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Por que os homens evitam buscar
atendimento médico?
A busca por atendimento médico pelos homens ainda enfrenta diversos obstáculos, influenciados por
fatores socioculturais, comportamentais e de acesso aos serviços de saúde. A tradicional masculinidade
hegemônica, que associa a fragilidade à vulnerabilidade, pode levar os homens a negar a necessidade
de cuidados médicos, evitando a expressão de fragilidades e a busca por ajuda profissional. Estudos
indicam que aproximadamente 31% dos homens só procuram atendimento médico quando os sintomas
já estão em estágio avançado, o que dificulta o tratamento e reduz as chances de recuperação.
Além disso, a falta de tempo e a dificuldade de conciliar a vida profissional com os cuidados com a
saúde também são fatores que contribuem para a baixa procura por serviços de saúde. A cultura da
"autossuficiência" e a resistência em admitir fragilidades podem dificultar o reconhecimento de
sintomas, a busca por diagnóstico precoce e a adesão a tratamentos, resultando em diagnósticos
tardios e piora do estado de saúde. Pesquisas mostram que homens têm uma expectativa de vida, em
média, 7 anos menor que as mulheres, sendo que grande parte dessa diferença está relacionada à
negligência com a própria saúde.
A falta de acesso a serviços de saúde de qualidade e com enfoque na saúde masculina, como unidades
de saúde com horários flexíveis e profissionais capacitados para atender às necessidades específicas
do público masculino, também representa um desafio. A distância geográfica, o tempo de espera para
consultas e a falta de acolhimento por parte dos profissionais podem contribuir para a desistência do
atendimento. Em algumas regiões, a espera por uma consulta especializada pode ultrapassar seis
meses, desencorajando ainda mais a busca por atendimento preventivo.
A desinformação sobre doenças e sobre os benefícios da prevenção também impede a busca por
cuidados médicos. A falta de conhecimento sobre doenças que acometem os homens, como doenças
cardiovasculares, câncer de próstata, problemas de saúde mental e doenças sexualmente
transmissíveis, pode levar à subnotificação e à negligência com a saúde. A desmistificação de tabus em
relação à saúde masculina, a promoção de campanhas de conscientização e a disseminação de
informações confiáveis são cruciais para quebrar essas barreiras e incentivar a busca por cuidados
médicos.
O impacto psicológico dessa resistência ao cuidado médico também merece atenção especial. Muitos
homens desenvolvem ansiedade e medo relacionados a procedimentos médicos, criando um ciclo
vicioso de evitação que só piora com o tempo. Estudos mostram que cerca de 40% dos homens
admitem sentir vergonha ou constrangimento ao procurar ajuda médica, especialmente para questões
relacionadas à saúde sexual ou mental.
Para reverter esse cenário preocupante, é necessário um esforço conjunto da sociedade, do sistema de
saúde e dos próprios homens. A implementação de programas específicos voltados para a saúde
masculina, como o "Novembro Azul", tem mostrado resultados positivos na conscientização. Além
disso, a adaptação dos serviços de saúde às necessidades masculinas, como horários estendidos e
atendimento mais ágil, pode contribuir significativamente para aumentar a adesão aos cuidados
preventivos. A educação em saúde desde a juventude também é fundamental para formar uma nova
geração de homens mais conscientes e preocupados com seu bem-estar.

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