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1 Direito Econômico e Empresarial III - Bianca Marinelli 
Título de Crédito
Considerações iniciais 
Os negócios realizados por particulares 
são segurados no âmbito do Direito Civil, 
enquanto as relações empresariais no 
âmbito do Direito Empresarial. Ambos podem 
ter relação com o Direito do Consumidor. 
Exemplo de relações empresariais: 
Consórcio, revenda, loja online. 
Os títulos de crédito são documentos 
que permitem a compra de algo, na 
expectativa de pagamento posterior. Eles 
existem para que seja possível conceder o 
crédito, além de dar garantia ao credor de que 
ele irá recebê-lo. 
Socialmente eles têm o impacto de 
movimentar a economia, permitindo negócios 
jurídicos sem que o dinheiro realmente exista 
no momento. 
Para um crédito ser concedido a 
alguém é esperado que haja um nível 
confiança para que seja realizado um 
pagamento posterior. 
A análise de crédito é um 
procedimento feito por instituições financeiras 
e bancos para avaliar se aquela pessoa tem 
condições (patrimônio) de pagar 
posteriormente pelo crédito (empréstimo, 
cartões de crédito etc.). 
Caso o devedor não possua 
patrimônio, não será possível realizar uma 
execução para forçá-lo a pagar. Caso o 
devedor possua patrimônio será possível 
forçá-lo a pagar a partir das seguintes 
ferramentas: 
a) Vinculação dos bens. Imediato acesso aos 
bens do devedor. realização de penhora 
bloqueio dos bens. 
b) Ação monetária, ação de cobrança “de 
conhecimento”. Para a sua realização, há 
a necessidade um título executivo (art. 784 
CPC), que pode ser judicial ou 
extrajudicial. No primeiro prova-se ao juiz 
por meios distintos, como por 
testemunhas, e no último reconhece que a 
dívida existe (sendo, portanto, a favor do 
credor). 
Fase de conhecimento (petição inicial) → 
Título executivo (sentença TJ) → Fase de 
execução. 
As garantias fidejussórias, também 
chamadas de garantias pessoais, consistem 
em obrigação assumida por terceiro ao 
oferecer seu patrimônio como garantia de 
uma dívida de outrem. São prestadas através 
do patrimônio do garantidor. 
As garantias reais estão divididas em 
três: penhor, anticrese e hipoteca. Todas elas 
estão previstas no Código Civil e garantem o 
cumprimento de determinada obrigação por 
meio de bens móveis ou imóveis. Ou seja, é 
um acordo de segurança selado entre o credor 
e o devedor. 
Títulos de crédito 
Principais meios para comprar algo a 
prazo (parceladamente): 
1. Cartão de crédito: Tem como benefício 
nenhum risco de inadimplemento, visto 
que ao parcelar, é para a empresa do 
cartão que o cliente deve, e é uma forma 
de atrair clientes. Tem como malefícios o 
pagamento de taxas para a empresa do 
cartão e a demora para o recebimento. 
2. Cheque pré-datado: É um título 
executivo. É uma construção judicial 
(costume) pois na lei não há a opção de 
ser pré-datado, ele foi criado como um 
pagamento à vista. Ou seja, o banco 
receberá a qualquer momento, o acordo da 
data é feito de maneira informal entre 
credor e devedor. Pode ser pago em 
qualquer lugar do mundo. Possui a 
assinatura do devedor como garantia. 
3. Crediário/Carnê: Forma de pagar uma 
parcela de um contrato, como um título de 
crédito extrajudicial. 
 
 
2 Direito Econômico e Empresarial III - Bianca Marinelli 
4. Fiado: Concessão de crédito informal. 
Espera-se que faça uma ação de 
conhecimento para provar a dívida. 
5. Nota promissória: É título executivo. 
Promessa de pagamento, tem assinatura 
de garantia. 
 
6. Boleto: Não é título executivo (o contrato 
que será), por esse motivo se torna mais 
difícil de provar a existência da dívida e de 
recebê-la. É uma ficha de compensação 
bancária, um mecanismo de facilitação, 
pois pode ser pago em qualquer sistema 
bancário. Ele possui informações como 
quem é o credor e o devedor. 
O termo compensação se dá pelo fato de 
um banco poder receber o valor que será 
destinado a outro, fazendo a 
compensação de valores. 
7. Financiamento: Pagamento por 
intermédio de uma instituição financeira. É 
diferente do banco. 
8. Duplicata: Tipo de boleto emitido pelo 
próprio credor e não pelo banco ou outra 
instituição financeira. O título é a própria 
duplicata. Não precisa da assinatura do 
devedor. É utilizado apenas no Brasil. 
9. Consórcio: União de empresas que criam 
uma outra empresa conjunta com 
finalidade específica. Apenas empresas 
autorizadas pelo Banco Central podem 
realizar consórcio. 
10. Letra de câmbio: Ordem de pagamento 
para terceiro. Pouco utilizada. 
 
Art. 784. São títulos executivos 
extrajudiciais: 
I - a letra de câmbio, a nota 
promissória, a duplicata, a debênture e o 
cheque; 
II - a escritura pública ou outro 
documento público assinado pelo devedor; 
III - o documento particular assinado 
pelo devedor e por 2 (duas) testemunhas; 
IV - o instrumento de transação 
referendado pelo Ministério Público, pela 
Defensoria Pública, pela Advocacia Pública, 
pelos advogados dos transatores ou por 
conciliador ou mediador credenciado por 
tribunal; 
V - o contrato garantido por hipoteca, 
penhor, anticrese ou outro direito real de 
garantia e aquele garantido por caução; 
VI - o contrato de seguro de vida em 
caso de morte; 
VII - o crédito decorrente de foro e 
laudêmio; 
VIII - o crédito, documentalmente 
comprovado, decorrente de aluguel de imóvel, 
bem como de encargos acessórios, tais como 
taxas e despesas de condomínio; 
IX - a certidão de dívida ativa da 
Fazenda Pública da União, dos Estados, do 
Distrito Federal e dos Municípios, 
correspondente aos créditos inscritos na 
forma da lei; 
X - o crédito referente às contribuições 
ordinárias ou extraordinárias de condomínio 
edilício, previstas na respectiva convenção ou 
aprovadas em assembleia geral, desde que 
documentalmente comprovadas; 
XI - a certidão expedida por serventia 
notarial ou de registro relativa a valores de 
emolumentos e demais despesas devidas 
pelos atos por ela praticados, fixados nas 
tabelas estabelecidas em lei; 
XII - todos os demais títulos aos quais, 
por disposição expressa, a lei atribuir força 
executiva. 
 
