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ECOS QUE VÊM DO SOCIOEDUCATIVO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Belo Horizonte 
Editora Sarerê 
2024 
 
 
 
 
 
 
ECOS QUE VÊM DO SOCIOEDUCATIVO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Walesson Gomes da Silva 
Organizador 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Belo Horizonte 
Editora Sarerê 
2024 
 
 
Copyright 2024 
 
Editoração de texto: Walesson Gomes da Silva 
Revisão de texto e normatização: Os próprios autores 
Ilustrações: Maria Cecília Parreiras Moura 
Capa Leo Yawar 
Revisão de provas: Walesson Gomes da Silva 
Formatação e diagramação: Leo Yawar 
Editor: Walesson Gomes da Silva 
Organização: Walesson Gomes da Silva 
 
Este livro ou parte dele não pode ser reproduzido por 
qualquer meio sem autorização do editor ou autores. 
 
Criado no Brasil 
Editora Sarerê 
www.sarere.com.br 
contato@sarere.com.br 
sitesarere.wixsite.com/editorasarere 
editorasarere@gmail.com 
34.099.458/0001-61 
 
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 
 (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) 
Corpo-oralidades : ecos que vêm do socioeducativo / 
organizador Walesson Gomes da Silva. -- Belo Horizonte, 
MG : Sarere Editora e Educação Tecnológica, 2024. 
 
Vários autores. 
Bibliografia. 
ISBN 978-65-84928-25-1 
 
1. Poesia brasileira I. Silva, Walesson Gomes da. 
 
24-212185 CDD-B869.1 
Índices para catálogo sistemático: 
1. Poesia : Literatura brasileira B869.1 
Tábata Alves da Silva - Bibliotecária - CRB-8/9253 
 
Diretos desta edição pertencem ao(as/os) autor(es) e Editora Sarerê. Nenhuma parte 
desta obra pode ser apropriada e estocada em bancos de dados ou sistema similar, seja 
qual for o formato, sem a devida permissão da editora e/ou autor(es). Depósito Legal 
realizado na Fundação Biblioteca Nacional, de acordo comas Lei 10.994/2004. 
 
 
 
 
 
Sobre a Editora Sarerê 
 
A Editora Sarerê surge em meados de 2019. Na ocasião, percebi 
que parte das relevantes produções acadêmicas ficava, em razão dos 
onerosos preços editoriais, restrita apenas ao ambiente acadêmico, 
distante da maioria da população. Tal fato fazia com que um número 
expressivo de estudantes e principalmente professoras (es) se desinte-
ressasse em publicar seus trabalhos. 
Com o intuito de estimulá-las (os) a socializar conhecimentos 
científicos, decidi criar uma editora que publicasse, a baixíssimo custo, 
livros que abordassem temáticas ligadas ao campo educacional. A pri-
meira experiência foi a organização de dois fotolivros, o que me 
despertou o desejo de ampliar o projeto. Assim, pouco depois, forma-
lizei uma editora, sob o nome de Comenius Educação Tecnológica, com 
o propósito inicial de publicar apenas e-books. 
Em 2021, um professor e amigo, Cleber Dias, comentou a res-
peito do desejo de publicar um livro. Nas conversas sobre o assunto, 
refletimos criticamente sobre o uso do nome Comenius (1592-1670), 
referência ao pedagogo do século XVI, nascido onde atualmente é a 
República Tcheca e falecido na cidade de Amsterdã, Holanda, nação 
onde passou maior parte de sua vida. À Comenius, atribui-se a inven-
ção da didática moderna. 
Contudo, um ponto passou a me intrigar: como uma editora, 
que busca valorizar as epistemologias do sul, que toma como referên-
cia a perspectiva decoloconial, pode se referenciar em um pensador 
europeu? Tinha em mente que Comenius, como muitos intelectuais 
europeus, antes e depois dele, era, certamente, um pensador gigante. 
Todavia, não haveria entre nós, latinos americanos, também pensado-
res gigantes dignos de quaisquer homenagens? 
Diante desta provocação, seguimos conversando em busca de 
novos possíveis nomes. Procurei então na cultura popular elementos 
 
 
que nos referenciássemos na definição de um nome que traduzisse a 
concepção da editora. Pensei na figura do Saci Pererê, moleque negro 
de uma perna só, brincalhão e travesso, que habita as florestas e é do-
tado de poderes mágicos graças à carapuça que usa sobre a cabeça. O 
nome é de origem tupi, em que um dos significados é “ir aos saltos”, ao 
mesmo tempo em que a figura encontra paralelos nas entidades pro-
tetoras da floresta da cosmologia guarani. Embora tenha sido 
popularizado por Monteiro Lobato, pensador controverso na questão 
étnico racial, Saci é um elemento da cultura popular, que (re)existe aos 
preconceitos de cor e de capacitismo. 
Como já existia uma outra instituição com o nome Saci, resolvi 
fazer uma junção do nome Saci Pererê. Surge assim a Editora Sarerê. 
De pé em pé, como o Saci; de letra em letra, como eu e você; pulando 
para sobreviver, como a nossa gente simples. Eis a Editora Sarerê! 
 
Walesson Gomes da Silva 
 
 
 
Equipe 
 
Conselho Editorial Executivo 
 
Gestora Prof.(a). Ana Karina Ladeira Gomes 
Editor Prof. Dr. Walesson Gomes Silva – 
UEMG, Brasil 
Relações Institucionais Victor Arthur L. Gomes 
Arte Daniel Henrique L. Gomes 
 
Conselho Editorial Científico 
 
Prof. Dr. Adilson Xavier da Silva - UEMG/Escola Guignard, Brasil 
Prof. Dr. Alessandro Rodrigo Pedroso Tomasi, UFMG/EEFTO, Brasil 
Profª. Ma. Ana Karina Ladeira Gomes – IFMG, Brasil 
Profª. Dra. Ana Paula Pedroso - UEMG, Brasil 
Prof. Me. Danilo da Silva Ramos, UFMG, Brasil 
Prof. Dr. Edson Oaigen - Universidad Evangélica del Paraguay, Paraguai 
Profª. Dra. Eliane Ferreira de Sá – UEMG, Brasil 
Prof. Dr. Heli Sabino de Oliveira - UFMG/FaE, Brasil 
Profª. Dra. Luísa Teixeira Andrade Pinho - UEMG, Brasil 
Prof. Dr. Márcio D'Olne Campos- UNICAMP, Brasil 
Prof. Dr. Natalino Neves da Silva- UFMG/FaE, Brasil 
Prof. Dr. Rafael Frois - IFES, Brasil 
Prof. Dr. Rogério Othon Teixeira Alves - Unimontes, Brasil 
Prof. Dr. Sergio Grossi, Università di Bologna, Itália 
Prof. Dr. Walesson Gomes Silva – PUC Minas, Brasil 
 
 
Equipe de apoio / membros do 
grupo de estudos e pesquisa SULear 
que colaboraram com esta obra 
 
Adirson Teles 
Beatriz Menezes Madureira Penido 
Eduardo de Sousa Veloso 
Laysla Gabrielle Souza Paiva 
Leonarda Fabiola Oliveira Martins 
Luana Lousada Batalha dos Santos 
Maria Clara Campos Dantas 
Rúbia Campos Ferreira 
Walesson Gomes da Silva 
 
 
Equipe de apoio do Centro 
de Reeducação São Jerônimo 
que colaboraram com esta obra 
 
Adrielly Nádia Silva Veiga 
Cynthia Carla de Jesus 
Leziane Parré de Souza 
Martha Florença de Souza Coridola 
 
 
— Sumário — 
Apresentação ..................................................................................................................................................... 15 
No São Jeje .......................................................................................................................................................... 21 
F. M. Portela 
A força da união no sistema socioeducativo: uma poesia de esperança ......... 23 
F. M. Portela 
Adolescência ..................................................................................................................................................... 25 
E. Caroline 
Como vim parar aqui ................................................................................................................................... 26 
Milaydy 
Essa é minha história ................................................................................................................................... 27 
Autor Anônimo 
Tudo tem solução! ........................................................................................................................................ 28 
Taís Araújo 
Coração quebrado ........................................................................................................................................ 29 
Elis Regina 
Meu relato ............................................................................................................................................................ 30 
Milaydy 
Mãe natureza ......................................................................................................................................................APRENDIZADOS DA VIDA
	Autor anônimo
	FLOR
	Cássia Eller
	IDENTIDADES NA SOCIOEDUCAÇÃO
	M. C. R. Neves
	SAÚDE, VIDA, AMOR E MUDANÇA
	Cássia Eller
	MINHA BANDEIRA
	Cássia Eller
	EU SINTO SUA FALTA, MÃE
	Maria Bethânia
	POR QUE O VERMELHO?
	Autor anônimo
	MÃE
	Vanuza
	ALEGRIA, TRISTEZA, VIDA E BORRACHA
	Cássia Eller
	UMA DECLARAÇÃO PARA GEOVANA
	Autor anônimo
	UMA MENINA DIFERENTE
	Luedji Luna
	SOFRIMENTO DIÁRIO
	Ludmila
	SOFRIMENTO EM UMA TARDE DE OUTONO
	M. C. C. Dantas
	BLOQUINHOS, RISCOS E O MAR
	M. C. C. Dantas
	AINDA ASSIM, SÃO ADOLESCENTES
	A. Teles
	SOCIOEDUCATIVO
	E. S. Veloso
	APRENDER E LIVRE SER
	B. M. M. Penido
	SONHO DE “MILAYDY”
	Milaydy
	GRITOS ESCRITOS DE UMA MÃE EM AFLITO
	Autor anônimo
	NÃO DESACREDITE DOS SEUS SONHOS
	Autor anônimo
	NO FIM, A FELICIDADE ME AGUARDA
	Rita Lee
	OCORRIDO INESPERADO
	Elza Soares
	MOMENTOS FELIZES
	Cora Carolina
	UM SONHO DE UMA FAMÍLIA UNIDA
	Cecília Meireles
	DESEJO DE UMA VIDA MELHOR
	Negra Li
	UMA BOA NOTÍCIA
	Elza Soares
	DOCE VIDA
	Rita Lee
	VIDA
	Cássia Eller
	AMOR MATERNO
	Vanuza
	ALGUÉM ESPECIAL
	Luedji Luna
	CASA
	Cássia Eller
	SAUDADE DÓI
	Cássia Eller
	MINHA AMADA IRMÃ
	Elza Soares
	AMIZADE
	G. V. R. Mares
	DONA ARANHA
	Alba
	FORÇA PARA AS INJUSTIÇAS DA VIDA
	Tarsila do Amaral
	DOLOROSA SAUDADE
	Cássia Eller
	EU, SENDO…
	Leziane Parré
	MONÓLOGO ÊXTIMO
	Leziane Parré
	A VIDA PERDIDA
	Maria Cecília Parreiras Moura
	PINTAR PESSOAS
	Maria Cecília Parreiras Moura
	AUTORES
	EQUIPE DE APOIO
	MEMBROS DO GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISA SULear
	EQUIPE DE APOIO DO CENTRO DE REEDUCAÇÃO SÃO JERÔNIMO
	QUE COLABORARAM COM ESTA OBRA31 
Nise Da Silveira 
Essa sou eu ......................................................................................................................................................... 32 
Maria Bethânia 
Minha infância ................................................................................................................................................... 33 
Tarsila Do Amaral 
Fé na vida ............................................................................................................................................................. 34 
Autor Anônimo 
Uma Mãe Leoa ................................................................................................................................................. 35 
Daiara Tukano 
História de Janaína ........................................................................................................................................ 36 
Marisa Monte 
Uma nova vida .................................................................................................................................................. 37 
Luedji Luna 
Reviravolta ........................................................................................................................................................... 38 
Tarsila Do Amaral 
É assim que eu me sinto ........................................................................................................................... 39 
Rita Lee 
O amor .................................................................................................................................................................... 40 
Cássia Eller 
 
