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Unidade 2 Métodos clássicos da análise de estruturas hiperestáticas Introdução da Unidade Olá, alunos(as)! Sejam bem-vindos(as) à disciplina de Mecânica dos Sistemas Estruturais III. Nesta disciplina, iremos abordar alguns conceitos da resistência dos materiais utilizadas para o dimensionamento de elementos estruturais, seja qual for o material. Para tanto, vamos iniciar com os conceitos básicos, passando para os métodos usuais de cálculo de solicitações, em especial para as estruturas hiperestáticas. Com isso, vamos unir aos conhecimentos teóricos adquiridos até agora, para ter um leque de ferramentas importantes na hora de conceber um sistema estrutural, ou até para analisar um sistema estrutural existente. Nesta unidade, vamos apresentar os conceitos necessários para solucionar problemas de vigas hiperestática, utilizando o método dos esforços. Objetivos Introduzir o estudo das análises estruturais de elementos estruturais estaticamente indeterminados; Apresentar os conceitos necessários para a resolução de problemas com elementos estruturais estaticamente indeterminados; Apresentar os métodos básicos de análise de estruturas estaticamente indeterminadas; Comparar alguns pontos convergentes entre as estruturas isostáticas e estruturas hiperestáticas. Conteúdo programático Aula 01 – Introdução à análise estrutural Aula 02 – Conceitos básicos REFERÊNCIAS HIBBELER, R.C. Resistência dos Materiais. 10ª ed. São Paulo: Pearson, 2018. HIBBELER, R.C. Análise das estruturas. 8ª ed. São Paulo: Pearson, 2013. MARTHA, Luiz F. Análise de estruturas: conceitos e métodos básicos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. SORIANO, Humberto L. LIMA, Silvio de S. Análise de estruturas: conceitos e métodos básicos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. ROSSI, Mariana L., VANALLI, Leandro, SCOARIS, Mario R. APLICAÇÃO DO SOFTWARE SAP2000® PARA ANÁLISE DE ESFORÇOS EM ELEMENTOS ESTRUTURAIS DE CONCRETO ARMADO. Artigo publicado no XXV EAIC/V EAICJr UEM, Umuarama/PR: 2016. Disponível em: . Acesso em: 6 de setembro de 2019. http://www.eaic.uem.br/eaic2016/anais/artigos/1255.pdf Aula 1 Introdução à análise estrutural Para alcançar os objetivos de um projeto estrutural, devem ser respeitadas e elaboradas diversas etapas, desde sua concepção inicial até a documentação (projetos, memoriais) que habilitam a sua construção. Uma das principais etapas, que dará bases para a continuidade do dimensionamento e detalhamento é chamada de análise estrutural. É na análise estrutural que é feita a previsão do comportamento de um elemento ou de um sistema estrutural seja ele qual for sempre visando que o mesmo cumpra com excelência suas condições de segurança e utilização para a qual foi concebido. A análise estrutural se baseia na idealização do comportamento de uma estrutura, expresso por vários parâmetros como seus campos de tensões, deformações e deslocamentos na estrutura. Dessa forma, a determinação dos esforços internos e externos (dados pelas reações de apoio e cargas), de suas tensões correspondentes, dos deslocamentos e suas deformações para a estrutura projetada, em seus possíveis estágios de carregamento e solicitações predeterminados, são os objetivos que devem ser alcançados durante a análise estrutural. Para facilitar a análise estrutural, são formados modelos baseados em estruturas reticuladas (estruturas formadas por barras), que é um modelo mais comum de estruturas, encontrados em coberturas ou em um sistema estrutural metálico de um edifício, por exemplo. Em alguns casos, como estruturas de edifícios em concreto armado, mesmo os elementos não podendo ser considerados como um sistema de barras, é feita a análise de seu comportamento global, ou parcial, utilizando o modelo de barras, com as devidas considerações e adequações. Leitura Obrigatória Para relembrar seus conhecimentos e conceitos sobre a análise de estruturas estaticamente determinadas, leia o Capítulo 2 do Livro “Análise das estruturas”, de RIBBELER. Disponível em: https://bv4.digitalpages.com.br/?page=24§ion=0#/legacy/9788581431277 Nos casos onde as estruturas reticuladas são estaticamente indeterminadas, elas são chamadas de estruturas hiperestáticas. Dentre as estruturas hiperestáticas mais comuns, podemos citar: Treliças (com todas as barras articuladas em sua extremidade); Pórticos ou quadros (planos e espaciais); Grelhas (estruturas planas, com cargas fora do plano). A resolução das estruturas hiperestáticas é geralmente realizada através dos métodos clássicos conhecidos como: Método das Forças e Método dos deslocamentos, que serão estudados nesta e na próxima unidade, respectivamente. Os métodos consideraram apenas as cargas estáticas, admitindo um comportamento linear para a estrutura (análise de pequenos deslocamentos e materiais elástico-lineares). Além dos assuntos abordados nesta disciplina, é importante que relembremos alguns temas da resistência dos materiais e da análise estrutural básica, como: estruturas isostáticas, equilíbrio estático, esforços internos, tensões e deformações. De acordo com Martha (2010), a análise estrutural trabalha dentro de quatro níveis de abstração para analisar uma estrutura, comparando situações reais com modelos virtuais, conforme ilustra a Figura 