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1 CARTOGRAFIA E CLIMATOLOGIA 2 Sumário NOSSA HISTÓRIA ..................................................................................................... 3 Introdução .................................................................................................................. 4 Cartografia ................................................................................................................. 6 Forma terrestre: geoide, elipsoide ou esferoide? .................................................................. 6 Classes de projeção de mapas ................................................................................................ 9 Mapas topográficos e topológicos ........................................................................................ 12 Escalas ................................................................................................................................... 13 Sensoriamento remoto e aerofotogrametria – avanços da Cartografia .............................. 15 Convenções cartográficas ..................................................................................................... 18 Climatologia ............................................................................................................. 19 Conceitos básicos, áreas de estudo e campo de aplicação .................................................. 20 Tempo ............................................................................................................................... 21 Clima .................................................................................................................................. 21 Climatologia ....................................................................................................................... 22 Áreas e campos de estudo ................................................................................................ 22 Natureza da Climatologia .................................................................................................. 23 Elementos Climáticos ........................................................................................................ 24 Fatores Climáticos ............................................................................................................. 24 Previsão climática ................................................................................................................. 25 Referências .............................................................................................................. 28 3 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 4 Introdução Conhecer, analisar e/ou simplesmente admirar um mapa pode ser enfadonho para alguns, mas essa representação geométrica, simplificada, plana e convencional de toda superfície terrestre (IBGE, 2013), funciona como um padrão fundamental de orientação e localização em todo o espaço, o que, em algum momento de nossa caminhada, será de grande utilidade para todos nós, o que não dirá para os geógrafos, não é verdade?! Pois bem, de imediato, podemos resumir que a cartografia é ciência e arte! Ciência por ser responsável pela representação da realidade, contribuindo para melhor compreendermos o mundo e arte desde que os mapas encontraram seu lugar em museus ou galerias de arte, nas inúmeras exposições das quais eles foram o objeto e o tema. Abaixo temos um exemplar do mapa mais antigo que se tem notícia, conhecido como mapa de Ga-Sur, feito na Babilônia. Era um tablete de argila cozida, datado de aproximadamente 2400 a 2200 a.C. O mesmo contém a representação de duas cadeias de montanhas e, no centro delas, um rio, provavelmente o Eufrates. Figura 1 - Mapa de Ga-Sur, feito na Babilônia 5 Outra ciência que contemplaremos nesse caderno é a Climatologia, definida como o estudo do clima e como ele muda com o tempo. Essa ciência ajuda as pessoas a entender melhor as condições atmosféricas que causam padrões climáticos e mudanças de temperatura ao longo do tempo. Figura 2 - Climatologia Por exemplo, se o tempo considera, por exemplo, dias quentes e dias frios ao longo de um curto espaço de tempo, o clima trabalha com a média de temperatura, pluviosidade, entre outros. Conteúdos como estes que veremos adiante. 