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CARTOGRAFIA E CLIMATOLOGIA 
 
 
 
2 
 
Sumário 
NOSSA HISTÓRIA ..................................................................................................... 3 
Introdução .................................................................................................................. 4 
Cartografia ................................................................................................................. 6 
Forma terrestre: geoide, elipsoide ou esferoide? .................................................................. 6 
Classes de projeção de mapas ................................................................................................ 9 
Mapas topográficos e topológicos ........................................................................................ 12 
Escalas ................................................................................................................................... 13 
Sensoriamento remoto e aerofotogrametria – avanços da Cartografia .............................. 15 
Convenções cartográficas ..................................................................................................... 18 
Climatologia ............................................................................................................. 19 
Conceitos básicos, áreas de estudo e campo de aplicação .................................................. 20 
Tempo ............................................................................................................................... 21 
Clima .................................................................................................................................. 21 
Climatologia ....................................................................................................................... 22 
Áreas e campos de estudo ................................................................................................ 22 
Natureza da Climatologia .................................................................................................. 23 
Elementos Climáticos ........................................................................................................ 24 
Fatores Climáticos ............................................................................................................. 24 
Previsão climática ................................................................................................................. 25 
Referências .............................................................................................................. 28 
 
 
 
 
 
3 
 
 
NOSSA HISTÓRIA 
 
 
A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de 
empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação 
e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade 
oferecendo serviços educacionais em nível superior. 
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação 
no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. 
Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos 
que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, 
de publicação ou outras normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma 
confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base 
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições 
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, 
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
Introdução 
Conhecer, analisar e/ou simplesmente admirar um mapa pode ser enfadonho 
para alguns, mas essa representação geométrica, simplificada, plana e convencional 
de toda superfície terrestre (IBGE, 2013), funciona como um padrão fundamental de 
orientação e localização em todo o espaço, o que, em algum momento de nossa 
caminhada, será de grande utilidade para todos nós, o que não dirá para os 
geógrafos, não é verdade?! 
Pois bem, de imediato, podemos resumir que a cartografia é ciência e arte! 
Ciência por ser responsável pela representação da realidade, contribuindo para 
melhor compreendermos o mundo e arte desde que os mapas encontraram seu 
lugar em museus ou galerias de arte, nas inúmeras exposições das quais eles foram 
o objeto e o tema. 
Abaixo temos um exemplar do mapa mais antigo que se tem notícia, 
conhecido como mapa de Ga-Sur, feito na Babilônia. Era um tablete de argila 
cozida, datado de aproximadamente 2400 a 2200 a.C. O mesmo contém a 
representação de duas cadeias de montanhas e, no centro delas, um rio, 
provavelmente o Eufrates. 
 
Figura 1 - Mapa de Ga-Sur, feito na Babilônia 
 
 
5 
Outra ciência que contemplaremos nesse caderno é a Climatologia, definida 
como o estudo do clima e como ele muda com o tempo. Essa ciência ajuda as 
pessoas a entender melhor as condições atmosféricas que causam padrões 
climáticos e mudanças de temperatura ao longo do tempo. 
 
Figura 2 - Climatologia 
Por exemplo, se o tempo considera, por exemplo, dias quentes e dias frios ao 
longo de um curto espaço de tempo, o clima trabalha com a média de temperatura, 
pluviosidade, entre outros. Conteúdos como estes que veremos adiante. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 
Cartografia 
 
 
Forma terrestre: geoide, elipsoide ou esferoide? 
 
