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1ºAula
Conceitos e aspectos da 
comunicação e oratória e da 
homilética
Objetivos de aprendizagem
Ao término desta aula, vocês serão capazes de: 
•	 compreender conceitos de comunicação e oratória;
•	 identificar aspectos do orador e dos auditórios;
•	 definir o conceito de homilética.
 Caros(as) alunos(as), 
Nesta aula, iremos estudar sobre os conceitos e os aspectos 
da comunicação e oratória, mais especificamente sobre a 
homilética, ou seja, a arte de preparar um sermão ou, como 
também é entendido, a arte de pregar. A nossa perspectiva é 
compreender os pontos importantes na relação de comunicação 
entre orador e o seu auditório, ou seja, os respectivos fiéis de 
uma determinada comunidade de fé.
Bons estudos!
6Comunicação e Oratória
1 - Conceitos e formas de comunicação
2 - Como devemos falar com o auditório
3 - A homilética no processo de comunicação da palavra 
de Deus
1 - Conceitos e formas de 
comunicação
A comunicação sempre foi crucial para o desenvolvimento 
da sociedade em geral. Trata-se da compreensão mútua das 
falas ou das formas de linguagem, é um fator necessário 
para que as pessoas progridam na história e promovam 
relacionamentos. 
Nesse sentido, através da Teoria da Comunicação 
podemos apontar que a Comunicação é tornar uma ação em 
comum, do latim Communio. (Martino, 2017, p. 12).
A comunicação se apresenta de diversas formas: a 
verbal e a escrita, por sinais, por símbolos, gestos, expressões 
corporais, entre outras. Desse modo, a comunicação se dá via 
três elementos básicos, a saber: o emissor ou remetente (aquele 
que envia), o receptor ou destinatário (aquele que recebe) e a 
própria mensagem (é o objeto da comunicação, aquilo que é 
transmitido). Comunicar é um ato de interação entre a pessoa 
emissora e a pessoa receptora por meio de diversas formas 
de mensagens, a qual possa desencadear em uma atividade de 
interpretação.
Martino escreve que:
Na	prática,	 isso	significa	que	uma	mensagem	
é sempre reconstruída, tanto por quem emite 
quanto por quem recebe. Não existe uma 
mensagem pura, digamos, desvinculada das 
pessoas ou elementos vinculados a ela. Na 
prática,	 isso	 significa	 que	 dizer	 “eu	 entendi”	
durante	 uma	 conversa	 significa,	 no	máximo,	
conseguir	se	aproximar	do	significado	geral	do	
que foi dito (2017, p. 30). 
Portanto, comunicar uma mensagem, necessariamente, 
deve ser realizada com o máximo de clareza para que ela possa 
produzir a devida compreensão para os seus receptores, os 
quais em um ciclo respondem aos emissores. No discurso 
teológico, ou ainda em uma pregação, nós teremos o emissor 
na figura do pregador(a)/palestrante, a mensagem na condição 
de um sermão ou palestra e, por fim, o receptor na figura do 
fiel e/ou do auditório. 
Tendo agora a ciência de que a comunicação se dá por 
meio do emissor, da mensagem e do receptor, deixo uma 
pergunta: vocês sabem qual desses três elementos é o mais 
importante?
À primeira vista, os três são igualmente importantes. 
Em termos de responsabilidades, no entanto, não é verdade. 
Existe um mais importante do que o outro..., mas, para 
chegarmos a uma conclusão de qual é o elemento mais 
importante usaremos uma análise de um mito grego, e deve 
ser compreendida como uma narrativa mítica.
Seções de estudo
Há uma divindade no Olimpo chamado Hermes. Na 
mitologia grega existe o Olimpo, onde fica um deus e a Terra 
onde ficam os seres humanos, ora outro Zeus, que era a 
divindade maior, queria comunicar algo aos seres humanos, 
daí a divindade que ele utilizava para o envio da mensagem se 
chamava Hermes, raiz da palavra Hermenêutica, que é uma 
das disciplinas do curso de teologia, a hermenêutica também 
está presente em outras áreas do saber, como direito e filosofia. 
Hermenêutica, do grego hermeneutiké, é sinônimo de 
interpretação, para o campo teológico. Podemos dizer que 
a hermenêutica se faz necessária para a melhor clareza na 
interpretação do texto antigo e sagrado e, ao mesmo tempo, 
para melhor traduzir a mensagem divina aos seres humanos.
Voltando a narrativa, Hermes era a divindade e trazia 
a mensagem e a interpretava para homens, a fim de que ela 
fosse bem compreendida, ou seja, para que a mensagem 
fosse comum, para que ocorresse a comunhão entre Zeus, os 
seres humanos e o comunicador. Entre os gregos, havia uma 
diversidade cultural grande, línguas diversas, tendo Hermes o 
desafio de traduzir a mensagem de Zeus para cada língua, e na 
verdade, há de considerar que existem vários termos que não 
são facilmente traduzidos de uma língua para outra. 
