Prévia do material em texto
CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA UFSC Florianópolis, SC | 2024 CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA Deise Warmling Carolina Abreu Henn de Araújo Dalvan Antônio de Campos CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA GOVERNO FEDERAL Presidente da República Ministro da Saúde Secretaria da Atenção Primária à Saúde Departamento de Prevenção e Promoção da Saúde Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA Reitor: Irineu Manoel de Souza Vice-Reitora: Joana Célia dos Passos Pró-Reitor de Pós-graduação: Werner Kraus Pró-Reitor de Pesquisa: Jacques Mick Pró-Reitor de Extensão: Olga Regina Zigelli Garcia CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE Diretor: Fabrício de Souza Neves DEPARTAMENTO DE SAÚDE PÚBLICA Chefe do Departamento: Sheila Rubia Lindner Coordenadora do Curso: Sheila Rubia Lindner EQUIPE TÉCNICA DO MINISTÉRIO DA SAÚDE ÁREA TÉCNICA DE ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO Camila Gonçalves Oliveira Chagas Claudia Raulino Tramontt Janne Ruth Nunes Nogueira Kelly Poliany de Souza Alves Thanise Sabrina Souza Santos AUTORIA DO CURSO Deise Warmling Carolina Abreu Henn de Araújo Dalvan Antônio de Campos COORDENAÇÃO DE PRODUÇÃO Elza Berger Salema Coelho EQUIPE DE PRODUÇÃO EDITORIAL Dalvan Antônio de Campos Thays Berger Conceição Carolina Carvalho Bolsoni Virgínia de Menezes Portes Isabela Vill de Aquino Jean Marcos da Silva EQUIPE EXECUTIVA Gabriel Donadio Costa Eurizon Oliveira Neto Gisélida Garcia da Silva Vieira ASSESSORIA PEDAGÓGICA Márcia Regina Luz ASSESSORIA DE MÍDIAS Marcelo Capillé DESIGN INSTRUCIONAL Soraya Falqueiro IDENTIDADE VISUAL E PROJETO GRÁFICO Karina Silveira DIAGRAMAÇÃO E ESQUEMÁTICOS Karina Silveira Fabrício Sawczen REVISÃO DE LÍNGUA PORTUGUESA E ABNT Soraya Falqueiro CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA Catalogação elaborada na Fonte P769 Marques, Larissa Pruner Morbimortalidade por causas externas na saúde do homem [recurso eletrônico] / Larissa Pruner Marques, Eleonora d’Orsi, André Junqueira Xavier. – Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2024. 88 p.: il.; color. Versão adaptada do Curso de Atenção Integral à Saúde do Homem Modo de acesso: www.unasus.ufsc.br Conteúdo do módulo: Unidade 1: Causas Externas. – Unidade 2: Acidentes e Violência. – Unidade 3: Ações locais e intersetoriais no enfrentamento das situações de violência e acidentes. ISBN 978-85-8367-134-4 1. Saúde do homem. 2. Políticas de saúde. 3. Morbimortalidade. I. UFSC. II d’Orsi, Eleonora. III. Xavier, André Junqueira. IV. Título. CDU: 364-7 Ficha catalográfica elaborada pela Bibliotecária responsável: Rosiane Maria – CRB: 14/1588 © 2024 todos os direitos de reprodução são reservados à Universidade Federal de Santa Catarina. Somente será permitida a reprodução parcial ou total desta publicação, desde que citada a fonte. Edição, distribuição e informações: Universidade Federal de Santa Catarina - Campus Universitário, 88040-900 - Trindade - Florianópolis – SC CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA Sumário Apresentação do Curso ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------6 Objetivos de aprendizagem e carga horária ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------6 UN1 – Guia alimentar para a população brasileira e a Classificação NOVA ---- 7 1.1 Criação e atualização do guia ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 10 1.1.1 Princípios norteadores do Guia --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 12 1.2 Classificação NOVA ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 15 1.2.1 Por que consumir em pequenas quantidades, limitar ou evitar determinadas categorias de alimentos? ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 19 1.2.2 A regra de ouro do Guia ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 21 1.3 Guia Alimentar como promotor da Alimentação Adequada e Saudável -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 21 1.3.1 Conhecendo os grupos alimentares --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 21 1.3.2 Combinando alimentos em refeições -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 29 1.3.3 Orientações sobre o ato de comer e a comensalidade --------------------------------------------- 33 Encerramento da Unidade ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 35 UN2 – Alimentos ultraprocessados e uso do guia na orientação de uma alimentação adequada e saudável ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 36 2.1 Identificação dos alimentos ultraprocessados a partir dos rótulos -- 37 2.1.1 Rotulagem nutricional frontal de alimentos --------------------------------------------------------------------------------------------------- 39 2.2 Impactos do consumo de alimentos ultraprocessados na saúde ---------- 41 2.3 Políticas regulatórias e fiscais sobre alimentos ultraprocessados ---- 42 2.4 Uso do guia na atenção nutricional --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 48 2.4.1 Orientação alimentar individual no SUS e marcadores de consumo alimentar ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 48 2.4.2 Protocolos de uso do Guia Alimentar na APS ------------------------------------------------------------------------------------------ 50 Encerramento da Unidade ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 53 CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA UN3 – Ações para a promoção da alimentação adequada e saudável a partir do Guia -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------propõe respeitar, prote- ger, promover e prover os direitos humanos à saúde e à alimentação. Nesta política, o governo se compromete a desenvolver políticas saudáveis e criar ambien- tes favoráveis à saúde. São reforçadas a capacidade e a competência do Estado em utili- zar instrumentos legais necessários à proteção da saúde e o compromisso do setor saúde na articulação e no desenvolvimento de ações intersetoriais. Assim, melhorar a saúde pública requer a implementação de estratégias que incentivem uma alimentação saudável, concentrando-se nos ambientes para facilitar e proteger as es- colhas alimentares. Acompanhe as principais medidas de proteção da alimentação ade- quada e saudável no Brasil. CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 43 Regulação da Publicidade e Comercialização de Alimentos A Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância, Bicos, Chupetas e Mamadeiras (NBCAL), Lei nº 11.265, de 3 de ja- neiro de 2006, corresponde a um conjunto de regulamentações sobre a promoção co- mercial e rotulagem de alimentos e produtos destinados a recém-nascidos e crianças de até três anos de idade como leites, papinhas, chupetas e mamadeiras. O objetivo da NBCAL é assegurar o uso apropriado desses produtos de forma que não haja interfe- rência na prática da amamentação. Acesse a lei completa clicando aqui. Regulação da comercialização de alimentos em escolas A PNAN aponta a importância do incentivo à criação de ambientes institucionais promotores de alimentação saudável, incluindo as escolas. Além disso, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), originado na década de 1950, orienta a ofer- ta da alimentação escolar a estudantes da educação pública. Em 2020, novas diretri- zes do PNAE foram publicadas, proibindo a aquisição de bebidas com baixo teor nutri- cional, limitando alguns alimentos, como doces, preparações semiprontas ou prontas, e com quantidade elevada de sódio ou de gordura saturada, e estabelecendo o percen- tual mínimo de recursos para a compra de alimentos da agricultura familiar e quanti- dades mínimas de frutas e hortaliças por semana (PEREIRA et al., 2022). Conheça as resoluções que regulamentam o PNAE clicando aqui. Em abril de 2023, foi assinado um Acordo Interministerial (Ministério da Saúde, Ministério do Desenvolvimento Social e Ministério da Educação) para a Promoção da Alimentação Saudável nas Escolas com o objetivo de elaborar uma diretriz nacio- nal para a promoção da alimentação adequada e saudável nos ambientes escolares. Neste sentido, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) apresentou uma proposta de projeto de lei para transformar as unidades escolares das redes pública e privada de educação básica do Brasil em um ambiente escolar promotor da alimenta- ção adequada e saudável tendo como base o GAPB. Para conhecer o projeto de lei que incentiva a transformação das unidades escolares das redes pública e privada de educação básica do Brasil em um ambiente escolar pro- motor da alimentação adequada e saudável, acesse o link clicando aqui. https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?tipo=LEI&numero=11265&ano=2006&ato=531ETVE5kMRpWT239 https://www.gov.br/fnde/pt-br/acesso-a-informacao/legislacao/resolucoes/2020/resolucao-no-6-de-08-de-maio-de-2020/view#:~:text=Disp%C3%B5e%20sobre%20o%20atendimento%20da,Nacional%20de%20Alimenta%C3%A7%C3%A3o%20Escolar%20%E2%80%93%20PNAE CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 44 Recentemente, no Rio de Janeiro, a Lei nº 7.987/23 foi aprovada proibindo a venda e a oferta de bebidas e alimentos ultraprocessados nas escolas privadas e públicas do estado sendo, portanto, considerados alimentos ultraprocessados nesta lei os produ- tos industrializados, pobres nutricionalmente e ricos em calorias, especialmente gor- duras vegetais hidrogenadas, os óleos interesterificados, amido modificado, xarope de frutose, isolados proteicos, agentes de massa, espessantes, emulsificantes, corantes, aromatizadores e realçadores de sabor, tendo um prazo de 180 dias para as escolas se adaptarem a essa nova legislação. Com o objetivo de promover a saúde e combater a obesidade infantil, um estudo recente investigou se as leis que restringem a venda de alimentos e bebidas em cantinas escolares estavam associadas à obesidade em ado- lescentes nas capitais brasileiras. Os resultados demonstraram que a presença das leis reduziu em 11% a chance de obesidade em adolescentes em todas as escolas analisadas. (DE ASSIS, et al., 2023). Conheça na íntegra o estudo “Are the laws restricting the sale of food and beverages in school cafeterias associated with obesity in adolescents in Brazilian state capitals?”, disponível no link clicando aqui. Tributação de alimentos A adoção de uma tributação específica para bebidas açucaradas tornou-se uma reco- mendação da OMS, com o intuito de prevenir a obesidade, e se mostra uma ferramenta efetiva nos países em que já foi implementada (WCRF, 2018). Evidências demonstram que uma tributação que leve a impactos no preço resulta na redução do consumo, induzindo escolhas alimentares mais saudáveis. Ainda fornece uma nova fonte de re- cursos, que podem ser usados para financiar programas e serviços sociais e de saúde pública, potencializando ainda mais os ganhos para a população. A sugestão da OMS é de que os países aumentem o preço final do produto em 20%, no mínimo, uma vez que já foi demonstrado que um aumento de pelo menos 10% nos preços das bebidas açucaradas em países em desenvolvimento pode impactar na redução de 12% no con- sumo (POWEL et al., 2013). À medida que os tributos aumentam, o preço do produto sobe e os consumidores reduzem a compra. Similarmente, um subsídio para produtos saudáveis poderia diminuir o seu custo para os consumidores e elevar o consumo. Esse tipo de tributação, de caráter extrafiscal, tem como objetivo principal a mudança de comportamento em relação ao consumo de um produto, para além de gerar receita (BERNAUD, 2016). https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0306919222001713 CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 45 No contexto brasileiro, destaca-se alguns avanços na legislação já efetivados, bem como discussões atuais sobre o tema, a saber: • • O Decreto nº 11.936, de 5 de março de 2024, regulamentou a composição da ces- ta básica de alimentos no Brasil, como parte da Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (PNSAN) e da Política Nacional de Abastecimento Alimentar (PNAAB). Seu objetivo é garantir o direito humano à alimentação ade- quada e saudável. Esse decreto foca na inclusão de alimentos in natura ou mini- mamente processados, excluindo ultraprocessados, visando melhorar a saúde da população e reduzir a prevalência de doenças relacionadas à má alimenta- ção, como obesidade e diabetes. A nova composição da cesta básica prioriza alimentos que respeitam as tradições regionais, contribuem para sistemas de produção sustentáveis e geram renda para pequenos produtores. Assim, o de- creto também reforça a diversificação da alimentação, incentivando o consu- mo de produtos mais naturais e saudáveis, de acordo com as diretrizes do Guia Alimentar para a População Brasileira. • • O PLP 68/2024 é um projeto de lei complementar aprovado na Câmara dos Deputados que faz parte da Reforma Tributária, com foco na regulamentação dos novos tributos sobre o consumo: o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). Esses tributos substituem impos- tos como PIS, Cofins, ICMS, IPI e ISS. A proposta prevê alíquotas diferenciadas, com destaque para a aplicação de alíquota zero em produtos da cesta básica e a introdução do Imposto Seletivo para bens considerados prejudiciais à saúde, como bebidas açucaradas. Uma das principais discussões gira em torno da ter- minologia usada, como “bebidas açucaradas”, em vez de “adoçadas”, o que re- flete debates sobre a inclusão de bebidasadoçadas com edulcorantes artificiais na mesma categoria tributária. Além disso, há críticas relacionadas ao grau de processamento dos alimentos, uma vez que ultraprocessados não saudáveis, muitas vezes, podem ser beneficiados por alíquotas reduzidas ou zeradas, de- pendendo de sua classificação. Cerca de 50 milhões de mortes precoces poderiam ser evitadas nos próximos 50 anos se todos os países adotassem tributos elevando os preços de cigarros, álcool e bebidas açu- caradas em até 50%. A medida conseguiria levantar até US$ 20 trilhões (em dólares), que poderiam ser investidos em programas de saúde. Essa é a estimativa do relatório “Health Taxes to Save Lives: Employing Effective Excise Taxes on Tobacco, Alcohol, and Sugary CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 46 Beverages (Tributo Saudáveis para Salvar Vidas: Empregando Tributos de Consumo Eficaz sobre Tabaco, Álcool e Bebidas Açucaradas)”. O material foi produzido por um grupo de especialistas reunidos pela organização filantró- pica Bloomberg Philanthropies. Levando em conta apenas as bebidas açucaradas, a publi- cação mostra que os tributos conseguiriam reduzir seu consumo e, consequentemente, a obesidade, prevenindo até 2,2 milhões de mortes prematuras nos próximos 50 anos. Ainda poderiam ser arrecadados entre US$ 700 bilhões e US$ 1,4 trilhão em recursos. No Brasil, a Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (CAISAN) defen- deu tributar as bebidas açucaradas para a prevenção da obesidade em 2016 com o apoio do Ministério da Fazenda. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) foi favorável à tributação para combater a obesidade e 13 tipos de cânceres, e o Conselho Nacional de Saúde, o Ministério da Saúde e o CONSEA recomendaram que, para uma efetiva tributação, se deve: • • aumentar, no mínimo, em 20% os preços de bebidas açucaradas; • • criar preços mínimos para bebidas adoçadas; • • extinguir o duplo incentivo fiscal, via redução do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) dos xaropes; • • criar uma Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) sobre o preço das bebidas adoçadas; • • destinar recursos da tributação de bebidas adoçadas à saúde e/ou ao enfrentamen- to da obesidade (PEREIRA et al., 2022). No período entre 2017-2020, manifestações públicas de representantes do Poder Executivo, incluindo o Ministério da Saúde e o Ministério da Economia, cresceram em defesa da tribu- tação de bebidas adoçadas e contra os subsídios da Zona Franca de Manaus, favorecendo a majoração de tributos sobre produtos alimentícios açucarados. A sociedade civil, representada pela Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável e pela ACT Promoção da Saúde, assumiu a liderança na defesa da tributação de bebidas ado- çadas e da extinção dos créditos aos fabricantes de bebidas adoçadas. Tais iniciativas demarcam a busca da sociedade civil e do poder público pela implementação de medidas de proteção. CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 47 DESTAQUE Está em tramitação no senado o PL nº 2.183/2019 que institui uma alíquota de 20% para refrigerantes e bebidas açucaradas, que visa reduzir o consumo dessas bebidas e destinar o dinheiro arrecadado para ações e serviços de saúde. Recentemente, no Brasil, um documento foi elaborado conjuntamente pelo Ministério da Saúde, Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Instituto Nacional do Câncer (INCA), com o título “Por uma política tributária nacional justa, que combata a fome e garanta alimentação adequada, saudável e sustentável”, o qual de- fende uma proposta de reforma tributária que contribua para o enfrentamento da múltipla carga da má nutrição no país, em que coexistem a desnutrição, a obesidade e as doenças crônicas associadas à alimentação inadequada. O documento se baseia nas recomendações do Guia para fazer uso da política tributária para influenciar os preços de modo a incentivar o consumo de alimentos in natura e mini- mamente processados e reduzir o consumo de produtos ultraprocessados. Além disso, o Ministério da Saúde elaborou uma Nota Técnica (Nº 25/2023-CGDANT/DAENT/SVSA/MS). A nota técnica formaliza a recomendação do Ministério da Saúde para adoção, no âmbito da discussão da nova política tributária nacional, de tributos específicos para produtos no- civos à saúde, como medida de correção das externalidades negativas geradas pelo taba- co e pelas bebidas alcoólicas, incentivando hábitos saudáveis. SAIBA MAIS Conheça de forma mais detalhada o documento “Por uma política tributária nacional justa, que combata a fome e garanta alimentação adequada, saudável e sustentável”. Você também pode acessar a “Nota Técnica nº 25/2023-CGDANT/DAENT/SVSA/MS”. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/folder/politica_tributaria_justa_combata_fome.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/folder/politica_tributaria_justa_combata_fome.