3 Direito Econômico e Empresarial III - Bianca Marinelli 
Regime Cambial 
Regime cambial foi criado para 
atender as seguintes finalidades: 
→ Documentar o crédito (para assim 
existirem mecanismos de cobrança de 
dívidas); 
→ Facilitar a transferência do crédito 
(agilização dos negócios jurídicos); 
→ Dar relativas garantias para o credor 
(segurança ao receber o crédito). 
Ele inclui o cheque, nota promissória, 
duplicata e letra de câmbio, que possuem 
regras comuns para emissão, circulação e 
garantias do título. 
Letra de câmbio é uma ordem de 
pagamento que ocorre por meio da 
triangulação de crédito. Há uma pessoa que 
dá a ordem (sacador), outra que recebe a 
ordem (sacado) e o favorecido pela ordem 
(tomador). 
As ordens de pagamento são letra de 
câmbio, cheque e duplicata. Ao utilizar um 
cheque, por exemplo, a pessoa dá uma ordem 
ao banco de favorecer terceiro. Ao sacar o 
dinheiro no caixa eletrônico, a pessoa dá uma 
ordem ao banco de pagamento de favorecer a 
si mesmo (embora seja uma situação jurídica 
diferente). 
Para fins de título de crédito, saque é o 
mesmo que emissão. Quem saca é o sacador, 
quem recebe o saque é o sacado e quem é 
favorecido pelo saque é o tomador. 
DECRETO Nº 57.663, DE 24 DE 
JANEIRO DE 1966 promulga as Convenções 
para adoção de uma lei uniforme em matéria 
de letras de câmbio e notas promissórias. 
HAVENDO o Governo brasileiro aderido às 
Convenções assinadas em Genebra, a 7 de 
junho de 1930. 
Títulos de créditos são bens móveis e 
para serem transferidos é necessário fazer 
uma sessão de crédito. A transferência de um 
crédito na letra cambial é feita por meio do 
endosso, sendo necessário escrever que 
transfere para outrem. 
Aceite é aceitar a ordem de 
pagamento. Ninguém é obrigado a se vincular 
a um título de crédito, mas uma vez vinculado, 
deve cumprir com suas obrigações, assim 
como gozar de seus direitos. É possívelemitir 
letra de câmbio contra qualquer pessoa física 
ou jurídica, sendo por isso importante a não 
obrigatoriedade do aceite, pois caso 
houvesse, qualquer pessoa poderia emitir 
uma letra de câmbio cobrando alguém, e sem 
que esse devesse algo, seria obrigado a 
pagar. 
Caso o sacado der o aceite, ele se 
tornará devedor principal e o sacador ficará 
coobrigado. Haverá dois devedores. Se a 
dívida for paga, ela se extingue. Se a dívida 
não for paga após o aceite, o tomador poderá 
executar a dívida em face do sacado (devedor 
principal) e do sacador. O sacador possui 
direito de regresso contra o sacado. 
Caso o sacado não aceitar, o sacador, 
que já era devedor, passará a ser o devedor 
único e principal. Ocorrerá o vencimento 
antecipado do título, por isso é importante 
conseguir o aceite com antecedência (como 
regra de segurança, quem emite a letra de 
câmbio é responsável por ela). 
O aceite é dado no próprio título, 
preferencialmente no anverso (frente), e 
compromete com a manifestação de vontade 
escrita. O saque é o ato de criação do título de 
crédito. 
No aceite parcial o sacado se vincula 
nos limites do aceite expressos no título. 
1. Limitativo: Limitado o valor, é possível 
qualquer valor. Para o regresso, o sacador 
tem direito de regressar parte (25 mil). 
Aceito por 25.000,00 *assinatura do B*. 
2. Modificativo: Em geral modifica o 
vencimento. É possível qualquer data. 
Vencimento antecipado contra o sacador. 
Tem como consequência o impedimento 
que o sacado seja procurado antes do 
vencimento. 
Aceito para 15 de abril de 2022 *assinatura 
do B*. 
Nas garantias o garantidor coloca o 
seu patrimônio à disposição para o 
cumprimento da dívida. A garantia pessoal no 
regime cambial é o aval (avalista). Não existe 
garantia real no regime cambial. 
Não há garantia absoluta de crédito, 
para uma dívida ser executada é necessário 
que o devedor possua patrimônio, e na falta 
desse não há como garantir o crédito. 
http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/dec%2057.663-1966?OpenDocument
http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/dec%2057.663-1966?OpenDocument
 
4 Direito Econômico e Empresarial III - Bianca Marinelli 
O aval avaliza o título, é autônomo, não 
precisa saber de quem é e a sua procedência. 
O avalista comparece no título para garantir a 
obrigação com os seus bens. Ele possui a 
mesma posição (equivalente) que o seu 
avalizado quanto às ações de cobrança e 
regressão. O credor pode executar o avalista 
sem executar o devedor principal. 
1. Em branco: Não identifica o avalizado, não 
identifica o destinatário. É sempre para o 
sacador. 
Por aval *assinatura do J*. 
Avalizado por *assinatura do J*. 
2. Em preto: Identifica o avalizado, identifica 
para quem destina o aval. 
Avalizo para D *assinatura da F*. 
O sacado continua sendo o devedor 
principal e todos que entram no esquema 
passam a ser devedores solidários. Não há 
prioridade de cobrança, o credor pode 
escolher qual coobrigado quiser. 
Aval sem garantia não faz sentido de 
ocorrer, já que a sua função é de garantir a 
obrigação. Ao avalizar escrevendo “Avalizo 
sem garantia”, avalizará com garantia. 
Aval e fiança ambos são garantias 
pessoais. As fianças são garantias nos 
contratos (direito civil) e os avais são garantias 
no regime cambial. 
O aval é autônomo, caso uma 
obrigação for contaminada, as outras não 
serão. Já a fiança é acessória, se provar que 
a obrigação não existe, as outras também 
desaparecerão; se o contrato desaparecer, 
desaparece a fiança. 
A fiança tem benefício de ordem 
(renunciável, mesmo que geralmente não 
renunciem), o fiador pode exigir que antes de 
cobrar sob o patrimônio dele se cobre o 
patrimônio do afiançado. O aval não tem 
ordem, o credor pode cobrar o avalista sem 
cobrar o avalizado. 
A fiança exige anuência do cônjuge, 
outorga o cônjuge. Fiança sem anuência do 
cônjuge não tem valor, é inválida. A anuência 
não significa que está se tornando fiador 
também. O aval não exige a anuência do 
cônjuge, diferente do que é dito no art. 1.647 
CC, pois neste os títulos de crédito são 
diferentes do regime cambial (sendo mais 
bem denominado como documentos de 
crédito no Código Civil). 
Os títulos de crédito surgiram para 
facilitar as negociações, por isso a exigência 
da outorga do cônjuge no aval não faria 
sentido, dificultaria as negociações. 
Entretanto, a outorga na fiança é para 
preservar o patrimônio do casal, por esse 
motivo a outorga no aval poderia ser exigida, 
mas como não tem previsão na Lei Uniforme, 
não prevalece esse entendimento. 
Aval e garantias extra cartulares 
É comum o devedor assinar dois 
documentos no banco, o contrato de 
empréstimo e o título (normalmente nota 
promissória) vinculada a esse contrato. 
O motivo disso ocorrer é que o banco 
pode transferir o crédito pela cambial, na nota 
promissória, por exemplo, é só endossar. 
O banco também poderá executar os 
dois documentos, não simultaneamente, 
tendo a opção de escolher qual deles. 
Para o credor bancário é mais fácil 
executar o avalista do que o fiador no contrato, 
porque o avalista tem menos matéria de 
defesa. O avalista indiretamente acaba 
garantindo o contrato ao avalizar e sofre os 
efeitos do contrato “sem querer”. 
Para que aquele que avaliza não se 
vincule ao contrato “sem querer”, a Súmula nº 
26/STJ dispõe que o aval só tem validade se 
o avalista tiver assinado também o contrato. 
O avalista do título de crédito vinculado 
a contrato mútuo também responde pelas 
obrigações pactuadas, quando no contrato 
figurar como devedor solidário. 
No endosso o endossante garante o 
cumprimento do título, é quem endossa. O 
primeiro endossante é sempre o tomador. 
Endossatário é quem recebe por endosso. 
1. Próprio: Possui dois efeitos, sendo eles a 
transferência do crédito e tornar 
coobrigado (codevedor) o endossante. 
2. Impróprio: Chamando algo que não é 
endosso de endosso, desvirtuando o 
sentido próprio. 
Legitima o título na posse de terceiro. 
→ Endosso mandato. Equivale a uma 
procuração, e quem age por 
procuração não age em nome próprio, 
age em nome do procurador. Outorga 
poderes para agir em nome de quem 
deu a procuração, 
 
5 Direito Econômico e Empresarial III - Bianca Marinelli 
Obriga prestação de contas. Um 
crédito a receber faz parte do seu 
patrimônio. 
Endosso mandato para fulano 
*assinatura*. 
MM foi o último a endossar, mas foi um 
endosso mandato. Endosso mandato 
equivale a uma procuração, e quem 
age por procuração não age em nome 
próprio, age em nome do procurador. 
Outorga poderes para agir em nome 
de quem deu a procuração, MM agirá 
em nome de JM, mas JM não 
transferiu o crédito, MM deverá 
transferir o dinheiro posteriormente a 
JM. Endosso impróprio, legitima na 
posse de terceiro. 
 
