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Disciplina: Enfermidades Parasitárias e micóticas Docente: Gisele Dias Encontro: Doenças provocadas por Protozoários Discussão Breve É um conjunto de sinais causados pela diminuição do fluxo sanguíneo pela veia cava superior para o átrio direito; Ocorre quando o influxo venoso para o coração se encontra obstruído por uma massa de vermes, podendo ocorrer também pela migração retrógrada de vermes da artéria pulmonar e ventrículo direito para o orifício da válvula tricúspide, átrio direito e veia cava; Como resultado, teremos uma condição semelhante ao choque Tem-se estimado que esta complicação se desenvolve em 15% a 20% dos cães com dirofilariose Síndrome da veia cava Veia cava Átrio direito Pulmões Veia pulmonar Átrio esquerdo Ventrículo esquerdo Ventrículo direito Artéria pulmonar Artéria aorta Circulação sistêmica Capilares – Trocas gasosas Introdução - PROTOZOÁRIOS são seres unicelulares, eucariontes; - Cerca de 65.000 espécies são conhecidas 10.000 espécies interagem com animais vertebrados ou invertebrados; - São pequenos de 1 a 150µm, apresentam alto índice de reprodução. - Induzem boa resposta imune e também apresentam mecanismos de escape longos períodos de parasitismo. CARACTERÍSTICAS GERAIS Introdução Sua existência é independente possuem diversas estruturas subcelulares ou organelas, com distintas características de organização e funções: Flagelo: Estrutura fina, filiforme, exterioriza-se em pontos definidos na célula de acordo com a espécie ou estágio do protozoário; Em algumas espécies o flagelo se une ao corpo do protozoário formando uma membrana ondulante; Cinetoplasto: organela citoplasmática estrutural e funcionalmente semelhante à mitocôndria, fornecimento de energia para a movimentação do flagelo. MORFOLOGIA E MOVIMENTAÇÃO Introdução MORFOLOGIA E MOVIMENTAÇÃO Introdução Cílio: estrutura muito fina, curtos, cada um dos cílios se origina num corpo basal; Revestem grande parte da estrutura corpórea, batem em uníssono promovendo movimento celular; - Podem auxiliar na alimentação do protozoário MORFOLOGIA E MOVIMENTAÇÃO Introdução - Pseudópodes: Prolongamentos citoplasmáticos; - O movimento se dá às custas do movimento do citoplasma do parasita; - Participa da atividade fagocitária. MORFOLOGIA E MOVIMENTAÇÃO Introdução REPRODUÇÃO - Assexuada: o núcleo se divide, formação das organelas e o citoplasma se divide. Pode ocorrer por fissão binária, múltipla ou por brotamento Fissão Binária a célula se divide em duas células iguais Introdução REPRODUÇÃO - Fissão múltipla o núcleo se divide várias vezes e a célula origina várias células menores - Esquizogonia: O núcleo e outras organelas essenciais se dividem várias vezes. Há formação do chamado esquizonte ou meronte, que contém estas células filhas que são denominadas de merozoítos (Eimeria sp.) Introdução REPRODUÇÃO Brotamento Externo ou interno Externo Duas células de tamanhos diferentes; - Interno ou endopoligenia: semelhante à esquizogonia, as células filhas são formadas dentro da célula mãe A formação da célula é concomitante com a do núcleo. A progênie é liberada pelo rompimento da célula mãe (Toxoplasma spp.) Introdução REPRODUÇÃO SEXUADA Gametogonia: Há produção de gametas sexuais (macrogametócito - feminino e microgametócitos- masculino); Fusão dos macrogametas com microgametas resulta em um zigoto diplóide, por exemplo: oocisto; Algumas espécies de protozoários possuem apenas a reprodução assexuada: fissão binária e outras possuem reprodução assexuada e sexuada. Leishmania spp. - As Leishmanias pertencem à classe Kinetoplasta; - São organismos ovoides que se instalam no interior dos macrófagos; - Os parasitas são encontrados no estágio amastigota, nas células do hospedeiro vertebrado, e no estágio promastigota no intestino do mosquito-palha (flebótomos); Flebotomíneos: Phlebotomus e Lutzomyia (A) Forma promastigota; (B) forma amastigota. Leishmania spp. Leishmania spp. No hospedeiro vertebrado Os amastigotas multiplicam-se por divisão binária; em seguida, abandonam o macrófago para infectar novas células; Os mosquitos-palha (flebótomos) podem ingerir amastigotas quando ficam ingurgitados com sangue de um hospedeiro infectado; No intestino do flebotomíneo, os amastigotas são liberados das células hospedeiras, sofrem várias alterações morfológicas, transformam-se na forma promastigota pró-cíclica flagelada e extracelular e multiplicam-se; Migração anterior dos promastigotas agora infectantes (metacíclicas) do intestino anterior aparelho bucal do vetor. Os promastigotas são injetados com saliva na pele de um hospedeiro vertebrado quando a fêmea alimenta-se novamente. Leishmania spp. Após inoculação no hospedeiro, os promastigotas perdem seus flagelos e transformam-se novamente em amastigotas; Quando o macrófago sofre ruptura, os amastigotas liberados penetram em outras células do hospedeiro e disseminam-se a partir do local de picada. Percorrem o corpo do hospedeiro, porém dirigem-se principalmente para os órgãos hemolinfáticos, tais como linfonodos, baço, medula óssea e fígado, bem como para áreas dérmicas remotas Leishmaniose cutânea ou visceral Leishmania Leishmania - Epidemiologia - A Leishmaniose é endêmica em 76 países e, no continente americano, está descrita em pelo menos 12. Na América Latina, aproximadamente 90% dos casos registrados são identificados no Brasil; - A doença vem sendo descrita em vários municípios brasileiros, apresentando mudanças importantes no padrão de transmissão, inicialmente predominando em ambientes silvestres e rurais e mais recentemente em centros urbanos; - Nos últimos anos, a letalidade vem aumentando gradativamente, variando de 3,1% a 7,1% em humanos; - Estima-se que a cada pessoa infectada haja cerca de 200 cães doentes Leishmania - A leishmaniose visceral uma enfermidade sistêmica infectocontagiosa dos seres humanos e animais que é causada por Leishmania infantum ; - Os canídeos selvagens e domésticos são os principais reservatórios para a LV humana. Aparentemente, não há predileção racial e sexual, e é raro o acometimento de animais com menos de 6 meses de vida; Baço, linfonodos, medula óssea e fígado para estabelecer a