Portanto, a partir deste exemplo, vemos que a 
comunicação é responsável por ir além da linguagem, 
ela se utiliza de todos os recursos necessários para que a 
intencionalidade da mensagem possa ser bem entendida. 
Alguns recursos para uma boa comunicação podem ser aqui 
exemplificados como gesticulações, imagem, afetividades, 
eloquência, ilustrações que favorecem a compreensão para o 
auditório, entre outros. 
O trabalho de interpretar não é fácil. Para uma boa 
interpretação de mensagem, além de traduzida, ela precisa ser 
fidedigna ao máximo de que a enviou, expressões, emoções 
e entonações devem estar presentes. Hermes precisava não 
só traduzir a mensagem, mas também a emotividade, a 
intencionalidade e a efetividade daquele que tinha enviado a 
mensagem.
O que aprendemos? Aprendemos que, ao levar uma 
mensagem, devemos nos adaptar ao público, pois conhecer 
a quem falamos é importante. O pregador ou a pregadora, 
por exemplo, deverá se adequar de tal forma que possa 
transmitir a mensagem de Deus como Ele mesmo desejasse 
que fosse transmitida, de forma viva, relacional e eficaz. Desse 
modo, podemos descartar que o emissor (comunicador ou 
mensageiro) é o mais importante para a comunicação. 
Agora, vamos analisar se a mensagem é o mais importante 
no processo de comunicação. A mensagem é vazia se ela não 
tem um receptor (um destinatário). A mensagem de Deus, 
da qual nos apropriamos para falar, é salvadora e libertadora. 
Portanto, quem fala a mensagem de Deus deve falar sob a 
forma humanizada daquele que é o dono da mensagem. 
Dessa forma, a mensagem divina aponta para algo, ela é 
o instrumento, o veículo pelo qual o dono da mensagem quer 
salvar o ser humano, que é o receptor. Assim, embora embora 
ela seja a própria voz daquele qua a emite, a mensagem não é a 
mais importante no contexto da comunicação.
O receptor é o alvo, é para o receptor que converge 
o alvo da mensagem divina, é para ele, também, que se 
adaptam as estratégias e habilidades do mensageiro. Portanto, 
7
é exatamente a pessoa que recebe a mensagem a mais 
importante na dinâmica da comunicação. Aquele que recebe a 
mensagem é aquele que é mais importante no processo.
2 - Como devemos falar com o 
auditório
Qual deve ser a linguagem utilizada pelo ministrante da 
Palavra de Deus? Culta ou simplista? Técnica ou comum?
Se utilizarmos uma linguagem muito rebuscada dentro 
de uma comunidade, podemos correr o risco de não sermos 
bem entendidos. Quem utiliza uma linguagem desconhecida 
do seu público, não efetiva a comunicação. O pregador ou 
pregadora não deve deixar ser tentado em ser conhecido como 
um grande pregador ou uma grande pregadora, a pessoa que 
ministra deverá compreender que é apenas uma pessoa que 
porta a mensagem, a pessoa mensageira é instrumento para 
transmitir, por isso, deve evitar de ser admirado.
A nossa linguagem deve ser compreendida sempre, à 
mercê do risco de não ser efetiva para a comunidade de fé. 
Sendo assim, seria pouco eficaz dizer que a nossa linguagem 
deve ser simplista, pois, para que a mensagem se torne clara, 
há a necessidade de termos precisos, para que se possa passar 
da melhor forma a intencionalidade do dono da mensagem. 
Desse modo, nem sempre a linguagem simples garante 
claridade, a mensagem deve ser precisa. Isso significa dizer que, 
cabe a pessoa que ministra elevar conhecimento linguístico 
das comunidades, elevar a cultura dos fiéis. Podemos fazer 
isso atravésde uma linguagem culta, pois pregadoras e 
pregadoras são também mestres e devem ser especialistas em 
seres humanos com o fim de um aperfeiçoamento contínuo 
dos fiéis culturalmente e não só religiosamente.
Para ampliar a capacidade linguística dos fiéis de nossas 
igrejas ou espaços religiosos, devemos usar uma linguagem 
sofisticada, mas acompanhada de sinônimos. Assim fazendo, 
podemos elevar a capacidade intelectual das pessoas que 
nos ouvem. A linguagem sofisticada amplia o seu capital 
linguístico, isso é serviço à igreja. 
3 - A homilética no processo de 
comunicação da palavra de Deus
A partir de um conceito geral descrevemos que a 
homilética é uma prédica da Palavra de Deus. Tal prédica é 
elaborada sob uma série de técnicas, conhecimentos gerais, 
bíblicos e teológicos por parte daquele ou daquela que prepara 
um sermão ou palestra. Homilética, mais especificamente, é a 
arte de preparar e pregar sermões.
A palavra homilética vem do termo grego homileu, que 
transliterado quer dizer “conversar com”. Assim, podemos 
dizer que uma homília é um ato de conversar com um 
auditório, por exemplo, mais especialmente, por conta da 
Palavra de Deus, podemos dizer que é falar com fiéis da fé.
