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Princípios do contraditório e da ampla defesa 
Os princípios do contraditório e da ampla defesa estão previstos no art. 5º, LV, 
da CRFB/1988, ao estabelecer que “aos litigantes, em processo judicial ou 
administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla 
defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”. No plano internacional, vêm 
consagra dos no art. 8º, item 1, da Convenção Americana sobre Direitos Humanos. O 
princípio do contraditório pressupõe a bilateralidade, de modo a dar ciência dos atos 
processuais às partes, como também dar meios a essas partes com o propósito de 
contrariar os atos que lhe são desfavoráveis. Logo, o contraditório envolve o direito à 
informação (citação, intimação, notificação) e o direito à participação (paridade de 
armas; isonomia). Assim, Lima (2020, p. 56) entende que o “núcleo fundamental do 
contraditório estaria ligado à discussão dialética dos fatos da causa, devendo se 
assegurar a ambas as partes, e não somente à defesa, a oportunidade de fiscalização 
recíproca dos atos praticados no curso do processo”. Desse modo, fala-se em 
contraditório efetivo e equilibrado. Você sabe o que é isso? Significa que não basta 
que o contraditório seja apenas formal, pois tal princípio impõe ao juiz um papel de 
estimulador para que ambas as partes (acusação e defesa) participem do processo 
em nível de igualdade, isto é, não se trata de abrir uma mera possibilidade para que 
as partes se manifestem, essa possibilidade tem que ser efetiva, oferecendo os meios 
necessários para atingir o contraditório, em respeito à paridade de armas. Daí, decorre 
a norma que estabelece a imprescindibilidade da defesa técnica no Processo Penal, 
mesmo nos casos em que o acusado não tenha interesse em oferecer reação à 
pretensão acusatória (LIMA, 2020), nos moldes consagra dos no art. 261 do CPP, ao 
dispor no caput que “nenhum acusado, ainda que ausente ou foragido, será 
processado ou julgado sem defensor” e, no parágrafo único, que “a defesa técnica, 
quando realizada por defensor público ou dativo, será sempre exercida através de 
manifestação fundamentada”. A importância disso é tamanha que o juiz pode até 
mesmo desconstituir o advogado do réu, caso o considere indefeso em razão de o 
causídico ter sido desidioso, tendo em vista que a falta de uma acusação e de uma 
defesa efetivas pode dar causa à nulidade do processo. O fundamento está na 
interpretação do art. 564, III, alínea “l”, e do art. 497, V, ambos do CPP. 
Você pode vislumbrar outra aplicação do princípio do contraditório na re dação 
da súmula 707 do STF, que estabelece que “constitui nulidade a falta de intimação do 
denunciado para oferecer contrarrazões ao recurso interposto da rejeição da 
denúncia, não a suprindo a nomeação de defensor dativo”. Ademais, por ser uma 
garantia constitucional, questiona-se a possibilidade do contraditório em sede de 
Inquérito Policial. Para entender essa discussão, é importante você compreender a 
construção doutrinária que traça a subdivisão em contraditório real e em contraditório 
diferido. O contraditório real ou para a prova é o estabelecido no momento em que a 
prova é produzida, de forma que as partes atuam na própria formação da prova. É o 
que acontece, por exemplo, com a oitiva de testemunha colhida em juízo, em que as 
partes poderão tecer questionamentos. Já o contraditório diferido, postergado ou 
sobre a prova é aquele em que o contraditório ocorre posteriormente, pois o acusado 
e seu defensor terão a oportunidade de contestar os atos perpetrados no decorrer do 
processo, e não no exato momento da produção destes. Avena (2020, p. 118) justifica 
o contraditório diferido explicando que “a urgência da medida ou a sua natureza exige 
um provimento imediato e inaudita altera parte, sob pena de prejuízo ao processo ou, 
no mínimo, de ineficácia da determinação judicial”. O autor exemplifica citando a 
decretação da prisão preventiva, o procedimento do sequestro de bens e a 
interceptação telefônica. Quanto ao Inquérito Policial, trata-se de procedimento 
inquisitorial preparatório para a propositura da ação penal. Portanto, via de regra, o 
contraditório é diferido. Contudo, há uma exceção referente ao Inquérito instaurado 
pela Polícia Federal objetivando a expulsão do estrangeiro (Lei nº 13.445/2017, 
regulamentada pelo Decreto nº 9.199/2017), hipótese em que esse estrangeiro será 
intimado para apresentar defesa, em contraditório. Em relação ao princípio da ampla 
defesa, este é menos abrangente do que o princípio do contraditório, embora sejam 
interligados. Isso porque o contraditório é bilateral, enquanto a ampla defesa é vista 
como algo que se atrela somente ao réu. A ampla defesa compreende 
simultaneamente a defesa técnica e a autodefesa. 
A defesa técnica é obrigatória, irrenunciável e exercida por profissional da 
advocacia, regularmente inscrito nos quadros da Ordem dos Advogados do Brasil 
(OAB) e com capacidade postulatória. Nesse sentido, o STF já se manifestou por meio 
da Súmula 523 (“no processo penal, a falta da defesa constitui nulidade absoluta, mas 
a sua deficiência só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu”), da Súmula 
708 (“é nulo o julgamento da apelação se, após a manifestação nos autos da renúncia 
do único defensor, o réu não foi previamente intimado para constituir outro”) e da 
Súmula 707 (“constitui nulidade a falta de intimação do denunciado para oferecer 
contrarrazões ao recurso interposto da rejeição da denúncia, não a suprindo a 
nomeação de defensor dativo”). A autodefesa é a exercida pelo próprio réu, pode ser 
renunciável e inclui três desdobramentos: (a) o interrogatório (direito do réu ser ouvido 
pelo magistrado, apresentando sua própria versão); (b) a participação do acusado em 
todos os atos processuais (direito de presença); e (c) a possibilidade de o acusa do 
praticar alguns atos processuais que não dependem de capacidade postula tória, 
como acontece na impetração de habeas corpus. É relevante que você perceba que 
a autodefesa é, contudo, mitigada, já que o acusado pode fazer jus do direito ao 
silêncio na ocasião do interrogatório (art. 186 do CPP), como também porque o juiz 
poderá determinar que, na inquirição de testemunhas ou do ofendido, o réu participe 
por videoconferência ou, havendo impossibilidade para tanto, o juiz determinará a 
retirada do acusado, isso nas hipóteses em que a presença do réu possa causar 
humilhação, temor ou sério constrangimento (art. 217 do CPP). Por fi m, quanto à 
ampla defesa, você deve se atentar para a Súmula 522 do STJ: “a conduta de atribuir-
se falsa identidade perante autoridade policial é típica, ainda que em situação de 
alegada autodefesa”. 
Lei Processual no tempo 
A Lei Processual no tempo se refere às regras para aplicar na hipótese de 
surgimento de uma nova lei, tema de relevância prática, sobretudo no Brasil, em que 
as mudanças são corriqueiras e que há a necessidade de se efetivar a segurança 
jurídica. Via de regra, aplica-se o art. 2º do CPP, ou seja, “a Lei Processual Penal 
aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência 
da lei anterior”. Em outras palavras, a Lei Processual Penal é aplicada desde a sua 
entrada em vigor, não afetando os atos processuais até então realizados sob a 
vigência da lei anterior, pois a Lei Processual Penal não retroage. Trata-se, portanto, 
da aplicação do princípio tempus regitactum (o tempo rege o ato) ou princípio do efeito 
imediato ou aplicação imediata da lei processual, significando que o ato processual 
será regulado pela lei vigente à época de sua prática. Atente-se que, em relação à Lei 
Processual, não há que se avaliar se a nova lei foi ou não benéfica ao acusado, pois, 
para efeitos processuais, isso não interfere, por tratar-se de regra relacionada ao 
Direito Material, no caso, o Direito Penal. Tome cuidado para não confundir isso. Para 
compreendertexto tenha sido útil para esclarecer as principais questões sobre a 
prescrição da pretensão executiva e punitiva. 
Ritos processuais procedimentos penais: Ordinário, sumário e sumaríssimo 
Procedimento ordinário 
Procedimento será ordinário quando a pena máxima em abstrato do crime cometido 
for maior ou igual a 4 anos. 
Este procedimento se inicia com a denúncia do réu (ação penal pública), ou com a 
queixa-crime (ação penal privada). 
Neste procedimento as partes poderão arrolar até 8 testemunhas. 
Após oferecida a denúncia ou a queixa-crime, os autos irão para conclusão e o juiz 
poderá tomar uma de duas decisões: 
- Receber a denúncia/queixa-crime 
- Este recebimento se dará apenas se a peça inicial cumprir com os requisitos do 
artigo 41, ou seja, houver indícios de autoria e materialidade do crime. 
- Para esta decisão não cabe recurso, porém poderá haver eventual Habeas Corpus. 
- Rejeição (395) 
- O juiz rejeitará a peça inicial caso está seja inepta, falte condição ou pressuposto 
processual ou haja falta de justa causa. 
- Para esta decisão cabe Recurso em sentido estrito (RESE) 
Desconsideremos a rejeição por hora. Recebida a denúncia/queixa, o réu será citado 
no mesmo despacho em que o juiz realiza e comunica o recebimento. 
Após citado, o réu irá dispor de 10 dias para apresentar a sua resposta à acusação. 
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10626777/artigo-110-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10626705/paragrafo-1-artigo-110-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10626668/paragrafo-2-artigo-110-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91614/codigo-penal-decreto-lei-2848-40
A resposta a acusação é uma "prima" da contestação do processo cível, é a 
oportunidade que a defesa tem de apresentar todas as teses pertinentes à defesa do 
acusado. 
Na resposta a acusação o advogado poderá levantar três tipos de teses, que levaram 
a três tipos diferentes de pedidos, quais sejam 
- Preliminar – levantam-se questões de nulidade processual. 
