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SEMIOLOGIA OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM > Definir o que é integridade reflexa. > Reconhecer os reflexos profundos e as formas de testagem. > Identificar os padrões normais e anormais de resposta reflexa. Introdução Reflexo é um movimento involuntário e quase instantâneo em resposta a um estímulo, ou seja, não precisa de pensamento consciente, pois ocorre por meio de um arco reflexo. Os arcos reflexos atuam em um impulso antes que esse impulso alcance o cérebro. Os reflexos tendinosos profundos são importantes sinais físicos, que têm um papel importante no diagnóstico neurológico, particularmente para identifi- car inícios de doença. Avaliar os reflexos tendinosos profundos, portanto, é um dos principais componentes do exame clínico do sistema nervoso e auxilia no diagnóstico anatômico, a primeira etapa essencial no processo de diagnóstico neurológico, além de fornecer um indicador importante para saber se o distúr- bio de um paciente surge do sistema nervoso central ou periférico. Entretanto, a avaliação dos reflexos é útil se tomada em conjunto com o quadro clínico geral, pois é extremamente variável e pode ser enganosa se usada isoladamente. Neste capítulo, você vai ver a importância da integridade reflexa para o indivíduo, vai conhecer os reflexos tendinosos e suas maneiras de testagem, Integridade reflexa e reflexos Mateus Dias Antunes bem como reconhecer os principais padrões normais e anormais de resposta reflexa. O sistema nervoso e a integridade reflexa O sistema nervoso é formado por um conjunto de ligações entre nervos e órgãos do corpo, tendo como função captar informações, mensagens e outros estímulos externos e internos e respondê-los. Além disso, ele é o responsável por comandar todos os movimentos do nosso corpo, tanto voluntários quanto involuntários. Controlar todos os sistemas fisiológicos do corpo, como a respiração e os batimentos cardíacos, é uma de suas principais funções. O sistema nervoso permite a identificação, o armazenamento e a interpretação de todos os estímulos externos (como gostos, cheiros, toques, imagens e sons) e internos (como sensação de fome, sede e cansaço). Para iniciar essa explicação, o sistema nervoso é dividido em duas partes: central e periférico. O tecido nervoso apresenta dois principais tipos de células: os neurô- nios, considerados células nervosas, e as neuróglias, que são células gliais. Os neurônios são unidades estruturais do sistema nervoso especializadas em comunicação rápida e as neuróglias são células auxiliares que têm a função de suporte ao funcionamento do sistema nervoso central (SNC) (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2004). Um neurônio é formado por um corpo celular com prolongamentos: os dendritos e o axônio. Os dendritos expressam os impulsos nervosos que entram e saem do corpo celular, enquanto os axônios terminais realizam a sinapse. As camadas de lipídios e substâncias proteicas formam uma bainha de mielina ao redor de alguns axônios, fazendo com que a velocidade do impulso nervoso aumente (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2004). Desses inúmeros neurônios, existem diferentes tipos que podem ser classificados segundo à sua forma ou função. Na classificação de acordo com a forma, eles podem ser neurônios multipolares que apresentam muitos prolongamentos celulares, vários dendritos e um axônio. Já os neurônios bi- polares apresentam apenas dois prolongamentos, ou seja, um axônio e outro prolongamento que pode se ramificar em dendritos e neurônios unipolares que têm apenas um prolongamento: o axônio. Na classificação segundo a função, eles podem ser neurônios sensitivos que recebem os estímulos recebidos de fora do corpo e produzidos internamente, transmitindo-os ao SNC. Já os neurônios motores recebem as informações do SNC e as transmitem para os músculos e as glândulas do corpo. Eles também Integridade reflexa e reflexos2 podem ser neurônios integradores, os quais são encontrados no SNC e co- nectam os neurônios, interpretando estímulos sensoriais (COSENZA, 2013). O outro tipo de células são as neuroglias, também conhecidas como células da glia, as quais são cinco vezes maiores do que os neurônios. Elas são formadas por células não neuronais e não excitáveis, que constituem um importante