Proclamamos a Escritura Sagrada em diversos lugares, 
mas é no espaço da igreja (templo) que mais costumamos a 
pôr em prática a homilética. Jilton Moraes diz que:
Homilética é a ciência que nos ajuda a amar a 
Palavra de Deus, nela meditando e estudando, 
para assimilar os seus princípios, sendo 
edificados	 e	 capacitados	 a,	 em	aprendizagem	
constante, construir uma pregação com 
base bíblica, capaz de falar ao presente, com 
desafios	para	o	futuro,	objetivando	apresentar	
Jesus, poder e sabedoria de Deus (2013, p. 
293). 
O que Moraes nos diz é algo que está relacionado com as 
questões de fé e vocação para falarmos do amor de Deus e da 
Salvação. Isso é favorável a todos que estão em uma condição 
fervorosa, religiosamente falando. Mas os desafios vão de 
encontro à natureza humana. Nós trememos, muitas vezes, 
ao comunicar a Palavra de Deus. 
Michael Rose nos apresenta o seguinte: 
Quem prega sabe que esforços são necessários 
para	elaborar	uma	prédica,	para	refletir	o	que	
o texto tem a dizer, como quer ser entendido, 
como além disso, se comunica à comunidade 
suas idéias (idéias de quem? As do texto ou as 
do pregador? Ou as de Deus?); pois é isso que 
deve importar: a comunidade, que se reúne 
para ouvir a palavra de Deus, que escolheu o 
pregador para que ele fale a ela a respeito de 
Deus (1998, p. 144).
Portanto, além dos esforços humanos, de todas as 
técnicas de comunicação e oratória, dos conhecimentos gerais, 
dos títulos etc., a homilética traz a cada pessoa que prega, a 
consciência de falar sobre Deus. Blackwood (1965) enfatiza: 
“É a verdade de Deus apresentada por uma personalidade 
escolhida, para ir ao encontro das necessidades humanas”. 
Trata-se de um manuseio responsável com uma palavra que 
não é de forma alguma de quem prega, a Palavra é de Deus.
Bom, durante o estudo desta disciplina, seremos 
permeados com as perspectivas da homilética. Na próxima 
aula falaremos sobre as faces dos discursos utilizados no 
contexto teológico, um tema muito especial e necessário para 
as devidas aplicações do nosso falar sobre Deus. Preparem-se!
Chegamos, assim, ao final de nossa aula. Espera-se 
que agora tenha ficado mais claro o entendimento de 
vocês sobre a comunicação e oratória. Vamos, então, 
recordar:
Retomando a aula
1 - Conceitos e formas de comunicação
Nesta seção, aprendemos que a comunicação é o ato de 
tornar uma ação em comum, seja de forma verbal, escrita, por 
sinais, símbolos, gestos, expressões corporais entre outras. 
No processo de comunicação temos três elementos 
básicos: o emissor, a mensagem e receptor. Para o contexto 
8Comunicação e Oratória
do discurso teológico, quem recebe a mensagem divina é o 
elemento mais importante nesse processo. 
2 - Como devemos falar com o auditório 
Nesta seção, nós mostramos o perigo de uma linguagem 
rebuscada no discurso já que, no auditório, pode ter pessoas 
que não compreendam palavras difíceis. Contrapartida, não 
podemos empobrecer a linguagem, pois um discurso sempre 
é uma proclamação elaborada, mesmo que improvisada. 
Para tanto, o segredo é elevar a capacidade intelectual 
da comunidade e usar uma linguagem sofisticada, mas 
acompanhada de sinônimos.
3 - A homilética no processo de comunicação da 
palavra de Deus
Já nesta seção, trabalhamos juntos para compreendermos 
o conceito da homilética, observamos a importância que ela 
possui para comunicar a Palavra de Deus no auditório. A 
homilética é a arte de preparar e pregar sermões. Trata-se de 
uma série de habilidades juntas em que a pessoa que prega, 
auxiliada pelo Espírito Santo, se esforça para proclamar as 
verdades salvadoras e libertadoras de Deus.
Minhas anotações
MORAES, Jilton. Homilética: pregação e 
comunicação. VIA TEOLÓGICA, v. 17, n. 34, p. 113-136, 
2016.
Vale a pena ler
Vale a pena
Oratória: Entenda o que é + 7 dicas para praticar. 
Disponível em: https://www.vivadecora.com.br/pro/
dicas-de-oratoria/. Acesso em: 04 out. 2023.
Vale a pena acessar
Sermão: Billy Graham: The Danger of Waiting to Make 
a Decision for Christ. Disponível em: https://billygraham.
org/video/billy-graham-the-danger-of-waiting-to-make-a-
decision-for-christ/. Acesso em: 22 set. 2023.
Videoaula: Técnicas apresentadas por Patrick Winston 
– How to Speak. Disponível em: https://www.youtube.
com/watch?v=Unzc731iCUY&list=PLVmRaaUPU_
F7oCoKXswy2X9O68fJlncM_&index=1&t=281s . 
Acesso em: 05 jun. de 2023.
Vale a pena assistir

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