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Professor Mestre Jorge Alberto de Figueiredo ESTADO E CIDADANIA REITORIA Prof. Me. Gilmar de Oliveira DIREÇÃO ADMINISTRATIVA Prof. Me. Renato Valença DIREÇÃO DE ENSINO PRESENCIAL Prof. Me. Daniel de Lima DIREÇÃO DE ENSINO EAD Profa. Dra. Giani Andrea Linde Colauto DIREÇÃO FINANCEIRA Eduardo Luiz Campano Santini DIREÇÃO FINANCEIRA EAD Guilherme Esquivel COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO Profa. Ma. Luciana Moraes COORDENAÇÃO ADJUNTA DE ENSINO Profa. Dra. Nelma Sgarbosa Roman de Araújo COORDENAÇÃO ADJUNTA DE PESQUISA Profa. Ma. Luciana Moraes COORDENAÇÃO ADJUNTA DE EXTENSÃO Prof. Me. Jeferson de Souza Sá COORDENAÇÃO DO NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal COORDENAÇÃO DE PLANEJAMENTO E PROCESSOS Prof. Me. Arthur Rosinski do Nascimento COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA EAD Profa. Ma. Sônia Maria Crivelli Mataruco COORDENAÇÃO DO DEPTO. DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS Luiz Fernando Freitas REVISÃO ORTOGRÁFICA E NORMATIVA Beatriz Longen Rohling Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante Caroline da Silva Marques Eduardo Alves de Oliveira Jéssica Eugênio Azevedo Marcelino Fernando Rodrigues Santos PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Bruna de Lima Ramos Hugo Batalhoti Morangueira Vitor Amaral Poltronieri ESTÚDIO, PRODUÇÃO E EDIÇÃO André Oliveira Vaz DE VÍDEO Carlos Firmino de Oliveira Carlos Henrique Moraes dos Anjos Kauê Berto Pedro Vinícius de Lima Machado Thassiane da Silva Jacinto FICHA CATALOGRÁFICA Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP F475e Figueiredo, Jorge Alberto de Estado e cidadania / Jorge Alberto de Figueiredo. Paranavaí: EduFatecie, 2023. 87 p.: il. Color. 1.Estado. 2. Direito. 3. Cidadania. 4. Participação social. I. Centro Universitário UniFatecie. II. Núcleo de Educação a Distância. III. Título. CDD: 23. ed. 320.1 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577 As imagens utilizadas neste material didático são oriundas dos bancos de imagens Shutterstock . 2023 by Editora Edufatecie. Copyright do Texto C 2023. Os autores. Copyright C Edição 2023 Editora Edufatecie. O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permitido o download da obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais. https://www.shutterstock.com/pt/ 3 AUTOR Professor Mestre Jorge Alberto de Figueiredo ●Graduado em História pela Universidade Paranaense-UNIPAR (2001). ●Graduado em Estudos Sociais pela Faculdade Estadual de Educação Ciências e Letras de Paranavaí (1992) atualmente UNESPAR (Universidade Estadual do Paraná). ●Mestre em Educação pela Universidade Estadual de Maringá -UEM- (2006). ●Atuou como Docente na UNESPAR - Campus Paranavaí (2010-2012). ●Atuou como Docente no Curso de Urbanismo e Arquitetura na UNIPAR-Universidade Paranaense, Campus de Paranavaí. ●Atuou como Supervisor do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID-CAPES) UNESPAR - Campus-Paranavaí. ●Docente na Secretaria de Educação do Estado do Paraná nas Séries Finais do Ensino Fundamental. ●Produtor de Materiais Didáticos e vídeos Aulas (UNIPAR, VG Consultoria e ●Palestrante sobre: Educação e Cidadania, Ética, Política, Sociedade e Democracia, Educação, Liberdade e Igualdade. ●Psicanalista. Experiência vasta na área educacional com atuação docente no Ensino Fundamental Anos Finais, Ensino Médio, Ensino Superior e Pós-Graduação. 4 APRESENTAÇÃO DO MATERIAL Prezado (a) aluno (a), é uma imensa honra estudarmos juntos! Termos a disciplina de Estado e Cidadania, na ementa do curso, denota a preocupação e a necessidade de ampliar debates, sobre o papel do cidadão em um país democrático ou que deveria ser. Compreender essas premissas pode propiciar uma evolução social, que tem como objetivo, esclarecer os indivíduos para a busca de suas necessidades de forma honesta e segura. O Estado tem um papel fundamental, para que não sejam marginalizados os menos favorecidos e ao mesmo tempo propiciar bases sólidas, sociais, econômicas, políticas para que possam garantir seus sustentos de forma digna. Em nossa Unidade I, aprenderemos a diferenciar, Governança e Governabilidade, caridade de cidadania. O conceito de Poder que tanto causa conflitos, aprofunda essa diferença e afirma que se exercermos a cidadania e aplicarmos de forma coletiva, tudo de maneira compassada pode alterar. Que fique bem claro, nenhuma mudança acontece em um passe de mágica. Tempo e paciência, são aliados em todos os setores de nossa vida. Por isso a necessidade de estudar a historicidade sobre o estado Brasileiro e desenvolvi- mento e formação das políticas públicas. Na Unidade II, você irá agregar conhecimento sobre a Constituição de 1988 é a Lei máxima do país, que descreve nossos direitos e deveres, que abrange não apenas nós enquanto indivíduo, mas o Estado e toda a sociedade civil. Houve mudanças benéficas nesse contexto, mas também pontos negativos que impactaram em nosso meio social, eco- nômico, cultural, religioso. A ruptura de ideias, desencadeou novos paradigmas e conceitos. Mas vale a pena refletirmos se não estamos sendo complacentes demais. Pensando na desordem e em um possível caos social. Sequencialmente na Unidade III, falaremos a respeito do que é cidadania, seus conceitos e história, quais os tipos de cidadania, como ela é vista e aplicada no Brasil. Com- preender essas premissas, nos conduzirá a diferenciar cidadania de democracia. Nesse sentido, pergunto-lhe: para você cidadania e democracia são as mesmas coisas? Ambos os termos são discutidos diariamente, mas entendo que é preciso compreender a etimologia das palavras e fazer a leitura em nosso mundo real. Em nossa Unidade IV, finalizaremos com o assunto participação social. Cabe assim dizer que o Brasil, quiçá o mundo necessita desse engajamento da sociedade, para que haja mudanças significativas para o cidadão brasileiro. Perdemos muitos de nossos direitos, porque em um mundo tão acelerado como este capitalista, queremos exercer nossos deveres, mas precisamos, no mínimo, não perder o que temos. Planejamento governamental, algo que precisa ser entendido para que possamos opinar, debater, discutir e mudar o caminho quando for necessário. Um ótimo estudo! 5 UNIDADE 4 Participação Social O Que é Cidadania? UNIDADE 3 Noção de Estado no Brasil UNIDADE 2 O Que é Estado? UNIDADE 1 SUMÁRIO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .cultural, para lutar eficazmente contra o racismo, o colonialismo, o sexismo e as discriminações em que eles traduzem... [...] Terceiro, as imposições econômicas e militares dos países dominantes dos países dominantes são cada vez mais drásticas e menos democráticas. Assim sucede, em particular, quando vitórias eleitorais legítimas são transformadas pelo chefe da diplomacia norte-americana em ameaças à democracia, sejam elas as vitórias do Hamas [na Palestina] de Hugo Chávez [na Venezuela] ou de Evo Morales [na Bolívia]. Finalmente o Quarto desafio diz respeito às condições da participação democrática dos cidadãos. São três as principais condições; ser garantida a sobrevivência: quem não tem com que se alimentar- se e à sua família tem prioridades mais 37UNIDADE 2 NOÇÃO DE ESTADO NO BRASIL altas que votar; não estar ameaçado: quem vive ameaçado pela violência no espaço público, na mesma empresa ou em casa, não é livre, qualquer que seja o regime político em que viver; estar informado: quem não dispõe da informação necessária a uma participação esclarecida, equivoca-se quer quando participa, quer quando não participa. Pode dizer-se com segurança que a promoção da democracia não ocorreu de um par com a promoção das condições de participação democrática. [...] (SANTOS, 2006, p.164). Está evidente em nossos estudos que os paradigmas das políticas públicas no Estado contemporâneo terão que percorrer longos caminhos até o objetivo de uma sociedade justa e igualitária. Isso em relação ao mundo e ao Brasil, entretanto não podemos apenas ver o lado pessimista da situação, através do tempo, tivemos e estamos tendo muitas conquistas, mesmo sendo estas em passos lentos. Os desafios são imensos, pois, mesmo no século XXI e com o fenômeno da globali- zação, o mundo e porque não dizer nossa nação, enfrenta os resquícios das velhas ordens sociais e a ignorância e a estupidez que permeiam em várias sociedades espalhadas pelo mundo bem como no campo político nos Estados. Assim nos ensina Karl Mannheim: [...] Depois que nos livrarmos do preconceito de que tudo o que faz o Estado e sua burocracia é errado, mal feito e contrário à liberdade, e de que tudo é feito pelos indivíduos particulares é eficiente o sinônimo da liberdade --- enfrentar adequadamente o verdadeiro problema. Reduzindo a uma só frase, o problema consiste em que, em nosso mundo moderno, tudo é político, O Estado está em toda parte e a responsabilidade política acha-se entrelaçada em toda a estrutura da sociedade. A liberdade consiste não em negar essa interpretação, mas em definir seus usos legítimos em todas as esferas, demarcando limites e decidindo qual deve ser o caminho da penetração, e, em última análise, em salvaguardar a responsabilidade pública e a participação de todos no controle das decisões. [...] (MANNHEIM, 1972, p .66). Parecem utópicas as palavras de Mannheim, alguns céticos riem ou, até mesmo, fazem pouco caso sobre os novos modelos e desafios do Estado Contemporâneo. Pode ser que estejam certos? Podem! Entretanto, todas as conquistas humanas em relação à formação do Estado e das instituições democráticas sofreram chacotas e eram tidas como devaneios filosóficos em épocas passadas. O tempo tem nos revelado o contrário. 38 As políticas sociais – e a educação – se situam no interior de um tipo particular de Estado. São formas de interferência do Estado, visando a manutenção das relações sociais de determinada formação social. Por- tanto, assumem “feições” diferentes em diferentes sociedades e diferentes concepções de Estado. É impos- sível pensar no Estado fora de um projeto político e de uma teoria social para a sociedade como um todo. Fonte: Cadernos Cedes, ano XXI, nº 55, novembro/2001 (...) os valores de uma sociedade, sua cultura, suas convenções sociais, todos eles desenvolvem-se de idêntica maneira, através do intercâmbio voluntário, da cooperação espontânea, da evolução de uma estrutura complexa através de tentativas e erros. FRIEDMAN, Milton. Capitalismo e liberdade. São Paulo: Arte Nova, p.68,1977. UNIDADE 2 NOÇÃO DE ESTADO NO BRASIL 39 CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao concluirmos esta unidade, temos a pretensão que você tenha aprendido a im- portância dos estudos, da leitura, pois a sociedade em constante evolução necessita de buscas de alternativas para a sobrevivência. Reformulações de conceitos que agregam novos valores, que se recriam a cada geração. Para fundamentar essa afirmativa sobre o conhecimento, sobre o histórico brasileiro, sua respectiva trajetória, nos faz analisar que para cada tempo existe uma medida e que nosso olhar precisa estar, nossos julgamentos não podem ser com base na modernidade de hoje, relacionando aos conflitos passados. Pois configuram épocas e pensamentos distintos. A cada passo de evolução, as resoluções são distintas, vimos, ao falarmos da crise do estado e o processo de construção de políticas públicas, como as transformações, mui- tas vezes, pautadas nas dificuldades vivenciadas, fazem com que estratégias sejam mais significativas, aprendendo com os equívocos. Leis são criadas e estabelecidas, para firmar direitos e deveres, sejam dos cida- dãos ou do Estado e a Constituição de 1988 trouxe inúmeras conquistas para a sociedade, que hoje tem parâmetros para seguir. Podemos afirmar que o Estado Contemporâneo, vem acompanhado de mudanças, que oferece um olhar direcionado a políticas públicas, garantindo à sociedade civil, dignidade, por meio de seus direitos e deveres, que devem ser garantidos pelo Estado. UNIDADE 2 NOÇÃO DE ESTADO NO BRASIL 40 LEITURA COMPLEMENTAR Nesta Unidade, a prioridade foi falarmos sobre políticas públicas e suas formações, porém, ainda existem muitos assuntos a serem aprimorados, no artigo que selecionamos, demonstra que as Políticas Públicas no Brasil dependem da participação do setor privado nas fases de planejamento e execução. A Constituição de 1988 traz que o processo de acumulação de riquezas no Brasil depende do Setor Privado e, este, por sua vez, depende da atuação do Estado na organização da economia. Dessa forma, as Políticas Públicas somente ocorrerão se houver a reprodução desta relação na atuação do Poder Públicas através das Políticas Públicas. Fonte: Revista Ética e Filosofia Política – Nº 16 – Volume 1 – junho de 2013 57 POLÍTICAS PÚBLICAS DE INCLUSÃO SOCIAL: O PAPEL DAS EMPRESAS. Autores: Alessandra Benedito e Daniel Francisco Nagao Menezes. Disponível em: https://www.ufjf.br/eticaefilosofia/files/2009/08/16_1_benedito.pdf. Acesso em: 22 nov. 2021. UNIDADE 2 NOÇÃO DE ESTADO NO BRASIL https://www.ufjf.br/eticaefilosofia/files/2009/08/16_1_benedito.pdf 41 MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Estado, Sociedade Civil e Cidadania no Brasil: Bases para uma Cultura de Direitos Humanos Autor: Enio Waldir da Silva. Editora: UNIJUI. Sinopse: Desde nosso nascimento buscamos conhecimento sobre o mundo ao qual estamos inseridos, precisamos de tudo ao nosso redor, das pessoas, terra, água, ar, energia. Mas sabemos que a apropriação indevida no decorrer da história nos deixou limitados a muitas coisas necessárias. Ou seja, a dominação do outro e da natureza, além de fazer mal-uso dos recursos que tanto são relevantes à nossa vida. O que desfaz muito nossas perspectivas futuras. Mas é preciso pensar a política na sociedade, a natureza egocêntrica e solidária do ser humano e o conhecimento que liberta (conhecimento-emanci- pação) como sendo o conteúdo de uma cultura democrática é uma das contribuições deste livro. FILME/VÍDEO Título: Getúlio Ano: 2013. Sinopse: O filme retrata a intimidade de Getúlio Vargas e de forma atual, como os representantes fazem seus conchavos políticos, defendem seus interesses particulares, fazem do povo uma massa de manobra e como suas ações são sempre em prol de uma minoria. UNIDADE 2 NOÇÃO DE ESTADO NO BRASIL . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos • Breve Histórico do Conceito de Cidadania; • Tipos de cidadania; • Cidadania no Brasil; • Concepções de cidadania e de democracia: encontros e desen- contros. Objetivos da Aprendizagem • Conceituar e contextualizar cidadania; • Compreender os tipos de cidadania e como são conduzidas no Brasil; • Estabelecer as singularidades de cidadania e democracia. Professor Mestre Jorge Alberto de Figueiredo O QUE É O QUE É CIDADANIA? CIDADANIA? UNIDADEUNIDADE3 43 INTRODUÇÃO Nesta unidade III, o termo mais descrito será cidadania. Parece um assunto repeti- tivo ou sem importância, mas pautado em sua singular definição, podemos refletir sobre a grande complexidade que envolve a palavra e consequentemente a ação de um cidadão. Viver em sociedade requer acima de tudo, ações individuais, mas as coletivas precisam ser dinamizadas sempre para o bem comum. O individualismo impera e juntamente com ela a ignorância, amplia o pré-conceito e divide as pessoas em grupos, o respeito nessa premissa é relevante, e o mais perigoso, quando a pessoa se julga inteligente demais para ouvir os outros, mantendo sempre suas ideias como as corretas. Assim compreendemos de forma sucinta sobre o conceito de cidadania historicamente falando, conhecer a história, nos faz entender e refletir melhor, tanto quando nos colocamos no momento de estudo, assim como projetamos o futuro, pois o presente é fruto de construções diárias, exatamente como acontece em nossas vidas. Vamos construindo nossos conhecimentos, passo a passo, em alguns momentos dependemos de outros, até termos autonomia para caminhar o suficiente para aprender com os equívocos. Mas quando sabemos o que precisamos fazer para evoluir e não fazemos, estamos sendo negligentes? O termo cidadania, traduz uma amplitude em seus campos seja na área civil, política, relações étnico-raciais e indígenas, cabe a nós definirmos cada processo envolvido nestas estruturas sociais. Se pensarmos de maneira simples, tendo como exemplo a situação do país, em relação à falta de emprego, corrupção, salários baixos, juros altos, estamos e somos meros expectadores. Apenas acompanhando o balanço do barco. Não temos controle! Como mudar? É possível? Falar de cidadania no Brasil é sumariamente essencial, vivenciamos uma crise no país e no mundo, referente a valores e éticas que antes norteiam nossas ações, enriquecia as bases sociais, conforme tudo isso foi se perdendo, o indivíduo deixou de assumir o seu verdadeiro papel na sociedade. Não estamos focando apenas em política, embora, muitos não gostem, nossa vida é rodeada de ações políticas, seja elas de forma visível ou não. Quantas pessoas você ouve dizer que irá fazer nas próximas eleições: “Não vou votar, nada muda!” ou “Vou voltar em Branco ou anular meu voto!” A cidadania está sendo exercida neste contexto? A quem ele estará prejudicando? O coletivo será afetado? UNIDADE 3 O QUE É CIDADANIA? 44 Tudo se agrava muito mais, quando o cidadão não sabe o seu papel social ou não se importa, que deliberadamente se confronta com democracia, não exercida. As inquie- tações sobre essa alienação é algo questionável, sobre o que esperamos para o futuro? Existe satisfação no presente momento? Ter esperança é importante, mas viver apenas dela, obstrui caminhos para o progresso. O que é cidadania, fará que reflitamos muito, os questionamentos serão constantes, justamente porque a maior qualidade de ser cidadão é compreender que somos sujeitos de direitos e deveres, todas as nossas ações precisam ser pensadas e repensadas, de acordo com a frase de Brian Tracy: “Para melhorar sua qualidade de vida, melhore a qualidade de seus pensamentos” , isso precisa ser colocado em prática em nosso cotidiano, cercamos de coisas e pessoas boas, isso nos impulsiona a prosperar. Então vamos nos envolver nos estudos, pois, o conhecimento aprimora nossas ações. UNIDADE 3 O QUE É CIDADANIA? 55759 Realce 55759 Realce 55759 Realce 55759 Realce BREVE HISTÓRICO DO CONCEITO DE CIDADANIA1 TÓPICO 45 Como grande parte das palavras, cidadania vem do latim, que sintetiza a cidade. Na antiguidade o conceito de cidadania era bem diferente do de hoje, cidadão era aquele que morava na cidade e que fazia parte de classes sociais privilegiadas. O termo cidadania é muito flexível, porque conforme a sociedade evolui o conceito acompanha, ou seja, é algo dinâmico e direcionado. Mas o que se pode afirmar é que para quem acha que ser cidadão é ter o direito de voto apenas, muito está enganado. De acordo com COVRE (2010, p.11) quando se fala em cidadania: […] penso que a cidadania é o próprio direito à vida no sentido pleno. Trata-se de um direito que precisa ser construído coletivamente, não só em termos do atendimento às necessidades básicas, mas de acesso a todos os níveis de existência, incluindo o mais abrangente, o papel do(s) homem(s) no Universo. Dois pontos temos como referência para compreender a inconstância do que se refere à cidadania. As transformações sociais é a primeira, tenha como base as mudanças que você acompanhou, na música, nos filmes, nas vestimentas, basta olhar os álbuns de família para confirmar o que estou dizendo. A cada geração, os pensamentos, as ideias, os gostos, são alternados. Se para melhor ou pior isso é uma questão de gosto. E respeito para com a opinião alheia, isso também é um ato de cidadão. Talvez uma das grandes problemáticas atuais. O respeito é a base para toda e qualquer ação que queira praticar, principalmente quando pensamos de forma coletiva. Nesse coletivo, podemos descrever do micro para o macro (de menor para o maior) você vivencia em sua família, grupo religioso, grupo do clube, pessoas da sua rua, seu bairro, sua cidade e UNIDADE 3 O QUE É CIDADANIA? 