componente do tecido nervoso, apoiando, isolando e nutrindo os neurônios. As células da glia fazem parte do sistema nervoso. Elas são células auxiliares que têm a função de suporte ao funcionamento do SNC e diferem em forma e função, sendo elas: oligodendrócitos, células de Schwann, células ependimárias, astrócitos e micróglia (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2004). Os oligodendrócitos são as células responsáveis pela produção da bainha de mielina, os quais têm a função de isolante elétrico para os neurônios do SNC e apresentam prolongamentos que se enrolam ao redor dos axônios, produzindo, assim, a bainha de mielina. As células de Schwann apresentam função semelhante à dos oligodendrócitos, no entanto, estão localizadas ao redor dos axônios do sistema nervoso periférico. Cada uma dessas células forma uma bainha de mielina em torno de um segmento de um único axônio. Já as células ependimárias são células epiteliais colunares que revestem os ventrículos do cérebro e o canal central da medula espinal. Em algumas regiões, essas células são ciliadas, facilitando a movimentação do líquido cefalorraquidiano (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2004). Os astrócitos são células de formato estrelado com vários processos que irradiam do corpo celular. Eles contam com feixes de filamentos intermediários formados pela proteína fibrilar ácida da glia que reforçam a estrutura celular. Essas células ligam os neurônios aos capilares sanguíneos e a pia-máter. A micróglia representa células pequenas e alongadas, com prolongamentos curtos e irregulares, as quais são fagocitárias e derivam de precursores que alcançam a medula óssea por meio da corrente sanguínea, representando o sistema mononuclear fagocitário do SNC. Além disso, participam também da inflamação e reparação do SNC, secretam também diversas citocinas regu- ladoras do processo imunitário e removem os restos celulares que surgem nas lesões do SNC (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2004). Reflexos profundos e padrões de processamento neural O sistema nervoso apresenta dois tipos de nervos: os motores e os sensitivos. Os nervos motores atuam na ordenação do movimento. Cada neurônio motor Integridade reflexa e reflexos 3 e suas fibras que são inervadas por ele correspondem à unidade motora; já os nervos sensitivos são responsáveis por conduzir impulsos da muscu- latura para o SNC. Para um trabalho de precisão, é preciso de 3 a 6 fibras musculares por neurônio, enquanto para o trabalho de força são recrutadas até 100 fibras musculares por neurônio. Existem alguns órgãos que são específicos para recepção: os fusos musculares e o órgão tendinoso de Golgi. Os fusos musculares contêm fluido e fibras musculares modificadas cha- madas fibras intrafusais, umas longas e espessas e outras menores e mais delgadas. Já o órgão tendinoso de Golgi está localizado nos tendões, os quais são representados por uma rede de terminações nervosas em formato de pequenos nós. Essas estruturas são sensíveis durante uma tensão muscular (MARIEB; HOEHN, 2008; MOORE; DALLEY; AGUR, 2014). Os reflexos são considerados formas especiais de controle nervoso dos movimentos e das atividades e não dependem da consciência. Os reflexos são automáticos e divididos em três partes: a primeira parte é a estimulação, ou seja, por impulso sensitivo, a segunda parte é quando os neurônios intermediários levam a informação do neurônio sensitivo para o neurônio motor e a terceira parte é quando ocorre o impulso final por meio do nervo motor para ativar o músculo. Os reflexos, porém, podem ser condicionados. Esse tipo de reflexo é responsável por dominar com destreza uma dadaoperação e depende, principalmente, da formação de reflexos novos, ou seja, um mecanismo de comando que não depende de controle consciente, além disso, ele também grava combinações de movimentos, como padrões em regiões de comando (MOORE; DALLEY; AGUR, 2014). Agora, vamos conhecer um pouco mais sobre os padrões de processamento neural. Existem dois tipos, o processamento em série e o processamento paralelo. No processamento em série, todo o sistema nervoso trabalha de uma forma que pode ser prevista como tudo ou nada. Um neurônio estimula o próximo, que ativa o seguinte, e assim sucessivamente, causando uma resposta antecipada específica. Um exemplo de