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Excelentíssima Senhora Desembargadora Federal MARGA INGE BARTH TESSLSER 
 
DD. Relatora da Apelação Cível n. 5009831-73.2017.404.7200 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 O Ministério Público Federal, por seu representante infra-firmado, vem mui 
respeitosamente à sua presença para opor os presentes 
 
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO 
 
em face do v. acórdão do evento 33, destes autos, haja vista as obscuridades, 
contradições e omissões adiante indicadas, solicitando o seu esclarecimento. 
 
 
1. Breve síntese da demanda e do julgamento 
 
 
 Em sua origem, trata-se de ação de improbidade administrativa, em que se 
imputava a JONNY LEMOS PACHECO a prática de atos de improbidade administrativa – 
que seriam tipificados pelos arts. 9º, inc. IV e 11, inc. I, da Lei 8.429/92. Isso porque teria 
ele, na condição de Policial Rodoviário Federal, praticado crime de roubo à mão armada, 
valendo-se de sistema de dados internos da Polícia Rodoviária Federal. 
 
 Julgada procedente a demanda, sobreveio apelação do réu. O referido recurso foi 
provido por essa c. Turma, em acórdão que recebeu a seguinte ementa: 
 
ADMINISTRATIVO. AÇÃO POR ATO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. 
LEI 8.429/92 NA REDAÇÃO DA LEI 14.230/21. POLICIAL RODOVIÁRIO 
FEDERAL. CRIME DE ROUBO. UTILIZAÇÃO DE SISTEMA INTERNO DA PRF. 
ATIPICIDADE DA CONDUTA. PRESCRIÇÃO RECONHECIDA. 
 
1. O caso dos autos trata de suposta conduta ímproba perpretada 
por Policial Rodoviário Federal, consistente em um crime de 
roubo à mão armada, utilizando o sistema de dados interno à 
PRF. 
 
2. Tratando-se de efetiva parte do direito sancionador (salvo 
o exposto no art. 17, caput, na redação da Lei 14.230/21), a 
solução para os processos em curso enseja a retroatividade da 
novel legislação nas hipóteses benéficas ao réu, valendo-se do 
Princípio da Retroatividade Benéfica (art. 5.º, caput, XL, da 
Constituição Federal). 
 
3. Considerando (a) a ausência de recurso ministerial; (b) a 
revogação do inciso I do art. 11 da LIA; (c) a previsão de 
lista taxativa das hipóteses para a constituição de ato de 
improbidade que atenta contra os princípios da administração 
pública (art. 11 da LIA); e (d) a aplicação do princípio da 
retroatividade benéfica, não há como prosseguir com a demanda, 
revelando-se atípica, sob os ditames da Lei 8.429/92, na 
redação dada pela Lei 14.230/21, a conduta imputada na petição 
inicial para o demandado. Acaso prossiga esta ação, reputa-se 
prescrita, consoante o art. 23 da LIA. 
 
4. A prescrição é matéria de ordem pública que pode ser 
examinada e revista a qualquer tempo e em qualquer grau de 
jurisdição, até mesmo de ofício e ainda que não tenha sido 
ventilada pelas partes. 
 
5. A atual regra referente à prescrição em ações de improbidade 
estabelece o prazo de 08 (oito) anos, contados a partir da 
ocorrência do fato ou, no caso de infrações permanentes, do 
dia em que cessou a permanência. O prazo prescricional 
aplicável é, portanto, de 08 (oito) anos, o qual se interrompe 
nas hipóteses elencadas no §4º do art. 23 da referida Lei, 
recomeçando a correr do dia da interrupção, pela metade daquele 
prazo, ou seja, 04 (quatro) anos. 
 
6. É possível verificar que entre o ajuizamento da ação e a 
publicação da sentença condenatória houve o transcurso de mais 
de 04 (quatro) anos, ao que reputo implementada a prescrição 
da pretensão sancionatória estatal. 
 
7. Reformada a sentença. 
 
 Com o mais elevado respeito, não se pode aceitar o julgamento em apreço. Seja 
porque essa c. Corte entendeu por dar aplicação retroativa a lei nova, inclusive no campo 
processual, seja porque desconsidera a remessa necessária existente na época do envio 
destes autos a esse r. Tribunal, seja porque o julgamento omite-se em apreciar diversas 
outras questões devidamente trazidas aos autos, tem-se que o v. acórdão precisa ser 
explicitado. Daí a razão dos presentes embargos de declaração. 
 
 
2. Preliminarmente. A omissão em apreciar o requerimento feito pelo Ministério 
Público no evento 14 
 
 
 Antes de qualquer outra questão, é importante salientar que, ao manifestar-se a 
respeito da aplicação retroativa da Lei 14.230/21 (evento 14), a par de apresentar 
diversos argumentos conforme os quais a lei nova jamais favoreceria a situação do réu, 
formulou expresso requerimento subsidiário. 
 
 Argumentava o Parquet federal que, ainda que se cogitasse da aplicação da lei 
nova ao caso, seria um completo absurdo imaginar que o comportamento ilegal do réu – 
mais que isso, o comportamento criminoso do réu!!! – fosse convolado em um 
comportamento lícito e probo. 
 
 Por isso, considerando que a ilicitude do comportamento ainda estaria evidente, 
caso se imaginasse pela aplicação retroativa da lei nova, seria de se dar vazão ao contido 
nos arts. 17, § 16 e 17-D, parágrafo único, da LIA em sua nova redação, permitindo seja 
a conversão da ação de improbidade em ação civil pública, seja a apresentação de 
proposta de autocomposição no caso presente. 
 
 Tais requerimentos, no entanto, não foram sequer apreciados por essa c. Corte. 
 
 Assim, diante do expresso requerimento que não foi apreciado, requer-se desde 
já seja suprida essa omissão, de sorte que o mencionado pedido seja objeto de 
apreciação por esse r. Tribunal. 
 
 
3. A omissão do v. acórdão em apreciar adequadamente o problema da 
(ir)retroatividade da Lei 14.230/21 
 
 
 De outra banda, observa-se que o r. acórdão, de modo muito breve, conclui pela 
aplicação retroativa da lei nova (supostamente mais benéfica), entendendo que o caso 
reclama a aplicação do princípio do direito penal da retroatividade da lei nova mais 
favorável. Para tanto, o r. acórdão defende a conclusão por essa aplicação analógica do 
princípio, apoiando-se em um acórdão do Superior Tribunal de Justiça (REsp 
1.129.121/GO). Diz, basicamente: 
 
“Pois bem. Enquanto aguardava o julgamento destes aclaratórios, 
sobreveio a Lei 14.230/2021, alterando a Lei 8.429/92, o que, 
integrando a responsabilização por atos de improbidade 
administrativa ao nominado "direito administrativo 
sancionador", permite, salvo melhor juízo, a aplicabilidade de 
princípios e garantias ínsitos do direito penal (ou às sanções 
decorrentes da prática de ilícitos penais). 
 