infecção sistêmica Os dados do histórico e do exame físico de cães com LV são numerosos e incluem linfadenomegalia, perda de peso, caquexia, apatia, febre, ceratoratoconjuntivite, blefarite, uveíte, anorexia, diarreia, vômito, melena, epistaxe, pneumonia, hepato e esplenomegalia, poliúria, polidipsia lesões cutâneas ocorrem em cerca de 80 a 90% dos casos de LV canina Leishmania Leishmania Leishmania Leishmaniose cutânea é descrita em cães provenientes de regiões endêmicas do Brasil e sua ocorrência relaciona-se com a infecção humana. A L. braziliensis é a principal responsável por essa apresentação da doença As lesões ulceradas ocorrem, com frequência decrescente, em pavilhão auricular, mucosa nasal, escroto e patas. A maioria dos cães exibe lesão única e apresenta boa condição geral. Leishmania Leishmaniose cutânea Leishmania Diagnóstico Leishmania - Diagnóstico Citologia de aspirado de linfonodo. Formas livres - amastigotas (seta) sugestivas de Leishmania sp. Leishmania - Tratamento A leishmaniose canina é mais resistente ao tratamento que a leishmaniose humana, e só raramente os protozoários são totalmente eliminados com fármacos disponíveis; As recidivas que exigem retratamento são a regra, mais do que a exceção, embora os cães frequentemente fiquem curados da doença clínica Leishmania - Prevenção Os esforços envidados para controle da leishmaniose nas populações caninas de países endêmicos são controversos e, em geral, não têm sido considerados bem-sucedidos; A pulverização contra os mosquitos-palha vetores e a erradicação de seus supostos locais de acasalamento têm eficácia limitada na prevenção da disseminação da doença; As picadas de mosquitos-palha podem ser reduzidas mantendo os cães dentro de casa durante a estação dos mosquitos, do entardecer ao amanhecer; Os inseticidas tópicos para proteger os cães contra picadas de mosquitos-palha incluem soluções, pipetas para aplicação no dorso (spot-on), sprays e coleiras. Leishmania - Prevenção Controle do ambiente Evitar que o habitat seja favorável ao desenvolvimento dos flebotomíneos; A futura utilização de uma abordagem de controle integrada, combinando a vacinação com a aplicação de inseticidas tópicos, poderá reduzir a carga de infecção em populações de cães nos países endêmicos. Giardia Giardia spp. é causa comum de diarreia crônica em humanos e animais domésticos e selvagens; O microrganismo é bilateralmente simétrico e possui oito flagelos, seis dos quais emergem como flagelos livres, espaçados, ao redor do corpo; É único por apresentar um grande disco aderente na superfície ventral achatada do corpo, que facilita sua fixação às células epiteliais da mucosa intestinal; As trofozoítas (forma infectante) de Giardia têm cerca 2 a 15 μm de comprimento e 5 a 9 μm de largura Giardia O gênero Giardia apresenta duas formas evolutivas: Trofozoíta: forma ativa e móvel. Essa forma é pouco resistente ao meio ambiente e é encontrada no intestino delgado de seus hospedeiros. Cisto: forma resistente ao meio ambiente, dependente das condições de temperatura e umidade. Tem forma ovoide, caracterizada pela presença de quatro núcleos Formas císticas (1) e trofozoíta (2) de Giardia sp. em exame direto de fezes corado com lugol. Giardia Giardia Ciclo biológico O ciclo evolutivo é simples e direto, o estágio trofozoíta se multiplica por meio de divisão binária e produz novas trofozoítas; De modo intermitente, as trofozoítas se encistam originando estágios de cistos resistentes que são excretados pelo hospedeiro, nas fezes Giardia Ciclo biológico Giardia Infecção assintomática é a condição mais comum; entretanto, principalmente em indivíduos jovens ou imunocomprometidos, pode ocorrer doença; Em cães e gatos, cuja enfermidade é mais importante, apesar de ser incomum, o principal sinal clínico é diarreia crônica intermitente, que pode persistir por vários meses; As fezes apresentam-se pastosas e mucosas, e, apesar da manutenção do apetite, animais doentes sofrem redução do ganho de peso ou mesmo perda de peso, o que sugere um processo de má absorção. Giardia As fezes apresentam-se pastosas e mucosas, e, apesar da manutenção do apetite, animais doentes sofrem redução do ganho de peso ou mesmo perda de peso, o que sugere um processo de má absorção; As fezes apresentam-se pastosas e mucosas, e, apesar da manutenção do apetite, animais doentes sofrem redução do ganho de peso ou mesmo perda de peso, o que sugere um processo de má absorção. Giardia Giardia Esfregaço direto Giardia Identificação de antígeno Giardia Para cães e gatos uso de metronidazol na dose de 25 mg/kg; duas vezes ao dia, durante sete dias; Outra opção terapêutica, é o albendazol na dose de 25 mg/kg; duas vezes ao dia, durante dois dia; Dieta balanceada e o uso de probióticos, podem auxiliar na redução da taxa de infecção, melhorando também os sinais de fraqueza e perda de peso do animal Tratamento Giardia Profilaxia Manter a limpeza do ambiente, lavar bem os alimentos e só beber água filtrada; O controle ambiental do protozoário inclui a limpeza criteriosa do local, e desinfecção com desinfetantes à base de amônia quaternária, deixando agir por pelo menos 40 minutos; O uso de água fervente no ambiente por 5 minutos também ajuda na inativação dos cistos; Outra medida profilática, é a vacinação contra a Giardia spp., que reduz a incidência, e diminui a fase de eliminação dos cistos no ambiente; Pode ser aplicada após os 60 dias de vida do animal duas doses, com intervalo de 14 a 28 dias da primeira dose, e deve-se fazer o reforço anual (ESTUDOS NOVOS) Toxoplasmose O Toxoplasma gondii é um coccídio parasito intracelular obrigatório que infecta praticamente todas as espécies de animais de sangue quente, inclusive seres humanos; Gatos domésticos e outros felídeos são hospedeiros definitivos que excretam oocistos. Todos os hospedeiros não felinos são hospedeiros intermediários que abrigam cistos teciduais; Foram notados três estágios infecciosos: esporozoítas em oocistos, taquizoítas (estágio de multiplicação ativa) e bradizoítas (estágio de multiplicação lenta) inclusos em cistos teciduais. Toxoplasmose Os oocistos são arredondados a ligeiramente ovais e medem 11 a 15 μm por 8 a 12 μm. Os