 
 
Sentimento mais nobre do mundo ................................................................................................... 41 
Cássia Eller 
Respeito É Bom E Todo Mundo Gosta .......................................................................................... 42 
Marta Silva 
Apenas uma adolescente em crescimento .............................................................................. 43 
Autor Anônimo 
Mudança de vida ............................................................................................................................................. 44 
Carmen Miranda 
Essa fase vai passar ...................................................................................................................................... 45 
Roni 
Um pouco sobre mim ................................................................................................................................ 46 
Autor Anônimo 
Em busca de paz ............................................................................................................................................. 47 
Cássia Eller 
Um final feliz ...................................................................................................................................................... 48 
Autor Anônimo 
Aprendizados Da Vida................................................................................................................................ 49 
Autor Anônimo 
Flor ............................................................................................................................................................................. 50 
Cássia Eller 
Identidades na socioeducação ............................................................................................................ 51 
M. C. R. Neves 
Saúde, vida, amor e mudança .............................................................................................................. 52 
Cássia Eller 
Minha bandeira ................................................................................................................................................. 53 
Cássia Eller 
Eu Sinto Sua Falta, Mãe ............................................................................................................................. 54 
Maria Bethânia 
Por que o vermelho? .................................................................................................................................... 55 
Autor Anônimo 
Mãe ............................................................................................................................................................................ 56 
Vanuza 
Alegria, tristeza, vida e borracha ........................................................................................................ 57 
Cássia Eller 
Uma declaração para geovana .......................................................................................................... 58 
Autor Anônimo 
Uma menina diferente ............................................................................................................................... 59 
Luedji Luna 
Sofrimento diário ............................................................................................................................................ 60 
Ludmila 
 
 
Sofrimento em uma tarde de outono ............................................................................................. 61 
M. C. C. Dantas 
Bloquinhos, riscos e o mar ...................................................................................................................... 62 
M. C. C. Dantas 
Ainda assim, são adolescentes ........................................................................................................... 63 
A. Teles 
Socioeducativo................................................................................................................................................. 65 
E. S. Veloso 
Aprender e livre ser ...................................................................................................................................... 66 
B. M. M. Penido 
Sonho de “Milaydy” ....................................................................................................................................... 67 
Milaydy 
Gritos escritos de uma mãe em aflito ............................................................................................ 68 
Autor Anônimo 
Não desacredite dos seus sonhos ................................................................................................... 69 
Autor Anônimo 
No fim, a felicidade me aguarda ........................................................................................................ 70 
Rita Lee 
Ocorrido inesperado ..................................................................................................................................... 71 
Elza Soares 
Momentos felizes ........................................................................................................................................... 72 
Cora Carolina 
Um sonho de uma família unida ........................................................................................................ 73 
Cecília Meireles 
Desejo de uma vida melhor ................................................................................................................... 74 
Negra Li 
Uma boa notícia .............................................................................................................................................. 75 
Elza Soares 
Doce vida .............................................................................................................................................................. 76 
Rita Lee 
Vida ............................................................................................................................................................................ 77 
Cássia Eller 
Amor materno ................................................................................................................................................... 78 
Vanuza 
Alguém Especial .............................................................................................................................................79 
Luedji Luna 
Casa ........................................................................................................................................................................... 80 
Cássia Eller 
Saudade dói ......................................................................................................................................................... 81 
Cássia Eller 
 
 
Minha amada irmã .......................................................................................................................................... 82 
Elza Soares 
Amizade ..................................................................................................................................................................83 
G. V. R. Mares 
Dona Aranha ...................................................................................................................................................... 84 
Alba 
Força para as injustiças da vida .......................................................................................................... 85 
Tarsila Do Amaral 
Dolorosa saudade ......................................................................................................................................... 86 
Cássia Eller 
Eu, sendo… ............................................................................................................................................................87 
Leziane Parré 
Monólogo êxtimo ........................................................................................................................................... 88 
Leziane Parré 
A vida perdida ................................................................................................................................................... 89 
Maria Cecília Parreiras Moura 
Pintar pessoas .................................................................................................................................................. 90 
Maria Cecília Parreiras Moura 
Autores .................................................................................................................................................................... 92 
Equipe de apoio .............................................................................................................................................. 95 
Membros do Grupo de Estudos e Pesquisa SULear ......................................................... 95 
Equipe de apoio do Centro de Reeducação São Jerônimo que colaboraram 
com esta obra ................................................................................................................................................... 96 
 
 
 
 
15 
 
APRESENTAÇÃO 
 
A obra em questão é o resultado da expansão de dois projetos 
distintos, um de extensão e outro de pesquisa, ambos conduzidos por 
membros do Grupo de Estudos e Pesquisas SULear/UEMG/CNPq em 
colaboração com uma unidade socioeducativa de uma capital brasileira. 
O primeiro projeto contou com a valiosa participação do Pro-
grama Ciência com Partilha, liderado pela Professora Eliane Sá, que 
generosamente disponibilizou duas bolsas para nossas acadêmicas, por 
meio do Edital N° Edital PAEx 10/2023, concedendo uma bolsa anual-
mente. Este projeto teve início no primeiro semestre de 2022. Por 
outro lado, o projeto de pesquisa recebeu a concessão de bolsas para 
as acadêmicas por meio do Edital 11/2022 e foi iniciado no primeiro 
semestre de 2023, com o objetivo de analisar os impactos, ou a ausên-
cia deles, do projeto de extensão. 
O contexto social das pessoas privadas de liberdade, sejam elas 
adultas ou adolescentes, frequentemente é caracterizado por condi-
ções insalubres e pela carência de assistência de profissionais da saúde, 
serviços sociais e educação. Conforme indicado por Silva et al. (2021), 
esses fatores contribuem para a prevalência do estigma na população 
carcerária e agravam desigualdades e problemas de saúde, levando a 
sofrimento psicológico e transtornos mentais, como depressão, ansie-
dade e estresse. Estudos demonstram que as pessoas em situação de 
privação de liberdade apresentam taxas significativamente mais altas 
de transtornos mentais em comparação com a população em geral 
(Silva et al., 2021; Santos et al., 2020). 
É fundamental destacar que o fato de estarem privadas de li-
berdade não implica na negação de seus direitos ou na redução desses 
direitos. Pelo contrário, elas têm o direito de receber atendimento de 
saúde de acordo com as leis e políticas públicas que foram implemen-
tadas para esse fim. A Lei de Execução Penal (LEP) e a Política Nacional 
16 
 
de Atenção Integral à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade no Sis-
tema Prisional (PNAISP) estabelecem a oferta de cuidados de saúde 
preventivos, curativos e ações de promoção, proteção e recuperação 
da saúde para as pessoas privadas de liberdade. 
Nesse contexto, o objetivo principal do projeto de extensão 
não era apenas promover a saúde, mas também cuidar dessas pessoas, 
colaborando com o processo educativo naquela unidade socioeduca-
tiva por meio dos princípios da educação social. Entendemos que o 
cuidado pode ser proporcionado de várias maneiras, por meio de di-
ferentes modelos e ações. Esses projetos se propuseram a ser uma 
iniciativa de pesquisa, extensão e intervenção no Centro Socioeduca-
tivo, utilizando estratégias, métodos e experiências educacionais por 
meio de abordagens participativas, com ênfase em intervenções e 
mudanças na realidade. 
Dentro desse escopo, ao chegar ao Centro Socioeducativo, 
planejamos desenvolver ações que promovessem a saúde física e 
mental por meio de atividades de lazer, como expressões artísticas, a 
criação de radionovelas e oficinas de podcasts, culminando na pro-
dução de programas de web rádio. A proposta era que as atividades 
de lazer servissem como uma ponte entre as realidades do dia a dia e 
a promoção da saúde. Desejávamos que o direito ao lazer, estabelecido 
pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, se transformasse não 
apenas em um momento de entretenimento, mas também em uma 
dimensão essencial para o bem-estar humano e na promoção da 
educação por meio do lazer. 
O lazer pode ser compreendido como uma experiência cultural 
que oferece aos participantes, individualmente ou em grupo, um po-
deroso meio de atribuir significados e propósitos à vida, que muitas 
vezes é limitada por normas e regras impostas pela sociedade. Essa 
atividade não ocorre de forma isolada, pois está sempre influenciada e 
moldada pelas múltiplas dimensões da identidade do indivíduo e de sua 
17 
 
