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BARRAS COMPRIMIDAS 1 - DEFINIÇÃO BARRAS PRISMÁTICAS SUBMETIDAS À FORÇA AXIAL DE COMPRESSÃO: Barras sujeitas à compressão centrada; Como peças verticais são denominadas Colunas; Encurtamento da barra; O esforço normal de compressão acentua as curvaturas iniciais existentes na barra; 2 - OCORRÊNCIA Componentes de treliças; Sistemas de travejamento; Pilares de sistemas contraventados de edifícios com ligações rotuladas; Pilares internos de edifícios com ligações rígidas; Pilares em pontes. 3 – FORMAS DE SEÇÃO TRANSVERSAL a) Para travejamentos, montante, diagonais, banzos de treliças: Peças em cantoneiras simples- seção simples; Seção dupla cantoneira – seção composta; Seção em “C” (Channel) – seção simples. 3 – FORMAS DE SEÇÃO TRANSVERSAL b) Para colunas ou pilares de edifícios e pontes: Colunas de alma cheia e altura constante; Seções Simples: O, I, H, IP, HPL, HPM, HPP, Perfil fechado ou caixão – laminados ou soldados 3 – FORMAS DE SEÇÃO TRANSVERSAL b) Para colunas ou pilares de edifícios e pontes: Colunas de alma cheia e altura constante; Seções Compostas 3 – FORMAS DE SEÇÃO TRANSVERSAL b) Para colunas ou pilares de edifícios, galpões, pontes: Colunas treliçadas de altura constante; Composição de vários perfis laminados ou soldados, ligados por chapas ou cantoneiras situadas nos planos das mesas 3 – FORMAS DE SEÇÃO TRANSVERSAL c) Para colunas-suporte de vigas de rolamento: Colunas de seção constante ou variável; Colunas de seção variável (escalonadas) de alma cheia ou treliçadas; Colunas com perfis separados 4 – ASPECTOS DO DIMENSIONAMENTO A) ESCOAMENTO: Ocorre em barras com baixos valores do parâmetro de esbeltez global () e baixos valores de parâmetro de esbeltez dos elementos componentes da seção transversal (relação entre largura e espessura - b/t), isto é, nas barras “curtas” e com espessura de chapas relativamente alta; Observa-se um encurtamento da barra. ESTADOS LIMITES ÚLTIMOS TÍPICOS: 4 – ASPECTOS DO DIMENSIONAMENTO B) FLAMBAGEM GLOBAL: Fenômeno associado a instabilidade da barra, função do parâmetro de esbeltez e da forma da seção transversal – ocorrência de deslocamentos laterais; Existem basicamente dois tipos: Flambagem por Flexão – comum em seções com dupla simetria: quadradas, retangulares, circulares, “I”. Neste caso, a flambagem ocorre por flexão em torno dos eixos principais (X ou Y). Para seções monossimétricas, a flambagem por flexão ocorre em torno do eixo de não simetria. Flambagem por Flexão e Torção ou Flexo-Torção – ocorre principalmente para seções assimétricas ou nas seções monossimétricas em relação ao eixo de simetria. ESTADOS LIMITES ÚLTIMOS TÍPICOS: 4 – ASPECTOS DO DIMENSIONAMENTO C) FLAMBAGEM LOCAL DOS ELEMENTOS COMPONENTES DA SEÇÃO TRANSVERSAL: Fenômeno associado ao parâmetro de esbeltez dos elementos componentes da seção transversal – relação entre largura e espessura (b/t); Comum em seções de parede fina – perfis formados a frio; Na grande maioria dos casos de dimensionamento de barras comprimidas, o colapso é governado por fenômeno de instabilidade global ou local, ocorrendo muitas vezes uma combinação dos dois fenômenos. ESTADOS LIMITES ÚLTIMOS TÍPICOS: 5 – FLAMBAGEM POR FLEXÃO Estudo desenvolvido por Leonhardt Euler (1707- 1783), que investigou o equilíbrio de uma coluna comprimida na posição deformada com deslocamentos laterais - coluna ideal: Material homogêneo: Peça sem imperfeição geométrica e tensões residuais; Comportamento elástico linear; Extremidades rotuladas; Força axial centrada; Sem instabilidade local ou por troção. 