Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

ACESSE AQUI ESTE 
MATERIAL DIGITAL!
IVERSON KECH FERREIRA
VITIMOLOGIA 
E O MODELO 
CONSENSUAL 
DE JUSTIÇA 
CRIMINAL
Coordenador(a) de Conteúdo 
Gerson Faustino Rosa
Projeto Gráfico e Capa
Arthur Cantareli Silva
Editoração
Edinei Tomelin
Design Educacional
Lucio Carlos Ferrarese
Revisão Textual
Tatiane Schmitt Costa
Ilustração
Geison Ferreira da Silva
Fotos
Shutterstock e Envato
Impresso por: 
Bibliotecária: Leila Regina do Nascimento - CRB- 9/1722.
Ficha catalográfica elaborada de acordo com os dados fornecidos pelo(a) autor(a).
Núcleo de Educação a Distância. FERREIRA, Iverson Kech.
Vitimologia e o Modelo Consensual de Justiça Criminal / Iverson 
Kech Ferreira. - Florianópolis, SC: Arqué, 2024.
208 p.
ISBN papel 978-65-6137-429-3
ISBN digital 978-65-6137-431-6
1. Vitimologia 2. Modelo Consensual 3. Justiça Criminal 4. EaD. I. Título. 
CDD - 364
EXPEDIENTE
FICHA CATALOGRÁFICA
N964
03506869
RECURSOS DE IMERSÃO
Utilizado para temas, assuntos ou con-
ceitos avançados, levando ao aprofun-
damento do que está sendo trabalhado 
naquele momento do texto. 
APROFUNDANDO
Uma dose extra de 
conhecimento é sempre 
bem-vinda. Aqui você 
terá indicações de filmes 
que se conectam com o 
tema do conteúdo.
INDICAÇÃO DE FILME
Uma dose extra de 
conhecimento é sempre 
bem-vinda. Aqui você 
terá indicações de livros 
que agregarão muito na 
sua vida profissional.
INDICAÇÃO DE LIVRO
Utilizado para desmistificar pontos 
que possam gerar confusão sobre o 
tema. Após o texto trazer a explicação, 
essa interlocução pode trazer pontos 
adicionais que contribuam para que 
o estudante não fique com dúvidas 
sobre o tema. 
ZOOM NO CONHECIMENTO
Este item corresponde a uma proposta 
de reflexão que pode ser apresentada por 
meio de uma frase, um trecho breve ou 
uma pergunta. 
PENSANDO JUNTOS
Utilizado para aprofundar o 
conhecimento em conteúdos 
relevantes utilizando uma lingua-
gem audiovisual.
EM FOCO
Utilizado para agregar um con-
teúdo externo.
EU INDICO
Professores especialistas e con-
vidados, ampliando as discus-
sões sobre os temas por meio de 
fantásticos podcasts.
PLAY NO CONHECIMENTO
PRODUTOS AUDIOVISUAIS
Os elementos abaixo possuem recursos 
audiovisuais. Recursos de mídia dispo-
níveis no conteúdo digital do ambiente 
virtual de aprendizagem.
4
145U N I D A D E 3
A JUSTIÇA RETRIBUTIVA E A JUSTIÇA RESTAURATIVA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .146
O MODELO CONSENSUAL DE JUSTIÇA NO BRASIL: ADVENTOS DA 
LEI N° 9099/1995 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .168
OS CAMINHOS PARA AS ALTERNATIVAS: POLÍTICA CRIMINAL E O 
MINIMALISMO PENAL . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .188
7U N I D A D E 1
HISTÓRICO: VITIMOLOGIA E CRIMINOLOGIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
OS ESTUDOS E OBJETIVOS DA VITIMOLOGIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .34
GRAUS DE VITIMIZAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DA VITIMOLOGIA . . . . . . . . . . . . . . . .56
81U N I D A D E 2
A VITIMOLOGIA NO DIREITO BRASILEIRO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .82
A INVISIBILIDADE LATENTE: A OMISSÃO ESTATAL FRENTE DETERMINADAS 
VÍTIMAS DE CRIMES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .104
DIREITOS, GARANTIAS FUNDAMENTAIS E PROTEÇÃO À VÍTIMA: MECANIZANDO 
A TUTELA JURÍDICA E PESSOAL . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .122
5
SUMÁRIO
UNIDADE 1
MINHAS METAS
HISTÓRICO: VITIMOLOGIA 
E CRIMINOLOGIA
Analisar os conceitos de Vitimologia na história.
Entender o significado de Vitimologia no Direito Penal Nacional.
Examinar os estudos da Criminologia acerca da Vitimologia.
Interpretar os estudos da Vitimologia na história da Criminologia.
Explorar as análises sobre crimes e vítimas.
Investigar a evolução dos estudos da Vitimologia na história.
Examinar a evolução do conceito de Vitimologia e suas interpretações pelo tempo.
T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 1
8
INICIE SUA JORNADA
Estudante, estudar Criminologia exige entender as mudanças diversas e o com-
plexo desenvolvimento social causado pela passagem do tempo e das novas 
maneiras de enxergar o movimento da sociedade, motivado pela globalização. 
Tecnologias recentes nos demonstram essa mudança, o novo paradigma da co-
municação surge com força de transformar todo o trato social, a internet e suas 
possibilidades diversas de apresentar um novo mundo que se abre a frente, com 
suas novas oportunidades e terrenos desconhecidos.
Entretanto, há também a complexidade das relações sociais, causada por 
diversos estímulos que se amoldam como novo padrão no compromisso entre as 
pessoas. Estudar o contexto em que vivemos demanda, hoje, muita informação 
sobre as perspectivas diversas que transformam a maneira pela qual as pessoas 
convivem, com as novas tecnologias e o contato com culturas diversificadas, 
cada vez mais presentes. Por esse motivo, o criminólogo precisa entender as mu-
danças sociais, causadas por inúmeras possibilidades. Deve-se relacionar com o 
mundo a sua volta a partir das experiências de pessoas desconhecidas, e de suas 
expectativas; é preciso interpretar todo o contexto social que se transforma, pois 
a sociedade está sempre em movimento.
Nesse sentido, é necessário se envolver com os estudos de uma forma comple-
ta, alcançando um conhecimento que pode ser capaz de interferir mesmo em po-
líticas públicas de qualidade, na área da segurança pública e também na educação. 
As pesquisas realizadas por criminólogos compenetrados qualificam qualquer 
programa social em nível de segurança nas cidades, uma vez conhecedoras das 
mazelas e adversidades presentes em suas margens. Portanto, o profissional que 
estuda, labora ou desenvolve projetos na área de segurança pública, precisa en-
tender os enfoques, mudanças e até mesmo os pormenores das erudições trazidas 
pela Criminologia para melhor desenvolver seu ofício.
Aqui, nós analisamos a Vitimologia. Trata-se de uma matéria de extrema im-
portância, pois através dela podemos entender melhor o conceito de crimes, bem 
como compreender os problemas enfrentados pelas vítimas de desvios, como trau-
mas, ansiedades e aflições. Imagine uma vítima de crime, abandonada à própria 
sorte, sendo importante para o Estado apenas para a continuação da ação penal, 
servindo somente como mero instrumento capaz e essencial para mecanizar a 
persecução contra o agente que praticou o ilícito. Aqui, essa personagem sofre dois 
UNIASSELVI
9
TEMA DE APRENDIZAGEM 1
tipos de delitos, o primeiro, causado pelo criminoso, e o segundo, pelo abandono e 
inércia do Estado sobre sua condição física, moral e até mesmo social, após o crime.
Em um segundo plano, imagine agora um crime cometido de tal forma, que 
sem a participação da própria vítima seria improvável que acontecesse. Isso pode 
ocorrer em injustas provocações, nos casos de crimes passionais, ou em vítima 
que incorre contra si mesmo, quando caminha a pé em lugar de risco à noite.
Todos esses estudos são capazes de desenvolver caminhos para o Direito 
Penal, para a investigação e até mesmo para responder o porquê determinados 
crimes ocorrem mais em um ponto da cidade do que em outros.
Convido você a ouvir o podcast que preparamos sobre o assunto tratado neste 
tema. Aqui, desenvolvemos como se deu a evolução da palavra vítima e dos es-
tudos de Vitimologia no decorrer da história, e quais os principais expoentes para 
que a matéria passasse a ser analisada com responsabilidade e conhecimento. 
Vamos lá!? Recursos decomo sofredor do mesmo crime, através do medo.
PONTO C
Trata-se de uma Declaração da ONU, portanto, com reconhecimento mundial e refle-
xos a todos os países signatários.
UNIASSELVI
4
1
TEMA DE APRENDIZAGEM 2
E é nesse ponto que a declaração apresenta uma das primordiais análises no 
aspecto da prestação de apoio:
“Evitando atrasos desnecessários na 
resolução das causas e na execu-
ção dos mandados ou decretos que 
concedam indenizações às vítimas” 
(KOSOVSKI, 1992, p. 40).
“Serão utilizados, quando adequados, 
mecanismos oficiosos para a solução 
das controvérsias, incluídas a mediação, 
a arbitragem e as práticas de justiça 
consuetudinária ou autóctone, no sentido 
de facilitar a conciliação e a reparação em 
favor das vítimas” (KOSOVSKI, 1992, p. 40).
Mecanismos que se tornam oficiosos na questão do direito de punição do Estado, 
podem ser considerados aqueles que preveem formas distintas de punição, que 
não vise somente a retribuição ao ilícito causado ou a simples vingança (ZAF-
FARONI, 2001). A Declaração aqui versa sobre formas alternativas de pena-
lização, que se tornem mais qualificadas tanto para o agente criminoso quanto 
para a vítima de seus crimes.
A Declaração versa sobre o ressarcimento e indenização, bem como, ao 
acompanhamento assistencial. Indica que governos devem ser capazes de re-
considerar suas normas e leis a fim de considerar o ressarcimento como uma 
possível sentença, quando em casos judiciais criminais. Desde 1988, para os tem-
pos modernos, o Brasil vem trabalhando em leis que ditam a despenalização de 
atos desviantes, como a Lei n° 9099/1995, que apresenta os Juizados Especiais 
Criminais e Cíveis em crimes de menor potencial ofensivo.
Na indenização às vítimas, a Declaração abre um fundamental aspecto; sobre 
as quem caberá a responsabilidade das compensações financeiras:
A- “Quando a indenização procedente do delinquente ou de outras fontes não for 
suficiente os Estados procurarão indenizar financeiramente.
B- As vítimas de delitos que tenham sofrido importantes lesões corporais ou prejuízo 
de sua saúde física ou mental como consequência do delito grave.
C- A família, particularmente as pessoas dependentes das vítimas que tenham 
sido mortas ou que tenham ficado física ou mentalmente incapacitadas como 
consequência de ação danificadora.
4
8
Será fomentado o estabelecimento, o reforço e a ampliação de fundos nacionais 
para indenizar as vítimas. Quando for apropriado, outros fundos poderão tam-
bém ser estabelecidos com esse propósito (KOSOVSKI, 1992).
Aqui, podemos notar o chamamento para uma maior participação do Estado 
na vida da vítima, quando não for suficiente o autor do delito para cumprir com a 
indenização total. Essa participação nos remete a uma efetiva presença do Estado 
na esfera pública e social. Há uma primeira intenção em trazer os aspectos jurí-
dicos dos danos morais e lucros cessantes, quando a vítima não conseguir mais 
realizar suas atividades habitualmente, por isso, a criação de um fundo nacional 
para amparo às vítimas de crimes se torna imprescindível para o atendimento de 
vítimas das mais diversas especificidades e localidades. No Brasil, foi aprovado, 
em 2012, o Fundo Nacional de Amparo à Mulheres Agredidas (Fnama), 
pelo Projeto Lei n° 109/2012, votado em dezembro daquele ano. A partir de 
então, 10 por cento do recolhimento anual de multas penais, além de doações 
da sociedade civil, contribuições de governos e organismos que ressaltem a de-
fesa da mulher, fazem parte de recursos destinados a essa personagem que vem 
ocupando dados negativos nas estatísticas nacionais.
Um dos grandes objetivos da Vitimologia é encontrar, em suas pesquisas, 
quem são as vítimas que mais estão determinadas a sofrerem ataques e a partir 
disso, encontrar um meio para solucionar seus conflitos. Em 1999, por intermé-
dio da Lei Federal n° 9.807/1999, foi criado o Programa de Proteção a Víti-
mas e Testemunhas Ameaçadas (PROVITA). O programa visa a proteção e a 
promoção dos direitos humanos das testemunhas de crimes e de seus familiares, 
considerando aspectos sociais e psicológicos, intentando a reinserção das vítimas 
nos âmbitos sociais e na satisfação de sua ampla cidadania.
UNIASSELVI
4
9
TEMA DE APRENDIZAGEM 2
Deputados do Rio de Janeiro visam criar um projeto de lei que tem por des-
taque um fundo de amparo permanente às comunidades escolares atingidas por 
ataques violentos. Ainda no início das tratativas em setembro de 2023, o projeto 
prevê a proteção e amparo a um grupo que ganhou as manchetes dos jornais na-
cionais; as vítimas de ataques às escolas, os estudantes, professores e funcionários 
dos estabelecimentos educacionais.
Se um dos objetivos da Vitimologia era chamar atenção para esse assunto e tema 
que merece grande destaque na sociedade, pode-se dizer que está conseguindo 
sucesso. Se ampla cidadania significa, além da consciência dos direitos individuais 
e coletivos por parte das pessoas, o cumprimento dos direitos fundamentais por 
parte do ente estatal, então a vitimologia é capaz de colocar a vítima de crimes 
em uma posição de equidade, através das políticas públicas em seu benefício que 
somente foram capazes de ser criadas a partir de um estudo compenetrado sobre 
o tema (SHECAIRA, 2004).
Nos últimos anos, os estudos da vitimologia se espalharam pelos mais impor-
tantes temas e assuntos, na esperança de transformar a matéria; não ficando ape-
nas restrita aos movimentos acadêmicos e estudantis. Medidas psicoterapeutas, 
análises de determinados grupos na sociedade como as mulheres e os idosos, a 
administração da justiça nos casos violentos tendo a vítima ou seus familiares 
como parte no processo, estratégias para evitar a vitimação, entre outros temas, 
fazem parte do universo de estudos da vitimologia.
Bittencourt (1974) apresenta a vitimologia como um estudo multidiscipli-
nar, apresentando diversas maneiras de interpretação da vítima e do caso em 
concreto, em uma gama de análises interdisciplinares, pois entende os problemas 
sociais a partir de sua complexidade.
Além da assistência às vítimas, portanto, a vitimologia pode ser definida através 
de seus objetivos primordiais, ao evidenciar a relevância da vítima no processo 
penal, tratando-a como sujeito dotado de dignidade; expor medidas capazes de di-
minuir determinados tipos de crimes e delitos contra vítimas previamente definidas; 
e entender a conduta da vítima, anterior ao fato criminoso (BITTENCOURT, 1974).
5
1
NOVOS DESAFIOS
Estudante, vimos os objetivos e a missão da Vitimologia, sempre coordenada aos 
estudos da Criminologia, que detecta os conflitos sociais inerentes à complexida-
de da atualidade e à vida em sociedade. Interpretar os aspectos do crime a partir 
da vítima, e também entender o personagem padecente do crime através da dig-
nidade da pessoa humana é considerado um marco aos estudos da vitimologia. 
Imagine uma situação em que a vítima não encontra nenhum amparo, seja pelo 
Estado ou mesmo, em âmbito social. 
A mudança de atitude se deve ao conhecimento, e destacar o sofrimento das ví-
timas de crimes e de seus familiares é capaz de estruturar a empatia social e a busca 
por ambientes mais seguros. Nesse ínterim, a vitimologia representa o seu objeto de 
estudos e análises pela condição que representa todas as áreas do estudo social: as 
investigações empíricas que demonstram a qualidade do estudo realizado, através 
do real contato com os problemas que padecemos. Assim, ao objetivar a vitimologia 
e conceituar as suas importâncias, entendendo-a como uma ciência estruturada por 
seus próprios objetos de pesquisa, conseguimos definir que o crime não é apenas 
uma condição humana, mas causado por diferentes valores e vontades. Entre esses 
valores, a escolha de vítimas mais propícias à banalização de seus direitos, através 
de sua vulnerabilidade. Entre esses valores, podemos criar políticas públicas de 
educação; e mesmo, políticas de segurança pública que intentem a diminuição da 
criminalidade emdeterminado setor da cidade em estudo. Perceba que os objetivos 
da vitimologia já nos demonstram a real importância desses estudos; elevar a pessoa 
ao máximo padrão da promoção humana.
Gostou do que discutimos até aqui? Tenho mais para conversar com você a respei-
to deste tema. Vamos lá? Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do 
ambiente virtual de aprendizagem.
EM FOCO
UNIASSELVI
5
1
1. Um dos fatores de maior contribuição da vitimologia é a criação de programas especiais e 
assistenciais para as vítimas, bem como, formas de penalização que se destacam a partir do 
desvio e crime cometido. A partir dos programas de acompanhamento às vítimas, analise 
e marque a alternativa correta:
a) Os programas de intervenção a favor das vítimas de crimes diversos auxiliam também com 
que todos os delitos cometidos cheguem à investigação e a consequente ação penal.
b) Por conta da criação dos programas assistenciais às vítimas, medidas extrajudiciais não 
são aceitas, sendo o processo penal e a consequente penalização medidas penais que 
se aplicam, em quaisquer casos.
c) Casos em que envolvam situações de menor potencial ofensivo, ou que possam não 
chegar à persecução penal através da força punitiva do Estado, podem ser remediados 
já em seu início.
d) A vitimologia trata apenas da vítima, por isso a nomenclatura, não se importando com a 
penalização do criminoso.
e) O Estado Democrático enfatiza a ampla cidadania através do direito de participação no 
sufrágio universal.
2. A vitimologia não serve apenas para a coleta de dados a respeito das vítimas de crimes, 
mas se envolve também com debates políticos específicos e políticas públicas fora dos 
âmbitos da segurança pública, que visem atender o público analisado, de forma extrajudi-
cial ou extrapenal, fora dos inquéritos e das delegacias de polícia. Sobre as contribuições 
da Vitimologia, analise as questões abaixo e assinale a alternativa que considerar correta:
a) Um dos intuitos essenciais da Vitimologia, é a punição do criminoso através da perse-
cução penal e de uma penalização pedagógica.
b) Para a Vitimologia, não existe diferença entre crimes de menor potencial ofensivo e 
aqueles que ferem de fato o bem jurídico tutelado, devendo os dois casos serem tratados 
com o rigor do direito de penalização do Estado.
c) Falta para a Vitimologia, a criação de programas especiais para vítimas de crimes e desvios.
d) A Vitimologia faz prevalecer a importância ao criminoso, deixando a vítima esquecida 
no drama criminal. 
e) A vitimologia contempla vários níveis de atuação em diferentes contextos repousando 
em um tripé: estudo e pesquisa, mudança de legislação e assistência e proteção à vítima.
AUTOATIVIDADE
5
1
3. O último plano escrito em 2021 com validade até o ano de 2030, define a Política Nacional 
de Segurança Pública e Defesa Social. A partir dele, a disposição de uma ordenação que visa 
o combate contra a criminalidade prevê a importância de um plano único e centralizado, 
mas que ao mesmo tempo descentralize as tomadas de decisões que devem ser realizadas 
pelas bases e dados estatísticos de cada região. Nesse sentido, observe as questões abaixo 
e marque a alternativa correta:
a) No Plano atual, a atuação da segurança a partir dos dados coletados e das estatísticas 
que definem grupos considerados vulneráveis e que precisam de um olhar mais crítico 
das forças de proteção do Estado.
b) Infelizmente, o Plano de Segurança atual não prevê análises sobre grupos vulneráveis e 
personagens hipossuficientes em nossa sociedade.
c) Estudos estatísticos realizados pela vitimologia e pela criminologia não fazem parte da 
criação de um Plano de Segurança Pública. 
d) Análises estatísticas não são envolvidas em políticas públicas, uma vez versarem sobre 
assuntos específicos como o estudo das vítimas.
e) O Plano de Segurança Pública é centralizador, ou seja, Estados não podem elaborar seus 
respectivos planos através de sua realidade. 
AUTOATIVIDADE
5
1
REFERÊNCIAS
BARATTA, A. Criminologia Crítica e Crítica do Direito Penal . Introdução à Sociologia do Direito 
Penal. 6° ed. Rio de Janeiro: Revan, 2011.
BITTENCOURT, E. de M. Vítima . São Paulo: Editora Universitária de Direito Ltda, 1974.
BURKE, A. Vitimologia: manual da vítima penal. 2ª. Ed. Salvador: Editora Juspodium, 2022.
DURKHEIM, E. As Regras do Método Sociológico . São Paulo: Martins Fontes, 2007.
KOSOVSKI, E. (Coord.). Vitimologia Enfoque Interdisciplinar . Rio de Janeiro: Reproarte, 1992.
MAYR, E. et al. Vitimologia em debate. São Paulo: RT, 1990.
PELLEGRINO, L. Vitimologia (história, teoria, prática e jurisprudência) . Rio de Janeiro: Forense, 1987.
PIEDADE JÚNIOR, H. Vitimologia, evolução no tempo e no espaço . Rio de Janeiro: Freitas 
Bastos, 1997.
POPPER, K. A Lógica da Pesquisa Científica. 2 ed. São Paulo: Cultrix, 2013.
SARLET, I. W. A eficácia dos direitos fundamentais: uma teoria geral dos direitos fundamentais 
na perspectiva constitucional. 11. ed. rev. atual. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2012.
SHECAIRA, S. S. Criminologia. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2004.
ZAFFARONI, E. R. Em busca das penas perdidas – A perda de legitimidade do sistema penal . 
Trad. Vânia Romano Pedrosa e Amir Lopes da Conceição. 5. ed. Rio de Janeiro: Revan, 2001.
5
4
1. Opção C.
Questão A é bem o contrário; por existirem os programas de apoio às vítimas, existe tam-
bém o apoio à resolução de conflitos extrajudiciais. Questão B está errada, em crimes de 
menor potencial ofensivos, ou naqueles em que a lei permitir, a despenalização e medidas 
extrajudiciais serão propostas. Questão D é incorreta, uma vez que intenta também uma 
penalização mais justa. Questão E é errada, uma vez que ampla cidadania significa ter seus 
direitos fundamentais respeitados.
2. Opção E.
A questão A é errada, uma vez que a vitimologia busca outras formas de punição, entre 
elas, a despenalização em crimes possíveis de aplicação desse instituto. Questão B está 
errada, pois a Vitimologia intenta não penalizar crimes de menor potencial ofensivo, tra-
tando de fazer valer algum tipo de restituição material. Questão C está incorreta, eis que 
a vitimologia foi responsável pela criação de alguns programas de proteção às vítimas no 
Brasil. Questão D está errada, pois a vítima é que se amolda como objeto de estudos da 
Vitimologia, não o criminoso.
3. Opção A. 
Questão B é incorreta, pois o plano de segurança pública em vigor estabelece cuidados com 
grupos hipossuficientes e pessoas em situação de vulnerabilidade. Questão C é incorreta pois 
as análises estatísticas formam a intenção inicial de qualquer plano. Questão D está errada, 
uma vez que as estatísticas enfocam os problemas mais veementes em uma sociedade de 
forma quantitativa e qualitativa, portanto, necessárias para a criação de qualquer estratégia. 
Questão E está errada, uma vez que o plano não é centralizador, mas propõe aos Estados que 
criem seus próprios planejamentos sempre respeitando o planejamento federal.
GABARITO
5
5
MINHAS METAS
GRAUS DE VITIMIZAÇÃO E 
CLASSIFICAÇÃO DA VITIMOLOGIA
Entender os graus de vitimização e sua importância para a vitimologia.
Interpretar quais são as classificações da vitimologia e qual a necessidade de seus estudos.
Analisar os conceitos de vitimologia, para um melhor entendimento dos assuntos argu-
mentados pela matéria.
Explorar o significado de vitimização.
Investigar o significado de cifras negras para a criminologia a partir da vitimologia.
Verificar a classificação das vítimas através de alguns doutrinadores da vitimologia.
Conhecer a importância das classificações para a investigação penal e a consequente 
aplicação da pena ao criminoso. 
T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 3
5
1
INICIE SUA JORNADA
Estudante, agora é a hora de você identificar as classificações de vítima e os graus de 
vitimização, criados pelos mais importantes estudiosos dessa área. Isso é importante, 
pois, nas mais diversas funções, seja em investigação criminalou no âmbito do po-
der judiciário, definir os passos do crime desde o início juntamente com a atividade 
da vítima, pode ser capaz de determinar uma penalização mais adaptável ao caso 
concreto que é apresentado. Assim, desde a pena restritiva de liberdade, de direitos 
ou a indenização material do ato desviante, podem passar a ser pensadas através da 
dupla penal que envolve vítima e criminoso. Muitas vezes, você já deve ter notado que, 
após o crime e a consequente penalização, a vítima ou seus familiares ficam à deriva, 
tanto do processo, quanto da atenção do Estado. Isso ocorre devido à mecanização 
que estrutura o direito penal e sua racionalidade desde os primórdios, acentuando 
sua participação cerrada unicamente na esfera da penalização. Entretanto, a respon-
sabilidade do Estado, e do autor dos crimes e desvios, vão mais além. O Estado deve 
desenvolver as mais possíveis formas de indenizar a vítima, e mais que isso, acompa-
nhá-la em um dos momentos mais marcantes de sua vida. 
Mas, para que se tenha ao certo o quantum indenizatório ou a penalização 
do indivíduo, investigar a participação da vítima nos eventos delituosos passa a 
ser de grande importância. 
A partir desses estudos, a vitimodogmática, capaz de alterar leis e criar novas 
normas nos códigos penalizadores do direito, inicia suas tratativas de análises 
quanto à participação da vítima no crime, em situações que sem sua coadjuva-
ção o delito não teria ocorrido. Dessa forma, as penas passam a ser desenvolvi-
das através dos diagnósticos da dupla penal, podendo ser mais precisas quando 
aplicadas. E não se trata de despenalizar o direito, mas de uma justa pena, como 
imaginavam os primórdios estudos da Escola Clássica da Criminologia.
No podcast apresentado, você poderá saber um pouco mais sobre o assunto aqui tra-
tado. Vamos falar sobre os graus de vitimização, importantes para o reconhecimento 
da vítima nos crimes ocorridos, bem como a Classificação da Vitimologia. Recursos 
de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem.
PLAY NO CONHECIMENTO
UNIASSELVI
5
1
TEMA DE APRENDIZAGEM 3
DESENVOLVA SEU POTENCIAL
As grandes mudanças ocorridas com o passar dos tempos, entre elas a frequente 
globalização, ocasionaram intensas e significativas renovações nas cidades, prin-
cipalmente naquelas consideradas maiores por seu número populacional. A cen-
tralização de uma acentuada quantidade de pessoas em uma mesma sociedade 
trouxe, além do positivo multiculturalismo, situações que ensejam possibilidades 
diversas, entre elas o crime (BAUMAN, 2006).
VAMOS RECORDAR?
Para entender melhor a vitimologia, o Ministério Público de Pernambuco divulgou 
recentemente uma cartilha nomeada “Justiça começa pela vítima”, que tem por 
objetivo os membros do Ministério Público daquele Estado, para que atentem 
aos direitos das vítimas de crimes e desvios. A Cartilha destaca a Vitimização, 
ponto importante de nosso estudo neste Tema. Recursos de mídia disponíveis no 
conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem.
Um dos mais intensos objetivos da vitimologia, é justamente entender os motivos 
que fazem com que determinados grupos ou pessoas sejam mais consideradas 
para o ato criminoso do que outras. Nas cidades aglomeradas, causas de um mun-
do globalizado, crimes e desvios ocorrem com frequência, e muitos deles envol-
vem preparação e estudo por parte do desviante, no tocante à sua vítima. Nesse 
sentido, as análises envolvem vítima e criminoso, a partir das próprias defluências 
do crime, do comportamento da padecente e dos imensos distúrbios sociais que 
ocorrem nas cidades (ELIAS, 2000).
APROFUNDANDO
Por esse motivo, o impacto provocado pelo encontro social com diversos atores, 
alguns antagônicos entre si por diferentes motivos, é capaz de mecanizar atos in-
fracionais e transgressões nas normas sociais de conduta. É importante observar 
5
8
a crescente desigualdade social nas cidades, situação capaz de formalizar grupos 
sociais oponentes e incompatíveis entre si, fator considerado pela criminologia 
como um dos distúrbios sociais mais capazes de enfraquecer a coletividade e 
exacerbar o crime (BAUMAN, 2006).
Nesse intento, as ciências sociais aplicam-se a questionar não a quantida-
de de crimes, mas sua qualidade e motivações frente à sociedade. A crimino-
logia se destaca como grande aporte para as políticas de segurança públicas 
mais modernas, entretanto, a vitimologia ensina situações que podem ser 
refreadas através de educação e políticas públicas que ultrapassem a esfera 
da segurança, para efetivar a saúde de grupos considerados hipossuficientes 
(OLIVEIRA, 2018).
O autor do livro Vitimologia e Direito Penal – Crime Precipitado ou Programado 
pela Vítima, Edmundo Oliveira, identificou algumas nomenclaturas que são de 
extrema importância, para que consigamos entender a vitimologia e as inseriu em 
um pequeno glossário. São elas:
Vitimologia é o estudo global da vítima. Vitimizar ou vitimar é converter ou reduzir 
alguém à condição de vítima. Vitimizador é aquele ou aquilo que vitimiza, ocasio-
nando sofrimento. Vitimizante é o que tem capacidade de vitimizar. Vitimização é 
o efeito de vitimizar ou vitimar. Vitimógeno é o que pode produzir vitimação. Viti-
mizável é a pessoa capaz de ser vítima. Vitimal é a circunstância que caracteriza o 
estado ou situação de vítima. Vitimólogo é tudo que diz respeito à compreensão 
dos aspectos típicos ou específicos inerentes à vítima. Vitimidade representa o 
total de vitimizações, que surgem em específica conjuntura, levadas a efeito em 
determinado tempo e lugar. Vitimário, do latim victimarius, em sua acepção origi-
nal, era o serviente dos antigos sacerdotes, o qual tinha a incumbência de imolar, 
ou seja, acender o fogo sobre a vítima pagã para sacrificá-la até a morte, no final do 
Império Romano. Em sentido vitimológico, vitimário é aquele que produz qualquer 
tipo de dano, sofrimento ou padecimento da vítima. Vitimista é o tom da inclinação 
para se vitimizar diante da percepção sobre o que acontece à pessoa. Vitimismo é 
o transtorno da pessoa que se acha punida, de uma forma ou de outra, diante da 
abrangência de qualquer situação. Vitimodogmática é a doutrina que realça a im-
portância da análise do comportamento e da personalidade da vítima ou no acon-
tecimento do crime e seus reflexos na dogmática jurídico penal (OLIVEIRA, 2018).
ZOOM NO CONHECIMENTO
UNIASSELVI
5
9
TEMA DE APRENDIZAGEM 3
VITIMIZAÇÃO
Todos os temas que circundam a vítima possuem relevância primordial para 
a proteção do bem jurídico tutelado pelo Estado, e para a busca da paz social. 
O movimento dos estudos vitimológicos objetivam auxiliar as vítimas atra-
vés da criação de programas que servem para apoio, vindo ele em forma de 
compensação econômica ou na amenização do sofrimento através de acom-
panhamento médico e psicológico. 
A vitimologia apresenta uma área de especial destaque, conhecida por viti-
mação, ou mesmo, por vitimização. Aqui, há análise de como a pessoa é capaz 
de se tornar vítima, seja por sua própria ação ou omissão; ou pela intenção 
de terceiros. O mesmo processo vale para grupos de pessoas, em sua maioria 
já consideradas hipossuficientes, e que podem padecer de um ou mais delitos a 
partir de sua própria fragilidade (JORGE, 2005). 
É comum a vitimação se iniciar através de algumas características dos sujei-
tos, que os definem em sociedade, como etnias, idade, sexo e condição social. 
Grupos que se abstém de um maior contato social devido à manutenção de sua 
própria segurança de vida e interação, ou devido à orientação sexual, são aqueles 
mais fadados a sofrer o processo de vitimação. Por intermédio de sua fragilidade, 
idosos, mulheres, crianças e adolescentes também possuem o estereótipo mais 
qualificado para tornarem-se vítimas, buscados por infratores de diferentes pe-
riculosidades (JORGE, 2005). 
Entretanto, a vitimização também pode ocorrer em ambientes de trabalho, 
através de acidentes capazes de ocorrer, estatisticamente,a algumas classes espe-
cíficas, pessoas moradoras de áreas de risco como os aglomerados subnormais, 
vítimas de guerras em locais determinados por conflitos armados e até mesmo, 
“através da própria justiça criminal” (JORGE, 2005, p. 20). Para um melhor diag-
nóstico das observações, capazes de transformar até mesmo planos de segurança 
pública por intermédio de suas respostas, classifica-se a vitimização por três pe-
ríodos ou nomenclaturas classificatórias: Vitimização Primária, Secundária 
e Terciária (BERISTAIN, 2000). Vamos a elas:
1
1
Vitimização Primária: decorre de um fato típico, através da agressão aos direitos da víti-
ma. Danos de diversas espécies podem ser causados, pela conduta delituosa do agen-
te, desde financeiros até físicos e psicológicos. Dessa forma, o indivíduo que é afligido 
de maneira direta pelo ato infracional é considerado a vítima primária. 
Normalmente entendida como aquela provocada pelo cometimento do cri-
me, pela conduta violadora dos direitos da vítima. Pode causar danos variados, 
materiais, físicos, psicológicos, de acordo com a natureza da infração, a per-
sonalidade da vítima, sua relação com o agente violador, a extensão do dano 
etc. Então, é aquela que corresponde aos danos à vítima decorrentes do crime 
(PENTEADO FILHO, 2012, p. 124).
Vitimização Secundária: como o próprio nome indica, trata-se de uma segunda vitimiza-
ção; que ocorre logo após o fato delituoso. Também conhecida como sobrevitimização, 
é consolidada pelas instâncias de controle do Estado, como o próprio inquérito criminal 
e a consequente ação penal. 
Por vitimação secundária entendem-se os sofrimentos que às vítimas, às tes-
temunhas e majoritariamente aos sujeitos passivos de um delito lhes impõem 
as instituições mais ou menos diretamente encarregadas de fazer “justiça”: po-
liciais, juízes, peritos, criminólogos, funcionários de instituições penitenciárias 
etc. [...]. Durante o processo, a vítima é, no mais, um convidado de pedra. Outras 
vezes, nem convidado (BERISTAIN, 2000, p. 105).
Trata-se do esquecimento da vítima, que figura apenas como mero instrumento para 
a ação penal, e a exposição perante toda a burocracia processual, precisando revisitar 
o acontecido muitas vezes sem o devido acompanhamento psicológico, em fase de 
inquérito ou mesmo em tribunais penais (BERISTAIN, 2000). 
Vitimização Terciária: trata-se de um importante estudo feito pela Vitimologia, pois ex-
plica os reais motivos de muitos crimes não chegarem ao conhecimento das instâncias 
formais de controle. Crimes que fustigam a honra e os costumes podem muitas vezes 
ser considerados estigmatizantes ao padecente. Isso é devido à rejeição social que a 
vítima pode sofrer depois do conhecimento de todos ao seu redor do fato ocorrido. O 
fato de uma acolhida social negativa, de seus amigos e mesmo de familiares, após o 
crime, impõe uma maior angústia podendo aumentar mais o trauma vivido pela vítima. 
Isso ocorre com veemência em crimes sexuais, violência doméstica e delitos contra a 
honra (BERISTAIN, 2000) O medo da estigmatização e de como seus conhecidos e so-
ciedade irão reagir é fator preponderante de muitos crimes de estupro e violência contra 
mulheres jamais chegarem ao conhecimento da polícia, ocasionando a conhecida cifra 
negra. O receio da vítima sobre o que os outros irão pensar dela, agora que foi vitimada, 
é a causa preponderante das cifras negras (JORGE, 2005).
UNIASSELVI
1
1
TEMA DE APRENDIZAGEM 3
Assim, percebe-se que o processo de vitimização pode ter seu estopim não ape-
nas em um único delito, mas em muitos outros comportamentos que envolvem 
poder judiciário, policiais, advogados, família e amigos, entre outros, possui ver-
tentes que somente são percebidas ao certo quando se manifestam em prejuízo 
da vítima (JORGE, 2005). Para Jorge (2005, p. 41) “nem sempre o que causa 
infortúnio, agride, ofende, traumatiza, está previsto como crime; vitimizar é in-
fligir um prejuízo a alguém; e este prejuízo pode ser de diversas ordens: físico, 
econômico, intelectual ou moral”.
As três fases ou períodos da vitimização demonstram que o padecente pode 
sofrer, através de diferentes instâncias, hostilidade frente ao problema causado 
pelo crime mesmo após esse ter sido findado.
As etapas dois e três por si possuem um fator de grande ressentido ao ofen-
dido, uma vez que partem daqueles que mais deveriam apoiá-lo, logo após o 
injusto. Diz-se que do meliante realmente a vítima nada espera, mas a expectativa 
de apoio parte em direção aos serviços prestados pelo Estado, como a própria 
proteção do cidadão, e para seus familiares, conhecidos e membros da sociedade 
da qual faz parte (JORGE, 2005). Se esses tornam-se ofensores, motivados pela 
estigmatização causada pelo injusto na vítima ou mesmo, pelo esquecimento das 
instâncias formais do Estado, o sentimento de falta de suporte e apoio é causador 
de mais angústia e despertecimento da pessoa vitimada, frente àqueles que de-
veriam servir de salvaguarda depois do trauma produzido pela violência social.
Trata-se de um estudo de grande importância, eis que:
→ As análises da primeira etapa de vitimização conseguem refletir os problemas 
diretos do crime e da conduta dos agentes envolvidos, podendo interagir com a 
segurança pública em locais de maior ocorrência de crimes, e relacionar-se com 
técnicas de proteção para a vítima de crimes. Serve aos princípios pedagógicos 
e de aprendizagem, de educação e conhecimento que devem ser repassados às 
pessoas para que ensejem menores possibilidades ao agressor. 
→ As análises da segunda etapa demonstram problemas gerados pelas instâncias 
formais de controle, ou no âmbito das investigações ou na instauração do 
processo penal. A banalização da vítima e o esquecimento de seus traumas 
passa pela falta de interesse das pessoas que levam a persecução para frente, 
manejando o padecente apenas como simples instrumento para a sentença 
final do magistrado. Nesse ponto, a carência de um efetivo acompanhamento 
da vítima, seja psicológico (mental), físico ou de outras serventias, alheia ainda 
mais a pessoa do retorno à normalidade de sua vida, mesmo em âmbito social. 
1
1
→ As análises da terceira etapa mostram até que ponto o crime pode causar 
mazelas mesmo tempos após ter sido consumado. Tratando-se de crimes que 
envolvam natureza sexual ou violência contra grupos hipossuficientes, como 
as mulheres no crescente crime de violência doméstica, há que se interpretar 
a influência das instâncias informais presentes na vida de cada um. O estigma 
que alguns fatos criminosos podem causar na vítima, e o imaginário social dos 
motivos e causas do crime, são capazes de afastar ainda mais o padecente das 
pessoas ao redor, e mesmo ainda, de não fazer chegar o ocorrido às instâncias 
formais de controle, por medo, vergonha e mesmo, pelo constrangimento frente 
ao criminoso ou a seus próprios parentes, no caso de violência doméstica. As 
cifras negras perfazem em uma das causas do aumento da criminalidade no país, 
por isso são analisadas com afinco pela criminologia. A partir da vitimologia e as 
etapas da vitimização podemos encontrar diversos motivos da existência das 
cifras negras, em nosso país. Combater esse perigoso costume é essencial para 
que as forças de repressão ao crime possam tratar de planos estratégicos contra 
atos criminosos que ocorrem usualmente contra um tipo de vítima pré-definido 
pelos criminosos, como as mulheres, idosos e adolescentes (SHECAÍRA, 2018). 
→ Na terceira etapa, conhecida por vitimização terciária, há uma corrente 
doutrinária que entende que ela não alcança a vítima direta de crimes, mas 
atinge o autor. Quando o criminoso recebe uma punição maior que a devida, 
ou em casos de um sofrimento excessivo como a tortura ou linchamentos, ele 
também passa a ser vitimizado. Essa corrente não é aceita de forma ampla 
como as outras três relatadas (SHECAÍRA, 2018).
UNIASSELVI
1
1
TEMA DE APRENDIZAGEM 3
 Nesse intento, promover políticas públicas de qualidadeaos problemas sofridos 
pelas vítimas de crimes diversos passa pelos estudos e interpretações da vitimologia.
Através desses estudos, e das causas e traumas que crimes são capazes de cau-
sar em suas vítimas, Mendelsohn (1973) defendia a criação de uma Vitimologia 
Clínica, na criação de postos médicos e hospitais que pudessem dedicar-se às 
questões clínicas dos pacientes que necessitassem de ajuda. Da mesma forma, 
defendeu a importância de Centros de Vitimologia que estariam aptos a ajudar 
questões que não fossem médicas, desenvolvendo o tema para assuntos econô-
micos, pessoais e sociais causados pelo ato criminoso.
As três fases de vitimização foram criadas por Mendelsohn em 1947, para 
entender a real aflição das vítimas. Entretanto, o criminólogo romeno também 
analisou a participação da vítima nos crimes, classificando-as com intuito de 
elucidar a concepção do crime e a atuação do criminoso. 
Vitimologia e Direito Penal 
Para entender melhor a vitimologia, Edmundo Oliveira observou 
seus estudos tratando-os através da nomenclatura de Crime 
Precipitado ou Programado pela vítima. Segundo o autor é pre-
ciso entender a participação da vítima em crimes, tanto quanto a 
atuação do autor, para que exista uma correta aferição da pena. 
Portanto, indico o livro Vitimologia e Direito Penal – Crime Preci-
pitado ou Programado pela Vítima, de Edmundo Oliveira.
INDICAÇÃO DE LIVRO
CLASSIFICAÇÃO DAS VÍTIMAS SEGUNDO MENDELSOHN
A vitimologia interpreta que a relação ocorrida entre o criminoso e a vítima é chamada 
de dupla penal. Isso se deve ao fato de que não apenas o criminoso deve ser analisado, 
mas também as condições do crime, como participação da vítima. Para melhor exami-
nar todo o contexto, Mendelsohn criou uma classificação da vítima, que com o passar 
do tempo foi sendo alterada pelos estudos de outros doutrinadores (JORGE, 2005).
