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PF
Polícia Federal
Agente de Polícia
Noções de Direito 
Constitucional
SUMÁRIO
NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL ..................................................................5
DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS ........................................................................................ 5
DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS: DIREITO À VIDA, À LIBERDADE, À 
IGUALDADE, À SEGURANÇA E À PROPRIEDADE .............................................................................. 9
GARANTIAS CONSTITUCIONAIS INDIVIDUAIS E AS GARANTIAS DOS DIREITOS COLETIVOS, 
SOCIAIS E POLÍTICOS ........................................................................................................................................9
DIREITOS SOCIAIS ............................................................................................................................................49
DA NACIONALIDADE .......................................................................................................................................63
CIDADANIA E DIREITOS POLÍTICOS ...............................................................................................................69
PARTIDOS POLÍTICOS ......................................................................................................................................74
PODER EXECUTIVO ............................................................................................................................ 81
FORMA E SISTEMA DE GOVERNO ...................................................................................................................81
CHEFIA DE ESTADO E CHEFIA DE GOVERNO ................................................................................................83
DEFESA DO ESTADO E DAS INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS ...................................................... 84
SEGURANÇA PÚBLICA .....................................................................................................................................84
ORGANIZAÇÃO DA SEGURANÇA PÚBLICA ...................................................................................................86
ORDEM SOCIAL .................................................................................................................................. 88
BASE E OBJETIVOS DA ORDEM SOCIAL ........................................................................................................88
SEGURIDADE SOCIAL .......................................................................................................................................88
MEIO AMBIENTE .............................................................................................................................................116
DA FAMÍLIA, DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE, DO JOVEM E DA PESSOA IDOSA ....................................117
INDÍGENAS ......................................................................................................................................................122
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NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL
DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS
Com forte expressão no pós-guerra, os direitos e garantias fundamentais, apesar de seu 
teor sensivelmente constitucional, são interdisciplinares e relacionam-se a todos os ramos 
do direito. 
Diz-se isso pois, pautados na busca de justiça e paz social, aqueles refletem um compromis-
so geral do direito e da justiça de proteção e garantia de uma vida digna a todos os cidadãos. 
Além disso, toda a legislação infraconstitucional também reflete, de maneira geral, a preo-
cupação com políticas adequadas que possam conciliar o desenvolvimento econômico, social 
e cultural. 
De todas as circunstâncias acima citadas, parte a interdisciplinaridade entre os direitos e 
garantias fundamentais e outros ramos do direito, tais como o direito penal, civil, trabalhista 
e processual. 
A amplitude temática dos direitos e garantias fundamentais é uma questão de toda a sea-
ra jurídica, visto que a consolidação e a efetivação dos direitos fundamentais encontram-se 
diretamente relacionadas à própria condição da vida humana.
Os direitos fundamentais, portanto, estão localizados no Título II, da CF, de 1988, do art. 
5º ao art. 17, e estão classificados em cinco grupos: direitos individuais e coletivos, direitos 
sociais, direitos de nacionalidade, direitos políticos e direitos relacionados à existência, orga-
nização e participação em partidos políticos. 
Também são classificados em três dimensões de direito, pois surgiram em épocas diferen-
tes. Vejamos:
 z Direitos de primeira geração: traduzem-se na liberdade quanto à atuação do Estado nas 
ações do indivíduo. Aqui estão compreendidos os direitos civis e políticos;
 z Direitos de segunda geração: aqui compreendidos os direitos decorrentes das obrigações 
do Estado em prol dos indivíduos (direito à saúde, educação e o direito ao trabalho), tendo 
como primazia o valor “igualdade”;
 z Direitos de terceira geração: direitos relacionados ao valor “fraternidade”. São direitos 
que vão além do individual; busca-se o bem coletivo (ex.: direito a um meio ambiente eco-
logicamente equilibrado, direito do consumidor e direito ao desenvolvimento).
DIREITOS FUNDAMENTAIS 
DE 
1ª DIMENSÃO
DIREITOS FUNDAMENTAIS 
DE 
2ª DIMENSÃO
DIREITOS FUNDAMENTAIS 
DE 
3ª DIMENSÃO
Direitos civis e políticos 
— liberdade
Direitos sociais,
econômicos e culturais 
— igualdade
Fraternidade
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Dito isso, é importante reafirmarmos que estes direitos e garantias não estão taxativamen-
te expressos na Constituição Federal. Trata-se de uma matéria esparsa, consubstanciada em 
toda legislação nacional, inclusive infraconstitucional. 
Entretanto, apesar de não se tratar de uma matéria exaustiva e taxativa, numerus clausus, 
o rol dos direitos fundamentais previstos na Constituição Federal, de 1988, é exemplificativo. 
Por isso, é importante estudarmos alguns dispositivos da Carta Magna.
Portanto, antes de adentrarmos aos dispositivos constitucionais pertinentes, faz-se neces-
sário abordar conceitos fundamentais no estudo da disciplina.
DIREITO CONSTITUCIONAL
É um ramo do direito público que tem por finalidade a organização e princípios orienta-
dores de sua aplicação. Refere-se à estruturação do poder político e seus limites de atuação. 
Desse modo, é um ramo fundamental à organização do povo sobre um território.
Constituição
É a forma de organização do Estado (aqui, entenda: país). Todo Estado tem sua própria 
forma de organização. A Constituição é a lei fundamental e dispõe sobre o limite de poder do 
Estado, independentemente de ser formalizada em um texto escrito.
Objeto
Objeto é a própria Constituição do Estado, ou seja, as normas que tratam da organização, 
estrutura e organização dos poderes. Divide-se em direito constitucional particular ou espe-
cial, direito constitucional geral e direito constitucional comparado. Acompanhe:
 z Direito constitucional particular/especial/positivo ou interno: objetiva o estudo de 
uma Constituição específica de um determinado Estado. Ex.: estudo específico da Consti-
tuição da República Federativa do Brasil de 1988;
 z Direito constitucional geral: objetiva o estudo da Constituição de diversos Estados (cam-
po de ideias). Ex.: é aqui que se definem conceitos, classificação, ou seja, a formação da 
base de ideias para o estudo da teoria geral;
 z Direito constitucional comparado: como o próprio nome já diz, objetiva o estudo compa-
rado das Constituições de diversos Estados ou de um mesmo Estado, podendo ser temporal 
ou vertical. Entenda:
 � Critério temporal/vertical: análise das constituições de um mesmo Estado;
 � Critério espacial/horizontal: análise e comparação das constituições de diversos 
Estados.
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Crimes hediondos
Dica
Para lembrar dos crimes, memorize: T T T H ou 3TH:
z Tortura;
z Tráfico;
z Terrorismo;
z Hediondos.
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Atenção:
 z Crimes inafiançáveis: são aqueles que não admitem fiança, ou seja, que não dão, ao 
acusado, o direito de responder seu processo em liberdade até a sentença condenatória 
mediante pagamento de determinada quantia pecuniária ou cumprimento de determina-
das obrigações;
 z Crimes imprescritíveis: não prescrevem e podem ser julgados e punidos em qualquer 
tempo, independentemente da data em que foram cometidos;
 z crimes insuscetíveis de graça e anistia: não permitem a exclusão do crime com a res-
cisão da condenação e extinção total da punibilidade (anistia), nem a extinção da puni-
bilidade, ainda que parcial (graça). A graça e a anistia são, em linhas gerais, formas de 
extinção da punibilidade. 
A graça e o indulto, por sua vez, são modalidades de perdão concedidas pelo presidente 
da República, de modo a extinguir a punibilidade do agente. 
Enquanto, na graça, o perdão é concedido de maneira individual por meio de decreto e 
mediante provocação do interessado, no indulto, o perdão é coletivo e concedido por decreto, 
o qual não possui destinatário certo e independe de provocação. O indulto pode ser total ou 
parcial (comutação).
Já a anistia é o perdão concedido pelo Congresso Nacional, por meio de lei, aos crimes e 
atos administrativos. Na anistia, exclui-se o crime, rescinde-se a condenação e extingue-se 
totalmente a punibilidade. 
Cabe destacar que a anistia pode ser concedida pelas Assembleias Legislativas, porém res-
tringe-se aos atos administrativos, como, por exemplo, às transgressões disciplinares de ser-
vidores estaduais.
É importante mencionar que esses crimes são prescritíveis, além de ser cabível a liber-
dade provisória. Ainda, a Lei nº 9.455, de 1997, trata dos crimes de tortura; a Lei nº 11.343, 
de 2006, dos crimes de drogas; a Lei nº 13.260, de 2016, do terrorismo; a Lei nº 8.072, de 1990, 
cuida dos crimes hediondos.
ANISTIA GRAÇA
Crimes Crimes políticos Crimes comuns
Efeitos
Exclui o crime, rescinde a 
condenação e extingue totalmente 
a punibilidade
Extingue somente a punibilidade
Competência Poder Legislativo Exclusiva do presidente da 
República
Concessão Antes da sentença final ou depois 
da condenação irrecorrível
Apenas após o trânsito em julgado 
da sentença condenatória
O inciso XLIV também traz hipóteses de não concessão de fiança, cuja ação ou omissão 
pode ser julgada a qualquer tempo, independentemente da data em que foi cometida. 
Trata-se dos crimes desenvolvidos pelas organizações criminosas contra a ordem consti-
tucional e democrática, como, por exemplo, no golpe de Estado. Cabe lembrar que a Lei nº 
12.850, de 2013, é que trata das organizações criminosas.
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Para auxiliá-lo na memorização do conteúdo dos últimos três incisos, leve em considera-
ção o seguinte mnemônico: RAAÇÃO 3TH.
 z RA — racismo;
 z AÇÃO — ação de grupos armados;
 z 3TH — tortura, tráfico, terrorismo, hediondos.
Esquematizando todo o conteúdo relacionado ao mnemônico, temos:
 z inafiançáveis  RAAÇÃO 3TH;
 z imprescritíveis  RAAÇÃO;
 z insuscetíveis de graça ou anistia  3TH.
Princípio da Intranscendência da Pena
XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano 
e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra 
eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido;
Pelo princípio da intranscendência da pena, a aplicação desta será sempre pessoal e não pode-
rá ser cumprida ou imputada a outro indivíduo. Em caso de reparação de dano, pode a obrigação 
ser estendida aos sucessores do responsável até o limite do valor do patrimônio sucedido.
O princípio da intranscendência ou personalização da pena está disciplinado no inciso 
XLV. Trata-se da impossibilidade de a pena ser aplicada a outra pessoa que não o delinquente, 
uma vez que somente o autor da infração penal pode ser responsabilizado.
Com a morte do condenado, declara-se extinta a punibilidade do crime. Assim, a pena não 
poderá ser cumprida, por exemplo, pelos familiares ou herdeiros do autor do crime se este 
houver falecido. No entanto, refere-se apenas à esfera penal, ou seja, a obrigação civil de 
reparar os danos pode ser estendida aos seus sucessores até o limite do valor do patrimônio 
transferido (herança). 
Atenção! Multa é uma espécie de pena (art. 32, CP) e, portanto, não pode ser imposta aos 
herdeiros.
Individualização da Pena
XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes:
a) privação ou restrição da liberdade;
b) perda de bens;
c) multa;
d) prestação social alternativa;
e) suspensão ou interdição de direitos;
Pelo princípio da individualização da pena, fica garantido que, na fixação das penas dos 
condenados, sejam levados em consideração o histórico pessoal de cada indivíduo e a sua 
atuação individual, de forma que aquelas não sejam igualadas, mesmo que estes tenham 
praticado crimes idênticos. 
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Assim, independentemente da prática de mesma conduta, cada indivíduo pode receber 
apenas a punição que lhe é devida.
Dica
Guarde o mnemônico 3PMS (RI):
z 3P — Privação ou restrição da liberdade (não se esqueça de que no primeiro “p” há, implí-
cito, um “r” da pena de restrição); perda de bens; prestação social alternativa;
z M — Multa;
z S — Suspensão ou interdição de direitos (lembre-se de que aqui também há, implícito, 
um “i” de interdição).
O inciso XLVI disciplina o princípio da individualização da pena, uma vez que as penas 
devem ser previstas, impostas e executadas, em conformidade com as condições pessoais de 
cada réu. Para tanto, a individualização deve operar-se em três fases distintas:
 z legislativa, no momento em que elabora a norma;
 z judicial, no momento da dosimetria da pena;
 z executiva, na execução penal.
Proibição de Penas
XLVII - não haverá penas:
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX;
b) de caráter perpétuo;
c) de trabalhos forçados;
d) de banimento;
e) cruéis.
Como afirmativa dos direitos e da dignidade da pessoa humana, a Constituição Federal, de 
1988, veda:
 z pena de morte;
 z pena perpétua;
 z banimento;
 z trabalhos forçados e cruéis.
Estabelecimentos para Cumprimento de Pena
XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do 
delito, a idade e o sexo do apenado;
Também em atenção à dignidade da pessoa humana, a Constituição Federal, de 1988, 
determina que as penas sejam cumpridas em diferentes tipos de estabelecimento, de acordo 
com a gravidade e natureza do delito, a idade e o sexo do apenado.
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Respeito à Integridade Física e Moral dos Presos
XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral;
O inciso XLIX estabelece outro princípio relativo à execução da pena privativa de liber-
dade: a proteção à integridade física e moral do preso. Busca-se, portanto, proteger os indi-
víduos da força do Estado. 
Trata-se, também, de um dos desdobramentos do direito à segurança, por envolver garan-
tias processuais; e do direito à vida, por envolver a integridade do indivíduo.
Direito de Permanência e Amamentação dos Filhos pela Presidiária Mulher
L - às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos 
durante o período de amamentação;
O inciso L traz um princípio relativo à execução da pena privativa de liberdade. Trata-se 
do direito dos filhos de permanecerem com suas mães e serem amamentados por elas duran-
te a execução da pena.
Vale destacar que o art. 89, da Lei nº 7.210, de1984 (Lei de Execução Penal), estabelece que 
a penitenciária de mulheres terá uma seção para gestantes e parturientes e uma creche para 
abrigar crianças entre seis meses e sete anos.
Extradição
LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum, pra-
ticado antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpe-
centes e drogas afins, na forma da lei;
LII - não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião;
Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública (2020), a extradição é um ato oficial 
de cooperação internacional que consiste na entrega de uma pessoa, o extraditando, acusado 
ou condenado, pela prática de um ou mais crimes em território estrangeiro, ao país que o 
reclama. 
A extradição pode ser: 
 z Ativa: quando o Brasil solicita, a outro país, a entrega de um indivíduo para julgá-lo e con-
dená-lo pela prática de um crime praticado em território brasileiro;
 z Passiva: quando qualquer Estado estrangeiro solicita, ao Brasil, a entrega de um indiví-
duo que tenha cometido crime no exterior e se encontra em território brasileiro. 
Assim, considera-se um crime como político se ele envolver ações ou omissões que preju-
dicam os interesses do país, do governo ou do sistema político. O crime político pode ser de 
dois tipos: próprio e impróprio.
Crime político próprio é aquele capaz de ameaçar a ordem institucional ou o sistema 
vigente.
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Já o crime político impróprio é aquele crime comum quando conexo ao crime político, de 
modo a ter natureza comum, mas conotação político-ideológica — por exemplo, a extorsão 
mediante sequestro para obter fundos para determinado grupo político.
Ainda há o crime de opinião, que é aquele que se configura com o abuso da liberdade de 
expressão ou de pensamento, como nos casos dos crimes contra a honra.
Vale mencionar que a Constituição Federal trata apenas dos casos de extradição passiva.
Nesse sentido, o dispositivo determina que não haverá extradição de brasileiro nato em 
nenhuma hipótese. Quanto aos brasileiros naturalizados, a regra é que também não sejam 
extraditados, salvo em caso de crime comum, praticado antes do processo de naturaliza-
ção e comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins em qual-
quer tempo. Também não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de 
opinião. 
Para o direito internacional, nenhum Estado é obrigado a extraditar uma pessoa presente 
em seu território, dada a sua soberania.
Direito ao Julgamento pela Autoridade Competente
LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente;
O princípio do juiz natural ou do juiz competente encontra-se disciplinado no inciso LIII. 
Trata-se da garantia de que nenhuma pessoa será processada ou julgada por uma autoridade 
especialmente designada para o caso. 
Deste modo, as regras de competência devem estar estabelecidas no ordenamento jurídico, 
de modo a assegurar que o julgamento seja realizado por um juiz independente e imparcial.
Devido Processo Legal
LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal;
O princípio do devido processo legal está disciplinado no inciso LIV. Trata-se do desdobra-
mento do direito à segurança, de modo a garantir que os indivíduos não sejam presos nem 
percam seus bens por atuação arbitrária do poder do Estado.
Assim sendo, deverá existir um processo com todas as etapas previstas em lei e com todas 
as garantias constitucionais. Se tais regras não forem observadas, o processo é passível de 
nulidade. 
Contraditório e a Ampla Defesa
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são asse-
gurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;
O inciso LV traz o princípio do contraditório e da ampla defesa. Tal princípio objetiva 
garantir a igualdade das partes de uma relação processual, bem como a segurança processual. 
Assim sendo, a parte contrária necessita ser ouvida (audiatur et altera pars), pois não 
podem ser atribuídas a uma parte vantagens de que a outra não disponha. 
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Em consequência, as partes têm acesso a tudo que consta dos autos, como, por exemplo, 
todas as provas produzidas pela outra parte, podendo manifestar-se ou não.
Além disso, a defesa pode ser exercida de maneira ampla — é possível ao indivíduo, por 
exemplo, optar pela autodefesa (quando permitido) ou pela defesa técnica. Assim, a ampla 
defesa garante ao agente a possibilidade de se defender sem qualquer impedimento aos seus 
direitos constitucionais.
Ademais, destaca-se o conteúdo da Súmula Vinculante nº 14, a qual dispõe sobre o acesso 
a procedimento investigatório por defensor do investigado. 
Súmula Vinculante nº 14 É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo 
aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por 
órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa.
Observe que os documentos referentes às diligências em curso não são de apresentação 
obrigatória, tendo em vista a possibilidade de frustrá-las.
Imagine, por exemplo, que em determinada investigação tenha sido deferida, pelo Poder 
Judiciário, a interceptação telefônica de determinado investigado. Ora, é óbvio que o acesso, 
pelo advogado do investigado, comprometeria a diligência, já que este poderia avisar seu 
cliente da medida.
Portanto, ninguém poderá ser punido ou condenado sem o devido processo legal, em que 
deverá ser assegurado, sob pena de nulidade absoluta, o direito de resposta e ampla defesa, 
com sentença transitada em julgado (que não cabe mais recurso) prolatada pelo juízo ou 
autoridade judiciária competente.
Provas Ilícitas
LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos;
Provas ilícitas são aquelas obtidas por meio ilegal, fraudulento ou que infrinja as normas 
e princípios básicos de direito, motivo pelo qual não são aceitas no processo judicial. 
São, em regra, vedadas pela Constituição e inadmissíveis dentro de um processo, ainda 
que comprovem fato de direito ou cooperem para o julgamento do feito processual.
Neste sentido, cumpre fazermos uma breve distinção entre prova ilícita e prova ilegítima: 
 z prova ilícita é aquela que viola direito material. Exemplos: confissão mediante tortura e 
interceptação telefônica sem autorização judicial;
 z prova ilegítima é aquela que viola direito processual. Exemplo: confissão do acusado em 
juízo sem a presença do advogado.
O Supremo Tribunal Federal, adequadamente, adotou, por maioria de votos, a denomina-
da teoria fruits of poisonous tree (frutos da árvore envenenada). 
Portanto, são nulas tanto as provas produzidas de forma ilícita como também as derivadas 
(surgidas em decorrência da prova ilícita), ainda que obtidas de forma regular.
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Presunção de Inocência
LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal 
condenatória;
Todo cidadão é considerado inocente até que se prove o contrário com o trânsito em jul-
gado da sentença condenatória. Neste sentido, o inciso LVII traz o princípio da presunção de 
inocência ou da presunção de culpabilidade. 
Assim, antes da condenação definitiva em um processo criminal, as pessoas ainda não são 
consideradas culpadas. Isso acontece porque o ônus de provar a culpa recai sobre o Minis-
tério Público, como titular da ação penal pública, ou sobre a vítima, no caso da ação penal 
privada.
Deste modo, não compete ao acusado provar sua inocência, mas ao Ministério Público ou 
à vítima comprovar a responsabilidade do réu até a última instância.
Identificação Criminal
LVIII - o civilmente identificado não serásubmetido a identificação criminal, salvo nas hipóte-
ses previstas em lei; (Regulamento).
A identificação criminal será feita diante de fundada suspeita da validade e veracidade 
dos documentos cíveis apresentados ou quando já se tem notícias reputadas a pessoa civil-
mente identificada sobre uso de diversos nomes e fraude em registros policiais.
Assim, entende-se por identificação o processo utilizado para estabelecer a identidade de 
pessoas ou coisas. Deste modo, se o indivíduo apresenta documento de identidade civil válido 
e sem qualquer suspeita fundada de falsidade, ele não poderá ser identificado criminalmen-
te, ou seja, por meio do processo datiloscópico. O objetivo do dispositivo é evitar o constran-
gimento pessoal de pessoas já identificadas civilmente.
Cumpre esclarecer que a Lei nº 12.037, de 2009, disciplina o inciso e estabelece quais docu-
mentos servem para a identificação civil. Ainda, a regra da não identificação criminal não é 
absoluta e abarca exceções. No entanto, tais exceções devem estar disciplinadas em lei5.
Ação Privada Subsidiária da Pública
LIX - será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for intentada no 
prazo legal;
5 Art. 3º (Lei nº 12.037, de 2009) Embora apresentado documento de identificação, poderá ocorrer identificação 
criminal quando: I - o documento apresentar rasura ou tiver indício de falsificação; II - o documento apresentado 
for insuficiente para identificar cabalmente o indiciado; III - o indiciado portar documentos de identidade 
distintos, com informações conflitantes entre si; IV - a identificação criminal for essencial às investigações 
policiais, segundo despacho da autoridade judiciária competente, que decidirá de ofício ou mediante 
representação da autoridade policial, do Ministério Público ou da defesa; V - constar de registros policiais o 
uso de outros nomes ou diferentes qualificações; VI - o estado de conservação ou a distância temporal ou 
da localidade da expedição do documento apresentado impossibilite a completa identificação dos caracteres 
essenciais. Parágrafo único. As cópias dos documentos apresentados deverão ser juntadas aos autos do 
inquérito, ou outra forma de investigação, ainda que consideradas insuficientes para identificar o indiciado.
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A ação penal privada subsidiária da pública é admitida nos casos em que a lei não prevê a 
ação como privada, mas, sim, como pública (condicionada ou incondicionada). 
Entretanto, o Ministério Público, titular da ação penal, permanece inerte e não apresenta 
a denúncia no prazo legal, abrindo-se a possibilidade para que o ofendido, seu representante 
legal ou seus sucessores ingressem com a ação penal privada subsidiária da pública. 
Assim, nos casos em que o representante do Ministério Público não ofereceu a denúncia, 
não requereu diligências ou não ordenou o arquivamento do inquérito policial, no prazo 
legal, admite-se o oferecimento da queixa crime. 
A CF, de 1988, não estabeleceu hipótese de restrição quanto à aplicação da ação penal pri-
vada subsidiária da pública nos processos relativos aos delitos previstos na legislação espe-
cial, como, por exemplo, nas ações em que se apuram crimes eleitorais.
A Publicidade dos Atos Processuais e o Segredo de Justiça
LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimida-
de ou o interesse social o exigirem;
Em regra, todos os atos processuais são públicos, salvo o segredo de justiça, que pode ser 
determinado de ofício pelo juiz da causa:
 z para segurança jurídica das partes;
 z para proteção dos interesses de indivíduos menores de idade;
 z por interesse social ou demanda de grande repercussão; 
 z a requerimento justificado das partes do processo.
Importante!
A restrição da publicidade é popularmente conhecida como segredo de justiça.
Legalidade da Prisão
LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de 
autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propria-
mente militar, definidos em lei;
Pelo inciso LXI, depreende-se que a liberdade é a regra e a prisão é a exceção. Por essa 
razão, o dispositivo fixa as hipóteses em que o indivíduo será preso.
Assim, a CF, de 1988, protege os indivíduos da força do Estado, uma vez que veda a prisão 
arbitrária ou abusiva e estabelece que a restrição da liberdade só será legítima quando res-
peitados os parâmetros legais. Trata-se de um dos desdobramentos do direito à segurança, 
por envolver garantias processuais.
Em termos de processo penal, existem dois tipos de prisão.
A prisão pena é aquela decorrente de sentença penal condenatória transitada em julgado, 
ou seja, o processo foi finalizado, a pessoa, condenada e não cabe mais recurso, ingressando 
na fase de execução penal.
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Além disso, há a prisão processual, que tem função acautelatória e ocorre durante a fase 
de investigação, instrução e antes do julgamento definitivo, como a prisão em flagrante, a 
prisão temporária e a prisão preventiva.
Portanto, durante o curso do processo, o indivíduo somente será preso se estiver em fla-
grante delito — isto é, cometendo o delito, acabou de cometê-lo, foi perseguido logo após ou 
foi encontrado logo depois, com algo que faça presumir ser o autor da infração6 — ou se for 
determinado pelo juiz nos demais casos das prisões acautelatórias.
Observa-se, ainda, que o inciso traz exceções, quais sejam: transgressão militar ou cri-
me propriamente militar, definido em lei. 
Quanto às transgressões, estas estão previstas nos regulamentos disciplinares, tanto das 
Forças Armadas como das Forças Auxiliares. A elas é aplicado procedimento de apuração 
específico, também garantindo o contraditório e a ampla defesa. Já os crimes militares encon-
tram-se previstos no Código Penal Militar, porém esse diploma não define quais são os crimes 
propriamente militares. 
Comunicabilidade da Prisão
LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamen-
te ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada;
Como a prisão em flagrante é a única modalidade de prisão acautelatória que não conta 
com ordem judicial prévia, visto que é imposta no momento em que a infração penal é pra-
ticada ou em momentos após, faz-se necessária sua comunicação imediata ao juiz, para que 
este possa efetuar o controle de legalidade da prisão.
A CF, de 1988, não fixa o prazo da comunicação, porém, o art. 306, do Código de Processo 
Penal, estabelece que a comunicação será imediata e os autos serão remetidos em até 24 
horas após a prisão.
Além da comunicação ao juiz, a CF, de 1988, prevê a comunicação à família do preso ou à 
pessoa por ele indicada, com o escopo não só de dar notícia de seu paradeiro, como também 
de prestar-lhe a assistência devida.
Informação ao Preso
LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-
-lhe assegurada a assistência da família e de advogado;
Considerando que a liberdade é a regra e a sua restrição só é legítima quando efetuada nos 
estritos limites legais, o inciso LXIII estabelece que o preso em flagrante deve ser comunica-
do dos seus direitos. Entre esses direitos, encontra-se o de permanecer em silêncio.
O silêncio do preso é apenas silêncio e não poderá ser utilizado de maneira contrária. O 
acusado não é obrigado a produzir provas contra si mesmo. Ao se calar, esse silêncio não 
pode ser considerado como prova.
6 Art. 302 (CPP) Considera-se em flagrante delito quem: I -está cometendo a infração penal; II - acaba de 
cometê-la; III - é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em situação que 
faça presumir ser autor da infração; IV - é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis 
que façam presumirser ele autor da infração.
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Além disso, o dispositivo também estabelece a assistência da família e do advogado, garan-
tindo tanto o apoio pessoal como a assistência técnica que lhe é devida.
Identificação dos Responsáveis pela Prisão
LXIV - o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu interro-
gatório policial;
Na ocasião de prisão, são direitos do preso a comunicação (à sua família e ao juízo compe-
tente) de sua prisão e do local onde se encontra, bem como o conhecimento das autoridades 
policiais responsáveis por sua prisão e interrogatório.
Portanto, é assegurado ao indivíduo garantido questionar a competência ou atribuição 
dessas autoridades em conformidade com a norma vigente e os princípios constitucionais e 
de direitos humanos.
Relaxamento da Prisão Ilegal
LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária;
O relaxamento da prisão ocorre quando o acusado é posto em liberdade pela incidência de 
alguma ilegalidade no ato de sua prisão. Neste sentido, o inciso LXV traz mais um dos desdo-
bramentos do direito à segurança ao prever o relaxamento da prisão ilegal.
 Assim, se o magistrado constatar que a prisão foi ilegal, ele deverá colocar o preso em 
liberdade de modo imediato e sem condições. Exemplo: o indivíduo foi preso em flagrante, 
todavia, não se enquadrava nas hipóteses de flagrância do art. 302, do CPP. 
Relaxa-se a prisão ilegal e revoga-se as demais prisões cautelares, uma vez que estas neces-
sitam de requisitos para serem decretadas e não estão estes presentes. O magistrado deve 
revogar a prisão ou substituí-la por medidas cautelares diversas.
Garantia da Liberdade Provisória
LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade provi-
sória, com ou sem fiança;
A liberdade provisória é o instituto processual que garante ao acusado o direito de aguar-
dar em liberdade o transcorrer do processo criminal até o trânsito em julgado de sua senten-
ça penal condenatória, mediante o estabelecimento ou não de determinadas condições.
Pode ser revogado a qualquer tempo, diante do descumprimento das condições impostas, 
da não colaboração com as investigações ou se a autoridade entender que a liberdade pode 
colocar em risco o julgamento do processo.
Prisão Civil
LXVII - não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo inadimplemento volun-
tário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel;
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A Constituição Federal, de 1988, extinguiu, em regra, a prisão civil por dívidas. Logo, após 
a promulgação da CF, a prisão não se caracteriza mais como medida punitiva ao devedor, 
salvo nos casos de não pagamento de pensão alimentícia e do depositário infiel. 
Lembre-se: o depositário infiel, de acordo com a Constituição, é o indivíduo que ficou 
responsável pela guarda de um bem que não lhe pertence e deixou que este bem perecesse, 
desaparecesse ou fosse roubado.
É importante ressaltar que os direitos e garantias previstos em nossa Constituição não 
excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, bem como de trata-
dos internacionais em que o Brasil seja signatário.
Importante!
Súmula Vinculante nº 25 É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a 
modalidade do depósito.
O Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos (PIDCP) aduz, em seu art. 11, que “nin-
guém poderá ser preso apenas por não poder cumprir com uma obrigação contratual”. A Con-
venção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica), por sua vez, em 
seu § 7º, art. 7º, assevera: 
Ninguém deve ser detido por dívida. Este princípio não limita os mandados de autoridade judi-
ciária competente expedidos em virtude de inadimplemento de obrigação alimentar. 
Ainda assim, vale mencionar que restou mantida a jurisprudência pela constitucionalidade 
da prisão do depositário infiel, uma vez que o pacto ingressou no ordenamento jurídico na qua-
lidade de norma infraconstitucional. 
Após a Emenda Constitucional nº 45, de 2004, que acrescentou o inciso LXXVIII, § 3º, do art. 
5º, os tratados e convenções internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil for signatário 
e que forem aprovados pelo Congresso Nacional, em votação de dois turnos, por três quintos de 
seus membros, passam a ter status equivalente às emendas constitucionais. 
Contudo, o Pacto de São José da Costa Rica foi aprovado por maioria simples. Tal questão acer-
ca do status dos tratados de direitos humanos gerou profundas discussões nos tribunais e no STF.
Deste modo, foi decidido que os tratados internacionais sobre direitos humanos ratificados 
pelo Brasil antes das alterações trazidas pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004, ou seja, sem 
passar pelo processo de aprovação previsto no § 3º, do art. 5º, deveriam ter status supralegal, hie-
rarquicamente inferior às normas constitucionais, mas superior às normas infraconstitucionais.
Assim, a prisão do depositário infiel não foi considerada inconstitucional, pois sua previsão 
segue na constituição, mas, na prática, passou a ser ilegal, uma vez que as leis que regulam tal 
medida coercitiva estão abaixo dos tratados internacionais de direitos humanos. 
Esse entendimento do caráter supralegal dos tratados devidamente ratificados e internaliza-
dos na ordem jurídica brasileira, sem submeter-se ao processo legislativo estipulado pelo § 3º, 
art. 5º, da CF, de 1988, foi reafirmado pela edição da Súmula Vinculante nº 25, STF, em 2009.
É importante não confundir direitos fundamentais com garantias fundamentais. Os direitos 
fundamentais são vantagens, proteção em favor das pessoas, como, por exemplo, o direito de 
informação. 
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Já as garantias fundamentais são instrumentos processuais para defesa daqueles direitos, 
conhecidos como ações ou remédios constitucionais, como, por exemplo: habeas data, habeas 
corpus, mandado de segurança, mandado de injunção e a ação popular, conforme veremos a 
seguir.
Habeas Corpus
LXVIII - conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de 
sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder;
O habeas corpus é um remédio constitucional que consiste na ação judicial cabível, com 
o objetivo de proteger o direito de liberdade de locomoção ao lesado ou ameaçado por ato 
ilegal ou abusivo.
Tem como objetivo proteger o direito de ir e vir, ou seja, sempre que alguém sofrer ou se 
achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalida-
de ou abuso de poder, está fundamentado no inciso LXVIII, art. 5º, da CF, e art. 647 ao art. 667, 
do CPP (Código de Processo Penal).
Pode ser habeas corpus preventivo, para evitar uma futura violação à liberdade, ou habeas 
corpus repressivo, o qual busca o fim de uma coação já cometida. Importante frisar também 
que não existe a necessidade de um advogado para entrar com a ação.
 z Sujeito ativo (impetrante): qualquer pessoa;
 z Vítima (paciente): qualquer pessoa, brasileiro ou estrangeiro;
 z Sujeito passivo (coator): autoridade ou agente público que cometeu ilegalidade ou abuso 
de poder contra particular.
Habeas corpus também pode ser impetrado por estrangeiro (desde que na língua portu-
guesa) contra particular. 
Não cabe habeas corpus contra punição disciplinar militar, salvo se imposta pela autorida-
de competente.
Destacamos a seguir algumas súmulas importantes do STF sobre o tema:
Súmula nº 395 Não se conhece de recurso de habeas corpus cujo objeto seja resolver sobre o 
ônus das custas, por não estar mais em causa à liberdade de locomoção.
Súmula nº 431 É nulo o julgamento de recurso criminal, na segunda instância, semprévia 
intimação, ou publicação da pauta, salvo em habeas corpus.
Súmula nº 692 Não se conhece de habeas corpus contra omissão de relator de extradição, se 
fundado em fato ou direito estrangeiro cuja prova não constava dos autos, nem foi ele provo-
cado a respeito.
Súmula nº 693 Não cabe habeas corpus contra decisão condenatória a pena de multa, ou rela-
tivo a processo em curso por infração penal a que a pena pecuniária seja a única cominada.
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Súmula nº 694 Não cabe habeas corpus contra a imposição da pena de exclusão de militar ou 
de perda de patente ou de função pública.
Súmula nº 695 Não cabe habeas corpus quando já extinta a pena privativa de liberdade.
Mandado de Segurança
Agora, passaremos à análise do mandado de segurança, que pode ser individual ou coleti-
vo. Vejamos:
LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não ampa-
rado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de 
poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder 
Público;
LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por:
a) partido político com representação no Congresso Nacional;
b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcio-
namento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados;
O mandado de segurança é uma ação constitucional que visa tutelar direito líquido e certo 
ameaçado ou violado por autoridade pública ou por aquele que estiver no exercício de fun-
ções desta natureza. Esta ação tem caráter residual e só é aplicável quando não for cabível 
outro remédio constitucional, tal como o habeas corpus ou habeas data.
Atenção! Por direito líquido e certo entende-se aquele claro e inequívoco, com prova pré-
-constituída, que não dependa de instrução probatória ou de declaração por juízo competen-
te em processo de conhecimento.
O MS pode ser de duas espécies:
 z mandado de segurança repressivo, cuja ordem de segurança objetive cessar constrangi-
mento ilegal já existente;
 z mandado de segurança preventivo, cuja ordem de segurança busca pôr fim à iminência 
de constrangimento ilegal a direito líquido e certo.
Por fim, cumpre destacar que não cabe MS contra: 
 z ato do qual caiba recurso com efeito suspensivo, independentemente de caução;
 z decisão judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo; 
 z decisão judicial transitada em julgado.
Mandado de Segurança Individual
Previsto no inciso LXIX, art. 5º, da CF, e Lei nº 12.016, de 2009, tem o objetivo de proteger 
direito líquido e certo (requerido no prazo de 120 dias do conhecimento da lesão), devida-
mente comprovado com provas documentais, não há prova testemunhal nem pericial. Tem 
caráter subsidiário, ou seja, quando não for caso de habeas corpus nem habeas data.
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Cabível quando existe abuso ou ilegalidade de autoridade pública. A Súmula nº 625, do 
STF, dispõe que “Controvérsia sobre matéria de direito não impede concessão de mandado de 
segurança”, ou seja, caso haja dúvida a respeito de interpretação da lei, isso não impede o 
deferimento do mandado de segurança.
Atenção! Não cabe mandado de segurança nos seguintes casos: 
 z atos meramente informativos; 
 z atos que transitaram em julgado; 
 z ato administrativo que comporte recurso com efeito suspensivo;
 z ato judicial em fase recursal. 
Cuidado! Referente aos atos que transitaram em julgado hoje, a jurisprudência entende 
por uma possível mitigação da Súmula nº 268, do STF. Vejamos:
No entanto, sendo a impetração do mandado de segurança anterior ao trânsito em jul-
gado da decisão questionada, mesmo que venha a acontecer, posteriormente, não poderá 
ser invocado o seu não cabimento ou a sua perda de objeto, mas preenchidas as demais 
exigências jurídico-processuais, deverá ter seu mérito apreciado. (EDcl no MS 22.157/DF, 
Rel. Ministro Herman Benjamin, Rel. p/ Acórdão Ministro Luis Felipe Salomão, julgado em 
14.03.2019, DJe 11.06.2019)
 z Agente ativo: pessoa física ou jurídica. Agentes políticos podem ser sujeitos ativo ou passivo;
 z Agente passivo: autoridade, pessoa física revestida de poder público. União, estados e DF 
ingressarão como litisconsortes necessários, por meio de seus procuradores — no caso do 
município, através de seu prefeito;
 z Liminar: cabimento conforme inciso III, art. 7°, da Lei n º 12.016, de 2009, o juiz poderá 
determinar a suspensão do ato (que causou a violação do direito), desde que exista motivo 
relevante. Vejamos:
Art. 7º Ao despachar a inicial, o juiz ordenará: 
[...]
