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PROCESSO DE 
CONFORMAÇÃO
Marcelo Quadros
Estampagem
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Explicar o processo de estampagem.
  Definir as variáveis do processo de estampagem.
  Reconhecer as aplicações do processo de estampagem.
Introdução
O processo de estampagem compreende um conjunto de operações 
de corte e conformação em materiais metálicos, geralmente planos. 
Por meio da plasticidade dos materiais, formatos e perfis são trans-
formados e conformados nos mais variados tamanhos e modelos.
Não há dúvida de que a estampagem mudou drasticamente nos-
sas vidas: eletrodomésticos, como micro-ondas, fogões, lavadoras e 
secadoras, têm parte dos seus componentes fabricados por meio da 
estampagem de chapas. Outros exemplos são os utensílios domésti-
cos, como talheres, panelas e frigideiras, e também os carros, ônibus 
e metrôs, que possuem diversas peças fabricadas por estampagem. 
Até mesmo os computadores possuem partes estampadas, como 
a carcaça e os suportes internos. Portanto, conhecer o processo de 
estampagem nos ajuda a compreender melhor como são fabricados 
produtos essenciais para o nosso dia a dia.
Neste capítulo, você vai estudar as variáveis e particularidades 
de cada processo de estampagem, como o material, a qualidade 
e o acabamento das chapas, as propriedades mecânicas e os seus 
requisitos, a dureza e a composição química, as dimensões normali-
zadas, as máquinas e as ferramentas utilizadas em tais processos. Você 
também vai explorar as aplicações de peças estampadas em diversos 
segmentos. Todos esses conhecimentos são de grande relevância 
para o engenheiro, que vai determinar qual é o melhor processo a 
ser desenvolvido para a manufatura de cada produto conforme a sua 
aplicabilidade, viabilidade técnica-econômica e eficiência produtiva, 
atentando para fatores econômicos, técnicos, operacionais, dimen-
sionais e tecnológicos.
Processo de estampagem
O processo de estampagem de chapas metálicas envolve basicamente uma 
chapa de metal plana, que é pressionada entre uma matriz e um punção para 
obter o formato desejado, utilizando principalmente esforços de dobramento 
e corte. Considerando-se tais esforços, pode-se dividir a estampagem nos 
seguintes processos (POLACK, 2004):
  estampagem de corte;
  estampagem de dobra;
  estampagem de repuxo.
Estampagem de corte
O corte é a operação mais comum realizada no processo de estampagem. 
Trata-se de uma operação de cisalhamento que permite a produção de peças 
nos mais variados formatos, determinados pelas formas do punção e da 
matriz. A estampagem se dá quando o punção empurra a chapa metálica pela 
cavidade da matriz, criando a forma desejada. 
O punção de corte é pressionado contra a matriz por meio da pressão 
exercida por uma prensa. Entre o punção e a matriz haverá uma lacuna, 
chamada de folga de corte, que é construída com um leve ângulo, de 
modo que a peça estampada e sua sobra de material não fiquem presos 
no interior da matriz, o que a danificaria e causaria risco à segurança dos 
operadores, além de desgastes excessivos entre o punção e matriz. Esse 
processo de corte de metal não só exige muita força, mas também produz 
um grande choque. 
Estampagem2
É de extrema importância calcular o valor preciso da folga entre o punção e a matriz, 
que depende da espessura da chapa a ser submetida, do tipo de material e do perímetro 
a ser cortado. Caso os cálculos sejam efetuados de forma errônea, todo o processo 
será comprometido, podendo ainda causar a quebra de máquinas e ferramentas, bem 
como acidentes de trabalho.
Por essa razão, o corte de metal é uma das operações de estampagem 
mais severas. O choque excessivo faz com que os punções e as matrizes 
sofram trincas e quebras, que também ocorrem nas prensas e nos dispositivos 
auxiliares.
