente é único, mas há diferentes formas para o pretérito e o futuro. No modo indicativo: • Presente: não só representa uma ação atual, mas dá a ideia de regularidade ou permanência. Deve-se considerar o presente histórico (afetivo), como em “em 2020 surge a pandemia do coronavirus”. • Pretérito perfeito: a ação foi concluída • Pretérito imperfeito: uma ação anterior ao presente, mas ainda não concluída. Dependendo do contexto, pode exprimir uma rotina do passado. • Pretérito mais que perfeito: indica um fato concluído antes de outro fato também concluído. • Futuro do presente: a ocorrência se dá depois da fala • Futuro do pretérito: exprime uma ação futura em relação a outra já concluída. Também pode exprimir dúvida, apesar de estar no indicativo (ex: segundo os paleontólogos, o fóssil encontrado seria um herbívoro). Em sua forma composta, exprime fatos cuja realização, no passado, só teria sido possível se um outro fato também tivesse ocorrido (ex: ele teria ido à festa, se nós o tivéssemos convidado / relação condicional). O modo subjuntivo possui os seguintes tempos verbais: • Presente: ação no presente que é incerta (ex: tomada que ele analise a proposta) • Pretérito imperfeito: exprime um verbo no passado dependente de uma ação também já passada. Tem relação com o pretérito imperfeito ou com o futuro do pretérito do Conjugação Terminação Exemplo 1ª ar Viajar 2ª er Viver 3ª ir Sorrir 27 indicativo (ex: se hoje fosse sábado e você estivesse aqui, iriamos ao jogo) • Futuro: a ação irá se realizar dependendo de outra ação futura (ex: quando eles tiverem lido, ficarão informados) O modo imperativo apresenta-se apenas no presente e tem forma negativa e afirmativa, como foi dito. Ele é formado a partir do presente do indicativo e do subjuntivo. Algumas combinações podem ser feitas de forma a suavizar o tom de ordem, mas não deixam de ser imperativo. Formas nominais tem papéis de verbo ou de nome. Apenas essas formas não apresentam flexão de tempo e modo: • Infinitivo: forma que expressa ação em si, sem demarcar tempo - Pessoal: varia em número e pessoa. É usado quando o sujeito é definido, quando queremos defini-lo, quando o o sujeito da segunda oração é diferente e quando indicar reciprocidade. - Impessoal: quando manifesta a ação. Não é flexionado e deve ser usado sem sujeito definido, quando uma preposição rege o verbo, com sentido imperativo, quando o sujeito da segunda oração é igual e em locuções verbais. • Gerúndio: terminado em “ndo”, não sofre flexão e é um fato em desenvolvimento. Pode ter função de advérbio, adjetivo. O gerundismo é o uso inadequado do gerúndio (ex: vou estar pesquisando isso → vou pesquisar isso). Esta construção só não é errada quando indica um processo com certa duração que ainda vai acontecer (ex: amanhã, enquanto você passeia, eu vou estar estudando o que é gerundismo). • Particípio: exprime o resultado, verbo concluído. Pode ser regular (terminando em “ado(a)” e “ido(a)”) ou irregular (terminando em “to” e “so”). Pode ter papel de adjetivo. Os verbos podem ser: • Regulares: mantem o radical em todos os tempos e modos conjugados • Irregulares: se afastam do radical durante a conjugação (ex: pedir → “eupeço”). Se diferem dos anômalos pois estes mudam de radical (ex: ser → “você é” / ir → “eu vou”). • Defectivos: não se conjugam em todos os modos, tempos e pessoas. Podem ser conjugados de forma arrizotônica. Entre os defectivos estão os verbos impessoais, usados apenas na 3ª pessoa do singular (ex: chover, ventar) • Abundantes: possuem 2 formas equivalentes no particípio, uma regular e outra irregular. OBS: particípio regular → usar na voz ativa com verbos auxiliares “ter” e “haver”. Particípio irregular → usar na voz passiva com os verbos auxiliares “ser” e “estar”. Os verbos impessoais nao tem sujeito e aparecem sempre na 3ª pessoa do singular. São eles: verbos que exprimem fenômenos da 28 natureza, “haver” no sentido de existir e “fazer” quando indica tempo, certos verbos que dão ideia de necessidade, conveniência ou sensações, quando regidos de preposição. O verbo ser indicando tempo também é impessoal, mas se flexiona. Quanto a função, o verbo pode ser principal, com significação plena, nuclear de uma oração, ou auxiliar, desprovido total ou parcial de acepção própria, juntando-se as formas nominais de um verbo principal, constituindo assim as locuções verbais. Os verbos auxiliares mais comuns são “ser, estar, ter, haver”. “Ir” e “andar” também podem ser auxiliares de tempo. Os auxiliares modais indicam desejo, intenção e possibilidade. Assim, o verbo principal aparece no gerúndio (ando, indo, indo) ou no infinitivo. Já os auxiliares acurativos indicam ação, continuidade e repetição da ação verbal, acrescentando significado ao verbo principal. Neste caso, o verbo principal também aparece no gerúndio ou no infinitivo. A regência dos verbos é a ligação entre o verbo e seu complemento. Ela pode ser feita: • Diretamente (VTD): não há preposição fazendo ligação com o complemento, que será objeto direto. • Indiretamente (VTI): há preposição fazendo ligação com o complemento, que é objeto indireto. • Direta e indiretamente (VTDI): há um complemento direto e outro indireto • Intransitivo: quando não necessitam de um termo regido pois já expressão ideia completa. O fato expresso pelo verbo pode ser representado como: • Voz ativa: praticado pelo sujeito - Verbo auxiliar “ser” + verbo no particípio - Pronome passivo “se” e terceira pessoa verbal, em concordância com o sujeito • Voz passiva: sofrido pelo sujeito • Voz reflexiva: praticado e sofrido pelo sujeito. Exprime-se juntando-se às formas verbais na voz ativa os pronomes oblíquos que lhe servem de objeto direto (ou raramente indireto) e representam a mesma pessoa que o sujeito. A voz ativa pode ser transformada em passiva. Para isso, o objeto direto passa a ser sujeito, acrescenta-se o pronome apassivador e não há agente da passiva. Advérbios É uma palavra invariável que se relaciona essencialmente ao verbo para indicar diferentes circunstâncias (modo, tempo, intensidade, lugar, etc) relativas ao tempo verbal. Quando modificam toda a oração devem ser isolados por virgula. Os chamados advérbios de intensidade e formas semanticamente correlatas podem reforçar sentido: • De um adjetivo 29 • De um advérbio Os advérbios podem ser: • Afirmação • Dúvida • Intensidade • Lugar • Modo • Negação • Tempo Denomina-se advérbios interrogativos aos advérbios de causa, lugar, modo e tempo empregados nas interrogações diretas e indiretas: • De causa: por que? • De lugar: onde? • De modo: como? • De tempo: quando? O relativo “onde” pode desempenhar normalmente a função de adjunto adverbial (= o lugar em que, no qual), é considerado por alguns advérbio relativo. A locução adverbial é formada pela associação de uma preposição e um substantivo, um adjetivo ou um advérbio e funciona como advérbio. Analogamente, as locuções adverbiais podem ser de afirmação, dúvida, intensidade, lugar, modo, tempo e negação. Quando uma preposição vem antes do advérbio, não muda a natureza deste. Quando ela aparece após o advérbio ou locução adverbial, o grupo inteiro transforma-se numa locução propositiva. Os advérbios que modificam um adjetivo, um particípio isolado, ou um outro advérbio, colocam-se de regra antes destes. Os advérbios que modificam o verbo aparecem após os mesmos se exprimirem modo, mas devem anteceder o verbo em caso de negação. Já os de tempo e lugar podem ser colocados antes ou após o verbo. O realce do adjunto adverbial deve ser expresso antes do verbo. Quando em uma frase, dois ou mais advérbios terminados em “-mente” são usados em sequencia, pode-se juntar o sufixo apenas ao último deles. No entanto, se a intenção é realçar as circunstâncias expressas pelos advérbios, costuma-se omitir a conjunção “e” e acrescentar o sufixo a cada um dos advérbios. Certos advérbios, principalmente de modo, podem apresentar comparativo e superlativo. Assim, o grau comparativo pode ser: • Superioridade: antepondo “mais” e pospondo “que” ou “do que” • Igualdade: antepondo “tão” e pospondo “como” ou “quanto” • Inferioridade: antepondo “menos” e pospondo “que” ou “do que” Já o superlativo pode ser absoluto: • Sintético: acréscimo de sufixo (ex: muitíssimo). Nos advérbios terminados em “mente”, essa terminação se pospõe (ex: lentissimamente) 30 • Analítico: com a ajuda de um advérbio indicador de excesso. Regência Verbal e Nominal Regência verbal é a relação que se estabelece entre um verbo (termo regente) e seu complemento (termo regido). Quando um verbo é intransit ivo (não precisa de c o m p l e m e n t o ) o u t r a n s i t i v o d i r e t o (complemento sem preposição), diz-se que ele não é regido por preposição. As perguntas “o que” e “quem” são sempre feitas ao verbo e a resposta é objeto direto pois não há preposição. Já quando o verbo é transitivo indireto, diz-se que uma preposição “rege” esse verbo, ou seja, que a preposição é necessária para ligá-lo ao seu complemento e dar significado adequado ao enunciado. Há verbos que admitem mais de uma regência. Isso se dá pela variação de significado do mesmo (ex: aspirar = respirar → verbo transitivo direto / aspirar = desejar → verbo transitivo indireto). É válido salientar que os adjuntos não são complementos e sim termos modificadores, por isso não se deve confundi-los com a regência dos verbos. Crase É a fusão da preposição “a” + artigo definido “a” ou determinados pronomes iniciados pela vogal a (aquele e similares ou a qual e similares). Casos obrigatórios: 1. Antes de complementos (verbais ou nominais) que são substantivos femininos precedidos pelo artigo “a”. Podemos testar a substituição por uma palavra masculina. Se o “a” virar “ao”, então deve-se por crase. Nestes casos, a preposição “a” também pode ser substituída por “para” e você consegue ver se o artigo feminino continua presente na frase. 2. Quando os pronomes demonstrativos relativos (aquele(s), aquela(s), aquilo) e os pronomes relativos exercem função de complemento indireto. Pode estar implícito (ex: não me refiro a essa, mas à da esquerda). 3. Com palavras femininas que acompanham verbos que indicam destino como: voltar, ir, vir, chegar, dirigir-se. 4. Antes de locuções adverbiais, prepositivas e conjuntivas femininas, que expressam ideia de tempo, lugar e modo (ex: à tarde, à vontade, às vezes). A locução “a distancia” só recebe crase se essa distancia estiver determinada. 5. Com expressões que indicam horas especificas, exceto quando estas forem acompanhadas de preposições (para, desde, após, perante, com). 6. Antes de palavras masculinas precedidas de palavra feminina implícita, como as 31 locuções “à moda de”, “à central de” e “à maneira de” (ex: ele comprou sapatos à (moda de) Luís XV / Bife à cavalo) 7. Para evitar duplo sentido (ex: ensino à distancia - não é presencial / ensino