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Sumário 
 
INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 3 
TUBOS GERADORES DE RAIOS X ........................................................................... 11 
PRODUÇÃO DE RAIOS X ........................................................................................... 15 
INTERAÇÃO DE RAIOS X COM A MATÉRIA ......................................................... 20 
RADIODIAGNÓSTICO E EQUIPAMENTOS ............................................................ 26 
RADIOGRAFIA CONVENCIONAL ............................................................................ 26 
RADIOGRAFIA COMPUTADORIZADA ................................................................... 36 
RADIOGRAFIA DIGITAL ........................................................................................... 37 
TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA .................................................................... 38 
CONTRAINDICAÇÕES PARA OS EXAMES RADIOGRÁFICOS ........................... 43 
IMAGENS RADIOGRÁFICAS .................................................................................... 44 
CARACTERÍSTICAS E QUALIDADE DA IMAGEM ............................................... 50 
ARTEFATOS E TÉCNICAS PARA SUA REDUÇÃO ................................................ 66 
PÓS-PROCESSAMENTO E ANÁLISE DE IMAGENS .............................................. 73 
ARMAZENAMENTO DE IMAGENS .......................................................................... 75 
SEGURANÇA NO TRABALHO .................................................................................. 78 
EFEITOS BIOLÓGICOS DA RADIAÇÃO IONIZANTE............................................ 78 
FUNDAMENTOS DE PROTEÇÃO RADIOLÓGICA ................................................ 84 
REGULAMENTAÇÃO DA PROTEÇÃO RADIOLÓGICA NAS PRÁTICAS 
MÉDICAS ...................................................................................................................... 86 
DOSIMETRIA................................................................................................................ 89 
CONTROLE DE QUALIDADE .................................................................................... 91 
REFERÊNCIAS ............................................................................................................. 98 
 
 
3 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
 
 
Radiologia é uma especialidade médica que utiliza imagens do interior do corpo 
humano para diagnosticar e, posteriormente, tratar doenças. Essas imagens são 
adquiridas por diferentes técnicas, como por exemplo: radiografia convencional, 
tomografia computadorizada, mamografia, ultrassonografia, tomografia por emissão de 
pósitrons e ressonância magnética nuclear. 
 
 
Figura -FÍSICO ALEMÃO, WIHELM CONRAD RONTGEN. 
‘ 
 
4 
 
O desenvolvimento da radiologia foi possível após a descoberta dos raios X, em 
1895, pelo físico alemão Wilhelm Conrad Röntgen. Essa descoberta revolucionou o 
meio científico e, principalmente a Medicina, levando ao início da radiologia como 
especialidade médica por volta de 1900. 
A descoberta dos raios X por Röntgen ocorreu enquanto ele trabalhava com um 
tubo de raios catódicos em seu laboratório. Esse tubo consistia de uma ampola de vidro, 
evacuada, e com eletrodos positivos e negativos em seu interior. Com a passagem de 
uma corrente de alta tensão pelo tubo, uma fluorescência era produzida em uma placa 
de platinocianeto de bário colocada a alguns centímetros do tubo. Como essa 
fluorescência era fraca e a luminescência produzida dentro do tubo era intensa, Röntgen 
cobriu o tubo com papel pesado e negro, e escureceu a sala. Ao passar novamente 
corrente de alta tensão pelo tubo, ele observou uma fluorescência a quase um metro de 
distância do tubo. 
Röntgen repetiu o experimento por diversas vezes, aumentando a distância entre 
a placa e o tubo, e também colocando diferentes objetos entre eles. Ao segurar esses 
objetos, ele viu os ossos de sua mão projetados na tela. Com isso, ele concluiu que o 
tubo com o qual estava trabalhando emitia algum tipo ainda desconhecido de radiação 
capaz de atravessar o corpo humano. Por não saber do que se tratava, ele chamou essa 
radiação de Raios X, sendo X a incógnita da matemática. 
Como sabia que havia descoberto algo interessante, mas não tinha certeza dos 
resultados de seus experimentos, Röntgen trabalhou isolado e em segredo por algum 
tempo em seu laboratório, onde comia e dormia. Além disso, substituiu a tela que usava 
por uma chapa fotográfica e convenceu sua esposa a participar de seus experimentos. 
Após imobilizar a mão da esposa sobre um filme fotográfico, ligar o tubo por quinze 
minutos e revelar o filme, Röntgen observou a imagem dos ossos e do anel que ela 
usava, além de uma penumbra relativa aos tecidos moles, que por serem mais 
permeáveis aos raios, produziam uma sombra mais fraca. 
 
 
5 
 
 
Radiografia da mão da esposa de Röntgen, evidenciando os ossos, o tecido mole 
e o anel que ela usava. Adaptada de História da radiologia. 
www.portalsaofrancisco.com.br 
 
 No final do ano de 1895, Röntgen publicou um artigo descrevendo suas 
experiências e relatando as seguintes propriedades dos raios X observadas por ele: 
 
1. Invisibilidade; 
2. Capacidade de provocar fluorescência em certos materiais; 
3. Capacidade de atravessar corpos opacos à luz; 
4. Não desviados por campos magnéticos; 
5. Propagação em linha reta; 
6. Origem no ponto de impacto dos raios catódicos com o vidro do tubo; 
7. Redução da intensidade proporcional ao quadrado da distância entre a 
fonte e a tela; 
8. Radiopacidade dos materiais proporcional a sua densidade e espessura. 
 
Por essa descoberta, Röntgen recebeu o prêmio Nobel de Física em 1901. 
A primeira radiografia feita em público foi realizada no início de 1896, quando 
6 
 
 
6 
 
Röntgen radiografou a mão do famoso anatomista Albert von Kölliker durante uma 
palestra. Pouco depois, ele também radiografou um braço fraturado, provando o grande 
poder diagnóstico de sua descoberta. No mesmo ano, os médicos começaram a utilizar 
os raios X para pesquisar as balas em soldados feridos, contribuindo para o tratamento 
dos mesmos. 
No Brasil, a radiologia iniciou-se em 1897, quando o médico José Carlos 
Ferreira Pires instalou um aparelho de raios X na cidade de Formiga, Minas Gerais. 
Esse aparelho foi feito sob supervisão do próprio Röntgen. 
Em pouco tempo e em diferentes partes do mundo, inúmeras aplicações 
diagnósticas dos raios X foram demonstradas por radiografias adquiridas em 
laboratórios de raios X. Para haver a dedicação de médicos especializados e 
documentação dos exames, surgiu às instalações permanentes dos raios X em hospitais, 
o que contribuiu para um enorme avanço na prática médica. 
No início da radiologia, o tempo necessário para produzir uma imagem 
radiográfica era bastante longo. Uma radiografia de crânio, por exemplo, levava 
aproximadamente 45 minutos. Além disso, havia um grande espalhamento da radiação. 
Em pouco tempo, efeitos nocivos dos raios X foram sendo reportados, mas nem todos 
acreditavam que eles eram os responsáveis pelas queimaduras, amputações e até mortes 
de pacientes e pesquisadores. Porém, com a regularidade das publicações desses efeitos 
prejudiciais, as pessoas foram convencidas de que os raios X poderiam ser fatais. Dessa 
maneira, desde aquela época até os dias atuais, há uma grande preocupação em 
melhorar os aparelhos a fim de reduzir a radiação a que os pacientes são expostos, já 
que por ser ionizante, ela é prejudicial à saúde. 
Com o passar dos anos, a Radiologia foi sofrendo grandes avanços, com o 
desenvolvimento de aparelhos com maior potência e qualidade,atômicas) 
que elas representam, o que é chamado de magnificação. Quantitativamente, ela é 
expressa pelo fator de magnificação (FM): 
 𝐹𝑀 = 𝐼𝑂 = 𝐷𝐹𝐼 𝐷𝐹𝑂 
 
Em que I é o tamanho da imagem, O é o tamanho do objeto, DFI é a distância 
entre a fonte de raios X e a imagem, e DFO é a distância entre a fonte de raios X e o 
objeto, como indicado abaixo. 
 
 MAGNIFICAÇÃO 
 
A fórmula para o fator de magnificação (FM) é obtida por geometria. 
FONTE: Nickoloff, 2005. 
 
 
Para a maioria dos exames radiográficos, DFI é igual a 100 cm, o que resulta em 
um FM de aproximadamente 1,1. Porém, em alguns serviços de radiodiagnóstico, tem-
se utilizado DFI de 120 cm com o objetivo de reduzir a magnificação, melhorar a 
resolução espacial e reduzir a dose no paciente. 
 
✓ Distorção 
 
 
61 
 
Outro fator de qualidade da imagem é a distorção, ou seja, a representação 
errada do tamanho ou do formato das estruturas na imagem. Isso ocorre devido à 
divergência do feixe de raios X, ou seja, apenas o raio central do feixe atinge o filme 
perpendicularmente e o ângulo de divergência dos outros raios causa a distorção. 
Portanto, nenhuma radiografia é uma imagem exata de estruturas do corpo humano, o 
que pode interferir no diagnóstico. 
A distorção, seja no formato ou no tamanho, sempre vai ocorrer, podendo apenas 
ser minimizada. Ela depende da espessura, posição e formato do objeto. Para estruturas 
mais espessas ou com formatos que possuem diferentes espessuras, a distorção é maior. 
 
 DISTORÇÃO 
 
Formato irregular do objeto, ou estrutura do corpo, pode causar distorção se não 
posicionada no centro do feixe de raios X. 
FONTE: Bushong, 2004. 
 
Se o plano do objeto (estrutura anatômica) e o plano da imagem não estiverem 
paralelamente posicionados, também ocorre distorção. Por isso, é muito importante que 
o posicionamento apropriado do paciente seja mantido durante a aquisição da imagem 
radiográfica. 
 
 
62 
 
DISTORÇÃO 
 
Se o objeto, ou estrutura do corpo, estiver inclinado em relação ao plano 
perpendicular ao feixe de raios X, a imagem obtida será distorcida. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FONTE: Bushong, 2004. 
 
Ponto focal 
 
Como o ponto focal não é exatamente um ponto, tendo dimensões mensuráveis, 
há um borramento indesejado nas bordas das estruturas, formando uma região de 
penumbra. 
 
PONTO FOCAL 
 
63 
 
 
Como o ponto focal tem dimensões (F), há a formação de uma região de penumbra (P), 
causando borramento na imagem. 
FONTE: Nickoloff, 2005. 
 
 Quanto mais fino for o ponto focal, melhor será a nitidez geométrica da imagem 
e menor será o efeito de penumbra. Além disso, esse efeito de penumbra pode ser 
minimizado, posicionando o paciente mais próximo possível do detector e, se for 
possível, aumentando a distância entre a fonte de raios X e a imagem. 
 
Efeito anódico 
 
Devido à geometria do ânodo no tubo de raios X, há uma redução da intensidade 
do feixe de raios X do cátodo para o ânodo. Além disso, o efeito anódico também afeta 
o borramento das bordas das estruturas causado pelo tamanho do ponto focal. Esse 
efeito de penumbra, como visto no tópico anterior (Ponto focal), é menor no lado do 
ânodo do que no lado do cátodo. 
 
 
EFEITO ANÓDICO 
 
 
64 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Fonte: Oliveira-www.lucianosantarita.pro.br 
 
Fatores relacionados ao paciente 
 
 Como visto anteriormente, o posicionamento do paciente é muito importante 
para a aquisição de uma imagem radiográfica de boa qualidade, porém ele afeta 
principalmente os fatores geométricos. Nesse tópico, serão discutidos outros fatores que 
estão mais diretamente relacionados com o corpo do paciente, como o seu contraste e 
movimento. 
 
Contraste do paciente 
 
O contraste do paciente está relacionado com diferentes fatores: 
 
• Espessura do paciente: uma região mais espessa do corpo 
do paciente atenua mais o feixe de raios X do que uma região mais fina, 
mesmo se ela possuir a mesma composição. 
• Densidade de massa do tecido: regiões do corpo do 
paciente podem ter a mesma espessura, mas diferentes densidades, o que 
afeta o contraste. 
 
65 
 
• Número atômico (Z) efetivo do tecido: como o efeito 
fotoelétrico depende de Z do tecido e é uma importante forma de 
interação para raios X com energias na faixa usada em diagnóstico, o 
contraste do paciente é bastante influenciado pelo Z do tecido que está 
sendo examinado. 
• Formato da estrutura anatômica: se a estrutura anatômica 
tiver um formato que coincida com o feixe de raios X, o contraste será 
máximo. Caso contrário, haverá borramento, redução da resolução 
espacial e do contraste da imagem. 
 
Movimento 
 
Tanto o movimento do paciente quanto do tubo de raios X pode causar 
borramento da imagem radiográfica. Entretanto, o movimento do paciente é mais 
crítico, já que o tubo dificilmente se movimenta. 
Há dois tipos de movimento do paciente: 
Voluntário: por exemplo, de membros ou músculos. Ele depende da cooperação 
do paciente. Em alguns casos, pode ser necessário que o paciente seja imobilizado ou 
prenda a respiração por alguns segundos. 
Involuntário: por exemplo, do pulmão, do coração, peristaltismo ou tremores. 
Seus efeitos podem ser reduzidos com um tempo de exposição curto. Em alguns casos, 
pode ser necessário sedação do paciente para realização do exame. 
 
Observação: 
 
Em tomografia computadorizada, a qualidade da imagem também é avaliada por 
meio de características como resolução espacial, contraste, ruído, linearidade e 
uniformidade. Uma de suas principais vantagens é a capacidade de visualização de 
estruturas de baixo contraste. 
Porém, as imagens de TC são mostradas no monitor como níveis de brilho, 
chamados de número CT. Esses números vão de -1000 a +1000, que correspondem ao 
ar e ao osso denso, respectivamente. O número de cada voxel da imagem está 
relacionado ao coeficiente de atenuação de raios X do tecido contido no voxel. Assim, é 
possível determinar qual número CT aparecerá em branco, preto ou em tons de cinza, de 
 
66 
 
maneira que o número não muda; apenas a mescla de cinza é mudada dependendo da 
estrutura que se quer visualizar. Esse procedimento é chamado de janelamento. 
 
JANELAMENTO EM IMAGENS POR TOMOGRAFIA 
COMPUTADORIZADA 
 
 (a) Janelamento: escolha do número CT para ser o valor de centro e escolha da 
largura da janela. (b) Janelamento para realçar osso (esquerda), mediastino (centro) e 
pulmão (direita). FONTE: Bushong, 2004. 
 
ARTEFATOS E TÉCNICAS PARA SUA REDUÇÃO 
 
 Em imagens radiográficas, um artefato é uma área com densidade óptica 
diferente da esperada, que não foi causada pela interação do feixe de raios X com a 
estrutura examinada, mas sim por algum problema durante o processo de aquisição, 
processamento, manuseio ou armazenamento da imagem. Os artefatos afetam as 
características e, consequentemente, a qualidade das imagens. 
Como os artefatos podem interferir com a visualização da imagem e posterior 
diagnóstico, suas causas devem ser identificadas para que eles possam ser prevenidos. 
As causas mais comuns de artefatos em radiografias podem ser divididas em três 
 
67 
 
grupos: exposição, processamento, manuseio e armazenamento. 
Os artefatos de exposição estão associados com a maneira com que o exame é 
realizado e, normalmente, são fáceis de serem detectados e podem ser corrigidos. No 
quadro, os artefatos de exposição mais comuns estão listados. 
 