- Mérito – tese que tentará convencer o juiz a conceder a absolvição sumária do réu 
(art. 397 – julgamento antecipado da lide a favor do réu) 
- Tese subsidiária – Se, eventualmente, o juiz recusar as duas primeiras teses, poderá 
o advogado, sem prejuízo, alegar circunstâncias que visem melhorar a condição do 
réu caso este venha a ser condenado. 
Como na denúncia/queixa o MP/querelante pode arrolar suas testemunhas, este é o 
momento em que a defesa poderá realizar o arrolamento de suas testemunhas. 
O processo volta a conclusão para que o juiz aprecie os pedidos, podendo ocorrer 
uma de três hipóteses diferentes: 
- Diante de novo juízo de admissibilidade, com uma nova cognição poderá rejeitar a 
denúncia (art. 395 do CPP); 
- Determinar a absolvição sumária do réu (art. 397 do CPP); ou 
- Designar a data de audiência de instrução e julgamento (art. 399 do CPP). 
A audiência deverá ocorrer no prazo de 60 dias e, em regra, haverá uma única 
audiência. 
Há exceções prescritas em lei: 
- Número de acusados for alto; 
- Causa complexa; ou 
- Deferida diligência complementar. 
Não ocorrendo qualquer das hipóteses de exceções o juiz ouvirá as alegações finais 
de ambas as partes e então julgará o caso. 
Procedimento Sumário 
Procedimento será sumário quando a pena em abstrato for superiores a 2 anos e 
inferiores a 4. Aqui podem ser arroladas até 5 testemunhas. 
O procedimento sumário ocorrerá da mesma forma que o ordinário, respeitando as 
mesmas regras processuais, com exceção do prazo para a realização da audiência 
que deverá ocorrer em 30 dias e não em 60, como no ordinário. 
Procedimento Sumaríssimo 
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10642160/artigo-395-do-decreto-lei-n-3689-de-03-de-outubro-de-1941
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91622/codigo-processo-penal-decreto-lei-3689-41
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10641837/artigo-397-do-decreto-lei-n-3689-de-03-de-outubro-de-1941
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91622/codigo-processo-penal-decreto-lei-3689-41
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10641518/artigo-399-do-decreto-lei-n-3689-de-03-de-outubro-de-1941
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91622/codigo-processo-penal-decreto-lei-3689-41
Este é o procedimento adotado para o julgamento de infrações penais de menor 
potencial ofensivo, ou seja, quais quer contravenções penais ou crimes cujas penas 
máximas em abstrato não ultrapassem 2 anos e a competência para o julgamento 
destes é do Juizado Especial Criminal (JECRIM) 
Este procedimento não está previsto no Código de Processo Penal, mas sim na 
lei 9099/1995. 
Suas diferenças com os outros procedimentos desde antes do surgimento da ação 
penal, pois se o sujeito for preso em flagrante será lavrado um termo circunstanciado, 
ou se logo após o crime comparecer imediatamente ao juizado e assinar termo de 
compromisso informando que irá comparecer em audiência em data e local marcados, 
a este não será imposta prisão nem se exigirá fiança. 
Nesta primeira audiência haverá, primeiramente, uma tentativa de conciliação que 
poderá ser de duas formar: 
- Composição Civil: acordo entre vítima e acusado com a finalidade de se alcançar a 
reparação do dano causado. 
- Transação Penal: acordo entre o acusado e o MP onde se estabelece alguma pena 
alternativa e, se o acusado cumprir o acordo, o MP deixará de propor ação penal. 
Porém, caso o acusado não venha a cumprir o acordo, a situação inicial retornará e o 
MP irá dar início a ação penal. 
Caso seja infrutífera a conciliação será oferecida a denúncia, aqui feita de forma oral. 
Neste procedimento o número de testemunhas não está estipulado em lei, sendo 
adotado de modo geral até 5 testemunhas e em casos mais complexos pode vir a ser 
aceito até 8 testemunhas, há ainda correntes que dizem que por este ser um 
procedimento mais célere o número máximo deva ser 3 testemunhas. 
Oferecida a denúncia será designada audiência de instrução e julgamento, nesta 
audiência una a defesa oferecerá sua defesa prévia, neste mesmo momento o juiz 
apreciará a defesa, caso rejeite cabe recurso de apelação em 10 dias, se aceita, 
haverá a oitiva das testemunhas, interrogatório, debates orais (20 minutos 
prorrogáveis por mais 10), neste procedimento não há previsão legal para substituição 
dos debates por memoriais. 
Dada a audiência o juiz proferirá sentença, recorrível através de recurso de apelação, 
prazo de 10 dias, ou poderão ser oferecidos embargos de declaração no prazo de 5 
dias. 
 
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91622/codigo-processo-penal-decreto-lei-3689-41
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/773841431/lei-dos-juizados-especiais-lei-9099-95melhor, observe o exemplo dado por Avena (2020, p. 153): Considere-
se que um indivíduo, condenado por decisão transitada em julgado no ano de 1995, 
tenha ingressado em 2010 com pedido de revisão criminal, buscando a 
desconstituição da sentença que o condenou a 28 anos de prisão, sob o fundamento 
de que as intimações do defensor que lhe fora nomeado pelo juiz (dativo) não foram 
realizadas pessoalmente, em afrontamento ao art. 370, § 4° do CPP. Na hipótese, a 
ação revisional intentada não teria condições de prosperar, pois somente depois de 
realizados os atos chama tórios impugnados é que entrou em vigor a Lei 9.271/1996 
(o que ocorreu em 15.06.1996), acrescentando o referido § 4° ao art. 370 do Código 
de Processo Penal e, com isso, obrigando a intimação pessoal do defensor nomeado. 
E no processo penal, como vimos, o tempo rege a prática do ato (AVENA, 2020, p. 
153). Todavia há exceção, a qual está prevista no art. 3º da Lei de Introdução ao 
Código de Processo Penal (Decreto-Lei nº 3.931/1941), que assim estabelece: “o 
prazo já iniciado, inclusive o estabelecido para a interposição de recurso, será 
regulado pela lei anterior, se esta não prescrever prazo menor do que o fixado no 
Código de Processo Penal”. Nucci (2020, p. 299) exemplifica: “o réu, intimado da 
sentença condenatória, tem cinco dias para oferecer recurso. Se nova lei entrar em 
vigor, alterando esse prazo para dois dias, é óbvio que seu direito não será 
prejudicado. Continua ele com os cinco dias da lei anterior para apelar” 
Lei Processual no tempo • Regra: art. 2° do CPP O ato processual será 
regulado pela lei vigente à época de sua prática Princípio tempus regitactum (o tempo 
rege o ato). • Exceção: art. 3° da LICPP O prazo já iniciado, inclusive o estabelecido 
para a interposição de recurso, será regulado pela lei anterior, se esta não prescrever 
prazo menor do que o fixado no Código de Processo Penal. 
Inquérito Policial: conceito, natureza, finalidade e características 
O Inquérito Policial é um: Procedimento administrativo inquisitório e 
preparatório, presidi do pelo Delegado de Polícia, o inquérito policial consiste em um 
conjunto de diligências realizadas pela polícia investigativa objetivando a identificação 
das fontes de prova e a colheita de elementos de informação quanto à autoria e 
materialidade da infração penal, a fim de possibilitar que o titular da ação penal possa 
ingressar em juízo (LIMA, 2020, p. 175) O Inquérito Policial é um conjunto de 
investigações realizadas pela Polícia Judiciária (Polícia Federal e Polícias Civis) e 
encontra-se na fase pré-processual, ou seja, parte-se da ideia de colacionar 
elementos de informações suficientes para iniciar uma Ação Penal. Perceba, assim, 
que o Inquérito Policial tem natureza jurídica administrativa e instrumental, já que se 
trata de um procedimento de caráter não judicial e não jurisdicional. Observe que 
procedimento difere de processo. No caso, o Inquérito Policial não é processo, pois 
não há uma relação trilateral (juiz, acusação e defesa). Nele, o acusado não é parte 
do procedimento, até porque a ideia é investigá-lo no cometimento de uma infração 
penal e, se assim não fosse, as investigações seriam prejudicadas. Apesar disso, os 
direitos fundamentais do acusado devem ser resguardados no curso da investigação, 
de modo a não configurar constrangimento ilegal. Como estão ausentes o 
contraditório e a ampla defesa, também não se deve falar que o Inquérito Policial é 
um processo administrativo, porque dele não resulta a imposição direta de quaisquer 
sanções. As finalidades do Inquérito Policial estão resumidas no art. 2º, § 1º, da Lei 
nº 12.830/2013, que dispõe como objetivos da investigação criminal “a apuração das 
circunstâncias, da materialidade e da autoria das infrações penais”. Assim, em 
decorrência do caráter instrumental, o Inquérito Policial tem, basicamente, duas 
finalidades, quais sejam: (a) Preparatória: as investigações buscam elementos de 
informação para que o titular da Ação Penal possa ajuizá-la, além de cuidar para que 
eventuais meios de prova não se percam em decorrência do tempo; (b) Preservadora: 
já que uma investigação bem fundada evita uma lide temerária e, consequentemente, 
gastos desnecessários para o Estado, assim como a punição de inocentes. A doutrina 
não é unânime quanto à nomenclatura e à quantidade de características do Inquérito 
Policial. Entretanto, há um certo consenso em relação a algumas das características 
apontadas. Dessa forma, podemos citar as seguintes: Forma escrita Consoante o art. 