MM poderia fazer um novo mandato. 
Procuração de subestabelecimento, 
transferência dos poderes a alguém. 
Vedado o subestabelecimento é 
possível. É possível estabelecer com 
reserva os poderes, continuando com 
os seus poderes e passa os poderes a 
alguém para atuar no processo 
também. Sem reserva significa que o 
passa os poderes a alguém e não vai 
mais atuar no processo. 
 
 
→ Endosso caução/garantia. Não 
transferiu o crédito, deu em garantia. 
Endosso caução/garantia para fulano 
*assinatura*. 
Pode virar endosso de efeito comum. 
Caso a dívida não for paga e no dia do 
vencimento ainda estiver em garantia, 
poderá ser exercido o direito do título, 
tendo efeito de endosso comum. 
No endosso caução é feito o endosso 
para entregar o título sem transferir o 
crédito. Legitima na posse de terceiro. 
→ Cláusula sem garantia (não aceitável). 
É possível a quem endossa deixar 
claro que não quer garantia. Permite 
que o sacado só seja procurado no dia 
do vencimento. Elimina a possibilidade 
de pagamento antecipado. Deve ser 
expresso. Ela elimina o segundo efeito 
do endosso (tornar obrigado). 
Endosso sem garantia para fulano 
*assinatura*.Para descobrir o atual credor do título é 
necessário ver a linha de endosso. Para saber 
se o título foi endossado é necessário ver se o 
favorecido endossou ou não. Não há uma 
ordem para as assinaturas. 
Responsabilidade do endossatário 
Os falsários criam créditos recebíveis 
fictícios a partir de títulos protestados sem 
visto, por exemplo, e fazem a operação do 
desconto bancário. Desconto bancário é uma 
operação de antecipação de recebíveis. É 
comum o credor desses créditos realizarem tal 
ação para ter um dinheiro antecipado. 
Dever de indenizar quem sofreu por 
conta da realização desses títulos. 
Súmula 475 STJ (endosso próprio): 
Responde pelos danos decorrentes de 
protesto indevido o endossatário que recebe 
por endosso translativo título de crédito 
contendo vício formal extrínseco ou 
intrínseco, ficando ressalvado seu direito de 
regresso contra os endossantes e avalistas. 
Súmula 476 STJ (endosso mandato): O 
endossatário de título de crédito por endosso-
mandato só responde por danos decorrentes 
de protesto indevido se extrapolar os poderes 
de mandatário. 
O mandatário apenas fez a sua 
obrigação, portanto, os danos devem se voltar 
quanto o credor. 
Princípio da literalidade: Tudo o que 
se refere ao título está no título. Não se 
admitem documentos anexos ou externos. 
Tem o valor, vencimento, quem deve etc. 
Não é comum um título ser endossado 
várias vezes ou possuir vários aceites, mas 
pode ocorrer quantas vezes quiser (não há 
limite) podendo até colar um papel para 
continuar. 
Exemplo: 
A é o sacador e da a ordem de 
pagamento a B. A é coobrigado. 
 H J 
| / 
A – B 
 | 
 C – D – E 
 
6 Direito Econômico e Empresarial III - Bianca Marinelli 
B é o sacado que recebeu a ordem de 
pagamento de A. B é o devedor principal. 
C é o tomador favorecido pela ordem. 
H é o avalista que garante a obrigação 
com os seus bens. 
J é o avalista (em branco) que garante 
a obrigação com os seus bens. 
A é o avalizado. 
C endossa para D. 
C é o endossante que garante o 
cumprimento do título a D. C é coobrigado. 
D é o endossatário que recebe por 
endosso. 
D endossa para E. 
D é o endossante que garante o 
cumprimento do título a E. D é coobrigado. 
E é o endossatário que recebe por 
endosso. 
E, como último endossatário, é o 
credor. O título é entregue para ele. 
Ação de regresso ocorre dos 
posteriores aos anteriores, dos devedores 
mais recentes aos mais antigos. 
E pode mover ação contra todos, por 
solidariedade ou contra todos ao mesmo 
tempo. E deve primeiro cobrar B x realizando 
um protesto cambial entregue pelo cartório. 
D pode executar C, B, A, H e J. 
C pode executar B, A, H e J. 
B pode executar A, H e J. 
A pode executar H e J. 
Não existe testemunha, ao assinar o 
título avalizará. 
Caso o sacador seja devedor, seu 
avalista também será. 
F avalizou para D. 
E avalizou para G. 
I é avalista do sacado (B) que garante 
a obrigação com os seus bens. B é o 
avalizado. 
M é o avalista (em branco) que garante 
a obrigação com os seus bens. A é o 
avalizado. 
L é o avalista que garante a obrigação 
com os seus bens. I é o seu único avalizado. 
Avalizou para quem já é avalista. 
P é o avalista que garante a obrigação 
com os seus bens. F é o seu único avalizado. 
Avalizou para quem já é avalista. 
G endossa para N. 
G é o endossante que garante o 
cumprimento do título a N. G é coobrigado. 
N é o endossatário que recebe por 
endosso. 
N endossa para O. 
N é o endossante que garante o 
cumprimento do título a O. N é coobrigado. 
O é o endossatário que recebe por 
endosso. 
O, como último endossatário, é o 
credor. O título é entregue para ele. 
B é o devedor principal que deve pagar. 
Há 5 endossantes, o sacador A e o 
devedor B, além dos avalistas para O cobrar. 
Não será necessário executar todos. 
Caso alguém que não seja o devedor principal 
pague, cabe regresso. 
Se pode regressar contra D, pode 
contra F e P. Se pode regressar contra B, 
pode contra I e L. Se pode contra A, pode 
contra H, J, M. 
O devedor mais antigo, depois do 
principal, é o A. 
B1, A2, C3, D4, E5, G6, N7. 
 L 
 | 
 H J M I 
| / / / 
A – B 
 | 
 C – D – E – G – N – O 
 | 
 F 
 | 
 P 
 
