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Os novos arranjos familiares na 
sociedade brasileira
Apresentação
Ao longo do tempo, o conceito de família foi sofrendo mudanças para que essa instituição 
contribuísse para a organização social e política do capitalismo em construção no final do século 
XVIII. Assim, o modelo de família burguesa foi se espalhando como natural e se tornou uma relação 
individualista centrada no poder do homem frente à mulher e aos filhos. 
As legislações, por sua vez, foram reproduzindo essa maneira de compreender a família nuclear 
composta por um homem e por uma mulher unidos pelo casamento civil e religioso e, 
posteriormente, com os filhos do casal. Mas com o desenvolvimento da sociedade e a função 
protetora da família em tempos de crise do capital, o reconhecimento de diversas configurações 
familiares tornou-se necessário.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você aprenderá como o Estado reconhece atualmente as diversas 
configurações familiares e como ainda hoje a religião interfere na concepção de família.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Identificar as correntes de análise do conceito de família. •
Sintetizar a evolução do conceito de família com base na influência religiosa, política e 
econômica que sofreu. 
•
Analisar os principais arranjos familiares existentes e o processo de reconhecimento destes na 
sociedade brasileira.
•
Desafio
A política de assistência social tem a centralidade nas relações familiares quando os vínculos 
familiares estão fragilizados ou rompidos. A autuação é realizada pelo PAEFI - Serviço de Proteção 
e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos. 
O Centro de Referência Especializado da Assistência Social (CREAS) atua nessa perspectiva em 
seus diversos atendimentos. Uma de suas ações é junto a adolescentes em conflito com a lei que 
cumprem medidas de liberdade assistida e devem comparecer a um CREAS periodicamente.
Você, como assistente social que atua no CREAS, junto a adolescentes que cumprem medidas de 
liberdade assistida, percebe que a fragilidade dos vínculos familiares é uma das causas do ato 
infracional. Como seria sua atuação para fortalecer esses vínculos familiares, considerando as 
diversas configurações familiares que hoje são reconhecidas e não atuando na culpabilização e no 
familismo?
Infográfico
A formação da família se inicia historicamente pelo casamento de um homem e de uma mulher. A 
relação entre Estado e Igreja sempre foi uma constante na construção da família. No Brasil, houve 
uma tentativa de separar essa relação na Constituição de 1890, mas a pressão popular trouxe o 
reconhecimento da celebração religiosa. 
Somente na Constituição de 1988 se institui, além do casamento, uma nova forma de construção 
de família: a união estável. Assim, permanece a relação entre casamento religioso e civil, mas com a 
união estável não relacionada à Igreja.
Veja, no Infográfico, as possibilidades de construção da família com base nas Constituições 
Federais. 
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/a7f521a0-4dd0-4278-b19a-751db475737a/f4fd0b85-5a81-44fb-acf6-3444ea1c3afa.jpg
Conteúdo do livro
Família é uma construção social e essa é a premissa para esse conceito. Historicamente, a família 
passou da perpetuação social para a união de um homem e de uma mulher até as diversas 
configurações que hoje se reconhecem, como famílias homossexuais e famílias extensas, nas quais 
ter filhos é uma opção, podendo ser biológicos ou adotados. 
Essas diversas configurações familiares sempre existiram, mas o modelo burguês de família foi 
adotado como natural e como forma de contribuir na produção e na reprodução da sociedade 
capitalista. Mas o desenvolvimento da sociedade e a luta por direitos foram ingredientes 
importantes para o reconhecimento de famílias que durante anos foram invisibilizadas.
Na obra Legislação Social, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, leia o capítulo Os novos 
arranjos familiares na sociedade brasileira onde você irá aprender sobre as diversas formas que se 
apresentaram na legislação brasileira para a construção de famílias e como esse reconhecimento 
está sempre em risco devido a conceitos conservadores e religiosos do que pode ser considerada 
uma família. 
 
LEGISLAÇÃO 
SOCIAL 
Andreia da Silva Lima
Os novos arranjos familiares 
na sociedade brasileira
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Identificar as correntes de análise do conceito de família. 
  Sintetizar a evolução do conceito de família com base na influência 
religiosa, política e econômica que sofreu. 
  Analisar os principais arranjos familiares existentes e o processo de 
reconhecimentos destes na sociedade brasileira. 
Introdução
As diversas configurações familiares hoje aceitas no âmbito jurídico, 
social e cultural foram conquistas paulatinas que se organizavam de 
forma clandestina; assim, a luta por direitos trouxe a demanda de poder 
reconhecer as diversas formas de família. 
As novas configurações familiares atuais, volta e meia, estão amea-
çadas por discursos conservadores e religiosos que veem nas diversas 
configurações familiares o perigo para a moral e os bons costumes, pois, 
para eles, elas tem o poder de proporcionar relações mais violentas, 
desconsiderando a violência estabelecida por relações nas quais apenas 
o homem tem o poder sobre a sua família. 
Neste capítulo, você vai conhecer como o conceito de família foi cons-
truído historicamente, afastando, assim, qualquer pretensão de entender 
esse conceito como algo natural. Assim, você vai ver como o casamento 
foi apresentado nas diversas Constituições brasileiras e a sua relação com a 
Igreja. Por fim, vai ler também sobre a centralidade da família nas políticas 
públicas e nas decisões judiciais, que não mais consideram família aquela 
formada por um homem e uma mulher.