01. Figura 01: Os quatro níveis de abstração para uma estrutura em análise. Fonte: Adaptado de Martha, 2010. Modelo Real Videoaula 1 Agora, assista ao vídeo que introduz os estudos da análise estrutural. Utilize o QR Code para assistir! O primeiro nível de abstração, que considera a Estrutura Real, representa a estrutura tal como ela é ou será construída, servindo de parâmetro para análise estrutural. Modelo Estrutural O segundo nível, chamado de Modelo estrutural, que pode ser também chamado de modelo matemático, trata-se de um modelo analítico, que representa matematicamente a estrutura a ser analisada. Este modelo abrange todas as teorias e hipóteses (baseadas em leis físicas). Utilizadas para descrever o comportamento da estrutura em análise, de acordo com as diversas solicitações a que está submetida. As leis físicas que baseiam as hipóteses no modelo estrutural podem ser: as leis constitutivas dos materiais utilizados na estrutura, o equilíbrio entre forças e tensões ou as relações de compatibilidade entre deformações e deslocamentos. A etapa de modelagem estrutural é uma das mais importantes atividades dentro da análise estrutural e sua dificuldade está diretamente ligado à complexidade da edificação em questão. Quanto maior o número de detalhes ou de especificidades na estrutura analisada, mais complexo e trabalhoso é a sua modelagem. Estruturas usuais do nosso dia a dia, como prédios residenciais de pequeno porte, podem ser modelados de maneira relativamente simples, através de barras que representam suas vigas e barras que representam seus pilares. Para idealizar o comportamento de uma estrutura real no modelo estrutural, devem ser lançadas diversas hipóteses simplificadoras, baseadas em teorias físicas e resultados experimentais, dos quais podemos listar: Hipóteses relacionadas à geometria do modelo; Hipóteses relacionadas às condições de apoio e suporte; Hipóteses relacionadas ao comportamento dos materiais empregados; Hipóteses relacionadas às solicitações atuantes na estrutura (os diversos carregamentos aplicados à estrutura). Para as estruturas reticuladas, devem ser observadas algumas características específicas para os modelos estruturais. O modelo baseia-se na afirmação de que os elementos estruturais tenham um eixo bem definidos, influenciando o seu comportamento de acordo com a solicitaçõesapresentadas. A Figura 02 apresenta um exemplo de um modelo estrutural de um pórtico, geralmente utilizados no projeto de galpões, comparado com o modelo real da estrutura. Figura 02: Estrutura real de um pórtico e seu modelo estrutural. Fonte: Adaptado de Martha, 2010. No exemplo, é possível verificar que as vigas e colunas do modelo real, são representadas apenas por barras indicando os seus eixos, no modelo estrutural. As propriedades dos elementos estruturais, como por exemplo, suas dimensões, é representada no modelo através de propriedades globais, como por exemplo do momento de inércia da seção. As outras considerações referentes às hipóteses simplificadoras podem ser muito complexas, como o caso da representação de solicitações, que podem ter uma simplificação muito diferente ou muito próxima da situação real. O comportamento dos materiais, ou a interação com elementos de fundação (chamadas condições de apoio), também possuem essa dificuldade na simplificação. Tomando a Figura 02 como exemplo, os carregamentos devido ao vento são representados pelos carregamentos horizontais. No desenho, eles indicam uma direção de atuação, porém, como sabemos, na realidade podem ser considerados em diversas orientações. Dessa forma, podemos concluir que existem diversas maneiras a ser modelada uma estrutura, onde mais do que existir o certo e o errado, existam os modelos que melhor ou pior representam a situação real de uma estrutura. O conhecimento do projetista, a complexidade da geometria da estrutura e de seus carregamentos são fatores preponderantes para uma eficiente modelagem estrutural. Videoaula 2 Agora, assista ao vídeo que aborda a análise estrutural através de modelos estruturais. Utilize o QR Code para assistir! Modelo Discreto O modelo discreto para análise estrutural é realizado dentro das metodologias de cálculo dos métodos de análise. Nesta etapa da abstração, substitui-se o comportamento analítico do modelo estrutural por um comportamento discreto, onde as soluções analíticas contínuas são representadas por valores discretos dos parâmetros adotados. Chamamos de discretização a mudança do modelo matemático para o modelo discreto. De acordo com o método utilizado para resolver as estruturas hiperestáticas (método das forças ou dos deslocamentos), utiliza-se parâmetros diferentes. No método os deslocamentos, os parâmetros utilizados são deslocamentos ou rotações, enquanto no método das forças, são adotados como parâmetros forças ou momentos. A Figura 03 apresenta um exemplo de discretização para um pórtico, através do método das forças. Por se tratar deste método, adotaram-se como parâmetros forças e momentos redundantes (forças e momentos associados a vínculos excedentes da estrutura hiperestática), garantindo assim o equilíbrio estático da estrutura. Pode-se chamar tais parâmetros de parâmetros hiperestáticos. Figura 03: Discretização pelo método das forças em um pórtico hiperestático. Fonte: Adaptado