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existencialismo e o que é ser humano? - Nós somos seres humanos, temos questões que nenhum outro animal tem. Sempre necessitamos humanizar nossas relações. Humano refere- se à aquilo que é mais humanizado no indivíduo. Tudo o que é técnica/máquina é possivel corrigir. humano possui erros, é singular. o que é o humanismo? Quando nasceu? Com quem? - Humanismo não é abordagem/teoria, é um movimento, arte, literatura, posicionamento de mundo. Não há uma corrente humanista ou uma escola humanista que se possa destacar da história do pensamento - seja na filosofia ou em qualquer das ciências humanas sociais. É um movimento amplo. É apropiado encarar o humanismo como um movimento contínuo que brota em duas direções: Crítica as apropriações diversas que des-subjetivizam a realidade ou desapropriam o sujeito humano de sua própria perspectiva e privilegiam valores específicos em detrimento de uma visão de globalidade - Todas as correntes que diminuem o homem a uma normativa, é criticada pelo humanismo. o homem é potente, total. humanismo considera o livre-arbítrio. Como um projeto de valorização (ou de re-valorização) do humano. - humano fala, tem VOZ.humanismo pode ser compreendidido: Como o esforço de compreender um mundo de experiência humanas - humanismo vem no movimento de acolher a singularidade; Doutrina através da qual o homem, do ponto de vista moral, deve se later exclusivamente ao que é da ordem do humano; assim, designa uma concepção geral da vida (seja esta política, ética ou econômica), que se funda na crença da saúde do homem por suas próprias forças, neste sentido, opõe-se ao Cristianismo que crê somente na força de Deus Crítica ao cristianismo. Considera primeiro o homem e depois Deus, considera o poder do homem de transformar sua vida através de si. Homem moderno e não mais submisso à vontade de Deus, mas senhor e possuidor da natureza. - Está ligado aos sentidos do homem. Não precisa crer em Deus para dar conta de sua potencialidade. Humanismo: Como movimento literário e filosófico, com origem na Itália renascentista, na secunda metade do séx XIV; Como qualquer movimento filosófico que considera como fundamento a natureza humana, seus limites ou seus interesses; ou seja, toda filosofia que tome o homem como a "medida de qualquer coisa" - ponto central do humanismo é o próprio homem. Termo generalizado para qualquer filosofia que coloque homem no centro de suas preocupações, ou como adjetivo aplicável a outros movimentos, como é o casoda "psicologia humanista"; Humanismo: atitude concreta em favor do homem; Valorização do relativismo da subjetividade: singularidade do indivíduo; Renascimento do ideal de poder e potencialidade do ser humano; Valorização da interioridade, introspecção, mundo interno e privacidade; Valorização do humano: de sua independência, singularidade e seu destaque do mundo da natureza Ver o ser humano como único, que vai se desenvolver e se transformar; homem que se define por si próprio e a partir das suas realizações pessoais. Humanismo caracteriza-se pelo máximo interesse dedicado ao problema do homem, da sua natureza, origem, destino e posição no mundo. É toda possibilidade de definição do homem: toda forma de visão do homem a partir da qual este se coloca no mudo; Reconhecimento da totalidade do homem (corpo e alma); Negação da superioridade da vida comtemplativa sobre a vida ativa; Exaltação da dignidade e da liberdade do homem - Se diferencia do Cristinianismo, onde o mesmo não acredita na liberdade do homem, trazendo a culpa e o pecado. o Humanismo irá dizer sobre a liberdade. Reconhecimento do sentido de historicidade do homem;Apoio ao valor humano nas letras clássicas (poesia, história, ética e política). Psicologia Humanista: Conhecida como terceira força da psicologia. Representa a rejeição/crítica ao suposto mecanicista, impessoal, hierárquico e elitista da psicanálise e ao behaviorismo, excessivamente cientificista, frio e distante. Psicólogos humanísticos criticavam a ideia de que o comportamento humano pudesse ser reduzido a instintos biológicos recalcados ou simples processos de condicionamento; rejeitavam a ideia de qe a história pessoal limitasse inevitavelmente as possibilidades futuras e negavam os pressupostos deterministas das duas outras "forças" da psicologia. Em vez disto, propunham que as qualidades que melhor caracterizavam os seres humanos eram: livre-arbítrio - indivíduo pode tudo o quer e tem condições de conseguir, pois pode desenvolver sua potencialidade para conseguir. Diferente da Existencial, que acredita que o indivíduo não pode ter tudo o que quer e sim, somente aquilo que seu mundo sustenta; A sensação de responsabilidade e propósito - Obtém livre arbítrio, porém, obtém responsabilidades; A busca eterna e progressiva de sentido na vida A tendência inata de crescer rumo à assim chamada autorrealização, ou seja, atingir seu potencial de vida em toda a sua plenitude - Indivíduo está no mundo parase autorrealizar. 1. Força - Behaviorismo: Calcado numa ênfase objetivista, empirista e positivista, este modelo buscou aplicar os métodos e valores das ciências físicas ao estudo do ser humano, o que gerou uma série de críticas, como a exclusão da subjetividade de sua consideração do ser humano, além de não abordar a complexidade da personalidade e de seu desenvolvimento. 