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Cadeia Respiratória e Fosforilação Oxidativa Componentes da Cadeia Respiratória Os componentes da cadeia estão localizados na membrana mitocondrial interna, essa membrana separa a matriz mitocondrial do espaço intermembrana. Os genes que codificam subunidades desses complexos estão no DNA Mitocondrial. Apenas o complexo II não possui subunidades codificadas pelo DNA Mitocondrial. Componentes Estáticos: complexos proteicos (I, II, III, IV, ATPsintase) que não se movem com facilidade. Todos os complexos são proteínas integrais, exceto o II. Respirassomos: supercomplexos que combinam 2 ou mais complexos. Aumentam a eficiência da transferência de elétrons. A cardiolipina mantém a integridade dessas estruturas. Carreadores Móveis: ubiquinona e citocromo c, transferem elétrons entre um complexo e outro. Ubiquinona Transportador lipossolúvel de elétrons, submersa na membrana mitocondrial interna. Ao receber elétrons forma o intermediário semiquinona e depois de completamente reduzida forma ubiquinol. Atua como ponto para entrada de elétrons na cadeia. Carreia os elétrons recebidos nos complexos I e II até o complexo III, que recebe esses elétrons. Citocromo C Não tem característica lipofílica, portanto está localizado na parte externa da membrana mitocondrial interna, por onde carreia os elétrons até o complexo IV. Complexo I (NADH-desidrogenase) Reoxidação do NADH reduzido e transferência dos elétrons liberados para a ubiquinona. À medida que essa transferência de elétrons ocorre, prótons são bombeados da matriz para o espaço intermembrana. Complexo II (succinato-desidrogenase) Não é uma proteína integral, portanto não atravessa a membrana completamente e não bombeia prótons para o espaço intermembrana, como ocorre nos outros complexos. Conexão física entre Ciclo de Krebs e Cadeia Respiratória. Converte succinato em fumarato e faz a transferência de elétrons para coenzima FAD, que leva esses elétrons até a ubiquinona através de centros ferro-enxofre. Complexo III (citocromo bc) Recebe os elétrons da ubiquinona e transfere para o citocromo c. Ao transferir os elétrons para o citocromo c bombeia prótons para o espaço intermembrana. Complexo IV (citocromo-oxidase) Realiza a oxidação do citocromo c. À medida que o citocromo c recebe elétrons, esses elétrons são transferidos até o oxigênio, aceptor final da cadeia, que é convertido em H2O. Também bombeia prótons para o espaço intermembrana. Bombeamento de Prótons Quando o NADH é o doador e os elétrons entram na cadeia pelo complexo I, os complexos (I, III e IV) bombeiam, aproximadamente, 10 prótons para o espaço intermembrana para oxidar apenas uma molécula de NADH. Se o doador de elétrons é o succinato, e a entrada desses elétrons na cadeia ocorre pelo complexo II, são bombeados 6 prótons para o espaço intermembrana, pelos complexos III e IV. Os prótons tornam o pH do espaço intermembrana (positivo) mais ácido. Enquanto a matriz mitocondrial se encontra mais negativa e alcalina. O que resulta num gradiente químico e elétrico. Obs: A quantidade de prótons bombeados é importante no cálculo da eficiência energética da fosforilação. Complexo V (ATPsintase) Não recebe elétrons. Promove a síntese do ATP. Fração FO: parte embebida na membrana interna (laranja) Canal por onde a ATPsintase permite que os prótons da membrana interna retornem para a matriz mitocondrial. Fração F1: sítio catalítico composto por 3 dímeros, localizado na matriz mitocondrial, lado negativo (cinza/roxo) À medida que os prótons retornam o sítio catalítico é ativado (rotação) e pode assumir diferentes conformações. Essa alteração estrutural é fundamental para a síntese de ATP. Etapas da Síntese: À medida que ocorre uma rotação do sítio catalítico, ADP + Pi presentes na subunidade beta, formam ATP. Isso ocorre porque a alteração estrutural em beta, faz com que a ligação ADP + Pi fique em condições ótimas. Quando acontece outra rotação, a estrutura da subunidade beta é alterada novamente e permite a liberação de ATP. Esse processo ocorre repetidamente e de forma sequencial. A cada volta da enzima, um dímero diferente libera ATP. Teoria Quimiosmótica Para que haja produção de ATP a partir da ATPsintase, deve haver constante produção de NADH e succinato, e também a oxidação desses compostos, resultando na transferência de elétrons e bombeamento de prótons até o espaço intermembrana. Todo esse processo visa formar um gradiente eletroquímico para a produção de ATP, pois a ATPsintase, precisa da disponibilidade de ATP + Pi e um alto potencial de membrana para fazer o retorno dos prótons até a matriz mitocondrial. Portanto, a síntese de ATP é impulsionada pela força próton-motriz, pois o retorno dos prótons da intermembrana para a matriz realiza a rotação da ATPsintase. Desacopladores Carreiam os prótons de volta para a matriz, provocando a diminuição do gradiente eletroquímico Dano à membrana: se a membrana interna não estiver integra, os prótons bombeados para ao espaço intermembrana podem retornar à matriz mitocondrial. Protonóforos: carreadores móveis de prótons, altamente lipofílicos. Recebem um próton na intermembrana e atravessam a membrana interna, liberando esse próton na matriz e retornando para o espaço intermembrana. Proteínas desacopladoras: canais de prótons que permitem o transporte de prótons até a matriz mitocondrial. Exemplo: O tecido adiposo marrom é rico em mitocôndrias e possui termogenina, um desacoplador. A energia da oxidação de nutrientes não é utilizada para síntese de ATP, devido ao desacoplador, que estimula a transferência de elétrons mas atrapalha a produção de ATP. Dessa forma, a energia é convertida em liberação de calor. Esse mecanismo ocorre no corpo de animais hibernantes e bebês, para manter a homeostase térmica. Controle da transferência de elétrons O próprio gradiente eletroquímico realiza o controle do fluxo da transferência de elétrons entre os complexos da cadeia. Principalmente no complexo III, pois ele reduz a transferência de elétrons em situações de potencial de membrana elevado. Já que, quanto maior a presença de prótons no espaço intermembrana, mais difícil é para os complexos continuar bombeando. Quando a ATPsintase retorna os prótons, transferência de elétrons pode continuar. Situações Adversas O que acontece com a formação de ATP quando não há oxigênio disponível? Não existe fosforilação oxidativa, pois a extração de energia dos nutrientes alimentares é ineficiente, já que o oxigênio é o aceptor final de elétrons da cadeia respiratória. O que ocorre com a produção de ATP na presença de um desacoplador? A produção diminui, pois ao invés de retornar pela ATPsintase, os prótons retornam para matriz por outros caminhos que não promovem a produção de ATP. O que ocorre com a transferência de elétrons na presença de um desacoplador? Aumenta, pois os desacopladores reduzem a presença de prótons na intermembrana, dissipando o potencial de membrana e acabando com o controle da produção de elétrons no complexo III. Obs: todas essas situações consideram a disponibilidade de substrato (NADH e succinato. Por: Fernanda Frangilo