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Introdução à microbiologia Você vai estudar o histórico e a evolução da microbiologia, a partir do detalhamento da classificação dos microrganismos e a descrição de estruturas características que diferenciam os vários tipos de microrganismos. Tudo isso tem o objetivo de fornecer uma compreensão abrangente da origem e do desenvolvimento da microbiologia como uma disciplina científica, bem como dos princípios subjacentes à classificação e à morfologia dos microrganismos. Profa. Lívia de Souza Ramos 1. Itens iniciais Objetivos Descrever o histórico e a evolução da Microbiologia. Identificar a classificação dos microrganismos. Reconhecer a morfologia e as estruturas das células procarióticas. Introdução Neste tema, exploraremos a Microbiologia, uma ciência que estuda os microrganismos. Você sabia que os microrganismos surgiram na Terra bilhões de anos antes das plantas e dos animais e que, sem eles, nós não estaríamos aqui? Apesar de serem as menores formas de vida existentes, os microrganismos, em conjunto, compõem a maior parte da biomassa do nosso planeta e são responsáveis por fazer reações químicas indispensáveis para a sobrevivência dos organismos superiores. Além disso, você sabia que as células microbianas são ferramentas de grande utilidade para o desenvolvimento da ciência básica? Por meio delas, os microbiologistas conseguiram entender as bases químicas e físicas da vida, descobrindo que as diferentes células apresentam muitas características em comum. Teremos a oportunidade de estudar a origem da vida em nosso planeta e como a Microbiologia evoluiu como ciência. Veremos também como os microrganismos são classificados, as características de cada grupo e os aspectos morfológicos deles. • • • Supernova explodindo e formando uma nebulosa. 1. Microbiologia Origem da vida na terra Explore neste vídeo a origem da vida na Terra, e seu o estado inicial ardente, assim como a condensação de água em oceanos e as condições adversas iniciais que levaram à hipótese de que a vida começou em fontes hidrotermais oceânicas. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Evidências sugerem que a Terra tenha surgido há mais ou menos 4,6 bilhões de anos, e acredita-se que, durante mais de 500 milhões de anos após sua formação, as condições terrestres eram extremamente ardentes e inóspitas. Nosso planeta se formou a partir de uma nuvem de poeira nebulosa em formato de disco e por gases liberados pela supernova (evento astronômico representado por uma explosão durante o fim da vida de algumas estrelas) de uma estrela muito antiga. O nosso Sol, uma estrela nova, formou-se dentro dessa nuvem de poeira, resultando na liberação de grandes quantidades de calor e luz. A partir daí, o conteúdo da nuvem nebulosa começou a se agrupar e a se fundir, como consequência das colisões e da atração gravitacional, formando agregados pequenos que foram crescendo e deram origem aos planetas. Enquanto a Terra se formava, a energia liberada foi capaz de aquecê-la e a tornou um planeta de magma muito quente. Saiba mais Supernova Pode ser definida como um evento astronômico representado por uma explosão durante o fim da vida de algumas estrelas. Inicialmente, a água na Terra estava presente apenas na forma de vapor (por causa do calor), tendo se originado de colisões com cometas e asteroides glaciais e de gases vulcânicos vindos do interior do planeta. A Terra, que antes era quente, passou por um processo de resfriamento, em que foram formados um cerne metálico, um manto rochoso e uma crosta superficial. Além disso, a água que se encontrava no estado de vapor foi condensada, formando os oceanos. A existência de água líquida na Terra ocorreu há cerca de 4,3 bilhões de anos e, desde então, já havia em nosso planeta condições compatíveis com a vida. Porém, como surgiu a vida na Terra? Essa questão ainda é um grande mistério para os cientistas. Os organismos conhecidos são formados pelos mesmos constituintes básicos: Molécula de RNA (ácido ribonucleico). Proteínas (formadas por monômeros de aminoácidos). Ácidos nucleicos (DNA e RNA, formados por nucleotídeos). Polissacarídeos (formados por monossacarídeos). Lipídios. Evidências científicas sugerem que esses precursores orgânicos das células podem, em certas condições, ser formados espontaneamente, oferecendo as condições necessárias para o surgimento dos primeiros sistemas vivos. Como as condições ambientais na superfície da Terra na época eram muito adversas, com temperaturas extremamente elevadas e intensa radiação ultravioleta, existe uma hipótese de que a vida tenha se originado em fontes hidrotermais no leito oceânico, local em que as condições ambientais seriam menos hostis e apresentariam compostos orgânicos reduzidos, como hidrogênio (H2) e sulfeto de hidrogênio (H2S) como fontes de energia. Sistemas autorreplicantes são considerados os precursores da vida celular. Por isso, uma das hipóteses mais aceitas é que a vida tenha começado em um Mundo de RNA. Cientistas acreditam que o RNA tenha surgido antes do DNA, pois o RNA possui duas propriedades essenciais para a manutenção de uma célula primitiva. Algumas moléculas de RNA são capazes de catalisar sua própria síntese a partir de açúcares, bases nitrogenadas e fosfato, ou seja, participam de sua própria replicação (moléculas autorreplicantes). As moléculas de RNA também podem catalisar a síntese de proteínas. Assim, acredita-se que, de alguma forma, uma molécula de RNA acabou dando origem a uma molécula de DNA, e, como esta última molécula oferece maior estabilidade estrutural, ela foi selecionada para ser a principal fonte de informação genética da célula. Outro evento importante foi a compartimentalização das células, com a presença da membrana plasmática, protegendo o conteúdo intracelular, mantendo a estrutura da célula e permitindo a troca seletiva de substâncias com o ambiente. Como na atmosfera da Terra primitiva não havia oxigênio, as primeiras células que surgiram provavelmente apresentavam metabolismo totalmente anaeróbio para gerar energia. Microrganismos capazes de armazenar energia a partir da luz do sol (fototróficos) eram muito simples, como as bactérias púrpuras e bactérias verdes. A oxigenação da Terra começou a acontecer apenas após a evolução da fotossíntese oxigênica das cianobactérias, revolucionando a química do planeta. Esse processo foi longo, mas, a partir dele, as células foram se adaptando ao ambiente agora rico em oxigênio, resultando no surgimento dos organismos aeróbios. • • • • LUCA (último ancestral comum). Acredita-se que todas as células tenham se originado de uma célula ancestral comum, chamada de o último ancestral comum (LUCA - Do inglês Last Universal Common Ancestor), uma vez que os diferentes tipos celulares apresentam uma constituição muito semelhante. Durante milhões de anos após o surgimento das primeiras células, novas células foram surgindo, formando populações microbianas que foram interagindo umas com as outras e se adaptando da melhor forma ao ambiente para garantir sua sobrevivência. Hoje, nós já conseguimos observar os resultados de todo esse processo, através da imensa variedade de microrganismos existentes, com as mais variadas características e capazes de viver perfeitamente nos lugares mais diversos do nosso planeta. Atividade 1 Refletindo sobre as condições ambientais e químicas que caracterizavam a Terra primitiva, é fundamental considerar os elementos e processos que poderiam ter fomentado o surgimento da vida. Com base nesse contexto, qual das alternativas a seguir melhor descreve um aspecto fundamental que contribuiu para o desenvolvimento das primeiras formas de vida? A A formação da Terra a partir de uma nuvem de poeira nebulosa não teve impacto significativo na origem da vida, pois os organismos primitivos se desenvolveram independentemente das condições planetárias iniciais. B A presença de oxigênio na atmosfera da Terra primitiva foi essencial para o surgimento das primeirasque a célula que o contém. Por exemplo, o cromossomo da bactéria Escherichia coli é aproximadamente 500 vezes maior que a célula. O DNA das células procarióticas é aproximadamente 1000 vezes menor que o das células eucarióticas. Parede celular, ribossomos e material genético Confira neste vídeo a parede celular, uma estrutura fundamental nas células procarióticas, oferecendo proteção contra lise osmótica e mecânica, enquanto fornece rigidez e forma. Detalharemos sua composição e a distinção entre bactérias Gram-positivas e Gram-negativas. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Atividade 2 De acordo com a composição da parede celular, as bactérias são divididas em dois grupos: Gram-positivas e Gram-negativas. De acordo com essa classificação, pode-se afirmar o seguinte: A Apenas bactérias Gram-positivas possuem uma membrana externa na sua parede celular. B Bactérias Gram-negativas têm uma camada espessa de peptidoglicano, enquanto as Gram-positivas possuem uma camada fina. C Ambos os tipos de bactérias possuem quantidades similares de ácidos teicoicos em suas paredes celulares. D Bactérias Gram-negativas possuem uma membrana externa adicional e uma camada relativamente fina de peptidoglicano, diferentemente das Gram-positivas. E As paredes celulares de bactérias Gram-positivas e Gram-negativas são indistintas e funcionam da mesma maneira. A alternativa D está correta. Bactérias Gram-positivas possuem uma camada espessa de peptidoglicano, que é uma malha densa de polímeros que oferece suporte estrutural e proteção. Além disso, elas frequentemente contêm ácidos teicoicos, que são polímeros de álcool e açúcar que atravessam a parede celular. Por outro lado, bactérias Gram-negativas caracterizam-se por ter uma camada de peptidoglicano muito mais fina, localizada entre Imagem ilustrativa da cápsula de uma bactéria destacada na cor azul. duas membranas: a membrana plasmática interna e uma membrana externa adicional, que contém lipopolissacarídeos (LPS). Estruturas acessórias Agora que já conhecemos as estruturas fundamentais, fica mais fácil imaginar o que são as estruturas acessórias, não é mesmo? Como o próprio nome diz, são estruturas que não estão obrigatoriamente presentes em todas as células, mas oferecem características vantajosas às células que as possuem. Então, vamos juntos conhecer um pouquinho sobre as principais estruturas acessórias das células procarióticas! Estrutura bacteriana. Cápsula A cápsula é uma estrutura presente em muitas bactérias, tanto gram-positivas como gram- negativas, e se encontra localizada ao redor da parede celular. Trata-se de uma estrutura fortemente aderida à parede celular, e, muitas vezes, ela se encontra covalentemente ligada ao peptideoglicano. A cápsula geralmente é composta por uma grande variedade de polissacarídeos, mas proteínas também podem ser encontradas. Ela pode ser descrita como uma matriz compacta, rígida e espessa, capaz de excluir partículas pequenas, como a tinta nanquim. Pode ser facilmente observada com o auxílio de um microscópio óptico utilizando a tinta nanquim, pois, uma vez que este corante não é capaz de penetrar na cápsula, ela se apresenta como um halo claro contra um fundo escuro. Assim como outras camadas de superfície externa, as cápsulas apresentam várias funções, tais como: Imagem ilustrativa dos flagelos de uma bactéria, destacados nas cores verde e azul. I Adesão a superfícies sólidas, por vezes formando uma camada espessa de células, conhecida como biofilme; o biofilme pode ser formado sobre dispositivos médicos utilizados pelos pacientes, como os diferentes tipos de cateteres, causando infecções difíceis de tratar. II Adesão a tecidos animais específicos, como, por exemplo, a adesão da bactéria Streptococcus mutans ao esmalte do dente, levando à formação da placa dental. III Participação na patogênese microbiana (processo através do qual os microrganismos causam doença), pois participam da etapa inicial do processo de infecção, que é justamente a adesão às células do hospedeiro. IV