E nesse aspecto, tratando-se de efetiva parte do direito 
sancionador (salvo o exposto no art. 17, caput, na redação da 
Lei 14.230/21), a solução para os processos em curso enseja a 
retroatividade da novel legislação nas hipóteses benéficas ao 
réu, valendo-se do Princípio da Retroatividade Benéfica (art. 
5.º, caput, XL, da Constituição Federal).” 
 
 Cita ainda, ao lado do acórdão antes mencionado, entendimento do Supremo 
Tribunal Federal, proferido pela 2ª Turma daquele Pretório Excelso, mas que trata de 
outra questão: os efeitos para a ação de improbidade administrativa do reconhecimento 
da negativa de autoria no campo penal. 
 
 No que diz respeito ao aspecto processual, o r. acórdão se limita a afirmar o 
seguinte: 
 
“Já com relação às normas de natureza processual, é certo que 
têm aplicação imediata da atual Lei de Improbidade 
Administrativa aos processos em curso.” 
 
 Com a mais alta vênia, a justificativa apresentada para a retroatividade das novas 
regras (materiais) de improbidade administrativa é superficial e não observa a manifesta 
inconstitucionalidade na lei nova, a existência de entendimentos diversos, mesmo no 
âmbito das Cortes Superiores a respeito da irretroatividade do direito sancionador. Por 
isso, o r. acórdão é obscuro e omisso, merecendo ser corrigido. 
 
 Com efeito, o Parquet federal apontava, na manifestação do evento 14, para a 
existência da Orientação 12/2021, da 5ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF, que 
de forma profunda aponta as razões pelas quais não se pode admitir a retroatividade da 
Lei 14.230/21. Diz a referida orientação normativa: 
 
“01) O artigo 37 - §4º da CF, ao tutelar a probidade 
administrativa, impede a retroatividade automática de novasnormas mais benéficas como vedação ao retrocesso no 
enfrentamento de condutas ímprobas ou práticas corruptivas; 
portanto, ainda que a lei regule a retroatividade, é necessário 
juízo sobre a persistência da conduta ilícita no ordenamento 
jurídico como atentatória ao princípio da moralidade 
administrativa. 
02) Quando a lei nada dispõe sobre a retroatividade – como a 
Lei 14.230/2021 –, a alteração de tipos gerais e especiais 
exige igualmente este juízo sobre a continuidade típica do 
ilícito, seja na própria Lei 8.429, seja à luz do artigo 37 - 
§4º da CF. 
03) Além da expressa previsão legal e da análise da 
continuidade típica, a retroatividade será vedada quando as 
complexas modificações legislativas nos elementos do sistema 
de responsabilização ocasionarem a reformulação de tipos e 
sanções – como a Lei 14.230/2021 –, de forma que não é dado ao 
Poder Judiciário optar pela aplicação híbrida de regimes 
disciplinares apenas para beneficiar os infratores, sob pena 
de se usurpar atribuição do Poder Legislativo. Nesta hipótese, 
o Poder Judiciário deverá aplicar o sistema reconfigurado 
somente a partir da entrada em vigor das modificações feitas 
pela lei.” 
 
 Também Ricardo de Barros Leonel alerta para os graves riscos da imaginada 
aplicação retroativa do novo regime de improbidade. Como disserta o professor da USP: 
 
“Note-se: a sentença de improcedência por atipicidade 
superveniente, além de se pautar (erroneamente) na aplicação 
retroativa da "lei penal" mais benéfica (em caso que de lei 
penal não trata), se traduzirá em certificação da legalidade 
de conduta de agente público (que na verdade era ilegal). 
 
O agente beneficiado com a improcedência, punido 
administrativamente com a perda do cargo em processo 
disciplinar (prática de falta funcional tipificada como 
improbidade), pleiteará e alcançará reintegração no cargo, com 
recebimento de "atrasados" do período em que esteve 
desvinculado do serviço público. 
 
Duplo benefício. Primeiro, ao não ser punido. Segundo, ao ser 
reintegrado e receber "pagamentos" sem ter trabalhado. 
 
Tal resultado contraria o senso comum, até mesmo num país como 
o nosso, em que as incongruências são tantas que, por vezes, 
parecem não mais enrubescer as faces daqueles que as 
protagonizam.” (LEONEL, Ricardo de Barros. Nova lei de 
improbidade: atipicidade, prescrição e direito superveniente. 
Disponível em https://www.conjur.com.br/2021-nov-29/leonel-
lia-atipicidade-prescricao-direito-superveniente) 
 
 Logo, não apenas em razão das consequências perniciosas decorrentes dessa 
interpretação – aspecto altamente relevante perante o direito atual (art. 21, da Lei de 
Introdução às Normas do Direito Brasileiro) – mas também porque não há cabimento na 
aplicação retroativa da norma em comento, que deixa a descoberto o sistema de 
proteção à probidade administrativa, de assento constitucional, não há justificativa para 
pretender fazer retroagir o regime novo a casos antigos. 
 
 Não bastassem esses argumentos, especificamente com relação ao tema da 
prescrição, convém ainda mencionar a Nota Técnica n. 1/2021, apresentada pela 5ª 
Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal. Como esclarece a nota, 
se a prescrição atinge a pretensão, e se esta já foi exercida, não há a menor razoabilidade 
em supor a retroatividade da lei nova, para atingir atos já praticados (o ajuizamento da 
ação). Com efeito, bem pondera a nota: 
 
“210. Integrando o Direito Administrativo Sancionador, as 
sanções por improbidade administrativa são prescritíveis. 
Todavia, como a prescrição no campo civil atinge a pretensão 
(direito de ação), não o direito material em si (conforme o 
art. 189, do Código Civil), e, inexistindo dispositivo legal 
expresso qualificando a prescrição como hipótese de extinção 
de punibilidade na LIA (como ocorre no art. 108, IV, do Código 
Penal), a prescrição da pretensão acusatório, no sistema de 
improbidade administrativa não extingue a punibilidade, mas 
tão-somente o direito de ação. Em razão disso, o novo prazo 
prescricional, de que trata o artigo 23, caput, alterado pela 
Lei no 14.230, não retroage 
para atingir ações regularmente propostas dentro do prazo 
previsto na legislação anterior. 
 
211. A aplicação retroativa da nova prescrição abstrata de 8 
(oito) anos prevista no art. 23, caput, alterado pela Lei 
14.230/2021, viola os princípios da vedação da proteção 
deficiente do bem jurídico (artigo 37, §4o), do acesso à 
justiça (artigo 5o, XXXV, 37, §4o e artigo 129, inciso III, da 
CF), da actio nata e da boa-fé objetiva como corolários do 
devido processo legal (artigo 5o, inciso LIV), não podendo 
alcançar as ações em tramitação, que foram ajuizadas dentro 
dos prazos prescricionais vigentes na época.” 
 
 Em conclusão, é inequívoco que a lei nova – sobretudo no que se refere ao novo 
regime de prescrição criado – não pode ser aplicada aos feitos pendentes. 
 
 Sob outro ângulo, observe-se que pensar de forma diversa seria deduzir raciocínio 
manifestamente inconstitucional e desproporcional. 
 
