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AULA 4 BALANCED SCORECARD Prof. Alexandre Francisco de Andrade INTRODUÇÃO Sabemos que a perspectiva financeira no BSC se resume à mensuração e à gestão de resultados financeiros (receitas, lucros, retornos etc.), ou seja, é a principal métrica de um relatório BSC e objetivo geral para todas as empresas que precisam entregar resultados financeiros tangíveis para os stakeholders, cumprindo com as metas financeiras. Independentemente da empresa e da estratégia, a perspectiva financeira do BSC deve incluir as categorias de métricas e KPIs, como crescimento do negócio (receita) e produtividade (gestão de custos e ativos). Antes de iniciarmos, vamos verificar os principais temas que nos acompanharão durante o desenvolvimento de nosso processo de ensino e aprendizagem. São eles: ● A perspectiva financeira do BSC; ● A metodologia de gestão baseada em valor; ● A perspectiva financeira e a importância dos objetivos empresariais; ● Perspectiva financeira e os indicadores-chave de desempenho financeiro; ● OS KPIs financeiros: métricas e valores financeiros. Bom estudo! TEMA 1 – A PERSPECTIVA FINANCEIRA DO BSC A perspectiva financeira tem por objetivo mostrar se as escolhas estratégicas implementadas por uma organização estão contribuindo para a elevação do valor de mercado da empresa, para a geração de valor econômico e propiciando aumento da riqueza dos acionistas e demais stakeholders. (Filho, 2019, p. 74) Sabemos que as finanças sempre foram fundamentais para as empresas monitorarem e medirem, ou seja, são naturalmente consideradas o elemento mais importante na maioria das estratégias com fins lucrativos. No passado, muitas empresas não estavam prestando atenção suficiente a outros aspectos de sua estratégia e eram surpreendidas quando não atingiam seus objetivos financeiros. E, como as finanças são um indicador defasado, os estudos de David P. Norton e Robert S. Kaplan conduziram para procurar indicadores líderes na estratégia de uma empresa e chegaram ao conceito do Balanced Scorecard (BSC). Na metodologia do Balanced Scorecard, a perspectiva financeira também possibilita identificar se o desempenho dos ativos intangíveis da organização e as outras áreas de desempenho não financeiro, como a satisfação dos clientes, a inovação de produtos e a retenção de talentos, estão contribuindo para a geração de valor, em função da estratégia escolhida pela organização. (Filho, 2019, p. 74) É bom ressaltar que a perspectiva financeira ainda permanece no topo da maioria dos scorecard com fins lucrativos e sem fins lucrativos. Dessa forma, é importante ter certeza de que os objetivos e medidas que serão usados nessa perspectiva realmente dirão se a estratégia contribuirá para o crescimento dos negócios da empresa. Filho (2019, p. 74) apresenta um exemplo: o diálogo entre a equipe de gestão da empresa e os acionistas, com uma questão: “Para alcançarmos nossa visão, que valor econômico agregado devemos gerar para nossos acionistas?”. Vamos ver a seguir: Tabela 1 – Diálogo entre a equipe de gestão da empresa e os acionistas Perspectiva Financeira Objetivos Medidas Metas Iniciativas Elevar vendas para clientes mais lucrativos. Vendas totais/vendas para clientes mais lucrativos. Aumentar em 20% as vendas para os clientes mais lucrativos. Melhorar o conhecimento do negócio dos clientes mais lucrativos. Fonte: Elaborado com base em Filho, 2019, p. 74. 1.1 As perspectivas financeiras com fins lucrativos Uma empresa com fins lucrativos tem como principal objetivo financeiro aumentar os lucros (meta). Nesse caso, há uma série de medidas que podem ser aplicadas para acompanhar essa meta, incluindo o monitoramento do crescimento das vendas ou da lucratividade do programa ou da margem de lucro líquido. Embora os lucros sejam importantes, a empresa precisa obter uma visão mais profunda de onde está obtendo sua receita e como garantir que seus custos não cresçam mais rápido do que sua receita. Objetivos ou medidas focados no crescimento do negócio incluem todas as métricas relacionadas ao desenvolvimento de negócios e ao crescimento de receita, sendo KPIs que medem o sucesso da empresa por meio de novos clientes, receita de novos mercados, vendas de produtos existentes, vendas de novos produtos, vendas de novos serviços, crescimento de novas unidades de negócios etc. Objetivos ou medidas focados na melhoria da eficiência e eficácia operacional incluem as