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T.03 – CORREIAS 1 ÓRGÃOS DE MÁQUINAS II Licenciatura em Engenharia Mecânica Elaborado por Paulo Flores - 2023 Departamento de Engenharia Mecânica Universidade do Minho Campus de Azurém 4804-533 Guimarães pflores@dem.uminho.pt T.03 – CORREIAS 1. Introdução 2. Caraterização das Correias 3. Análise Geométrica 4. Correias Planas 5. Correias Trapezoidais 6. Correias Dentadas 7. Avarias em Correias 2 T.03 – CORREIAS Tipos de Correias Uma transmissão por correia é um sistema mecânico composto por duas ou mais polias, unidas por uma cinta, com a finalidade de transmitir movimento do veio motor para o veio movido. De entre os diversos tipos de correias, as mais comuns são as planas (ou retangulares), as redondas (ou circulares), as trapezoidais (ou em V) e as dentadas (ou síncronas). As correias trapezoidais são, sem dúvida, as mais utilizadas em máquinas e equipamentos industriais. Correia plana Correias redondas Correias trapezoidais Correia dentada As correias planas, redondas e trapezoidais fazem parte dos sistemas de transmissão cujo princípio de funcionamento se baseia no atrito gerado entre as superfícies de contacto da correia e das polias. Por seu lado, as correias dentadas funcionam com base no contacto geométrico que se desenvolve entre os dentes da correia e os sulcos, ou rasgos, da polia. As correias são utilizadas para transmitir movimento entre veios paralelos e, embora não tão frequente, podem também ser usadas para casos de veios não complanares situados a grandes distâncias. T.03 – CORREIAS 1. Introdução 1. Introdução 2. Caraterização 3. Análise 4. Correias 5. Correias 6. Correias 7. Avarias 3 Aplicação de Correias As correias encontram aplicação nas mais diversas áreas, as quais vão desde pequenos dispositivos eletrónicos até equipamentos industriais de grande envergadura. Prensa industrial Equipamento agrícola Dispositivo eletrónico Bicicleta estática Compressor Acionamento de motor T.03 – CORREIAS 1. Introdução 1. Introdução 3. Análise 4. Correias 5. Correias 6. Correias 7. Avarias 42. Caraterização Constituição das Correias As primeiras correias planas eram feitas, quase exclusivamente, em couro (e.g. couro-tanino). Atualmente, as correias planas são compostas por borracha reforçada interiormente com fios de nylon ou de aço. As correias sintéticas têm melhor desempenho quando comparadas com as de couro, pois apresentam grande resistência à tração e elevado coeficiente de atrito. As correias trapezoidais são constituídas por uma alma em borracha flexível, e por bordos em borracha rígida com boa aderência e resistência ao desgaste. As correias trapezoidais podem ainda incluir no seu interior algodão, fibras sintéticas ou cabos de aço. As correias dentadas têm um núcleo em fibra de vidro, que lhes confere resistência à tração e boa flexibilidade. Correia plana Correia trapezoidal Correia dentada T.03 – CORREIAS 1. Introdução 1. Introdução 3. Análise 4. Correias 5. Correias 6. Correias 7. Avarias 52. Caraterização Montagem de Correias Os sistemas de transmissão por correias podem apresentar arranjos abertos, cruzados e não complanares, tal como se ilustra nas figuras abaixo. Correia aberta não invertida Correia aberta tensionada Correia cruzada invertida Correia aberta invertida Correia não complanar Correia não complanar T.03 – CORREIAS 1. Introdução 1. Introdução 3. Análise 4. Correias 5. Correias 6. Correias 7. Avarias 62. Caraterização Principais Caraterísticas das Correias De seguida apresentam-se algumas das principais caraterísticas dos sistemas de transmissão por correias: ▪ Devido à força centrífuga, as correias têm um limite superior para a velocidade periférica (25 m/s), ▪ As correias podem ser utilizadas em aplicações que requeiram grandes distâncias entre os eixos, ▪ As correias trapezoidais e dentadas funcionam entre veios paralelos e, em geral, na horizontal, ▪ As correias planas admitem veios não complanares com ou sem inversão da sentido de rotação, ▪ As correias apresentam uma resistência superior às condições ambientais (humidade e poeira), quando comparadas com as correntes e engrenagens, ▪ As correias não necessitam, em geral, de sistema de proteção contra as condições ambientais, ▪ As correias são económicas, mas têm vida mais curta do que as correntes e as engrenagens, ▪ As correias requerem o ajustamento do entre-eixo e da pré-tensão funcional, ▪ As correias dentadas são mais compactas, não requerem pré-tensão, mas implicam maior custo, ▪ As correias planas e trapezoidais não asseguram uma relação de transmissão constante devido ao