 Com efeito, os comportamentos atribuídos aos réus eram qualificados como ato 
de improbidade administrativa à luz da legislação original, porque evidentemente incidia 
ao caso o regime original da Lei 8.429/92, com seu amplo espectro de proteção. Essa 
ordem de proteção, ademais, não foi apenas capricho do legislador original, mas 
imposição decorrente de expressa determinação constitucional. 
 
 Realmente, o art. 37, da Constituição exige que toda a administração pública se 
sujeite aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. 
Por outro lado, embora o art. 37, § 4º, da Constituição, autorize a lei a disciplinar a forma 
e a gradação das sanções aplicáveis em caso de improbidade administrativa, é certo que 
esse dispositivo não oferece ao legislador uma permissão geral para dizer o que é ou não 
é comportamento ímprobo. Pior: esse preceito sem dúvida não autoriza o legislador a 
tornar comportamentos ímprobos em comportamentos probos, legitimando atividades 
que são claramente vedadas e inaceitáveis do ponto de vista da ordem jurídica brasileira. 
 
 Logo, há na lei nova manifesta inconstitucionalidade diante do regime “tolerante” 
atualmente criado. 
 
 Ao deixar de prever como ímprobos comportamentos manifestamente ilegais, 
imorais e abusivos – mais que isso, no caso presente, condutas que constituem crime!!! 
–, a lei nova afronta, de modo escancarado, os comandos inseridos no art. 37, caput e § 
4º, da Constituição. Por isso, até mesmo em relação a comportamentos praticados já na 
sua vigência, essa lei não merece ser aplicada. Trata-se de verdadeiro desrespeito ao 
povo brasileiro e aplauso ao comportamento errado, malicioso, criminoso e imoral do 
mau servidor público. E isso não se pode admitir. 
 
Ademais, o artigo 37, § 4º, da Constituição Federal veda a retroatividade 
automática de novas normas mais benéficas, sob o ponto de vista do princípio da vedação 
do retrocesso no enfrentamento de condutas ímprobas, precipuamente considerando 
que a finalidade primordial das sanções previstas para os atos de improbidade 
administrativa é de caráter preventivo, de desestímulo à reiteração do ilícito, e como tal 
se diferencia das penas previstas para as infrações criminais cuja finalidade primeira é a 
repressão. 
 
A improbidade administrativa faz parte do denominado Direito Administrativo 
Sancionador, o qual se refere ao poder punitivo do Estado, incluindo também os âmbitos 
ambiental, de contas, administrativo, concorrencial etc., contudo não o Direito Penal, ou 
seja, o Direito Administrativo Sancionador mantém sua natureza administrativa, como 
instrumento da tutela de interesses públicos, o que é bem esclarecido por José Roberto 
Pimenta Oliveira e Dinorá Adelaide Musetti Grotti: 
 
Verdade que coube ao Direito Penal, na sua secular trajetória, 
desenvolver direitos e garantias fundamentaispara limitar o 
exercício do jus puniendi estatal in abstracto e in concreto, 
na defesa do jus libertatis. Do mesmo modo, o Direito 
Processual Penal igualmente consagrou a disciplina processual 
instrumental para realizar esse objetivo. Neste contexto, o 
Direito Administrativo Sancionador pode avaliar com o devido 
rigor científico as contribuições desses ramos do Direito 
Público, sem jamais abandonar a sua índole de regime jurídico-
administrativo instrumental de tutela de interesses públicos. 
[...] 
Com esta compreensão, o Direito Administrativo Sancionador não 
está submetido ao Direito Penal. O Direito Penal pode 
contribuir na elaboração de um ferramental próprio para o 
Direito Administrativo Sancionador. Mas, aqui, a diretriz é 
contribuir para integrar, e não desnaturar a índole 
administrativista dos sistemas sancionadores administrativos. 
Neste contexto, atribui ao Direito Administrativo Sancionador 
o objetivo de institucionalizar modelos dinâmicos, 
especializados, sensíveis às demandas e mudanças econômicas, 
sociais, factuais e tecnológicas cada vez mais comuns. Modelos 
que promovam o atendimento aos valores de coerência, 
racionalidade e segurança jurídica na tutela dos objetivos de 
interesse público. [grifou-se] (OLIVEIRA, José Roberto 
Pimenta; GROTTI, Dinorá Adelaide Musetti Grotti. Direito 
administrativo sancionador brasileiro: breve evolução, 
identidade, abrangência e funcionalidades. Interesse Público – 
IP, Belo Horizonte, ano 22, n. 120, pp. 83-126, mar./abr. 2020. 
pp. 108 e 116). 
 
Nesse sentido, ainda a doutrina especializada: 
 
A regra é a irretroatividade das normas jurídicas, sendo certo 
que as leis são editadas para regular situações futuras. O 
dispositivo constitucional que estabelece a retroatividade da 
lei penal mais benéfica funda-se em peculiaridades únicas do 
direto penal, inexistentes no direito administrativo 
sancionador. Com efeito, a retroatividade da lei penal mais 
benéfica tem por fundamento razões humanitárias, relacionadas 
diretamente à liberdade do criminoso, bem jurídico diretamente 
atingido pela pena criminal. […] Por tais fundamentos, não se 
pode transportar para o direito administrativo sancionador a 
norma penal da retroatividade da lei que extingue a infração 
ou torna mais amena a sanção punitiva. No direito 
administrativo sancionador aplica-se ao infrator a lei vigente 
à época da adoção do comportamento ilícito, ainda que mais 
grave que lei posteriormente editada. Diversamente do que 
ocorre no direito penal, assim, não há no direito 
administrativo sancionador o princípio da retroatividade da 
lei mais benéfica ao infrator. (MELLO, Rafael Munhoz de. 
Princípios constitucionais de direito administrativo 
sancionador. São Paulo: Malheiros, 2007, pp. 154/155). 
 
Esse Egrégio Tribunal também já se manifestou acerca da matéria: 
 
