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UNIDADE VI - Fisioterapia Forense

Capítulo de "Fundamentos de Fisioterapia Forense" sobre outras áreas e formas de atuação. Apresenta objetivos e temas: introdução; erro fisioterapêutico, direito, diagnóstico e prontuário; formas diretas/indiretas e documentos legais; atuação na Justiça comum (DPVAT, perícias) e militar.

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Aline Fabro

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Fundamentos de 
Fisioterapia Forense
Responsável pelo Conteúdo:
Prof.ª Esp. Valéria Aparecida Fernandes
Revisão Textual:
Caique Oliveira dos Santos
Outras Áreas da Fisioterapia Forense e Formas de Atuação
Outras Áreas da Fisioterapia Forense 
e Formas de Atuação
 
 
• Reconhecer outras áreas da fisioterapia forense;
• Compreender o erro fisioterapêutico e a importância do diagnóstico fisioterapêutico e 
do prontuário;
• Conhecer as formas diretas e indiretas de atuação na fisioterapia forense.
OBJETIVOS DE APRENDIZADO 
• Introdução;
• O Erro Fisioterapêutico – Direito Fisioterapêutico;
• Formas de Atuação do Fisioterapeuta e Documentos Emitidos.
UNIDADE Outras Áreas da Fisioterapia Forense e Formas de Atuação
Introdução
Até o momento, estudamos a atuação do fisioterapeuta forense em demandas relacio-
nadas a seguros de pessoas, seguro DPVAT, previdência social e na Justiça do Trabalho. 
Contudo, como vimos em outro momento, a fisioterapia forense é a aplicação dos conheci-
mentos da fisioterapia a serviço da Justiça estatal ou privada, elaborando documentos legais 
relacionados às disfunções dos movimentos humanos para, eventualmente, estabelecer a 
origem dessas disfunções, em ambiente de litígio ou iminente ação litigiosa (LUCAS, 2016).
Assim, é crível que as possibilidades da atuação do fisioterapeuta forense são inúmeras, 
tanto na Justiça estatal quanto na Justiça particular, mas, como já vimos, ainda há áreas 
em que a atuação é embrionária ou inexistente e outras em que ela é mais desenvolvida.
Fisioterapia Forense na Justiça Comum
Assim como discutimos, ações que não envolvem a Justiça especializada (Eleitoral, 
Militar e do Trabalho) correm na Justiça comum. Ainda, quando a ação não envolve a 
União (processos que correm na Justiça Federal), a ação corre na Justiça estadual. 
Também verificamos que ações que envolvem seguro de pessoas, inclusive o DPVAT, 
podem correr na Justiça comum, mais precisamente na Justiça estadual. Contudo, a atu-
ação da fisioterapia forense na Justiça estadual não se limita a essas demandas, mas pode 
absorver qualquer ação que se enquadre nas premissas citadas.
Vamos a um exemplo: o Senhor X estava atravessando a rua, com sinal verde para 
o pedestre, quando um veículo passou o sinal vermelho do semáforo e o atropelou. 
Devido ao acidente, o Senhor X sofreu fratura complexa do fêmur direito e, após as 
terapêuticas existentes, evoluiu com sequela no membro inferior direito. 
Conforme vimos anteriormente, o Senhor X teria direito à indenização do seguro 
DPVAT e de seu seguro pessoal, se o tivesse. Todavia, além dessas indenizações, o 
Senhor X poderia entrar com uma ação judicial contra o motorista do veículo que o atro-
pelou – pois foi quem deu causa ao acidente ao ultrapassar o sinal vermelho do semáforo 
– e pleitear o pagamento de indenizações devido ao acidente ocorrido.
Nesse caso, assim como nas outras demandas da Justiça estatal, o juiz nomearia 
um perito para delimitar a extensão do dano e fundamentar sua sentença de valoração 
da indenização. Ainda, assim como nas outras demandas judiciais, as partes poderiam 
indicar assistentes ou contar com consultores. 
Consegue imaginar as inúmeras possibilidades de atuação do fisioterapeuta na esfera forense?