III - que se suspenda o ato que deu motivo ao pedido, quando houver fundamento relevante e 
do ato impugnado puder resultar a ineficácia da medida, caso seja finalmente deferida, sendo 
facultado exigir do impetrante caução, fiança ou depósito, com o objetivo de assegurar o res-
sarcimento à pessoa jurídica.
Mandado de Segurança Coletivo
O mandado de segurança coletivo, previsto no inciso LXX, art. 5º, da CF, e no art. 21, da Lei 
nº 12.016, de 2009, tem o objetivo de proteger certo grupo de pessoas (corporativo). Os requi-
sitos e o prazo decadencial são os mesmos do mandado de segurança individual.
 z Agente ativo: partido político com representação no Congresso Nacional; ou organização 
sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há 
pelo menos um ano, em defesa de seus membros ou associados, deve demonstrar perti-
nência temática;
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 z Agente passivo: autoridade coatora;
 z Liminar: cabimento conforme inciso III, § 2º, art. 7º, e art. 22, da Lei nº 12.016, de 2009. 
Basta representar os requisitos “fumus boni iuris” e “periculum in mora”.
Súmulas importantes do STF sobre o tema:
Súmula nº 629 (STF) A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe 
em favor dos associados independe da autorização destes.
Súmula nº 630 (STF) A entidade de classe tem legitimação para o mandado de segurança 
ainda quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria.
Mandado de Injunção
LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora tor-
ne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes 
à nacionalidade, à soberania e à cidadania;
O mandado de injunção é ação constitucional própria a reivindicar a regularização de um 
direito constitucional que necessite de norma regulamentadora.
Tem previsão no inciso LXXI, art. 5º, da CF, e Lei nº 13.300, de 2016 (Lei do MS); não tem 
lei específica própria, devem ser observadas as normas da Lei do Mandado de Segurança, 
conforme prevê o parágrafo único, art. 24, da Lei nº 8.038, de 1990. 
Art. 24 [...]
No mandado de injunção e no habeas data, serão observadas, no que couber, as normas do 
mandado de segurança, enquanto não editada legislação específica.
 z Aplicabilidade: falta de uma norma regulamentadora de direito, liberdade constitucional 
e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, soberania e cidadania. Buscar o exercício 
do direito para uma pessoa ou certo grupo de pessoas. Exemplo: conseguir se aposentar 
ou exercer o direito de greve;
 z Agente ativo: qualquer pessoa;
 z Liminar: mandado de injunção não tem liminar.
Habeas Data
LXXII - conceder-se-á habeas data:
a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constan-
tes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público;
b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou 
administrativo;
O habeas data é um remédio constitucional que consiste na ação judicial cabível, com o 
objetivo de conhecer ou retificar informações constantes nos registros e bancos de dadosde 
entidades governamentais ou de caráter público.
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Importante!
A doutrina e jurisprudência admitem que cônjuge, ascendente, descendente ou irmão 
podem impetrar habeas data em favor de terceiro, caso este esteja incapacitado ou 
ausente.
Cumpre salientar que a lei que disciplina o HD é a Lei nº 9.507, de 1997. Por essa lei, o HD 
também é cabível no que há registrado no inciso III, art. 7º. Veja:
Art. 7º (Lei nº 9.507, de 1997) [...]
III - para a anotação nos assentamentos do interessado, de contestação ou explicação sobre 
dado verdadeiro mas justificável e que esteja sob pendência judicial ou amigável.
Ademais, a informação, a retificação ou a anotação foram negadas pela Administração 
Pública (entidades governamentais da Administração direta ou indireta) ou particular (pes-
soas jurídicas de direito privado) que mantenham banco de dados aberto ao público.
O HD pode ser impetrado por qualquer pessoa, física ou jurídica, brasileira ou estrangeira, 
desde que as informações solicitadas digam respeito ao próprio indivíduo. Além disso, o HD 
não é instrumento jurídico adequado para se ter acesso aos autos do processo administrativo 
disciplinar (PAD).
Ação Popular
LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesi-
vo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrati-
va, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada 
má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência;
A ação popular é o instrumento constitucional adequado por meio do qual qualquer cida-
dão pode questionar a validade de atos que considera lesivos ao patrimônio público, à mora-
lidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural.
A ação popular pode ter duas formas: a preventiva, que é ajuizada antes da consumação 
dos efeitos do ato, e a repressiva, que visa corrigir os atos danosos consumados.
 z Agente ativo: qualquer cidadão brasileiro. Se este abandonar a ação, outro cidadão pode-
rá assumir.
Atenção! O Ministério Público não pode propor, mas pode assumir andamento e dar exe-
cução a decisão da ação popular (legitimidade extraordinária ou superveniente).
 z Agente passivo: administrador da entidade que lesionou;
 z Liminar: basta representar os requisitos “fumus boni iuris” e “periculum in mora”.
Súmula nº 101 (STF) O mandado de segurança não substitui a ação popular.
Súmula nº 365 (STF) Pessoa jurídica não tem legitimidade para propor ação popular.
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Atenção! A ação popular é isenta de custas judiciais e do ônus de sucumbência.
Sobre o tema, vejamos também o § 4º, art. 5º, da Lei nº 4.717, de 1965:
Lei nº 4.717, de 1965 
Art. 5º Conforme a origem do ato impugnado, é competente para conhecer da ação, processá-
-la e julgá-la o juiz que, de acordo com a organização judiciária de cada Estado, o for para as 
causas que interessem à União, ao Distrito Federal, ao Estado ou ao Município.
[...]
§ 4º Na defesa do patrimônio público caberá à suspensão liminar do ato lesivo impugnado. 
Ainda, é possível requerer a condenação por perdas e danos dos responsáveis pela lesão, 
sendo que cabe a todos os cidadãos a fiscalização da vida pública, auxiliando o Estado na boa 
gestão desta.
Portanto, em regra, a ação popular é gratuita. O motivo da gratuidade é permitir o acesso 
ao Poder Judiciário de todos os cidadãos para a defesa dos atos lesivos do poder público. 
No entanto, o inciso LXXIII estabelece uma exceção: haverá custas e sucumbência caso o 
autor ingresse com a ação com má-fé e esta seja comprovada.
Importante! A má-fé deve ser sempre provada, enquanto a boa-fé é sempre presumida.
Assistência Judiciária
LXXIV - o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insu-
ficiência de recursos;
Todos aqueles que não podem arcar com as custas judiciárias sem prejuízo de seu susten-
to pessoal e de sua família, para se ter o acesso à justiça, têm direito à assistência judiciária 
gratuita.
Esse direito se instrumentaliza por meio da Defensoria Pública ou do convênio com a 
Defensoria Pública/Ordem dos Advogados do Brasil perante a nomeação de advogado dativo.
Indenização por Erro Judiciário
LXXV - o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, assim como o que ficar preso 
além do tempo fixado na sentença;
Os erros do Poder Judiciário são passíveis de indenização. Desta forma, o inciso LXXV visa 
evitar abusos por parte do poder público ao prever a responsabilidade civil do Estado nos 
casos de erro do Poder Judiciário e prisão por tempo além do fixado em sentença.
Gratuidade de Serviços Públicos
LXXVI - são gratuitos para os reconhecidamente pobres, na forma da lei: (Vide Lei nº 7.844, 
de 1989)
a) o registro civil de nascimento;
b) a certidão de óbito;
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LXXVII - são gratuitas as ações de habeas corpus e habeas data, e, na forma da lei, os atos 
necessários ao exercício da cidadania (Regulamento).
A Constituição Federal traz, como direito fundamental, a gratuidade dos seguintes serviços 
públicos aos economicamente hipossuficientes:
 z registro civil;
 z obtenção de certidão de óbito;
 z ações de habeas corpus e habeas data. 
Ao garantir a gratuidade das certidões de nascimento e óbito, a CF, de 1988, assegura que 
as pessoas possam ser registradas e usufruir dos direitos personalíssimos decorrentes, como, 
por exemplo, os direitos de possuir um nome e ser matriculado em uma escola, entre outros. 
O inciso LXXVII, por sua vez, trata da gratuidade dos remédios constitucionais de habeas 
corpus e habeas data. A finalidade do dispositivo é garantir o acesso de todas as pessoas a 
esses remédios constitucionais.
Princípio da Celeridade Processual
LXXVIII - a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração 
do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 45, de 2004).
Ruy Barbosa (1921), jurisconsulto brasileiro, já dizia que a “justiça tardia não é justiça, 
senão injustiça qualificada e manifesta”. Assim, é fundamental a garantia da razoável duração 
do processo, de forma a evitar que direitos se percam no transcorrer processual pela demora 
do Judiciário.
Esse inciso trata do princípio da celeridade processual. Desta forma, a CF, de 1988, asse-
gura a todos, quer no âmbito judicial, quer no âmbito administrativo, a duração razoável do 
processo, bem como dos meios que garantam a celeridade de sua tramitação.
Proteção de Dados Pessoais 
LXXIX - é assegurado, nos termos da lei, o direito à proteção dos dados pessoais, inclusive nos 
meios digitais.
Por fim, em recentíssima alteração constitucional, a Emenda Constitucional nº 115, de 10 
de fevereiro de 2022, adicionou o inciso LXXIX ao art. 5º, da CF.
A partir deste, a proteção de dados pessoais passou a incluir os direitos e garantias funda-
mentais. Quanto a esse tema, cabe ressaltar que a competência para legislar sobre a proteção 
e o tratamento de dados pessoais é privativa da União.
Aplicabilidade das Normas de Direitos e Garantias Fundamentais
§ 1º As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata.
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Assim, todas as normas relativas aos direitos e garantias fundamentais são autoaplicáveis.
Atenção! Não confundir aplicação imediata com a aplicabilidade da norma constitucional 
(norma constitucional de eficácia plena, contida e limitada).
 z Rol Exemplificativo
§ 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do 
regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República 
Federativa do Brasil sejaparte.
O rol dos direitos elencados no art. 5º, da CF, de 1988, não é taxativo, mas, sim, exempli-
ficativo. Os direitos e garantias ali expressos não excluem outros de caráter constitucional 
ou infraconstitucional decorrentes de princípios constitucionais, do regime democrático, da 
legislação esparsa ou de tratados internacionais. 
Importante!
z Rol taxativo ou numerus clausus: somente o que está escrito na lei. É determinado e não 
permite interpretações extensivas;
z Rol exemplificativo: trata-se de uma lista de exemplos, como uma amostra, podendo se 
estender e permitir novas interpretações.
Tratados e Convenções Internacionais de Direitos Humanos
§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, 
em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respecti-
vos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais. 
Sanando discussões sobre a hierarquia desses dispositivos, com a Emenda Constitucional 
nº 45, de 2004, as normas de tratados internacionais sobre direitos humanos passaram a ser 
reconhecidas como normas de hierarquia constitucional — porém, somente se aprovadas 
pelas duas casas do Congresso, por 3/5 de seus membros em dois turnos de votação.
Portanto, o § 3º estabelece as regras para a incorporação do tratado internacional que 
verse sobre direitos humanos. Via de regra, o tratado internacional, após a sua celebra-
ção e assinatura pelo presidente da República, passa por referendo parlamentar para sua 
incorporação. 
Assim, o Poder Legislativo aprova-o, por meio de um decreto legislativo, e remete-o ao 
presidente da República para sua ratificação, por meio de decreto. O decreto do Executivo 
é, por sua vez, promulgado e publicado em Diário Oficial da União e passa a ter força de lei.
No caso de tratado sobre direitos humanos, a CF, de 1988, disciplinou a possibilidade de 
sua incorporação, seguindo os mesmos procedimentos cabíveis para as emendas constitucio-
nais, ou seja, dois turnos em cada Casa do Congresso Nacional e aprovação por 3/5 dos votos. 
Deste modo, o tratado passa a ser incorporado, no ordenamento jurídico, com força de nor-
ma constitucional.
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O § 3º, do art. 5º, da CF, de 1988, foi incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004. 
Portanto, apenas os tratados incorporados após essa emenda e seguindo os parâmetros do 
dispositivo possuem força de norma constitucional.
Para os incorporados anteriormente, caso se refiram aos direitos humanos, são considera-
dos supralegais. Para todos os demais tratados, força legal.
Submissão à Jurisdição do Tribunal Penal Internacional
§ 4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha 
manifestado adesão. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004).
O Brasil submeteu-se expressamente à jurisdição do Tribunal Penal Internacional (TPI), 
também conhecido por Corte ou Tribunal de Haia, instituído pelo Estatuto de Roma e ratifi-
cado em 20 de junho de 2002 pelo Brasil. A Emenda Constitucional nº 45, de 2004, deu a esta 
adesão força constitucional. O objetivo do TPI é identificar e punir autores de crimes con-
tra a humanidade.
Atenção! Não confundir o TPI com a Corte Internacional de Justiça, também conhecida 
como Tribunal de Haia, que é o órgão jurídico da Organização das Nações Unidas.
DIREITOS SOCIAIS
Os direitos sociais têm previsão do art. 6º ao art. 11, da Constituição, e também podem ser 
encontrados no Título VIII, da Constituição Federal, que trata da ordem social. 
São direitos que pertencem à segunda geração dos direitos fundamentais, ou seja, da 
dimensão que trata dos direitos da democracia e informação; alguns doutrinadores também 
os chamam de liberdades positivas, quando o Estado precisa deixar de ser omisso com o obje-
tivo de assegurar uma compensação resultante da desigualdade entre as pessoas.
Os direitos sociais exigem uma atuação do Estado em face da desigualdade social e têm 
aplicabilidade imediata. Nesse sentido, com o objetivo de garantir a igualdade formal (ou 
também chamada de igualdade jurídica, conforme prevê a CF, de 1988, significa que todos 
devem ser tratados da mesma forma).
Ainda, a Constituição dividiu os direitos sociais em três espécies:
 z direitos sociais destinados a toda sociedade (art. 6º, da CF);
 z direitos sociais para os trabalhadores (art. 7º, da CF);
 z direitos sociais coletivos dos trabalhadores (art. 8º ao art. 11, da CF).
Direitos Sociais Destinados a Toda Sociedade
Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, 
o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à 
infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. 
Parágrafo único. Todo brasileiro em situação de vulnerabilidade social terá direito a uma ren-
da básica familiar, garantida pelo poder público em programa permanente de transferência de 
renda, cujas normas e requisitos de acesso serão determinados em lei, observada a legislação 
fiscal e orçamentária. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 114, de 2021)
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É importante destacar que o parágrafo único, do art. 6º, foi incluído recentemente pela EC 
nº 114, de 2021, estabelecendo que todo brasileiro em situação de vulnerabilidade social terá 
direito a uma renda básica familiar. 
O trecho “cujas normas e requisitos de acesso serão determinados em lei” estabelece que 
esta é uma norma de eficácia limitada, pois depende de regulamentação posterior. 
Trata-se, portanto, de direitos garantidos para toda a sociedade brasileira, com exceção, 
por exemplo, da previdência social — neste caso, só terá benefício quem for contribuinte e 
preencher todos os requisitos legais exigidos.
 z Direito à Propriedade x Direito à Moradia
Durante a prova, cuidado! Direito de propriedade é um direito individual, conforme já 
estudado neste material; já o direito à moradia é um direito social, localizado no caput, do 
art. 6º, da CF, de 1988.
 z Direito à Segurança, Localizado no art. 5º (Direito Individual) e art. 6º (Direito Social) 
— Entenda a Diferença
A segurança mencionada no art. 5º, da CF, refere-se à segurança jurídica; já a segurança 
mencionada no art. 6º, da CF, refere-se ao direito à segurança pública. 
Direitos Sociais para os Trabalhadores
Os direitos individuais dos trabalhadores destinam-se a proteger a relação de trabalho 
contra uma profunda desigualdade, resultante da não observância de preceitos mínimos des-
tinados a compatibilizar a função laboral com a dignidade e o bem-estar do trabalhador — 
este, parte hipossuficiente da relação trabalhista.
Após longo período de exploração do trabalho escravo e a posterior propagação do tra-
balho livre, passou-se, cada vez mais, de acordo com as circunstâncias dos novos modelos 
econômicos, a surgir uma certa preocupação com a proteção do trabalho. 
Nesse ínterim, desenvolveram-se movimentos classistas que culminaram, por exemplo, na 
luta pela liberdade de associação e criação de algumas normas trabalhistas.
À vista disso, em 1930, Getúlio Vargas criou o Ministério do Trabalho, Indústria e Comér-
cio, promovendo, nos anos seguintes, a edição de vários decretos de caráter trabalhista que, 
dentre outros, deram início ao chamado “constitucionalismo social”. 
Atualmente, em nossa Constituição, são contemplados todos os principais direitos e garan-
tias trabalhistas que, dada a sua importância, não podem ser abolidos nem por meio de 
emendas constitucionais.
É através do trabalho que o homem pode contribuir para com a sociedade. O direito ao 
trabalho é, portanto, o maior mecanismo de inclusão social da pessoa humana, inserindo o 
homem na vida social de maneira participativa. 
O trabalho faz com que a pessoa seja vista pelo que produz e tem sido a forma mais eficaz 
de assegurar à pessoa humananão apenas a sua subsistência, mas, também, a manutenção 
de sua dignidade. Daí a importância da proteção dos direitos trabalhistas.
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Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria 
de sua condição social:
[...]
Proteção Contra Despedida Arbitrária ou Sem Justa Causa
I - relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos 
de lei complementar, que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos;
Pelos princípios da proteção e da continuidade das relações laborais, os contratos de tra-
balho, em regra, são feitos por prazo indeterminado e protegidos contra despedida arbitrá-
ria ou sem justa causa. Assim, esse inciso estabelece a indenização para dispensa arbitrária. 
Destarte, na hipótese de dispensa arbitrária, haverá uma indenização compensatória que, 
de acordo com o entendimento majoritário, diz respeito à multa complementar de 40% sobre 
o saldo do fundo de garantia por tempo de serviço (FGTS).
Seguro-Desemprego
II - seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário;
O seguro-desemprego é o direito à assistência financeira temporária a todo trabalhador 
que, tendo prestado serviços laborais ao empregador, foi demitido sem justa causa. 
É importante destacar que, para que este direito seja efetivado, é necessário que sejam 
atendidos os demais requisitos previstos no art. 3º, da Lei nº 7.998, de 1990.
Art. 3º Terá direito à percepção do seguro-desemprego o trabalhador dispensado sem justa 
causa que comprove:
I - ter recebido salários de pessoa jurídica ou de pessoa física a ela equiparada, relativos a:(Re-
dação dada pela Lei nº 13.134, de 2015)
a) pelo menos 12 (doze) meses nos últimos 18 (dezoito) meses imediatamente anteriores à data 
de dispensa, quando da primeira solicitação; (Incluído pela Lei nº 13.134, de 2015)
b) pelo menos 9 (nove) meses nos últimos 12 (doze) meses imediatamente anteriores à data de 
dispensa, quando da segunda solicitação; e (Incluído pela Lei nº 13.134, de 2015)
c) cada um dos 6 (seis) meses imediatamente anteriores à data de dispensa, quando das demais 
solicitações;(Incluído pela Lei nº 13.134, de 2015)
II - (Revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.134, de 2015)
III - não estar em gozo de qualquer benefício previdenciário de prestação continuada, previsto 
no Regulamento dos Benefícios da Previdência Social, excetuado o auxílio-acidente e o auxílio 
suplementar previstos na Lei nº 6.367, de 19 de outubro de 1976, bem como o abono de perma-
nência em serviço previsto na Lei nº 5.890, de 8 de junho de 1973;
IV - não estar em gozo do auxílio-desemprego;
V - não possuir renda própria de qualquer natureza suficiente à sua manutenção e de sua 
família;
VI - matrícula e frequência, quando aplicável, nos termos do regulamento, em curso de for-
mação inicial e continuada ou de qualificação profissional habilitado pelo Ministério da Edu-
cação, nos termos do art. 18 da Lei nº 12.513, de 26 de outubro de 2011, ofertado por meio da 
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Bolsa-Formação Trabalhador concedida no âmbito do Programa Nacional de Acesso ao Ensi-
no Técnico e Emprego (Pronatec), instituído pela Lei nº 12.513, de 26 de outubro de 2011, ou 
de vagas gratuitas na rede de educação profissional e tecnológica (Incluído pela Lei nº 13.134, 
de 2015).
O seguro-desemprego é regido pela Lei nº 7.998, de 1990, alterada pela Lei nº 13.134, de 
2015. Também há regulamentação sobre o assunto na Lei nº 10.779, de 2003, e na Lei Com-
plementar nº 150, de 2015.
Nos termos do art. 4º da lei do seguro-desemprego, o benefício será “concedido ao tra-
balhador desempregado, por período máximo variável de 3 (três) a 5 (cinco) meses”, de 
forma contínua ou alternada, a cada período aquisitivo, contados da data de dispensa que 
deu origem à última habilitação, cuja duração será definida pelo Conselho Deliberativo do 
Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat). 
A determinação do período máximo mencionado no caput observará a relação entre o 
número de parcelas mensais do benefício do seguro-desemprego e o tempo de serviço do 
trabalhador nos 36 meses que antecederem a data de dispensa que originou o requerimento 
do seguro-desemprego, vedado o cômputo de vínculos empregatícios utilizados em períodos 
aquisitivos anteriores. 
Assim, o número de parcelas a receber será determinado de acordo com o tempo de ser-
viço efetivo do trabalhador, não só do último vínculo empregatício, mas de todos os vínculos 
dos últimos 36 meses que antecederem o requerimento e que não tenham sido utilizados ou 
computados para solicitações anteriores, conforme a tabela a seguir:
SEGURO-DESEMPREGO
1ª Solicitação
Parcelas Tempo de trabalho
Quatro 12 a 23 meses
Cinco 24 meses ou mais
2ª Solicitação
Parcelas Tempo de trabalho
Três Nove a 11 meses
Quatro 12 a 23 meses
Cinco 24 meses ou mais
3ª Solicitação
Parcelas Tempo de trabalho
Três Seis a 11 meses
Quatro 12 a 23 meses
Cinco 24 meses ou mais
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Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS)
Art. 7º […] 
III - fundo de garantia do tempo de serviço;
O fundo de garantia por tempo de serviço (FGTS) foi criado com o objetivo de proteger 
o trabalhador demitido sem justa causa, mediante a abertura de uma conta vinculada ao 
contrato de trabalho. 
No início de cada mês, os empregadores depositam, nas contas vinculadas de seus funcio-
nários, o valor correspondente a 8% do salário de cada trabalhador. 
O FGTS é gerido pela Caixa Econômica Federal e constituído pelo total desses depósitos 
mensais. Os valores pertencem aos empregados, que podem sacá-los mediante o cumprimen-
to de alguns requisitos legais.
É importante ressaltar que:
Todo trabalhador brasileiro com contrato de trabalho formal, regido pela Consolidação das 
Leis do Trabalho (CLT), e, também, trabalhadores domésticos, rurais, temporários, intermi-
tentes, avulsos, safreiros (operários rurais que trabalham apenas no período de colheita) e 
atletas profissionais têm direito ao FGTS. O diretor não empregado pode ser incluído no regi-
me do FGTS, a critério do empregador. (Caixa, 2024)
À vista disso, podemos dizer que o FGTS é uma espécie de conta poupança compulsória do 
trabalhador, regida pela Lei nº 8.036, de 1990.
Salário Mínimo
IV - salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessi-
dades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, ves-
tuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o 
poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim;
O salário mínimo é uma importante garantia constitucional. Importante mencionar que 
esse valor mínimo é o estabelecido para jornada padrão de 44 horas semanais, podendo ser 
proporcional, em caso de jornada inferior.
Piso Salarial
V - piso salarial proporcional à extensão e à complexidade do trabalho;
O piso salarial corresponde ao menor salário que determinada categoria profissional pode 
receber pela sua jornada de trabalho, considerando a extensão e complexidade do trabalho 
desenvolvido e devendo ser sempre superior ao salário mínimo nacional.
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Irredutibilidade do Salário
VI - irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção ou acordo coletivo;
A irredutibilidade salarial garante que o empregado não tenha o seu salário reduzido arbi-
trariamente pelo empregador durante todo o período do contrato de trabalho. É, portanto, 
uma garantia à estabilidade econômica do trabalhador.
Proteção aos que Percebem Remuneração Variável
VII - garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, para os que percebem remuneração 
variável;
Os empregados que recebem salários com valoresvariáveis, tais como comissões sobre 
vendas etc., nunca devem receber salário inferior ao mínimo. Como o salário mínimo mensal 
estipulado em lei corresponde a uma jornada laboral mensal de 220 horas, a garantia míni-
ma aqui estipulada terá como parâmetro o salário mínimo-hora.
Décimo Terceiro Salário ou Gratificação Natalina
VIII - décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria;
O 13º salário é a garantia do recebimento de um salário integral (ou proporcional ao perío-
do trabalhado, se for o caso) por ocasião das comemorações de final de ano a todos os traba-
lhadores, aposentados e pensionistas do INSS.
Remuneração Superior por Trabalho Noturno
IX - remuneração do trabalho noturno superior à do diurno;
Por questões biológicas, sabe-se que o desempenho do corpo humano para atividades 
laborais pode ser reduzido no período noturno, bem como que a redução do sono regular 
pode comprometer a saúde. Assim, é garantida, ao trabalhador, a remuneração do trabalho 
noturno superior à do diurno. 
Para tais fins, considera-se trabalho noturno:
 z o desempenhado entre as 22h de um dia até as 5h do dia seguinte para trabalhadores 
urbanos;
 z o desempenhado entre as 21h de um dia até as 5h do dia seguinte, para os trabalhadores 
rurais, das atividades de plantio e colheita;
 z o desempenhado entre as 20h de um dia até as 4h do dia seguinte, para os trabalhadores 
rurais da atividade pecuária.
Nos termos da CLT, o adicional noturno corresponde a 20% a mais sobre a hora diurna 
trabalhada para os trabalhadores urbanos e 25% para os trabalhadores rurais.
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Proteção do Salário Contra Retenção Dolosa
X - proteção do salário na forma da lei, constituindo crime sua retenção dolosa;
É vedada a retenção salarial dolosa. Assim, só são permitidos descontos salariais autoriza-
dos em lei.
Participação nos Lucros
XI - participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmen-
te, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;
A participação nos lucros e resultados da empresa corresponde a uma recompensa pelo 
reconhecimento do bom desempenho e produtividade paga a todos os funcionários de deter-
minada empresa sobre o lucro excedente de determinado período de suas atividades.
Salário-Família
XII - salário-família pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda nos termos 
da lei; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998).
O salário-família é um benefício da previdência social correspondente ao valor pago 
ao empregado de baixa renda que receba salário no valor de até R$ 1.425,56, inclusive ao 
doméstico e ao trabalhador avulso, e que possua filhos menores de 14 anos de idade ou com 
deficiência, sem limite de idade.
Jornada de Trabalho
XIII - duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro sema-
nais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou con-
venção coletiva de trabalho; (Vide Decreto-Lei nº 5.452, de 1943).
A Constituição Federal garante ao trabalhador jornada de trabalho não superior a oito 
horas diárias ou 44 horas semanais, facultada a compensação e a redução.
Jornada Especial para Turnos Ininterruptos de Revezamento
XIV - jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de revezamento, 
salvo negociação coletiva;
Caracteriza-se trabalho em turno ininterrupto de revezamento aquele prestado por traba-
lhadores que se revezam nos postos de trabalho nos horários diurno e noturno. 
Esse tipo de jornada trabalhista é bastante comum em empresas que funcionam em tempo 
integral, sem pausas. A jornada do trabalhador de turnos ininterruptos deve ser de seis horas 
diárias.
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Repouso (ou Descanso) Semanal Remunerado (DSR)
XV - repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos;
O descanso ou repouso semanal remunerado corresponde a um dia de folga semanal 
remunerado ao trabalhador. Deve ser concedido preferencialmente aos domingos, dado seu 
objetivo social e de lazer e recreação, mas nada impede que seja gozado nos outros dias da 
semana. 
No caso de empresas que funcionem aos domingos e feriados, devem ser adotadas regras 
de escala para seus funcionários, de forma que o trabalhador tenha ao menos um domin-
go livre no mês como descanso semanal remunerado e usufrua os demais em outro dia da 
semana.
Pagamentos de Horas Extras
XVI - remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em cinqüenta por cento à 
do normal; (Vide Del 5.452, § 1º, art. 59).
O pagamento de horas extras caracteriza-se pela remuneração superior em, no mínimo, 
50% das horas trabalhadas, além da jornada diária — lembrando que a legislação trabalhista 
permite o excedente em apenas duas horas extraordinárias diárias, totalizando 10 horas diá-
rias trabalhadas, salvo condições excepcionais. 
É lícita também a compensação de jornada (banco de horas), quando, ao invés de receber 
o acréscimo salarial que lhe é devido, o trabalhador passa a ter direito a usufruir a compen-
sação das horas excedentes em períodos de folga para descanso e lazer, mediante o cumpri-
mento de alguns requisitos legais pela empregadora.
Férias Remuneradas
XVII - gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário 
normal;
Após um ano de trabalho efetivo (período aquisitivo), todo trabalhador passa a ter direi-
to a um período de até 30 dias para descanso e lazer, com percebimento de salário integral, 
acrescido de 1/3 constitucional. As férias são concedidas a critério do empregador que, após 
o término do período aquisitivo, tem até um ano para concedê-las (período concessivo).
Licença à Gestante
XVIII - licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de cento e 
vinte dias;
Também chamada de licença-maternidade, corresponde ao período em que a mulher está 
prestes a ter um filho, acabou de ganhar um bebê ou adotou uma criança. 
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Nesse contexto, a mulher tem direito a permanecer afastada do seu trabalho e receber o 
salário-maternidade, benefício previdenciário pago à pessoa nessas condições. 
Em regra, a licença-maternidade é de 120 dias, podendo ser ampliado para 180 dias, nos 
casos em que a empregadora for aderente ao Programa Empresa Cidadã, instituído pela Lei 
nº 11.770, de 2008, e regulamentado pelo Decreto nº 7.052, de 2009.
Licença-Paternidade
XIX - licença-paternidade, nos termos fixados em lei;
A licença-paternidade tem o período de cinco dias; inicia-se no primeiro dia útil após o 
nascimento da criança, em que o pai tem direito a afastar-se de suas atividades laborais, sem 
prejuízo de seu salário. Nos casos em que a empresa esteja cadastrada no programa Empresa 
Cidadã, o prazo poderá ser estendido por mais 15 dias, totalizando 20 dias.
Proteção da Mulher no Mercado de Trabalho
XX - proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei;
Com vias a garantir a isonomia de condições laborais, a proteção ao trabalho da mulher 
é questão de ordem pública. Assim, são vedadas diferenciações arbitrárias, salvo quando a 
natureza da atividade, pública ou notoriamente, assim exigir. 
Ademais, são vedadas as diferenciações em razão do gênero para fins de remuneração, 
formação profissional e possibilidades de ascensão. A proteção à gravidez e a proibição de 
revistas íntimas ou de práticas que venham a ferir a dignidade feminina são alguns dos 
exemplos de medidas de proteção do mercado de trabalho da mulher.
Aviso Prévio
XXI - aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no mínimo de trinta dias, nos ter-
mos da lei;
Nas relações de emprego, o aviso prévio consiste na comunicação da rescisão do contratode tra-
balho por uma das partes, empregador ou empregado, com a antecedência mínima de 30 dias. O 
aviso prévio pode ser trabalhado ou indenizado quando concedido por qualquer uma das partes.
Redução dos Riscos do Trabalho
XXII - redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança;
É dever da empregadora a redução dos riscos inerentes às atividades desempenhadas por 
seus colaboradores, através do cumprimento de todas as normas regulamentadoras de saú-
de, higiene e segurança, bem como do fornecimento de equipamentos de proteção individual 
e da exigência da execução de todas as normas da empresa por seus funcionários, sob pena 
de justa causa.
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Adicional por Atividades Penosas, Insalubres ou Perigosas
XXIII - adicional de remuneração para as atividades penosas, insalubres ou perigosas, na 
forma da lei;
O trabalho penoso é aquele considerado extremamente desgastante para a pessoa humana, 
pois o trabalhador despende um esforço além do normal para o desempenho de suas atividades, 
as quais, por sua própria natureza ou em razão de fatores ambientais, provocam acentuado des-
gaste, com sobrecarga física e psíquica para o trabalhador. São exemplos de atividades penosas:
 z cortar cana;
 z colher café;
 z carregar e descarregar objetos;
 z esforços repetitivos etc.
Apesar de sua previsão na Constituição Federal, a percepção de um adicional pelo traba-
lho penoso não está regulamentada e quase não ocorre na prática laboral, podendo ser reco-
nhecida em caso de demanda judicial.
O trabalho insalubre, por sua vez, define-se como aquele no qual o empregado, no exer-
cício de suas atividades, expõe-se a qualquer agente físico, químico ou biológico nocivo à 
saúde, e que, com o passar do tempo, pode ocasionar uma doença ocupacional. 
O adicional de insalubridade pode variar entre:
 z 10% em grau mínimo;
 z 20% em grau médio;
 z 40% em grau máximo de exposição, calculado sobre o salário mínimo, nos termos da lei. 
São exemplos de atividades insalubres as exercidas por profissionais da saúde, radiologis-
tas, mineradores, entre outros.
Por fim, o trabalho perigoso é aquele que envolve constante risco à integridade física do 
trabalhador. São exemplos as atividades profissionais com:
 z inflamáveis;
 z explosivos;
 z energia elétrica;
 z segurança pessoal ou patrimonial com o uso de motocicleta, entre outros. 
O adicional de periculosidade é correspondente a 30% do salário-base.
Atenção! A insalubridade é diferente da periculosidade e os adicionais não são cumulativos. 
Em síntese, na insalubridade, a saúde do trabalhador é constantemente afetada por agen-
tes físicos, químicos ou biológicos.
Na periculosidade, por sua vez, o risco à vida é acentuado em virtude da exposição per-
manente do trabalhador a situações de perigo. 
Em alguns casos, a insalubridade e a periculosidade podem ser eliminadas ou parcialmen-
te afastadas pelo uso de equipamentos de proteção adequados.
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Aposentadoria
XXIV - aposentadoria;
Mais do que o sonho da maioria dos brasileiros, a aposentadoria é um benefício garantido 
constitucionalmente e concedido pela previdência social ao trabalhador segurado da previ-
dência que preencher os requisitos legais para sua concessão. 
De forma breve, a aposentadoria consiste na prestação pecuniária recebida mensalmente 
pelo aposentado, calculada conforme suas contribuições à previdência ao longo de toda a sua 
vida laboral.
Assistência aos Filhos Pequenos
XXV - assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até 5 (cinco) anos de 
idade em creches e pré-escolas; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006).
A Constituição Federal, com vistas à proteção do trabalho dos genitores de filhos e depen-
dentes pequenos, garante assistência gratuita para o cuidado com os últimos. Entretanto, tal 
dispositivo ainda depende de regulamentação para o seu pleno exercício. 
Reconhecimento das Convenções e Acordos Coletivos de Trabalho
XXVI - reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho;
Por esse inciso, a Constituição Federal reconheceu as convenções e acordos coletivos feitos 
conforme o texto constitucional como instrumentos com força de lei entre as partes. 
A reforma trabalhista reforçou a regra do “negociado sobre o legislado”, isto é, a concep-
ção de que a negociação pode estar acima da lei em determinadas situações. 
Proteção em Face da Automação
XXVII - proteção em face da automação, na forma da lei;
A proteção em face da automação consiste na salvaguarda da classe trabalhadora do 
desemprego pela automação abusiva, bem como da garantia efetiva à saúde e à segurança 
no meio ambiente de trabalho automatizado.
Seguro Contra Acidentes de Trabalho
XXVIII - seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indeniza-
ção a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa;
O seguro contra acidentes de trabalho é uma garantia ao empregado, às expensas do emprega-
dor, que assume os riscos da atividade laboral mediante pagamento de um adicional sobre folha 
de salários de seus empregados, com administração atribuída à previdência social. 
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Tal seguro tem função de seguridade por ser destinado a beneficiários atingidos por doen-
ça ou acidente que estejam associados ao sistema previdenciário. O seguro contra acidentes 
de trabalho está regulamentado pela Lei nº 8.212, de 1991.
Ação Trabalhista nos Prazos Prescricionais
XXIX - ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo prescricional 
de cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a extinção 
do contrato de trabalho; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 28, de 2000).
A todo trabalhador é garantido o direito de propor reclamatória (ou reclamação) trabalhis-
ta dentro dos prazos processuais legais para reaver os créditos resultantes da relação laboral.
Atenção! O prazo prescricional de uma reclamação trabalhista é de dois anos, a partir da 
rescisão do contrato de trabalho! Esse é o prazo para que o trabalhador possa ingressar com 
a ação trabalhista. 
O prazo prescricional de cinco anos, previsto no mesmo inciso da constituição, refere-se 
ao período cujos direitos podem ser questionados, ou seja, o funcionário pode reclamar ape-
nas dos direitos correspondentes aos últimos cinco anos trabalhados.
Não Discriminação
XXX - proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por 
motivo de sexo, idade, cor ou estado civil;
XXXI - proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do 
trabalhador portador de deficiência;
Proibição de Distinção do Trabalho
XXXII - proibição de distinção entre trabalho manual, técnico e intelectual ou entre os profis-
sionais respectivos;
Trabalho do Menor
XXXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de qual-
quer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quator-
ze anos; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998).