1
4
Para Mendelsohn, existem três diferentes tipos de vítima, sendo a vítima 
inocente, a agressora e a provocadora. A primeira delas passa a ser considerada 
a vítima ideal, uma vez que não participa de forma alguma do ato criminoso, mas 
apenas serve de meio para um determinado fim, que seja, a exploração realizada 
pelo meliante. Já a vítima provocadora, é aquela cujo comportamento pode ter 
ocasionado o crime, e que sem sua ação, muitas vezes imprudente, o fato típico 
talvez não tivesse ocorrido.
Por fim, a agressora possui consciência de sua participação no ato, e trabalha 
como coautora do próprio infortúnio. Dessa forma, Mendelsohn classificou as 
vítimas da seguinte forma: vítima completamente inocente, vítima menos cul-
pada que o delinquente, vítima mais culpada que o delinquente e vítima como a 
única culpada (MOREIRA FILHO, 2006). Ao separar os tipos de vítimas, o autor 
continua sua classificação, vejamos:
VÍTIMA COMPLETAMENTE INOCENTE
Moreira Filho (2006) faz a análise da classificação do criminólogo romeno e considera 
esse tipo de vítima como aquela que em nenhum momento teve participação ativa no 
crime, sendo o criminoso o essencial motivador do delito. Pode ser considerada como 
vítima ideal, pois aparece em momento o qual o meliante planeja e executa seu plano 
contra a pessoa escolhida. Perceba que o autor do crime não escolhe aleatoriamente, 
mas sim aquele indivíduo que se apresenta em desatenção ao que ocorre ao seu 
redor, alheio aos perigos e ameaças locais presentes nas cidades.
VÍTIMA MENOS CULPADA QUE O CRIMINOSO
quando a vítima contribui de certa forma para que o crime ocorra, ou seja, sem sua 
presença ou participação não haveria o ato delituoso. Ocorre quando há a exposição 
da pessoa a ser vítima de forma desatenta, ostentando seus pertences de valor em 
locais públicos e de alta rotatividade. Outro exemplo trazido pela doutrina, é o da pes-
soa que, imprudentemente, frequenta áreas de risco e locais que já são conhecidos na 
cidade por sua periculosidade (MOREIRA FILHO, 2006).
UNIASSELVI
1
5
TEMA DE APRENDIZAGEM 3
VÍTIMA TÃO CULPADA QUANTO O CRIMINOSO
aqui, temos a presença da vítima provocadora, que, segundo Mendelsohn, age de 
forma a provocar seu próprio infortúnio, através de uma ou mais ações ativas na 
metodologia do crime. Exemplos desse tipo de ato criminoso podem ser encontrados 
no homicídio privilegiado, onde a vítima a partir de uma injusta provocação é capaz de 
causar o ato que termine em um crime passional (Art. 121, 1° CP). O aborto, quando a 
vítima tem a capacidade de consentir (Art. 124 e 126 do CP), a rixa (Art. 137 do CP) e o 
curandeirismo (Art. 284 do CP) são exemplos de crimes em que a vítima aparece tão 
culpada quanto o próprio criminoso, uma vez que sem a sua participação ativa o crime 
não poderia ocorrer (MOREIRA FILHO, 2006).
VÍTIMA MAIS CULPADA QUE O CRIMINOSO
o crime jamais teria ocorrido sem a participação da vítima, que age de forma provo-
cadora e é capaz de promover o delito contra si mesma. Essa ação deve ser grave e 
intolerável. Lesões corporais (Art. 129 CP) e homicídios qualificados ocorrem pela injusta 
provocação da vítima. Acontece que aqui a promoção do crime pela vítima, que pode-
mos encontrar em crimes privilegiados, como o homicídio (MOREIRA FILHO, 2006).
VÍTIMA SENDO A ÚNICA CULPADA DO DELITO
o próprio título já ressalta que estamos presentes às vítimas consideradas agressoras, 
por agirem contra elas mesmas. É o caso de algum ataque injusto desferido contra 
alguém, que se defende causando lesões ou até mesmo, matando a vítima. Um outro 
exemplo muito empregado pela doutrina, é da pessoa que se embriaga e logo após 
tenta atravessar uma avenida muito movimentada, sendo atropelada por um carro. 
Aqui, a vítima se coloca em risco diante a inúmeras situações (MOREIRA FILHO, 2006).
A compreensão dos motivos que fazem com que alguém se torne vítima 
agora é realizada a partir dos personagens da dupla penal, em uma análise 
interacionista entre criminoso e vítima. A importância disso é definir o 
grau de culpabilidade do agressor e de responsabilidade da vítima perante 
ao injusto, e assim, determinar uma penalização fundada em parcimônia e 
justiça (MENDELSOHN, 1973).
1
1
Para Mendelsohn (1973), um fator importante para que a justiça possa ser feita 
em julgamentos de crimes, é a análise do papel da vítima. Entretanto, o autor 
não foca apenas nas vítimas da delinquência apenas, mas estende seus estudos 
ampliando a compreensão para fatores exógenos, ou seja, externos à vítima e ao 
criminoso. Dentre eles, o meio social político, no qual se encontram governos 
ditatoriais e genocidas e o meio motor, através do desenvolvimento tecnológico 
e os aparelhos e máquinas das indústrias, capazes de vitimar seus usuários, são 
grandes essenciais a serem consideradas. Os fatores exógenos comunicam-se 
também ao meio natural, seja ele modificado ou não pela presença do homem 
(MENDELSOHN, 1973). A pessoa pode se colocar na posição de vítima mesmo 
em ambientes desconhecidos, quando imprudentemente adentra alguma floresta 
ignorando os perigos que possam estar presentes.
É nesse sentido que a vitimologia é precisa em centralizar seu enfoque para 
a promoção da mitigação dos perigos existentes capazes de tornar uma pessoa 
em vítima. A periculosidade vitimal analisada significa o comportamento 
inadequado e inconveniente da vítima que é capaz a facilitar a ação do ofensor, 
que pode ser provocado não contendo sua ação criminal, ou instigado ao crime 
através dos descuidos da vítima (MENDELSOHN, 1973). Nesse caso, havendo 
o fracasso da prevenção que é realizada através das análises dos perigos e riscos 
vitimais, Mendelsohn destaca a necessidade de evitar a recidiva da vítima, redu-
zindo possibilidades de reincidência (KOSOVSKI, 1992).
UNIASSELVI
1
1
TEMA DE APRENDIZAGEM 3
CLASSIFICAÇÃO DAS VÍTIMAS SEGUNDO HANS VON HENTIG
Hans Von Hentig, criminólogo alemão, em 1948, escreveu sua obra mais famosa 
“O criminoso e sua vítima”, apresentando sua tipologia daquilo que entende por 
classificação vitimal. Para muitos, é considerado um dos pais da vitimologia,e, ao lado de Mendelsohn, instruiu análises centradas nos problemas do crime 
(PIEDADE JÚNIOR, 1997). Hentig classifica as vítimas nos seguintes quesitos:
Vítima por proximidade espacial: é aquela que, no momento em que o desvio está 
prestes a ocorrer, se encontra mais próxima ao agressor;
Vítima familiar: um dos pontos primordiais da vitimologia, esse conceito visa estabelecer 
a proximidade da vítima que pertence ao mesmo núcleo familiar que o agressor;
1
8
Vítima isolada: que é aquela que vive em solidão, sem acompanhamento de outras 
pessoas e que em determinadas vezes pode se colocar em situações de risco 
devido à sua condição;
Vítima com o ânimo do lucro: são aquelas que pela própria cobiça ou extrema 
vontade de perceber lucro podem ser ludibriadas facilmente por estelionatários e 
chantagistas, caindo em golpes muitas vezes.
Vítima agressiva: ao sofrer agressões do autor do crime, a vítima é capaz de revidar 
o injusto sofrido de maneira hostil; quando a violência se torna insuportável, como o 
que ocorre no homicídio qualificado.
Vítima ansiosa para viver: indivíduos aventureiros são capazes de se colocar em 
situações de risco, ao experimentar novos desafios e oportunidades de sensações, 
como os aventureiros. 
Vítima desvalorada: muitos atos praticados pela pessoa podem ser considerados 
atos que se contrapõe perante a sociedade; sendo considerado um desajeitado 
ou desviante nato pela comunidade local. Algumas atitudes então podem causar 
repudia da população que passa a agir contra a pessoa, tornando-a vítima.
Vítima pelo estado emocional: algumas pessoas agem em decorrência de seus 
sentimentos mais exaltados, como a vingança ou ódio, ou mesmo, pelo medo; 
podendo ser vítimas de suas próprias ações contra terceiros.
Vítima alcoólatra: as pessoas podem se tornar vítimas pelo uso desproporcional 
ou abusivo de álcool, causando crimes tipificados pelo Código Penal e recebendo 
contra si a justa defesa de suas vítimas, ou mesmo, causando acidentes como seu 
próprio atropelamento.
Vítima depressiva: também existe nesse mesmo sentido a vítima suicida; colocada 
por Hentig no mesmo patamar, que ocorre em um alto grau de depressão e 
sentimentos angustiados, podendo levar o indivíduo à autodestruição.
Vítima voluntária: essas não reagem à violência sofrida, não causando nenhum óbice 
ao criminoso. Esse é o caso de crimes sexuais que ocorrem sem violência, mas, 
mesmo assim, sem o consentimento da vítima, como exemplo há o estupro marital.
Vítima falsa: trata-se da pessoa que se auto vítima para conseguir benefícios quaisquer.
Vítima indefesa: uma das maiores causadoras das cifras negras (quando o crime 
não é relatado para as autoridades), não processando o autor do delito, sob a crença 
de que a persecução penal poderá gerar mais sofrimentos e estigmatizações.
Vítima reincidente: pessoa que já passou por uma violência causada pelo crime, mas 
que não se torna precavida por isso, cometendo atos capazes de uma reincidência 
criminosa contra si.
Vítima da natureza: vítimas dos fenômenos da natureza, como as enchentes ou 
terremotos (MOREIRA FILHO, 2006).
UNIASSELVI
1
9
TEMA DE APRENDIZAGEM 3
CLASSIFICAÇÃO DAS VÍTIMAS SEGUNDO 
LOLA ANYAR DE CASTRO
A Criminologia Crítica inspirada pelo criminológico italiano Alessandro Baratta 
também deu sua contribuição à Vitimologia através dos estudos da penalista 
venezuelana Lola Anyar de Castro (1937/2015).
Sua grande obra Criminologia da Libertação apresenta um pensamento 
criminal moderno, a partir da realidade latino-americana, em detrimento de 
uma criminologia fundada através da cultura, economia e tradições europeias. 
Em Criminologia da reação social, Anyar de Castro desenvolve estudos de 
vitimologia ao envolver o paradigma da reação social nas análises de desvios 
acontecidos nas sociedades. Nesse ponto, classifica as vítimas de crimes, a partir 
dos estudos feitos através da dupla penal:
VÍTIMA COLETIVA
são assim consideradas por fazerem parte do mesmo tipo penal, estando juntos como 
vítimas do mesmo ato ilícito. São exemplos desse tipo de vítimas aquelas atacadas 
pelo terrorismo, atiradores ou brigas generalizadas. Ao mesmo tempo, essa qualidade 
também se refere à categoria de vítimas naturais citadas por Hentig, em que um 
grande número da coletividade é capaz de sofrer através de desastres naturais como 
terremotos e tsunamis.
VÍTIMA SINGULAR
para a criminologia crítica é importante destacar o comportamento da vítima e 
mesmo, as ações desencadeadas pela sociedade ao redor, e como essa coletividade 
enxerga e define o crime. Por esse motivo, estudar a vítima simples ou singular, que 
é aquela escolhida pelo criminoso para seu ato passa a ser de extrema grandeza. 
Analisar, segundo Castro, as atitudes da vítima, é essencial também para entendermos 
a dinâmica do crime.
1
1
VÍTIMA DE CRIMES ALHEIOS
são aquelas que Castro considera vítimas aleatórias que estavam presentes no lugar 
errado, ou seja, no momento da atitude dolosa do agente que escolhe sua vítima atra-
vés de sua desatenção apresentada no momento da ação (CASTRO, 1983).
VÍTIMA DE SI MESMA
da mesma forma que Hentig e Mendelsohn, Castro evidencia as pessoas descuidadas 
de sua própria ação, que se transformam em vítimas ao não tomar precauções necessá-
rias. Nesse sentido, também inclui pessoas depressivas ou suicidas, e doentes mentais 
que não conseguem distinguir a realidade subjetivamente, causando males a si mesmo.
VÍTIMA QUE AGE COM CULPA CONSCIENTE, CONSCIENTE E COM DOLO
primeiro, trata-se daquela pessoa que se coloca em situação de risco, embora sabendo 
a possibilidade de que o resultado seja seu infortúnio, acredita sinceramente ser capaz 
de evitá-lo, ou mesmo, de que não ocorra por motivos alheios. A vítima consciente, para 
Castro, é aquele agente que sabe da grande possibilidade de se tornar vítima de algum 
crime e mesmo assim, decide continuar com seu intento inicial. Muitos usuários de dro-
gas, com intuito de amenizar seu vício, se colocam em locais de risco intenso e, na práti-
ca, estão conscientes dos crimes de que estão sujeitos. Vítima com dolo significa aquela 
que provoca uma situação para que o delito venha a acontecer, como no caso da injusta 
provocação. Todos os três doutrinadores analisados apresentam sua versão da vítima 
que é provocadora, mas para Castro essa também pode ser vista como a vítima que 
causa um crime volitivo, mas acaba sendo vítima de sua própria ação, como na troca de 
tiros com as forças de segurança pública ou mesmo, algum acidente ocorrido em fuga 
empreendida com grande velocidade. Também se enquadra aquela personagem que 
através de um comportamento ganancioso acredita estar levando vantagem, quando na 
verdade é enganada pelo criminoso (CASTRO, 1983).
É importante entendermos quais nomenclaturas são mais usuais e a motivação das 
vítimas através de um estudo mais atento sobre sua participação no ato desviante.
UNIASSELVI
1
1
TEMA DE APRENDIZAGEM 3
VITIMODOGMÁTICA
Os estudos da vitimologia, realizados por estudiosos compenetrados, capacita-
ram as análises da própria dogmática penal acerca do crime. A vitimodogmá-
tica teve sua primeira aparição na Alemanha em 1990, quando a persecução 
penal começou a investigar o comportamento da vítima nos crimes e desvios. 
A discussão trouxe análises acerca da responsabilidade da vítima e de seu pade-
cimento. Tudo isso enseja uma repercussão na persecução penal, mas de maior 
intensidade na dosimetria da pena, que considera as possibilidades diversas in-
clusive, uma possível contribuição da vítima para que o crime ocorresse. Valorar 
o comportamento da vítima para a incidência do delito é uma das aplicações 
da vitimodogmática, em uma corresponsabilidade que, porventura, possua na 
produção do ilícito contra si. Esse autorresponsabilização é capaz de causar, em 
determinados crimes, a exclusão da responsabilidade do autor.
Existem, segundo Silva Sànchez (2001), duas correntes na vitimodogmá-
tica. A primeira delas, considerada majoritária, é fato queo comportamento 
da vítima precisa ser examinado apenas na sentença do juiz, ao elaborar a pena 
do agente causador do crime, que pode ser atenuada devido à participação da 
vítima. Isso está de comum acordo com o artigo 59, caput, do nosso Código 
Penal, que diz: Art. 59 – “O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, 
à conduta social, à personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias e 
consequências do crime, bem como ao comportamento da vítima, estabelecerá, 
conforme seja necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime” 
(BRASIL, 2008, p. 58).
A segunda vertente, minoritária, acredita que o comportamento da vítima é 
capaz de causar a exclusão total da responsabilidade do autor, que não receberia 
pena alguma em determinados casos. Entretanto, esse pensamento seria aplicado 
aos delitos considerados não violentos, de menor potencial ofensivo, e crimes 
que danifiquem no mínimo o bem jurídico tutelado. Schunemann se põe como 
precursor dessa corrente, que afirma que deve ser um princípio do direito penal o 
fato de que se deve responsabilizar a vítima e não autor do delito, quando a pessoa 
da vítima se afasta de todas as proteções do Estado, ou acredita que não necessita 
dela, e age de forma provocadora para que o crime aconteça. Para o autor, trata-se 
do princípio da autorresponsabilização da vítima (SCHUNEMANN, 2002).
1
1
 Por outro lado, como você já sabe, a vitimologia tem outra função. Ela está 
centrada nas pesquisas e análises da vitimação (vitimização), na contribuição 
das vítimas para a ocorrência dos crimes, na reparação do dano causado e no 
tratamento e acompanhamento das vítimas e seus familiares. Possui o intuito de 
pacificar locais de risco, inflando de informações os responsáveis pelas políticas 
públicas, para que possam criar mecanismos de proteção e mitigação dos crimes 
a partir da participação, muitas vezes inocentes, das vítimas. 
Portanto, o objetivo da vitimodogmática é valorar o comportamento da vítima e 
identificar qual a sua contribuição para que o crime viesse a ocorrer, intentando a 
exclusão da culpabilidade ou a atenuação da pena.
APROFUNDANDO
Gostou do que discutimos até aqui? Tenho mais para conversar com você a respei-
to deste tema. Vamos lá? Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do 
ambiente virtual de aprendizagem.
EM FOCO
UNIASSELVI
1
1
TEMA DE APRENDIZAGEM 3
NOVOS DESAFIOS
Essa é uma matéria muito envolvente, por alguns motivos bem interessantes! O 
primeiro deles é que se trata de um estudo considerado moderno pela crimino-
logia, e que consegue atualizar todo o pensamento e conhecimento acerca dos 
motivos e das ocorrências de crimes e desvios, incluindo outro personagem, de 
grande importância: a vítima.
Em segundo momento, importa interpretar o crime também pela postura e 
participação da vítima, muitas vezes, como vimos; provocadora e instigadora da 
própria desventura. O duplo penal passa a fazer parte da persecução penal, desde 
em sede de inquérito até o julgamento. E isso é importante para que o magis-
trado da causa possa julgar com maestria, sempre em busca pelo equilíbrio, que 
também significa penalizar conforme os acontecimentos que geraram o ilícito.
E em um terceiro plano, a criminologia agora se apresenta mais independen-
te, a partir do seu movimento crítico, e consegue por intermédio da vitimologia 
concentrar-se em análises de qualidade acerca do movimento social causador 
dos desvios. Esses estudos consentem que a vítima também é parte desse mesmo 
movimento, tendo sua importância em todos os momentos.
1
4
1. Os temas que circundam a vítima possuem relevância primordial para a proteção do bem 
jurídico tutelado pelo estado, e para a busca da paz social. O movimento dos estudos vitimo-
lógicos objetivam auxiliar as vítimas através da criação de programas que servem para apoio, 
vindo ele em forma de compensação econômica ou na amenização do sofrimento através 
de acompanhamento médico e psicológico. Nesse sentido, assinale a alternativa correta:
a) Vitimismo é a doutrina que realça a importância da análise do comportamento e da 
personalidade da vítima ou no acontecimento do crime e seus reflexos na dogmática 
jurídico penal.
b) A pessoa é capaz de se tornar vítima através de sua própria ação ou omissão apenas.
c) A vitimização ocorre apenas com o fator crime. 
d) A vitimização não se inicia através de características dos sujeitos, mas sim pelos seus 
comportamentos.
e) Vitimização é a análise de como a pessoa é capaz de se tornar vítima, seja por sua própria 
ação ou omissão; ou pela intenção de terceiros.
2. O movimento dos estudos vitimológicos objetivam auxiliar as vítimas através da criação de 
programas que servem para apoio, vindo ele em forma de compensação econômica ou 
na amenização do sofrimento através de acompanhamento médico e psicológico. Sobre a 
vitimização, analise as questões a seguir e assinale a alternativa correta:
a) Cifra negra significa o enfoque da política criminal contra os crimes de maior potencial 
ofensivo, que possuem uma grande lesividade ao bem jurídico tutelado.
b) Os estudos de vitimização não são capazes de refletir os problemas diretos do crime e 
da conduta dos agentes envolvidos.
c) Por intermédio de sua fragilidade, idosos, mulheres, crianças e adolescentes também 
possuem o estereótipo menos qualificado para se tornarem vítimas.
d) O processo de vitimização tem seu início apenas em um único delito apenas, capaz de 
transformar os indivíduos em vítimas.
e) Vitimização é a análise de como a pessoa é capaz de se tornar vítima, seja por sua própria 
ação ou omissão; ou pela intenção de terceiros. 
AUTOATIVIDADE
1
5
3. Em toda ciência é necessário que os termos produzidos sejam de conhecimento geral dos 
pesquisadores e demais cientistas, portanto, precisam ser adaptados ao novo conhecimen-
to, através das idiossincrasias que o objeto de pesquisa representa. Portanto, na vitimologia 
temos um glossário que serve para melhor entendermos seus aspectos através de termos 
técnicos. Quanto às nomenclaturas da vitimologia, faça a análise das alternativas a seguir 
e, em seguida, assinale a alternativa que reconhecer como correta:
a) Vitimizável é o que pode produzir vitimação.
b) Vitimal é a circunstância que caracteriza o estado ou situação de vítima.
c) Vitimizador é tudo que diz respeito à compreensão dos aspectos típicos ou específicos 
inerentes à vítima.
d) Vitimista o transtorno da pessoa que se acha punida, de uma forma ou de outra, diante 
da abrangência de qualquer situação.
e) Vitimismo é a doutrina que realça a importância da análise do comportamento e da 
personalidade da vítima ou no acontecimento do crime e seus reflexos na dogmática 
jurídico penal.
AUTOATIVIDADE
1
1
REFERÊNCIAS
BAUMAN, Z . Medo Líquido . Rio de Janeiro: Zahar, 2006.
BERISTAIN, A . Nova Criminologia à luz do Direito Penal e da Vitimologia . Trad. Cândido Furta-
do Maia Neto. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2000 .
BURKE, Anderson. Vitimologia: manual da vítima penal. 2ª. ed. Salvador: Editora Juspodium, 2022.
BRASIL. CÓDIGO PENAL . Decreto-Lei nº 2 .848, de 7 de dezembro de 1940 . Vade mecum. São 
Paulo: Saraiva, 2008.
CASTRO, L. A. de. Criminologia da reação social. Trad. de Ester Kosovski. Rio de Janeiro: Forense, 1983.
ELIAS, N. O processo civilizador, Vol . 1. Rio de Janeiro, Zahar, 2000 .
JORGE, A. P. Em busca da satisfação dos interesses da vítima penal . Rio de Janeiro: Lumen 
Juris, 2005.
KOSOVSKI, E. (Coord.). Vitimologia Enfoque Interdisciplinar. Rio de Janeiro: Reproarte, 1992.
MENDELSOHN, B. La victimologie et les besoins de la societe actuelle. Revue internationale de 
criminologie et de police technique, v. 26, n. 3, p. 267-276, jui./sep. 1973.
MOREIRA FILHO, G. Criminologia & Vitimologia Aplicada . São Paulo: Editora Jurídica Brasileira, 2006.
OLIVEIRA, E. Vitimologia e Direito Penal - Crime Precipitado ou Programado pela Vítima. Curi-
tiba, Ed. Juruá, 2018.
PENTEADO FILHO, N. S. Manual Esquemáticode Criminologia. São Paulo: Saraiva, 2012.
SHECAIRA, S. S. Criminologia. 7. ed. São Paulo: RT, 2018.
SCHUNEMANN, B. Sistema del derecho penal y vitimodogmática. In: RIPOLLÉS, J. L. D. (Org.) La 
Ciencia Del Derecho Penal Ante El Nuevo Siglo. Libro Homenaje Al Profesor Doctor Don José 
Cerezo Mir. Espanha: Tecnos, 2002.
SILVA SÁNCHEZ, J. La consideración del comportamiento de la víctima en la teoria do delito: 
observaciones doctrinales y jurisprudenciales sobre la “víctimo-dogmática”. Revista Brasileira 
de Ciências Criminais, São Paulo v. 34, p. 163-194, 2001.
VIANA, E. Criminologia . 6 ed. Salvador: Juspodivm, 2018.
1
1
1. Opção E. 
Alternativa A é incorreta, pois vitimismo significa o transtorno da pessoa que se acha punida, 
de uma forma ou de outra, diante da abrangência de qualquer situação; a situação analisada 
pela alternativa chama-se vitimodogmática. A alternativa B é incorreta, uma vez que a pessoa 
pode se tornar vítima através do comportamento desviante, ou mesmo, pela intenção de 
terceiros. A alternativa C está errada, pois a vitimação pode ocorrer de outras formas, como 
em ambientes de trabalho. A alternativa D é incorreta, pois etnias, idade, sexo e condição 
social podem ser causa da vitimação. 
2. Opão E. 
A está errada pois cifras negras significam crimes que ocorrem e nunca chegam ao conheci-
mento das instâncias de controle por algum motivo inerente à própria vítima. B está incorreta, 
pois os estudos sobre a vitimização refletem as demandas sociais e os problemas diretos 
do crime, como a conduta do agente e da vítima. C está incorreta, porque idosos, mulheres, 
crianças e adolescentes fazem parte de grupos hipossuficientes, qualificados assim para 
tornarem-se vítimas. D está errado, pois vários são os processos de vitimização, a partir de 
várias possibilidades e nem sempre necessariamente precisam ser delitos, exemplo o tra-
balhador que é vítima de acidente de trabalho em seu labor.
3. Opção B. 
A alternativa A está errada, pois o que pode produzir vitimação é considerado Vitimóge-
no. Vitimizável trata-se de pessoa capaz de ser vítima. A alternativa C está errada, pois 
vitimizador é aquele ou aquilo que vitimiza, ocasionando sofrimento. A alternativa D está 
errada, pois Vitimista é o tom da inclinação para se vitimizar diante da percepção sobre 
o que acontece à pessoa. A alternativa E está errada, pois o vitimismo é o transtorno da 
pessoa que se acha punida, de uma forma ou de outra, diante da abrangência de qualquer 
situação. O nome da doutrina que realça a importância da análise do comportamento da 
vítima se chama vitimodogmática. 
GABARITO
1
8
MINHAS ANOTAÇÕES
1
9
UNIDADE 2
MINHAS METAS
A VITIMOLOGIA 
NO DIREITO BRASILEIRO
Entender o conceito de vítima no sistema legal nacional.
Examinar a importância dos estudos da vitimologia para o direito.
Interpretar a periculosidade vitimal através do Iter Victimae.
Analisar as normas nacionais mais importantes que versam sobre a vítima e seus direitos.
Analisar a interpretação do Código Penal sobre a vítima.
Investigar a evolução dos estudos doutrinários acerca da vítima e a responsabilidade do 
poder judiciário frente às pessoas padecentes de crimes diversos.
Analisar dispositivos que ressaltam a proteção de hipossuficientes, como a 
Lei Maria da Penha.
T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 4
8
1
INICIE SUA JORNADA
Estudante, ao refletir sobre os problemas das vítimas de crimes, pensamos 
em como algumas delas são identificadas por seus criminosos. Podemos 
perceber, então, que algumas práticas abusivas contra pessoas determinadas 
ocorrem a partir de um sentido duplo; a presença da pessoa no lugar errado, 
e a vontade do autor do delito em praticá-lo. Veja, por exemplo, as vítimas de 
violência doméstica. O estudo da vitimologia as interpreta como mulheres, 
conviventes com seus maridos ou parceiros, que são capazes de sofrer amea-
ças e violências, muitas vezes até extremas. Entre esse exemplo, você pode 
perceber que existem algumas pessoas que se colocam na situação de vítima, 
percebidas em locais de risco à noite ou em lugar reconhecido pela sua alta 
periculosidade, como no caso de usuários de drogas atrás de satisfazer seu 
vício. Para cada uma das vítimas analisadas há um modus operandi do autor 
do crime, mesmo sendo ele um delito de ocasião. A vitimologia tenta, através 
de suas análises, transformar as políticas públicas em prol de melhor educar 
o cidadão, para que sirva de auxílio pedagógico e instrucional, que minimize 
a possibilidade de se tornar vítima.
E é por esse caminho que algumas leis foram recentemente escritas no direito 
brasileiro. A vitimologia consegue influenciar a criação de normas como a Lei 
Maria da Penha, ou mesmo a Lei dos Juizados Especiais, que busca uma célere 
satisfação ao dano sofrido pela vítima.
Imagine se não tivéssemos estudos compenetrados nessa área, e o número de 
crimes contra um grupo hipossuficiente ou mesmo, escolhido pelo seu gênero 
como as mulheres, só aumentassem dia após dia. É obrigação de um Estado 
Social Democrático buscar proteger seus cidadãos mais necessitados, e cumprir 
com a harmonização social. Por isso, normas especiais passam a ser escritas 
com intuito de promover a tutela desses grupos e pessoas. O significado disso é 
a busca pela ampla cidadania e pela garantia da dignidade da pessoa humana. 
UNIASSELVI
8
1
TEMA DE APRENDIZAGEM 4
Vamos ouvir o podcast preparado essencialmente para os estudos que faremos 
aqui?! Seja bem-vindo a mais um podcast, em que iremos tratar do tema da vitimo-
logia, e como ela se amolda dentro das normas do Direito Penal Brasileiro. Qual a 
sua essência e importância? Vamos conhecer a forma qual a vítima é reconhecida 
pelo direito nacional, através do seu entendimento do que é vítima, e como ela pode 
proporcionar o acontecimento ou não do ato infracional. Isso é muito importante, 
pois irá desencadear lá na frente da ação penal, na dosimetria da pena realizada 
pelo magistrado, julgador da causa. Vamos conversar sobre tudo isso! Recursos de 
mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem.
PLAY NO CONHECIMENTO
VAMOS RECORDAR?
A necessidade dos estudos sobre as vítimas de crimes passa a ser interpretado pela 
Vitimologia por intermédio da dupla penal, onde existem análises que demonstram 
o comportamento dos personagens envolvidos. Entretanto, um grande número de 
vítimas se compõe naquelas que não podem se defender da crescente violência, 
escolhidas muitas vezes de forma aleatória e abordadas com atos de extrema 
brutalidade. Para poder atender essas vítimas e ajudar a diminuir seu sofrimento 
através de acompanhamentos de várias especialidades, como a jurídica, física, 
moral e financeira, existe o Projeto Lei n° 3390/2020, que cria o Estatuto da Vítima. 
O projeto ainda está em trâmite na Câmara dos Deputados, tendo sido subscrito 
por 34 parlamentares, o que aumenta sua chance de aprovação. Recursos de 
mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem.
8
4
DESENVOLVA SEU POTENCIAL
Estudar a vítima é obra da doutrina da vitimologia, que é capaz de transformar 
o direito nacional, ao entender que essa personagem é, na maioria das vezes, es-
quecida pelo poder do Estado. Somente lembrada pelo processo penal, servindo 
apenas para relembrar o infeliz caso sofrido, a vítima se encontrava em ostracis-
mo, deixada de lado muitas vezes até mesmo pela família e amigos, dependendo 
do crime ocorrido. É comum, através do preconceito e da estigmatização, víti-
mas de crimes contra os costumes ou crimes sexuais serem deixadas de lado por 
aqueles que mais deveriam ajudar (CAMPOS, 2011). E isso não pode acontecer 
também com o Poder Judiciário e o poder do Estado, que devem acompanhar a 
vítima e seus problemas através de profissionais aptos à função.
Atualmente, existem duas Escolas de Vitimologia. A primeira é considerada como 
Vitimologia Construtivista, centradas amplamente nos estudos acerca dos direi-
tos dasvítimas, e, dessa forma, nas possibilidades de encontrar um melhor cami-
nho para a resolução dos problemas causados pelo crime (OLIVEIRA, 2018).
A segunda escola é conhecida como Vitimologia Crítica, que visa implantar a 
Justiça Restaurativa, ao invés da penalização sempre quando possível. Para a 
Resolução n° 2002/2012, da ONU, justiça restaurativa em matéria criminal sig-
nifica “qualquer processo no qual a vítima e o ofensor, e, quando apropriado, 
quaisquer outros indivíduos ou membros da comunidade afetados por um crime, 
participam ativamente na resolução das questões oriundas do crime, geralmen-
te com a ajuda de um facilitador” (ONU, 2002, s.p.). Consiste, portanto, na satis-
fação de todos os envolvidos, ao alcançar um equilíbrio entre vítima e ofensor.
ZOOM NO CONHECIMENTO
ITER VICTIMAE
Todo o processo capaz de converter a pessoa em vítima é conhecido como iter 
victimae. Significa uma trajetória analisada desde o início, até que o crime ocor-
ra. Todos os passos da vítima, seus contatos realizados momentos antes do fato 
delitivo, por qual caminho trafegava, são parte de uma investigação que se propõe 
para que haja uma penalização adequada ao criminoso, e também entender a 
dinâmica do acontecimento, para que nunca mais ocorra (OLIVEIRA, 1999).
UNIASSELVI
8
5
TEMA DE APRENDIZAGEM 4
A partir do momento em que se percebe como possível vítima, a pessoa inicia 
processos de defesas, ainda que preliminares, com o intuito de que a agressão não 
venha a ocorrer. A trama pode tomar caminhos diferentes, consequentes da ação da 
vítima e do criminoso, e da verdadeira intenção do desviante (OLIVEIRA, 1999).
Os resultados das avaliações do iter victimae são referência para desen-
volver um completo diagnóstico do acontecimento e, assim, auxiliar o poder 
judiciário na composição de uma penalização em harmonia com o incidente. Por 
esse motivo, a Polícia Judiciária, ao instaurar o inquérito policial acerca de um 
crime, faz interpretações do posicionamento da vítima para melhor contribuir 
com o juízo julgador da futura ação penal.
Como o iter victimae se trata dos caminhos percorridos pelo indivíduo até 
o momento em que se determina o ato vitimizante, cinco fases são construídas 
e estudadas para a objetivação dos fatos, e através disso, asseverar a conduta dos 
agentes envolvidos; são eles: 
FASE 1 INTUIÇÃO
a intuição da vítima que se percebe em meio à reais possibilidades de atos agressivos 
contra si.
FASE 2 ATOS PREPARATÓRIOS
os atos preparatórios significam que a vítima inicia planos defensivos ou evasivos para 
que o crime não ocorra.
8
1
A importância dessas análises pela investigação de crimes repousa na identi-
ficação do agente a ser vitimizado, bem como suas ações iniciais para evitar o 
crime e suas atitudes no momento que ele ocorre. Não se pode deixar excluído o 
ambiente externo, que faz menção ao local em que o ato se desenvolve, e todas 
as possibilidade de evasão do local e mesmo, de periculosidade em que se colo-
cou a vítima. Portanto, para o direito brasileiro é primordial a exposição de fatos 
essenciais como o conhecimento (intuição) da vítima de que estaria prestes a se 
tornar martirizada, e qual sua compreensão da periculosidade do local onde se 
encontrava e da perigosidade do agente desviante (OLIVEIRA, 1999).
Segundo Oliveira (2018), existem vítimas que, através de sua perigosidade 
vitimal, capacitam o acontecimento de delitos, como no caso de atitudes antis-
sociais ou no singelo descuido do indivíduo ao desenvolver atividades (como 
andar) em locais reconhecidamente perigosos.
FASE 3 INICIO DA EXECUÇÃO
o começo da execução acontece quando o agente vitimizável exerce a mecanização 
de seu ato de defesa através de variáveis, como o ambiente externo onde se encontra; 
ou mesmo, se encontra-se em situação apoiadora ao ato criminoso, facilitando a ação 
e resignando-se com o ocorrido.
FASE 4 EXECUTÓRIA
a fase executória (execução) trata-se do comportamento vitimal no momento exato 
da agressão, que tanto pode ser defensivo, ao impelir o agente criminoso, ou na re-
núncia de defesa propriamente dita. Aqui há o tipo penal por parte do agente delitivo 
sendo trazido à realidade.
FASE 5 CONSUMAÇÃO
a consumação ou conclusão é o ato infracional completamente consumado contra 
a vítima, em que se identifica os resultados que podem ser variados, dependendo da 
ação da vítima e criminoso (OLIVEIRA, 1999).
UNIASSELVI
8
1
TEMA DE APRENDIZAGEM 4
Isso tudo é analisado pelas investigações de crimes, para que o direito penal, 
através da ação penal, consiga responder de forma a encontrar um equilíbrio na 
satisfação da harmonia social.
Periculosidade vitimal conceitua o entendimento de vítimas através de sua própria 
índole ou caráter. Seja provocativo, no caso de alguma injusta provocação contra o 
meliante, ou mesmo, pessoas que não atentam para sua segurança ao passear por 
locais de grande ocorrência estatística de violência. Elas passam a contribuir com o 
crime pela atividade desenvolvida no momento inoportuno, e que sem sua atitude o 
crime não teria ocorrido (OLIVEIRA, 2018). Vários usuários de drogas são acometidos 
pelos crimes de ocasião, que acontecem quando agentes criminosos encontram a 
oportunidade certa para o cometimento de algum ato criminoso, como demonstra 
a reportagem que você pode ler no link a seguir, onde um casal trafegava em local 
reconhecidamente perigoso, atrás de vendedores de drogas. Recursos de mídia 
disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem.
EU INDICO
Erin Brockovich – Uma mulher de Talento 
O filme Erin Brockovich – Uma mulher de Talento de 2000, com 
brilhante atuação da estrela Julia Roberts e direção de Steven 
Soderbergh, trata-se de um caso real ocorrido nos Estados 
Unidos. As vítimas assim se tornaram por estarem em um local 
onde a água passou a ser contaminada pela empresa Pacific 
Gas and Electric Company. Dessa maneira, a luta agora era 
sobre o ressarcimento do sofrimento das pessoas, que adoe-
ciam e tinham seus entes familiares acometidos por doenças 
crônicas, causadas pela contaminação dolosa. Aqui há a ten-
tativa de restaurar as mínimas condições de vida e indenizar 
as famílias vítimas, incluindo todo o tratamento médico dispo-
nível e necessário, pagos pela empresa criminosa. Vale a pena 
assistir! Além da questão criminal envolvendo as vítimas, que 
contribuem para o entendimento daquilo que tratamos nesses 
estudos, é um excelente filme!
INDICAÇÃO DE FILME
8
8
VÍTIMOLOGIA NO DIREITO NACIONAL
Em nossos Códigos, Penais ou Processuais Penais, existem várias conotações 
para o significado de vítima, entretanto, nenhuma indicação real sobre o seu 
sentido mais latente. Desde a Parte Especial quanto a Parte Geral do Código 
Penal apresentam algumas nomenclaturas, como o ofendido em crimes contra a 
honra ou os costumes, ou o lesado em crimes contra o patrimônio, e até mesmo 
a própria vítima em crimes contra a pessoa. Mas é por intermédio da doutrina 
que temos o significado de vítima no Brasil, e que traduz a ênfase sobre qual é 
usada nos códigos legais do país (CARVALHO; LOBATO, 2016).
Assim, não há no Código Penal ou Processual Penal qualquer definição ou 
conceituação do que seja vítima. Porém, percebemos sua presença em leis penais 
que atribuem à vítima a qualificação de um crime ou mesmo a sua exclusão, bem 
como a atenuação ou agravamento da pena do desviante (BITTENCOURT, 1974).
Contudo, a Declaração dos Princípios Básicos de Justiça Relativos às Vítimas 
de Criminalidade da ONU, redigida e apresentada em 1985, define vítimas em 
um sentido mais amplo do que o formal, apresentando seu conceito que evolu-
ciona o sentido dos estudos da Vitimologia e propulsiona internacionalmente 
seus estudos, na atenção para essa personagem se inicia nas leis promulgadas 
logo após a Declaração.
UNIASSELVI
8
9
TEMA DE APRENDIZAGEM 4
Nas leis brasileiras, foi com a Lei n° 9099/1995, que institucionaliza os Jui-
zados Especiais no Brasil, que a noção de neutralidadeda vítima passa a ser 
ultrapassada, e supera-se o tempo de invisibilidade de sua infeliz participação 
no ato desviante (GOMES; MOLINA, 2006).
No ano 2000, foi implantado, no país, o Sistema Nacional de Assistên-
cia a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas, que passou a ser regulamentado 
pelo Decreto Lei n° 3518/2000 e a Lei n° 9807/1999, conhecida como Lei de 
Proteção às Testemunhas e Vítimas Ameaçadas, formavam um conjunto de 
normas que organizam programas de proteção à essas pessoas. Mesmo que esse 
acompanhamento apenas sirva àquelas pessoas ameaçadas por colaborarem com 
investigações, o fato é que há um início de discussões sobre a importância dos 
estudos sobre a vítima em nosso país (GOMES; MOLINA, 2006). 
O programa visa também ao combate à rede organizada de crimes, ao prote-
ger testemunhas que colaboram para as investigações acerca de suas atividades. 
Ele está interligado de forma direta à secretária dos Estados dos Direitos Huma-
nos do Ministério da Justiça, formando uma rede protecional à vítima e testemu-
nha capaz de alcançar qualquer Estado da Federação (GOMES; MOLINA, 2006).
Veja, por exemplo, o nosso Código de Trânsito (CTB), criado em 1997 
através da Lei n° 9503. A partir dele, institui-se a multa com intuito de reparação 
causada ao dano patrimonial à vítima de acidentes de trânsito, um passo para a 
modificação do entendimento da própria norma, que agora reflete-se na busca 
da amenização dos problemas causados pelo ato infracional. E a instituição da 
previsão de multa segue preceitos constitucionais:
 “ Art. 5o.(...)XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adota-
rá, entre outras, as seguintes: a) privação ou restrição da liberdade; b) 
perda de bens; c) multa; d) prestação social alternativa; e) suspensão 
ou interdição de direitos (BRASIL, 2012, p. 22, grifo do autor). 
Em seu artigo 297, o CTB afirma que a “multa reparatória consiste no paga-
mento mediante depósito judicial em favor da vítima ou de seus sucessores”, [...] 
entretanto, sempre que houver prejuízo material resultante do crime” (BEM, 
2015, p. 121), possibilitando a indenização pelos danos causados. Mas note que 
se trata apenas de danos patrimoniais, sendo danos morais e consequente ato 
criminoso julgados em processos apartados (JORGE, 2005).