escorregamento que ocorre entre as superfícies da polia e da correia, ▪ As correias têm um funcionamento relativamente silencioso e apresentam boa capacidade de absorção de choques, ▪ As correias são utilizadas na indústria têxtil, indústria automóvel, máquinas-ferramenta, bombas, compressores, ventiladores, equipamento doméstico, etc. T.03 – CORREIAS 2. Caraterização das Correias 71. Introdução 3. Análise 4. Correias 5. Correias 6. Correias 7. Avarias2. Caraterização Notação Básica A figura abaixo diz respeito ao tipo mais importante de geometria de uma transmissão por correias, ou seja, uma correia aberta. As transmissões cruzadas, sendo menos frequentes, são apenas utilizadas com correias planas e têm como objetivo inverter o sentido de rotação entre os veios motor e movido. De seguida apresenta-se a notação relativa à correia aberta representada na figura: d1 – Diâmetro da polia motora [mm], d2 – Diâmetro da polia movida [mm], w1 – Velocidade angular da polia motora [rad/s], w2 – Velocidade angular da polia movida [rad/s], q1 – Ângulo de contacto na polia motora [rad], q2 – Ângulo de contacto na polia movida [rad], v – Velocidade periférica da correia [m/s], c – Distância entre os eixos [mm], b – Ângulo entre os ramos da correia e a linha de eixos [rad]. A relação de transmissão pode ser expressa por (quando existe escorregamento) em que s representa o coeficiente de escorregamento (e.g. 3-5% para correias planas e trapezoidais). T.03 – CORREIAS 3. Análise Geométrica 81. Introdução 3. Análise 4. Correias 5. Correias 6. Correias 7. Avarias2. Caraterização O1 O2 c q1 q2 b P Q d1 S v b b T R d2 w1 w2 1 2 1 2 2 1 w w = = d i d 2 1(1 ) = − d i d s Comprimento Primitivo Da análise da figura abaixo pode escrever-se que em que Combinando as equações anteriores resulta que T.03 – CORREIAS 3. Análise Geométrica 91. Introdução 3. Análise 4. Correias 5. Correias 6. Correias 7. Avarias2. Caraterização O1 O2 c q1 q2 b P Q d1 S v b b T R d2 w1 w2 1 2 ( )2= + +l PQ QR RS 1 π 2 2 b = − d PQ 2 π 2 2 b = + d RS 1π 2 q b − = cosb=QR c ( ) ( )1 1 1 2 2 1 π π 2 sen 1 2 2 2 π q q = + + + − − l d d c d d Comprimento Primitivo Da análise do triângulo O1O2T vem que como resulta que Logo Desenvolvendo esta expressão em série e desprezando os termos de ordem superior vem que (atendendo ao valor pequeno de b) T.03 – CORREIAS 3. Análise Geométrica 101. Introdução 3. Análise 4. Correias 5. Correias 6. Correias 7. Avarias2. Caraterização O1 O2 c q1 q2 b P Q d1 S v b b T R d2 w1 w2 1 2 2sen =b O T c 2 2 1= −O T O R O Q 2 2 2 = d O R 1 1 2 = d O Q 2 1 2 2 − = d d O T 2 1arcsen 2 b − = d d c 2 1 2 b − = d d c Comprimento Primitivo Com efeito, a expressão do comprimento primitivo da correia pode ser reescrita da seguinte forma como e considerando vem que Finalmente, a expressão aproximada para o comprimento primitivo de uma correia aberta é dada por: (correia cruzada) T.03 – CORREIAS3. Análise Geométrica 111. Introdução 3. Análise 4. Correias 5. Correias 6. Correias 7. Avarias2. Caraterização O1 O2 c q1 q2 b P Q d1 S v b b T R d2 w1 w2 1 2 ( ) 2 2 1 1 2 ( )π 2 cos 2 2 b − = + + + d d l d d c c 2cos 1 2sen 2 b b = − sen 2 2 b b 2 cos =1 2 b b − ( ) ( ) 2 2 1 2 1 π 2 2 4 − = + + + d d l d d c c ( ) ( ) 2 2 1 2 1 π 2 2 4 + = + + + d d l d d c c Ângulo de Abraçamento na Polia Menor O ângulo de abraçamento para o caso de uma correia aberta é dado por O ângulo de abraçamento para o caso de uma correia fechada é dado por Para que o ângulo de abraçamento seja suficientemente amplo, e garanta o bom funcionamento de uma correia, devem verificar-se as seguintes condições No projeto e seleção de correias é útil e conveniente determinar a distância exata entre os eixos. Assim, resolvendo a equação do comprimento primitivo em ordem a c resulta que T.03 – CORREIAS 3. Análise Geométrica 121. Introdução 3. Análise 4. Correias 5. Correias 6. Correias 7. Avarias2. Caraterização 2 1 2 1 1 π 2arcsen 2arccos 2 2 q − − = − = d d d d c c 2 1 1 π 2arcsen 2 d d c q + = + 6i ( )1 21,2 +c d d ( ) ( ) ( ) 2 2 e 2 1 2 1 2 1 1 π π 2 4 2 2 = − + + − + − − c l d d l d d d d Introdução As planas são as mais simples e versáteis, e proporcionam uma série de diferentes arranjos, no que à transferência de movimento diz respeito. As correias planas são usadas na transmissão de movimento entre veios paralelos e entre veios não complanares. Correia aberta não invertida Correia cruzada invertida Correia não complanar As correias planas de primeira geração eram constituídas por couro. Atualmente, as correias planas são feitas em poliéster ou poliamida, com reforços internos de nylon para aumentar