oocistos esporulados contêm dois esporocistos elipsoidais cada um contendo quatro esporozoítas. Oocistos de Toxoplasma gondii em diferentes estágios A: Oocisto não esporulado; B: Oocisto esporulado com dois esporocistos – quatro esporozoítos (setas) são visíveis em um dos esporocistos; C: Oocisto esporulado com dois esporocistos e quatro esporozoítos. Toxoplasmose Os taquizoítas são encontrados em fase de desenvolvimento em vacúolos, em vários tipos celulares como fibroblastos, hepatócitos e células do miocárdio. Em qualquer uma das células pode haver 8 a 16 microrganismos, cada um medindo 6,0 a 8,0 μm. Toxoplasmose Os cistos teciduais, com até 100 μm de diâmetro, são encontrados principalmente no músculo, no fígado, no pulmão e no cérebro e podem conter vários milhares de bradizoítos em formato de lanceta. Toxoplasmose Ciclo biológico O hospedeiro final é o gato ou outros felídeos, no qual ocorre gametogonia; Vários mamíferos (e aves) atuam como hospedeiros intermediários, nos quais o ciclo é extraintestinal e resulta na produção de taquizoítas e de bradizoítos são as únicas formas encontradas nos hospedeiros não felinos; Os hospedeiros intermediários se infectam ao ingerir o alimento ou a água contaminados com oocistos esporulados O esporozoíta liberado penetra rapidamente na parede intestinal e se dissemina por via hematógena. Toxoplasmose Ciclo biológico Este estágio invasivo e proliferativo é denominado taquizoíta, o qual, ao penetrar na célula, se multiplica de modo assexuado por meio do mecanismo de brotamento, no qual dois indivíduos são formados no interior da célula-mãe; Quando se acumulam 8 a 16 taquizoítas a célula se rompe e novas células são infectadas Esta é a fase aguda da toxoplasmose; Na maior parte dos casos, o hospedeiro sobrevive e produz anticorpo, o que limita a invasão de taquizoítas e resulta na formação de cistos contendo milhares de microrganismos, os quais, devido à lentidão da divisão e do crescimento, são denominados bradizoítos. Toxoplasmose Ciclo biológico O cisto contendo bradizoítos é a forma latente, sendo a multiplicação refreada pela imunidade adquirida pelo hospedeiro; Se esta imunidade diminui, o cisto pode se romper e liberar bradizoítos, que se tornam ativos e retornam às características invasivas dos taquizoítas. Toxoplasmose Ciclo biológico O hospedeiro definitivo se infecta ao ingerir tecidos de animais contendo os taquizoítos ou os cistos (bradizoítos); No epitélio intestinal, ocorre a gametogonia, e o oocisto não esporulado vai ao ambiente com as fezes Em condições adequadas de temperatura, umidade e oxigenação, ocorre a esporulação, o que torna o oocisto infectante; Os felídeos podem se infectar por meio de oocistos, sem a necessidade de hospedeiro intermediário, daí serem também chamados de hospedeiros completos. Toxoplasmose Ciclo biológico Quando a infecção do felídeo ocorre por ingestão de presas infectadas ou carne com cistos ou pseudocistos, o ciclo assume um caráter heteróxeno facultativo, em que ocorrerá apenas a gametogonia no epitélio intestinal do hospedeiro final; Pode haver transmissão transplacentária, e os hospedeiros intermediários também podem se infectar por meio da ingestão de carne malcozida ou tecidos de presas com cistos do parasito Toxoplasmose Toxoplasmose Importância na Medicina Veterinária e Saúde pública - No hospedeiro intermediário, na fase aguda da infecção, podem ser observados febre, anorexia, prostração, fortes dores musculares, secreção ocular bilateral, distúrbios pulmonares e abortamento em humanos e ovinos; - Em humanos, as infecções congênitas podem determinar a hidrocefalia ou microcefalia fetal e complicações visuais. Toxoplasmose Importância na Medicina Veterinária e Saúde pública O que é importante lembrar? Só há risco para as gestantes se a primeira infecção por T. gondii ocorrer durante a gestação; Cães, pássaros e outros animais de estimação não transmitem a infecção, uma vez que são hospedeiros intermediários e, assim, não eliminam oocistos pelas fezes. Para que isso ocorresse, seria necessário ingerir a carne ou as vísceras desses animais; Toxoplasmose Importância na Medicina Veterinária e Saúde pública O que é importante lembrar? - Gatos sadios, alimentados com ração comercial, também não oferecem risco para os humanos e demais hospedeiros intermediários - Somente há risco se eles estiverem infectados e na fase aguda, quando eliminam oocistos com as fezes. Entretanto, como os gatos também desenvolvem imunidade contra T. gondii, não eliminam oocistos por mais que 2 semanas em toda a sua vida Toxoplasmose Importância na Medicina Veterinária e Saúde pública O que é importante lembrar? A maior fonte de infecção para humanos são carnes com cistos ou pseudocistos e ingeridas cruas ou malcozidas. Toxoplasmose Toxoplasmose Diagnóstico Citologia: É possível detectar taquizoítas em vários tecidos e líquidos corporais por citologia durante a doença aguda, mas são mais comuns nos líquidos peritoneal e torácico de animais que desenvolvem efusões torácicas ou ascite Exame fecal: Apesar da alta prevalência de anticorpos séricos em gatos de todo o mundo, a de oocistos de T. gondii em fezes é baixa; Normalmente os gatos eliminam oocistos apenas durante duas semanas, o que dificulta a identificação dessas estruturas Sorologia: A identificação de anticorpos tem sido a técnica mais utilizada, embora não seja considerada segura para a identificação de infecções recentes Toxoplasmose Tratamento Os fármacos disponíveis geralmente suprimem a replicação do T. gondii e não são completamente eficazes no sentido de matar o parasito. Toxoplasmose Prevenção A prevenção da toxoplasmose em gatos envolve medidas destinadas a reduzir a incidência de infecções em felinos e a subsequente eliminação de oocistos no ambiente; Filhotes de gatos que crescem soltos ao ar livre em geral se infectam logo após o desmame e quando começam a caçar; Animais de estimação devem ser impedidos de caçar e comer potenciais hospedeiros intermediários ou vetores mecânicos, tais como baratas, minhocas e roedores; Se lhes for dada carne, deve ser sempre bem cozida, mesmo que seja congelada antes de ser oferecida ao animal Toxoplasmose Prevenção