7 Direito Econômico e Empresarial III - Bianca Marinelli 
 Sentido de regresso. 
É possível o aval parcial, embora não 
seja usual. Da mesma forma, é possível aceite 
parcial (sendo limitativo e modificativo). 
Endosso parcial não é admitido, ou se faz 
total, ou não se faz. 
1. Aval simultâneo: Todo o valor contra os 
anteriores ou parte contra os simultâneos 
(depende de quantos são) e o restante 
contra os anteriores. Regressa sempre o 
que você pagou, a única exceção é no 
simultâneo. 
Ao mesmo tempo para o mesmo 
avalizado. H, J e M. São ao mesmo tempo 
do sacador. Dois ou mais avalistas para o 
mesmo avalizado. 
Para o regresso, quando só o J paga, cada 
aval paga 1/3, eles dividem o valor. O J 
pode regressar contra o avalizado A e 
contra os mesmo que o A (B, I, L) todo o 
valor. Contra o H e M só 1/3 de cada. O 
mesmo ocorreria com o H e M. 
2. Sucessivo: Suceder o outro. Avalista do 
avalista. I e L, F e P. 
P é avalista de F. F é avalista do D. 
Avalista sucessivo somente regressa até o 
seu avalizado. Ou seja, P só regressa até 
F. F pode regressar para todos que o D 
pode. É melhor ser avalista sucessivo. 
Nunca regressa do avalizado para o 
avalista, I para L, por exemplo, não ocorre. 
Avalista sucessivo só regressa contra o seu 
avalizado. 
Nunca o avalizado regressa contra o seu 
avalista. 
No cheque o devedor principal é o 
sacador. Caso haja duas assinaturas atrás, 
pode ser endosso (credor) ou aval. Aval em 
branco é para o sacador. Não precisa ser 
expresso que é aval, pois só pode transferir 
quem é credor. Sendo assinatura, poderia ser 
emissão, aceite, endosso ou aval. 
Títulos em branco ou incompletos 
Súmula 387 STF. A cambial emitida ou 
aceita com omissões, ou em branco, pode ser 
completada pelo credor de boa-fé antes da 
cobrança ou do protesto. 
Emitiu o título, deixou em branco ou 
assinado em branco, pode ser completada 
pelo credor de boa fé. Essa súmula é do STF 
porque o STJ foi criado posteriormente. 
Protesto cambial é um ato que 
incorpora ao título um fato relevante. 
O protesto não serve, 
necessariamente, para cobrar a dívida. Nem 
todo protesto prova a inadimplência, mas esta 
é um fato relevante. 
Lei nº 9492, lei do protesto. 
1. Protesto por falta de aceite. Chama o 
sacado para dar o aceite. Vai até o cartório 
para negar o aceite. É necessário um 
documento (protesto) que afirma a falta do 
aceite. 
2. Protesto por falta de data no aceite. 
Vencimento: 
→ À vista: Caso não tenha data de 
vencimento. 
→ Em data certa: Vencimento em data 
certa é feito comumente. 
→ A certo termo da data: Saque, “pagarei 
até 30 dias de tal data”. 
→ A certo termo da vista: Aceite, “pagará 
30 dias após a vista”, depende do 
aceite para calcular. 
O título emitido em branco pode ser 
preenchido de boa fé pelo credor. 
3. Protesto por falta de pagamento. Provar 
que cobrou do devedor principal é protesto 
de pagamento. Para vincular os 
coobrigados é necessário fazer protesto 
do título. O credor tem o prazo de 
apresentar o título de 2 dias úteis, nos 
expedientes bancários e de cartórios. 
Exemplo: 24 de fevereiro de 2022, primeiro 
dia útil teria como prazo o dia 2 de março. 
 L 
 | 
 H J M I 
| / / / 
A – B 
 | (sem despesa) 
 C – D – E – G – N – O 
 | (sem garantia) 
 F 
 | (sem despesas) 
 P 
 
8 Direito Econômico e Empresarial III - Bianca Marinelli 
Exemplo: Sexta feira, o primeiro dia útil 
teria como prazo a terça. 
Só se exige dos coobrigados quando o 
devedor principal foi obrigado a pagar e 
não pagou. A partir do momento que é feito 
o protestocontra o devedor principal, o 
credor porta o título de crédito e o protesto. 
A cláusula sem despesas deixa claro 
que o devedor deve o título mesmo sem a 
realização do protesto, não precisa ter 
protesto para ficar coobrigado. Ainda que 
perca o prazo para fazer o protesto, 
conseguirá cobrar. 
É realizado devido ao fato de o prazo 
ser curto. Qualquer avalista, sacador ou 
endossante podem fazer a cláusula sem 
garantia. Caso o título não tenha sido 
apresentado no prazo, será sem despesas. 
Avalizo sem despesas, endosso sem 
despesas. 
Protesto pode ser facultativo ou 
necessário. 
1. Facultativo: Deve a obrigação mesmo sem 
protesto (ou protesto fora do prazo). Ter o 
protesto fora do prazo é o mesmo que não 
ter. 
Quem deve é o devedor principal, seu 
avalista e aqueles que inseriram cláusula 
sem despesas. 
Só podem executar sem protesto: N, P, B 
e I. 
Não é eterno, tem prazo prescricional. 
2. Necessário: Quem deve é o sacador, os 
avalistas (exceto do devedor principal) e 
endossantes. Exceto se inserirem cláusula 
sem despesas. 
Só podem executar se tiver protesto 
necessário: G, D, F, C, A, L, J, H, M. 
Caso algum dos devedores do protesto 
facultativo pague, ele só poderá regressar 
contra aqueles que podem ser cobrados 
no protesto facultativo. Ou seja, I só 
poderá regressar B. 
 
Protesto é diferente de execução. Para 
executar os devedores é necessário ver se o 
protesto é necessário ou facultativo. Alguns 
podem ser executados sem processo e outros 
que para executar é preciso o protesto. Isso 
se materializa na ação de execução, e para 
mover a ação de execução é necessário a 
existência do título. 
O protesto é facultativo para determinadas 
pessoas significa que não precisa juntar na 
execução para realizar o protesto, basta o 
título. É facultativo, se quiser juntar pode, é 
uma faculdade, mas tem alguns que só pode 
se tiver o protesto no prazo. 
O protesto é facultativo para o devedor 
principal e seu(s) avalista(s). LM. 
Devem mesmo se não haja protesto. Só 
existe uma pessoa a ser protestada, 
devedor principal. Caso ele tenha sido 
protestado no prazo, gera obrigação aos 
demais. 
Uma coisa é ser protestado, outra é ser 
executado. Devedor principal pode ser 
executado sem protesto. 
Aqueles que assinaram cláusula sem despesa 
também se enquadram, clausula sem 
despesa significa cláusula sem protesto GA. 
 
Se não tem protesto no prazo só pode 
regressar contra o devedor principal e seu 
avalista, e aqueles que assinaram clausula 
sem despesa. 
 
 
Princípios do regime cambial 
1. Literalidade: O que vale está no título, 
nenhum outro documento fora vale, nada 
que se refere ao título pode estar fora do 
título. A ideia é facilitar a simulação do 
crédito. Só se admite fora do título o 
protesto, pois ele se incorpora ao título, 
fora o protesto nada mais pode existir fora 
do título. 
2. Cartularidade: Só se exerce direito com a 
apresentação do título. 
Esses princípios estão caindo em 
desuso devido as transações eletrônicas e 
títulos de crédito eletrônica. Exemplo: TED, 
DOC, PIX etc. 
3. Autonomia das obrigações: Dentro do 
regime cambial é diversos tipos de 
obrigações. Cada uma das assinaturas 
abrigam uma obrigação. Cada obrigação é 
autônoma em relação a outra. No 
esquema apresentado há 7 obrigações 
autônomas dos avalistas e 4 obrigações 
autônomas dos endossantes (o 
endossante sem garantia E não o torna 
coobrigado). Se houver algo que as 
contamine, não contaminará as outras. 
 