métricas de produtividade que medem o quão eficiente e eficaz a empresa é na gestão de suas operações de negócios, ou seja, os KPIs de produtividade medem o sucesso da empresa no gerenciamento de sua estrutura de custos e ativos, pois métricas como giro de ativos, giro de estoque, receita por funcionário, entre outros, vão ajudar os tomadores de decisão a monitorar e melhorar a produtividade do negócio. Outras empresas consideram objetivos ou medidas com base no fluxo de caixa, classificações de títulos, alavancagem de dívida ou outras ferramentas financeiras usadas para gerenciar um negócio. Esses objetivos ou medidas, em uma perspectiva financeira do BSC, podem ser inseridos em um mapa estratégico corporativo ou em um mapa estratégico no próprio departamento financeiro. Saiba mais KPIs financeiros são medidas de alto nível de lucros, receitas, despesas ou outras finanças e resultados que se concentram especificamente em relacionamentos derivados de dados contábeis e são atrelados a um valor ou índice financeiro específico. A maioria dos KPIs se enquadra em cinco grandes categorias baseadas no tipo de informação que medem: ● KPIs de rentabilidade (margem de lucro bruto e margem de lucro líquido). ● KPIs de liquidez (índice de liquidez corrente e índice rápido). ● KPIs de eficiência (giro de estoque e contas a receber rotatividade). ● KPIs de avaliação (lucro por ação e relação preço/lucro). ● Alavancagem de KPIs (dívida sobre capital próprio e retorno sobre o patrimônio líquido). 1.2 As perspectivas financeiras sem fins lucrativos Sabemos que, por natureza, as empresas sem fins lucrativos e governamentais tem uma estrutura financeira diferente, mas admitimos que as finanças são o combustível para impulsionar a estratégia e não o resultado da estratégia. Para essas empresas sem fins lucrativos, geralmente, existe captação ou fontes de recursos por meio de empresas, fundações, pessoas, agências, governo, entre outros. Assim, uma estratégia antecipada para captação de recursos será importante para definir a obtenção do melhor resultado. Figura 1 – Exemplos de atividades estratégicas É bom reforçar a necessidade contínua de educar todos os envolvidos quanto ao aspecto financeiro das empresas sem fins lucrativos. É por meio do compartilhamento do conhecimento relacionado a todas as atividades da empresa (digitação de transações, demonstrações financeiras, levantamento de métricas, requisitos de novas reservas, entre outras) que a garantia de financiamentos e de recursos será elevada. O engajamento de todas as partes interessadas fará toda a diferença. Por exemplo, ter um profissional com habilidades contábeis e financeiras atuando como voluntário em atividades de arrecadação de fundos ou tesouraria vai desempenhar um papel importante em manter uma empresa sem fins lucrativos viável e com capacidade para seguir com a sua missão. Não devemos esquecer que existem ferramentas úteis para encontrar indicadores financeiros, sendo elas: retorno sobre o investimento, retorno sobre o capital empregado e o valor econômico agregado (EVA). Em resumo, as características de cada uma são: • O retorno sobre o investimento é uma medida de desempenho que mostra a eficiência de um investimento. • O retorno sobre o capital empregadomostra como uma empresa está gerando lucros a partir de seu capital. • EVA é a riqueza residual de uma empresa, obtida pela subtração do custo de capital do lucro operacional. Exemplos de atividades estratégicas Analisar a necessidade Planejar Pesquisar cada fonte de recurso Captar os recursos A melhor forma de ter resultados em mais vendas, receita, participação e lucratividade é fazer a lógica do fluxo de valor acontecer na seguinte sequência: 1. Melhorar o aprendizado e o crescimento; 2. Melhorar os processos internos de negócios; 3. Atingir a satisfação do cliente. De acordo com Filho (2019, p. 76), como um instrumento de apoio à alta administração: [...] para conhecer melhor o processo de criação de valor, a Gestão Baseada em Valor pode se valer principalmente de três métodos: o método do EVA – Economic Value Added (Valor Econômico Agregado); o método do Fluxo de Caixa Livre (Free Cash Flow); a abordagem do Retorno sobre o Investimento Base Caixa, ou CFROI (Cash Flow Return on Investment). Portanto, podemos ter outras medidas financeiras, como lucratividade, preço atual da ação, lucro por ação, vendas, margens operacionais, despesas operacionais, receita