9
1
Abre-se, aqui, as oportunidades de penas alternativas e a intervenção mí-
nima do direito penal, premissas básicas dos estudos da Criminologia Crítica, 
que entende que a pena não serve para a reinserção do condenado à sociedade, 
mas sim como um instrumento estigmatizador. Para Bittencourt (2012), inicia-se 
a possibilidade de mecanizar outros institutos dentro do direito das penas, que 
sejam capazes de realmente trazer harmonia a todos os lados participantes do 
processo, quando “a pena privativa de liberdade jamais deverá ser aplicada quan-
do a pena pecuniária for suficiente à repressão” (BITTENCOURT, 2012, p. 78).
O próprio Código Penal define a prestação pecuniária, dessa forma:
 “ Art. 45. Na aplicação da substituição prevista no artigo anterior, 
proceder-se-á na forma deste e dos arts. 46, 47 e 48. (Redação dada 
pela Lei nº 9.714, de 1998)
§ 1 o A prestação pecuniária consiste no pagamento em dinheiro à 
vítima, a seus dependentes ou a entidade pública ou privada com 
destinação social, de importância fixada pelo juiz, não inferior a 
1 (um) salário-mínimo nem superior a 360 (trezentos e sessenta) 
salários-mínimos. O valor pago será deduzido do montante de 
eventual condenação em ação de reparação civil, se coincidentes 
os beneficiários (BRASIL, 2020, p. 102).
Todavia, a primeira vez em que se aventou um estudo mais amplo sobre vítimas 
no Brasil foi com a criação da Sociedade Brasileira de Vitimologia, criada em 
julho de 1984 no Rio de Janeiro, por intermédio do crescente número de crimes 
no Estado e o interesse da Criminologia em analisar a situação das vítimas, tanto 
que o artigo 3º do Estatuto dessa sociedade civil organizada sem fins lucrativos 
determina a pesquisa e a realização de estudos para identificar os estudos da 
vitimologia no Brasil.
I – A realização de estudos, pesquisas, seminários e congressos 
ligados à pesquisa vitimológica.
II – Formular questões que sejam submetidas ao estudo e decisão 
da Assembleia Geral.
III – Manter contato com outros grupos nacionais e internacionais, 
promovendo reuniões regionais, nacionais ou internacionais 
sobre aspectos relevantes da ciência penal e criminológica, no 
que concerne à Vitimologia (KOSOVSKI, 1990, p. 192).
UNIASSELVI
9
1
TEMA DE APRENDIZAGEM 4
A Sociedade, então, trazia, pela primeira vez, duas grandes situações: a possi-
bilidade de expandir a discussão da vitimologia a partir de congressos e semi-
nários e através de estudos melhorar as respostas científicas acerca do objeto 
de pesquisa. Isso se deve, pois, ao colocar o objeto reiteradamente em análises, 
também é possível que as discussões alcancem todo o rigor científico, uma vez 
que se apresenta em falseabilidade o tema, podendo assim manifestar um melhor 
conhecimento sobre todas as suas particularidades.
A segunda importante situação apresentada pelo Estatuto da Sociedade Bra-
sileira de Vitimologia é a manutenção de ciclos de audiências entre os estudiosos, 
que através de reuniões e conversações consigam apresentar “aspectos relevan-
tes sobre a matéria” (KOSOVISKI, 1990, p. 192).
Em 2008, a Lei n° 11.690 do mesmo ano alterou algumas disposições apre-
sentadas no Código de Processo Penal, ratificando a possibilidade de ouvir a 
vítima de crimes e ter a sua visão dos fatos registrada no processo penal que se 
deslinda, dando ao artigo 201 do CPP a seguinte redação: 
 “ Art. 201. Sempre que possível, o ofendido será qualificado e per-
guntado sobre as circunstâncias da infração, quem seja ou presuma 
ser o seu autor, as provas que possa indicar, tomando-se por termo 
as suas declarações.
§ 2º O ofendido será comunicado dos atos processuais relativos ao ingres-
so e à saída do acusado da prisão, à designação de data para audiência 
e à sentença e respectivos acórdãos que a mantenham ou modifiquem.
§ 3º As comunicações ao ofendido deverão ser feitas no endereço por ele 
indicado, admitindo-se, por opção do ofendido, o uso de meio eletrônico.
§ 4º Antes do início da audiência e durante a sua realização, será 
reservado espaço separado para o ofendido.
§ 5º Se o juiz entender necessário, poderá encaminhar o ofendi-
do para atendimento multidisciplinar, especialmente nas áreas 
psicossocial, de assistência jurídica e de saúde, a expensas do 
ofensor ou do Estado.
§ 6º O juiz tomará as providências necessárias à preservação da in-
timidade, vida privada, honra e imagem do ofendido, podendo, in-
clusive, determinar o segredo de justiça em relação aos dados, depoi-
mentos e outras informações constantes dos autos a seu respeito para 
evitar sua exposição aos meios de comunicação (BRASIL, 2022, s.p.). 
9
1
Assim, o ofendido, como sujeito passivo do crime, passa a ter relevância para 
o processo penal ao ser ouvido sempre que possível em oitiva frente ao magis-
trado. Mas perceba que a disposição presente no § 5º faz a previsão do encami-
nhamento e acompanhamento da vítima em programas capazes de reabilitar e 
prestar assistência das mais diversas, como a judicial.
Nesse sentido, é importante frisarmos o artigo 63 do Código de Processo 
Penal, que determina a ação reparatória em âmbito civil. Isso significa que a 
sentença condenatória transitada em julgada é capaz de constituir um título exe-
cutivo contra o autor do delito, que em cumprimento de sentença deve adimplir 
com sua obrigação. Nesse caso, a execução da sentença pode se dar imediatamen-
te, havendo apenas que ser determinada pelo juiz o quantum indenizatório para 
a satisfação da obrigação. Entretanto, é importante salientar que o direito penal 
toma emprestada a redação do Código Civil, em seu artigo 186, que considera 
que “aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, 
violar direito e causar dano amídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente 
virtual de aprendizagem.
PLAY NO CONHECIMENTO
VAMOS RECORDAR?
Estudante, o tema que iremos desenvolver é de grande importância para os 
estudos dos crimes, e através da Criminologia diversos autores determinaram 
o significado de Vitimologia. Entretanto, em um ponto todos eles são unânimes: 
ao entender que quando analisamos a vítima de crimes, também nos tornamos 
capazes de impedir determinados atos desviantes, através da educação e de 
políticas públicas de qualidade. Desenvolvendo a ciência que discute e estuda 
as vítimas a partir de métodos empíricos, podemos entender tanto os motivos e 
significados de crimes diversos, quanto como preveni-los. Convido a todos a lerem 
o artigo a seguir, que se encontra no site do Ministério Público de São Paulo, e que 
serve como resumo de tudo o que iremos tratar neste estudo. Recursos de mídia 
disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem.
1
1
DESENVOLVA SEU POTENCIAL
O estudo da Vitimologia interpreta-se por exemplos demonstrados na história, 
desde o início de um olhar mais apurado do homem aos contextos sociais mais 
notáveis, como o crime e o sistema penal. Através de análises desenvolvidas 
acerca das formações sociais e de seus problemas mais intrínsecos, referenciar po-
tenciais situações de risco e que envolvam a penalização do Estado importa para 
uma eficaz formação de uma política pública de segurança de extrema qualidade.
Por esse motivo, as análises sobre os crimes e desvios em âmbito social são 
realizadas pela Criminologia, e esta intenta compreender as atribulações e com-
plicações que ocorrem no movimento social. Através de diagnósticos qualitativos 
e quantitativos, o estudo estabelece os passos mais assertivos para determinar o 
melhor remédio. É fato que tal solução deva vir pela vontade do Estado, quando 
entende as contemplações dos estudiosos da Criminologia, em forma de uma 
política criminal virtuosa (BARATTA, 2011).
Sabe o que é Política Criminal? É o conjunto sistemático de princípios e regras 
através dos quais o Estado promove a luta de prevenção e repressão das infrações 
penais. Compreende também os meios e métodos aplicados na execução das 
penas e das medidas de segurança, visando o interesse social e a reinserção do 
infrator (DOTTI, 1999).
PENSANDO JUNTOS
Dessa forma, estudar Criminologia passa a se tornar, logo após o término da Se-
gunda Guerra Mundial, uma vertente para os teóricos do direito, e isso vem sendo 
realizado até hoje. Enquanto a sociedade foi se tornando cada vez mais complexa, 
devidos a inúmeras situações, como o crescimento de um consumismo volátil de 
um lado e de outro, a grande desigualdade social; hermética também se torna a 
convivência dentro do turbilhão de situações que envolvem a vida nas cidades. 
Portanto, o estudo do que é crime e de suas vertentes comumente recebe novas 
nuances, como as análises mais responsáveis do que seja de fato Vitimologia.
UNIASSELVI
1
1
TEMA DE APRENDIZAGEM 1
Historicamente, o termo foi cunhado pela primeira vez pelo cientista romeno 
Benjamim Mendelsohn, em seu livro intitulado “As origens da doutrina da Viti-
mologia”, em 1945, logo após ter sido vítima das violências causadas pela nefasta 
guerra. Perceba que os estudos passam a alterar anos de concepção criminológica, 
para um tema que difere das análises mais antigas e muitas delas veneradas até os 
dias de hoje. Os fundadores da Escola Clássica da Criminologia (Cesare Beccaria, 
Ludwig Feuerbach), bem como da Escola Positiva (Lombroso, Garofalo e Ferri), 
ocupavam seus estudos acerca do delinquente e sua periculosidade frente à socie-
dade, entretanto, não situavam ou representavam o importante papel da vítima nos 
delitos, ocorrendo uma renovação “em termos de valoração, de pesquisas e obser-
vações em torno da vítima e do fenômeno vitimal” (BITTENCOURT, 1974, p. 23).
Em busca da política 
Falamos aqui sobre a Sociedade Complexa, uma transforma-
ção advinda da globalização mundial e da expansão econô-
mica, do mercado e capitalismo, que ocorreram nos últimos 
anos e transformou a sociedade, deixando-a mais complicada. 
Se você se interessou ou deseja entender mais sobre a com-
plexidade da sociedade, que vive o período conhecido como 
Pós-Modernidade, indicamos os livros do sociólogo polonês 
Zygmunt Bauman. Como são mais de 30 obras, recomenda-
mos “Em busca da política”.
INDICAÇÃO DE LIVRO
OS PRIMEIROS ESTUDOS DE VITIMOLOGIA
Antes mesmo de Mendelsohn, é necessário interpretar os estudos acerca da Vi-
timologia através da perspectiva antropológica. Esta se refere ao conceito em-
preendido por toda uma coletividade para definir as suas próprias atividades. 
Desse modo, a própria sociedade define, através de sua cultura e interação, o 
que é vítima. Desde os primórdios, a vítima era escolhida a dedo. Algumas so-
ciedades da antiguidade, que se desenvolveram próximas da planície de Yucatán, 
no México, escolhiam, dentre seus cidadãos, aqueles que deveriam ser dados 
em sacrifício com intuito de aplacar a ira dos deuses, ou até mesmo para que os 
1
1
seres metafísicos atendessem seus pedidos (REDFIELD, 1941). Essa escolha era 
derivada de muitos aspectos, entre eles o local de origem e a pureza da vítima, 
ofertada aos deuses. Os estudos iniciais sobre o que a palavra vítima significa já 
indicava sua origem latina, retratando justamente a oferta que era sacrificada viva 
aos deuses, com intuito de obter seus favores e aplacar sua ira (ALLER, 2015).
Tome como exemplo o Código de Ur-Nammu, um conjunto de normas de 
condutas consideradas pelos arqueólogos como um dos mais antigos já encontra-
dos, datando de aproximadamente 2028 a.C. Nele, há uma inscrição em que insere 
a vítima em um sistema de retribuição pelo dano físico (lesão corporal) causado a 
outrem: “Se um homem, a outro homem, com instrumento geshpu, houve decepa-
do o nariz, de dois terços de mina de prata deverá pagar” (PIEDADE, 1997, p. 24).
Da mesma forma, o Código de Hamurabi, na Babilônia entre os períodos 
que vão de 1728 a 1686 a.C., determina, em seu artigo 209, que “se um homem 
livre ferir a filha de outro homem livre e, em consequência disso, lhe sobrevier um 
aborto, pagar-lhe-á 10 siclos de prata pelo aborto”, demonstrando a preocupação 
com a reparação do dano causado contra a vítima (PIEDADE, 1997, p. 27).
Apocalypto 
Um filme bem interessante, que demonstra as vítimas escolhi-
das a dedo para saciar a fome e vontade dos deuses, aplacan-
do-lhes, assim, a ira e trazendo suas benesses é Apocalypto, 
de 2007, dirigido por Mel Gibson. Perceba que, inclusive, sol-
dados derrotados eram jogados aos deuses como forma de 
tributos, e esses tinham um peso maior, pois tratava-se do ini-
migo derrotado pela força. Depois desses, citadinos poderiam 
ser escolhidos, como virgens que desde o começo de suas 
vidas eram escolhidas para viver no templo, selecionadas a 
dedo pelos sacerdotes para esse fim.
INDICAÇÃO DE FILME
Outra perspectiva muito interessante que passa a definir a Vitimologia com o 
tempo, é desenvolvida ao longo da história do Direito Penal, em que determi-
nadas tendências identificavam a posição da vítima pelo tempo. A primeira ten-
dência é formada através do posicionamento da vítima frente ao injusto sofrido 
(SHECAIRA, 2004).
UNIASSELVI
1
1
TEMA DE APRENDIZAGEM 1
Dessa forma, seja a própria vítima ou em sua falta, seus parentes, poderiam exercer 
a reparação de forma privativa, contra o malfeitor. Assim, o Direito Penal dos 
feudos (Feudalismo do Século X a XV na Idade Média), e até mesmo o antigo 
Direito Romano, compunham-se em algumas semelhanças que eram caracterís-
ticas dessa época da história: a autocomposição, ou a justiça com as próprias mãos. 
Aqui, a vítima assumiria a responsabilidade pela composição do delito, mas até a 
criação da Lei das Doze Tábuas pelo direito romano, a vingança particular não tinha 
limites. Essa época passou a ser reconhecida como a era de ouro da vítima, pelas 
possibilidades ilimitadasoutrem, ainda que exclusivamente moral, comete 
ato ilícito” (BRASIL, 2002, p. 97). Isso significa que somente atos ilícitos são 
capazes de constituir essa obrigação ao causador do dano em sede de reparação.
A ação reparatória em âmbito civil ao crime praticado é uma das grandes con-
quistas das vítimas de delitos. A partir daqui, tanto vítimas quanto seus familiares 
podem socorrer-se do poder judiciário, com fim de alcançar uma indenização. E 
tudo isso é amparado pelo artigo 91 do Código Penal, que cita que: “São efeitos 
da condenação: I - tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo 
crime” (BRASIL, 2022, p. 102).
UNIASSELVI
9
1
TEMA DE APRENDIZAGEM 4
VÍTIMA E O CÓDIGO PENAL
Como vimos, o Código de Processo Penal acaba por entender a participação da 
vítima dentro do processo, através de sua real importância, ao detalhar os aconteci-
mentos e ainda, a inserção em acompanhamentos necessários para sua pronta recu-
peração. Mas o Código Penal, que se refere às condutas sociais que são penalizadas 
através do fato típico, também versa sobre a vítima, fazendo sua presença imperiosa.
Mesmo que não haja uma definição pelo Código Penal sobre a significação do 
que seja de fato vítima, e que isso seja feito pela doutrina, entende-se que vítima seja 
toda aquele agente padecedor de um ato infracional. Mas o Código Penal, escrito em 
1940, passou por uma reformulação intensa em algumas situações em que necessi-
tava uma maior atenção, como por exemplo, a prestação pecuniária que consta 
no artigo 45, realizada através de uma mudança criada pela Lei n° 9714, em 1998.
O Código de Processo Penal, por sua vez, trata de situações como a oitiva 
e tratamento da vítima, em um acompanhamento que pode ser solicitado pelo 
juiz, para a recuperação do padecente, como vimos descrito no artigo 201. Entre-
tanto, o Código Penal aborda o tema vítima a partir de sua participação no crime 
ou no ato infracional, abordando a situação na aplicação da pena. As atitudes 
tomadas pela vítima, no intermédio do ato danoso, passam a ser analisadas como 
formas de atenuação ou mesmo, de exasperação de uma sentença penal.
Assim, vemos uma franca ascensão da importância da vítima dentro do direito pátrio, 
em uma real ressignificação de seu sentido.
9
4
Tome por exemplo o artigo 59 do CP, em seu caput:
 “ Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à 
conduta social, à personalidade do agente, aos motivos, às circuns-
tâncias e consequências do crime, bem como ao comportamento 
da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para 
reprovação e prevenção do crime (BRASIL, 2020, p. 78).
Vamos estabelecer nosso pensamento na última parte do artigo acima, na refe-
rência da vítima e seu comportamento para o crime. Existem, de fato, pessoas que 
contribuem para que o crime aconteça, como o caso de trafegar em local ermo 
e amplamente sabido de sua perigosidade, de não tomar as precauções devidas 
e nem as atenções necessárias para evitar o crime. Há aquelas ainda capazes de 
instigar o ato delitivo por intermédio da provocação.
Entretanto, é franco o entendimento de que a culpa concorrente da vítima para 
o acontecimento do crime não é capaz de eliminar a culpa do agente criminoso, que 
age através de uma ação volitiva, possuindo conhecimento de seus atos. Contudo, 
é capaz de atenuar a responsabilidade do autor do delito, sendo circunstância 
essencial para a aplicação da pena atenuada (BITTENCOURT, 2012).
E isso está descrito no artigo 65, nas circunstâncias que sempre atenuam a 
pena do agente, quando sob influência de forte emoção provocada por ato injusto 
da vítima. Mas perceba que o legislador foi claro ao envolver uma provocação que 
tende a ser respondida, muito comum em crimes considerados passionais, mas em 
momento algum define vítimas causadoras do próprio infortúnio através de sua 
desatenção. A interação social entre vítima e criminoso e as possíveis causas de um 
crime provocado pela participação da vítima não agressiva, são obras da doutrina 
da vitimologia crítica, que intenta suplantar o direito penal repressivo em prol de 
uma justiça restaurativa, mudando a concepção de nossos operadores do direito.
Entretanto, não se observa de fato a preocupação de uma definição concreta 
dos casos mais analisados doutrinariamente nos nossos códigos legais, o que 
pode ser intermediado pela concepção sociológica e antropológica nos estudos 
do crime, realizada pelo magistrado. E é por esse motivo que é dada grande 
importância aos estudos da vitimologia inserida nas interpretações do Código 
Penal e Processual Penal (JORGE, 2005).
UNIASSELVI
9
5
TEMA DE APRENDIZAGEM 4
A LEI MARIA DA PENHA
O crescimento da violência contra a mulher em nosso país é uma triste realidade. 
Ela contribui estatisticamente para o aumento exponencial nos números de lesão 
corporal e homicídio empregados contra um único gênero. Dessa maneira, identifi-
camos aqui um grupo vulnerável que nos remete às discussões sobre a desigualdade 
de gênero como um problema em nossa sociedade. E essa discussão vai além do 
direito penal e da criminologia, evocando análises multidisciplinares como a socio-
logia e a antropologia, visando políticas públicas de proteção especial a esse grupo.
Homenageando uma das mais importantes representantes do combate à vio-
lência contra mulheres, a biofarmacêutica Maria da Penha cede seu 
nome para uma das mais importantes leis produzidas para pessoas 
consideradas hipossuficientes frente à agressão sofrida, distinguin-
do-se por suas características de gênero.
Por intermédio da Lei n° 11.340/2006, a Lei Maria da Pe-
nha possui uma forte característica desestigmatizante de um dos 
crimes mais complexos no País; a violência doméstica con-
tra mulheres. A proteção das vítimas é engendrada por 
mecanismos que visam assegurar o bem-estar da 
mulher em situação de risco, ao criar uma sé-
rie de medidas protetivas para sua segurança. 
A proteção penal aqui referenciada exclusi-
vamente para mulheres, definiu a violência 
VOCÊ SABE RESPONDER?
É comum que alguns criminosos tenham o modus operandi pré-definido em 
determinados tipos de crimes, quando investiga a sua vítima. Dessa forma, o delito 
somente ocorre, pois, o criminoso encontra alguma qualidade vitimal na sua futura 
vítima. Nesse sentido, você consegue identificar grupos ou pessoas através dessa 
qualidade vitimal, ou a partir de suas características? Um exemplo: o ganancioso 
que muitas vezes, através de sua cobiça, torna-se vítima de algum estelionatário.
9
1
de gênero como uma das tutelas do Estado com maior previsão de penalizações 
contra seu autor. Anteriormente, era comum a violência doméstica estar listada 
como lesão corporal apenas, sem nenhum nexo à crescente estatística que já 
se faz presente no país há alguns anos, não reconhecendo assim a violência de 
gênero e a discriminação como um dos mais banais crimes (CAMPOS, 2011).
Para a defesa dessa vítima em peculiar, a lei tratou de exasperar as penas aos 
criminosos, sendo possível a prisão preventiva do autor do delito, com abertura 
do consequente inquérito policial e a ação penal instaurada. Sem a lei Maria da 
Penha, os crimes de violência doméstica eram julgados pelos Juizados Especiais 
Criminais, que apesar de sua prática despenalizadora, não permitia maiores pro-
teções à mulher em um crime em franca ascensão (CAMPOS, 2011).
A lei também apresenta proteção à vítima como as medidas cautelares 
e o processo sendo julgado por órgãos especializados, os Juizados de Vio-
lência Doméstica e Familiar. Os atendimentos realizados por Equipes de 
Atendimento Multidisciplinar, nas Delegacias das Mulheres, são prestados por 
profissionais especializados nas mais diversas áreas; e a própria autoridade 
policial deve tomar providências imediatas, quando preciso, para proteger a 
mulher de futuras violências.
Você sabia que a Lei n° 14.188/2021, a mesma que instituiu alterações no Código 
Penal também criou o Programa Cooperação Sinal Vermelho?No Código Penal, 
essa Lei já havia alterado a redação do artigo 9, dizendo que “se a lesão for prati-
cada contra a mulher, por razões da condição do sexo feminino, nos termos do § 
2º-A do art. 121 deste Código, a reclusão será de de 1 (um) a 4 (quatro anos)”, sem-
pre lembrando que artigo 121 também sofreu alterações agora com a imputação 
do feminicídio aos autores de crimes fatais contra mulheres (BRASIL, 2020, p. 172). 
Além disso, desenvolveu o Programa Cooperação Sinal Vermelho, que você pode 
analisar pela página do CNJ.
O programa visa formas de proteger a mulher vítima de violência que não conse-
gue oportunidades de denunciar o agressor, capacitando locais de atendimento 
ao público para que contem como ajuda à mulher que solicitar. Recursos de mídia 
disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem.
EU INDICO
UNIASSELVI
9
1
TEMA DE APRENDIZAGEM 4
A LEI 9199/95
A Lei que institui os Juizados Especiais Cíveis e Criminais, Lei n° 9099/1995 é 
considerada uma das que mais se ocuparam da vítima, assim como a Lei Maria 
da Penha. Nela, a reparação do dano em prol da vítima é a busca imediata, desde 
o início da contenda. Aqui a vítima passa a ter toda atenção possível, e a busca 
pela solução do conflito de forma desburocratizada e célere, consegue trazer a 
pacificação social e a harmonia entre as partes também.
Utilizada em conflitos de menor potencial ofensivo, a justiça consensual 
busca a reparação dos danos causados à vítima, da mesma forma que intenta a 
despenalização do autor do delito. A composição dos danos através da Lei em 
comento, é considerada uma evolução no direito penal, que ocorre de forma a 
realmente proporcionar a satisfação da vítima e de seu padecimento.
9
8
NOVOS DESAFIOS
Teoria e prática se encontram nos estudos sobre as normas de direito e a vitimo-
logia. Aqui apresentamos os estudos da Vitimologia, que cresce a cada dia en-
quanto matéria autônoma e que apresenta suas essenciais pesquisas para o direito 
positivado. E ele, direito, ao se deparar com pesquisas responsáveis e diligentes, 
frente ao crescimento de crimes contra determinadas pessoas, deve se aprimorar.
Dessa forma, nos deparamos com a infeliz estatística do desenvolvimento de 
algum crime que tem por escopo atingir algum grupo especificamente designado, 
ou mesmo, uma pessoa. Através de gênero, etnia ou mesmo, crenças, a pessoa 
pode ser vilipendiada por seus algozes, que já possuem um modus operandi 
específico para causar o prejuízo e o mal contra esses personagens.
É incumbência do direito e do Estado buscar a tutela desses considerados 
a partir de suas idiossincrasias ou características especiais, de grupos hipossu-
ficientes e pessoas em risco. Para isso a vitimologia surge com força desde o 
término da Segunda Grande Guerra.
Através dos estudos vitimológicos as normas podem ser alteradas para um 
melhor alcance daqueles que delas mais necessitam.
Gostou do que discutimos até aqui? Tenho mais para conversar com você a respei-
to deste tema. Vamos lá? Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do 
ambiente virtual de aprendizagem.
EM FOCO
Dessa forma, a Lei é um grande instrumento para alcançar um modelo ideal 
de justiça consensual e restaurativa no país, alastrando seus conceitos para 
outros tipos penais em que possam ser realmente utilizados. Perceba que, atra-
vés dessa norma, os estudos da Vitimologia passaram a refletir seus ideais mais 
significativos e ainda, mais desafiadores.
UNIASSELVI
9
9
1. A Declaração dos Princípios Básicos de Justiça Relativos às Vítimas de Criminalidade da 
ONU, redigida e apresentada em 1985, que define vítimas em um sentido mais amplo do que 
o formal, apresentando seu conceito que evoluciona o sentido dos estudos da Vitimologia 
e propulsiona internacionalmente seus estudos, a atenção para essa personagem se inicia 
nas leis promulgadas logo após a Declaração. 
Dessa forma, analise o que se afirma a seguir:
I - É correto afirmar que a Lei n° 9099/1995, que institucionaliza os Juizados Especiais no 
Brasil, que tem por âmbito tratar dos crimes de Violência Doméstica.
II - O Sistema Nacional de Assistência às Vítimas e Testemunhas Ameaçadas investiga e 
presta assistência às vítimas de crimes violentos e passionais.
III - O Código de Trânsito (CTB), criado em 1997 através da Lei n° 9503, institui a multa com 
intuito de reparação causada ao dano patrimonial à vítima de acidentes de trânsito. 
IV - O ofendido deverá ser ouvido no processo penal sempre que possível.
É correto o que se afirma em:
a) I, apenas.
b) II e IV, apenas.
c) III e IV, apenas.
d) I, II e III, apenas.
e) I, II, III e IV.
 2. Iter victmae se trata dos caminhos percorridos pelo indivíduo até o momento em que se 
determina o ato vitimizante, cinco fases são construídas e estudadas para a objetivação 
dos fatos e através disso, asseverar a conduta dos agentes envolvidos. Faça a análise das 
questões a seguir, identifique e marque a que considerar correta:
a) Três são as fases constituídas para estudar o iter victimae, e entre elas encontram-se os 
atos preparatórios do crime. 
 b) Iter Victimae relaciona-se em como os procedimentos de apoio e assistência à vítima 
serão adimplidos pelo estatal. 
b) Os resultados dos estudos do iter victimae servem de referência doutrinária para a in-
terpretação do crime e seus deslindes, entretanto, insuficientes para o auxílio ao poder 
judiciário e à consequente ação penal. 
c) A Polícia Judiciária, ao instaurar o inquérito policial acerca de um crime, faz investigações 
e análises do comportamento da vítima para melhor contribuir com o juízo julgador da 
futura ação penal. 
d) O estudo do ambiente externo passa a ser realizado pela investigação policial compe-
tente, não sendo atribuição dos estudos da vitimologia.
AUTOATIVIDADE
1
1
1
 3 O Código de Processo Penal acaba por entender a participação da vítima dentro do proces-
so, através de sua real importância, ao detalhar os acontecimentos e ainda, a inserção em 
acompanhamentos necessários para sua pronta recuperação, mas difere do Código Penal 
nas análises da interpretação de vítima. Analise as alternativas a seguir e assinale a correta:
a) Os Juizados de Violência Doméstica e Familiar, criados pelo Código Penal, são instru-
mentos importantes para a ação penal contra violência doméstica, crime em crescimento 
em nosso país.
b) O Código Penal faz a interpretação da palavra vítima e seus significados.
c) Não existem atenuantes ao crime no Código Penal, em crimes de violência contra a vida. 
d) O Código de Processo Penal trata de situações como a oitiva e tratamento da vítima, em 
um acompanhamento que pode ser solicitado pelo juiz, para a recuperação do pade-
cente, descritos no artigo 201.
e) O Código Penal faz seu entendimento da vítima e a analisa aplicando toda a estrutura 
de amparo do Estado em seu tratamento, se preciso.
AUTOATIVIDADE
1
1
1
REFERÊNCIAS
BEM, L. S. de. Direito Penal de Trânsito. São Paulo, Saraiva, 2015.
BRASIL. Lei n° 10 .406, 10 de janeiro de 2002 . Código Civil . 10. ed. São Paulo: Saraiva, 2002.
BITTENCOURT. C. R. Tratado de direito penal; parte geral, 17. ed., São Paulo: Saraiva, 2012, v.1.
BITTENCOURT, E. de M. Vítima . São Paulo: Editora Universitária de Direito Ltda, 1974.
CAMPOS, C. H. de. Lei Maria da Penha: comentada em uma perspectiva jurídico-feminina. Rio 
de Janeiro: Lumen Juris, 2011.
JORGE, A. P. Em busca da satisfação dos interesses da vítima penal . Rio de Janeiro: Lumen 
Juris, 2005.
GOMES L. F., MOLINA A. G. Criminologia. 5 ed., São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 2006.
ONU. CONSELHO ECONÔMICO E SOCIAL DA ONU (ECOSOC). Resolução 2002/12, de 24 de 
julho de 2002. Regulamenta os princípios básicos para a utilização de Programas de Justi-
ça Restaurativa em Matéria Criminal. Organização das Nações Unidas: Agência da ONU para 
refugiados (UNCHR), E/RES/2002/12. Disponível em: http://www.unhcr.org/refworld/doci-
d/46c455820.html. Acesso em: 12 out. 2023.
OLIVEIRA, A.S. S. A vítima e o direito penal: uma abordagem do movimento vitimológico e de 
seu impacto no direito penal . São Paulo: Revista dos Tribunais, 1999.
OLIVEIRA, E. Vitimologia e Direito Penal - Crime Precipitado ou Programado pela Vítima. Curi-
tiba: Ed. Juruá, 2018.
KOSOVISKI, E.; PIEDADE JUNIOR, H.; MAYR, E. Vitimologia em debate. 1. ed. Rio de Janeiro: 
forense, 1990.
1
1
1
1. Opção C. 
Não é correto o que se afirma em I, pois a Lei Maria da Penha instituiu os Juizados de Violência 
Doméstica e Familiar com o intuito de proteção à essa vítima em peculiar. 
Afirmativa II é errada, uma vez que o Sistema Nacional de Assistência às Vítimas e Testemu-
nhas Ameaçadas não investiga, mas faz a proteção de vítimas e testemunhas que estejam 
auxiliando o poder judiciário e estão por esse motivo, sendo ameaçadas
2. Opção D.
Alternativa A está errada, pois são 5 as fases de análises do iter victimae, mesmo que ainda 
entre elas se encontrem a fase de atos preparatórios.
Alternativa B é incorreta, pois o iter victimae faz estudos sobre o acontecimento do momento 
do crime, ou seja, os caminhos percorridos pelos personagens até que o delito aconteça.
Alternativa C é errada, pois os resultados desses estudos são capazes de melhor entender 
o crime, auxiliando o poder judiciário a encontrar uma melhor penalização.
Alternativa E é errada, pois o iter victimae estuda os ambientes externos e as situações ao 
redor do acontecimento para melhor entender o fato ocorrido. 
3. Opção D.
Alternativa A é errada, pois os Juizados de Violência Doméstica e Familiar foram instituídos 
pela Lei Maria da Penha.
Alternativa B está incorreta, pois o Código Penal não faz a interpretação da palavra vítima.
Alternativa C é falsa, pois as atenuantes presentes no Código Penal servem para minimizar 
a penalização do criminoso em causa de crimes provocados pela vítima.
Alternativa E é errada, pois o Código Penal não faz essa análise de forma legal, mas o 
magistrado da causa pode fazê-la, segundo artigo 201, § 5º do Código de Processo Penal.
GABARITO
1
1
1
MINHAS METAS
A INVISIBILIDADE LATENTE: 
A OMISSÃO ESTATAL FRENTE 
DETERMINADAS VÍTIMAS 
DE CRIMES
Investigar algumas das vítimas invisíveis no Brasil.
Examinar os problemas causados pela invisibilidade de alguns personagens.
Instigar o estudo acerca das relações sociais no País, com tendências à desigualdade 
social.
Analisar a desigualdade social e quais seus aspectos na causa de vítimas invisíveis.
Definir a importância das análises das vítimas invisíveis para as políticas públicas vindouras.
Diagnosticar os grandes problemas percebidos por algumas vítimas consideradas alheias 
e afastadas do poder público.
T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 5
1
1
4
INICIE SUA JORNADA
Estudante, aqui, vamos tratar de um assunto muito interessante e que nos propor-
ciona o pensar crítico em todas as situações analisadas. Passaremos a observar as 
vítimas invisíveis e os motivos de sua invisibilidade. Numa sociedade reconhe-
cidamente desigual como o Brasil, é comum encontrarmos personagens excluí-
dos ou à margem da convivência social. Muitos desses são reconhecidamente 
desviantes, ou outsiders. São aqueles que, invisivelmente, perambulam, muitas 
vezes, sem o conhecimento do poder público. Há também crimes contra essas 
pessoas (moradores de rua, viciados em drogas, pessoas moradoras de áreas de 
risco etc.), que muitas vezes, quando ocorrem, ficam no anonimato, ou seja, não 
há sequer uma investigação para levar à justiça o criminoso (PIOVESAN, 2009).
Para uma sociedade mais segura, os crimes, principalmente contra a vida 
humana, devem ser esclarecidos. Uma sociedade que não pune os crimes contra 
o mais basilar princípio humano não consegue de fato implantar um sistema de 
proteção ideal ao seu cidadão (PIOVESAN, 2009).
Da mesma forma, a reflexão que devemos fazer é a luta pelo adimplemento 
de todos os direitos fundamentais assegurados constitucionalmente para todos 
os brasileiros, sem exceção. As lutas travadas por nossos direitos nos deram a 
possibilidade de hoje termos uma Constituição que preza por seu cidadão, não 
devem ser deixadas esquecidas na história. Por isso, entender que pessoas podem 
ser vítimas da falta do Estado em suas vidas é conseguir, de forma ideal, entender 
as atuais preocupações da vitimologia (CASTRO,1983). 
Neste podcast, você irá iniciar a reflexão acerca daquelas vítimas que não fazem 
parte de nenhuma estatística oficial, e que, muitas vezes, permanecem esquecidas 
pelo poder público. Você sabia que muitos crimes no país não são solucionados, e 
alguns deles não chegam ao menos a ser investigados? E não se trata apenas de 
crimes violentos, mas também da omissão do Poder Público em garantir os direitos 
fundamentais do cidadão. A crescente desigualdade social é capaz de formar um 
exército de pessoas esquecidas, vítimas de vários crimes e, entre eles, a fome e 
exclusão. Vamos ao podcast!? Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital 
do ambiente virtual de aprendizagem.
PLAY NO CONHECIMENTO
UNIASSELVI
1
1
5
TEMA DE APRENDIZAGEM 5
DESENVOLVA SEU POTENCIAL
A Vitimologia intenta descobrir as vítimas, objetos de seus estudos e análises, 
onde quer que estas sejam produzidas. Seja pela exclusão social ou pelas enormes 
desigualdades sociais, em crescente desenvolvimento histórico em nosso país, 
é imprescindível identificar quem são consideradas vítimas e por qual motivo, 
para melhorar a tutela estatal, em todas as vias.
Por esse motivo, a Vitimologia pode ser considerada uma ciência autô-
noma, pois suas análises centradas em um objeto de estudos, que é falseável e 
posto à prova através de métodos de pesquisas sistêmicos, consegue influenciar 
a moldagem de projetos de políticas públicas de qualidade (CASTRO, 1983).
Várias são as causas de existirem as vítimas invisíveis, mas uma das mais 
discutidas é a omissão do poder público frente a algumas situações vividas no 
âmbito social. Não se trata apenas do esquecimento, mas de uma relação que gera 
indiferença e alheamento de determinadas pessoas (e de seus problemas) dentro 
da sociedade. Nesse ínterim, para que o cidadão se torne uma vítima invisível e 
sendo assim considerado pela estatística, há a necessidade da omissão do Estado 
em suas atribuições mais primordiais (CASTRO, 1983).
VAMOS RECORDAR?
O estudo das vítimas invisíveis é realizado pela Vitimologia, que tenta identificar 
aquelas pessoas que sofreram e sofrem problemas que são consequências de 
crimes não resolvidos, ou causados pela omissão estatal.
No vídeo do link a seguir, você pode identificar um dos maiores problemas 
causadores de vítimas invisíveis no Brasil, que são os crimes de homicídio que 
ficam sem solução. Segundo o levantamento do Instituto Sou da Paz, 70% dos 
casos de assassinatos não são punidos. Conheça as análises e dados de outras 
pesquisas referentes aos nossos estudos no site do Instituto.
Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de 
aprendizagem.
1
1
1
Portanto, desde a desconsideração dos direitos da vítima, muitas vezes através da 
falta de atuação investigativa e consequente não punição ao crime, enfatizando, 
assim, o desrespeito ao direito da vítima, até o inadimplemento dos direitos fun-
damentais, são capazes de aumentar o número de vítimas que se tornam invisíveis.
Muitos crimes de homicídios não têm sua resolução em nosso país. Isso se 
refere, muitas vezes, à falta de interesse dos órgãos investigativos em realizar de-
terminadas investigações por um lado e, por outro, as cifras negras que muitas 
vezes impedem o conhecimento de crimes pela autoridade policial (CASTRO, 
1983). Entretanto, quando há omissão do Estado no adimplemento dos direitos 
sociais, considerados como direitos fundamentais no Estado Social de Direito, 
e se essa omissão causar a morte de alguém, então estamos conhecendo mais 
uma vítima invisível, que somente passa a ser assim reconhecida por estudos e 
análises da vitimologia.
São duas as perspectivasque iremos analisar nesse ponto: a atuação estatal 
para a garantia dos direitos fundamentais e o seu desempenho no combate ao 
crime e na elucidação desses mesmos crimes.
UNIASSELVI
1
1
1
TEMA DE APRENDIZAGEM 5
VÍTIMAS INVISÍVEIS DE VIOLÊNCIA
Por falta de uma investigação mais ativa e a consequente tolerância em relação 
à violência de gênero, no ano de 2001, o Brasil foi condenado pela Comissão 
Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos 
(OEA). A condenação se refere à omissão no caso da biofarmacêutica Maria da 
Penha Maia Fernandes, vítima de tentativa de homicídio e de agressões capazes 
de causar paraplegia. A condenação pela Comissão apresentou suas considerações:
 “ O Estado está obrigado a investigar toda situação em que tenham sido 
violados os Direitos Humanos protegidos pela Convenção. Se o aparato 
do Estado age de maneira que tal violação fique impune e não seja resta-
belecida, na medida do possível, a vítima na plenitude de seus direitos, 
pode-se afirmar que não cumpriu o dever de garantir às pessoas sujeitas 
à sua jurisdição o exercício livre e pleno de seus direitos. Isso também 
é válido quando se tolere que particulares ou grupos de particulares 
atuem livre ou impunemente em detrimento dos direitos reconhecidos 
na Convenção. [...] A segunda obrigação dos Estados Partes é 'garan-
tir' o livre e pleno exercício dos direitos reconhecidos na Convenção a 
toda pessoa sujeita à sua jurisdição. Essa obrigação implica o dever dos 
Estados Partes de organizar todo o aparato governamental e, em geral, 
todas as estruturas mediante aos quais se manifesta o exercício do po-
der público, de maneira que sejam capazes de assegurar juridicamente 
o livre e pleno exercício dos direitos humanos. Em consequência dessa 
obrigação, os Estados devem prevenir, investigar e punir toda violação 
dos direitos reconhecidos pela Convenção e, ademais, procurar o res-
tabelecimento, na medida do possível, do direito conculcado e, quando 
for o caso, a reparação dos danos produzidos pela violação dos Direitos 
Humanos (PIOVESAN, 2009, p. 243).
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Ame-
ricanos esclarece, assim, que países signatários e membros da OEA devem estabelecer 
mecanismos que viabilizem a proteção de grupos em vulnerabilidade e de pessoas 
em situação de risco iminente. Isso faz o país priorizar as análises sistêmicas reali-
zadas pela vitimologia acerca dos dados que colaboram ao informar o crescimento 
dos crimes contra uma espécie de vítima muito bem definida (PIOVESAN, 2009).
1
1
8
Cinco anos após a condenação, foi criada a Lei Maria da Penha, que leva o 
nome de uma das vítimas desse crime atroz, levando o n° 11.340/2006. Mesmo 
com a ampla demora para a determinação legal, a Lei consegue engendrar pos-
tos de salvaguarda para a mulher vítima de violência ou na iminência desta, na 
criação de delegacias especializadas para o atendimento e medidas de proteção 
contra o agressor, retirando-o da convivência com a vítima (CAMPOS, 2011).
A vítima que se define pela condição do sexo feminino também foi enfatizada 
pela Lei n° 13.104/2015, que trouxe o tipo penal feminicídio, ou seja, o assassinato 
envolvendo violência doméstica ou menosprezo e discriminação à 
condição feminina. O Mapa da Violência de 2015 aponta que, no 
mundo todo, 33,2% dos homicídios de mulheres são cometidos 
pelos seus parceiros, naquilo que antes da Lei Maria da Penha era 
considerado crime passional gerado por problemas conjugais.
Hoje, podemos perceber que as raízes desse tipo de crime 
são mais profundas, e se relacionam com questões ampla-
mente culturais que se relacionam com o papel da mulher 
na sociedade, e não por problemas apenas passionais. O Mapa 
da Violência de 2015 apontou o Brasil na quinta posição de taxa de 
feminicídios no mundo, onde existiram na época 4,8 homicídios para cada 
100 mil mulheres. Segundo análises, a maioria desses crimes poderiam sequer 
chegar ao conhecimento policial e gerar essas estatísticas, não fosse a criação de 
mecanismos de proteção e defesa à mulher (PIOVESAN, 2009), estaríamos diante 
de um número latente de vítimas invisíveis, alheias e esquecidas.