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/folder/politica_tributaria_justa_combata_fome.pdf https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/notas-tecnicas/2023/nota-tecnica-no-25-2023-cgdant-daent-svsa-ms#:~:text=1.1.,pelo%20tabaco%20e%20bebidas%20alco%C3%B3licas CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 48 2.4 Uso do guia na atenção nutricional A atenção nutricional deve ocorrer no âmbito do SUS, de modo integrado e abrangente, alinhado com outras políticas e envolvendo equipes multidisciplinares, respeitando as es- pecialidades dos profissionais. Faz-se fundamental desenvolver protocolos, manuais e nor- mas técnicas para guiar a organização dos cuidados relacionados à alimentação e nutri- ção na Rede de Atenção à Saúde (RAS). Embora haja incentivo à formação de equipes multiprofissionais colaborativas para cuida- do integral em saúde, frequentemente o cuidado aos indivíduos e às comunidades é con- duzido pelas equipes de saúde da família (eSF) ou pela atenção primária, compostas por enfermeiros, técnicos de enfermagem, médicos e agentes comunitários de saúde, poden- do variar conforme a modalidade. Ressalta-se que esses profissionais desempenham um papel crucial ao fornecer orienta- ção alimentar de qualidade e promover hábitos alimentares saudáveis conforme as diretri- zes atuais. O Guia é um recurso valioso para orientar a prática dos profissionais de saúde no SUS, visto que esse documento serve como um recurso importante para orientar não apenas nutricionistas, mas também médicos, enfermeiros, agentes comunitários de saúde e outros profissionais de saúde em suas práticas. Para subsidiar a utilização do Guia na realização de ações de orientação alimentar pelos profissionais de saúde, o Ministério da Saúde publicou em 2021 uma série com cinco fas- cículos, denominada “Protocolos de Uso do Guia Alimentar para a População Brasileira”. Cada um dos fascículos atende a fases do curso da vida distintas: adultos, idosos, gestan- tes, adolescentes e crianças de dois a 10 anos. 2.4.1 Orientação alimentar individual no SUS e marcadores de consumo alimentar Para o cuidado integral atender às necessidades em saúde, os valores e as preferências de cada usuário, os protocolos de uso do Guia são organizados a partir da abordagem me- todológica centrada na pessoa, bem como na prática baseada em evidências e diretrizes vigentes. Previamente à orientação alimentar, deve ser realizada a avaliação das práticas alimentares. Esta deve ser conduzida a partir do formulário de marcadores de consumo alimentar para crianças maiores de dois anos, adolescentes, adultos, gestantes e idosos disponibilizado na CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 49 estratégia e-SUS APS (Prontuário Eletrônico do Cidadão - PEC, Coleta de Dados Simplificada - CDS), ficha impressa ou sistema próprio. O formulário é de aplicação rápida e fácil, e avalia o consumo alimentar do dia anterior. É composto por questões acessíveis a qualquer profissional da APS, possibilitando que a avaliação dos marcadores de consumo e asrecomendações das práticas alimentares adequadas e saudáveis sejam inseridas na rotina da APS e realizadas de forma contínua. O instrumento de marcadores de consumo alimentar contém nove questões, relativas ao consumo de refeições em frente à televisão, quais as refeições realizadas ao longo do dia e consumo ou não de determinados alimentos no dia anterior. São marcadores de alimentação saudável: frutas; legumes e/ou verduras; e feijão (alimen- tos in natura ou minimamente processados consumidos per si ou em preparações culi- nárias). Enquanto os marcadores de alimentação não saudável são: hambúrguer e/ou embutidos; bebidas adoçadas; macarrão instantâneo, salgadinhos de pacote e/ou biscoi- tos salgados; bem como doces; guloseimas e/ou biscoitos recheados (todos alimentos ultraprocessados). Para utilização dos protocolos, o uso dos marcadores de consumo é essencial – além de identificar de forma rápida e prática pontos críticos na alimentação dos usuários da APS, a inclusão nos protocolos incentiva a adoção dessa ferramenta, expandindo sua aplicação e fortalecendo a vigilância alimentar e nutricional no Brasil. CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 50 2.4.2 Protocolos de uso do Guia Alimentar na APS Os protocolos foram estabelecidos no intuito de disponibilizar recursos que auxiliem os profissionais de saúde na implementação das diretrizes do Guia, com vistas a aprimorar o trabalho das equipes de APS do SUS e facilitar a disseminação das recomendações sobre uma alimentação saudável. SAIBA MAIS Para saber mais sobre os Protocolos de Uso do Guia, acesse o curso QualiGuia - Formação para utilização dos Protocolos de Uso do Guia Alimentar para a População Brasileira para formação complementar ao Curso do Guia clicando aqui. Afinal, o que são protocolos em saúde? Os protocolos de saúde são diretrizes sistemáti- cas embasadas em evidências científicas, visando melhorar os cuidados e a organização da saúde. Eles orientam a adoção de tecnologias e condutas, aprimorando a prática pro- fissional e a gestão do cuidado. São referências cruciais para profissionais de saúde ao escolher abordagens, melhorando o atendimento. Um exemplo são os Protocolos de Uso que, de acordo com a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (CONITEC) no SUS, definem critérios, parâmetros e padrões para o uso de uma tecnologia específica. Nos protocolos de uso abordados neste tópico, o Guia Alimentar é considerado a tecnologia específica, e os fascículos têm o propósito de aplicar os princípios do Guia na prática de profissionais de saúde da APS, orientando a alimentação em diferentes fases e eventos da vida. Os Protocolos de Uso do Guia Alimentar, propostos nesta série, foram elaborados para res- paldar a prática clínica no cuidado individual da APS e destinam-se a profissionais de nível superior que oferecem atendimento clínico individual nas unidades de saúde deste nível de atenção. Os protocolos apresentam uma abordagem orientada a partir de um fluxograma direcional, com instruções conforme respostas ao formulário de marcadores de consumo alimentar. A sequência do fluxograma prioriza as mensagens para a promoção da alimentação ade- quada e saudável, veja a seguir. https://www.unasus.gov.br/cursos/curso/47024 CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 51 vá para a próxima etapa VALORIZE A PRÁTICA ALIMENTAR ETAPA 1 Ontem o usuário consumiu feijão? INICIE AQUI RECOMENDAÇÃO 1 Estimule o consumo diário de feijão SIM RECOMENDAÇÃO 2 Oriente que se evite o consumo de bebidas adoçadas ETAPA 2 Ontem o usuário ingeriu bebidas adoçadas? VALORIZE A PRÁTICA ALIMENTAR SIM NÃO NÃO vá para a próxima etapa RECOMENDAÇÃO 3 Oriente que se evite o consumo de alimentos ultraprocessados ETAPA 3 Ontem o usuário consumiu alimentos ultraprocessados? VALORIZE A PRÁTICA ALIMENTAR SIM NÃO vá para a próxima etapa vá para a próxima etapa VALORIZE A PRÁTICA ALIMENTAR ETAPA 4 Ontem o usuário consumiu legume ou verdura? RECOMENDAÇÃO 4 Estimule o consumo diário de legumes e verdurasSIM NÃO vá para a próxima etapa VALORIZE A PRÁTICA ALIMENTAR ETAPA 5 Ontem o usuário consumiu fruta? RECOMENDAÇÃO 5 Estimule o consumo diário de frutasSIM NÃO RECOMENDAÇÃO 6 Oriente que o usuário coma em ambientes apropriados e com atenção ETAPA 6 O usuário tem costume de fazer as refeições em frente à TV? VALORIZE A PRÁTICA ALIMENTAR SIM NÃO vá para a próxima etapa ORIENTAÇÕES ADICIONAIS CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 52 As recomendações foram formuladas por meio da seleção e adaptação de diretrizes do Guia Alimentar, sendo elaboradas mensagens breves. As recomendações iniciam com uma orientação central seguida de sugestões práticas para orientar o usuário; justificativas baseadas em evidências científicas para apoiar os profissionais durante as orientações; e estratégias para superar obstáculos e desafios para a adoção de uma alimentação ade- quada e saudável. Para cada fascículo foi feita uma síntese das evidências científicas, destacando o padrão alimentar comum e os principais riscos à saúde associados à alimentação em cada fase ou evento do curso da vida. Essa síntese também direcionou os pontos a enfatizar em cada protocolo, considerando os obstáculos específicos de cada fase ou evento do curso da vida. 2.4.2.1 Como utilizar o protocolo? O primeiro passo para usar o protocolo é preencher os marcadores de consumo alimentar da estratégia e-SUS APS correspondentes à fase ou evento do curso da vida disponíveis no PEC, no CDS, na ficha impressa ou em sistema próprio. Ao preencher as perguntas do formulário de marcadores de consumo alimentar, os profis- sionais devem usar uma linguagem simples e neutra, sem julgamentos. Após identificar os marcadores de alimentação saudável e não saudável do usuário, o profissional de saúde deve orientar conforme o fluxograma, abordando os pontos críticos identificados. Para aqueles com alimentação adequada, ou seja, ter respondido, separadamente, ‘sim’ para marcadores de alimentação saudável e ‘não’ para marcadores de alimentação não saudável, o fluxograma propõe Valorização da Prática Alimentar. Em cada fascículo, o protocolo inicialmente explica seu propósito e as particularidades do grupo abordado, apresentando as orientações para usar o formulário de marcadores de consumo alimentar. Em seguida, consta o fluxograma indicativo de conduta e as reco- mendações associadas a cada ponto crítico identificado. Por fim, inclui recomendações adicionais que oferecem informações suplementares sobre uma alimentação saudável, di- recionadas à fase do curso da vida abordada. Siga seus estudos acompanhando a Análise da Situação Problema desta unidade. CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 53 Encerramento da Unidade Excelente que você já seguiu a jornada de estudos até aqui! Nesta segunda unidade, sobre alimentos ultraprocessados e o uso do Guia na orientação de uma alimentação adequada e saudável, você acompanhou importantes tópicos, que incluem a identificação de alimen- tos ultraprocessados a partir dos rótulos, os impactos do consumo desses alimentos na saúde, as políticas regulatórias e fiscais sobre alimentos ultraprocessados e o uso do Guia na atenção nutricional. Lembre-se sempre de que o Guia Alimentar é um importante instru- mento para a promoção da alimentação adequada e saudável. Continue neste ritmo para aprimorar seus conhecimentos! UNIDADE 3 Ações para a promoção da alimentação adequada e saudável a partir do Guia CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 55 Objetivo da Unidade Ao final desta unidade, você deve conhecer as recomendações e as ações para a promo- ção da alimentação adequada e saudável a partir do Guia em nível intersetorial, no territó- rio e em nível coletivo. Apresentação Vamos iniciar agora a terceira e última unidade de estudos! Neste momento, você vai cons- truir conhecimentos sobreas ações para promoção da alimentação adequada e saudável a partir do Guia, tendo-o como instrumento indutor de ações para tal. A seguir, aprofundando seu aprendizado, você vai acompanhar ações para adoção das recomendações do Guia em nível intersetorial, no território e em nível coletivo. Também vai conferir o funcionamen- to dos grupos educativos e materiais para promoção da alimentação adequada e saudável baseados no Guia. Siga confiante com seus estudos! 3.1 O Guia como instrumento indutor de ações para promoção da alimentação adequada e saudável O Guia oferece um conjunto de princípios, diretrizes e orientações relacionadas às práticas alimentares adequadas e saudáveis. Deste modo, visa fomentar a promoção da saúde e qualidade de vida de indivíduos, famílias, comunidades e da sociedade brasileira como um todo. Para isso, apresenta orientações de maneira acessível, contextualizada e respeitando a diversidade cultural do Brasil. Conforme o Guia, a Alimentação Adequada e Saudável (AAS) é um direito humano básico que envolve a garantia ao acesso permanente e regular, de forma socialmente justa, a uma prática alimentar adequada aos aspectos biológicos e sociais do indivíduo e que deve es- tar em acordo com as necessidades alimentares especiais; ser referenciada pela cultura alimentar e pelas dimensões de gênero, raça e etnia; acessível do ponto de vista físico e financeiro; harmônica em quantidade e qualidade, atendendo aos princípios da variedade, equilíbrio, moderação e prazer; e baseada em práticas produtivas adequadas e sustentá- veis (BRASIL, 2014, p. 8). O Guia é a base para a promoção da AAS no contexto brasileiro, devendo ser utilizado como referência desde ações com os usuários nos serviços de saúde e território até a formulação de políticas públicas pelos legisladores e gestores públicos. Como vimos, o CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 56 Guia propõe um enfoque na qualidade dos alimentos, com base no nível e propósito de pro- cessamento dos alimentos, com base nos níveis de processamento, e não na quantidade de porções deste ou daquele alimento, visto que há uma vasta gama de possibilidades de combinações e quantidades de alimentos que, combinados, resultarão em uma alimenta- ção saudável (BRASIL, 2014). Além disso, o Guia tem como uma das principais características a viabilidade de suas pro- posições, visando tornar possível as ações e práticas propostas no cotidiano das pessoas. Assim, utiliza uma linguagem acessível e não impositiva, com termos como “prefira” e não “faça” e “na maior parte das vezes” ao invés de “sempre”. Desta forma, recomenda-se uma abordagem empática com as pessoas do território em que você atua, fazendo com que conheçam as recomendações do Guia e, aos poucos, passem a adotá-las no seu cotidiano e de suas famílias. Lembre-se sempre da dimensão cultural, pois a depender da região em que você atua determinados alimentos serão mais comuns no consumo diário das pes- soas, e esses geralmente estão disponíveis e acessíveis por meio de circuitos curtos de comercialização como feiras livres, provenientes da agricultura familiar local ou dos arre- dores (BRASIL, 2014). Ainda assim, é importante compreender que esta mudança nem sempre é fácil ou imediata para todos. Uma abordagem longitudinal é necessária, compreendendo o tempo, as neces- sidades e especificidades de cada usuário e família. Neste aspecto, é preciso compreender as desigualdades econômicas, de gênero, de raça e etnia e geográficas presentes no seu território, e que podem comprometer o acesso a uma AAS. CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 57 Neste sentido, um estudo de revisão da literatura identificou, no contexto brasileiro, que lares periféricos chefiados por mulheres negras têm mais chances de apresentar situação de insegurança alimentar leve, moderada ou grave. A renda das mulheres negras corres- ponde a 79,1% do rendimento de homens negros, 58,5% das mulheres brancas e 44,4% dos homens brancos (SILVA et al., 2022). DESTAQUE Conhecer as desigualdades sociais e econômicas da população ads- crita é uma medida necessária para que as ações para promoção de uma AAS sejam realizadas de forma equânime e baseadas nas diretrizes do Guia. É importante reconhecer os obstáculos presentes no território e propor estratégias capa- zes de minimizá-los. Os obstáculos comumente identificados apresentam diversas origens como informação, oferta, custo, habilidades culinárias, tempo e publicidade. A superação de obstáculos poderá ser mais fácil ou mais difícil a depender da sua natureza e dos recur- sos disponíveis para superá-lo. Por isso, o estímulo para que os indivíduos façam ao menos parte das suas compras de ali- mentos em mercados, feiras livres, feiras de produtores e outros locais, como “sacolões”, onde são comercializados alimentos in natura ou minimamente processados, incluindo os orgânicos e de base agroecológica, torna-se relevante, dentre outras alternativas. Para uma abordagem integral é importante conhecer e atuar com as famílias e em espa- ços de convívio coletivo como escolas, instituições religiosas, nos grupos de idosos, em conselhos comunitários, etc. Nesses locais, é possível realizar atividades em grupo com base no Guia para promoção da AAS otimizando o trabalho e promovendo as relações so- ciais na comunidade com base na alimentação (BICALHO et al., 2023). CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 58 Conhecer o ambiente e o território em que as pessoas estão inseridas é determinante para as AAS, pois permite: Conhecer barreiras físicas e geográficas de acesso. Por isso, o Guia destaca os seguintes aspectos: 1 Reconhecer a natureza dos obstáculos existentes. Com isso, é possível identificar quais obstáculos poderão ser removidos totalmente e rapidamente, bem como quais vão requerer persistência e articulações intersetoriais. Reconhecer a falta de disponibilidade de locais para acessar alimentos saudáveis. Identificar a alta disponibilidade de alimentos ultraprocessados. 2 Identificar os recursos que as pessoas possuem para superá-los. 3 Considerar o ambiente em que as pessoas vivem. Em estudo no município de Jundiaí (SP), onde foram avaliadas as disponibilidades de ali- mentos em 650 estabelecimentos e as barreiras e facilidades para uma AAS, com base no Guia, identificou-se que 43,9% faziam venda prioritária de alimentos ultraprocessados. Além disso, observou-se que sacolões, hortifrutis e mercados de bairro foram conside- rados facilitadores da AAS, já os mercados e as padarias demonstraram-se associados às barreiras; por fim, os supermercados apresentaram tanto barreiras como facilitadores (BORGES et al., 2023). Neste sentido, percebe-se que as escolhas alimentares estão relacionadas com a disponi- bilidade dos alimentos no território em que as pessoas vivem e trabalham, por isso, desta- ca-se a importância de desenvolver ações que promovam ambientes alimentares saudá- veis. Essas ações exigem articulação intersetorial, com o protagonismo do setor saúde, visto que é nesse setor que os problemas de uma alimentação inadequada e baseada em alimentos ultraprocessados têm maior impacto e visibilidade. CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 59 DESTAQUE A promoção de uma alimentação adequada e saudável é determina- da por fatores individuais e comportamentais, mas está estreitamen- te relacionada com fatores sociais, culturais, econômicos e ambien- tais. Como profissional da saúde, este olhar integral e complexo sobre a alimentação é necessário para uma abordagem adequada, tendo o Guia como base. Nos próximos itens, você vai acompanhar caminhos para utilização do Guia em ações no âmbito intersetorial e coletivo dos territórios. Confira! 3.1.1 Ações para adoção das recomendações do Guia em nível intersetorial e no território A promoção de uma AAS com base no Guia não se restringe a orientações e mudanças de comportamentosindividuais. Por mais que a formação de profissionais da saúde ainda ca- reça de ferramentas para abordagens amplas, somente orientar e responsabilizar os usuá- rios pelas suas escolhas alimentares é pouco eficiente e pode causar problemas relaciona- dos à culpabilização, prejudicando a construção de uma boa relação com a alimentação. A estrutura dos territórios influencia diretamente nas escolhas alimentares. Ou seja, não é só uma questão de escolha individual, mas sim de contexto. Atualmente, há alguns concei- tos que ajudam a compreender e a agir sobre os territórios para a construção de ambientes saudáveis, são eles: ambiente alimentar, desertos alimentares e os pântanos alimentares. Acompanhe a seguir o que significa cada um deles. CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 60 Ambiente Alimentar Trata-se da junção do sistema alimentar com o consumidor, ou seja, os locais em que suas escolhas alimentares são realizadas. Desta forma, abarca aspectos como a disponibilidade, a acessibilidade, a publicidade, a sustentabilidade e a qualidade de alimentos e bebidas nos diferentes espaços, sejam eles naturais ou construídos pelo ser humano. Destaca-se sua influência pela cultura, política e ecossistemas nos quais estão inseridos. Os ambientes alimentares influenciam, e por vezes determinam, as escolhas alimentares e a qualidade da alimentação, tendo impacto no estado nutricio- nal. Eles podem ser ambientes promotores de uma AAS, facilitando o acesso a alimen- tos in natura e minimamente processados, mas também podem dificultar o acesso a esses alimentos, com maior oferta de alimentos ultraprocessados. Os ambientes podem ser bairros, escolas, local de trabalho, hospitais, ambiente virtual, entre outros (BORGES et al., 2023). Desertos Alimentares São áreas caracterizadas pela escassez ou ausência de acesso a alimentos in natura e minimamente processados, o que força os moradores a se deslocarem para outras regiões em busca desses itens essenciais para uma AAS. Geralmente localizadas em bairros periféricos ou regiões com condições sociais desfavoráveis, essas áreas obri- gam os residentes a se dirigirem aos centros da cidade ou a áreas mais abastadas, onde há uma maior oferta de frutas, verduras, feiras, peixarias, açougues e mercados. A limitação de acesso a alimentos de qualidade nessas regiões, conhecidas como de- sertos alimentares, está relacionado à insegurança alimentar e a deficiências nutricio- nais para as pessoas que vivem nelas (CUMMINS; MACINTYRE, 2022). CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 61 Pântanos Alimentares As chamadas zonas de pântano alimentar são caracterizadas por uma predominância de estabelecimentos que vendem alimentos ultraprocessados em comparação com aqueles que oferecem opções saudáveis, como alimentos in natura e minimamente processados. A presença abundante de produtos ultraprocessados facilita o acesso a esses alimentos, e também as transforma em áreas onde o consumo desses produtos é ativamente promovido. Como resultado, as zonas de pântano alimentar emergem como fatores de risco significativos para as múltiplas formas de má nutrição e do- enças crônicas não transmissíveis. Um exemplo ilustrativo de uma zona de pântano alimentar pode ser encontrado em áreas como as estações de metrô em grandes ci- dades ou praças de alimentação de shopping centers. Atualmente o ambiente digital também vem sendo caracterizado como uma zona de pântano alimentar, pela predo- minância de alimentos ultraprocessados (LUAN; LAW; QUICK, 2015). Há ainda os ambientes obesogênicos, que se caracterizaram por espaços que incentivam o consumo de alimentos ultraprocessados e/ou dificultam o acesso e consumo de alimen- tos in natura e minimamente processados, incluindo fatores dificultadores de prática de atividade física, induzindo um aumento no risco de sobrepeso e obesidade (FISBERG et al., 2016). Esses ambientes podem incluir a própria residência, que, influenciada pelas dinâmicas da organização social moderna, tem sofrido mudanças significativas. Práticas como comer sem regularidade e atenção, muitas vezes em frente a telas, combinadas ao sedentarismo impulsionado pela ampla disponibilidade de dispositivos eletrônicos, refletem o impacto de um estilo de vida acelerado e contribuem para a criação de condições que favorecem o