Com vias a combater a exploração infantil e promover o acesso à educação, é vedado o 
exercício de atividade laboral ao menor de 14 anos.
DE 14 A 16 ANOS Só pode trabalhar na condição de aprendiz
DE 16 A 18 ANOS É vedado o exercício de trabalho noturno, perigoso ou insalubre
A PARTIR DE 18 ANOS Trabalho normal
Igualdade ao Trabalhador Avulso
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XXXIV - igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício permanente e o 
trabalhador avulso.
Pela não discriminação, proibição de distinção do trabalho e igualdade ao trabalhador 
avulso, são vedadas quaisquer discriminaçõesN
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DIREITO CONSTITUCIONAL 
PARTICULAR/ESPECIAL
DIREITO CONSTITUCIONAL 
GERAL
DIREITO CONSTITUCIONAL 
COMPARADO
Estudo da Constituição de um 
determinado Estado
Estudo da Constituição de 
diversos Estados
Estudo comparado das 
Constituições
Critério temporal Critério 
espacial
Natureza
A natureza jurídica do direito constitucional é de direito público fundamental, pelo fato 
de estar relacionada diretamente à organização e ao funcionamento do Estado. 
Ainda, é na Constituição que podemos obter as regras mínimas de organização e adminis-
tração do Estado. Assim, a Constituição torna-se norma de parâmetro de todo ordenamento, 
sendo superior às demais.
Fontes
A doutrina classifica as fontes como mediatas e imediatas. Entenda melhor a seguir:
 z Fontes imediatas: são as mais próximas e primitivas, isto é, a Constituição e os costumes. 
A Constituição é a lei suprema e fonte principal do direito constitucional, todo ordenamen-
to jurídico deve obediência a ela;
 z Fontes mediatas: também conhecidas como fontes indiretas, são a doutrina e a 
jurisprudência.
Importante frisar que também há outra classificação das fontes pela doutrina, a qual nos 
traz a classificação das fontes como primárias e complementares. Vejamos:
 z Fontes primárias ou formais: Constituição Federal, também as emendas constitucionais, 
emendas de revisão e os tratados de direitos humanos;
 z Fontes complementares: costumes e jurisprudência.
Deste modo, os direitos e garantias fundamentais estão disciplinados no Título II, da CF, 
de 1988. Em síntese, a norma constitucional divide tais elementos em cinco grupos, a saber: 
 z direitos individuais e coletivos; 
 z direitos sociais; 
 z direitos de nacionalidade; 
 z direitos políticos; 
 z partidos políticos. 
Neste sentido, conclui-se que os direitos fundamentais constituem o gênero, do qual os 
direitos individuais, coletivos, sociais, nacionais e políticos são espécies.
Atenção! Direitos e garantias não podem ser confundidos. 
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Direitos são bens e vantagens prescritos na norma constitucional, como, por exemplo, o 
direito de ir e vir (liberdade de locomoção).
Garantias são os instrumentos por meio dos quais se assegura o exercício do referido 
direito, tanto preventivamente — como, por exemplo, o habeas corpus —, quanto repressi-
vamente — quando, por exemplo, busca-se assegurar a sua reparação no caso de violação.
Antes de adentrar no estudo dos direitos e garantias fundamentais, é importante conhe-
cermos suas características.
A primeira delas é a universalidade, isto é, os direitos e garantias fundamentais aplicam-
-se a todos os indivíduos.
A historicidade é outra característica a ser mencionada, uma vez que os direitos e 
garantias são frutos de um desenvolvimento histórico, ou seja, são traçados e estruturados 
de acordo com o desenvolvimento da própria sociedade. Considerar o contexto histórico é 
extremamente importante para se entender o porquê da proteção dada pelos direitos funda-
mentais. Como exemplo, pode-se citar as políticas afirmativas, como a política de quotas em 
concursos públicos.
Além dessas, os direitos e garantias fundamentais têm, como característica, a inalienabili-
dade. Por terem a liberdade, a justiça e a paz como fundamento, não podem ser transferidos 
ou negociados. Assim, são conferidos a todos os indivíduos, que deles não podem se desfazer, 
porque são indisponíveis, tendo em vista a proteção da pessoa humana.
A imprescritibilidade também é uma de suas características, visto que não deixam de ser 
exigíveis em razão da falta de uso, ou seja, não prescrevem. Por exemplo, o fato de determi-
nada pessoa passar grande parte de sua vida sem ter uma religião específica não a impede de 
optar por uma ou outra ou, até mesmo, por nenhuma, pois seu direito à liberdade de crença 
e exercício de culto não se perde em razão do tempo.
Verifica-se, ainda, a irrenunciabilidade como uma característica importante, na medida 
que nenhum ser humano pode abrir mão de ter direitos fundamentais. O indivíduo pode não 
usufruir deles adequadamente, mas não pode renunciar à possibilidade de exercê-los.
Outra característica dos direitos fundamentais é a indivisibilidade. Não existe hierarquia 
entre tais direitos, pois todos dispõem do mesmo valor. Consequentemente, eles são indivi-
síveis na medida em que, para a garantia de um, pressupõe-se a observância dos demais. 
Sendo assim, quando um deles é violado, os outros também o são.
Por fim, outra característica importante é a limitabilidade, isto é, os direitos fundamen-
tais não são absolutos, de modo que podem ser limitados sempre que houver uma hipótese 
de colisão de direitos fundamentais. 
É da limitabilidade que advém a regra de que nenhum direito é absoluto. Por exemplo, 
mesmo detendo o direito de locomoção, não é possível ingressar em uma propriedade alheia 
fora das hipóteses previstas na CF, de 1988 (quais sejam: convite, desastre, flagrante delito, 
prestar socorro ou ordem judicial durante o dia), podendo, inclusive, caracterizar o crime de 
invasão de domicílio.
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DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS: DIREITO À VIDA, À 
LIBERDADE, À IGUALDADE, À SEGURANÇA E À PROPRIEDADE
GARANTIAS CONSTITUCIONAIS INDIVIDUAIS E AS GARANTIAS DOS DIREITOS 
COLETIVOS, SOCIAIS E POLÍTICOS
Os direitos e deveres individuais e coletivos encontram-se elencados no art. 5º, da Constituição:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos 
brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberda-
de, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
Conforme prevê o art. 5º, da CF, de 1988, todos são iguais perante a lei, sem distinção de 
qualquer natureza, garantindo aos brasileiros direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segu-
rança e à propriedade.
Desta forma, o caput, do art. 5º, traz os cinco pilares dos direitos individuais e coletivos, 
quais sejam: vida, liberdade, igualdade, segurança e propriedade. 
Eles compreendem todos os demais direitos estruturados nos seus incisos. Por exemplo: 
do direito à vida decorrem o direito à integridade física e moral, a proibição da pena de mor-
te e a proibição de venda de órgãos. 
Quando a Constituição fala “brasileiros e estrangeiros residentes no país”, não significa 
que o estrangeiro não residente não possua direitos, pois os direitos fundamentais são desti-
nados a qualquer pessoa que se encontre em território nacional.
A CF, de 1988, adota o critério quantitativo para definir os titulares dos direitos fundamen-
tais, ou seja, a população brasileira — todos aqueles que residem em território brasileiro. 
Além disso, o caput traz o princípio da isonomia ou da igualdade (“todos são iguais peran-
te a lei, sem distinção de qualquer natureza”). Tal princípio tem, como fundamento, o fato de 
que todos nascem e vivem com os mesmos direitos e obrigações perante o Estado brasileiro. 
São destinatários do princípio da igualdade tanto o legislador como os aplicadores da lei.
Princípio da Igualdade entre Homens e Mulheres
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;
Como o próprio nome diz, o princípio prega a igualdade de direitos e deveres entre homens 
e mulheres.
O princípio da igualdade, previsto também no caput, do art. 5º, da CF, é muito importante, 
e, deste princípio, inúmeros outros decorrem diretamente, conforme veremos a seguir.
 z Igualdade na Lei x Igualdade Perante a Lei
A igualdade na lei vincula o legislador a tratar todos da mesma forma ao criar as normas, 
já a igualdade perante a lei significa que quem administra o Estado deve observar o princí-
pio da igualdade — por exemplo, o Poder Executivo ao administrar e o Poder Judiciário ao 
julgar. Importantearbitrárias entre trabalhadores por motivo 
de sexo, idade, cor ou estado civil, bem como entre o exercício de trabalho manual, técnico e 
intelectual, avulso ou permanente, consubstanciado na isonomia de todos os trabalhadores 
urbanos e rurais.
Empregados Domésticos
Art. 7º (CF) [...]
XXXIV - [...]
Parágrafo único. São assegurados à categoria dos trabalhadores domésticos os direitos pre-
vistos nos incisos IV, VI, VII, VIII, X, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XXI, XXII, XXIV, XXVI, XXX, 
XXXI e XXXIII e, atendidas as condições estabelecidas em lei e observada a simplificação do 
cumprimento das obrigações tributárias, principais e acessórias, decorrentes da relação de 
trabalho e suas peculiaridades, os previstos nos incisos I, II, III, IX, XII, XXV e XXVIII, bem 
como a sua integração à previdência social (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 72, 
de 2013).
O trabalho doméstico, predominantemente realizado por mulheres, é uma das ocupações 
mais antigas do mundo. Além disso, a diferenciação entre o trabalhador doméstico e os 
demais tem raízes na cultura escravocrata.
No caso do Brasil, considerando uma série de problemáticas históricas profundamente 
enraizadas em nossa sociedade, mesmo com a promulgação da Constituição Cidadã, em 1988, 
e com a consequente criação de uma série de direitos para a classe trabalhista, havia, ainda, 
uma imensa lacuna entre os direitos dos domésticos e dos demais trabalhadores.
À vista disso, foi a Emenda Constitucional nº 72, de 2013, que, mesmo fruto de calorosas 
discussões no Congresso Nacional, buscou igualar os direitos dos trabalhadores domésticos 
aos dos demais trabalhadores, diminuindo, então, a lacuna entre ambos. 
Além desta, a Lei Complementar nº 150, de 1º de junho de 2015, apresentou uma proposta 
de igualação jurídica, positivando direitos e garantias dos domésticos que, até então, depen-
diam de regulamentação. 
Tais mudanças apresentaram grandes reflexos sociais à classe trabalhadora. O reconheci-
mento e equiparação desses direitos foi uma grande conquista legislativa, pautada na igual-
dade e dignidade da pessoa humana. 
Assim, após a EC nº 72, de 2013, e a LC nº 150, de 2015, restaram assegurados e devidamen-
te regulamentados aos domésticos os seguintes direitos: 
 z salário mínimo; 
 z irredutibilidade do salário; 
 z garantia de salário nunca inferior ao mínimo; 
 z décimo terceiro salário com base na remuneração integral;
 z proteção do salário na forma da lei; 
 z duração normal do trabalho, não superior a oito horas diárias e 44 horas semanais; 
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 z repouso semanal remunerado; 
 z horas extras; 
 z férias anuais remuneradas acrescidas de 1/3; 
 z licenças maternidade e paternidade; 
 z aviso prévio proporcional ao tempo de serviço; 
 z redução dos riscos inerentes ao trabalho; 
 z aposentadoria; 
 z reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho;
 z proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por 
motivo de sexo, idade, cor ou estado civil;
 z proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do traba-
lhador com deficiência;
 z proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre aos menores de 18 anos e de qual-
quer trabalho aos menores de 16 anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de 14 anos.
Direitos Sociais Coletivos dos Trabalhadores
Os direitos coletivos dos trabalhadores “são aqueles exercidos por estes, coletivamente 
ou no interesse de uma coletividade” (Lenza, 2019, p. 2.038) e compreendem:
 z Liberdade de associação profissional sindical: prerrogativa dos trabalhadores para 
defesa de seus interesses profissionais e econômicos;
 z Direito de greve: direito de abstenção coletiva e simultânea do trabalho, de modo organi-
zado para defesa de interesses dos trabalhadores;
Importante!
Serviços considerados essenciais e inadiáveis à sociedade não podem ser totalmente 
paralisados para o exercício do direito de greve. Ademais, o STF (2017) entende que ser-
vidores que atuam diretamente na área de segurança pública não podem entrar em greve 
em nenhuma hipótese, pois desempenham atividade essencial à manutenção da ordem e 
a conservação da segurança e da paz social deve estar acima dos interesses de determi-
nadas categorias de servidores públicos.
 z Direito de participação laboral: assegura a participação dos trabalhadores e empregado-
res nos colegiados dos órgãos públicos em que interesses profissionais ou previdenciários 
sejam objeto de discussão;
 z Direito de representação na empresa: nos termos do art. 11, da CF, de 1988, vejamos:
Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical, observado o seguinte:
I - a lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação de sindicato, ressalvado o 
registro no órgão competente, vedadas ao Poder Público a interferência e a intervenção na 
organização sindical;
II - é vedada a criação de mais de uma organização sindical, em qualquer grau, representativa 
de categoria profissional ou econômica, na mesma base territorial, que será definida pelos tra-
balhadores ou empregadores interessados, não podendo ser inferior à área de um Município;
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III - ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, 
inclusive em questões judiciais ou administrativas;
IV - a assembléia geral fixará a contribuição que, em se tratando de categoria profissional, 
será descontada em folha, para custeio do sistema confederativo da representação sindical 
respectiva, independentemente da contribuição prevista em lei;
V - ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a sindicato;
VI - é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho;
VII - o aposentado filiado tem direito a votar e ser votado nas organizações sindicais;
VIII - é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a partir do registro da candidatura a 
cargo de direção ou representação sindical e, se eleito, ainda que suplente, até um ano após o 
final do mandato, salvo se cometer falta grave nos termos da lei.
Parágrafo único. As disposições deste artigo aplicam-se à organização de sindicatos rurais e 
de colônias de pescadores, atendidas as condições que a lei estabelecer.
Art. 9º É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportu-
nidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender.
§ 1º A lei definirá os serviços ou atividades essenciais e disporá sobre o atendimento das neces-
sidades inadiáveis da comunidade.
§ 2º Os abusos cometidos sujeitam os responsáveis às penas da lei.
Art. 10 É assegurada a participação dos trabalhadores e empregadores nos colegiados dos 
órgãos públicos em que seus interesses profissionais ou previdenciários sejam objeto de dis-
cussão e deliberação.
Art. 11 Nas empresas de mais de duzentos empregados, é assegurada a eleição de um repre-
sentante destes com a finalidade exclusiva de promover-lhes o entendimento direto com os 
empregadores.
As garantias deste último grupo de direitos sociais estão divididas em: direito de associa-
ção sindical, direito de greve e direito de representação.
O direito de associação sindical tem relação com o princípio da liberdade de associação. 
O direito de greve, citado no art. 9º, não é o mesmo direito de greve assegurado ao servidor 
público no art. 37, da CF, ou seja, a greve mencionada no art. 9º é autoaplicável (norma de efi-
cácia contida) — não precisa de lei para regulamentar o direito de greve. Já sobre o direito de 
representação, fique atento com os números também, como, por exemplo, no art. 11, da CF.
DA NACIONALIDADE 
A nacionalidade é a condição de sujeito que, por ser natural do Estado, pode participar dos 
atos pertinentes à nação. 
A atribuição da nacionalidade dá-se por dois critérios:
 z Jus solis: será brasileiro todoaquele nascido em território nacional;
 z Jus sanguinis: será brasileiro todo filho de nacional, mesmo nascido no exterior.
O Brasil adota, em regra, o critério do jus solis, entretanto, mitigado por critérios do jus 
sanguinis. O art. 12, da Constituição Federal, elenca os direitos da nacionalidade dividindo os 
brasileiros em dois grandes grupos: os brasileiros natos e os naturalizados. Vejamos.
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Art. 12 São brasileiros:
I - natos:
a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais estrangeiros, desde que 
estes não estejam a serviço de seu país;
b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que qualquer deles 
esteja a serviço da República Federativa do Brasil;
c) os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que sejam regis-
trados em repartição brasileira competente ou venham a residir na República Federativa do 
Brasil e optem, em qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela nacionalidade bra-
sileira; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 54, de 2007).
II - naturalizados:
a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas aos originários de 
países de língua portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral;
b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na República Federativa do Brasil há 
mais de quinze anos ininterruptos e sem condenação penal, desde que requeiram a nacionali-
dade brasileira (Redação dada pela Emenda Constitucional de Revisão nº 3, de 1994).
Dica: filho de brasileiro (ainda que naturalizado) nascido no exterior e que venha a optar pela 
nacionalidade brasileira será brasileiro nato, pois a legislação não diferencia brasileiros natos de 
naturalizados, e, assim, não os especifica, nos termos da alínea “c”, inciso I, art. 12, da CF.
Conforme prevê o inciso I, art. 12, da CF, é considerado brasileiro nato o nascido no Brasil, 
ainda que de pais estrangeiros, desde que estes não estejam a serviço de seu país. 
Atenção! No que diz respeito à necessidade de ambos os genitores estrangeiros estarem 
a serviço do país, entende-se que deve haver a verificação do fato de o deslocamento desse 
Estado (país) ao Brasil ter ocorrido em virtude de interesse do seu país, ainda que um deles 
não exerça função governamental, por exemplo:
 z pais argentinos, a serviço da Argentina — neste caso, o filho nascido no Brasil não será 
brasileiro nato7;
 z pais argentinos, a serviço do Uruguai — neste caso, o filho nascido no Brasil será brasileiro 
nato, pois os pais não estão a serviço de seu país (no exemplo, Argentina).
Nascidos no estrangeiro, de pai ou mãe brasileira, desde que qualquer um deles esteja a 
serviço do Brasil; neste caso, o termo a “serviço da República Federativa do Brasil” engloba “a 
serviço da Administração direta e indireta da União, estados, Distrito Federal e municípios”.
Nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que sejam registrados 
em repartição brasileira competente (embaixada ou consulado) ou venham a residir no 
Brasil e optem, em qualquer tempo, pela nacionalidade brasileira.
Atenção! O filho poderá optar pela nacionalidade brasileira observando três requisitos 
cumulativos:
 z idade mínima: 18 anos;
 z residência no Brasil;
 z obedecendo aos dois requisitos acima, deve-se optar a qualquer tempo pela nacionalidade 
brasileira.
7 Observe nos exemplos como pode ser cobrada a matéria na prova.
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Cargos Privativos do Brasileiro Nato
Nos termos do § 3º, art. 12, da Constituição Federal, de 1988, são privativos de brasileiro 
nato os cargos: 
§ 3º [...] 
I - de Presidente e Vice-Presidente da República; 
II - de Presidente da Câmara dos Deputados; 
III - de Presidente do Senado Federal; 
IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal; 
V - da carreira diplomática; 
VI - de oficial das Forças Armadas; 
VII - de Ministro de Estado da Defesa.
Naturalização
A naturalização é um meio de aquisição da nacionalidade derivado. Com outras palavras, 
trata-se de uma forma de aquisição secundária da nacionalidade brasileira permitida ao 
estrangeiro ou apátrida8 que preencher os requisitos necessários. 
A Lei nº 13.445, de 2017, que institui a Lei de Migração, trata de diversas questões acerca 
da nacionalidade e do processo de naturalização.
Por fim, é vedada a diferenciação arbitrária entre brasileiros natos e naturalizados. 
Nos termos da lei:
§ 2º A lei não poderá estabelecer distinção entre brasileiros natos e naturalizados, salvo nos 
casos previstos nesta Constituição.
Portugueses
Aos portugueses com residência permanente no país serão atribuídos os mesmos direitos 
dos brasileiros, desde que haja reciprocidade. Vejamos.
Art. 12 […]
§ 1º Aos portugueses com residência permanente no País, se houver reciprocidade em favor de 
brasileiros, serão atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro, salvo os casos previstos nesta 
Constituição (Redação dada pela Emenda Constitucional de Revisão nº 3, de 1994).
Importante!
O Supremo Tribunal Federal entende que a naturalização extraordinária é ato declaratório 
do Brasil. Estrangeiro que provar os requisitos necessários, ou seja, possuir 15 anos de 
residência ininterrupta e ausência de condenação penal, tem o direito subjetivo9 à natura-
lização. Negado este pedido, caberá mandado de segurança.
8 Também chamado de heimatlos, o apátrida configura-se como o indivíduo que, por múltiplos motivos, não 
possui nenhuma nacionalidade. O polipátrida, por sua vez, define-se como o sujeito que possui mais de uma 
nacionalidade.
9 O direito subjetivo refere-se aos direitos que são efetivamente garantidos ao indivíduo pela lei.
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Importante mencionar também a leitura do Estatuto do Estrangeiro, a Lei nº 6.815, de 
1980.
Perda da Nacionalidade
Art. 12 […]
§ 4º Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que:
I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, em virtude de fraude relacionada 
ao processo de naturalização ou de atentado contra a ordem constitucional e o Estado Demo-
crático; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 131, de 2023)
II - fizer pedido expresso de perda da nacionalidade brasileira perante autoridade brasilei-
ra competente, ressalvadas situações que acarretem apatridia. (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 131, de 2023)
a) revogada; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 131, de 2023)
b) revogada. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 131, de 2023)
§ 5º A renúncia da nacionalidade, nos termos do inciso II do § 4º deste artigo, não impede o 
interessado de readquirir sua nacionalidade brasileira originária, nos termos da lei. (Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 131, de 2023)
Temos, no § 4º, uma alteração recente trazida pela Emenda Constitucional nº 131, de 2023, 
que extinguiu a perda da nacionalidade brasileira para aqueles que adquirem outra cidada-
nia, o que até então era possível acontecer. 
Com o escopo de garantir uma maior isonomia, de acordo com a Emenda Constitucional 
nº 131, de 2023, o cidadão só perderá a sua nacionalidade brasileira caso seja pedido expres-
samente por escrito, ou seja, tenha o cidadão manifestado sua vontade de forma expressa em 
não mais possuir a nacionalidade brasileira. 
Além disso, o outro caso de possível extinção da nacionalidade brasileira será nos casos de 
pedido judicial, julgando que tal processo de naturalização é uma fraude ou poderá ser capaz 
de atentar contra a ordem constitucional e ao Estado Democrático de Direito. 
Por fim, o § 5º prevê a possibilidade do cidadão que perdeu sua nacionalidade requerê-la, 
desde que sejam observados os requisitos legais a serem impostos diante da situação. 
Extradição, Repatriação, Deportação e Expulsão
Extradição, repatriação, deportação e expulsão são medidas,instrumentos do Estado soberano, 
para enviar uma pessoa que se encontra refugiada em seu território a outro Estado estrangeiro. 
Importante frisar que o brasileiro nato não pode ser extraditado. Se for o caso, deve ser entre-
gue ao TPI; podem ser entregues a este tribunal os brasileiros natos, naturalizados e estrangeiros.
Ainda, o Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional, em seu art. 102, Decreto-Lei nº 
4.388, de 2002, define a diferença entre a entrega e a extradição. Vejamos:
 z por “entrega” entende-se a entrega de uma pessoa por um Estado ao tribunal nos termos 
do estatuto;
 z por “extradição” entende-se a entrega de uma pessoa por um Estado a outro Estado, con-
forme previsto em um tratado, em uma convenção ou no direito interno.
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Extradição
Entrega de um Estado (país) a outro Estado (país) de pessoa acusada de delito ou já con-
denada. Note que, conforme a Súmula nº 421, do STF, não há impedimento à extradição no 
fato de o extraditado ser casado com brasileiro ou ter filho brasileiro.
Conforme prevê o inciso XV, art. 22, da CF, compete à União legislar sobre extradição. 
A Constituição brasileira também dispõe, no inciso LI, do art. 5º, que 
Art. 5º […]
LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum, pra-
ticado antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpe-
centes e drogas afins, na forma da lei;
Além disso, no inciso LII: “não será concedida extradição de estrangeiro por crime político 
ou de opinião”. 
Ainda, o inciso I-g, art. 102, da CF, dispõe que o Supremo Tribunal Federal será o responsá-
vel por processar e julgar a extradição solicitada pelo Estado estrangeiro. 
De forma específica, pode-se dizer que a extradição é:
[...] um ato de cooperação internacional que consiste na entrega de uma pessoa, acusada ou 
condenada por um ou mais crimes, ao país que a reclama. (Governo Federal, 2023)
Atenção! Não haverá extradição de brasileiro nato. Também não será concedida extradi-
ção de estrangeiro por crime político ou de opinião.
A deportação, por sua vez:
[...] será aplicada nas hipóteses de entrada ou estada irregular de estrangeiros no territó-
rio nacional. É de competência do Departamento de Polícia Federal e consiste na retirada do 
estrangeiro que desatender à notificação prévia de deixar o País. 
O art. 50, da Lei nº 13.455, de 2017 (Lei de Migração), aduz que a deportação é medida 
decorrente de procedimento administrativo que consiste na retirada compulsória de pessoa 
que se encontre em situação migratória irregular em território nacional.
A repatriação, por último: 
Ocorre quando o clandestino é impedido de ingressar em território nacional pela fiscalização 
fronteiriça e aeroportuária brasileira. A repatriação ocorre a expensas da transportadora ou 
da pessoa responsável pelo transporte do estrangeiro para o Brasil. É repatriado o estrangeiro 
indocumentado ou que não possui visto para ingressar no País ou aquele que apresenta visto 
divergente da finalidade para a qual veio ao Brasil.
O art. 49, da Lei nº 13.455, de 2017 (Lei de Migração), diz que a repatriação consiste em 
medida administrativa de devolução de pessoa em situação de impedimento ao país de pro-
cedência ou de nacionalidade.
Atenção! A diferença essencial entre as duas medidas de retirada compulsória do estran-
geiro, deportação e repatriação, dá-se com relação ao momento em que ocorrem. 
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A repatriação ocorre no momento da chegada do estrangeiro que, impedido de ingressar 
em território nacional, deve retornar ao país de origem ou nacionalidade. Na deportação, 
por sua vez, o estrangeiro já se encontra em território nacional.
Expulsão
Modo de tirar o estrangeiro do Brasil de modo coativo, por infração ou ato que o torne 
inconveniente à defesa e à conservação da ordem interna do Estado.
Neste caso, a União é responsável por legislar sobre expulsão, inciso XV, art. 22, da CF.
Não ocorrerá a expulsão em duas hipóteses: diferentemente da extradição, a expulsão não 
será admitida quando o indivíduo tiver cônjuge brasileiro (desde que não esteja divorciado 
ou separado de fato) e o casamento tiver sido celebrado há mais de cinco anos, ou que tenha 
filho brasileiro, desde que este esteja sob sua guarda e dependência econômica.
A expulsão define-se enquanto medida administrativa de retirada compulsória de migran-
te ou visitante do território nacional, conjugada com o impedimento de reingresso por prazo 
determinado, este configurado pela prática de crimes em território brasileiro.
O banimento, entrega de um brasileiro para julgamento no exterior, prática comum na 
época da ditadura militar, é vedado pela Constituição.
Deportação
Neste caso, refere-se ao estrangeiro que ingressou ou permaneceu de forma irregular no 
território nacional, ou seja, é a devolução do estrangeiro por entrar no Brasil de forma irre-
gular. Assim, não há deportação de brasileiros no Brasil (inciso XV, art. 5º, da CF). 
Note que a deportação não tem relação com a prática do estrangeiro em território brasilei-
ro, mas, sim, do não cumprimento dos requisitos legais para sua entrada. 
Além disso, não existe mais o instituto do banimento, que era o envio compulsório de bra-
sileiros para o exterior. Observe, também, que há vedação constitucional de seu restabeleci-
mento no inciso XLVII-d, art. 5º, da CF.
Idioma e Símbolos Nacionais
Art. 13 A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil.
§ 1º São símbolos da República Federativa do Brasil a bandeira, o hino, as armas e o selo 
nacionais.
§ 2º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão ter símbolos próprios.
DIREITOS POLÍTICOS
Os direitos políticos são medidas assecuratórias da participação do indivíduo na vida polí-
tica e estrutural de seu próprio Estado, garantindo-lhe a possibilidade de acesso à condução 
da coisa pública e à participação na vida política. 
Assim, estes abrangem o poder que qualquer cidadão tem na condução dos destinos de 
sua coletividade de uma forma direta ou indireta, ou seja, sendo eleitos ou elegendo repre-
sentantes junto aos poderes públicos.
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CIDADANIA E DIREITOS POLÍTICOS
Atenção! O termo “nacional” difere-se do termo “cidadão”. Logo, “cidadania” é diferente 
de “nacionalidade”. 
A condição de nacional é um pressuposto para a de cidadão. A cidadania, em sentido estri-
to, é o status de nacional acrescido dos direitos políticos, isto é, poder participar do processo 
governamental, sobretudo pelo voto. Assim, a nacionalidade é condição necessária, mas não 
suficiente, da cidadania.
Vejamos o que dispõe o art. 14 acerca do exercício da cidadania:
Art. 14 A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, 
com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante:
I - plebiscito;
II - referendo;
III - iniciativa popular
A seguir, apresentam-se as definições de alguns conceitos muito importantes para as pro-
vas. Vejamos. 
 z Sufrágio universal: direito subjetivo, instrumentalizado e exteriorizado por intermédio 
do voto ou pela capacidade de ser votado. Desta maneira, tem-se que o sufrágio é a capaci-
dade eleitoral ativa somada à capacidade eleitoral passiva;
 z Plebiscito: forma de consulta ao povo acerca de determinado tema de grande relevância. 
Difere-se do referendo quanto ao momento da consulta. Aqui, a consulta dá-se previamen-
te à expedição de determinado ato legislativo ou administrativo;
 z Referendo: assim como o plebiscito, o referendo é uma consulta, porém é realizado pos-
teriormente à edição do ato legislativo ou administrativo. Assim, o povo tem o condão de 
aprovar ou desaprovar o ato;
 z Iniciativa popular: direito de uma parcela da população(1% do eleitorado) apresentar, ao 
Poder Legislativo, um projeto de lei que deverá ser examinado e votado. Os eleitores também 
podem usar deste instrumento em nível estadual e municipal. Para que um projeto de lei de 
iniciativa popular possa tramitar no Legislativo, este precisa atender aos seguintes requisitos: 
 � assinatura de 1% do eleitorado brasileiro; 
 � possuir o apoio de pelo menos cinco estados brasileiros, manifestando cada um deles no 
mínimo por 0,3% dos eleitores; 
 � ser referente a apenas um assunto, nos termos do art. 13, da Lei nº 9.709, de 1998, que 
regulamenta os instrumentos de democracia semidireta previstos no art. 14, CF.
Dica
Muitas pessoas confundem o plebiscito com o referendo. Se este for o seu caso, tenha a 
ordem alfabética como referência — sabendo qual vem antes, você saberá o momento da 
consulta em relação à expedição do ato:
z Plebiscito: antes;
z Referendo: depois.
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Direitos Políticos Ativos: Alistamento Eleitoral 
Os direitos políticos ativos consistem na capacidade de votar, participar de plebiscito e 
referendo, subscrever projeto de lei de iniciativa popular e propor ação popular. Dá-se atra-
vés do alistamento eleitoral. Vejamos o que os §§ 1º e 2º, do art. 14, informam acerca da 
temática:
§ 1º O alistamento eleitoral e o voto são:
I - obrigatórios para os maiores de dezoito anos;
II - facultativos para:
a) os analfabetos;
b) os maiores de setenta anos;
c) os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos.
§ 2º Não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros e, durante o período do serviço mili-
tar obrigatório, os conscritos.
A tabela a seguir apresenta, de forma clara e concisa, o conteúdo do dispositivo. Observemos:
ALISTAMENTO ELEITORAL
Obrigatório Facultativo Proibido
z Maiores de 18 
anos
z Analfabeto
z Maiores de 70 anos
z Maiores de 16 e menores de 18 
anos
z Estrangeiros
z Conscritos durante o serviço 
militar obrigatório
Direitos Políticos Passivos: Elegibilidade Eleitoral
Os direitos políticos passivos consistem na possibilidade de ser votado, ou seja, na elegi-
bilidade. Além de cumprir os requisitos para ser elegível, o indivíduo deverá observar as 
proibições, ou seja, as hipóteses de inelegibilidade. 
Art. 14 […]
§ 3º São condições de elegibilidade, na forma da lei:
I - a nacionalidade brasileira;
II - o pleno exercício dos direitos políticos;
III - o alistamento eleitoral;
IV - o domicílio eleitoral na circunscrição;
V - a filiação partidária;
VI - a idade mínima de:
a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da República e Senador;
b) trinta anos para Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal;
c) vinte e um anos para Deputado Federal, Deputado Estadual ou Distrital, Prefeito, Vice-Pre-
feito e juiz de paz;
d) dezoito anos para Vereador.
Para facilitar sua memorização, lembre-se do Disk Constituição — telefone 3530-2118: 
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 z 35: presidente, vice-presidente e senador;
 z 30: governador, vice-governador;
 z 21: deputado: federal, estadual ou distrital; prefeito, vice-prefeito e juiz de paz;
 z 18: vereador.
Inelegibilidades
A Constituição não menciona, exaustivamente, todas as hipóteses de inelegibilidade, ape-
nas fixa algumas, deixando à lei complementar o desdobramento dos casos. 
Em regra:
Art. 14 […]
§ 4º São inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos.
Há, também, a inelegibilidade derivada do casamento ou do parentesco com o presidente 
da República, com os governadores de estado e do Distrito Federal e com os prefeitos, ou com 
quem os substituir dentro dos seis meses anteriores ao pleito.
Art. 14 […]
§ 7º São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consanguí-
neos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da República, de Governador 
de Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído den-
tro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à 
reeleição.
Portanto, tenha em mente que a cônjuge de um prefeito não poderá se candidatar ao car-
go de vereadora, mas poderá se candidatar ao cargo de deputada estadual, por exemplo. Em 
relação ao tema, observemos o que dispõe Súmula Vinculante nº 18:
Súmula Vinculante nº 18 A dissolução da sociedade ou do vínculo conjugal, no curso do 
mandato, não afasta a inelegibilidade prevista no § 7º do artigo 14 da Constituição Federal.
Atenção! Todo inalistável é inelegível, mas nem todo inelegível é inalistável.
Quanto à reeleição e desincompatibilização, a Emenda Constitucional nº 16 trouxe a 
possibilidade de reeleição para o chefe dos poderes executivos federal, estadual, distrital e 
municipal. 
Ao contrário do sistema americano de reeleição, que permite apenas a recondução por um 
período, somente, no Brasil, após o período de um mandato, o governante pode voltar a se 
candidatar para o posto. 
Atente-se ao prazo disposto no § 6º, pois ele é extremamente cobrado em provas.
Art. 14 […]
§ 5º O Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal, os Prefeitos 
e quem os houver sucedido, ou substituído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos para 
um único período subsequente. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 16, de 1997). 
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§ 6º Para concorrerem a outros cargos, o Presidente da República, os Governadores de Estado 
e do Distrito Federal e os Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos até seis meses 
antes do pleito.
Por sua vez, o militar é elegível se cumpridos alguns requisitos:
Art. 14 […]
§ 8º O militar alistável é elegível, atendidas as seguintes condições:
I - se contar menos de dez anos de serviço, deverá afastar-se da atividade;
II - se contar mais de dez anos de serviço, será agregado pela autoridade superior e, se eleito, 
passará automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade.
§ 9º Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessa-
ção, a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para exercício de mandato 
considerada vida pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra a 
influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na admi-
nistração direta ou indireta.
O mandato eletivo pode ser impugnado:
Art. 14 […]
§ 10 O mandato eletivo poderá ser impugnado ante a Justiça Eleitoral no prazo de quinze dias 
contados da diplomação, instruída a ação com provas de abuso do poder econômico, corrup-
ção ou fraude;
A fim de uma melhor compreensão do conteúdo, observe o fluxograma a seguir.
abuso de poder econômico
corrupção
fraudeRE
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Prazo de 15 dias da diplomação
Ação instruída com provas de:
Art. 14 […]
§ 11 A ação de impugnação de mandato tramitará em segredo de justiça, respondendo o 
autor, na forma da lei, se temerária ou de manifesta má-fé.
Tenha em mente que, aqui, temos uma exceção quanto ao princípio da publicidade. Veja 
que as ações de impugnação de mandato correrão em segredo de justiça e, em caso de má-fé 
ou com o intuito temerário, o autor da ação responderá conforme a lei.
Recentemente, a Emenda Constitucional nº 111, de 2021, incluiu os §§ 12 e 13. Vejamos: 
Art. 14 […]
§ 12 Serão realizadas concomitantemente às eleições municipais as consultas populares sobre 
questões locais aprovadas pelas Câmaras Municipais e encaminhadas à Justiça Eleitoral até 
90 (noventa) dias antes da data das eleições, observados os limites operacionais relativos ao 
número de quesitos. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 111, de 2021)
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§ 13 As manifestações favoráveis e contrárias às questões submetidas às consultaspopulares 
nos termos do § 12 ocorrerão durante as campanhas eleitorais, sem a utilização de propa-
ganda gratuita no rádio e na televisão. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 111, de 2021)
Perda e Suspensão dos Direitos Políticos
A perda e a suspensão dos direitos políticos dão-se, respectivamente, de forma definitiva 
e temporária.
Ocorrerá a perda quando: 
 z houver cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado;
 z no caso de recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa (é o caso 
do serviço militar obrigatório). 
Por sua vez, a suspensão dos direitos políticos dá-se enquanto persistirem os motivos des-
ta, ou seja, enquanto não for retomada sua capacidade civil, o indivíduo terá seus direitos 
políticos suspensos. Readquirindo-a, alcançará novamente o status de cidadão. 
Também são passíveis de suspensão os condenados criminalmente (com sentença transi-
tada em julgado). Cumprida a pena, readquirem-se os direitos políticos. No caso de improbi-
dade administrativa, a suspensão será da mesma forma (temporária).
Importante!
z Perda dos direitos políticos: definitiva;
z Suspensão dos direitos políticos: temporária;
z Cassação de direitos políticos: vedada.
Art. 15 É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos 
casos de:
I - cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado;
II - incapacidade civil absoluta;
III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos;
IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos termos do art. 