As folgas de corte deverão ser calculadas com precisão, pois quando sub-
dimensionadas provocam fissuras no material e, caso sejam muito grandes, 
geram rebarbas. A espessura da chapa a ser cortada deve ser igual ou menor que 
o diâmetro do punção, e a folga entre o punção e matriz deverá ser controlada, 
já que o aspecto final da peça depende desse fator, bem como da espessura, 
da dureza e do tipo de material da chapa.
A folga de corte sugerida para o aço é de 5 a 8% da espessura da chapa; 
para o latão, a sugestão é que ela fique entre 4 e 8%; para o cobre, entre 6 e 
10%; para o alumínio, em torno de 3%; e para o duralumínio, entre 7 e 8% da 
espessura da chapa a ser cortada. Essas são sugestões técnicas aproximadas, 
e o profissional da área deverá calcular com precisão todas elas.
Para calcular a força de corte, precisamos dos seguintes dados: perímetro 
a ser cortado, espessura da chapa e resistência ao cisalhamento do material. A 
Tabela 1 apresenta os dados de resistência ao cisalhamento de alguns metais. 
A fórmula da força de corte é a seguinte:
Fc = e.L.Ks
onde:
  Fc = força de corte (Kgf);
  e = espessura da chapa (mm);
  L = perímetro do corte (mm);
  Ks = tensão de ruptura ao cisalhamento (Kgf /mm2).
3Estampagem
Material
Resistência ao 
cisalhamento (Kd) 
Kg/mm2 — recozido
Resistência ao 
cisalhamento (Ks) 
Kg/mm2 — encruado
Aço 0,10% C 24 32
Aço 0,20% C 30 40
Aço 0,30% C 36 48
Aço 0,40% C 45 56
Aço 0,60% C 55 72
Aço 0,80% C 70 90
Aço inoxidável 50 56
Alumínio 7 a 9 13 a 16
Prata e Monel 28 a 36 45 a 56
Bronze 33 a 40 40 a 60
Cobre 18 a 22 25 a 30
Estanho 03 04
Zinco 12 20
Chumbo 02 03
Tabela 1. Dados de resistência ao cisalhamentos de metais
Estampagem de dobra
A estampagem de dobramento é um processo de conformação em que o metal 
é deformado ou dobrado ao longo de um eixo, ocorrendo a deformação por 
fl exão. A peça, anteriormente recortada e com segmento plano, é conformada 
utilizando-se estampos de dobramento e matrizes montadas em uma prensa, 
para deixar as chapas com segmentos curvos (Figura 1).
Estampagem4
Figura 1. Estampagem de dobra.
Fonte: Aumm graphixphoto/Shutterstock.com.
Nesse processo, uma parte da peça é forçada contra a outra, e a superfície 
externa fica tracionada. Há um esforço de tração — o metal se alonga e há uma 
redução de espessura interna, gerando o esforço de compressão e, com isso, 
obtendo-se o perfil desejado. Diferentes materiais e espessuras têm diferentes 
valores de retorno — conseguir o ângulo de curvatura correto em uma operação 
de dobra, às vezes, pode ser muito difícil. Muitos métodos podem ser usados 
para compensar o retorno. Em toda e qualquer operação de dobramento, o 
material sofre deformações além do seu limite elástico.
Após o processo de dobramento, devido à elasticidade do material, é comum que 
as chapas voltem à sua forma primitiva. Nesse caso, recomenda-se a fabricação do 
estampo, o cálculo do ângulo de dobramento das matrizes considerando-se esse 
retorno, e a previsão de um dobramento em um ângulo levemente superior ao desejado. 
Também deve-se considerar a existência de raios de curvatura nos cantos vivos, ou 
raios pequenos que podem provocar a ruptura durante o dobramento.
5Estampagem
A dureza e a ductilidade são propriedades que indicam a capacidade 
dos materiais de se deformarem e alongarem sem fraturar, à medida que a 
peça é submetida à tal deformação. Elas estão diretamente relacionadas à 
geometria da peça e determinam os raios dos materiais. Ou seja, materiais 
mais dúcteis, como aços de baixo carbono, latão, alumínio e cobre, terão raios 
menores em comparação aos de maior dureza, como aços com médio e alto 
teores de carbono.