55759 Realce 55759 Realce 55759 Realce 55759 Realce 46UNIDADE 3 O QUE É CIDADANIA? assim de forma crescente. Não precisamos gostar! Mas respeitar é o princípio para a boa convivência. Conforme o contexto histórico vai tomando novas formas, as definições também, quando a sociedade estava organizada entre nobreza, clero e camponeses, os direitos já estavam bem estabelecidos. Quanto mais posse, mais direitos. Já na Baixa Idade Média, surge o conceito de Estado e, consequentemente, atrelado à cidadania, que nesse conceito, está entrelaçado aos direitos políticos. Conforme a desigualdade se amplia, faz-se relevante pensar sobre pontos que poderiam impulsionar ações sociais para coibir, amparar que estivesse à margem dessa situação. Veja que o termo cidadania surgiu com esse viés ideológico. Então, cidadania é propiciar em todos os segmentos necessários para uma vida digna. Quem deve propiciar? O Estado! Mas quem deve cobrar o Estado? O povo, fazendo uso da democracia e desem- penhando seu papel de cidadão. [...] podemos comparar os cidadãos aos marinheiros: ambos são membros de uma comunidade. Ora, embora os marinheiros tenham funções muito dife- rentes, um empurrando o remo, outro segurando o leme, um terceiro vigiando a proa ou desempenhando alguma outra função que também tem seu nome, é claro que as tarefas decada um têm sua virtude própria, mas sempre há uma que é comum a todos, dado que todos têm por objetivo a segurança da navegação, à qual aspiram e concorrem, cada um à sua maneira. De igual modo, embora as funções dos cidadãos sejam dessemelhantes, todos traba- lham para a conservação de sua comunidade, ou seja, para a salvação do Estado. Por conseguinte, é a este interesse comum que deve relacionar-se a virtude do cidadão. (ARISTÓTELES, 2006, p. 32). Ainda, historicamente, o Iluminismo propiciou uma mudança significativa. Como a própria palavra traduz, a iluminação, o surgir de ideias, dois grandes pensadores colaboraram com essa evolução Locke e Rousseau, expandem o conhecimento sobre direitos e a partir dessas ideias, muitas outras foram se construindo. Com o passar do tempo a Revolução Francesa e Americana, molda uma ideia de Estado e juntamente concebe ideais de Liberdade e Igualdade. Hoje você acha que vivemos com oportunidade de Liberdade e Igualdade? Segue a essas transformações ofertadas pelas revoluções citadas, a inclusão social e a luta de classes. Bem, vamos refletir! Quando você leu a frase acima, conseguiu dinamizar tudo em nossa vida, máquinas (tanto as eletrônicas, como nós), porque somos máquinas, perceptível quando dia após dia, fazemos as mesmas coisas, repetidamente até nos sentirmos fartos e ainda existem alguns que não percebem e adoecem. A sociedade impõe um modelo, um padrão e somos envolvidos a querer ser incluí- dos. Nesse ponto, existe uma irracionalidade, vou esclarecer com um simples exemplo, 47UNIDADE 3 O QUE É CIDADANIA? pessoas que nas redes sociais, mantém um padrão de vida que não é real. Mas precisam idealizar para os outros, uma felicidade que não existe. Quando você visualiza a imagem colocada acima, qual a ligação que consegue efetuar entre cidadania e carteira de trabalho? Exato, votar é um ato de cidadania, mas o indivíduo ao pertencer a uma sociedade, que é administrado pelo Estado tem o direito de uma educação de qualidade, saúde, poder de participação, igualdade de oportunidades, moradia, emprego entre outras descrições que fundamenta a dignidade humana. Saviani retrata algo fundamental, pois entende que: Assim, a educação é entendida como instrumento, como um meio, como uma via através da qual o homem se torna plenamente homem apropriando-se da cultura, isto é, a produção humana historicamente acumulada. Nesses termos, a educação fará a mediação entre o homem e a ética permitindo ao homem assumir consciência da dimensão ética de sua existência com todas as implicações desse fato para a sua vida em sociedade. Fará, também, a mediação entre o homem e a cidadania, permitindo-lhe adquirir consciência de seus direitos e deveres diante dos outros e de toda a sociedade... Em outros termos, pela mediação da educação, será possível construir uma cida- dania ética e, igualmente, uma ética cidadã. (SAVIANI,2013, p.16) Falemos agora da luta de classes, sempre existiu e assim será para sempre. A aqueles que buscam oportunidades, cada qual com sua história de vida, mas a realidade é que as chances não são igualitárias. Homem e mulheres têm empregos iguais, salários diferentes. Homem trabalha fora e mulher também e ainda, a essa demanda agregam os trabalhos do lar (já houve uma mudança, mas não significativa), negros, transexuais, bisse- xuais, poderia descrever inumeras categorias para comtemplar a luta de classes. [...] desde o início de nossa formação histórica, uma classe dominante que nada tinha a ver com o povo, que não era expressão de movimentos popula- res, mas que foi imposta ao povo de cima para baixo ou mesmo de fora para dentro e, portanto, não possuía uma efetiva identificação com as questões populares, com as questões nacionais. Para usar a terminologia de Gramsci, isso impediu que nossas ‘elites’ além de dominantes, fossem também diri- gentes. O Estado moderno brasileiro foi quase sempre uma ‘ditadura sem hegemonia’, ou para usarmos a terminologia de Florestan Fernandes, uma ‘autocracia burguesa’. (FERNANDES, 1975, p. 289. apud COUTINHO, 2006, p. 176). Contudo ao nos referirmos a luta de classe ou inclusão social, precisamos pensar se estamos sendo cidadãos para que esse quadro mude. E que sejam mudanças positivas, a discriminação só existe porque há pessoas que cultivam esse tipo de comportamento e pior estimulam, seja nas redes sociais, na criação de seus filhos, perpetuando condutas que não fazem parte da liberdade e tão pouco da igualdade. O pensamento precisa mudar, sempre começando por nós mesmos. Entender a dinamicidade do mundo, seus contextos e transformações. Cabe a nós, de forma demo- crática, exercer nosso papel de cidadão acompanhado e se envolvendo, em assuntos que são pertinentes a nós e ao país. O futuro está agregado à nossa capacidade de progredir intelectualmente, socialmente e culturalmente. 55759 Realce 55759 Realce TIPOS DE CIDADANIA2 TÓPICO 48 No sentido mais amplo do termo da palavra cidadania, existe uma definição, mas com uma flexibilidade de alterações, a cada transformação de uma sociedade, o sentido se torna mais amplo e direcionador de caminhos e possibilidades. A complexidade se torna gigantesca pela quantidade de pessoas que fazem parte de imensa nação e consequente realidades diversas que abre o leque para agregar ao termo cidadania cada vez mais características. Como mencionado no capítulo acima, jamais podemos entrelaçar, ou dar notorie- dade à cidadania, refletindo apenas em voto, eleições. Muitos pensam que ao votar, seu ato de cidadão está realizado. Sim, esse seria um dos muitos compromissos para se alcançar esse progresso. Nesse contexto, a pergunta que podemos fazer é: Somos pessoas que buscamos nossos direitos? Como conquistamos nossos espaços neste país democrático? Esse país e democrático? Você tem percebido o comportamento das pessoas ao seu redor, cada vez mais conformado com tudo? Essas reflexões nos direcionaram para entendermos melhor os tipos de cidadania e de nossos direitos. Sim, direitos, eles existem! Hoje ao ler os noticiários é visto claramente que não buscamos nossos direitos, ir às ruas, fazer panelaços, protestos, são atitudes momentâneas, digamos até explosivas, para expor ideias. Isto é, acontecem e finalizam sem nenhuma conclusão. Nenhum objetivo alcançado. Em um país democrático, como o Brasil (entendo como democrático na lei, mas não na prática), a voz do povo ainda não é ouvida, falamos, e sempre os órgãos mais nobres e eletivos que sentenciam a última palavra. UNIDADE 3 O QUE É CIDADANIA? 55759 Realce 55759 Realce 55759 Realce 55759 Realce 49UNIDADE 3 O QUE É CIDADANIA? Um país de pessoas em sua grande maioria preocupadas com status, visto nitidamente essas necessidades nas redes sociais. Mas os ideais coletivos, são deixados de lado. Pode não estar claro, mesmo com trabalho de assistência pública, existem muitas pessoas que passam fome, não possuem moradia. Dar cestas básicas, ameniza, mas não resolve. Ou o indivíduo se acomoda ou se sente intimidado, envergonhado por não conseguir seu próprio sustento. É necessário buscar o melhor para as cidades, Estado e nação. Cobrar dos vereadores e dos prefeitos as propostas que os fizeram estar no cargo. Se não fiscalizamos o que está próximo, quem dera os demais. As redes sociais servem de suporte para ampliar a divulgação desses assuntos. Respeitando sempre a opinião do outro, não estamos em uma disputa, muito ao contrário, estamos em um momento de luta. Exato, votar é um ato de cidadania, mas o indivíduo ao pertencer a uma sociedade, que é administrado pelo Estado tem o direito de uma educação de qualidade, saúde, poder de participação, igualdade de oportunidades, moradia, emprego entre outras descrições que fundamenta a dignidade humana. Saviani retrata algo fundamental, pois entende que: Assim, a educação é entendida como instrumento, como um meio, como uma via atravésda qual o homem se torna plenamente homem apropriando-se da cultura, isto é, a produção humana historicamente acumulada. Nesses termos, a educação fará a mediação entre o homem e a ética permitindo ao homem assumir consciência da dimensão ética de sua existência com todas as implicações desse fato para a sua vida em sociedade. Fará, também, a mediação entre o homem e a cidadania, permitindo-lhe adquirir consciência de seus direitos e deveres diante dos outros e de toda a sociedade. Em ou- tros termos, pela mediação da educação, será possível construir uma cidada- nia ética e, igualmente, uma ética cidadã. (SAVIANI, 2013, p.19) Quando falamos de cidadania, existem questões relacionadas ao direito, assim, é necessária uma compreensão, vejamos: de acordo com o 1º Artigo da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789), estabelece que “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em direitos''. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade” Sabemos que de fato, essa conduta não é real, a desigualdade, não apenas social, é visivelmente explícita em nossa sociedade. E com o passar dos tempos o direito do cidadão, vai sendo tirado em prol de um sistema que privilegia a minoria. Sobre ser livres, muitas vezes percebemos que nem em nossos pensamentos, valores, ideias, temos essas diretivas, pois a sociedade impõe um padrão social, o qual estamos presos às convenções estabelecidas. Tudo é passível de mudanças, transformações, quebras de paradigmas, mas para que isso ocorra, os indivíduos pertencentes a sociedade precisa, se instruir, obter conhecimento para que possam assumir uma postura ativa na 55759 Realce 55759 Realce 55759 Realce 55759 Realce 50UNIDADE 3 O QUE É CIDADANIA? sociedade. De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, em seu 19º artigo, declara direitos à liberdade de expressão, sendo essa a principal chave para que a democracia seja efetiva. Expressa: Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, este direi- to implica a liberdade de manter as suas próprias opiniões sem interferência e de procurar, receber e difundir informações e ideias por qualquer meio de expressão independentemente das fronteiras (DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS, 1948, p. 4). Existem três tipos de direitos: civil, político e os sociais, são distintos, mas se agregam. Todos eles estão incluídos na Constituição da República Federativa do Brasil (1988) em forma de artigos. Os direitos civis são aqueles que dão oportunidade à vida, liberdade, igualdade e propriedade, ensejando manifestação de pensamento, relações estas que propiciam a manutenção da sociedade e se apresentam de forma individual, ou seja, cada situação uma regra. Estão inseridos fatores sobre o casamento, heranças, família, patrimônios, entre outros. Os direitos políticos são os que garantem ao indivíduo a participação de um governo, de suas decisões que devem ser voltadas sempre em prol da sociedade. Podendo votar, ser votado, associar a partidos sem ser perseguido e/ou ameaçado e de protestar. E os direitos sociais, que visam melhoria na qualidade de vida dos indivíduos, são benefícios coletivos, como trabalho, saúde, transportes coletivos, programas habitacionais, lazer, educação, aposentadoria entre outros. Agora que conseguimos entender a classificação dos direitos, ficará mais simples compreendê-lo no contexto da cidadania. Podemos compreender que: A cultura política refere-se às orientações especificamente políticas, às atitudes relativas ao sistema político, às suas diversas partes e ao papel dos cidadãos na vida pública. Neste sentido, é uma peça valiosa para a legitimidade da democracia, uma vez que diz respeito a um conjunto de valores que são importantes para a manutenção da estabilidade democrática. O arranjo político-institucional garante o funcionamento da democracia, mas não é capaz de criar per se uma cultura política democrática (ALMOND, 1992, p.36). A cidadania é classificada em duas categorias: A cidadania Formal e Cidadania Substantiva ou real. Agora, você já sabe definir cidadania e cidadão? Vamos juntos estruturar esses conceitos. Cidadania é a consciência coletiva de uma sociedade de seus direitos bem como a aplicabilidade de seus deveres, propiciando um bem-estar na comunidade, tudo de forma contínua, uma construção coletiva, para a busca incessante da garantia dos direitos humanos. E cidadão é que participa, busca, constrói as bases para adquirir seus direitos. Quando falamos em cidadania formal, estamos retratando aquela que a lei apre- senta, com todos os pormenores que a lei ampara, refiro-me aos direitos civis, políticos e 55759 Realce 55759 Realce 55759 Realce 55759 Realce 55759 Realce 51UNIDADE 3 O QUE É CIDADANIA? sociais. E a cidadania substancial ou real é a que retrata no contexto do cotidiano. Vários exemplos, poderia aqui, mencionar, mas no filme “Que horas ela volta?”, que tem como protagonista Regina Casé, demonstra a falta de estrutura de nosso país para dar alicerce a preservação da vida com dignidade. E acabamos tão envolvidos nesse contexto de luta, de sustentação familiar que não conseguimos enxergar o quanto somos escravos de nós mesmos. O tic-tac do relógio nos domina. Muito pertinente, descrever a importância dos cuidados com nossa saúde mental nesse aspecto, doenças psicossomáticas têm aumentado em grande número, depressão, ansiedade, síndrome do pânico entre outras doenças, todas caracterizadas pelo estresse excessivo, mediante a tantas cobranças seja em nosso trabalho, em nosso lar ou qualquer ambiente. Pare, respire! Analise seu dia a dia, às vezes, vale a pena mudar ou adaptar-se antes de adoecer. CIDADANIA NO BRASIL3 TÓPICO 52 Muitos de nós fazemos como a imagem expõe, nos calamos e fingimos não enxer- gar o que é tão visível aos nossos olhos. Ser cidadão, exercer a cidadania é falar, discutir, expor, debater, construir bases sólidas para exercermos nossos direitos, derivando tanto dos coletivos, quanto dos indivíduos. Mas para sermos cidadãos precisamos ter conhecimento sobre assuntos que nos cercam, sejam eles nas esferas políticas, sociais, econômicas, cul- turais, religiosas entre outros. O conceito sobre democracia foi sendo construído, vejamos com as experiências dos Romanos: Podemos verificar a estreita relação entre a cidadania romana e o conceito moderno do termo: Como podemos avaliar a importância da experiência romana para o conceito moderno de democracia? Para muitos estudiosos do século XX, a República romana foi encarada como uma oligarquia corrupta, uma aristocracia endinheirada, comparada negativamente com a Atenas democrática do século V a.C. Nas últimas décadas, entretanto, estudiosos têm mostrado que a vida política romana era menos controlada pela aristocracia do que se imaginava e, de certa maneira, Roma apresentava diversas características em comum com as modernas noções de cidadania e participação popular na vida social. Os patriarcas fundadores dos Estados Unidos da América tomaram como modelo a constituição romana republicana, com a combinação de Senado e Câmara (no lugar das antigas assembleias). A invenção do voto secreto, em Roma, tem sido considerada a pedra de toque da liberdade cidadã. O Fórum pode ser considerado o símbolo maior de um sistema político com forte participação da cidadania. Lá, os magistrados defendem seus pontos de vista e tentavam conseguir o apoio dos cidadãos. O poder dependia desse apoio, a tal ponto que grupos rivais competiam pelo controle dos lugares em que os cidadãos se reuniam. Os romanos tinham um conceito de cidadania muito fluido, aberto, aproximando-se do conceito moderno de forma decisiva (FUNARI, 2013, p. 76). UNIDADE 3 O QUE É CIDADANIA? 53UNIDADE 3 O QUE É CIDADANIA? Ao analisarmos os contextos históricos conseguimos afirmar que houve um progressoreferente às questões de direitos, provenientes da cidadania, mas também o retrocesso relativo a muitos assuntos. Se houve tantas transformações sociais, pergun- to-lhe: “A Constituição da República Federativa Brasileira, feita em 1988, não precisaria ser reestruturada? Leis que norteiam os direitos e deveres dos indivíduos, como Estatuto da Criança e Adolescente (1990), não estão arcaicos, sabendo da evolução constante de nossa sociedade? Vamos resgatar o histórico da cidadania no Brasil, vejamos: precisamos reforçar que em nosso país esse movimento foi muito tardio, passamos pelo processo de escravidão, o qual ofertava direitos civis e políticos, mas sempre para a classe dos proprietários, para a elite. Nesse mesmo período na França XVIII, a discussão em torno da igualdade, direitos, liberdade e participação dos indivíduos na vida pública já era amplamente difundida. No Brasil a ideia que ladeava a cidadania era simplesmente para beneficiar os colonizadores, que por meio de arranjos políticos privilegiava a aristocracia com trocas de favores. As condutas políticas impossibilitaram uma estruturação social. Dessa forma, é conclusivo a formação de estruturas sociais que estrutura a dualidade de donos e empregados, que tem como consequência a formação de classes, tão desiguais. Assim entendemos: Por encerramento social, Weber entende o processo através do qual coletividades buscam maximizar ganhos restringindo o acesso a vantagens e oportunidades a um limitado círculo de beneficiários. Isto implica a especificação de certos atributos sociais ou físicos como justificativos para a exclusão social (PARKIN, 1974, p.33) Não podemos deixar de mencionar Florestan Fernandes, que se dedicou a estudar sobre as dificuldades e desafios, com o intuito de que os cidadãos pudessem ter seus direitos garantidos e consequentemente suas sobrevivências. Destaca em suas reflexões as contradições de classes e a relação de dominação da elite, que de forma muito evidente ofuscava a cidadania na prática. Analisar o contexto sobre cidadania atualmente em nosso país, é algo muito sensível, exercer essa conduta é poder se pronunciar, expor suas ideias, em síntese, é ver as coisas acontecerem com muita democracia e ética. Infelizmente, os embates dos três poderes, Executivo, Judiciário e Legislativo, têm provocado conflitos que de forma direta afetam o cidadão brasileiro. Nesse ponto de vista, não estamos consolidando partidos ou gostos pessoais. Mas algo que está impactando toda uma sociedade que estrategicamente acarreta retrocessos em todos os aspectos: econômicos, culturais, sociais, educacionais entre outros. 