Esse exemplo de ação não se limita a casos de acidentes automobilísticos. Vamos a 
outros exemplos.
• Exemplo 1: o Senhor X sofreu um acidente no interior de um supermercado, pois 
havia um palete posicionado fora da demarcação, o que ocasionou sua queda e, conse-
quentemente, o sofrimento de danos. Nesse caso, o Senhor X poderia entrar com uma 
ação judicial contra o supermercado, também pleiteando o pagamento de indenizações;
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• Exemplo 2: o Senhor X está passando na calçada, ao lado de uma construção, e, 
nesse momento, há a queda de um material da construção que o atinge, ocasionando 
um acidente e consequente dano. Da mesma forma, o Senhor X poderá mover uma 
ação contra a construtora.
Em todos os exemplos citados, a ação correria na Justiça comum, mais especifica-
mente na Justiça estadual. As etapas processuais e os atores envolvidos são os mesmos. 
Por isso, é imprescindível sempre se lembrar da importância de saber qual o objetivo da 
perícia e se atentar a este no desempenho de seu trabalho como fisioterapeuta forense. 
Veja que a atuação do fisioterapeuta na esfera forense existe sempre que houver neces-
sidade de quantificar e qualificar a capacidade físico-funcional de um indivíduo envolvendo 
litígios ou iminente ação litigiosa, e não se limita às grandes áreas de atuação, que são as 
mais conhecidas.
Fisioterapia Forense Militar
Outra modalidade de atuação da fisioterapia forense que vem tomando forma é a 
atuação militar, existindo profissionais que atuam e ministram cursos. 
Assim como nas outras áreas da fisioterapia forense, na militar não é diferente, a a tu-
ação é relacionada à elaboração de documentos legais referentes às disfunções físicas e 
funcionais, mas pertinentes às situações litigiosas dos militares, sendo eles os profissionais 
do Exército, da Marinha, da Aeronáutica, da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, de 
acordo com a ABFF.
Diferentes são os motivos para que militares ingressem com ações contra a instituição, 
sendo estas comuns em situações de acidentes e/ou doenças ocorridas em ato de serviço.
A esfera militar possui linguajar próprio, tendo os documentos de saúde e acidentes 
denominações próprias, como inspeção de saúde, exame realizado pelas corporações, 
reformas e licenciamentos, que seriam os benefícios. Não diferente, o direito militar pos-
sui um linguajar próprio, sendo de extrema importância que o profissional que pretende 
atuar nessa área se especialize não apenas na fisioterapia forense mas também, especi-
ficamente, na área militar.
Assim como em outras demandas da fisioterapia forense, há a possibilidade de o 
militar ingressar com pedido administrativo de revisão. Quando não houver a resolução 
da situação desse militar, ele poderá recorrer à Justiça. Da mesma forma que vimos em 
outras unidades, os pedidos na esfera administrativa seguem regras próprias e, quando 
a ação é ajuizada na Justiça estatal, é o CPC que rege o processo. 
Fisioterapia Forense na Dermatofuncional
A atuação forense na dermatofuncional se relaciona, principalmente, com ações, que 
podem ser na Justiça estatal ou privada, envolvendo pedidos concernentes a danos à 
pele, também denominados estéticos.
Destacamos que essa área é muito ampla, pois a motivação da sequela estética pode 
ser de diversas origens, por exemplo: oriunda de um acidente, uma queimadura, procedi-
mentos cirúrgicos diversos, doenças dermatológicas, tratamentos estéticos, entre outros. 
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UNIDADE Outras Áreas da Fisioterapia Forense e Formas de Atuação
Vamos a alguns exemplos.