processamento de série são os reflexos espinais e também as vias sensoriais diretas dos receptores até o encéfalo (COSENZA, 2013). Os reflexos são rápidas e automáticas respostas aos estímulos, sendo que um estímulo particular desencadeia sempre a mesma resposta. A atividade reflexa, que realiza o comportamento mais simples, é estereotipada e depende de um estímulo. Um exemplo disso é levar a mão para longe de uma panela Integridade reflexa e reflexos4 quente depois de ter encostado, assim como é desencadeado o fechamento dos olhos quando um objeto se aproxima deles (COSENZA, 2013). Os reflexos acontecem por vias neurais, nomeadas de arcos reflexos. Eles têm cinco componentes essenciais: o receptor sensorial, o neurônio sensorial, o centro de integração no SNC, o neurônio motor e o órgão efetor. Na Figura 1, é possível ver um arco reflexo simples, no qual os receptores detectam as mudanças no ambiente interno ou externo e os órgãos efetores são músculos ou glândulas. Figura 1. Arco reflexo. Fonte: Martini, Timmons e Tallitsch (2009, p. 380). Já em relação ao processamento paralelo, nesse tipo de processo, são segregadas as entradas em diversas vias e a informação que passa em cada uma delas é empregada simultaneamente pelas diferentes partes do circuito nervoso. Um exemplo comum é quando você cheira uma lata de milho (en- trada sensorial), o que pode fazer você lembrar da colheita de milho na zona rural, ou de que você não gosta de milho, ou que precisa comprá-los na feira, ou talvez trazer todos esses pensamentos ao mesmo tempo (LENT, 2010). Em cada indivíduo, o processamento dispara em paralelo a algumas vias que são únicas. O mesmo estímulo — cheirar a lata de milho, conforme exem- plo anterior — promove inúmeras respostas, além da simples consciência do cheiro. O processamento em paralelo não é apenas uma repetição, cada circuito faz ações diferentes com a informação, mas cada canal é decodificado em relação a todos os outros, gerando um todo integrado (LENT, 2010). Integridade reflexa e reflexos 5 Pense, por exemplo, sobre o que ocorre quando você pisa em um prego ao caminhar descalço. O reflexo de retirada, processado em série, causa a retirada instantânea do seu pé machucado do prego, por meio de um estímulo doloroso. Ao mesmo tempo, impulsos nocivos e de pressão rapidamente ascendem para o encéfalo em vias paralelas, o que concede a você decidir pelo simples ato de esfregar a região dolorida para o alívio ou até mesmo correr para uma unidade de saúde (COSENZA, 2013). Esse tipo de processamento é muito importante para as funções mentais superiores por reunir as partes para entender o todo. Um exemplo é que você pode reconhecer uma moeda de dez centavos em uma fração de segundos, tarefa que se fosse executada por um computador com processador em série poderia levar um período muito maior de tempo. Isso acontece pelo fato de você usar o processamento em paralelo, o que possibilita que um único neurônio envie informação para muitas vias e não a apenas uma, favorecendo, assim, o processamento rápido de muito mais informações. De acordo com Silva e Andrade (2021), identificar as atividades reflexas representa uma avaliação essencial na verificação da integridade do sistema nervoso central em todos os ciclos de vida. Por exemplo, os reflexos primi- tivos representam respostas automáticas provocadas por estímulos que impressionam vários receptores e compartilham com o processo evolutivo as características dinâmicas da maturação infantil. O atraso no desaparecimento de um certo reflexo primitivo ou até mesmo a presença dele fora de padrões normais pode indicar um retardo no processo neuropsicomotor. Ainda, os autores destacam que o SNC e sua integridade fazem parte do processo de evolução de forma ordenada, em que cada fase do desenvolvi- mento infantil é resultado da fase antecedente e indispensável à posterior, sendo assim, é necessário identificar se a integridade reflexa está normal ou com alterações. Portanto, fica evidente que o estudo dos reflexos se torna uma ferramenta útil para verificar a integridade do sistema nervoso do indivíduo (SILVA; ANDRADE, 2021). O fisioterapeuta testa os reflexos para determinar se todas as partes nessa via estão funcionando normalmente. Entre os reflexos explo- rados com mais frequência está o patelar e outros semelhantes nos cotovelos e