Conceito de família construído historicamente 
Quando pensamos em família, diversas formações, construções e confi -
gurações podem aparecer, a depender da relação que se estabelece entre o 
indivíduo e a sociedade. Não há como pensarmos em um único tipo de família 
e, muito menos, que ela seja natural. No caminhar do processo histórico, 
a família desempenhou diversas conformações a partir da necessidade do 
sistema produtivo e da sua classe social. Assim, para analisar o conceito de 
família, vamos relacioná-la com o tipo de sociedade e com o Estado, pois 
esse grupo social apresenta impactos a partir das mudanças ocorridas em 
uma sociedade. 
Segundo Cunha (2013), a família é uma instituição histórica e social que 
adquire diversas funções, que se modificam a partir da dinâmica da produção 
e reprodução social. Assim, as relações que hoje conhecemos — a partir de 
cônjuges, de redes de parentesco e consanguinidade em outras sociedades — se 
configuraram de forma diferenciada. 
A partir da ascensão burguesa, o modelo familiar dessa classe foi adotado 
como forma de reprodução social. Nas sociedades pré-capitalistas, a produção 
era organizada a partir da divisão do trabalho familiar, ou seja, a divisão 
social da produção era organizada a partir das relações familiares, separando 
as funções por grau de parentesco e incluindo ainda as relações extensas de 
compadrio (SIMÕES, 2011). 
A sociedade burguesa separou a família da esfera da produção, que é 
pública, e da reprodução no âmbito privado, individualizando as relações 
familiares. Além disso, há diferenças entre a família burguesa e a família 
proletária, pois as crianças e mulheres, desde sempre, tiveram que adensar a 
mão de obra operária mais barata do que a masculina. Já as crianças e mulhe-
res burguesas foram relegadas à esfera privada do cuidado e da reprodução 
social. Assim, mesmo dentro da mesma organização social, não há apenas 
um tipo de família. 
Para saber mais sobre a vidacotidiana de uma família na Idade Média e a divisão do 
trabalho aliada ao grupo familiar, no qual cada um tem sua função, acesse o link a seguir.
https://qrgo.page.link/HEdFw 
Os novos arranjos familiares na sociedade brasileira2
Se pensarmos no Estado absolutista dos séculos XVI e XVII, a família 
aristocrática, participante da classe dominante naquele momento, não distinguia 
entre a questão do público e do privado. Assim, as famílias não se isolavam 
nos seus núcleos a partir da união dos cônjuges, sendo comum o que hoje 
se considera de família estendida morando sob o mesmo teto. A família era 
responsável pelas práticas de transmissão da vida, dos bens, da prática de um 
ofício, da proteção da honra e da vida em caso de crise (ÁRIES, 1979 apud 
CUNHA, 2013). Ainda com relação a esse período, Poster (1979 apud CUNHA, 
2013) afirma que as questões relativas ao cuidado materno, à privacidade e ao 
amor romântico — ou seja, as questões subjetivas concernentes à formação 
emocional — não estavam centradas nos pais, mas sim nos diversos adultos 
com os quais o indivíduo se relacionava. 
No filme brasileiro Carlota Joaquina: a rainha do Brasil, é possível compreender como 
a construção da família estava centrada em interesses objetivos, não na construção 
subjetiva. Carlota era uma menina de 12 anos, que se casou com o príncipe regente 
de Portugal, Dom João VI, e mudou-se para o país do marido, morando no palácio 
com diversos empregados e a sogra conhecida como Rainha Louca. Durante a vida 
da protagonista, é demonstrado como as relações familiares da coroa portuguesa no 
século XVII se estabeleciam.
A família só virou fonte de análise e preocupação a partir da ascensão 
burguesa. No final do século XIX e início do século XX, as ciências sociais 
apresentaram a importância da família na sociedade burguesa. Temos, assim, 
a perspectiva funcionalista e a perspectiva crítica para essa análise, as quais 
permeiam a construção do conceito de família atual e são a base para legislações 
e políticas sociais do século XX. 
A perspectiva funcionalista apresenta claramente os papéis da mulher e do 
homem no núcleo familiar, o qual é entendido como unidade de socialização a partir 
de funções que se concentram na formação da personalidade. Assim, o cuidado 
com as crianças é valorizado, pois a sua formação primária ocorre na família, 
sendo também na família o local estável para os adultos. É no núcleo familiar sem 
conflitos e repleto de amor e compreensão que homens encontram alívio após 
o trabalho, cabendo à mulher manter o lar, ou seja, a ela cabe o âmbito privado 
e ao homem o âmbito público, pois ele é o provedor e a mulher é a cuidadora. 
3Os novos arranjos familiares na sociedade brasileira
Percebemos, assim, a definição clara de papéis colocada no modelo burguês. O estudo 
científico da família pela psicologia apresenta que o núcleo familiar deve ser o padrão 
para que a sociedade possa funcionar de maneira orgânica. Cabe à mulher o papel da 
reprodução social e ao homem o da produção, separando a família da esfera produtiva 
e política, tornando-a cada vez mais individualizada. 