• Exemplo 1: o Senhor X sofreu um acidente de trabalho com fratura cominutiva de 
fêmur, sendo submetido a três intervenções cirúrgicas que resultaram em perda de 
tecido mole, com diversas cicatrizes. Nesse caso, como o autor sofreu acidente de 
trabalho, ao mover uma ação contra a empresa, ele poderá pleitear o pagamento 
de indenizações, incluindo por danos estéticos;
• Exemplo 2: a Senhora Y iniciou o tratamento facial em uma clínica estética, sendo 
submetida a laser para tratamento de manchas no rosto. Após a sessão, a Senhora Y 
notou queimaduras em seu rosto, as quais, mesmo seguindo as orientações, persisti-
ram. Devido ao quadro, a Senhora Y buscou atendimento com dermatologista, que 
constatou que o laser atingiu as camadas profundas da pele, causando a formação 
de úlceras consolidadas e não passíveis de melhora. Nesse caso, a Senhora Y pode 
ajuizar uma ação contra a clínica e contra a profissional, pleiteando indenizações.
O exemplo 2 foi extraído de um caso real. Na reportagem “Clínica deve indenizar por 
queimadura no rosto“, você pode obter informações sobre o caso. 
Disponível em: https://bit.ly/3htdimf
Além das ações que envolvem acidentes e outrasdoenças, conforme veremos mais 
detalhes na seção 2 desta unidade, o pleito relacionado à sequela estética pode ser 
oriundo de ações movidas contra profissionais por uso inadequado de equipamentos ou 
em relação a procedimentos estéticos com resultados não esperados pelo cliente.
Importante destacar que a fisioterapia forense aplicada à dermatofuncional não se 
limita a ações que envolvem procedimentos realizados por fisioterapeutas, mas, sim, 
qualquer ação que tem pleitos relacionados a danos físicos e/ou funcionais na pele. 
Contudo, há necessidade de se observar o objetivo da perícia nesses casos, pois, para a 
definição do nexo entre o procedimento e o dano, pode ser necessário investigar a culpa 
dos envolvidos. Ademais, alguns casos movidos contra profissionais de outras áreas podem 
extrapolar sua capacidade de avaliação. Sempre trabalhe com ética.
Mas vamos ao que interessa. Como se avalia um caso relacionado à dermatofuncional. 
Não se iluda, assim como descrito nas outras unidades de nosso curso, caberá ao profis-
sional avaliador escolher a metodologia que utilizará em sua avaliação. 
No caso de danos causados à pele, a CIF, em seu capítulo 8 de funções do corpo e 
também capítulo 8 das estruturas do corpo, trata da pele e das estruturas relacionadas. 
Assim, a CIF pode ser utilizada nesses casos, porém, como já discutimos em Unidades 
anteriores, ela não é um método de avaliação, mas uma classificação! Ou seja, a partir 
dos resultados encontrados na avaliação físico-funcional, que foram comparados com 
os resultados considerados normais pela literatura, será possível quantificar, qualificar e 
codificar tais resultados pela CIF.
Desse modo, como qualquer outra avaliação fisioterápica, haverá a necessidade de o 
profissional escolher a metodologia de avaliação e firmar o seu diagnóstico fisioterapêu-
tico. No caso da fisioterapia forense aplicada à dermatofuncional, não é diferente. Acres-
centa-se que existem outros baremos que podem ser utilizados como fundamentação, 
mas nunca se esqueça de fundamentar sua avaliação. 
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Fisioterapia Forense Criminal
Vamos conhecer mais uma possibilidade de atuação da fisioterapia forense, mas, não se 
iluda, não estamos falando da atuação como nos casos de seriados de investigação crimi-
nal. Até porque a fisioterapia forense se relaciona com a elaboração de documentos legais 
referentes às disfunções dos movimentos humanos, ou seja, o indivíduo precisa estar vivo. 
A atuação do fisioterapeuta forense na esfera criminal ainda é pouco explorada, mas 
com potencial, pois há várias ações que necessitam da investigação de disfunções dos 
movimentos humanos.
Como exemplo, vamos ver melhor a contextualização na seção 2 desta aula. Citamos 
que as ações concernentes às relações de consumo podem correr na esfera criminal, 
esclarecendo que a relação entre o paciente e o profissional pode ser enquadrada como 
relação de consumo. Assim, ações movidas contra profissionais podem correr na esfera 
criminal, a depender de suas especificidades. 