No projeto da peça e das matrizes, devemos levar em consideração os 
raios de curvatura no desenho da peça, bem como o material da chapa a ser 
utilizada, sua espessura e seu sentido de laminação. Até atingir o formato final, 
o produto pode ser dobrado com o auxílio de apenas um estampo, em uma ou 
mais fases, ou com mais de um estampo, realizando-se várias operações em 
sequência, para evitar deformação ou rompimento do material.
A cunhagemé um dos processos de estampagem e consiste no método pelo qual 
o metal é comprimido ou espremido na forma ou no perfil desejado (veja a imagem 
a seguir). As moedas são um exemplo clássico de itens feitos por cunhagem. Nesse 
método, podemos produzir cantos nítidos e precisos, características bem definidas e 
um excelente acabamento superficial (POLACK, 2004).
Fonte: AlexanderZam/Shutterstock.com.
Estampagem6
Estampagem de repuxo ou embutimento
O processo de estampagem de embutimento é um método de conformação 
mecânica muito utilizado para a fabricação de fundos para tanques de aço e 
outras peças profundas de simetria circular, em que chapas planas são con-
formadas no formato de um copo. Também é conhecido como estampagem 
profunda. Nesse processo, as chapas recebem forças radiais de tração e 
forças tangenciais de compressão, sem deformar sua espessura (Figura 2). 
É realizado em uma ou mais fases. Como exemplo clássico desse processo 
temos a fabricação de panelas.
Figura 2. Estampagem de embutimento.
Fonte: Nowamhere/Shutterstock.com.
Esse processo geralmente é realizado a frio e, dependendo da característica 
do produto, em uma ou mais etapas. Nele, o material é conformado progressi-
vamente contra a matriz por intermédio de uma ferramenta, formando o perfil 
da peça a partir de uma chapa lisa. Em seguida, o excesso de material deve 
ser retirado do metal. Por fim, é dado o acabamento na peça. 
Um exemplo típico desse processo é a fabricação de latas de bebidas, método 
no qual o metal é comprimido e reduzido em espessura ao longo de uma parede 
vertical. O objetivo principal do repuxo é aumentar a profundidade de uma peça 
e unificar a sua espessura de parede, dando ao metal uma aparência polida.
Na estampagem de repuxo, geralmente são empregadas prensas hidráulicas 
e matrizes de maior complexidade em relação à estampagem de corte e dobra. 
Nessa estampagem, a chapa já vem cortada no tamanho certo e é fixada na 
7Estampagem
matriz inferior, sobre a qual um punção força o material para dentro da cavi-
dade de formação, mantendo sobre essa chapa cortada uma pressão constante 
durante o embutimento. As forças exercidas pela matriz e pelo punção criam 
um elevado atrito; em alguns casos, é utilizada lubrificação para diminui-lo.
Algumas matrizes criam alongamentos significativos de metal junto com 
o fluxo de estampagem para obter a forma final da peça. No caso de grande 
profundidade de embutimento, quando temos a altura maior que o diâmetro da 
peça, são necessárias várias operações sucessivas para obtê-la, minimizando-se 
o contato entre o ferramental e a peça de trabalho, e resultando em requisitos 
reduzidos de força, maior vida útil do ferramental e melhor qualidade do 
produto. São produzidas diversas peças por meio desse processo, como fri-
gideiras, panelas, capôs de carros, para-lamas, portas, carenagens de motos 
e tratores, pias, carrinhos de mão, entre inúmeras outras (POLACK, 2004).
Variáveis do processo de estampagem
A grande vantagem de se utilizar o processo de estampagem é a fl exibilidade 
de manufatura das peças, pois por meio dele é possível fabricar os mais va-
riados produtos para inúmeros segmentos. Para tanto, é preciso conhecer as 
principais variáveis desse processo, como: 
  o material a ser estampado;
  as propriedades mecânicas e os seus requisitos;
  as especificações das dimensões e os cálculos aplicados;
  as máquinas e ferramentas.