Atuação como fator de virulência, como no caso da bactéria Streptococcus pneumoniae, causadora da pneumonia bacteriana; essa bactéria possui uma espessa cápsula polissacarídica que impede que o sistema imune do hospedeiro a reconheça como um invasor, evitando sua eliminação e, consequentemente, resultando na instalação da doença. V Proteção da célula contra a dessecação em períodos de seca, devido a sua capacidade de se ligar à água. Flagelos A locomoção dos microrganismos é muito importante, pois permite que as células ocupem novos ambientes, muitas vezes representando novas e melhores oportunidades de sobrevivência para determinada espécie. Muitos procariotos conseguem se deslocar devido à presença de estruturas denominadas flagelos, que proporciona às células a motilidade natatória. Os flagelos de bactérias são apêndices muito finos e longos; uma extremidade se encontra ligada à célula, enquanto a outra é livre, e sua rotação empurra ou puxa a célula em um meio líquido. Os flagelos estão ancorados na membrana plasmática e na parede celular, possuem morfologia helicoidal e são formados por cópias da proteína flagelina. De acordo com o padrão que os flagelos se ligam às células, elas podem receber diferentes classificações: Flagelação polar monotríquia Flagelo ligado a uma extremidade da célula. Flagelação polar lofotríquia Tufos de flagelos localizados em uma das extremidades da célula. Flagelação polar anfitríquia Tufos de flagelos localizados nas duas extremidades da célula. Flagelação peritríquia Flagelos presentes em vários locais ao longo da superfície celular. Fímbrias e pili A superfície das células procariotas podem conter ainda estruturas denominadas fímbrias e pili. Trata-se de proteínas filamentosas que se projetam da superfície celular e desempenham algumas importantes funções. As fímbrias estão envolvidas com a adesão a superfícies, tanto inertes (levando à formação de biofilme em superfícies sólidas) quanto de animais (no caso de bactérias patogênicas). As fímbrias são importantes para o desenvolvimento de algumas infecções, como: Salmonelose Causada por espécies de Salmonella. Gonorreia Causada por Neisseria gonorrhoeae. Coqueluche Causada por Bordetella pertussis. Os pili, por sua vez, são estruturas mais longas presentes em poucas cópias na superfície da célula. São responsáveis por facilitar a troca genética entre células durante o processo de conjugação, além de auxiliar também no processo de adesão. Além disso, a classe de pili conhecida como pili tipo IV propicia à célula uma forma de motilidade pouco comum chamada de motilidade pulsante, em que a extensão e retração dos pili permite a movimentação da célula sobre uma superfície sólida, além de participar também da transferência genética em algumas bactérias. Bactéria com estruturas na sua superfície denominadas fímbrias e pili. Grânulos de inclusão Os grânulos de inclusão são normalmente encontrados em células procarióticas, tendo como principal função atuar como reserva de energia e nutrientes para as células. São responsáveis pelo armazenamento de diferentes substâncias, como polissacarídeos, lipídios, enxofre e polifosfato, que poderão ser usadas pelas células em situações desfavoráveis. Estas substâncias podem se encontrar envolvidas por uma membrana de camada única que as deixam isoladas dentro da célula, mas alguns compostos já ficam isolados por serem insolúveis em água, não necessitando de uma membrana. A principal vantagem da existência dos grânulos de inclusão se deve à redução do estresse osmótico que seria causado dentro da célula se essas substâncias permanecessem dissolvidas no citoplasma. Assim, quando há excesso de carbono no ambiente, por exemplo, seu acúmulo em bactérias e arqueias pode ocorrer na forma de polímeros de glicogênio, que é a maior reserva de carboidratos em procariotos, e também de poli-β-hidroxialcanoato (PHA), que representa uma reserva de lipídios;ambos são reservas de carbono e energia. Além disso, fosfato inorgânico pode ser acumulado na forma de grânulos de polifosfato, que podem ser utilizados quando necessário para a síntese de ácidos nucleicos, fosfolipídios e ATP. Outros grânulos de inclusão são conhecidos em procariotos, como o enxofre elementar armazenado por bactérias sulfurosas, minerais carbonatos armazenados por cianobactérias e magnetossomos, que correspondem ao acúmulo de minerais magnetotáticos também por cianobactérias. Plasmídeos Conjugação bacteriana (transferência de material genético entre duas células) com a transferência de plasmídeos de resistência. Muitas bactérias e arqueias possuem, além do cromossomo, moléculas de plasmídeos ou DNA extracromossômico em seu citoplasma. Geralmente, os plasmídeos são formados por uma molécula de DNA de fita dupla circular (mas também existem os de configuração linear) e são menores que o cromossomo da célula. A replicação dos plasmídeos ocorre de maneira independente do cromossomo celular. Além disso, eles variam muito em tamanho, podem apresentar sequências de nucleotídeos bastante variadas e ser encontrados em diferentes números de cópias nas células. É comum que os plasmídeos maiores sejam achados em menor número de cópias, enquanto os plasmídeos menores são geralmente encontrados em maior número. Sua principal função é codificar proteínas que conferem características adicionais à célula, que não são essenciais à sobrevivência, mas são vantajosas diante de certas condições ambientais. Por exemplo, o grupo de plasmídeos mais estudados são os que conferem resistência aos antibióticos, conhecidos como plasmídeo R, através da codificação de proteínas capazes de inativá-los. Além disso, outras características importantes para as células são conferidas por plasmídeos, como, por exemplo: Resistência à radiação ultravioleta. Produção de toxinas, enzimas e outras moléculas que causam danos aos hospedeiros. Produção de fímbrias de adesão a tecidos. Endósporos Durante o processo de esporulação, espécies de bactérias podem produzir endósporos. Estas células são extremamente resistentes a condições adversas, como extremos de temperatura, radiação, produtos químicos, dessecamento e escassez de nutrientes. Sendo assim, essa estrutura permite que o microrganismo seja capaz de sobreviver em condições de crescimento muito adversas. Esporulação Processo de diferenciação celular. Em bactérias, ao final do processo de esporulação, as células vegetativas são substituídas por endósporos. A dispersão dos endósporos é comum e ocorre através da água, do vento e do trato gastrointestinal de animais. • • • Bacillus anthracis.. As espécies pertencentes ao gênero Bacillus são exemplos clássicos de bactérias esporuladas. Essas bactérias esporulam quando ocorre escassez de algum nutriente essencial, como carbono ou nitrogênio, por exemplo. Nesses casos, elas param seu crescimento vegetativo e esporulam, formando endósporos que podem ficar dormentes por muitos anos, voltando a se converter em células vegetativas apenas quando as condições ambientais voltarem a se tornar favoráveis ao seu crescimento. Desafio Em uma empresa de biotecnologia, um grupo de pesquisadores está trabalhando em um projeto para desenvolver uma nova cepa de bactérias para diversas aplicações biotecnológicas. Durante a revisão do projeto, surge uma dúvida se as estruturas presentes nas células procarióticas são capazes de suportar e otimizar os processos metabólicos necessários para essas aplicações. Diante dessa dúvida, qual abordagem você adotaria para esclarecê-la? Escolher entre opções: 1) Argumentar que, como as células procarióticas não possuem organelas delimitadas por membranas, como mitocôndrias, elas seriam limitadas na realização de processos metabólicos complexos necessários para as aplicações biotecnológicas propostas. 2) Sugerir que a falta de um núcleo definido nas células procarióticas implica uma regulação genética e expressão proteica menos eficiente, comprometendo sua capacidade de realizar funções biotecnológicas avançadas. 3) Enfatizar a importância do plasmídeo na engenharia genética das bactérias, explicando que a manipulação desses elementos genéticos permite a inserção de genes específicos para a expressão de enzimas ou proteínas necessárias, apoiando assim processos biotecnológicos. Primeira opção Incorreto. As células procarióticas, apesar de não possuírem organelas delimitadas por membranas como as células eucarióticas, são extremamente versáteis e capazes de realizar processos metabólicos complexos. Sua estrutura simplificada não impede que participem de aplicações biotecnológicas, graças à sua adaptabilidade metabólica. Segunda opção Incorreto. A ausência de um núcleo definido em células procarióticas não diminui sua eficiência em regulação genética ou expressão proteica. Pelo contrário, bactérias possuem mecanismos eficientes de regulação gênica que suportam processos metabólicos rápidos e adaptativos, essenciais para aplicações biotecnológicas. Terceira opção Correto. Plasmídeos são fundamentais na engenharia genética de bactérias, permitindo a inserção de genes que codificam para enzimas e proteínas específicas. Essa capacidade de manipulação genética expande significativamente o potencial das células procarióticas para suportar e otimizar uma variedade de processos biotecnológicos, demonstrando sua flexibilidade e valor em biotecnologia. Estruturas acessórias Explore neste vídeo as estruturas acessórias das células procarióticas, destacando cápsula, flagelos, fímbrias, pili, grânulos de inclusão e plasmídeos. Abordaremos como a cápsula protege bactérias e facilita a formação de biofilmes, enquanto os flagelos conferem motilidade. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Aplicando o conhecimento Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Em um hospital de médio porte, uma equipe de saúde se deparou com um caso intrigante. Uma paciente, Maria, 35 anos, apresentou-se com sintomas severos de infecção, incluindo febre alta, mal-estar generalizado e dor abdominal intensa. O quadro clínico sugerido apontava para uma infecção bacteriana, mas o agente específico ainda era desconhecido, o que complicava a escolha do tratamento adequado. A equipe médica estava diante de um dilema: os sintomas poderiam ser atribuídos tanto a uma infecção por Staphylococcus aureus, conhecida por causar sérias infecções de pele e tecidos moles, quanto por Escherichia coli, frequentemente associada a infecções do trato urinário e gastrointestinais. Diante da urgência do caso, a equipe recorreu à coloração de Gram, uma técnica rápida e eficaz para diferenciar as bactérias com base em características estruturais distintas. Após coletar uma amostra de tecido da paciente e realizar a coloração, os resultados foram claros: a presença predominante de bactérias vermelhas indicava uma infecção por bactérias Gram-negativas. Esse achado apontou Escherichia coli como o agente mais provável de ser responsável pela infecção, dada a correlação com os sintomas apresentados. Com o diagnóstico em mãos, a equipe pôde administrar um regime de antibióticos direcionados para combater eficazmente a E. coli. Maria respondeu bem ao tratamento, demonstrando melhora significativa em poucos dias. Esse caso ilustra a importância crítica das estruturas bacterianas no diagnóstico e tratamento de infecções. A compreensão dessas estruturas, além de permitir um diagnóstico preciso, assegurou a seleção de uma terapia específica, evitando o uso desnecessário de antibióticos de amplo espectro e a subsequente resistência bacteriana. Após a leitura do case, é hora de aplicar seus conhecimentos! Questão 1 Explique as principais diferenças estruturais entre a parede celular de bactérias Gram-positivas e Gram- negativas. Chave de resposta As bactérias Gram-positivas possuem uma espessa parede celular rica em peptidoglicano. Em contraste, as bactérias Gram-negativasapresentam uma camada mais fina de peptidoglicano situada entre duas membranas lipídicas, sendo a membrana externa rica em lipopolissacarídeos. Questão 2 Explique por que a parede celular bacteriana é um alvo relevante para o desenvolvimento de antibióticos. Chave de resposta A parede celular bacteriana é vital para a sobrevivência da bactéria, fornecendo estrutura, forma e proteção contra osmólise (ruptura causada por diferenças de pressão osmótica). A interferência na síntese ou no reparo dessa parede pode resultar na morte da bactéria, que é o objetivo de muitos antibióticos. Além disso, as células humanas não possuem parede celular, o que reduz o risco de efeitos adversos relacionados ao mecanismo de ação dos antibióticos. Questão 3 Caso o hospital não apresentasse os reagentes utilizados na coloração de Gram, como a equipe poderia saber se a infecção estava sendo causada por S. aureus ou E. coli? Chave de resposta Considerando que essas eram as duas únicas opções de agente etiológico, a simples visualização ao microscópio poderia elucidar a questão. S. aureus é uma bactéria esférica (cocos), enquanto E. coli é alongada (bacilo). Atividade 3 Além de estruturas essenciais à sua viabilidade, as bactérias possuem estruturas acessórias, que lhes conferem algumas vantagens. Qual das seguintes estruturas acessórias desempenha um papel importante na adesão a superfícies e na formação de biofilmes? A Ribossomos B Fímbrias C Mitocôndrias D Plasmídeos E Citoplasma A alternativa B está correta. As fímbrias são estruturas curtas, finas, semelhantes a cabelos, encontradas na superfície de muitas bactérias. Elas desempenham um papel na adesão das bactérias a superfícies sólidas, incluindo tecidos hospedeiros em contextos patogênicos, o que pode facilitar a colonização e a formação de biofilmes. 