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1 Direito Econômico e Empresarial III - Bianca Marinelli Título de Crédito Considerações iniciais Os negócios realizados por particulares são segurados no âmbito do Direito Civil, enquanto as relações empresariais no âmbito do Direito Empresarial. Ambos podem ter relação com o Direito do Consumidor. Exemplo de relações empresariais: Consórcio, revenda, loja online. Os títulos de crédito são documentos que permitem a compra de algo, na expectativa de pagamento posterior. Eles existem para que seja possível conceder o crédito, além de dar garantia ao credor de que ele irá recebê-lo. Socialmente eles têm o impacto de movimentar a economia, permitindo negócios jurídicos sem que o dinheiro realmente exista no momento. Para um crédito ser concedido a alguém é esperado que haja um nível confiança para que seja realizado um pagamento posterior. A análise de crédito é um procedimento feito por instituições financeiras e bancos para avaliar se aquela pessoa tem condições (patrimônio) de pagar posteriormente pelo crédito (empréstimo, cartões de crédito etc.). Caso o devedor não possua patrimônio, não será possível realizar uma execução para forçá-lo a pagar. Caso o devedor possua patrimônio será possível forçá-lo a pagar a partir das seguintes ferramentas: a) Vinculação dos bens. Imediato acesso aos bens do devedor. realização de penhora bloqueio dos bens. b) Ação monetária, ação de cobrança “de conhecimento”. Para a sua realização, há a necessidade um título executivo (art. 784 CPC), que pode ser judicial ou extrajudicial. No primeiro prova-se ao juiz por meios distintos, como por testemunhas, e no último reconhece que a dívida existe (sendo, portanto, a favor do credor). Fase de conhecimento (petição inicial) → Título executivo (sentença TJ) → Fase de execução. As garantias fidejussórias, também chamadas de garantias pessoais, consistem em obrigação assumida por terceiro ao oferecer seu patrimônio como garantia de uma dívida de outrem. São prestadas através do patrimônio do garantidor. As garantias reais estão divididas em três: penhor, anticrese e hipoteca. Todas elas estão previstas no Código Civil e garantem o cumprimento de determinada obrigação por meio de bens móveis ou imóveis. Ou seja, é um acordo de segurança selado entre o credor e o devedor. Títulos de crédito Principais meios para comprar algo a prazo (parceladamente): 1. Cartão de crédito: Tem como benefício nenhum risco de inadimplemento, visto que ao parcelar, é para a empresa do cartão que o cliente deve, e é uma forma de atrair clientes. Tem como malefícios o pagamento de taxas para a empresa do cartão e a demora para o recebimento. 2. Cheque pré-datado: É um título executivo. É uma construção judicial (costume) pois na lei não há a opção de ser pré-datado, ele foi criado como um pagamento à vista. Ou seja, o banco receberá a qualquer momento, o acordo da data é feito de maneira informal entre credor e devedor. Pode ser pago em qualquer lugar do mundo. Possui a assinatura do devedor como garantia. 3. Crediário/Carnê: Forma de pagar uma parcela de um contrato, como um título de crédito extrajudicial. 2 Direito Econômico e Empresarial III - Bianca Marinelli 4. Fiado: Concessão de crédito informal. Espera-se que faça uma ação de conhecimento para provar a dívida. 5. Nota promissória: É título executivo. Promessa de pagamento, tem assinatura de garantia. 6. Boleto: Não é título executivo (o contrato que será), por esse motivo se torna mais difícil de provar a existência da dívida e de recebê-la. É uma ficha de compensação bancária, um mecanismo de facilitação, pois pode ser pago em qualquer sistema bancário. Ele possui informações como quem é o credor e o devedor. O termo compensação se dá pelo fato de um banco poder receber o valor que será destinado a outro, fazendo a compensação de valores. 7. Financiamento: Pagamento por intermédio de uma instituição financeira. É diferente do banco. 8. Duplicata: Tipo de boleto emitido pelo próprio credor e não pelo banco ou outra instituição financeira. O título é a própria duplicata. Não precisa da assinatura do devedor. É utilizado apenas no Brasil. 9. Consórcio: União de empresas que criam uma outra empresa conjunta com finalidade específica. Apenas empresas autorizadas pelo Banco Central podem realizar consórcio. 10. Letra de câmbio: Ordem de pagamento para terceiro. Pouco utilizada. Art. 784. São títulos executivos extrajudiciais: I - a letra de câmbio, a nota promissória, a duplicata, a debênture e o cheque; II - a escritura pública ou outro documento público assinado pelo devedor; III - o documento particular assinado pelo devedor e por 2 (duas) testemunhas; IV - o instrumento de transação referendado pelo Ministério Público, pela Defensoria Pública, pela Advocacia Pública, pelos advogados dos transatores ou por conciliador ou mediador credenciado por tribunal; V - o contrato garantido por hipoteca, penhor, anticrese ou outro direito real de garantia e aquele garantido por caução; VI - o contrato de seguro de vida em caso de morte; VII - o crédito decorrente de foro e laudêmio; VIII - o crédito, documentalmente comprovado, decorrente de aluguel de imóvel, bem como de encargos acessórios, tais como taxas e despesas de condomínio; IX - a certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, correspondente aos créditos inscritos na forma da lei; X - o crédito referente às contribuições ordinárias ou extraordinárias de condomínio edilício, previstas na respectiva convenção ou aprovadas em assembleia geral, desde que documentalmente comprovadas; XI - a certidão expedida por serventia notarial ou de registro relativa a valores de emolumentos e demais despesas devidas pelos atos por ela praticados, fixados nas tabelas estabelecidas em lei; XII - todos os demais títulos aos quais, por disposição expressa, a lei atribuir força executiva. 