Em humanos é essencial o adequado preparo de produtos de origem animal e consumo de água potável Higienização correta e segura dos ambientes onde os felinos habitam Ectoparasitas de importância Médica Veterinária Ectoparasitas Os artrópodes de interesse veterinário são alocados em dois grupos principais: Insecta e Arachnida; Em sua maioria, eles são ectoparasitas temporários ou permanentes, encontrados dentro ou sobre a pele, com exceção de algumas moscas, cujos estágios larvais podem ser encontrados em tecidos somáticos do hospedeiro; Insetos parasitas incluem moscas, piolhos e pulgas, enquanto os dois grupos de aracnídeos de importância veterinária são os carrapatos e os ácaros Moscas Classificação e características FILO – Arthropoda CLASSE – Insecta ORDEM - Diptera - Os insetos são artrópodes com o corpo dividido em três regiões bem distintas: cabeça, tórax e abdome. - Por terem três pares de pernas, são também conhecidos por hexápodes. Moscas Classificação e características Adultos geralmente apresentam um ou dois pares de asas. Alguns insetos são ápteros; A respiração é traqueal; O orifício genital está situado na extremidade posterior do abdome, e o corpo tem simetria bilateral; Os olhos compostos são formados por centenas de omatídeos, que tornam a visão dos insetos bastante ampla Moscas Classificação e características Os insetos são, na maioria, ovíparos, porém existem algumas espécies vivíparas Os ovos são ovais, esféricos ou alongados, mas há fêmeas que põem ovos em forma de tonel ou de disco. A casca que envolve o ovo varia em espessura, forma e cor, dependendo da ordem do inseto Moscas Classificação e características Postura É realizada em locais propícios para o desenvolvimento das formas imaturas. Algumas espécies põem ovos isolados uns dos outros, enquanto outras põem os ovos aglomerados. Mudas Durante o desenvolvimento do ovo até o estágio adulto, o inseto sofre uma série de transformações, com eliminação e renovação da cutícula (ecdise), fenômeno conhecido por metamorfose. Estágio É a forma dos insetos entre duas mudas. Para o inseto crescer, tem que mudar a cutícula do estágio anterior. Na forma imatura, são chamados de ninfas ou larvas. Moscas Ciclo biológico Ciclo evolutivo da mosca Stomoxys calcitrans, mostrando a metamorfose holometabólica, com os ovos dando origem às larvas, pupa e, por fim, o adulto com capacidade reprodutiva. Musca domestica (mosca doméstica) Características morfológicas - Tamanho: ± 9 mm; O tórax é cinza, com quatro listras longitudinais escuras e largas no dorso; Os lados do abdome têm cor amarelada na metade basal; - Aparelho bucal com palpos maxilares médios e labela com pseudotraqueias (liquefaz o alimento sólido) Musca domestica. Tem quatro listras negras no tórax (1), lados do abdome amarelados (2) e nervura mediana 1 (M1) da asa curvada (3). Musca domestica (mosca doméstica) Ciclo biológico - A Musca é atraída pelo alimento humano, mas também é encontrada em excrementos e locais com concentração de matéria orgânica (lixo, estações de tratamento de efluentes, jardins que recebem adubação orgânica, resíduos de matérias-primas açucaradas); - Sob condições favoráveis, as fêmeas tornam-se receptivas para cópula aproximadamente 36 h após a emergência da pupa. Durante o processo de cópula, as asas dos machos promíscuos rapidamente se desgastam pela ação vigorosa das fêmeas resistindo ao galanteio; - A postura é feita 4 dias após a cópula e são depositados 75 a 150 ovos por vez, em um total de 3 a 6 posturas. Uma fêmea pode depositar 350 a 900 ovos durante toda a sua vida Musca domestica (mosca doméstica) Ciclo biológico - A postura é feita em fezes e material orgânico em decomposição e a incubação dos ovos ocorre, em média, em 24 h. Em temperatura de 32 a 35°C, o período de incubação é de 8 a 12 h e, em 23 a 26°C, é de 3 a 4 dias; Os ovos eclodem as larvas L1, que passam a L2 e L3, levando em torno de 1 a 3 semanas para passar de L1 a L3, dependendo do substrato e da temperatura ambiente. A umidade é importante no desenvolvimento das larvas; Se, após a eclosão, não penetrarem no substrato (fezes e lixo), dessecam pela ação dos raios solares Musca domestica (mosca doméstica) Ciclo biológico - O período pupal dura em torno de 14 a 28 dias, mas, no verão, em temperaturas elevadas, ocorre entre 4 e 5 dias - A temperatura é fator limitante para a mosca. O tempo de vida dos adultos é, em média, de 30 dias no verão. A 30°C, a evolução do ovo a adulto é de 10 dias e, a 16°C, é de 46 dias. Além disso, só 10% dos ovos chegam a adulto, também devido à temperatura. Musca domestica (mosca doméstica) Importância em Medicina Veterinária e Saúde Pública Transporte de microrganismos que levam à febre tifoide, disenteria, cólera e mastite bovina, de protozoários, como Entamoeba sp. e Giardia sp., e helmintos, como Taenia sp. e Dipylidium caninum. É também veiculadora de Dermatobia hominis; Durante sua alimentação, a mosca regurgita sobre os alimentos e patógenos podem ser transmitidos a eles pela gota de vômito eliminada na regurgitação - Hospedeiro intermediário de endoparasitos como Habronema sp. em cavalos. Dermatobia hominis (mosca do berne) Mosca do gênero Dermatobia, com tórax acinzentado e abdome metálico azul-escuro (1). Características morfológicas - Adulto com comprimento de 12 mm; Adultos com cabeça e tórax castanhos e abdome azul metálico; - A larva tem espinhos e ganchos somente na parte mais larga do corpo; - Pernas amarelas. Hospedeiros: Mamíferos, dentre os quais os mais importantes são os bovinos e os cães. Dermatobia hominis (mosca do berne) Características morfológicas Larva de Dermatobia hominis. Aparelho bucal (1), espinhos (2) e parte posterior sem espinhos (3). Pupa do gênero Dermatobia com tufos amarelados característicos na parte posterior (espiráculo respiratório) Dermatobia hominis (mosca do berne) Ciclo biológico Os insetos adultos do gênero Dermatobia vivem em ambiente silvestre (florestas, matas, fazendas ou beira de rio); As moscas, que são 2 a 3 vezes maiores que a mosca doméstica, têm uma reprodução constante, porque têm poucos dias de vida, já que não apresentam aparelho bucal funcional; Não vão aos animais, mas depositam