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Prévia do material em texto

Professor Mestre Jorge Alberto de Figueiredo
ESTADO E CIDADANIA
REITORIA Prof. Me. Gilmar de Oliveira
DIREÇÃO ADMINISTRATIVA Prof. Me. Renato Valença 
DIREÇÃO DE ENSINO PRESENCIAL Prof. Me. Daniel de Lima
DIREÇÃO DE ENSINO EAD Profa. Dra. Giani Andrea Linde Colauto 
DIREÇÃO FINANCEIRA Eduardo Luiz Campano Santini
DIREÇÃO FINANCEIRA EAD Guilherme Esquivel
COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO Profa. Ma. Luciana Moraes
COORDENAÇÃO ADJUNTA DE ENSINO Profa. Dra. Nelma Sgarbosa Roman de Araújo
COORDENAÇÃO ADJUNTA DE PESQUISA Profa. Ma. Luciana Moraes
COORDENAÇÃO ADJUNTA DE EXTENSÃO Prof. Me. Jeferson de Souza Sá
COORDENAÇÃO DO NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal
COORDENAÇÃO DE PLANEJAMENTO E PROCESSOS Prof. Me. Arthur Rosinski do Nascimento
COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA EAD Profa. Ma. Sônia Maria Crivelli Mataruco
COORDENAÇÃO DO DEPTO. DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS Luiz Fernando Freitas
REVISÃO ORTOGRÁFICA E NORMATIVA Beatriz Longen Rohling 
 Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante
 Caroline da Silva Marques 
 Eduardo Alves de Oliveira
 Jéssica Eugênio Azevedo
 Marcelino Fernando Rodrigues Santos
PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Bruna de Lima Ramos
 Hugo Batalhoti Morangueira
 Vitor Amaral Poltronieri
ESTÚDIO, PRODUÇÃO E EDIÇÃO André Oliveira Vaz 
DE VÍDEO Carlos Firmino de Oliveira 
 Carlos Henrique Moraes dos Anjos
 Kauê Berto
 Pedro Vinícius de Lima Machado
 Thassiane da Silva Jacinto 
 
FICHA CATALOGRÁFICA
 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP
F475e Figueiredo, Jorge Alberto de
 Estado e cidadania / Jorge Alberto de Figueiredo.
 Paranavaí: EduFatecie, 2023.
 87 p.: il. Color.
 
 1.Estado. 2. Direito. 3. Cidadania. 4. Participação social. 
 I. Centro Universitário UniFatecie. II. Núcleo de Educação a
 Distância. III. Título. 
 
 CDD: 23. ed. 320.1
 
 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577
As imagens utilizadas neste material didático 
são oriundas dos bancos de imagens 
Shutterstock .
2023 by Editora Edufatecie. Copyright do Texto C 2023. Os autores. Copyright C Edição 2023 Editora Edufatecie.
O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva
dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permitido o download da 
obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la 
de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais.
https://www.shutterstock.com/pt/
3
AUTOR
Professor Mestre Jorge Alberto de Figueiredo
 ●Graduado em História pela Universidade Paranaense-UNIPAR (2001).
 ●Graduado em Estudos Sociais pela Faculdade Estadual de Educação Ciências e Letras 
de Paranavaí (1992) atualmente UNESPAR (Universidade Estadual do Paraná).
 ●Mestre em Educação pela Universidade Estadual de Maringá -UEM- (2006).
 ●Atuou como Docente na UNESPAR - Campus Paranavaí (2010-2012).
 ●Atuou como Docente no Curso de Urbanismo e Arquitetura na UNIPAR-Universidade 
Paranaense, Campus de Paranavaí.
 ●Atuou como Supervisor do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência 
(PIBID-CAPES) UNESPAR - Campus-Paranavaí.
 ●Docente na Secretaria de Educação do Estado do Paraná nas Séries Finais do Ensino 
Fundamental.
 ●Produtor de Materiais Didáticos e vídeos Aulas (UNIPAR, VG Consultoria e 
 ●Palestrante sobre: Educação e Cidadania, Ética, Política, Sociedade e Democracia, 
Educação, Liberdade e Igualdade.
 ●Psicanalista.
Experiência vasta na área educacional com atuação docente no Ensino Fundamental Anos 
Finais, Ensino Médio, Ensino Superior e Pós-Graduação.
4
APRESENTAÇÃO DO MATERIAL
Prezado (a) aluno (a), é uma imensa honra estudarmos juntos! Termos a disciplina 
de Estado e Cidadania, na ementa do curso, denota a preocupação e a necessidade de 
ampliar debates, sobre o papel do cidadão em um país democrático ou que deveria ser. 
Compreender essas premissas pode propiciar uma evolução social, que tem como objetivo, 
esclarecer os indivíduos para a busca de suas necessidades de forma honesta e segura. 
O Estado tem um papel fundamental, para que não sejam marginalizados os menos 
favorecidos e ao mesmo tempo propiciar bases sólidas, sociais, econômicas, políticas para 
que possam garantir seus sustentos de forma digna.
Em nossa Unidade I, aprenderemos a diferenciar, Governança e Governabilidade, 
caridade de cidadania. O conceito de Poder que tanto causa conflitos, aprofunda essa 
diferença e afirma que se exercermos a cidadania e aplicarmos de forma coletiva, tudo de 
maneira compassada pode alterar. Que fique bem claro, nenhuma mudança acontece em 
um passe de mágica. Tempo e paciência, são aliados em todos os setores de nossa vida. 
Por isso a necessidade de estudar a historicidade sobre o estado Brasileiro e desenvolvi-
mento e formação das políticas públicas.
Na Unidade II, você irá agregar conhecimento sobre a Constituição de 1988 é a 
Lei máxima do país, que descreve nossos direitos e deveres, que abrange não apenas nós 
enquanto indivíduo, mas o Estado e toda a sociedade civil. Houve mudanças benéficas 
nesse contexto, mas também pontos negativos que impactaram em nosso meio social, eco-
nômico, cultural, religioso. A ruptura de ideias, desencadeou novos paradigmas e conceitos. 
Mas vale a pena refletirmos se não estamos sendo complacentes demais. Pensando na 
desordem e em um possível caos social. 
Sequencialmente na Unidade III, falaremos a respeito do que é cidadania, seus 
conceitos e história, quais os tipos de cidadania, como ela é vista e aplicada no Brasil. Com-
preender essas premissas, nos conduzirá a diferenciar cidadania de democracia. Nesse 
sentido, pergunto-lhe: para você cidadania e democracia são as mesmas coisas? Ambos os 
termos são discutidos diariamente, mas entendo que é preciso compreender a etimologia 
das palavras e fazer a leitura em nosso mundo real. 
Em nossa Unidade IV, finalizaremos com o assunto participação social. Cabe 
assim dizer que o Brasil, quiçá o mundo necessita desse engajamento da sociedade, para 
que haja mudanças significativas para o cidadão brasileiro. Perdemos muitos de nossos 
direitos, porque em um mundo tão acelerado como este capitalista, queremos exercer 
nossos deveres, mas precisamos, no mínimo, não perder o que temos. Planejamento 
governamental, algo que precisa ser entendido para que possamos opinar, debater, discutir 
e mudar o caminho quando for necessário. 
Um ótimo estudo! 
5
UNIDADE 4
Participação Social 
O Que é Cidadania? 
UNIDADE 3
Noção de Estado no Brasil 
UNIDADE 2
O Que é Estado?
UNIDADE 1
SUMÁRIO
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .cultural, para lutar 
eficazmente contra o racismo, o colonialismo, o sexismo e as discriminações 
em que eles traduzem... [...] Terceiro, as imposições econômicas e militares 
dos países dominantes dos países dominantes são cada vez mais drásticas e 
menos democráticas. Assim sucede, em particular, quando vitórias eleitorais 
legítimas são transformadas pelo chefe da diplomacia norte-americana em 
ameaças à democracia, sejam elas as vitórias do Hamas [na Palestina] de 
Hugo Chávez [na Venezuela] ou de Evo Morales [na Bolívia]. Finalmente o 
Quarto desafio diz respeito às condições da participação democrática dos 
cidadãos. São três as principais condições; ser garantida a sobrevivência: 
quem não tem com que se alimentar- se e à sua família tem prioridades mais 
37UNIDADE 2 NOÇÃO DE ESTADO NO BRASIL 
altas que votar; não estar ameaçado: quem vive ameaçado pela violência 
no espaço público, na mesma empresa ou em casa, não é livre, qualquer 
que seja o regime político em que viver; estar informado: quem não dispõe 
da informação necessária a uma participação esclarecida, equivoca-se quer 
quando participa, quer quando não participa. Pode dizer-se com segurança 
que a promoção da democracia não ocorreu de um par com a promoção das 
condições de participação democrática. [...] (SANTOS, 2006, p.164).
Está evidente em nossos estudos que os paradigmas das políticas públicas no Estado 
contemporâneo terão que percorrer longos caminhos até o objetivo de uma sociedade justa 
e igualitária. Isso em relação ao mundo e ao Brasil, entretanto não podemos apenas ver o 
lado pessimista da situação, através do tempo, tivemos e estamos tendo muitas conquistas, 
mesmo sendo estas em passos lentos.
Os desafios são imensos, pois, mesmo no século XXI e com o fenômeno da globali-
zação, o mundo e porque não dizer nossa nação, enfrenta os resquícios das velhas ordens 
sociais e a ignorância e a estupidez que permeiam em várias sociedades espalhadas pelo 
mundo bem como no campo político nos Estados. Assim nos ensina Karl Mannheim: 
[...] Depois que nos livrarmos do preconceito de que tudo o que faz o Estado 
e sua burocracia é errado, mal feito e contrário à liberdade, e de que tudo 
é feito pelos indivíduos particulares é eficiente o sinônimo da liberdade --- 
enfrentar adequadamente o verdadeiro problema. Reduzindo a uma só frase, 
o problema consiste em que, em nosso mundo moderno, tudo é político, O 
Estado está em toda parte e a responsabilidade política acha-se entrelaçada 
em toda a estrutura da sociedade. A liberdade consiste não em negar essa 
interpretação, mas em definir seus usos legítimos em todas as esferas, 
demarcando limites e decidindo qual deve ser o caminho da penetração, e, em 
última análise, em salvaguardar a responsabilidade pública e a participação 
de todos no controle das decisões. [...] (MANNHEIM, 1972, p .66).
Parecem utópicas as palavras de Mannheim, alguns céticos riem ou, até mesmo, 
fazem pouco caso sobre os novos modelos e desafios do Estado Contemporâneo. Pode 
ser que estejam certos? Podem! Entretanto, todas as conquistas humanas em relação à 
formação do Estado e das instituições democráticas sofreram chacotas e eram tidas como 
devaneios filosóficos em épocas passadas. O tempo tem nos revelado o contrário.
38
As políticas sociais – e a educação – se situam no interior de um tipo particular de Estado. São formas de 
interferência do Estado, visando a manutenção das relações sociais de determinada formação social. Por-
tanto, assumem “feições” diferentes em diferentes sociedades e diferentes concepções de Estado. É impos-
sível pensar no Estado fora de um projeto político e de uma teoria social para a sociedade como um todo.
Fonte: Cadernos Cedes, ano XXI, nº 55, novembro/2001
(...) os valores de uma sociedade, sua cultura, suas convenções sociais, todos eles desenvolvem-se de 
idêntica maneira, através do intercâmbio voluntário, da cooperação espontânea, da evolução de uma 
estrutura complexa através de tentativas e erros.
FRIEDMAN, Milton. Capitalismo e liberdade. São Paulo: Arte Nova, p.68,1977.
UNIDADE 2 NOÇÃO DE ESTADO NO BRASIL 
39
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao concluirmos esta unidade, temos a pretensão que você tenha aprendido a im-
portância dos estudos, da leitura, pois a sociedade em constante evolução necessita de 
buscas de alternativas para a sobrevivência. Reformulações de conceitos que agregam 
novos valores, que se recriam a cada geração. 
Para fundamentar essa afirmativa sobre o conhecimento, sobre o histórico brasileiro, 
sua respectiva trajetória, nos faz analisar que para cada tempo existe uma medida e que 
nosso olhar precisa estar, nossos julgamentos não podem ser com base na modernidade de 
hoje, relacionando aos conflitos passados. Pois configuram épocas e pensamentos distintos.
A cada passo de evolução, as resoluções são distintas, vimos, ao falarmos da crise 
do estado e o processo de construção de políticas públicas, como as transformações, mui-
tas vezes, pautadas nas dificuldades vivenciadas, fazem com que estratégias sejam mais 
significativas, aprendendo com os equívocos. 
Leis são criadas e estabelecidas, para firmar direitos e deveres, sejam dos cida-
dãos ou do Estado e a Constituição de 1988 trouxe inúmeras conquistas para a sociedade, 
que hoje tem parâmetros para seguir. Podemos afirmar que o Estado Contemporâneo, 
vem acompanhado de mudanças, que oferece um olhar direcionado a políticas públicas, 
garantindo à sociedade civil, dignidade, por meio de seus direitos e deveres, que devem 
ser garantidos pelo Estado. 
UNIDADE 2 NOÇÃO DE ESTADO NO BRASIL 
40
LEITURA COMPLEMENTAR
Nesta Unidade, a prioridade foi falarmos sobre políticas públicas e suas formações, 
porém, ainda existem muitos assuntos a serem aprimorados, no artigo que selecionamos, 
demonstra que as Políticas Públicas no Brasil dependem da participação do setor privado 
nas fases de planejamento e execução. A Constituição de 1988 traz que o processo de 
acumulação de riquezas no Brasil depende do Setor Privado e, este, por sua vez, depende 
da atuação do Estado na organização da economia. Dessa forma, as Políticas Públicas 
somente ocorrerão se houver a reprodução desta relação na atuação do Poder Públicas 
através das Políticas Públicas.
Fonte: Revista Ética e Filosofia Política – Nº 16 – Volume 1 – junho de 2013 
57 POLÍTICAS PÚBLICAS DE INCLUSÃO SOCIAL: O PAPEL DAS EMPRESAS. Autores: 
Alessandra Benedito e Daniel Francisco Nagao Menezes. 
Disponível em: https://www.ufjf.br/eticaefilosofia/files/2009/08/16_1_benedito.pdf. 
Acesso em: 22 nov. 2021.
UNIDADE 2 NOÇÃO DE ESTADO NO BRASIL 
https://www.ufjf.br/eticaefilosofia/files/2009/08/16_1_benedito.pdf
41
MATERIAL COMPLEMENTAR 
LIVRO 
Título: Estado, Sociedade Civil e Cidadania no Brasil: Bases para 
uma Cultura de Direitos Humanos
Autor: Enio Waldir da Silva.
Editora: UNIJUI.
Sinopse: Desde nosso nascimento buscamos conhecimento 
sobre o mundo ao qual estamos inseridos, precisamos de 
tudo ao nosso redor, das pessoas, terra, água, ar, energia. Mas 
sabemos que a apropriação indevida no decorrer da história 
nos deixou limitados a muitas coisas necessárias. Ou seja, a 
dominação do outro e da natureza, além de fazer mal-uso dos 
recursos que tanto são relevantes à nossa vida. O que desfaz 
muito nossas perspectivas futuras. Mas é preciso pensar a 
política na sociedade, a natureza egocêntrica e solidária do ser 
humano e o conhecimento que liberta (conhecimento-emanci-
pação) como sendo o conteúdo de uma cultura democrática é 
uma das contribuições deste livro.
FILME/VÍDEO 
Título: Getúlio
Ano: 2013.
Sinopse: O filme retrata a intimidade de Getúlio Vargas e de 
forma atual, como os representantes fazem seus conchavos 
políticos, defendem seus interesses particulares, fazem do 
povo uma massa de manobra e como suas ações são sempre 
em prol de uma minoria. 
UNIDADE 2 NOÇÃO DE ESTADO NO BRASIL 
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 
Plano de Estudos
• Breve Histórico do Conceito de Cidadania;
• Tipos de cidadania;
• Cidadania no Brasil;
• Concepções de cidadania e de democracia: encontros e desen-
contros.
Objetivos da Aprendizagem
• Conceituar e contextualizar cidadania;
• Compreender os tipos de cidadania e como são conduzidas no 
Brasil;
• Estabelecer as singularidades de cidadania e democracia.
Professor Mestre Jorge Alberto de Figueiredo 
O QUE É O QUE É 
CIDADANIA? CIDADANIA? 
UNIDADEUNIDADE3
43
INTRODUÇÃO
Nesta unidade III, o termo mais descrito será cidadania. Parece um assunto repeti-
tivo ou sem importância, mas pautado em sua singular definição, podemos refletir sobre a 
grande complexidade que envolve a palavra e consequentemente a ação de um cidadão. 
Viver em sociedade requer acima de tudo, ações individuais, mas as coletivas precisam 
ser dinamizadas sempre para o bem comum. O individualismo impera e juntamente com 
ela a ignorância, amplia o pré-conceito e divide as pessoas em grupos, o respeito nessa 
premissa é relevante, e o mais perigoso, quando a pessoa se julga inteligente demais para 
ouvir os outros, mantendo sempre suas ideias como as corretas. 
Assim compreendemos de forma sucinta sobre o conceito de cidadania historicamente 
falando, conhecer a história, nos faz entender e refletir melhor, tanto quando nos colocamos 
no momento de estudo, assim como projetamos o futuro, pois o presente é fruto de 
construções diárias, exatamente como acontece em nossas vidas. Vamos construindo nossos 
conhecimentos, passo a passo, em alguns momentos dependemos de outros, até termos 
autonomia para caminhar o suficiente para aprender com os equívocos. Mas quando sabemos 
o que precisamos fazer para evoluir e não fazemos, estamos sendo negligentes?
O termo cidadania, traduz uma amplitude em seus campos seja na área civil, política, 
relações étnico-raciais e indígenas, cabe a nós definirmos cada processo envolvido nestas 
estruturas sociais. Se pensarmos de maneira simples, tendo como exemplo a situação 
do país, em relação à falta de emprego, corrupção, salários baixos, juros altos, estamos 
e somos meros expectadores. Apenas acompanhando o balanço do barco. Não temos 
controle! Como mudar? É possível? 
Falar de cidadania no Brasil é sumariamente essencial, vivenciamos uma crise no 
país e no mundo, referente a valores e éticas que antes norteiam nossas ações, enriquecia 
as bases sociais, conforme tudo isso foi se perdendo, o indivíduo deixou de assumir o seu 
verdadeiro papel na sociedade. Não estamos focando apenas em política, embora, muitos 
não gostem, nossa vida é rodeada de ações políticas, seja elas de forma visível ou não. 
Quantas pessoas você ouve dizer que irá fazer nas próximas eleições: “Não vou votar, nada 
muda!” ou “Vou voltar em Branco ou anular meu voto!” A cidadania está sendo exercida 
neste contexto? A quem ele estará prejudicando? O coletivo será afetado?
UNIDADE 3 O QUE É CIDADANIA? 
44
Tudo se agrava muito mais, quando o cidadão não sabe o seu papel social ou não 
se importa, que deliberadamente se confronta com democracia, não exercida. As inquie-
tações sobre essa alienação é algo questionável, sobre o que esperamos para o futuro? 
Existe satisfação no presente momento? Ter esperança é importante, mas viver apenas 
dela, obstrui caminhos para o progresso.
O que é cidadania, fará que reflitamos muito, os questionamentos serão constantes, 
justamente porque a maior qualidade de ser cidadão é compreender que somos sujeitos de 
direitos e deveres, todas as nossas ações precisam ser pensadas e repensadas, de acordo 
com a frase de Brian Tracy: “Para melhorar sua qualidade de vida, melhore a qualidade de 
seus pensamentos” , isso precisa ser colocado em prática em nosso cotidiano, cercamos 
de coisas e pessoas boas, isso nos impulsiona a prosperar. Então vamos nos envolver nos 
estudos, pois, o conhecimento aprimora nossas ações. 
UNIDADE 3 O QUE É CIDADANIA? 