5 – FLAMBAGEM POR FLEXÃO “Existe um valor de P na qual a barra perde estabilidade – Flambada” Carga de Euler ou Carga Crítica de Flambagem: A partir desta carga não é mais possível o equilíbrio na configuração retilínea Surgem deslocamentos laterais – ocorre flexocompressão Há uma indeterminação na função N versus para N > Ncr A Tensão crítica é dada por: r L Onde, Índice de esbeltez 2 2 .. L IE Ncr 2 2 2 2 2 2 )()/(. .. E rL E AL IE A N f cr cr crf E.2 Também dado por: 5 – FLAMBAGEM POR FLEXÃO As colunas reais possuem imperfeições geométricas e não se garante a centralização do carregamento; Nestes casos o processo de flambagem ocorre com flexão da barra deste o inicio do carregamento O esforço N em uma coluna com imperfeição geométrica representada por o produz uma excentricidade adicional , chegando-se a uma flecha total t que, em regime elástico de tensões, é expressa por (Gere & Timoshenko, 1994): cr t NN /1 0 Há ocorrência de flexocompressão em toda a extensão do caminho de equilíbrio com as tensões máximas na seção dadas por: W N A N t Comportamento de colunas sob cargas crescentes. Efeitos da imperfeição geométrica inicial, da excentricidade da carga, e das tensões residuais. 5 – FLAMBAGEM POR FLEXÃO A carga Nc é denominada carga última ou resistente e, como se vê na figura, pode ser bem menor do que a carga crítica Ncr da coluna de Euler correspondente; A tensão última nominal é dada por: A tensão fc também depende da esbeltez L/r da coluna em torno do eixo em que se dá a flambagem Quanto mais esbelta a coluna, mais desfavorável será seu comportamento e menor será a tensão última A N f c c Comportamento de colunas com diferentes índices de esbeltez sob ação de cargas crescente até atingir a tensão última nominal fc 5 – FLAMBAGEM POR FLEXÃO Na prática é impossível obter as condições ideais, sendo necessário corrigir a curva de flambagem para cada condição não satisfeita. E, para a coluna real a curva de flambagem pode ser influenciada por: Interação entre tensões residuais, tensões normais de compressão e as de flexão devido à imperfeição inicial; Esbeltez L/r – forma da seção transversal; Tensão de escoamento; Eixo de Flexão; Condições de vínculo da coluna. Variação de resistência de uma coluna comprimida, em função do índice de esbeltez L/r Faixa de variação das curvas de flambagem (adaptado de Galambos, 1998) 5 – FLAMBAGEM POR FLEXÃO A curva em linha cheia da Figura (denominada curva de resitência à compressão com flambagem ou simplesmente curva de flambagem) representa o critério de resistência de uma coluna considerando-se os efeitos mencionados anteriormente. Observam-se três regiões: colunas muito esbeltas (valores elevados de L/r) onde ocorre flambagem em regime elástico fcrPráticas: COMPRIMENTO DE FLAMBAGEM - KL 5 – FLAMBAGEM POR FLEXÃO Indicações Práticas: COMPRIMENTO DE FLAMBAGEM - KL 6 – DIMENSIONAMENTO CF. NBR 8800:2008 Onde: Nc,Sd é a força axial de compressão solicitante de cálculo; Nc,Rd é a força axial de compressão resistente de cálculo; CONDIÇÃO: NC,sd Nc,Rd 1 , a yg Rdc fQA N Onde: é o fator de redução associado à resistência à compressão Q é o fator de redução total associado à flambagem local, cujo valor deve ser obtido no Anexo F da NBR 8800:2008 Ag é a área bruta da seção transversal da barra 6 – DIMENSIONAMENTO CF. NBR 8800:2008 Fator de redução : Para 0 1,5: Para 0 > 1,5: 2 0 877,0 2 0658,0 O índice de esbeltez, 0, é dado por: e yg N fQA 0 Ne é a força axial de flambagem elástica, obtida conforme o Anexo E da ABNT NBR 8800:2008 6 – DIMENSIONAMENTO CF. NBR 8800:2008 O valor de pode ser obtido da Figura 11 (ABNT NBR 8800:2008) : 6 – DIMENSIONAMENTO CF. NBR 8800:2008 O valor de também pode ser obtido da Tabela 4 (ABNT NBR 8800:2008) : 6 – DIMENSIONAMENTO CF. NBR 8800:2008 LIMITAÇÃO DO ÍNDICE DE ESBELTEZ: 200 r LK Onde: K é o coeficiente de flambagem; L é o comprimento destravado da barra r é o raio de giração correspondente Tal limitação se justifica por: 1) Peças comprimidas muito esbeltas são bastante sensíveis a variações nas imperfeições iniciais; 2) E apresentam soluções de projeto pouco econômico. 