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1 Introdução ao curso Olá, seja bem-vindo ao nosso curso de Educação Inclusiva (40 Horas) da Certificado Cursos Online! Espero que você esteja bem e agradecemos por escolher a nossa plataforma virtual de cursos, isso significa muito para nós. Bom, nosso curso está organizado em 12 (doze) módulos (os módulos podem ser visualizados na opção “Visão Geral”) e cada módulo contará com a disponibilização de documentos em PDFs para que você possa ter a liberdade de realizar a leitura onde e quando se sentir mais confortável! Outra novidade do nosso curso é que agora, os textos utilizados poderão ser escutados, por meio de vídeos disponibilizados no nosso canal do Youtube e, também, no referido módulo daquele texto. Essa inovação se apresenta como uma proposta de deixar nosso curso mais inclusivo e acessível. Nossos encontros serão assíncronos e você poderá seguir para a conclusão de acordo com o seu ritmo e disponibilidade. Bons estudos e uma excelente experiência até a conquista do seu certificado! 2 Histórico Neste primeiro momento faremos um tour pelos principais contributos de convenções mundiais, nacionais e normativos em prol da educação especial e, posteriormente, da educação inclusiva. Para um maior entendimento do contexto histórico da Educação Inclusiva, disponibilizamos um trecho denominado: Marcos Históricos e Normativos, do documento Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, elaborado pelo Grupo de Trabalho nomeado pela Portaria no 555/2007. Esse documento é um importante contributo para uma maior compreensão sobre o presente módulo. Bons estudos! Documento elaborado pelo Grupo de Trabalho nomeado pela Portaria no 555/2007, prorrogada pela Portaria no 948/2007, entregue ao Ministro da Educação em 07 de janeiro de 2008. POLÍTICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO ESPECIAL NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA Brasília - Janeiro de 2008 DE AUTORIA DO GRUPO DE TRABALHO DA POLÍTICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO ESPECIAL Equipe da Secretaria de Educação Especial / MEC: Claudia Pereira Dutra, Claudia Maffini Griboski, Denise de Oliveira Alves, Kátia Aparecida Marangon Barbosa Colaboradores: Antônio Carlos do Nascimento Osório, Cláudio Roberto Baptista Denise de Souza Fleith, Eduardo José Manzini, Maria Amélia Almeida, Maria Teresa Egler Mantoan, Rita Vieira de Figueiredo, Ronice Muller Quadros, Soraia Napoleão Freitas. I – APRESENTAÇÃO O movimento mundial pela inclusão é uma ação política, cultural, social e pedagógica, desencadeada em defesa do direito de todos os alunos de estarem juntos, aprendendo e participando, sem nenhum tipo de discriminação. A educação inclusiva constitui um paradigma educacional fundamentado na concepção de direitos humanos, que conjuga igualdade e diferença como valores indissociáveis, e que avança em relação à ideia de equidade formal ao contextualizar as circunstâncias históricas da produção da exclusão dentro e fora da escola. Ao reconhecer que as dificuldades enfrentadas nos sistemas de ensino evidenciam a necessidade de confrontar as práticas discriminatórias e criar alternativas para superá-las, a educação inclusiva assume espaço central no debate acerca da sociedade contemporânea e do papel da escola na superação da lógica da exclusão. A partir dos referenciais para a construção de sistemas educacionais inclusivos, a organização de escolas e classes especiais passa a ser repensada, implicando uma mudança estrutural e cultural da escola para que todos os alunos tenham suas especificidades atendidas. Nesta perspectiva, o Ministério da Educação/Secretaria de Educação Especial apresenta a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, que acompanha os avanços do conhecimento e das lutas sociais, visando constituir políticas públicas promotoras de uma educação de qualidade para todos os alunos. II - MARCOS HISTÓRICOS E NORMATIVOS A escola historicamente se caracterizou pela visão da educação que delimita a escolarização como privilégio de um grupo, uma exclusão que foi legitimada nas políticas e práticas educacionais reprodutoras da ordem social. A partir do processo de democratização da educação se evidencia o paradoxo inclusão/exclusão, quando os sistemas de ensino universalizam o acesso, mas continuam excluindo indivíduos e grupos considerados fora dos padrões homogeneizadores da escola. Assim, sob formas distintas, a exclusão tem apresentado características comuns nos processos de segregação e integração que pressupõem a seleção, naturalizando o fracasso escolar. A partir da visão dos direitos humanos e do conceito de cidadania fundamentado no reconhecimento das diferenças e na participação dos sujeitos, decorre uma identificação dos mecanismos e processos de hierarquização que operam na regulação e produção das desigualdades. Essa problematização explicita os processos normativos de distinção dos alunos em razão de características intelectuais, físicas, culturais, sociais e lingüísticas, entre outras, estruturantes do modelo tradicional de educação escolar. A educação especial se organizou tradicionalmente como atendimento educacional especializado substitutivo ao ensino comum, evidenciando diferentes compreensões, terminologias e modalidades que levaram a criação de instituições especializadas, escolas especiais e classes especiais. Essa organização, fundamentada no conceito de normalidade/anormalidade, determina formas de atendimento clínico terapêuticos fortemente ancorados nos testes psicométricos que definem, por meio de diagnósticos, as práticas escolares para os alunos com deficiência. No Brasil, o atendimento às pessoas com deficiência teve início na época do Império com a criação de duas instituições: o Imperial Instituto dos Meninos Cegos, em 1854, atual Instituto Benjamin Constant – IBC, e o Instituto dos Surdos Mudos, em 1857, atual Instituto Nacional da Educação dos Surdos – INES, ambos no Rio de Janeiro. No início do século XX é fundado o Instituto Pestalozzi - 1926, instituição especializada no atendimento às pessoas com deficiência mental; em 1954 é fundada a primeira Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais – APAE e; em 1945, é criado o primeiro atendimento educacional especializado às pessoas com superdotação na Sociedade Pestalozzi, por Helena Antipoff. Em 1961, o atendimento educacional às pessoas com deficiência passa ser fundamentado pelas disposições da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei no. 4.024/61, que aponta o direito dos “excepcionais” à educação, preferencialmente dentro do sistema geral de ensino. A Lei no. 5.692/71, que altera a LDBEN de 1961, ao definir ‘tratamento especial’ para os alunos com “deficiências físicas, mentais, os que se encontrem em atraso considerável quanto à idade regular de matrícula e os superdotados”, não promove a organização de um sistema de ensino capaz de atender as necessidades educacionais especiais e acaba reforçando o encaminhamento dos alunos para as classes e escolas especiais. Em 1973, é criado no MEC, o Centro Nacional de Educação Especial – CENESP, responsável pela gerência da educação especial no Brasil, que, sob a égide integracionista, impulsionou ações educacionais voltadas às pessoas com deficiência e às pessoas com superdotação; ainda configuradas por campanhas assistenciais e ações isoladas do Estado. Nesse período, não se efetiva uma política pública de acesso universal à educação, permanecendo a concepção de ‘políticas especiais’ para tratar da temática da educação de alunos com deficiência e, no que se refere aos alunos com superdotação, apesar do acesso ao ensino regular, não é organizado um atendimento especializado que considere as singularidades de aprendizagem desses alunos. A Constituição Federal de 1988 trazno ombro dele poderá ser um bom sistema para chamar-lhe a atenção, antes de fazer um esclarecimento. Deficiência física Sinais de deficiência física: • Movimentação sem coordenação ou atitudes desajeitadas de todo o corpo ou parte dele; • Anda de forma não coordenada, pisa na ponta dos pés ou manca; • Pés tortos ou qualquer deformidade corporal; • Pernas em tesoura (uma estendida sobre a outra); • Dificuldade em controlar os movimentos, desequilíbrios e quedas constantes; • Dor óssea, articular ou muscular; • Segura o lápis com muita ou pouca força; • Dificuldade para realizar encaixe e atividades que exijam coordenação motora fina. O que você pode fazer: • Orientar os pais para que procurem profissionais especializados (ortopedista, fisiatra e fisioterapeuta). Sugestões para a convivência com pessoas com deficiência física: • Quando estiver empurrando uma pessoa sentada numa cadeira de rodas e parar para conversar com alguém, lembre-se de virar a cadeira de frente, para que a pessoa também participe da conversa; • Empurre a cadeira com cuidado para evitar acidentes e preste atenção às pessoas que caminham à frente; • Para uma pessoa sentada em cadeira de rodas, é incômodo ficar olhando para cima por muito tempo. Portanto, se a conversa for demorar mais, sente-se ou abaixe-se para que você e ela fiquem com os olhos no mesmo nível; • Respeite o espaço corporal. A cadeira de rodas (assim como as bengalas e muletas) é quase uma extensão do corpo. Agarrar ou apoiar-se nesses equipamentos não é como se encostar a uma cadeira comum; • Nunca movimente a cadeira de rodas sem antes pedir permissão para a pessoa que a utiliza; • É mais seguro subir rampas ou degraus de frente. Para descer, é mais seguro de costas; • Para subir um degrau, incline a cadeira para trás, levante as rodinhas da frente para apoiá-las sobre o degrau; • Para descer um degrau, é mais seguro fazê-lo de marcha a ré, sempre apoiando a cadeira, para que a descida seja sem solavancos; • Para subir ou descer mais de um degrau em sequência, é mais seguro pedir a ajuda de outra pessoa; • Se você estiver acompanhando uma pessoa com deficiência que anda devagar, procure acompanhar o passo dela; • Sempre mantenha as muletas ou bengalas próximas à pessoa com deficiência; • Esteja atento para a existência de barreiras arquitetônicas quando for visitar algum local com uma pessoa com deficiência motora; • Pessoas com paralisia cerebral podem ter dificuldades para andar, fazer movimentos involuntários com pernas e braços, apresentar expressões estranhas no rosto e ter dificuldade para falar. Não se intimide com isso. São pessoas como você. Geralmente, têm inteligência normal ou, às vezes, até acima da média; • Se você não compreender o que a pessoa está dizendo, peça para que repita. Isso demonstra interesse e respeito e as pessoas com dificuldades de comunicação não se incomodam de repetir. Sugestões para adaptar o ambiente escolar às pessoas com deficiência física. A Secretaria de Educação Especial do MEC - Ministério da Educação sugere: • O acesso físico é a preocupação fundamental para estes estudantes, devido a dificuldades de locomoção ou ao uso de cadeira de rodas. Isto implica a existência de percursos em que o aluno possa se movimentar mais facilmente de uma aula para as outras, ou seja, em que não tenha de se defrontar com barreiras arquitetônicas. Por isso, aconselhamos verificar se há caminhos mais fáceis para o aluno utilizar, sem obstáculos; • Estes estudantes podem eventualmente atrasar-se, ao ir de uma sala para outra, principalmente quando as aulas não são todas no mesmo prédio. Pode ser necessário fazer algumas adaptações que permitam ao aluno frequentar aulas no laboratório; • Se for possível, trabalhe diretamente com o aluno para criar um local acessível, promovendo a participação dele em todas as tarefas; • Se a classe fizer um passeio, é importante incluir os alunos com deficiência. Deficiência múltipla Sinais de surdo-cegueira: • Déficit de audição e visão; • Atraso significativo no desenvolvimento global (motor e cognitivo); • Ausência de fala; • Dificuldade em estabelecer relações com o outro; • Tendência ao isolamento pela falta de comunicação; • Chora, geme e faz movimentos corporais como formas de comunicação. O que você pode fazer? • Orientar os pais a procurar profissional especializado. Uma instituição que tem sido considerada referência nesta área é o Grupo Brasil de Apoio ao Surdo cego e ao Múltiplo Deficiente Sensorial. https://apoioaosurdocego.com.br/ https://apoioaosurdocego.com.br/ Deficiência mental Sinais de deficiência mental • Atraso no desenvolvimento neuropsicomotor (a criança demora para firmar a cabeça, sentar-se, andar, falar); • Dificuldade no aprendizado (dificuldade de compreensão de normas e ordens, dificuldade no aprendizado escolar). • É preciso que haja vários sinais para que se suspeite de deficiência mental. Um único aspecto não pode ser considerado como indicativo de qualquer deficiência. O que você pode fazer? Nem sempre é fácil o diagnóstico da deficiência mental, porque os sinais podem ser indicadores de problemas de outra ordem, como as questões emocionais que interferem no aprendizado. Portanto, o professor deve ser cuidadoso e procurar descartar esta possibilidade antes de encaminhar a família para um diagnóstico de deficiência. Este tipo de diagnóstico é feito por uma equipe multiprofissional composta por psicólogo, médico e assistente social. Tais profissionais, atuando em equipe, têm condições de avaliar o indivíduo em sua totalidade, ou seja, o assistente social através do estudo e diagnóstico familiar (dinâmica de relações, situação da pessoa com