de Martha, 2010. Veja que a discretização apresentada na Figura 03 baseia-se na superposição dos efeitos das forças aplicadas ao pórtico, considerando cada um deles como pórticos isostáticos. No exemplo, foram adotados os hiperestáticos das reações de apoio 𝑀𝐴 e 𝐻𝐵. Cada solução básica isola um parâmetro ou efeito. No exemplo da Figura 03, foram isolados: O efeito do carregamento, isolado no caso (0); O efeito do hiperestático 𝑀𝐴, isolado no caso (1); O efeito do hiperestático 𝐻𝐵, isolado no caso (2). Ainda na Figura 03, podemos observar uma linha tracejada em cada um dos pórticos. Ela representa a configuração deformada do pórtico, em escala ampliada, que pode ser chamada de elástica. A elástica é obtida pela superposição dos efeitos de cada hipótese básica (no exemplo, os casos 0, 1 e 2). Veremos com maiores detalhes o Método das Forças no decorrer de nossa disciplina. Já quando se tratar do método dos deslocamentos, para solucionar problemas de estruturas reticuladas hiperestáticas, a discretização é feita através de valores de deslocamentos e rotações, chamados de deslocabilidades, em cada um dos nós da estrutura. Consideramos nós todos os encontros entre barras da estrutura. A Figura 04 apresenta o exemplo de um pórtico solucionado através do método dos deslocamentos. Neste caso, as deslocabilidades adotadas são os deslocamentos horizontais dos nós superiores, chamados de Δ𝐶 𝑥 e Δ𝐷 𝑥 , além dos deslocamentos verticais destes mesmos nós, chamados Δ𝐶 𝑦 e Δ𝐷 𝑦 e as rotações dos nós livres ao giro: 𝜃𝐵, 𝜃𝐶 e 𝜃𝐷. Figura 04: Discretização pelo método dos deslocamentos em um pórtico hiperestático. Fonte: Adaptado de Martha, 2010. No exemplo da Figura 04, a configuração deformada da estrutura é representada por uma solução contínua do modelo matemático. Os valores das deslocabilidades nodais representam a solução discreta deste problema. No método dos deslocamentos, a solução contínua pode ser obtida pela interpolação dos valores discretos dos deslocamentos e rotações nodais, desde que considerados os efeitos da carga distribuída na barra horizontal. Em via de regra, a solução obtida por interpolação é igual à solução analítica do modelo estrutural, para estruturas reticuladas de barras prismáticas, devido ao fato das funções de interpolação que definem a configuração deformada contínua serem compatíveis com a idealização matemática do comportamento das barras, feita pela Resistência dos Materiais. Veremos com maiores detalhes o Método dos Deslocamentos no decorrer de nossa disciplina. Leitura Obrigatória Para aprofundar seus conhecimentos sobre os métodos de análise estrutural de estruturas estaticamente indeterminadas, leia o capítulo 7 do livro “Análise das estruturas”, de RIBBELER. Disponível em: Quando nossa estrutura se tratar de uma estrutura contínua (que não são compostas por barras), a forma utilizada para fazer a discretização na análise estrutural é chamada de método dos elementos finitos. No método dos elementos finitos, o modelo discreto é obtido através da subdivisão do domínio da estrutura em subdomínios, denominados de elementos finitos, onde temos formas simples e planas (geralmente triângulos ou quadriláteros), denominada malha de elementos finitos, junto com os parâmetros que representam a solução discreta (valores de deslocamentos nos nós – vértices – da malha). A Figura 05 apresenta um exemplo de uma estrutura contínua, que possui um furo, discretizada pelo método dos elementos finitos. Figura 05: Discretização pelo método dos elementos finitos para uma estrutura contínua. https://bv4.digitalpages.com.br/?page=24§ion=0#/legacy/9788581431277 Fonte: Adaptado de Martha, 2010. Podemos ver, pelo exemplo da Figura 05, que o método dos elementos finitos para estruturas contínuas é bem diferente e muito mais complexo que as discretizações para as estruturas chamadas reticuladas, (como as treliças, pórticos ou grelhas), pois podemos definir facilmente em uma estrutura formada por barras, onde estão seus nós (nos pontos de encontros das barras), enquanto nos modelos de estruturas contínuas, estes nós são obtidos pela discretização do domínio da estrutura, em forma de uma malha. Apesar de mais complexo, o método dos elementos finitos com a adoção de um modelo discreto de elementos finitos é uma aproximação para a solução analítica da teoria da elasticidade, enquanto as soluções dos modelos discretos para estruturas de barras prismáticas são iguais à solução analítica da Resistência dos materiais. Videoaula 3 Agora, assista ao vídeo que aborda a análise estrutural através de modelos discretos. Utilize o QR Code para assistir!Modelo Computacional Atualmente, a utilização de programas para análise estrutural é realizada em praticamente todos os escritórios de projetos de estruturas. As primeiras utilizações do computador para realizar tal análise foram na década de 1960. É claro que precisamos saber os conceitos e como funcionam os métodos clássicos da análise estrutural, até mesmo para entender como são realizados tais procedimentos através dos computadores, inserindo os dados necessários de forma correta. Porém, devido à necessidade de serem feitos cada vez mais cálculos e cada vez mais rápidos, a análise estrutural, seja de estruturas reticuladas ou principalmente de estruturas contínuas, sem a utilização