6 Cartografia Forma terrestre: geoide, elipsoide ou esferoide? Vamos começar colocando uns problemas: Representar uma dada realidade física em um plano não é uma tarefa muito simples, sobretudo quando essa representação envolve todo o globo terrestre. O primeiro problema está no fato de a Terra apresentar uma forma esférica, o que torna impossível a sua representação em plano. O segundo problema está no fato de que essa esfera não é perfeita, possuindo contornos e traços não muito bem definidos. O primeiro problema foi, de certa forma, resolvido por Karl F. Gauss (1777- 1855), um notável matemático que elaborou o conceito de Geoide, que considera o formato da Terra sem considerar os continentes, ou seja, apenas imaginando como ela seria se houvesse apenas os oceanos. Ao longo dos tempos, os cartógrafos foram avançando nessa ideia e aproximaram-se da forma que atualmente caracteriza os globos terrestres. Define-se a forma da Terra como geoide, que tem uma superfície irregular e, portanto, não corresponde a uma esfera. Mais precisamente, o geoide é uma superfície equipotencial do campo da gravidade, ou seja, sobre essa superfície o 7 potencial do campo da gravidade é constante, coincidindo, portanto, com uma superfície de equilíbrio de massas d’água. Podemos visualizar, aproximadamente, essa superfície por meio do prolongamento do nível médio dos mares por dentro dos continentes (IBGE, 2013). Figura 3 - Forma da Terra Conhecer muito bem tanto a forma como a dimensão da Terra é fundamental para operações relacionadas ao posicionamento terrestre, à navegação (seja terrestre, marítima ou aérea) e a diferentes transformações de escala, importantes para a elaboração de mapas, com detalhamentos variados. Pequenas incertezas nessa determinação podem ser responsáveis por grandes erros (CRUZ, 2018). A forma e as dimensões do nosso planeta podem ser definidas com diferentes graus de exatidão. Até meados do século 17, considerava-se a Terra como uma esfera regular. Com as novas teorias físicas (newtonianas), foi possível qualificar melhor as forças gravitacionais. Por meio de medições realizadas em diferentes latitudes, foram identificadas diferenças expressivas entre os raios geométricos do planeta. O segundo problema é impossível de ser resolvido totalmente. No entanto,a melhor solução foi a elaboração das chamadas Projeções Cartográficas, em que a Terra passa a ser representada em um plano de diferentes maneiras, ora distorcendo as formas dos continentes, ora distorcendo suas áreas e, às vezes, distorcendo ambos. Existem inúmeras projeções da Terra atualmente, cada uma 8 atendendo a um determinado interesse ou aspectos da superfície terrestre (PENA, 2020). Cruz (2018) explica que a superfície terrestre é irregular, com deformações, e seu formato está em constante modificação, consequência das ações erosivas, dos vulcões, do movimento das placas tectônicas, dos ventos, das chuvas, das ações do homem etc. Para representar a superfície terrestre em um plano, é necessário que se adote uma superfície de referência, que corresponda a uma figura matematicamente definida. Dependendo do propósito do mapeamento, a representação da Terra pode variar entre um plano tangente à superfície terrestre (específico para representação de pequenas áreas, como uma propriedade, por exemplo), um elipsoide de revolução (para representar áreas maiores, como um país) ou uma esfera (para o caso de áreas muito maiores, como um continente ou o próprio globo terrestre, quando, na escala de representação utilizada, os raios equatorial e polar não apresentam diferença significativa). Como o geoide é uma superfície de características físicas complexas, os cartógrafos buscaram a figura geométrica matematicamente definida que mais se aproximasse do geoide, possibilitando assim a realização de cálculos relacionados a medições sobre a superfície terrestre (por exemplo, medições de coordenadas de pontos, distâncias, ângulos, áreas, etc.). Essa figura é o Elipsoide de Revolução, definido pela rotação de uma elipse sobre o seu eixo menor. Na figura abaixo, vemos a elipse que gera o Elipsoide de Revolução, sendo “a” o eixo maior ou equatorial e “b” o eixo menor ou polar, que medem respectiva e aproximadamente 6 378 km e 6 357 km. 9 Figura 4 - Elipsoide de Revolução Classes de projeção de mapas Projeção de mapa é a representação sistemática da Terra ou de uma parte da Terra com seus meridianos e paralelos em uma superfície plana. Projeções de mapa estão associadas a várias formas de distorção. Apenas um globo pode