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Custos Empresariais
Métodos de Custeio e Critérios de 
Avaliação dos Estoques
Desenvolvimento do material
Dayse de Lima Passos
1ª Edição
Copyright © 2022, Afya.
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mecânico, por fotocópia e outros, sem a prévia 
autorização, por escrito, da Afya.
Sumário
Métodos de Custeio e Critérios de Avaliação dos Estoques
Para início de conversa… ................................................................................ 3
Objetivo .................................................................................................... 3
1. Painel Básico da Contabilidade de Custos ........................................... 4
1.1 Métodos de Valoração de Estoques ................................................ 5
2. Métodos de Custeamento .......................................................................... 9
2.1 Formas de Custeio ................................................................................. 22
Referências .................................................................................................... 23
Para início de conversa…
A contabilidade de custos tem muitas especificidades peculiares deste 
ramo da contabilidade que variam desde os métodos de controle de 
estoques, até aos sistemas de custeamento, as formas de controles 
gerenciais etc.
Nesta unidade de aprendizagem, veremos os métodos de valoração de 
estoque: custo específico, Primeiro que Entra, Primeiro que Sai (PEPS), 
Último que Entra, Primeiro que Sai (UEPS) e custo médio. Assim, veremos 
os métodos que são aceitos no Brasil e os que não são e como eles se 
comportam.
Na sequência, estudaremos os sistemas de custeamento: custeio 
variável, custeio por absorção, custeio ABC e custeio RKW. Igualmente 
você compreenderá quais são aceitos em nosso país e quais não são 
aceitos, mas que são grandes ferramentas gerenciais e, por consequência, 
importantes para os gestores nas tomadas de decisões.
Por fim, você terá uma breve introdução sobre o custo padrão, também 
conhecido como custo orçado, e o custo real, também conhecido como 
custo histórico. 
Objetivo
Compreender os métodos de custeio e critérios de avaliação de estoques.
Custos Empresariais 3
1. Painel Básico da Contabilidade de Custos
A fabricação dos produtos é um processo de transformação da matéria-
prima e outros materiais em produtos finais ou acabados, assim sendo, 
temos a matéria-prima no início desse processo. A contabilidade irá 
registrar a compra da matéria-prima que permanecerá no estoque até 
o início da fabricação propriamente dita, quando esta será transferida 
para o estoque de matéria-prima em elaboração. Após a finalização 
da produção, este produto se tornará estoque de produtos acabados, 
estando pronto para a etapa de vendas, como pode ser visto na Figura 
1. Após a venda, o estoque de produtos acabados se torna Custo dos 
Produtos Vendidos (CPV), sendo evidenciado na Demonstração do 
Resultado do Exercício (DRE).
ALMOXARIFADOS
Envia materiais para fábrica Expede os produtos 
acabados (vendas)(Em processo)
Incorpora aos materiais;
Mão de obra, gastos e 
depreciação
Estoca materiais não 
requisitados
Estoca produção 
inacabada
Estoca produtos acabados 
não vendidos
Requisição de 
materiais
Produção 
acabada
Custo dos Produtos 
Vendidos
PRODUTOS 
ACABADOS
FÁBRICA
PRODUÇÃO EM 
ELABORAÇÃO
Figura 1: Fluxo de estoques industriais. Fonte: Adaptado de Padoveze (2010).
Nesse processo, também temos a utilização de mão de obra, de gastos 
gerais de fabricação etc.
As empresas possuem vários formulários/procedimentos específicos 
para o controle de materiais, desde sua compra até o final do processo. 
Para a compra de materiais, temos o pedido de compras, depois as 
cotações feitas junto aos fornecedores, a autorização de compra pela 
cotação mais vantajosa para a empresa, a nota fiscal eletrônica de 
venda dos materiais pelo fornecedor, a verificação dos itens pelo 
setor de almoxarifado, o registro efetivo dos materiais no estoque de 
Custos Empresariais 4
matéria-prima da empresa por meio da ficha de controle de estoques, 
a requisição de materiais pelo setor de fabricação (Figura 1), o envio e 
registro do estoque de produtos acabados (há, também, o formulário de 
conformidade do produto de acordo com o setor de qualidade) e, por 
fim, a baixa do estoque de produtos acabados, mediante a emissão de 
nota fiscal eletrônica de venda e o reconhecimento do Custo do Produto 
Vendido (CPV).
1.1 Métodos de Valoração de Estoques
Quando a empresa recebe os materiais, estes devem ser registrados 
em fichas de controle de estoque que podem ser movimentadas pelos 
seguintes métodos:
 ▪ Custo Específico.
 ▪ Primeiro que Entra, Primeiro que Sai (PEPS) ou também conhecido 
como First In, First Out (FIFO).
 ▪ Último que Entra, Primeiro que Sai (UEPS), conhecido como Last in, 
First Out (LIFO).
 ▪ Custo médio ou média ponderada.
‘‘ Os métodos de avaliação de estoques objetivam exclusivamente separar o 
custo dos produtos entre o que foi vendido e o que permaneceu em estoque. 
Representa uma parcela extremamente importante no processo de controle de 
custos. Por fim, o que se denomina método de avaliação de estoque engloba, 
exclusivamente, procedimentos necessários ao registro da movimentação dos 
estoques. (CREPALDI; CREPALDI, 2018, p.54)’’
O custo ou preço específico é utilizado quando o valor unitário real 
de aquisição pode ser especificado e dado baixa no correto momento. 
Exemplo: Quando uma concessionária de veículos compra vários 
veículos da montadora ela registra cada veículo adquirido pelo custo 
específico, pois um pode possuir características básicas, outro pode ter 
acessórios diversos. Quando um dado veículo entra na concessionária 
ele é registrado na ficha de estoque pelo seu custo específico e quando 
ele é vendido, este item é baixado e podemos evidenciar o Custo do 
Produto Vendido pelo seu próprio custo específico.
Em se tratando de matéria-prima, este procedimento exige mais 
controle, geralmente é utilizado quando a empresa trabalha com 
projetos personalizados (um para cada cliente de acordo com suas 
especificidades).