O Mapa da Violência de 2015, escrito por Júlio Jacobo Waiselfisz, através da Facul-
dade Latino-Americana de Ciências Sociais, demonstra, através de números esta-
tísticos qualitativos, o desenvolvimento da violência de gênero, aplicando estudos 
complexos e que definem os maiores problemas enfrentados tantos pelas vítimas 
quanto pelas autoridades. Uma grande quantidade desses crimes desenvolve ví-
timas invisíveis, através das cifras negras. Você pode estudar o Mapa de 2015, que 
foi muito bem-conceituado pelas Ciências Sociais no Brasil, aqui .
Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de 
aprendizagem.
EU INDICO
UNIASSELVI
1
1
9
TEMA DE APRENDIZAGEM 5
Vítimas Invisíveis da Violência De Gênero 
Entretanto, quando falamos sobre crimes contra mulher, especificamente, podemos 
notar que mesmo que a Lei especializada trouxesse medidas capazes de proteger a víti-
ma, a violência de gênero somente vem a crescer. Segundo o Atlas da Violência (2022), 
realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), todos os anos, no 
Brasil, estima-se que ocorram 822 mil estupros por ano e que, desse total, apenas 8,5% 
chegam ao conhecimento da polícia, e somente 4,2% conseguem ser identificados pelo 
sistema de saúde. Os dados também demonstram que mais de 80% das vítimas de 
estupro são mulheres, e em relação aos seus agressores são divididos em quatro grupos 
essenciais: parceiros e ex-parceiros, familiares e amigos conhecidos ou não. Entretanto, 
inexistem no país pesquisas especializadas sobre a violência sexual, pois existe um 
universo de vítimas que não chegam a ser determinadas, ouvidas e nem seus crimes 
investigados, por se tratar de vítimas invisíveis (PIOVESAN, 2009).
Os números no Brasil de vítimas de estupro, em estudos realizados pelo 
IPEA, demonstram que são quase dois casos de estupro por minuto, onde, desse 
total, apenas 8,5% chegam ao conhecimento da polícia e apenas 4,2 por cento 
são identificados pelo sistema de saúde (IPEA, 2022, p. 6). 
Os dados apresentam uma taxa de atrito que indica que, em 2019, há um nú-
mero de informação sobre casos de estupro que jamais chegaram ao conhecimen-
to policial e nem do sistema de saúde. Significa que o crime é sabido e conhecido, 
e passa a ser detectado após pesquisas realizadas por instituições como o IPEA. 
Ao jogar esse número frente àqueles já conhecidos das polícias, no Brasil inteiro, 
temos um exponencial crescimento do número das cifras negras, que ocorre 
quando a vítima deixa de relatar um crime às autoridades. E isso pode ocorrer 
por diversos motivos, no caso do estupro, a vergonha e o medo são causadores 
de vítimas invisíveis (CAMPOS, 2011).
Para o Ipea, órgão responsável pela pesquisa, é necessário investir em:
 “ [...] capacitação e estruturação de rotinas de notificações nos regis-
tros sobre estupros no país, desde a expansão da cobertura do Sinan 
(mais de mil municípios não apresentam anualmente nenhuma no-
tificação de violência e/ou apresentam dados divergentes de outras 
fontes) a processos que evitem ou minimizem erros no preenchi-
mento dos dados (IPEA, 2022, p. 4).
1
1
1
“É crucial, ainda, que o Estado produza a primeira pesquisa nacional sobre violência 
doméstica e sexual, para balizar de forma mais efetiva as políticas públicas de 
enfrentamento ao problema” e, dessa forma, diminuir o número de vítimas invisíveis 
nesse tipo de crime no país (IPEA, 2022, p. 4).
Percebe-se que os registros policiais de crimes de estupro dependem muito da bus-
ca da vítima em buscar o Sistema Único de Saúde, prevalecendo, assim, a notificação 
do caso. Para Daniel Cerqueira, um dos pesquisadores do Atlas do Ipea, o número 
de casos notificados difere substancialmente da prevalência real, pois “muitas vítimas 
terminam por não se apresentara nenhum órgão público para registrar o crime, seja 
por vergonha, sentimento de culpa, ou outros fatores” (IPEA, 2022, p. 5).
Vítimas Invisíveis do Estado 
Vamos analisar agora outros dados estatísticos que demonstram que ainda en-
gatinhamos ao desvendar e a trazer para a luz alguns personagens no país que se 
tornam vítimas invisíveis. Algumas dessas vítimas de crimes existem pela falta de 
investigação em crimes que ocorrem nas cidades. Vamos começar pelos crimes 
de homicídio (RICARDO, 2023).
 ■ Homicídios no Brasil: o Instituto Sou da Paz lançou a sua quinta edição 
de 2022 de sua já reconhecida pesquisa “Onde mora a Impunidade”, ten-
tando responder porque é importante para o país possuir um indicador 
nacional de esclarecimentos de homicídios. Os pesquisadores ressaltaram 
dados alarmantes sobre vítimas de crimes de homicídios, ressaltando que 
no Brasil apenas 37% dos homicídios praticados em 2019 foram 
resolvidos (RICARDO, 2023).
Na mesma pesquisa feita em relatório anterior, o ano de 2018 apresentou 44% de 
crimes resolvidos, gerando, também, um alto número de vítimas invisíveis. Para a 
diretora executiva do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo, o sistema de segurança 
nacional e de justiça criminal ainda concentra seus esforços nos crimes conside-
rados patrimoniais e em outros sem violência, impulsionando prisões provisórias 
que lotam o já saturado sistema prisional. É preciso dirigir os esforços e os investi-
mentos, “sobretudo, para a investigação e esclarecimento dos crimes contra a vida, 
onde, de fato, mora a impunidade” (FRAGA, 2022, p. 132, grifo nosso).
UNIASSELVI
1
1
1
TEMA DE APRENDIZAGEM 5
O IPEA apresenta também que a população prisional no Brasil é de 670.714 
pessoas, onde a maior parte está presa por crimes contra o patrimônio, como rou-
bos e extorsão, e por crimes relacionados a drogas. Pessoas presas por homicídio 
representam menos de 10 por cento da população carcerária. O percentual de 
presos no Brasil, por tipo penal, demonstra que presos por homicídio perfazem 
um número de 10 por cento, presos por crimes relacionados a drogas perfazem 
o número de 29 por cento, e crimes contra o patrimônio perfazem o número de 
40 por cento (IPEA, 2022, p. 6).
Dessa forma, os estudos corroboram com muitos estudiosos e análises da 
Criminologia, que enfatizam que o Código Penal Brasileiro possui um viés pa-
trimonialista; como bem apresentou Juarez Cirino dos Santos:
 “ A demonstração de que o Direito Penal protege os valores funda-
mentais das sociedades contemporâneas constitui tese central da 
Criminologia Crítica: o Direito Penal garante a desigualdade social 
fundada na relação capital/trabalho assalariado das sociedades ca-
pitalistas (SANTOS, 2008, p. 12).
Essa construção interpretativa do peso dos crimes no Código Penal é capaz de 
causar vítimas invisíveis, que jamais façam parte do histórico criminal, e, dessa 
forma, impossível também a ação de políticas públicas e de segurança em crimes 
que teoricamente não existem (JORGE, 2005).
1
1
1
A pesquisa também aponta que os países das Américas Latina e Central de-
têm os piores índices de investigação e esclarecimentos de crimes. Compostos 
por 18 países que juntos obtêm apenas 43 por cento de elucidação de homicídios, 
fica muito atrás dos 35 países Europeus, que possuem uma média de 92 por 
cento de esclarecimentos de crimes contra a vida. Esse número ainda piora em 
se tratando de países emergentes da África e Ásia, que detém melhor percentual 
nos esclarecimentos de homicídios que os países da América Latina e Central, 
ficando com 52 e 72 por cento de crimes esclarecidos, respectivamente. 
O esclarecimento de homicídios é importante por vários fatores, entre eles 
a prevenção de novos assassinatos, uma vez que o número de homicidas re-
incidentes diminui com a prisão. Segundo a pesquisa do Instituto Sou da Paz, 
uma maior responsabilização dos homicidas gera também um efeito pedagógico, 
diminuindo as chances de um novo crime similar, além de diminuir o ímpeto 
dos indivíduos na sociedade através de uma possível punição. Da mesma forma, 
a prisão de homicidas, causada pela consequente investigação e resolução de 
crimes, é capaz de diminuir a vendeta e seus ciclos, muito bem definidos através 
da violência. Assim, o Estado cumpre com sua função de proteção ao maior bem 
jurídico tutelado pelo direito bem como consegue efetivar a proteção de futuras 
vítimas, ao esclarecer os casos fatais.
 ■ Vítimas invisíveis no Brasil - a desigualdade social: a grande desi-
gualdade social também é causa da invisibilidade de vítimas diversas, 
como vítimas de doenças fatais causadas pela omissão estatal em garantir 
os direitos fundamentais, que acabam não fazendo parte de nenhuma 
estatística. Conforme o Programa Conjunto de Monitoramento da OMS 
e UNICEF para Saneamento e Higiene, no Brasil, 39 % das escolas não 
possuem infraestrutura para a lavagem das mãos. Imagine isso em tempos 
de pandemia do SARS-COV. O mesmo estudo aponta que 15 milhões 
de brasileiros que vivem em áreas urbanas não possuem acesso à água 
potável, aquela que é protegida de contaminações diversas. E esse número 
somente aumenta, quando se trata de moradores das áreas rurais, sendo 
25 milhões de pessoas sem acesso à água potável (UNICEF, 2020).
UNIASSELVI
1
1
1
TEMA DE APRENDIZAGEM 5
A falta do adimplemento desse direito fundamental, contemplado em nossa 
Constituição, em seu artigo 6º, é causa de problemas de saúde de muitos brasi-
leiros. A saúde é direito constitucional e fundamental do cidadão, que quando 
abandonado em suas mazelas pelo Estado, passa a ser considerado mais uma 
vítima, que muitas vezes, tem dragada sua energia vital por problemas de saúde 
causados por vários fatores, todos ligados a essa omissão.
O Relatório “O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2023”, 
da ONU (2023), apresenta números assustadores. No mundo todo, são 735 milhões 
de pessoas passando fome e 2,3 milhões em situação de insegurança alimentar. 
Em nosso país, 21 milhões de pessoas não têm como se alimentar todos os dias 
e 70,3 milhões vivem em insegurança alimentar, sendo 10 milhões de pessoas 
desnutridas no Brasil.
1
1
4
Tomando como base os números demonstrados pelo Relatório da fome da 
ONU de 2023 (ONU, 2023), temos:
DADO 1
Uma média aponta que, nos últimos 3 anos, que compreende o período entre 2020 e 
2022, 1,5 milhões de brasileiros entraram para as estatísticas da fome, em comparação 
com o triênio anterior.
DADO 2
No Brasil, são 10 milhões de brasileiros em desnutrição, o que se compreende por 4,7 
por cento da população no país.
DADO 
21 milhões de pessoas, no Brasil, não se alimentam todos os dias, com frequência.
Dessa forma, a possibilidade do aumento do número de vítimas invisíveis no país 
é grandiosa. Vítimas essas causadas pela omissão do Estado Social de Direito em 
adimplir com suas obrigações, e, entre elas, os direitos conquistados e positivados 
em nossa Constituição Cidadã, considerados fundamentais.
Dessa forma, a possibilidade do aumento do número de vítimas invisíveis no 
país é grandiosa. Vítimas essas causadas pela omissão do Estado Social de Direito 
em adimplir com suas obrigações, e, entre elas, os direitos conquistados e positi-
vados em nossa Constituição Cidadã, considerados fundamentais.
Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de 
aprendizagem.
EM FOCO
UNIASSELVI
1
1
5
TEMA DE APRENDIZAGEM 5
NOVOS DESAFIOS
Identificar as vítimas invisíveis é um trabalho social realizado dentro de um país 
que possui suas enormes mazelas, sendo que muitas delas são causadas pela 
enorme desigualdade social. Perceba que, na falta do Estado, ou em sua omissão 
em adimplir os direitos fundamentais da pessoa, a possibilidade de novas vítimas 
surgirem é enorme. Isso tende a acontecer e, junto com elas, o crescimento das 
estatísticas de mortes no país, mas que devem averiguar suas causas e identificar 
seus motivos, e é aí que surgem as vítimas invisíveis. Moradoresde rua, crianças 
famintas, residências sem acesso à água tratada, mortes violentas por conta da 
expansão do crime organizado, e que não são investigadas, além dos crimes que 
jamais chegam ao conhecimento das autoridades policiais, infligem ao Brasil um 
número que representa sua realidade através da violência, seja ela institucional 
ou criminal.
Institucional, quando o Estado deixa de investigar por qualquer motivo um 
crime ocorrido, ou quando no adimplemento dos direitos fundamentais, como 
é no caso da falta de segurança pública ou do acesso ao saneamento básico.
Criminal, quando, através das cifras negras, as autoridades não colhem as 
estatísticas reais de crimes e desvios ocorridos no país, em determinado tempo, 
não conseguindo realizar a proteção das pessoas, uma vez que tendem à invi-
sibilidade. Isso pode ser causado, como você viu, até mesmo pela vergonha de 
ter sido vítima, como nos casos de estupro, ou por medo da reação alheia. Tudo 
isso influi em nossa realidade, e é causa dos estudos da vitimologia colorir esses 
pontos em branco através de sua pesquisa compenetrada. Você pode ter uma 
melhor noção disso, quando, após o Brasil ter sido condenado na OEA, pela 
falta de proteção à mulher, a Lei Maria da Penha surgiu para tutelar os direitos de 
quem antes vivia na invisibilidade. Por isso a importância das análises de quem 
são as vítimas invisíveis no país, para melhorarmos tanto as políticas públicas de 
inclusão e educação, quanto a política de segurança pública nacional. 
1
1
1
1. Alguns dados estatísticos demonstram que ainda engatinhamos ao desvendar e a trazer 
para a luz alguns personagens no país que se tornam vítimas invisíveis. Algumas dessas 
vítimas de crimes existem pela falta de investigação em crimes que ocorrem nas cidades. 
Vamos começar pelos crimes de homicídio. Nesse sentido, faça a análise das alternativas 
a seguir e assinale a correta:
a) Segundo a pesquisa do Instituto Sou da Paz, os países da América Latina saem na fren-
te quanto ao quesito punição aos crimes ocorridos, possuindo os melhores índices de 
investigação e esclarecimentos de crimes.
b) O esclarecimento de homicídios é importante por vários fatores, entre eles a prevenção 
de novos assassinatos, uma vez que o número de homicidas reincidentes diminui com 
a prisão. 
c) Vítimas invisíveis são aquelas que aparecem nas estatísticas da vitimologia como vítimas 
da cifra negra.
d) A desigualdade social não é capaz de formar vítimas invisíveis, uma vez que os números 
das pesquisas demonstram aproximadamente a quantidade e o nível de pobreza no 
Brasil.
e) No Brasil, a omissão do estado não é capaz de causar vítimas invisíveis, pois todas estão 
devidamente amparadas pelos direitos constitucionais.
2. A Vitimologia intenta descobrir as vítimas, objetos de seus estudos e análises, onde quer 
que estas sejam produzidas. Seja pela exclusão social ou pelas enormes desigualdades 
sociais, em crescente desenvolvimento histórico em nosso país, é imprescindível identificar 
quem são consideradas vítimas e por qual motivo, para melhorar a tutela estatal, em todas 
as vias. A respeito da desigualdade social e a invisibilidade, assinale a alternativa correta:
a) Para que o cidadão se torne uma vítima invisível e, sendo assim, considerado pela es-
tatística, há a necessidade da omissão do Estado em suas atribuições mais primordiais.
b) O inadimplemento dos direitos fundamentais não se perfaz capaz de aumentar o número 
de vítimas invisíveis. 
c) A Comissão da Organização dos Estados Americanos não é capaz de influenciar países 
membros a melhorar sua legislação no caso de vítimas de crimes diversos.
d) A omissão estatal no adimplemento das políticas públicas gera o sentido de ampla ci-
dadania, e consequente, a proteção das populações mais vulneráveis.
e) O mapa da violência, escrito, em 2015, pela Faculdade Latino Americana de Ciências 
Sociais, já destacava a diminuição da violência de gênero logo após a decretação da 
Lei Maria da Penha. 
AUTOATIVIDADE
1
1
1
3. O Instituto Sou da Paz lançou a sua quinta edição de 2022 de sua já distinta pesquisa “Onde 
mora a Impunidade”, tentando responder porque é importante para o país possuir um indi-
cador nacional de esclarecimentos de homicídios. Sobre as pesquisas empíricas realizadas 
no âmbito da segurança pública no país, analise as afirmativas a seguir:
I - Os números demonstram que há um maior número de pessoas presas pelo cometimento 
dos crimes de homicídio no Brasil.
II - As pesquisas apontam que os países das Américas Latina e Central detêm os piores 
índices de investigação e esclarecimentos de crimes.
III - O crescente número de pessoas presas por homicídio no país significa que os esclare-
cimentos desses crimes estão em evolução. 
IV - O sistema de segurança nacional e de justiça criminal ainda concentra seus esforços nos 
crimes considerados patrimoniais e em outros sem violência.
É correto o que se afirma em:
a) I, apenas.
b) II e IV, apenas.
c) III e IV, apenas.
d) I, II e III, apenas.
e) I, II, III e IV.
AUTOATIVIDADE
1
1
8
REFERÊNCIAS
CAMPOS, C. H. de. Lei Maria da Penha: comentada em uma perspectiva jurídico-feminina. Rio 
de Janeiro: Lumen Juris, 2011.
CASTRO, L. A. de. Criminologia da reação social. Trad. de Ester Kosovski. Rio de Janeiro: Foren-
se, 1983.
FRAGA, F. Apenas 37% dos homicídios no país foram esclarecidos. 2022. Disponível em: ht-
tps://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2022-08/apenas-37-dos-homicidios-no-pais-fo-
ram-esclarecidos Acesso em: 1 out. 2023.
IPEA. Atlas da Violência, 2022. Disponível em: https://www.ipea.gov.br/atlasviolencia/publica-
coes/242/atlas-2022-policy-brief Acesso em: 1 out. 2023.
JORGE, A. P. Em busca da satisfação dos interesses da vítima penal. Rio de Janeiro: Lumen 
Juris, 2005.
ONU 2023. The state of food and nutrition in the world. Rome, 2023. Disponível em: https://
www.fao.org/documents/card/en/c/cc3017en Acesso em: 1 out. 2023.
PIOVESAN, F. Temas de Direitos Humanos. 3 ed., São Paulo: Saraiva, 2009.
RICARDO, C. Onde mora a impunidade? Porque o Brasil precisa de um Indicador Nacional 
de Esclarecimento de Homicídios. Instituto Sou da Paz, 2023. Disponível em: https://sou-
dapaz.org/o-que-fazemos/conhecer/pesquisas/politicas-de-seguranca-publica/contro-
le-de-homicidios/?show=documentos#6651-1. Acesso em: 1 out. 2023.
SANTOS, J. C. dos. Direito penal: parte geral. 3. ed. Curitiba: ICPC; Lumen Juris, 2008.
UNICEF. Progress on drinking water, sanitation na hygiene in schools. 2020. Disponível em: 
https://washdata.org/reports/highlights-progress-drinking-water-sanitation-and-hygiene-
-schools-special-focus-covid-19. Acesso em: 1 out. 2023.
1
1
9
1. Opção B. A alternativa A está errada, pois os países da América Latina aparecem em um 
número muito baixo nos índices de investigações e esclarecimentos de crimes. A alternati-
va C está errada, pois as análises da cifra negra não distinguem estatísticas de vítimas que 
não levam seus casos à polícia. A alternativa D está incorreta, pois a desigualdade social é 
uma das grandes formadoras de vítimas invisíveis no país. A alternativa E é incorreta, pois 
ao se omitir no adimplemento dos direitos fundamentais do cidadão, o Estado poderá estar 
criando vítimas invisíveis. 
2. Opção A. Alternativa B é errada, pois com o inadimplemento dos direitos constitucionais há 
menor possibilidade de violência e de alienação da população mais carente. Alternativa C 
é incorreta, pois, logo após da condenação do Brasil na OEA, normas foram criadas com 
intuito de proteção dos mais vulneráveis. Alternativa D está errada, pois a omissão estatal 
causa justamente o sentido inverso, que é a condição de não cidadão nato do país, negan-
do a ampla cidadania. Alternativa E é incorreta, pois o Mapa da Violência de 2015 aponta o 
aumento da violência de gênero. 
3. Opção B. As afirmativas I e III estão erradas, pois os números demonstram um crescente 
números de presos provisórios por crimes patrimoniais, e a III não consideraa diminuição 
das análises estatísticas em evolução dos crimes de homicídios não investigados. 
GABARITO
1
1
1
MINHAS ANOTAÇÕES
1
1
1
MINHAS METAS
DIREITOS, GARANTIAS 
FUNDAMENTAIS E PROTEÇÃO À 
VÍTIMA: MECANIZANDO A TUTELA 
JURÍDICA E PESSOAL
Entender o significado e importância das políticas públicas para a defesa e proteção da vítima.
Analisar os direitos das vítimas.
Compreender como são produzidas as políticas públicas para o trato da vítima.
Interpretar as mais importantes normas de direito sobre vítimas no direito nacional.
Averiguar a aplicação das políticas públicas para vítimas.
Estudar a legislação pertinente à vítima no direito brasileiro.
Entender a real importância da legislação e das políticas públicas para a vitimologia. 
T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 6
1
1
1
INICIE SUA JORNADA
Em uma sociedade desigual, é comum a presença de personagens muitas vezes 
antagônicos e que, a partir da complexidade social, necessitam de maior proteção 
do Estado que outros. Essa convivência social deve se dar em prol da equidade 
e da harmonia em busca da justiça. Para que haja o empenho na real busca por 
essa harmonização no Estado Social de Direito, a importância do empenho de 
todos é crucial, mas a participação do poder público na realização de políticas 
públicas para esse fim é essencial e inafastável.
Caso não fossem efetivadas, políticas públicas na área da saúde não haveria 
como adimplir com o acompanhamento das vítimas de violência doméstica, ou 
mesmo, vítimas ou seus parentes que precisem de uma maior atenção do ente 
público. E é nesse sentido que as normas e declarações internacionais passaram 
a ser redigidas, para instituir que normas de direitos humanos e de direitos fun-
damentais sejam efetivamente cumpridas dentro dos Estados.
Mas políticas públicas não podem ser feitas de qualquer forma. Elas devem 
respeitar alguns princípios básicos, como sua validade e eficácia, e a finalidade 
de sua prática social. Sem esses preceitos, considera-se a política pública vazia 
e sem sentido prático. Alguns pensadores do direito e da criminologia consi-
deram não ser possível a proteção de grupos vulneráveis apenas através da lei 
incriminadora ou mesmo, de norma protetora (JORGE, 2005). Há a necessidade 
de um envolvimento muito maior de nossos legisladores, poder executivo e da 
sociedade civil que se organiza em prol da busca por direitos. Essa união é capaz 
de formalizar mecanismos de proteção muito mais efetivos, a partir de políticas 
públicas pensadas e planejadas, e consideradas pela sua real qualidade.
Neste podcast, vamos conversar sobre os direitos e as garantias das vítimas de 
crimes, através de normas que mecanizam a assistência e o amparo. Isso é reali-
zado a partir da vontade de nossos legisladores, quando tutelam direitos e passam 
assim a considerar o acolhimento de algum grupo ou personagem hipossuficiente 
em nossa sociedade. Vamos ao podcast? Recursos de mídia disponíveis no con-
teúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem.
PLAY NO CONHECIMENTO
UNIASSELVI
1
1
1
TEMA DE APRENDIZAGEM 6
DESENVOLVA SEU POTENCIAL
Algumas normas que efetivam possibilidades de defesa e acompanhamento das 
vítimas de crimes e desvios são instrumentos que mecanizam a resistência contra 
o vilipêndio dos direitos das pessoas. Tais expedientes demonstram que a socie-
dade não irá tolerar o descaso para com as vítimas, da mesma forma que precisa 
cobrar com veemência pela realização de políticas públicas que determinem uma 
real e mais efetiva proteção para o direito das vítimas.
DIREITO DAS VÍTIMAS
Quando a Assembleia Geral, em 29 de novembro de 1985, realizada pela ONU 
ocorreu, ela apresentou a Resolução n° 40/34, que pela primeira vez faz a no-
menclatura de vítima e eleva a importância de seus direitos. Alguns deles como 
o acesso à justiça, o direito à informação processual da ação que se deslinda, o 
direito de ter seu direito adimplido por mecanismos de mediação e conciliatórios 
quando possível, entre outros, instauraram uma obrigação aos países membros, 
pois responsabilizava seus atos no tratamento e respaldo às vítimas de crimes e 
desvios. Ao recolocar a vítima em posição de destaque no processo, estabelece 
também determinados direitos como uma conquista para a parte mais vulnerável.
VAMOS RECORDAR?
Para orientar nossos estudos, é sempre importante estarmos atualizados com os 
termos, princípios e importância dos estudos da vitimologia. Por isso, indico o vídeo 
a seguir, que versa sobre a Recomendação n° 101/2023 do Conselho Nacional 
de Justiça (CNJ), preconizando a inserção de temas como Direito das Vítimas e da 
Vitimologia como conteúdos obrigatórios dos editais de concursos públicos para 
o ingresso na carreira do Ministério Público. Recursos de mídia disponíveis no 
conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem.
1
1
4
Deve ser ressaltada a preocupação da 
Resolução no ressarcimento à vítima, 
sempre que possível. Nesse sentido, a 
ONU já preparava um tema que seria de 
grande destaque na resolução de conflitos, 
na intermediação extrapenal que vise o 
adimplemento das obrigações para com 
a padecente (KOSOVSKI, 1992). 
Assim, para a Resolução 40/34, apro-
vada em Assembleia Geral (KOSOVSKI, 
1992, p. 50):
Para a Resolução da ONU, o conceito de vítima se torna mais amplo, a partir de 
suas próprias especificidades, ao entender que vítima é toda aquela que padece 
de violências de todos os tipos, incluindo atentado aos seus direitos fundamentais. 
APROFUNDANDO
PONTO 1
As vítimas devem ser tratadas com compaixão e respeito pela sua dignidade. Ter 
direito ao acesso às instâncias judiciárias e a uma rápida reparação do prejuízo por si 
sofrido, de acordo com o disposto na legislação nacional.
PONTO 2
Há que criar e, se necessário, reforçar mecanismos judiciários e administrativos que 
permitam às vítimas a obtenção de reparação através de procedimentos, oficiais ou 
oficiosos, que sejam rápidos, equitativos e de baixo custo e acessíveis: As vítimas de-
vem ser informadas dos direitos que lhes são reconhecidos para procurar a obtenção 
de reparação por esses meios.
UNIASSELVI
1
1
5
TEMA DE APRENDIZAGEM 6
PONTO 3
A capacidade do aparelho judiciário e administrativo para responder às necessidades 
das vítimas deve ser melhorada: informando as vítimas da sua função e das possibili-
dades de recurso abertas, das datas e da marcha dos processos e da decisão das suas 
causas, especialmente quando se trate de crimes graves e quando tenham pedido 
essas informações; permitindo que as opiniões e as preocupações das vítimas sejam 
apresentadas e examinadas nas fases adequadas do processo, quando os seus inte-
resses pessoais estejam em causa, sem prejuízo dos direitos da defesa e no quadro do 
sistema de justiça penal do país; prestando às vítimas a assistência adequada ao longo 
de todo o processo; tomando medidas para minimizar, tanto quanto possível, as dificul-
dades encontradas pelas vítimas, proteger a sua vida privada e garantir a sua segurança, 
bem como a da sua família e a das suas testemunhas, preservando-as de manobras de 
intimidação e de represálias; evitando demoras desnecessárias na resolução das causas 
e na execução das decisões ou sentenças que concedam indenização às vítimas.
PONTO 4
Os meios extrajudiciais de solução de diferendos, incluindo a mediação, a arbitragem 
e as práticas de direito consuetudinário, ou as práticas autóctones de justiça, em ser 
utilizados, quando se revelem adequados, para facilitar a conciliação e obter a reparação 
em favor das vítimas (KOSOVSKI, 1992).
Ainda, a obrigação de restituição ou reparação dos danos causados gerou para o direito a 
possibilidade de tratar casos em que o crime ou desvio se desenvolve sem grande mácula 
ao bem jurídico tutelado, no início de um processo de despenalização do direito, quando 
“os autores de crimes ou os terceiros responsáveis pelo seu comportamento, se necessário, 
reparar de forma equitativa o prejuízo causado às vítimas” (KOSOVSKI,1992, p. 50).
Entendendo que a sanção aplicada ao autor do crime deve ser proporcional ao 
delito cometido, percebe-se da mesma forma, que existindo maneiras de dimi-
nuir o sofrimento da vítima através da tentativa de restauração do direito, trans-
forma-se em uma via muito satisfatória. A ação penal que se deslinda, deve ser 
justa ao acusado, mas também para a sua vítima. A recolocação da vítima no 
sistema da persecução penal, através do processo penal, restaura também um 
princípio muito importante que é o da dignidade da pessoa, tratando-a a partir 
de suas mazelas e respeitando sua participação não apenas no processo, mas em 
práticas de apoio e acompanhamento de seus problemas causados pelo crime, 
quando necessário (JORGE, 2005).
1
1
1
Entretanto, grande parte da doutrina entende que não há como efetivar os di-
reitos e as garantias fundamentais da vítima, sem pensar na participação do Estado 
na formação de políticas públicas na área (JORGE, 2005). Mesmo a participação 
do direito penal e a tentativa de uma eventual recomposição financeira ao delito 
ocorrido ainda se traduz por ineficiente, quando atinge apenas um problema es-
pecífico. A importância é a de colocar a vítima no lugar central, acompanhando e 
reprimindo a possibilidade de uma segunda vitimização (JORGE, 2005). 
Estando sob a égide de um Estado Democrático, que opera o Estado Social de 
Direito, é habitual encontrar definições que indiquem que a proteção dos direitos 
e garantias fundamentais do cidadão passam por uma atuação estatal a partir das 
políticas públicas. Entretanto, definir quais são os direitos que necessitam de um 
maior respaldo somente pode ser realizado por pesquisas compenetradas sobre 
quais políticas públicas devem ser aplicadas e em qual momento. Nesse prisma, 
a função política em um Estado Social é a de desenvolver o bem-estar social 
da coletividade, através de ações que instrumentalizem a chegada dos benefícios 
dos direitos sociais diversos nos locais onde devem estar presentes. Isso também 
significa, para o período de democracia em que vivemos, o reconhecimento da 
ampla cidadania da pessoa (SARLET, 2001).
Em uma definição que é recorrente na área dos direitos sociais, políticas públicas 
perfazem-se em ações conjuntas que se somam em programas assistenciais, a 
partir de decisões tomadas pelos governos, visando assegurar direitos de cidada-
nia para as pessoas, em especial grupos considerados vulneráveis, minorias e de 
população de risco (SOUZA, 2006). Possibilitar o atendimento imediato e acompa-
nhamento das vítimas de quaisquer crimes, insere-se na manifestação do reco-
nhecimento da ampla cidadania, pois fundamentam-se em direitos referentes à 
dignidade da pessoa humana (SARLET, 2012).
APROFUNDANDO
UNIASSELVI
1
1
1
TEMA DE APRENDIZAGEM 6
Decisões políticas que determinam as políticas públicas também possuem sua 
finalidade a partir dos direitos diversos. Muitas vezes, é comum, seja por parte 
do orçamento do Estado, ou pela necessidade extrema e urgente de que tal direito 
social seja mais evidenciado que outro, acabar deixando alguns direitos das pessoas 
de fora. Nesse prisma, há a necessidade em questionar além da validade, a finalidade 
dessa ação. Quando se trata de política e assistencialismo, é importante entender 
o que está sendo prestigiado, e se há algum direito que está sendo vilipendiado.
Aqui, há a filosofia aristotélica que determina certa influência nas decisões, 
pois para tomá-las, é preciso compreender a sua teleologia. Para Aristóteles, a 
justiça é teleológica. Significa dizer que com o intuito de definir direitos, é ne-
cessário saber qual é o real objetivo desses direitos e qual a finalidade da prática 
social desses direitos. Mas também é preciso que se possa, através da definição 
de sua finalidade, compreender as virtudes e o mérito das ações tomadas 
(SANDEL, 2015).
Assim, para que uma política social seja considerada a partir de sua utilidade e 
adequação, deve-se questionar primeiro sua finalidade e qual a sua virtude, através 
de suas ações de qualidade e quantidade. Para que seja feita escolha entre ações, por 
algum motivo, é preciso romper com o pensamento de que os direitos sociais, de 
uma forma ou outra, estão sendo resolvidos. É preciso antes entender a quem vale 
essas ações sociais e se realmente elas conseguem atingir os mais necessitados de 
sua presença e os mais carentes. Temos, assim, a finalidade e a virtude de uma 
boa ação política, conhecida como ação social (SANDEL, 2015).
Segundo Sarlet (2012), isso não vem acontecendo. O que ocorre hodierna-
mente, é a crise dos direitos fundamentais e das políticas públicas que não 
conseguem atender de fato as pessoas para quem elas são desenvolvidas. A opres-
são socioeconômica e a moldagem de um sistema consumista em grande escala, 
a partir da presença dos grandes mercados e conglomerados internacionais que 
apenas visam ao lucro, e, com isso, ao pressionar estados a gerar possibilidades 
para seu intento comercial, começam a transformar também os direitos funda-
mentais, tanto em países subdesenvolvidos como em países considerados desen-
volvidos. Esses reflexos podem ser mais destacados na:
1
1
8
 “ intensificação do processo de exclusão da cidadania, especialmente 
no seio das classes mais desfavorecidas, fenômeno este ligado dire-
tamente ao aumento dos níveis de desemprego e subemprego, cada 
vez mais agudo na economia globalizada de inspiração neoliberal; 
b) redução e até mesmo supressão de direitos sociais prestacionais 
básicos (saúde, educação, previdência e assistência social), assim 
como o corte ou, no mínimo, a "flexibilização" dos direitos dos tra-
balhadores; c) ausência ou precariedade dos instrumentos jurídicos 
e de instâncias oficiais ou inoficiais capazes de controlar o processo, 
resolvendo os litígios dele oriundos, e manter o equilíbrio social, 
agravando o problema da falta de efetividade dos direitos funda-
mentais e da própria ordem jurídica estatal (SARLET, 2001, p. 2).
A luta hodierna é buscar por direitos que, segundo Bauman (2000), acreditamos 
que já estão resolvidos, e, por esse motivo, os deixamos de lado. Dessa forma, tais 
direitos se perdem com o tempo.
É nesse ponto que o direito das vítimas se encontra, se apenas o direito penal 
e a restituição são incapazes de tratar o assunto de forma geral, que somente 
pode balizado pela boa vontade de políticas públicas na área, deve-se, portanto, 
evidenciar os maiores problemas sofridos pelas vítimas, e que seus direitos não 
cessam com a restituição financeira. Políticas de educação, acompanhamento, 
recolocação na sociedade, após o trauma, e assistência aos familiares são tão 
necessárias (ou mais) quanto qualquer restituição (JORGE, 2005).
O Ministério Público Federal recentemente lançou a campanha nacional Direitos 
da Vítima, destacando a importância de preservar vítimas de violência e educar 
a população para que preste auxílio sempre que possível, indicando locais ins-
titucionalizados de proteção. Você pode assistir ao vídeo da campanha aqui . Da 
mesma forma, pode navegar pelo site e conhecer melhor as ações do MPF para 
as vítimas de crimes diversos. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital 
do ambiente virtual de aprendizagem.
EU INDICO
UNIASSELVI
1
1
9
TEMA DE APRENDIZAGEM 6
DIREITO DAS VÍTIMAS NO DIREITO BRASILEIRO
Com os movimentos de proteção às vítimas e a expansão dos estudos feitos por 
uma Vitimologia que agora é capaz de influenciar a criação de normas de amparo 
e identificar quais seriam as políticas públicas mais suficientes para essa causa, o 
direito nacional também modernizou sua forma de enxergar e tratar vítimas de 
crimes e desvios (JORGE, 2005). 
Vamos analisar as mais importantes normas nacionais que versam sobre os 
direitos da vítima. Algumas leis possuem determinadas especificidades quanto 
a tutelar alguns grupos considerados a partir de sua hipossuficiência, e outras 
são consideradas genéricas ao envolver qualquer categoria de vítima em seuentendimento. A importância disso se dá pelo reconhecimento do legislador e 
da sociedade ao redor pela proteção da vítima de crimes de desvios, tanto dis-
tinguindo grupos e seus aspectos intrínsecos quanto oportunizando a concreta 
tutela dos direitos de todas as pessoas vítimas de violência. Como analisamos, é 
indispensável o reconhecimento dos direitos fundamentais da vítima, mas não 
apenas em sua natureza patrimonial e assistencial, mas também assegurando a 
garantia da sua participação em todos os âmbitos; desde judicial até as esferas 
administrativa e legislativa.
A - O PROGRAMA NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS (PNDH): 
em maio de 1996, foi criado o Programa Nacional de Direitos Humanos 
(PNDH), atendendo à redação do artigo 84 da Constituição de 1988, que, 
em seu inciso IV, ,afirma a competência do Poder Executivo em sancionar, 
promulgar e fazer publicar leis, expedin-
do decretos para sua fiel execução. E um 
desses foi a criação do PNDH, considerado 
por muitos como uma das mais exitosas po-
líticas públicas, que se desenvolveu no início da 
Nova República. Ela ratifica tratados internacio-
nais de direitos humanos, comprometendo o Estado 
Brasileiro a adimplir com seus mandamentos, criando 
mecanismos e políticas na área. Estamos sob a égide 
do terceiro Plano Nacional, pois, em 1996 e em 2002, 
foram escritos seus antecessores, e cada qual com sua 
importância específica (JORGE, 2005).
1
1
1
O primeiro programa, regulamentado por Decreto n° 1.904/1996, visava 
à impunidade de crimes que aconteciam no país bem como a discussão acerca 
da penalização de criminosos no sistema carcerário, que deve sempre seguir o 
caráter de proporcionalidade ao ilícito cometido. Dá destaque também aos gru-
pos mais vulneráveis em nossa sociedade, quando apresenta a necessidade de 
regulação mais intensa da proteção às crianças e adolescentes, indígenas, idosos, 
pessoas portadoras de deficiência e mulheres.
O Decreto seguinte, sob o n° 4229, surgiu em 2002 criando o segundo 
Plano nacional de Direitos Humanos, e seu destaque foi a violência policial, tanto 
em presídios (com destaque especial ao ocorrido no Presídio do Carandiru, em 
1992, com a morte de 111 detentos pela força de segurança do Estado). O plano 
também passou a incentivar a proteção da educação, saúde, trabalho e previ-
dência social pelo Estado Social de Direito, incluindo como destaque a defesa 
de grupos LGBTs, como eram conhecidos na época.
Os dois planos foram responsáveis pela criação do primeiro Plano de Segurança 
Pública Nacional, e destacavam como necessária a atuação do Conselho Nacional 
de Justiça e do Conselho Ministério Público Federal na guarda e proteção dos 
pontos destacados pelos Planos.
Em 2009, o PNDH 3, considerado o plano atual, possuía vários eixos temáticos e, 
entre eles, a universalização dos direitos em contexto de desigualdade social, cres-
cente no país. Em 2010, o Decreto Presidencial n° 7177/2010 atualizava o plano 
atual ao construir, pela primeira vez, a necessidade de tratamento multidisciplinar 
às vítimas de violência, em especial à violência doméstica. Versava sobre atendi-
mento médico, jurídico, psicossocial, e até mesmo previdenciário para mulheres 
em situação de abandono, implementando um fundo especial para esse quesito.
A importância da proteção do plano atual e de possíveis melhorias e atuali-
zações sempre que preciso significa não apenas os direitos de vítimas de crimes 
e desvios, mas o direito de todas as pessoas. Todavia, essas foram as primeiras 
tratativas legais para a consideração do direito da vítima no Brasil, em âmbito 
nacional, e continua atuando. Entretanto, para que venha a se realizar de manei-
ra completa e inclusiva, é preciso fazer valer o plano em toda a sua totalidade, 
principalmente no atendimento às vítimas e na real concretização das políticas 
públicas nele previstas, em carência ainda hoje em nosso país.
UNIASSELVI
1
1
1
TEMA DE APRENDIZAGEM 6
Em 2019 o Conselho Nacional do Ministério Público, instituído pelo PNDH 2, apre-
sentou o Guia Prático de atuação do Ministério Público na Proteção e Amparo às 
Vítimas de Criminalidade. Se quiser analisar o que o guia indica para a atuação do 
MP em todo Brasil. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do am-
biente virtual de aprendizagem.
EU INDICO
B - A Lei n° 9099/1990, os Juizados Especiais: os Juizados Especiais instituíram 
para a vítima a possibilidade de uma resolução para seus conflitos de forma mais 
ágil que o direito comum, seu antecessor. Agora, delitos de menor potencial 
ofensivo, que são considerados infrações penais, geram o direito de indeni-
zação financeira e mesmo, de uma conciliação entre as partes antes mesmo do 
início do processo.
Isso determinou a rapidez na tentativa de devolução do direito da vítima, 
o mais próximo possível do acontecimento ilícito, o que faz intermédio com a 
restituição válida e de fato eficiente. Sua desburocratização é sinônimo de ce-
leridade tanto para vítima, quanto para o querelado; pois busca-se a pacificação 
a todo tempo processual.
Um dos fatores mais importantes da Lei é justamente a possibilidade de iniciar 
no país, um movimento de justiça não punitiva, considerando apenas o ato 
criminoso ou desviante e a sua consequente penalização em forma de retribuição 
ao mal causado. Agora, há possibilidades sérias de conversarmos sobre justiça 
de restauração, na reconstrução do dano causado e na possível pacificação social 
por meio da renovação.
Significa menos cadeias a casas de detenção lotadas, menos processos para 
a justiça comum precisar se debruçar e encontrar uma sentença cabível, sendo 
que muitos são considerados a partir de sua mínima intervenção ao bem jurídico 
tutelado. Um local para o julgamento dessas causas se fazia necessário, e os Jui-
zados Especiais (na seara Criminal e Cível) vieram tanto para a despenalização 
do direito, quanto para amoldar as palavras vítima, conciliação, retribuição e 
pacificação social de fato.