5º, VIII;
V - improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º
Cancelamento da naturalização por sentença transitada 
em julgado
Recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou 
prestação 
Incapacidade civil absoluta
Condenação criminal transitada em julgado
Improbidade administrativa
DIREITOS 
POLÍTICOS
Perda
Suspensão
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Ademais, vejamos o que dispõe o art. 16, bastante discutido quando da propositura do pro-
jeto de lei que dispunha sobre o voto impresso. A discussão girava em torno da aplicação ou 
não das disposições em caso de aprovação. Caso fosse aprovado antes de um ano das eleições, 
seriam aplicadas às eleições de 2022; do contrário, não poderiam ser utilizadas, mesmo que 
aprovado.
Art. 16 A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não 
se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência.
PARTIDOS POLÍTICOS
Os partidos políticos encontram-se disciplinados no Título II, da Constituição Federal, de 
1988, que trata sobre os direitos e garantias fundamentais. 
Entende-se por “partido político” a pessoa jurídica de direito privado que objetiva asse-
gurar e defender os direitos de uma determinada parcela da população. Em síntese, portan-
to, o partido político é formado por um grupo de pessoas unidas em prol de idealizações 
políticas e sociais comuns.
Vejamos o que estabelece a CF, de 1988:
Art. 17 É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos, resguar-
dados a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo, os direitos 
fundamentais da pessoa humana e observados os seguintes preceitos:
I - caráter nacional;
II - proibição de recebimento de recursos financeiros de entidade ou governo estrangei-
ros ou de subordinação a estes;
III - prestação de contas à Justiça Eleitoral;
IV - funcionamento parlamentar de acordo com a lei.
O art. 17 correlaciona a importância dos partidos políticos à soberania nacional, ou seja, 
ao poder do Estado, visto como uma unidade de decisão em um território, de estabelecer o 
que é de sua competência e o que não lhe cabe decidir. 
A soberania pode ser concebida sob duas óticas: a soberania interna representa o poder 
do Estado em relação às pessoas e coisas em seu interior (isto é, ao direito de impor suas 
regras dentro do seu território). A soberania externa, por sua vez, representa a igualdade 
jurídica conferida aos Estados (todos os países são juridicamente iguais e possuem direitos 
e obrigações).
O art. 17 também discute a respeito do regime democrático. Brevemente, a título de com-
preensão do conteúdo, é importante sabermos que a democracia se define enquanto uma 
ideologia política que enxerga, no povo, a única fonte de legitimidade do poder. Isso signi-
fica que, de acordo com o pensamento democrático, o poder emana da população.
O regime democrático pode ser exercido de três formas, observemos:
 z De forma direta: pelo próprio povo;
 z De forma indireta: pelos representantes do povo;
 z De forma semidireta ou participativa: pela combinação dos dois critérios.
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O regime democrático brasileiro possui traços da democracia indireta e da direta. O voto 
(universal, direto e secreto, com igual valor e realizado na localidade do domicílio eleitoral), 
por exemplo, é uma característica do regime democrático indireto, pois o povo, a partir de 
seu poder de sufrágio, escolhe chefes legislativos e executivos em âmbito municipal, estadual 
e federal.
A democracia direta, por sua vez, encontra-se, no território brasileiro, nos plebiscitos, 
referendos e iniciativas populares (I, II e III, art. 14, da CF, de 1988), bem como em iniciati-
vas compartilhadas (XXXVIII e LXXIII, art. 5º; XII e XIII, art. 29; § 3º, art. 37; § 2º, art. 74; art. 
187; VII, parágrafo único, art. 194; II, art. 204; VI, art. 206 e art. 224, da CF, de 1988). 
Importante! A diferença entre o plebiscito e o referendo encontra-se no fato de que, 
no plebiscito, a população é chamada para se manifestar antes de o Estado elaborar a lei. 
Exemplo: no plebiscito de 1993, a população escolheu entre monarquia e república e entre 
parlamentarismo e presidencialismo. 
Por outro lado, no referendo, o Estado faz a legislação e depois a submete à população. 
Exemplo: Estatuto do Desarmamento.
No fluxograma abaixo, encontram-se as principais características do regime democrático. 
Vamos observá-las?
DE
M
O
CR
AC
IA
Indireta
Voto
Iniciativa popular
Referendo
Plebiscito
Periódico
Universal
Secreto
Direto
Direta
Outra característica importante da democracia da República Federativa do Brasil (V, art. 1º, 
da Constituição Federal, de 1988) é o pluripartidarismo: para assegurar o regime democrá-
tico e a representatividade na defesa dos direitos fundamentais, devem coexistir diferentes 
entidades formadas pela livre associação de pessoas com ideologias comuns. A coexistência 
pacífica de diferentes pensamentos e posicionamentos ideológicos garante, dentre outros, a 
defesa e efetivação dos direitos fundamentais.
Nesse ponto, é importante mencionar que o caput, do art. 17, trata da liberdade na cria-
ção, fusão, incorporação e extinção dos partidos, ou seja, o partido é livre para definir 
sua criação, fusão, incorporação e extinção. No entanto, para tal, alguns preceitos devem ser 
observados, vejamos:
 z o caráter nacional do partido político (não é possível a existência de partidos regionais ou 
locais);
 z a proibição de recebimento de recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiros 
ou de subordinação a estes (o partido político trata de interesse nacional, de modo que não 
pode possuir qualquer vínculo com outro Estado);
 z a prestação de contas à Justiça Eleitoral (que traça suas regras);
 z o funcionamento parlamentar de acordo com a lei.
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Lembre-se: 
A lei que disciplina os partidos políticos é a Lei nº 9.096, de 1995.
Observa-se, entretanto, que, embora a CF, de 1988, tenha assegurado a livre criação, fusão 
e incorporação de partidos políticos, esta não é absoluta, visto que se encontra condicionada 
aos princípios do sistema democrático-representativo e do pluripartidarismo. Como conse-
quência, são consideradas constitucionais as normasque fortalecem o controle quantitativo 
e qualitativo dos partidos, desde que não haja afronta ao princípio da igualdade ou que não 
causem qualquer ingerência em seu funcionamento interno.
Nos termos da lei:
Art. 17 [...] 
§ 1º É assegurada aos partidos políticos autonomia para definir sua estrutura interna e 
estabelecer regras sobre escolha, formação e duração de seus órgãos permanentes e 
provisórios e sobre sua organização e funcionamento e para adotar os critérios de esco-
lha e o regime de suas coligações nas eleições majoritárias, vedada a sua celebração 
nas eleições proporcionais, sem obrigatoriedade de vinculação entre as candidaturas 
em âmbito nacional, estadual, distrital ou municipal, devendo seus estatutos estabele-
cer normas de disciplina e fidelidade partidária.
Se o caput, do art. 17, assegura a liberdade para criação dos partidos políticos, o parágrafo 
1º traz a cláusula de barreira, também chamada de cláusula de desempenho, que se refere 
à necessidade de desempenho mínimo do partido para que ele continue existindo. 
Neste ponto, faz-se necessário realizarmos algumas observações. A princípio, o art. 13, da 
Lei nº 9.096, de 1995, disciplinava a cláusula de barreira nos seguintes termos:
Lei nº 9.096, de 1995
Art. 13 Tem direito a funcionamento parlamentar, em todas as Casas Legislativas para as 
quais tenha elegido representante, o partido que, em cada eleição para a Câmara dos Deputa-
dos obtenha o apoio de, no mínimo, cinco por cento dos votos apurados, não computados os 
brancos e os nulos, distribuídos em, pelo menos, um terço dos Estados, com um mínimo de dois 
por cento do total de cada um deles.
No entanto, em dezembro de 2006, o Supremo Tribunal Federal (STF), na Ação Direta de Incons-
titucionalidade (ADI) nº 1.351, considerou que o art. 13, da Lei nº 9.096, de 1995, era inconstitucio-
nal por violar o fundamento do pluralismo político, uma vez que o art. 17 assegurava a liberdade 
para criação dos partidos políticos de forma igualitária (todos os partidos deveriam ser iguais, 
independentemente do tamanho e ideologia, de modo a não existir partidos de 1ª e 2ª categoria).
Ainda no ano de 2006, o parágrafo 1º foi acrescentado no art. 17 pela Emenda Constitucional 
(EC) nº 52, disciplinando o fim da verticalização, isto é, da obrigação de que os partidos políticos, 
em suas candidaturas federais, estaduais ou municipais, se unissem ou se enfrentassem. Portanto, 
se dois partidos decidem se enfrentar no plano federal, nada impede que, no âmbito estadual, eles 
se unam. Trata-se da necessidade de liberdade das agremiações políticas.
Pouco mais de 10 anos após a inclusão do parágrafo 1º, a EC nº 97, de 2017, alterou o dis-
positivo com a cláusula de barreira, que era apenas uma previsão legal (declarada como 
inconstitucional), para a Constituição Federal, trazendo, assim, a possibilidade de sua imple-
mentação. Trata-se do denominado ativismo congressual ou efeito backlash.
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A cláusula de barreira estabeleceu, por exemplo, novas normas de acesso dos partidos 
políticos aos recursos do fundo partidário, bem como ao tempo de propaganda eleitoral gra-
tuita no rádio e televisão. Tal desempenho eleitoral exigido às legendas partidárias será apli-
cado de forma gradual até ser concretizado nas eleições de 2030, nos termos da EC nº 97, de 
2017.
Há de se mencionar, ainda, a vedação à celebração de coligações nas eleições proporcio-
nais, prevista no parágrafo 1º, do art. 17, que, nos termos da EC nº 97, de 2017, começou a ser 
aplicada a partir das eleições de 2020.
Vejamos o que dispõem os arts. 2º e 3º, da EC nº 97, de 2017: 
EC nº 94, de 2017
Art. 2º A vedação à celebração de coligações nas eleições proporcionais, prevista no § 1º do 
art. 17 da Constituição Federal, aplicar-se-á a partir das eleições de 2020.
Art. 3º O disposto no § 3º do art. 17 da Constituição Federal quanto ao acesso dos partidos 
políticos aos recursos do fundo partidário e à propaganda gratuita no rádio e na televisão 
aplicar-se-á a partir das eleições de 2030.
Parágrafo único. Terão acesso aos recursos do fundo partidário e à propaganda gratuita no 
rádio e na televisão os partidos políticos que:
I - na legislatura seguinte às eleições de 2018:
a) obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no mínimo, 1,5% (um e meio por cen-
to) dos votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação, com 
um mínimo de 1% (um por cento) dos votos válidos em cada uma delas; ou
b) tiverem elegido pelo menos nove Deputados Federais distribuídos em pelo menos um terço 
das unidades da Federação;
II - na legislatura seguinte às eleições de 2022:
a) obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no mínimo, 2% (dois por cento) dos 
votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação, com um míni-
mo de 1% (um por cento) dos votos válidos em cada uma delas; ou
b) tiverem elegido pelo menos onze Deputados Federais distribuídos em pelo menos um terço 
das unidades da Federação;
III - na legislatura seguinte às eleições de 2026:
a) obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no mínimo, 2,5% (dois e meio por 
cento) dos votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação, 
com um mínimo de 1,5% (um e meio por cento) dos votos válidos em cada uma delas; ou
b) tiverem elegido pelo menos treze Deputados Federais distribuídos em pelo menos um terço 
das unidades da Federação.
A EC nº 97, de 2017, gerou, ainda, o fim das coligações nas eleições proporcionais, imple-
mentado a partir das eleições de 2020. Consequentemente, só é possível haver coligações nas 
eleições majoritárias, ou seja, para os cargos de Presidente, Governador, Prefeito e Senador. 
Art. 17 [...] 
§ 2º Os partidos políticos, após adquirirem personalidade jurídica, na forma da lei civil, 
registrarão seus estatutos no Tribunal Superior Eleitoral.
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Por serem considerados pessoas jurídicas de direito privado, os partidos políticos adqui-
rem sua personalidade jurídica a partir do registro em cartório de registros civis, nos 
termos do parágrafo 2º, art. 17. A natureza de pessoa jurídica de direito privado também 
consta do art. 1º, da Lei nº 9.096, de 1995. 
Assim, o partido político será criado de acordo com a lei civil, ou seja, com o Código Civil e 
com a Lei nº 6.015, de 1973 (Lei de Registros Públicos). 
Verifica-se, ainda, a necessidade de registro do estatuto no Tribunal Superior Eleitoral 
(TSE), mas, atenção: o registro no TSE não constitui o partido, pois sua natureza é apenas 
administrativa. 
Os requisitos para fundação de partidos políticos encontram-se disciplinados na Lei nº 
9.096, de 1995 e na Resolução do TSE nº 23.571, de 2018.
Importante! O art. 7º, da Lei nº 9.096, de 1995, basicamente repetiu o § 2º, art. 17, da CF, de 
1988, no que se refere à aquisição da personalidade jurídica. No entanto, o § 1º, do art. 7º, foi 
alterado pela Lei nº 13.107, de 2015, de modo a trazer regra de limitações quanto às assinatu-
ras e tempo mínimo para fusão partidária. Como consequência, foi ajuizada, no STF, a ADI nº 
5.311. O STF considerou que a norma era constitucional e que fortalecia o controle quantita-
tivo e qualitativo dos partidos. Posteriormente, a Lei nº 13.165, de 2015, alterou o parágrafo, 
incluindo a necessidade de criação de partidos políticos de assinaturas diferentes a fim de 
evitar que se conseguisse a quantidade necessária para criação de um partido político e, pos-
teriormente, as mesmas pessoas criassem outros partidos decorrentes deste primeiro.
Art. 17 [...] 
§ 3º Somente terão direito a recursos do fundo partidário e acesso gratuito ao rádio e 
à televisão, na forma da lei, os partidos políticos que alternativamente: 
I - obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no mínimo, 3% (três por cento) 
dos votos válidos, distribuídosem pelo menos um terço das unidades da Federação, com 
um mínimo de 2% (dois por cento) dos votos válidos em cada uma delas; ou
II - tiverem elegido pelo menos quinze Deputados Federais distribuídos em pelo menos 
um terço das unidades da Federação.
O parágrafo 3º, do art. 17, disciplina a forma de distribuição dos recursos do fundo par-
tidário e direito de antena. De acordo com o dispositivo, a distribuição do dinheiro pro-
veniente do fundo partidário e a divisão de tempo de rádio e TV leva em consideração a 
representação do partido na Câmara dos Deputados. 
O fundo partidário é um Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos 
que, além do seu estatuto registrado no TSE, tenham prestação de contas regular perante a 
Justiça Eleitoral. Além disso, este, principal fonte de verbas dos partidos, é constituído por 
dotações orçamentárias da União, multas, penalidades, doações e outros recursos financei-
ros estabelecidos no art. 38, da Lei nº 9.096, de 1995. Esses valores são repassados aos parti-
dos políticos por meio do art. 41-A, da Lei nº 9.096, de 1995, que assim estabelece: 
Lei nº 9.096, de 1995
Art. 41-A Do total do Fundo Partidário: 
I - 5% (cinco por cento) serão destacados para entrega, em partes iguais, a todos os partidos 
que atendam aos requisitos constitucionais de acesso aos recursos do Fundo Partidário; e
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II - 95% (noventa e cinco por cento) serão distribuídos aos partidos na proporção dos votos 
obtidos na última eleição geral para a Câmara dos Deputados. 
Parágrafo único. Para efeito do disposto no inciso II, serão desconsideradas as mudanças de 
filiação partidária em quaisquer hipóteses.
Outro ponto importante é a vedação de doação a campanhas por pessoas jurídicas. 
Assim, passou a ser proibido que empresas doassem quantidades de dinheiro ou bens para 
patrocinar a campanha política dos pretensos candidatos.
Se a doação de pessoas jurídicas à campanha é proibida, o STF entendeu que essa vedação não 
se estende às pessoas físicas, desde que identificadas. Ressalta-se, todavia, que o Congresso Nacio-
nal criou, então, a figura do doador oculto, que, por sua vez, também foi proibida pelo STF. 
É importante estudarmos, ainda, as regras nos debates eleitorais e a possibilidade de 
convite por emissoras. Segundo a regra anterior, os candidatos de partidos políticos que não 
possuíam o número mínimo de representantes na Câmera dos Deputados poderiam partici-
par dos debates apenas se estivessem bem colocados na disputa eleitoral e se todos os outros 
candidatos concordassem. O STF, entretanto, relativizou a regra e permitiu que o convite de 
participação nos debates partisse das próprias emissoras. 
No que se refere à representação, o STF entende que o tempo a ser considerado é o da 
representação do partido na Câmara dos Deputados às vésperas da eleição e não o resultado 
da última eleição. Observemos o seguinte exemplo.
 z O DEM elegeu vários deputados federais em 2014, mas muitos deles migraram para o PSD, 
que não existia nessa eleição. Se prevalecesse a tese da eleição anterior, o DEM teria muito 
tempo de rádio, enquanto o PSD não teria nenhum.
Ademais, é importante lembrar que, de acordo com o STF, são válidas e possíveis as sátiras 
e crônicas envolvendo os políticos, uma vez que partem do direito à liberdade de expressão. 
Art. 17 [...] 
§ 4º É vedada a utilização pelos partidos políticos de organização paramilitar.
O parágrafo 4º, do art. 17, veda a utilização de organização paramilitar pelos partidos 
políticos. O objetivo do dispositivo é fazer com que as regras da democracia sejam respei-
tadas, isto é, impedir que o poder político seja adquirido pela força e não pelas ideologias e 
posicionamentos defendidos. Complementando esse parágrafo, o art. 6º, da Lei nº 9.096, de 
1995, assim estabelece:
Art. 6º É vedado ao partido político ministrar instrução militar ou paramilitar, utilizar-se de 
organização da mesma natureza e adotar uniforme para seus membros.
Portanto, ao regulamentar esse dispositivo constitucional, a Lei nº 9.096, de 1995, também 
proibiu que partido político: 
 z ministrasse instrução militar ou paramilitar;
 z utilizasse de organização da mesma natureza; 
 z adotasse uniforme para seus membros.
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Continuemos a análise da lei.
Art. 17 [...] 
§ 5º Ao eleito por partido que não preencher os requisitos previstos no § 3º deste artigo é 
assegurado o mandato e facultada a filiação, sem perda do mandato, a outro parti-
do que os tenha atingido, não sendo essa filiação considerada para fins de distribuição dos 
recursos do fundo partidário e de acesso gratuito ao tempo de rádio e de televisão.
Neste ponto, é importante tratarmos da fidelidade partidária. A parte final do § 1º, art. 
17, da CF, de 1988, dá autonomia para que os partidos políticos estabeleçam normas a respei-
to da fidelidade e disciplina partidárias. Em síntese, considera-se infidelidade partidária a 
mudança de partido sem que haja motivo justificado. Tal transferência de legenda pode ou 
não ensejar na perda do cargo eletivo. 
Dica
Segundo o STF, é possível existir o fenômeno dos “puxadores de votos” (candidatos que, 
em razão do quociente eleitoral para as eleições proporcionais, recebem um número de 
votos suficiente para eleger outros candidatos), porém, os candidatos a serem “puxados” 
devem demonstrar um mínimo de desempenho, ou seja, devem possuir, no mínimo, 1/10 
do quociente eleitoral. 
Art. 17 [...] 
§ 6º Os Deputados Federais, os Deputados Estaduais, os Deputados Distritais e os 
Vereadores que se desligarem do partido pelo qual tenham sido eleitos perderão o 
mandato, salvo nos casos de anuência do partido ou de outras hipóteses de justa causa 
estabelecidas em lei, não computada, em qualquer caso, a migração de partido para fins de 
distribuição de recursos do fundo partidário ou de outros fundos públicos e de acesso gratuito 
ao rádio e à televisão.
Por fim, o parágrafo 6º trata das hipóteses de perda de mandato. A princípio, o STF ado-
tava o posicionamento de que o mandato pertencia ao partido político, ou seja, se o político 
saísse do partido pelo qual foi eleito, o seu mandato seria perdido. Posteriormente, conside-
rando que os eleitores votam no político, não no partido, o STF mudou de entendimento no 
que se refere às eleições majoritárias (Presidente, Governador, Prefeito e Senador). Como 
consequência, a fidelidade partidária passou a ser aplicada somente nas eleições proporcio-
nais (Deputados Federais, Estaduais, Distritais e Vereadores).
Complementando o dispositivo, o art. 26, da Lei nº 9.096, de 1995, estabelece:
Art. 26 Perde automaticamente a função ou cargo que exerça, na respectiva Casa Legis-
lativa, em virtude da proporção partidária, o parlamentar que deixar o partido sob cuja 
legenda tenha sido eleito.
Ainda no que diz respeito à fidelidade partidária, é importante conhecermos algumas 
exceções à perda do mandato. O ex-Deputado Clodovil Hernandes, por exemplo, foi elei-
to por um partido. No entanto, durante seu mandato, sofreu situação de grave perseguição 
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pessoal devido à sua orientação sexual. Por essa razão, Clodovil migrou de partido. Analisan-
do o caso, o STF entendeu que, quando Clodovil trocou de partido, ele não perdeu o mandato, 
uma vez que foi reconhecida a grave perseguição. No entanto, após o seu falecimento, o STF 
fixou o posicionamento de que a vaga não seria do partido que o recebeu, mas, sim, do par-
tido que o elegeu. O deputado Alexandre Frota, por sua vez, foi expulso do partido pelo qual 
foi eleito, porém, a expulsão não acarretou a perda do mandato e o deputado manteve-se no 
cargo em outro partido.
Recentemente, a Emenda Constitucional nº 117, de 2022, incluiu os parágrafos 7º e8º no 
art. 17. Este tema é importante, pois, por ser novidade, pode ser alvo de questões em concur-
sos públicos. 
O parágrafo 7º estabelece que os partidos políticos devem aplicar, no mínimo, 5% dos 
recursos do fundo partidário na criação e manutenção de programas voltados à participação 
política das mulheres. Vejamos: 
§ 7º Os partidos políticos devem aplicar no mínimo 5% (cinco por cento) dos recursos do 
fundo partidário na criação e na manutenção de programas de promoção e difu-
são da participação política das mulheres, de acordo com os interesses intrapartidários. 
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 117, de 2022)
O parágrafo 8º, por sua vez, dispõe que no mínimo 30% do montante do Fundo Especial 
de Financiamento de Campanha, da parcela do fundo partidário destinada às campanhas 
eleitorais e do tempo de propaganda gratuita nas mídias, deverá ser distribuído de forma 
proporcional ao número de candidatas de cada partido. O parágrafo ainda informa que essa 
distribuição deverá ser realizada seguindo critérios definidos pelos órgãos de direção e, 
também, pelas normas estatuárias de forma que sejam mantidos a autonomia e o interesse 
partidário. 
§ 8º O montante do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e da parcela do fundo 
partidário destinada a campanhas eleitorais, bem como o tempo de propaganda gratuita no 
rádio e na televisão a ser distribuído pelos partidos às respectivas candidatas, deverão ser de 
no mínimo 30% (trinta por cento), proporcional ao número de candidatas, e a distri-
buição deverá ser realizada conforme critérios definidos pelos respectivos órgãos de direção e 
pelas normas estatutárias, considerados a autonomia e o interesse partidário. (Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 117, de 2022)
PODER EXECUTIVO
FORMA E SISTEMA DE GOVERNO
A Forma de Governo diz respeito à maneira como se dá a constituição do poder em deter-
minada sociedade e a relação que se estabelece entre governantes x governados.
Nas palavras de Cyonil (2017, 47), a forma de Governo responde as seguintes perguntas: 
quem deve exercer o poder? Como esse poder é exercido?
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Nesse sentido, a forma de Governo nos mostra quem deve exercer o poder (um presidente 
ou um monarca/rei, por exemplo) e como esse poder deve ser exercido (por meio de uma 
República ou Monarquia).
Para tanto, em exemplificação, o autor apresenta algumas características da forma de 
Governo Republicana (República):
 z Legitimidade popular dos Chefes dos Executivos (Presidente, Governadores e Prefeitos) 
e das Casas Legislativas;
 z Temporariedade dos mandatos eletivos (em contraposição à vitaliciedade monárquica);
 z Prestação de contas pelos gestores públicos. 
Já na Monarquia, o chefe de Estado é um monarca (um rei ou rainha, por exemplo, ou 
imperador ou Imperatriz). Aqui a hereditariedade importa, pois o cargo do rei costuma pas-
sar de geração a geração em sua família (é vitalício, após a morte ele acaba sendo substituí-
do por um sucessor). Temos um grande exemplo da monarquia inglesa (britânica, do Reino 
Unido).
Dica
Mnemônico para decorar: a FOrma de GOverno no Brasil é a República – FOGO na República!
Nesse cenário, os Sistemas de Governo podem ser:
 z Presidencialismo (a chefia de Estado e de Governo é exercida por uma só pessoa);
 z Parlamentarismo (os chefes de Estado e de governo são pessoas diferentes. 
Segundo Paludo (2010, p. 5) são características do sistema presidencialista:
 z o presidente é escolhido para governar por um prazo determinado (fixo); 
 z a escolha do presidente é feita pelo povo (em geral, de forma direta, e como exceção, de 
forma indireta);
 z o Presidente da República assume a chefia de Estado e de Governo; 
 z a chefia do Executivo é exercida de modo unipessoal; 
 z o Presidente da República possui poder de veto (poder de interferir nas atividades 
legislativas).
Válido ressaltar que o Brasil adota a República e o Presidencialismo. 
Ademais, o regime político diz respeito ao conjunto de instituições políticas por meio 
das quais um Estado se organiza para exercer o seu poder sobre a sociedade. Esse regime 
pode ser, por exemplo, autoritário (uma pessoa ou um grupo de pessoas exercem o poder) ou 
democrático (o poder é exercido pelo povo).
Segundo Paludo, o Regime Político adotado no Brasil é a democracia semidireta. 
Uma democracia semidireta é aquela em que, basicamente, o poder do povo é exercido 
através de representantes eleitos, ao mesmo tempo em que é assegurada a participação dire-
ta da população em algumas decisões, por meio de plebiscito, referendo e iniciativa popular.
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Em resumo, segundo Paludo (2010, p. 6), temos o seguinte:
 z Forma de Estado: Federal;
 z Regime Político de Estado: Democracia Semidireta;
 z Tipo de Estado: Estado Democrático de Direito;
 z Forma de Governo: República;
 z Sistema de Governo: Presidencialismo.
CHEFIA DE ESTADO E CHEFIA DE GOVERNO 
Em se tratando dos cargos da administração governamental e estatal, em termos gerais, os 
Chefes de Estados e Chefes de Governo se diferenciam pelos poderes, funções e responsabi-
lidades que são atribuídos a eles pela constituição do Estado-Nação e pela tradição nacional.
Chefe de Estado
Sendo assim, explana-se a respeito do cargo do Chefe de Estado, uma vez que consiste no 
representante público mais elevado de uma nação. Seu papel excede a própria população e 
personifica os ideais e longevidade do Estado, de forma que serve como um símbolo da legi-
timidade e da força de um país. Assim, normalmente sua imagem é imbuída de legitimidade 
e demonstração de força de um país. Nesse sentido, para melhor visualização, tomamos por 
base a Inglaterra, onde o Chefe de Estado é o então Rei Charles III, uma vez que sua mãe, 
Rainha Elizabeth faleceu há pouco menos de 1 ano. No modelo Inglês, o cargo de Chefe de 
Estado é passado de forma hereditária, porém, esse cenário não pode ser comparado ao do 
Brasil, uma vez que o modo de organização é completamente diferente, não tendo correspon-
dência direta.
Chefe de Governo
Ao cargo de Chefe de Governo cabe a liderança e a formulação de políticas públicas, econômi-
cas e sociais, bem como fazer a manutenção do funcionamento dos poderes executivo e legislati-
vo, instituir o diálogo entre os partidos, atores institucionais, Chefe de Estado e população.
De forma geral, o Chefe de Governo é a figura principal da política do país e o principal 
articulador das vontades da população. Diante disso, em regimes parlamentaristas, tal car-
go ocupa também a posição de chefe do legislativo, enquanto em regimes presidencialistas, 
como o brasileiro, as casas do Congresso (Senado Federal e Câmara dos Deputados) são res-
ponsáveis por eleger seus líderes.
No Brasil, o sistema político comporta o Chefe de Estado e o Chefe de Governo, sendo exer-
cidos pela mesma pessoa, que é a figura do Presidente da República. O presidente do Brasil, 
para tanto, é eleito pelo voto popular para um mandato de quatro anos, podendo ser reeleito 
para outro mandato por igual período. Portanto, o Brasil adota o presidencialismo, que tem 
unificadas na figura do Presidente da República as funções do Chefe de Estado e Chefe de 
Governo. Portanto, o Poder Executivo brasileiro é monocrático.
Como chefe de Estado, o presidente representa o país nas suas relações internacionais e como 
chefe de governo, exerce a liderança nacional, gerindo o país política e administrativamente.
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DEFESA DO ESTADO E DAS INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS 
SEGURANÇA PÚBLICA
A segurança pública é dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, a qual objetiva 
a preservação da ordem pública e da incolumidade de pessoas e do patrimônio, conforme 
consagra o art. 144 do texto constitucional. 
É exercido por meio de órgãos federais e estaduais como a polícia federal,polícia rodoviá-
ria federal, polícia ferroviária federal, polícias civis, polícias militares, o corpo de bombei-
ros militares e as polícias penais federal, estadual e distrital, esta última acrescentada pela 
Emenda Constitucional nº 104, de 2019.
Conforme o § 8º do art. 144 da CF os municípios podem constituir guardas municipais 
destinados à proteção de seus bens, serviços e instalações (deve atuar somente na munici-
palidade). Cuidado! Esse órgão não integra a estrutura de segurança pública para exercer a 
função de polícia ostensiva.
Para o STF os órgãos que compõe a segurança pública estão relacionados nos incisos I ao 
VI do art. 144 da CF, sendo esse rol taxativo, ou seja, não podem os municípios ou estados 
criarem outros órgãos para integrarem à segurança pública. 
Art. 144 A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida 
para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através 
dos seguintes órgãos:
I - polícia federal;
II - polícia rodoviária federal;
III - polícia ferroviária federal;
IV - polícias civis;
V - polícias militares e corpos de bombeiros militares.
VI - polícias penais federal, estaduais e distrital. 
Sobre o Departamento de Trânsito o STF já manifestou:
Os Estados-membros, assim como o Distrito Federal, devem seguir o modelo federal. O art. 
144 da Constituição aponta os órgãos incumbidos do exercício da segurança pública. Entre 
eles não está o Departamento de Trânsito. Resta, pois, vedada aos Estados-membros a pos-
sibilidade de estender o rol, que esta Corte já firmou ser numerus clausus, para alcançar o 
Departamento de Trânsito.
[ADI 1.182, voto do rel. min. Eros Grau, j. 24-11-2005, P, DJ de 10-3-2006.]
Vide ADI 2.827, rel. min. Gilmar Mendes, j. 16-9-2010, P, DJE de 6-4-2011
Serviços da segurança pública são custeados mediante impostos, sendo que não é permi-
tida a criação de taxa para esta finalidade, ainda, a remuneração dos servidores será exclu-
sivamente por subsídio fixado em parcela única, na forma do § 4º do art. 39 da CF, de 1988.
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Art. 39 A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão conselho de política 
de administração e remuneração de pessoal, integrado por servidores designados pelos res-
pectivos Poderes. [...]
§ 4º O membro de Poder, o detentor de mandato eletivo, os Ministros de Estado e os Secretá-
rios Estaduais e Municipais serão remunerados exclusivamente por subsídio fixado em 
parcela única, vedado o acréscimo de qualquer gratificação, adicional, abono, prêmio, verba 
de representação ou outra espécie remuneratória, obedecido, em qualquer caso, o disposto no 
art. 37, X e XI.
 z Polícia Federal (art. 144, § 1º da CF): é órgão permanente, organizado e mantido pela 
União. Exerce a função de polícia judiciária da União, que está disposto nos incisos I ao IV, 
vejamos:
Art. 144 [...]
§ 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, organizado e mantido pela 
União e estruturado em carreira, destina-se a:
I - apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens, 
serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas, assim 
como outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija 
repressão uniforme, segundo se dispuser em lei; 
II - prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o contrabando 
e o descaminho, sem prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos públicos nas respectivas 
áreas de competência; 
Conforme considerações do STF, na busca e apreensão de tráfico de drogas o cumprimen-
to da ordem judicial pela polícia militar não contamina o flagrante e a busca e apreensão 
realizadas.
Art. 144 [...]
III - exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras; 
IV - exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária da União.
 z Polícia Rodoviária Federal (art. 144, § 2º da CF): é órgão permanente, organizado e man-
tido pela União, tem como função o patrulhamento ostensivo das rodovias federais;
 z Polícia Ferroviária Federal (art. 144, § 3º da CF): é órgão permanente, organizado e 
mantido pela União, tem como função o patrulhamento ostensivo das ferrovias federais.
A Polícia Ferroviária Federal surgiu no Brasil em 1852 por Decreto Imperial, nessa época 
era denominada como “Polícia dos Caminhos de Ferro” e tinha o objetivo de cuidar das rique-
zas que eram transportadas pelos trilhos de ferro. 
Entretanto, apesar de ter autorização na atual constituição, hoje essa polícia não existe de 
fato.
 z Polícias Civis (art. 144, § 4º da CF): são dirigidas por delegados de carreiras e subordi-
nadas aos Governadores dos estados ou DF têm função de polícia judiciária (exercício da 
segurança pública) e apuração de infrações penais, salvo as militares. 
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Art. 144 [...]
§ 4º Às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem, ressalvada a 
competência da União, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exce-
to as militares.
Fique atento que o art. 144 § 4º não menciona a atividade penitenciária como atividade da 
polícia civil. 
A Constituição do Brasil – art. 144, § 4º – define incumbirem às polícias civis “as funções 
de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares”. Não menciona a 
atividade penitenciária, que diz com a guarda dos estabelecimentos prisionais; não atribui 
essa atividade específica à polícia civil. (STF. ADI 3.916, rel. min. Eros Grau, DJE de 14-5-2010)
 z Polícias militares e Corpo de Bombeiros Militar (art. 144, § 5º da CF): as polícias milita-
res cabem à polícia ostensiva sendo atribuído a preservação da ordem pública e ao corpo 
de bombeiros militares objetivam a execução das atividades de defesa civil, prevenção e 
combate a incêndios, buscas e salvamentos públicos. 
Ainda, conforme consagra § 6º do art. 144 da CF ambos “subordinam-se, juntamente com as 
polícias civis e as polícias penais estaduais e distrital, aos Governadores dos Estados, do Distri-
to Federal e dos Territórios”. 
 z Polícias Penais Federal, estaduais e distrital (art. 144 § 5º-A): foi incluído pela Emenda 
Constitucional nº 104 de 2019, às polícias penais cabe à segurança dos estabelecimentos 
penais, vinculadas ao órgão administrador do sistema penal da unidade federativa a que 
pertencem.
ORGANIZAÇÃO DA SEGURANÇA PÚBLICA 
Em conformidade à Constituição Federal do Brasil de 1988, no preâmbulo dos arts. 5º e 6º, 
a segurança pública é um direito fundamental e condição essencial para o exercício pleno da 
cidadania, com liberdade, equidade racial, de gênero, paz e valorização, da vida e do meio 
ambiente. Sendo assim, por ser um direito, a segurança precisa ser traduzida em políticas 
públicas que se guiem pelos princípios da transparência, da participação social e de modelos 
de governança democrática. E, para que haja a melhor compreensão do significado de tais 
opções, este texto visa analisar a arquitetura institucional e federativa que é capaz de moldar 
a segurança pública e a atividade das polícias no país e compreender como funciona a área.
No Brasil, a organização da segurança pública é uma responsabilidade compartilhada 
entre diferentes entidades e órgãos em níveis Federal, Estadual e Municipal. A estrutura e as 
atribuições podem variar um pouco de acordo com a região do país, mas será fornecida uma 
visão geral sobre como se dá essa organização.
Nível Federal
A nível federal, o Ministério da Justiça é o principal órgão responsável pela formulação 
e implementação de políticas de segurança pública em nível nacional. Ele coordena a atua-
ção dos demais órgãos federados de segurança e também mantém a Polícia Federal como 
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responsável pela investigação de crimes federais, controles de fronteiras, imigração, entre 
outros.
Ainda, a Polícia Federal (PF) é uma instituição policial de natureza federal vinculada ao 
Ministério da Justiça e Segurança Pública. A PF, por sua vez, será a responsável pela investi-
gação de crimes federais, tais como tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, crimes contra o 
sistema financeiro, corrupção em espera federal, entre outros que se tenha a competência. 
Adiante, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) é uma instituição policial federal, também vin-
culada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, uma vez que possui a atribuição de 
fiscalizar e policiar as rodovias federais, além de vislumbrar da mesma forma as atividades 
relacionadas à segurança viária e combate ao crime nas estradas.
Nível Estadual
Por conseguinte, ao que corresponde a competência estadual, existem outros órgãos que se 
responsabilizam pela Segurança Pública, tal como a própria Secretaria de Segurança Pública 
(SSP), dado que são órgãos individualizados em cada estado brasileiro, cada qual com a sua 
respectiva secretaria. Nesse sentido, a responsabilidade será sobre a coordenação e super-
visão das atividades de segurança no âmbito estadual, de forma que, é de costume a abran-
gência de órgãos como a Polícia Civil (PC), Polícia Militar (PM), Corpo de Bombeiros Militar 
(CBM) e Instituto Médico Legal (IML).
A partir do que foi explicitado, cabe a pormenorização de algumas das organizações supra-
citadas, dado que:
 z Polícia Civil (PC): também conhecida como polícia judiciária estadual, na qual é respon-
sável pela investigação de crimes comuns que ocorrem dentro dos limites do estado. A PC 
trabalha juntamente ao Ministério Público e Poder Judiciário para apurar crimes, reunir 
provas e promover a responsabilização dos infratores;
 z Polícia Militar (PM): se encontra no polo de força de segurança estadual, uma vez que é a 
responsável pelo policiamento ostensivo e preservação da ordem pública. Sua atuação é, 
principalmente, na prevenção de crimes, manutenção da segurança nas ruas, controle de 
distúrbios civis e atendimento a ocorrências de emergência;
 z Corpo de Bombeiros Militar (CBM): de forma vinculada à estrutura estadual, a responsa-
bilidade do órgão é pelo combate aos incêndios, resgate das vítimas de acidentes, atendi-
mento pré-hospitalar, salvamentos aquáticos e outras atividades relacionadas à proteção 
civil.