a capacidade de carga. Correia em couro Correia em poliamida T.03 – CORREIAS 4. Correias Planas 131. Introdução 3. Análise 4. Correias 5. Correias 6. Correias 7. Avarias2. Caraterização Introdução As correias planas são fornecidas em rolos sem comprimentos pré-definidos, pelo que este tipo de correia tem de ser cortado e emendado. As emendas são, em geral, feitas por colagem. Há também correias planas inteiriças. Correia plana Juntas de colagem Aplicação de cola O funcionamento das correias planas é simples e bastante intuitivo. Como as correias planas funcionam devido ao atrito que se desenvolve no contacto entre as superfícies da correia e das polias, é necessária a existência de uma pré-tensão, de modo a evitar o escorregamento quando a correia inicia o movimento. T.03 – CORREIAS 4. Correias Planas 141. Introdução 3. Análise 4. Correias 5. Correias 6. Correias 7. Avarias2. Caraterização 2 1 d1 d2 Fi Fi Fi Fi Funcionamento A pré-tensão é aplicada recorrendo a molas, contrapesos, ou afastando os eixos das polias. A pré-tensão origina uma força inicial na correia, Fi. A pré-tensão, sendo constante em toda a extensão da correia, deve garantir o atrito necessário na fase inicial do movimento, de modo a assegurar que a transmissão de movimento aconteça sem escorregamento. Quando em situação dinâmica (em funcionamento), a transmissão de potência nas correias planas ocorre quando a força que atua no ramo tenso, F1, é superior à força que se desenvolve no ramo bambo, F2. Para que haja transmissão de movimento, num sistema de transmissão por correias planas, é necessário vencer o momento resistente dado por Observa-se que F1 > Fi F2 Fc, donde se verifica que as correias planas apresentam limites superiores para a velocidade periférica. Denotando as forças eficazes nos ramos como sendo F1e e F2e dadas por Finalmente, obtém-se a equação de Eytelwein dada por A equação denominada equação de Euler-Eytelwein, equação de Eytelwein, ou ainda equação de atrito da correia plana, traduz a relação entre as forças que atuam nos ramos tenso e bambo. T.03 – CORREIAS 4. Correias Planas 201. Introdução 3. Análise 4. Correias 5. Correias 6. Correias 7. Avarias2. Caraterização ( ) 1 1 11 2 2 1 c c 1 0c 2 c d d ln e q q q q − = − = = − − F F F F F FF F F F F F F 1ef 1 c= −F F F 2ef 2 c= −F F F 11ef 2ef eq= F F Potência Útil A força útil que atua numa correia plana, a qual não é mais do que a força responsável pela transmissão de potência é estabelecida do seguinte modo ou de outra forma Combinando estas equações com a equação de Eytelwein obtém-se A potência útil, ou transferida, num sistema de transmissão por correia plana é dada por ou seja A potência transmitida por uma correia plana depende da pré-tensão instalada, pelo que se torna útil expressar a potência em função da força inicial. T.03 – CORREIAS 4. Correias Planas 211. Introdução 3. Análise 4. Correias 5. Correias 6. Correias 7. Avarias2. Caraterização u 1ef 2ef= −F F F u 1 2= −F F F 1 1 u 1ef e 1 e q q − =F F u u=P F v 1 1 u 1ef e 1 e q q − =P F v Potência Útil Quando em funcionamento, a correia é contraída no ramo bambo, sendo que a contração é proporcional à diferença entre Fi e F2. Assim, considerando que o ramo bambo se mantém tracionado, observa-se que Assim, considerando a equação de Eytelwein e a equação de cima, a potência pode ser expressa do seguinte modo A capacidade de transmissão de potência de uma correia plana aumenta com a pré-tensão e a velocidade da correia. A força inicial não deve ser demasiado elevada, nem demasiado baixa, uma vez que, no primeiro caso, origina cargas excessivas na correia e nos apoios, e, no segundo, causa escorregamento da polia. Por seu lado, a velocidade da correia não pode aumentar indefinidamente, pois esse aumento favorece a tendência para a separação entre a correia e a polia, devido à ação centrífuga. Acresce o facto de que quanto maior for a velocidade da correia, maior será a frequência de flexão e, concomitantemente, menor será a vida útil da correia para as condições idênticas. A força inicial também é responsável pela carga a que os apoios, e a própria correia, estão sujeitos. T.03 – CORREIAS 4. Correias Planas 221. Introdução 3. Análise 4. Correias 5. Correias 6. Correias 7. Avarias2. Caraterização 1 2 i 2 + = F F F ( ) 1 1 u i c e 1 2 e 1 q q − = − + P F F v Aplicação de Pré-tensão Para maximizar a capacidade de transmissão de potência de uma correia plana pode aumentar-se o ângulo de abraçamento e/ou o coeficiente de atrito. No primeiro caso devem ser usadas polias tensoras, ou esticadoras, ao passo que, no segundo, devem escolher-se