QUADRO: ARTEFATOS DE EXPOSIÇÃO 
✓ Posicionamento incorreto da tela intensificadora e do filme no chassi 
✓ Mau contato entre a tela intensificadora e o filme 
✓ Cassete defeituoso 
✓ Posicionamento incorreto da grade 
✓ Exposição insuficiente 
✓ Superexposição 
✓ Exposição dupla do mesmo filme 
✓ Posicionamento incorretodo paciente 
✓ Movimento do paciente 
✓ Imagem de objeto estranho 
 
A tela intensificadora e o filme radiográfico devem ser posicionados 
corretamente em um cassete sem defeitos para que haja perfeito contato entre eles. Caso 
contrário, a luz produzida na tela irá divergir, resultando em perda de definição na 
região da imagem referente ao local onde o contato tela-filme é ruim. 
O posicionamento da grade também é importante. Ela deve ser posicionada 
perpendicularmente ao feixe central de raios X, e esse feixe deve passar pelo seu centro. 
Caso algum erro seja cometido durante esse posicionamento, regiões com densidades 
ópticas inesperadas aparecerão na imagem. Quando a grade é colocada de maneira 
invertida, por 83 exemplo, faixas verticais escuras aparecem na imagem. 
Outros dois problemas estão relacionados com exposição insuficiente ou 
superexposição à radiação. No caso de superexposição, há perda de informação de 
estruturas anatômicas menos densas. Já em casos de exposição insuficiente, há perda de 
contraste e aparência granulosa da imagem. 
 
ARTEFATOS DE EXPOSIÇÃO 
 
68 
 
 
(a) Aquisição da imagem com a grade invertida. (b) Superexposição à radiação. 
(c) Exposição insuficiente à radiação. 
FONTE: Bushong, 2004. 
 
 
A redução ou prevenção de artefatos de exposição também depende da 
preparação e posicionamento do paciente. Esse deve ser posicionado de maneira que a 
estrutura a ser examinada fique paralela ao plano do detector e mais próxima possível 
dele. Já o feixe central de raios X deve passar no centro da estrutura. Esses cuidados 
reduzem artefatos de magnificação e distorção da imagem. 
Além disso, o paciente deve ser instruído a ficar imóvel ou, em alguns casos, a 
respirar com determinada frequência, para diminuir o borramento da imagem devido ao 
movimento. Deve-se também verificar se o paciente carrega algum objeto próximo à 
estrutura a ser examinada para não haver artefatos. 
 
 ARTEFATO DE EXPOSIÇÃO 
 
69 
 
 
O paciente guardava os óculos no bolso da camisa. 
FONTE: Bushong, 2004. 
 
 
Pode-se observar que esses artefatos podem ser corrigidos se o operador tiver 
maior atenção ao realizar o exame, quanto ao posicionamento dos equipamentos e do 
paciente, quanto às instruções que devem ser dadas aos pacientes sobre movimento e 
respiração, e quanto aos parâmetros utilizados para aquisição da imagem (corrente no 
filamento, voltagem no tubo, tempo de exposição, etc). A maioria desses artefatos pode 
ocorrer tanto radiografia convencional quanto digital. 
Os artefatos de processamento ocorrem em sistemas tela-filme e estão 
geralmente associados com controle de qualidade inadequado e limpeza infrequente da 
processadora de filmes radiográficos. 
 
QUADRO: ARTEFATOS DE PROCESSAMENTO 
 
✓ Marcas das roldanas da processadora 
 
✓ Marcas lineares 
 
✓ Marcas circulares 
 
70 
 
 
✓ Aumento ou redução acentuada da densidade óptica 
 
✓ Manchas 
 
✓ Gotas amareladas no filme 
 
✓ Aparência leitosa, oleosa ou frágil da imagem 
 
Quando o filme é colocado na processadora, essa deve estar limpa e em perfeitas 
condições para que não haja aparecimento de artefatos na imagem. Se uma das roldanas 
da processadora, responsável por transportar o filme dentro dela, estiver mal 
posicionada, ela pode pressionar o filme e sensibilizá-lo, resultando no aparecimento de 
marcas na imagem. Essas marcas, de densidades ópticas aumentadas ou reduzidas, 
também podem aparecer caso haja sujeira na processadora. 
O processamento incorreto do filme, como revelador oxidado, quantidade 
insuficiente de fixador, lavagem inadequada ou temperatura imprópria, pode causar 
aparecimento de manchas ou gotas amareladas na imagem, além de aparência leitosa, 
oleosa ou frágil. 
Os artefatos de manuseio e armazenamento ocorrem quando não há cuidado com 
o manuseio dos filmes radiográficos e as condições de armazenamento não são 
apropriadas. Assim, para reduzi-los ou evitá-los, é necessário treinar as pessoas que têm 
contato direto com os filmes, além de projetar instalações adequadas para o seu 
armazenamento. 
 QUADRO: ARTEFATOS DE MANUSEIO E ARMAZENAMENTO 
 
✓ Aparência embaçada da imagem 
 
✓ Marcas de pressão ou dobra 
 
✓ Faixas de densidade óptica aumentada 
 
✓ Artefatos estáticos 
 
 
71 
 
 Quando o filme é exposto à luz ou outro tipo de radiação que não seja a do feixe 
de raios X utilizado para adquirir a imagem, pode haver o aparecimento de faixas ou 
manchas com densidade óptica aumentada, ou imagem com aparência embaçada. Esses 
artefatos também podem ocorrer se a temperatura ou umidade da sala de processamento 
ou armazenamento estiver muito alta. Caso contrário, se a temperatura ou umidade da 
sala de processamento ou armazenamento estiver muito baixa, podem ocorrer artefatos 
estáticos, ou seja, acúmulo de elétrons na emulsão. Além disso, se o filme sofrer algum 
tipo de pressão ou for dobrado antes ou após seu processamento, marcas indesejadas 
aparecerão na imagem. 
ARTEFATOS DE MANUSEIO E ARMAZENAMENTO 
 
 (a) Artefato estático e (b) marca indesejada de unha no filme. FONTE: 
Bushong, 2004. 
 
Sistemas digitais são geralmente mais tolerantes a artefatos do que sistemas 
telafilme, entretanto eles não estão livres dos erros mais comuns, como mau 
posicionamento e movimento do paciente, exposição insuficiente, superexposição, 
exposição dupla do detector e má escolha ou posicionamento de colimadores e grades. 
Além disso, outros artefatos específicos a técnicas digitais podem aparecer, como falta 
de informação, causada por problemas de memória, digitalização ou comunicação, 
resultando em linhas escuras na imagem ou “riscos claros” na imagem, causados por 
pequenas rachaduras no detector. 
 
ARTEFATOS EM SISTEMAS DIGITAIS 
 
72 
 
 (a) Exposição dupla do detector. (b) Posicionamento errado da grade. (c) 
Linhas escuras na imagem devido à falha na digitalização. (d) Rachaduras no detector. 
FONTE: Bushong, 2004. 
 
 Outros artefatos que podem também ocorrer em imagens adquiridas por 
sistemas digitais são resultantes do efeito de “aliasing”. Esse efeito é causado pela 
amostragem insuficiente de sinais digitais de alta frequência, que aparecem como sinais 
de baixa frequência, resultando em bordas afiadas ou marcas periódicas, como linhas. 
 
EXEMPLOS DE ARTEFATOS CAUSADOS POR ALIASING 
 
 
73 
 
FONTE: Bushong, 2004. 
 
 Independente da técnica a ser utilizada ou da estrutura, imagens de boa 
qualidade, com redução de ruído e artefatos são adquiridas apenas quando requisitos 
fundamentais são satisfeitos. Portanto, para se obter imagens de boa qualidade em 
sistemas tela-filme ou digitais, os equipamentos devem ser instalados, calibrados, 
preservados e operados de maneira apropriada. Os operadores devem ser instruídos e 
treinados para entender as características, funções e aplicações de cada sistema; além 
disso, eles devem ser capazes de identificar, prevenir e corrigir artefatos. 
 
PÓS-PROCESSAMENTO E ANÁLISE DE IMAGENS 
 
 Como dito anteriormente, a principal vantagem das imagens digitais é a 
possibilidade de processá-las por técnicas computacionais para realçar contornos, 
aumentar a resolução espacial, suavizar a imagem, inverter o contraste, realçar regiões 
de interesse, corrigir distorções, entre outras finalidades. 
Abaixo estão listados alguns exemplos de métodos utilizados no pós-
processamento e análise de imagens digitais. 
 
Interpolação 
 
Para aumentar a resolução espacial da imagem, pode-se utilizar a técnica de 
interpolação. Uma imagem inicialmente adquirida com uma matriz de 64 x 64 (64 
linhas, 64 colunas, 4096 pixels) pode ser visualizada como uma matriz de 128 x 128 
(128 linhas, 128 colunas, 16384 pixels). O valor de intensidade (nível de cinza) de cada 
novo pixel é calculado pelo computadorbaseado na informação dos pixels vizinhos. 
 
Filtragem 
 
Filtros digitais podem ser utilizados tanto para suavizar quanto para realçar a 
imagem. O filtro passa-baixa, que elimina sinais de alta frequência, é utilizado para a 
suavização da imagem, reduzindo seu ruído. Já o filtro passa-alta, que elimina sinais de 
baixa frequência, é utilizado no realce de detalhes da imagem, porém, também realça o 
ruído. 
 
74 
 
 
Média da vizinhança 
 
Pode-se também suavizar uma imagem pela média da vizinhança, que consiste 
em gerar uma nova imagem baseada na original, em que o nível de cinza de cada pixel é 
determinado pelo cálculo da média dos níveis de cinza dos pixels vizinhos. Esse tipo de 
processamento é bastante comum para diminuir o ruído da imagem, porém resulta em 
borramento das bordas das estruturas. 
 
 
 APLICAÇÃO DA MÉDIA DA VIZINHANÇA NA IMAGEM 
 
(a) reduz ruído, mas causa borramento, como mostrado em (b). 
 
Manipulação de histograma 
 
O histograma de uma imagem é um gráfico da quantidade de pixels da imagem 
para cada nível de cinza. Quando se manipula o histograma, é possível realçar 
características da imagem. Pode-se, por exemplo, adicionar ou subtrair um valor 
constante em todos os pixels da imagem para torná-la mais clara ou escura, 
respectivamente. 
Outro procedimento é dividir os pixels em dois grupos, baseando-se nos níveis 
de cinza. Posteriormente, os níveis de cinza de pixels escuros são reduzidos, e os de 
pixels claros são aumentados. Dessa maneira, aumenta-se o contraste da imagem. 
Entretanto, se o objetivo é obter uma imagem mais uniforme, deve-se equalizar o 
 
75 
 
histograma. 
 
Janelamento 
 
 Em imagens radiográficas, há estruturas com densidades radiológicas altas e 
baixas, como ar e osso, por exemplo. Assim, o contraste é ótimo entre essas estruturas. 
Entretanto, há estruturas com densidades muito próximas, que dificilmente podem ser 
visualizadas em imagens em que a escala de níveis de cinza vai desde o ar até o osso. 
Nesses casos, pode-se utilizar o janelamento, ou seja, apenas parte da escala de níveis 
de cinza. Esse processamento também pode ser feito pelo histrograma. 
Além do pós-processamento para melhorar determinadas características da 
imagem, pode-se utilizar ferramentas computacionais para melhor visualizar a imagem 
toda ou apenas estruturas de maior interesse, por exemplo, pela ampliação das 
dimensões da imagem, segmentação e detecção de bordas. 
Entretanto, nem sempre os resultados da aplicação de técnicas de pós-
processamento são positivos. Essas técnicas dependem de parâmetros que devem ser 
cuidadosamente escolhidos para resultar em melhoramento da imagem. Caso contrário, 
elas podem produzir artefatos que interfiram com a análise da imagem e diagnóstico da 
doença. 
Além das técnicas apresentadas nesse tópico, várias outras estão sendo 
empregadas no pós-processamento de imagens digitais. Para mais detalhes e exemplos, 
utilizar as referências. 
Após a aquisição da imagem radiográfica, essa deve ser analisada por um 
médico radiologista para auxiliar no diagnóstico da doença. As estapas de pós-
processamento, discutidas no tópico anterior, podem ser realizadas pelo próprio 
radiologista, que escolhe o método de manipulação mais adequado para a visualização 
da região de interesse. Entretanto, é mais comum que o serviço de radiologia tenha 
profissionais específicos e qualificados que auxiliam o radiologista com o pós-
processamento da imagem. Assim, o objetivo ao analisar uma imagem é obter 
informações do seu conteúdo por observações qualitativas ou medidas quantitativas. 
 
 
ARMAZENAMENTO DE IMAGENS 
 
 
76 
 
 Os filmes radiográficos devem ser manuseados e armazenados de maneira 
apropriada a fim de evitar artefatos que possam interferir com o diagnóstico. Eles são 
sensíveis à pressão, não podendo ser dobrados ou sujeitos ao manuseio grosseiro. Já em 
relação ao armazenamento dos filmes, anterior ou posterior a sua exposição, deve-se 
levar em consideração a temperatura, umidade, luz, radiação e data de validade das 
caixas onde são colocados. 
 
QUADRO: FATORES IMPORTANTES PARA O ARMAZENAMENTO DE 
FILMES RADIOGRÁFICOS 
✓ Temperatura: como o calor reduz o contraste da radiografia, ela deve 
ser armazenada em locais com temperatura inferior a 20 °C. 
✓ Luz: como o filme radiográfico é sensível à luz, ele deve ser manuseado 
e armazenado em salas escuras, antes e depois da exposição à radiação e do 
processamento. 
✓ Radiação: como a radiação (não aquela do feixe útil) pode criar artefatos 
nos filmes, esses devem ser preferencialmente armazenados em salas distantes da 
passagem de material radioativo para medicina nuclear e, se elas forem adjacentes a 
salas de raios X, essas devem ser protegidas por paredes mais grossas de chumbo. 
✓ Caixas ou prateleiras: os filmes não devem ser armazenados por 
tempos mais longos do que a data de validade das caixas ou prateleiras apropriadas para 
o seu armazenamento. 
✓ Umidade: umidade muito elevada (> 60%) reduz o contraste da 
radiografia, porém umidade muito baixa (comprimidos para diminuir 
seu tamanho. 
Alguns elementos do cabeçalho são obrigatórios aparecer em todos os tipos de 
imagem, independente da técnica utilizada para aquisição. Entre eles estão, por 
exemplo, o nome da técnica utilizada e informações do paciente. Outros elementos 
aparecem dependendo do tipo de imagem, já que são elementos específicos para 
aquisição de uma determinada técnica. Por exemplo, em cabeçalhos de imagens por 
ressonância magnética, devem conter os valores de tempo de repetição e tempo ao eco 
utilizados na aquisição. 
Para visualizar as imagens nesse formato, principalmente aquelas provenientes 
de radiografia e tomografia computadorizada, é importante escolher o “centro da janela” 
e a “largura da janela” da imagem. Como foi visto anteriormente, esses valores estão 
relacionados com o brilho e o contraste da imagem, e podem ser escolhidos para 
facilitar a visualização das estruturas de interesse. Os valores ideias para visualizar 
ossos, por exemplo, são diferentes dos valores ideais para visualizar tecido mole. 
 
SEGURANÇA NO TRABALHO 
 
EFEITOS BIOLÓGICOS DA RADIAÇÃO IONIZANTE 
 
É de conhecimento de todos que os raios X, por serem radiação ionizante, são 
 
79 
 
bastante prejudiciais à saúde do ser humano. No entanto, ainda não se sabe qual o grau 
de nocividade dos raios X nos níveis de diagnóstico. Como os benefícios do 
radiodiagnóstico são muito grandes, é muito importante que físicos médicos, técnicos de 
radiologia e médicos radiologistas trabalhem com o objetivo de obter imagens 
radiográficas de boa qualidade com a menor exposição possível do paciente. 
Quando expostas à radiação ionizante, as células podem sofrer danos devido à 
ação de eventos físicos, químicos e biológicos, que começam com a interação da 
radiação com os átomos que formam essas células. A ionização dos átomos afeta as 
moléculas, que poderão causar danos às células e, consequentemente, aos tecidos e 
órgãos, até afetarem o funcionamento do corpo inteiro. 
Os eventos físicos são sofridos pelos átomos e incluem ionização e excitação. 
Esses eventos podem levar à ruptura de ligações moleculares e formação de radicais 
livres, que são os eventos químicos. Tanto os eventos físicos quanto os químicos podem 
levar aos efeitos biológicos. Entretanto, alguns eventos não prejudiciais podem ocorrer, 
como: a radiação atravessa o corpo do paciente sem sofrer interações ou causar danos; a 
radiação danifica a célula, mas essa é reparada adequadamente; ou a radiação mata a 
célula ou impede que ela se reproduza, mas sem provocar maiores danos aos tecidos. O 
problema maior acontece quando os eventos físicos e químicos provocam a reprodução 
errada das células, podendo causar aberrações ou mutações celulares, que podem levar à 
carcinogênese, por exemplo. 
Nesse contexto, há a radiobiologia, que é o estudo dos efeitos da radiação 
ionizante no tecido biológico. Seu objetivo é descrever com maior precisão os efeitos da 
radiação nos seres humanos para que ela possa ser usada com mais segurança para o 
diagnóstico e com mais eficiência para a terapia. Para isso, estuda-se a interação da 
radiação com as células, tecidos e órgãos por meio da análise de DNA e RNA, 
sobrevivência celular, cinética do ciclo celular, aberrações e rearranjos cromossômicos, 
e indução de morte celular (apoptose e 98 necrose). 
Os efeitos biológicos podem ocorrer após exposição do corpo inteiro ou de 
partes do corpo a doses de radiação não necessariamente muito altas. Por isso, o cuidado 
que se deve ter mesmo com níveis baixos de radiação, como no caso do 
radiodiagnóstico. Esses efeitos podem ser divididos em efeitos somáticos e 
hereditários. 
 