9 Direito Econômico e Empresarial III - Bianca Marinelli 
4. Abstração: Abstrai do contexto as 
obrigações, olhar cada obrigação 
separadamente, de forma autônoma. 
A, B e C já geram duas obrigações. A 
emitiu e B deu o aceite. Quando D endossa 
o título surge outra obrigação. Caso B 
tenha sido coagido a dar o aceite, não será 
possível saber se é verdade apenas 
observando o título. B conseguiu, de 
alguma forma, comprovar que foi coagido. 
Mesmo assim, a obrigação de C e D 
continua existindo. Se houver algo que 
contamine uma obrigação, não 
contaminará as outras. 
5. Inoponibilidade de exceções pessoais ao 
terceiro de boa-fé: 
Inoponibilidade é a não possibilidade de 
oposição/apresentação. 
Exceções significa defesas. 
Terceiro é aquele que não participou da 
obrigação, mesmo estando presente no 
título. Exemplo: D é um terceiro na relação 
de A e B, B e C. 
6. Boa-fé: Basta ter ciência do vício para 
estar de má-fé. Exemplo: C endossa para 
D, D é o credor. D cobra A e este se recusa 
a pagar devido a um problema do carro. O 
defeito do veículo é uma discussão 
possível entre A e C, mas não entre D, pois 
ele é um terceiro da relação de boa-fé (não 
teria como ele saber que o veículo estava 
com defeito). Terceiro não pode ser 
surpreendido com algo que venha trazer 
prejuízo a ele. 
Não possibilidade de apresentação de 
defesas pessoais ao terceiro de boa fé. Um 
terceiro de má-fé seria, por exemplo, C 
arrumar um bobo que comprou o carro 
velho e D, sabendo disso, endossou o 
título. Um fornecedor saber do vício dos 
defeitos em uma loja de celulares e mesmo 
assim realizar venda. 
Decreto nº 57663/66 promulgou as 
convenções para a adoção de uma Lei 
Uniforme. Convenção de Genebra (1930). 
A distância das datas de entrada (1930 
à 1966) tem como motivo o fato de que nós já 
tínhamos outra convenção (Decreto nº 
2044/1908) que disciplinava o regime cambial. 
No período entre esses anos ocorreram fatos 
mais relevantes para se preocupar (Golpe 
Militar, por exemplo). 
Para que um tratado internacional 
passa a ser ler é necessário que passe pelo 
Congresso e torne um decreto legislativo. 
Quem edita um decreto é o Poder Executivo. 
O Presidente da República permitiu a entrada 
desse tratado (Decreto nº 57663/66) sem que 
passasse pelo Congresso. 
O Decreto nº 2044/1908 não foi 
revogado expressamente. É encontrado na 
legislação complementar. Nas legislações que 
conflitam entre si, é aplicado a lei mais nova, 
sendo aplicado, portanto, o Decreto nº 
57663/66. 
Na maioria dos casos é aplicado a Lei 
Uniforme, mas ainda há dispositivos vigentes 
do Decreto nº 2044/1908, sendo as matérias 
que não foram abordadas na primeira. 
Ainda há, portanto, dispositivos 
vigentes do Decreto nº 2044/1908, sendo em 
sua maioria irrelevantes. 
Nem tudo que há nos tratados podem 
ser aplicados em todos os países da mesma 
maneira, devido as questões de costume, 
religião, costumes etc. Reservas de tratados 
internacionais são declarações unilateral de 
uma parte, expressa no momento do 
consentimento, com o objetivo de excluir ou 
modificar o efeito jurídico de uma ou mais 
disposições do mesmo, em relação à outra 
parte. 
No Brasil o título passa a ser exigível 
(podendo ser cobrado juros, executar) no dia 
de vencimento. Já na Convenção de Genebra 
está sancionado que o prazo de execução é 
de dois dias após o vencimento. O Brasil fez 
reserva a esse dispositivo, tendo como motivo 
o nosso histórico instabilidade econômica 
(inflação). 
Portanto, os dispositivos ainda vigentes 
são as matérias não tratadas na Lei Universal 
e aquelas que o Brasil fez reserva à Lei 
Universal. 
Classificação das cambiais 
Quanto ao modelo: 
a) Vinculados: Cheque e duplicata. Padrão 
estabelecido em lei. 
b) Livres: Letra de câmbio e nota promissória. 
Não tem padrão exigido em lei. Pode ser 
em qualquer formato (retangular, amarela, 
vertical, horizontal, pequena, grande etc.). 
Quanto à estrutura: 
 
10 Direito Econômico e Empresarial III - Bianca Marinelli 
a) Ordem de pagamento: Letra de câmbio, 
cheque e duplicata. Tem sacador, sacado 
e tomador. 
b) Promessa de pagamento: Nota 
promissória. Alguém promete pagar a 
alguém. 
Quanto às hipóteses de emissão: 
a) Causais: Duplicata. Causa prevista em lei. 
Não pode emitir em qualquer 
circunstância. Previsão de emissão. Quem 
emite é quem vendeu a mercadoria. Para 
venda de mercadoria ou prestação de 
serviço precisa de emissão de nota fiscal 
de venda. 
b) Não causais: Letra de câmbio,nota 
promissória e cheque. Não tem causa 
prevista em lei, emite-se quando quiser. 
c) Limitados: Letra de cambio quando cabível 
a duplicata. Quando cabível duplicata não 
pode emitir uma letra de câmbio. Exemplo: 
Venda de produto, em vez de emitir a letra 
de câmbio, deve ser emitido duplicata. Por 
isso a letra de câmbio “desapareceu”. A lei 
proíbe a emissão. 
Quanto à circulação: 
a) Ao portador: Letra de câmbio, nota 
promissória e duplicata não dá para ser 
emitido ao portador. O nome do tomador é 
requisito do título. O cheque pode ser 
emitido ao portador, em sua legislação 
está prevista essa possibilidade, desde 
que tenha o valor de até 100 reais. O 
cheque foi criado para circular ao portador, 
mas foi abolida essa possibilidade porque 
dá a possibilidade de alguém retirar o seu 
valor sem se identificar ou de guardar 
dinheiro obtido de forma ilícita sem se 
identificar. Cheque sem nominativo o 
banco devolve caso o valor seja maior que 
100 reais. O banco exige identificação. 
Manteve essa possibilidade de emissão do 
crédito 
b) Nominativos à ordem: Em regra do regime 
cambial, todos os títulos são emitidos à 
ordem. Estará presente o nome do 
favorecido (não será necessário o seu 
documento). 
c) Nominativos não à ordem: É possível 
emitir e endossar o título com cláusula não 
à ordem. Deve ser escrito no verso do 
título. 
Endosso não à ordem a *nome da 
pessoa*, Endosso sem garantia e não à 
ordem a *nome da pessoa*. 
Cláusula não a ordem é obrigada da mesma 
forma. 
Não será possível a transferência por 
endosso, mas será possível por meio da 
cessão de crédito. No contrato 
comparecerá o cedente, o aceite do 
cessionário, assinatura de ambos e 
notificarão o banco. A partir da cessão civil 
não será regime cambial. 
Endosso póstumo: Feito após o título 
ser exigível e comprovadamente não 
satisfeito. É a partir do protesto que se prova 
que o título é exigível e não foi pago/satisfeito. 
Mesmo sendo improvável, pode ocorrer de 
alguém endossar o título que é exigível e não 
foi satisfeito. 
O banco pode devolver cheques por 
diversas razões, por exemplo, por ser sem 
fundo. No cheque, para efeito de vincular os 
coobrigados, é a partir do carimbo de 
devolução (assim como o protesto é usado 
para os outros títulos). 
O endosso póstumo será na letra de 
cambio, na nota promissória e na duplicada, 
todas protestadas, ou no cheque devolvido 
(com carimbo de devolução). 
Endosso póstumo tem efeito de cessão 
civil depois que é comprovado que ele não foi 
pago. Ou seja, a partir do endosso póstumo o 
endossante não será codevedor, não será 
regra de regime cambial. 
Requisitos da letra de câmbio estão 
presentes no art. 1º e 2º da Lei Uniforme. 
Art. 1º A letra de câmbio é uma ordem 
de pagamento e deve conter requisitos, 
lançados, por extenso, no contexto: 
I. A denominação “letra de câmbio” ou 
a denominação equivalente na língua em que 
for emitida. 
II. A soma de dinheiro a pagar e a 
espécie de moeda. 
III. O nome da pessoa que deve pagá-
la. Esta indicação pode ser inserida abaixo do 
contexto. 
IV. O nome da pessoa a quem deve ser 
paga. A letra pode ser ao portador e também 
pode ser emitida por ordem e conta de 
terceiro. O sacador pode designar-se como 
tomador. 
V. A assinatura do próprio punho do 
sacador ou do mandatário especial. A 
 