2. Força - Psicanálise: Emergiu da psicanálise freudiana e das chamadas "psicologias profundas" de Adler, Erikson, Jung, Klein, entre outros. A ênfase desse modelo estava na dinâmica do inconsciente e na crença de que o comportamento humano seria determinado prioritariamente pelo que ocorre na mente inconsciente. centro de seu enfoque referencial é a pessoa em um contexto único e que tem o potencial de transformar a vida dentro de si, de maneira continuada e infinita. homem é percebido como ser livre, capaz de se recriar independentemente dos condicionamentos, pois a própria realidade é percebida de maneira pessoal e está impregnada de significados ligados a consciência pessoal. foco é a pessoa que experimenta o meio, que tem potencial para escolher, criar, apreciar-se e se autorrealizar, preocupando-se com a dignidade e o valor do homem, interessando-se pelo desenvolvimento dascapacidades próprias de cada pessoa. que designa como "Psicologia Humanista" ou movimento humanista em Psicologia está geralmente associado aos profissionais e à cultura americana, mas possui suas raízes na ciência e filosofia europeias. Envolve um resgate e reafirmação do valor e da dignidade dos seres humanos, desenvolvendo suas ideias na direção contrária às ideologias, crenças e práticas que tornariam o homem um mero acompanhante dos interesses políticos e econômicos. - Retira o indivíduo da massa, acredita na singulidade e na potencialidade daquele indivíduo. A PH seria, então, uma "manifestação contemporânea" do compromisso com esta valorização do ser humano. Seria uma "resposta" à negação do espírito humano motivada pelas ciências sociais e comportamentais. "A associação Americana de Psicologia Humanista se coloca como contraposição aos modelos dominantes - considerado reducionistas e deterministas - propondo-se a fornecer "um novo conjunto de valores na direção da compreensão da natureza humana e da condição humana", ampliando o espectro de ações de pesquisa do comportamento humano (em especial questionando os formatos exclusivamente quantitativos de pesquisa, e estimulando novas formas de pesquisa qualitativa) e oferecendo uma gama maior de métodos e técnicas de ação psicoterápica"homem não é o bicho que fala, mas ele é a própria palavra - Discurso, linguagem; Não é a linguagem que se encontra no homem, mas o homem que se encontra na palavra; humanismo não se trata de mudança de objeto, nem de uma mudança de método, nem de uma mudança teória. Trata-se de uma mudança na relação com o objeto; Visão mais abrangente, capaz de conter a visões anteriores, só que como parciais; Algo mais amplo: consideração do sentido; Ser humano como movimento: não como resultado, mas como processo; homem só aparece naquilo que ele tem de mais próprio, com a questão do sentido, não CO a questão de causa explicativa; homem é constituído pelas questões do sentido. Surge da reação da insatisfação sentida face aos dois conjuntos teóricos behaviorismo e psicanálise, porém, não desconsidera as descobertas anteriores. Completar com slide - segunda foto. Psicologia Humanista - Resumindo Diferentes teorias podem vir a ser humanistas, dado que o que as une não são suas ideias, mas uma atitude em comum diante do homem e e sua realidade Trazer a concepção do homem enquanto potência e senhor desi (obtém condições e potencialidades de transformar- se); Em seu sentido contemporâneo, uma psicologia humanista seria uma resposta à "crise" do homem e de sua humanidade, numa época de crise de valores e crise moral; como uma alternativa a questionamentos não respondidos e alento a anseios não satisfeitos, ou seja, a expectativa de uma nova psicologia - Vem como uma terceira via, em uma postura que diferencia-se do behaviorismo e psicanálise, sendo outra possibilidade de atuação; A ideia de uma Psicologia Humanista se insere, numa tradição filosófica que resgata o significado e questiona a ciência em sua base mais fundamental - sua pretensão de neutralidade - Obtém uma concepção do homem como um todo, questionando a ciência por ser determinista e fundamentalista. Existencialismo: A psicologia humanista se desenvolveu em solo americano, enquanto a Psicologia Existencial evoluiu na Europa. - Ocorre a confusão entre as teorias, decorrente da tradução. Há elementos similares entre ambas. A Psicologia Humanista foi diretamente influenciada por dissidentes freudianos de origem europeia e ambas as abordagens associam-se ao pensamento fenomenológico e ao movimento existencial (também de origem europeia) A polêmica que se criou ao redor desses dois movimentoscalca-se muito mais em uma questão semântica e hermenêutica do que em reais vínculos de diferenciação conceitual ou filosófica. - Ambas se influenciam. Psicologia Humanista é influenciada pela Existencial. Há atitudes de uma psicologia humanista e de uma existencial. Além disso, há atitudes que transitam de uma para outra. Alguns expoentes da Psicologia Humanista tem trabalhado na direção a um reconhecimento de suas bases existenciais. Separar uma psicologia humanista de uma psicologia existencial é tarefa inglória, é possível estabelecer limites, separar não. Necessidade de separação: 1. A psicologia pode ser fragmentada; 2. A ideia de que o humanismo seria um sistema filosófico fechado, composto de ideias ordenadas, conceitos próprios, gênese e desenvolvimento particulares, além de possuir um mentor intelectual. Todavia, isto não acontece. humanismo é uma ideia, não uma corrente independente de pensamento. Em cada época do desenvolvimento do conhecimento e da humanidade, encontramos figuras "humanistas"; 3. A característica de ser "humanista" (relativo ao humano, ao homo, humanus) seria distinto de ser "existencial" (relativo a existência, existere), e que, assim, seria possível destacar o humano de suas relações com o mundo.Psicologias Humanistas e Existencial: Se fosse realizado um quadro onde fossem estabelecidas as bases das psicologias humanistas e existencial, seria algo assim: Humanista: Fundamentos filosóficos: Implícitos; Bases: Fenomenologia, Existencialismo; Origem: Europa -> EUA Existencial: Fundamentos filosóficos: Explícitos; Bases: Fenomenologia, Existencialismo; Origem: Europa Mesmo assim, tem-se problemas em delimitar tão clara e forçosamente essas fronteiras. É preferível, então, destacar suas similaridades. Existencialismo é uma filosofia contemporânea/ moderna; Postula que a existência precede a essência. ser humano é livre para fazer escolhas e se tornar o que fizer da sua vida, nos limites das condições físicas, psicológicas e sociais que o envolvem - Possibilidades que sustentam os sentidos do mundo do indivíduo. Não existe uma natureza humana que determine nossa existência, mas ela se forma e se transforma na prática -Indeterminação originária. Acredita que desde o nosso nascimento somos lançados no mundo e somos nós que criamos nossos valores através de nossa própria liberdade e sob nossa responsabilidade - Indeterminação, ter de ser. Não há essência que nos defina previamente, mas existimos no mundo e construímos nossa essência por meio de nossas escolhas existencias - Posicionamento e escolhas do indivíduo traz o sentido de sua essência. Existencialismo - Introdução às filosofias da existência o cerne do existencialismo é a liberdade, pois cada indivíduo é definido por aquilo que ele faz - A questão da liberdade tem a ver com a indeterminação originária, indivíduo é livre desde que seu mundo sustente essas questões. Sempre se está fazendo escolhas, mesmo quando decide não escolher, está-se escolhendo não escolher; Porém, não há liberdade sem responsabilidade - indivíduo se posiciona, decide, escolhe e se responsabiliza. Isto é, banca suas decisões; Somos responsáveis por nós mesmos, pelas escolhas que fazemos e por tudo aquilo que nos cerca - indivíduo obtém autonomia e é dono de si. A maturidade é chegar no nível de tutelar a vida, sabendo que é seu e não responsabilizando outros por aquilo que você é;fato de ser livre coloca o ser humano eticamente responsável pelas consequências das escolhas que faz; "O homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e só depois se define" - Só se define quando morre. Há uma pluralidade de teóricos e concepções no existencialismo. Apesar disto, há algumas ideias subjacentes ao existencialismo, que perpassam seus teóricos. Assim existencialismo: Busca compreender ser humano, em seus aspectos concreto e singular - paciente é concreto, toma decisões concretas, porém é atravessados por questões ontológicas; Concreto no sentido oposto ao abstrato, metafísico ou idealista, mas como ser que existe concretamente no mundo. Não é uma falsa representação de um ser ideal ou a materialização de uma "alma", mas um ser que vive concretamente suas relações - Indivíduo é presente, atravessado pelas histórias das pessoas que convivem com ele; Singular significa que uma pessoa não é igual a outra e que não há um modo de previamente definido ou universal, mas cada pessoa desenvolve suas características e peculiaridades próprias, que corresponde a seu modo de ser particular. o ser humano para o existencialismo:Não é natural. Não há uma natureza universal que defina o modo de ser das pessoas - Igualmente discurso. Tudo que o ser humano faz, é aprendido. Aprende aquilo que experimenta, não é natural, por exemplo, andar; Não é atemporal, ou seja, igual em qualquer tempo. Cada pessoa vive concretamente em um tempo e espaço, num período histórico, num contexto e em uma série de relações que constituem seu modo de ser - Há uma amplitude como, por exemplo, a cultura; Não é essência, como algo prévio que defina o ser humano antes mesmo de sua existência material. Cada pessoa se faz de acordo com suas escolhas e irá se tornar o que fizer de si - Não é determinado, a essência se faz a cada vez, a vivência antecede a essência; Não é alma, que habita um corpo e segue para outro corpo. ser humano é o corpo que está vivendo concretamente. o ser humano se caracteriza por ser: Mortal: Toda pessoa um dia vai morrer. A vida acontece na condição de finitude, tudo o que fizer de si um dia vai acabar; Em transformação: A pessoa nasce de um modo e se transforma de outro modo, estando sempre em mutação; Emocional: Vivencia as emoções e se altera afetivamente de acordo com nossas experiências - Sempre atravessados por afetos; Ser no mundo: Habita em um espaço físico, espacial,temporal e contextual, e nele se desenvolve, estabelece valores, conceitos, desejos, gostos e etc. Vê o homem como ser no mundo; Sonho é considerado experiência vivida. Existem condições (é pra todos, a existência é atravessada por essas condições): Não há ser humano que não experiencie essas condições Liberdade: Todos somos livres para fazer escolhas e responsáveis pelas escolhas que fazemos; Conflitos: Ao convivermos com outras pessoas atravessamos conflitos e contradições, pois temo valores e desejos diferentes; Angústia: Nos angustiamos por não conseguir realizar todas as nossas possibilidades existenciais, por sermos seres limitados; Sentidos da vida: Cada pessoa se move de acordo com o que faz sentido para si, em direção do que a torna realizada. o existencialismo: Reconhece e valoriza os afetos (a partir do afeto irá fazer a leitura do paciente; "que afeto que surge no discurso?") e emoções humanas. Entende que o ser humano não é somente razão, mas que, antes de tudo, nossas experiências com o mundo são afetivas, e os afetos desempenham forte papel em nossa existência e tomada de decisões. - afeto sempre dará dicas do que está se apresentando no paciente. o ser humano não é um organismo neutro, isolado nomundo, mas um ser que habita e convive com o mundo (Ser- aí, ser-com). Não há uma consciência