Nível Municipal
A Guarda Municipal é a entidade que mais se diversifica, pois muitos municípios possuem 
as suas próprias, de forma a se responsabilizar pela segurança e proteção do patrimônio 
público local. Dessa forma, é possível a atribuição do policiamento preventivo, fiscalização de 
trânsito, apoio em eventos, entre outras atividades que possam vir a ser incluídas à categoria.
Por fim, é necessário ressaltar que a visão apresentada em níveis é generalizada, de manei-
ra que a estrutura exata pode ser alterada de acordo com cada estado e município. Ademais, 
existem outros órgãos e entidades que podem estar envolvidos na Segurança Pública, como 
o sistema penitenciário, agências de inteligência, polícias especializadas, entre outros que 
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foram também apresentados no tópico de “Segurança Pública”. Portanto, com o trabalho de 
todas as entidades de forma conjunta, é que se tem a estrutura de segurança pública de for-
ma completa, visando sempre o bem-estar social.
ORDEM SOCIAL
BASE E OBJETIVOS DA ORDEM SOCIAL
A ordem social está consagrada no Título VIII, da Constituição Federal (CF), e tem como 
base o princípio do trabalho, e, como objetivo, o bem-estar e a justiça social; é uma extensão 
dos direitos fundamentais previstos no Título II, da Constituição.
Neste sentido, vejamos o dispositivo constitucional que segue:
Art. 193 A ordem social tem como base o primado do trabalho, e como objetivo o bem-estar e 
a justiça sociais.
Parágrafo único. O Estado exercerá a função de planejamento das políticas sociais, assegura-
da, na forma da lei, a participação da sociedade nos processos de formulação, de monitora-
mento, de controle e de avaliação dessas políticas. 
A ideia é valorizar o trabalho humano e preservar a livre iniciativa, buscando um equilí-
brio para as relações sociais, garantindo a todos uma existência digna.
O conteúdo da ordem social foi relacionado em oito capítulos na CF; são temas que abor-
dam diversos outros ramos do direito. Nesse sentido, o professor José Afonso da Silva (2017) 
preleciona:
A Constituição deu bastante realce à ordem social. Forma ela com o título dos direitos funda-
mentais o núcleo substancial do regimento democrático instituído. Mas é preciso convir que 
o título da ordem social misturou assuntos que não se afinam com essa natureza. Jogaram-se 
aqui algumas matérias que não têm um conteúdo típico de ordem social. (2017, p. 844)
Os assuntos abordados no Título VIII são: seguridade social (art. 194 ao art. 204); educação, 
cultura e desporto (art. 205 ao art. 217); ciência e tecnologia (art. 218 e art. 219); comunicação 
social (art. 220 ao art. 224); meio ambiente (art. 225); família, criança, adolescente, jovem e 
idoso (art. 226 ao art. 230) e da população indígena (art. 231 ao art. 232). Passaremos à análise 
destes assuntos.
SEGURIDADE SOCIAL
A seguridade social garante os direitos relativos à saúde, previdência e assistência social e 
é um conjunto de ações dos poderes públicos e da sociedade; é consagrada do art. 194 ao art. 
204, da CF.
Os objetivos da seguridade social são de observância obrigatória e estão enumerados nos 
incisos do art. 194, da CF. A seguir, os dispositivos mencionados seguidos de breve explicação:
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Art. 194 A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos 
Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previ-
dência e à assistência social.
Parágrafo único. Compete ao Poder Público, nos termos da lei, organizar a seguridade social, 
com base nos seguintes objetivos:
I - universalidade da cobertura e do atendimento;
Desse modo, todas as pessoas devem ter acesso à saúde, previdência e assistência social.
Art. 194 [...]
II - uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais;
Em resumo, não é possível discriminar ou retirar direitos sociais do indivíduo.
Art. 194 [...]
III - seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços;
Ou seja, deve-se atingir o maior número possível de pessoas necessitadas de acordo com a 
possibilidade econômica do sistema da seguridade social.
Art. 194 [...]
IV - irredutibilidade do valor dos benefícios;
Todos os benefícios decorrentes da seguridade social devem ser irredutíveis.
Art. 194 [...]
V - equidade na forma de participação no custeio;
Em suma, é a participação que cada contribuinte deve fazer com a seguridade social con-
forme sua capacidade contributiva.
Art. 194 [...]
VI - diversidade da base de financiamento, identificando-se, em rubricas contábeis específicas 
para cada área, as receitas e as despesas vinculadas a ações de saúde, previdência e assistên-
cia social, preservado o caráter contributivo da previdência social;
A seguridade será financiada por toda a sociedade, sendo que não terá apenas uma fonte 
de renda.
Art. 194 [...]
VII - caráter democrático e descentralizado da administração, mediante gestão quadripartite, 
com participação dos trabalhadores, dos empregadores, dos aposentados e do Governo nos 
órgãos colegiados;
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Desta maneira, a seguridade terá a participação democrática e uma gestão descentralizada.
Conforme dispõe o art. 195, a seguridade social será financiada por toda a sociedade, nos 
termos da lei, sendo direta (mediante o pagamentofrisar que o princípio da igualdade também tem efeitos aos particulares.
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 z Igualdade Formal x Igualdade Material
A igualdade formal, também chamada de igualdade jurídica, significa que todos devem 
ser tratados da mesma forma. 
Já a igualdade material significa tratar igual os iguais e os desiguais com desigualdade, 
na medida de suas desigualdades, ou seja, é uma forma de proteção a certos grupos sociais, 
certos grupos de pessoas que foram discriminadas ao longo da história do Brasil. 
Isso ocorre por meio das chamadas ações afirmativas, que visam, por meio da política 
pública, reduzir os prejuízos. Por exemplo, temos o sistema de cotas para os afrodescenden-
tes nas universidades públicas. 
Sobre o tema, o STF (Supremo Tribunal Federal) já se posicionou pela constitucionalidade, 
e a decisão foi tomada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE 597285), com repercus-
são geral, em que um estudante questionava os critérios adotados pela UFRGS (Universidade 
Federal do Rio Grande do Sul) para reserva de vagas1.
 z Igualdade nos Concursos Públicos
Tem como base o também chamado princípio da isonomia, o qual deve ser rigorosamente 
observado sob pena de nulidade da prova a ser realizada pelo respectivo concurso público. 
Entretanto, alguns concursos exigem, por exemplo, idade, altura etc. Note que todas as 
exigências contidas no edital que façam distinção entre as pessoas somente serão lícitas e 
constitucionais desde que preencham dois requisitos: 
 � deve estar previsto em lei — igualdade formal; 
 � deve ser necessário ao cargo. 
Por exemplo: concurso para contratação de agente penitenciário para presídio feminino 
com o edital constando que é permitido somente mulheres para investidura do cargo.
Exemplo muito comentado também é sobre a proibição de tatuagem contida nos editais de con-
curso público; sobre o tema, o STF assim entendeu (a seguir, a tese de repercussão geral fixada):
Editais de concurso público não podem estabelecer restrição a pessoas com tatuagem, salvo 
situações excepcionais, em razão de conteúdo que viole valores constitucionais2.
Entenda: tatuagem que viole os princípios constitucionais e os princípios do Estado brasi-
leiros. Ex.: tatuagem de suástica nazista.
 z União Estável Homoafetiva
Tema muito comentado, e, em 2011, o STF se posicionou sobre o reconhecimento da união 
estável para casais do mesmo sexo, decisão tomada sob o argumento que o inciso IV, art. 3º, 
da CF, veda qualquer discriminação em virtude de sexo, raça, cor e que, nesse sentido, nin-
guém pode ser diminuído ou discriminado em função de sua orientação sexual. 
1 RE 597285, rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 09.05.2012, DJe 21.05.2012.
2 Recurso Extraordinário 898450. Tema de Repercussão Geral. STF. Min. Luiz Fux, julgado em 17.08.2016.
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“O sexo das pessoas, salvo disposição contrária, não se presta para desigualação jurídica”. 
Conclui-se, portanto, que qualquer depreciação da união estável homoafetiva colide com o 
inciso IV, art. 3º, da CF3.
Princípio da Legalidade e Liberdade de Ação
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;
Todo ser humano é livre e só está obrigado a fazer ou não algo que esteja previsto em lei. 
Deste princípio, decorre a ideia de que “não há crime sem lei anterior que o defina”, ou seja, a 
concepção de que “crime” é aquilo que está expressamente previsto na lei penal.
O princípio da legalidade está previsto no inciso II, art. 5º, da CF, e preceitua que “ninguém 
será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Note que quan-
do se fala em princípio da legalidade, se está falando no âmbito particular, e não da Adminis-
tração Pública.
No que tange aos particulares, o princípio da legalidade quer dizer que apenas a lei possui 
a legitimidade de criar obrigações de fazer, comumente chamadas de obrigações positivas, e, 
também, as chamadas obrigações de não fazer, conhecidas como obrigações negativas. 
Sendo assim, nos casos em que a lei não dispuser obrigação alguma, é dado ao particular 
fazer o que bem entender; ou seja, não havendo qualquer proibição disposta em lei, o parti-
cular está livre para agir, vigorando nesse ponto o princípio da autonomia da vontade.
Referente ao poder público, o conteúdo do princípio da legalidade é outro: esse tem a 
ideia de que o Estado se sujeita às leis e, ao mesmo tempo, de que governar é atividade a qual 
a realização exige a edição de leis, sendo que o poder público não pode atuar nem contrário 
às leis, nem na ausência da lei.
Vedação de Práticas de Tortura Física e Moral, Tratamento Desumano e Degradante
III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;
Torturar4 é causar ao indivíduo sofrimento físico ou mental como forma de intimidação 
ou castigo. É, também, utilizar-se de métodos como maneira de anular a personalidade ou 
diminuir a capacidade física ou mental, mesmo que sem dor.
Desta forma, é vedada a prática de tortura física e moral e de qualquer tipo de tratamento 
desumano, degradante ou contrário à dignidade humana realizada por qualquer autoridade 
ou até mesmo entre os próprios cidadãos. 
A proibição à tortura, cláusula pétrea de nossa Constituição, visa resguardar o direito de 
uma vida digna. A prática da tortura é, ainda, crime inafiançável na legislação penal brasileira.
Assim, a CF, de 1988, veda tanto a tortura como qualquer tipo de tratamento desumano 
ou degradante. Temos como exemplo prático de tal inciso a Súmula Vinculante nº 11, a qual 
dispõe sobre o uso de algemas, que, se for de forma arbitrária, pode acarretar tratamento 
desumano ou degradante.
3 STF. ADI 4277 e ADPF 132, rel. Min. Ayres Britto, julgado em 05.05.2011, DJe 06.05.2011.
4 Conceito em conformidade com o art. 2º, da Convenção Interamericana para Prevenir e Punir a Tortura.
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Súmula Vinculante nº 11 Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado 
receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de 
terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, 
civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se 
refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado.
Liberdade de Manifestação do Pensamento e Vedação do Anonimato, Visando Coibir Abusos e 
Não Responsabilização pela Veiculação de Ideias e Práticas Prejudiciais
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; 
Aqui, temos consubstanciada a liberdade de expressão. A Constituição Federal pôs fim 
à censura, tornando livre a manifestação do pensamento. Entretanto, esta liberdade não é 
absoluta, uma vez que deve se pautar nos princípios da justiça e do direito. 
Assim, de acordo com o texto constitucional, todas as pessoas detêm direito atinentes à 
liberdade de foro íntimo, ou seja, de ter convicções religiosas, filosóficas, políticas, entre 
outras, possuindo, portanto, o direito de pensar.
O pensamento em si é absolutamente livre, por ser uma questão de foro íntimo. O indiví-
duo pode pensar em que quiser, sem que o Estado possa interferir. No entanto, quando este 
pensamento é exteriorizado, passam a ser possíveis a tutela e a proteção do Estado.
Nesse sentido, é vedada a liberdade abusiva, prejudicial aos direitos de outrem, e, tam-
bém, o anonimato, de forma a coibir práticas prejudiciais sem identificação de autoria.
A vedação constitucional ao anonimato, contudo, não impede que uma autoridade públi-
ca, ao receber uma denúncia anônima, proceda com as investigações preliminares, de forma 
a apurar os indícios de materialidade narrados na denúncia.
Cumpre ainda ressaltar que, no Brasil, a denúncia anônima é permitida. Contudo, o poderdas contribuições sociais) ou indireta 
(previsão na lei orçamentária anual) e mediante recursos provenientes da União, estados, DF 
e municípios e das contribuições sociais:
Art. 195 A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, 
nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do 
Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (Vide Emenda Consti-
tucional nº 20, de 1998)
I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre:
a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, 
à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;
b) a receita ou o faturamento;
c) o lucro;
II - do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, podendo ser adotadas alí-
quotas progressivas de acordo com o valor do salário de contribuição, não incidindo contri-
buição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo Regime Geral de Previdência Social;
III - sobre a receita de concursos de prognósticos.
IV - do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar.
V - sobre bens e serviços, nos termos de lei complementar. (Incluído pela Emenda Constitucio-
nal nº 132, de 2023)
FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL
Nos termos da lei
Direta
Contribuições sociais
Indireta
Recursos orçamentários
Recursos provenientes dos orçamentos Contribuições sociais (I, II, III e IV, art. 195, da CF)
z União
z Estados
z Distrito Federal
z Municípios
z Empregador, da empresa e da entidade a ela 
equiparada na forma da lei
z Trabalhador e dos demais segurados da 
Previdência Social
z Sobre a receita de concursos de prognósticos
z Importador de bens ou serviços do exterior, ou de 
quem a lei equiparar
z Art. 195 [...]
§ 1º As receitas dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios destinadas à seguridade 
social constarão dos respectivos orçamentos, não integrando o orçamento da União.
O § 1º, do art. 195, da Constituição Federal, dispõe acerca do financiamento da segurida-
de social, uma vez que estabelece as receitas destinadas à seguridade social pelos estados, 
Distrito Federal e municípios, de maneira que devem constar dos seus próprios orçamentos, 
significando a autonomia de cada ente para gerir esses recursos em seu âmbito de atuação.
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Art. 195 [...]
§ 2º A proposta de orçamento da seguridade social será elaborada de forma integrada pelos 
órgãos responsáveis pela saúde, previdência social e assistência social, tendo em vista as 
metas e prioridades estabelecidas na lei de diretrizes orçamentárias, assegurada a cada área 
a gestão de seus recursos.
Ademais, o § 2º determina a proposta de orçamento da seguridade social, que deve ser 
elaborada de forma integral pelos órgãos responsáveis, ou seja, pelos Ministérios da Saúde, 
da Previdência Social e da Assistência Social. Além disso, o referido parágrafo estabelece a 
proposta de orçamento que deve respeitar e levar em conta as metas, bem como as priorida-
des da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
Art. 195 [...]
§ 3º A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, 
não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou 
creditícios. (Vide Medida Provisória nº 526, de 2011) (Vide Lei nº 12.453, de 2011) (Vide Emen-
da constitucional nº 106, de 2020)
Afirma, ainda, o § 3º sobre a pessoa jurídica que, caso se encontre em débito com o sistema 
da seguridade social, não pode, por motivo de inadimplência, contratar com o poder público 
nem deste receber benefícios, incentivos fiscais ou creditícios.
Art. 195 [...]
§ 4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da 
seguridade social, obedecido o disposto no art. 154, I.
§ 5º Nenhum benefício ou serviço da seguridade social poderá ser criado, majorado ou esten-
dido sem a correspondente fonte de custeio total.
Por sua vez, os §§ 4º e 5º, do art. 195, da CF, de 1988, estabelecem que a lei, observado e 
obedecido o disposto no inciso I, art. 154, deste mesmo diploma legal, poderá instituir outras 
fontes que serão destinadas à manutenção ou expansão da seguridade social, além de deixar 
claro que nenhum benefício poderá ser criado, majorado ou estendido sem que haja uma 
receita suficiente para cobrir a despesa correspondente. O dispositivo, para tanto, visa evitar 
o déficit da seguridade social e garantir a sua sustentabilidade no longo prazo.
Art. 195 [...]
§ 6º As contribuições sociais de que trata este artigo só poderão ser exigidas após decorridos 
noventa dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, não se lhes 
aplicando o disposto no art. 150, III, “b”.
Para tanto, o § 6º dispõe sobre as contribuições sociais, as quais poderão ser exigidas decor-
ridos o prazo de 90 dias da data da publicação. Dessa forma, esse prazo é chamado de ante-
rioridade nonagesimal, e visa garantir a segurança jurídica dos contribuintes, que deverão 
possuir um tempo hábil, conforme dispõe a lei, para adaptar-se às novas regras tributárias.
Nesse sentido, esse prazo é uma exceção da anterioridade anual, prevista na alínea “b”, 
inciso III, art. 150, que determina que os tributos só poderão ser cobrados no mesmo exercício 
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financeiro em que foi publicada a lei que os instituiu ou aumentou. Assim, as contribuições 
sociais podem ser cobradas no mesmo ano em que foram criadas ou alteradas, desde que 
respeitado esse prazo de 90 dias.
Art. 195 [...]
§ 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assis-
tência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.
De modo a acrescentar, as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exi-
gências estabelecidas em lei possuirão isenção de contribuição para a seguridade social. Isto 
é, tal imunidade trata-se de uma forma de incentivo às entidades para prestarem serviços 
sociais gratuitos às pessoas carentes e vulneráveis.
Art. 195 [...]
§ 8º O produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais e o pescador artesanal, bem 
como os respectivos cônjuges, que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, 
sem empregados permanentes, contribuirão para a seguridade social mediante a aplicação de 
uma alíquota sobre o resultado da comercialização da produção e farão jus aos benefícios nos 
termos da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)
De acordo com o § 8º, as figuras mencionadas no dispositivo ora arguido que exerçam suas 
atividades em regime de economia familiar, ou seja, por conta própria e sem empregados 
fixos, contribuirão para a seguridade social pagando uma alíquota sobre o valor da venda de 
sua produção, fazendo jus aos benefícios nos termos que a lei estabelece.
Art. 195 [...]
§ 9º As contribuições sociais previstas no inciso I do caput deste artigo poderão ter alíquotas 
diferenciadas em razão da atividade econômica, da utilização intensiva de mão de obra, do 
porte da empresa ou da condição estrutural do mercado de trabalho, sendo também autoriza-
da a adoção de bases de cálculo diferenciadas apenas no caso das alíneas “b” e “c” do inciso I 
do caput. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
Esse parágrafo, que foi alterado pela Emenda Constitucional (EC) nº 103, de 2019, diz res-
peito às contribuições sociais previstas no inciso I, do caput desse mesmo artigo, que pode-
rão possuir alíquotas distintas, em virtude da atividade econômica exercida, da utilização 
intensificada da mão de obra, do porte da empresa ou da condição estrutural do mercado de 
trabalho. Além disso, é permitido o estabelecimento de uma base de cálculo diferente para as 
contribuições sobre o faturamento ou lucro incidentes.Art. 195 [...]
§ 10 A lei definirá os critérios de transferência de recursos para o sistema único de saúde e 
ações de assistência social da União para os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, e dos 
Estados para os Municípios, observada a respectiva contrapartida de recursos. (Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 20, de 1998)
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Outrossim, este parágrafo estabelece critérios para o momento de transferência de recursos 
financeiros do Governo Federal para os demais entes da Federação, de forma a visar ao financia-
mento do Sistema Único de Saúde (SUS), bem como às ações de assistência social. Entretanto, tal 
transferência de recursos deverá respeitar a exigência de que os governos que recebem também 
contribuam com uma parcela própria de recursos para as mesmas finalidades.
Art. 195 [...]
§ 11 São vedados a moratória e o parcelamento em prazo superior a 60 (sessenta) meses e, na for-
ma de lei complementar, a remissão e a anistia das contribuições sociais de que tratam a alínea “a” 
do inciso I e o inciso II do caput. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na 
forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não-cumulativas. (Incluído pela Emenda Constitucional 
nº 42, de 19.12.2003)
Para tanto, o § 11 estabelece algumas limitações para o financiamento da seguridade 
social, que é composta pela saúde, previdência e assistência social. Sendo assim, as contribui-
ções sociais são tributos que incidem sobre a folha de salários, faturamento, lucro, trabalho, 
importação e os concursos de prognósticos. 
Essas contribuições, por sua vez, são destinadas a custear as despesas com a seguridade 
social, de forma que há a proibição de quatro formas de renúncia fiscal que poderiam redu-
zir a arrecadação das contribuições sociais. São elas: a moratória, que consiste no adiamento 
do pagamento das contribuições, que só poderá ser concedido em casos excepcionais, como 
desastres ambientais ou catástrofes naturais; o parcelamento, que é o pagamento das contri-
buições em prestações mensais, que não pode ultrapassar o prazo de 60 meses (cinco anos); 
a remissão, que trata-se do perdão total ou parcial das contribuições, que depende de uma 
lei complementar para ser autorizada; e a anistia, que consiste no perdão das multas e juros 
decorrentes do atraso ou inadimplência das contribuições, que também depende de uma lei 
complementar para ser concedida.
Ademais, o parágrafo seguinte estabelece que a lei ordinária deverá definir quais seto-
res da atividade econômica serão submetidos ao regime não cumulativo das contribuições 
sociais para a seguridade social. Nesse sentido, o regime não cumulativo consiste na possibi-
lidade de a empresa deduzir do valor, às contribuições devidas em cada operação, o montan-
te das contribuições já recolhidas anteriormente na mesma cadeia produtiva. Dessa forma, 
evita-se o efeito cascata da tributação, que seria a incidência das contribuições sobre elas 
mesmas em cada etapa da produção ou da circulação de bens e serviços.
Posto isto, o disposto no § 12 confere ao legislador ordinário uma margem de discricio-
nariedade para escolher os setores que serão beneficiados pelo regime não cumulativo, mas 
esta escolha deve respeitar os princípios constitucionais tributários, como o da isonomia, da 
razoabilidade e da capacidade contributiva.
Art. 195 [...]
§ 13 Revogado. Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019.
§ 14 O segurado somente terá reconhecida como tempo de contribuição ao Regime Geral de 
Previdência Social a competência cuja contribuição seja igual ou superior à contribuição míni-
ma mensal exigida para sua categoria, assegurado o agrupamento de contribuições. (Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
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O § 14 contempla o reconhecimento do tempo de contribuição para o Regime Geral de 
Previdência Social (RGPS), no qual o segurado só será reconhecido pelo mês em que a contri-
buição seja igual ou maior que a contribuição mínima mensal exigida para a sua categoria 
correspondente, garantido o direito de juntar tais contribuições.
Art. 195 [...]
§ 15 A contribuição prevista no inciso V do caput poderá ter sua alíquota fixada em lei ordiná-
ria. (Incluído pela emenda constitucional nº 132, de 2023)
§ 16 Aplica-se à contribuição prevista no inciso V do caput o disposto no art. 156-A, § 1º, I a 
VI, VIII, X a XIII, § 3º, § 5º, II a VI e IX, e §§ 6º a 11 e 13. (Incluído pela emenda constitucional 
nº 132, de 2023)
§ 17 A contribuição prevista no inciso V do caput não integrará sua própria base de cálculo 
nem a dos tributos previstos nos arts. 153, VIII, 156-A e 195, I, “b”, e IV, e da contribuição para 
o programa de integração social de que trata o art. 239. (incluído pela emenda constitucional 
nº 132, de 2023)
§ 18 A lei estabelecerá as hipóteses de devolução da contribuição prevista no inciso V do caput 
a pessoas físicas, inclusive em relação a limites e beneficiários, com o objetivo de reduzir as 
desigualdades de renda. (Incluído pela emenda constitucional nº 132, de 2023)
§ 19 A devolução de que trata o § 18 não será computada na receita corrente líquida da união 
para os fins do disposto nos arts. 100, § 15, 166, §§ 9º, 12 e 17, e 198, § 2º. (Incluído pela emen-
da constitucional nº 132, de 2023)
A Emenda Constitucional nº 132, de 2023, trouxe importantes alterações no que se refere à 
seguridade social no Brasil. Dentre elas, podemos elencar que, até a promulgação da referida 
emenda, a alíquota de contribuição era fixada através de lei complementar, o que tornava o 
processo moroso. 
A partir de então, a alíquota de contribuição social será fixada mediante lei ordinária, tor-
nando o processo mais simples e célere, uma vez que não será exigido o quórum qualificado 
de votos no congresso nacional. 
Além disso, a emenda constitucional também buscou evitar a incidência cumulativa de 
tributos sobre uma mesma base de cálculo, estabelecendo no § 17 que a contribuição social 
sobre a receita bruta das empresas não poderá ser utilizada para calcular o valor de outros 
tributos, tais como ISS, IPI, dentre outros. 
O § 18 estabelece que a lei poderá prever a devolução da contribuição a pessoas físicas, 
com o objetivo de reduzir as desigualdades de renda, sendo que tal devolução não será con-
siderada como receita da União, de acordo com o § 19. 
Assim, a Emenda Constitucional nº 132 buscou equilibrar de um lado a redução das desi-
gualdades de renda, com a devolução da contribuição, e ao mesmo tempo garantir que tal 
devolução não acarrete um impacto negativo na capacidade de a União honrar os seus com-
promissos financeiros.
SAÚDE
A saúde é direito de todos e dever do Estado, regulamentada no art. 196, da CF, e pela Lei 
nº 8.080, de 1990, dispositivos que visam garantir, mediante políticas sociais e econômicas, 
um conjunto de ações do Estado destinadas à redução de riscos relativos às doenças e suas 
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consequências. A saúde não tem natureza contributiva, ou seja, deverá ser prestada a quem 
precisar e independe de pagamento. Desse modo, fica sujeita ao controle, fiscalização e regu-
lamentação do poder público, ou seja, é de relevância pública. Vejamos:
Art. 196 A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e 
econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal 
e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.
Art. 197 São de relevância pública as ações e serviços de saúde, cabendo ao Poder Público 
dispor, nos termos da lei, sobre sua regulamentação, fiscalização e controle, devendo sua exe-
cução ser feita diretamenteou através de terceiros e, também, por pessoa física ou jurídica de 
direito privado.
O poder público cumpre seu dever na relação jurídica da saúde por meio do Sistema Único 
de Saúde, um conjunto de ações e serviços organizados de acordo com a descentralização, 
atendimento integral e com a participação da comunidade.
Art. 198 As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e hierarqui-
zada e constituem um sistema único, organizado de acordo com as seguintes diretrizes:
I - descentralização, com direção única em cada esfera de governo;
II - atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, sem prejuízo dos 
serviços assistenciais;
III - participação da comunidade.
§ 1º O sistema único de saúde será financiado, nos termos do art. 195, com recursos do orça-
mento da seguridade social, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, além 
de outras fontes.
§ 2º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios aplicarão, anualmente, em ações 
e serviços públicos de saúde recursos mínimos derivados da aplicação de percentuais calcula-
dos sobre: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000)
I - no caso da União, a receita corrente líquida do respectivo exercício financeiro, não podendo ser 
inferior a 15% (quinze por cento); (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 86, de 2015)
II - no caso dos Estados e do Distrito Federal, o produto da arrecadação dos impostos a que se 
referem os arts. 155 e 156-A e dos recursos de que tratam os arts. 157 e 159, I, “a”, e II, dedu-
zidas as parcelas que forem transferidas aos respectivos Municípios; (Redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 132, de 2023)
III - no caso dos Municípios e do Distrito Federal, o produto da arrecadação dos impostos a 
que se referem os arts. 156 e 156-A e dos recursos de que tratam os arts. 158 e 159, I, “b”, e § 
3º. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023)
O § 2º, por sua vez, informa que a União, estados, Distrito Federal e municípios devem aplicar, 
a cada ano, em ações e serviços públicos de saúde, recursos mínimos que sejam derivados da 
aplicação dos percentuais calculados sobre a receita corrente líquida, quando se tratar da União, e 
receita corrente, nos casos em que os estados, Distrito Federal e município figurarem.
Conforme o § 1º, art. 198, da CF, o Sistema Único de Saúde será financiado com orçamentos 
da seguridade social dos entes da Federação, além de outras fontes. Nesse sentido, o Supremo 
Tribunal Federal (STF) considerou que a responsabilidade dos entes da Federação deve ser 
solidária, vejamos:
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EMENTA DIREITO CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO DIREITO À SAÚDE. TRATA-
MENTO MÉDICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS ENTES FEDERADOS. CONSO-
NÂNCIA DA DECISÃO RECORRIDA COM A JURISPRUDÊNCIA CRISTALIZADA NO SUPREMO 
TRIBUNAL FEDERAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO QUE NÃO MERECE TRÂNSITO. REE-
LABORAÇÃO DA MOLDURA FÁTICA. PROCEDIMENTO VEDADO NA INSTÂNCIA EXTRAOR-
DINÁRIA. ACÓRDÃO RECORRIDO PUBLICADO EM 11/07/2014.
1. O entendimento adotado pela Corte de origem, nos moldes do assinalado na decisão agrava-
da, não diverge da jurisprudência firmada no âmbito deste Supremo Tribunal Federal. Enten-
der de modo diverso demandaria a reelaboração da moldura fática delineada no acórdão de 
origem, o que torna oblíqua e reflexa eventual ofensa, insuscetível, como tal, de viabilizar o 
conhecimento do recurso extraordinário.
2. As razões do agravo regimental não se mostram aptas a infirmar os fundamentos que las-
trearam a decisão agravada.
3. Agravo regimental conhecido e não provido. (RE 855.178-RG, rel. minº Luiz Fux, j. 5-3-2015, 
P, DJE de 16-3-2015, Tema 793)
Art. 198 [...]
§ 3º Lei complementar, que será reavaliada pelo menos a cada cinco anos, estabelecerá: (Incluí-
do pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000) Regulamento
I - os percentuais de que tratam os incisos II e III do § 2º; (Redação dada pela Emenda Consti-
tucional nº 86, de 2015)
II - os critérios de rateio dos recursos da União vinculados à saúde destinados aos Estados, 
ao Distrito Federal e aos Municípios, e dos Estados destinados a seus respectivos Municípios, 
objetivando a progressiva redução das disparidades regionais; (Incluído pela Emenda Consti-
tucional nº 29, de 2000)
III - as normas de fiscalização, avaliação e controle das despesas com saúde nas esferas fede-
ral, estadual, distrital e municipal; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000)
IV - (revogado) (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 86, de 2015)
Esse parágrafo estabelece que uma lei complementar, que deve ser revisada pelo menos a 
cada cinco anos, estabelecerá os percentuais dos estados, Distrito Federal e municípios que 
devem ser aplicados em ações e serviços públicos de saúde. O dispositivo também dispõe 
sobre os critérios de rateio dos recursos da União vinculados à saúde que serão destinados 
aos estados, Distrito Federal e municípios, bem como sobre os critérios dos estados que serão 
direcionados aos seus municípios, com a finalidade de reduzir de forma eficaz as desigualda-
des regionais na oferta e qualidade de emprego.
Além disso, também diz respeito às normas de fiscalização, avaliação e controle das despe-
sas com saúde nas esferas federal, estadual, distrital e municipal, objetivando a transparên-
cia, eficiência e efetividade da aplicação dos recursos em saúde.
Art. 198 [...]
§ 4º Os gestores locais do sistema único de saúde poderão admitir agentes comunitários de 
saúde e agentes de combate às endemias por meio de processo seletivo público, de acordo 
com a natureza e complexidade de suas atribuições e requisitos específicos para sua atuação. 
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 51, de 2006)
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Os gestores locais do Sistema Único de Saúde poderão contratar agentes comunitários de 
saúde, bem como agentes de combate a endemias, por meio de um processo seletivo público, 
conforme dispõe o § 4º.
Art. 198 [...]
§ 5º Lei federal disporá sobre o regime jurídico, o piso salarial profissional nacional, as diretri-
zes para os Planos de Carreira e a regulamentação das atividades de agente comunitário de saú-
de e agente de combate às endemias, competindo à União, nos termos da lei, prestar assistência 
financeira complementar aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, para o cumprimen-
to do referido piso salarial. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 63, de 2010)
De acordo com o parágrafo supramencionado, será de competência de lei federal estabe-
lecer regime jurídico e piso salarial profissional nacional, bem como as diretrizes para os 
planos de carreira e regulamentação das atividades de agente comunitário de saúde e de 
combate a endemias, cabendo à União, de acordo com a lei, prestar assistência financeira 
complementar aos outros órgãos da Administração direta.
Considerações do STF Sobre o Coronavírus: ADI nº 926 e ADPF nº 672
Os legitimados da ADI nº 926, de 2020, sustentaram que a redistribuição de poderes de 
polícia sanitária, introduzida pela medida provisória (MP) na Lei Federal nº 13.979, de 2020, 
interferiu no regime de cooperação entre os entes federativos. Ainda, alegaram que essa 
centralização de competência esvazia a responsabilidade constitucional de estados e muni-
cípios para cuidar da saúde, dirigir o Sistema Único de Saúde e executar ações de vigilância 
sanitária e epidemiológica. 
Assim, ao apreciar o caso em tela, o ministro Marco Aurélio, em decisão monocrática, con-
siderou que a redistribuição de atribuições pela MP nº 926, de 2020, não afasta a competên-
cia concorrente dos entes federativos, ou seja, entendeu que a distribuição de atribuições 
prevista na medida provisória não contraria a Constituição Federal. Isso porque as provi-
dências não afastaram atos a serem praticados pelos demais entes federativos no âmbito da 
competência comum paralegislar sobre saúde pública (inciso II, art. 23, da CF) (ADI nº 6341, 
rel. Min. Marco Aurélio, decisão em 24 de março de 2020, DJe em 26 de março de 2020).
Da mesma maneira, na ADPF nº 672, proposta pelo Conselho Federal da Ordem dos Advo-
gados do Brasil (OAB), em face dos atos omissivos e comissivos praticados pelo Poder Execu-
tivo federal decorrentes da pandemia, o ministro do STF, Alexandre de Moraes, em decisão 
monocrática, considerou que, no caso de crise, como a que vivenciamos pela pandemia da 
covid-19, a cooperação entre os entes federativos é de suma importância para a defesa do 
interesse público.
Assim, reconheceu e assegurou que os estados e municípios têm competência para manu-
tenção das medidas restritivas durante a pandemia, como, por exemplo, a suspensão das ati-
vidades de ensino e as restrições às atividades do comércio (ADPF nº 672, rel. Min. Alexandre 
de Moraes, decisão em 8 de abril de 2020, DJe em 15 de abril de 2020).
O Texto Constitucional autoriza gestores locais a admitir agentes comunitários de saúde 
e agentes de combate às epidemias por meio de processo seletivo público, de acordo com os 
requisitos específicos para sua atuação. Desse modo, o regime jurídico, piso salarial e as dire-
trizes para o plano de carreira serão dispostos em lei federal.
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O servidor que exerça funções equivalentes às dos agentes comunitários de saúde e às 
dos agentes de combate às epidemias poderá perder o cargo em caso de descumprimento de 
requisitos específicos (§ 6º, art. 198). Veja:
Art. 198 […]
§ 6º Além das hipóteses previstas no § 1º do art. 41 e no § 4º do art. 169 da Constituição Fede-
ral, o servidor que exerça funções equivalentes às de agente comunitário de saúde ou de agen-
te de combate às endemias poderá perder o cargo em caso de descumprimento dos requisitos 
específicos, fixados em lei, para o seu exercício.
Ademais, ainda se tratando do art. 198, da CF, de 1988, a Emenda Constitucional nº 120, de 
5 de maio de 2022, incluiu os diversos parágrafos ao art. 198. Vejamos:
Art. 198 [...]
§ 7º O vencimento dos agentes comunitários de saúde e dos agentes de combate às endemias fica 
sob responsabilidade da União, e cabe aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabele-
cer, além de outros consectários e vantagens, incentivos, auxílios, gratificações e indenizações, a 
fim de valorizar o trabalho desses profissionais.
§ 8º Os recursos destinados ao pagamento do vencimento dos agentes comunitários de saúde e dos 
agentes de combate às endemias serão consignados no orçamento geral da União com dotação 
própria e exclusiva.
§ 9º O vencimento dos agentes comunitários de saúde e dos agentes de combate às endemias não 
será inferior a 2 (dois) salários-mínimos, repassados pela União aos Municípios, aos Estados e ao 
Distrito Federal.
§ 10 Os agentes comunitários de saúde e os agentes de combate às endemias terão também, em 
razão dos riscos inerentes às funções desempenhadas, aposentadoria especial e, somado aos seus 
vencimentos, adicional de insalubridade.
§ 11 Os recursos financeiros repassados pela União aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municí-
pios para pagamento do vencimento ou de qualquer outra vantagem dos agentes comunitários de 
saúde e dos agentes de combate às endemias não serão objeto de inclusão no cálculo para fins do 
limite de despesa com pessoal.
§ 12 Lei federal instituirá pisos salariais profissionais nacionais para o enfermeiro, o técnico de 
enfermagem, o auxiliar de enfermagem e a parteira, a serem observados por pessoas jurídicas de 
direito público e de direito privado. 
§ 13 A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, até o final do exercício financeiro em 
que for publicada a lei de que trata o § 12 deste artigo, adequarão a remuneração dos cargos ou 
dos respectivos planos de carreiras, quando houver, de modo a atender aos pisos estabelecidos 
para cada categoria profissional.
§ 14 Compete à União, nos termos da lei, prestar assistência financeira complementar aos Estados, 
ao Distrito Federal e aos Municípios e às entidades filantrópicas, bem como aos prestadores de ser-
viços contratualizados que atendam, no mínimo, 60% (sessenta por cento) de seus pacientes pelo 
sistema único de saúde, para o cumprimento dos pisos salariais de que trata o § 12 deste artigo. 