operacional, margem bruta, fluxo de caixa, retornos de caixa etc. No próximo tópico, nosso aprendizado envolverá uma reflexão sobre a metodologia de gestão baseada em valor. TEMA 2 – A METODOLOGIA DE GESTÃO BASEADA EM VALOR A Gestão Baseada em Valor é uma metodologia utilizada para avaliar até que ponto uma estratégia de negócios, desenvolvida e implementada pela alta administração de uma organização, está contribuindo (ou não) para aumentar o valor de mercado da empresa e gerar valor econômico para os acionistas. (Filho, 2019, p. 76) Continuando com o nosso aprendizado, é útil acrescentar que a gestão baseada em valor inclui três pontos: criação de valor (aumentar o máximo de valor futuro – estratégia); gerenciando para valor (governança, sustentabilidade, social, mudança, cultura organizacional, liderança, comunicação); valor de medição (avaliação). Então, a gestão baseada em valor é uma metodologia que tem a incumbência de guiar as tomadas de decisões das empresas com o objetivo de gerar valor. Dessa forma, podemos pensar em como melhorar o desenvolvimento dos negócios a longo prazo, com atenção para a competitividade do mercado. Em síntese, o conceito está focado no lucro econômico, ou seja, na receita total do negócio menos os custos gerados pelo capital investido, e proporciona consistência em missão e estratégia corporativa (filosofia e propósito), governança, cultura, comunicação, organização, processos e sistemas, recompensas, entre outros. Saiba mais Gestão baseada em valor é uma filosofia de gestão que afirma que a administração deve considerar acima de tudo os interesses dos acionistas em suas ações de negócios, ou seja, essa estrutura engloba os processos de criação, gerenciamento e mensuração de valor. Entendemos que o valor de uma empresa é determinado por seus fluxos de caixa descontados (DCF), ou seja, o valor só é criado quando as empresas investem capital com retornos que excedem o custo desse capital. Então, vamos observar os instrumentos utilizados pela alta administração aplicados como métodos no processo de criação de valor: 2.1 Método do EVA – Economic Value Added (Valor Econômico Agregado) O Valor Econômico Adicionado (EVA) ou lucro econômico é a medida baseada na técnica de lucro residual que serve como indicador da rentabilidade dos projetos realizados. Consiste na ideia de que a lucratividade real ocorre quando a riqueza adicional é criada para os acionistas e que os projetos devem criar retornos acima de seu custo de capital. Para Filho (2019, p. 79), “na perspectiva do EVA, a riqueza somente é materializada quando a empresa cria um valor que supera os seus custos operacionais e também cobre o custo do capital empregado no negócio”. Essa metodologia também permite transformar “o lucro econômico em fluxo de caixa livre da empresa, em termos de valor presente, utilizando como taxa de desconto o custo médio ponderado do capital" (Filho, 2019, p. 80). Para Garrison et al. (2012), quando se usa o lucro residual ou o EVA para medir o desempenho: [...] o objetivo é maximizar o valor total de lucro residual ou EVA, e não maximizar o ROI – essa é uma importante distinção. Se o objetivo fosse maximizar o ROI, então, toda empresa deveria se privar de todos os seus produtos, exceto aquele com ROI mais alto. (Garrison et al., 2012, p. 500) EVA = NOPAT - (WACC * CAPITAL INVESTIDO) EVA = Valor Econômico Agregado NOPAT = Lucro Operacional Líquido Após Impostos WACC = Custo Médio ponderado de Capital (a). Capital Investido = capital próprio + dívida de longo prazo no início do período (b). (WACC * Capital Investido) = taxa de financiamento 2.1.1 Exemplo de cálculo do EVA Tabela 1 – Exemplo Exemplo hipotético na Empresa AndradeCon ANO 2020 (R$) ANO 2021 (R$) ANO 2022 (R$) Capital Investido (Início do ano) R$ 55.245,00 R$ 50.333,00 R$ 56.978,00 Custo médio ponderado de capital 8,22% 8,28% 8,37% Encargos financeiros R$ 4.500,00 R$ 4.200,00 R$ 4.700,00 Lucro operacional líquido após impostos R$ 7.300,00 R$ 5.400,00 R$ 4.400,00 EVA R$ 2.758,86 R$ 1.232,43 -R$ 369,06 O EVA pode ser aplicado para avaliar, também, o desempenho de departamentos, grupo de produtos e segmentos de novos negócios. 