Outro exemplo de possibilidade de atuação são as ações que envolvem agressões, como 
é o caso da Lei Maria da Penha, visto que o indivíduo agredido pode evoluir com disfunções 
em virtude das agressões e, após sua caracterização, ter influência na pena no agressor.
O Erro Fisioterapêutico – 
Direito Fisioterapêutico
Lucas (2019) versa que o fisioterapeuta, para o exercício legal da profissão, necessita, 
obrigatoriamente, ser inscrito no CREFITO da região em que pretende atuar. Igual-
mente, o autor considera que, para a atuação, o profissional precisa de conhecimentos 
aprofundados e gestão ético-legal de sua rotina. 
Falando em ética, a R esolução COFFITO nº 424, de 8 de julho de 2013, estabelece 
o Código de Ética e Deontologia da Fisioterapia e, em seus artigos 5º e 18, expõe:
Art. 5º. No exercício de sua atividade profissional o fisioterapeuta deve obser-
var as normatizações e recomendações relativas à capacitação e à titulação 
emanadas pelo Conselho Federal de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional.
Art.18. A responsabilidade do fisioterapeuta por erro cometido em sua 
atuação profissional, não é diminuída, mesmo quando cometido o erro 
na coletividade de uma instituição ou de uma equipe, e será apurada na 
medida de sua culpabilidade. (COFFITO, 2013)
Soma-se que o profissional, além do conhecimento de sua legislação profissional, 
deve conhecer as imputações legais que pode sofrer, incluindo suas responsabilidades 
civil, criminal e com relação ao Código de Defesa do Consumidor (LUCAS, 2019). 
O art. 927 do C ódigo Civil (CC) brasileiro diz que:
A rt. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a 
outrem, fica obrigado a repará-lo.
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UNIDADE Outras Áreas da Fisioterapia Forense e Formas de Atuação
Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independente-
mente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade 
normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, 
risco para os direitos de outrem. (BRASIL, 2002)
Citamos o conteúdo dos arts. 186 e 187 do CC para contextualização:
Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou 
imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusiva-
mente moral, comete ato ilícito.
Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exer-
cê-lo , excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico 
ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes. (BRASIL, 2002)
Ademais, a questão de reparação dos danos consta nos arts. 949 e 950 do CC:
Art. 949. No caso de lesão ou outra ofensa à saúde, o ofensor indenizará 
o ofendido das despesas do tratamento e dos lucros cessantes até ao fim 
da convalescença, além de algum outro prejuízo que o ofendido prove 
haver sofrido.
Art. 950. Se da ofensa resultar defeito pelo qual o ofendido não possa exer-
cer o seu ofício ou profissão, ou se lhe diminua a capacidade de trabalho, a 
indenização, além das despesas do tratamento e lucros cessantes até ao fim 
da convalescença, incluirá pensão correspondente à importância do traba-
lho para que se inabilitou, ou da depreciação que ele sofreu. (BRASIL, 2002)
Assim, considerando o Código de Ética de Deontologia da Fisioterapia e o Código 
Civil, resta claro que o profissional fisioterapeuta pode responder civilmente pelos danos 
gerados a pacientes. 
Furtado (2014) expõe que os danos mais comuns que podem gerar ações judiciais para 
reparação civil contra profissionais ou clínicas de fisioterapia são as queimaduras provo-
cadas pelo uso inadequado de equipamentos e as lesões ortopédicas sofridas durante o 
tratamento fisioterapêutico.
Na matéria jornalística “Juíza manda prefeitura indenizar idoso por queimadura 
em fisioterapia”, é abordado um caso em que a prefeitura de Fortaleza foi condenada 
a indenizar um paciente que sofreu queimaduras durante sessão de fisioterapia. Dispo-
nível em: https://glo.bo/3w64bgF
Lucas (2019) explicita que, para ocorrer a caracterização do dano como ato ilícito e, 
consequentemente, o profissional poder sofrer ação, é necessário que estejam presentes 
quatro elementos, quais sejam:
• a conduta técnica, seja de forma ativa (ação), seja negativa (omissão);
• a culpa;
• a violação do direito de outrem;
• a lesão ou o dano.