11 Direito Econômico e Empresarial III - Bianca Marinelli 
assinatura deve ser firmada abaixo do 
contexto. 
Em outras palavras, os requisitos 
serão: 
→ Expressão “letra de câmbio” inserida no 
próprio texto, não apenas no alto do título; 
→ Ordem incondicional, o valor monetário a 
ser pago; 
→ Nome do sacado (quem vai aceitar ou 
não); 
→ Nome do tomador; 
→ Data e local do saque; 
→ Lugar do pagamento (praça de 
pagamento) competência para efeito de 
protesto também; 
→ Assinatura do sacador. 
Vencimento não é um requisito, pois 
caso não haja, será a vista. 
Ação cambial é a execução, realizada 
para cobrar o crédito cambiário. O direto de 
ação pode ser perdido no decorrer do tempo. 
Para mover ação executiva deve ser 
consideradas os requisitos do protesto 
necessário e a prescrição da ação executiva. 
→ O prazo é de 3 anos do vencimento para o 
devedor principal e avais. 
→ O prazo é de 1 ano do protesto para os 
demais coobrigados. Caso seja a vista o 
vencimento será na data que emitiu. 
→ O prazo é de 1 ano do vencimento para os 
coobrigados que haja cláusula sem 
despesas. 
→ O prazo é de 6 meses do pagamento para 
o regresso. 
Exemplo: Título preenchido em aula. 
Para o Benedito prescreve dia 15/03/2025. 
Para o Carlos prescreve 1 ano do dia do 
protesto (caso não tenha protesto não será 
coobrigado). Para o avalista sem despesas 
prescreve dia 15/03/2023. 
Ações causais discutem a causa da 
dívida (causa debendi). A existência da dívida 
tem que ser provada. Suposto devedor tem 
direito a contraditório e ampla defesa. 
Quando não há a presença de um título 
executivo extrajudicial, para obrigar alguém a 
pagar, deve extrair isso em juízo convencendo 
o judiciário de que a dívida existe e o seu 
valor. Caso o judiciário se convença disso, 
será dada uma sentença pelo juiz, que terá 
direito a recurso. 
São ações causais: 
→ Ação de conhecimento: Ação de cobrança 
do título. Deve-se provar a existência de 
dívida. 
→ Ação monitória: Art. 700 CPC. A ação 
monitória pode ser proposta por aquele 
que afirmar, com base em prova escrita 
sem eficácia de título executivo, ter direito 
de exigir do devedor capaz: I - o 
pagamento de quantia em dinheiro. 
Essa ação serve para as cambais 
prescritas. 
Caso o devedor citado na ação de 
cobrança não conteste, ocorrerá revelia. 
Art. 701 CPC. Sendo evidente o direito do 
autor, o juiz deferirá a expedição de 
mandado de pagamento [...] concedendo 
ao réu prazo de 15 (quinze) dias para o 
cumprimento e o pagamento de honorários 
advocatícios de cinco por cento do valor 
atribuído à causa. 
Ao entrar com essa ação, o juiz não manda 
citar o réu para se defender, ele defere a 
expedição de mandado de pagamento. 
Art. 702 CPC. Independentemente de 
prévia segurança do juízo, o réu poderá 
opor, nos próprios autos, no prazo previsto 
no art. 701, embargos à ação monitória. 
O réu pode não pagar, mesmo com o 
mandado de pagamento e entrar com 
embargos à ação monitória. A partir disso 
ele entrará com defesa e a ação 
prosseguirá como ação de conhecimento 
(todo o processo desta, produção de 
provas etc.). 
Art. 701 CPC, §2º. Constituir-se-á de pleno 
direito o título executivo judicial, 
independentemente de qualquer 
formalidade, se não realizado o 
pagamento e não apresentados os 
embargos [...]. 
A vantagem da ação monitória é que caso 
o devedor não se manifestar, o juiz 
transformará em título executivo. 
Com relação à força das ações, têm-se 
a de execução como mais forte, seguida da 
monitória e conhecimento. 
Ação monitória se o devedor não se defender. 
É um atalho para conseguir o título executivo. 
A ação cambial é a execução. 
Para mover a ação executiva não basta ter o 
título executivo. Exigível, não pode exigir 
pagamento quando o título está vencido, 
 
12 Direito Econômico e Empresarial III - Bianca Marinelli 
certo, precisa ter todos os requisitos que a lei 
prevê, liquido porque é determinado, pode ser 
obtido com simples cálculos aritméticos e é 
pro rata (proporcional), devendo haver 
demonstrativo. 
Prescrição das ações causais 
As ações causais são de conhecimento 
e monitória. Quem deve esse título é o 
devedor principal, ou seja, só poderá ser 
contra o devedor principal. O avalista não 
entrará nessa relação, porque não é mais 
regime cambial, assim como os outros 
coobrigados. Não será mais possível 
executar, mas haverá prazo de prescrição das 
ações causais. 
Art. 205 CC. A prescrição ocorre em 
dez anos, quando a lei não lhe haja fixado 
prazo menor. 
Art. 206, §5º, CC. I - a pretensão de 
cobrança de dívidas líquidas constantes de 
instrumento público ou particular. 
Há divergênciasobre esse prazo de 
prescrição, tendo sido recorrido ao STJ essa 
discussão. 
Súmula 503 STJ. O prazo para 
ajuizamento de ação monitória em face do 
emitente de cheque sem força executiva é 
quinquenal, a contar do dia. 
Súmula 504 STJ. O prazo para 
ajuizamento de ação monitória em face do 
emitente de nota promissória sem força 
executiva é quinquenal, a contar do dia 
seguinte ao vencimento do título. 
Para fins de esclarecimento o prazo é 
de 5 anos. 
Cláusula mandato é diferente de 
endosso mandato. É uma cláusula realizada 
em contrato. 
Súmula 60 STJ. É nula a obrigação 
cambial assumida por procurador do mutuário 
vinculado ao mutuante, no exclusivo interesse 
deste. 
Para admitir cheque é necessário um 
contrato com o banco. O cheque especial dá 
um limite de crédito na conta, mesmo que o 
sujeito não tenha saldo. Caso esses créditos 
sejam gastos, será cobrado o valor com juros. 
Muitos passam a usá-lo como se fosse parte 
de sua renda. Para cobrar o banco usará o 
contrato para executar o devedor e os extratos 
da conta. O extrato não é líquido, os 
lançamentos são feitos unilateralmente 
(apenas pelo banco) e é cobrado débitos em 
juros. 
Súmula 233 STJ. O contrato de 
abertura de crédito, ainda que acompanhado 
de extrato da conta corrente, não é título 
executivo. 
Como é de entendimento que o extrato 
bancário não é título executivo, o banco deve 
realizar ação monitória. 
As regras do regime cambial podem ser 
minimizadas nas relações de consumo. As 
regras das relações de consumo, em sua 
maioria, protegem o consumidor e a sua 
hipossuficiência. As regras do regime cambial 
podem entrar em discordância com as das 
relações de consumo, e, no choque entra as 
duas, as regras rígidas do regime cambial 
geralmente não prevalecem, e sim as que 
protegem o consumidor. 
No pagamento do título de crédito o 
devedor deve tomar a cautela de: 
→ Exigir a apresentação do título, porque ele 
pode ter sido endossado, ou seja, pode 
haver outro credor; 
→ Conferir a cadeia de endosso, ver se quem 
está recebendo é mesmo o credor, o último 
endossante; 
→ Exigir quitação do título para provar que 
ele foi pago, *recebido no dia tal*. 
Após ser feito o protesto por falta de 
pagamento, o pagamento pode ser feito de 
duas formas: 
→ Em cartório: O cartório não recebe com 
juros, ganha valor de face do título. Isso 
ocorre porque ele não quer se 
responsabilizar por taxa de juros de 1% ao 
mês e por taxa exigida por banco. Caso o 
credor deseje receber com juros, ele 
deverá mover uma ação de conhecimento 
e pedindo uma ação própria expondo que 
foi pago em cartório e que os juros não 
foram pagos. A maioria dos credores já se 
satisfazem com o valor sem juros. 
→ Por cancelamento: Depois que o título é 
pago é necessário cancelar o protesto. O 
título é levado no cartório e deverá ser 
pedido o cancelamento. O cartório cobrará 
as despesas pendentes. Admite-se 
apenas uma declaração do credor que 
confirma reconhecendo o cancelamento. 
Não precisa ser necessariamente no título. 
 