4. Conclusão Considerações finais As células surgiram de um ancestral comum, e as condições ambientais do planeta favoreceram o surgimento das primeiras células vivas. O desenvolvimento dos microscópios permitiu a descoberta das células e a observação de microrganismos, revolucionando o entendimento da vida microbiana. Os experimentos de Redi e Pasteur apresentam importância histórica na refutação da ideia de geração espontânea e no estabelecimento da teoria biogenética. O sistema binominal de nomenclatura de Linnaeus é essencial para a classificação padronizada e organização sistemática dos seres vivos. A classificação biológica passou por diversas evoluções, sendo essencial a compreensão das diferenças fundamentais entre os três domínios da vida (Bactéria, Archaea e Eukarya). Existem diferenças estruturais e funcionais entre células procarióticas e eucarióticas, principalmente a presença de compartimentos envoltos por membranas no caso das eucarióticas. Os microrganismos apresentam grande diversidade, incluindo bactérias, vírus, fungos, protozoários e algas, cada um possuindo características únicas. Além de estruturas fundamentais, como membrana plasmática e parede celular, as bactérias apresentam estruturas acessórias que conferem propriedades importantes para garantir sua adaptação a determinados ambientes. Podcast Para encerrar, ouça agora um resumo dos principais pontos abordados neste conteúdo. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ouvir o áudio. • • • • • • • • Explore + Conversamos um pouco sobre a origem da vida. Para explorar mais sobre esse assunto, busque o artigo Origens da vida, de Augusto Damineli e Daniel Santa Cruz Damineli. Falamos também sobre a importância de Pasteur para a desmitificação da teoria da geração espontânea. Se quiser mais informações sobre a história desse grande cientista, pesquise os artigos Pasteur: ciência para ajudar a vida, de João Augusto de Mello Gouveia-Matos, e Pasteur e a geração espontânea: uma história equivocada, de Lilian Al-Chueyr Pereira Martins. Ao longo do tema, apresentamos as diferenças entre as células eucariotas e procariotas. Para entender mais sobre esse assunto tão fascinante, leia o capítulo Biologia celular e ultraestrutura, de Helene Santos Barbosa e Suzana Côrte-Real de Barbosa, disponível na página da Fiocruz. Conversamos ainda sobre o prion, uma proteína que pode provocar doenças, como o mal da vaca louca, que gerou, ao longo dos anos, grande polêmica no meio acadêmico, pois quebrou os dogmas centrais da biologia. Para conhecer um pouco mais dessa discussão, busque o artigo O paradigma do prion, de Afonso Carlos Neves. Conhecemos um pouco sobre o domínio Archae, que apresenta grande potencial biotecnológico. Para se aprofundar neste assunto, leia o artigo Archaea: potencial biotecnológico, de Alexandre Machado Cardoso e outros autores, disponível na página da Fiocruz. Estudamos ainda sobre o Reino Funghi. Para conhecer mais sobre esse reino, suas características morfológicas, nutrição, seu habitat, metabolismo, sua importância e as principais doenças causadas por esses microrganismos, não deixe de ler o capítulo Micologia, de Aurea Maria Lage de Moraes, Rodrigo de Almeida Paes e Verônica Leite de Holanda, também disponível na página da Fiocruz. Para conhecer as principais bactérias de importância médica e suas infecções visite o Glossário de bactérias de importância médica do Departamento de Microbiologia da Universidade de São Paulo. Referências MADIGAN, M. T.; MARTINKO, J. M.; BENDER, K. S.; BUCKLEY, D. H.; STAHL, D. A. Microbiologia de Brock. 14. ed. Porto Alegre: Artmed, 2016. VERMELHO, A. B.; BASTOS, M. C. F.; BRANQUINHA, M. H. Bacteriologia Geral. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008. • • • • • • • Introdução à microbiologia 1. Itens iniciais Objetivos Introdução 1. Microbiologia Origem da vida na terra Conteúdo interativo Saiba mais Porém, como surgiu a vida na Terra? Atividade 1 História da microbiologia como ciência A microrrevolução científica e os primeiros microscópios Invenção do primeiro microscópio Primeira descrição de um microrganismo Primeira descrição de bactérias A experiência de Redi Van Leeuwenhoek (1632-1723) Francesco Redi (1626-1697) Ficou o questionamento: se a vida poderia vir de matéria sem vida, como sugeria a Teoria da Abiogênese, por que larvas surgiram apenas sobre a carne dos frascos abertos? O experimento de Pasteur A descoberta dos microrganismos e a evolução do pensamento científico Conteúdo interativo Curiosidade Os Postulados de Koch 1º postulado 2º postulado 3º postulado 4º postulado Desafio Primeira opção Segunda opção Terceira opção História da microbiologia como ciência Conteúdo interativo Aplicando o conhecimento Conteúdo interativo Atividade 2 2. Microrganismos Classificação nominal dos seres vivos 1735 1866 1969 1990 Características gerais dos procariotos e dos eucariotos Procariotos Eucariotos 1 2 3 Você pode se perguntar: “Como surgiram as células eucarióticas?” Classificação nominal dos seres vivos Conteúdo interativo Atividade 1 Características gerais de bactérias, arqueias e protozoários Domínio Bacteria Classificação das bactérias Morfologia Parede celular pH Temperatura Metabolismo Respiração / fermentação Domínio Archaea Domínio Eukarya Protozoários Características gerais de bactérias, arqueias e protozoários Conteúdo interativo Atividade 2 Características gerais de fungos, algas, vírus e príons Fungos Leveduras Bolores Cogumelos Vírus Saiba mais Príons Desafio Primeira opção Segunda opção Terceira opção Características gerais de fungos, algas, vírus e príons Conteúdo interativo Aplicando o conhecimento Conteúdo interativo Atividade 3 3. Células procarióticas Morfologia da célula procariótica e membrana plasmática Morfologia da célula procariótica Cocos Bastonetes ou bacilos Espiraladas Cocobacilos Vibrião Morfologia do domínio Eubactéria Conteúdo interativo Estruturas fundamentais Você sabe o que são estruturas fundamentais a uma célula? Membrana plasmáticaHidrofóbicos Hidrofílicos Compartimentalização Transporte de substâncias Atividades bioquímicas e de síntese Geração de energia Morfologia da célula procariótica e membrana plasmática Conteúdo interativo Atividade 1 Parede celular, ribossomos e material genético Parede celular Gram-positivas Gram-negativas Ribossomos Procariotos Eucariotos Material genético Parede celular, ribossomos e material genético Conteúdo interativo Atividade 2 Estruturas acessórias Cápsula I II III IV V Flagelos Flagelação polar monotríquia Flagelação polar lofotríquia Flagelação polar anfitríquia Flagelação peritríquia Fímbrias e pili Salmonelose Gonorreia Coqueluche Grânulos de inclusão Plasmídeos Endósporos Desafio Primeira opção Segunda opção Terceira opção Estruturas acessórias Conteúdo interativo Aplicando o conhecimento Conteúdo interativo Atividade 3 4. Conclusão Considerações finais Podcast Conteúdo interativo Explore + Referênciasformas de vida, facilitando o desenvolvimento de organismos complexos desde o início. C As moléculas de RNA, devido à sua capacidade de catalisar sua própria síntese e a síntese de proteínas, são consideradas precursoras essenciais da vida celular, sugerindo que a vida pode ter começado em um “mundo de RNA”. D Acredita-se que a vida na Terra tenha surgido exclusivamente em terra firme, pois as condições secas e expostas foram ideais para a formação de compostos orgânicos complexos necessários para a vida. E A hipótese de que a vida surgiu a partir de eventos astronômicos distantes, como a colisão de galáxias, é a mais aceita entre os cientistas, pois explica a complexidade dos sistemas biológicos encontrados na Terra. A alternativa C está correta. As condições da Terra primitiva teriam fornecido um cenário ideal para a formação e estabilização de moléculas orgânicas complexas como o RNA. Essas condições permitiriam que o RNA explorasse suas propriedades catalíticas e de replicação, eventualmente levando à emergência de sistemas vivos. História da microbiologia como ciência A microrrevolução científica e os primeiros microscópios Como os microrganismos são seres invisíveis a olho nu, é de se imaginar que a invenção dos primeiros microscópios tenha causado uma revolução no pensamento científico da época. Durante muitos e muitos anos, diferentes explicações para grandes epidemias surgiram, geralmente com explicações de cunho religioso, devido ao grande poder e à influência que a Igreja Católica exercia sobre as pessoas. Conheça alguns dos eventos essenciais para a evolução da ciência: Invenção do primeiro microscópio Em 721 a.C., os romanos já utilizavam lentes de aumento para observar objetos. As lentes foram sendo aperfeiçoadas com o passar dos anos, até que, por volta de 1590, surgiu o primeiro modelo de microscópio. Ele foi criado por Hans e Zacharias Janssen, fabricantes de lentes; o microscópio era cilíndrico e continha duas lentes, que aumentavam o tamanho dos objetos. Primeira descrição de um microrganismo Os microscópios continuaram evoluindo e, em 1665, o historiador inglês e microscopista Robert Hooke (1635-1703) publicou um famoso livro, que contém a primeira descrição conhecida de um microrganismo (ele descreveu estruturas de frutificação de bolores). O termo célula (do inglês cell) foi criado pelo próprio Hooke ao analisar no microscópio finas camadas de cortiça; ele observou estruturas semelhantes a alvéolos vazios, como favos de uma colmeia, dando o nome de cell a cada um desses alvéolos. Primeira descrição de bactérias Já a primeira descrição de bactérias foi feita em 1676 pelo comerciante e microscopista amador holandês Antoni van Leeuwenhoek. Ele construiu microscópios muito simples para examinar substâncias naturais, descobrindo as bactérias ao analisar infusões aquosas de pimenta e observar a presença de “pequenos animálculos”, como ele mesmo se referia às bactérias observadas. A experiência de Redi Apesar da descoberta dos microrganismos, pouco avanço foi observado na área da Microbiologia por longos anos. Na segunda metade do século XIX, entretanto, a Microbiologia voltou a ganhar fôlego por questões relacionadas às doenças infecciosas e à Teoria da Geração Espontânea (ou Teoria da Abiogênese). Muitos cientistas e filósofos da época defendiam que algumas formas de vida poderiam surgir de matéria morta ou inanimada, mas alguns não acreditavam nessa possibilidade, como: Van Leeuwenhoek (1632-1723) Francesco Redi (1626-1697) Em 1668, Redi desenvolveu uma experiência que ficou muito famosa, para demonstrar que a vida não poderia surgir da matéria inanimada. Ele colocou pedaços de carne em frascos de vidro, deixando alguns frascos abertos e outros cobertos com gaze. Com o passar do tempo, ele observou que os pedaços de carne dos frascos que ficaram abertos estavam repletos de larvas, e, nos frascos tampados, os pedaços de carne estavam livres de larvas, as quais foram encontradas apenas sobre as gazes que tampavam os frascos. Experimento de Redi. Ficou o questionamento: se a vida poderia vir de matéria sem vida, como sugeria a Teoria da Abiogênese, por que larvas surgiram apenas sobre a carne dos frascos abertos? Mesmo diante das evidências da experiência de Redi, a Teoria da Abiogênese não perdeu força. Ela só foi derrubada muitos anos depois, graças ao cientista Louis Pasteur (1822-1895), que desenvolveu uma experiência controlada, provando de uma vez por todas que nenhum organismo poderia surgir espontaneamente. O experimento de Pasteur Em um primeiro momento, Pasteur demonstrou que a fervura de um caldo nutritivo seguida da vedação do frasco impediria que ele “estragasse”. Na época, os defensores da geração espontânea diziam que o frasco fechado impediria a entrada de ar fresco (contendo o que eles chamavam de “força vital”, que seria o oxigênio) e, consequentemente, os microrganismos não conseguiriam surgir ali espontaneamente. Foi então que Pasteur solucionou de vez a questão de maneira brilhante, construindo um frasco com pescoço de cisne. Esse frasco, também conhecido como frasco de Pasteur, tinha o gargalo em formato de S, que impedia que a poeira e os microrganismos do ar alcançassem o caldo nutritivo fervido, mas o oxigênio ainda conseguia chegar até ele. Assim, o caldo nutritivo não “estragava”, mesmo após muitos dias, sendo observada a contaminação do caldo apenas após o contato dele com a poeira acumulada no gargalo em forma de S ou após este gargalo ser quebrado, enquanto o caldo dos frascos fervidos e mantidos abertos ficavam contaminados rapidamente. Experimento de Louis Pasteur. A descoberta dos microrganismos e a evolução do pensamento científico Neste vídeo, a Professora Lívia Helena fala sobre a descoberta dos microrganismos e a evolução do pensamento científico. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Esses achados foram fundamentais para o desenvolvimento posterior de técnicas de esterilização eficazes, beneficiando, inclusive, a indústria alimentícia, com o processo de pasteurização do leite, por exemplo. Robert Koch. Curiosidade Pasteur foi responsável por outros grandes feitos e descobertas. Dentre elas, podemos citar o desenvolvimento de vacinas contra raiva, cólera aviária e antraz, e pela identificação de que leveduras eram as responsáveis pela fermentação em cervejas e vinhos. Os Postulados de Koch Após a descoberta dos microrganismos, passou-se a acreditar que eles eram os causadores de diversas doenças, mas não havia comprovação disso. O conceito de doença infecciosa foi desenvolvido apenas depois dos trabalhos do médico alemão Robert Koch (1843-1910), que criou a Teoria do Germe da Doença e os Postulados de Koch. Tudo começou quando Koch estudava uma doença chamada antraz, que acometia o gado e os humanos. Analisando ao microscópio amostras de sangue de um animal doente, ele notou a presença de bactérias (depois denominadas Bacillus anthracis), e, para ter certeza de que aquelas bactérias eram as causadoras da doença, realizou experimentos utilizando camundongos. Koch injetou sangue de um camundongo doente em um sadio, observando o rápido desenvolvimento da doença no animal; o mesmo aconteceu quando ele injetou o sangue deste último animal em outro animal sadio. Koch descobriu, ainda, que as bactérias do antraz podiam ser cultivadas em meios de cultura de laboratório. Os Postulados de Koch foram definidos para estabelecer a relação de causa e efeito de uma doença infecciosa: 1º postulado O patógeno suspeito de causar a doença deve estar presente em todos os casos da doença, mas ausentes nos animais sadios; ou seja, deve haver uma associação constante entre patógeno e hospedeiro. 2º postulado Uma cultura laboratorial pura do patógeno deve ser obtida. 3º postulado Células do patógeno provenientes de uma cultura pura devem ser capazes de causar doença em um animal saudável (para isso, o agente infeccioso deve ser inoculado em um animal sadio, e o desenvolvimento dadoença deve ser observado). 4º postulado O patógeno suspeito precisa ser “reisolado” em cultura pura, com o intuito de demonstrar ser o mesmo patógeno inoculado inicialmente (em outras palavras, o agente infeccioso dos animais doentes/mortos precisa ser novamente isolado). A imagem a seguir ilustra os postulados de Koch: Postulado de Koch. Essas descobertas tiveram grande impacto no desenvolvimento da ciência e da medicina clínica. Koch ainda realizou outros grandes feitos, como a identificação do agente causador da tuberculose (Mycobacterium tuberculosis) e da cólera (Vibrio cholerae), dentre outros. Graças aos avanços nas técnicas de biologia molecular, hoje nós sabemos que alguns microrganismos não crescem em cultura laboratorial, mas isso não desmerece os achados valiosos dos trabalhos de Koch. Desafio Você, como estudante de microbiologia, está envolvido em um debate virtual sobre as origens da vida. O desafio proposto é desenhar um experimento que possa diferenciar entre a viabilidade da teoria da geração espontânea e a da biogênese na origem da vida microbiana. Três experimentos teóricos são sugeridos e você deve escolher o mais adequado entre eles. 1) Criar um ambiente estéril dentro de um biorreator que simule as condições da Terra primitiva, incluindo uma atmosfera primordial e compostos orgânicos, para observar a possível emergência espontânea de vida microbiana. 2) Expor meios de cultura estéreis em câmaras seladas a diversos ambientes naturais, verificando se microrganismos surgem sem introdução direta de material biológico existente. 3) Realizar um experimento de duas fases em ambientes controlados estéreis, em que, na primeira fase, um ambiente estéril sem qualquer forma de vida é monitorado por um período prolongado para verificar a ausência de desenvolvimento de vida microbiana. Na segunda fase, introduzir deliberadamente microrganismos conhecidos nesse ambiente para observar se eles se reproduzem e colonizam o hábitat, demonstrando a necessidade de vida preexistente para o surgimento de nova vida. Agora que já fez a sua escolha, vamos conhecer a resposta que corresponde a cada uma dessas opções. Vamos lá! Primeira opção Incorreto. Embora esse experimento possa ser visto como uma tentativa de simular as condições para o surgimento espontâneo da vida, a teoria da biogênese, apoiada por evidências científicas, sugere que a vida se origina de formas de vida existentes. A geração espontânea não é apoiada pelas evidências experimentais atuais. Segunda opção Incorreto. A simples observação de microrganismos em meios de cultura após exposição ao ambiente não valida a geração espontânea, pois não exclui a possibilidade de contaminação por vida já existente. Esse experimento não pode diferenciar entre as duas teorias de forma conclusiva. Terceira opção Correto. Esse experimento demonstra efetivamente o princípio da biogênese: sem a introdução de formas de vida existentes, não há surgimento de nova vida. A reprodução e colonização subsequente do ambiente estéril, após a introdução de microrganismos, reforçam a ideia de que a vida provém de vida preexistente, em conformidade com a teoria da biogênese. História da microbiologia como ciência Explore neste vídeo a microrrevolução científica desencadeada pela invenção do microscópio, destacando a evolução do pensamento científico desde crenças religiosas até fundamentos científicos na interpretação de epidemias. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Aplicando o conhecimento Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. A BrewTech, uma cervejaria artesanal renomada, enfrentava um problema crítico: a inconsistência na qualidade e no sabor de suas cervejas. Essa situação preocupava tanto os mestres cervejeiros quanto a administração, visto que a reputação e a fidelização dos clientes dependiam diretamente da qualidade consistente de seus produtos. Em resposta a esses desafios, a BrewTech decidiu aplicar princípios históricos da microbiologia para encontrar soluções práticas. Primeiramente, inspirando-se na invenção do microscópio por Antoni van Leeuwenhoek, a BrewTech investiu em equipamentos de microscopia avançados. Essa ação permitiu que os mestres cervejeiros monitorassem de perto a qualidade das leveduras e outros microrganismos envolvidos no processo de fermentação. Com essa tecnologia, foram capazes de identificar com precisão variações na composição microbiana, o que estava diretamente afetando a qualidade da cerveja. A segunda grande iniciativa foi a implementação de uma estratégia baseada nos postulados de Koch, adaptados ao contexto da cervejaria. A equipe começou a isolar diferentes cepas de leveduras e bactérias presentes em lotes de cerveja com variações de qualidade. Cada cepa foi testada individualmente em pequenos lotes de fermentação para identificar aquelas que resultavam em sabores desejáveis e consistência na qualidade do produto final. Esse processo minucioso de eliminação e seleção permitiu à BrewTech desenvolver uma cultura de levedura altamente eficiente e adaptada às suas necessidades específicas. Como resultado dessas ações, a BrewTech, além de superar o problema da inconsistência na qualidade de suas cervejas, também estabeleceu um novo padrão de excelência em seu processo de produção. A aplicação prática dos fundamentos da microbiologia transformou um desafio crítico em uma vantagem competitiva no mercado de cervejas artesanais. Após a leitura do case, é hora de aplicar seus conhecimentos! Questão 1 Explique como a adaptação e aplicação dos postulados de Koch no contexto da cervejaria BrewTech contribuíram para a identificação e seleção de cepas microbianas que otimizam a fermentação. Chave de resposta A adaptação dos postulados de Koch pela BrewTech permitiu um método sistemático para vincular cepas específicas de microrganismos aos efeitos observados na fermentação da cerveja. Isso envolveu isolar e testar diferentes microrganismos em pequenos lotes para identificar quais contribuíam positivamente para o sabor e a qualidade. Questão 2 Avalie a importância da inovação baseada em conhecimento histórico e científico para empresas em setores tradicionais, como o da cervejaria artesanal. Considere como a BrewTech utilizou esses princípios para superar desafios de qualidade e se diferenciar no mercado. Chave de resposta A abordagem da empresa, além de ajudar a resolver problemas específicos de qualidade na produção de cerveja, serviu como um diferencial de mercado, posicionando a BrewTech como uma marca que valoriza tanto a tradição quanto a inovação. Além disso, ao aplicar princípios históricos de microbiologia de maneira prática, a BrewTech demonstrou como o conhecimento científico pode ser diretamente aplicado para melhorar processos, produtos e, consequentemente, alcançar sucesso comercial em setores tradicionais. Questão 3 Explique como as descobertas de Antonie van Leeuwenhoek, particularmente a invenção do microscópio e a identificação dos "animáculos", transformaram a compreensão dos microrganismos, e discuta como a BrewTech aplicou esses conhecimentos para aprimorar a observação e o controle dos processos de fermentação em sua produção de cerveja. Chave de resposta A invenção do microscópio por Antonie van Leeuwenhoek e sua subsequente descoberta dos microrganismos, ou "animáculos", revolucionaram a compreensão humana dos processos biológicos, fundamentando a microbiologia moderna. A BrewTech aplicou essas descobertas ao incorporar tecnologia de microscopia em sua produção de cerveja, possibilitando um controle preciso sobre a fermentação ao observar e gerenciar as leveduras e outros microrganismos envolvidos. Esse avanço permitiu à BrewTech assegurar a qualidade e a consistência de seus produtos, destacando o impacto duradouro das descobertas de Leeuwenhoek na solução de problemas contemporâneos e no aprimoramento de processos produtivos. Atividade 2 Ao discutir a validação de um microrganismo como causadorde uma doença específica, os postulados de Koch fornecem critérios rigorosos para estabelecer essa relação causal. Baseando-se nos postulados de Koch, que servem para vincular um agente microbiano a uma doença específica, qual das alternativas a seguir descreve um desses postulados? A O microrganismo suspeito deve ser encontrado apenas em organismos saudáveis, não em organismos doentes. B O microrganismo deve ser observado e sua presença correlacionada com a ausência de sintomas da doença. C O microrganismo deve ser isolado do organismo doente e cultivado em cultura pura. D Uma vez cultivado em cultura pura, o microrganismo não precisa causar a doença quando reintroduzido em um organismo saudável para ser considerado o causador. E O microrganismo causador da doença não precisa ser reisolado e identificado após a infecção experimental. A alternativa C está correta. Um dos postulados de Koch exige o isolamento do microrganismo de um organismo doente e seu cultivo em cultura pura. Esse processo é essencial para demonstrar a relação causal entre um microrganismo específico e uma doença, permitindo estudá-lo isoladamente e verificar se reproduz a doença em um novo hospedeiro, confirmando sua responsabilidade pela infecção. Hierarquia de classificação biológica. 