representar áreas e formas com precisão. Diferentes tipos de projeções de mapa foram criados para superar os vários tipos de distorções. O Atlas Escolar (IBGE, 2020) explica que diferentes projeções cartográficas foram desenvolvidas para permitir a representação da esfericidade terrestre num plano (mapas e cartas), cada uma priorizando determinado aspecto da representação (dimensão, forma, etc.). É importante ressaltar que não existe uma projeção cartográfica livre de deformações, devido à impossibilidade de se representar uma superfície esférica em uma superfície plana sem que ocorram extensões e/ou contrações. As projeções cartográficas são classificadas, principalmente quanto à superfície de projeção e as propriedades. 10 a)Quanto à superfície de projeção, podem ser planas, cônicas ou cilíndricas, quando forem utilizadas as superfícies de um plano, cone ou cilindro como base para planificar a esfera terrestre. Os exemplos abaixo demonstram a transformação da superfície terrestre em uma superfície plana com auxílio das superfícies de projeção. Figura 5 – Projeção Plana ou Azimutal e Projeção Plana Polar Na projeção azimutal, os paralelos estão na forma de círculos concêntricos, enquanto os meridianos estão na forma de linhas retas. Já na projeção pseudoazimutal, o equador e o meridiano central se cruzam como linhas retas e perpendiculares. O resto dos paralelos estão na forma de curvas complexas que se afastam do equador. Da mesma forma, os outros meridianos são mapeados como curvas complexas curvando-se em direção ao meridiano central. 11 Figura 6 - Projeção Cônica e Projeção Cônica de Albers Figura 7 – Projeção Cilíndrica e Projeção Cilíndrica de Peters Enquanto as projeções cônicas mapeiam paralelos como arcos de círculos e meridianos como linhas retas, nas projeções cilíndricas, a Terra é tratada como um cilindro com paralelos horizontais e meridianos verticais. A projeção de Mercator é um exemplo do tipo cilíndrico de projeção. 12 b)Quanto as propriedades: Podemos minimizar as deformações ocorridas pela planificação da superfície terrestre no que diz respeito as áreas, aos ângulos ou as distâncias, mas nunca aos três simultaneamente. Os exemplos abaixo mostram a possibilidade de alterar as projeções para o Brasil de acordo com as propriedades. Na projeção conforme, não há deformação dos ângulos em torno de quaisquer pontos. Na projeção equivalente, não altera as áreas, conservando, assim, uma relação constante com a sua correspondência na superfície terrestre e na projeção equidistante, os comprimentos são representados em escala uniforme. 8) 9) Figuras 8)Projeção Conforme 9)Projeção Equivalente 10)Projeção Equidistante 10) Mapas topográficos e topológicos 13 a)Mapas topográficos: Todo mapa topográfico descreve um lugar (topos é a palavra grega para lugar). Por muito tempo, tais mapas foram utilizados com propósitos militares e, atualmente, são também utilizados pelo público em geral como fonte de dados-base para o planejamento espacial, entre outros usos oficiais. Estes mapas são produzidos a partir de diferentes formas de representação (projeto cartográfico) e escalas, exibindo uma representação altamente detalhada e quantitativa do relevo de uma área. As linhas de contorno (linhas que conectam locais com a mesma elevação) são frequentemente usadas para essa finalidade. Mapas topográficos geralmente estão disponíveis na forma de uma série de mapas, onde duas ou mais folhas de mapa juntas representam a informação topográfica completa. Padrões de drenagem, relevo do solo, cobertura florestal, características artificiais, como estradas e ferrovias, são algumas das características representadas pelos mapas topográficos. b)Mapas topológicos: Esses mapas são mapas altamente simplificados e representam apenas as informações necessárias sobre um local. Esses mapas não seguem escala e as direções e distâncias podem variar. O mapa de metrô de Londres ou o mapa de rota do metrô do Metrô de Toronto seriam bons exemplos de mapas topológicos. Escalas Os cartógrafos trabalham com uma visão reduzida do território, sendo necessário indicar a proporção entre a superfície terrestre e a sua representação. Esta proporção é indicada pela escala. A escala representa, portanto, a relação entre a medida de uma porção territorial representada no papel e sua medida real na superfície terrestre. 