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{imunologia}
{imunidade}
Imunidade: capacidade do corpo humano de resistir contra quase todos os tipos de
microrganismos ou toxinas que tendam a lesar os tecidos e órgãos.
Grande parte da imunidade é imunidade adquirida, que não se desenvolve até que o
organismo seja antes atacado por bactérias, vírus ou toxinas; com frequência são
necessárias semanas a meses para que se desenvolva a imunidade. Um elemento
adicional da imunidade resulta de processos gerais, em vez de processos
direcionados para microrganismos patológicos específicos, o qual se chama
imunidade inata.
Imunidade Inata: O termo imunidade inata se refere aos mecanismos de defesa
sempre presentes, prontos para combater microrganismos e outros agentes
agressores. O sistema imune inato, consiste em muitos tipos de células e moléculas
solúveis presentes nos tecidos e no sangue que previnem constantemente a invasão
e o estabelecimento de infecções. Quando um microrganismo estabelece o foco
infeccioso, as respostas imunes
inatas fornecem a defesa inicial,
antes das respostas imunes
adaptativas.
Funções e reações das respostas
imunes inatas: A imunidade inata
exerce várias funções essenciais
que nos protegem contra
microrganismos e lesão tecidual. Os
principais componentes do sistema
imune inato são as superfícies
epiteliais, que bloqueiam a entrada
dos microrganismos; as células-
sentinela teciduais, incluindo
macrófagos, células dendríticas e
mastócitos, os quais detectam microrganismos que conseguem romper os epitélios
e iniciam as respostas do hospedeiro; as células brancas do sangue (leucócitos),
incluindo neutrófilos, macrófagos derivados de monócitos, células natural killer e
outras células, que entram nos tecidos vindas do sangue e eliminam os
microrganismos que invadiram os epitélios, além de se livrarem das células
danificadas do hospedeiro; e diversos tipos de proteínas plasmáticas, as quais
combatem os microrganismos que entraram na circulação. Numerosos outros tipos
celulares, entre os quais as células epiteliais e outras células teciduais, também
contam com mecanismos intrínsecos para se autodefender contra os
microrganismos. As funções das respostas imunes inatas têm algumas características
gerais importantes.
• O sistema imune inato mantém defesas físicas e químicas nas barreiras
epiteliais, como a pele e o revestimento dos tratos gastrointestinal e
respiratório, os quais bloqueiam a entrada microbiana.
• As respostas imunes inatas são as reações iniciais aos microrganismos
que servem para prevenir, controlar ou eliminar a infecção do
hospedeiro por muitos patógenos.
• A imunidade inata elimina células danificadas e inicia o processo de
reparo tecidual.
• As respostas imunes inatas estimulam respostas imunes adaptativas e
podem influenciar a natureza dessas respostas, para torna-las
otimamente efetivas contra diferentes tipos de microrganismos.
• Os 2 tipos principais de reações protetoras do sistema imune inato são
a inflamação e a defesa antiviral.
Imunidade Adquirida: Além da imunidade inata generalizada, o corpo humano tem a
capacidade de desenvolver imunidade específica extremamente potente contra
agentes invasores individuais como bactérias, vírus e toxinas letais e até mesmo
tecidos estranhos de outros animais. Essa capacidade é chamada imunidade
adquirida ou adaptativa. A imunidade adquirida é causada por sistema imune especial
formador de anticorpos e/ou linfócitos ativados que atacam e destroem organismos
invasores específicos ou toxinas. A imunidade adquirida confere, em geral, um grau
de proteção extrema. Por exemplo, certas toxinas, como a toxina botulínica paralítica
ou a toxina tetanizante do tétano, podem ser inativadas em doses superiores a
100.000 vezes a quantidade que seria letal sem imunidade. Por esse motivo, o
processo de tratamento, conhecido como imunização, é tão importante na proteção
de seres humanos contra doenças e contra toxinas.
No corpo, ocorrem dois tipos básicos e aliados de imunidade adquirida. Em um deles,
o corpo desenvolve anticorpos circulantes, que são moléculas de globulina no plasma
sanguíneo, capazes de atacar o agente invasor. Esse tipo de imunidade é chamado
imunidade humoral ou imunidade das células B (porque os linfócitos B produzem os
anticorpos). O segundo tipo de imunidade adquirida é dependente da formação de
grande número de linfócitos T ativados, especialmente produzidos nos linfonodos
para destruir o agente estranho. Esse tipo de imunidade é chamado imunidade
mediada por células ou imunidade das células T (porque os linfócitos ativados são
linfócitos T).
Como a imunidade adquirida não se desenvolve antes da invasão por microrganismo
ou toxina estranha, está claro que o organismo deve ter algum mecanismo de
reconhecimento dessa invasão. Cada toxina ou cada tipo de microrganismo quase
sempre contém um ou mais compostos químicos específicos que são diferentes de
todos os outros compostos. Em geral, esses compostos são proteínas ou grandes
polissacarídeos e são eles que desencadeiam a imunidade adquirida. Essas
substâncias são chamadas antígenos (do inglês, antibody generations, geradores de
anticorpos).
A imunidade adquirida é produto dos linfócitos do corpo. Em pessoas com ausência
genética de linfócitos ou cujos linfócitos tenham sido destruídos por radiação ou
produtos químicos, nenhuma imunidade adquirida pode desenvolver-se. Poucos dias
após nascer tal pessoa morre por infecção bacteriana fulminante, a menos que seja
tratada com medidas heroicas. Assim, fica claro que os linfócitos são essenciais para
a sobrevida do ser humano.
Os linfócitos ficam situados, em maior número, nos linfonodos, mas também se
encontram em tecidos linfoides especiais como no baço, nas áreas submucosas do
trato gastrointestinal, no timo e na medula óssea. O tecido linfoide se distribui
vantajosamente pelo corpo para interceptar microrganismos invasores ou toxinas,
antes que possam se disseminar.
Na maioria dos casos, o agente invasor primeiramente penetra nos líquidos teciduais
e depois é transportado para linfonodos ou outros tecidos linfoides pelos vasos
linfáticos. Por exemplo, o tecido linfoide das paredes gastrointestinais é exposto
imediatamente aos antígenos que invadem o intestino. O tecido linfoide da garganta
e da faringe (as tonsilas e as adenoides) está bem localizado para interceptar
antígenos que entram pelo trato respiratório superior. O tecido linfoide nos
linfonodos é exposto aos antígenos que invadem os tecidos periféricos do corpo, e o
tecido linfoide do baço, do timo e da medula óssea tem participação específica na
interceptação dos agentes antigênicos que tenham conseguido chegar ao sangue
circulante.
Os linfócitos T e B promovem a imunidade “mediada por células” ou a imunidade
“humoral”: Apesar de a maioria do tecido linfoide normal se assemelhar, quando
estudado sob o microscópio, essas células se dividem distintivamente em duas
grandes populações. Uma das populações, os linfócitos T, é a responsável pela
formação de linfócitos ativados que proporcionam a imunidade “mediada por
células”, e a outra população, os linfócitos B, é a responsável pela formação de
anticorpos que promovem a imunidade “humoral”.
Os dois tipos de linfócitos são derivados, originalmente no embrião, de células-tronco
hematopoéticas pluripotentes que formam células progenitoras como um dos mais
importantes descendentes, à medida que se diferenciam. Quase todos os linfócitos
formados terminam, com o passar do tempo, no tecido linfoide, mas antes disso eles
se diferenciam ainda mais ou são “pré-processados” dos seguintes modos:
As células progenitoras linfoides que se destinam a eventualmente formar linfócitos
T ativados migram primeiramente para o timo, onde são pré-processadas, e por isso
são chamadas linfócitos “T”, para designar o papel do timo. Elas são responsáveis
pela imunidade mediada por células.
A outra população– os chamados antirreumáticos
modificadores da doença (ARMD), incluindo alguns
imunossupressores
• Glicocorticoides
• Anticitocinas e outros agentes biológicos
• Anti-histamínicos utilizados para o tratamento da inflamação alérgica
• Fármacos usados especificamente para controlar a gota
A artrite reumatoide (AR) é uma doença sistêmica crônica, que afeta principalmente
as articulações. A causa ainda é desconhecida, mas sabe-se que é uma doença
autoimune que pode manifestar-se de forma leve, moderada e grave. Causa
inflamação nas membranas sinoviais e estruturas articulares, dor, inchaço, rigidez.
Com a progressão da doença, os pacientes desenvolvem incapacidade para
realização de suas atividades cotidianas.
O tratamento inclui tanto medidas farmacológicas como não-farmacológicas. Os
objetivos da terapia são: diminuir a atividade da doença, prevenir a ocorrência de
dano irreversível nas articulações, aliviar a dor e melhorar a qualidade de vida. Para o
tratamento farmacológico, são utilizadas cinco classes de medicamentos:
analgésicos, anti-inflamatórios não esteroides, corticosteroides, fármacos
antirreumáticos modificadores da doença (Disease Modifying Anti-rheumatoid Drugs
- DMARD) e terapia alvo com agentes biológicos.
Os agentes biológicos são empregados no tratamento da doença ativa moderada a
grave. Estes agem como imunossupressores; dessa maneira, são capazes de reduzir
a inflamação e de evitar o dano às articulações. Até o momento existem oito
medicamentos biológicos com registro no Brasil para tratamento da AR: abatacepte,
adalimumabe, certolizumabe pegol, etanercepte, golimumabe, infliximabe,
rituximabe e tocilizumabe.
Anti-inflamatórios dividem-se em hormonais e não hormonais. Os hormonais
(corticoides, corticoesteroides ou esteroides) atuam à maneira do cortisol, hormônio
natural, produzido pelo córtex da glândula adrenal, com potente ação anti-
inflamatória e ações adicionais em metabolismo de glicídios, lipídios e sais minerais
(sódio e potássio). Há corticoesteroides sintéticos, como prednisona, prednisolona,
dexametasona, deflazacorte e outros. Há também formas injetáveis para uso
intravenoso (metilprednisolona) e para infiltrações intra-articulares (triancinolona).
O efeito na inflamação articular costuma ser intenso e imediato, muito ao agrado do
paciente; mas a médio prazo, efeitos adversos podem ser devastadores – obesidade,
rosto redondo, estrias, acne, diabetes, osteoporose, retenção de sódio, edema,
hipertensão, catarata, baixa imunidade, infecções oportunísticas, osteonecrose. Por
isso corticosteroides devem ser usados com muita cautela, sendo evitados sempre
que possível ou empregados em doses mínimas, pelo menor tempo cabível, em
forma decrescente, quando realmente necessários. Megadoses intermitentes são
chamadas de pulsoterapia, úteis sob rigoroso controle médico em situações
extremas, como risco de morte ou dano iminente a órgão nobre. Alguns pacientes
com artrite reumatoide se beneficiam com uso contínuo de pequenas doses de
prednisona (igual ou menor que 7,5mg por dia), com tolerância satisfatória. Em
doentes virgens de tratamento, o estudo COBRA demonstrou que doses médias de
prednisona, associadas a metotrexato e decrescidas rapidamente, trazem alívio
sintomático significativo e retardam a progressão radiológica.
Anti-inflamatórios não hormonais têm em comum a propriedade de bloquear a
síntese de prostaglandinas pelo organismo. Prostaglandinas são moléculas que
intermedeiam a inflamação. Se sua síntese endógena for bloqueada, a inflamação
diminui, com melhora de dor, calor e rubor. O efeito, entretanto, é fugaz: quando o
fármaco é eliminado (questão de horas), a síntese das prostaglandinas é retomada, e
os sintomas retornam.