‘‘ Este tipo de método de avaliação de estoque é utilizado quando é possível fazer 
a determinação do preço específico de cada unidade do estoque e pode-se dar 
baixa, em cada venda, por esse valor. Dessa forma, no estoque final, seu valor será 
a soma de todos os custos específicos de cada unidade existente. Geralmente, 
esse método é usado em empresas que fabricam veículos, tratores, máquinas de 
grande porte etc. (CREPALDI; CREPALDI, 2018, p.54)’’
Custos Empresariais 5
Esse método pelo excesso de controle deve ser utilizado em empresas 
que movimentam materiais com aplicações específicas e de grande valor, 
de preferência que movimentam pequenas quantidades em estoque, 
geralmente por encomenda. A indústria naval, por exemplo, utiliza 
esse método para controlar seus materiais. Esse método é altamente 
recomendável pelos princípios contábeis e aceito pela legislação fiscal 
brasileira.
Quando se trata de PEPS os estoques têm sua movimentação registrada 
de acordo com o registro de entrada dos materiais, que serão os 
primeiros a saírem para o devido processo seguinte.
‘‘ O critério PEPS pressupõe que os itens de estoque que foram comprados ou 
produzidos primeiro sejam vendidos em primeiro lugar e, consequentemente, 
os itens que permanecerem em estoque no fim do período sejam os comprados 
ou produzidos mais recentemente, conforme o CPC 16 – Estoques. (CREPALDI; 
CREPALDI, 2018, p.52)’’
Assim, podemos ver na Tabela 1 como se comporta as compras e vendas 
de materiais controlados pelo método PEPS. 
DATA
COMPRA VENDA SALDO
QTDE.
CUSTO 
UNIT.
CUSTO 
TOTAL
QTDE.
CUSTO 
UNIT.
CUSTO 
TOTAL
QTDE.
CUSTO 
UNIT.
CUSTO 
TOTAL
03/06/2019 100 25,00 2.500,00 100 25,00 2.500,00
03/06/2019 50 25,10 1.255,00 50 25,10 1.255,00
04/06/201930 25,00 750,00 70 25,00 1.750,00
50 25,10 1.255,00
05/06/2019 50 25,00 1.250,00 20 25,00 500,00
50 25,10 1.255,00
Tabela 1: Compras e vendas de materiais controlados pelo método PEPS. Fonte: Elaborado pela 
autora.
Na Tabela 1, verificamos que a primeira mercadoria comprada e registrada 
na ficha de estoque é a que está sendo dada baixa pelas devidas vendas. 
O método PEPS é admitido pela legislação fiscal segundo o Parecer 
Normativo CST nº 6, de 26 de janeiro de 1979.
Já no UEPS o último material comprado é o primeiro material vendido 
ou a ir para a produção/transformação. 
‘‘ [...] o custo do estoque é determinado como se as unidades mais recentes 
adicionadas ao estoque (últimas a entrar) fossem as primeiras a sair. Supõe-se, 
Custos Empresariais 6
portanto, que o estoque final consiste nas unidades mais antigas e é avaliado ao 
custo dessas unidades. Segue-se que, de acordo com o método, o custo dos itens 
vendidos/saídos tende a refletir o custo dos itens mais recentemente comprados (ou 
produzidos) e, assim, os preços mais recentes. (CREPALDI; CREPALDI, 2018, p.57)’’
Na Tabela 2, podemos verificar o mesmo exemplo da Tabela 1, mas com 
o controle pelo método UEPS.
DATA
COMPRA VENDA SALDO
QTDE.
CUSTO 
UNIT.
CUSTO 
TOTAL
QTDE.
CUSTO 
UNIT.
CUSTO 
TOTAL
QTDE.
CUSTO 
UNIT.
CUSTO 
TOTAL
03/06/2019 100 25,00 2.500,00 100 25,00 2.500,00
03/06/2019 50 25,10 1.255,00 50 25,10 1.255,00
04/06/2019 30 25,10 753,00 100 25,00 2.500,00
20 25,10 502,00
05/06/2019 20 25,10 502,00
30 25,00 750,00 50 25,00 1.750,00
Tabela 2: Exemplo de método de valoração pelo UEPS. Fonte: Elaborado pela autora.
‘‘ O método UEPS não é aceito pelo Fisco, visto que, ao optar por esse método, 
a empresa pagaria menos imposto em relação a outros métodos que poderia 
adotar. Portanto, o método não é admissível nem pela ótica fiscal nem pelas 
normas de contabilidade. (CREPALDI; CREPALDI, 2018, p.58)’’
Isso pode ser visto em comparação com as duas tabelas (1 e 2) quando 
observamos que na primeira tabela, o custo do material vendido foi de 
R$ 750,00 e, na segunda, foi de R$ 753,00 relativos à primeira venda 
realizada pela empresa. Dessa forma, o lucro da empresa irá diminuir 
e, consequentemente, a base de cálculo dos tributos também (em se 
tratando do regime tributário Lucro Real, cálculo do Imposto de Renda 
da Pessoa Jurídica - IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - 
CSLL), recolhendo menos para o Fisco.
O custo médio indica que o material será valorado por um valor médio 
do saldo existente em estoque.
É o método mais usado no Brasil e consiste em avaliar o estoque pelo custo médio 
de aquisição apurado em cada entrada de material, ponderado pelas quantidades 
adicionadas e pelas anteriormente existentes.
Segundo a Resolução CFC no 1.170, pelo critério do custo médio ponderado, o 
custo de cada item é determinado a partir da média ponderada do custo de itens 
semelhantes no começo de um período e do custo dos mesmos itens comprados ou 
produzidos durante o período. (CREPALDI; CREPALDI, 2018, p.59)
O valor do material segundo o custo médio ou custo médio ponderado é 
determinado pela divisão do valor do saldo pela quantidade após cada 
entrada de material, como pode ser visto na Tabela 3.
Custos Empresariais 7
DATA
COMPRA VENDA SALDO
QTDE.
CUSTO 
UNIT.
CUSTO 
TOTAL
QTDE.
CUSTO 
UNIT.
CUSTO 
TOTAL
QTDE.
CUSTO 
UNIT.
CUSTO 
TOTAL
03/06/2019 100 25,00 2.500,00 100 25,00 2.500,00
03/06/2019 50 25,10 1.255,00 150 25,03 3.755,00
04/06/2019 30 25,03 750,90 120 25,03 3.004,10
05/06/2019 20 25,03 1.251,50 70 25,04 1.752,60
Tabela 3: Exemplo de método de valoração pelo Custo Médio. Fonte: Elaborado pela autora.
Na tabela acima, podemos verificar o custo do material vendido na 
primeira venda, que, agora, ficou em R$ 750,90, valor este que ficou 
entre o resultado do PEPS (R$ 750,00) e do UEPS (R$ 753,00).