✓ Efeitos somáticos: 
 
80 
 
São aqueles que surgem apenas na pessoa que sofreu a exposição à radiação, não 
afetando futuras gerações. A gravidade desses efeitos depende basicamente da dose 
recebida e da região atingida. Exemplos de efeitos somáticos incluem queimaduras, 
vômitos, cefaleia, diarreia, infecções, anemia, obstrução de vasos, ou em casos mais 
graves de exposição, mutações do DNA, morte celular e câncer. 
 
✓ Efeitos hereditários: 
São resultados de danos em células de órgãos reprodutores e atingem os 
descendentes da pessoa que sofreu a irradiação. Eles incluem as mutações celulares. 
Os efeitos somáticos classificam-se em imediatos e tardios. Quando os efeitos 
biológicos surgem em até alguns dias após a exposição, eles são chamados de efeitos 
imediatos. A Síndrome Aguda de Radiação é um desses efeitos. Quando há exposição 
do corpo inteiro a doses elevadas de radiação, vários tecidos e órgãos são danificados, 
podendo causar uma reação aguda, cujos sintomas são náusea, vômito, fadiga e perda de 
apetite. 
Por outro lado, há efeitos que surgem apenas meses ou anos após a irradiação, e 
são chamados de efeitos tardios. O efeito tardio de maior importância é o câncer. 
QUADRO: EFEITOS SOMÁTICOS 
 
Efeitos imediatos 
 
✓ Síndrome aguda de radiação 
✓ Síndrome hematológica 
✓ Síndrome gastrointestinal 
✓ Síndrome do sistema nervoso central 
 
Dano tecidual local 
 
✓ Pele 
✓ Gônadas 
✓ Extremidades 
✓ Medula óssea 
 
Dano citogenético 
 
81 
 
 
✓ Efeitos tardios 
✓ Leucemia 
✓ Câncer de mama 
 
Dano tecidual local o Pele o Gônadas o Extremidades 
 
✓ Redução do tempo de vida 
 
✓ Dano genético 
 
Outras doenças malignas 
 
✓ Câncer ósseo 
✓ Câncer de pulmão 
✓ Câncer de tireoide 
 
Como dito anteriormente, a irradiação do corpo inteiro pode causar uma reação 
aguda, que tem sintomas menos graves, como vômito ou perda de apetite. Entretanto, se 
a dose for bastante alta, as síndromes abaixo podem se manifestar: 
✓ Síndrome hematológica: afeta as estruturas que formam o sangue e são 
altamente sensíveis à radiação. É caracterizada pela redução de leucócitos, hemoglobina 
e plaquetas. 
✓ Síndrome gastrointestinal: afeta órgãos do sistema gastrointestinal que 
são muito sensíveis à radiação. É caracterizada principalmente por danos severos a 
células que revestem o intestino. 
Síndrome do sistema nervoso central: afeta cérebro e músculos que são menos 
sensíveis à radiação. É caracterizada pelo aumento da pressão intracraniana, inflamação 
dos vasos sanguíneos e meningite. 
Como o cérebro e os músculos são menos sensíveis à radiação, é necessária uma 
dose extremamente alta para causar a síndrome do sistema nervoso central. Nesses 
casos, o tempo de vida da pessoa exposta é extremamente curto. A figura abaixo mostra 
a curva de sobrevivência para as três síndromes citadas acima. Observa-se que à medida 
em que a dose absorvida pelo corpo aumenta, o tempo médio entre a exposição e a 
 
82 
 
morte diminui. 
 
CURVA DE SOBREVIVÊNCIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Rad é a unidade de dose absorvida de radiação. 
FONTE: Bushong, 2004. 
 
Danos locais também podem ocorrer devido à irradiação. Nesses casos, a dose a 
que apenas uma parte do copo é exposta para produzir um efeito biológico deve ser 
maior do que no caso de irradiação do corpo inteiro. Os tecidos que são afetados 
imediatamente após a irradiação são pele, gônadas e medula óssea. 
A exposição de mulheres grávidas à radiação pode causar sérios efeitos 
biológicos ao feto, que não são efeitos hereditários, mas sim somáticos pois o próprio 
feto é exposto à radiação. 
 
QUADRO: EFEITOS BIOLÓGICOS DA IRRADIAÇÃO FETAL 
 
 
83 
 
 
 Outro ponto importante desse tópico é a radiossensibilidade celular, ou seja, 
diferentes tipos de células do corpo humano possuem diferentes respostas à radiação. A 
sensibilidade da célula à radiação é determinada pela sua maturidade, taxa de 
reprodução e função. Células que estão em constante reprodução são altamente 
sensíveis à radiação, podendo sofrer morte ou mutação. Já células mais lentas são 
menos sensíveis e sofrem efeitos de menorseriedade; elas precisam ser expostas à 
radiação bastante altas para sofrerem danos mais graves. 
 
 QUADRO: SENSIBILIDADE CELULAR À RADIAÇÃO 
 
Como dito anteriormente, ainda não se sabe quais são os reais riscos da 
irradiação de baixa dose, como no caso da exposição durante exames radiográficos. 
 
✓ Morte pré-natal 
 
✓ Morte neonatal 
 
✓ Má-formação congênita 
 
✓ Câncer infantil 
 
✓ Desenvolvimento e crescimento diminuídos 
Radiossensibilidade Tipo de célula 
Alta Linfócitos 
Espermatogônias 
Eritroblastos 
Intermediária Células endoteliais 
Osteoblastos 
Fibroblastos 
Baixa Células musculares 
Células nervosas 
 
84 
 
Entretanto, sabe-se que os riscos de aparecimento de efeitos biológicos não segue um 
modelo de limiar, ou seja, eles não se manifestam a partir de um determinado valor de 
dose absorvida. Na verdade, há um risco linear, ou seja, quanto mais os tecidos são 
expostos, maiores os riscos. 
Portanto, desde o surgimento dos primeiros efeitos biológicos da radiação 
ionizante, há um grande esforço no desenvolvimento de equipamentos, técnicas e 
procedimentos para o controle dos níveis de exposição de pacientes, trabalhadores e 
público em geral à radiação. 
 
FUNDAMENTOS DE PROTEÇÃO RADIOLÓGICA 
 
 A proteção radiológica é o conjunto de normas e procedimentos que visam 
proteger o indivíduo e seus descendentes dos efeitos nocivos da radiação ionizante. Ela 
está fundamentada em três princípios básicos. 
 
QUADRO: PRINCÍPIOS BÁSICOS DE PROTEÇÃO RADIOLÓGICA 
 
 
✓ Justificativa: a exposição à radiação ionizante deve trazer suficientes 
benefícios que a justifiquem. 
 
✓ Otimização: o menor nível possível de radiação deve ser mantido sem 
que haja perda de qualidade da imagem. 
 
✓ Limitação de doses individuais: as doses de radiação não devem ser 
superiores aos limites estabelecidos para trabalhadores ocupacionalmente expostos e 
público em geral. 
 
O Princípio de Otimização é também conhecido como Princípio ALARA. 
ALARA é um acrônimo para “as low as reasonably achievable”, que em português 
significa “tão baixo quanto razoavelmente exequível”. Nesse princípio baseiam-se os 
projetos de instalações de equipamentos que utilizam radiação, o uso médico dessa 
radiação e os procedimentos necessários para a proteção radiológica. Assim, para que 
 
85 
 
ele seja eficaz, é necessário um comprometimento de todos os profissionais envolvidos 
(médicos, técnicos, físico, etc). 
Para manter as doses baixas de acordo com o princípio ALARA, três itens são 
fundamentais: tempo, distância e blindagem. Esses princípios são importantes para 
todas as práticas que envolvam radiação ionizante, inclusive o radiodiagnóstico. 
Durante uma radiografia, o tempo de exposição é o mínimo possível também 
para evitar borramento da imagem devido a movimentos do paciente. Além disso, a 
distância entre a fonte de radiação e o paciente é fixa para cada tipo de exame, e o 
técnico de radiologia fica posicionado atrás de uma barreira protetora. Além dessa 
barreira protetora, há outros tipos de blindagens, como coletes de chumbo para proteger 
órgãos que não devem ser expostos à radição já que não fazem parte das estruturas 
examinadas, e as blindagens utilizadas nas paredes da sala para proteger os 
trabalhadores e o público em geral. 
QUADRO: PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS PARA GARANTIR DOSES 
BAIXAS DE ACORDO COM O PRINCÍPIO ALARA 
 
✓ Tempo: como a dose no indivíduo é diretamente relacionada à duração 
da exposição, deve-se manter o tempo de exposição tão curto quanto possível. 
✓ Distância: deve ser mantida a maior possível entre a fonte de radiação e 
o paciente. 
✓ Blindagem: seu posicionamento entre a fonte de radiação e a pessoa 
exposta reduz bastante o nível de radiação. 
 
 
Além desses princípios fundamentais, há outros procedimetnos que devem ser 
seguidos, como hábitos de trabalho, uso de sinalização e monitoramento. Entre eles, 
podem ser citados: 
✓ Os técnicos devem sempre usar a técnica adequada para cada tipo de 
exame radiográfico, já que elas são otimizadas para garantir a aquisição de imagens de 
boa qualidade. 
Assim, não haverá necessidade para repetição do exame, o que reduz a dose no 
paciente e a radiação espalhada que atinge o profissional. 
 
86 
 
✓ Tanto técnicos quanto radiologistas que trabalham próximos às salas de 
radiodiagnóstico devem sempre utilizar seu dosímetro (medidor de dose) pessoal 
durante toda a jornada de trabalho. 
✓ Os profissionais não devem se acomodar com a rotina de trabalho e 
esquecer ou não seguir as normas de proteção radiológica. 
✓ As sinalizações de advertências devem ser utilizadas e respeitadas. 
 
Esses não são os únicos procedimentos a serem seguidos, há outros que, muitas 
vezes, dependem do tipo de instalação dos equipamentos e dos exames a serem 
realizados. O importante é lembrar que todas as normas devem ser seguidas para 
garantir a segurança do paciente, dos trabalhadores e do público em geral. 
Para que essas normas fossem criadas, era necessário conhecer a máxima dose 
permissível, ou seja, a máxima dose de radiação que não produz efeitos biológicos 
significantes. Esse conceito foi substituído e atualmente utiliza-se o conceito de Limites 
Primários Anuais de Dose Equivalente, cujos valores são estipulados pelas Diretrizes 
Básicas da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) (CNEN-NN-3.01:2011). 
 
REGULAMENTAÇÃO DA PROTEÇÃO RADIOLÓGICA NAS 
PRÁTICAS MÉDICAS 
 
No Brasil, as normas de proteção radiológica são regulamentadas pela CNEN ou 
pela Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde. Em 2011, a CNEN 
publicou as Diretrizes Básicas de Proteção Radiológica (CNEN-NN-3.01:2011), com o 
objetivo de estabelecer os requisitos básicos de proteção radiológica das pessoas em 
relação à exposição à radiação ionizante. Essas diretrizes se aplicam a todas as práticas 
que envolvam manuseio, produção, posse e utilização de radiação ionizante, com 
exceção de práticas de radiodiagnóstico médico e odontológico. Nesses dois últimos 
casos, a regulamentação é feita pela Portaria Nº 453 do Ministério da Saúde. 
Para entender e colocar em prática essas normas e diretrizes é necessário 
primeiramente conhecer alguns termos relacionados à proteção radiológica. 
 
✓ Grandezas: 
 
87 
 
• Dose absorvida (D): é a quantidade de energia média depositada 
pela radiação em um volume do corpo. A unidade no sistema internacional 
(SI) é o joule por quilograma (J/kg), denominada gray (Gy). 
• Dose equivalente (HT): é a dose absorvida média nos tecidos e 
órgãos ponderada nos tipos de radiação. A unidade no SI é o joule por 
quilograma (J/kg), denominada sievert (Sv). 
• Dose efetiva (E): é a soma das doses equivalentes ponderadas nos 
diversos tecidos e órgãos. É a grandeza que limita a exposição de pessoas à 
radiação. A unidade no SI também é sievert (Sv). 
• Equivalente de dose ambiente (H*): grandeza operacional usada 
para o levantamento radiométrico, comparação com os níveis de restrição e 
planejamento de blindagens. 
 
✓ Classificação de áreas: 
 A classificação de áreas é proposta com o objetivo de auxiliar o controle das 
exposições ocupacionais. Elas são divididas em três grupos. 
• Áreas controladas: sujeitas a regras especiais de proteção 
e segurança, para controlar as exposições normais, prevenir a 
disseminação de contaminação, e prevenir ou limitar as exposições 
potenciais. Elas possuem blindagem. Exemplo: salas de raio X e de 
comando. 
• Áreas supervisionadas: áreas em que normalmente as 
medidas específicas de proteção e segurança não são necessárias, mas 
que estão sempre mantidas sob supervisão. 
• Áreas livres: isenta de controle especial. 
 
✓ Exposições: 
As exposições podem ser únicas, fracionadas ou periódicas. Para a proteção 
radiológica, as principais exposiçõesa serem levadas em conta são: 
• Exposição médica: aquela a que são submetidos 
pacientes, para fins de diagnóstico ou terapia. 
• Exposição ocupacional: exposição de um indivíduo 
devido ao seu trabalho ou treinamento em práticas autorizadas. 
 
88 
 
• Exposição do público: exposição de indivíduos do 
público, que não estão trabalhando ou sendo beneficiados pela exposição. 
 
✓ Fatores de exposição que devem ser blindados: 
 
• Radiação primária: feixe útil; passa pelo colimador e 
forma a imagem; 
• Radiação espalhada: resultante da interação entre o feixe 
útil e paciente; 
• Radiação de fuga: atravessa o cabeçote ou a colimação; 
 
• Radiação secundária: radiação de fuga mais radiação 
espalhada. 
 
Esses e outros termos relacionados à proteção radiológica podem ser 
encontrados nas Diretrizes Básicas da CNEN (CNEN-NN-3.01:2011). Nela também se 
encontra a limitação de dose individual, que não se aplica a exposições médicas. Essa 
limitação tem o objetivo de restringir as doses efetiva e equivalente nos tecidos e órgãos 
a valores inferiores aos especificados na tabela. 
 
TABELA 
Limites de Doses Anuais 
adose no período de janeiro a dezembro de cada ano 
bmédia aritmética em 5 anos consecutivos, desde que não exceda 50 mSv em 
qualquer ano 
Fonte: CNEN-NN-3.01:2011 
Grandeza Órgão Indivíduo 
ocupacionalmente 
exposto 
Indivíduo do público 
Dose efetiva Corpo inteiro 20 mSvb 1 mSv 
Dose equivalente Cristalino 20 mSvb 15 mSv 
 Pele 500 mSv 50 mSv 
 Mão e pés 500 mSv - 
 
89 
 
 
Para práticas de radiodiagnóstico médico, a regulamentação é feita pela 
Secretaria da Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, pela Portaria Nº 453. Nela 
estão as exigências obrigatórias em relação aos ambientes do estabelecimento de saúde 
que possui equipamentos de raios X diagnóstico, as características específicas que todo 
equipamento de radiodiagnóstico deve possuir, os procedimentos de trabalho, as normas 
para o controle de qualidade, e os procedimentos para prevenção de acidentes. 
Os limites anuais de dose individual e as normas para exposições ocupacionais e 
do público estão detalhados abaixo. 
 