2.2 Método do Fluxo de Caixa Livre (Free Cash Flow – FCF) O fluxo de caixa livre é calculado como fluxo de caixa operacional menos despesas de capital. As despesas não monetárias, como as despesas de depreciação e as despesas de amortização, são excluídas do cálculo. Então, o uso do free cash flow requer o entendimento da demonstração dos fluxos de caixa e do balanço patrimonial. A demonstração dos fluxos de caixa separa as entradas e saídas de caixa em três categorias: ● Fluxos de caixa das atividades operacionais: são as atividades diárias da gestão de um negócio, incluindo compras de estoque, folha de pagamento e recebimento de dinheiro dos clientes. ● Fluxos de caixa das atividades de investimento: atividade de caixa relacionada à compra e à venda de ativos da empresa. ● Fluxos de caixa das atividades de financiamento: atividade para levantar dinheiro e operar negócios emitindo ações ou dívidas, as entradas de caixa são lançadas e o pagamento de dividendos aos acionistas é uma saída de caixa. O FCF inclui o fluxo de caixa operacional e as despesas de capital são atividade de investimento, mas a atividade de financiamento não está incluída na fórmula. O balanço patrimonial é uma demonstração financeira que registra os ativos, passivos e patrimônio líquido de uma empresa em um determinado momento (num intervalo de tempo). Ele serve como base para entender o que o negócio possui e o que deve, além de quanto é investido por seus proprietários. Assim, as despesas de capital referem-se ao dinheiro que uma empresa gasta para adquirir ou manter qualquer ativo imobilizado, como equipamentos ou imóvel. 2.2.1 Exemplo de análise de fluxo de caixa livre Quadro 1 – Exemplo de análise Da maneira simples: Fluxo de caixa livre (FCF) = fluxo de caixa operacional – despesas de capital Caso a empresa não apresente fluxo de caixa operacional ou despesas de capital: Fluxo de caixa livre (FCF) = receita de vendas – (custos operacionais + impostos) – investimentos necessários em capital operacional Fluxo de caixa livre (FCF) = lucro operacional líquido após impostos – investimento líquido em capital operacional Exemplo hipotético na Empresa AndradeCon: A empresa reportou um fluxo de caixa operacional de R$ 700.000,00 na demonstração anual de fluxo de caixa de 2022. Entretanto, a empresa gastou R$ 300.000,00em novos equipamentos. Então, os seus analistas analisaram o FCF, na seguinte fórmula: FCF = R$ 700.000,00 – R$ 300.000,00 FCF = R$ 400.000,00 Notamos que o FCF nos dá a visão da saúde do negócio, ou seja, significa o quanto de dinheiro suficiente a empresa tem para pagar as despesas operacionais e ainda ter uma sobra. A sobra vai ser distribuída entre investidores, reinvestimentos para o negócio (expansão) e recompras de ações. 2.3 Método do Retorno sobre o Investimento Base Caixa, ou CFROI (Cash Flow Return on Investment) Sabemos que é uma métrica de avaliação que atua como um intermediário para o retorno econômico de uma empresa, ou seja, é comparado ao custo de capital ou taxa de desconto, para determinar o potencial de valor agregado. Então, podemos resumir que é o retorno econômico médio de todos os projetos de investimento de uma empresa em um determinado ano. Quadro 2 – Algumas considerações O retorno sobre o investimento (ROI) é uma medida do desempenho de um investimento. CFROI: é uma métrica de avaliação que analisa o fluxo de caixa, em relação ao custo de capital de uma empresa. CFROI: assume que os mercados financeiros definem os preços das ações com base no fluxo de caixa de uma empresa, em vez de principalmente nos lucros ou outras métricas. CFROI: dá aos investidores uma visão de como uma empresa trabalha internamente, como a empresa cria caixa, financia suas operações e gasta seu dinheiro. CFROI: é uma forma mais clara de olhar para o desempenho da empresa, removendo as chamadas distorções nos resultados financeiros de uma empresa. CFROI: leva em conta o impacto da inflação. CFROI: é usado para analisar o desempenho de uma empresa ao longo do tempo ou para comparar o desempenho de uma empresa com seus pares em seu setor. 