54UNIDADE 3 O QUE É CIDADANIA? Um país imenso como o nosso, com grandes áreas de produções agrícolas, pecuária, com tanta pobreza? Pobreza no sentido desde informação ao que se refere à alimentação, rede esgoto, moradia. Uma discrepância salarial surpreendente entre políticos e demais classes. Não desmerecendo, pois, todos devem ganhar bem. A pergunta se formaliza quando entendemos que quem possibilita o crescimento do país são os trabalhadores. Então, não mereciam eles melhores salários? Melhores incentivos em sua formação educacional? Essas perguntas estão relacionadas à cidadania no Brasil ou como deveria ser. Ressalta-se de acordo com o Sociólogo Sérgio que: Cresce a circulação da riqueza e da renda. O crime segue a rota da riqueza e não da pobreza, como muitas vezes se acreditou. Mudam as relações entre as classes sociais, que se diversificam e se tornam menos polarizadas, assim como gerações intergeracionais, entre os gêneros, entre as etnias, tornando mais complexas as hierarquias sociais. Mais modernizada e conectada com as transformações globais, e tudo o que isso representa em termos dos usos das tecnologias nos modos de vida cotidianos, a sociedade brasileira se torna mais suscetível às mobilidades verticais e horizontais. Pouco a pouco emergem novos padrões de relações entre governantes e governados, expressos nas eleições e nas tendências majoritárias do voto popular. Todo esse conjunto de mudanças incide também na esfera das representações sociais e da cultura. Como as sondagens de opinião têm demonstrado, a sociedade brasileira vem revelando atitudes ambíguas com relação às leis e às instituições. Ora apoia a democracia, o respeito à legalidade e aos direitos humanos. Ora, contraditoriamente, reconhece que as leis não valem para todos, as instituições privilegiam grupos sociais, os direitos não são universais, vale a vontade do mais forte. Cenários como esses contribuem para enfraquecer a confiança dos cidadãos nas instituições encarregadas de aplicar as leis e de oferecer segurança à população (ADORNO, 2012, p.77- 78) O brasileiro precisa se envolver com as questões que acontecem, desde a comunidade a qual está inserido ao que acontece no país e no mundo. O envolvimento requer acompanhar, aprofundar-se nos assuntos políticos (lembrando que a política está interligada em tudo em nosso cotidiano), ao acompanharmos, temos como debater ideias, discutir, dar opiniões construtivas, destacando nosso ponto de vista. Isso sintetiza que não precisamos aceitar tudo que é imposto, mas precisamos ser inteligentes o suficiente para questionar. Você conseguiu compreender a importância da cidadania? Dentro de nossa própria casa exercermos a cidadania, quando discutimos com o intuito de buscar soluções em bus- ca do melhor para todos no seio familiar, quando dividimos as tarefas domésticas, quando as questões financeiras são repartidas entre todos, no intuito de manter uma qualidade de vida, quantos os problemas são conversados e traçados metas para melhorar. Se esse ato é praticado, se torna habitual o indivíduo em seu meio, agir dessa forma. 55UNIDADE 3 O QUE É CIDADANIA? Mas convido você a refletir: Para você existe cidadania no Brasil? Em quais circunstâncias? Você se considera cidadão? Essas considerações são fundamentais porque para criticar algo ou alguém, precisamos fazer melhor. Não podemos generalizar em nossas contextualizações, existe sim cidadania em nosso país, mas ainda em que pequena escala, a participação das pessoas vai além de irem às ruas ou restringirem a paralisações. Essas ações, mesmo tendo condutas significativas, são momentâneas. A democracia e a cidadania são condutas diárias, capazes de fortalecer o país, as pessoas e, principalmente, as práticas políticas, econômicas, sociais, culturais e todos os âmbitos que a sociedade necessite. CONCEPÇÕES DE CIDADANIA E DE DEMOCRACIA: ENCONTROS E DESENCONTROS4 TÓPICO 56 O Brasil precisa caminhar muito para atingir o ápice da cidadania, os pensamentos coletivos precisam ser considerados. A individualidade se faz presente nas ações, nos comportamentos. Exercer a cidadania é pensar em si, mas também ser solícito em prol dos outros. Um crescer com perspectivas futuras. Mas para que possamos prosseguir, convido a você para compreendermos o que é democracia e revisar a concepção de cidadania. Assim conseguiremos enxergar os encontros e desencontros. Já mencionamos anteriormente, mas para que não haja dúvidas, no contexto so- ciológico, cidadania são regras, normas que formam um conjunto de direitos e também deveres, nas esferas civis, sociais e políticas, que caracterizam como os cidadãos devem ser regidos. Podemos exemplificar: os direitos e deveres são o maestro de uma grande orquestra, dá os comandos. E os músicos dos mais variados instrumentos são os cidadãos que precisam estar antenados à música para que se obtenha uma apresentação com mérito. Quando falamos de democracia, sabemos o quanto esse termo tem sido discutido na atualidade, por interesses políticos, ou não, a palavra tem sido empregada nas mais diversas áreas. Você sabe definir democracia? De acordo Giddens, podemos conceituar da seguinte forma: [..] a democracia é vista genericamente como o sistema político maiscapaz de garantir a igualdade política, proteger a liberdade individual, defender o interesse comum, ir ao encontro das necessidades dos cidadãos, promover o autodesenvolvimento moral e possibilitar a tomada de decisão efetiva que leve em conta os interesses de todos. (2004, p.426). UNIDADE 3 O QUE É CIDADANIA? 57UNIDADE 3 O QUE É CIDADANIA? A democracia deveria garantir a igualdade política, fato esse que estamos vivenciando claramente que não há essa igualdade, quiçá a proteção da liberdade de cada indivíduo, vejamos que nem mesmo a liberdade de expressão, os interesses são cada vez mais individualizados. Entender a moralidade desse contexto é muito conflituoso, pois ética e moral, são atribuídos fora de uso para muitos. Assim, se democracia é um regime governamental, supõe-se que os cidadãos ao exercer seus direitos, deveriam tomar decisões formal ou informal, tendo como vozes os representantes eleitos, o que caracterizaria um ato democrático. O objetivo maior da demo- cracia é permitir o envolvimento dos indivíduos em debates que propõem, diretrizes para a sociedade e essa participação traria significativamente um crescimento intelectual, social, político, cultural etc. O sentimento de pertencimento que faz as pessoas se envolverem. “Se os direitos civis garantem a vida em sociedade, se os direitos políticos garantem a participação no governo, os direitos sociais garantem a participação coletiva” (SANTOS, 1999, p.10). Afirma o autor que: É razoável supor que caminhos diferentes afetem o produto final, afetem o tipo de cidadão, e, portanto, de democracia, que se gera. Isto é particularmente verdadeiro quando a inversão da sequência é completa, quando os direitos sociais passam a ser a base da pirâmide. [...] uma consequência importante é a excessiva valorização do Poder Executivo. [...] A ação política nessa visão é sobretudo orientada para a negociação direta com o governo, sem passar pela mediação da representação. (SANTOS, 1999, p. 221). Fica explícito que a democracia só se consolida, quando o direito abrange a todos. Denota-se que a desigualdade social é um exemplo de como a democracia não alcança a todos, visto que o desemprego, educação precária, falta de saneamento básico, sistema de saúde precária, que, como consequência, expõem os conflitos de todas as esferas. Você havia pensado que a falta de democracia impede todo ato de cidadania e traz como fruto um caos social? Sim. Um caos social, uma sociedade que não tem o direito de participação e não foi educada a ser, não consegue vislumbrar um caminho de oportunidades. Ficando preso no passado ou no momento presente. Para que possamos estruturar e dar significado, não apenas em nossa vida, mas ao coletivo é necessário almejar, traçar metas e planos para o dia de amanhã. Isso deve acontecer não apenas em perspectiva de um país, mas enquanto seres individuais. Redimensionando nossas vidas pessoais, pois, a cada dia aprendemos um pouco. Então, amanhã posso ser melhor! Sem mencionar a palavra desencontro, mas, acima, destacamos vários e podemos exemplificar ainda mais. Pensemos em momentos de eleição, que deveria haver discussões 58UNIDADE 3 O QUE É CIDADANIA? sobre as necessidades de cada região, Estado ou Nação, para que os indivíduos escolham as propostas que de fato, tragam benefício para o bem comum. Mas sabemos que na hora da escolha o que prevalece é o bem individual e prevalece a falta de conhecimento sobre a grande importância desse momento, tornando-se assim anos vindouros de reclamações e sofrimentos. Podemos destacar que: As experiências participativas no Brasil, a exemplo dos conselhos gestores dos orçamentos participativos, apontam para um movimento de renovação e de reacomodação destes instrumentos de ação política no interior das práticas institucionais da sociedade brasileira, indicando que, muito menos que oposição, estes instrumentos estabelecem combinações e articulações que desenham um processo de concomitante inovação e reprodução das práticas e orientações políticas-institucionais. Apontam, sobretudo, para o fato de que a participação não substitui, mas reconfigura a representação, constituindo-se a participação em chave da boa representação (LÜCHMANN, 2007, p. 167). Analisando as perspectivas históricas, conseguimos também entender que houve progresso, ao que se refere a questões democráticas no Brasil, ações políticas que tentam ser transparentes, mostrando a sociedade como as ações são direcionadas, de que forma o dinheiro público é utilizado, alguns projetos, a sociedade é convidada a participar, ou seja, aos poucos a objetividade proeminente da democracia e da cidadania vão tomando rumos. Grande responsabilidade dos indivíduos acompanharem essa transformação e exigir seus direito de opinar, o papel do cidadão é se fazer presente e não deixar passar despercebido as ideias, pensamentos e também não menos importante, saber ouvir, respeitar as ideias do outro, que podem ser contrárias, mas possuem seus devido valores. Tanto a cidadania como a democracia têm como singular a participação do indivíduo. Mesmo com encontros e desencontros, o Brasil precisa se reinventar! 59 Ao falarmos do movimento como Iluminismo, é preciso mencionarmos a importância de alguns grandes pensadores como René Descartes (1596-1650), Isaac Newton (1643-1727), que alavancaram a Revolução Científica e agregaram valores às questões culturais, sociais, filosóficas e políticas. Por esse motivo, nos anos 1700 foram chamados de “Século das Luzes”. O Iluminismo, juntamente com o método científico, acreditava que as verdades para a estrutura do progresso em relação ao conhecimento. Outros nomes foram importantes para construir essa mentalidade, como Denis Diderot, Voltaire, Jean Jacques Rousseau e Montesquieu. Fonte: ILUMINISMO. Info Escola, 2021. Disponível em: https://www.infoescola.com/historia/iluminismo/. Acesso em: 22 nov. 2021. A condição de cidadania depende sempre de condições fixadas pelo próprio Estado, podendo ocorrer com o simples fato do nascimento em determinadas circunstâncias, bem como pelo atendimento de certos pressupostos que o Estado estabelece. A condição de cidadão implica em direitos e deveres que acompanham o indivíduo mesmo quando se ache fora do território do Estado. (DALLARI, 1989, p.85). UNIDADE 3 O QUE É CIDADANIA? 60 CONSIDERAÇÕES FINAIS Temas antigos, com atributo discutível atuais. Assim podemos descrever essa unidade estudada. As leis foram feitas para serem cumpridas, as denominações que estudamos “cidadania” e “democracia”, são para entender suas concepções e objetividades e fazer cumprir ao pé da letra. O que muitos buscam em outros países, quando saem do Brasil decepcionados de forma geral com o país onde vivem e se submetem a serviços aquém de duas formações, mas se deparam com um outro lugar, que permeia a democracia e a cidadania. O que se espera de um lugar assim: articulações de ideias, desenvolvimento e prosperidade, que gera uma qualidade de vida essencial, mas para muitos é preciso “sair da ilha para ver a ilha”, portanto sair da zona de conforto para compreender por meio de um choque social, como se portar enquanto cidadão. Não é impossível que o Brasil alcance esse patamar, mas, para isso, é preciso pessoas instruídas, não me refiro só ao estudo formalizado com um diploma, pois, muitos não tiveram a oportunidade de estudo, mas sabem da importância de se envolverem socialmente. Para esse caminhar, a individualidade não pode fazer parte desse processo, pois, a construção de um país democrático depende, de um trabalho coletivo, representantes que se preocupam com a sua cidade, estado e nação. E que compreendam, por exemplo, que o dinheiro que administram é do povo e para o povo. E, assim, a sociedade venha a com- preender que os representantes trabalham para proporcionar aos indivíduos possibilidades de vida melhores. Os atos democráticosvão além de eleições, são condutas que devem ser estabele- cidas cotidianamente, condutas que são necessárias em casa, no trabalho e todo e qualquer meio ao qual pertencemos. Participar ativamente das mudanças que são relevantes para o benefício de todos. O respeito em relação a ideias, pessoas, ponto de vista, haja vista, somos uma nação com grande diversidade, o que provém uma pluralidade de opiniões e todas são importantes para a construção de uma sociedade mais justa. Agir como cidadão é saber que a participação e opinião de cada indivíduo é singular e fundamental, pois realidades diversas que, somadas, correspondem à realidade, sobre os preceitos que o país necessita. Se calar, achar que sua opinião não tem valor, concluir que nunca haverá mudanças é simplesmente privar-se do direito de atuar no processo de cidadania, estreitando a relação com a sociedade. E a deixando à mercê de indivíduos que apenas buscam o poder para sua individualidade e ambições particulares. Praticar a cidadania é querer mudança de forma democrática e justa. UNIDADE 3 O QUE É CIDADANIA? 61 LEITURA COMPLEMENTAR AMOROSO, Caia. Eu também quero participar! Cidadania e Política Aqui e Agora. Editora: Moderna.1º Ed. 2013. UNIDADE 3 O QUE É CIDADANIA? 62 MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Estado e Democracia: uma introdução ao estudo da política. Autores: André Singer, Cícero Araújo e Leonardo Belinelli Editora: ZAHAR Sinopse: O livro nos possibilita entender o que é o estado e a democracia e como ambas podem ser singulares e distintas, de acordo com cada ângulo proposto, desencadeando um profun- do pensar político, que está envolto em nosso cotidiano. FILME/VÍDEO Título: Que Horas ela Volta? Ano: 2015 Sinopse: O filme retrata grandes realidades às quais nos de- paramos no transcorrer de nossa existência. A personagem principal, protagonizada por Regina Casé, deixa sua filha aos cuidados de outrem, para trabalhar “fora” e manter o sustento e possibilitar uma vida melhor para sua filha. Trabalha na casa de pessoas de nível social elevado, cuidando do filho de seus patrões, passa anos da sua vida neste contexto e não se dá conta da mecanização e forma como é explorada, até sua filha vir morar com ela. Momento que a faz refletir como as escolhas são necessárias para não repetirmos os mesmos erros. UNIDADE 3 O QUE É CIDADANIA? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos • O surgimento dos direitos do homem cidadão; • Participação Social: O que é; • Participação Social no Brasil e suas complexidades; • Participação cidadã e planejamento governamental. Objetivos da Aprendizagem • Conceituar direitos e deveres do cidadão; • Compreender o que é participação social e sua relevância para o progresso; • Caracterizar a importância do planejamento governamental. Professor Mestre Jorge Alberto de Figueiredo PARTICIPAÇÃO PARTICIPAÇÃO SOCIAL SOCIAL UNIDADEUNIDADE4 64 INTRODUÇÃO Nossa última unidade IV, não menos importante, vamos compreender que historica- mente os direitos do homem são recentes, inclusive no tange à participação das mulheres nas questões políticas, mas o direito pleno só é exercido quando temos conhecimento sobre elas. A aprendizagem amplia nossa visão e nossos direcionamentos, além disso, é muito importante destacar que os deveres servem para a formação da cidadania. Você conhece seus direitos? Seus deveres, você os executa plenamente? Precisamos pensar, pois, só podemos cobrar do outro, quando nossa conduta está alinhada. Discutiremos sobre participação social, como a própria denominação conclui, remete à envolvimento, discussão, debates, e ao englobar o conceito social, configura o pensar coletivo, sempre voltado para o bem-estar e com olhar atento quanto ao presente e ao futuro de um povo, de uma nação. Mas o que você entende de participação social? Reflita para que no decorrer de nossos estudos, possamos aprimorar ou redescobrir novos conceitos. Falar de participação social no Brasil, requer um raciocínio muito bem trilhado, sobre esse movimento. Estar nas ruas, falar o que se pensa sem conhecimento de causa nas redes sociais, não sintetiza participação social. Se envolver com causas sociais que temos afinidade, buscar conhecer, fatos, ampliar em nossa rede de contatos conhecimento que transborde para os demais, uma bagagem para tomada de decisões, não apenas pautadas no senso comum. A complexidade referente à participação na sociedade, tem inúmeros, dissabores, mas a questão consiste em indivíduos com comportamentos e pensamentos diversos, que conduz a ideias diferentes e opiniões contrárias. E a dificuldade em ouvir o outro, em aceitar a opinião do outro é um grande obstáculo de evolução para a sociedade. Adaptar-se é sempre necessário, as mudanças acontecessem e nem sempre estão ao nosso favor, mas é preciso ter uma visão de que, sempre é possível alterar o rumo de nossas vidas. Quando falamos em participação cidadã e planejamento governamental, precisa- mos ter a visão de que tudo que envolve política, o cidadão precisa estar engajado, para que de fato seu voto tenha validade funcional. Isto é, quando votamos, não votamos de forma específica no candidato, mas nas propostas, e precisamos acompanhar essas propostas para que de fato, aconteçam. O trabalho governamental é para o povo, mas, infelizmente, para muitos cidadãos e políticos, tudo acontece ao inverso. Exigir seus direitos, praticar seus deveres é um ato de cidadania. UNIDADE 4 PARTICIPAÇÃO SOCIAL 55759 Realce 55759 Realce 55759 Realce 55759 Realce 55759 Realce 55759 Realce 55759 Realce 55759 Realce O SURGIMENTO DOS DIREITOS DO HOMEM CIDADÃO1 TÓPICO 65 Falar em direitos é muito difícil. Pensando no Brasil a dificuldade fica muito mais ampla. Vejamos que esta reflexão tem duas frentes para pensarmos. De um lado uma sociedade que requer seus direitos e não exercitam seus deveres (Não é uma maioria, mas essa parte populacional, proporciona ranços no progresso social, cultural e econômico). Do lado oposto representantes políticos, religiosos, sociais, buscando alcançar seus interesses particulares, finge desconhecer os direitos da população, ocultando o que deveria ser base para a construção da dignidade humana. Moradia, saneamento básico, sistema de saúde eficiente, educação com qualidade, trabalho entre outras descrições. Não podemos deixar de destacar trechos fundamentais incluídos em nossa Constituição da República Federativa do Brasil, para comprovar o que afirmamos: Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: I - A soberania; II - A cidadania; III - A dignidade da pessoa humana; IV - Os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V - O pluralismo político. Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de re- presentantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição (BRASIL, 1988, Art 1º). Se o poder emana do povo, sintetiza que a participação e a busca pelos direitos precisampartir dessa categoria, mas, incentivado pelos representantes. Com o objetivo UNIDADE 4 PARTICIPAÇÃO SOCIAL 55759 Realce 55759 Realce 55759 Realce 55759 Realce 66UNIDADE 4 PARTICIPAÇÃO SOCIAL de garantir um desenvolvimento econômico, que eclodiram no avanço das demais áreas. O pensar na coletividade, seria a eliminação da miséria (Não apenas em relação à fome), da pobreza, das indiferenças. É preciso que seja estabelecido um amor à Pátria, mas isso não pode ser apenas em momentos em que se canta o hino nacional. Consta em nossa Constituição: Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I - Construir uma sociedade livre, justa e solidária; II - Garantir o desenvolvimento nacional; III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV - Promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação (BRASIL, 1988, Art.3º). Você conhece a parte da Constituição que tange ao Título II, Dos Direitos e Garantias Fundamentais, Capítulo I, Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos? Muito provável que não! Pois sabemos que temos direitos, mas não sabemos ao certo quais são! Um grave erro nosso! Como lutar para ter aquilo que desconheço? Como posso ser ativo, participativo na sociedade, se não sei o que ela espera de mim? Vejamos o que afirma este artigo constitucional: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade (BRASIL, 1988, Art.5º). É relevante ressaltar alguns pontos do artigo, citado acima, que a lei já existe, cabendo a nós de forma coletiva, por intermédio da participação cidadã, buscar de nossos representantes, a execução de ações que de fato garanta nossos direitos sem distinção e diferenças. Você lembra do título deste capítulo que estamos estudando? O surgimento dos direitos do homem cidadão! Iniciei destacando direitos adquiridos, mas para alcançarmos esse sucesso foi preciso tempo e no contexto histórico é recente. Graças aos representantes da França em 1789, que ao se incomodarem com o grande desprezo com que era tratado as necessidades da classe menos favorecida, em Assembleia Nacional, fez surgir a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, garantindo os direitos individuais e coletivos. A declaração estabelece entre muitos quesitos a igualdade perante a Lei e a justiça. Partindo das premissas deste documento, todas as questões documentais voltadas para a garantia dos direitos humanos, tiveram origem nas bases da declaração, inclusive a Constituição Brasileira. 55759 Realce 55759 Realce 55759 Realce 55759 Realce 55759 Realce 67UNIDADE 4 PARTICIPAÇÃO SOCIAL O espírito da Revolução Francesa influenciou não só as nações europeias, mas diversas regiões de todo o mundo, existindo relatos de citações ocorridas no Brasil, na Conspiração Baiana de 1798, claramente influenciadas pelas mesmas ideias que fizeram sucumbir a Bastilha. Além disso, o texto da Declaração serviu de base para similares na Europa, e, integra, até hoje, o direito positivo francês, como parte integrante da sua constituição (FRANCE, 2012, p. 24). Com a Declaração dos Direitos do Homem do Cidadão, foi possível criar, melhores políticas públicas, a um nível mundial, criando um elo entre todos os países, tendo como pressuposto um olhar mais consciente para os direitos humanos. Em se tratando em nível internacional, é consolidado, associações, instituições que se movem em torno dessas concepções. Imagine você que com todo o aparato de leis existentes, ainda existem muitas violações dos direitos humanos no mundo. O Brasil faz frente a muitos países em busca de sanar os problemas vigentes, isso pode ser visto em frentes de enfrentamento contra o trabalho infantil, trabalho escravo, preservação ao meio ambiente. Para que nosso país não tenha um retrocesso, pois é notório a participação do Estado em ações que se estruturam garantindo promoção e proteção dos direitos e garantias individuais e coletivas, a cooperação com esforços internacionais e ao estímulo e à atuação da sociedade civil organizada na defesa de direitos políticos, das liberdades, das garantias sociais e da proteção do meio ambiente. PARTICIPAÇÃO SOCIAL: O QUE É?2 TÓPICO 68 Compreender o significado de cada palavra do título nos faz de forma mais explícita entender o assunto. Participar tem o intuito de se envolver, interagir, estar presente e social está ligado à sociedade. Somando participação social, nada mais é que estar presente nas resoluções, decisões e diálogos entre a sociedade e os representantes governamentais, ao que se refere às políticas públicas. Cabendo aos indivíduos que compõem a sociedade fiscalizar os representantes que foram escolhidos, fazendo cumprir as promessas de cam- panhas. Rios define participação desta maneira: Lema e tópico central em programas e doutrinas reformistas generalizadas a partir dos anos 60, quando se pensou em contrapor à massificação, à centralização burocrática e aos monopólios de poder o princípio democrático segundo o qual todos os que são atingidos por medidas sociais e políticas devem participar do processo decisório, qualquer que seja o modelo político ou econômico adotado (RIOS, 1987, p. 869). A participação social, tem como força para influenciar de forma significativa e objetiva a formalização, execução e consequentemente a fiscalização. E vale refletir que quando falamos em políticas públicas, as mesmas estão ligadas a várias áreas: saúde, transporte, saneamento básico, moradia, educação, assistência social. A sociedade para ser estruturada precisa da organização da sociedade como um todo, descreve STOTZ, que: Tais ações expressam, simultaneamente, concepções particulares “da reali- dade social brasileira e propostas específicas para enfrentar os problemas da pobreza e exploração das classes trabalhadoras no Brasil” (VALLA e STOTZ, 1989, p. 54) UNIDADE 4 PARTICIPAÇÃO SOCIAL 55759 Realce 55759 Realce 55759 Realce 55759 Realce 69UNIDADE 4 PARTICIPAÇÃO SOCIAL Entretanto, a participação exige um comportamento contrário à passividade, em que tudo se aceita. Claro que de forma ativa e mobilizadora, mas com caráter pacifico, momento que a discussão e o debate são as armas para a conquista de novas oportunidades. Todos os direcionamentos sobre as políticas públicas, precisam ser avaliados para combater as misérias sociais e tudo que desencadeia o sofrimento da classe operária. Nós, de uma forma contínua, temos a participação social em nosso dia a dia. Nas reuniões escolares de nossos filhos, reuniões de condomínio, clubes esportivos, associações, sindicatos etc. É muito importante salientar que está na Constituição, sendo esse, nosso direito e dever. Essa participação ativa é a mola mestre para o exercício da democracia e tem como prioridade que os cidadãos participem cada vez mais nas tomadas de decisões acerca de seu próprio futuro. Segundo Putnam: As práticas sociais que constroem a cidadania representam a possibilidade de constituição de um espaço privilegiado para cultivar a responsabilidade pessoal, a obrigação mútua e a cooperação voluntária. As práticas sociais que lhe são inerentes baseiam-se na solidariedade e no encontro entre direi- tos e deveres (PUTNAM, 2000, p. 56). Podemos destacar formas de participação social, nas esferas do legislativo, judiciário e executivo. No legislativo, seria por meio de votos direto, no judiciário um exemplo é o júri popular (Julga crimes dolosos contra a vida) e o executivo quando o indivíduo se insere nos conselhos e comitês que tem o objetivo de articular políticas públicas. Essa participação popular é um campo novo, que teve sua origem em 1980, em seusprimórdios, o foco era a sociedade e buscava alcançar a democracia e a liberdade. A participação social está completamente ligada ao Estado e a sociedade, ou seja, à democratização desses, sempre de forma articulada e ampla, por meio dela é possível denunciar irregularidades e evitar corrupções, compreender que podemos agir mediante a situações, evitando reagir em momentos em que já não há o que se possa fazer, do que se lastimar. O diálogo entre os governos e sociedade fortalece o exercício da cidadania garantindo a execução de políticas públicas que atendam à coletividade, melhorando os níveis de oferta, qualidade dos serviços e maior controle dos recursos públicos. Espaços foram criados para que esse diálogo fosse fortalecedor, temos exemplos de conselho gestor, atuam na saúde, educação, meio ambiente e diversas outras áreas. O estado se completa quando a sociedade pode manifestar suas ideias e interagir em deliberações que afetam a todos. 55759 Realce 55759 Realce 55759 Realce 55759 Realce 55759 Realce 55759 Realce 70UNIDADE 4 PARTICIPAÇÃO SOCIAL Ao entender sobre participação social, precisamos entender alguns conceitos tão falados e que, talvez, não tenhamos compreendido dentro de uma visão sociológica, que além de compor o espaço em que vivemos são relevantes para a prática da participação social. Você conhece essas denominações: castas, classe social, elite, etnia, etnocentris- mo, relativismo, diversidade, cultura, cidadania, identidade e ética? De maneira bem sucinta vamos explicar cada uma delas: a casta é um tipo de di- visão (Comum na Índia), mas no sistema capitalista usa-se mais a denominação de classe social, que ocorre devido à hierarquia, sobrenomes, conta bancária. A classe social são as categorias da sociedade: classe A, B, C, classe baixa, média, alta. A Elite é a representativi- dade de quem tem o poder, que pode ser político ou econômico. Elite é a classe dominante. Etnias, é importante pontuar que raça existe apenas uma (Raça humana), as etnias são as diferenças entre a raça humana. Etnocentrismo é um assunto muito polêmico, quan- do uma etnia se julga mais importante que os demais, um exemplo clássico na história do mundo que é o Nazismo e o Fascismo. O relativismo é bem contrário, pois, expõe que há tempo, espaço, oportunidades para todos, somos todos da raça humana, então, não se faz necessário o preconceito qualquer que seja. Todo ser humano é um cidadão de classe A. diversidade é o que conseguimos visualizar nitidamente no Brasil, uma mistura de cores, pessoas diferentes, com ideias distintas que traz um enriquecimento fundamental para as questões culturais, religiosas, sociais e demais. Quando falamos de identidade é o que somos, isso quando nos referenciamos diante da individualidade, e na junção é o que torna a identidade de uma sociedade de um país. Assim fica claro porque grupos sociais se juntam, porque comungam das mesmas ideias. Esses grupos ganham força. A cultura de um povo é o que faz com que consigamos identificá-los, por intermédio de peculiaridades, cidadania é quando exercemos o conhecimento de nossos direitos e deveres e o cidadão no contexto sociológico precisa ser dinâmico. A ética é o que perce- bemos que falta ao nosso redor, que se estrutura para manter as relações saudáveis. Fica claro que: A participação é parte integrante da realidade social na qual as relações sociais ainda não estão cristalizadas em estruturas. Sua ação é relacional; ela é construção da/na transformação social. As práticas participativas e suas bases sociais evoluem, variando de acordo com os contextos sociais, históricos e geográficos. (MILANI, 2008, p. 560). 71UNIDADE 4 PARTICIPAÇÃO SOCIAL Você percebeu como pequenos conceitos estão entrelaçados para a construção da sociedade, o que denota que cada um tem seu papel e que a articulação de todas as palavras discutidas, são fundamentais para o exercício da participação social. Iremos, a seguir, falar um pouco mais sobre essas denominações, evidenciando as complexidades existentes no Brasil, no que se refere à participação social. PARTICIPAÇÃO SOCIAL NO BRASIL E SUAS COMPLEXIDADES3 TÓPICO 72 Muitas são as complexidades para que haja de fato a participação social no Brasil, mas nada que impeça que aos poucos, a participação seja ampliada, pois, não ocorrerá como um passe de mágica. As pessoas precisam ver essa participação como algo necessário para a melhora em sua qualidade de vida. Podemos assim estabelecer alguns percalços: ● Desigualdade Social e Econômica; ● Hierarquias políticas atreladas a culturas autoritárias; ● Falta de clareza com relação às políticas públicas; ● Resistência dos governantes e falta de engajamento; ● Pouco envolvimento por parte da população; ● Fragilidade em torno dos vínculos populares. Ao discutirmos sobre desigualdade socioeconômica, nos deparamos com uma grande gama de aspectos que originam nas classes sociais que são subdivididas e entre si se confrontam em torno do que é melhor para cada grupo. Justamente devido às classes sociais que surgiram os movimentos sociais. Grupos minoritários em busca de seus ideais, pois podemos ver que: Os números sobre a concentração de renda no Brasil são claros ao eviden- ciar a dimensão das desigualdades. Os dados apontam que o 1% mais rico da população brasileira recebe, em média, mais de 25% de toda a renda nacional; os 5% mais ricos detinham, em 2017, a mesma fatia de renda dos demais 95% da população brasileira. Esses dados tornavam o Brasil o país com maior concentração de renda do mundo no 1% da população mais rica (OXFAM BRASIL, 2017; SOUZA e AVRITZER, 2016). UNIDADE 4 PARTICIPAÇÃO SOCIAL 73UNIDADE 4 PARTICIPAÇÃO SOCIAL A desigualdade reflete o que cada grupo quer para si. Não há como pensar de forma unitária, sendo que a diferença é evidente, uns com muito, outros sem nada. Aqui não vamos entrar no mérito do que se habituaram a viver sem esforço, mas o que define essa questão é que passa a ser um fator que empobrece a participação social. O da classe mais favorecida não vê a necessidade de participar de discussões, reflexões sociais, pois tem tudo a seu favor. O da classe minoritária, não se importa de participar, das discussões que movem, toda a organização de sua vida, seja ela, social, econômica, cultural, religiosa, pois acredita que não será ouvida. Existem também as questões tecnológicas, embora seja um assunto atual, não é proveniente para todos, os recursos que ela oferece, como explica Garot: Além disso, a internet apresenta limitações materiais (por exemplo, nem todos têm acesso a ela), educacionais e culturais (quem não tem uma boa formação estará em desvantagem na obtenção, interpretação e produção de informações e argumentos). Assim, também pode ser um instrumento de manutenção ou ampliação da desigualdade e da exclusão dos mais pobres do processo político (2006, p.96-104) Ainda existem governantes com a concepção de que o povo é uma “massa de manobra”, concordo com eles, no sentido que isso acontecesse, de fato, se quisermos que aconteça. Mas a centralização de poder e o autoritarismo rege muitas governanças. O que deveria ser feito, com base no poder constituído de representante do povo, mas esse poder é construído pela prática de bons usos da gestão pública. Assim, a governabilidade é confiável. Para que a sociedade se manifeste, participe é relevante que ela saiba com objetividade, todas as deliberações, normativas, práticas para as diversas áreas: saúde, esporte e lazer, educação, assistência social. É preciso saber a intenção dos representantes legais do povo em como querem fazer uso do dinheiro, o cidadão deve participar, dar ideias, tem o direito de discordar e o dever de fiscalizar após implantado as decisões. Por resistência de muitos representantes, as articulações são feitas pelos bastidores, mascarando todas asideias reais e, muitas vezes, quando damos conta, as informações estão expostas nas manchetes. Desvios, desfalques, corrupção, subornos entre muitos delitos encobertos. Que se aproveitam da não participação pública, tornando mais fácil a ocultação de verbas públicas e suas aplicações. O etnocentrismo existe muito nas gestões públicas, representantes que se julgam sábios que não aceitam outras ideias e que, para que as ações aconteçam precisam girar em torno de suas premissas, de suas filosofias, mesmo que de forma arcaica ou equivocada. O que prevalece são seus pensamentos. 