Prévia do material em texto
Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 Autor: Paulo H M Sousa 07 de Janeiro de 2023 05218773182 - Isabelle Timo Paulo H M Sousa Aula 04 Índice ..............................................................................................................................................................................................1) Fato jurídico - Disposições gerais 4 ..............................................................................................................................................................................................11 ..............................................................................................................................................................................................28 ..............................................................................................................................................................................................33 ..............................................................................................................................................................................................38 ..............................................................................................................................................................................................40 ..............................................................................................................................................................................................48 ..............................................................................................................................................................................................51 ..............................................................................................................................................................................................54 ..............................................................................................................................................................................................10) Fato jurídico - Da representação 56 ..............................................................................................................................................................................................11) Fato jurídico - Da condição, termo e do encargo 57 ..............................................................................................................................................................................................60 ..............................................................................................................................................................................................66 ..............................................................................................................................................................................................71 ..............................................................................................................................................................................................73 ..............................................................................................................................................................................................16) Lista de Questões - Condição, termo e encargo - Multibancas 86 ..............................................................................................................................................................................................17) Questões Comentadas - Condição, termo e encargo - Multibancas 92 ..............................................................................................................................................................................................105 ..............................................................................................................................................................................................110 ..............................................................................................................................................................................................20) Fato jurídico - Dos defeitos do negócio jurídico 115 ..............................................................................................................................................................................................120 ..............................................................................................................................................................................................135 ..............................................................................................................................................................................................140 ..............................................................................................................................................................................................153 ..............................................................................................................................................................................................157 ..............................................................................................................................................................................................179 ..............................................................................................................................................................................................185 ..............................................................................................................................................................................................219 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 2 368 Paulo H M Sousa Aula 04 Índice ..............................................................................................................................................................................................29) Fato jurídico - Da invalidade do negócio jurídico 236 ..............................................................................................................................................................................................245 ..............................................................................................................................................................................................253 ..............................................................................................................................................................................................255 ..............................................................................................................................................................................................271 ..............................................................................................................................................................................................274 ..............................................................................................................................................................................................293 ..............................................................................................................................................................................................299 ..............................................................................................................................................................................................310 ..............................................................................................................................................................................................38)Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 28 368 2 5 4. (CEBRASPE/ Auditor Fiscal - 2020) Com base no Código Civil, julgue os itens a seguir. Negócio jurídico celebrado por pessoa menor de dezesseis anos de idade é anulável. 5. (CEBRASPE – TJAM – 2019) Por necessidade de salvar pessoa de sua família de grave dano iminente, Celso assumiu obrigação excessivamente onerosa com determinada sociedade empresária. Posteriormente, ajuizou ação judicial requerendo a anulação do negócio jurídico por vício de consentimento. Considerando essa situação hipotética, julgue os itens seguintes. A anulação do referido negócio jurídico depende da demonstração de que a sociedade empresária tinha conhecimento da situação de grave risco vivenciada pelo familiar de Celso. 6. (CEBRASPE – TJAM – 2019) Por necessidade de salvar pessoa de sua família de grave dano iminente, Celso assumiu obrigação excessivamente onerosa com determinada sociedade empresária. Posteriormente, ajuizou ação judicial requerendo a anulação do negócio jurídico por vício de consentimento. Considerando essa situação hipotética, julgue os itens seguintes. Segundo a doutrina civilista, ainda que demonstrados os requisitos necessários para caracterizar o vício de consentimento, será possível que, em vez da anulação do negócio jurídico, seja realizada a sua revisão com o devido reequilíbrio econômico-financeiro. 7. (CEBRASPE – TCE/RO -2019) É nulo negócio jurídico celebrado a) sem revestir a forma prescrita em lei. b) com vício resultante de dolo, quando este for a sua causa. c) com erro substancial. d) por agente relativamente incapaz. e) mediante fraude contra credores. 8. (CEBRASPE – CGE/CE – 2019) Um produtor agrícola e uma companhia que produz derivados de sementes de soja pactuaram que a companhia compraria a próxima safra colhida pelo produtor, ficando o negócio jurídico condicionado à efetivação da colheita. A cláusula em questão constitui a) uma condição resolutiva. b) um encargo. c) uma condição suspensiva. d) uma condição impossível. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 29 368 3 5 e) um encargo ilícito. 9. (CEBRASPE – PGE/PE- 2019) Ronaldo, ocultando sua verdadeira intenção, celebrou com Fernando um negócio jurídico, que se concretizaria somente quando Fernando contraísse matrimônio. Considerando essa situação hipotética e as regras de direito civil, julgue os itens seguintes. Como Fernando não teve conhecimento da reserva mental de Ronaldo, o ato, a princípio, subsiste e produz efeitos. 10. (CEBRASPE – PGE/PE- 2019) Ronaldo, ocultando sua verdadeira intenção, celebrou com Fernando um negócio jurídico, que se concretizaria somente quando Fernando contraísse matrimônio. Considerando essa situação hipotética e as regras de direito civil, julgue os itens seguintes. A situação ilustra hipótese de condição resolutiva, pois a eficácia do negócio jurídico em questão depende da celebração de matrimônio por Fernando. 11. (CEBRASPE – PGE/PE- 2019) Ronaldo, ocultando sua verdadeira intenção, celebrou com Fernando um negócio jurídico, que se concretizaria somente quando Fernando contraísse matrimônio. Considerando essa situação hipotética e as regras de direito civil, julgue os itens seguintes. Se o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito, o negócio jurídico será nulo e, portanto, ficará insuscetível de convalidação pelo decurso do tempo. 12. (CEBRASPE – ABIN - 2018) A respeito das regras dispostas no Código Civil quanto aos negócios jurídicos e aos contratos, julgue os itens a seguir. A existência de encargo em negócio jurídico somente suspende a aquisição ou exercício do direito se for expressamente imposto como condição suspensiva pela disponente. 13. (CEBRASPE – ABIN - 2018) A respeito das regras dispostas no Código Civil quanto aos negócios jurídicos e aos contratos, julgue os itens a seguir. Situação hipotética: Decidido a comprar automóvel ofertado por seu vizinho Pedro, João procurou-o para fechar negócio. Em virtude de comportamento malicioso, Pedro conseguiu fazer João pagar pelo bem quantia significativamente acima do valor de mercado. Assertiva: Nesse caso, o comprador tem direito à invalidação do negócio jurídico em razão da existência de dolo na conduta do vendedor. 14. (CEBRASPE – MPU – 2018) A respeito de interpretação de lei, pessoas jurídicas e naturais, negócio jurídico, prescrição, adimplemento de obrigações e responsabilidade civil, julgue os itens a seguir. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 30 368 4 5 Negócio jurídico simulado por interposição de pessoa, por ocultação da verdade ou por falsidade de data será considerado nulo. 15. (CEBRASPE – TCEMG – 2018) O erro que se refere a qualidades secundárias do objeto do negócio jurídico e que não acarreta efetivo prejuízo é denominado a) obstativo. b) inescusável. c) substancial. d) acidental. e) impróprio. O erro impróprio é aquele que que recai na declaração da vontade, ou seja, ataca a vontade externa ou declarada. Vale dizer, que se trata de teoria não adotada no Brasil, pois no ordenamento brasileiro a vontade declarada é fruto de vontade interna, logo será considerada vício. 16. (CEBRASPE – PGM/MANAUS - 2018) À luz das disposições do direito civil pertinentes ao processo de integração das leis, aos negócios jurídicos, à prescrição e às obrigações e contratos, julgue os itens a seguir. Será viável a anulação de transmissão gratuita de bens por caracterização de fraude contra credores, ainda que a conduta que se alegue fraudulenta tenha ocorrido anteriormente ao surgimento do direito do credor. 17. (CEBRASPE – EBSERH_ADMINISTRATIVA - 2018) Considerando o que dispõe o Código Civil acerca de negócios jurídicos e contratos, julgue os itens a seguir. É nulo o negócio jurídico quando uma parte se obriga, por inexperiência, a prestação excessivamente onerosa, não sendo possível, nesse caso, uma revisão judicial desse negócio jurídico, uma vez que o erro prejudica sua validade. 18. (CESPE / INSTITUTO RIO BRANCO – 2018) Com relação à classificação da Constituição, à competência dos entes federativos, ao ato jurídico e à personalidade jurídica, julgue (C ou E) o item que se segue. O ato jurídico em sentido estrito é ato voluntário que produz os efeitos já previamente estabelecidos pela norma jurídica, como, por exemplo, quando alguém transfere a residência com a intenção de se mudar, decorrendo da lei a consequente mudança do domicílio. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 31 368 ==1027f2== 5 5 19. (CEBRASPE – PMBH – 2017) Pedro — maior, capaz e solteiro — outorgou a Antônio — maior, capaz e solteiro —, por instrumento público e prazo indeterminado, procuração com cláusula causa própria, para a venda de imóvel cujo preço era de R$ 1 milhão. Posteriormente, Pedro revogou o mandato e notificou Antônio, que, por sua vez, havia transferido o imóvel para si próprio. Inconformado, Pedro ingressou com ação visando à anulabilidade do mandato. Considerando essa situação hipotética, assinale a opção correta à luz das disposições do Código Civil. a) Por serem maiores e capazes, Pedro e Antônio poderiam ter dado procuração mediante instrumento particular. b) A prova do negócio jurídico celebrado entre Pedro e Antônio não pode ser exclusivamente testemunhal.c) A conduta de Antônio caracteriza simulação, de modo que a nulidade pode ser reconhecida de ofício pelo juiz. d) A revogação do mandato efetuada por Pedro é ineficaz, ainda que ocorra a notificação de Antônio. GABARITO 1. CEBRASPE - TC-DF C 2. TJ/PA E 3. TJ/PA E 4. Auditor Fiscal E 5. TJAM C 6. TJAM C 7. TCE/RO A 8. CGE/CE C 9. PGE/PE C 10. PGE/PE E 11. PGE/PE C 12. ABIN C 13. ABIN E 14. MPU C 15. TCEMG D 16. PGM/MANAUS E 17. EBSERH_ADMINISTRATIVA E 18. INSTITUTO RIO BRANCO C 19. PMBH C Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 32 368 1 5 FCC Disposições Gerais (Art. 104 Ao 120 E 185) 1. (FCC - TJ-MA - Analista Judiciário – Direito – 2019) Em relação aos negócios jurídicos, é correto afirmar: a) Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta se não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa. b) Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se ampliativamente. c) Os poderes de representação conferem-se exclusivamente por lei. d) Em qualquer hipótese, a manifestação de vontade não subsiste se o seu autor houver feito a reserva mental de não querer o que manifestou. e) Como regra geral, o silêncio importa anuência, sendo ou não necessária a declaração de vontade expressa. Comentários: A alternativa A está correta. A condição suspensiva gera a chamada expectativa de direito, que seria a suspensão dos efeitos do negócio jurídico até que o evento condicione sua eficácia, tanto sua aquisição ou início, quanto o exercício deste. O art. 125 do Código Civil trata sobre o tema, dizendo que: "Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta se não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa.". A alternativa B está incorreta. Os negócios jurídicos benéficos que são aqueles que não necessitam do equilíbrio ou a proporcionalidade entre o beneficio e a prestação oposta, sendo apenas um lado beneficiado pelo negócio, como exemplo podemos visualizar a doação, onde apenas um lado recebe todo o benefício ou vantagem, enquanto o outro fica com a suas obrigações. Por outro lado temos a renúncia, que é o ato de abandono de um direito em favor de outrem, como por exemplo, a renúncia de uma dívida. Em ambos os casos o legislador optou, expressamente, pela interpretação restritiva, ou seja, com a finalidade de evitar um desequilibro maior, que excederia o dispositivo, esse critério levaria em conta o que foi estipulado de forma literal, rigorosa e estreitado. Assim dispõe o art. 114, versando que: "Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se estritamente.". A alternativa C está incorreta. A representação (os exemplos mais comuns são as procurações) é uma relação jurídica pela qual certa pessoa (representado) se obriga diretamente perante terceiro, por meio de ato praticado em seu nome por um representante. O ato pode partir do próprio interessado, de outrem ou por lei expressa, constituindo a legitimidade de um agir por conta de outro. Os fundamentos legais são encontrados do art. 115 ao 120 do Código Civil. A alternativa D está incorreta. Esta alterantiva refere-se a reserva mental, que é quando o agente omite, propositalmente, sua vontade real em relação ao negócio celebrado. Pode-se dizer que é caracterizada pelo distinção entre a vontade real (animus) e a declaração (exteriorização). Assim trata o art. 110 do Código Civil que diz: "A manifestação de vontade subsiste ainda que o seu autor haja feito a reserva mental de não querer o que manifestou, salvo se dela o destinatário tinha conhecimento.". Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 33 368 2 5 A alternativa E está incorreta. O silêncio pode ser considerado como exteriorização da vontade. Normalmente o silêncio seria considerado como a ausência de manifestação de vontade, no entanto, em situações extraordinárias, se as circunstâncias do negócio permitirem ou por expressão da lei, o silêncio pode ser considerado como anuência, ou seja, a manifestação da vontade. Sendo assim, o erro da assertiva está em dizer desnecessária a prova de que sem o silêncio o negócio jurídico não seria celebrado, quando na verdade é necessária justamente essa prova, de um nexo causal (vínculo objetivo entre os dois acontecimentos) entre o silêncio e a consolidação do negócio jurídico, para que o silêncio importe como vontade, assim traz o art. 111 do Código Civil, versando que: "O silêncio importa anuência, quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem, e não for necessária a declaração de vontade expressa.". 2. (FCC / MPE-PE – 2018) A validade do negócio jurídico requer, além de outros requisitos, a celebração por agente capaz. A incapacidade relativa de uma das partes contratantes a) Pode ser invocada pela outra em benefício próprio, desde que essa circunstância não fosse por esta conhecida por ocasião da contratação. b) Pode ser invocada pela outra em benefício próprio, mesmo que essa circunstância já fosse por esta conhecida por ocasião da contratação. c) Não pode ser invocada pela outra em benefício próprio, mas sempre aproveita aos cointeressados capazes, ainda que divisível o objeto do direito ou da obrigação comum. d) Não pode ser invocada pela outra em benefício próprio, nem jamais aproveita aos cointeressados capazes, mesmo se indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum. e) Não pode ser invocada pela outra em benefício próprio, nem aproveita aos cointeressados capazes, salvo se, neste caso, for indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum. Comentários A alternativa A está incorreta, visto que incapacidade relativa de uma das partes contratantes não pode ser invocada pela outra em benefício próprio. A incapacidade relativa se dá quando o agente apresenta as seguintes características: I- Menor de 18 anos e maior de 16; II- Ébrios eventuais e viciados em tóxicos; III-Aqueles que por causa transitória ou permanente não puderem exprimir sua vontade IV-Os pródigos A ausência do assistente gera a anulabilidade dos atos praticados pelo relativamente incapaz. Isto é, eles se convalidam se ninguém arguir a validade do negócio. De modo geral, é importante afirmar que a incapacidade relativa se aplica, sim, aos maiores de Idade. Ocorre que, como a capacidade é a regra, presumida até que se prove o contrário, a incapacidade relativa deve ser decretada pelo juiz. A alternativa B está incorreta, dado que pelos mesmo motivos mencionados na alternativa A, visto que incapacidade relativa de uma das partes contratantes não pode ser invocada pela outra em benefício próprio. I-A incapacidade relativa se dá quando o agente apresenta as seguinte características: Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 34 368 ==1027f2== 3 5 II-Menor de 18 anos e maior de 16; III-Ébrios eventuais e viciados em tóxicos; IV-Aqueles que por causa transitória ou permanente não puderem exprimir sua vontade V-Os pródigos A alternativa C está incorreta, uma vez que além de não poder ser invocada pela outra parte em benefício próprio, não pode ser aproveitada aos cointeressados capazes, a não ser que o objeto do direito ou da obrigação comum seja indivisível, de acordo com o Art. 105: Art. 105. A incapacidade relativa de uma das partes não pode ser invocada pela outra em benefício próprio, nem aproveita aos co-interessados capazes, salvo se, neste caso, for indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum.Ou seja, se o caso for de indivisibilidade do objeto, esta impõe que se adote a mesma solução jurídica, ainda que hajam diferentes interessados em seu objeto, possibilitando, neste caso, que os cointeressados invoquem a incapacidade relativa a favor do incapaz e de si mesmos. A alternativa D está incorreta, visto que existe uma exceção para os cointeressados capazes, se no caso, for indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum, como expresso no Art. 105: “A incapacidade relativa de uma das partes não pode ser invocada pela outra em benefício próprio, nem aproveita aos co-interessados capazes, salvo se, neste caso, for indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum”, ou seja, se o objeto do direito ou da obrigação comum for indivisível, podem os cointeressados invocarem a incapacidade relativa a favor do incapaz e de si mesmos. A alternativa E está correta, pois sua redação está em total harmonia com o Código Civil: Art. 105. A incapacidade relativa de uma das partes não pode ser invocada pela outra em benefício próprio, nem aproveita aos co-interessados capazes, salvo se, neste caso, for indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum. 3. (FCC / TRT - 15ª REGIÃO – 2018) De acordo com o Código Civil, os negócios jurídicos devem ser interpretados a) Somente de acordo com a lei, defeso que os usos e princípios sejam utilizados para esse fim. b) Conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua celebração. c) De acordo com a moral e os bons costumes, além da lei, vedado que os usos sejam considerados, uma vez que nosso ordenamento jurídico não é consuetudinário. d) Se benéficos ou se houver renúncia, ampliativamente, para tornar efetivo o benefício ao favorecido pela avença. e) Sempre literalmente, para evitar obscuridades ou contradições. Comentários A alternativa A está incorreta, pois de acordo com o Art. 113 do Código civil, os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa- fé e os usos do lugar de sua celebração A interpretação do negócio jurídico busca identificar o exato conteúdo e a intenção de uma proposição negociada. Consideram-se a vontade como fator subjetivo e a boa-fé como fator objetivo, e restringem- Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 35 368 4 5 se os atos benéficos, não bastando a análise do instrumento do contrato ou a declaração da vontade, deve-se ir a fundo e analisar a substância, tal qual a boa fé e o local de celebração do negócio. Art. 113. Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua celebração. A alternativa B está correta, o negócio jurídico deve ser interpretado conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua celebração, sendo esta regra chama de “regra de ouro”. Miguel Reale, na exposição de motivos, considerou o artigo 113 como a chave para a realização dos negócios jurídicos de forma harmoniosa. Art. 113. Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua celebração. A alternativa C está incorreta, visto que de acordo com o Código Civil os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme o Art. 113, não se fala sobre bons costumes, mas sim sobre a boa-fé e considerando-se os usos do lugar de sua celebração: Art. 113. Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua celebração. A alternativa D está incorreta, pois negócios jurídicos devem ser interpretados conforme o art.113 do Código Civil, qual expressa que os negócios jurídicos devem ser interpretados de acordo com a boa fé e os usos do lugar de sua celebração, enquanto a alternativa traz “se benéficos ou se houver renúncia, ampliativamente, para tornar efetivo o benefício ao favorecido pela avença” sendo esta afirmativa inválida. A alternativa E está incorreta, pois interpretar sempre o conteúdo de forme literal exclui o princípio da boa-fé, qual busca considerar as diferenças para que haja harmonia no negócio ou ato jurídico. 4. (FCC / TRF - 5ª REGIÃO – 2017) A incapacidade relativa de uma das partes de um negócio jurídico a) Não pode ser invocada pela outra em benefício próprio. b) Pode ser invocada pela outra em benefício próprio, por constituir matéria de ordem pública. c) Aproveita aos cointeressados capazes, salvo se for indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum. d) Não aproveita aos cointeressados capazes, mesmo que indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum. e) Sempre aproveita aos cointeressados capazes. Comentários A alternativa A está correta, pois a incapacidade relativa de uma das partes não pode ser invocada pela outra em benefício próprio, a não ser que seja indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum, como expresso no Art. 105 do Código Civil: Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 36 368 5 5 Art. 105. A incapacidade relativa de uma das partes não pode ser invocada pela outra em benefício próprio, nem aproveita aos co-interessados capazes, salvo se, neste caso, for indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum. A alternativa B está incorreta, pois ninguém pode se beneficiar da própria torpeza, o que significa que nenhuma pessoa pode fazer algo incorreto, praticar um ato ilícito, ou descumprir uma regra de conduta, imposta pelas normas legais, e depois alegar tal conduta em proveito próprio, como aconteceria caso a incapacidade de outrem fosse utilizada em benefício próprio. Neste caso, aplica-se o princípio Nemo auditur propriam turpitudinem allegans, que significa: ninguém pode se beneficiar da própria torpeza (indignidade, ou no caso, incapacidade) A alternativa C está incorreta, pois de acordo com o artigo 105 do Código Civil, nem aproveita aos cointeressados capazes, salvo se o objeto do direito ou da obrigação comum for indivisível. Art. 105. A incapacidade relativa de uma das partes não pode ser invocada pela outra em benefício próprio, nem aproveita aos co-interessados capazes, salvo se, neste caso, for indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum A alternativa D está incorreta, dado que não aproveita aos cointeressados capazes, salvo se for indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum, de acordo com o Art. 105: Art. 105. A incapacidade relativa de uma das partes não pode ser invocada pela outra em benefício próprio, nem aproveita aos co-interessados capazes, salvo se, neste caso, for indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum A alternativa E está incorreta, dado que a regra geral é que os cointeressados não aproveitam da incapacidade relativa, salvo se o objeto do direito ou da obrigação comum for indivisível, como rege o Art. 105: Art. 105. A incapacidade relativa de uma das partes não pode ser invocada pela outra em benefício próprio, nem dela se aproveitam os co-interessados capazes, salvo se, neste caso, for indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 37 368 1 2 FCC Disposições Gerais (Art. 104 Ao 120 E 185) 1. (FCC - TJ-MA - Analista Judiciário – Direito – 2019) Em relação aos negócios jurídicos, é correto afirmar: a) Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta se não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa. b) Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se ampliativamente. c) Os poderes de representação conferem-se exclusivamente por lei. d) Em qualquer hipótese, a manifestação de vontade não subsiste se o seu autor houver feito a reservamental de não querer o que manifestou. e) Como regra geral, o silêncio importa anuência, sendo ou não necessária a declaração de vontade expressa. 2. (FCC / MPE-PE – 2018) A validade do negócio jurídico requer, além de outros requisitos, a celebração por agente capaz. A incapacidade relativa de uma das partes contratantes a) Pode ser invocada pela outra em benefício próprio, desde que essa circunstância não fosse por esta conhecida por ocasião da contratação. b) Pode ser invocada pela outra em benefício próprio, mesmo que essa circunstância já fosse por esta conhecida por ocasião da contratação. c) Não pode ser invocada pela outra em benefício próprio, mas sempre aproveita aos cointeressados capazes, ainda que divisível o objeto do direito ou da obrigação comum. d) Não pode ser invocada pela outra em benefício próprio, nem jamais aproveita aos cointeressados capazes, mesmo se indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum. e) Não pode ser invocada pela outra em benefício próprio, nem aproveita aos cointeressados capazes, salvo se, neste caso, for indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum. 3. (FCC / TRT - 15ª REGIÃO – 2018) De acordo com o Código Civil, os negócios jurídicos devem ser interpretados a) Somente de acordo com a lei, defeso que os usos e princípios sejam utilizados para esse fim. b) Conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua celebração. c) De acordo com a moral e os bons costumes, além da lei, vedado que os usos sejam considerados, uma vez que nosso ordenamento jurídico não é consuetudinário. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 38 368 ==1027f2== 2 2 d) Se benéficos ou se houver renúncia, ampliativamente, para tornar efetivo o benefício ao favorecido pela avença. e) Sempre literalmente, para evitar obscuridades ou contradições. 4. (FCC / TRF - 5ª REGIÃO – 2017) A incapacidade relativa de uma das partes de um negócio jurídico a) Não pode ser invocada pela outra em benefício próprio. b) Pode ser invocada pela outra em benefício próprio, por constituir matéria de ordem pública. c) Aproveita aos cointeressados capazes, salvo se for indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum. d) Não aproveita aos cointeressados capazes, mesmo que indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum. e) Sempre aproveita aos cointeressados capazes. GABARITO 1. TJ-MA A 2. MPE-PE E 3. TRT - 15ª REGIÃO B 4. TRF - 5ª REGIÃO A Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 39 368 1 8 VUNESP Disposições Gerais (Art. 104 Ao 120 E 185) 1. (VUNESP/ PREFEITURA DE CERQUILHO-SP – 2019) De acordo com o Código Civil, sobre o negócio jurídico, é correto afirmar: a) a incapacidade relativa de uma das partes pode ser invocada pela outra em benefício próprio. b) a impossibilidade relativa inicial do objeto o invalida. c) a validade da declaração de vontade depende de forma especial, mesmo na ausência de previsão legal. d) nas declarações de vontade se atenderá mais ao sentido literal da linguagem do que à intenção nelas consubstanciada. e) os benéficos e a renúncia serão interpretados estritamente. Comentários A alternativa A está incorreta. A interpretação diante os negócios jurídicos sobre a capacidade das partes, é de que a regra é que todo o sujeito acerca dos atos é capaz, enquanto a incapacidade relativa, por exemplo, deve ser comprovada pela parte que a alega. Além disso, sobre o que traz a assertiva, a incapacidade relativa é pessoal, sendo que só pode ser alegada por aquele que a aproveita, afinal o instituto da capacidade visa proteger a pessoa natural, seria contraditório permitir a terceiros invoca- las. A respeito destas ponderações trata o art. 105 do Código Civil, dispondo que: "A incapacidade relativa de uma das partes não pode ser invocada pela outra em benefício próprio, nem aproveita aos co-interessados capazes, salvo se, neste caso, for indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum.". A alternativa B está incorreta. A impossibilidade relativa do objeto, ocorre quando objeto do negócio não é possível de ser cumprido, pela pessoa que está na posição de devedor. Como traz o art.106 do Código Civil que traz: "A impossibilidade inicial do objeto não invalida o negócio jurídico se for relativa, ou se cessar antes de realizada a condição a que ele estiver subordinado.". Digamos que um contrato seja firmado por duas partes, sendo a primeira contratante e o segundo contratado, sendo o último firmado como devedor. Caso este, por razão justificável, não possa cumprir o objeto do contrato, ou seja, o que se obrigou a cumprir, esse contrato não é invalidado por essa condição se o devedor puder cumprir o objeto de outra forma, além de suas próprias mãos por exemplo. A alternativa C está incorreta. A forma do negócio jurídico é a maneira que o agente capaz expressa sua vontade a exteriorizando através do negócio jurídico. Como regra geral, o direito brasileiro adota o princípio da liberdade das formas, que compreende válida qualquer meio de exteriorização da vontade, esse instituto encontra-se disposto no art. 107 do Código Civil, que diz: "A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão quando a lei expressamente a exigir.". A exceção deste princípio, na forma da lei, requer a obediência ao que está estampado na lei, na observância dela ou na não defesa em lei, sob pena da nulidade do negócio (vide art. 166, Inc. IV). A alternativa D está incorreta. O negócio jurídico, seu conteúdo e finalidade, devem ser lidos conforme a declaração da vontade e as circunstâncias em que esta foi empregada, não dependendo da vontade subjetiva, do íntimo da pessoa. A vontade subjetiva, íntima, não pode ser exteriorizada na forma da declaração no negócio, sendo assim irrelevante para o direito, não podemos confundir a vontade Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 40 368 2 8 declarada do agente com a vontade real do agente. Assim a doutrina sistematiza em três formas a interpretação dos contratos: o sentido literal, o contexto verbal do contrato e o contexto situacional em que foi firmado e é exercido. Sobre estas disposições, podemos ver no art. 112 do Código Civil, trazendo em sua redação que: "Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem.". A alternativa E está correta. Os negócios jurídicos benéficos são aqueles que não necessitam o equilíbrio ou a proporcionalidade entre o benefício e a prestação oposta, sendo apenas um lado beneficiado pelo negócio, como exemplo podemos visualizar a doação, onde apenas um lado recebe todo o benefício ou vantagem, enquanto o outro fica com a suas obrigações. Por outro lado, temos a renúncia, que é o ato de abandono de um direito em favor de outrem, como por exemplo, a renúncia de uma dívida. Em ambos os casos o legislador optou, expressamente, pela interpretação restritiva, ou seja, com a finalidade de evitar um desequilibro maior, que excederia o dispositivo, esse critério levaria em conta o que foi estipulado de forma literal, rigorosa e estreitado. Assim dispõe o art. 114, versando que: "Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se estritamente.". Como por exemplo, a doação de um imóvel aparelhado de outros imóveis, e nada tenha sido dito sobre os últimos, conforme a interpretação restritiva sobre o negócio benéfico, os outros imóveis não estariam cobertos pela doação. Gabarito: letra E. 2. (VUNESP/ PREFEITURA DE ITAPEVI-SP– 2019) No que diz respeito às disposições gerais do negócio jurídico, é correto afimar que a) a renúncia ao negócio jurídico interpreta-se estritamente. b) os negócios jurídicos benéficos interpretam-se amplamente. c) quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem e não for necessária a declaração de vontade expressa, o silêncio importa em negativa. d) em regra, a validade da declaração da vontade depende de forma especial. e) em regra, a capacidade relativa de uma das partes deve ser invocada pela outra em benefício próprio, sob pena de prescrição. Comentários A alternativa A está correta e é o gabarito da questão. A assertiva versa sobre os negócios jurídicos benéficos que são aqueles que não necessitam do equilíbrio ou a proporcionalidade entre o benefício e a prestação oposta, sendo apenas um lado beneficiado pelo negócio, como exemplo podemos visualizar a doação, onde apenas um lado recebe todo o benefício ou vantagem, enquanto o outro fica com a suas obrigações. Por outro lado, temos a renúncia, que é o ato de abandono de um direito em favor de outrem, como por exemplo, a renúncia de uma dívida. Em ambos os casos o legislador optou, expressamente, pela interpretação restritiva, ou seja, com a finalidade de evitar um desequilibro maior, que excederia o dispositivo, esse critério levaria em conta o que foi estipulado de forma literal, rigorosa e estreitado. Assim dispõe o art. 114, versando que: "Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se estritamente.". Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 41 368 3 8 A alternativa B está incorreta. Como dito acima, os negócios jurídicos benéficos são interpretados restritivamente, assim como a renúncia, isso ocorre para evitar incongruência, ou mesmo o dano, entre a real vontade da parte que propõe o benefício e o cumprimento dessa vontade ao beneficiário. Como por exemplo: a doação de uma casa, sendo que esse imóvel possui quadros valiosos que não foram mencionados no ato. Nesse caso, interpreta-se restritivamente que os quadros não fazem parte da real vontade do agente, pois se fosse, teria sido exteriorizada. A alternativa C está incorreta. O Código não especifica a colocação em negação ou afirmação sobre o silêncio, apenas citando que pode ocorrer de ser interpretado como manifestação da vontade. Normalmente o silêncio é interpretado como a ausência da declaração de vontade, no enteando há circunstâncias, se a situação negocial permitir assim como expressamente em lei, que o silêncio é tido como forma de anuência, ou seja, manifestando a vontade. Assim trata o art. 111, dizendo que: "O silêncio importa anuência, quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem, e não for necessária a declaração de vontade expressa.". Os casos em que se necessita a declaração expressa não podem ser declarados a importância do silêncio, pois, pré-estabelece-se a exteriorização da vontade como parte constitutiva do ato, para um ato jurídico perfeito. A alternativa D está incorreta. A forma do negócio jurídico é a maneira que o agente capaz expressa sua vontade a exteriorizando através do negócio jurídico. Em regra geral, o direito brasileiro adota o princípio da liberdade das formas, que compreende válida qualquer meio de exteriorização da vontade, esse instituto encontra-se disposto no art. 107 do Código Civil, que diz: "A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão quando a lei expressamente a exigir.". A exceção deste princípio, na forma da lei, requer a obediência ao que está estampado na forma lei, na observância dela ou na não defesa em lei, sob pena de nulidade do negócio como expresso no art. 166, Inc. IV. A alternativa E está incorreta. A incapacidade relativa é uma qualidade pessoal, apenas podendo ser alegada por quem a aproveita, justamente para proteger a personalidade civil do indivíduo, que não possui ainda discernimento para efetuar certos atos da vida civil. Os negócios jurídicos tratados por pessoas relativamente incapazes são anuláveis, justamente por essa proteção, no entanto, a outra parte que se obrigou nessa relação (com o incapaz relativo), não pode invocar tal condição para livra-se da prestação, para benefício próprio, justamente por ser uma condição que deve ser alegada pelo primeiro. Assim traz expressamente o art. 105 do Código Civil, que diz: "A incapacidade relativa de uma das partes não pode ser invocada pela outra em benefício próprio, nem aproveita aos co-interessados capazes, salvo se, neste caso, for indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum.". Gabarito: letra A. 3. (VUNESP/ PREFEITURA DE ITAPEVI-SP – 2019) No que diz respeito às disposições gerais do negócio jurídico, é correto afirmar que a) a renúncia ao negócio jurídico interpreta-se estritamente. b) os negócios jurídicos benéficos interpretam-se amplamente. c) quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem e não for necessária a declaração de vontade expressa, o silêncio importa em negativa. d) em regra, a validade da declaração da vontade depende de forma especial. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 42 368 4 8 e) em regra, a capacidade relativa de uma das partes deve ser invocada pela outra em benefício próprio, sob pena de prescrição. Comentários A alternativa A está correta e é o gabarito da questão. Dispõe o art. 114, versando que: "Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se estritamente.”. Os negócios jurídicos benéficos são aqueles que não necessitam o equilíbrio ou a proporcionalidade entre o benefício e a prestação oposta, sendo apenas um lado beneficiado pelo negócio, como exemplo podemos visualizar a doação, onde apenas um lado recebe todo o benefício ou vantagem, enquanto o outro fica com a suas obrigações. Por outro lado, temos a renúncia, que é o ato de abandono de um direito em favor de outrem, como por exemplo, a renúncia de uma dívida. Em ambos os casos o legislador optou, expressamente, pela interpretação restritiva, ou seja, com a finalidade de evitar um desequilibro maior, que excederia o dispositivo, esse critério levaria em conta o que foi estipulado de forma literal, rigorosa e estreitada. A alternativa B está incorreta. Como acima descrito, exposto no art. 114 do Código Civil, os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se estritamente. Por exemplo: um terreno, onde criava-se dezenas de cabeças de gado, é doado, no entanto no ato não consta qualquer informação sobre o gado, neste caso interpreta-se estritamente que apenas a terra, o lote, faz parte da vontade do doador. A alternativa C está incorreta. Traz o art. 111 do Código Civil, versando que: "O silêncio importa anuência, quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem, e não for necessária a declaração de vontade expressa." Normalmente o silêncio seria considerado como a ausência de manifestação de vontade, no entanto, em situações extraordinárias, se as circunstâncias do negócio permitirem ou por expressão da lei, o silêncio pode ser considerado como anuência, ou seja, a manifestação da vontade. Sendo assim, o erro da assertiva está em dizer ser negativo, quando na verdade o código não define ser negativo ou positivo, sendo interpretado conforme a situação e na forma expressa da lei. Para ser considerado como anuência, no entanto, o ato não pode depender de vontade, caracterizando-o assim por um nexo causal (vínculo objetivo entre os dois acontecimentos) entre o silêncio e a consolidação do negócio jurídico, para que o silêncio importe como vontade. A alternativa D está incorreta. O instituto encontra-se disposto no art. 107 do Código Civil, quediz: "A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão quando a lei expressamente a exigir.". A forma do negócio jurídico é a maneira que o agente capaz expressa sua vontade a exteriorizando através do negócio jurídico. O direito brasileiro, em regra geral, adota o princípio da liberdade das formas, que compreende válida qualquer meio de exteriorização da vontade. A exceção deste princípio, na forma da lei, requer a obediência ao que está estampado na lei, na observância dela ou na não defesa em lei, sob pena de nulidade do negócio como pode ser visto no art. 166 do Código Civil. A alternativa E está incorreta. A incapacidade relativa faz menção a uma condição em que a pessoa ainda não é capaz de realizar todos os atos da vida civil. Sendo assim o código protege os relativamente incapazes nos negócios jurídicos tratados, trazendo-lhes que são anuláveis, justamente pela proteção através da qualidade de incapaz relativo é que esta incapacidade não pode ser invocada por outrem para benefício próprio, por se tratar de uma condição pessoal. Assim traz o art. 105, do Código Civil, que diz: "A incapacidade relativa de uma das partes não pode ser invocada pela outra em benefício próprio, nem aproveita aos co-interessados capazes, salvo se, neste caso, for indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum.". Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 43 368 5 8 Gabarito: letra A. 4. (VUNESP/ MPE-SP – 2018) É possível classificar o testamento público, o casamento e o mandato, respectivamente, como negócio jurídico a) unilateral não receptício, solene e bifronte. b) unilateral receptício, bilateral e oneroso. c) bilateral, solene e oneroso. d) personalíssimo, informal, consensual. e) bilateral, solene e gratuito. Comentários Algumas classificações do negócio jurídico: 1. Número de declarantes. Os unilaterais podem ser: Receptícios: a declaração de vontade deve tornar-se conhecida pelo destinatário para dai produzir efeitos. Exemplo: denúncia e resilição. Não receptícios: o conhecimento da outra parte é irrelevante. Exemplo: confissão de dívida, testamento, casamento, etc. 2. Formalidade (com exceções trazidas pelo art. 107 do Código Civil) Solene (formais): devem obedecer a forma prescrita em lei para tornar-se válido. Exemplo: escritura pública, renúncia, etc. Não solene (informais): forma livre, mesmo verbal. É conferido pela vontade de contratar. Exemplo: locação 3. Benefícios (vantagens): Bifrontes: conforme a vontade das partes, em acordo, poderá ser feito de forma onerosa ou gratuita. Exemplo: mandato, depósito, etc. Porém nem todos negócios gratuitos podem ser acordados como onerosos, como a doação, por exemplo, que se transformaria em venda. A alternativa A está correta e é o gabarito da questão. Gabarito: letra A. 5. (VUNESP/ TJ-SP – 2018) O silêncio circunstanciado a) é vedado no ordenamento jurídico pátrio. b) implica na ausência de vontade e, por via de consequência, na inexistência do negócio jurídico. c) pode produzir efeitos jurídicos. d) ocorre quando o declarante omite sua vontade real ao celebrar um negócio jurídico. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 44 368 6 8 Comentários A alternativa A está incorreta. O ordenamento pátrio adota a teoria do silêncio qualificado, do qual o silencio é admitido judicialmente, desde que justificado por circunstâncias que o legitimem. O silêncio normalmente é tido como a ausência da expressão de vontade, mas pode ser reconhecida, em situações excepcionais, a lei permitindo-as, como forma de anuência, ou seja, manifestação da vontade. No entanto o ordenamento não traz a vedação ao silêncio em qualquer forma, pois seria uma afronta a manifestação individual. A alternativa B está incorreta. Normalmente o silêncio importa em anuência, que seria a ausência da manifestação da vontade, no entanto quando a lei não necessitar de vontade expressa há casos em que o silêncio produzirá efeitos jurídicos demandando um ato válido e eficaz. (vide art. 111) A alternativa C está correta e é o gabarito da questão. Excepcionalmente o silêncio será tido como manifestação da vontade, quando a lei não demandar expressamente à vontade, produzindo efeitos gerando um ato válido e eficaz. O art. 111 do Código Civil traz que: "O silêncio importa anuência, quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem, e não for necessária a declaração de vontade expressa.". Por exemplo: digamos que o dono de uma rede de lanchonetes firme com uma distribuidora de bebidas de outra cidade a entrega semanal de refrigerantes de laranja, acordando verbalmente. A distribuidora organiza-se logisticamente para atender a lanchonete e assim é feito ao longo de dois anos. Em certa semana a distribuidora fora levar a carga para outra cidade e esta não é aceita pelo dono das lanchonetes, dizendo-lhes que não havia pedido naquela semana. O fato de não ter avisado anteriormente indica uma vontade de receber a carga, por isso foi-lhe encaminhado, com o silêncio valendo como manifestação da vontade. A alternativa D está incorreta. Este caso refere-se a reserva mental, que é quando o agente omite, propositalmente, sua vontade real em relação ao negócio celebrado. Pode-se dizer que é caracterizada pela distinção entre a vontade real (animus) e a declaração (exteriorização). Assim trata o art. 110 do Código Civil que diz: "A manifestação de vontade subsiste ainda que o seu autor haja feito a reserva mental de não querer o que manifestou, salvo se dela o destinatário tinha conhecimento.". Gabarito: letra C. 6. (VUNESP/ TJ-SP – 2018) Não dispondo a lei em contrário, a escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis a) quando o valor da transação for superior a 20 (vinte) vezes o maior salário-mínimo vigente no país. b) de valor superior a 30 (trinta) vezes o maior salário-mínimo vigente no país. c) quando o valor da transação for superior a 30 (trinta) vezes o maior salário-mínimo vigente no país. d) de valor superior a 20 (vinte) vezes o maior salário-mínimo vigente no país. Comentários Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 45 368 ==1027f2== 7 8 Considera-se para bens imóveis o valor superior a 30 vezes o maior salário-mínimo vigente. Atenção, o erro da alternativa C está em tratar o valor da transferência a ser realizada, que não é o que a lei expressa, esta dá sentido ao bem imóvel. Assim trata o art. 108 do Código Civil, que traz: Art. 108. Não dispondo a lei em contrário, a escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País. Portanto, alternativa B está correta e é o gabarito da questão. Gabarito: letra B. 7. (VUNESP/ FAPESP – 2018) A relação jurídica pela qual certa pessoa se obriga diretamente perante terceiro, por meio de ato praticado em seu nome, produzindo efeitos jurídicos, denomina-se a) encargo. b) cessão de débito. c) cessão de direitos. d) corretagem. e) representação. Comentários A alternativa A está incorreta. O encargo é uma cláusula acessória de um negócio jurídico principal que estipula uma obrigação ao beneficiário, sendo admitida inclusive em atos unilaterais como é feito na promessade recompensa. Os exemplos mais comuns são as doações ao município ou a entidades, estipulando que a doação deverá ser revertida na construção de escolas ou para o uso na educação. A alternativa B está incorreta. A cessão de débito ou assunção de dívida, consiste em um negócio jurídico bilateral no qual o devedor, com permissão através de declaração expressa do credor, transmite a dívida, e, portanto, as obrigações nela tratadas, para um terceiro, substituindo-o no lugar de devedor e responsabilizando-se pela dívida e seus assessórios. Os exemplos mais comuns são as vendas de veículos ou imóveis financiados, onde há a transmissão da dívida ao comprador. A alternativa C está incorreta. A cessão de direitos é um instrumento utilizado para a transmissão de direitos sobre determinados bens. Ela acontece quando um vendedor (cedente), passa a um comprador (cessionário) os direitos sobre um bem, se tratando tanto de bem imóvel quanto móvel. A alternativa D está incorreta. Pode se dizer que contrato de corretagem é feito quando uma pessoa, que não seja ligado a outra por relações de dependência como mandato ou prestação de serviços, obriga- se com a outra a conseguir um ou mais negócios conforme estipulado, devendo o corretor informar ao cliente todos os esclarecimentos sobre os riscos do negócio. Uma vez tendo recebido o resultado previsto no contrato, a remuneração é devida ao corretor. A alternativa E está correta e é o gabarito da questão. A representação é uma relação jurídica pela qual certa pessoa (representado) se obriga diretamente perante terceiro, por meio de ato praticado em seu Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 46 368 8 8 nome por um representante. O ato pode partir do próprio interessado, de outrem ou por lei expressa, constituindo a legitimidade de um agir por conta de outro. Os fundamentos legais são encontrados do art. 115 ao 120 do Código Civil. Os exemplos mais comuns são as procurações, que dão poderes a um terceiro (outorgado) a exercer certos atos em nome do outorgante. Gabarito: letra E. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 47 368 1 3 VUNESP Disposições Gerais (Art. 104 Ao 120 E 185) 1. (VUNESP/ PREFEITURA DE CERQUILHO-SP – 2019) De acordo com o Código Civil, sobre o negócio jurídico, é correto afirmar: a) a incapacidade relativa de uma das partes pode ser invocada pela outra em benefício próprio. b) a impossibilidade relativa inicial do objeto o invalida. c) a validade da declaração de vontade depende de forma especial, mesmo na ausência de previsão legal. d) nas declarações de vontade se atenderá mais ao sentido literal da linguagem do que à intenção nelas consubstanciada. e) os benéficos e a renúncia serão interpretados estritamente. 2. (VUNESP/ PREFEITURA DE ITAPEVI-SP – 2019) No que diz respeito às disposições gerais do negócio jurídico, é correto afimar que a) a renúncia ao negócio jurídico interpreta-se estritamente. b) os negócios jurídicos benéficos interpretam-se amplamente. c) quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem e não for necessária a declaração de vontade expressa, o silêncio importa em negativa. d) em regra, a validade da declaração da vontade depende de forma especial. e) em regra, a capacidade relativa de uma das partes deve ser invocada pela outra em benefício próprio, sob pena de prescrição. 3. (VUNESP/ PREFEITURA DE ITAPEVI-SP – 2019) No que diz respeito às disposições gerais do negócio jurídico, é correto afirmar que a) a renúncia ao negócio jurídico interpreta-se estritamente. b) os negócios jurídicos benéficos interpretam-se amplamente. c) quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem e não for necessária a declaração de vontade expressa, o silêncio importa em negativa. d) em regra, a validade da declaração da vontade depende de forma especial. e) em regra, a capacidade relativa de uma das partes deve ser invocada pela outra em benefício próprio, sob pena de prescrição. 4. (VUNESP/ MPE-SP – 2018) É possível classificar o testamento público, o casamento e o mandato, respectivamente, como negócio jurídico a) unilateral não receptício, solene e bifronte. b) unilateral receptício, bilateral e oneroso. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 48 368 2 3 c) bilateral, solene e oneroso. d) personalíssimo, informal, consensual. e) bilateral, solene e gratuito. 5. (VUNESP/ TJ-SP – 2018) O silêncio circunstanciado a) é vedado no ordenamento jurídico pátrio. b) implica na ausência de vontade e, por via de consequência, na inexistência do negócio jurídico. c) pode produzir efeitos jurídicos. d) ocorre quando o declarante omite sua vontade real ao celebrar um negócio jurídico. 6. (VUNESP/ TJ-SP – 2018) Não dispondo a lei em contrário, a escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis a) quando o valor da transação for superior a 20 (vinte) vezes o maior salário-mínimo vigente no país. b) de valor superior a 30 (trinta) vezes o maior salário-mínimo vigente no país. c) quando o valor da transação for superior a 30 (trinta) vezes o maior salário-mínimo vigente no país. d) de valor superior a 20 (vinte) vezes o maior salário-mínimo vigente no país. 7. (VUNESP/ FAPESP – 2018) A relação jurídica pela qual certa pessoa se obriga diretamente perante terceiro, por meio de ato praticado em seu nome, produzindo efeitos jurídicos, denomina-se a) encargo. b) cessão de débito. c) cessão de direitos. d) corretagem. e) representação. GABARITO 1. Pref. de Cerquilho-SP E 2. Pref. de Itapevi-SP A 3. Pref. de Itapevi-SP A 4. MPE-SP A 5. TJ-SP C 6. TJ-SP B 7. FAPESP E Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 49 368 ==1027f2== 3 3 Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 50 368 1 3 FGV Disposições Gerais (Art. 104 Ao 120 E 185) 1. (XXIII Exame da OAB) Em ação judicial na qual Paulo é réu, levantou-se controvérsia acerca de seu domicílio, relevante para a determinação do juízo competente. Paulo alega que seu domicílio é a capital do Estado do Rio de Janeiro, mas o autor sustenta que não há provas de manifestação de vontade de Paulo no sentido de fixar seu domicílio naquela cidade. Sobre o papel da vontade nesse caso, assinale a afirmativa correta. A) Por se tratar de um fato jurídico em sentido estrito, a vontade de Paulo na fixação de domicílio é irrelevante, uma vez que não é necessário levar em consideração a conduta humana para a determinação dos efeitos jurídicos desse fato. B) Por se tratar de um ato-fato jurídico, a vontade de Paulo na fixação de domicílio é irrelevante, uma vez que, embora se leve em consideração a conduta humana para a determinação dos efeitos jurídicos, não é exigível manifestação de vontade. C) Por se tratar de um ato jurídico em sentido estrito, embora os seus efeitos sejam predeterminados pela lei, a vontade de Paulo na fixação de domicílio é relevante, no sentido de verificar a existência de um ânimo de permanecer naquele local.D) Por se tratar de um negócio jurídico, a vontade de Paulo na fixação de domicílio é relevante, já que é a manifestação de vontade que determina quais efeitos jurídicos o negócio irá produzir. Comentários A alternativa A está incorreta, porque o fato jurídico em sentido estrito independe de conduta humana, como a frutificação. Mesmo não tendo a intervenção humana, os fatos jurídicos geram efeitos jurídicos. A alternativa B está incorreta, pois no ato-fato jurídico existe conduta, mas ela é irrelevante, como a caça. No ato-fato jurídico existe conduta humana, mas a vontade humana não é relevante, pelo que são considerados condutas avolitivas (sem vontade ou com vontade irrelevante). Ou seja, não importa se, por exemplo, na caça, a intenção era ou não adquirir a propriedade do animal, a partir do momento em que o pegou, a propriedade é do caçador. A alternativa C está correta, eis que no ato jurídico em sentido estrito se acolhe a manifestação de vontade, mas os efeitos já são pré-determinas os efeitos na lei. No ato jurídico em sentido estrito se acolhe a manifestação de vontade e pré-determina os efeitos que ela terá. Tais efeitos são inafastáveis e invariáveis, ou seja, são efeitos necessários. A alternativa D está incorreta, já que no negócio jurídico há poder de autorregulamento e há a possibilidade de modular os efeitos. Nos negócios jurídicos, a manifestação de vontade não é apenas elemento do núcleo do suporte fático, mas se reconhece o poder de autorregulamento, dentro de certos limites, de modular os efeitos. São os chamados efeitos voluntários. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 51 368 2 3 2. (FGV / TCE-RJ – 2015) Augusto conferiu mandato, com poderes representativos, a Angélica, com a finalidade de venda de um imóvel do mandante. Em seguida, a mandatária substabeleceu os poderes para Semprônio. O substabelecido, por sua vez, vendeu o bem para Angélica e repassou o preço para Augusto, que reagiu, tendo em vista a confiança depositada na mandatária. Pode-se assegurar que: (A) a venda é anulável, configurado o conflito de interesses no chamado “negócio consigo mesmo”; (B) a venda é inexistente, pois apenas Augusto poderia conferir os poderes a Semprônio; (C) ocorreu o mandato em causa própria, que dispensa a prestação de contas; (D) para a alienação de bens, não depende a procuração de poderes especiais; (E) o poder de transigir importa o de firmar compromisso. Comentários: A alternativa A está correta e, é o gabarito da questão. O CC/2002 determina que os negócios jurídicos quando celebrados consigo mesmo são anuláveis, a menos que a lei ou o representado o permitir, como é o caso em tela, em que Angélica era representante de Augusto e substabeleceu poderes para Semprônio, que por sua vez, vendeu o bem ao qual recebeu poderes por Angélica que, sendo representante de Augusto, repassou os valores a este, ou seja, a venda foi feita para o próprio titular da coisa. Então, assim determina o CC/2002: Art. 117. Salvo se o permitir a lei ou o representado, é anulável o negócio jurídico que o representante, no seu interesse ou por conta de outrem, celebrar consigo mesmo. A alternativa B está incorreta. Não há o que se falar em venda inexistente, uma vez que o CC/2002 determina que os negócios jurídicos quando celebrados consigo mesmo são anuláveis, a menos que a lei ou o representado o permitir, vejamos: Art. 117. Salvo se o permitir a lei ou o representado, é anulável o negócio jurídico que o representante, no seu interesse ou por conta de outrem, celebrar consigo mesmo. A alternativa C está incorreta. Não há o que se falar em mandato de causa própria uma vez que é a cláusula em que o mandante confere poderes de alienação do bem, declara o recebimento do preço, além de isentar de prestação de contas o mandatário, além do mais o procurador passa poder agir em nome e interesse do mandante, havendo até a transmissão de posse do bem sob comento. A alternativa D está incorreta. Uma vez que, para que seja alienado o bem, é preciso que haja uma procuração de poderes especiais, denominada mandato de causa própria. A alternativa E está incorreta. Poder de transigir significa o poder para negociar, sendo assim, não necessariamente é preciso firmar um compromisso. Gabarito: Letra A. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 52 368 ==1027f2== 3 3 Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 53 368 1 2 FGV Disposições Gerais (Art. 104 Ao 120 E 185) 1. (XXIII Exame da OAB) Em ação judicial na qual Paulo é réu, levantou-se controvérsia acerca de seu domicílio, relevante para a determinação do juízo competente. Paulo alega que seu domicílio é a capital do Estado do Rio de Janeiro, mas o autor sustenta que não há provas de manifestação de vontade de Paulo no sentido de fixar seu domicílio naquela cidade. Sobre o papel da vontade nesse caso, assinale a afirmativa correta. A) Por se tratar de um fato jurídico em sentido estrito, a vontade de Paulo na fixação de domicílio é irrelevante, uma vez que não é necessário levar em consideração a conduta humana para a determinação dos efeitos jurídicos desse fato. B) Por se tratar de um ato-fato jurídico, a vontade de Paulo na fixação de domicílio é irrelevante, uma vez que, embora se leve em consideração a conduta humana para a determinação dos efeitos jurídicos, não é exigível manifestação de vontade. C) Por se tratar de um ato jurídico em sentido estrito, embora os seus efeitos sejam predeterminados pela lei, a vontade de Paulo na fixação de domicílio é relevante, no sentido de verificar a existência de um ânimo de permanecer naquele local. D) Por se tratar de um negócio jurídico, a vontade de Paulo na fixação de domicílio é relevante, já que é a manifestação de vontade que determina quais efeitos jurídicos o negócio irá produzir. 2. (FGV / TCE-RJ – 2015) Augusto conferiu mandato, com poderes representativos, a Angélica, com a finalidade de venda de um imóvel do mandante. Em seguida, a mandatária substabeleceu os poderes para Semprônio. O substabelecido, por sua vez, vendeu o bem para Angélica e repassou o preço para Augusto, que reagiu, tendo em vista a confiança depositada na mandatária. Pode-se assegurar que: (A) a venda é anulável, configurado o conflito de interesses no chamado “negócio consigo mesmo”; (B) a venda é inexistente, pois apenas Augusto poderia conferir os poderes a Semprônio; (C) ocorreu o mandato em causa própria, que dispensa a prestação de contas; (D) para a alienação de bens, não depende a procuração de poderes especiais; (E) o poder de transigir importa o de firmar compromisso. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 54 368 2 2 GABARITO 1. XXIII Exame da OAB C 2. TCE-RJ A Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 55 368 ==1027f2== 1 1 Capítulo II – Representação Código Civil traz extensa regulação a respeito da representação. Evidente que os poderes do representante só podem ser conferidos por lei ou pelo interessado, esclarece o art. 115. Assim, eu, por lei, represento meus filhos. Por contrato, represento o meu cliente, noPoder Judiciário. Mas, como terceiros saberão que aquela pessoa que se apresenta como representante de outrem efetivamente o é? O art. 118 prevê que o representante é obrigado a provar às pessoas com quem tratar, em nome do representado, a qualidade de representante e a extensão de seus poderes. Se não o fizer, responde pelos atos que a eles excederem. A manifestação de vontade emitida pelo representante, nos limites de seus poderes, produz efeitos em relação ao representado. A regra do art. 116 estabelece que, assim, o representado é obrigado a cumprir aquilo que o representante fixou, desde que nos limites dos poderes. Agora, imagine que eu tenha uma procuração sua para vender seu imóvel. Posso eu mesmo comprar esse imóvel, representando você? Se o contrato permitir, posso. Por isso, o art. 117 prevê que salvo se o permitir a lei ou o representado, é anulável o negócio jurídico que o representante, no seu interesse ou por conta de outrem, celebrar consigo mesmo. Ou seja, esse negócio tem cheiro de maracutaia, pelo que pode ser anulado. E se eu (representante) celebro um negócio em conflito de interesses com você (representado), esse negócio é anulável. Sempre? Não, apenas se tal fato era ou devia ser do conhecimento de quem comigo contratou (art. 119). OK, mas você pode anular esse negócio que traz prejuízo a você a qualquer tempo? Não. O parágrafo único prevê que é de 180 dias, a contar da conclusão do negócio ou da cessação da incapacidade, o prazo decadencial para se pleitear essa anulação. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 56 368 1 3 Capítulo III – Condição, termo e encargo Eventualmente, há a subordinação de um negócio jurídico a um elemento eficacial. A doutrina menos técnica chama esses elementos de elementos acidentais do negócio jurídico. De modo sucinto, o CC/2002, introdutoriamente, estabelece três elementos eficaciais que nos interessam: a condição, o termo e o encargo. Mas, como distingui-los? 1 – Condição Primeiro, a condição está claramente disposta no Código: Art. 121. Considera-se condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto. No entanto, não é qualquer condição que pode ser estipulada pelas partes. Ao contrário, o art. 122 estabelece que a condição não pode violar a lei, a ordem pública e os bons costumes. Ainda, são proibidas as condições que privem de todo efeito o negócio jurídico, ou que o sujeitem ao puro arbítrio de uma das partes. A doutrina aponta que a condição potestativa (em sentido amplo) é aquela imposta pelo arbítrio das partes. Distinguem-se, então, as condições potestativas inseridas num negócio jurídico em condições simplesmente potestativas e condições puramente potestativas. As condições simplesmente potestativas – ou meramente potestativas – são lícitas, já que exigem da parte um certo esforço, ou determinado trabalho. Vale dizer, a eficácia do negócio jurídico depende da manifestação de vontade de apenas uma das partes, mas também a um evento outro. Já as condições puramente potestativas, por deixarem a eficácia do negócio jurídico ao arbítrio puro de uma das partes invalidam, tornam nulo, o negócio. Há ainda as condições mistas, que dependem tanto de um ao humano volitivo quanto de um evento alheio à conduta humana. Exemplo é a situação na qual “se estiver chovendo enquanto você é aplaudido cantando...”. O art. 123, por sua vez, estabelece que invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados: I - as condições física ou juridicamente impossíveis, quando suspensivas; II - as condições ilícitas, ou de fazer coisa ilícita; III - as condições incompreensíveis ou contraditórias. A condição será resolutiva quando por fim ao negócio, extingui-lo. Assim, por exemplo, doarei mensalmente a você uma quantia em dinheiro enquanto você estiver na faculdade. No momento em que você sai da faculdade, resolve-se o negócio. A condição suspensiva, por sua vez, subordina a eficácia do negócio. Assim, por exemplo, doarei uma quantia em dinheiro a você se você passar na prova. Se a condição for suspensiva, se adquire o direito apenas quando de seu implemento, conforme regra do art. 125. Se for resolutiva, o direito já se adquiriu, vigorando até sua resolução, de acordo com o art. 127. Por isso, segundo o art. 128: Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 57 368 2 3 Sobrevindo a condição resolutiva, extingue-se, para todos os efeitos, o direito a que ela se opõe; mas, se aposta a um negócio de execução continuada ou periódica, a sua realização, salvo disposição em contrário, não tem eficácia quanto aos atos já praticados, desde que compatíveis com a natureza da condição pendente e conforme aos ditames de boa-fé. 2 – Termo O termo, por sua vez, é aquilo que chamamos de “prazo” (na verdade, o prazo é o espaço de tempo entre o termo inicial – dies a quo – e o termo final – dies ad quem). É, portanto, um evento futuro e certo. Pode o termo ser inicial (“início do prazo”) ou final (“fim do prazo”). Como se trata de evento certo, o termo inicial suspende o exercício, mas não a aquisição do direito. Aqui há uma semelhança e uma diferença importantes entre a condição e o termo. Por isso, segundo o art. 135, ao termo inicial e final aplicam-se, no que couber, as disposições relativas à condição suspensiva e resolutiva. Isso porque a condição suspensiva se assemelha ao termo inicial e a condição resolutiva ao termo final. Qual a diferença? A CERTEZA! O termo é certo; a condição, incerta. É por isso que na condição suspensiva suspende-se a aquisição do direito e no termo inicial não; porque na condição eu não sei se a condição vai se implementar, no termo eu sei que ele vai ocorrer. Não há como se “fugir” do termo... O tempo pode ser visto ainda a partir de sua essencialidade. Termo essencial é a cláusula acessória inserida no negócio jurídico em que não se permite o seu cumprimento fora do advento do termo fixado, por não mais interessar (juridicamente) ao credor. Será o termo essencial relevante, por exemplo, nas questões que envolvem o inadimplemento das obrigações. O termo pode ser fixado pelas próprias partes, termo convencional, ou mesmo previsto em lei, termo legal. Há termo convencional na regra que limita a prestação de serviços a quatro anos, por exemplo. O CC/2002, além de regular o termo, também regula os prazos. Segundo o art. 132, salvo disposição em contrário, computam-se os prazos, excluído o dia do começo, e incluído o do vencimento: § 1o Se o dia do vencimento cair em feriado, considerar-se-á prorrogado o prazo até o seguinte dia útil. § 2o Meado considera-se, em qualquer mês, o seu décimo quinto dia. § 3o Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar exata correspondência. § 4o Os prazos fixados por hora contar-se-ão de minuto a minuto. Caso não esteja previsto prazo, os negócios jurídicos entre vivos devem ser executados logo, exceto se a execução tiver de ser feita em lugar diverso ou depender de tempo (art. 134). 3 – Encargo O encargo, ou modo, fardo, ônus, por sua vez, impõe ao beneficiário de uma liberalidade uma dada obrigação. Por exemplo, eu doarei meu apartamento a você, desde que você cuide do cachorro da família Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 58 368 ==1027f2== 3 3 até sua morte; ou eu doarei um terreno para você para que seja edificado um museu; ou eu doarei meu patrimônio a você com a obrigação de que você não derrubea casa de meus pais. Por isso, o encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito, por força do art. 136 do CC/2002. No entanto, há exceção: quando expressamente imposto no negócio jurídico, pelo disponente, como condição suspensiva. Aí, na realidade, a situação mais parecerá uma condição do que um encargo propriamente dito. Caso se estabeleça encargo ilícito ou impossível, ele será simplesmente considerado não escrito. A exceção fica para o caso de o encargo ilícito ou impossível constituir o motivo determinante da liberalidade, caso em que se invalida o negócio jurídico (art. 137). Por isso, se estabeleço que doarei um carro a você SE você for aprovado na prova, sua aprovação é uma condição para o negócio jurídico. Se estabeleço que doarei meu carro a você QUANDO você fizer 18 anos, seu aniversário é um termo para o negócio jurídico. Se estabeleço que doarei o carro a você DESDE QUE você o mantenha original, a manutenção da originalidade constitui um encargo do negócio jurídico. Condição (SE) Resolutiva Suspensiva Termo (QUANDO) Inicial Final Encargo (DESDE QUE) Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 59 368 1 6 CEBRASPE Condição, Termo E Encargo (Art. 121 Ao 137) 1. (CESPE / CGE - CE – 2019)Um produtor agrícola e uma companhia que produz derivados de sementes de soja pactuaram que a companhia compraria a próxima safra colhida pelo produtor, ficando o negócio jurídico condicionado à efetivação da colheita. A cláusula em questão constitui (A) uma condição resolutiva. (B) um encargo (C) uma condição suspensiva. (D) uma condição impossível. (E) um encargo ilícito. Comentários: A alternativa A errada, eis que, a condição resolutiva se subordina a ineficácia do negócio jurídico a um evento futuro e incerto. Enquanto este evento não ocorrer, vigorará o negócio jurídico. Uma vez verificada a condição, se extingue o direito que a ela se opõe. (Exemplo: “enquanto você estudar eu pagarei suas despesas”, uma vez que pare de estudar o negócio não será mais eficaz). A alternativa B errada, pois, encargo ou modo é uma restrição a certa liberalidade que foi concedida. Por exemplo, quando um pai dá um dinheiro de presente a um filho, mas diz que ele precisa usar parte deste dinheiro para comprar livros. Geralmente o encargo é colocado em doações, mas nada impede que se refira a qualquer ato de índole gratuita (liberalidades). Exemplo: “doa-se determinado terreno ao Estado tendo como obrigação deste a construção de um hospital (o encargo)”. A alternativa C correta, porque, a situação descrita no enunciado da questão é de condição suspensiva que ocorre quando as partes protelam a eficácia do negócio jurídico. Este só terá sua eficácia após o implemento de uma condição, um acontecimento futuro e incerto (ex: um pai estabelece uma condição ao filho, “eu te darei meu carro quando passares no vestibular”). A condição é classificada quanto a vários critérios, mas, para fins de concurso, o critério mais cobrado é quanto ao modo de atuação, neste ela será classificada em: ¹condição suspensiva e ²condição resolutiva. A alternativa D errada, já que, o acontecimento de que depende a eficácia do negócio jurídico há de ser possível. Do contrário, ele se invalida pela própria natureza. Por essa razão, a aposição de uma condição impossível a um ato negocial, qualquer que seja a natureza da impossibilidade, deve ter como consequência a ineficácia da declaração de vontade. A alternativa E errada, porque a ilicitude ou impossibilidade física ou jurídica do encargo leva a considerá-lo como não escrito, libertando o negócio jurídico de qualquer restrição, a não ser que se apure ter sido o modus o motivo determinante da liberalidade Inter vivos (doação) ou mortis causa Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 60 368 2 6 (testamento) caso que se terá a invalidação do ato negocial; posta, fere disto; porém, fora disto , se aproveitará como puro e simples. Art. 137. Considera-se não escrito o encargo ilícito ou impossível, salvo se constituir o motivo determinante da liberalidade, caso em que se invalida o negócio jurídico. 2. (CESPE / TJ-CE – 2018) Elemento acidental do negócio jurídico, a condição possui, entre outras, as seguintes características: (A) impositividade e certeza. (B) acessoriedade e voluntariedade. (C) legalidade e futuridade. (D) involuntariedade e incerteza. (E) legalidade e brevidade. Comentários: A alternativa A errada, pois condição é a cláusula que tem o condão de postergar a eficácia do negócio jurídico a um acontecimento futuro e não certo Art. 121. Considera-se condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto. A condição não é impositiva (não podem ser derrogadas pela vontade dos interessados, pois ordenam ou proíbem alguma coisa de modo absoluto), pois deriva da vontade das partes. Nem certa, pois refere- se a evento futuro e incerto. A alternativa B está correta, pois os negócios jurídicos apresentam elementos essenciais, que são obrigatórios para sua validade e constituição, são determinados pela lei. Porém, outros elementos podem ser acrescentados pela vontade do agente ou das partes e irão modificar os negócios jurídicos. São cláusulas acessórias e devem ser precisas e determinadas. Estes elementos facultativos, uma vez colocados no negócio, passam a integrá-lo, tornando-se, de certa forma, essenciais. São chamados de facultativos (acidentais, acessórios), porque tecnicamente o negócio pode sobreviver sem eles. Art. 121. Considera-se condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto. Os elementos da condição são: a voluntariedade (cláusula voluntária), a Futuridade (acontecimento a que se subordina a eficácia ou a resolução do ato jurídico seja futuro) e a incerteza (seja incerto). A alternativa C errada, dado que, as condições não estão previstas em lei, pois dependem da vontade das partes, não sendo, portanto, possível que o legislador preveja toda e qualquer condição possível e lícita. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 61 368 3 6 Quanto a futuridade é necessário que o acontecimento a que se subordina a eficácia ou a resolução do ato jurídico seja futuro. A alternativa D errada, porque na voluntariedade as partes devem querer e determinar o evento, pois se a eficácia do negócio jurídico for subordinada por determinação de lei, não haverá condição, mas, sim, condição legal. Quanto a Incerteza, o evento, a que se subordina o efeito do negócio, deve também ser incerto, podendo verificar-se ou não. A alternativa E errada, uma vez que, a brevidade está relacionada a tempo que seria termo (que é o dia ou momento em que começa ou se extingue a eficácia do negócio jurídico, podendo ter como unidade de medida a hora, o dia, o mês ou o ano) e não a condição que pode acontecer conforme convencionado entre as partes. Quanto a legalidade, as condições não estão previstas em lei, pois dependem da vontade das partes, não sendo, portanto, possível que o legislador preveja toda e qualquer condição possível e lícita. 3. (CESPE / ABIN – 2018) A respeito das regras dispostas no Código Civil quanto aos negócios jurídicos e aos contratos, julgue o item a seguir. A existência de encargo em negócio jurídico somente suspende a aquisição ou exercício do direito se for expressamente imposto como condição suspensiva pela disponente. Comentários:Ato jurídico - Dos atos jurídicos lícitos 315 ..............................................................................................................................................................................................39) Ato jurídico - Dos atos ilícitos 316 ..............................................................................................................................................................................................319 ..............................................................................................................................................................................................325 ..............................................................................................................................................................................................327 ..............................................................................................................................................................................................343 ..............................................................................................................................................................................................347 ..............................................................................................................................................................................................352 ..............................................................................................................................................................................................354 ..............................................................................................................................................................................................364 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 3 368 1 7 Capítulo I – Disposições gerais 1 – Mundo fático e mundo jurídico Falar em suporte fático é fazer referência a algo (evento ou conduta) que poderá ocorrer no mundo e que, por ter sido considerado relevante, passa a integrar o mundo do direito. Suporte fático, como o nome diz, é o suporte, a base, a sustentação do Direito. Fático porque esse suporte vem dos fatos, da realidade, do mundo real, não se uma elucubração, da minha mente. Ou seja, o Direito, para ser aplicado, precisa de um acontecimento – fato – que sirva de base – suporte – para a norma. Assim, quando eu chamo minha irmã para trabalhar comigo, no Estratégia, como minha assessora, temos um fato. Esse fato é suficiente para servir de base para uma norma? Neste caso, não. Agora, imagine que eu sou juiz, e coloco minha irmã como minha assessora na secretaria da vara na qual sou juiz titular. Esse fato é suficiente para servir de base a uma norma. Sim, porque o art. 117, inc. VIII, da Lei 8.112/1990 (“Ao servidor é proibido manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função de confiança, cônjuge, companheiro ou parente até o segundo grau civil”), proíbe essa conduta. Se um fato serve de suporte fático ou não é uma questão de texto (ou seja, de existir uma norma jurídica) e de contexto (as duas situações são idênticas, com a diferença de que no segundo caso eu sou um servidor público). Ou seja, o Direito analisa apenas aquilo que lhe interessa. Mas, é todo fato que interessa ao Direito? Na verdade, nem tudo que acontece no mundo interessa ao Direito. Interessa ao Direito algumas das coisas que acontecem no mundo fático, apenas, que integram o mundo jurídico. 2 – Classificação do fato jurídico A. Fato jurídico em sentido estrito (stricto sensu) É todo fato que não depende da conduta humana para que se tenha suporte fático. Cuidado! A conduta humana pode estar presente, mas ela não interessa. Por exemplo, a frutificação de uma árvore, o nascimento de uma criança, a maioridade e a morte. Em qualquer caso, o ato humano não é elemento necessário à composição do suporte fático suficiente, daí nominá-los de eventos, pois ocorrerão independentemente da vontade humana, naturalmente. Cuidado! Geralmente se chamam esses fatos de naturais. Não confunda com atos da natureza, eles são naturais porque são independentes da vontade humana. B. Atos-fatos jurídicos (atos reais) Outros fatos dependem de conduta humana para que exista suporte fático, mas independem da vontade humana. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 4 368 2 7 Nos fatos jurídicos em sentido estrito não existia conduta humana nenhuma. Aqui, existe conduta humana, mas a vontade humana não é relevante, pelo que são considerados condutas avolitivas (sem vontade ou com vontade irrelevante). Há, por exemplo, a caça ou a pesca, a tomada de posse ou o descobrimento do tesouro. Precisa-se de uma conduta humana, ou o peixe ou o pássaro não se tornarão propriedade de ninguém, mas a vontade não interessa. Se eu queria apenas retirar o peixe do rio, mas não o tomar como minha propriedade, isso não importa; se eu pesquei, pesquei e adquiri propriedade. C. Atos jurídicos em sentido amplo (lato sensu) Ato jurídico é o fato jurídico cujo suporte fático deve ser manifestado conscientemente por meio da vontade, com um objetivo possível e lícito. Assim, caso a pessoa não exteriorize a vontade, não existe ato jurídico. Por exemplo, tenho vontade de comprar um carro, mas não exteriorizo essa vontade a um vendedor de carros, não contrato; tenho vontade de matar, mas não mato. Essa exteriorização se manifesta de determinada forma, ou através de uma manifestação de vontade (passar o cartão do ônibus na catraca) ou de uma declaração de vontade (afirma que vai se divorciar; acena com a mão num leilão). O suporte fático deve ser composto pela consciência quando essa vontade for manifestada. A pessoa deve fazer a exteriorização com intuito de realizar aquela conduta relevante; se não há vontade de realizar aquele ato, ele é inexistente. Por exemplo, o aceno que eu fiz no leilão foi resultado de um espasmo muscular, porque tenho uma doença; não houve sinal, pelo que não houve aceitação da compra. Havendo tais elementos, o suporte fático se compõe, produzindo duas situações distintas, ou seja, os atos jurídicos em sentido amplo se subdividem em dois: Ato jurídico em sentido estrito (stricto sensu – ato não negocial) No ato jurídico em sentido estrito, após a manifestação da vontade, o direito pré-determina os efeitos que a conduta terá. O direito acolhe a manifestação de vontade e pré-determina os efeitos que ela terá. Tais efeitos são inafastáveis e invariáveis. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 5 368 ==1027f2== 3 7 Por exemplo, o pagamento. Ele é um ato jurídico em sentido estrito; mas, por quê? Por que não há necessidade de se declarar, nem é necessário que se queira constituir e nem se pode escolher efeitos outros que não previstos em lei. Se há um pagamento, inúmeros efeitos jurídicos se criam, independentemente da vontade das partes e mesmo contra a vontade das partes. Pagou, não ocorrem mais os efeitos da mora, e ponto. Negócio jurídico (ato negocial) A manifestação da vontade é exercida dentro de certos limites, que produzem efeitos. São os chamados efeitos voluntários. Há, aqui, um poder de autorregulamentação, ou seja, eu mesmo posso escolher os efeitos jurídicos que eu quero. Mas, as pessoas não podem escolher os efeitos que quiserem, simplesmente, mas apenas certos efeitos possíveis e permitidos pelo Direito. É fácil visualizar o que isso significa na prática. Você, na fila do Subway, pode escolher variados ingredientesA assertiva está correta, pois o encargo pode ser imposto como condição suspensiva e com efeitos próprios deste elemento acidental, desde que tal disposição seja expressa. Somente neste caso terá o efeito de suspender a aquisição e o exercício do direito, conforme dispõe o art. 136 do Código Civil: Art. 136. O encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito, salvo quando expressamente imposto no negócio jurídico, pelo disponente, como condição suspensiva. Deste modo, feita a doação com o encargo, a liberalidade não se suspende por seu não cumprimento (tanto a sua aquisição quanto o seu exercício), salvo na hipótese de suspensão ora enfocada (quando expressamente imposto no negócio jurídico, pelo disponente, como condição suspensiva). 4. (CESPE / PC-MA – 2018) Em geral, todas as condições do negócio jurídico que não sejam contrárias à lei, à ordem pública e aos bons costumes são lícitas. Entretanto, condição física ou juridicamente impossível imposta por uma das partes do negócio à outra uma (A) invalidará o negócio jurídico, se for resolutiva. (B) invalidará o negócio jurídico, caso seja suspensiva. (C) será considerada inexistente, seja ela suspensiva ou resolutiva. (D) será considerada anulável, se for resolutiva. (E) será considerada inexistente, caso seja suspensiva. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 62 368 4 6 Comentários: A alternativa A errada, já que, as condições física ou juridicamente impossíveis quando resolutivas são consideradas inexistentes, não escritas, permanecendo válido o negócio jurídico subjacente. A alternativa B correta, pois as condições física ou juridicamente impossíveis quando suspensivas invalidam a cláusula condicional e contaminam todo o contrato, que, por essa razão, não pode subsistir. As condições fisicamente impossíveis são as que não podem efetivar-se por serem contrárias à natureza. E as condições juridicamente impossíveis são as que invalidamos atos negociais a elas subordinados, por serem contrarias à ordem legal, conforme dispõe o art. 123, inc. I do Código Civil: Art. 123. Invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados: I - as condições física ou juridicamente impossíveis, quando suspensivas; A alternativa C errada, dado que, será considerada inexistente se for resolutiva e inválida se for suspensiva. As condições física ou juridicamente impossíveis quando resolutivas são consideradas inexistentes, não escritas, permanecendo válido o negócio jurídico subjacente. As condições física ou juridicamente impossíveis quando suspensivas invalidam a cláusula condicional e contaminam todo o contrato, que, por essa razão, não pode subsistir. A alternativa D errada, pois as condições física ou juridicamente impossíveis quando resolutivas são consideradas inexistentes, não escritas, permanecendo válido o negócio jurídico subjacente. A alternativa E errada, uma vez que, as condições física ou juridicamente impossíveis quando suspensivas invalidam a cláusula condicional e contaminam todo o contrato, que, por essa razão, não pode subsistir. 