bons pares tribológicos, no que ao atrito e aderência concerne. As polias tensoras têm o inconveniente de não proporcionar uma tensão uniforme ao longo de toda a correia. A existência de pré-tensão nas correias planas tem como objetivo desenvolver forças de atrito que garantam a transmissão de potência, e compensar o efeito nefasto da ação centrífuga. T.03 – CORREIAS 4. Correias Planas 231. Introdução 3. Análise 4. Correias 5. Correias 6. Correias 7. Avarias2. Caraterização 2 1 w2w1 Roda movida Polia tensora Ramo tenso Dq1 q1 Roda motora Ramo bambo 3 w3 Aplicação de Pré-tensão Uma forma simples, e bastante comum, de aplicar pré-tensão em correias planas consiste em afastar os eixos da transmissão, pelo deslocamento de uma das polias, em que, tipicamente, x = 2-3%l, sendo que l denota o comprimento da correia. Quando esta informação escasseia, deve utilizar-se o procedimento baseado na medição da fecha, d, da correia quando sobre ela é aplicada uma força exterior, F. T.03 – CORREIAS 4. Correias Planas 241. Introdução 3. Análise 4. Correias 5. Correias 6. Correias 7. Avarias2. Caraterização 2 1 x c 2 1 d1 d2 Fi Fi Fi Fi d F Tensões na Correia As correias planas são solicitadas distintamente ao longo do seu comprimento, originando tensões normais de tração e de flexão. As tensões de tração são causadas pela força centrífuga e pelas forças eficazes que atuam nos dois ramos. As tensões de flexão são desenvolvidas apenas na parcela de contacto entre a correia e as polias, sendo aquelas maiores no caso da polia de menor diâmetro. Atendendo à natureza cíclica das solicitações nas correias, torna-se importante conhecer a variação das tensões ao longo do perímetro da correia. A tensão máxima na correia ocorre no ponto S, e cujo valor é dado por T.03 – CORREIAS 4. Correias Planas 251. Introdução 3. Análise 4. Correias 5. Correias 6. Correias 7. Avarias2. Caraterização 2 1 d1 d2 w2 w1 P Q S R Roda motora P Q R S P s sFc sF2ef sf2 sF1ef sf1 ( ) 12 ef máx fs s s + = + c F F Projeto e Seleção O primeiro passo consiste no cálculo da potência de projeto, de seleção, ou corrigida, a qual se pode obter por simples multiplicação da potência nominal pelo fator de correção de serviço e pelo fator de correção do ângulo de abraçamento, ou seja O fator de serviço é utilizado para corrigir a potência nominal, tendo em consideração as caraterísticas dos órgãos motor e movido, e as condições de aplicação da carga, que se prendem com a existência de choques. O fator de correção do ângulo de abraçamento visa compensar a diferença para o ângulo de abraçamento de referência considerado pelos fabricantes de correias, o qual é igual a 180º. Fator de correção de serviço, ou de funcionamento, ks, para correias planas Fator de correção do ângulo de abraçamento, ka, para correias planas T.03 – CORREIAS 4. Correias Planas 261. Introdução 3. Análise 4. Correias 5. Correias 6. Correias 7. Avarias2. Caraterização p s a=P Pk k Condições de serviço Máquina movida Fator de serviço Transmissão regular Ventiladores, impressoras, transportadores de cargas ligeiras 1,0 Transmissão irregular sem choques Máquinas-ferramenta, centrifugadores, bombas, elevadores, máquinas têxteis 1,2 Transmissão irregular com choques moderados Prensas, guilhotinas, trituradores, puncionadoras, extrusoras 1,3 Transmissão irregular com choques elevados Laminadores, compressores, moinhos de roletes 1,5 q1 [º] 120 130 140 150 160 170 180 190 200 210 220 230 240 250 ka 1,33 1,26 1,19 1,13 1,08 1,04 1,00 0,97 0,94 0,91 0,88 0,86 0,84 0,82 Projeto e Seleção Os catálogos dos fabricantes de correias planas apresentam, em geral, a potência transmissível por unidade de largura, Ptra, em função da espessura da correia e da velocidade linear da correia. Deste modo, a largura da correia a selecionar é obtida pela divisão da potência de projeto pela potência transmissível por unidade de largura de correia, ou seja As polias das correias planas podem ser planas ou abauladas cujas variáveis dimensionais caraterísticas podem ser calculadas do seguinte modo Polia plana Polia abaulada T.03 – CORREIAS 4. Correias Planas 271. Introdução 3. Análise 4. Correias 5. Correias 6. Correias 7. Avarias2. Caraterização p 0 tra = P b P 01,1 5= +b b 2 3 32 = b h h b d b d Introdução As correias trapezoidais têm secção transversal em forma de trapézio, sendo constituídas por um núcleo, ou alma, em borracha flexível, que é reforçado interiormente com fios de algodão, nylon, poliéster ou aço. As correias trapezoidais são inteiriças, isto é, sem-fim, e, por isso, a ausência de costuras torna-as mais suaves e menos ruidosas