Em síntese, há necessidade de a ação ou a omissão do fisioterapeuta ter relação com 
a lesão ou o dano, sendo igualmente necessária a avaliação de culpa em sua ocorrência. 
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Culpa é definida pela constatação de intenção ou negligência, imprudência ou imperícia 
do profissional. 
Lucas (2019) conceitua a imprudência, a negligência ou a imperícia do profissional 
da seguinte forma:
1. A imprudência é a falta de zelo quanto a uma ação, ou seja, o Fisio-
terapeuta apesar de ser dotado de conhecimento técnico para realizar 
determinado ato fisioterapêutico, não o faz de forma cautelosa. O profis-
sional tem total conhecimento sobre o risco de alguma atitude a ser ou 
nãotomada, mas a ignora e toma a decisão de agir mesmo assim ;
2. A negligência o corre quando o fisioterapeuta deixa de apresentar uma 
conduta baseada em um roteiro técnico de boas práticas, não se investe 
das devidas precauções, age com descuido, sem atenção ;
3. A imperícia r efere-se a falta de habilitação e/ou capacitação técnica 
para determinado ato fisioterapêutico.
A ocorrência do dano pode, inclusive, ser caracterizada como dolosa (intencional, 
assumindo o risco) ou culposa (quando não havia a intenção). Nos casos de constatação 
de dolo, é possível que a responsabilidade civil seja transferida para criminal.
Ainda, devemos considerar que a relação entre o fisioterapeuta e o paciente caracte-
riza uma relação jurídica de consumo, podendo ser utilizados os fundamentos legais do 
Código de Defesa do Consumidor. 
Nesse sentido, Lucas (2019) expõe que o erro fisioterapêutico é caracterizado quando 
há consequência negativa previsível e evitável de um ato fisioterapêutico que culmina 
em dano físico e/ou funcional, não sendo caracterizado quando há consequência não 
previsível ou evitável.
Agora vem a pergunta: mas como o fisioterapeuta pode se resguardar de futuras ações?
Há algumas possibilidades, sendo a primeira, claro, conhecendo e respeitando o 
 Código de Ética e Deontologia da Fisioterapia, além de se especializar e atuar como pro-
fissional capacitado, e não apenas habilitado, como exige a R esolução COFFITO nº 414, 
de 23 de maio de 2012, mantendo o registro em prontuário pelo fisioterapeuta. 
É importante salientar que o prontuário fisioterapêutico pode ser utilizado como 
prova em possíveis ações, visto que, nele, devem constar, entre outras informações, o 
diagnóstico e o prognóstico fisioterapêutico, o plano terapêutico e a evolução da condi-
ção do cliente/paciente. Ressaltamos, igualmente, que, quanto mais detalhado for o seu 
prontuário, melhor será em possíveis ações futuras. 
Por fim, enfatizamos que o fisioterapeuta, independentemente de sua área de atuação, 
deve ter conceitos básicos do direito fisioterapêutico, a fim de atuar conscientemente de 
suas responsabilidades e de possíveis imputações legais de suas ações. 
Veja, na Resolução COFFITO nº 414, o conteúdo mínimo que deve constar no prontuário 
fisioterapêutico. Disponível em: https://bit.ly/3ycYxuH
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UNIDADE Outras Áreas da Fisioterapia Forense e Formas de Atuação
Formas de Atuação do Fisioterapeuta 
e Documentos Emitidos
No decorrer do nosso curso, percebemos que o fisioterapeuta forense possui três 
principais formas de atuação na Justiça estatal: perito do juiz, assistente técnico e con-
sultor. A seguir, vamos entender melhor cada forma de atuação e suas particularidades.
Perito do Juiz
Como vimos, o perito do juiz é nomeado no processo pelo próprio juiz, quando a 
prova de fato depender de conhecimento técnico ou científico, conforme constante no 
art. 156 do CPC/2015 (BRASIL, 2015). 