Vamos começar colocando uns problemas: 
Representar uma dada realidade física em um plano não é uma tarefa muito 
simples, sobretudo quando essa representação envolve todo o globo terrestre. O 
primeiro problema está no fato de a Terra apresentar uma forma esférica, o que 
torna impossível a sua representação em plano. O segundo problema está no fato 
de que essa esfera não é perfeita, possuindo contornos e traços não muito bem 
definidos. 
O primeiro problema foi, de certa forma, resolvido por Karl F. Gauss (1777-
1855), um notável matemático que elaborou o conceito de Geoide, que considera o 
formato da Terra sem considerar os continentes, ou seja, apenas imaginando como 
ela seria se houvesse apenas os oceanos. Ao longo dos tempos, os cartógrafos 
foram avançando nessa ideia e aproximaram-se da forma que atualmente 
caracteriza os globos terrestres. 
Define-se a forma da Terra como geoide, que tem uma superfície irregular e, 
portanto, não corresponde a uma esfera. Mais precisamente, o geoide é uma 
superfície equipotencial do campo da gravidade, ou seja, sobre essa superfície o 
 
 
7 
potencial do campo da gravidade é constante, coincidindo, portanto, com uma 
superfície de equilíbrio de massas d’água. Podemos visualizar, aproximadamente, 
essa superfície por meio do prolongamento do nível médio dos mares por dentro dos 
continentes (IBGE, 2013). 
 
 
Figura 3 - Forma da Terra 
Conhecer muito bem tanto a forma como a dimensão da Terra é fundamental 
para operações relacionadas ao posicionamento terrestre, à navegação (seja 
terrestre, marítima ou aérea) e a diferentes transformações de escala, importantes 
para a elaboração de mapas, com detalhamentos variados. Pequenas incertezas 
nessa determinação podem ser responsáveis por grandes erros (CRUZ, 2018). 
A forma e as dimensões do nosso planeta podem ser definidas com diferentes 
graus de exatidão. Até meados do século 17, considerava-se a Terra como uma 
esfera regular. Com as novas teorias físicas (newtonianas), foi possível qualificar 
melhor as forças gravitacionais. Por meio de medições realizadas em diferentes 
latitudes, foram identificadas diferenças expressivas entre os raios geométricos do 
planeta. 
O segundo problema é impossível de ser resolvido totalmente. No entanto,a 
melhor solução foi a elaboração das chamadas Projeções Cartográficas, em que a 
Terra passa a ser representada em um plano de diferentes maneiras, ora 
distorcendo as formas dos continentes, ora distorcendo suas áreas e, às vezes, 
distorcendo ambos. Existem inúmeras projeções da Terra atualmente, cada uma 
 
 
8 
atendendo a um determinado interesse ou aspectos da superfície terrestre (PENA, 
2020). 
Cruz (2018) explica que a superfície terrestre é irregular, com deformações, e 
seu formato está em constante modificação, consequência das ações erosivas, dos 
vulcões, do movimento das placas tectônicas, dos ventos, das chuvas, das ações do 
homem etc. Para representar a superfície terrestre em um plano, é necessário que 
se adote uma superfície de referência, que corresponda a uma figura 
matematicamente definida. Dependendo do propósito do mapeamento, a 
representação da Terra pode variar entre um plano tangente à superfície terrestre 
(específico para representação de pequenas áreas, como uma propriedade, por 
exemplo), um elipsoide de revolução (para representar áreas maiores, como um 
país) ou uma esfera (para o caso de áreas muito maiores, como um continente ou o 
próprio globo terrestre, quando, na escala de representação utilizada, os raios 
equatorial e polar não apresentam diferença significativa). 
Como o geoide é uma superfície de características físicas complexas, os 
cartógrafos buscaram a figura geométrica matematicamente definida que mais se 
aproximasse do geoide, possibilitando assim a realização de cálculos relacionados a 
medições sobre a superfície terrestre (por exemplo, medições de coordenadas de 
pontos, distâncias, ângulos, áreas, etc.). Essa figura é o Elipsoide de Revolução, 
definido pela rotação de uma elipse sobre o seu eixo menor. Na figura abaixo, 
vemos a elipse que gera o Elipsoide de Revolução, sendo “a” o eixo maior ou 
equatorial e “b” o eixo menor ou polar, que medem respectiva e aproximadamente 6 
378 km e 6 357 km. 
 