Fonte: Abbas – Capítulo 15.
https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5041751/course/section/5906871/Autoimuni
dade%20Med%202020.pdf
https://docs.bvsalud.org/biblioref/2019/10/1023457/347-1078-1-sm.pdf
http://periodicos.unievangelica.edu.br/index.php/educacaoemsaude/article/view/97
1
https://docs.bvsalud.org/biblioref/2019/10/1023457/347-1078-1-sm.pdf
Rang & Dale – Capítulo 27
https://docs.bvsalud.org/biblioref/2018/06/905463/medicamentos-biologicos-para-
el-tratamiento-de-artritis-reumatoide.pdf
https://www.paho.org/bra/dmdocuments/9788579671081_15_port.pdf
https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5041751/course/section/5906871/Autoimunidade%20Med%202020.pdf
https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5041751/course/section/5906871/Autoimunidade%20Med%202020.pdf
https://docs.bvsalud.org/biblioref/2019/10/1023457/347-1078-1-sm.pdf
http://periodicos.unievangelica.edu.br/index.php/educacaoemsaude/article/view/971
http://periodicos.unievangelica.edu.br/index.php/educacaoemsaude/article/view/971
https://docs.bvsalud.org/biblioref/2019/10/1023457/347-1078-1-sm.pdf
https://docs.bvsalud.org/biblioref/2018/06/905463/medicamentos-biologicos-para-el-tratamiento-de-artritis-reumatoide.pdf
https://docs.bvsalud.org/biblioref/2018/06/905463/medicamentos-biologicos-para-el-tratamiento-de-artritis-reumatoide.pdf
https://www.paho.org/bra/dmdocuments/9788579671081_15_port.pdf
{sistema linfático}
Constitui um tipo de sistema de “hiperfluxo” que permite a drenagem do excesso de
líquido tecidual e das proteínas plasmáticas que extravasam para a corrente
sanguínea, e também a remoção de resíduos resultantes da decomposição celular e
infecção.
O sistema linfático é o complexo corporal que permite a drenagem do sistema
venoso. Dessa maneira, ele atua garantindo o retorno de fluidos dos tecidos
circundantes para o sangue através da circulação linfática. Esta, por sua vez, está
ligada à circulação sanguínea e aos líquidos teciduais. Ele possui função de produzir
células de defesa, atuar na defesa imunológica, filtrar a linfa ou o sangue, transportar
materiais pelos vasos linfáticos, produção de imunoglobulinas e fagocitose. Além
disso, também podem ser responsáveis por absorção e transporte de gordura dos
alimentos.
❖ Absorção e transporte da gordura
dos alimentos: Capilares linfáticos
especiais, denominados lácteos,
recebem todos os lipídios e vitaminas
lipossolúveis absorvidos pelo
intestino. Em seguida, o líquido
leitoso, quilo, é conduzido pelos
vasos linfáticos viscerais para o ducto
torácico, e daí para o sistema venoso.
❖ Formação de um mecanismo de
defesa do corpo: Quando há
drenagem de proteína estranha de
uma área infectada, anticorpos
específicos contra a proteína são
produzidos por células
imunologicamente competentes
e/ou linfócitos e enviados para a área
infectada.
• Timo: é um órgão linfoide essencial, ocupa a parte interior do pescoço e a
parte anterior do mediastino superior. É uma glândula plana, cujos lobos têm
formato de cantil, situada posteriormente
ao manúbrio do esterno e que se estende
até o mediastino anterior, anteriormente
ao pericárdio fibroso. Após a puberdade o
timo sobre involução gradual e é
substituído por gordura em sua maior
parte. A substância de irrigação arterial do
timo provém principalmente dos ramos
intercostais anteriores e mediastinais
anteriores das artérias torácicas internas.
As veias do timo terminam nas veias
braquiocefálica esquerda, torácica interna
e tireoidea inferior. Os vasos linfáticos do
timo terminam nos linfonodos
paraesternais, braquicefálicos e
traqueobronquiais.
Ele é formado por dois lobos
conectados por um istmo.
Histologicamente, o timo é dividido
em lóbulos, cada um possuindo uma
medula central e um córtex
periférico.
A inervação do timo é mínima, e se
origina do nervo vago e do sistema
nervoso simpático, que se estende
profundamente no timo através das
fibras pós ganglionares
noradrenérgicas.
Função: Local onde os precursores
hematopoiéticos das células T sofrem
maturação por seleção positiva e
negativa. – O timo é um componente
essencial do sistema imune. Ele é o
local inicial da maturação das células T por processos deseleção positivos e
negativos. As células T são nomeadas assim justamente por se maturarem no
timo, enquanto as células B recebem seu nome por se maturarem na medula
óssea (bone marrow, em inglês).
OBS.: Mediastino:
• Mediastino superior
• Mediastino anterior inferior
• Mediastino médio inferior
• Mediastino posterior inferior
https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/histologia-medula-ossea
https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/histologia-medula-ossea
• Baço: consiste em uma massa oval, localizada na parte superolateral do
quadrante abdominal esquerdo, que recebe proteção da parte inferior da
caixa torácica. Participa do sistema de defesa do
corpo, sendo um local no qual há a proliferação de
linfócitos e também onde ocorre a vigilância e
resposta imune.
No período pré-natal, é um órgão hematopoético
(formador de sangue), mas após o nascimento
participa basicamente da identificação, remoção e
destruição de hemácias antigas e de plaquetas
fragmentadas, e da reciclagem de ferro e globina.
O baço atua como reservatório de sangue,
armazenando hemácias e plaquetas, e, em grau limitado, pode garantir um
tipo de “autotransfusão” em resposta ao estresse da hemorragia. Apesar de
seu tamanho e das muitas funções úteis e importantes que tem, não é um
órgão vital.
Relações do baço:
o Anteriormente, o estômago.
o Posteriormente, a parte esquerda do diafragma, que o separa da
pleura do pulmão e das costelas IX a XI.
o Inferiormente, a flexura esquerda do colo.
o Medialmente, o rim esquerdo.
O tamanho, o peso e o formato variam, entretanto, geralmente tem cerca de
12cm de comprimento e 7 cm de largura.
Possui uma cápsula serosa mais exterior que consiste em uma camada de
peritônio visceral, que circunda todo o baço, com exceção do hilo esplênico,
constituindo a sua túnica serosa.
Logo abaixo desta, o baço possui uma cápsula fibrosa, que consiste na túnica
propriamente dita, formada por tecido fibroso, responsável por manter os
componentes da polpa esplênica em seus devidos lugares.
A cápsula fibrosa forma trabéculas conforme adentra o parênquima do baço,
conduzindo vasos sanguíneos que entram e saem pelo parênquima, além de
formar uma rede de sustentação para as células que formam a polpa
esplênica, como vasos, nervos e células do sistema imunológico.
Normalmente, o baço contém muito sangue, o qual é expelido
periodicamente para a circulação por ação do músculo liso presente em sua
cápsula e nas trabéculas.
O baço possui duas faces: a visceral e a diafragmática. A última possui um
formato convexo e, como o próprio nome diz, se relaciona principalmente
com a porção esquerda da face visceral do diafragma. A face visceral do baço
é aquela voltada para a cavidade abdominal propriamente dita.
O baço ainda possui uma margem inferior e uma superior, bem como dois
polos: um anterior e outro posterior, os quais são definidos dada a posição
anatômica do baço.
O hilo esplênico consiste na região por onde entram e saem os ramos
esplênicos da artéria e veia esplênicas. O hilo também pode estar em contato
com a cauda do pâncreas, constituindo o limite esquerdo da bolsa omental.
Os vasos linfáticos esplênicos deixam os linfonodos no hilo es-plênico e
seguem ao longo dos vasos esplênicos até os linfonodos
pancreaticoesplênicos no trajeto para os linfonodos celíacos.
Os linfonodos pancreaticoesplênicos estão relacionados com a face posterior
e a margem superior do pâncreas. Os nervos esplênicos, derivados do plexo
celíaco, são distribuídos principalmente ao longo de ramos da artéria
esplênica e têm função vasomotora.
• Linfonodos regionais ou gânglios linfáticos regionais:
o Linfonodos da cabeça e do pescoço
o Linfonodos do membro superior
o Linfonodos do tórax
o Linfonodos da pelve
o Linfonodos do membro inferior
O que são órgãos linfáticos primários? Quais são eles e quais são as suas funções?
Os órgãos linfoides primários produzem os componentes celulares do sistema
imunológico. Eles são (1) medula óssea e (2) o timo.
O que são órgãos linfáticos secundários? Quais são eles e quais são as suas funções?
Os órgãos linfoides secundários são os locais onde ocorrem as respostas
imunológicas. Eles incluem (1) os linfonodos, (2) o baço, (3) as tonsilas, e (4)
agregados de linfócitos e células apresentadoras de antígenos presentes nos
pulmões (tecidos linfoides associados aos brônquios) e na mucosa do trato
digestório (tecido linfoide associado ao tubo digestivo), incluindo as placas de Peyer.
O que são plexos linfáticos?
São redes de capilares linfáticos cegos que se originam nos espaços extracelulares
(intercelulares) da maioria dos tecidos. Como são formados por um endotélio muito
fino, que não tem membrana basal, proteínas plasmáticas, bactérias, resíduos
celulares, e até mesmo células inteiras (principalmente linfócitos), entram neles com
facilidade junto com o excesso de líquido tecidual.
O que são vasos linfáticos?
Uma rede presente em quase todo o corpo,
com vasos de paredes finas que têm muitas
válvulas linfáticas. Em indivíduos vivos, há
saliências nos locais de cada uma das
válvulas, que estão bem próximas, o que
deixa os vasos linfáticos com a aparência de
um colar de contas. Os capilares e os vasos
linfáticos estão presentes em quase todos os
lugares onde há capilares sanguíneos, com
exceção, por exemplo, dos dentes, ossos,
medula óssea e todo o SNC (o excesso de
líquido tecidual drena para o líquido cerebroespinal).
Vasos linfáticos superficiais: Mais numerosas que as veias no tecido subcutâneo e que
se anastomosam (ligação entre artérias, veias ou órgãos que estabelecem uma
comunicação entre si) livremente, acompanham a drenagem venosa e convergem
para ela.
Vasos linfáticos profundos: Os vasos linfáticos superficiais drenm nos vasos linfáticos
profundos, que acompanham as artérias e também recebem a drenagem de órgãos
internos. É provável que os vasos linfáticos profundos também sejam comprimidos
pelas artérias que acompanham, o que leva ao ordenhamento da linfa ao longo
desses vasos que têm válvulas.
Os vasos linfáticos superficiais e profundos atravessam os linfonodos (geralmente
vários conjuntos) em seu trajeto no sentido proximal, tornando-se maiores à medida
que se fundem com vasos que drenam regiões adjacentes. Os grandes vasos
linfáticos entram em grandes vasos coletores, denominados troncos linfáticos, que
se unem para formar o ducto linfático direito ou ducto torácico.
▪ O ducto linfático direito drena linfa do quadrante
superior direito do corpo (lado direito da cabeça,
pescoço e tórax, além do membro superior
direito). Na raiz do pescoço, entra na junção das
veias jugular interna direita e subclávia direita, o
ângulo venoso direito.
▪ O ducto torácico drena linfa do restante do
corpo. Os troncos linfáticos que drenam a
metade inferior do corpo unem-se no abdome,
algumas vezes formando um saco coletor
dilatado, a cisterna do quilo. A partir desse saco
(se presente), ou da união dos troncos, o ducto
torácico ascende, entrando no tórax e
atravessando-o para chegar ao ângulo venoso esquerdo
(junção das veias jugular interna esquerda e subclávia
esquerda).
O que é linfa?
É o líquido tecidual que entra nos capilares linfáticos e é conduzido por vasos
linfáticos. Geralmente, a linfa transparente, aquosa e ligeiramente amarela tem
composição semelhante à do plasma sanguíneo.
O que são linfonodos?
São pequenas massas de tecido linfático, encontradas ao longo do trajeto dos vasos
linfáticos, que filtram a linfa em seu trajeto até o sistema venoso.
O que são linfócitos?
São células circulantes do sistema imune que reagem contra materiais estranhos.
1. Linfonodos cervicais
2. Ducto torácico(linfático esquerdo)
3. Vasos linfáticos do membro superior
4. Ducto linfático direito
5. Timo
6. Linfonodos axilares
7. Ducto torácico
8. Vasos linfáticos da glândula mamária
9. Linfonodos lombares
10. Baço
11. Linfonodos ilíacos (pélvico)
12. Linfonodos inguinais
13. Vasos linfáticos do membro inferior
14. Vasos linfáticos com extremidade cega nos
tecidos, removem líquido e proteínas filtrados.
Aspectos histológicos dos linfonodos:
• MH 076: Os linfonodos são pequenos órgãos interpostos ao longo dos vasos
linfáticos que monitoram imunologicamente a linfa.
o Cápsula – tecido conjuntivo denso envolvendo o nó.