5. (CESPE / PGE-SE – 2017) Se uma pessoa, no dia 5 de dezembro de 2017, terça-feira, sofrer dano material em decorrência de acidente provocado por motorista que avançou sobre a faixa de pedestre, o prazo prescricional para que ela obtenha a indenização será contado a partir do dia (A) 5 de dezembro de 2017. (B) 11 de dezembro de 2017. (C) 6 de dezembro de 2017. (D) 8 de dezembro de 2017. (E) 7 de dezembro de 2017. Comentários: Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 63 368 5 6 A alternativa A errada, pois o prazo prescricional para que ela obtenha a indenização será contado a partir do dia 6, excluindo-se o dia do começo (dia 5) na contagem do prazo. A alternativa B errada, uma vez que, o prazo prescricional para que ela obtenha a indenização será contado a partir do dia 6 (dia seguinte), excluindo-se o dia do começo (dia 5) na contagem do prazo. E não no dia 11 (6 dias depois). A alternativa C correta, porque prazo é o lapso de tempo compreendido entre a declaração de vontade e a superveniência do termo em que começa o exercício do direito ou extingue-se o direito até então vigente. O prazo é contado por unidade de tempo (hora, dia, mês e ano), excluindo-se o dia do começo e incluindo-se o do vencimento, salvo disposição, legal ou convencional, em contrário, conforme dispõe o art. 132 do Código Civil: Art. 132. Salvo disposição legal ou convencional em contrário, computam-se os prazos, excluído o dia do começo, e incluído o do vencimento. Portanto, o prazo começará a correr no dia 6 de dezembro. A alternativa D errada, já que, o prazo prescricional para que ela obtenha a indenização será contado a partir do dia 6 quarta-feira (dia seguinte), excluindo-se o dia do começo (dia 5 terça-feira) na contagem do prazo. A alternativa E errada, uma vez que, o prazo prescricional para que ela obtenha a indenização será contado a partir do dia 6 quarta-feira (dia seguinte), excluindo-se o dia do começo (dia 5 terça-feira) na contagem do prazo. 6. (CESPE / PGE-SE – 2017) Assinale a opção que apresenta o conceito de condição, no âmbito dos negócios jurídicos. (A) Cláusula que sujeita o negócio ao emprego das técnicas de domínio do devedor. (B) Cláusula que submete a eficácia do negócio jurídico a determinado acontecimento. (C) Acontecimento futuro e certo que suspende a eficácia de um negócio jurídico. (D) Imposição de obrigação ao beneficiário de determinada liberalidade. (E) Cláusula que visa eliminar um risco que pesa sobre o credor. Comentários: A alternativa A errada, dado que, a alternativa estabelece um conceito vazio de conteúdo. Condição é a cláusula que subordina o efeito do negócio jurídico, oneroso ou gratuito, a evento futuro e incerto, conforme dispõe o art. 121 do Código Civil: Art. 121. Considera-se condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 64 368 ==1027f2== 6 6 A alternativa B correta, eis que, condição é o evento futuro e incerto de que depende a eficácia do negócio jurídico. Da sua ocorrência depende o nascimento ou a extinção de um direito. Sob o aspecto formal, apresenta -se inserida nas disposições escritas do negócio jurídico, razão por que, muitas vezes, se define como a cláusula que subordina o efeito do ato jurídico a evento futuro e incerto, conforme dispõe o art. 121 do Código Civil: Art. 121. Considera-se condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto. A alternativa C errada, pois, evento futuro e certo é termo (cláusula que subordina os efeitos do ato negocial a um acontecimento futuro e certo), não condição. A alternativa D errada, uma vez que, esse é o conceito de encargo, não de condição. A imposição de uma obrigação sob determinada liberalidade, configura encargo que é uma determinação que, imposta pelo autor de liberalidade, a esta adere, restringindo-a. Trata-se de cláusula acessória às liberalidades (doações, testamentos), pela qual se impõe uma obrigação ao beneficiário. A alternativa E errada, já que, outra alternativa que não tem um conceito relacionado com condição, talvez pretendendo o examinador aqui conceituar a cláusula del credere de determinados contratos. 7. (CESPE / PREFEITURA DE FORTALEZA-CE – 2017) Acerca de ato e negócio jurídicos e de obrigaçõese contratos, julgue o item que se segue. Não constitui condição a cláusula que subordina os efeitos de um negócio jurídico à aquisição da maioridade da outra parte. Comentários: A assertiva está correta, já que, condição é a cláusula que subordina o efeito do negócio jurídico, oneroso ou gratuito, a evento futuro e incerto, ), conforme dispõe o art. 121 do Código Civil: Art. 121. Considera-se condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto. Termo é cláusula que subordina os efeitos do ato negocial a um acontecimento futuro e certo. Portanto, à aquisição da maioridade da outra parte é evento futuro e certo, pois tem dia certo para acontecer. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 65 368 1 5 FCC Condição, Termo E Encargo (Art. 121 Ao 137) 1. (FCC - ARTESP - Especialista em Regulação de Transporte III - Direito- 2017) Os elementos acidentais do negócio jurídico podem ser definidos como cláusulas que se acrescentam com o objetivo de modificar uma ou algumas das consequências naturais do negócio em questão. Constitui exemplo de cláusulas de tal natureza admitidas pelo ordenamento jurídico vigente: a) Condição resolutiva, de cuja ocorrência depende a eficácia do negócio jurídico, não se admitindo o caráter aleatório. b) Condição suspensiva, a qual, uma vez implementada, susta os efeitos do negócio jurídico, sendo admissível apenas para contratos de trato sucessivo. c) Modo, que difere a exigibilidade do negócio jurídico para momento futuro ou o torna exigível em prestações sucessivas. d) Termo, que, por vontade das partes, subordina os efeitos do ato negocial a um evento futuro e incerto, podendo ser inicial ou final. e) Encargo, que, enquanto não realizado, suspende o exercício ou aquisição do direito objeto do negócio jurídico, não podendo ser desproporcional ou desarrazoado. Comentários: A alternativa A está incorreta. A condição resolutiva pode ser descrita quando o evento condicionante dá fim aos efeitos do negócio jurídico. Por exemplo, digamos que um tio condiciona uma cláusula ao sobrinho após passar na faculdade de medicina, sendo que o tio deixe-o morar no apartamento até o sobrinho formar-se na faculdade. Neste exemplo, o negócio benéfico seria a moradia do apartamento, e a condição resolutiva, que daria fim aos efeitos do negócio, seria a formação do sobrinho. Essa condição é tratada na redação do art. 127 do Código Civil, que traz: "Se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, vigorará o negócio jurídico, podendo exercer-se desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido.". A alternativa B está incorreta. A condição suspensiva, ao contrário da resolutiva, gera a chamada expectativa de direito, que seria a suspensão dos efeitos do negócio jurídico até que o evento condicione sua eficácia, tanto sua aquisição ou início, quanto o exercício deste. No exemplo dado na alternativa anterior, em cláusula suspensiva, suspender-se-ia os efeitos do negócio jurídico (a doação), até que determinado evento seja cumprido, no caso a aprovação do sobrinho na faculdade de medicina, a partir de então serão produzidos os efeitos do negócio tratado. O art. 125 do Código Civil, trata sobre o tema, dizendo que: "Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta se não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa.". A alternativa C está incorreta. O modo ou condição causal não parecem expressos diretamente no Código Civil, mas trata-se, quando se fala de modo, de um condicionante futuro para o negócio ou das prestações que se fará a negociação, já se tratando de condição causal, é mais diretamente retratado como eventos futuros incertos que não dependem da vontade humana, sendo relacionado a eventos de força maior ou da natureza. Seguindo o exemplo anterior, seria como se o tio negocia-se que caso chova amanhã ele doará o apartamento para o sobrinho. Essa condição é validada indiretamente pelo art. 122 do Código Civil, que diz: "São lícitas, em geral, todas as condições não contrárias à lei, à ordem pública Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 66 368 2 5 ou aos bons costumes; entre as condições defesas se incluem as que privarem de todo efeito o negócio jurídico, ou o sujeitarem ao puro arbítrio de uma das partes.". A alternativa D está incorreta. O termo é um evento de futuro certo que condiciona os efeitos do negócio jurídico. O temo se divide em dois, pode ser termo certo: quando se tem estipulado certo quanto ao fato e a duração; e o termo incerto: quando o termo estipula certo o fato, mas é incerto acerca do tempo de duração. E ainda, o termo pode se resolutivo, dando fim aos efeitos, ou suspensivo, quanto o exercício mas não a suspensão, como traz a redação do art. 131, do Código Civil, que traz: "O termo inicial suspende o exercício, mas não a aquisição do direito.". A alternativa E está correta e é o gabarito da questão. O encargo é uma cláusula acessória, ou seja, faz parte de um negócio jurídico certo, que estipula um compromisso para o beneficiário do negócio, podendo inclusive ser posto como condição suspensiva para que ato seja válido, como trata o art. 132 do Código Civil, que diz: "O encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito, salvo quando expressamente imposto no negócio jurídico, pelo disponente, como condição suspensiva.". Também pode ser feito unilateralmente, como por exemplo, nos casos de recompensa. Usualmente o encargo pode ser visto nas doações a municípios ou entidades, com obrigação de usar o dinheiro para educação, ou afins. 2. (FCC / TRT - 11ª REGIÃO – 2017) Rafael vendeu uma fazenda para Valdir, estabelecendo que o comprador só entrará na posse do imóvel quando tiver construído uma igreja para os colonos. Tal negócio está sujeito a) A termo final. b) A termo inicial. c) À Condição resolutiva. d) À Condição suspensiva. e) A encargo. Comentários: A alternativa A está incorreta, pois não é “termo”, sendo o termo um evento futuro e certo. O termo “futuro” é utilizado no sentido de não saber quando irá ocorrer, mas sabe-se que irá, e “certo” confirma a certeza de que o evento é algo que vai ocorrer, mas no caso da questão, não se sabe se de fato a pessoa irá construir uma igreja para colonos, que é a requisição imposta por Rafael (vendedor) sob Valdir (comprador) para que entre na posse do terreno. Art. 131, CC. O termo inicial suspende o exercício, mas não a aquisição do direito. A alternativa B está incorreta, dado que não é “termo” a definição a ser utilizada pois não é certeza que Valdir, mesmo sob a imposição de Rafael, irá construir a igreja para colonos, citada como requisição para que entre na posse do terreno adquirido. A alternativa C está incorreta, dado que tal acontecimento não é uma condição resolutiva, pois ainda não ocorreu a finalização da validez do negócio. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 67 368 ==1027f2== 3 5 Art. 127. Se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, vigorará o negócio jurídico, podendo exercer-se desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido. Art. 128: Sobrevindo a condição resolutiva, extingue-se, para todos os efeitos, o direito a que ela se opõe; mas, se aposta a um negócio de execução continuada ou periódica, a sua realização, salvo disposição em contrário, não tem eficácia quanto aos atos já praticados, desde que compatíveis com a natureza da condiçãopendente e conforme aos ditames de boa-fé. A condição resolutiva ocasiona a extinção do contrato quando verifica-se sua ocorrência. De acordo com o artigo 127, "se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, vigorará o negócio jurídico, podendo exercer-se desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido", porém, assim que sobrevier a condição, extinguirá o direito a que ela se opõe. Caso a condição resolutiva seja aposta em um negócio jurídico cuja execução seja periódica, ocorrida a condição os negócios anteriores somente serão válidos se compatíveis com a condição e se as partes agiram com boa-fé. A alternativa D está correta, dado que este negócio tem uma condição suspensiva. A condição suspensiva ocorre quando as partes protelam a eficácia do negócio jurídico. Este só terá sua eficácia após o implemento de uma condição, um acontecimento futuro e incerto. Não se adquire o direito enquanto nos se verificar a condição, de acordo com o art. 125. A condição suspensiva é a condição que suspende os efeitos do ato jurídico durante o período de tempo em que determinado evento não ocorre. Prevê o artigo 125, do Código Civil, que "subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta se não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa". A condição de "construir uma igreja para colonos" é evento futuro e incerto e está suspendendo a eficácia do negócio, isto é, enquanto não se realizar, não haverá a aquisição do direito, que no caso é entrar na posse do imóvel. Art. 125. Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta se não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa. A alternativa E está incorreta, pois o encargo ou modo é o elemento acidental do negócio jurídico que traz um ônus relacionado com uma liberalidade. Geralmente, o encargo ou modo ocorre na doação, testamento e legado (quais são gratuitos, contrário ao enunciado da questão, onde se falou em venda). Assim, de acordo com o art. 136 do atual CC, “o encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito, salvo quando expressamente imposto no negócio jurídico, pelo disponente, como condição suspensiva.” Desse modo, no exemplo apontado, o donatário já recebe o terreno. Caso não seja feita a construção em prazo fixado pelo doador, caberá revogação do contrato. Declara-se, desta forma, que o encargo é diferente da condição suspensiva justamente porque não suspende a aquisição nem o exercício do direito. 3. (FCC / PREFEITURA DE TERESINA-PI – 2016) O elemento acidental do negócio jurídico, estabelecido pelas partes, que faz com que a eficácia desse negócio fique subordinada à ocorrência de evento futuro e certo denomina-se Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 68 368 4 5 a) Termo convencional. b) Termo legal. c) Condição suspensiva. d) Condição resolutiva. e) Encargo. Comentários A alternativa A está correta, o termo é referente à um evento futuro e certo que implica no início dos efeitos do negócio jurídico. Quando a questão traz a sentença “estabelecido pelas partes” observamos a aproximação com o termo ‘convencional’. A alternativa B está incorreta, o termo legal é referido por determinação da lei, o que não condiz com a questão, já que se parte do princípio que é de vontade das partes. A alternativa C está incorreta, o termo ‘condição’ reflete um evento futuro e incerto que, nesse caso impossibilita a produção dos efeitos até que o evento futuro e incerto seja realizado. Previsto pelo Art. 125 do CC: "subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta se não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa". A alternativa D está incorreta, o termo ‘condição’ reflete um evento futuro e incerto que, nesse caso, acarreta a extinção do contrato quando é verificado determinado fato e segue o Art. 127 do Código Civil: “se for resolutiva a condição, enquanto está se não realizar, vigorará o negócio jurídico, podendo exercer-se desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido”. A alternativa E está incorreta, este é a cláusula acessória à liberalidade e não impede a aquisição bem como o exercício do direito, gerando direito adquirido. 4. (FCC / TJ-PI – 2015) Quando o testamento foi aberto, Rubião quase caiu para trás. Advinhas por quê. Era nomeado herdeiro universal do testador. Não cinco, nem dez, nem vinte contos, mas tudo, o capital inteiro, especificados os bens, casa na Corte, uma em Barbacena, escravos, apólices, ações do Banco do Brasil e de outras instituições, joias, dinheiro amoedado, livros − tudo finalmente passava às mãos do Rubião, sem desvios, sem deixas a nenhuma pessoa, nem esmolas, nem dívidas. Uma só condição havia no testamento, a de guardar o herdeiro consigo o seu pobre cachorro Quincas Borba, nome que lhe deu por motivo da grande afeição que lhe tinha. Exigia do dito Rubião que o tratasse como se fosse a ele próprio testador, nada poupando em seu benefício, resguardando-o de moléstias, de fugas, de roubo ou de morte que lhe quisessem dar por maldade; cuidar finalmente como se cão não fosse, mas pessoa humana. Item, impunha-lhe a condição, quando morresse o cachorro, de lhe dar sepultura decente, em terreno próprio, que cobriria de flores e plantas cheirosas; e mais desenterraria os ossos do dito cachorro, quando fosse tempo idôneo, e os recolheria a uma urna de madeira preciosa para depositá-los no lugar mais honrado da casa. (Assis, Machado de. Quincas Borba. p. 25. Saraiva, 2011). As exigências feitas a Rubião consubstanciam Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 69 368 5 5 a) termo final. b) condição resolutiva. c) condição suspensiva. d) termo inicial. e) encargo. Comentários A alternativa A está incorreta, pois o citado “termo final” é a cláusula que subordina a eficácia do negócio jurídico a um evento futuro e certo que quando verificado põe fim aos efeitos do negócio jurídico, não sendo o que ocorreu no caso concreto. A alternativa B está incorreta, pois a “condição resolutiva” é referente à uma cláusula que subordina a eficácia do negócio jurídico à um evento futuro e incerto, após ocorrida a resolução da condição, acarretando o fim do negócio jurídico. A alternativa C está incorreta pois “condição suspensiva” é a concepção de uma cláusula que subordina a eficácia do negócio jurídico à um evento futuro e incerto, sendo submetida ao início dos efeitos a um evento futuro e incerto, suspendendo o negócio jurídico até que a condição oposta ocorra. A alternativa D está incorreta, pois o “termo inicial” é a cláusula que subordina a eficácia do negócio jurídico a um evento futuro e certo, esse dá início aos efeitos do negócio jurídico e gera direito adquirido. A alternativa E está correta, pois o “encargo” é a prática de uma liberalidade submetida a um ônus. O encargo deve ser cumprido, e caso não ocorra o cumprimento, o praticante da doação poderá revogar o ato ou exigir o cumprimento do encargo. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 70 368 1 2 FCC Condição, Termo E Encargo (Art. 121 Ao 137) 1. (FCC - ARTESP - Especialista em Regulação de Transporte III - Direito- 2017) Os elementos acidentais do negócio jurídico podem ser definidos como cláusulas que se acrescentam com o objetivo de modificar uma ou algumas das consequências naturais do negócio em questão. Constitui exemplo de cláusulas de tal natureza admitidas pelo ordenamento jurídico vigente: a)Condição resolutiva, de cuja ocorrência depende a eficácia do negócio jurídico, não se admitindo o caráter aleatório. b) Condição suspensiva, a qual, uma vez implementada, susta os efeitos do negócio jurídico, sendo admissível apenas para contratos de trato sucessivo. c) Modo, que difere a exigibilidade do negócio jurídico para momento futuro ou o torna exigível em prestações sucessivas. d) Termo, que, por vontade das partes, subordina os efeitos do ato negocial a um evento futuro e incerto, podendo ser inicial ou final. e) Encargo, que, enquanto não realizado, suspende o exercício ou aquisição do direito objeto do negócio jurídico, não podendo ser desproporcional ou desarrazoado. 2. (FCC / TRT - 11ª REGIÃO – 2017) Rafael vendeu uma fazenda para Valdir, estabelecendo que o comprador só entrará na posse do imóvel quando tiver construído uma igreja para os colonos. Tal negócio está sujeito a) A termo final. b) A termo inicial. c) À Condição resolutiva. d) À Condição suspensiva. e) A encargo. 3. (FCC / PREFEITURA DE TERESINA-PI – 2016) O elemento acidental do negócio jurídico, estabelecido pelas partes, que faz com que a eficácia desse negócio fique subordinada à ocorrência de evento futuro e certo denomina-se a) Termo convencional. b) Termo legal. c) Condição suspensiva. d) Condição resolutiva. e) Encargo. 4. (FCC / TJ-PI – 2015) Quando o testamento foi aberto, Rubião quase caiu para trás. Advinhas por quê. Era nomeado herdeiro universal do testador. Não cinco, nem dez, nem vinte contos, mas tudo, o capital inteiro, especificados os bens, casa na Corte, uma em Barbacena, escravos, Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 71 368 2 2 apólices, ações do Banco do Brasil e de outras instituições, joias, dinheiro amoedado, livros − tudo finalmente passava às mãos do Rubião, sem desvios, sem deixas a nenhuma pessoa, nem esmolas, nem dívidas. Uma só condição havia no testamento, a de guardar o herdeiro consigo o seu pobre cachorro Quincas Borba, nome que lhe deu por motivo da grande afeição que lhe tinha. Exigia do dito Rubião que o tratasse como se fosse a ele próprio testador, nada poupando em seu benefício, resguardando-o de moléstias, de fugas, de roubo ou de morte que lhe quisessem dar por maldade; cuidar finalmente como se cão não fosse, mas pessoa humana. Item, impunha-lhe a condição, quando morresse o cachorro, de lhe dar sepultura decente, em terreno próprio, que cobriria de flores e plantas cheirosas; e mais desenterraria os ossos do dito cachorro, quando fosse tempo idôneo, e os recolheria a uma urna de madeira preciosa para depositá-los no lugar mais honrado da casa. (Assis, Machado de. Quincas Borba. p. 25. Saraiva, 2011). As exigências feitas a Rubião consubstanciam a) termo final. b) condição resolutiva. c) condição suspensiva. d) termo inicial. e) encargo. GABARITO 1. ARTESP E 2. TRT - 11ª REGIÃO D 3. PREF. DE TERESINA-PI A 4. TJ-PI E Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 72 368 ==1027f2== 1 13 VUNESP Condição, Termo E Encargo (Art. 121 Ao 137) 1. (VUNESP - Câmara de Serrana - SP - Procurador Jurídico- 2019) José, no início do ano de 2013, assinou uma escritura pública em que, expressamente, dispôs que, caso seu sobrinho João fosse aprovado no exame da Ordem dos Advogados do Brasil, até o final do ano de 2017, iria lhe transferir a propriedade de um apartamento, em razão de seu mérito. Na data em que ocorreria o último exame da Ordem dos Advogados do Brasil do ano de 2017, José oferece carona a João para levá-lo ao local do exame. Como estava arrependido do negócio jurídico realizado, de forma maliciosa, José simulou um defeito no carro e parou o veículo no meio do caminho, com seu sobrinho João dentro do carro. O ato de José ocasionou a perda do exame por João. Acerca da situação relatada, assinale a alternativa correta. a) João não mais poderá adquirir a propriedade do apartamento recebido, pois a condição a que estava subordinada não se realizou, tendo, no entanto, a possibilidade de postular perdas e danos contra José, por ter lhe ocasionado a perda da prova. b) Como a condição a que estava subordinada a eficácia do negócio jurídico não ocorreu por malícia da parte a quem desfavorecia, reputa-se verificada, quanto aos efeitos jurídicos, e João adquiriu a propriedade do apartamento de José. c) A perda do exame ocasiona a rescisão do contrato de transferência da propriedade, em razão da impossibilidade de implemento da condição a que estava subordinado, retornando as partes ao estado em que estavam, sem possibilidade de se pleitear qualquer indenização, em razão da gratuidade do negócio jurídico. d) O negócio era nulo desde o início, tendo em vista que o direito brasileiro não admite uma condição tal como posta, que se configura como puramente potestativa, devendo João pleitear a indenização de José pela perda de uma chance. e) A cláusula constante do negócio jurídico era anulável, por ser meramente potestativa, devendo ser considerada como não escrita, tendo o negócio jurídico validade desde a celebração, quando transferiu a propriedade do apartamento a João. Comentários A alternativa A está incorreta, dado que dada a subordinação da eficácia do negócio jurídico não foi decorrente de malícia da parte qual desfavorecia, portanto é verificada quanto aos efeitos jurídicos, ficando João como proprietário do apartamento de José. Dispõe desta forma o Art. 129 do CC: Art. 129. Reputa-se verificada, quanto aos efeitos jurídicos, a condição cujo implemento for maliciosamente obstado pela parte a quem desfavorecer, considerando-se, ao contrário, não verificada a condição maliciosamente levada a efeito por aquele a quem aproveita o seu implemento A alternativa B está correta, pois, de fato, como a condição a que estava subordinada a eficácia do negócio jurídico não ocorreu por malícia da parte a quem desfavorecia, reputa-se verificada, quanto aos efeitos jurídicos, e João adquiriu a propriedade do apartamento de José. Dispõe deste modo o art. 129 do CC: Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 73 368 2 13 Art. 129. Reputa-se verificada, quanto aos efeitos jurídicos, a condição cujo implemento for maliciosamente obstado pela parte a quem desfavorecer, considerando-se, ao contrário, não verificada a condição maliciosamente levada a efeito por aquele a quem aproveita o seu implemento. A alternativa C está incorreta, visto que não se trata de rescisão, que é uma das modalidades de extinção do contrato. A rescisão supracitada é conceituada como a desconstituição do negócio jurídico por um vício objetivo anterior à celebração do negócio jurídico. O negócio jurídico A alternativa D está incorreta, pois não há que se falar em perda de uma chance no caso em questão. “A teoria de perda de uma chance (perte d'une chance) dá suporte à responsabilização do agente causador, não de dano emergente ou lucros cessantes, mas sim de algo que intermedeia um e outro: a perda da possibilidade de buscar posição jurídica mais vantajosa que muito provavelmente alcançaria se não fosse o ato ilícito praticado. Dessa forma, se razoável, séria e real, mas não fluida ou hipotética, a perda da chance é tida por lesão às justas expectativas do indivíduo, então frustradas" (REsp 1.190.180-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 16/11/2010). A alternativa E está incorreta, dado que os elementos acidentais se encontram dentro da eficácia do negócio jurídico,não no âmbito da validade, reputando-se verificada a condição, conforme disposto pelo art. 129 do CC. Art. 129. Reputa-se verificada, quanto aos efeitos jurídicos, a condição cujo implemento for maliciosamente obstado pela parte a quem desfavorecer, considerando-se, ao contrário, não verificada a condição maliciosamente levada a efeito por aquele a quem aproveita o seu implemento 2. (VUNESP/ PREFEITURA DE GUARULHOS-SP – 2019) Quanto às condições impossíveis, pode- se afirmar que a) resolutivas ou suspensivas, invalidam o negócio jurídico. b) invalidam o negócio jurídico se forem suspensivas e fisicamente impossíveis, não o invalidando se forem apenas juridicamente impossíveis. c) invalidam o negócio jurídico se forem suspensivas e juridicamente impossíveis, não o invalidando se forem apenas fisicamente impossíveis. d) se forem resolutivas, têm-se por inexistentes e não interferem na validade do negócio jurídico. e) sejam resolutivas ou suspensivas, sempre devem ser consideradas por inexistentes. Comentários A alternativa A está incorreta. O ato impossível é justamente o que o nome deixa a entender, algo que seja impossível de ser praticado, tanto fisicamente, quanto juridicamente. A condição suspensiva gera a chamada expectativa de direito, que seria a suspensão dos efeitos do negócio jurídico até que o evento condicione sua eficácia, tanto sua aquisição ou início, quanto o exercício deste. Já a condição resolutiva, Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 74 368 3 13 traz que o evento condicionante daria fim aos efeitos do negócio jurídico. Sobre a assertiva, trata o art. 123, Inc. I, do Código Civil que: Art. 123. Invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados: I - As condições física ou juridicamente impossíveis, quando suspensivas; Sendo assim, se tratando de um ato impossível de condições suspensivas, será considerado invalido, pois, ao dizer que um negócio só produzirá efeitos após um ato fisicamente ou juridicamente impossível, seria o mesmo que dizer que tal negócio jamais terá efeitos, por conta disso esse negócio é tido como nulo. Já a condição resolutiva é perfeitamente possível e válida, já que ao dizer que um negócio jurídico terá efeitos até que alguém pratique um ato impossível, é dizer que esse negócio produzirá efeitos indeterminadamente. (Vide art. 124). A alternativa B está incorreta. Traz expressamente o art. 123, Inc. I do Código Civil, que invalidam o negócio jurídico: "as condições física ou juridicamente impossíveis, quando suspensivas;". Ou seja, são considerados inválidos os negócios jurídicos que dependem, para a produção de efeitos, de um evento impossível, fisicamente ou juridicamente, pois jamais encontrariam sua eficácia, tendo um vício originário. Como por exemplo, digamos que um negócio jurídico só produzirá efeitos quando tal sujeito voar (ato fisicamente impossível); ou, por exemplo, quando uma pessoa se casar com sua própria mãe (ato juridicamente impossível). Em ambos os casos, seriam considerados negócios jurídicos inválidos. A alternativa C está incorreta. O ato impossível de ser praticado, em condição suspensiva, invalida o negócio jurídico tanto para os atos fisicamente impossíveis quanto para os juridicamente impossíveis, sendo o erro da assertiva trazer apenas o ato juridicamente impossível como inválido e excluindo o ato fisicamente impossível que também é inválido conforme a redação do art. 123, Inc. I do Código Civil, dizendo que invalidam os negócios jurídicos: "as condições física ou juridicamente impossíveis, quando suspensivas;". Isso ocorre pois, como já mencionado, quando o negócio jurídico depende de algo impossível de ser praticado para produzir efeitos, significa que esse negócio jamais será efetivado, criando um vício originário, um defeito nesse ato, por isso é considerado inválido. A alternativa D está correta e é o gabarito da questão. Na condição suspensiva vimos que os atos impossíveis são considerados inválidos, por outro lado o ato impossível de ser praticado, fisicamente ou juridicamente, como condição resolutiva do negócio jurídico, é interpretado como não escrito sendo desconsiderado, pois não afetaria na eficácia do negócio jurídico, ou seja, se o negócio produzirá efeitos até que pratique o evento impossível, então é o mesmo que dizer que este ato produzirá efeitos para sempre. Assim essa condição, e o ato a ela empregado, é considerada inexistente pelo código como se pode ver no art. 124 do Código Civil, que diz: "Têm-se por inexistentes as condições impossíveis, quando resolutivas, e as de não fazer coisa impossível.". A alternativa E está incorreta. Apenas a condição resolutiva, quando se trata de ato impossível, é considerada inexistente. Isto porque, como se pode ver acima, quando dizemos que um negócio jurídico produzirá efeitos até que certa pessoa pratique um ato impossível, seja fisicamente ou juridicamente, se pode interpretar objetivamente que este negócio produzirá efeitos para sempre (vide art. 124). Já no caso da condição suspensiva, estamos falando que um negócio jurídico depende de um ato impossível para produzir efeitos, neste caso o código traz a proteção do ato através da invalidação deste, pois este negócio jamais teria eficácia, não produzindo efeitos (vide art. 123). Gabarito: letra D. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 75 368 4 13 3. (VUNESP - Câmara de Tanabi - SP - Advogado- 2018) Pedro, torcedor do time A, e Paulo, torcedor de time B, irmãos, fanáticos por futebol, estavam assistindo ao jogo da final do campeonato entre esses dois times quando Paulo informa que irá doar R$ 100.000,00 (cem mil reais) ao time B a fim de que seja construído um campo de treinamento para crianças carentes. A situação fictícia trata de uma hipótese de a) condição potestativa. b) condição suspensiva. c) condição resolutiva. d) encargo. e) termo. Comentários A alternativa A está incorreta, dado que a hipótese trata de encargo, e não da condição potestativa. A condição potestativa é a que decorre da vontade das partes. Podem ser puramente potestativas, sendo estas as que sujeitam todo o efeito do ato ao puro arbítrio de uma das partes, sem a influência de qualquer fato externo, ou simplesmente potestativas, que são as que dependem não só da manifestação de vontade de uma das partes como também de algum acontecimento ou circunstância exterior que escapa ao seu controle. A alternativa B está incorreta, pois a situação trata do encargo, e não da condição suspensiva. A condição suspensiva suspende a aquisição e o exercício do direito, ou seja, é aquela que subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto, ou seja, o negócio jurídico somente produzirá efeitos se ocorrer o evento estipulado pelas partes. A alternativa C está incorreta, visto que a hipótese não trata da condição resolutiva, e sim do encargo. A condição resolutiva é a que extingue, resolve o direito transmitido pelo negócio, ocorrido o evento futuro e incerto, por exemplo, o beneficiário da doação, depois de recebido o bem, casa-se com a pessoa que o doador proibiu, tendo este conferido ao eventual casamento o caráter de condição resolutiva). Colocando de outro modo, é a condição cujo implemento faz cessar os efeitos do ato ou negócio jurídico. Logo, até que seja implementada a condição, vigorará o negócio jurídico, podendo exercer-se desde o momento deste o direito por ele estabelecido. A alternativa D está correta, pois, de fato, a hipótese apresentada trata acerca do encargo. O encargo, também chamado de modo, cláusula acessória à liberalidade, pela qual se impõe umaobrigação a ser cumprida pelo beneficiário. Gera direito adquirido a seu destinatário, que já pode exercer o seu direito, ainda que pendente o cumprimento da obrigação que lhe fora imposta. A alternativa E está incorreta, visto que a hipótese apresentada trata do encargo, e não do termo. O termo se configura como um evento futuro e certo que condiciona o início dos efeitos do negócio jurídico. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 76 368 5 13 Em relação à certeza da ocorrência, o termo classifica-se em: a) termo certo (certus an certus), quando a prefixação do termo é certa quanto ao fato e ao tempo de duração; Por sua vez, configura-se como termo incerto (certus an incertus), quando termo certo quanto ao fato, mas, incerto quanto à duração. Assim como as condições, o termo pode ser suspensivo (inicial ou dies a quo), gerando direito adquirido ao titular, posto que impede somente o seu exercício, mas não a sua aquisição, ou, resolutivo (final ou dies ad quem), que coloca fim aos efeitos do negócio jurídicos. 4. (VUNESP - Prefeitura de Pereira Barreto - SP - Procurador do Município- 2018) Além dos elementos estruturantes e essenciais dos negócios jurídicos, o princípio da autonomia da vontade permite às partes introduzirem, facultativamente, elementos acidentais que, dessa forma, passam a integrá-lo de forma indissociável. No que se refere a esses elementos acidentais, é correto afirmar: a) invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados, as condições física ou juridicamente impossíveis, quando resolutivas. b) enquanto não se verificar a condição suspensiva inserida ao negócio jurídico, haverá para a parte apenas a expectativa de direito a que ele visa. c) se alguém dispuser de uma coisa sob condição suspensiva, e, pendente esta, fizer quanto àquela novas disposições, estas valerão, mas, realizada a condição, se com ela forem incompatíveis, responderá a parte por perdas e danos. d) o termo inicial suspende o exercício e a aquisição do direito. e) o encargo imposto aos contratos onerosos não suspende a aquisição nem o exercício do direito, salvo quando expressamente imposto, pelo disponente, como condição resolutiva. Comentários A alternativa A está incorreta, dado que invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados, as condições física ou juridicamente impossíveis, quando suspensivas, não resolutivas. Art. 123. Invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados: I - as condições física ou juridicamente impossíveis, quando suspensivas; Considera-se física ou juridicamente impossível, não há incerteza quanto ao evento que deixa subordinado os efeitos do negócio jurídico. Dizer, por exemplo, que determinado negócio jurídico produz efeitos somente no caso de alguém conseguir correr sobre o oceano (que é fisicamente impossível) ou se alguém se casar com a própria filha (também juridicamente impossível) é o mesmo que dizer que determinado negócio jamais produzirá efeito algum. Então, o negócio como um todo será nulo. Entretanto, o negócio será perfeitamente válido e eficaz no caso de ser resolutivo, devendo- se considerar tal condição como não escrita. Afinal de contas, dizer que certo negócio jurídico irá produzir efeitos até que alguém consiga correr sobre o oceano é o mesmo que dizer que o negócio irá produzir efeitos indefinidamente. A alternativa B está correta, pois, de fato, enquanto não se verificar a condição suspensiva inserida ao negócio jurídico, haverá para a parte apenas a expectativa de direito a que ele visa. Dispõe deste modo o Art. 125 do CC: Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 77 368 ==1027f2== 6 13 Art. 125. Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta se não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa. A condição suspensiva é aquela condição que suspende os efeitos do ato jurídico durante o período de tempo em que determinado evento não ocorre. A alternativa C está incorreta, visto que se alguém dispuser de uma coisa sob condição suspensiva, e, pendente esta, fizer quanto àquela novas disposições, estas não irão possuir valor, mesmo que realizada a condição. Dispõe deste modo o Art. 126 do CC: Art. 126. Se alguém dispuser de uma coisa sob condição suspensiva, e, pendente esta, fizer quanto àquela novas disposições, estas não terão valor, realizada a condição, se com ela forem incompatíveis. Apesar de o direito não se adquirir enquanto estiver pendente a condição suspensiva, o legislador deixa protegido o pretenso titular de tal direito declarando a ineficácia das disposições relativas à coisa que já foi objeto de um negócio jurídico subordinado à condição suspensiva. Não impede o legislador que seu titular faça novas disposições acerca da coisa, no entanto, se foram com elas incompatíveis, estas disposições não terão valor se a condição for implementada. A alternativa D está incorreta, pois o termo inicial suspende o exercício, de fato, mas não suspende a aquisição do direito. Dispõe deste modo o Art. 131 do CC: Art. 131. O termo inicial suspende o exercício, mas não a aquisição do direito. O termo é o evento futuro e certo que subordina a eficácia do negócio jurídico. Da mesma forma que a condição, sendo assim, o termo pode ser suspensivo ou resolutivo. O que diferencia o termo da condição é a certeza quanto a ocorrência do termo, enquanto a condição é um evento futuro e incerto. O termo, caracterizado pela certeza da ocorrência, não é descaracterizado quando há incerteza sobre o momento de sua ocorrência. Diante dessa circunstância, classifica-se o termo quanto à certeza quanto ao momento em que ele ocorrerá. O termo será certo desde logo souberem as partes exatamente quando irá ocorrer. O termo será certo se desde logo as partes souberem quando ele irá ocorrer. A alternativa E está incorreta, visto que o encargo imposto aos contratos onerosos não suspende a aquisição nem o exercício do direito, salvo quando expressamente imposto, pelo disponente, como condição suspensiva, não resolutiva. Art. 136. O encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito, salvo quando expressamente imposto no negócio jurídico, pelo disponente, como condição suspensiva. O encargo é uma cláusula acessória que se apõe ao negócio jurídico para estabelecer uma restrição ou obrigação ao beneficiário de uma vantagem. O encargo, necessariamente deve ser acessório a um negócio jurídico que expresse uma liberalidade. Sendo assim, o encargo não pode assumir a natureza de uma contraprestação sob o risco de ser descaracterizada. Isso ocorre, por exemplo, na doação de um imóvel com o encargo de que o donatário construa nele uma creche. O encargo não causa a suspensão da aquisição e nem o exercício do direito. Uma vez realizado o negócio jurídico, a cláusula acessória do encargo não impõe nenhuma limitação à imediata aquisição ou ao pleno e imediato exercício do direito. As partes podem, contudo, estipular que o cumprimento do encargo será uma condição suspensiva do negócio jurídico. Nesses casos, quando o encargo não for cumprido, não há nenhum direito ao beneficiário. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 78 368 7 13 5. (VUNESP/ PREFEITURA DE SÃO BERNARDO DO CAMPO-SP – 2018) Joaquim, empresário bem sucedido, solteiro e sem filhos, decide que irá doar um apartamento, no valor de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), para o seu sobrinho, João, se ele for aprovado na faculdade de medicina. A situação hipotéticatrata de uma hipótese de a) condição suspensiva. b) condição causal. c) condição resolutiva. d) termo. e) encargo. Comentários A alternativa A está correta e é o gabarito da questão. A condição suspensiva gera a chamada expectativa de direito, que seria a suspensão dos efeitos do negócio jurídico até que o evento condicione sua eficácia, tanto sua aquisição ou início, quanto o exercício deste. No caso da questão, suspende-se os efeitos do negócio jurídico (a doação), até que determinado evento seja cumprido, no caso a aprovação de João na faculdade de medicina, a partir de então serão produzidos os efeitos do negócio tratado. O art. 125 do Código Civil, trata sobre o tema, dizendo que: "Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto está se não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa.". A alternativa B está incorreta. A condição causal não parece expressa no Código Civil, mas trata-se dos eventos futuros incertos que não dependem da vontade humana, sendo relacionado a eventos de força maior ou da natureza. Seguindo o exemplo da questão, digamos que Joaquin negocie que se chover amanhã ele doará o apartamento para João. Essa condição é validada indiretamente pelo art. 122 do Código Civil, que diz: "São lícitas, em geral, todas as condições não contrárias à lei, à ordem pública ou aos bons costumes; entre as condições defesas se incluem as que privarem de todo efeito o negócio jurídico, ou o sujeitarem ao puro arbítrio de uma das partes.". A alternativa C está incorreta. A condição resolutiva, ao contrário da suspensiva, traz que o evento condicionante daria fim aos efeitos do negócio jurídico. Usando o exemplo dado na questão, digamos que João após passar na faculdade de medicina, Joaquim o deixe morar no apartamento até João formar- se na faculdade. Neste exemplo, o negócio benéfico seria a moradia do apartamento, e a condição resolutiva, que daria fim aos efeitos do negócio, seria a formação de João. Pode ser vista na redação do art. 127 do Código Civil, que traz: "Se for resolutiva a condição, enquanto está se não realizar, vigorará o negócio jurídico, podendo exercer-se desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido.". A alternativa D está incorreta. O termo é um evento de futuro certo que condiciona os efeitos do negócio jurídico. O temo se divide em dois, pode ser termo certo: quando se tem estipulado certo quanto ao fato e a duração; e o termo incerto: quando o termo estipula certo o fato, mas é incerto acerca do tempo de duração. E ainda, o termo pode se resolutivo, dando fim aos efeitos, ou suspensivo, quanto o exercício, mas não a suspensão, como traz a redação do art. 131, do Código Civil, que traz: "O termo inicial suspende o exercício, mas não a aquisição do direito.". Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 79 368 8 13 A alternativa E está incorreta. O encargo é uma cláusula acessória, ou seja, faz parte de um negócio jurídico certo, que estipula um compromisso para o beneficiário do negócio, podendo inclusive ser posto como condição suspensiva para que ato seja válido, como trata o art. 132 do Código Civil, que diz: "O encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito, salvo quando expressamente imposto no negócio jurídico, pelo disponente, como condição suspensiva.". Também pode ser feito unilateralmente, como por exemplo, nos casos de recompensa. Usualmente o encargo pode ser visto nas doações a municípios ou entidades, com obrigação de usar o dinheiro para educação, ou afins. Gabarito: letra A. 6. (VUNESP/ PREFEITURA DE SÃO BERNARDO DO CAMPO-SP – 2018) Christina e Márcio celebraram instrumento particular de compromisso de compra e venda de um apartamento, no qual Christina, proprietária do imóvel, figurou como compromissária vendedora e Márcio, interessado na aquisição, figurou como compromitente comprador. Estabeleceu-se que o valor da venda seria de R$ 600.000,00 (seiscentos mil reais), e Márcio pagaria R$ 60.000,00 (sessenta mil reais) a título de sinal. O saldo (R$ 540.000,00) seria pago à vista, no ato da outorga da escritura pública de venda e compra. Sendo uma pessoa muito conversadora, Márcio exigiu que Christina apresentasse, em até 10 (dez) dias da assinatura do instrumento contratual, todas as certidões pessoais, bem como as certidões relacionadas ao imóvel, sem qualquer apontamento. Assim, exigiu a inclusão de uma condição resolutiva, por meio da qual Márcio poderia resolver o negócio jurídico, a seu exclusivo critério, caso constasse qualquer pendência judicial ou administrativa em desfavor de Christina, dívidas de natureza propter rem e/ou qualquer constrição relacionada ao imóvel. Christina providenciou as certidões e, na certidão de distribuição de ações cíveis, constou uma ação de execução ajuizada em seu desfavor, cujo valor econômico envolvido era de R$ 15.000,00 (quinze mil reais). Nesse cenário, assinale a alternativa correta. a) Márcio poderá valer-se da condição para resolver o negócio, exigindo a devolução do sinal. b) A condição resolutiva é ilícita, pois sujeita o negócio jurídico ao puro arbítrio de Márcio. c) A cláusula que contém a condição resolutiva é abusiva e, portanto, nula de pleno direito. d) Christina tem a prerrogativa legal de resolver a pendência judicial em até 30 (trinta) dias, preservando assim o negócio jurídico celebrado. e) Márcio poderá valer-se da condição para resolver o negócio, mas perderá o sinal em favor de Christina. Comentários A alternativa A está correta e é o gabarito da questão. Conforme ficou evidenciado, houve clausula resolutiva, no entanto, o negócio seguiu a execução continuada, pois ainda os vinculava sobre as eventuais pendencias judiciais, assim expressa o art. 128 do Código Civil, que: "Sobrevindo a condição Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 80 368 9 13 resolutiva, extingue-se, para todos os efeitos, o direito a que ela se opõe; mas, se aposta a um negócio de execução continuada ou periódica, a sua realização, salvo disposição em contrário, não tem eficácia quanto aos atos já praticados, desde que compatíveis com a natureza da condição pendente e conforme aos ditames de boa-fé.". E ainda, pode desfazer do acordo bem como reaver a devolução que é seu de direito, mais a equivalência na atualização do valor e honorários. Assim traz o art. 418 do Código Civil, que diz: "Se a parte que deu as arras não executar o contrato, poderá a outra tê-lo por desfeito, retendo-as; se a inexecução for de quem recebeu as arras, poderá quem as deu haver o contrato por desfeito, e exigir sua devolução mais o equivalente, com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, juros e honorários de advogado.". A alternativa B está incorreta. Embora realmente haja a condição potestativa, e necessário observar que elas se dividem em duas, as puramente potestativas e simplesmente potestativas. As primeiras são ilícitas, de acordo com o art. 122 do Código Civil. Por sua vez, as condições simplesmente potestativas (meramente potestativas) não invalidam o negócio jurídico. A condição meramente potestativa é lícita e não arbitrária, uma vez que embora dependa da vontade de uma das partes, depende de fatores circunstanciais, reduzindo seus impactos. A alternativa C está incorreta. Não há qualquer defeito na cláusula resolutiva, que foi acordada com consentimento de ambos, bem como não há quaisquer defeitos no negócio jurídico tratado. Trata o art. 121 do Código Civil, que diz: "Considera-se condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das partes, subordina o efeitodo negócio jurídico a evento futuro e incerto.". A alternativa D está incorreta. Não há qualquer respaldo legal nesse sentido. A alternativa E está incorreta. Marcio poderá valer-se da condição, como evidenciado ao citar o art. 128 do Código civil, que segue a execução continuada. E poderá reaver o que foi sinalizado, como foi expressado com fundamento legal no art. 418, com direito a execução para recebimento do valor devido, ajustado, bem como, as custas de honorários. Gabarito: letra A. 7. (VUNESP/ UNICAMP – 2018) José colocou à venda um veículo automotor de sua propriedade. Pedro propôs a José o seguinte: ele ficaria com o carro por até 30 dias, quando então, se gostasse do veículo, confirmaria a José se o compraria ou não. É correto afirmar que a cláusula proposta por Pedro é a) um termo final. b) um termo inicial c) uma condição resolutiva. d) uma condição meramente potestativa. e) uma condição puramente potestativa. Comentários Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 81 368 10 13 A alternativa A está incorreta. Termo refere-se a um acontecimento futuro e certo que vincula um início ou término da produção de efeitos de determinado negócio. O termo final dará prazo final, determinado, ao prazo do ato. Está parcialmente correta a assertiva, mas não compreende todo o ato, o prazo faz referência a um evento futuro, que seria o ato de comprar ou não o carro, ou seja, seria um termo final se acordassem somente que o carro seria emprestado por 30 dias, sem nenhum acordo sucedido que vinculasse-os. A alternativa B está incorreta. Ao contrário do termo final, o termo inicial é o que estipula prazo inicial do negócio jurídico, que não é tratado na questão. E segue a resolução da assertiva acima. A alternativa C está incorreta. A condição resolutiva é a que condiciona um evento ao fim da produção de efeitos de determinado negócio jurídico. Seria resolutiva na questão se os sujeitos estipulassem que o carro deveria ser entregue no próximo dia de chuva, por exemplo. A alternativa D está correta e é o gabarito da questão. A condição meramente potestativa é caracterizada quando a eficácia do negócio jurídico depende da manifestação de apenas uma das partes, mas esse ato dependendo da ocorrência de um evento posterior. A questão deixa claro que Pedro ficará com o carro durante 30 dias, esse é o negócio tratado por ambos, porém, Pedro fará isso para verificar se comprará ou não o carro, essa condição que vincula o negócio principal é a chamada condição meramente potestativa, pois foi proposta inteiramente apenas por Pedro, sendo que José apenas aceitou-a. A alternativa E está incorreta. A condição puramente potestativa é ilícita aos olhos do Direito Civil, isso porque a manifestação é dada, arbitrariamente, por apenas uma das partes, em detrimento da outra, pois a condição poderia fugir da razoabilidade e o bom senso. Assim traz o art. 122 do Código Civil, dizendo que: "São lícitas, em geral, todas as condições não contrárias à lei, à ordem pública ou aos bons costumes; entre as condições defesas se incluem as que privarem de todo efeito o negócio jurídico, ou o sujeitarem ao puro arbítrio de uma das partes.". Gabarito: letra D. 8. (VUNESP/ UNICAMP – 2018) Imagine as seguintes situações: i) um pai deixou em testamento seus bens para o seu filho que nasceu morto; ii) um menor de 16 anos assinou um contrato de alienação de um veículo; iii) um pai vendeu, sem consentimento dos demais filhos, um bem imóvel de sua propriedade para o seu primogênito. Podemos afirmar que os negócios jurídicos retratados apresentam, respectivamente, vícios decorrentes da falta de a) capacidade de direito, capacidade de fato e representatividade. b) capacidade de fato, capacidade de direito e legitimidade. c) personalidade, capacidade de fato e legitimidade. d) capacidade de direito, legitimidade e representatividade. e) personalidade, capacidade de direito e capacidade de fato. Comentários Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 82 368 11 13 A alternativa A está incorreta. I - Está correto quanto o vício de capacidade de direito (ou personalidade, neste caso), pois o termo de início da personalidade é o nascimento com vida, bem como o final é a morte. II - Está correto quanto a capacidade de fato (exercício), pois, para que o menor de 16 anos, relativamente incapaz, possa exercer os atos da vida civil, dependem de representação ou assistência, sendo os negócios tratados por si apenas, são passíveis de anulação. III - está incorreto quanto a representatividade, o vício é de legitimidade, pois há restrições trazidas no código quanto a venda de imóvel sem o consentimento do conjugue e dos descendentes, sendo no caso de ascendente para descendente, o ato pode ser anulado. A alternativa B está incorreta. I - Está incorreto quanto o vício da capacidade de fato, pois ele é de direito, pois o termo de início da personalidade é o nascimento com vida. A capacidade de direito é adquirida ao nascer, com a personalidade, já a capacidade de fato, é tida com a capacidade absoluta (atingindo a maioridade ou através da emancipação), quando o sujeito é capaz, por si só, de efetuar os atos da vida civil. II - Está incorreta sobre a capacidade de direito, pois o vício é de fato, explicados no anteriormente, pois os relativamente incapazes entre 16 e 18 anos, necessitam de assistência para efetuar os atos da vida civil. III - Está correto sobre o vício de legitimidade, pois o pai não tem legitimidade para vender o imóvel, pois decorre de consentimento dos demais descendentes e da conjugue. A alternativa C está correta e é o gabarito da questão. I - Está correto quanto o vício de capacidade de direito (ou personalidade, neste caso), pois o termo de início da personalidade é o nascimento com vida, bem como o final é a morte. Art. 2º A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro. II - Está correto quanto a capacidade de fato (exercício), pois, para que o menor de 16 anos, relativamente incapaz, possa exercer os atos da vida civil, dependem de representação ou assistência, sendo os negócios tratados por si apenas, são passíveis de anulação. Art. 4º São incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira de os exercer: I - Os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; Art. 171. Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio jurídico: I - Por incapacidade relativa do agente; III - Está correto sobre o vício de legitimidade, pois o pai não tem legitimidade para vender o imóvel, pois decorre de consentimento dos demais descendentes e da conjugue. Art. 496. É anulável a venda de ascendente a descendente, salvo se os outros descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido. A alternativa D está incorreta. I - Está correto quanto o vício de capacidade de direito (ou personalidade, neste caso), pois o termo de início da personalidade é o nascimento com vida, bem como o final é a morte. II - Está incorreta sobre a legitimidade, pois o vício é de fato, pois os relativamente incapazes entre 16 e 18 anos, necessitam de assistência para efetuar os atos da vida civil. A legitimidade trata dos sujeitos legítimos na forma da lei expressa, para praticarem certo negócio jurídico. III - está incorreto quanto a representatividade, o vício é de legitimidade, pois há restrições trazidas no código Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182- Isabelle Timo 83 368 12 13 quanto a venda de imóvel sem o consentimento do conjugue e dos descendentes, sendo no caso de ascendente para descendente, o ato pode ser anulado. (art. 496). A alternativa E está incorreta. I - Está correto quanto o vício de capacidade de direito (ou personalidade, neste caso), pois o termo de início da personalidade é o nascimento com vida. II - Está incorreta sobre a capacidade de direito, pois o vício é de fato, pois os relativamente incapazes entre 16 e 18 anos, necessitam de assistência para efetuar os atos da vida civil. III - está incorreto quanto a representatividade, o vício é de legitimidade, (vide art. 496). Gabarito: letra C. 9. (VUNESP/ FAPESP – 2018) Salvo disposição legal ou convencional em contrário, computam- se os prazos, excluído o dia do começo e incluído o do vencimento, mas os prazos fixados por hora contar-se-ão a) como os meses. b) de minuto a minuto. c) excluindo-se a primeira hora e incluindo a do vencimento. d) como hora cheia. e) se correspondente de 24 em 24 horas como os dias. Comentários A alternativa B está correta e é o gabarito da questão. Os prazos são estipulados em unidades de tempo, os mais usados são minuto, hora, dia, mês e ano. Para isso o Código Civil trouxe em seu art. 132 as regras para aplicação da contagem dos prazos nas classificações que ficaram em maior evidência. Assim fica entendido que para o caso da questão, os prazos estipulados em horas contar-se-ão de minuto em minuto, como expõe: Art. 132. Salvo disposição legal ou convencional em contrário, computam-se os prazos, excluído o dia do começo, e incluído o do vencimento. § 1º Se o dia do vencimento cair em feriado, considerar-se-á prorrogado o prazo até o seguinte dia útil. § 2º Meado considera-se, em qualquer mês, o seu décimo quinto dia. § 3º Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar exata correspondência. § 4º Os prazos fixados por hora contar-se-ão de minuto a minuto. Gabarito: letra B. 10. (VUNESP/ FAPESP – 2018) Assinale o conceito de condição em um negócio jurídico. a) É o acontecimento futuro e incerto de que depende a eficácia do negócio jurídico. b) É o momento em que começa ou se extingue a eficácia do negócio jurídico, podendo ter como unidade de medida a hora, o dia, o mês ou o ano. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 84 368 13 13 c) É uma cláusula acessória em que se estabelece uma liberalidade para cumprimento. d) É a prática de uma liberalidade subordinada a um ônus. e) É a cláusula que subordina a eficácia do negócio jurídico oneroso a um evento futuro e certo. Comentários A alternativa A está correta. A condição é um evento futuro e incerto que condiciona o negócio jurídico dando-lhe a devida eficácia, quando começa a produzir efeitos de fato. Exemplo: a condição resolutiva, que é a que põe fim nos efeitos do negócio jurídico se tal evento acontecer (como chover), evento incerto. A alternativa B está incorreta. O conceito de termo é tido como o que dá início ou extingue a eficácia do negócio jurídico, podendo ter como unidade de medida de tampo a hora, o dia, o mês e o ano, um evento certo. Exemplo: um aluguel de veículo, que tem prazo determinado de entrega para o início e fim do negócio. A alternativa C está incorreta. O encargo é uma cláusula acessória de um negócio jurídico principal, ela estabelece uma obrigação para o beneficiário do ato. Exemplo: as doações com finalidade específica de serem revertidas para a educação. A alternativa D está incorreta. Trata-se também do encargo a palavra ônus entra como sentido de obrigação, que se trata da liberalidade para o ato, se não cumprido caberá revocatória do instituidor. A alternativa E está incorreta. Também é o conceito de termo, subordinando a eficácia do negócio a um evento futuro e certo, diferentemente da condição que é incerta. Gabarito: letra A. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 85 368 1 6 BANCAS DIVERSAS CETRO Condição, Termo E Encargo (Art. 121 Ao 137) 1. (CETRO - ANVISA - Analista Administrativo - Área 3 – 2013) Quanto aos elementos acidentais do negócio jurídico, assinale a alternativa correta. (A) A condição, elemento acidental do negócio jurídico, pode ser classificada, quanto à origem, como causal, quando oriunda de fatos jurídicos lato sensu, ou seja, em eventos naturais. (B) A condição puramente potestativa é aquela que depende do elemento volitivo, da vontade unilateral, sujeitando-se ao puro arbítrio de uma das partes. (C) A condição suspensiva é aquela que, enquanto não se verificar, não traz qualquer consequência para o negócio jurídico. (D) O termo é o elemento acidental do negócio jurídico que traz um ônus relacionado com uma liberalidade. (E) De acordo com o artigo 131 do Código Civil em vigor, o termo inicial interrompe o exercício e suspende a aquisição do direito. CONSULPLAN Condição, Termo E Encargo (Art. 121 Ao 137) 2. (CONSULPLAN - TJ-MG - Estagiário - Direito- 2016) Sobre o tratamento que o Código Civil dá ao tema “Condição e Termo”, assinale a afirmativa INCORRETA. (A) O termo inicial suspende o exercício e a aquisição do direito. (B) Têm-se por inexistentes as condições impossíveis, quando resolutivas, e as de não fazer coisa impossível. (C) Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta se não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa. (D) Se alguém dispuser de uma coisa sob condição suspensiva, e, pendente esta, fizer quanto àquela novas disposições, estas não terão valor, realizada a condição, se com ela forem incompatíveis. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 86 368 2 6 FAURGS Condição, Termo E Encargo (Art. 121 Ao 137) 3. (FAURGS / TJ-RS – 2015) Em uma relação jurídica vitalícia, a morte da parte a quem se dirige a vitaliciedade é a) Condição. b) Termo. c) Encargo. d) Fato que não pode constar de cláusula contratual, por proibição legal. IBCF Condição, Termo E Encargo (Art. 121 Ao 137) 4. (IBFC / EBSERH – 2016) Assinale a alternativa correta sobre o negócio jurídico após analisar os itens a seguir e considerar as normas da Lei Federal nº 10.406, de 10/01/2002 (Código Civil). (A) Considera-se termo a cláusula que, derivando, exclusivamente, da vontade das partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto. (B) As condições, física ou juridicamente impossíveis, quando resolutivas, invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados. (C) Têm-se por inexistentes as condições impossíveis, quando suspensivas, e as de não fazer coisa impossível. (D) Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta se não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa. (E) Se alguém dispuser de uma coisa sob condição resolutiva, e, pendente esta, fizer quanto àquela novas disposições, estas não terão valor, realizada a condição, se com ela forem incompatíveis. 5. (IBFC / SAEB-BA – 2015) Assinale a alternativa correta de acordo com o que estabelece o código civil brasileiro sobre os defeitos nos negócios jurídicos. (A) A transmissão errônea da vontade por meios interpostos não é anulável. (B) O erro de indicação da pessoa ou da coisa, a que se referir a declaração de vontade, não viciará o negócio. (C) O erro de cálculo apenas autoriza a anulação da declaração de vontade. Paulo H MSousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 87 368 3 6 (D) O falso motivo só vicia a declaração de vontade quando expresso como razão determinante. (E) O erro prejudica a validade do negócio jurídico ainda quando a pessoa, a quem a manifestação de vontade se dirige, se oferecer para executá-la na conformidade da vontade real do manifestante. QUADRIX Condição termo e encargo (121 ao 137) 6. (Quadrix - CREF - 13ª Região (BA-SE) - Analista Advogado- 2018) Quanto aos direitos da personalidade e à capacidade civil, julgue o item. Considere‐se que João, sócio minoritário de uma pessoa jurídica, ao ver o fracasso de seu casamento com Carla e a iminência do divórcio, decida comprar bens para a sociedade em que tem cotas sociais com recursos pessoais, em detrimento de seu cônjuge. Nessa situação, apesar da ausência de previsão legal expressa, será cabível a desconsideração inversa da personalidade jurídica. CONSULTEC Condição termo e encargo (121 ao 137) 7. (CONSULTEC - TJ-BA - Conciliador- 2010) No que se refere aos elementos acidentais do Negócio Jurídico, entende-se por Termo (A) o acontecimento futuro e certo que subordina o início ou o término da eficácia jurídica de determinado ato negocial. (B) a espécie de determinação acessória que suspende a aquisição e o exercício do direito. (C) o acontecimento futuro e incerto que subordina a eficácia jurídica de determinado negócio. (D) a determinação acessória acidental do negócio jurídico que impõe ao beneficiário um ônus a ser cumprido, em prol da liberalidade maior. (E) o acontecimento futuro e certo que impõe ao beneficiário um ônus a ser cumprido, em prol da liberalidade maior. FUNDATEC Condição termo e encargo (121 ao 137) 8. (FUNDATEC / EPCT-Porto Alegre(RS) - 2012) É elemento acidental do negócio jurídico: a) O erro. b) O termo. c) A capacidade do agente. d) O consentimento. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 88 368 4 6 CESGRANRIO Condição termo e encargo (121 ao 137) 9. (CESGRANRIO - Petrobras - Advogado Júnior- 2015) Sr. X, doador, celebra contrato de doação de um carro antigo com o Sr. Y, donatário, no qual insere cláusula estabelecendo que a doação somente se tornará eficaz a partir do momento em que o Sr. Y termine a reforma do referido carro. A cláusula estabelecida nesse negócio jurídico de doação tem natureza de (A) encargo, permitindo ao Sr. Y o uso imediato do bem. (B) condição resolutiva, permitindo ao Sr. Y o uso e disposição do bem. (C) condição suspensiva, não permitindo ao Sr. Y o uso imediato do bem. (D) condição suspensiva, importando na aquisição do carro pelo Sr. Y, a partir da tradição do bem. (E) condição suspensiva, permitindo a aquisição do direito, mas suspendendo o seu exercício. 10. (CESGRANRIO - LIQUIGÁS - Profissional Júnior - Direito- 2013) No regime jurídico das condições, observa-se que a condição (A) potestativa é lícita quando estiver sujeita ao arbítrio do devedor. (B) fisicamente impossível invalida o negócio jurídico quando sua natureza for resolutiva. (C) suspensiva determina a aquisição de uma expectativa de direito. (D) resolutiva, sob cuja condição esteja o negócio jurídico, não origina a aquisição plena do direito pelo credor. (E) suspensiva, sob a qual esteja o titular de um direito, não pode praticar atos de conservação de seu direito eventual. 11. (CESGRANRIO - Innova - Advogado Júnior- 2012) A Sociedade Petr S.A. compromete-se a doar um terreno à Sociedade Gasos S.A., desde que esta seja vitoriosa em procedimento de licitação realizada pelo Estado do Rio de Janeiro. Um mês antes do início do procedimento licitatório, a Sociedade Gasos S.A. descobre que o proprietário do terreno vizinho ao terreno da Sociedade Petr S.A. vem danificando o seu bem, podendo a continuação do ato gerar destruição do imóvel. Diante do ocorrido, o Código Civil prevê que a (A) Sociedade Gasos S.A. nada poderá fazer, visto que só possui uma mera expectativa de direito, sendo a legitimidade para a propositura de qualquer ação da Sociedade Petr S.A. (B) Sociedade Gasos S.A. não poderá promover ação judicial, nem mesmo a Sociedade Petr S.A., porque será preciso a realização da licitação para a propositura da ação. (C) Sociedade Gasos S.A. poderá promover ação judicial que impeça o ato do vizinho, visto que o termo inicial gera a aquisição do direito. (D) Sociedade Gasos S.A. poderá agir judicialmente, pois ao titular do direito eventual, nos casos de condição suspensiva, é permitido praticar os atos destinados a conservá-lo. (E) doação celebrada pela Sociedade Petr S.A. está sujeita a uma condição suspensiva, gerando a suspensão da aquisição do direito, inibindo a ação da Sociedade Gasos S.A. 12. (CESGRANRIO - Caixa - Advogado- 2012) Num contrato de compra e venda de um bem imóvel, a cláusula que sujeita o pagamento integral do preço ao registro da baixa da hipoteca no registro de imóveis constitui (A) encargo, a ser cumprido pelo comprador. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 89 368 ==1027f2== 5 6 (B) condição potestativa pura, permitida por lei. (C) condição suspensiva, subordinando a eficácia do contrato a evento futuro e incerto. (D) condição suspensiva, determinando a cessação dos efeitos da compra e venda. (E) condição resolutiva tácita, necessária para a resolução do contrato. 13. (CESGRANRIO - Petrobras - Advogado- 2005) No direito pátrio, como regra geral, o negócio jurídico inspira-se pelo princípio da forma: (A) particular. (B) livre. (C) consensual. (D) pública. (E) especial. AOCP Condição termo e encargo (121 ao 137) 14. (AOCP - Prefeitura de Juiz de Fora - MG - Procurador Municipal- 2016) De acordo com as disposições contidas no Código Civil relativas aos Negócios Jurídicos, assinale a alternativa correta. (A) Os negócios jurídicos benéficos interpretam-se extensivamente. (B) Invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados as condições juridicamente impossíveis, quando resolutivas. (C) Os negócios jurídicos entre vivos, sem prazo, são exequíveis desde logo, salvo se a execução tiver de ser feita em lugar diverso ou depender de tempo. (D) São os negócios jurídicos anuláveis por dolo, ainda que este seja acidental. (E) A escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a vinte vezes o maior salário mínimo vigente no País. FUMARC Condição termo e encargo (121 ao 137) 15. (FUMARC - TJ-MG - Técnico Judiciário- 2012) Quanto aos negócios jurídicos, todas as alternativas abaixo são corretas, EXCETO: (A) O termo inicial suspende o exercício e a aquisição do direito. (B) Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar exata correspondência. (C) Salvo se o permitir a lei ou o representado, é anulável o negócio jurídico que o representante, no seu interesse ou por conta de outrem, celebrar consigo mesmo. (D) Se alguém dispuser de uma coisa sob condição suspensiva, e, pendente esta, fizer quanto àquela novas disposições, estas não terão valor, realizada a condição, se com ela forem incompatíveis. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 90 368 6 6 GABARITO 1. B 2. B 3. B 4. D 5. D 6. X 7. A 8. B 9. C 10. C 11. D 12. C 13. B 14. C 15. A Paulo H M Sousapara colocar no seu sanduíche, incluindo o tamanho do sanduíche e do que ele é feito. Posso escolher salada, mas não brigadeiro. Apesar de poder autorregulamentar meu pão, há limites. O mesmo ocorre nos negócios jurídicos. Posso escolher variadas categorias eficaciais, mas isso não significa que há liberdade plena de modulação. Os negócios jurídicos podem ser unilaterais, que são os aqueles nos quais se exige apenas uma manifestação de vontade para produção de efeitos. Isso ocorre, por exemplo, com a aceitação da herança ou a instituição de uma fundação. Eu vou lá e aceito a herança de meu avô e a aceitação em si já gera efeitos jurídicos. Podem ser bilaterais os negócios jurídicos nos quais se exige a manifestação de vontade recíproca das partes, a exemplo do contrato de compra e venda. Não é possível haver compra e venda pela vontade de apenas uma das partes. Plurilaterais são os negócios jurídicos que exigem uma pluralidade de manifestações de vontade. Por exemplo, o contrato social de uma sociedade empresária, no qual se exige que os quatro sócios assinem o contrato. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 6 368 4 7 3 – Requisitos de validade Quando se fala na validade de um negócio jurídica, você vai analisar se os três elementos essenciais de qualquer negócio jurídico estão presentes. São eles: I - agente capaz; II - objeto lícito, possível, determinado ou determinável; III - forma prescrita ou não defesa em lei. Exemplificando, pense num contrato de compra e venda celebrado entre nós. Ele é válido? Depende do cumprimento dos três requisitos acima: Sujeito (agente capaz): você tem mais de 18 anos e não tem nenhuma restrição de capacidade do art. 4º do Código Civil? Então você é capaz. Objeto (lícito, possível, determinado ou determinável): você me vendou um celular. Pode vender celular? Pode, então vale o contrato. Me vendeu cocaína. Pode vender cocaína? Não, então contrato não vale. Forma (prescrita ou não defesa em lei): você me vendeu uma casa de R$ 300 mil. Fizemos uma escritura pública? Sim, então vale. Não? Não vale, porque imóveis de valor acima de 30 salários mínimos exigem forma pública. Entendeu? É bem simples. Vou analisar, didaticamente, esses três elementos, em geral. Fatos jurídicos Fato jurídico em sentido estrito Atos-fatos jurídicos Atos jurídicos em sentido amplo Ato jurídico em sentido estrito (ato não negocial) Negócio jurídico (ato negocial) Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 7 368 5 7 A. Sujeito A capacidade de agir é a aptidão a tutelar seus próprios interesses. O art. 105 do Código Civil determina que a incapacidade relativa de uma das partes não pode ser invocada pela outra em benefício próprio. Igualmente, a incapacidade relativa de uma das partes não aproveita aos cointeressados capazes, salvo se, nesse caso, for indivisível o objeto do direito ou a obrigação comum. O art. 112 do Código Civil prevê que nas declarações de vontade se deve atender mais à intenção nela contida do que ao sentido literal da linguagem. De qualquer modo, a interpretação dos negócios jurídicos sempre será feita conforme a boa-fé e os usos do luar de sua celebração (art. 113). Mas como, professor? O §1º prevê que tal interpretação deve atribuir ao negócio jurídico dados sentidos, destacados nos incisos. Há o sentido que for confirmado pelo comportamento das partes, o sentido que corresponda aos usos, costumes e práticas do mercado relativas ao tipo de negócio em questão. Também o sentido correspondente à boa-fé no negócio jurídico. Ademais, o sentido que corresponde à qual seria a razoável negociação das partes sobre a questão discutida. Por fim, deve a interpretação seguir o sentido que for mais benéfico à parte que não redigiu o dispositivo, se identificável no caso. Claro que as partes podem livremente pactuar regras de interpretação, de preenchimento de lacunas e de integração dos negócios jurídicos diversas daquelas previstas em lei (§2º do art. 113 do Código Civil). B. Objeto Lembre que o objeto precisa ser lícito, possível e determinado ou determinável. Veja as três situações. Quanto à licitude, pode-se ter objeto ilícito tanto diretamente (por exemplo, um contrato para que o contratado mate alguém), quanto indiretamente (eu doo dinheiro ao matador de aluguel). Tenha cuidado na hora de analisar os atos em conjunto, pois isoladamente são lícitos, eventualmente. Quanto à possibilidade, são quatro as situações de impossibilidade do objeto, segundo construção doutrinária: I. Cognoscitiva: impossibilidade de conhecer o objeto (dar o que está dentro de um buraco negro). II. Lógica: impossibilidade de cumprimento por contradição no negócio (doar e vender o objeto, ao mesmo tempo). III. Física: a impossibilidade deve ser analisada no momento da execução da prestação (construir uma residência de férias na Lua). IV. Jurídica: o objeto é fisicamente possível, mas não juridicamente, seja por lei ou por contrato (vender um órgão do corpo). Atente porque o art. 106 evidencia que a impossibilidade inicial do objeto não invalida o negócio jurídico se for relativa, ou se cessar antes de realizada a condição a que ele estiver subordinado. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 8 368 6 7 É o caso enviar uma mensagem instantaneamente sem fios; antes da internet, impossível. E se eu celebrei com você um contrato em 1860 estabelecendo isso? Era ele inválido naquela época, ou seja, relativamente inválido, porque hoje valeria. Ademais, ainda quanto ao objeto, o art. 114 exige do intérprete que os negócios jurídicos benéficos e a renúncia (também benéfica) sejam interpretados estritamente. Isso objetiva preservar a vontade daquele que praticou o ato benévolo. Por exemplo, se eu doo pra você meu carro. Eu e você somos pessoa com deficiência (cadeirantes). O equipamento de adaptação veicular do carro que eu estou doando vai junto ou não? Não vai, porque a interpretação do negócio tem que ser estrita. Por fim, a determinabilidade. A indeterminação tem de ser absoluta, ou seja, não consigo determinar a prestação, de modo algum. É o caso, por exemplo, de um contrato de cessão de direitos econômicos de jogador de futebol. Qual é o objeto desse contrato? O que ele abrange? Não é possível estabelecer com algum grau de precisão, pelo que o objeto é indeterminado. Ao contrário, porém, o contrato de cessão de direitos hereditários. Qual é o objeto? Os bens que você vai receber de herança. Quais são eles, exatamente? Ainda não sei, mas é possível saber, por meio do inventário. Ou seja, o objeto é indeterminado, ainda, mais determinável. C. Forma Acho que é evidente que a vontade tem que ser manifestada. Caso contrário, se for interna, não se fala em declaração de vontade. Como exemplo, há o caso de reserva mental, conforme estabelece o art. 110 do Código Civil. Nessa situação, a manifestação de vontade subsiste ainda que o seu autor haja feito a reserva mental de não querer o que manifestou. Ou seja, não há defeito no negócio jurídico se uma pessoa manifesta a vontade de assumir determinada obrigação quando na verdade não quer e se a outra parte desconhece essa sua intenção. Ao contrário, quem cala, consente? Mais ou menos. O art. 111 do Código Civil prevê que o silêncio importa anuência, quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem, e não for necessária a declaração de vontade expressa. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.brAula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 91 368 1 13 BANCAS DIVERSAS CETRO Condição, Termo E Encargo (Art. 121 Ao 137) 1. (CETRO - ANVISA - Analista Administrativo - Área 3 – 2013) Quanto aos elementos acidentais do negócio jurídico, assinale a alternativa correta. (A) A condição, elemento acidental do negócio jurídico, pode ser classificada, quanto à origem, como causal, quando oriunda de fatos jurídicos lato sensu, ou seja, em eventos naturais. (B) A condição puramente potestativa é aquela que depende do elemento volitivo, da vontade unilateral, sujeitando-se ao puro arbítrio de uma das partes. (C) A condição suspensiva é aquela que, enquanto não se verificar, não traz qualquer consequência para o negócio jurídico. (D) O termo é o elemento acidental do negócio jurídico que traz um ônus relacionado com uma liberalidade. (E) De acordo com o artigo 131 do Código Civil em vigor, o termo inicial interrompe o exercício e suspende a aquisição do direito. Comentários A alternativa A está incorreta. A condição é elemento acidental do negócio jurídico que deriva da vontade das partes, ou seja, o evento será futuro e incerto, não podendo assim, ser classificada como causal, vejamos: Art. 121. Considera-se condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto. A alternativa B está correta e, é o gabarito da questão. A condição puramente potestativa depende do elemento volitivo, da vontade unilateral, sujeitando-se ao puro arbítrio de uma das partes. A alternativa C está incorreta. De acordo com o CC/2002, a condição suspensiva, na verdade, é aquela que enquanto não concretizada, não acarreta efeitos ao negócio jurídico, vejamos: Art. 125. Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta se não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa. A alternativa D está incorreta. A definição apresentada na assertiva faz referência, na verdade, ao encargo. O termo será o momento em que um negócio jurídico começa (termo inicial), ou quando termina (termo final). A alternativa E está incorreta. De acordo com o art. 131, do CC/2002. O termo inicial, na verdade, suspende o exercício, porém, não a aquisição do direito, vejamos: Art. 131. O termo inicial suspende o exercício, mas não a aquisição do direito. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 92 368 2 13 CONSULPLAN Condição, Termo E Encargo (Art. 121 Ao 137) 2. (CONSULPLAN - TJ-MG - Estagiário - Direito- 2016) Sobre o tratamento que o Código Civil dá ao tema “Condição e Termo”, assinale a afirmativa INCORRETA. (A) O termo inicial suspende o exercício e a aquisição do direito. (B) Têm-se por inexistentes as condições impossíveis, quando resolutivas, e as de não fazer coisa impossível. (C) Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta se não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa. (D) Se alguém dispuser de uma coisa sob condição suspensiva, e, pendente esta, fizer quanto àquela novas disposições, estas não terão valor, realizada a condição, se com ela forem incompatíveis. Comentário: A alternativa A está incorreta e, é o gabarito da questão. De acordo com o CC/2002, o termo inicial, realmente suspende o exercício de um direito, contudo, não suspende a aquisição, vejamos: Art. 131. O termo inicial suspende o exercício, mas não a aquisição do direito. A alternativa B está correta. O art. 124 do CC/2002 traz que: “Têm-se por inexistentes as condições impossíveis, quando resolutivas, e as de não fazer coisa impossível”. A alternativa C está correta. O art. 125 do CC/2002 traz que: “Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta se não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa”. A alternativa D está correta. O art. 126 do CC/2002 traz que: “Se alguém dispuser de uma coisa sob condição suspensiva, e, pendente esta, fizer quanto àquela novas disposições, estas não terão valor, realizada a condição, se com ela forem incompatíveis”. FAURGS Condição, Termo E Encargo (Art. 121 Ao 137) 3. (FAURGS / TJ-RS – 2015) Em uma relação jurídica vitalícia, a morte da parte a quem se dirige a vitaliciedade é a) Condição. b) Termo. c) Encargo. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 93 368 3 13 d) Fato que não pode constar de cláusula contratual, por proibição legal. Comentários A alternativa B está correta e é o gabarito da questão. O termo é um evento de futuro certo ou incerto que condiciona os efeitos do negócio jurídico. O temo se divide em dois, pode ser termo certo: quando se tem estipulado certo quanto ao fato e a duração; e o termo incerto: quando o termo estipula certo o fato, mas é incerto acerca do tempo de duração (quando é condicionado a morte de uma pessoa, por exemplo). E ainda, o termo pode ser resolutivo, dando fim aos efeitos, ou suspensivo, quanto ao exercício, mas não a suspensão. Quanto ao termo inicial por exemplo, traz a redação do art. 131, do Código Civil, que traz: "O termo inicial suspende o exercício, mas não a aquisição do direito.". IBCF Condição, Termo E Encargo (Art. 121 Ao 137) 4. (IBFC / EBSERH – 2016) Assinale a alternativa correta sobre o negócio jurídico após analisar os itens a seguir e considerar as normas da Lei Federal nº 10.406, de 10/01/2002 (Código Civil). (A) Considera-se termo a cláusula que, derivando, exclusivamente, da vontade das partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto. (B) As condições, física ou juridicamente impossíveis, quando resolutivas, invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados. (C) Têm-se por inexistentes as condições impossíveis, quando suspensivas, e as de não fazer coisa impossível. (D) Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta se não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa. (E) Se alguém dispuser de uma coisa sob condição resolutiva, e, pendente esta, fizer quanto àquela novas disposições, estas não terão valor, realizada a condição, se com ela forem incompatíveis. Comentários: A alternativa A está incorreta. De acordo com o CC/2002, considera-se, na verdade, condição e, não termo, a cláusula que, derivando, exclusivamente, da vontade das partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto, vejamos: art. 121. Considera-se condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto. A alternativa B está incorreta. De acordo com o CC/2002, as condições, física ou juridicamente impossíveis, quando suspensivas e, não resolutivas, invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados, vejamos: art. 123. Invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados: I - as condições física ou juridicamente impossíveis, quando suspensivas; II - as condições ilícitas, ou de fazer coisa ilícita; III - as condições incompreensíveis ou contraditórias. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 94 368 4 13 A alternativa C está incorreta. De acordo com o CC/2002, têm-se por inexistentes as condições impossíveis, quando resolutivas e, não suspensivas, e as de não fazer coisa impossível, vejamos: art. 124. Têm-se por inexistentes as condições impossíveis, quandoresolutivas, e as de não fazer coisa impossível. A alternativa D está correta e, é o gabarito da questão. De acordo com o CC/2002, subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta se não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa, vejamos: art. 125. Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta se não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa. A alternativa E está incorreta. De acordo com o CC/2002, se alguém dispuser de uma coisa sob condição suspensiva e, não resolutiva, e, pendente esta, fizer quanto àquela novas disposições, estas não terão valor, realizada a condição, se com ela forem incompatíveis, vejamos: art. 126. Se alguém dispuser de uma coisa sob condição suspensiva, e, pendente esta, fizer quanto àquela novas disposições, estas não terão valor, realizada a condição, se com ela forem incompatíveis. 5. (IBFC / SAEB-BA – 2015) Assinale a alternativa correta de acordo com o que estabelece o código civil brasileiro sobre os defeitos nos negócios jurídicos. (A) A transmissão errônea da vontade por meios interpostos não é anulável. (B) O erro de indicação da pessoa ou da coisa, a que se referir a declaração de vontade, não viciará o negócio. (C) O erro de cálculo apenas autoriza a anulação da declaração de vontade. (D) O falso motivo só vicia a declaração de vontade quando expresso como razão determinante. (E) O erro prejudica a validade do negócio jurídico ainda quando a pessoa, a quem a manifestação de vontade se dirige, se oferecer para executá-la na conformidade da vontade real do manifestante. Comentários: A alternativa A está incorreta. De acordo com o CC/2002, a transmissão errônea da vontade por meios interpostos, na verdade, é anulável, vejamos: art. 141. A transmissão errônea da vontade por meios interpostos é anulável nos mesmos casos em que o é a declaração direta. A alternativa B está incorreta. De acordo com o CC/2002, o erro de indicação da pessoa ou da coisa, a que se referir a declaração de vontade, na verdade, vicia sim o negócio jurídico, vejamos: art. 142. O erro de indicação da pessoa ou da coisa, a que se referir a declaração de vontade, não viciará o negócio quando, por seu contexto e pelas circunstâncias, se puder identificar a coisa ou pessoa cogitada. A alternativa C está incorreta. De acordo com o CC/2002, o erro de cálculo, na verdade, apenas autoriza a retificação e, não a anulação da declaração de vontade, vejamos: art. 143. O erro de cálculo apenas autoriza a retificação da declaração de vontade. A alternativa D está correta e, é o gabarito da questão. De acordo com o CC/2002, o falso motivo só vicia a declaração de vontade quando expresso como razão determinante, vejamos: art. 140. O falso motivo só vicia a declaração de vontade quando expresso como razão determinante. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 95 368 5 13 A alternativa E está incorreta. De acordo com o CC/2002, na verdade, o erro não prejudica a validade do negócio jurídico ainda quando a pessoa, a quem a manifestação de vontade se dirige, se oferecer para executá-la na conformidade da vontade real do manifestante, vejamos: art. 144. O erro não prejudica a validade do negócio jurídico quando a pessoa, a quem a manifestação de vontade se dirige, se oferecer para executá-la na conformidade da vontade real do manifestante. QUADRIX Condição termo e encargo (121 ao 137) 6. (Quadrix - CREF - 13ª Região (BA-SE) - Analista Advogado- 2018) Quanto aos direitos da personalidade e à capacidade civil, julgue o item. Considere‐se que João, sócio minoritário de uma pessoa jurídica, ao ver o fracasso de seu casamento com Carla e a iminência do divórcio, decida comprar bens para a sociedade em que tem cotas sociais com recursos pessoais, em detrimento de seu cônjuge. Nessa situação, apesar da ausência de previsão legal expressa, será cabível a desconsideração inversa da personalidade jurídica. Comentário: A questão está desatualizada. Há época em que foi aplica esta questão, de fato, ainda não existia previsão legal que abordasse a desconsideração inversa da personalidade jurídica. Porém, atualmente, há expresso no CPC/2015 a possibilidade da desconsideração inversa da personalidade da pessoa jurídica: Art. 133. O incidente de desconsideração da personalidade jurídica será instaurado a pedido da parte ou do Ministério Público, quando lhe couber intervir no processo. § 2º Aplica-se o disposto neste Capítulo à hipótese de desconsideração inversa da personalidade jurídica. Assim sendo, a esposa de João poderá requerer a desconsideração inversa da personalidade jurídica. CONSULTEC Condição termo e encargo (121 ao 137) 7. (CONSULTEC - TJ-BA - Conciliador- 2010) No que se refere aos elementos acidentais do Negócio Jurídico, entende-se por Termo (A) o acontecimento futuro e certo que subordina o início ou o término da eficácia jurídica de determinado ato negocial. (B) a espécie de determinação acessória que suspende a aquisição e o exercício do direito. (C) o acontecimento futuro e incerto que subordina a eficácia jurídica de determinado negócio. (D) a determinação acessória acidental do negócio jurídico que impõe ao beneficiário um ônus a ser cumprido, em prol da liberalidade maior. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 96 368 6 13 (E) o acontecimento futuro e certo que impõe ao beneficiário um ônus a ser cumprido, em prol da liberalidade maior. Comentário: A alternativa A está correta e, é o gabarito da questão. O termo se caracteriza por ser um acontecimento futuro e certo que que subordina o início ou o término da eficácia jurídica de determinado ato negocial, como é possível constatar a partir da leitura dos seguintes arts. do CC/2002: art. 131. O termo inicial suspende o exercício, mas não a aquisição do direito. Art. 135. Ao termo inicial e final aplicam-se, no que couber, as disposições relativas à condição suspensiva e resolutiva. A alternativa B está incorreta. Conforme o art. 131, do CC/2002, o termo inicial suspende o exercício, mas não a aquisição de um direito. A alternativa C está incorreta. O acontecimento futuro e incerto que subordina a eficácia jurídica de determinado negócio é caracterizado pelo CC/2002 como condição: art. 121. Considera-se condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto. A alternativa D está incorreta. Tal definição diz respeito ao encargo. A alternativa E está incorreta. A definição exposta pela assertiva, também se refere ao encargo. FUNDATEC Condição termo e encargo (121 ao 137) 8. (FUNDATEC / EPCT-Porto Alegre(RS) - 2012) É elemento acidental do negócio jurídico: a) O erro. b) O termo. c) A capacidade do agente. d) O consentimento. Comentários A alternativa A está incorreta, já que o erro é causa de anulação do negócio jurídico. A alternativa B está correta, dado que o termo é elemento acidental, não necessário do negócio jurídico. A alternativa C está incorreta, pois a capacidade do agente é um dos elementos de validade do negócio jurídico. A alternativa D está incorreta, porque o consentimento é elemento de existência do negócio jurídico. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 97 368 7 13 CESGRANRIO Condição termo e encargo (121 ao 137) 9. (CESGRANRIO - Petrobras - Advogado Júnior- 2015) Sr. X, doador, celebra contrato de doação de um carro antigo com o Sr.Y, donatário, no qual insere cláusula estabelecendo que a doação somente se tornará eficaz a partir do momento em que o Sr. Y termine a reforma do referido carro. A cláusula estabelecida nesse negócio jurídico de doação tem natureza de (A) encargo, permitindo ao Sr. Y o uso imediato do bem. (B) condição resolutiva, permitindo ao Sr. Y o uso e disposição do bem. (C) condição suspensiva, não permitindo ao Sr. Y o uso imediato do bem. (D) condição suspensiva, importando na aquisição do carro pelo Sr. Y, a partir da tradição do bem. (E) condição suspensiva, permitindo a aquisição do direito, mas suspendendo o seu exercício. Comentários: A alternativa A está incorreta. O encargo, não corresponde ao descrito no enunciado, uma vez que, impõe ao beneficiário de uma liberalidade, uma dada obrigação. Ou seja, para que se caracterizasse tal instituto no negócio realizado em os Srs. X e Y, a proposta deveria ser, por exemplo, da seguinte forma: a doação se daria se o Sr. Y prometer nunca vender o carro, ou cuidar da reforma da casa do Sr. X até sua morte. Em situações como estas, o uso do bem poderia ser imediato, pois, o encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito, por força do art. 136 do CC/2002: Art. 136. O encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito, salvo quando expressamente imposto no negócio jurídico, pelo disponente, como condição suspensiva. A alternativa B está incorreta. A priori, o negócio realizado entre o Sr. Y e o Sr. X não corresponde à condição resolutiva, pois, esta caracteriza-se pela extinção do negócio juntamente com a extinção da condição. Tal fato se daria, caso o Sr. X doasse o carro até que os filhos do Sr. Y se formassem na faculdade. A colação de grau dos filhos do Sr. Y implicariam na devolução do bem. Diante de tal situação, seria possível, apenas, o uso do bem e, jamais sua disposição. A alternativa C está correta e, é o gabarito da questão. O que se verifica no caso em tela é a condição resolutiva, vez que esta caracteriza-se pela subordinação da eficácia do negócio, ou seja, o carro apenas será doado, caso o Sr. Y termine sua reforma. Logo, neste caso, o Sr. Y fica impedido de utilizar o bem, até que a condição se concretize. A alternativa D está incorreta. Apesar de a condição ser suspensiva, como já visto, não há o que se falar em tradição, pois esta apenas é possível quando o negócio foi oneroso, enquanto que, o caso em tela trata de um negócio gratuito no qual apenas uma das partes oferece uma vantagem, não ficando a outra parte obrigada a contraprestação para aquisição do bem. Vale ressaltar que a reforma do carro não pode ser entendida como uma forma de contraprestação, pois tal vantagem em nada agrega ao patrimônio do Sr. X, na verdade, ela é mais vantajosa ao próprio Sr. Y. A alternativa E está incorreta. A condição, quando suspensiva, suspende, na verdade, o direito, já que este somente será adquirido quando for cumprido o implemento, nos termos do art. 125 do CC: Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 98 368 8 13 Art. 125. Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta se não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa. Ou seja, o Sr. Y somente terá o direito ao uso ou disposição do automóvel quando cumprida a condição e a doação for efetivada. Enquanto isso, permanece suspenso o direito sobre o bem. 10. (CESGRANRIO - LIQUIGÁS - Profissional Júnior - Direito- 2013) No regime jurídico das condições, observa-se que a condição (A) potestativa é lícita quando estiver sujeita ao arbítrio do devedor. (B) fisicamente impossível invalida o negócio jurídico quando sua natureza for resolutiva. (C) suspensiva determina a aquisição de uma expectativa de direito. (D) resolutiva, sob cuja condição esteja o negócio jurídico, não origina a aquisição plena do direito pelo credor. (E) suspensiva, sob a qual esteja o titular de um direito, não pode praticar atos de conservação de seu direito eventual. Comentários: A alternativa A está incorreta. A condição potestativa é ilícita, vez que o CC/2002, veda as condições que se sujeitarem ao puro arbítrio de uma das partes, como é o caso das potestaivas: Art. 122. São lícitas, em geral, todas as condições não contrárias à lei, à ordem pública ou aos bons costumes; entre as condições defesas se incluem as que privarem de todo efeito o negócio jurídico, ou o sujeitarem ao puro arbítrio de uma das partes. A alternativa B está incorreta. As condições invalidam o negócio, no caso das condições físicas serem impossíveis e sua natureza for SUSPENSIVA e, não resolutiva, nos termos do CC/2002: Art. 123. Invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados: I - as condições física ou juridicamente impossíveis, quando suspensivas; A alternativa C está correta e, é o gabarito da questão. Nos termos do CC/2002, a condição suspensiva determina a aquisição de uma expectativa de direito: Art. 125. Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta se não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa. A alternativa D está incorreta. De acordo com o CC, a condição resolutiva permite que se exerça o direito estabelecido por ela, desde sua conclusão, portanto, ela origina sim a aquisição plena do direito pelo credor: Art. 127. Se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, vigorará o negócio jurídico, podendo exercer-se desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido. A alternativa E está incorreta. De acordo com o expresso pelo CC, não é vedada a conservação do direito eventual, na verdade, ela é permitida, como se observa a seguir: Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 99 368 9 13 Art. 130. Ao titular do direito eventual, nos casos de condição suspensiva ou resolutiva, é permitido praticar os atos destinados a conservá-lo. 11. (CESGRANRIO - Innova - Advogado Júnior- 2012) A Sociedade Petr S.A. compromete-se a doar um terreno à Sociedade Gasos S.A., desde que esta seja vitoriosa em procedimento de licitação realizada pelo Estado do Rio de Janeiro. Um mês antes do início do procedimento licitatório, a Sociedade Gasos S.A. descobre que o proprietário do terreno vizinho ao terreno da Sociedade Petr S.A. vem danificando o seu bem, podendo a continuação do ato gerar destruição do imóvel. Diante do ocorrido, o Código Civil prevê que a (A) Sociedade Gasos S.A. nada poderá fazer, visto que só possui uma mera expectativa de direito, sendo a legitimidade para a propositura de qualquer ação da Sociedade Petr S.A. (B) Sociedade Gasos S.A. não poderá promover ação judicial, nem mesmo a Sociedade Petr S.A., porque será preciso a realização da licitação para a propositura da ação. (C) Sociedade Gasos S.A. poderá promover ação judicial que impeça o ato do vizinho, visto que o termo inicial gera a aquisição do direito. (D) Sociedade Gasos S.A. poderá agir judicialmente, pois ao titular do direito eventual, nos casos de condição suspensiva, é permitido praticar os atos destinados a conservá-lo. (E) doação celebrada pela Sociedade Petr S.A. está sujeita a uma condição suspensiva, gerando a suspensão da aquisição do direito, inibindo a ação da Sociedade Gasos S.A. Comentários: A alternativa A está incorreta. Como é possível perceber, para que ocorra o negócio jurídico (a doação), há uma condição suspensiva, ou seja, ficam suspensos a aquisição e os efeitos do direito até que o evento futuro e incerto ocorra. Dessa forma, há, portanto, uma expectativa de um direito, no entanto, ainda assim, nos termos do CC/2002, pode o detentor da expectativa de tal direito praticar osatos destinados a conservá-lo: Art. 130. Ao titular do direito eventual, nos casos de condição suspensiva ou resolutiva, é permitido praticar os atos destinados a conservá-lo. Sendo assim, a empresa Gasos S.A tem legitimidade para a propositura da ação que vise conservar a propriedade que está sendo danificada, não ficando tal direito, portanto, restrito à Petr S.A. A alternativa B está incorreta. Como já analisado, ambas as empresas possuem legitimidade para propositura da ação que vise a preservação da propriedade, visto que a Petr S.A é proprietária e a Gasos S.A possui expectativa de direito sobre a mesma em decorrência de condição suspensiva. A alterativa C está incorreta. A sociedade Gasos S.A realmente poderá ingressar com ação contra o vizinho da propriedade, porém, não em decorrência do termo inicial, que se daria apenas no dia em que de fato passasse a vigorar o contrato de doação, mas em decorrência da expectativa de direito gerada pela condição suspensiva imposta pela Petr S.A. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 100 368 ==1027f2== 10 13 A alternativa D está correta e, é o gabarito da questão. Como já visto, por força do art. 130 do CC/2002, a sociedade Gasos S.A. poderá agir judicialmente, pois ao titular do direito eventual, nos casos de condição suspensiva, é permitido praticar os atos destinados a conservá-lo. A alternativa E está incorreta. De fato, a doação celebrada pela sociedade Petr S.A. está sujeita a uma condição suspensiva, mas, ao contrário do que afirma a assertiva, não há a suspensão da aquisição do direito e, sim a geração de uma expectativa de direito que permite à sociedade Gasos S.A ingressar com ação que iniba o vizinho de danificar o terreno. 12. (CESGRANRIO - Caixa - Advogado- 2012) Num contrato de compra e venda de um bem imóvel, a cláusula que sujeita o pagamento integral do preço ao registro da baixa da hipoteca no registro de imóveis constitui (A) encargo, a ser cumprido pelo comprador. (B) condição potestativa pura, permitida por lei. (C) condição suspensiva, subordinando a eficácia do contrato a evento futuro e incerto. (D) condição suspensiva, determinando a cessação dos efeitos da compra e venda. (E) condição resolutiva tácita, necessária para a resolução do contrato. Comentários: A alternativa A está incorreta. O encargo trata-se de uma cláusula acessória à liberdade por meio da qual se impõe uma obrigação ao beneficiário. Por exemplo, Fulano doará o apartamento a Ciclano, desde que este cuide do cachorro da família até sua morte. Assim, é possível concluir que não se trata de uma contraprestação e, o exercício do direito não será impedido, não podendo ser o encargo, portanto, o ato constitutivo da situação narrada pelo enunciado. A alternativa B está incorreta. A condição potestativa pura trata-se da subordinação do negócio jurídico ao arbítrio de apenas uma das partes. Por exemplo, Fulano executa um contrato de compra e venda com Ciclano, mas, este deixa claro que pagará quando quiser. Por bem, o contrato será nulo, já que não é permitido no ordenamento jurídico que a condição esteja puramente sujeita ao arbítrio de apenas uma das partes. A alternativa C está correta e, é o gabarito da questão. A condição suspensiva trata-se daquela que subordina a eficácia do negócio jurídico a sua implementação, ou sejam subordina a eficácia do negócio à um evento futuro e incerto, como é o caso descrito no enunciado. A alternativa D está incorreta. A cláusula capaz de estabelecer um evento futuro e incerto que gere a cessação dos efeitos do negócio jurídico estabelece, na verdade, uma condição resolutiva e, não suspensiva. A alternativa E está incorreta. Como já visto, o enunciado não se trata de uma condição resolutiva e menos ainda de uma condição resolutiva tácita. 13. (CESGRANRIO - Petrobras - Advogado- 2005) No direito pátrio, como regra geral, o negócio jurídico inspira-se pelo princípio da forma: Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 101 368 11 13 (A) particular. (B) livre. (C) consensual. (D) pública. (E) especial. Comentários: A alternativa B está correta e, é o gabarito da questão. De acordo com os ensinamentos de Clóvis Beviláqua, a forma traduz-se pelo meio através do qual a manifestação da vontade nos negócios jurídicos produz efeitos jurídicos. Sendo assim, a forma é, portanto, um conjunto de solenidades as quais devem ser observadas, para que a declaração de vontade tenha eficácia jurídica. Diante disso, a sistemática do Código Civil inspira-se pelo princípio da forma LIVRE, ou seja, a validade de uma declaração de vontade depende de forma determinada, quando explicitamente a norma exigir. AOCP Condição termo e encargo (121 ao 137) 14. (AOCP - Prefeitura de Juiz de Fora - MG - Procurador Municipal- 2016) De acordo com as disposições contidas no Código Civil relativas aos Negócios Jurídicos, assinale a alternativa correta. (A) Os negócios jurídicos benéficos interpretam-se extensivamente. (B) Invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados as condições juridicamente impossíveis, quando resolutivas. (C) Os negócios jurídicos entre vivos, sem prazo, são exequíveis desde logo, salvo se a execução tiver de ser feita em lugar diverso ou depender de tempo. (D) São os negócios jurídicos anuláveis por dolo, ainda que este seja acidental. (E) A escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a vinte vezes o maior salário mínimo vigente no País. Comentários: A alternativa A está incorreta. Conforme determina o CC/2002, a interpretação dos negócios jurídicos deve se dar de maneira estrita e, não extensiva: Art. 114. Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se estritamente. A alternativa B está incorreta. De acordo com o CC, as condições judicialmente impossíveis que de fato invalidam o negócio jurídico são as suspensivas e, não resolutivas: Art. 123. Invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados: I - as condições física ou juridicamente impossíveis, quando suspensivas. A afirmativa C está correta e, é o gabarito da questão. Eis que a afirmativa é a transcrição do art. 134 do CC/2002: Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 102 368 12 13 Art. 134. Os negócios jurídicos entre vivos, sem prazo, são exequíveis desde logo, salvo se a execução tiver de ser feita em lugar diverso ou depender de tempo. A alternativa D está incorreta. O dolo acidental não anula o negócio jurídico, apenas obriga à satisfação das perdas e danos, conforme o art. 146 do CC2002: Art. 146. O dolo acidental só obriga à satisfação das perdas e danos, e é acidental quando, a seu despeito, o negócio seria realizado, embora por outro modo. A alternativa E está incorreta. Conforme determina o CC/2002, a escritura pública e essencial para a validade do negócio jurídico, quando este tiver valor superior a 30 vezes o maior salário mínimo vigente no país e, não 20 como afirma a assertiva: Art. 108. Não dispondo a lei em contrário, a escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a 30 vezes o maior salário mínimo vigente no País. FUMARC Condição termo e encargo (121 ao 137) 15. (FUMARC - TJ-MG - Técnico Judiciário- 2012) Quanto aos negócios jurídicos, todas as alternativas abaixo sãocorretas, EXCETO: (A) O termo inicial suspende o exercício e a aquisição do direito. (B) Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar exata correspondência. (C) Salvo se o permitir a lei ou o representado, é anulável o negócio jurídico que o representante, no seu interesse ou por conta de outrem, celebrar consigo mesmo. (D) Se alguém dispuser de uma coisa sob condição suspensiva, e, pendente esta, fizer quanto àquela novas disposições, estas não terão valor, realizada a condição, se com ela forem incompatíveis. Comentários: A alternativa A está incorreta e, é o gabarito da questão. O termo inicial, ao contrário do que afirma a assertiva suspende o exercício, mas não a aquisição do direito: Art. 131. O termo inicial suspende o exercício, mas não a aquisição do direito. A alternativa B está correta. Eis que a assertiva é a exata transcrição do §3º, do art. 132, do CC/2002: Art. 132. Salvo disposição legal ou convencional em contrário, computam-se os prazos, excluído o dia do começo, e incluído o do vencimento. § 3º Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar exata correspondência. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 103 368 13 13 A alternativa C está correta. De acordo com o CC/2002, com exceção dos casos em que a lei permitir, ou o representado, será anulável o negócio jurídico cujo representante, seja por interesse próprio ou de terceiro, o celebre consigo mesmo: Art. 117. Salvo se o permitir a lei ou o representado, é anulável o negócio jurídico que o representante, no seu interesse ou por conta de outrem, celebrar consigo mesmo. A alternativa D está correta. Eis que a assertiva é a exata transcrição do art. 126 do CC/2002: Art. 126. Se alguém dispuser de uma coisa sob condição suspensiva, e, pendente esta, fizer quanto àquela novas disposições, estas não terão valor, realizada a condição, se com ela forem incompatíveis. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 104 368 1 5 FGV Condição, Termo E Encargo (Art. 121 Ao 137) 1. (FGV / PREF. DE CUIABÁ-MT – 2016) Francisco deseja doar seu apartamento para Joaquim, seu sobrinho mais novo. Ao realizar a transferência, exige que o sobrinho pinte o apartamento, a cada 6 meses, na cor que ele determinar. Joaquim aceita a oferta. Assinale a opção que indica o elemento acidental presente no negócio jurídico. (A) Condição suspensiva. (B) Condição resolutiva. (C) Encargo. (D) Termo inicial. (E) Termo final. Comentários: A alternativa A está incorreta. Como o próprio nome diz, condição suspensiva é uma condição estipulada anterior a realização do negócio, sem a qual, o mesmo não se realizará, ou seja, gera uma expectativa de direito. Por exemplo, um pai faz um contrato de doação para seu filho, doando-lhe seu carro, porém, a doação apenas se efetivará caso o filho ingresse em uma universidade. Sendo assim, caso o filho não consiga passar no vestibular, não receberá o carro, ou seja, a realização do negócio jurídico (doação) estará suspensa, ou seja, depende da condição de o filho obter resultado positivo no vestibular. A alternativa B está incorreta. Como o próprio nome diz, condição resolutiva resolve o negócio, ou seja, põe fim ao negócio. Por exemplo, um pai faz um contrato de doação de um carro ao seu filho, até que ele termine a faculdade. O termino ou a interrupção da faculdade colocará fim ao contrato, ou seja, resolverá o negócio jurídico. A alternativa C está correta e, é o gabarito da questão. Encargo ou modo é uma restrição a certa liberalidade que foi concedida. Por exemplo, quando um pai dá um dinheiro de presente a um filho, mas diz que ele precisa usar parte deste dinheiro para comprar livros. Geralmente o encargo é colocado em doações, mas nada impede que se refira a qualquer ato de índole gratuita (liberalidades). Exemplo: “doa- se determinado terreno ao Estado tendo como obrigação deste a construção de um hospital (o encargo)”. Assim, o encargo apresenta–se como cláusula acessória as liberalidades, quer estabelecendo uma finalidade ao objeto do negócio, quer impondo uma obrigação ao favorecido, em benefício do instituidor, ou de terceiro, ou mesmo da coletividade (como no exemplo acima). A alternativa D está incorreta. Termo inicial significa a data de início de um negócio jurídico. É o primeiro dia, é o acontecimento futuro e certo, compreende o dia de início, dies a quo (termo inicial). A alternativa E está incorreta. Termo final significa a data de término do prazo de um negócio jurídico, também chamado de dies ad quem (termo final). Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 105 368 2 5 Gabarito: Letra C. 2. (FGV / PREF. DE CUIABÁ-MT – 2016) Fábio comprometeu-se a doar uma casa aos noivos Roberto e Carla, desde que viessem a contrair matrimônio. Um mês antes do casamento, Carla descobriu que o vizinho do imóvel vem danificando o bem de Fábio, podendo a continuação destruir o imóvel. Diante do ocorrido, assinale a afirmativa correta. (A) Roberto e Carla nada poderão fazer, visto que só possuem uma mera expectativa de direito, sendo de Fábio a legitimidade para a propositura de qualquer ação. (B) Roberto e Carla poderão promover ação judicial que impeça o ato do vizinho, visto que o termo inicial gera a aquisição do direito. (C) Fábio, Roberto e Carla não poderão promover ação judicial, pois será preciso aguardar a realização do casamento para a propositura da ação. (D) Roberto e Carla poderão agir, inclusive judicialmente, pois ao titular do direito eventual, nos casos de condição suspensiva, é permitido praticar os atos destinados a conservá-lo. (E) A doação celebrada por Fábio está sujeita a uma condição suspensiva, o que gera a suspensão da aquisição do direito, inibindo a ação dos noivos. Comentários: No caso em tela, o que se percebe é um negócio jurídico que possui uma condição suspensiva no qual o negócio fica condicionado a realização de um fato futuro e incerto, de maneira que o termo inicial se dará, apenas, quando tal condição ocorrer. O termo inicial, nestes casos, que significa a data em que o negócio passa a vigorar, ou seja, a ter validade, não impede a aquisição do direito, apenas é possível retardar o seu exercício, como é possível perceber no art. 131, do CC/2002: “O termo inicial suspende o exercício, mas não a aquisição do direito”. Ou seja, o evento futuro (casamento), é a condição a qual o negócio está condicionado, contudo, o casal já pode exercer sobre o bem os atos conservatórios (atos que asseguram o exercício futuro) como o registro do título, podendo inclusive exigir do futuro usufrutuário (que possui o gozo atual do direito) a caução. Como determina o art. 130 do CC/2002: “Ao titular do direito eventual, nos casos de condição suspensiva ou resolutiva, é permitido praticar os atos destinados a conservá-lo”. Sendo assim, a alternativa D está correta e, é o gabarito da questão. Gabarito: Letra D. 3. (FGV / TJ-PI – 2016) Elisa convencionou com Lourdes a doação periódica de certa quantia em dinheiro caso ela seja aprovada e curse a faculdade de Administração no estado vizinho à cidade onde moram. Sobre a situação descrita, é correto afirmar que o ajuste negocial está sujeito: (A) A encargo, no qual caberá a Lourdes cumprir os requisitos em questão para aquisição do direito às verbas; Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br05218773182 - Isabelle Timo 106 368 3 5 (B) A termo inicial, apenas produzindo efeitos após o ingresso de Lourdes no curso; (C) À condição suspensiva, somente se adquirindo o direito aos valores se Lourdes for aprovada e cursar a faculdade; (D) À condição resolutiva, adquirindo Lourdes o direito aos valores desde o início e os restituindo caso não seja aprovada; (E) A termo final, extinguindo o negócio jurídico com o ingresso de Lourdes no curso superior. Comentários: A alternativa A está incorreta. Encargo ou modo é uma restrição a certa liberalidade que foi concedida. Por exemplo, quando um pai dá um dinheiro de presente a um filho, mas diz que ele precisa usar parte deste dinheiro para comprar livros. Geralmente o encargo é colocado em doações, mas nada impede que se refira a qualquer ato de índole gratuita (liberalidades). Exemplo: “doa-se determinado terreno ao Estado tendo como obrigação deste a construção de um hospital (o encargo)”. Assim, o encargo apresenta–se como cláusula acessória as liberalidades, quer estabelecendo uma finalidade ao objeto do negócio, quer impondo uma obrigação ao favorecido, em benefício do instituidor, ou de terceiro, ou mesmo da coletividade (como no exemplo acima). A alternativa B está incorreta. O termo inicial é na verdade a data de início do cumprimento do contrato, na verdade, o termo inicial seria o dia em que Lourdes passar na faculdade, o dia em que o contrato passará a vigorar. A alternativa C está correta e, é o gabarito da questão. Condição suspensiva, como o próprio nome diz, é aquela em que as partes protelam a eficácia do negócio jurídico, ou seja, somente terá eficácia após realizada uma condição, um acontecimento futuro e incerto, como no caso em tela, apenas haverá a doação da quantia de dinheiro quando Lourdes ingressar na faculdade, o que pode ou não acontecer. O CC/2002 aborda o assunto da seguinte maneira: art. 125. Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta se não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa. Art. 126. Se alguém dispuser de uma coisa sob condição suspensiva, e, pendente esta, fizer quanto àquelas novas disposições, estas não terão valor, realizada a condição, se com ela forem incompatíveis. A alternativa D está incorreta. Condição resolutiva fica subordina a ineficácia do negócio jurídico a um evento futuro e incerto. Enquanto este evento não ocorrer, vigorará o negócio jurídico. Uma vez verificada a condição, se extingue o direito que a ela se opõe. Por exemplo, se o caso retratasse a situação de que enquanto Lourdes estudar será feita a doação de uma quantia de dinheiro, quando ela parar de estudar, esta condição deixa de existir. O CC/2002 trata do assunto nos seguintes arts.: Art. 124. Têm- se por inexistentes as condições impossíveis, quando resolutivas, e as de não fazer coisa impossível. Art. 127. Se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, vigorará o negócio jurídico, podendo exercer-se desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido. Art. 128. Sobrevindo a condição resolutiva, extingue-se, para todos os efeitos, o direito a que ela se opõe; mas, se aposta a um negócio de execução continuada ou periódica, a sua realização, salvo disposição em contrário, não tem eficácia quanto aos atos já praticados, desde que compatíveis com a natureza da condição pendente e conforme aos ditames de boa-fé. A alternativa E está incorreta. Termo final significa o dia do final, ou seja, em que se encerra o negócio jurídico. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 107 368 ==1027f2== 4 5 Gabarito: Letra C. 4. (FGV / PREFEITURA DE CUIABÁ-MT – 2015) Adriana, vendedora, e Renata, compradora, realizam contrato de compra e venda de um automóvel. No momento da formação do vínculo contratual, tendo sido efetivado o pagamento integral do valor contratado, estabeleceu-se que a vendedora entregaria o bem à compradora em uma semana, permanecendo Adriana na posse do bem, sendo permitido o seu uso. Três dias após o contratado, Adriana, na posse do automóvel, sofre acidente, por conta de sua imprudência ao dirigir, tendo sido totalmente destruído o veículo objeto do contrato. Sobre o caso narrado, assinale a afirmativa correta. (A) Renata terá direito à reparação pela perda do bem, na medida em que já sua proprietária, sob condição suspensiva. (B) Renata terá direito à reparação pela perda do bem, na medida em que já era sua proprietária, sob termo inicial. (C) Renata terá direito à reparação pela perda do bem, pois houve uso abusivo da propriedade por parte de Adriana. (D) Renata não terá direito à reparação pela perda do bem, pois este ainda não era de sua propriedade, que só se perfaz com a tradição. (E) Renata não terá direito à reparação pela perda do bem, pois já era dele proprietária, perdendo-se a coisa para o seu dono. Comentários: A alternativa A está incorreta. Não há o que se falar em condição suspensiva, uma vez que esta significa que uma condição suspenderia os efeitos do negócio, durante o tempo em que o fato futuro não ocorre, por exemplo, a vendedora estipular que a venda somente se realizaria quando Renata contraísse matrimonio. A alternativa B está correta e, é o gabarito da questão. Renata terá direito à reparação pela perda do bem, na medida em que já era sua proprietária, sob termo inicial, ou seja, no momento em que foi efetuado o pagamento total do valor do veículo, este passou a ser de Renata e o negócio jurídico, no caso, o contrato de compra e venda passou a vigorar naquele instante, ou seja, ela estava sob o termo inicial (prazo em que começa a vigorar um negócio jurídico). A alternativa C está incorreta. Não há o que se falar em uso abusivo do bem, uma vez que havia sido feito o acordo entre as partes que o carro seria entregue dentro de uma semana. Contudo, a reparação pela perda é devida. A alternativa D está incorreta. Renata terá direito à reparação pela perda do bem, na medida em que já era sua proprietária, sob termo inicial, ou seja, no momento em que foi efetuado o pagamento total do valor do veículo, este passou a ser de Renata e o negócio jurídico, no caso, o contrato de compra e venda Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 108 368 5 5 passou a vigorar naquele instante, ou seja, ela estava sob o termo inicial (prazo em que começa a vigorar um negócio jurídico). A alternativa E está incorreta. Renata terá direito à reparação pela perda do bem, na medida em que já era sua proprietária, sob termo inicial, ou seja, no momento em que foi efetuado o pagamento total do valor do veículo, este passou a ser de Renata e o negócio jurídico, no caso, o contrato de compra e venda passou a vigorar naquele instante, ou seja, ela estava sob o termo inicial (prazo em que começa a vigorar um negócio jurídico). Gabarito: Letra B. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 109 368 1 5 FGV Condição, Termo E Encargo (Art. 121 Ao 137) 1. (FGV / TJDFT – Oficial de Justiça Avaliador Federal - 2022) Rosália efetuou a doação de um terreno para o Município de Euclidelândia, para que nele seja construída uma escola no prazo de um ano a contar da data da celebração do negócio jurídico. Os elementos acidentais presentes no contrato são: (A) encargo e termo; (B) condição suspensiva e encargo; (C) condição resolutiva e termo; (D) termo e condição inicial; (E) encargo e condição final. 2. (FGV/ TJ-MS – Analista Judiciário – 2022) Após ser salvo deuma situação grave de perigo, Roberto, 40 anos, decidiu mudar de vida. Em primeiro lugar, elaborou um testamento para estipular um percentual de sua herança em benefício do seu salvador. Além disso, perfilhou seu filho, Antônio. Na sequência, doou sua casa em Cuiabá ao seu amigo de infância, Josias, e mudou de endereço, fixando domicílio em uma cidade do interior. Tais atos podem ser classificados, respectivamente, como: (A) ato jurídico não negocial, ato jurídico não negocial, negócio jurídico bilateral e negócio jurídico unilateral; (B) negócio jurídico bilateral, negócio jurídico unilateral, ato jurídico não negocial e ato jurídico não negocial; (C) ato jurídico não negocial, negócio jurídico unilateral, ato jurídico não negocial e negócio jurídico unilateral; (D) negócio jurídico unilateral, ato jurídico não negocial, negócio jurídico bilateral e ato jurídico não negocial; (E) negócio jurídico unilateral, negócio jurídico bilateral, negócio jurídico unilateral e negócio jurídico bilateral. 3. (XXIX Exame da OAB) Eva celebrou com sua neta Adriana um negócio jurídico, por meio do qual doava sua casa de praia para a neta caso esta viesse a se casar antes da morte da doadora. O ato foi levado a registro no cartório do Registro de Imóveis da circunscrição do bem. Pouco tempo depois, Adriana tem notícia de que Eva não utilizava a casa de praia há Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 110 368 2 5 muitos anos e que o imóvel estava completamente abandonado, deteriorando-se a cada dia. Adriana fica preocupada com o risco de ruína completa da casa, mas não tem, por enquanto, nenhuma perspectiva de casar-se. De acordo com o caso narrado, assinale a afirmativa correta. A) Adriana pode exigir que Eva autorize a realização de obras urgentes no imóvel, de modo a evitar a ruína da casa. B) Adriana nada pode fazer para evitar a ruína da casa, pois, nos termos do contrato, é titular de mera expectativa de fato. C) Adriana pode exigir que Eva lhe transfira desde logo a propriedade da casa, mas perderá esse direito se Eva vier a falecer sem que Adriana tenha se casado. D) Adriana pode apressar-se para casar antes da morte de Eva, mas, se esta já tiver vendido a casa de praia para uma terceira pessoa ao tempo do casamento, a doação feita para Adriana não produzirá efeito. 4. (XXIV Exame da OAB) Eduardo comprometeu-se a transferir para Daniela um imóvel que possui no litoral, mas uma cláusula especial no contrato previa que a transferência somente ocorreria caso a cidade em que o imóvel se localiza viesse a sediar, nos próximos dez anos, um campeonato mundial de surfe. Depois de realizado o negócio, todavia, o advento de nova legislação ambiental impôs regras impeditivas para a realização do campeonato naquele local. Sobre a incidência de tais regras, assinale a afirmativa correta. A) Daniela tem direito adquirido à aquisição do imóvel, pois a cláusula especial configura um termo. B) Prevista uma condição na cláusula especial, Daniela tem direito adquirido à aquisição do imóvel. C) Há mera expectativa de direito à aquisição do imóvel por parte de Daniela, pois a cláusula especial tem natureza jurídica de termo. D) Daniela tem somente expectativa de direito à aquisição do imóvel, uma vez que há uma condição na cláusula especial. 5. (VI Exame da OAB) A condição, o termo e o encargo são considerados elementos acidentais, facultativos ou acessórios do negócio jurídico, e têm o condão de modificar as consequências naturais deles esperadas. A esse respeito, é correto afirmar que (A) se considera condição a cláusula que, derivando da vontade das partes ou de terceiros, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto. (B) se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, não vigorará o negócio jurídico, não se podendo exercer desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 111 368 ==1027f2== 3 5 (C) o termo inicial suspende o exercício, mas não a aquisição do direito e, salvo disposição legal ou convencional em contrário, computam-se os prazos, incluindo o dia do começo e excluindo o do vencimento. (D) se considera não escrito o encargo ilícito ou impossível, salvo se constituir o motivo determinante da liberalidade, caso em que se invalida o negócio jurídico. 6. (FGV - IMBEL - Advogado – Reaplicação - 2021) A sociedade empresária M aliena onerosamente seu parque industrial para a sociedade empresária N. Estipula-se, no contrato de venda, que N receberá imediatamente a propriedade dos ativos de M, mas que o preço da compra somente será pago quando N alcançar uma determinada receita da produção advinda do parque industrial alienado. Quanto à hipótese apresentada, é correto dizer que se previu, em relação ao pagamento, A) uma condição suspensiva. B) um encargo. C) uma condição resolutiva. D) um termo inicial. E) um termo final. 7. (FGV - TJ-RO - Analista Judiciário - Oficial de Justiça – 2021) Dona Aldeíde garantiu à sua neta Rejane que, se essa se casasse, ganharia dela o colar de pérolas que se encontra na família há gerações. Entretanto, alguns anos depois, diante da ausência de perspectiva de matrimônio de Rejane, Aldeíde doa o colar para outra neta, Ludmila. A doação de Aldeíde a Ludmila: A) implica revogação tácita da promessa que fizera a Rejane, ante a incompatibilidade entre as duas; B) é válida e eficaz, pois a promessa a Rejane já perdera o efeito pelo decurso do tempo sem casamento; C) deixará de produzir efeito se Rejane vier a se casar, fazendo ela jus ao recebimento da joia; D) é nula, porque Aldeíde já tinha alienado o colar e, portanto, não tinha mais legitimidade para doá-lo; E) é nula, porque embora Rejane tenha mera expectativa de direito, a conduta de Aldeíde viola a boa-fé. 8. (FGV / PREF. DE CUIABÁ-MT – 2016) Francisco deseja doar seu apartamento para Joaquim, seu sobrinho mais novo. Ao realizar a transferência, exige que o sobrinho pinte o apartamento, a cada 6 meses, na cor que ele determinar. Joaquim aceita a oferta. Assinale a opção que indica o elemento acidental presente no negócio jurídico. (A) Condição suspensiva. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 112 368 4 5 (B) Condição resolutiva. (C) Encargo. (D) Termo inicial. (E) Termo final. 9. (FGV / PREF. DE CUIABÁ-MT – 2016) Fábio comprometeu-se a doar uma casa aos noivos Roberto e Carla, desde que viessem a contrair matrimônio. Um mês antes do casamento, Carla descobriu que o vizinho do imóvel vem danificando o bem de Fábio, podendo a continuação destruir o imóvel. Diante do ocorrido, assinale a afirmativa correta. (A) Roberto e Carla nada poderão fazer, visto que só possuem uma mera expectativa de direito, sendo de Fábio a legitimidade para a propositura de qualquer ação. (B) Roberto e Carla poderão promover ação judicial que impeça o ato do vizinho, visto que o termo inicial gera a aquisição do direito. (C) Fábio, Roberto e Carla não poderão promover ação judicial, pois será preciso aguardar a realização do casamento para a propositura da ação. (D) Roberto e Carla poderão agir, inclusive judicialmente, pois ao titular do direito eventual, nos casos de condição suspensiva, é permitido praticar os atos destinados a conservá-lo. (E) A doação celebrada por Fábio está sujeita a uma condição suspensiva, o que gera a suspensão da aquisição do direito, inibindo a ação dosnoivos. 10. (FGV / TJ-PI – 2016) Elisa convencionou com Lourdes a doação periódica de certa quantia em dinheiro caso ela seja aprovada e curse a faculdade de Administração no estado vizinho à cidade onde moram. Sobre a situação descrita, é correto afirmar que o ajuste negocial está sujeito: (A) A encargo, no qual caberá a Lourdes cumprir os requisitos em questão para aquisição do direito às verbas; (B) A termo inicial, apenas produzindo efeitos após o ingresso de Lourdes no curso; (C) À condição suspensiva, somente se adquirindo o direito aos valores se Lourdes for aprovada e cursar a faculdade; (D) À condição resolutiva, adquirindo Lourdes o direito aos valores desde o início e os restituindo caso não seja aprovada; (E) A termo final, extinguindo o negócio jurídico com o ingresso de Lourdes no curso superior. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 113 368 5 5 11. (FGV / PREFEITURA DE CUIABÁ-MT – 2015) Adriana, vendedora, e Renata, compradora, realizam contrato de compra e venda de um automóvel. No momento da formação do vínculo contratual, tendo sido efetivado o pagamento integral do valor contratado, estabeleceu-se que a vendedora entregaria o bem à compradora em uma semana, permanecendo Adriana na posse do bem, sendo permitido o seu uso. Três dias após o contratado, Adriana, na posse do automóvel, sofre acidente, por conta de sua imprudência ao dirigir, tendo sido totalmente destruído o veículo objeto do contrato. Sobre o caso narrado, assinale a afirmativa correta. (A) Renata terá direito à reparação pela perda do bem, na medida em que já sua proprietária, sob condição suspensiva. (B) Renata terá direito à reparação pela perda do bem, na medida em que já era sua proprietária, sob termo inicial. (C) Renata terá direito à reparação pela perda do bem, pois houve uso abusivo da propriedade por parte de Adriana. (D) Renata não terá direito à reparação pela perda do bem, pois este ainda não era de sua propriedade, que só se perfaz com a tradição. (E) Renata não terá direito à reparação pela perda do bem, pois já era dele proprietária, perdendo-se a coisa para o seu dono. GABARITO 1. TJDFT A 2. TJ-MS D 3. XXIX Exame da OAB A 4. XXIV Exame da OAB D 5. VI Exame da OAB D 6. IMBEL A 7. TJ-RO C 8. PREF. DE CUIABÁ-MT C 9. PREF. DE CUIABÁ-MT D 10. TJ-PI C 11. PREF. DE CUIABÁ-MT B Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 114 368 1 5 Capítulo IV – Defeitos do negócio jurídico Se a vontade é exteriorizada defeituosamente, será inválida, segundo o art. 171, inc. II, do Código Civil. Quais são os casos de anulação do ato por imperfeição de manifestação? São os chamados vícios de vontade, ou seja, os casos nos quais a manifestação de vontade está contaminada, viciada. São vários os casos regulados pelo Código Civil: erro, dolo, coação, estado de perigo e lesão. O estado de perigo e a lesão são novidades do legislador de 2002, não estando esses dois vícios previstos no Código Civil de 1916, apenas no de 2002. Além disso, o Código Civil ainda trata de um vício que não se vincula à vontade defeituosa, mas a um vício social: a fraude contra credores. Analiso, agora, esses defeitos do negócio jurídico: Seção 1 – Erro O erro, ou ignorância, nada mais é do que “a falsa representação psicológica da realidade”, da situação em face da qual a pessoa se encontra. Há, portanto, uma distorção da vontade relativamente ao mundo exterior. O ato será anulável quando as declarações de vontade emanarem de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias do negócio. O erro pode se dar de variados modos, afirma Marcos Bernardes de Mello. Mas, quando se verificará o erro, de acordo com o CC/2002? Primeiro, há de se lembrar que o erro precisa ser substancial, exige o art. 138. Quando há erro substancial? Estabelece o art. 139 do Código Civil que o erro é substancial quando: I - interessa à natureza do negócio, ao objeto principal da declaração, ou a alguma das qualidades a ele essenciais; II - concerne à identidade ou à qualidade essencial da pessoa a quem se refira a declaração de vontade, desde que tenha influído nesta de modo relevante; III - sendo de direito e não implicando recusa à aplicação da lei, for o motivo único ou principal do negócio jurídico. O art. 140 do Código Civil ainda adiciona mais uma situação de erro. Segundo esse dispositivo, haverá erro quando o motivo, falseado, for razão determinante do negócio. Inversamente, mesmo que falso, o motivo não viciará o ato quando não for razão determinante do negócio jurídico. Mesmo que a transmissão errônea da vontade não se dê por declaração direta, mas por meios interpostos, o ato é anulável, esclarece o art. 141 do Código Civil. Igualmente, o erro de cálculo apenas autoriza a retificação da declaração de vontade, mas não comporta anulação. Sempre que constatado o erro, o outro deverá indenizar. Pode-se, em qualquer caso, afastar a anulação do ato se o outro consentir em cumprir o ato em conformidade com a vontade daquele que havia feito a declaração, conforme estabelece o art. 144 do Código Civil. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 115 368 2 5 Seção 2 – Dolo O dolo, em negócio jurídico, significa engano, embuste, traição, trapaça. Nada tem a ver com o dolo caracterizado como espécie de culpa em sentido amplo da responsabilidade civil ou do Direito Penal. É a ação ou omissão em induzir, fortalecer ou manter o outro na falsa representação da realidade para beneficiar a si ou a outrem, de modo que o negócio não se realizaria se não fosse por essa atitude. Ou seja, o dolo nada mais é do que induzir alguém em erro, resumidamente. Veja que o dolo deve ser a causa eficiente do negócio, conforme estabelece o art. 145 do Código Civil. Só fechei o negócio porque o outro me induziu em erro, me enganou. No dolo, portanto, não se exige qualquer sofisticação, basta ajudar o erro alheio que já se configura o dolo. Há linha tênue entre a propaganda enganosa e a exaltação das qualidades do produto, de forma que o espalhafato e o exagero não são dolo. Porém, conforme o art. 147 do Código Civil, nos negócios jurídicos bilaterais, o silêncio intencional de uma das partes a respeito de fato ou qualidade que a outra parte haja ignorado, constitui omissão dolosa, provando-se que sem ela o negócio não se teria celebrado. Também há dolo no caso de colaboração de terceiros, como expõe o art. 148 do Código Civil. De qualquer forma, se o negócio se realizaria mesmo que eu soubesse que o produto era mera réplica, mas não por aquele preço, há dolo incidental/acidental. Nesse caso, não se anula o negócio, apenas se indeniza o negociante prejudicado pelas perdas e danos, consoante regra do art. 146 do Código Civil. Assim, se ambos sabiam do defeito, não é dolo invalidante, mas se caracteriza o dolo recíproco (bilateral), conforme o art. 150 do Código Civil, pelo que ninguém pode reclamar do negócio. Seção 3 – Coação Existe coação quando a vontade é viciada por medo de dano a si, à família, a outrem ou aos bens, a partir de uma pressão física ou moral, segundo o art. 151 do Código Civil. O parágrafo único desse artigo diz que se a coação for contra terceiro, não pertencente à família do paciente, o juiz, com base nas circunstâncias, decidirá se houve coação. Há algumas situações que não caracterizam coação, ainda que pareçam, conforme estabelece o art. 153 do Código Civil: a ameaça do exercício normal deum direito e o simples temor reverencial. Tal qual no dolo, o coator pode ser terceiro, mas a parte beneficiada, para indenizar, deveria saber ou teria o dever de saber do temor. Se não soubesse, o terceiro coator é quem indeniza, mas o negócio continua válido. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 116 368 3 5 Ou seja, há dever de indenizar independentemente da validade do negócio, conforme estabelecem os arts. 154 e 155 do Código Civil. Se o beneficiário sabia da coação, responde solidariamente com o coator, inclusive, diante do paciente (coato ou coagido). Seção 4 – Estado de perigo O estado de perigo está previsto no art. 156 do Código Civil: Configura-se o estado de perigo quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa. Tal qual a coação, o parágrafo único diz que pode haver estado de perigo a uma pessoa que não seja de sua família. Nesse caso, o juiz decidirá segundo as circunstâncias do caso. Diferentemente da coação, porém, o estado de perigo não se vincula a bens. Coação pode tem um bem, estado de perigo não. Ou seja, o bandido pode dizer que vai atear fogo na minha casa se eu não fizer tal coisa (coação), mas atear fogo na minha casa nunca vai ser estado de perigo. Para que o estado de perigo se verifique devo analisar cinco pressupostos: 1. Dano: deve ser pessoal, não patrimonial, por mais importante que seja, ao contrário da coação 2. Urgência e gravidade do dano/risco: que gera fundado temor, numa avaliação subjetiva (elemento subjetivo), já que a ignorância e o desespero geralmente ocasionam temor exagerado, como, p.ex., a mãe que vê o filho com muito sangue no rosto, mas são apenas machucados na região do supercílio, que habitualmente sangra bastante 3. Relação de causa e efeito entre o perigo e o negócio: fiz o negócio para evitar o perigo 4. Dolo da contraparte: o outro tem que saber que eu farei o negócio a qualquer custo 5. Excessiva onerosidade: avaliada pelo negócio em si, e não em relação ao patrimônio do sujeito (elemento objetivo) Seção 5 – Lesão No Código Civil, a lesão está prevista no art. 157 e tem dois pressupostos: Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 117 368 ==1027f2== 4 5 1. Prestação manifestamente desproporcional: valorada pelo juiz (elemento objetivo). Por exemplo, vende a casa de 1 milhão por 100 mil; 2. O negócio se deu por estado de necessidade ou inexperiência (elemento subjetivo). Veja que a apreciação da desproporção das prestações se dá segundo os valores vigentes ao tempo em que foi celebrado o negócio jurídico. Assim, se é verificada desproporção de valores durante a execução do contrato, por exemplo, não há que se falar em lesão. Pode haver onerosidade excessiva, mas não lesão. A lesão é facilmente confundida com o estado de perigo. Você deve atentar para as diferenças! Primeiro, na lesão ocorrida por inexperiência, o lesado às vezes sequer sabe que está sendo lesado. Segundo, e mais importante, a lesão independe de o lesador saber do estado de necessidade ou inexperiência da contraparte. No estado de perigo, a desproporção da obrigação origina-se exatamente porque eu sei que o outro precisa, sob risco de perder bem jurídico mais importante a ela. Não será anulado o negócio jurídico, se for oferecido suplemento suficiente, ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito, segundo o art. 157, §2º, do Código Civil. Seção 6 – Fraude contra credores Assim como a simulação, a fraude contra credores é classificada como um vício social. A fraude contra credores é um defeito do negócio jurídico que ocorre quando o devedor maliciosamente aliena (diminui) seu patrimônio para não pagar o credor (ou credores). O art. 158 do Código Civil deixa claro que ocorre fraude mesmo quando o próprio devedor não sabe que o ato vai gerar sua insolvência, que vai ficar quebrado. Assim, eu devo pra você e doo uma casa a meu tio, achando que tinha ainda muito dinheiro. Não tinha. Quando você me cobra, não tenho dinheiro e não pago. A doação é um ato fraudatório, mesmo que eu mesmo não soubesse disso. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 118 368 5 5 Como desfazer o negócio fraudulento? Por meio da ação anulatória, também chamada de ação revocatória ou ação pauliana. Sim, eu tenho uma ação processual com o MEU NOME! E é a única ação no Direito Civil com um nome =) Ou seja, o credor vai ajuizar uma ação com o objetivo de anular esses atos fraudulentos e maliciosos cometidos pelo devedor. Veja também que essa ação se restringe aos credores quirografários lesados. 1 Ou seja, se o credor tiver garantia real, não se fala em anulação do ato por fraude contra credores (por exemplo uma hipoteca sobre um apartamento). A exceção fica por conta do §1º do art. 158 do Código Civil, que permite aos credores com garantias o apelo à fraude contra credores quando suas garantias se tornarem insuficientes. A anterioridade do crédito exigida pelo art. 158, §2º, do Código Civil, é determinada pela causa que lhe dá origem, independentemente de seu reconhecimento por decisão judicial. Imagine que Pedro presta um serviço para João. Cobra o valor de R$ 10.000,00 para isso e não é pago. Pedro se torna credor de João na quantia de R$ 10.000,00. Com o objetivo de não pagar a dívida, João doa seu único imóvel para seu filho menor de idade, a fim de diminuir seu patrimônio de maneira fraudulenta. Então, para anular essa doação maliciosa, Pedro (que não possui garantia real) ajuíza uma ação pauliana para que o imóvel retorne ao patrimônio de João e satisfaça seu crédito. Além disso, segundo o art. 163 do Código Civil, presumem-se fraudulentas dos direitos dos outros credores as garantias de dívidas que o devedor insolvente tiver dado a algum credor. Ou seja, devo para três pessoas e a uma delas dou em garantia minha casa. Essa pessoa deixa de ser credor quirografário, passando a receber antes das duas outras. Isso é fraudatório. 1 Credor quirografário, em resumo, é aquele que não tem nenhuma garantia especial. É você que empresta R$50ão por seu amigo. Se ele quebrar, você vai ser um dos últimos a receber o pagamento, porque é um credor quirografário. Quiro: mão; grafário, de grafia, escrito. Ou seja, o credor cuja única garantia é a escrita da mão, a assinatura do devedor. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 119 368 1 15 CEBRASPE Defeitos Do Negócio Jurídico (Art. 138 Ao 165) 1. (CEBRASPE/ ISS- Aracajú - 2021) De acordo com o Código Civil, o negócio jurídico será considerado nulo caso a) a declaração de vontade de alguma das partes emane de erro substancial. b) deixe de ser revestido pela forma prescrita em lei. c) seja praticado por um devedor insolvente. d) seja realizado por uma pessoa que, premida da necessidade de se salvar, assuma obrigação excessivamente onerosa. e) decorre de dolo de terceiro, desde que a parte que se beneficia dele tenha conhecimento do vício do ato. Comentários: A alternativa A está incorreta, pois o erro, ainda que substancial, vicia o negócio jurídico mas, não o torna nulo, e sim anulável, como se extrai do art. 138: “São anuláveis os negócios jurídicos, quando as declarações de vontade emanarem de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em face das circunstânciasdo negócio”. A alternativa B está correta, pois o negócio jurídico, quando não revestido de forma prescrita em lei, é nulo, conforme dispõe o art. 166, inc. IV, do CC/2002: “Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando não revestir a forma prescrita em lei”. A alternativa C está incorreta, pois não há qualquer restrição quanto à prática de negócios jurídicos pelo devedor insolvente, de per si, assim, não há razão que o torne nulo. A alternativa D está incorreta, pois a assertiva trata do estado de perigo, o qual vicia o negócio jurídico tornando-o anulável, conforme se depreende do expresso pelo art. 171, inc. II, do CC/2002: “Art. 171. Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio jurídico por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra credores”. A alternativa E está incorreta, pois como já analisado, o dolo, assim como o estado de perigo torna o negócio jurídico anulável, nos termos do art. 145: “São os negócios jurídicos anuláveis por dolo, quando este for a sua causa”. 2. (CEBRASPE - TJ/RJ – Analista Judiciário – 2021) Em razão da presença de vício que a doutrina classifica como social, o negócio jurídico será anulável, caso se constate a presença de a) objeto ilícito. b) coação entre seus celebrantes. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 120 368 2 15 c) fraude contra credores. d) estado de perigo. e) simulação. Comentários A alternativa A está errada, pois o objeto é elemento de validade do negócio e, caso seja ilícito, o torna inválido. A alternativa B está errada, pois a coação é vício de vontade. A alternativa C está certa. O vício social, diferentemente dos vícios de consentimento, não se vincula à vontade defeituosa, mas sim a distorção na intenção do agente na realização do negócio jurídico com finalidade de burlar interesses de terceiros e/ou prejudicar o meio social. Assim, a doutrina entende que se enquadram nesta definição a fraude contra credores e a simulação. No entanto, a simulação é o vício que gera nulidade, enquanto a fraude contra credores a anulabilidade. A alternativa D está errada, pois o estado de perigo, assim como a coação é vício de vontade. A alternativa E está errada, pois conforma analisado, a simulação é vício social que anula o negócio. 1. ( CESPE / CEBRASPE - TC-DF - Auditor de Controle Externo - 2021) O engano do declarante quanto ao objeto do negócio jurídico que deu ensejo à propositura da ação enseja a anulabilidade da confissão. Comentários: A afirmativa está correta, pois de fato, o erro do declarante quanto ao objeto do negócio pode acarretar a anulabilidade do negócio. Estas situações se tratam de erro substancial, ou seja, quando o engano diz respeito à alguma das qualidades essenciais do negócio que, no caso do enunciado em questão, é o objeto. Eis o que se verifica no art. 139, inc. I: Art. 139. O erro é substancial quando: I – interessa à natureza do negócio, ao objeto principal da declaração, ou a alguma das qualidades a ele essenciais; Assim, nos termos do art. 138, podem ser anulados: Art. 138. São anuláveis os negócios jurídicos, quando as declarações de vontade emanarem de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias do negócio. Gabarito: Correto 2. (CESPE / TJ-PR – 2019) Para ajudar a custear o tratamento médico de seu filho, José resolveu vender seu próprio automóvel. Em razão da necessidade e da urgência, José estipulou, para Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 121 368 3 15 venda, o montante de 35 mil reais, embora o valor real de mercado do veículo fosse de 65 mil reais. Ao ver o anúncio, Fernando ofereceu 32 mil reais pelo automóvel. José aceitou o valor oferecido por Fernando e formalizou o negócio jurídico de venda. Conforme o Código Civil, essa situação configura hipótese de (A) lesão, sendo o negócio jurídico anulável. (B) dolo, podendo José pedir somente indenização por perdas e danos. (C) lesão, podendo José pedir somente indenização por perdas e danos. (D) dolo, sendo o negócio jurídico anulável. Comentários: A alternativa A correta, conforme o Código Civil, essa situação configura hipótese de lesão, sendo o negócio jurídico anulável. Lesão é um vício de consentimento decorrente do abuso praticado em situação de desigualdade de um dos contratantes, por estar sob premente necessidade, ou por inexperiência, visando a protegê-lo, conforme dispõe o art. 157 do Código Civil: Art. 157. Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. A desproporção das prestações, ocorrendo lesão, deverá ser apreciada segundo os valores vigentes ao tempo da celebração do negócio jurídico pela técnica pericial avaliada pelo magistrado. Se a desproporcionalidade for superveniente à formação do negócio, será juridicamente irrelevante: § 1º. Aprecia-se a desproporção das prestações segundo os valores vigentes ao tempo em que foi celebrado o negócio jurídico. A lesão inclui-se entre os vicio de consentimento e acarretará a anulabilidade do negócio, permitindo- se, porém, para evitá-la, a oferta de suplemento suficiente, ou, se o favorecido concordar, a redução da vantagem, aproveitando, assim, o negócio: § 2º. Não se decretará a anulação do negócio, se for oferecido suplemento suficiente, ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito. A alternativa B errada, eis que, o dolo acidental é o que leva a vítima a realizar o negócio, porém em condições mais onerosas ou menos vantajosas, não afetando sua declaração de vontade, embora venha a provocar desvios, não se constituindo vício de consentimento, por não influir diretamente na realização do ato negocial que se teria praticado independentemente do emprego das manobras astuciosas. Por não ser vício de consentimento nem causa do contrato, não acarretará a anulação do negócio, obrigando apenas à satisfação de perdas e danos ou a uma redução da prestação convencionada, conforme dispõe o art. 146 do Código Civil: Art. 146. O dolo acidental só obriga à satisfação das perdas e danos, e é acidental quando, a seu despeito, o negócio seria realizado, embora por outro modo. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 122 368 4 15 A alternativa C errada, porque conforme o Código Civil, essa situação configura hipótese de lesão, sendo o negócio jurídico anulável, conforme dispõe o art. 157 do Código Civil: Art. 157. Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. § 1º Aprecia-se a desproporção das prestações segundo os valores vigentes ao tempo em que foi celebrado o negócio jurídico. § 2º Não se decretará a anulação do negócio, se for oferecido suplemento suficiente, ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito. A lesão consiste no prejuízo que um contratante experimenta em contrato comutativo quando não recebeu da outra parte valor igual ou proporcional ao da prestação que forneceu. Características da lesão: A pessoa age sob premente necessidade (mas de cunho patrimonial), ou por inexperiência; e se obriga a prestação manifestamente desproporcional. A alternativa D errada, já que, dolo é o artifício ou expediente astucioso empregado para induzir alguém à prática de um ato que o prejudique e aproveite ao autor do dolo ou a terceiro, conforme05218773182 - Isabelle Timo 9 368 7 7 É o caso de passar na catraca do ônibus. O cobrador fala que a passagem subiu. Você entrega o dinheiro. Precisa dizer pra ele que concorda com o preço maior? Claro que não. E se você faz uma reserva mental de não querer mais andar de ônibus. Totalmente irrelevante. A lei pode exigir forma específica ou proibir outras. Em geral, estabelece o art. 107 do Código Civil, a validade da declaração de vontade não depende de forma especial. Exceção ocorre quando a lei expressamente a exigir. No negócio jurídico celebrado com a cláusula de não valer sem instrumento público, este é da substância do ato, determina o art. 109 do Código Civil. Sendo substância do ato, ele é elemento essencial do negócio jurídico, que o torna nulo se não presente. Veja que mesmo se um dispositivo legal a respeito de um contrato não estabelece a exigência de forma específica, como ocorre com a compra e venda em geral, nada impede que as partes insiram nele uma cláusula que exige escritura pública. Em regra, desnecessária será a escritura, mas como as partes estipularam isso, o instrumento público se torna essencial ao ato, acarretando a nulidade, se ausente. Exige-se escritura pública apenas para os negócios jurídicos que visem a constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a 30 vezes o maior salário mínimo vigente, expõe o art. 108 do Código. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 10 368 1 17 CEBRASPE Disposições Gerais (Art. 104 Ao 120 E 185) 1. ( CESPE / CEBRASPE - TC-DF - Auditor de Controle Externo - 2021) Nas declarações de vontade, importa mais a vontade real do que a declarada, prevalecendo a teoria da confiança. Comentários: A afirmativa está correta, vez que ela aborda exatamente o que está previsto no art. 112 do CC/2002: Art. 112. Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem". Assim, depreende-se que o que importa, de fato, é a vontade real, e não a declarada, bastando que o negócio seja interpretado, de acordo com a boa-fé, para elucidar a vontade das partes. A isso, dá-se o nome de teoria da confiança, que mantém íntima relação com o princípio da boa-fé objetiva. Gabarito: Correto 2. (CEBRASPE – TJ/PA 2020) Henrique, estudante de dezesseis anos de idade, recentemente nomeado para emprego público, celebrou negócio jurídico com Marcos, para venda de uma motocicleta avaliada em R$ 9.000, pelos índices de mercado. Marcos, o comprador, aceitou pagar à vista o valor de avaliação. Em dia acordado pelas partes, o negócio jurídico foi realizado, Marcos entregou a Henrique o valor e recebeu a motocicleta. Acerca desse negócio jurídico, assinale a opção correta. a) Henrique é considerado relativamente incapaz e, por isso, deveria ter sido representado por seus pais ou responsáveis. b) Caso Marcos se arrependa do negócio celebrado, poderá buscar sua anulação, pois Henrique não é parte capaz para a celebração de contrato de compra e venda. c) Henrique não poderia figurar como parte na relação contratual, em razão de ser absolutamente incapaz. d) O negócio celebrado entre Henrique e Marcos é perfeito. e) Henrique é considerado relativamente incapaz, mas isso não poderá ser invocado por Marcos em benefício próprio, pois a alegação de incapacidade constitui exceção pessoal. Comentários A alternativa A está incorreta, dado que o relativamente incapaz deve ser assistido, enquanto o absolutamente incapaz deve ser representado. A incapacidade absoluta implica que o sujeito não tem a possibilidade de exercer todos os atos da vida civil de forma plena, devendo ser representado por uma pessoa com capacidade civil plena. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 11 368 2 17 A incapacidade relativa, por sua vez, impõe que o sujeito seja assistido por uma pessoa com capacidade plena, porém podendo exercer determinados direitos específicos para sua condição. A assistência ocorre com os relativamente incapazes, e, ao contrário da representação, o assistente pratica o ato ou negócio jurídico em conjunto com o assistido, e não decidindo por si. A representação ocorre com os absolutamente incapazes, sendo estes os menores de 16 anos, implicando que a vida do incapaz será dirigida pelo representante, podendo manifestar sua vontade em juízo, celebrar negócios em seu nome etc., desde que atendidos os pressupostos legais para fazê-lo e respeitados os interesses do representado. A alternativa B está incorreta, pois Marcos não pode anular o negócio por mera vontade, já que não pode invocar contra Henrique o fato de ser parte relativamente incapaz. A nulidade se configura como a sanção, imposta pela norma jurídica, que determina a privação dos efeitos jurídicos do ato negocial praticado em desobediência ao que prescreve. Quando fica declarada a nulidade, o ato não produzirá qualquer efeito por ofender princípios de ordem pública, por estar inquinado por vícios essenciais. Por exemplo, se for praticado por pessoa absolutamente incapaz; A incapacidade relativa se configura aos maiores de 16 anos, na qual as pessoas praticam os atos da vida civil pessoalmente, porém, na companhia de alguém que lhes presta Assistência. A ausência do assistente gera a anulabilidade dos atos praticados pelo relativamente incapaz. A alternativa C está incorreta, dado que Henrique não é absolutamente incapaz. São absolutamente incapazes os menores de 16 anos Henrique é relativamente incapaz, pois é maior de 16 anos, podendo atuar como parte legítima desde que tenha assistência em seus atos. A assistência decorre da incapacidade relativa, na qual as pessoas praticam os atos da vida civil pessoalmente, no entanto necessitam da companhia de alguém que lhes assiste. A ausência do assistente gera a anulabilidade dos atos praticados pelo relativamente incapaz. A anulabilidade atinge determinados interesses particulares, somente podendo ser arguida pelos legítimos interessados, possuindo efeitos ex nunc, ou seja, podem ser confirmados, vindo o ato a surtir efeitos plenos depois da confirmação. A alternativa D está incorreta, visto que o negócio firmado entre Marcos e Henrique não é perfeito, pois a incapacidade relativa de Henrique, sem ter sido assistido na realização do negócio, causa o vício. Independe, no caso, da nomeação de Henrique para o emprego público, pois a capacidade de emancipação apenas se configura com o exercício do emprego, conforme o Art. 5º do CC: Art. 5o A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil. Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade: Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 12 368 3 17 III - pelo exercício de emprego público efetivo; A alternativa E está correta, pois Marcos não pode apontar a incapacidade relativa de Henrique em benefício próprio, conforme disposto pelo Art. 105 do CC: art. 105 do Código Civil: A incapacidade relativa de uma das partes não pode ser invocada pela outra em benefício próprio, nem aproveita aos co-interessados capazes, salvo se, neste caso, for indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum. A incapacidade relativa é aquela tida pelos maiores de 16 e menores de 18 anos, podendo estes exercerem apenas alguns direitos da vida civil, e necessitando de assistência para que seus atos sejam convalidados. 3. (CEBRASPE – TJ/PA 2020) Josédispõe o art. 145 do Código Civil: Art. 145. São os negócios jurídicos anuláveis por dolo, quando este for a sua causa. 3. (CESPE / SEFAZ-RS – 2019) Júlia e Mateus, noivos e sem experiência acerca de imóveis, decidiram comprar um apartamento. André, corretor de imóveis que os atendeu, percebendo a inexperiência do casal, alterou o valor do contrato de venda e compra do imóvel para três vezes acima do preço de mercado. O contrato foi celebrado e, no ano seguinte, após terem pago a maior parte das parcelas, em uma conversa com um amigo corretor de imóveis, Júlia e Mateus descobriram o caráter abusivo do valor entabulado e decidiram ajuizar uma ação com o objetivo de permanecerem no imóvel e serem ressarcidos somente do valor excedente já pago. Considerando a situação hipotética, em conformidade com o disposto no Código Civil, deve ser alegado em juízo que o negócio jurídico celebrado tem como defeito (A) a coação, não sendo possível a revisão judicial, mas apenas a anulação do negócio jurídico. (B) o erro ou a ignorância, sendo possíveis a revisão judicial e a anulação do negócio jurídico. (C) a lesão, sendo possíveis a revisão judicial bem como a anulação do negócio jurídico. (D) o dolo, não sendo possível a revisão judicial, mas apenas a anulação do negócio jurídico. (E) o estado de perigo, não sendo possível a revisão judicial, mas apenas a anulação do negócio jurídico. Comentários: Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 123 368 5 15 A alternativa A errada, eis que, coação é toda ameaça ou pressão injusta exercida sobre um indivíduo para forçá-lo, contra a sua vontade, a praticar um ato ou realizar um negócio. O que a caracteriza é o emprego da violência psicológica para viciar a vontade, conforme dispõe o art. 151 do Código Civil: Art. 151. A coação, para viciar a declaração da vontade, há de ser tal que incuta ao paciente fundado temor de dano iminente e considerável à sua pessoa, à sua família, ou aos seus bens. A alternativa B errada, pois o erro consiste em uma falsa representação da realidade. Nessa modalidade de vício do consentimento, o agente engana-se sozinho. Quando é induzido em erro pelo outro contratante ou por terceiro, caracteriza-se o dolo. O Código equiparou os efeitos do erro à ignorância. Erro é a ideia falsa da realidade e a Ignorância é o completo desconhecimento da realidade. Num e noutro caso, o agente é levado a praticar o ato ou a realizar o negócio que não celebraria por certo ou que praticaria em circunstâncias diversas, se estivesse devidamente esclarecido, conforme os artigos 138 e 144 do Código Civil: Art. 138. São anuláveis os negócios jurídicos, quando as declarações de vontade emanarem de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias do negócio. Art. 144. O erro não prejudica a validade do negócio jurídico quando a pessoa, a quem a manifestação de vontade se dirige, se oferecer para executá-la na conformidade da vontade real do manifestante. A alternativa C correta, porque o caso apresentado na questão é de lesão, e podemos perceber isso quando lemos a palavra “inexperiência”. Observe o art. 157 do Código Civil: Art. 157. Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. A lesão consiste no prejuízo que um contratante experimenta em contrato comutativo quando não recebeu da outra parte valor igual ou proporcional ao da prestação que forneceu. A alternativa D errada, já que, dolo é o artifício ou expediente astucioso empregado para induzir alguém à prática de um ato que o prejudique e aproveite ao autor do dolo ou a terceiro, conforme dispõe o art. 145 do Código Civil: Art. 145. São os negócios jurídicos anuláveis por dolo, quando este for a sua causa. A alternativa E errada, dado que, o estado de perigo é a situação de extrema necessidade que conduz uma pessoa a celebrar negócio jurídico em que assume obrigação desproporcional e excessiva, conforme dispõe o art. 156 do Código Civil: Art. 156. Configura-se o estado de perigo quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa. 4. (CESPE / PGE-PE – 2019) Ronaldo, ocultando sua verdadeira intenção, celebrou com Fernando um negócio jurídico, que se concretizaria somente quando Fernando contraísse Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 124 368 6 15 matrimônio. Considerando essa situação hipotética e as regras de direito civil, julgue o item seguinte. A situação ilustra hipótese de condição resolutiva, pois a eficácia do negócio jurídico em questão depende da celebração de matrimônio por Fernando. Comentários A assertiva está incorreta, já que, o primeiro erro da questão é que a situação narrada no enunciado é de simulação que é uma declaração falsa da vontade, visando aparentar negócio diverso do efetivamente desejado. O segundo erro é afirmar que se trata de condição resolutiva, quando temos uma condição suspensiva, pois o negócio só vai se concretizar quando Fernando se casar. A condição resolutiva extingue o direito após a ocorrência do evento futuro e incerto. 5. (CESPE / CGE - CE – 2019) Uma pessoa inexperiente e premida por imediata necessidade assumiu obrigação explicitamente desproporcional ao valor da prestação oposta. De acordo com o Código Civil, a situação apresentada configura hipótese de (A) fraude contra credores. (B) estado de perigo. (C) dolo. (D) lesão. (E) coação. Comentários A alternativa A errada, pois a fraude contra credores constitui a prática maliciosa, pelo devedor, de atos que desfalcam seu patrimônio, com o fim de colocá-lo a salvo de uma execução por dívidas em detrimento dos direitos creditórios alheios, conforme dispõe o art. 158 do Código Civil: Art. 158. Os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida, se os praticar o devedor já insolvente, ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando o ignore, poderão ser anulados pelos credores quirografários, como lesivos dos seus direitos. A alternativa B errada, dado que, o estado de perigo é a situação de extrema necessidade que conduz uma pessoa a celebrar negócio jurídico em que assume obrigação desproporcional e excessiva, conforme dispõe o art. 156 do Código Civil: Art. 156. Configura-se o estado de perigo quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 125 368 7 15 A alternativa C errada, pois dolo é o artifício ou expediente astucioso empregado para induzir alguém à prática de um ato que o prejudique e aproveite ao autor do dolo ou a terceiro, conforme dispõe o art. 145 do Código Civil: Art. 145. São os negócios jurídicos anuláveis por dolo, quando este for a sua causa. A alternativa D correta, porque o caso da questão é de lesão que consiste no prejuízo que um contratante experimenta em contrato comutativo quando não recebeu da outra parte valor igual ou proporcional ao da prestação que forneceu, conforme dispõe o art. 157 do Código Civil: Art. 157. Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. A alternativa E errada, dado que, coação é toda ameaça ou pressão injusta exercidasobre um indivíduo para forçá-lo, contra a sua vontade, a praticar um ato ou realizar um negócio. O que a caracteriza é o emprego da violência psicológica para viciar a vontade, conforme dispõe o art. 151 do Código Civil: Art. 151. A coação, para viciar a declaração da vontade, há de ser tal que incuta ao paciente fundado temor de dano iminente e considerável à sua pessoa, à sua família, ou aos seus bens. 6. (CESPE / TJ-SC – 2019) A declaração enganosa de vontade que vise à produção, no negócio jurídico, de efeito diverso do apontado como pretendido consiste em defeito denominado (A) simulação. (B) erro. (C) dolo. (D) lesão. (E) reserva mental. Comentários A alternativa A correta, pois a simulação é uma declaração falsa da vontade, visando aparentar negócio diverso do efetivamente desejado. Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. A alternativa B errada, já que, o erro consiste em uma falsa representação da realidade. Nessa modalidade de vício do consentimento, o agente engana-se sozinho. Art. 138. São anuláveis os negócios jurídicos, quando as declarações de vontade emanarem de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias do negócio. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 126 368 8 15 A alternativa C errada, dado que, o dolo é o artifício ou expediente astucioso empregado para induzir alguém à prática de um ato que o prejudique e aproveite ao autor do dolo ou a terceiro. Art. 145. São os negócios jurídicos anuláveis por dolo, quando este for a sua causa. A alternativa D errada, eis que, a lesão consiste no prejuízo que um contratante experimenta em contrato comutativo quando não recebeu da outra parte valor igual ou proporcional ao da prestação que forneceu. Art. 157. Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. A alternativa E errada, uma vez que, a reserva mental é a emissão de uma intencional declaração não querida em seu conteúdo, nem tampouco em seu resultado, pois o declarante tem por único objetivo enganar o declaratário. Art. 110. A manifestação de vontade subsiste ainda que o seu autor haja feito a reserva mental de não querer o que manifestou, salvo se dela o destinatário tinha conhecimento. 7. (CESPE / TJ-BA – 2019) Dino, pai de três filhos e atualmente em seu segundo casamento, resolveu adquirir um imóvel, em área nobre de Salvador, para com ele presentear o caçula, único filho da sua atual união conjugal. A fim de evitar eventuais problemas com os outros dois filhos, tidos em casamento anterior, Dino decidiu fazer a seguinte operação negocial: • vendeu um dos seus cinco imóveis e, com o dinheiro obtido, adquiriu o imóvel para o filho caçula; e • colocou na escritura pública de venda e compra, de comum acordo com os vendedores do referido imóvel, o filho caçula como comprador do bem. Alguns meses depois, os outros dois filhos tomaram conhecimento das transações realizadas e resolveram ajuizar ação judicial contra Dino, alegando que haviam sofrido prejuízos. Nessa situação hipotética, conforme a sistemática legal dos defeitos e das invalidades dos negócios jurídicos, os dois filhos prejudicados deverão alegar, como fundamento jurídico do pedido, a ocorrência de (A) reserva mental, também conhecida como simulação unilateral, que deve ensejar a declaração de inexistência do negócio jurídico de venda e compra e o retorno das partes ao status quo ante. (B) causa de anulabilidade por dolo, vício de vontade consistente em artifício, artimanha, astúcia tendente a viciar a vontade do destinatário ou de terceiros. (C) simulação relativa, devendo ser reconhecida a invalidade da venda e compra e declarada a validade da doação, que importará adiantamento da legítima. (D) simulação absoluta, devendo ser reconhecida a invalidade da venda e compra e da doação, com retorno ao status quo ante. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 127 368 9 15 (E) simulação relativa, devendo ser reconhecida a invalidade da compra e venda e declarada a validade da doação, o que, contudo, não implicará adiantamento da legítima. Comentários A alternativa A errada, pois, a reserva mental é uma declaração não querida em seu conteúdo, tendo por objetivo enganar o destinatário, sendo que a vontade declarada não coincide com a vontade real do declarante. O declarante oculta a sua verdadeira intenção. Digamos, por exemplo, que José, por brincadeira, estipulou determinado valor para um contrato com Pedro (declaratário), se Pedro não tinha conhecimento da brincadeira, José (declarante) não poderá invocar a reserva mental para anular negócio jurídico que realizou. A reserva mental não se equipara à simulação, que será explicada ainda nesta aula. A simulação pressupõe o consenso, o acordo, sendo isto irrelevante para caracterização da reserva mental. Por sinal, voltando ao exemplo acima, se Pedro (destinatário) tivesse conhecimento da reserva mental a doutrina tem o entendimento que ocorre inexistência do negócio jurídico, por ausência de vontade (falsa vontade). O desconhecimento da outra parte é relevante (é necessário) para que o negócio subsista. A alternativa B errada, dado que, o dolo é o artifício ou expediente astucioso empregado para induzir alguém à prática de um ato que o prejudique e aproveite ao autor do dolo ou a terceiro. A alternativa C correta, porque o caso narrado trata-se de simulação, pois não ocorreu compra e venda e sim doação do referido imóvel ao seu filho. Sendo a simulação de compra e venda em relação ao filho nula. Enquanto a doação válida, importando em adiantamento da legítima, conforme dispõe o art. 544 do Código Civil: Art. 544. A doação de ascendentes a descendentes, ou de um cônjuge a outro, importa adiantamento do que lhes cabe por herança. Simulação consiste num desacordo intencional entre a vontade interna e a declarada para criar, aparentemente, um ato negocial que inexiste, ou para ocultar, sob determinada aparência, o negócio quando, enganando terceiro, acarretando a nulidade do negócio, conforme dispõe o art. 167 do Código Civil: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. Na simulação relativa as partes, ao contrário da simulação absoluta, pretendem realizar um negócio, mas de forma diferente daquela que se apresenta. Há intencional desacordo entre a vontade interna e a declarada, dá-se quando uma pessoa sob a aparência de um ato pretende praticar ato diverso. Como exemplo, podemos dar o do Pai, “A”, que vende sua casa a determinada pessoa “B” para que está a transmita a "C" (descendente do alienante), sendo que desde o início a intenção era a transmissão do imóvel a “C”. Enunciado 153 da III Jornada de Direito Civil: “Na simulação relativa, o negócio simulado (aparente) é nulo, mas o dissimulado será válido se não ofender a lei nem causar prejuízos a terceiros”. A alternativa D errada, dado que, a simulação é uma declaração falsa da vontade, visando aparentar negócio diverso do efetivamente desejado. Na simulação absoluta, as partes, na realidade, não realizam Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 128 368 10 15 nenhum negócio. Apenas fingem, para criar uma aparência, uma ilusão externa, sem que na verdade desejem a realização do ato. Diz -se absoluta porquea declaração de vontade se destina a não produzir resultado, ou seja, deveria ela produzir um, mas essa não é a intenção do agente. Em geral, essa modalidade destina -se a prejudicar terceiro, subtraindo os bens do devedor à execução ou partilha. A alternativa E errada, pois a simulação é uma declaração falsa da vontade, visando aparentar negócio diverso do efetivamente desejado. Na simulação relativa, as partes pretendem realizar determinado negócio, prejudicial a terceiro ou em fraude à lei. Para escondê-lo ou dar -lhe aparência diversa, realizam outro negócio. Compõe-se, pois, de dois negócios: um deles é o simulado, aparente, destinado a enganar; o outro é o dissimulado, oculto, mas verdadeiramente desejado. O negócio aparente, simulado, serve apenas para ocultar a efetiva intenção dos contratantes, ou seja, o negócio real. 8. (CESPE / PGM MANAUS-AM – 2018) À luz das disposições do direito civil pertinentes ao processo de integração das leis, aos negócios jurídicos, à prescrição e às obrigações e contratos, julgue o item a seguir. Será viável a anulação de transmissão gratuita de bens por caracterização de fraude contra credores, ainda que a conduta que se alegue fraudulenta tenha ocorrido anteriormente ao surgimento do direito do credor. Comentários A assertiva está errada, já que, Será viável a anulação de transmissão gratuita de bens por caracterização de fraude contra credores, quando a conduta que se alegue fraudulenta tenha ocorrido posterior ao surgimento do direito do credor, pois, do contrário, não há que se falar em fraude contra credores. Fraude contra credores é a prática maliciosa, por parte do devedor, de atos que desfalcam o seu patrimônio, com o escopo de colocá-lo a salvo de uma execução por dívidas em detrimento dos direitos creditórios alheios (justamente por isto é vício social, não pode ser visto como vicio de consentimento porque a manifestação de vontade coincide com o íntimo querer). O art. 158 do Código Civil declara que poderão ser anulados pelos credores quirografários, “como lesivos dos seus direitos”, os “negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida” quando os pratique “o devedor já insolvente, ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando o ignore: Art. 158. Os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida, se os praticar o devedor já insolvente, ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando o ignore, poderão ser anulados pelos credores quirografários, como lesivos dos seus direitos. § 1º Igual direito assiste aos credores cuja garantia se tornar insuficiente. Além dos elementos vistos acima é necessária a anterioridade do crédito, o que está expressamente previsto no artigo 158, §2º: § 2º Só os credores que já o eram ao tempo daqueles atos podem pleitear a anulação deles. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 129 368 11 15 9. (CESPE / TCE-MG – 2018) O erro que se refere a qualidades secundárias do objeto do negócio jurídico e que não acarreta efetivo prejuízo é denominado (A) obstativo. (B) inescusável. (C) substancial. (D) acidental. (E) impróprio. Comentários A alternativa A errada, pois, o erro obstativo ou impróprio é o de relevância exacerbada, que apresenta uma profunda divergência entre as partes, impedindo que o negócio jurídico venha a se formar. É, portanto, o que obsta a sua formação e, destarte, inviabiliza a sua existência. A alternativa B errada, já que, conforme o STJ: "DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. ANULAÇÃO DE NEGÓCIO JURÍDICO. DAÇÃO EM PAGAMENTO. IMÓVEL. LOCALIZAÇÃO. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA DE SÓLIDA POSIÇÃO NO MERCADO. ERRO INESCUSÁVEL. [...] 2. O erro que enseja a anulação de negócio jurídico, além de essencial, deve ser inescusável, decorrente da falsa representação da realidade própria do homem mediano, perdoável, no mais das vezes, pelo desconhecimento natural das circunstâncias e particularidades do negócio jurídico. Vale dizer, para ser escusável o erro deve ser de tal monta que qualquer pessoa de inteligência mediana o cometeria. [...] ( STJ, REsp 744.311-MT, 4ª T. Rel. Min. Luis Felipe Salomão, j. 19-8-2010)". A alternativa C errada, dado que, o erro substancial ou essencial é o que recai sobre circunstâncias e aspectos relevantes do negócio. Há de ser a causa determinante, ou seja, se conhecida a realidade, o negócio não seria celebrado. Segundo Francisco Amaral, erro essencial, também dito substancial, “é aquele de tal importância que, sem ele, o ato não se realizaria. A alternativa D correta, porque o erro que não acarreta efetivo prejuízo ao negócio jurídico é chamado de erro acidental. Erro acidental é o que se opõe ao substancial, porque se refere a circunstâncias de somenos importância e que não acarretam efetivo prejuízo, ou seja, a qualidades secundárias do objeto ou da pessoa. A alternativa E errada, eis que, o erro obstativo ou impróprio é o de relevância exacerbada, que apresenta uma profunda divergência entre as partes, impedindo que o negócio jurídico venha a se formar. É, portanto, o que obsta a sua formação e, destarte, inviabiliza a sua existência. 10. (CESPE / MPU – 2018) A respeito de interpretação de lei, pessoas jurídicas e naturais, negócio jurídico, prescrição, adimplemento de obrigações e responsabilidade civil, julgue o item a seguir. Negócio jurídico simulado por interposição de pessoa, por ocultação da verdade ou por falsidade de data será considerado nulo. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 130 368 12 15 Comentários A assertiva está correta, já que, a característica marcante da simulação é o conluio. Na simulação há o fingir, o enganar, mas sempre caracterizado pelo “acordo” (conluio) entre os contratantes. O negócio aparenta algo, mas busca obter efeito diverso. Em outros casos o negócio sequer existe (simulação absoluta), as partes apenas fingem, mas não realizam negócio algum. A diferença entre dissimulação e simulação pode num primeiro momento ser muito difícil de perceber e por vezes os significados se misturam (embora não se confundam), porque, na realidade, a dissimulação, assim como a simulação, é um componente da simulação relativa. Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º. Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I - aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II - contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III - os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós-datados. Na simulação (que é um componente da simulação relativa) aparenta-se o que não existe, a situação não é verdadeira. A palavra simulação está ligada à ideia de negócio aparente. Enquanto, na dissimulação (que é outro componente da simulação relativa) também se busca enganar, mas, neste caso, oculta-se a verdadeira intenção. Existe uma situação real, mas as partes, em conluio, tentam demonstrar sua inexistência. A palavra dissimulação sempre deve estar associada à ideia de ocultação. Exemplo: o Pai, “A”, que vende sua casa a determinada pessoa “B” para que está a transmita a "C" (descendente do alienante), sendo que desde o início a intenção era a transmissão do imóvel a “C”. Estão presentes os dois atos: o simulado e o dissimulado. Aparenta-se um negócio (simulação de uma venda), mas na realidade, o intuito é obter os efeitos de outro negócio (dissimulação –ocultação - de uma doação). Por isso o Código Civil afirmar: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. Outroexemplo: O inventariante, em conluio com o adquirente de um imóvel trata preço real de uma venda com o adquirente, mas o valor que consta da escritura é outro. Há simulação de um preço na escritura e há a dissimulação (ocultação) do preço real de venda. Os pontos comuns são o intuito de enganar e o conluio. Assim, se o negócio for simulado será nulo, porém, em caso de simulação relativa (dissimulação), o negócio poderá subsistir se válido for na substância e na forma. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 131 368 13 15 Gabarito: Correto. 11. (CESPE / EBSERH – 2018) Considerando o que dispõe o Código Civil acerca de negócios jurídicos e contratos, julgue o item a seguir. É nulo o negócio jurídico quando uma parte se obriga, por inexperiência, a prestação excessivamente onerosa, não sendo possível, nesse caso, uma revisão judicial desse negócio jurídico, uma vez que o erro prejudica sua validade. Comentários A assertiva está errada, eis que, quando uma parte se obriga, por inexperiência, a prestação excessivamente onerosa estamos diante de lesão, conforme dispõe o art. 157 do Código Civil: Art. 157. Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. § 2º. Não se decretará a anulação do negócio, se for oferecido suplemento suficiente, ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito. O negócio jurídico viciado pela lesão é anulável, conforme dispõe o art. 171 do Código Civil: Art. 171. Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio jurídico: II - por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra credores. Gabarito: Errado. 12. (CESPE / PGE-PE – 2018) Quando alguém obtém lucro exagerado, desproporcional, aproveitando-se da situação de necessidade real e notória do outro contratante, configura- se o vício do negócio jurídico denominado (A) abuso de direito. (B) lesão. (C) dolo de aproveitamento. (D) coação. (E) estado de perigo. Comentários A alternativa A errada, pois o abuso de direito consiste em um ato jurídico de objeto lícito, mas cujo exercício não observa os limites que são impostos. Desta forma, o agente exercita um direito seu, mas exorbita seus limites e acaba por desviar-se dos fins sociais para os quais estava voltado este direito. O Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 132 368 14 15 ato em si é lícito, mas perderá esta licitude (tornando-se ilícito) na medida de sua execução, conforme dispõe o art. 187 do Código Civil: Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes. A alternativa B correta, já que, a lesão consiste no prejuízo que um contratante experimenta em contrato comutativo quando não recebeu da outra parte valor igual ou proporcional ao da prestação que forneceu. Características da lesão: A pessoa age sob premente necessidade (mas de cunho patrimonial), ou por inexperiência; e se obriga a prestação manifestamente desproporcional, conforme dispõe o art. 157 do Código Civil: Art. 157. Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. § 1º. Aprecia-se a desproporção das prestações segundo os valores vigentes ao tempo em que foi celebrado o negócio jurídico. § 2º. Não se decretará a anulação do negócio, se for oferecido suplemento suficiente, ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito. A alternativa C errada, dado que, o dolo de aproveitamento é quando a situação de necessidade deve ser conhecida pela parte beneficiada pelo negócio jurídico que está celebrando. Quanto a este assunto, existe uma certa divergência na doutrina, pois, alguns autores acreditam ser ele aplicável a lesão e outros acreditam que não, que este pressuposto deve ser aplicado ao estado de perigo. A alternativa D errada, já que, a coação é a pressão física (coação absoluta) ou moral (coação relativa) exercida sobre a pessoa, os bens e a honra de um contraente para obrigá-lo ou induzi-lo a efetivar um negócio jurídico. Somente a coação moral é, na verdade, vício de consentimento. A coação incide sobre a liberdade da pessoa (liberdade do coacto - como é chamado o que sofre a pressão), por isso, é considerado entre os vícios encontrados o mais grave e profundo. O Código Civil nos artigos 151 e 152 expõe o assunto da seguinte forma: Art. 151. A coação, para viciar a declaração da vontade, há de ser tal que incuta ao paciente fundado temor de dano iminente e considerável à sua pessoa, à sua família, ou aos seus bens. Parágrafo único: Se disser respeito a pessoa não pertencente à família do paciente, o juiz, com base nas circunstâncias, decidirá se houve coação. Art. 152. No apreciar a coação, ter-se-ão em conta o sexo, a idade, a condição, a saúde, o temperamento do paciente e todas as demais circunstâncias que possam influir na gravidade dela. Então, para caracterizar a coação esta deve ser a causa determinante do negócio; deve incutir a vítima um temor justificado; o temor deve dizer respeito a um dano atual ou iminente; o dano deve ser considerável (grave). A alternativa E errada, pois é quando alguém agindo por necessidade para evitar grave dano assume obrigação excessivamente onerosa. A pessoa age para salvar-se ou para salvar alguém de sua família, Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 133 368 ==1027f2== 15 15 em outra circunstância não celebraria tal negócio. Além disso, a situação é de conhecimento da outra parte. Esta explicação quanto ao estado de perigo é do art. 156: Art. 156. Configura-se o estado de perigo quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa. Parágrafo único: Tratando-se de pessoa não pertencente à família do declarante, o juiz decidirá segundo as circunstâncias. Deste dispositivo conclui-se que o estado de perigo possui os seguintes requisitos: uma situação de necessidade; a iminência de dano atual e grave (a pessoa está em perigo); nexo de causalidade entre a manifestação e o perigo de grave dano; ameaça de dano à pessoa do próprio declarante ou de sua família; conhecimento do perigo pela outra parte; a assunção de obrigação excessivamente onerosa (a obrigação onerosa pode ser, por exemplo, a alienação de bens a preço inferior ao de mercado, tendo em vista o estado de necessidade, o estado de perigo). Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 134 368 1 5 CEBRASPE Defeitos Do Negócio Jurídico (Art. 138 Ao 165) 1. (CEBRASPE/ ISS- Aracajú - 2021) De acordo com o Código Civil, o negócio jurídico será considerado nulo caso a) a declaração de vontade de alguma das partes emane de erro substancial. b) deixe de ser revestido pela forma prescrita em lei. c) seja praticado por um devedor insolvente. d) seja realizado por uma pessoa que, premida da necessidade de se salvar, assuma obrigação excessivamente onerosa. e) decorre de dolo de terceiro, desde que a parte que se beneficia dele tenha conhecimento do vício do ato. 2. (CEBRASPE - TJ/RJ – Analista Judiciário – 2021) Em razãoda presença de vício que a doutrina classifica como social, o negócio jurídico será anulável, caso se constate a presença de a) objeto ilícito. b) coação entre seus celebrantes. c) fraude contra credores. d) estado de perigo. e) simulação. 1. ( CESPE / CEBRASPE - TC-DF - Auditor de Controle Externo - 2021) O engano do declarante quanto ao objeto do negócio jurídico que deu ensejo à propositura da ação enseja a anulabilidade da confissão. 2. (CESPE / TJ-PR – 2019) Para ajudar a custear o tratamento médico de seu filho, José resolveu vender seu próprio automóvel. Em razão da necessidade e da urgência, José estipulou, para venda, o montante de 35 mil reais, embora o valor real de mercado do veículo fosse de 65 mil reais. Ao ver o anúncio, Fernando ofereceu 32 mil reais pelo automóvel. José aceitou o valor oferecido por Fernando e formalizou o negócio jurídico de venda. Conforme o Código Civil, essa situação configura hipótese de (A) lesão, sendo o negócio jurídico anulável. (B) dolo, podendo José pedir somente indenização por perdas e danos. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 135 368 2 5 (C) lesão, podendo José pedir somente indenização por perdas e danos. (D) dolo, sendo o negócio jurídico anulável. 3. (CESPE / SEFAZ-RS – 2019) Júlia e Mateus, noivos e sem experiência acerca de imóveis, decidiram comprar um apartamento. André, corretor de imóveis que os atendeu, percebendo a inexperiência do casal, alterou o valor do contrato de venda e compra do imóvel para três vezes acima do preço de mercado. O contrato foi celebrado e, no ano seguinte, após terem pago a maior parte das parcelas, em uma conversa com um amigo corretor de imóveis, Júlia e Mateus descobriram o caráter abusivo do valor entabulado e decidiram ajuizar uma ação com o objetivo de permanecerem no imóvel e serem ressarcidos somente do valor excedente já pago. Considerando a situação hipotética, em conformidade com o disposto no Código Civil, deve ser alegado em juízo que o negócio jurídico celebrado tem como defeito (A) a coação, não sendo possível a revisão judicial, mas apenas a anulação do negócio jurídico. (B) o erro ou a ignorância, sendo possíveis a revisão judicial e a anulação do negócio jurídico. (C) a lesão, sendo possíveis a revisão judicial bem como a anulação do negócio jurídico. (D) o dolo, não sendo possível a revisão judicial, mas apenas a anulação do negócio jurídico. (E) o estado de perigo, não sendo possível a revisão judicial, mas apenas a anulação do negócio jurídico. 4. (CESPE / PGE-PE – 2019) Ronaldo, ocultando sua verdadeira intenção, celebrou com Fernando um negócio jurídico, que se concretizaria somente quando Fernando contraísse matrimônio. Considerando essa situação hipotética e as regras de direito civil, julgue o item seguinte. A situação ilustra hipótese de condição resolutiva, pois a eficácia do negócio jurídico em questão depende da celebração de matrimônio por Fernando. 5. (CESPE / CGE - CE – 2019) Uma pessoa inexperiente e premida por imediata necessidade assumiu obrigação explicitamente desproporcional ao valor da prestação oposta. De acordo com o Código Civil, a situação apresentada configura hipótese de (A) fraude contra credores. (B) estado de perigo. (C) dolo. (D) lesão. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 136 368 3 5 (E) coação. 6. (CESPE / TJ-SC – 2019) A declaração enganosa de vontade que vise à produção, no negócio jurídico, de efeito diverso do apontado como pretendido consiste em defeito denominado (A) simulação. (B) erro. (C) dolo. (D) lesão. (E) reserva mental. 7. (CESPE / TJ-BA – 2019) Dino, pai de três filhos e atualmente em seu segundo casamento, resolveu adquirir um imóvel, em área nobre de Salvador, para com ele presentear o caçula, único filho da sua atual união conjugal. A fim de evitar eventuais problemas com os outros dois filhos, tidos em casamento anterior, Dino decidiu fazer a seguinte operação negocial: • vendeu um dos seus cinco imóveis e, com o dinheiro obtido, adquiriu o imóvel para o filho caçula; e • colocou na escritura pública de venda e compra, de comum acordo com os vendedores do referido imóvel, o filho caçula como comprador do bem. Alguns meses depois, os outros dois filhos tomaram conhecimento das transações realizadas e resolveram ajuizar ação judicial contra Dino, alegando que haviam sofrido prejuízos. Nessa situação hipotética, conforme a sistemática legal dos defeitos e das invalidades dos negócios jurídicos, os dois filhos prejudicados deverão alegar, como fundamento jurídico do pedido, a ocorrência de (A) reserva mental, também conhecida como simulação unilateral, que deve ensejar a declaração de inexistência do negócio jurídico de venda e compra e o retorno das partes ao status quo ante. (B) causa de anulabilidade por dolo, vício de vontade consistente em artifício, artimanha, astúcia tendente a viciar a vontade do destinatário ou de terceiros. (C) simulação relativa, devendo ser reconhecida a invalidade da venda e compra e declarada a validade da doação, que importará adiantamento da legítima. (D) simulação absoluta, devendo ser reconhecida a invalidade da venda e compra e da doação, com retorno ao status quo ante. (E) simulação relativa, devendo ser reconhecida a invalidade da compra e venda e declarada a validade da doação, o que, contudo, não implicará adiantamento da legítima. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 137 368 4 5 8. (CESPE / PGM MANAUS-AM – 2018) À luz das disposições do direito civil pertinentes ao processo de integração das leis, aos negócios jurídicos, à prescrição e às obrigações e contratos, julgue o item a seguir. Será viável a anulação de transmissão gratuita de bens por caracterização de fraude contra credores, ainda que a conduta que se alegue fraudulenta tenha ocorrido anteriormente ao surgimento do direito do credor. 9. (CESPE / TCE-MG – 2018) O erro que se refere a qualidades secundárias do objeto do negócio jurídico e que não acarreta efetivo prejuízo é denominado (A) obstativo. (B) inescusável. (C) substancial. (D) acidental. (E) impróprio. 10. (CESPE / MPU – 2018) A respeito de interpretação de lei, pessoas jurídicas e naturais, negócio jurídico, prescrição, adimplemento de obrigações e responsabilidade civil, julgue o item a seguir. Negócio jurídico simulado por interposição de pessoa, por ocultação da verdade ou por falsidade de data será considerado nulo. 11. (CESPE / EBSERH – 2018) Considerando o que dispõe o Código Civil acerca de negócios jurídicos e contratos, julgue o item a seguir. É nulo o negócio jurídico quando uma parte se obriga, por inexperiência, a prestação excessivamente onerosa, não sendo possível, nesse caso, uma revisão judicial desse negócio jurídico, uma vez que o erro prejudica sua validade. 12. (CESPE / PGE-PE – 2018) Quando alguém obtém lucro exagerado, desproporcional, aproveitando-se da situação de necessidade real e notória do outro contratante, configura- se o vício do negócio jurídico denominado (A) abuso de direito. (B) lesão. (C) dolo de aproveitamento. (D) coação. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 138 368 ==1027f2== 5 5 (E) estado de perigo. GABARITO 1. ISS- Aracajú B 2. TJ/RJ C 3. TC-DF C 4. TJ-PR A 5. SEFAZ-RS C 6. PGE-PE E 7. CGE – CE D 8.TJ-SC A 9. TJ-BA C 10. PGM MANAUS-AM E 11. TCE-MG D 12. MPU C Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 139 368 1 13 FCC Defeitos Do Negócio Jurídico (Art. 138 Ao 165) 1. (FCC - SANASA Campinas - Analista Administrativo - Serviços Jurídicos- 2019) É nulo o ato jurídico: I. Quando praticado por pessoa relativamente incapaz. II. Quando for ilícito seu objeto. III. Quando não revestir a forma prescrita em lei. IV. Por vício resultante de coação. Está correto o que consta APENAS de a) I e IV. b) I e II. c) III e IV. d) II e III. e) I, II e III. Comentários: A afirmativa I está incorreta. O art. 171 traz um rol hipóteses em que é anulável o negócio jurídico além dos expressos no código, dentre essas o Inciso I que diz: "por incapacidade relativa do agente;". Sendo assim, devemos lembrar que a única hipótese de incapacidade absoluta é a do menor de 16 anos, que se tratando de negócio jurídico provocaria a nulidade deste. A afirmativa II está correta. . Como trata o art. 166, Inc. II Do Código Civil: "É nulo o negócio jurídico quando: II - for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto"; A afirmativa III está correta. Como trata o art. 166, Inc. IV Do Código Civil: "É nulo o negócio jurídico quando: IV - não revestir a forma prescrita em lei.". A afirmativa IV está incorreta. Conforme o art. 171 do Código Civil: "Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio jurídico: II - por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra credores.". 2. (FCC - TRF - 3ª REGIÃO - Analista Judiciário - Área Judiciária- 2019) Na celebração de contrato de compra e venda, vendedor e comprador procederam com dolo, que foi a causa do negócio. Nesse caso, de acordo com o Código Civil, a) qualquer das partes poderá invocar o dolo da outra para anular o negócio, mas nenhuma delas poderá reclamar indenização. b) qualquer das partes poderá invocar o dolo da outra para anular o negócio, ou reclamar indenização. c) nenhuma das partes poderá invocar o dolo da outra para anular o negócio, ou reclamar indenização. d) qualquer das partes poderá invocar o dolo da outra para reclamar indenização, mas não para anular o negócio. e) somente a parte mais prejudicada poderá invocar o dolo da outra para anular o negócio, ou reclamar indenização. Comentários: A alternativa C está correta e é o gabarito da questão. Trata-se, no caso em questão, de dolo recíproco, no qual ambas as partes agem com a intenção de prejudicar a outra. Conforme podemos observar no Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 140 368 2 13 art. 150 do Código Civil: “Se ambas as partes procederem com dolo, nenhuma pode alegá-lo para anular o negócio, ou reclamar indenização.”. 3. (FCC - DPE-AM - Analista Jurídico de Defensoria - Ciências Jurídicas- 2019) Lucas contraiu diversas dívidas e, na iminência de tornar-se insolvente, passou a dispor do patrimônio que lhe restava. Os negócios passíveis de anulação, em razão do reconhecimento da fraude contra credores, pressupõem a) que os atos de disposição do patrimônio do devedor insolvente tenham sido realizados a título gratuito, tais como a doação sem encargo e a remissão de dívidas, não se aplicando tal anulabilidade para atos onerosos de disposição ou transferência de bens. b) a existência da dívida anterior à disposição ou transmissão do bem, a existência de atos gratuitos ou onerosos que tenham a aptidão de tornar insolvente o devedor, e, somente no caso de atos onerosos, exige-se a prova do consilium fraudis. c) somente a existência de atos gratuitos ou onerosos que venham a tornar o devedor insolvente, sendo irrelevante se a constituição da dívida foi anterior ou posterior ao ato, bem como a prova do consilium fraudis. d) somente a existência de consilium fraudis, independente de ser o ato gratuito ou oneroso, anterior ou posterior à constituição do crédito. e) a existência da dívida anterior à disposição, a existência de atos gratuitos ou onerosos que venham tornar o devedor insolvente, e, em qualquer caso, a prova do consilium fraudis. Comentários: A alternativa B está correta e é o gabarito da questão. De forma esquematizada podemos assumir que a fraude contra credores pode ser analisada com base em três requisitos: - Anterioridade da dívida; - Eventus damni (prejuízo aos credores); - Consilium fraudis (intenção de prejudicar credores ou conluio, má fé). No caso de disposição gratuita de bens ou remissão de dívida, a fraude contra credores é presumida. Nesse caso, basta ao afetado comprovar o evento danoso aos credores, dispensando-se a comprovação de consilium fraudis (má-fé). 4. (FCC / DPE-SP – 2019) Sobre os defeitos do negócio jurídico, é correto afirmar: a) O negócio jurídico celebrado com simulação é anulável mesmo sem ter causado prejuízos a terceiros. b) O dolo acidental não anula o negócio jurídico e, portanto, não gera direito à indenização. c) Desde que escusável, é anulável o negócio jurídico por erro in negotio, in persona e in corpore. d) O negócio jurídico celebrado com coação é nulo mesmo que a coação seja praticada por terceiro. e) A lesão pode anular o negócio jurídico ainda que a desproporção das prestações se manifeste posteriormente à celebração do negócio. Comentários A alternativa A está incorreta, pois o negócio jurídico simulado não é anulado, e sim nulo, sendo considerado nulo todo ato que, mesmo contendo os elementos necessários, foi exercido mediante a Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 141 368 3 13 violação da lei, da ordem pública, dos bons costumes ou em contradição à forma legal, como citado no Art. 166: “é nulo o negócio jurídico quando: I- celebrado por pessoa absolutamente incapaz; II- for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto; III- o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito; IV-não revestir a forma prescrita em lei; V-for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade; VI- tiver por objetivo fraudar lei imperativa; VII- a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a prática, sem cominar sanção;” Enquanto a anulabilidade do ato é um defeito de menor gravidade, dizendo respeito aos atos que, de acordo com o art. 171: I- expressem uma incapacidade relativa do agente; II- por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra credores. A alternativa B está incorreta, uma vez que o dolo acidental não causa o vício no negócio. O dolo, como expresso no Art. 146, “é acidental quando, a seu despeito, o negócio seria realizado, embora por outro modo”, ou seja, diz respeito às condições do negócio jurídico, portanto, não causa o vício. Porém, ainda de acordo com o Art. 146: “só obriga a satisfação das perdas e danos”, sendo o direito à indenização pelas perdas e danos decorrentes do negócio válido e existente. A alternativa C está correta, dado que o negócio é anulado quando contiver erro de cunho in persona, in corpore ou in negotio. O erro, de acordo com Carlos R. Gonçalves, é uma falsa representação da realidade, podendo haver o vício de consentimento, no qual o agente se engana sozinho, ou o erro doloso, no qual o erro é induzido pelo outro contratante ou por um terceiro. Para que o erro cause a anulação do negócio, é necessário que seja substancial, podendo ser quanto à pessoa (error in persona), quanto ao objeto (error in corpore) ou quanto o negócio jurídico (error in negotio). Deacordo com o Art. 138: “São anuláveis os negócios jurídicos, quando as declarações de vontade emararem de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias do negócio”. Portanto, o erro pode ser escusável se cometido por uma pessoa leiga, e não escusável se cometido por um advogado, por exemplo. A alternativa D está incorreta, pois a coação é causa de anulação do negócio jurídico, e não de nulidade, como expresso no Art. 171: Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio jurídico: I - por incapacidade relativa do agente; Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 142 368 4 13 II - por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra credores. A anulação do negócio é um defeito de menor gravidade, sendo ocasionado pelo dolo principal, podendo ser, além dos casos declarados por lei, causado pela incapacidade relativa do agente e por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra credores, enquanto o ato nulo é aquele que, mesmo com todos os elementos necessários para sua existência, foi praticado com violação da lei, da ordem pública, dos bons costumes ou com incoerência relativa à forma legal. A alternativa E está incorreta, pois a lesão é o prejuízo resultante de uma desproporção entre as prestações de um contrato, no momento da sua celebração, ocasionando uma ruptura do equilíbrio contratual na fase de formação do negócio. Como disposto no Art. 157: “Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. §1º Aprecia-se a desproporção das prestações segundo os valores vigentes ao tempo em que foi celebrado o negócio jurídico.” Desta forma, a lesão é expressa enquanto o negócio está em formação, não podendo ser avaliada posteriormente à celebração do negócio. 5. (FCC/TRF-3 – 2019) Na celebração de contrato de compra e venda, vendedor e comprador procederam com dolo, que foi a causa do negócio. Nesse caso, de acordo com o Código Civil: a) qualquer das partes poderá́ invocar o dolo da outra para anular o negócio, mas nenhuma delas poderá́ reclamar indenização. b) qualquer das partes poderá́ invocar o dolo da outra para anular o negócio, ou reclamar indenização. c) nenhuma das partes poderá́ invocar o dolo da outra para anular o negócio, ou reclamar indenização. d) qualquer das partes poderá́ invocar o dolo da outra para reclamar indenização, mas não para anular o negócio. e) somente a parte mais prejudicada poderá́ invocar o dolo da outra para anular o negócio, ou reclamar indenização. Comentários: A alternativa A está incorreta, porque não há lógica em permitir a anulação do negócio, mas impedir que produza efeitos patrimoniais de, justamente, reclamar indenização. A alternativa B está incorreta. Como está adiante transcrito, o art. 150 do Código Civil traz regra exatamente oposta, ou seja, não é possível nem anular o negócio, nem reclamar indenização. A alternativa C está correta e é o gabarito da questão. Trata-se de típico caso de dolo recíproco, no qual ambas as partes agem com a intenção de prejudicar a outra. Como diz o ditado, “ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão”. Em linguagem jurídica, o ditado popular corresponder ao art. 150 do Código Civil: “Se ambas as partes procederem com dolo, nenhuma pode alegá-lo para anular o negócio, ou reclamar indenização”. Em resumo, ambas as partes pretendiam prejudicar a outra, a sanção a esse comportamento ilícito é precisamente as obrigar a manter o negócio, sem sequer poder exigir indenização. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 143 368 5 13 A alternativa D está incorreta e está logicamente inadequada, pelo raciocínio inverso que se fez na assertiva A. A alternativa E está incorreta, já que, apesar de trazer certo exercício salomônico, é inadequada do ponto de vista da aplicação prática. 6. (FCC / SEAD-AP – 2018) Antenor e Amélia, pai e filha, adquiriram um imóvel para nele juntos residirem. Em razão de dificuldades financeiras, Antenor e Amélia, por preço justo, venderam-no a Pedro. Embora fosse contrária à venda, Amélia aceitou participar de sua realização apenas pelo receio de desapontar Antenor, a quem respeitava profundamente. Em tal cenário, agiu Amélia sob a) Estado de perigo, sendo nulo o negócio jurídico. b) Coação, sendo anulável o negócio jurídico. c) Erro, sendo válido o negócio jurídico. d) Lesão, sendo anulável o negócio jurídico. e) Temor reverenciai, sendo válido o negócio jurídico. Comentários A alternativa A está incorreta, dado que estado de perigo é, de acordo com o Art. 156, quando alguém premido de forte necessidade de livrar-se de grave dano, realiza negócio Jurídico com outrem. Sabendo dessa necessidade, em condições excessivamente onerosas. Tal estado não corresponde com o narrado na questão por isso a alternativa está errada. Art. 156. Configura-se o estado de perigo quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa. Parágrafo único. Tratando-se de pessoa não pertencente à família do declarante, o juiz decidirá segundo as circunstâncias Da simples leitura do artigo, é possível definir que, sobretudo, a concepção de estado de perigo é fundamentada na noção de necessidade. O necessitado assume a obrigação excessivamente onerosa como forma de evitar um dano. A alternativa B está incorreta, em virtude de que a coação é a ameaça ou pressão exercida sobre um indivíduo para força-lo, contra sua vontade, a praticar um ato ou realizar um negócio, como disposto no Art. 151 do Código Civil: “Coação é um dos vícios do consentimentos nos negócios jurídicos, caracteriza- se pelo constrangimento físico ou moral para alguém fazer algum ato sob o fundado temor de dano iminente e considerável à sua pessoa, à sua família ou a seus bens”. Desta forma, a coação não ocorreu no caso, pois Amélia não foi influenciada por ameaças ou uma pressão direta do pai, mas sim por um fator próprio, no caso, o medo de desapontar. A alternativa C está incorreta, pois não ocorreu um erro no negócio, dado o erro ser um engano fático, uma falsa noção de realidade, no qual o agente é levado a praticar o ato ou realizar um negócio que não celebraria caso estivesse totalmente ciente dos termos e consequências. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 144 368 6 13 No caso de Amélia, o que ocorreu foi o temor reverencial, sendo este o receio de desagradar a certa pessoa de quem se é psicológica, social ou economicamente dependente. A alternativa D está incorreta, pois a lesão, de acordo com o Art. 157, é o vício no negócio jurídico que se caracteriza pela obtenção de um lucro exagerado por se valer uma das partes da inexperiência ou necessidade econômica da outra. Esse vício não ocorreu no caso, pois Amélia aceitou participar pelo receio de desapontar o pai. Art. 157. Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. § 1º Aprecia-se a desproporção das prestações segundo os valores vigentes ao tempo em que foi celebrado o negócio jurídico. § 2º Não se decretará a anulação do negócio, se for oferecido suplemento suficiente, ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito. Pode-se dizerque para ocorrer a lesão basta a celebração de um negócio ocorrer sob premente necessidade ou por inexperiência, e que as prestações assumidas sejam desproporcionais. A alternativa E está correta, uma vez que o caso descrito no enunciado da questão não apresenta qualquer vício, sendo caso apenas de temor reverencial, previsto no art. 153 do Código Civil Art. 153 Não se considera coação a ameaça do exercício normal de um direito, nem o simples temor reverencial. O temor reverencial consiste no receio de desagradar à certa pessoa de quem se é psicológica, social ou economicamente dependente, não se caracterizando como vício pois não encontra-se uma ameaça ilícita. 7. (FCC / PREFEITURA DE CARUARU-PE – 2018) No tocante aos defeitos dos negócios jurídicos, a) A fraude contra credores acarreta a nulidade dos contratos, onerosos ou gratuitos, podendo a ação Pauliana ser proposta somente pelos credores quirografários. b) Tanto o dolo essencial ou principal, como o dolo acidental, anulam o que foi contratado pelas partes. c) O temor reverencial equipara-se à coação quanto aos efeitos jurídicos decorrentes de sua caracterização. d) A lesão sempre conduzirá à anulação da avença, por se tratar de situação jurídica que não admite sua convalidação. e) São anuláveis quando as declarações de vontade emanarem de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias do negócio. Comentários A alternativa A está incorreta, vide Art. 178, uma vez que a fraude contra credores não acarreta nulidade, mas sim anulação. A ação, nos caso do art. 158, poderá ser intentada contra o devedor Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 145 368 7 13 insolvente, a pessoa que com ele celebrou a estipulação considerada fraudulenta, ou terceiros adquirentes que hajam procedido de má-fé. A alternativa B está incorreta, uma vez que o dolo acidental não anula o que foi contratado pelas partes, ele só obriga à satisfação das perdas e danos. O dolo acidental não causa o vício no negócio. O dolo, como expresso no Art. 146, “é acidental quando, a seu despeito, o negócio seria realizado, embora por outro modo”, ou seja, diz respeito às condições do negócio jurídico, portanto, não causa o vício. Porém, ainda de acordo com o Art. 146: “só obriga a satisfação das perdas e danos”, sendo o direito à indenização pelas perdas e danos decorrentes do negócio válido e existente. Conforme o Código Civil: Art. 146. O dolo acidental só obriga à satisfação das perdas e danos, e é acidental quando, a seu despeito, o negócio seria realizado, embora por outro modo. A alternativa C está incorreta, pois o temor reverencial não se compara a coação, como dispõe o Código Civil Art. 153: “Não se considera coação a ameaça do exercício normal de um direito, nem o simples temor reverencial”. O temor reverencial consiste no receio de desagradar certa pessoa de quem se é psicológica, social ou economicamente dependente, não se caracterizando como vício pois não encontra-se uma ameaça ilícita. Alternativa D está incorreta, pois afirma que a lesão sempre resultará na anulação do negócio, porém o parágrafo segundo do art.157 dispõe uma exceção em que não se decretará a anulação do negócio: se for oferecido suplemento suficiente, ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito. Art. 157. Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. § 2º. Não se decretará a anulação do negócio, se for oferecido suplemento suficiente, ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito. A alternativa E está correta, pois é exatamente a redação do art.138 do Código Civil. Art. 138. São anuláveis os negócios jurídicos, quando as declarações de vontade emanarem de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias do negócio. Um erro substancial é o erro que ocorre no conteúdo do negócio, e o Código estabelece que seja um erro substancial que “poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias do negócio”, considerando-se, perante esta sentença, uma forma de abertura interpretativa, pois o juiz pode decretar que um erro na substancia é escusável se foi dirigido por uma pessoa leiga, mas não considerar desta forma se o erro foi cometido por um advogado, por exemplo. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 146 368 8 13 8. (FCC / ALESE – 2018) Temendo a desaprovação moral de seu pai, por quem nutre profundo respeito, Pedro matriculou-se no curso superior de Direito, mesmo não sendo esta sua vontade verdadeira. De acordo com o Código Civil, tal ato é a) Anulável, pois foi praticado mediante coação, que pode ser física ou moral. b) Nulo, pois foi praticado mediante coação, que pode ser física ou moral. c) Insuscetível de anulação, pois o mero temor reverencial não vicia a declaração da vontade. d) Nulo, pois o temor reverencial, embora não configure coação, também constitui vício do negócio jurídico. e) Anulável, pois o temor reverencial, embora não configure coação, também constitui vício do negócio jurídico. Comentários A alternativa A está incorreta, pois Pedro não sofreu coação, o que ocorreu foi o temor reverencial por medo da desaprovação moral por parte do pai. Segundo o artigo 151 do Código Civil: “A coação, para viciar a declaração da vontade, há de ser tal que incuta ao paciente fundado temor de dano iminente e considerável à sua pessoa, à sua família, ou aos seus bens”. No caso concreto é evidente que esse vício não ocorreu, dado que Pedro agiu apenas temendo a desaprovação moral de seu pai. O temor reverencial não se compara a coação, como dispõe o Código Civil Art. 153: “Não se considera coação a ameaça do exercício normal de um direito, nem o simples temor reverencial”. O temor reverencial consiste no receio de desagradar certa pessoa de quem se é psicológica, social ou economicamente dependente, não se caracterizando como vício pois não encontra-se uma ameaça ilícita. A alternativa B está incorreta, pois, além de não se figurar uma coação, a alternativa também está incorreta ao expressar que com a coação tal ato é nulo, uma vez que se tivesse acontecido o ato seria anulável, e não nulo. Como dispõe o Código Civil: Art. 171. Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio jurídico: II - por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra credores. Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 147 368 9 13 I - aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II - contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III - os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós-datados. § 2o Ressalvam-se os direitos de terceiros de boa-fé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. O ato nulo possui invalidade ex tunc, ou seja, para o ordenamento jurídico nunca existiu, nunca foi considerado válido. O ato anulável, por outro lado, tendo um efeito ex nunc, pode ser confirmado pelas partes quando não houver prejuízo a direito de terceiros, voltando a ser válido como se o defeito nunca tivesse existido, talpossibilidade não existe para os atos nulos. A alternativa C está correta, pois, é verídico afirmar que de acordo com o Código Civil tal ato é insuscetível de anulação pois o mero temor reverencial não vicia a declaração da vontade. Art. 153. Não se considera coação a ameaça do exercício normal de um direito, nem o simples temor reverencial. O artigo traz duas situações que não são consideradas coação: Por ameaça do exercício normal de um direito, ou seja, fazer uso das prerrogativas conferidas por lei. Se a ameaça é amparada por lei, não é coação. O temor reverencial também não se compara a coação, como dispõe o Código Civil art 153. Tal temor reverencial consiste no receio de desagradar certa pessoa de quem se é psicológica, social ou economicamente dependente, não se caracterizando como vício pois não encontra-se uma ameaça ilícita. A alternativa D está incorreta, porque o temor reverencial não configura um vício e mesmo se configurasse o correto seria dizer que o ato é anulável não nulo. O ato nulo possui invalidade ex tunc, ou seja, para o ordenamento jurídico nunca existiu, nunca foi considerado válido. O ato anulável, por outro lado, tendo um efeito ex nunc, pode ser confirmado pelas partes quando não houver prejuízo a direito de terceiros, voltando a ser válido como se o defeito nunca tivesse existido, tal possibilidade não existe para os atos nulos. A Alternativa E está incorreta, pois o temor reverencial não constitui um vício do negócio jurídico, não é um caso declarado por lei como anulável, nem está presente no rol do artigo 171, como pode-se ver: Art. 171. Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio jurídico: I - por incapacidade relativa do agente; II - por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra credores. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 148 368 10 13 Tal temor reverencial consiste no receio de desagradar certa pessoa de quem se é psicológica, social ou economicamente dependente, não se caracterizando como vício pois não encontra-se uma ameaça ilícita. 9. (FCC / DPE-AP – 2018) Mário adquiriu um pequeno sítio em área próxima ao Município de Água Branca do Amapari, onde pretendia realizar cultivo agrícola para o sustento de sua família. Entretanto, após a conclusão do negócio, veio a descobrir que o imóvel se encontra em uma área de reserva permanente, de modo que não poderá utilizar o imóvel da maneira como deseja. Neste caso, existem elementos para afirmar que o negócio pode ser anulado por a) Lesão. b) Erro acidental. c) Erro essencial. d) Estado de perigo. e) Onerosidade excessiva. Comentários A alternativa A está incorreta, pois ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. Não ocorreu tal vício, dado que somente após a conclusão do negócio Mário veio a descobrir que não poderá utilizar o imóvel da maneira como deseja. A lesão é o prejuízo resultante de uma desporporção entre as prestações de um contrato, no momento da sua celebração, ocasionando uma ruptura do equilibrio contratual na fase de formação do negócio. Art. 157. Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. §1º Aprecia-se a desproporção das prestações segundo os valores vigentes ao tempo em que foi celebrado o negócio jurídico.” Desta forma, a lesão é expressa enquanto o negócio está em formação, não podendo ser avaliada posteriormente à celebração do negócio. A alternativa B está incorreta, visto que o erro trata-se de um vício de consentimento, onde não há dolo pois o agente se engana sozinho. O erro acidental expressa aspectos secundários, ou seja, ainda que conhecido, haveria negócio. Não é o que acontece no caso de Mário, dado que se este soubesse que o imóvel se encontra em uma área de reserva permanente, não podendo assim utilizar da maneira como deseja, certamente não celebraria o negócio. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 149 368 11 13 O erro acidental não gera anulabilidade do negócio, pode gerar apenas o abatimento no preço. Para que o erro cause a anulação do negócio, é necessário que seja substancial, podendo ser quanto à pessoa (error in persona), quanto ao objeto (error in corpore) ou quanto o negócio jurídico (error in negotio). A alternativa C está correta, pois nesse caso existem elementos, como os Art. 138 e 139, para afirmar que o negócio jurídico pode ser anulado por erro essencial. CC. "Art. 138. São anuláveis os negócios jurídicos, quando as declarações de vontade emanarem de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias do negócio". "Art. 139. O erro é substancial quando: I - interessa à natureza do negócio, ao objeto principal da declaração, ou a alguma das qualidades a ele essenciais;" O negócio é anulável, desde que o erro seja essencial (que é o caso), ou substancial. O erro é substancial quando: a) O erro interessa à natureza do negócio, ou o erro incide sobre o objeto principal da declaração, ou ainda se há erro quanto às qualidades essenciais. b) O erro disser respeito à identidade ou à qualidade essencial da pessoa a quem se refira a declaração de vontade, desde que tenha influído nesta de modo relevante. c) Erro de direito, e não implicando recusa à aplicação da lei, for o motivo único ou principal do negócio jurídico. Em tese, ninguém pode se escusar de cumprir a lei, alegando que não a conhece. No entanto, o erro de direito pode justificar a anulação do negócio quando ele for o motivo para a prática daquele negócio. A alternativa D está incorreta, porque o caso pode ser anulado por erro essencial, não estado de perigo que é, de acordo com o Art. 156, quando alguém premido de forte necessidade de livrar-se de grave dano, realiza negócio Jurídico com outrem. Sabendo dessa necessidade, em condições excessivamente onerosas. Tal estado não corresponde com o narrado na questão por isso a alternativa está errada. Art. 156. Configura-se o estado de perigo quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa. Parágrafo único. Tratando-se de pessoa não pertencente à família do declarante, o juiz decidirá segundo as circunstâncias Da simples leitura do artigo, é possível definir que, sobretudo, a concepção de estado de perigo é fundamentada na noção de necessidade. O necessitado assume a obrigação excessivamente onerosa como forma de evitar um dano Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 150 368 ==1027f2== 12 13 A alternativa E está incorreta, visto que o problema foi o imóvel se encontrar em uma área de reserva permanente, não onerosidade excessiva. Art. 478. Nos contratos de execução continuada ou diferida, se a prestação de uma das partes se tornar excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a outra, em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, poderá o devedor pedir a resolução do contrato. Os efeitos da sentença que a decretar retroagirão à data da citação. 10. (FCC - ARTESP - Especialista em Regulação de Transporte III - Direito- 2017) Fernando, empresário individual, ciente de seu estado de insolvência, vendeu parte de seus estoques e, na esperança de retomaro curso regular de seus negócios, decidiu pagar um de seus fornecedores, cuja dívida ainda não estava vencida, em função do desconto oferecido e a promessa de uma nova entrega com maior prazo para pagamento. A situação descrita caracteriza a) simulação, podendo ser anulada por terceiros prejudicados, tanto credores como os demais fornecedores, se comprovada a intenção de frustrar direito alheio. b) ato doloso, caracterizando, mais especificamente, o denominado dolus malus, que enseja a nulidade do ato por presunção de sua lesividade. c) erro substancial, não escusável, acarretando a anulabilidade do ato mediante ação judicial intentada por eventuais prejudicados. d) ato atentatório a direito de credores, somente sendo escusável se comprovada boa-fé objetiva. e) fraude contra credores, podendo ser anulado judicialmente em ação intentada por aquele que detenha crédito anterior ao quitado e tenha sido prejudicado pelo ato. Comentários: A alternativa A está incorreta. O negócio jurídico simulado ocorre quando ambas as partes fingem, aparentam realizar um negócio jurídico, quando na verdade este não existe. Neste ato, as partes conscientemente manifestam a vontade de realizar o negócio jurídico, mas seus efeitos não são desejados, mas existem apenas para encobrir ou disfarçar a sua verdadeira finalidade. Os quesitos, ou elementos da simulação podem ser caracterizados como: a divergência premeditada da declaração e da real intenção; o acordo simulado, ou seja, de conhecimento de ambas as partes que o negócio jurídico não os vinculará verdadeiramente, mas somente para simulação diante a sociedade; e o objetivo de enganar aqueles que não têm conhecimento da real intenção das partes, com este negócio jurídico simulado (falso). Por conta destas características adotou-se a nulidade desse negócio no Código Civil de 2002, que anteriormente considerava-se anulável apenas o negócio simulado que tivesse intenção de prejudicar ou lesar à terceiros, sendo que hoje o ato constitutivo desse negócio, por tratar-se de mera simulação, nasce com um vício, impedindo de produzir efeitos. Assim trata o art. 167 do Código Civil à cerca do tema: "É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma.". A alternativa B está incorreta. O dolo é caracterizado como um vício de consentimento, onde o agente é induzido, propositalmente, a uma falsa ou distorcida percepção da realidade, bem como induzido ao erro. Quanto a este, há duas distinções, o dolus bonus e o dolus malus. O último, refere-se a intenção de Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 151 368 13 13 enganar viciando o consentimento, infligindo na vontade, a este ato que refere-se o art. 145 do Código Civil, provendo-lhes a anulação do ato, ao dizer que: "São os negócios jurídicos anuláveis por dolo, quando este for a sua causa.". A alternativa C está incorreta. O erro é um vício de consentimento contido na manifestação da vontade, caracterizado pela noção errônea ou imperfeita sobre uma pessoa, alguma coisa ou circunstância, sendo a distinção entre a percepção de um negócio que a pessoa pensa ser de sua vontade e o real negócio que não condiz com essa expectativa. O negócio é anulável, se provado o erro por inexperiência ou ignorância, aos moldes do art. 138 do Código Civil, dizendo que: "São anuláveis os negócios jurídicos, quando as declarações de vontade emanarem de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias do negócio.". Importante dizer que o erro deve partir do indivíduo, enganando-se sozinho. Ainda, o erro pode ser substancial, que invalida o ato, devendo ser de tamanha importância que sem ele o ato não seria celebrado; e o erro acidental, que pode ser resolvido, não invalidando o ato. A alternativa D está incorreta. O erro desta alternativa está em tratar como somente seria escusável tratando-se de boa-fé, quando se trata de caso anulável, ou seja, deve ser reivindicada a anulação pela parte lesada. Sendo assim, podemos ver ao que trata da boa-fé neste sentido o texto do art. 164 do Código Civil, que diz: “Presumem-se, porém, de boa-fé e valem os negócios ordinários indispensáveis à manutenção de estabelecimento mercantil, rural ou industrial, ou à subsistência do devedor e de sua família". A alternativa E está correta e é o gabarito da questão. É anulável o negócio jurídico fruto de fraude contra credores, ou seja, diferentemente da nulidade absoluta, que caracteriza-se pela falta de elemento substancial, é irreparável e imprescritível, a anulação deve ser pleiteada pela parte prejudicada, pode ser convalidado e é prescritível, trazendo o código prazo certo para sua alegação. Assim trata o art. 158 do Código Civil, trazendo que: "Os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida, se os praticar o devedor já insolvente, ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando o ignore, poderão ser anulados pelos credores quirografários, como lesivos dos seus direitos.". Além disso traz o § 2° do mesmo artigo que: “ Só os credores que já o eram ao tempo daqueles atos podem pleitear a anulação deles.”. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 152 368 1 4 FCC Defeitos Do Negócio Jurídico (Art. 138 Ao 165) 1. (FCC - SANASA Campinas - Analista Administrativo - Serviços Jurídicos- 2019) É nulo o ato jurídico: I. Quando praticado por pessoa relativamente incapaz. II. Quando for ilícito seu objeto. III. Quando não revestir a forma prescrita em lei. IV. Por vício resultante de coação. Está correto o que consta APENAS de a) I e IV. b) I e II. c) III e IV. d) II e III. e) I, II e III. 2. (FCC - TRF - 3ª REGIÃO - Analista Judiciário - Área Judiciária- 2019) Na celebração de contrato de compra e venda, vendedor e comprador procederam com dolo, que foi a causa do negócio. Nesse caso, de acordo com o Código Civil, a) qualquer das partes poderá invocar o dolo da outra para anular o negócio, mas nenhuma delas poderá reclamar indenização. b) qualquer das partes poderá invocar o dolo da outra para anular o negócio, ou reclamar indenização. c) nenhuma das partes poderá invocar o dolo da outra para anular o negócio, ou reclamar indenização. d) qualquer das partes poderá invocar o dolo da outra para reclamar indenização, mas não para anular o negócio. e) somente a parte mais prejudicada poderá invocar o dolo da outra para anular o negócio, ou reclamar indenização. 3. (FCC - DPE-AM - Analista Jurídico de Defensoria - Ciências Jurídicas- 2019) Lucas contraiu diversas dívidas e, na iminência de tornar-se insolvente, passou a dispor do patrimônio que lhe restava. Os negócios passíveis de anulação, em razão do reconhecimento da fraude contra credores, pressupõem a) que os atos de disposição do patrimônio do devedor insolvente tenham sido realizados a título gratuito, tais como a doação sem encargo e a remissão de dívidas, não se aplicando tal anulabilidade para atos onerosos de disposição ou transferência de bens. b) a existência da dívida anterior à disposição ou transmissão do bem, a existência de atos gratuitos ou onerosos que tenham a aptidão de tornar insolvente o devedor, e, somente no caso de atos onerosos, exige-se a prova do consilium fraudis. c) somente a existência de atos gratuitos ou onerosos que venham a tornar o devedor insolvente, sendo irrelevante se a constituição da dívida foi anterior ou posterior ao ato, bem como a prova do consilium fraudis. d) somente a existência de consilium fraudis, independente de ser o ato gratuito ou oneroso, anterior ou posterior à constituição do crédito.e Rafael realizaram um negócio jurídico em que ficou estipulado que: José entregaria determinado bem móvel para Rafael, que ficaria autorizado a vender o bem, pagando a José, em contrapartida, o valor de quinhentos reais; e Rafael poderia optar por devolver o bem, no prazo de vinte dias, para José. De acordo com o Código Civil, nessa situação hipotética foi firmado um contrato classificado como a) atípico. b) solene. c) unilateral. d) consensual. e) comutativo. Comentários A alternativa A está incorreta, dado que o negócio em questão é comutativo, e não atípico. O contrato comutativo é o contrato que possui prestações certas e determinadas, podendo ser antecipadas as vantagens e sacrifícios que serão dispostos, sendo estes equivalentes e decorrentes da celebração. Quando há a comutatividade, há a equivalência de prestações. O contrato atípico é aquele que se diferencia do modelo legal, não sendo disciplinado ou regulado conforme nenhum código, mas permitidos juridicamente, havendo somente que não ser contrário à lei, os bons costumes e aos princípios gerais da dignidade humana. A alternativa B está incorreta, pois o contrato em questão não é solene. O contrato solene é aquele sob o qual se exige um formato previsto em lei, sendo assim, um pacto que necessita que haja em sua composição, sob pena de nulidade, a forma prescrita em lei, tal qual a realização do ato por meio de um instrumento público. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 13 368 ==1027f2== 4 17 A alternativa C está incorreta, dado que o contrato em questão não é unilateral. Os contratos unilaterais são aqueles que geram obrigações somente para uma das partes, como da doação pura, na qual uma parte doa e a outra parte somente recebe. A alternativa D está incorreta, visto que o contrato em questão não se classifica como consensual, e sim como comutativo. O contrato consensual é aquele que se forma bastando somente a anuência das partes, não sendo exigido nenhuma outra solenidade para que seja configurado. A anuência das partes é o consentimento dado para a celebração do contrato. A alternativa E está correta, pois o contrato no caso é comutativo. O contrato comutativo dispõe de prestações certas e determinadas, quando ocorre esta modalidade de contrato, podem as partes podem antever as vantagens e os sacrifícios, que geralmente se equivalem, decorrentes de sua celebração, porque não envolvem nenhum risco. 4. (CEBRASPE/ Auditor Fiscal - 2020) Com base no Código Civil, julgue os itens a seguir. Negócio jurídico celebrado por pessoa menor de dezesseis anos de idade é anulável. Comentários: A alternativa está incorreta. A incapacidade absoluta está exposta no art. 3º do CC/2002. Qual a consequência da violação do art. 3º? Prevê o art. 166, inc. I, a nulidade de atos praticados por absolutamente incapazes. Quando o sujeito será absolutamente incapaz? Até a entrada em vigor da Lei 13.146/2015, o Estatuto da Pessoa com Deficiência – EPD, tínhamos duas espécies de nulidades por falta de capacidade de agir: a menoridade e a ausência de discernimento. Veja as hipóteses do defunto art. 3º, tendo eu já sobrescrito as hipóteses revogadas, para não confundir você: Art. 3º São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil: I - os menores de dezesseis anos; Ante o exposto, a alternativa está incorreta. 5. (CEBRASPE – TJAM – 2019) Por necessidade de salvar pessoa de sua família de grave dano iminente, Celso assumiu obrigação excessivamente onerosa com determinada sociedade empresária. Posteriormente, ajuizou ação judicial requerendo a anulação do negócio jurídico por vício de consentimento. Considerando essa situação hipotética, julgue os itens seguintes. A anulação do referido negócio jurídico depende da demonstração de que a sociedade empresária tinha conhecimento da situação de grave risco vivenciada pelo familiar de Celso. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 14 368 5 17 JUSTIFICATIVA: CORRETA A assertiva está correta, pois, para que ocorra a anulação do negócio jurídico, quando ocorre o estado de perigo, se faz necessário que a outra parte tenha conhecimento da situação grave vivenciada, conforme disposto pelo art. 156: “Configura-se o estado de perigo quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa”. Para que o estado de perigo configure de fato a anulação do negócio, é necessário que o declarante tenha sido levado a assumir uma obrigação excessivamente onerosa, devendo ser de forma que jamais teria sido assumida em situações normais. É necessário também que tal negócio tenha sido assumido para que o estado de perigo em que estava o declarante, um familiar ou uma pessoa a ele próxima. Ainda, apenas irá se configurar o defeito no caso de a outra parte ter conhecimento de que a declaração de vontade foi feita para que o declarante afastasse de si o perigo iminente. No caso de a outra parte não ter tal conhecimento, o negócio não é anulado pelo estado de perigo. 6. (CEBRASPE – TJAM – 2019) Por necessidade de salvar pessoa de sua família de grave dano iminente, Celso assumiu obrigação excessivamente onerosa com determinada sociedade empresária. Posteriormente, ajuizou ação judicial requerendo a anulação do negócio jurídico por vício de consentimento. Considerando essa situação hipotética, julgue os itens seguintes. Segundo a doutrina civilista, ainda que demonstrados os requisitos necessários para caracterizar o vício de consentimento, será possível que, em vez da anulação do negócio jurídico, seja realizada a sua revisão com o devido reequilíbrio econômico-financeiro. JUSTIFICATIVA: CORRETA A assertiva está correta, dado que ao “estado de perigo” (art. 156) é aplicado, por analogia, o disposto no § 2º do art. 157. Sendo assim, caso tenha a redução do proveito econômico e o reequilíbrio do negócio, é possível a revisão no lugar da anulação: “Não se decretará a anulação do negócio, se for oferecido suplemento suficiente, ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito.” O Art. 157 se refere à lesão, que ocorre quando uma pessoa, se encontrando em premente necessidade ou por inexperiência, se vê obrigada a uma prestação desproporcional ao valor da prestação oposta. Por sua vez, o estado de perigo se configura quando a pessoa, um familiar ou alguém próximo está sob perigo iminente, obrigando a pessoa a assumir uma obrigação excessivamente onerosa para afastá-lo. 7. (CEBRASPE – TCE/RO -2019) É nulo negócio jurídico celebrado a) sem revestir a forma prescrita em lei. b) com vício resultante de dolo, quando este for a sua causa. c) com erro substancial. d) por agente relativamente incapaz. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 15 368 6 17 e) mediante fraude contra credores. Comentários A alternativa A está correta, pois de fato é nulo o negócio jurídico que não revista a forma prescrita em lei. O negócio é nulo quando celebrado por pessoa absolutamente incapaz; for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto; o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito; não revestir a forma prescrita em lei; for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade; tiver por objetivo fraudar lei imperativa; a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a prática, sem cominar sanção, conforme disposto pelo art. 166: "Art. 166. É nulo o negócioPaulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 153 368 2 4 e) a existência da dívida anterior à disposição, a existência de atos gratuitos ou onerosos que venham tornar o devedor insolvente, e, em qualquer caso, a prova do consilium fraudis. 4. (FCC / DPE-SP – 2019) Sobre os defeitos do negócio jurídico, é correto afirmar: a) O negócio jurídico celebrado com simulação é anulável mesmo sem ter causado prejuízos a terceiros. b) O dolo acidental não anula o negócio jurídico e, portanto, não gera direito à indenização. c) Desde que escusável, é anulável o negócio jurídico por erro in negotio, in persona e in corpore. d) O negócio jurídico celebrado com coação é nulo mesmo que a coação seja praticada por terceiro. e) A lesão pode anular o negócio jurídico ainda que a desproporção das prestações se manifeste posteriormente à celebração do negócio. 5. (FCC/TRF-3 – 2019) Na celebração de contrato de compra e venda, vendedor e comprador procederam com dolo, que foi a causa do negócio. Nesse caso, de acordo com o Código Civil: a) qualquer das partes poderá́́ invocar o dolo da outra para anular o negócio, mas nenhuma delas poderá́́ reclamar indenização. b) qualquer das partes poderá́́ invocar o dolo da outra para anular o negócio, ou reclamar indenização. c) nenhuma das partes poderá́́ invocar o dolo da outra para anular o negócio, ou reclamar indenização. d) qualquer das partes poderá́́ invocar o dolo da outra para reclamar indenização, mas não para anular o negócio. e) somente a parte mais prejudicada poderá́́ invocar o dolo da outra para anular o negócio, ou reclamar indenização. 6. (FCC / SEAD-AP – 2018) Antenor e Amélia, pai e filha, adquiriram um imóvel para nele juntos residirem. Em razão de dificuldades financeiras, Antenor e Amélia, por preço justo, venderam-no a Pedro. Embora fosse contrária à venda, Amélia aceitou participar de sua realização apenas pelo receio de desapontar Antenor, a quem respeitava profundamente. Em tal cenário, agiu Amélia sob a) Estado de perigo, sendo nulo o negócio jurídico. b) Coação, sendo anulável o negócio jurídico. c) Erro, sendo válido o negócio jurídico. d) Lesão, sendo anulável o negócio jurídico. e) Temor reverenciai, sendo válido o negócio jurídico. 7. (FCC / PREFEITURA DE CARUARU-PE – 2018) No tocante aos defeitos dos negócios jurídicos, a) A fraude contra credores acarreta a nulidade dos contratos, onerosos ou gratuitos, podendo a ação Pauliana ser proposta somente pelos credores quirografários. b) Tanto o dolo essencial ou principal, como o dolo acidental, anulam o que foi contratado pelas partes. c) O temor reverencial equipara-se à coação quanto aos efeitos jurídicos decorrentes de sua caracterização. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 154 368 ==1027f2== 3 4 d) A lesão sempre conduzirá à anulação da avença, por se tratar de situação jurídica que não admite sua convalidação. e) São anuláveis quando as declarações de vontade emanarem de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias do negócio. 8. (FCC / ALESE – 2018) Temendo a desaprovação moral de seu pai, por quem nutre profundo respeito, Pedro matriculou-se no curso superior de Direito, mesmo não sendo esta sua vontade verdadeira. De acordo com o Código Civil, tal ato é a) Anulável, pois foi praticado mediante coação, que pode ser física ou moral. b) Nulo, pois foi praticado mediante coação, que pode ser física ou moral. c) Insuscetível de anulação, pois o mero temor reverencial não vicia a declaração da vontade. d) Nulo, pois o temor reverencial, embora não configure coação, também constitui vício do negócio jurídico. e) Anulável, pois o temor reverencial, embora não configure coação, também constitui vício do negócio jurídico. 9. (FCC / DPE-AP – 2018) Mário adquiriu um pequeno sítio em área próxima ao Município de Água Branca do Amapari, onde pretendia realizar cultivo agrícola para o sustento de sua família. Entretanto, após a conclusão do negócio, veio a descobrir que o imóvel se encontra em uma área de reserva permanente, de modo que não poderá utilizar o imóvel da maneira como deseja. Neste caso, existem elementos para afirmar que o negócio pode ser anulado por a) Lesão. b) Erro acidental. c) Erro essencial. d) Estado de perigo. e) Onerosidade excessiva. 10. (FCC - ARTESP - Especialista em Regulação de Transporte III - Direito- 2017) Fernando, empresário individual, ciente de seu estado de insolvência, vendeu parte de seus estoques e, na esperança de retomar o curso regular de seus negócios, decidiu pagar um de seus fornecedores, cuja dívida ainda não estava vencida, em função do desconto oferecido e a promessa de uma nova entrega com maior prazo para pagamento. A situação descrita caracteriza a) simulação, podendo ser anulada por terceiros prejudicados, tanto credores como os demais fornecedores, se comprovada a intenção de frustrar direito alheio. b) ato doloso, caracterizando, mais especificamente, o denominado dolus malus, que enseja a nulidade do ato por presunção de sua lesividade. c) erro substancial, não escusável, acarretando a anulabilidade do ato mediante ação judicial intentada por eventuais prejudicados. d) ato atentatório a direito de credores, somente sendo escusável se comprovada boa-fé objetiva. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 155 368 4 4 e) fraude contra credores, podendo ser anulado judicialmente em ação intentada por aquele que detenha crédito anterior ao quitado e tenha sido prejudicado pelo ato. GABARITO 1. SANASA Campinas D 2. TRF - 3ª REGIÃO C 3. DPE-AM B 4. DPE-SP C 5. TRF-3 C 6. SEAD-AP E 7. PREFEITURA DE CARUARU-PE E 8. ALESE C 9. DPE-AP C 10. ARTESP E Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 156 368 1 22 VUNESP Defeitos Do Negócio Jurídico (Art. 138 Ao 165) 1. (VUNESP - EBSERH – Advogado - 2020) Acerca dos defeitos do negócio jurídico, assinale a alternativa correta. a) O erro é substancial quando concerne à qualidade acidental da pessoa a quem se refira a declaração de vontade, desde que tenha influído nesta de modo relevante. b) O dolo do representante convencional de uma das partes só obriga o representado a responder civilmente até a importância do proveito que teve. c) Subsistirá o negócio jurídico se a coação decorrer de terceiro e a parte a que aproveite dela tivesse ou devesse ter conhecimento, respondendo o autor da coação por perdas e danos. d) Configura-se o estado de perigo quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano desconhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa. e) Não se decretará a anulação do negócio por lesão se for oferecido suplemento suficiente, ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito. Comentários A alternativa A está incorreta, dado que o erro é substancial quando concerne à qualidade essencial, e não acidental da pessoa a quem se refira a declaração de vontade, desde que tenha influído nesta de modo relevante. Dispõe deste modo o Art. 139 do CC: Art. 139. O erro é substancial quando: II - concerne à identidade ou à qualidade essencial da pessoa a quem se refira a declaração de vontade, desde que tenha influído nesta de modo relevante; O erro substancial se configurajurídico quando: I - celebrado por pessoa absolutamente incapaz; II - for ilícito, impossível ou indeterminável seu objeto; III - o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito; IV - não revestir a forma prescrita em lei; V - for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade; VI - tiver por objetivo fraudar lei imperativa; VII - a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a prática, sem cominar sanção. A alternativa B está incorreta, dado que o dolo não torna o negócio nulo, e sim anulável. O dolo é um meio malicioso empregado para enganar parte na relação jurídica, gerando benefício para o agente do dolo ou para terceiro. Por meio do dolo, se conduz a parte enganada a cometer um erro no negócio, realizando-o de modo que não desejava. O negócio ou ato jurídico anulável ocorrem, além dos casos expressamente declarados na lei, por incapacidade relativa do agente e por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra credores. Para que ocorra a anulação, é necessário à ação anulatória. Qualquer uma das partes que perceber a invalidade de um dos requisitos presentes sejam atos anuláveis poderá propor a ação. A alternativa C está incorreta, pois o erro substancial não torna o negócio nulo, e sim anulável. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 16 368 7 17 O erro substancial é um erro decorrente das declarações de vontade em virtude de negócios jurídicos. Se por algum motivo as declarações de vontade provirem de erro substancial, o negócio jurídico se tornará anulável. A nulidade do negócio ocorre nos atos que, mesmo reunindo todos os instrumentos necessários para que exista, foi praticado com violação da lei, a ordem pública, bons costumes ou com inobservância da forma legal. O ato nulo precisa de decisão judicial para a retirada da sua eficácia. Produz efeitos antes da anulação, mas não pode ser confirmado. O negócio anulável é um negócio que possui um defeito de menor gravidade se comparada ao negócio passível de nulidade, sendo anuláveis os negócios que contém a incapacidade relativa do agente, ou contém vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra credores. A alternativa D está incorreta, dado que a celebração de um negócio por agente relativamente incapaz não ocasiona a nulidade do negócio, e sim o torna anulável. O relativamente incapaz é aquele que tem os atos da vida civil restritos, sendo eles: os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; os ébrios habituais e os viciados em tóxico, aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade, e os pródigos. A nulidade do negócio ocorre nos atos que, embora reúnam todos os elementos necessários para que exista, foram praticados mediante a violação da lei, a ordem pública, bons costumes ou com inobservância da forma legal. O ato nulo precisa de decisão judicial para a retirada da sua eficácia. Produz efeitos antes da anulação, mas não pode ser confirmado. A anulação do negócio decorre da incapacidade relativa do agente e por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra credores, além dos casos expressos por lei. A alternativa E está incorreta, pois a fraude contra credores é um vício que torna o negócio anulável, e não nulo. O vício é tudo o que causa defeito no negócio jurídico, acarretando na sua anulação. De acordo com a extensão deste vício, sua nulidade pode ser absoluta ou relativa (nulo ou anulável). A fraude contra credores é configurada como um vício social, no qual o devedor, com o objetivo de inadimplir com a obrigação assumida perante seu credor, firma contrato com terceiro alienando bens que garantiriam sua solvência. Neste caso, o terceiro tem ciência do motivo da disposição do bem, e em conluio com o devedor, conclui o negócio em prejuízo do credor A anulabilidade do ato ou negócio é o que tem defeito de menor gravidade perante a nulidade. Por sua vez, a invalidade é uma forma genérica para definir a nulidade e anulabilidade. Desta forma, tanto o ato nulo como o anulável é considerado inválido. 8. (CEBRASPE – CGE/CE – 2019) Um produtor agrícola e uma companhia que produz derivados de sementes de soja pactuaram que a companhia compraria a próxima safra colhida pelo Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 17 368 8 17 produtor, ficando o negócio jurídico condicionado à efetivação da colheita. A cláusula em questão constitui a) uma condição resolutiva. b) um encargo. c) uma condição suspensiva. d) uma condição impossível. e) um encargo ilícito. Comentários A alternativa A está incorreta, pois a condição resolutiva não suspende, e sim “resolve”. A condição resolutiva extingue (daí o termo “resolver”) o direito após a ocorrência de um evento futuro ou incerto. Ou seja, faz cessar para o beneficiário a aquisição dos direitos que lhe eram garantidos. A alternativa B está incorreta, dado que encargo não ocasiona a suspensão. O encargo é configurado como uma cláusula acessória comumente utilizada nos contratos em que há uma liberalidade, tal qual a doação. É imposta pelo doador, geralmente restringindo a liberdade do beneficiário no que diz respeito à forma de utilização do bem ou do valor doado. O encargo também é admitido em declarações unilaterais de vontade. Habitualmente, o encargo não causa a suspensão da aquisição e nem do exercício do direito, a não ser que o contrato tenha a exceção de tal regra. No caso de a cláusula não ser cumprida, pode a liberalidade ser revogada. Portanto, o encargo é coercitivo, e não suspensivo. A alternativa C está correta, pois de fato a condição suspensiva condiciona o ato à ocorrência de uma determinada coisa. Condição, nos termos do art. 121, CC, é a cláusula acessória que, sendo derivada exclusivamente da vontade das partes (voluntariedade), ocasiona a subordinação da eficácia do ato jurídico a um evento futuro e incerto. No caso apresentado, esse evento é a efetivação da colheita. Trata de uma condição suspensiva, pois o negócio somente se completará com a efetivação da colheita. Enquanto não efetivada, os efeitos do negócio jurídico (compra da safra) estarão suspensos. A alternativa D está incorreta, dado que a condição impossível se trata do ato que é física ou juridicamente impossível de ser realizado, como a herança de uma pessoa viva, por exemplo. A condição suspensiva coloca determinado contrato sob a condição de ocorrência de um determinado evento, impossibilitando que os efeitos surtam antes da ocorrência de tal evento, somente havendo a aquisição do direito após o implemento da condição. A alternativa E está incorreta, pois não se configura um encargo ilícito. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 18 368 9 17 O encargo é considerado como uma restrição a uma determinada liberdade concedida, comumente presente nos contratos de doação. Não há uma limitação para o encargo, mas este não pode ser configurado como contraprestação. A contraprestação configura-se como o cumprimento de obrigações ocorridos nos contratos bilaterais, nos quais uma parte executa em correspondência às de outra. 9. (CEBRASPE – PGE/PE- 2019) Ronaldo, ocultando sua verdadeira intenção, celebrou com Fernando um negócio jurídico, que se concretizaria somente quando Fernando contraísse matrimônio. Considerando essa situação hipotética e as regras de direito civil, julgue os itens seguintes. Como Fernando não teve conhecimentoda reserva mental de Ronaldo, o ato, a princípio, subsiste e produz efeitos. JUSTIFICATIVA: CORRETA A assertiva está correta, dado que o desconhecimento da reserva mental permite que o ato subsista e continue a surtir efeitos, conforme o Art. 110 do CC: Art. 110. A manifestação de vontade subsiste ainda que o seu autor haja feito a reserva mental de não querer o que manifestou, salvo se dela o destinatário tinha conhecimento. Se, no caso, Fernando fosse consciente da reserva mental contida no negócio, esse não valeria, pois trata- se da exceção estabelecida no dispositivo supracitado. No entanto, como Fernando não tinha conhecimento da reserva mental feita por Ronaldo (como disposto pelo enunciado, Ronaldo ocultou sua verdadeira intenção), o ato subsiste e produz efeitos. 10. (CEBRASPE – PGE/PE- 2019) Ronaldo, ocultando sua verdadeira intenção, celebrou com Fernando um negócio jurídico, que se concretizaria somente quando Fernando contraísse matrimônio. Considerando essa situação hipotética e as regras de direito civil, julgue os itens seguintes. A situação ilustra hipótese de condição resolutiva, pois a eficácia do negócio jurídico em questão depende da celebração de matrimônio por Fernando. JUSTIFICATIVA: INCORRETA A assertiva está incorreta, dado que como o negócio jurídico pactuado se concretiza somente com o casamento de Fernando, não se trata de condição resolutiva, mas sim de condição suspensiva, conforme o art. 125, CC. Art. 125. Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta se não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa. A condição suspensiva é a que suspende (protela, adia) os efeitos do negócio jurídico até a realização do evento futuro e incerto (no caso concreto o casamento), adiando-se, temporariamente, a eficácia do Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 19 368 10 17 negócio, expressa no art. 121, CC: “Considera-se condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto.” 11. (CEBRASPE – PGE/PE- 2019) Ronaldo, ocultando sua verdadeira intenção, celebrou com Fernando um negócio jurídico, que se concretizaria somente quando Fernando contraísse matrimônio. Considerando essa situação hipotética e as regras de direito civil, julgue os itens seguintes. Se o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito, o negócio jurídico será nulo e, portanto, ficará insuscetível de convalidação pelo decurso do tempo. JUSTIFICATIVA: CORRETA A assertiva está correta, pois no caso de o motivo determinante ser ilícito, configura-se o vício de falso motivo, no caso de ser expresso como a razão determinante para a realização do negócio. Expressa desta forma os Arts. 140 , 166 e 169 do CC: Art. 140. O falso motivo só vicia a declaração de vontade quando expresso como razão determinante. O motivo é considerado como o escopo, ou seja, o fator que determina a vontade da pessoa de realizar determinado negócio jurídico, sendo tal fator o que as partes pretendem conseguir com a celebração do negócio. Nem sempre o motivo é expresso no negócio, mas no caso de ser expresso de forma incoerente com real intenção da(s) parte(s), configura-se o falso motivo, acarretando na nulidade do negócio. Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando: I - celebrado por pessoa absolutamente incapaz; II - for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto; III - o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito; IV - não revestir a forma prescrita em lei; V - for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade VI - tiver por objetivo fraudar lei imperativa; VII - a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a prática, sem cominar sanção. Art. 169. O negócio jurídico nulo não é suscetível de confirmação, nem convalesce pelo decurso do tempo. O negócio ser insuscetível de confirmação determina que não pode ser arrumado o defeito que contém, ou seja, o vício contido no negócio não pode ser convalidado pelas partes. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 20 368 11 17 12. (CEBRASPE – ABIN - 2018) A respeito das regras dispostas no Código Civil quanto aos negócios jurídicos e aos contratos, julgue os itens a seguir. A existência de encargo em negócio jurídico somente suspende a aquisição ou exercício do direito se for expressamente imposto como condição suspensiva pela disponente. JUSTIFICATIVA: CORRETA A assertiva está correta, dado que, de fato, fica suspensa a aquisição ou exercício de direito em um negócio jurídico sob o qual há encargo, no caso de ser imposto como condição suspensiva pela disponente, conforme disposto pelo Art. 136 do CC: Art. 136. O encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito, salvo quando expressamente imposto no negócio jurídico, pelo disponente, como condição suspensiva. O encargo é a cláusula acessória que aparece em atos de liberalidade inter vivos (ex.: doação) ou causa mortis (ex.: herança, legado),ocasionando um ônus ou uma obrigação à pessoa (natural ou jurídica) contemplada pelos referidos atos, mas sem caráter de contraprestação exata. De modo simplificado: é um ônus (obrigação) que se atrela a uma liberalidade. O encargo não ocasiona na suspensão da aquisição e nem do exercício do direito. Quando o negócio é realizado, a cláusula acessória do encargo não impõe qualquer limitação à imediata aquisição ou ao pleno e imediato exercício do direito. No entanto, pode ocorrer de as partes estipularem que o cumprimento do encargo seja uma condição suspensiva do negócio. Se for desta forma, enquanto o encargo não for cumprido, o beneficiário não irá adquirir qualquer direito. No caso de o encargo não ser cumprido, o negócio se dará por resolvido, uma vez que o encargo apenas pode ser colocado nos negócios jurídicos em que seja praticado um ato de liberalidade, não sendo possível assumir qualquer caráter de contraprestação, o não cumprimento do encargo não ensejará em reparação por perdas e danos. 13. (CEBRASPE – ABIN - 2018) A respeito das regras dispostas no Código Civil quanto aos negócios jurídicos e aos contratos, julgue os itens a seguir. Situação hipotética: Decidido a comprar automóvel ofertado por seu vizinho Pedro, João procurou-o para fechar negócio. Em virtude de comportamento malicioso, Pedro conseguiu fazer João pagar pelo bem quantia significativamente acima do valor de mercado. Assertiva: Nesse caso, o comprador tem direito à invalidação do negócio jurídico em razão da existência de dolo na conduta do vendedor. JUSTIFICATIVA: INCORRETA A assertiva está incorreta, dado que o negócio será válido de qualquer forma, já que João estava decidido a adquirir o automóvel, ocorrendo, no caso, o dolo acidental, que se configura no Art., 146 do CC: Art. 146. O dolo acidental só obriga à satisfação das perdas e danos, e é acidental quando, a seu despeito, o negócio seria realizado, embora por outro modo. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 21 368 12 17 No caso de o dolo não concorrer de modo determinante para a realização do negócio, será configurado o dolo acidental, não podendo a vítima pedir a anulação do negócio realizado. Cabe, neste caso, que a vítima busque a reparação das perdas e danos sofridos. Sendo assim, no caso, João não poderá pedir a invalidação do negócio, mas poderá pedir que lhe seja ressarcido as perdas e danos ocasionadas pelo negócio. O dolo acidentalnão acarreta a anulação do negócio jurídico, porém obriga o autor do dolo a satisfazer perdas e danos da vítima. 14. (CEBRASPE – MPU – 2018) A respeito de interpretação de lei, pessoas jurídicas e naturais, negócio jurídico, prescrição, adimplemento de obrigações e responsabilidade civil, julgue os itens a seguir. Negócio jurídico simulado por interposição de pessoa, por ocultação da verdade ou por falsidade de data será considerado nulo. JUSTIFICATIVA: CORRETA A assertiva está correta, dado que, de fato, é nulo o negócio em que ocorre a simulação, conforme o Art. 167 do CC: Art. 167 do CC. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I - aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; (Interposição de pessoa) II - contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; (Ocultação da verdade) III - os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós-datados. (Falsidade de data) Se considera o negócio jurídico como simulado quando as partes encenam a realização do negócio, no entanto, este não existe. Ocorre que as partes, de forma proposital e consciente, expressam a vontade de realizar o negócio, encenando que desejam seus efeitos jurídicos, mas na realidade não os ensejando, somente sendo encenado de tal forma para que seja encoberto o real motivo para a realização do negócio. Para que ocorra a simulação, é necessário que haja: divergência na intenção entre a vontade declarada e a vontade real (de ambas as partes); um acordo simulatório, conhecido somente pelas partes, por meio do qual é convencionado que o negócio jurídico que está sendo simulado não criará um vínculo real, somente existindo para que seja aparente à terceiros; a vontade de enganar os terceiros que não conhecem o verdadeiro motivo do negócio; Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 22 368 13 17 15. (CEBRASPE – TCEMG – 2018) O erro que se refere a qualidades secundárias do objeto do negócio jurídico e que não acarreta efetivo prejuízo é denominado a) obstativo. b) inescusável. c) substancial. d) acidental. e) impróprio. Comentários A alternativa A está incorreta, dado que o erro obstativo, também denominado de erro impróprio, é um erro não adotado no Código Civil. Trata-se de um erro de forma exacerbada, que impede que o negócio venha a se formar. Seria uma hipótese em que o erro inviabilizaria a existência do negócio. A alternativa B está incorreta, pois o erro inescusável configura um modo que provém da culpa do agente, pois se houvesse agido com a cautela necessária, não teria incorrido no erro. O erro em si configura-se como uma falsa percepção da realidade ou desconhecimento de um determinado objeto sob o qual se está realizando negócio. A alternativa C está incorreta, visto que, de fato, a modalidade de erro que se refere à pessoa, ao objeto ou ainda, ao direito de uma das partes, ou seja, os elementos essenciais, sendo este disposto pelo art. 139 do CC: Art. 139. II - concerne à identidade ou à qualidade essencial da pessoa a quem se refira a declaração de vontade, desde que tenha influído nesta de modo relevante; A alternativa D está correta e, é o gabarito da questão. O erro acidental é aquele que se configura conforme às qualidades secundárias ou acessórias da pessoa ou do objeto (circunstâncias de menor importância), não acarretando efetivo prejuízo. Ocorrendo eventual erro acidental, o negócio jurídico não será anulado, vejamos: Art. 142. O erro de indicação da pessoa ou da coisa, a que se referir a declaração de vontade, não viciará o negócio quando, por seu contexto e pelas circunstâncias, se puder identificar a coisa ou pessoa cogitada. A alternativa E está incorreta, visto que não se configura na hipótese um erro impróprio, mas sim substancial. O erro impróprio é aquele que que recai na declaração da vontade, ou seja, ataca a vontade externa ou declarada. Vale dizer, que se trata de teoria não adotada no Brasil, pois no ordenamento brasileiro a vontade declarada é fruto de vontade interna, logo será considerada vício. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 23 368 14 17 16. (CEBRASPE – PGM/MANAUS - 2018) À luz das disposições do direito civil pertinentes ao processo de integração das leis, aos negócios jurídicos, à prescrição e às obrigações e contratos, julgue os itens a seguir. Será viável a anulação de transmissão gratuita de bens por caracterização de fraude contra credores, ainda que a conduta que se alegue fraudulenta tenha ocorrido anteriormente ao surgimento do direito do credor. JUSTIFICATIVA: INCORRETA A assertiva está incorreta, dado que o direito do credor deve preexistir aos atos que acarretaram a insolvência. Art. 158. Os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida, se os praticar o devedor já insolvente, ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando o ignore, poderão ser anulados pelos credores quirografários, como lesivos dos seus direitos. § 1º Igual direito assiste aos credores cuja garantia se tornar insuficiente. § 2º Só os credores que já o eram ao tempo daqueles atos podem pleitear a anulação deles A insolvência ocorre quando se declara o devedor, sendo geralmente pessoa física, como possuidor de mais dívidas do que bens ou capacidade de pagar suas dívidas. 17. (CEBRASPE – EBSERH_ADMINISTRATIVA - 2018) Considerando o que dispõe o Código Civil acerca de negócios jurídicos e contratos, julgue os itens a seguir. É nulo o negócio jurídico quando uma parte se obriga, por inexperiência, a prestação excessivamente onerosa, não sendo possível, nesse caso, uma revisão judicial desse negócio jurídico, uma vez que o erro prejudica sua validade. JUSTIFICATIVA: INCORRETA A assertiva está incorreta, dado que o caso apresentado configura a lesão, não sendo uma modalidade de vício que causa a nulidade do negócio, e sim sua anulação. Art. 157. Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. § 2o Não se decretará a anulação do negócio, se for oferecido suplemento suficiente, ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito. Art. 171. Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio jurídico: Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 24 368 15 17 II - por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra credores. A nulidade pode ser relativa, sendo defeitos do negócio jurídico que atinge somente os interesses particulares das partes, ou absolutas, quais afetam toda a ordem jurídica e social. É anulável todo o negócio que for expressamente declarado em lei, for celebrado por um relativamente incapaz, ou resultar de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão (como ocorre na assertiva), ou fraude contra credores. O relativamente incapaz não é impedido de praticar negócio jurídico por si só, no entanto, quando o realiza, o ato fica passível de anulação dada sua limitação na capacidade de externalizar a vontade sem assistência. 18. (CESPE / INSTITUTO RIO BRANCO – 2018) Com relação à classificação da Constituição, à competência dos entes federativos, ao ato jurídico e à personalidade jurídica, julgue (C ou E) o item que se segue. O ato jurídico emsentido estrito é ato voluntário que produz os efeitos já previamente estabelecidos pela norma jurídica, como, por exemplo, quando alguém transfere a residência com a intenção de se mudar, decorrendo da lei a consequente mudança do domicílio. Comentários: A assertiva está correta, eis que, os fatos jurídicos em sentido amplo, podem ser divididos em fatos naturais (ordinários e extraordinários) e fatos humanos (atos jurídicos em sentido amplo). Por sua vez os fatos humanos podem ser divididos em lícitos e ilícitos. Os lícitos são: os negócios jurídicos, ato jurídico em sentido estrito (exemplo reconhecimento de filho) e ato-fato jurídico. No ato jurídico em sentido estrito, o efeito da manifestação da vontade está predeterminado na lei, não havendo, por isso, qualquer dose de escolha da categoria jurídica. A ação humana se baseia não numa vontade qualificada, como no negócio jurídico, mas em simples intenção. 19. (CEBRASPE – PMBH – 2017) Pedro — maior, capaz e solteiro — outorgou a Antônio — maior, capaz e solteiro —, por instrumento público e prazo indeterminado, procuração com cláusula causa própria, para a venda de imóvel cujo preço era de R$ 1 milhão. Posteriormente, Pedro revogou o mandato e notificou Antônio, que, por sua vez, havia transferido o imóvel para si próprio. Inconformado, Pedro ingressou com ação visando à anulabilidade do mandato. Considerando essa situação hipotética, assinale a opção correta à luz das disposições do Código Civil. a) Por serem maiores e capazes, Pedro e Antônio poderiam ter dado procuração mediante instrumento particular. b) A prova do negócio jurídico celebrado entre Pedro e Antônio não pode ser exclusivamente testemunhal. c) A conduta de Antônio caracteriza simulação, de modo que a nulidade pode ser reconhecida de ofício pelo juiz. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 25 368 16 17 d) A revogação do mandato efetuada por Pedro é ineficaz, ainda que ocorra a notificação de Antônio. Comentários Esta questão está desatualizada. Com a revogação do art. 227 do CC/2002 pela Lei 13.105/2015, passou a vigorar apenas o parágrafo único do referido art., de modo que a alternativa B passou a ser considerada, também, correta. A alternativa A está incorreta, dado que não poderia a procuração ter se dado mediante instrumento particular. Código Civil, art. 657. A outorga do mandato está sujeita à forma exigida por lei para o ato a ser praticado. A forma do mandato é, de modo geral, livre. No entanto, o dispositivo supracitado exige que o mandato tenha a mesma forma exigida para o ato que será praticado. Desta forma, uma vez sendo necessária para a alienação do imóvel a escritura pública, a representação para a outorga de escritura pública fica dependente de procuração também outorgada por instrumento público. O mandato é o contrato por meio do qual uma pessoa, sendo esta o mandatário, recebe poderes de outra, designada mandante, para, em nome e por conta desta, praticar atos jurídicos ou administrar determinados interesses. Art. 108. Não dispondo a lei em contrário, a escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País. A alternativa B está correta, com a revogação do caput do art. 227 do CC/2002, passou a vigorar apenas seu parágrafo único: Art. 227. Parágrafo único. Qualquer que seja o valor do negócio jurídico, a prova testemunhal é admissível como subsidiária ou complementar da prova por escrito. A partir da entrada em vigor da Lei 13.105/2015, a prova testemunhal passa a ser, então, admissível como subsidiária ou complementar da prova por escrito, apenas. A alternativa C está incorreta, visto que a situação não se enquadra nas hipóteses de simulação do art. 167, §1o, do Código Civil. Art. 117. Salvo se o permitir a lei ou o representado, é anulável o negócio jurídico que o representante, no seu interesse ou por conta de outrem, celebrar consigo mesmo. Primeiramente, é existente, no caso, a permissão legal. Em segundo lugar, a lei rege que, sendo inexistente previsão em norma, o negócio é "anulável". Porém, o art. 160 prevê que é "nulo" o negócio jurídico simulado. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 26 368 17 17 O ato nulo possui invalidade ex tunc, ou seja, para o ordenamento jurídico ele nunca fora considerado válido. Desta forma, a nulidade do ato pode ser alegada por qualquer interessado, inclusive pelo MP, podendo até ser decretada de ofício pelo juiz. O ato anulável, de outro modo, pode ser confirmado pelas partes quando não houver prejuízo a direito de terceiros. A anulabilidade não pode ser declarada de ofício pelo juiz, devendo ser peticionada pela parte interessada. A alternativa D está correta, dado que, de fato, se configura sem eficácia a revogação do mandato que for conferido com cláusula “em causa própria”, conforme o Art. 685 do CC: Art. 685, CC. Conferido o mandato com a cláusula "em causa própria", a sua revogação não terá eficácia, nem se extinguirá pela morte de qualquer das partes, ficando o mandatário dispensado de prestar contas, e podendo transferir para si os bens móveis ou imóveis objeto do mandato, obedecidas as formalidades legais. Uma espécie de mandato no interesse do próprio mandatário denomina-se procuração “em causa própria”, permitindo o negócio consigo mesmo, dispensando o mandatário da prestação de contas e equivalendo ao negócio de alienação para fins fiscais. Paulo H M Sousa Aula 04 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Oficial de Justiça) Direito Civil - 2023 www.estrategiaconcursos.com.br 05218773182 - Isabelle Timo 27 368 1 5 CEBRASPE Disposições Gerais (Art. 104 Ao 120 E 185) 1. ( CESPE / CEBRASPE - TC-DF - Auditor de Controle Externo - 2021) Nas declarações de vontade, importa mais a vontade real do que a declarada, prevalecendo a teoria da confiança. 2. (CEBRASPE – TJ/PA 2020) Henrique, estudante de dezesseis anos de idade, recentemente nomeado para emprego público, celebrou negócio jurídico com Marcos, para venda de uma motocicleta avaliada em R$ 9.000, pelos índices de mercado. Marcos, o comprador, aceitou pagar à vista o valor de avaliação. Em dia acordado pelas partes, o negócio jurídico foi realizado, Marcos entregou a Henrique o valor e recebeu a motocicleta. Acerca desse negócio jurídico, assinale a opção correta. a) Henrique é considerado relativamente incapaz e, por isso, deveria ter sido representado por seus pais ou responsáveis. b) Caso Marcos se arrependa do negócio celebrado, poderá buscar sua anulação, pois Henrique não é parte capaz para a celebração de contrato de compra e venda. c) Henrique não poderia figurar como parte na relação contratual, em razão de ser absolutamente incapaz. d) O negócio celebrado entre Henrique e Marcos é perfeito. e) Henrique é considerado relativamente incapaz, mas isso não poderá ser invocado por Marcos em benefício próprio, pois a alegação de incapacidade constitui exceção pessoal. 3. (CEBRASPE – TJ/PA 2020) José e Rafael realizaram um negócio jurídico em que ficou estipulado que: José entregaria determinado bem móvel para Rafael, que ficaria autorizado a vender o bem, pagando a José, em contrapartida, o valor de quinhentos reais; e Rafael poderia optar por devolver o bem, no prazo de vinte dias, para José. De acordo com o Código Civil, nessa situação hipotética foi firmado um contrato classificado como a) atípico. b) solene. c) unilateral. d) consensual. e) comutativo. Paulo H M