74UNIDADE 4 PARTICIPAÇÃO SOCIAL Isso quando nos deparamos com informações de milhões de investimentos em alguns setores e passado um tempo, descobrimos que o valor era o mínimo aplicável, e o restante desviados para obras que muitos chamam de “fantasmas". Bava e Santos Júnior nos mostram pontos positivos em relação à participação social cidadã: Apesar desses desafios comuns a muitas cidades, as características específicas de cada município também influenciam o êxito ou o fracasso das políticas de participação cidadã, com destaque para: o grau de inclusão social e de garantia de direitos, pois, embora seja um problema nacional, há variações significativas entre regiões e municípios; a composição da sociedade civil organizada, cultura cívica, mobilização e engajamento político; a abertura e o incentivo do governo à democracia participativa; a dimensão do município (grande, médio ou pequeno porte) e a espontaneidade da criação dos canais institucionais de comunicação entre o Estado e a sociedade civil (BAVA, 2000); Ainda é pequena a participação da sociedade em participações que são necessá- rias para uma estruturação social pertinente, uma das razões são pontuadas da seguinte maneira: A participação, enquanto direito, permanece sendo privilégio de poucos. Para além das razões já mencionadas, questões sistêmicas mais simples e cotidianas, como a carga horária de trabalho da maior parte da sociedade civil, também a impedem de se fazer presente minimamente nos espaços decisórios (AVRITZER; RECAMÁN; VENTURI, 2004, p. 30-38). E a última, mas não menos importante, é a fragilidade em torno dos vínculos populares: Essa mesma dinâmica acaba se refletindo no fenômeno conhecido por “sanfona de participação”, que descreve o fato de que a baixa intensidade de mobilização tem sido constante no país e só tende a se alterar quando determinados atores se interessam por alguma agenda específica. Nesses casos, eles concentram sua atuação em torno dela e voltam a esvaziar os espaços participativos depois que a demanda é atendida (AVRITZER; RECAMÁN; VENTURI, 2004). Além disso: Mesmo quando se superam as dificuldades estruturais, a resiliência da po- pulação ainda encontra outros tipos de obstáculos. Além do já mencionado risco de distanciamento da liderança social de sua base, fato que acaba se concretizando em grande parte das situações, levando a um fortalecimento do ator participante, mas não de sua base popular (BAVA, 2001, p. 33-40), É preciso uma articulação por intermédio de planejamento governamental, para que a gestão pública abrange toda a sociedade, para participar de forma efetiva e democrática. PARTICIPAÇÃO CIDADÃ E PLANEJAMENTO GOVERNAMENTAL4 TÓPICO 75 Quando estamos no processo de aprendizagem, a repetição se torna crucial para assimilarmos todo nosso conhecimento e consequentemente acomodar em nossa vida prática. Assim presumimos que, por várias vertentes, podemos definir o termo participação e que o contexto sociológico de forma específica é que nos norteia. Pois segundo Lavalle: “Participação” é, a um tempo só, categoria nativa da prática política de atores sociais, categoria teórica da teoria democrática com pesos variáveis segundo as vertentes teóricas e os autores, e procedimento institucionalizado com funções delimitadas por leis e disposições regimentais. A multidimensionalidade ou polissemia dos sentidos práticos, teóricos e institucionais torna a participação um conceito fugidio, e as tentativas de definir seus efeitos, escorregadias. Não apenas em decorrência de que a aferição de efeitos é operação sabidamente complexa, mas devido ao fato de sequer existirem consensos quanto aos efeitos esperados da participação, ou, pior, quanto à relevância de avaliá-la por seus efeitos. (LAVALLE, 2011, p. 33). Subtende-se que participar é uma ação, que pode ser relativa, considerando a individualidade de cada pessoa. Uns se envolvem mais que os outros e a forma de avaliar, também se estreita por ser cada ação uma meta diferenciada. Mas o que fica explícito é que para que haja democracia, a cidadania precisa se fazer presente e para que isso ocorra, a participação cidadã é relevante. Você já ouviu falar sobre participação cidadã? É bem simples, segundo Milani: A participação social cidadã é aquela que configura formas de intervenção individual e coletiva, que supõem redes de interação variadas e complexas determinadas (provenientes da “qualidade” da cidadania) por relações entre pessoas, grupos e instituições como o Estado. A participação social deriva de uma concepção de cidadania ativa. A cidadania define os que pertencem (inclusão) e os que não se integram à comunidade política (exclusão); logo, a participação se desenvolve em esferas sempre marcadas, também, por relações de conflito e pode comportar manipulação. (2008, p. 560). UNIDADE 4 PARTICIPAÇÃO SOCIAL 76UNIDADE 4 PARTICIPAÇÃO SOCIAL Quando Milani enfatiza sobre as relações de conflitos, podemos relembrar claramente sobre o que estudamos sobre a participação social no Brasil e suas complexidades. Quando a cidadania vem com o conceito de inclusão, denota um olhar como um todo nas questões sociais, sem pré-conceitos estabelecidos. Ou seja, todos têm direitos e deveres. Isso porque podemos afirmar que a democracia é o regime político do “poder ascendente", isto é o povo que escolhe quem vai governar, participam das decisões políticas. De certa maneira isso é um problema? Sim, porque, ainda que a escolha dos governantes não seja realizada de maneira racional, ainda muitos escolhem seus governantes, por conceitos de futilidade: por ser bonito, por falar bem, eu acho que esse não rouba, devo favores, entre outras inúmeras situações. Para Sartori (1994, p. 225-228) a democracia indireta é a que de fato se realizou nos grandes Estados modernos podendo ser conceituada como o regime político no qual “o povo se governa por meio de ‘representante’ ou ‘representantes’ que, escolhidos por ele, tomam em seu nome e presumidamente no seu interesse as decisões de governo”. Para que a democracia seja participativa é preciso: como primeiro fundamento a reivindicação de espaços participativos ampliados para atores sociais mais vulneráveis nos aspectos político, social e econômico. São pessoas geralmente excluídas dos processos decisórios (ainda que formalmente incluídos) e que buscam formas alternativas de participação em condições de igualdade (CAMPBELL; MARQUETTI; SCHONERWALD, 2009, p. 5-7). De nada adianta criar denominações e não abrir espaço em pautas para que a cidadania seja exercida, nas áreas em que os cidadãos são os que mais sabem realmente o que precisa nas áreas da saúde, educação, esportes entre outros. Porque sua vivência em meio à realidade lhe impõe uma certa clareza em suas opiniões, pois, por estar inserido no contexto, consegue sentir em seu dia a dia a falta de planejamento e ações que de fato contribuam para a melhora da qualidade de vida. Nesse sentido, os movimentos sociais desempenham um papel fundamental na “institucionalização da diversidade cultural” e na “ampliação do político, pela transformação de práticas dominantes, pelo aumento da cidadania e pela inserção na política de atores sociais excluídos” (SANTOS; AVRITZER, 2002, p. 53). Os movimentos sociais são grupos de pessoas que, de maneira organizada,. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos • Noção do conceito de estado; • Conceito de Poder; • Diferentes Tipos de Estado ao longo da História; • Governança e Governabilidade? Objetivos da Aprendizagem • Estabelecer parâmetro sobre formalização do Estado historica- mente; • Compreender a importância do Estado e seu dever para com o povo; • Conceituar o que é poder e suas implicações no cotidiano. Professor Mestre Jorge Alberto de Figueiredo O QUE É ESTADO?O QUE É ESTADO?1UNIDADEUNIDADE INTRODUÇÃO 7 Que bom continuar nossos estudos com temas tão relevantes como os que vamos aprender. Por mais que saibamos, é certo que sempre temos mais a aprender. Conhecimento é uma fonte inesgotável, flexível e inovadora. Sim! Inesgotável, porque o conhecimento é contínuo e flexível pois, a cada área agrega conceitos diversificados, tornando os conteúdos científicos e que desnudam a característica do senso comum. É inovadora, afinal, a evolução é primordial quando falamos sobre sociedade, pois visivelmente ela se renova. Nesta unidade trataremos de assuntos que você com certeza já ouviu falar, mas vamos juntos aprender de forma mais detalhada sobre noções do conceito de estado, conceito de poder, os diferentes tipos de estado ao longo da história e governança e governabilidade. Os temas estão alinhados e refletem todas condutas atuais, nos cenários políticos, sociais e econômicos. Nosso objetivo é que você compreenda que para exercer o papel de cidadão é crucial conhecer tudo o que envolve neste papel de agente ativo na sociedade, assim, estabeleceremos parâmetro sobre a formalização do estado de forma histórica, a compreensão da devida importância do Estado e o seu dever para com o povo e a conceituação do que é poder, bem como suas implicações em nosso cotidiano. De forma esclarecedora esta unidade abrange os conhecimentos que precisamos para desafiar a nós e a nossa sociedade que detém o poder de escolhas políticas. UNIDADE 1 O QUE É ESTADO? NOÇÃO DE CONCEITO DE ESTADO1 TÓPICO 8UNIDADE 1 O QUE É ESTADO? O que é Estado? Uma pergunta que no primeiro momento nós ficamos sem uma resposta imediata. Isso é perfeitamente natural quando se trata de assuntos complexos e o assunto Estado não é diferente. Mas é nas palavras de Hegel e Hobbes que podemos tirar algumas conclusões sobre esse tema, visto que o assunto é para muitas reflexões. Para Hegel o Estado é “substância ética consciente de si mesma”, uma frase simples, mas de grande importância quando paramos e pensamos sobre o assunto. Essa frase de Hegel abrevia uma enérgica e inovadora compreensão da sociedade humana, na história política da humanidade. O Estado é posto como uma ferramenta viva e essencialmente compacta de caráter unitário, uma adequada família expandida. É o instante primordial e invencível da ética, é o que de mais pronto e acabado que determinou o adiantamento da espiritualidade humana. Assim nos ensina Hegel: [...] O estado é substância ética consciente de si mesma, a reunião do prin- cípio da família e da sociedade civil; a mesma unidade que está a família como sentimento de amor é essência do Estado, o qual, porém mediante o segundo princípio da vontade que sabe e está vivo por sí só, recebe também a forma da universalidade conhecida. Esta, pelas suas determinações, que se desenvolvem no saber, tem como conteúdo a esse copo absoluto a sub- jetividade que sabe; ou seja, quer essa racionalidade para si. [...] (HEGEL, 1980, p.162). Já Hobbes, teórico do Absolutismo político, analisava o Estado como um Deus mortal pouco abaixo do Deus imortal, um leviatã, o aterrorizante monstro descrito na Bíblia no Livro de Jó. Sendo o Estado em tese realizador da vontade de todos, este deve ser protegido pelos indivíduos que fazem parte do todo. Um Estado surge quando todos os sujeitos se reconhecem em um só e praticam a obediência. Hobbes assim justifica. 9UNIDADE 1 O QUE É ESTADO? [...] Isso é mais do que um consenso ou acordo. È a unidade verdadeira de todos em uma única e idêntica pessoa, realizada por meio do pacto entre o homem, como se cada um desses ao outro eu autorizo e cedo o direito que tenho de governar a mim mesmo a este homem ou a esta assembleia de homens, sob a condição de que tu também lhe cedas o teu direito e autorizes igualmente as suas [...] (HOBBES, 1974, p. 99). E continua Hobbes em seu raciocínio: [...] Feito isso, a multidão reunida em um único indivíduo passa a ser chamada de Estado, em latim civitas. Esta é a origem do grande Leviatã, ou melhor, (para falar com maior reverência), do Deus mortal, ao qual devemos, abaixo de Deus imortal, a nossa paz e a nossa defesa. [...] (HOBBES, 1974, p.102) O Estado moderno também conhecido por Estado-Nação simula um apurado modo de organização do poder que teve início na Europa Feudal a partir do século XIV, em uma luta constante dos camponeses e burgueses para derrubar o Feudalismo e a extinção do abuso de poder e tirania do Absolutismo. Essa atitude de ordenamento político se espalhou por toda a Europa chegando mais tarde ao Novíssimo Mundo das Américas. Em outros continentes adquiriu distinta forma ao longo do tempo. Em relação à Nação, no caso, esse termo simboliza o compartilhamento da mesma língua, costumes, história e tradições de um grupo. Isso institui a ciência de pertencimento nos indivíduos, que passam a habituarem-se como um povo. Afinal, o que é o Estado moderno? Quais são as suas características e as formas? O nascimento do estado moderno está coligado a um modo explícito de aparelha- mento social do poder político, mas não possui um nome único. São diversas as acepções para essa forma de organização que chamamos meramente de Estado. O Estado Segundo Norberto Bobbio et al (1999), em sua obra” Estado, governo, sociedade”: para uma teoria geral da política assim nos ensina: trata-se de uma organização social complexa caracterizada pela centralização do poder, fundamentada na afirmação do princípio da territorialidade da obrigação política e sobre a progressiva aquisição da impessoalidade do comando político. Assim essa centralização que se opõe ao policentrismo do poder dos senhores feudais, é determinada por Max Weber como o “monopólio da violência legítima" em um território demarcado. Em outras palavras, o Estado apreendeu o controle sobre todas as nascentes autênticas de violência, por meio de instituições como a polícia que tem a função de manter a ordem, justiça e conter os cidadãos, e as forças armadas que agem como defensores de possíveis agressões externas. 55759 Realce 55759 Realce 55759 Realce 55759 Realce CONCEITO DE PODER2 TÓPICO 10 Você gostaria de ter poder? O que faria se assim o tivesse? Saberia lidar com as demandas originadas dele? Existe um ditado popular que diz “quer conhecer uma pessoa dê-lhe poder”. O nosso assunto de hoje, na dimensão sociológica, faz muito sentido. Atrelado ao poder, vem grandes responsabilidades e um compromisso com o qual você está se colocando à disposição para obtê-lo. Pois o poder possibilita o exercício da influência sobre a conduta de outrem em uma relação social. Bobbio, define poder da seguinte forma: Em seu significado mais geral, a palavra poder designa a capacidade ou possibilidade de agir, de produzir efeitos. Tanto pode ser referida a indivíduos e a grupos humanos como a objetos ou a fenômenos naturais (como na expressão Poder calorífico, Poder de absorção) (BOBBIO, 1995, p. 933). Para Weber, poder é toda probabilidade de impor a própria vontade numa relação social, mesmo contra resistência, seja qual for o fundamento dessa probabilidade (WEBER, 1994, p.33) Existem três formas de poderes: político, econômico elutam pelos direitos de todos e se manifestam de forma pacífica e podem agir em diversos setores: trabalhistas, racial, gênero. Existem momentos sociais curtos que podemos chamar de conjunturais, ou seja, surge de uma necessidade que em pouco tempo pode ser resolvido. Exemplos: Aumentos do preço de forma abusiva do álcool em gel. 77UNIDADE 4 PARTICIPAÇÃO SOCIAL Ou movimentos que sabemos que levará muito tempo para conquistar os direitos requeridos, que chamamos de estrutural. Por exemplo: Luta pelo fim do racismo. Um dos maiores movimentos sociais que já houve foi a queda da Bastilha, que mar- cou a Revolução Francesa em meados de 1789 e que desencadeou a queda da monarquia absolutista francesa. No Brasil podemos destacar os movimentos dos trabalhadores rurais sem-terra (MST) em meados de 1980. Essas informações são para que você reflita que os movimentos sociais só surgem porque uma minoria percebe que está sendo tolhido seus direitos e vão se agrupando forças para mudar esse paradigma. Qual a maior reivindicação dos movimentos sociais? “A garantia de direitos”, por esse fato planejamento governamental e gestão pública são termos que devem caminhar sempre atrelados, com o intuito de tornar suas ações em prol da sociedade, visando articu- lar melhorias para a vida do cidadão. Matus afirma que: Para tanto, torna-se imprescindível reequilibrar e ressignificar ambas as dimensões – planejamento governamental e gestão pública –, tratando-as como unidade de análise e de reconstrução das capacidades do Estado para o desenvolvimento nacional. Seja em termos analíticos, seja em termos práticos, de definição estratégica das políticas ou de condução cotidiana das ações, o binômio planejamento e gestão, até então tratado separadamente, precisa agora – e a conjuntura histórica é bastante propícia a isso – ser colocado em outra perspectiva e em outro patamar de importância pelos que pensam o Estado brasileiro e as reformas de que este necessita para o cumprimento de sua missão supostamente civilizatória (1972, p. 26) Falar de planejamento governamental é fundamental para os gestores públicos, pois significa trabalhar com transparência, com o dinheiro público e ter o discernimento que o dinheiro público é para ser usado nos meios públicos. Parece redundante, mas muitos governantes, gestores, ainda utilizam as verbas públicas para interesses particulares. Direito é algo que a sociedade precisa buscar, mas sem esquecer de seus deveres. Uma via de duas mãos! 78 Promulgada no dia 5 de outubro de 1988, durante o governo do então presidente José Sarney, a Consti- tuição em vigor, conhecida por “Constituição Cidadã”, é a sétima adotada no país e tem como um de seus fundamentos dar maior liberdade e direitos ao cidadão - reduzidos durante o regime militar - e manter o Estado como república presidencialista. As Constituições anteriores são as de 1824 (Brasil Império), 1891 ( Brasil República), 1934 (Segunda República), 1937 (Estado Novo), 1946, 1967 (Regime Militar). Fonte: Agência Senado. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/noticias/glossario-legislativo/consti- tuicoes-brasileiras. Acesso em: 27 out. 2021. “Nós somos responsáveis pelo outro, estando atento a isto ou não, desejando ou não, torcendo positivamente ou indo contra, pela simples razão de que, em nosso mundo globalizado, tudo o que fazemos (Ou deixamos de fazer) tem impacto na vida de todo mundo e tudo o que as pessoas fazem (Ou se privam de fazer) acaba afetando nossas vidas.” (Modernidade Líquida, Bauman, 2001) UNIDADE 4 PARTICIPAÇÃO SOCIAL 79 CONSIDERAÇÕES FINAIS Passamos o tempo todo em busca de nossos ideais, nossos direitos, façamos, então, uma reflexão de como era antes de nossa existência, o quanto as pessoas precisavam lutar para conquistar seus espaços e ter seus direitos alcançados, uma grande trajetória, cada conquista, um avanço, mas nada acontece de um dia para outro. Nada acontece sem luta. Não diferente de nossas decisões pessoais, nossos objetivos, traçamos metas e estabelecemos um caminho, que sempre é seguro e precisamos sempre buscar rotas alternativas. A longo prazo, com a experiência e maturidade conseguimos vislumbrar o tanto que percorremos. Aprendemos com todas as lições, independentemente de ser boas ou ruins. Direitos adquiridos devem ser preservados, cabendo à sociedade, aos indivíduos que a compõem lutar pela sua manutenção. Direitos devem ser ampliados e não retirados, cabendo por intermédio da participação social a fiscalização se os direitos dos cidadãos estão assegurados. No Brasil, a participação social é algo muito recente e que precisa galgar muitos espaços para se constituir de forma legítima a ação das pessoas. Fica claro que quanto mais pessoas instruídas o país tiver, mais envolvimento qualitativo e atuante teremos. Isso porque o conhecimento contribui para debates e reflexões que de fato, tragam possibilidades para a melhora nas políticas públicas. Porém, há uma complexidade, no que se refere à participação social, pois, a voz da sociedade nem sempre é ouvida. Permanece os interesses da minoria, os privilégios são para um grupo pequeno. Sofrendo, assim, as massas, as consequências de uma sociedade que ainda não se faz participativa como deveria. Para que cidadania e democracia sejam de fato algo real e concreto no Brasil é preciso planejamento de nossos representantes, oportunizando à sociedade a participação e tomadas de decisão, para que possam vislumbrar suas ações, sendo agregadas nas transformações sociais e que delas se sobressaiam oportunidades de crescimento e de- senvolvimento futuros. UNIDADE 4 PARTICIPAÇÃO SOCIAL 80 LEITURA COMPLEMENTAR Ao estudarmos a Unidade I, aprendemos os tipos de Estados de acordo com cada momento histórico, o livro “Do Estado moderno ao contemporâneo: reflexões teóricas sobre sua trajetória”, nos impulsiona a compreender de forma mais detalhada essas transformações e mais importante nos conduz a compreender o momento qual vivenciamos, nele retrata um tema novo “Estado Digital”, assunto tão atual e com um linguagem didático e esclarecedor. Fonte: disponível em: https://www.amazon.com.br/Estado-moderno- -contempor%C3%A2neo-reflex%C3%B5es-trajet%C3%B3ria/dp/8559725164/ re f=asc_df_8559725164/?tag=googleshopp00=20-ll inkCode=d0flhvadid - 379708289001lhvpos=lhvnetw=glhvrand=9877975975304386284lhvpone=lh- vptwo=lhvqmt=lhvdev=clhvdvcmdl=lhvlocint=lhvlocphy=1031877lhvtargid=pla- -896275518886lpsc=1. Acesso em: 22 nov. 2021. UNIDADE 4 PARTICIPAÇÃO SOCIAL 81 MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Gestão e Governança Pública Para Resultados: Uma visão prática Autor: Cláudio Sarian Editora: Forúm Sinopse: o livro tem a premissa de ofertar sugestões com caminhos que contribua para os agentes públicos agir em seus respectivos âmbitos de atuação para que alcance resultados significativos tendo como objetivo a sociedade. De maneira singular aborda aspectos práticos e reais na área da gestão pública e expondo ideias e sugestões para ter estratégias estruturadas e condizentes. E para quem não atua na área compreender como funciona o sistema de gestão pública e como participar socialmente neste contexto. FILME/VÍDEO Título: Sangue Negro Ano: 2007 Sinopse. Virada do século XIX para o século XX, na fronteira da Califórnia. Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) é um mineiro de minas de prata derrotado, que divide seu tempo com a tarefa de ser pai solteiro. Um dia ele descobre a existência de uma pequena cidade no Peste onde um mar de petróleo está trans- bordando do solo. Daniel decide partir para o local com seu filho, H.W. (Dillon Freasier). O nome da cidade é Little Boston, sendo que a única diversão do local é a igreja do carismático pastor Eli Sunday (Paul Dano). Daniel e H.W. se arriscam e logo encontram um poço de petróleo, que lhes traz riqueza, mas também uma série de conflitos. O poder começa a fazer partede seu cotidiano e o faz mudar causando sua ruína. UNIDADE 4 PARTICIPAÇÃO SOCIAL 82 Prezado(a) aluno(a), Quando iniciamos um estudo, temos sempre uma preocupação sobre os resultados que poderemos alcançar, as expectativas são as mais altas possíveis, até porque os contratempos, sabemos que são inevitáveis. Assim, quando chegamos à conclusão sabemos que é uma etapa vencida, superamos a nós mesmos e por sequências os obstáculos diários. Mas o estudo, a aprendizagem, nunca se conclui, pois, aprender é um ciclo constante e enriquecedor. De forma muito didática, produzi o material para que você tivesse a oportunidade de resgatar antigos e adquirir novos conceitos, os exemplos e o linguajar metodológico, me faz acreditar que tenha sido, uma leitura acessível e dinâmica. Da mesma forma que os conhecimentos que se renovam todos os dias. Os assuntos trabalhados sobre Estado e Cidadania, a sociedade está em processo de evolução e os assuntos pertinentes a esta disciplina também. Explanamos sobre conteúdos necessários e atuais, que acreditamos serem base para o exercício pleno da cidadania, momento em que o cidadão participa de forma ativa e consciente da sociedade. Isso porque entendemos que reclamar apenas não resolve, é preciso agir, e não reagir após um caos instaurado. Pensando dessa forma, explicitamos sobre a cidadania no Brasil, conceituamos democracia, falamos sobre direitos humanos, tendo a Constituição nossa base de entendimento sobre direitos e deveres, participação social, participação cidadã e planejamento governamental. O Estado depende de nós enquanto cidadão e devem trabalhar para nós, a nosso favor. Cabendo a fiscalização para a execução das ações políticas, por parte da sociedade. Deixando evidente que o voto não é o único caminho para exercer a cidadania, mas um meio de escolhermos bons representantes para que tudo o que estudamos seja de fato significativo. Para colhermos os frutos de um país de fato democrático. Muito obrigado e bom estudo! CONCLUSÃO GERAL 83 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ADORNO, Sérgio. Violência e crime: sob o domínio do medo na sociedade brasileira. In: BOTELHO, André, Schwarcz, Lilia Moritz (orgs.). Cidadania, um projeto em construção: minorias, justiça e direitos. São Paulo: Claro Enigma, 2012. p. 70-81. 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Pode-se, por exemplo, como ocorreu ocasionalmente, compreender os direitos que a lei concede ao indivíduo, contra um ou vários outros, como o poder de dar ordens ao devedor ou ao não-autorizado, inter- pretando-se, portanto, todo o cosmo do direito privado moderno como des- centralização da dominação nas mãos dos "autorizados" pela lei (WEBER, 1999, p. 188). UNIDADE 1 O QUE É ESTADO? 11UNIDADE 1 O QUE É ESTADO? O poder no campo ideológico pode ter a capacidade de grandes mudanças relevantes em prol de todos ou pode desfavorecer a minoria, com informações que trariam benefícios para a maioria. A segunda alternativa é o que mais vem ocorrendo no Brasil. Influenciando comportamentos, utilizando das redes sociais, meios de comunicação diversos e por intermédio da educação. É muito interessante pensarmos quanto a sociologia e a filosofia tem o compromisso de esclarecer essas questões ideológicas, sem envolver com questões partidárias. O poder político está ligado com as argumentações que os que se interessam em ingressar no meio político usam para persuadir e influenciar os eleitores para a conquista do voto. E quando eleito, faz uso do seu poder em propiciar ações em prol da existência humana ou apenas com interesse próprio. O homem precisa ser racional e ativo. Thompson, retrata essa contextualização: O que descobrimos (em minha opinião) está num termo que falta: 'experiência humana'. E esse, exatamente, o termo que Althusser e seus seguidores desejam expulsar, sob injúrias, do clube do pensamento, com o nome de 'empirismo'. Os homens e mulheres também retornam como sujeitos, dentro deste termo não como sujeitos autônomos, 'indivíduos livres', mas como pessoas que experimentam suas situações e relações produtivas determinadas como necessidades e interesses e como antagonismos, e em seguida 'tratam' essa experiência e sua cultura (as duas outras expressões excluídas pela prática teórica) das mais complexas maneiras (sim, 'relativamente autônomas') e em seguida (muitas vezes, mas nem sempre, através das estruturas de classe resultantes) agem, por sua vez, sobre sua situação determinada (THOMPSON, 1981, p. 182) Quando falamos de poder na gestão pública fica mais evidente, pois o controle social é a imposição de uma autoridade muitas vezes não alcançada, prevalecendo a coação para com os indivíduos. Tudo faz parte do sistema e essa conduta reflete na sociedade. Por sistema, segundo Eribon compreende-se: um conjunto de relações que se mantêm, se transformam, independentemente das coisas que os ligam. Foi possível provar, por exemplo, que os mitos romanos, escandinavos, célticos mostravam deuses e heróis muito diferentes uns dos outros, mas que a organização que os ligava (e essas culturas se ignoravam mutuamente), suas hierarquias, suas rivalidades, suas traições, seus contratos, suas aventuras obedeciam a um sistema único ( ERIBON,1996, p.141). 12UNIDADE 1 O QUE É ESTADO? Weber define três tipos importantes de dominação: Carismática: quando a liderança se dá em virtude das qualidades pessoais do indivíduo, transmitindo aos liderados a imagem de herói ou profeta. Ela “apoia- se na autoridade não racionalmente nem tradicionalmente fundamentada de personalidades concretas” Tradicional: quando o líder domina pelo fato de possuir um direito que foi adquirido ou herdado. A posição autoritária pessoal deste tem em comum com a dominação burocrática, pois está a serviço de finalidades objetivas, a continuidade de sua existência, o “caráter cotidiano”. Racional-legal: como em uma burocracia, essa dominação se dá através de leis, regras, regulamentações e procedimentos que validam o poder. Este poder, por sua vez, é consentido entre os líderes (WEBER, 1999, p. 23). O poder é um instrumento de mudança e depende muito de quem o detém. Assim, a conduta ética para fazer uso é essencial. O poder não pode corromper a pessoa, para que não seja uma arma em suas mãos, que impõe a destruição de si mesma e dos que estão ao seu redor. DIFERENTES TIPOS DE ESTADO AO LONGO DA HISTÓRIA3 TÓPICO 13 3.1 Estado Absolutista Foi com o Absolutismo que apareceu o Estado moderno. Estava caracterizado pela unidade territorial e pela concentração do poder na figura do Rei ou Imperador. Esse tipo de Estado predominou na Europa dos séculos XVI ao século XVIII. Tem como sua principal característica o fundamento da centralização do poder e o controle das atividades econô- micas, bem como da justiça e o comando das forças armadas. Um dos melhores exemplos sobre essa realidade encontramos na figura do Rei Luís XIV denominado o “Rei Sol” onde o próprio afirma “L’état c’est moi” (O Estado sou eu!”). O Absolutismo tem como seu principal pensador Thomas Hobbes. Ele faz uma série de considerações sobre a essência do Estado, afirmava que o homem, por sua natureza egoísta, sempre iria colocar os seus interesses à frente dos outros. Esse conceito foi elaborado a partir das observações e estudos feitos por Hobbes das atitudes dos homens e assim a denominou de “estado de natureza” onde o mais forte oprime o mais fraco, “O homem é o lobo do homem”. Para Hobbes o estado de natureza é um estado de todos contra todos o que parece que sempre estamos em guerra uns com os outros. Nessa acepção a função do Estado se- ria a de apaziguar os ânimos e procurar a justiça para todos, assegurando a paz. Para que isso acontecesse cada indivíduo deveria dilatar parte de seus direitos naturais sobre todas as coisas para o Estado formulando, assim, um “contrato social” para um único soberano ou assembleia que estivesse acima de todos. UNIDADE 1 O QUE É ESTADO? 14UNIDADE 1 O QUE É ESTADO? 3.2 Estado Liberal Foi com a Revolução Francesa que o Estado Liberal teve sua inspiração através da burguesia que defendia o lema “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”. Foram esses princípios que moveram a sociedade burguesa contra o Absolutismo no final do século XVI e início do século XVII. O estado Liberal tem como os seus principais fundamentos a soberania da população e a representação política dando origem ao lema “o poder é do povo”. John Lock (1689-1755) discordava de Hobbes em relação à natureza humana e ao absolutismo. Escreve suas ideias pautando que os homens devem ser livres e responsá- veis pelas suas ações e ter o direito à propriedade e a sua defesa, bem como também a obrigação de defender o Estado. Mas é com Montesquieu (1689-1755) que o Estado tem uma grande evolução. Montesquieu elaborou as ideias de divisão dos poderes do Estado, e, Executivo. Legislativo e Judiciário, ideia essa que permanece até hoje nos países de- mocráticos. Todo esse estudo está pautado na ideia de contestar os poderes absolutistas onde a concentração de poderes e o mando estava nas mãos de um soberano. Em relação à economia, a principal crítica ao Absolutismo estava na interferência do Estado na economia, para as classes burguesas o Estado deveria agir como um “guar- dião da ordem” zelando para manter a conservação e a segurança da propriedade privada. Dessa forma, estabelecia-se a separação entre os domínios públicos, ou seja, tudo aquilo que eram de importância comum e, portanto, apto à interferência do Estado do privado, que se diz excepcionalmente aos indivíduos não incumbindo, assim, a interferência do Estado. Adam Smith (1723-1790) considerado o pai do liberalismoeconômico nos traz uma grande contribuição em relação à condução do estado Liberal. Com o lema “Laissez-faire, laissez-passer” (deixai fazer, deixar passar) que proclama a visão de que as atividades econômicas se autorregulam por meio da oferta e da procura do mercado e, portanto, não deveria ser controlada pelo Estado. O liberalismo não prega uma política anti estatal. Confere ao Estado o papel de garantir a segurança pública e proteger a propriedade privada. Entretanto, esse modelo de estado liberal causou exaltada concorrência entre as empresas, atrapalhando o desenvolvimento dos pequenos empreendedores e levando o capital nas mãos de poucos. Esse panorama avivou a demanda popular a necessitar de benefícios sociais, principalmente após os períodos de guerras ocasionadas justamente pela disputa de mercados consumidores pelas grandes nações. Passando por grandes crises econômicas, esse modelo de Estado começou a ser examinado, repensado e reestruturado no final do século XIX. 15UNIDADE 1 O QUE É ESTADO? 3.3 Estado Socialista É no socialismo que o Estado Liberal enfrenta a sua maior oposição e reação. Questionando as bases materiais da sociedade, ou seja, a divisão em duas classes sociais principais: a burguesia e a classe trabalhadora, assim, o socialismo tem como proposta uma profunda alteração nas condições de produção e assimilação da riqueza produzida pela sociedade. O primeiro Estado socialista surgiu com a revolução Russa de 1917. Essa revolução teve como base e inspiração as teorias de Karl Marx e Friedrich Engels. Naquele contexto e em condições favoráveis para sua instalação em virtude da má administração Czarista, a revolução derrubou o governo czarista de Nicolau II. A revolução Russa teve como objetivo suplantar o capitalismo, eliminar a proprieda- de privada e socializar os meios de produção. Nesse sentido, o Estado seria o responsável para tal feito, pois versaria em organizar a sociedade e permitir a livre aparelhamento do povo. Segundo as teorias de Marx e Engels, após a superação do capitalismo e a consti- tuição de uma sociedade comunista esta necessitaria da expansão da revolução socialista para as outras nações. Entretanto, não foi isso que aconteceu, em virtude de discussões entre os líderes comunistas após a morte de Lênin. Nesse período, sobe ao poder Joseph Stalin com um modelo de Estado ditatorial que durou até os anos 50. Após a Segunda Grande Guerra Mundial o socialismo foi implantado em países do leste Europeu e em alguns países do Continente Africano bem como da Ásia, destacando a China como uma das principais nações ao aderir o socialismo. Porém ao findar os anos 80 o processo de decadência política e econômica na então URSS vêm à tona. Liderados por Gorbachev na URSS passa por um período de reestruturação e adequação frente aos desafios da nova ordem mundial. Restrito pela aliança entre a burocracia e a elite militar, e pela falta de liberdades democráticas e também sufocada pela força econômica dos países capitalistas, o país entra em crise. Acabava-se, assim, a ideia do Estado Socialista. No entanto, os referenciais de suas teorias continuam em partidos que têm como seu ideário político, a luta contra o Estado liberal. 3.4 Estados Nazistas e Fascistas Dentre os tipos de Estados destacam-se os Estados Nazista e Fascista, sendo ambos contra o Socialismo. Nesse tipo de Estado percebe-se a devoção para o Estado, ou seja, o Estado estava acima de tudo e todos, até mesmo das demais organizações públicas e privadas. Tinha suas bases voltadas para a moralidade preocupava-se com todos os campos da vida social e principalmente com a educação. Em relação à economia houve 55759 Realce 55759 Realce 16UNIDADE 1 O QUE É ESTADO? uma constante nacionalização econômica onde procurava afastar-se de grupos financeiros e industriais de outras nações. O fascismo surgiu na Itália nos primeiros anos após a Primeira Guerra Mundial, sendo liderado pelo ditador Benito Mussolini, nacionalista que tinha por base o restabeleci- mento das glórias do Antigo Império Romano com o intuito de se desenvolver o patriotismo e promover uma expansão territorial aumentando, assim, as colônias Italianas. O fascismo tinha suas características versadas de que o poder do Estado deveria estar personificado de uma figura ou um único partido político, organizado de forma hierárquica. Para o fascis- mo, a nação era uma unidade moral, política e econômica que se realizava universalmente no Estado, que desprezava o individualismo liberal e era totalmente contra o comunismo. A diferença entre o Fascismo e o Nazismo é que enquanto o fascismo não se preocupou com a questão racial e o preconceito, o Nazismo deu plena exaltação à questão racial. Consideravam-se homens de raça pura que pregavam a supremacia ariana e tinham profundos sentimentos xenófobos. A principal consequência da implantação desse Estado levou o mundo à Segunda Guerra Mundial. Mesmo depois de ser derrotado pela democra- cia pós-guerra, esse fenômeno pode ser notado no crescente fortalecimento dos partidos ultranacionalistas e de movimentos neonazistas em várias partes do mundo, inclusive aqui no Brasil. 3.5 Estado de Bem-estar-social Conhecido por Welfare State o estado de Bem-estar-social foi implantado pelos grandes economistas liberais na primeira metade do século XX. Foi com a queda da Bolsa de Valores de 1929 (Crash) que apareceu esse novo modelo de Estado. Para que houvesse a melhora da situação econômica mundial, segundo John Maynard Keynes era necessária uma política intervencionista do Estado voltada para atender aos direitos sociais básicos como saúde, educação, trabalho, transporte, previdência social e salários dignos. Foi nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha que esse modelo de Estado teve amparo. O resultado obteve um retorno econômico em que foi criada uma sociedade duradoura às crises do sistema capitalista. Segundo seus críticos se o Estado que consentisse às exigências por direitos de cidadania da classe trabalhadora produziria para a elite econômica funcionários mais preparados e empenhados. Nos anos 60 o Estado de Bem-estar-social começa a sofrer críticas em relação aos gastos públicos com a previdência originada pelo aumento do desemprego e pela recessão econômica mundial. O que se acentuou com a crise do petróleo de 1973. Mesmo sendo alvo de inúmeras críticas esse modelo de Estado ainda existe em alguns países da Europa Ocidental. 17UNIDADE 1 O QUE É ESTADO? 