3 Direito Econômico e Empresarial III - Bianca Marinelli Regime Cambial Regime cambial foi criado para atender as seguintes finalidades: → Documentar o crédito (para assim existirem mecanismos de cobrança de dívidas); → Facilitar a transferência do crédito (agilização dos negócios jurídicos); → Dar relativas garantias para o credor (segurança ao receber o crédito). Ele inclui o cheque, nota promissória, duplicata e letra de câmbio, que possuem regras comuns para emissão, circulação e garantias do título. Letra de câmbio é uma ordem de pagamento que ocorre por meio da triangulação de crédito. Há uma pessoa que dá a ordem (sacador), outra que recebe a ordem (sacado) e o favorecido pela ordem (tomador). As ordens de pagamento são letra de câmbio, cheque e duplicata. Ao utilizar um cheque, por exemplo, a pessoa dá uma ordem ao banco de favorecer terceiro. Ao sacar o dinheiro no caixa eletrônico, a pessoa dá uma ordem ao banco de pagamento de favorecer a si mesmo (embora seja uma situação jurídica diferente). Para fins de título de crédito, saque é o mesmo que emissão. Quem saca é o sacador, quem recebe o saque é o sacado e quem é favorecido pelo saque é o tomador. DECRETO Nº 57.663, DE 24 DE JANEIRO DE 1966 promulga as Convenções para adoção de uma lei uniforme em matéria de letras de câmbio e notas promissórias. HAVENDO o Governo brasileiro aderido às Convenções assinadas em Genebra, a 7 de junho de 1930. Títulos de créditos são bens móveis e para serem transferidos é necessário fazer uma sessão de crédito. A transferência de um crédito na letra cambial é feita por meio do endosso, sendo necessário escrever que transfere para outrem. Aceite é aceitar a ordem de pagamento. Ninguém é obrigado a se vincular a um título de crédito, mas uma vez vinculado, deve cumprir com suas obrigações, assim como gozar de seus direitos. É possívelemitir letra de câmbio contra qualquer pessoa física ou jurídica, sendo por isso importante a não obrigatoriedade do aceite, pois caso houvesse, qualquer pessoa poderia emitir uma letra de câmbio cobrando alguém, e sem que esse devesse algo, seria obrigado a pagar. Caso o sacado der o aceite, ele se tornará devedor principal e o sacador ficará coobrigado. Haverá dois devedores. Se a dívida for paga, ela se extingue. Se a dívida não for paga após o aceite, o tomador poderá executar a dívida em face do sacado (devedor principal) e do sacador. O sacador possui direito de regresso contra o sacado. Caso o sacado não aceitar, o sacador, que já era devedor, passará a ser o devedor único e principal. Ocorrerá o vencimento antecipado do título, por isso é importante conseguir o aceite com antecedência (como regra de segurança, quem emite a letra de câmbio é responsável por ela). O aceite é dado no próprio título, preferencialmente no anverso (frente), e compromete com a manifestação de vontade escrita. O saque é o ato de criação do título de crédito. No aceite parcial o sacado se vincula nos limites do aceite expressos no título. 1. Limitativo: Limitado o valor, é possível qualquer valor. Para o regresso, o sacador tem direito de regressar parte (25 mil). Aceito por 25.000,00 *assinatura do B*. 2. Modificativo: Em geral modifica o vencimento. É possível qualquer data. Vencimento antecipado contra o sacador. Tem como consequência o impedimento que o sacado seja procurado antes do vencimento. Aceito para 15 de abril de 2022 *assinatura do B*. Nas garantias o garantidor coloca o seu patrimônio à disposição para o cumprimento da dívida. A garantia pessoal no regime cambial é o aval (avalista). Não existe garantia real no regime cambial. Não há garantia absoluta de crédito, para uma dívida ser executada é necessário que o devedor possua patrimônio, e na falta desse não há como garantir o crédito. http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/dec%2057.663-1966?OpenDocument http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/dec%2057.663-1966?OpenDocument 4 Direito Econômico e Empresarial III - Bianca Marinelli O aval avaliza o título, é autônomo, não precisa saber de quem é e a sua procedência. O avalista comparece no título para garantir a obrigação com os seus bens. Ele possui a mesma posição (equivalente) que o seu avalizado quanto às ações de cobrança e regressão. O credor pode executar o avalista sem executar o devedor principal. 1. Em branco: Não identifica o avalizado, não identifica o destinatário. É sempre para o sacador. Por aval *assinatura do J*. Avalizado por *assinatura do J*. 2. Em preto: Identifica o avalizado, identifica para quem destina o aval. Avalizo para D *assinatura da F*. O sacado continua sendo o devedor principal e todos que entram no esquema passam a ser devedores solidários. Não há prioridade de cobrança, o credor pode escolher qual coobrigado quiser. Aval sem garantia não faz sentido de ocorrer, já que a sua função é de garantir a obrigação. Ao avalizar escrevendo “Avalizo sem garantia”, avalizará com garantia. Aval e fiança ambos são garantias pessoais. As fianças são garantias nos contratos (direito civil) e os avais são garantias no regime cambial. O aval é autônomo, caso uma obrigação for contaminada, as outras não serão. Já a fiança é acessória, se provar que a obrigação não existe, as outras também desaparecerão; se o contrato desaparecer, desaparece a fiança. A fiança tem benefício de ordem (renunciável, mesmo que geralmente não renunciem), o fiador pode exigir que antes de cobrar sob o patrimônio dele se cobre o patrimônio do afiançado. O aval não tem ordem, o credor pode cobrar o avalista sem cobrar o avalizado. A fiança exige anuência do cônjuge, outorga o cônjuge. Fiança sem anuência do cônjuge não tem valor, é inválida. A anuência não significa que está se tornando fiador também. O aval não exige a anuência do cônjuge, diferente do que é dito no art. 1.647 CC, pois neste os títulos de crédito são diferentes do regime cambial (sendo mais bem denominado como documentos de crédito no Código Civil). Os títulos de crédito surgiram para facilitar as negociações, por isso a exigência da outorga do cônjuge no aval não faria sentido, dificultaria as negociações. Entretanto, a outorga na fiança é para preservar o patrimônio do casal, por esse motivo a outorga no aval poderia ser exigida, mas como não tem previsão na Lei Uniforme, não prevalece esse entendimento. Aval e garantias extra cartulares É comum o devedor assinar dois documentos no banco, o contrato de empréstimo e o título (normalmente nota promissória) vinculada a esse contrato. O motivo disso ocorrer é que o banco pode transferir o crédito pela cambial, na nota promissória, por exemplo, é só endossar. O banco também poderá executar os dois documentos, não simultaneamente, tendo a opção de escolher qual deles. Para o credor bancário é mais fácil executar o avalista do que o fiador no contrato, porque o avalista tem menos matéria de defesa. O avalista indiretamente acaba garantindo o contrato ao avalizar e sofre os efeitos do contrato “sem querer”. Para que aquele que avaliza não se vincule ao contrato “sem querer”, a Súmula nº 26/STJ dispõe que o aval só tem validade se o avalista tiver assinado também o contrato. O avalista do título de crédito vinculado a contrato mútuo também responde pelas obrigações pactuadas, quando no contrato figurar como devedor solidário. No endosso o endossante garante o cumprimento do título, é quem endossa. O primeiro endossante é sempre o tomador. Endossatário é quem recebe por endosso. 1. Próprio: Possui dois efeitos, sendo eles a transferência do crédito e tornar coobrigado (codevedor) o endossante. 