comunidade. O lazer é uma experiência que envolve tensões e relaxa-
mentos devido à interação entre as normas convencionais e as práticas 
transgressivas, tornando-se uma expressão complexa (Silva, 2018). 
O lazer é um conceito fluido e interdisciplinar que permite que 
os indivíduos se apropriem de suas vidas e de sua prática, contribuindo 
para o processo de emancipação e sendo benéfico para a saúde. 
Ao abordar a saúde, conforme amplamente explorado neste 
projeto, é essencial compreendê-la para além da mera ausência de do-
enças e aflições, ou do pleno bem-estar físico, mental e social, como 
proposto pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Portanto, busca-
mos a perspectiva de Canguilhem para discutir o significado de ter ou 
não ter saúde, considerando-a como a capacidade dos indivíduos de 
enfrentar as adversidades do cotidiano (Caponi, 1997). Essa abordagem 
nos direcionou a criar oportunidades, tanto para as adolescentes 
quanto para a instituição, a fim de lidar com as diversas situações que 
eles enfrentavam, levando em consideração suas histórias e os contex-
tos individuais e coletivos nos quais estavam inseridos. 
Finalmente, reconhecendo a importância central do lazer na 
vida cotidiana e compreendendo seu papel fundamental na promoção 
da saúde, iniciamosnossas atividades na unidade socioeducativa com 
oficinas de produção de radionovelas como uma forma de descontra-
ção e entretenimento. No entanto, rapidamente percebemos que essa 
estratégia não estava funcionando devido à constante rotatividade de 
adolescentes na unidade, o que nos forçava a reajustar o roteiro da 
radionovela repetidamente, tornando difícil alcançar um final feliz. 
Como resultado, modificamos nossa estratégia e passamos a criar 
podcasts, conseguindo ao final de 2022, produzir um total de vinte e 
dois, dos quais apenas dezenove puderam ser aproveitados devido à 
qualidade do áudio e intervenções repentinas de Agentes Socioeduca-
tivos da unidade. 
18 
 
O projeto continuou durante o ano de 2023, graças à manu-
tenção da segunda bolsa concedida pelo Programa Ciência com 
Partilha, por meio do Edital N° Edital PAEx 10/2023, novos podcasts 
foram produzidos. No entanto, além dos dois projetos mencionados 
anteriormente, de extensão e de pesquisa, o Grupo de Estudos e Pes-
quisas SULear/UEMG/CNPq em consonância com as adolescentes, 
direção e professores do Centro Socioeducativo, sentiu a necessidade 
de desenvolver um terceiro projeto, intitulado "As Contribuições do 
Ensino de Literatura para as Adolescentes de um Centro Socioeduca-
tivo em uma Capital Brasileira." 
Este último projeto teve como objetivo apresentar às adoles-
centes, ressaltando que, em determinado momento, o Centro 
Socioeducativo, por meio da Vara da Infância e Juventude, promoveu a 
permanência de adolescentes transexuais na unidade socioeducativa, 
originalmente destinada a meninas. Esta iniciativa representou uma 
oportunidade para as jovens reconhecerem que "nunca é tarde para 
voltar e apanhar aquilo que ficou para trás", como diz um provérbio 
africano/Sankfa. O projeto visou resgatar boas memórias da vida e ex-
plorar as potencialidades e possibilidades de construção de uma nova 
identidade. Como resultado desses esforços, surgiu o livro "Polissemias 
do Socioeducativo," que agora tenho o prazer de apresentar. 
 
Walesson Gomes da Silva 
Coordenador dos Projetos 
Líder do Grupo de Estudos e Pesquisa SULear/CNPq 
 
Primavera de 2023. 
19 
 
Referências 
CAPONI, S. Georges Canguilhem y el estatuto epistemológico dei 
concepto de salud. História, Ciências, Sazíde-Manguinhos, 4(2):287-
307, 1996. 
 
GOMES, Christianne Luce (Org.). Dicionário crítico do lazer. Belo Hori-
zonte: Autêntica, 2004. 
 
SANTOS, G. da C., SIMÔA, T. C., BISPO, T. C. F., MARTINS, R. D., 
SANTOS, D. S. S. dos, & ALMEIDA, A. O. L. C. de. (2020). Covid-19 nas 
prisões: efeitos da pandemia sobre a saúde mental de mulheres pri-
vadas de liberdade. Revista Baiana de Enfermagem. 
https://doi.org/10.18471/rbe.v34.38235 
 
SILVA, Walesson Gomes. Sentido e significado: a acadêmica como 
prática de lazer para uma juventude encarcerada. UDZIWI, Revista de 
Educação da Universidade Pedagógica de Maputo -Moçambique, v. 
34, p. 192-207, 2020. 
 
SILVA, L. V C., MUNIZ, M P G., Caçador, B. 5, [aram, C. 5., Brito, M. J 
M. Práticas de cuidado em saúde mental com população privada de 
liberdade: revisão de escopo. Revista Saúde Coletiva (11) N.69, 2021. 
 
https://doi.org/10.18471/rbe.v34.38235
https://doi.org/10.18471/rbe.v34.38235
https://doi.org/10.18471/rbe.v34.38235
 
 
 
21 
 
NO SÃO JEJE 
 
F. M. Portela 
 
Unidade Socioeducativa, 
uma esperança mesclada com dor... 
Lutamos juntos, buscando a esperança e transformação, 
pela vida e pelo amor... 
 
Um espaço de aprendizado e acolhimento, 
onde cada história busca ser reescrita, 
unimos forças, construímos elos, 
na busca de uma vida mais bonita. 
 
Alguns olhares cansados e feridos, 
mas sempre buscando os objetivos. 
 
Cada passo dado, há uma chance de recomeçar, 
superando as adversidades 
para que os sonhos possam voltar a brilhar. 
 
Com aulas, diálogos e oficinas, 
aprende-se a identidade valorizar, 
descobre-se novos horizontes, 
para as oportunidades abraçar. 
 
No compasso da transformação, 
a união se faz crucial, 
seguimos juntos lado a lado, 
ressignificando cada valor individual. 
 
22 
 
Esta unidade é um lar 
Que tem semente em busca de florescer. 
Num solo fértil de apoio e incentivo, 
construindo sempre um futuro positivo. 
 
Que essa poesia ecoe como um hino, 
de esperança e superação, 
pois na unidade Socioeducativa 
estaremos sempre unidos 
pela busca da transformação. 
23 
 
A FORÇA DA UNIÃO NO 
SISTEMA SOCIOEDUCATIVO: 
uma poesia de esperança 
 
F. M. Portela 
 
Quase sempre, quando estou lá em casa, e nada eu tenho pra fazer, 
pego logo a minha agenda de poesias eu vou escrever... 
 
Primeiro eu oro a Deus, 
Pedindo a ele inspiração 
Para que ilumine a minha mente, 
e que nada seja em vão. 
 
Neste dia o senhor me usou 
Logo eu fui escrevendo, 
sobre jovens e adolescentes, 
que no mundo estão se perdendo. 
 
Alguns abandonados pelos pais, 
sem nenhuma estrutura familiar. 
Outros quiseram uma ilusão vivenciar, 
alguns nem pais tiveram para ensinar... 
 
Colhendo aquilo que plantou, 
por causa de alguma atitude errada, 
todos merecem uma segunda chance 
e a oportunidade que um dia foi negada! 
 
Uns precisam de amor, 
outros precisam ser compreendidos, 
24 
 
aí entra a nossa parte, 
no sistema Socioeducativo. 
 
Oportunidades de emprego, oportunidades de estudar, 
oportunidades de fazer cursos, e da vida melhorar. 
 
Cada um fazendo a sua parte, 
com amor e dedicação, 
mostrando a eles que não estão sozinhos, 
e que a força está na união. 
 
Não importa a sua função no sistema Socioeducativo, 
todos nós somos importantes se trabalharmos todos unidos. 
 
Termino agora essa poesia, mas deixo para todos vocês este ditado: 
Que mais vale as lágrimas de não ter vencido, que a vergonha de não 
ter lutado. 
 
25 
 
ADOLESCÊNCIA 
 
E. Caroline 
 
Na flor da vida, a adolescência floresce, 
Um turbilhão de emoções que se aquece, 
Sonhos e desafios se entrelaçam, 
E na jornada da descoberta, se abraçam. 
 
Entre risos e lágrimas, o coração pulsa, 
Incertezas e inseguranças, a mente tumultua, 
Mas é nesse caminho de transformação, 
Que encontramos nossa própria definição. 
 
Os dias são intensos, cheios de cores, 
De pequenas vitórias e grandes dores, 
A busca por identidade e liberdade, 
A mágica da adolescência, em sua verdade. 
 
Através das experiências e aprendizados, 
Crescemos, amadurecemos, nos tornamos ousados, 
A adolescência, tão efêmera e fugaz, 
Deixa marcas na alma, que nunca se desfaz. 
 
Sejamos livres para viver cada momento, 
Na poesia da adolescência, com sentimento, 
E que essa fase tão única e singular, 
Seja celebrada, sempre a reluzir e encantar. 
 
26 
 
COMO VIM PARAR AQUI 
 
Milaydy 
 
Nasci em uma tribo chamada Luzia. 
Vivíamos todos em família: pais, avó, avô, primo, tio e tia. 
 
Comíamos bichos, tipo carneiro, veado e cobra. 
Quando eu tinha cinco anos, me mudei para a cidade. 
 
Conheci a droga com doze anos e conheci um namorado. 
Foi bom, até me afundar no “crack”. 
 