Material a ser estampado
A chapa metálica é um dos materiais mais resistentes e pode ser facilmente 
moldada e cortada (Figura 3). Além disso, depois de utilizada na produção 
de peças, a chapa metálica poderá ser reciclada e retornar à siderúrgica para 
gerar novas peças. As chapas de aço de baixo carbono são as mais utilizadas 
na estampagem, assim como o alumínio e as ligas de cobre. As ligas de níquel, 
zinco e titânio também podem ser estampadas, porém são menos comuns 
nesse processo em comparação aos outros materiais.
Estampagem8
Figura 3. Material em chapas.
Fonte: quka/Shutterstock.com.
Também são utilizados os materiais não metálicos, principalmente os 
utilizados para corte e puncionamento, como a placa de fibra, o papel, o couro, 
a placa de composição de borracha, a cortiça, a madeira e vários plásticos, es-
pecialmente os termofixos laminados. A espessura do material a ser estampado 
varia de 0,025 mm até aproximadamente 20 mm, porém a grande maioria das 
estampagens é realizada entre 1,0 mm a 10 mm. A escolha do melhor material 
para um determinado produto dependerá de vários aspectos, como custos de 
produção, aplicabilidade e eficiência produtiva relacionada ao projeto.
Além do material, outro fator que se deve considerar nesse processo é a 
qualidade da chapa. A classificação, o grau de acabamento das superfícies 
das chapas, as propriedades mecânicas, a composição química e o dimensio-
namento vão interferir diretamente na qualidade do produto final.
Para conhecermos melhor a classificação e os requisitos das chapas, devemos consultar 
a norma NBR 5915, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). As chapas de aço 
produzidas em conformidade com essa norma podem ser fornecidas nos seguintes graus:
  EM, para estampagem moderada;
  EP, para estampagem profunda;
  EEP, para estampagem extraprofunda;
  EEP-PC, para estampagem extraprofunda em peças críticas;
  EEP-IF, para estampagem extraprofunda com aço IF (Interstital Free).
9Estampagem
Propriedades mecânicas
Entre as variáveis de processo mais importantes na estampagem estão as 
propriedades mecânicas, como módulo de elasticidade, tensões, limite de 
tração e compressão, dureza superfi cial e limite de resistência à fadiga. O 
fabricante do material a ser estampado desenvolve vários ensaios para verifi car 
os esforços específi cos, os limites físicos e a estabilidade que determinam 
as características mecânicas inerentes a cada produto. Essas características 
estão presentes nos catálogos dos fabricantes e são padronizadas conforme 
normas específi cas.
Acesse o link abaixo ou o código ao lado e veja os requisitos 
de propriedades mecânicas conforme a norma NBR 5915, 
da ABNT.
https://goo.gl/xPxhaJ 
Especificação das dimensões e cálculos aplicados
Conforme visto anteriormente, o material que servirá como base para o produto 
fi nal passa por vários ensaios normalizados, o que acaba gerando um custo 
maior de matéria-prima. Dessa forma, o profi ssional da área deverá dimensionar 
a chapa a fi m de obter o melhor aproveitamento possível do material, quando 
for necessário cortar, dobrar ou repuxar a peça.
Para um bom aproveitamento desse material, o profissional deverá calcular ou utilizar 
softwares para melhor aproveitamento da chapa, obtendo assim o melhor uso das 
sobras e dos retalhos dessa chapa.
Estampagem10
Outra variável desse processo são os cálculos aplicados realizados pelos 
profissionais da área. Não basta ter o melhor material, as melhores máquinas 
e as melhores matrizes — cálculos como esforço de corte, folgas entre punção 
e matriz, ângulo de dobramento e aproveitamento de material são essenciais 
para a confecção adequada da peça. Se qualquer um desses cálculos estiver 
errado, todo o material poderá ser sucateado, e ainda poderá ocorrer a quebra 
de máquinas e matrizes, além de possíveis acidentes de trabalho.