9º do CPP, “todas as peças do inquérito policial serão, num só processado, reduzidas 
a escrito ou datilografadas e, neste caso, rubricadas pela autoridade”. Salienta-se que 
este dispositivo é original do CPP, datado de 1941, cuja época ainda não estava 
popularizada a informatização na Administração Pública. No cenário atual, cogita-se 
de projetos no intuito de implantar o Inquérito Policial Eletrônico, visando à celeridade 
e à melhor comunicação entre as polícias e entre a polícia e os demais órgãos 
públicos, com destaque para o Poder Judiciário e para o Ministério Público. A defesa 
pela forma eletrônica ou digital é feita com base na redação do art. 405, § 1º, do CPP, 
que, embora inserido na fase instrutória do processo, faz uso de termos técnicos 
específicos da fase administrativa, como “investigado” e “indiciado”. Moraes e 
Pimentel Júnior (2017, p. 102) explicam que, mesmo diante dessa modernização, o 
Inquérito Policial continuará sendo “procedimento escrito, porém, sem a necessidade 
da gigantesca quantidade de papel impresso hoje empregada e de todas as 
dificuldades para o deslocamento de autos físicos”. Oficiosidade Via de regra, nos 
crimes de ação pública, o Inquérito Policial deve ser instaurado de ofício (ex oficio) 
pela autoridade policial (art. 5º, I, do CPP) sempre que tiver conhecimento de algum 
crime. Assim, a oficiosidade “refere-se à obrigatoriedade de instauração do inquérito 
em face da notícia de um crime que autoriza o agir ex oficio do delegado” (AVENA, 
2020, p. 350). A exceção se faz nos crimes de ação penal pública condicionada à 
representação, cuja representação deverá existir para ser iniciado (art. 5º, § 4º, do 
CPP), e nos crimes de ação penal privada, em que a autoridade policial dependerá de 
requerimento de quem tem legitimidade para intentá-la a fim de iniciar o inquérito (art. 
5º, § 5º, do CPP). Oficialidade A presidência do Inquérito Policial compete com 
exclusividade ao Delegado de Polícia (Federal, estadual ou do Distrito Federal, a 
depender das regras de competência), que exerce as funções de polícia judiciária (art. 
144, § 1º, I, e § 4º, da CRFB/1988). Contudo, essa competência exclusiva do Delegado 
de Polícia para presidir o Inquérito Policial não obsta o papel do Ministério Público 
para realizar investigações e, se for o caso, instaurar procedimento investigatório 
criminal no âmbito da Promotoria (se Ministério Público Estadual) e da Procuradoria 
(se Ministério Público Federal), o qual tramitará sob a presidência do Promotor de 
Justiça (na esfera Estadual) e do Procurador da República (na esfera Federal), 
obedecendo às regras da Resolução nº 181/2017 do CNMP. Quanto ao magistrado, 
é certo que este não poderá presidir Inquérito Policial, em atenção ao sistema penal 
acusatório. 
Dispensabilidade Considerando que uma das principais finalidades do Inquérito 
Policial é a colheita de elementos de informação para a propositura da Ação Penal, 
pode--se afirmar que o inquérito não é imprescindível, pois sua indispensabilidade 
deverá ser analisada conforme o caso concreto, a depender das informações que já 
se tem em mãos antes de uma possível instauração. Essa interpretação pela 
dispensabilidade pode ser deduzida do art. 12 do CPP, que determina que “o inquérito 
policial acompanhará a denúncia ou queixa, sempre que servir de base a uma ououtra”. A contrário sensu, pode-se sustentar que, nessa hipótese, não haverá a 
obrigatoriedade do Inquérito Policial se houver outras peças in formativas para 
embasar a denúncia ou queixa. Da mesma forma, essa mesma conclusão pode ser 
evidenciada no art. 27 e no art. 39, § 5º, ambos do CPP, isto é, desde que haja 
“substrato mínimo necessário para o oferecimento da peça acusatória, o inquérito 
policial será perfeitamente dispensável” (LIMA, 2020, p. 184). Discricionariedade Em 
razão de ser um procedimento administrativo, consequentemente, o Inquérito Policial 
segue o juízo discricionário de quem o preside, no caso, do Delegado de Polícia, que 
pode escolher as diligências investigatórias a serem realizadas de forma a melhor 
conduzir os trabalhos (juízo de prognose) para, ao final, relatar o procedimento com 
suas conclusões sobre as apurações realizadas (juízo de diagnose). 
Além disso, a discricionariedade implica no exercício da função de maneira 
independente e sem necessariamente estar obrigado a realizar as diligências 
requeridas pelo indiciado, pelo ofendido ou pelo representante deste. Todavia, nos 
termos do art. 13, II, do CPP, o Delegado de Polícia deverá realizar as diligências 
requisitadas pelo juiz ou pelo Ministério Público. Nota-se, ainda, que 
discricionariedade não se confunde com arbitrariedade. Dessa forma, há 
determinadas diligências que necessitam de autorização judicial anterior à execução 
(reserva de jurisdição). É o caso, por exemplo, da interceptação de conversas 
telefônicas, em que, para fazê-la, o Delegado de Polícia deverá obter a competente 
ordem judicial, sob pena de caracterizar a ilicitude das provas. Sigiloso O Inquérito 
Policial é um procedimento sigiloso, conforme dispõe o art. 20, caput, do CPP: “a 
autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido 
pelo interesse da sociedade”. Daí, decorre a previsão do parágrafo único deste 
mesmo dispositivo, que determina que “nos atestados de antecedentes que lhe forem 
solicitados, a autoridade policial não poderá mencionar quaisquer anotações 
referentes à instauração de inquérito contra os requerentes”. Observe a diferença: 
enquanto que no processo a regra é a publicidade, no Inquérito Policial a regra é o 
sigilo. A explicação é lógica, pois uma eventual publicidade dos autos de Inquérito 
Policial pode comprometer negativamente as investigações, além de expor o 
investigado sem garantir seguramente que ele será condenado em uma futura Ação 
Penal. Esse sigilo, contudo, é mitigado, pois não é estendido ao magistrado, ao 
Ministério Público e ao advogado. Destaca-se que o art. 7º, XIV, da Lei nº 8.906/1994 
dispõe entre os direitos do advogado o exame, em qualquer instituição responsável 
por conduzir a investigação, mesmo sem procuração, de “autos de flagrante e de 
investigações de qualquer natureza, findos ou em andamento, ainda que conclusos à 
autoridade, podendo copiar peças e tomar apontamentos, em meio físico ou digital”, 
salvo nas hipóteses de sigilo formalmente decreta do, caso em que o instrumento 
procuratório é necessário, nos termos do art. 7º, § 10, da Lei nº 8.906/1994. No mesmo 
sentido, preleciona a Súmula Vinculante nº 14: É direito do defensor, no interesse do 
representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em 
procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, 
digam respeito ao exercício do direito de defesa. Ressalta-se que, no caso de eventual 
descumprimento destes preceitos, impedindo a vista do advogado aos autos de 
Inquérito Policial, em detrimento das regras legais, pode-se valer de Mandado de 
Segurança, além de constituir prática de abuso de autoridade perpetrada pela 
autoridade policial (art. 32 da Lei nº 13.869/2019). Indisponível Conforme o art. 17 do 
CPP, o Inquérito Policial é indisponível porque a autoridade policial não pode mandar 
arquivar os autos. O arquivamento do inquérito só pode ser feito por determinação da 
autoridade judicial, ou seja, apenas sob a ordem do juiz. Távora e Alencar (2020, p. 
151) explicam: A persecução criminal é de ordem pública, e uma vez iniciado o 
inquérito, não pode o delegado de polícia dele dispor. Se diante de uma circunstância 
fática, o delegado percebe que não houve crime, nem em tese, não deve iniciar o 
inquérito policial. Daí que a autoridade policial não está, a princípio, obrigada a 
instaurar de qualquer modo o inquérito policial, devendo antes se precaver, aferindo 
a plausibilidade da notícia do crime, notadamente aquelas de natureza apócrifa 
(delação anônima). Contudo, uma vez iniciado o procedimento investigativo, deve 
levá-lo até o final, não podendo arquivá-lo, em virtude de expressa vedação contida 
no art. 17 do CPP (TÁVORA; ALENCAR, 2020, p. 151). Inquisitorial O Inquérito Policial 
volta-se, precipuamente, à função preparatória, a fim de obter elementos de suporte 
para a Ação Penal. Considerando esta característica, fala-se que o Inquérito Policial 
é inquisitório porque não se sujeita aos princípios da ampla defesa e do contraditório, 
visto que não é processo em sentido estrito (BONFIM, 2019). 
No entanto, o fundamento inquisitorial é deveras questionado, principal mente 
após a entrada em vigor da Lei nº 13.245/2016, que acrescentou o inciso XXI ao art. 
7º da Lei nº 8.906/1994, inserindo entre os direitos do advogado: assistir a seus 
clientes investigados durante a apuração de infrações, sob pena de nulidade absoluta 
do respectivo interrogatório ou depoimento e, subsequentemente, de todos os 
elementos investigatórios e probatórios dele decorrentes ou derivados, direta ou 
indiretamente, podendo, inclusive, no curso da respectiva apuração: (...) (grifo nosso). 