Cometi meu primeiro ato infracional, artigo 121 do Código Penal. 
Cumpro medida no Socioeducativo São Jerônimo. 
 
27 
 
ESSA É MINHA HISTÓRIA 
 
Autor anônimo 
 
No dia 23 de agosto fui apreendida. 
Nunca escutei a minha família. 
Agora paro e penso: por que não ouvi?! 
 
É na escuridão que encontramos o brilho e a luz. 
Agora sinto falta da minha pequena, minha irmã. 
 
Falar: “só não te dou uma flor porque tem, Laís, espinho, 
mas te dou o meu coração com todo amor e carinho”. 
 
Amor é só de mãe, eu aprendi com o tempo. 
 
Sonhar, nunca desistir, ter fé nos passos, 
pois fácil não é, nem vai ser. 
 
Saudades da minha família. 
Quero ir embora. 
Ter minha vida, ter minhas coisas, comprar tudo que eu sonho. 
É isso. 
 
28 
 
TUDO TEM SOLUÇÃO! 
 
Taís Araújo 
 
A menina partiu meu coração.Existem coisas que a gente fala e que nem de joelhos têm perdão. 
 
Ela falou várias fitas que partiu meu coração. 
Na mesma hora pensei que não tinha solução. 
Aí fui vendo que amor é só ilusão. 
 
Até eu encontrar a menina que roubou meu coração, 
Aí sim percebi que o amor tem solução. 
 
Conheci a Layane que foi construindo meu coração. 
Com ela eu aprendi que o amor não é ilusão. 
Amor é cuidar, ter carinho e compaixão, nada de ilusão. 
 
Eu só não te dou uma flor porque tem espinhos, 
Mas te dou meu coração com todo amor e carinho. 
 
29 
 
CORAÇÃO QUEBRADO 
 
Elis Regina 
 
Eu sou Elis Regina, é ruim falar uma solução. 
Você quebrou meu coração, mas eu gosto de você ainda. 
 
Várias fitas estão rolando e eu não sei nem falar, 
só sei que fui parar no isolado por causa de você, meu “amor”. 
 
Eu só não te dou o mundo porque meu mundo é você, 
se eu te der o mundo, como é que eu vou viver? 
 
Ficar sem viver?! Fico sem viver não, amor, 
Porque eu tenho família e porque amor é só de mãe. 
 
Fui parar no isolado. 
 
30 
 
MEU RELATO 
 
Milaydy 
 
Sou eu a Milaydy, a menina que sonha alto independente do conflito. 
Tenho que relatar minha vida com um papel e um lápis. 
 
Tudo que pedi para Deus, ele realizou. Menos eu vir para o sócio. 
Aprendi a lidar com a dor aqui, onde o filho chora e a mãe não vê. 
 
Sou usuária de drogas, crack, loló (lança-perfume), bala (ecstasy), 
skunk (skank) 
mas, profetizei nunca mais usar essas coisas e me afastar de gente que 
me leva para o buraco. 
 
Amo os meus monitores, não cuspo na cara dos agentes 
e, assim, minha medida está chegando ao fim. 
Você tem que ter respeito e bondade. 
 
Hoje, 05/06/23 fui no socioeducativo. 
Oro e vi muitas coisas lá, agente bonito, acredita que um parecia meu 
pai?! 
Oro pela vida da minha amiga Vitória que está internada com infecção 
nos rins. 
 
31 
 
MÃE NATUREZA 
 
Nise da Silveira 
 
Ah! Mãe natureza, 
És tão bela, charmosa 
Cuidastes dos nossos rios, 
Florestas, mares, de tudo! 
 
Pássaros cantarolando, 
Voando para lá e para cá 
No céu azulzinho… liberdade! 
 
32 
 
ESSA SOU EU 
 
Maria Bethânia 
 
Eu sou uma menina que tem ansiedade e depressão. 
Gosto bastante de ler, fumar um cigarro e de comer (miojo e coca, 
pequi e sua, dobradinha com batata). 
 
Tenho um namorado e ele é lindo, 
Minha mãe também é tão linda e eu gosto muito dela. 
Gosto de cuidar da minha família. 
 
Ah, estou louca para ir embora e espero que eu vá. 
Eu amo a minha mãe e estou morrendo de saudades dela, 
Queria voltar para minha casa. 
Essa é a minha vida. 
 
33 
 
MINHA INFÂNCIA 
 
Tarsila do Amaral 
 
Me chamo Tarsila do Amaral, gosto muito de música e dança. 
 
Uma vez, uma menina que viveu muitas coisas na infância, 
acordou em um belo dia e foi para a escola. 
 
A mãe dela tinha brigado com o marido, saiu de casa para ir buscar a filha 
na escola, 
Até que quando voltaram, o marido dela tinha colocado fogo na casa. 
 
A mãe da menina se mudou com seus irmãos para uma cidade melhor, 
onde eles encontraram paz e felicidade. 
 
34 
 
FÉ NA VIDA 
 
Autor anônimo 
 
Já passei por muita coisa na vida, 
 
mas sempre fui uma mulher guerreira. 
 
Até ser presa aqui. 
 
Para mim é o inferno, odeio aqui, 
não tenho alegria ou algo assim, 
tudo é terrível por aqui. 
 
Minha audiência é terça-feira. 
Quero muito ir embora, em nome do Senhor Jesus, 
tudo na minha vida é fé. 
 
35 
 
UMA MÃE LEOA 
 
Daiara Tukano 
 
Me chamo Daiara Tukano, tenho 14 anos e sou de Ribeirão das Neves. 
 
Tenho um filho chamado Rian Lucas de 3 meses que mora no abrigo no 
centro de Neves, 
Seu pai se chama Guilherme e tem 25 anos. 
 
Fugi de casa aos 10 anos e morei em BH. 
Uma mulher desconhecida me abrigou em sua casa, 
mas eu saí e voltei para a rua, onde conheci o pai do meu filho. 
 
O motivo de eu estar aqui é porque quebrei o abrigo por não deixarem 
ver o meu filho. 
Sonho em poder estudar e trabalhar para cuidar dele. 
 
36 
 
HISTÓRIA DE JANAÍNA 
 
Marisa Monte 
 
Certo dia, eu estava com duas amigas e fomos fazer um assalto. 
Depois do assalto, nós nos encontramos com um cara e fomos para a 
casa dele tomar 
cerveja e comer churrasco. 
 
A noite foi passando e o dia amanheceu, 
O cara foi trabalhar e disse que depois marcaria outro churrasco. 
Nos despedimos e ele foi. 
 
Então, eu e meus amigos pulamos na casa dele, 
achamos R$1.300,00 e perfumes importados que ele tinha nos mos-
trado na noite anterior e 
dividimos o dinheiro e os perfumes. 
 
Alguns dias se passaram e encontrei o cara no bar, 
eu estava bebendo quando ele chegou por trás dando várias facadas, 
acendi um cigarro e ele continuava com as facadas. 
 
Então, corri para a casa do velho dos fundos que pegou uma foice e 
disse que se o cara 
entrasse iria matá-lo. 
O cara fugiu e disse que voltaria com uma arma. 
 
37 
 
UMA NOVA VIDA 
 
Luedji Luna 
 
Eu me chamo Luedji Luna, tenho 13 anos e estou internada no socioe-
ducativo por homicídio. 
 
Sinto-me muito triste por estar longe da minha família. 
 
Arrependo-me muito, mas pretendo pagar o meu ato 
e após sair vou estudar, iniciar um curso e começar uma nova vida. 
Recompensar o que deixei para trás e ficar perto da minha família. 
 
Está sendo muito difícil lidar com tudo isso, 
mas pretendo ser forte para vencer e me tornar uma pessoa melhor 
para dar orgulho a minha família e poder cuidar dos meus irmãos. 
 
38 
 
REVIRAVOLTA 
 
Tarsila do Amaral 
 
Era uma vez uma menina de 17 anos cuja vida era bem difícil. 
 
Um dia, ela conheceu um rapaz que, pensou ela, faria-lhe bem. 
 
Infelizmente, ele a queria apenas para fazer mais burrada, 
porque ele já era um vilão e ninguém dele gostava. 
 
Ela não sabia até que ele a fez fazer burradas e os dois foram presos. 
 
A família dela ficou toda contra ela, 
mas ela não desistiu, cumpriu a pena, fez faculdade de Direito, teve filhos 
e hoje compreendeu que ele nunca fez bem para ela. 
 
39 
 
É ASSIM QUE EU ME SINTO 
 
Rita Lee 
 
Eu sou um fracasso em tudo o que faço, parece errado, 
não sei lidar com a pressão psicológica tendo que ser perfeita toda hora. 
 
Por eu ser a mais velha, querem que eu seja um exemplo, 
mas como posso ser um exemplo vendo tudo o que está acontecendo? 
 
Ansiedade toda hora, depressão me corrói por dentro, 
já não sei o que é emoção, pois perdi as minhas há tempos. 
 
40 
 
O AMOR 
 
Cássia Eller 
 
O amor é como uma flor 
Que desabrochou 
Precisa ser cuidado 
E muito bem tratado. 
 
O amor é como a água 
Se derramar, desperdiçou 
Se secou, acabou. 
 
41 
 
SENTIMENTO MAIS NOBRE DO MUNDO 
 
Cássia Eller 
 
“Todo mundo ama um dia 
Todo mundo chora 
Um dia a gente chega 
E no outro vai embora.” 
 
Amor, um dos sentimentos mais nobres deste mundo, 
Porque amar envolve vários outros dons. 
 
O ruim desse sentimento é que um dia ele chega na nossa vida 
E em algum tempo ele pode ir embora. 
 
Mesmo que a gente talvez nunca esqueça, 
Pois quem ama de verdade nunca esquece. 
 
Eu basicamente acho o amor tremendamente lindo. 
 
42 
 
RESPEITO É BOM E TODO MUNDO GOSTA 
 
Marta Silva 
 
Com minhas palavras e palavrinhas 
faço esse poema, poeminha. 
 