1
1
1
C - Outras leis que garantem os direitos da vítima: a lei que interpreta a 
criança e adolescente como grupo em situação de vulnerabilidade e de riscos é 
conhecida como Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n° 8069/1995), 
considerada outro grande marco para o direito das vítimas. Aqui, há a análise do 
jovem em formação intelectual e física, que não deve ser penalizado em casos de 
crimes ou desvios cometidos até a idade adulta. Há a aplicação de medida socioe-
ducativa, mas não de uma pena privativa de liberdade. Isso representa o olhar do 
legislador para a condição vulnerável da criança e adolescente frente à sociedade. 
Também faz a análise da proteção desse grupo, que possui o direito à educação, 
saúde, alimentação e acompanhamento sempre que necessário, principalmente 
quando vítimas de algum crime.
UNIASSELVI
1
1
1
TEMA DE APRENDIZAGEM 6
Como aqui importa a proteção e a maneira qual a norma consegue adimplir 
e preservar os direitos das vítimas, é fundamental destacar a Lei n° 12845, de 
agosto de 2013, que dispõe sobre o atendimento obrigatório e integral de pessoas 
vítimas de violência sexual. A norma observa e comanda que hospitais tem o 
dever de oferecer atendimento emergencial, integral e multidisciplinar às vítimas 
de abuso e violência sexual. O acompanhamento deve ser o mais completo pos-
sível, incluindo os serviços assistenciais aos quais a vítima poderá ser indicada, 
desde o amparo médico, psicológico e social de maneira imediata. Passa então a 
ser obrigatório essa prestação especializada pelo Sistema único de saúde (SUS), 
das vítimas de estupro. Há a garantia legal de todos os exames necessários para 
confirmar a saúde da vítima, bem como a coleta de material genético para a 
identificação do agressor. Assim, a norma consegue preservar os direitos funda-
mentais da vítima, desde que seja cumprida à risca pelo poder público, e é aí que 
as políticas públicas entram, ao asseverar a condição saudável e intensa do SUS.
A importante Lei n° 11340/2006, conhecidacomo Lei Maria da Penha, pas-
sou a ser redigida anos após o Brasil ter sido condenado na Corte Internacional 
da Organização dos Estados Americanos, em 2001. Entretanto, mesmo após a 
condenação, a lei que reconhecia a mulher através da carência legal de proteção 
e acompanhamento em casos de violência, e dava-lhe possibilidades melhores de 
buscar acolhimento, somente veio a ser escrita em 2006. Ainda assim, a norma 
escrita é muito completa, trazendo inclusive delegacias especializadas para o 
atendimento desse público em especial. Também determina a criação dos Juiza-
dos de Violência Doméstica e Familiar, que julgam os casos de violência contra 
a mulher, e que a partir da Lei n° 13894/2019 passa a ter competência também 
para as ações de divórcio, separação, anulação de casamento ou de dissolução de 
união estável, quando a violência estiver envolvida.
1
1
4
Leis de proteção aos povos considerados vulneráveis, como os indígenas, surgi-
ram através do desenvolvimento do Estatuto do Índio, que passou a vigorar em 1973 
(Lei n° 6001/1973). O estatuto determina que sejam respaldados os benefícios so-
ciais e previdenciários, como a aposentadoria rural por idade e o salário maternidade, 
dentre outros. Grande importância revelada pela lei, é o adimplemento de norma 
constitucional de proteção e salvaguarda das comunidades autóctones, que possuem 
direitos e capacidade civil destacada pela legislação especial. O Estatuto contribui ao 
considerar o indígena e sua proteção como grupo hipossuficiente, que pode ser afe-
tado por diversos problemas, entre eles, o garimpo ilegal de suas terras demarcadas.
Outro mecanismo legal é o Estatuto do Idoso (Lei n° 10741/2003), que 
possui o ideal de tutelar, de maneira específica, os idosos acima de 60 anos, e es-
tabelecendo direitos e medidas que sirvam de proteção. É respaldado pelo artigo 
230 da Constituição de 1988, em que assevera que “a família, a sociedade e o Es-
tado têm o dever de amparar as pessoas idosas, assegurando sua participação na 
comunidade, defendendo sua dignidade e bem-estar e garantindo-lhes o direito 
à vida” (BRASIL, 2012, p. 186).
O Ministério Público do Estado de Minas Gerais criou, no início de 2023, uma 
Campanha Estadual de Conscientização sobre a Violência contra a Pessoa Idosa, 
apresentando o Estatuto da Pessoa Idosa Comentado, “Bora nos unir contra as 
violências?” . A Cartilha serve para auxiliar tanto na interpretação da norma quanto 
para divulgar seu conteúdo. Essa ação intenta a desvitimização dessa categoria 
de pessoas e a consequente comunicação e informação quanto aos seus direitos
Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de 
aprendizagem.
EU INDICO
A Cartilha do Conselho Nacional do Ministério Público possui uma atuação 
voltada para o enfrentamento da vitimização secundária que se instala no interior 
do sistema persecutório contra a vítima já padecente. Nessa linha, o sistema penal 
não pode desacolher a vítima de infração penal através de sua tenacidade mas 
deve estar pronto às construções sociais não estigmatizadoras e respeitosas:
UNIASSELVI
1
1
5
TEMA DE APRENDIZAGEM 6
 “ A revitimização pode ser enfrentada também com base na antece-
dente abordagem redutora da litigiosidade reprimida, por meio do 
atendimento ao público, ou melhor, da vítima e familiares de vítimas 
de ilícitos penais e infracionais, de modo a evitar o sentimento de 
desamparo e frustração de suas expectativas frente à atuação estatal 
inócua. O que se propõe nesse aspecto é, por meio do atendimento 
às vítimas, um contato direto com o membro do Ministério Público, 
em que oportuniza-se a possibilidade de validação de suas histórias, 
suas versões, desejos e anseios com relação aos órgãos incumbidos da 
persecução penal, sem que se perca de vista a importante missão do 
mapeamento dos pontos de revitimização assentados em nosso siste-
ma, responsáveis imediatos pela ausência de credibilidade dos órgãos 
responsáveis pela persecução e crescentes taxas de subnotificação de 
delitos, também denominadas cifras ocultas (BRASIL, 2019, p. 35).
Essa atuação visa um Ministério Público mais próximo à sociedade e cada vez 
mais compenetrado à realização e respaldo aos direitos fundamentais em âmbito 
criminal “não apenas para as garantias já insculpidas no texto constitucional 
direcionadas ao acusado, mas especialmente ao indivíduo que sofre em função 
do delito já praticado e que encontrava, até então, total desamparo dentro do 
sistema de persecução penal (BRASIL, 2019, p. 36)".
Ainda, segundo a Cartilha do Conselho Nacional do Ministério Público, 
toda vítima possui o direito à informação sobre a realidade vivida pelo agente 
causador do crime, desde sua prisão até sua soltura, desde a conclusão do inqué-
rito até a sentença penal final, entre os mais importantes citados a seguir:
 ■ Saber quais seus direitos após o ilícito, onde obter informações necessá-
rias e que necessite depois do fato criminoso ter ocorrido, entender quais 
são as medidas assistenciais e quais os apoios estão disponíveis, saber 
quais são as etapas da investigação criminal e como se deslinda o processo 
penal, quais os prazos do procedimento administrativo de inquérito e 
onde consegue encontrar apoio jurídico necessário, como a Defensoria 
Pública e os núcleos jurídicos de Universidades diversas. 
 ■ Entender o seu direito de participação em todas as fases da persecução 
penal e poder auxiliar no resultado final através de sua contribuição ao 
ser ouvida no processo, e apresentar, se considerar necessário, elementos 
de prova que colaborem para sua conclusão.
1
1
1
 ■ Também, um de seus direitos mais importantes, é a assistência jurídica e aos es-
clarecimentos técnicos sobre o direito, através do Ministério Público e de outras 
possibilidades assistenciais, como a Ordem dos Advogados do Brasil, Univer-
sidades que prestem auxílio através de seus Núcleos de Práticas Jurídicas etc.
 ■ O direito ao sigilo da vítima também deve ser respeitado, para a garantia 
de sua segurança e a de seus familiares. É preciso, também, para evitar 
possíveis traumas para a vítima, que podem ocorrer mesmo no processo 
penal. Por isso, o artigo 201, do Código de Processo Penal, prevê que o 
juiz deverá tomar todas as providências que considerar necessárias para a 
preservação da intimidade, imagem e honra do ofendido. Ressalta-se que 
em uma interpretação extensiva do artigo 201 do CPP, realizada pelos 
operadores e doutrinadores do direito, esse posicionamento de cautela e 
proteção não deve ser atribuído apenas aos juízes, mas a todos aqueles 
que atuam na investigação e no consequente processo judicial. 
 ■ A vítima tem o direito a um tratamento individualizado, a partir de suas 
mazelas e sofrimentos, com a presença de profissional que possa acom-
panhá-la, na área que for necessária. Equipes multidisciplinares devem 
desenvolver programas e sistemas de prevenção e medidas que contri-
buam para a reabilitação da vítima, assegurando o seu retorno ao âmbito 
social com saúde. A vítima precisa ser informada de onde poderá buscar 
apoio e proteção, de qualquer área especializada que necessite.
 ■ Possui, também, o direito a ser encaminhada à sistemas de proteção às 
testemunhas e seus programas institucionalizados, junto ao Programa 
de Proteção às Vítimas e Testemunhas Ameaçadas (PROVITA), que 
é previsto na Lei 9807/1999. Trata-se de uma política pública de segu-
rança e intervenção com intuito de assegurar os direitos fundamentais 
da pessoa vítima de crimes, ou testemunhas de fatos ilícitos, esse direito 
também deve ser prestado aos seus familiares, se preciso.
Assim, vale salientar que os direitos fundamentais da pessoa, que estão 
constitucionalmente previstos, deram ênfase a fase de dignidades e integridades 
de todos os personagens sociais, incluindo os autores de crimes e desvios diversos 
também, pois são dotados de dignidades como todos. Não há como distinguir 
ou separar os direitos fundamentais, não se pode desprezá-los nemde auto compor o injusto sofrido (SHECAIRA, 2004).
Entendida por Tito Lívio, o grande historiador romano (59 a.C. – Pádua, 17 
d.C.), como “toda fonte do direito público e privado conhecido”, a Lei das Doze 
Tábuas vigorou em Roma a partir de 451 a.C., e trazia consigo uma proposta 
diferente para a composição do dano causado à pessoa da vítima. Aqui havia a 
possibilidade da substituição da auto vingança pela compensação monetária, 
em uma composição voluntária da lide e seus efeitos. Se antes a vítima solicitava 
permissão ao senhor feudal ou ao monarca para garantir seus direitos por inter-
médio da violência, agora normas de direito consentiam que a ofensa tinha um 
valor monetário, e que deveria ser adimplida. As reações a partir desse momento 
pelo injusto sofrido partia da palavra do Estado romano, cumpridor das normas 
que ele mesmo desenvolve (SHECAIRA, 2004, p. 125).
1
4
Era o início do período Cristão que envolvia princípios vinculados pelo próprio Im-
pério Romano, ao denominar a religião como sua principal fonte espiritual. Assim, 
os conceitos que envolviam a vítima e o autor de crimes passavam a ideia de uma 
responsabilidade individual pelos atos desviantes em sociedade, onde cada pessoa 
é responsável pelos ilícitos causados e pela deturpação do bem jurídico tutelado, e 
através da reparação deve indenizar o prejuízo causado. Houve, aqui, uma ruptura 
das áreas penal e civil, estruturando o direito ocidental hodierno.
Entretanto, somente após a queda do Império Romano e o fortaleci-
mento das Monarquias na Europa, frisou-se o poder do rei e a soberania dos 
Estados a partir do seu representante. O crime passa a ser parte do controle es-
tatal, que institucionaliza as penas e a neutralização do desviante, o que ocorre 
mesmo em transgressões particulares; como a injúria e a calúnia, por exemplo 
(FOUCAULT, 2004). Toda tutela do Direito Penal tinha o monarca como man-
datário, ficando a vítima num segundo plano, apenas figurando como com-
provação para uma persecução penal contra o autor do delito, passando então 
do papel principal para o intermediário; servindo somente como elemento 
informador do processo instaurado pelo poder do rei. Dessa forma, por um 
período longo de tempo, conhecido por Idade das Trevas, o legado norteador 
do direito moderno apontado pelo direito romano passou a ser desconhecido, 
ficando na penumbra (FOUCAULT, 2004).
UNIASSELVI
1
5
TEMA DE APRENDIZAGEM 1
A partir daqui, cabendo toda proteção penal e penalização ao rei, eram cons-
tantes as penas conhecidas por suplício, uma vez a justiça possuindo ainda suas 
raízes na vendeta desproporcional. A punição realizada pelo poder real seria a 
pior possível, e servia como instrumento pedagógico para a população, e retri-
butivo para o autor do crime. Com o passar dos tempos, os protestos eram vistos 
pela Europa, por filósofos iluministas, políticos e magistrados contrários às penas 
brutais que eram aplicadas aos desvios, transformando mais uma vez na história 
a maneira pela qual são enxergadas as vítimas. Nesse ponto, criminosos punidos 
por danos causados a terceiros, passaram a ser reconhecidas como vítimas do 
forte e implacável poder de punição estatal.
Essa sistematização de pensamentos produziu o surgimento de estudos acerca do 
método qual as prisões, os processos e o julgamento por parte do Estado ocor-
riam. O levante contra o poder real gerou o fruto da primeira escola criminal, 
conhecida como Escola Clássica.
Agora, o marquês milanês Cesare Beccaria (1738/1794) levantava a ban-
deira da justa retribuição aos crimes, para que não transforme o criminoso em 
cumprimento de pena, em mais uma vítima. Entretanto, mesmo os classicistas e 
1
1
os integrantes da próxima escola porvir, a Positiva (Lombroso, Ferri, Garofalo), 
pouco, ou quase nada, partilhavam seus estudos em referência à vítima de atos 
delituosos. Segundo ESER, desde sua concepção mais arcaica, o Direito Penal 
orienta-se pelo transgressor, “fazendo da vítima de delitos diversos também mais 
uma vítima da dogmática e da teoria do delito”, não participando, assim, do de-
senvolvimento da finalidade da pena (ESER, 1998, p. 36).
Nesse ínterim, a dogmática penal com o passar dos anos, e refletindo 
em legislações modernas ao redor do mundo ocidental, passou a tratar da 
vítima de forma prolixa, não sendo objetiva ao tratar do seu significado mais 
autêntico. Esses fatos levaram o estudo da Vitimologia para um segundo 
plano dentro das políticas criminais em Estados diversos, ficando até mesmo 
esquecido por tempo determinado.
Analisando o histórico de Vitimologia, é importante entender qual o conceito 
mais aceito do que é de fato Vitimologia. É mister o entendimento de que a Viti-
mologia estuda a vítima, em seus mais difusos aspectos. Para a ONU, são consi-
deradas vítimas (ONU, 1985):
Pessoas que individualmente ou coletivamente tenham sofrido um pre-
juízo, um atentado à sua integridade física, mental ou moral, uma perda 
material ou um grave atentado aos seus direitos fundamentais, como 
consequência de atos ou de omissões de violadores das leis penais em 
vigor num Estado membro, incluindo as que proíbem o abuso do poder.
A palavra vítima, por sua vez, é derivada do latim vincere, que significa vencido.
APROFUNDANDO
Para Gomes e Molina, com a transformação do Direito Penal, agora fazendo parte 
de matéria de ordem pública e garantido pelo Estado, é que se existe por um lado 
normas de conduta e penas específicas para cada tipo penal, por outro, existe o 
“abandono da vítima do delito”, como circunstância “incontestável manifestada 
em todos os âmbitos: no Direito Penal (material e processual), na Política Social 
e nas próprias ciências criminológicas”. Nesse sentido, “a vítima é relegada a uma 
posição marginal no âmbito da previsão social e do direito civil material e pro-
cessual” (GOMES; MOLINA, 2010, p. 75).
UNIASSELVI
1
1
TEMA DE APRENDIZAGEM 1
A MANIFESTAÇÃO DOS NOVOS ESTUDOS DA VÍTIMA PELO 
DIREITO PENAL MODERNO
Para estudarmos como a Criminologia analisa a Vitimologia, é necessário antes, 
entender de que forma o Direito Penal passou a reinterpretar o significado da 
vítima. E essa discussão teve início com o término da Segunda Guerra Mundial 
e a presença de alguns estudiosos que criticavam os motivos das atrocidades cau-
sadas pelos homens. É de Hannah Arendt o questionamento de como o homem, 
envolto em uma ascensão tecnológica e de pensamentos, consegue se envolver da 
mesma forma, em guerras mortais (ARENDT,1998). Após essa involução, origi-
nou-se um estudo mais pormenorizado da vítima e sua representação, tanto pela 
doutrina penal, quanto pelo próprio direito das penas (SILVA SÁNCHEZ, 2001).
O movimento crítico que surgia na Europa, com a Escola dos Annales, 
com Marc Bloch e Lucien Febvre, capturava a centelha de uma reforma através 
da crítica e de métodos científicos, do conhecimento da época.
Marc Bloch (1886-1944) foi um dos idealizadores da Escola dos 
Annales, junto de Lucien Febvre. Tratava-se de uma mudança 
de postura do pesquisador e cientista, que precisava enxergar 
os estudos sociais através de várias lentes, como por exemplo, 
da sociologia, da história, economia, antropologia etc. Fun-
dadores da teoria crítica, causaram uma ruptura com o 
estudo realizado na época, que agora multifacetado por 
diferentes áreas do conhecimento, tinha mais substância 
e ao mesmo tempo, mais responsabilidades. Bloch foi 
morto pela Gestapo, em 1944.
Ao analisar as vítimas da guerra, Benjamin 
Mendelsohn abria para o sistema penal o ressigni-
ficado da vítima. Agora não mais interessavam as 
análises etimológicas somente, mas estudos sociais, 
psicológicos, econômicos, morais, intelectuais da víti-
ma, como respaldou a Escola dos Annales.
No meio de todo esse movimento, o Direito Penal 
do pós-guerra passa a abarcar uma concepção mais con-
temporânea para o significado de vítima, avaliando-a por 
1
8
dois juízos: o primeiro de natureza disciplinar, ponderando o comportamento 
da vítimaos alienar, 
negá-los ou mesmo de desistir deles (SARLET, 2012).
UNIASSELVI
1
1
1
TEMA DE APRENDIZAGEM 6
Portanto, o trabalho agora é a união de todos: sociedade, políticos, poder judiciá-
rio e polícias; para melhorar mais ainda a busca por direitos e a condição sempre 
premente da promoção humana. 
Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de 
aprendizagem.
EM FOCO
NOVOS DESAFIOS
Podemos perceber que as legislações existem de forma a contemplar os direitos das 
vítimas de crimes. No entanto, a aplicação de muitas dessas normas depende da boa 
vontade de nossos governantes na garantia de que políticas públicas possam ser efeti-
vadas para esse intuito. Como vimos, Declarações Internacionais no sentido de prote-
ção e resguardo dos direitos humanos e fundamentais das vítimas foram positivadas, 
considerando que seus países signatários sigam aquilo que foi planejado e estipulado. 
Assim, há a necessidade de que nossos legisladores estejam sempre atentos aos pro-
blemas sociais mais diversos, como a desigualdade social em amplo crescimento no 
Brasil, as vítimas escolhidas como mulheres em violência doméstica, e crianças na 
cooptação feita pelo tráfico de drogas em lugares de risco. Mas não menos que isso, há 
a necessária participação do poder executivo, no adimplemento de políticas públicas 
que possam acompanhar de fato os problemas advindos da violência.
Através de ações afirmativas e políticas no sentido de inclusão, educação e proteção 
é que se pode dar ênfase aos direitos fundamentais da pessoa. Vale lembrar que o tempo 
em que se referia à cidadania como aspecto especial para votar e ser votado já deixou de 
existir, sendo esse considerado um termo mais complexo, aviltando a ampla cidadania; 
que significa ter os seus direitos fundamentais respeitados pelo Estado Social de Direito.
Por esse motivo, entende-se que a aplicação de normas que deem sentido real 
e determinado para a ação de salvaguarda das vítimas, somente podem ser de 
fato cumpridas a partir das políticas públicas de qualidade. E a sociedade civil 
organizada pode e deve participar dessas ações, realizando as cobranças sempre 
que preciso, observando, avaliando e supervisionando a atuação de nossos polí-
ticos na efetivação dos direitos de todos.
1
1
8
1. Com os movimentos de proteção às vítimas e a expansão dos estudos feitos por uma Viti-
mologia, que agora é capaz de influenciar a criação de normas de amparo e identificar quais 
seriam as políticas públicas mais suficientes para essa causa, o direito nacional também 
modernizou sua forma de enxergar e tratar vítimas de crimes e desvios. Sobre o direito das 
vítimas em nossas bases legais, assinale a alternativa que considerar correta:
a) Por não se fazer necessária a participação da vítima na realização das políticas públicas 
multidisciplinares, essa fica apenas condicionada a informar o que é preciso em sede de 
investigação policial e de ação penal.
b) O Poder Executivo não possui competência para sancionar, promulgar e fazer publicar 
leis, por esse motivo, também é incapaz de expedir decretos que visem a execução de 
leis e normas de segurança e atendimento às vítimas de crimes diversos.
c) Um dos grandes problemas em nosso país é a falta de comprometimento para com os 
tratados internacionais de direitos humanos.
d) Não existem leis genéricas a respeito das vítimas, classificando-as todas em uma análise 
conjunta a partir de sua generalidade objetiva.
e) É indispensável o reconhecimento dos direitos fundamentais da vítima, mas não ape-
nas em sua natureza patrimonial e assistencial, mas também assegurando a garantia 
da sua participação em todos os âmbitos; desde judicial até as esferas administrativa e 
legislativa.
2. Em maio de 1996 foi criado o Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH), atendendo 
à redação do artigo 84 da Constituição de 1988, que em seu inciso IV afirma a competência 
do Poder Executivo em sancionar, promulgar e fazer publicar leis, expedindo decretos para 
sua fiel execução. Sobre o PNDH, assinale a alternativa que considerar correta:
a) A falta de programas de direitos humanos cessou com o atual Programa Nacional de 
Direitos Humanos tardiamente, escrito somente em 2009.
b) A criação do PNDH, considerado por muitos como uma das mais exitosas políticas pú-
blicas, que se desenvolveu no início da Nova República, não foi capaz de ratificar os 
tratados internacionais sobre a dignidade da pessoa humana.
c) Dos cinco Programas escritos até hoje, somente o terceiro se envolveu com problemas 
acerca da violência policial, bem como no direito a uma sanção adequada ao crime 
cometido.
d) Os dois planos foram responsáveis pela criação do primeiro Plano de Segurança Pública 
Nacional, e destacavam como necessária a atuação do Conselho Nacional de Justiça e 
do Conselho Ministério Público Federal.
e) Os primeiros planos não destacavam o problema da impunidade no país, podendo por 
esse prisma ser considerados planos indigentes.
AUTOATIVIDADE
1
1
9
3. A Cartilha do Conselho Nacional do Ministério Público possui uma atuação voltada ao en-
frentamento da vitimização secundária que se instala no interior do sistema persecutório 
contra a vítima já padecente. Sobre a Cartilha do Conselho Nacional do Ministério Público, 
analise as afirmativas a seguir:
I - O Ministério Público, mesmo que não possua envolvimento direto com as vítimas de 
crimes e desvios diversos, criou uma Cartilha versando sobre os direitos das vítimas.
II - Um dos pontos não destacados pela Cartilha do Ministério Público é o enfrentamento da 
vitimização secundária que se instala no interior do sistema persecutório contra a vítima.
III - O sistema penal não pode desacolher a vítima de infração penal através de sua tenaci-
dade, mas deve estar pronto às construções sociais não estigmatizadoras e respeitosas.
IV - A Cartilha e sua atuação visam um Ministério Público mais próximo à sociedade e cada 
vez mais compenetrado à realização e respaldo aos direitos fundamentais em âmbito 
criminal.
É correto o que se afirma em:
a) I, apenas.
b) II e IV, apenas.
c) III e IV, apenas.
d) I, II e III, apenas.
e) I, II, III e IV.
AUTOATIVIDADE
1
4
1
REFERÊNCIAS
BAUMAN, Z. Em Busca da Política. Rio de Janeiro: Zahar, 2000.
BITTENCOURT, E. de M. Vítima. São Paulo: Editora Universitária de Direito Ltda, 1974.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Vade Mecum Saraiva. 13. ed. São Pau-
lo: Saraiva, 2012.
BRASIL. Conselho Nacional do Ministério Público. Guia prático de atuação do Ministério Público 
na proteção e amparo às vítimas de criminalidade. Brasília: CNMP, 2019.
JORGE, A. P. Em busca da satisfação dos interesses da vítima penal. Rio de Janeiro: Lumen 
Juris, 2005.
MPEP. Cartilha dos direitos da vítima. 2021. Piauí. Disponível em: https://www.mppi.mp.br/in-
ternet/wp-content/uploads/2021/08/CARTILHA-DIREITOS-DAS-VI%CC%81TIMAS.pdf Acesso 
em: 1 nov. 2023.
SANDEL, M. Justiça . O que é fazer a coisa certa. 17. ed. Rio de Janeiro: Ed. Civilização Brasileira, 
2015.
SARLET, I. G. Os Direitos Fundamentais na Constituição de 1988. Revista Diálogo Jurídico, 
Salvador, v. n. abr. 2001.
SARLET, I. W. A eficácia dos direitos fundamentais: uma teoria geral dos direitos fundamentais 
na perspectiva constitucional. 11. ed. rev. atual. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2012.
SOUZA, C. Políticas públicas: uma revisão da literatura. Sociologia, Porto Alegre, n.16, 2006.
KOSOVSKI, E. (Coord.). Vitimologia: Enfoque Interdisciplinar. Rio de Janeiro: Reproarte, 1992.
1
4
1
1. Opção E. A está incorreta, uma vez que a participação da vítima inclusive na realização e 
composição das políticas públicas e em todo o processo legislativo é essencial. B está erra-
da, pois o artigo 84, da Constituição Federal de 1988, diz exatamente o contrário, possuindo 
o Poder Executivo a competência para analisar e fazer valer políticas públicas e publicar 
decretos para sua composição e seu andamento saudável. C está errada,pois o Programa 
Nacional de Direitos Humanos (PNDH) brasileiro ratifica o comprometimento do país acerca 
do adimplemento dos tratados internacionais de direitos humanos. D é incorreta, porque 
existem tanto leis mais genéricas sobre a vitimação, quanto normas especiais tutelando 
apenas algum grupo específico, como o Estatuto da Criança e Adolescente, por exemplo.
2. Opção D. A está errada pois o primeiro PNDH foi escrito em 1996, sendo o ponto inicial de 
outros dois planos nacionais que ainda viriam. B é incorreta pois desde o primeiro plano a 
intenção era a ratificação dos acordos e tratados internacionais de entidades das quais o 
Brasil faz parte, como a ONU e a OEA. C é errada, uma vez que dos três programas realiza-
dos, tanto o segundo quanto o terceiro visam a diminuição e combate da violência policial. 
E está incorreta pois tanto o primeiro quanto o segundo plano destacavam o problema da 
impunidade no país.
3. Opção C. A afirmativa I está errada, pois o Ministério público se envolve diretamente com a 
vítima de crimes, sendo seu representante na ação penal incondicionada. A afirmativa II está 
errada, pois o enfrentamento da vitimização secundária é um dos pontos de destaque da 
Cartilha Nacional do Ministério Público.
GABARITO
1
4
1
MINHAS ANOTAÇÕES
1
4
1
UNIDADE 3
MINHAS METAS
A JUSTIÇA RETRIBUTIVA E A 
JUSTIÇA RESTAURATIVA
Analisar o surgimento dos tipos de formas de justiça.
Interpretar a diferença entre as duas justiças: a retributiva e a restaurativa.
Examinar a contribuição da justiça retributiva para o direito penal e sociedade.
Examinar a contribuição da justiça restaurativa para o direito e para a sociedade.
Diagnosticar os dois estilos de justiça e qual é a mais inclusiva para as vítimas de delitos, 
autor e sociedade ao redor.
Definir a importância dos estudos das formas de se fazer justiça através do direito mais 
inclusivo.
Analisar historicamente os diferentes conceitos.
T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 7
1
4
1
INICIE SUA JORNADA
A justiça retributiva, que é a que melhor conhecemos e que caracteriza o direito 
penal e seu processo desde os primórdios, é assertiva ao cumprir com seu in-
tento inicial, que é a penalização. Entretanto, nos tempos em que vivemos, essa 
penalização não contenta aos valores e princípios constitucionais mais atuantes, 
como a dignidade da pessoa humana e a busca pela justiça. Ela mais se parece 
com uma vingança ao mal cometido, e não mais que isso. Em detrimento surge 
a justiça restaurativa. Por certo, ela ainda engatinha dentro dos países e suas 
normas penais, mas existe e pode ter um conceito e uma utilização mais ampla, 
visando a despenalização e a restauração como pontos de equilíbrio. 
Imagine um delito em que há a possibilidade de reparação, através de meca-
nismos que visem equilibrar a situação, como a mediação entre as partes. Muitas 
vezes, essa capacidade, negada pela justiça retributiva, é eficiente em responsa-
bilizar de fato o infrator, que passa a entender a situação em que está envolvido 
e as consequências de seus atos para todos, e trazer a vítima para mais perto 
do processo, podendo inclusive auxiliar nas possibilidades de conversações, e 
mesmo, contribuir para uma melhor sentença. Tudo isso em busca da harmonia, 
em detrimento de causas penalizadoras, muitas vezes utilizadas em excesso em 
nosso sistema atual.
Seja bem-vindo a mais um tema, em que envolveremos análises que distinguem 
a justiça retributiva e a restaurativa. Portanto, aguardamos você no podcast que 
preparamos para esse fim, e que apresenta alguns conceitos que iremos estudar a 
partir de agora. Vamos ao podcast?! Recursos de mídia disponíveis no conteúdo 
digital do ambiente virtual de aprendizagem.
PLAY NO CONHECIMENTO
UNIASSELVI
1
4
1
TEMA DE APRENDIZAGEM 7
DESENVOLVA SEU POTENCIAL
Mesmo a convivência em agrupamentos realizada pelas pessoas nos primór-
dios das sociedades necessitava de regras de conduta e controle, que viessem 
a harmonizar o trato entre as pessoas conviventes. Entende-se que exista um 
contrato, mesmo que de forma hipotética, para a saudável vida em grupo. Com 
o passar dos tempos, e das formações de poder dentro dos agrupamentos, hou-
ve a necessidade de equilibrar certas relações através de normas de condutas, 
realizadas, a princípio, evidenciando o medo e pavor do metafísico. Sacerdotes 
tinham a função de penalizar algumas ações que atrairiam a ira dos deuses como 
as tempestades, a fome, doenças e outros eventos capazes de manifestar a fúria 
dos soberanos (ELIAS, 2000).
Com o passar do tempo, a vítima de crimes ficou evidenciada por uma nova 
maneira de interpretação de seu sofrimento, a partir da ação conflituosa ou cri-
minosa. Nesse tempo, a justiça seria feita pela própria vítima, na tentativa de 
retribuição do mal a ela causado, deixando o metafísico de lado, uma vez que 
esse não conseguia prestar o suporte necessário para a retaliação, ou mesmo para 
uma possível compensação (DELUMEAU, 1989).
Começam a surgir normas sociais de conduta, como a Lei de Talião, por 
exemplo. Essa estipulava a vingança privada muitas vezes, mas que se limitava 
pelo delito cometido pelo agressor, em uma pena que fosse proporcional 
ao crime, na alusão do conhecido jargão “olho por olho, dente por dente” 
(DELUMEAU, 1989).
VAMOS RECORDAR?
Estudante, o tema agora tem a função de explicar a diferença entre a Justiça 
Retributiva e a Justiça Restaurativa. Como estamos acostumados, dentro do direito 
penal com o enfoque da justiça retributiva, pois foi formado através dessa base.
Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de 
aprendizagem.
1
4
8
A evolução do direito de penalizar segue as vertentes mais profundas em cada 
ciclo da história, como a ascensão da igreja e seus mandamentos, na inquisição 
no Século V a XV d. C., e a promoção do Iluminismo 
na Europa durante o séc. XVIII. Seja qual for o 
período histórico, a busca pela punição sempre foi 
vista como sinônimo de um castigo que deve 
imperar sobre o corpo do acusado. Penas cruéis 
e excruciantes eram comumente utilizadas no 
período absolutista europeu anterior à revolução 
Francesa, como forma de propagar a justiça do 
rei e assim, satisfazer o divino que era por ele 
representado (ELIAS, 2000).
Esse tipo de penalização ficou conhecida 
como uma retribuição pelo mal causado, característica 
predominante da Justiça Retributiva.
Numa quebra de paradigma do seu tempo, o marquês de Beccaria, Cesare Bonesana 
pode ser considerado como o precursor da Escola Clássica da Criminologia, por 
ter criticado as penas cruéis e sem serventia alguma para o problema que se in-
tenta desvendar. A partir de ideias iluministas, o marquês de Beccaria compõe um 
fundamento importante para os futuros estudos da vitimologia. Ele interpretou, em 
seu tempo, a desigualdade, que era causa de um abismo crescente entre homens 
privilegiados e homens comuns, causando, assim, o aumento da miséria, e, por 
consequência disso, o aumento do número de vítimas, incluindo aquelas conside-
radas invisíveis. Outra noção apresentada por Beccaria ressalta que a prevenção 
de crimes vem a ser busca ideal e sempre melhor que a punição, mas que, se essa 
última tiver que existir, que seja proporcional ao ato delituoso. Você pode aces-
sar essa obra que se tornou um grande movimento humanitário e filosófico, que 
determinou conceitos que hoje são analisados pela vitimologia e dizem respeito à 
penalização do desviante: Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do 
ambiente virtual de aprendizagem.
EU INDICO
UNIASSELVI
1
4
9
TEMA DE APRENDIZAGEM 7
A VÍTIMA E A JUSTIÇA RETRIBUTIVA
O direito penal apresenta consigo o cerne da penalização em cada tipo penal des-
crito, e foi por muito tempo designado apenas para esse intuito especial. No início 
do movimento penalizador dos códigos das penas espalhados mundo afora, tor-
turas, sanções excruciantes, penas de galés, perpétuas e de morte asseveravam a 
luta pela impunidade atravésdos exemplos demonstrados pelos legisladores de 
tais leis. Essas normas possuem, além da função retributiva (ao retribuir o mal 
causado no infringir de penas ao corpo e liberdade do condenado), a função 
pedagógica, ao se apresentar como situação provável em casos de ilícitos penais, 
ao dar o exemplo punindo vigorosamente. Dessa forma, uma das teorias da pena 
que mais importa para a Vitimologia é a Teoria Retributiva:
 ■ A retribuição do mal pela penalização ao mal causado pelo fato típico 
é algo que se desenvolveu junto com a evolução do próprio sistema penal. 
Em antigos Estados absolutistas (governados pelo rei), havia a confusão 
entre o controlador dos poderes do Estado com a Igreja, e dessa forma, a 
punição iniciava com o controle inquisidor que penalizava o corpo do 
autor de delitos de maneira a causar a purificação de sua alma pelo sacri-
fício do corpo, numa alusão ao sofrimento de Jesus na cruz. Com o passar 
do tempo, o direito foi alterando suas formas de processar e entender as 
provas, através do sistema acusatório (após a Revolução Francesa, Re-
nascentismo e Iluminismo), entretanto as penas continuavam a castigar 
tanto o físico quanto a liberdade do indivíduo. E essas sanções estavam 
restritas às violações de direito, entendendo-se como “mera consequên-
cia da culpabilidade do autor pela prática do crime e não busca realizar 
qualquer finalidade social, mas sim a ideia de Justiça” (GALVÃO, 2007, 
p. 7). Não há, nesse tipo de punição, nenhuma ideia lógica de negação ao 
injusto e ao crime causado em sociedade, a pena não representa o ideal 
de consequência ética ou necessária contra o delito, ou mesmo, como 
um possível respaldo maior à vítima. Aqui, a pena simplesmente possui 
características mais simples e comuns: “Aplicar um castigo, representar 
o poder Estatal, deixar a vítima em um plano secundário ou invisível” 
(JESUS, 2000, p. 25).
1
5
1
Dessa forma, há a confirmação de que o direito, através da teoria retributiva, 
busca a punição através da penalização, mas não a justiça e a harmonia social, 
ou mesmo, a pacificação da vítima. Essa tendência do direito penal, desde seus 
primórdios facilita sua comunicação pedagógica, ao se comunicar através da 
pena física e seus exemplos, mas é ineficiente em produzir de fato a busca pela 
justiça. Mesmo sua penalização demonstra um Estado inepto para resolver os 
problemas de uma crescente comunidade carcerária, presídios lotados, muitos 
dos quais o Estado não possui mais a devida autonomia, mas sim, os grupos 
criminosos que imperam e controlam o local a base da ameaça e violência. Nesse 
sentido, têm-se, nos presídios, a profusão e criação de mais e mais vítimas, 
sendo que a real vítima do crime praticado permanece invisível para o direito 
da justiça retributiva, que se perfaz em um círculo vicioso, sempre buscando o 
eterno retorno (ZEHR, 2008).
Punitur ut ne peccetur
Do latim punir para não pecar, o punitur ut ne peccetur já ocupou grande evi-
dência no direito das penas. Em muitos lugares, como no Brasil por exemplo, 
esse ainda é o comando inicial do direito penal. Associada aos mais intrínsecos 
preceitos da teoria retributiva, tem sua força e destaque desde o início e até os dias 
de hoje continua em pé. Punir serve para intimidar e a prisão possui a serventia 
de que novas práticas delituosas não sejam praticadas pelo agente, enquanto ele 
ainda se encontra nos intramuros das prisões (ZEHR, 2008).
Alguns doutrinadores do direito criticam a teoria retributiva por não ser útil ao que 
deveria se propor de fato, que seria a busca pela harmonização social, mas não a 
negação dos direitos de cidadania e dignidade da pessoa, tanto do autor do delito 
quanto de sua vítima (ALBERGARIA, 1996).
APROFUNDANDO
UNIASSELVI
1
5
1
TEMA DE APRENDIZAGEM 7
Entramos na área das Teorias Absolutas que legitimam o direito penal atra-
vés de uma penalização que mais se conecta à retribuição moral e jurídica do 
mal causado, do que com a busca de uma real harmonização do direito, tanto da 
vítima do crime, quanto de seu autor. Para o filósofo Imannuel Kant (1724-
1804), a pena possui uma finalidade em si mesma quando é regida por princípios 
morais, portanto extremamente necessária para realizar a justiça. Para o filósofo, 
quem comete uma injustiça deve sofrer a punição por ter se indisposto com 
leis morais universais. Assim, seu pensamento reflete os ideais da retribuição ao 
mal causado, mas não demonstra nenhuma função social da pena que possa ser 
referência para uma política criminal de qualidade, como a possibilidade de ins-
trução do preso, ressocialização ou a indenização e reparação à vítima do crime.
Para impor uma tese que fosse contrária à retribuição moral de Kant, o filó-
sofo alemão Friedrich Hegel (1770-1831), surge com a afirmação de que deve 
haver uma retribuição jurídica, em detrimento ao elaborado pelo seu conter-
râneo, alguns anos antes. O ideal aqui era vincular a pena à razão, mas não a 
moral (KOSOVSKI, 1992). A pena então é uma necessidade lógica, pois houve 
em primeiro plano a negação do justo, do direito e das boas práticas. Assim, se 
o delito nega o direito, a pena por sua vez possui a única capacidade e serventia 
que se restringe a negar o delito cometido, sendo assim, ela é a afirmação do 
direito. O direito para Hegel, por ser fruto da razão humana, deve ser protegi-
do pela penalização. Ainda assim, tanto o primeiro grande pensador quanto o 
segundo, ao afirmarem suas hipóteses, não conciliam o problema vítima e cri-
minoso, deixando a dupla penal fora das discussões, referindo-se apenas a uma 
justa retribuição ao mal causado. Seja qualquer uma das teses desenvolvidas 
acima, elas não se envolvem com os problemas sociais mais prementes, e com os 
transtornos da vítima também (ZEHR, 2008).
Perceba que a retribuição ao injusto se faz presente, inclusive em nosso Có-
digo Penal, onde em seu artigo 59 apresenta a importância do magistrado em 
penalizar o autor do delito “o necessário e suficiente para a reprovação do crime” 
(BRASIL, 2020, p. 45).
Assim, o punir para não pecar pode alterar a concepção e justificativa da punição, 
quando o delito não é respondido à vítima de maneira satisfatória, e ainda, na 
produção de mais vítimas dentro do próprio sistema penal. 
1
5
1
A VÍTIMA E A JUSTIÇA RESTAURATIVA
A inserção da vítima em meio ao processo penal através de algumas modificações 
na norma, como a Lei n° 11.690/2008, que veio a alterar algumas disposições, 
como o artigo 201, que envolve inúmeras possibilidades de inclusão, apoio e 
assistência ao ofendido. Desde a instauração do procedimento administrativo 
pela autoridade policial, à revelação da sentença penal, a vítima se apresenta 
como essencial, a partir de vários aspectos e um exemplo deles é o testemunho. 
Através daqui, tem-se no ofendido possibilidades de elucidar os problemas e 
mais; de buscar uma justa composição ao dano sofrido. 
Como a evolução do direito penal e sua forma de penalização acompanhava 
as situações históricas e suas mudanças, e com o movimento do neoconstitu-
cionalismo que surge depois da crise do constitucionalismo, logo após as duas 
grandes guerras, o mundo apresentava um novo caminho para os direitos huma-
nos. As constituições modernas dos Estados Ocidentais, e portanto, seus códigos 
penais, precisavam acompanhar as declarações de direitos humanos e estatutos 
internacionais da ONU. Países signatários passaram a desenvolver sistemas de 
preservação e proteção das vítimas de crimes, e entre esses, a possibilidade da 
mediação do conflito.
Há um grande movimento no mundo todo que destaca a importância e a pos-
sibilidade de que com a justiça restaurativa se consiga respostas mais inclusivas 
para as partes, e dessa forma, mais harmônicas portanto (BIANCHINI, 2012). 