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BREVE HISTÓRICO DO 
CONCEITO DE CIDADANIA1
TÓPICO
45
Como grande parte das palavras, cidadania vem do latim, que sintetiza a cidade. 
Na antiguidade o conceito de cidadania era bem diferente do de hoje, cidadão era aquele 
que morava na cidade e que fazia parte de classes sociais privilegiadas. O termo cidadania 
é muito flexível, porque conforme a sociedade evolui o conceito acompanha, ou seja, é algo 
dinâmico e direcionado. Mas o que se pode afirmar é que para quem acha que ser cidadão 
é ter o direito de voto apenas, muito está enganado. 
De acordo com COVRE (2010, p.11) quando se fala em cidadania:
[…] penso que a cidadania é o próprio direito à vida no sentido pleno. Trata-se 
de um direito que precisa ser construído coletivamente, não só em termos do 
atendimento às necessidades básicas, mas de acesso a todos os níveis de 
existência, incluindo o mais abrangente, o papel do(s) homem(s) no Universo.
Dois pontos temos como referência para compreender a inconstância do que se 
refere à cidadania. As transformações sociais é a primeira, tenha como base as mudanças 
que você acompanhou, na música, nos filmes, nas vestimentas, basta olhar os álbuns de 
família para confirmar o que estou dizendo. A cada geração, os pensamentos, as ideias, os 
gostos, são alternados. Se para melhor ou pior isso é uma questão de gosto. 
E respeito para com a opinião alheia, isso também é um ato de cidadão. Talvez 
uma das grandes problemáticas atuais. O respeito é a base para toda e qualquer ação 
que queira praticar, principalmente quando pensamos de forma coletiva. Nesse coletivo, 
podemos descrever do micro para o macro (de menor para o maior) você vivencia em 
sua família, grupo religioso, grupo do clube, pessoas da sua rua, seu bairro, sua cidade e 
UNIDADE 3 O QUE É CIDADANIA? 
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46UNIDADE 3 O QUE É CIDADANIA? 
assim de forma crescente. Não precisamos gostar! Mas respeitar é o princípio para a boa 
convivência. 
Conforme o contexto histórico vai tomando novas formas, as definições também, 
quando a sociedade estava organizada entre nobreza, clero e camponeses, os direitos já 
estavam bem estabelecidos. Quanto mais posse, mais direitos. Já na Baixa Idade Média, 
surge o conceito de Estado e, consequentemente, atrelado à cidadania, que nesse conceito, 
está entrelaçado aos direitos políticos.
Conforme a desigualdade se amplia, faz-se relevante pensar sobre pontos que 
poderiam impulsionar ações sociais para coibir, amparar que estivesse à margem dessa 
situação. Veja que o termo cidadania surgiu com esse viés ideológico. Então, cidadania é 
propiciar em todos os segmentos necessários para uma vida digna. Quem deve propiciar? 
O Estado! Mas quem deve cobrar o Estado? O povo, fazendo uso da democracia e desem-
penhando seu papel de cidadão.
[...] podemos comparar os cidadãos aos marinheiros: ambos são membros 
de uma comunidade. Ora, embora os marinheiros tenham funções muito dife-
rentes, um empurrando o remo, outro segurando o leme, um terceiro vigiando 
a proa ou desempenhando alguma outra função que também tem seu nome, 
é claro que as tarefas decada um têm sua virtude própria, mas sempre há 
uma que é comum a todos, dado que todos têm por objetivo a segurança da 
navegação, à qual aspiram e concorrem, cada um à sua maneira. De igual 
modo, embora as funções dos cidadãos sejam dessemelhantes, todos traba-
lham para a conservação de sua comunidade, ou seja, para a salvação do 
Estado. Por conseguinte, é a este interesse comum que deve relacionar-se a 
virtude do cidadão. (ARISTÓTELES, 2006, p. 32). 
Ainda, historicamente, o Iluminismo propiciou uma mudança significativa. Como 
a própria palavra traduz, a iluminação, o surgir de ideias, dois grandes pensadores 
colaboraram com essa evolução Locke e Rousseau, expandem o conhecimento sobre 
direitos e a partir dessas ideias, muitas outras foram se construindo. Com o passar do 
tempo a Revolução Francesa e Americana, molda uma ideia de Estado e juntamente 
concebe ideais de Liberdade e Igualdade. Hoje você acha que vivemos com oportunidade 
de Liberdade e Igualdade?
Segue a essas transformações ofertadas pelas revoluções citadas, a inclusão 
social e a luta de classes. Bem, vamos refletir! Quando você leu a frase acima, conseguiu 
dinamizar tudo em nossa vida, máquinas (tanto as eletrônicas, como nós), porque somos 
máquinas, perceptível quando dia após dia, fazemos as mesmas coisas, repetidamente até 
nos sentirmos fartos e ainda existem alguns que não percebem e adoecem.
A sociedade impõe um modelo, um padrão e somos envolvidos a querer ser incluí-
dos. Nesse ponto, existe uma irracionalidade, vou esclarecer com um simples exemplo, 
47UNIDADE 3 O QUE É CIDADANIA? 
pessoas que nas redes sociais, mantém um padrão de vida que não é real. Mas precisam 
idealizar para os outros, uma felicidade que não existe. Quando você visualiza a imagem 
colocada acima, qual a ligação que consegue efetuar entre cidadania e carteira de trabalho? 
Exato, votar é um ato de cidadania, mas o indivíduo ao pertencer a uma sociedade, que é 
administrado pelo Estado tem o direito de uma educação de qualidade, saúde, poder de 
participação, igualdade de oportunidades, moradia, emprego entre outras descrições que 
fundamenta a dignidade humana. Saviani retrata algo fundamental, pois entende que:
Assim, a educação é entendida como instrumento, como um meio, como uma 
via através da qual o homem se torna plenamente homem apropriando-se 
da cultura, isto é, a produção humana historicamente acumulada. Nesses 
termos, a educação fará a mediação entre o homem e a ética permitindo ao 
homem assumir consciência da dimensão ética de sua existência com todas 
as implicações desse fato para a sua vida em sociedade. Fará, também, a 
mediação entre o homem e a cidadania, permitindo-lhe adquirir consciência 
de seus direitos e deveres diante dos outros e de toda a sociedade... Em 
outros termos, pela mediação da educação, será possível construir uma cida-
dania ética e, igualmente, uma ética cidadã. (SAVIANI,2013, p.16) 
Falemos agora da luta de classes, sempre existiu e assim será para sempre. A 
aqueles que buscam oportunidades, cada qual com sua história de vida, mas a realidade 
é que as chances não são igualitárias. Homem e mulheres têm empregos iguais, salários 
diferentes. Homem trabalha fora e mulher também e ainda, a essa demanda agregam os 
trabalhos do lar (já houve uma mudança, mas não significativa), negros, transexuais, bisse-
xuais, poderia descrever inumeras categorias para comtemplar a luta de classes.
[...] desde o início de nossa formação histórica, uma classe dominante que 
nada tinha a ver com o povo, que não era expressão de movimentos popula-
res, mas que foi imposta ao povo de cima para baixo ou mesmo de fora para 
dentro e, portanto, não possuía uma efetiva identificação com as questões 
populares, com as questões nacionais. Para usar a terminologia de Gramsci, 
isso impediu que nossas ‘elites’ além de dominantes, fossem também diri-
gentes. O Estado moderno brasileiro foi quase sempre uma ‘ditadura sem 
hegemonia’, ou para usarmos a terminologia de Florestan Fernandes, uma 
‘autocracia burguesa’. (FERNANDES, 1975, p. 289. apud COUTINHO, 2006, 
p. 176). 
Contudo ao nos referirmos a luta de classe ou inclusão social, precisamos pensar 
se estamos sendo cidadãos para que esse quadro mude. E que sejam mudanças positivas, 
a discriminação só existe porque há pessoas que cultivam esse tipo de comportamento e 
pior estimulam, seja nas redes sociais, na criação de seus filhos, perpetuando condutas 
que não fazem parte da liberdade e tão pouco da igualdade. 
O pensamento precisa mudar, sempre começando por nós mesmos. Entender a 
dinamicidade do mundo, seus contextos e transformações. Cabe a nós, de forma demo-
crática, exercer nosso papel de cidadão acompanhado e se envolvendo, em assuntos que 
são pertinentes a nós e ao país. O futuro está agregado à nossa capacidade de progredir 
intelectualmente, socialmente e culturalmente. 
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TIPOS DE 
CIDADANIA2
TÓPICO
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No sentido mais amplo do termo da palavra cidadania, existe uma definição, mas 
com uma flexibilidade de alterações, a cada transformação de uma sociedade, o sentido 
se torna mais amplo e direcionador de caminhos e possibilidades. A complexidade se torna 
gigantesca pela quantidade de pessoas que fazem parte de imensa nação e consequente 
realidades diversas que abre o leque para agregar ao termo cidadania cada vez mais 
características.
Como mencionado no capítulo acima, jamais podemos entrelaçar, ou dar notorie-
dade à cidadania, refletindo apenas em voto, eleições. Muitos pensam que ao votar, seu ato 
de cidadão está realizado. Sim, esse seria um dos muitos compromissos para se alcançar 
esse progresso. Nesse contexto, a pergunta que podemos fazer é: Somos pessoas que 
buscamos nossos direitos? Como conquistamos nossos espaços neste país democrático? 
Esse país e democrático? Você tem percebido o comportamento das pessoas ao seu redor, 
cada vez mais conformado com tudo? Essas reflexões nos direcionaram para entendermos 
melhor os tipos de cidadania e de nossos direitos. Sim, direitos, eles existem!
Hoje ao ler os noticiários é visto claramente que não buscamos nossos direitos, ir 
às ruas, fazer panelaços, protestos, são atitudes momentâneas, digamos até explosivas, 
para expor ideias. Isto é, acontecem e finalizam sem nenhuma conclusão. Nenhum objetivo 
alcançado. Em um país democrático, como o Brasil (entendo como democrático na lei, 
mas não na prática), a voz do povo ainda não é ouvida, falamos, e sempre os órgãos mais 
nobres e eletivos que sentenciam a última palavra. 
UNIDADE 3 O QUE É CIDADANIA? 
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49UNIDADE 3 O QUE É CIDADANIA? 
Um país de pessoas em sua grande maioria preocupadas com status, visto 
nitidamente essas necessidades nas redes sociais. Mas os ideais coletivos, são deixados 
de lado. Pode não estar claro, mesmo com trabalho de assistência pública, existem muitas 
pessoas que passam fome, não possuem moradia. Dar cestas básicas, ameniza, mas 
não resolve. Ou o indivíduo se acomoda ou se sente intimidado, envergonhado por não 
conseguir seu próprio sustento. 
É necessário buscar o melhor para as cidades, Estado e nação. Cobrar dos 
vereadores e dos prefeitos as propostas que os fizeram estar no cargo. Se não fiscalizamos 
o que está próximo, quem dera os demais. As redes sociais servem de suporte para ampliar 
a divulgação desses assuntos. Respeitando sempre a opinião do outro, não estamos em 
uma disputa, muito ao contrário, estamos em um momento de luta. 
Exato, votar é um ato de cidadania, mas o indivíduo ao pertencer a uma sociedade, 
que é administrado pelo Estado tem o direito de uma educação de qualidade, saúde, poder 
de participação, igualdade de oportunidades, moradia, emprego entre outras descrições 
que fundamenta a dignidade humana. Saviani retrata algo fundamental, pois entende que:
Assim, a educação é entendida como instrumento, como um meio, como uma 
via atravésda qual o homem se torna plenamente homem apropriando-se 
da cultura, isto é, a produção humana historicamente acumulada. Nesses 
termos, a educação fará a mediação entre o homem e a ética permitindo ao 
homem assumir consciência da dimensão ética de sua existência com todas 
as implicações desse fato para a sua vida em sociedade. Fará, também, a 
mediação entre o homem e a cidadania, permitindo-lhe adquirir consciência 
de seus direitos e deveres diante dos outros e de toda a sociedade. Em ou-
tros termos, pela mediação da educação, será possível construir uma cidada-
nia ética e, igualmente, uma ética cidadã. (SAVIANI, 2013, p.19) 
Quando falamos de cidadania, existem questões relacionadas ao direito, assim, 
é necessária uma compreensão, vejamos: de acordo com o 1º Artigo da Declaração dos 
Direitos do Homem e do Cidadão (1789), estabelece que “Todos os seres humanos nascem 
livres e iguais em direitos''. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação 
uns aos outros com espírito de fraternidade” Sabemos que de fato, essa conduta não é 
real, a desigualdade, não apenas social, é visivelmente explícita em nossa sociedade. E 
com o passar dos tempos o direito do cidadão, vai sendo tirado em prol de um sistema que 
privilegia a minoria. 
Sobre ser livres, muitas vezes percebemos que nem em nossos pensamentos, 
valores, ideias, temos essas diretivas, pois a sociedade impõe um padrão social, o qual 
estamos presos às convenções estabelecidas. Tudo é passível de mudanças, transformações, 
quebras de paradigmas, mas para que isso ocorra, os indivíduos pertencentes a sociedade 
precisa, se instruir, obter conhecimento para que possam assumir uma postura ativa na 
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50UNIDADE 3 O QUE É CIDADANIA? 
sociedade. De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, em seu 19º 
artigo, declara direitos à liberdade de expressão, sendo essa a principal chave para que a 
democracia seja efetiva. Expressa: 
Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, este direi-
to implica a liberdade de manter as suas próprias opiniões sem interferência 
e de procurar, receber e difundir informações e ideias por qualquer meio de 
expressão independentemente das fronteiras (DECLARAÇÃO UNIVERSAL 
DOS DIREITOS HUMANOS, 1948, p. 4).
Existem três tipos de direitos: civil, político e os sociais, são distintos, mas se 
agregam. Todos eles estão incluídos na Constituição da República Federativa do Brasil 
(1988) em forma de artigos. Os direitos civis são aqueles que dão oportunidade à vida, 
liberdade, igualdade e propriedade, ensejando manifestação de pensamento, relações 
estas que propiciam a manutenção da sociedade e se apresentam de forma individual, 
ou seja, cada situação uma regra. Estão inseridos fatores sobre o casamento, heranças, 
família, patrimônios, entre outros.
Os direitos políticos são os que garantem ao indivíduo a participação de um governo, 
de suas decisões que devem ser voltadas sempre em prol da sociedade. Podendo votar, ser 
votado, associar a partidos sem ser perseguido e/ou ameaçado e de protestar. E os direitos 
sociais, que visam melhoria na qualidade de vida dos indivíduos, são benefícios coletivos, 
como trabalho, saúde, transportes coletivos, programas habitacionais, lazer, educação, 
aposentadoria entre outros. Agora que conseguimos entender a classificação dos direitos, 
ficará mais simples compreendê-lo no contexto da cidadania. Podemos compreender que: 
A cultura política refere-se às orientações especificamente políticas, às 
atitudes relativas ao sistema político, às suas diversas partes e ao papel 
dos cidadãos na vida pública. Neste sentido, é uma peça valiosa para a 
legitimidade da democracia, uma vez que diz respeito a um conjunto de 
valores que são importantes para a manutenção da estabilidade democrática. 
O arranjo político-institucional garante o funcionamento da democracia, mas 
não é capaz de criar per se uma cultura política democrática (ALMOND, 
1992, p.36). 
A cidadania é classificada em duas categorias: A cidadania Formal e Cidadania 
Substantiva ou real. Agora, você já sabe definir cidadania e cidadão? Vamos juntos estruturar 
esses conceitos. Cidadania é a consciência coletiva de uma sociedade de seus direitos bem 
como a aplicabilidade de seus deveres, propiciando um bem-estar na comunidade, tudo de 
forma contínua, uma construção coletiva, para a busca incessante da garantia dos direitos 
humanos. E cidadão é que participa, busca, constrói as bases para adquirir seus direitos.
Quando falamos em cidadania formal, estamos retratando aquela que a lei apre-
senta, com todos os pormenores que a lei ampara, refiro-me aos direitos civis, políticos e 
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51UNIDADE 3 O QUE É CIDADANIA? 
sociais. E a cidadania substancial ou real é a que retrata no contexto do cotidiano. Vários 
exemplos, poderia aqui, mencionar, mas no filme “Que horas ela volta?”, que tem como 
protagonista Regina Casé, demonstra a falta de estrutura de nosso país para dar alicerce 
a preservação da vida com dignidade. E acabamos tão envolvidos nesse contexto de luta, 
de sustentação familiar que não conseguimos enxergar o quanto somos escravos de nós 
mesmos. O tic-tac do relógio nos domina. 
Muito pertinente, descrever a importância dos cuidados com nossa saúde mental 
nesse aspecto, doenças psicossomáticas têm aumentado em grande número, depressão, 
ansiedade, síndrome do pânico entre outras doenças, todas caracterizadas pelo estresse 
excessivo, mediante a tantas cobranças seja em nosso trabalho, em nosso lar ou qualquer 
ambiente. Pare, respire! Analise seu dia a dia, às vezes, vale a pena mudar ou adaptar-se 
antes de adoecer.
CIDADANIA NO 
BRASIL3
TÓPICO
52
Muitos de nós fazemos como a imagem expõe, nos calamos e fingimos não enxer-
gar o que é tão visível aos nossos olhos. Ser cidadão, exercer a cidadania é falar, discutir, 
expor, debater, construir bases sólidas para exercermos nossos direitos, derivando tanto dos 
coletivos, quanto dos indivíduos. Mas para sermos cidadãos precisamos ter conhecimento 
sobre assuntos que nos cercam, sejam eles nas esferas políticas, sociais, econômicas, cul-
turais, religiosas entre outros. O conceito sobre democracia foi sendo construído, vejamos 
com as experiências dos Romanos:
Podemos verificar a estreita relação entre a cidadania romana e o conceito 
moderno do termo: Como podemos avaliar a importância da experiência 
romana para o conceito moderno de democracia? Para muitos estudiosos do 
século XX, a República romana foi encarada como uma oligarquia corrupta, 
uma aristocracia endinheirada, comparada negativamente com a Atenas 
democrática do século V a.C. Nas últimas décadas, entretanto, estudiosos 
têm mostrado que a vida política romana era menos controlada pela 
aristocracia do que se imaginava e, de certa maneira, Roma apresentava 
diversas características em comum com as modernas noções de cidadania 
e participação popular na vida social. Os patriarcas fundadores dos Estados 
Unidos da América tomaram como modelo a constituição romana republicana, 
com a combinação de Senado e Câmara (no lugar das antigas assembleias). 
A invenção do voto secreto, em Roma, tem sido considerada a pedra de 
toque da liberdade cidadã. O Fórum pode ser considerado o símbolo maior de 
um sistema político com forte participação da cidadania. Lá, os magistrados 
defendem seus pontos de vista e tentavam conseguir o apoio dos cidadãos. 
O poder dependia desse apoio, a tal ponto que grupos rivais competiam pelo 
controle dos lugares em que os cidadãos se reuniam. Os romanos tinham 
um conceito de cidadania muito fluido, aberto, aproximando-se do conceito 
moderno de forma decisiva (FUNARI, 2013, p. 76). 
UNIDADE 3 O QUE É CIDADANIA? 
53UNIDADE 3 O QUE É CIDADANIA? 
Ao analisarmos os contextos históricos conseguimos afirmar que houve um 
progressoreferente às questões de direitos, provenientes da cidadania, mas também o 
retrocesso relativo a muitos assuntos. Se houve tantas transformações sociais, pergun-
to-lhe: “A Constituição da República Federativa Brasileira, feita em 1988, não precisaria 
ser reestruturada? Leis que norteiam os direitos e deveres dos indivíduos, como Estatuto 
da Criança e Adolescente (1990), não estão arcaicos, sabendo da evolução constante de 
nossa sociedade?