Máquinas
No processo de estampagem de peças, temos dois tipos de máquinas: as pren-
sas mecânicas e as prensas hidráulicas. Nas prensas mecânicas, a energia é 
geralmente armazenada em um eixo excêntrico, e a transferência dessa força 
se dá pelo êmbolo da prensa. Essas máquinas de ação rápida aplicam golpes 
de curta duração, enquanto as prensas hidráulicas são de ação mais lenta, 
mas possuem grandes forças na estampagem. Essas máquinas podem ser de 
efeito simples ou de duplo efeito.
A escolha da prensa dependerá do material a ser estampado, do seu tama-
nho e da sua forma, e também da quantidade de peças a serem produzidas. A 
prensa fornece a força para fechar as matrizesde estampagem, que cortam, 
dobram e moldam a chapa metálica em peças acabadas. As prensas mecânicas 
são mais utilizadas nas operações de corte, dobramento e estampagem rasa, e 
as prensas hidráulicas têm como principal utilização a estampagem de peças 
complexas de maior espessura de material e a estampagem profunda.
Algumas prensas podem funcionar a velocidades superiores a 1.500 golpes 
por minuto, geralmente chamadas de prensas de alta velocidade, e sua força 
varia de 10 a 50.000 toneladas de força. Outras prensas podem estampar len-
tamente, produzindo menos peças, mas os custos na compra dessas máquinas 
são menores, por elas serem mais simples. A velocidade de um ciclo de prensas 
é baseada em muitos fatores, incluindo o tipo de material da chapa, a forma 
e o tamanho da peça, o tipo de matriz que é utilizada, bem como o tipo de 
equipamento utilizado no processo de estampagem, que pode ser manual ou 
automatizado. 
Ferramentas
Na estampagem, além das prensas, outros elementos importantíssimos são 
as ferramentas utilizadas, denominadas estampos, que se constituem geral-
mente de um punção e uma matriz. Essas ferramentas são classifi cadas de 
11Estampagem
acordo com o tipo de operação a ser executada, ou seja, corte, dobramento ou 
repuxo (estampagem profunda). O tamanho das ferramentas de estampagem 
pode variar, dependendo do produto a ser fabricado, que pode ser desde as 
menores peças usadas em relógios de pulso até grandes painéis usados em 
ônibus ou aeronaves.
Matrizes e punções são projetados para serem resistentes ao desgaste, ao 
choque e à deformação. Por terem custo elevado, sua vida útil deve compensar 
o investimento de sua fabricação. Para isso, o aço ferramenta (aço com ligas) 
utilizado na confecção desses punções e matrizes deverá ter boa usinabilidade 
e grande dureza, características obtidas a partir de tratamentos térmicos 
adequados para cada tipo de matriz. A escolha do material dessas ferramentas 
de prensagem dependerá da quantidade de peças a serem estampadas e do 
material da chapa. Também são fabricadas matrizes de múltiplas estações, 
organizadas de modo que uma série de operações sequenciais seja realizada 
a cada prensagem.
Dois tipos de matrizes são usados: progressivo e por transferência. Com 
matrizes progressivas, o estoque da bobina é alimentado automaticamente. 
Estampos individuais são conectados com uma faixa de suporte à medida que 
passam sequencialmente pelas várias operações e são finalmente separados 
e, em seguida, descarregados da prensa. Nas operações de transferência 
de matrizes, os espaços em branco de estoques individuais são movidos 
mecanicamente da estação de matriz para a estação de matriz dentro de um 
único conjunto de matriz. 