▪ Seio Subcapsular – espaço sob a cápsula que recebe a linfa dos
vasos linfáticos aferentes.
▪ Trabéculas – tecido conjuntivo que se estende para dentro da
cápsula.
▪ Seios Trabeculares – espaços ao longo das trabéculas nos quais
a linfa flui do seio subcapsular para o córtex.
o Córtex – região externa do nó.
▪ Córtex Externo – região adjacente à cápsula.
• Nódulos – aglomerados esféricos de linfócitos B. O
centro mais claro é ocentro germinativo onde os
linfócitos B se diferenciam em plasmócitos.
▪ Córtex Interno(paracórtex) – região entre o córtex externo e a
medula que é livre de nódulos.
• Córtex timo – dependente - esta região contém a
maioria dos linfócitos T em um nó.
• Vênulas Endoteliais Altas – vênulas com células
endoteliais excepcionalmente altas através das quais os
linfócitos no sangue entram no nó.
o Medula – parte interna do nó.
▪ Cordões Medulares – contêm anticorpos secretores, células
plasmáticas, macrófagos e linfócitos B.
▪ Seios Medulares – espaços intermediários nos quais a linfa flui
antes de sair do linfonodo através de vasos linfáticos eferentes.
Cápsula
Nódulo
Cápsula Seios subcapsulares
Trabéculas
Seios trabeculares
Córtex
Medula
Córtex externo
Córtex interno
Nódulo
Nódulo
Nódulo
Nódulo
Medula
• MH 077: Linfonodo corado com azan para distinguir o estroma (ou
componentes do tecido conjuntivo) do parênquima. As fibras de colágeno
(azul) estão restritas à cápsula, trabéculas e vasos sanguíneos.
o Cápsula – tecido conjuntivo denso envolvendo o nó.
▪ Seio Subcapsular – espaço sob a cápsula que recebe a linfa dos
vasos linfáticos aferentes.
▪ Trabéculas – tecido conjuntivo que se estende para dentro da
cápsula.
▪ Seios Trabeculares – espaços ao longo das trabéculas nos quais
a linfa flui do seio subcapsular para o córtex.
o Córtex – região externa do nó.
▪ Nódulo Linfático – aglomerados esféricos de linfócitos B no
córtex externo.
▪ Vênulas Endoteliais Altas – vênulas com células endoteliais
excepcionalmente altas através das quais os linfócitos no
sangue entram no nó. HEVs são encontrados no córtex interno.
o Medula – parte interna do nó. As células estão dispostas em cordões
medulares circundados por seios medulares.
Cápsula
Seios subcapsulares
Trabéculas
Trabéculas
Seios trabeculares
• MH 078: Os linfonodos são um dos tecidos que possui uma estrutura (ou
estroma) de fibras reticulares. As fibras reticulares são compostas por fios
finos e delicadamente tecidos de colágeno tipo III. Eles não são visíveis com
hematoxilina e eosina (H&E) ou azan, mas são especificamente corados por
prata. Isso os torna pretos e os torna facilmente distinguíveis das fibras de
colágeno tipo I que são coradas de vermelho/marrom.
o Cápsula – contém uma mistura de fibras colágenas (vermelhas) e fibras
reticulares (pretas).
▪ Trabéculas – contém uma mistura de fibras colágenas
(vermelhas) e fibras reticulares (pretas).
o Córtex – as fibras reticulares formam uma rede irregular e
anastomosada na região externa do nó. Nódulos são envolvidos por
fibras reticulares.
▪ Vênulas Endoteliais Altas – vênulas com células endoteliais
excepcionalmente altas através das quais os linfócitos no
sangue entram no nó.
o Medula – fibras reticulares formam redes para sustentar os cordões
medulares em toda a parte interna do nó.
Córtex
Medula
Cápsula
Trabéculas
Córtex
Vênula Endotelial Alta
(Corte longitudinal)
• MHS 213: Linfonodos são pequenos órgãos interpostos ao longo dos vasos
linfáticos.
o Cápsula – tecido conjuntivo denso envolvendo o nó.
▪ Seio Subcapsular – espaço sob a cápsula que recebe a linfa dos
vasos linfáticos aferentes.
o Córtex – região externa do nó.
▪ Córtex Externo – região adjacente à cápsula.
• Nódulos Primários – acumulações esféricas de células B
(sem centro germinativo).
• Nódulos Secundários – acúmulos esféricos de células B
comcentro germinativoonde as células B se diferenciam
em plasmócitos.
▪ Córtex Interno(paracórtex) – região entre o córtex externo e a
medula que é livre de nódulos.
• Córtex dependente do timo – esta região contém a
maioria das células T em um nó.
• Vênulas Endoteliais Altas – vênulas com células
endoteliais excepcionalmente altas através das quais os
linfócitos no sangue entram no nó.
o Medula – parte interna do nó. As células estão dispostas em cordões
circundados por seios.
o Os macrófagos nesta amostra contêm grandes quantidades de
pigmento de lipofuscina marrom. Isso ajuda na sua identificação no
seio subcapsular e medula.
Vênula Endotelial Alta
(Corte transversal)
Medula
Cápsula
Córtex
Córtex
externo
Nódulo primário
Nódulo secundário
Córtex
interno
Vênulas endoteliais altas
• Lâmina 79:
o Cápsula
o Córtex
▪ Linfócitos T
▪ Células reticulares epiteliais
▪ Macrófagos
o Medula
▪ Corpúsculo de Hassall
o Tecido adiposo
o Quais são as principais diferenças entre o timo do neonato e o timo
adulto? O timo diminui de tamanho ao longo da vida, até que na idade
adulta é gradualmente substituído por tecido adiposo, o que provoca
a diminuição da produção de linfócitos T.
Medula
Macrófagos
Adulto Neonatal
Cápsula
Córtex
Células
reticulares
epiteliais
Linfócitos T
Macrófagos
Medula
• Lâmina 76:
o Cápsula
o Seio subcapsular
o Trabécula
o Seios trabeculares
o Córtex externo
o Nódulos linfáticos
o Córtex interno ou paracortex
o Vênulas
o Medula
o Cordões medulares
o Seios medulares
o Qual o sentido da circulação da linfa nos linfonodos? A linfa é
transportada pelos vasos linfáticos em sentido unidirecional e filtrada
nos linfonodos. Após a filtragem, é lançada no sangue, desembocando
nas grandes veias torácicas. A linfa percorre o sistema linfático graças
a débeis contrações dos músculos, da pulsação das artérias próximas
e do movimento das extremidades. Todos os vasos linfáticos têm
válvulas unidirecionadas que impedem o refluxo, como no sistema
venoso da circulação sanguínea. Se um vaso sofre uma obstrução, o
líquido se acumula na zona afetada, produzindo-se um inchaço
denominado edema.
Corpúsculo de Hassall – células reticulares epiteliais dispostas
concêntricamente e compactadas.
Os corpúsculos de Hassall são a característica mais facilmente
identificável do timo.
• Lâmina 85:
o Cápsula
o Trabécula
o Polpa branca - composto por tecido linfático.
o Nódulos linfáticos esplênicos
o Artériola central
o Região periarteriolar (Bainha linfática periarteriolar) – massa cilíndrica
de linfócitos T maduros que circunda as arteríolas centrais.
o Zona marginal – região entre a polpa branca e vermelha onde
interagem macrófagos, células dendríticas e linfócitos.
o Polpa vermelha – filtra e degrada os glóbulos vermelhos (RBCs).
Cápsula
Nódulo
Cápsula Seios subcapsulares
Trabéculas
Seios trabeculares
Córtex
Medula
Córtex externo
Córtex internoNódulo
Nódulo
Nódulo
Nódulo
Medula
o Sinusóides esplênicos – espaços vasculares revestidos por células
endoteliais que filtram os RBCs
o Cordões esplênicos ou de Billroth – tecido conjuntivo frouxo que
contém macrófagos, plasmócitos e linfócitos.
o Qual a razão do nome polpa branca e polpa
vermelha? A polpa vermelha é rica em hemácias
e macrófagos (hemocaterese) e a polpa branca
é rica em linfócitos. Receberam essa
nomenclatura pois na anatomia do baço fresco
(a olho nu) as polpas são facilmente
identificáveis.
Cápsula
Trabéculas
Polpa
branca
Nódulo
esplênico
Centro germinativo com
linfócitos B ativados
Nódulo
esplênico
Arteríola
central
Arteríola
central
Bainha linfática
periarteriolar (corte
transversal)
Bainha linfática
periarteriolar (corte
longitudinal)
Polpa
vermelha
Fonte:
Moore
Sanarflix
https://www.unifal-mg.edu.br/histologiainterativa/sistema-
linfoide/#:~:text=O%20sistema%20linfoide%20incluem%20os,e%20(2)%20o%20timo
https://www.youtube.com/watch?v=2OQ-fv7xRyE
Cordões
esplênicos
https://www.unifal-mg.edu.br/histologiainterativa/sistema-linfoide/#:~:text=O%20sistema%20linfoide%20incluem%20os,e%20(2)%20o%20timo
https://www.unifal-mg.edu.br/histologiainterativa/sistema-linfoide/#:~:text=O%20sistema%20linfoide%20incluem%20os,e%20(2)%20o%20timo
https://www.youtube.com/watch?v=2OQ-fv7xRyEde linfócitos — os linfócitos B, destinados a formar anticorpos —
é pré-processada no fígado, durante a parte média da gestação, e na medula óssea,
no final da vida fetal e logo após o nascimento. Essa população celular foi inicialmente
identificada em aves que têm um órgão de pré-processamento especial, chamado
bursa de Fabricius. Por esse motivo, esses linfócitos são chamados linfócitos “B”,
para indicar o papel da bursa, sendo responsáveis pela imunidade humoral.
OBS.: Os anticorpos não adentram a célula, por esse motivo, a própria célula tem
mecanismos de proteção (imunidade mediada por células).
Características comparativas das imunidades inata e adaptativa:
• As respostas imunes inatas a um microrganismo são imediatas e
dispensam exposição prévia ao microrganismo. Em outras palavras, as
moléculas e células efetoras imunes inatas são totalmente funcionais
até mesmo antes da infecção ou são rapidamente ativadas pelos
microrganismos para prevenir, controlar ou eliminar as infecções. Em
contraste, as respostas imunes adaptativas efetivas a um
microrganismo recém-introduzido se desenvolvem no decorrer de
vários dias, à medida que os clones de linfócitos antígeno-específicos
se expandem e se diferenciam em células efetoras funcionais.
• Para a maioria das respostas inatas aos microrganismos, não há
alteração considerável na qualidade ou magnitude da resposta após
repetidas exposições — ou seja, há pouca ou nenhuma memória. Em
contraste, a exposição repetida a um microrganismo intensifica a
rapidez, a magnitude e a efetividade das respostas imunes adaptativas.
Podem haver algumas exceções à regra de que não há memória na
imunidade inata. Por exemplo, a magnitude das respostas de células
natural killer a certas infecções virais são aumentadas com a exposição
subsequente ao mesmo vírus. Ainda não está claro o grau de
especificidade dessas respostas intensificadas, quais e quantos vírus
conseguem deflagrá-las, ou se essas respostas contribuem para uma
proteção aumentada contra infecções repetidas.
• A resposta imune inata é ativada pelo reconhecimento de um conjunto
relativamente limitado de estruturas moleculares que são produtos de
microrganismos ou são expressas por células lesadas ou mortas do
hospedeiro. Estima-se que o sistema imune inato reconheça apenas
cerca de 1.000 produtos de microrganismos e células danificadas. Em
contraste, o sistema imune adaptativo consegue reconhecer milhões
de antígenos microbianos diferentes, além de também poder
reconhecer antígenos ambientais não microbianos e autoantígenos
normalmente presentes nos tecidos sadios.
• Os receptores usados pelos sistemas imunes inato e adaptativo são
fundamentalmente diferentes em termos de estrutura e extensão da
variação, o que explica as diferentes especificidades desses dois tipos
de defesa do hospedeiro.
Fonte: Abbas – Capítulo 4; Guyton – Capítulo 35.