✓ Exposição ocupacional 
• A dose efetiva anual não deve exceder 20 mSv, considerando a 
média aritmética em 5 anos consecutivos, desde que não exceda 50 mSv em um 
ano. 
• Menores de 18 anos não podem trabalhar com equipamentos de 
raios X, exceto em treinamentos. 
• A dose efetiva anual para estagiários de 16 a 18 anos não deve 
exceder 6 mSv. 
• É proibida a exposição ocupacional de menores de 16 anos. 
• Mulheres grávidas devem notificar a gravidez assim que esta for constatada e 
garantir que a dose na superfície do abdômen não exceda 2 mSv durante a gestação. 
 
✓ Exposição do público o A dose efetiva anual de indivíduos do público 
não deve exceder 1 mSv. 
 
DOSIMETRIA 
 
A dosimetria é a determinação da exposição ou da dose de radiação em um 
ponto específico, que pode ser no ambiente ou no corpo de uma pessoa. Alguns 
instrumentos são utilizados para detectar e/ou medir essa dose, e são chamados de 
dosímetros. Alguns exemplos de dosímetros são: filme radiográfico, câmara de 
ionização, contador proporcional, contador Geiger-Muller, dosímetros 
termoluminescentes, dosímetros Fricke, eletretos e detectores de cintilação. 
 
90 
 
Para que o dosímetro seja considerado como um detector adequado, ele deve 
apresentar algumas características: 
 
✓ Repetitividade; 
✓ Reprodutibilidade; 
✓ Estabilidade; 
✓ Exatidão; 
✓ Precisão; 
✓ Sensibilidade; 
✓ Eficiência. 
 
 
DOSÍMETROS 
(a) Filme dosimétrico. (b) Contador Geiger-Muller. (c) Dosímetro 
termoluminescente. 
 
 
91 
 
Além disso, alguns fatores definem a escolha do dosímetro mais adequado para 
determinada situação ou finalidade: 
✓ Tipo de radiação; 
✓ Intervalo de tempo de interesse (medição instantânea ou tardia); 
✓ Resolução; 
✓ Tipo de informação desejada; 
✓ Custo. 
 
A dosimetria pode ser feita direta ou indiretamente. O método direto mede a 
dose de entrada na pele com dosímetros termoluminescentes posicionados sobre a pele. 
Esses dosímetros são muito sensíveis, apresentam certa radiação de fuga e sua resposta 
depende da energia, sendo então necessária sua calibração. Apesar de medir a dose na 
pele, a dose nos órgãos pode ser calculada. 
Já as medidas indiretas são feitas com câmaras de ionização, que utilizam as 
informações de kerma no ar, fator de retroespalhamento e energia e tamanho do campo, 
para determinar a dose de entrada na pele. 
No caso de ambientes hospitalares, é mais comum a utilização de dosímetros 
termoluminescentes para a dosimetria clínica e a dosimetria pessoal. A monitoração 
pessoal também pode ser feita utilizando filmes radiográficos. Depois de serem 
expostos à radiação, sua densidade óptica é medida pelo densitômetro e utilizada para 
determinar a dose (absorvida ou equivalente) ou a exposição. 
 
CONTROLE DE QUALIDADE 
 
 É extremamente importante e necessário avaliar o desempenho de um sistema 
de raios X por meio de parâmetros físicos para garantir imagens radiográficas de alta 
qualidade com exposição mínima do paciente e dos trabalhadores. Para isso, todo 
serviço de radiologia deve ter um rigoroso programa de controle de qualidade. 
O programa de controle de qualidade deve conter diversos testes que são 
realizados periodicamente para avaliar o funcionamento e o desempenho dos sistemas 
de raios X. Em relação ao equipamento de raios X, deve-se verificar a integridade 
mecânica, que inclui verificar a falta ou desgaste de componentes como pinos, 
parafusos, medidores, registrados, indicadores, entre outros; a estabilidade mecânica, 
 
92 
 
dos suportes, tubo, mesa e detector, para minimizar o efeito de movimento na imagem; 
e a integridade elétrica, principalmente dos cabos de alta voltagem. 
 
Radiografia convencional 
 
Algumas organizações, tais como a American College of Medical Physics e a 
American Association of Physicists in Medicine (AAPM), desenvolveram diretrizes 
para o programa de controle de qualidade em radiografia convencional e também em 
outras modalidades de imagem. 
Em radiografia convencional, diversos são os testes a serem realizados, com 
frequências e níveis de tolerância específicos. Sempre que alguma modificação 
importante for feita no equipamento, esses testes devem ser realizados mesmo que ainda 
não seja a data prevista. O quadro apresenta os testes essenciais que devem ser 
realizados. 
 
 QUADRO: TESTES BÁSICOS DE UM PROGRAMA DE CONTROLE DE 
QUALIDADE EM RADIOGRAFIA CONVENCIONAL 
Fonte: Bushong, 2004. 
 
Filtragem 
Teste Frequência Nível de tolerância 
Filtragem Anualmente ≥ 2,5 mm Al 
Colimação Semestralmente ± 2% DFIa 
Tamanho do ponto focal Anualmente ± 50% 
Calibração do kVp Anualmente ± 10% 
Tempo de exposição 
 
Anualmente 
 
± 5% > 10 ms 
± 20% ≤ 10 ms 
Linearidade da exposição Anualmente ± 10% 
Reproducibilidade da exposição Anualmente ± 5% 
 
93 
 
A filtragem do feixe de raios X é um dos fatores mais importantes para a 
proteção do paciente. Ela aumenta o poder de penetração e, portanto, a qualidade do 
feixe de raios X. Para verificar a qualidade do feixe, determina-se a camada 
semirredutora (CSR) em milímetros de alumínio (mm Al). 
Inicialmente, mede a intensidade da radiação sem filtros entre a fonte de raios X 
e o detector. Depois, repete-se essa medida para filtros de diferentes espessuras. Ao 
colocar esses dados em um gráfico, pode-se determinar a CSR, ou seja, a espessura da 
filtragem que reduz a intensidade do feixe pela metade. Para a filtragem ser considerada 
adequada, a CSR deve ser igual ou superior a 2,5 mm Al. 
 
GRÁFICO TÍPICO DE TESTE DE CAMADA SEMIRREDUTORA (CSR) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FONTE: Bushong, 2004. 
 
Exatidão do sistema de colimaçãoe alinhamento do eixo central do feixe 
O primeiro objetivo deste teste é verificar se o campo de incidência do feixe de 
raios X, delimitado pelos colimadores, coincide com o campo de luz simulado pelo 
próprio sistema de localização do colimador. 
O segundo objetivo é verificar a coincidência entre o eixo central do feixe e o 
centro do detector da imagem. As diferenças obtidas entre as medidas não devem 
exceder 2% da distância entre a fonte de raios X e o detector. A figura abaixo mostra 
algumas ferramentas para a realização desses testes. 
 
 
94 
 
 
 
 
 
Dispositivos para os testes de (a) alinhamento do eixo central do feixe e (b) 
exatidão do sistema de colimação. 
 
 Tamanho do ponto focal 
 
O objetivo é avaliar as dimensões do ponto focal aparente do tubo de raios X. 
Isso pode ser feito pelo método de padrão estrela ou método de padrão de barras. O 
dispositivo da figura, por exemplo, pode ser usado para esse teste. Ele é constituído por 
um alvo de metal pesado com grupos de fendas “padrões de barra” de diferentes 
tamanhos. Após posicionar esse dispositivo sobre um cassete contendo um filme e 
realizar uma exposição, obtém-se um resultado como mostrado na figura. Deve-se, 
então, procurar o menor grupo em que todas as três barras sejam resolvidas sobre o 
filme e utilizar a tabela de conversão para saber o tamanho do ponto focal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
95 
 
 
 
 
 
(a) Dispositivo para o teste do tamanho do ponto focal por meio do “padrão de 
barras”. (b) Resultado típico obtido com o teste. 
 
Potencial no tubo de raios X (calibração do kVp) 
 
O objetivo é medir a quilovoltagem de pico (kVp) para ver sua exatidão em 
relação ao mostrador. A leitura pode ser feita diretamente ou indiretamente. No caso da 
leitura direta, utilizam-se dois fotodiodos que mostram eletronicamente o valor de kVp. 
Então, um valor de kVp é selecionado e o medidor é exposto. Os valores de kVp 
selecionado e lido são comparados. O limite aceitável de exatidão é de ± 10%. 
 
Tempo de exposição 
 
O objetivo é comparar o valor obtido por um medidor específico com o valor 
mostrado no painel, por meio de uma leitura direta. Para isso, o medidor é submetido à 
exposição de diferentes durações. O limite aceitável de exatidão é de ± 20% para 
durações ≤ 10 ms, e ± 5% para durações > 10 ms. 
 
Linearidade da exposição 
O objetivo é avaliar a habilidade de um equipamento de raios X de produzir uma 
radiação constante para diferentes combinações de corrente aplicada no filamento e 
tempo de exposição, que teoricamente deveriam resultar no mesmo valor de radiação. 
 
Reproducibilidade da exposição 
 
O objetivo é avaliar se a exposição à radiação é a mesma para repetidas medidas, 
utilizando os mesmos valores de potencial no tubo, corrente no filamento e tempo de 
exposição. 
Outros testes incluem a verificação do desempenho das telas intensificadoras, o 
alinhamento da grade, o contato tela-filme, o desempenho das vestes protetoras (luvas e 
 
96 
 
aventais de chumbo, por exemplo) e da processadora automática dos filmes. 
 
Radiografia computadorizada 
 
QUADRO: TESTES RECOMENDADOS PARA UM PROGRAMA DE 
CONTROLE DE QUALIDADE EM RADIOGRAFIA COMPUTADORIZADA 
 
✓ Ruído no detector não irradiado 
✓ Uniformidade 
✓ Calibração do indicador de exposição 
✓ Linearidade de resposta 
✓ Uniformidade e limite de resolução 
✓ Sensibilidade de baixo contraste 
✓ Precisão do ciclo de apagamento 
✓ Armazenamento 
 
 
 
Radiografia digital 
 
 QUADRO: TESTES RECOMENDADOS PARA UM PROGRAMA DE 
CONTROLE DE QUALIDADE EM RADIOGRAFIA DIGITAL 
 
✓ Razão sinal-ruído 
✓ Razão contraste-ruído 
✓ Resolução espacial 
✓ Resolução de contraste 
✓ Contraste 
✓ Função transferência de modulação 
✓ Uniformidade 
✓ Artefatos 
✓ Distorção geométrica 
 
 
 
97 
 
Tomografia computadorizada 
 
QUADRO: TESTES TÍPICOS DE UM PROGRAMA DE CONTROLE DE 
QUALIDADE EM TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA 
 
 
 
 
 
 
✓ Padrão de dose ao paciente: abdômen, crânio, coluna 
✓ Verificação da posição do objeto de teste e alinhamento 
✓ Precisão do sistema de alinhamento luminoso 
✓ Espessura de corte 
✓ Incrementos entre cortes 
✓ Exatidão e incremento de posicionamento da mesa 
✓ Contraste de alvos esféricos 
✓ Linearidade do número CT 
✓ Resolução espacial de alto contraste 
✓ Resolução de baixo contraste 
✓ Razão Sinal Ruído e ruído na imagem 
✓ Uniformidade do número CT 
✓ Calibração e uniformidade do número CT no ar 
✓ Não uniformidade integral 
✓ Avaliação da inclinação do gantry 
 
98 
 
REFERÊNCIAS 
 
Basic introduction to PACS. Disponível em: . Acesso em: 19 abr. 2012. 
BRASIL. Portaria Federal nº 453, de 1 de junho de 1998. Secretaria da 
Vigilância Sanitária. 
BUSHBERG, J.T.; SEIBERT, J.A.; LEIDHOLDT, E.M., BOONE, J.M. The 
essential physics of medical imaging, 2. ed. Philadelphia: Lippincott, Williams & 
Wilkins, Publication, 2002. 
BUSHONG, S.C. Radiologic science for technologists: physics, biology, and 
protection, 8. ed. St. Louis: Mosby, 2004. 
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http://www.venes.com.br/e a informatização dos 
equipamentos. Novos métodos diagnósticos foram surgindo, tais como ultrassonografia, 
mamografia, densitometria óssea, tomografia computadorizada, ressonância magnética e 
radiologia digital. 
A tomografia computadorizada, por exemplo, foi desenvolvida na década de 
1970, quando Hounsfield acoplou o aparelho de raios X a um computador. E para 
reconstruir as imagens, métodos matemáticos foram desenvolvidos principalmente pelo 
pesquisador chamado Cormack. As radiografias feitas até aquele momento eram 
capazes de distinguir ossos, líquidos, partes moles e gordura. Devido à alta sensibilidade 
da tomografia computadorizada, passou a ser possível separar as partes moles. Por 
 
7 
 
exemplo, começou-se a diferenciar líquor, substâncias cinzenta e branca do tecido 
cerebral. Ambos pesquisadores receberam o prêmio Nobel de Medicina em 1979. 
Como o presente curso está focado nas técnicas que utilizam raios X, como 
radiografia e tomografia computadorizada, as propriedades dos raios X e sua produção 
serão discutidas com mais detalhes a seguir. 
 
PROPRIEDADES DOS RAIOS X 
 
 Os raios X são pacotes de energia na forma de ondas eletromagnéticas (radiação 
eletromagnética), como a luz visível, as ondas de rádio, os raios gama, as micro-ondas, 
entre outras. A energia dos raios X pode ser medida em elétron-volt (eV). A diferença 
entre as várias ondas eletromagnéticas está no seu comprimento de onda ( ) e na sua 
frequência ( ), cujo produto é igual à velocidade da onda. 
ONDAS SENOIDAIS COM DIFERENTES COMPRIMENTOS DE ONDA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FONTE: Bushong, 2004. 
 
 
8 
 
 
A velocidade (v) de toda onda eletromagnética é igual a velocidade da luz (c = 3 
x 108 m/s). O comprimento de onda ( ) e a frequência ( ) são normalmente dados em 
metros (m) e hertz (Hz), respectivamente. Assim, quando o comprimento de uma onda 
eletromagnética é conhecido, pode-se calcular sua frequência, e vice-versa. Esse cálculo 
é feito pela equação mostrada na figura. 
 
 
 
 
Exemplo: 
Qual é a frequência de uma onda eletromagnética de comprimento de onda igual 
a 12 pm? 
 λ = 12 pm = 12 ∗ 10−2 m 
 
c = λ ∗ f ⟶ f = cλ = 3 ∗ 108 ms12 ∗ 10−2 m ⟶ f = 2,5 ∗ 1019Hz 
 
 
Quanto maior for o comprimento de onda, menor será frequência da onda. A 
figura mostra o espectro eletromagnético e os nomes dados às ondas de diferentes faixas 
de comprimento de onda e frequência. 
 
ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO 
 
9 
 
 
 
 
O olho humano é sensível a ondas eletromagnéticas de comprimento de onda da 
ordem de 400 a 700 nm, formando a faixa da luz visível, cujos menores e maiores 
comprimentos de onda correspondem às cores violeta e vermelha, respectivamente. Já 
os raios ultravioleta, X e gama apresentam comprimentos de ondas menores do que os 
da luz visível; enquanto os raios infravermelhos, micro-ondas e ondas de rádio 
apresentam comprimentos de onda maiores do que 700 nm. Os raios X possuem 
comprimentos de onda no intervalo de 10-11 a 10-8 metros. 
Como o comportamento das ondas varia de acordo com a interação entre o seu 
comprimento de onda e a matéria (objetos, corpo humano, etc.), diferentes ondas 
eletromagnéticas podem ser utilizadas para diversas finalidades. Por exemplo, devido ao 
seu comprimento de onda da ordem de centímetros, as micro-ondas são absorvidas por 
moléculas de água presentes nos alimentos. Assim, os alimentos podem ser aquecidos 
quando colocados nos fornos de micro-ondas. 
Por outro lado, os raios X possuem comprimentos de onda muito pequenos e 
energia 10 mil vezes maior do que a luz visível, o que facilita sua penetração em 
diversos materiais. Portanto, eles são bastante interessantes na medicina para a análise 
de órgãos internos e fraturas, e no tratamento de tumores e doenças ósseas. Os raios X 
comumente usados em radiologia possuem energias típicas entre 10 e 150 keV. 
Entretanto, os raios X podem trazer prejuízos à saúde do ser humano, já que podem 
separar moléculas por ionização. Por essa característica, eles são classificados como 
 
10 
 
radiação ionizante. 
Se os raios X penetram melhor, menos raios X incidindo no corpo do paciente 
serão necessários para que uma quantidade suficiente chegue ao detector para formar a 
imagem. Dessa forma, quanto mais penetrantes os raios X, mais baixa será a dose de 
radiação no paciente. Ao longo do texto, a importância e a utilidade dessa e de outras 
propriedades dos raios X serão discutidas. 
No quadro abaixo, estão listadas as principais propriedades dos raios X úteis 
para o radiodiagnóstico. 
 
 
QUADRO: PROPRIEDADES DOS RAIOS X IMPORTANTES, 
PRINCIPALMENTE PARA A MEDICINA 
 
 
 Os raios X ... 
✓ São radiação eletromagnética - não têm carga, não podendo ser defletidos por 
campos elétricos ou magnéticos. 
✓ No vácuo, propagam-se com a velocidade da luz. 
✓ Propagam-se em linha reta. 
✓ Propagam-se em todas as direções. 
✓ Provocam luminescência em determinados materiais metálicos. 
✓ Enegrecem o filme fotográfico. 
✓ São mais penetrantes quando têm energia mais alta, comprimento de onda 
curto e frequência alta. 
✓ Tornam-se mais penetrantes ao passarem por materiais absorvedores 
✓ Quanto maior for a voltagem do tubo gerador do raios X, melhor eles 
atravessam um corpo. 
✓ Produzem radiação espalhada ao atravessarem um corpo. 
✓ Obedecem a lei do inverso do quadrado da distância (= 1/d2), ou seja, sua 
intensidade é reduzida dessa forma. 
✓ Podem provocar mudanças biológicas, benignas ou malignas, ao interagir 
com um corpo. 
 
 
11 
 
TUBOS GERADORES DE RAIOS X 
 
 Os raios X são produzidos em um equipamento chamado tubo de raios X, que 
consiste de uma ampola de vidro ou metal, evacuada, com um filamento de tungstênio 
em uma extremidade, denominado cátodo, e um alvo de metal na outra extremidade, 
denominado ânodo. Os tubos de raios X funcionam de tal maneira que um grande 
número de elétrons é produzido pelo cátodo e acelerado para bombardear o ânodo com 
alta energia cinética. Assim, ele pode ser considerado um conversor de energia, já que a 
energia elétrica recebida é convertida em raios X e calor. Os tubos são projetados com o 
objetivo de ter alta eficiência na produção de raios X, além de serem capazes de dissipar 
o calor o mais rápido possível. 
 
 TUBO DE RAIOS X 
 
 
 FONTE:www.lucianosantarita.pro.br 
 
O cátodo é o eletrodo negativo do tubo, formado por um pequeno fio em espiral 
(ou filamento) que possui ponto de fusão e eficiência de emissão termoiônica altos, já 
que é constituído pela combinação de tungstênio e tório. Esse filamento fica dentro de 
uma cavidade, denominada copo focalizador. Quando a corrente elétrica passa pelo 
filamento, esse é aquecido, emitindo de elétrons (denominada emissão termiônica). 
Quanto maior for a corrente elétrica, maior será a emissão de elétrons que bombardeiam 
o alvo, aumentando a produção de raios X. 
O copo focalizador, que abriga o filamento, é responsável por direcionar a 
 
12 
 
corrente de elétrons para uma área bem definida do alvo (ânodo). 
 FE
 
 
 Essa área bem definida do alvo bombardeada pelos elétrons é denominada 
ponto focal. 
 
PONTO FOCAL 
 
FONTE: Nickoloff, 2005. 
 
A maioria dos tubos de raios X tem pelo menos dois filamentos de diferentes 
comprimentos, que resultam em tamanhos diferentes de pontos focais. Como pontos 
focais maiores são obtidos com mais corrente e, portanto, mais raios X são produzidos, 
filamentos maiores são utilizados para radiografar tecidos espessos e densos, que 
 
FONTE: Bushong, 2004 . 
 
13 
 
necessitam de mais radiação. Porém, nesses casos a imagem obtida é mais borrada. Já 
pontos focais pequenos produzem imagens menos borradas, melhorando a habilidade de 
visualizar estruturas pequenas. Portanto, quanto menor o ponto focal, maior será a 
resoluçãoespacial da imagem; porém, maior será o desgaste do ânodo. 
O ânodo é o polo positivo do tubo, que deve ser constituído de um material de 
boa condutividade térmica, alto ponto de fusão e alto número atômico. Os tubos de raios 
X podem ter o ânodo estacionário ou giratório. 
 
(A) ÂNODO ESTACIONÁRIO E (B) ÂNODO GIRATÓRIO 
 
FONTE: Bushong, 2004. 
 
 
No caso do ânodo estacionário, ele é feito de tungstênio, que tem o ponto de 
fusão alto, sendo resistente ao intenso calor produzido no alvo pelo bombardeamento de 
elétrons. Além disso, ele possui um número atômico alto, sendo útil para o 
fornecimento de átomos para a colisão com os elétrons provenientes do filamento, o que 
leva a uma alta eficiência na produção de raios X. 
Já no caso do ânodo giratório, o feixe de elétrons interage com uma área muito 
maior do alvo de maneira que o aquecimento não ocorre em uma área pequena, como no 
caso do ânodo estacionário. Assim, correntes mais altas e tempos de exposição mais 
curtos são possíveis em ânodos giratórios. 
Atualmente, os tubos de ânodo fixo são utilizados em máquinas de baixa 
corrente, como em raios X portátil ou dentário. No caso de máquinas de alta corrente, 
 
14 
 
como em radiodiagnóstico, os tubos possuem ânodo giratório. Nesse caso, a área de 
impacto dos elétrons é aumentada, aumentando a vida útil do ânodo. 
Além de seus dois principais componentes (cátodo e ânodo), o tubo de raios X 
possui componentes externos: ampola de vidro ou metal, cabeçote protetor e suporte. 
A ampola que abriga o ânodo e o cátodo é posicionada no interior do cabeçote 
do equipamento de raios X, sendo constituída por um vidro ou metal de alta resistência 
e evacuada. O objetivo é proporcionar isolamento térmico e elétrico entre as 
extremidades onde ficam o ânodo e o cátodo, aumentando a eficiência na produção de 
raios X e o tempo de vida útil do tubo. 
Essa ampola tem aproximadamente de 30 a 50 cm de comprimento, e 20 cm de 
diâmetro. Ela possui também uma área (janela) de aproximadamente 5 cm2, em que o 
material (vidro ou metal) é mais fino, de modo a permitir a emissão do feixe útil de 
raios X com o mínimo de absorção. 
Além desse feixe útil, raios X são emitidos em todas as direções com igual 
intensidade. Por esse motivo, o tubo de raios X é posicionado dentro de um cabeçote 
protetor revestido de chumbo, que minimiza a passagem de radiação de fuga e permite 
a passagem do feixe de radiação apenas pela janela do tubo, de modo a direcionar o 
feixe. Apesar do cabeçote, a radiação não é totalmente blindada, sobrando a radiação de 
fuga que não contribui para a formação da imagem. Por isso, deve-se considerar sua 
blindagem ao planejar uma sala de raios X. 
 RADIAÇÃO DE FUGA NO CABEÇOTE DO SISTEMA DE RAIOS X 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
15 
 
FONTE: Bushong, 2004. 
 
 O conjunto cabeçote, ampola e tubo de raios X é sustentado por um mecanismo 
que permite seu posicionamento apropriado para cada exame. Há diferentes tipos de 
suporte, como suporte de teto, de chão, e com braço em formato semicircular. 
 
 SUPORTE PARA O CONJUNTO CABEÇOTE, AMPOLA E TUBO DE 
RAIOS. (A) SUPORTE DE CHÃO E (B) SUPORTE EM FORMATO 
SEMICIRCULAR -FONTE: Bushong, 2004. 
 
PRODUÇÃO DE RAIOS X 
 
Os raios X podem ser produzidos quando elétrons em alta velocidade se chocam 
com um alvo metálico. O processo inicia-se quando uma corrente elétrica passa pelo 
filamento do cátodo, produzindo um brilho e emitindo elétrons. Com a aplicação de 
uma alta diferença de voltagem (medida em kilovolts) entre o cátodo e o ânodo, os 
életrons passam a mover-se em alta velocidade desde o filamento até o alvo metálico, 
produzindo uma corrente (medida em mA). Essa corrente de elétrons atravessa o 
caminho somente em uma direção (cátodo → ânodo). Quanto maior for a corrente, 
maior será a produção de raios X, porém menor será o tempo de vida útil do filamento. 
 
PRODUÇÃO DE RAIOS X 
 
16 
 
 
 
(a) Com o aquecimento do filamento e a aplicação de alta voltagem no tubo, 
elétrons movem-se do filamento em direção ao ânodo. (b) Ao chocarem-se com os 
átmos do alvo presente no ânodo, há produção de raios X. Adaptada de Produção de 
raios-X. http://novastecnologiassaude.blogspot.com.br 
 
Quando os elétrons chocam-se com o alvo, raios X são produzidos por dois 
mecanismos: bremsstrahlung (do alemão, significa freagem) e radiação característica. O 
primeiro mecanismo produz de 85% a 100% dos raios X, sendo o restante produzido 
pelo segundo mecanismo. 
No caso do mecanismo de bremsstrahlung, um espectro contínuo de raios X é 
produzido pela desaceleração dos elétrons provenientes do filamento quando esses 
passam próximos a núcleos carregados positivamente dos átomos do alvo, sendo 
desviados de sua trajetória. A desaceleração brusca desses elétrons provoca perda de 
energia, o que gera a emissão de radiação eletromagnética de diferentes comprimentos 
de onda e energia. Dessa radiação produzida, apenas cerca de 1% é radiação X, sendo 
99% emitida como calor, o que aquece o alvo. 
 
PRODUÇÃO DE RAIOS X PELO MECANISMO DE BREMSSTRAHLUNG 
19 
 
17 
 
Oliveira. FONTE: http://www.lucianosantarita.pro.br 
 
Os elétrons podem passar a distâncias diferentes do núcleo, sendo mais ou 
menos freados. Assim, a radiação de bremsstrahlung se caracteriza por uma distribuição 
de energia, sendo que a maior parte dessa radiação possui baixa energia. Esse fato pode 
ser perigoso para o paciente, já que a radiação de baixa energia interage com o tecido 
sem contribuir para a formação da imagem radiográfica. 
O espectro contínuo de raios X é uma curva de intensidade (medida em 
contagens por segundo) versus comprimento de onda do raio X. Essa curva depende do 
material do alvo e da voltagem (V) aplicada entre o filamento e o alvo. Já que a 
desaceleração do elétron é proporcional à densidade de prótons do núcleo do átomo do 
alvo, sendo então proporcional ao seu número atômico (Z), a eficiência da produção de 
raios X é proporcional a ZV. 
 
ESPECTRO CONTÍNUO DE RAIOS X PARA UM ALVO DE TUNGSTÊNIO 
PARA DIFERENTES VOLTAGENS APLICADAS AO TUBO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FONTE: Adaptada de Bushong, 2004. 
 
 O espectro contínuo de raios X é acompanhado por uma série de linhas isoladas, 
correspondente à radiação característica, produzida por transições eletrônicas 
específicas que ocorrem em átomos do material do alvo. Ao chocar-se com esses 
átomos, os elétrons provenientes do filamento expulsam elétrons das camadas mais 
 
18 
 
internas dos átomos do alvo, resultando na transição de outros elétrons de camadas mais 
externas para camadas mais internas, substituindo os elétrons expulsos. Essa transição 
eletrônica resulta na geração dos raios X característicos. 
 
PRODUÇÃO DE RAIO X CARACTERÍSTICO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FONTE: Bushong, 2004. 
 
 Usando o modelo do átomo de Borh fica mais fácil entender a produção de raios 
X característicos. Nesse modelo, o átomo é constituído por um núcleo contendo prótons 
e nêutrons, cercado por camadas de elétrons. Na figura acima são mostradas as camadas 
K, L e M. Se o elétron proveniente do filamento possuir energia suficiente para expulsar 
um elétron da camada K (camada mais interna), a lacuna deixada deverá ser preenchida 
por um elétron da camada L ou M para garantir novamente o equilíbrio. Dependendo da 
camada que vem o elétron para preencher essa lacuna, a radiação emitida terá certo 
nível de energia. 
Cada material emite um nível definido de radiação característica que depende do 
seu número atômico. Em radiologia convencional, utilizam-se tubos de raios X com 
alvos de tungstênio (símbolo = W, Z = 74), cuja radiação característica é da ordem de 
70 keV. Já no caso da mamografia, os tubos podem ter alvos de molibidênio (símbolo = 
Mo, Z = 42) ou ródio (símbolo = Rh, Z = 45), cuja radiaçãocaracterística é da ordem de 
20 keV. 
Portanto, o espectro de raios X é a superposição de um espectro contínuo e de 
uma série de linhas espectrais características do alvo. 
 
 
19 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FONTE: Oliveira. http://www.lucianosantarita.pro.br 
 
O formato do espectro de raios X é sempre o mesmo; entretanto, alguns fatores 
modificam sua amplitude e sua posição no eixo de energia. A amplitude está 
relacionada com a intensidade do feixe, já a posição está relacionada com a sua 
qualidade. O quadro resume os principais fatores que modificam o espectro de raios X. 
 
QUADRO: FATORES QUE MODIFICAM A AMPLITUDE E A POSIÇÃO 
DO ESPECTRO DE RAIOS X, QUE ESTÃO RESPECTIVAMENTE 
RELACIONADAS COM A INTENSIDADE E A QUALIDADE DO FEIXE 
Fator Efeito 
Tensão no tubo Amplitude e posição 
Corrente no tubo Amplitude 
Material do alvo Amplitude e posição do espectro contínuo 
Distância fonte e detector Amplitude 
Filtragem Amplitude, principalmente em energias baixas 
 
20 
 
 
A intensidade do feixe é também chamada de quantidade de raios X ou 
exposição à radiação, e é medida em roentgens (R). A quantidade de raios X é o número 
de raios X no feixe útil. Ela aumenta com o aumento da corrente e da tensão no tubo; 
por outro lado, diminui com o aumento da distância fonte-detector e da filtragem. 
Já a qualidade do feixe de raios X mede a penetração do feixe no corpo, em 
unidades de camada semirredutora (do inglês, half-value layer – HVL). HVL é a 
espessura de um material necessária para reduzir a quantidade de raios X penetrantes 
em 50%. Em radiologia, HVL normalmente é medida em milímetros de alumínio. HVL 
aumenta com o aumento da tensão aplicada no tubo e o aumento da filtragem do feixe. 
Portanto, para feixes de maior HVL, ou seja, qualidade, os raios X são mais penetrantes 
e menos radiação é necessária para obter uma imagem de boa qualidade, reduzindo a 
dose no paciente. 
 