No Brasil, o custo médio ponderado é muito utilizado pelas empresas. 
Lembrando que os critérios aceitos pela legislação brasileira (Fisco) são 
o custo específico, PEPS e custo médio. Vale ressaltar também o impacto 
dos tributos na valoração dos estoques. 
Em se tratando de ICMS sabemos que este imposto é “não cumulativo”, 
havendo crédito de imposto na entrada de materiais (materiais diretos 
de fabricação e mercadorias para revenda) e haverá débito do imposto 
na saída (venda) das mercadorias ou produtos industrializados. No 
momento do devido recolhimento, há o encontro de contas e o ICMS 
creditado na entrada deverá ser abatido do ICMS debitado na saída, 
sendo recolhido para o Fisco somente a diferença.
Atenção! Quando a empresa é enquadrada como Microempresa (ME) não 
haverá o crédito de ICMS na entrada das mercadorias. Outra informação 
importante: não haverá igualmente crédito de ICMS nas entradas, se na 
saída a venda não for tributada.
Exemplo: Venda de produtos ou mercadorias para a Zona Franca de 
Manaus, onde as vendas possuem isenção de impostos, na entrada 
(compra) desses materiais não haverá o crédito de ICMS.
Uma exceção de venda não tributada é a venda para fins de exportação. 
A venda para fora do país não é tributada, mas, mesmo assim, na entrada 
dos materiais adquiridos, haverá o crédito de ICMS, mesmo ocorrendo de 
a venda não ser tributada.
Essa informação deve ser considerada para haver o correto controle de 
estoques dos materiais, pois o valor a ser considerado no estoque será 
menor, abatendo o ICMS que será recuperado.
Podemos compreender melhor com o seguinte exemplo: uma indústria 
adquire 500 quilos de matéria-prima por R$ 1.000,00, com incidência de 
ICMS de 7% (Sabendo que a venda do produto que será industrializado e 
Custos Empresariais 8
vendido pela indústria terá incidência de ICMS na venda (saída)). Quando 
a empresa compra a matéria-prima por R$ 1.000,00, o valor do ICMS já 
está embutido no preço e já foi recolhido para o Fisco pela empresa 
fornecedora da matéria-prima. Com isso, a indústria poderá se creditar 
do ICMS, fazendo a seguinte contabilização:
D - Estoque de matéria-prima R$ 930,00
D - ICMS a recuperar R$ 70,00
C - Fornecedores R$ 1.000,00
DATA
COMPRA VENDA SALDO
QTDE.
CUSTO 
UNIT.
CUSTO 
TOTAL
QTDE.
CUSTO 
UNIT.
CUSTO 
TOTAL
QTDE.
CUSTO 
UNIT.
CUSTO 
TOTAL
xx/xx/xxx 500 1,860 930,00 500 1,86 930,00
Tabela 4: Exemplo de valoração do estoque de matéria-prima com o crédito de ICMS. Fonte: 
Elaborada pela autora.
Assim, podemos observar, conforme Tabela 4, que o valor que será 
evidenciado no estoque de matéria-prima será de R$ 930,00 e não de 
R$ 1.000,00.
O crédito pode ocorrer também em se tratando de Programa de 
Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da 
Seguridade Social (COFINS) no regime não cumulativo, havendo a 
influência desses tributos na valoração dos estoques. A indústria/
empresa deve estar sempre atualizada com as regras fiscais específicas 
para o setor em que ela se encontra e os produtos/mercadorias que ela 
fabrica/comercializa, pois existem isenções de tributos de acordo com o 
tipo de material que está sendo industrializado ou comercializado.
2. Métodos de Custeamento
Em se tratando de custos empresariais, existem métodos específicos 
para custeamento dos produtos. Quando falamos em custeamento 
estamos querendo revelar quanto foi utilizado para determinar os custos 
de transformação de um determinado produto, qual foi o acúmulo de 
valores envolvidos no processo de produção.
Método de custeio é o método usado para a apropriação de custos. Existem dois 
métodos de custeio básicos: custeio por absorção e custeio variável ou direto, que 
podem ser usados com qualquer sistema de acumulação de custos. A diferença 
básica entre os dois métodos está no tratamento dos custos fixos. (grifo dos autores). 
(CREPALDI; CREPALDI, 2018, p.151)
Custos Empresariais 9
O Custeio Variável, também conhecido como Custeio Direto, considera 
como Custo de Fabricação somente os Custos e Despesas Diretas ou 
Variáveis. Os Custos Indiretos ouFixos são considerados juntamente com 
as despesas “operacionais” normais da indústria, como pode ser visto na 
Figura 2.
Custos e despesas 
variáveis
Produtos
Custos Fixos
Despesas do 
período
Figura 2: Esquematização do Custeio Direto. Fonte: Souza e Clemente (2011).
O método de custeio variável, também conhecido como custeio direto, é um tipo 
de custeamento que considera como custo de produção de um período apenas os 
custos variáveis incorridos, desprezando os custos fixos, os quais são tratados como 
despesas do período. Entenda que o termo custos engloba também as despesas 
variáveis. Nesse método, o custo unitário de produção do período será o total de 
custo variável dividido pela quantidade produzida, e o custo fixo será apropriado 
direto ao resultado do exercício, não passando pelo estoque. Fundamenta-se na 
separação dos gastos em gastos variáveis e gastos fixos, isto é, em gastos que oscilam 
proporcionalmente ao volume da produção/venda e gastos que se mantêm estáveis 
perante volumes de produção/venda oscilantes dentro de certos limites. No critério 
de custeio variável só são apropriados aos produtos os custos variáveis, ficando 
os custos fixos separados e considerados como despesas do período. (CREPALDI; 
CREPALDI, 2018, p.158)
O Custeio Direto classifica primeiramente os custos como fixos ou 
variáveis. São considerados custos fixos todos os custos que acontecem 
periodicamente e não são afetados (ou são pouco afetados) pela 
quantidade produzida. Já os custos variáveis são considerados todos os 
que variam proporcionalmente ao volume produzido. “Os custos diretos ou 
variáveis são gastos que não ocorrerão se não houver produção; os custos 
indiretos (fixos) são gastos que incorrerão ainda que a empresa industrial 
não fabrique sequer uma unidade no período”. (RIBEIRO, 2015, p.461) 
Historicamente, o material direto e a mão de obra direta têm sido 
considerados como custos variáveis, mesmo que em alguns momentos 
os Recursos Humanos (RH) das empresas considerem a mão de obra dos 
colaboradores como custo fixo. Nesse método de custeamento, os custos 
fixos que estão diretamente relacionados à estrutura da indústria não são 
considerados no custo do produto, sendo evidenciados separadamente 
na DRE. Dessa forma, não há necessidade de utilizar o rateio para alocar 
os custos fixos aos produtos. 