 
9 
 
Figura 4 - Elipsoide de Revolução 
 
 
Classes de projeção de mapas 
 
Projeção de mapa é a representação sistemática da Terra ou de uma parte da 
Terra com seus meridianos e paralelos em uma superfície plana. Projeções de mapa 
estão associadas a várias formas de distorção. 
Apenas um globo pode representar áreas e formas com precisão. Diferentes 
tipos de projeções de mapa foram criados para superar os vários tipos de distorções. 
O Atlas Escolar (IBGE, 2020) explica que diferentes projeções cartográficas 
foram desenvolvidas para permitir a representação da esfericidade terrestre num 
plano (mapas e cartas), cada uma priorizando determinado aspecto da 
representação (dimensão, forma, etc.). 
É importante ressaltar que não existe uma projeção cartográfica livre de 
deformações, devido à impossibilidade de se representar uma superfície esférica em 
uma superfície plana sem que ocorram extensões e/ou contrações. 
As projeções cartográficas são classificadas, principalmente quanto à 
superfície de projeção e as propriedades. 
 
 
10 
a)Quanto à superfície de projeção, podem ser planas, cônicas ou cilíndricas, 
quando forem utilizadas as superfícies de um plano, cone ou cilindro como base 
para planificar a esfera terrestre. Os exemplos abaixo demonstram a transformação 
da superfície terrestre em uma superfície plana com auxílio das superfícies de 
projeção. 
 
Figura 5 – Projeção Plana ou Azimutal e Projeção Plana Polar 
Na projeção azimutal, os paralelos estão na forma de círculos concêntricos, 
enquanto os meridianos estão na forma de linhas retas. Já na projeção 
pseudoazimutal, o equador e o meridiano central se cruzam como linhas retas e 
perpendiculares. 
O resto dos paralelos estão na forma de curvas complexas que se afastam do 
equador. Da mesma forma, os outros meridianos são mapeados como curvas 
complexas curvando-se em direção ao meridiano central. 
 
 
 
11 
 
Figura 6 - Projeção Cônica e Projeção Cônica de Albers 
 
 
 
Figura 7 – Projeção Cilíndrica e Projeção Cilíndrica de Peters 
 
Enquanto as projeções cônicas mapeiam paralelos como arcos de círculos e 
meridianos como linhas retas, nas projeções cilíndricas, a Terra é tratada como um 
cilindro com paralelos horizontais e meridianos verticais. A projeção de Mercator é 
um exemplo do tipo cilíndrico de projeção. 
 
 
 
12 
b)Quanto as propriedades: 
Podemos minimizar as deformações ocorridas pela planificação da superfície 
terrestre no que diz respeito as áreas, aos ângulos ou as distâncias, mas nunca aos 
três simultaneamente. Os exemplos abaixo mostram a possibilidade de alterar as 
projeções para o Brasil de acordo com as propriedades. 
Na projeção conforme, não há deformação dos ângulos em torno de 
quaisquer pontos. Na projeção equivalente, não altera as áreas, conservando, 
assim, uma relação constante com a sua correspondência na superfície terrestre e 
na projeção equidistante, os comprimentos são representados em escala uniforme. 
8) 9) 
Figuras 8)Projeção Conforme 9)Projeção Equivalente 10)Projeção Equidistante 
10) 
Mapas topográficos e topológicos 
 
 
 
13 
a)Mapas topográficos: 
Todo mapa topográfico descreve um lugar (topos é a palavra grega para 
lugar). Por muito tempo, tais mapas foram utilizados com propósitos militares e, 
atualmente, são também utilizados pelo público em geral como fonte de dados-base 
para o planejamento espacial, entre outros usos oficiais. Estes mapas são 
produzidos a partir de diferentes formas de representação (projeto cartográfico) e 
escalas, exibindo uma representação altamente detalhada e quantitativa do relevo 
de uma área. As linhas de contorno (linhas que conectam locais com a mesma 
elevação) são frequentemente usadas para essa finalidade. 
Mapas topográficos geralmente estão disponíveis na forma de uma série de 
mapas, onde duas ou mais folhas de mapa juntas representam a informação 
topográfica completa. 
Padrões de drenagem, relevo do solo, cobertura florestal, características 
artificiais, como estradas e ferrovias, são algumas das características representadas 
pelos mapas topográficos. 
 
b)Mapas topológicos: 
Esses mapas são mapas altamente simplificados e representam apenas as 
informações necessárias sobre um local. 
Esses mapas não seguem escala e as direções e distâncias podem variar. O 
mapa de metrô de Londres ou o mapa de rota do metrô do Metrô de Toronto seriam 
bons exemplos de mapas topológicos. 
 