Vamos resgatar o histórico da cidadania no Brasil, vejamos: precisamos reforçar que 
em nosso país esse movimento foi muito tardio, passamos pelo processo de escravidão, o 
qual ofertava direitos civis e políticos, mas sempre para a classe dos proprietários, para a 
elite. Nesse mesmo período na França XVIII, a discussão em torno da igualdade, direitos, 
liberdade e participação dos indivíduos na vida pública já era amplamente difundida. No 
Brasil a ideia que ladeava a cidadania era simplesmente para beneficiar os colonizadores, 
que por meio de arranjos políticos privilegiava a aristocracia com trocas de favores. As 
condutas políticas impossibilitaram uma estruturação social. Dessa forma, é conclusivo a 
formação de estruturas sociais que estrutura a dualidade de donos e empregados, que tem 
como consequência a formação de classes, tão desiguais. Assim entendemos:
Por encerramento social, Weber entende o processo através do qual 
coletividades buscam maximizar ganhos restringindo o acesso a vantagens 
e oportunidades a um limitado círculo de beneficiários. Isto implica a 
especificação de certos atributos sociais ou físicos como justificativos para a 
exclusão social (PARKIN, 1974, p.33) 
Não podemos deixar de mencionar Florestan Fernandes, que se dedicou a estudar 
sobre as dificuldades e desafios, com o intuito de que os cidadãos pudessem ter seus 
direitos garantidos e consequentemente suas sobrevivências. Destaca em suas reflexões 
as contradições de classes e a relação de dominação da elite, que de forma muito evidente 
ofuscava a cidadania na prática. 
Analisar o contexto sobre cidadania atualmente em nosso país, é algo muito 
sensível, exercer essa conduta é poder se pronunciar, expor suas ideias, em síntese, é ver 
as coisas acontecerem com muita democracia e ética. Infelizmente, os embates dos três 
poderes, Executivo, Judiciário e Legislativo, têm provocado conflitos que de forma direta 
afetam o cidadão brasileiro. Nesse ponto de vista, não estamos consolidando partidos ou 
gostos pessoais. Mas algo que está impactando toda uma sociedade que estrategicamente 
acarreta retrocessos em todos os aspectos: econômicos, culturais, sociais, educacionais 
entre outros.
54UNIDADE 3 O QUE É CIDADANIA? 
Um país imenso como o nosso, com grandes áreas de produções agrícolas, 
pecuária, com tanta pobreza? Pobreza no sentido desde informação ao que se refere 
à alimentação, rede esgoto, moradia. Uma discrepância salarial surpreendente entre 
políticos e demais classes. Não desmerecendo, pois, todos devem ganhar bem. A pergunta 
se formaliza quando entendemos que quem possibilita o crescimento do país são os 
trabalhadores. Então, não mereciam eles melhores salários? Melhores incentivos em sua 
formação educacional? Essas perguntas estão relacionadas à cidadania no Brasil ou como 
deveria ser. Ressalta-se de acordo com o Sociólogo Sérgio que: 
Cresce a circulação da riqueza e da renda. O crime segue a rota da riqueza 
e não da pobreza, como muitas vezes se acreditou. Mudam as relações entre 
as classes sociais, que se diversificam e se tornam menos polarizadas, assim 
como gerações intergeracionais, entre os gêneros, entre as etnias, tornando 
mais complexas as hierarquias sociais. Mais modernizada e conectada com 
as transformações globais, e tudo o que isso representa em termos dos usos 
das tecnologias nos modos de vida cotidianos, a sociedade brasileira se 
torna mais suscetível às mobilidades verticais e horizontais. Pouco a pouco 
emergem novos padrões de relações entre governantes e governados, 
expressos nas eleições e nas tendências majoritárias do voto popular. Todo 
esse conjunto de mudanças incide também na esfera das representações 
sociais e da cultura. Como as sondagens de opinião têm demonstrado, a 
sociedade brasileira vem revelando atitudes ambíguas com relação às leis 
e às instituições. Ora apoia a democracia, o respeito à legalidade e aos 
direitos humanos. Ora, contraditoriamente, reconhece que as leis não valem 
para todos, as instituições privilegiam grupos sociais, os direitos não são 
universais, vale a vontade do mais forte. Cenários como esses contribuem 
para enfraquecer a confiança dos cidadãos nas instituições encarregadas de 
aplicar as leis e de oferecer segurança à população (ADORNO, 2012, p.77-
78)
O brasileiro precisa se envolver com as questões que acontecem, desde a 
comunidade a qual está inserido ao que acontece no país e no mundo. O envolvimento 
requer acompanhar, aprofundar-se nos assuntos políticos (lembrando que a política está 
interligada em tudo em nosso cotidiano), ao acompanharmos, temos como debater ideias, 
discutir, dar opiniões construtivas, destacando nosso ponto de vista. Isso sintetiza que não 
precisamos aceitar tudo que é imposto, mas precisamos ser inteligentes o suficiente para 
questionar.
Você conseguiu compreender a importância da cidadania? Dentro de nossa própria 
casa exercermos a cidadania, quando discutimos com o intuito de buscar soluções em bus-
ca do melhor para todos no seio familiar, quando dividimos as tarefas domésticas, quando 
as questões financeiras são repartidas entre todos, no intuito de manter uma qualidade de 
vida, quantos os problemas são conversados e traçados metas para melhorar. Se esse ato 
é praticado, se torna habitual o indivíduo em seu meio, agir dessa forma. 
55UNIDADE 3 O QUE É CIDADANIA? 
Mas convido você a refletir: Para você existe cidadania no Brasil? Em quais 
circunstâncias? Você se considera cidadão? Essas considerações são fundamentais 
porque para criticar algo ou alguém, precisamos fazer melhor. Não podemos generalizar 
em nossas contextualizações, existe sim cidadania em nosso país, mas ainda em que 
pequena escala, a participação das pessoas vai além de irem às ruas ou restringirem a 
paralisações. Essas ações, mesmo tendo condutas significativas, são momentâneas. A 
democracia e a cidadania são condutas diárias, capazes de fortalecer o país, as pessoas 
e, principalmente, as práticas políticas, econômicas, sociais, culturais e todos os âmbitos 
que a sociedade necessite. 
CONCEPÇÕES DE CIDADANIA E 
DE DEMOCRACIA: ENCONTROS 
E DESENCONTROS4
TÓPICO
56
O Brasil precisa caminhar muito para atingir o ápice da cidadania, os pensamentos 
coletivos precisam ser considerados. A individualidade se faz presente nas ações, nos 
comportamentos. Exercer a cidadania é pensar em si, mas também ser solícito em prol dos 
outros. Um crescer com perspectivas futuras. Mas para que possamos prosseguir, convido 
a você para compreendermos o que é democracia e revisar a concepção de cidadania. 
Assim conseguiremos enxergar os encontros e desencontros.
Já mencionamos anteriormente, mas para que não haja dúvidas, no contexto so-
ciológico, cidadania são regras, normas que formam um conjunto de direitos e também 
deveres, nas esferas civis, sociais e políticas, que caracterizam como os cidadãos devem 
ser regidos. Podemos exemplificar: os direitos e deveres são o maestro de uma grande 
orquestra, dá os comandos. E os músicos dos mais variados instrumentos são os cidadãos 
que precisam estar antenados à música para que se obtenha uma apresentação com mérito.
Quando falamos de democracia, sabemos o quanto esse termo tem sido discutido 
na atualidade, por interesses políticos, ou não, a palavra tem sido empregada nas mais 
diversas áreas. Você sabe definir democracia? De acordo Giddens, podemos conceituar da 
seguinte forma:
[..] a democracia é vista genericamente como o sistema político maiscapaz 
de garantir a igualdade política, proteger a liberdade individual, defender o 
interesse comum, ir ao encontro das necessidades dos cidadãos, promover 
o autodesenvolvimento moral e possibilitar a tomada de decisão efetiva que 
leve em conta os interesses de todos. (2004, p.426).
UNIDADE 3 O QUE É CIDADANIA? 
57UNIDADE 3 O QUE É CIDADANIA? 
A democracia deveria garantir a igualdade política, fato esse que estamos 
vivenciando claramente que não há essa igualdade, quiçá a proteção da liberdade de cada 
indivíduo, vejamos que nem mesmo a liberdade de expressão, os interesses são cada vez 
mais individualizados. Entender a moralidade desse contexto é muito conflituoso, pois ética 
e moral, são atribuídos fora de uso para muitos. 
Assim, se democracia é um regime governamental, supõe-se que os cidadãos ao 
exercer seus direitos, deveriam tomar decisões formal ou informal, tendo como vozes os 
representantes eleitos, o que caracterizaria um ato democrático. O objetivo maior da demo-
cracia é permitir o envolvimento dos indivíduos em debates que propõem, diretrizes para a 
sociedade e essa participação traria significativamente um crescimento intelectual, social, 
político, cultural etc. O sentimento de pertencimento que faz as pessoas se envolverem. 
“Se os direitos civis garantem a vida em sociedade, se os direitos políticos garantem a 
participação no governo, os direitos sociais garantem a participação coletiva” (SANTOS, 
1999, p.10). Afirma o autor que: 
É razoável supor que caminhos diferentes afetem o produto final, afetem o tipo 
de cidadão, e, portanto, de democracia, que se gera. Isto é particularmente 
verdadeiro quando a inversão da sequência é completa, quando os direitos 
sociais passam a ser a base da pirâmide. [...] uma consequência importante 
é a excessiva valorização do Poder Executivo. [...] A ação política nessa visão 
é sobretudo orientada para a negociação direta com o governo, sem passar 
pela mediação da representação. (SANTOS, 1999, p. 221).
Fica explícito que a democracia só se consolida, quando o direito abrange a todos. 
Denota-se que a desigualdade social é um exemplo de como a democracia não alcança a 
todos, visto que o desemprego, educação precária, falta de saneamento básico, sistema de 
saúde precária, que, como consequência, expõem os conflitos de todas as esferas. Você 
havia pensado que a falta de democracia impede todo ato de cidadania e traz como fruto 
um caos social? 
Sim. Um caos social, uma sociedade que não tem o direito de participação e não 
foi educada a ser, não consegue vislumbrar um caminho de oportunidades. Ficando preso 
no passado ou no momento presente. Para que possamos estruturar e dar significado, não 
apenas em nossa vida, mas ao coletivo é necessário almejar, traçar metas e planos para o 
dia de amanhã. Isso deve acontecer não apenas em perspectiva de um país, mas enquanto 
seres individuais. Redimensionando nossas vidas pessoais, pois, a cada dia aprendemos 
um pouco. Então, amanhã posso ser melhor!
Sem mencionar a palavra desencontro, mas, acima, destacamos vários e podemos 
exemplificar ainda mais. Pensemos em momentos de eleição, que deveria haver discussões 
58UNIDADE 3 O QUE É CIDADANIA? 
sobre as necessidades de cada região, Estado ou Nação, para que os indivíduos escolham 
as propostas que de fato, tragam benefício para o bem comum. Mas sabemos que na hora 
da escolha o que prevalece é o bem individual e prevalece a falta de conhecimento sobre a 
grande importância desse momento, tornando-se assim anos vindouros de reclamações e 
sofrimentos. Podemos destacar que:
As experiências participativas no Brasil, a exemplo dos conselhos gestores 
dos orçamentos participativos, apontam para um movimento de renovação 
e de reacomodação destes instrumentos de ação política no interior das 
práticas institucionais da sociedade brasileira, indicando que, muito menos 
que oposição, estes instrumentos estabelecem combinações e articulações 
que desenham um processo de concomitante inovação e reprodução das 
práticas e orientações políticas-institucionais. Apontam, sobretudo, para o 
fato de que a participação não substitui, mas reconfigura a representação, 
constituindo-se a participação em chave da boa representação (LÜCHMANN, 
2007, p. 167).
Analisando as perspectivas históricas, conseguimos também entender que houve 
progresso, ao que se refere a questões democráticas no Brasil, ações políticas que tentam 
ser transparentes, mostrando a sociedade como as ações são direcionadas, de que forma 
o dinheiro público é utilizado, alguns projetos, a sociedade é convidada a participar, ou seja, 
aos poucos a objetividade proeminente da democracia e da cidadania vão tomando rumos. 
Grande responsabilidade dos indivíduos acompanharem essa transformação e 
exigir seus direito de opinar, o papel do cidadão é se fazer presente e não deixar passar 
despercebido as ideias, pensamentos e também não menos importante, saber ouvir, 
respeitar as ideias do outro, que podem ser contrárias, mas possuem seus devido valores. 
Tanto a cidadania como a democracia têm como singular a participação do indivíduo. 
Mesmo com encontros e desencontros, o Brasil precisa se reinventar!
59
Ao falarmos do movimento como Iluminismo, é preciso mencionarmos a importância de alguns grandes 
pensadores como René Descartes (1596-1650), Isaac Newton (1643-1727), que alavancaram a Revolução 
Científica e agregaram valores às questões culturais, sociais, filosóficas e políticas. Por esse motivo, nos 
anos 1700 foram chamados de “Século das Luzes”. O Iluminismo, juntamente com o método científico, 
acreditava que as verdades para a estrutura do progresso em relação ao conhecimento. Outros nomes 
foram importantes para construir essa mentalidade, como Denis Diderot, Voltaire, Jean Jacques Rousseau 
e Montesquieu. 
Fonte: ILUMINISMO. Info Escola, 2021. Disponível em: https://www.infoescola.com/historia/iluminismo/. 
Acesso em: 22 nov. 2021.
A condição de cidadania depende sempre de condições fixadas pelo próprio Estado, podendo ocorrer 
com o simples fato do nascimento em determinadas circunstâncias, bem como pelo atendimento de 
certos pressupostos que o Estado estabelece. A condição de cidadão implica em direitos e deveres que 
acompanham o indivíduo mesmo quando se ache fora do território do Estado. (DALLARI, 1989, p.85).
UNIDADE 3 O QUE É CIDADANIA? 
60
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Temas antigos, com atributo discutível atuais. Assim podemos descrever essa 
unidade estudada. As leis foram feitas para serem cumpridas, as denominações que 
estudamos “cidadania” e “democracia”, são para entender suas concepções e objetividades 
e fazer cumprir ao pé da letra. O que muitos buscam em outros países, quando saem do 
Brasil decepcionados de forma geral com o país onde vivem e se submetem a serviços 
aquém de duas formações, mas se deparam com um outro lugar, que permeia a democracia 
e a cidadania.
O que se espera de um lugar assim: articulações de ideias, desenvolvimento e 
prosperidade, que gera uma qualidade de vida essencial, mas para muitos é preciso “sair 
da ilha para ver a ilha”, portanto sair da zona de conforto para compreender por meio de 
um choque social, como se portar enquanto cidadão. Não é impossível que o Brasil alcance 
esse patamar, mas, para isso, é preciso pessoas instruídas, não me refiro só ao estudo 
formalizado com um diploma, pois, muitos não tiveram a oportunidade de estudo, mas 
sabem da importância de se envolverem socialmente. 
Para esse caminhar, a individualidade não pode fazer parte desse processo, pois, a 
construção de um país democrático depende, de um trabalho coletivo, representantes que 
se preocupam com a sua cidade, estado e nação. E que compreendam, por exemplo, que 
o dinheiro que administram é do povo e para o povo. E, assim, a sociedade venha a com-
preender que os representantes trabalham para proporcionar aos indivíduos possibilidades 
de vida melhores. 
Os atos democráticosvão além de eleições, são condutas que devem ser estabele-
cidas cotidianamente, condutas que são necessárias em casa, no trabalho e todo e qualquer 
meio ao qual pertencemos. Participar ativamente das mudanças que são relevantes para 
o benefício de todos. O respeito em relação a ideias, pessoas, ponto de vista, haja vista, 
somos uma nação com grande diversidade, o que provém uma pluralidade de opiniões e 
todas são importantes para a construção de uma sociedade mais justa. 
Agir como cidadão é saber que a participação e opinião de cada indivíduo é singular 
e fundamental, pois realidades diversas que, somadas, correspondem à realidade, sobre 
os preceitos que o país necessita. Se calar, achar que sua opinião não tem valor, concluir 
que nunca haverá mudanças é simplesmente privar-se do direito de atuar no processo de 
cidadania, estreitando a relação com a sociedade. E a deixando à mercê de indivíduos 
que apenas buscam o poder para sua individualidade e ambições particulares. Praticar a 
cidadania é querer mudança de forma democrática e justa. 
UNIDADE 3 O QUE É CIDADANIA? 
61
LEITURA COMPLEMENTAR 
AMOROSO, Caia. Eu também quero participar! Cidadania e Política Aqui e 
Agora. Editora: Moderna.1º Ed. 2013.
UNIDADE 3 O QUE É CIDADANIA? 
62
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO
Estado e Democracia: uma introdução ao estudo da política.
Autores: André Singer, Cícero Araújo e Leonardo Belinelli
Editora: ZAHAR
Sinopse: O livro nos possibilita entender o que é o estado e a 
democracia e como ambas podem ser singulares e distintas, de 
acordo com cada ângulo proposto, desencadeando um profun-
do pensar político, que está envolto em nosso cotidiano. 
FILME/VÍDEO 
Título: Que Horas ela Volta?
Ano: 2015
Sinopse: O filme retrata grandes realidades às quais nos de-
paramos no transcorrer de nossa existência. A personagem 
principal, protagonizada por Regina Casé, deixa sua filha aos 
cuidados de outrem, para trabalhar “fora” e manter o sustento 
e possibilitar uma vida melhor para sua filha. Trabalha na casa 
de pessoas de nível social elevado, cuidando do filho de seus 
patrões, passa anos da sua vida neste contexto e não se dá 
conta da mecanização e forma como é explorada, até sua filha 
vir morar com ela. Momento que a faz refletir como as escolhas 
são necessárias para não repetirmos os mesmos erros. 
UNIDADE 3 O QUE É CIDADANIA? 
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Plano de Estudos
• O surgimento dos direitos do homem cidadão;
• Participação Social: O que é;
• Participação Social no Brasil e suas complexidades;
• Participação cidadã e planejamento governamental.
Objetivos da Aprendizagem
• Conceituar direitos e deveres do cidadão;
• Compreender o que é participação social e sua relevância para o 
progresso;
• Caracterizar a importância do planejamento governamental.
Professor Mestre Jorge Alberto de Figueiredo 
PARTICIPAÇÃO PARTICIPAÇÃO 
SOCIAL SOCIAL 
UNIDADEUNIDADE4
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INTRODUÇÃO
Nossa última unidade IV, não menos importante, vamos compreender que historica-
mente os direitos do homem são recentes, inclusive no tange à participação das mulheres 
nas questões políticas, mas o direito pleno só é exercido quando temos conhecimento 
sobre elas. A aprendizagem amplia nossa visão e nossos direcionamentos, além disso, 
é muito importante destacar que os deveres servem para a formação da cidadania. Você 
conhece seus direitos? Seus deveres, você os executa plenamente? Precisamos pensar, 
pois, só podemos cobrar do outro, quando nossa conduta está alinhada. 
Discutiremos sobre participação social, como a própria denominação conclui, remete 
à envolvimento, discussão, debates, e ao englobar o conceito social, configura o pensar 
coletivo, sempre voltado para o bem-estar e com olhar atento quanto ao presente e ao futuro 
de um povo, de uma nação. Mas o que você entende de participação social? Reflita para que 
no decorrer de nossos estudos, possamos aprimorar ou redescobrir novos conceitos.
Falar de participação social no Brasil, requer um raciocínio muito bem trilhado, 
sobre esse movimento. Estar nas ruas, falar o que se pensa sem conhecimento de causa 
nas redes sociais, não sintetiza participação social. Se envolver com causas sociais que 
temos afinidade, buscar conhecer, fatos, ampliar em nossa rede de contatos conhecimento 
que transborde para os demais, uma bagagem para tomada de decisões, não apenas 
pautadas no senso comum.
A complexidade referente à participação na sociedade, tem inúmeros, dissabores, 
mas a questão consiste em indivíduos com comportamentos e pensamentos diversos, que 
conduz a ideias diferentes e opiniões contrárias. E a dificuldade em ouvir o outro, em aceitar 
a opinião do outro é um grande obstáculo de evolução para a sociedade. Adaptar-se é 
sempre necessário, as mudanças acontecessem e nem sempre estão ao nosso favor, mas 
é preciso ter uma visão de que, sempre é possível alterar o rumo de nossas vidas.