Custos Empresariais 10
O custeio direto é baseado na margem de contribuição dos produtos 
para suportar o ônus dos custos fixos.
‘‘ A margem de contribuição mostra como cada um desses produtos contribui, 
para, primeiramente, amortizar os custos e despesas fixos e, depois, formar 
propriamente o lucro. O conceito de margem de contribuição é associado à 
identificação do custo imediatamente “emergente” quando se inicia à atividade 
de venda. É, pois, o custo que varia de acordo com o volume vendido, ou seja, 
o que surge em função da ocorrência da atividade e que se chama “variável”, 
possibilitando o cálculo da margem. (DUTRA, 2010, p.244-245)’’
Esse método de custeamento tem cunho gerencial, permitindo a 
apuração da lucratividade real de cada produto. Mantendo o custo fixo 
separado, é possível ter maior controle desse tipo de custo.
Do ponto de vista decisorial, o Custeio Variável tem condições de 
propiciar muito mais rapidamente informações importantíssimas à 
empresa, mas os Princípios Contábeis vigentes atualmente não aceitam 
a elaboração de Demonstrações de Resultado e de Balanços elaborados 
com base no Custeio Variável. Essa não aceitação do Custeio Variável 
não impede que a empresa o utilize para controle interno (gerencial).
Este método não é permitido pela legislação fiscal.
Vamos ver um exemplo? Considere uma empresa que trabalha 
produzindo um único produto e, no último período, produziu 10.000 
unidades com os seguintes custos e despesas, conforme a Tabela 5:
CUSTOS/DESPESAS VALOR (R$)
Matéria-prima consumida no período (variável) 20.000,00
Mão de obra direta variável 10.000,00
Custos indiretos de fabricação variáveis 6.000,00
Despesas de vendas variáveis 8.000,00
Despesas de vendas fixas 5.000,00
Despesas administrativas fixas 19.000,00
Tabela 5: Custos e Despesas: Exemplo de custeio direto. Fonte: Elaborado pela autora.
Utilizando os dados do quadro obteremos um gasto variável total 
(custos e despesas variáveis) de R$ 44.000,00. Com isso, temos um 
gasto variável por unidade produzida de R$ 4,40 (R$ 44.000,00 / 10.000 
unidades). Podemos, assim, montar a DRE conforme você pode verificar 
abaixo, considerando que este produto esteja sendo vendido por R$ 7,00 
e que toda a produção foi efetivamente vendida, não possuindo nenhum 
estoque anterior desse produto:
Custos Empresariais 11
Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) pelo Custeio Variável
(+) Receita de Vendas 70.000,00 (10.000 x R$ 7,00)
(-) Gastos variáveis 44.000,00 (10.000 x R$ 4,40)
(=) Margem de contribuição 26.000,00
(-) Despesas fixas 24.000,00
(=) Lucro líquido 2.000,00
A principal finalidade do custeio variável é a determinação da 
contribuição marginal total ou unitária de cada objeto de custeio.
No custeio variável, a diferença entre o valor de vendas líquidas e a soma 
do custo dos produtos vendidos (que só contém Custos Variáveis) com as despesas 
variáveis (administrativas e de vendas) é denominada de margem de 
contribuição. Deduzindo-se desta, os custos fixos e as despesas fixas, 
obtém-se o lucro líquido.
O custeio representa um elemento essencial das atividades de 
contabilidade gerencial de uma empresa. O custo trata de estabelecer as 
despesas usadas por um produto, um grupo de produtos, uma atividade 
específica ou um conjunto de atividades das empresas. 
‘‘ O custeio por absorção ou custeio pleno consiste na apropriação de todos os 
custos (sejam eles fixos ou variáveis) à produção do período. Os gastos não 
fabris (despesas) são excluídos. O próprio nome do critério é revelador dessa 
particularidade, ou seja, o procedimento é fazer com que cada produto ou 
produção (ou serviço) absorva parcela dos custos diretos e indiretos relacionados 
à fabricação. É o método derivado da aplicação dos princípios de contabilidade 
e é, no Brasil, adotado pela legislação comercial e pela legislação fiscal. Não 
é um princípio contábil em si, mas uma metodologia decorrente da aplicação 
desses princípios. Dessa forma, o método é válido para a apresentação de 
demonstrações financeiras e para o pagamento do Imposto de Renda. grifo 
nosso (CREPALDI; CREPALDI, 2019, p.107)’’
O método de Custeio por Absorção, do ponto de vista técnico-contábil, é 
o mais utilizado por seguir os princípios contábeis brasileiros e atender à 
legislação fiscal em vigor no país (DUTRA, 2010).
A peculiaridade principal no custeio por absorção é segregar os 
custos das despesas. A separação é essencial porque as despesas são 
reconhecidas imediatamente contra o resultado do período na DRE, 
por outro lado, somente os custos relacionados aos produtos vendidos 
serão evidenciados na DRE.
No Custeio por Absorção, todos os custos são apropriados aos produtos 
fabricados (elaborados). Dessa forma, serão utilizados tanto os custos 
diretos como os custos indiretos para compor o custo final do produto, 
conforme pode ser visto na Figura 3.
Custos Empresariais 12
Custos de 
produção
Despesas
Lucro
Variáveis
- matéria-prima
- mão de obra direta
- energia elétrica (força)
- combustíveis das máquinas
Produção em 
elaboração
Estoque da produção 
acabada
( - ) CPV
( = ) Resultado bruto
Variáveis
- de vendas
Fixas
- administrativas
- de vendas
Fixos
- mão de obra indireta
- depreciação
-energia elétrica (iluminação 
da fábrica)
- supervisão
Resultado das vendas
( - ) Despesas de 
vendas
( - ) Despesas 
administrativas e de 
vendas
Estoque da produção 
acabada
( = ) Resultado líquido
Figura 3: Quadro esquemático do custeio por absorção. Fonte: Adaptado de Dutra (2017).