Escalas 
Os cartógrafos trabalham com uma visão reduzida do território, sendo 
necessário indicar a proporção entre a superfície terrestre e a sua representação. 
Esta proporção é indicada pela escala. A escala representa, portanto, a relação 
entre a medida de uma porção territorial representada no papel e sua medida real na 
superfície terrestre. 
 
 
14 
As escalas são definidas de acordo com os assuntos representados nos 
mapas, podendo ser maiores ou menores conforme a necessidade de se observar 
um espaço com maior ou menor nível de detalhamento. 
A escala pode ser representada numérica ou graficamente. A escala numérica 
indica a relação entre as dimensões do espaço real e do espaço representado, por 
meio de uma proporção numérica. Por exemplo, numa escala 1:100.000, 1 
centímetro medido no mapa representa uma distância de 100.000 centímetros ou 1 
quilômetro na superfície terrestre. 
A escala gráfica é a representação gráfica de distâncias do terreno sobre uma 
linha reta graduada. É constituída de um segmento à direita de referência zero, 
conhecido como “escala primária”, e de outro à esquerda, denominado “talão” ou 
“escala de fracionamento”, dividido em submúltiplos da unidade escolhida, 
graduados da direita para a esquerda. Na escala gráfica, não há necessidade de 
transformação matemática de centímetros para quilômetros ou metros. 
Exemplos abaixo: 
 
 
 
 
 
15 
Sensoriamento remoto e aerofotogrametria– avanços da 
Cartografia 
 
O termo sensoriamento remoto apareceu pela primeira vez na literatura 
científica em 1960 e significava simplesmente a aquisição de informações sem 
contato físico com os objetos. Desde então esse termo tem abrigado tecnologia e 
conhecimentos extremamente complexos derivados de diferentes campos que vão 
desde a física até a botânica e desde a engenharia eletrônica até a cartografia. 
O desenvolvimento inicial do sensoriamento remoto é cientificamente ligado 
ao desenvolvimento da fotografia e à pesquisa espacial. As fotografias aéreas foram 
o primeiro produto de sensoriamento remoto a ser utilizado, tanto é assim, que a 
fotogrametria e a fotointerpretação são termos muito anteriores ao termo 
sensoriamento remoto propriamente dito (NOVO; PONZONI, 2001). 
A definição clássica do termo sensoriamento remoto (SR) refere-se a um 
conjunto de técnicas destinado à obtenção de informação sobre objetos, sem que 
haja contato físico com eles. Para melhor compreender esta definição, faz-se 
necessário identificar os quatro elementos fundamentais das técnicas de SR, os 
quais podem ser representados através do esquema apresentado na Figura abaixo. 
 
Figura 11 - Esquema representativo dos quatro elementos fundamentais das técnicas de 
sensoriamento remoto 
 
Didaticamente, o sensoriamento remoto é a técnica de obtenção de 
informações acerca de um objeto, área ou fenômeno localizado na Terra, sem que 
haja contato físico com o mesmo. As informações podem ser obtidas através de 
radiação eletromagnética, gerada por fontes naturais (sensor passivo), como o Sol, 
 
 
16 
ou por fontes artificiais (sensor ativo), como o radar. São apresentadas na forma de 
imagens, sendo mais utilizadas, atualmente, aquelas captadas por sensores óticos 
orbitais localizados em satélites. Os satélites, girando numa órbita em torno da 
Terra, levam consigo um sensor capaz de emitir e/ou receber a energia 
eletromagnética refletida da Terra. As imagens orbitais possibilitam muitas 
aplicações, como o mapeamento e a atualização de dados cartográficos e temáticos, 
a produção de dados meteorológicos e a avaliação de impactos ambientais (IBGE, 
2013). 
 