Quando falamos em participação cidadã e planejamento governamental, precisa-
mos ter a visão de que tudo que envolve política, o cidadão precisa estar engajado, para que 
de fato seu voto tenha validade funcional. Isto é, quando votamos, não votamos de forma 
específica no candidato, mas nas propostas, e precisamos acompanhar essas propostas 
para que de fato, aconteçam. O trabalho governamental é para o povo, mas, infelizmente, 
para muitos cidadãos e políticos, tudo acontece ao inverso. Exigir seus direitos, praticar 
seus deveres é um ato de cidadania. 
UNIDADE 4 PARTICIPAÇÃO SOCIAL 
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O SURGIMENTO DOS 
DIREITOS DO HOMEM 
CIDADÃO1
TÓPICO
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Falar em direitos é muito difícil. Pensando no Brasil a dificuldade fica muito mais 
ampla. Vejamos que esta reflexão tem duas frentes para pensarmos. De um lado uma 
sociedade que requer seus direitos e não exercitam seus deveres (Não é uma maioria, mas 
essa parte populacional, proporciona ranços no progresso social, cultural e econômico).
Do lado oposto representantes políticos, religiosos, sociais, buscando alcançar 
seus interesses particulares, finge desconhecer os direitos da população, ocultando o que 
deveria ser base para a construção da dignidade humana. Moradia, saneamento básico, 
sistema de saúde eficiente, educação com qualidade, trabalho entre outras descrições. 
Não podemos deixar de destacar trechos fundamentais incluídos em nossa Constituição da 
República Federativa do Brasil, para comprovar o que afirmamos: 
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel 
dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado 
Democrático de Direito e tem como fundamentos:
I - A soberania;
II - A cidadania;
III - A dignidade da pessoa humana;
IV - Os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; 
V - O pluralismo político.
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de re-
presentantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição (BRASIL, 
1988, Art 1º).
Se o poder emana do povo, sintetiza que a participação e a busca pelos direitos 
precisampartir dessa categoria, mas, incentivado pelos representantes. Com o objetivo 
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66UNIDADE 4 PARTICIPAÇÃO SOCIAL 
de garantir um desenvolvimento econômico, que eclodiram no avanço das demais áreas. 
O pensar na coletividade, seria a eliminação da miséria (Não apenas em relação à fome), 
da pobreza, das indiferenças. É preciso que seja estabelecido um amor à Pátria, mas isso 
não pode ser apenas em momentos em que se canta o hino nacional. Consta em nossa 
Constituição: 
Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:
I - Construir uma sociedade livre, justa e solidária;
II - Garantir o desenvolvimento nacional;
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais 
e regionais;
IV - Promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, 
idade e quaisquer outras formas de discriminação (BRASIL, 1988, Art.3º).
Você conhece a parte da Constituição que tange ao Título II, Dos Direitos e 
Garantias Fundamentais, Capítulo I, Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos? Muito 
provável que não! Pois sabemos que temos direitos, mas não sabemos ao certo quais são! 
Um grave erro nosso! Como lutar para ter aquilo que desconheço? Como posso ser ativo, 
participativo na sociedade, se não sei o que ela espera de mim? Vejamos o que afirma este 
artigo constitucional: 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, 
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a 
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à 
propriedade (BRASIL, 1988, Art.5º).
É relevante ressaltar alguns pontos do artigo, citado acima, que a lei já existe, 
cabendo a nós de forma coletiva, por intermédio da participação cidadã, buscar de nossos 
representantes, a execução de ações que de fato garanta nossos direitos sem distinção e 
diferenças. Você lembra do título deste capítulo que estamos estudando? O surgimento dos 
direitos do homem cidadão!
Iniciei destacando direitos adquiridos, mas para alcançarmos esse sucesso foi 
preciso tempo e no contexto histórico é recente. Graças aos representantes da França em 
1789, que ao se incomodarem com o grande desprezo com que era tratado as necessidades 
da classe menos favorecida, em Assembleia Nacional, fez surgir a Declaração dos Direitos 
do Homem e do Cidadão, garantindo os direitos individuais e coletivos. 
A declaração estabelece entre muitos quesitos a igualdade perante a Lei e a justiça. 
Partindo das premissas deste documento, todas as questões documentais voltadas para 
a garantia dos direitos humanos, tiveram origem nas bases da declaração, inclusive a 
Constituição Brasileira. 
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67UNIDADE 4 PARTICIPAÇÃO SOCIAL 
O espírito da Revolução Francesa influenciou não só as nações europeias, 
mas diversas regiões de todo o mundo, existindo relatos de citações ocorridas 
no Brasil, na Conspiração Baiana de 1798, claramente influenciadas pelas 
mesmas ideias que fizeram sucumbir a Bastilha. Além disso, o texto da 
Declaração serviu de base para similares na Europa, e, integra, até hoje, o 
direito positivo francês, como parte integrante da sua constituição (FRANCE, 
2012, p. 24).
Com a Declaração dos Direitos do Homem do Cidadão, foi possível criar, melhores 
políticas públicas, a um nível mundial, criando um elo entre todos os países, tendo como 
pressuposto um olhar mais consciente para os direitos humanos. Em se tratando em nível 
internacional, é consolidado, associações, instituições que se movem em torno dessas 
concepções. Imagine você que com todo o aparato de leis existentes, ainda existem muitas 
violações dos direitos humanos no mundo. 
O Brasil faz frente a muitos países em busca de sanar os problemas vigentes, isso 
pode ser visto em frentes de enfrentamento contra o trabalho infantil, trabalho escravo, 
preservação ao meio ambiente. Para que nosso país não tenha um retrocesso, pois é notório 
a participação do Estado em ações que se estruturam garantindo promoção e proteção dos 
direitos e garantias individuais e coletivas, a cooperação com esforços internacionais e 
ao estímulo e à atuação da sociedade civil organizada na defesa de direitos políticos, das 
liberdades, das garantias sociais e da proteção do meio ambiente. 
PARTICIPAÇÃO 
SOCIAL: O QUE É?2
TÓPICO
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Compreender o significado de cada palavra do título nos faz de forma mais explícita 
entender o assunto. Participar tem o intuito de se envolver, interagir, estar presente e social 
está ligado à sociedade. Somando participação social, nada mais é que estar presente nas 
resoluções, decisões e diálogos entre a sociedade e os representantes governamentais, 
ao que se refere às políticas públicas. Cabendo aos indivíduos que compõem a sociedade 
fiscalizar os representantes que foram escolhidos, fazendo cumprir as promessas de cam-
panhas. Rios define participação desta maneira:
Lema e tópico central em programas e doutrinas reformistas generalizadas 
a partir dos anos 60, quando se pensou em contrapor à massificação, à 
centralização burocrática e aos monopólios de poder o princípio democrático 
segundo o qual todos os que são atingidos por medidas sociais e políticas 
devem participar do processo decisório, qualquer que seja o modelo político 
ou econômico adotado (RIOS, 1987, p. 869).
A participação social, tem como força para influenciar de forma significativa e 
objetiva a formalização, execução e consequentemente a fiscalização. E vale refletir que 
quando falamos em políticas públicas, as mesmas estão ligadas a várias áreas: saúde, 
transporte, saneamento básico, moradia, educação, assistência social. A sociedade para 
ser estruturada precisa da organização da sociedade como um todo, descreve STOTZ, que:
Tais ações expressam, simultaneamente, concepções particulares “da reali-
dade social brasileira e propostas específicas para enfrentar os problemas da 
pobreza e exploração das classes trabalhadoras no Brasil” (VALLA e STOTZ, 
1989, p. 54) 
UNIDADE 4 PARTICIPAÇÃO SOCIAL 
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69UNIDADE 4 PARTICIPAÇÃO SOCIAL 
Entretanto, a participação exige um comportamento contrário à passividade, em que 
tudo se aceita. Claro que de forma ativa e mobilizadora, mas com caráter pacifico, momento 
que a discussão e o debate são as armas para a conquista de novas oportunidades. Todos 
os direcionamentos sobre as políticas públicas, precisam ser avaliados para combater as 
misérias sociais e tudo que desencadeia o sofrimento da classe operária. 
Nós, de uma forma contínua, temos a participação social em nosso dia a dia. 
Nas reuniões escolares de nossos filhos, reuniões de condomínio, clubes esportivos, 
associações, sindicatos etc. É muito importante salientar que está na Constituição, sendo 
esse, nosso direito e dever. Essa participação ativa é a mola mestre para o exercício da 
democracia e tem como prioridade que os cidadãos participem cada vez mais nas tomadas 
de decisões acerca de seu próprio futuro. Segundo Putnam: 
As práticas sociais que constroem a cidadania representam a possibilidade 
de constituição de um espaço privilegiado para cultivar a responsabilidade 
pessoal, a obrigação mútua e a cooperação voluntária. As práticas sociais 
que lhe são inerentes baseiam-se na solidariedade e no encontro entre direi-
tos e deveres (PUTNAM, 2000, p. 56).
Podemos destacar formas de participação social, nas esferas do legislativo, judiciário 
e executivo. No legislativo, seria por meio de votos direto, no judiciário um exemplo é o júri 
popular (Julga crimes dolosos contra a vida) e o executivo quando o indivíduo se insere nos 
conselhos e comitês que tem o objetivo de articular políticas públicas. Essa participação 
popular é um campo novo, que teve sua origem em 1980, em seusprimórdios, o foco era a 
sociedade e buscava alcançar a democracia e a liberdade. 
A participação social está completamente ligada ao Estado e a sociedade, ou seja, 
à democratização desses, sempre de forma articulada e ampla, por meio dela é possível 
denunciar irregularidades e evitar corrupções, compreender que podemos agir mediante a 
situações, evitando reagir em momentos em que já não há o que se possa fazer, do que se 
lastimar.
O diálogo entre os governos e sociedade fortalece o exercício da cidadania 
garantindo a execução de políticas públicas que atendam à coletividade, melhorando os 
níveis de oferta, qualidade dos serviços e maior controle dos recursos públicos. 
Espaços foram criados para que esse diálogo fosse fortalecedor, temos exemplos 
de conselho gestor, atuam na saúde, educação, meio ambiente e diversas outras áreas. 
O estado se completa quando a sociedade pode manifestar suas ideias e interagir em 
deliberações que afetam a todos. 
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70UNIDADE 4 PARTICIPAÇÃO SOCIAL 
Ao entender sobre participação social, precisamos entender alguns conceitos tão 
falados e que, talvez, não tenhamos compreendido dentro de uma visão sociológica, que 
além de compor o espaço em que vivemos são relevantes para a prática da participação 
social. Você conhece essas denominações: castas, classe social, elite, etnia, etnocentris-
mo, relativismo, diversidade, cultura, cidadania, identidade e ética?
 De maneira bem sucinta vamos explicar cada uma delas: a casta é um tipo de di-
visão (Comum na Índia), mas no sistema capitalista usa-se mais a denominação de classe 
social, que ocorre devido à hierarquia, sobrenomes, conta bancária. A classe social são as 
categorias da sociedade: classe A, B, C, classe baixa, média, alta. A Elite é a representativi-
dade de quem tem o poder, que pode ser político ou econômico. Elite é a classe dominante. 
Etnias, é importante pontuar que raça existe apenas uma (Raça humana), as etnias 
são as diferenças entre a raça humana. Etnocentrismo é um assunto muito polêmico, quan-
do uma etnia se julga mais importante que os demais, um exemplo clássico na história do 
mundo que é o Nazismo e o Fascismo.
O relativismo é bem contrário, pois, expõe que há tempo, espaço, oportunidades 
para todos, somos todos da raça humana, então, não se faz necessário o preconceito 
qualquer que seja. Todo ser humano é um cidadão de classe A. diversidade é o que 
conseguimos visualizar nitidamente no Brasil, uma mistura de cores, pessoas diferentes, 
com ideias distintas que traz um enriquecimento fundamental para as questões culturais, 
religiosas, sociais e demais.
Quando falamos de identidade é o que somos, isso quando nos referenciamos 
diante da individualidade, e na junção é o que torna a identidade de uma sociedade de um 
país. Assim fica claro porque grupos sociais se juntam, porque comungam das mesmas 
ideias. Esses grupos ganham força.
A cultura de um povo é o que faz com que consigamos identificá-los, por intermédio 
de peculiaridades, cidadania é quando exercemos o conhecimento de nossos direitos e 
deveres e o cidadão no contexto sociológico precisa ser dinâmico. A ética é o que perce-
bemos que falta ao nosso redor, que se estrutura para manter as relações saudáveis. Fica 
claro que: 
A participação é parte integrante da realidade social na qual as relações 
sociais ainda não estão cristalizadas em estruturas. Sua ação é relacional; 
ela é construção da/na transformação social. As práticas participativas 
e suas bases sociais evoluem, variando de acordo com os contextos 
sociais, históricos e geográficos. (MILANI, 2008, p. 560).
71UNIDADE 4 PARTICIPAÇÃO SOCIAL 
Você percebeu como pequenos conceitos estão entrelaçados para a construção 
da sociedade, o que denota que cada um tem seu papel e que a articulação de todas as 
palavras discutidas, são fundamentais para o exercício da participação social. Iremos, a 
seguir, falar um pouco mais sobre essas denominações, evidenciando as complexidades 
existentes no Brasil, no que se refere à participação social. 
PARTICIPAÇÃO SOCIAL 
NO BRASIL E SUAS 
COMPLEXIDADES3
TÓPICO
72
Muitas são as complexidades para que haja de fato a participação social no Brasil, 
mas nada que impeça que aos poucos, a participação seja ampliada, pois, não ocorrerá 
como um passe de mágica. As pessoas precisam ver essa participação como algo necessário 
para a melhora em sua qualidade de vida. Podemos assim estabelecer alguns percalços: 
 ● Desigualdade Social e Econômica;
 ● Hierarquias políticas atreladas a culturas autoritárias;
 ● Falta de clareza com relação às políticas públicas; 
 ● Resistência dos governantes e falta de engajamento;
 ● Pouco envolvimento por parte da população;
 ● Fragilidade em torno dos vínculos populares.
Ao discutirmos sobre desigualdade socioeconômica, nos deparamos com uma 
grande gama de aspectos que originam nas classes sociais que são subdivididas e entre si 
se confrontam em torno do que é melhor para cada grupo. Justamente devido às classes 
sociais que surgiram os movimentos sociais. Grupos minoritários em busca de seus ideais, 
pois podemos ver que: 
Os números sobre a concentração de renda no Brasil são claros ao eviden-
ciar a dimensão das desigualdades. Os dados apontam que o 1% mais rico 
da população brasileira recebe, em média, mais de 25% de toda a renda 
nacional; os 5% mais ricos detinham, em 2017, a mesma fatia de renda dos 
demais 95% da população brasileira. Esses dados tornavam o Brasil o país 
com maior concentração de renda do mundo no 1% da população mais rica 
(OXFAM BRASIL, 2017; SOUZA e AVRITZER, 2016).
UNIDADE 4 PARTICIPAÇÃO SOCIAL 
73UNIDADE 4 PARTICIPAÇÃO SOCIAL 
A desigualdade reflete o que cada grupo quer para si. Não há como pensar de 
forma unitária, sendo que a diferença é evidente, uns com muito, outros sem nada. Aqui 
não vamos entrar no mérito do que se habituaram a viver sem esforço, mas o que define 
essa questão é que passa a ser um fator que empobrece a participação social. O da classe 
mais favorecida não vê a necessidade de participar de discussões, reflexões sociais, pois 
tem tudo a seu favor. O da classe minoritária, não se importa de participar, das discussões 
que movem, toda a organização de sua vida, seja ela, social, econômica, cultural, religiosa, 
pois acredita que não será ouvida. Existem também as questões tecnológicas, embora seja 
um assunto atual, não é proveniente para todos, os recursos que ela oferece, como explica 
Garot: 
Além disso, a internet apresenta limitações materiais (por exemplo, nem 
todos têm acesso a ela), educacionais e culturais (quem não tem uma boa 
formação estará em desvantagem na obtenção, interpretação e produção 
de informações e argumentos). Assim, também pode ser um instrumento de 
manutenção ou ampliação da desigualdade e da exclusão dos mais pobres 
do processo político (2006, p.96-104) 
Ainda existem governantes com a concepção de que o povo é uma “massa de 
manobra”, concordo com eles, no sentido que isso acontecesse, de fato, se quisermos 
que aconteça. Mas a centralização de poder e o autoritarismo rege muitas governanças. O 
que deveria ser feito, com base no poder constituído de representante do povo, mas esse 
poder é construído pela prática de bons usos da gestão pública. Assim, a governabilidade 
é confiável. 
Para que a sociedade se manifeste, participe é relevante que ela saiba com 
objetividade, todas as deliberações, normativas, práticas para as diversas áreas: saúde, 
esporte e lazer, educação, assistência social. É preciso saber a intenção dos representantes 
legais do povo em como querem fazer uso do dinheiro, o cidadão deve participar, dar ideias, 
tem o direito de discordar e o dever de fiscalizar após implantado as decisões. 
Por resistência de muitos representantes, as articulações são feitas pelos bastidores, 
mascarando todas asideias reais e, muitas vezes, quando damos conta, as informações 
estão expostas nas manchetes. Desvios, desfalques, corrupção, subornos entre muitos 
delitos encobertos. Que se aproveitam da não participação pública, tornando mais fácil a 
ocultação de verbas públicas e suas aplicações. 
O etnocentrismo existe muito nas gestões públicas, representantes que se julgam 
sábios que não aceitam outras ideias e que, para que as ações aconteçam precisam girar 
em torno de suas premissas, de suas filosofias, mesmo que de forma arcaica ou equivocada. 
O que prevalece são seus pensamentos.
74UNIDADE 4 PARTICIPAÇÃO SOCIAL 
Isso quando nos deparamos com informações de milhões de investimentos em 
alguns setores e passado um tempo, descobrimos que o valor era o mínimo aplicável, e o 
restante desviados para obras que muitos chamam de “fantasmas". Bava e Santos Júnior 
nos mostram pontos positivos em relação à participação social cidadã: 
Apesar desses desafios comuns a muitas cidades, as características 
específicas de cada município também influenciam o êxito ou o fracasso 
das políticas de participação cidadã, com destaque para: o grau de inclusão 
social e de garantia de direitos, pois, embora seja um problema nacional, 
há variações significativas entre regiões e municípios; a composição da 
sociedade civil organizada, cultura cívica, mobilização e engajamento político; 
a abertura e o incentivo do governo à democracia participativa; a dimensão do 
município (grande, médio ou pequeno porte) e a espontaneidade da criação 
dos canais institucionais de comunicação entre o Estado e a sociedade civil 
(BAVA, 2000);
Ainda é pequena a participação da sociedade em participações que são necessá-
rias para uma estruturação social pertinente, uma das razões são pontuadas da seguinte 
maneira: 
A participação, enquanto direito, permanece sendo privilégio de poucos. 
Para além das razões já mencionadas, questões sistêmicas mais simples 
e cotidianas, como a carga horária de trabalho da maior parte da sociedade 
civil, também a impedem de se fazer presente minimamente nos espaços 
decisórios (AVRITZER; RECAMÁN; VENTURI, 2004, p. 30-38).
E a última, mas não menos importante, é a fragilidade em torno dos vínculos 
populares: 
Essa mesma dinâmica acaba se refletindo no fenômeno conhecido por 
“sanfona de participação”, que descreve o fato de que a baixa intensidade 
de mobilização tem sido constante no país e só tende a se alterar quando 
determinados atores se interessam por alguma agenda específica. Nesses 
casos, eles concentram sua atuação em torno dela e voltam a esvaziar 
os espaços participativos depois que a demanda é atendida (AVRITZER; 
RECAMÁN; VENTURI, 2004).