A finalidade desse método é ter o custo total (direto e indireto) de cada 
objeto de custeio como forma dedeterminar a rentabilidade de cada 
atividade, avaliar os elementos que compõem o patrimônio e a compor 
uma informação significativa no auxílio à decisão de estabelecer os 
preços de vendas dos produtos e serviços.
Para isso, precisamos seguir o passo a passo abaixo:
I. Separar custos e despesas.
II. Alocar (apropriar) os custos diretos e indiretos aos produtos.
III. Levantar o custo dos produtos acabados.
IV. Levantar o custo dos produtos vendidos.
V. Levantar o resultado do período.
Podemos observar o seguinte exemplo a seguir: uma empresa industrial 
produz um único produto em determinado período de acordo com os 
dados de produção e venda, de acordo com o Tabela 6.
Matéria-prima direta R$ 130,00 p/unid. Despesas de vendas 
variáveis no período R$ 250.000,00
Mão de obra direta R$ 100,00 p/unid. Despesas de vendas 
fixas R$ 200.000,00
Custos indiretos 
variáveis R$ 45,00 p/unid. Despesas 
administrativas fixas R$ 340.000,00
Custos fixos R$ 950.000,00
Quantidade 
produzida 20.000 unidades
Custos Empresariais 13
Quantidade vendida 15.000 unidades Preço de Venda R$ 600,00 p/unid.
Tabela 6: Dados para o exemplo de custeio de absorção. Fonte: Elaborado pela autora.
Utilizando os dados, verificamos que o custo unitário do produto 
soma R$ 322,50 [130,00 + 100,00 + 45,00 + (950.000 / 20.000)], pois 
consideramos todos os custos variáveis e fixos. Assim, conseguimos 
determinar o Custo Total da Produção Acabada (CTPA), que é de R$ 
6.450.000,00 (R$ 322,50 x 20.000 unidades).
Montando a DRE desse período, temos a seguinte estrutura:
Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) pelo Custeio por Absorção
(+) Receita de Vendas R$ 9.000.000,00 (15.000 unid. x R$ 600,00)
(-) Custo dos Produtos Vendidos (CPV) R$ 4.837.500,00 (15.000 unid. x R$ 322,50)
(=) Resultado Bruto ou Lucro Bruto R$ 4.162.500,00
(-) Despesas Comerciais R$ 450.000,00 (R$ 250.000 + R$ 200.000,00)
(-) Despesas Administrativas R$ 340.000,00
(=) Resultado Líquido ou Lucro Líquido R$ 3.372.500,00
Dessa forma, ainda obtemos o estoque final dos produtos acabados do 
período no valor de R$ 1.612.500,00 (5.000 unid. x R$ 322,50) ou por 
meio da fórmula a seguir:
EF = EI + CTPA - CPV
Assim sendo:
EF = 0 + 6.450.000 - 4.837.500
EF = 1.612.500
Agora, veremos o Custeio por Atividade - ABC ou Custeio baseado em 
Atividades ou, ainda, Custeio ABC (Activity Based Costing), que administra 
os custos indiretos de fabricação em um primeiro momento. É uma 
forma mais sofisticada de apropriar os custos indiretos. Sua metodologia 
é muito semelhante ao critério RKW, de estilo alemão, e ao método de 
seções homogêneas, de estilo francês. 
Há algum tempo, os profissionais de custos estavam à procura de 
um sistema que lhes permitisse, entre outras coisas, um melhor 
acompanhamento dos gastos empresariais, bem como a superação de 
distorções oriundas dos métodos tradicionais de custeio.
Alcançando progressiva aceitação entre as empresas que já se 
conscientizaram da necessidade de imediata resposta aos novos desafios 
da chamada “competição global”, o sistema de custeio baseado em 
atividades tem se caracterizado – à medida que cresce a sua aplicação – 
como um procedimento administrativo de inestimável valia.
Custos Empresariais 14
Atendendo a essas exigências da administração moderna, o sistema de 
custeio ABC já desacreditou, ao que tudo indica, o título de “modismo” 
com que o círculo mais conservador costuma acolher, inicialmente, todas 
as novidades e agora se impõe como técnica indispensável a empresas 
que produzem uma variedade significativa de bens e/ou serviços, 
destinados a uma clientela igualmente diversificada.
Este método ABC surgiu nos Estados Unidos, nos anos 1980. Foi 
desenvolvido pela Universidade de Harvard por necessidade das 
Empresas que não conseguiam avaliar corretamente o impacto de seus 
custos fixos, com a finalidade de desenvolver um método que permitisse 
avaliar a agregação de valor das diferentes atividades que consomem, 
desproporcionalmente, recursos ao longo do processo e do mix de 
produtos/serviços. Foi criada basicamente pelos Profs. Cooper e Kaplan, 
portanto ABC é a sigla para o termo em inglês Activity Based Costing ou 
Custeio Baseado em Atividades.
Nesse método, ABC as atividades são o foco do processo de custeio. Os 
custos são investigados, relacionando as atividades aos produtos, com 
base na demanda por tais atividades pelo produto durante o processo 
de produção ou o serviço em questão. Portanto, as bases de alocação 
usadas no custeio baseado na atividade são medições das atividades 
executadas, que podem incluir horas do tempo de ajuste de máquina 
ou número de vezes em que isso foi feito, ou demais maneiras de 
distribuição em função da atividade que está sendo analisada, seja 
industrial, serviço ou overhead (custos indiretos). 
Uma das importantes razões da crescente utilização e necessidade de 
uso desta tecnologia é o aumento dos gastos de overhead das empresas 
que, nos últimos anos, tem se tornado muito significativo.
O ABC tem por objetivo fundamental revisar o método e a filosofia de se apropriarem 
dos custos indiretos, buscando, através dos conceitos de rastreamento das atividades 
aos produtos, uma forma mais justa e objetiva de determinar os custos dos produtos 
e serviços.
Um dos destaques do ABC é o fato de incorporar avaliações e gastos que ultrapassam 
a área de produção. Nesse sentido, os gestores perceberam que atividades não 
produtivas necessitam de acompanhamento e avaliação tanto quanto aquelas 
efetivamente produtivas. (SILVA; LINS, 2017, p.65)
O método ABC demonstra a relação entre recursos consumidos (o que 
foi gasto: água, luz, salários, etc.), atividades executadas (onde foi gasto: 
produção, informática, vendas, etc.) e objetos de custo (para que foi 
gasto: produto A, Produto B, Atividade X etc.).
As atividades executadas são definidas como um conjunto de tarefas 
coordenadas e necessárias para a execução de um processo, consumindo 
recursos da empresa conforme podemos ver na Figura 4.