2.3.1 A fórmula para o Cash Flow Return on Investment – CFROI Quadro 3 – Fórmula 𝐶𝐹𝑅𝑂𝐼 = 𝐹𝑙𝑢𝑥𝑜 𝑑𝑒 𝐶𝑎𝑖𝑥𝑎 𝑂𝑝𝑒𝑟𝑎𝑐𝑖𝑜𝑛𝑎𝑙 𝐶𝑎𝑝𝑖𝑡𝑎𝑙 𝐸𝑚𝑝𝑟𝑒𝑔𝑎𝑑𝑜 Em que: Capital Empregado = Capital Líquido Total + Dívida de Curto Prazo + Obrigações de Arrendamento de Capital + Dívida de Longo Prazo Anota aí: o CFROI ajuda a empresa a determinar os retornos sobre o investimento que foi feito e que devem ser maiores do que o custo do capital. Só assim o retorno do investimento será positivo. Caso contrário, se o retorno for menor que o custo do capital, então é óbvio que o retorno do fluxo de caixa sobre o investimento será desfavorável. Você sabia que os cálculos para o CFROI incluem a vida útil estimada dos ativos da empresa? Dessa forma, o conceito do CFROI sugere que os preços das ações nos mercados de ações são definidos com base nos fluxos de caixa e não no lucro ou no desempenho de um negócio. No próximo tópico, nosso aprendizado envolverá a importância dos objetivos empresariais. TEMA 3 – A PERSPECTIVA FINANCEIRA E A IMPORTÂNCIA DOS OBJETIVOS EMPRESARIAIS Quando questionamos o quanto a empresa gera retorno financeiro ou quais são os fatores cruciais que geram receita e margens de lucro, devemos ter em mente as perspectivas financeiras, pois elas descrevem os objetivos empresariais1 e o motivo é determinar se uma empresa é bem-sucedida na realização da estratégia escolhida para chegar aos resultados financeiros desejados. De acordo com Filho (2019, p. 74), “a perspectiva financeira indica se a estratégia de uma empresa e sua implementação estão gerando valor econômico agregado para os acionistas e demais stakeholders”. Para Kaplan e Norton (2017), existem três opções para o crescimento lucrativo da receita: vender mais para clientes existentes por meio da oferta de produtos e serviços existentes (explorar o relacionamento com o cliente ou vender produtos e serviços adicionais); vender para clientes de novos segmentos; e vender novos produtos. Os autores propõem ainda duas opções para melhorar a produtividade: reduzir despesas e reduzir custos (diretos e indiretos). Dessa forma, a estratégia é gerar a mesma produção com menos gastos de mão de obra, materiais, recursos e materiais. A forma mais eficiente de melhorar a produtividade é saber usar os ativos fixos e financeiros, ou seja, usar o mesmo capital (humano, financeiro, material) para gerar mais produção. Entretanto, gerar crescimento de receita vai levar mais tempo do que efetivar as ações de aumentar a produtividade. O que podemos notar é a pressão para realizar e mostrar resultados aos acionistas com metas a curto prazo, mas é preciso encontrar um equilíbrio entre os dois elementos: aumentar a receita (longo prazo) e a produtividade (curto prazo). 1 Objetivos empresariais dão o direcionamento e motivação necessária para concentrar energias no que é mais importante. Então, precisamos trabalhar com o mapa estratégico, definindo como será utilizada a estratégia da empresa. Na filosofia do Balanced Scorecard, por exemplo, o orçamento estratégico é elaborado com base nos objetivos estratégicos e iniciativas empresariais, partindo do mapa estratégico (Filho, 2019). É importante ressaltar que a visão e a missão servem de referência para a criação do mapa estratégico, pois é na visão que temos o futuro da empresa previsto pelo líder e na missão, a razão da existência da empresa. 3.1 O processo de planejamento estratégico na perspectiva financeira do BSC Já sabemos que o BSC é um dos instrumentos de gestão eficazes para a implementação e o acompanhamento da execução da estratégia, pois ele ajuda a alinhar a estratégia com o desempenho esperado e enfatiza a importância do estabelecimento de metas financeiras para todos os empregados em diversas áreas funcionais e unidades da empresa. A garantia é que a estratégia seja traduzida em objetivos, ações operacionais e metas financeiras (fatores financeiros, aprendizado e crescimento dos funcionários, satisfação do cliente e processos internos de negócios (Kaplan; Norton, 2017). Então, as empresas precisam de uma estratégia bem-definida para alcançar o tão esperado sucesso a longo prazo, mas, para o resultado ser positivo, serão necessários um objetivo e um roteiro amplo, com uma visão geral, questões já priorizadas e foco no que é essencial. Vamos expor um exemplo prático da empresa AndradeCon, que aplicou o BSC nas perspectivas financeiras: Quadro 4 – Exemplo prático Objetivo: aumentar as receitas. Medida: receita. Meta: aumentar em 10%. Iniciativa: inserir anúncios e planejar promoções de descontos nas redes sociais. As vantagens com a missão e a estratégia que a AndradeCon encontrou no seu sistema de gestão no uso de métricas nas perspectivas financeiras e que auxiliou os stakeholders a manter uma visão geral dos rumos da empresa em todos os momentos foram: ● Facilidade de visualizar as estratégias para apresentação. ● Monitoramento dos objetivos e das visões gerais da empresa em índices. ● Flexibilidade de aplicar dimensões e objetivos estratégicos. ● Compreensão das medidas da contabilidade financeira tradicional e das perspectivas