13 Direito Econômico e Empresarial III - Bianca Marinelli 
Nota promissória 
Nota promissória não tem sacado, 
apenas alguém que promete (sacador) e 
alguém que tem o título a receber (tomador), 
como se fosse uma letra de câmbio sem o 
aceite. O sacado na promissória é o tomador, 
já que saque é a emissão, sendo o sacado o 
agente que emite o título. Quem faz o primeiro 
endosso é o sacado, tomador. 
Requisitos da nota promissória: 
Art. 75. A nota promissória contém: 
1. denominação "nota promissória" inserta no 
próprio texto do título e expressa na língua 
empregada para a redação desse título; 
2. a promessa pura e simples de pagar uma 
quantia determinada; 
3. a época do pagamento; 
4. a indicação do lugar em que se efetuar o 
pagamento; 
5. o nome da pessoa a quem ou à ordem de 
quem deve ser paga; 
6. a indicação da data em que e do lugar onde 
a nota promissória é passada; 
7. a assinatura de quem passa a nota 
promissória (subscritor). 
Art. 76. O título em que faltar algum dos 
requisitos indicados no artigo anterior não 
produzirá efeito como nota promissória, salvo 
nos casos determinados das alíneas 
seguintes. 
A nota promissória em que se não 
indique a época do pagamento será 
considerada à vista. 
Na falta de indicação especial, o lugar 
onde o título foi passado considera-se como 
sendo o lugar do pagamento e, ao mesmo 
tempo, o lugar do domicílio do subscritor da 
nota promissória. 
A nota promissória que não contenha 
indicação do lugar onde foi passada 
considera-se como tendo-o sido no lugar 
designado ao lado do nome do subscritor. 
Não se aplica a regra do aceite na nota 
promissória, porque nesta não tem aceite. 
Ninguém é obrigado a se vincular, mas caso 
se vincule, será obrigado. 
Devedor principal é o sacador. 
O protesto é facultativo na nota 
promissória para o sacador e seus avalistas. 
Aval em branco é para o sacador, igual 
a letra de cambio, a diferencia é que o 
emitente é o devedor principal. 
Diferenças entre nota promissória e 
letra de câmbio: 
→ Não se aplicam a nota promissória as 
regras sobre aceite; 
→ Sacador da nota promissória equipara-se 
ao sacado da letra de câmbio; 
→ Aval em branco é para o emitente; 
→ Há nota promissória a certo termo da vista 
(visto) existe, mesmo que não tenha 
aceite, há a previsão de um visto que 
funciona como esse aceite. Pagarei a nota 
promissória tanto dias após o visto. 
Determinado dia após a vista, determinado 
após o aceite. Na letra de cambio é 
possível determinar uma data que ela 
poderá ser apresentada, como a nota 
promissória não tem aceite, é colocado um 
prazo a partir do visto. O devedor será 
procurado 2x, uma para dar o visto e outro 
para ser cobrado. 
Se a assinatura do verso for do credor, é 
endosso. Em branco não designa para quem 
é o endosso. Aval em branco é para o 
sacador. Duas assinaturas, uma do credor e a 
segunda, embaixo, pode ser endosso ou 
avalista. Vai ter dificuldade no regresso, 
porque coobrigados eles serão de qualquer 
forma. 
Formalismo: 
Conceito de título de crédito. 
“Documento necessário (registro de 
informações) para o exercício de um direito 
literal é autônomo”. 
Não pode mais ser usado o termo 
documento necessário, para encontrar a 
confirmação de que o crédito existe é precisa 
analisar no registro de informações 
(eletrônico), certificadora (autorizada e 
fiscalizada pelo poder público). A assinatura 
eletrônica (certificado digital) garante que a 
certificadora reconheça que aquele que está 
tendo acesso a essa informação é realmente 
o credor. 
Caso o título esteja formalmente em 
ordem, para títulos eletrônicos não é 
relevante, porque o que importa é o registro. 
→ Conformidade com a lei (a lei vai dizer se 
o título é válido); 
→ Possibilidade de execução forçada (é título 
executivo, sem título, porque é eletrônico); 
→ Pode ser tirado um extrato, registro de 
informação material. 
 