A atuação do perito é balizada pela seção X do capítulo XII do CPC/2015, do art. 464 
ao art. 480, que é dedicada à prova pericial, dispondo sobre as especificidades da atua-
ção e dos procedimentos, sendo o perito do juiz obrigado a atender a tais preceitos, sob 
pena de destituição. 
Após a nomeação no processo, o perito apresentará proposta de honorários, currículo 
e contatos, de acordo com o CPC/2015. Contudo, na prática, é um pouco diferente.
Com relação aos honorários, seu pagamento é variável conforme o tipo de Justiça e 
a região de atuação. Por exemplo, na Justiça Federal, comumente o tribunal possui um 
valor-padrão a ser pago ao perito, que o recebe após a apresentação do laudo. Já, na 
Justiça estadual, é variável, há varas que possuem um valor fixo a ser pago ao perito, 
que recebe após a entrega do laudo, mas, em casos de maior complexidade, é possível 
solicitar o majoramento dos honorários e, em alguns casos específicos, o juiz solicita ao 
perito a proposta de honorários. 
Por sua vez, o honorário na Justiça do Trabalho é um pouco diferente. Quando, da acei-
tação da nomeação, o perito pode sugerir seus honorários, bem como o fazer no momento 
da apresentação do laudo pericial, mas, nem sempre é considerado. Na Justiça do Traba-
lho, há algumas varas que pagam honorários prévios, comumente solicita à reclamada o 
pagamento, sendo este um adiantamento de um valor para “ajudar” o perito a iniciar os 
trabalhos periciais, já que os honorários finais serão pagos apenas após trânsito julgado, 
isto é, após não caberem mais recursos, ou seja, no final do processo, e isso pode levar 
até alguns anos. 
Quanto ao valor, também há uma particularidade na Justiça do Trabalho. Quem pagará 
os honorários do perito será a parte sucumbente, ou seja, a que perdeu, e o valor é defi-
nido pelo juiz em sua sentença. Assim, se a reclamada for sucumbente, ela arcará com o 
pagamento dos honorários e, caso o reclamante seja o sucumbente, ele arcará, podendo 
ser com os valores devidos na própria ação relacionada a outros pleitos. Contudo, se o 
reclamante for sucumbente e for beneficiário da Justiça gratuita, não precisará pagar os 
honorários, os quais serão pagos pelo tribunal. Mas, no caso de honorários pagos pelo 
tribunal, há um teto a ser definido para pagamento, determinado pelo CNJ. 
Vamos voltar ao processo de atuação do perito, pois paramos na aceitação da nomea-
ção. Após a aceitação, o perito inicia o seu encargo, devendo agendar a perícia e comunicar 
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às partes com, no mínimo, cinco dias de antecedência. Caso o perito realize o ato peri-
cial em duas etapas (exame e vistoria), deve comunicar às partes e prover o agendamento 
de ambas. 
Depois de realizar as diligências, o perito deve confeccionar seu laudo pericial, atendendo 
ao art. 473 do CPC/2015, e apresentar seu laudo dentro do prazo determinado pelo juiz 
em sua nomeação. 
Após a apresentação do laudo, as partes poderão se manifestar sobre ele e, em seguida, 
o perito deve relatar seus esclarecimentos às manifestações apresentadas. Essa etapa pode 
ocorrer mais de uma vez, sendo necessário apresentar esclarecimentos quantas vezes 
forem solicitadas pelo juiz.
Caso os esclarecimentos não sejam suficientes, o perito pode ser intimado a compa-
recer em audiência, o que não é comum de acontecer.
Por fim, o juiz apreciará o laudo pericial e deverá expor os motivos que o levaram a 
considerar ou não as conclusões periciais apresentadas. Então, associado à análise das 
demais provas processuais, formalizará seu entendimento em sua sentença.
Importante destacar que, se a matéria não estiver suficientemente esclarecida, o juiz 
poderá determinar a realização de nova perícia.
Assistente Técnico
Como vimos, a atuação do assistente técnico também está resguardada pelo 
CPC/2015, que afirma que, após a nomeação do perito, as partes poderão indicar assis-
tentes técnicos. Assim, qualquer uma das partes do processo pode indicar assistente téc-
nico, sendo estes de confiança da parte e não sujeitos a impedimentos ou suspeição. 