Ela envolve todos os personagens que participam do âmbito penal, partindo 
desde a polícia ostensiva e repressiva, até o mais alto degrau do direito. Esses se 
situam em um novo local, em que a justiça restaurativa amplia a noçãode justiça 
jurídica para um movimento considerado interdisciplinar (BIANCHINI, 
2012). As palavras justiça restaurativas foram colocadas juntas e interpretadas 
pela primeira vez em um artigo de Albert Eglash, escrito em 1977, intitulado 
“Além da Restituição: uma restituição criativa”. O autor demonstra evidências que 
o direito somente pode ser perfectibilizado quando assegura respostas concretas 
às situações reais que não podem esperar para serem adimplidas. Para o autor, 
essas respostas são baseadas em três grandes formas, que conseguem responder 
o crime cometido: a justiça retributiva, punindo o criminoso, a justiça dis-
tributiva, orientada na educação e a justiça restaurativa que tem por sentido 
prático a definição de reparação (VAN NESS; STRONG, 2002). 
UNIASSELVI
1
5
1
TEMA DE APRENDIZAGEM 7
Os primeiros movimentos da justiça 
restaurativa foram dados nos Estados 
Unidos, na década de 70, em encontros 
entre vítima e autor do delito, em forma 
de mediação do conflito. Logo após, paí-
ses como Nova Zelândia e Chile instaura-
ram esse procedimento em ações penais 
onde eram possíveis de serem utilizados. 
Trata-se de um consenso entre a vítima 
e o infrator do delito, em um processo 
voluntário que envolve mediadores e fa-
cilitadores no lugar do magistrado, que, 
ao final, irá somente homologar o acordo 
quando realizado pelas partes. Nessa me-
diação, é possível a presença de pessoas da 
sociedade, que, porventura, tenham per-
cebido alguma perda ou trauma causada 
pela ação infratora (BIANCHINI, 2012). 
Entretanto, como se trata de um ato for-
mal considerado ainda novo para o direi-
to, seus operadores e para a sociedade, é 
preciso desvencilhar-se do imaginário 
da punição como única possibilidade de 
resposta à infração (PINTO, 2010).
Dessa forma, o olhar para o conceito 
crime e sua relação para com a sociedade 
passa a ter um enfoque totalmente dife-
rente. Para a justiça restaurativa, o crime 
não se perfaz unicamente em apenas 
uma “conduta típica e antijurídica que 
atenta contra bens e interesses” que são 
garantidos e protegidos pelo Estado, 
“mas antes disso, é uma violação nas rela-
ções entre infrator, vítima e a comunida-
de” (PINTO, 2010, p. 5). Nesse sentido, 
1
5
4
incumbe à justiça buscar “identificar as necessidades e obrigações oriundas dessa 
violação e do trauma causado e que deve ser restaurado”, encorajando e dando 
oportunidades para que haja um possível acordo capaz de restaurar a situação em 
análise (PINTO, 2010, p. 5). Dessa forma, é essencial que a justiça consiga, através 
de seu contato mediador, fazer valer o entendimento e a responsabilidade do au-
tor do delito frente ao ato cometido, assumindo seus encargos e protagonizando 
a pacificação, a resposta que se deseja encontrar é que “um resultado individual e 
socialmente terapêutico seja alcançado” (PINTO, 2010, p. 5). 
Para a Resolução do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas, de 
2002, a justiça restaurativa é uma nova abordagem que tem o escopo de oferecer 
aos ofensores, a vítima e à comunidade ao redor do ilícito, um caminho alternativo 
de justiça. Ela é capaz de promover a participação segura das vítimas na “resolução 
da situação e oferece às pessoas que assumem a responsabilidade pelos danos cau-
sados por suas ações uma oportunidade de se reabilitarem perante aqueles a quem 
prejudicaram” (ONU, 2020, p. 5). O conselho define que a principal estrutura desse 
tipo de justiça é o reconhecimento de que o comportamento criminoso não apenas 
viola a lei, mas também prejudica as vítimas e a comunidade.
Você pode acessar na íntegra o Manual sobre Programas de Justiça Restaurativa 
da ONU, que se encontra em sua segunda edição aqui . Datado de 2020, esse 
é o último Manual da ONU recentemente publicado, modificando, atualizando e 
ratificando algumas situações da Resolução do Conselho Econômico e Social das 
Nações Unidas, realizada em 2002. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo 
digital do ambiente virtual de aprendizagem.
EU INDICO
O Manual da ONU, escrito em 2020, que ratifica e altera algumas situações da 
resolução de 2002, passa a ser o último grande destaque internacional que versa 
sobre o assunto justiça restaurativa, e que, faz com que países signatários tenham 
por missão criar mecanismos para esse tipo de justiça. Essa vinculação é impor-
tante para o programa dentro do direito e das instituições, que através de um 
documento tão importante, consegue ganhar segurança jurídica na aplicação 
do direito e em sua despenalização. Ele apresenta alguns destaques de grande 
influência considerando as ações que devem ser tomadas na justiça restaurativa:
UNIASSELVI
1
5
5
TEMA DE APRENDIZAGEM 7
 ■ Foco no dano causado pelo comportamento criminoso.
 ■ Participação voluntária das pessoas mais afetadas pelo dano, incluindo 
a vítima, o ofensor e, em alguns processos e práticas, seus apoiadores 
ou familiares, membros de uma comunidade interessada e profissionais 
adequados.
 ■ Preparação das pessoas participantes e facilitação do processo por pro-
fissionais treinados.
 ■ Diálogo entre os participantes para chegar a um entendimento mútuo 
sobre o que aconteceu, as consequências do ocorrido e um acordo sobre 
o que deve ser feito.
 ■ Os resultados do processo restaurativo variam e podem incluir uma de-
claração de arrependimento e reconhecimento da responsabilidade pelo 
ofensor, bem como o compromisso de tomar alguma medida reparadora 
em relação à vítima ou à comunidade.
 ■ Uma oferta de apoio à vítima para ajudar na sua recuperação e ao ofen-
sor para ajudar na sua reintegração e desistência de futuros atos lesivos 
(ONU, 2020).
A adesão à justiça restaurativa surge da vontade das partes aos seus valores, e da 
possibilidade de que o procedimento, em busca da harmonização dos direitos 
envolvidos, será mediado, portanto, não julgado. Nesse sentido, alguns valores 
são de grande ênfase para que seja aderido esse instituto em detrimento ao pe-
nalizador, no direito penal dos Estado. Entre os valores que orientam a prática 
de justiça restaurativa, observamos (ONU, 2020):
E é nesse sentido que alguns valores são desencadeados quando versamos 
sobre justiça de restauração, ao apresentar para as partes envolvidas algo que a 
justiça comum jamais será capaz de difundir, que é a celeridade na resolução 
dos conflitos sem a intervenção punitiva que lhe é frequente (ZEHR, 2008). 
Alguns objetivos da justiça restaurativa, apontados pelo Manual da ONU, são:
a) apoiar as vítimas, dar-lhes voz, ouvir sua história, incentivá-las a exprimir 
suas necessidades e desejos, dar-lhes respostas, permitir-lhes participar 
no processo de resolução e oferecer-lhes assistência;
b) reparar parcialmente as relações afetadas pelo crime por meio de consensos 
sobre a melhor forma de responder ao crime;
1
5
1
c) reafirmar os valores da comunidade e denúncia do comportamento cri-
minoso;
d) Incentivar a que todas as pessoas interessadas assumam suas devidas res-
ponsabilidades, em especial os ofensores;
e) identificar os resultados restauradores e voltados para o futuro;
f) prevenir a reincidência encorajando a mudança em cada um dos ofensores 
e facilitando a sua reinserção na comunidade (ONU, 2020). 
A justiça de restauração incentiva justamente o que sua nomenclatura propõe: um 
restaurar dos valores sociais e a negação do ilícito, através da ponderada media-
ção que reflete seus valores a todos os envolvidos, em busca da harmonização 
pessoal das partes, e de toda a sociedade envolvida (Zehr, 2008).
APROFUNDANDO
Distinção entre a restauração e a punição
Entre os dois modelos da justiça criminal existem diferenças pontuais que conse-
guem transformar a vida dos envolvidos, a partir de suas prontas respostas. Em 
seu artigo intitulado “A construção da justiça restaurativa no Brasil: o impacto 
no sistema de justiça criminal”, o autor Renato Sócrates Gomes Pinto apresenta 
as distinções entre os dois postulados do direito de da justiça criminal:
UNIASSELVI
1
5
1
TEMADE APRENDIZAGEM 7
JUSTIÇA RETRIBUTIVA JUSTIÇA RESTAURATIVA
Conceito estritamente jurídico de Crime 
– Violação da Lei Penal – ato contra a 
sociedade representada pelo Estado
Conceito amplo de Crime – ato que afeta 
a vítima, o próprio autor e a comunidade 
causando-lhe uma variedade de danos
Primado do Interesse Público (Sociedade, 
representada pelo Estado, o Centro) – 
Monopólio estatal da Justiça Criminal
Primado do Interesse das Pessoas 
Envolvidas e Comunidade – Justiça 
Criminal participativa
Culpabilidade Individual voltada para o 
passado – Estigmatização
Responsabilidade, pela restauração, 
numa dimensão social, compartilhada 
coletivamente e voltada para o futuro
Indiferença do Estado quanto às neces-
sidades do infrator, vítima e comunidade 
afetados – desconexão
Comprometimento com a inclusão e 
Justiça Social gerando conexões
Mono-cultural e excludente Culturalmente flexível (respeito à dife-
rença, tolerância
Uso Dogmático do Direito Penal Positivo Uso Crítico e Alternativo do Direito
Dissuasão Persuasão
Quadro 1 - Diferença de Valores entre a Justiça Restaurativa e a Justiça Retributiva
Fonte: adaptado de Pinto (2023).
Outra análise comparativa que pode ser feita é com relação aos procedimentos 
instaurados para a conclusão dos dois tipos de justiça. Enquanto a justiça 
retributiva possui um ritual mais solene para seus julgamentos na justiça comum, 
a restaurativa mantém um rito informal e comunitário que se estende a todos 
os envolvidos, em sede dos Juizados Especiais. Para a retributiva os atores prin-
cipais participantes do processo são resumidos em autoridades que representam 
o Estado, profissionais do direito como advogados e juízes. Na restaurativa, há 
a participação das vítimas e infratores da comunidade e associações assistencia-
listas como ONGs, todos em busca de uma conciliação que seja positiva para 
todos os envolvidos (PINTO, 2010).
1
5
8
Deve-se frisar quanto ao resultado dos dois tipos de justiça, que possuem 
diferentes formas de contemplar o direito. Se a justiça retributiva interpreta o 
processo a partir da prevenção geral e especial, ou seja, na punição como melhor 
resultado, a justiça restaurativa possui uma abordagem um tanto diferente. Sua 
perspectiva aborda as causas e consequências do crime, pretendendo restaurar 
as relações entre as partes e compor dessa forma o direito. Veja outros pontos 
essenciais e que diferem as duas formas, no que concerne aos resultados:
Quanto à penalização: a justiça retributiva possui penas privativas de li-
berdade, penas restritivas de direito, multa. A pena, seja qual for, é capaz de estig-
matizar o indivíduo, causando uma rotulação incessante, sendo uma das causas e 
motivos dos estudos da criminologia crítica (FERREIRA, 2020). A situação piora 
quando pensamos nas penas muitas vezes desproporcionais ao delito cometido, 
cumpridas em um sistema cruel e desumano, que passa a ser criminógeno e 
degradante do próprio ser. As penas alternativas que se apresentam são as mais 
convencionais, como por exemplo, a cesta básica, que não consegue produzir o 
sentimento de restauração e justiça para ambas as partes (PINTO, 2010).
Na justiça restaurativa, há a reparação e restituição do dano sempre que 
possível, a prestação de serviços comunitários, a reparação do trauma moral e a 
tentativa de restauração dos prejuízos emocionais. Nota-se que a inclusão é um 
dos pontos centrais para a restauração. As obrigações se dão quanto ao acordo 
produzido em mediação, que tem por finalidade a razoabilidade e o cumprimen-
to desse acordo (PINTO, 2010).
Os efeitos para as vítimas: na justiça retributiva não há a consideração 
com a vítima, sendo esses um dos fatores mais atuais dos nossos códigos, com 
alterações que colocam a vítima dentro dos procedimentos. Como ainda é norma 
que vigora a pouco tempo, ainda existem as idiossincrasias do poder judiciário e 
autoridade policial quanto ao que sempre foi deixando muitas vezes de cumprir 
os novos mandamentos. Assim, a vítima ocupa na maior parte dos casos um 
local periférico dentro do processo, sendo alienada do início ao fim. A justiça 
restaurativa tem a função de quebrar esse entendimento e vícios da retributiva. 
A vítima ocupa o lugar central do processo, participando e possuindo voz ativa, 
sendo assistida quando preciso. A busca é por suprir “as necessidades individuais 
e coletivas da vítima e da comunidade” (PINTO, 2010, p. 20).
UNIASSELVI
1
5
9
TEMA DE APRENDIZAGEM 7
Quanto aos efeitos para o infrator: na justiça retributiva, que visa à re-
tribuição do mal pelo mal causado, o infrator é considerado pelas suas falhas, 
sua má formação, sem participação no processo somente sendo considerado sua 
oitiva, em fase de audiência. Sua única comunicação no processo é seu advogado, 
e passa a ser desestimulado pelo sistema a dialogar com a vítima, sem saber ao 
certo as fases e os fatos processuais. Uma das grandes características desse sis-
tema, é que o autor não é responsabilizado pelo delito, mas somente punido 
por ele. Por outro lado, na justiça restaurativa, o infrator é “visto no seu poten-
cial de responsabilizar-se pelos danos e consequências do delito, participando 
ativa e diretamente do processo, interagindo com a vítima e com a comunidade, 
tendo oportunidade de se desculpar ao sensibilizar-se com o trauma da vítima” 
(PINTO, 2010, p. 21). O infrator passa a ser informado de como funciona o 
processo restaurativo, podendo contribuir para a decisão final, entendendo as 
consequências do fato desviante cometido para a vítima e para a sociedade. Essa 
responsabilização é uma das maiores importâncias da justiça restaurativa.
O Manual da ONU, de 2020, sobre justiça restaurativa e processo penal, apre-
senta determinados benefícios que os programas de justiça restaurativa podem 
causar, situações essas negadas pela justiça retributiva:
Benefícios das Justiça Restaurativa (ONU, 2020):
 ■ Dar acesso mais amplo e rápido à justiça para vítimas de crimes e ofensores.
 ■ Dar às vítimas uma voz, uma oportunidade de serem ouvidas e uma 
oportunidade de entender o ofensor.
 ■ Dar às vítimas e à comunidade respostas, reconhecendo o seu direito de 
ter voz, direito à informação e direito à verdade.
 ■ Oferecer às vítimas uma oportunidade de reparação material e simbólica.
 ■ Facilitar a recuperação das vítimas e aliviar os efeitos emocionais e, por 
vezes, traumáticos do crime sobre elas.
 ■ Proporcionar uma alternativa viável aos processos criminais.
 ■ Reduzir a frequência e a gravidade da reincidência, em especial quando 
fizer parte de uma abordagem reabilitadora mais ampla.
 ■ Evitar que os ofensores sejam ainda mais estigmatizados e contribuir para 
a sua reinserção efetiva na comunidade.
 ■ Melhorar a participação pública e a confiança da população no sistema 
de justiça criminal nas comunidades onde existem.
1
1
1
 ■ Aumentar o envolvimento da comunidade.
 ■ Levar a iniciativas locais de prevenção do crime mais eficazes.
 ■ Melhorar as relações polícia-comunidade.
 ■ Reduzir custos e atrasos em todo o sistema de justiça criminal.
Por fim, há o direito dos participantes quando se trata da justiça restaurativa. 
Esses personagens, definidos como vítima e acusado ou outros membros da so-
ciedade que tenham sido afetados pelo crime, possuem alguns preceitos básicos. 
Entre eles estão:
 ■ Direito a receber aconselhamento jurídico: a vítima e o ofensor de-
vem ter o direito de receber aconselhamento jurídico sobre o processo 
restaurativo e, se necessário, sua tradução e/ou interpretação. 
 ■ O direito das crianças à assistência de pais ou responsáveis: as crianças 
devem, além disso, ter o direito à assistência de pais ou responsáveis.
 ■ O direito de ser plenamente informado: antes de concordar em par-
ticipar de um processo restaurativo, as pessoas devem ser integralmente 
informadas sobre os seus direitos, a natureza do processo e as possíveis 
consequências das suas decisões.
 ■ O direito de não participar: nem a vítima nem o agressordevem ser 
coagidos ou induzidos por meios desleais a participar de processos res-
taurativos ou a aceitar os resultados restaurativos. O consentimento é 
necessário. As crianças podem precisar de aconselhamento e assistência 
especial antes de conseguirem chegar a um consentimento válido e in-
formado (ONU, 2020).
Essas são as grandes e mais influentes diferenças entre as justiças retributiva e a 
restaurativa. Insta salientar que a busca pelo direito e pela justiça requer a har-
monia dos envolvidos e da situação causada de forma a macular o bem jurídico 
tutelado. No Brasil, a justiça restaurativa se inicia com a lei dos Juizados Especiais 
(Lei n° 9099/1995), que acomoda o sistema dentro do nosso ordenamento. A 
nossa Constituição de 1988 já previa no artigo 98, inciso I:
 “ Art. 98. A União, no Distrito Federal e nos Territórios, e os Estados 
criarão:
UNIASSELVI
1
1
1
TEMA DE APRENDIZAGEM 7
I -juizados especiais, providos por juízes togados, ou togados e leigos, 
competentes para a conciliação, o julgamento e a execução de causas 
cíveis de menor complexidade e infrações penais de menor potencial 
ofensivo, mediante os procedimentos oral e sumaríssimo, permitidos, 
nas hipóteses previstas em lei, a transação e o julgamento de recursos 
por turmas de juízes de primeiro grau (BRASIL, 2012, p. 65).
Essa abertura é realizada para crimes de menor potencial ofensivo (MPO), 
considerados infrações penais, cujas penas não ultrapassam o tempo efetivo 
de 02 anos de cumprimento.
Entretanto, vale a amplitude da discussão e a construção de um tipo de justiça 
diferente da que já existe, melhorando efetivamente seus pontos negativos. Nesse 
sentido, discussões acadêmicas, mesas de debates e o surgimento de novas ideias 
para o sistema restaurativo e sua ampliação já são uma realidade no Brasil.
Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de 
aprendizagem.
EM FOCO
NOVOS DESAFIOS
O processo de justiça no Brasil segue, como todas as leis, os preceitos básicos da 
Constituição de 1988. Por isso, o comando constitucional que se espalha por todo 
o ordenamento, é em referência à dignidade da pessoa humana. Por esse motivo, 
a busca por melhores e mais inclusivas formas de tratar os problemas sociais 
devem ser ressaltadas, e as discussões acerca de diversos problemas devem ser 
oferecidas. Um desses problemas é a vítima e seu padecimento frente ao processo, 
já desgastada com problemas causados pelo ilícito e que precisa de um amparo 
mais efetivo do Estado. A busca por restauração, que significa o real intento de 
equilíbrio dentro do sistema penal, somente pode ser feita através de um intenso 
movimento prático da justiça restaurativa, nos casos em que hoje ela é possível. 
Nesse ínterim, podem existir possibilidades de que a justiça mais inclusiva de 
restauração possa abranger mais áreas e se difundir de fato pelo direito criminal, 
através de políticas criminais positivas aos seus intentos.
1
1
1
1. Entre os dois modelos da justiça criminal, existem diferenças pontuais que conseguem 
transformar a vida dos envolvidos, a partir de suas prontas respostas. A justiça de restaura-
ção incentiva justamente o que sua nomenclatura propõe: um restaurar dos valores sociais 
e a negação do ilícito. A respeito das diferenças entre as duas justiças apresentadas, faça 
a análise das afirmativas a seguir: 
I - A Justiça Restaurativa possui um conceito estritamente jurídico, importando o ato infrator 
como causa maior de sua aplicação.
II - A Justiça Restaurativa é balizada pelo princípio do primado do Interesse das pessoas 
envolvidas e da comunidade.
III - A Justiça Retributiva atribui o uso estrito e dogmático do direito penal, negando alter-
nativas possíveis.
IV - A Justiça Retributiva possui um comprometimento com a inclusão social pelo fato de ser 
flexível culturalmente, gerando assim conexões sociais.
É correto o que se afirma em:
a) I e IV, apenas.
b) II e III, apenas.
c) III e IV, apenas.
d) I, II e III, apenas.
e) II, III e IV, apenas.
2. Há um grande movimento no mundo todo que destaca a importância e a possibilidade 
de que com a justiça restaurativa se consegue respostas mais inclusivas para as partes, e 
dessa forma, mais harmônicas portanto. Faça a análise das alternativas a seguir e assinale 
a correta:
a) Um dos grandes empecilhos para a justiça restaurativa é a falta de um movimento 
interdisciplinar, tanto para vítima quanto para infrator.
b) Os primeiros movimentos da justiça restaurativa foram dados nos Estados Unidos, na 
década de 70, em encontros entre vítima e autor do delito, em forma de mediação do 
conflito. 
c) cA justiça retributiva oferece um caminho alternativo para a resolução dos conflitos.
d) Apesar de ser um procedimento voluntário entre as partes, o juízo pode obrigar que o 
processo seja realizado em uma mediação entre os envolvidos.
e) A falta de facilitadores incumbidos de acompanhar o procedimento na justiça restaurativa 
é uma das críticas mais graves a esse conceito de justiça.
AUTOATIVIDADE
1
1
1
3. Do latim punir para não pecar, o punitur ut ne peccetur já ocupou grande evidência no di-
reito das penas. Em muitos lugares, como no Brasil por exemplo, esse ainda é o comando 
inicial do direito penal. Associada aos mais intrínsecos preceitos da teoria retributiva, tem 
sua força e destaque desde o início e até os dias de hoje continua em pé. De acordo com 
o punir para não pecar, analise as afirmativas a seguir:
I - A retribuição do injusto através da punição, por não ser prevista em nosso Código Penal, 
não deve ser aplicada no direito de penalização nacional.
II - A função social da pena é refletida pelos pensamentos do filósofo Immanuel Kant, sendo 
a indenização e reparação do crime causado os seus aspectos mais relevantes.
III - As Teorias Absolutas legitimam o direito penal através de uma penalização que mais se 
conecta à retribuição moral e jurídica do mal causado, do que com a busca de uma real 
harmonização do direito.
É correto o que se afirma em:
a) I, apenas.
b) III, apenas.
c) I e II, apenas.
d) II e III, apenas.
e) I, II e III.
AUTOATIVIDADE
1
1
4
REFERÊNCIAS
ALBERGARIA, J. Das Penas e da Execução Penal. 3. ed. Belo Horizonte: DelRey, 1996.
BIANCHINI, E. H. Justiça Restaurativa: um desafio a práxis jurídica. Campinas, SP: Servanda Edi-
tora, 2012.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Vade Mecum Saraiva. 13. ed. São Pau-
lo: Saraiva, 2012.
BRASIL. Decreto-Lei n° 2 .848, de 7 de dezembro de 1940 . São Paulo, 2020.
DELUMEAU, J. História do medo no Ocidente. São Paulo: Companhia das letras, 1989.
ELIAS, N. O processo civilizador, Vol . 1. Rio de Janeiro: Zahar, 2000.
FERREIRA, I. K. O papel do judiciário na construção do desviante: A influência da sociedade 
complexa. Florianópolis: Ed. Habitus, 2020.
GALVÃO, F. Direito Penal: parte geral.2. ed. Belo Horizonte: DelRey, 2007.
JESUS, D. E. de. Penas Alternativas. 2 ed. São Paulo: Saraiva, 2000.
ONU. Manual sobre Programas de Justiça Restaurativa – Segunda Edição. SÉRIE DE MANUAIS 
DA JUSTIÇA CRIMINAL. Viena, 2020. Disponível em: https://www.unodc.org/documents/jus-
tice-and-prison-reform/Portugues_Handbook_on_Restorative_Justice_Programmes_-_Final.
pdf Acesso em: 3. nov. 2023.
KOSOVSKI, E. (Coord.). Vitimologia Enfoque Interdisciplinar. Rio de Janeiro: Reproarte, 1992.
PINTO. R. S. A construção da Justiça restaurativa no Brasil: O impacto no sistema de justiça cri-
minal. Revista Paradigma/Universidade de Ribeirão Preto – UNAERP, a. XV, n. 19, jan./jul. 2010. 
Disponível em: https://revistas.unaerp.br/paradigma/article/view/65. Acesso em: 2 nov. 2023.
VAN NESS, D. W.; STRONG, K. H. Restoring Justice . Cincinatti. Ohio: Anderson Publishing Co. 2002
ZEHR, H. Trocando as lentes: um novo foco sobre o crime e a justiça. São Paulo: Palas Athena, 
2008.
1
1
5
1. Opção B. Portanto, afirmativas II e III estão corretas. A afirmativa I está errada, pois o conceito 
do crime é ampliado na justiça restaurativa, não ficandoapenas no conceito jurídico. A afir-
mativa IV está incorreta, pois esses são consensos da justiça restaurativa e não da retributiva.
2. Opção B. Alternativa A está errada, uma vez que movimentos envolvendo outros dados 
estatísticos e possibilidades de cura ao conflito de forma diversa à prisão, bem com acom-
panhamento à vítima são realizados pela justiça restaurativa. Alternativa C é errada, uma 
vez que se trata da justiça restaurativa. Alternativa D está incorreta, pois o magistrado não 
tem o poder de obrigar as partes a mediar o conflito, isso é realizado pelas partes com a 
presença de um conciliador. Alternativa E está errada, porque mediadores e facilitadores 
são responsáveis pelo procedimento, antes do processo penal, que somente se instaura se 
não houver conciliação entre as partes.
3. Opção B. O que faz com que somente a afirmativa III esteja correta. A afirmativa I está incorreta, 
pois o artigo 59 dispõe sobre a penalização do autor, na retribuição do injusto. A afirmativa 
II é errada, porque Kant explica que a pena possui uma finalidade em si mesma, somente 
usada para retribuir o injusto e não mais que isso.
GABARITO
1
1
1
MINHAS ANOTAÇÕES
1
1
1
MINHAS METAS
O MODELO CONSENSUAL DE 
JUSTIÇA NO BRASIL: ADVENTOS DA 
LEI N° 9099/1995 
Analisar a Constituição Federal da república de 1988 no tocante à possibilidade da Justiça 
Restaurativa no Brasil.
Interpretar os princípios constitucionais que versam sobre a justiça de transição ou 
restaurativa.
Estudar os princípios da justiça restaurativa e atestar a sua constitucionalidade.
Investigar a implantação da justiça restaurativa pela Lei n° 9.099/1995 e sua importância 
para a despenalização do direito penal.
Examinar os institutos da Lei dos Juizados Especiais.
Entender as mudanças trazidas pela Lei dos Juizados para o direito brasileiro.
Interpretar alguns artigos despenalizadores da Lei n° 9.099/1995.
T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 8
1
1
8
INICIE SUA JORNADA
Vários criminólogos, entre eles Alessandro Baratta, asseveraram a possibilida-
de de uma diminuição da atuação do Estado penal, para o Estado das políticas 
públicas e das oportunidades (BARATTA, 2011). E o problema do aumento ex-
ponencial da população carcerária e de presos preventivos que ainda aguardam 
julgamento é espelho de situações pontuais que temos na aplicação de nossa lei 
penal. O significado disso é que somente através da punição que o Estado conse-
gue dar uma resposta que acredita ser efetiva à sociedade e às vítimas de crimes. 
Na verdade, o que o Estado faz é justamente o que já vem realizando há vários 
anos, e que já ficou evidenciado ser um erro.
Por esse motivo, surge a justiça restaurativa que, através de seus princí-
pios, tenta fazer com que, ao menos em infrações de menor potencial ofensivo, 
e nos crimes de menor potencial lesivo, ela possa respaldar um outro tipo de 
penalização, que parte da responsabilização do delinquente perante seus atos 
desenvolvidos contra a vítima e a sociedade. Ao experimentar a justiça que tenta 
mediar ao invés de punir apenas, os envolvidos estão próximos de realizar a pa-
cificação total do problema, respondendo todos os quesitos e questionamentos 
sobre o crime e seus motivos, pois aqui existe a participação ativa tanto de vítima, 
conciliadores e infrator. Juntos tentam buscar os porquês, e ainda, quais serão as 
respostas dadas a partir de agora para adimplir o(s) direito(s) maculados pelo 
ato ilícito (PINTO, 2010). 
UNIASSELVI
1
1
9
TEMA DE APRENDIZAGEM 8
Em um período de evolução humana, em que se busca por situações mais 
ponderadas e utilitárias, a justiça restaurativa pode ser um escape para muitos 
dos problemas na seara criminal. A Lei n° 9099/1995 abriu, no Brasil, a brecha 
para as discussões acerca da justiça consensual. Que essa possibilidade continue 
aberta para os novos pensadores da nossa época refletirem sobre modelos mais 
humanos e não degradantes, e que busquem não apenas por justiça, mas também 
pela promoção humana de todos ao redor.
Estudante, vem aí mais um podcast, e aqui vamos tratar do tema da mediação e 
conciliação como adventos da Lei n° 9099/1995, mas já apregoados outrora em 
nossa Constituição Federal de 1988, que delimitou a partir de seus princípios as 
normas e leis dentro do nosso país a seguirem seus comandos. Vamos lá!?
Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de 
aprendizagem.
PLAY NO CONHECIMENTO
VAMOS RECORDAR?
Em maio de 2016, o Conselho Nacional de Justiça promulgou a Resolução 225, 
onde dispôs a respeito da criação de uma Política Nacional de Justiça Restaurativa 
no âmbito do Poder Judiciário. O projeto se envolve com a política criminal e com 
a maneira de lidar com os problemas da segurança pública de forma a facilitar 
mecanismos para a despenalização, a estigmatização primária e secundária, e a 
marcação dos controles penais do Estado ao indivíduo que já fora uma vez inserido 
em seus históricos criminais. Você pode acessar a importante resolução na íntegra 
no site do Conselho Nacional de Justiça, aqui .
Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de 
aprendizagem.
1
1
1
DESENVOLVA SEU POTENCIAL
Os países da América Latina desenvolveram suas normas, sobretudo penais, 
tendo a sua sombra os inúmeros postulados legais que lhes foram imputados 
à força pelo colonizador, e herdados por normas que viriam com o tempo. Sig-
nifica dizer que, as raízes inquisitórias fincadas em códigos de leis levaram, por 
muito tempo, o sentido antidemocrático nas regiões colonizadas pelos europeus. 
Nesse ponto, desde as épocas que datam o final do séc. XIX até os anos 1930 a 
maior parte das leis de nossa região possuíam um elo dogmático com normas 
estrangeiras que nada conheciam dos problemas latino-americanos (GRINO-
VER; STRUENSEE, 2000).
Exemplos de uma ruptura com a ultrapassada legalização dos códigos lati-
no-americanos, foi o Código da Província de Córdoba escrito em 1939, na Ar-
gentina, que apresentava uma ampla reforma processual penal e uma completa 
ruptura aos princípios da legislação espanhola, sua colonizadora (GRINOVER; 
STRUENSEE, 2000).
De lá para cá, com a crescente reforma democrática nos países da região, os 
movimentos de reformas legais foram instituídos todos considerando os prin-
cípios do Estado Democrático de Direito que passavam a ser concebidos. E, no 
Brasil, não foi diferente e tudo começou com a Constituição Federal de 1988 e 
seus preceitos mais basilares (PINTO, 2010).
A justiça restaurativa é aplicada nos Juizados Especiais e envolvem infrações penais 
de menor potencial ofensivo, entretanto, há ampla possibilidades de sua aplicação 
em alguns fatores que envolvem a Justiça Comum, em crimes possíveis de sua 
aplicação. Nos Juizados Especiais Criminais há o conciliador ou mediador dos 
problemas que precisa tentar resolver o caso apresentado desenvolvendo a 
comunicação entre as partes. Mediadores ou facilitadores são profissionais exten-
sivamente treinados, o que lhes permite identificar as questões mais importantes, 
para atender às necessidades das partes, ajudando-os a encontrar alternativas 
para o alcance de um acordo. “Os mediadores são neutros: não dão conselhos, 
nem tomam decisões, eles facilitam um diálogo positivo, criando uma atmosfera 
propícia à identificação das reais necessidades de ambas as partes, bem como o 
interesse dos seus filhos” (GRINOVER; STRUENSEE, 2000 p. 152).
APROFUNDANDO
UNIASSELVI
1
1
1
TEMA DE APRENDIZAGEM 8
A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 E A JUSTIÇA 
RESTAURATIVA
Os princípios constitucionais significam o fundamento da própria constituição. Através 
deles, todo o ordenamento jurídico nacional possui uma base muito bem estruturada, e 
a negação dessa sustentação incide em contrariar a norma maior de nosso ordenamento, 
que é a Constituição Federal de 1988 (CF/1998). Por esse motivo, quando analisamos 
as normas de direito, notamos que existe um contrato entre elas e sua norma mãe, ad-
vinda dos princípiosconstitucionais. Esse contrato significa estabelecer o que realça a 
norma maior como o mais importante a ser seguido (GRINOVER; STRUENSEE, 2000).
Por esse motivo, a justiça consensual ou restaurativa passou a se envolver com 
ênfase em situações que envolviam conflitos penais, como uma mudança paradigmá-
tica inserida no processo penal, uma real inovação no código das penas. Essa alteração 
se deu a partir da CF/1988, que promoveu a quebra do formalismo acentuado dos 
processos e a busca por alternativas que fossem mais razoáveis e simplificadas para 
atender melhores e mais positivos resultados, para as infrações de menor potencial 
ofensivo. O artigo 98, em seu inciso I, demonstrava o ideal do legislador ao instituir 
a possibilidade de um procedimento sumário que fosse mais célere e pudesse atender 
a vítima de crimes e seus problemas de forma mais inclusiva (ZEHR, 2008).
1
1
1
Essas reformas foram importantes para apresentar ao Brasil o modelo consensual 
de justiça, em uma adequação ao ambiente democrático agora vivido, e que 
precisava dar uma resposta aos imensos problemas sofridos principalmente no 
âmbito da penalização. Com o sistema carcerário e sua superlotação, processos 
parados, o alto número de presos temporários e preventivos (que ainda aguardam 
julgamentos), não havia a possibilidade de mais penalização e sim, em pensar 
em sua diminuição (GRINOVER; STRUENSEE, 2000).
Nesse sentido, tendo os seus princípios mais importantes, como a dignidade 
da pessoa humana, do tratamento humano e da celeridade processual, a definição 
de uma resposta coube à Lei n° 9099/1995, através da inclusão dos Juizados 
Especiais, tanto na área criminal quanto na área do direito civil. Outras nor-
mas já estipulavam a possibilidade de uma conciliação, que se dava através de 
um contrato firmado entre o causador do delito e sua vítima, como é o caso do 
Código de Trânsito Brasileiro criado em 1997 e institui a multa com o intuito 
de reparação ao dano patrimonial causado de forma criminosa em acidentes de 
trânsito. Também há no Código Penal a alteração da Lei n° 9.714/1998, que im-
põe a possibilidade da prestação pecuniária à vítima, em uma importância fixada 
pelo juiz da causa. Essa mudança surtiu efeitos práticos no artigo 45 do Código 
Penal, que agora visa a mediação do conflito, ao menos dando uma primeira 
satisfação à vítima, a maior lesada na situação (GRINOVER; STRUENSEE, 2000). 
Assim, a mediação de conflitos e a justiça restaurativa já são amparadas 
constitucionalmente, em normas e princípios apresentados pela Carta Magna. 
Ela interpreta o princípio de que existem outras formas de garantir a pacificação e 
a harmonização do direito que não seja através da punição. Alguns doutrinadores 
já exacerbaram sua desarmonia com a punição, sustentando que sua forma usada 
para controlar a violência social realiza o efeito contrário, reproduzindo ainda 
mais violência, tendo que ser mitigada ao máximo possível (ZAFFARONI, 2003).
Dos princípios constitucionais mais importantes, frisamos que o princípio 
da proporcionalidade se destaca como uma real proteção à pessoa, contra os 
excessos cometidos pelo Estado, ao defender uma penalização mais justa e um 
tratamento igual ao de todos os participantes no processo. E tudo isso é enfati-
zado pela justiça restaurativa, pois defende como fundamento de sua função a 
efetivação de respostas mais utilitárias às partes, além da privação da liberdade 
UNIASSELVI
1
1
1
TEMA DE APRENDIZAGEM 8
(PINTO, 2010). Isso tudo pelo fato de que a justiça restaurativa é aplicada àque-
les delitos que não precisam de uma resposta acentuada por parte do julgador, 
buscando sempre ser proporcional aos fatos apresentados (ZEHR, 2008). 
O princípio constitucional da humanidade, que na maioria das vezes é 
anulado pela penalização do Estado, através do cumprimento de pena em am-
bientes insalubres e controlado pela violência, é adimplido pela justiça restaura-
tiva quando essa oferece uma nova oportunidade de penas, que visam assegurar 
os direitos da pessoa (ZEHR, 2008).
Os princípios da justiça restaurativa
Devemos destacar os princípios da justiça restaurativa, sempre em conexão 
com a Constituição de 1988, são eles: voluntariedade, consensualidade, confi-
dencialidade, celeridade, urbanidade, adaptabilidade, imparcialidade (BIAN-
CHINI, 2012). Tais princípios atestam a constitucionalidade da aplicação da 
justiça restaurativa no país, e abrem importante discussão sobre a aplicação de 
sua ordem no direito penal como um todo, sempre que houver possibilidade para 
isso. Vamos aos princípios (BIANCHINI, 2012): 
 ■ Princípio da voluntariedade: contempla a participação dos envol-
vidos no procedimento a ser instaurado, sendo esclarecidos quanto às 
práticas restaurativas a serem observadas. As partes não são obrigadas e 
nem constrangidas, mas sim, convidadas a participar. Segundo Bianchini 
(2012), as informações são necessárias para que as partes compreendam 
o funcionamento do processo:
 “ O encorajamento à participação deve ser realizado com o objeti-
vo de restaurar as relações, e não como meio de coerção, para que 
as partes superem receios infundados. Sob nenhuma hipótese as 
partes são obrigadas a adotar abordagem de Justiça Restaurativa, 
para que não se realce as agressões e mazelas decorrentes do de-
lito, o que iria retirar a autonomia da vítima e a possibilidade de 
responsabilização do infrator. Sem a participação dos envolvidos, 
qualquer outra abordagem seria aplicável, mas não aquela pregada 
pela Justiça Restaurativa (BIANCHINI, 2012, p. 119).
1
1
4
 ■ Princípio da consensualidade: faz parte da justiça restaurativa a con-
cordância entre as partes de participarem de tal serventia. Assim, faz-se 
importante o aceite espontâneo dos personagens do procedimento. De-
ve-se frisar que na justiça restaurativa abre-se um contrato hipotético 
entre as partes de que o processo caminhará sob os ritos mais sumários 
possíveis, buscando a pacificação e o adimplemento das obrigações. 
 ■ Princípio da confidencialidade: as informações e fatos analisados 
quando da aplicação da justiça restaurativa correm em confidenciali-
dade. Situações de foro íntimo, os pormenores do caso em concreto e 
mesmo, a finalização através da mediação ficam em segredo, somente 
sendo conhecidas pelas partes. 
 ■ Princípio da celeridade: trata-se da velocidade que o processo deve 
tomar em busca de uma resolução. Em partes, ele já é reconhecido como 
processo sumaríssimo, sendo realizado inclusive de forma oral e possuindo 
ritos menos burocráticos. Por outro lado, é importante ceder as partes o 
tempo que for preciso para que cheguem a uma solução e pacificarem a causa. 
 ■ Princípio da urbanidade: o bom relacionamento entre as partes deve ser 
buscado pelos facilitadores, que devem buscar por uma evolução cívica 
dentro do processo, tendo por base o respeito mútuo que se dá através 
do diálogo.
 ■ Princípio da imparcialidade: ao facilitador, cabe ajudar as partes a che-
garem a um acordo que seja mutuamente justo. Se para um cabe o adim-
plemento de seu direito magoado, para outro cabe a responsabilidade de 
adimplir e auxiliar a fazer justiça. Não cabe ao mediador ou facilitador 
demonstrar desinteresse na causa, menos ainda, reproduzir juízos de va-
lor quanto aos problemas analisados.
 ■ Princípio da adaptabilidade: a conciliação das partes significa o 
encontro de melhores soluções ao conflito. A lide não pode ficar sem 
respostas e para isso formas e maneiras de desenvolver melhor o proce-
dimento para a busca da pacificação é uma prerrogativa do mediador. 
Nas palavras de Bianchini (2012, p. 131): “A elasticidade procedimental 
provém da gama de exigências que podem ser apresentadas no decorrer 
da abordagem, sendo necessário conciliar as necessidades de maneira 
equilibrada e harmoniosa”.
UNIASSELVI
1
1
5
TEMA DE APRENDIZAGEM 8
Todos os princípios essenciais apresentados pela justiça restaurativa são pre-
ceitos fundamentais apregoados e trazidos pela CartaConstitucional de 1988. 
Essa flexibilidade que apresenta a justiça restaurativa consegue desenvolver 
respostas para diversos tipos de casos apresentados, e seus reflexos podem ser 
sentidos inclusive em estudos da justiça comum que se referem à aplicação da 
restauração ao invés da retribuição.
Os princípios também são destacados pelas convenções internacionais que 
iniciam após a Segunda Guerra, como a Resolução do Conselho Econômico e 
Social das Nações Unidas de 2002. A resolução da ONU destaca o que significa 
justiça restaurativa, tendo por base seus princípios aceitos internacionalmente, 
explicando seus conceitos mais aceitos (PINTO, 2010, p. 6):
 “ 1. Programa de Justiça Restaurativa: significa qualquer programa 
que use processos restaurativos e objetive atingir resultados res-
taurativos.
2. Processo restaurativo: significa qualquer processo no qual a víti-
ma e o ofensor, e, quando apropriado, quaisquer outros indivíduos 
ou membros da comunidade afetados por um crime, participam 
ativamente na resolução das questões oriundas do crime, geralmen-
te com a ajuda de um facilitador. Os processos restaurativos podem 
incluir a mediação, a conciliação, a reunião familiar ou comunitária 
(conferencing) e círculos decisórios (sentencing circles).
3. Resultado restaurativo: significa um acordo construído no pro-
cesso restaurativo. Resultados restaurativos incluem respostas e 
programas tais como reparação, restituição e serviço comunitário, 
objetivando atender as necessidades individuais e coletivas e res-
ponsabilidades das partes, bem assim promover a reintegração da 
vítima e do ofensor.