separada do mundo, todo ser se relaciona com mundo numa relação dialética. É uma coisa só. Co-originários. mundo irá possibilitar ou não as decisões do indivíduo. Diferente da ideia de "natureza humana", existencialismo estuda sobre a "condição humana". Entende que há condições que envolvem o existir humano, como a liberdade, a morte, a angústia, os conflitos e etc. - São os existenciais. Indivíduo enfrenta algumas condições que são os existenciais. Ao contrário de uma concepção determinista, entende que nossa vida não é previamente determinada, mas que nós a fazemos por meio de nossas escolhas, dentro de nossas condições e da situação que vivemos. Não há como entender modos de ser de cada pessoa sem compreender sua história e sua relação com condições materiais. Diferente do intuito de explicar ser humano, o existencialismo tem como intenção compreender - Atitude antinatural. O Devir ou "vir a ser", representa transformação. Para o existencialismo, tudo está sempre em transformação, tanto os seres quanto o mudo e as coisas. Nada permanece mesmo, tudo está sempre se alterando, se reconfigurando ese transmutando em outro. Estamos sempre em transformação e nunca somos iguais. - Na psicoterapia existencial o principal feito é a transformação. A angústia não é algo ruim na visão existencial, mas um sentimento que surge da contatação de nossa liberdade, finitude e de nossos limites. Nos angustiamos perante a dificuldade de escolher, na não aceitação de limites ou da compreensão de que as coisas terminam. Lida-se com a finitude e morte das coisas, das pessoas e de nós mesmos durante a vida. A consciência dessa finitude pode ser angustiante, mas nos coloca a viver intensamente e com sentido. A subjetividade é característica do sujeito referente a tudo aquilo que é pessoal, interior e individual. O modo como cada um percebe, sente e se relaciona com mundo e consigo mesmo, envolvendo sua constituição cultural, seus valores pessoais e seus afetos em relação às coisas. A vida não é entendida como algo que possua em si um sentido já posto ("o sentido da vida"). Cada pessoa dará sentido para sua vida, diante de suas escolhas. Este sentido se transforma todo mundo. que une então estes pensadores tão individualizados nas suas concepções filosóficas? que os une, e nisso concordam todos os autores, é a concepção de uma filosofia:"Que seja concebida e se exerça como análise da existência, desde que por se entenda o modo de ser do homem no mundo. O existencialismo é assim caracterizado, em primeiro lugar, pelo fato de questionar modo de ser do homem; e, dado que entende este modo de ser como modo de ser no mundo, caracteriza-se em segundo lugar pelo fato de questionar próprio 'mundo', sem por isso pressupor o ser como já dado ou constituído. A análise da existência não será então simples esclarecimento ou interpretação dos modos como o homem se relaciona com o mundo, nas suas possibilidades cognoscitivas, emotivas e práticas, mas também, e simultaneamente, esclarecimentos e a interpretação dos modos como mundo se manifesta ao homem e determina ou condiciona as suas possibilidades. A relação homem-mundo constitui assim tema único de toda filosofia existencialista (Abbagnano, 1984, p. 127) - Ponto de vista de Heidegger. Dasein. Compreende o mundo a partir de seus sentidos e significados, a partir de suas vivências singulares. Trama sigular. Das possibilidades de cada um. Fisolofia existencial -> homem e mundo. termo "existencialismo" parece ter sido cunhado pelo filósofo francês Gabriel Marcel em meados da década de 1940 e adotado por Jean-Paul Sartre. Período pós-guerra. O rótulo foi aplicado retrospectivamente a outros filósofos para os quais a existência e, em particular, a existência humana eram tópicos filosóficos fundamentais. Questionamento do ser do mundo e sua relação com ele.O existencialismo foi inspirado nas obras de Schopenhauer, Kierkegaard, Dostoiévski, Nietzsche, Husserl e Heidegger, foi particularmente popularizado em meados do século XX pelas obras do escritor e filósofo francês Jean-Paul Sartre e da escritora e filósofa Simone de Beauvoir. ser humano é mais que qualquer teoria e não há como classificar uma pessoa em sistemas explicativos, pois eles acabam a reduzir sua descrição. Classificar é uma forma de rotular, isto desconsidera a singularidade de cada ser: "Quando você me rotula, você me nega" (Kierkegaard). Desta forma, o esquema de conceitos, qualquer que seja, é apenas uma possibilidade entre outras; sua concretização depende inteiramente dos sujeitos e não dos conceitos em si. homem existente, portanto, não pode ser assimilado por um sistema de ideias, afirma ainda Sartre, "por mais que se possa dizer e pensar sobre sofrimento, ele escapa ao saber, na medida em que é sofrido em si mesmo, para si mesmo, onde saber permanece incapaz de transformá-lo" (1987, p. 116). - Os conceitos, os pensamentos não dão conta de expressar o que se passa na "pele" do indivíduo, principalmente quando se fala em sofrimento. Pode chegar muito perto, mas não acessa a experiência. A solidão é viver a experiência da singularidade.Em Kierkegaard, o Existencialismo é a expressão de uma experiência singular, individual, pois existência é uma tensão entre o que homem é e o que ele não é. - Não dá para bancar todos os desejos. Tudo o que o indivíduo não é, revela o que ele é. "Tudo o que eu não sou, revela o que eu sou". Em suma, em suas obras filosóficas, prioriza a realidade humana concreta ao invés do pensamento abstrato, dando importância à escolha e ao compromisso pessoal. - Ser enquanto sua vivência concreta. Foca na existência concreta do indivíduo, na subjetividade e na experiência pessoal, ao invés de