Que fala sobre limite 
Todos temos limites, né? 
Qual é o seu, coleguinha? 
 
Além de limites, vêm falar de espaço, 
Cada um no seu quadrado. 
 
Aaaa, e também não é só de espaço… 
também do corpo que deve ser respeitado! 
 
E então, é sobre palavras, espaço, corpo, limite e respeito, 
Porque ninguém gosta de ser desrespeitado, concordam? Meus amados! 
 
43 
 
APENAS UMA ADOLESCENTE 
EM CRESCIMENTO 
 
Autor anônimo 
 
Minha história não é nem um pouco cheia de emoções, 
pois sou apenas uma adolescente em crescimento ainda. 
 
Já vivimuitas coisas, conheci muitos lugares, 
tudo isso graças ao crime que entrei juntamente com meu irmão. 
 
Aprendi várias coisas e hoje tenho a cabeça que tenho devido às expe-
riências pelas quais passei. 
 
Sou muito fechada e guardo tudo para mim. 
Tenho um defeito: eu me estresso muito fácil, 
mas aqui sou tranquila, pois ninguém mexe comigo. 
 
Meu verdadeiro sonho era ter minha própria biqueira, mas em segundo 
plano claro, 
mas tenho vontade de cursar direito ou algo relacionado. 
 
44 
 
MUDANÇA DE VIDA 
 
Carmen Miranda 
 
Eu, Carmen Miranda, passei por uma fase muito difícil de morte quando 
eu perdi a minha mãe. 
Eu era pequena, sofri muito. 
 
Estou no abrigo agora. 
 
Meu sonho é ser mãe, ter minha família, não deixar meu filho passar 
por isso que eu passei, dar educação para ele. 
 
Pretendo parar de aprontar, ter minha casa, trabalhar muito, 
Dar para o meu filho o que eu não pude ter e ter juízo primeiramente. 
 
45 
 
ESSA FASE VAI PASSAR 
 
Roni 
 
Oi, eu sou a Roni. Que jeito mais besta de começar um texto, né? 
 
Mas enfim, estou aqui para falar um pouco de mim, que ao meu ver, 
não tenho muito o que falar. 
 
Sou uma pessoa séria, mas amigável, 
estressada, mas calma ao mesmo tempo. 
 
Sou um tipo de pessoa que esquece de mim para ajudar aos outros, mas 
se eu perceber que a pessoa fez algo que eu não goste, eu crio um blo-
queio que não me permite mais sequer conversar com ela. 
 
Enfim, eu sofro muito com surtos de raiva e eu gostaria muito de 
aprender a controlá-los, porque afinal, é por causa deles que vim parar 
no São Jerônimo. 
 
Tenho fé que vou conseguir e, daqui a um tempo, isso não vai passar 
de uma fase e uma vida nova: Roni já vai ter nascido. 
 
46 
 
UM POUCO SOBRE MIM 
 
Autor anônimo 
 
A minha história não é muito difícil de escrever. 
 
Sou uma pessoa que enfrenta dificuldades na vida em busca de sabe-
doria, carinho, 
mas eu desisto logo de cara. 
 
Sou uma pessoa que mente quem é, 
Eu tento ser aquela pessoa que todo mundo espera que eu seja. 
 
Eu tinha o sonho de ser uma policial, 
mas desisti porque eu não quero trabalhar com corruptos. 
Eu tinha o sonho de ser advogada, mas também desisti porque eu sei 
que não vai dar certo. E eu também queria me alistar no exército, mas 
não vai dar certo também, e é isso né! 
 
47 
 
EM BUSCA DE PAZ 
 
Cássia Eller 
 
Hoje acordei pensando na vida, em como ela mudou para mim. 
Entrei para a vida louca, vim parar aqui no Socioeducativo 
e acabei entendendo o motivo dessa injustiça 
que acabou tirando minha liberdade. 
 
Até que olhando por outro lado foi bom pois, quando eu puder sair 
daqui, quero acabar com 
a guerra dentro de mim em relação ao meu padrasto. 
Quero cuidar da minha mãezinha e várias outras coisas, 
e não quero beber do jeito que eu bebia mais. 
Assim, quero viver em paz. 
 
48 
 
UM FINAL FELIZ 
 
Autor anônimo 
 
Era uma vez, uma menina de 14 anos que não tinha uma mãe, só tinha 
o pai, mas o pai não era amigo dela, não a tratava bem. 
 
Então, ela fugiu de casa e ficou morando em casas onde ela mal conhe-
cia as outras pessoas e, com isso, ela sofria muito. 
 
Assim, ela foi morar em um orfanato onde havia várias pessoas que a 
acolheram. Tentavam de tudo para ela se dar bem na vida, mas ela não 
ligava nem dava importância para os conselhos. 
 
Então, um dia, ela desobedeceu e foi parar em um lugar muito longe. 
Longe da família, dos amigos e de tudo. Daí ela teve que repensar sobre 
tudo o que aconteceu na sua vida. Por isso, ela vivia angustiada. 
 
Passou um tempo e ela foi morar com a tia que ela tanto amava e que a 
apoiava em tudo. E elas viveram muito felizes dali para frente… 
 
49 
 
APRENDIZADOS DA VIDA 
 
Autor anônimo 
 
Eu era uma pessoa que usava drogas, tipo o crack. 
 
Daí eu vim aqui, para o Socioeducativo por três meses e aprendi que 
nem tudo eram as drogas. 
 
Fui para a rua, RDAD (Regime Diferenciado de Acompanhamento a Dis-
tância), fiquei 23 dias fora, porque eu não cumpri o meu RDAD, mas foi 
muito bom. 
 
Eu me diverti demais. Eu vi meu namorado, a minha mãe e foi muito 
bom, porque eu não usei mais drogas. 
 
50 
 
FLOR 
 
Cássia Eller 
 
Com a companhia de seu beija-flor, 
Ela expande o amor. 
Essa é a nossa pequena flor. 
 
51 
 
IDENTIDADES NA SOCIOEDUCAÇÃO 
 
M. C. R. Neves 
 
Juventudes, descobertas, amor e libido. 
Grades, privação, dúvidas e conflitos. 
Conflitos de ideias, de ideais. 
O que é real? Será que funciona? 
 
Socieducação em mudança, criticidade em ação 
Por uma diversidade acolhida, por uma juventude liberta 
Liberta de tudo o que a aprisiona e limita 
Tanto no amor, quanto na vida. 
 
52 
 
SAÚDE, VIDA, AMOR E MUDANÇA 
 
Cássia Eller 
 
Saúde, 
cuide da sua saúde, não seja rude. 
 
Viver, 
Viver é crer 
Crer em um ser 
E nunca se esquecer 
De não se enlouquecer. 
 
Amor, 
O amor é supremo 
Só precisamos ter 
E simplesmente ter. 
 
Mudar, 
Mudar é se cuidar 
Mudar é se autoconhecer 
Mudar é se divertir 
E muita das vezes se despedir. 
 
53 
 
MINHA BANDEIRA 
 
Cássia Eller 
 
Hoje estou triste 
Estou tristezinha 
Porque não aceitam 
Minha bandeirinha 
que me deixa alegrinha 
 
Ser LGBT é quente 
Ser LGBT é ardente 
É ser prudente 
 
E então se cuide 
Não seja rude 
Se ame 
 
Acorde 
Vá brilhar 
Não vá se calar. 
 
54 
 
EU SINTO SUA FALTA, MÃE 
 
Maria Bethânia 
 
Eu estou passando por um momento muito triste 
Eu estou sentindo falta da minha mãe 
 
Vou falar uma coisa para a minha mãe: 
Mãe, eu sinto muita falta sua. 
 
Quero ser chique, 
Quero cuidar de você 
E nunca mais trazer desgosto para você. 
Te amo muito minha baixinha. 
 
55 
 
POR QUE O VERMELHO? 
 
Autor anônimo 
 
O vermelho sempre esteve lá. 
Onde estivesse, a cor vermelha sempre me acompanhava. 
 
Comecei a notar os tons diferentes que eu via. 
Quando estava com raiva, o vermelho ficava mais intenso. 
Quando estava triste, ele ficava carmim e 
Quando eu ficava feliz, ele ficava claro. 
 
Então decidi fazer uma loucura, 
que foi pintar meu cabelo da cor que sempre me acompanhou. 
Essa cor está marcada na minha história. 
 
56 
 
MÃE 
 
Vanuza 
 
Mãe, saudade de você, 
logo logo vou te encontrar. 
Saudade dói demais. 
 
Estou aqui acautelada, mas se eu tivesse te escutado, eu não estaria 
aqui. 
Estava com você. 
 
Te amo muito, queria estar com você agora. 
Beijos, E. Vanuza. 
 
57 
 
ALEGRIA, TRISTEZA, VIDA E BORRACHA 
 
Cássia Eller 
 
Alegria, 
A alegria é a felicidade 
Não importa a idade 
A alegria brota 
A alegria se corta. 
 
Tristeza, 
A tristeza dói 
Corrói 
Não gosto da tristeza viva 
Mas, às vezes, deixo ela viver 
Mas ela vai morrer. 
 
Vida, 
A vida continua 
Pode ser nua 
Talvez seja suja 
Como a rua 
E pura 
E dura 
 
Borracha, 
A borracha apaga 
A borracha paga 
A borracha agrada 
A borracha é doada 
58 
 
UMA DECLARAÇÃO PARA GEOVANA 
 
Autor anônimo 
 
Geovana, 
Seus cabelos, 
cabelos ao vento 
que transpirou 
como o amor. 
Sua bela cor me fascina.. 
como você me ensina. 
 
59 
 
UMA MENINA DIFERENTE 
 
Luedji Luna 
 
Nesse tempo que estou aqui no Socioeducativo, 
estou tendo muito aprendizado, 
aprendendo muita coisa. 
 