de softwares computacionais pode ser considerada atualmente inviável. Diversos são os softwares para análise estrutural através do modelo computacional. O SAP 2000 é um dos softwares mais antigos e mais utilizados na atualidade, que possui uma interface intuitiva, que facilita o usuário a fazer uma correta análise estrutural, para qualquer tipo de estrutura. Leitura Obrigatória Para aprofundar seus conhecimentos sobre aplicação de software para análise de elementos estruturais, leia o artigo “APLICAÇÃO DO SOFTWARE SAP2000® PARA ANÁLISE DE ESFORÇOS EM ELEMENTOS ESTRUTURAIS DE CONCRETO ARMADO”. Disponível em: Indicação de Vídeo Assista ao vídeo “SAP2000 - Apresentação do software”, para ter uma pequena noção de como atua o software SAP2000 na análise estrutural através de modelos computacionais. Disponível em: , Duração: 3:16. http://www.eaic.uem.br/eaic2016/anais/artigos/1255.pdf https://www.youtube.com/watch?v=MGNJ_2AX9p8 Aula 2 Conceitos básicos Antes de passarmos para o entendimento dos métodos usuais para análise de estruturas indeterminadas, vamos abordar alguns conceitos fundamentais para compreensão do conteúdo destes métodos. Além disso, como dito na aula 01 desta unidade, é importante que sejam relembrados alguns assuntos referentes à resistência dos materiais como: definições de tensões e esforços internos (momentos fletores e torçores, esforços cortantes e normais), além da análise estrutural de estruturas isostáticas (chamadas estruturas estaticamente determinadas). Classificação dos modelos de estruturas reticuladas Chamamos de estruturas reticuladas aquelas formadas por barras. Em nossos estudos, geralmente vamos encontrar arranjos estruturais em forma de quadros ou pórticos planos, que representa uma estrutura tridimensional. Podemos utilizar os quadros para representar uma parte de uma estrutura, configurando uma simplificação do comportamento tridimensional. Para tanto, as estruturas dos quadros devem estar contidas no mesmo plano, assim como suas cargas (Planos X, Y e Z). Podemos ver esta afirmação exemplificada na Figura 01, onde apresenta-se um quadro plano com seus eixos globais, cargas, reações, deslocamentos e rotações. Figura 01: Quadro plano e seus eixos globais, cargas, reações, deslocamentos e rotações de um quadro plano. Fonte: Adaptado de Martha, 2010. Além disso, podemos observar na Figura 01 a configuração deformada de uma estrutura, em escala exageradamente ampliada, representada pela linha tracejada. Junto a elas, estão representadas as componentes de deslocamento e rotações dos pontos extremos das barras (os chamados nós). Como na simplificação não consideramos deslocamentos na direção transversal do plano do quadro, podemos listar os seguintes componentes de deslocamentos e rotações: Δ𝑥: deslocamento na direção global do eixo x; Δ𝑦: deslocamento na direção global do eixo y; θ𝑧: rotação em torno do eixo global z. Consideramos também para este tipo de modelo estrutural que as ligações entre suas barras são rígidas, exceto em casos onde estejam inseridas liberações específicas (como articulações, por exemplo). Portanto, duas barras ligadas por um mesmo nó possuem deslocamentos e rotações compatíveis em sua ligação. Em relação aos esforços internos em quadros planos, estes estão associados ao comportamento da estrutura, onde existam apenas três esforços internos em uma barra de um pórtico plano, de acordo com as direções dos eixos locais da barra, conforme pode ser observado na Figura 02: Esforço interno axial, chamado Esforço Normal, na direção do eixo local x; Esforço interno transversal, chamado Esforço Transversal, na direção local do eixo local y; Esforço interno de flexão, chamado Momento Fletor, em torno do eixo local z. Figura 02: Quadro plano, seus eixos locais e esforços internos. Fonte: Adaptado de Martha, 2010. Os esforços internos representam o efeito de forças e momentos entre duas partes de uma estrutura reticulada, em um ponto da seção transversal. Dessa forma, os esforços internos resultantes em cada lado desta seção, devem ser iguais e com sinais contrários, correspondendo à reação de uma ação. No caso de treliças planas (Figura 03), que são estruturas reticuladas com todas as suas barras articuladas, são analisadas as cargas atuantes transferidas para seus nós. Desta forma, as treliças apresentam apenas os esforços internos axiais: esforços normais de compressão ou tração. Essa consideração de ligações articuladas em alguns casos trata-se de simplificações na análise estrutural, já que podemos encontrar casos sem articulações nos nós das treliças. Figura 03: Treliça plana e seus eixos globais, cargas, reações e esforços internos normais. Fonte: Adaptado de Martha, 2010. As grelhas são estruturas reticuladas planas, com cargas perpendiculares ao seu plano, incluindo momentos em torno dos eixos do plano. Geralmente, consideramos os planos da grelha com os eixos x e y, e as cargas das reações de apoio no eixo Z. Consideramos que as grelhas não apresentam deslocamentos dentro do seu plano, conforme podemos verificar na Figura 04, apresentando os seguintes deslocamentos e rotações: Δ𝑧: deslocamento na direção do eixo global z; θ𝑥: rotação em torno do eixo global x; θ𝑦: rotação em torno do eixo global y. Figura 04: Grelha e seus eixos globais, cargas, reações e esforços