Diante da inserção deste inciso, dois posicionamentos foram tomados. O primeiro, 
mais tradicional, que se apoia no próprio conceito em si do Inquérito Policial, o qual é 
um procedimento (e não processo) administrativo discricionário (e não arbitrário), 
sendo impróprio dizer que há contraditório e ampla defesa, até mesmo porque as 
atividades investigatórias são concentradas nas mãos de uma única autoridade 
(Delegado de Polícia) e não podem culminar na aplicação de sanção imediata. De 
outra baila, existe a posição de cunho mais garantista, que defende o contraditório e 
a ampla defesa diferidos da investigação preliminar, com fulcro na interpretação em 
sentido amplo do art. 5º, LV, da CRFB/1988, já que os elementos de informação serão 
objetos de análise para defesa na ocasião da fase processual instrutória. Como 
exceção à regra da inquisitoriedade, aponta-se o Inquérito Policial de Expulsão do 
migrante ou visitante do território nacional. Este consiste em medida administrativa 
compulsória de expulsão conjugada com o impedimento de reingresso, por prazo 
determinado instaurado de ofício ou por determinação do Ministro de Estado da 
Justiça e Segurança Pública, nas hipóteses de sentença transitada em julgado relativa 
à prática de crimes de genocídio, contra a humanidade, de guerra ou agressão, 
conforme o Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional, ou, ainda, de crime 
comum doloso passível de pena privativa de liberdade, considera das a gravidade e 
as possibilidades de ressocialização em território nacional. Neste Inquérito, são 
garanti dos o contraditório e a ampla defesa, inclusive com a possibilidade de 
nomeação de Defensor Público Federal ou de Defensor Dativo para fazer a defesa no 
caso do expulsando que, regularmente notificado, não compareça para o 
interrogatório, tornando-se revel (art. 54 da Lei nº 13.445/2017 e arts. 192 a 206 do 
Decreto nº 9.199/2017). 
Características do Inquérito Policial - Procedimento administrativo Caráter 
instrumental Forma escrita Não judicial Não jurisdicional Figura 2. Características do 
Inquérito Policial Oficiosidade Oficialidade Dispensabilidade Discricionariedade 
Sigiloso IndisponívelInquisitorial. 
Inquérito Policial: competência, procedimento, vícios e valor probatório 
A competência para presidir o Inquérito Policial é exclusiva do Delegado de 
Polícia, que poderá ser da Polícia Federal ou da Polícia Civil dos Estados, a depender 
das regras de competência para a apuração das infrações penais. De forma geral, se 
tratar de hipótese de crime federal (art. 144 da CRFB/1988), a competência será da 
Polícia Federal. Do contrário, ou seja, se ao analisar o caso concreto constatar-se que 
não se adequa à competência federal, subsidiariamente, o Inquérito Policial será da 
competência da Polícia Civil do respectivo Estado em que a infração ocorreu. Quanto 
ao procedimento do Inquérito Policial, as normas vigentes carecem de etapas 
pontuais, sendo que uma das características do inquérito é a discricionariedade e, por 
isso, o Delegado de Polícia poderá conduzi-lo da melhor forma que lhe aprouver nas 
investigações. Apesar disso, pode-se dizer que há uma ordem para início, meio e fim 
O início de um Inquérito Policial decorre de uma notícia do crime (noticia criminis), 
expressão utilizada para designar a ocasião em que a autoridade policial toma 
conhecimento de um fato que, possivelmente, pode constituir infração penal. Com 
base na forma como se deu esse conhecimento do fato e nos tipos de Ação Penal, a 
notícia criminis pode ser classificada em: (a) noticia criminis direta, de cognição 
imediata, espontânea ou inqualificada, que ocorre quando o conhecimento dos fatos 
é espontâneo durante o exercício das atividades funcionais rotineiras, como a que se 
dá no encontro casual de um cadáver e da comunicação telefônica anônima; essa 
forma apenas pode conduzir à instauração de inquérito nos crimes de Ação Penal 
Pública Incondicionada. (b) noticia criminis indireta, de cognição mediata, provocada 
ou qualificada, que é consubstanciada no ato jurídico de um terceiro que relata o fato 
à autoridade policial de maneira formal, como acontece no requerimento da vítima e 
na requisição do Ministério Público; pode ensejar a instauração de inquérito nos 
crimes de Ação Penal Pública Incondicionada, de Ação Penal Pública Condicionada 
e de Ação Penal Privada. (c) noticia criminis de cognição coercitiva, que ocorre na 
hipótese de prisão em flagrante delito, em que o investigado é apresentado à 
autoridade policial, que lavrará o respectivo auto. É uma forma de início do Inquérito 
Policial independentemente da natureza da Ação Penal. Entretanto, Avena (2020) 
observa que a lavratura poderá ocorrer somente se acompanhada da representação 
ou do requerimento do ofendido, respectivamente, nos crimes de ação penal pública 
condicionada e nos crimes de ação penal privada. (d) noticia criminis dela tio criminis, 
que é a nomenclatura utilizada pela doutrina para designar a notícia do crime 
perpetrada por qualquer pessoa que pede providências para a punição do investigado 
(BONFIM, 2019). Pode dar azo à instauração de Inquérito Policial nos crimes de Ação 
Penal Pública Incondicionada. Dessa forma, se constatada a plausibilidade dos relatos 
por meio da notícia criminis, o Delegado de Polícia fará a instauração do Inquérito 
Policial, cujo modo varia de acordo com o tipo de Ação Penal, podendo as sim 
esquematizar: 
 
 
 
Ressalta-se que não há Inquérito Policial nas infrações penais de menor 
potencial ofensivo, as quais são regidas pela Lei nº 9.099/1995. Tecnicamente, haverá 
Termo Circunstanciado, cujo procedimento é bem mais simples. In dependentemente 
disso, observa-se que, a depender do tipo de Ação Penal, o ajuizamento desta poderá 
ou não depender da requisição do juiz ou do Ministério Público, como também da 
representação do ofendido. Em relação ao Inquérito Policial, tem-se, ainda, as 
diligências investigatórias. Para tanto, os arts. 6º e 7º, ambos do CPP, preveem um 
rol exemplificativo dos meios que o Delegado de Polícia pode se valer para proceder 
à colheita dos elementos de informação. Convém, nesta oportunidade, reproduzir a 
redação dos mencionados dispositivos, que são autoexplicativos, sendo que um 
exame minucioso de cada inciso demanda estudos específicos sobre os meios de 
prova no Processo Penal. Art. 6o Logo que tiver conhecimento da prática da infração 
penal, a autoridade policial deverá: I - dirigir-se ao local, providenciando para que não 
se alterem o estado e conservação das coisas, até a chegada dos peritos criminais II 
- apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos peritos 
criminais; III - colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e 
suas circunstâncias; IV - ouvir o ofendido; V - ouvir o indiciado, com observância, no 
que for aplicável, do disposto no Capítulo III do Título Vll, deste Livro, devendo o 
respectivo termo ser assinado por duas testemunhas que Ihe tenham ouvido a leitura; 
VI - proceder a reconhecimento de pessoas e coisas e a acareações; VII - determinar, 
se for caso, que se proceda a exame de corpo de delito e a quaisquer outras perícias; 
VIII - ordenar a identificação do indiciado pelo processo datiloscópico, se possível, e 
fazer juntar aos autos sua folha de antecedentes; IX - averiguar a vida pregressa do 
indiciado, sob o ponto de vista individual, familiar e social, sua condição econômica, 
sua atitude e estado de ânimo antes e depois do crime e durante ele, e quaisquer 
outros elementos que contribuírem para a apreciação do seu temperamento e caráter; 
X - colher informações sobre a existência de filhos, respectivas idades e se possuem 
alguma deficiência e o nome e o contato de eventual responsável pelos cuidados dos 
filhos, indicado pela pessoa presa. Art. 7o Para verificar a possibilidade de haver a 
infração sido praticada de determinado modo, a autoridade policial poderá proceder à 
reprodução simulada dos fatos, desde que esta não contrarie a moralidade ou a ordem 
pública. 
Destaca-se que as diligências descritas nos citados artigos não precisam 
ocorrer na ordem em que estão dispostas e, também, nem sempre serão necessárias. 
Sendo assim, caberá ao Delegado de Polícia, que tem a discricionariedade, analisar 
cada caso concreto e verificar as possibilidades e as necessidades de cada diligência. 
Além destas diligências, o art. 13 do CPP dispõe de outras atribuições da autoridade 
policial no inquérito, tais como o fornecimento de informações necessárias à instrução 
processual às autoridades judiciárias, a realização de diligências requeridas pelos 
magistrados e pelo Ministério Público, o cumprimento de mandados de prisão e a 
representação quanto à prisão preventiva. Após as diligências necessárias à 
elucidação dos fatos, a autoridade policial passará à conclusão e, se entender pelos 
indícios suficientes de autoria, fará o indiciamento, que é a formalização da situação 
do investigado durante a fase de Inquérito Policial. O investigado, inicialmente mero 
suspeito da prática do crime, após o indiciamento passa a ser considerado provável 
autor, condição que, óbvio, poderá ser elidida posteriormente, durante o inquérito ou 
já após o ajuizamento de ação penal, com a produção de prova favorável ao indiciado 
(BONFIM, 2019). O momento para fazer o indiciamento é aquele em que já há 
elementos mínimos para formar a convicção da autoridade policial quanto ao autor da 
infração penal (LOPES JÚNIOR, 2020), considerando a interpretação ao art. 2º, § 6º, 
da Lei nº. 12.830, de 20 de junho de 2013, que assim preleciona: “o indiciamento, 
privativo do delegado de polícia, dar-se-á por ato fundamentado, mediante análise 
técnico-jurídica do fato, que deverá indicar a autoria, materialidade e suas 
circunstâncias”. Por esta redação, anota-se que o indiciamento é atribuição do 
Delegado de Polícia, logo, não é possível requisitá-lo. A autoridade policial poderá 
indiciar, via de regra, qualquer pessoa, respeitadas as peculiaridades relacionadas ao 
foro por prerrogativa defunção, como é o caso dos membros do Ministério Público 
(MP) e da magistratura, que têm órgãos internos próprios com essa função, nos 
termos das respectivas normas, Lei Orgânica Nacional do Ministério Público (Lei nº. 
8.625/1993) e Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Lei Complementar nº. 35/1979). 