desenvolvimento do excesso de peso. As escolas também podem ser exemplos de ambiente obesogênico, pois a presença de cantinas que comercializam alimentos ultraprocessados, em vez de priorizar opções sau- dáveis, prejudicam a alimentação das crianças e dos adolescentes. Por isso, destaca-se o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Decreto nº 11.821/2023 que apontam eixos estratégicos para a promoção de uma alimentação saudável no ambiente escolar. Você já refletiu como a estrutura e organização da cidade ou do bairro em que você vive e trabalha interfere no acesso e consumo alimentar da população? Já pensou em estraté- gias para enfrentar esses desafios? CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 62 Como sabemos, estratégias que envolvem mudanças amplas não podem ser feitas de for- ma isolada. Assim, grande parte das ações em nível de território precisa de uma articula- ção com outros setores, tais como: educação, assistência social, planejamento urbano, agricultura e pecuária, sociedade civil organizada, entre outros. O trabalho intersetorial é central para possibilitar a efetivação das mudanças, bem como para que sejam sustentáveis a longo prazo. Conheça algumas possibilidades de atuação que podem ser realizadas, partindo do setor saúde, visando promover uma AAS com base no Guia. Mapeamento e caracterização dos comércios de alimentos no território Uma primeira ação, relacionada com o processo de trabalho na APS, é o mapeamento e a caracterização dos espaços que comercializam alimentos na comunidade. Esse reconhe- cimento pode ser realizado junto ao processo de territorialização. DESTAQUE A territorialização representa uma estratégia empregada dentro da APS que contribui para a compreensão abrangente dos padrões de saúde e doença em uma determinada população. Essa abordagem possibilita a formulação de diagnósticos precisos e identifica potenciais áreas de in- tervenção necessárias para abordar os desafios de saúde específicos identificados naquela região geográfica. Esse processo de mapeamento deve se basear na identificação dos tipos de locais que disponibilizam e/ou comercializam alimentos (feiras, padarias, minimercados, mercados, supermercados, bares, lanchonetes, restaurantes, vendedores ambulantes) e tomar como base os graus de processamento dos alimentos do Guia (in natura, minimamente proces- sados, processados, ultraprocessados e ingredientes culinários) para fazer a identificação desses locais como espaços que facilitam e/ou criam barreiras no acesso a uma AAS. Com base no artigo de Borges e colaboradores (2023), verifique a seguir alguns itens que podem ser utilizados para este mapeamento: CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 63 Facilitadores para a alimentação saudável Há publicidade de alimentos in natura ou minimamente processados e ingredientes culinários. Presença de informações sobre alimentos in natura ou minimamente processados. Modificações físicas promovendo alimentos in natura ou minimamente processados (disponibilização na entrada do comércio e/ou caixas). Disponibilidade de alimentos in natura ou minimamente processados, ingredientes culinários e alimentos processados. Promoção de alimentos in natura ou minimamente processados, ingredientes culinários e alimentos processados. Barreiras para a alimentação saudável Há publicidade de alimentos ultraprocessados (amostra grátis, apelo à saúde e bem-estar, apelo à praticidade, venda casada, entre outros). Presença de informações sobre alimentos ultraprocessados nas paredes e nos arredores do estabelecimento.Modificações físicas promovendo alimentos ultraprocessados (disponibilidade no caixa, balcão de degustação, displays com alimentos ultraprocessados). Disponibilidade de alimentos ultraprocessados. Promoção de alimentos ultraprocessados. Para acessar o estudo na íntegra clique aqui Com base nessas informações é possível identificar se os estabelecimentos têm caracte- rísticas facilitadoras ou barreiras para promoção da AAS. Lembre-se, nesse contexto, de que o mapeamento permite aos profissionais da saúde promover orientações à população acerca dos locais em que podem acessar alimentos saudáveis. Ao fazer esse reconhecimento e identificar muitas barreiras, pântanos e desertos alimen- tares, deve-se subsidiar os gestores públicos com informações para que desenvolvam ações intersetoriais de incentivo à comercialização de alimentos in natura e minimamente processados. https://www.scielo.br/j/csp/a/PvxPRyhYqBByTFHyLPGX5sn/# CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 64 Articulação com produtores para realização de feiras de alimentos Uma outra ação possível para a promoção de um ambiente alimentar que promova esco- lhas favoráveis no seu território é a articulação com famílias e grupos de produtores rurais para organização de feiras de alimentos nos bairros. Lembre-se de priorizar produtores da agricultura familiar e, preferencialmente, que trabalham com produção orgânica ou agroe- cológica – assim, você fomenta esse tipo de produção, contribuindo para geração de renda e fixação das famílias no campo, e possibilita o acesso a alimentos livres de agrotóxicos. DESTAQUE A depender das características da cidade ou do bairro em que você atua, e considerando o acesso às famílias produtoras de alimentos, é adequado articular com os setores responsáveis pela agricultura e pecuária no município, empresas agrícolas, Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) e instituições de ensino que tenham cursos relacionados à produção, para a organização das feiras de produtores locais. As feiras de alimentos desempenham um papel fundamental como locais de interação en- tre os agricultores e os consumidores. Em certos cenários, elas assumem a função exclu- siva de facilitar a venda direta dos produtos agrícolas. Essas feiras são conhecidas pela ampla variedade de itens alimentares que oferecem, incluindo alimentos in natura, minima- mente processados e processados. Por isso, cabe destacar a importância do profissional conversar com os comerciantes das feiras livres com o objetivo de rastrear as famílias agricultoras, diferenciando-as dos comerciantes que apenas comercializam produtos das Centrais de Abastecimento (CEASA). Elas abarcam uma gama de tamanhos de produção e estruturas organizacionais. Além disso, são frequentadas por pessoas de diversas origens e classes sociais, o que amplia o acesso. A agricultura familiar brasileira é a principal fornecedora de alimentos in natura diversificados para o consumo da população brasileira e são esses produtores que estão à frente das feiras de alimentos. Destaca-se que a 6ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, cujo título foi “Erradicar a fome e garantir direitos com Comida de Verdade, Democracia e Equidade”, realizada em 2023, teve como um de seus pontos centrais a manifestação coletiva para a ampla difusão sobre os significados da agenda de soberania e segurança alimentar e nutricional e os caminhos para a realização do Direito Humano à Alimentação Adequada (BRASIL, 2023). CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 65 Acompanhe a seguir algumas ações que auxiliarão na organização da agricultura familiar e na implementação desses dispositivos de promoção da AAS: • • Apoio à comercialização de produtos da economia solidária, como feiras agroecológicas; • • Promoção das formas de organização associativas e cooperativistas com estímulo do comércio e consumo local e agroecologia; • • Implementação de programas de formação para o desenvolvimento de prática agro- ecológica em um contexto de economia solidária; • • Outras ações que aproximem o agricultor e a agricultora dos consumidores. SAIBA MAIS Leia o conteúdo completo da obra “SILVA, R. N. Feira de agricultu- ra familiar e economia solidária: implementação, desenvolvimento e situação de (in)segurança alimentar e nutricional das famílias ex- positoras. 2019. 159 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Agroecologia, Programa de Pós-Graduação em Agroecologia, Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, 2019” clicando aqui. Conforme Silva (2019), que desenvolveu uma pesquisa para caracterizar a implementação e o desenvolvimento de uma feira de agricultura familiar e economia solidária em um mu- nicípio de Minas Gerais, algumas ações são necessárias para que as feiras passem a ser operacionalizadas. Veja a seguir. Mapear e contactar os grupos e produtores individuais de alimentos. Organizar a programação e o cronograma de cada feira. Organizar a metodologia da feira (da abertura ao encerramento). Apoiar a construção do regimento interno da feira, assim como criação de critérios de participação e regulamentação. Fazer seleção e credenciamento dos expositores. Acompanhar antes, durante e depois os processos relacionados à infraestrutura para a realização da feira (tendas, som, iluminação, palco, ponto de água potável, banheiros, manutenção etc.). Apoiar a construção do regimento interno da feira, assim como criação de critérios de participação e regulamentação. Divulgar a feira em canais de comunicação local. Fazer e distribuir carta-convite para os grupos parceiros. Enviar carta-convite para escolas. Fazer cobertura do evento e divulgar nas redes sociais. Criar logo e textos para divulgação. 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. https://locus.ufv.br/server/api/core/bitstreams/470c3112-8336-44c8-8c97-c594d9612de0/content CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 66 Mapear e contactar os grupos e produtores individuais de alimentos. Organizar a programação e o cronograma de cada feira. Organizar a metodologia da feira (da abertura ao encerramento). Apoiar a construção do regimento interno da feira, assim como criação de critérios de participação e regulamentação. Fazer seleção e credenciamento dos expositores. Acompanhar antes, durante e depois os processos relacionados à infraestrutura para a realização da feira (tendas, som, iluminação, palco, ponto de água potável, banheiros, manutenção etc.). Apoiar a construção do regimento interno da feira, assim como criação de critérios de participação e regulamentação. Divulgar a feira em canais de comunicação local. Fazer e distribuir carta-convite para os grupos parceiros. Enviar carta-convite para escolas. Fazer cobertura do evento e divulgar nas redes sociais. Criar logo e textos para divulgação. 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. Nesta articulação com os produtores para a realização de feiras, deve-se considerar a es- trutura do sistema alimentar, que abrange todas as etapas e atores envolvidos na produção, processamento, distribuição, comercialização, consumo e descarte de alimentos. Essa rede permite atuação intersetorial para ações de Promoção da Alimentação Adequada e Saudável. Por exemplo, na produção, podem ser implementadas políticas para incentivar a agricultura familiar e práticas agroecológicas; na distribuição, ações para melhorar a lo- gística e o acesso a alimentos frescos em territórios vulneráveis; na comercialização, a organização de feiras e o estímulo a circuitos curtos. Além disso, no consumo, a educação alimentar e nutricional é essencial para mudar comportamentos e valorizar alimentos in natura e minimamente processados, conectando saúde, cultura e sustentabilidade. SAIBA MAIS Aprofunde seus conhecimento sobre os sistemas alimentares aces- sando o material “Recomendações para o aumento do consumo de frutas, legumes e verduras” do Ministério da Saúde clicandoaqui. Construção de hortas comunitárias Como vimos, os pântanos e desertos alimentares estão relacionados à baixa disponibilida- de de alimentos in natura e minimamente processados, primeiro quando comparada à alta oferta de ultraprocessados e segundo por uma escassez desses alimentos. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/policy_brief_recomendacoes_aumento_consumo.pdf CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 67 Reconhecer esses espaços, bem como promover locais de comercialização desses ali- mentos, é uma forma de promover ambientes alimentares saudáveis. Entretanto, sabe-se que o acesso geográfico e financeiro muitas vezes é uma barreira. Nesses casos, a articulação com o setor de assistência social é fundamental, visto que existem estratégias para acesso à renda para pessoas em vulnerabilidade social. Por outro lado, sabe-se que a população brasileira tem um forte vínculo com a produção de alimen- tos. Muitas pessoas que moram em regiões urbanas levam consigo conhecimentos e lem- branças sobre o cultivo de alimentos, que aprenderam com os pais, tios ou avós. Assim, a Agricultura Urbana e Periurbana se destaca como importante ferramenta de inte- gração no desenvolvimento sustentável (BIAZOTI; SORRENTINO, 2022). Além disso, contri- buem para o fortalecimento da Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) e para promoção da AAS, pois possibilitam acesso a alimentos com baixo custo e alta qualidade nutricional (COSTA et al., 2015). Dentro dessa modalidade estão as hortas comunitárias, que são estruturas em espaços públicos ou cedidas por membros da comunidade para produção de alimentos. De forma geral, a gestão e o cuidado desses espaços são realizados por membros da comunidade, de forma coletiva e participativa, com apoio de equipes técnicas para a utilização do siste- ma de produção agroecológico. DESTAQUE No seu território existem hortas comunitárias? Caso sim, incentive e apoie a manutenção, divulgando o trabalho para os usuários do serviço de saúde, bem como buscando apoio junto às instituições municipais. Caso não, essa pode ser uma oportunidade para plantar essa ideia na comunidade. CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 68 1. Comece a falar sobre uma horta comunitária. Antes de plantar a semente, plante a ideia. 2. Encontre o espaço ideal. Em grandes cidades as áreas livres estão cada vez mais escassas. 3. Pesquise se existe algum tipo de subsídio na sua região. Algumas prefeituras disponibilizam sementes, ferramentas e até instrutores para ensinarem as primeiras técnicas. Existem também ONGs e coletivos que ajudam os novos agricultores. 4. Tenha canteiros individuais. Dessa forma, cada família ou pessoa é responsável por seu próprio cultivo. 5. Inicie um sistema de compostagem. Um sistema simples é a composteira caseira ou minhocário. 6. Dê liberdade aos participantes. Cada pessoa pode escolher o que será plantado no seu espaço. 7. Faça uma cerca. A cerca é uma opção apenas para manter animais domésticos, como cães e gatos, longe do plantio. 8. Tenha regras. Em hortas comunitárias é ideal ter um planejamento. Escalas que determinam atividades e responsáveis, por exemplo, é algo essencial. 9. Pode ser necessária a criação de um conselho informal. Em alguns casos, é necessário que haja uma liderança que ajude a manter a horta sob controle, e que esteja apta e disposta a resolver atritos, receber sugestões e criar novas soluções para elevar a qualidade do local. 10. Convide pessoas experientes para conversar com a comunidade. Receber bons conselhos e trocar experiências é essencial para manter o grupo unido e melhorar o plantio. 11. Torne o seu espaço atraente. Isso também inspira muito a comunidade e atrai novos participantes. Afinal, quem não gosta de estar em um local agradável? 12. Compartilhe refeições comunitárias no jardim. Este é um jeito especial de comemorar a colheita, os árduos meses de trabalho. Além disso, é sempre gostoso dividir uma refeição com a família e os amigos. Veja os 12 passos para construção de uma horta comunitária CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 69 1. Comece a falar sobre uma horta comunitária. Antes de plantar a semente, plante a ideia. 2. Encontre o espaço ideal. Em grandes cidades as áreas livres estão cada vez mais escassas. 3. Pesquise se existe algum tipo de subsídio na sua região. Algumas prefeituras disponibilizam sementes, ferramentas e até instrutores para ensinarem as primeiras técnicas. Existem também ONGs e coletivos que ajudam os novos agricultores. 4. Tenha canteiros individuais. Dessa forma, cada família ou pessoa é responsável por seu próprio cultivo. 5. Inicie um sistema de compostagem. Um sistema simples é a composteira caseira ou minhocário. 6. Dê liberdade aos participantes. Cada pessoa pode escolher o que será plantado no seu espaço. 7. Faça uma cerca. A cerca é uma opção apenas para manter animais domésticos, como cães e gatos, longe do plantio. 8. Tenha regras. Em hortas comunitárias é ideal ter um planejamento. Escalas que determinam atividades e responsáveis, por exemplo, é algo essencial. 9. Pode ser necessária a criação de um conselho informal. Em alguns casos, é necessário que haja uma liderança que ajude a manter a horta sob controle, e que esteja apta e disposta a resolver atritos, receber sugestões e criar novas soluções para elevar a qualidade do local. 10. Convide pessoas experientes para conversar com a comunidade. Receber bons conselhos e trocar experiências é essencial para manter o grupo unido e melhorar o plantio. 11. Torne o seu espaço atraente. Isso também inspira muito a comunidade e atrai novos participantes. Afinal, quem não gosta de estar em um local agradável? 12. Compartilhe refeições comunitárias no jardim. Este é um jeito especial de comemorar a colheita, os árduos meses de trabalho. Além disso, é sempre gostoso dividir uma refeição com a família e os amigos. Veja os 12 passos para construção de uma horta comunitária Fonte: Instituto Polis. Hortas Urbanas: moradia urbana com Tecnologia social. 2015. Disponível em: https:// polis.org.br/wp-content/uploads/2020/03/ Hortas-Urbanas-FINAL-bx-site.pdf As hortas comunitárias, em especial as urbanas, possibilitam a melhoria no acesso a ali- mentos in natura pela população, beneficiando o ambiente como um todo, e favorecendo a relação da comunidade com o bairro e o seu entorno por meio do cultivo ecológico de ali- mentos e ervas medicinais em hortas, jardins, canteiros suspensos e outras possibilidades a depender da realidade local. SAIBA MAIS Se você tem interesse em iniciar o cultivo de hortas no seu local de atuação, na sua comunidade, acesse também o manual do Instituto Pólis para conhecer os detalhes! A cartilha está disponível para download na página do instituto clicando aqui. Existem muitas experiências do LIS EAN em diferentes eixos da EAN no Brasil. A fim de compartilhar as ações e inspirar ideias, apresentamos as “Experiências selecionadas no LIS EAN na APS”, clique aqui e acesse o material. Além disso, veja também a experiência de uma horta mantida dentro da UBS, como uma atividade desenvolvida na APS, clique aqui e acompanhe as “Vivências na horta “Viva Jacarezinho”: agroecologia e o cuidado em saúde na comunidade do Jacarezinho”. https://polis.org.br/wp-content/uploads/2020/03/�Hortas-Urbanas-FINAL-bx-site.pdf https://polis.org.br/wp-content/uploads/2020/03/�Hortas-Urbanas-FINAL-bx-site.pdf https://autossustentavel.com/wp-content/uploads/2017/09/Hortas-Urbanas-FINAL-bx-site.pdf https://public.tableau.com/app/profile/apsredes/viz/shared/NYRPB6XWQ https://apsredes.org/eventos/lis-an-nu-aps/vivencias-na-horta-viva-jacarezinho-agroecologia-e-o-cuidado-em-saude-na-comunidade-do-jacarezinho/ https://apsredes.org/eventos/lis-an-nu-aps/vivencias-na-horta-viva-jacarezinho-agroecologia-e-o-cuidado-em-saude-na-comunidade-do-jacarezinho/CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 70 Implementação de restaurantes populares, cozinhas comunitárias e bancos de alimentos A mudança no estilo de vida, as distâncias entre local de trabalho e residência, a redu- ção do tempo livre e a perda das habilidades culinárias têm impactado no aumento da alimentação fora dos domicílios no Brasil (BEZERRA, 2021). Entretanto, sabe-se que o cus- to dessa forma de alimentação é alto, o que faz com que muitas pessoas não tenham acesso a refeições adequadas, substituindo-as por lanches, geralmente com alimentos ultraprocessados. Neste sentido, os Equipamentos Públicos de Segurança Alimentar e Nutricional (EPSAN) são de extrema relevância. Eles são unidades específicas ou rede de equipamentos que apoiam a produção, o abastecimento e o consumo de alimentos saudáveis, visando redu- zir a insegurança alimentar e promover acesso à alimentação saudável. Como exemplos temos os bancos de alimentos, as cozinhas comunitárias, os restaurantes populares, entre outros. Neste contexto, destaca-se o Mapeamento de Segurança Alimentar e Nutricional (MapaSAN), uma pesquisa sistemática realizada periodicamente desde 2014 pela CAISAN, com o objetivo de fornecer subsídios para a formulação e avaliação de políticas públicas de segurança alimentar e nutricional (SAN) em âmbito nacional. Além de auxiliar no moni- toramento da implementação