se ocupar do "conceito de ser", de concepções idealistas, metafísicas ou especulativas. Grande parte de sua obra são dedicadas às questões existenciais, como a liberdade, angústia, desespero, subjetividade e indeterminação do ser humano. - Kierkegaard grande influencia do Heidegger. Fala da indeterminação do ser humano. A realidade humana é muito complexa e peculiar, por isso um sistema ou esquemas de conceitos abstratos não daria conta de explicar essa realidade. A realidade humana só pode ser compreendida, portanto, por meio da realidade singular e concreta de cada indivíduo. - Nunca conseguimos sentir na pele que o outro sente.As generalizações tratam apenas de hipóteses genéricas, mas nada dizem sobre uma pessoa específica. - A ciência faz isso o tempo todo, mas a nossa existência vai muito além e é anterior às explicações. Existe o genérico, mas também existe o singular que a ciência não consegue abarcar. Não existe escolha que não seja subjetiva, fruto de uma escolha interna. Somente o indivíduo pode se aproximas de sua realidade, que é subjetiva. "A subjetividade é verdade, a subjetividade é a realidade" (Kierkegaard) Europa: Existencialismo parte de uma análise existencial (daseinsanálises); Considera que a existência é indeterminação originária; A angústia é positiva, pois movimenta o indivíduo; Intencionalidade é fluxo de consciência - consciência esta que aparece pro indivíduo dentro de sua existência, no movimento da existência do indivíduo; Considera o homem como pura possibilidade (abertura), potência pode se relacionar com o poder ser mas é característica ôntica. A vontade não é suberana, as vezes o mundo não banca; Indivíduo não carrega as culpas, considera que há uma série de coisas atravessam as ocasiões (consciência não pensada através da moral); Análise existencial (afinação e escuta -> transformação,acontece ali na relação paciente - terapeta a cada vez atravessado por um afeto). América do Norte: Humanismo - influência do existencialismo (traduziu e nomeou de humanismo); Kieergaarg - Anterior a fenomenologia, influenciou Heidegger, Freud e Lacan; Humanista Existencial considera que a existência é a pessoa, indivíduo. o homem é; Angústia negativa, atrapalha, deve ser curado; Intencionalidade é sujeito/vontade, tem a ver com intenção, vontade do eu; Mantém a dicotomia, a vontade é suberana; Mantém-se a moral, homem carrega culpa pelo o que sua vontade não alcança; Análise -> superação, mudança de comportamento.Humanismo (América do Norte) X Existencialismo (Europa) Europa América do Norte Raiz: Kierkegaard (não tem influência da Rollo May Fenomenologia) (influenciou Freud; Lacan) Humanismo Existencialismo Psicologia existencial humanista Análise existencial Existência é indeterminação. Existência é pessoa, indivíduo. homem tem natureza. Angústia não é algo a ser sanado. Angústia é algo a ser sanado. Intencionalidade: fluxo consciência e mundo. Intencionalidade: sujeito. Vontade. Movimento da vontade (a determinação é a potência que fala de uma interioridade). homem é pura possibilidade (abertura). Mantém a dicotomia. sujeito cartesiano Potência pode relacionar-se com poder-ser, tem faculdades. A vontade é soberana. mas é característica ôntica. Vontade comoescolha. Ohomemse constitui consciente à sua vontade. É dessa Raiz da vontade que nasce a fórmula matemática: angústia liberdade responsabilidade. Mantém-se a moral: O homem é culpado pelo que a sua vontade não alcança. A existência não é pensada pelo viés da moral. Para Kierkegaard a angústia é indeterminação. Possibilidade para a possibilidade. Realidade da possibilidade (a possibilidade é que não sou determinado originalmente/ liberdade; a possibilidade é a escolha/poder decidir). *Há uma insuficiência na vontade, no desejo, pois somos atravessados pela tonalidade afetiva. A atmosfera. Ou seja, desejo, a vontade é sempre tardia, posterior à afinação. Defende a insuficiência da vontade. A vontade tem um lugar na existência, mas não é soberana. Na psicoterapia fenomenológico-existencial Na psicoterapia existencial humanista, a ideia (análise existencial) a ideia é de afinação, é de superação. Mudança (comportamento). escuta, serenidade (Heidegger). Transformação (relação). analista é aquele que junto com outro Tem que apresentar as pré-condições: destece e tece a trama existencial. A relação é aceitação incondicional, empatia e imediata. lugar do terapeuta está na relação. congruência. É sempre a relação que posiciona. tom é dado pela atmosfera. Há um diálogo com a filosofia da existência, mas não articula pensamento que a existência precede a essência.Psicopatologia fenomenológico existencial: o que é normal e que é patológico? Patológico normalmente traz prejuízos funcionais para indivíduo, distoa do comumente apresentado. "normal" é o que se apresenta com mais frequência. Essas caracterizações provém do lugar de fala de cada indivíduo, do seu olhar. A forma que o indivíduo olha, chega a uma determinada concepção do que mesmo considera normal ou não. Psicopatologia [de se define como patologia das doenças mentais ou como estudo das causas e natureza das doenças mentais. Psic(o)-vem do grego-psyché-que significa alento, sopro de vida, alma; Patologia, afecção, dor, pato, que também provém do grego-pathos-que significa "doença, paixão, sentimento". A loucura enquanto fenômeno psicossocial acompanha homem em sua trajetória histórica. Em quase todas as sociedades há indícios de pessoas que perderam controle de suas emoções e alteraram seu comportamento a ponto de causar estranheza em seus semelhantes. A loucura é um fenômeno tipicamente humano, pois é somente quando afetado em seu devir que sujeito em questão seu