Também é o caso dos parlamentares federais, cujo posicionamento jurisprudencial 
consolidado é no sentido de que há a necessidade de prévia autorização judicial do 
ministro relator para fins de instauração de um inquérito policial, independentemente 
da natureza do delito (STF, Inq. 2.411 QO/MT). O indiciamento ocorre ao final do 
Inquérito Policial, quando as investigações estão adiantadas e são suficientes para se 
extrair conclusões. O indiciamento exige cuidado da autoridade policial, sobretudo por 
causa das consequências advindas para o indiciado, como o estigma social e o 
registro da imputação nos assentamentos pessoais (art. 23 do CPP), apesar de não 
produzir antecedentes judiciais (Súmula 444 do STJ). Nesse ínterim, Avena (2020, p. 
155) explica que o indiciamento abrange algumas formalidades: “(...) despacho de 
indiciação, auto de qualificação, boletim de vida pregressa e, se ocorrentes as 
situações previstas na Lei 12.037/2009, prontuário de identificação criminal”. A 
exigência de haver elementos informativos necessários e suficientes para fazer o 
indiciamento, com destaque para a prova da materialidade delitiva, ganha importância 
com a Lei nº. 13.869/2019. Assim, caso o indiciamento seja realizado na ausência de 
elementos suficientes ou, ainda, após o recebimento da denúncia ou da queixa-crime, 
haverá constrangimento ilegal, além do abuso de autoridade, cabendo o remédio 
constitucional do habeas corpus com a finalidade de se concretizar o desindicia 
mento. O Inquérito Policial é concluído por meio do relatório do Delegado de Polícia, 
que descreverá, minuciosamente, o que foi apurado até então, podendo, inclusive, 
indicar testemunhas que não foram inquiridas, indicando os seus respectivos 
endereços (art. 10, §§ 1º e 2º, do CPP). Para tanto, tem-se que cumprir as diligências 
necessárias à investigação do envolvido, dentro de certas regras, dentre elas, os 
prazos, que variam de acordo com a situação do indiciado, se solto ou se preso. Nesse 
sentido, consoante o art. 10, caput, do CPP, tem-se que o inquérito deverá terminar 
no prazo de 10 dias, se o indiciado tiver sido preso em flagrante, ou estiver preso 
preventivamente, contado o prazo, nesta hipótese, a partir do dia em que se executar 
a ordem de prisão, ou no prazo de 30 dias, quando estiver solto, mediante fiança ou 
sem ela. A leitura desse dispositivo em conjunto com o artigo 3º-B, § 2º, do Código de 
Processo Penal, permite concluir que, na hipótese de investigado preso, a duração do 
Inquérito Policial poderá prorrogar por até 15 dias, mediante representação da 
autoridade policial e ouvido o Ministério Público, sendo que a prisão será relaxada 
quando a investigação não for concluída. Ressalta-se que esses prazos adentram nas 
regras gerais, sendo que podem haver outros prazos na Legislação Penal Especial. 
Após o término das investigações, a autoridade policial fará o relatório, relatando as 
circunstâncias dos fatos e detalhes das apurações, com a classificação do delito. 
Embora o relatório seja um dever funcional do Delegado de Polícia, não é obrigatório 
para que a Ação Penal seja ajuizada, tampouco vincula o Ministério Público e o 
magistrado à classificação provisória formulada. A importância do relatório se dá para 
fins de se verificar o cabimento ou não da concessão da Liberdade Provisória. O art. 
10, § 1º, do CPP determina que o Delegado de Polícia envie os autos de Inquérito 
Policial ao juiz competente. Todavia, a doutrina, baseada na interpretação que se tem 
sobre o vigente sistema acusatório, entende que este trecho não foi recepcionado pela 
Constituição Federal, já que é o Ministério Público o titular da Ação Penal (art. 129 da 
CRFB/1988) e, por isso, o destinatário das investigações. Salienta-se que a tramitação 
direta do Inquérito Policial entre o Ministério Público e a Delegacia de Polícia foi 
destacada na Lei nº 13.964/2019, conhecida como Pacote Anticrime, principalmente 
quanto aos investigados soltos. Esse sutil afastamento do juiz de garantias (JDG) 
durante a fase inquisitorial é ressaltada quando se atém aos preceitos constitucionais. 
Tem-se, dessa forma, que o afastamento do magistrado das investigações iniciais é 
imprescindível para a não formação de convencimento prévio, de modo a garantir a 
imparcialidade do juiz. Da mesma forma, o contato direto entre Delegacia de Polícia e 
Ministério Público contribui para a celeridade e, consequentemente, para a eficiência 
e diminuição de riscos quanto à prescrição e à decadência. Ressalva-se, entretanto, 
as medidas que estão sujeitas à reserva de jurisdição, por implicar efeitos sobre os 
direitos e garantias individuais, como, por exemplo, as medidas cautelares como a 
interceptação telefônica, a prisão preventiva, entre outras. Recebidos os autos de 
Inquérito Policial, o Ministério Público: (a) Poderá requerer a devolução do inquérito à 
autoridade policial para novas diligências, desde que imprescindíveis ao oferecimento 
da denúncia (art. 16 do CPP); (b) Poderá requerer o arquivamento do Inquérito 
Policial; (c) Deverá propor a Ação Penal, caso haja os pressupostos necessários de 
indícios suficientes de autoria e de prova da materialidade. 
Em relação às hipóteses autorizadoras do arquivamento do Inquérito Policial, o 
Código de Processo Penal é omisso, contudo, a doutrina supre essa lacuna por meio 
da interpretação analógica dos arts. 395 e 397, ambos do CPP, que preveem, 
respectivamente, as situações de rejeição da peça acusatória e de absolvição 
sumária. Destaca-se que, com a atual sistemática introduzida pela Lei nº 13.964/2019 
(Pacote Anticrime), o arquivamento do Inquérito Policial passou a ser atribuição 
exclusiva do Ministério Público. Na redação anterior, cabia ao magistrado um papel 
mais ativo no que tange à homologação do arquivamento. Assim explanava: CPP, Art. 
28. Se o órgão do Ministério Público, ao invés de apresentar a denúncia, requerer o 
arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer peças de informação, o juiz, no 
caso de considerar improcedentes as razões invocadas, fará remessa do inquérito ou 
peças de informação ao Procurador-Geral, e este oferecerá a de núncia, designará 
outro órgão do Ministério Público para oferecê-la, ou insistirá no pedido de 
arquivamento, ao qual só então estará o juiz obrigado a atender (redação anterior à 
Lei nº 13.964/2019). Em suma, verifica-se que, na hipótese do Ministério Público se 
manifestar pelo arquivamento e o magistrado discordar, aplicava-se o art. 28 do CPP, 
remetendo os autos ao Procurador-Geral de Justiça (Ministério Público Estadual) ou 
à Câmara de Revisão (Ministério Público Federal). Na instância superior do Parquet, 
abria-se duas situações: a primeira, em que o PGJ ou a Câmara de Revi são concorda 
com o pedido de arquivamento e que, por isso, o juiz era obrigado a homologá-lo; e, 
a segunda, em que o PGJ ou a Câmara de Revisão discorda do arquivamento, 
oferecendo diretamente a denúncia ou designando outro Promotor de Justiça para 
oferecer denúncia, o qual atuava por delegação (longa manus). De acordo com a 
redação dada pela Lei nº 13.964/2019, o art. 28 do CPP passou a ter a seguinte 
redação: CPP, Art. 28. Ordenado o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer 
elementos informativos da mesma natureza, o órgão do Ministério Público comunicará 
à vítima, ao investigado e à autoridade policial e encaminhará os autos para a 
instância de revisão ministerial para fins de homologação, na forma da lei (redação 
dada pela Lei nº 13.964, de 2019) § 1º Se a vítima, ou seu representante legal, não 
concordar com o arquivamento do inquéritopolicial, poderá, no prazo de 30 (trinta) 
dias do recebimento da comunicação, submeter a matéria à revisão da instância 
competente do órgão ministerial, conforme dispuser a respectiva lei orgânica (incluído 
pela Lei nº 13.964, de 2019). § 2º Nas ações penais relativas a crimes praticados em 
detrimento da União, Estados e Municípios, a revisão do arquiva mento do inquérito 
policial poderá ser provocada pela chefia do órgão a quem couber a sua 
representação judicial (incluído pela Lei nº 13.964, de 2019). Anota-se, pelo dispositivo 
acima, que foi excluída a função anômala de fiscal do princípio da obrigatoriedade, 
exercida pelo juiz na sistemática anterior. Foca-se, portanto, na figura do órgão 
ministerial. Tal assertiva, embora esteja em consonância com o sistema acusatório, 
foi objeto da ADI nº 6305, ajuizada pela Associação Nacional dos Membros do 
Ministério Público (CONAMP), em 20/01/2020, no STF, sob a alegação de que viola 
os arts. 169 e 127, ambos da CRFB/1988, pois “a inovação legislativa violaria as 
cláusulas que exigem prévia dotação orçamentária para a realização de despesas, 
além da autonomia financeira dos Ministérios Públicos” (LIMA, 2020). Nessa ADI nº 
6305, foi proferida decisão monocrática pelo Relator Ministro Luiz Fux, publicada em 
03/02/2020, deferida Medida Cautelar para suspender a eficácia do atual art. 28 do 
CPP. Desse modo, até então, a atual sistemática encontra-se suspensa, aplicando-se 
na prática a redação anterior, sem as modificações introduzidas pela Lei nº 
13.964/2019. Independentemente da suspensão ou não do art. 28 do CPP, destaca-
se que “a autoridade policial não poderá mandar arquivar autos de inquérito”, por 
expressa vedação do art. 17 do CPP. Entretanto, o art. 18 do CPP traz a possibilidade 
do desarquivamento a partir da notícia de provas novas e do consequente 
oferecimento da denúncia com base nestas (cláusula rebus sic stantibus). Cabe 
esclarecer que o Inquérito Policial, embora seja um procedimento discricionário, não 
tendo uma sequência pré-definida, pode ser alvo de vícios na hipótese de não 
obediência aos ditames legais, cabendo ao interessado o trancamento do Inquérito 
Policial por meio de ordem de habeas corpus proferida por magistrado competente, 
quando houver atipicidade formal ou material da conduta, presença de causa extintiva 
da punibilidade e instauração na ausência da condição de procedibilidade. Observe 
que o trancamento é diferente do arquivamento. Quanto ao valor probatório do 
Inquérito Policial, interessa-nos perceber que este é mitigado, já que o contraditório e 
a ampla defesa também o são. Isto significa que o magistrado não pode fundamentar 
a decisão condenatória exclusivamente nos elementos de informação colhidos na fase 
de Inquérito Policial, com exceção das provas irrepetíveis, antecipadas e cautelares 
(art. 155, caput, do CPP). Para complementar seu conhecimento no que tange aos 
procedimentos do Inquérito Policial, convém uma pesquisa sobre “O caso Evandro”, 
que ganhou as manchetes de jornais na década de 1990 e cujo Tribunal do Júri durou 
mais de 30 dias, levando a considerá-lo o maior júri registrado no Brasil. 