Em relação à irretroatividade da lei, em que pese o art. 5º, 
inciso XL da Constituição Federal assegure a retroatividade da 
lex mitior penal, o referido dispositivo não implica a 
existência de princípio normativo de alcance geral no âmbito 
do Direito, apto a ensejar, por si só, a aplicação da 
retroatividade da lei mais benéfica em seus mais variados 
ramos. 
Conforme lição clássica de hermenêutica, a norma restritiva 
deve ser interpretada restritivamente, a fim de evitar a 
extensão de sua aplicação para além do âmbito ao qual o 
legislador, constitucional ou ordinário, expressamente as 
restringiu. 
No caso do art. 5º, inciso XL da Constituição Federal, assume-
se a premissa maior de que é regra a irretroatividade da lei 
mais benéfica, devendo, portanto, existir expressa previsão 
legal a permitir excepcionar tal regra maior, o que no caso do 
dispositivo constitucional em questão está contido em segunda 
parte, a qual autoriza a retroatividade da lex mitior penal. 
Neste escopo, é de se considerar ainda que o objeto de sanção 
da lei penal atinge a esfera da liberdade do indivíduo, 
expressão última de sua condição humana, daí o porquê da 
exceção constitucional. Por outro lado, as normas punitivas 
oriundas do exercício do poder de polícia pela Administração 
Pública buscam ratificar a necessidade imperiosa de que sejam 
observados os regramentos vigentes à época dos fatos, uma vez 
que, de outra forma, estar-se-ia privilegiando o infrator, 
inobstante tenha de fato transgredido norma administrativa a 
todos imposta – e com isso logrado vantagem em face dos demais 
–, com a demora administrativa, refletindo em espécie de 
premiação dupla ao infrator, o qual não é punido 
contemporaneamente à vigência da norma administrativa e, 
posteriormente, tem sua conduta relevada em face de norma que 
não mais considera infração a conduta praticada. 
Assim sendo, a legislação ao tempo do cometimento da infração 
é que deve ser aplicada, em obediência ao brocardo tempus regit 
actum. [grifou-se] (BRASIL. Tribunal Regional Federal da 4ª 
Região, Terceira Turma, AC 5008905-15.2019.4.04.7009, Rel. 
Des. Rogerio Favreto, do TRF4, j. em 26.10.2021] 
 
A par disso, a Colenda Segunda Seção desse Egrégio Tribunal, nos autos da 
Apelação Cível n. 5058104-24.2019.4.04.7100/RS, dirimiu a controvérsia para decidir 
que: “Embora o artigo 5º, inciso XL, da Constituição Federal, assegure a retroatividade da 
lex mitior penal, não se extrai da referida cláusula princípio aplicável a qualquer ramo do 
Direito” (Tribunal Regional Federal da 4ª Região, Segunda Seção, AC 5058104-
24.2019.4.04.7100, Rel. Des. Ricardo Teixeira do Valle Pereira, juntado aos autos em 1º-
6-2021). 
 
E o Egrégio Supremo Tribunal Federal tem decidido, acerca do Tema 734, que “é 
infraconstitucional, a ela se aplicando os efeitos da ausência de repercussão geral, a 
controvérsia relativa à aplicação retroativa de lei mais benéfica referente à sanção de 
natureza administrativa decorrente do cometimento de infração de trânsito” (BRASIL. 
Supremo Tribunal Federal, Plenário, RE 657.871, Rel. Min. Dias Toffoli, j. em 29.05.2014), 
o que demonstra que nem todas garantias constitucionais atinentes ao Direito Penal, 
notadamente a retroatividade da lei mais benéfica, têm incidência direta também no 
âmbito do Direito Administrativo Sancionador. 
 
Outro fator a ser considerado é que a Lei n. 14.230/2021 alterou a formulação de 
tipos e sanções, o que implica a impossibilidade de sua retroatividade, pois não se faz 
possível ao Poder Judiciário a aplicação híbrida de normas da lei nova e da modificada, 
com o fim de beneficiar o agente ímprobo, sob pena de usurpar a atribuição do Poder 
Legislativo. 
 
Importante ressaltar que, além de integrar o Direito Administrativo Sancionador, 
a improbidade administrativa insere-se no microssistema de tutela coletiva à probidade 
administrativa e, como tal, fundamenta-se na Constituição Federal e em tratados 
internacionais, motivo por que cabe atentar para a necessidade de compatibilizar a 
discussão sobre a retroatividade da norma mais benéfica com a proteção contra o 
retrocesso legislativo, consoante o artigo 65, n. 2, da Convenção das Nações Unidas 
contra a Corrupção (Convenção de Mérida), integrada ao ordenamento brasileiro pelo 
Decreto n. 5.687, de 31 de janeiro de 2006, e também com o princípio da 
proporcionalidade, especialmente sob a vertente da proteção insuficiente dos direitos 
fundamentais, entre os quais se inclui a proteção ao direito fundamental à probidade 
administrativa. 
 
Considerando que o Estado Brasileiro se comprometeu a manter em vigor 
políticas coordenadas e eficazes contra a corrupção, rever instrumentos jurídicos a fim 
de determinar se são adequados a esse fim e, ainda, a adotar medidas mais estritas ou 
severas daquelas previstas na norma internacional, deve-se afastar a retroatividade da 
norma mais benéfica neste caso, por envolver condutas praticadas antes da vigência da 
nova lei. Com efeito, no conflito entre o direito fundamental à retroatividade da norma 
maisbenéfica ao réu e o direito fundamental da coletividade à probidade administrativa, 
este deve prevalecer, à luz do princípio da proporcionalidade, em sua faceta de proibição 
da proteção deficiente. 
 
Então, os novos dispositivos dos artigos 9º, 10 e 11 da Lei n. 8.429/1992, alterados 
pela Lei n. 14.230/2021, somente se aplicam, (se tanto!), a atos de improbidade 
administrativa praticados a partir do início da vigência da nova lei, em observância ao 
mencionado princípio da vedação do retrocesso, extraído do artigo 37, § 4º, da 
Constituição Federal, e ainda às Convenções Internacionais contra a Corrupção (OCDE, 
OEA e ONU), internalizadas como normas supralegais no Brasil. 
 
 Em conclusão, também sob esse viés não merece incidência ao caso o novo 
regime criado pela Lei 14.230/21. 
 
 Sublinhe-se que o c. Superior Tribunal de Justiça, em mais de uma oportunidade, 
já frisou a inviabilidade de aplicação retroativa irrefletida de lei posterior supostamente 
mais benéfica no campo do direito sancionador. Nessa linha, já se pronunciou a c. 2ª 
Turma daquela Corte: 
 
