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Endotélio: Epitélio que reveste os vasos. CONCEITOS BÁSICOS HEMOSTASIA Adesão e ativação plaquetária Formação de Fibrina Bloqueia o sangramento Previne hemorragias espontâneas TROMBOSE Trombose venosa (estase sanguínea) Trombose arterial (aterosclerose) Após a lesão inicial, há um breve período de vasoconstrição arteriolar, atribuível principalmente a mecanismos neurogênicos reflexos e amplificada pela secreção local de fatores como a endotelina (um vasoconstritor potente derivado do endotélio). O efeito é transitório e o sangramento recomeçaria se não fosse a ativação dos sistemas plaquetário e da coagulação. TROMBO COÁGULO In vivo Lesão na parede vascular Aderido ao vaso Duro, Não elástico Post mortem Não lesão na parede vascular Não aderido ao vaso Elástico Trombose refere-se à formação de um trombo dentro do lumen vascular, que é definido como um agregado de sangue coagulado que contém plaquetas, fibrina e elementos celulares. Para propósitos práticos, o termo "coágulo" é sinônimo. Trombo é uma massa sólida formada na luz dos vasos ou do coração com os elementos do sangue durante a vida. Trombose é o processo de formação do trombo. A trombose é uma extensão patológica do processo normal de hemostasia. Desequilíbrios na interação dos três elementos básicos, ou seja, parede vascular, plaquetas e proteínas da coagulação podem resultar em trombose. TROMBOSE 5 TROMBOSE CONCEITO Liberação de endotelina.Vasoconstrição causa vasoconstrição reflexa VASOCONSTRIÇÃO Endotélio Músculo liso arteriolar Solidificação dos constituintes normais do sangue, dentro do sistema cardiovascular, no animal vivo. Trombo é a massa sólida formada a partir do processo da trombose. 6 CLASSIFICAÇÃO TROMBOSE 1) TROMBOS VERMELHOS, OU ”DE ESTASE “(VENOSOS) Ricos em hemácias, frequentes veias Flebotrombose Acomete veias poplíteas; femorais e ilíacas 2) TROMBOS BRANCOS (ARTERIAIS) Constituídos de plaquetas e fibrina, geralmente associados às alterações endoteliais, frequentes em artérias. 3) TROMBOS HIALINOS (ARTERIAIS) Constituídos principalmente de fibrina, associados à alterações na composição sanguínea, frequentes em capilares. Constituído por hemácias, leucócitos, plaquetas e fibrina Se formam nas veias (principalmente dos MMII-Flebotrombose) Pouco aderidos tendem a desprender-se Crescem contra a corrente (obstrutivos) Causa: lentidão da corrente (estase) TROMBOS VERMELHOS (COAGULAÇÃO) TROMBOSE - VENOSA As veias profundas da perna são o local mais comum para trombose, principalmente devido ao fluxo lento de sangue. Este é frequentemente o resultado de imobilização prolongada. Esta condição pode causar edema da perna, ou pode ser completamente assintomático. A complicação mais temida é o trombo-embolismo pulmonar. TROMBOS VENOSOS (70 % das tromboses) VARIZES MMII Geralmente vermelhos e oclusivos. Localizados Predominantemente MMII (Flebotrombose) São úmidos,gelatinosos, associam-se às flebites e estase prolongada. Firmemente aderidos ao endotélio FATORES DE RISCO TVP Obesidade – IMC > 40 aumenta em 2 a 3 vezes o risco de TEP. Tabagismo potencializa o risco de outras condições (ex: mulher tabagista em uso ACO aumenta em 9x o risco de TVP) Uso de contraceptivos orais/Gravidez Imobilização prolongada. Paciente acamado. Cirurgia recente principalmente as de joelho e quadril, oncológicas, vasculares e neurológicas. Trauma 60% dos pacientes com trauma grave fazem TVP. Câncer O tumor pode secretar fatores de coagulação. Catéteres venosos (lesão endotelial). Algumas quimioterapias. Compressão vascular pelo tumor. ANEURISMA PONTA VE TROMBOS MISTOS CARDÍACOS (20 % tromboses) MURAIS Principalmente: Endocárdio, Átrio D e V.E Valvas (aórtica e mitral) Aneurismas cardíacos na Miocardite chagásica crônica. Secos Friáveis Inelásticos Associados à alterações no endocárdio Mais comuns. Formados por estratificações fibrinosas (brancas), alternadas com partes vermelhas. Constituídos por todos os elementos do sangue Se formam nas artérias lentamente São alongados e apresentam 3 partes: CABEÇA: é o primeiro que se forma, fixa no endotélio COLO: Porção estreita intermediária,na qual se configuram as ”linhas de Zahn” resultantes da alternância de zonas brancacentas e avermelhadas CAUDA: se forma por último; sempre vermelha; desprende fácilmente (não aderida ao vaso) desencadeando êmbolos a b c êmbolo TROMBOS MISTOS CAUDA CABEÇA 19 ARTERIAIS (10 % das tromboses ) Geralmente brancos Oclusivos ou semi-ocludentes Acomete mais comumente as artérias: Coronárias Cerebrais Ilíacas Femurais TROMBOS HIALINOS CAPILARES Hialinos Ocorre nas coagulopatias de consumo (CIVD) Doenças auto imunes como: Lupus eritematoso (rim) TROMBO ARTERIAL Constituídos por leucócitos, plaquetas e fibrina Se formam nas artérias e coração Aderidos na parede vascular (não obstrutivos) Apresentam uma estriação em linhas (linhas de Zahn) Causa: lesão na parede vascular TROMBOS BRANCOS (FIBRINOSOS)- ARTERIAIS 22 ETIOPATOGENIA TROMBOSE ”Tríade de VIRCHOW" Trombose é consequência de 3 tipos de alterações, agindo isolada ou simultaneamente: TRÊS FATORES PRIMÁRIOS 1. Alterações da parede vascular ou cardíaca com propriedades pro e anti-trombóticas 2. Alterações circulatórias ou hemodinâmicas Alterações no fluxo sanguíneo > Turbulência induz dano endotelial > Estase contribui para trombose venosa 3. Alterações na composição sanguínea com hipercoagulabilidade Coagulabilidade sanguínea aumentada ALTERAÇÃO DA PAREDE VASCULAR OU CARDÍACA Granulocito Hematíes Plaquetas Linfocito Vaso normal Lesão vascular Agregação plaquetária Formação do trombo Turbulência Estenose Fluxo laminar Leucócitos e hemácias circulam em camadas concêntricas na parte central da coluna de sangue, enquanto as plaquetas fluem na periferia, mais próximas do endotélio. Quando o fluxo laminar torna-se turbilhonado, as células chocam-se contra a parede vascular, o que pode favorecer a ativação de plaquetas e iniciar a sua adesão ao endotélio. PADRÃO LAMINAR DO FLUXO SANGUÍNEO ALTERAÇÃO DO FLUXO SANGUÍNEO Fluxo laminar alterado Lesão vascular Bifurcação vascular Trombose 27 ETIOPATOGENIA TROMBOSE ALTERAÇÕES DA PAREDE VASCULAR OU CARDÍACA Evidenciável na maioria das tromboses arteriais e cardíacas, e em algumas venosas. CAUSAS Traumas, angeítes, endocardites, arteriosclerose, I.A.M, erosões vasculares (Tbc; infiltrações neoplásicas). MECANISMO Lesão endotelial ou endocárdica provocando exposição do colágeno subendotelial, com consequente adesão e agregação plaquetária, e desencadeamento do processo de ”coagulação“, 28 ALTERAÇÕES HEMODINÂMICAS POR ESTASE Importante principalmente trombose venosa. A estase altera o fluxo lamelar Faz com que as células (inclusive plaquetas) que ocupavam a corrente axial passem à corrente marginal, Facilitando o contato plaquetas- endotélio, concentra fatores de coagulação. POR TURBULÊNCIA Predispõem à deposição de plaquetas (altera fluxo lamelar, modifica corrente axial e marginal). Traumatiza íntima vascular. Facilita exposição do colágeno subendotelial Maior frequência de trombose nas áreas de estenose e bifurcações vasculares. 