A Escola de Frankfurt concorda com a perspectiva funcionalista no sentido 
de que a família é a unidade de formação da personalidade, mas, a partir 
dessa afirmação, desenvolve uma linha de análise diversa, que compreende 
que a estrutura conservadora da família burguesa centrada na autoridade 
masculina, na verdade, é um papel de dominação e adestramento, ou seja, é a 
formação social para a autoridade, adequação, submissão e espaço propício 
ao despotismo. 
Para Agnes Heller (1972), a família é o local da reprodução ideológica da 
burguesia, que acontece no cotidiano a partir de relações naturalizadas. Nessa 
perspectiva, a autora se vale de estudos antropológicos para desmistificar a 
relação de parentesco como algo inerente à família, considerando a família 
como um grupo concreto e o parentesco uma abstração. Apresenta, assim, que 
a família, em qualquer sociedade, é uma combinação de três tipos básicos:
  relação de descendência (pais e filhos);
  relação de consanguinidade (entre irmãos);
  relação de afinidade pelo casamento. 
Assim, a sociedade se forma a partir dessa variação, o que muda são essas 
combinações (CUNHA, 2013).
Mesmo com formas diferentes de se relacionar, a união de um homem e uma 
mulher é que inicia o núcleo familiar nas sociedades ocidentais. A explicação 
cristã de Adão e Eva como o primeiro casal da Terra — que, a partir do pecado 
original, deu início à civilização com a procriação — deu início à primeira 
família do mundo. Em outras culturas, como a indígena, por exemplo, existe 
a vivência de toda a tribo no cuidado mútuo e na divisão social do trabalho. 
No modelo de família burguesa, o que muda é a individualização a par-
tir de um casal e os seus filhos, em casa separada dos demais membros da 
família, cada um vivendo ao seu modo e com as suas particularidades. As 
Os novos arranjos familiares na sociedade brasileira4
famílias trabalhadoras, porém, ainda se mantêm como um núcleo ampliado de 
apoio em situações de risco e de vulnerabilidade, no qual jovens cuidam dos 
idosos que lhes transferiram patrimônio, pois a concentração de pobreza na 
velhice se acentua devido à necessidade maior do que os ganhos (CAMPOS; 
MIOTO, 2003). 
A família foi se construindo no século XX no Brasil pela relação entre a 
justiça e a religião a partir do casamento civil e religioso, o qual, por vezes, 
acaba por virar uma coisa única. A questão jurídica refere-se à oficialidade 
da família no requerimento de bens, enquanto a religião mantém a moral 
da relação familiar. A família pobre brasileira, porém, não se constitui por 
esses caminhos formais e não só por relações de parentesco, mas por laços de 
solidariedade. Dessa forma, a família pobre sempre foi alvo da ação estatal 
como forma moralizante com o objetivo de seguir o modelo burguês. 
Conceito de família visto pelas legislações 
brasileiras
No Brasil, a constituição da família historicamente se conforma pela via do 
casamento. Esse conceito foi estabelecido desde nossa primeira Lei Magna, 
ainda no período imperial, em 1824, quando a consagração da união se dava 
a partir da celebração católica (COSTA, 2006). 
A relação entre Igreja e Estado no Brasil colônia se dava pela organização 
do Estado absolutista, que só foi superado com a Proclamação da República 
em 1889, a partir do Decreto nº. 181, de 24 de janeiro de 1890, no qual eram 
considerados válidos apenas os casamentos civis, sendo a celebração religiosa 
uma decisão pessoal a partir da fé processada individualmente. 
A relação entre Igreja e Estado no Brasil sempre foi muito forte, seja em 
âmbito político ou cultural. Assim, meses depois, foi necessário o Decreto 
nº. 521, de 26 de junho de 1890, para que pudesse se reforçar a separação da 
República e da Igreja Católica, que pressionava para que apenas a sua celebração 
fosse válida como casamento: 
O casamento civil único válido nos termos do artigo 108 do Decreto 181, de 
24 de janeiro último, precederá sempre as cerimônias religiosas de qualquer 
culto, com que desejam solenizá-lo os nubentes. O ministro de qualquer 
confissão, que celebrar as cerimônias religiosas do casamento antes do ato 
civil, será punido com seis meses de prisão e multa da metade do tempo. No 
caso de reincidência será aplicado o duplo das mesmas penas (COSTA, 2006, 
documento on-line).
5Os novos arranjos familiares na sociedade brasileira
Na direção de apenas ter como válido o casamento civil, foi promulgada 
nossa primeira Constituição da era republicana em 1891, mas não houve pre-
ocupação em disciplinar o casamento. Esse papel coube ao Código Civil de 
1916, que realizou, de forma exaustiva, as formalidades e os requisitos para o 
casamento a partir da concepção patriarcal, na qual o homem é considerado o 
chefe da família. Essa relação de superioridade era tal que, até a década de 1960, 
a mulher era considerada relativamenteincapaz para exercer suas atividades 
cotidianas, sendo necessária a autorização do marido para viagens, trabalho, 
entre outros. Só com a promulgação do Estatuto da Mulher Casada (Lei nº. 
4.121, de 27 de agosto de 1962), a mulher deixou o rol das incapacidades do 
Código Civil, mas o homem ainda era colocado como o chefe da família, que 
atuava em colaboração com a mulher. 