não monetárias. As desvantagens também foram observadas pela AndradeCon, pois as falhas apresentadas foram importantes para o aprendizado contínuo dos gestores, são elas: ● Identificação de metas erradas e irreais no mapeamento do Scorecard. ● Identificação da falta da dimensão temporal, dos riscos e oportunidades durante o uso do BSC. Resumindo, a empresa AndradeCon abordou por perspectivas financeiras equilibradas, pois é um processo contínuo e, para tanto, as seguintes medidas se tornaram importantes e decisivas para uma estratégia construtiva de alavancagem do processo empresarial: ● Fluxo de caixa. ● Crescimento de vendas. ● Receitas operacionais. ● Participação de mercado. ● Retorno sobre o patrimônio líquido. Toda empresa precisa de indicadores-chave de desempenho (KPIs), as métricas que ajudam os gestores financeiros na análisedo negócio e na medição do progresso em direção aos objetivos estratégicos. Existe uma variedade de KPIs financeiros que são utilizados para monitorar o sucesso e impulsionamento de uma empresa rumo ao crescimento. Você sabia que cada empresa deve identificar os KPIs mais significativos para o seu negócio? No próximo tópico, nosso aprendizado envolverá os indicadores-chave de desempenho financeiro. TEMA 4 – PERSPECTIVA FINANCEIRA E OS INDICADORES-CHAVE DE DESEMPENHO FINANCEIRO Você entende, agora, que as empresas aplicam indicadores-chave de desempenho financeiro por ser uma medida quantificável de desempenho ao longo do tempo e com foco em um objetivo específico. Então, os KPIs fornecem metas para que todos os interessados identifiquem pontos ou insights para uma tomada de decisão mais assertiva. Dessa forma, os KPIs são um meio de garantia para que os empregados possam apoiar os objetivos estratégicos da empresa. Quais são as razões para que uma empresa precise de KPIs? Em primeiro lugar, manter todos os empregados alinhados (direção). Em segundo lugar, buscar uma verificação de integridade relacionada à saúde da empresa, ou seja, relacionada aos fatores de risco e aos indicadores financeiros. Em terceiro lugar, identificar entre os elementos de sucesso e fracasso o que está funcionando e deve continuar, e o que não está funcionando e não deve ser mais feito. Em quarto lugar, promover o valor fornecido pelos empregados e gestores quanto aos indicadores-chave de desempenho que ajudam e acompanham o progresso da empresa. Saiba mais Os KPIs fornecem uma visão geral da saúde do negócio empresarial. Então, adquirir insights proporcionados por KPIs permite aos gestores serem proativos em fazer as mudanças necessárias em áreas de baixo desempenho, evitando perdas potencialmente graves. Dessa forma, a quantificação de KPIs permite medir a eficácia dos esforços e o processo tem a garantia da sustentabilidade a longo prazo do modelo operacional e aumenta o valor do negócio como investimento. Assim, a primeira prioridade é identificar e entender o impacto geral que as diversas realidades financeiras representadas pelos números de KPI têm no negócio. Depois, utilizamos os insights adquiridos desses inestimáveis indicadores de desempenho de gerenciamento financeiro para identificar e implementar mudanças que corrijam problemas com políticas, processos, pessoal e produto. 4.1 Os tipos de KPIs na visão geral dos objetivos estratégicos No tipo estratégico, esses KPIs monitoram as metas e são observados constantemente pelos gestores para descobrir como a empresa está se saindo em determinado momento. Por exemplo, o retorno sobre investimento, a receita e a participação de mercado. No tipo operacional, esses KPIs medem o desempenho em um período de tempo mais curto e são focados em processos empresariais e eficiências. Por exemplo, as vendas por região, custos médios mensais de transporte e custo por aquisição2 (CPA). No tipo funcional, esses KPIs estão ligados a funções específicas e podem ser classificados como estratégicos ou operacionais. Por exemplo, em finanças, rastreiam a margem de lucro bruto ou o retorno sobre os ativos. Independentemente do tipo de indicador-chave de desempenho que for definido, os gestores devem aplicar a diferença entre o que são indicadores principais e indicadores secundários. Por exemplo, com indicadores principais, podemos prever os resultados e, com os indicadores secundários, podemos rastrear o que já aconteceu. Assim, as empresas podem usar uma combinação de ambos para garantir o monitoramento do que é mais importante. 