deficiência na família, aspectos de aceitação ou não das dificuldades da pessoa, etc.) analisará os aspectos sócio culturais; o médico através de entrevista detalhada e exame físico (recorrendo a avaliações laboratoriais ou de outras especialidades, sempre que necessário) analisará os aspectos biológicos e finalmente o psicólogo que, através da entrevista, observação e aplicação de testes, provas e escalas avaliativas específicas, avaliará os aspectos psicológicos e nível de deficiência mental. Você pode ler mais sobre na página https://www.filhosonline.com.br/. https://www.filhosonline.com.br/ Dicas de convivência Mitos sobre deficiência mental • Toda pessoa com deficiência mental é doente; • Pessoas com deficiência mental morrem cedo, devido a “graves” e “incontornáveis” problemas de saúde; • Pessoas com deficiência mental precisam usar remédios controlados; • Pessoas com deficiência mental são agressivas e perigosas, ou dóceis e cordatas; • Pessoas com deficiência mental são generalizadamente incompetentes; • Existe um culpado pela condição de deficiência; • O meio ambiente pouco pode fazer pelas pessoas com deficiência; • Pessoas com deficiência mental só estão “bem” com seus “iguais”; • Para o aluno com deficiência mental, a escola é apenas um lugar para exercer alguma ocupação fora de casa. Como tratar pessoas com deficiência mental? • Aja naturalmente ao dirigir-se a uma pessoa com deficiência mental; • Trate-a com respeito e consideração, de acordo com sua idade; • Não a ignore. Cumprimente e despeça-se dela normalmente, como faria com qualquer pessoa; • Dê atenção a ela, converse e vai ver como pode ser agradável; • Não subestime sua inteligência. As pessoas com deficiência mental levam mais tempo para aprender, mas podem adquirir muitas habilidades intelectuais e sociais. Alunos com deficiência mental • Não subestime a inteligência das pessoas com deficiência mental! Encoraje as perguntas e a expressão de suas opiniões; • Não superproteja as pessoas com deficiência mental. Deixe que ela façaou tente fazer sozinha tudo o que puder. Ajude apenas quando for realmente necessário; • Valorize mais o processo do que o resultado. Mas não ignore os resultados, eles também devem ser esperados e cobrados do aluno com deficiência mental; • Promova a participação em atividades estimulantes e diversificadas; • Respeite as preferências, os gostos e as decisões da pessoa. 10 Conhecendo as principais síndromes e transtornos Para este módulo, selecionamos algumas matérias veiculadas pelo site Nova Escola. As matérias abordam diferentes síndromes, dois transtornos e trazem algumas práticas pedagógicas que auxiliarão o professor no dia a dia em sala de aula com alunos que as possuam. São um total de 6 matérias, que abordam as síndromes de Asperger, Rett, Williams, Down, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno de Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade (TDAH). Cabe ressaltar que uma síndrome pode ser um transtorno (como a Síndrome de Rett, que é um Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD)) ou ser uma forma mais branda de um transtorno (Como a Síndrome de Asperger, que faz parte do TEA e que também é um TGD). A compreensão das diferentes síndromes e transtornos é de suma importância para o debate sobre a Educação Inclusiva. Em especial, destacamos o TDAH, que comumente vem sendo difundido nos mais variados segmentos educacionais, por meio de diagnósticos errôneos, como uma resposta para o fracasso escolar e, em muitas das vezes, induzindo crianças à medicalização desde idades tenras sem a menor necessidade. Os textos a seguir são uma compilação de textos publicados em NOVA ESCOLA no período de 1 de Abril de 2010 a 07 de Março de 2018 por Bianca Bibiano1, Carla Soares2 e Paula Nadal3. O que é a Síndrome de Asperger3 A Síndrome de Asperger é um transtorno do espectro autista, que antigamente era considerada uma condição relacionada, mas distinta do autismo. A redefinição ocorreu após maio de 2013. As crianças com Asperger não apresentam grandes atrasos no desenvolvimento da fala e nem sofrem com comprometimento cognitivo grave. Esses alunos costumam escolher temas de interesse, que podem ser únicos por longos períodos de tempo - quando gostam do tema "dinossauros", por exemplo, falam repetidamente nesse assunto. Habilidades incomuns, como memorização de sequências matemáticas ou de mapas, são bastante presentes em pessoas com essa síndrome. Na infância, essas crianças apresentam déficits no desenvolvimento motor e podem ter dificuldades para segurar o lápis para escrever. Estruturam seu pensamento de forma bastante concreta e não conseguem interpretar metáforas e ironias - o que interfere no processo de comunicação. Além disso, não sabem como usar os movimentos corporais e os gestos na comunicação não-verbal e se apegam a rituais, tendo dificuldades para realizar atividades que fogem à rotina. Segundo a Associação Norte-Americana de Psiquiatria, além da reclassificação, houve mudança ainda nos critérios para o diagnóstico. Antes, ele era baseado em três grupos de sintomas (déficits de interação social, de comunicação/linguagem e padrões repetitivos de comportamento/estereotipias). Agora há dois grupos de sintomas para o diagnóstico, baseado na presença de determinados critérios, a saber: • - Déficits de comunicação/interação social: déficit na reciprocidade das interações, déficits nos comportamentos não-verbais, dificuldade de desenvolver/manter relacionamentos; • - Presença de um padrão repetitivo e restritivo de atividades, interesses e comportamentos: estereotipias (ecolalia, p.ex.), insistência no mesmo, adesão estrita a rotinas, interesses restritos/incomuns, hiper/hipo reatividade a estímulos sensoriais. Como lidar com a Síndrome de Asperger na escola? As recomendações são semelhantes às do autismo. Respeite o tempo de aprendizagem do aluno e estimule a comunicação com os colegas. Converse com ele de maneira clara e objetiva e apresente as atividades visualmente, para evitar ruídos na compreensão do que deve ser feito. Também é aconselhável explorar os temas de interesse do aluno para abordar novos assuntos, ligados às expectativas de aprendizagem. Se ele tem uma coleção de carrinhos, por exemplo, utilize-a para introduzir o sistema de numeração. Ações que escapam à rotina devem ser comunicadas antecipadamente. O que é a Síndrome de Rett?3 A Síndrome de Rett é uma doença neurológica provocada por uma mutação genética que atinge, na maioria dos casos, crianças do sexo feminino. Caracteriza-se pela perda progressiva de funções neurológicas e motoras após meses de desenvolvimento aparentemente normal - em geral, até os 18 meses de vida. Após esse período, as habilidades de fala, capacidade de andar e o controle do uso das mãos começam a regredir, sendo substituídos por movimentos estereotipados, involuntários ou repetitivos. Palavras aprendidas também são esquecidas, levando a uma crescente interrupção do contato social. A comunicação para essas meninas gradativamente se dá apenas pelo olhar. É comum que a criança com Síndrome de Rett fique "molinha" e apresente desaceleração do crescimento. Distúrbios respiratórios e do sono também são comuns, especialmente entre os 2 e os 4 anos de idade. A partir dos 10 anos, o aparecimento de escolioses e de rigidez muscular fazem com que muitas crianças percam totalmente a mobilidade. Isso, associado a quadros mais ou menos graves de deficiência intelectual. A Síndrome de Rett é um Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD) e uma das principais causas de deficiência múltipla em meninas. Como lidar com essas crianças na escola? É preciso criar estratégias para que as meninas com Síndrome de Rett possam aprender. O principal é estabelecer sistemas de comunicação que ajudem a criança - como placas com desenhos e palavras, para que ela possa indicar o que deseja. A escola deve ser um espaço acessível, já que muitas crianças com essa síndrome necessitam de equipamentos para caminhar. Respeite o tempo de aprendizagem de cada criança e conte com a ajuda do Atendimento Educacional Especializado (AEE). Faça ajustes nas atividades sempre que necessário e procure apresentar os conteúdos de maneira bem visual, para facilitar a compreensão. O que é a Síndrome de Williams?3 A Síndrome de Williams é uma desordem no cromossomo 7 que atinge crianças de ambos os sexos. Desde o primeiro ano de vida, essas crianças costumam irritar-se com facilidade - boa parte tem hipersensibilidade auditiva - e demonstram dificuldades para se alimentar. Problemas motores e falta de equilíbrio também são comuns - demora para começar a andar, incapacidade para cortar papel, amarrar os sapatos ou andar de bicicleta, por exemplo. Por outro lado, há um grande interesse por música, boa memória auditiva e muita facilidade na comunicação. Pessoas com essa síndrome sorriem com frequência, utilizam gestos e mantêm o contato visual para comunicar-se. Problemas cardíacos, renais e otites frequentes costumam acometer crianças com essa síndrome. Por isso, é importante manter um acompanhamento clínico para evitar o agravamento de doenças decorrentes. Na adolescência, escolioses também podem aparecer. Como lidar com a Síndrome de Williams na escola? A sociabilidade não é um problema para crianças com Síndrome de Williams. Mas é preciso tomar cuidado com a ansiedade desses alunos. Geralmente eles se preocupam demais com determinados assuntos. Conte com o apoio do Atendimento Educacional Especializado (AEE) e respeite o tempo de aprendizagem de cada um. Atividades com música atraem a atenção dessas crianças, tanto pela sensibilidade auditiva, quanto pela boa memória. Também é comum que crianças com síndrome de Williams procurem fazer amizades com adultos e não se aproximem tanto das criançasda mesma idade. Estimular o contato do aluno com os colegas, portanto, é fundamental para o desenvolvimento escolar. O que é Síndrome de Down?2 A Síndrome de Down é definida por uma alteração genética caracterizada pela presença de um terceiro cromossomo de número 21, o que também é chamado de trissomia do 21. Trata-se de uma deficiência caracterizada pelo funcionamento intelectual inferior à média, que se manifesta antes dos 18 anos. Além do déficit cognitivo e da dificuldade de comunicação, a pessoa com Síndrome de Down apresenta redução do tônus muscular, cientificamente chamada de hipotonia. Também são comuns problemas na coluna, na tireoide, nos olhos e no aparelho digestivo. Muitas vezes, a criança com essa deficiência nasce com anomalias cardíacas, solucionáveis com cirurgias. A origem da Síndrome de Down é de difícil identificação e engloba fatores genéticos e ambientais. As causas são inúmeras e complexas, envolvendo fatores pré, peri e pós-natais. A Síndrome de Down na sala de aula A primeira regra para a inclusão de crianças com Down é a repetição das orientações em sala de aula para que o estudante possa compreendê-las. "Ele demora um pouco mais para entender", afirma Mônica Leone Garcia, da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo. O desempenho melhora quando as instruções são visuais. Por isso, é importante reforçar comandos e solicitações com modelos que ele possa ver, de preferência com ilustrações grandes e chamativas, com cores e símbolos de fácil compreensão. A linguagem verbal, por sua vez, deve ser simples. Uma dificuldade de quem tem a síndrome, em geral, é cumprir regras. "Muitas famílias não repreendem o filho quando ele faz algo errado, como morder e pegar objetos que não lhe pertencem", diz Mônica. Não faça isso. O ideal é adotar o mesmo tratamento dispensado aos demais. Eles têm de cumprir regras e fazer o que os outros fazem. Se não conseguem ficar o tempo todo em sala, estabeleça combinados, mas não seja permissivo." Mantenha as atividades no nível das capacidades da criança, com desafios gradativos. Isso aumenta o sucesso na realização dos trabalhos. Planeje pausas entre as atividades. O esforço para desenvolver atividades que envolvam funções cognitivas é muito grande. Às vezes, o cansaço da criança faz com que as atividades pareçam missões impossíveis. Valorize sempre o empenho e a produção. Quando se sente isolada do grupo e com pouca importância no trabalho e na rotina escolares, a criança adota atitudes reativas, como desinteresse, descumprimento de regras e provocações. Dia Internacional da Síndrome de Down Em 2006, a associação Down Syndrome International instituiu o dia 21 de março omo o Dia Internacional da Síndrome de Down. A data foi escolhida por ser grafada como 21/3, que faz alusão à trissomia do cromossomo 21. O que é o autismo?3 Respeitar o limite da criança com autismo e ampliar o tempo para suas atividades são essenciais para ajudar no seu desenvolvimento O autismo, também chamado de Transtorno do Espectro Autista, é um Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD) que tem influência genética e é causado por defeitos em partes do cérebro, como o cerebelo, por exemplo. Caracteriza-se por dificuldades significativas na comunicação e na interação social, além de alterações de comportamento, expressas principalmente na repetição de movimentos, como balançar o corpo, rodar uma caneta, apegar- se a objetos ou enfileirá-los de maneira estereotipada. Todas essas alterações costumam aparecer antes mesmo dos 3 anos de idade, em sua maioria, em crianças do sexo masculino. Para o autista, o relacionamento com outras pessoas costuma não despertar interesse. O contato