14 Direito Econômico e Empresarial III - Bianca Marinelli 
→ Inoponibilidade de exceções pessoais (ao 
terceiro de boa-fé). 
O espaço para avais não tem lugar para 
assinar, muita gente é induzida a erro. Deve 
ter a assinatura do avalista. 
Deve ter assinatura do emitente. 
Colocar o mês sem ser por extenso não 
é indicado devido a facilidade na falsificação. 
Utiliza-se “pagarei” ou “pagaremos”. 
Pagará não, é ordem, não promessa. 
Sacador é o emitente. Devedor 
principal é quem emite. 
Enunciados da Jornada de Direito 
Comercial 
Os seguintes enunciados são de 
doutrinas, e não foram abordados casos 
concretos. O regime cambial está sedo 
discutido nessas jornadas. 
Enunciado 69. Prescrita a pretensão do 
credor à execução de título de crédito, o 
endossante e o avalista, do obrigado principal 
ou de coobrigado, não respondem pelo 
pagamento da obrigação, salvo em caso de 
locupletamento indevido. 
O enunciado baseia-se na pacífica 
jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, 
no sentido de que, salvo quando demonstradoseu locupletamento ilícito, o endossante e o 
avalista, inclusive de obrigado principal, são 
partes ilegítimas para responder por dívida 
inscrita em título de crédito prescrito, na 
medida em que o instituto da prescrição 
extingue a autonomia das relações jurídicas 
cambiais firmadas, devendo o beneficiário do 
título demonstrar, como causa de pedir na 
ação própria, o locupletamento indevido, seja 
do emitente ou endossante, seja do avalista. 
→ Locupletamento (enriquecimento) ilícito; 
→ Ações causais podem ser monitórias e de 
conhecimento, sendo a monitória a mais 
recomendável no ponto de vista prático. A 
ação de locupletamento (enriquecimento) 
ilícito permite entrar em contato com o 
devedor principal, sem ser por ação 
monitória e sem precisar discutir a origem 
da dívida. Existe essa possibilidade, mas 
não ocorre no cotidiano; 
Art. 48, Decreto 2044/1908. Sem 
embargo da desoneração da 
responsabilidade cambial, o sacador ou o 
aceitante fica obrigado a restituir ao portador, 
com os juros legais, a soma com a qual se 
locupletou à custa deste. A ação do portador, 
para este fim, é a ordinária. 
→ O decreto ainda está vigente no Brasil 
naquilo que não é abordado na Lei 
Uniforme. 
Enunciado 70. O prazo estabelecido no 
art. 21, § 1º, da Lei n. 9.492/97, para o protesto 
por falta de aceite é aplicável apenas na falta 
de disposição diversa contida em lei especial 
referente a determinado título de crédito (por 
exemplo, duplicatas). Aplica-se, portanto, a 
disposição contida no art. 44, 2ª alínea, da Lei 
Uniforme de Genebra, ao protesto por falta de 
aceite de letra de câmbio. 
Embora haja previsão, na Lei n. 
9.492/97, de que o protesto por falta de aceite 
somente pode ser feito antes do vencimento, 
mas após o decurso do prazo legal para 
apresentação ao aceite e devolução do título 
pelo sacado, tal regra não é de aplicação 
cogente a todos os títulos representativos de 
ordens de pagamento em dinheiro e 
aceitáveis. O enunciado aprovado considera a 
disposição do art. 21, § 1º, da Lei n. 9.492/97 
como norma de cunho geral, aplicável na 
omissão da lei especial sobre determinado 
título de crédito. Como ilustração, temos a 
duplicata sem aceite, que deverá ser levada a 
protesto acompanhada de outros documentos 
para que o portador possa promover a 
execução em face do sacado, nos termos do 
art. 15, II, da Lei n. 5.474/68. Este protesto 
pode ser tirado antes ou após o vencimento, 
sendo que, nesse caso, será sempre por falta 
de pagamento. Quando a duplicata for 
protestada antes do vencimento, deverá ser 
observada a disposição do art. 21, § 1º, da Lei 
n. 9.492/97. Tal ocorre porque o art. 25 da Lei 
n. 5.474/68 não determina a aplicação da 
legislação cambial em matéria de ação por 
falta de pagamento, nem tem disposição 
específica quanto ao prazo do protesto por 
falta de aceite. Em se tratando de letra de 
câmbio, ao contrário, deverá ser observado o 
art. 44, 2ª alínea, da Lei Uniforme de Genebra 
(Decreto n. 57/663/66), que dispõe de modo 
diverso – o protesto será realizado dentro do 
prazo fixado para apresentação ao aceite e 
não após o mesmo. 
→ Prazo para protesto por falta de aceite. O 
prazo da lei do protesto só vale caso não 
tenha prazo na Lei Uniforme, lei principal 
tem preferência. 
 
15 Direito Econômico e Empresarial III - Bianca Marinelli 
Enunciado 71. A prescrição trienal da 
pretensão à execução, em face do emitente e 
seu avalista, de nota promissória à vista não 
apresentada a pagamento no prazo legal ou 
fixado no título, conta-se a partir do término do 
referido prazo. 
O art. 77 do Decreto n. 57.663/1966 
(Lei Uniforme de Genebra - LUG) enumera as 
disposições referentes às letras de câmbio 
que se aplicam às notas promissórias, dentre 
elas: o vencimento (arts. 33 a 37) e os prazos 
prescricionais (arts. 70 e 71). O art. 70 da LUG 
estabelece que “todas as ações contra o 
aceitante relativas a letras prescrevem em três 
anos a contar do seu vencimento”, o que 
também se aplica ao avalista do emitente, nos 
exatos termos do art. 78 da LUG. Por outro 
lado, o art. 34 da LUG determina que “a letra 
à vista é pagável a apresentação” devendo, 
para tanto, ser apresentada pelo portador em 
até “um ano, a contar da sua data” de 
emissão, salvo se prazo diverso constar no 
título (princípio da literalidade). Importa definir 
em que momento se inicia a contagem do 
prazo prescricional (termo a quo) para as 
notas promissórias à vista, sobretudo, quando 
o título não é apresentado ao devedor no 
prazo do art. 34 da LUG. Diante deste cenário, 
a jurisprudência firmou entendimento que a 
prescrição começa a correr após o decurso do 
prazo legal ou convencional de apresentação 
a pagamento, se o título foi apresentado a 
posteriori. Ao contrário, na apresentação 
tempestiva, o termo a quo será o dia seguinte 
ao da apresentação, que é o do vencimento 
para os fins do art. 70 da LUG. 
→ Prescrição de nota promissória à vista não 
apresentada no prazo. 
→ Fala de nota promissória não apresentada 
no prazo. 
→ Daqui 30 dias, por exemplo, será contado 
3 anos após esses 30 dias. A partir desse 
prazo do visto ela passa a ser exigível. 
Caso ela não tenha visto, será exigível no 
prazo. Não vence antecipadamente igual 
na letra de cambio. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
16 Direito Econômico e Empresarial III - Bianca Marinelli 
Assuntos comentados em aula 
Capital de giro: A diferença entre os 
recursos disponíveis em caixa e a soma das 
despesas e contas a pagar. É o dinheiro 
necessário para manter o empreendimento e 
garantir a continuidade da empresa. 
Adimplemento de prazo: 
Tempo para adimplemento das obrigações e 
as possibilidades de antecipação do 
vencimento do crédito. O tempo do 
pagamento é um elemento intrínseco à 
satisfação da obrigação pelo devedor. O 
instante em que se deve pagar a dívida é de 
fundamental importância para caracterização 
de seu vencimento. 
A inadimplência é normal de ocorrer, 
sendo inclusive quase impossível não haver. 
Entretanto, determinadas empresas “faturam 
mal” por conta da inadimplência exagerada. 
Lucro operacional: Trata-se do lucro 
gerado única e exclusivamente pela operação 
do negócio, descontadas as despesas 
administrativas, comerciais e operacionais. 
Assim, exclui-se qualquer movimentação 
financeira. 
Lucro financeiro: Aquele que irá afetar 
diretamente o capital de giro da empresa. Ele 
é apurado através de uma demonstração de 
resultados elaborada por vencimento, na 
forma gerencial, cujo valor final apresentado é 
igual ao resultado do somatório da variação 
dos saldos do fluxo de caixa + contas a 
receber, em um determinado período. 
Tomada e concessão de crédito 
quando má gestionada ou se for uma 
operação de alto risco podem levar ao 
endividamento de famílias ou acarretar 
falência de empresas. Ainda, as operações de 
crédito são limitadas pelas garantias 
necessárias para sua realização, o que limita 
o acesso ao crédito a determinados atores 
sociais. 
Falência do Consórcio Nacional 
Garavelo: Decretada em 1997, ocasionou 
dúvidas nos consorciados sobre como 
poderiam obter de volta as quantias 
investidas. Cerca de 20 mil consumidores 
foram prejudicados em todo o País, e a luta 
pela restituição ocorre desde 1993, quando o 
Instituto ingressou com uma Ação Civil 
Pública por conta dos prejuízos que o 
consórcio estava causando aos contribuintes. 
Após a liquidação decretada, o Idec entrou 
com pedidos de restituição dos valores pagos 
por seus associados, em processos 
individuais, e a partir de 2001 começou a 
habituar os pedidos procedentes da falência. 
Documentos eletrônicos: O direito 
comercial, diante de sua evolução histórica, 
tutela-se o título de crédito enquanto 
documento material, literalmente declarado 
sobre um documento de papel, a “cártula”, 
mas, todavia dever-se-á repensar seu papel 
para a legitimação dos documentos 
eletrônicos como títuloscreditícios, ou melhor 
dizendo na desmaterialização dos títulos de 
crédito, já que o uso da internet é sinal claro 
de modernidade , sendo utilizado como meio 
cada vez maior para a realização e circulação 
cambiária. Esta prática tem sido considerada 
válida e eficaz em sede de direito comparado, 
sendo sinal notório de instrumento de 
progresso social.

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