ADMINISTRATIVO. RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA. PROCESSO 
ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR. PRAZO PRESCRICIONAL. REMISSÕES 
GENÉRICAS. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE ESPECÍFICA. PRESCRIÇÃO. 
IRRETROATIVIDADE 
1. O ora recorrente, Oficial de Justiça à época, foi 
investigado por exigir custas excessivas em processo judicial. 
O Conselho da Magistratura demitiu-o em 1986, após o regular 
processo administrativo, em decisão ratificada pelo Órgão 
Especial. Pleiteou-se a revisão do processo, em 1994, que, 
rejeitada por maioria de votos, ensejou a impetração de Mandado 
de Segurança, o qual foi denegado. 
2. A demissão a bem do serviço público do recorrente foi 
confirmada pelo órgão especial em 1987, e o ato demissório deu-
se em 1989. O pedido de revisão ocorreu mais de cinco anos 
depois, porquanto admissível sua propositura, uma única vez, a 
qualquer tempo (art. 
249 da Lei 10.098/1994). 
3. In casu, quando julgado o processo administrativo (1986), 
não havia norma sobre prescrição no Código de Organização 
Judiciária (Lei Estadual 5.256/1966), que tratou da Ação 
Disciplinar (arts. 756 e ss.). O acórdão recorrido valeu-se de 
dupla remissão para aplicar a prescrição prevista na legislação 
penal. Essa lacuna normativa perdurou até a edição da LCE 
10.098/1994, que passou a regulamentar expressamente a 
prescrição da Ação Disciplinar em prazo mais curto, favorável 
ao recorrente. 
4. Caso a lacuna da legislação local tivesse sido suprida ao 
longo do PAD mediante edição de lei nova que regulasse a 
prescrição no âmbito administrativo, estar-se-ia diante de 
norma superveniente que seria levada em consideração no 
julgamento do processo administrativo e poderia resultar na 
sua extinção. 
5. Contudo, o pedido de revisão tem prazo aberto e pode ser 
apresentado a qualquer momento. A valer a proposição do 
recorrente, passados 5, 10, 20 ou 40 anos, havendo mudança na 
lei a respeito dos prazos prescricionais, todos os processos 
administrativos que ensejassem de advertência a demissão 
poderiam ser rejulgados, adotando-se a legislação 
eventualmente mais benéfica. 
6. A diferença ontológica entre a sanção administrativa e a 
penal permite a transpor com reservas o princípio da 
retroatividade. 
Conforme pondera Fábio Medina Osório, "se no Brasil não há 
dúvidas quanto à retroatividade das normas penais mais 
benéficas, parece-me prudente sustentar que o Direito 
Administrativo Sancionador, nesse ponto, não se equipara ao 
direito criminal, dado seu maior dinamismo". 
7. No âmbito administrativo, a sedimentação de decisão 
proferida em PAD que condena servidor faltoso (acusado de falta 
grave consistente na cobrança de custas em arrolamento em valor 
aproximadamente mil vezes maior) não pode estar sujeita aos 
sabores da superveniente legislação sobre prescrição 
administrativa sem termo ad quem que consolide a situação 
jurídica. Caso contrário, cria-se hipótese de instabilidade 
que afronta diretamente o interesse da administração pública 
em manter em seus quadros apenas os servidores que respeitem 
as normas constitucionais e infraconstitucionais no exercício 
de suas funções, respeitadas as garantias do due process. 
8. Precedente em situação similar indica: "quanto à alegação 
de prescrição administrativa, questão que em tese poderia 
determinar a anulação do ato que cassou a nomeação do 
recorrente na função de Oficial do Registro de Imóveis da 
Comarca de Palhoça/SC, verifica- se que as leis apresentadas 
(9.873/99 e 9.784/99) foram editadas após a ocorrência da 
nomeação do recorrente em 1992 e após o próprio ato de cassação 
ocorrido em 1998, não podendo retroagir para alcançar a 
situação do recorrente. Precedentes: RESP nº 646107/RS, Rel. 
Min. Francisco Falcão, DJ de 14/03/2005; MS 9092/DF, Rel. Min. 
Paulo Gallotti, DJ 25.09.2006 e EDcl no AgRg no RESP nº 
547668/PE, Rel. Min. Gilson Dipp, DJ de 02/05/2005" (AgRg no 
AgRg no REsp 959.006/SC, Relator Ministro Francisco Falcão, 
Primeira Turma, DJ 7.5.2008). 
9. Recurso Ordinário não provido. 
(RMS 33.484/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, 
julgado em 11/06/2013, DJe 01/08/2013) – grifei. 
 
 Não há espaço, assim, para a imaginada aplicação retroativa da lei nova, ainda 
que se pense apenas em seus aspectos materiais, dada a manifesta diferença existente 
entre o direito penal e o direito administrativo sancionador. 
 
 O v. acórdão, com o máximo respeito, deixou de considerar todos esses aspectos, 
sendo omisso, portanto, nesse ponto. 
 
 Logo, sob pena de incidência em defeito de fundamentação (art. 489, § 1º, inc. II, 
III e IV, do CPC), impõe-se o esclarecimento do r. julgado nesse ponto. 
 
 
4. A particular situação da irretroatividade das regras processuais. A contradição 
do v. acórdão 
 
 
 
 Ainda no trato da questão da (ir)retroatividade da lei nova, há que se atentar para 
a especial situação das regras processuais. 
 
Tratando-se de regra de natureza processual, incide o contido no art. 14, do CPC 
(e nunca, obviamente, o princípio da retroatividade da lei penal mais benigna, também 
inaplicável sequer no campo do processo penal), que prevê que “a norma processual não 
retroagirá e será aplicável imediatamente aos processos em curso, respeitados os atos 
processuais praticados e as situações jurídicas consolidadas sob a vigência da norma 
revogada”. 
 
 Em consequência, não se pode cogitar de aplicar efeitos retroativos aos novos 
comandos processuais contidos na Lei 14.230/21. 
 
 Semelhante tentativa, aliás, implicaria evidente infringência aos princípios da 
segurança jurídica e da boa-fé processual. Afinal, inovar na tramitação processual, 
criando regras que não existiam no sistema processual anterior – sobretudo para extrair 
consequências delas a fatos já ocorridos – é alterar as regras do jogo no curso dele, em 
manifesta surpresa às partes. Haveria aí ofensa aos mais comezinhos princípios do direito 
processual civil, a exemplo da boa-fé (art. 5º, do CPC), da cooperação (art. 6º, do CPC), 
da razoabilidade (art. 8º, do CPC) e da segurança jurídica. 
 
 Particularmente, no que se refere à “prescrição intercorrente” (norma de clara 
natureza processual), convém citar a nota técnica antes mencionada: 
 
“220. A prescrição intercorrente tem natureza exclusivamente 
processual e deve seguir o princípio do tempus regit actum 
(CPC, art. 14), contando-se os prazos previstos no novo artigo 
23, §4o da LIA, na sua inteireza, a partir da entrada em vigor 
da Lei 14.230/2021.] 
 
 221. Não opera a prescrição intercorrente se a demora na 
solução do feito é imputável ao serviço judiciário, nos termos 
do art. 240, § 3o, do CPC, pelo qual “a parte não será 
prejudicada pela demora imputável exclusivamente ao serviço 
judiciário”. 
 
222. O novo artigo 23-C, da LIA é inconstitucional por violação 
frontal e direta do artigo 37, §4o da Constituição Federal,que tutela o erário, e não admite qualquer exclusão de recursos 
públicos do campo de sua abrangência material, incluindo os 
recursos públicos dos partidos políticos ou de suas fundações. 
 
223. O prazo de prescrição intercorrente, de apenas 4 (quatro) 
anos, previsto no novo artigo 23, §5o da LIA, inserido pela 
Lei no 14.230/2021, para a realização de toda a instrução 
processual/probatória e o exame de mérito, com condenação, nas 
ações por ato de improbidade administrativa, contraria 
drasticamente o princípio da proporcionalidade e do devido 
processo legal substantivo, na dimensão de proibição de 
proteção insuficiente dos bens jurídicos (art. 5o, inciso LIV, 
CF), e da duração razoável do processo, sob a perspectiva da 
necessidade de assegurar tempo razoável para a resposta estatal 
em demandas dessa natureza. (art. 5o, LXXVIII, CF), vez que o 
Conselho Nacional de Justiça – CNJ, através de seu Departamento 
de Pesquisas Judiciárias – DPJ, em 2015, na Série Justiça 
Pesquisa, concluiu que, em média, foi observado que o tempo 
entre a data do ajuizamento do processo e a data do trânsito 
em julgado, em ações de improbidade administrativa que 
constavam da base de dados até dezembro de 2013 foi de 1.855,83 
dias (61,86 meses ou 5,15 anos), revelando objetivamente os 
vícios de inconstitucionalidade material referidos.” 
 