{células}
Na medula óssea, são produzidas as células sanguíneas, tanto as da linhagem branca
quanto as da linhagem vermelha. Trata-se de um tecido conjuntivo altamente
vascularizado, localizado nos espaços microscópicos entre as trabéculas do tecido
ósseo esponjoso. Está presente, principalmente, nos ossos do esqueleto axial e nos
grandes ossos do esqueleto apendicular, como nos cíngulos do fêmur e do úmero.
Na medula óssea, podemos encontrar algumas células que chamamos de células-
tronco pluripotentes, ou seja, que têm a capacidade de originar diversos tipos
celulares. Essa diferenciação celular se dá em resposta a substâncias específicas que
determinam que tipo de célula sanguínea será formado. Com relação à linhagem
branca do sangue, podemos encontrar 5 tipos de células: os neutrófilos, os
eosinófilos e os basófilos, que são os chamados
leucócitos granulares, e também os linfócitos e os
monócitos, que são os leucócitos agranulares.
Esses glóbulos brancos do sangue, atuam no
sistema de defesa do organismo, seja por
fagocitose seja pela produção de anticorpos e
substâncias contra os invasores.
As células que realizam papéis especializados nas
respostas imunes inata e adaptativa são os
fagócitos, células dendríticas (DCs), linfócitos
antígeno-específicos e vários outros leucócitos
que atuam eliminando antígenos. Quase todas
derivam de células-tronco hematopoiéticas
(CTHs) existentes na medula óssea, as quais se
diferenciam a partir de linhagens ramificadas.
Com base em seus precursores comuns, as células
imunes são amplamente classificadas em células
mieloides, que incluem os fagócitos e a maioria das DCs, ou em células linfoides, que
englobam todos os linfócitos. Embora a maioria dessas células sejam encontradas no
sangue, as respostas de linfócitos a antígenos geralmente ocorrem em tecidos
linfoides ou outros tecidos e, portanto, podem não ser refletidas pelas alterações nos
números de linfócitos no sangue.
Fagócitos: Os fagócitos, incluindo neutrófilos e macrófagos, são células cuja função
primária é ingerir e destruir microrganismos e remover tecidos danificados. As
respostas funcionais dos fagócitos na defesa do hospedeiro consistem em etapas
sequenciais: recrutamento das células para os sítios de infecção, reconhecimento e
ativação por microrganismos, ingesta dos microrganismos através do processo de
fagocitose, e destruição dos microrganismos ingeridos. Adicionalmente, por meio do
contato direto e secreção de citocinas, os fagócitos se comunicam com outras células
de maneira a promover ou regular as respostas imunes.
Neutrófilos: Os neutrófilos constituem a população mais abundante de leucócitos
circulantes e o principal tipo celular nas reações inflamatórias agudas. Os neutrófilos
circulam como células esféricas, medindo cerca de 12-15 µm de diâmetro, com
numerosas projeções membranosas. O núcleo é segmentado em três a cinco lóbulos
conectados. Devido à sua morfologia nuclear, os neutrófilos também são chamados
leucócitos polimorfonucleares (PMNs).
Os neutrófilos são produzidos na medula óssea e surgem de precursores que também
originam fagócitos mononucleares. Podem migrar rapidamente para sítios de
infecção após a entrada de microrganismos. Após entrarem nos tecidos, os
neutrófilos atuam apenas durante 1-2 dias e, então, morrem.
A principal função dos neutrófilos é fagocitar microrganismos, especialmente
microrganismos opsonizados, e produtos de células necróticas, bem como destruir
esse material nos fagolisossomos. Em adição, os neutrófilos produzem conteúdos de
grânulos e substâncias antimicrobianas que matam microrganismos extracelulares,
mas também danificam tecidos sadios.
Fagócitos mononucleares: O sistema de fagócitos mononucleares inclui células
circundantes chamadas monócitos, que se transformam em macrófagos ao
migrarem para os tecidos, e macrófagos residentes teciduais, derivados
principalmente de precursores hematopoiéticos durante a vida fetal.
Os macrófagos estão amplamente distribuídos em todos os órgãos e no tecido
conectivo. Em adultos, as células da linhagem monócito-macrófago surgem a partir
de células precursoras comprometidas existentes na medula óssea, dirigidas por uma
citocina chamada fator estimulador de colônia de monócito (ou macrófago). Esses
precursores amadurecem em monócitos, que, por sua vez, entram e circulam no
sangue, e então migram para os tecidos, especialmente durante as reações
inflamatórias, onde amadurecem ainda mais em macrófagos.
Muitos tecidos são povoados por macrófagos residentes de vida longa, os quais
derivam do saco vitelínico ou de precursores do fígado fetal, durante o
desenvolvimento fetal, e assumem fenótipos especializados de acordo com o órgão.
São exemplos as células de Kupffer, que revestem os sinusoides no fígado, os
macrófagos alveolares no pulmão, e as células microgliais no cérebro.
Os monócitos medem 10-15 µm de diâmetro e têm núcleos em forma de feijão,
citoplasma finamente granular contendo lisossomos, vacúolos fagocíticose
filamentos de citoesqueleto.
Uma das principais funções dos macrófagos na defesa do hospedeiro é ingerir
microrganismos por meio do processo de fagocitose e, então, destruir os
microrganismos ingeridos. Os mecanismos de fagocitose e killing incluem a formação
de organelas citoplasmáticas ligadas à membrana que contêm os microrganismos; a
fusão dessas organelas com os lisossomos; a geração de espécies reativas de
oxigênio e nitrogênio no lisossomo que são tóxicas para os microrganismos; e a
digestão das proteínas microbianas por enzimas proteolíticas.
Além de ingerir microrganismos, os macrófagos ingerem células necróticas do
hospedeiro, incluindo as células que morrem nos tecidos em consequência dos
efeitos de toxinas, traumatismo ou interrupção do suprimento sanguíneo, e também
os neutrófilos que morrem após se acumularem em sítios de infecção. Isto é parte do
processo de limpeza que se segue à infecção ou lesão tecidual estéril. Os macrófagos
também reconhecem e englobam células apoptóticas antes de estas poderem liberar
seus conteúdos e induzir respostas inflamatórias. Ao longo de todo o corpo e no
decorrer da vida inteira de um indivíduo, as células indesejadas morrem por apoptose
como parte de muitos processos fisiológicos, como desenvolvimento, crescimento e
renovação de tecidos sadios, sendo que as células mortas são eliminadas pelos
macrófagos.
Os macrófagos são ativados por substâncias microbianas e secretam diferentes
citocinas que atuam sobre as células endoteliais do revestimento dos vasos
sanguíneos, intensificando o recrutamento de mais monócitos e outros leucócitos do
sangue para os sítios de infecção, amplificando assim a resposta protetora contra os
microrganismos. Outras citocinas atuam sobre os leucócitos e estimulam sua
migração para os sítios teciduais de infecção ou dano.
Os macrófagos atuam como células apresentadoras de antígeno que exibem
fragmentos de antígenos proteicos e ativam linfócitos T. Esta função é importante na
fase efetora das respostas imunes mediadas pela célula T.
Os macrófagos promovem o reparo de tecidos lesados estimulando o crescimento
de novos vasos sanguíneos (angiogênese) e a síntese de matriz extracelular rica em
colágeno (fibrose). Essas funções são mediadas pelas citocinas secretadas pelos
macrófagos que atuam em várias células teciduais.
Os macrófagos tipicamente respondem aos microrganismos que estão por perto tão
rapidamente quanto os neutrófilos, porém os macrófagos sobrevivem por um tempo
muito maior nos sítios de inflamação. Diferentemente dos neutrófilos, os macrófagos
não são terminalmente diferenciados e podem sofrer divisão celular em um sítio
inflamatório. Portanto, os macrófagos são as células efetoras dominantes nos
estágios mais tardios da resposta imune inata, decorridos vários dias do início de uma
infecção.
Mastócitos, Basófilos e Eosinófilos: São 3 tipos celulares adicionais que atuam nas
respostas de imunidade inata e de imunidade adaptativa. Todos esses três tipos
celulares compartilham a propriedade comum de terem grânulos citoplasmáticos
contendo vários mediadores inflamatórios e antimicrobianos, os quais são liberados
das células mediante ativação. Outra característica dessas células é seu envolvimento
nas respostas imunes que conferem proteção contra helmintos e nas reações
causadoras de doenças alérgicas.
Mastócitos: São células derivadas da medula óssea presentes nos epitélios da pele e
das mucosas, as quais ao serem ativadas liberam numerosos mediadores
inflamatórios potentes que conferem defesa contra infecções por parasitas ou
produzem os sintomas das doenças alérgicas. defesa contra infecções por parasitas
ou produzem os sintomas das doenças alérgicas. Uma citocina chamada fator da
célula-tronco (ou c-Kit-ligante) é essencial ao desenvolvimento do mastócito.
Normalmente, os mastócitos maduros não são encontrados na circulação, mas estão
presentes nos tecidos, em geral adjacentes a pequenos vasos sanguíneos e nervos.
Seu citoplasma contém numerosos grânulos ligados à membrana, repletos de
mediadores inflamatórios pré-formados, como a histamina, bem como
proteoglicanas acídicas que se ligam a corantes básicos conferindo uma cor azul-
escura aos grânulos quando corantes especiais são usados. Vários estímulos podem
ativar os mastócitos e fazê-los liberar os conteúdos dos grânulos citoplasmáticos no
espaço extracelular, bem como sintetizar e liberar citocinas e outros mediadores
inflamatórios. A histamina e os outros mediadores liberados promovem alterações
nos vasos sanguíneos que causam inflamação. Os mastócitos expressam receptores
na membrana plasmática com alta afinidade por um tipo de anticorpo denominado
IgE, e geralmente são recobertos por estes anticorpos. Quando os anticorpos
presentes na superfície do mastócito se ligam ao antígeno, são induzidos eventos
sinalizadores que levam à ativação do mastócito. Os mastócitos também são ativados
quando reconhecem produtos microbianos, independentemente da IgE, atuando
nesse sentido como sentinelas do sistema imune inato.
Basófilos: São granulócitos sanguíneos que apresentam muitas similaridades
estruturais e funcionais com os mastócitos. Assim como outros granulócitos, os
basófilos derivam de precursores hematopoiéticos, amadurecem na medula óssea
(sua linhagem é diferente da linhagem dos mastócitos) e circulam no sangue. Os
basófilos constituem menos de 1% dos leucócitos sanguíneos. Embora normalmente
estejam ausentes nos tecidos, os basófilos podem ser recrutados para alguns sítios
inflamatórios. Os basófilos também contêm grânulos que se ligam a corantes básicos
e são capazes de sintetizar muitos mediadores que também são sintetizados pelos
mastócitos. Como estes, os basófilos expressam receptores de IgE, ligam-se à IgE e
podem ser ativados pela ligação do antígeno à IgE. Como o número de basófilos nos
tecidos é baixo, sua importância na defesa do hospedeiro e nas reações alérgicas é
incerta.
Eosinófilos: São granulócitos que expressam grânulos citoplasmáticos contendo
enzimas nocivas às paredes celulares de parasitas, mas que também podem danificar
os tecidos do hospedeiro. Os grânulos dos eosinófilos contêm principalmente
proteínas básicas que se ligam a corantes ácidos, como a eosina, e isto é visto como
uma cor avermelhada em esfregaços de sangue e cortes de tecido corados. Os
eosinófilos são derivados da medula óssea e circulam no sangue, de onde podem ser
recrutados para os tecidos. As citocinas GM-CSF, interleucina-3 (IL-3) e IL-5 promovem
a maturação do eosinófilo a partir dos precursores mieloides. Alguns eosinófilos
normalmente estão presentes nos tecidos periféricos, em especial nos revestimentos
de mucosa dos tratos respiratório, gastrintestinal e geniturinário, e seu número pode
aumentar por meio do recrutamento a partir do sangue que ocorre no contexto da
inflamação.
Células dendríticas (DCs): São células residentes nos tecidos e também circulantes
que percebem a presença de microrganismos e iniciam reações de defesa imune
inata, além de capturarem as proteínas microbianas para exibi-las às células T e assim
iniciar as respostas imunes adaptativas. Essas funções das DCs as colocam em uma
posição singular no sistema imune, atuando como sentinelas de infecção que iniciam
a rápida resposta inata, mas também ligando as respostas inatas ao desenvolvimento
das respostas imunes adaptativas. Os papéis das DCs na imunidade inata e adaptativa
são possíveis graças a várias características importantes presentes nessas células.