14 As escalas são definidas de acordo com os assuntos representados nos mapas, podendo ser maiores ou menores conforme a necessidade de se observar um espaço com maior ou menor nível de detalhamento. A escala pode ser representada numérica ou graficamente. A escala numérica indica a relação entre as dimensões do espaço real e do espaço representado, por meio de uma proporção numérica. Por exemplo, numa escala 1:100.000, 1 centímetro medido no mapa representa uma distância de 100.000 centímetros ou 1 quilômetro na superfície terrestre. A escala gráfica é a representação gráfica de distâncias do terreno sobre uma linha reta graduada. É constituída de um segmento à direita de referência zero, conhecido como “escala primária”, e de outro à esquerda, denominado “talão” ou “escala de fracionamento”, dividido em submúltiplos da unidade escolhida, graduados da direita para a esquerda. Na escala gráfica, não há necessidade de transformação matemática de centímetros para quilômetros ou metros. Exemplos abaixo: 15 Sensoriamento remoto e aerofotogrametria– avanços da Cartografia O termo sensoriamento remoto apareceu pela primeira vez na literatura científica em 1960 e significava simplesmente a aquisição de informações sem contato físico com os objetos. Desde então esse termo tem abrigado tecnologia e conhecimentos extremamente complexos derivados de diferentes campos que vão desde a física até a botânica e desde a engenharia eletrônica até a cartografia. O desenvolvimento inicial do sensoriamento remoto é cientificamente ligado ao desenvolvimento da fotografia e à pesquisa espacial. As fotografias aéreas foram o primeiro produto de sensoriamento remoto a ser utilizado, tanto é assim, que a fotogrametria e a fotointerpretação são termos muito anteriores ao termo sensoriamento remoto propriamente dito (NOVO; PONZONI, 2001). A definição clássica do termo sensoriamento remoto (SR) refere-se a um conjunto de técnicas destinado à obtenção de informação sobre objetos, sem que haja contato físico com eles. Para melhor compreender esta definição, faz-se necessário identificar os quatro elementos fundamentais das técnicas de SR, os quais podem ser representados através do esquema apresentado na Figura abaixo. Figura 11 - Esquema representativo dos quatro elementos fundamentais das técnicas de sensoriamento remoto Didaticamente, o sensoriamento remoto é a técnica de obtenção de informações acerca de um objeto, área ou fenômeno localizado na Terra, sem que haja contato físico com o mesmo. As informações podem ser obtidas através de radiação eletromagnética, gerada por fontes naturais (sensor passivo), como o Sol, 16 ou por fontes artificiais (sensor ativo), como o radar. São apresentadas na forma de imagens, sendo mais utilizadas, atualmente, aquelas captadas por sensores óticos orbitais localizados em satélites. Os satélites, girando numa órbita em torno da Terra, levam consigo um sensor capaz de emitir e/ou receber a energia eletromagnética refletida da Terra. As imagens orbitais possibilitam muitas aplicações, como o mapeamento e a atualização de dados cartográficos e temáticos, a produção de dados meteorológicos e a avaliação de impactos ambientais (IBGE, 2013). Figura 12 – Satélite de sensoriamento remoto com sensor ativo Figura 13 – Satélite de sensoriamento remoto com sensor passivo 17 Quanto ao levantamento aerofotogramétrico, este é um dos métodos utilizados para o mapeamento da superfície terrestre. O voo fotogramétrico é realizado por uma aeronave, na qual é acoplada uma câmera fotogramétrica que cobre toda a área a ser mapeada. Figura 14 – Levantamento aerofotogramétrico Para obter uma cobertura completa do terreno a ser representado, as fotografias aéreas são tomadas de modo sobreposto. Com o auxílio de um aparelho fotogramétrico, realiza-se a restituição, processo de confecção do mapa, através de um modelo tridimensional. Enfim, a relação forte entre Cartografia e Geoprocessamento é o espaço geográfico. Enquanto a Cartografia apresenta um modelo de representação de dados para os processos que ocorrem no espaço geográfico, o Geoprocessamento 18 representa a área do conhecimento que utiliza técnicas matemáticas e computacionais, fornecidas pelos Sistemas de Informação Geográfica (SIG). Essas técnicas tratam os processos que acontecem no espaço geográfico. Essa é, de forma clara, a relação interdisciplinar entre Cartografia e Geoprocessamento. Convenções cartográficas A carta topográfica é a representação gráfica e simbólica do terreno. Ela