 É certo que o v. acórdão afirma expressamente que, em relação às regras 
processuais, não se considera a aplicação retroativa. Afirma o v. julgado que “Já com 
relação às normas de natureza processual, é certo que têm aplicação imediata da atual 
Lei de Improbidade Administrativa aos processos em curso”. 
 
 No entanto, como se verá a seguir, ao menos em duas oportunidades o r. acórdão 
se contradiz, fazendo justamente uso retroativo das regras processuais. E também nesse 
ponto o r. acórdão merece ser esclarecido. 
 
 
5. A contradição do r. acórdão. A aplicação retroativa dos arts. 17, § 10-F e 17-C, 
§ 3º, da LIA para afastar a remessa necessária e para inviabilizar a condenação 
dos réus 
 
 
 De fato, logo após afirmar que, no campo processual, não há retroatividade da lei 
nova, afirma o r. acórdão que: 
 
“Há de se considerar, ainda, a vedação expressa da remessa 
necessária, na atual redação da LIA (art. 17-C, §3º), bem como 
a ausência de apelação por parte do Ministério Público Federal 
quanto à capitulação legal dos fatos no art. 11, caput e inciso 
I, LIA consignada na sentença (evento 177), o que delimita, 
por conseguinte, esta análise recursal a tal enquadramento 
fixado, sob pena de reformatio in pejus.” 
 
 Essa premissa foi fundamental para as conclusões desenvolvidas pelo r. acórdão, 
tanto que se deixou de apreciar a imputação original atribuída às condutas do réu (que 
haviam sido enquadradas como incidentes no art. 9º, IV, da LIA, além do art. 11, inc. I), 
porque: 
 
“Há de se considerar, ainda, a vedação expressa da remessa 
necessária, na atual redação da LIA (art. 17-C, §3º), bem como 
a ausência de apelação por parte do Ministério Público Federal 
quanto à capitulação legal dos fatos no art. 11, caput e inciso 
I, LIA consignada na sentença (evento 177), o que delimita, 
por conseguinte, esta análise recursal a tal enquadramento 
fixado, sob pena de reformatio in pejus. 
 
É dizer que, ausente recurso ministerial em face da sentença 
que condenou o demandado por conduta tipificada no art. 11, 
caput e inciso I, da LIA (o que foi motivo de irresignação 
apenas por parte da defesa), não há falar em nova capitulação 
dos fatos, sobretudo quando essa se mostra prejudicial aos 
recorrentes com penas mais severas, tal qual se verifica se 
subsumida nos art. 9º e/ou 10, c/c as penas do art. 12, I e 
II, todos da LIA. 
 
Não é demais ressaltar, ainda, que o mero enquadramento em 
alguma das hipóteses previstas para os tipos dos art. 9º e 10, 
mesmo mantida a pena sob os ditames do art. 11 da LIA (art. 
12, inciso III), afronta a vedação do reformatio in pejus, 
porquanto, ao fim e ao cabo, o(s) demandado(s) tem contra si a 
condenação piorada. Nesse caso, se assim entender como 
admissível, a defesa poderia chegar à conclusão estapafúrdia 
de que teria sido melhor não recorrer.” 
 
 Por outras palavras, na lógica do r. acórdão, deixou-se de considerar a imputação 
originalmente feita pelo Ministério Público Federal na inicial desta ação de improbidade 
porque: a) não teria havido recurso do Ministério Público; b) poderia ocorrer reformatio 
in pejus; e c) não se pode, à luz do art. 17, § 10-F, condenar o réu por conduta diversa 
daquela indicada na petição inicial. 
 
 Ora, o que se vê no estabelecimento desse raciocínio é exatamente a aplicação 
retroativa das novas regras inseridas pela Lei 14.230/21. 
 
 Afinal, na época em que o processo subiu a essa c. Corte aplicava-se sim o instituto 
da remessa necessária em ações de improbidade administrativa, conforme entendimento 
então consolidado do Superior Tribunal de Justiça (v.g., REsp 1.600.340/PR). Ou seja, na 
época em que o feito chegou a esse c. Tribunal, as sentenças proferidas em ação de 
improbidade administrativa comportavam sim remessa necessária. Não se pode aplicar 
retroativamente o comando do art. 17-C, § 3º, da LIA em sua nova redação, para afastar 
instituto que já incidiu no caso presente e que merece ser apreciado por essa r. Corte. 
 
 Dessa feita, a ausência de recurso voluntário do Ministério Público (que, 
obviamente, sequer teria interesse recursal para tanto) não é impeditivo para a 
apreciação ampla dos fatos descritos na inicial à luz da legislação adequada, sobretudo 
porque, em que pese a posterior modificação da lei, no momento da subida dos autos ao 
tribunal prevalecia a compreensão da sujeição da sentença de improbidade ao regime da 
remessa necessária. 
 
 Por outro ângulo, também não tem nenhuma razoabilidade supor que o art. 17, 
§ 10-F, da LIA, em sua nova redação, seja obstáculo à requalificação dos fatos descritos. 
 
 De um lado, porque, novamente, aplicar essa regra ao caso presente implicaria 
evidentemente dar aplicação retroativa a comando processual novo, o que sequer o r. 
acórdão afirma tolerar. De outro, porque ainda que o comando fosse aplicável, o que ele 
veda é a condenação do réu por tipificação distinta daquela definida na petição inicial. 
 
 Ora, a petição inicial afirma que o comportamento dos réus incide nos arts. 9º, IV 
e 11, inc. I, da LIA. Portanto, é à luz desses preceitos que os comportamentos mereceriam 
ser apreciados, o que afasta qualquer possibilidade de reconhecimento de atipicidade 
das condutas imputadas. 
 
 Em síntese: sob qualquer ângulo que se examine a questão, o que se tem é que o 
r. acórdão é claramente contraditório. 
 
 Afirma que não aplica retroativamente as regras processuais inseridas pela Lei 
14.230/21. No entanto, o que faz é exatamente o contrário: dá aplicação retroativa a tais 
regras para afirmar não poder apreciar as condutas atribuídas sob outra moldura legal 
que não o art. 11, da LIA. 
 
 Sendo assim, é imprescindível que essa c. Corte se manifeste, sanando a 
contradição mencionada e a omissão em apreciar as condutas imputadas ao réu à luz do 
art. 9º, inc. IV, da LIA. 
 
 
6. A contradição e a omissão no v. acórdão. A inviabilidade do reconhecimento 
“retroativo” de prescrição intercorrente 
 
 
 Ao lado de tudo o que já se pontuou, há também que se reconhecer que o r. 
acórdão é contraditório e omisso na análise da questão da “prescrição intercorrente”. 
 