As DCs expressam TLRs e outros receptores que reconhecem moléculas microbianas,
e respondem aos microrganismos secretando citocinas que recrutam e ativam células
inatas nos sítios de infecção. As DCs também são extremamente eficientes na captura
de antígenos proteicos de microrganismos, degradação desses antígenos e exibição
de partes desses antígenos para o reconhecimento pelas células T. A resposta imuneinata intensifica essa capacidade de apresentação de antígeno das DCs e isso é um
dos principais mecanismos pelos quais a imunidade inata promove respostas imunes
adaptativas.
As DCs têm longas projeções membranosas, são dotadas de capacidades fagocíticas
e estão amplamente distribuídas nos tecidos linfoides, epitélio de mucosa e
parênquima de órgãos. A maioria das DCs faz parte da linhagem mieloide de células
hematopoiéticas e surge de um precursor que também pode se diferenciar em
monócitos.
As DCs clássicas (também chamadas DCs convencionais) são o principal tipo de DC
envolvida na captura de antígenos proteicos de microrganismos que entram através
dos epitélios, bem como na apresentação dos antígenos às células T.
As DCs plasmacitoides produzem a citocina antiviral conhecida como interferon (IFN)
tipo I em resposta aos vírus, e podem capturar microrganismos transmitidos pelo
sangue e transportar seus antígenos para o baço para apresentação às células T.
Outra população de células, denominada células dendríticas foliculares, exibem
morfologia dendrítica, mas não estão relacionadas às DCs anteriores. Não derivam de
precursores na medula óssea e não apresentam antígenos proteicos às células T, mas
estão envolvidas na ativação da célula B junto aos órgãos linfoides.
Linfócitos: São as únicas células
no corpo que expressam
receptores antigênicos
clonalmente distribuídos, cada
um dos quais específico para
um determinante antigênico
diferente. Cada clone de
linfócitos T e B expressa
receptores antigênicos com
especificidade única, diferente
das especificidades dos
receptores presentes nos
outros clones. Existem milhões
de clones de linfócitos no
corpo, capacitando qualquer indivíduo a reconhecer e responder a milhões de
antígenos estranhos.
Os linfócitos consistem em classes distintas com diferentes funções e produtos
proteicos. Do ponto de vista morfológico, todos os linfócitos são similares, e sua
aparência não reflete sua heterogeneidade nem suas diversas funções. Os linfócitos
B, as células produtoras de anticorpos, foram assim chamados por terem sido
encontrados em processo de amadurecimento em um órgão chamado bursa (bolsa)
de Fabricius encontrado em aves. Em mamíferos, não há equivalente anatômico da
bursa, e os estágios iniciais da maturação da célula B ocorrem na medula óssea.
Assim, o nome linfócitos B hoje se refere aos linfócitos derivados da medula óssea.
Os linfócitos T, mediadores da imunidade celular, surgem a partir de células
precursoras na medula óssea que migram e amadurecem no timo; portanto,
linfócitos T se refere aos linfócitos derivados do timo.
Fonte: Abbas – Capítulo 3
{inflamação}
Inflamação: Quando ocorre lesão tecidual, seja ela causada por bactérias, trauma,
agentes químicos, calor ou qualquer outro fenômeno, diversas substâncias são
liberadas pelos tecidos danificados, ocasionando graves alterações secundárias nos
tecidos não lesionados ao redor. Todo esse complexo de alterações teciduais é
chamado inflamação.
A inflamação se caracteriza por (1) vasodilatação dos vasos sanguíneos locais, com o
consequente aumento do fluxo sanguíneo local; (2) aumento da permeabilidade dos
capilares, permitindo a saída de grande quantidade de líquido para os espaços
intersticiais; (3) coagulação do líquido nos espaços intersticiais, devido à quantidade
aumentada de fibrinogênio e outras proteínas que saíram dos capilares; (4) migração
de grande quantidade de granulócitos e monócitos para os tecidos; e (5) dilatação
das células teciduais.
Alguns dos muitos produtos teciduais causadores dessas reações incluem a
histamina, a bradicinina, a serotonina, as prostaglandinas, diversos produtos da
reação do sistema de complemento, produtos da reação do sistema da coagulação
sanguínea e várias substâncias designadas como linfocinas, liberadas pelas células T
sensibilizadas. Várias dessas substâncias ativam, com grande intensidade, o sistema
macrofágico, e, em algumas horas, os macrófagos começam a devorar os tecidos
destruídos. Entretanto, por vezes, os macrófagos também lesionam as células
teciduais ainda vivas.
Efeito de “emparedamento” da inflamação: Um dos primeiros resultados da inflação
é o “emparedamento” da área lesada, isolando-a dos tecidos a seu redor. Os espaços
teciduais e os vasos linfáticos, na área inflamada, são bloqueados por coágulos de
fibrinogênio de modo que, após algum tempo, o líquido quase não consegue fluir por
esses espaços. Esse processo de isolamento retarda a disseminação de bactérias ou
de produtos tóxicos.
A intensidade do processo inflamatório é, em geral, proporcional ao grau da lesão
tecidual. Por exemplo, quando estafilococos invadem os tecidos, eles liberam toxinas
celulares extremamente letais. Como resultado, a inflamação se desenvolve com
muita rapidez — na verdade, com velocidade muito maior que a capacidade de os
estafilococos se multiplicarem e disseminarem-se. Assim, a infecção estafilocócica
local, em pouco tempo e de forma característica, é emparedada, impedindo sua
disseminação por todo o corpo. Os estreptococos, em contraste, não causam
destruição tão intensa dos tecidos locais. Por isso, o processo de emparedamento se
desenvolve mais lentamente, dentro de período de muitas horas, enquanto muitos
estreptococos se reproduzem e migram. Consequentemente, os estreptococos têm
tendência muito maior de se disseminar pelo corpo e de causar morte do que os
estafilococos, mesmo que os estafilococos sejam muito mais destrutivos para os
tecidos.
Os macrófagos teciduais proporcionam uma primeira linha de defesa contra a
infecção: Alguns minutos após o início da inflamação, os macrófagos já estão
presentes nos tecidos, sejam eles histiócitos nos tecidos subcutâneos, macrófagos
alveolares nos pulmões, micróglia no cérebro, ou outros, iniciando imediatamente
suas ações fagocíticas. Quando ativados pelos produtos da infecção e da inflamação,
o primeiro efeito é o rápido aumento do tamanho de cada uma dessas células. A
seguir, muitos dos macrófagos previamente sésseis se soltam de suas ligações e
passam a ser móveis, formando a primeira linha de defesa contra as infecções
durante a primeira hora. O número desses macrófagos mobilizados inicialmente não
é grande, mas são todos salvadores da vida.
A invasão por neutrófilos das áreas inflamadas é uma grande segunda linha de
defesa: Aproximadamente 1 hora após o início da inflamação, grande número de
neutrófilos invade a área inflamada a partir do sangue. Essa invasão é causada por
citocinas inflamatórias (p. ex., fator de necrose tumoral e interleucina 1) e outros
produtos bioquímicos produzidos pelos tecidos inflamados que iniciam as reações a
seguir:
• Eles causam aumento da expressão de moléculas de aderência, tais como
seletinas e molécula de aderência intracelular 1 (ICAM-1), na superfície de
células endoteliais em capilares e vênulas. Essas moléculas de aderência,
reagindo com moléculas integrinas complementares nos neutrófilos, levam o
neutrófilo a grudar nas paredes dos capilares e vênulas da área inflamada.
Esse efeito se chama marginação.
• Eles também fazem com que as fixações intercelulares entre as células
endoteliais dos capilares e o afrouxamento das vênulas pequenas se
afrouxem, permitindo aberturas grandes o suficiente para que os neutrófilos
rastejem diretamente do sangue para os espaços teciduais por diapedese.
• Eles causam a quimiotaxia dos neutrófilos para os tecidos lesados.
Assim, algumas horas após o início do
dano tecidual, a área fica bem suprida de
neutrófilos. Como os neutrófilos
sanguíneos já são células maduras,
estão prontos para começar,
imediatamente, suas funções de
“carniceiros” para matar bactérias e
remover tecido estranho.
Aumento agudo no número de
neutrófilos no sangue 0 “neutrofilia”: Também, em questão de horas, após o início
de inflamação aguda e grave, o número de neutrófilos no sangue algumas vezesaumenta por 4 a 5 vezes — do normal de 4.000 a 5.000 para 15.000 a 25.000
neutrófilos por microlitro. Esse fenômeno é chamado neutrofilia, que significa
elevação do número de neutrófilos no sangue. A neutrofilia é causada pelos produtos
da inflamação que caem na corrente sanguínea e são transportados para a medula
óssea, onde atuam sobre os neutrófilos armazenados na medula para mobilizar essas
células para o sangue circulante. Isso faz com que quantidade ainda maior de
neutrófilos fique disponível para a área inflamada do tecido.
A segunda invasão de macrófagos no tecido inflamado é uma terceira linha de defesa:
Juntamente com a invasão dos neutrófilos, os monócitos do sangue chegam ao
tecido inflamado e aumentam de volume, transformando-se em macrófagos.
Entretanto, o número de monócitos no sangue circulante é baixo. Além disso, a
reserva armazenada de monócitos na medula óssea é muito menor que a de
neutrófilos. Assim, o aumento do número de macrófagos no tecido inflamado é
muito mais lento que o de neutrófilos, necessitando de vários dias para ser efetivo.
Além disso, mesmo após a invasão do tecido inflamado, os monócitos ainda são
células imaturas, requerendo 8 ou mais horas para aumentar de volume e
desenvolver quantidades imensas de lisossomos; só após isso adquirem a capacidade
completa dos macrófagos teciduais para a fagocitose. Além disso, após dias ou
semanas, os macrófagos, por fim, conseguem dominar as células fagocíticas da área
inflamada por meio da produção extremamente elevada de novos monócitos pela
medula óssea. Os macrófagos podem fagocitar quantidade maior de bactérias (cerca
de cinco vezes mais), além de partículas maiores, incluindo os neutrófilos
propriamente ditos e grande quantidade de tecido necrótico do que os neutrófilos.
Além disso, os macrófagos têm papel importante no início do desenvolvimento dos
anticorpos.
O aumento da produção de granulócitos e de monócitos pela medula óssea é uma
quarta linha de defesa: A quarta linha de defesa é a produção muito aumentada de
granulócitos (neutrófilos, eosinófilos e basófilos) e de monócitos pela medula óssea.
Essa ação resulta da estimulação das células progenitoras granulocíticas e
monocíticas da medula. Entretanto, leva entre 3 a 4 dias para que os granulócitos e
monócitos recém-formados atinjam o estágio de deixar a medula óssea. Se o estímulo
do tecido inflamado for mantido, a medula óssea pode continuar a produzir essas
células, em quantidades enormes, durante meses, ou mesmo anos, por vezes com
intensidade 20 a 50 vezes a normal.
Controle por feedback das respostas dos macrófagos e neutrófilos: Apesar de mais
de 2 dúzias de fatores estarem implicadas no controle da resposta dos macrófagos à
inflamação, acredita-se que 5 deles desempenham papéis dominantes. Eles
consistem em (1) fator de necrose tumoral (TNF), (2) interleucina 1 (IL-1), (3) fator
estimulante de colônias de granulócitos-monócitos (GM-CSF), (4) fator estimulante
de colônias de granulócitos (G-CSF) e (5) fator estimulante de colônias de monócitos
(M-CSF). Esses fatores são formados pelas células de macrófagos ativados nos
tecidos inflamados e, em menores quantidades, por outras células teciduais
inflamadas.
O aumento da produção de granulócitos e
monócitos pela medula óssea ocorre, em grande
parte, por três fatores estimulantes de colônias,
um dos quais, GM-CSF, estimula a produção de
granulócitos e de monócitos; os outros dois, G-
CSF e M-CSF, estimulam a produção de
granulócitos e monócitos, respectivamente. Essa
combinação de TNF, IL-1 e fatores estimulantes
de colônias gera potente mecanismo de
feedback, que começa com a inflamação do
tecido e prossegue para a formação de grande
número de leucócitos defensivos que ajudam a
remover a causa da inflamação.