2. Microrganismos Classificação nominal dos seres vivos Você consegue imaginar qual é a utilidade dos sistemas de classificação dos seres vivos? A classificação dos seres vivos tem como objetivo organizá-los em grupos de acordo com suas semelhanças fenotípicas ou com suas relações evolutivas. Dessa forma, os organismos vão sendo colocados em grupos cada vez mais inclusivos. Assim, um conjunto de espécies semelhantes são agrupadas dentro de um mesmo gênero; gêneros semelhantes são agrupados dentro de uma mesma família; famílias semelhantes, dentro de uma mesma ordem; ordens semelhantes, dentro de uma classe; classes semelhantes, dentro de um filo, e, por fim, filos semelhantes, dentro de um domínio. O domínio engloba todos os organismos dentro de uma hierarquia. Além disso, a nomenclatura envolve a utilização de regras para denominar os organismos. Tendo isso em mente, estudaremos a evolução dos sistemas de classificação: 1735 O botânico, zoólogo e médico sueco Carolus Linnaeus é considerado o pai da taxonomia moderna. Em 1735, ele propôs o sistema de classificação binominal tradicional, no qual os organismos recebem o nome de gênero e um epíteto (Nome) de espécie. No sistema binominal, os nomes dos gêneros são escritos primeiro com letra maiúscula, e os nomes das espécies são escritos em seguida com letra minúscula; os nomes são geralmente derivados do latim e devem ser escritos em itálico ou sublinhados nos textos escritos à mão. Além disso, a escolha dos nomes costuma se basear em alguma propriedade ou característica do organismo, podendo ser traços de morfologia, fisiologia ou ecologia essenciais. Linnaeus sugeriu a existência de dois reinos: Animalia (Formado por animais e protozoários – seres que não realizam fotossíntese, móveis e sem parede celular) e Plantae (Formado por algas, plantas, bactérias e fungos – seres fotossintéticos, imóveis e com parede celular). Assim, alguns organismos não se encaixavam em nenhuma dessas classificações, como, por exemplo, os microrganismos fotossintéticos móveis. 1866 Ernst Haeckel sugere a criação do reino Protista, para incluir os organismos unicelulares com organização simples, como bactérias, algas, fungos e protozoários. 1969 Robert Whittaker propôs a classificação dos seres vivos em cinco reinos: Monera (Compreendendo procariotos), Fungi (Fungos), Protistas (Algas e protozoários), Plantae (Plantas) e Animalia (Animais). Essa classificação teve como base a estrutura das células e a forma de obtenção de nutrientes. 1990 Carl Woese sugeriu a classificação dos organismos em três domínios: Bacteria (Bactérias), Archaea (Arqueias) e Eukarya (Eucariotos – fungos, algas, protozoários, plantas e animais). A separação dos procariotos em dois domínios diferentes se baseou na sequência de nucleotídeos do RNA ribossomal; embora as arqueias sejam seres procariotos (não possuem núcleo), os lipídios e os ácidos nucleicos ribossomais são diferentes tanto das bactérias quanto dos eucariotos. Domínio e reinos dos animais. Domínio e reinos dos animais. Características gerais dos procariotos e dos eucariotos Veja a seguir as características dos procariotos e dos eucariotos: Procariotos Não possuem um núcleo envolto por membrana nuclear, ou seja, não possuem um compartimento nuclear para abrigar seu DNA. As bactérias e arqueias são microrganismos procariotos. Eucariotos Possuem um compartimento intracelular envolto por uma membrana, chamado núcleo, onde seu DNA é mantido. As algas, os protozoários e os fungos são eucariotos, apresentando estrutura celular igual à das células dos organismos superiores. De maneira geral, as células procarióticas são pequenas e simples, podem apresentar diferentes formatos (células em forma de bastonetes, esféricas, espiraladas etc.) e medem poucos micrômetros de comprimento. Costumam viver como organismos independentes ou, ainda, em comunidades organizadas de maneira livre, mas não como organismos multicelulares. Além disso, as células procarióticas possuem vários componentes obrigatórios: A membrana plasmática envolve um compartimento citoplasmático único contendo DNA, RNA e ribossomos. Proteínas e pequenas moléculas importantes para a vida da célula também são encontradas no citoplasma. A maioria das células procarióticas também apresenta uma capa protetora denominada parede celular, que se encontra acima da membrana plasmática. Algumas estruturas celulares são opcionais e não estão presentes em todas as células procarióticas, como cápsula, flagelo, fímbrias, membranas internas, inclusões citoplasmáticas, plasmídeos e endósporos, dentre outras. As células procarióticas apresentam capacidades bioquímicas muito variadas, mais que as células eucarióticas, e, consequentemente, podem ser encontradas em ambientes muito variados. Na figura a seguir, estão demonstradas as principais estruturas presentes em uma célula procariótica: • • • Estrutura geral da célula procariótica. As células eucarióticas, por sua vez, são maiores e mais complexas que as células procarióticas, assim como seus genomas. Além disso, classes de células eucarióticas podem formar desde microrganismos unicelulares, como fungos e protozoários, até organismos multicelulares extremamente complexos, como plantas e animais. As células eucarióticas apresentam algumas características que as diferenciam das procarióticas: 1 Possuem núcleo definido, ou seja, seu DNA se encontra envolto por uma membrana de camada dupla que o separa do citoplasma. 2 Possuem outras membranas internas que são estruturalmente semelhantes à membrana plasmática, delimitando diferentes organelas que participam de vários processos celulares, como mitocôndrias e cloroplastos, por exemplo, que participam de processos de obtenção de energia. 3 O citoplasma dos eucariotos também possui um citoesqueleto responsável por fornecer sustentação e força mecânica à célula e controle da forma e de seus movimentos. Os principais componentes típicos das células eucarióticas, além do núcleo, são as mitocôndrias, o aparelho de Golgi e o retículo endoplasmático. Um gene é uma sequência de DNA capaz de codificar proteínas ou RNA, e o conjunto de genes de uma célula forma seu genoma. É importante saber que o genoma controla os processos fundamentais para a vida da célula, assim como suas características e as atividades vitais para sua sobrevivência. O genoma das células procarióticas e eucarióticas são organizados de diferentes maneiras. Enquanto os procariotos típicos possuem um único cromossomo com DNA circular (poucos procariotos possuem cromossomo linear) contendo todos ou quase todos os genes da célula, os eucariotos apresentam inúmeros cromossomos com DNA linear. Além disso, o genoma das célulaseucarióticas é, muitas vezes, maior que o das células procarióticas. Estrutura geral da célula eucariótica animal. Você pode se perguntar: “Como surgiram as células eucarióticas?” Uma explicação muito aceita atualmente na Biologia é a hipótese endossimbiótica. Todas as células eucarióticas possuem ou já possuíram em algum momento mitocôndrias, por exemplo. Acredita-se que as mitocôndrias tenham se originado de bactérias de vida livre que eram capazes de metabolizar o oxigênio (bactérias aeróbicas) e que foram endocitadas (Engolfadas) por uma célula ancestral que era incapaz de usar o oxigênio (célula anaeróbica). Essas células evoluíram em simbiose, ou seja, as duas eram beneficiadas por essa associação: a célula bacteriana aeróbica engolfada gerava energia para a célula predadora anaeróbica e, em troca, recebia abrigo e alimento. A origem da mitocôndria. Com o passar do tempo, a bactéria aeróbica, que antes era de vida livre, tornou-se parte da célula eucariótica. Essa hipótese se baseia no fato de as mitocôndrias apresentarem muitas características em comum com pequenas bactérias: tamanho semelhante, genoma próprio se apresentando como uma molécula de DNA circular, ribossomos próprios (diferentes dos outros ribossomos da célula eucariótica), além de possuírem seus próprios RNA transportadores. Mitocôndria. Classificação nominal dos seres vivos Explore neste vídeo a classificação nominal dos seres vivos, um sistema importante para selecionar organismos com base em semelhanças fenotípicas e relações evolutivas. Veja também como características específicas influenciam a classificação em grupos, desde espécies a domínios, revelando a complexidade e a utilidade dessa prática científica primordial. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Atividade 1 Enquanto bactérias e arqueias são seres procariontes, os outros organismos vivos, como animais, plantas, fungos e protozoários são seres eucariontes. Qual das seguintes características é exclusiva das células eucarióticas e não é encontrada em células procarióticas? A Presença de membrana plasmática. B Capacidade de reprodução. C Presença de DNA como material genético. D Organização do DNA em cromossomos dentro de um núcleo delimitado por membrana. E Presença de ribossomos para síntese proteica. Imagem ilustrativa de bactérias em formato de bastonete. A alternativa D está correta. As células eucarióticas se distinguem das procarióticas principalmente pela presença de um núcleo delimitado por membrana, que contém DNA organizado em cromossomos. Enquanto as células procarióticas carregam seu DNA em uma região aberta chamada nucleoide, sem essa separação. Ambos os tipos de células compartilham outras características básicas, como a membrana plasmática, a presença de DNA como material genético e ribossomos para síntese proteica, mas somente as eucarióticas têm um núcleo definido. Características gerais de bactérias, arqueias e protozoários A partir do último ancestral universal comum (LUCA), o processo evolutivo seguiu caminhos diferentes, resultando na formação dos domínios Bacteria e Archaea; posteriormente, o domínio Archaea acabou se distinguindo entre os domínios Archaea e Eukarya. Com o avanço dos estudos filogenéticos ao longo dos anos, dois fatos muito importantes foram revelados: as bactérias e as arqueias, apesar de serem estruturalmente parecidas, são filogeneticamente diferentes, sendo as arqueias mais relacionadas aos eucariotos do que às bactérias. Agora vamos conhecer algumas características gerais das bactérias, das arqueias e dos protozoários. Vamos lá! Domínio Bacteria O domínio Bacteria é formado pelas