4.2 Desenvolvendo KPIs Agora, vamos compreender como utilizar, no meio de tantos dados, aqueles que são os principais indicadores de desempenho que ajudam a gestão a atingir suas metas de negócios. Não podemos esquecer que o foco estratégico é um dos aspectos mais importantes da definição de KPIs. Então, vamos conhecer algumas práticas recomendadas para desenvolver os KPIs certos: ● Definir como os KPIs serão usados: comunicar os responsáveis que usarão o relatório de KPIs para identificar o que eles querem alcançar e como usar (apenas KPIs relevantes e valiosos para a empresa). ● Vincular os KPIs aos objetivos estratégicos: descartar os KPIs que não se relacionam com as metas a serem alcançadas, mesmo aquelas associadas a uma função de negócios específica. 2 Custo por Aquisição: chamado de Custo por Ação ou CPA, é uma métrica de marketing que mede o custo agregado para adquirir um cliente em um nível específico de campanha ou canal. ● Escrever os KPIs no SMART: ser eficaz com KPIs comprovados pelo SMART3, ou seja, ter a garantia que esses KPIs sejam específicos, mensuráveis, atingíveis, realistas e limitados no tempo, por exemplo, aumentar as vendas em 5% por trimestre ou aumentar o Net Promoter Score® – NPS4 em 25% em 3 anos. ● Manter os KPIs compreensíveis: ter KPIs que sejam entendidos por todos os empregados, de modo que todos possam agir de acordo com esses KPIs. Saber interpretar dados é primordial, ou seja, entender como trabalhar com dados para que todos saibam tomar decisões rumo à direção certa. ● Planejar a atualização: manter a revisão dos principais ou mais relevantes KPIs na base. ● Evitar a sobrecarga de KPIs: manter no Business Intelligence da empresa apenas os dados com facilidade de medição e que se refere às metas mais importantes. No quadro a seguir, temos alguns exemplos de KPIs na perspectiva financeira. Cada unidade de negócios tem KPIs exclusivos que atuam no acompanhamento do processo empresarial. Algumas empresas usam até painéis digitais para dar visualização em tempo real, auxiliando na revisão e análise das métricas de desempenho. Desde despesas e receitas até a gestão de margem e caixa, a gestão financeira tem escolhas quando se trata de monitorar o processo financeiro da empresa. Quadro 5 – Exemplos de KPIs financeiros Margem de Lucro Bruto (%) Margem de Lucro Operacional (%) Margem de Lucro Líquido (%) Índice de Despesas Operacionais Índice de Capital de Giro 3 SMART: é um acrônimo que significa Specific, Measurable, Achievable, Realistic e Timely. A meta SMART incorpora todos esses critérios para ajudar a concentrar os esforços e aumentar as chances de alcançar os objetivos. 4 Net Promoter Score (NPS): é uma medida de fidelidade e satisfação do cliente feita a partir de perguntar aos clientes qual a probabilidade de eles recomendarem seu produto ou serviço para outras pessoas em uma escala de 0 a 10. Saiba mais Leitura complementar: sugerimos a leitura do Capítulo 5, A Perspectiva Financeira, do livro Balanced Scorecard e a Gestão Estratégica: uma abordagem prática (Filho, 2019) para agregar mais aprendizado em seu caminho. No próximo tópico, nosso aprendizado envolverá os principais KPIs que devem ser rastreados, analisados e executados. TEMA 5 – OS KPIs FINANCEIROS: MÉTRICAS E VALORES FINANCEIROS Os indicadores de controle financeiro devem estar alinhados às estratégias e aos objetivos financeiros da organização, estabelecendo uma relação de prioridade da perspectiva em cada tipo de organização, ou seja, a relevância da perspectiva financeira no BSC depende do tipo de organização. (Martins et al., 2012, p. 92) Agora, sabemos que os KPIs financeiros são as métricas ligadas diretamente aos valores financeiros que uma empresa usa para monitorar e analisar os principais aspectos do seu negócio. Dessa forma, os KPIs podem ser usados como indicadores da saúde financeira de uma empresa e serem utilizados para acompanhar tendências, ou seja, analisar o progresso em direção aos objetivos estratégicos. As empresas usam muitos KPIs financeiros diferentes, a depender de seus objetivos, indústria, modelo de negócio e outros fatores. Os KPIs comuns incluemmedidas de rentabilidade (lucro bruto e líquido) ou medidas de liquidez (índices). Podemos elencar cinco principais tipos de indicadores de desempenho: rentabilidade, alavancagem, valuation, KPIs de liquidez e eficiência. Então, medir e monitorar constantemente é a estratégia perfeita para a