Ação Penal classificação 
Quanto à classificação da Ação Penal, partindo-se da concepção 
processualista civil adaptada ao âmbito Processual Penal, temos a ação de 
conhecimento, como ocorre naquela em que se verifica o limite punitivo estatal, a ação 
de execução, na hipótese em que se aplica a execução da sentença penal 
condenatória, e a ação cautelar, no caso do habeas corpus preventivo. Já 
especificamente no âmbito do Processo Penal, a classificação principal tem como 
referência a titularidade, podendo a Ação Penal ser assim classificada: 
 
Ação Penal Pública Significa que o titular exclusivo é o Ministério Público, que 
deverá ajuizá-la por meio da denúncia. Via de regra, as infrações penais são de Ação 
Penal Pública, exceto se a lei expressamente definir em sentido diverso (art. 100, 
caput, do CP). A Ação Penal será sempre pública quando o crime for intentado contra 
patrimônio ou interesse da União, dos Estados e dos Municípios (art. 24, § 2º, do 
CPP). 
A propositura da Ação Penal Pública se dá mediante denúncia, em que serão 
partes o Estado (representado pelo Ministério Público) e o denunciado (réu da ação e 
suposto infrator). A Ação Penal Pública rege-se pelos seguintes princípios: (a) 
Oficialidade, pois somente pode ser proposta pelo Ministério Público, exceto nos 
casos de Ação Penal Privada Subsidiária da Pública (art. 5º, LIX, da CRFB/1988; art. 
29 do CPP; art. 10, § 3º, do CP). (b) Obrigatoriedade, porque, uma vez caracterizados 
os indícios suficientes de autoria e a prova da materialidade, o Parquet tem a 
obrigação de propor a Ação Penal (art. 24 do CPP). Este princípio é mitigado, contudo, 
pelo acordo de não persecução penal (art. 28-A do CPP), pelo acordo feito em delação 
premiada na Lei de Organização Criminosa (art. 4º da Lei nº 12.850/2013) e pela 
transação penal prevista para as infrações penais de menor potencial ofensivo (art. 
60, parágrafo único, da Lei nº 9.099/1995). (c) Indisponibilidade, que é a 
obrigatoriedade da Ação Penal estendida ao curso do processo, vedando a 
desistência da Ação Penal pelo Ministério Público (art. 42 do CPP), já que este age 
como representante do Estado e em prol da sociedade, não tendo, portanto, poder de 
decisão para desistir se o interesse não lhe pertence. A exceção, todavia, pode ser 
observada no instituto da suspensão condicional do processo (art. 89 da Lei nº 
9.099/1995). (d) Intranscendência, significando que a Ação Penal só deve ser 
proposta em face do sujeito ativo da infração penal, advindo, daí, o preceito de que a 
pena não passará da pessoa do condenado. (e) Divisibilidade, princípio reconhecido 
pelo STF no sentido de que, em casos complexos, o Ministério Público pode intentar 
a Ação Penal contra o envolvido em que se tem indícios de autoria e prova da 
materialidade, sendo que, em outra oportunidade, quando obtiver esses elementos 
contra outro alguém, ha verá a possibilidade de nova Ação Penal ou, ainda, de 
aditamento da denúncia. A Ação Penal Pública é classificada em: (a) Ação Penal 
Pública Incondicionada, quando promovida pelo Ministério Público de ofício, 
independentemente da manifestação ou da vontade de terceiros, seja de quem for 
(vítima ou seu representante legal e sucessores ou qualquer interessado). Em regra, 
as infrações penais se processam mediante Ação Penal Pública Incondicionada, 
exceto quando a lei prevê expressamente de modo contrário. 
(b) Ação Penal Pública Condicionada à Representação, quando a 
representação do ofendido é condição de procedibilidade para a propositura da Ação 
Penal. Tal representação não tem forma prescrita em lei, podendo ser feita de modo 
livre, oral ou por escrito, desde que no prazo decadencial de 6 meses, a contar do 
conhecimento sobre quem é o autor da infração penal. A representação é retratável, 
desde que a retratação seja feita antes do oferecimento da denúncia (art. 25 do CPP). 
Por exemplo, é de Ação Penal Pública Condicionada à Representação o crime 
previsto no art. 184, § 3º, do CP, consistente na violação de direito autoral com o 
oferecimento ao público, mediante cabo, fibra ótica, satélite, ondas ou qualquer outro 
sistema que permita ao usuário realizar a seleção da obra ou produção para recebê-
la em um tempo e lugar previamente determinados por quem formula a demanda, com 
intuito de lucro, direto ou indireto, sem autorização expressa, conforme o caso, do 
autor, do artista intérprete ou executante, do produtor de fonograma, ou de quem os 
represente (art. 186, IV, do CP). (c) Ação Penal Pública Condicionada à Requisição 
do Ministro da Justiça, quando a requisição do Ministro da Justiça é condição de 
procedibilidade para a propositura da Ação Penal. A requisição não está sujeita a 
prazo decadencial. É o caso, por exemplo,de crimes contra a honra (calúnia, 
difamação e injúria) perpetrados contra o Presidente da República ou contra chefe de 
governo estrangeiro (art. 145, parágrafo único, do CP). Ação Penal Privada É aquela 
proposta pelo particular nos casos expressamente estipulados em lei. É importante 
ficar atento à nomenclatura, pois a lei se refere a esta ação como “priva da”, sendo 
isto um erro, já que toda ação penal é sempre Direito Público, de modo que a 
pretensão conduzida pelo particular é também pública (BONFIM, 2019). No caso, o 
Ministério Público, embora não atue como parte, cumprirá seu papel de fiscal da 
ordem jurídica. Assim, deve-se observar que, embora haja transferência para o 
ofendido quanto ao exercício da Ação Penal (jus acusationis), o Estado continua a 
exercer, com exclusividade, o direito de punir (jus puniendi). A propositura da Ação 
Penal Privada se dá mediante queixa-crime, em que serão partes o querelante (autor 
da ação, no caso, o suposto ofendido) e o que relado (réu da ação, no caso, o suposto 
ofensor). 
A Ação Penal Privada rege-se pelos seguintes princípios: (a) Oportunidade (ou 
conveniência), significa que a vítima tem a faculdade de escolher ou não propor a 
Ação Penal, sendo livre para decidir se é ou se não é conveniente o seu ajuizamento. 
Perceba que se opõe à obrigatoriedade da Ação Penal Pública. (b) Disponibilidade, 
pois a vítima pode desistir da ação em curso, ao contrário da indisponibilidade, típica 
da Ação Penal Pública. (c) Indivisibilidade, porque, de acordo com o art. 48 do CPP, 
uma vez intentada a Ação Penal Privada, todos os envolvidos na infração deverão ser 
incluídos no polo passivo, não podendo o particular intentar a ação apenas contra um 
ou alguns dos envolvidos e deixar os demais à margem da lei. Entretanto, se todos os 
envolvidos não eram conhecidos no momento do ingresso em juízo, poderá ocorrer o 
aditamento da queixa-crime, realizando-se novamente eventuais atos já praticados no 
que tange ao(s) novo(s) querelados ou, ainda, se já houve decisão, poderá ser 
ajuizada nova ação, sendo considerado prevento o mesmo juízo que julgou os demais 
querelados. Observe que este princípio se contrapõe à divisibilidade da Ação Penal 
Pública. (d) Intranscendência, já que pode atingir apenas os sujeitos ativos dos fatos 
delituosos. Neste ponto, assemelha-se à Ação Penal Pública. A Ação Penal Privada 
é classificada em: (a) Ação Penal Privada Exclusiva (ou propriamente dita), que se 
refere àquela ajuizada pelo ofendido ou seu representante legal e, na ausência ou mor 
te do ofendido, por seu cônjuge, ascendentes, descendentes ou irmãos, que terão o 
prazo de 60 dias para dar continuidade, sob pena de perempção (arts. 30 e 31 e art. 
60, II, todos do CPP). Poderá ocorrer a renúncia ao direito de queixa antes do 
ajuizamento desta Ação Penal e, no curso desta, poderá, inclusive, ocorrer o perdão, 
que equivale à desistência e se estende a todos os envolvidos, exceto se algum 
recusar (arts. 51 a 59, todos do CPP). Como exemplo, podemos citar a injúria (art. 