§ 15 Os recursos federais destinados aos pagamentos da assistência financeira complementar aos 
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios e às entidades filantrópicas, bem como aos presta-
dores de serviços contratualizados que atendam, no mínimo, 60% (sessenta por cento) de seus 
pacientes pelo sistema único de saúde, para o cumprimento dos pisos salariais de que trata o § 
12 deste artigo serão consignados no orçamento geral da União com dotação própria e exclusiva.
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Como forma de complementar o Sistema Único de Saúde, é livre a iniciativa privada para 
assistência à saúde, mediante contrato de direito público ou convênio, dando preferência às 
entidades filantrópicas e às sem fins lucrativos. O § 2º, art. 199, veda a destinação de recur-
sos públicos para auxílios ou subvenções para as instituições privadas com fins lucrativos. 
Ainda, conforme o § 3º, é vedada a participação direta ou indireta de empresas ou capitais 
estrangeiros na assistência à saúde no país, com exceção dos casos previstos em lei.
Art. 199 A assistência à saúde é livre à iniciativa privada.
§ 1º As instituições privadas poderão participar de forma complementar do sistema único de 
saúde, segundo diretrizes deste, mediante contrato de direito público ou convênio, tendo pre-
ferência as entidades filantrópicas e as sem fins lucrativos.
§ 2º É vedada a destinação de recursos públicos para auxílios ou subvenções às instituições 
privadas com fins lucrativos.
§ 3º É vedada a participação direta ou indireta de empresas ou capitais estrangeiros na assis-
tência à saúde no País, salvo nos casos previstos em lei.
§ 4º A lei disporá sobre as condições e os requisitos que facilitem a remoção de órgãos, teci-
dos e substâncias humanas para fins de transplante, pesquisa e tratamento, bem como a 
coleta, processamento e transfusão de sangue e seus derivados, sendo vedado todo tipo de 
comercialização.
Ainda, conforme art. 200 da CF, compete ao sistema único de saúde o controle de substâncias 
de interesse para a saúde e outras destinadas à prestação sanitária, em sua área da atuação, 
a Emenda Constitucional 85/2015, passou a incluir também como competência, o desenvolvi-
mento científico e tecnológico e a inovação.
Art. 200 Ao sistema único de saúde compete, além de outras atribuições, nos termos da lei:
I - controlar e fiscalizar procedimentos, produtos e substâncias de interesse para a saúde e 
participar da produção de medicamentos, equipamentos, imunobiológicos, hemoderivados e 
outros insumos;
II - executar as ações de vigilância sanitária e epidemiológica, bem como as de saúde do 
trabalhador;
III - ordenar a formação de recursos humanos na área de saúde;
IV - participar da formulação da política e da execução das ações de saneamento básico;
V - incrementar, em sua área de atuação, o desenvolvimento científico e tecnológico e a 
inovação; 
VI - fiscalizar e inspecionar alimentos, compreendido o controle de seu teor nutricional, bem 
como bebidas e águas para consumo humano;
VII - participar do controle e fiscalização da produção, transporte, guarda e utilização de 
substâncias e produtos psicoativos, tóxicos e radioativos;
VIII - colaborar na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do trabalho.
PREVIDÊNCIA SOCIAL
A Emenda Constitucional nº 103, de 2019, também chamada de Reforma da Previdência, 
trouxe diversas modificações ao Texto Constitucional, alterou o sistema de Previdência Social 
e estabeleceu regras de transição e disposição transitória.
Conforme o art. 201, da CF, a Previdência Socialserá organizada sob forma de regime 
geral, de filiação obrigatória. Ainda, a Previdência Social tem natureza contributiva, ou seja, 
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destinada apenas para quem contribui, devendo ser observados os critérios que preservem 
o equilíbrio financeiro e atuarial.
A Previdência Social é uma espécie de seguro que protege seus segurados de eventos como 
morte, invalidez, reclusão ou desemprego, ou seja, dos riscos sociais. São prestações pecu-
niárias aos segurados e às pessoas que contribuem para a previdência. Assim, a Previdência 
Social presta serviços e benefícios.
É por meio do Instituto Nacional do Seguro Social — INSS — que o segurado pode receber 
os benefícios previdenciários relacionados nos incisos do art. 201, da CF, que são os seguintes:
Art. 201 A previdência social será organizada sob a forma do Regime Geral de Previdência 
Social, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o 
equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, na forma da lei, a:
I - cobertura dos eventos de incapacidade temporária ou permanente para o trabalho e idade 
avançada;
II - proteção à maternidade, especialmente à gestante;
III - proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário;
IV - salário-família e auxílio-reclusão para os dependentes dos segurados de baixa renda;
V - pensão por morte do segurado, homem ou mulher, ao cônjuge ou companheiro e dependen-
tes, observado o disposto no § 2º.
O § 2º, mencionado no inciso V, determina que benefícios que substituem o salário de con-
tribuição ou o rendimento do trabalho do segurado não podem ter valor mensal inferior ao 
salário mínimo.
A Emenda Constitucional nº 103, de 2019, dentre outras modificações, alterou os requisitos 
necessários para requerimento de aposentadoria presentes no § 7º, art. 201, da Constituição. 
Vejamos, no quadro explicativo, os requisitos necessários para requerimento de aposentado-
ria após a Reforma da Previdência.
POPULAÇÃO REQUISITOS
Trabalhadores urbanos 
(inciso I, § 7º, art. 201, da 
CF)
z Homem — 65 anos de idade
z Mulher — 62 anos de idade
z Observado tempo mínimo de contribuição
z Exceção: professor que comprovar tempo de efetivo exercício 
das funções de magistério na educação infantil e nos ensinos fun-
damental e médio fixado em lei complementar — será reduzido em 
cinco anos o requisito de idade
Trabalhadores rurais (inci-
so II, § 7º, art. 201, da CF)
z Homem — 60 anos de idade
z Mulher — 55 anos de idade
z Também se aplica para os que exerçam suas atividades em 
regime de economia familiar, nestes incluídos o produtor rural, o 
garimpeiro e o pescador artesanal
Referente ao tempo de serviço militar exercido pelos membros das polícias e dos corpos 
de bombeiros militares, da Marinha, Exército, Aeronáutica e do serviço militar obrigatório, 
vale destacar que terão contagem recíproca para fins de inativação ou aposentadoria. A com-
pensação financeira será devida entre as receitas de contribuição, relativas aos militares, e 
as receitas de contribuição aos demais regimes, conforme determina o § 9º-A, art. 201, da CF.
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Para os trabalhadores de baixa renda, o Texto Constitucional também prevê a inclusão de 
alíquotas diferenciadas, bem como aos que se encontram em situação de informalidade e ao 
trabalho doméstico no âmbito de sua residência. A estes, serão concedidas aposentadorias no 
valor de um salário mínimo. 
Serão aposentados, compulsoriamente, os empregados dos consórcios públicos, das empre-
sas públicas, das sociedades de economia mista e das suas subsidiárias, desde que observado 
o cumprimento do tempo mínimo de contribuição, quando atingirem 70 anos de idade, ou, 
aos 75 anos de idade, os servidores titulares de cargos efetivos da União, dos estados, do 
Distrito Federal e dos municípios, incluídas suas autarquias e fundações, os membros 
do Poder Judiciário, do ministério público, das defensorias públicas e dos tribunais e dos 
conselhos de contas, na forma da Lei Complementar nº 152, de 2015.
Ainda, conforme consagra o art. 202, da CF, o regime de previdência privada é facultativo 
e de caráter complementar; deve ser organizado de forma autônoma, sendo regulamentado 
por lei complementar.
ASSISTÊNCIA SOCIAL
A assistência social compreende as políticas sociais voltadas para o provimento das neces-
sidades básicas do cidadão que delas necessitar. 
Consagrada na Constituição Federal, no art. 203 e no art. 204, e regulamentada pela Lei nº 
8.742, de 2013, a assistência social tem os seguintes objetivos:
Art. 203 A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de con-
tribuição à seguridade social, e tem por objetivos:
I - a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice;
II - o amparo às crianças e adolescentes carentes;
III - a promoção da integração ao mercado de trabalho;
IV - a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência10 e a promoção de sua 
integração à vida comunitária;
V - a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao 
idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria manutenção ou de tê-la provida 
por sua família, conforme dispuser a lei.
VI - a redução da vulnerabilidade socioeconômica de famílias em situação de pobreza ou de 
extrema pobreza.
Como visto, a Constituição Federal prevê a possibilidade de um pagamento assistencial à 
pessoa com deficiência física ou à pessoa idosa que não possa prover suas próprias neces-
sidades ou com a ajuda de seus familiares. Nesse caso, a assistência provém de recursos do 
orçamento da seguridade social e tem natureza não contributiva, ou seja, não é um seguro 
social, pois não depende de contribuição do beneficiário.
Além disso, o art. 204, da Constituição Federal, trata das diretrizes para as ações governa-
mentais na área da assistência social. Vejamos:
10 Observe que o termo oficial é “pessoa com deficiência”, definido pela Convenção das Nações Unidas sobre o 
Direito das Pessoas com Deficiência e aprovado em 13 de dezembro de 2006.
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Art. 204 As ações governamentais na área da assistência social serão realizadas com recur-
sos do orçamento da seguridade social, previstos no art. 195, além de outras fontes, e organi-
zadas com base nas seguintes diretrizes:
I - descentralização político-administrativa, cabendo a coordenação e as normas gerais à esfe-
ra federal e a coordenação e a execução dos respectivos programas às esferas estadual e muni-
cipal, bem como a entidades beneficentes e de assistência social;
II - participação da população, por meio de organizações representativas, na formulação das 
políticas e no controle das ações em todos os níveis.
Parágrafo único. É facultado aos Estados e ao Distrito Federal vincular a programa de apoio 
à inclusão e promoção social até cinco décimos por cento de sua receita tributária líquida, 
vedada a aplicação desses recursos no pagamento de: 
I - despesas com pessoal e encargos sociais; 
II - serviço da dívida; 
III - qualquer outra despesa corrente não vinculada diretamente aos investimentos ou ações 
apoiados.
Assim, o dispositivo estabelece que as ações governamentais na área da assistência social 
serão financiadas por recursos do orçamento da seguridade social, conforme previsto no art. 
195, da Constituição, além de outras fontes, garantindo que haja um financiamento adequa-
do e contínuo para as políticas de assistência social.
Além disso, a descentralização político-administrativa permite uma gestão mais eficiente 
e próxima das realidades locais, promovendo uma melhor adequação das políticas às neces-
sidades específicas de cada região.
Por fim, o parágrafo único permite que os estados e que o Distrito Federal destinem até 
0,5% de sua receita tributária líquida paraprogramas de apoio à inclusão e promoção social. 
No entanto, tais recursos não podem ser usados para despesa com pessoal e encargos 
sociais, serviço da dívida e qualquer outra despesa corrente não vinculada diretamente aos 
investimentos ou ações apoiados.
EDUCAÇÃO, CULTURA E DESPORTO
Educação
Consagrada no art. 205, da Constituição, a educação é direito de todos e dever do Estado, 
sendo promovida com colaboração da sociedade com o objetivo de preparar o indivíduo para 
o exercício da cidadania e para o trabalho pela melhoria de suas qualificações.
Art. 205 A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incen-
tivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu 
preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.
Os princípios do ensino estão consagrados no Texto Constitucional, no art. 206, e são os 
seguintes:
Art. 206 O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
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II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;
III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas 
e privadas de ensino;
IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de 
carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes 
públicas;
VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei;
VII - garantia de padrão de qualidade;
VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos 
termos de lei federal;
IX - garantia do direito à educação e à aprendizagem ao longo da vida.
Parágrafo único. A lei disporá sobre as categorias de trabalhadores considerados profissio-
nais da educação básica e sobre a fixação de prazo para a elaboração ou adequação de seus 
planos de carreira, no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. 
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)
Ainda, o parágrafo único do mencionado dispositivo determina que a lei deve dispor sobre 
os profissionais da educação e sobre a adequação de seus planos de carreira, no âmbito da 
União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios.
As universidades devem obediência ao princípio de indissociabilidade11 entre ensino, pes-
quisa e extensão, bem como têm autonomia didático-científica, administrativa e de gestão 
financeira e patrimonial. Nos termos:
Art. 207 As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão 
financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pes-
quisa e extensão.
§ 1º É facultado às universidades admitir professores, técnicos e cientistas estrangeiros, na 
forma da lei.
§ 2º O disposto neste artigo aplica-se às instituições de pesquisa científica e tecnológica.
Dica
Conforme Súmula Vinculante nº 12, a cobrança de taxa de matrícula nas universidades 
públicas viola o inciso IV, do art. 206, da Constituição Federal.
Conforme o art. 208, da CF, o dever do Estado com a educação será efetivado mediante a 
garantia de:
Art. 208 O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de:
I - educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade, 
assegurada inclusive sua oferta gratuita para todos os que a ela não tiveram acesso na idade 
própria; 
II - progressiva universalização do ensino médio gratuito;
11 Não pode ser separado nem desunido.
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III - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente 
na rede regular de ensino;
IV - educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até 5 (cinco) anos de idade;
V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a 
capacidade de cada um;
VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando;
VII - atendimento ao educando, em todas as etapas da educação básica, por meio de pro-
gramas suplementares de material didático escolar, transporte, alimentação e assistência à 
saúde.
Antes da Emenda Constitucional nº 59, de 2009, a gratuidade do ensino apenas se aplicava 
ao ensino fundamental. A EC mencionada inovou ao estender a obrigatoriedade do ensino 
gratuito à toda a educação básica (infantil, fundamental e média).
Assim sendo, o acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo, sendo 
que seu não oferecimento, ou sua oferta irregular, importa responsabilidade da autoridade 
competente. 
Art. 208 [...]
§ 1º O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo.
§ 2º O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público, ou sua oferta irregular, 
importa responsabilidade da autoridade competente.
§ 3º Compete ao Poder Público recensear os educandos no ensino fundamental, fazer-lhes a 
chamada e zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela freqüência à escola.
Com base no § 1º, do art. 208, todo cidadão tem direito a exigir do Estado a oferta de ensino 
obrigatório e gratuito, uma vez que este compreende os ensinos fundamental e médio, não 
podendo ser cobrados do aluno ou de sua família quaisquer valores relativos a essa obriga-
ção estatal. Assim, dado ensino se trata de um direito público, pois envolve uma relação entre 
o indivíduo e o poder público. 
Ademais, observando o § 2º do mesmo artigo, se o Estado não cumprir com o seu dever 
de oferecer ensino obrigatório e gratuito, ou se o fizer de forma inadequada, violando os 
padrões de qualidade e eficiência, a autoridade responsável por essa área, como o secretário 
da educação, prefeito, governador ou presidente, poderá ser responsabilizada administrati-
va, civil ou penalmente. Diante disso, conforme o caso, podem sofrer sanções como multas, 
perda do cargo, suspensão de direitos políticos, entre outras nesse mesmo sentido.
Por fim, em relação ao § 3º, o Estado deve identificar e registrar todos os alunos que estão 
em idade escolar obrigatória, de forma que haja a convocação para a matrícula, bem como a 
frequência às aulas — além disso, tem o encargo de fiscalizar, junto aos pais ou responsáveis. 
Estes, por sua vez, devem cumprir com a sua obrigação de garantir a educação dos seus filhos 
ou dependentes, de forma que tais medidas combinadas visam assegurar o direito à educa-
ção, evitando a evasão e o abandono escolar.
O ensino é livre à iniciativa privada, atendidas as condições de cumprimento das normas 
gerais da educação e perante autorização de qualidade pelo poder público. Vejamos: 
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Art. 209 O ensino é livre à iniciativa privada, atendidas as seguintes condições:
I - cumprimento das normas gerais da educação nacional;
II - autorização e avaliação de qualidade pelo Poder Público.
É importante ressaltar que serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, 
nos termos:
Art. 210 Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de maneira a assegu-
rar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais.
§ 1º O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais 
das escolas públicas de ensino fundamental.
§ 2º O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa, assegurada às 
comunidades indígenas também a utilização de suas línguas maternas e processos próprios 
de aprendizagem.
Além disso, o art. 211 trata do regime de colaboração do sistema de ensino. Vejamos:
Art. 211 A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão em regime de 
colaboração seus sistemas deensino.
§ 1º A União organizará o sistema federal de ensino e o dos Territórios, financiará as institui-
ções de ensino públicas federais e exercerá, em matéria educacional, função redistributiva e 
supletiva, de forma a garantir equalização de oportunidades educacionais e padrão mínimo 
de qualidade do ensino mediante assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Fede-
ral e aos Municípios;
§ 2º Os Municípios atuarão prioritariamente no ensino fundamental e na educação infantil.
§ 3º Os Estados e o Distrito Federal atuarão prioritariamente no ensino fundamental e médio.
§ 4º Na organização de seus sistemas de ensino, a União, os Estados, o Distrito Federal e os 
Municípios definirão formas de colaboração, de forma a assegurar a universalização, a quali-
dade e a equidade do ensino obrigatório.
§ 5º A educação básica pública atenderá prioritariamente ao ensino regular. 
§ 6º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios exercerão ação redistributiva em 
relação a suas escolas.
§ 7º O padrão mínimo de qualidade de que trata o § 1º deste artigo considerará as condições 
adequadas de oferta e terá como referência o Custo Aluno Qualidade (CAQ), pactuados em 
regime de colaboração na forma disposta em lei complementar, conforme o parágrafo único 
do art. 23 desta Constituição.
Conforme o inciso VII, do art. 34, da CF, constitui princípio sensível a aplicação do mínimo 
exigido da receita resultante de impostos estaduais. Nesse sentido, determina o art. 212, da 
CF, que a União, anualmente, deve aplicar não menos de 18%, e os estados, o DF e os muni-
cípios, no mínimo, 25%, da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente de 
transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino.
Art. 212 A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os Estados, o Distrito Fede-
ral e os Municípios vinte e cinco por cento, no mínimo, da receita resultante de impostos, 
compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino.
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§ 1º A parcela da arrecadação de impostos transferida pela União aos Estados, ao Distrito 
Federal e aos Municípios, ou pelos Estados aos respectivos Municípios, não é considerada, 
para efeito do cálculo previsto neste artigo, receita do governo que a transferir.
§ 2º Para efeito do cumprimento do disposto no «caput» deste artigo, serão considerados os 
sistemas de ensino federal, estadual e municipal e os recursos aplicados na forma do art. 213.
§ 3º A distribuição dos recursos públicos assegurará prioridade ao atendimento das necessi-
dades do ensino obrigatório, no que se refere a universalização, garantia de padrão de quali-
dade e equidade, nos termos do plano nacional de educação.
§ 4º Os programas suplementares de alimentação e assistência à saúde previstos no art. 208, 
VII, serão financiados com recursos provenientes de contribuições sociais e outros recursos 
orçamentários.
§ 5º A educação básica pública terá como fonte adicional de financiamento a contribuição 
social do salário-educação, recolhida pelas empresas na forma da lei.
§ 6º As cotas estaduais e municipais da arrecadação da contribuição social do salário-edu-
cação serão distribuídas proporcionalmente ao número de alunos matriculados na educação 
básica nas respectivas redes públicas de ensino.
§ 7º É vedado o uso dos recursos referidos no caput e nos §§ 5º e 6º deste artigo para pagamen-
to de aposentadorias e de pensões.
§ 8º Na hipótese de extinção ou de substituição de impostos, serão redefinidos os percentuais 
referidos no caput deste artigo e no inciso II do caput do art. 212-A, de modo que resultem 
recursos vinculados à manutenção e ao desenvolvimento do ensino, bem como os recursos 
subvinculados aos fundos de que trata o art. 212-A desta Constituição, em aplicações equiva-
lentes às anteriormente praticadas. 
§ 9º A lei disporá sobre normas de fiscalização, de avaliação e de controle das despesas com 
educação nas esferas estadual, distrital e municipal.
A Emenda Constitucional nº 108, de 2020, incluiu o art. 212-A na Constituição Federal. 
Vejamos o que dispõe o artigo:
Art. 212-A Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios destinarão parte dos recursos a que 
se refere o caput do art. 212 desta Constituição à manutenção e ao desenvolvimento do ensino 
na educação básica e à remuneração condigna de seus profissionais, respeitadas as seguintes 
disposições: 
I - a distribuição dos recursos e de responsabilidades entre o Distrito Federal, os Estados e 
seus Municípios é assegurada mediante a instituição, no âmbito de cada Estado e do Distrito 
Federal, de um Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização 
dos Profissionais da Educação (Fundeb), de natureza contábil;
II - os fundos referidos no inciso I do caput deste artigo serão constituídos por 20% (vinte por 
cento): 
a) das parcelas dos Estados no imposto de que trata o art. 156-A; 
b) da parcela do Distrito Federal no imposto de que trata o art. 156-A, relativa ao exercício de 
sua competência estadual, nos termos do art. 156-A, § 2º; e 
c) dos recursos a que se referem os incisos I, II e III do caput do art. 155, o inciso II do caput do 
art. 157, os incisos II, III e IV do caput do art. 158 e as alíneas “a” e “b” do inciso I e o inciso II 
do caput do art. 159 desta Constituição; 
III - os recursos referidos no inciso II do caput deste artigo serão distribuídos entre cada 
Estado e seus Municípios, proporcionalmente ao número de alunos das diversas etapas e 
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modalidades da educação básica presencial matriculados nas respectivas redes, nos âmbitos 
de atuação prioritária, conforme estabelecido nos §§ 2º e 3º do art. 211 desta Constituição, 
observadas as ponderações referidas na alínea “a” do inciso X do caput e no § 2º deste artigo;
IV - a União complementará os recursos dos fundos a que se refere o inciso II do caput deste 
artigo;
V - a complementação da União será equivalente a, no mínimo, 23% (vinte e três por cento) 
do total de recursos a que se refere o inciso II do caput deste artigo, distribuída da seguinte 
forma:
a) 10 (dez) pontos percentuais no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal, sempre que o 
valor anual por aluno (VAAF), nos termos do inciso III do caput deste artigo, não alcançar o 
mínimo definido nacionalmente;
b) no mínimo, 10,5 (dez inteiros e cinco décimos) pontos percentuais em cada rede pública 
de ensino municipal, estadual ou distrital, sempre que o valor anual total por aluno (VAAT), 
referido no inciso VI do caput deste artigo, não alcançar o mínimo definido nacionalmente;
c) 2,5 (dois inteiros e cinco décimos) pontos percentuais nas redes públicas que, cumpridas 
condicionalidades de melhoria de gestão previstas em lei, alcançarem evolução de indicadores 
a serem definidos, de atendimento e melhoria da aprendizagem com redução das desigualda-
des, nos termos do sistema nacional de avaliação da educação básica;
VI - o VAAT será calculado, na forma da lei de que trata o inciso X do caput deste artigo, com 
base nos recursos a que se refere o inciso II do caput deste artigo, acrescidos de outras recei-
tas e de transferências vinculadas à educação, observado o disposto no § 1º e consideradas as 
matrículas nos termos do inciso III do caput deste artigo; 
VII - os recursos de que tratam os incisos II e IV do caput deste artigo serão aplicados pelos 
Estados e pelos Municípios exclusivamente nos respectivos âmbitos de atuação prioritária, 
conforme estabelecido nos §§ 2º e 3º do art. 211 desta Constituição;
VIII - a vinculação de recursos à manutenção e ao desenvolvimento do ensino estabelecida no 
art. 212 desta Constituição suportará, no máximo, 30% (trinta por cento) da complementação 
da União, considerados para os fins deste inciso os valores previstos no inciso V do caput deste 
artigo;
IX - o disposto no caput do art.160 desta Constituição aplica-se aos recursos referidos nos 
incisos II e IV do caput deste artigo, e seu descumprimento pela autoridade competente impor-
tará em crime de responsabilidade;
X - a lei disporá, observadas as garantias estabelecidas nos incisos I, II, III e IV do caput e no § 
1º do art. 208 e as metas pertinentes do plano nacional de educação, nos termos previstos no 
art. 214 desta Constituição, sobre:
a) a organização dos fundos referidos no inciso I do caput deste artigo e a distribuição propor-
cional de seus recursos, as diferenças e as ponderações quanto ao valor anual por aluno entre 
etapas, modalidades, duração da jornada e tipos de estabelecimento de ensino, observados as 
respectivas especificidades e os insumos necessários para a garantia de sua qualidade;
b) a forma de cálculo do VAAF decorrente do inciso III do caput deste artigo e do VAAT referido 
no inciso VI do caput deste artigo;
c) a forma de cálculo para distribuição prevista na alínea “c” do inciso V do caput deste artigo;
d) a transparência, o monitoramento, a fiscalização e o controle interno, externo e social dos 
fundos referidos no inciso I do caput deste artigo, assegurada a criação, a autonomia, a manu-
tenção e a consolidação de conselhos de acompanhamento e controle social, admitida sua 
integração aos conselhos de educação;
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e) o conteúdo e a periodicidade da avaliação, por parte do órgão responsável, dos efeitos redis-
tributivos, da melhoria dos indicadores educacionais e da ampliação do atendimento;
XI - proporção não inferior a 70% (setenta por cento) de cada fundo referido no inciso I do 
caput deste artigo, excluídos os recursos de que trata a alínea “c” do inciso V do caput deste 
artigo, será destinada ao pagamento dos profissionais da educação básica em efetivo exer-
cício, observado, em relação aos recursos previstos na alínea “b” do inciso V do caput deste 
artigo, o percentual mínimo de 15% (quinze por cento) para despesas de capital; 
XII - lei específica disporá sobre o piso salarial profissional nacional para os profissionais do 
magistério da educação básica pública; 
XIII - a utilização dos recursos a que se refere o § 5º do art. 212 desta Constituição para a com-
plementação da União ao Fundeb, referida no inciso V do caput deste artigo, é vedada. 
§ 1º O cálculo do VAAT, referido no inciso VI do caput deste artigo, deverá considerar, além dos 
recursos previstos no inciso II do caput deste artigo, pelo menos, as seguintes disponibilidades:
I - receitas de Estados, do Distrito Federal e de Municípios vinculadas à manutenção e ao 
desenvolvimento do ensino não integrantes dos fundos referidos no inciso I do caput deste 
artigo; 
II - cotas estaduais e municipais da arrecadação do salário-educação de que trata o § 6º do 
art. 212 desta Constituição; 
III - complementação da União transferida a Estados, ao Distrito Federal e a Municípios nos 
termos da alínea “a” do inciso V do caput deste artigo. 
§ 2º Além das ponderações previstas na alínea «a» do inciso X do caput deste artigo, a lei defi-
nirá outras relativas ao nível socioeconômico dos educandos e aos indicadores de disponibili-
dade de recursos vinculados à educação e de potencial de arrecadação tributária de cada ente 
federado, bem como seus prazos de implementação.
§ 3º Será destinada à educação infantil a proporção de 50% (cinquenta por cento) dos recursos 
globais a que se refere a alínea «b» do inciso V do caput deste artigo, nos termos da lei.
O art. 212-A trata da regulamentação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da 
Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), que se trata de um 
fundo que financia a educação básica pública no Brasil, com recursos dos entes federados 
e da União. O artigo define a composição, distribuição, aplicação, parâmetros e regras do 
mencionado fundo, bem como o piso salarial dos profissionais da educação. Nesse sentido, o 
dispositivo visa garantir a equidade, a qualidade e a eficiência da educação básica, respeitan-
do as responsabilidades de cada ente federado e os direitos dos educandos e dos educadores.
Art. 213 Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas, podendo ser dirigidos a 
escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, definidas em lei, que:
I - comprovem finalidade não-lucrativa e apliquem seus excedentes financeiros em educação;
II - assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária, filantrópica ou 
confessional, ou ao Poder Público, no caso de encerramento de suas atividades.
§ 1º Os recursos de que trata este artigo poderão ser destinados a bolsas de estudo para o ensi-
no fundamental e médio, na forma da lei, para os que demonstrarem insuficiência de recursos, 
quando houver falta de vagas e cursos regulares da rede pública na localidade da residência 
do educando, ficando o Poder Público obrigado a investir prioritariamente na expansão de 
sua rede na localidade.
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§ 2º As atividades de pesquisa, de extensão e de estímulo e fomento à inovação realizadas por 
universidades e/ou por instituições de educação profissional e tecnológica poderão receber 
apoio financeiro do Poder Público. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015)
Conforme o art. 213, que foi alterado pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015, é dever 
do governo priorizar as escolas públicas, assim como, também, deve destinar parte dos 
recursos para escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, que são aquelas mantidas 
por organizações sociais, religiosas ou beneficentes, desde que cumpram os requisitos, bem 
como não possuam fins lucrativos e usem o dinheiro que restar para investir em educação. E, 
sendo assim, deve se ter que, caso sejam fechadas, seu patrimônio deve ser transferido para 
outra escola do mesmo tipo ou retornado para o governo.
Nesse sentido, cada aluno em fase obrigatória de estudo deve estar matriculado em uma 
escola que seja perto de sua residência. Porém, em algumas regiões superpovoadas isso se 
torna um desafio, pois as vagas se consomem e fica difícil encaixar todos os alunos residentes 
em dada localidade. Assim, o governo poderá usar de recursos públicos para ceder bolsas 
de estudos para alunos, dos ensinos fundamental e médio, que não tenham condições de 
estudar em uma escola particular e que, também, não possuam a opção da escola pública 
devido à ausência de vagas perto de onde moram. Diante disso, poderá haver o investimento 
do governo em bolsas, de forma que se dedicará mais à ampliação das escolas públicas na 
região.
Outrossim, o governo pode, ainda, apoiar financeiramente as atividades de pesquisa, 
extensão e inovação, realizadas por universidades e instituições de educação profissional e 
tecnológica — aquelas que oferecem cursos técnicos e tecnológicos.
Determina o Texto Constitucional que a lei estabelecerá o plano nacional de educação com 
o objetivo de articular o sistema nacional de educação em regime de colaboração e definir 
diretrizes, objetivos, metas e estratégias para assegurar a manutenção e o desenvolvimento 
do ensino.
Art. 214 A lei estabelecerá o plano nacional de educação, de duração decenal, com o objetivo 
de articular o sistema nacional de educação em regime de colaboração e definir diretrizes, 
objetivos, metas e estratégias de implementação para assegurar a manutenção e desenvolvi-
mento do ensino em seus diversos níveis, etapas e modalidades por meio de ações integradas 
dos poderes públicos das diferentes esferas federativas que conduzam a:
I - erradicação do analfabetismo;
II - universalização do atendimento escolar;
III - melhoria da qualidade do ensino;
IV - formação para o trabalho;
V - promoção humanística, científica e tecnológica do País.
VI - estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação como proporção 
do produto interno bruto. 
CulturaArt. 215 O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fon-
tes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações 
culturais.
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§ 1º O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, 
e das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional.
§ 2º A lei disporá sobre a fixação de datas comemorativas de alta significação para os diferen-
tes segmentos étnicos nacionais.
§ 3º A lei estabelecerá o Plano Nacional de Cultura, de duração plurianual, visando ao desen-
volvimento cultural do País e à integração das ações do poder público que conduzem à: (Incluí-
do pela Emenda Constitucional nº 48, de 2005)
A cultura é um direito fundamental de terceira geração. Segundo o Texto Constitucional, 
no art. 215, é dever do Estado garantir a todos o pleno exercício dos direitos culturais, apoian-
do e incentivando a valorização e a difusão das manifestações culturais.
Os parágrafos do dispositivo mencionado preveem a proteção, por parte do Estado, às 
manifestações das culturas populares, indígenas, afro-brasileiras e de outros grupos partici-
pantes do processo civilizatório nacional.
O Congresso Nacional aprovou a Emenda Constitucional nº 48, de 2005, para determinar 
que a lei estabeleça o Plano Nacional de Cultura com o objetivo do desenvolvimento cultural 
e da integração das ações do poder público para que conduzam (§ 3º, art. 215, da CF):
Art. 215 [...]
I - defesa e valorização do patrimônio cultural brasileiro;
II - produção, promoção e difusão de bens culturais;
III - formação de pessoal qualificado para a gestão da cultura em suas múltiplas dimensões;
IV - democratização do acesso aos bens de cultura;
V - valorização da diversidade étnica e regional.
O art. 216 e seus incisos dispõem sobre o conceito, de forma ampla, de patrimônio cultu-
ral, que abrange os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em 
conjunto, portadores de referência à identidade, ação e memória dos diferentes grupos for-
madores da sociedade brasileira, nos quais se incluem:
Art. 216 Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, 
tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à 
memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem:
I - as formas de expressão;
II - os modos de criar, fazer e viver;
III - as criações científicas, artísticas e tecnológicas;
IV - as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações 
artístico-culturais;
V - os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, 
paleontológico, ecológico e científico. 
[...]
O patrimônio cultural deve ser protegido pelo poder público, com a colaboração da comu-
nidade, por meio, por exemplo, de tombamento e desapropriação, além de outras formas de 
acautelamento e preservação.
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Art. 216 [...] 
§ 1º O Poder Público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá o patrimônio 
cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância, tombamento e desapropria-
ção, e de outras formas de acautelamento e preservação.
§ 2º Cabem à administração pública, na forma da lei, a gestão da documentação governa-
mental e as providências para franquear sua consulta a quantos dela necessitem. (Vide Lei nº 
12.527, de 2011)
§ 3º A lei estabelecerá incentivos para a produção e o conhecimento de bens e valores culturais.
§ 4º Os danos e ameaças ao patrimônio cultural serão punidos, na forma da lei.
§ 5º Ficam tombados todos os documentos e os sítios detentores de reminiscências históricas 
dos antigos quilombos.
§ 6º É facultado aos Estados e ao Distrito Federal vincular a fundo estadual de fomento à 
cultura até cinco décimos por cento de sua receita tributária líquida, para o financiamento de 
programas e projetos culturais, vedada a aplicação desses recursos no pagamento de: (Incluí-
do pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)
I - despesas com pessoal e encargos sociais; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 
19.12.2003)
II - serviço da dívida; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)
III - qualquer outra despesa corrente não vinculada diretamente aos investimentos ou ações 
apoiados. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)
Nesse espectro, os parágrafos, do art. 216, da CF, de 1988, estabelecem as formas de pro-
teção e promoção do patrimônio cultural brasileiro pelo Estado e pela sociedade. Assim, os 
temas abordados estão entre as medidas de preservação, gestão, acesso à documentação e 
incentivos à produção e ao conhecimento cultural, bem como abarcam as sanções aos danos 
e ameaças, o tombamento dos documentos e sítios dos quilombos e a destinação de recursos 
para o fomento à cultura.
A Emenda Constitucional nº 71, de 2012, acrescentou ao texto da CF o art. 216-A, que esta-
belece o denominado Sistema Nacional de Cultura, que institui um processo de gestão e pro-
moção conjunta de políticas públicas de cultura organizadas em regime de colaboração, de 
forma descentralizada e participativa. O § 1º, por sua vez, consagra os princípios orientado-
res do Sistema Nacional de Cultura. Vejamos:
Art. 216-A O Sistema Nacional de Cultura, organizado em regime de colaboração, de forma 
descentralizada e participativa, institui um processo de gestão e promoção conjunta de políti-
cas públicas de cultura, democráticas e permanentes, pactuadas entre os entes da Federação e 
a sociedade, tendo por objetivo promover o desenvolvimento humano, social e econômico com 
pleno exercício dos direitos culturais. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 71, de 2012)
§ 1º O Sistema Nacional de Cultura fundamenta-se na política nacional de cultura e nas suas 
diretrizes, estabelecidas no Plano Nacional de Cultura, e rege-se pelos seguintes princípios: 
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 71, de 2012)
I - diversidade das expressões culturais;
II - universalização do acesso aos bens e serviços culturais; 
III - fomento à produção, difusão e circulação de conhecimento e bens culturais; 
IV - cooperação entre os entes federados, os agentes públicos e privados atuantes na área 
cultural;
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V - integração e interação na execução das políticas, programas, projetos e ações desenvolvidas;
VI - complementaridade nos papéis dos agentes culturais; 
VII - transversalidade das políticas culturais; 
VIII - autonomia dos entes federados e das instituições da sociedade civil;
IX - transparência e compartilhamento das informações;
X - democratização dos processos decisórios com participação e controle social;
XI - descentralização articulada e pactuada da gestão, dos recursos e das ações;
XII - ampliação progressiva dos recursos contidos nos orçamentos públicos para a cultura.
§ 2º Constitui a estrutura do Sistema Nacional de Cultura, nas respectivas esferas da Federa-
ção: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 71, de 2012)
I - órgãos gestores da cultura; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 71, de 2012)
II - conselhos de política cultural; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 71, de 2012)
III - conferências de cultura; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 71, de 2012)
IV - comissões intergestores; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 71, de 2012)
V - planos de cultura; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 71, de 2012)
VI - sistemas de financiamento à cultura; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 71, de 2012)
VII - sistemas de informações e indicadores culturais; (Incluído pela Emenda Constitucional 
nº 71, de 2012)
VIII - programas de formação na área da cultura; e (Incluído pela Emenda Constitucional nº 
71, de 2012)
IX - sistemas setoriais de cultura.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 71, de 2012)
§ 3º Lei federal disporá sobre a regulamentação do Sistema Nacional de Cultura, bem como de 
sua articulação com os demais sistemas nacionais ou políticas setoriais de governo. (Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 71, de 2012)
§ 4º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão seus respectivos sistemas de 
cultura em leis próprias. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 71, de 2012)
Ainda, os estados, o Distrito Federal e os municípios deverão organizar seus respectivos 
sistemas de cultura em leis próprias (§ 4º, art. 216-A, da CF).
Desporto
O desporto consagrado no Texto Constitucional não se refere somente ao esporte, mas, 
também, a uma forma de lazer incentivada pelo poder público. 
Art. 217 É dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não-formais, como direito 
de cada um, observados:
I - a autonomia das entidades desportivas dirigentes e associações, quanto a sua organização 
e funcionamento;
II - a destinação de recursos públicos para a promoção prioritária do desporto educacional e, 
em casos específicos, para a do desporto de alto rendimento;
III - o tratamento diferenciado para o desporto profissional e o não- profissional;
IV - a proteção e o incentivo às manifestações desportivas de criação nacional.