visual com o outro é ausente ou pouco frequente e a fala, usada com dificuldade. Algumas frases podem ser constantemente repetidas e a comunicação acaba se dando, principalmente, por gestos. Por isso, evita-se o contato físico no relacionamento com o autista - já que o mundo, para ele, parece ameaçador. Insistir neste tipo de contato ou promover mudanças bruscas na rotina dessas crianças pode desencadear crises de agressividade. Para minimizar essa dificuldade de convívio social, vale criar situações de interação. Respeite o limite da criança autista, seja claro nos enunciados, amplie o tempo para que ele realize as atividades propostas e sempre comunique mudanças na rotina antecipadamente. A paciência para lidar com essas crianças é fundamental, já que pelo menos 50% dos autistas apresentam graus variáveis de deficiência intelectual. Alguns, ao contrário, apresentam alto desempenho e desenvolvem habilidades específicas - como ter muita facilidade para memorizar números ou deter um conhecimento muito específico sobre informática, por exemplo. Descobrir e explorar as 'eficiências' do autista é um bom caminho para o seu desenvolvimento. O que é o Transtorno de Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade (TDAH)1 Antes de sugerir que um aluno tem hiperatividade, veja se é sua aula que não anda prendendo a atenção. Cinco pontos essenciais sobre esse transtorno À primeira vista, a estatística soa alarmante: de 3 a 6% das crianças em idade escolar sofrem com o Transtorno de Déficit de Atenção com ou sem iperatividade (o nome oficial do TDAH), que muita gente conhece somente como hiperatividade. Quer dizer então que, numa classe de 30 alunos, sempre haverá um ou dois que precisam de remédio? Não. Na maioria das vezes, o acompanhamento psicológico é suficiente. E, se o problema for bagunça ou desatenção, vale analisar se a causa não está na forma como você organiza a aula. "Geralmente, a inquietação costuma estar mais relacionada com a dinâmica da escola do que com o transtorno", diz Mauro Muszkat, especialista em Neuropsicologia Infantil da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Quando o caso é mesmo de TDAH, são três os sintomas principais: agitação, dificuldade de atenção e impulsividade - que devem estar presentes em pelo menos dois ambientes que a criança frequenta. Por tudo isso, nunca é demais lembrar que o diagnóstico precisa de respaldo médico. Veja cinco pontos essenciais sobre o transtorno. 1. Agitação não é hiperatividade Há dias em que alguns alunos parecem estar a mil por hora e nada prende a atenção deles. Isso não significa que sejam hiperativos. O problema pode ter raízes na própria aula - atividades que exijam concentração muito superior à da faixa etária, propostas abaixo (ou muito acima) do nível cognitivo da turma e ambientes desorganizados e que favoreçam a dispersão, por exemplo. Em outras ocasiões, as causas são emocionais. "Questões como a morte de um familiar e a separação dos pais podem prejudicar a produção escolar", diz José Salomão Schwartzman, neurologista especialista em Distúrbios do Desenvolvimento da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. Nesses casos, os sintomas geralmente são transitórios. Quando ocorre o TDAH, eles se mantêm e são tão exacerbados que prejudicam a relação com os colegas. Muitas vezes, o aluno fica isolado e, mesmo hiperativo, não conversa. 2. Só o médico dá o diagnóstico Um levantamento realizado recentemente pela Unifesp aponta que 36% dos encaminhamentos por TDAH recebidos no setor de atendimento neuropsicológico infantil da instituição são originados da escola por meio de cartas solicitando aos pais que procurem tratamento para o filho. "Em muitos casos, o transtorno não se confirma", afirma Muszkat. A investigação para o diagnóstico costuma ser bem detalhada. Hábitos, traços pessoais e histórico médico são esquadrinhados para excluir a possibilidade de outros problemas e verificar se os aspectos que marcam o transtorno estão mesmo presentes. Como ocorre com a maioria dos problemas psicológicos (depressão, ansiedade e síndrome do pânico, por exemplo),não há exames físicos que o problema. Por isso, o TDAH é definido por uma lista de sintomas. Ao todo são 21 – nove referentes à desatenção, outros nove à hiperatividade e mais outros três à impulsividade. 3. Nem todos precisam de remédio Entre os anos de 2004 e 2008, a venda de medicamentos indicados para o tratamento cresceu 80%, chegando a cerca de 1,2 milhão de receitas, segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Diversos especialistas criticam essa elevação, apontando-a como um dos sinais da chamada "medicalização da Educação" - a ideia de tratar com remédios todo tipo de problema de sala de aula. "Muitas vezes, o transtorno não é tão prejudicial e iniciativas como alterações na rotina da própria escola, para acolher melhor o comportamento do aluno, podem trazer resultados satisfatórios", explica Schwartzwman. Quando a medicação é necessária, os estimulantes à base de metilfenidato são os mais prescritos pelos médicos. Ao elevar o nível de alerta do sistema nervoso central, ele auxilia na concentração e no controle da impulsividade. O medicamento não cura, mas ajuda a controlar os sintomas - o que se espera é que, juntamente com o acompanhamento psicológico, as dificuldades se reduzam e deixem de atrapalhar a qualidade de vida. Vale lembrar que o remédio é vendido somente com receita e, como outros medicamentos, pode causar efeitos colaterais. Cabe ao médico avaliá-los. 4. O diálogo com a família é essencial Em alguns casos, os professores conseguem participar das reuniões com os pais e o médico. Quando isso não é possível, conversas com a família e relatórios periódicos enviados para o profissional da saúde são indicados para facilitar a comunicação. É importante lembrar ainda que não é por causa do transtorno que professores e pais devem pegar leve com a criança e deixar de estabelecer limites - a maioria das dificuldades gira em torno da competência cognitiva, da falta de organização e da apreensão de informações, e não da relação com a obediência. Durante os momentos de maior tensão, quando o estudante está hiperativo, manter o tom de voz num nível normal e tentar estabelecer um diálogo é a melhor alternativa. "Se o adulto grita com a criança, ambos acabam se exaltando rápido e, em vez de compreender as regras, ela pode pensar que está sendo rejeitada ou mal compreendida", diz Muszkat. 5. O professor pode ajudar (e muito) Adaptar algumas tarefas ajuda a amenizar os efeitos mais prejudiciais do transtorno. Evitar salas com muitos estímulos é a primeira providência. Deixar alunos com TDAH próximos a janelas pode prejudicá-los, uma vez que o movimento da rua ou do pátio é um fator de distração. Outra dica é o trabalho em pequenos grupos, que favorece a concentração. Já a energia típica dessa condição pode ser canalizada para funções práticas na sala, como distribuir e organizar o material das atividades. Também é importante reconhecer os momentos de exaustão considerando a duração das tarefas. Propor intervalos em leituras longas ou sugerir uma pausa para tomar água após uma sequência de exercícios, por exemplo, é um caminho para o aluno retomar o trabalho quando estiver mais focado. De resto, vale sempre avaliar se as atividades propostas são desafiadoras e se a rotina não está repetitiva. Esta, aliás, é uma reflexão importante para motivar não apenas os estudantes com TDAH, mas toda a turma. Bibliografia No Mundo da Lua, Paulo Mattos, 182 págs., Ed. Leitura Médica. Transtorno de Déficit de Atenção, José Salomão Schwartzman, 127 págs., Ed. Memnon. 11 Discentes com altas habilidades Quando tratamos da educação inclusiva, temos a tendência a associar tal ensino para uma visão das “debilidades”. No entanto, pouco falamos sobre os discentes com altas habilidades (ou também conhecidos como superdotados) que vão por uma por uma via “positiva” quando partimos da lógica de um sistema de ensino que valoriza o intelecto* e pouco considera o corpo. O discente com altas habilidades tende a possuir determinadas afinidades por áreas não tão convencionais, apresentando também facilidades nos conteúdos do ensino convencional e, em razão disso, a escola pode ser vista como algo desinteressante para esse aluno. Há ainda, casos de difícil sociabilidade quando mais novos por não possuírem “paciência” para algumas situações que, para eles, são consideradas básicas, mas que para os outros é algo que ainda está sendo construído durante os diferentes processos. A sala de recursos (que faz parte da educação especial), também possui um papel essencial para complementar e instigar esses discentes para novos desafios, apresentando caminhos e estimulando-os. Uma ferramenta poderosa para o professor que possui um aluno com superdotação em sua sala de aula é desenvolver a habilidade de instigar constantemente esse discente, gerando um constante processo de interesse. Ajudar esse aluno a descobrir uma área de afinidade (uma nova língua, uma nova cultura, astronomia, geologia e afins) pode ser um importante contributo para que esse discente seja mais participativo e interessado pela educação convencional. Vale ressaltar que o ponto que está sendo posto aqui é o interesse e a inclusão desse discente no ensino convencional, pois o discente que é superdotado tende a ser também um excelente autodidata. A escola, então, desempenha o papel de demonstrar constantemente o seu valor formativo e o que tem a oferecer para esse educando. Ainda nessa parte do nosso curso, gostaria que vocês assistissem ao vídeo documental intitulado Altas Habilidades, publicado pela MultiRio em seu canal do Youtube, sendo dirigido e roteirizado pelo Evângelo Gasos e com a direção geral de Cleide Ramos. Vídeo: Altas Habilidades Canal: Multirio Para leitura, sugiro o artigo feito por Rafael Batista, intitulado “Superdotados” e veiculado pela Brasil Escola (https://brasilescola.uol.com.br/psicologia/superdotado.htm) Nota de rodapé * Ao levantar essa crítica ao sistema de ensino, trago-a por pensar que não se dissocia a formação intelectual, da formação voltada para as potencialidades do corpo e da formação integral do ser humano. https://brasilescola.uol.com.br/psicologia/superdotado.htm 12 Planejamento de Aulas Após as exposições sobre as diferentes deficiências, síndromes e altas habilidades, abordaremos agora como planejar aulas visando o respeito e a integração das diferenças no ambiente escolar. Organizamos leituras que nortearão sua compreensão para o planejamento de aulas em um ambiente escolar inclusivo. Desejo-lhe um ótimo aprendizado! O texto a seguir foi publicado em NOVA ESCOLA, em 01 de janeiro de 2009 por Rita Loiola. Cuidados especiais para alunos com deficiência Incluir crianças com deficiência nas salas regulares depende de um trabalho diferenciado do educador e de muitas ferramentas de auxílio Fazer um planejamento para classes com jovens com deficiência exige cuidados especiais. A primeira coisa é conhecer a criança e a família. Esse contato, além de ajudar a saber com quem você vai passar o ano, também orienta sobre os materiais específicos de que pode precisar em aula. Outra forma de conseguir essas informações é procurar o profissional que oferece atendimento especializado. "Essa troca é importante para o professor ter ideia das habilidades e competências com as quais está lidando", explica Daniela Alonso, consultora na área de inclusão e selecionadora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10. "Com isso, ele pode pensar em propostas colaborativas dentro de sala e aperfeiçoar seus métodos pedagógicos. Cada aluno tem necessidades próprias. Nenhuma deficiência é igual", diz. O planejamento deve levar em conta que podem ser necessárias,por exemplo, transcrições para o braile, audiolivro ou interpretação em libras. Esse apoio, garantido por lei, é feito por especialistas em conjunto com a escola. As secretarias municipais, organizações regionais e nacionais de apoio aos deficientes, universidades ou o Ministério da Educação oferecem orientações, materiais didáticos e até mesmo profissionais e estagiários. "Com a escola, o educador pode cobrar soluções para assegurar os direitos de seus alunos", diz Daniela. Mais do que os materiais de acesso, planejar uma aula inclusiva implica observar a Educação de modo amplo. Em vez de aulas que privilegiem a informação e sua reprodução, o professor pode buscar a interação dos jovens. "A Educação para a inclusão pede uma mudança de concepção do ato de ensinar", diz Maria Teresa Mantoan, coordenadora do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diversidade da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). "O ensino focado na repetição de conceitos há muito tempo é ruim para qualquer estudante, com deficiência ou sem", diz. O caminho é abordar os assuntos com base em aspectos variados, por meio de técnicas ou recursos audiovisuais, considerando os saberes prévios da garotada. A valorização da experimentação e da criação em discussões, pesquisas ou trabalhos em grupo, com materiais que proporcionem diferentes níveis de compreensão, faz com que todas as crianças se sintam integradas e mais motivadas a aprender. E, quanto mais variados forem os instrumentos, melhor. "É bom ter em mente que, se o professor pensar só em imagens para traduzir os conceitos, ele não penaliza apenas quem é cego, mas também quem senta no fundo da sala ou tem mais facilidade em compreender