2. Impróprio: Chamando algo que não é endosso de endosso, desvirtuando o sentido próprio. Legitima o título na posse de terceiro. → Endosso mandato. Equivale a uma procuração, e quem age por procuração não age em nome próprio, age em nome do procurador. Outorga poderes para agir em nome de quem deu a procuração, 5 Direito Econômico e Empresarial III - Bianca Marinelli Obriga prestação de contas. Um crédito a receber faz parte do seu patrimônio. Endosso mandato para fulano *assinatura*. MM foi o último a endossar, mas foi um endosso mandato. Endosso mandato equivale a uma procuração, e quem age por procuração não age em nome próprio, age em nome do procurador. Outorga poderes para agir em nome de quem deu a procuração, MM agirá em nome de JM, mas JM não transferiu o crédito, MM deverá transferir o dinheiro posteriormente a JM. Endosso impróprio, legitima na posse de terceiro. MM poderia fazer um novo mandato. Procuração de subestabelecimento, transferência dos poderes a alguém. Vedado o subestabelecimento é possível. É possível estabelecer com reserva os poderes, continuando com os seus poderes e passa os poderes a alguém para atuar no processo também. Sem reserva significa que o passa os poderes a alguém e não vai mais atuar no processo. → Endosso caução/garantia. Não transferiu o crédito, deu em garantia. Endosso caução/garantia para fulano *assinatura*. Pode virar endosso de efeito comum. Caso a dívida não for paga e no dia do vencimento ainda estiver em garantia, poderá ser exercido o direito do título, tendo efeito de endosso comum. No endosso caução é feito o endosso para entregar o título sem transferir o crédito. Legitima na posse de terceiro. → Cláusula sem garantia (não aceitável). É possível a quem endossa deixar claro que não quer garantia. Permite que o sacado só seja procurado no dia do vencimento. Elimina a possibilidade de pagamento antecipado. Deve ser expresso. Ela elimina o segundo efeito do endosso (tornar obrigado). Endosso sem garantia para fulano *assinatura*.Para descobrir o atual credor do título é necessário ver a linha de endosso. Para saber se o título foi endossado é necessário ver se o favorecido endossou ou não. Não há uma ordem para as assinaturas. Responsabilidade do endossatário Os falsários criam créditos recebíveis fictícios a partir de títulos protestados sem visto, por exemplo, e fazem a operação do desconto bancário. Desconto bancário é uma operação de antecipação de recebíveis. É comum o credor desses créditos realizarem tal ação para ter um dinheiro antecipado. Dever de indenizar quem sofreu por conta da realização desses títulos. Súmula 475 STJ (endosso próprio): Responde pelos danos decorrentes de protesto indevido o endossatário que recebe por endosso translativo título de crédito contendo vício formal extrínseco ou intrínseco, ficando ressalvado seu direito de regresso contra os endossantes e avalistas. Súmula 476 STJ (endosso mandato): O endossatário de título de crédito por endosso- mandato só responde por danos decorrentes de protesto indevido se extrapolar os poderes de mandatário. O mandatário apenas fez a sua obrigação, portanto, os danos devem se voltar quanto o credor. Princípio da literalidade: Tudo o que se refere ao título está no título. Não se admitem documentos anexos ou externos. Tem o valor, vencimento, quem deve etc. Não é comum um título ser endossado várias vezes ou possuir vários aceites, mas pode ocorrer quantas vezes quiser (não há limite) podendo até colar um papel para continuar. Exemplo: A é o sacador e da a ordem de pagamento a B. A é coobrigado. H J | / A – B | C – D – E 6 Direito Econômico e Empresarial III - Bianca Marinelli B é o sacado que recebeu a ordem de pagamento de A. B é o devedor principal. C é o tomador favorecido pela ordem. H é o avalista que garante a obrigação com os seus bens. J é o avalista (em branco) que garante a obrigação com os seus bens. A é o avalizado. C endossa para D. C é o endossante que garante o cumprimento do título a D. C é coobrigado. D é o endossatário que recebe por endosso. D endossa para E. D é o endossante que garante o cumprimento do título a E. D é coobrigado. E é o endossatário que recebe por endosso. E, como último endossatário, é o credor. O título é entregue para ele. Ação de regresso ocorre dos posteriores aos anteriores, dos devedores mais recentes aos mais antigos. E pode mover ação contra todos, por solidariedade ou contra todos ao mesmo tempo. E deve primeiro cobrar B x realizando um protesto cambial entregue pelo cartório. D pode executar C, B, A, H e J. C pode executar B, A, H e J. B pode executar A, H e J. A pode executar H e J. Não existe testemunha, ao assinar o título avalizará. Caso o sacador seja devedor, seu avalista também será. F avalizou para D. E avalizou para G. I é avalista do sacado (B) que garante a obrigação com os seus bens. B é o avalizado. M é o avalista (em branco) que garante a obrigação com os seus bens. A é o avalizado. L é o avalista que garante a obrigação com os seus bens. I é o seu único avalizado. Avalizou para quem já é avalista. P é o avalista que garante a obrigação com os seus bens. F é o seu único avalizado. Avalizou para quem já é avalista. G endossa para N. G é o endossante que garante o cumprimento do título a N. G é coobrigado. N é o endossatário que recebe por endosso. N endossa para O. N é o endossante que garante o cumprimento do título a O. N é coobrigado. O é o endossatário que recebe por endosso. O, como último endossatário, é o credor. O título é entregue para ele. B é o devedor principal que deve pagar. Há 5 endossantes, o sacador A e o devedor B, além dos avalistas para O cobrar. Não será necessário executar todos. Caso alguém que não seja o devedor principal pague, cabe regresso. Se pode regressar contra D, pode contra F e P. Se pode regressar contra B, pode contra I e L. Se pode contra A, pode contra H, J, M. O devedor mais antigo, depois do principal, é o A. B1, A2, C3, D4, E5, G6, N7. L | H J M I | / / / A – B | C – D – E – G – N – O | F | P 7 Direito Econômico e Empresarial III - Bianca Marinelli Sentido de regresso. É possível o aval parcial, embora não seja usual. Da mesma forma, é possível aceite parcial (sendo limitativo e modificativo). Endosso parcial não é admitido, ou se faz total, ou não se faz. 1. Aval simultâneo: Todo o valor contra os anteriores ou parte contra os simultâneos (depende de quantos são) e o restante contra os anteriores. Regressa sempre o que você pagou, a única exceção é no simultâneo. Ao mesmo tempo para o mesmo avalizado. H, J e M. São ao mesmo tempo do sacador. Dois ou mais avalistas para o mesmo avalizado. Para o regresso, quando só o J paga, cada aval paga 1/3, eles dividem o valor. O J pode regressar contra o avalizado A e contra os mesmo que o A (B, I, L) todo o valor. Contra o H e M só 1/3 de cada. O mesmo ocorreria