internos normais. Fonte: Adaptado de Martha, 2010. Além disso, consideramos também as grelhas com ligações rígidas, possibilitando a inclusão de articulações de acordo com a configuração necessária, que pode liberar uma ou duas componentes de rotação. Os esforços internos existentes em estruturas de grelhas são apresentados de acordo com os eixos de convenção, apresentados na Figura 05: Esforço interno transversal, chamado Esforço Cortante (Q𝑧), na direção do eixo local z; Esforço interno de flexão, chamado Momento Fletor (𝑀𝑦), na direção do eixo local y; Esforço interno de torção, chamado Momento Torçor (T𝑥), na direção do eixo local x; Figura 05: Grelha, seus eixos locais e esforços internos. Fonte: Adaptado de Martha, 2010. Comparando os componentes dos tipos de esforços internos, deslocamentos e rotações entre quadros planos e grelhas, temos a situação apresentada na Tabela 01: Tabela 01: Comparação dos esforços internos, deslocamentos e rotações entre grelhas e quadros planos. QUADRO PLANO GRELHAS Deslocamento em X Δ𝑥 Δ𝑥 = 0 Deslocamento em Y Δ𝑦 Δ𝑦 = 0 Deslocamento em Z Δ𝑧 = 0 Δ𝑧 Rotação em torno de X 𝜃𝑥 = 0 𝜃𝑥 Rotação em torno de Y 𝜃𝑦 = 0 𝜃𝑦 Rotação em torno de Z 𝜃𝑧 𝜃𝑧 = 0 Esforço normal 𝑁 = 𝑁𝑥(𝑥 𝑙𝑜𝑐𝑎𝑙) N=0 Esforço cortante 𝑄 = 𝑄𝑦(𝑦 𝑙𝑜𝑐𝑎𝑙) 𝑄 = 𝑄𝑧(𝑧 𝑙𝑜𝑐𝑎𝑙) Momento fletor 𝑀 = 𝑀𝑧(𝑧 𝑙𝑜𝑐𝑎𝑙) 𝑀 = 𝑀𝑦(𝑦 𝑙𝑜𝑐𝑎𝑙) Momento torçor 𝑇 = 0 𝑇 = 0 Fonte: Adaptado de Martha, 2010. Existe ainda um outro tipo de estrutura reticulada, chamado de quadros ou pórticos espaciais, representados naFigura 06, onde cada ponto do quadro pode ter três componentes (Δ𝑥, Δ𝑦 , Δ𝑧) de deslocamento e três componentes de rotação (𝜃𝑥 , 𝜃𝑦, 𝜃𝑧), além de 6 esforços internos em suas barras, sendo eles: Esforço Normal N (N𝑥), na direção do eixo local x; Esforço Cortante (Q𝑦), na direção do eixo local y; Esforço Cortante (Q𝑧), na direção do eixo local z; Momento Fletor (M𝑦), na direção do eixo local y; Momento Fletor (M𝑧), na direção do eixo local z; Momento Torçor (T𝑥), na direção do eixo local x. Figura 05: Quadro espacial, seus eixos globais e cargas. Fonte: Adaptado de Martha, 2010. Condições básicas O objetivo direto da análise estrutural é determinar os esforços internos de uma estrutura, de suas reações de apoio, deslocamentos e rotações, além das tensões e deformações. Para tanto, ao conceber o modelo a ser analisado, devemos utilizar algumas ferramentas matemáticas, metodologias de cálculo que resultem na melhor interpretação desejada para tal estrutura, satisfazendo as hipóteses adotadas. Tais condições matemáticas a serem satisfeitas pelos modelos estruturais que representam os comportamentos reais servem como base para os métodos de análise estrutural e podem ser classificados como: Condições de equilíbrio; Condições de compatibilidade entre deslocamentos/deformações; Videoaula 1 Agora, assista ao vídeo que aborda a classificação dos modelos de análise para estruturas reticuladas. Utilize o QR Code para assistir! Condições referentes às leis constitutivas dos materiais aplicados na concepção da estrutura. Condições de equilíbrio São as condições que garantem o equilíbrio estático de parte ou do todo das estruturas analisadas. As condições de equilíbrio atuam através do uso de equações de equilíbrio, que fornecem as condições necessárias, porém não suficientes, para determinação dos esforços de um modelo estrutural. Condições de compatibilidade entre deformações e deslocamentos Tais condições estão relacionadas à geometria dos elementos, que devem ser satisfeitas para garantir que a estrutura permaneça contínua (sem vazios ou sobreposição de pontos) durante sua deformação, de maneira compatível com seus vínculos externos. Essas condições não estão relacionadas às propriedades de resistência dos materiais, sendo expressas através de relações geométricas impostas pelo modelo estrutural, de forma a garantir a continuidade no domínio da estrutura real. Podemos classificar as condições de compatibilidade em dois tipos: Condições de compatibilidade externa: abrange os vínculos da estrutura, garantindo que os deslocamentos e deformações sejam compatíveis com as hipóteses adotadas para os suportes ou ligações a outras estruturas; Condições de compatibilidade interna: garantem a continuidade interna dos elementos estruturais ao se deformar, ou seja, as barras permanecem ligadas pelos nós que as conectam. Condições referente às Leis constitutivas dos materiais Leis constitutivas é o nome dado a um modelo matemático que expressa o comportamento dos materiais, de forma extrapolada, através de relações matemáticas entre tensões e deformações. São as leis constitutivas que definem, através de seus parâmetros, os comportamentos dos materiais. A Teoria da elasticidade determina que as relações da lei constitutiva são equações lineares de parâmetros constantes. Desta forma, é possível afirmar que os materiais trabalham em regime elástico-linear, onde as suas tensões e deformações são proporcionais. Em alguns casos, este comportamento simplificado não é empregável a certos tipos de materiais, por exemplo, quando dimensionamentos elementos metálicos ou de concreto armado em seu estado limite último, onde os materiais deixam de ter o comportamento elástico-linear. Para melhor compreensão dos conteúdos a seguir, vamos trabalhar com a hipótese de materiais