verbalmente", completa. "A diversificação das técnicas em sala de aula fez todos responderem positivamente", conta a professora Margarete de Menezes Prade, da EE Coronel Ciro Carvalho de Abreu, em Porto Alegre (RS). Esse ano ela recebeu um jovem cego em sua turma do 3o ano e precisou reorganizar seus cursos. Colocou bonequinhos e miniaturas de bichos nas aulas de ciências sobre os animais e, com os estudantes, levou a apresentação dos trabalhos em grupo para além da cartolina e leitura, deixando-a mais dinâmica. "Ele apenas colocou em evidência onde eu precisava agir diferente. Na hora de planejar as aulas, comecei a variar meus materiais de pesquisa e pensar em debates polêmicos e questões de diversidade", diz. Ela também tem a ajuda da máquina em braile e, no ano que vem, terá um ábaco para o ensino da matemática. "Quando fico em dúvida, os alunos ajudam, dão ideias e trazem material de casa", diz. O QUE FAZER, CASO A CASO Deficiência auditiva • A escola precisa providenciar um intérprete para os alunos que já dominam a libras e um educador disponível a ensinar a linguagem a professores e crianças; • Fale sempre de frente, os alunos precisam enxergar seus lábios; • Sempre que possível, utilize recursos visuais; • Use gestos, pois facilitam a compreensão. Deficiência Visual • Solicite os materiais específicos, como os utensílios para escrever em braile e o soroban, audiolivros ou lupas e um profissional disposto a ensinar a escola a ler e escrever em braile. • Também é fundamental garantir a acessibilidade em toda a escola, como sinalizações e comunicados traduzidos; • Acrescente estímulos orais às explicações; • Não mude os móveis de lugar com frequência para prevenir acidentes. Deficiência física • Os materiais específicos podem ser pranchas ou presilhas para prender o papel na mesa, suportes para lápis e canetas e até computadores; • Alargamento de portas, instalação de rampas e barras de apoio facilitam a mobilidade dos alunos. Deficiência mental • Informe-se com a família e os profissionais que acompanham o estudante sobre as necessidades dele e os instrumentos adequados para a aprendizagem; • Estimule habilidades sociais e interpessoais; • Faça avaliações compatíveis com o potencial de cada um. As comparações entre alunos são sempre prejudiciais; • Planeje metodologias de ensino com recursos diversificados e dê aos conteúdos um significado prático e instrumental. Cada estudante tem seu caminho e ritmo próprios de estudo, compreendendo temas de formas diversas. Na hora de avaliar, o que está em jogo é o progresso de cada um e seu processo de aprendizagem. "Quando optamos por ver o que o jovem é capaz de produzir e suas respostas às atividades propostas, conseguimos acompanhar seu percurso escolar e a evolução das competências", explica Mara Lúcia Sartoretto, pedagoga e consultora da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down. Em outras palavras, não é a reprodução de informações, mas o que o aluno acrescentou ao seu conhecimento prévio e a forma como fez isso que devem ganhar nota. Mara dá o exemplo de atividades diversificadas, como a construção de um portfólio. Por meio da observação diária, o educador descobre o que as crianças aprendem e a maneira pela qual trilham o saber. Também percebe as capacidades de cada um e ganha pistas de como ampliá- las. Bibliografia 1. Caminhos Pedagógicos da Inclusão, Maria Teresa Mantoan, 243 págs., Ed. Memnon. 2. Educação Inclusiva: Contextos Sociais, Peter Mittler, 264 págs., Ed. Artmed. 3. Manual de Portfólio: um Guia Passo a Passo para Professores, Elisabeth Shores e Cathy Grace, 160 págs., Ed. Artmed. 13 Softwares que poderão auxiliar no processo de inclusão Na era da informação, transformar as diferentes inovações proporcionadas pelas tecnologias digitais da informação e comunicação (TDIC) em poderosas ferramentas de inclusão, se torna uma atividade vital para o professor e para a escola como um todo. Neste último módulo, iremos socializar sobre algumas inovações que estão ocorrendo no âmbito da educação inclusiva envolvendo as TDIC. Boa leitura e sinta-se livre para socializar sobre alguma experiência educacional que você conheça envolvendo as TDIC na educação inclusiva. O texto a seguir foi publicado em NOVA ESCOLA em 16 de Setembro de 2014. Conheça softwares de educação inclusiva Estudantes da Universidade de Brasília (UnB) desenvolveram softwares educacionais que prometem auxiliar na educação de jovens e adultos com deficiência intelectual. Apesar de os programas ainda estarem em configuração primária, podem ser extremamente úteis aos educadores que encontram dificuldades no seu dia a dia. Ao todo são três softwares educacionais lançados pelo Projeto Participar. Aproximar é voltado para o ensino de gestos sociais para autistas, Participar para a alfabetização e Somar para o uso social da Matemática, como o uso de calculadora, de células monetárias e leitura de relógio digital. As ferramentas foram pensadas e desenvolvidas por alunos e um professor do Departamento de Ciência da Computação da UnB, com uma consultoria pedagógica, visando atender às necessidades reais dos alunos. Apesar de contar com recursos visuais e sonoros, os três programas foram pensados para ser executados em computadores mais antigos, como é o caso de computadores de muitas escolas no Brasil. Contendo indicações ao professor, seu objetivo é servir de apoio aos professores que trabalham com autistas e deficientes intelectuais. A ferramenta já é utilizada em 650 escolas públicas do Distrito Federal, ou seja, já vem sendo testada em casos reais. A importância do aprendizado dessas habilidades apresentadas nos softwares produzidos pelo grupo Participar é que são fundamentais para a autonomia e inserção social desse público. É daí que surge o nome do projeto: visando a maior participação dos deficientes intelectuais na vida social. Os programas estão disponíveis para download gratuito no site do Projeto Participar. http://www.projetoparticipar.unb.br/como um dos seus objetivos fundamentais, “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação” (art.3o inciso IV). Define, no artigo 205, a educação como um direito de todos, garantindo o pleno desenvolvimento da pessoa, o exercício da cidadania e a qualificação para o trabalho. No seu artigo 206, inciso I, estabelece a “igualdade de condições de acesso e permanência na escola”, como um dos princípios para o ensino e, garante, como dever do Estado, a oferta do atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular de ensino (art. 208). O Estatuto da Criança e do Adolescente – Lei no. 8.069/90, artigo 55, reforça os dispositivos legais supracitados, ao determinar que "os pais ou responsáveis têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino”. Também, nessa década, documentos como a Declaração Mundial de Educação para Todos (1990) e a Declaração de Salamanca (1994), passam a influenciar a formulação das políticas públicas da educação inclusiva. Em 1994, é publicada a Política Nacional de Educação Especial, orientando o processo de ‘integração instrucional’ que condiciona o acesso às classes comuns do ensino regular àqueles que "(...) possuem condições de acompanhar e desenvolver as atividades curriculares programadas do ensino comum, no mesmo ritmo que os alunos ditos normais”. (p.19). Ao reafirmar os pressupostos construídos a partir de padrões homogêneos de participação e aprendizagem, a Política não provoca uma reformulação das práticas educacionais de maneira que sejam valorizados os diferentes potenciais de aprendizagem no ensino comum, mantendo a responsabilidade da educação desses alunos exclusivamente no âmbito da educação especial. A atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - Lei no 9.394/96, no artigo 59, preconiza que os sistemas de ensino devem assegurar aos alunos currículo, métodos, recursos e organização específicos para atender às suas necessidades; assegura a terminalidade específica àqueles que não atingiram o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas deficiências e; a aceleração de estudos aos superdotados para conclusão do programa escolar. Também define, dentre as normas para a organização da educação básica, a “possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado” (art. 24, inciso V) e “[...] oportunidades educacionais apropriadas, consideradas as características do alunado, seus interesses, condições de vida e de trabalho, mediante cursos e exames” (art. 37). Em 1999, o Decreto no 3.298 que regulamenta a Lei no 7.853/89, ao dispor sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, define a educação especial como uma modalidade transversal a todos os níveis e modalidades de ensino, enfatizando a atuação complementar da educação especial ao ensino regular. Acompanhando o processo de mudanças, as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica, Resolução CNE/CEB no 2/2001, no artigo 2o, determinam que: Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos, cabendo às escolas organizar-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais, assegurando as condições necessárias para uma educação de qualidade para todos. (MEC/SEESP, 2001). As Diretrizes ampliam o caráter da educação especial para realizar o atendimento educacional especializado complementar ou suplementar a escolarização, porém, ao admitir a possibilidade de substituir o ensino regular, não potencializa a adoção de uma política de educação inclusiva na rede pública de ensino prevista no seu artigo 2o. O Plano Nacional de Educação - PNE, Lei no 10.172/2001, destaca que “o grande avanço que a década da educação deveria produzir seria a construção de uma escola inclusiva que garanta o atendimento à diversidade humana”. Ao estabelecer objetivos e metas para que os sistemas de ensino favoreçam o atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos, aponta um déficit referente à oferta de matrículas para alunos com deficiência nas classes comuns do ensino regular, à formação docente, à acessibilidade física e ao atendimento educacional especializado. A Convenção da Guatemala (1999), promulgada no Brasil pelo Decreto no 3.956/2001, afirma que as pessoas com deficiência têm os mesmos direitos humanos e liberdades fundamentais que as demais pessoas, definindo como discriminação com base na deficiência, toda diferenciação ou exclusão que possa impedir ou anular o exercício dos direitos humanos e de suas liberdades fundamentais. Esse Decreto tem importante repercussão na educação, exigindo uma reinterpretação da educação especial, compreendida no contexto da diferenciação adotada para promover a eliminação das barreiras que impedem o acesso à escolarização. Na perspectiva da educação inclusiva, a Resolução CNE/CP no1/2002, que estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, define que as instituições de ensino superior devem prever em sua organização curricular formação docente voltada para a atenção à diversidade e que contemple conhecimentos sobre as especificidades dos alunos com necessidades educacionais especiais. A Lei no 10.436/02 reconhece a Língua Brasileira de Sinais como meio legal de comunicação e expressão, determinando que sejam garantidas formas institucionalizadas de apoiar seu uso e difusão, bem como a inclusão da disciplina de Libras como parte integrante do currículo nos cursos de formação de professores e de fonoaudiologia. A Portaria no 2.678/02 aprova diretriz e normas para o uso, o ensino, a produção e a difusão do Sistema Braille em todas as modalidades de ensino, compreendendo o projeto da Grafia Braile para a Língua Portuguesa e a recomendação para o seu uso em todo o território nacional. Em 2003, o Ministério da Educação cria o Programa Educação Inclusiva: direito à diversidade, visando transformar os sistemas de ensino em sistemas educacionais inclusivos, que promove um amplo processo de formação de gestores e educadores nos municípios brasileiros para a garantia do direito de acesso de todos à escolarização, a organização do atendimento educacional especializado e a promoção da acessibilidade. Em 2004, o Ministério Público Federal divulga o documento O Acesso de Alunos com Deficiência às Escolas e Classes Comuns da Rede Regular, com o objetivo de disseminar os conceitos e diretrizes mundiais para a inclusão, reafirmando o direito e os benefícios da escolarização de alunos com e sem deficiência nas turmas comuns do ensino regular. Impulsionando a inclusão educacional e social, o Decreto no 5.296/04 regulamentou as leis no 10.048/00 e no 10.098/00, estabelecendo normas e critérios para a promoção da acessibilidade às pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida. Nesse contexto, o Programa Brasil Acessível é implementado com o objetivo de promover e apoiar o desenvolvimento de ações que garantam a acessibilidade. O Decreto no 5.626/05, que regulamenta a Lei no 10.436/2002, visando a inclusão dos alunos surdos, dispõe sobre a inclusão da Libras como disciplina curricular, a formação e a certificação de professor, instrutor e tradutor/intérprete de Libras, o ensino da Língua Portuguesa como segunda língua para alunos surdos e a organização da educação bilíngüe no ensino regular. Em 2005, com a implantação dos Núcleos de Atividade das Altas Habilidades/Superdotação – NAAH/S em todos os estados e no Distrito Federal, são formados centros de referência para o atendimento educacional especializado aos alunos com altas habilidades/superdotação, a orientação às famílias e a formação continuada