ser, constituindo a psicopatologia. - Atualmente o DSM se encontra em sua quinta edição, considerando que, a sociedade vai se desenvolvendo, DSM vai se encorpando eadaptando-se. A medida que a sociedade vai se desenvolvendo, vai havendo manifestações dos sintomas que não haviam manifestados antes, com isso a necessidade de adaptação. Para fundamentar um diagnóstico, é necessário um tempo. A caracterização sempre vai acompanhar desenvolvimento histórico. No entanto, cada época histórica vai tratar deste fenômeno de um modo característico, marcado pelo horizonte racional, cultural, social, político predominante no momento. Desta forma, a loucura na Idade Média era possessão demoníaca e na modernidade, época do Racionalismo, passa a ser a perda da razão. Em tempos de cuidados médicos torna-se psicopatologia, concebida enquanto doença mental Para cuidar precisa de uma conexão e uma relação com mundo do paciente. Uma pessoa que obtém patologia experiencia uma vivência com uma patologia, ou seja, esta restrito a um modo de ser patológico, que encurta suas possibilidades. Campo da psicopatologia: Diferentes abordagens (psicopatologia clássica X fenomenológica); Tensão: complexidade (psicopatologia) X biologia/ ciências do comportamento. Manuais classificatórios: O esforço de classificação (Tornar inteligível acomplexidade humana/nomear sintomas) Somos todos "bicho homem", mas, ao mesmo tempo, somos atravessados de maneira singular pelo mundo (Encontro com a natureza trágica da vida/experiências e dos afetos que essa suscita). Ainda que haja uma característica específica do transtorno específico, há um singularidade na manifestação destes transtornos. Desejo de dar sentido palpável ao sofrimento humano. sofrimento é anterior aos sintomas. História dos manuais: Surgem no período pós-guerra como uma solicitação dos planos de saúde norte americanos para lidar com as questões traumáticas da Guerra. Em 62 anos, avançamos de 106 categorias para mais de 300 categorias; Como se os existenciais não atravessasse o indivíduo, não considerando a singularidade. Havendo uma caracterização; DSM I: 1952, 106 categorias (130 páginas); DSM II: 1968, 180 categorias (aspiração dos transtornos da infância e adolescência e incluía a homossexualidade). Onda de contestações (134 páginas); DSM III: 1980, revolução da psiquiatria biológica, inflação diagnóstica, 295 categorias (567 páginas); DSM IV: 1994, 297 categorias (880 páginas); DSM V: 2013/2014, críticas. Mais de 300 categorias (992 páginas). A quinta edição lista um conjunto de questões sociais e da vida que passam a serconsideradas na perspectiva patológica, tais como: problemas de relacionamento, violência doméstica ou sexual, negligência ou abuso, problemas ocupacionais e profissionais, situações de falta de domicílio, pobreza extrema, discriminação social, a não aderência ao tratamento médico, entre outros (APA, 2013). Perigo de as categorias fabricarem doença; medicalização da vida; patologização do sofrimento. Psicopatologia existencial - Fundamentação ontológica das pertubações do existir. LUDWIG BINSWANGER: Uma psicopatologia fenomenológica A psicopatologia como um campo diferenciado do saber - Biswanger defendeu a ideia: De se especificar a psicopatologia em um campo diferente do das ciências naturais; Propõe que se examine, a questão mais fundamental; A do Ser; Das relações do fenômeno psicopatológico com a existência do que padece. - Como o homem experiencia sua vivência obtendo uma enfermidade. Dessa forma a análise existencial abriria a possibilidade de um olhar sobre a totalidade da existência do homem. Método Fenomenológico X Método PsicopatológicoBinswanger adverte: É importante que não se cometa o engano de realizar uma psicopatologia meramente descritiva ou meramente subjetiva. Classificação. A psicopatologia clássica, Binswanger considera a vivência da pessoa; Uma fenomenologia psicopatológica busca o sentido, a significação da palavra, a experiência vivida; É no fenômeno particular, que a pessoa se faz conhecer e, inversamente, é o fenômeno que faz o psicoterapeuta penetrar na pessoa É através da experiência que o paciente pode se ver e ao mesmo tempo, o psicoterapeuta pode vê-lo também. A escuta clínica acontece na relação terapeuta-paciente. fenomenólogo, analisando a experiência psicopatológica vivida que a experiencia revela no encontro psicoterapêutico. busca se familiarizar com as significações que a expressão verbal do doente despertam nele; ele busca os sinais desta experiência psicopatológica e o que se pode descobrir nela. A psicopatologia Fenomenológica - ser-psiquiatra depende, como referência: do encontro e da compreensão com o outro tomado em sua totalidade; Entende-se a psiquiatria como uma ciência do homem; cuja missão enquanto ciência é discriminar o que se aplica ao doente ou ao sadio Determinação ôntica e social ao que se refere a psicopatologia, precisandohaver uma discriminação do que é considerado sadio e doente; Buscar a maneira como a presença do doente pode ser modificada em uma presença sadia" Presença -> estar ali. Modo de ser. Dasein. Há uma concepção de uma pertubação deste dasein, estando na corporalidade, temporalidade (depressão), espacialidade. -> formas de existências frustadas. Quando a presença perturbada fica limitada em torno da: Corporalidade, temos o Dasein hipocondríaco ou o bulímico; Temporalidade temos o melancólico ou o maníaco; Espacialidade encontramos o agorafóbico, o claustrofóbico. Ocorre aí o que Binswanger vai chamar de formas de existência frustrada, onde o indivíduo se fecha em si mesmo e perde o eixo comum com o mundo do outro (mundo humano). A psicoterapia para L. Biswager: Seu pensamento atravessa 