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SINTAXE APLICADA AO TEXTO O QUE VERÁS NESTE CAPÍTULO · Tratar da concordância entre os nomes, isto é, concordância nominal. · Especificar a regra geral da concordância nominal em que o artigo, o adjetivo, o numeral e o pronome concordam em gênero e número com o substantivo a que se referem. · Verificar regras específicas de concordância nominal. · Tratar da concordância que se refere aos verbos, isto é, concordância verbal. · Especificar a regra geral da Concordância Verbal que estabelece que o verbo concorda com o seu sujeito em número e pessoa. · Verificar regras específicas de concordância verbal. CONCORDÂNCIA NOMINAL Observe a tira abaixo. Na tira acima, no primeiro quadrinho, a menina refere: “Eu acho que as folhas são loucas!”. Na oração destacada, as palavras em negrito estão relacionadas, há uma correlação entre elas, ou seja, existe uma concordância entre o artigo definido as com o substantivo folhas e o adjetivo loucas. Isso faz com que se, no lugar do substantivo feminino/plural folhas, tivéssemos o substantivo masculino/plural pássaros, obteríamos “ Eu acho que os pássaros são loucos!”. O que podemos perceber é que as palavras no texto adquirem posições e relações de concordância. Neste caso específico, vamos tratar da concordância entre os nomes, isto é, concordância nominal. A Concordância Nominal tem como regra geral que o artigo, o adjetivo, o numeral e o pronome concordam em gênero e número com o substantivo a que se referem. Ex. Aqueles dois jornais publicaram as notícias trágicas. A menina loira usava uma saia bonita. Agora vamos conhecer algumas regras mais específicas de concordância nominal. 1) Anexo – incluso – obrigado – mesmo - próprio Concordam com o substantivo ou o pronome a que se referem. Ela disse muito obrigada. Os documentos seguem inclusos na correspondência. Elas mesmas resolveram o problema. 2) Meio – bastante – menos As palavras meio e bastante, quando se referem a substantivos, são palavras adjetivas, devendo concordar com o substantivo ou o pronome a que se referem. Bastantes alunos faltaram. Tomou meia garrafa de vinho e meio litro de leite. · Quando as palavras meio e bastante funcionam como advérbios (estarão se referindo a verbo, adjetivo ou advérbio), permanecem invariáveis. A porta estava meio fechada (adjetivo). Elas falaram (verbo) bastante. · MENOS é palavra invariável. Ex. Havia menos mulheres na sala. 3) Muito – pouco – caro – barato – longe As palavras acima ora funcionam como palavras adjetivas, concordando com o substantivo a que se referem, ora funcionam como advérbios, permanecendo invariáveis. Poucas pessoas (substantivo) tinham muitos motivos. Eram mercadorias (substantivo) baratas. Os livros custaram (verbo) caro. 4) É bom – é necessário – é proibido As expressões formadas de verbo ser + adjetivo não variam, se o sujeito das mesmas não vier precedido de artigo ou outro determinante. Água é bom. (não determinado) A água é boa. (determinado) Chuva é necessário. (não determinado) Aquela chuva é necessária. (determinado) 5) Um só adjetivo referindo-se e a mais de um substantivo · Se o adjetivo vier anteposto aos substantivos a que se refere, deverá concordar com o substantivo mais próximo. Escolheste péssima hora e lugar para falar. Escolheste péssimo lugar e hora para falar. · Se o adjetivo vier posposto aos substantivos a que se refere, a concordância poderá ser feita ou com o substantivo mais próximo, ou no plural com ambos, prevalecendo o masculino plural, se os substantivos forem de gêneros diferentes. Escolheu a hora e o momento adequado. Escolheu a hora e o momento adequados. Escolheu a bolsa e manta adequadas. CONCORDÂNCIA VERBAL Observe a ilustração abaixo. Você encontrou algum problema nas falas da charge acima? Por exemplo, as palavras estúpido, levar e cerração estão escritas de forma inadequada. Mas, além disso, será que os nossos problemas terminaram aí? Vamos analisar um pouco melhor a conjugação dos verbos? Percebemos que há problemas, pois os verbos “podia” e “ligou” foram conjugados erroneamente, não observando uma regra da concordância verbal. Como os verbos mencionados acima estão referindo-se à 2ª pessoa do singular (Tu), a correlação pessoa e conjugação está equivocada. O correto seria utilizarmos “podias” e “ligaste”. Torna-se usual, no Rio Grande do Sul, nas regiões em que se conjugam os verbos na 2ª pessoa do singular, escutarmos as pessoas, ao nosso redor, falando: “Tu trouxe o material?”, “Tu buscou as crianças na escola?”, “Tu levastes o carro ao mecânico? ”. Nas duas primeiras frases, os falantes conjugaram o verbo na 3ª pessoa do singular e deveriam tê-lo feito na 2ª pessoa do singular. Já, no terceiro exemplo, o verbo está conjugado na 2ª pessoa do plural. Essas ocorrências são comuns na fala, mas que atrapalham a fluência do texto na escrita. A identificação do sujeito no texto é premissa básica para a adequação do verbo ao contexto textual, deixando-o no singular ou plural e de acordo com a pessoa do discurso. Para encontrá-lo, perguntamos ao verbo: Que ou quem é quê? A regra geral da Concordância Verbal estabelece que o verbo concorda com o sujeito em número e pessoa. Ex. O presidente e o técnico estão felizes com a vitória do time. Você está atrasado. A concordância verbal considera as flexões de número e pessoa entre o verbo e o sujeito. 