deve refletir fielmente o aspecto físico da área levantada e as obras humanas que o terreno possibilitou ou condicionou. A nomenclatura geográfica, composta de topônimos e antropônimos, é uma das partes mais importantes e delicadas da carta, porque aí lançados, eles a animam e, em síntese, registram a linguagem essencial falada na região representada. No âmbito cartográfico, a toponímia é como um registro civil da região. Com efeito, eliminem-se da carta os topônimos e a representação da área e ela torna-se inerte e incógnita, apesar de todo seu enquadramento analítico. Para facilitar a representação cartográfica, foi criado um sistema de símbolos conhecidos como convenções cartográficas. Os símbolos foram escolhidos de forma a conter um certo grau de compreensão e intuição de seu significado, possibilitando a leitura da informação contida no mapa por qualquer pessoa em qualquer parte do mundo (IBGE, 2013). Com diz Campos (2012), a simbolização ou a definição dos símbolos e convenções cartográficas que representarão as informações geográficas em um mapa ou carta é a última das transformações cognitivas que serão submetidas à informação geográfica. Anote aí: 19 Dos mapas gerais da Antiguidade até os dias atuais tivemos, obviamente inovações as mais variadas, é fato! Enfim, a compreensão dos mapas e suas características foram e são essenciais para a construção da humanidade, tanto que o primeiro mapa surgiu antes da escrita, com o intuito tanto de orientação espacial quanto para o reconhecimento de fenômenos, meios físicos (rios, montanhas etc.), para transporte, noção e defesa de território, entre muitas outras finalidades. A partir disso só evoluiu – a níveis impressionantes, inclusive. O surgimento do GPS, por exemplo, foi um marco na história da cartografia. Hoje em dia, ter noções de cartografia ajuda em estudos socioambientais, educacionais, de saúde, ou seja, aspectos relevantes para quantificar e qualificar dados referentes a adversidades e transformações em uma cidade, estado, país etc. Quando o IBGE decide fazer uma pesquisa, por exemplo, considera diversos conceitos dessa ciência, do início ao fim do estudo. Assim, pode chegar a números efetivos, meios simplificados e informações precisas. Climatologia 20 Não podemos falar em Climatologia sem nos reportarmos à Meteorologia! A meteorologia propriamente dita, estuda a atmosfera sob dois aspectos: o tempo e o clima. O tempo é o elemento mutante, enquanto que o clima refere-se ao estado mais constante da ação atmosférica num determinado lugar. Os dois enfoques trabalham de maneiras diferentes com a matéria-prima comum. Através de uma rede de estações de observações à superfície e em altitude, a meteorologia procede à coleta de dados da atmosfera e a utilização imediata desses dados é de responsabilidade dos Centros de Análise (Meteorologia Sinótica) cujo produto principal é a previsão do tempo, com os recursos oferecidos pela meteorologia dinâmica. A climatologia manipula os mesmos dados oriundos das estações, porém de forma diferente. A meteorologia sinótica, como método, está no extremo oposto ao da climatologia. Para o primeiro, o fator tempo é primordial ao passo que para a segunda o local é decisivo. Na meteorologia sinótica estuda-se o estado momentâneo da massa de ar existente sobre uma zona de grande extensão e na climatologia procura-se reunir num quadro, sob o ponto de vista da repetição periódica, a totalidade dos fenômenos que ocorrem durante muitos anos num local determinado. A climatologia procura oferecer ao agricultor, ao industrial, ao médico ou ao homem comum, as bases para apreciar, num local determinado, as influencias dos fenômenos meteorológicos sobre o desenvolvimento dos vegetais, das atividades industriais, biológicas, sociais, etc. Conceitos básicos, áreas de estudo e campo de aplicação 21 Figura 15 – Diferenças entre Tempo e Clima Tempo O tempo é um estado da atmosfera em um determinado instante e lugar; é momentâneo; ocorre num período de curta duração. (Efêmero/Mutável). Ele pode ser expresso pela combinação de várias grandezas físicas, tais como a temperatura e a umidade do ar, precipitação, o vento, a nebulosidade, etc., grandezas essas, que comunicamao meio atmosférico (ambiente) suas propriedades e características. Tais grandezas são denominadas elementos climáticos, e o regime normal desses elementos define o clima da região. Clima Clima é a síntese do tempo, num determinado local, durante um período entre 30-35 anos; é o resultado das análises das condições climáticas durante determinados períodos; o clima pode variar com a passagem de grandes períodos de tempo cronológico. É definido a partir das médias das observações do tempo. (Constante/Duradouro) Também podemos definir clima como sendo uma deserção estática, que expressa as condições médias de sequenciamento do tempo meteorológico. 