uma massa de ovos (um ovo por segundo) no abdome de vetores foréticos – insetos zoofílicos, como mosquitos e moscas (p. ex., Musca domestica e Stomoxys calcitrans) – e estes levam os ovos operculados até os animais; A fêmea pode fazer várias posturas parceladas, em um total de até 800 ovos. Dermatobia hominis (mosca do berne) Ciclo biológico Quando o ovo entra em contato com a pele do hospedeiro, o opérculo se abre e a larva projeta uma parte de seu corpo de dentro do ovo. Se não consegue alcançar o hospedeiro, volta para dentro do ovo e o opérculo se fecha. Em torno de 7 dias as larvas eclodem (por estímulo térmico, a larva abre o opérculo) e penetram na pele íntegra; As larvas têm espinhos somente em metade do seu corpo, para fixação na pele, e ficam posicionadas quase horizontalmente no tecido subcutâneo, com seus estigmas respiratórios localizados em um orifício de comunicação com o exterior; Em média, após 40 dias, as larvas L3 caem no chão, transformam-se em pupas, que não se alimentam, e, após 34 a 78 dias, viram adultos; As moscas alcançam a maturidade sexual cerca de 1,5 a 4 h após a emergência Dermatobia hominis (mosca do berne) Ciclo biológico Dermatobia hominis (mosca do berne) Importância na Medicina Veterinária A forma larvar desta mosca é parasito obrigatório de tecidos subcutâneos de vários mamíferos, domésticos e silvestres, inclusive humanos; Nestes hospedeiros, as larvas do inseto determinam um tipo de inflamação nodular conhecida como berne ou dermatobiose; Não costuma provocar grandes danos, mas pode ser um fator estressante para os animais e prejudicar a qualidade do couro nos animais comercializados para este fim. Dermatobia hominis (mosca do berne) Controle É feito principalmente nos insetos vetores e pode ser: - Químico: com o uso de inseticidas tópicos, injetáveis - Biológico: predadores (formigas, ácaros, pássaros), fungos (Metarhizium, Beauveria) e bactérias (Bacillus thurigiensis) - Manejo integrado: uso de inseticida e criação de raças resistentes (zebu). Stomoxys calcitrans (mosca-dos-estábulos) Características morfológicas Aparelho bucal com palpos curtos; Lembra a mosca doméstica, porém tem uma probóscida afilada escura usada para picar a pele e sugar o sangue; Apresenta um abdome mais largo do que o da Musca, com manchas no dorso Aparelho bucal picador de Stomoxys calcitrans com probóscida longa (1) e palpos muito pequenos (2). Stomoxys calcitrans (mosca-dos-estábulos) Ciclo biológico - Têm preferência por equídeos, mas alimentam-se em uma grande variedade de animais, como bovinos, suínos, cães e humanos. Durante o seu estágio adulto, são feitos vários repastos sanguíneos, e uma mosca alimenta-se de vários hospedeiros em um dia - Depois de ingurgitados, tanto macho quanto fêmea ficam lentos enquanto digerem o repasto sanguíneo - Os lugares onde são mais comumente encontrados são: cercas e paredes de casas e de estábulos. Quando são perturbadas, geralmente voam e retornam ao mesmo local Stomoxys calcitrans (mosca-dos-estábulos) Ciclo biológico - Essas moscas têm hábito diurno e localizam o hospedeiro por meio do gás carbônico expelido pela respiração. Preferem se alimentar nas partes baixas do animal, como pernas e abdome; - O desenvolvimento do ciclo, de ovo até adultos, é de 30 dias no verão, e a postura é de 25 a 30 ovos por vez. A incubação é de 1 a 4 dias, e o tempo de L1 a L3 é de aproximadamente 20 dias. O período pupal é de 14 dias no verão e de 3 a 4 meses no inverno. Stomoxys calcitrans (mosca-dos-estábulos) Ciclo biológico Stomoxys calcitrans (mosca-dos-estábulos) Importância em Medicina Veterinária e Saúde Pública Provoca anemia nos animais e é a principal mosca veiculadora de ovos de Dermatobia hominis; Transmite mecanicamente o T. evansi, atua como hospedeiro intermediário do Habronema sp., é transmissora de anemia infecciosa equina e causa irritação no animal parasitado, que não se alimenta direito e tem perda de peso; Cães costumam ser picados na região das orelhas, o que leva a uma lesão que pode favorecer o estabelecimento de miíases e a formação de oto-hematoma Cão parasitado por Stomoxys calcitrans nas orelhas (1). Haematobia irritans (Mosca dos chifres) Características morfológicas Tamanho de ± 6 mm; - Aparelho bucal com palpos longos, quase do tamanho da probóscida, e dilatados na extremidade Haematobia irritans (mosca do chifre) com palpos longos (1) quase do tamanho da probóscida (2). Haematobia irritans (Mosca dos chifres) Ciclo biológico As larvas eclodem em 24 h e desenvolvem-se durante 3 dias; mudam para pupas e, após 6 dias, emergem os adultos (moscas), que ficam posicionados de cabeça para baixo no corpo dos animais; As fêmeas só saem do hospedeiro para fazer postura em fezes frescas de bovino, onde põem até 180 ovos de cada dez. Todo o desenvolvimento é nas fezes (ovo até adulto); O ciclo é curto, de 16 dias (no verão, completa o ciclo em 8 a 9 dias). A mosca adulta vive em torno de 20 a 50 dias. Haematobia irritans (Mosca dos chifres) Importância em Medicina Veterinária e Saúde Pública Alimenta-se o tempo todo, causando anemia no bovino. Em 30 dias, podem ocorrer perdas de até 40 kg de peso no animal parasitado se houver cerca 500 moscas sobre ele. Também é veiculadora de ovos de D. hominis e prefere parasitar animais mais escuros. Cochliomyia hominivorax (mosca da bicheira) Características morfológicas - Basicosta da asa de cor preta; - Parte inferior da parafrontália com pelos pretos; - Larva com troncos traqueais pigmentados e alongados Cochliomyia hominivorax Ciclo biológico Os adultos, macho e fêmea, têm hábito diurno e podem voar mais de 40 km de distância. Ambos os sexos têm aparelho bucal lambedor e se alimentam de açúcares vegetais (néctar); a fêmea também pode se alimentar de exsudado de lesão cutânea e secreções de mucosa de mamíferos; Os adultos (medem 8 a 10 mm) têm maturidade sexual após 36 a 48 h da saída do pupário. Embora o macho realize vários coitos, a fêmea só copula uma vez (tempo médio de 2,6 min) durante a vida. Temperaturas abaixo de 15°C e superiores a 43°C não são favoráveis para a cópula; Após a fertilização, a fêmea inicia a postura em 4 a 5 dias, fazendo posturas parceladas, de até 300 