Depois da nomeação do perito e da abertura do prazo para indicação de assistentes, 
também é aberto o prazo para as partes apresentarem quesitos, que são perguntas a que 
o perito terá que responder em seu laudo pericial. O assistente técnico pode auxiliar os 
advogados na formulação de tais quesitos. 
Então, o assistente constará no processo, tendo direito de acompanhar todas as dili-
gências periciais realizadas pelo perito do juiz. Ademais, de acordo com o art. 473 do 
CPC/2015, ele pode valer-se de todos os meios necessários, ouvindo testemunhas, obten-
do informações, solicitando documentos que estejam em poder da parte, de terceiros 
ou em repartições públicas, bem como instruir o laudo com planilhas, mapas, plantas, 
desenhos, fotografias ou outros elementos essenciais ao esclarecimento do objeto da 
perícia. Ou seja, o perito não pode impedir que o assistente técnico utilize os meios que 
considerar necessários para o desempenho de sua função. 
Após o acompanhamento das diligências periciais e suaprópria análise, o assistente 
técnico emitirá seu parecer técnico, devidamente fundamentado. 
Em seguida à apresentação do laudo pericial, é aberto o prazo para que as partes apre-
sentem suas manifestações, podendo esse documento também ser formulado pelo assis-
tente técnico, ou ao menos subsidiar a petição do advogado. Depois do esclarecimento do 
perito do juiz, pode ser aberto prazo para novas manifestações, e assim sucessivamente. 
Com relação aos honorários, quem paga o assistente? O assistente é pago pela parte 
que o contratou, o valor e a forma de pagamento são definidos entre o contratante e o 
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UNIDADE Outras Áreas da Fisioterapia Forense e Formas de Atuação
contratado e devem ser firmados em contrato. Ainda, é importante delimitar, em contrato , 
quais os serviços que serão prestados. Por exemplo, o assistente pode ser contratado 
apenas para acompanhar a perícia e emitir seu parecer técnico ou pode ser contratado 
para auxiliar em todas as etapas do processo. 
No caso de assistente técnico do autor, é comum a cobrança por êxito da ação, ou 
seja, seu pagamento está vinculado ao êxito da ação e ao valor da indenização, sendo 
acordado um percentual a ser pago ao assistente no final do processo. Mas, como já 
dito, a forma de pagamento deve ser acordada com o contratante e pode ser feita de 
diferentes maneiras. 
Consultor
O consultor, também chamado de jurisconsultor, não é uma figura que aparece no 
CPC, isso porque ele não aprece oficialmente no processo, como é o caso do assistente 
técnico, que é indicado, no processo, pela parte. 
A atuação do consultor traz mais possibilidades de serviços, pois o seu trabalho pode 
começar até antes do início da ação. Vamos entender: geralmente, o jurisconsultor é 
um profissional que trabalha em conjunto com o advogado e, no caso da parte autora, 
o advogado pode solicitar ao consultor uma análise de viabilidade da ação, em que o 
consultor irá analisar os documentos que o autor possui e informar o advogado sobre os 
pontos positivos e negativos e a viabilidade de sucesso da ação, além de indicar possibili-
dades para aumentar a probabilidade de êxito, como solicitar novos exames e pareceres. 
Além disso, o consultor poderá examinar o autor e emitir seu parecer ad hoc, que 
pode ser utilizado para dar start à ação e fazer parte dos documentos apresentados pelo 
autor em sua petição inicial. 
Por não estar indicado no processo, o consultor não acompanha o ato pericial, mas 
pode subsidiar os documentos elaborados pelos advogados, fornecendo subsídios técnicos 
para a confecção da petição inicial do autor, a formulação dos quesitos e a manifestação 
sobre o laudo pericial, além de subsídios para fundamentar as razões finais e os recursos 
a serem apresentados. 