INTERAÇÃO DE RAIOS X COM A MATÉRIA 
 
 Quando os raios X atingem o tecido do paciente, a radiação pode ser 
completamente espalhada, sem perda de energia; absorvida, com perda total de energia; 
espalhada, com alguma absorção e perda de energia; ou transmitida, sem qualquer 
alteração. A transmissão desses raios X pelo corpo do paciente depende da densidade e 
da espessura do tecido, além do coeficiente de atenuação de massa. 
Para os raios X usados em radiodiagnóstico, que têm de 10 a 150 keV de 
energia, essas interações são dos seguintes tipos: espalhamento coerente, efeito 
fotoelétrico e espalhamento Compton. 
 
Espalhamento coerente 
 
O espalhamento coerente é uma interação de pura dispersão, sem deposição de 
energia no material ou corpo do paciente. Nessa interação, o fóton de raio X interage 
com os elétrons orbitais dos átomos da matéria. Esses elétrons oscilam por um período 
de tempo muito curto e, depois, outro fóton de mesma energia é liberado e se propaga 
em uma direção diferente. Esse tipo de interação é mais provável para fótons de energia 
baixa, não muito importante para a radiologia diagnóstica. 
 
 
21 
 
ESPALHAMENTO COERENTE 
 
FONTE: Bushong, 2004. 
 
Efeito fotoelétrico 
 
Nessa interação, o fóton de raio X interage com um elétron de uma camada mais 
interna de um átomo e, se tiver energia suficiente, esse fóton transfere toda a sua energia 
para o elétron, ejetando-o da órbita. Assim, o fóton desaparece e o átomo é ionizado. 
 
 
EFEITO FOTOELÉTRICO 
 
FONTE: Bushong, 2004. 
 
22 
 
 
 Após a interação fotoelétrica, a lacuna deixada pelo elétron ejetado é ocupada 
por outro elétron, ocorrendo emissão de radiação característica. 
O número de interações fotoelétricas diminui rapidamente com raios X de altas 
energias. Não há fóton espalhado e toda a energia é depositada localmente, contribuindo 
para a dose de radiação no paciente. 
A probabilidade relativa de um raio X sofrer interação fotoelétrica é 
inversamente proporcional à terceira potência da sua energia (1/E3) e diretamente 
proporcional à terceira potência do número atômico do material absorvedor (Z3). Essa 
distribuição de probabilidade está mostrada na figura para dois tipos de materiais 
absorvedores: tecido mole e osso. 
 
PROBABILIDADE RELATIVA DE UM RAIO X SOFRER INTERAÇÃO 
FOTOELÉTRICA EM DOIS DIFERENTES MATERIAIS ABSORVEDORES: 
TECIDO MOLE E OSSO 
 
FONTE: Bushong, 2004. 
 
 
23 
 
Espalhamento Compton 
 
Nessa interação, o fóton de raio X normalmente interage com um elétron de uma 
camada mais externa de um átomo, transferindo parte da sua energia para o elétron, 
ejetando-o da órbita. Assim, o fóton continua se propagando, mas com energia menor e 
direção de propagação diferente. 
 
ESPALHAMENTO COMPTON 
 
 
 FONTE: Bushong, 2004. 
 
 Durante essa interação, a maior parte da energia do raio X é dividida entre o 
raio X espalhado e o elétron ejetado (denominado elétron Compton). Ambos passam a 
ter energia suficiente para realizar outras interações antes de perder toda a sua energia. 
A probabilidade de o espalhamento Compton ocorrer é inversamente 
proporcional a sua energia (1/E), porém é praticamente independente do número 
atômico do material absorvedor. 
 
PROBABILIDADE RELATIVA DE UM RAIO X SOFRER 
ESPALHAMENTO COMPTON EM DOIS DIFERENTES MATERIAIS 
ABSORVEDORES: TECIDO MOLE E OSSO 
 
24 
 
 
 FONTE: Bushong, 2004. 
 
 Os raios X espalhados, resultantes da interação Compton, não fornecem 
informação útil para os exames radiográficos. Pelo contrário, eles reduzem o contraste 
da imagem obtida. 
O quadro abaixo resume as interações dos raios X com o corpo humano que são 
mais prováveis de ocorrer durante um exame de radiodiagnóstico. É importante notar 
que devido a algumas dessas interações, boa parte da radiação contribui apenas para a 
deposição de dose no paciente e não para a formação da imagem. 
 
QUADRO: RESUMO DAS INTERAÇÕES DOS RAIOS X COM O CORPO 
HUMANO MAIS ROVÁVEL DE OCORRER DURANTE UM EXAME DE 
RADIODIAGNÓSTICO 
 
✓ Transmissão do raio X através do corpo do paciente sem interação 
✓ Absorção completa do raio X, com depósito de energia no corpo do 
paciente (Efeito Fotoelétrico) 
✓ Espalhamento do raio X (Espalhamento Compton) 
 
25 
 
 
 
A figura resume o conteúdo visto neste primeiro módulo, desde a produção de 
raios X até sua interação com a matéria. Já a figura, que está relacionada com os eventos 
mostrados, mostra a distribuição de energia de raios X produzidos por um tubo com 
 
26 
 
ânodo fixo. Os raios X de baixas energias são absorvidos no metal do ânodo e, depois, 
na ampola de vidro. Posteriormente, a filtragem também reduz a quantidade de raios X 
de baixas energias que não iriam conseguir atravessar o corpo para formar a imagem e 
apenas aumentariam a dose no paciente. Assim, somente os raios X com energias mais 
altas são capazes de atravessar o corpo do paciente e contribuir para o enegrecimento do 
filme e, consequentemente, a formação da imagem. 
 
(a) Trajetória dos raios X desde o tubo até o filme radiográfico. 
(b) Espectro dos raios X em cada etapa do processo mostrado em (a). 
FONTE: Bushberg, 2002. 
 
RADIODIAGNÓSTICO E EQUIPAMENTOS 
 
 RADIOGRAFIA CONVENCIONAL 
 
 A radiografia convencional é o processo de obtenção de imagens 
bidimensionais do corpo humano utilizando feixes de raios X e filme fotográfico. Foi a 
primeira técnica de radiodiagnóstico desenvolvida depois da descoberta dos raios X por 
Röentgen, e durante décadas, foi o único método de imagem existente. Mesmo com o 
desenvolvimento de diferentes técnicas, como a tomografia computadorizada ou a 
ressonância magnética, ainda há muitos exames de radiografia convencional que não 
foram substituídos, por serem mais práticos, mais baratos ou mais úteis em 
determinados casos. 
O equipamento de radiografia é composto pelo tubode raios X, filtros, 
colimadores, mesa de altura ajustável, detector (receptor) da imagem, mesa de controle 
 
27 
 
do operador e processadora dos filmes. O receptor da imagem é o filme radiográfico 
colocado dentro de um chassi (ou cassete) e posicionado sob a mesa de exames ou em 
um suporte no caso da radiografia feita com o paciente em pé. 
 (A) EQUIPAMENTO DE RAIOS X (SUPORTE, TUBO, MESA E 
DETECTOR). (B) CASSETE. (C) PROCESSADORA. (D) FILME RADIOGRÁFICO 
 
Filtros 
 
 Nos tubos de raios X, há uma filtragem inerente, que é a absorção de radiação 
em materiais que não podem ser removidos do equipamento, como o próprio alvo ou a 
parede de vidro do tubo. Porém, em alguns casos, há a necessidade de uma filtração 
adicional, principalmente de raios de baixa energia para o endurecimento do feixe, ou 
seja, para o aumento da sua energia efetiva e, consequentemente, aumento do seu poder 
de penetração. Em tubos de raios X radiográficos, esses filtros são normalmente de 
alumínio ou cobre. 
Essa filtragem afeta tanto a quantidade (número de raios X e energias), quanto à 
qualidade (poder de penetração) do feixe de raios X. O objetivo principal é filtrar a 
radiação de mais baixa energia, reduzindo a dose de radiação no paciente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
28 
 
 
 
(a) Baixa filtragem: feixe menos penetrante, mais radiação é necessária para 
formação da imagem no filme. (b) Filtragem adequada: feixe mais penetrante, menos 
radiação é necessária para formação da imagem no filme e, consequentemente, menor a 
dose no paciente. 
 
✓ Pouca filtragem resulta em uma dose de radiação maior ao paciente 
devido à maior quantidade de raios X de baixas energias que não conseguem atravessar 
o corpo do paciente. 
✓ Muita filtragem resulta em uma imagem de pior qualidade já que raios X 
de altas energias produzem menos contraste. 
 
 Além da filtragem adicional utilizada para melhorar a 
qualidade do feixe, pode-se utilizar também filtros de 
compensação. Em casos em que a espessura e a composição 
do tecido da parte do corpo a ser examinada variam bastante, 
esses filtros são utilizados para se obter uma imagem com 
luminosidade global uniforme. 
 
FILTROS DE COMPENSAÇÃO 
 
 FONTE: Bushong, 2004. 
 
 
29 
 
Colimadores e grades 
 
 Os colimadores são dispositivos que limitam o tamanho do campo de 
incidência dos raios X pela absorção de parte da radiação, direcionando e suavizando o 
feixe. Na maioria dos tubos de raios X, utilizam-se colimadores de abertura variável, 
constituídos de dois conjuntos de lâminas de chumbo que podem ser ajustadas para a 
obtenção de campos de incidência retangulares de tamanhos variáveis. O tamanho do 
campo de incidência coincide com o tamanho do detector. 
COLIMADOR DE ABERTURA VARIÁVEL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FONTE: Bushong, 2004. 
 
Portanto, as principais funções dos colimadores são: restringir a incidência dos 
raios X na área de interesse clínico, prevenindo a irradiação desnecessária de outras 
regiões; e reduzir a radiação espalhada, melhorando o contraste da imagem. 
 
COLIMAÇÃO ADEQUADA RESULTA EM MENOS RADIAÇÃO 
ESPALHADA E, CONSEQUENTEMENTE, MENOR DOSE NO PACIENTE E 
MELHOR CONTRASTE NA IMAGEM 
 
30 
 
 
 FONTE: Bushong, 2004. 
 
 Já as grades consistem de uma folha de tiras finas de chumbo espaçadas por 
outro material, como alumínio ou fibra de carbono. O objetivo é remover a radiação que 
é espalhada dentro do corpo do paciente, melhorando o contraste da imagem. Assim, as 
grades são projetadas para transmitir apenas os raios X cujas direções são uma linha reta 
entre a fonte e o detector, passando diretamente pelo material de alumínio ou fibra de 
carbono. Os outros raios X são absorvidos pelas tiras de chumbo e não atingem o 
detector. 
 
A GRADE ABSORVE A RADIAÇÃO ESPALHADA NO PACIENTE, 
MELHORANDO O CONTRASTE DA IMAGEM 
 
31 
 
 
 
FONTE: Nickoloff, 2005. 
 
Sistema tela-filme 
 
A radiografia 
convencional utiliza um sistema de detecção da radiação denominada sistema tela-
filme. Nesse sistema, o filme fica dentro de um chassi radiográfico, também chamado 
de cassete, juntamente com uma ou duas telas intensificadoras. 
 
ESQUEMA DO DETECTOR NO SISTEMA TELA-FILME 
 
 
 
 
 
 
32 
 
 
 
 
 
O filme radiográfico é posicionado dentro do cassete, normalmente entre duas 
telas intensificadoras. FONTE: Disponível em: . 
 
O chassi é constituído de uma caixa de alumínio (ou resina plástica), que protege 
o material fotossensível da luz até o momento da exposição. Uma das superfícies do 
chassi, por onde incidem os raios X – parte superior do cassete), deve ser de material de 
baixo número atômico e com espessura reduzida para evitar atenuação da radiação. 
Como o filme radiográfico é pouco sensível aos raios X, é necessária a utilização 
de uma ou duas telas intensificadores para convertem os raios X em luz. Assim, o filme 
é produzido para ser sensível à luz e não a raios X. Por esse motivo, ele deve ser 
protegido da luz antes e após o exame. 
A tela intensificadora é utilizada antes do detector de radiação com o objetivo 
de capturar raios X que passam pelo corpo do paciente e pela grade, e convertê-los em 
grande quantidade de luz, que será direcionada ao detector. A vantagem da utilização da 
tela é reduzir a exposição do paciente à radiação. Entretanto, a desvantagem é a 
diminuição da qualidade da imagem, com aumento de ruído devido à dose reduzida, e 
redução da resolução espacial devido à dispersão da luz. Porém, com a utilização de 
telas mais modernas, a redução da qualidade da imagem não é tão crítica. 
A tela intensificadora é constituída por, pelo menos, quatro camadas: 
revestimento protetor, camada de fósforo, camada reflexiva e base. 
 
ESQUEMA DO CORTE TRANSVERSAL DE UMA TELA 
INTENSIFICADORA, MOSTRANDO SUAS QUATRO CAMADAS: BASE, 
CAMADA REFLEXIVA, CAMADA DE FÓSFORO E REVESTIMENTO 
PROTETOR 
 
33 
 
 
FONTE: Bushong, 2004. 
 
 O revestimento protetor é a camada que fica mais próxima ao filme radiográfico 
e fornece à tela uma superfície resistente ao manuseio, transparente à luz e que protege a 
camada de fósforo. 
Já a camada de fósforo é a parte ativa da tela, que converte os raios X em luz. 
Ela é constituída de um material cintilador, normalmente o fósforo de terras raras, 
composto por oxisulfeto de gadolíneio, oxibrometo de latânio e tantalato de ítrio. Esse 
composto tem uma maior eficiência de conversão do que as telas mais antigas de 
tungstato de cálcio. 
Quando os raios X interagem com a camada de fósforo, luz é emitida com igual 
intensidade em todas as direções, sendo que menos da metade dessa luz é emitida na 
direção do filme radiográfico. Assim, para aumentar a quantidade de luz que atinge o 
filme, a tela possui uma camada reflexiva, onde a luz que a atinge é redirecionada para o 
filme. 
 
ESQUEMA DO CORTE TRANSVERSAL DE DOIS SISTEMAS TELA-
FILME 
 
 
34 
 
 
 
(a) Com a utilização de tela intensificadora sem a camada reflexiva, apenas parte 
da radiação sensibiliza o filme. (b) A camada reflexiva redireciona os raios X para 
sensibilizarem o filme. FONTE: Bushong, 2004. 
 
A camada mais distante do filme é chamada de base que, normalmente composta 
por poliéster, dá suporte mecânico à camada de fósforo. Essa camada deve ser resistente 
à umidade e à radiação, inerte quimicamente para não interagir com a camada de 
fósforo, flexível e livre de impurezas que possam ser imageadas pelos raios X. 
Após atravessar o corpo do paciente e a tela intensificadora, o feixe de raios X 
pode sensibilizar os filmes radiográficos. Há outros detectores de radiação em 
radiodiagnóstico, mas a impressão de filmes radiográficos ainda é uma das principais 
técnicas usadas clinicamente. O uso de sensores em sistemas digitais também é outramaneira de detectar os feixes de raios X e será discutido nas próximas seções. 
O filme radiográfico não exposto consiste de uma ou duas camadas de emulsão 
sobre uma folha flexível de plástico (geralmente poliéster). A emulsão consiste de grãos 
de haleto de prata (brometo de prata – AgBr, e iodeto de prata - AgI) em uma base 
gelatinosa. Uma camada adesiva é utilizada para segurar a emulsão sobre a base de 
plástico, e um revestimento é utilizado para proteger a emulsão. Os filmes podem ser de 
emulsão simples ou dupla. 
 
 
35 
 
FILMES RADIOGRÁFICOS DE EMULSÃO (A) SIMPLES E (B) DUPLA 
 
Formação e Registro da Imagem. 
FONTE: www.ebah.com.br 
 
Após ser exposto, o filme contém a imagem latente da região de interesse do 
paciente e, para se obtiver a imagem que será utilizada no diagnóstico, esse filme deve 
ser revelado. O filme radiográfico é geralmente revelado por uma processadora 
automática. 
 