ovos de cada vez, em um total de 2.500 ovos durante toda a vida. Cochliomyia hominivorax Ciclo biológico A postura dos ovos depende da espécie de Cochliomyia e pode ser realizada sobre matéria orgânica em decomposição, cadáveres (C. macellaria) ou em lesões nos animais vivos (C. hominivorax); Os ovos ficam incubados por 16 a 24 h e, em seguida, as L1 eclodem; após 2 dias, passam a L2 e, em 3 dias, desenvolve-se a L3. A L3, após 3 dias, deixa a matéria orgânica e se esconde para pupar; Após 7 a 10 dias de pupação, emergem os adultos. A longevidade dos machos é de 25 dias e a das fêmeas é de 35 dias, mas pode variar conforme a temperatura; O ciclo total (de ovo até a fêmea fazer postura) dura em torno de 2 semanas no verão. Cochliomyia hominivorax Importância em Medicina Veterinária e Saúde Pública Além de serem causadoras de miíases primárias (C. hominivorax) ou secundárias (C. macellaria), são veiculadoras de patógenos; Miíases são a infestação de vertebrados vivos com larvas de dípteros que, em certos períodos, alimentam-se dos tecidos vivos ou mortos do hospedeiro, de suas substâncias corporais líquidas ou do alimento por ele ingerido. Cochliomyia hominivorax Controle Esterilização de machos de C. hominivorax com raios gama. Assim, machos estéreis copulam com fêmeas, que fazem postura de ovos inférteis, o que, em longo prazo, acaba com a população de moscas; Toda lesão na pele de humano ou animal deve ser tratada com repelente e cicatrizante, pois a C. hominivorax coloca seus ovos em feridas abertas e/ou secreções. Pulgas Classificação e características FILO – Arthropoda CLASSE – Insecta ORDEM - Siphonaptera (Siphon = sifão; A = ausência; Pteros = asas) Pulgas Classificação e características - Nome vulgar: pulgas; - Não têm asas - Achatadas lateralmente, o que facilita o andar pelos animais; - Corpo revestido de espessa quitina escorregadia e cerdas voltadas para trás, que auxiliam a pulga a deslizar entre as penas e os pelos dos hospedeiros e a impossibilitam de andar para trás; Pernas longas, principalmente as posteriores, adaptadas para o salto O aparelho bucal das larvas é mastigador e, nos adultos, é picador-sugador (hematófago) Pulgas Classificação e características Os machos são menores e têm a parte posterior do abdome elevada, enquanto as fêmeas têm a parte posterior do abdome arredondada. Na cópula, a fêmea sobe no macho e o ato pode durar várias horas. Macho de Pulex irritans. Fêmea de Pulex irritans. Pulgas Ciclo biológico O desenvolvimento do ciclo de vida depende das condições de temperatura e umidade, mas, no verão, completa-se em 21 dias; As fêmeas podem ser copuladas por vários machos e, depois de alimentarem-se de sangue, fazem a postura diária de 3 a 18 ovos; O número total de ovos pode chegar a centenas, dependendo da espécie; Os ovos das pulgas são brancos, grandes (0,3 a 0,7 mm) e visíveis a olho nu sobre fundo escuro; A postura é parcelada e preferencialmente ocorre nos lugares onde os hospedeiros costumam se deitar. Pulgas Ciclo biológico Quando os ovos são postos nos pelos ou nas penas do hospedeiro, não se fixam e caem ao solo; As larvas eclodem, em média, em 5 dias, e saem do ovo por uma abertura na cápsula cefálica. As larvas são vermiformes, esbranquiçadas, ápodas e apresentam aparelho mastigador; Alimentam-se de sangue digerido, seco, eliminado com as dejeções das pulgas adultas, de matéria orgânica e de microrganismos presentes no ambiente. Pulgas Larva de pulga retirada do ambiente. Pulgas Ciclo biológico Em condições favoráveis de temperatura e umidade, a larva transforma-se em pupa em 7 a 15 dias, mas, no inverno ou na falta de alimento, esse estágio pode prolongar-se por até 200 dias; A primeira muda ocorre entre o 3 º e o 7º dia após a eclosão, e a segunda muda em 3 a 4 dias. Após 1 a 2 semanas de vida, a larva tece um casulo viscoso (com cerca de 4 mm de comprimento), que, no ambiente, fica camuflado pela poeira, sendo essa a terceira e última muda, chamada de pupa; A fase de pupa dura de 5 a 10 dias, mas pode chegar a mais de 1 ano se as condições ambientais forem desfavoráveis. Pulgas Ciclo biológico As pulgas adultas permanecem no casulo até sentirem a presença do hospedeiro por meio da liberação de gás carbônico e de vibrações; Após saírem da pupa, algumas espécies de pulgas adultas podem sobreviver até 125 dias sem alimento e 513 dias com alimento disponível; Costumam alimentar-se 2 a 3 vezes/dia e cada repasto dura em torno de 10 min. Pulgas Ciclo biológico Gêneros de importância na Medicina Veterinária: Pulex, Xenopsylla, Ctenocephalides e Tunga. Pulgas Tunga penetrans É vulgarmente chamado de bicho de pé; É a menor pulga que existe (1 mm); - Preferem humanos e suínos, mas há relatos em bovinos, caninos, felinos, tatus e roedores - Essas pulgas costumam ser frequentes em ambientes secos e arenosos. Macho de Tunga penetrans, em que se observam os três segmentos torácicos do tamanho de um segmento abdominal (1) e a fronte arrebitada (2) Pulgas Tunga penetrans – Ciclo Biológico As fêmeas, somente depois de fecundadas, introduzem-se na pele (pode ser em qualquer lugar, mas a preferência são os dedos do pé, junto ao canto das unhas) do hospedeiro e deixam apenas a região posterior do abdome em contato com o meio externo, onde se encontra a abertura do ovipositor; Pulgas Tunga penetrans – Ciclo Biológico Após a fêmea sugar sangue do hospedeiro, inicia-se o desenvolvimento dos ovos (em torno de 100), que permanecem no abdome da pulga até que ela alcance o tamanho de uma ervilha. Os ovos são expelidos para o meio externo pela abertura do ovipositor. Fêmea de Tunga penetrans retirada da pele de um hospedeiro. Cabeça (1) e abdome (2). Pulgas Tunga penetrans – Ciclo Biológico - Depois de ovipositar, a pulga murcha e cai ao solo ou é expelida pelo processo inflamatório que se forma no local da penetração; - Dos ovos, após 3 a 4 dias, eclodem as larvas, que passam a pupas, que, por sua vez, tornam-se adultos em 2 a 3 semanas. - Ciclo completo: em torno de 30 dias. Machos e fêmeas não fertilizadas sugam intermitentemente seu hospedeiro. Pulgas Tunga penetrans – Ciclo Biológico Pulgas Tunga penetrans – Importância na Medicina veterinária e saúde pública - No início da penetração, ocorre um leve prurido, mas, com o intumescimento do abdome do inseto, surge a sensação dolorosa. A Tunga provoca feridas que propiciam o desenvolvimento de outros agentes: bactérias e fungos - A presença da fêmea no interior do tecido dos pés provoca dificuldade de locomoção, podendo causar alterações articulares e evolução do quadro para necrose, gangrena e amputação de dedos e pés; - Em animais, há relatos de automutilação decorrente do desconforto produzido pelos insetos; - Em bovinos, há descrição dessas pulgas penetrando em casco de vacas leiteiras, produzindo lesões e dor local. Pulgas Tunga penetrans – Importância na Medicina veterinária e saúde pública Pulgas Tunga penetrans – Controle Hospedeiros - Deve ser feita a retirada do inseto por meios mecânicos. Usa-se uma agulha esterilizada, procurando alargar a abertura da cavidade onde está o inseto para que ele saia inteiro. A destruição no interior da pele pode causar uma infecção; - Depois da retirada da pulga, o local deve ser tratado com iodo; - O uso de calçados e a orientação da população são meios importantes para reduzir a infestação. Pulgas Tunga penetrans – Controle Ambiente - Pulverização de inseticidas deve ser feita nos locais ao redor das casas onde há solo de areia ou argila; - Como a maioria dos produtos químicos só matam larvas e adultos (ovos e pupas não são atingidos), as pulverizações devem ser repetidas a cada 15 dias para cortar o ciclo do parasito (três a quatro aplicações); - O controle deverá ser realizado em todas as casas, inclusive nas desabitadas, em terrenos baldios e em ruas para evitar a presença de focos que possam vir a desencadear nova infestação. Pulgas Tunga penetrans – Controle Pulgas Gênero Ctenocephalides Espécies Ctenocephalides canis e C. felis; Hospedeiros: Já foram relatadas em várias espécies animais, mas têm preferência por cão e gato, sendo a espécie mais encontrada em ambos a C. felis; Pulgas Gênero Ctenocephalides - Têm olhos - Apresentam ctenídios pronotal e genal - A cabeça de C. canis tem a fronte arredondada e mais alta que a de C. felis. O primeiro segmento do ctenídio genal é mais curto que os demais; - A cabeça de C. felis tem fronte oblíqua, mais longa e baixa que a de C. canis. - Há oito segmentos do ctenídio genal, e o primeiro pode ser levemente menor que os demais ou do mesmo tamanho Pulgas Gênero Ctenocephalides Primeiro dente do ctenídio genal (1) e ctenídio pronotal (2) de Ctenocephalides canis. Primeiro dente (1) do ctenídio genal de Ctenocephalides felis. Pulgas Gênero Ctenocephalides – Ciclo Biológico Os machos e as fêmeas copulam. A fêmea tem uma espermateca, onde armazena os espermatozoides, o que possibilita que ela, com apenas uma cópula, faça várias posturas. A forma da espermateca é utilizada para identificação de espécie. Ctenocephalides fêmea. Espermateca (seta). Pulgas Gênero Ctenocephalides – Ciclo Biológico - A oviposição é feita tanto no hospedeiro quanto no ambiente e, neste, eclodem as larvas, que permanecem no solo se alimentando de detritos e fezes das pulgas adultas (as larvas não são hematófagas); - As larvas produzem uma substância gosmenta, que formará o pupário, e essa pupa é o processo de transição de larva para adulto. A pupa não se alimenta; - Dela originam-se os adultos machos e fêmeas, que são hematófagos. Quanto mais quente, mais acelerado é o ciclo (pode ser de 21 a 150 dias); - As pulgas têm grande resistência à inanição (podem ficar cerca de 30 a 50 dias sem se alimentar) e têm preferências, mas não especificidade. Pulgas Gênero Ctenocephalides – Importância A ação irritante da saliva do inseto pode causar reação alérgica cutânea em hospedeiros sensíveis. Essas pulgas são hospedeiras intermediárias de cestódios, como Dipylidium; Já foram isolados vários organismos patogênicos desse inseto, como riquétsias, bactérias e vírus. Pulgas Gênero Ctenocephalides – Controle - Deve-se tratar não só o animal, mas também o ambiente, pois em torno de 95% das pulgas estão no ambiente e 5% no hospedeiro - É importante aspirar o ambiente para capturar o maior número de ovos e pupas, que não são atingidos pela maioria dos produtos químicos - Lavar o ambiente infestado com inseticida para matar as larvas e os adultos - Banhar o animal com inseticida para eliminar as pulgas adultas presentes e, após o banho, utilizar um produto antipulgas com período residual de pelo menos 1 mês (produtos spot on, orais) - Todo material que entrar em contato com o animal, como mantas, paninhos e almofadas, deve ser lavado, fervido ou substituído. Pulgas Pulex irritans - Têm preferência pelo ser humano, mas já foram relatados em várias espécies animais, como canídeos, felinos, aves e roedores. Características morfológicas - Não apresentam ctenídios genal e pronotal - Têm cerda anterior ao olho e uma cerda occipital Cerda anterior ao olho (1) e cerda occipital (2) da cabeça de Pulex irritans. Pulgas Pulex irritans – Ciclo biológico - A fêmea fertilizada vai procurar o hospedeiro para sugar sangue até distender o seu abdome (fica parecendo uma ervilha); depois disso, ela libera os ovos no ambiente; - Os ovos passam a larvas, pupas e adultos, machos ou fêmeas os quais só permanecem no hospedeiro para se alimentar. - Essa pulga utiliza estábulos para colonização e ocorre principalmente em ambientes onde as condições de higiene são precárias. Pulgas Pulex irritans – Ciclo biológico Pulgas Pulex irritans – Importância Além do incômodo ocasionado pela picada, enzimas contidas na saliva da pulga podem produzir uma reação alérgica nos hospedeiros sensíveis, causando muito prurido; Pode ser vetor de uma variedade de doenças e, embora não seja o principal gênero responsável por transmitir a peste bubônica, a pulga humana é capaz de transmitir o patógeno; Pulgas Pulex irritans – Importância Dermatite alérgica a pulgas. Região caudodorsal apresentando discreta alopecia e eritema Pulgas Pulex irritans – Controle Semelhante ao recomendado para Ctenocephalides sp. - Limpeza das habitações, com retirada do acúmulo de poeira e detritos de frestas no assoalho, carpetes e tapetes e vedação de frestas no piso e rodapé - Higiene das pessoas e tratamento dos