Custos Empresariais 15
Recursos Objetos de custo
Atividades
Indutores de custo
As diversas atividades consomem recursos e os 
produtos, por sua vez, consomem atividades
Figura 4: As premissas do sistema de custeio ABC. Fonte: Adaptado de Ferreira (2007).
O processo é definido como um grupo de atividades que se relacionam 
e que são necessárias para gerar um produto ou serviço. São exemplos: 
processo de compras, processo de cobrança, processo de administração 
de recursos humanos, processo de administração da fábrica, processo de 
preparação de máquinas (setup) etc.
Nesse sentido, são exemplos de atividades:
 ▪ movimentar materiais e produtos;
 ▪ comprar matéria-prima;
 ▪ faturar clientes;
 ▪ projetar produtos;
 ▪ inspecionar produtos etc.
Enquanto no método tradicional a alocação é feita por meio de critérios 
de rateios limitados (geralmente, quantidade produzida/vendida); no 
ABC, há uma multiplicidade de critérios (denominados de geradores de 
custo ou cost drivers) cada qual específico à atividade (custo) a que se 
relaciona (por exemplo: número de notas fiscais emitidas, número de 
requisições de compras etc.).
Portanto, Cost Driver é o fator que causa mudança no desenvolvimento 
de uma atividade, mensurando os respectivos recursos exigidos por essa 
atividade.
O objetivo principal de um sistema de gestão de custos baseado em atividade é 
melhorar a qualidade, a precisão e, por conseguinte, a relevância das informações de 
custos utilizadas no processo de tomada de decisão.
O custeio ABC parte da premissa de que os produtos consomem atividades e estas, 
por sua vez, é que são consumidoras de custos. Assim, são custeadas primeiramente as 
atividades para depois verificar-se qual produto ou linha de produção consumiu mais 
essas atividades, utilizando-se dos direcionadores de custos. (SILVA; LINS, 2017, p.69)
Assim sendo, o direcionador de custos é o instrumento pelo qual se 
determina o consumo de recursos pelas atividades,bem como pelos 
produtos ou serviços. São exemplos de direcionadores de custos:
 ▪ Quantidade de requisições de materiais para a atividade “movimentar 
estoques”.
 ▪ Quantidade de lançamentos contábeis para a atividade “contabilizar 
registros”.
Custos Empresariais 16
 ▪ Quantidade de pedidos de compras no caso de a atividade “comprar”.
 ▪ Quantidade de inspeções efetuadas para a atividade “inspecionar 
produtos” etc.
Exemplo:
Determinada indústria possui os seguintes custos para a produção de 
três produtos conforme as Tabelas 7 e 8.
Descrição A B C
Total dos custos diretos R$ 70.000,00 R$ 90.000,00 R$ 40.000,00
Quantidade produzida 400 600 200
Tabela 7: Produtos produzidos (exemplo). Fonte: Elaborado pela autora.
Custos indiretos R$
Mão de obra indireta 80.000
Depreciação 250.000
Manutenção 200.000
Outros (aluguel, energia, telefone) 70.000
Total dos custos indiretos 600.000
Tabela 8: Custos indiretos (exemplo). Fonte: Elaborada pela autora.
A empresa contratou recentemente um gestor e, após estudar o processo 
produtivo, ele sugeriu que a organização adotasse o sistema de custeio 
por atividades para os custos indiretos. Por meio das etapas descritas 
anteriormente, chegou-se aos seguintes números, de acordo com a 
Tabela 9, conforme as atividades.
Atividades relevantes e seus respectivos custos R$
Desenvolvimento de lista de materiais 60.000
Montagem de lista de materiais 240.000
Atendimento de pedidos especiais de clientes 60.000
Melhoria de processos 48.000
Projeto e desenho ferramental 72.000
Controle da produção 120.000
Total dos custos indiretos 600.000
Tabela 9: Atividades relevantes (exemplo). Fonte: Elaborada pela autora.
Foram identificados os seguintes direcionadores de atividades para cada 
atividade relevante, de acordo com a Tabela 10.
Custos Empresariais 17
Atividades relevantes Direcionadores de atividades
Desenvolvimento de lista de materiais Número de listas desenvolvidas
Montagem de lista de materiais Número de listas montadas
Atendimento de pedidos especiais clientes Número de pedidos especiais atendidos
Melhoria de processos Horas de engenheiros
Projeto e desenho de ferramentas Número de projetos desenvolvidos
Controlar a produção Horas do gerente e supervisores
Tabela 10: Atividades relevantes versus Direcionadores de atividades (exemplo). Fonte: 
Elaborada pela autora.
Foram apuradas as seguintes quantidades de direcionadores durante o 
período, segundo a Tabela 11:
Direcionadores de atividades
Quantidade de direcionadores de custos por 
produto
A B C Total
Número de listas desenvolvidas 5 20 10 35
Número de listas montadas 10 30 10 50
Número de pedidos especiais 12 3 27 42
Horas de engenheiros 900 200 400 1500
Número de projetos desenvolvidos 25 35 20 80
Horas do gerente e supervisores 400 100 300 800
Tabela 11: Quantidade de direcionadores de atividades por produto (exemplo). Fonte: Elaborada 
pela autora. 
Conforme pode ser visto na Tabela 12, o produto “A” em relação ao 
direcionador “número de listas desenvolvidas” foi apropriado para este 
produto 5/35 avos do custo referente à atividade de “Desenvolvimento 
de lista de materiais”, que tinha um custo total de R$ 60.000,00 (60.000 
dividido por 35, multiplicado por 5, arredondando, encontramos o valor 
de R$ 8.571,00). No total, foram desenvolvidas 35 listas, mas o produto 
“A” consumiu somente 5 listas.
Direcionadores de atividades
Quantidade de direcionadores de custos por 
produto em valor
A B C Total
Número de listas desenvolvidas 8571 34.286 17.143 60.000
Número de listas montadas 48.000 144.000 48.000 240.000
Número de pedidos especiais 17.143 4.286 38.571 60.000
Custos Empresariais 18
Horas de engenheiros 28.800 6.400 12.800 48.000
Número de projetos 
desenvolvidos 22.500 31.500 18.000 72.000
Horas do gerente e supervisores 60.000 15.000 45.000 120.000
Total dos custos indiretos 185.014 235.472 179.514 600.000
Total dos custos diretos 70.000 90.000 40.000 200.000
 
Custos totais 255.014 325.472 219.514 800.000
 
Quantidade produzida 400 600 200 1.200
 
Custo unitário 638 542 1098
Tabela 12: Quantidade de direcionadores de atividades por produto em valor (exemplo). Fonte: 
Elaborado pela autora. 