aos professores. Nacionalmente, são disseminadosreferenciais e orientações para organização da política de educação inclusiva nesta área, de forma a garantir esse atendimento aos alunos da rede pública de ensino. A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, aprovada pela ONU em 2006, da qual o Brasil é signatário, estabelece que os Estados Parte devem assegurar um sistema de educação inclusiva em todos os níveis de ensino, em ambientes que maximizem o desenvolvimento acadêmico e social compatível com a meta de inclusão plena, adotando medidas para garantir que: a) As pessoas com deficiência não sejam excluídas do sistema educacional geral sob alegação de deficiência e que as crianças com deficiência não sejam excluídas do ensino fundamental gratuito e compulsório, sob alegação de deficiência; b) As pessoas com deficiência possam ter acesso ao ensino fundamental inclusivo, de qualidade e gratuito, em igualdade de condições com as demais pessoas na comunidade em que vivem (Art.24). Em 2006, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos, o Ministério da Educação, o Ministério da Justiça e a UNESCO lançam o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos que objetiva, dentre as suas ações, fomentar, no currículo da educação básica, as temáticas relativas às pessoas com deficiência e desenvolver ações afirmativas que possibilitem inclusão, acesso e permanência na educação superior. Em 2007, no contexto com o Plano de Aceleração do Crescimento - PAC, é lançado o Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE, reafirmado pela Agenda Social de Inclusão das Pessoas com Deficiência, tendo como eixos a acessibilidade arquitetônica dos prédios escolares, a implantação de salas de recursos e a formação docente para o atendimento educacional especializado.No documento Plano de Desenvolvimento da Educação: razões, princípios e programas, publicado pelo Ministério da Educação, é reafirmada a visão sistêmica da educação que busca superar a oposição entre educação regular e educação especial. Contrariando a concepção sistêmica da transversalidade da educação especial nos diferentes níveis, etapas e modalidades de ensino, a educação não se estruturou na perspectiva da inclusão e do atendimento às necessidades educacionais especiais, limitando, o cumprimento do princípio constitucional que prevê a igualdade de condições para o acesso e permanência na escola e a continuidade nos níveis mais elevados de ensino (2007, p. 09). O Decreto no 6.094/2007 estabelece dentre as diretrizes do Compromisso Todos pela Educação, a garantia do acesso e permanência no ensino regular e o atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos, fortalecendo a inclusão educacional nas escolas públicas. III - DIAGNÓSTICO DA EDUCAÇÃO ESPECIAL O Censo Escolar/MEC/INEP, realizado anualmente em todas as escolas de educação básica, acompanha, na educação especial, indicadores de acesso à educação básica, matrícula na rede pública, inclusão nas classes comuns, oferta do atendimento educacional especializado, acessibilidade nos prédios escolares e o número de municípios e de escolas com matrícula de alunos com necessidades educacionais especiais. A partir de 2004, com a atualização dos conceitos e terminologias, são efetivadas mudanças no Censo Escolar, que passa a coletar dados sobre a série ou ciclo escolar dos alunos atendidos pela educação especial, possibilitando, a partir destas informações que registram a progressão escolar, criar novos indicadores acerca da qualidade da educação. 3 Compreendendo a Educação Inclusiva no Brasil Bom, espero que tenha tirado bom proveito do nosso breve tour sobre o contexto histórico da Educação Inclusiva! Neste tópico, por meio da matéria Avanços e Desafios da educação inclusiva no Brasil, disponibilizada na Associação Brasileira de Mantenedoras da Faculdades (ABRAFI) e de autoria da UNIVERSIA (30/05/2019), abordaremos os motivos pelos quais o sistema educacional necessita de mudanças, os principais avanços da educação inclusiva no Brasil e os principais desafios e retrocessos. Lembrando que a leitura da matéria em formato de podcast está disponível. Seguimos juntos! Avanços e desafios da educação inclusiva no Brasil Publicado pela ABRAFI e de autoria da UNIVERSIA • 30 de maio de 2019 A defesa da educação inclusiva é uma luta mundial contra a discriminação e a marginalização e em prol do direito de qualquer estudante de participar do ensino regular. A educação inclusiva no Brasil tem desfrutado de uma série de conquistas na última década, mas também enfrentado vários desafios e retrocessos. A Educação defende o direito de acesso de todas e todos a uma educação de qualidade, incluindo pessoas com deficiências ou com dificuldade de aprendizado. Nessa perspectiva, é preciso criar uma modalidade de ensino que seja, de fato, adequada para todos os indivíduos, em vez de segregadora. A educação inclusiva no Brasil já foi alvo de polêmicas e de retrocessos, mas também conta com muitos defensores e com várias conquistas nos últimos anos. Entenda melhor como a educação inclusiva se insere na realidade brasileira. Por que o sistema de educação precisa mudar? Para a educação inclusiva, as escolas devem se adaptar às necessidades especiais de diferentes alunos, para que todos possam aprender juntos, pois isso é benéfico para a formação de todos os estudantes. Afinal, as diferenças não são um problema; a diversidade agrega. Apesar de haver uma ilusão de homogeneidade no ensino regular, a verdade é que as experiências de aprendizado são sempre plurais e as escolas e educadores precisam se adequar a essa pluralidade – não segregar os casos que mais se destoam da aparente homogeneidade. Segundo Maria Teresa Mantoan, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e autora do livro Inclusão Escolar: O que é? Por quê? Como fazer?, a realidade brasileira é marcada pela evasão de uma grande parte dos estudantes. A escola falha em ensinar muitos de seus alunos e, em seguida, culpa e exclui aqueles que não foram capazes de aprender dentro desse sistema falho. A Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, realizada em 2006, foi essencial para os avanços no Brasil rumo a uma educação mais inclusiva, embora a constituição brasileira já contivesse as bases para o seu desenvolvimento desde 1988. Em 2008, a legislação do Brasil incorporou diretrizes da convenção das Nações Unidas, incluindo normas como: • A não exclusão de crianças com deficiência do ensino primário gratuito e compulsório ou do ensino secundário. • Adaptações razoáveis de acordo com as necessidades individuais. • Medidas de apoio individualizadas. Para promover o apoio necessário a indivíduos com deficiência, foi criado o Atendimento Educacional Especializado (AEE), que tem como objetivo ajudar a garantir um sistema educacional inclusivo em todos os níveis, sem discriminação e com base na igualdade de oportunidades. O AEE fornece atividades e recursos complementares à formação de estudantes com deficiência e/ou transtornos globais do desenvolvimento: alunos com deficiência física, intelectual, visual, auditiva, múltiplas e transtornos do espectro autista (TEA). O serviço também tem como objetivo fornecer atividades e recursos suplementares à formação de estudantes com altas habilidades ou superdotação. Outras conquistas da educação inclusiva nos últimos anos foram o Plano Nacional de Educação (PNE), de 2014, e a Lei Brasileira de Inclusão, de 2015. Apesar desses avanços, contudo, a situação atual da educação inclusiva no Brasil não é tão favorável. Desafios e retrocessos Um grande desafio encontrado pela educação inclusiva é a resistência à inclusão por parte de educadores e pais de alunos sem deficiências. Muitos educadores não se sentem preparados; muitos pais acreditamque a educação perderá qualidade. Como afirma o Instituto Itard, o fim das escolas especiais, ocorrido por exemplo na Itália, não é possível no Brasil. A maioria das escolas brasileiras ainda não está, de fato, preparada para receber e educar alunos com deficiências, seja por problemas de infraestrutura, seja por falta de formação profissional dos funcionários. A transição da educação especial para a inclusiva precisará passar, portanto, por um forte investimento nessa transformação, por um auxílio das equipes de escolas especiais às escolas de ensino regular, assim como pela formação contínua de profissionais da rede regular. Em 2018, apenas 40,4% das crianças e adolescentes de 4 a 17 anos com deficiências ou dificuldades de aprendizado no sistema regular de educação desfrutavam de atendimento especializado, uma porcentagem bastante distante da meta de 100% estabelecida pelo Plano Nacional de Educação (PNE) para 2024. Com o fim da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão no MEC em 2019, e a sua substituição pela Secretaria de Modalidades Especializadas de Educação, que tem como foco a educação especial sem a inclusão no ensino regular, a educação inclusiva deve se tornar uma realidade ainda mais distante nos próximos anos. 4 Conhecendo a Educação Especial e Inclusiva Vimos que os avanços ao longo dos anos foram significativos. No entanto, os desafios também são uma constante no sistema educacional e, por ser assim, demandam uma mudança dele. Agora, buscaremos fazer um contraponto entre a educação especial e educação inclusiva, já que comumente ambas são utilizadas como sinônimos, algo que, apesar de ter correlação, não é uma verdade. A educação especial é uma modalidade de ensino que busca promover a formação dos discentes que possuam algum tipo de deficiência, seja ela auditiva, física, intelectual, visual, sensorial, surdez, cegueira e as múltiplas deficiências. A educação inclusiva, por sua vez, é uma modalidade educacional que busca a inserção de todos dentro do sistema educacional regular, ou seja, são turmas que abrangem tanto discentes com as faculdades de desenvolvimento intelectuais, motoras e sensitivas consideradas típicas, quanto as atípicas. Nesse sistema de ensino os discentes se desenvolvem em conjunto, um aprende com o outro, visando uma não exclusão (mesmo que essa possa ocorrer, caso o docente não possua formação condizente com sua realidade educacional e a gestão escolar não o auxilie) e integração de diferentes realidades. Você pode estar se perguntando. “’Tá’, mas quer dizer então que a educação inclusiva é melhor do que a educação especial?”. Não, não estou dizendo isso. Estou dizendo que são modalidades diferentes e que possuem suas finalidades educativas, mas que são integrativas. Por exemplo, considere que você é um gestor educacional e, em sua escola, há um discente que possui determinada deficiência intelectual e um ritmo de aprendizagem diferente dos alunos considerados típicos matriculados no ensino regular. Você, enquanto gestor, observando que há a necessidade de uma integração das diferentes modalidades, não deve negligenciar e isolar esse discente em uma determinada modalidade de ensino, muito pelo contrário, ao buscar uma integração entre, por exemplo, a sala de recursos (que faz parte do ensino especial) e a matrícula desse discente em uma turma regular de ensino (educação inclusiva), propiciará um potencial de desenvolvimento maior. Infelizmente, até pouco tempo atrás, escolas da rede de ensino particular eram relutantes em relação ao ensino inclusivo para pessoas deficientes (ainda são, mas mais veladas, do tipo “não temos vagas...”), já que a autonomia para a seleção de seus discentes era e ainda é maior. Esse processo é excludente e, como se não bastasse, essa prática pode até mesmo comprometer o potencial de aprendizagem daquele aluno que possui alguma deficiência ou transtorno, em razão do pai não aceitar/omitir o diagnóstico do filho com o medo de perder a vaga naquela rede de ensino privada e assim não buscando o atendimento especializado necessário para o desenvolvimento pleno do discente... essa pode ser a primeira exclusão que uma pessoa com deficiência, transtorno ou síndrome pode passar e, vindo de uma instituição de ensino que deveria ser inclusiva, se torna ainda mais dolorosa e de difícil aceitação. Para uma maior compreensão do que está posto, você pode assistir aos seguintes vídeos. Vídeo: Escolas privadas resistem a matricular alunos com deficiência sem custo adicional. Créditos: Canal Senado Federal https://www.youtube.com/watch?v=MZ_VN55ad_4 Vídeo: Educação inclusiva no Brasil. Destino Educação – Escolas Inovadoras (Manaus). Créditos: Canal Futura https://www.youtube.com/watch?v=hqyeRFa8HKE https://www.youtube.com/watch?v=MZ_VN55ad_4 https://www.youtube.com/watch?v=hqyeRFa8HKE 5 Discutindo os conceitos e fundamentos da educação inclusiva Conceituar o que a educação inclusiva e estabelecer seus fundamentos pode ser considerada uma tarefa que, ao mesmo tempo aparenta ser simples, é na verdade bastante complexa. Pois bem, com isso em mente, vamos discutir sobre aspectos que constituem a educação inclusiva. Em um primeiro momento, quando você ouve falar em educação inclusiva, você pode pensar em adaptabilidades (corrimãos, elevador, pisos táteis, projetores com possibilidade de ampliação do conteúdo e entre outras coisas), no entanto, para conceituarmos o que é a educação inclusiva será necessário um ato de reflexão mais amplo e de maior profundidade. Incluir é um ato de conhecer a si mesmo, conhecer próximo e se permitir conhecer as diferentes características e especificidades que compõem os seres humanos. Quem nunca se pegou