Formação de pus: Quando os neutrófilos e
macrófagos engolfam grande número de
bactérias e de tecido necrótico, em essência,
todos os neutrófilos e muitos, se não a maioria, dos macrófagos eventualmente
morrem. Após vários dias, com frequência, uma cavidade é escavada nos tecidos
inflamados. Essa cavidade contém porções variáveis de tecido necrótico, neutrófilos
mortos, macrófagos mortos e líquido tecidual. Essa mistura é comumente
denominada pus. Depois que a infecção foi suprimida, as células mortas e o tecido
necrótico no pus gradualmente passam por autólise durante período de dias, e os
produtos finais, com o passar do tempo, são absorvidos pelos tecidos circundantes e
pela linfa até que a maior parte dos resíduos da lesão tecidual tenha sido eliminada.
Febre: Inibe de crescimento de microrganismos, acelera a velocidade das reações
químicas, faz com que o paciente se sinta doente (menor gasto energético),
fagocitose é intensificada, degradação dos lisossomos é aumentada (morte de
células infectadas).
Fonte: Guyton & Hall – Capítulo 34
Resumo: O principal meio usado pelo sistema imune inato para lidar com infecções e
lesão tecidual é estimular a inflamação aguda, que consiste no acúmulo de leucócitos,
proteínas plasmáticas e líquido derivado do sangue em um sítio de infecção ou lesão
tecidual extravascular. Os leucócitos e proteínas plasmáticas, essenciais para a defesa
inata contra microrganismos, normalmente
circulam no sangue e são recrutados para os sítios de infecção e lesão, onde
desempenham as funções efetoras que matam microrganismos e iniciam o reparo do
tecido danificado.
Tipicamente, o primeiro leucócito a ser recrutado do sangue para os sítios de
inflamação é o neutrófilo, por ser o leucócito mais abundante no sangue e aquele que
responde mais rápido aos sinais quimiotáticos. Os monócitos sanguíneos, que se
transformam em macrófagos no tecido, tornam-se cada vez mais proeminentes com
o passar do tempo e podem formar a população dominante em algumas reações.
Entre as proteínas plasmáticas importantes que entram nos sítios inflamatórios,
estão as proteínas do complemento, os anticorpos e os reagentes de fase aguda. A
distribuição de células e proteínas ao sítio inflamatório depende de alterações
reversíveis que ocorrem nos vasos sanguíneos junto ao tecido infectado ou lesado.
Essas alterações incluem fluxo sanguíneo aumentado para o tecido, decorrente de
vasodilatação; aumento da aderência dos leucócitos circulantes ao revestimento
endotelial das vênulas; e
permeabilidade aumentada dos
capilares e vênulas aos fluidos e
proteínas plasmáticas. Todas essas
alterações são induzidas por
citocinas e pequenas moléculas
mediadoras inicialmente derivadas
de células sentinela residentes no
tecido, como mastócitos,
macrófagos, DCs e células
endoteliais, em resposta à
estimulação por PAMPs e DAMPs. À
medida que o processo inflamatório
se desenvolve, os mediadores
podem ser derivados dos leucócitos
recém-chegados e ativados, bem
como de proteínas do
complemento.
A inflamação aguda pode se desenvolver em
questão de minutos a horas e durar dias. A
inflamação crônica é um processo que passa a
assumir o controle a partir da inflamação
aguda, quando a infecção não é eliminada ou
a lesão tecidual é prolongada. Em geral,
envolve o recrutamento e ativação de
monócitos e linfócitos. Os sítios de inflamação
crônica frequentemente também sofrem
remodelamento tecidual, com angiogênese e
fibrose. Embora estímulos imunes inatos
possam contribuir para a inflamação crônica,
também pode haver envolvimento do sistema
imune adaptativo, porque as citocinas
produzidas pelas células T são potentes
indutores de inflamação.
Fonte: Abbas – Capítulo 4
{processos celulares}
Regeneração: se caracteriza pela restituição dos componentes teciduais idênticos
àqueles removidos. Esse tipo de reparo só é possível em tecidos em que ainda
possuem células com a capacidade de se proliferar ou tenham ainda células tronco.
• Tecidos lábeis ou de divisão contínua: as células possuem a capacidade
de se proliferar por toda a vida, substituindo as que estão velhas oudestruídas. Temos como exemplo os epitélios, células da medula óssea
vermelha e tecidos hematopoiéticos.
• Tecidos quiescentes ou estáveis: apensar de possuírem um baixo nível
de replicação, quando submetidos a estímulos para divisão celular são
capazes de regenerar o tecido de origem. O melhor exemplo é o tecido
hepático.
• Tecidos permanentes ou não divisores: são formados por células que
não podem ser submetidas à divisão mitótica devido ao seu grau de
especificidade. Exemplos são os neurônios e as células musculares.
Apesar de o corpo humano possuir tecidos capazes de recuperar células perdidas,
permitindo a capacidade de regeneração do órgão lesionado, o que ocorre em muitos
processos é o crescimento compensatório que envolve a hipertrofia celular e a
hiperplasia. Nesses processos acontece a recuperação da capacidade funcional, mas
sem necessariamente reconstruir a anatomia original.
Os órgãos que possuem essa capacidade de crescimento compensatório são os rins,
o pâncreas, as glândulas adrenais, a tireoide, os pulmões de pacientes jovens e o
fígado. No caso hepático, a regeneração acontece por meio da replicação de células
maduras sem o envolvimento de célula tronco. Os hepatócitos são células
quiescentes que, quando estimuladas por determinadas substâncias, possuem a
capacidade de multiplicação celular. Nesse exemplo, as principais substâncias são as
citocinas e os fatores de crescimento polipeptídeos.
Dessa forma, em uma hepatectomia parcial é possível à restauração hepática, porém
não ocorre um novo crescimento do lobo ressecado na operação. Em vez disso,
acontece o crescimento por aumento dos lobos que permaneceram, caracterizando-
se como crescimento compensatório.
Cicatrização: é uma resposta fibroproliferativa que restaura as estruturas originais,
porém envolve a deposição de colágeno e a formação da cicatriz. Os fatores que
favorecem o processo de cicatrização são a extensão do dano celular, o tipo de tecido
afetado e a intensidade da lesão da matriz extracelular.
O processo de restauração por cicatrização pode ser dividido por etapas:
• Ocorre uma resposta inflamatória à lesão inicial com a intenção de
eliminar o agente nocivo, remover o tecido lesionado e estimular a
deposição de componentes da matriz extracelular.
• Proliferação de fibroblastos e células endoteliais vasculares, formando
o tecido de granulação. (O tecido de granulação tem a aparência rósea,
lisa e granular e se caracteriza pela formação de pequenos novos vasos
sanguíneos e multiplicação de fibroblastos.).
• Com o aumento no número de fibroblastos, ocorre a síntese de matriz
extracelular e deposição de colágeno, formando a cicatriz.
• Então se inicia o processo de remodelação que é o equilíbrio entra
síntese e degradação da matriz extracelular.
Com base nessas etapas, podemos perceber três principais mecanismos do processo
de cicatrização:
• Angiogênese: as células endoteliais são estimuladas a formarem novos
vasos sanguíneos principalmente pelo VEGF (fator de crescimento
endotelial vascular – sigla em inglês) e pela angiopoetina.
• Fibroplasia: a migração e a proliferação de fibroblastos no local da
lesão ocorrem devido à ação dos múltiplos fatores de crescimento,
incluindo TGF-β, PDGF, EGF, FGF e as citocinas IL-1 e TNF.
• Remodelação: é o processo que organiza a cicatriz devido à grande
proliferação celular e à desorganização na produção de matriz
extracelular. A metaloproteínase é a substância responsável por esse
processo e atua na degradação do colágeno.
Pode-se utilizar a cicatrização de uma ferida cutânea como exemplo de um processo
de cicatrização e descrever os fatos gerais da reparação que se observa na maioria
dos tecidos. As feridas cutâneas são classificadas em dois tipos de cicatrização:
primeira intenção e segunda intenção.
Cicatrização por primeira intenção: É um ferimento com margens opostas em que o
espaço incisional é estreito. Melhor exemplo é a cicatrização de uma incisão cirúrgica
limpa e não infectada. Esse processo segue as seguintes etapas cronológicas:
1 - Em 24 horas: neutrófilos aparecem nas margens da ferida, movendo-se em
direção ao coágulo de fibrina e células sanguíneas;
2 - Em 24 a 48 horas: células epiteliais movem-se para fechar a ferida;
3 - No 3º dia: começa a formação do tecido de granulação com o surgimento
de macrófagos no local;
4 - No 5º dia: ponto máximo da neovascularização, o colágeno fica mais
abundante, a epiderme recupera a espessura normal e ocorre a diferenciação
das células epidérmicas;
5 - Na segunda semana: ocorre aumento do colágeno, proliferação de
fibroblastos e regressão dos vasos;
6 - No final do primeiro mês: a cicatriz se encontra coberta por pele intacta,
porém não ocorre a regeneração dos anexos dérmicos.
Cicatrização por segunda intenção: Ocorre quando existe uma grande perda de
células e tecidos, deixando as margens separadas. Esse processo de reparação é mais
complicado, pois a regeneração das células parenquimatosas não pode restaurar
totalmente a arquitetura original.
Além disso, a reação inflamatória é mais intensa devido fato que o coágulo formado
é maior em comparação a feridas com margens opostas. Porém, o que mais se
diferencia no processo de cicatrização de feridas com margens separadas é o
fenômeno de contração da ferida. Esse acontecimento é possível devido à ação de
uma rede de fibroblastos contendo actina na margem da ferida.
*MEC
Adaptação: As células nos tecidos, diante dos variados estímulos (fisiológicos e
patológicos) que recebem, buscam adaptar-se, alterando as suas estruturas, de
modo que a função celular é estimulada ou reduzida ou não alterada, segundo as
circunstâncias que lhe são impostas e a capacidade da célula em se adaptar. O
equilíbrio do meio interno (homeostase) depende de vários fatores tróficos
simultâneos, a saber: 1) Integridade do genoma, 2) Disponibilidade de substratos para
o metabolismo celular e da integridade das vias de síntese (anabolismo) e
degradação (catabolismo), 3) Interação das células entre si e com os componentes
da matriz extracelular (MEC) produzidos pelas células e os 4) Graus de diferenciação
e de especialização celulares.
A capacidade de uma dada célula em se adaptar às condições que lhe são impostas
depende do tipo de estímulo, sua intensidade, duração e dos graus de diferenciação
e especialização celulares. Usualmente as células adaptam-se por diferentes
alterações celulares, que repercutem nos tecidos e órgãos, a saber, hiperplasia,
hipoplasia, hipertrofia, hipotrofia, atrofia, metaplasia e acúmulos intracelulares.
• Hiperplasia: É o aumento no número de células (proliferação) em um
tecido ou órgão [o qual também pode mostrar aumento de volume (=
hipertrofia), ou de parte do corpo. Pode ser fisiológica (ex.: pela ação
hormonal na mama durante a lactação, e no útero durante a gravidez;
compensatória como a que se dá na regeneração hepática, após
hepatectomia parcial; a hiperplasia renal contralateral, após
nefrectomia; a hiperplasia pulmonar, após retirada de segmentos ou
lobo pulmonares, etc.) ou patológica (ex.: por excesso de estímulo
hormonal ou por fatores de crescimento, como a hiperplasia
endometrial pela ação do estrogênio; a das adrenais na Síndrome de
Cushing; a da tireoide no hipertireoidismo; a das paratireoides no
hiperparatireoidismo secundário; a hiperplasia linfoide secundária às
infecções, entre outras causas).
• Hipoplasia: É a diminuição da população celular de um tecido, órgão ou
parte do corpo. Pode ser fisiológica (ex.: involução do timo na
puberdade e das gônadas no climatério; dos órgãos no
envelhecimento por aumento da apoptose, etc.), ou patológica (ex.:
anemias hipoplásicas por hipoplasia da medula óssea, devido aos
agentes tóxicos e infecções; hipoplasias pulmonar ou renal durante a
embriogênese; hipoplasia linfoide na AIDS; hipoplasia do timo nas
crianças com doenças crônicas, desnutridas,etc.).