4 fases - psicanálise; fenomenologia de Husserl, Fenomenologia hermenêutica de Heidegger e retorno a Husserl. Para a psicoterapia se dar é preciso: Desconstruir a relação unilateral no sentido de quem se beneficia em uma psicoterapia é o pacinete -terapeuta também se beneficia enquanto terapeuta, é recíproco; Desconstruir a ideia de que o paciente in esta bem e o terapeuta está bem - Psicólogo também é um humano, seres aí, sendo também atravessado por questões. Necessário desconstruir a ideia de que o terapeuta dá cura. Desconstruir da verticalização da relação médico - paciente; Não se pode ter uma conduta pré-estabelecida Não sabe o que vai aparecer na análise, não sendo portando possível pré-estabelecer o que será dito na análise, ao fazer isto adota-se uma postura de detentor do saber; Terapia significa confiança A confiança tem que ser mútua e estar na própria relação que se estabelece. Confiança só se consegue de graça, no sentido de que não temos como produzir confiança tecnicamente; psicoterapeuta precisa conseguir em algum momento dar esse presente ao paciente e receber esse presente do paciente, sendo este presente a confiança; A psicoterapia daseinsanalítica não tem o intuito de "consertar" algo ou "curar". Três formas de existência malograda (interrompido): Extravagância; Excentricidade; Amaneiramento. Proporção e Desproporção Antropológica: Quando hápertubação, há uma desproporção, quando há uma proporção, indivíduo é considerado saudável. -> Eu. Maneira como indivíduo se vê. Quanto mais centralizado, mais saudável. Amplidão -> Quanto mais próximo do que o outro vê, indivíduo se aproxima do centro. Quanto mais perto do centro, mais saudável. Há uma proporção. Quanto mais se afasta, mais longe do eixo e menos saudável. Despropoção horizontal: As pessoas vê o indivíduo como alguém fantástico e o próprio indivíduo não se vê, é inseguro, retraído. Desproporção Vertical: indivíduo acha que é mais incrível, porém ninguém vê assim. Proporção Antropológica: Quando existe uma aproximação da forma que nos vemos com a maneira que somos vistos -> Saúde Como isso se dá? Extravagância: Indivíduo está desconectado. Vaga por fora do eixo. Sai do eixo, já perdeu a conexão com o outro. Trata outro como objeto, perde a afinação. Fica coisificado; Excentricidade: Fora do centro. Patologia da identidade, desproporção do eixo vertical. Não consegue manter uma identidade que permaneça no tempo. "maria vaicom as outras" - reproduz o modo de ser do outro; Amaneiramento: Pessoa que de certa maneira tem um compromisso em asusumir uma personalidade que considera uma personalidade que deveria ser -> Inventa um modo de ser racional e social. Presta muita atenção tempo todo para que ele não cometa nenhum deslize. No final do dia está sempre esgotado. Está sempre tentando parecer ser algo que ele somente parcialmente é. Desproporções antropológicas (daseinsanálise antropologia existencial). Porque isso é importante para nós? Se por um lado a analítica do Dasein é a analítica da constituição ontológica (existenciais e/ou existenciários) e seus modos de ser, por outro lado, na clínica o que temos é uma pessoa específica, que tem a sua história, sua condição de mundo e suas demandas Seres concretos -> decide, é atravessado por cultura, moral, obtem identificações -> nomeou como antropologia existencial. Objeto da psicoterapia: Nosso objeto de trabalho então é esse ser-aí, que não é um ser aí na sua estrutura ontológica formal, mas é implicado hermeneuticamente dentro de um mundo; Trabalho é ôntico -> diferente disto é filosofia -> ser na realidade real que mesmo enfrenta; objeto da psicoterapia -> indivíduo concreto. Experiência concreta, como fenômeno acontece.Medard Boss: Uma psicopatologia de inspiração daseinsanalítica Acreditava que a psicopatologia muito se enriqueceria por um pensamento que não permitia a colocação da distinção (separação) cartesiana sujeito-objeto e que, por outro lado, aproximava a medicina da psicologia. Concepção daseinsanálise: Ohomem pode se relacionar de diferentes modos, mas não pode não se relacionar - Por mais que indivíduo tente não se relacionar, ele está sempre em relação. Indiferença é um modo de relação -> Todo modo de ser é um modo de relacionar, mesmo a indiferença; Embora mundo seja particular, é um mundo compartilhado, cheio de conceitos. A inspiração Daseinsanalítica na Psicopatologia - Usado por Biswanger, em que ele se inspira na ideia dele. "o modo de ser-doente só pode ser compreendido a partir do modo de ser-sadio e da constituição fundamental do homem normal, não perturbado" (BOSS; CONDRAU, 1997, p. 29) - Consideração dos sintomas que são diagnósticos. Consideram as psicoptologias, mas olham para além dessas. Ser doente enquanto possibilidade. Para compreender que é doença e sadio, precisa de um medida, sendo a partir de um diagnóstico estruturado ou hipotético. Na relação paciente-terapeuta: Necessário a relação compaciente no sentido de compreender as necessidades existenciais, assim entendendo o que é doente e saudável daquele ser. A essência fundamental do homem sadio caracteriza-se pela liberdade (do ponto de vista Sartreano) - Condenado a ser livre, somos livres para tomar decisões, mas não somos livres das coisas, liberdade tem limitadores. Homem que pode decidir-se por si. Na doença ocorre uma privação mais acentuada do existir -> psicopatologia vem para mostrar esta privação da liberdade. o modo de ser-doente - Classificação das patologias psíquicas. 