do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SNSAN) em estados e municípios, o MapaSAN 2022 focou em três áreas principais: a identificação das ações de SAN nos municípios, o levantamento das estruturas de gestão e controle social dedicadas a essas ações, e o mapeamento dos equipamentos públicos de SAN, como restaurantes populares, cozinhas comunitárias, feiras e centrais de abaste- cimento da agricultura familiar. Essa abordagem abrangente visa fortalecer a coordenação e eficácia das políticas públicas voltadas para a melhoria da segurança alimentar e nutri- cional no país. Os restaurantes populares são uma solução viável para minimização dos impactos dessas mudanças, priorizando e garantindo o Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA) às pessoas em maior vulnerabilidade social (PADRÃO; AGUIAR, 2018). Os restaurantes popu- lares têm como principal objetivo a produção e oferta de refeições saudáveis e que incenti- vem os costumes culinários locais. Essas refeições são oferecidas a preços acessíveis ou até mesmo gratuitamente, com um foco especial em atender as necessidades das popula- ções que enfrentam vulnerabilidade social (BRASIL, 2016a; BRASIL, 2004). CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 71 Na sua origem, esses restaurantes foram pensados para cidades com mais de 100 mil ha- bitantes, com elevado número de pessoas em situação de vulnerabilidade ou insegurança alimentar e nutricional. Além disso, por regra, devem ter capacidade de atendimento de mais de 1.000 indivíduos diariamente (BRASIL, 2004, 2016a). Caso o município em que você trabalha não tenha 100 mil habitantes ou mais, é possível, mediante as necessidades identificadas, mobilizar a gestão local para realizar projetos de restaurantes populares com menores proporções. Para exemplificar as possibilidades de implementação de restaurante popular, conheça a experiência a seguir. No município de Boa Esperança, no Paraná, mesmo tendo menos de 5.000 habitantes, foi implementado um restaurante popular. Tal feito fez com que a cidade se tornasse o menor município do Brasil com restaurante popular. Para acessar o restaurante, que apresenta capacidade para até 50 refeições por dia, a pessoa deve estar vinculada a um dos programas de assistência do Governo Federal ou ter renda per capita familiar menor que meio salário-mínimo e fazer o cadastro junto à prefeitura. Assim, basta apresentar a carteirinha e pagar R$ 1,00 por pessoa. O restaurante ainda incentiva o pequeno produtor local, visto que há comercialização dos produtos regionais diretamente para a administração do restaurante, por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Além dos restaurantes populares, outras estratégias como as cozinhas comunitárias e os bancos de alimentos proporcionam ambientes alimentares mais adequados e saudáveis nos territórios. As cozinhas comunitárias representam estruturas de menor porte que ge- ralmente têm capacidade mínima para produzir 100 refeições diárias, operando pelo me- nos cinco dias por semana. Para além de proporcionar acesso a refeições saudáveis a CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 72 indivíduos em situação de vulnerabilidade social e insegurança alimentar e nutricional, elas têm o propósito de fomentar atividades de inclusão social produtiva, fortalecimento do en- gajamento coletivo e reforço da identidade comunitária. Além disso, buscam promover ações de educação alimentar e nutricional. O alcance das cozinhas comunitárias é destinado a todos, porém o programa foi concebido com o in- tuito de atender indivíduos encaminhados pelos serviços de assistência social, como os Centros de Referência em Assistência Social (CRAS) (BRASIL, 2024, 2016a; ANTÔNIO; DA SILVA GUERRA, 2022). Os bancos de alimentos consistem em estruturas físicas que prestam o serviço de recolhi- mento e/ou recepção de gêneros alimentícios doados pelos setores públicos e privados, os quais seriam desperdiçados. Esses alimentos são direcionados de maneira gratuita para instituições sociais que atendem indivíduos em situação de extrema vulnerabilidade social (BRASIL, 2016a). Um dos objetivos primordiais dos bancos de alimentos é facilitar a logística relacionada às aquisições públicas de alimentos, como aquelas efetuadas no âmbito do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Além disso, essas instalações desempenham um papel fundamental na promoção da Educação Alimentar e Nutricional (EAN) em conjunto com instituições que prestam assis- tência a indivíduos em condições de vulnerabilidade social e financeira. O público beneficiado engloba organizações de assistência social e outros Equipamentos Públicos de Segurança Alimentar e Nutricional (EPSAN) (BRASIL, 2016a). Para implemen- tá-los, as prefeituras e governos estaduais com a necessidade de estabelecer esses recur- sos podem solicitar financiamento por meio de Emendas Parlamentares no contexto dos Projetos de Lei Orçamentária Anual. A administração e manutenção desses recursos (tanto em termos financeiros quanto ope- racionais) recaem sobre a esfera do poder público local, seja a nível estadual ou municipal. Nesse contexto, podem ser estabelecidas parcerias para colaborar com a operação, porém a supervisão e o monitoramento das atividades devem permanecer sob a responsabilidade do poder público local. CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 73 DESTAQUE Destaca-se que o Decreto nº 11.937/2023 regulamentou o Programa Cozinha Solidária, com o objetivo de fornecer alimentação gratuita e de qualidade para pessoas em situação de vulnerabilidade, incluindo a população em situação de rua e em insegurança alimentar. O programa, articulado com o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, promove a produção e distribuição de refeições adequadas em cozinhas comunitárias, administradas por organizações da sociedade civil. Além de garantir o acesso à alimentação saudável, o decreto incentiva a compra de alimentos da agricultura familiar e busca fortalecer a economia solidária e práticas sustentáveis na produção alimentar. Lembre-se que o MAPA SAN é uma importante ferramenta para o planejamento e execução de ações relacionadas à Segurança Alimentar e Nutricional e a Promoção da Alimentação Adequada e Saudável. Ele permite identificar as áreas mais vulneráveis à insegurança ali- mentar, oferecendo dados detalhados sobre a situação nutricional das populações, a dis- ponibilidade de alimentos, além de fatores socioeconômicose ambientais que impactam o acesso à alimentação adequada. Profissionais que atuam nessas áreas podem utilizar o MAPA SAN para direcionar políticas públicas, priorizar ações em territórios com maior necessidade, além de avaliar o impacto de intervenções já realizadas. Assim, é possível estabelecer as necessidades e implementar estratégias como os restaurantes populares, cozinhas comunitárias e bancos de alimentos para combater situações de insegurança ali- mentar, promovendo o direito à alimentação adequada como parte da garantia de saúde e bem-estar da população. 3.1.2 Ações para adoção das recomendações do Guia em nível coletivo A APS, devido a sua proximidade com a população e o papel de atuar na prevenção de doenças e promoção da saúde, tem como uma de suas abordagens mais importantes as ações coletivas. Em geral, elas são executadas de forma multiprofissional e/ou interseto- rial, por meio da realização de atividades em grupos, mediante a demandas programáticas. As ações podem ser definidas como: grupo de usuários com hipertensão, usuários com diabetes, mulheres, gestantes, idosos, alimentação saudável, atividade física, entre outros. Essas atividades são realizadas para promoção da saúde, prevenção de doenças e agravos, bem como para atuar na complementaridade terapêutica (MAFFACCIOLLI; LOPES, 2011). CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 74 Além disso, as atividades também contribuem para otimização da rotina dos profissionais de saúde, para a prática interprofissional, bem como para formação de vínculo entre usu- ários. A abordagem coletiva é um instrumento eficiente para auxiliar na abordagem inte- gral dos usuários. As atividades em grupo promovem uma escuta ampliada e o reconheci- mento coletivo dos problemas de saúde, gerando empatia e mobilização dos membros da comunidade, diferente do atendimento individual. No caso das abordagens coletivas para promoção da AAS no contexto brasileiro, existem importantes publicações alinhadas com o Guia que subsidiam essas atividades, seja para a população adulta ou idosa, com desta- que para: Marco de Referência de Educação Alimentar e Nutricional para as Políticas Públicas Visa estabelecer um espaço compartilhado para a análise con- junta e o direcionamento da prática, abrangendo um conjunto de abordagens de Educação Alimentar e Nutricional (EAN) origina- das predominantemente de ações governamentais. Essas ini- ciativas englobam diferentes setores relacionados à cadeia de produção, distribuição, fornecimento e consumo de alimentos (BRASIL, 2012). Clique aqui para ler. Instrutivo: Metodologia de Trabalho em Grupos para Ações de Alimentação e Nutrição na Atenção Básica Tem objetivo de auxiliar profissionais de diferentes categorias na realização de ações para promoção de uma AAS, bem como para o enfrentamento do atual cenário epidemiológico, representado pelo aumento significativo do excesso de peso, das DCNTs e de impor- tantes mudanças no consumo alimentar. O instrutivo tem como base a EAN e visa promover reflexões das pessoas sobre sua vida e que proporcionem autonomia no cuidado (BRASIL, 2016b). Clique aqui para ler. https://www.cfn.org.br/wp-content/uploads/2017/03/marco_EAN.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/instrutivo_metodologia_trabalho_alimentacao_nutricao_atencao_basica.pdf CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 75 Nas atividades coletivas é importante dar protagonismo para cooperação e troca de co- nhecimentos entre os participantes. Ou seja, a ideia de “palestra” com fala unidirecional deve ser evitada, visto que não promove engajamento e construção do sentimento de per- tencimento às atividades. Assim, prefira uma abordagem de construção coletiva e dialógica que utilize metodologias ativas e que permita a troca entre você, seus colegas e os usuários, sempre trazendo con- teúdos e problemas que tenham relação com a realidade específica vivenciada na comuni- dade, contextualizando a temática (BRASIL, 2016b). Os grupos educativos são uma ótima ferramenta para esse tipo de abordagem, pois de- sempenham um papel fundamental na promoção da saúde, reconhecendo nossa nature- za como seres sociais. Em sociedade, nossa saúde é interdependente, e a formação de grupos se baseia em interesses compartilhados. Apesar das diversidades individuais, es- sas ações coletivas são oportunidades para unir conhecimentos e criar caminhos para o bem-estar. Desse modo, os grupos educativos funcionam como espaços de interação entre as equi- pes de saúde e a comunidade, gerando trocas valiosas e construção conjunta de transfor- mações positivas. É crucial que os conhecimentos compartilhados nesses grupos sejam abordados com foco na aprendizagem significativa e na socialização das ideias coletivas. Os profissionais de saúde assumem o papel de facilitadores desse processo reflexivo e criativo, orientando indivíduos para escolhas saudáveis de acordo com suas possibilida- des. Nesse contexto, a educação se integra à prática da saúde, e todos devem abraçar o papel de aprendizes, compreendendo a realidade e colaborando para transformações posi- tivas e contínuas (CRUZ et al., 2020). CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 76 Espaços dos grupos comunitários; Locais de atividades físicas; Escolas; Creches; Associações; Destaca-se que é necessário expandir as abordagens dos grupos para além das unidades de saúde, indo para os diferentes dispositivos do território, tais como: Redes de assistência social; Ambientes de trabalho; Polos da Academia da Saúde; Entre outros. Para serem eficazes, as estratégias educativas devem facilitar encontros dinâmicos e participativos, que sejam acessíveis para indivíduos com diferentes níveis de instrução. Além disso, essas abordagens precisam ser flexíveis o suficiente para se adequar a todas as fases da vida e devem ser adaptadas de acordo com as realidades locais. A seguir apresentaremos como funcionam e alguns exemplos práticos de atividades cole- tivas para promoção da AAS. Acompanhe! 3.1.2.1 Funcionamento dos grupos educativos para promoção da AAS Para a realização de grupos que tenham adesão, eficiência e continuidade é necessário um bom planejamento das atividades que serão desenvolvidas. O processo de planejamento deve envolver desde a identificação dos problemas na realidade até a avaliação dos pro- gramas desenvolvidos para seu aperfeiçoamento, contemplando assim as seguintes eta- pas: diagnóstico das necessidades (realidades), construção de plano de ação e avaliação das atividades. Diagnóstico das necessidades (realidade) Identificar com base em dados dos sistemas e registros de Vigilância Alimentar Nutricional (VAN), de territorialização, dos prontuários ou de outras fontes que ajudem a priorizar os temas necessários de serem trabalhados com a população. Construção de plano de ação Estruturar o planejamento das atividades identificando os responsáveis pelas atividades, objetivos, número de participantes, prazos, recursos necessários e cronograma. Aqui é necessário definir a estratégia pedagógica a ser utilizada, recomenda-se com base no marco de EAN a utilização de metodologias ativas que coloquem os usuários como protagonistas. Assim, deve-se envolver a comunidade desde o planejamento. Avaliação das atividades Estruturar e realizar avaliação das atividades, dos encontros e dos grupos como um todo, pelos participantes e profissionais. Sugere-se identificar conhecimentos construídos, avaliar as estratégias e os materiais utilizados, a participação e opinião dos indivíduos, as mudanças na alimentação e na saúde, dentre outros. CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 77 Diagnóstico das necessidades (realidade) Identificar com base em dados dos sistemas e registros de Vigilância Alimentar Nutricional (VAN), de territorialização, dos prontuários ou de outras fontes que ajudem a priorizar os temas necessáriosde serem trabalhados com a população. Construção de plano de ação Estruturar o planejamento das atividades identificando os responsáveis pelas atividades, objetivos, número de participantes, prazos, recursos necessários e cronograma. Aqui é necessário definir a estratégia pedagógica a ser utilizada, recomenda-se com base no marco de EAN a utilização de metodologias ativas que coloquem os usuários como protagonistas. Assim, deve-se envolver a comunidade desde o planejamento. Avaliação das atividades Estruturar e realizar avaliação das atividades, dos encontros e dos grupos como um todo, pelos participantes e profissionais. Sugere-se identificar conhecimentos construídos, avaliar as estratégias e os materiais utilizados, a participação e opinião dos indivíduos, as mudanças na alimentação e na saúde, dentre outros. Nas atividades do grupo com os usuários, recomenda-se a utilização de uma perspecti- va problematizadora, baseada nas necessidades dos participantes. O Arco de Maguerez, adaptado por Bordenave e Pereira, em 1982 (BERDEL, 1998), apresenta cinco passos que nos ajudam a estruturar as atividades. Acompanhe a seguir! Cinco passos para estruturar atividades Realidade Cinco s para 1 2 3 4 5 Observação da realidade Pontos chave com questões levantadas para serem discutidas Teorização Hipóteses de solução Aplicação na realidade Sabe-se que a alimentação humana é complexa e faz parte do contexto social, econômico e cultural em que as pessoas estão inseridas; assim, mudanças nesse e em outros hábitos de vida são desafiadoras (CRUZ et al., 2020). As atividades grupais são um suporte e um CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 78 estímulo para tais modificações, visto que dispõem de apoio dos profissionais da saúde e dos colegas (BRASIL, 2016b). Desse modo, as ações educativas em grupo devem envolver atividades que possibilitem o resgate da autoestima; a visão crítica sobre a alimentação, a mídia e a propaganda de ali- mentos; a promoção e incentivo ao movimento, à brincadeira e à inclusão social; a relação com a realidade e as necessidades locais; e a compreensão dos temas trabalhados pelos profissionais. Os profissionais de saúde, muitas vezes, por conta de sua formação, têm dificuldades de realizar atividades coletivas ou a realizam de forma verticalizada, dificultando a adesão e a eficiência das atividades. Neste sentido, o “Instrutivo: Metodologia de Trabalho em Grupos para Ações de Alimentação e Nutrição na Atenção Básica” (BRASIL, 2016b) apresenta tan- to uma base teórica quanto atividades práticas a partir das três estratégias educativas lis- tadas a seguir, confira. Oficina Possibilita o diálogo e a interação favorecendo a construção coletiva do co- nhecimento e de práticas. Pode possuir duração de aproximadamente 60 minutos. Ação no ambiente Implica a modificação do ambiente, a discussão e a reflexão crítica sobre as práticas alimentares e seus resultantes. Pode possuir duração média de 15 minutos. Painel Utilizado como meio de informação, no intervalo das atividades presenciais, visando promover a reflexão, informar os usuários e estimar a participação nas atividades coletivas. CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 79 Para planejar as oficinas é importante um roteiro para os profissionais da saúde, o qual contenha objetivos; breve referencial teórico sobre o tema; indicação de outras leituras re- lacionadas, que poderão apoiar o profissional que deseja se aprofundar sobre a temáti- ca; descrição completa das estratégias e dos materiais educativos utilizados; e sugestões para uso do diário de bordo, livro de receitas, painel e folder. Além disso, planejar e estrutu- rar os recursos necessários para a realização da atividade é essencial. Assim como, reali- zar uma avaliação da atividade educativa e dar retorno para o profissional que está atuan- do como facilitador do processo educativo, essas ações podem qualificar a experiência de aprendizagem dos usuários. Acompanhe, a seguir, as sete oficinas sugeridas e roteirizadas no instrutivo. Atividade Objetivos Oficina 1: Quem somos nós. (pág 45) Refletir sobre o conceito ampliado de saúde associado com a Promoção da Alimentação Adequada e Saudável (PAAS). Discutir a necessidade e a importância do consumo de alimentos in natura e minimamente processados e preparações culinárias versus alimentos ultraprocessados. Veja as 7 oficinas sugeridas e roteirizadas no instrutivo. Oficina 2: O que é saúde para você? (pág 55) Refletir sobre os fatores que interferem (positivos e negativos) na saúde. Discutir a importância da PAAS para manutenção/melhoria da saúde. Discutir a necessidade e a importância do consumo de alimentos in natura e minimamente processados e preparações culinárias versus alimentos ultraprocessados. Oficina 3: Tempestade de dúvidas. (pág 64) Discutir dúvidas sobre alimentação adequada e saudável. Refletir sobre a importância de buscar informações sobre alimentação e nutrição em fontes seguras. Discutir o conceito de alimentação adequada e saudável para além da ingestão de nutrientes e alimentos específicos. Oficina 4: Alimentação saudável: por onde começar? A balança das escolhas. (pág 72) Aprofundar o conhecimento sobre alimentação. Discutir determinantes das escolhas alimentares e consequências para a saúde. Refletir sobre obstáculos e facilitadores para escolhas alimentares saudáveis. Oficina 5: Planejando a minha alimentação. (pág 80) Reconhecer a importância do planejamento para realizar mudanças. Discutir sobre os obstáculos para realizar mudanças na alimentação com vistas a torná-la adequada e saudável. Oficina 6: Saboreando uma alimentação adequada e saudável. (pág 89) Estimular as habilidades culinárias dos participantes. Conhecer e degustar preparações culinárias com reduzidas quantidades de óleo, sal e açúcar. Identificar alternativas para a maior palatabilidade dessas preparações. Oficina 7: Laboratório dos gostos. (pág 95) Estimular os sentidos sensoriais. Experimentar alimentos utilizando os sentidos sensoriais. Discutir a alimentação adequada e saudável para além da ingestão de nutrientes e alimentos específicos. Incentivar o consumo de alimentos saudáveis e preparações culinárias. CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 80 Atividade Objetivos Oficina 1: Quem somos nós. (pág 45) Refletir sobre o conceito ampliado de saúde associado com a Promoção da Alimentação Adequada e Saudável (PAAS). Discutir