tornozelos. Entretanto, também é preciso ficar atento a outros reflexos que podem oferecer informações importantes. Por exemplo, se os fisioterapeutas avaliam a extensão da lesão de um indivíduo que está em estado de coma, poderá, assim, planejar um prognóstico e propor objetivos e condutas fisioterapêuticas para o paciente. Integridade reflexa e reflexos6 Identificação e testagem dos reflexos Os reflexos profundos são causados pelo estiramento súbito de um músculo, por meio da percussão com um martelo de percussão de borracha, de seu ten- dão ou de uma parte do membro onde ele está inserido. Ambos os segmentos da articulação, distal e proximal, devem ficar em ângulo reto (IVAMOTO, 2014). Os músculos obrigatoriamente precisam ficar relaxados ou em leve es- tado de contração (reforço). Como é essencial a comparação das respostas alcançadas no lado direito com as obtidas no lado oposto, os membros devem ficar em posição simétricas e, se o paciente contrair a musculatura levemente, o grau de contração deve ser simétrico (IVAMOTO, 2014). Nesse contexto, a intensidade das respostas podem ser: � ausentes; � obtidas somente mediante reforço; � hipoativas; � normais; � hiperativas; � com clono não sustentado; � clono sustentado. Conforme Ivamoto (2014), as respostas ausentes ou clônus não sustentados simétricos podem ser notados em pessoas sem alterações. O clono sustentado é considerado patológico. Para cada reflexo, inicialmente o fisioterapeuta pode identificar e realizar o teste do lado assintomático para conhecer a resposta normal do paciente. Depois, ele deve examinar o lado enfraquecido e comparar as respostas obtidas nesse lado com as respostas correspondentes do lado sem alteração. Um ponto muito importante é que, em lesões dos neurônios motores inferiores, a musculatura que está enfraquecida mostra respostas menos intensas que as correspondentes do lado normal. Já as lesões dos neurônios motores superiores, a musculatura que está enfraquecida expõe respostas consideradas mais intensas que as correspondentes do lado não acometido. Outro ponto muito relevante e que deve ser observado pelo fisioterapeuta durante uma avaliação é quando não se obtém resposta ao repouso, deve-se solicitar ao paciente para tracionar as mãos em sentidos opostos, com os dedos enganchados, conhecido também por manobra de reforço de Jendrassik. Esse teste auxilia a incrementar as respostas nos membros inferiores. Ainda, existem outras manobras de reforço que representam por exemplo, cerrar Integridade reflexa e reflexos 7 os dentes com força, empurrar um joelho contra o outro, empurrar uma mão contra a outra, entre outros (IVAMOTO, 2014). A manobra de reforço de Wartenberg também é um teste que pode ser utilizado que consiste em o do paciente realizaruma leve contração do músculo testado contra resistência. Assim, na avaliação do reflexo patelar, contrai o quadríceps com pouca força, empurrando a perna contra os dedos do examinador colocados na frente da mesma perna. Na avaliação do reflexo aquiliano, exerce uma leve pressão com a planta da ponta do pé contra os dedos do examinador. Para não gerar dor com a pancada em um osso, como a apófise estiloide do rádio, ao testar os reflexos braquiorradial ou pronador, o fisioterapeuta pode bater com o martelo em seu próprio dedo, que protege o local do impacto e transmite o estímulo de estiramento ao músculo. Ao testar o reflexo patelar, deve-se tomar cuidado para não percutir a tíbia ou a patela, podendo percutir em um dedo ou em uma borracha colocados sobre o tendão do músculo quadríceps (IVAMOTO, 2014). Portanto, na avaliação do paciente, considere alguns itens essenciais como: a) avaliação do nervo deve ser adequada para que seja verificada a sua integridade; b) na pesquisa dos movimentos deve-se atentar à forma como o fisioterapeuta deve se posicionar e posicionar o paciente para realizar a percussão no nervo com o martelo de reflexos; c) deve-se reconhecer qual é a resposta esperada durante a avaliação, sendo que essa resposta é considerada normal e/ou fisiológica e qualquer resposta diferente da esperada pode indicar alguma alteração neurológica; d) o centro reflexógeno representa a substância cinzenta do sistema nervoso de uma determinada região da medula espinhal. Agora, veja itens importantes na avaliação dos reflexos da região da cabeça, tronco