31 ETIOPATOGENIA TROMBOSE ALTERAÇÕES SANGUÍNEAS (HIPERCOAGULABILIDADE) Um dos fatores mais importantes na trombogênese. Trombocitose: Anemias ferroprivas, após hemorragias graves (pós operatórios,principalmente esplenectomia). Aumento da viscosidade sanguínea: Anemia falciforme, desidratação e queimaduras. DESTINO DOS TROMBOS PROPAGAÇÃO: O trombo pode agregar mais plaquetas e fibrina, causando obstrução do vaso. DISSOLUÇÃO: Ação da Plasmina (Fibrinolisina) sobre alguns dos fatores da coagulação, fibrinogênio e fibrina digerindo-os. CALCIFICAÇÃO: Comum nos trombos sépticos e nos organizados, principalmente nos venosos (forma os "flebólitos” que permanecem firmes na parede vascular ou desprendem-se e caem na corrente circulatória. EMBOLIZAÇÃO: Muito frequente. Decorrem da fragmentação ou descolamento de trombos inteiros. É favorecida pela fragilidade na fixação do trombo, pelo retardamento na lise ou na organização, pela compressão da região, pelo esforço e aumento do fluxo sanguíneo CLASSIFICAÇÃO DOS TROMBOS QUANTO AO EFEITO DA INTERRUPÇÃO DO VASO SANGUÍNEO Ocludentes (oclusivos) Parietais ou semi-ocludentes Quanto à presença de infecção Sépticos Endocardite valvar Assépticos DESTINO DOS TROMBOS-ORGANIZAÇÃO Invasão do trombo por macrófagos, fibroblastos e por proliferação endotelial, transformando o mesmo em tecido de granulação. CANALIZAÇÃO Ocorre quando os vasos neoformados na fase de organização anastomosam-se, com o restabelecimento parcial do fluxo sanguíneo. DOENÇA DE BUERGER Tromboangiite obliterante Anatomia Patológica EMBOLIA E INFARTO 38 EMBOLIA Embolia é uma massa sólida, líquida ou gasosa intravascular desprendida que é levada pelo sangue a um local distante de seu ponto de origem. Maioria dos êmbolos originam de um trombo desalojado tromboembolia. Êmbolo (do grego, tampão ou rolha), é qualquer corpo estranho à corrente sanguínea ou linfática, transportado por ela e que fica retido em um vaso de calibre menor. TIPOS DE EMBOLIA 1) Embolia Pulmonar 2) Embolia Sistêmica 3) Embolia Líquido Amniótico (infusão) 4) Embolia Gasosa (doença dos caixões) 5) Embolia Gordurosa 40 EMBOLIA PULMONAR Causa evitável mais comum de óbitos em pacientes hospitalizados. Importante complicação da trombose Principal causa oclusão de vaso pulmonar de grande ou médio calibre. 95% dos êmbolos pulmonares têm origem veias grandes e profundas dos membros inferiores poplíteas, femoral e ilíaca. Oclusão artéria pulmonar principal, obstrue a bifurcação (êmbolo em sela) 42 EMBOLIA SISTÊMICA Êmbolos que viajam pela circulação arterial 80 a 85% origem nos trombos intracardíacos 60 a 65 % surgem no VE depois do IAM 5 a 10 % trombos atriais doença reumática 5 % dos casos miocardiopatia Arritmias risco de embolização FONTES MENOS COMUNS ÊMBOLOS Trombos placas ateroscleróticas ulceradas Aneurismas aórticos, próteses valvulares ou aórticas Embolia paradoxal 43 EMBOLIA DIRETA Mais frequente. Êmbolos se deslocam no sentido do fluxo sanguíneo. Êmbolos oriundos de artérias ou do lado esquerdo do coração ”árvore arterial sistêmica" capilares EMBOLIA SISTÊMICA. Comum em endocardites bacterianas, nas tromboses murais pós I.A.M, nas arterites, na aterosclerose aórtica, Acomete mais frequentemente cérebro,extremidades, baço e rins. Êmbolos oriundos de veias ou lado direito do coração pulmões EMBOLIA PULMONAR Cor pulmonale agudo e morte por hipóxia sistêmica. Forma mais comum e mais letal sendo determinada em 95% dos casos por tromboembolismo dos MMII. O trombo pode ocluir a Artéria pulmonar principal ou ramos arteriais menores Infarto vermelho pulmonar. 44 EMBOLIA CRUZADA OU ”PARADOXAL" Êmbolo passa da circulação arterial para a venosa, ou vice- versa, sem atravessar a rede capilar, por intermédio de: CIA, CIV, MAV. 45 EMBOLIA GORDUROSA Minúsculas gotas de gordura aparecem: Após fraturas e ossos longos (medula gordurosa) Queimaduras extensas da pele Traumatismos partes moles (tecido adiposo) Gordura atinge circulação através ruptura dos sinusóides ou vênulas medulares. Somente em 1 % dos casos os pacientes apresentam sintomas e sinais clínicos conhecidos como Sínd. da embolia gordurosa . 