22 Portanto, mede-se primeiro as condições instantâneas da atmosfera (Tempo) de um local por vários anos a, posteriormente, estima-se qual deve ser a condição média (provável), ou seja, o Clima. Para sua informação básica, a climatologia depende, principalmente, de observações horárias e diárias, feitas pelas estações meteorológicas oficiais que formam as redes de estações com densidades variáveis sobre a Terra. Os registros destas estações são organizados por unidades do calendário – dias, meses, estações e anos. As condições do tempo são descritas em termos de alguns elementos básicos, que são quantidades ou propriedades medidas regularmente. Os mais importantes são: 1) a temperatura do ar, 2) a umidade do ar, 3) a pressão do ar, 4) a velocidade e direção do vento, 5) tipo e quantidade de precipitação e 6) o tipo e quantidade de nuvens. Climatologia: Climatologia é o estudo do clima baseando-se em dados estatísticos sobre o tempo. É a espacialização dos fenômenos atmosféricos e dos elementos do clima. Áreas e campos de estudo a) Climatologia Regional – a descrição dos climas em áreas selecionada da terra. 23 b) Climatologia Sinótica – é o estudo do tempo e do clima em uma área com relação ao padrão de circulação atmosférica predominante. A climatologia sinótica é, assim, essencialmente uma nova abordagem para a climatologia. c) Climatologia Física – envolve a investigação do comportamento dos elementos do tempo ou processos atmosféricos em termos de princípios físicos. Neste, dá-se ênfase à energia global e aos regimes de balaço hídrico da terra e da atmosfera. d) Climatologia Dinâmica – enfatiza os movimentos atmosféricos em várias escalas; em particular na circulação geral da atmosfera. e) Climatologia Aplicada – é o estudo do clima voltado a solucionar problemas práticos que afetam a humanidade. f) Climatologia Histórica: é o estudo do desenvolvimento dos climas através dos tempos. g) Bioclimatologia – estuda os fenômenos que regem os mecanismos da natureza. h) Climatologia Agrícola – estuda os fenômenos climatológicos ligados à produção animal vegetal, tentando estimar os fenômenos para evitar perdas críticas na produção. i) Outras: Climatologia das Construções; Climatologia Urbana. Climatologia Estatística. Natureza da Climatologia a) Macroclimatologia – Relacionada com os aspectos dos climas de amplas áreas da terra e com os movimentos atmosféricos em larga escala que afetam o clima. b) Mesoclimatologia – Preocupada com o estudo do clima em áreas relativamente pequenas, entre 10 a 100 km de largura. Exemplo: estudo do 24 clima urbano e dos sistemas climáticos severos, tais como, tornados e temporais. c) Microclimatologia – Preocupada com o estudo do clima próximo à superfície ou a áreas muito pequenas, com menos de 100 metros de extensão, ou seja, estuda as condições atmosféricas da camada de ar próxima ao solo, numa escala reduzida. Atribui-se à Gregor Kraus (1841-1915), botânico alemão sua fundação. Ao meteorologista alemão Rudolf Geiger, coube o desenvolvimento e estabelecimento dessa ciência como um ramo da climatologia e meteorologia, com sua obra Das Klima der Bodeumatien Luftschicht (o clima próximo ao solo). Elementos Climáticos a) Temperatura; b) Ventos; c) Pressão atmosférica; d) Umidade atmosférica; e) Radiação solar; f) Precipitação. Fatores Climáticos a) Fatores astronômicos: movimentos de rotação e translação; distância do sol; radiação solar. b) Fatores estáticos: latitude; altitude; solo/topografia; continentalidade; maritimidade. c) Fatores dinâmicos: circulação geral da atmosfera; diferença de temperatura e pressão (gradiente horizontal e vertical), frentes, correntes marinhas, massas de ar. 25 Anote aí: Didaticamente é relevante distinguir as diferenças existentes entre fatores e elementos. Os elementos são grandezas (variáveis) que caracterizam o estado da atmosfera, citados acima, ou seja: pressão atmosférica, radiação solar, temperatura, chuva, dentre outros. Ao conjunto de variáveis que descreve as