1. O verbo concorda em número e pessoa com o sujeito simples. Ex. O material está aqui. 2. O sujeito composto por elementos da mesma pessoa leva o verbo para o plural. Ex. O professor e a diretora foram à cerimônia. · Se o verbo estiver anteposto ao sujeito composto, esse poderá ir para o plural ou singular. Ex. Foi (foram) à cerimônia o professor e a diretora. 3. O sujeito composto representado por pessoas gramaticais diferentes leva o verbo para o plural, seguindo-se a ordem de prioridade: 1ª, 2ª e 3ª pessoa. Ex. Eu, tu e ele saímos. (eu + tu + ele = nós) O verbo ficou na 1ª pessoa do plural porque tem prioridade sobre a 2ª e 3ª. Tu e o aluno saístes ou saíram. (tu + ele = vós ou vocês) O verbo pode ficar na 2ª ou 3ª pessoa do plural. No entanto, a 2ª pessoa do plural (vós) está em desuso. 4. O sujeito composto formado por núcleos do sujeito ligados por OU ou NEM, concorda no singular, se a conjunção ou tem valor exclusivo, caso contrário, vai para o plural. Ex. Pedro ou Paulo casará com Ana. (um ou outro = exclusão) Fortaleza ou Fernando de Noronha são excelentes locais para férias. (ambos) 5. O pronome de tratamento, no singular, como sujeito, pede o verbo na 3ª pessoa do singular. Ex. Vossa Excelência já sabe dos últimos acontecimentos? 6. O sujeito formado por um coletivo deixa o verbo no singular; caso ele venha especificado, o verbo pode ficar no singular ou plural. Ex. Uma quadrilha de ladrões assaltou (assaltaram) a lotérica. 7. Quando o sujeito é composto por uma expressão partitiva como “a maioria da” - “uma parte de” - “uma porção de” - “o resto de” - “a metade de” e após um substantivo plural ou um pronome plural, o verbo pode ir para o singular ou plural. Ex. A maior parte deles é (são) do Piauí. 8. O sujeito é um plural aparente: os nomes de lugar e também títulos de obras que têm forma de plural são tratados como singular, se não vêm acompanhados de artigo. Ex. Alagoas possui lindas praias. As Alagoas possuem lindas praias. 9. Quando os sujeitos são resumidos por um pronome indefinido (tudo, nada, ninguém), o verbo fica no singular. Ex. A pasta, a caneta, o fichário, tudo pertence ao meu pai. A pasta, a caneta e o fichário pertencem ao meu pai. 10. A expressão mais de um pede o verbo no singular, a não ser que esteja repetida ou haja ideia de reciprocidade. Ex. Mais de um orador falou naquele dia. Mais de um voluntário deram-se as mãos. (reciprocidade) Mais de um aluno, mais de um professor faltaram. (repetição) 11. Quando o sujeito é representado pelo pronome relativo que, o verbo concorda em número e pessoa com o antecedente desse pronome relativo. Ex. Fui eu (antecedente) que resolvi o problema. 12. Quando o sujeito é representadopelo pronome relativo quem, o verbo fica na 3ª pessoa do singular ou concorda com o seu antecedente. Ex. Somos nós quem deve pagar a conta. (3ª pessoa) Somos nós quem devemos pagar a conta. (antecedente – nós) 13. Quando o sujeito não está anteposto, os verbos dar, bater e soar concordam com o número que indica as horas, que é o seu sujeito. Ex. Deram dez horas. O relógio (sujeito) deu dez horas. 14. Os verbos haver e fazer, quando impessoais, não apresentam sujeito, permanecendo, portanto, na 3ª pessoa do singular. VERBO FAZER – indicando tempo decorrido ou fenômeno da natureza. Ex. Faz dois meses que ela mudou. (tempo decorrido) Vai fazer dois meses que ela mudou. Faz verões muito longos por aqui. (fenômeno da natureza) VERBO HAVER – indicando existir. Ex. Havia muitas pessoas interessadas na vaga. Deve haver muitas pessoas interessadas na vaga. Em locuções verbais, o verbo auxiliar assume as características da impessoalidade (3ª p. s.) dos verbos FAZER e HAVER. Já o verbo EXISTIR aceita o plural. Ex. Existem muitas pessoas interessadas na vaga. 15. VOZ PASSIVA - Quando o verbo vier acompanhado pela partícula se, terá sujeito expresso na oração e, portanto, concordará com o sujeito. Ex. Reformam-se ternos. (Ternos são reformados) Digitam-se trabalhos. (Trabalhos são digitados) Aluga-se quarto. (Quarto é alugado) image6.png image1.png image2.png image3.png image4.png image5.png