3.6 Estado Neoliberal Nos anos 80 os Estados Unidos da América bem como a Grã-Bretanha após um estudo complexo sobre o Estado de Bem-estar-social chegaram à conclusão de que o mesmo não estava produzindo e não era eficaz o bastante para a nova realidade mundial. Os seus principais pontos como a redução da pobreza e a distribuição de renda não estavam alcançando os seus verdadeiros objetivos. Com base nessas análises tanto os Estados Unidos como a Inglaterra sob o governo de Ronald Reagan optaram por uma reestruturação de um novo modelo de Estado. Na Inglaterra a política de Margaret Thatcher foi orientada pela desregulamentação da economia, redução de gastos públicos com a educação, habitação e previdência social, causou as privatizações das empresas estatais e uma flexibilização das leis trabalhistas. Essas mudanças produziram um impacto direto na vida de toda a população originando greves e alguns distúrbios sociais. Pelo seu enfrentamento a essas crises, Margaret Thatcher ficou conhecida como a Dama de Ferro. Acompanhando o desenrolar das mudanças realizadas na Inglaterra, o Estado Unidos na América sob o Governo de Ronald Reagan exibiu postura semelhante, não intervindo na economia, mas com uma severa redução dos gastos públicos e a redução de impostos. Essas mudanças incluíram como base o livre mercado, e a livre iniciativa, esperando, assim que a desvinculação do Estadona economia e na política induziram a prosperidade econômica. As teorias neoliberais não só ficaram nos Estados Unidos da América e na Inglaterra. Em 1989 em uma reunião com FMI (Fundo Monetário Internacional) deliberou-se que esta política deveria ser adotada pelos países em desenvolvimento em que deveriam seguir regras básicas como privatizações das estatais, flexibilização das leis trabalhistas, aumento dos investimentos estrangeiros sem restrições fiscais e redução de gastos públicos. O comprometimento com o FMI afetou as economias desses países, que ficaram sob uma forte fiscalização dos agentes econômicos que tinham nas mãos o direcionamento da aplicação dos recursos. Em 2008 com uma grave crise econômica mundial esse Modelo de Estado sofreu severas críticas. Denúncias foram feitas em que se mostrava as desigualdades sociais e as falhas do sistema financeiro para a sustentabilidade do programa. GOVERNANÇA E GOVERNABILIDADE?4 TÓPICO 18 Você já deve ter ouvido falar sobre governança e governabilidade. Embora ambas são parecidas, relativas à escrita, partindo da derivação “governo”, cada qual representa um conceito. Vamos entender o conceito e suas particularidades para que possamos aprimorar nosso conhecimento. Aliás, a Gestão pública deve aprimorar seus mecanismos para que a governança e a governabilidade por ser um Estado Democrático de Direito seja plena, sabendo ao povo exigir do governo, pois: [...] é mais do que tempo de nos emanciparmos da crença ingênua de que uma boa lei nos redimiria da tarefa de aplicá-la de forma adequada à unicidade. Como bem pontua Grindle (2004, p. 525-548):de e irrepetibilidade características das situações da vida, sempre individualizadas e concretas (CARVALHO NETTO; SCOTTI, 2011, p. 134). Governança é a capacidade de implementar, de forma eficiente, reduzindo custos, eficaz, alcançando os objetivos e metas e efetivamente beneficiando a sociedade, consoli- dando as políticas públicas. Pois a governança está atrelada à capacidade de administrar. Como bem pontua Grindle (2004, p. 525-548): [...] governança consiste em: distribuição de poder entre instituições de governo; a legitimidade e autoridade dessas instituições; as regras e normas que determinam quem detém poder e como são tomadas as decisões sobre o exercício da autoridade; relações de responsabilização entre representantes, cidadãos e agências do Estado; habilidade do governo em fazer políticas, gerir os assuntos administrativos e fiscais do Estado, e prover bens e serviços; e impacto das instituições e políticas sobre o bem- -estar público. UNIDADE 1 O QUE É ESTADO? 19UNIDADE 1 O QUE É ESTADO? Governabilidade é a capacidade de tomada de decisões, representando os interes- ses da sociedade de forma legítima. Se tivermos na figura de nossos representantes sejam eles presidente, prefeitos, vereadores entre outros, se a sociedade não vê representada por eles. Podemos dizer que estamos carecendo de governabilidade. Segundo Bobbio et al: [...] a não governabilidade é produto de uma sobrecarga de problemas aos quais o Estado responde com a expansão de seus serviços e da sua interven- ção, até o momento em que, inevitavelmente surge uma crise fiscal. Não há governabilidade, portanto, é igual a crise fiscal do Estado (1995, p.15). Para Santos: A governabilidade refere-se às condições políticas, a capacidade e legitimidade que um governo tem, isto é, está vinculada a ação do governo em si, de “governar”. É equivalente à dimensão político-estatal no que concerne a “[...] condições sistêmicas e institucionais sob as quais se dá o exercício do poder, tais como as características do sistema político, a forma de governo, as relações entre os Poderes, o sistema de intermediação de interesses” (SANTOS,1997, p.342) Portanto, podemos afirmar que o Brasil precisa de governança e governabilidade. Podemos exemplificar com construções que no Brasil custa 3 a 4 vezes mais que em outros países e nunca ficam prontos. Construções que dizem ser para beneficiar a sociedade, mas não é real, é notório como a sociedade necessita de empreendimentos em todas as áreas. O Brasil é ineficiente em grande parte de suas ações governamentais. Quando falamos de Gestão Pública, sabemos que há divergências de acordo com pontos de vista, com relação à administração. Mas o que precisa sempre prevalecer é o foco na coletividade, no bem comum. [...] a configuração dos modelos de gestão pública é influenciada pelo momento histórico e pela cultura política que caracterizam uma determinada época do país. Assim, a evolução, o aperfeiçoamento e a transformação dos modelos de gestão das organizações se desenvolvem a partir de pressões políticas, sociais e econômicas existentes e que se traduzem em diferentes movimentos reformistas empreendidos pelos governos que buscam um alinhamento com as demandas sociais internas e externas (FIATES, 2007, p. 92). É necessário a compreensão que o Estado Democrático de Direito só será efetivo quando o Estado tiver ciência de sua responsabilidade. Da mesma forma, a Administração Pública, o Gestor Público. Tudo o que se refere ao interesse público, para que a ética, moral e lei sejam de fatos considerados elementares. 20UNIDADE 1 O QUE É ESTADO? Um termo mais atual é utilizado além de governança e governabilidade. Accountability. ARAÚJO, V. de C. A conceituação de governabilidade e governança, da sua relação entre si e com o conjunto da reforma do Estado e do seu aparelho. Brasília: ENAP, 2002. Você já ouviu essa denominação? Sabe do que se trata? Bem, vamos compreender melhor sobre isso. É um processo de responsabilização do servidor público perante à sociedade. Ou seja, se você faz um concurso público é porque almeja o cargo escolhido. Assim precisa ter responsabilidade, execução adequada do trabalho. Ter transparência e prestar contas para a sociedade. Qual o instrumento que permite ao cidadão exercer seus direitos de fazer o controle social: accountability. Segundo Araújo: Accountability é um conceito novo na terminologia ligada à reforma do Estado no Brasil, mas já bastante difundido na literatura internacional, em geral pelos autores de língua inglesa. Não existe uma tradução literal para o português, sendo a mais próxima “a capacidade de prestar contas” ou “uma capacidade de se fazer transparente”. Entretanto, aqui nos importa mais o significado que está ligado, segundo Frederich Mosher, à responsabilidade objetiva ou obrigação de responder por algo ou à transparência nas ações públicas (2002, p. 17). Assim, compreendemos que a transparência na gestão pública é algo imprescindível, assim como a importância de o Gestor Público ter o discernimento que tudo que ele faz é para o povo. Ele precisa do povo, das pessoas que depositaram confiança por meio do voto. Cabendo a ele a ética para saber governar. Não é possível governar se não houver governabilidade! Sabe por quê? Governança é a capacidade de administrar e governabilidade é a capacidade de dar ordens. Se o povo não se sente representado, não seguirá as ordens. Causando um caos político, que gera uma ineficiência nessa esfera, com consequências imprevisíveis nas áreas sociais, econômicas entre outras. 21UNIDADE 1 O QUE É ESTADO? A luta pelo estabelecimento de uma forma de dominação legítima – isto é, de definições de conteúdos considerados válidos pelos participantes das relações sociais – marca a evolução de cada uma das esferas da vida social em particular e define o conteúdo das relações sociais no seu interior. As atitudes subjetivas de cada indivíduo passam a orientar-se pela crença numa ordem legítima, a qual acaba por corresponder ao interesse e vontade do dominante. Desse ponto de vista, o que mantém a coesão social, o que garante a permanência das relações sociais e a existência da própria sociedade é a dominação. Fonte: BARBOSA; OLIVEIRA; QUINTERO, 2003, p. 130-31 [...]só um parlamento ativo e não um parlamento onde apenas se pronunciam arengas pode proporcionar o terreno para o crescimento e ascensão seletiva de líderes genuínos, e não meros talentos demagógicos. Um parlamento ativo, entretanto, é um parlamento que supervisiona a administração participando continuamente do trabalho desta (WEBER, 1974, p. 44). 22 CONSIDERAÇÕES FINAIS Compreendemos que o poder é algo desejado por muitos, mas nem todos têm a capacidade de utilizá-lo. Pois no contexto sociológico e político, muitas vezes, o poder muda as pessoas de forma a causar ineficiência em suas ações. O poder precisa ser conquistado, por intermédio de uma boa governança, governabilidade e accountability. Poder em gestão pública, em uma sociedade carente de manutenção, precisa ser alicerçada pela execução de ações que são voltadas para a sociedade, revertendo a demanda de dinheiro público, para saneamento básico, saúde, educação, esporte e lazer, setores que contribuem para a qualidade de vida dos contribuintes. Garantindo a legitimidade de escolha, assim os eleitores apoiam seus representantes, pois aprendemos de forma muito superficial, sobre o que é cidadania em nossa idade escolar e aprendemos na prática, quando precisamos enfrentar as mazelas sociais, com as quais nos deparamos com a realidade tão massificante. Assim podemos concluir sobre a importância do Estado, pois com seu fortalecimento estrutura, mantém a soberania do povo. O Estado é um conjunto de organizações de fins políticos e administrativos que tem o propósito de organizar para administrar sua comunidade específica de suas delimitações territoriais. Para que o estado tenha força, é necessário poder, pessoas e o espaço para governar. Como aprendemos existem, vários tipos de estados e cada qual proveniente do momento histórico necessário, então não podemos julgar com a mentalidade que temos na atualidade. Mas é visto o amadurecimento intelectual que proporcionou o crescimento e desenvolvimento, deste contexto tão significativo para o país. É muito relevante aprender com cada tipo de Estado, pois, oferece as características positivas e também contribuições não assertivas que servem como aprendizado para que não cometamos os mesmos equívocos, mesmo que não controlamos o Estado, temos conhecimento para não sermos controlados por ele. UNIDADE 1 O QUE É ESTADO? 23 LEITURA COMPLEMENTAR Este artigo, com a temática Governança. Governabilidade, Accountability e Gestão Pública: Critérios de Conceituação e aferição de requisitos de legitimidade foi produzido por Paula Ribczuk e Arthur Ramos do Nascimento e expõe em seu resumo o que pretende evidenciar: Resumo: O presente trabalho busca refletir sobre a importância da observância da governança, da governabilidade, da accountability e da gestão pública para a efetivação do Estado Democrático de Direito, previsto na Constituição Federal de 1988. Para tanto, se faz necessário discorrer sobre a boa governança, sobre a legitimidade do Estado para governar, ou seja, governabilidade, assim como sobre accountability e gestão pública diante da atual conformação do Estado federativo brasileiro. Por fim, são apontados mecanismos para a efetivação da boa governança, da governabilidade, da accountability e da gestão pública, atestando que na atual conjectura do Estado nacional o administrador público deve responder por todos seus atos, o que comprova a necessidade da judicialização das políticas públicas para a obtenção do bem comum. Fonte: RIBCZUK, Paula; DO NASCIMENTO, Arthur Ramos. Governança, Governabilidade, Accountability e Gestão Pública: Critérios de Conceituação e Aferição de Requisitos de Legitimida- de. Revista Direito Mackenzie, São Paulo, v. 9, n. 2, p. 218-237. Disponível em: http://www.mpsp. mp.br/portal/page/portal/documentacao_e_divulgacao/doc_biblioteca/bibli_servicos_produtos/ bibli_informativo/bibli_inf_2006/Rev-Dir-Mackenzie_v.09_n.02.12.pdf. Acesso em: 02 nov. 2021. UNIDADE 1 O QUE É ESTADO? 24 MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Estado, Governo e Sociedade: Fragmentos de um Dicio- nário Político Autor: Norberto Bobbio Editora: Paz e Terra Sinopse: O livro reflete sobre a crise atual mais sem dogmatismos, visto de uma forma real, apontando formas de governo e Estado e demonstra as possibilidades de reorganizar as bases de convivência social por intermédio de reformas do Estado e da própria política. FILME/VÍDEO Título: O Lobo de Wall Street Ano: 2014 Sinopse: Um homem busca de forma correta cumprir seu pa- pel, trabalha de forma exaustiva e pouco ganho, com a queda na bolsa de valores, a crise o impõe o desemprego. Em meio ao caos ele se reencontra com uma oportunidade de ganhar muito dinheiro e de extremo poder, mudando sua vida radicalmente. UNIDADE 1 O QUE É ESTADO? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos • Breve histórico do Estado Brasileiro e sua trajetória; • A crise do Estado desenvolvimentista e Formação de Políticas; • O Estado brasileiro após Constituição de 1988: as relações entre o Estado e Sociedade Civil; • O estado contemporâneo e suas transformações: novos paradigmas de políticas públicas. Objetivos da Aprendizagem • Conceituar e contextualizar o histórico do estado brasileiro; • Destacar a crise do Estado e as influências para a formação de Políticas; • Conhecer a Constituição e as relevância entre Estado e Sociedade Civil; • Compreender o estado contemporâneo e avanços nas políticas públicas. Professor Mestre Jorge Alberto de Figueiredo NOÇÃO DE ESTADO NOÇÃO DE ESTADO NO BRASIL NO BRASIL 2UNIDADEUNIDADE INTRODUÇÃO 26UNIDADE 2 NOÇÃO DE ESTADO NO BRASIL Caro(a) aluno(a)! Na Unidade anterior aprendemos o que era Estado, os tipos de estados, o conceito de poder e entendemos sobre governança e governabilidade. Aprendizagem é sempre muito significativa, ao passo que aprendemos um pouco, temos anseios de mais conhecimento. Isso é fundamental para quem tem o interesse de melhorar enquanto cidadão. Para prosseguirmos e aprimorar nossos conceitos, nessa unidade II, daremos continuidade estudando sobre o Estado Brasileiro e sua trajetória, a crise do Estado desenvolvimentista e a formação de Políticas, o Estado brasileiro após a Constituição de 1988, destacando a relação de poder entre estado e Sociedade Civil e o Estado contemporâneo e suas transformações: novos paradigmas de políticas públicas. Todos esses conteúdos têm o objetivo de conceituar e contextualizar o histórico do Estado brasileiro, destacar a crise do Estado e as influências para a formação de políticas, conhecer a Constituição e as relevância entre Estado e Sociedade Civil, compreender o Estado contemporâneo e avanços nas políticas públicas. Você concorda com que muitos dizem que política não se discute? Se essa também for seu conceito, peço que reflita! A política está em tudo o que fazemos, e se não apren- dermos sobre ela e tudo que está entrelaçado nela como sociedade civil, constituição tão importante, por conter nossos direitos e deveres, Estado e políticas públicas. Ficaremos a mercê de um sistema que poderá controlarnosso cotidiano, pois, não teremos argumentos para contrapor a nossa liberdade de expressão. Ao final de nossos estudos a necessidade de sentir pertencente ao meio no qual estamos inseridos, sermos mais atuantes e de fato fiscalizar nossos representantes, será para você uma prática comum vinculada à participação cidadã na sociedade. 27 BREVE HISTÓRICO DO ESTADO BRASILEIRO E SUA TRAJETÓRIA1 TÓPICO UNIDADE 2 NOÇÃO DE ESTADO NO BRASIL Para que se possa entender a formação do Estado Brasileiro é importante fazer um resgate histórico sobre o contexto das grandes navegações e a formação das colônias ultramarinas europeias nas Américas também conhecida como novíssimo mundo. A formação do Estado do Brasil teve início com a exploração comercial do período Colonial, o Ciclo do pau-brasil (1500), o Ciclo da Cana de Açúcar (1532-1700) e o Ciclo do Ouro (1700-1803). O período Colonial brasileiro que foi de 1500 a 1822 foi marcado pela exploração das riquezas naturais, Portugal como sendo a metrópole da colônia do Brasil não tinha interesse em construir aqui uma sociedade política organizada. Nesse período, o Brasil era composto de vários núcleos privados e independentes sendo que cada núcleo tinha suas leis e a sua própria vida econômica. Dividido em partes ou facções e não existia, assim, um sentimento de coletividade o que se pode afirmar uma atrofia em favor da metrópole. Desenvolvia-se nesses núcleos um sentimento de individualidade com certa natureza anarquista sem identificação com a política da coroa portuguesa, notando-se, então, que tal sentimento não passava de abstrações. Em sua obra “Populações Meridionais do Brasil” do autor Oliveira Viana fica evidente que essa atitude impossibilitava a formação de uma sociedade moderna no Brasil. Segundo o autor, para tal constituição seria necessário um Estado forte com poder centralizado e com capacidade de gerar um sentimento de pertencimento público e acabar com os vínculos privados. Observamos a preocupação de Sérgio Buarque de Holanda autor dá "O Homem cordial” entender as atitudes da sociedade e do Estado no período colonial. O autor de- 28UNIDADE 2 NOÇÃO DE ESTADO NO BRASIL monstra pelos seus escritos que o principal motivo era a preocupação em sobrepor as afinidades familiares e pessoais acima dos interesses públicos. Assim, realça o autor que essa herança do período colonial predomina até os dias atuais em que, ainda se encontra núcleos com dificuldades de exercer os ritos sociais que são rigidamente formais e não pessoais de separar a partir de um raciocínio lógico o que é público e o que é privado. No período Imperial, com o fim do período Colonial em 1822 com a proclamação da Independência, aconteceu uma adaptação das estruturas do Estado português em relação ao Brasil. Ocorre um reforço das relações existentes, agora, entre o Estado do Brasil e Portugal. Surge um novo relacionamento entre a sociedade civil e o Estado em que o ascende do sentimento público racional em relação ao sentimento privado. No primeiro período Imperial sobre a regência de Pedro I, o Brasil obtém a sua primeira Constituição, o que é considerado um avanço significativo para a formatação de um Estado forte e soberano. Embora essa primeira constituição outorga plenos poderes ao Imperador, dando uma nuance à ditadura Absolutista, encontrou-se uma solução, acrescentado o Poder moderador, juntamente com os outros poderes. Era uma constituição com características liberais, em virtude das ideias vindas dos países europeus, porém sem afetar o cotidiano da nação imperial brasileira, em virtude de que, grande parte da população brasileira estava excluída da primeira Carta Magna. A nova cidadania recém-constituída não abrangia a todos, é importante lembrar que nesse período o Brasil era um país escravagista. Surge, então, a ideia da República e o movimento republicano agilizou setores progressistas da sociedade urbana no final do segundo reinado sob a regência de Pedro II. Tinha como ideias a representação política efetiva de todos os cidadãos, a divisão das províncias transformando-as em unidades federativas, a garantia de direitos individuais e o fim da escravidão. A luta foi intensa, pois havia partidários do império que desejavam manter-se no poder e garantir as oligarquias e os seus