A Constituição Federal de 1934 foi a primeira a apresentar os direitos 
sociais. Ela também teve que lidar com a dicotomia entre religioso versus 
civil para a formação da família por meio do casamento. No interior do Brasil, 
o casamento religioso ainda era mais importante para as famílias do que o 
contrato civil. Assim, a Carta de Magna de 1934 apresentou o casamento como 
forma indissolúvel de família, que está sob a proteção do Estado, autorizando 
a celebração religiosa com o mesmo valor que da civil: 
Art. 146 O casamento será civil e gratuita a sua celebração. O casamento 
perante ministro de qualquer confissão religiosa, cujo rito não contrarie a 
ordem pública ou os bons costumes, produzirá, todavia, os mesmos efeitos 
que o casamento civil, desde que, perante a autoridade civil, na habilitação 
dos nubentes, na verificação dos impedimentos e no processo, sejam obser-
vadas as disposições da lei civil e seja ele inscrito no Registro Civil. [...] A lei 
estabelecerá penalidades para a transgressão dos preceitos legais atinentes à 
celebração do casamento (COSTA, 2006, documento on-line).
As Constituições de 1937, 1946 e 1967 não apresentaram mudanças em 
relação à Carta Magna de 1934. Assim, por 40 anos, não houve mudanças 
na legislação sobre o conceito de família, o qual era compreendido como 
uma instituição formada pelo casamento, seja religioso ou civil, sendo essa 
união indissolúvel, tendo o homem como chefe da família e a mulher em 
uma posição subalterna nessa relação, que é formada sempre por um homem 
e uma mulher. 
Os direitos das mulheres sempre estiveram aquém em relação aos direitos 
dos homens. Assim, as reivindicações femininas, a partir do final do século 
XIX, tiveram como objetivo garantir que as mulheres tivessem os mesmos 
Os novos arranjos familiares na sociedade brasileira6
direitos garantidos aos homens, como votar, trabalhar, estudar, entre outros. 
No Brasil, o movimento feminista da metade do século XX reivindicava a 
liberdade sexual e o direito ao divórcio, que só foi possível em 1977, com a 
Lei nº. 6.515, de 26 de dezembro de 1977, que regulamentou a dissolução da 
sociedade conjugal e do casamento. 
O primeiro projeto divorcista foi apresentado ao Parlamento em 1893. Outros se 
seguiram ao longo dos anos, sempre derrubados. Até junho de 1977, quando o se-
nador Nelson Carneiro (MDB/RJ), depois de 26 anos de luta política pelo divórcio, 
conseguiu aprovar no Congresso uma emenda constitucional, dele e do senador 
Accioly Filho (Arena/PR), para alterar o trecho da Carta que impedia a dissolução do 
vínculo matrimonial. Foi essa mudança que abriu caminho para a Lei do Divórcio. Para 
saber mais, acesse o link abaixo.
https://qrgo.page.link/4TnNo 
O processo de redemocratização do Brasil no início da década de 1980, com 
a abertura lenta e gradual após 20 anos de Ditadura Militar, foi marcado pela 
reivindicação de diversos movimentos sociais que participaram ativamente da 
Constituinte em 1987 para que a nova Constituição Federal pudesse ampliar os 
direitos de todos e todas. O debate sobre a Lei do Divórcio na década anterior 
foi marcado pela pressão da Igreja Católica com o discurso de fim da família. 
Assim, a Constituinte foi marcada pelo embate entre o debate conservador e 
o debate progressista para a definição do novo Texto Constitucional em todos 
os temas, não sendo diferente com o conceito de família. 
Silva Júnior (2016), ao analisar o discurso sobre o conceito da família na 
Constituinte, apresenta que o debate conservador foi capitaneado pelo discurso 
religioso e machista, que, segundo o autor, teve as seguintes ideologias:
  religiosa — Deus criou o homem e a mulher; 
  heterossexual — o homem se unirá à sua mulher; 
  androcêntrica — mulheres são submissas a seus maridos; 
  casamentária — não separar o que Deus uniu;
  consanguínea — “crescei, multiplicai-vos, enchei e dominai a terra”. 
7Os novos arranjos familiares na sociedade brasileira
Em contrapartida, o movimento feminista e de lésbicas, gays, bissexuais, 
travestis, transexuais ou transgêneros (LGBT+) apresentava novas formas de 
viver e consequentemente novos conceitos para se pensar a família:
Neste sentido, quando surgem movimentos como o feminista e o LGBT no 
mundo, contestando o conjunto de verdades secularmente estabelecidas — no 
que tange ao gênero, à orientação sexual, aos modelos de família, dentre outros 
relevantes aspectos — ao mesmo tempo em que vão promovendo a emancipa-
ção de muitas/os que se encontravam aprisionadas/os por tais mecanismos ou 
dispositivos, os seus ditos e atos passam a integrar a memória discursiva sob 
pontos de vista contestadores (SILVA JÚNIOR, 2016, documento on-line).
Assim, o Texto Constitucional de 1988 apresentou, pela primeira vez, que 
a família não se dá apenas pelo casamento, inovando na instituição da união 
estável, na relação igualitária entre homens e mulheres na sociedade conjugal e 
na perspectiva de atuação de políticas sociais para o bem-estar familiar. Assim, 
na Constituição Federal de 1988, consta (BRASIL, 1988, documento on-line): 
Art. 226 A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.
§ 1º O casamento é civil e gratuita a celebração.
§ 2º O casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei.
§ 3º Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o 
homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua con-
versão em casamento.