 Subsidiariamente ao argumento antes trazido – de atipicidade das condutas à luz 
da nova lei – esse r. Tribunal entendeu que teria ocorrido prescrição intercorrente, já que 
passados mais de quatro anos entre a propositura da demanda e a prolação da sentença 
condenatória. 
 
 Novamente, porém, ao assim compreender, esse r. Tribunal dá aplicação 
retroativa a regra processual, infringindo a própria conclusão exposta inicialmente no 
julgado, no sentido de que as regras processuaisnão têm aplicação retroativa. 
 
 Deveras, como já sublinhado, essa r. Corte inicia sua argumentação afirmando 
que toma por premissa que “Já com relação às normas de natureza processual, é certo 
que têm aplicação imediata da atual Lei de Improbidade Administrativa aos processos em 
curso.” 
 
 Todavia, logo depois, conclui que: 
 
“Considerando o exposto, é possível verificar que entre a data 
do fato (14/02/2012) e o ajuizamento da ação (22/05/2017) não 
decorreu o período de 08 (oito) anos. Observo, outrossim, que 
entre tal data (22/05/2017) e a publicação da sentença 
condenatória, em 24/05/2021 (evento 177), houve o transcurso 
de mais de 04 (quatro) anos, ao que reputo implementada a 
prescrição da pretensão sancionatória estatal.” 
 
 Ora, há aí clara aplicação retroativa da lei nova – denunciada até mesmo no voto 
da eminente Desembargadora Federal Vania Hack de Almeida, em sua ressalva de 
entendimento (evento 32). 
 
 De fato, não há dúvida sobre a natureza processual da prescrição intercorrente. 
A propósito, é tranquila a orientação da jurisprudência dessa r. Corte: 
 
“TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. 
DECRETAÇÃO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA. TERMO INICIAL. DESPACHO 
DE SUSPENSÃO. ART. 40, DA LEF. ART. 174, DO CTN. 1. É pacífica 
a jurisprudência no sentido da possibilidade de reconhecimento 
de ofício da prescrição intercorrente em execução fiscal, tendo 
transcorrido o lustro prescricional sem impulso útil por parte 
da exequente (§ 4º do art. 40 da Lei 6.830/80). Tratando-se de 
dispositivo de natureza processual, aplica-se de imediato aos 
processos em curso. 2. A finalidade da prévia oitiva prevista 
no art. 40, §4º, da Lei n. 6.830/80, é de possibilitar à 
exequente a argüição de eventuais causas de suspensão ou 
interrupção da prescrição do crédito tributário, que poderão 
ser suscitadas em apelação. Não demonstrado prejuízo, não há 
falar em nulidade, tampouco cerceamento de defesa, em homenagem 
aos princípios da celeridade processual e instrumentalidade 
das formas. 3. A Corte Especial deste Tribunal, no julgamento 
da Argüição de Inconstitucionalidade do § 4º e caput do artigo 
40 da Lei nº 6.830/80, adotou interpretação de acordo com a 
Constituição Federal, fixando como termo inicial do prazo de 
prescrição intercorrente o despacho que determina a suspensão 
(art.40, caput). (TRF4, Arguição de Inconstitucionalidade nº 
00046714620034047200, 2ª Turma, Des. Federal Luciane Amaral 
Corrêa Münch, D.E. 15/09/2010). 4. O art. 40 da LEF deve ser 
interpretado em consonância com o disposto no art. 174 do CTN, 
o qual limita o prazo de paralisação do processo em cinco anos, 
uma vez que a prescrição e a decadência tributárias são 
matérias reservadas à lei complementar (art.146, III, "b", da 
CF).” 
(AC - APELAÇÃO CIVEL 0011213-78.2010.4.04.9999, MARIA DE FÁTIMA 
FREITAS LABARRÈRE, TRF4 - PRIMEIRA TURMA, D.E. 12/01/2011.) – 
grifei. 
 
EXECUÇÃO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. LEI N.º 11.051/04. 
CONHECIMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. ART. 40, §4º DA LEI Nº 
6.830/80. INTIMAÇÃO POR AR. FAZENDA PÚBLICA. COMARCA DIVERSA. 
POSSIBILIDADE. JUSTIÇA ESTADUAL DO RIO GRANDE DO SUL. CUSTAS 
PROCESSUAIS. CABIMENTO 1. O parágrafo 4º do art. 40 da Lei nº 
6.830/80, acrescentado pela Lei nº 11.051, de 30.12.2004, 
permite a decretação da prescrição intercorrente por iniciativa 
judicial, com a única condição de ser previamente ouvida a 
Fazenda Pública, afastando a jurisprudência anterior dos 
tribunais de que a prescrição intercorrente em matéria 
tributária não podia ser declarada de ofício. 2. Caso em que a 
formalidade de prévia oitiva da Fazenda Pública restou 
observada, viabilizando o decreto de prescrição. 3. 
Transcorridos mais de seis anos, sem movimentação útil do 
processo, mostra-se correto o reconhecimento da prescrição. 4. 
Tratando-se de norma de natureza processual, tem aplicação 
imediata, alcançando inclusive os processos em curso. 5. Há 
lei especial relativa ao processo de execução fiscal que 
determina a intimação pessoal do representante judicial da 
Fazenda Pública acerca dos atos processuais, sob pena de 
nulidade (art. 25 da Lei nº 6.830/80). Todavia, quando situada 
em comarca diversa do juízo no qual se processa a execução, a 
intimação da Fazenda Pública pode ser feita por carta 
registrada, de acordo com o art. 6º, § 2º, da Lei nº 9.028/95. 
6. Inaplicável à hipótese o disposto no art. 39 da LEF, dada a 
superveniência do §1º, art. 1º da Lei 9289/96, o qual 
estabelece reger-se pela legislação estadual a cobrança de 
custas nas causas que tramitam perante a Justiça Estadual, em 
caso de jurisdição federal. (TRF4, AC 2006.70.99.002203-5, 
Segunda Turma, Relator Otávio Roberto Pamplona, DJ 16/11/2006). 
7. Quando a Justiça Estadual exerce a competência federal 
delegada, o pagamento das custas processuais sujeita-se ao 
respectivo ordenamento estadual. 8. A União e suas autarquias, 
quando promovam execuções fiscais perante a Justiça Estadual, 
não estão isentas do pagamento de custas, tal como qualquer 
outro litigante, salvo se houver lei estadual que as isente. 
(AC - APELAÇÃO CIVEL 0001735-46.2010.4.04.9999, LUCIANE AMARAL 
CORRÊA MÜNCH, TRF4 - SEGUNDA TURMA, D.E. 22/04/2010.) – grifei. 
 