animais. Carrapatos FILO – Arthropoda CLASSE – Arachnida ORDEM - Metastigmata Carrapatos Principais características: - Fêmeas com área porosa na base do capítulo; - Carrapatos com escudo dorsal cobrindo toda a face dorsal no macho e somente um terço da face dorsal da fêmea, ninfa e larva; - Dimorfismo sexual nítido (machos com escudo completo e fêmeas com escudo incompleto na face dorsal do corpo; Carrapatos Principais características: Fêmea de Amblyomma com áreas porosas (1), escudo incompleto (2) e olhos (3). Escudo dorsal completo (1) e festões (2) de macho de carrapato do gênero Amblyomma. Carrapatos Principais características: Orifício genital nos adultos ingurgitados (cheios de sangue), localizado entre as patas I e II e, quando não estão ingurgitados, entre as patas II e III Orifício genital (1), ânus (2), abertura do estigma (3) de Amblyomma. Carrapatos Ciclo Geral As fêmeas, após se destacarem dos hospedeiros, procuram um abrigo próximo ao solo, onde põem, em média, 3 mil ovos (esse número varia dependendo do gênero do carrapato); A postura é contínua e dura vários dias. Terminada a oviposição, as fêmeas morrem (são chamadas de quenóginas). Os ovos são castanhos, esféricos e pequenos e o período de incubação varia de 17 a 60 dias Postura de carrapato Carrapatos Ciclo Geral O desenvolvimento do ovo até o adulto depende muito das condições de temperatura. As baixas temperaturas prolongam os estágios de desenvolvimento - Durante o desenvolvimento, os carrapatos passam pelos estágios de larva hexápode ninfa octópoda e adultos, macho e fêmea Larva de carrapato montada em lâmina mostrando os três pares de patas. Órgão de Haller (1) Carrapatos Ciclo Geral As larvas (neolarvas) que estão no meio ambiente sobem pelas gramíneas e pelos arbustos, esticam o primeiro par de patas, onde está o órgão de Haller, órgão sensorial utilizado na detecção de hospedeiros, e esperam a passagem do hospedeiro, para o qual se transferem; Após sugar o plasma sanguíneo dos hospedeiros durante alguns dias, a larva ingurgitada passa a se chamar metalarva, muda a cutícula e se transforma em ninfa (neoninfa); Esta, que é octópoda, espera alguns dias para o enrijecimento da cutícula, ingurgita-se de sangue (metaninfa) e muda novamente de cutícula, transformando-se em adulto, macho imaturo ou fêmea imatura Carrapatos Ciclo Geral Estando aptos para a cópula, a fêmea passa a ser chamada de partenógina, e o macho, de gonandro, na maioria dos gêneros, copulam sobre o hospedeiro; - Não há aparelho copulador; o macho transfere seus espermatóforos para a abertura genital da fêmea por meio do seu aparelho bucal. Copula com a fêmea durante vários dias, sendo comum encontrá-lo embaixo da fêmea quando esta é removida do hospedeiro Carrapatos Ciclo Geral As fêmeas ingurgitam-se de sangue e passam a se chamar teleóginas, desprendem-se do hospedeiro e, no solo, após um período de pré-oviposição (3 a 20 dias), iniciam a ovipostura, que é contínua e pode durar de 2 semanas a 2 meses, dependendo da temperatura e da umidade; Teleógina de carrapato. Abertura genital (1), ânus (2). - Os machos permanecem mais tempo no hospedeiro e copulam com várias fêmeas - O tempo de duração de cada fase de vida varia de acordo com a espécie de carrapato e as condições climáticas Carrapatos Importância Podem ser transmissores de agentes patogênicos, provocar reações cutâneas e causar anemia Rhipicephalus sanguineus Hospedeiros: Parasito de cães, mas pode parasitar também gatos e carnívoros silvestres. Rhipicephalus (Boophilus) microplus Hospedeiros: Bovídeos, mas pode ser encontrado em outros hospedeiros domésticos e silvestres. Carrapatos Importância Podem ser transmissores de agentes patogênicos, provocar reações cutâneas e causar anemia Amblyomma cajennense (chamado de carrapato-estrela) Hospedeiros: Parasita a maioria dos animais domésticos e silvestres; pode parasitar o ser humano. Carrapatos Controle CÃES - Aplicação de banhos carrapaticidas nos cães, repetindo-se o tratamento 2 ou 3 vezes, com intervalos de 14 dias, ou utilização de produtos sistêmicos spot on em intervalos de 30 a 45 dias - Manter o ambiente limpo e com vegetação baixa para que os ácaros não tenham refúgio e a incidência dos raios solares desseque as larvas - Higiene e aplicação de acaricidas nas paredes, teto e piso das instalações - Higiene e isolamento dos cães. Carrapatos Controle Bovinos - Limpeza das pastagens: a mudança de vegetação por meio de calagem e gradagem do solo diminui consideravelmente a quantidade de larvas na pastagem. A limpeza, com corte de pastos e de arbustos (abrigos naturais das larvas), contribui para a diminuição da infestação dos rebanhos; - Rotação das pastagens: consiste na mudança dos rebanhos para novas pastagens em épocas estratégicas, de acordo com a biologia do carrapato. A pastagem deve permanecer em descanso no período da primavera e verão (pelo menos 60 dias no verão) até que as larvas morram por falta de alimentação; - Controle biológico: Há vários microrganismos utilizados para o controle de carrapatos. image1.png image2.jpeg image3.gif image4.jpeg image5.png image6.png image7.jpeg image8.jpeg image9.gif image10.png image11.jpeg image12.png image13.png image14.jpeg image15.jpeg image16.png image17.jpeg image18.png image19.png image20.png image21.png image22.png image23.png image24.png image25.jpeg image26.png image27.png image28.png image29.png image30.png image31.png image32.png image33.png image34.png image35.jpeg image36.png image37.png image38.png image39.png image40.png image41.png image42.png image43.jpeg image44.png image45.jpeg image46.jpeg image47.png image48.png image49.png image50.jpeg image51.jpeg image52.png image53.png image54.png image55.png image56.png image57.gif image58.png image59.jpeg image60.png image61.png image62.jpeg image63.png image64.png image65.jpeg image66.png image67.png image68.png image69.png image70.jpeg image71.png image72.jpeg image73.png image74.png image75.jpeg image76.png image77.jpeg image78.png image79.png image80.png image81.png image82.png image83.gif image84.png image85.jpeg image86.png image87.png image88.png image89.png image90.png image91.png image92.jpeg image93.jpeg image94.png