Os principais objetivos da implantação de um sistema de gerenciamento de 
custos com base nas atividades (ABC) estão relacionados com a facilidade e 
precisão que a administração terá para realizar as seguintes tarefas:
 ▪ Apurar e controlar seus custos reais de produção e, principalmente, os 
custos indiretos de fabricação (overhead).
 ▪ Identificar e mensurar os custos da não qualidade (falhas internas e 
externas, prevenção, avaliação etc.).
 ▪ Levantar informações sobre as oportunidades para eliminar 
desperdícios e aperfeiçoar atividades.
 ▪ Eliminar/reduzir atividades que não agregam ao produto um valor 
percebido pelo cliente.
 ▪ Identificar os produtos e clientes mais lucrativos.
 ▪ Subsidiar o redimensionamento da plataforma de vendas 
(distribuidores e revendedores).
 ▪ Melhorar substancialmente sua base de informações para tomada de 
decisões.
 ▪ Estabelecer um conjunto de indicadores de desempenho capaz de 
medir a eficiência e a eficácia empresarial sob aspectos produtivo, 
comercial, financeiro e societário.
Hoje em dia, pela alta concorrência das empresas, elas necessitam 
se adaptar constantemente, adaptando, por exemplo, os seus 
sistemas de informação para um maior controle dos custos e outras 
operacionalidades, como por exemplo atendimentos mais rápidos 
(Just in time), flexibilizações das mais diversas, otimização do ciclo 
de industrialização, melhoria na logística e canais de distribuição e, 
primordialmente, na qualidade dos produtos.
Custos Empresariais 19
Os sistemas antigos (tradicionais) perderam suas funcionalidades, pois 
foram criados para uma realidade que não condiz com a atual, que 
necessita, hoje, de rapidez no processamento de uma complexidade 
enorme de dados, dessa forma conseguindo informações compreensíveis, 
relevantes e oportunas, de modo a aumentar a qualidade nas decisões 
dos gestores.
Um dos aspectos mais importantes da gestão estratégica da empresa 
está em centrar os esforços em torno da variável “Custo”. Os novos 
administradores necessitam conhecer e analisar os custos para tomarem 
decisões corretas relativas aos produtos que fabricam e mercados que 
atuam ou pretendem explorar.
A maioria das empresas, atualmente, ainda utilizam sistemas de 
informação que não estão adaptados a nossa realidade, havendo uma 
tendência em apurar custos distorcidos, haja vista que se apoiam em 
critérios baseados, quase na sua totalidade, no volume de produção.
Em virtude dessas deficiências, foi preciso desenvolver novas abordagens 
que apoiassem mais efetivamente a gestão estratégica dos custos. O 
Custeio Baseado em Atividades (ABC) surgiu então como uma ferramenta 
de grande utilidade, na medida em que permite analisar as verdadeiras 
origens dos custos, fornecendo importantes indicações para o combate 
do desperdício de recursos.
Seja qual for a vantagem competitiva que a empresa pretenda criar 
e sustentar, a gestão da cadeia de valor é fundamental, uma vez que 
permite identificar as atividades estrategicamente relevantes. Usando a 
cadeia de valor, não só se torna visível o peso dos custos de produção da 
empresa no valor final dos custos para o comprador, como se reconhece 
que as diversas atividades não são independentes, mas interdependentes.
Ora, é precisamente neste sentido que os sistemas de informações de 
contabilidade convencionais se mostram limitados e o ABC demonstra as 
suas virtudes ao imputar custos e proveitos a cada atividade, integrando 
informações externas às empresas, como por exemplo as relações com 
fornecedores e clientes.
Por outro lado, o conhecimento dos direcionadores de custos tem levado 
as empresas a iniciar uma reengenharia dos seus processos, com vista à 
eliminação das diversas fontes de desperdícios, identificando atividades 
ou operações. Um processose define como um conjunto de atividades 
que operam em conjunto para atingir um determinado fim.
O redesenho dos processos requer uma análise do fluxograma das 
atividades que neles têm lugar, com o objetivo de diminuir os custos, 
melhorar a qualidade e aumentar a flexibilidade. A gestão dos custos 
dos processos apoia-se essencialmente na avaliação prevista do 
impacto dos indutores de custos na cadeia de valor e na análise dos 
recursos organizacionais necessários. Neste sentido, o ABC fornece um 
Custos Empresariais 20
melhor conhecimento da relação causal que, em longo prazo, existe 
entre as unidades de atividade e o consumo dos recursos. Assim, esta é 
a perspectiva mais adequada para estudar as variações no consumo dos 
fatores derivadas de alterações nos produtos ou nos processos.
Como foi discutido, o ABC difere dos sistemas convencionais de custeio 
fundamentalmente quanto ao modo como trata os gastos indiretos 
não correlacionados com o volume de produção. Apesar do peso destes 
ter vindo a crescer constantemente ao longo das últimas décadas, a 
Contabilidade de Gestão tardou, entretanto, a responder às alterações 
na estrutura de custos, pelo que lhe podem ser imputadas algumas 
responsabilidades pelas consequências nefastas da existência de custos 
distorcidos, afetando, principalmente, as decisões estratégicas.
Muitas empresas apontam os elevados custos de instalação de um 
sistema ABC como o principal motivo de resistência à sua implementação. 
No entanto, a concepção do sistema deve ser encarada como um 
investimento, capaz de ser compensado pelos fortes benefícios futuros.
Ao mesmo tempo, os custos podem ser substancialmente reduzidos caso 
a gestão comece por definir claramente o detalhe com que necessita 
da informação, selecionando um número razoável de atividades. De fato, 
existem várias vantagens ao evitar um sistema complexo, mais lento e 
mais caro. Assim, ficará ultrapassada a crítica, tantas vezes mencionada, 
que decorre da ideia que o ABC necessita recolher um grande volume de 
informação, com a identificação de diversas atividades e vetores de custo. 
Com efeito, o segredo do ABC está, em larga medida, na capacidade de 
escolher atividades que respeitem as características diferenciadas dos 
produtos e capturem a sua diversidade. 