 
 
 
Figura -PROCESSADORAS DE FILMES RADIOGRÁFICOS 
 
 
 
36 
 
Por muito tempo, os filmes radiográficos eram o principal meio de 
armazenamento de imagens médicas. A utilização de diferentes detectores e de 
computadores passou a oferecer novas maneiras de armazenar, processar, transferir e 
mostrar as imagens. Atualmente é possível adquirir os dados, realizar operações 
matemáticas para realçar detalhes e diferenciar imagens, e armazenar esses dados em 
servidores facilitando a visualização, sem a utilização de filmes. A essas novas 
modalidades, dá-se o nome de Radiologia Digital, que inclui as radiografias 
computadorizada e digital, que serão abordadas a seguir. 
Entretanto, os conceitos de física das radiações abordados e o posicionamento do 
paciente e dos equipamentos são os mesmos, apenas as técnicas estão sendo 
aperfeiçoados, não reduzindo a responsabilidade dos operadores de seguir corretamente 
o protocolo para adquirir imagens de boa qualidade com menor exposição possível do 
paciente. 
 
RADIOGRAFIA COMPUTADORIZADA 
 
 
A radiografia computadorizada utiliza um cassete similar aos chassis do sistema 
tela filme, juntamente com um equipamento de raios X tradicional, como descrito 
anteriormente. A diferença é uma placa receptora, constituída de fósforo foto 
estimulável, usada no lugar do filme radiográfico. 
Durante o exame, quando há exposição à radiação, os raios X causam ionização 
na placa, resultando no aprisionamento de elétrons em estados de energia excitados. 
Para a obtenção da imagem, essa placa é “lida” por um scanner a laser apropriado, 
também chamado de leitor. 
O laser do scanner adiciona energia aos elétrons excitados que, eventualmente, 
voltam para um nível mais baixo de energia, emitindo luz. Essa luz é medida por um 
detector e a imagem é digitalizada. Após o processo de leitura, as informações na placa 
são “apagadas” com a utilização de luz intensa, e a placa é recolocada no interior do 
chassi para ser utilizada novamente. 
 
As vantagens da radiografia computadorizada incluem: 
 
✓ Não são necessários filmes radiográficos; 
 
37 
 
✓ A aquisição da imagem é mais rápida, diminuindo a exposição do 
paciente à radiação; 
✓ O custo com armazenamento de imagens digitais é menor; 
✓ A visualização e distribuição das imagens são mais fáceis; 
✓ A qualidade das imagens pode ser melhorada utilizando programas 
computacionais; 
✓ Como utiliza o equipamento tradicional de radiografia, o custo para 
implantação dessa técnica é menor do que o custo da implantação da radiografia digital. 
 
 
Entretanto, há algumas desvantagens. São elas: 
 
✓ Menor resolução espacial do que em sistemas tela-filme; 
✓ Eletrônica mais complexa e cara; 
✓ Desaparecimento da imagem latente em aproximadamente 15 minutos; 
✓ Necessidade de profissionais qualificados para operar e fazer a 
manutenção dos equipamentos. 
 
RADIOGRAFIA DIGITAL 
 
No caso da radiografia digital, o receptor da imagem é um equipamento 
especializado, formado por detectores digitais sensíveis aos raios X, que podem capturar 
a imagem diretamente, sem o uso de chassis. 
 As vantagens da radiografia digital incluem: 
 
✓ Não necessidade do processamento químico para revelar a imagem, 
como no caso dos filmes radiográficos; 
✓ Habilidade de transferir e melhorar digitalmente as imagens; 
✓ Menos radiação é necessária para obter imagens com qualidade similar 
àquelas obtidas com a radiografia convencional. 
Entretanto, esse tipo de detector é frágil. Quando o sistema necessita de 
modificações ou é danificado, é necessária a substituição de toda a unidade de raios X. 
Há dois modelos de sistema em radiografia digital: direto e indireto. O sistema 
direto é normalmente constituído por um conjunto de detectores de selênio amorfo, que 
 
38 
 
converte os fótons de raios X diretamente em carga depositada. Já o sistema indireto é 
constituído por um cintilador, como o iodeto de césio, que converte os raios X em luz. 
Abaixo do cintilador, há um conjunto de dispositivos sensíveis à luz que a converte em 
sinal digital. Em ambos os sistemas, a área útil do detector, as perdas de raios X que 
atravessam o detector e a capacidade de conversão do detector influenciam a sua 
eficiência. 
Ambos os sistemas de radiologia digital (radiografia computadorizada e 
radiografia digital) estão associados com pior resolução espacial das imagens quando 
comparados com o sistema tela-filme da radiografia convencional. Entretanto, as 
diversas vantagens desses sistemas, citadas anteriormente, compensam a perda na 
resolução espacial. 
 
TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA 
 
No início da década de 1970, o físico e engenheiro Godfrey Hounsfield 
desenvolveu e demonstrou a técnica de tomografia computadorizada (TC). Até então, as 
imagens radiográficas eram obtidas pela sensibilização de filmes por raios X que 
atravessavam o corpo do paciente. Com a TC, um feixe de raios X bem colimado 
atravessa o corpo do paciente e é medido por detectores que enviam o sinal para um 
computador. Esse computador é o responsável por analisar o sinal, reconstruir a imagem 
e mostrar as fatias. O algoritmo matemático utilizado para a reconstrução da imagem foi 
desenvolvido pelo físico médico Alan Cormack, que dividiu o prêmio Nobel de física 
com Hounsfield em 1982. 
 
PRINCÍPIO DE TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA 
 
39 
 
 
FONTE: Breve introdução à tomografia computadorizada. 
 
Ao examinar uma determinada região do corpo humano utilizando radiografia 
convencional, obtém-se uma imagem bidimensional com superposição de estruturas e 
com ruído devido à radiação espalhada. Já com TC, obtém-se uma imagem 
perpendicular ao eixo longo do corpo e, depois de adquiridas várias fatias, pode-se 
reconstruir uma imagem tridimensional. 
A metodologia por trás dessa técnica é bastante complexa, mas os princípios 
básicos podem ser demonstrados considerando o equipamento de TC mais simples, que 
consiste de uma fonte de raios X e um detector, conectados para se moverem 
simultaneamente. 
 
METODOLOGIA BÁSICA DE TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA 
CARACTERÍSTICA DA PRIMEIRA GERAÇÃO DE TOMÓGRAFOS – 
FEIXE RETILÍNEO DE RAIOS X E DETECTOR ÚNICO 
 
40 
 
 
 FONTE: Bushong, 2004. 
 
Quando o conjunto fonte-detector completa uma translação, uma projeção é 
obtida com o sinal formado pelos raios X que atravessaram o corpo. Então, o conjunto 
volta para a posição inicial, rotaciona e começa a segunda translação para obter a 
segunda projeção. Após a repetição desse processo por várias vezes, várias projeções 
são obtidas e utilizadas pelo software do computador para a reconstrução da fatia da 
imagem. Esse processo é característico dos sistemas de TC da primeira geração, que 
consistia de 180 translações separadas por rotações de 1°. 
Ao longo do tempo, os equipamentos de TC foram sendo melhorados e divididos 
em categorias. As primeiras categorias estão listadasno quadro. 
 
QUADRO: PRIMEIRAS GERAÇÕES DE TOMÓGRAFOS 
 
Geração Feixe de raios 
X 
Detector Tempo p/ 
aquisição de uma 
imagem 
Matriz da 
imagem 
1ª Retilíneo Único 5 minutos 80 x 80 
 
41 
 
2ª Em leque Conjunto retilíneo 30 segundos Até 512 x 512 
3ª Em leque Conjunto curvilíneo 1 segundo 512 x 512 
4ª Em leque Conjunto circular 
fixo 
1 segundo 512 x 512 
 
Pode-se observar que, com o passar do tempo, o objetivo sempre foi melhorar os 
equipamentos com o desenvolvimento de diferentes formatos de feixes e conjunto de 
detectores, para melhorar a reconstrução das imagens e diminuir o tempo de aquisição. 
A figura abaixo mostra as representações esquemáticas das quatro gerações de 
tomógrafos listadas no quadro anterior. 
 
DIFERENTES GERAÇÕES DE TOMÓGRAFOS 
 (a) Primeira geração: feixe retilíneo e detector único. (b) Segunda geração: feixe 
em leque e conjunto retilíneo de detectores. (c) Terceira geração: feixe em leque e 
conjunto curvilíneo de detectores. (d) Quarte geração: feixe em leque e conjunto 
circular fixo de detectores. 
FONTE: Bushong, 2004. 
 
A quinta geração de tomógrafos foi desenvolvida especificamente para imagens 
cardíacas. Não há um tubo de raios X convencional; os elétrons são produzidos pelo 
gantry e acelerados para se colidirem com um arco de tungstênio (alvo), que envolve o 
paciente e fica na direção oposta ao anel de detectores. Esses tomógrafos são capazes de 
produzir uma imagem a cada 50 milissegundos, que são utilizadas para montar um filme 
 
42 
 
mostrando o batimento cardíaco. 
A sexta geração de tomógrafos, chamada de espiral ou helicoidal, consiste de 
um scanner em que há rotação contínua (360°) do conjunto fonte-detectores e 
movimento de translação da mesa onde fica o paciente, para obtenção de dados de um 
volume de tecido, não de fatias. Nesse caso, obtêm-se dados a cada 100 milissegundos 
e, as reconstruções são rápidas. A vantagem é o aumento da cobertura anatômica em 
menos tempo de aquisição. 
 
SEXTA GERAÇÃO DE TOMÓGRAFOS 
 
A rotação do tubo de raios X juntamente com a translação da mesa resulta em 
uma trajetória helicoidal do tubo em torno do paciente. 
FONTE: Bushberg et al., 2002. 
 
 
Já a sétima geração de tomógrafos, chamada de multifatias, também consiste de 
um scanner em que há rotação contínua do conjunto fonte-detectores e movimento de 
translação da mesa. Porém, nesse caso, a dupla fileira de detectores e a velocidade de 
aquisição permitem adquirir várias fatias finas, de 2 a 3 mm de espessuras, em um 
tempo curto, diminuindo a dose no paciente. 
O sistema de TC é dividido em três principais componentes: suporte circular 
(denominado gantry), computador e console de operação. O gantry é parte do 
equipamento que inclui o tubo de raios X, o gerador de alta voltagem, o conjunto de 
detectores, os colimadores e a mesa onde o paciente é posicionado. 
 
43 
 
O computador inclui a memória primária e um conjunto de processadores 
responsáveis pela reconstrução da imagem. O console de operação inclui diferentes 
estações em que os trabalhadores qualificados podem operar o sistema de aquisição e 
reconstrução dos dados, realizar o pós-processamento das imagens, e visualizar as 
mesmas para a realização do diagnóstico. 
 
Figura A E B 
 
(a) Equipamento de tomografia computadorizada (grantry, mesa). (b) Console de 
operação e computador para reconstrução e visualização da imagem. 
 
CONTRAINDICAÇÕES PARA OS EXAMES RADIOGRÁFICOS 
 
Não existem contraindicações para exames radiográficos que não necessitem de 
contraste. Porém, mulheres grávidas ou com suspeita de gravidez devem evitá-los para 
proteger a criança. 
Já no caso de exames em que há a necessidade de administração de contraste 
para melhor visualização de alguma estrutura anatômica que tenha densidade 
semelhante a estruturas vizinhas, como rins, estômago e intestinos, as principais 
contraindicações são 53 hipertireoidismo e insuficiência renal. 
 
44 
 
Entretanto, apesar de haver poucas contraindicações, o uso de raios X limita a 
quantidade de exames radiográficos a que um paciente pode ser submetido, devido aos 
efeitos biológicos danosos da radiação ionizante. 
 
IMAGENS RADIOGRÁFICAS 
 
 FORMAÇÃO DA IMAGEM RADIOGRÁFICA 
 
A última etapa de um exame radiológico é a obtenção de uma imagem 
radiográfica registrada sobre um detector de radiação a partir da interação da radiação 
com o corpo do paciente. Como já discutido anteriormente, os raios X são uma forma de 
radiação ionizante, possuindo energia suficiente para penetrar no tecido humano, 
interagindo com seus átomos. 
É importante relembrar e resumir as informações dos módulos anteriores em 
relação à cadeia de eventos para a formação de uma imagem radiográfica. 
 
QUADRO: CADEIA DE EVENTOS QUE RESULTA NA FORMAÇÃO DE 
UMA IMAGEM RADIOGRÁFICA 
 
✓ Os raios X são produzidos e, ao saírem do tubo, são chamados de feixe 
primário. 
✓ O feixe primário é filtrado, principalmente os raios X de baixas energias. 
✓ O feixe primário filtrado é direcionado para a região de interesse pelos 
colimadores. 
✓ O feixe de raios X passa através do corpo do paciente e parte da radiação 
é absorvida (processo de atenuação). 
✓ Os raios X que não foram absorvidos são os responsáveis pela exposição 
do detector e, portanto, pela formação da imagem. 
 
As regiões do corpo que são mais densas atenuam mais o feixe de raios X do que 
as regiões menos densas. Por exemplo, o osso absorve mais raios X do que o tecido 
mole. Dessa maneira, áreas no detector referentes a regiões menos densas, como no caso 
dos pulmões que contêm principalmente ar, são mais expostas à radiação. Por outro 
 
45 
 
lado, áreas referentes a mais densas, como no caso dos ossos, são menos expostas à 
radiação. 
 
 IMAGENS RADIOGRÁFICAS 
 
À esquerda, imagem radiográfica de tórax. À direita, imagem radiográfica da 
mão do paciente. FONTE: Bushong, 2004. 
 
Como visto, os detectores de radiação utilizados em radiologia incluem o filme 
radiográfico e detectores digitais. A seguir, serão apresentados mais detalhes sobre a 
formação da imagem para esses diferentes detectores. 
 
Sistemas tela-filme 
 
 Em sistemas tela-filme, obtém-se uma imagem radiográfica de projeção, ou 
seja, uma imagem bidimensional da anatomia tridimensional do paciente. Essa imagem 
é formada no filme radiográfico, sendo definitiva e não podendo ser modificada. 
A resolução espacial da imagem radiográfica é quase perfeita, quando na 
ausência da tela intensificadora e se todos os parâmetros relacionados forem otimizados. 
Porém, a tela intensificadora é utilizada para reduzir a dose no paciente, ou seja, é 
possível obter uma imagem de boa qualidade mesmo com a redução dos requisitos para 
alto rendimento do sistema de raios X e redução da exposição do paciente à radiação. 
Além disso, reduz-se o aquecimento do tubo, os custos e a exposição dos operadores à 
radiação espalhada. Portanto, a perda de resolução espacial é justificada principalmente 
 
46 
 
pela redução da exposição do paciente e dos operadores à radiação. 
 
REPRESENTAÇÕES DE IMAGENS RADIOGRÁFICAS DA MÃO 
 
 (a) sem o uso de tela intensificadora e (b) com o uso de tela intensificadora. 
Observa-se borramento na imagem em (b) devido à presença da tela. 
 
Dos raios X que contribuem para a imagem no filme, de 95% a 99% interagem 
com a tela intensificadora para produzir luz, afetando os grãos de haleto de prata e 
rearranjando sua estrutura. O restante interage diretamente com os grãos de haleto de 
prata da emulsão do filme. Assim, em um filme já exposto à radiação, mas ainda não 
processado, a emulsão contém a imagem latente. Se houver um tempo muito grande 
entre a exposição do filme e seu processamento, a estrutura dos grãos da emulsão pode 
mudar novamente, afetando a qualidadeda imagem. 
Para obter a imagem no filme, ele é processado para que haja redução química 
do haleto de prata em grãos de prata metálica enegrecidos. Assim, a imagem latente 
invisível é convertida em uma imagem radiográfica visível. Quatro processos são 
necessários para a obtenção da imagem no filme: revelação, fixação, lavagem e 
secagem. 
 QUADRO: SEQUÊNCIA DE PROCESSOS PARA OBTENÇÃO DE UMA 
IMAGEM VISÍVEL NO FILME RADIOGRÁFICO 
 
✓ Revelação: ocorre uma reação de oxirredução dos grãos de prata 
expostos à radiação, convertendo a imagem latente em imagem visível. Essa reação é 
menos provável de ocorrer em grãos não expostos à radiação. O processo de revelação é 
altamente rápido e crítico para a qualidade da imagem. 
 