Aplicações da estampagem
A estampagem de metal pode ser aplicada a uma gama enorme de peças para 
as mais diversas aplicações, em uma variedade de segmentos. Isso se deve às 
qualidades únicas dos materiais utilizados nesse processo. Pode-se utilizar 
dois tipos de conformação de chapas na estampagem:
  Estampagem a frio — a estampagem a frio convencional, realizada com 
a chapa metálica na temperatura ambiente, apresenta grande aplicação 
industrial, por se adaptar facilmente à produção seriada e permitir alta 
produção, com baixo índice de refugos e boa precisão dimensional. A 
maioria das peças estampadas utiliza a conformação a frio; no caso 
de peças mais complexas há a necessidade da conformação à quente.
Estampagem12
  Estampagem a quente — a estampagem a quente tem alcançado sucesso 
na fabricação de peças com formatos complexos e maior resistência 
mecânica e corresponde a uma alternativa relativamente nova para 
a produção de peças a partir de chapas. Esse processo tira proveito 
tanto da boa conformabilidade decorrente das maiores temperaturas 
de deformação como das transformações que a austenita sofre durante 
o resfriamento da peça. 
Atualmente, a maioria das montadoras automotivas utiliza peças estampadas 
a quente nos seus projetos de veículos, a fim de aproveitar o maior nível de 
resistência mecânica obtido pela conformação a quente seguida de têmpera. A 
estampagem a quente vem sendo empregada na confecção de diversas partes 
estruturais, como para-choques frontais e traseiros, colunas, trilhos para tetos, 
componentes de trilhos laterais, túneis e barras para portas.
Algumas indústrias exigem também a condutividade elétrica e/ou térmica 
dos materiais, como as indústrias aeroespacial, elétrica e de defesa e, prin-
cipalmente, as indústrias automotiva e doméstica, que utilizam aços de alta 
resistência e suas variadas ligas.
Veremos a seguir exemplos de aplicações do processo de estampagem de 
metal em alguns dos segmentos que mais a empregam:
  indústria automotiva;
  indústria de utensílios domésticos;
  indústria agrícola;
  indústria naval;
  indústria aeroespacial.
Uma das primeiras peças estampadas em série foi utilizada na fabricação de bicicletas 
produzidas na década de 1880, resultando, na época, em um custo bastante reduzido 
em comparação ao processo manual de fabricação.
13Estampagem
Aplicação na indústria automotiva
A indústria automotiva é um dos setores em que a estampagem sempre obteve 
um excelente aproveitamento. Atualmente, a aplicação desse processo nessa 
área é realizada de forma totalmente automatizada, em função da produção em 
série (Figura 4). Todos os dias são produzidos milhares de peças estampadas 
no mundo inteiro para essa indústria gigantesca. Outra grande aplicação no 
setor automotivo é na fabricação de ônibus e caminhões e os seus derivados, 
que também utilizam inúmeras peças estampadas.
Figura 4. Estampagem em carros.
Fonte: Alex Neshitoff/Shutterstock.com.
O profissional desse segmento não apenas deverá conhecer o processo de 
estampagem como se atualizar constantemente. Atualmente são utilizados 
sistemas robotizados de transporte e alimentadores especiais para a movi-
mentação e colocação das chapas; dispositivos com ventosas e ferramental 
de vácuo manuseiam as trocas de painéis, efetuando a troca rápida sempre 
que uma nova peça tiver sido estampada. O metal em chapa é estampado 
(cortado, dobrado e repuxado) por meio de uma série de prensas e matrizes 
em um processo de alta velocidade. Para as grandes montadoras, essa rapi-
dez é essencial. A tecnologia de estampagem em série ganha cada vez mais 
espaço no mercado atual competitivo, já que permite a produção em grande 
escala, com alto grau de flexibilidade e máximo desempenho. As Figuras 5 
e 6 mostram a automação em dobras e cortes.
Estampagem14
Figura 5. Automação de dobra.
Fonte: Aumm graphixphoto/Shutterstock.com.
Figura 6. Automação de corte.
Fonte: asharkyu/Shutterstock.com.
Aplicação na indústria aeroespacial
No segmento aeroespacial, temos vários componentes estruturais estampados. 