com o H e M. 2. Sucessivo: Suceder o outro. Avalista do avalista. I e L, F e P. P é avalista de F. F é avalista do D. Avalista sucessivo somente regressa até o seu avalizado. Ou seja, P só regressa até F. F pode regressar para todos que o D pode. É melhor ser avalista sucessivo. Nunca regressa do avalizado para o avalista, I para L, por exemplo, não ocorre. Avalista sucessivo só regressa contra o seu avalizado. Nunca o avalizado regressa contra o seu avalista. No cheque o devedor principal é o sacador. Caso haja duas assinaturas atrás, pode ser endosso (credor) ou aval. Aval em branco é para o sacador. Não precisa ser expresso que é aval, pois só pode transferir quem é credor. Sendo assinatura, poderia ser emissão, aceite, endosso ou aval. Títulos em branco ou incompletos Súmula 387 STF. A cambial emitida ou aceita com omissões, ou em branco, pode ser completada pelo credor de boa-fé antes da cobrança ou do protesto. Emitiu o título, deixou em branco ou assinado em branco, pode ser completada pelo credor de boa fé. Essa súmula é do STF porque o STJ foi criado posteriormente. Protesto cambial é um ato que incorpora ao título um fato relevante. O protesto não serve, necessariamente, para cobrar a dívida. Nem todo protesto prova a inadimplência, mas esta é um fato relevante. Lei nº 9492, lei do protesto. 1. Protesto por falta de aceite. Chama o sacado para dar o aceite. Vai até o cartório para negar o aceite. É necessário um documento (protesto) que afirma a falta do aceite. 2. Protesto por falta de data no aceite. Vencimento: → À vista: Caso não tenha data de vencimento. → Em data certa: Vencimento em data certa é feito comumente. → A certo termo da data: Saque, “pagarei até 30 dias de tal data”. → A certo termo da vista: Aceite, “pagará 30 dias após a vista”, depende do aceite para calcular. O título emitido em branco pode ser preenchido de boa fé pelo credor. 3. Protesto por falta de pagamento. Provar que cobrou do devedor principal é protesto de pagamento. Para vincular os coobrigados é necessário fazer protesto do título. O credor tem o prazo de apresentar o título de 2 dias úteis, nos expedientes bancários e de cartórios. Exemplo: 24 de fevereiro de 2022, primeiro dia útil teria como prazo o dia 2 de março. L | H J M I | / / / A – B | (sem despesa) C – D – E – G – N – O | (sem garantia) F | (sem despesas) P 8 Direito Econômico e Empresarial III - Bianca Marinelli Exemplo: Sexta feira, o primeiro dia útil teria como prazo a terça. Só se exige dos coobrigados quando o devedor principal foi obrigado a pagar e não pagou. A partir do momento que é feito o protestocontra o devedor principal, o credor porta o título de crédito e o protesto. A cláusula sem despesas deixa claro que o devedor deve o título mesmo sem a realização do protesto, não precisa ter protesto para ficar coobrigado. Ainda que perca o prazo para fazer o protesto, conseguirá cobrar. É realizado devido ao fato de o prazo ser curto. Qualquer avalista, sacador ou endossante podem fazer a cláusula sem garantia. Caso o título não tenha sido apresentado no prazo, será sem despesas. Avalizo sem despesas, endosso sem despesas. Protesto pode ser facultativo ou necessário. 1. Facultativo: Deve a obrigação mesmo sem protesto (ou protesto fora do prazo). Ter o protesto fora do prazo é o mesmo que não ter. Quem deve é o devedor principal, seu avalista e aqueles que inseriram cláusula sem despesas. Só podem executar sem protesto: N, P, B e I. Não é eterno, tem prazo prescricional. 2. Necessário: Quem deve é o sacador, os avalistas (exceto do devedor principal) e endossantes. Exceto se inserirem cláusula sem despesas. Só podem executar se tiver protesto necessário: G, D, F, C, A, L, J, H, M. Caso algum dos devedores do protesto facultativo pague, ele só poderá regressar contra aqueles que podem ser cobrados no protesto facultativo. Ou seja, I só poderá regressar B. Protesto é diferente de execução. Para executar os devedores é necessário ver se o protesto é necessário ou facultativo. Alguns podem ser executados sem processo e outros que para executar é preciso o protesto. Isso se materializa na ação de execução, e para mover a ação de execução é necessário a existência do título. O protesto é facultativo para determinadas pessoas significa que não precisa juntar na execução para realizar o protesto, basta o título. É facultativo, se quiser juntar pode, é uma faculdade, mas tem alguns que só pode se tiver o protesto no prazo. O protesto é facultativo para o devedor principal e seu(s) avalista(s). LM. Devem mesmo se não haja protesto. Só existe uma pessoa a ser protestada, devedor principal. Caso ele tenha sido protestado no prazo, gera obrigação aos demais. Uma coisa é ser protestado, outra é ser executado. Devedor principal pode ser executado sem protesto. Aqueles que assinaram cláusula sem despesa também se enquadram, clausula sem despesa significa cláusula sem protesto GA. Se não tem protesto no prazo só pode regressar contra o devedor principal e seu avalista, e aqueles que assinaram clausula sem despesa. Princípios do regime cambial 1. Literalidade: O que vale está no título, nenhum outro documento fora vale, nada que se refere ao título pode estar fora do título. A ideia é facilitar a simulação do crédito. Só se admite fora do título o protesto, pois ele se incorpora ao título, fora o protesto nada mais pode existir fora do título. 2. Cartularidade: Só se exerce direito com a apresentação do título. Esses princípios estão caindo em desuso devido as transações eletrônicas e títulos de crédito eletrônica. Exemplo: TED, DOC, PIX etc. 3. Autonomia das obrigações: Dentro do regime cambial é diversos tipos de obrigações. Cada uma das assinaturas abrigam uma obrigação. Cada obrigação é autônoma em relação a outra. No esquema apresentado há 7 obrigações autônomas dos avalistas e 4 obrigações autônomas dos endossantes (o endossante sem garantia E não o torna coobrigado). Se houver algo que as contamine, não contaminará as outras. 9 Direito Econômico e Empresarial III - Bianca Marinelli 4. Abstração: Abstrai do contexto as obrigações, olhar cada obrigação separadamente, de forma autônoma. A, B e C já geram duas obrigações. A emitiu e B deu o aceite. Quando D endossa o título surge outra obrigação. Caso B tenha sido coagido a dar o aceite, não será possível saber se é verdade apenas observando o título. B conseguiu, de alguma forma, comprovar que foi coagido. Mesmo assim, a obrigação de C e D continua existindo. Se houver algo que contamine uma obrigação, não contaminará as outras. 