Além disso:
Mesmo quando se superam as dificuldades estruturais, a resiliência da po-
pulação ainda encontra outros tipos de obstáculos. Além do já mencionado 
risco de distanciamento da liderança social de sua base, fato que acaba se 
concretizando em grande parte das situações, levando a um fortalecimento 
do ator participante, mas não de sua base popular (BAVA, 2001, p. 33-40),
É preciso uma articulação por intermédio de planejamento governamental, para que 
a gestão pública abrange toda a sociedade, para participar de forma efetiva e democrática. 
PARTICIPAÇÃO CIDADÃ 
E PLANEJAMENTO 
GOVERNAMENTAL4
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Quando estamos no processo de aprendizagem, a repetição se torna crucial para 
assimilarmos todo nosso conhecimento e consequentemente acomodar em nossa vida 
prática. Assim presumimos que, por várias vertentes, podemos definir o termo participação 
e que o contexto sociológico de forma específica é que nos norteia. Pois segundo Lavalle:
“Participação” é, a um tempo só, categoria nativa da prática política de atores 
sociais, categoria teórica da teoria democrática com pesos variáveis segundo as 
vertentes teóricas e os autores, e procedimento institucionalizado com funções 
delimitadas por leis e disposições regimentais. A multidimensionalidade ou 
polissemia dos sentidos práticos, teóricos e institucionais torna a participação 
um conceito fugidio, e as tentativas de definir seus efeitos, escorregadias. Não 
apenas em decorrência de que a aferição de efeitos é operação sabidamente 
complexa, mas devido ao fato de sequer existirem consensos quanto aos 
efeitos esperados da participação, ou, pior, quanto à relevância de avaliá-la 
por seus efeitos. (LAVALLE, 2011, p. 33).
Subtende-se que participar é uma ação, que pode ser relativa, considerando a 
individualidade de cada pessoa. Uns se envolvem mais que os outros e a forma de avaliar, 
também se estreita por ser cada ação uma meta diferenciada. Mas o que fica explícito é que 
para que haja democracia, a cidadania precisa se fazer presente e para que isso ocorra, 
a participação cidadã é relevante. Você já ouviu falar sobre participação cidadã? É bem 
simples, segundo Milani:
A participação social cidadã é aquela que configura formas de intervenção 
individual e coletiva, que supõem redes de interação variadas e complexas 
determinadas (provenientes da “qualidade” da cidadania) por relações entre 
pessoas, grupos e instituições como o Estado. A participação social deriva 
de uma concepção de cidadania ativa. A cidadania define os que pertencem 
(inclusão) e os que não se integram à comunidade política (exclusão); logo, 
a participação se desenvolve em esferas sempre marcadas, também, por 
relações de conflito e pode comportar manipulação. (2008, p. 560).
UNIDADE 4 PARTICIPAÇÃO SOCIAL 
76UNIDADE 4 PARTICIPAÇÃO SOCIAL 
Quando Milani enfatiza sobre as relações de conflitos, podemos relembrar claramente 
sobre o que estudamos sobre a participação social no Brasil e suas complexidades. Quando 
a cidadania vem com o conceito de inclusão, denota um olhar como um todo nas questões 
sociais, sem pré-conceitos estabelecidos. Ou seja, todos têm direitos e deveres.
Isso porque podemos afirmar que a democracia é o regime político do “poder 
ascendente", isto é o povo que escolhe quem vai governar, participam das decisões políticas. 
De certa maneira isso é um problema? Sim, porque, ainda que a escolha dos governantes 
não seja realizada de maneira racional, ainda muitos escolhem seus governantes, por 
conceitos de futilidade: por ser bonito, por falar bem, eu acho que esse não rouba, devo 
favores, entre outras inúmeras situações.
Para Sartori (1994, p. 225-228) a democracia indireta é a que de fato se realizou 
nos grandes Estados modernos podendo ser conceituada como o regime político no qual 
“o povo se governa por meio de ‘representante’ ou ‘representantes’ que, escolhidos por ele, 
tomam em seu nome e presumidamente no seu interesse as decisões de governo”. Para 
que a democracia seja participativa é preciso: 
como primeiro fundamento a reivindicação de espaços participativos 
ampliados para atores sociais mais vulneráveis nos aspectos político, social 
e econômico. São pessoas geralmente excluídas dos processos decisórios 
(ainda que formalmente incluídos) e que buscam formas alternativas de 
participação em condições de igualdade (CAMPBELL; MARQUETTI; 
SCHONERWALD, 2009, p. 5-7).
De nada adianta criar denominações e não abrir espaço em pautas para que a 
cidadania seja exercida, nas áreas em que os cidadãos são os que mais sabem realmente 
o que precisa nas áreas da saúde, educação, esportes entre outros. Porque sua vivência 
em meio à realidade lhe impõe uma certa clareza em suas opiniões, pois, por estar inserido 
no contexto, consegue sentir em seu dia a dia a falta de planejamento e ações que de fato 
contribuam para a melhora da qualidade de vida. 
Nesse sentido, os movimentos sociais desempenham um papel fundamental 
na “institucionalização da diversidade cultural” e na “ampliação do político, 
pela transformação de práticas dominantes, pelo aumento da cidadania e 
pela inserção na política de atores sociais excluídos” (SANTOS; AVRITZER, 
2002, p. 53).
Os movimentos sociais são grupos de pessoas que, de maneira organizada,. 
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 
Plano de Estudos
• Noção do conceito de estado;
• Conceito de Poder;
• Diferentes Tipos de Estado ao longo da História;
• Governança e Governabilidade?
Objetivos da Aprendizagem
• Estabelecer parâmetro sobre formalização do Estado historica-
mente;
• Compreender a importância do Estado e seu dever para com o 
povo;
• Conceituar o que é poder e suas implicações no cotidiano.
Professor Mestre Jorge Alberto de Figueiredo 
O QUE É ESTADO?O QUE É ESTADO?1UNIDADEUNIDADE
INTRODUÇÃO
7
Que bom continuar nossos estudos com temas tão relevantes como os que vamos 
aprender. Por mais que saibamos, é certo que sempre temos mais a aprender. Conhecimento 
é uma fonte inesgotável, flexível e inovadora. Sim! Inesgotável, porque o conhecimento é 
contínuo e flexível pois, a cada área agrega conceitos diversificados, tornando os conteúdos 
científicos e que desnudam a característica do senso comum. É inovadora, afinal, a evolução 
é primordial quando falamos sobre sociedade, pois visivelmente ela se renova. 
Nesta unidade trataremos de assuntos que você com certeza já ouviu falar, mas 
vamos juntos aprender de forma mais detalhada sobre noções do conceito de estado, 
conceito de poder, os diferentes tipos de estado ao longo da história e governança e 
governabilidade. Os temas estão alinhados e refletem todas condutas atuais, nos cenários 
políticos, sociais e econômicos. 
Nosso objetivo é que você compreenda que para exercer o papel de cidadão é 
crucial conhecer tudo o que envolve neste papel de agente ativo na sociedade, assim, 
estabeleceremos parâmetro sobre a formalização do estado de forma histórica, a 
compreensão da devida importância do Estado e o seu dever para com o povo e a 
conceituação do que é poder, bem como suas implicações em nosso cotidiano. De forma 
esclarecedora esta unidade abrange os conhecimentos que precisamos para desafiar a nós 
e a nossa sociedade que detém o poder de escolhas políticas. 
UNIDADE 1 O QUE É ESTADO?
NOÇÃO DE 
CONCEITO DE 
ESTADO1
TÓPICO
8UNIDADE 1 O QUE É ESTADO?
O que é Estado? Uma pergunta que no primeiro momento nós ficamos sem uma 
resposta imediata. Isso é perfeitamente natural quando se trata de assuntos complexos e o 
assunto Estado não é diferente. Mas é nas palavras de Hegel e Hobbes que podemos tirar 
algumas conclusões sobre esse tema, visto que o assunto é para muitas reflexões. Para 
Hegel o Estado é “substância ética consciente de si mesma”, uma frase simples, mas de 
grande importância quando paramos e pensamos sobre o assunto. Essa frase de Hegel 
abrevia uma enérgica e inovadora compreensão da sociedade humana, na história política 
da humanidade.
O Estado é posto como uma ferramenta viva e essencialmente compacta de caráter 
unitário, uma adequada família expandida. É o instante primordial e invencível da ética, é o 
que de mais pronto e acabado que determinou o adiantamento da espiritualidade humana. 
Assim nos ensina Hegel: 
[...] O estado é substância ética consciente de si mesma, a reunião do prin-
cípio da família e da sociedade civil; a mesma unidade que está a família 
como sentimento de amor é essência do Estado, o qual, porém mediante o 
segundo princípio da vontade que sabe e está vivo por sí só, recebe também 
a forma da universalidade conhecida. Esta, pelas suas determinações, que 
se desenvolvem no saber, tem como conteúdo a esse copo absoluto a sub-
jetividade que sabe; ou seja, quer essa racionalidade para si. [...] (HEGEL, 
1980, p.162).
Já Hobbes, teórico do Absolutismo político, analisava o Estado como um Deus 
mortal pouco abaixo do Deus imortal, um leviatã, o aterrorizante monstro descrito na Bíblia 
no Livro de Jó. Sendo o Estado em tese realizador da vontade de todos, este deve ser 
protegido pelos indivíduos que fazem parte do todo. Um Estado surge quando todos os 
sujeitos se reconhecem em um só e praticam a obediência. Hobbes assim justifica.
9UNIDADE 1 O QUE É ESTADO?
[...] Isso é mais do que um consenso ou acordo. È a unidade verdadeira de 
todos em uma única e idêntica pessoa, realizada por meio do pacto entre o 
homem, como se cada um desses ao outro eu autorizo e cedo o direito que 
tenho de governar a mim mesmo a este homem ou a esta assembleia de 
homens, sob a condição de que tu também lhe cedas o teu direito e autorizes 
igualmente as suas [...] (HOBBES, 1974, p. 99). 
E continua Hobbes em seu raciocínio: 
[...] Feito isso, a multidão reunida em um único indivíduo passa a ser chamada 
de Estado, em latim civitas. Esta é a origem do grande Leviatã, ou melhor, 
(para falar com maior reverência), do Deus mortal, ao qual devemos, abaixo 
de Deus imortal, a nossa paz e a nossa defesa. [...] (HOBBES, 1974, p.102) 
O Estado moderno também conhecido por Estado-Nação simula um apurado modo 
de organização do poder que teve início na Europa Feudal a partir do século XIV, em uma 
luta constante dos camponeses e burgueses para derrubar o Feudalismo e a extinção do 
abuso de poder e tirania do Absolutismo. Essa atitude de ordenamento político se espalhou 
por toda a Europa chegando mais tarde ao Novíssimo Mundo das Américas. 
Em outros continentes adquiriu distinta forma ao longo do tempo. Em relação à 
Nação, no caso, esse termo simboliza o compartilhamento da mesma língua, costumes, 
história e tradições de um grupo. Isso institui a ciência de pertencimento nos indivíduos, que 
passam a habituarem-se como um povo. Afinal, o que é o Estado moderno? Quais são as 
suas características e as formas?
O nascimento do estado moderno está coligado a um modo explícito de aparelha-
mento social do poder político, mas não possui um nome único. São diversas as acepções 
para essa forma de organização que chamamos meramente de Estado. O Estado Segundo 
Norberto Bobbio et al (1999), em sua obra” Estado, governo, sociedade”: para uma teoria 
geral da política assim nos ensina:
trata-se de uma organização social complexa caracterizada pela centralização 
do poder, fundamentada na afirmação do princípio da territorialidade da 
obrigação política e sobre a progressiva aquisição da impessoalidade do 
comando político.
Assim essa centralização que se opõe ao policentrismo do poder dos senhores 
feudais, é determinada por Max Weber como o “monopólio da violência legítima" em um 
território demarcado. Em outras palavras, o Estado apreendeu o controle sobre todas as 
nascentes autênticas de violência, por meio de instituições como a polícia que tem a função 
de manter a ordem, justiça e conter os cidadãos, e as forças armadas que agem como 
defensores de possíveis agressões externas.
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Realce
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CONCEITO DE 
PODER2
TÓPICO
10
Você gostaria de ter poder? O que faria se assim o tivesse? Saberia lidar com as 
demandas originadas dele? Existe um ditado popular que diz “quer conhecer uma pessoa 
dê-lhe poder”. O nosso assunto de hoje, na dimensão sociológica, faz muito sentido. Atrelado 
ao poder, vem grandes responsabilidades e um compromisso com o qual você está se 
colocando à disposição para obtê-lo. Pois o poder possibilita o exercício da influência sobre 
a conduta de outrem em uma relação social. Bobbio, define poder da seguinte forma: 
Em seu significado mais geral, a palavra poder designa a capacidade ou 
possibilidade de agir, de produzir efeitos. Tanto pode ser referida a indivíduos 
e a grupos humanos como a objetos ou a fenômenos naturais (como na 
expressão Poder calorífico, Poder de absorção) (BOBBIO, 1995, p. 933).
Para Weber, poder é toda probabilidade de impor a própria vontade numa relação 
social, mesmo contra resistência, seja qual for o fundamento dessa probabilidade (WEBER, 
1994, p.33) 
Existem três formas de poderes: político, econômico elutam 
pelos direitos de todos e se manifestam de forma pacífica e podem agir em diversos setores: 
trabalhistas, racial, gênero. Existem momentos sociais curtos que podemos chamar de 
conjunturais, ou seja, surge de uma necessidade que em pouco tempo pode ser resolvido. 
Exemplos: Aumentos do preço de forma abusiva do álcool em gel. 
77UNIDADE 4 PARTICIPAÇÃO SOCIAL 
Ou movimentos que sabemos que levará muito tempo para conquistar os direitos 
requeridos, que chamamos de estrutural. Por exemplo: Luta pelo fim do racismo. 
Um dos maiores movimentos sociais que já houve foi a queda da Bastilha, que mar-
cou a Revolução Francesa em meados de 1789 e que desencadeou a queda da monarquia 
absolutista francesa. No Brasil podemos destacar os movimentos dos trabalhadores rurais 
sem-terra (MST) em meados de 1980. Essas informações são para que você reflita que os 
movimentos sociais só surgem porque uma minoria percebe que está sendo tolhido seus 
direitos e vão se agrupando forças para mudar esse paradigma. 
Qual a maior reivindicação dos movimentos sociais? “A garantia de direitos”, por 
esse fato planejamento governamental e gestão pública são termos que devem caminhar 
sempre atrelados, com o intuito de tornar suas ações em prol da sociedade, visando articu-
lar melhorias para a vida do cidadão. Matus afirma que: 
Para tanto, torna-se imprescindível reequilibrar e ressignificar ambas as 
dimensões – planejamento governamental e gestão pública –, tratando-as 
como unidade de análise e de reconstrução das capacidades do Estado 
para o desenvolvimento nacional. Seja em termos analíticos, seja em termos 
práticos, de definição estratégica das políticas ou de condução cotidiana das 
ações, o binômio planejamento e gestão, até então tratado separadamente, 
precisa agora – e a conjuntura histórica é bastante propícia a isso – ser 
colocado em outra perspectiva e em outro patamar de importância pelos 
que pensam o Estado brasileiro e as reformas de que este necessita para o 
cumprimento de sua missão supostamente civilizatória (1972, p. 26)
Falar de planejamento governamental é fundamental para os gestores públicos, 
pois significa trabalhar com transparência, com o dinheiro público e ter o discernimento que 
o dinheiro público é para ser usado nos meios públicos. Parece redundante, mas muitos 
governantes, gestores, ainda utilizam as verbas públicas para interesses particulares. 
Direito é algo que a sociedade precisa buscar, mas sem esquecer de seus deveres. Uma 
via de duas mãos!
78
Promulgada no dia 5 de outubro de 1988, durante o governo do então presidente José Sarney, a Consti-
tuição em vigor, conhecida por “Constituição Cidadã”, é a sétima adotada no país e tem como um de seus 
fundamentos dar maior liberdade e direitos ao cidadão - reduzidos durante o regime militar - e manter o 
Estado como república presidencialista. As Constituições anteriores são as de 1824 (Brasil Império), 1891 ( 
Brasil República), 1934 (Segunda República), 1937 (Estado Novo), 1946, 1967 (Regime Militar).
Fonte: Agência Senado. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/noticias/glossario-legislativo/consti-
tuicoes-brasileiras. Acesso em: 27 out. 2021.
“Nós somos responsáveis pelo outro, estando atento a isto ou não, desejando ou não, torcendo positivamente 
ou indo contra, pela simples razão de que, em nosso mundo globalizado, tudo o que fazemos (Ou deixamos 
de fazer) tem impacto na vida de todo mundo e tudo o que as pessoas fazem (Ou se privam de fazer) acaba 
afetando nossas vidas.” (Modernidade Líquida, Bauman, 2001)
UNIDADE 4 PARTICIPAÇÃO SOCIAL 
79
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Passamos o tempo todo em busca de nossos ideais, nossos direitos, façamos, então, 
uma reflexão de como era antes de nossa existência, o quanto as pessoas precisavam lutar 
para conquistar seus espaços e ter seus direitos alcançados, uma grande trajetória, cada 
conquista, um avanço, mas nada acontece de um dia para outro. Nada acontece sem luta.
Não diferente de nossas decisões pessoais, nossos objetivos, traçamos metas 
e estabelecemos um caminho, que sempre é seguro e precisamos sempre buscar rotas 
alternativas. A longo prazo, com a experiência e maturidade conseguimos vislumbrar o 
tanto que percorremos. Aprendemos com todas as lições, independentemente de ser boas 
ou ruins. 
Direitos adquiridos devem ser preservados, cabendo à sociedade, aos indivíduos 
que a compõem lutar pela sua manutenção. Direitos devem ser ampliados e não retirados, 
cabendo por intermédio da participação social a fiscalização se os direitos dos cidadãos 
estão assegurados. 
No Brasil, a participação social é algo muito recente e que precisa galgar muitos 
espaços para se constituir de forma legítima a ação das pessoas. Fica claro que quanto 
mais pessoas instruídas o país tiver, mais envolvimento qualitativo e atuante teremos. Isso 
porque o conhecimento contribui para debates e reflexões que de fato, tragam possibilidades 
para a melhora nas políticas públicas. 
Porém, há uma complexidade, no que se refere à participação social, pois, a voz da 
sociedade nem sempre é ouvida. Permanece os interesses da minoria, os privilégios são 
para um grupo pequeno. Sofrendo, assim, as massas, as consequências de uma sociedade 
que ainda não se faz participativa como deveria.
Para que cidadania e democracia sejam de fato algo real e concreto no Brasil é 
preciso planejamento de nossos representantes, oportunizando à sociedade a participação 
e tomadas de decisão, para que possam vislumbrar suas ações, sendo agregadas nas 
transformações sociais e que delas se sobressaiam oportunidades de crescimento e de-
senvolvimento futuros. 
UNIDADE 4 PARTICIPAÇÃO SOCIAL 
80
LEITURA COMPLEMENTAR
Ao estudarmos a Unidade I, aprendemos os tipos de Estados de acordo com cada 
momento histórico, o livro “Do Estado moderno ao contemporâneo: reflexões teóricas 
sobre sua trajetória”, nos impulsiona a compreender de forma mais detalhada essas 
transformações e mais importante nos conduz a compreender o momento qual vivenciamos, 
nele retrata um tema novo “Estado Digital”, assunto tão atual e com um linguagem didático 
e esclarecedor.
 
Fonte: disponível em: https://www.amazon.com.br/Estado-moderno-
-contempor%C3%A2neo-reflex%C3%B5es-trajet%C3%B3ria/dp/8559725164/
re f=asc_df_8559725164/?tag=googleshopp00=20-ll inkCode=d0flhvadid -
379708289001lhvpos=lhvnetw=glhvrand=9877975975304386284lhvpone=lh-
vptwo=lhvqmt=lhvdev=clhvdvcmdl=lhvlocint=lhvlocphy=1031877lhvtargid=pla-
-896275518886lpsc=1. Acesso em: 22 nov. 2021.