tendo um “olhar seletivo” mais apurado após participar de determinado meio social do qual não fazia parte? Pois bem, se me permitem, gostaria de relatar uma experiência pessoal: Enquanto estava cursando uma disciplina voltada para o aprendizado da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), durante a minha graduação, percebi mais fortemente a presença de pessoas que se comunicavam por meio de tal linguagem. Isso para mim foi uma completa “explosão de mente”, pois essas pessoas eram quase imperceptíveis em meu cotidiano e após isso, me senti mais impelido a querer aprender como me apropriar desse método de comunicação. Então, imagina você se eu me tornasse um gestor de uma escola sem ter passado por disciplinas que me possibilitassem conhecer o outro e, não só isso, tivesse que pensar os aspectos formativos (tipo de profissional docente que eu quero para minha instituição), físicos (estrutura) e curriculares que constituirão minha escola? Imaginou? Posso presumir o que você deve ter pensado com base em meu exemplo hipotético... seria uma escola nada inclusiva. Pensar em inclusão é um ato constante e contínuo de se permitir conhecer diferentes realidades, pessoas, culturas e necessidades que surgirão a partir desse conhecimento. A educação inclusiva é uma junção de práticas, estruturas, recursos e instrumentos normativos que integram e acolhem, de modo que respeite a pluralidade social que permeia a vida em ambientes democráticos e que valorizam os direitos humanos. No entanto, a educação inclusiva necessita de uma mudança paradigmática do ambiente escolar, algo que já “martelamos” ao longo dos módulos anteriores, mas que será necessário frisar essa informação até o final do nosso curso. Sem mudança não há inclusão, já que para que haja inclusão é necessário um ato contínuo de conhecer, respeitar, acolher e integrar o próximo. Para esse módulo, eu creio que você possa ter tido alguma experiência semelhante a minha ou ter vivenciado algum caso de despreparo (ou preparo, não sei) que lhe fez enxergar as nossas diferenças de umamaneira que até então você não havia percebido e, de certa maneira, o tornou uma pessoa mais inclusiva. Caso queira compartilhar, sinta-se à vontade para utilizar o campo dos comentários para socializarem de forma respeitosa e, preferencialmente, omitindo nomes de instituições e pessoas envolvidas nessas experiências. 6 Da integração à inclusão: um processo de igualdade? Quem nunca ouviu a seguinte frase embasada e presente no art. 5° da nossa Constituição Federal (BRASIL, 1988): “Todos somos iguais perante a lei (...)”. Agora eu te pergunto: mas igual eu, igual a você ou igual a ele? Brincadeiras à parte, reconheço que a nossa constituição aborda um conceito de igualdade benéfico, respeitando as diferenças que compõem o povo o brasileiro e não fazendo distinção entre os cidadãos dessa nação. No entanto, neste módulo, discutiremos um pouco sobre o processo da integração até se chegar à inclusão. Incluir e integrar são duas palavras que apesar de possuírem finalidades semelhantes, na prática tendem a ser diferentes. Eu posso muito bem integrar alguém ao meio social, mas não o incluir, de fato. Reflita comigo sobre alguma experiência que você possa ter tido na qual lhe integraram em algum meio, mas não te fizeram fazer parte, não te disponibilizaram os mesmos recursos, te tratavam com uma certa diferenciação dos demais, mesmo você ocupando o mesmo espaço e possuindo os mesmos status. Esse ato é uma falsa inclusão, mas que não deixa de ser uma integração. Nas escolas, processo como esse pode se mostrar comum, na medida em que a instituição passe a matricular determinado discente, com uma determinada especificidade, em uma turma de ensino regular, mas não propicia ao professor a formação necessária e os recursos físicos e humanos para que o docente consiga incluir aquele aluno em sua sala de aula. Incluir um discente não é tratar ele como um igual (pois já que ele é igual a mim, possui as mesmas condições, características e cultura que eu, certo?), mas tratá-lo com equidade, respeitando suas diferenças e o incluindo. Alguns docentes e gestores tem a leviandade de pensar que eu incluo o meu discente quando disponho para ele uma vaga em uma turma regular, ledo engano, esse processo que é chamado de “inclusão” (entre aspas, pois não é uma inclusão) ainda é comum, nas diferentes redes de ensino e aí, o problema é que, ao “incluir” na verdade o que está sendo feito é um processo de integração na qual o professor é, mais uma vez, responsabilizado unicamente por incluir o discente no processo de ensino-aprendizagem. O papel de incluir o discente deve ser feito por toda comunidade escolar, desde o diretor ao zelador da escola, o problema é que ao se integrar um discente com a falsa premissa de inclusão, muita das vezes o que acontece é uma atribuição de fracasso escolar ao docente. O docente, como se já não fosse um profissional polivalente, ainda é visto como sendo o principal responsável por não incluir o discente que foi integrado à sua turma. O professor precisa de apoio da gestão, formação continuada para a inclusão e dispor de recursos físicos e humanos (quando necessários). Portanto, concluímos esse módulo com a seguinte ideia: Eu posso ser obrigado a te integrar, mas te incluir... isso dependerá do trabalho coletivo! 7 Inclusão no ambiente escolar: recursos e mudança dos paradigmas Após discorrermos sobre os processos de inclusão e integração, acredito que tenha chegado o momento de discutirmos um pouco mais sobre o que é a inclusão dentro do ambiente escolar. Com esse objetivo, utilizaremos um material que fará um compilado dos últimos módulos, além de abordar de forma mais sistematizada os recursos humanos, estruturais, físicos e formativos que compõem o processo de inclusão no ambiente escolar. Desejo-lhe uma ótima leitura! A Inclusão no Ambiente Escolar Com pequenas adaptações do documento publicado por Liberty Ensino Reconhecer a escola como um espaço de todos, respeitando as diferenças de cada sujeito é um início importante. Sem contemplar o assistencialismo e superproteção, assim como outras atitudes que possam prejudicar o processo como as barreiras atitudinais. As barreiras físicas como adaptações estruturais podem ser realizadas a partir de um projeto arquitetônico, porém a quebra das barreiras atitudinais deve se dar além de um projeto arquitetônico, mas por meio da continuidade de práticas pedagógicas que devem ser constantes na comunidade escolar. Atitudes no espaço escolar No primeiro momento quando temos o aviso de que teremos que adaptar nossa escola para receber um aluno com deficiência buscamos modificar o espaço físico (arquitetônico) com rampas, portas com largura (abertura) para a passagem de cadeira de rodas, chão com piso tátil, sinais sonoros, sinais luminosos e muitas outras providências são realizadas. Mas o esquecimento de que o espaço escolar é ocupado pelo ser humano e que é necessário compreender o outro pode ficar em segundo plano. Isto, no entanto, deve ser trabalhado ao mesmo tempo e de forma contínua. Possibilitar que o aluno com deficiência possa fazer parte do todo sem receber rótulos é necessário. Assim como entender que o sujeito se constitui das suas eficiências (das potencialidades) e não da limitação de sua deficiência. O desconhecer o diferente ainda se mostra recorrente, seja por falta de formação por parte do corpo docente, ou pelo fato de que a escola pode reproduzir as atitudes que circulam nos espaços sociais. Portanto, na atualidade a formação de professores deve oportunizar uma discussão sobre o tema. Assim podemos repensar a forma de conceitualizar o aluno com deficiência e de como agir nessas situações. A inclusão do sujeito surdo usuário de Libras (Língua Brasileira de Sinais), por exemplo, no processo de inclusão escolar necessita de um suporte comunicacional e não uma organização arquitetônica. Na inclusão de surdos teremos que providenciar professores de Libras, intérpretes de Libras e professores surdos para em conjunto possam criar um espaço linguístico que oportunize que a Libras seja a primeira língua desse sujeito e que língua portuguesa na modalidade escrita seja a segunda língua. O ato de ensino, que é um objetivo que a escola busca realizar em seu cotidiano, poderá ser realizado através de diversas metodologias. Cada professor deverá desempenhar uma parte importante desse processo. Ou seja, cada professor conhece estratégias de ensino adequadas para contemplar os conteúdos que leciona. Mas temos que lembrar que em uma sala de aula inclusiva teremos que retomar a premissa que não é o aluno que deve moldar a sala de aula, mas sim o professor oportunizar o acesso do aluno para com os conteúdos e discussões. O ambiente ao qual estamos expostos influencia o processo de aprendizagem, interferindo nos fatores psicológicos e emocionais e induzindo comportamentos que podem ser mais ou menos favoráveis ao aprendizado. O início da vida escolar ou a mudança de escola podem gerar timidez, insegurança ou ansiedade. Um ambiente familiar agressivo, inseguro, com história de alcoolismo, uso de drogas, pais separados ou em constantes litígios, pais desempregados ou com comportamento antissocial podem fazer com que seja muito difícil para a criança se dedicar ao processo de aprender (CONSENZA, p. 130 -131, 2011). Como aborda Consenza (2011) o ambiente pode ser um espaço importante para compor o sujeito. Isso vale para o aluno incluído que por sua vez recebe um tratamento infantilizado, ou não adequado para idade. Dessa forma começará a agir de forma inadequada. A família poderá fazer parte, já que a comunidade escolar não é limitada a alunos e professores. Quando os pais perguntam ao filho sobre seu dia na escola e valorizam as atividades vivenciadas pelo aluno, ele ficarámais motivado para se envolver com aquelas atividades. O contrário também ocorre: pais que não leem ou que não incentivam os filhos a ler podem contribuir para o desinteresse deles pela leitura (RAMON, p. 130, 2011). Investir em formação continuada para os docentes da escola, assim como a gestão escolar e comunidade escolar em geral, poderá render bons resultados, pois assim os educadores aprofundarão o seu conhecimento sobre a deficiência estudada e quebrando barreiras sobre o que lhes era desconhecido. Deve-se lembrar, mais uma vez, que nem todo o fracasso escolar está relacionado a um problema na saúde do aprendiz. É preciso ter cuidado para não “medicalizar” toda a dificuldade para a aprendizagem, transferindo da esfera da educação para a saúde a origem dos maus resultados obtidos por determinado aluno (CONSENZA, p. 130 -131, 2011). A necessidade de sempre compreender a deficiência não deve ser usada para rotular o aluno como incapaz de realizar determinadas tarefas. Ao invés disso, servirá para conhecer como corroborar, para melhorar seu desempenho nas tarefas que menos tem habilidade ou limitações. O espaço de ensino deve ser gerenciado por uma equipe composta de professores, especialistas, gestores, supervisores e orientadores. Na tentativa de, em conjunto, esses profissionais proporcionarem uma qualidade de aprendizagem. O professor, num primeiro momento, precisa ter consciência que redigir um parecer sobre determinada criança, afirmando que é hiperativo, ou que possui uma determinada síndrome pode ser precipitada. Deve considerar o contexto familiar, social e da atitude da criança com a escola. A investigação para procurar compreender, por exemplo, a hiperatividade do aluno, não pode ser somente nas aulas de matemática ou de português, pois essa criança pode ter dislexia ou discalculia do desenvolvimento. Por esse motivo é agitada em determinadas aulas, ou ainda ser agitada pelo simples fato de que em casa (vida familiar) é proibida de “gastar energia”, de poder interagir socialmente em espaços de convívio social. O trabalho inclusivo deve ser realizado em parceria, entre professores do AEE (Atendimento Educacional Especializado) e professores regentes das turmas. Assim o pensamento que o aluno com deficiência é problema somente do professor especialista é um equívoco em dois sentidos. O primeiro sentido é que o aluno não é problema, mas sim que possui uma forma diferenciada para estar aprendendo. O segundo é que o professor especialista responsável pelo AEE é um agente que apoia o professor regente para proporcionar autonomia ao aluno durante as intervenções pedagógicas. Planejamento do processo inclusivo O processo inclusivo é o conjunto de ações projetadas por uma equipe multidisciplinar composta por diversos profissionais da área educacional e podendo ter também alguns da área da saúde. Dessa forma o AEE é um elemento de grande valia. A própria LDB, em seu Art. 59. contempla os sistemas de ensino que assegurarão aos educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação: I – currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, para atender às suas necessidades; II – terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas deficiências, e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados; III – professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns; IV – educação especial para o trabalho, visando a sua efetiva integração na vida em sociedade, inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo, mediante articulação com os órgãos oficiais afins, bem como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artística, intelectual ou psicomotora; V – acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares disponíveis para o respectivo nível do ensino regular. Para atender o artigo 59 da LDB, teremos que enquanto equipe buscar solucionar situações para o espaço escolar, adaptar e ressignificar os espaços. Projeto Pedagógico que enseje o acesso e a permanência – com êxito – do aluno no ambiente escolar; que assume a diversidade dos educandos, de modo a contemplar suas necessidades e potencialidades. A forma convencional da prática pedagógica e do exercício da ação docente é questionada, requerendo-se o aprimoramento permanente do contexto educacional. Nessa perspectiva é que a escola virá a cumprir o seu papel, viabilizando as finalidades da educação (PCN, 1999, p. 19). O fortalecimento das ações se dá por meio do planejar uma escola que possa abraçar o todo com todos, solucionando as barreiras atitudinais e físicas antes que realmente sejam barreiras. Para Mantoan (2003, p. 70): “[...] ensinar atendendo às diferenças dos alunos, mas sem diferenciar o ensino para cada um, depende, entre outras condições, de se abandonar um ensino transmissivo e de se adotar uma pedagogia ativa, dialógica, interativa, integradora, que se contrapõe, a toda e qualquer visão unidirecional, de transferência unitária, individualizada e hierárquica do saber”. O professor precisa desacomodar o ambiente que foi construído e constituído ao longo do tempo. Também é importante saber que a sala de aula é um novo espaço, com nova forma e novas possibilidades e que o saber pode estar apresentado em uma posição diferente e que aprender poder ser um processo lento ou um exercício contínuo. A sala de recursos que compõe esse novo espaço escolar precisa ter recursos como: - Jogos pedagógicos que valorizam os aspectos lúdicos, a criatividade e o desenvolvimento de estratégias de lógica e pensamento. - Jogos pedagógicos adaptados para atender às necessidades educacionais especiais dos alunos. - Livros didáticos e paradidáticos impressos em letra ampliada, em Braille, digitais em Libras, com simbologia gráfica e pranchas de comunicação temáticas correspondentes à atividade proposta pelo professor, livros de histórias virtuais, livros falados, livros de história adaptados com velcro e com separador de páginas, dicionário trilíngue: Libras/Português/Inglês e outros. - Recursos específicos como reglete e punção (instrumentos para escrita em braile), soroban, guia de assinatura, material para desenho adaptado, lupa manual, calculadora sonora, caderno de pauta ampliada, caneta ponta porosa, engrossadores de lápis e pincéis, suporte para livros, tesoura adaptada, softwares, brinquedos e miniaturas para o desenvolvimento da linguagem e outros materiais relativos ao desenvolvimento do processo educacional. Sala de recursos? Sim, a sala de recursos poderá ser um espaço além da sala de aula para apoio docente, potencializando o aprendizado do aluno com deficiência. Transformando o que um conteúdo em sala de aula seria uma dificuldade, em um conteúdo para que o aluno busque pesquisar com recursos e adaptações direcionadas para sua especificidade na aprendizagem. As Salas de Recursos Multifuncionais são espaços da escola onde se realiza o atendimento educacional especializado para alunos com deficiência, por meio do desenvolvimento de estratégias de aprendizagem, centradas em um novo fazer pedagógico que favoreça a construção de conhecimentos pelos alunos, subsidiando-os para que desenvolvam o currículo e participem da vida escolar (BRASIL, 2006, p. 13). A sala de recursos na sua totalidade terá que atender as especificidades de cada aluno incluso, possibilitando uma parceria entre professor regente de turma e o professor do AEE. Uma dúvida fica quando pensamos em quem define quaisalunos poderão frequentar a sala de recursos, já que é para ser um apoio para aprendizagem. Com relação ao atendimento especializado que a sala de recursos deverá dispor e às especificidades ou dificuldades apresentadas pelos alunos assistidos nesse espaço, a legislação define: "Serão atendidos na Sala de Recursos Multifuncionais alunos com dificuldades acentuadas de aprendizagem ou limitações no processo de desenvolvimento que dificultam o acompanhamento das atividades curriculares; aquelas não vinculadas a uma causa orgânica específica ou aquelas relacionadas a condições, disfunções, limitações ou deficiências; alunos com dificuldades de comunicação e sinalização diferenciadas dos demais alunos; alunos que evidenciam altas habilidades/superdotação e que apresentem uma grande dificuldade ou interesse em relação a algum tema ou grande criatividade ou talento específico (BRASIL, 2006, p. 16)." A inclusão não é definida pela condição, deficiência ou necessidade da pessoa, mas pelo direito à educação em seu sentido amplo. Uma das maiores barreiras da inclusão é que a diversidade escolar não é aceita no ambiente escolar. A formação docente deve ser ampliada para conhecer o espaço escolar, o ambiente que estará exercendo a docência é diversificado, não tendo somente um aluno, mas uma pluralidade de alunos. [...] o professor deve ter como base da sua formação, inicial e continuada, conhecimentos gerais para o exercício da docência e conhecimentos específicos da área. Essa formação possibilita a sua atuação no atendimento educacional especializado, aprofunda o caráter interativo e interdisciplinar da atuação nas salas comuns do ensino regular, nas salas de recursos, nos centros de atendimento educacional especializado, nos núcleos de acessibilidade das instituições de educação superior, nas classes hospitalares e nos ambientes domiciliares, para a oferta dos serviços e recursos de educação especial. (MEC/SEESP, 2008). A pedagogia já oferece nas formações atuais esse leque de formação, possibilitando um conhecimento sobre as deficiências e outros tipos de situações de atendimento educacional especializado. A formação continuada sempre se fará necessário para o aprimoramento e para atender as demandas que surgem durante os atendimentos educacionais. A nomenclatura Sala de Recursos Multifuncionais se refere ao entendimento de que esse espaço pode ser utilizado para o atendimento das diversas necessidades educacionais e para desenvolvimento do apoio pedagógico necessário para atender o currículo escolar. Em um mesmo espaço, na mesma sala de recursos, estruturada com diferentes equipamentos e materiais, atende, conforme organização do docente, alunos com deficiência física, deficiência intelectual, altas habilidades/superdotação, dislexia, discalculia, deficiência auditiva, aluno surdo usuário de Libras, TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade) ou outras necessidades e dificuldades educacionais. Para atender alunos surdos usuários de Libras, deve-se contar com profissionais fluentes em Libras e materiais bilíngues, considerando que o aluno surdo é usuário de Libras como primeira língua e Língua Portuguesa como segunda língua. Para atender alunos cegos, por exemplo, deve dispor de professores com formação e recursos necessários para seu atendimento educacional especializado, como manuseio de reglete, escrita em Braile e lupas (em caso de baixa visão). A sala de recursos é multifuncional em virtude de sua constituição ser flexível para promover os diversos tipos de acessibilidade ao currículo, de acordo com as necessidades de cada contexto educacional (BRASIL, p. 14). O atendimento educacional especializado não é limitado apenas as Salas de Recursos ou Salas Multifuncionais, pois algumas atividades ou recursos devem ser disponibilizados dentro da própria sala de aula do aluno, como, por exemplo, os serviços de tradutor/intérprete de Libras e a disponibilidade das ajudas técnicas e tecnologias assistivas, entre outros. Nesse sentido, o atendimento educacional especializado não pode ser confundido com atividades de mera repetição de conteúdos programáticos desenvolvidos na sala de aula, mas deve constituir um conjunto de procedimentos específicos mediadores do processo de apropriação e produção de conhecimentos. 8 Quem são as pessoas deficientes? Após o reconhecimento e a valorização das diferenças enquanto um importante fator norteador para a inclusão dos diferentes sujeitos no ambiente escolar, neste módulo buscaremos abordar quem são as pessoas com deficiência, trazendo os aspectos históricos e discorrendo sobre as deficiências física, auditiva, visual, mental, múltipla e a surdo-cegueira. O material base para o nosso estudo será a leitura de um dos capítulos da obra de autoria da Rede Saci, Educação Inclusiva: o que o professor tem a ver com isso? Disponibilizamos também algumas matérias e experiências educacionais inclusivas que poderão complementar a sua leitura: [1] MARTINS, Renata. Matéria: Primeiro estudante surdocego se forma na UnB. https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2020-10/primeiro-estudante-surdocego- da-unb-se-forma-em- letras#:~:text=Primeiro%20estudante%20surdocego%20a%20se,curso%20de%20Letras%2C%2 0em%202016 [2] Laboratório Labes-Libras UnB-FE https://www.facebook.com/labeslibrasUnB/ Agora, vamos ao material. Esse material foi extraído do livro publicado pela Rede SACI – Educação Inclusiva: o que o professor tem a ver com isso?, publicado em 2006. Caso você tenha interesse em saber da Rede Saci, pode clicar aqui. https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2020-10/primeiro-estudante-surdocego-da-unb-se-forma-em-letras#:~:text=Primeiro%20estudante%20surdocego%20a%20se,curso%20de%20Letras%2C%20em%202016 https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2020-10/primeiro-estudante-surdocego-da-unb-se-forma-em-letras#:~:text=Primeiro%20estudante%20surdocego%20a%20se,curso%20de%20Letras%2C%20em%202016 https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2020-10/primeiro-estudante-surdocego-da-unb-se-forma-em-letras#:~:text=Primeiro%20estudante%20surdocego%20a%20se,curso%20de%20Letras%2C%20em%202016 https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2020-10/primeiro-estudante-surdocego-da-unb-se-forma-em-letras#:~:text=Primeiro%20estudante%20surdocego%20a%20se,curso%20de%20Letras%2C%20em%202016 https://www.facebook.com/labeslibrasUnB/ Quem são as pessoas com deficiência? A deficiência é tão antiga quanto a humanidade. Ao longo dos tempos, desde a pré-história até hoje, as pessoas sempre tiveram que decidir qual atitude adotar em relação aos membros mais vulneráveis da comunidade que precisavam de ajuda para obter alimento, abrigo e segurança, como as crianças, os velhos e as pessoas com deficiência. Quando pensamos em quem são as pessoas com deficiência, imediatamente pensamos naquilo que as torna diferentes das demais, isto é, obviamente, a própria deficiência. É, portanto, a partir do conceito que a deficiência tem para nós que vamos nos posicionar frente às pessoas com deficiência. Se você considerar a deficiência como uma desgraça, provavelmente vai sentir pena de uma pessoa com deficiência. Mas, você pode pensar diferente se considerar a deficiência como uma característica como outra qualquer e considerar que as dificuldades que ela enfrenta são o resultado do ambiente despreparado para recebê-la. A tecnologia moderna é uma prova de que isto é verdade. Uma pessoa com deficiência pode não conseguir subir uma escada mas, se houver um elevador ou uma rampa, ela vai estar em pé de igualdade com as outras pessoas, não é mesmo? No Brasil, há definições médicas sobre o que é a deficiência. É importante que você as conheça, para saber como lidar com estes alunos: Deficiência física: Alteração completaou parcial dos membros superiores (braços) e/ou inferiores (pernas), acarretando o comprometimento da função física. Ter uma deficiência física não significa ter um rebaixamento intelectual. Muitas pessoas fazem esta confusão. É importante saber fazer esta diferença para não ignorar o potencial deste aluno. Geralmente, com algumas adaptações ele conseguirá acompanhar os colegas. Deficiência auditiva: Perda parcial ou total das possibilidades auditivas sonoras, variando em graus e níveis, desde uma perda leve até a perda total da audição. Pode-se trabalhar com os resíduos auditivos nas atividades educacionais, através do uso de aparelhos auditivos, que amplificam o som da sala de aula. Deficiência visual: abrange desde a cegueira até a visão subnormal (ou baixa visão), que é uma diminuição significativa da capacidade de enxergar, com redução importante do campo visual e da sensibilidade aos contrastes e limitação de outras capacidades. Logo que a deficiência é constatada, existem técnicas para trabalhar o resíduo visual nas atividades educacionais, na vida cotidiana e no lazer. Usando auxílios ópticos (como óculos, lupas etc) as pessoas com baixa visão distinguem vultos, a claridade, ou objetos a pouca distância. A visão se apresenta embaçada, diminuída, restrita em seu campo visual ou prejudicada de algum modo.1 Deficiência mental: Segundo a definição adotada pela AAMR (American Association of Mental Retardation - Associação Americana de Deficiência Mental), a deficiência mental é um “funcionamento intelectual significativamente abaixo da média, coexistindo com limitações relativas a duas ou mais das seguintes áreas de habilidades adaptativas: comunicação, autocuidado, habilidades sociais, participação familiar e comunitária, autonomia, saúde e segurança, funcionalidade acadêmica, de lazer e trabalho. Manifestasse antes dos dezoito anos de idade.” O aluno com deficiência mental tem um potencial, que pode ser