condições meteorológicas, de um dado local e instante, denomina-se elementos. Os elementos variam no tempo e no espaço e são influenciados por fatores, denominados de geográficos. Os fatores são agentes causais que condicionam os próprios elementos, tais como: latitude, altitude, continentalidade e/ou oceanalidade, tipo de corrente oceânica, que na realidade influencia os elementos. Para exemplificar, cita-se a pressão atmosférica que diminui com a altitude. Já a irradiância solar depende da latitude, da altitude e da época do ano. Se apenas existisse o fator latitude, o clima de todos os locais com a mesma latitude seria igual. A distinção entre fator e elemento pode ser em alguns casos, apenas na diferença do ponto de vista acadêmico. Certo tipo de escoamento atmosférico, por exemplo, pode ser considerado um elemento, ou um fator, se esse atuar como mecanismo regulador das chuvas (ALMEIDA, 2016). Previsão climática Da mesma forma que a previsão de Tempo, a previsão climática também é feita, utilizando modelos numéricos, que simulam o comportamento médio da atmosfera com alguns meses de antecedência. A previsão climática indica uma tendência no comportamento dos elementos do clima em relação à média climatológica (média ≥ de 30 anos). Esta previsão tem grande importância para vários setores socioeconômicos, seja na área agrícola, do turismo, dentre outra, prognosticando as condições de tempo numa determinada estação do ano ou período. Atualmente, no Brasil e no mundo, as previsões climáticas ainda estão em fase experimental. 26 O Modelo de Circulação Geral da Atmosfera tem sido utilizado para a realização de previsão de Tempo de médio prazo, de forma experimental, no Centro de Previsão de Tempo e Estudos climáticos (CPTEC), INPE, Cachoeira Paulista, SP, desde janeiro de 1995. O modelo é espectral e a resolução utilizada é de 62 ondas na coordenada horizontal e 28 níveis na coordenada vertical. Para exemplificar, a Figura 15 mostra um prognóstico da precipitação pluvial no trimestre especificado. Figura 16 - Previsão de probabilidade de chuva para o trimestre abr/mai/jun de 2016 A previsão climática por consenso, para o trimestre AMJ/2016, continua indicando maior probabilidade do total trimestral de chuva ocorrer na categoria abaixo da normal (média) climatológica, com 40% de probabilidade, numa faixa que vai do norte do Pará até o leste da Bahia, Alagoas, estendendo-se por Sergipe e 27 leste da Bahia, e/ou com 25% e 35 % de probabilidades de chover acima e em torno da média, respectivamente. As demais áreas do País (indicadas pela área cinza no mapa) apresentam baixa previsibilidade para o referido trimestre, o que implica igual probabilidade para as três categorias. Esta previsão ainda considerou uma possível influência do fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENOS), uma vez que a condição de neutralidade está prevista para meados de 2016. Ressalta-se que padrões de variabilidade intrassazonal podem atuar no início do referido trimestre, no sentido de inibir a ocorrência de chuvassobre o norte da Região Nordeste, bem como estabelecer o término da estação chuvosa na Região Sudeste (ALMEIDA, 2016). 28 Referências ALMEIDA, H. A. de. Climatologia aplicada a Geografia. Campina Grande: EDUEPB, 2016. CAMPOS, A. C. Símbolos e convenções cartográficas (2012). Disponível em: https://www.cesadufs.com.br/ORBI/public/uploadCatalago/11205204042012Cartogra fia_Basica_Aula_15.pdf CRUZ, C. M. Nem plana, nem redonda: definir a forma exata da terra é um desafio (2018). Disponível em: https://cienciahoje.org.br/artigo/nem-plana-nem-redonda- definir-a-forma-exata-da-terra-e-um-desafio/ FIALHO, D. M. Arte e Cartografia (2006). Disponível em: http://www.arteecidade.ufba.br/st3_DMF.pdf INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Atlas Escolar. Projeções cartográficas (2020). Disponível em: https://atlasescolar.ibge.gov.br/conceitos-gerais/o-que-e-cartografia/as-projec-o-es- cartogra-ficas.html INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Introdução a Cartografia. Cap. 2. (2013). Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv44152_cap2.pdf NOVO, E. M. L. de M.; PONZONI, F. J. Introdução ao Sensoriamento Remoto. São José dos Campos, 2001. Disponível em: http://www.dpi.inpe.br/Miguel/AlunosPG/Jarvis/SR_DPI7.pdf 29 PENA, R. A. O que é Cartografia? (2020). Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/geografia/o-que-e-cartografia.htm