4. Partes: significa a vítima, o ofensor e quaisquer outros indivíduos 
ou membros da comunidade afetados por um crime que podem 
estar envolvidos em um processo restaurativo.
5. Facilitador: significa uma pessoa cuja papel é facilitar, de maneira 
justa e imparcial, a participação das pessoas afetadas e envolvidas 
num processo restaurativo.
1
1
1
Sombras do passado 
As Comissões de Verdade de Reconciliação, movimento 
ocorrido na África do Sul a partir de 1992, versam sobre a justiça 
restaurativa naquele país. Eram anistiados aqueles que confes-
savam publicamente seus crimes de guerra, na época do apar-
theid. Vale a pena conferir como se deu lá o que estudamos 
aqui, nesse tema. O filme é dirigido por Tom Hooper, e tem as 
participações de Hilary Swank e Chiwetel Ejiofor, com o título 
Sombras do passado, lançado no ano de 2004.
INDICAÇÃO DE FILME
OS ADVENTOS DA LEI 9099/1995 E A JUSTIÇA 
CONSENSUAL NO BRASIL
A justiça restaurativa se baseia em procedimentos de consenso onde vítima e 
infrator e mesmo, pessoas da comunidade que se sintam envolvidos na infração 
e por ela tenham sido afetados, fazem presença coletiva e participam na criação 
de soluções com intuito de restaurar o mal, harmonizar suas perdas e buscar a 
pacificação, de uma forma mais célere e justa. Justamente por esse motivo ela é 
presente em vários países do mundo todo (PINTO, 2010).
No Canadá, já se faz efetiva desde 1974, onde há o Centro de Justiça Restaura-
tiva Comunitária de Victoria, na província de Ontário, fundada em 1976. A Nova 
Zelândia, considerada um dos países pioneiros na aplicação da Justiça Restaura-
tiva quando o assunto são os menores de idade, notou um acentuado decréscimo 
nos delitos cometidos por jovens infratores que passaram pelo procedimento 
restaurativo em um primeiro desvio. Dessa forma, o retorno à criminalidade não 
se desenvolveu, por conta de um programa de ressocialização mais inclusivo, que 
envolve família e comunidade ao redor (ZEHR, 2008).
Nos países cujo sistema da common law impera, a justiça restaurativa já é 
presente a mais de quatro décadas. Isso é referente à abertura que tal sistema legal 
se dá em relação à discricionariedade do promotor de justiça, em processar ou 
não o caso apresentado, seguindo o princípio da oportunidade. Há a possibilidade de 
UNIASSELVI
1
1
1
TEMA DE APRENDIZAGEM 8
programas alternativos, que sejam apresentados pelo próprio Ministério Público, 
muito antes da ação penal. De forma oposta, o sistema utilizado no Brasil (civil 
law) precisa de normas e leis que ditem esse costume, respeitando o princípio 
da legalidade, sendo assim mais restritivo. Há, aqui, outro princípio influente 
que rege a ação penal, que é o da indisponibilidade; portanto, o membro do Mi-
nistério Público não pode deixar de intentar com a ação, sempre que existir as 
suas causas. Entretanto, mesmo com as diferenças entre os dois sistemas, se deu 
o aperfeiçoamento do mandamento constitucional previsto no artigo 98, em 
seu inciso I, com a criação da Lei n° 9.099/1995, que institucionalizou a justiça 
restaurativa, mesmo que ainda em fase muito inicial (PINTO, 2010).
Nas infrações de ação penal de iniciativa privada, que ocorre quando o 
ofendido deseja ter seu direito harmonizado pela justiça, através de sua própria 
vontade provocando a atividade jurisdicional, “é possível para as partes optarem 
pelo procedimento restaurativo e construírem um outro caminho, quer não o 
judicial, para lidar com o conflito” (PINTO, 2010, p. 21). 
AÇÃO PENAL PÚBLICA: onde o titular do direito de ação é o Estado, por intermédio 
de seu representante o Ministério Público, que age através da denúncia promovi-
da pelo Promotor de Justiça contra o réu. É aplicada aos crimes de maior potencial 
ofensivo. A aplicação da Justiça Restaurativa aqui ainda engatinha, mas há possi-
bilidades de aumentar sua participação.
AÇÃO PENAL PÚBLICA CONDICIONADA: precisa da representação da vítima para 
que venha a ser instaurada, como nos casos de violência doméstica.
AÇÃO PENAL PRIVADA: é iniciada pela vontade do lesado ou ofendido, nos crimes 
de menor potencial ofensivo, cujas penas não ultrapassem 2 anos. Aqui há a maior 
parte da aplicação da Justiça Restaurativa no país.
ZOOM NO CONHECIMENTO
Segundo Pinto (2010, p. 22), essa “inovação da Constituição de 1988, pode-se 
dizer que o princípio da oportunidade passou a coexistir com o princípio da 
obrigatoriedade da ação penal". Tanto em fase preliminar de conciliação, que é 
o primeiro contato das partes envolvendo situações de infrações penais, quanto 
em procedimento contencioso, as partes podem promover a justiça restaurativa 
e obter uma conciliação que passa a ser aceita pelo poder judiciário.
1
1
8
Dessa forma:
 “ A lei dos juizados especiais cíveis e criminais regula o procedimen-
to para a conciliação e julgamento dos crimes de menor potencial 
ofensivo –é nela onde está a principal janela -com a composição 
civil (artigo 74 e parágrafo único), a transação penal (76) e a sus-
pensão condicional do processo (artigo 89) (PINTO, 2010, p. 22).
Quanto à importância da apresentação de conceitos jurídicos para a normatiza-
ção penal no país, a extinção da punibilidade do agente pode se dar através da 
composição civil nos casos de ação penal privada, e também nas ações penais pú-
blicas condicionadas. Na ação penal estritamente pública, existe a possibilidade 
da discussão sobre a resolução da lide, onde se discute sobre penas alternativas 
que possam ser adequadas ao caso concreto (BIANCHINI, 2012).
Aqui, há a possibilidade da conciliação e da transação penal, e os artigos 72, 
73, 74 e 79 da Lei dos Juizados Especiais (9099/95) apresentam sua metodologia 
quanto à audiência preliminar, conciliação e composição dos danos civis:
 “ Art. 72. Na audiência preliminar, presente o representante do 
Ministério Público, o autor do fato e a vítima e, se possível, o respon-
sável civil, acompanhados por seus advogados, o Juiz esclarecerá 
sobre a possibilidade da composição dos danos e da aceitação da 
proposta de aplicação imediata de pena não privativa de liberdade.
Art. 73. A conciliação será conduzida pelo Juiz ou por conciliador 
sob sua orientação.
Parágrafo único. Os conciliadores são auxiliares da Justiça, recru-
tados, na forma da lei local, preferentemente entre bacharéis em 
Direito, excluídos os que exerçam funções na administração da 
JustiçaCriminal.
Art. 74. A composição dos danos civis será reduzida a escrito e, 
homologada pelo Juiz mediante sentença irrecorrível, terá eficácia 
de título a ser executado no juízo civil competente.
Parágrafo único. Tratando-se de ação penal de iniciativa privada ou 
de ação penal pública condicionada à representação, o acordo ho-
mologado acarreta a renúncia ao direito de queixa ou representação.
UNIASSELVI
1
1
9
TEMA DE APRENDIZAGEM 8
Do Procedimento Sumaríssimo
Art. 79. No dia e hora designados para a audiência de instrução 
e julgamento, se na fase preliminar não tiver havido possibilidade 
de tentativa de conciliação e de oferecimento de proposta pelo Mi-
nistério Público, proceder-se-á nos termos dos arts. 72, 73, 74 e 75 
desta Lei (BRASIL, 1995, on-line, grifos do autor). 
Assim, a busca pela conciliação e pela composição agora se perfazem legalmente 
e passam a ser as tratativas iniciais e comuns dentro dos Juizados Especiais. A 
discussão agora é a ampliação desse modelo para algumas situações penais de 
maior potencial ofensivo, sempre quando houver possibilidade para isso. No en-
tanto, o que vale é a vontade, tanto da vítima quanto do infrator, em se submeter 
à justiça restaurativa entendendo seus conceitos e possibilidades (ZEHR, 2008).
Há também a suspensão condicional do processo, em que tanto crimes de 
menor potencial ofensivo, quanto de médio potencial ofensivo podem ser agra-
ciados com esse instituto, segundo artigo 89 da Lei n° 9099/1995 (BRASIL, 
1995, on-line, grifos do autor):
 “ Art.89. Nos crimes em que a pena mínima cominada for igual ou 
inferior a um ano, abrangidas ou não por esta Lei, o Ministério 
Público, ao oferecer a denúncia, poderá propor a suspensão do pro-
cesso, por dois a quatro anos, desde que o acusado não esteja sendo 
processado ou não tenha sido condenado por outro crime, presen-
tes os demais requisitos que autorizariam a suspensão condicional 
da pena (art. 77 do Código Penal).
§ 1º Aceita a proposta pelo acusado e seu defensor, na presença do 
Juiz, este, recebendo a denúncia, poderá suspender o processo, sub-
metendo o acusado a período de prova, sob as seguintes condições:
I - reparação do dano, salvo impossibilidade de fazê-lo;
II - proibição de frequentar determinados lugares;
III - proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem auto-
rização do Juiz;
IV - comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmen-
te, para informar e justificar suas atividades.
§ 2º O Juiz poderá especificar outras condições a que fica subordi-
nada a suspensão, desde que adequadas ao fato e à situação pessoal 
do acusado.
1
8
1
§ 3º A suspensão será revogada se, no curso do prazo, o beneficiário 
vier a ser processado por outro crime ou não efetuar, sem motivo 
justificado, a reparação do dano.
§ 4º A suspensão poderá ser revogada se o acusado vier a ser 
processado, no curso do prazo, por contravenção, ou descumprir 
qualquer outra condição imposta.
§ 5º Expirado o prazo sem revogação, o Juiz declarará extinta a 
punibilidade.
§ 6º Não correrá a prescrição durante o prazo de suspensão do 
processo.
§ 7º Se o acusado não aceitar a proposta prevista neste artigo, o 
processo prosseguirá em seus ulteriores termos. 
Situações que são passíveis de suspensão do processo podem ser levadas à 
núcleos de justiça restaurativa para acompanhamento multidisciplinar com 
intuito de capacitar as partes sobre seus direitos e obrigações. No momento do 
aceite da suspensão do processo, ela ficará suspensa pelo prazo que pode ir de 
dois a quatro anos, dependendo da gravidade da infração. Nesse período, o infra-
tor deve cumprir algumas obrigações, como o seu não envolvimento em práticas 
ilícitas sob pena de revogação da suspensão e retorno da instauração do processo, 
a reparação do dano causado, e determinadas restrições de direitos expostos na lei.
A lei também apresenta o instituto despenalizador da transação penal. Para 
o artigo 76, da Lei n° 9099/95, “havendo representação ou tratando-se de crime 
de ação penal pública incondicionada, não sendo caso de arquivamento, o Mi-
nistério Público poderá propor a aplicação imediata de pena restritiva de direitos 
ou multas, a ser especificada na proposta" (BRASIL, 1995, on-line). Significa que, 
em casos de menor potencial ofensivo, o Ministério Público pode oferecer uma 
dessas opções citadas pelo artigo 76, sem que seja observado nenhum fato ou 
mérito da questão em audiência. Mas perceba que não se trata de confissão do 
acusado ao delito a ele imputado inicialmente, mas sim de um acordo em comum 
firmado entre vítima e infrator. O acordo deve ser aceito pela parte, não possuin-
do a sentença efeitos de condenação ou de culpa do agente. Ocorre que com o 
acordo, o agente não poderá se envolver em nenhum ilícito penal pelo prazo de 
5 anos, pois, se ocorrer, não poderá mais ser beneficiado pela transação penal. O 
instituto da transação, portanto, não produz sentença penal condenatória:
UNIASSELVI
1
8
1
TEMA DE APRENDIZAGEM 8
 “ A decisão que homologa a transação penal não pode ser consi-
derada como condenatória, ainda que imprópria, pois não houve 
acusação e a aceitação da imposição não produz consequências na 
esfera criminal, exceto para evitar novo benefício dentro do pra-
zo de cinco anos. Não se admite culpabilidade com a aceitação da 
proposta. Ela não constará do registro criminal e, dessa forma, não 
gerará reincidência (GRINOVER, 2001, p. 156).
Podemos perceber a influência da justiça restaurativa, tanto em nossas leis 
quanto no desenvolvimento da justiça em si, através de seus operadores. Essa 
mudança de paradigma reflete alterações na concepção do que seja mais útil para 
todos envolvidos nos problemas sociais, como o crime: se é a penalização da jus-
tiça retributiva alcançando a punição ou a despenalização da justiça restaurativa 
em busca de resultados mais abrangentes. 
Nesse ponto, destaca-se que, em crimes e delitos considerados a partir de seu 
médio potencial ofensivo, como o porte de drogas que não seja específico para 
o tráfico de ilícito de entorpecentes, ou mesmo o estelionato desde que o agente 
não o tenha praticado e sido punido pelo mesmo fato anteriormente, são delitos 
passíveis da justiça de transição, conhecida como restaurativa (ZEHR, 2008).
1
8
1
Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de 
aprendizagem.
EM FOCO
NOVOS DESAFIOS
É importante analisar a Lei dos Juizados Especiais como um instrumento capaz 
de mudar paradigmas antes aceitos como padrões previamente estipulados. Al-
terar a concepção de que as leis penais servem somente para penalizar, significa 
deixar de lado a responsabilização do agente, e somente aplicar a punição. Nesse 
sentido, vários doutrinadores da criminologia e da vitimologia desenvolveram 
grandes possibilidades para o futuro da mediação de conflitos em crimes de 
menor e médio potencial ofensivo. Isso significa que a lei em comento em todo 
esse tema (Lei n° 9.099/1995) conseguiu trazer à baila o assunto e desenvolvê-lo 
em discussões e debates sobre sua real serventia. 
E você, estudante, verá que as situações do dia a dia, inseridas em nossa socie-
dade, são tão complexas quanto a modernidade em que vivemos, e muitas vezes 
merecem o nosso olhar mais crítico e menos penalizador.
O desafio que fica é esse: entender a justiça restaurativa como uma quebra de 
um padrão que não mais oferece serventia na atualidade, e que pode ser melho-
rado a partir de novos estudos e aplicações da harmonização do direito. Para que 
isso seja possível, vale lembrar que quando um paradigma se torna impossível de 
ser adimplido ele entra em uma crise, sendo necessário a intervenção de novos 
padrões (DUSSEL, 1995). Isso ocorre com todo o sistema carcerário penal, que 
não serve aos intentos de ressocialização, mas unicamente de punição. Após anos 
de evolução humana, não se enxerga que sistemas tão degradantes possam ainda 
estar de pé, criando ainda mais problemas para o trato social do que de fato resol-
vendo-os.perante ao ilícito, e outro de caráter pluridisciplinar, alcançando 
formas de proteção; seja física ou mental, das vítimas de desvios diversos (PIE-
DADE, 1997). A partir daqui, caberia ao Estado o acompanhamento psicológico 
e médico da vítima, que não se perfaz mais em apenas instrumento para a decisão 
judicial final, mas dotada de dignidade.
Dessa forma, são duas as formas de interpretação do significado de vítima, depois 
do aperfeiçoamento dos estudos de Vitimologia, com o término da Segunda Guer-
ra Mundial. São eles: Natureza disciplinar, analisando o comportamento da vítima 
frente ao crime, e Natureza pluridisciplinar, no acompanhamento de vítimas de 
crimes quanto ao trauma causado, seja psicológico, moral, econômico ou social.
ZOOM NO CONHECIMENTO
O movimento que se inicia é o de acompanhamento da vítima, através de estudos 
com o objetivo de interpretar sua ressignificação no decorrer dos tempos, apresen-
tando maiores possibilidades, uma vez que pela Vitimologia ela passa a ser identifi-
cada como principal personagem, não apenas mero instrumento para a ação penal. 
UNIASSELVI
1
9
TEMA DE APRENDIZAGEM 1
Nesse sentido, para Bittencourt (1971, p. 21):
 “ A vítima adquire relevante preponderância no estudo do delito e 
que se elimine o critério que a reduzia à condição de passiva recep-
tora da ação delituosa. E assim, igualmente se destrói a insuficiente 
afirmação de que só o delinquente pode decifrar o problema do 
crime, sem considerar que sua existência como tal só é possível 
com a correlata existência da vítima e que toda ação dirigida única 
e exclusivamente ao delinquente fundar-se-á sobre bases falsas. 
Nesse contexto, diversos códigos de lei penalizadoras, inclusive o Código Penal 
Brasileiro, datado de 1940, passaram a identificar a vítima, mas apenas através 
da natureza disciplinar, ou seja, qual a efetiva participação ou desempenho da 
vítima nos crimes por ela sofrido (BITTENCOURT, 1971). Vamos analisar como 
a Criminologia começou a ter a vítima como objeto de estudos, e como hoje 
desenvolve suas reflexões a partir dessa discussão.
OS ESTUDOS DA CRIMINOLOGIA ACERCA DA VITIMOLOGIA
Como dissemos, Benjamin Mendelsohn denominou Vitimologia na Conferên-
cia de Bucareste em 1947. Após a apresentação da temática, os estudos versados 
sobre ela não pararam.
Em 1948, Hans Von Hentig, psicólogo criminal alemão, em sua obra inti-
tulada “O criminoso e sua vítima”, inaugura a palavra vitimogênese quando 
apresenta a origem da vitimidade. A partir daqui, os estudos de Criminologia 
a respeito desse assunto se desenvolveram e demonstraram uma personagem 
anteriormente esquecida pelos seus precursores (BITTENCOURT, 1974).
É fato que as primeiras escolas de Criminologia não se importaram em es-
tudar a vítima de crimes, sua atuação na contenda e mesmo, sua situação após o 
desvio. Mesmo a Escola Clássica que passou a analisar os direitos do criminoso 
através de um julgamento justo, não estendeu sua temática ao comportamento 
da vítima (BITTENCOURT, 1971).
1
1
Sua predecessora, a Escola Positiva, fundada pelo italiano Cesare Lombroso 
no final do Século XX, analisava o crime a partir do criminoso. Dessa forma, os 
motivos para que desvios ocorressem na sociedade estavam diretamente ligados a 
pessoa do desviante. Entretanto, mesmo a Criminologia precursora não absorve 
estudos centrados na vítima, o que passou a mudar com Mendelsohn em 1947, e 
com o fortalecimento da Escola dos Annales, na França do pós-guerra.
O movimento iniciado naquela época, que se envolvia com compenetrados 
estudos acerca do desenvolvimento social, passou a se preocupar com um fan-
tasma que surgia com a polarização do mundo entre Estados Unidos e União 
Soviética: a guerra fria (HOBSBAWN, 1994). Assim, a campanha que surgia 
dentro das nações ocidentais era de intolerância contra o crime e o desvio, 
demonstrando força perante qualquer adversário, mesmo que esse esteja além-mares. 
Os controles de segurança dos Estados, através da força penal, desenvolviam 
agressivos combates contra desviantes de qualquer tipo, o que passou a ser inves-
tigado pelo criminalista Alessandro Baratta através do seu conceito da Ideologia 
da Defesa Social, em que a penalização era uma fonte de defesa da sociedade 
perante o criminoso, e não mais que isso. Tal ideologia concentrou suas forças em 
determinar que o homem disposto a cometer crimes diversos deve ser neutrali-
zado pela força do Estado, e que a penalização retributiva aplicada servia como 
instrumento pedagógico, demonstrando a intolerância social diante a qualquer 
tipo de desvio (BARATTA, 2011).
Perceba que esse movimento, iniciado através da Escola Positiva de Crimi-
nologia, passou a ser desenvolvido enfaticamente após alguns acontecimentos 
mundiais, que marcaram uma época.
Desde a Segunda Guerra, como o atentado das Torres Gêmeas em Nova Ior-
que de 2001, os Estados desenvolvem formas e maneiras de combater o crime, a 
partir da figura do criminoso. Se Cesare Lombroso utilizava de seus métodos de 
leitura física e corporal (atavismo), concluindo que determinadas pessoas pos-
suem através de sua aparência o cerne para o crime, após o 11 de setembro esse 
pensamento passou a ser reutilizado no mundo ocidental, onde pessoas oriundas 
de países muçulmanos (ou de aparência árabe) eram detidas ao desembarcar em 
aeroportos nos Estado Unidos, e algumas vezes, através da violência institucio-
nalizada (BAUMAN, 2006).
UNIASSELVI
1
1
TEMA DE APRENDIZAGEM 1
Aqui os valores da penalização do Estado passam a afrontar o medo de todos, 
a partir do imaginário do estrangeiro. Para alguns, surgia a criação de novas víti-
mas, fato que somente havia ocorrido com tanta veemência na Segunda Grande 
Guerra (ANDRADE, 1997).
Entretanto, surgia com força a Escola de Chicago, criada nos anos 30. 
Seus estudos iriam de acordo com os problemas econômicos enfrentados 
pelo mundo ocidental nos anos 20, o que levou a quebra da bolsa de valores 
em Nova Iorque de 1929.
Porém, tal escola não ficou fadada apenas aos aspectos econômicos. Através 
dos problemas causados por uma economia em crise, que abala as estruturas de 
empresas tanto quanto das famílias espalhadas pelas grandes cidades, havia a 
necessidade de estudar os motivos do crescimento da onda de desvios e crimes 
naquela época. Para tal, a Escola de Chicago desenvolveu algumas ponderações 
e passou a reinterpretar o crime, o criminoso e até mesmo, a vítima.
A Escola de Criminologia Chicago se opunha ao pensamento da sua an-
tecessora, a Escola Positiva, apresentando um novo olhar em relação à crimi-
nalidade. Para os estudiosos agora, o crime e todas as suas nuances terão relação 
direta com a reação social ao seu redor. Através desse pensamento, em 1960 a 
Teoria da Reação Social, ou Teoria Interacionista, tomava conta dos estudos 
sobre o desvio e como ele é definido pela sociedade.
Para essa Teoria, pessoas que passam a ser rotuladas pelo sistema penal são 
marcadas previamente para possuírem determinados rótulos, que as acompanha 
para a vida toda, não conseguindo se desvencilhar desse estigma. A partir da 
reação social, advinda inclusive a partir do espetáculo midiático, determinados 
desviantes possuem a alcunha de criminoso irreversível, e com isso, o sistema 
penal é a única solução para esses desviantes.
A teoria do etiquetamento, ou da reação social, ratifica o pensamento 
criminológico crítico, ao afirmar sua completa ruptura e desajustamento às 
teorias biológicas e psicológicas, descontruindo uma crença de que o desvio seja 
um conjunto de características essenciais a determinado conjunto de pessoas, 
definindo que é parte de um processo de interação entre os indivíduos.
1
1
A crítica realizada por essa teoria é baseada na interpretação das pessoas sobre 
o que é crime e criminoso, mudando paradigma anterior, que visava a pessoa 
do criminoso através de suas peculiaridades físicas e psicológicas. Agora im-
porta a sociedade ao redor, os controles do Estado e a gerência do poderPor esse motivo, quem sabe a justiça restaurativa, na responsabilização, 
no bom senso, na pena ponderada e proporcional e na busca por uma sanção 
mais utilitária não seja essa mudança de paradigma da qual tanto necessitamos 
em nossa sociedade complexa.
UNIASSELVI
1
8
1
1. A justiça restaurativa é aplicada nos Juizados Especiais e envolvem infrações penais de 
menor potencial ofensivo, entretanto, há ampla possibilidades de sua aplicação em alguns 
fatores que envolvem a Justiça Comum, em crimes possíveis de sua aplicação. Sobre os 
personagens da justiça restaurativa, assinale a alternativa correta:
a) Para ser um facilitador nos processos de justiça restaurativa não há necessidade de 
treinamento específico. 
b) Mediadores são neutros, mas conciliadores devem aconselhar e induzir as partes para 
a restauração do conflito. 
c) A figura do conciliador não deve ser neutra no processo, mas se envolver com a parte 
que acredita ter o direito de reparação.
d) Nos Juizados Especiais Criminais há o conciliador ou mediador dos problemas que pre-
cisa tentar resolver o caso apresentado desenvolvendo a comunicação entre as partes. 
e) Os mediadores devem aconselhar e compelir a conciliação, que é um dos mais impor-
tantes mecanismos da Justiça Restaurativa.
2. Os destacar princípios da justiça restaurativa estão sempre em conexão com a Constituição 
de 1988, são eles: voluntariedade, consensualidade, confidencialidade, celeridade, urbani-
dade, adaptabilidade, imparcialidade. Quanto aos princípios da justiça restaurativa, assinale 
a alternativa correta:
a) Desenvolver o melhor procedimento para a busca da pacificação, através da aplicação 
de uma elasticidade procedimental capaz de buscar melhores resultados faz parte do 
princípio da urbanidade. 
b) O facilitador que se apresenta parcial, apresentando suas opiniões e mostrando desin-
teresse na causa está ferindo o princípio da urbanidade.
c) Os princípios destacados na justiça restaurativa e que se complementam aos princípios 
constitucionais carecem de normas internacionais que venham a universalizar a justiça 
restaurativa.
d) O princípio da consensualidade tem ligação com o aceite espontâneo entre as partes, 
em participarem da justiça restaurativa. 
e) O desencorajamento à participação e a falta de informações sobre a justiça restaurativa 
para as partes fere o princípio da celeridade. 
AUTOATIVIDADE
1
8
4
3. A justiça restaurativa se baseia em procedimentos de consenso onde vítima e infrator e 
mesmo, pessoas da comunidade que se sintam envolvidos na infração e por ela tenham 
sido afetados, fazem presença coletiva e participam na criação de soluções com intuito de 
restaurar o mal, harmonizar suas perdas e buscar a pacificação, de uma forma mais célere e 
justa. Justamente por esse motivo, ela é presente em vários países do mundo todo. Quanto 
aos mecanismos da Lei n° 9099/1995, responda a alternativa que identificar como correta:
a) Ao pacificar a composição dos danos civis, e ter a sentença decretada pelo juiz confir-
mando a composição, ela passa a ser irrecorrível.
b) A composição dos danos civis não se perfaz em título judicial, não podendo ser execu-
tada em juízo competente para isso.
c) Em ação penal de iniciativa privada mesmo que o acordo que se homologa surta seus 
efeitos, ainda há a possibilidade da apresentação da queixa crime. 
d) Se na audiência preliminar não existir possibilidades de acordo, o juízo poderá interferir 
a realizar a composição que mais achar conveniente para o acordo entre as partes.
e) A ausência de uma audiência preliminar para o esclarecimento das partes é uma grande 
crítica à justiça restaurativa.
AUTOATIVIDADE
1
8
5
REFERÊNCIAS
BARATTA, A. Criminologia Crítica e Crítica do Direito Penal . Introdução à Sociologia do Direito 
Penal. 6. ed. Rio de Janeiro: Revan, 2011.
BIANCHINI, E. Justiça Restaurativa: um Desafio à Práxis Jurídica. Campinas/SP, Servanda Edi-
tora, 2012.
BRASIL. Lei nº 9 .099, de 26 de setembro de 1995. Brasília, 1995. Disponível em: http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9099.htm. Acesso em: 1 nov. 2023.
DUSSEL, E. Filosofia da Libertação: crítica à ideologia da exclusão. Trad. de George I. Maissiat. 
São Paulo: Paulus, 1995.
GRINOVER, A. P. O processo em evolução. STRUENSEE, E.; MAIER, J. B. J. Introdução. In: MAIER, 
J. B. J. et al. (coord.). Las reformas procesales penales en América Latina. Buenos Aires: Ad Hoc, 
2000.
GRINOVER, A. P. et. al. Juizados Especiais Criminais: comentários à Lei n° 9.099, de 26.09.1995. 
4. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001.
PINTO, R. S. A construção da Justiça restaurativa no Brasil: o impacto no sistema de justiça cri-
minal. Revista Paradigma/Universidade de Ribeirão Preto –UNAERP, a. XV, n. 19, jan./jul. 2010. 
Disponível em: https://revistas.unaerp.br/paradigma/article/view/65. Acesso em: 2 nov. 2023.
ZAFFARONI, E. R. Criminologia: aproximación desde un margem. Terceira reimpresión. Bogotá: 
Temis, 2003.
ZEHR, H. Trocando as lentes: um novo foco sobre o crime e a justiça. São Paulo: Palas Athena, 
2008.
1
8
1
1. Opção D. A alternativa A está errada, pois há necessidade de treinamento extensivo e prá-
tica para a função de conciliador. A alternativa B está errada, pois tanto mediadores quanto 
conciliadores tomam posição neutra no procedimento, não induzindo nenhuma das partes 
que devem chegar a um acordo pelas suas próprias convicções. A alternativa C está erra-
da, pois o conciliador deve ser neutro. A alternativa E está errada, pois os mediadores não 
aconselham, muito menos obrigam para que a conciliação ocorra. 
2. Opção D. A está incorreta, pois se trata aqui do princípio da adaptabilidade. B está errada, 
pois o facilitador nesse caso, fere o princípio da imparcialidade, devendo ser justo e parcial 
a todo momento, não demonstrando juízo de valor ao procedimento. C está errada, porque 
o Brasil é signatário de tratados e resoluções da ONU, como a Resolução do Conselho 
Econômico e Social das Nações Unidas de 2002. E está errada, pois o desencorajamento 
à participação e a falta de informações sobre a justiça restaurativa para as partes fere o 
princípio da voluntariedade. 
3. Opção A. A alternativa B está errada, pois a composição dos danos civis terá eficácia de 
título a ser executado no juízo civil competente, segundo o artigo 74 da Lei n° 9.099/1995. 
C está errada, pois o acordo homologado acarreta a renúncia ao direito de queixa ou re-
presentação, segundo parágrafo único do artigo 74 da Lei n° 9.099/1995. D está incorreta, 
pois juízes ou mediadores não podem, sob nenhum contexto, forçar a composição entre as 
partes. E é errada, porque o artigo 72 da Lei n° 9.099/1995 prevê a audiência preliminar para 
esclarecimento sobre a metodologia do processo de justiça restaurativa.
GABARITO
1
8
1
MINHAS METAS
OS CAMINHOS PARA AS 
ALTERNATIVAS: POLÍTICA CRIMINAL 
E O MINIMALISMO PENAL
Analisar os significados de política criminal e sua importância para a diminuição de crimes.
Desenvolver o senso crítico quanto às crises nos sistemas penitenciários.
Analisar a importância de uma política criminal e políticas públicas de qualidade para 
diminuir os crimes e sua reincidência.
Estudar o abolicionismo e minimalismo penal.
Interpretar o minimalismo penal como possível instrumento para o aumento da utilização 
da justiça consensual.
Diagnosticar os problemas do direito penal e avaliar possíveis situações de cura com a 
justiça consensual restaurativa.
Entender a importância da justiça consensual no sistema em crise.
T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 9
1
8
8
INICIE SUA JORNADA
O problema que vivenciamos hoje é como tratar o imenso número de detentos e 
presos, desde provisórios até mesmo aqueles já sentenciados, que somente vem 
a crescer no país. A criação de mais presídios somente demonstra que o país é, 
através de seu sistema de penalização, um dos maiores criadores de vítimas e 
vítimas em potencial dentro de suas bordas. Isso evidencia ainda mais a crise do 
atualpadrão de encarceramento.
Só a Lei de Drogas (n°11.343/2006) foi capaz de causar, em poucos anos de 
sua vigência, o aumento da população carcerária, que já era antes considerada 
infame. Agora, viciados e usuários de drogas podem ser presos como traficantes, 
uma vez que o princípio da taxatividade não está presente na redação da norma, 
o que faz com que a interpretação do que seja criminoso/usuário seja realizada 
de forma subjetiva por policiais e juízes. Será que há outra opção mais viável que 
os presídios e que a penalização, causadora de estigmas que podem se amoldar 
nos personagens e nunca mais os abandonarem?
A justiça restaurativa consensual é uma possibilidade plausível de responder 
essa pergunta. Ela pode ser utilizada não apenas nos Juizados Especiais, mas se 
estender para todo o direito. Mas, para isso, há a necessidade de uma intensa 
contração no direito penal e em sua forma de punição. Por isso, precisamos fa-
lar sobre o abolicionismo e o minimalismo penal como formas alternativas ao 
direito penal usual.
 Convido-lhe a mais uma vez a ouvir o nosso podcast, preparado para tratar do as-
sunto desse tema. O que significa abolicionismo penal, minimalismo penal, quais 
são suas origens e vertentes mais exclusivas, qual o rumo para as alternativas para 
o direito de punição, será que essas são realmente o caminho a seguir? E qual será 
a ligação da política criminal em meio a isso tudo? Vamos lá!?
Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de 
aprendizagem.
PLAY NO CONHECIMENTO
UNIASSELVI
1
8
9
TEMA DE APRENDIZAGEM 9
DESENVOLVA SEU POTENCIAL
O filósofo Thomas Kuhn apresenta um influente pensamento para nossos estudos 
acerca do direito penal moderno. Segundo ele, “o fracasso das regras existentes é 
o prelúdio para uma busca de novas regras” (KUHN, 2006, p. 95). Se estamos em 
crise com o sistema carcerário, com a punição do direito criminal que somente 
cria cada vez mais violência e, com isso, pessoas mais violentas; então o despensar 
do usual se torna essência.
Por esse prisma, para continuarmos com temas como justiça restaurativa e 
solução de conflitos por intermédio da mediação, precisamos conversar e entender 
sobre política criminal e seus reais significados para a modernidade. Se existe 
de fato uma crise na punição estatal, significa que sua perpetuação já pode ser 
considerada uma violência, criadora de mais e mais vítimas (ZEHR, 2008). 
VAMOS RECORDAR?
Quando falamos sobre justiça restaurativa, estamos trazendo um tema que não 
é usual, não é comum. O direito penal sempre foi escrito de forma a penalizar 
os sujeitos que praticam o que está descrito como ato ilícito no Código Penal. 
Como forma de retribuição ao mal causado, a pena possui apenas essa serventia, 
que também é capaz de ser manejada de forma pedagógica. Entretanto, como 
estudamos, a crise no sistema penalizador é intensa, e é capaz de gerar muito 
mais crimes e vítimas do que realmente coibir os problemas que ela intenta sanar. 
Por esse motivo, movimentos minimalistas e abolicionistas penais ganham força, e 
tratam de assuntos também reconhecidamente anormais, como era e ainda pode 
ser considerada a justiça restaurativa. Assista, aqui , o vídeo que versa sobre os 
movimentos do minimalismo e abolicionismo penal.
Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de 
aprendizagem.
1
9
1
POLÍTICA CRIMINAL
Se estamos vivenciando uma crise do sistema 
penal, então devemos olhar com mais cuidado 
o que fazem as nossas políticas criminais. Ela 
é responsável por desenvolver estudos acerca 
do fenômeno criminal em uma sociedade e 
dessa forma, de distinguir como serão reali-
zadas a tutela dos bens jurídicos pelo Estado, 
e quais serão considerados bens que devem 
ser protegidos. Mas para isso, há um caminho 
que deve ser percorrido, que se perfaz pelos 
valores sociais e pelo que é considerado como 
digno de proteção em cada sociedade. Para 
Zaffaroni (2011), política criminal significa 
a “ciência ou a arte de selecionar os bens (ou 
direitos), que devem ser tutelados jurídica e 
penalmente, e escolher os caminhos para efe-
tivar tal tutela, o que iniludivelmente implica 
a crítica dos valores e caminhos já eleitos" 
(ZAFFARONI, 2011, p. 122).
O filósofo Enrique Dussel apresenta ao mundo sua Filosofia da Libertação, em 
que destaca a crise dos sistemas. Para ele, quando um sistema entra em crise, 
significa que é insuportável conviver com ele, precisando dessa forma de uma 
quebra de paradigmas, na criação de novos padrões, portanto. A crise dos siste-
mas, analisadas por Dussel, causou uma ruptura nos estudos antes balizados em 
traços eurocentristas, para um estudo legitimamente latino-americano, e isso 
envolve também a criminologia. Anos após, a criminologia venezuelana Lola An-
yar de Castro escreveu Criminologia da Libertação, tendo como base os estudos 
libertadores de Enrique Dussel. A crise dos sistemas é possível de ser vista em 
nosso sistema carcerário, portanto, a criação de novos padrões pode ser a solu-
ção, segundo o pensamento de Dussel (FERREIRA, 2020). 
APROFUNDANDO
UNIASSELVI
1
9
1
TEMA DE APRENDIZAGEM 9
Jescheck (1978) dizia ser através da política criminal que asseguramos a eficácia 
do direito penal em sua especial tarefa de proteção social. Segundo o autor, é 
importante sempre atentar para os limites do legislador penal, que precisa pre-
servar o quanto possível as liberdades das pessoas (JESCHECK, 1978).
A política criminal é considerada como um conjunto de recomendações ca-
pazes de produzir e reformar a legislação penal, tomando como base as análises 
sobre o sistema penal existente e das instituições penais. Nilo Batista (2007) di-
vide os estudos em três etapas bem distintas, em que “podemos falar em política 
de segurança pública (ênfase na instituição policial), política judiciária (ênfase 
na instituição judicial) e política penitenciária (ênfase na instituição prisional)” 
(BATISTA, 2007, p. 34).
No sentido dado por Batista (2007), podemos interpretar que políticas de 
segurança pública, que envolvem a participação das polícias da repressão e in-
vestigação dos crimes, a polícia judiciária, que tem a sua atuação unicamente 
calcada ao auxílio do poder judiciário, e a política penitenciária, são afetadas 
pelo que se define nas políticas criminais que surgem como representantes da 
vontade do Estado (BATISTA, 2007).
Seja como for, a estrutura de uma política criminal no Estado de Direito deve 
seguir a supremacia constitucional, guardando seus princípios e valorando seus 
mandamentos mais essenciais. E os estudos da vitimologia empreendem dados 
concretos sobre a importância de uma política criminal centrada nas melhores 
e mais úteis respostas, que se transformam em políticas públicas (ZEHR, 2008).
A política criminal pode ser levada ao extremo na ênfase da segurança pú-
blica e política penitenciária, ou ao mínimo em todas as suas vertentes. Isso não 
significa retirar verbas orçamentárias da segurança pública, mas sim, em modelar 
um programa conjunto à outras políticas que visem diferenciados setores auxi-
liares da segurança, como a educação, as oportunidades diversas, a atenuação 
das desigualdades sociais (ZEHR, 2008).
A grande importância dos estudos de criminologia e da vitimologia se revelam na 
seguinte ordem:
• Criminologia → Realidade Social = Política Criminal.
1
9
1
A Lei n° 9.099/1995, conhecida como Lei dos Juizados Especiais, é consi-
derada uma lei criada por uma política criminal que tenta minimizar a força 
do direito penal, diminuindo a sua capacidade de penalização. Antes dela, a 
força de punição era o grande aspecto do direito penal, hoje há a contribuição do 
novo padrão, que passa a se amoldar em julgamentos e na própria constituição 
da justiça (BIANCHINI, 2012).
Entretanto, infelizmente, em nosso modelo de segurança pública, a política 
criminal não passa de auxiliar na efetivação apenas do poder punitivo do 
Estado contra as “forças do mal”, que mitiga a suade problemas de saúde mental e psicológicas graves, tratamento para 
usuários de drogas (pois o sistema penal é ineficiente nesse ponto), o aumento 
de políticas públicas de qualidade, o aumento de oportunidades através de uma 
economia que evidencie a diminuição das desigualdade econômicas no país, 
o aumento de escolas profissionalizantes e sistema de apoio ao desamparado 
através da renda universal. Para Batista (2012), ainda é urgentemente necessário 
acabar com a guerra às drogas, tratando o problema como uma situação de saúde 
e não do direito penal.
Para o abolicionismo, é preciso que o sistema penal desapareça, entretanto, deve 
existir a manutenção de algumas formas coercitivas de controle social, para a re-
solução de conflitos, como a justiça consensual (BATISTA, 2012).
APROFUNDANDO
Uma outra alternativa, não tão severa a ponto de uma total ruptura com o sistema 
de penalização, é o minimalismo penal ou abolicionismo mínimo. Autores 
como o criminólogo italiano Alessandro Baratta e o argentino Eugenio Raúl 
Zaffaroni fazem parte desse pensamento. O minimalismo busca alternativas 
que sejam mais eficientes para a redução da incidência crime, entretanto, aceita 
UNIASSELVI
1
9
1
TEMA DE APRENDIZAGEM 9
o direito penal em sua contração máxima. Sua meta seria a reforma total do 
sistema penal, tendo como bandeira principal a despenalização e a intervenção 
mínima de sua força, sendo chamado conforme o princípio da ultima ratio, e isso, 
somente se for realmente necessário. As penas alternativas são suas bandeiras 
levantadas, e não é antagônico ao abolicionismo pois as duas vertentes buscam 
pelo mesmo resultado (BATISTA, 2012).
Na comparação, os dois métodos defendem a quebra do sistema inútil de penalização 
do Estado, entretanto, ambos sugerem a manutenção de formas sociais de controle, 
com uma maior atenção aos crimes mais severos. Entretanto, enquanto o aboli-
cionismo se refere à abolição do sistema penal, o minimalismo (ou abolicionismo 
mínimo) intenta a substituição das penas por outras possibilidades, como maneiras 
ideais para resolver conflitos, sendo o direito penal contraído ao máximo. Essas penas 
podem ser aplicadas pelo direito penal, como é o exemplo da Lei n° 9.099/1995, só 
que a partir de seus ensinamentos, mais expandida (ZAFFARONI, 1991).
ZOOM NO CONHECIMENTO
A aplicação da justiça consensual, é oportunizada no minimalismo penal 
com veemência, mesmo sabendo existir crimes de maior potencial ofensivo, que 
devem ser analisados caso a caso. A Lei dos Juizados Especiais no Brasil é a 
única que efetiva a justiça restaurativa, mesmo o país sendo signatário de tratados 
da ONU que versam sobre a ampliação desse sistema. As vítimas de crimes têm 
uma maior participação nos procedimentos de instauração da responsabilidade 
do agente, inclusive auxiliando em sua penalização ou sanção, que é diferente do 
castigo punitivo penal (OLIVEIRA, 2018).
O que é crime?