• Hipertrofia: É o aumento do tamanho das células e,
consequentemente, dos órgãos, e de parte do corpo. As células
hipertróficas têm aumento na síntese de suas estruturas subcelulares
(organelas, citoesqueleto, etc.). Pode ser fisiológica, como por
aumento na demanda funcional vista na hipertrofia muscular estriada
esquelética no exercício físico; por estímulo hormonal, como a
hipertrofia e a hiperplasia das fibras musculares lisas do útero durante
a gravidez; a hipertrofia secundária à hiperplasia mamária durante a
lactação; ou patológica, como a hipertrofia cardíaca devido à
sobrecarga de pressão na hipertensão arterial ou na estenose valvar; a
hipertrofia do rim na hidronefrose, etc.
• Hipotrofia, Atrofia: É a redução quantitativa dos componentes
estruturais celulares, com diminuição do volume das células e dos
órgãos (dependendo do número de células envolvidas) ou de parte do
corpo. Muitas vezes é também acompanhada de redução no número
de células. Em geral há aumento da degradação das proteínas
celulares. Diz-se atrofia quando a redução é acentuada. Pode ser
fisiológica, como a que se dá no desenvolvimento embrionário (atrofia
da notocorda; do ducto tireoglosso); a redução uterina no puerpério,
etc., ou patológica por: desuso; desnervação (atrofia muscular);
redução do fluxo sanguíneo (isquemia); desnutrição proteico-calórica
acentuada (marasmo); hipotrofia/atrofia do timo nas crianças com
doenças crônicas, desnutrição; redução do estímulo hormonal;
senilidade (por redução do metabolismo e da proliferação celulares);
pressão (compressão extrínseca, a hipotrofia do endométrio por
leiomioma submucoso, ou aumento da pressão intrínseca, hipotrofia
do tecido nervoso cerebral na hidrocefalia; a hipotrofia do parênquima
renal na hidronefrose), etc.
• Metaplasia: É a alteração reversível onde um tipo de célula adulta,
epitelial ou mesenquimal, é substituída por outro tipo de célula adulta.
Por exemplo: 1. nos fumantes, a substituição do epitélio
pseudoestratificado cilíndrico ciliado da mucosa brônquica por epitélio
estratificado escamoso (metaplasia escamosa); a metaplasia
escamosa na endocérvice do colo uterino; a metaplasia intestinal na
mucosa gástrica devido à gastrite crônica, ou na mucosa do esôfago
devido ao refluxo crônico gástrico-esofágico; 2. ao surgimento de
tecido conjuntivo cartilaginoso, ósseo, adiposo ou de células
hematopoiéticas em órgãos, que normalmente não os possuem, como
o tecido adiposo intralinfonodos inguinais, mesentéricos e ilíacos
laterais; o tecido ósseo que surge em áreas com calcificação distrófica,
como em cicatriz cirúrgica na derme, a observada no endométrio e a
encontrada no pilomatricoma (neoplasia benigna da pele, que se
origina de células primitivas basais da epiderme, que se diferenciam em
células da matriz do pelo); a metaplasia hematopoiética hepática nas
anemias graves, nos rins displásicos císticos, etc.
Degenerações: São lesões ou alterações bioquímicas, que levam ao acúmulo de
substâncias químicas no interstício ou no interior das células, podendo ser:
• Hidrópica: água e eletrólitos.
• Hialina: material proteico e acidófilo (condensação de filamentos
intermediários e proteínas associadas; proteínas virais; proteínas
endocitadas; desintegração de microfilamentos; insudação de
proteínas do plasma etc.).
• Mucoide: glicoproteínas (mucinas) (células mucíparas dos tratos
gastrointestinal e respiratório; síntese exagerada por células
neoplásicas de adenomas e adenocarcinomas).
• Esteatose: glicerídeos (no fígado; túbulo renal; miocárdio; fibra
muscular estriada esquelética e adrenal).
• Erros inatos do metabolismo: lipidoses; glicogenoses;
mucopolissacaridoses.
Quando a capacidade de uma dada célula em se adaptar ultrapassa
o seu limiar, a célula passa a apresentar alterações estruturais, que
caracterizam a lesão reversível. Da fase de lesão reversível, a célula
passará a apresentar as alterações de lesão irreversível, que
culminarão na morte celular, mais ou menos rapidamente,
dependendo do tipo de célula envolvida, e do tipo, duração e a
intensidade do estímulo (estresse patológico).
A lesão celular pode ser causada por:
• Hipoxia / isquemia / reperfusão.
• Agentes físicos, químicos, infecciosos e parasitários.
• Reações inflamatórias e imunológicas.
• Defeitos genéticos.
• Distúrbios nutricionais.
Em suma, a lesão celular depende do: tipo, intensidade e duração do
estímulo X adaptabilidade celular.
A lesão celular é desencadeada bioquimicamente por:
• Redução da síntese de Adenosina Trifosfato (ATP)
(importante no transporte nas membranas, síntese de
proteínas, lipogênese, renovação dos fosfolipídios,
etc.).
• Aumento da liberação de espécies reativas e de
radicais livres do oxigênio (causa danos em: lipídeos
[peroxidação], proteínas [peroxidação] e ácido
nucléico).
• Aumento da concentração do sódio intracelular e perda de potássio.
• Aumento da concentração do cálcio intracelular, no citosol,
proveniente do retículo endoplasmático liso e da mitocôndria
(aumentando a atividade de fosfolipases, proteases, ATPases e
endonucleases).
• Alteração da permeabilidade das membranas citoplasmática e das
organelas.
• Dano mitocondrial irreversível (poros de permeabilidade): cessa a
fosforilação oxidativa (respiração).
• Perda da Integridade do genoma pela ação de desoxirribonucleases,
radicais livres, etc.
Morte: A morte celular pode ser por: necrose; necroptose; apoptose/anoikis;
autofagia; paraptose; metuose; entose; piroptose; catástrofe mitótica; corneificação;
morte neuronal excitotóxica; degeneração walleriana; NETose/apoNETose;
partanatos; ferroptose e eriptose.
Fonte:
http://www2.ufac.br/geralpat/tecido-de-renovacao-e-reparacao-regeneracao-e-
cicatrizacao
http://patologia.medicina.ufrj.br/index.php/histopatologia-geral/397-
anotacoes-teoricas/anotacoes-sobre-adaptacao-lesao-e-morte-
celulares
{pinocitose e fagocitose}
Ingestão pela célula – endocitose: Para uma célula viver e se reproduzir ela tem de
obter nutrientes e outras substância dos líquidos ao seu redor. A maioria das
substâncias passa através da membrana celular por difusão e por transporte ativo.
Partículas muito grandes entram na célula por meio de função especializada na
membrana celular, chamada endocitose. As principais formas de endocitose são
pinocitose e fagocitose. Pinocitose significa a ingestão de minúsculas partículas que
formam vesículas de líquido extracelular e por componentes particulados no interior
do citoplasma da célula. Fagocitose significa a ingestão de grandes partículas, tais
como bactérias, células inteiras ou partes de tecido em degeneração.
Pinocitose: ocorre continuamente nas membranas
celulares na maioria das células, mas é
especialmente rápida em algumas delas. Por
exemplo, ela ocorre tão rapidamente em
macrófagos que cerca de 3% da membrana total do
macrófago são engolfados, na forma de vesículas,
a cada minuto. Mesmo assim, as vesículas
pinocitóticas são muito pequenas – normalmente
apenas 100 a 200 nanômetros de diâmetro.
Na pinocitose acontece a internalização de
moléculas e líquidos extracelulares. A membrana
plasmática se invagina, e então, destaca-se formando a vesícula endocítica, que
contém o material endocitado. Essa vesícula transfere os conteúdos internalizados
para outras vesículas especializadas denominados endossomos e estes para os
lisossomos, onde serão digeridas.
As moléculas, em geral, se ligam a receptores de proteínas especializados, na
superfície da membrana, que são específicas para o tipo de proteína que será
absorvido. Os receptores, na maioria das vezes, estão concentrados em pequenas
http://www2.ufac.br/geralpat/tecido-de-renovacao-e-reparacao-regeneracao-e-cicatrizacao
http://www2.ufac.br/geralpat/tecido-de-renovacao-e-reparacao-regeneracao-e-cicatrizacao
http://patologia.medicina.ufrj.br/index.php/histopatologia-geral/397-anotacoes-teoricas/anotacoes-sobre-adaptacao-lesao-e-morte-celulareshttp://patologia.medicina.ufrj.br/index.php/histopatologia-geral/397-anotacoes-teoricas/anotacoes-sobre-adaptacao-lesao-e-morte-celulares
http://patologia.medicina.ufrj.br/index.php/histopatologia-geral/397-anotacoes-teoricas/anotacoes-sobre-adaptacao-lesao-e-morte-celulares
concavidades na superfície externa da membrana celular, chamadas cavidades
revestidas. Na face interna da membrana celular, abaixo dessas cavidades, há uma
malha de proteínas fibrilares, chamada clatrina, bem como outras proteínas,
incluindo talvez filamentos contráteis de actina e miosina. Uma vez que as moléculas
de proteína se unem aos receptores, as propriedades da superfície da membrana
local se alteram de tal forma que ocorre invaginação, e as proteínas fibrilares, ao
redor da abertura da cavidade em invaginação, fazem com que suas bordas se
fechem sobre as proteínas ligadas aos receptores, engolfando também pequena
quantidade de líquido extracelular. Imediatamente, a parte invaginada da membrana
se destaca da superfície da célula, formando uma vesícula pinocitótica, no citoplasma
da célula.
O que faz com que a membrana celular passe pelas deformações necessárias, para
formar as vesículas pinocitóticas, ainda é incerto. Esse processo requer energia do
interior da célula suprida pelo ATP, substância de alta energia. Este processo requer
também a presença de íons cálcio no líquido extracelular que provavelmente reagem
com os filamentos de proteína contráteis abaixo das cavidades revestidas, para gerar
a força para destacar as vesículas da membrana celular.
Fagocitose: ocorre de forma muito parecida com a pinocitose, mas envolve partículas
grandes ao invés de moléculas. Apenas certas células têm a capacidade da fagocitose,
principalmente os macrófagos dos tecidos e alguns leucócitos.
A fagocitose se inicia quando uma partícula, tal como uma bactéria, uma célula morta,
ou restos de tecido, se liga a receptores na superfície do fagócito. No caso das
bactérias, cada uma geralmente está ligada a um anticorpo específico, que é o
anticorpo que se liga aos receptores do fagócito, arrastando a bactéria com ele. Essa
intermediação de anticorpos é chamada opsonização.
A fagocitose ocorre segundo os seguintes passos:
• Os receptores da membrana celular se aderem aos ligantes da
superfície da partícula.
• As bordas da membrana, ao redor dos pontos de ligação, evaginam em
fração de segundo para envolver
toda a partícula; então,
progressivamente, mais e mais
receptores da membrana se unem
aos ligantes da partícula. Tudo isso
ocorre repentinamente, como um
zíper, para formar a vesícula
fagocítica fechada.
• A actina e outras fibrilas contráteis,
no citoplasma, envolvem a vesícula
fagocítica e se contraem ao redor de
sua borda externa, empurrando a
vesícula para o interior.
• As proteínas contráteis então fecham a abertura da vesícula tão
completamente que ela se separa da membrana celular, deixando a
vesícula no interior da célula, da mesma maneira como as vesículas
pinocitóticas são formadas.
Apoptose: Os 100 trilhões de células do corpo são membros de uma comunidade
altamente organizada, na qual o número total de células é regulado, não apenas pelo
controle da intensidade da divisão celular, mas também pelo controle da intensidade
da morte celular. Quando as células não são mais necessárias ou se tornam ameaça
para o organismo, elas cometem algo como suicídio, que é a morte celular
programada ou apoptose. Esse processo envolve cascata proteolítica específica que
faz com que a célula murche e condense, desmontando seu citoesqueleto e alterando
sua superfície celular de forma que célula fagocítica ao seu redor, um macrófago, por
exemplo, possa aderir à membrana celular e digerir a célula.