§ 4º Entende-se, também, como entidade familiar a comunidade formada por 
qualquer dos pais e seus descendentes.
§ 5º Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igual-
mente pelo homem e pela mulher.
§ 6º O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio. (Redação dada Pela 
Emenda Constitucional nº. 66, de 2010)
§ 7º Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade 
responsável, o planejamento familiar é livre decisão do casal, competindo ao 
Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o exercício desse 
direito, vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais 
ou privadas.
§ 8º O Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um dos 
que a integram, criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de 
suas relações.
O Texto Constitucional de 1988 apresenta a constituição da família não 
apenas pela consagração do matrimônio, mas também pela união estável. 
Essa abertura para uma nova perspectiva de construção da família deu espaço 
para diversas configurações familiares reconhecidas pelo Estado brasileiro. 
Os novos arranjos familiares na sociedade brasileira8
Além disso, a centralidade da família junto às políticas sociais se consolidou 
nas legislações sociais após a Constituição Federal de 1988 (BRASIL, 1988). 
Configurações familiares brasileiras 
A constituição de uma família só era possível até 1988 por meio do casamento, 
seja ele civil ou religioso. A Constituição Federal de 1988 trouxe uma nova 
forma de se pensar a família a partir da união estável, que foi regulamentada 
pela primeira vez pela Lei nº. 8.971, de 29 de dezembro de 1994, defi nindo 
como companheiros um homem e uma mulher com união comprovada, na 
qualidade de solteiros, separados judicialmente, divorciados e viúvos, por mais 
de 5 anos com ou sem prole. A Lei nº. 9.278, de 10 de maio de 1996, defi niu 
como entidade familiar a convivência duradoura, pública e contínua de um 
homem e uma mulher, com o objetivo de constituir família, mas sem defi nir 
prazo (SIMÕES, 2011).
O Código Civil de 2002 manteve a questão do casamento e da união estável 
como formas de constituiçãode família e ampliou a questão ao considerar que 
não há a necessidade de coabitação para se reconhecer uma união estável. A 
convivência sob o mesmo teto é apenas uma das questões que podem com-
provar a união estável (BRASIL, 2002). Assim, a constituição de uma família 
pode ser comprovada de outras maneiras. Dessa forma, os companheiros em 
união estável têm os mesmos direitos de quem constitui família por meio do 
casamento, sendo reconhecidos direitos de herança e pensão, como também 
direitos de dependentes em planos de saúde, imposto de renda, entre outros.
Para saber mais sobre os conceitos de casamento e união estável segundo a Lei nº. 
9.278/1996, acesse o link a seguir.
https://qrgo.page.link/G89st 
As legislações atuais ampliaram o conceito de família para além do casa-
mento a partir da instituição da união estável, sendo possível a união com o 
objetivo de constituir família, porém, em todas as legislações, temos a união 
9Os novos arranjos familiares na sociedade brasileira
de um homem e uma mulher. A evolução da sociedade tem apresentado a 
necessidade de se regulamentar a união de pessoas do mesmo sexo, que tem 
sido a reivindicação dos movimentos sociais LGBT+. 
Ainda não temos na lei a descrição de que constituir família pode se dar por 
meio da união de duas pessoas, independentemente do gênero ou da orientação 
sexual. Existe um Projeto de Lei (PL) desde 1995, da senadora Marta Suplicy, 
que busca alterar a Constituição Federal e o Código Civil, considerando família 
também a união de pessoas do mesmo sexo. Porém, a bancada conservadora 
tem emperrado a votação desse PL. Desde 2013, porém, há a Resolução nº. 
175, de 14 de maio de 2013, do Conselho Nacional de Justiça, que proíbe que 
cartórios se recusem a celebrar casamentos civis ou converter união estável 
em casamento de pessoas do mesmo sexo. 
Em detrimento ao avanço do casamento civil entre pessoas do mesmo 
sexo, havia o projeto de lei para o Estatuto da Família, que buscava reforçar 
que família é a união entre um homem e uma mulher. Esse debate veio da 
bancada evangélica, que não concorda com os avanços da concepção de família, 
buscando a resposta da religião para as ações e os atos da vida civil. Assim, 
os avanços em relação às novas configurações familiares estão em constante 
debate e sofrem perigo de retrocesso por conta das questões religiosas que 
sempre permearam o conceito de família. 
O debate sobre o Estatuto da Família, que regulamentava tornar invisível diversas 
configurações familiares, motivou a campanha #NossaFamiliaExiste. Veja mais no 
link abaixo.
https://qrgo.page.link/7ppJr
Atualmente existem diversas configurações familiares que se apresentam 
das mais variadas formas. Assim, é impossível categorizá-las sem restringir 
qualquer possibilidade de construção familiar. O único consenso é que existem 
diversas maneiras de se constituir uma família. Para Simões (2011, p. 185), a 
família pode ser definida como: 
[...] instância básica, no qual o sentimento de pertencimento e identidade social 
é desenvolvido e mantido e, também, são transmitidos os valores e condutas 
Os novos arranjos familiares na sociedade brasileira10
pessoais. Apresenta certa pluralidade de relações interpessoais e diversidade 
culturais, que devem ser reconhecidas e respeitadas, em uma rede de vínculos 
comunitários, segundo o grupo social em que está inserida.