140, caput, do CP). (b) Ação Penal Privada Personalíssima, que pode ser ajuizada 
apenas e exclusivamente pelo ofendido. Logo, não há que se falar em intervenção do 
representante ou assistente legal, tampouco em sucessão nos casos de morte e de 
ausência. Assim, se o ofendido morrer, haverá a extinção da punibilidade do ofensor, 
já que mais ninguém poderá dar prosseguimento. Se a vítima não atingiu a maioridade 
de 18 anos, deverá aguardar completar a idade para exercer o direito de ação e, se a 
vítima for doente mental, deverá retornar ao estado de sanidade para intentar esta 
ação. Como exemplo, tem-se o crime de induzimento a erro essencial e ocultação de 
impedimento ao casamento (art. 236 do CP). (c) Ação Penal Privada Subsidiária da 
Pública, que é proposta pelo ofendi do, seu representante ou assistente legal e, na 
ausência ou morte, pelos ascendentes, descendentes ou irmãos da vítima, na ocasião 
de o Ministério Público, sem justificativas, não propor a Ação Penal Pública com o 
oferecimento da de núncia no prazo legal (art. 29 do CPP e art. 100, § 3º, do CP). 
Neste caso, conforme o art. 29 do CPP, caberá “ao Ministério Público aditar a queixa, 
repudiá-la e oferecer denúncia substitutiva, intervir em todos os termos do processo, 
fornecer elementos de prova, interpor recurso e, a todo tempo, no caso de negligência 
do querelante, retomar a ação como parte principal”. 
Denúncia e queixa 
Denúncia e queixa-crime são, respectivamente, a peça inicial da Ação Penal 
Pública e da Ação Penal Privada. Os requisitos de ambas se encontram no art. 41 do 
CPP, que dispõe: “a denúncia ou queixa conterá a exposição do fato criminoso, com 
todas as suas circunstâncias, a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos 
quais se possa identificá-lo, a classificação do crime e, quando necessário, o rol das 
testemunhas”. Didaticamente e apoiando-se em norma interna do Ministério Público 
do Estado de São Paulo, Bonfim (2019, p. 273-274) elenca como requisitos formais 
da denúncia: a) mencionar todos os nomes e apelidos usados pelo acusado, bem 
como as folhas dos autos em que encontra a sua qualificação; b) indicar, sempre que 
possível, dia, hora e lugar da infração; c) nos casos de coautoria, descrever a conduta 
separada de cada um; d) descrever a motivação nos crimes dolosos, a causa e a 
modalidade de culpa (negligência, imprudência ou imperícia) nos culposos; e) 
mencionar o tipo penal ao qual se subsume o fato descrito; f) indicar o rito processual; 
g) formular pedido de condenação ou pronúncia; h) apresentar rol de testemunhas. 
(BONFIM, 2019, p. 273-274). Os requisitos dispostos acima aplicam-se, igualmente, 
à queixa-crime, que de verá ser proposta por meio de procurador com poderes 
especiais (art. 44 do CPP). Caso a denúncia ou a queixa-crime não obedeça aos 
requisitos necessários, o juiz deverá rejeitá-las. As hipóteses de rejeição estão 
previstas no art. 395 do CPP, sendo elas: 
 
Ausência de pressuposto processual ou de condição para o exercício da Ação 
Penal (art. 395, II, do CPP) É o que ocorre, por exemplo, quando o fato narrado na 
exordial não constitui crime ou contravenção penal (impossibilidade jurídica do pedido) 
(BONFIM, 2019), quando ocorre litispendência e quando ausente eventual condição 
de procedibilidade, como a representação da vítima nos crimes de Ação Penal Pública 
condicionada à representação (NUCCI, 2020). Falta de justa causa para o exercício 
da Ação Penal (art. 395, I e III, do CPP) Trata-se da não verificação da presença 
cumulativa dos indícios de autoria e da prova da materialidade, mesmo quando 
esgotadas as diligências investigatórias. Haverá, pois, a inépcia da inicial. Contra a 
decisão que recebe a denúncia ou a queixa-crime, não caberá recurso, por ausência 
de previsão legal. Todavia, o interessado poderá impetrar habeas corpus, requerendo 
o trancamento da Ação Penal, dentro das hipóteses contidas em lei. Já em face da 
decisão que não recebe a denúncia ou a queixa-crime, rejeitando-as, caberá Recurso 
em Sentido Estrito (art. 581, I, do CPP), via de regra. A exceção se faz no caso de 
infração de menor potencial ofensivo, cujo recurso será a Apelação (art. 82 da Lei nº 
9.099/1995) e, também, na hipótese de a Ação Penal ser de competência originária 
dos Tribunais, que comporta Agravo para o Órgão Especial, Turma ou Seção. 
Em regra, o prazo para o oferecimento da denúncia é de cinco dias, se o 
acusado estiver preso, e de 15 dias, se em liberdade (art. 46 do CPP). Entretanto, 
outro prazo pode ser estipulado para os crimes dispostos em legislação penal 
especial. Quanto à queixa-crime, no geral, observa-se o prazo decadencial de 6 
meses, a contar da data do conhecimento do autor dos fatos delituosos (art. 38 do 
CPP). 
Extinção de punibilidade 
Ao receber a denúncia ou a queixa-crime, o magistrado determinará a citação 
do réu paraapresentação de defesa, ocasião em que o defensor alegará, quando 
verificadas, eventuais circunstâncias que implicam na extinção da punibilidade, cujo 
rol exemplificativo consta no art. 107 do CP. São elas: 
 
Veja os detalhes sobre as causas extintivas de punibilidade do art. 107 do CP: (a) 
Morte do agente (art. 107, I, do CP): a punibilidade para fins penais extingue-se com 
a morte do réu, comprovada pela Certidão de Óbito, vez que, na Ação Penal, vigora o 
princípio da intranscendência, não podendo a pena ultra passar a pessoa do 
condenado. Por tratar-se de causa personalíssima, seus efeitos não atingem outros 
sujeitos ativos que possam existir; (b) Anistia, graça ou indulto (art. 107, II, do CP): 
são formas de renúncia do Estado ao direito de punir e que podem ser aplicadas na 
Ação Penal Pública e na Ação Penal Privada; 
Observação: Anistia, Graça, Indulto - Perdão do executivo, todas as vezes 
que relacionar extinção de punibilidade a anistia, graça, indulto marcar como 
verdadeiro. 
Anistia “é a exclusão, por lei ordinária com efeitos retroativos, de um ou mais fatos 
criminosos do campo de incidência do Direito Penal” (MASSON, 2020, p. 448). A lei 
ordinária que a concede é de competência da União (art. 21, XVII, da CRFB/1988), 
por meio da Congresso Nacional e com a sanção do Presidente da República (art. 48, 
VIII, da CRFB/1988); Graça é ato discricionário do Presidente da República à pessoa 
determinada, no intuito de beneficiá-la com a extinção ou comutação da pena imposta 
nos casos de crimes comuns, com sentença condenatória transitada em julgado. Por 
ser ato privativo, o Presidente da República poderá delegá-lo aos Ministros de Estado, 
ao Procurador-Geral da República e ao Advogado-Geral da União (art. 84, parágrafo 
único, da CRFB/1988). Via de regra, depende de requerimento da parte interessada, 
podendo, dessa forma, ser provocado por petição do condenado, por iniciativa do 
Ministério Público, do Conselho Penitenciário ou da autoridade administrativa (art. 188 
da Lei nº 7.210/1984). Indulto “é modalidade de clemência concedida 
espontaneamente pelo Presidente da República a todo grupo de condenados que 
preencherem os requisitos apontados pelo decreto”. Quando o indulto é total, haverá 
a extinção da punibilidade. Quando parcial, haverá diminuição ou comutação da pena 
imposta pela condenação da mesma forma que a graça. O indulto também é de 
competência privativa do Presidente da República, podendo sua concessão ser 
delegada aos Ministros de Estado, ao Procurador-Geral da República e ao Advogado-
Geral da União (art. 84, XII e parágrafo único, da CRFB/1988). (c) Retroatividade de 
lei que não mais considera o fato como crimino só (art. 107, III, do CP): trata-se da 
abolitio criminis, de modo que uma lei deixa de considerar como infração penal 
determinada conduta antes tipificada. Neste caso, “alcança a execução e os efeitos 
penais da sentença condenatória, não servindo como pressuposto da reincidência, 
nem configurando maus antecedentes” (MASSON, 2020, p. 450); (d) Prescrição, 
decadência ou perempção (art. 107, IV, do CP): prescrição é a perda da pretensão 
punitiva ou da pretensão executória em face da inércia do Estado durante determinado 
tempo legalmente previsto. Decadência é a perda do direito de oferecimento de 
queixa-crime ou de representação pelo não exercício dentro do prazo de 6 meses, 
que é preclusivo e improrrogável. Perempção é a perda do direito de ação provocada 
pela inércia processual do querelante na Ação Penal Privada; 
(e) Renúncia do direito de queixa ou pelo perdão aceito, nos crimes de ação privada 
(art. 107, V, do CP): o art. 104 do CP prevê a vedação expressa mente, no sentido de 
que “o direito de queixa não pode ser exercido quando renunciado expressa ou 
tacitamente”. Quanto ao perdão do ofendido, o art. 105 do CP estipula que obsta o 
prosseguimento da ação. Além disso, o art. 106 do CP dispõe que o perdão pode ser 
expresso ou tácito, de modo que aproveita a todos os querelados, ainda que 
concedido a apenas um deles. Mas, se o perdão foi concedido por um dos ofendidos, 
o direito das demais vítimas persistirá. Na hipótese de o querelado recusar o perdão, 
este não produzirá efeitos; (f) Retratação do agente, nos casos em que a lei a admite 
(art. 107, VI, do CP): retratar significa voltar atrás, desdizendo os fatos imputados ao 
acusado. A retratação deve ser cabal, completa e inequívoca, como já pacificado pelo 
STJ. Poderá ocorrer, por exemplo, nos crimes de calúnia e de difamação (art. 143 do 
CP); (g) Perdão judicial, nos casos previstos em lei (art. 107, IX, do CP): perdão judicial 
“é o ato exclusivo de membro do Poder Judiciário que, na sentença, deixa de aplicar 
a pena ao réu, em face da presença de requisitos legalmente exigi dos” (MASSON, 
2020, p. 453). A título de exemplo, o art. 121, § 5º, do CP dispõe sobre a possibilidade 
de perdão judicial: “na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de aplicar 
a pena, se as consequências da infração atingirem o próprio agente de forma tão 
grave que a sanção penal se torne desnecessária”. 