a necessidade e a importância do consumo de alimentos in natura e minimamente processados e preparações culinárias versus alimentos ultraprocessados. Veja as 7 oficinas sugeridas e roteirizadas no instrutivo. Oficina 2: O que é saúde para você? (pág 55) Refletir sobre os fatores que interferem (positivos e negativos) na saúde. Discutir a importância da PAAS para manutenção/melhoria da saúde. Discutir a necessidade e a importância do consumo de alimentos in natura e minimamente processados e preparações culinárias versus alimentos ultraprocessados. Oficina 3: Tempestade de dúvidas. (pág 64) Discutir dúvidas sobre alimentação adequada e saudável. Refletir sobre a importância de buscar informações sobre alimentação e nutrição em fontes seguras. Discutir o conceito de alimentação adequada e saudável para além da ingestão de nutrientes e alimentos específicos. Oficina 4: Alimentação saudável: por onde começar? A balança das escolhas. (pág 72) Aprofundar o conhecimento sobre alimentação. Discutir determinantes das escolhas alimentares e consequências para a saúde. Refletir sobre obstáculos e facilitadores para escolhas alimentares saudáveis. Oficina 5: Planejando a minha alimentação. (pág 80) Reconhecer a importância do planejamento para realizar mudanças. Discutir sobre os obstáculos para realizar mudanças na alimentação54 3.1 O Guia como instrumento indutor de ações para promoção da alimentação adequada e saudável ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ 55 3.1.1 Ações para adoção das recomendações do Guia em nível intersetorial e no território --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 59 3.1.2 Ações para adoção das recomendações do Guia em nível coletivo ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 73 3.2 Materiais para promoção da alimentação adequada e saudável baseados no Guia --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 84 Encerramento da Unidade ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 85 Encerramento do Curso --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 85 Autores ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 86 CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA Apresentação do Curso Na unidade 1 – “Guia Alimentar para População Brasileira e Classificação NOVA” – será abordada a linha do tempo acerca do processo histórico de criação do GAPB bem como os principais aspectos incorporados na versão mais atual do guia e seus princípios norte- adores. Será apresentada a classificação NOVA, a partir do nível de processamento dos alimentos, a regra de ouro, os dez passos para alimentação saudável e as principais reco- mendações do GAPB. Na unidade 2 – “Alimentos Ultraprocessados e Uso do GAPB na orientação da alimentação adequada e saudável” –, será abordado o reconhecimento dos alimentos ultraprocessados a partir da nova rotulagem nutricional, seus impactos sobre a saúde, incluindo os prejuízos na qualidade da dieta, o impacto sobre o excesso de peso e nas doenças crônicas não transmissíveis e a regulação desta categoria de alimentos bem como abordagens adequa- das com base no GAPB. Na unidade 3 – “Ações para Promoção da Alimentação Adequada e Saudável a partir do GAPB” –, apresentaremos o GAPB como um documento norteador de políticas públi- cas, programas e ações voltadas para promoção da alimentação adequada e saudável. Também serão apresentadas ações coletivas, intersetoriais e no território, além de mate- riais para promoção da alimentação adequada e saudável fundamentados no GAPB. Objetivos de aprendizagem e carga horária Apresentar o sistema de classificação NOVA referente ao nível de processamento dos ali- mentos, as recomendações e a regra de ouro propostas pelo Guia Alimentar para População Brasileira, bem como os impactos dos alimentos ultraprocessados na saúde. Carga horária: 30 horas. UNIDADE 1 Guia alimentar para a população brasileira e a Classificação NOVA CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 9 Objetivo da Unidade Ao final desta unidade, você deverá compreender o histórico da criação do Guia, seus prin- cípios e recomendações, bem como estar apto a classificar os alimentos a partir do nível e propósito do processamento, utilizando a Classificação NOVA. Apresentação A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda, por meio da Estratégia Global para a Promoção da Alimentação Saudável, Atividade Física e Saúde, que os governos estabele- çam e atualizem regularmente diretrizes nacionais de alimentação e nutrição, consideran- do mudanças nos hábitos alimentares e na saúde da população bem como os avanços científicos. Essas diretrizes visam apoiar a educação alimentar e nutricional e orientar as políticas e os programas de alimentação e nutrição em todo o território nacional. A criação de Guias alimentares é um componente vital desse esforço, integrando-se a um conjunto de ações para aprimorar a qualidade da alimentação da população e promover a saúde. A OMS destaca ainda a importância de fornecer informações claras e acessíveis à popu- lação, facilitando escolhas alimentares mais saudáveis, com respeito à diversidade cultu- ral e visando a compreensão universal das mensagens. Ao longo desta jornada, você vai conferir os princípios norteadores da elaboração do Guia, a linha do tempo dos principais acontecimentos entre 2006 e 2014, a NOVA classificação dos alimentos a regra de ouro, como combinar os alimentos em refeições, além de orientações sobre o ato de comer e a comensalidade. Prepare-se para aprofundar seus conhecimentos e adquirir as habilidades necessárias para orientar sobre escolhas alimentares mais conscientes e saudáveis. Para tanto, disponibili- zamos uma situação problema que subsidiará a sua compreensão do conteúdo a partir da trilha de aprendizagem do curso. Ao final desta unidade, você estará preparado para atuar na promoção da alimentação adequada e saudável da população em seu território. Vamos começar! CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 10 1.1 Criação e atualização do guia No âmbito das iniciativas governamentais brasileiras para promover a saúde e a seguran- ça alimentar e nutricional, em 2006, o Ministério da Saúde lançou o Guia Alimentar para a População Brasileira – Promovendo a Alimentação Saudável, introduzindo as primeiras diretrizes alimentares oficiais. Esse Guia se tornou uma referência ao enfatizar hábitos ali- mentares adequados e saudáveis. Nesta primeira versão, o Guia enfocou na definição dos grupos alimentares e orientações de quantidades diárias a serem consumidas pela população brasileira. A partir de 2011, ali- nhado com a recomendação da OMS de revisar periodicamente as orientações para uma alimentação saudável, o Ministério da Saúde iniciou a atualização do Guia. Essa atualização foi estabelecida como meta no Plano Plurianual e no 1º Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (PLANSAN), entre 2012 e 2015. O Guia é uma das estratégias da Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN), cujo propósito é a melhoria das condições de alimentação, nutrição e saúde da população bra- sileira, mediante a promoção de práticas alimentares adequadas e saudáveis, a vigilância alimentar e nutricional, a prevenção e o cuidado integral dos agravos relacionados à ali- mentação e nutrição. Tal estratégia envolve assegurar o acesso regular e justo a uma alimentação que atenda às necessidades biológicas e sociais, considerando aspectos culturais, de gênero, raça e etnia. O Guia se baseia em princípios de variedade, equilíbrio, moderação e prazer, incenti- vando práticas e sistemas alimentares saudáveis e sustentáveis. Essa diretriz é prioritária na Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS), implementada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em colaboração com outros setores, com ênfase na participação da co- munidade. A expansão e o aprimoramento dos ser- viços de saúde básicos recentemente proporcionam uma oportunidade para integrar práticas de promo- ção da saúde em todo o país, apoiadas por políti- cas como a Políticacom vistas a torná-la adequada e saudável. Oficina 6: Saboreando uma alimentação adequada e saudável. (pág 89) Estimular as habilidades culinárias dos participantes. Conhecer e degustar preparações culinárias com reduzidas quantidades de óleo, sal e açúcar. Identificar alternativas para a maior palatabilidade dessas preparações. Oficina 7: Laboratório dos gostos. (pág 95) Estimular os sentidos sensoriais. Experimentar alimentos utilizando os sentidos sensoriais. Discutir a alimentação adequada e saudável para além da ingestão de nutrientes e alimentos específicos. Incentivar o consumo de alimentos saudáveis e preparações culinárias. CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 81 Destaca-se que cada uma delas tem uma descrição bem minuciosa, visando auxiliar o profissional na implementação das atividades coletivas sobre alimentação e nutrição, adaptando à sua realidade. As atividades relacionadas a ações no ambiente devem ser utilizadas de forma intercalada com as oficinas, ou ainda em outros momentos, buscando estimular a população a refletir sobre alimentação saudável. A seguir, verifique as ações e as sequências sugeridas no instrutivo. Além disso, temos os paineis, uma outra ação no ambiente para ampliar o contato dos usuários com temas rela- cionados à AAS. As atividades do tipo “Painel” devem ser utilizadas de forma intercalada com as oficinas ou ainda em outros momentos, buscando estimular a população a refletir sobre AAS. A seguir, confira alguns exemplos sugeridos no Instrutivo. Atividade Painéis Painel Momento Zero: “Quem somos nós?” (pág 133) Divulgar as ações de alimentação e nutrição. Discutir a importância da alimentação. Apresentar alimentos regionais. Conhecer os alimenos mais consumidos no Brasil. Veja a descrição dos painéis e respectivos objetivos. Painel 1: O que é saúde para você? (pág 135) Registrar a participação dos usuários nas ações. Apresentar alimentos regionais. Discutir sobre a culinária brasileira. Painel 2: Para escolhas alimentares mais saudáveis. (pág 137) Discutir a importância de informações seguras sobre alimentação. Motivar a leitura dos rótulos dos alimentos. Apresentar preparações culinárias em substituição aos produtos processados ou ultraprocessados, como cereais ou grãos integrais. Painel 3: Como melhor aproveitar os alimentos? (pág 139) Desenvolver e degustar preparações culinárias saudáveis (reduzidas quantidades de sal, óleo e açúcar); saborosas, práticas e acessíveis financeiramente. Incentivar a prática de preparações culinárias saudáveis. Painel 4: Encerramento das atividades (pág 141) Registrar a participação dos usuários no Festival Gastronômico. Expor fotos e receitas das preparações culinárias vencedoras. CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 82 Atividade Painéis Painel Momento Zero: “Quem somos nós?” (pág 133) Divulgar as ações de alimentação e nutrição. Discutir a importância da alimentação. Apresentar alimentos regionais. Conhecer os alimenos mais consumidos no Brasil. Veja a descrição dos painéis e respectivos objetivos. Painel 1: O que é saúde para você? (pág 135) Registrar a participação dos usuários nas ações. Apresentar alimentos regionais. Discutir sobre a culinária brasileira. Painel 2: Para escolhas alimentares mais saudáveis. (pág 137) Discutir a importância de informações seguras sobre alimentação. Motivar a leitura dos rótulos dos alimentos. Apresentar preparações culinárias em substituição aos produtos processados ou ultraprocessados, como cereais ou grãos integrais. Painel 3: Como melhor aproveitar os alimentos? (pág 139) Desenvolver e degustar preparações culinárias saudáveis (reduzidas quantidades de sal, óleo e açúcar); saborosas, práticas e acessíveis financeiramente. Incentivar a prática de preparações culinárias saudáveis. Painel 4: Encerramento das atividades (pág 141) Registrar a participação dos usuários no Festival Gastronômico. Expor fotos e receitas das preparações culinárias vencedoras. Por fim, além das oficinas, dos painéis e das ações no ambiente propostos pelo instrutivo, a seguir disponibilizamos outras sugestões de atividades que podem ser utilizadas nas ações de alimentação e nutrição conduzidas na APS (LOPES; SEBOLD; FREITAS, 2020): Atividades Sugeridas Recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira Discutir no grupo sobre comportamento alimentar baseado na música “Comida”, do grupo Titãs. Perguntas como: “Você tem fome de quê?”; “Você come para quê?”; “Você come o quê?”. Estimular a reflexão sobre os determinantes culturais e sociais do comportamento alimentar. Valorizar a alimentação como mais do que a ingestão de nutrientes, mas um ato social e cultural. Veja as atividades sugeridas e as recomendações do Guia para ações de alimentação e nutrição na APS. Organizar grupos que problematizam situações do cotidiano sobre alimentação na vida moderna (comer com pressa, comer vendo televisão, comer sozinho, substituir refeição por lanche). Promover a prática de refeições em ambientes tranquilos e em grupo, sem a presença de eletrônicos, para fortalecer o prazer e a convivência social durante as refeições. Estimular a percepção da influência dos sentidos na alimentação (de olhos vendados, identificar alimentos pelo olfato, paladar e tato). Valorizar o consumo consciente e a apreciação dos alimentos, ressaltando a importância de prestar atenção aos sinais de fome e saciedade e ao prazer de comer. Debater com os usuários sobre a “comida com gosto de infância” (memórias afetivas sobre o que comiam, quem fazia, como e em que ocasiões). Reconhecer e valorizar a herança culinária, incentivando o consumo de preparações culinárias baseadas em alimentos in natura ou minimamente processados e a transmissão de conhecimentos culinários entre gerações. Registrar e discutir as mudanças nos hábitos alimentares e na forma de preparação dos alimentos ao longo do tempo. Discutir o impacto dos alimentos ultraprocessados nos hábitos alimentares e promover o retorno ao preparo de refeições com alimentos in natura ou minimamente processados. Pesquisar, no próprio grupo, participantes de outras regiões/países e incentivar a troca de conhecimentos sobre hábitos alimentares e pratos típicos. Valorizar a diversidade cultural na alimentação, reconhecendo a pluralidade de preparações regionais e incentivando o consumo de alimentos in natura ou minimamente processados locais. Pesquisar os alimentos da safra e da região, explorando como se alimentar de forma saudável e com menor custo ao longo do ano. Incentivar o consumo de alimentos in natura ou minimamente processados considerando a safra e a redução do impacto ambiental e promovendo a diversidade alimentar com base na produção local. Com o tema “Vamos às compras?”, criar atividade com gravuras de alimentos in natura, minimamente processados, processados e ultraprocessados. Orientar a escolha de alimentos in natura ou minimamente processados no momento da compra, reduzindo o consumo de produtos ultraprocessados, que impactam negativamente a saúde. Organizar oficinas culinárias com degustação e troca de receitas saudáveis, respeitando hábitos alimentares e recursos locais. Incentivar o preparo de alimentos com in natura ou minimamente processados, resgatando preparações culinárias tradicionais e valorizando a cozinha como ato de autonomia e saúde. CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 83 Atividades Sugeridas Recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira Discutir no grupo sobre comportamento alimentar baseado na música “Comida”, do grupo Titãs. Perguntas como: “Você tem fome de quê?”; “Você come para quê?”; “Você come o quê?”. Estimular a reflexão sobre os determinantes culturais e sociaisdo comportamento alimentar. Valorizar a alimentação como mais do que a ingestão de nutrientes, mas um ato social e cultural. Veja as atividades sugeridas e as recomendações do Guia para ações de alimentação e nutrição na APS. Organizar grupos que problematizam situações do cotidiano sobre alimentação na vida moderna (comer com pressa, comer vendo televisão, comer sozinho, substituir refeição por lanche). Promover a prática de refeições em ambientes tranquilos e em grupo, sem a presença de eletrônicos, para fortalecer o prazer e a convivência social durante as refeições. Estimular a percepção da influência dos sentidos na alimentação (de olhos vendados, identificar alimentos pelo olfato, paladar e tato). Valorizar o consumo consciente e a apreciação dos alimentos, ressaltando a importância de prestar atenção aos sinais de fome e saciedade e ao prazer de comer. Debater com os usuários sobre a “comida com gosto de infância” (memórias afetivas sobre o que comiam, quem fazia, como e em que ocasiões). Reconhecer e valorizar a herança culinária, incentivando o consumo de preparações culinárias baseadas em alimentos in natura ou minimamente processados e a transmissão de conhecimentos culinários entre gerações. Registrar e discutir as mudanças nos hábitos alimentares e na forma de preparação dos alimentos ao longo do tempo. Discutir o impacto dos alimentos ultraprocessados nos hábitos alimentares e promover o retorno ao preparo de refeições com alimentos in natura ou minimamente processados. Pesquisar, no próprio grupo, participantes de outras regiões/países e incentivar a troca de conhecimentos sobre hábitos alimentares e pratos típicos. Valorizar a diversidade cultural na alimentação, reconhecendo a pluralidade de preparações regionais e incentivando o consumo de alimentos in natura ou minimamente processados locais. Pesquisar os alimentos da safra e da região, explorando como se alimentar de forma saudável e com menor custo ao longo do ano. Incentivar o consumo de alimentos in natura ou minimamente processados considerando a safra e a redução do impacto ambiental e promovendo a diversidade alimentar com base na produção local. Com o tema “Vamos às compras?”, criar atividade com gravuras de alimentos in natura, minimamente processados, processados e ultraprocessados. Orientar a escolha de alimentos in natura ou minimamente processados no momento da compra, reduzindo o consumo de produtos ultraprocessados, que impactam negativamente a saúde. Organizar oficinas culinárias com degustação e troca de receitas saudáveis, respeitando hábitos alimentares e recursos locais. Incentivar o preparo de alimentos com in natura ou minimamente processados, resgatando preparações culinárias tradicionais e valorizando a cozinha como ato de autonomia e saúde. CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 84 Atividades Sugeridas Recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira Discutir no grupo sobre comportamento alimentar baseado na música “Comida”, do grupo Titãs. Perguntas como: “Você tem fome de quê?”; “Você come para quê?”; “Você come o quê?”