do que as correias planas emendadas. Para o mesmo par de materiais, o ganho em atrito nas transmissões por correias trapezoidais tem a ver com o modo sui generis como o contacto entre a polia e a correia acontece. Esta equação traduz o efeito de cunha, o qual se prende com o facto de nas correias trapezoidais, o coeficiente de atrito aumentar em virtude da inclinação das faces laterais dos rasgos das polias. T.03 – CORREIAS 5. Correias Trapezoidais 281. Introdução 3. Análise 4. Correias 5. Correias 6. Correias 7. Avarias2. Caraterização Núcleo ou alma em borracha flexível Bordo em borracha rígida Fios ou cabos tensores a Fn/2 a/2 Fn/2 a/2Fn/2Fn/2 Fr Fn Fn Fr eq eq cosec 2 sen 2 a a = = Introdução O perfil dos rasgos das polias, vulgo gornes, cavas ou canais, tem de ser compatível com a geometria da secção trapezoidal, ou seja, deve ter dimensões adequadas de modo a proporcionar o correto funcionamento da transmissão. Os gornes das polias são normalizados, sendo que as dimensões, lineares e angulares, dependem do seu tamanho, vulgo secção. As polias, na maioria dos casos, são feitas em aço ou ferro fundido, podendo albergar até 12 correias, facto que reflete bem a ideia associada à elevada capacidade de carga das correias trapezoidais, quando comparadas com as correias planas. Todavia, as correias trapezoidais implicam, em geral, um custo maior. As correias trapezoidais funcionam por atrito, isto é, a transmissão de movimento acontece graças ao atrito que se gera entre as faces laterais da correia e as superfícies correspondentes nos gornes da polia. T.03 – CORREIAS 5. Correias Trapezoidais 291. Introdução 3. Análise 4. Correias 5. Correias 6. Correias 7. Avarias2. Caraterização Introdução Nas correias trapezoidais, o escorregamento é praticamente inexistente, e a capacidade de carga é superior à das correias planas, devido ao efeito de cunha acima descrito. As correias trapezoidais permitem transmitir até três vezes mais potência quando comparadas com as correias planas. Compressor Ventilador Variador de velocidade Com o uso de correias trapezoidais conseguem-se relações de transmissão até 10, sendo que o nível de pré-tensão requerido é inferior ao das correias planas, com as consequentes vantagens que daí advêm, em termos de cargas nos apoios e nas próprias correias. As transmissões por correias trapezoidais possibilitam a obtenção de soluções mais compactas, face às correias planas. As correias trapezoidais são, sem dúvida, as mais comummente utilizadas em máquinas e equipamentos industriais. T.03 – CORREIAS 5. Correias Trapezoidais 301. Introdução 3. Análise 4. Correias 5. Correias 6. Correias 7. Avarias2. Caraterização Introdução São quatro os principais tipos de secção das correias trapezoidais, nomeadamente, as correias com secção uniforme em trapézio, as correias com ranhuras, as correias em banda com múltiplas correias, e as correais com secção hexagonal (dupla trapezoidal). Correia simples Correia com ranhuras Correia em banda Correia hexagonal As correias trapezoidais simples são as mais comummente utilizadas. Este tipo de correia, que apresenta uma secção uniforme, abrange dois grandes grupos de perfis, nomeadamente as correias clássicas e as correias estreitas. As principais correias trapezoidais clássicas são designadas pelas letras A, B, C, D e E, ao passo que, as correias estreitas são representadas pelos símbolos SPZ, SPA, SPB e SPC. Perfil clássico Perfil estreito T.03 – CORREIAS 5. Correias Trapezoidais 311. Introdução 3. Análise 4. Correias 5. Correias 6. Correias 7. Avarias2. Caraterização A B C D E SPZ SPA SPB SPC Análise Geométrica A análise geométrica de correias trapezoidais, no concernente ao comprimento, é em tudo idêntica à que foi realizada para o caso das correias planas. O comprimento primitivo de uma correia trapezoidal simples aberta pode ser calculado do seguinte modo A distância entre os eixos em transmissões por correias trapezoidais é dada por T.03 – CORREIAS 5. Correias Trapezoidais 321. Introdução 3. Análise 4. Correias 5. Correias 6. Correias 7. Avarias2. Caraterização 2 1 d1 d2 O1 O2 c q1 q2 b P Q S b b R w2 T w1 A A A-A ( ) ( ) 2 2 1 2 1 π 2 2 4 − = + + + d d l d d c c ( ) ( ) ( ) 2 2 e 2 1 2 1 2 1 1 π π 2 4 2 2 = − + + − + − − c l d d l d d d d Análise Dinâmica A análise dinâmica de correias trapezoidais segue, no essencial, a mesma abordagem que foi apresentada para o caso das correias planas. A equação de Eytelwein para o caso de correias trapezoidais é dado por em que o coeficiente de atrito equivalente é expresso por Nas transmissões por correias trapezoidais simples, são