Em contraste com a morte programada, as células que morrem em consequência de
uma lesão aguda geralmente incham e se rompem, devido à perda de integridade da
membrana celular, processo chamado necrose celular. As células necróticas
espalham seu conteúdo, causando inflamação e lesão das células ao seu redor. A
apoptose, entretanto, é a morte ordenada da célula que resulta da desmontagem e
fagocitose da célula antes que ocorra qualquer vazamento de seu conteúdo, e as
células ao redor normalmente permanecem saudáveis.
Fonte: Guyton – Capítulo 2 e 3.
https://www.ufrgs.br/biologiacelularatlas/memb4.htm
http://www.nuepe.ufpr.br/portal/?page_id=6822
https://www.ufrgs.br/biologiacelularatlas/memb4.htm
http://www.nuepe.ufpr.br/portal/?page_id=6822
{anticorpos}
Os anticorpos, também chamados de imunoglobulinas (gama globulinas) são
proteínas específicas produzidas por plasmócitos (células provenientes de linfócitos
B) que tem como função defender o organismo. Portanto, esses reagem contra
diversos tipos de antígenos. Os anticorpos podem se apresentar de duas formas:
ligados a membrana celular ou solúveis no sangue. São formados por duas cadeias
maiores (cadeias pesadas, H, heavy) e duas cadeias menores (cadeias leves, L, light).
A cadeia leve se liga a cadeia pesada por pontes dissulfeto. Além disso, apresentam
regiões variáveis e constantes. As regiões variáveis são responsáveis por determinar
a especificidade aos diferentes antígenos. Já a região constante é altamente
conservada e, assim, determina as diferentes classes de anticorpos.
A molécula de anticorpo se divide ainda em duas regiões: região Fab (Fab, Fragment
Antigen Binding), e a região Fc (Fc, Fragmento cristalizável). A região Fab é
responsável pela ligação ao antígeno, enquanto que a região Fc é responsável por
determinar a função do anticorpo.
Os anticorpos têm como principais funções neutralizar e eliminar toxinas microbianas
e microrganismos patogênicos, e para isso, estão envolvidos com diversos processos:
neutralização, opsonização, fagocitose, citotoxicidade (destruição das células
infectadas), inflamação, lise e a ativação do sistema complemento. Vale mencionar
que constituintes que participam da resposta imune inata trabalham de forma
integrada com a imunidade humoral a fim de propiciar a defesa do indivíduo, como
por exemplo, com os fagócitos, eosinófilos e com proteínas do sistema
complemento.
Os linfócitos B têm a capacidade de produzir diferentes subtipos imunoglobulinas
(Ig). Inicialmente, essas células produzem anticorpos com um número limitado de
especificidades, denominadas de anticorpos naturais, que são específicos para
moléculas de carboidrato ou lipídeos, porém não para proteínas. Além disso, as
moléculas de anticorpos podem ser divididas em classes (isótipos) e subclasses com
base nas diferenças estruturais de suas regiões Fc. Os isótipos de anticorpos são
conhecidos como: IgA, IgD, IgE, IgG e IgM. Nos seres humanos, os isótipos IgA e IgG
podem ser podem ser divididos em subclasses: IgA1 e IgA2; IgG1, IgG2, IgG3 e IgG4.
O antígeno é uma substância que pode se ligar a um anticorpo ou ser reconhecido
por receptores de linfócitos T. Cada anticorpo tem uma região de ligação de antígeno,
que por ser muito pequena, não reconhece toda a macromolécula, apenas uma parte
dela. Esta região é chamada determinante, ou epítopo. As macromoléculas podem
conter muitos epítopos e cada um pode se ligar a anticorpos diferentes. Quando
estes epítopos são repetidos temos uma polivalência.
O reconhecimento do antígeno pelo anticorpo é feito por uma ligação não covalente
e reversível. A força de ligação entre um sítio de combinação e um antígeno é
chamada afinidade. A região de dobradiça do anticorpo permite flexibilidade,
possibilitando que um único anticorpo se ligue a vários antígenos dependendo do
tipo de anticorpo (IgG, IgE, IgM).
Outra propriedade da ligação antígeno-anticorpo é a avidez, que é a interação de
todos os sítios a todos os epítetos disponíveis. Existem certas características quanto
ao reconhecimento dos antígenos pelos anticorpos. É a especificidade que determina
que os anticorpos sejam muito específicospara determinado antígeno. E a
diversidade garante que o ser humano seja capaz de produzir mais que 1011 tipos de
anticorpos estruturalmente diferentes.
Fonte:
https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5438376/mod_resource/content
/0/Resumo%20-
%20Anticorpo%2C%20estrutura%2C%20fun%C3%A7%C3%A3o%20e%20ap
lica%C3%A7%C3%B5es.pdf
https://www.fcav.unesp.br/Home/departamentos/patologia/HELIOJOSE
MONTASSIER/anticorpos-e-imunoglobulinas-7-mar-19-18.pdf
https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5438376/mod_resource/content/0/Resumo%20-%20Anticorpo%2C%20estrutura%2C%20fun%C3%A7%C3%A3o%20e%20aplica%C3%A7%C3%B5es.pdf
https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5438376/mod_resource/content/0/Resumo%20-%20Anticorpo%2C%20estrutura%2C%20fun%C3%A7%C3%A3o%20e%20aplica%C3%A7%C3%B5es.pdf
https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5438376/mod_resource/content/0/Resumo%20-%20Anticorpo%2C%20estrutura%2C%20fun%C3%A7%C3%A3o%20e%20aplica%C3%A7%C3%B5es.pdf
https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5438376/mod_resource/content/0/Resumo%20-%20Anticorpo%2C%20estrutura%2C%20fun%C3%A7%C3%A3o%20e%20aplica%C3%A7%C3%B5es.pdf
https://www.fcav.unesp.br/Home/departamentos/patologia/HELIOJOSEMONTASSIER/anticorpos-e-imunoglobulinas-7-mar-19-18.pdf
https://www.fcav.unesp.br/Home/departamentos/patologia/HELIOJOSEMONTASSIER/anticorpos-e-imunoglobulinas-7-mar-19-18.pdf
{doença autoimune}
Tolerância imunológica: é o estado de não-resposta a um determinado antígeno
específico (autoantígenos) – Antígenos estranhos podem ser administrados de
maneira que induzam preferencialmente a tolerância, em vez de respostas
imunológicas.
Autoimunidade: é uma reação imune contra antígenos próprios devido a falha nos
mecanismos de autotolerância (linfócitos autoreativos e autoanticorpos) – Os
fatores que contribuem para o desenvolvimento da autoimunidade são a
suscetibilidade genética e os desencadeadores ambientais, como infecções e lesão
tecidual local.
Doenças autoimunes: é um conjunto de doenças desencadeadas por uma resposta
autoimune patológica contra autoantígenos – As doenças autoimunes podem ser
sistêmicas ou órgão-específicas, dependendo da distribuição dos autoantígenos que
são reconhecidos.
Vários mecanismos efetores são responsáveis pela lesão tecidual em diferentes
doenças autoimunes. Esses mecanismos incluem imunocomplexos, autoanticorpos
circulantes e linfócitos T autorreativos. As
características clínicas e patológicas da
doença geralmente são determinadas pela
natureza da resposta autoimune dominante.
Doenças autoimunes tendem a ser crônicas,
progressivas e de autoperpetuação – As
razões para essas características são que os
autoantígenos que desencadeiam essas
reações são persistentes e, uma vez que a
resposta imunológica se inicia, muitos
mecanismos de amplificação são ativados e
perpetuam essa resposta. Adicionalmente,
uma resposta iniciada contra um
autoantígeno que lesiona tecidos pode
resultar na liberação e alteração de outros
antígenos teciduais, na ativação de linfócitos
específicos para esses outros antígenos e na
exacerbação da doença. Esse fenômeno,
conhecido como propagação do epítopo,
pode explicar por que, uma vez
desenvolvida a doença autoimune, esta
pode se tornar prolongada e se
autoperpetuar.
Dentre os mecanismos celulares e moleculares associados a doenças autoimunes o
mais simples é a mimetização de antígenos exógenos com moléculas endógenas, que
causam confusão no momento de apresentação de antígenos aos linfócitos B.
Outro fator importante na patogênese da autoimunidade é o comprometimento dos
mecanismos de proteção contra a autoimunidade que inclui 1) deleção (remoção de
linfócitos T autareativos por apoptose no timo durante a maturação), 2) anergia (não
responsividade do sistema imune a células apresentadores de autoantígenos,
evitando o desenvolvimento de uma resposta humoral) e 3) supressão (repressão
dos linfócitos auto-reativos por citocinas produzidas por outros linfócitos).
Em estados de leucopenia, o mecanismo de supressão e anergia são reduzidos e a
produção de linfócitos autoreativos não é sujeita a controle adequado mediado por
células imunológicas normais, sendo esta uma condição precursora muito comum no
desenvolvimento de autoimunidade. Além dos linfócitos T, as células NK também
podem induzir autoimunidade por intermédio dos receptores de membrana
denominados TOLL-like, cuja função é reconhecer patógenos intracelulares e
apresentar epítopos destes patógenos aos linfócitos B para iniciar uma resposta
humoral, podendo a apresentação de um autoantígeno ocorrer por engano pelos
receptores TOLL-like e iniciar um processo autoimune, assim como a produção
excessiva de moléculas inflamatórias e citocinas como interferon gama (INFɣ), que
aumentam a expressão do gene (complexo de histocompatibilidade (MHC) tipo II e
consequentemente aumentam a sensibilidade de linfócitos T autoreativos.
Fatores desencadeantes: As desordens autoimunes compõem um grupo
heterogêneo de doenças, cuja as causas não são totalmente compreendidas,
envolvendo a interação de inúmeros fatores que regulam importantes vias
moleculares e celulares do organismo e seu sistema imune que, quando
comprometidas resultam na falha pelo organismo em sustentar tolerância às suas
próprias moléculas em decorrência de fatores que incluem variantes como a
genética, status hormonal, exposição a xenobióticos, patógenos, variáveis
epigenéticas – relação da interação dos fatores genéticos com os fatores ambientais,
dieta e estresse.
Diversos estudos comprovam a existência de uma relação peculiar e bidirecional
entre os sistemas nervoso e imunológico de tal forma que, distúrbios psicológicos
que acompanham o estresse e depressão acarretam diversas disfunções no sistema
imunológico, e vice-versa. A ação do sistema nervoso autônomo, através da
produção de catecolaminas e pela mediação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, se
mostra decisiva sobre o sistema imune. No estresse, há um aumento da secreção de
noradrenalina e glicocorticoides na corrente sanguínea, sendo estes os causadores
das alterações ocorridas no sistema imune e nos sistemas cardiovascular,
gastrointestinal e no metabolismo. No sistema imunológico, o estresse é responsável
pela imunossupressão, levando a um aumento da ocorrência de doenças infecciosas,
manifestação de doenças autoimunes e aumento do desenvolvimento e progressão
de neoplasias.
No que diz respeito a fatores bioquímicos relacionados a autoimunidade, é sugerido
que mulheres são mais propensas a desenvolverem doenças autoimunes do que
homens devido as diferenças hormonais entre os sexos, podendo tal diferença ser
acentuada em intervenções contraceptivas e de reposição hormonal terapêutica que
por sua vez influenciam na expressão e regulação de receptores de estrógenos em
macrófagos e linfócito T e B, que quando ativados também influenciam na
sensibilidade a apoptose e na expressão de moléculas de adesão e citocinas.
Acredita-se também que os hormônios do estresse possuem influência supressora
sob o sistema imune e relação psicológica direta com a etiologia e patogênese das
doenças autoimunes, considerando que leucopenia é uma condição precursora de
autoimunidade muito comum.
O envelhecimento, em si, como processo biológico natural também contribui para a
etiologia e patogênese da autoimunidade, em consequência do aumento da
concentração de espécies reativas de oxigênio no organismo e modificações nos
telômeros de todas as células que o compõem, resultando em alterações
cromossômicas que podem afetar diretamente os genes MHC que passam a
expressar epítopos desconhecidos ao sistema imune.
Anti-inflamatórios (Corticoides): Os fármacos anti-inflamatórios podem ser divididos,
de forma conveniente, em grandes grupos:
• Fármacos que inibem a enzima ciclo-oxigenase (COX) – os anti-
inflamatórios não esteroides (AINE) e os coxibes
• Fármacos antirreumáticos