e membro superior. Reflexo mentoniano � nervo — trigêmeo; � pesquisa — com a boca do paciente entreaberta, o examinador coloca um dedo sobre o mento e o percute; � resposta — contração dos músculos da mastigação; � centro reflexógeno — v nervo. Integridade reflexa e reflexos8 Reflexo peitoral � nervo — torácico anterior medial e lateral; � pesquisa — o fisioterapeuta percute seu dedo colocado sobre o tendão do músculo peitoral maior, na parte anterior da axila; � resposta — adução e discreta rotação interna do braço. � centro reflexógeno — c5-c6-c7-c8-t1. Reflexo tricipital � nervo — radial; � pesquisa — segurando o braço relaxado do paciente na horizontal e mantendo o antebraço pendente e na vertical, o fisioterapeuta percute o tendão do tríceps (Figura 2); � resposta — extensão do antebraço; � centro reflexógeno — c6-c7-c8. Figura 2. Avaliação do reflexo tricipital. Fonte: Greenberg, Aminoff e Simon (2014, p. 23). Integridade reflexa e reflexos 9 Reflexo bicipital � nervo — musculocutâneo; � pesquisa — o antebraço do paciente é colocado em semiflexão (90°) e discreta pronação, após, o fisioterapeuta coloca um dedo sobre o tendão e o percute (Figura 3); � resposta — consiste em flexão e supinação do antebraço; � centro reflexógeno — c5-c6. Figura 3. Avaliação do reflexo bicipital. Fonte: Greenberg, Aminoff e Simon (2014, p. 23). Reflexo braquiorradial ou estiloradial � nervo — radial; � pesquisa — com o antebraço em semiflexão (90º) e semipronação, o fisioterapeuta percute a apófise estiloide do rádio; � resposta — consiste na flexão do antebraço. Ao testar o reflexo bra- quiorradial, frequentemente o estímulo propaga-se e estimula o mús- culo flexor dos dedos, que pode contrair; � centro reflexógeno — c5-c6. Integridade reflexa e reflexos10 Reflexo pronador � nervo— mediano; � pesquisa — com o antebraço do paciente em semiflexão e em semipro- nação, o fisioterapeuta percute um dedo colocado sobre a face ventral da apófise estiloide do rádio; � resposta — pronação do antebraço; � centro reflexógeno — c6-c7-c8-t1. Reflexo profundo � nervo — mediano e ulnar; � pesquisa — o fisioterapeuta coloca um dedo transversalmente na superfície palmar das falanges distais dos dedos semifletidos do pa- ciente e o percute; � resposta — obtém-se a flexão dos dedos e o reflexo pode ser testado em cada dedo isoladamente; � centro reflexógeno — c8-t1. Veja agora os reflexos conforme a região topográfica do membro inferior. Reflexo aquileano � nervo — nervo tibial, ramo do nervo ciático; � pesquisa — o fisioterapeuta posiciona uma mão na planta do pé do paciente e o põe em ângulo reto em relação à perna e percute o tendão do músculo tríceps sural (Figura 4); � resposta — plantiflexão; � centro reflexógeno — s1-s2. Integridade reflexa e reflexos 11 Figura 4. Avaliação do reflexo aquileano. Fonte: Greenberg, Aminoff e Simon (2014, p. 23). Reflexo patelar � nervo — femoral; � pesquisa — com o paciente sentado com a perna pendente, o fisiotera- peuta percute o tendão do quadríceps entre a rótula e a tuberosidade da tíbia (Figura 5); � resposta — extensão da perna; � centro reflexógeno — l3-l4. Figura 5. Avaliação do reflexo patelar. Fonte: Greenberg, Aminoff e Simon (2014, p. 23). Integridade reflexa e reflexos12 Reflexo do bíceps femoral � nervo — nervo ciático em suas porções fibular e tibial; � pesquisa — com a perna do paciente em semiflexão (90°), o fisiotera- peuta posiciona um dedo sobre o tendão do bíceps femoral na parte póstero-lateral do joelho e o percute; � resposta — flexão e rotação externa da perna; � centro reflexógeno — principalmente s1, mas também l5 e s2). O estímulo para avaliar os reflexos profundos deve ser um estira- mento rápido do músculo gerado pela percussão do tendão esco- lhido previamente na avaliação realizada com a ajuda do martelo neurológico. É importante, entretanto, que o fisioterapeuta oriente o paciente a manter os músculos bem relaxados para que possa comparar as respostas entre os dois hemicorpos. Padrões normais e anormais de resposta reflexa e a importância da avaliação O reflexo de estiramento muscular é substancial para o controle do tônus muscular em várias condições, permanecendo e controlando a eficiência na realização dos movimentos, resguardando estruturas como articulações e músculos contra lesões, futuras ou reincidentes. A excitabilidade da via