Figura 12 – Satélite de sensoriamento remoto com sensor ativo 
 
Figura 13 – Satélite de sensoriamento remoto com sensor passivo 
 
 
 
17 
Quanto ao levantamento aerofotogramétrico, este é um dos métodos 
utilizados para o mapeamento da superfície terrestre. O voo fotogramétrico é 
realizado por uma aeronave, na qual é acoplada uma câmera fotogramétrica que 
cobre toda a área a ser mapeada. 
 
Figura 14 – Levantamento aerofotogramétrico 
 
Para obter uma cobertura completa do terreno a ser representado, as 
fotografias aéreas são tomadas de modo sobreposto. Com o auxílio de um aparelho 
fotogramétrico, realiza-se a restituição, processo de confecção do mapa, através de 
um modelo tridimensional. 
Enfim, a relação forte entre Cartografia e Geoprocessamento é o espaço 
geográfico. Enquanto a Cartografia apresenta um modelo de representação de 
dados para os processos que ocorrem no espaço geográfico, o Geoprocessamento 
 
 
18 
representa a área do conhecimento que utiliza técnicas matemáticas e 
computacionais, fornecidas pelos Sistemas de Informação Geográfica (SIG). Essas 
técnicas tratam os processos que acontecem no espaço geográfico. Essa é, de 
forma clara, a relação interdisciplinar entre Cartografia e Geoprocessamento. 
 
Convenções cartográficas 
 
A carta topográfica é a representação gráfica e simbólica do terreno. Ela deve 
refletir fielmente o aspecto físico da área levantada e as obras humanas que o 
terreno possibilitou ou condicionou. 
A nomenclatura geográfica, composta de topônimos e antropônimos, é uma 
das partes mais importantes e delicadas da carta, porque aí lançados, eles a 
animam e, em síntese, registram a linguagem essencial falada na região 
representada. No âmbito cartográfico, a toponímia é como um registro civil da 
região. Com efeito, eliminem-se da carta os topônimos e a representação da área e 
ela torna-se inerte e incógnita, apesar de todo seu enquadramento analítico. 
Para facilitar a representação cartográfica, foi criado um sistema de símbolos 
conhecidos como convenções cartográficas. Os símbolos foram escolhidos de forma 
a conter um certo grau de compreensão e intuição de seu significado, possibilitando 
a leitura da informação contida no mapa por qualquer pessoa em qualquer parte do 
mundo (IBGE, 2013). 
Com diz Campos (2012), a simbolização ou a definição dos símbolos e 
convenções cartográficas que representarão as informações geográficas em um 
mapa ou carta é a última das transformações cognitivas que serão submetidas à 
informação geográfica. 
 
 
 
Anote aí: 
 
 
19 
Dos mapas gerais da Antiguidade até os dias atuais tivemos, obviamente 
inovações as mais variadas, é fato! 
Enfim, a compreensão dos mapas e suas características foram e são 
essenciais para a construção da humanidade, tanto que o primeiro mapa surgiu 
antes da escrita, com o intuito tanto de orientação espacial quanto para o 
reconhecimento de fenômenos, meios físicos (rios, montanhas etc.), para transporte, 
noção e defesa de território, entre muitas outras finalidades. 
A partir disso só evoluiu – a níveis impressionantes, inclusive. O surgimento 
do GPS, por exemplo, foi um marco na história da cartografia. 
Hoje em dia, ter noções de cartografia ajuda em estudos socioambientais, 
educacionais, de saúde, ou seja, aspectos relevantes para quantificar e qualificar 
dados referentes a adversidades e transformações em uma cidade, estado, país etc. 
Quando o IBGE decide fazer uma pesquisa, por exemplo, considera diversos 
conceitos dessa ciência, do início ao fim do estudo. Assim, pode chegar a números 
efetivos, meios simplificados e informações precisas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Climatologia 
 