O link a seguir mostra como um núcleo familiar pode ser organizado e reorganizado 
de diversas maneiras, as quais atualmente são reconhecidas de forma institucional 
pelo Estado. 
https://qrgo.page.link/JDxaz 
A ampliação do conceito de família pela legislação brasileira trouxe para 
a organização das políticas sociais públicas a centralidade na família, reco-
nhecendo a proteção que o Estado deve dar a essa instituição social, que não 
é apenas uma formação jurídica, mas também é parte da formação social e 
construção da identidade do indivíduo. Campos e Mioto (2003, documento 
on-line) apontam que essa centralidade se apresenta na figura feminina, na 
qual a mãe é a “[...] figura cuja maior permanência ao lado dos filhos enseja 
o uso mais continuado do abrigo pelo grupo”.
As autoras apresentam ainda que a relação dos programas sociais com 
centralidade na família está presente na Constituição Federal, a qual apresenta 
a obrigação de cuidado mútuo entre pais e filhos, sendo os pais responsáveis 
pelo cuidado durante a infância e os filhos responsáveis pelo cuidado dos pais 
na velhice (CAMPOS; MIOTO, 2003). Assim, as políticas sociais se organizam 
na perspectiva do cuidado e da obrigação em suas legislações, como também 
na execução dessas políticas por meio da matricialidade sociofamiliar. 
O debate atual é se a família, principalmente das classes mais pobres, tem 
condições de cumprir a proteção e o cuidado exigidos pelo Estado. Assim, por 
vezes, a família assume a falta de políticas públicas, sendo sobrecarregada 
pelo cuidado e pela obrigação junto aos seus parentes. Campos e Mioto (2003, 
documento on-line) apresentam o termo familismo, que: 
[...] deve ser entendido como uma alternativa em que a política pública con-
sidera — na verdade exige — que as unidades familiares assumam a res-
ponsabilidade principal pelo bem-estar social. Justamente porque não provê 
suficiente ajuda à família, um sistema com maior grau de “familismo” não 
deve ser confundido com aquele que é pró-família.
11Os novos arranjos familiares na sociedade brasileira
Ou seja, ao mesmo tempo que temos um momento de ampliação do conceito de família, 
temos também a supervalorização da sua função protetora. Assim, o Estado impõe às 
famílias a responsabilidade e a obrigação do cuidado sem garantir o mínimo de proteção 
social para que possa ajudar os seus membros em tempos de crise. Portanto, algumas 
famílias não conseguem suprir as demandas que o Estado impõe. É um debate tenso 
e repleto de preconceitos, pois há a atuação do Estado nas relações da família pobre. 
Nesse sentido, a proteção social a partir da política de assistência social 
apresenta a atuação junto às famílias, entendendo que os vínculos entre os 
indivíduos e suas famílias contribuem para o bem-estar social. Portanto, 
o Sistema Único de Assistência Social organiza-se entre proteção básica e 
proteção especial de acordo com a Lei nº. 12.435, de 6 de julho de 2011: 
Art. 6º-A A assistência social organiza-se pelos seguintes tipos de proteção: 
I — proteção social básica: conjunto de serviços, programas, projetos e bene-
fícios da assistência social que visa a prevenir situações de vulnerabilidade 
e risco social por meio do desenvolvimento de potencialidades e aquisições 
e do fortalecimento de vínculos familiares e comunitários; 
II — proteção social especial: conjunto de serviços, programas e projetos 
que têm por objetivo contribuir para a reconstrução de vínculos familiares 
e comunitários, a defesa de direito, o fortalecimento das potencialidades e 
aquisições e a proteção de famílias e indivíduos para o enfrentamento das 
situações de violação de direitos (BRASIL, 2011, documento on-line).
A Resolução nº. 109, de 11 de novembro de 2009 (BRASIL, 2009), do 
Conselho Nacional de Assistência Social, a partir da centralidade da família, 
apresenta o trabalho social com famílias por meio do:
  Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF), realizado 
pelo Centro de Referência da Assistência Social (CRAS);
  Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indiví-
duos (PAEFI), realizado pelo Centro de Referência Especializado da 
Assistência Social (CREAS). 
Esses serviços são baseados na concepção de que a família se apresenta de 
forma heterogênea e no respeito a suas crenças, identidades e valores, privi-
Os novos arranjos familiares na sociedade brasileira12
legiando o atendimento a pessoas idosas, pessoas com deficiência, crianças e 
adolescentes, pois esses grupos sociais que compõem a família são considerados 
os mais vulneráveis em casos de violênciaou negligência. 
Assim, o trabalho social com famílias tem sido norteado pela política de 
assistência social, compreendendo essa instituição como um núcleo importante, 
mas que deve ser considerado em suas fragilidades e potencialidades. Assim, 
deve compreender as possibilidades, os limites de proteção a seus indivíduos e 
a necessidade do atendimento da proteção social em nível básico ou especial. 
Perceber a família em suas diversas configurações potencializa a proteção 
entre os indivíduos que a compõem, os quais não precisam necessariamente 
estar unidos por laços consanguíneos. 
BRASIL. Conselho Nacional de Assistência Social. Resolução nº. 109, de 11 de no-
vembro de 2009. Aprova a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais. 