5. Inoponibilidade de exceções pessoais ao terceiro de boa-fé: Inoponibilidade é a não possibilidade de oposição/apresentação. Exceções significa defesas. Terceiro é aquele que não participou da obrigação, mesmo estando presente no título. Exemplo: D é um terceiro na relação de A e B, B e C. 6. Boa-fé: Basta ter ciência do vício para estar de má-fé. Exemplo: C endossa para D, D é o credor. D cobra A e este se recusa a pagar devido a um problema do carro. O defeito do veículo é uma discussão possível entre A e C, mas não entre D, pois ele é um terceiro da relação de boa-fé (não teria como ele saber que o veículo estava com defeito). Terceiro não pode ser surpreendido com algo que venha trazer prejuízo a ele. Não possibilidade de apresentação de defesas pessoais ao terceiro de boa fé. Um terceiro de má-fé seria, por exemplo, C arrumar um bobo que comprou o carro velho e D, sabendo disso, endossou o título. Um fornecedor saber do vício dos defeitos em uma loja de celulares e mesmo assim realizar venda. Decreto nº 57663/66 promulgou as convenções para a adoção de uma Lei Uniforme. Convenção de Genebra (1930). A distância das datas de entrada (1930 à 1966) tem como motivo o fato de que nós já tínhamos outra convenção (Decreto nº 2044/1908) que disciplinava o regime cambial. No período entre esses anos ocorreram fatos mais relevantes para se preocupar (Golpe Militar, por exemplo). Para que um tratado internacional passa a ser ler é necessário que passe pelo Congresso e torne um decreto legislativo. Quem edita um decreto é o Poder Executivo. O Presidente da República permitiu a entrada desse tratado (Decreto nº 57663/66) sem que passasse pelo Congresso. O Decreto nº 2044/1908 não foi revogado expressamente. É encontrado na legislação complementar. Nas legislações que conflitam entre si, é aplicado a lei mais nova, sendo aplicado, portanto, o Decreto nº 57663/66. Na maioria dos casos é aplicado a Lei Uniforme, mas ainda há dispositivos vigentes do Decreto nº 2044/1908, sendo as matérias que não foram abordadas na primeira. Ainda há, portanto, dispositivos vigentes do Decreto nº 2044/1908, sendo em sua maioria irrelevantes. Nem tudo que há nos tratados podem ser aplicados em todos os países da mesma maneira, devido as questões de costume, religião, costumes etc. Reservas de tratados internacionais são declarações unilateral de uma parte, expressa no momento do consentimento, com o objetivo de excluir ou modificar o efeito jurídico de uma ou mais disposições do mesmo, em relação à outra parte. No Brasil o título passa a ser exigível (podendo ser cobrado juros, executar) no dia de vencimento. Já na Convenção de Genebra está sancionado que o prazo de execução é de dois dias após o vencimento. O Brasil fez reserva a esse dispositivo, tendo como motivo o nosso histórico instabilidade econômica (inflação). Portanto, os dispositivos ainda vigentes são as matérias não tratadas na Lei Universal e aquelas que o Brasil fez reserva à Lei Universal. Classificação das cambiais Quanto ao modelo: a) Vinculados: Cheque e duplicata. Padrão estabelecido em lei. b) Livres: Letra de câmbio e nota promissória. Não tem padrão exigido em lei. Pode ser em qualquer formato (retangular, amarela, vertical, horizontal, pequena, grande etc.). Quanto à estrutura: 10 Direito Econômico e Empresarial III - Bianca Marinelli a) Ordem de pagamento: Letra de câmbio, cheque e duplicata. Tem sacador, sacado e tomador. b) Promessa de pagamento: Nota promissória. Alguém promete pagar a alguém. Quanto às hipóteses de emissão: a) Causais: Duplicata. Causa prevista em lei. Não pode emitir em qualquer circunstância. Previsão de emissão. Quem emite é quem vendeu a mercadoria. Para venda de mercadoria ou prestação de serviço precisa de emissão de nota fiscal de venda. b) Não causais: Letra de câmbio,nota promissória e cheque. Não tem causa prevista em lei, emite-se quando quiser. c) Limitados: Letra de cambio quando cabível a duplicata. Quando cabível duplicata não pode emitir uma letra de câmbio. Exemplo: Venda de produto, em vez de emitir a letra de câmbio, deve ser emitido duplicata. Por isso a letra de câmbio “desapareceu”. A lei proíbe a emissão. Quanto à circulação: a) Ao portador: Letra de câmbio, nota promissória e duplicata não dá para ser emitido ao portador. O nome do tomador é requisito do título. O cheque pode ser emitido ao portador, em sua legislação está prevista essa possibilidade, desde que tenha o valor de até 100 reais. O cheque foi criado para circular ao portador, mas foi abolida essa possibilidade porque dá a possibilidade de alguém retirar o seu valor sem se identificar ou de guardar dinheiro obtido de forma ilícita sem se identificar. Cheque sem nominativo o banco devolve caso o valor seja maior que 100 reais. O banco exige identificação. Manteve essa possibilidade de emissão do crédito b) Nominativos à ordem: Em regra do regime cambial, todos os títulos são emitidos à ordem. Estará presente o nome do favorecido (não será necessário o seu documento). c) Nominativos não à ordem: É possível emitir e endossar o título com cláusula não à ordem. Deve ser escrito no verso do título. Endosso não à ordem a *nome da pessoa*, Endosso sem garantia e não à ordem a *nome da pessoa*. Cláusula não a ordem é obrigada da mesma forma. Não será possível a transferência por endosso, mas será possível por meio da cessão de crédito. No contrato comparecerá o cedente, o aceite do cessionário, assinatura de ambos e notificarão o banco. A partir da cessão civil não será regime cambial. Endosso póstumo: Feito após o título ser exigível e comprovadamente não satisfeito. É a partir do protesto que se prova que o título é exigível e não foi pago/satisfeito. Mesmo sendo improvável, pode ocorrer de alguém endossar o título que é exigível e não foi satisfeito. O banco pode devolver cheques por diversas razões, por exemplo, por ser sem fundo. No cheque, para efeito de vincular os coobrigados, é a partir do carimbo de devolução (assim como o protesto é usado para os outros títulos). O endosso póstumo será na letra de cambio, na nota promissória e na duplicada, todas protestadas, ou no cheque devolvido (com carimbo de devolução). Endosso póstumo tem efeito de cessão civil depois que é comprovado que ele não foi pago. Ou seja, a partir do endosso póstumo o endossante não será codevedor, não será regra de regime cambial. Requisitos da letra de câmbio estão presentes no art. 1º e 2º da Lei Uniforme. Art. 1º A letra de câmbio é uma ordem de pagamento e deve conter requisitos, lançados, por extenso, no contexto: I. A denominação “letra de câmbio” ou a denominação equivalente na língua em que for emitida. II. A soma de dinheiro a pagar e a espécie de moeda. III. O nome da pessoa que deve pagá- la. Esta indicação pode ser inserida abaixo do contexto. IV. O nome da pessoa a quem deve ser paga. A letra pode ser ao portador e também pode ser emitida por ordem e conta de terceiro. O sacador pode designar-se como tomador. V. A assinatura do próprio punho