 
20 
Não podemos falar em Climatologia sem nos reportarmos à Meteorologia! 
A meteorologia propriamente dita, estuda a atmosfera sob dois aspectos: o 
tempo e o clima. O tempo é o elemento mutante, enquanto que o clima refere-se ao 
estado mais constante da ação atmosférica num determinado lugar. Os dois 
enfoques trabalham de maneiras diferentes com a matéria-prima comum. 
Através de uma rede de estações de observações à superfície e em altitude, 
a meteorologia procede à coleta de dados da atmosfera e a utilização imediata 
desses dados é de responsabilidade dos Centros de Análise (Meteorologia Sinótica) 
cujo produto principal é a previsão do tempo, com os recursos oferecidos pela 
meteorologia dinâmica. 
A climatologia manipula os mesmos dados oriundos das estações, porém de 
forma diferente. 
A meteorologia sinótica, como método, está no extremo oposto ao da 
climatologia. Para o primeiro, o fator tempo é primordial ao passo que para a 
segunda o local é decisivo. 
Na meteorologia sinótica estuda-se o estado momentâneo da massa de ar 
existente sobre uma zona de grande extensão e na climatologia procura-se reunir 
num quadro, sob o ponto de vista da repetição periódica, a totalidade dos 
fenômenos que ocorrem durante muitos anos num local determinado. 
A climatologia procura oferecer ao agricultor, ao industrial, ao médico ou ao 
homem comum, as bases para apreciar, num local determinado, as influencias dos 
fenômenos meteorológicos sobre o desenvolvimento dos vegetais, das atividades 
industriais, biológicas, sociais, etc. 
 
 
 
 
Conceitos básicos, áreas de estudo e campo de aplicação 
 
 
 
21 
 
 
Figura 15 – Diferenças entre Tempo e Clima 
Tempo 
O tempo é um estado da atmosfera em um determinado instante e lugar; é 
momentâneo; ocorre num período de curta duração. (Efêmero/Mutável). Ele pode 
ser expresso pela combinação de várias grandezas físicas, tais como a temperatura 
e a umidade do ar, precipitação, o vento, a nebulosidade, etc., grandezas essas, que 
comunicamao meio atmosférico (ambiente) suas propriedades e características. 
Tais grandezas são denominadas elementos climáticos, e o regime normal desses 
elementos define o clima da região. 
Clima 
Clima é a síntese do tempo, num determinado local, durante um período entre 
30-35 anos; é o resultado das análises das condições climáticas durante 
determinados períodos; o clima pode variar com a passagem de grandes períodos 
de tempo cronológico. É definido a partir das médias das observações do tempo. 
(Constante/Duradouro) 
Também podemos definir clima como sendo uma deserção estática, que 
expressa as condições médias de sequenciamento do tempo meteorológico. 
 
 
22 
Portanto, mede-se primeiro as condições instantâneas da atmosfera (Tempo) de um 
local por vários anos a, posteriormente, estima-se qual deve ser a condição média 
(provável), ou seja, o Clima. 
Para sua informação básica, a climatologia depende, principalmente, de 
observações horárias e diárias, feitas pelas estações meteorológicas oficiais que 
formam as redes de estações com densidades variáveis sobre a Terra. Os registros 
destas estações são organizados por unidades do calendário – dias, meses, 
estações e anos. 
As condições do tempo são descritas em termos de alguns elementos 
básicos, que são quantidades ou propriedades medidas regularmente. Os mais 
importantes são: 
1) a temperatura do ar, 
2) a umidade do ar, 
3) a pressão do ar, 
4) a velocidade e direção do vento, 
5) tipo e quantidade de precipitação e 
6) o tipo e quantidade de nuvens. 
 
Climatologia: 
Climatologia é o estudo do clima baseando-se em dados estatísticos sobre o 
tempo. É a espacialização dos fenômenos atmosféricos e dos elementos do clima. 
 
Áreas e campos de estudo 
 
a) Climatologia Regional – a descrição dos climas em áreas selecionada da 
terra. 
 