§ 1º O Poder Judiciário só admitirá ações relativas à disciplina e às competições desportivas 
após esgotarem-se as instâncias da justiça desportiva, regulada em lei.
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§ 2º A justiça desportiva terá o prazo máximo de sessenta dias, contados da instauração do 
processo, para proferir decisão final.
§ 3º O Poder Público incentivará o lazer, como forma de promoção social.
Assim, a Constituição determina que é dever do Estado fomentar as práticas desportivas 
formais e não formais, devendo ser observadas a autonomia das entidades desportivas diri-
gentes e as associações (organização e funcionamento), a destinação de recursos públicos 
para a promoção prioritária do desporto educacional e, em casos específicos, para a do des-
porto de alto rendimento, o tratamento diferenciado para o desporto profissional e não pro-
fissional e a proteção e incentivo às manifestações desportivas de criação nacional (art. 217, 
da CF).
Nessa esteira, o dispositivo também estabelece que o Poder Judiciário só poderá intervir 
em questões disciplinares e de competições desportivas após o esgotamento das instâncias da 
justiça desportiva, regulada em lei. 
Isso assegura que as questões esportivas sejam, primeiramente, resolvidas por tribunais 
especializados no âmbito esportivo, preservando a autonomia e a especificidade dessas 
entidades.
Pedro Lenza, em Direito Constitucional Esquematizado (2020), preleciona que:
[...] se, por um lado, o papel do Estado é de fomento, por outro, o papel de prestação foi atri-
buído às entidades desportivas dirigentes e associações com autonomia para sua organização 
e funcionamento (I, art. 217), significando importante desdobramento das regras contidas no 
inciso XVII, do art. 5º e art. 8º, da CF, de 1988. (Lenza, 2020, p. 952)
A Constituição reconheceu a Justiça Desportiva ao estabelecer que o Poder Judiciário só 
admitirá ações referentes às competições esportivas após esgotadas as possibilidades na jus-
tiça desportiva. Para José Afonso da Silva (2017, p. 862), foi o momento em que a Constituição 
valorizou a Justiça Desportiva.
CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO
Conforme a Constituição Federal, o Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento 
científico. Além disso, estabelece duas espécies: a pesquisa científica básica e tecnológica e a 
pesquisa tecnológica. 
Determina o § 1º, art. 218, da CF, que a pesquisa científica básica e tecnológica receberá 
tratamento prioritário do Estado, tendo em vista o bem público e o progresso das ciências. 
CIÊNCIA E TECNOLOGIA
Pesquisa tecnológica Pesquisa científica básica e tecnológica
Volta-se para a solução dos problemas do 
país e para o desenvolvimento do sistema 
produtivo nacional e regional
Volta-se para o bem público e para o 
progresso das ciências
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Na execução das atividades de pesquisa científica, tecnológica e de inovação, o Estado 
promoverá articulação entre entes, tanto privados como públicos, nas diversas esferas do 
governo (§ 6º, art. 218, da CF).
O Estado promoverá a atuação no exterior das instituições públicas de ciências, com vistas 
à execução das atividades de desenvolvimento científico, como pesquisa, capacitação cientí-
fica e tecnológica e inovação (§ 7º, art. 218, da CF).
Mais adiante, no art. 219-A, dispositivo incluído pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015, 
é previsto que os entes da Federação poderão firmar instrumentos de cooperação com órgãos 
e entidades públicos e com entidades privadas para a execução de projetos de pesquisa, de 
desenvolvimento científico e tecnológico e de inovação, inclusive para o compartilhamento 
de recursos humanos especializados e capacidade instalada.
COMUNICAÇÃO SOCIAL
O art. 220, da CF, trata da liberdade de informar e de ser informado e garante a manifes-
tação de pensamento, da criação, da expressão e da informação, dispositivo em consonância 
com a garantia fundamental do inciso IX, do art. 5º, da CF, que prevê ser “livre a expressão da 
atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou 
licença”.
Nenhuma lei poderá conter dispositivo que restrinja a plena liberdade de informação jor-
nalística em qualquer veículo de comunicação. Por conseguinte, o § 2º, art. 220, da CF, prevê 
a vedação de toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.
Dica
O STF entende que é desnecessária a utilização de diploma de jornalismo como condição 
para o exercício da profissão; considera que exercer a profissão de jornalista tem, na sua 
essência, a manifestação do pensamento.
EMENTA: JORNALISMO. EXIGÊNCIA DE DIPLOMA DE CURSO SUPERIOR, REGISTRADO PELO 
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, PARA O EXERCÍCIO DA PROFISSÃO DE JORNALISTA. LIBERDA-
DES DE PROFISSÃO, DE EXPRESSÃO E DE INFORMAÇÃO. CONSTITUIÇÃO DE 1988 (ART. 5º, 
IX E XIII, E ART. 220, CAPUT E § 1º). NÃO RECEPÇÃO DO ART. 4º, INCISO V, DO DECRETO-LEI 
Nº 972, DE 1969.
As liberdades de expressão e de informação e, especificamente, a liberdade de imprensa, somen-
te podem ser restringidas pela lei em hipóteses excepcionais, sempre em razão da proteção de 
outros valores e interesses constitucionais igualmente relevantes, como os direitos à honra, 
à imagem, à privacidade e à personalidade em geral. Precedente do STF: ADPF nº 130, Rel. 
Minº Carlos Britto. A ordem constitucional apenas admite a definição legal das qualificações 
profissionais na hipótese em que sejam elas estabelecidas para proteger, efetivar e reforçar o 
exercício profissional das liberdades de expressão e de informação por parte dos jornalistas. 
Fora desse quadro, há patente inconstitucionalidade da lei. A exigência de diploma de curso 
superior para a prática do jornalismo - o qual, em sua essência, é o desenvolvimento profis-
sional das liberdades de expressão e de informação - não está autorizada pela ordem consti-
tucional, pois constitui uma restrição, um impedimento, uma verdadeira supressão do pleno, 
incondicionado e efetivo exercício da liberdade jornalística, expressamente proibido pelo art. 
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220, § 1º, da Constituição. (RE 511.961, rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 17.06.2019, DJe 
13.11.2009)
Compete à lei federal regular as diversões e espetáculos públicos e estabelecer os meios 
legais que garantam à pessoa e à família a possibilidade de se defenderem de programas ou 
programações de rádio e televisão que violem os princípios relacionados no art. 221, da CF, 
bem como da divulgaçãopúblico não pode iniciar o procedimento formal tendo como base única uma denúncia 
anônima.
Importante!
O STF considerou desnecessária a utilização de diploma de jornalismo e registro profissio-
nal no Ministério do Trabalho como condição para o exercício da profissão de jornalista, 
pois tem na sua essência a manifestação do pensamento.
Direito de Resposta e Indenização
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano 
material, moral ou à imagem; 
A expressão do pensamento é livre, porém não é absoluta. Assim, a pessoa é livre para 
expor sua opinião, todavia, atingindo-se a honra de alguém, por exemplo, ela poderá ser res-
ponsabilizada civil e penalmente. 
De acordo com o inciso acima, o direito de resposta, associado à indenização por dano 
material, moral ou à imagem, é assegurado às pessoas físicas e jurídicas quando estas, por 
meio dos canais midiáticos de comunicação, recebem ofensas a:
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 z sua honra;
 z sua reputação;
 z seu conceito;
 z seu nome;
 z sua marca;
 z sua imagem etc.
Portanto, o direito de resposta refere-se ao exercício do direito de defesa da pessoa que 
foi ofendida em razão da manifestação do pensamento de outra, como, por exemplo, no caso 
de notícia inverídica ou errônea. Salienta-se, por fim, que o direito de resposta é aplicado 
tanto à pessoa física quanto à jurídica.
Importante! O inciso V prevê a indenização por dano material, moral ou à imagem. De 
acordo com a Súmula nº 37, do Superior Tribunal de Justiça, esses danos são acumuláveis.
Liberdade Religiosa e de Consciência
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos 
cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e 
militares de internação coletiva;
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosó-
fica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recu-
sar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;
O Estado brasileiro é laico, ou seja, não se apoia nem se opõe a nenhuma religião. Por isso, 
a liberdade de crença e de consciência são direitos fundamentais previstos na Constituição 
Federal. 
A Constituição assegura, ainda, a liberdade de cultos, a proteção dos locais religiosos e a 
não privação de direitos em razão da crença pessoal.
A escusa de consciência consiste no direito individual de se recusar a cumprir determi-
nada obrigação ou a praticar determinado ato comum por este ser contrário às suas crenças 
religiosas ou à sua convicção filosófica ou política. 
Nesses casos, de acordo com a lei, a pessoa deve cumprir uma prestação alternativa, fixa-
da em lei. Serve como exemplo desse direito o cidadão que deixa de prestar serviço militar 
obrigatório por motivo de crença. 
Se o cidadão que invocar a escusa de consciência em seu benefício deixar de cumprir a 
prestação alternativa imposta, poderá incorrer na perda dos direitos políticos, segundo a 
doutrina majoritária, ou na suspensão destes, a teor do que se estabelece no § 2º, art. 4º, da 
Lei nº 8.239, de 1991:
Lei nº 8.239, de 1991
Art. 3º O Serviço Militar inicial é obrigatório a todos os brasileiros, nos termos da lei.
§ 1º Ao Estado-Maior das Forças Armadas compete, na forma da lei e em coordenação com os 
Ministérios Militares, atribuir Serviço Alternativo aos que, em tempo de paz, após alistados, 
alegarem imperativo de consciência decorrente de crença religiosa ou de convicção filosófica 
ou política, para se eximirem de atividades de caráter essencialmente militar.
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§ 2º Entende-se por Serviço Alternativo o exercício de atividades de caráter administrativo, 
assistencial, filantrópico ou mesmo produtivo, em substituição às atividades de caráter essen-
cialmente militar.
§ 3º O Serviço Alternativo será prestado em organizações militares da ativa e em órgãos de 
formação de reservas das Forças Armadas ou em órgãos subordinados aos Ministérios Civis, 
mediante convênios entre estes e os Ministérios Militares, desde que haja interesse recíproco 
e, também, sejam atendidas as aptidões do convocado.
§ 4º O Serviço Alternativo incluirá o treinamento para atuação em áreas atingidas por desas-
tre, em situação de emergência e estado de calamidade, executado de forma integrada com o 
órgão federal responsável pela implantação das ações de proteção e defesa civil. (Incluído pela 
Lei nº 12.608, de 2012)
§ 5º A União articular-se-á com os Estados e o Distrito Federal para a execução do treinamen-
to a que se refere o § 4º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 12.608, de 2012)
Art. 4º Ao final do período de atividade previsto no § 2º do art. 3º desta lei, será conferido 
Certificado de Prestação Alternativa ao Serviço Militar Obrigatório, com os mesmos efeitos 
jurídicos do Certificado de Reservista.
§ 1º A recusa ou cumprimento incompleto do Serviço Alternativo, sob qualquer pretexto, por 
motivo de responsabilidade pessoal do convocado, implicará o não-fornecimento do certifica-
do correspondente, pelo prazo de dois anos após o vencimento do período estabelecido.
§ 2º Findo o prazo previsto no parágrafo anterior, o certificado só será emitido após a decre-
tação, pela autoridade competente, da suspensão dos direitos políticos do inadimplente, 
que poderá, a qualquer tempo, regularizar sua situação mediante cumprimento das 
obrigações devidas.
Liberdade de Expressão e Proibição de Censura
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, indepen-
dentemente de censura ou licença;
O inciso IX trata da liberdade de expressão das atividades intelectual, artística, científica 
e de comunicação. Assim, a CF, de 1988, veda, expressamente, qualquer atividade de censura 
ou licença, inclusive a proveniente de atuação jurisdicional. 
Cumpre esclarecer os conceitos de censura e licença:
 z censura é a verificação da compatibilidade ou não entre um pensamento que se pretende 
expressar com as normas legais vigentes;
 z licença é a exigência de autorização para que o pensamento possa ser exteriorizado.
Proteção à Imagem, Honra e Intimidade da Pessoa Humana
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado 
o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;
Com intuito da proteção, a Constituição Federal tornou inviolável a imagem, a honra e a 
intimidade da pessoa humana, assegurando o direito à reparação material ou moral em caso 
de violação.
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Neste sentido, o inciso X decorre do direito à vida e traz a proteção dos direitos de perso-
nalidade, ou seja, o direito à privacidade. 
Trata-se dos atributos morais que devem ser preservados e respeitados por todos, tendo 
em vista que a vida não deve ser protegida apenas em seus aspectos materiais.
Aqui, torna-se necessário explicar alguns termos:
 z intimidade é o direito de estar só, ou seja, de não ser perturbado em sua vida particular; 
 z vida privada refere-se ao relacionamento de um indivíduo com seus familiares e amigos, 
quer em seu lar quer em locais fechados; 
 z honra é o atributo pessoal que compreende tanto a autoestima (honra subjetiva) quanto a 
reputação de que goza a pessoa no meio social (honra objetiva);
 z imagem é a expressão exterior da pessoa, ou seja, seus aspectos físicos (imagem-retrato), 
bem como a exteriorização de sua personalidade no meio social (imagem-atributo).
Proteção do Domicílio do Indivíduo
XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento 
do morador, salvo em caso dede produtos que podem ser nocivos à saúde e ao meio ambiente.
Art. 221 A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguin-
tes princípios:
I - preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;
II - promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive 
sua divulgação;
III - regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais esta-
belecidos em lei;
IV - respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.
Nesse sentido, as propagandas comerciais de bebidas alcoólicas, tabaco, agrotóxico e 
medicamentos deverão mencionar os malefícios decorrentes de seu uso, conforme também 
consagra o art. 9º, da Lei nº 8.078, de 1990 (Código de Defesa do Consumidor). Vejamos:
Art. 9º O fornecedor de produtos e serviços potencialmente nocivos ou perigosos à saúde ou 
segurança deverá informar, de maneira ostensiva e adequada, a respeito da sua nocividade ou 
periculosidade, sem prejuízo da adoção de outras medidas cabíveis em cada caso concreto.
Conforme o art. 222, da Constituição, é privativa de brasileiro nato, naturalizado (mais 
de 10 anos) ou de pessoas jurídicas constituídas sob as leis brasileiras (com sede no país) a 
propriedade de empresa jornalística e de radiodifusão sonora e de sons e imagens.
Também é privativo de brasileiro nato ou naturalizado (mais 10 anos) a responsabilida-
de editorial e as atividades de seleção e direção da programação veiculada em qualquer meio 
de comunicação.
Ainda, é de competência do Poder Executivo outorgar e renovar concessão, permissão e 
autorização para o serviço de radiodifusão sonora e de sons e imagens (art. 223, da CF).
§ 1º O Congresso Nacional apreciará o ato no prazo do art. 64, § 2º e § 4º, a contar do recebi-
mento da mensagem.
§ 2º A não renovação da concessão ou permissão dependerá de aprovação de, no mínimo, dois 
quintos do Congresso Nacional, em votação nominal.
§ 3º O ato de outorga ou renovação somente produzirá efeitos legais após deliberação do Con-
gresso Nacional, na forma dos parágrafos anteriores.
§ 4º O cancelamento da concessão ou permissão, antes de vencido o prazo, depende de decisão 
judicial.
§ 5º O prazo da concessão ou permissão será de dez anos para as emissoras de rádio e de 
quinze para as de televisão.
Art. 224 Para os efeitos do disposto neste capítulo, o Congresso Nacional instituirá, como seu 
órgão auxiliar, o Conselho de Comunicação Social, na forma da lei.
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MEIO AMBIENTE
O meio ambiente tem previsão no Texto Constitucional, no art. 225, que define o meio 
ambiente ecologicamente equilibrado como bem de uso comum do povo, sendo dever do 
poder público e da coletividade defender e preservar para as presentes e futuras gerações.
O § 1º, art. 225, prevê as medidas para assegurar a efetividade desse direito. Vejamos:
Art. 225 Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum 
do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o 
dever de defendê-lo e preservá- lo para as presentes e futuras gerações.
§ 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:
I - preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das 
espécies e ecossistemas; 
II - preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as enti-
dades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético;
III - definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a 
serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através 
de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifi-
quem sua proteção; 
IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de 
significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará 
publicidade;
V - controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias 
que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente; 
VI - promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública 
para a preservação do meio ambiente;
VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua 
função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade.
VIII - manter regime fiscal favorecido para os biocombustíveis e para o hidrogênio de baixa 
emissão de carbono, na forma de lei complementar, a fim de assegurar-lhes tributação inferior 
à incidente sobre os combustíveis fósseis, capaz de garantir diferencial competitivo em rela-
ção a estes, especialmente em relação às contribuições de que tratam o art. 195, I, “b”, IV e V, 
e o art. 239 e aos impostos a que se referem os arts. 155, II, e 156-A. 
[...]
O STF considerou que a prática de exercício cultural que submeta os animais à crueldade 
viola o inciso VII, do art. 225, e é inconstitucional. Por exemplo, foi declarada inconstitucional 
a Lei nº 15.299, de 2013, do estado do Ceará, que regulamentava a vaquejada. Vejamos:
VAQUEJADA – MANIFESTAÇÃO CULTURAL – ANIMAIS – CRUELDADE MANIFESTA – PRE-
SERVAÇÃO DA FAUNA E DA FLORA – INCONSTITUCIONALIDADE. A obrigação de o Estado 
garantir a todos o pleno exercício de direitos culturais, incentivando a valorização e a difusão 
das manifestações, não prescinde da observância do disposto no inciso VII do artigo 225 da 
Carta Federal, o qual veda prática que acabe por submeter os animais à crueldade. Discrepa 
da norma constitucional a denominada vaquejada. (ADI nº 4.983, rel. Min. Marco Aurélio, j. 
6-10-2016, P, DJE de 27-4-2017)
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Posteriormente, a Emenda Constitucional nº 96, de 2017, inovou ao acrescentar o § 7º ao 
art. 225, não considerando cruel a utilização de animais em práticas desportivas de manifes-
tação cultural, mas, para tanto, exigindo a regulamentação por lei específica que assegura o 
bem-estar dos animais envolvidos.
Art. 225 [...]
§ 2º Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degra-
dado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da lei.
§ 3º As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, 
pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obri-
gação de reparar os danos causados.
§ 4º A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Gros-
sense e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, 
dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso 
dos recursos naturais. 
§ 5º São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados, por ações discrimi-
natórias, necessárias à proteção dos ecossistemas naturais.
§ 6º As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização definida em lei fede-
ral, sem o que não poderão ser instaladas.
§ 7º Para fins do disposto na parte final do inciso VII do § 1º deste artigo, não se consideram 
cruéis as práticas desportivas que utilizem animais, desde que sejam manifestações culturais, 
conforme o § 1º do art. 215 desta Constituição Federal, registradas como bem de natureza 
imaterial integrante do patrimônio cultural brasileiro, devendo ser regulamentadas por lei 
específica que assegure o bem-estar dos animais envolvidos.
Ainda, além do meio de atuação relacionado nos incisos, do art. 225, a Constituição prevê 
condutas a serem observadas, como, por exemplo: aquele que explorar recursos minerais 
fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado (§ 2º, art. 225, da CF).
O Texto Constitucional também se preocupou em declarar como patrimônionacional a 
Floresta Amazônica, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona 
Costeira. Assim, suas utilizações serão na forma da lei.
Também, conforme o § 5º, do art. 225, são indisponíveis as terras devolutas (terras que 
pertencem ao poder público sem destinação pública) ou arrecadadas pelos estados, por ações 
discriminatórias, necessárias à proteção dos ecossistemas naturais.
DA FAMÍLIA, DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE, DO JOVEM E DA PESSOA IDOSA
O termo “família”, ao longo dos anos, foi se transmudando. Trata-se, por sinal, de um tema 
que vem sendo discutido constantemente. A mais revolucionária mudança veio com a pro-
mulgação da Constituição Federal, de 1988, que ampliou o conceito de família e passou a 
proteger todos os seus membros de forma igualitária.
Vejamos o dispositivo constitucional que segue: 
Art. 226 A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.
§ 1º O casamento é civil e gratuita a celebração.
§ 2º O casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei.
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§ 3º Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a 
mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento. 
§ 4º Entende-se, também, como entidade familiar a comunidade formada por qualquer dos 
pais e seus descendentes.
§ 5º Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem 
e pela mulher.
§ 6º O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio. (Redação dada Pela Emenda Consti-
tucional nº 66, de 2010)
§ 7º Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável, 
o planejamento familiar é livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos 
educacionais e científicos para o exercício desse direito, vedada qualquer forma coercitiva por 
parte de instituições oficiais ou privadas. 
§ 8º O Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um dos que a integram, 
criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações.
É inegável a transformação da estrutura familiar, identificada na Carta Republicana, que 
se ergue como a nova tábua valorativa das relações familiares.
Até o advento da Constituição, de 1988, o reconhecimento da família estava intimamente 
ligado ao casamento. Segundo a maioria dos estudiosos, a família era conceituada como o 
conjunto de pessoas que se achavam vinculadas entre si pelo matrimônio, pela filiação e pela 
adoção.
A partir da Constituição, de 1988, passou-se a reconhecer outras formas de constituição de 
família, que não exclusivamente pelo casamento, ampliando o rol de entidades familiares, 
considerando também a união estável e a família monoparental. Ainda, o Texto Constitucio-
nal consagra a família como a base da sociedade, com especial proteção do Estado.
A família monoparental, por exemplo, é a família formada só pela mãe ou só pelo pai e 
seus respectivos filhos, conforme § 4º, art. 226, da CF.
Dica
Seguindo os preceitos contidos no § 4º, art. 226, da CF, que reconhece a família monopa-
rental, Pedro Lenza (2020, p. 1.512) preleciona que, sendo assim, o Estado também deverá 
assegurar proteção especial às famílias instituídas por inseminação artificial, produção 
independente etc.
Destarte, o Supremo Tribunal Federal, em 2011, no julgamento da ADPF nº 132 (RJ) e da 
ADI nº 4.277 (DF), reconheceu a união homoafetiva como família, sob análise do art. 1.723, 
do Código Civil, em consonância com a Constituição Federal. Ou seja, reconheceu a união 
homoafetiva como constitucional. Vejamos a ementa do julgamento:
INTERPRETAÇÃO DO ART. 1.723 DO CÓDIGO CIVIL EM CONFORMIDADE COM A CONSTI-
TUIÇÃO FEDERAL (TÉCNICA DA “INTERPRETAÇÃO CONFORME”). RECONHECIMENTO DA 
UNIÃO HOMOAFETIVA COMO FAMÍLIA. PROCEDÊNCIA DAS AÇÕES. Ante a possibilidade 
de interpretação em sentido preconceituoso ou discriminatório do art. 1.723 do Código Civil, 
não resolúvel à luz dele próprio, faz-se necessária a utilização da técnica de “interpretação 
conforme à Constituição”. Isso para excluir do dispositivo em causa qualquer significado que 
impeça o reconhecimento da união contínua, pública e duradoura entre pessoas do mesmo 
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sexo como família. Reconhecimento que é de ser feito segundo as mesmas regras e com as 
mesmas consequências da união estável heteroafetiva. (ADI nº 4.277/DF, rel. Min. Ayres Brito, 
data do julgamento 05.05.2011, DJe 14.10.2011)
O casamento civil é de celebração gratuita, sendo que o religioso terá efeito civil, nos ter-
mos da lei. No que tange à dissolução do casamento civil, o Texto Constitucional foi modifica-
do pela Emenda Constitucional nº 66, de 2010, que, então, permitiu a dissolução do casamento 
civil pelo divórcio. Antes, a separação só se dava após o cumprimento de alguns requisitos, 
mas, agora, é imediata.
É dever do Estado, da família e da sociedade assegurar com prioridade os direitos funda-
mentais da criança, do adolescente e do jovem, dando primazia à vida, à saúde, à alimenta-
ção, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade 
e à convivência familiar e comunitária (art. 227, da CF).
A Constituição também determina a promoção de programas de assistência à criança, ao 
adolescente e ao jovem. Vejamos:
Art. 227 É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao 
jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, 
à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar 
e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, explo-
ração, violência, crueldade e opressão. (Redação dada Pela Emenda Constitucional nº 65, de 
2010)
§ 1º O Estado promoverá programas de assistência integral à saúde da criança, do adolescen-
te e do jovem, admitida a participação de entidades não governamentais, mediante políticas 
específicas e obedecendo aos seguintes preceitos:
I - aplicação de percentual dos recursos públicos destinados à saúde na assistência 
materno-infantil;
II - criação de programas de prevenção e atendimento especializado para as pessoas portado-
ras de deficiência física, sensorial ou mental, bem como de integração social do adolescente e 
do jovem portador de deficiência, mediante o treinamento para o trabalho e a convivência, e a 
facilitação do acesso aos bens e serviços coletivos, com a eliminação de obstáculos arquitetô-
nicos e de todas as formas de discriminação.
§ 2º A lei disporá sobre normas de construção dos logradouros e dos edifícios de uso público e 
de fabricação de veículos de transporte coletivo, a fim de garantir acesso adequado às pessoas 
portadoras de deficiência.
Diante do § 3º, do mesmo artigo, há a especificação sobre alguns aspectos do direito à 
proteção especial que esses sujeitos devem receber, tais como os elencados em seus incisos. 
Vejamos:
Art. 227 [...]
§ 3º O direito a proteção especial abrangerá os seguintes aspectos:
I - idade mínima de quatorze anos para admissão ao trabalho, observado o disposto no art. 
7º, XXXIII;
II - garantia de direitos previdenciários e trabalhistas;
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III - garantia de acesso do trabalhador adolescente e jovem à escola; (Redação dada Pela 
Emenda Constitucional nº 65, de 2010)
IV - garantia de pleno e formal conhecimento da atribuição de ato infracional, igualdade na 
relação processual e defesa técnica por profissional habilitado, segundo dispuser a legislação 
tutelar específica;
V - obediência aos princípios de brevidade, excepcionalidade e respeito à condição peculiar de 
pessoa em desenvolvimento, quando da aplicação de qualquer medida privativa da liberdade;
VI - estímulo do Poder Público, através de assistência jurídica, incentivos fiscais e subsídios,nos termos da lei, ao acolhimento, sob a forma de guarda, de criança ou adolescente órfão ou 
abandonado;
VII - programas de prevenção e atendimento especializado à criança, ao adolescente e ao 
jovem dependente de entorpecentes e drogas afins. (Redação dada Pela Emenda Constitu-
cional nº 65, de 2010)
O § 4º, por sua vez, faz parte do art. 227, da Constituição Federal, de 1988, de forma que 
estabelece que a lei punirá severamente o abuso, a violência e a exploração sexual da criança 
e do adolescente, ou seja, qualquer conduta que atente contra sua dignidade, respeito, liber-
dade e integridade física, moral ou psicológica, em razão de sua condição peculiar de pessoa 
em desenvolvimento. Esse dispositivo visa proteger as crianças e os adolescentes de toda 
forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, conforme 
o caput do art. 227. Para tanto, a lei que regulamenta esse parágrafo é a Lei nº 8.069, de 13 de 
julho de 1990, que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providên-
cias. Essa legislação, para tanto, define e tipifica os crimes de abuso, violência e exploração 
sexual da criança e do adolescente, bem como estabelece as medidas de proteção, prevenção 
e repressão a essas práticas.
Art. 227 [...]
§ 4º A lei punirá severamente o abuso, a violência e a exploração sexual da criança e do 
adolescente.
Por conseguinte, o § 5º estabelece que a adoção será assistida pelo poder público, na forma 
da Lei, que vislumbrará casos e condições de sua efetivação por parte de estrangeiros. Isto é, 
determina que o Estado deve oferecer apoio jurídico, social e psicológico para as crianças e 
adolescentes que forem adotados, bem como para as famílias adotantes, sejam elas nacionais 
ou estrangeiras, respeitando os requisitos e as garantias previstos na legislação específica. 
Assim como o parágrafo anterior, o § 5º também é regido pela Lei n° 8.069, de 1990.
Art. 227 [...]
§ 5º A adoção será assistida pelo Poder Público, na forma da lei, que estabelecerá casos e con-
dições de sua efetivação por parte de estrangeiros.
Além disso, o § 6º prevê que os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por 
adoção, terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações discrimi-
natórias relativas à filiação. Ou seja, dispõe que não há distinção entre os filhos biológicos e 
adotivos, nem entre os legítimos e ilegítimos, para efeitos de direitos civis, como o direito ao 
nome, à herança, à convivência familiar, entre outros.
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Art. 227 [...]
§ 6º Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção, terão os mesmos direi-
tos e qualificações, proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação.
§ 7º No atendimento dos direitos da criança e do adolescente levar-se- á em consideração o 
disposto no art. 204.
Ainda, o § 8º estabelece o estatuto da juventude e o plano nacional de juventude. Vejamos:
Art. 227 [...]
§ 8º A lei estabelecerá: (Incluído Pela Emenda Constitucional nº 65, de 2010)
I - o estatuto da juventude, destinado a regular os direitos dos jovens; (Incluído Pela Emenda 
Constitucional nº 65, de 2010)
II - o plano nacional de juventude, de duração decenal, visando à articulação das várias esfe-
ras do poder público para a execução de políticas públicas. (Incluído Pela Emenda Constitu-
cional nº 65, de 2010)
O art. 228, da CF, determina que os menores de 18 anos são penalmente inimputáveis, ou 
seja, não podem responder criminalmente, sendo que, após verificada prática de ato infra-
cional, estarão sujeitos às medidas previstas em legislação especial.
Art. 228 São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às normas da 
legislação especial.
O art. 229 estabelece, por sua vez, que os pais têm o dever de assistir, criar e educar os 
filhos menores, e os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carên-
cia ou enfermidade. Ou seja, há a determinação de que existe uma relação de mútua assis-
tência e solidariedade entre pais e filhos, independentemente da idade ou da condição social.
Art. 229 Os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores, e os filhos maiores 
têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou enfermidade.
Finalmente, o art. 230, da CF/88 discorre sobre a população idosa, de forma que se esta-
belece a família, a sociedade e o Estado como devedores do amparo às pessoas idosas, asse-
gurando sua participação na comunidade. Nesses moldes, devem tais entidades fazerem a 
defesa da dignidade e bem-estar, garantindo-lhes o direito à vida. Isto é, há uma obrigação 
solidária e conjunta de proteger e respeitar os direitos fundamentais das pessoas com mais 
de 60 anos de idade, conforme o Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 
2003).
Além disso, os programas de amparo às pessoas idosas serão executados preferencialmen-
te em seus lares, ou seja, o Estado deve priorizar o atendimento domiciliar e a permanência 
dos idosos em seu ambiente familiar e comunitário, evitando a institucionalização ou o aban-
dono, salvo em casos de absoluta necessidade. Sendo assim, também, aqueles que possuem 
mais que sessenta e cinco anos detêm a garantia da gratuidade dos transportes coletivos 
urbanos, uma vez que poderão usufruir do transporte público, como metrôs, trem, ônibus e 
qualquer outro do mesmo gênero, sem qualquer custo.
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Art. 230 A família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas, assegu-
rando sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade e bem-estar e garantindo-
-lhes o direito à vida.
§ 1º Os programas de amparo aos idosos serão executados preferencialmente em seus lares.
§ 2º Aos maiores de sessenta e cinco anos é garantida a gratuidade dos transportes coletivos 
urbanos.
INDÍGENAS
O ordenamento jurídico brasileiro valoriza as diferenças culturais, garantindo e respei-
tando o modo de vida das comunidades indígenas. O Texto Constitucional foi um grande 
avanço referente aos direitos indígenas, garantindo a eles a preservação da sua organização 
social, costumes, crenças, línguas e tradições.
A Constituição também garantiu o direito originário sobre as terras que os povos indígenas, 
tradicionalmente, ocupavam, cabendo à União demarcá-las e garantir que seus bens sejam respei-
tados, sendo inalienáveis e indisponíveis — assim como os direitos sobre elas são imprescritíveis.
Determina o § 6º, art. 231, da CF, que são nulos e extintos os atos que tenham por objeto a ocu-
pação, o domínio e a posse das terras indígenas, ou a exploração das riquezas naturais do solo, dos 
rios e dos lagos nelas existentes, com exceção ao relevante interesse público da União.
Dica
É de competência exclusiva do Congresso Nacional autorizar, em terras indígenas, a explo-
ração e o aproveitamento de recursos hídricos, bem como a pesquisa e lavra de riquezas 
minerais (inciso XVI, art. 49, da CF).
O art. 232, da CF, autoriza a participação dos indígenas e das suas comunidades e organi-
zações como partes legítimas para ingressar em juízo para defender seus interesses, com a 
participação do ministério público em todos os atos do processo.
REFERÊNCIAS
LENZA, P. Direito Constitucional Esquematizado. 24ª ed. São Paulo: Editora Saraiva, 2020.
SILVA, J. A. Curso de Direito Constitucional Positivo. São Paulo: Malheiros Editores, 2017.
 HORA DE PRATICAR!
1. (CEBRASPE-CESPE — 2023) Com base nas disposições da Constituição Federal de 1988 (CF), 
julgue o item que se segue, relativo aos princípios fundamentais, ao Poder Legislativo, ao Poder 
Judiciário e às funções essenciais à justiça.
 Entre os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil incluem-se a promoção do 
bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de 
discriminação;a construção de uma sociedade livre, justa e solidária; e a garantia do desenvolvi-
mento nacional.
( ) CERTO  ( ) ERRADO
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2. (CEBRASPE-CESPE — 2023) Considerando os direitos e as garantias fundamentais, julgue o 
item que se segue.
 É vedado ao poder público interferir na criação ou no funcionamento de uma associação forma-
da por um grupo de amigos, independentemente de sua finalidade.
( ) CERTO  ( ) ERRADO
3. (CEBRASPE-CESPE — 2022) A respeito dos direitos e garantias fundamentais, julgue o item a 
seguir.
 A obtenção de certidões em repartições públicas, para esclarecimento de situação de interesse 
pessoal, é direito assegurado a todos e independe do pagamento de taxa.
( ) CERTO  ( ) ERRADO
4. (CEBRASPE-CESPE — 2022) A respeito dos direitos e garantias fundamentais, julgue o item a 
seguir.
 O Poder Judiciário pode determinar a implantação de políticas públicas relacionadas a direitos e 
garantias fundamentais, sem que isso ofenda o princípio da separação dos poderes.
( ) CERTO  ( ) ERRADO
5. (CEBRASPE-CESPE — 2023) No que concerne aos direitos e garantias fundamentais e à aplica-
bilidade das normas constitucionais, observadas a Constituição Federal de 1988 (CF) e a juris-
prudência do Supremo Tribunal Federal (STF), julgue o item a seguir.
 Constitui crime a retenção dolosa do salário pelo empregador.
( ) CERTO  ( ) ERRADO
6. (CEBRASPE-CESPE — 2022) O item apresenta uma situação hipotética seguida de uma asserti-
va, a ser julgada com base nos direitos e garantias fundamentais assegurados na Constituição 
Federal de 1988 (CF).
 A mineradora Y tem reduzido seu quadro de funcionários contratados, em razão de contenção de 
despesas, e Ivo, empregado sindicalizado, estava na lista para ser dispensado, porém foi eleito 
como suplente para cargo de direção do sindicato. Nessa situação, com a sua eleição, Ivo não 
poderá ser dispensado até um ano após o final do mandato, salvo se cometer falta grave.
( ) CERTO  ( ) ERRADO
7. (CEBRASPE-CESPE — 2022) À luz da Constituição Federal de 1988, julgue o item a seguir, acerca 
de direitos e garantias fundamentais.
 São brasileiros natos aqueles que nascem no exterior de pai ou mãe brasileira, desde que venham 
a residir no Brasil e optem, a qualquer tempo, após a maioridade, pela nacionalidade brasileira, ou 
que sejam registrados em repartição brasileira competente.
( ) CERTO  ( ) ERRADO
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8. (CEBRASPE-CESPE — 2022) Julgue o seguinte item, acerca dos direitos e garantias fundamen-
tais estabelecidos na Constituição Federal (CF).
 Suponha-se que um estrangeiro hipossuficiente, residente no Brasil de forma irregular, precise 
regularizar a migração para ter acesso a serviços públicos, como, por exemplo, à inclusão em 
programas sociais e à educação pública. Nesse caso, é direito do estrangeiro solicitar gratuidade 
das taxas exigidas para esses procedimentos de regularização de permanência no país, uma vez 
que a CF garante expressamente a não distinção entre brasileiros natos, naturalizados ou estran-
geiros residentes no país, assegurando-lhes a igualdade de tratamento na forma da lei, para os 
atos necessários ao exercício da cidadania.
( ) CERTO  ( ) ERRADO
9. (CEBRASPE-CESPE — 2021) Acerca dos direitos sociais, da nacionalidade e dos direitos políti-
cos, julgue o item seguinte.
 Perderá a nacionalidade o brasileiro cuja naturalização for cancelada, por decisão judicial ou 
administrativa, em virtude de atividade nociva ao interesse nacional.
( ) CERTO  ( ) ERRADO
10. (CEBRASPE-CESPE — 2022) Julgue o próximo item, a respeito das práticas na administração 
pública brasileira.
 Ação popular, plebiscito e audiência pública são exemplos de formas de controle legislativo na 
administração pública.
( ) CERTO  ( ) ERRADO
11. (CEBRASPE-CESPE — 2023) No que concerne aos direitos e garantias fundamentais e à aplica-
bilidade das normas constitucionais, observadas a Constituição Federal de 1988 (CF) e a juris-
prudência do Supremo Tribunal Federal (STF), julgue o item a seguir.
 A ação de impugnação de mandato eletivo deve ser proposta em até quinze dias contados da 
diplomação, devendo tramitar sob segredo de justiça.
( ) CERTO  ( ) ERRADO
12. (CEBRASPE-CESPE — 2022) No tocante aos direitos e às garantias constitucionais, julgue o 
item.