do sacador ou do mandatário especial. A 11 Direito Econômico e Empresarial III - Bianca Marinelli assinatura deve ser firmada abaixo do contexto. Em outras palavras, os requisitos serão: → Expressão “letra de câmbio” inserida no próprio texto, não apenas no alto do título; → Ordem incondicional, o valor monetário a ser pago; → Nome do sacado (quem vai aceitar ou não); → Nome do tomador; → Data e local do saque; → Lugar do pagamento (praça de pagamento) competência para efeito de protesto também; → Assinatura do sacador. Vencimento não é um requisito, pois caso não haja, será a vista. Ação cambial é a execução, realizada para cobrar o crédito cambiário. O direto de ação pode ser perdido no decorrer do tempo. Para mover ação executiva deve ser consideradas os requisitos do protesto necessário e a prescrição da ação executiva. → O prazo é de 3 anos do vencimento para o devedor principal e avais. → O prazo é de 1 ano do protesto para os demais coobrigados. Caso seja a vista o vencimento será na data que emitiu. → O prazo é de 1 ano do vencimento para os coobrigados que haja cláusula sem despesas. → O prazo é de 6 meses do pagamento para o regresso. Exemplo: Título preenchido em aula. Para o Benedito prescreve dia 15/03/2025. Para o Carlos prescreve 1 ano do dia do protesto (caso não tenha protesto não será coobrigado). Para o avalista sem despesas prescreve dia 15/03/2023. Ações causais discutem a causa da dívida (causa debendi). A existência da dívida tem que ser provada. Suposto devedor tem direito a contraditório e ampla defesa. Quando não há a presença de um título executivo extrajudicial, para obrigar alguém a pagar, deve extrair isso em juízo convencendo o judiciário de que a dívida existe e o seu valor. Caso o judiciário se convença disso, será dada uma sentença pelo juiz, que terá direito a recurso. São ações causais: → Ação de conhecimento: Ação de cobrança do título. Deve-se provar a existência de dívida. → Ação monitória: Art. 700 CPC. A ação monitória pode ser proposta por aquele que afirmar, com base em prova escrita sem eficácia de título executivo, ter direito de exigir do devedor capaz: I - o pagamento de quantia em dinheiro. Essa ação serve para as cambais prescritas. Caso o devedor citado na ação de cobrança não conteste, ocorrerá revelia. Art. 701 CPC. Sendo evidente o direito do autor, o juiz deferirá a expedição de mandado de pagamento [...] concedendo ao réu prazo de 15 (quinze) dias para o cumprimento e o pagamento de honorários advocatícios de cinco por cento do valor atribuído à causa. Ao entrar com essa ação, o juiz não manda citar o réu para se defender, ele defere a expedição de mandado de pagamento. Art. 702 CPC. Independentemente de prévia segurança do juízo, o réu poderá opor, nos próprios autos, no prazo previsto no art. 701, embargos à ação monitória. O réu pode não pagar, mesmo com o mandado de pagamento e entrar com embargos à ação monitória. A partir disso ele entrará com defesa e a ação prosseguirá como ação de conhecimento (todo o processo desta, produção de provas etc.). Art. 701 CPC, §2º. Constituir-se-á de pleno direito o título executivo judicial, independentemente de qualquer formalidade, se não realizado o pagamento e não apresentados os embargos [...]. A vantagem da ação monitória é que caso o devedor não se manifestar, o juiz transformará em título executivo. Com relação à força das ações, têm-se a de execução como mais forte, seguida da monitória e conhecimento. Ação monitória se o devedor não se defender. É um atalho para conseguir o título executivo. A ação cambial é a execução. Para mover a ação executiva não basta ter o título executivo. Exigível, não pode exigir pagamento quando o título está vencido, 12 Direito Econômico e Empresarial III - Bianca Marinelli certo, precisa ter todos os requisitos que a lei prevê, liquido porque é determinado, pode ser obtido com simples cálculos aritméticos e é pro rata (proporcional), devendo haver demonstrativo. Prescrição das ações causais As ações causais são de conhecimento e monitória. Quem deve esse título é o devedor principal, ou seja, só poderá ser contra o devedor principal. O avalista não entrará nessa relação, porque não é mais regime cambial, assim como os outros coobrigados. Não será mais possível executar, mas haverá prazo de prescrição das ações causais. Art. 205 CC. A prescrição ocorre em dez anos, quando a lei não lhe haja fixado prazo menor. Art. 206, §5º, CC. I - a pretensão de cobrança de dívidas líquidas constantes de instrumento público ou particular. Há divergênciasobre esse prazo de prescrição, tendo sido recorrido ao STJ essa discussão. Súmula 503 STJ. O prazo para ajuizamento de ação monitória em face do emitente de cheque sem força executiva é quinquenal, a contar do dia. Súmula 504 STJ. O prazo para ajuizamento de ação monitória em face do emitente de nota promissória sem força executiva é quinquenal, a contar do dia seguinte ao vencimento do título. Para fins de esclarecimento o prazo é de 5 anos. Cláusula mandato é diferente de endosso mandato. É uma cláusula realizada em contrato. Súmula 60 STJ. É nula a obrigação cambial assumida por procurador do mutuário vinculado ao mutuante, no exclusivo interesse deste. Para admitir cheque é necessário um contrato com o banco. O cheque especial dá um limite de crédito na conta, mesmo que o sujeito não tenha saldo. Caso esses créditos sejam gastos, será cobrado o valor com juros. Muitos passam a usá-lo como se fosse parte de sua renda. Para cobrar o banco usará o contrato para executar o devedor e os extratos da conta. O extrato não é líquido, os lançamentos são feitos unilateralmente (apenas pelo banco) e é cobrado débitos em juros. Súmula 233 STJ. O contrato de abertura de crédito, ainda que acompanhado de extrato da conta corrente, não é título executivo. Como é de entendimento que o extrato bancário não é título executivo, o banco deve realizar ação monitória. As regras do regime cambial podem ser minimizadas nas relações de consumo. As regras das relações de consumo, em sua maioria, protegem o consumidor e a sua hipossuficiência. As regras do regime cambial podem entrar em discordância com as das relações de consumo, e, no choque entra as duas, as regras rígidas do regime cambial geralmente não prevalecem, e sim as que protegem o consumidor. No pagamento do título de crédito o devedor deve tomar a cautela de: → Exigir a apresentação do título, porque ele pode ter sido endossado, ou seja, pode haver outro credor; → Conferir a cadeia de endosso, ver se quem está recebendo é mesmo o credor, o último endossante; → Exigir quitação do título para provar que ele foi pago, *recebido no dia tal*. Após ser feito o protesto por falta de pagamento, o pagamento pode ser feito de duas formas: → Em cartório: O cartório não recebe com juros, ganha valor de face do título. Isso ocorre porque ele não quer se responsabilizar por taxa de juros de 1% ao mês e por taxa exigida por banco. Caso o credor deseje receber com juros, ele deverá mover uma ação de conhecimento e pedindo uma ação própria expondo que foi pago em cartório e que os juros não foram pagos. A maioria dos credores já se satisfazem com o valor sem juros. → Por cancelamento: Depois que o título é pago é necessário cancelar o protesto. O título é levado no cartório e deverá ser pedido o cancelamento. O cartório cobrará as despesas pendentes. Admite-se apenas uma declaração do credor que confirma reconhecendo o cancelamento. Não precisa ser necessariamente no título. 