válidas as seguintes relações T.03 – CORREIAS 5. Correias Trapezoidais 331. Introdução 3. Análise 4. Correias 5. Correias 6. Correias 7. Avarias2. Caraterização a/2dq/2 a dFc F F+dF dq n t w1 O1 dFn/2 r dFn/2 dFn/2 a/2 dq/2 eq 1 eq 11 c 1ef 2 c 2ef e e q q− = = − F F F F F F eq sen cos 2 2 a a = + u 1ef 2ef= −F F F eq 1 eq 1 u 1ef e 1 e q q − =F F eq 1 eq 1 u 1ef e 1 e q q − =P F v ( ) eq 1 eq 1 u i c e 1 2 e 1 q q − = − + P F F v Projeto e Seleção Para se proceder à especificação de uma transmissão por correias trapezoidais é necessário conhecer a priori as caraterísticas do sistema, nomeadamente: ▪ A potência a transmitir, ▪ O regime de rotação das polias, ▪ A relação de transmissão, ▪ As condições de funcionamento, ▪ A natureza da carga em jogo, ▪ O entre-eixo pretendido. A partir deste conjunto de dados iniciais, que representa os requisitos e as especificações de projeto, é possível, consultando os catálogos técnicos dos fabricantes, selecionar: ▪ A secção da correia, ▪ O comprimento primitivo da correia, ▪ Os diâmetros primitivos das polias. A primeira etapa consiste em calcular a potência de projeto, T.03 – CORREIAS 5. Correias Trapezoidais 341. Introdução 3. Análise 4. Correias 5. Correias 6. Correias 7. Avarias2. Caraterização p s=P Pk Projeto e Seleção O fator de serviço é utilizado para corrigir as condições de funcionamento da transmissão, tais como, o tipo de carga, o número de horas de operação por dia, etc. Seguidamente, uma vez definido o binómio potência de projeto e frequência de rotação da polia mais pequena, deve selecionar-se uma secção de correia trapezoidal adequada à transmissão em causa Para o efeito, devem consultar-se os diagramas de capacidade de carga específicos para correias trapezoidais. A secção a selecionar é obtida pela interseção da reta vertical, que representa a potência de projeto com a reta horizontal, que representa a frequência de rotação da polia menor. T.03 – CORREIAS 5. Correias Trapezoidais 351. Introdução 3. Análise 4. Correias 5. Correias 6. Correias 7. Avarias2. Caraterização Máquina movida Fonte de potência: Motores elétricos AC e DC, motores de combustão interna Regime de funcionamento Até 8 h/dia De 8 a 16 h/dia Mais de 16 h/dia Compressores centrífugos, ventiladores e bombas até 7,5 kW 1,1 1,1 1,2 Prensas, máquinas-ferramenta, ventiladores e bombas com mais de 7,5 kW 1,1 1,2 1,3 Máquinas têxteis, compressores e bombas de pistão, máquinas para papeleiras 1,2 1,3 1,4 Misturadores, trituradoras, gruas, escavadoras, máquinas pesadas para madeira 1,3 1,4 1,5 Projeto e Seleção Diagrama de capacidade de carga para correias trapezoidais clássicas estabelecido em função do binómio potência de projeto e frequência de rotação da polia menor. Subsequentemente, estabelecem-se os diâmetros primitivos das polias, tendo em conta a relação de transmissão pretendida, e os valores mínimos que os diâmetros podem assumir, de acordo com a disponibilidade dos fabricantes. Uma vez selecionados os diâmetros primitivos das polias, torna-se necessário determinar o valor da relação de transmissão efetiva. T.03 – CORREIAS 5. Correias Trapezoidais 361. Introdução 3. Análise 4. Correias 5. Correias 6. Correias 7. Avarias2. Caraterização F re q u ê n c ia d e r o ta ç ã o d a p o li a m e n o r [r p m ] 200 Potência de projeto [kW] 250 315 400 500 630 700 800 950 1250 1450 1600 2000 2500 2850 3150 4000 5000 2 2 ,5 3 ,1 5 4 5 6 ,3 8 1 0 1 2 ,5 1 6 2 0 2 5 3 1 ,5 4 0 5 0 6 3 8 0 1 0 0 1 2 5 1 6 0 2 0 0 2 5 03 1 5 4 0 0 A B C D E Z Projeto e Seleção Posteriormente, calcula-se o comprimento primitivo da correia. Deve notar-se que nesta etapa se consideram os diâmetros primitivos estabelecidos previamente, bem como a distância entre os eixos pretendida. O comprimento primitivo, assim obtido, deve ser normalizado à luz dos valores disponibilizados pelos fabricantes. De seguida, determina-se o valor do entre-eixo exato, recorrendo, em que se consideram os diâmetros primitivos das polias e o comprimento primitivo da correia anteriormente calculados e normalizados. Em geral, o entre-eixo deve estar compreendido entre 0,7×(d1+d2) e 2×(d1+d2). A distância entre os eixos deve ser tal que os ângulos de abraçamento não sejam inferiores a 120º. T.03 – CORREIAS 5. Correias Trapezoidais 371. Introdução 3. Análise 4. Correias 5. Correias 6. Correias 7. Avarias2. Caraterização ( ) ( ) 2 2 1 2 1 π 2 2 4 − = + + + d d l d d c c ( ) ( ) ( ) 2 2 e 2 1 2 1 2 1 1 π π 2 4 2 2 = − + + − + − − c l d d l d d d d Projeto e Seleção Atendendo a que os dados dos fabricantes de correias trapezoidais são obtidos com referência a um ângulo