ideais, onde seu comportamento seja elástico-linear e não haja limite de resistência. Métodos básicos Para solucionar problemas com vigas hiperestáticas, deve-se sempre considerar as três condições anteriormente analisadas: condições de equilíbrio, condições de compatibilidade entre deslocamentos, deformações e condições sobre o comportamento dos materiais. Quando consideramos uma estrutura hiperestática, podemos incluir valores de cargas ou deslocamentos que nos forneçam novas equações de equilíbrio e compatibilidade, respectivamente, para solucionar o elemento em questão. E estas cargas ou deslocamentos, se analisados separadamente, possuem diversos valores que satisfaçam suas equações em separado, porém, só existe uma única solução que satisfaça ao mesmo tempo as três condições anteriormente analisadas. Para as estruturas hiperestáticas usuais, formadas por muitas barras e carregamentos, a resolução se torna um processo bastante complexo, o que compromete seus resultados. É nessa hora que devemos utilizar métodos básicos de resolução para estruturas hiperestáticas, como o método das forças e o método dos deslocamentos. Método das forças O método das forças utiliza como incógnitas principais dos problemas as forças e momentos, tanto provenientes de esforços internos quanto de reações de apoio. Outras possíveis incógnitas são traduzidas nos termos das incógnitas principais escolhidas, substituídas nas equações de compatibilidade, antes de serem solucionadas. Videoaula 2 Agora, assista ao vídeo que aborda as condições necessárias para analisar estruturas em engenharia. Utilize o QR Code para assistir! Este método é baseado na determinação, dentro do conjunto de soluções em forças que possam satisfazer as equações de equilíbrio, a solução que também satisfaça as equações de compatibilidade. Para realizar o procedimento do método das forças, pode-se seguir o seguinte roteiro para introdução das condições básicas: 1. Utilizar as equações de equilíbrio; 2. Considerar as leis constitutivas dos materiais; 3. Utilizar as condições de compatibilidade. A metodologia prática para a análise de estruturas hiperestáticas através do método das forças faz uma parametrização (ou discretização) do problema em variáveis independentes, variáveis essas que são as forças e momentos (no caso do método das forças) associadas aos vínculos excedentes à determinação estática da estrutura. Chamamos tais forças e momento de hiperestáticos. Uma possível solução para estruturas isostáticas através do método das forças é dada pela superposição de soluções básicas, como apresentados na Figura 06. No exemplo da Figura 06, a solução é obtida através da superposição das soluções básicas denominadas (0) e (1), onde se escolheu o hiperestático 𝑋1 = 𝑁1, referente à restrição de deslocamento vertical do apoio central. Figura 06: Superposição de soluções básicas do Métodos das Forças. Fonte: Adaptado de Martha, 2010. A solução apresenta como estrutura utilizada nas soluções básicas, uma estrutura isostática (estaticamente determinada), a qual chamamos de Sistema Principal (SP), obtida da retirada do vínculo existente que tornava a estrutura original hiperestática. Cada solução básica isola um parâmetro ou efeito no SP: O efeito do carregamento (solicitação externa) é isolado no caso (0); O efeito do hiperestático 𝑋1 é isolado no caso (1). No caso exemplificado, a condição de compatibilidade da estrutura original é violada, já que o vínculo eliminado libera o deslocamento vertical do apoio central. Porém, as soluções básicas do método das forças satisfazem as equações de equilíbrio da estrutura original. Podemos expressar matematicamente a equação de compatibilidade para superposição dos deslocamentos no vínculo eliminado de cada caso básico: 𝛿10 + 𝛿11. 𝑋1 = 0 Onde: 𝛿10 = termo de carga (deslocamento vertical noponto do vínculo eliminado no caso 0); 𝛿11 = coeficiente de flexibilidade (deslocamento vertical no ponto do vínculo eliminado devido a um valor unitário do hiperestático aplicado isoladamente). Com isso, conseguimos determinar o valor do hiperestático 𝑋1 para que o deslocamento no ponto do vínculo eliminado seja nulo. Isso é possível devido à recomposição da compatibilidade da estrutura original, afetada pela criação da estrutura auxiliar (SP) utilizada para sobreposição dos efeitos. Na Unidade 03 serão abordados detalhadamente estes conceitos, através de exemplos práticos, que contribuirão com a fixação do conteúdo. Leitura Obrigatória Para aprofundar seus conhecimentos sobre o método das forças para análise estrutural, leia o capítulo 10 do livro “Análise das estruturas”, de RIBBELER. Disponível em: Método dos deslocamentos No método dos deslocamentos, as incógnitas principais do problema são os deslocamentos e rotações, onde todas as outras incógnitas devem ser expressas em função das principais, substituindo-as nas equações de equilíbrio. Este método é baseado em determinar, dentro do conjunto de soluções de deslocamentos, que satisfaçam as condições de compatibilidade e de equilíbrio. Esta forma de determinação é o inverso do proposto pelo método das forças. Para realizar a formulação no método dos deslocamentos, também é adotada a ordem inversa ao método das forças: 1. Utilizar as condições de compatibilidade; 2. Considerar as leis