UNIDADE 4 PARTICIPAÇÃO SOCIAL 
81
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO 
Título: Gestão e Governança Pública Para Resultados: Uma 
visão prática
Autor: Cláudio Sarian
Editora: Forúm
Sinopse: o livro tem a premissa de ofertar sugestões com 
caminhos que contribua para os agentes públicos agir em seus 
respectivos âmbitos de atuação para que alcance resultados 
significativos tendo como objetivo a sociedade. De maneira 
singular aborda aspectos práticos e reais na área da gestão 
pública e expondo ideias e sugestões para ter estratégias 
estruturadas e condizentes. E para quem não atua na área 
compreender como funciona o sistema de gestão pública e 
como participar socialmente neste contexto. 
FILME/VÍDEO 
Título: Sangue Negro
Ano: 2007
Sinopse. Virada do século XIX para o século XX, na fronteira da 
Califórnia. Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) é um mineiro de 
minas de prata derrotado, que divide seu tempo com a tarefa 
de ser pai solteiro. Um dia ele descobre a existência de uma 
pequena cidade no Peste onde um mar de petróleo está trans-
bordando do solo. Daniel decide partir para o local com seu 
filho, H.W. (Dillon Freasier). O nome da cidade é Little Boston, 
sendo que a única diversão do local é a igreja do carismático 
pastor Eli Sunday (Paul Dano). Daniel e H.W. se arriscam e logo 
encontram um poço de petróleo, que lhes traz riqueza, mas 
também uma série de conflitos. O poder começa a fazer partede seu cotidiano e o faz mudar causando sua ruína. 
UNIDADE 4 PARTICIPAÇÃO SOCIAL 
82
Prezado(a) aluno(a),
Quando iniciamos um estudo, temos sempre uma preocupação sobre os resultados 
que poderemos alcançar, as expectativas são as mais altas possíveis, até porque os 
contratempos, sabemos que são inevitáveis. Assim, quando chegamos à conclusão 
sabemos que é uma etapa vencida, superamos a nós mesmos e por sequências os 
obstáculos diários. Mas o estudo, a aprendizagem, nunca se conclui, pois, aprender é um 
ciclo constante e enriquecedor.
De forma muito didática, produzi o material para que você tivesse a oportunidade 
de resgatar antigos e adquirir novos conceitos, os exemplos e o linguajar metodológico, 
me faz acreditar que tenha sido, uma leitura acessível e dinâmica. Da mesma forma que 
os conhecimentos que se renovam todos os dias. Os assuntos trabalhados sobre Estado 
e Cidadania, a sociedade está em processo de evolução e os assuntos pertinentes a esta 
disciplina também. 
Explanamos sobre conteúdos necessários e atuais, que acreditamos serem base 
para o exercício pleno da cidadania, momento em que o cidadão participa de forma ativa 
e consciente da sociedade. Isso porque entendemos que reclamar apenas não resolve, é 
preciso agir, e não reagir após um caos instaurado.
Pensando dessa forma, explicitamos sobre a cidadania no Brasil, conceituamos 
democracia, falamos sobre direitos humanos, tendo a Constituição nossa base de 
entendimento sobre direitos e deveres, participação social, participação cidadã e 
planejamento governamental. 
O Estado depende de nós enquanto cidadão e devem trabalhar para nós, a nosso 
favor. Cabendo a fiscalização para a execução das ações políticas, por parte da sociedade. 
Deixando evidente que o voto não é o único caminho para exercer a cidadania, mas um 
meio de escolhermos bons representantes para que tudo o que estudamos seja de fato 
significativo. Para colhermos os frutos de um país de fato democrático. 
 
 Muito obrigado e bom estudo!
CONCLUSÃO GERAL
83
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dina. 1989, 39 p.
THOMPSON, E.P. A Miséria da teoria ou um planetário de erros: uma crítica ao pensa-
mento de Althusser. Rio de Janeiro: Zahar, 1981.
VALLA, V. V e STOTZ, E. N. Participação popular e saúde. Série Saúde e Educação. 
Petrópolis: Centro de Defesa de Direitos Humanos; Rio de Janeiro: Centro de Estudos e 
Pesquisas Leopoldina. 1989. 
WEBER, Max. Economia e Sociedade. Brasília - DF: Editora da Universidade de Brasília, 
1994. 
WEBER, Max. Economia e sociedade: fundamentos da sociologia compreensiva. Brasília: 
UnB, 1999.
WEBER, Max. Parlamentarismo e governo numa Alemanha reconstruída. In: WEBER, 
Max. Ensaios de Sociologia e Outros escritos. Coleção Os Pensadores (organizado por 
Maurício Tragtenberg), São Paulo: Editora Abril Cultural, p. 7-91, 1974. 
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	Site UniFatecie 3:ideológico. Todos caminham 
de forma conjunta ou isoladamente. O poder econômico está canalizado na classe dominante 
interpondo a classe operária. Regra geral do capitalismo que dita tendências, que faz girar 
todo mercado consumidor, em todos os ramos, alimentícios, vestuários, entre outros. O que 
fica explicito a relação existente entre poder e dominação na visão de Weber (1999): 
Dominação, no sentido muito geral de poder, isto é, de possibilidade de impor 
ao comportamento de terceiros a vontade própria, pode apresentar-se nas 
formas mais diversas. Pode-se, por exemplo, como ocorreu ocasionalmente, 
compreender os direitos que a lei concede ao indivíduo, contra um ou vários 
outros, como o poder de dar ordens ao devedor ou ao não-autorizado, inter-
pretando-se, portanto, todo o cosmo do direito privado moderno como des-
centralização da dominação nas mãos dos "autorizados" pela lei (WEBER, 
1999, p. 188).
UNIDADE 1 O QUE É ESTADO?
11UNIDADE 1 O QUE É ESTADO?
O poder no campo ideológico pode ter a capacidade de grandes mudanças relevantes 
em prol de todos ou pode desfavorecer a minoria, com informações que trariam benefícios 
para a maioria. A segunda alternativa é o que mais vem ocorrendo no Brasil. Influenciando 
comportamentos, utilizando das redes sociais, meios de comunicação diversos e por 
intermédio da educação. É muito interessante pensarmos quanto a sociologia e a filosofia 
tem o compromisso de esclarecer essas questões ideológicas, sem envolver com questões 
partidárias. 
O poder político está ligado com as argumentações que os que se interessam em 
ingressar no meio político usam para persuadir e influenciar os eleitores para a conquista 
do voto. E quando eleito, faz uso do seu poder em propiciar ações em prol da existência 
humana ou apenas com interesse próprio. O homem precisa ser racional e ativo. Thompson, 
retrata essa contextualização:
O que descobrimos (em minha opinião) está num termo que falta: 'experiência 
humana'. E esse, exatamente, o termo que Althusser e seus seguidores 
desejam expulsar, sob injúrias, do clube do pensamento, com o nome de 
'empirismo'. Os homens e mulheres também retornam como sujeitos, 
dentro deste termo não como sujeitos autônomos, 'indivíduos livres', mas 
como pessoas que experimentam suas situações e relações produtivas 
determinadas como necessidades e interesses e como antagonismos, e em 
seguida 'tratam' essa experiência e sua cultura (as duas outras expressões 
excluídas pela prática teórica) das mais complexas maneiras (sim, 
'relativamente autônomas') e em seguida (muitas vezes, mas nem sempre, 
através das estruturas de classe resultantes) agem, por sua vez, sobre sua 
situação determinada (THOMPSON, 1981, p. 182) 
Quando falamos de poder na gestão pública fica mais evidente, pois o controle social 
é a imposição de uma autoridade muitas vezes não alcançada, prevalecendo a coação para 
com os indivíduos. Tudo faz parte do sistema e essa conduta reflete na sociedade. Por 
sistema, segundo Eribon compreende-se: 
um conjunto de relações que se mantêm, se transformam, independentemente 
das coisas que os ligam. Foi possível provar, por exemplo, que os mitos 
romanos, escandinavos, célticos mostravam deuses e heróis muito 
diferentes uns dos outros, mas que a organização que os ligava (e essas 
culturas se ignoravam mutuamente), suas hierarquias, suas rivalidades, suas 
traições, seus contratos, suas aventuras obedeciam a um sistema único ( 
ERIBON,1996, p.141).
12UNIDADE 1 O QUE É ESTADO?
Weber define três tipos importantes de dominação: 
Carismática: quando a liderança se dá em virtude das qualidades pessoais do 
indivíduo, transmitindo aos liderados a imagem de herói ou profeta. Ela “apoia-
se na autoridade não racionalmente nem tradicionalmente fundamentada de 
personalidades concretas” Tradicional: quando o líder domina pelo fato de 
possuir um direito que foi adquirido ou herdado. A posição autoritária pessoal 
deste tem em comum com a dominação burocrática, pois está a serviço de 
finalidades objetivas, a continuidade de sua existência, o “caráter cotidiano”. 
Racional-legal: como em uma burocracia, essa dominação se dá através de 
leis, regras, regulamentações e procedimentos que validam o poder. Este 
poder, por sua vez, é consentido entre os líderes (WEBER, 1999, p. 23). 
O poder é um instrumento de mudança e depende muito de quem o detém. Assim, 
a conduta ética para fazer uso é essencial. O poder não pode corromper a pessoa, para que 
não seja uma arma em suas mãos, que impõe a destruição de si mesma e dos que estão 
ao seu redor. 
DIFERENTES TIPOS DE 
ESTADO AO LONGO DA 
HISTÓRIA3
TÓPICO
13
3.1 Estado Absolutista
Foi com o Absolutismo que apareceu o Estado moderno. Estava caracterizado pela 
unidade territorial e pela concentração do poder na figura do Rei ou Imperador. Esse tipo 
de Estado predominou na Europa dos séculos XVI ao século XVIII. Tem como sua principal 
característica o fundamento da centralização do poder e o controle das atividades econô-
micas, bem como da justiça e o comando das forças armadas. Um dos melhores exemplos 
sobre essa realidade encontramos na figura do Rei Luís XIV denominado o “Rei Sol” onde o 
próprio afirma “L’état c’est moi” (O Estado sou eu!”). O Absolutismo tem como seu principal 
pensador Thomas Hobbes.
Ele faz uma série de considerações sobre a essência do Estado, afirmava que 
o homem, por sua natureza egoísta, sempre iria colocar os seus interesses à frente dos 
outros. Esse conceito foi elaborado a partir das observações e estudos feitos por Hobbes 
das atitudes dos homens e assim a denominou de “estado de natureza” onde o mais forte 
oprime o mais fraco, “O homem é o lobo do homem”.
Para Hobbes o estado de natureza é um estado de todos contra todos o que parece 
que sempre estamos em guerra uns com os outros. Nessa acepção a função do Estado se-
ria a de apaziguar os ânimos e procurar a justiça para todos, assegurando a paz. Para que 
isso acontecesse cada indivíduo deveria dilatar parte de seus direitos naturais sobre todas 
as coisas para o Estado formulando, assim, um “contrato social” para um único soberano 
ou assembleia que estivesse acima de todos.
UNIDADE 1 O QUE É ESTADO?
14UNIDADE 1 O QUE É ESTADO?
3.2 Estado Liberal
Foi com a Revolução Francesa que o Estado Liberal teve sua inspiração através 
da burguesia que defendia o lema “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”. Foram esses 
princípios que moveram a sociedade burguesa contra o Absolutismo no final do século 
XVI e início do século XVII. O estado Liberal tem como os seus principais fundamentos a 
soberania da população e a representação política dando origem ao lema “o poder é do 
povo”. John Lock (1689-1755) discordava de Hobbes em relação à natureza humana e ao 
absolutismo. Escreve suas ideias pautando que os homens devem ser livres e responsá-
veis pelas suas ações e ter o direito à propriedade e a sua defesa, bem como também a 
obrigação de defender o Estado. Mas é com Montesquieu (1689-1755) que o Estado tem 
uma grande evolução. Montesquieu elaborou as ideias de divisão dos poderes do Estado, 
e, Executivo. Legislativo e Judiciário, ideia essa que permanece até hoje nos países de-
mocráticos. Todo esse estudo está pautado na ideia de contestar os poderes absolutistas 
onde a concentração de poderes e o mando estava nas mãos de um soberano.
Em relação à economia, a principal crítica ao Absolutismo estava na interferência 
do Estado na economia, para as classes burguesas o Estado deveria agir como um “guar-
dião da ordem” zelando para manter a conservação e a segurança da propriedade privada. 
Dessa forma, estabelecia-se a separação entre os domínios públicos, ou seja, tudo aquilo 
que eram de importância comum e, portanto, apto à interferência do Estado do privado, 
que se diz excepcionalmente aos indivíduos não incumbindo, assim, a interferência do 
Estado. Adam Smith (1723-1790) considerado o pai do liberalismoeconômico nos traz uma 
grande contribuição em relação à condução do estado Liberal. Com o lema “Laissez-faire, 
laissez-passer” (deixai fazer, deixar passar) que proclama a visão de que as atividades 
econômicas se autorregulam por meio da oferta e da procura do mercado e, portanto, não 
deveria ser controlada pelo Estado.
O liberalismo não prega uma política anti estatal. Confere ao Estado o papel 
de garantir a segurança pública e proteger a propriedade privada. Entretanto, esse 
modelo de estado liberal causou exaltada concorrência entre as empresas, atrapalhando 
o desenvolvimento dos pequenos empreendedores e levando o capital nas mãos de 
poucos. Esse panorama avivou a demanda popular a necessitar de benefícios sociais, 
principalmente após os períodos de guerras ocasionadas justamente pela disputa de 
mercados consumidores pelas grandes nações. Passando por grandes crises econômicas, 
esse modelo de Estado começou a ser examinado, repensado e reestruturado no final do 
século XIX.
15UNIDADE 1 O QUE É ESTADO?
3.3 Estado Socialista
É no socialismo que o Estado Liberal enfrenta a sua maior oposição e reação. 
Questionando as bases materiais da sociedade, ou seja, a divisão em duas classes sociais 
principais: a burguesia e a classe trabalhadora, assim, o socialismo tem como proposta 
uma profunda alteração nas condições de produção e assimilação da riqueza produzida 
pela sociedade. O primeiro Estado socialista surgiu com a revolução Russa de 1917. Essa 
revolução teve como base e inspiração as teorias de Karl Marx e Friedrich Engels. Naquele 
contexto e em condições favoráveis para sua instalação em virtude da má administração 
Czarista, a revolução derrubou o governo czarista de Nicolau II.
A revolução Russa teve como objetivo suplantar o capitalismo, eliminar a proprieda-
de privada e socializar os meios de produção. Nesse sentido, o Estado seria o responsável 
para tal feito, pois versaria em organizar a sociedade e permitir a livre aparelhamento do 
povo. Segundo as teorias de Marx e Engels, após a superação do capitalismo e a consti-
tuição de uma sociedade comunista esta necessitaria da expansão da revolução socialista 
para as outras nações. Entretanto, não foi isso que aconteceu, em virtude de discussões 
entre os líderes comunistas após a morte de Lênin. Nesse período, sobe ao poder Joseph 
Stalin com um modelo de Estado ditatorial que durou até os anos 50. Após a Segunda 
Grande Guerra Mundial o socialismo foi implantado em países do leste Europeu e em 
alguns países do Continente Africano bem como da Ásia, destacando a China como uma 
das principais nações ao aderir o socialismo.
Porém ao findar os anos 80 o processo de decadência política e econômica na 
então URSS vêm à tona. Liderados por Gorbachev na URSS passa por um período de 
reestruturação e adequação frente aos desafios da nova ordem mundial. Restrito pela 
aliança entre a burocracia e a elite militar, e pela falta de liberdades democráticas e também 
sufocada pela força econômica dos países capitalistas, o país entra em crise. Acabava-se, 
assim, a ideia do Estado Socialista. No entanto, os referenciais de suas teorias continuam 
em partidos que têm como seu ideário político, a luta contra o Estado liberal.
3.4 Estados Nazistas e Fascistas
Dentre os tipos de Estados destacam-se os Estados Nazista e Fascista, sendo 
ambos contra o Socialismo. Nesse tipo de Estado percebe-se a devoção para o Estado, ou 
seja, o Estado estava acima de tudo e todos, até mesmo das demais organizações públicas 
e privadas. Tinha suas bases voltadas para a moralidade preocupava-se com todos os 
campos da vida social e principalmente com a educação. Em relação à economia houve 
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16UNIDADE 1 O QUE É ESTADO?
uma constante nacionalização econômica onde procurava afastar-se de grupos financeiros 
e industriais de outras nações.
O fascismo surgiu na Itália nos primeiros anos após a Primeira Guerra Mundial, 
sendo liderado pelo ditador Benito Mussolini, nacionalista que tinha por base o restabeleci-
mento das glórias do Antigo Império Romano com o intuito de se desenvolver o patriotismo 
e promover uma expansão territorial aumentando, assim, as colônias Italianas. O fascismo 
tinha suas características versadas de que o poder do Estado deveria estar personificado 
de uma figura ou um único partido político, organizado de forma hierárquica. Para o fascis-
mo, a nação era uma unidade moral, política e econômica que se realizava universalmente 
no Estado, que desprezava o individualismo liberal e era totalmente contra o comunismo.
A diferença entre o Fascismo e o Nazismo é que enquanto o fascismo não se 
preocupou com a questão racial e o preconceito, o Nazismo deu plena exaltação à questão 
racial. Consideravam-se homens de raça pura que pregavam a supremacia ariana e tinham 
profundos sentimentos xenófobos. A principal consequência da implantação desse Estado 
levou o mundo à Segunda Guerra Mundial. Mesmo depois de ser derrotado pela democra-
cia pós-guerra, esse fenômeno pode ser notado no crescente fortalecimento dos partidos 
ultranacionalistas e de movimentos neonazistas em várias partes do mundo, inclusive aqui 
no Brasil.
3.5 Estado de Bem-estar-social
Conhecido por Welfare State o estado de Bem-estar-social foi implantado pelos 
grandes economistas liberais na primeira metade do século XX. Foi com a queda da Bolsa 
de Valores de 1929 (Crash) que apareceu esse novo modelo de Estado. Para que houvesse 
a melhora da situação econômica mundial, segundo John Maynard Keynes era necessária 
uma política intervencionista do Estado voltada para atender aos direitos sociais básicos 
como saúde, educação, trabalho, transporte, previdência social e salários dignos. Foi nos 
Estados Unidos e na Grã-Bretanha que esse modelo de Estado teve amparo.
O resultado obteve um retorno econômico em que foi criada uma sociedade 
duradoura às crises do sistema capitalista. Segundo seus críticos se o Estado que 
consentisse às exigências por direitos de cidadania da classe trabalhadora produziria para 
a elite econômica funcionários mais preparados e empenhados. Nos anos 60 o Estado de 
Bem-estar-social começa a sofrer críticas em relação aos gastos públicos com a previdência 
originada pelo aumento do desemprego e pela recessão econômica mundial. O que se 
acentuou com a crise do petróleo de 1973. Mesmo sendo alvo de inúmeras críticas esse 
modelo de Estado ainda existe em alguns países da Europa Ocidental.
17UNIDADE 1 O QUE É ESTADO?
3.6 Estado Neoliberal
Nos anos 80 os Estados Unidos da América bem como a Grã-Bretanha após um 
estudo complexo sobre o Estado de Bem-estar-social chegaram à conclusão de que o 
mesmo não estava produzindo e não era eficaz o bastante para a nova realidade mundial. 
Os seus principais pontos como a redução da pobreza e a distribuição de renda não 
estavam alcançando os seus verdadeiros objetivos. Com base nessas análises tanto os 
Estados Unidos como a Inglaterra sob o governo de Ronald Reagan optaram por uma 
reestruturação de um novo modelo de Estado.
Na Inglaterra a política de Margaret Thatcher foi orientada pela desregulamentação 
da economia, redução de gastos públicos com a educação, habitação e previdência social, 
causou as privatizações das empresas estatais e uma flexibilização das leis trabalhistas. 
Essas mudanças produziram um impacto direto na vida de toda a população originando 
greves e alguns distúrbios sociais. Pelo seu enfrentamento a essas crises, Margaret 
Thatcher ficou conhecida como a Dama de Ferro.