títulos de barões. Influenciados pelo movimento positivista, os militares aderiram à causa dos republicanos com o apoio das províncias do sudeste brasileiro. A proclamação da República acontece no idos de 1889, porém o preço para que a república ou esse novo modelo de Estado fosse implantado assim como na Independência camadas da população ficaram fora da Carta Magna Republicana. Os primeiros anos da República também conhecida por República Velha foram distintos pela continuidade das particularidades sociais e políticas contidas na primeira constituição do Brasil após a independência. Surge nesse período o Coronelismo que é qualificado pelo poder público fortalecido que prefere a manutenção dos antigos chefes locais com poderes na esfera privativa. Era uma política de caráter individualista mostrando 55759 Realce 29UNIDADE 2 NOÇÃO DE ESTADO NO BRASIL o poder das oligarquias acima do poder público visto que os Coronéis nunca entravam em conflito com a esfera do Estado. Essa política foi marcada pelo “voto de cabresto” com a intenção de manter sempre os mesmos chefes no poder. O Brasil, neste período, era dependente da agricultura principalmente da cultura do café, uma herança do baronato imperial. Sendo um país extremamente agrário sem incentivos à industrialização, a maioria das pessoas que viviam nas áreas rurais sofria pelo estado de pobreza e os mandos e desmandos políticos o analfabetismo era altíssimo, colocando o camponês em estado de subserviência, sendo que o servo da Europa feudal ainda tinha muito mais direitos do que esses recém-cidadãos do Brasil república. A República Velha implantou o regime presidencialista de governo, o presidente e o seu vice eram eleitos em eleições diretas, com a maioria absoluta dos votos. Caso isso não ocorresse, o Congresso formado por deputados nas suas maiores, sob as ordens das oligarquias ou partidários dos concorrentes à eleição escolhia entre os dois candidatos vo- tados nas urnas. Mais do que promulgar as preferências dos eleitores, as eleições também serviam para validar o controle do governo pelas elites políticas. Era uma eleição dirigida, em que, apenas homens com idade superior a 21 anos podiam votar, as mulheres e os analfabetos não participaram do pleito eleitoral. Com o fim da República Velha marcada pela Revolução de 1930, Getúlio Vargas torna-se presidente do Brasil em um período conturbado e marcado por grandes conflitos, também conhecido como a Era Vargas. A sua própria ascensão ao poder é marcada por um período revolucionário em que a sociedade brasileira clama pela mudança da ordem social. Desde o princípio de seu mandato, Getúlio Vargas fez transparecer que seu governo se aproximava de uma ditadura. Em 1932 a Revolução Constitucionalista enlaçou o imaginário popular dando uma nova forma nas campanhas políticas graças ao rádio e aos jornais, foi um movimento idealizado pelos produtores de café, ou seja, as velhas oligarquias que queriam se manter no poder político das elites brasileiras. Assim descreve Ianni: [...] O forte comprometimento do Estado com o capital implica a expansão do Poder Executivo, em detrimento do legislativo. Em um país de tradição política autoritária, no qual predominam o pensamento e a prática que privilegiam a missão “civilizatória” do Estado na sociedade, o alargamento do poder econômico do Estado implica a expansão do Executivo; implica o alargamento do poder político e cultural do Executivo. Tanto assim que o Estado se transforma em um poderoso agente da indústria cultural, por suas implicações não só econômicas, mas tambémpolíticas e culturais [...] à medida que se alarga o poder estatal, redefine-se e modifica-se a relação do Estado com a sociedade compreendendo as diversidades e as desigualdades sociais, econômicas e outras. Na prática dissocia-se o poder estatal de amplos setores da sociedade civil. Operários, camponeses, empregados, funcionários e outros, compreendendo negros mulatos, caboclos, imigrantes e outros, sentem-se deslocados, não representados, alienados do poder. [...] (IANNI OCTAVIO, 1989, p. 259-60). 55759 Realce 55759 Realce 55759 Realce 30UNIDADE 2 NOÇÃO DE ESTADO NO BRASIL Getúlio Vargas percebendo as intenções desse setor flexibilizou a sua política abafando, assim, a revolução e propiciou o surgimento da terceira constituição brasileira em que foi promulgada em 1934. Porém, mesmo acalmando os setores que amparam a Revolução Constitucionalista, Vargas enfrentou as investidas do Socialismo obrigando-o, mais tarde, através de um golpe de estado implantar o Estado Novo com uma nova Constituição em 1937. O período de Governo de Getúlio Vargas foi de 1930 até 1945 também conhecidos como Ditadura Vargas, em que somente foi deposto em virtude de uma nova ordem política Mundial contra qualquer regime ditatorial pós- Segunda Guerra. Entende-se por Democracia Populista o período que pôs Getúlio Vargas em que foi promulgada a Constituição de 1946. Esse período foi engendrado por Estado influenciado pelos ideais democráticos promovidos pela vitória dos aliados na Segunda Guerra Mundial. Entretanto não foi assim como parece, pois, nesse período a nova ordem mundial se fez presente nas formas de Estado, embora o Brasil passasse por período de crescimento com o Governo de Juscelino Kubitschek, o Brasil nunca chegou ou conheceu um verdadeiro Es- tado de bem-estar social, em virtude de que esta experiência democrática ficou nas mãos dos partidos políticos. Na constituição de 1946 algumas mudanças significativas ocorreram, mas ainda não era o ideal. Foram mantidos os direitos sociais e a garantia dos direitos civis e políticos. Esse período vai de 1946 até o ano de 1964 quando os militares entraram no poder. 55759 Realce 55759 Realce 31 A CRISE DO ESTADO DESENVOLVIMENTISTA E FORMAÇÃO DE POLÍTICAS2 TÓPICO UNIDADE 2 NOÇÃO DE ESTADO NO BRASIL Com o Estado Novo na era Vargas é elaborada uma nova Constituição para o Estado Brasil. Essa Constituição estava sob o caráter do autoritarismo de Vargas, tendo como meta a modernização do Estado inserindo uma nova ordem social e econômica inspi- rada no nacional-desenvolvimentismo. Tendo como líder, o próprio Getúlio Vargas procura atender às reivindicações da classe trabalhadora, regulamentando a jornada de trabalho bem como o lançamento da carteira de trabalho e a criação da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). Com essa política de apaziguamento, mas com o controle total do estado e Getúlio conquista a simpatia da classe trabalhadora e da burguesia industrial. Essa nova forma de governar criou um acordo entre o Governo e as elites urbanas para dar início a industrialização do Brasil. O Estado foi o principal agente investidor da ação, e a visão implantada por Vargas permaneceu pelos anos seguintes, chegando até os dias atuais. Foi nesse período que Vargas recebeu o apelido de “a mãe dos pobres e o pai dos ricos”, apelido que, segundo consta em suas biografias, o agradava muito. Como foi exposto em parágrafo anterior com a instauração do Estado Novo, foi imposta ao país nova Carta Magna, a Constituição de 1937, com um estilo autoritário, centralizador e antidemocrático, o novo regime político no Brasil tornou-se inequívoco. Foram suprimidos os direitos políticos e extinguiu o poder legislativo, ficando apenas o poder executivo com o exercício das suas funções. Os partidos políticos foram invalidados, as greves proibidas e houve censura aos meios de comunicação, com a criação do DIP (Departamento de Impressa e Propaganda) essa atitude tornou-se rotineiras que facilitou 32UNIDADE 2 NOÇÃO DE ESTADO NO BRASIL as probabilidades de contenção ao regime Vargas o que não oscilou em valer-se da ameaça e da tortura contra os seus opositores. Assim como bem assinalou José Murilo de Carvalho: [...] a expansão dos direitos sociais não decorreu do exercício dos direitos civis e políticos, como no caso inglês, uma vez que se tratou de uma legislação introduzida em ambiente de baixa ou nula participação política e de precária vigência dos direitos civis. Esse pecado de origem e a maneira como foram distribuídos os benefícios sociais tornaram duvidosa sua definição como conquista democrática e comprometeram em parte sua contribuição para o desenvolvimento de uma cidadania ativa [...] (CARVALHO, 2001, p. 110). É importante recordar que nesse contexto, a ação do regime Vargas em relação à área social foi escoltada por um projeto político ideológico com bases na ética do trabalho bem-sucedido com a intencionalidade de aproximar os assalariados e Estado na figura emblemática de Getúlio Vargas. Mediante todas as atitudes dos governantes do Brasil desde o Império e a República Velha, e com o Estado Novo sob a conduta de Getúlio Vargas que o Estado do Brasil obteve progressos que até o presente momento são de grande valor. Embora o Governo de Vargas seja julgado por muitos como ditatorial, em tese não deixa de ser uma verdade, e agora deixando de lado esse aspecto obscuro do seu caráter, é nas conquistas sociais que podemos, então, equilibrar as ações do Estado Novo. Getúlio Vargas sem dúvida e assim podemos afirmar que é o construtor do moderno Estado brasileiro. Foi o transformador de uma economia agrária exportadora (a monocultura cafeeira) voltada para fora em outra voltada para dentro. Criou instituições que contribuíram para o desenvolvimento econômico e social do Brasil. A CLT ainda é a estrutura geral da regulamentação das leis trabalhistas sem mencionar a criação do salário mínimo e da carteira de trabalho. Ampliou o crédito agrícola via projetos do Governo Federal como também dos Governos Estaduais, instalou as carteiras de crédito do Banco do Brasil e criou o BNDES, que ainda financia boa parte dos investimentos na indústria e na infraestrutura do Estado Brasileiro. 33 O ESTADO BRASILEIRO APÓS A CONSTITUIÇÃO DE 1988: AS RELAÇÕES ENTRE ESTADO E SOCIEDADE CIVIL 3 TÓPICO UNIDADE 2 NOÇÃO DE ESTADO NO BRASIL Com a aprovação da lei da Anistia em 1979 começa acontecer a tão esperada abertura política, chegando ao fim o período histórico denominado de Ditadura Militar de 1964 a 1985. O Estado Brasileiro ingressou em uma nova etapa democrática, determinando as bases para o início de uma concepção democrática, com a promulgação da Constituição de 1988. Nessa nova Carta Magna, os limites institucionais e as manifestações populares se faziam presentes naquele contexto transitório. Esses movimentos cooperaram para a arrumação do novo regime democrático, com eleições regulares, pluralidades partidárias, liberdade de expressão e igualdade jurídi- ca. O povo foi às ruas, começou a sair de uma letargia e passou a ver a realidade do estado Brasileiro e da ordem pública. Como observa Marcos Napolitano: [...] Havia vários projetos que propunham uma saída para o governo autoritário que o Brasil vivenciava. Os liberais, mais moderados, defendiam a liberdade de expressão e de organização partidária, o fim da censura e o respeito aos direitos civis. As esquerdas, divididas entre comunistas de diversos matizes, petistas e trabalhistas [...], [...] queriam isso e algo mais. Para eles, a democracia deveria colocar na pauta os direitos sociais dos trabalhadores, sua participação efetiva nas decisões políticas e a busca de uma divisão de renda mais justa [...] (NAPOLITANO, 2015, p. 35). Nos anos 90, o Estado Brasileiro passou por uma provação muito grande, em que mexeu com toda a nação o impeachment do presidenteFernando Collor de Mello, um drama nacional, pois Fernando Collor tinha sido o primeiro presidente eleito após a ditadura. Acusado de corrupção, o ex-presidente perdeu o apoio da maioria do Congresso e dos 34UNIDADE 2 NOÇÃO DE ESTADO NO BRASIL empresários. O povo se manifestou nas ruas principalmente através dos estudantes que ficaram marcados pelo contingente dos “caras pintadas''. Coagido e vendo que seu Governo não tinha condições de governabilidade, e com o temor de sua cassação o Presidente renuncia ao cargo no dia 29/12/1992. Após a sua renúncia o Vice-presidente assume o cargo. Itamar Franco imediata- mente acirrou os ânimos colocando ordem e conseguiu através do plano Real estabilizar a economia do Brasil. Seu Governo foi de pouca duração, visto que não pretendia a reelei- ção. Nas eleições de 1994 Fernando Henrique Cardoso é eleito presidente do Brasil. Seu governo, porém, não foi como desejava a sociedade, com tendências neoliberais continuou com a política de privatizações e de regulamentação dos gastos públicos. Segue a cartilha imposta pelo FMI e do Banco Mundial com o intuito de atingir um superávit primário. Mesmo o Estado do Brasil tendo uma estabilidade econômica produzida pelo plano real, implantado no Governo anterior, as políticas neoliberais feitas pelo Governo de FHC sofreram severas críticas da oposição. A crise no Governo FHC se agravou com as redu- ções das atividades econômicas e o desemprego, juntamente com o aparecimento de uma crise energética. A recessão internacional ajudou a desgastar mais o governo, vindo este a sofrer uma derrota eleitoral nas eleições de 2002. Eleito em 2002 Luiz Inácio Lula da Silva com uma liderança carismática e com promessas de crescimento nacional torna-se o primeiro Presidente do Brasil vindo das camadas mais baixas, faz história pela sua luta na Ditadura e pela sua origem humilde nordestina, criando, assim, o misto de semi-herói vencedor das adversidades da vida. Tem como meta política abrandar a política neoliberal do governo anterior. Cria programas so- ciais de redistribuição de renda como os programas “vale gás, Bolsa Alimentação e Bolsa família”. Deu ênfase ao mercado interno e consolidou os fundamentos macroeconômicos do Brasil. Com esses programas altruístas sua imagem no exterior ficou bem difundida. O Governo Lula foi de 2003 a 2007, disputando a reeleição, sendo vencedor do pleito, ficando com um novo mandato de 2007 a 2010. Como em todo Governo, existem os pontos negativos. E com o Governo Lula não se fez diferente sendo marcado por episódios de corrupção e clientelismo. A prática do clientelismo limita a transparência pública e coloca em risco os fundamentos do Estado democrático de Direito. A maior superação do Estado é acabar com essa ação em que poucos são muito privilegiados, e a maioria é prejudicada. Os programas de iniciativas socioeconômicas realizadas no governo Lula facilita- ram as disputas eleitorais de 2010, quando se saiu vencedora a ex-ministra da Casa Civil, do Governo Lula, a senhora Dilma Rousseff, como sendo a primeira mulher Presidenta do Brasil. As mudanças a serem realizadas no Brasil, para que este se tornasse um país mais justo e democrático é uma responsabilidade de todos aqueles que sonham, lutam e acreditam num país melhor para todos. 35 O ESTADO CONTEMPORÂNEO E SUAS TRANSFORMAÇÕES: NOVOS PARADIGMAS DE POLÍTICAS PÚBLICAS 4 TÓPICO UNIDADE 2 NOÇÃO DE ESTADO NO BRASIL Quando pensamos em Estado Contemporâneo, muitas vezes não relembramos a trajetória percorrida para a sua formação. Parece-nos que tudo está pronto ou que simplesmente surgiu do nada e que apenas temos que viver conforme as normas da sociedade contemporânea que tudo o que ocorre em relação ao Estado é “normal”. Essa ideia já concebida ou pré-formada surge com o fenômeno da Globalização sendo um dos paradigmas das políticas públicas existentes no Estado Contemporâneo. A Globalização é desenvolvida por vários aspectos que são exprimidas por nomes como: compressão espaço-temporal; interdependência econômica; impressão de encurtamento das distâncias; integração global; reordenação das relações de poder; surgimento de uma cultura global e consciência do aumento das diversidades. Todas essas interpretações sobre a Globalização são vistas diariamente nos meios de comunicação e em discursos dos líderes de Estado. Essa ideia nos remete a uma sensação de que o mundo e os seus moradores alteraram a forma de suas vivências do seu cotidiano e entendem a necessidade do imediatismo. Como, exemplo, o uso dos aparelhos celulares que influem nos aspectos da vida privada, bem como das ligações comerciais e das agitações políticas do Estado Contemporâneo. Mas a realidade é muito diferente, na prática é evidente que o fenômeno da Globalização não chegou a todos os lares e a todas as pessoas. Como ensina Held David. [...] Para continuar eficaz num mundo que se globaliza, [ela a Globalização] tem que estar inserida num sistema reformulado[...] que procure combinar a segurança humana com a eficiência econômica. A reconstrução de um proje- to social democrático exige a busca coordenada de programas [...] que regu- lam as forças da globalização econômica --- a garantia, em outras palavras, de que os mercados globais comecem a servir às populações do mundo e não o inverso. [...] (HELD; MCGREW, 2001, p. 73-74). 36UNIDADE 2 NOÇÃO DE ESTADO NO BRASIL Em relação aos novos modelos de políticas do Estado Contemporâneo em virtude de seu modo de libertação de todo ou qualquer tipo de superioridade e também pela procura da equiparação de direitos, que são típicos da multiplicidade dos movimentos sociais, por longo tempo confiou-se que seu arrolamento com o Estado só poderia ser nas bases do conflito. Porém os tempos são outros, os ventos sopram para outra direção, entretanto não se pode esquecer que o cerne desses movimentos e conflitos com o Estado ocorre quando o Estado é centralizador e autoritário ou ainda debelado por apenas um grupo ou elite nacional como ocorreu durante a ditadura civil-militar (1964-1985) no Brasil. Por incrível que nos pareça, ainda no século XXI após inúmeras lutas e sofrimentos, existem Estados ou nações despóticas. A conjuntura social e política de uma sociedade pode ser o apontador que qualifica os movimentos ao mesmo tempo em que apresenta as bases para adaptarem-se às causas de seu aparecimento. O esboço das bases sociais da convulsão e da obediência demonstra que as situações de censura política podem ter efeito imediato, mas é de difícil sustentação em longo prazo, o que gera mais revolta. Mesmo assim a violência do Estado é um artifício que dificulta a propagação dos movimentos sociais como forma de reclamação, ao passo que nos regimes democráticos esses movimentos alargam-se e desenvolvem-se, com em- basamento nas garantias constitucionais de direitos civis e políticos. Está posta aqui uma das conquistas do Estado contemporâneo. Quando o Estado é mais acessível às demandas da sociedade civil, dilatam-se as possibilidades de um melhor relacionamento entre os setores políticos e que não seja apenas de confrontação. Na maioria das vezes os movimentos procuram precisamente que suas exigências sejam analisadas pelo Estado e transformadas em leis, ou em políticas públicas. Do mesmo modo, o Estado pode buscar os movimentos sociais, a fim de acatar melhor às necessidades da população ou meramente, legitimar sua autoridade diante da sociedade. Assim nos ensina Boaventura Santos. [...] os desafios que são postos à democracia no nosso tempo são os seguintes. Primeiro, se continuarem a aumentar as desigualdades sociais entre ricos e pobres ao ritmo das três últimas décadas, em breve, a igualdade jurídico-política entre os cidadãos deixará de ser um ideal, republicano para se tornar uma hipocrisia social constitucionalizada. Segundo a democracia atual não está preparada para reconhecer a diversidade