constitutivas dos materiais; https://bv4.digitalpages.com.br/?page=24§ion=0#/legacy/9788581431277 3. Utilizar as condições de equilíbrio. Para o exemplo da Figura 07, escolhemos como a variável principal o alongamento 𝑑1 da barra vertical, que corresponde ao deslocamento vertical 𝐷1 do nó inferior da estrutura. A quantidade de incógnitas disponíveis no método do deslocamento depende da quantidade de incógnitas excedentes das equações de compatibilidade. Figura 07: Superposição de soluções básicas do Métodos das Forças. Fonte: Adaptado de Martha, 2010. Podemos chamar a estrutura utilizada nas configurações básicas o exemplo da Figura 07 de cinematicamente determinada, pois conhecemos a sua configuração deformada através do vínculo que impede a deslocabilidade 𝐷1. Podemos chamá-la no estudo do método dos deslocamentos de Sistema Hipergeométrico (SH). Para cada solução básica, isola-se um determinado efeito ou parâmetro do SH. No exemplo: O efeito do carregamento é isolado no caso (0); O efeito da deslocabilidade é isolado no caso (1). Tais soluções básicas satisfazem as condições de equilíbrio do SH, porém, não satisfazem o equilíbrio da estrutura original, já que ela não possui o vínculo inserido para impedir o deslocamento 𝐷1. Desta maneira, determinamos o valor necessário para que a deslocabilidade 𝐷1 restabeleça o equilíbrio da estrutura original, superpondo as reações no apoio hipotético o SH, para cada caso básico, através da seguinte maneira: 𝛽10 + 𝐾11. 𝐷1 = 0 Onde: 𝛽10 = termo de carga (reação vertical no apoio fictício do caso (0); 𝐾11 = coeficiente de rigidez (força vertical no apoio fictício do SH necessária para impor uma configuração deformada em que 𝐷1 tenha um valor unitário). Nas próximas unidades desta disciplina serão abordados detalhadamente estes conceitos, através de exemplos práticos, que contribuirão com a fixação do conteúdo. Através da Tabela 01, podemos verificar um comparativo referente ao método das forças e o método dos deslocamentos em suas principais características. Tabela 01: Comparativo entre o método das forças e o método dos deslocamentos. MÉTODO DAS FORÇAS MÉTODO DOS DESLOCAMENTOS Id ei a b ás ic a Determinar, dentro do conjunto de soluções em forças que satisfaçam as condições de equilíbrio, qual a solução que também atenda as condições de compatibilidade. Determinar, dentro do conjunto de soluções em deslocamentos que satisfaçam as condições de compatibilidade, qual a solução que também atenda as condições de equilíbrio. M et o d o lo gi a Superpor uma série de soluções isostáticas (estaticamente determinadas), que satisfaçam as condições de equilíbrio da estrutura de forma e também as condições de compatibilidade. Superpor uma série de soluções cinematicamente determinadas (configurações deformadas conhecidas) que satisfaçam as condições de compatibilidade e também as condições de equilíbrio. In có gn it as Hiperestáticos: Forças e momentos associados à vínculos excedentes à determinação estática da estrutura. Deslocabilidades: componentes de deslocamentos e rotações notais que definem a configuração deformada da estrutura. N ú m er o d e In có gn it as Número de incógnitas excedentes das equações de equilíbrio, denominado grau de hiperestaticidade. Número de incógnitas excedentes das equações de compatibilidade, denominado grau de hipergeometria. Es tr u tu ra a u xi lia r u ti liz ad a n as s o lu çõ es b ás ic as Sistema Principal (SP): estrutura isostática (estaticamente determinada) obtida da estrutura original, eliminando os vínculos excedentes associados aos hiperestáticos. Essa estrutura auxiliar viola as condições de compatibilidade da estrutura original. Sistema Hipergeométrico (SH): estrutura com configuração deformada conhecida (cinematicamente determinada) obtida da estrutura original pela adição dos vínculos necessários para impedir as deslocabilidades. Essa estrutura auxiliar viola condições de equilíbrio da estrutura original. Eq u aç õ es f in ai s São Equações de Compatibilidade, expressa em termos dos hiperestáticos. Essas equações recompõem as condições de compatibilidade violadas nas soluções básicas. São Equações de Equilíbrio expressas em termos das deslocabilidades. Essas equações recompõem as condições de equilíbrio violadas nas soluções básicas. Te rm o s d e ca rg a d as eq u aç õ es f in ai s Deslocamentos e rotações nos pontos dos vínculos liberados no SP devidos à solicitação externa (carregamento). Forças e momentos (reações) nos vínculos adicionados no SH devidos à solicitação externa (carregamento). C o ef ic ie n te s d as eq u aç õ es f in ai s Deslocamentos de flexibilidade: deslocamentos e rotações nos pontos dos vínculos liberados no SP devidos a hiperestáticos com valores unitários atuando isoladamente. Coeficiente de rigidez: forças e momentos nos vínculos adicionados no SH para impor configurações deformadas com deslocabilidades isoladas com valores unitárias. Fonte: Adaptado de Martha, 2010. Leitura Obrigatória Para aprofundar seus conhecimentos sobre o método dos deslocamentos para análise estrutural, leia os capítulos 11 e 12 do livro “Análise das estruturas”, de RIBBELER. Disponível em: Superposição de efeitos O princípio da superposição de efeitos se baseia na afirmação que a superposição dos campos de deslocamentos acarretado pela ação