Os incisos VII e VIII do art. 107 do CP foram revogados pela Lei nº 11.106/2005. 
Respectivamente, previam a extinção da punibilidade “pelo casamento do agente com 
a vítima, nos crimes contra os costumes, definidos nos Capítulos I, II, e III do Título VI 
da Parte Especial deste Código” e “pelo casamento da vítima com terceiro, nos crimes 
referidos no inciso anterior, se cometidos sem violência real ou grave ameaça e desde 
que a ofendida não requeira o prosseguimento do inquérito policial ou da ação penal 
no prazo de 60 (sessenta) dias a contar da celebração”. Os crimes contra os 
costumes, referidos na redação anterior destes incisos, são os atuais crimes contra a 
dignidade sexual. 
Prescrição da Pretensão Punitiva e Executória: 
A prescrição é causa extintiva da punibilidade prevista no inciso IV do art. 107 do CP. 
O instituto visa garantir a segurança jurídica e evitar que ações judiciais se arrastem 
infinitamente, possibilitando que os envolvidos tenham seus direitos resguardados em 
prazo razoável. 
No âmbito penal, existem duas modalidades de prescrição a serem analisadas: a 
prescrição da pretensão punitiva (PPP) e a prescrição da pretensão executória (PPE). 
Prescrição da Pretensão Punitiva (PPP) 
A prescrição da pretensão punitiva diz respeito ao tempo em que o Estado tem para 
iniciar o processo criminal e buscar a aplicação da pena ao acusado. A prescrição 
nesse contexto funciona como uma espécie de limite temporal para a persecução 
penal, evitando que o Estado mantenha uma ameaça de punição indefinidamente 
sobre um indivíduo. 
Ela é considerada antes do trânsito em julgado da sentença condenatória, por isso, 
observa a pena máxima abstratamente cominada ao delito (art. 109, caput, do CP). 
Em relação aos seus efeitos, por ser processada em razão da inexistência de uma 
condenação em tempo hábil, o acusado mantém seu status quo ante, sem mácula 
dos seus antecedentes penais. Além disso, a PPP impede que eventual sentença 
condenatória possa ser executada em âmbito cível. 
Quanto ao seu termo inicial, deve-se observar as disposições do art. 111 do CP: 
Art. 111 - A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, começa a 
correr: 
I - do dia em que o crime se consumou; 
II - no caso de tentativa, do dia em que cessou a atividade criminosa; 
III - nos crimes permanentes, do dia em que cessou a permanência; 
IV - nos de bigamia e nos de falsificação ou alteração de assentamento do registro 
civil, da data em que o fato se tornou conhecido. 
V - nos crimes contra a dignidade sexual ou que envolvam violência contra a criança 
e o adolescente, previstos neste Código ou em legislação especial, da data em que a 
vítima completar 18 (dezoito) anos, salvo se a esse tempo já houver sido proposta a 
ação penal. 
Prescrição da Pretensão Executória(PPE) 
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10627377/inciso-iv-do-artigo-107-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10627547/artigo-107-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91614/codigo-penal-decreto-lei-2848-40
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10626631/artigo-111-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91614/codigo-penal-decreto-lei-2848-40
De outro modo, a prescrição da pretensão executiva ocorre após a condenação 
definitiva, quando há uma sentença transitada em julgado, e o Estado busca efetivar 
a pena imposta ao condenado. É importante ressaltar que a pena precisa ser 
executada em tempo adequado, garantindo que o seu cumprimento seja útil e justo. 
Para o cômputo da PPE leva-se em consideração a pena em concreto, fixada na 
sentença penal (art. 110 do CP). É importante dizer que essa espécie de prescrição 
opera apenas em relação à pena, subsistindo os demais efeitos penais e extrapenais 
da condenação. 
Sobre o início da contagem do prazo do PPE, devemos observar o disposto no 
art. 112 do CP: 
Art. 112 - No caso do art. 110 deste Código, a prescrição começa a correr: 
I - do dia em que transita em julgado a sentença condenatória, para a acusação, ou a 
que revoga a suspensão condicional da pena ou o livramento condicional; 
II - do dia em que se interrompe a execução, salvo quando o tempo da interrupção 
deva computar-se na pena. 
Registre-se, no entanto, que em relação ao disposto no inciso I acima transcrição, o 
Supremo entende que é necessário aguardar o trânsito em julgado para ambas as 
partes. 
Prazos da Prescrição 
Os prazos prescricionais estão dispostos no art. 109 do CP. Observe: 
 
Alguns apontamentos importantes sobre o prazo prescricional: 
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10626777/artigo-110-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91614/codigo-penal-decreto-lei-2848-40
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10626432/artigo-112-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91614/codigo-penal-decreto-lei-2848-40
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10627076/artigo-109-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91614/codigo-penal-decreto-lei-2848-40
• O cômputo desses prazos deve ser feito “(...) levando em conta eventuais 
qualificadoras, causas de aumento ou diminuição de pena (salvo o aumento 
decorrente de concurso de crimes, por força do art. 119 do CP). Se essas 
causas estipularem uma exasperação ou redução em limites variáveis (ex.: 
arts. 157, § 2º, ou 14, parágrafo único, ambos do CP), dever-se-á considerar, 
conforme o caso, o maior aumento ou a menor diminuição” (ESTEFAM, 2021). 
• Nos termos do art. 115 do CP, o prazo prescricional é contado pela metade se 
o agente é: 
o menor de 21 anos na data do fato; ou 
o maior de 70 anos na data da sentença. 
• Para a PPE, os prazos prescricionais são aumentados de 1/3 se o condenado 
é reincidente (art. 110, caput, do CP). 
• Os mesmos prazos prescricionais serão observados para as penas restritivas 
de direitos (art. 109, parágrafo único, do CP). 
• De acordo com o art. 114 do CP, o prazo prescricional para a pena de multa é 
o de 2 anos, se ela for a única pena cominada ou aplicada; 
o o mesmo estabelecido para a pena privativa de liberdade, quando 
aplicada de forma alternativa ou cumulativamente cominada/aplicada. 
Causas Interruptivas e Suspensivas 
A interrupção da prescrição é um fenômeno jurídico que determina a recontagem 
do prazo inicial desde o seu início. Isto é, após cada causa interruptiva deve haver 
uma nova contagem do prazo, desprezando-se o período anterior à interrupção. 
As causas que interrompem a prescrição estão previstas no art. 117 do Código Penal. 
Mas, fique atento: existem causas diversas para a interrupção da PPP e da PPE. 
Observe: 
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10625689/artigo-119-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91614/codigo-penal-decreto-lei-2848-40
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10619340/artigo-157-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10619245/paragrafo-2-artigo-157-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10626202/artigo-115-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91614/codigo-penal-decreto-lei-2848-40
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10627076/artigo-109-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10626819/paragrafo-1-artigo-109-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91614/codigo-penal-decreto-lei-2848-40
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10626297/artigo-114-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91614/codigo-penal-decreto-lei-2848-40
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10626033/artigo-117-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91614/codigo-penal-decreto-lei-2848-40
 
Já as causas suspensivas (ou impeditivas) da prescrição determinam que a 
recontagem do prazo seja retomada de onde parou. Ou seja, elas permitem somar o 
tempo anterior ao fato que deu causa à suspensão da prescrição, com o tempo 
posterior. 
A previsão das causas suspensivas da PPP está no caput do art. 116 do CP: 
Art. 116 - Antes de passar em julgado a sentença final, a prescrição não corre: 
I - Enquanto não resolvida, em outro processo, questão de que dependa o 
reconhecimento da existência do crime; 
II - Enquanto o agente cumpre pena no exterior; 
III - na pendência de embargos de declaração ou de recursos aos Tribunais 
Superiores, quando inadmissíveis; e 
IV - Enquanto não cumprido ou não rescindido o acordo de não persecução penal. 
Em relação à PPE, a suspensão da prescrição está prevista no parágrafo único do 
art. 116 do CP: 
Art. 116 - (...) Parágrafo único - Depois de passada em julgado a sentença 
condenatória, a prescrição não corre durante o tempo em que o condenado está preso 
por outro motivo. 
Prescrição superveniente (intercorrente ou subsequente) 
A prescrição superveniente ou intercorrente é uma espécie de PPP, que ocorre entre 
a data da publicação da sentença condenatória e o trânsito em julgado (art. 110, § 1º, 
do CP). 
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10626166/artigo-116-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91614/codigo-penal-decreto-lei-2848-40
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10626075/paragrafo-1-artigo-116-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10626166/artigo-116-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91614/codigo-penal-decreto-lei-2848-40
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10626777/artigo-110-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10626705/paragrafo-1-artigo-110-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91614/codigo-penal-decreto-lei-2848-40
Ela leva em consideração a pena aplicada e o marco inicial é a publicação da sentença 
condenatória. 
Por exemplo, temos a prescrição intercorrente quando se escoa o prazo prescricional 
sem a intimação do condenado da sentença. Ou, quando há recurso contra a sentença 
condenatória e o Tribunal o aprecia após escoado o prazo prescricional. 
Prescrição retroativa 
A prescrição retroativa é outra espécie de PPP, sendo regulada pela pena aplicada 
na sentença (art. 110, §§ 1º e 2º, do CP). Ela determina a recontagem dos prazos 
anteriores à sentença penal com trânsito em julgado para a acusação ou depois de 
ter recurso negado. 
Espero que este

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