gestão financeira, ou seja, os KPIs são as melhores práticas para alcançar o sucesso dos negócios. Assim, podemos apresentar algumas dessas métricas financeiras mais usadas: ● Receita por categoria: a métrica é compreender a origem da receita (entrada de caixa) por categoria, ou seja, vai auxiliar a reconhecer os principais produtos, melhorar a previsibilidade da geração de caixa e até permitir a viabilidade econômica, entre outras possibilidades. ● Margem financeira líquida (% de lucratividade): é o que chamamos de lucratividade, ou seja, é o que “sobra” após o pagamento das obrigações. Assim, quanto maior for o percentual, melhor será o financeiro sustentável da empresa. ● Retorno sobre patrimônio (ROE): indica o retorno obtido sobre o capital social aplicado no negócio, ou seja, ajuda a avaliar se o capital financeiro investido na empresa é maior que eventuais custos de oportunidade. ● Retorno sobre investimento (ROI): permite calcular o retorno obtido em cada investimento, ou seja, é possível saber se os recursos financeiros estão sendo bem aplicados. ● Custo por categoria: avalia para onde os recursos financeiros estão indo, ou seja, traz uma visão mais sistêmica de gestão e melhora na tomada de decisão. ● Fluxo de caixa negativo: ajuda a maximizar o controle das finanças com o fluxo de caixa negativo (Burn Rate), ou seja, quanto a empresa gasta mensalmente para manter suas atividades em relação à receita obtida. ● Controle de despesas: métrica que permite aos gestores uma visão de como está sendo gasto o dinheiro do negócio, ou seja, auxilia na identificação de fraudes, desvios, desperdícios, entre outros problemas financeiros. ● Custo por cliente: trata de todos os gastos envolvidos no processo de conquista de clientes. ● Controle de cobranças: métrica que ajuda a empresa a receber os valores de suas vendas e não ter prejuízos com o fluxo de caixa e o controle financeiro. ● Receita por empregado (vendas ou receita líquida por empregado): métrica que calcula o valor gerado pelos empregados, ou seja, quanto maior for essa receita, mais eficiente é a utilização dos empregados; quando a receita é menor, existem problemas de produtividade. ● Crescimento real de receitas: a gestão deve acompanhar, por exemplo, a expansão da margem de lucro bruto ou líquido, o aumento das despesas, a carteira de clientes, sem aumentar os custos ou elevar os gastos. ● Months of cash left (meses de operação saudável da empresa): auxilia a empresa a entender a real situação financeira e a traçar estratégias específicas para tentar solucionar possíveis problemas (elaboração de forecast). ● Metabolismo de uma empresa: documenta todas as ações para visualizar os resultados obtidos das estratégias aplicadas na empresa e identificar as possíveis mudanças na otimização dos processos de negócios. ● Receita Recorrente Mensal: métrica referente aos recebimentos que não levam em consideração os valores extras e taxas adicionais, por exemplo, a empresa AndradeCon possui: (i) 100 clientes que pagam mensalmente R$ 200,00 (ii) mais 50 clientes que pagam mensalmente R$ 150,00 e (iii) outros 25 clientes que pagam por mês R$ 100,00, ou seja, a receita mensal recorrente é de R$ 30.000,00. Assim, a empresa AndradeCon poderá ter uma previsão nos meses seguintes. ● Taxa de inadimplência: métrica referente aos clientes que colocam em risco a saúde financeira da empresa, assim, o cálculo considera a soma dos créditos em atraso e divide pelas vendas a prazo (*100). ● Churn rate ou taxa de cancelamento: métrica referente à perda de receita ou clientes, ou seja, considera a divisão do número de clientes que perdeu durante um determinado período pela média total de clientes que iniciaram. Assim, a empresa poderá identificar rotatividade de clientes (se é aceitável ou não) e poderá encontrar estratégias para ter um crescimento mais sustentável. Não esqueça de revisar o conteúdo e anotar os termos que geraram dúvidas para poder aprofundar suas reflexões. REFERÊNCIAS FILHO, E. Balanced Scorecard e a Gestão Estratégica: Uma Abordagem Prática. [S.l.]: Editora Alta Livros, 2019. GARRISON, R.; NOREEN, E.; BREWER, P. Contabilidade gerencial. 14. ed. [S.l.]: Grupo A, 2012. KAPLAN, R.; NORTON, D. Alinhamento - Utilizando o Balanced Scorecard para criar sinergias corporativas. [S.l.]: Editora Alta Livros, 2017. MARTINS, T. et al. Incrementando a estratégia: uma abordagem do balanced scorecard. 1. ed. Curitiba: InterSaberes, 2012.