Acompanhando o desenrolar das mudanças realizadas na Inglaterra, o Estado 
Unidos na América sob o Governo de Ronald Reagan exibiu postura semelhante, não 
intervindo na economia, mas com uma severa redução dos gastos públicos e a redução 
de impostos. Essas mudanças incluíram como base o livre mercado, e a livre iniciativa, 
esperando, assim que a desvinculação do Estadona economia e na política induziram a 
prosperidade econômica.
As teorias neoliberais não só ficaram nos Estados Unidos da América e na Inglaterra. 
Em 1989 em uma reunião com FMI (Fundo Monetário Internacional) deliberou-se que esta 
política deveria ser adotada pelos países em desenvolvimento em que deveriam seguir 
regras básicas como privatizações das estatais, flexibilização das leis trabalhistas, aumento 
dos investimentos estrangeiros sem restrições fiscais e redução de gastos públicos. O 
comprometimento com o FMI afetou as economias desses países, que ficaram sob uma 
forte fiscalização dos agentes econômicos que tinham nas mãos o direcionamento da 
aplicação dos recursos.
Em 2008 com uma grave crise econômica mundial esse Modelo de Estado sofreu 
severas críticas. Denúncias foram feitas em que se mostrava as desigualdades sociais e as 
falhas do sistema financeiro para a sustentabilidade do programa.
GOVERNANÇA E 
GOVERNABILIDADE?4
TÓPICO
18
Você já deve ter ouvido falar sobre governança e governabilidade. Embora ambas 
são parecidas, relativas à escrita, partindo da derivação “governo”, cada qual representa um 
conceito. Vamos entender o conceito e suas particularidades para que possamos aprimorar 
nosso conhecimento. Aliás, a Gestão pública deve aprimorar seus mecanismos para que 
a governança e a governabilidade por ser um Estado Democrático de Direito seja plena, 
sabendo ao povo exigir do governo, pois: 
[...] é mais do que tempo de nos emanciparmos da crença ingênua de 
que uma boa lei nos redimiria da tarefa de aplicá-la de forma adequada à 
unicidade. Como bem pontua Grindle (2004, p. 525-548):de e irrepetibilidade 
características das situações da vida, sempre individualizadas e concretas 
(CARVALHO NETTO; SCOTTI, 2011, p. 134).
Governança é a capacidade de implementar, de forma eficiente, reduzindo custos, 
eficaz, alcançando os objetivos e metas e efetivamente beneficiando a sociedade, consoli-
dando as políticas públicas. Pois a governança está atrelada à capacidade de administrar. 
Como bem pontua Grindle (2004, p. 525-548):
[...] governança consiste em: distribuição de poder entre instituições de 
governo; a legitimidade e autoridade dessas instituições; as regras e normas 
que determinam quem detém poder e como são tomadas as decisões sobre o 
exercício da autoridade; relações de responsabilização entre representantes, 
cidadãos e agências do Estado; habilidade do governo em fazer políticas, gerir 
os assuntos administrativos e fiscais do Estado, e prover bens e serviços; e 
impacto das instituições e políticas sobre o bem- -estar público.
UNIDADE 1 O QUE É ESTADO?
19UNIDADE 1 O QUE É ESTADO?
Governabilidade é a capacidade de tomada de decisões, representando os interes-
ses da sociedade de forma legítima. Se tivermos na figura de nossos representantes sejam 
eles presidente, prefeitos, vereadores entre outros, se a sociedade não vê representada por 
eles. Podemos dizer que estamos carecendo de governabilidade. Segundo Bobbio et al: 
[...] a não governabilidade é produto de uma sobrecarga de problemas aos 
quais o Estado responde com a expansão de seus serviços e da sua interven-
ção, até o momento em que, inevitavelmente surge uma crise fiscal. Não há 
governabilidade, portanto, é igual a crise fiscal do Estado (1995, p.15).
Para Santos: 
A governabilidade refere-se às condições políticas, a capacidade e legitimidade que 
um governo tem, isto é, está vinculada a ação do governo em si, de “governar”. É equivalente 
à dimensão político-estatal no que concerne a “[...] condições sistêmicas e institucionais 
sob as quais se dá o exercício do poder, tais como as características do sistema político, a 
forma de governo, as relações entre os Poderes, o sistema de intermediação de interesses” 
(SANTOS,1997, p.342) 
Portanto, podemos afirmar que o Brasil precisa de governança e governabilidade. 
Podemos exemplificar com construções que no Brasil custa 3 a 4 vezes mais que em outros 
países e nunca ficam prontos. Construções que dizem ser para beneficiar a sociedade, mas 
não é real, é notório como a sociedade necessita de empreendimentos em todas as áreas. 
O Brasil é ineficiente em grande parte de suas ações governamentais. Quando falamos de 
Gestão Pública, sabemos que há divergências de acordo com pontos de vista, com relação 
à administração. Mas o que precisa sempre prevalecer é o foco na coletividade, no bem 
comum. 
[...] a configuração dos modelos de gestão pública é influenciada pelo 
momento histórico e pela cultura política que caracterizam uma determinada 
época do país. Assim, a evolução, o aperfeiçoamento e a transformação dos 
modelos de gestão das organizações se desenvolvem a partir de pressões 
políticas, sociais e econômicas existentes e que se traduzem em diferentes 
movimentos reformistas empreendidos pelos governos que buscam um 
alinhamento com as demandas sociais internas e externas (FIATES, 2007, 
p. 92).
É necessário a compreensão que o Estado Democrático de Direito só será efetivo 
quando o Estado tiver ciência de sua responsabilidade. Da mesma forma, a Administração 
Pública, o Gestor Público. Tudo o que se refere ao interesse público, para que a ética, moral 
e lei sejam de fatos considerados elementares. 
20UNIDADE 1 O QUE É ESTADO?
Um termo mais atual é utilizado além de governança e governabilidade. Accountability. 
ARAÚJO, V. de C. A conceituação de governabilidade e governança, da sua relação entre 
si e com o conjunto da reforma do Estado e do seu aparelho. Brasília: ENAP, 2002. Você já 
ouviu essa denominação? Sabe do que se trata? Bem, vamos compreender melhor sobre 
isso. É um processo de responsabilização do servidor público perante à sociedade. Ou 
seja, se você faz um concurso público é porque almeja o cargo escolhido. Assim precisa ter 
responsabilidade, execução adequada do trabalho. Ter transparência e prestar contas para 
a sociedade. Qual o instrumento que permite ao cidadão exercer seus direitos de fazer o 
controle social: accountability. Segundo Araújo:
Accountability é um conceito novo na terminologia ligada à reforma do Estado 
no Brasil, mas já bastante difundido na literatura internacional, em geral pelos 
autores de língua inglesa. Não existe uma tradução literal para o português, 
sendo a mais próxima “a capacidade de prestar contas” ou “uma capacidade 
de se fazer transparente”. Entretanto, aqui nos importa mais o significado 
que está ligado, segundo Frederich Mosher, à responsabilidade objetiva 
ou obrigação de responder por algo ou à transparência nas ações públicas 
(2002, p. 17).
Assim, compreendemos que a transparência na gestão pública é algo imprescindível, 
assim como a importância de o Gestor Público ter o discernimento que tudo que ele faz 
é para o povo. Ele precisa do povo, das pessoas que depositaram confiança por meio 
do voto. Cabendo a ele a ética para saber governar. Não é possível governar se não 
houver governabilidade! Sabe por quê? Governança é a capacidade de administrar e 
governabilidade é a capacidade de dar ordens. Se o povo não se sente representado, não 
seguirá as ordens. Causando um caos político, que gera uma ineficiência nessa esfera, 
com consequências imprevisíveis nas áreas sociais, econômicas entre outras. 
21UNIDADE 1 O QUE É ESTADO?
A luta pelo estabelecimento de uma forma de dominação legítima – isto é, de definições de conteúdos 
considerados válidos pelos participantes das relações sociais – marca a evolução de cada uma das esferas 
da vida social em particular e define o conteúdo das relações sociais no seu interior. As atitudes subjetivas 
de cada indivíduo passam a orientar-se pela crença numa ordem legítima, a qual acaba por corresponder 
ao interesse e vontade do dominante. Desse ponto de vista, o que mantém a coesão social, o que garante a 
permanência das relações sociais e a existência da própria sociedade é a dominação.
Fonte: BARBOSA; OLIVEIRA; QUINTERO, 2003, p. 130-31
[...]só um parlamento ativo e não um parlamento onde apenas se pronunciam arengas pode proporcionar 
o terreno para o crescimento e ascensão seletiva de líderes genuínos, e não meros talentos demagógicos. 
Um parlamento ativo, entretanto, é um parlamento que supervisiona a administração participando 
continuamente do trabalho desta (WEBER, 1974, p. 44).
22
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Compreendemos que o poder é algo desejado por muitos, mas nem todos têm a 
capacidade de utilizá-lo. Pois no contexto sociológico e político, muitas vezes, o poder muda 
as pessoas de forma a causar ineficiência em suas ações. O poder precisa ser conquistado, 
por intermédio de uma boa governança, governabilidade e accountability.
Poder em gestão pública, em uma sociedade carente de manutenção, precisa 
ser alicerçada pela execução de ações que são voltadas para a sociedade, revertendo a 
demanda de dinheiro público, para saneamento básico, saúde, educação, esporte e lazer, 
setores que contribuem para a qualidade de vida dos contribuintes.
Garantindo a legitimidade de escolha, assim os eleitores apoiam seus representantes, 
pois aprendemos de forma muito superficial, sobre o que é cidadania em nossa idade 
escolar e aprendemos na prática, quando precisamos enfrentar as mazelas sociais, com as 
quais nos deparamos com a realidade tão massificante. 
Assim podemos concluir sobre a importância do Estado, pois com seu fortalecimento 
estrutura, mantém a soberania do povo. O Estado é um conjunto de organizações de fins 
políticos e administrativos que tem o propósito de organizar para administrar sua comunidade 
específica de suas delimitações territoriais. Para que o estado tenha força, é necessário 
poder, pessoas e o espaço para governar.
Como aprendemos existem, vários tipos de estados e cada qual proveniente do 
momento histórico necessário, então não podemos julgar com a mentalidade que temos 
na atualidade. Mas é visto o amadurecimento intelectual que proporcionou o crescimento e 
desenvolvimento, deste contexto tão significativo para o país. 
É muito relevante aprender com cada tipo de Estado, pois, oferece as características 
positivas e também contribuições não assertivas que servem como aprendizado para que 
não cometamos os mesmos equívocos, mesmo que não controlamos o Estado, temos 
conhecimento para não sermos controlados por ele. 
UNIDADE 1 O QUE É ESTADO?
23
LEITURA COMPLEMENTAR
Este artigo, com a temática Governança. Governabilidade, Accountability e Gestão 
Pública: Critérios de Conceituação e aferição de requisitos de legitimidade foi produzido 
por Paula Ribczuk e Arthur Ramos do Nascimento e expõe em seu resumo o que pretende 
evidenciar: Resumo: O presente trabalho busca refletir sobre a importância da observância 
da governança, da governabilidade, da accountability e da gestão pública para a efetivação 
do Estado Democrático de Direito, previsto na Constituição Federal de 1988. Para tanto, 
se faz necessário discorrer sobre a boa governança, sobre a legitimidade do Estado para 
governar, ou seja, governabilidade, assim como sobre accountability e gestão pública diante 
da atual conformação do Estado federativo brasileiro. Por fim, são apontados mecanismos 
para a efetivação da boa governança, da governabilidade, da accountability e da gestão 
pública, atestando que na atual conjectura do Estado nacional o administrador público 
deve responder por todos seus atos, o que comprova a necessidade da judicialização das 
políticas públicas para a obtenção do bem comum. 
Fonte: RIBCZUK, Paula; DO NASCIMENTO, Arthur Ramos. Governança, Governabilidade, 
Accountability e Gestão Pública: Critérios de Conceituação e Aferição de Requisitos de Legitimida-
de. Revista Direito Mackenzie, São Paulo, v. 9, n. 2, p. 218-237. Disponível em: http://www.mpsp.
mp.br/portal/page/portal/documentacao_e_divulgacao/doc_biblioteca/bibli_servicos_produtos/
bibli_informativo/bibli_inf_2006/Rev-Dir-Mackenzie_v.09_n.02.12.pdf. Acesso em: 02 nov. 2021.
UNIDADE 1 O QUE É ESTADO?
24
MATERIAL COMPLEMENTAR 
LIVRO 
Título: Estado, Governo e Sociedade: Fragmentos de um Dicio-
nário Político
Autor: Norberto Bobbio
Editora: Paz e Terra
Sinopse: O livro reflete sobre a crise atual mais sem 
dogmatismos, visto de uma forma real, apontando formas de 
governo e Estado e demonstra as possibilidades de reorganizar 
as bases de convivência social por intermédio de reformas do 
Estado e da própria política. 
FILME/VÍDEO 
Título: O Lobo de Wall Street
Ano: 2014
Sinopse: Um homem busca de forma correta cumprir seu pa-
pel, trabalha de forma exaustiva e pouco ganho, com a queda 
na bolsa de valores, a crise o impõe o desemprego. Em meio ao 
caos ele se reencontra com uma oportunidade de ganhar muito 
dinheiro e de extremo poder, mudando sua vida radicalmente. 
UNIDADE 1 O QUE É ESTADO?
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Plano de Estudos
• Breve histórico do Estado Brasileiro e sua trajetória;
• A crise do Estado desenvolvimentista e Formação de Políticas;
• O Estado brasileiro após Constituição de 1988: as relações entre o 
Estado e Sociedade Civil;
• O estado contemporâneo e suas transformações: novos paradigmas 
de políticas públicas.
Objetivos da Aprendizagem
• Conceituar e contextualizar o histórico do estado brasileiro;
• 	Destacar	a	crise	do	Estado	e	as	influências	para	a	formação	de	Políticas;
• Conhecer a Constituição e as relevância entre Estado e Sociedade Civil;
• Compreender o estado contemporâneo e avanços nas políticas públicas.
Professor Mestre Jorge Alberto de Figueiredo 
NOÇÃO DE ESTADO NOÇÃO DE ESTADO 
NO BRASIL NO BRASIL 2UNIDADEUNIDADE
INTRODUÇÃO
26UNIDADE 2 NOÇÃO DE ESTADO NO BRASIL 
Caro(a) aluno(a)! Na Unidade anterior aprendemos o que era Estado, os tipos 
de estados, o conceito de poder e entendemos sobre governança e governabilidade. 
Aprendizagem é sempre muito significativa, ao passo que aprendemos um pouco, temos 
anseios de mais conhecimento. Isso é fundamental para quem tem o interesse de melhorar 
enquanto cidadão.
Para prosseguirmos e aprimorar nossos conceitos, nessa unidade II, daremos 
continuidade estudando sobre o Estado Brasileiro e sua trajetória, a crise do Estado 
desenvolvimentista e a formação de Políticas, o Estado brasileiro após a Constituição 
de 1988, destacando a relação de poder entre estado e Sociedade Civil e o Estado 
contemporâneo e suas transformações: novos paradigmas de políticas públicas.
Todos esses conteúdos têm o objetivo de conceituar e contextualizar o histórico do 
Estado brasileiro, destacar a crise do Estado e as influências para a formação de políticas, 
conhecer a Constituição e as relevância entre Estado e Sociedade Civil, compreender o 
Estado contemporâneo e avanços nas políticas públicas.
Você concorda com que muitos dizem que política não se discute? Se essa também 
for seu conceito, peço que reflita! A política está em tudo o que fazemos, e se não apren-
dermos sobre ela e tudo que está entrelaçado nela como sociedade civil, constituição tão 
importante, por conter nossos direitos e deveres, Estado e políticas públicas. Ficaremos a 
mercê de um sistema que poderá controlarnosso cotidiano, pois, não teremos argumentos 
para contrapor a nossa liberdade de expressão. 
Ao final de nossos estudos a necessidade de sentir pertencente ao meio no qual 
estamos inseridos, sermos mais atuantes e de fato fiscalizar nossos representantes, será 
para você uma prática comum vinculada à participação cidadã na sociedade. 
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BREVE HISTÓRICO DO 
ESTADO BRASILEIRO E 
SUA TRAJETÓRIA1
TÓPICO
UNIDADE 2 NOÇÃO DE ESTADO NO BRASIL 
Para que se possa entender a formação do Estado Brasileiro é importante fazer 
um resgate histórico sobre o contexto das grandes navegações e a formação das colônias 
ultramarinas europeias nas Américas também conhecida como novíssimo mundo. A 
formação do Estado do Brasil teve início com a exploração comercial do período Colonial, 
o Ciclo do pau-brasil (1500), o Ciclo da Cana de Açúcar (1532-1700) e o Ciclo do Ouro 
(1700-1803). 
O período Colonial brasileiro que foi de 1500 a 1822 foi marcado pela exploração 
das riquezas naturais, Portugal como sendo a metrópole da colônia do Brasil não tinha 
interesse em construir aqui uma sociedade política organizada. Nesse período, o Brasil era 
composto de vários núcleos privados e independentes sendo que cada núcleo tinha suas 
leis e a sua própria vida econômica. Dividido em partes ou facções e não existia, assim, um 
sentimento de coletividade o que se pode afirmar uma atrofia em favor da metrópole.
Desenvolvia-se nesses núcleos um sentimento de individualidade com certa natureza 
anarquista sem identificação com a política da coroa portuguesa, notando-se, então, que tal 
sentimento não passava de abstrações. Em sua obra “Populações Meridionais do Brasil” 
do autor Oliveira Viana fica evidente que essa atitude impossibilitava a formação de uma 
sociedade moderna no Brasil. Segundo o autor, para tal constituição seria necessário 
um Estado forte com poder centralizado e com capacidade de gerar um sentimento de 
pertencimento público e acabar com os vínculos privados.
Observamos a preocupação de Sérgio Buarque de Holanda autor dá "O Homem 
cordial” entender as atitudes da sociedade e do Estado no período colonial. O autor de-
28UNIDADE 2 NOÇÃO DE ESTADO NO BRASIL 
monstra pelos seus escritos que o principal motivo era a preocupação em sobrepor as 
afinidades familiares e pessoais acima dos interesses públicos. Assim, realça o autor que 
essa herança do período colonial predomina até os dias atuais em que, ainda se encontra 
núcleos com dificuldades de exercer os ritos sociais que são rigidamente formais e não 
pessoais de separar a partir de um raciocínio lógico o que é público e o que é privado.
No período Imperial, com o fim do período Colonial em 1822 com a proclamação da 
Independência, aconteceu uma adaptação das estruturas do Estado português em relação 
ao Brasil. Ocorre um reforço das relações existentes, agora, entre o Estado do Brasil e 
Portugal. Surge um novo relacionamento entre a sociedade civil e o Estado em que o 
ascende do sentimento público racional em relação ao sentimento privado. No primeiro 
período Imperial sobre a regência de Pedro I, o Brasil obtém a sua primeira Constituição, o 
que é considerado um avanço significativo para a formatação de um Estado forte e soberano.
Embora essa primeira constituição outorga plenos poderes ao Imperador, dando 
uma nuance à ditadura Absolutista, encontrou-se uma solução, acrescentado o Poder 
moderador, juntamente com os outros poderes. Era uma constituição com características 
liberais, em virtude das ideias vindas dos países europeus, porém sem afetar o cotidiano da 
nação imperial brasileira, em virtude de que, grande parte da população brasileira estava 
excluída da primeira Carta Magna. A nova cidadania recém-constituída não abrangia a 
todos, é importante lembrar que nesse período o Brasil era um país escravagista.
Surge, então, a ideia da República e o movimento republicano agilizou setores 
progressistas da sociedade urbana no final do segundo reinado sob a regência de Pedro 
II. Tinha como ideias a representação política efetiva de todos os cidadãos, a divisão das 
províncias transformando-as em unidades federativas, a garantia de direitos individuais e o 
fim da escravidão. 