Em suma, e apesar de ser apenas mais uma ferramenta, o ABC está 
de acordo com o contexto empresarial atual e é capaz de melhorar a 
qualidade e a credibilidade da Contabilidade de Gestão, contribuindo 
para que esta se coloque no centro daquilo que de mais sublime ocorre 
numa empresa: a formulação e a análise estratégica.
No Brasil, a empresa que usa o sistema ABC tem seu estoque classificado 
em três grupos: A, B e C. O grupo A inclui aqueles itens que requerem maior 
investimento. Numa distribuição típica, esse grupo consiste de 20% dos 
itens totais e representa 80% do valor do investimento total em estoques. 
O grupo B consiste de itens que representam o maior investimento depois 
do A. O grupo C consiste, em geral, de um grande número de itens cujo 
investimento é relativamente pequeno. A divisão dos estoques em itens 
A, B e C tem por finalidade permitir que a empresa determine o nível e os 
tipos de procedimentos necessários ao controle de estoque. 
No sistema ABC, as informações gerenciais podem ser consideradas mais 
fidedignas ao reduzir o número de rateios arbitrários. A sua implantação 
induz à permanente revisão dos controles internos, identificando quais 
são as atividades mais caras ou que exigem mais esforços.
Custos Empresariais 21
Como foi mencionado anteriormente, também existe o Custeio RKW. 
Esse sistema consiste na apropriação de todos os custos e despesas 
de uma entidade aos produtos e/ou serviços. RKW (Reichskuratoriun fur 
Wirtschaftlichtkeit) é um sistema de custeamento alemão. Também é 
conhecido por suas peculiaridades, como o custeio por absorção total 
ou custeio integral. É pouco utilizado e muito questionado pelos autores 
por não fornecer adequadas informações gerenciais.
Por meio dessa técnica, alavancam-se aos produtos e serviços todos os 
custos e despesas, inclusive as financeiras, fornecendo, dessa maneira, 
o montante total dos gastos dessa empresa no esforço completo de 
obtenção de receita. Diferente do custeio por absorção, que separa 
os custos das despesas, rateando os custos indiretos aos produtos e 
reconhecendo as despesas separadamente na DRE.
Alguns autores dizem que a principal vantagem no método de custeio 
pleno está no fato de serem levados em conta todos os gastos incorridos 
em uma organização, sem exceções, tendo, portanto, uma informação de 
custos completa e conservadora. Já outros autores dizem que a principal 
desvantagem no método de custeio pleno está na arbitrariedade dos 
critérios de rateio dos gastos fixos.
2.1 Formas de Custeio
Vimos que existem vários sistemas de custeio, uns mais gerenciais e 
outros menos. Assim sendo, uma forma de custeio bem gerencial, de 
planejamento, é o Custo Padrão. Este é um custo estimado, isto é, calculado 
antes mesmo de iniciado o processo de fabricação, fundamentado 
sempre em custos de produções anteriormente realizadas. O custo 
padrão, importante instrumento de controle, tem várias finalidades, 
motivo pelo qual poderá, também, receber denominações diversas.
Na sequência, temos o Custo Real ou custo histórico, que é aquele 
apurado após concluído o processo de fabricação, fundamentado sempre 
nos custos que efetivamente ocorreram na fabricação dos produtos.
Dentre as muitas vantagens de se conhecer antecipadamente o custo de 
fabricação, duas merecem destaque, são elas:
 ▪ A possibilidade da fixação do preço de venda.
 ▪ A otimização do processo produtivo visando utilizar ao máximo os 
recursos humanos, físicos e financeiros disponíveis.
‘‘ Quando utilizado com a finalidade de fixação de preço de venda para compor 
os çamentos, visando o fechamento de contratos nos casos de fabricação sob 
encomenda, o custo de fabricação pode ser denominado custo padrão corrente. 
Nesse caso, o padrão é fixado com base em produções anteriores, tendo a 
empresa como meta atingi-lo no curto ou no médio prazo, ou seja, somente 
visando a produção daquele lote que irá fabricar conforme acordado com seu 
cliente. (RIBEIRO, 2018, p.400)’’
Custos Empresariais 22
As empresas precisam conhecer bem as formas de valoração dos estoques 
para que a forma escolhida reflita a melhor estratégia a elas, pois essa 
movimentação irá impactar nos custos das mercadorias vendidas ou 
no custo dos produtos vendidos, reconhecidos na Demonstração do 
Resultado do Exercício (DRE). No Brasil, o UEPS não é aceito pelo Fisco e 
não é bem visto pelas normas contábeis brasileiras.
As organizações devem igualmente conhecer bem os sistemas de 
custeamento existentes e o que irá adotar em seus controles, pois 
existem diversos sistemas, cada um com as suas formas específicas 
de acumular valor aos custos dos produtos industrializados. No Brasil, 
são aceitos o Custeio por Absorção e o Custeio ABC, mas nada impede 
as empresas utilizarem em conjunto outros métodos de custeio que 
são mais gerenciais, como o Custeio Variável, que traz com ele uma 
importante análise que é a margem de contribuição dos produtos e 
também o Custeio RKW, que é um método alemão.
Referências
CREPALDI, S. A.; CREPALDI, G. S.. Contabilidade de custos. 6 ed. São Paulo: 
Atlas, 2018.
DUTRA, R. G. Custos: uma abordagem prática. 7 ed. São Paulo: Atlas, 2010.
FERREIRA, J. A. S. Contabilidade de custos. São Paulo: Pearson Prentice 
Hall, 2007.
PADOVEZE, C. L. Contabilidade gerencial: um enfoque em sistema de 
informação contábil. 7 ed. São Paulo: Atlas, 2010.
RIBEIRO, O. M. Contabilidade de custos. 4 ed. São Paulo: Saraiva: 2015.
__________. Contabilidade de custos. 5 ed. São Paulo: Saraiva, 2018.
SILVA, R. N. S.; LINS, L. S. Gestão de custos: contabilidade, controle e 
análise. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2017.
SOUZA, A.; CLEMENTE, A. Gestão de custos: aplicações operacionaise 
estratégicas: exercícios resolvidos e propostos com utilização do Excel. 2 
ed. São Paulo: Atlas, 2011.
Custos Empresariais 23
	Métodos de Custeio e Critérios de Avaliação dos Estoques
	Para início de conversa…
	Objetivo
	1. Painel Básico da Contabilidade de Custos
	1.1 Métodos de Valoração de Estoques
	2. Métodos de Custeamento
	2.1 Formas de Custeio
	Referências

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