. Estimular a reflexão sobre os determinantes culturais e sociais do comportamento alimentar. Valorizar a alimentação como mais do que a ingestão de nutrientes, mas um ato social e cultural. Veja as atividades sugeridas e as recomendações do Guia para ações de alimentação e nutrição na APS. Organizar grupos que problematizam situações do cotidiano sobre alimentação na vida moderna (comer com pressa, comer vendo televisão, comer sozinho, substituir refeição por lanche). Promover a prática de refeições em ambientes tranquilos e em grupo, sem a presença de eletrônicos, para fortalecer o prazer e a convivência social durante as refeições. Estimular a percepção da influência dos sentidos na alimentação (de olhos vendados, identificar alimentos pelo olfato, paladar e tato). Valorizar o consumo consciente e a apreciação dos alimentos, ressaltando a importância de prestar atenção aos sinais de fome e saciedade e ao prazer de comer. Debater com os usuários sobre a “comida com gosto de infância” (memórias afetivas sobre o que comiam, quem fazia, como e em que ocasiões). Reconhecer e valorizar a herança culinária, incentivando o consumo de preparações culinárias baseadas em alimentos in natura ou minimamente processados e a transmissão de conhecimentos culinários entre gerações. Registrar e discutir as mudanças nos hábitos alimentares e na forma de preparação dos alimentos ao longo do tempo. Discutir o impacto dos alimentos ultraprocessados nos hábitos alimentares e promover o retorno ao preparo de refeições com alimentos in natura ou minimamente processados. Pesquisar, no próprio grupo, participantes de outras regiões/países e incentivar a troca de conhecimentos sobre hábitos alimentares e pratos típicos. Valorizar a diversidade cultural na alimentação, reconhecendo a pluralidade de preparações regionais e incentivando o consumo de alimentos in natura ou minimamente processados locais. Pesquisar os alimentos da safra e da região, explorando como se alimentar de forma saudável e com menor custo ao longo do ano. Incentivar o consumo de alimentos in natura ou minimamente processados considerando a safra e a redução do impacto ambiental e promovendo a diversidade alimentar com base na produção local. Com o tema “Vamos às compras?”, criar atividade com gravuras de alimentos in natura, minimamente processados, processados e ultraprocessados. Orientar a escolha de alimentos in natura ou minimamente processados no momento da compra, reduzindo o consumo de produtos ultraprocessados, que impactam negativamente a saúde. Organizar oficinas culinárias com degustação e troca de receitas saudáveis, respeitando hábitos alimentares e recursos locais. Incentivar o preparo de alimentos com in natura ou minimamente processados, resgatando preparações culinárias tradicionais e valorizando a cozinha como ato de autonomia e saúde. Acesse na íntegra o material Ações Coletivas de Promoção da Alimentação Adequada e Saudável para Prevenção e Controle do Sobrepeso e da Obesidade na Atenção Primária à Saúde clicando aqui. 3.2 Materiais para promoção da alimentação adequada e saudável baseados no Guia Existem diferentes formas de utilizar o Guia para promoção de uma alimentação adequada e saudável no território. O uso de Guia é uma forma de promover a autonomia para os indi- víduos e as famílias, produzindo ambientes saudáveis, sustentáveis e uma sociedade mais justa e saudável. Neste material, caminhos e possibilidades foram abertos para que você implemente ações na sua realidade. A seguir disponibilizamos algumas publicações para instrumentalizar e proporcionar acesso sistematizado aos materiais produzidos com base no Guia para a pro- moção da AAS. Esperamos que sejam úteis. CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 85 Encerramento da Unidade Você finalizou agora a terceira e última unidade de estudos, sobre ações para promoção da alimentação adequada e saudável a partir do Guia. Ao percorrer esta jornada de estudos até aqui, você conferiu como o Guia é um instrumento indutor de ações para promoção da alimentação adequada e saudável e verificou ações para adoção das recomendações do Guia em nível intersetorial e no território, bem como ações em nível coletivo. Além dis- so, também construiu conhecimentos sobre como reconhecer o Guia como norteador de demais ações e políticas públicas para promoção da alimentação adequada e saudável, inclusive intersetoriais, além de conferir materiais voltados para profissionais da saúde. Encerramento do Curso Perfeito! Você finalizou agora este curso, quando pôde conhecer a classificação NOVA do Guia alimentar brasileiro, além das recomendaçõese a regra de ouro propostas pelo Guia. Nesse contexto, você também pôde compreender melhor como identificar os alimentos ul- traprocessados a partir da rotulagem nutricional, além de também compreender os impac- tos dos alimentos ultraprocessados na saúde da população. Além disso, também construiu conhecimentos sobre como reconhecer o Guia como norteador de demais ações e políti- cas públicas para promoção da alimentação adequada e saudável, inclusive intersetoriais, além de conferir materiais voltados para profissionais da saúde. Mantenha esta motivação em sua prática profissional, implementando ações de promoção da alimentação adequada e saudável em seu território e continue sempre aprofundando seus conhecimentos sobre o tema! CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 86 Autores Deise Warmling Pós Doutoranda, Doutora e Mestre em Saúde Coletiva, pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Especialista em Saúde da Família e Graduada em Nutrição, pela UFSC. Nutricionista da Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina - SES/ SC. Membro da equipe de produção de material didático para cursos autoinstrucionais da UNA-SUS/UFSC. Conteudista de cursos e trilhas de aprendizagem para qualificação de gestores e profis- sionais de saúde, para a Prevenção e Controle do Sobrepeso e Obesidade, parceria entre a CGAN/MS e UFSC. Atua na execução de cursos realizados pela UNA-SUS/UFSC como: co- ordenadora de tutoria do Curso de Especialização em Medicina de Família e Comunidade. Participa do Grupo de Pesquisa Violência e Saúde. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/8072187390411463 Dalvan Antônio de Campos Nutricionista formado pela Universidade Federal de Santa Catarina, Mestre e Doutor em Saúde Coletiva pelo Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC/UFSC). Professor do Programa de Pós-Graduação em Ambiente e Saúde da Universidade do Planalto Catarinense (PPGAS/UNIPLAC), membro da Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde da UFSC (UNA-SUS/UFSC) e Pós-doutorando no PPGSC/UFSC. Líder do grupo de pesquisas CASA - Cultura, Ambiente, Saúde e Alimentação (CASA/UNIPLAC) e pesquisador no EPICENES/UFSC e GECAL/UNIPLAC. Editor Chefe da Revista Latino- Americana de Ambiente e Saúde (rLAS). Dedica-se a pesquisas na área da Saúde Coletiva nos seguintes temas: determinantes sociais da saúde e da alimentação, masculinidades e saúde dos homens, obesidade e excesso de peso, cultura e ambientes alimentares, saúde de populações vulneráveis e avaliação de educação a distancia. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/2272195512817044 http://lattes.cnpq.br/8072187390411463 http://lattes.cnpq.br/2272195512817044 CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 87 Carolina Abreu Henn de Araújo Pós Doutoranda, Doutora e Mestre em Saúde Coletiva, pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Licenciada em Pedagogia. Especialista em Segurança dos Alimentos e Graduada em Nutrição. Nutricionista do Instituto Federal de Santa Catarina IFSC. Membro da equipe de produção de material didático para cursos de Prevenção e Controle do Sobrepeso e Obesidade, parceria entre a Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição e o Ministério da Saúde (CGAN/MS) e UFSC. Participa do Grupo de Pesquisa Violência e Saúde. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/6612955173358278 http://lattes.cnpq.br/6612955173358278 1.3 Guia Alimentar como promotor da Alimentação Adequada e Saudável 1.3.1 Conhecendo os grupos alimentares 1.3.2 Combinando alimentos em refeições 1.3.3 Orientações sobre o ato de comer e a comensalidade 1.1 Criação e atualização do guia 1.1.1 Princípios norteadores do Guia 1.2 Classificação NOVA 1.2.1 Por que consumir em pequenas quantidades, limitar ou evitar determinadas categorias de alimentos? 1.2.2 A regra de ouro do Guia ENCERRAMENTO DA UNIDADE Objetivo da Unidade 2.4 Uso do guia na atenção nutricional 2.4.1 Orientação alimentar individual no SUS e marcadores de consumo alimentar 2.4.2 Protocolos de uso do Guia Alimentar na APS 2.3 Políticas regulatórias e fiscais sobre alimentos ultraprocessados 2.2 Impactos do consumo de alimentos ultraprocessados na saúde 2.1 Identificação dos alimentos ultraprocessados a partir dos rótulos 2.1.1 Rotulagem nutricional frontal de alimentos Encerramento da Unidade 3.2 Materiais para promoção da alimentação adequada e saudável baseados no Guia 3.1 O Guia como instrumento indutor de ações para promoção da alimentação adequada e saudável 3.1.1 Ações para adoção das recomendações do Guia em nível intersetorial e no território 3.1.2 Ações para adoção das recomendações do Guia em nível coletivo Encerramento da Unidade Encerramento do Módulo AutoresNacional de Educação Popular em Saúde (PNEPS) e o Plano de Ações Estratégicas para Doenças Crônicas Não Transmissíveis no Brasil. CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 11 DESTAQUE Destaca-se a publicação de dois referenciais para políticas interse- toriais, o Marco de Referência de Educação Alimentar e Nutricional, em 2012, e o Marco de Referência de Educação Popular, em 2014. A elaboração do Guia é transversal à institucionalização da agenda de segurança ali- mentar e nutricional e ao reconhecimento da alimentação como um direito social na Constituição Federal. A partir desse arcabouço normativo, em 2014, foi publicada a segunda edição do Guia, apresentando-se como um instrumento de apoio para as ações de educação alimentar e nutricional, inclusive intersetorialmente. O Guia é um instrumento para apoio e incentivo às práticas alimentares saudáveis no nível individual e coletivo, além de subsidiar políticas e programas de promoção da saúde e da segurança alimentar e nutricional. Para sintetizar os marcos normativos que subsidiaram a publicação da segunda edição do Guia, acompanhe o infográfico a seguir e veja a linha do tempo dos principais aconteci- mentos entre 2006 e 2014. 2006 Guia Alimentar para a População Brasileira 1ª edição. Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (LOSAN). 2011 Início da revisão do Guia. 2012 Plano Plurianual e 1º Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional – inclusão da meta de revisão do Guia. Marco de Referência de Educação Alimentar e Nutricional. 2014 Marco de Referência de Educação Popular. Guia Alimentar para a População Brasileira 2ª edição. CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 12 Conheça os marcos normativos e clique nos links para acessar os mate- riais. Confira! Guia Alimentar para a População Brasileira 1ª edição Guia Alimentar para a População Brasileira 2ª edição Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (LOSAN) 1º Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional Marco de Referência de Educação Alimentar e Nutricional 1.1.1 Princípios norteadores do Guia Agora que você já compreendeu o cenário normativo que embasou e possibilitou a revi- são e atualização do Guia, conheça quais foram os princípios norteadores adotados neste documento. Alimentação é mais que a ingestão de nutrientes As ciências nutricionais surgem a partir da análise isolada de nutrientes relacionada à ocorrência de doenças na população. A alimentação vai além da ingestão de nutrientes. As diversas combinações e formas de preparo dos alimentos, as características do modo de comer e os aspectos culturais e sociais das práticas alimentares também são relevan- tes e influenciam a saúde e o bem-estar. Os conhecimentos adquiridos por meio dessas investigações foram fundamentais para o avanço em programas e políticas direcionadas à redução de carências nutricionais especí- ficas, como a deficiência de ferro, vitamina A, proteínas, etc., e de doenças crônicas asso- ciadas ao consumo excessivo de sal e gorduras saturadas de alimentos de origem animal. Contudo, abordagens centradas na ingestão de nutrientes específicos ou de determinados alimentos têm se mostrado insuficientes para explicar a relação entre a alimentação e saú- de. Os efeitos protetivos dos nutrientes ingeridos por meio da alimentação são superiores aos efeitos dos suplementos alimentares. Os benefícios da alimentação tradicional podem estar relacionados à maior disponibilidade dos nutrientes bem como a ação sinérgica entre https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2008.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11346.htm https://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/seguranca_alimentar/Plano_Caisan.pdf https://www.cfn.org.br/wp-content/uploads/2017/03/marco_EAN.pdf CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 13 nutrientes e outros compostos bioativos, tal como os antioxidantes, que compõem os ali- mentos. O Guia considera a alimentação de maneira ampliada, ressaltando a importância tanto dos nutrientes como das combinações de alimentos, das preparações culinárias e dos aspectos sociais e culturais das práticas alimentares. Recomendações sobre alimentação devem estar em sintonia com o seu tempo As recomendações do Guia consideram o panorama atual das condições de saúde e os padrões alimentares da população. Os padrões alimentares estão passando por rápidas transformações, especialmente nos países economicamente emergentes. Essas mudan- ças incluem a substituição de alimentos de origem vegetal (como arroz, feijão, mandioca, batata, legumes e verduras) e práticas culinárias tradicionais por produtos industrializados de consumo imediato. Esse cenário, visto de maneira marcante no Brasil, tem resultado em aumento no consu- mo calórico, contribuindo para a obesidade, além das doenças crônicas como diabetes, hipertensão, doenças cardíacas e certos tipos de câncer. Apesar do declínio, a desnutrição ainda persiste no país, sobretudo em algumas regiões, fases do curso da vida e grupos po- pulacionais vulnerabilizados. Além disso, doenças crônicas (hipertensão, diabetes e dislipidemias) que anteriormente eram associadas à idade avançada agora estão afetando adultos jovens, adolescentes e até crianças. Em consonância com a atualidade, o Guia apresenta diretrizes com o intuito de fomentar uma alimentação adequada e saudável. Com isso, busca contribuir para a re- dução da desnutrição e reverter as trajetórias adversas, como o crescimento da obesidade e dos agravos crônicos associados à alimentação. Alimentação adequada e saudável deriva de sistemas alimentares socialmente e ambientalmente sustentáveis As orientações relativas à alimentação devem considerar os impactos das práticas de produção e distribuição de alimentos na justiça social e na preservação do meio ambien- te. A maneira como os alimentos são produzidos e distribuídos pode promover equidade social e preservação do meio ambiente, de forma sustentável e consciente. Da mesma maneira, a produção e a distribuição podem resultar em desigualdades e ame- aças ambientais quando são parte de um sistema alimentar baseado em monoculturas CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 14 com uso de grandes extensões de terra; mecanização intensa; alto consumo de água e combustíveis; e emprego de fertilizantes químicos, sementes transgênicas, agrotóxicos e antibióticos, além de dependente de transporte por longas distâncias. Fatores como tamanho e uso das propriedades rurais, autonomia dos agricultores na es- colha de sementes, condições de trabalho, papel e número de intermediários na cadeia de produção afetam o impacto social do sistema alimentar. Destaca-se a importância de uma alimentação ambientalmente sustentável, contemplando alimentos a partir de siste- mas alimentares que valorizam a agricultura familiar, os métodos tradicionais de cultivo e manejo do solo. A aquisição de alimentos produzidos por agricultores locais em mercados, feiras ou peque- nos comércios pode favorecer circuitos de produção mais sustentáveis. As recomenda- ções do Guia valorizam alimentos produzidos em sistemas sustentáveis do ponto de vista social, econômico e ambiental. Diferentes saberes geram o conhecimento para a formulação de guias alimentares O Guia aborda diferentes dimensões da alimentação e a interface com a saúde, contem- plando saberes experimentais, clínicos, populacionais, antropológicos e tradicionais para elaboração das suas recomendações. O conhecimento gerado por estudos experimentais e clínicos é fundamental para a formulação das recomendações alimentares, compreen- dendo como os componentes dos alimentos interagem com o corpo. Investigações sobre compostos biologicamente ativos, como antioxidantes e anti-infla- matórios, presentesem alimentos como frutas, vegetais, nozes e peixes, têm produzido importantes evidências científicas para a ciência da nutrição. Estudos populacionais, com- binados a análises antropológicas, fornecem informações cruciais sobre os padrões de alimentação, distribuição social e tendências evolutivas, garantindo recomendações con- sistentes, apropriadas, factíveis e alinhadas à cultura local. Padrões tradicionais de alimentação, desenvolvidos ao longo de gerações, são fontes va- liosas de conhecimento para a formulação das recomendações de guias alimentares, uma vez que refletem aprendizados sobre as adaptações de plantas e animais às condições climáticas e de solo, técnicas de produção mais produtivas e sustentáveis e combinações culinárias saudáveis e adequadas ao paladar humano. Assim, o Guia contempla conheci- mentos experimentais, clínicos, populacionais, antropológicos e tradicionais para elabora- ção das suas recomendações. CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 15 Guias alimentares ampliam a autonomia nas escolhas alimentares O acesso a informações confiáveis sobre uma alimentação adequada e saudável promove a autonomia das pessoas, famílias e comunidades para as escolhas alimentares, com exi- gência do cumprimento do direito humano à alimentação adequada e saudável. A escolha de alimentos de forma autônoma fortalece indivíduos, famílias e comunidades como agentes de sua saúde, e isso envolve autocuidado e relação com fatores ambientais que impactam na saúde. Entretanto, as escolhas alimentares não são apenas uma questão individual. Múltiplos fatores físicos, econômicos, políticos, culturais e sociais podem influenciar posi- tivamente os padrões alimentares. Por exemplo, morar em locais com mercados de alimen- tos frescos, por exemplo, facilita a realização de escolhas saudáveis. Contudo, obstáculos como custos elevados e exposição a alimentos não saudáveis influenciam os padrões ali- mentares. Nesse contexto, a educação alimentar e nutricional, apoiada por vários setores, é fundamental para as escolhas alimentares saudáveis e a transformação pessoal e social para mudanças sobre situações cotidianas e garantia da segurança alimentar e nutricional. 1.2 Classificação NOVA A classificação NOVA caracteriza-se como uma das grandes inovações na atualização do Guia Alimentar para a População Brasileira. Para essa classificação, considera-se o nível e propósito do processamento ao qual os alimentos são submetidos antes de serem adquiri- dos, preparados e consumidos. O método de processamento durante a produção interfere no perfil nutricional e em carac- terísticas sensoriais como influência na aparência, paladar e aroma dos alimentos. O tipo de processamento pode influenciar em quais alimentos serão consumidos em conjunto, o contexto de consumo (quando, como, onde, com quem), e até mesmo na quantidade ingerida. Além disso, o impacto social e ambiental é igualmente influenciado pelas formas de pro- cessamento adotadas durante a produção dos alimentos. Os alimentos são classificados em quatro categorias: alimentos in natura ou minimamente processados, ingredientes culi- nários, alimentos processados e alimentos ultraprocessados, que serão detalhados a se- guir, conforme o Guia (BRASIL, 2014; BRASIL, 2018). CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 16 Os alimentos in natura são obtidos diretamente de plantas ou animais, e não sofrem qualquer modificação após deixarem a natureza. Os alimentos minimamente processados são alimentos in natura que sofrem alterações como remoção de partes não comestíveis ou indesejáveis, fermentação, pasteurização ou congelamento, para chegarem com qualidade ao consumidor. As alterações são mínimas. Esses alimentos não recebem sal, açúcar, óleos, gorduras, nem adição de outros ingredientes. Exemplos de alimentos in natura: Hortaliças (legumes e verduras) e frutas in natura ou embaladas, fracionadas, refrigeradas ou congeladas; arroz, milho (em grão ou na espiga) e outros cereais em grãos; feijões (preto, carioca, fradinho, vermelho, guandu, branco, etc.); cogumelos frescos ou secos; frutas secas (ameixa, damasco, figo, etc.); suco de fruta (natural ou pasteurizado e sem adição de açúcar ou outras substâncias); castanhas (castanha-de-caju, castanha de baru, castanha-do-brasil), noz, amêndoa, amendoim, macadâmia, avelã (sem sal ou açúcar); especiarias em geral e ervas frescas ou secas; farinhas de mandioca, de milho ou de trigo e macarrão ou massas frescas ou secas feitas com essas farinhas, água e ovos; carnes de gado, de porco e de aves e pescados frescos, resfriados ou congelados; Exemplos de alimentos minimamente processados: leite pasteurizado, UHT ou em pó; iogurte (sem adição de açúcar); chá, café, água potável; ovos. Alimentos in natura ou minimamente processados Produtos extraídos de alimentos in natura ou da natureza por processos como prensagem, moagem, trituração, pulverização e refino. São utilizados para adicionar sabor e auxiliar no processo de cozimento, na elaboração das preparações culinárias. Exemplos: Sal de cozinha refinado ou grosso; açúcar (de mesa, demerara ou mascavo), melado e rapadura; mel; óleos vegetais (soja, milho, girassol ou oliva) e gorduras (manteiga, banha de porco, gordura de coco). Ingredientes culinários CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 17 Os alimentos processados são alimentos in natura ou minimamente processados que recebem adição de ingredientes culinários (sal, açúcar, vinagre ou óleo) com a finalidade de aumentar o tempo de conservação. As técnicas de preparo dos