6 – DIMENSIONAMENTO CF. NBR 8800:2008 BARRAS COMPOSTAS: EXEMPLO DE APLICAÇÃO - 1 Determinar a resistência de cálculo à compressão do perfil W 150 x 37,1 kg/m (tipo H), de aço ASTM A36 com comprimento de 3,0 m, sabendo-se que suas extremidades são rotuladas. Considere duas situações: a) Há contenção lateral impedindo a flambagem em torno do eixo y- y; b) Não existe contenção lateral, podendo falmbar em torno do eixo y-y Características geométricas do perfil: Ag = 4.780,0 mm2 bf = 154 mm; tf = 11,6 mm h = 162 mm; ho = 139 mm; hw = 119 mm; tw = 8,1 mm rx = 68,5 mm; ry = 38,4 mm; Ix = 2244 cm4; Iy = 707 cm4 EXEMPLO DE APLICAÇÃO - 2 Uma viga treliçada tem uma diagonal com 2,50 m de comprimento e está solicitada por um esforço normal de compressão de cálculo de 100 kN. Verificar se a cantoneira L50x50x6, de aço MR 250, atende à solicitação, considerando as seguintes disposições: a) cantoneira simples, conectada por uma das abas; b) Seção dupla cantoneira dispostas lado a lado, adotando chapa espaçadora de 8mm de espessura; c) Seção quadrada, formada por duas cantoneiras simples, ligadas continuamente por solda. Características geométricas da cantoneira simples L50x50x6: Ag = 569 mm2 b = 50 mm; t = 6 mm rx = ry = 15,0 mm ryo = 9,68 mm; rxo= 18,9 mm Ix = Iy = 12,8 cm4 dx = dy = 11,5 mm 7 – CONSIDERAÇÃO DA FLAMBAGEM LOCAL Fenômeno que ocorre nos perfis metálicos, constituídos de chapas que, quando comprimidos podem flambar antes do perfil como um todo. Este fenômeno ocorre tanto em elementos de vigas como em colunas, afetando as suas resistências. Teoricamente a Flambagem Local é tratada como Flambagem de Placa, considerando- se as situações de vinculação com as demais chapas do perfil. 7 – CONSIDERAÇÃO DA FLAMBAGEM LOCAL Para evitar que a chapa que compõe um perfil de coluna Flambe, as normas de projeto procuram garantir que a tensão de flambagem desta chapa seja maior que a tensão fy, e portanto o Estado Limite será o escoamento. É uma imposição geométrica às chapas que formam o Perfil. Para uma placa, a tensão de flambagem elástica é dada pela relação: e = k . 2 . E______ 12.(1 - 2).(b/t)2 onde k é função: da relação l/b, das condições de carregamento e de vinculação da placa. 7 – CONSIDERAÇÃO DA FLAMBAGEM LOCAL Condição para que não ocorra a flambagem local: que fornece: fy t b Ek fycr colunaplaca 2 2 ).1(12 .. fy Ek t b . . )1(12 2 2 lim É o limite máximo para a esbeltez da chapa, para a qual não ocorrerá a Flambagem Local. : 7 – CONSIDERAÇÃO DA FLAMBAGEM LOCAL A equação anterior não leva em conta as imperfeições iniciais e as tensões residuais. Para levar em conta esses efeitos a NBR 8800, reduz o valor em 30% que fica: fy Ek t b fy Ek t b . 665,0 . . )3,01(12 70,0 2 2 Para as chapas que obedecem o limite acima não ocorre Flambagem Local (F.L.) e Q = 1,0 Para seções que possuem chapas com b/t > b/tlim ocorre F.L e Qnormal de compressão que a coluna resistiria, caso a disposição dos perfis fosse a da figura ao lado. Usar inicialmente e = 0. EXEMPLO DE APLICAÇÃO 6 Dimensione as colunas intermediárias do pórtico da figura, sabendo-se que as mesmas têm perfil CS, de aço ASTM A-36. No plano perpendicular ao plano do pórtico, as colunas são contraventadas na base e no topo, tornando-a biarticulada.