Quero sair daqui uma menina diferente, 
com a mente mudada, estudar e ser alguém na vida. 
 
Quero que esse sofrimento sirva de aprendizado 
e quero dar valor a minha liberdade. 
 
60 
 
SOFRIMENTO DIÁRIO 
 
Ludmila 
 
Aqui dentro do Socioeducativo não é nada bom. 
Várias regras, várias pessoas te monitorando… 
Aqui se sente um cachorro sem dono. 
 
Dentro de uma cela de 3 metros quadrados, 
só podemos fazer o que eles mandam. 
 
Nem um cachorro merece ficar preso em uma coleira, 
quem diria um ser humanoatrás de uma grade. 
 
Todos os dias são de sofrimento, 
cada dia que passa a saudade dos familiares aumenta. 
 
Já tentei me matar várias vezes aqui dentro para acabar com o sofri-
mento. 
Peguei com Deus e ele me mostrou que a vida não é só isso. 
 
61 
 
SOFRIMENTO EM UMA TARDE DE OUTONO 
 
M. C. C. Dantas 
 
Naquela tarde de outono, fazia uma "quentura de só", encontrava-me 
exausta, com os olhos baixos, os ombros curvados e a mente doente, 
relatei o que passou. Sofri e sofro todos os dias por ter perdido minha 
liberdade. Sinto-me presa, enclausurada, silenciada. Ah, como sofro 
por me sentir só, mas tão só que o vazio se engrandece. Lamento, me 
culpo, me reprimo e por isso, eu sofro. Ah como lamento, ver-me en-
clausurada, sendo perseguida por olhos famintos, que esperam que eu 
falhe, para me punir, como se eu já não me punisse o suficiente. 
 
Meus sonhos estão em frangalhos, em meio ao estrépito de impérios, 
que retumbam dentro de mim, e sim, me vejo perdida, presa por essas 
grades, que me privam de minha tão sonhada liberdade. Ah, como sofro 
por não permitirem em meio a tudo isso, o meu bater das asas. Em vez 
disso, elas estão encolhidas, feridas, atrofiadas 
 
Naquela tarde de outono, sofri por lembrar de meu sofrimento. A sau-
dade me invade como um mar tempestuoso, nesse momento tão 
tortuoso, trazendo-me lembranças saudosas, de um tempo que não 
quero esquecer, ah... viver. Como seria viver? Se minha mente não me 
permite, impondo-me um limite. 
 
Ah... como desejo o bater das asas... imensamente, desesperadamente. 
Entretanto, agora, só posso me encolher, acreditar e tentar viver. 
 
62 
 
BLOQUINHOS, RISCOS E O MAR 
 
M. C. C. Dantas 
 
Uma saúde mental esgotada por tantos anos de sofrimento. 
Lamento, mas não lamento. 
Se lamentasse sofreria mais, mais do que já sofro, por lamentar o ocor-
rido sofrido. 
 
Choro, “ôh” se choro, sinto-me perdida, enganada, 
traída, louca, lamentável, sozinha, destruída. 
Sinto-me como bloquinhos sendo empilhados para depois 
serem jogados ao chão por alguém que controla a minha vida 
e esse alguém sou eu, mas às vezes não. 
 
Sinto-me como o mar de ressaca, 
as ondas da minha angústia batem violentamente 
contra a enseada do meu peito. 
 
A morte, os riscos, a juventude me atormentam, me lamentam, 
me tornam algo que eu não gostaria de ser.... Eu. 
Como protagonizar uma história que eu não escrevi? 
Como protagonizar uma vida que ao menos vivi? 
Como transformar, sem tentar revolucionar? 
 
Nunca me encaixei, mas como me encaixar em uma educação que só 
visava reproduzir? Então não vivi. 
O conflito da ressaca, a queda dos bloquinhos, a morte, a vida, eu. 
Na verdade gostaria de viver, mas viver de verdade, 
não pelo os outros, mas por mim. 
 
63 
 
AINDA ASSIM, SÃO ADOLESCENTES 
 
A. Teles 
 
Passar pela rua desperta curiosidade e apreensão. O que acontece lá 
dentro? Como é o viver ao transpor os portões de aço, protegidos por 
trancas, cadeados e chaves? 
 
As indagações surgem e se atropelam, porém, ao passar pelo portão, ali 
mesmo na guarita, se tem uma leve noção do que encontramos no in-
terior daquele estabelecimento. Os corredores conduzem a um 
labirinto com muitas portas, encruzilhadas e caminhos que tornam pos-
sível se perder por aquele proposital emaranhado de possibilidades que 
não levam a nenhuma rota de fuga. Quanto mais entra, mais se perde! 
 
O caminhar insistente leva ao pátio, que também se abre para diferen-
tes percursos e possibilidades. As meninas são recolhidas e acolhidas 
por algum ato infracional. Alguma atitude que não condiz com a regras 
estabelecidas pela sociedade ou o descumprimento do que é conside-
rado normal leva à restrição da liberdade. 
 
Os gritos se traduzem na ansiedade por se ver livre, clamando pela 
liberdade. Liberdade para ser livre e ser livre para fazer o que bem 
deseja, o que der na telha. Contudo, fazer o que dá na telha nem sempre 
é compreendido como correto e muito menos aceitável. E na impossi-
bilidade de se conviver com o diferente, com o transgressor, opta-se 
por isolar, retirar do convívio em sociedade daquelas pessoas que não 
aceitam as regras consideradas normais. 
 
São ainda adolescentes e ao mesmo tempo vítimas de uma construção 
social que impele e repele, que estimula e reprime, que dá as condições 
de revolta e pune. Como entender a sociedade? Como compreender 
64 
 
um sistema que incentiva a falta, a restrição, que suprime direitos e ao 
mesmo tempo isola, pune e priva a liberdade de quem grita por ser 
percebido, enxergado, visto como alguém e não como algo? 
 
O normal é aceitar? O aceitável é resignar? O adequado é abaixar a ca-
beça, recolher em si e abrir mão da necessidade de ser visto e percebido 
como sujeito social e sociável? O educativo é fazer aceitar as regras, as 
rédeas, as condições, e se calar? 
 
Sim, são adolescentes. Uma vida longa pela frente! Mas, que vida? Uma 
existência marginalizada, violentada, infância roubada, juventude pri-
vada, liberdade amputada! Sem dúvida, continuam adolescentes, e 
adolescentes que buscam no grito e na violência o direito de se expres-
sar, a necessidade de serem vistas, a mínima possibilidade de serem 
consideradas participantes da sociedade e com os mesmos direitos de 
viver juntos aos demais. 
 
A diferença forma a sociedade e torna a sociedade diversa e diversifi-
cada. São tão somente adolescentes desde sempre lhes foi negado o 
direito à família, à dignidade, às possibilidades. E lhes foi oferecida a 
violência, a agressividade, a restrição, a punição, a limitação e a corre-
ção de atos cometidos, talvez sem a mínima consciência de se estar 
transgredindo alguma lei. 
 
Como exigir dos adolescentes a plena interpretação das leis se nem 
sempre os próprios envolvidos com as questões jurídicas conseguem 
interpretar os textos que eles mesmos escreveram? Mas elas são ape-
nas adolescentes e como adolescentes viverão o que lhes resta a viver 
numa sociedade injusta, desigual e que somente a ela interessa os dis-
sabores sofridos por quem sempre foi e será invisível. 
 
65 
 
SOCIOEDUCATIVO 
 
E. S. Veloso 
 
No sistema Socioeducativo, lutas invisíveis se revelam, 
É lá que jovens inocentes por suas histórias se rebelam, 
passaram por dificuldades, enfrentaram o vendaval, 
E, por vezes, cometeram crimes, num mundo desigual. 
 
No olhar dessas adolescentes, brilha a lembrança, 
mas a sociedade muitas vezes não lhes dá a esperança, 
No labirinto das dificuldades, sem escolha num mundo veloz, 
enfrentam desafios, traumas, sem muita opção, sem voz. 
 
A vida as empurrou para um caminho de problema, 
onde a sobrevivência se tornou o único dilema. 
Em busca de amor, de carinho e de acolhimento, 
cometeram erros, mas enfrentam o julgamento. 
 
Mas não esqueçamos que em seus corações há pureza e em suas 
peles delicadeza, 
são jovens que merecem uma segunda chance, com certeza. 
No sistema Socioeducativo, a esperança deve florescer, 
Oportunidades devem ser oferecidas para que as jovens possam 
renascer. 
 
É nossa responsabilidade, como sociedade, entender, 
que a compreensão e a empatia podem nos fazer crescer. 
Dar-lhes suporte, educação, amor e proteção 
para que possam construir um futuro de redenção. 
 
Nesse sistema, as lutas persistem, mas a mudança é possível, 
compreensão e compaixão tornam o caminho mais visível. 
Que essas adolescentes encontrem uma nova esperança, 
e deixam para trás o passado sem luz e de vingança. 
 
66 
 
APRENDER E LIVRE SER 
 
B. M. M. Penido 
 
Nos corredores do saber, a liberdade ressoa, 
Desperta a vontade de sonhar no sistema que se cria, 
Um mundo de possibilidades que em cada mente ecoa, 
E as barreiras se desfazem como a luz que irradia. 
 
Liberdade é o fio que tece o aprendizado fecundo, 
É a chama que incendeia a paixão pelo saber, 
É o despertarda vontade e o mudar o próprio mundo, 
Que nos leva a explorar, a compreender, a crescer. 
 
Nos livros da imaginação, o conhecimento se expande, 
Construindo pontes entre o que é e o que pode ser. 
Onde cada passo é um vislumbre, cada avanço se aquece. 
E o entendimento do mundo começa a florescer. 
 
Em um universo de possibilidades e transformação, 
O socioeducativo se faz ponte e guarida, 
Para que cada alma em plena emancipação, 
Construa sua jornada, sua voz, sua vida. 
 