 
23 
b) Climatologia Sinótica – é o estudo do tempo e do clima em uma área com 
relação ao padrão de circulação atmosférica predominante. A climatologia 
sinótica é, assim, essencialmente uma nova abordagem para a climatologia. 
c) Climatologia Física – envolve a investigação do comportamento dos 
elementos do tempo ou processos atmosféricos em termos de princípios 
físicos. Neste, dá-se ênfase à energia global e aos regimes de balaço hídrico 
da terra e da atmosfera. 
d) Climatologia Dinâmica – enfatiza os movimentos atmosféricos em várias 
escalas; em particular na circulação geral da atmosfera. 
e) Climatologia Aplicada – é o estudo do clima voltado a solucionar problemas 
práticos que afetam a humanidade. 
f) Climatologia Histórica: é o estudo do desenvolvimento dos climas através dos 
tempos. 
g) Bioclimatologia – estuda os fenômenos que regem os mecanismos da 
natureza. 
h) Climatologia Agrícola – estuda os fenômenos climatológicos ligados à 
produção animal vegetal, tentando estimar os fenômenos para evitar perdas 
críticas na produção. 
i) Outras: Climatologia das Construções; Climatologia Urbana. Climatologia 
Estatística. 
 
Natureza da Climatologia 
 
a) Macroclimatologia – Relacionada com os aspectos dos climas de amplas 
áreas da terra e com os movimentos atmosféricos em larga escala que afetam 
o clima. 
b) Mesoclimatologia – Preocupada com o estudo do clima em áreas 
relativamente pequenas, entre 10 a 100 km de largura. Exemplo: estudo do 
 
 
24 
clima urbano e dos sistemas climáticos severos, tais como, tornados e 
temporais. 
c) Microclimatologia – Preocupada com o estudo do clima próximo à superfície 
ou a áreas muito pequenas, com menos de 100 metros de extensão, ou seja, 
estuda as condições atmosféricas da camada de ar próxima ao solo, numa 
escala reduzida. Atribui-se à Gregor Kraus (1841-1915), botânico alemão sua 
fundação. Ao meteorologista alemão Rudolf Geiger, coube o desenvolvimento 
e estabelecimento dessa ciência como um ramo da climatologia e 
meteorologia, com sua obra Das Klima der Bodeumatien Luftschicht (o clima 
próximo ao solo). 
 
Elementos Climáticos 
a) Temperatura; 
b) Ventos; 
c) Pressão atmosférica; 
d) Umidade atmosférica; 
e) Radiação solar; 
f) Precipitação. 
 
Fatores Climáticos 
a) Fatores astronômicos: movimentos de rotação e translação; distância do sol; 
radiação solar. 
b) Fatores estáticos: latitude; altitude; solo/topografia; continentalidade; 
maritimidade. 
c) Fatores dinâmicos: circulação geral da atmosfera; diferença de temperatura e 
pressão (gradiente horizontal e vertical), frentes, correntes marinhas, massas 
de ar. 
 
 
 
25 
Anote aí: 
Didaticamente é relevante distinguir as diferenças existentes entre fatores e 
elementos. Os elementos são grandezas (variáveis) que caracterizam o estado da 
atmosfera, citados acima, ou seja: pressão atmosférica, radiação solar, temperatura, 
chuva, dentre outros. Ao conjunto de variáveis que descreve as condições 
meteorológicas, de um dado local e instante, denomina-se elementos. 
Os elementos variam no tempo e no espaço e são influenciados por fatores, 
denominados de geográficos. Os fatores são agentes causais que condicionam os 
próprios elementos, tais como: latitude, altitude, continentalidade e/ou oceanalidade, 
tipo de corrente oceânica, que na realidade influencia os elementos. Para 
exemplificar, cita-se a pressão atmosférica que diminui com a altitude. Já a 
irradiância solar depende da latitude, da altitude e da época do ano. Se apenas 
existisse o fator latitude, o clima de todos os locais com a mesma latitude seria igual. 
A distinção entre fator e elemento pode ser em alguns casos, apenas na 
diferença do ponto de vista acadêmico. Certo tipo de escoamento atmosférico, por 
exemplo, pode ser considerado um elemento, ou um fator, se esse atuar como 
mecanismo regulador das chuvas (ALMEIDA, 2016). 
 