bactérias, organismos procariotos encontrados nos mais variados ambientes. Este domínio é composto por mais de 80 filos, porém mais de 90% dos gêneros e das espécies de bactérias já caracterizados pertencem a apenas quatro filos. Além de serem encontradas na água e no solo, as bactérias também fazem parte da microbiota normal dos animais e dos seres humanos (condição em que os dois organismos são beneficiados), mas também podem causar as mais variadas doenças, desde condições facilmente tratáveis até doenças extremamente graves e fatais. Também apresentam formas, tamanhos e metabolismos muito variados; podem ser móveis ou não. Elas se reproduzem assexuadamente (por fissão binária), mas também possuem estratégias para trocas de material genético entre diferentes bactérias, através de mecanismos de transformação, conjugação e transdução. As bactérias se multiplicam por fissão binária, pois as membranas formam septos. Para isso, a célula se alonga, o material genético é replicado, e a parede celular e a membrana plasmática se dividem. Paredes intermediárias se formam, separando as duas cópias de material genético, e as células se separam. O período de divisão celular depende do tempo de geração (tempo necessário para cada uma das células se dividirem) de cada bactéria. Classificação das bactérias As bactérias podem ser classificadas de acordo com diferentes critérios. Os principais são: Morfologia De acordo com a forma, as bactérias podem ser classificadas em cocos, bacilos, espiroquetas, espirilos e vibriões. Parede celular De acordo com a composição da parede celular, as bactérias podem ser classificadas em gram- positivas e gram-negativas. pH De acordo com o pH ótimo de crescimento, as bactérias podem ser classificadas como neutrófilas (crescem em pH neutro – faixa ótima de pH > 5,5 e 8). Temperatura De acordo com a temperatura ótima de crescimento, as bactérias podem ser classificadas em psicrófilas (abaixo de 20ºC), mesófilas (entre 20 e 40ºC), termófilas (entre 45 e 80ºC) e hipertermófilas (acima de 80ºC). Metabolismo De acordo com a fonte de energia utilizada para o metabolismo energético, as bactérias podem ser classificadas em quimiotróficas (aquelas que utilizam compostos químicos para obter energia) e fototróficas (aquelas que utilizam a luz solar). As bactérias quimiotróficas ainda podem ser classificadas de acordo com os compostos químicos que utilizam: bactérias quimiorganotróficas usam compostos químicos orgânicos (como glicose -C6H12O6, acetato etc.), e as quimiolitotróficas, por outro lado, utilizam compostos químicos inorgânicos (como H2, H2S, Fe2+ etc.). Por fim, também existe a classificação de acordo com a origem do carbono utilizado nos processos de obtenção de energia (lembrando que o carbono é fundamental na produção de materiais para a célula). Assim, bactérias heterotróficas obtêm carbono de compostos químicos orgânicos, enquanto as bactérias autotróficas utilizam como fonte de carbono o dióxido de carbono (CO2); dessa forma, uma bactéria quimiorganotrófica é também heterotrófica. Respiração / fermentação As bactérias podem ser classificadas como aeróbias (quando precisam de oxigênio para o processo de respiração), anaeróbias (quando não utilizam o oxigênio, vivendo da fermentação, respiração anaeróbia, fotossíntese ou metanogênese) ou facultativas (quando são capazes de realizar os dois tipos de metabolismo: na presença de oxigênio, realizam a respiração aeróbia e, na ausência, realizam respiração anaeróbia ou fermentação). As bactérias são capazes de gerar uma série de infecções como pneumonia, meningites, infecções urinárias, bacteremia, apendicite, entre outras. Para conhecer mais sobre as principais infecções bacterianas não deixe de visitar o explore mais. Domínio Archaea Diversidade morfológica do domínio . O domínio Archaea é composto por vários filos e inclui microrganismos procariotos, geralmente com metabolismo quimiorganotrófico ((utilizam compostos químicos orgânicos (como glicose, acetato etc.) para obter energia) ou quimiolitotrófico (utilizam compostos químicos inorgânicos (como H2, H2, Fe2+ etc.) para obter energia). Também são comuns espécies aeróbias e anaeróbias neste domínio. Apresentam como principal característica a capacidade de viver em condições extremas,ou seja, são extremófilos. Assim, existem arqueias que vivem em ambientes com temperaturas muito elevadas (acima de 100°C) e também temperaturas próximas ao ponto de congelamento, altas concentrações de sal (arqueias halófilas extremas, por exemplo, precisam de aproximadamente 9% de sal para seu crescimento), valores de pH extremos, fontes termais, lugares ricos em enxofre etc. Além disso, existem arqueias metanogênicas, ou seja, conservam energia pela produção de metano. De acordo com os cientistas, as arqueias ajudam a estabelecer os limites de tolerância dos organismos às condições ambientais, uma vez que são capazes de viver em lugares que a maioria dos outros seres vivos jamais conseguiria. Entretanto, vale ressaltar que muitas espécies de arqueias não são extremófilas, vivendo no solo, em sedimentos, nos oceanos, nos lagos e até nos intestinos de humanos. Domínio Eukarya Pertencem ao domínio Eukarya os organismos eucariotos, ou seja, aqueles cujo material genético se encontra envolvido por uma membrana, formando o núcleo celular. Esse domínio é composto por organismos muito variados, desde microrganismos, como protozoários, fungos e algas unicelulares, até organismos multicelulares de organização extremamente complexa, como plantas e animais. Vamos estudar cada um dos diferentes grupos de microrganismos que fazem parte deste domínio? Protozoários Os protozoários incluem microrganismos unicelulares de distribuição ampla na natureza, podendo ser encontrados na água, no solo, vivendo em simbiose com outros organismos e parasitando e causando doenças em diversos hospedeiros (inclusive humanos). Apresentam morfologias muito variadas e diversidade filogenética muito grande. Geralmente, são quimiorganotróficos e podem se movimentar através de flagelos, cílios ou pseudópodes. Alguns possuem alvéolos, que são bolsas localizadas abaixo da membrana plasmática que auxiliam na regulação osmótica da célula. A maioria deles possui apenas um núcleo, mas alguns podem apresentar dois ou mais núcleos. A reprodução pode ser assexuada ou sexuada. Tipos de locomoção dos protozoários. A nutrição geralmente se dá pelo englobamento de partículas orgânicas do ambiente ou através da predação de outros microrganismos; a digestão ocorre através da formação de um vacúolo digestivo, enquanto a excreção de resíduos pode ocorrer por difusão na superfície da célula ou através de organelas chamadas vacúolos contráteis ou pulsáteis. Os protozoários parasitas geralmente apresentam formas diferentes durante o processo de infecção; como muitos precisam passar por diferentes hospedeiros para completar seu ciclo de vida, a mudança de forma é necessária, a fim de que eles consigam sobreviver no hospedeiro e causar doença. Características gerais de bactérias, arqueias e protozoários Explore neste vídeo as características distintas dos principais grupos de microrganismos nos domínios Bacteria, Archaea e Eukarya. Destacaremos as diversidades estruturais e metabólicas entre bactérias e arqueias, tendo como foco as capacidades extremófilas de arqueias e a complexidade dos eucariotos. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Atividade 2 Apesar de a maioria dos microrganismos ser unicelular, existem diferenças marcantes entre eles. Considerando o exposto, qual das seguintes características é encontrada em protozoários, mas não em bactérias? A Reprodução assexuada por fissão binária. B Ausência de um núcleo celular delimitado por membrana. C Capacidade de locomover-se utilizando pseudópodes. D Ausência de organelas membranosas internas. E Formação de esporos em condições desfavoráveis. A alternativa C está correta. Os protozoários se distinguem de bactérias pela capacidade de se locomover usando pseudópodes, extensões temporárias do citoplasma que permitem movimento e captura de alimento. Essa forma de locomoção é exclusiva de protozoários, organismos eucarióticos, e não é observada em bactérias, que são procariotas e se movem de outras maneiras, mas não formam pseudópodes. Características gerais de fungos, algas, vírus e príons Fungos Em primeiro lugar, a área da ciência que estuda os fungos é chamada de Micologia. Os fungos formam um grupo de microrganismos grande, bastante diverso e amplamente distribuído. Já foram descritas mais ou menos cem mil espécies fúngicas, mas acredita-se que existam muito mais. Os principais representantes dos fungos são: Leveduras Bolores Cogumelos Geralmente, estão presentes no solo e na matéria vegetal e animal em decomposição. Alguns fungos podem viver em associação com plantas, ajudando-as a obter nutrientes do solo, enquanto outros são benéficos também ao seres humanos, como algumas leveduras que realizam a fermentação e são utilizadas na indústria alimentícia e de bebidas (como o gênero Saccharomyces, que participa do processo de fermentação da cerveja), além de fungos que são capazes de sintetizar antibióticos (como fungos do gênero Penicillium, que sintetizam a penicilina, por exemplo). Entretanto, várias espécies fúngicas também estão envolvidas em doenças que acometem plantas, animais e seres humanos. As doenças causadas por fungos são denominadas micoses. Agora que já conhecemos um pouco dos principais grupos de microrganismos dos diferentes domínios, chegou a hora de falarmos sobre seres que não pertencem a nenhum desses domínios: os vírus e os príons. Vírus Em primeiro lugar, os vírus não são células. Isso mesmo, você não leu errado! Eles são elementos genéticos que dependem de uma célula hospedeira para que ocorra sua replicação e, por isso, são considerados parasitas intracelulares obrigatórios. Eles possuem seu próprio genoma de ácido nucleico (que pode ser formado por DNA, RNA ou ambos), que é independente da célula hospedeira. Estrutura de um vírus. Imagem representativa de estrutura tridimensional de uma proteína príon. Os vírus são capazes de infectar células procarióticas (como bactérias e arqueias) e eucarióticas (como animais, plantas e protozoários), causando muitas doenças. Os vírus que infectam bactérias são chamados de bacteriófagos. Os vírus são muito pequenos, medindo de 0,02 a 0,3 µm e são visíveis apenas com o auxílio de um microscópio eletrônico. Seus genomas também são muito menores que os das células. A forma extracelular de um vírus que permite que ele passe de uma célula para outra é chamada de vírion. Geralmente, os vírus que infectam animais possuem uma camada externa formada por lipídios e proteínas, chamada de envelope; já os vírus que infectam bactérias não costumam apresentar camadas adicionais. Saiba mais O vírion de um vírus é composto pelo capsídeo, um envoltório proteico que contém o genoma viral. O vírion é muito importante, pois protege o genoma do vírus quando este não está dentro de uma célula hospedeira, e as proteínas da superfície do vírion participam do processo de ancoragem do vírus à célula hospedeira. Os vírus que possuem envelope são chamados de envelopados e apresentam uma estrutura chamada nucleocapsídeo, que é formado por ácido nucleico e pelas proteínas do capsídeo. Os vírus são simétricos, o que significa que, quando girados em torno de um eixo, a mesma forma é visualizada em todas as posições. Assim, os vírus podem apresentar formato cilíndrico ou esférico, sendo que os cilíndricos possuem simetria helicoidal, e os esféricos, simetria icosaédrica. Príons Os príons são agentes infecciosos ainda mais simples que os vírus, sendo constituídos apenas por proteínas. Em outras palavras, os príons não possuem DNA ou RNA. Mesmo assim, causam doenças neurológicas em animais, chamadas coletivamente de encefalopatias espongiformes transmissíveis. O exemplo mais conhecido é o “mal da vaca louca”, que acomete o gado bovino. Em humanos, são capazes de causar uma doença degenerativa que pode causar demência e morte, chamada “variante da doença de Creutzfeldt-Jakob”, relacionada à ingestão de produtos cárneos oriundos de gado acometido por encefalopatia espongiforme bovina.