alimentos processados incluem cozimento, fermentação, salmoura, entre outros. Exemplos: Conservas de cenoura, pepino, ervilhas, palmito, cebola, couve-flor, dentre outros legumes, preservados em salmoura ou em solução de sal e vinagre; extrato ou concentrado de tomate (com sal e/ou açúcar); frutas em calda ou cristalizadas; geleias; carne seca e toucinho; sardinha e atum enlatados; queijos; pães feitos com farinha de trigo, fermento, água e sal. Alimentos processados Alimentos ultraprocessados Os alimentos ultraprocessados são formulações industriais à base de ingredientes extraídos ou derivados de alimentos (óleos, gorduras, açúcar, amido modificado) ou, ainda, sintetizados em laboratório (corantes, aromatizantes, realçadores de sabor, etc.). Os rótulos podem conter listas extensas de ingredientes. A maioria deles tem a função de estender a duração do alimento ou, ainda, dotá-lo de cor, sabor, aroma e textura para torná-lo mais atraente. Exemplos: Guloseimas em geral (chocolates, pirulitos, sorvetes, etc.); cereais matinais açucarados; bolos, bolos prontos e misturas para bolo; margarina; barras de cereal; sopas, macarrão e temperos “instantâneos”; molhos prontos; salgadinhos “de pacote”; refrescos e refrigerantes; iogurtes e bebidas lácteas adoçados e aromatizados; bebidas energéticas; produtos congelados e prontos para aquecimento (lasanha, pizza, nuggets, etc.); pães, pães de forma, pães para hambúrguer ou hot dog, pães doces, produtos panificados, bolachas e biscoitos feitos com gordura vegetal hidrogenada, açúcar, amido, soro de leite, emulsificantes e outros aditivos. É importante observar que um mesmo alimento pode ter diferentes classificações, em vir- tude do processamento ao qual é submetido. Ou seja, pode deixar de ser saudável e pas- sar a ser um alimento a ser evitado. Por isso, é importante utilizar a lista de ingredientes como uma das ferramentas para a classificação correta dos alimentos. Veja os exemplos a seguir. CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 18 Alimento in natura Abacaxi fresco Alimento minimamente processado Abacaxi desidratado Alimento processado Abacaxi em calda Alimento ultraprocessado Suco em pó Considerando a classificação NOVA, o Guia estabelece orientações sobre o consumo de cada categoria:• • Faça alimentos in natura ou minimamente processados à base de sua alimentação. • • Utilize óleos, gorduras, sal e açúcar em pequenas quantidades ao temperar e cozi- nhar os alimentos e criar preparações culinárias. • • Limite o uso de alimentos processados, consumindo-os, em pequenas quantidades, como ingredientes de preparações culinárias ou como parte de refeições baseadas em alimentos in natura ou minimamente processados. • • Evite alimentos ultraprocessados. Os alimentos ultraprocessados são nutricionalmente desbalanceados e suas formas de produção, distribuição, comercialização e consumo afetam a cultura, vida social e o meio ambiente. Agora que você aprofundou os conhecimentos sobre as quatro categorias de alimentos conforme expõe o Guia, acompanhe a seguir alguns vídeos produzidos sobre o tema. CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 19 SAIBA MAIS Clique nos links a seguir para assistir os vídeos sobre a classificação NOVA. Você pode incluir esses vídeos na sua rotina profissional. Vídeo 1: Alimentos in natura ou minimamente processados. Vídeo 2: Alimentos processados, óleos, gorduras, sal e açúcar. Vídeo 3: Alimentos ultraprocessados. 1.2.1 Por que consumir em pequenas quantidades, limitar ou evitar determinadas categorias de alimentos? Ingredientes culinários devem ser utilizados em pequenas quantidades, pois o excesso pode ser prejudicial à saúde. Enquanto o consumo excessivo de sódio (componente bási- co do sal de cozinha) e gorduras saturadas (presentes em gorduras) aumenta o risco para desenvolver doenças do coração, o consumo em excesso de açúcar aumenta o risco de ter cárie dental, obesidade e outras doenças crônicas. Embora os alimentos processados mantenham a identidade básica e a maioria dos nu- trientes do alimento do qual deriva, os ingredientes e os métodos de processamento utili- zados na fabricação alteram de modo desfavorável a composição nutricional. Nos alimen- tos ultraprocessados, a adição de sal ou açúcar é feita em quantidades muito superiores às usadas em preparações culinárias cujo consumo excessivo está associado a doenças do coração, obesidade e outras doenças crônicas. A perda de água que ocorre durante a fabricação de alimentos processados e a possível adição de açúcar ou óleo podem transformar alimentos com baixa ou média densidade calórica por grama em alimentos com alta densidade calórica, tal como queijos, frutas em calda, peixes conservados em óleo e pães. É importante notar que uma alimentação com alta densidade calórica está relacionada ao risco de obesidade e demais doenças crônicas. Os alimentos ultraprocessados devem ser evitados por diversos motivos, que abrangem impactos negativos na saúde, cultura, vida social e meio ambiente e impactos na cultura, na vida social e no meio ambiente. A composição nutricional desequilibrada desses alimen- tos, frequentemente ricos em gorduras, açúcares e sódio e pobres em fibras, vitaminas, minerais e outras substâncias com atividade biológica, prejudica a saúde cardiovascular e https://www.youtube.com/watch?v=MjViJUczbM8 https://www.youtube.com/watch?v=rgn4BIW8D0E https://www.youtube.com/watch?v=36F0fwY3VCk CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 20 aumenta o risco de doenças como obesidade e câncer e deficiências nutricionais. Ainda, não são bem conhecidos os efeitos de longo prazo de cada aditivo usado no ultraproces- samento sobre a saúde e o efeito acumulativo de vários aditivos. Acompanhe abaixo al- guns aspectos relacionados ao consumo dos alimentos ultraprocessados: Além das preocupações com o impacto na saúde, a produção, a distribuição, a comercialização e o consumo de alimentos ultraprocessados têm efeitos significativos na cultura, na vida social e no meio ambiente. A padronização global das marcas e embalagens diminui a diversidade cultural, influenciando negativamente as tradições alimentares locais. Os alimentos ultraprocessados estimulam um consumo sem necessidade de qualquer preparação, a qualquer hora e em qualquer lugar, impactando a vida social humana. A fabricação, distribuição e comercialização dos alimentos ultraprocessados geram resíduos não biodegradáveis, contribuindo para a poluição ambiental. O estímulo a monoculturas dependentes de agrotóxicos, fertilizantes químicos e água relaciona o ultraprocessamento com impactos na biodiversidade e sustentabilidade do planeta. Diante desses fatores, é recomendado evitar alimentos ultraprocessados, não apenas por suas implicações diretas na saúde, mas também pelos impactos mais amplos que têm so- bre a sociedade e o meio ambiente. CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 21 1.2.2 A regra de ouro do Guia As aplicações das recomendações referentes à nova classificação dos alimentos no Guia podem ser sintetizadas em uma recomendação geral, descrita a seguir (BRASIL, 2014). DESTAQUE Regra de Ouro do Guia: prefira sempre alimentos in natura ou mi- nimamente processados e preparações culinárias a alimentos ultraprocessados. A regra de ouro orienta para a escolha de água, leite e frutas em vez de refrigerantes, be- bidas lácteas e biscoitos recheados. Deve-se evitar substituir comida feita na hora (sopas, saladas, molhos, arroz e feijão, macarronada, refogados de legumes e verduras, farofas, tortas) por produtos que dispensam preparação culinária (sopas instantâneas, macarrão instantâneo, refeições congeladas prontas para aquecer, sanduíches, frios e embutidos, molhos e maioneses industrializadas, misturas prontas para tortas). Devem ser preferidas as sobremesas caseiras, com ingredientes in natura ou minimamente processados, evitan- do as opções industrializadas. SAIBA MAIS Para conhecer as orientações do Guia alimentar sobre a escolha dos alimentos, confira o folder clicando aqui. 1.3 Guia Alimentar como promotor da Alimentação Adequada e Saudável Nesta etapa, você vai conferir informações sobre a combinação dos alimentos em refei- ções, os grupos de alimentos (considerando uso culinário e perfil nutricional semelhantes), além de orientações sobre o ato de comer e a comensalidade, acompanhe. 1.3.1 Conhecendo os grupos alimentares Para auxiliar na implementação da Regra de Ouro do Guia, promovendo o consumo de ali- mentos in natura e alimentos minimamente processados, é importante conhecer os grupos alimentares que compõem cada uma dessas categorias. https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/promocao-da-saude/guias-alimentares/publicacoes/folder-sobre-guia-alimentar-da-populacao-brasileira-a-escolha-dos-alimentos/view CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 22 São eles: água, grupo dos feijões (leguminosas), grupo dos cereais, grupo das raízes e tu- bérculos, grupo dos legumes e das verduras, grupo das frutas, grupo das castanhas e no- zes (oleaginosas), grupo do leite e dos queijos e grupo da carne e dos ovos. A seguir, vamos apresentar alguns exemplos de cada grupo alimentar, que poderão ampliar as possibilidades de combinação dos alimentos ao longo do dia. Clique no ícone a seguir e acompanhe algumas dicas e recomendações sobre os grupos alimentares, publicadas no Guia – versão resumida (BRASIL, 2018). Feijões (leguminosas) Exemplos: Esse grupo inclui as leguminosas como feijão branco, feijão-fradinho, ervilhas, lentilhas e grão-de-bico que são consumidos cozidos e também em saladas. A mistura de feijão com arroz é a mais popular no país, mas destacamos outras composições também aprecia- das no Brasil como: tutu à mineira, feijão-tropeiro, sopa de feijão e acarajé. Todas as leguminosas são fontes de proteínas, fibras, vitaminas do complexo B e minerais, como ferro, zinco e cálcio. O alto teor de fibras dos feijões contribui para a saciedade. Cereais Exemplos: Os principais cereais consumidos no Brasil são arroz, trigo e milho. Arroz: principal representante do grupo dos cereais no Brasil, geralmente compõe o prato ao lado do feijão. É bastante versátil,sendo usado em risotos, arroz carre- teiro, arroz à grega, arroz de cuxá, galinhada, além de compor sobremesas, como arroz-doce. CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 23 Milho: consumido na espiga cozida, em preparações culinárias como cremes e sopas ou ainda em receitas doces (canjica de mi- lho, pamonha, curau). A farinha de milho é empregada no mun- gunzá, mingaus, cuscuz, angu, farofa, bolo de milho, polenta e pi- rão e xerém. Trigo: o consumo no Brasil ocorre principalmente por meio da farinha de trigo. O grão pode ser usado no ta- bule, preparações quentes com legumes e verduras, ou sopas. A farinha compõe tortas salgadas e doces, bo- los, pães caseiros, macarrão e é usada para empanar legumes e carnes. Todos os cereais são fontes de carboidratos, fibras, vita- minas e minerais. Combinados ao feijão ou a outra legu- minosa, são fonte de proteína de excelente qualidade. Exemplos: As principais raízes e tubérculos são batata-do- ce, batata inglesa, inhame, mandioca/aipim/macaxeira, ra- banete e nabo. Versáteis, podem ser cozidos, assados, preparados em ensopados ou na forma de purês. Mandioca/Aipim/Macaxeira: quando consumida na forma de farinha, acompanha peixes, legumes, açaí, além de com- por receitas de pirão, cuscuz, tutu, feijão-tropeiro e farofas. Nas regiões Norte e Nordeste, substitui ou acompanha o ar- roz na mistura com o feijão. A fécula extraída da mandioca, também conhecida como polvilho ou goma, é usada no preparo de tapioca e em receitas de pão de queijo. Em algumas regiões, a tapioca é uma opção para o café da manhã. Raízes e tubérculos CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 24 Raízes e tubérculos devem ser preferentemente cozidos ou assa- dos, pois, quando fritos, absorvem grande quantidade de óleo. São fontes de carboidratos e fibras e, no caso de algumas varie- dades, também de minerais e vitaminas, como o potássio e as vi- taminas A e C. Exemplos: cenoura, abobrinha, pepino, berinjela, pimentão, tomate, alface, espinafre, couve, rúcula, acelga e brócolis. Versáteis, podem ser cozidos, assados, preparados em ensopados ou na forma de purês. Variedades de um mesmo tipo de legume ou verdura ocorrem de acordo com a região, como a alface, que pode ser lisa, crespa, americana, roxa, romana. São consumidos em saladas, em preparações quentes (cozidos, refogados, assados, empanados), em sopas e, em alguns casos, recheados ou na forma de purês. Quando produzidos localmente e no período de safra, apresentam menor preço, além de maior qualidade e mais sabor. Os orgânicos e de base agroecológica são particularmente sabo- rosos, além de protegerem o meio ambiente e a saúde. Quando consumidos crus, devem ser higienizados ade- quadamente. Devem ser lavados em água corrente e colocados em um recipiente com água adicionada de hi- poclorito de sódio, que pode ser adquirido em supermer- cados e sacolões. Seguir a quantidade e o tempo confor- me descrito na embalagem do hipoclorito de sódio. São fontes excelentes de vitaminas, minerais e fibras, e fornecem, de modo geral, uma quantidade relativamente pequena de calorias. Legumes e verduras CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 25 Frutas Exemplos: maçã, banana, laranja, manga, abacaxi, pêra, uva, mamão, morango e melancia. Quando produzidas localmente e no período de safra, apresentam menor preço, além de maior qualidade e mais sabor. São consumidas frescas, secas (desidratadas), em saladas e so- bremesas, como parte das refeições principais ou nas pequenas refeições. Em algumas regiões do Brasil, são consumidas com peixe e farinha de mandioca, como no caso do açaí, ou arroz e frango (pequi). Quando consumidas com casca, precisam ser higienizadas (em água corrente e em água com hipoclorito, como as verdu- ras e os legumes). Sucos naturais da fruta nem sempre proporcionam os mes- mos benefícios da fruta. Fibras e nutrientes podem ser per- didos durante o preparo e o poder de saciedade é sempre menor. O melhor é consumi-las inteiras. São fontes de fibras, vitaminas, minerais e compostos que contribuem para a prevenção de doenças. Castanhas e nozes (oleaginosas) Exemplos: castanha-do-pará, castanha de caju, casta- nha de baru, nozes, amêndoas, avelãs, macadâmia. Compõem ingredientes de saladas, de molhos e de vá- rias preparações culinárias salgadas e doces (farofas, paçocas, pé de moleque) e saladas de frutas. Ótimas opções para incrementar as pequenas refeições. São ricas em minerais, vitaminas, fibras e gorduras saudáveis (gorduras insaturadas), além de conter compostos antioxidantes que ajudam na prevenção de doenças. CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 26 Leites e queijos Exemplos: leite de vaca, leite de cabra, leite de ove- lha, queijo branco, queijo minas, queijo parmesão, queijo prato, queijo cottage. No Brasil, o leite de vaca é consumido frequente- mente na primeira refeição do dia, puro, com fru- tas ou com café. É usado em cremes, tortas e bo- los e em outras preparações culinárias doces ou salgadas. Leite e iogurtes naturais são ricos em proteínas, vitaminas (em especial, a vitamina A) e cálcio. Quando na forma integral, são ri- cos em gorduras não saudáveis (saturadas). Queijos são ricos em proteínas, vitamina A e cálcio, mas apresentam conteúdo elevado de gorduras saturadas, alto valor energético e alta concentração de sódio (por causa do sal adicionado). Deve-se consumir em peque- nas quantidades como todo alimento processado ou em acompanhamento de preparações culinárias com base em alimentos in natura ou minimamente processados. Carnes e ovos Exemplos: carne de vaca, carne de frango, carne de por- co, carne de cordeiro, carne de peixe, carne de maris- cos (como camarão e lula), ovos de galinha e ovos de codorna. Este grupo é frequentemente consumido no Brasil como acompanhamento do feijão com arroz ou de outros alimentos de origem vegetal. As carnes vermelhas são consumidas com muita frequência em to- das as regiões do país, grelhadas e temperadas apenas com sal ou ainda assadas ou em ensopados. São excelentes fontes de proteí- na de alta qualidade e micronutrientes (ferro, zinco e vitamina B12). CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 27 Ricas em gorduras saturadas, que, em excesso, aumentam o risco para doenças do coração e outras doenças crônicas. Cortes com mais gordura devem ser assados, grelhados ou refogados; aque- les com menos gordura podem ser cozidos ou ensopados. A carne de aves mais consumida no Brasil é a de frango, que faz parte de pratos tradicionais, como galinhada mineira e goiana, ga- linha à cabidela e galinha guisada. Embora ricas em proteínas de alta qualidade e em minerais e vitaminas, têm teor elevado de gor- duras saturadas na pele. Por isso, recomenda-se que sejam con- sumidas sem a pele. Cortes com mais gordura devem ser assa- dos, grelhados ou refogados; aqueles com menos gordura podem ser cozidos ou ensopados. Os peixes são os mais consumidos do grupo de pesca- dos no Brasil. Na maior parte das regiões, a oferta de peixes é muito pequena e os preços são relativamente altos em relação às carnes vermelhas e de aves. São feitos assados, grelhados, ensopados (moqueca) ou cozidos, e ainda compõem pirão, saladas e recheios de tortas. São ricos em proteínas de alta qualidade e em vitaminas e minerais. Pela alta proporção de gorduras saudáveis (gorduras insaturadas), os peixes são exce- lentes substitutos das carnes vermelhas. Os ovos, em especial de galinha, são acessíveis e relativamen- te baratos no Brasil. São consumidos cozidos, mexidos, fritos ou como ingredientes de omeletes e suflês, ou em preparações culinárias diversas. Os ovos são ricos em proteínas de alta qua- lidade, em minerais e em vitaminas, especialmente vitaminas do complexo B. Por diversas razões, algumas pessoas optam pelo vegetarianismo. A restrição de ali- mentos de origem animal como o de qualquer outro grupo de alimentosexige aten- ção. O acompanhamento por um nutricionista pode ser necessário especialmente nos casos com maior número de restrições de alimentos. CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 28 Água A água é essencial para a manutenção da vida. Sem ela, o ho- mem não sobrevive mais do que poucos dias. A quantidade de água necessária por dia é muito variável e depende de vários fa- tores (idade, peso, atividade física, etc.). Os seres humanos são capazes de regular de maneira eficiente o balanço diário de água. É muito importante atentar para os pri- meiros sinais de sede e satisfazer prontamente a necessidade de água. A água ingerida deve originar-se do consumo de água pura e da água contida nos alimentos e nas preparações culinárias. Tanto a água para beber quanto a água usada na preparação de alimen- tos devem ser seguras e próprias para o consumo. A água pura (ou, como preferido por algumas pessoas, “temperada” com rodelas de limão ou folhas de hortelã, por exemplo) é a melhor opção para a ingestão de líquidos. Outras bebidas, como café e chá, devem ser preferencialmente consumidas sem adição de açúcar ou com o mínimo possível. Quando a alimentação é baseada em alimentos in natura ou minimamente proces- sados e das preparações desses alimentos, é usual que eles forneçam cerca de me- tade da água que o organismo precisa. Os ultraprocessados são, em geral, escassos em água; refrigerantes e bebidas ado- çadas possuem alta proporção de água, mas contêm açúcar ou adoçantes artifi- ciais e vários aditivos, razão pela qual não podem ser considerados fontes adequa- das para hidratação. Lembre-se, é recomendado dar preferência a verduras, legumes e frutas produzidos lo- calmente e no período de safra. Eles são mais baratos, mais saborosos e apresentam qualidade maior que os demais produtos. CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 29 1.3.2 Combinando alimentos em refeições A seguir serão apresentados exemplos de refeições saudáveis extraídos a partir dos dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, entre maio de 2008 e maio de 2009. Estes exemplos foram extraídos do grupo de brasileiros cujo consumo de alimentos in natura ou minimamente processados e suas preparações culinárias correspondem a pelo menos 85% do total de calorias da alimen- tação. Ressalta-se que esse grupo de brasileiros incluía homens e mulheres com idade a partir de dez anos, das cinco grandes regiões do País, do meio urbano e do rural e de todas as classes de renda. Confira exemplos para café da manhã, almoço, jantar e pequenas refeições. Café da manhã Aqui você pode conferir exemplos de café da manhã baseados em alimentos in natura ou minimamente processados