de vários sistemas de força atuando isoladamente é igual ao campo de deslocamentos promovidos pelos mesmos sistemas de forças atuando em conjunto ao mesmo tempo, conforme podemos observar na Figura 08: Figura 08: Combinação de forças e seus respectivos deslocamentos. https://bv4.digitalpages.com.br/?page=24§ion=0#/legacy/9788581431277 Fonte: Adaptado de Martha, 2010. Este princípio é aplicável desde que se considere a estrutura com comportamento linear, ou seja, que o material trabalhe em regime elástico-linear e exista a hipótese de pequenos deslocamentos. Estruturas estaticamente determinadase indeterminadas Como já vimos em outras disciplinas, as estruturas podem ser definidas de acordo com as condições de equilíbrio de seus esforços internos e externos (reações de apoio). Neste contexto, podemos classificá-las conforme a seguir: Estruturas estaticamente determinadas: também chamadas estruturas isostáticas, quando seus esforços internos e externos, chamados de reações, estão respeitando as condições de equilíbrio; Estaticamente indeterminadas: também chamadas estruturas hiperestáticas, são as estruturas que não podem ter seus esforços internos e externos determinados apenas pelas condições de equilíbrio. Tal classificação é possível de ser identificada na Figura 08, onde o mesmo pórtico é apresentado em duas configurações distintas. A primeira configuração (a) apresenta uma configuração isostática, onde é possível determinar as reações de apoio utilizando apenas as condições de equilíbrio (as equações de equilíbrio estático para momento, esforço cortante e esforço normal), bem como é possível determinar os esforços internos em qualquer seção da barra, utilizando apenas as condições de equilíbrio. Já a segunda configuração (b) apresenta um vínculo externo extra, já que existem 4 componentes de reações de apoio para apenas três equações de equilíbrio global da estrutura (somatório dos esforços normais, cortantes e momento fletor nulos). Desta forma, dizemos que se trata de uma estrutura hiperestática, onde deverá ser determinado o seu grau de hiperestaticidade. Figura 08: Quadros isostáticos (a) e hiperestáticos (b) com suas respectivas configurações deformadas, reações de apoio e diagramas de momento fletores. Fonte: Adaptado de Martha, 2010. Ao analisar a Figura 08, podemos verificar que, apesar dos quadros possuírem as mesmas dimensões e carregamentos, a alteração de sua vinculação influencia em alguns aspectos como: Existência de carregamentos horizontais, no pórtico hiperestático, o que inexiste no pórtico isostático; Diferença na configuração deformada de ambos os pórticos; Diferença no diagrama de momento fletor resultante para ambos os pórticos; Para as estruturas hiperestáticas, existem infinitas soluções que satisfaçam as condições de equilíbrio estático (no caso do exemplo, existem diversos valores para a carga H que satisfaçam o equilíbrio estático). Ainda, de acordo com Martha (2010), a determinação dos esforços de estruturas hiperestática é mais complexa do que as isostáticas e, mesmo assim, a maioria das estruturas usuais em nosso dia a dia são hiperestáticas, devido aos seguintes fatores: Alguns formatos estruturais são intrinsicamente hiperestáticos (como o conjunto de vigas, pilares e lajes em um edifício, a casca de uma cobertura, ou uma treliça espacial); Os esforços internos ao longo de uma estrutura hiperestática geralmente possuem distribuição otimizada, podendo levar a valores menores para os esforços máximos. Existe nas estruturas hiperestáticas maior controle dos esforços internos por parte do analista estrutural, considerando a rigidez das barras e seus valores de rotações em extremidades, mudando os diagramas de momentos fletores de acordo com a rigidez. Nas estruturas isostáticas, os diagramas de momentos fletores dependem apenas da geometria da estrutura e dos valores de cargas e reações. Os vínculos excedentes nas estruturas isostáticas podem fornecer à estrutura uma segurança adicional, onde mesmo que parte da estrutura perca capacidade resistente, a estrutura ainda pode manter sua estabilidade global, devido à capacidade de redistribuição de esforços das estruturas hiperestáticas, que não ocorre nas estruturas isostáticas. Grau de hiperestaticidade Em geral, o grau de hiperestaticidade de uma estrutura pode ser obtido através da seguinte fórmula: 𝑔 = (𝑛º 𝑑𝑒 𝑖𝑛𝑐ó𝑔𝑛𝑖𝑡𝑎𝑠) − (𝑛º 𝑑𝑒 𝑒𝑞𝑢𝑎çõ𝑒𝑠 𝑑𝑒 𝑒𝑞𝑢𝑖𝑙í𝑏𝑟𝑜) As incógnitas dependem dos vínculos de apoio da estrutura, onde cada componente da reação de apoio apresenta uma incógnita, ou seja, aumenta um grau de hiperestaticidade na estrutura. Videoaula 3 Agora, assista ao vídeo que introduz os métodos básicos de análise para estruturas hiperestáticas. Utilize o QR Code para assistir! Encerramento Nesta unidade, abordamos as bases e conceitos necessários para compreendermos os métodos de cálculo usuais para estruturas hiperestáticas na engenharia. Relembramos conceitos básicos de estruturas isostáticas e hiperestáticas, passando pelos métodos de resolução de estruturas hiperestáticas. Nas próximas unidades, vamos estudar detalhadamente os métodos das forças e os métodos dos deslocamentos, utilizados como métodos básicos para resolução de estruturas hiperestáticas. Videoaula Resolução de Exercícios Assista! Utilize o QR Code para assistir!