estimulado na sala de aula e através do convívio com outros alunos. Muitas pessoas confundem a deficiência mental com a doença mental (esquizofrenia, paranoias e outras), o que não é correto. São fenômenos completamente diferentes. A pessoa com deficiência mental não tem surtos, não tem ataques e não tem convulsões. É perfeitamente possível conviver com ela. Deficiência múltipla: É a associação, no mesmo indivíduo, de duas ou mais deficiências primárias (mental/visual/auditiva/física), com comprometimentos que acarretam consequências no seu desenvolvimento global e na sua capacidade adaptativa Surdo-cegueira: É uma deficiência única que apresenta as deficiências auditiva e visual juntas em diferentes graus. A pessoa surdo-cega pode desenvolver diferentes formas de comunicação para entender e interagir com as pessoas, com o meio ambiente e ter acesso a informações e a uma vida social com qualidade. Para sua autonomia, a pessoa surdo-cega precisa de um guia- intérprete para sua orientação e mobilidade, educação e trabalho.2 A surdo-cegueira não significa, necessariamente, que a pessoa seja totalmente cega ou surda. Podem existir resíduos visuais (baixa visão) e resíduos auditivos funcionais, suficientes para escutar uma conversação, especialmente quando é usado um aparelho auditivo. Existem duas formas de classificar a surdo-cegueira: • Surdo-cego pré-lingüístico: crianças que nascem surdo-cegas ou adquirem a surdo- cegueira nos primeiros anos de vida, antes da aquisição de uma língua; • Surdo-cego pós-linguístico: crianças, jovens ou adultos que apresentam uma deficiência sensorial primária (auditiva ou visual) e adquirem a outra após a aquisição de uma língua (Português ou Língua de sinais), ou quando ocorre a aquisição da surdo-cegueira sem outros precedentes.3 Como se comunicar com as pessoas surdo-cegas? Geralmente, usa-se o alfabeto digital, formado pelos dedos. A pessoa que se comunica com o surdo-cego forma as palavras, letra por letra, na mão da pessoa com deficiência. Se não souber falar, o surdo-cego usa o mesmo método para se comunicar. Para surdo-cegos que ficaram deficientes depois de terem sido alfabetizados, a variante desse sistema é “escrever” (como se fosse num papel) sobre o braço ou a mão do surdo-cego. Parece muito complicado; no entanto, os surdo-cegos se comunicam rapidamente e com muita eficiência usando esses sistemas. Bibliografias do capítulo: 1 GIL, Marta(org.). Deficiência visual. Brasília: MEC, Secretaria de Educação à Distância, 2001, P. 6 e 7. 2 Grupo Brasil, 2000 3 Grupo Brasil e ABRASC (Org.). O que pensamos sobre as pessoas Surdacegas e o que elas fazem para viver? [periódico]. Brasil:São Paulo, Jul. 2003, P. 4. 9 Buscando reconhecer sinais de deficiências Ainda utilizando-se da referida obra, seguiremos neste módulo para percebermos os principais sinais de deficiências e técnicas de como desenvolver práticas pedagógicas buscando o aprendizado e promovendo uma relação de equidade em sala de aula. No entanto, como será salientado na obra, o foco aqui não é o reconhecimento para fins de diagnóstico precoce, mas sim para auxiliar os responsáveis do discente que podem não perceber ou não ter a devida formação para reconhecer tais sinais. Sendo assim, a função do professor aqui é a de instruir os responsáveis para buscar profissionais que, com o auxílio do docente, irão compor uma equipe multidisciplinar e trabalharão para promover o desenvolvimento educacional do discente com deficiência. O material a seguir foi extraído do livro publicado pela Rede SACI – Educação Inclusiva: o que o professor tem a ver com isso?, publicado em 2006. Caso você tenha interesse em saber da Rede Saci, pode clicar aqui. Muitas vezes, é o professor que consegue perceber que a criança tem alguma dificuldade. Sua função é avisar a família, orientando-a para procurar ajuda especializada. Mas isso não é um diagnóstico, cabe somente ao profissional especializado realizá-lo. Deficiência visual Possíveis sinais de deficiência visual • Irritação constante nos olhos; • Aproximar muito o rosto do papel, quando escreve e lê; • Dificuldade para copiar material da lousa à distância; • Olhos franzidos para ler o que está escrito na lousa; • Cabeça inclinada para ler ou escrever, como se procurasse um ângulo melhor para enxergar; • Tropeços frequentes por não enxergar pequenos obstáculos no chão; • Nistagmo (olho trêmulo); • Estrabismo (vesgo); • Dificuldade para enxergar em ambientes muito claros ou escuros. O que você pode fazer? • Orientar os pais para que procurem um médico especialista em visão (oftalmologista) • Nunca usar colírio ou outros medicamentos sem recomendação médica Sugestões para a convivência com pessoas cegas ou com deficiência visual: • Se a pessoa cega não estiver prestando atenção em você, toque em seu braço para indicar que você está falando com ela. Avise quando for embora, para que ela não fique falando sozinha; • Se sua ajuda for aceita, nunca puxe a pessoa cega pelo braço. Ofereça seu cotovelo ou o ombro (caso você seja muito mais baixo do que ela). Geralmente, apenas com um leve toque a pessoa cega poderá seguir você com segurança e conforto; • Num local estreito, como uma porta ou corredor por onde só passe uma pessoa por vez, coloque o seu braço para trás ou ofereça o ombro, para que a pessoa cega continue a seguir você; • Algumas pessoas, sem perceber, aumentam o tom de voz para falar com pessoas cegas. Use tom normal de voz; • Não modifique a posição dos móveis sem avisar a pessoa cega e cuide para objetos não fiquem no seu caminho. • Avise se houver objetos cortantes ou cinzeiros perto dela; • Conserve as portas fechadas ou encostadas à parede; • Para indicar uma cadeira, coloque a mão da pessoa cega sobre o encosto e informe se a cadeiratem braço ou não. Deixe que a pessoa se sente sozinha; • Seja preciso ao indicar direções. Informe as distâncias em metros ou passos. • Se houver alunos com deficiência visual na sua sala Esperamos que estas sugestões contribuam para o aproveitamento do aluno; pode ser proveitoso incorporá-las em sua rotina. Com o tempo, você descobrirá outras maneiras de receber estes alunos na sala. • Leia ou peça para alguém ler o que está escrito na lousa; • Sempre que possível, passe a mesma lição que foi dada para a classe; • Procure o apoio do professor especializado, que ensinará à criança o sistema braile e acompanhará o processo de aprendizagem; • Busca de recursos pedagógicos para o aluno com deficiência é um direito dele; • Disponibilize com antecedência os textos e livros para o curso; • Se possível, o material de estudo deve ser fornecido sob a forma de textos ampliados, textos em braile, textos e aulas gravadas em áudio ou em disquete, de acordo com as necessidades do aluno e a possibilidade da escola. O aluno poderá, ainda, precisar utilizar auxílios ópticos e computadores com programas adaptados, assim como apoio para trabalho de laboratório e do pessoal da biblioteca; • Durante as aulas, é útil identificar os conteúdos de uma figura e descrever a imagem e a sua posição; • Substitua os gráficos e tabelas por outras questões ou utilize gráficos simples em relevo; • Transcreva para braile as provas e outros materiais; • Possibilite usar formas alternativas nas provas: o aluno pode ler o que escreveu em braile; fazer gravação em fita K-7 ou escrever com tipos ampliados; • Amplie o tempo disponível para a realização das provas; • Evite dar um exame diferente, pois isso pode ser considerado discriminatório e dificulta a avaliação comparativa com os outros estudantes; • Ajude só na medida do necessário; • Tenha um comportamento o mais natural possível, sem superproteção, ou pelo contrário, ignorá-lo. • Como o aluno com deficiência visual pode aprender matemática? • Ele tem as mesmas condições para aprender matemática que uma criança não deficiente. Porém, é preciso que você adapte as representações gráficas e os recursos didáticos que vai utilizar. Para ensinar matemática, o instrumento mais utilizado é o ábaco (ou a versão japonesa, o soroban). Seu manuseio é fácil e pode ajudar também os alunos que enxergam, pois ele concretiza as operações matemáticas. Outra técnica complementar que pode ser utilizada com bons resultados é o cálculo mental, que deve ser estimulado desde o início da aprendizagem e que será útil, posteriormente, quando o aluno estudar álgebra. É importante ressaltar que, ao adaptar recursos didáticos para facilitar o aprendizado de alunos com deficiência, o professor acaba beneficiando todos os alunos, pois recorre a materiais concretos, que facilitam a compreensão dos conceitos. Deficiência auditiva Sinais de deficiência auditiva: • As primeiras palavras aparecem tarde (3 a 4 anos); • Não responde ao ser chamado em voz normal; • Quando está de costas, não atende ao ser chamado; • Fala em voz muito alta ou muito baixa; • Virar a cabeça para ouvir melhor; • Olha para os lábios de quem fala e não para os olhos; • Troca e omite fonemas na fala e na escrita. O que você pode fazer? • Orientar os pais a procurar profissional especializado (médico otorrinolaringologista ou fonoaudiólogo) Sugestões para a convivência com pessoas surdas ou com deficiência auditiva • Quando quiser falar com uma pessoa surda, se ela não estiver prestando atenção em você, acene para ela ou toque levemente em seu braço; • Se ela fizer leitura labial, fale de frente para ela e não cubra sua boca com gestos e objetos. • Usar bigode também atrapalha; • Quando estiver conversando com uma pessoa surda, pronuncie bem as palavras, mas não exagere. Use a sua velocidade normal, a não ser que lhe peçam para falar mais devagar; • Não adianta gritar; • Se souber algumas palavras na língua brasileira de sinais, tente usá-las. De modo geral, suas tentativas serão apreciadas e estimuladas; • Seja expressivo. As expressões faciais, os gestos e o movimento do seu corpo serão boas indicações do que você quer dizer, em substituição ao tom de voz; • Mantenha sempre contato visual; se você desviar o olhar, a pessoa surda pode achar que a conversa terminou; • A pessoa surda que é oralizada (ou seja, que aprendeu a falar) pode não ter um vocabulário extenso. Fale normalmente e, se perceber que ela não entendeu, use um sinônimo (carro em vez de automóvel, por exemplo); • Nem sempre a pessoa surda que fala tem boa dicção. Se não compreender o que ela está dizendo, peça que repita. Isso demonstra que você realmente está interessado e, por isso, as pessoas surdas não se incomodam de repetir quantas vezes for necessário para que sejam entendidas; • Se for necessário, comunique-se através de bilhetes. O importante é se comunicar, seja qual for o método. Como você pode ensinar um aluno surdo? Você pode desenvolver o processo de aprendizagem com o aluno surdo adotando a mesma proposta curricular do ensino regular, com adaptações que possibilitem: • o acesso ao conteúdo, utilizando sistemas de comunicação alternativos, como a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), a mímica, o desenho, a expressão corporal; • a utilização de técnicas, procedimentos e instrumentos de avaliação compatíveis com as necessidades do aluno surdo, sem alterar os objetivos da avaliação, como, por exemplo, maior valorização do conteúdo em detrimento da forma da mensagem expressa. Você sabia que é errado dizer “surdo-mudo”? Algumas pessoas surdas não falam porque não aprenderam a falar. Elas não são mudas, porque podem emitir sons. A pessoa muda é aquela que não consegue emitir nenhum som. As pessoas surdas podem se comunicar de várias formas, uma delas é através da língua de sinais, que funciona como uma linguagem gestual. Sugestões de apoio ao aluno com deficiência auditiva: • Os alunos com deficiências auditivas devem ficar sempre na primeira fila na sala de aulas. Dependendo da condição socioeconômica da família e do tipo de surdez, o aluno pode utilizar um recurso acústico (Aparelho Auditivo e/ou Sistema de FM), para amplificar o som da sala; • Há alunos que conseguem ler os movimentos dos lábios. Assim, o professor e os colegas devem falar o mais claramente possível, evitando voltar-se de costas enquanto fala. É extremamente difícil para estes alunos anotarem nas aulas, durante a exposição oral da matéria, principalmente aqueles que fazem leitura labial enquanto o professor fala; • É sempre útil fornecer uma cópia dos textos com antecedência, assim como uma lista da terminologia técnica utilizada na disciplina, para o aluno tomar conhecimento das palavras e do conteúdo da aula a ser lecionada. Pode também justificar-se a utilização de um intérprete que use a língua brasileira de sinais; • Este estudante pode necessitar de tempo extra para responder aos testes; • Fale com naturalidade e clareza, não exagerando no tom de voz; • Evite estar em frente à janela ou outras fontes de luz, pois o reflexo pode obstruir a visão; • Quando falar, não ponha a mão na frente da boca; • Quando utilizar o quadro ou outros materiais de apoio audiovisual, primeiro exponha os materiais e só depois explique ou vice-versa (ex.: escreva o exercício no quadro ou no caderno e explique depois e não simultaneamente); • Repita as questões ou comentários durante as discussões ou conversas e indique (por gestos) quem está a falar, para uma melhor compreensão por parte do aluno; • Escreva no quadro ou no caderno do aluno datas e informações importantes, para assegurar que foram entendidas; • Durante os exames, o aluno deverá ocupar um lugar na fila da frente. Um pequeno toque