47 
 
 
✓ Fixação: o uso do fixador tem os objetivos de neutralizar, clarear, 
preservar e endurecer o filme. Além disso, ele remove os grãos de prata não expostos e 
interrompe o processo de revelação. 
 
✓ Lavagem: retira todos os químicos do filme, que podem causar 
amarelamento da radiografia processada, reduzindo sua vida útil e degradando a 
imagem. 
 
✓ Secagem: é a última etapa do processo, em que é removida toda a água 
do filme antes dele ser manuseado, visualizado e arquivado. 
 
 Inicialmente, essas etapas eram realizadas manualmente e levava-se 58 
aproximadamente uma hora para se obter uma imagem radiográfica pronta para ser 
analisada pelo médico. Atualmente, essas etapas são realizadas por processadoras 
automáticas que podem possuir ciclos estendidos, médios e ultrarrápidos, com durações 
de 30 a 150 segundos para que se obtenha uma imagem. 
 
ESQUEMA DO PROCESSAMENTO DO FILME RADIOGRÁFICO EM 
PROCESSADORA AUTOMÁTICA 
 
 FONTE: www.ebah.com.br 
 
Além da eficiência do serviço de radiologia ser maior com o processamento 
automático, ele resulta em imagens de melhor qualidade já que todas as radiografias são 
processadas da mesma maneira, e as variações e erros introduzidos pelo trabalho 
 
48 
 
humano são quase inexistentes. 
Após o processamento, regiões mais escuras do filme são aquelas em que a 
emulsão sofreu mais interações com a radiação (luz proveniente da tela intensificadora e 
raios X). Por outro lado, regiões com menos exposição à radiação e, portanto, menos 
interações, aparecem mais claras no filme processado. A medida do grau de 
enegrecimento de uma determinada região do filme é denominada densidade óptica (D). 
Com um densitômetro pode-se medir a quantidade de luz incidente no filme ( ) e 
a quantidade de luz que atravessa uma determinada região do filme. A densidade óptica 
é então dada por: 
 𝐷 = 𝑙𝑜𝑔 𝐼0𝐼 
 
Uma imagem radiográfica contém áreas de diferentes densidades ópticas 
visualizadas em tons de cinza. Na medida em que aumenta a exposição de uma área do 
filme à radiação, a densidade óptica naquela região também aumenta. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
(a) Densitômetro. (b) Densidades ópticas diferentes são visualizadas em 
diferentes tons de cinza. 
 
49 
 
 
Sistemas digitais 
 
Em sistemas digitais, como em radiografia computadorizada ou digital, há 
conversão da radiação em sinais digitais, conforme visto. A imagem digital obtida é 
uma função bidimensional da intensidade de luz detectada para cada ponto do espaço. 
Matematicamente, poderíamos escrever essa função como f(x,y), em que f é 
proporcional ao nível de cinza no ponto localizado pelas coordenadas espaciais x e y. 
Assim, a imagem digital pode ser considerada como sendo uma matriz cujas 
linhas e colunas referem-se à posição espacial, e o valor da matriz identifica o nível de 
cor em uma determinada posição. Cada elemento dessa matriz é chamado de “pixel”, 
que é a abreviatura para picture element. Ele é utilizado para descrever a dimensão 
geométrica da imagem. 
 
 
 
 
Imagem representada pela matriz da função f(x,y), em que cada posição espacial 
(x,y) tem um nível de cinza determinado pelo valor de f. 
www.tecnologiaradiologica.com 
 
Diferentemente das imagens obtidas pelas técnicas de radiografia, as imagens 
 
50 
 
obtidas por tomogradia computadorizada representam as estruturas anatômicas em 
“fatias”, sendo que a espessura de cada fatia está relacionada com a profundidade da 
imagem. Assim, a imagem é representada por voxels, que é a combinação dos pixels 
com a espessura da fatia. 
 
FATIA DE UMA IMAGEM TOMOGRÁFICA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O voxel é definido pelo pixel e a espessura da fatia. 
FONTE: Bushberg et al., 2002. 
 
CARACTERÍSTICAS E QUALIDADE DA IMAGEM 
 
A qualidade das imagens radiográficas refere-se como fielmente a estrutura 
anatômica examinada é mostrada na radiografia. Para fazer um diagnóstico acurado, o 
radiologista 63 necessita de uma imagem de alta qualidade. Apesar de não haver uma 
maneira precisa de avaliar essa qualidade, existem algumas características básicas 
importantes para sua descrição. 
QUADRO: CARACTERÍSTICAS IMPORTANTES RELACIONADAS À 
QUALIDADE DAS IMAGENS RADIOGRÁFICAS 
 
 
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✓ Densidade, que se refere à luminosidade da imagem, ou seja, ao seu 
enegrecimento global; 
 
✓ Contraste, que é a diferença de densidade entre duas regiões adjacentes; 
 
✓ Latitude, que é a habilidade de mostrar vários tons de cinza; 
 
✓ Resolução espacial, que é a habilidade de mostrar detalhes finos; 
 
✓ Nitidez, que se refere a quão borrada são mostradas as bordas das estruturas; 
 
✓ Distorção, é a deformação do tamanho ou do formato do objeto; 
 
✓ Ruído, que se refere à variação randômica da densidade de fundo. 
 
A densidade refere-se ao grau de enegrecimento global da imagem radiográfica 
após ela ser processada. Dependendo desse grau, pode ser mais difícil analisar a 
imagem tanto na tela do computador, quanto na frente de um negatoscópio. 
 
 
Representações de imagens radiográficas de tórax com densidade (a) maior ou 
(b) menor. É possível observar a diferença de luminosidade global de cada imagem. 
FONTE: Bushong, 2004. 
 
52 
 
 
Alguns fatores relacionados à sensibilidade e à exposição do detector (digital ou 
filme) podem afetar a densidade da imagem. Dos fatores relacionados à exposição do 
detector, pode-se citar as diferentes espessuras e densidades das estruturas do paciente a 
serem imageadas, a quantidade de radiação emitida durante a exposição, o tamanho do 
campo e a distância focal. No caso da quantidade de radiação emitida pelo tubo de raios 
X, ela está relacionada à corrente aplicada no filamento. Assim, se a corrente for 
duplicada, tanto a quantidade de raios X quanto a densidade serão duplicadas. 
A distância entre o foco e o detector também afeta a densidade da imagem, já 
que a intensidade do feixe de raios X diminui com o quadrado da distância. Com isso, 
quanto mais distante estiver o detector do tubo de raios X, menor será a densidade da 
imagem. 
Além disso, as características dos receptores também influenciam na densidade. 
No caso de filmes, o tipo, a sensibilidade e o processamento podem afetar o grau de 
enegrecimento da imagem. Já no caso de detectores digitais, o material e a espessura 
afetam a densidade de alguma maneira. 
Outras duas características importantes da imagem são contraste e latitude. 
Essas características são opostas. Se o contraste aumenta, a latitude diminui, e vice-
versa. O contraste é definido como a diferença na densidade radiográfica entre duas 
regiões adjacentes da imagem. Contraste alto significa que há pouca quantidade de tons 
de cinzas na imagem entre as cores branca e preta. Por outro lado, baixo contraste 
significa que há muitos tons de cinza entre o branco e o preto. 
Portanto, uma imagem com alta latitude tem uma aparência acinzentada, com 
pouca diferença de tom entre estruturas adjacentes. Já uma imagem com alto contraste é 
quase preta e branca, tornando maisvisíveis detalhes anatômicos. 
 
REPRESENTAÇÕES DE IMAGENS RADIOGRÁFICAS DE TÓRAX COM 
DIFERENTES CONTRASTES 
 
53 
 
(a) Baixo contraste. (b) Contraste adequado. 
FONTE: Bushong, 2004. 
 
 
O contraste também depende da exposição e das características do receptor. As 
diferentes espessuras e densidades das estruturas anatômicas do paciente, a energia dos 
raios X controlada pela voltagem aplicada no tubo durante a produção da radiação, a 
filtragem do feixe de raios X e o efeito das grades ao remover a radiação espalhada 
afetam a exposição do detector de radiação e, consequentemente, o contraste da 
imagem. Esse contraste também é afetado pelo contraste característico do filme 
radiográfico e seu processamento. No caso de imagens digitais, o contraste pode ser 
afetado pelas técnicas de pós-processamento e qualidade do monitor usado para 
visualização. 
A resolução espacial da imagem refere-se à habilidade de distinguir estruturas 
pequenas com alto contraste, como a interface entre osso e tecido mole, 
microcalcificações ou nódulos. Ela está relacionada com a nitidez da imagem. Quando 
a nitidez diminui, as bordas das estruturas tornam-se borradas, piorando a resolução 
espacial. Assim, falta de nitidez refere-se ao borramento das imagens. Por outro lado, 
imagem com boa nitidez refere-se ao detalhamento da imagem. 
Todas as imagens radiográficas também possuem algum tipo de ruído. A 
presença desse ruído, que nada mais é do que uma variação randômica da densidade de 
fundo, pode dar à imagem uma aparência granulada ou com textura. Enquanto a 
resolução de imagens de raios X é limitada pelas dimensões da fonte de raios X; o ruído 
é limitado pela intensidade do feixe. 
 
 REPRESENTAÇÕES DE IMAGENS RADIOGRÁFICAS DA MÃO 
 
54 
 
 
 (a) sem e (b) com ruído. Pode-se observar a aparência granulada da imagem 
com ruído. 
 
Muitas vezes o nível de ruído pode ser ajustado, porém quando for reduzi-lo, é 
necessário considerar que o principal compromisso em imagens de raios X é a 
exposição do paciente. Dessa maneira, o ruído não deve ser reduzido ao nível mínimo 
possível se a dose no paciente for aumentada. Além disso, deve-se considerar também o 
contraste e o borramento da imagem ao tentar reduzir o ruído. Portanto, todo 
procedimento de radiodiganóstico possui um ruído aceitável, para compensar com 
exposição mínima, tempo de exame curto e imagem de boa qualidade. 
Como visto até agora nessa seção, a qualidade da imagem é afetada por fatores 
relacionados aos detectores, à geometria e ao paciente. Esses diversos fatores devem ser 
considerados ao realizar o exame e também ao analisá-lo. 
 
FATORES QUE AFETAM A QUALIDADE DA IMAGEM RADIOGRÁFICA 
 
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Fatores relacionados aos detectores 
 
Sistema tela-filme 
 
Cada sistema tela-filme se comporta de uma determinada maneira quando 
submetido à radiação, sendo necessário caracterizá-lo. Para isso, os diferentes graus de 
enegrecimento produzidos sobre o filme para níveis de exposição conhecidos são 
colocados em um gráfico, obtendo uma curva de resposta, também chamada de curva 
característica do filme. 
 
CURVA CARACTERÍSTICA DE UM FILME RADIOGRÁFICO, 
DEMONSTRADA EM AZUL 
 
56 
 
 
A barra à direita mostra os níveis de cinza para diferentes regiões da curva. 
 
O início da curva não é muito útil, pois mudanças nos níveis de exposição não 
causam muita diferença na densidade do filme. Porém, o nível de densidade nessa 
região, chamado de base + véu, é o valor para exposição a raios cósmicos, radiação de 
fundo e calor, que podem causar mudanças nos grãos do filme sem a exposição à 
radiação X. 
Já a região linear de toda curva característica é útil na caracterização do filme. 
Nessa região, cada aumento da radiação causa um aumento linear na densidade óptica. 
A inclinação 70 dessa região define o gradiente de contraste do filme, que não é 
afetado pela tela intensificadora, mas pode ser afetado pelas condições de 
processamento do filme. 
 
CURVA CARACTERÍSTICA DE UM FILME RADIOGRÁFICO, 
MOSTRADA EM AZUL 
 
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Para o radiodiagnóstico, é importante a região linear da curva, cuja inclinação 
(reta verde) fornece o valor do gradiente de contraste do filme. 
 
Outra característica importante do filme que pode influenciar a qualidade da 
imagem é sua sensibilidade. Ela refere-se à quantidade de exposição que o filme deve 
receber para produzir uma imagem, e é determinada pelo nível de exposição necessário 
para aumentar a densidade óptica em um valor unitário acima do valor de base + véu. 
Assim, filmes mais sensíveis, também chamados de mais velozes, necessitam de 
menor tempo de exposição, o que reduz os artefatos de movimento e a dose no paciente. 
Porém, esse tipo de filme tem grãos grandes, levando a menor nitidez na imagem. Por 
outro lado, filmes menos sensíveis possuem grãos menores e, por isso, proporcionam 
maior nitidez. Portanto, o uso de filmes mais velozes é bastante interessante em 
situações em que limitar a dose no paciente e/ou limitar o aquecimento do tubo são mais 
importantes do que a ótima nitidez da imagem. 
O processamento apropriado do filme também é necessário para que se obtenha 
uma imagem radiográfica de boa qualidade. A etapa mais crítica é a revelação. Os 
fatores importantes que afetam o grau de revelação e, consequentemente, a imagem 
 
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final são: concentração de químicos, agitação química, duração do processo e 
temperatura. 
 
Sistema digital 
 
No caso da imagem digital, a resolução espacial está relacionada com o 
tamanho da matriz da imagem, que é determinada por características do detector e pela 
capacidade do computador. Os sistemas digitais fornecem matrizes com tamanhos de 64 
x 64 a 4096 x 4096 pixels. 
Para um mesmo tamanho de campo de visão (FOV, do inglês field of view), 
quanto maior for a quantidade de linhas e colunas na matriz da imagem, menor será o 
tamanho do pixel e, consequentemente, melhor será a resolução espacial da imagem. 
Assim, a resolução espacial de uma imagem digital pode ser dada por: 
 
Exemplo: 
 
 Qual é a resolução espacial de uma imagem adquirida com FOV = 32 cm x 32 
cm e matriz = 128 x 128 pixels? 
 𝑟𝑒𝑠𝑜𝑙𝑢çã𝑜 𝑒𝑠𝑝𝑎𝑐𝑖𝑎𝑙 = 𝐹𝑂𝑉𝑚𝑎𝑡𝑟𝑖𝑧 = 32 𝑐𝑚128 𝑝𝑖𝑥𝑒𝑙 = 0,25 𝑐𝑚 
 𝑟𝑒𝑠𝑜𝑙𝑢çã𝑜 𝑒𝑠𝑝𝑎𝑐𝑖𝑎𝑙 = 2,5𝑚𝑚 ∗ 2,5 𝑚𝑚 
 
A figura abaixo mostra uma mesma imagem com diferentes resoluções 
espaciais. 
 
IMAGENS RADIOGRÁFICAS DE TÓRAX COM TRÊS DIFERENTES 
RESOLUÇÕES ESPACIAIS 
 
 
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É possível observar a perda de nitidez na imagem com o aumento da resolução 
espacial, ou seja, para pior resolução espacial (b e c). 
FONTE: Bushong, 2004. 
 
Entretanto, em pixels muitos pequenos pode haver grande quantidade de ruído. 
Nesse caso, boa resolução espacial não garante boa qualidade da imagem. Portanto, a 
qualidade da imagem digital está tanto relacionada com a resolução espacial, quanto 
com a quantidade de ruído. 
Outro fator dependente do detector digital, nesse caso mais precisamente do 
computador a ele conectado, é a variação dinâmica ou variação da escala de cinza, que 
descreve o número de tons de cinza que pode ser representado por uma imagem digital. 
Quanto maior for a variação dinâmica, mais tons de cinza serão utilizados para 
representar a série de valores desde a máxima intensidade de raios X até a mínima 
intensidade de raios X que chega ao detector. Assim, melhor será a resolução do 
contraste. Além disso, o contraste de uma região de interesse da imagem pode ser 
aumentado se o sistema tiver uma variação dinâmica suficiente. 
 
Fatores geométricos 
 
A qualidade da imagem pode ser afetada por diferentes fatores geométricos. 
Entre eles, estão: magnificação, distorção e ponto focal. 
 
✓ Magnificação 
 
 
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Em radiografia, as imagens são maiores do que os objetos (estruturas

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