Diário Oficial da União, Brasília, DF, 25 nov. 2009. Disponível em: http://www.mds.
gov.br/webarquivos/legislacao/assistencia_social/resolucoes/2009/Resolucao%20
CNAS%20no%20109-%20de%2011%20de%20novembro%20de%202009.pdf. Acesso 
em: 6 maio. 2019.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Diário Oficial da União, 
Brasília, DF, 5 out. 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/consti-
tuicao/constituicao.htm. Acesso em: 6 maio. 2019.
BRASIL. Lei nº. 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Diário Oficial da 
União, Brasília, DF, 11 jan. 2002. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
Leis/2002/l10406.htm. Acesso em: 6 maio. 2019.
BRASIL. Lei no. 12.435, de 6 de julho de 2011. Altera a Lei no 8.742, de 7 de dezembro 
de 1993, que dispõe sobre a organização da Assistência Social. Diário Oficial da União, 
Brasília, DF, 7 jul. 2011. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-
2014/2011/lei/l12435.htm. Acesso em: 6 maio. 2019.
CAMPOS, M. S.; MIOTO, R. C. T. Política de assistência social e a posição da família 
na política social brasileira. Ser Social, [s. l.], nº. 12, p. 165-190, 2003. Disponível em: 
http://periodicos.unb.br/index.php/SER_Social/article/download/12932/11288/. 
Acesso em: 6 maio. 2019.
COSTA, D. J. A família nas constituições. Brasília, Brasília, v. 43, nº. 169, p.13-19, jan./mar. 
2006. Disponível em: http://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/92305/
Costa%20Dilvanir.pdf. Acesso em: 6 maio. 2019.
13Os novos arranjos familiares na sociedade brasileira
CUNHA, L. A. A relação família e escola na experiência do programa interdisciplinar 
de apoio as escolas (Proinape) no município do Rio de Janeiro. 2013. Dissertação 
(Mestrado em Serviço Social) — Programa de Pós-graduação em Serviço Social, 
Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, 2013. Disponível em: 
http://bdtd.ibict.br/vufind/Record/UERJ_9b740fdfc9ac3da3ab1814caf3266239. 
Acesso em: 6 maio. 2019.
HELLER, A. O quotidiano e a história. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1972.
SILVA JÚNIOR, E. D. Falas de que famílita(s)? Análise dos discursos da constituinte de 
1987/88 Sobre direitos e relações familiares. 2016. Tese (Doutorado em Família na 
Sociedade Contemporânea) — Universidade Católica de Salvador, Salvador, BA, 2016. 
Disponível em: http://bdtd.ibict.br/vufind/Record/UCSAL-1_02a882e703dd7e622a87
9f1babd0d8ed. Acesso em: 6 mai.o 2019.
SIMÕES. C. Curso de direito do serviço social. São Paulo: Cortez Editora, 2011. (Biblioteca 
Básica do Serviço Social).
Leitura recomendada
BRASIL. Lei Federal nº. 8.742, de 7 de dezembro de 1993. Dispõe sobre a organização 
da assistência social e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 8 dez. 
1993. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/Ccivil_03/LEIS/L8742compilado.htm. 
Acesso em: 6 maio. 2019.
Os novos arranjos familiares na sociedade brasileira14
Dica do professor
A Constituição Federal de 1988 apresenta a família como instituição a ser protegida e também 
institui obrigações de cuidados dos pais com seus filhos na infância e na adolescência, bem como 
dos filhos com os pais na velhice. A política de assistência social organiza seu atendimento a partir 
da centralidade da família, atuando para preservar ou restaurar vínculos familiares.
Na Dica do Professor, você vai conhecer como a Constituição Federal de 1988 e a Lei Orgânica da 
Assistência Social apresentam em seus textos a proteção à família.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
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Exercícios
1) O conceito incutido no imaginário popular sobre família está centrado na união de um 
homem e de uma mulher unidos pela consagração civil e religiosa do casamento. Mas essa 
concepção de família nem sempre foi assim e não reflete a realidade de diversas relações 
que se estabelecem em várias famílias. O conceito que determina a união por meio do 
casamento entre um homem e uma mulher, complementado por filhos, é um modelo de 
família:
A) burguesa.
B) do Estado Absolutista.
C) de tribos indígenas.
D) da Idade Média.
E) da classe trabalhadora.
2) A família na Idade Média e no Estado Absolutista não era uma instituição que apresentava 
uma preocupação analítica dos teóricos da época. A relação que se estabelecia era para a 
passagem de bens e de ofícios dos mais velhos para os mais novos como forma de 
continuação da sociedade. Só a partir do século XIX, já na sociedade burguesa, é que a 
família se apresenta como parte da análise da sociedade. Essas formas de se teorizar é que 
perpassam as legislações e o atendimento do Estado à família, que são:
A) a perspectiva funcionalista entende que a família repressora pelo papel do homem é para o 
adestramento dos indivíduos e um espaço propício ao despotismo. Enquanto a perspectiva 
crítica apresenta os papéis bem definidos na família, na qual a mulher tem papel central e o 
homem é submisso, cabendo-lhe o cuidado com a casa e com os filhos.
B) a perspectiva funcionalista que organiza a família em papéis claramente definidos, em que 
cabe à mulher o cuidado da casa e dos filhos e ao homem o papel de provedor; e a 
perspectiva crítica entende que o papel de autoridade centrado no homem coloca a família 
como um espaço despótico de submissão e de adestramento.