 Não existe no Brasil nenhuma hipótese legal de acolhimento da chamada candidatura nata, ou 
seja, o direito de o titular de mandato eletivo proporcional ser, obrigatoriamente, escolhido e 
registrado pelo partido como candidato à reeleição.
( ) CERTO  ( ) ERRADO
13. (CEBRASPE-CESPE — 2023) No que se refere à repartição de competências na CF, aos princípios 
da administração pública e à responsabilidade civil do poder público, julgue o item subsequente.
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 Embora não explicitado no artigo 37 da CF, o princípio da proporcionalidade, considerado como 
decorrência do devido processo legal, é reconhecido como aplicável à administração pública e 
tem como um de seus elementos a exigência de adequação entre os meios que o poder público 
empregue e as finalidades às quais eles se destinem.
( ) CERTO  ( ) ERRADO
14. (CEBRASPE-CESPE — 2022) A respeito das atribuições do Poder Executivo, do Poder Legislativo 
e dos tribunais de contas, julgue o item a seguir.
 Compete ao presidente da República, mediante decreto, extinguir funções ou cargos públicos 
que estejam vagos.
( ) CERTO  ( ) ERRADO
15. (CEBRASPE-CESPE — 2023) Com base nas disposições constitucionais a respeito da responsa-
bilidade do presidente da República, julgue o item a seguir.
 Nos casos de crimes de responsabilidade, admitida a acusação contra o presidente da Repúbli-
ca, por dois terços da Câmara dos Deputados, será ele submetido a julgamento perante o Supre-
mo Tribunal Federal.
( ) CERTO  ( ) ERRADO
16. (CEBRASPE-CESPE — 2023) No que concerne à defesa do Estado e das instituições democráti-
cas, com fundamento na CF vigente, julgue o próximo item.
 Compete à mesa do Congresso Nacional indicar comissão para acompanhar e fiscalizar a execu-
ção das medidas referentes ao estado de defesa e ao estado de sítio.
( ) CERTO  ( ) ERRADO
17. (CEBRASPE-CESPE — 2022) A Constituição Federal de 1988 estabelece normas a respeito da 
segurança pública, a ser exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das 
pessoas e do patrimônio.
 Sobre o tema, julgue o seguinte item.
 O Poder Judiciário pode determinar que o Estado implemente políticas públicas no campo da 
segurança pública se caracterizada inadimplência quanto a tal dever constitucional.
( ) CERTO  ( ) ERRADO
18. (CEBRASPE-CESPE — 2022) Julgue o próximo item, com base na Constituição Federal de 1988.
 Os municípios deverão aplicar, no mínimo, 25% da sua arrecadação de impostos na manutenção 
e no desenvolvimento do ensino.
( ) CERTO  ( ) ERRADO
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19. (CEBRASPE-CESPE — 2023) Acerca das normas constitucionais ambientais, julgue o item a 
seguir.
 O dever constitucional de defender e preservar o meio ambiente para as presentes e futuras gera-
ções é obrigatório ao poder público e facultativo à coletividade.
( ) CERTO  ( ) ERRADO
20. (CEBRASPE-CESPE — 2023) Com base na Constituição Federal de 1988 (CF) e na Lei de Diretri-
zes e Bases da Educação Nacional, julgue o item a seguir.
 A CF assegura o planejamento familiar como de livre decisão do casal, entendendo-se também 
como entidade familiar a comunidade formada por apenas um dos pais e seus descendentes.
( ) CERTO  ( ) ERRADO
 9 GABARITO
1 Certo
2 Errado
3 Certo
4 Certo
5 Certo
6 Certo
7 Certo
8 Certo
9 Errado
10 Errado
11 Certo
12 Certo
13 Certo
14 Certo
15 Errado
16 Certo
17 Certo
18 Certo
19 Errado
20 Certoflagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, duran-
te o dia, por determinação judicial; (Vide Lei nº 13.105, de 2015) (Vigência).
A proteção do domicílio é direito fundamental. A casa do indivíduo, portanto, é inviolá-
vel. De outro modo, não se tratando de casos excepcionais de flagrante delito, prestação de 
socorro ou ordem judicial, só podem adentrar, nesta, aqueles que possuem consentimento do 
morador.
Essa proteção se refere às pessoas físicas ou jurídicas, abrangendo, inclusive, a proteção 
necessária à própria imagem frente aos meios de comunicação em massa (televisão, jornais 
etc.).
Note que existem exceções à inviolabilidade: flagrante delito, desastre, prestação de socor-
ro e determinação judicial. 
Convém lembrar também que, de acordo com o magistério jurisprudencial do STF, o con-
ceito de “casa” é amplo, abarcando qualquer compartimento habitado (casa, apartamento, 
trailer ou barraca); qualquer aposento ocupado de habitação coletiva (hotel, apart-hotel ou 
pensão), bem como qualquer compartimento privado onde alguém exerça profissão ou ativi-
dade, incluindo as pessoas jurídicas. 
O STF, em relevante julgamento com repercussão geral (§ 3º, art. 102, da CF), firmou 
compreensão no sentido de que pode ocorrer a inviolabilidade mesmo no período noturno 
— fundamentada e devidamente justificada, se indicado que no interior da casa se está 
praticando algum crime, ou seja, em estado de flagrante delito. 
É importante frisar que, se o agente policial entrar na residência e não constatar a ocor-
rência de crime em flagrante, não haverá ilicitude na conduta dos agentes policiais se forem 
apresentadas fundadas razões que os levaram a invadir aquela casa, o que, sem dúvida, deve 
ser objeto de controle — mesmo que posterior — por parte da própria polícia e, claro, pelo 
Ministério Público (a quem compete exercer o controle externo da atividade policial, nos ter-
mos do inciso VII, art. 129, da CF) ou mesmo pelo Judiciário, ao analisar-se a legitimidade de 
eventual prova colhida durante essa entrada à residência.
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Proteção do Sigilo das Comunicações
XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das 
comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma 
que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; (Vide 
Lei nº 9.296, de 1996).
A inviolabilidade das comunicações pessoais está disciplinada no inciso XII e também 
decorre do direito à segurança. O dispositivo considera comunicações pessoais:
 z As correspondências: comunicações recebidas em casa, como, por exemplo, as cartas, as 
contas, os comunicados e avisos comerciais; 
 z A comunicação telegráfica: comunicados mais rápidos, que podem ser enviados tanto na 
forma escrita como pela internet, tais como o telegrama;
 z A comunicação de dados: comunicação feita por meio de rede de computadores, como, 
por exemplo, a compra de produtos on-line ou homebank;
 z As comunicações telefônicas: ligações feitas e recebidas por meio de telefone fixo ou 
móvel.
De acordo com a lei básica, o sigilo das comunicações é direito fundamental e, portanto, 
inviolável, salvo em casos de ordem judicial.
As correspondências são invioláveis, com exceção nos casos de decretação de estado de 
defesa e de sítio (art. 136 e seguintes, da CF).
É importante mencionar que o STF já reconheceu a possibilidade de interceptar carta de 
presidiário, pois a inviolabilidade de correspondência não pode ser usada como defesa para 
atividades ilícitas.
Possibilidade de interceptação telefônica: interceptação telefônica é a captação e gra-
vação de conversa telefônica, no momento em que ela se realiza, por terceira pessoa, sem o 
conhecimento de qualquer um dos interlocutores, conforme prevê exceção do inciso XII, do 
art. 5º, da CF, acima mencionado, que, para ser lícita, deve obedecer a três requisitos: 
INTERCEP-
TAÇÃO 
TELEFÔNICA
Ordem judicial
Para fins de investigação criminal
Hipóteses e formas que a lei estabelecer
Ainda, a interceptação telefônica dependerá de ordem judicial, conforme art. 1º, da Lei nº 
9.926, de 1996:
Art. 1º A interceptação de comunicações telefônicas, de qualquer natureza, para prova em 
investigação criminal e em instrução processual penal, observará o disposto nesta Lei e depen-
derá de ordem do juiz competente da ação principal, sob segredo de justiça.
Parágrafo único. O disposto nesta Lei aplica-se à interceptação do fluxo de comunicações em 
sistemas de informática e telemática.
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O segundo requisito necessário exige que a produção desse meio de prova seja dirigida 
para fins de investigação criminal ou instrução processual penal, assim, não é possível a 
autorização da interceptação telefônica em processos civis, administrativos, disciplinares etc.
Já o último requisito refere-se a uma lei que deve prever as hipóteses e a forma em que 
pode ocorrer a interceptação telefônica, obrigatoriamente no âmbito de investigação crimi-
nal ou instrução processual penal. 
A regulamentação desse dispositivo veio com a Lei nº 9.296, de 1996, que legitimou a inter-
ceptação das comunicações como meio de prova, estendendo também a sua regulamentação 
à interceptação de fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática (combina-
ção de meios eletrônicos de comunicação com informática, e-mail e outros).
Liberdade de Profissão
XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações 
profissionais que a lei estabelecer;
O direito de exercício de qualquer atividade profissional decorre do direito à liberdade. 
Trata-se da faculdade de escolher o trabalho que se pretende exercer. 
No entanto, é necessário atender às qualificações profissionais exigidas pela lei; por exem-
plo, para ser médico, um dos requisitos é ter feito faculdade de medicina em território nacio-
nal ou ter sido aprovado em exame de revalidação no caso de faculdade estrangeira.
Essa é uma norma constitucional de eficácia contida, ou seja, uma norma que produz todos os 
efeitos. No entanto, cabe destacar que uma norma infraconstitucional (lei) pode conter o seu alcan-
ce ao fixar condições ou requisitos para o pleno exercício da profissão, como, por exemplo, a regra 
de que, para advogar, é necessária a aprovação no exame da Ordem dos Advogados do Brasil.
Acesso à Informação
XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando 
necessário ao exercício profissional;
O inciso XIV disciplina o direito de informação, que é um dos desdobramentos do direito à 
liberdade. O direito à informação possui tríplice alcance, por englobar o direito de informar, 
de se informar e de ser informado.
Importante!
A liberdade de informação jornalística está prevista no § 1º, art. 220, da CF, de 1988, e é 
mais abrangente que a liberdade de imprensa, que assegura o direito de veiculação de 
impressos sem qualquer tipo de restrição por parte do Estado.
Ressalta-se, ainda, que o dispositivo resguarda o sigilo da fonte quando necessário ao 
exercício profissional. Deste modo, por exemplo, nenhum jornalista poderá ser obrigado a 
revelar o nome de seu informante ou a fonte de suas informações. Além disso, seu silêncio 
não poderá sofrer qualquer sanção. 
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Liberdade de Locomoção, Direito de Ir e Vir
XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, 
nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens;
Esse inciso consagra o direito de ir e vir e a liberdade de locomoção. Nesse sentido, todos 
são livres para entrar, circular, permanecer ou sair do território nacional em tempos de paz. 
Assim, a liberdade de ir e vir encontra-se disciplinada no inciso XV, art. 5º,da CF, de 1988. 
Trata-se, portanto, do direito de locomoção, que é um dos desdobramentos do direito à 
liberdade. 
Observa-se, no entanto, que a liberdade de locomoção é restrita a tempo de paz, ou seja, 
no caso de decretação de guerra, passa a viger a lei marcial, de modo que o ir e vir dos indi-
víduos pode sofrer limitações.
Portanto, cumpre ressaltar que a garantia constitucional que objetiva assegurar o direito 
de locomoção é o habeas corpus, que será tratado adiante.
 z Direito de Ir e Vir x Coronavírus (Covid-19)
Aqui temos um tema muito comentado — o isolamento, ou seja, a proibição das pessoas de 
abrirem suas próprias empresas, de permanecerem em praças e em outros lugares públicos, 
isto é, seu direito de ir e vir é limitado. Entenda:
ISOLAMENTO
Vertical
Somente grupo de risco deve ficar 
isolado em casa (idosos e pes-
soas com problemas de saúde)
Toda população deve ficar isola-
da em casa e empresas fechadasHorizontal
Se o direito à liberdade de locomoção é um direito fundamental de ir e vir, pode-se proibir 
que as pessoas se locomovam? Mas e a Constituição? 
No caso da covid-19, em 18 de março de 2020, foi aprovado pelo Congresso Nacional o 
decreto que colocava o país em estado de calamidade pública, tendo em vista a situação 
excepcional de emergência de saúde. Para entendermos melhor, vamos estudar por etapas.
O que é calamidade pública? O dicionário Aurélio assim define calamidade: “desgraça 
pública; grande infortúnio; catástrofe”, ou seja, é um estado anormal resultante de um desas-
tre de natureza, pandemia ou até financeiro, situações em que o Governo Federal deve inter-
vir nos outros entes federativos (entenda entes: estados, DF e municípios) para auxiliar no 
combate à situação. 
Ainda, conforme o Governo Federal, o reconhecimento do estado de calamidade pública 
foi previsto para durar até 31 de dezembro de 2020. Ele foi necessário:
[…] em virtude do monitoramento permanente da pandemia covid-19, da necessidade de ele-
vação dos gastos públicos para proteger a saúde e os empregos dos brasileiros e da perspec-
tiva de queda de arrecadação.
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Entenda a explicação sobre calamidade pública:
 z decretado estado de calamidade pública, através de aprovação das duas casas: Senado 
Federal e Câmara dos Deputados. Permite que o Executivo gaste mais do que o previsto e 
desobedeça às metas fiscais para custear ações de combate à pandemia.
 z o Governo Federal já pode determinar quais medidas de apoio serão tomadas. Com base 
na Lei Complementar nº 101, de 2020;
 z o Governo Federal poderá: 
 � liberar recursos; enviar defesa civil militar; enviar kits emergenciais;
 � Estados podem: parcelar dívidas; atrasar execução de gastos; não precisam fazer 
licitações.
Agora que entendemos como funciona o estado de calamidade pública, vamos à análise do 
direito de locomoção que foi restringido.
Primeiramente, é importante mencionar que nenhum direito fundamental pode ser con-
siderado absoluto (quando dizemos isso, significa que esse direito pode ser violado, desde 
que cumpra alguns requisitos), e a proporcionalidade de cada situação deve ser observada.
O interesse da coletividade deve ser sempre observado e ter preferência em relação ao 
direito do particular, com o objetivo de aplicar o denominado princípio da supremacia do 
interesse público sobre o particular, que, inclusive, é um dos principais princípios do direi-
to administrativo.
Aqui, cabe mencionar também o art. 196, da CF, que prevê o direito à saúde como sendo 
um dever do Estado (no sentido de nação politicamente organizada, ou seja, é um dever do 
país/Governo Federal):
Art. 196 A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e 
econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal 
e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.
Ainda, cabe mencionar o princípio da proporcionalidade, o qual tem como finalidade 
equilibrar os direitos individuais com os da sociedade, exatamente como no caso que aqui 
estamos analisando.
Ou seja, no caso em tela, pode-se proibir, conforme os requisitos demonstrados na situação 
atual, para provas, que o direito de ir e vir é um direito fundamental, mas fique atento: o 
direito fundamental de ir e vir não é um direito absoluto.
 No caso da violação desse direito em face da covid-19, foram observados o princípio da 
proporcionalidade e o princípio da supremacia do interesse público sobre o particular.
Lembrando que o desrespeito a qualquer medida imposta configura como crime contra a 
saúde pública, previsto no art. 268, do Código Penal, que pune criminalmente a conduta de 
“infringir determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação de 
doença contagiosa”.
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Direito de Reunião
XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, indepen-
dentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada 
para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente;
O direito de reunião pacífica em locais públicos é assegurado constitucionalmente, inde-
pendentemente de autorização. Assim, os cidadãos podem se reunir livremente em praças e 
locais de uso comum do povo, desde que não interfiram ou atrapalhem outra reunião desig-
nada anteriormente para o mesmo local. 
Portanto, é preciso que o evento seja organizado e preencha os seguintes requisitos:
 z reunião pacífica e sem armas;
 z fins lícitos; 
 z aviso prévio à autoridade competente;
 z local aberto ao público.
A liberdade de reunião, prevista no inciso XVI, do art. 5º, da CF, deve ser pacífica e sem 
armas, bem como não deve frustrar outra reunião anteriormente convocada para aquele 
local, tendo preferência quem avisar primeiro; isso é chamado de aviso prévio à autoridade 
competente, sendo diferente de autorização, pois a reunião não depende de autorização.
O STF, quanto à “Marcha da Maconha”, entendeu que a passeata é constitucional, 
assim, compatível com o direito de reunião. Contudo, é inadmissível a incitação ao uso de 
entorpecentes.
Atenção! Aviso prévio não se confunde com autorização. Para se reunir, é preciso, apenas, 
comunicar à autoridade local, a fim de evitar, por exemplo, que, no mesmo local, dia e hora, 
coincidam agrupamentos de pessoas com posicionamentos distintos (exemplo: manifesta-
ções pró-aborto e contrária ao aborto).
Liberdade de Associação
XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar;
XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autoriza-
ção, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento;
XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades sus-
pensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado;
XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado;
XXI - as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm legitimidade para 
representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente;
No Brasil, são plenas a liberdade de associação e a criação de associações e cooperativas 
para fins lícitos. Por isso, estas não podem sofrer intervenção do Estado. 
A expressão “plena”, utilizada no dispositivo, é no sentido de ser considerada livre a liber-
dade de associação, desde que para fins lícitos. 
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Neste sentido, também é vedada a associação de caráter paramilitar, ou seja, a associação 
civil e desvinculada do Estado, que se encontra armada e com estrutura similar às institui-
ções militares, de modo a se utilizar de táticas e técnicas policiais ou militares para alcançar 
os seus objetivos.Por conseguinte, o Texto Constitucional prevê a possibilidade de criação de associações e 
cooperativas, independentemente de autorização. Ainda, só poderão ser dissolvidas ou ter 
suspensas as atividades por decisão judicial. 
Salienta-se, por necessário, que, no caso de dissolução da associação, esta somente poderá 
ocorrer após o trânsito em julgado, ou seja, quando não couberem mais recursos.
Importante!
z Dissolução das associações: decisão judicial + trânsito em julgado;
z Suspensão das associações: decisão judicial.
Além disso, ninguém pode ser obrigado a associar-se ou permanecer associado. Por fim, 
o Texto Constitucional autoriza, desde que expressamente autorizada, a representação dos 
associados pelas entidades associativas.
Forças paramilitares, também conhecidas como milícias, são grupos ou associações civis 
armadas, normalmente com fins político-partidários, religiosos ou ideológicos, e com estru-
tura semelhante à militar, mas que não fazem parte das Forças Armadas oficiais. No Brasil, a 
Segurança Nacional e Defesa Social é atribuição exclusiva do Estado, por isso as associações 
paramilitares são vedadas.
Ato contínuo, o inciso XXI é o último dispositivo que trata do direito de associação. Ele se 
refere à representação do filiado pela associação, quer em âmbito judicial, quer em âmbi-
to extrajudicial, isto é, ele se refere à legitimação da associação para atuar em nome dos 
associados.
Cabe esclarecer que representante é aquele que age em nome alheio, defendendo direito 
alheio. No caso das associações, para que estas atuem na condição de representantes, é preci-
so autorização expressa dos filiados, não bastando que exista autorização em estatuto. Assim 
sendo, só poderão atuar se devidamente autorizadas pelos associados.
Além disso, ao contrário da representação, a substituição judicial ou extrajudicial da asso-
ciação independe de autorização, uma vez que, na substituição, a associação atua em nome 
próprio, defendendo direito alheio (dos associados).
Direito de Propriedade e sua Função Social
XXII - é garantido o direito de propriedade;
XXIII - a propriedade atenderá a sua função social;
Uma importante garantia constitucional é o direito de propriedade. Entretanto, este direi-
to não é absoluto, pois está limitado ao atendimento de sua função social, ou seja, além da 
ideia de pertença, toda propriedade deve atender a interesses de ordem pública e privada, 
não sendo nociva à coletividade em seu uso e fruição.
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De acordo com o art. 1.228, do Código Civil, o direito de propriedade consiste na faculdade 
de usar, gozar e dispor da coisa, assim como o direito de reavê-la do poder de quem quer que, 
injustamente, a possua ou a detenha.
Observa-se, no entanto, que, em termos constitucionais, o direito de propriedade é mais 
amplo que no direito civil, por abranger qualquer direito de conteúdo patrimonial ou eco-
nômico, ou seja, tudo aquilo que possa ser convertido em dinheiro, alcançando créditos e 
direitos pessoais.
Assim, o direito de propriedade assegurado na Constituição como direito constitucional 
abrange tanto os bens corpóreos quanto os incorpóreos. Vejamos o art. 170, da Constituição 
Federal: 
Art. 170 A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre inicia-
tiva, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, 
observados os seguintes princípios:
II - propriedade privada;
Dica: bens corpóreos são os bens possuidores de existência física, são concretos e visíveis, 
como, por exemplo, uma casa, um automóvel etc. 
Já os bens incorpóreos são bens abstratos que não possuem existência física, ou seja, não 
são concretos, mas possuem um valor econômico, como, por exemplo, propriedade intelec-
tual, direitos do autor etc.
Em relação à propriedade de bens incorpóreos, refere-se à específica proteção constitucio-
nal à denominada propriedade intelectual, a qual abrange os direitos de autor e os direitos 
relativos à propriedade industrial, como a proteção de marcas e patentes.
 z Desapropriação
Como característica dos direitos fundamentais, o direito de propriedade também não é um 
direito absoluto. Apesar da exigência de que a propriedade atenda a uma função social, há 
outras hipóteses em que o interesse público pode justificar a imposição de limitações. 
Ao elaborar a Constituição, o legislador preocupou-se em atribuir tratamento especial à 
política de desenvolvimento urbano. Referente à desapropriação de imóvel rural, somente 
é lícita a desapropriação para fins de interesse social, ou seja, imóvel rural que não estiver 
cumprindo sua função social é desapropriado. 
Nesse sentido, é importante verificar a importância do inciso XXIV, do art. 5°, que determi-
na o poder geral de desapropriação por interesse social. Ora, desde que seja paga a indeniza-
ção mencionada neste artigo, qualquer imóvel poderá ser desapropriado por interesse social 
para fins de reforma agrária. 
Intervenção do Estado na Propriedade
XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade 
pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados 
os casos previstos nesta Constituição;
XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de proprieda-
de particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano;
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O direito de propriedade não é absoluto. Dada a supremacia do interesse público sobre o 
particular, nas hipóteses legais, é permitida a intervenção do Estado na propriedade.
O inciso XXIV trata da hipótese mais drástica do poder de intervenção do Estado na eco-
nomia: a desapropriação. A desapropriação é o ato pelo qual o Estado toma para si ou para 
outrem (terceira pessoa) bens de particulares, por meio do pagamento de justa e prévia inde-
nização. Portanto, trata-se de uma das hipóteses de aquisição originária da propriedade.
É cabível a desapropriação nas seguintes hipóteses:
 z Por necessidade pública: hipótese na qual o bem a ser desapropriado é imprescindível 
para a realização de uma atividade essencial do Estado;
 z Por utilidade pública: o bem não é imprescindível, mas é conveniente para a realização 
de uma atividade estatal;
 z Por interesse social: a desapropriação é conveniente para o desenvolvimento da 
sociedade.
Atenção! Não confundir com desapropriação sancionatória, hipótese em que o bem não 
respeita a função social da propriedade. Nela, a indenização não é prévia, sendo o prazo 
de resgate (Títulos da Dívida Pública) de 10 anos para bens urbanos e de 20 anos para bens 
rurais.
Ainda, não confunda desapropriação com expropriação, que consiste na perda da pro-
priedade no caso de cultivo de substâncias entorpecentes ou de trabalho escravo. Nela, não 
há pagamento de indenização.
A requisição temporária da propriedade está disciplinada no inciso XXV. Trata-se da 
possibilidade de o poder público, em momentos de calamidade (já ocorrida ou prestes a ocor-
rer), ingressar na posse de bem particular, para assegurar a preservação de direitos mais 
importantes que a propriedade, tais como a vida e a integridade das pessoas. 
Por exemplo, no caso de uma enchente em um determinado local, o poder público fazer de 
um imóvel privado, próximo ao local, um hospital de atendimento às vítimas.
A requisição temporária é uma exceção ao princípio da indenização prévia, uma vez que 
o pagamento está condicionado à existência de danos.
Pequena Propriedade Rural
XXVI - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela família, 
não será objeto de penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produti-
va, dispondo a lei sobre os meios de financiar o seu desenvolvimento;
A pequena propriedade rural é impenhorável e não responde por dívidas decorrentes de 
suaatividade produtiva. Assim, o inciso XXVI disciplina a impenhorabilidade da peque-
na propriedade rural, por ser esta considerada bem de família e, portanto, insuscetível de 
penhora, de modo a ficar a salvo de execuções por dívidas decorrentes da atividade produtiva. 
Além disso, a CF, de 1988, estabelece que esta deverá receber os recursos previstos em lei 
que financiem o seu desenvolvimento.
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Direito Autoral e Propriedade Industrial
Com a edição da Constituição, de 1988, os direitos autorais encontraram ampla guarida. 
Além da Lei de Direitos Autorais, a Constituição prevê, assim, uma ampla proteção às obras 
intelectuais.
XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de 
suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar;
XXVIII - são assegurados, nos termos da lei:
a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem e voz 
humanas, inclusive nas atividades desportivas;
b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras que criarem ou de que 
participarem aos criadores, aos intérpretes e às respectivas representações sindicais e 
associativas;
XXIX - a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua uti-
lização, bem como proteção às criações industriais, à propriedade das marcas, aos nomes de 
empresas e a outros signos distintivos, tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento 
tecnológico e econômico do País;
A Constituição Federal protege, ainda, a propriedade industrial. Nesse sentido, é impor-
tante mencionarmos que esta se difere da propriedade intelectual e, por isso, não é objeto de 
proteção da Lei de Direitos Autorais, mas, sim, da Lei da Propriedade Industrial.
Assim, existem três tipos de propriedade intelectual, quais sejam:
 z Propriedade industrial: criações que movimentam o mercado e são empregadas para 
manter a competitividade. Seu foco é voltado para a área empresarial. São exemplos: as 
patentes, marcas, desenhos, indicações geográficas, entre outros;
 z Direitos autorais: criações artísticas, culturais e científicas, como, por exemplo, as obras 
intelectuais, literárias e artísticas;
 z Proteção sui generis: são as criações híbridas, isto é, aquelas que se encontram em um 
estado intermediário entre a propriedade industrial e os direitos autorais. Exemplos: a 
topografia dos circuitos integrados (mask works), a proteção de cultivares (obtenções 
vegetais ou variedades vegetais) e conhecimentos tradicionais associados aos recursos 
genéticos.
Neste sentido, a CF, de 1988, garante aos autores o direito exclusivo de utilização, publi-
cação ou reprodução de suas obras, sendo esse direito transmitido aos herdeiros do autor 
(direitos sucessórios) pelo tempo que a lei fixar.
O direito autoral, portanto, volta-se às criações artísticas, científicas, musicais, literárias, 
entre outras. Desse modo, bem como o direito das empresas de radiofusão e cinematográfi-
cas, protege obras literárias (escritas ou orais), musicais, artísticas, científicas, obras de escul-
tura, pintura e fotografia. 
Pelo direito de exclusividade, o autor é o único que pode explorar sua obra, gozar dos 
benefícios morais e econômicos resultantes dela ou ceder os direitos de exploração a terceiros. 
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Por sua vez, a propriedade industrial é o ramo da propriedade intelectual que resguar-
da os trabalhos intelectuais, também chamados de obras utilitárias, voltados às atividades 
industriais, abrangendo, por exemplo, o autor de determinado processo, invenção, modelo, 
desenho ou produto. Estas criações são protegidas por meio de patentes e registros (CNJ, 
2016). 
Atenção! Enquanto a proteção ao direito autoral busca reprimir o plágio, a proteção à 
propriedade industrial busca conter a concorrência desleal.
Direito de Sucessão e Herança
XXX - é garantido o direito de herança;
XXXI - a sucessão de bens de estrangeiros situados no País será regulada pela lei brasileira em 
benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável a lei 
pessoal do “de cujus”;
O direito de herança ou direito sucessório é o ramo específico do direito civil que visa 
regular as relações jurídicas decorrentes do falecimento do indivíduo, o de cujus e a transfe-
rência de bens e direitos aos seus sucessores.
Trata-se da modificação da titularidade do bem em decorrência do falecimento (sucessão 
hereditária). Assim, o patrimônio do de cujus transmite-se aos seus herdeiros, os quais se 
sub-rogam nas relações jurídicas do falecido, tanto no ativo como no passivo, até os limites 
da herança.
Importante!
O direito de sucessão está regulado no Código Civil.
Direito do Consumidor
XXXII - o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor;
O direito do consumidor é o ramo do direito que disciplina as relações entre fornecedores/
prestadores de bens e serviços e o consumidor final, parte hipossuficiente econômica da rela-
ção jurídica. As relações de consumo, além do amparo constitucional, encontram proteção no 
Código de Defesa do Consumidor e na legislação civil.
Além de toda legislação consumerista, o Programa Estadual de Proteção e Defesa do Con-
sumidor — Procon, órgão do Ministério Público de cada estado, é responsável por coordenar 
a política dos órgãos e entidades que atuam na proteção do consumidor, de forma a equili-
brar as relações de consumo.
Direito de Informação, Petição e Obtenção de Certidão Junto aos Órgãos Públicos
XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particu-
lar, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de respon-
sabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do 
Estado; (Regulamento) (Vide Lei nº 12.527, de 2011).
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XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas:
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou 
abuso de poder;
b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de 
situações de interesse pessoal;
Todo cidadão, independentemente de pagamento de taxa, tem direito à obtenção de infor-
mações, a protocolo de petição e à obtenção de certidões junto aos órgãos públicos de acordo 
com suas necessidades, salvo a imprescindibilidade do sigilo de determinadas informações 
para segurança jurídica das partes.
Assim, quanto ao direito de certidão, o Estado é obrigado a fornecer as informações solici-
tadas, com exceção nas hipóteses de proteção por sigilo. Caso haja uma violação desse direito, 
que é líquido e certo, o remédio constitucional cabível é o mandado de segurança, tema tam-
bém abordado no título “Garantias Constitucionais”. 
Direito adquirido é aquele que cumpriu todos os requisitos previstos em lei; por exem-
plo, o homem que cumpriu todos os requisitos exigidos para concessão da aposentadoria por 
idade, conforme determina o inciso I, § 7º, do art. 201, da CF, tem o direito adquirido para 
requerer seu benefício. 
§ 7º É assegurada aposentadoria no regime geral de previdência social, nos termos da lei, obe-
decidas as seguintes condições: 
I - 65 (sessenta e cinco) anos de idade, se homem, e 62 (sessenta e dois) anos de idade, se 
mulher, observado tempo mínimo de contribuição;
 z Ato jurídico perfeito é o ato já realizado, conforme a lei vigente ao tempo que se realizou, 
pois, neste caso, já cumpriu todos os requisitos conforme a lei vigente na época, tornando-
-se completo;
 z Coisa julgada ocorre no âmbito do processo judicial, decisão judicial à qual não cabe mais 
recurso, tornando-a imutável e indiscutível.
O inciso XXXIV assegura, ainda, o direito de pleitear, do Estado, documento expedido poreste, que, por possuir fé pública, é utilizado para comprovar a existência de um fato. Deste 
modo, garante ao indivíduo a obtenção de certidão para a defesa de direitos ou esclarecimen-
to de situações de interesse pessoal.
O exercício de tais direitos é gratuito, ou seja, eles independem de qualquer pagamento. 
Importante mencionar que, embora o dispositivo empregue o termo “taxas”, este foi utiliza-
do em sentido amplo, visto que proíbe a cobrança de qualquer importância (taxa, tarifa ou 
preço público).
A função da gratuidade é não obstar ou dificultar o exercício do direito, uma vez que pes-
soas sem recursos financeiros teriam dificuldades de exercer seu direito se este fosse condi-
cionado ao pagamento.
Importante! Fique atento ao remédio constitucional aplicado para sanar ilegalidade 
quanto ao direito de certidão — mandado de segurança —, pois as bancas costumam tentar 
confundir o candidato, dizendo que o remédio constitucional cabível é o habeas data.
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Princípio da Proteção Judiciária ou da Inafastabilidade do Controle Jurisdicional
XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito;
O princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional possibilita que o cidadão ingresse 
em juízo para assegurar seus direitos ameaçados. Este consubstancia-se no direito de ação e 
no dever do magistrado do Judiciário de apreciar a demanda, solucionando o caso concreto 
com a aplicação da lei na busca da pacificação social.
Segurança Jurídica
XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada;
Para que entendamos o inciso acima, é importante conhecermos alguns conceitos:
 z Direito adquirido: incorporado ao patrimônio jurídico de seu titular, cujo começo do exer-
cício tenha termo prefixado ou condição preestabelecida inalterável, a arbítrio de outrem, 
nos termos do § 2º, art. 6º, da lei de introdução às normas do direito brasileiro;
 z Ato jurídico perfeito: situação ou direito consumado e definitivamente exercido, sem 
quaisquer vícios ou nulidades, segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou;
 z Coisa julgada: matéria submetida a julgamento cuja sentença proferida transitou em jul-
gado e à qual não cabe mais recurso, não podendo, portanto, ser modificada.
Cumpre ressaltar que direito adquirido não se confunde com expectativa de direito. Se 
a pessoa não completou todos os requisitos para a concessão do direito, ela não tem direito 
adquirido e, sim, expectativa de direito. 
Exemplo: falta, para o indivíduo, um mês para que se complete o tempo de contribuição 
previsto pela lei para se aposentar. Antes de preencher tal requisito, a lei é alterada e o tem-
po, majorado. Esta pessoa não poderá se aposentar, pois tinha apenas expectativa de direito, 
uma vez que todos os requisitos não foram preenchidos para a sua concessão.
Importante!
A coisa julgada divide-se em coisa julgada material — quando impede a discussão em 
qualquer processo — e coisa julgada formal — quando impede a discussão no mesmo 
processo.
Tribunal de Exceção
XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção;
O juízo ou tribunal de exceção determina-se como aquele criado exclusivamente para 
o julgamento de um fato específico já acontecido, no qual os julgadores são escolhidos 
arbitrariamente. 
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A Constituição veda tal prática, pois todos os casos devem se submeter a julgamento dos 
juízos e tribunais já existentes conforme suas competências prefixadas.
Atenção! Tribunal de exceção não se confunde com justiças especializadas e foro 
privilegiado.
Tribunal do Júri
XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados:
a) a plenitude de defesa;
b) o sigilo das votações;
c) a soberania dos veredictos;
d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida;
O Tribunal do Júri é o instituto jurisdicional destinado exclusivamente para o julgamento 
da prática de crimes dolosos contra a vida. Mais do que ampla, a defesa no âmbito do Tribu-
nal do Júri é plena e a decisão dos jurados, cidadãos comuns do povo previamente alistados 
e selecionados por sorteio, é soberana. 
Trata-se, portanto, de direito do indivíduo de ser julgado por seus pares e, não, por um 
juízo de critério eminentemente técnico. 
Súmula Vinculante nº 45 A competência constitucional do Tribunal do Júri prevalece sobre 
o foro por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela Constituição Estadual.
Princípio da Legalidade, da Anterioridade e da Retroatividade da Lei Penal
XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal;
XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu;
De acordo com o inciso acima, para que determinada ação se configure como crime, esta 
deve encontrar-se expressamente prevista na lei penal. Portanto, se a conduta não está pres-
crita no Código Penal, não é crime e, consequentemente, não há pena. 
Nesse sentido, crime será a conduta delituosa prevista exclusivamente em lei, da mesma 
forma que a cominação da pena, a qual não é admissível à configuração de crime baseado 
nos costumes.
Ademais, uma nova lei penal não retroage, isto é, não pode ser aplicada a condutas prati-
cadas antes de sua entrada em vigor; entretanto, se a nova lei for mais benéfica, esta poderá 
retroagir para beneficiar o réu.
Trata-se do princípio da retroatividade da lei; tem previsão no inciso XL, do art. 5º, da CF, 
e consiste em analisar um fato passado à luz de um direito presente, estabelece que os fatos 
sejam apreciados com base na lei em vigor no tempo do crime. 
Assim, a lei aplicável é a lei do tempo do crime, ou seja, na regra geral, as normas penais 
não retroagem, salvo se trouxerem algum tipo de benefício para o réu.
Cuidado, aqui há um exemplo de exceção da exceção: crimes praticados durante a vigên-
cia de lei temporária ou excepcional não podem ser beneficiados pela retroatividade da lei 
mais benéfica. 
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Entenda:
 z lei excepcional é a lei criada para regular fatos ocorridos dentro de uma situação irregular, 
a qual perde seus efeitos após findar situação irregular que a motivou;
 z a lei temporária vigorou até se extinguir o prazo de duração fixado pelo legislador, por 
exemplo, uma lei que fixa a tabela de preços de artigos de consumo.
Princípio da Não Discriminação
XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais;
O princípio da não discriminação garante tratamento igualitário a todas as pessoas em 
situações iguais e envolve a existência de normas que estabeleçam tal igualdade, com punição 
aos atos que resultem em discriminação atentatória dos direitos e garantias fundamentais.
Crimes Inafiançáveis, Imprescritíveis e Insuscetíveis de Graça e Anistia
XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de 
reclusão, nos termos da lei;
XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da 
tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como cri-
mes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, 
se omitirem; (Regulamento).
XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou milita-
res, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático.
A tabela a seguir sintetiza o conteúdo dos incisos. Por isso, a título de compreensão destes, 
vamos estudá-la. 
CRIMES INAFIANÇÁVEIS E 
IMPRESCRITÍVEIS
CRIMES INAFIANÇÁVEIS E INSUSCETÍVEIS 
DE GRAÇA E ANISTIA
Racismo Prática de tortura
Ação de grupos armados contra a ordem 
constitucional e o Estado Democrático
Tráfico de drogas e entorpecentes

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