No caso de consultores para o réu, a atuação se inicia no recebimento da ação, sendo 
possível estimar a probabilidade de êxito e indicar a viabilidade de um acordo. Além disso, 
subsidiará a confecção da contestação (defesa) da ré e demais passos similares aos do 
consultor do autor. 
Importante ressaltar que o assistente técnico também pode atuar como consultor, tudo 
dependerá do que está acordado com seu cliente. A questão do pagamento dos honorá-
rios é similar à do assistente técnico e deve ser firmada com o contratante. 
Chegamos ao fim do nosso curso. Como dito no início da nossa jornada, a fisioterapia 
forense é uma forma de atuação díspar da comumente realizada por fisioterapeutas e 
envolve diversas esferas que não as da fisioterapia, sendo necessários conhecimentos de 
direito e específicos da área de atuação. Com certeza, ainda restam dúvidas dessa área de 
atuação, mas já há produção científica nesse campo que pode auxiliar na bagagem neces-
sária para a atuação, assim como há diversos cursos na área para aprimorar seus conheci-
mentos. Mas, não se esqueça, sempre busque conhecimento em fontes confiáveis e nunca 
pare de estudar. Isso serve para qualquer área de atuação ou especialidade que seguir. 
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Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Sites
ABRAPEFI – Associação Brasileira de Perícias Fisioterapêuticas
No site da ABRAPEFI, há um campo com as principais legislações para a atuação do fisio-
terapeuta em perícias, incluindo súmulas sobre a atuação deste e mandados de segurança 
garantindo a presença de fisioterapeuta como assistente técnico em perícias em que outros 
profissionais da saúde são nomeados. 
https://bit.ly/2TiLvgD
 Vídeos
PeritoTeca
A PeritoTeca é um podcast de perícia fisioterapêutica, em que os profissionais Dr. Douglas 
Garcia e o Dr. Tiago Marchese falam sobre a atuação em perícias fisioterapêuticas e fisio-
terapia forense em diferentes áreas de atuação.
https://bit.ly/3wfoMPM
 Leitura
As Diferenças e Características das Perícias Médicas para as Perícias Fisioterapêuticas
Nesse artigo, o professor José Ronaldo Veronesi Junior faz uma comparação entre perícias 
médicas e fisioterapêuticas.
https://bit.ly/3jMBlQf
Art. 464 ao art. 480 do novo CPC comentado artigo por artigo
Neste link, você pode conhecer na íntegra os artigos do CPC/2015 relacionados à pe-
rícia judicial.
https://bit.ly/3dBP4FA
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UNIDADE Outras Áreas da Fisioterapia Forense e Formas de Atuação
Referências
BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Diário Oficial 
da União: seção 1, Brasília, DF, ano 139, n. 8, p. 1-74, 11 jan. 2002. PL nº 634/1975. 
________. Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015. Código de Processo Civil. Brasília , 
DF: Presidência da República, 2015. Disponível em: . Acesso em: 13/03/2021.
COFFITO – Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional. Resolução nº 414, 
de 23 de maio de 2012. Dispõe sobre a obrigatoriedade do registro em prontuário 
pelo fisioterapeuta, da guarda e do seu descarte e dá outras providências. Brasília, DF: 
COFFITO, 2012. Disponível em: . Acesso 
em: 13/03/2021.
________. Resolução nº 424, de 8 de julho de 2013. Estabelece o Código de Ética 
e Deontologia da Fisioterapia. Brasília, DF: COFFITO, 2013. Disponível em: . Acesso em: 13/03/2021.
FURTADO, G. R. Responsabilidade civil dos fisioterapeutas e das clínicas de fisioterapia. 
Civilistica.com, Rio de Janeiro, n. 2, ano 3, jul.-dez. 2014. Disponível em: . Acesso em: 13/03/2021.
LUCAS, R. W. C. Fisioterapia forense: atuação fisioterapêutica na Justiça estatal e 
privada. 4. ed. Florianópolis: Gráfica e Editora Rocha, 2016.
________. Direito fisioterapêutico. Jusbrasil, 2019. Disponível em: . 
Acesso em: 13/03/2021.
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