1. Ser-doente -> Pertubação da Corporeidade do existir humano -> Questões do corpo. Ex: estética, transtornos alimentares, hipocondríaco; 2. Ser-doente -> Pertubação da espacialidade do seu ser- no-mundo-> Ex. Claustofobia; 3. Modo do ser-doente -> caracterizado por uma limitação da disposição própria à essência da pessoa/ perturbação prevalente na realização da afinação existencial do afeto- > (temporalidade no biswanger) -> Tonalidades afetivas fundamentais e cotidianas, disposições afetivas -> Ex. humor deprimido, eufórico -> Quando o humor perde a medida.4. Modo de ser-doente Ser aberto e da liberdade -> Somos aberturas de mundo e poder-ser. Na psicopatologia há uma restrição da abertura, fica restrito. Há uma possibilidade, mas há uma condição para essa possibilidade, sendo uma psicopatologia. Classificação das patologias psíquicas: 1) Ser-doente caracterizado por uma pertubação evidente da coporeidade do existir humano. Qualquer redução corpórea toca sempre e imediatamente ser-no-mundo, e por isso todas as possibilidades de relação com mundo. - A experiência da corporelidade vem primeiro. Tudo do mundo atravessa a questão corporal. Com isso, o ser-doente é caracterizado pela perturbação da corporeidade. 2) Ser-doente caracterizado por uma pertubação prevalente na espacialidade e na temporalidade do seu ser-no-mundo - Pacientes com demência (possibilidade do agora/presente, considerando sua memoria flutuante). Nas psicoses orgânicas e demência senil da psiquiatria clássica, os pacientes estão reduzidos na amplitude de sua abertura ou seja, a dimensão temporal, (passado, presente e futuro) está praticamente reduzida ao presente. Em relação à espacialidade podemos citar a agorafobia e a claustofobia.3) Modo de ser-doente caracterizado por uma limitação da disposição própria à essência da pessoa/pertubação prevalente na realização da afinação existencial. - tonalidades afetivas A afinação se refere ao humor (tonalidades afetivas). Podemos citar: Melancolia; Mania; Psicose maníaco-depressiva (Transtorno afetivo- bipolar); Depressão 4) Modos de ser-doente concernentes a limitações na realização do ser-aberto e da liberdade. Citamos a esquizofrenia Existiria no esquizofrênico uma dupla incapacidade: Torna-se incapaz de se engajar totalmente na abertura do seu existir, não respondendo ao mundo, conforme os significados habituais presentes para as outras pessoas; Não consegue preservar seu si-mesmo capaz de manter uma relação livre com que aparece (TOC). Na medida em que Boss desloca o entendimento da doença para a compreensão da experiência do ser-doente, considera, então, a psicopatologia como redução ou perda das possibilidades constitutivas dos modos do existir humano enquanto Dasein.Situação clínica. Transposição do pensamento filosófico para a psicologia clinica Na clinica o profissional não fica filosofando e sim somente se fundamenta na filosofia para a prática clínica. Considerando que paciente é pura possibilidade e concreto. Tomar cuidado para não tornar a clínica em uma filosofia aplicada (filosofia clínica), ou o contrário, fazer uma mera aplicação teórica desses esclarecimentos e concepções filosóficas. Mas sim realizar um exercício cuidadoso de questionamento e reflexão nos sustentando num espaço que é um espaço de manter esse exercício de pensamento que a filosofia nos proporciona e ao mesmo tempo pensar esse caráter ôntico e concreto da vida das suas formulações existenciais e no seu sofrimento. perigo da prescrição clínica - profissional não sabe que é o melhor para o outro. Com isto adota-se uma postura de detentor do saber, podendo levar ao corte do processo. Quando de certo modo conhecemos de antemão aquilo que queremos alcançar, ou seja, podermos apontar previamente um certo direcionamento moral, onde já tomamos aquilo que "é melhor", caminho ideal", ou aquilo que entendemos de antemão como uma libertação ou cura. A cura é objetivo da clínica psicológica? - A partir do momento que fala-se em cura, pressupõe que aquilo que o paciente traz é uma doença. Se fundamenta em conceitos do mundo. Considerando que se cura que não está legal, o que está doente. Teoricamente "cura" por que há umatransformação do indivíduo, a medida que consegue observar novas possibilidades, novas decisões e etc. intuito é a transformação e não a cura propriamente dita. Demorar no espaço do pensamento - Paciência. Pergunta ingênua. No sentido de oportunizar exercício do pensamento, ou seja, não responder às perguntas (perguntas da Flávia)e sustentar o lugar do terapeuta enquanto aquele que não sabe as respostas. Não sustentar a expectativa da Flávia: que ela vai alcançar as respostas prontas que procura (ela busca, a princípio, um caminho mais ou menos direto e imagina que o analista dirá como ela deve agir). analista não direciona as escolhas da paciente. Toda pergunta nos coloca diante de um não saber, de um não-ser. Nos coloca diante caráter de negatividade e de indeterminação. Abre-se possibilidades de singularização. Não-resposta: A não resposta é um deixar aberto para sustentar o espaço de reflexão. Questionamentos. Psicológo se demora mais. A cristalização da identidade feminina de Flávia aparece na redução da realização de si (projeto existencial encurtado), devido sua realização ser unicamente por meio das relações amorosas. A realização da própria existência reduzida a conquista de uma relação amorosa (ser mulher é se realizar por meio de uma relação afetiva). Justamente por causa da cristalização, em que Flávia obtinha como identificação de mulher, a questão de ser casada, com filhos e etc. Nãovendo nenhuma outra possibilidade. Pensamento em que ser mulher é se realizar por meio de uma relação afetiva. Sanar o sofrimento - Psicologo não cura nenhum sofrimento e sim acompanha o sofrimento do indivíduo. Compreender o motivo da dor para conseguir ajudar -> Possibilita investigação do fenômeno.