de abraçamento de 180º, é necessário fazer a correção associada ao ângulo de abraçamento na polia menor. De modo análogo, é também necessário efetuar a correção associada ao comprimento da correia, consultando tabelas próprias. De seguida, deve determinar-se a potência transmissível por correia, a qual inclui duas componentes, a saber: ▪ A potência básica, Pb, ▪ A potência adicional, Padi. A última parcela está relacionada com o facto de relação de transmissão ser superior a 1, e o ângulo de abraçamento ser inferior a 180º. T.03 – CORREIAS 5. Correias Trapezoidais 381. Introdução 3. Análise 4. Correias 5. Correias 6. Correias 7. Avarias2. Caraterização (d2-d1)/ce ka q1 [º] (d2-d1)/ce ka q1 [º] 0 1,00 180 0,50 0,98 150 0,05 1,00 177 0,55 0,98 147 0,10 1,00 174 0,60 0,98 144 0,15 1,00 171 0,65 0,97 141 0,20 0,99 168 0,70 0,97 139 0,25 0,99 165 0,75 0,97 136 0,30 0,99 162 0,80 0,96 133 0,35 0,99 160 0,85 0,96 130 0,40 0,99 156 0,90 0,96 126 0,45 0,98 153 0,95 0,95 123 Projeto e Seleção Assim, a potência transmissível por correia trapezoidal é dada por em que Pb e Padi são as potências básica e adicional, e ka e kl são os fatores de correção do ângulo de abraçamento e do comprimento da correia. Finalmente, o número de correias trapezoidais, necessário à transmissão de potência pretendida, é determinado da seguinte forma Os catálogos técnicos dos fabricantes de correias trapezoidais permitem, de forma expedita, definir uma série de caraterísticas das transmissões (e.g. deslocamentos de montagem, a aplicação de pré-tensão, etc.). T.03 – CORREIAS 5. Correias Trapezoidais 391. Introdução 3. Análise 4. Correias 5. Correias 6. Correias 7. Avarias2. Caraterização ( )tra b adi a l= +P P P k k n [rpm] Potência básica [kW] Potência adicional [kW] Relação de transmissão Diâmetro primitivo da polia menor [mm] 1,01 1,06 1,27 Mais até até até de 160 170 180 190 200 212 224 236 250 280 1,05 1,26 1,57 1,57 100 0,63 0,69 0,75 0,81 0,87 0,94 1,01 1,08 1,17 1,34 0,00 0,02 0,04 0,04 200 1,14 1,25 1,37 1,48 1,59 1,73 1,86 1,99 2,15 2,47 0,01 0,05 0,08 0,09 300 1,60 1,77 1,93 2,09 2,25 2,45 2,64 2,83 3,05 3,52 0,01 0,07 0,12 0,13 400 2,03 2,25 2,46 2,67 2,88 3,13 3,37 3,62 3,91 4,51 0,02 0,10 0,15 0,17 500 2,44 2,70 2,96 3,22 3,47 3,77 4,07 4,37 4,72 5,45 0,02 0,12 0,19 0,22 600 2,83 3,13 3,44 3,74 4,03 4,39 4,74 5,09 5,49 6,34 0,03 0,14 0,23 0,26 700 3,20 3,55 3,89 4,24 4,58 4,98 5,38 5,78 6,23 7,19 0,03 0,17 0,27 0,30 800 3,56 3,95 4,33 4,72 5,09 5,55 5,99 6,43 6,94 8,00 0,04 0,19 0,31 0,35 900 3,90 4,33 4,75 5,17 5,59 6,09 6,57 7,06 7,61 8,77 0,04 0,22 0,35 0,39 1000 4,22 4,69 5,16 5,61 6,07 6,60 7,13 7,65 8,25 9,50 0,05 0,24 0,39 0,43 1100 4,53 5,04 5,54 6,03 6,52 7,10 7,66 8,22 8,86 10,18 0,05 0,27 0,42 0,48 1200 4,83 5,37 5,91 6,44 6,95 7,57 8,17 8,76 9,43 10,82 0,06 0,29 0,46 0,52 1300 5,12 5,69 6,26 6,82 7,37 8,01 8,64 9,26 9,97 11,41 0,06 0,31 0,50 0,56 1400 5,39 6,00 6,59 7,18 7,76 8,43 9,09 9,74 10,47 11,95 0,07 0,34 0,54 0,61 1500 5,65 6,28 6,91 7,52 8,12 8,83 9,51 10,18 10,93 12,44 0,07 0,36 0,58 0,65 1600 5,89 6,56 7,21 7,85 8,47 9,20 9,90 10,58 11,35 12,88 0,08 0,39 0,62 0,69 1700 6,12 6,81 7,49 8,15 8,79 9,54 10,26 10,95 11,73 13,26 0,08 0,41 0,66 0,74 1800 6,34 7,05 7,75 8,43 9,09 9,85 10,58 11,29 12,07 13,59 0,09 0,43 0,70 0,78 1900 6,54 7,27 7,99 8,69 9,36 10,14 10,88 11,58 12,36 13,85 0,09 0,46 0,73 0,82 2000 6,72 7,48 8,21 8,92 9,61 10,39 11,14 11,84 12,61 14,06 0,10 0,48 0,77 0,87 2100 6,90 7,67 8,42 9,14 9,83 10,62 11,36 12,06 12,81 0,10 0,51 0,81 0,91 2200 7,05 7,84 8,60 9,33 10,02 10,81 11,55 12,23 12,96 0,11 0,53 0,85 0,96 2300 7,19 7,99 8,76 9,49 10,19 10,97 11,70 12,36 13,06 0,11 0,56 0,89 1,00 2400 7,32 8,13 8,90 9,63 10,32 11,10 11,81 12,45 0,12 0,58 0,93 1,04 2500 7,43 8,24 9,02 9,75 10,43 11,19 11,88 0,12 0,60 0,97 1,09 2600 7,52 8,34 9,11 9,83 10,51 11,25 0,13 0,63 1,00 1,13 2700 7,59 8,41 9,18 9,90 10,55 11,27 0,13 0,65 1,04 1,17 2800 7,65 8,47 9,23 9,93 10,57 0,14 0,68 1,08 1,22 2900 7,69 8,50 9,25 9,93 0,14 0,70 1,12 1,26 3000 7,71 8,51 9,25 9,91 0,14 0,72 1,16 1,30 3100 7,71 8,50 9,22 0,15 0,75 1,20 1,35 3200 7,69 8,47 0,15 0,77 1,24 1,39 3300 7,65 8,41 0,16 0,80 1,27 1,43 p cor tra = P n P T.03 – CORREIAS 6. Correias Dentadas 401. Introdução 3. Análise 4. Correias 5. Correias 6. Correias 7. Avarias2. Caraterização Introdução As correias dentadas, ou síncronas, apresentam um conjunto de dentes na superfície interior, cuja geometria é compatível com os rasgos das respetivas polias. Correia dentada As correias dentadas são, de entre os vários tipos de correias, as que têm maior capacidade de carga, e as que