13 Direito Econômico e Empresarial III - Bianca Marinelli Nota promissória Nota promissória não tem sacado, apenas alguém que promete (sacador) e alguém que tem o título a receber (tomador), como se fosse uma letra de câmbio sem o aceite. O sacado na promissória é o tomador, já que saque é a emissão, sendo o sacado o agente que emite o título. Quem faz o primeiro endosso é o sacado, tomador. Requisitos da nota promissória: Art. 75. A nota promissória contém: 1. denominação "nota promissória" inserta no próprio texto do título e expressa na língua empregada para a redação desse título; 2. a promessa pura e simples de pagar uma quantia determinada; 3. a época do pagamento; 4. a indicação do lugar em que se efetuar o pagamento; 5. o nome da pessoa a quem ou à ordem de quem deve ser paga; 6. a indicação da data em que e do lugar onde a nota promissória é passada; 7. a assinatura de quem passa a nota promissória (subscritor). Art. 76. O título em que faltar algum dos requisitos indicados no artigo anterior não produzirá efeito como nota promissória, salvo nos casos determinados das alíneas seguintes. A nota promissória em que se não indique a época do pagamento será considerada à vista. Na falta de indicação especial, o lugar onde o título foi passado considera-se como sendo o lugar do pagamento e, ao mesmo tempo, o lugar do domicílio do subscritor da nota promissória. A nota promissória que não contenha indicação do lugar onde foi passada considera-se como tendo-o sido no lugar designado ao lado do nome do subscritor. Não se aplica a regra do aceite na nota promissória, porque nesta não tem aceite. Ninguém é obrigado a se vincular, mas caso se vincule, será obrigado. Devedor principal é o sacador. O protesto é facultativo na nota promissória para o sacador e seus avalistas. Aval em branco é para o sacador, igual a letra de cambio, a diferencia é que o emitente é o devedor principal. Diferenças entre nota promissória e letra de câmbio: → Não se aplicam a nota promissória as regras sobre aceite; → Sacador da nota promissória equipara-se ao sacado da letra de câmbio; → Aval em branco é para o emitente; → Há nota promissória a certo termo da vista (visto) existe, mesmo que não tenha aceite, há a previsão de um visto que funciona como esse aceite. Pagarei a nota promissória tanto dias após o visto. Determinado dia após a vista, determinado após o aceite. Na letra de cambio é possível determinar uma data que ela poderá ser apresentada, como a nota promissória não tem aceite, é colocado um prazo a partir do visto. O devedor será procurado 2x, uma para dar o visto e outro para ser cobrado. Se a assinatura do verso for do credor, é endosso. Em branco não designa para quem é o endosso. Aval em branco é para o sacador. Duas assinaturas, uma do credor e a segunda, embaixo, pode ser endosso ou avalista. Vai ter dificuldade no regresso, porque coobrigados eles serão de qualquer forma. Formalismo: Conceito de título de crédito. “Documento necessário (registro de informações) para o exercício de um direito literal é autônomo”. Não pode mais ser usado o termo documento necessário, para encontrar a confirmação de que o crédito existe é precisa analisar no registro de informações (eletrônico), certificadora (autorizada e fiscalizada pelo poder público). A assinatura eletrônica (certificado digital) garante que a certificadora reconheça que aquele que está tendo acesso a essa informação é realmente o credor. Caso o título esteja formalmente em ordem, para títulos eletrônicos não é relevante, porque o que importa é o registro. → Conformidade com a lei (a lei vai dizer se o título é válido); → Possibilidade de execução forçada (é título executivo, sem título, porque é eletrônico); → Pode ser tirado um extrato, registro de informação material. 14 Direito Econômico e Empresarial III - Bianca Marinelli → Inoponibilidade de exceções pessoais (ao terceiro de boa-fé). O espaço para avais não tem lugar para assinar, muita gente é induzida a erro. Deve ter a assinatura do avalista. Deve ter assinatura do emitente. Colocar o mês sem ser por extenso não é indicado devido a facilidade na falsificação. Utiliza-se “pagarei” ou “pagaremos”. Pagará não, é ordem, não promessa. Sacador é o emitente. Devedor principal é quem emite. Enunciados da Jornada de Direito Comercial Os seguintes enunciados são de doutrinas, e não foram abordados casos concretos. O regime cambial está sedo discutido nessas jornadas. Enunciado 69. Prescrita a pretensão do credor à execução de título de crédito, o endossante e o avalista, do obrigado principal ou de coobrigado, não respondem pelo pagamento da obrigação, salvo em caso de locupletamento indevido. O enunciado baseia-se na pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que, salvo quando demonstradoseu locupletamento ilícito, o endossante e o avalista, inclusive de obrigado principal, são partes ilegítimas para responder por dívida inscrita em título de crédito prescrito, na medida em que o instituto da prescrição extingue a autonomia das relações jurídicas cambiais firmadas, devendo o beneficiário do título demonstrar, como causa de pedir na ação própria, o locupletamento indevido, seja do emitente ou endossante, seja do avalista. → Locupletamento (enriquecimento) ilícito; → Ações causais podem ser monitórias e de conhecimento, sendo a monitória a mais recomendável no ponto de vista prático. A ação de locupletamento (enriquecimento) ilícito permite entrar em contato com o devedor principal, sem ser por ação monitória e sem precisar discutir a origem da dívida. Existe essa possibilidade, mas não ocorre no cotidiano; Art. 48, Decreto 2044/1908. Sem embargo da desoneração da responsabilidade cambial, o sacador ou o aceitante fica obrigado a restituir ao portador, com os juros legais, a soma com a qual se locupletou à custa deste. A ação do portador, para este fim, é a ordinária. → O decreto ainda está vigente no Brasil naquilo que não é abordado na Lei Uniforme. Enunciado 70. O prazo estabelecido no art. 21, § 1º, da Lei n. 9.492/97, para o