46 EMBOLIA GASOSA Bolhas de ar ou gás na circulação podem obstruir fluxo vascular lesão tecidual AR PODE ENTRAR CIRCULAÇÃO POR: 1. Parto ou aborto: Ar é forçado para o interior dos seios venosos uterinos rompidos pela forte contração do útero 2. Pneumotórax: Rompimento de grande veia ou artéria ou são penetradas acidentalmente 3. Lesão pulmonar ou da parede torácica: Rompimento de uma grande veia Penetração de ar durante pressão negativa da inspiração 47 EMBOLIA GASOSA DOENÇA DOS CAIXÕES OU DA DESCOMPENSAÇÃO Ocorre em indivíduos expostos a súbitas alterações de pressão atmosférica. Gás é inspirado sob alta pressão. Quantidades aumentadas de gás dissolvido no sangue, nos líquidos teciduais e na gordura. Com descompensação súbita: gases se soltam da solução em formas de bolhas minúsculas, insolúveis (oxigênio é muito solúvel, mas nitrogênio e hélio tendem a persistir e formar êmbolos gasosos) 48 EMBOLIA POR LÍQUIDO AMNIÓTICO Associada ao parto ou pós-parto imediato Importante causa de mortalidade materna, Rara. Incidência: 1 em 50.000 partos. 86% de morte Ocorre subitamente PRINCIPAL CAUSA Infusão do líquido amniótico na circulação materna após laceração das membranas placentárias ou ruptura das veias uterinas e/ou cervicais. Trofoblasto Escamas córneas INFARTO-DEFINIÇÃO Oclusão total de uma artéria conduz a uma área de necrose coagulativa. Oclusão parcial pode causar infarto, mas frequentemente conduz a atrofia. Infarto é uma área de necrose originada em distúrbio circulatório Em geral são causados por redução ou interrupção da circulação arterial, mas há também infartos conseqüentes a obstrução venosa. De acordo com seu aspecto macroscópico, os infartos dividem-se em anêmicos ou brancos e hemorrágicos ou vermelhos. Infartos são áreas de necrose coagulativa onde o tecido necrótico mantém a estrutura subjacente do órgão, pelo menos até que o reparo se inicie. Isto está em contraste com a necrose liquefativa ou caseosa onde a estrutura subjacente do tecido está perdida. © 2000, J.L. Fishback, M.D. 50 INFARTO Infarto é uma área circunscrita de necrose tecidual causada por isquemia absoluta prolongada devida a distúrbio da circulação arterial ou venosa. Causa dos tromboembolismo geralmente por oclusão arterial. TIPOS DE INFARTO Branco (anêmico) Vermelho (hemorrágico) Séptico ou asséptico INFARTO BRANCO Obstrução arterial em órgãos sólidos como coração, rins, baço, fígado possuem circulação terminal (pouca circulação colateral). INFARTO VERMELHO Área avermelhada devido à intensa hemorragia. Em órgãos frouxos pulmão, testículo com rica circulação colateral. Causa: obstrução arterial ou venosa. 51 INFARTO- MACROSCOPIA INFARTO BRANCO Área em forma de cunha (ápice para a obstrução e base para o órgão). Início é pálido por falta de sangue e contornos mal definidos, depois coloração branca- amarelada bem delimitada. Infarto se transforma em um abscesso quando há colonização por microrganismos ou em casos de embolia séptica. INFARTO VERMELHO Área escura, sangrante, friável Infarto Renal IAM 54 INFARTO Os fatores condicionantes ao infarto compreendem aqueles que predispõem ao estabelecimento da isquemia. Assim, o estado geral do Sistema Cardio Vascular. Anatomia rede vascular (circulação dupla ou paralela, obstrução parcial e/ou total da circulação única, circulação colateral) Vulnerabilidade do tecido a isquemia (tecido nervoso,cardíaco) são alguns exemplos desses fatores. INFARTO PULMONAR © 2000, J.L. Fishback, M.D.