Os aviões de voos domésticos têm entre 3 e 6 milhões de componentes, e 
essas peças são geralmente fabricadas em materiais resistentes, porém leves. 
Dentre as peças que empregam a estampagem na fabricação das aeronaves 
estão algumas das mais importantes, como a fuselagem — conhecida como 
15Estampagem
charuto — e o material externo de asas e turbinas, entre várias outras (Figura 7). 
Nessa estampagem são usadas ligas especiais, com resistência a temperaturas 
e pressões extremas. Para estampar os componentes com efi ciência, precisão 
e qualidade elevadas, é imprescindível o uso de máquinas e ferramentas 
específi cas para cada material.
Figura 7. Estampagem externa da aeronave.
Fonte: zatvornik/Shutterstock.com.
Aplicação na indústria agrícola
Centenas de implementos agrícolas, como tratores e colheitadeiras, são pro-
duzidos para fazendas do mundo inteiro, todos os dias. A fabricação de um 
implemento agrícola é tão precisa quanto a fabricação de carros e aeronaves. 
Esses implementos também possuem várias partes estampadas, como a cabine, 
as carenagens, o sistema de proteção, o tanque de combustível, entre outras 
(Figura 8). As propriedades mecânicasde cada um desses materiais devem 
possuir um desempenho adequado quando submetidas a grandes esforços 
em campo.
Estampagem16
Figura 8. Estampagem de tratores em série.
Fonte: Oleksandr Osipov/Shutterstock.com.
Indústria naval
Esse setor passou por várias mudanças ao longo dos anos. O segmento da cons-
trução naval se renovou, assim como seus materiais e processos de fabricação, 
utilizando agora a capacitação tecnológica baseada em qualidade, diversifi cação 
e fl exibilidade. O segmento da construção naval vem ganhando cada vez 
mais mercados e deve seguir fi elmente as normas nacionais e internacionais 
de segurança do trabalho e gestão ambiental. O processo de estampagem é 
aplicado em vários processos dentro dessa indústria, por ser o método mais 
confi ável, seguro e efi caz na produção das complexas peças navais, como as 
grandes hélices e as estruturas internas reforçadas (Figura 9).
Figura 9. Escotilha de um navio estampada.
Fonte: Sergey Slonitskyi/Shutterstock.com.
17Estampagem
Indústria de utensílios domésticos
Esse segmento, assim como o automotivo, é um dos principais utilizadores 
da estampagem, por meio da qual milhares de peças são produzidas por dia. 
Um estudo indica que, nos anos 1980, poderiam ser encontradas em média 
cerca de 100.000 peças estampadas em cada casa americana. Assim, não há 
dúvidas de que a estampagem nesse setor mudou drasticamente nossas vidas. 
Itens comuns, como micro-ondas, fogões, lavadoras e secadoras, são fabricados 
utilizando-se o processo de estampagem de chapa, assim como talheres, panelas 
e frigideiras. As grandes empresas fabricantes desses utensílios investem cada 
vez mais nesse processo, visando aumentar a sua produção e manter a enorme 
demanda desse mercado competitivo.
Estampagem18
POLACK, A. V. Manual prático de estampagem. São Paulo: Hemus, 2004. 
Leituras recomendadas
CENTRO DE INFORMAÇÃO METAL MECÂNICA. 2018. Disponível em: . Acesso em: 5 jun. 2018.
CHIAVERINI, V. Tecnologia mecânica: processos de fabricação e tratamento. São Paulo: 
Pearson, 1995. v. 2. 
FERRAMENTARIA de corte, dobra e repuxo: planejamento e construção de estampos. 
São Paulo: SENAI-SP, 2017.
HELMAN, H.; CETLIN, P. R. Fundamentos da conformação mecânica dos metais. 2. ed. 
São Paulo: Artliber, 2005. 
SMITH, W. F.; HASHEMI, J. Ciências dos materiais: fundamentos da engenharia e ciência 
dos materiais. 5. ed. Porto Alegre: AMGH, 2015. 
Referência
Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para 
esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual 
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.

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