Nessa troca de experiências e descobertas, cada página se preenche, 
Com a tinta da esperança e da curiosidade, 
E no sistema socioeducativo, enriquece; 
A jornada de cada ser em busca da sua identidade. 
 
Que cada mente, como pássaro em voo, 
Encontre no saber asas para se libertar, 
E que a educação, como um raio de sol no escuro, 
Ilumine caminhos e horizontes a desbravar. 
 
67 
 
SONHO DE “MILAYDY” 
 
Milaydy 
 
Meu sonho é cumprir a medida no Socioeducativo e concluir com 
sucesso! 
 
Sair daqui e ser internada em uma clínica de reabilitação porque minha 
carne é fraca. 
Se eu não ficar internada, vou cair no mundo das drogas de novo. 
 
Vou cuidar de mim primeiro, depois estudar e ter uma ONG. 
 
68 
 
GRITOS ESCRITOS DE 
UMA MÃE EM AFLITO 
 
Autor anônimo 
 
Saudade de você, meu filho 
Logo logo vou te encontrar para ficarmos juntos para sempre 
Fiz o seu nome em mim para nunca te esquecer 
 
Te amo, beijos Enzo. 
 
69 
 
NÃO DESACREDITE DOS SEUS SONHOS 
 
Autor anônimo 
 
Era uma vez uma menina que gostava muito de brincar no campo. 
Ela sorria para todo lado, mas um dia… 
ela foi parar em um lugar muito triste 
Mas ela nunca desacreditou dos seus sonhos. 
 
70 
 
NO FIM, A FELICIDADE ME AGUARDA 
 
Rita Lee 
 
Eu penso que meu futuro é duvidoso, 
cheio de pedras, armadilhas e buracos me aguardando. 
 
Contudo, no entorno disso, penso que, 
por tudo que passei, no final eu conseguirei a minha felicidade de novo. 
 
71 
 
OCORRIDO INESPERADO 
 
Elza Soares 
 
Era uma vez uma menina que gostava de sair todos os dias. 
Um belo dia, ela sofreu um acidente. 
 
Sua mãe ficou muito preocupada, 
mas conseguiu se recuperar, porque ela muito queria. 
 
72 
 
MOMENTOS FELIZES 
 
Cora Carolina 
 
Um momento feliz foi ter a minha irmã na minha vida. 
Esse momento sempre foi e sempre vai ser o melhor. 
 
Outro momento feliz foi quando a minha tia disse que não vai desistir 
de mim e vai lutar por mim até o fim! 
 
73 
 
UM SONHO DE UMA FAMÍLIA UNIDA 
 
Cecília Meireles 
 
Meu sonho é morar com minha mãe e irmãos. 
Eu quero passar meus 15 anos com toda a minha família. 
 
74 
 
DESEJO DE UMA VIDA MELHOR 
 
Negra Li 
 
O meu sonho é melhorar a minha vida, ser melhor. 
 
Queria ter minha vida melhor do que essa que estou vivendo, porque 
essa vida que estou, não é para mim não. 
 
75 
 
UMA BOA NOTÍCIA 
 
Elza Soares 
 
Uma menina inocente e muito alegre, muito estudou e não roubava mais. 
Sua mãe chegou um dia e ela recebeu uma notícia muito boa. 
 
76 
 
DOCE VIDA 
 
Rita Lee 
 
O lado doce da vida está nos olhos de quem vê. 
 
77 
 
VIDA 
 
Cássia Eller 
 
A vida é para ser vivida. 
Muitas das vezes sofrida 
Mas não morrida. 
 
78 
 
AMOR MATERNO 
 
Vanuza 
 
Ao meu filho 
Te amo 
Muita saudade 
Quando eu sair, quero te encontrar 
Amado Enzo. 
 
79 
 
ALGUÉM ESPECIAL 
 
Luedji Luna 
 
Eu gosto muito da Rafaela, 
Ela está me fazendo muito bem nesse momento difícil, 
porque ela sempre fica ao meu lado me ajudando. 
 
80 
 
CASA 
 
Cássia Eller 
 
Minha amada casa 
É sim minha morada 
É muito decorada 
E amada. 
 
81 
 
SAUDADE DÓI 
 
Cássia Eller 
 
De vez em quando bate 
Dói mais que merthiolate 
Ou arde. 
 
82 
 
MINHA AMADA IRMÃ 
 
Elza Soares 
 
Era uma vez, uma menina que gostava muito da sua irmã Eva. 
Gostava muito dela. 
 
83 
 
AMIZADE 
 
G. V. R. Mares 
 
Amizade de papel, rasga. 
Amizade de vidro, quebra. 
Amizade como a sua, não existe. 
 
84 
 
DONA ARANHA 
 
Alba 
 
A Dona Aranha subiu pela parede 
Veio a chuva forte e a derrubou. 
 
A chuva foi-se embora, e o sol já vem surgindo 
E a Dona Aranha continua a subir. 
 
85 
 
FORÇA PARA AS INJUSTIÇAS DA VIDA 
 
Tarsila do Amaral 
 
A vida, às vezes, é injusta com a gente, 
Mas a gente é forte para cada obstáculo da vida 
Às vezes, tudo está bem difícil, mas tudo na vida é aprendizado. 
 
86 
 
DOLOROSA SAUDADE 
 
Cássia Eller 
 
Bate, arde mais que merthiolate 
Dói de coração, feito indignação. 
 
87 
 
EU, SENDO… 
 
Leziane Parré 
 
Sou muito, sou pouco. 
Rasa. Transbordante. 
Sou o que falo, faço e omito. 
Me calo. 
 
Sou o que sou. 
Desse jeito, sem jeito. 
Num jeitoso desajeito. 
Gosto mesmo é de Ser. 
 
88 
 
MONÓLOGO ÊXTIMO 
 
Leziane Parré 
 
Sou da liberdade. 
O que faço aqui? 
Trabalho para que esse lugar não mais precise existir. 
Incoerência? 
Talvez a minha incoerência mais legítima! 
 
Aqui escolhi estar, ocupar. 
Penso que é isso que dá sentido ao meu “fazer” diário, 
Sonhar e fazer os outros sonharem, 
Se inspirar e inspirar, 
Idealizar projetos e fazer acontecer, 
Descobrir formas de manter pulsante os desejos, a vida. 
 
Por enquanto, aqui, tento manter a vivacidade e a alegria que faz pulsar 
os corações sonhadores, agita os corpos resilientes e desejantes. 
Diariamente, sou presenteada com sorrisos insistentemente lindos que 
alimentam a construção do saber ser. 
Sei que, aos poucos, contaremos outra história. 
E seremos história. 
 
89 
 
A VIDA PERDIDA 
 
Maria Cecília Parreiras Moura 
 
quando começa a vida de verdade? 
acho que desaprendi a viver 
comecei a sobreviver 
comecei a morrer 
 
antes, parecia ser vida 
os problemas até vinham, mas eu era pequena demais pra segurá-los 
então eles acabavam indo embora 
fui ficando forte com os anos... 
meu maior fardo até então 
 
aprendi a segurar os problemas, aprendi a segurar o que quero 
 
meu querer me abala 
 
seguro tão forte que me machuco com os pedaços do que quebrei por 
segurar tão forte 
 
aprender a deixar ir o que nos machuca 
acho que essa é a vida de verdade 
 
quando foi que deixei de saber como viver? 
 
90 
 
PINTAR PESSOAS 
 
Maria Cecília Parreiras Moura 
 
foi esse o desafio no proposto por minha professora de pintura antes 
de entrarmos no socioeducativo;1 
 
mas o que são pessoas? 
o que exatamente deveria pintar? 
se fosse apenas sua forma, seria mais fácil; 
 
logo, me vi frente a frente com almas, histórias, sentimentos e faltas, 
foi mais familiar do que pensei; 
 
foi como é, como sou, como sou eu e você; 
 
tentei olhar o mais íntimo do ser, 
mas o ser não é visível, não posso pintá-lo, 
não posso tocá-lo; 
 
vejo que essa é também uma das tentativas do socioeducativo, tocá-lo, 
a fim de abraçá-lo; 
 
com perguntas, vou cavando respostas 
assim a pintura fica mais fácil, 
 
"quem é você?" 
 
1 No dia 07 de dezembro de 2023, junto a minha classe de pintura da Escola Guig-
nard - UEMG, lecionada pela professora Thereza Portes, fui ao Socioeducativo realizar 
uma Atividade de Extensão - AEX. Pintamos as meninas do socioeducativo utilizando 
um cabo extensor (pincel colado na ponta de um cabo de vassoura) em rolos e folhas 
de papel kraft, em tamanho real. 
 