A luta foi intensa, pois havia partidários do império que desejavam manter-se no 
poder e garantir as oligarquias e os seus títulos de barões. Influenciados pelo movimento 
positivista, os militares aderiram à causa dos republicanos com o apoio das províncias do 
sudeste brasileiro. A proclamação da República acontece no idos de 1889, porém o preço 
para que a república ou esse novo modelo de Estado fosse implantado assim como na 
Independência camadas da população ficaram fora da Carta Magna Republicana. 
Os primeiros anos da República também conhecida por República Velha foram 
distintos pela continuidade das particularidades sociais e políticas contidas na primeira 
constituição do Brasil após a independência. Surge nesse período o Coronelismo que é 
qualificado pelo poder público fortalecido que prefere a manutenção dos antigos chefes 
locais com poderes na esfera privativa. Era uma política de caráter individualista mostrando 
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29UNIDADE 2 NOÇÃO DE ESTADO NO BRASIL 
o poder das oligarquias acima do poder público visto que os Coronéis nunca entravam em 
conflito com a esfera do Estado. Essa política foi marcada pelo “voto de cabresto” com a 
intenção de manter sempre os mesmos chefes no poder.
O Brasil, neste período, era dependente da agricultura principalmente da cultura 
do café, uma herança do baronato imperial. Sendo um país extremamente agrário sem 
incentivos à industrialização, a maioria das pessoas que viviam nas áreas rurais sofria 
pelo estado de pobreza e os mandos e desmandos políticos o analfabetismo era altíssimo, 
colocando o camponês em estado de subserviência, sendo que o servo da Europa feudal 
ainda tinha muito mais direitos do que esses recém-cidadãos do Brasil república.
A República Velha implantou o regime presidencialista de governo, o presidente e 
o seu vice eram eleitos em eleições diretas, com a maioria absoluta dos votos. Caso isso 
não ocorresse, o Congresso formado por deputados nas suas maiores, sob as ordens das 
oligarquias ou partidários dos concorrentes à eleição escolhia entre os dois candidatos vo-
tados nas urnas. Mais do que promulgar as preferências dos eleitores, as eleições também 
serviam para validar o controle do governo pelas elites políticas. Era uma eleição dirigida, 
em que, apenas homens com idade superior a 21 anos podiam votar, as mulheres e os 
analfabetos não participaram do pleito eleitoral. 
Com o fim da República Velha marcada pela Revolução de 1930, Getúlio Vargas 
torna-se presidente do Brasil em um período conturbado e marcado por grandes conflitos, 
também conhecido como a Era Vargas. A sua própria ascensão ao poder é marcada por um 
período revolucionário em que a sociedade brasileira clama pela mudança da ordem social. 
Desde o princípio de seu mandato, Getúlio Vargas fez transparecer que seu governo se 
aproximava de uma ditadura. Em 1932 a Revolução Constitucionalista enlaçou o imaginário 
popular dando uma nova forma nas campanhas políticas graças ao rádio e aos jornais, 
foi um movimento idealizado pelos produtores de café, ou seja, as velhas oligarquias que 
queriam se manter no poder político das elites brasileiras. Assim descreve Ianni:
[...] O forte comprometimento do Estado com o capital implica a expansão 
do Poder Executivo, em detrimento do legislativo. Em um país de tradição 
política autoritária, no qual predominam o pensamento e a prática que 
privilegiam a missão “civilizatória” do Estado na sociedade, o alargamento 
do poder econômico do Estado implica a expansão do Executivo; implica 
o alargamento do poder político e cultural do Executivo. Tanto assim que 
o Estado se transforma em um poderoso agente da indústria cultural, por 
suas implicações não só econômicas, mas tambémpolíticas e culturais [...] à 
medida que se alarga o poder estatal, redefine-se e modifica-se a relação do 
Estado com a sociedade compreendendo as diversidades e as desigualdades 
sociais, econômicas e outras. Na prática dissocia-se o poder estatal de 
amplos setores da sociedade civil. Operários, camponeses, empregados, 
funcionários e outros, compreendendo negros mulatos, caboclos, imigrantes 
e outros, sentem-se deslocados, não representados, alienados do poder. [...] 
(IANNI OCTAVIO, 1989, p. 259-60).
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30UNIDADE 2 NOÇÃO DE ESTADO NO BRASIL 
Getúlio Vargas percebendo as intenções desse setor flexibilizou a sua política 
abafando, assim, a revolução e propiciou o surgimento da terceira constituição brasileira 
em que foi promulgada em 1934. Porém, mesmo acalmando os setores que amparam a 
Revolução Constitucionalista, Vargas enfrentou as investidas do Socialismo obrigando-o, 
mais tarde, através de um golpe de estado implantar o Estado Novo com uma nova 
Constituição em 1937. O período de Governo de Getúlio Vargas foi de 1930 até 1945 
também conhecidos como Ditadura Vargas, em que somente foi deposto em virtude de 
uma nova ordem política Mundial contra qualquer regime ditatorial pós- Segunda Guerra. 
Entende-se por Democracia Populista o período que pôs Getúlio Vargas em que foi 
promulgada a Constituição de 1946. Esse período foi engendrado por Estado influenciado 
pelos ideais democráticos promovidos pela vitória dos aliados na Segunda Guerra Mundial. 
Entretanto não foi assim como parece, pois, nesse período a nova ordem mundial se fez 
presente nas formas de Estado, embora o Brasil passasse por período de crescimento com 
o Governo de Juscelino Kubitschek, o Brasil nunca chegou ou conheceu um verdadeiro Es-
tado de bem-estar social, em virtude de que esta experiência democrática ficou nas mãos 
dos partidos políticos. Na constituição de 1946 algumas mudanças significativas ocorreram, 
mas ainda não era o ideal. Foram mantidos os direitos sociais e a garantia dos direitos civis 
e políticos. Esse período vai de 1946 até o ano de 1964 quando os militares entraram no 
poder.
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31
A CRISE DO ESTADO 
DESENVOLVIMENTISTA E 
FORMAÇÃO DE POLÍTICAS2
TÓPICO
UNIDADE 2 NOÇÃO DE ESTADO NO BRASIL 
Com o Estado Novo na era Vargas é elaborada uma nova Constituição para o 
Estado Brasil. Essa Constituição estava sob o caráter do autoritarismo de Vargas, tendo 
como meta a modernização do Estado inserindo uma nova ordem social e econômica inspi-
rada no nacional-desenvolvimentismo. Tendo como líder, o próprio Getúlio Vargas procura 
atender às reivindicações da classe trabalhadora, regulamentando a jornada de trabalho 
bem como o lançamento da carteira de trabalho e a criação da CLT (Consolidação das Leis 
do Trabalho). Com essa política de apaziguamento, mas com o controle total do estado e 
Getúlio conquista a simpatia da classe trabalhadora e da burguesia industrial.
Essa nova forma de governar criou um acordo entre o Governo e as elites urbanas 
para dar início a industrialização do Brasil. O Estado foi o principal agente investidor da 
ação, e a visão implantada por Vargas permaneceu pelos anos seguintes, chegando até os 
dias atuais. Foi nesse período que Vargas recebeu o apelido de “a mãe dos pobres e o pai 
dos ricos”, apelido que, segundo consta em suas biografias, o agradava muito.
Como foi exposto em parágrafo anterior com a instauração do Estado Novo, foi 
imposta ao país nova Carta Magna, a Constituição de 1937, com um estilo autoritário, 
centralizador e antidemocrático, o novo regime político no Brasil tornou-se inequívoco. 
Foram suprimidos os direitos políticos e extinguiu o poder legislativo, ficando apenas o 
poder executivo com o exercício das suas funções. Os partidos políticos foram invalidados, 
as greves proibidas e houve censura aos meios de comunicação, com a criação do DIP 
(Departamento de Impressa e Propaganda) essa atitude tornou-se rotineiras que facilitou 
32UNIDADE 2 NOÇÃO DE ESTADO NO BRASIL 
as probabilidades de contenção ao regime Vargas o que não oscilou em valer-se da ameaça 
e da tortura contra os seus opositores.
Assim como bem assinalou José Murilo de Carvalho:
[...] a expansão dos direitos sociais não decorreu do exercício dos direitos civis 
e políticos, como no caso inglês, uma vez que se tratou de uma legislação 
introduzida em ambiente de baixa ou nula participação política e de precária 
vigência dos direitos civis. Esse pecado de origem e a maneira como foram 
distribuídos os benefícios sociais tornaram duvidosa sua definição como 
conquista democrática e comprometeram em parte sua contribuição para o 
desenvolvimento de uma cidadania ativa [...] (CARVALHO, 2001, p. 110).
É importante recordar que nesse contexto, a ação do regime Vargas em relação à 
área social foi escoltada por um projeto político ideológico com bases na ética do trabalho 
bem-sucedido com a intencionalidade de aproximar os assalariados e Estado na figura 
emblemática de Getúlio Vargas.
Mediante todas as atitudes dos governantes do Brasil desde o Império e a República 
Velha, e com o Estado Novo sob a conduta de Getúlio Vargas que o Estado do Brasil 
obteve progressos que até o presente momento são de grande valor. Embora o Governo 
de Vargas seja julgado por muitos como ditatorial, em tese não deixa de ser uma verdade, 
e agora deixando de lado esse aspecto obscuro do seu caráter, é nas conquistas sociais 
que podemos, então, equilibrar as ações do Estado Novo.
 Getúlio Vargas sem dúvida e assim podemos afirmar que é o construtor do moderno 
Estado brasileiro. Foi o transformador de uma economia agrária exportadora (a monocultura 
cafeeira) voltada para fora em outra voltada para dentro. Criou instituições que contribuíram 
para o desenvolvimento econômico e social do Brasil. A CLT ainda é a estrutura geral 
da regulamentação das leis trabalhistas sem mencionar a criação do salário mínimo e 
da carteira de trabalho. Ampliou o crédito agrícola via projetos do Governo Federal como 
também dos Governos Estaduais, instalou as carteiras de crédito do Banco do Brasil e criou 
o BNDES, que ainda financia boa parte dos investimentos na indústria e na infraestrutura 
do Estado Brasileiro.
 
33
O ESTADO BRASILEIRO APÓS 
A CONSTITUIÇÃO DE 1988: 
AS RELAÇÕES ENTRE ESTADO 
E SOCIEDADE CIVIL
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TÓPICO
UNIDADE 2 NOÇÃO DE ESTADO NO BRASIL 
Com a aprovação da lei da Anistia em 1979 começa acontecer a tão esperada 
abertura política, chegando ao fim o período histórico denominado de Ditadura Militar de 
1964 a 1985. O Estado Brasileiro ingressou em uma nova etapa democrática, determinando 
as bases para o início de uma concepção democrática, com a promulgação da Constituição 
de 1988. Nessa nova Carta Magna, os limites institucionais e as manifestações populares 
se faziam presentes naquele contexto transitório.
Esses movimentos cooperaram para a arrumação do novo regime democrático, 
com eleições regulares, pluralidades partidárias, liberdade de expressão e igualdade jurídi-
ca. O povo foi às ruas, começou a sair de uma letargia e passou a ver a realidade do estado 
Brasileiro e da ordem pública.
Como observa Marcos Napolitano:
[...] Havia vários projetos que propunham uma saída para o governo autoritário 
que o Brasil vivenciava. Os liberais, mais moderados, defendiam a liberdade 
de expressão e de organização partidária, o fim da censura e o respeito 
aos direitos civis. As esquerdas, divididas entre comunistas de diversos 
matizes, petistas e trabalhistas [...], [...] queriam isso e algo mais. Para eles, 
a democracia deveria colocar na pauta os direitos sociais dos trabalhadores, 
sua participação efetiva nas decisões políticas e a busca de uma divisão de 
renda mais justa [...] (NAPOLITANO, 2015, p. 35).
Nos anos 90, o Estado Brasileiro passou por uma provação muito grande, em que 
mexeu com toda a nação o impeachment do presidenteFernando Collor de Mello, um 
drama nacional, pois Fernando Collor tinha sido o primeiro presidente eleito após a ditadura. 
Acusado de corrupção, o ex-presidente perdeu o apoio da maioria do Congresso e dos 
34UNIDADE 2 NOÇÃO DE ESTADO NO BRASIL 
empresários. O povo se manifestou nas ruas principalmente através dos estudantes que 
ficaram marcados pelo contingente dos “caras pintadas''. Coagido e vendo que seu Governo 
não tinha condições de governabilidade, e com o temor de sua cassação o Presidente 
renuncia ao cargo no dia 29/12/1992.
Após a sua renúncia o Vice-presidente assume o cargo. Itamar Franco imediata-
mente acirrou os ânimos colocando ordem e conseguiu através do plano Real estabilizar a 
economia do Brasil. Seu Governo foi de pouca duração, visto que não pretendia a reelei-
ção. Nas eleições de 1994 Fernando Henrique Cardoso é eleito presidente do Brasil. Seu 
governo, porém, não foi como desejava a sociedade, com tendências neoliberais continuou 
com a política de privatizações e de regulamentação dos gastos públicos. Segue a cartilha 
imposta pelo FMI e do Banco Mundial com o intuito de atingir um superávit primário.
Mesmo o Estado do Brasil tendo uma estabilidade econômica produzida pelo plano 
real, implantado no Governo anterior, as políticas neoliberais feitas pelo Governo de FHC 
sofreram severas críticas da oposição. A crise no Governo FHC se agravou com as redu-
ções das atividades econômicas e o desemprego, juntamente com o aparecimento de uma 
crise energética. A recessão internacional ajudou a desgastar mais o governo, vindo este a 
sofrer uma derrota eleitoral nas eleições de 2002.
Eleito em 2002 Luiz Inácio Lula da Silva com uma liderança carismática e com 
promessas de crescimento nacional torna-se o primeiro Presidente do Brasil vindo das 
camadas mais baixas, faz história pela sua luta na Ditadura e pela sua origem humilde 
nordestina, criando, assim, o misto de semi-herói vencedor das adversidades da vida. Tem 
como meta política abrandar a política neoliberal do governo anterior. Cria programas so-
ciais de redistribuição de renda como os programas “vale gás, Bolsa Alimentação e Bolsa 
família”. Deu ênfase ao mercado interno e consolidou os fundamentos macroeconômicos 
do Brasil. Com esses programas altruístas sua imagem no exterior ficou bem difundida.
O Governo Lula foi de 2003 a 2007, disputando a reeleição, sendo vencedor do 
pleito, ficando com um novo mandato de 2007 a 2010. Como em todo Governo, existem os 
pontos negativos. E com o Governo Lula não se fez diferente sendo marcado por episódios 
de corrupção e clientelismo. A prática do clientelismo limita a transparência pública e coloca 
em risco os fundamentos do Estado democrático de Direito. A maior superação do Estado 
é acabar com essa ação em que poucos são muito privilegiados, e a maioria é prejudicada.
Os programas de iniciativas socioeconômicas realizadas no governo Lula facilita-
ram as disputas eleitorais de 2010, quando se saiu vencedora a ex-ministra da Casa Civil, 
do Governo Lula, a senhora Dilma Rousseff, como sendo a primeira mulher Presidenta 
do Brasil. As mudanças a serem realizadas no Brasil, para que este se tornasse um país 
mais justo e democrático é uma responsabilidade de todos aqueles que sonham, lutam e 
acreditam num país melhor para todos.
35
O ESTADO CONTEMPORÂNEO E 
SUAS TRANSFORMAÇÕES: NOVOS 
PARADIGMAS DE POLÍTICAS 
PÚBLICAS
4
TÓPICO
UNIDADE 2 NOÇÃO DE ESTADO NO BRASIL 
Quando pensamos em Estado Contemporâneo, muitas vezes não relembramos 
a trajetória percorrida para a sua formação. Parece-nos que tudo está pronto ou que 
simplesmente surgiu do nada e que apenas temos que viver conforme as normas da 
sociedade contemporânea que tudo o que ocorre em relação ao Estado é “normal”. Essa 
ideia já concebida ou pré-formada surge com o fenômeno da Globalização sendo um dos 
paradigmas das políticas públicas existentes no Estado Contemporâneo. A Globalização 
é desenvolvida por vários aspectos que são exprimidas por nomes como: compressão 
espaço-temporal; interdependência econômica; impressão de encurtamento das distâncias; 
integração global; reordenação das relações de poder; surgimento de uma cultura global e 
consciência do aumento das diversidades. Todas essas interpretações sobre a Globalização 
são vistas diariamente nos meios de comunicação e em discursos dos líderes de Estado.
Essa ideia nos remete a uma sensação de que o mundo e os seus moradores 
alteraram a forma de suas vivências do seu cotidiano e entendem a necessidade do 
imediatismo. Como, exemplo, o uso dos aparelhos celulares que influem nos aspectos 
da vida privada, bem como das ligações comerciais e das agitações políticas do Estado 
Contemporâneo. Mas a realidade é muito diferente, na prática é evidente que o fenômeno 
da Globalização não chegou a todos os lares e a todas as pessoas. Como ensina Held 
David.
[...] Para continuar eficaz num mundo que se globaliza, [ela a Globalização] 
tem que estar inserida num sistema reformulado[...] que procure combinar a 
segurança humana com a eficiência econômica. A reconstrução de um proje-
to social democrático exige a busca coordenada de programas [...] que regu-
lam as forças da globalização econômica --- a garantia, em outras palavras, 
de que os mercados globais comecem a servir às populações do mundo e 
não o inverso. [...] (HELD; MCGREW, 2001, p. 73-74).
36UNIDADE 2 NOÇÃO DE ESTADO NO BRASIL 
Em relação aos novos modelos de políticas do Estado Contemporâneo em virtude 
de seu modo de libertação de todo ou qualquer tipo de superioridade e também pela procura 
da equiparação de direitos, que são típicos da multiplicidade dos movimentos sociais, por 
longo tempo confiou-se que seu arrolamento com o Estado só poderia ser nas bases do 
conflito. Porém os tempos são outros, os ventos sopram para outra direção, entretanto não 
se pode esquecer que o cerne desses movimentos e conflitos com o Estado ocorre quando 
o Estado é centralizador e autoritário ou ainda debelado por apenas um grupo ou elite 
nacional como ocorreu durante a ditadura civil-militar (1964-1985) no Brasil. Por incrível 
que nos pareça, ainda no século XXI após inúmeras lutas e sofrimentos, existem Estados 
ou nações despóticas.
A conjuntura social e política de uma sociedade pode ser o apontador que qualifica 
os movimentos ao mesmo tempo em que apresenta as bases para adaptarem-se às causas 
de seu aparecimento. O esboço das bases sociais da convulsão e da obediência demonstra 
que as situações de censura política podem ter efeito imediato, mas é de difícil sustentação 
em longo prazo, o que gera mais revolta. Mesmo assim a violência do Estado é um artifício 
que dificulta a propagação dos movimentos sociais como forma de reclamação, ao passo 
que nos regimes democráticos esses movimentos alargam-se e desenvolvem-se, com em-
basamento nas garantias constitucionais de direitos civis e políticos. Está posta aqui uma 
das conquistas do Estado contemporâneo.
Quando o Estado é mais acessível às demandas da sociedade civil, dilatam-se 
as possibilidades de um melhor relacionamento entre os setores políticos e que não seja 
apenas de confrontação. Na maioria das vezes os movimentos procuram precisamente que 
suas exigências sejam analisadas pelo Estado e transformadas em leis, ou em políticas 
públicas. Do mesmo modo, o Estado pode buscar os movimentos sociais, a fim de acatar 
melhor às necessidades da população ou meramente, legitimar sua autoridade diante da 
sociedade. Assim nos ensina Boaventura Santos.
[...] os desafios que são postos à democracia no nosso tempo são os 
seguintes. Primeiro, se continuarem a aumentar as desigualdades sociais 
entre ricos e pobres ao ritmo das três últimas décadas, em breve, a igualdade 
jurídico-política entre os cidadãos deixará de ser um ideal, republicano para 
se tornar uma hipocrisia social constitucionalizada. Segundo a democracia 
atual não está preparada para reconhecer a diversidade

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