reflexa pode ser mudada por meio de treinamento e estilo de vida. Apesar disso, os mecanismos neurofisiológicos responsáveis por esses ajustamentos ainda são pouco conhecidos e pouco explorados no contexto do esporte, por exemplo (FONSECA, 2017). As informações cutâneas oriundas de uma resposta reflexa de um deter- minado membro nos músculos contralaterais (isto é, efeito ou reflexo cru- zado) alteram a excitabilidade do reflexo monossináptico no membro oposto. A estimulação elétrica não nociva dada ao organismo faz com que campo receptivo do pé evoque reflexos bilaterais, que são relevantes fisiologicamente para promover atividades musculares na locomoção ou na estabilização da postura em resposta a inesperadas perturbações no decorrer da caminhada. Integridade reflexa e reflexos 13 Fonseca (2017) enfatiza que a amplitude e o sinal do reflexo cutâneo ao longo do movimento locomotor dependem da fase locomotora na qual o reflexo é evocado. Equivalente às respostas não cruzadas, o reflexo cruzado produzido nos músculos dos membros inferiores por estimulação cutânea no pé durante a caminhada apresenta uma dependência forte de fase de apoio (fase em que o pé está em contato com a superfície). Parâmetros de atividade elétrica muscular e de respostas reflexas, da mesma maneira que o método do reflexo de Hoffman (reflexo H), adquirido por estimulação elétrica no nervo tibial, mostram a atuação das unidades motoras e torna viável avaliar o grau de excitabilidade da via do reflexo de estiramento (FONSECA, 2017). Realizar os testes neurológicos na prática clínica tem se tornado um item muito importante, uma vez que esses testes são úteis na avaliação de diversos distúrbios neuromusculares e/ou neurológicos. Algumas semanas depois de uma lesão do sistema nervoso central (gera um dano no controle supraes- pinhaldescendente), um paciente pode apresentar um aumento do tônus muscular devido à espasticidade. Diversos parâmetros do reflexo refletem a gravidade de alguns dos mecanismos ou processos patofisiológicos que tenham se desenvolvido devido à lesão (SOCIEDADE BRASILEIRA DE MEDICINA FÍSICA E REABILITAÇÃO, 2021). O teste de limiar de reflexo de estiramento é uma maneira de estimar o limiar do reflexo de estiramento estático. Esse teste busca esticar os músculos com uma baixa velocidade e o fisioterapeuta observa o ângulo da articulação em que os músculos poderiam não relaxar depois de ser mantido em uma certa posição durante um determinado período de tempo. Já o teste do pêndulo, muito utilizado na prática clínica, avalia o espontâneo relaxamento com a ação da gravidade, tendo a gravação desse relaxamento, registrando o movimento de oscilação da perna, que são registrados e anali- sados sob a ação da gravidade. O membro não acometido pela espasticidade atinge a posição de descanso final ao passo que a perna acometida não (SOCIEDADE BRASILEIRA DE MEDICINA FÍSICA E REABILITAÇÃO, 2021). As alterações dos reflexos podem ser variadas e a síndrome motora peri- férica é um exemplo interessante. Conforme a topografia da lesão, os reflexos e demais funções corporais apresentam uma característica diferente, como pode ser observado no Quadro 1. Integridade reflexa e reflexos14 Quadro 1. Alteração dos reflexos, sensibilidade e força muscular na síndrome motora periférica Topografia Reflexos Sensibilidade Força muscular Músculo Normais ou diminuídos Preservada; câimbras; mialgias. � Deficit motor de predomínio proximal; � mioglobinúria; � miotomia; � pseudo- hipertrofias. Junção neuromuscular Normais ou diminuídos Preservada � Diminuição variá- vel e flutuante; � frequente com- prometimento ocular. Nervo periférico Abolidos precocemente, sobretudo os mais distais Pode haver alterações sensitivas � Atrofia dos músculos relacionados; � ausência de fasciculações; � deficit motor de predomínio distal. Corno anterior Abolidos precocemente Preservada � Atrofia muscular; � diminuição mais proximal que distal; � fasciculações. Importância clínica de avaliar os reflexos profundos O reflexo do tendão profundo é usado para avaliar a integridade do sistema motor, pois fornecem informações sobre a condição dos neurônios motores superiores e inferiores. Assim, um vez que o reflexo do tendão profundo depende da integridade do neurônio motor, se um paciente tiver uma lesão ou doença envolvendo um neurônio motor