C) a perspectiva religiosa que só entende a constituição da família por meio do sagrado 
matrimônio na Igreja Católica; e a perspectiva jurídico-civil a qual entende que a união de um 
homem e uma mulher só é válida pelo casamento civil.
D) a perspectiva funcionalista-religiosa que só entende a família pelo casamento civil no qual a 
mulher tem centralidade. E a perspectiva crítica-jurídica que entende o papel importante da 
religião na constituição da família.
E) a perspectiva religiosa e a perspectiva jurídica que se aliam a todo momento para consagrar o 
casamento civil e religioso como as únicas formas de constituição da família.
3) No Brasil, a nossa primeira Constituição Federal Republicana foi em 1890, a qual 
apresentava a família como a união de um homem e de uma mulher por meio do casamento 
civil. Com o passar dos anos e da pressão da Igreja, o casamento religioso também foi 
reconhecido. Houve diversas Constituições Federais ao longo do tempo, mas só em 1988 foi 
possível pensar a construção da família não apenas pelo casamento, mas também pela 
instituição:
A) da seguridade social.
B) dos direitos sociais.
C) da união estável.
D) do Código Civil.
E) da convivência familiar e comunitária.
4) Atualmente, entende-se que há diversas configurações familiares e não apenas o núcleo 
central composto por um homem e por uma mulher com filhos. Apesar dessas famílias 
sempre existirem, só a partir da Constituição de 1988 é que elas foram reconhecidas. Mas 
mesmo com vitórias na justiça com a Resolução do Conselho Nacional de Justiça, que 
autoriza o casamento de pessoas do mesmo sexo, temos:
A) avanços com a lei que institui família como a união de duas pessoas independente de gênero 
e de orientação sexual.
B) apenas a união estável como possível para legalizaçãoentre pessoas do mesmo sexo.
C) a impossibilidade completa de se compreender a união de pessoas do mesmo sexo como 
família.
D) ainda no Texto Constitucional e no Código Civil a família como a união de um homem e de 
uma mulher.
E) consagrado pela lei e pela religião que família é a união de duas pessoas independente de 
gênero e de orientação sexual.
5) Campos e Mioto (2003) apresentam que o debate sobre a centralidade da família nas 
políticas sociais atualmente está na retirada do Estado das suas funções protetoras e 
exigindo das famílias empobrecidas formas de proteção a seus membros que elas não têm 
como cumprir devido à falta de políticas de bem-estar social que fortaleçam o núcleo 
familiar. A essa forma de atuação das políticas sociais que supervalorizam a função protetora 
da família e desresponsabilizam o Estado de suas ações de bem-estar social, as autoras 
denominam de:
A) pró-família.
B) Estatuto da Família.
C) casamento.
D) união estável.
E) familismo.
Na prática
A política de assistência social organiza seus atendimentos a partir de vínculos familiares por meio 
do PAIF e do PAEFI, que são serviços de proteção e atendimento ao indivíduo e à família, mediados 
pelo Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), no qual são privilegiados as 
crianças, os adolescentes e os idosos no atendimento de grupo. 
Esse serviço potencializa a proteção social que é realizada pelo CRAS e pelo CREAS. Assistentes 
sociais organizam seus processos de trabalho com famílias a partir desses serviços, que acontecem 
cotidianamente e em parceria com oficineiros, pedagogos e psicólogos que atendem as famílias por 
meio do SCFV.
Acompanhe, neste Na Prática, como uma assistente social pode organizar a política de assistência 
de seu município.
 
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Bodas de esmeralda: os 40 anos da Lei do Divórcio
A Lei do Divórcio (1977) revolucionou o conceito de família, em que, pela primeira vez, foi possível 
pensar na dissolução da relação conjugal. Um debate de muitos anos no Congresso Nacional que 
tinha a Igreja como principal defensora da conservação da família. Mas as mudanças na organização 
da família não estavam acompanhadas pela legislação. Saiba mais sobre o assunto nesta 
reportagem da Rádio Senado, em comemoração dos 40 anos de promulgação da Lei do Divórcio.
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O Código Civil de 2002: as novas relações familiares e as 
aspirações constitucionais
No texto da Escola de Magistratura do Rio de Janeiro, você vai conhecer um pouco mais sobre as 
mudanças no Direito da Família a partir da promulgação do Código Civil de 2002.
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Família
Veja a letra da música "Família", da banda Titãs, na qual se apresentam diversas formas de entender 
e compreender a família. Essa é uma ótima música para trabalhar o conceito de diversas 
configurações familiares.
https://www12.senado.leg.br/radio/1/reportagem-especial/bodas-de-esmeralda-os-40-anos-da-lei-do-divorcio
https://emerj.tjrj.jus.br/files/pages/publicacoes/serieaperfeicoamentodemagistrados/paginas/series/13/volumeI/10anosdocodigocivil_52.pdf
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Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos 
(PAEFI)
Para saber mais sobre o PAEFI, acesse o link a seguir.
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Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos 
(PAEFI)
Para saber mais sobre o PAEFI, acesse o link a seguir.
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https://www.vagalume.com.br/titas/familia.html
https://crianca.mppr.mp.br/arquivos/File/suas/creas/servico_de_protecao_e_atendimento_especializado_a_familias_e_individuos_paefi.pdf
https://www.gov.br/mds/pt-br/acoes-e-programas/suas/servicos-e-programas/paefi

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