 
 
92 
 
AUTORES 
 
Alba 
A. V. S. Conceição 
(Marta Silva) 
Adirson Teles 
Graduado em Pedagogia pela UEMG, especialização em Gestão 
Ambiental pelo SENAC e mestrando em Educação pela Facul-
dade de Educação da UFMG, na linha de Educação de Jovens e 
Adultos. 
Beatriz Menezes Madureira Penido 
Graduanda em Pedagogia pela Universidade do Estado de 
Minas Gerais. 
C. V. M. Sales 
(Negra Li) 
C. A. Silva 
(Cora Carolina)C. L. S. Silva 
(Cássia Eller) 
Cleiton Magno 
socioeducador 
D. V. P. Santos 
(Taís Araújo) 
Eduardo de Sousa Veloso 
Graduando em Pedagogia pela UEMG, Mestrando em Educação 
Tecnológica pelo CEFET-MG, Graduado em Licenciatura em 
Matemática pela FAPE2, Especialista em Matemática, Suas Tec-
nologias e o Mundo do Trabalho pela UFPI, Especialista em 
93 
 
Metodologia do Ensino de Matemática pela FAEL e Professor 
de Matemática da rede estadual de MG. 
E. B. B. Soares 
(Vanusa) 
Erika Caroline 
Socioeducadora 
Fabiana Martins Portela 
Coordenadora de segurança 
F. S. Cordeiro 
(Elza Soares) 
G. V. R. Mares 
(Rita Lee) 
H. V. M. Lima 
(Daiara Tukano) 
I . A. R. Gonçalves 
(Nise da Silveira) 
I .S.R 
(Elis Regina) 
I . C. Corrêa 
(Luedji Luna) 
J. S. S. Eugênio 
(Maria Bethânia) 
J. M. Alves 
(Marisa Monte) 
J. S. Leal 
(Milaydy) 
L A. Rodrigues 
(Carmen Miranda) 
Leziane Parré 
94 
 
Diretora Geral do CSE São Jerônimo. Psicóloga. 
Maria Cecília Parreiras Moura 
Graduanda em Artes Plásticas 
Bacharelado pela Universidade do Estado de Minas Gerais. 
Maria Clara Campos Dantas 
Analista socioeducativo 
Graduanda em Pedagogia pela Universidade do Estado de 
Minas Gerais. 
Maria Clara dos Reis Neves 
Analista Socioeducativa 
R. S. Rodrigues 
(Tarsila do Amaral) 
Rúbia Campos Ferreira 
Graduada em bacharel em Ciências Contábeis pela Faculdade 
Asa; Graduanda em Pedagogia pela Universidade do Estado de 
Minas Gerais. 
S. V. B. Souza 
(Cecília Meireles) 
V. M. Marques 
(Ludmila) 
Walesson Gomes da Silva 
Pós-Doutor em Saúde (UFMG/2019), Pós-Doutor em Estudos 
do Lazer (UFMG/2022); Líder do Grupo de Estudos e Pesquisa 
SULear/CNPq/UEMG. Professor universitário. 
 
95 
 
EQUIPE DE APOIO 
MEMBROS DO GRUPO DE 
ESTUDOS E PESQUISA SULear 
 
Laysla Gabrielle Souza Paiva 
Graduanda em Pedagogia pela Universidade do Estado de 
Minas Gerais. 
 
Leonarda Fabiola Oliveira Martins 
Graduanda em Pedagogia pela Universidade do Estado de 
Minas Gerais. 
 
Luana Lousada Batalha dos Santos 
Graduanda em Pedagogia pela Universidade do Estado de 
Minas Gerais. 
 
Rúbia Campos Ferreira 
Graduada em bacharel em Ciências Contábeis pela Faculdade 
Asa; Graduanda em Pedagogia pela Universidade do Estado de 
Minas Gerais. 
 
96 
 
EQUIPE DE APOIO DO CENTRO 
DE REEDUCAÇÃO SÃO JERÔNIMO 
QUE COLABORARAM COM ESTA OBRA 
 
Adrielly Nádia Silva Veiga 
Psicóloga graduada em Psicologia pelo Centro Universitário 
UNA (2017). Especializanda em Saúde do Adolescente pela 
Faculdade de Medicina da UFMG. Experiência como arteedu-
cadora e também, nas políticas Públicas de Assistência Social e 
Socioeducativo. Atualmente, psicóloga na unidade Socioeduca-
tiva São Jerônimo. 
 
Cynthia Carla de Jesus 
Graduada em História pela Faculdade de Ciências Humanas de 
Pedro Leopoldo; Graduada em Pedagogia pela pela Faculdade 
IBRA de Brasília e Pós-graduada Lato Sensu especialização em 
História e Cultura de Minas Gerais pela PUC-MINAS; Pós-gra-
duada Lato Sensu em especialização em Psicopedagogia pela 
Universidade Cruzeiro do Sul. 
 
Leziane Parré de Souza 
Psicóloga graduada em Psicologia pelo Centro Universitário 
Newton Paiva (2010). Especialista em Saúde Mental e Clínica 
pelo Programa de Pós-Graduação do Centro Universitário 
Newton Paiva (2012). Mestre em Educação (Psicologia, Psicaná-
lise e Educação) pelo Programa de Pós-Graduação em 
Educação: Conhecimento e Inclusão Social da Faculdade de 
Educação da Universidade Federal de Minas Gerais. Experiên-
cia nas Políticas Públicas de Assistência Social, Saúde, Saúde 
97 
 
Mental e Socioeducativo. Atualmente, é Diretora Geral do Cen-
tro Socioeducativo São Jerônimo, único Centro Socioeducativo 
Plural do Estado de Minas Gerais. 
 
Maria Cecília Parreiras Moura 
Artista Plástica, graduanda em bacharelado no curso de Artes 
Plásticas, pela Universidade Estadual de Minas Gerais, campus 
da Escola Guignard. Autora da arte da capa do livro. Envolvida 
em atividades de extensão da universidade que criam conexões 
com a sociedade. 
 
Martha Florença de Souza Coridola 
Psicóloga, com pós-graduação em Clínica Psicanalítica na Atu-
alidade: contribuições de Freud e Lacan (2015), pela PUC-
Minas. Especializanda em Saúde do Adolescente pela Faculdade 
de Medicina da UFMG. Possui experiência na gestão de políti-
cas públicas desde 2014, com ênfase em adolescência e 
privação de liberdade, prevenção social à criminalidade e alter-
nativas penais. 
 
Walesson Gomes da Silva 
Pós-doutorado em Estudos da Ocupação (Saúde), pós-douto-
rado, doutor e mestre em Estudos do Lazer (Sociais e 
Humanidades). Professor no Departamento de Educação da 
Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), líder do 
grupo de estudos e pesquisa SULear-UEMG/CNPq. Idealizador 
da Revista Interdisciplinar SULear, periódico científico da edi-
tora UEMG.
 
 
 
	Walesson Gomes da Silva
	Sobre a Editora Sarerê
	Equipe
	Conselho Editorial Executivo
	Conselho Editorial Científico
	Equipe de apoio / membros do grupo de estudos e pesquisa SULear que colaboraram com esta obra
	Equipe de apoio do Centro de Reeducação São Jerônimo que colaboraram com esta obra
	— Sumário —
	Apresentação 15
	No São Jeje 21
	A força da união no sistema socioeducativo: uma poesia de esperança 23
	Adolescência 25
	Como vim parar aqui 26
	Essa é minha história 27
	Tudo tem solução! 28
	Coração quebrado 29
	Meu relato 30
	Mãe natureza 31
	Essa sou eu 32
	Minha infância 33
	Fé na vida 34
	Uma Mãe Leoa 35
	História de Janaína 36
	Uma nova vida 37
	Reviravolta 38
	É assim que eu me sinto 39
	O amor 40
	Sentimento mais nobre do mundo 41
	Respeito É Bom E Todo Mundo Gosta 42
	Apenas uma adolescente em crescimento 43
	Mudança de vida 44
	Essa fase vai passar 45
	Um pouco sobre mim 46
	Em busca de paz 47
	Um final feliz 48
	Aprendizados Da Vida 49
	Flor 50
	Identidades na socioeducação 51
	Saúde, vida, amor e mudança 52
	Minha bandeira 53
	Eu Sinto Sua Falta, Mãe 54
	Por que o vermelho? 55
	Mãe 56
	Alegria, tristeza, vida e borracha 57
	Uma declaração para geovana 58
	Uma menina diferente 59
	Sofrimento diário 60
	Sofrimento em uma tarde de outono 61
	Bloquinhos, riscos e o mar 62
	Ainda assim, são adolescentes 63
	Socioeducativo 65
	Aprender e livre ser 66
	Sonho de “Milaydy” 67
	Gritos escritos de uma mãe em aflito 68
	Não desacredite dos seus sonhos 69
	No fim, a felicidade me aguarda 70
	Ocorrido inesperado 71
	Momentos felizes 72
	Um sonho de uma família unida 73
	Desejo de uma vida melhor 74
	Uma boa notícia 75
	Doce vida 76
	Vida 77
	Amor materno 78
	Alguém Especial 79
	Casa 80
	Saudade dói 81
	Minha amada irmã 82
	Amizade 83
	Dona Aranha 84
	Força para as injustiças da vida 85
	Dolorosa saudade 86
	Eu, sendo… 87
	Monólogo êxtimo 88
	A vida perdida 89
	Pintar pessoas 90
	Autores 92
	Equipe de apoio 95
	Membros do Grupo de Estudos e Pesquisa SULear 95
	Equipe de apoio do Centro de Reeducação São Jerônimo que colaboraram com esta obra 96
	APRESENTAÇÃO
	Referências
	NO SÃO JEJE
	F. M. Portela
	A FORÇA DA UNIÃO NO SISTEMA SOCIOEDUCATIVO:
	uma poesia de esperança
	F. M. Portela
	ADOLESCÊNCIA
	E. Caroline
	COMO VIM PARAR AQUI
	Milaydy
	ESSA É MINHA HISTÓRIA
	Autor anônimo
	TUDO TEM SOLUÇÃO!
	Taís Araújo
	CORAÇÃO QUEBRADO
	Elis Regina
	MEU RELATO
	Milaydy
	MÃE NATUREZA
	Nise da Silveira
	ESSA SOU EU
	Maria Bethânia
	MINHA INFÂNCIA
	Tarsila do Amaral
	FÉ NA VIDA
	Autor anônimo
	UMA MÃE LEOA
	Daiara Tukano
	HISTÓRIA DE JANAÍNA
	Marisa Monte
	UMA NOVA VIDA
	Luedji Luna
	REVIRAVOLTA
	Tarsila do Amaral
	É ASSIM QUE EU ME SINTO
	Rita Lee
	O AMOR
	Cássia Eller
	SENTIMENTO MAIS NOBRE DO MUNDO
	Cássia Eller
	RESPEITO É BOM E TODO MUNDO GOSTA
	Marta Silva
	APENAS UMA ADOLESCENTE EM CRESCIMENTO
	Autor anônimo
	MUDANÇA DE VIDA
	Carmen Miranda
	ESSA FASE VAI PASSAR
	Roni
	UM POUCO SOBRE MIM
	Autor anônimo
	EM BUSCA DE PAZ
	Cássia Eller
	UM FINAL FELIZ
	Autor anônimo

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