 Também essa é a compreensão do c. Superior Tribunal de Justiça que entende, 
de forma pacífica, pela natureza processual das regras sobre prescrição intercorrente: 
 
PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO 
ESPECIAL. ART. 40, § 4o. DA LEI 6.830/1980. NORMA DE NATUREZA 
PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. AGRAVO INTERNO DO INMETRO A 
QUE SE NEGA PROVIMENTO. 
1. A questão controvertida nos autos se refere à possibilidade 
de aplicação retroativa do art. 40, § 4o. da LEF. Dessa forma, 
o resultado do julgamento do Recurso Repetitivo 1.340.553/RS, 
no qual se discute apenas a sistemática para a contagem da 
prescrição intercorrente, não influirá na solução da presente 
lide. 
2. No tocante ao art. 535 do CPC/1973, inexiste a violação 
apontada. O Tribunal de origem apreciou fundamentadamente a 
controvérsia, não padecendo o acórdão recorrido de qualquer 
omissão, contradição ou obscuridade. 
3. O acórdão recorrido se manifestou no mesmo sentido da 
jurisprudência desta Corte quanto à aplicação imediata do § 4º 
do art. 40 da Lei n. 6.830/1980, introduzido pela Lei n. 
11.051/2004, eis que se trata de norma de cunho processual. 
Precedentes: REsp. 1.658.316/RS, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, 
DJe 24.4.2017; e AgRg no REsp. 1.221.452/AM, Rel. Min. BENEDITO 
GONÇALVES, DJe 2.5.2011. 
4. Agravo Interno do INMETRO a que se nega provimento. 
(AgInt no REsp 1464850/RJ, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA 
FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/03/2020, DJe 11/03/2020) 
 
“TRIBUTÁRIO - RECURSO ESPECIAL - EXECUÇÃO FISCAL - PRESCRIÇÃO 
INTERCORRENTE - ART. 40, § 4º, DA LEI 6.830/1980 - NORMA DE 
NATUREZA PROCESSUAL - APLICAÇÃO IMEDIATA. 1. A disposição 
contida no § 4º do art. 40 da Lei de Execuções Fiscais, 
acrescentada pela Lei n. 11.051/2004, possui natureza 
processual e, por isso, deve ser aplicada inclusive nos feitos 
em tramitação quando do advento desta última lei, podendo o 
juiz, de ofício, decretar a prescrição intercorrente, se da 
decisão que ordenar o arquivamento tiver decorrido o prazo 
prescricional. Precedentes. 2. Recurso especial não provido” 
(STJ, 2ª Turma. REsp 1.351.013. Rel. Min. Eliana Calmon. DJe 
28.10.13) 
 
“PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. PRESCRIÇÃO. 
DECLARAÇÃO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. INÉRCIA DO EXEQUENTE. 
DECLARAÇÃO DIRETA DA PRESCRIÇÃO. ART. 219, § 5º, DO CPC. OITIVA 
PRÉVIA DA FAZENDA PÚBLICA. DESNECESSIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA 
106/STJ. REEXAME DE PROVAS. INVIABILIDADE. SÚMULA 7/STJ. 1. "A 
norma prevista no art. 40, § 4º, da Lei 6.830/1980 - segundo a 
qual a prescrição intercorrente pode ser decretada ex officio 
pelo juiz, após ouvida a Fazenda Pública - é de naturezaprocessual. Por essa razão, tem aplicação imediata sobre as 
Execuções Fiscais em curso." (REsp 1.183.515/AM, Rel. Min. 
Herman Benjamin, Segunda Turma, in DJe 19/5/2010). 2. A oitiva 
prévia da Fazenda Pública para a declaração da prescrição, nos 
termos do art. 40, § 4º, da Lei n. 6.830/80, refere-se à 
"prescrição intercorrente", o que não é o caso dos autos, onde 
foi reconhecida a prescrição direta decorrente da comprovada 
inércia do exequente em promover a citação do executado no 
prazo legal. 3. Reconhecido pelo Tribunal de origem que a 
prescrição efetivou-se por inércia exclusiva do exequente, e 
não em decorrência dos mecanismos do Poder Judiciário, sendo 
inaplicável o disposto na Súmula 106/STJ, a modificação da 
referida conclusão é inviável em sede de recurso especial, sob 
pena de violação da Súmula 7 desta Corte. REsp 1.102.431/RJ, 
Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 09/12/2009, DJe 
01/02/2010 - submetido ao regime dos recursos repetitivos (art. 
543-C do CPC). 4. Aplica-se ao caso a multa do art. 557, § 2º, 
do CPC, por questionamento de matéria já decidida em recurso 
repetitivo: inviabilidade de análise da responsabilidade pela 
demora na prática dos atos processuais, ante o óbice da Súmula 
7/STJ. Agravo regimental improvido” (STJ, 2ª Turma. AgREsp 
148.235. Rel. Min. Humberto Martins. DJe 20.08.12) 
 
 Ora, tratando-se de regra de natureza processual, incide o contido no já tantas 
vezes mencionado art. 14, do CPC, que prevê que “a norma processual não retroagirá e 
será aplicável imediatamente aos processos em curso, respeitados os atos processuais 
praticados e as situações jurídicas consolidadas sob a vigência da norma revogada”. 
 
 Em consequência, não se pode cogitar de aplicar efeitos retroativos ao novo 
comando que trata da prescrição intercorrente. 
 
 Semelhante tentativa, aliás, implicaria evidente infringência aos princípios da 
segurança jurídica e da boa-fé processual. Afinal, não existia comando semelhante no 
direito anterior. Por isso, não se poderia esperar que o processo tivesse conclusão em 
algum prazo determinado. 
 
 Pretender aplicar essa restrição neste momento claramente conflita com essa 
justa e legítima expectativa criada, sendo medida absolutamente inadequada. 
 
 Não bastasse isso, seria de todo absurdo pretender aplicar o referido preceito 
quando não há demora atribuível ao autor da ação! Esse tipo de interpretação implicaria 
punir a sociedade quando, a rigor, nenhuma omissão existe por parte dos órgãos de 
controle. 
 
 Dessa feita, há aí nova contradição e omissão, que precisa ser sanada por esse r. 
Tribunal, esclarecendo com que base reconhece a prescrição intercorrente “retroativa” 
no presente caso. 
 
 
7. Conclusão 
 
 
 À luz de todo o exposto, o Ministério Público Federal requer sejam esclarecidos 
os pontos acima indicados, examinando-se, preliminarmente, os requerimentos 
formulados no evento 14, destes autos e suprindo-se as omissões, contradições e 
obscuridades acima indicadas. 
 
 Pede deferimento. 
 
 Porto Alegre, 4 de maio de 2022. 
 
 
 
Sérgio Cruz Arenhart 
Procurador Regional da República 
	1. Breve síntese da demanda e do julgamento
	2. Preliminarmente. A omissão em apreciar o requerimento feito pelo Ministério Público no evento 14
	3. A omissão do v. acórdão em apreciar adequadamente o problema da (ir)retroatividade da Lei 14.230/21
	4. A particular situação da irretroatividade das regras processuais. A contradição do v. acórdão
	5. A contradição do r. acórdão. A aplicação retroativa dos arts. 17, § 10-F e 17-C, § 3º, da LIA para afastar a remessa necessária e para inviabilizar a condenação dos réus
	6. A contradição e a omissão no v. acórdão. A inviabilidade do reconhecimento “retroativo” de prescrição intercorrente
	7. Conclusão

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