inferior (raízes nervosas ou nervos periféricos), será observada uma diminuição ou perda do reflexo. Se a lesão envolver o neurônio motor superior (cérebro, tronco cerebral ou medula espinhal), um reflexo aumentado estará presente. Em casos crônicos gra- ves, geralmente associados à espasticidade, o clônus pode ser observado. Integridade reflexa e reflexos 15 É comum em acidente vascular encefálico, lesão da medula espinhal, paralisia cerebral e esclerose múltipla (RODRIGUEZ-BEATO, 2021). Embora o reflexo do tendão profundo tenha um componente sensorial, ele não avalia a integridade do sistema sensorial e não é útil para lesões envolvendo esse sistema. É sempre essencial comparar o reflexo de um lado com o lado oposto. O reflexo do tendão profundo das extremidades superiores pode fornecer pistas sobre o nível de lesão na medula espinhal. Os reflexos aumentados podem ser normais, especialmente se bilaterais. As crianças frequentemente apresentam reflexos exagerados (mais proemi- nentes nas extremidades superiores). Os reflexos intensificados podem estar associados a uma lesão do neurônio motor superior. Já o clônus, se presente, nunca é um achado normal. Reflexos diminuídos presentes em lesões do neurônio motor inferior, incluindo lesões de raízes nervosas com radiculopatia e lesões de nervos periféricos. Diabetes melito e hipotireoidismo diminuem a resposta do reflexo do tendão profundo. Se ausente quando testado inicialmente, a resposta pode ser obtida com batidas repetitivas do tendão; no entanto, esta manobra, às vezes causa, a extinção do reflexo. A doença muscular pode fazer com que o reflexo diminua, pois a fibra muscular não pode responder adequadamente. Um paciente com lesão me- dular apresentando choque espinhal pode ter hiporreflexia, assim como o paciente com doença cerebelar. Se os reflexos diminuem bilateralmente, geralmente é um achado normal. Se o reflexo estiver ausente, outros achados geralmente estão presentes secundários à doença do neurônio motor inferior. Eles incluem atrofia mus- cular, fraqueza e, às vezes, fasciculações. Se for um déficit reflexo isolado, é mais comum o resultado de uma lesão na raiz, uma lesão ou encarceramento de nervo periférico ou uma mononeuropatia (RODRIGUEZ-BEATO, 2021). Se vários reflexos estiverem envolvidos, a neuropatia periférica é a etio- logia provável. O espasmo bilateral ausente do tornozelo geralmente indica uma neuropatia periférica, mas uma síndrome da cauda equina também pode produzi-la. Lesões de nervos periféricos específicos podem produzir reflexo do tendão profundo diminuído ou ausente. A lesão do nervo musculocutâneo terá o reflexo do bíceps afetado. Uma lesão do nervo radial pode ter o reflexo do tríceps ou braquiorradial afetado dependendo da área anatômica do dano no nervo. As lesões do nervo femoral afetarão o reflexo patelar e as lesões do nervo tibial afetarão o reflexo do tornozelo (RODRIGUEZ-BEATO, 2021). Integridade reflexa e reflexos16 A síndrome de Guillain-Barré é uma doença de caráter autoimune, marcada pela perda da bainha de mielina e, portanto, os pacien- tes com essa síndrome têm os reflexos diminuídos ou ausentes. Em 90% dos indivíduos com síndrome de Guillain-Barré a fraqueza muscular é mais grave três a quatro semanas após o início dos sintomas. Em 5 a 10%, os músculos que controlam a respiração ficam tão enfraquecidos que é essencial recorrer à ventilação mecânica invasiva ou não invasiva. Referências COSENZA, R. M. Fundamentos de neuroanatomia. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013. FONSECA, P. H. A. Modulação da resposta reflexa por estimulação cutânea contra- lateral durante a marcha em superfícies com diferentes inclinações. Brasília: UnB, 2017. Manuscrito a ser submetido para PLOs ONE. Disponível em: https://bdm.unb. br/bitstream/10483/21427/1/2017_PedroHenriqueAbrantesFonseca_tcc.pdf. Acesso em: 20 mar. 2021. GREENBERG, D. A.; AMINOFF, M. J.; SIMON, R. P. Neurologia clínica. Porto Alegre: AMGH, 2014. IVAMOTO, H. S. Reflexos tendinosos ou profundos. Revista Acta Medica Misericordiæ, Santos, 11 fev. 2014. Disponível em: http://www.actamedica.org.br/publico/noticia. php?codigo=315&cod_menu=315. Acesso em: 20 mar. 2021. JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Histologia básica: texto e atlas. 10. ed. 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