Previsão climática 
 
Da mesma forma que a previsão de Tempo, a previsão climática também é 
feita, utilizando modelos numéricos, que simulam o comportamento médio da 
atmosfera com alguns meses de antecedência. 
A previsão climática indica uma tendência no comportamento dos elementos 
do clima em relação à média climatológica (média ≥ de 30 anos). Esta previsão tem 
grande importância para vários setores socioeconômicos, seja na área agrícola, do 
turismo, dentre outra, prognosticando as condições de tempo numa determinada 
estação do ano ou período. Atualmente, no Brasil e no mundo, as previsões 
climáticas ainda estão em fase experimental. 
 
 
26 
O Modelo de Circulação Geral da Atmosfera tem sido utilizado para a 
realização de previsão de Tempo de médio prazo, de forma experimental, no Centro 
de Previsão de Tempo e Estudos climáticos (CPTEC), INPE, Cachoeira Paulista, SP, 
desde janeiro de 1995. O modelo é espectral e a resolução utilizada é de 62 ondas 
na coordenada horizontal e 28 níveis na coordenada vertical. Para exemplificar, a 
Figura 15 mostra um prognóstico da precipitação pluvial no trimestre especificado. 
 
 
Figura 16 - Previsão de probabilidade de chuva para o trimestre abr/mai/jun de 2016 
 
A previsão climática por consenso, para o trimestre AMJ/2016, continua 
indicando maior probabilidade do total trimestral de chuva ocorrer na categoria 
abaixo da normal (média) climatológica, com 40% de probabilidade, numa faixa que 
vai do norte do Pará até o leste da Bahia, Alagoas, estendendo-se por Sergipe e 
 
 
27 
leste da Bahia, e/ou com 25% e 35 % de probabilidades de chover acima e em torno 
da média, respectivamente. 
As demais áreas do País (indicadas pela área cinza no mapa) apresentam 
baixa previsibilidade para o referido trimestre, o que implica igual probabilidade para 
as três categorias. Esta previsão ainda considerou uma possível influência do 
fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENOS), uma vez que a condição de neutralidade 
está prevista para meados de 2016. Ressalta-se que padrões de variabilidade 
intrassazonal podem atuar no início do referido trimestre, no sentido de inibir a 
ocorrência de chuvassobre o norte da Região Nordeste, bem como estabelecer o 
término da estação chuvosa na Região Sudeste (ALMEIDA, 2016). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
28 
Referências 
 
ALMEIDA, H. A. de. Climatologia aplicada a Geografia. Campina Grande: 
EDUEPB, 2016. 
 
CAMPOS, A. C. Símbolos e convenções cartográficas (2012). Disponível em: 
https://www.cesadufs.com.br/ORBI/public/uploadCatalago/11205204042012Cartogra
fia_Basica_Aula_15.pdf 
 
CRUZ, C. M. Nem plana, nem redonda: definir a forma exata da terra é um desafio 
(2018). Disponível em: https://cienciahoje.org.br/artigo/nem-plana-nem-redonda-
definir-a-forma-exata-da-terra-e-um-desafio/ 
 
FIALHO, D. M. Arte e Cartografia (2006). Disponível em: 
http://www.arteecidade.ufba.br/st3_DMF.pdf 
 
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Atlas Escolar. 
Projeções cartográficas (2020). Disponível em: 
https://atlasescolar.ibge.gov.br/conceitos-gerais/o-que-e-cartografia/as-projec-o-es-
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INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Introdução a 
Cartografia. Cap. 2. (2013). Disponível em: 
https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv44152_cap2.pdf 
 
NOVO, E. M. L. de M.; PONZONI, F. J. Introdução ao Sensoriamento Remoto. 
São José dos Campos, 2001. Disponível em: 
http://www.dpi.inpe.br/Miguel/AlunosPG/Jarvis/SR_DPI7.pdf 
 
 
29 
 
PENA, R. A. O que é Cartografia? (2020). Disponível em: 
https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/geografia/o-que-e-cartografia.htm

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