permitem obter soluções mais compactas. Uma outra propriedade vantajosa das correias dentadas prende-se com a boa precisão, no que à transmissão de movimento diz respeito. As correias dentadas são inteiriças. As correias dentadas são constituídas por dentes em borracha de alta resistência ao corte, os quais são revestidos por borracha de alta resistência ao desgaste e com baixo atrito. As correias dentadas incluem ainda uma camada superior que confere elevada resistência à tração, e boa flexibilidade, à correia. Esta camada superior é reforçada com fibra de vidro ou de aço. T.03 – CORREIAS 6. Correias Dentadas 411. Introdução 3. Análise 4. Correias 5. Correias 6. Correias 7. Avarias2. Caraterização Introdução As correias dentadas podem apresentar dentes com perfil trapezoidal ou semicircular. A transmissão de movimento nas correias dentadas deve ocorrer de modo a que o funcionamento seja suave e silencioso, e que os dentes, ao encaixarem nos rasgos das polias, não saltem. Por este último aspeto, é prática comum aplicar nas correias dentadas uma força inicial para que a correia fique tendida, e, assim, evitar o saltar dos dentes. Note-se que esta força inicial, nada tem a ver com a pré-tensão inerente ao funcionamento das correias planas e trapezoidais. Como as correias dentadas e as polias estão constrangidas durante o funcionamento, não existe escorregamento e, por conseguinte, a relação de transmissão nas correias dentadas é rigorosamente constante. T.03 – CORREIAS 6. Correias Dentadas 421. Introdução 3. Análise 4. Correias 5. Correias 6. Correias 7. Avarias2. Caraterização Análise Geométrica Em virtude do princípio de funcionamento, as correias dentadas não requerem pré-tensão inicial, o que possibilita uma maior capacidade de carga, e origina menores esforços nos apoios, quando comparadas com as correias planas e trapezoidais. O comprimento de uma correia dentada pode ser determinado do mesmo modo que foi apresentado noâmbito das correias planas e trapezoidais, ou seja A distância exata entre os eixos das polias motora e movida é dada pela seguinte expressão Nas correias dentadas, a relação de transmissão não é definida pelo quociente entre os diâmetros das polias, devido às pequenas oscilações que acontecem na correia durante o seu normal funcionamento. A relação de transmissão de um sistema de transmissão por correias dentadas é, por definição, dada por ( ) ( ) 2 2 1 2 1 π 2 2 4 − = + + + d d l d d c c ( ) ( ) ( ) 2 2 e 2 1 2 1 2 1 1 π π 2 4 2 2 = − + + − + − − c l d d l d d d d 1 2 2 1 = = n z i n z Avarias Típicas em Correias No caso das correias planas, a emenda é a secção mais desfavorável e, portanto, o local mais suscetível para a falha ou ruína da correia. Sempre que possível devem utilizar-se correias fabricadas sem fim ou ligadas por costura ou colagem. No caso das correias trapezoidais as principais causas para a falha são: ▪ Desgaste das superfícies lateriais aderentes, resultante de um (inevitável) escorregamento excessivo. Para reduzir o desgaste, o acabamento das superfícies das polias em contacto com a correia deverá ser adequado e com dureza ajustada ao material ▪ Rotura por fadiga, resultante da variação cíclica das tensões entre os ramos tenso e bambo, a que se sobrepõem as tensões de flexão, também de natureza cíclica. No caso das correias dentadas, os tipos de falhas mais frequentes são a rotura dos dentes e o rompimento da própria correia. T.03 – CORREIAS 7. Avarias em Correias 431. Introdução 3. Análise 4. Correias 5. Correias 6. Correias 7. Avarias2. Caraterização T.03 – CORREIAS 7. Avarias em Correias 441. Introdução 3. Análise 4. Correias 5. Correias 6. Correias 7. Avarias2. Caraterização Avarias Típicas em Correias Trapezoidais As figuras abaixo ilustram alguns exemplos de avarias típicas em sistemas de transmissão por correias trapezoidais. Rotura Abrasão Fissuração Perda de material Desgaste superficial Descolamento Desgaste desigual Desgaste lateral Diapositivo 1 Diapositivo 2 Diapositivo 3 Diapositivo 4 Diapositivo 5 Diapositivo 6 Diapositivo 7 Diapositivo 8 Diapositivo 9 Diapositivo 10 Diapositivo 11 Diapositivo 12 Diapositivo 13 Diapositivo 14 Diapositivo 15 Diapositivo 16 Diapositivo 17 Diapositivo 18 Diapositivo 19 Diapositivo 20 Diapositivo 21 Diapositivo 22 Diapositivo 23 Diapositivo 24 Diapositivo 25 Diapositivo 26 Diapositivo 27 Diapositivo 28 Diapositivo 29 Diapositivo 30 Diapositivo 31 Diapositivo 32 Diapositivo 33 Diapositivo 34 Diapositivo 35 Diapositivo 36 Diapositivo 37 Diapositivo 38 Diapositivo 39 Diapositivo 40 Diapositivo 41 Diapositivo 42 Diapositivo 43 Diapositivo 44