É importante ressaltar que os príons possuem duas conformações, uma forma celular nativa e sua forma patogênica. A forma patogênica é codificada pela própria célula hospedeira, através da conversão das células priônicas nativas em patogênicas. Ou seja, a célula hospedeira codifica o príon nativo (que não causa doença) e, por algum motivo, o príon nativo é convertido na forma patogênica, causando doença. Desafio É importante ressaltar que os príons possuem duas conformações, uma forma celular nativa e sua forma patogênica. A forma patogênica é codificada pela própria célula hospedeira, através da conversão das células priônicas nativas em patogênicas. Ou seja, a célula hospedeira codifica o príon nativo (que não causa doença) e, por algum motivo, o príon nativo é convertido na forma patogênica, causando doença. Você é um estagiário em um renomado laboratório de microbiologia. Durante a análise de amostras coletadas de um ambiente aquático, você visualiza um microrganismo interessante ao microscópio ótico. Sob o microscópio, a amostra apresenta organismos unicelulares com formas variadas, incluindo formas esféricas e alongadas. Eles possuem uma estrutura celular simples, sem núcleo definido. Além disso, uma parede celular espessa e complexa é claramente visível. Baseando-se em suas observações e no conhecimento adquirido durante seu estágio, você precisa identificar corretamente o tipo de microrganismo para informar ao seu supervisor e direcionar as próximas etapas do estudo. Os microrganismos em questão referem-se às(os): Bactérias, pois não apresentam núcleo e possuem parede celular. Fungos, pois podem ou não apresentar núcleo e possuem parede celular. Vírus, pois apresentam núcleo e podem ou não possuir parede celular. Agora que já fez a sua escolha, vamos conhecer a resposta que corresponde a cada uma dessas opções. Vamos lá! Primeira opção Correto. A descrição da amostra observada combina com as características das bactérias – formas variadas, estrutura celular simples sem núcleo definido, e a presença de uma parede celular composta por peptidoglicano (polímero composto por açúcares e aminoácidos que forma uma estrutura de rede complexa, sendo um componente essencial da parede celular de muitas bactérias). Essas observações são indicativas de organismos procarióticos, direcionando corretamente as próximas etapas do estudo para a microbiologia bacteriana. Segunda opção Incorreto. Embora fungos possam ser unicelulares ou multicelulares e se alimentem de matéria orgânica, a estrutura observada na amostra – especificamente a ausência de um núcleo definido – não corresponde à de fungos, que são eucarióticos. A amostra indica uma organização procariótica. Terceira opção Incorreto. Vírus são entidades microscópicas que não possuem estruturas celulares próprias e são muito pequenos para serem visualizados ao microscópio ótico comum. A presença de uma estrutura celular visível e a parede celular sugerem que a amostra não é viral. Características gerais de fungos, algas, vírus e príons Acompanhe neste vídeo uma visão geral sobre os fungos, destacando seu estudo na micologia e sua diversidade. Exploraremos as características dos fungos como decompositores, sua reprodução assexuada e sexuada, e sua importância para a natureza e os seres humanos. 1. 2. 3. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Aplicando o conhecimento Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Na cidade de Vale das Flores, um evento culinário anual celebrado por sua inovação e uso de ingredientes locais enfrentou um desafio inesperado. O estabelecimento Sabores da Terra, conhecido por seus produtos artesanais e inovadores, lançou um patê especial de ervas, que rapidamente se tornou um sucesso entre os clientes. No entanto, esse sucesso foi ofuscado quando, após algumas semanas, 37 clientes reportaram sintomas severos de intoxicação alimentar após consumirem o produto. Investigações das autoridades de saúde pública apontaram para as condições de armazenamento do patê como a causa do surto. Amostras do produto revelaram a presença de Staphylococcus aureus, uma bactéria mesófila conhecida por sua capacidade de produzir toxinas em alimentos mantidos em temperatura ambiente por períodos prolongados. Esse microrganismo é particularmente insidioso, pois pode se multiplicar rapidamente em condições inadequadas de armazenamento, tornando os alimentos inseguros para consumo. Diante dessa revelação, o estabelecimento agiu prontamente, retirando o patê de circulação e implementando uma revisão rigorosa de suas práticas de armazenamento. A decisão foi tomada para refrigerar todos os produtos susceptíveis ao crescimento microbiano, uma mudança significativa na política do estabelecimento, que anteriormente valorizava o armazenamento em temperatura ambiente por acreditar que isso preservava melhor o sabor dos alimentos. Além disso, foram realizados investimentos em treinamento intensivo para os funcionários, com ênfase especial na importância do controle de temperatura para a segurança alimentar. Essas medidas demonstraram ser eficazes: nos três meses seguintes à implementação das novas políticas de armazenamento e manipulação, não houve mais relatos de intoxicação alimentar relacionados ao consumo de produtos do estabelecimento. Após a leitura do case, é hora de aplicar seus conhecimentos! Questão 1 Discuta como a temperatura influencia o crescimento microbiano e de que maneira a refrigeração pode ajudar a prevenir surtos de intoxicação alimentar. Chave de resposta A temperatura afeta diretamente o crescimento de microrganismos, com mesófilos como o Staphylococcus aureus crescendo bem em temperaturas moderadas (20°C a 40°C). A refrigeração desacelera ou inibe o crescimento desses microrganismos, diminuindo o risco de intoxicação alimentar ao retardar a reprodução microbiana e a produção de toxinas. Assim, a refrigeração é essencial para manter a segurança alimentar, prolongando a segurança do consumo dos alimentos. Questão 2 Além da temperatura, quais outras características do alimento e do ambiente influenciam o crescimento microbiano, e como elas afetam a segurança e a qualidade dos alimentos? Chave de resposta Além da temperatura, o pH, a presença de oxigênio e os nutrientes disponíveis são características importantes que influenciam o crescimento microbiano em alimentos. O pH pode favorecer ou inibir certos microrganismos. A presença ou ausência de oxigênio é indispensável, com microrganismos aeróbios necessitando de oxigênio e anaeróbios proliferando sem ele. A disponibilidade de nutrientes, como carboidratos, proteínas e lipídios, também afeta o crescimento microbiano. Esses fatores são essenciais para a segurança e qualidade dos alimentos, impactando o risco de deterioração e contaminação. Questão 3 Como as técnicas de embalagem e conservação de alimentos podem ser otimizadas para inibir o crescimento de microrganismos patogênicos e prolongar a vida útil dos produtos? Chave de resposta As técnicas de embalagem e conservação de alimentos podem ser otimizadas através do uso de métodos que limitam a exposição dos alimentos a fatores que promovem o crescimento microbiano. Isso inclui embalagens a vácuo, que reduzem a presença de oxigênio, retardando o crescimento de microrganismos aeróbios. O uso de conservantes naturais ou artificiais que alteram o pH ou inibem o crescimento microbiano também é eficaz. Além disso, técnicas como o congelamento podem preservar a qualidade dos alimentos ao inibir a atividade microbiana através da redução drástica da temperatura. Atividade 3 Diferentemente de qualquer outro microrganismo, os vírus não possuem células, sendo formados fundamentalmente por material genético, uma capa proteica e, às vezes, um envelope externo composto majoritariamente por lipídios. Qual alternativa a seguir apresenta outra característica desses microrganismos? A Vírus podem se reproduzir de forma independente, fora de uma célula hospedeira.B Todos os vírus possuem DNA como seu material genético. C Vírus são considerados seres vivos pela maioria da comunidade científica. D Vírus podem infectar apenas seres humanos e outros animais. E Vírus são parasitas intracelulares obrigatórios que necessitam de uma célula hospedeira para se replicar. A alternativa E está correta. Os vírus são únicos por serem parasitas intracelulares obrigatórios, necessitando inteiramente de uma célula hospedeira para replicar seu material genético. Eles não conseguem se reproduzir fora de células vivas, o que os diferencia de outros organismos. 3. Células procarióticas Morfologia da célula procariótica e membrana plasmática Morfologia da célula procariótica Quando nos referimos à morfologia celular, estamos falando sobre a forma da célula. Em procariotos, muitas morfologias diferentes são conhecidas e foram descritas ao longo do tempo, e as principais serão discutidas a seguir: Cocos Células com formato esférico ou oval; representa o grupo mais homogêneo com relação ao tamanho celular; de acordo com o arranjo (agrupamento) que apresentam, os cocos recebem denominações diferentes, como, por exemplo, diplococos (dois cocos), tétrades (quatro cocos), estreptococos (longas cadeias de cocos), estafilococos (conjuntos de cocos agrupados de maneira irregular, semelhantes a cachos de uvas), sarcina (agrupamento de cocos em forma cúbica). Como exemplos de cocos, podemos citar os gêneros Streptococcus e Staphylococcus. Bastonetes ou bacilos Células que apresentam formato cilíndrico, ou seja, são mais longas em uma direção que em outra; os diferentes gêneros e as espécies de bactérias exibem variação na forma e no tamanho dos bacilos, existindo bacilos mais largos ou mais finos, mais longos ou mais curtos etc. Bacillus e Escherichia são gêneros bacterianos que apresentam forma de bacilos. Espiraladas Células com formato espiralado, existindo dois tipos, espirilos e espiroquetas; os espirilos são bastonetes rígidos com formato helicoidal, com número de espirais variados, capazes de se movimentar por meio de flagelos; as espiroquetas são células muito espiraladas, finas e flexíveis, que se movimentam de maneira incomum, através de torções na célula, que permitem que elas atravessem tecidos e materiais viscosos. Leptospira interrogans, bactéria causadora da leptospirose, é um exemplo de espiroqueta. Cocobacilos São bacilos muito curtos. Bordetella pertussis é um cocobacilo que causa coqueluche. Vibrião Células curvadas com formato parecido com uma vírgula. Como exemplo, podemos citar o Vibrio cholerae, causador da cólera, popularmente conhecido como “vibrião colérico”. É importante ressaltar que não é possível prever outras características das células com base apenas na sua morfologia. Por exemplo, o conhecimento da morfologia de uma célula por si só não permite prever sua fisiologia, sua filogenia, seu potencial para causar doença ou qualquer outra propriedade. A morfologia de uma célula é resultante da adequação daquele organismo ao seu habitat, sendo geneticamente codificada para aumentar suas chances de sobrevivência. Morfologia do domínio Eubactéria Neste vídeo, a Professora Lívia Helena explica a Morfologia do domínio Eubactéria. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Estruturas fundamentais Você sabe o que são estruturas fundamentais a uma célula? São todas aquelas estruturas essenciais à vida da célula e à sua sobrevivência, estando presentes em todos os organismos. Neste tópico, abordaremos as estruturas fundamentais das células procarióticas. Membrana plasmática A membrana plasmática é uma barreira de permeabilidade existente em todas as células, sendo responsável por separar o citoplasma do ambiente externo. É uma estrutura extremamente importante. Citoplasma Corresponde à área intracelular formada por uma substância coloidal, semi-fluida, chamada de citosol, na qual estão dispersas as organelas celulares. Um comprometimento da membrana plasmática pode resultar em perda da integridade da célula, extravasamento do conteúdo citoplasmático e, consequentemente, morte celular. A membrana plasmática é uma estrutura fina (possui de 8 a 10 nm de espessura) e fluida, composta tradicionalmente por uma bicamada fosfolipídica e por proteínas. Os fosfolipídios contêm componentes: Hidrofóbicos Que não possuem afinidade por água, ou seja, são hidrofóbicos, como ácidos graxos. Hidrofílicos Que apresentam afinidade por água, como glicerol-fosfato. Por esse motivo, os fosfolipídios da membrana formam uma bicamada: como se agregam em uma solução aquosa (as células são ricas em água), os ácidos graxos dos fosfolipídios ficam direcionados para o interior, voltados uns para os outros, dando origem a um ambiente hidrofóbico, enquanto as partes hidrofílicas ficam expostas ao citoplasma ou ao exterior da célula, ambientes ricos em água. Certas bactérias possuem moléculas semelhantes aos esteróis em sua membrana plasmática, conhecidas como hopanoides. Os esteróis reforçam a membrana das células eucarióticas, e os hopanoides realizam essa mesma função nas bactérias. Estrutura da membrana plasmática de um eucarioto. As proteínas podem se apresentar na membrana plasmática de diferentes maneiras. Muitas se encontram embebidas na membrana, sendo conhecidas como proteínas integrais de membrana; outras apresentam apenas uma parte ancorada à membrana, enquanto algumas partes estão voltadas para dentro ou para fora da célula; outras apresentam firme associação com a superfície da membrana, mas não estão embebidas nela, sendo denominadas proteínas periféricas. Algumas dessas proteínas periféricas possuem uma cauda lipídica que faz essa ancoragem à membrana (lipoproteínas). As proteínas de membrana geralmente possuem superfícies hidrofóbicas nos locais em que atravessam a membrana e superfícies hidrofílicas nos locais que mantêm contato com o ambiente externo e com o citoplasma. As membranas plasmáticas das células procarióticas possuem mais proteínas do que as células eucarióticas, pois, como os procariotos não possuem organelas e estruturas especializadas (como retículo endoplasmático, complexo de Golgi e mitocôndrias), muitas atividades bioquímicas necessárias à sobrevivência da célula ocorrem na membrana. Assim, diversas proteínas que participam de processos de síntese, de transporte, de respiração celular e de movimentação de flagelos, por exemplo, estão presentes nesta estrutura. Em suma, a membrana plasmática desempenha importantes funções, como: Compartimentalização Separa o interior da célula do ambiente externo. Transporte de substâncias A membrana permite a interação da célula com o ambiente; bactérias e arqueias obtêm nutrientes do meio externo através da permeabilidade da membrana e também por sistemas de transporte localizados nessa estrutura; além disso, substâncias (como produtos do metabolismo) podem ser excretadas pela membrana. Alguns tipos de transporte não requerem energia, sendo chamados de transporte passivo (exemplos: difusão passiva, osmose e difusão facilitada), enquanto outros tipos requerem energia na forma de ATP, força próton-motiva ou mediante reações de fosforilação (exemplos: transporte ativo, translocação de grupo e sistema ABC). Atividades bioquímicas e de síntese Na membrana de procariotos, ocorre a síntese de importantes compostos, como, por exemplo, lipopolissacarídeos de bactérias gram-negativas e parte da síntese da parede celular. Geração de energia Na membrana de procariotos, ocorrem reações que resultam na geração de energia, como a respiração. Morfologia da célula procariótica e membrana plasmática Explore neste vídeo a morfologia de células procarióticas, destacando formas variadas, como cocos, bacilos, espiraladas e vibriões. Abordaremos as características únicas dessas formas e sua funcionalidade em diferentes contextos biológicos. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Atividade 1 Independentemente de serem procariontes oueucariontes, todas as células contêm membrana plasmática. Entretanto, membranas plasmáticas podem apresentar algumas diferenças entre tipos celulares distintos. Sobre a membrana plasmática bacteriana, pode-se afirmar o seguinte: A A membrana plasmática de bactérias é composta exclusivamente por proteínas, fornecendo rigidez estrutural à célula. B Em bactérias, a membrana plasmática serve apenas como barreira física, sem participação ativa no transporte de substâncias. C A membrana plasmática bacteriana contém grandes quantidades de colesterol para manter fluidez. D A membrana plasmática bacteriana contém lipídios denominados hopanoides. E Bactérias utilizam sua membrana plasmática para realizar a fotossíntese, assim como as plantas. A alternativa D está correta. A membrana plasmática de bactérias é composta por uma bicamada lipídica que, além de incluir fosfolipídios e proteínas, pode conter lipídios especiais chamados hopanoides. Esses compostos desempenham um papel semelhante ao colesterol nas células eucarióticas, ajudando a regular a fluidez e a estabilidade da membrana. Parede celular, ribossomos e material genético Parede celular A parede celular é uma estrutura relativamente permeável que se encontra localizada acima da membrana plasmática. Em procariotos, ela é responsável por proteger a célula contra a lise osmótica e mecânica, além de conferir à célula forma e rigidez. Por ser a estrutura mais superficial, ela age como um receptor que permite a interação de proteínas e moléculas com a bactéria. Além disso, como as células humanas não possuem parede celular, muitos antibióticos que apresentam como alvo a síntese dessa estrutura foram desenvolvidos; esses antibióticos tornam a célula bacteriana mais susceptível à lise, resultando na morte da bactéria. O uso desses antibióticos é extremamente vantajoso para o tratamento das infecções bacterianas. Nas bactérias, o principal componente polissacarídico da parede celular é denominado peptideoglicano, que é o responsável por conferir a rigidez da estrutura. De acordo com a estrutura e composição química da parede celular, as bactérias podem ser classificadas em dois grandes grupos: Gram-positivas As bactérias gram-positivas possuem uma parede celular formada por uma camada espessa de peptideoglicano, e muitas apresentam ainda moléculas ácidas chamadas de ácidos teicoicos. Gram-negativas As bactérias gram-negativas possuem uma fina camada de peptideoglicano sobre a qual se encontra uma camada composta por lipoproteínas, fosfolipídios, proteínas e lipopolissacarídeos (LPS), chamada de membrana externa, que corresponde a uma segunda bicamada lipídica. A membrana externa é permeável a pequenas moléculas por possuir porinas, que são proteínas que atuam como canais que permitem a entrada e saída de solutos; em geral, a membrana externa também possui componentes tóxicos para as células de mamíferos, capazes de causar sintomas gastrointestinais (como diarreia, gases e vômitos) graves em humanos. Diferente das bactérias gram- positivas, nas bactérias gram-negativas, existe, ainda, uma região chamada periplasma, localizada entre a membrana plasmática e a membrana externa; essa região contém diferentes proteínas envolvidas em sistemas de transporte de substâncias. A divisão das bactérias nesses dois grupos apresenta grande importância taxonômica. A diferenciação das bactérias gram-positivas e gram-negativas é realizada através de uma técnica conhecida como Coloração de Gram. Ao final do procedimento, as bactérias gram-positivas ficam coradas de roxo, e as gram-negativas, de Vermelho/rosa. A coloração de Gram, é um método de diferenciação de espécies bacterianas em dois grandes grupos: Gram-positivas (roxo) e Gram-negativas (vermelho/rosa). Diferentemente das bactérias, as paredes celulares das arqueias não possuem peptideoglicano, sendo formadas principalmente por polissacarídeos, proteínas ou glicoproteínas. A parede celular de arqueias metanogênicas, por exemplo, é formada por um polissacarídeo chamado pseudomureína, que é bem parecido com o peptideoglicano. Outras arqueias podem apresentar, ainda, uma parede celular espessa formada por polímeros de glicose, de ácido glicurônico, de ácido urônico galactosamina, dentre outros. Outro tipo comum de parede celular em arqueias é a denominada camada S, que é uma superfície paracristalina formada por moléculas de proteínas e glicoproteínas entrelaçadas. A camada S é resistente o suficiente para aguentar pressões osmóticas variadas e estabelecer a forma da célula, mas ela pode estar presente em bactérias junto a outros componentes da parede celular. Ilustração de bactérias vistas através de um microscópio. Ribossomos Os ribossomos são estruturas presentes no citoplasma e são formados por ácido ribonucleico e proteínas. São responsáveis por sintetizar todas as proteínas indispensáveis à vida, participando como sítio de tradução do RNA mensageiro na síntese de proteínas. As proteínas sintetizadas nesse processo podem apresentar as mais variadas funções, como, por exemplo, função estrutural ou enzimática. A forma e a função dos ribossomos dos procariotos são semelhantes à dos eucariotos, porém os ribossomos dos eucariotos são maiores e apresentam composição de proteínas diferentes. Veja a seguir: Procariotos Apresentam ribossomos 70S, que são formados pelas subunidades 30S e 50S. Eucariotos Possuem ribossomos 80S formados pelas subunidades 40S e 60S. A informação para a síntese de proteínas está no DNA cromossômico; cada gene é um segmento de DNA que contém a informação necessária para a síntese de uma proteína. A informação do gene é transcrita (ou copiada) para o RNA mensageiro, e este se complexa com o ribossomo no local determinado para a síntese da proteína. O RNA de transferência (ou transportador) traduz a informação do RNA mensageiro e coloca os aminoácidos em sítios específicos do ribossomo. O RNA transportador se liga a um aminoácido por uma extremidade, enquanto a outra extremidade se liga ao códon (composto por três nucleotídeos) que está no RNA mensageiro. Os aminoácidos vão sendo adicionados até que a síntese termine em uma sequência específica. Para que a síntese de proteínas ocorra, as duas subunidades do ribossomo devem estar acopladas. Ribossomo. Material genético Todos os organismos possuem material genético ou genoma e, no momento da divisão celular, ele é transmitido aos descendentes. Nos microrganismos procariotos, o material genético pode ser formado por dois elementos distintos: DNA cromossômico e DNA extracromossômico (também conhecido como plasmídeo, que estudaremos no próximo tópico). Material genético A informação genética se encontra na sequência de monômeros dos ácidos nucleicos, que são moléculas informacionais. Os ácidos nucleicos são formados por sequências polinucleotídicas, e cada nucleotídeo é formado por três constituintes: um resíduo de açúcar-pentose (ribose no RNA e desoxirribose no DNA), uma base nitrogenada e um grupamento fosfato. Desenho esquemático de uma bactéria. (1) DNA cromossómico. (2) Plasmídeos. O DNA cromossômico é o principal constituinte do genoma dos procariotos; este DNA se encontra associado com proteínas, formando os cromossomos. Na grande maioria das bactérias e arqueias, o cromossomo é formado por uma única molécula de DNA circular de fita dupla, ou seja, é circular e único, e contém genes que são indispensáveis para a sobrevivência da célula. Alguns procariotos possuem mais de uma molécula de DNA cromossômico e, outros, possuem o cromossomo linear. As funções do cromossomo incluem transmitir características hereditárias e codificar proteínas celulares. Como as células procarióticas não possuem um núcleo envolvendo o material genético, ele se encontra disperso no citoplasma, mas de uma maneira compactada e organizada em uma região conhecida como nucleoide. A compactação do DNA cromossômico ocorre em três níveis distintos e é extremamente necessária, pois, quando estendido, o DNA é muito maior do