protesto por falta de aceite é aplicável apenas na falta de disposição diversa contida em lei especial referente a determinado título de crédito (por exemplo, duplicatas). Aplica-se, portanto, a disposição contida no art. 44, 2ª alínea, da Lei Uniforme de Genebra, ao protesto por falta de aceite de letra de câmbio. Embora haja previsão, na Lei n. 9.492/97, de que o protesto por falta de aceite somente pode ser feito antes do vencimento, mas após o decurso do prazo legal para apresentação ao aceite e devolução do título pelo sacado, tal regra não é de aplicação cogente a todos os títulos representativos de ordens de pagamento em dinheiro e aceitáveis. O enunciado aprovado considera a disposição do art. 21, § 1º, da Lei n. 9.492/97 como norma de cunho geral, aplicável na omissão da lei especial sobre determinado título de crédito. Como ilustração, temos a duplicata sem aceite, que deverá ser levada a protesto acompanhada de outros documentos para que o portador possa promover a execução em face do sacado, nos termos do art. 15, II, da Lei n. 5.474/68. Este protesto pode ser tirado antes ou após o vencimento, sendo que, nesse caso, será sempre por falta de pagamento. Quando a duplicata for protestada antes do vencimento, deverá ser observada a disposição do art. 21, § 1º, da Lei n. 9.492/97. Tal ocorre porque o art. 25 da Lei n. 5.474/68 não determina a aplicação da legislação cambial em matéria de ação por falta de pagamento, nem tem disposição específica quanto ao prazo do protesto por falta de aceite. Em se tratando de letra de câmbio, ao contrário, deverá ser observado o art. 44, 2ª alínea, da Lei Uniforme de Genebra (Decreto n. 57/663/66), que dispõe de modo diverso – o protesto será realizado dentro do prazo fixado para apresentação ao aceite e não após o mesmo. → Prazo para protesto por falta de aceite. O prazo da lei do protesto só vale caso não tenha prazo na Lei Uniforme, lei principal tem preferência. 15 Direito Econômico e Empresarial III - Bianca Marinelli Enunciado 71. A prescrição trienal da pretensão à execução, em face do emitente e seu avalista, de nota promissória à vista não apresentada a pagamento no prazo legal ou fixado no título, conta-se a partir do término do referido prazo. O art. 77 do Decreto n. 57.663/1966 (Lei Uniforme de Genebra - LUG) enumera as disposições referentes às letras de câmbio que se aplicam às notas promissórias, dentre elas: o vencimento (arts. 33 a 37) e os prazos prescricionais (arts. 70 e 71). O art. 70 da LUG estabelece que “todas as ações contra o aceitante relativas a letras prescrevem em três anos a contar do seu vencimento”, o que também se aplica ao avalista do emitente, nos exatos termos do art. 78 da LUG. Por outro lado, o art. 34 da LUG determina que “a letra à vista é pagável a apresentação” devendo, para tanto, ser apresentada pelo portador em até “um ano, a contar da sua data” de emissão, salvo se prazo diverso constar no título (princípio da literalidade). Importa definir em que momento se inicia a contagem do prazo prescricional (termo a quo) para as notas promissórias à vista, sobretudo, quando o título não é apresentado ao devedor no prazo do art. 34 da LUG. Diante deste cenário, a jurisprudência firmou entendimento que a prescrição começa a correr após o decurso do prazo legal ou convencional de apresentação a pagamento, se o título foi apresentado a posteriori. Ao contrário, na apresentação tempestiva, o termo a quo será o dia seguinte ao da apresentação, que é o do vencimento para os fins do art. 70 da LUG. → Prescrição de nota promissória à vista não apresentada no prazo. → Fala de nota promissória não apresentada no prazo. → Daqui 30 dias, por exemplo, será contado 3 anos após esses 30 dias. A partir desse prazo do visto ela passa a ser exigível. Caso ela não tenha visto, será exigível no prazo. Não vence antecipadamente igual na letra de cambio. 16 Direito Econômico e Empresarial III - Bianca Marinelli Assuntos comentados em aula Capital de giro: A diferença entre os recursos disponíveis em caixa e a soma das despesas e contas a pagar. É o dinheiro necessário para manter o empreendimento e garantir a continuidade da empresa. Adimplemento de prazo: Tempo para adimplemento das obrigações e as possibilidades de antecipação do vencimento do crédito. O tempo do pagamento é um elemento intrínseco à satisfação da obrigação pelo devedor. O instante em que se deve pagar a dívida é de fundamental importância para caracterização de seu vencimento. A inadimplência é normal de ocorrer, sendo inclusive quase impossível não haver. Entretanto, determinadas empresas “faturam mal” por conta da inadimplência exagerada. Lucro operacional: Trata-se do lucro gerado única e exclusivamente pela operação do negócio, descontadas as despesas administrativas, comerciais e operacionais. Assim, exclui-se qualquer movimentação financeira. Lucro financeiro: Aquele que irá afetar diretamente o capital de giro da empresa. Ele é apurado através de uma demonstração de resultados elaborada por vencimento, na forma gerencial, cujo valor final apresentado é igual ao resultado do somatório da variação dos saldos do fluxo de caixa + contas a receber, em um determinado período. Tomada e concessão de crédito quando má gestionada ou se for uma operação de alto risco podem levar ao endividamento de famílias ou acarretar falência de empresas. Ainda, as operações de crédito são limitadas pelas garantias necessárias para sua realização, o que limita o acesso ao crédito a determinados atores sociais. Falência do Consórcio Nacional Garavelo: Decretada em 1997, ocasionou dúvidas nos consorciados sobre como poderiam obter de volta as quantias investidas. Cerca de 20 mil consumidores foram prejudicados em todo o País, e a luta pela restituição ocorre desde 1993, quando o Instituto ingressou com uma Ação Civil Pública por conta dos prejuízos que o consórcio estava causando aos contribuintes. Após a liquidação decretada, o Idec entrou com pedidos de restituição dos valores pagos por seus associados, em processos individuais, e a partir de 2001 começou a habituar os pedidos procedentes da falência. Documentos eletrônicos: O direito comercial, diante de sua evolução histórica, tutela-se o título de crédito enquanto documento material, literalmente declarado sobre um documento de papel, a “cártula”, mas, todavia dever-se-á repensar seu papel para a legitimação dos documentos eletrônicos como títuloscreditícios, ou melhor dizendo na desmaterialização dos títulos de crédito, já que o uso da internet é sinal claro de modernidade , sendo utilizado como meio cada vez maior para a realização e circulação cambiária. Esta prática tem sido considerada válida e eficaz em sede de direito comparado, sendo sinal notório de instrumento de progresso social.