e preparações culinárias desses alimentos, representando a variedade regional do país e a inclusão de alimentos processados nesta refeição. Café com leite, bolo de milho e melão Café, pão integral com queijo e ameixa Café com leite, tapioca e banana Suco de laranja natural, pão francês com manteiga e mamão Café com leite, bolo de mandioca, queijo e mamão Café com leite, cuscuz e manga Café com leite, pão de queijo e mamão Leite, cuscuz, ovo de galinha e banana CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 30 Almoço No almoço, destaca-se a presença do arroz e feijão, traduzindo a realidade alimentar da maioria dos brasileiros que privilegiam alimentos in natura ou minimamente processados. A presença de verduras ou legumes no almoço não é tão comum no Brasil mesmo entre aqueles que privilegiam alimentos in natura ou minimamente processados e preparações culinárias desses alimentos. Portanto, as possibilidades de combinações e preparo são exemplos para aumentar e diversificar o consumo desses alimentos. Os alimentos processados foram utilizados como ingredientes em preparações culinárias (polenta com queijo) e não como substitutos de alimentos in natura ou minimamente processados. Alface, arroz, lentilha, pernil, batata, repolho e abacaxi Alface, tomate, feijão, farinha de mandioca, peixe e cocada Salada de tomate, arroz, feijão, bife grelhado e salada de frutas Arroz, feijão, angu, abóbora, quiabo e mamão Alface e tomate, arroz, feijão, berinjela e suco cupuaçu Arroz, feijão, coxa de frango assada, beterraba e polenta com queijo Arroz, feijão, omelete e jiló refogado Feijoada, arroz, vinagrete de cebola e tomate, farofa, couve refogada e laranja CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 31 Jantar Tal como demonstrado no almoço, a combinação de arroz e feijão é bastante presente no jantar dos brasileiros. Legumes e verduras estão presentes em todas as refeições, seja como acompanhamento do arroz e feijão, ou na preparação de sopas. Os alimentos processados foram apresentados para complementar e não substituir refeições com base em alimentos in natura ou minimamente processados como a compota de jenipapo. Arroz, feijão, fígado bovino e abobrinha refogada Sopa de legumes, farinha de mandioca e açaí Salada de folhas, arroz, feijão, ovo e maçã Salada de folhas, macarrão e galeto Arroz, feijão, carne moída com legumes Arroz, feijão, coxa de frango, repolho, moranga e laranja Alface, tomate, arroz, feijão, omelete, mandioca de forno Arroz, feijão, peito de frango, abóbora com quiabo e compota de jenipapo CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 32 Pequenas refeições Para a composição das pequenas refeições, são mantidas as recomendações de preferir os alimentos in natura ou minimamente processados, limitando o consumo de processados e evitando os ultraprocessados. Como opções para essas refeições, destacam-se as frutas frescas ou secas, leite, iogurte natural e oleaginosas (nozes, castanhas, amendoim, amêndoas, entre outros), por serem alimentos com alto teor de nutrientes e que promovem saciedade, além de serem práticos para o consumo, inclusive quando se está fora de casa. Iogurte com frutas Castanhas Leite batido com frutas Salada de frutas DESTAQUE Essas refeições não devem ser consideradas prescrições rígidas ou cardápios fixos para todos, mas sim como combinações de alimen- tos que, juntos, atendem às recomendações gerais do Guia. Variar dentro dessas combinações é essencial. Substituições entre alimentos semelhantes em termos nutricionais e culinários, como feijão por lentilhas ou grão-de-bico, podem tornar a dieta ainda mais saudável e diversificada. As substituições também permi- tem diversificar sabores, aromas, cores e texturas da alimentação, possibilitando acomodar preferências regionais e pessoais. CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 33 A ausência de ênfase na quantidade de cada alimento ou calorias a serem consumidas nas refeições é intencional. As necessidades nutricionais variam amplamente de acordo com idade, sexo, peso e altura, além do nível de atividade física. SAIBA MAIS Assista ao vídeo a seguir para saber mais sobre a importância das habilidades culinárias para o alcance de uma alimentação saudável clicando aqui. Para conhecer mais sobre a importância das habilida- des culinárias no alcance da alimentação saudável, confira o folder disponível no link: clicando aqui. 1.3.3 Orientações sobre o ato de comer e a comensalidade O ato de comer e a comensalidade estão relacionados às necessidades biológicas, mas incluem aspectos sociais e culturais da alimentação. Os rituais em torno do processo de se alimentar variam de acordo com o tempo, a disponibilidade de alimentos, bem como a organização das sociedades e culturas. Tem-se documentada a ritualização das refeições, com regras dietéticas, uso de instrumentos como pratos, garfos e facas, ao longo do de- senvolvimento de várias civilizações (MOREIRA, 2010). DESTAQUE Mas, o que é a comensalidade?Esse termo deriva da palavra em la- tim “mensa”, que significa “conviver à mesa”. Ou seja, a comensali- dade não trata apenas do padrão alimentar ou dos alimentos e das preparações que são comidas, mas principalmente “como se come”. Atualmente, os desafios são manter e/ou resgatar práticas já evidenciadas como saudá- veis, mas que estão sendo afetadas pelas rotinas aceleradas, o uso frequente de telas e a própria disseminação de uma cultura global de alimentação que contribui para a individua- lização do comportamento alimentar, baseada em alimentos ultraprocessados. https://www.youtube.com/watch?v=idMaAdhjEQA&list=PLaS1ddLFkyk-ObbBv4eWkHIhc5B49a9Sw&index=5 http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/folder_habilidades_culinarias.pdf CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 34 Assim, o Guia traz três orientações básicas para uma comensalidade saudável e que pro- porcione um aproveitamento adequado dos alimentos e o prazer no ato da alimentação. Com base nelas, você pode orientar os usuários em atendimentos individuais ou em grupo em seu ambiente de trabalho. Confira as orientações a seguir. Comer com regularidade e atenção Consumir as refeições diárias em horários semelhantes. Evite “beliscar” nos intervalos entre as refeições. Comer sempre devagar e desfrutar o que está comendo, sem realizar outras atividades. Comer em ambientes apropriados Procurar comer sempre em locais limpos. Evitar locais com estímulos para o consumo de quantidades ilimitadas de alimentos. Evitar o uso ou a presença de distratores como televisão, computadores e celulares durante a alimentação. Comer em companhia Comer em companhia, com familiares, amigos ou colegas de trabalho ou escola sempre que possível. Compartilhar também as atividades de aquisição e preparação dos alimentos, bem como as tarefas que sucedem as refeições. Conforme destaca o Guia, é recomendado que você estimule os usuários a adotar as três orientações em conjunto. Além dos benefícios individuais de cada orientação, há uma in- terligação entre elas que potencializa a adesão, pois a regularidade e a duração adequada das refeições demandam ambiente apropriado e são favorecidas pelo comer em compa- nhia. O ambiente apropriado ajuda a aumentar a concentração no ato de comer. O comer CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 35 em companhia evita que comamos muito rapidamente. Desta forma, é importante que, aos poucos, esses hábitos sejam inseridos na rotina das pessoas e famílias da sua população adscrita ao seu território. SAIBA MAIS Assista ao vídeo a seguir para saber mais sobre a importância da comensalidade clicando aqui. Para conhecer mais sobre aspectos relevantes relacionados ao ato de comer, confira o folder disponível no link clicando aqui. Este vídeo e folder podem ser utilizados em atividades com os usuários. ENCERRAMENTO DA UNIDADE Perfeito, que bom que você chegou até aqui, finalizando a primeira unidade de estudos! Neste momento, você acompanhou o histórico de criação do Guia, seus princípios norte- adores e a NOVA classificação dos alimentos. Neste contexto, conheceu a regra de ouro do Guia e alguns exemplos de combinações de alimentos para café da manhã, almoço, jantar e pequenas refeições. E, a partir do estudo da unidade 1, você, conheceu orienta- ções básicas sobre o ato de comer a comensalidade. Siga para a unidade 2 para continuar aprimorando seu conhecimento sobre o Guia Alimentar para a População Brasileira. Bons estudos. https://youtu.be/Xpti6s2RB0A?si=2OvuCQ8CLdf8V8jv https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/promocao-da-saude/guias-alimentares/publicacoes/folder-sobre-guia-alimentar-da-populacao-brasileira-tenha-mais-atencao-com-a-alimentacao-em-seu-dia-a-dia/view UNIDADE 2 Alimentos ultraprocessados e uso do guia na orientação de uma alimentação adequada e saudável CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 37 Objetivo da Unidade Ao final desta unidade, você deve compreender a rotulagem e a regulamentação dos ali- mentos como estratégias para a redução do consumo de ultraprocessados, bem como estar apto a utilizar o Guia em ações de promoção da alimentação adequada e saudável no seu território. Apresentação Boas-vindas à segunda unidade do curso “Conhecendo o Guia Alimentar para a População Brasileira”! Nesta etapa, você vai compreender melhor a nova rotulagem nutricional, o reco- nhecimento dos alimentos ultraprocessados e sua regulamentação e as abordagens para a promoção da alimentação adequada e saudável com base no Guia. Ao longo desta jornada, você vai aprender como identificar os alimentos a partir dos rótu- los e quais os impactos do consumo de alimentos ultraprocessados na saúde da popula- ção. Além disso, conhecerá quais são as políticas regulatórias e fiscais sobre alimentos ultraprocessados. Prepare-se para aprofundar seus conhecimentos e adquirir as habilidades necessárias para orientar sobre escolhas alimentares conscientes e saudáveis, baseadas no uso do Guia na atenção nutricional. Ao final desta unidade, você estará preparado para atuar na promoção da alimentação adequada e saudável da população em seu território. Vamos começar! 2.1 Identificação dos alimentos ultraprocessados a partir dos rótulos Para começar os estudos desta unidade, convidamos você a assistir ao vídeo a seguir. SAIBA MAIS Clique aqui e assista ao vídeo para conhecer a importância de obser- var a rotulagem nutricional dos alimentos. https://www.youtube.com/watch?v=rkWjiWuG30c CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 38 Para distinguir os alimentos ultraprocessados dos alimentos processados é estratégico consultar a lista de ingredientes. Um número elevado de ingredientes (frequentemente cin- co ou mais) e a presença de nomes pouco familiares e não usados em preparações culiná- rias indicam que o produto é ultraprocessado. A ordem de apresentação de ingredientes informa a quantidade de forma decrescente. Ou seja, os ingredientes que estão em maior quantidade são os primeiros na lista. A leitura da lista nos rótulos dos alimentos facilita visualizar os aditivos, como açúcar, co- rantes, conservantes e adoçantes usados nos produtos industrializados, e, no caso do açú- car, pode ser encontrado com diferentes nomes como: xarope de milho, frutose, açúcar invertido, suco de fruta concentrado, maltose, dextrose, glicose, sacarose e mel, por exem- plo. Acompanhe os exemplos a seguir. Pão francês (processado) Prefira os produtos que contenham poucos ingredientes. Quanto menor a lista, melhor. Opte por aqueles que contenham majoritariamente alimentos in natura e ingredientes familiares. Ingredientes: farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico, água, sal, fermento e óleo. Ingredientes: farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico, açúcar, gordura vegetal, sal, glúten, propionato de cálcio e sorbato de potássio, emulsificantes: lecitina de soja e estearoil-2-lactil lactato de cálcio e antioxidante: ácido ascórbico. Evite os produtos que tenham sal/cloreto de sódio, açucares e/ou gorduras entre os primeiros ingredientes. Pão de forma (ultraprocessada) Ingredientes: Leite, leite em pó integral, fermento lácteo. Iogurte minimamente processado Ingredientes: Leite, leite em pó integral, preparado sabor nata (água, amido modificado, farinha de arroz, acidulante ácido citrico, conservador sorbato de potássio, espressantes goma xantana e carboximetilcelulose e aromatizante), fermento lácteo. Iogurte ultraprocessado CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 39 Ingredientes: Farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico, farinha de trigo integral, ovos, xarope de glucose e frutose, leite, farinha de rosca, conservante ácido sorbito, água e sal. Por fim, incorporar a leitura da lista de ingredientes é uma excelente estratégia para orientar os usuários do seu território a evitaros alimentos ultraprocessados. Você pode levar exemplares de rótulos de alimentos para discutir as listas de ingredientes com eles e esclarecer as dúvidas. Maior quantidade Menor quantidade SAIBA MAIS Clique aqui para conhecer uma atividade voltada para trabalhar as escolhas alimentares e o processamento dos alimentos, dispo- nível no Instrutivo para manejo da obesidade no Sistema Único de Saúde: caderno de atividades educativas, na página 52. A atividade, intitulada Grau de Processamento dos Alimentos, oferece uma excelente oportunidade para aprofundar o conhecimento sobre a classificação dos alimentos de acordo com seu processa- mento, auxiliando na tomada de decisões mais saudáveis. 2.1.1 Rotulagem nutricional frontal de alimentos A PNAN reforça a rotulagem nutricional como um elemento regulatório essencial para promover uma alimentação adequada e saudável, bem como para garantir o direito à informação. Uma rotulagem nutricional que seja clara e de compreensão direta contribui para garantir o direito fundamental de receber informações adequadas e transparentes sobre a composi- ção e os riscos associados aos alimentos, conforme estipulado pelo Código de Defesa do Consumidor. Em 2013, o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA) recomen- dou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) o aprimoramento da rotulagem https://unasus-cp.moodle.ufsc.br/pluginfile.php/264109/mod_resource/content/100/Conteudo/instrutivo_manejo_obesidade.pdf CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 40 nutricional para facilitar a compreensão e combater as informações enganosas e abusivas dos rótulos de alimentos. Nesse mesmo ano, o Instituto Brasileiro de Direito do Consumidor (Idec) lançou a campa- nha “Rotulagem Adequada Já!” com o objetivo de informar e engajar a população para a necessidade de uma rotulagem de alimentos compreensível (PEREIRA et al., 2022). Em novembro de 2017, as propostas apresentadas e as evidências foram debatidas em um painel técnico organizado pela ANVISA. No Relatório Preliminar de Análise de Impacto Regulatório sobre Rotulagem Nutricional (2018), a agência avaliou a lite- ratura disponível, os impactos econômicos, os aspectos jurídicos e regulatórios sobre o tema e concluiu que o modelo de rotula- gem nutricional frontal de advertências era o mais apropriado para fornecer informa- ções nutricionais, além de ter menor cus- to de implantação por não exigir aplicação em todos os produtos. Em setembro de 2019, a ANVISA publicou o Relatório Final de Análise de Impacto Regulatório sobre Rotulagem Nutricional, recomendando a adoção do modelo retangular preto com lupa “alto em”, que passou a vigorar em 9 de outubro de 2022. A regulação da publicidade e do marketing também aponta para a necessidade de aborda- gens amplas e intersetoriais que possam criar um ambiente mais saudável para as pesso- as, influenciando positivamente os padrões de consumo alimentar. Além disso, a rotulagem frontal de alimentos desempenha um papel fundamental na identificação dos produtos ul- traprocessados, oferecendo à população informações claras e de fácil entendimento sobre o conteúdo nutricional dos alimentos. Esse tipo de rotulagem, ao destacar o excesso de nutrientes como açúcares, sódio e gorduras saturadas, contribui para a conscientização sobre os riscos à saúde associados ao consumo regular desses produtos. Além disso, auxilia na promoção de escolhas alimentares mais saudáveis e informadas, incentivando uma redução no consumo de alimentos ultraprocessados. Novo modelo de rótulo frontal CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 41 2.2 Impactos do consumo de alimentos ultraprocessados na saúde As Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs) constituem um conjunto de condições de saúde de caráter permanente, que muitas vezes resultam em incapacidades duradouras nos indivíduos. Essas doenças derivam de alterações patológicas que, em sua maioria, não são reversíveis, exigindo um extenso período de acompanhamento e reabilitação. Dentre as principais categorias de DCNTs, incluem-se as enfermidades cardíacas, neopla- sias malignas, afecções respiratórias crônicas e disfunções renais de longa duração. Além disso, hipertensão, diabetes e obesidade figuram como fatores de risco para doenças car- diovasculares bem como para condições que requerem cuidados continuados em diversos níveis de atenção à saúde. Essas enfermidades foram elencadas pela OMS entre as principais causas de óbito no âmbito global (BORTOLINI et al., 2019). Conforme evidenciado por dados fornecidos pelo Ministério da Saúde, as DCNTs assumem um papel preponderante na taxa de mortalidade mundial, espelhando uma realidade semelhante no Brasil, onde são responsáveis por mais de 70% dos casos de óbito. Nesse contexto, merece destaque o fato de que as doenças cardiovasculares se posicionam como a principal causa de morte tanto a nível global quan- to nacional, mesmo diante de amplos esforços de implementação de políticas públicas ao longo dos anos. Entre os principais fatores de risco associados a essas enfermidades estão o tabagismo, o consumo excessivo de álcool, as práticas alimentares não saudáveis e o sedentarismo (SIMÕES et al., 2018). No que diz respeito aos hábitos alimentares não saudáveis, a população brasileira está vivenciando um aumento no consumo de alimentos ultraprocessados, que estão gradativamente substituindo as opções de comida compostas por alimentos in natura e minimamente processados, até mesmo nas preparações culinárias. Os ingredientes predominantes nos alimentos ultraprocessados frequentemente resultam em baixo valor nutricional, alta densidade calórica, elevados níveis de gordura, açúcar e sódio. A presença elevada de sódio nesses alimentos é uma consequência da adição significativa de sal, seja para prolongar a durabilidade e intensificar o sabor ou para mascarar sabores indesejáveis derivados dos aditivos ou das técnicas de ultraprocessamento (BRASIL, 2014). CONHECENDO O GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA 42 A relação entre esses alimentos e as doenças crônicas é direta. O consumo excessivo de açúcar pode estar diretamente ligado ao desenvolvimento de diabetes, enquanto o alto consumo de sal está associado à hipertensão. Já o consumo excessivo de calorias está relacionado à obesidade, por exemplo. Dada a fácil disponibilidade, a acessibilidade e a longa vida útil desses alimentos ultraprocessados, eles agora são uma presença comum nos lares de muitos brasileiros e brasileiras (CANHADA, 2022). No entanto, é crucial compreender que a responsabilidade não recai apenas sobre aqueles que compram e consomem esses produtos. A regulação da publicidade e do marketing também aponta para a necessidade de abordagens amplas e intersetoriais que possam criar um ambiente mais saudável para as pessoas, influenciando positivamente os padrões de consumo alimentar. Além das preocupações com excessos em ingredientes, os alimentos ultraprocessados tendem a ser deficientes em fibras, que desempenham um papel vital na prevenção de doenças cardíacas, diabetes e diversos tipos de câncer. Além disso, esses produtos são pobres em vitaminas, minerais e outros elementos essenciais para a proteção e o bom fun- cionamento do organismo. 2.3 Políticas regulatórias e fiscais sobre alimentos ultraprocessados O objetivo das medidas regulatórias é ajudar os consumidores a tomarem decisões mais saudáveis e a discussão, nesse sentido, vai além da simples orientação sobre o que se deve ou não consumir. No contexto da alimentação, especialistas propõem uma imple- mentação de regulamentações que assegurem informações mais transparentes e diretas nas embalagens, diretrizes para a promoção de alimentos e redução de subsídios para produtos industrializados e ultraprocessados (PEREIRA et al., 2022). A Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN) do Ministério da Saúde do Brasil