Na tentativa de definir o conceito crime, há muito tempo a criminologia trouxe os 
seus discursos baseados na pessoa do infrator, que por alguma causa genética 
ou psicológica passa a ser autor de delitos (Escola Positiva do Direito Penal), o 
que fez com que seu discurso fosse mesmo preconceituoso, através do atavismo. 
A evolução desse pensamento foi acontecendo pouco a pouco (com a Teoria 
Crítica, a Escola dos Annales, a Escola de Frankfurt), mas infelizmente ele ainda 
1
9
8
é muito influente. Com o surgimento da Escola de Chicago, mais precisamente 
com a obra de Howard Becker, intitulada Outsiders, houve uma total reviravolta 
nos estudos e análises da criminologia.
Agora a criminologia passa a analisar a reação social no entorno do crime, 
ou seja, como as pessoas ao redor definem o que é crime e o que é criminoso. 
Defende também a imposição de alcunhas que rotulam aquele que não segue 
os anseios sociais, ou que se coloca à margem dos motivos mais inclusivos das 
sociedades. É estudado, nesse sentido, portanto, a Teoria da Rotulação (Etique-
tamento Social) ou do Labeling Approach, que explica sobre os como os rótulos 
são impugnáveis e se amoldam na pessoa, que, através dele, torna-se o eterno 
desviante ou outsider (BECKER, 2008).
De fato, é essencial para definir o que é crime, deixar de lado as teorias apre-
sentadas pelos Códigos Penais e focar em situações mais sociais, capazes de 
envolver-se com vontades e com controles também. A definição de crime, por-
tanto, serve para que se identifique, na sociedade, quem é o criminoso e, dessa 
forma, qual a melhor forma de tratar com seus problemas. Para a criminologia, 
a importância de desvendar a essencialidade da palavra crime serve para realçar 
melhores estudos que possam otimizar as futuras políticas criminais e políticas 
públicas sociais de qualidade (BARATTA, 2011). Para a vitimologia, incide mais 
no tratamento das vítimas, a partir do que a sociedade interpreta como crime.
Para Nils Christie (2011), atribui-se ao crime o significado que se queira 
atribuir, pois sua exegese parte de uma natureza dedutiva e subjetiva dos sujeitos 
envolvidos. “O crime não existe”, mas o que há “são apenas atos aos quais frequen-
temente são atribuídos diferentes significados em cenários sociais diferentes.” 
Portanto, os “atos e seus significados são os nossos dados. Nosso desafio é seguir 
o caminho dos atos pelo universo de significados” (CHRISTIE, 2011, p. 20) 
O autor destaca também que determinados atos etiquetados por uma maio-
ria, seja culturalmente, por preconceito ou valores de algumas tradições, se arrai-
gam na interpretação do crime. Contudo, entende que inúmeras outras situações 
podem servir de escopo em detrimento ao direito penal, utilizando-se assim de 
um sistema paralelo de justiça, que não seja o massacrante direito das penas e 
suas bastilhas (FERREIRA, 2020). Grupos desviantes, pessoas estigmatizadas e 
rotuladas, moradores das camadas mais carentes da sociedade servem, destarte, 
ao direito penal e aos órgãos de controle do Estado para validar a força coercitiva 
e preventiva do sistema criminal e punitivo do país (FERREIRA, 2020). 
UNIASSELVI
1
9
9
TEMA DE APRENDIZAGEM 9
Por consequência, o sistema penal se funda como controlador e selecionador, 
“flutuando entre os grupos da sociedade e agindo contra ações que muitas vezes 
são irrelevantes para o direito, mesmo por não haver nenhum tipo daquilo que 
se define como crime” (FERREIRA, 2020, p. 61).
Veja que, quanto mais crimes pré-definidos como crimes, mais vítimas. É o caso 
da transformação do usuário de drogas em traficante pela Lei de Drogas, e quanto 
maior a estigmatização, mais vítimas são criadas.
Dessa forma, se o âmbito social é capaz de definir o que é crime através de 
atos que tem para alguns o significado de crime, e para outros nem tanto, então é 
preciso de algo melhor e mais influente do que o direito penal (CHRISTIE, 2011). 
Na definição do que é crime, repousa possibilidades para o mi-
nimalismo penal, pois também se envolve com suas con-
cepções dentro das sociedades. Por certo, crimes de maior 
potencial ofensivo merecem um destaque maior para as 
penalizações, entretanto, ao minimizar o direito penal, 
são trazidas à baila as instituições de apoio, tanto para 
vítima, quanto para infrator, que faz a análise do caso 
concreto evidenciando o melhor remédio para to-
dos, mas sempre negando os presídios espalhados 
Brasil afora, causadores de mais violência e ainda, 
de mais vítimas para o estudo da Vitimologia.
Indico este vídeo, em que você pode ficar por dentro do influente pensamento de 
Nils Christie sobre o que ele analisa como crime: O que é crime?
Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de 
aprendizagem.
EU INDICO
1
1
1
Política criminal e o minimalismo penal como alternativas
Assim, tem-se em uma política criminal que verse mais sobre direitos funda-
mentais que possam ser adimplidos com mais força pelo Estado, por exemplo 
os direitos de liberdade e de oportunidades de desenvolvimento da pessoa,jun-
tamente com o direito penal mínimo como alternativa essencial para que a 
justiça consensual tenha mais importância. As polícias de proteção, repressão e 
ostensivas possuem sua função diante da população, mas deve se ater ao fato de 
que com o minimalismo penal, suas funções passam mais a acolher problemas 
sociais através de bases que fundamentam a polícia comunitária. Tal polícia já é 
realidade em alguns países, inclusive na América Latina (Chile), e labora como 
um mecanismo para a resolução de problemas sociais. Para aqueles crimes vio-
lentos os quais não existem possibilidades de serem tratados a priori, o minima-
lismo penal junta-se à justiça restaurativa ao evidenciar a criação de instituições 
de apoio especializadas (BATISTA, 2012).
É nesse sentido que tanto vítimas de crimes, quanto a sociedade em si, pos-
suem uma maior ênfase dentro dos processos que quebram o contrato social da 
vida em harmonia, e que podem ter seus direitos adimplidos sem a violência 
estatal dos presídios país afora (BATISTA, 2012).
Mas isso somente será possível a partir da quebra do atual paradigma, que 
se demonstra de insuportável convivência, em uma crise que empurra a socie-
dade mais longe dos ideais de justiça e harmonia. As vítimas de crimes, no 
sistema em crise, mesmo possuindo mecanismos que passem a reverenciar seus 
significados, ainda estão fadadas a serem revitimizadas, por consequência da 
violência que se espalha em nosso sistema penal (BATISTA, 2012). 
Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de 
aprendizagem.
EM FOCO
UNIASSELVI
1
1
1
TEMA DE APRENDIZAGEM 9
NOVOS DESAFIOS
A política criminal é capaz de decidir as futuras ações de nossas forças de segu-
rança pública, para o alcance da proteção e tutela dos bens protegidos juridi-
camente. Entretanto, é capaz também de ditar o ritmo para resolver situações 
e os enfoques mais prementes dos problemas sociais que mais nos afetam. Em 
conjunto com políticas públicas de qualidade, que assegurem os direitos funda-
mentais das pessoas, ela é capaz de diminuir o crime. Isso se deve à uma maior 
participação do Estado na vida social, estendendo possibilidades aos seus cida-
dãos. Mas, ainda assim, vivenciamos uma crise no direito penal e na sua forma 
de penalização. Como você sabe, o crescente aumento do número de presos es-
cancara um grande problema no Brasil, que é a inaptidão do Estado em controlar 
e administrar esse número. Isso fica, infelizmente, ao encargo do violento crime 
organizado que já controla alguns presídios no Brasil, e da falta de segurança que 
existe em cada um desses estabelecimentos. Isso faz criar mais vítimas, seja direta 
com o sofrimento dos detentos e de suas famílias, seja indireta, com a sociedade 
sofrendo a violência dos presídios que se estende para as ruas.
Assim, a proposta para a diminuição de penas, que mais significam uma 
sentença de morte dentro dos presídios, e da aplicação da justiça consensual e 
restaurativa surge com o minimalismo penal. Aqui, o direito penal deve respei-
tar o princípio da mínima intervenção, ou ultima ratio, vindo a aparecer somente 
quando for ultrajantemente necessário. Essa definição de troca de conceitos e 
de padrões significa menos vítimas, em ambos os lados. A justiça consensual é 
capaz de alcançar melhores resultados na pacificação social e na harmonização 
da sociedade e do direito do que a retribuição punitiva, que normalmente ainda 
deixa as vítimas de crimes inertes e esquecidas.
1
1
1
1. Grupos desviantes, pessoas estigmatizadas e rotuladas, moradores das camadas mais 
carentes da sociedade servem, destarte, ao direito penal e aos órgãos de controle do 
Estado para validar a força coercitiva e preventiva do sistema criminal e punitivo do país. 
Sobre o crime e direito penal, faça a análise do que se afirma a seguir:
I - A partir da quebra do atual paradigma, que se demonstra de insuportável convivência, 
em uma crise que empurra a sociedade mais longe dos ideais de justiça e harmonia, a 
justiça restaurativa busca o aperfeiçoamento dos sistemas de penalização do Estado.
II - Para crimes violentos os quais não existem possibilidades de serem tratados a priori, o 
minimalismo penal se junta à justiça restaurativa ao evidenciar a criação de presídios de 
segurança máxima especializados em crimes violentos. 
III - Vítimas de crimes, no sistema em crise, mesmo possuindo mecanismos que passem a 
reverenciar seus significados, ainda estão fadadas a serem revitimizadas, por consequên-
cia da violência que se espalha em nosso sistema penal.
IV - O direito penal deve respeitar o princípio da mínima intervenção, ou ultima ratio, vindo a 
aparecer somente quando for ultrajantemente necessário. 
É correto o que se afirma em:
a) I e IV, apenas.
b) II e III, apenas.
c) III e IV, apenas.
d) I, II e III, apenas.
e) I, III e IV, apenas.
2. A política criminal é considerada como um conjunto de recomendações capazes de pro-
duzir e reformar a legislação penal, tomando como base as análises sobre o sistema penal 
existente e das instituições penais. Sobre política criminal, faça a análise das alternativas 
a seguir e assinale a correta: 
a) A estrutura de uma política criminal no Estado de Direito deve seguir a supremacia cons-
titucional, guardando seus princípios e valorando seus mandamentos mais essenciais. 
b) A política criminal não deve se envolver com outras políticas públicas. 
c) Entende-se por política criminal a forma de tipificação de crimes e os métodos proce-
dimentais para seus julgamentos. 
d) Política criminal envolve as forças de segurança do Estado, somente. 
e) A Lei n° 9.099/1995 é considerada uma lei criada por uma política criminal que tenta 
maximizar a força do direito penal.
AUTOATIVIDADE
1
1
1
3. O minimalismo penal parte do princípio de que o encarceramento em massa não foi capaz, 
em nenhum momento da história, de apresentar soluções na diminuição da violência, mas 
ao contrário, acirra as desigualdades sociais e fomenta mais violência. Para o minimalismo 
penal, é correto afirmar que: 
a) Trata-se de um movimento conservador que propõe melhorias no sistema punitivo penal.
b) Também conhecido como abolicionismo mínimo, sua vertente é o aumento de presídios 
que, a partir de sua estrutura, possam ressocializar o detento. 
c) Sua meta é a despenalização máxima e máxima contração do direito penal, até seu 
desuso.
d) O abolicionismo mínimo intenta a substituição das penas por outras possibilidades, como 
maneiras ideais para resolver conflitos sendo o direito penal contraído ao máximo. 
e) Sugere que a despenalização seja indispensável para a aplicação da justiça e o combate 
à impunidade. 
AUTOATIVIDADE
1
1
4
REFERÊNCIAS
ANDRADE. V. R. P. Horizonte de Projeção da Política Criminal e Crise do Sistema Penal: Utopia Abo-
licionista e Medotologia Minimalista-Garantista. Revista do Conselho Nacional de Justiça, 2016. 
Disponível em: https://www.cnj.jus.br/wp content/uploads/conteudo/arquivo/2016/02/6b-
930b2302bd997668f95a2e8a1efeed.pdf. Acesso em: 1 nov. 2023
BARATTA, A. Criminologia Crítica e Crítica do Direito Penal . Introdução à Sociologia do Direito 
Penal. 6. ed. Rio de Janeiro: Revan, 2011.
BATISTA, N. Introdução crítica ao Direito Penal brasileiro. 11. ed. Rio de Janeiro: Revan, 2007.
BATISTA, V. M. Paz armada-Criminologia de cordel. Rio de Janeiro: Revan/ICC, 2012.
BECKER, H. S. Outsiders . Estudos de sociologia do desvio. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.
BIANCHINI, E. Justiça Restaurativa: Um Desafio à Práxis Jurídica, Campinas/SP, Servanda Edi-
tora, 2012.
CHRISTIE, N. O crime não existe. Rio de Janeiro: Revan 2011.
FERREIRA, I. K. O papel do judiciário na construção do desviante: a influência da sociedade 
complexa. Florianópolis: Ed. Habitus, 2020.
JESCHECK, H. Tratado de Derecho Penal: parte general. Barcelona: Bosch, 1978.
KUHN, T. A Estrutura das Revoluções Científicas. São Paulo: Perspectiva, 2006.
OLIVEIRA, E. Vitimologia e Direito Penal - Crime Precipitado ou Programadopela Vítima. Curitiba: 
Ed. Juruá, 2018.
ZAFFARONI, E. R. Manual de direito penal brasileiro. v. 1: parte geral. 9. ed. rev. e atual. São Pau-
lo: Editora Revista dos Tribunais, 2011.
ZAFFARONI, E. R. Em busca das penas perdidas: a perda de legitimidade do sistema penal. 
Tradução por Vânia Romano Pedrosa e Amir Lopez da Conceição. Rio de Janeiro: Revan, 1991.
ZEHR, H. Trocando as lentes: um novo foco sobre o crime e a justiça. São Paulo: Palas Athena, 
2008.
1
1
5
1. Opção C. Fazendo com que as afirmativas III e IV estejam corretas. A afirmativa I está erra-
da, pois a justiça restaurativa busca despenalizar sempre que possível. A afirmativa II está 
incorreta, pois a busca é por instituições de apoio especializadas para esses casos, sendo 
contrária à penalização.
2. Opção A. B está incorreta, pois política criminal e políticas públicas em conjunto teriam 
melhores e mais apropriadas respostas. C está errada, pois isso é trabalho do direito penal 
e do direito processual penal, mas não de uma política criminal. D está errada pelo fato que 
política criminal pode se envolver com outras políticas públicas. E é incorreta, uma vez que 
a Lei dos Juizados Especiais tenta minimizar a força de penalização do direito penal. 
3. Opção D. A está incorreta, pois o minimalismo é um movimento revolucionário que condena 
o direito penal máximo. B está incorreta, pois por ser reconhecido como minimalismo míni-
mo, sua luta é a favor da contração punitiva. C está errada, pois a despenalização máxima é 
tema do abolicionismo penal. E está errada, uma vez que sugere a despenalização ao invés 
do castigo punitivo.
GABARITO
1
1
1
MINHAS ANOTAÇÕES
1
1
1
MINHAS ANOTAÇÕES
1
1
8nas cidades. Se é preciso interpretar a reação social frente ao que seja crime, 
e da mesma forma, como o rótulo é capaz de se amoldar a qualquer desvio e 
qualquer desviante, então é necessário estudar as consequências do crime, bem 
como as suas vítimas (BECKER, 2008).
Surgem criminólogos como Howard Becker, Norbert Elias, Ulrich Beck, 
Eugenio Zaffaroni, Lola Anyar de Castro, entre outros, que vão basear seus 
estudos a partir da teoria interacionista, e refletindo através dela, novos co-
nhecimentos da Vitimologia.
Um dos expoentes para o pensamento da nova Criminologia na América 
Latina é Lola Anyar de Castro, criminóloga venezuelana, que publica em 
1969 sua obra com título tema de nossos estudos, Vitimologia. A partir daqui 
se inicia a produção de material que passa a compor as análises quais se refe-
renciam as políticas criminais e de segurança pública consideradas modernas 
(PELLEGRINO, 1987).
UNIASSELVI
1
1
TEMA DE APRENDIZAGEM 1
Para Pellegrino, segundo Anyar de Castro, é essencial que a Criminologia 
desenvolva estudos tanto comportamentais quanto preventivos sobre vítimas de 
crimes, destacando que a Vitimologia se interpreta pela sua importância geral, 
ou seja, é útil para a vítima, da mesma forma que é profícua ao acusado. E é nesse 
sentido que a autora descreve os motivos dos estudos criminais de Vitimolo-
gia (PELLEGRINO, 1987, p. 11):
 ■ MOTIVO 1º: estudo da personalidade da vítima, tanto vítima de delin-
quente, ou vítima de outros fatores, como consequência de suas inclina-
ções subconscientes.
 ■ MOTIVO 2º: o descobrimento dos elementos psíquicos do complexo 
criminógeno existente na “dupla penal”, que determina a aproximação en-
tre a vítima e o criminoso, quer dizer: o potencial de receptividade vitimal.
 ■ MOTIVO 3º: análise da personalidade das vítimas sem intervenção 
de um terceiro – estudo que tem maior alcance do que o feito pela 
Criminologia, pois abrange assuntos tão diferentes como o suicídio e 
os acidentes de trabalho.
 ■ MOTIVO 4º: estudo dos meios de identificação dos indivíduos com ten-
dência a se tornarem vítimas; seria então possível a investigação estatística 
de tabelas de previsão, o que permitiria incluir os métodos psicoeduca-
tivos necessários para organizar a sua própria defesa.
 ■ MOTIVO 5º: a importantíssima busca dos meios de tratamento curativo, 
a fim de prevenir a reincidência da vítima.
Assim, temos alguns aspectos importantes a serem analisados: em primeiro 
plano, as hipóteses são validadas a partir do encontro de vítima e delinquente, 
tendo o primordial destaque a ênfase psicológica da vítima e suas inclinações, 
motivos objetivos e subjetivos que demonstrem o propósito da reunião entre 
esses dois personagens, muitas vezes ocorridas volitivamente.
Em segundo plano, cria instrumentos de proteção e mecanismos de sal-
vaguarda de vítimas de crimes, ao identificar estatisticamente o estereótipo e 
modelo mais causais que se repetem como personagens vitimizadores.
Em terceiro aspecto, podemos perceber que as análises a respeito de pos-
sibilidades entregues por determinadas vítimas de crimes para que o criminoso 
cometa seu desvio, também passam a ser pesquisadas.
1
4
Para a criminóloga em comento, a Vitimologia anda em um estado inicial de 
hipóteses e de objeto de pesquisa, todavia, carrega consigo grande possibilidade 
de se transformar, no futuro, em uma ciência autônoma (PELLEGRINO, 1987).
Nesse sentido, o estudo da vítima começa a se constituir a partir de três 
elementos; o fato típico causado, o autor desviante e a vítima, em uma 
tríade que é capaz agora de identificar toda a composição do crime, desde o seu 
início (BITTENCOURT, 1971). Se na concepção usual o Direito Penal realiza 
suas análises somente acerca do tipo penal, da ação do sujeito e sua culpabilidade 
perante o injusto causado, agora fica mais nítida a importância de incluir em suas 
estatísticas também as análises a respeito das vítimas. Nesse caso, todo um estudo 
de prevenção de delitos e mesmo, de capacitar pessoas para que não sejam alvo de 
crimes diversos, é capaz de tornar ambientes sociais mais seguros e impassíveis.
O CONCEITO CRIMINOLÓGICO DE VITIMOLOGIA
Alguns estudiosos da Criminologia, que inclinaram suas análises destacando a 
Vitimologia, trataram de conceituar a matéria, com intuito de convertê-la em 
uma ciência autônoma e genuína. Para definir um objeto de pesquisa científica, 
mesmo no âmbito social, pois o que se estuda são as complexidades comuns entre 
grupos de indivíduos que convivem em uma sociedade, o motivo das análises 
deve estar bem evidente. Dessa forma, define-se tal objeto através de sua impor-
tância, excluindo ingerências externas às pesquisas, que surgem hora ou outra 
sem comprovação científica (POPPER, 2013).
Dessa forma, alguns criminólogos podem discordar sobre os conceitos, mas 
assentam suas ideias enquanto definem o objeto de pesquisa. Nesse sentido, ve-
jamos os conceitos mais importantes da Criminologia para a Vitimologia:
BENJAMIN MENDENSOHN
Para ele, Vitimologia: “é a personalidade do indivíduo ou da coletividade na medida 
em que está afetada pelas consequências sociais de seu sofrimento, determinado por 
fatores de origem muito diversificada: físico, psíquico, econômico, político ou social, 
assim como do ambiente natural ou técnico” (PIEDADE JÚNIOR, 1997, p. 57).
UNIASSELVI
1
5
TEMA DE APRENDIZAGEM 1
Perceba que houve um avanço no reconhecimento da matéria, e, por conse-
quência, o reconhecimento dos direitos de pessoas vítimas de crimes diversos, 
bem como, a criação de instrumentos e institutos jurídicos capazes de promover 
a tutela desses personagens (BURKE, 2022).
PIEDADE JÚNIOR
Trata-se de um: “ramo da Criminologia que se ocupa da vítima direta do crime e que 
compreende o conjunto de conhecimentos biológicos, sociológicos e criminológicos 
concernentes à vítima” (PIEDADE JÚNIOR, 1997, p. 38).
LOLA ANIYAR DE CASTRO
Para a criminóloga venezuelana, Vitimologia: “ainda em seu estado atual de simples 
hipótese de trabalho, como objeto de uma possível ciência autônoma” (MOREIRA 
FILHO, p. 42, 2008).
GARACY MOREIRA FILHO
Segundo o criminólogo paulista: “não ainda uma ciência, mas uma disciplina indepen-
dente, autônoma, não mais um ramo da Criminologia, pois suas vitórias e conquistas 
sociais, conforme se vê em seus estudos, são marcantes e sólidas, mas uma entidade 
múltipla que estuda cientificamente as vítimas visando adverti-las, orientá-las, prote-
gê-las e repará-las contra o crime” (MOREIRA FILHO, 2008, p. 77).
EDUARDO MAYR
Para o pesquisador carioca Vitimologia significa o “estudo da vítima no que se refere a 
sua personalidade, quer do ponto de vista biológico, psicológico e social, quer do de 
sua proteção social e jurídica, bem como dos meios de vitimização, sua inter-relação 
com o vitimizador e aspectos interdisciplinares e comparativos” (MAYR, 1990, p. 18).
RAÚL GOLDSTEIN
Para o estudioso argentino, o tema significa o ramo da Criminologia que estuda a vítima 
não como efeito consequente da realização de uma conduta delitiva, porém como uma 
das causas que influenciam na produção de um delito (PIEDADE JÚNIOR, 1997, p. 99).
1
1
Segundo Burke, “o paradigma atual está na mudança de cultura jurídica em pro-
mover a vítima, aprimoramento nos institutos existentes e criação de novos me-
canismos que confiram protagonismo aos ofendidos no cenário penal” (BURKE, 
2022, p. 32, grifo nosso).
Todavia, os novos desafios surgem também com o aumento das tecnolo-
gias, com a globalização econômica e expansão do capital, com as possibilidades 
imensas que os novos padrões cibernéticos e de um modelo voltado ao virtual, 
seja no âmbito do trabalho ou das recentes conexões do dia a dia, trazendo opor-
tunidades diversas. Entre elas, a criação de novos tipos penais que se amoldem 
nas novas práticas delituosas, que ocorrem em ambientes virtuais; causando mais 
vítimas. O estudo da Vitimologia auxilia a encontrar quem são as mais previ-
síveis e possíveis vítimas desses novostipos de delitos, portanto, se apresentam 
essenciais no mundo moderno. Na criação de novos protagonistas, os estudos se 
envolvem também com a investigação de crimes, no atual cenário; levando em 
consideração as mudanças trazidas pela modernidade tecnológica.
Por esse motivo, a Criminologia interpreta crimes, criminosos e vítimas, esten-
dendo seus conceitos e análises para um melhor proveito das políticas criminais 
e de segurança pública, bem como, da atuação na prevenção de novos desvios. 
Gostou do que discutimos até aqui? Tenho mais para conversar com você a respei-
to deste tema. Vamos lá? Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do 
ambiente virtual de aprendizagem.
EM FOCO
UNIASSELVI
1
1
TEMA DE APRENDIZAGEM 1
NOVOS DESAFIOS
A importância do estudo da Vitimologia se perfaz em condição humana, de 
tratar o outro e entender suas dores e angústias, após alguma injúria sofrida. A 
Criminologia, através de seus estudiosos é capaz de interpretar todo o fato social, 
através do objeto de pesquisa que ela mesmo define como sociedade. Analisar 
crimes e desvios apenas não é mais a única condição ou missão da Criminologia. 
Agora ela deve atentar-se aos fatores de riscos dentro do âmbito social, desde o 
crescimento da violência contra um personagem social, ou, o desenvolvimento de 
algum ato criminoso em profusão. Deve-se atentar ao desequilíbrio econômico, 
às desigualdades sociais, às novas tendências sociais entre outras importâncias 
que são capazes de desestabilizar a normalidade coletiva e social.
Por esse motivo, estudos sobre as vítimas estão em crescimento, com ten-
dências de transformar as futuras políticas públicas de segurança e de educação 
nas cidades. Policiais, escrivães, agentes de segurança pública de várias áreas, 
peritos criminais etc., todos são importantes para o estudo da Vitimologia, desde 
o acompanhamento de vítimas diversas, quanto na investigação de crimes e os 
seus fatores motivacionais. 
1
8
1. Os controles de segurança dos Estados, através da força penal, desenvolviam agressivos 
combates contra desviantes de qualquer tipo, o que passou a ser investigado pelo crimi-
nalista Alessandro Baratta através do seu conceito da Ideologia da Defesa Social, em que 
a penalização era uma fonte de defesa da sociedade perante o criminoso. Ao tratar das 
forças de controle dos Estados Ocidentais, assinale a alternativa correta a seguir:
a) A Teoria Interacionista, criada pela Escola de Chicago, passou a interpretar a vítima es-
tigmatizada por crimes sofridos.
b) A Escola de Chicago, fundada em 1930, continuou os estudos de sua antecessora, a 
Escola Positivista, analisando o estereótipo criminoso. 
c) Os Estados, desde os ataques às Torres Gêmeas em setembro de 2001, passaram a 
estudar as vítimas de crimes com mais objetividade. A penalização servia como possi-
bilidade de adimplemento do dano causado à vítima, onde o criminoso trabalha para 
recompor o bem maculado.
d) A penalização servia como possibilidade de adimplemento do dano causado à vítima, 
onde o criminoso trabalha para recompor o bem maculado.
e) A penalização era uma fonte de defesa da sociedade perante o criminoso, e servia ape-
nas como instrumento retributivo e pedagógico, desde o período da Guerra Fria. 
2. Para a criminóloga venezuelana Lola Anyar de Castro, é essencial que a Criminologia de-
senvolva estudos tanto comportamentais quanto preventivos sobre vítimas de crimes, des-
tacando que a Vitimologia se interpreta pela sua importância geral, ou seja, é útil para a 
vítima, da mesma forma que é profícua ao acusado. Tendo em vista o pensamento crítico 
de Lola Anyar de Castro, a nova Vitimologia pretende:
I - Estudar a personalidade da vítima, tanto vítima de delinquente, ou vítima de outros fa-
tores, como consequência de suas inclinações subconscientes.
II - Intenta buscar meios de tratamento curativo, a fim de prevenir a reincidência da vítima
III - Criar instrumentos de proteção e mecanismos de salvaguarda de vítimas de crimes, ao 
identificar estatisticamente o estereótipo e modelo mais causais que se repetem como 
personagens vitimizadores. 
IV - Vitimizar o criminoso através de penas severas, quando não se analisa todas as cir-
cunstâncias do crime.
É correto o que se afirma em:
a) I, apenas.
b) II e IV, apenas.
c) III e IV, apenas.
d) I, II e III, apenas.
e) Todas estão corretas.
AUTOATIVIDADE
1
9
3. Desde os primórdios, a vítima era escolhida a dedo. Algumas sociedades da antiguidade, 
que se desenvolveram próximas da planície de Yucatán, no México, escolhiam dentre seus 
cidadãos aqueles que deveriam ser dados em sacrifício com intuito de aplacar a ira dos 
deuses, ou até mesmo, para que os seres metafísicos atendessem seus pedidos.
Tendo em vista os primeiros estudos da Vitimologia, assinale a alternativa correta:
a) Os antigos conjuntos de condutas e normas como o Código de Ur-Nammu e o Código 
de Hamurabi não explicitam a palavra vítima.
b) A perspectiva antropológica refere-se ao conceito empreendido por toda uma coletivi-
dade para definir as suas próprias atividades. 
c) A Lei das Doze Tábuas, que vigorou em Roma a partir de 451 a.C, tratou de trazer a vin-
gança e o olho por olho para o direito.
d) A vingança é uma compensação monetária onde há o adimplemento do dano causado, 
trazida pela Lei das Doze Tábuas.
e) Antes de Mendelsohn, não havia ainda conceitos sobre a vítima, em nenhum grau 
de referência. 
AUTOATIVIDADE
1
1
REFERÊNCIAS
ALLER, G. El Derecho Penal Y La Víctima . Madrid: Editorial B, 2015.
ANDRADE, V. R. P. A. de. A ilusão de segurança jurídica: do controle da violência à violência do 
controle penal. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 1997.
ARENDT, H. Origens do totalitarismo . São Paulo. Companhia das Letras, 1998.
BARATTA, A. Criminologia Crítica e Crítica do Direito Penal . Introdução à Sociologia do Direito 
Penal . 6° ed. Rio de Janeiro: Revan, 2011.
BAUMAN, Z. Medo Líquido . Rio de Janeiro: Zahar, 2006.
BECKER, H. S. Outsiders . Estudos de sociologia do desvio . Rio de Janeiro: Zahar, 200
BITTENCOURT, E. de M. Vítima: Vitimologia, a dupla penal delinquente-vítima, participação da 
vítima no crime, contribuição da jurisprudência brasileira para a nova doutrina. São Paulo: Uni-
versitária de Direito, 1971.
BITTENCOURT, E. de M. Vítima . São Paulo: Editora Universitária de Direito Ltda, 1974.
BURKE, A. Vitimologia: manual da vítima penal. 2ª. Ed. Salvador: Editora Juspodium, 2022.
DOTTI, R. A. A crise do sistema penal. Revista dos Tribunais, n. 768, out. 1999.
ESER, A. Sobre a exaltación del biem jurídico a costa de la víctima. Bogotá: Universidad Exter-
nado de Colombia 1998
FOUCAULT, M. Vigiar e punir. Petrópolis: Editora Vozes, 2004.
GOMES, L. F.; MOLINA, A. G. Criminologia, Introdução a Seus Fundamentos Teóricos. São Pau-
lo: Ed. Revista dos Tribunais, 2010.
HOBSBAWN, E. J. A era dos extremos – O breve século XX – 1914/1991. São Paulo, Companhia 
das Letras, 1994.
MAYR, E. Atualidade vitimológica. In: KOSOVSKI, Ester; PIEDADE JÚNIOR, H.; MAYR, E. (Orgs.). 
Vitimologia em debate. Rio de Janeiro: Forense, 1990.
MOREIRA FILHO, G. Criminologia e Vitimologia Aplicada – 2ª Ed. São Paulo: Editora Jurídica 
Brasileira, 2008.
1
1
REFERÊNCIAS
PELLEGRINO, L. Vitimologia (história, teoria, prática e jurisprudência) . Rio de Janeiro: Forense, 1987.
PIEDADE JÚNIOR, H. Vitimologia, evolução no tempo e no espaço . Rio de Janeiro: Freitas Bas-
tos, 1997.
POPPER, K. A Lógica da Pesquisa Científica. 2 ed. São Paulo: Cultrix, 2013.
REDFIELD, R . The Folk Culture of Yucatan. Chicago, University of Chicago Press, 1941.
SHECAIRA, S. S. Criminologia. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2004.
SILVA SÁNCHEZ, J. La consideración del comportamiento de la víctima en la teoria do delito: 
observaciones doctrinales y jurisprudenciales sobre la “víctimo- dogmática”. Revista Brasileira 
de Ciências Criminais, São Paulo v. p. 163-194, 2001.
1
1
1. Opção E. 
A alternativa A está errada, pois a Escola de Chicago analisavaa interação social e a con-
sequente reação social; alternativa B está errada, pois a Escola de Chicago não estuda o 
estereótipo criminoso, mas sim a reação social em volta do crime; alternativa C está errada, 
uma vez que o acontecimento às Torres Gêmeas desencadeou um novo tipo de estudos 
atávicos, como aqueles realizados na Escola Positivista. alternativa D é errada, pois a pena-
lização era apenas retributiva ao crime acusado.
2. Opção D. 
As questões I, II e III estão todas corretas. A questão IV é errada, pois a criminóloga se põe a 
analisar as vítimas de crimes, mas não o aspecto da vitimação dos criminosos após a entrada 
no sistema penal, quando trata do assunto Vitimologia. 
3. Opções B.
A perspectiva antropológica faz análises da cultura de uma sociedade, e de todas as ativi-
dades que realizam em conjunto. 
GABARITO
1
1
MINHAS METAS
OS ESTUDOS E 
OBJETIVOS DA VITIMOLOGIA
Investigar os objetivos da vitimologia.
Explorar os significados de vitimologia.
Interpretar o objeto de estudo da vitimologia.
Analisar a relevância das pesquisas da vitimologia e como elas agregam no mundo real.
Estudar como as Declarações Internacionais entendem a vítima.
Diagnosticar a importância do estudo das vítimas para os planos de segurança pública e 
para as políticas públicas desenvolvidas na área.
Definir a importância dos estudos da vitimologia para a criminologia.
T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 2
1
4
INICIE SUA JORNADA
Vamos desenvolver os objetivos conceituais e empíricos da vitimologia. Já po-
demos interpretar que suas análises determinam a vítima e sua significação, 
tanto para investigações quanto para a ação penal. Entretanto, seu significado 
vai mais além, quando consideramos os direitos pessoais de cada indivíduo na 
sociedade. Isso nos remete às questões de cidadania e o que é ser cidadão. Já 
passou o tempo em que o sentido de cidadão vinha à tona apenas em épocas 
eleitorais. Vivemos sob a égide de uma Constituição Cidadã, que permite a 
ostentação dos direitos individuais e coletivos, que engloba uma ressignificação 
de direitos humanos e que se conduz através do adimplemento dos direitos 
fundamentais de cada cidadão. 
Por esse aspecto, objetivar as análises da vitimologia é incluir todos os di-
reitos da pessoa, inclusive o direito de ampla cidadania, que significa ter seus 
direitos fundamentais respeitados. Isso porque tratamos de pessoas quando 
versamos sobre as vítimas. 
Imagine que o tratamento eficaz deva respeitar todos os direitos conquis-
tados e apregoados em nossa Constituição, mas que a vítima é atendida com 
despreparo e mesmo, com desconsideração ou desatenção pelo poder judi-
ciário. E a situação somente pioraria, se imaginarmos também a ausência do 
Estado, tanto no tratamento da vítima de crimes quanto na omissão de preparo 
de políticas públicas que atendam essa demanda, infelizmente em crescimento 
no país. Grupos vulneráveis são hipossuficientes frente ao agressor e devem 
ser protegidos, para isso, ações necessitam ser realizadas no trato educacional, 
psicológico e social para assegurar a sua proteção. Mas isso somente é possível 
através das análises feitas pela vitimologia, em definir pessoas e grupos elegí-
veis pelo mundo do crime e, através disso, ajudar a criar políticas públicas, de 
segurança, de educação, dentre outras.
UNIASSELVI
1
5
TEMA DE APRENDIZAGEM 2
DESENVOLVA SEU POTENCIAL
Os estudos sobre vitimologia passaram a ser desenvolvidos com maior ênfase logo 
após a Segunda Grande Guerra, quando especialistas começaram a investigar os 
motivos de algumas pessoas se tornarem vítimas de crimes. Um fator que levou a 
expandir as análises foi identificar o motivo que leva uma mesma pessoa ser vítima 
de crimes mais de uma vez, ou padecer de crimes reiterados, diversas vezes.
Nesse ínterim, o significado de vítima é capaz de se envolver com os ele-
mentos do crime, por isso, os estudos partem para uma laboração mais intensa 
do que seja crime, por conta de uma provável participação da vítima no próprio 
ato criminoso. Portanto, uma grande responsabilidade da vitimologia é, de fato, 
averiguar as vertentes sociais que podem interferir na vida das pessoas, como 
o fato social. Entende-se por fato social todo o conjunto de valores, normas 
culturais e elementos que perfazem a estrutura social e sobrepujam as pessoas 
VAMOS RECORDAR?
A vitimologia passou a desempenhar um papel fundamental nos estudos 
e análises do crime, em que as outras áreas do direito penal e mesmo, a 
criminologia, silenciavam. Agora é possível determinar os motivos e razões para a 
prática dos ilícitos através da vítima, e entender o comportamento do criminoso. 
As reflexões envolvem agora os aspectos emocionais e psicológicos, sociais e 
econômicos, entre outros. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do 
ambiente virtual de aprendizagem.
Vamos ouvir o podcast sobre a matéria estudada e entender os objetivos e a mis-
são da vitimologia!? Através da definição de missão e o que se propõe a exami-
nar os estudos da vitimologia, conseguimos obter os princípios e o caminho feito 
pelos profissionais da área para identificar as principais demandas da vitimologia, 
que devem ser atendidas não apenas pela segurança pública, mas por políticas 
públicas de qualidade. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do 
ambiente virtual de aprendizagem.
PLAY NO CONHECIMENTO
1
1
e os grupos formados no âmbito social, e são capazes de exercer controle social 
sobre pessoas. O sociólogo Émile Durkheim interpreta o fato social como uma 
obrigação que as pessoas de uma sociedade têm em se adaptar a determinadas 
regras e normas, pois estas exercem uma força sobre suas vidas, como as leis, os 
costumes e a tradição (DURKHEIM, 2007).
Determinadas pessoas conviventes em sociedade seguem o fato social por 
adaptar-se a ele, entendendo que se não o fizer, a punição social por parte daque-
les que fazem parte do seu grupo de convívio será inevitável e intolerável. Outras 
pessoas que não se amoldam ao fato social aceito em sociedade passam a ser fa-
cilmente reconhecidas como desviantes, ou seja, aqueles quem não se espera que 
sigam as normas estipuladas para o bom convívio social, e que devem estar em 
vigília constante pelos órgãos legais de ordem e punição (DURKHEIM, 2007).
Para o imaginário social, pessoas que vivem à margem da sociedade são con-
sideradas desviantes, passíveis portanto do cometimento de crimes na sociedade. 
E é por esse caminho que as bases de estudos das agências de controle oficiais, que 
formam, por sua vez, uma parte do fato social, analisam a pessoa do criminoso 
até os dias atuais, pouco levando em consideração a pessoa da vítima. Uma vez 
presente o personagem que deve ser vigiado, pois representa o pária na sociedade, 
as forças de repressão, análises e estudos oficiais partem para o autor de crimes; 
em detrimento de suas vítimas (BARATTA, 2011).
O objetivo da vitimologia, portanto, refere-se mais com a participação da 
vítima nos crimes e desvios, e no acompanhamento da vítima posterior ao fato 
típico, do que com a ação do criminoso (BURKE, 2022).
A vitimologia intenta desmistificar o conceito de criminoso que não segue 
o fato social, uma vez que o aumento de crimes e desvios praticados contra 
determinados personagens na sociedade não estarem ligados àqueles 
considerados párias ou desviantes.
Assim como a própria criminologia pretende trabalhar com enfoques mais res-
ponsáveis acerca dos crimes e suas punições, a vitimologia também labora com 
o desvirtuamento de ideias calcadas através do populismo, trocando-as por uma 
teoria crítica que possa dar respostas mais benéficas e práticas para a segurança 
pública (PIEDADE JÚNIOR, 1997).
UNIASSELVI
1
1
TEMA DE APRENDIZAGEM 2
Na carência de estudos mais modernos acerca do crime, desvios e quaisquer 
expressão que venha a prejudicar a ordem social vigente, é recorrente manobrar 
a ideia de que a contenção dos desviantes deve ser realizada de todas as formas,e entre elas, a exasperação da lei penal feita pelo endurecimento e fortalecimento 
das penas (MAYR, 1990). Através de análises da criminologia, é fato que o em-
brutecer das penas de crimes diversos nunca inibiu que esses viessem a ocorrer. 
Através de estudos específicos dos motivos dos crimes, por intermédio de toda a 
sua produção, com um olhar sociológico, crítico e envolvendo análises acerca da 
vítima, a vitimologia compreende a necessidade de aprofundar essa discussão, 
evitando de toda forma discursos populistas (PIEDADE JÚNIOR, 1997).
A partir daqui, a matéria transforma-se em ciência a ser comprovada pelo 
método e análises de seu objeto de pesquisa, que é discutível, falseável e pode ser 
argumentado. O objetivo comum de toda ciência, segundo Popper, é reconstruir 
o esquema tradicional do conhecer, situando-se sempre no campo da raciona-
lidade (POPPER, 2013).
Assim, para entendermos os objetivos da vitimologia, é necessário entender 
a importante participação do Estado na vida das pessoas, por intermédio de suas 
políticas públicas. Fundamentadas na Constituição Federal de 1988, e a partir 
do Estado Social, tem-se, nas políticas de educação, saúde e emprego, grandes 
armas que devem ser utilizadas em prol da segurança pública.
Entre os objetivos da vitimologia, um dos mais essenciais temas é identificar as 
adversidades encontradas pelas vítimas de crimes, desde os motivos de ter se 
tornado vítima até a assistência de eventuais mazelas que porventura venham a 
acompanhá-la após o ato criminal. Nesse sentido, importa determinar estatistica-
mente quais os grupos de vítimas em crescente evolução e os prováveis motivos 
para terem se tornado números nessas análises. Por isso, sua importância pode 
ser vista nas Políticas de Segurança Públicas atuais, como no Plano de Segurança 
Públicas e Defesa Social (2021-2030) e na Cartilha de Segurança Pública do Mi-
nistério Público. Nas duas cartilhas, podemos notar, por exemplo, a identificação 
do número crescente dos crimes contra as mulheres nos últimos anos, o que veio 
a provocar a criação de um novo tipo penal, o feminicídio.
APROFUNDANDO
1
8
Dessa forma, através da vitimologia, pode-se conhecer os motivos e estruturas do 
crime, a partir de um olhar mais geral, sendo que suas conclusões podem gerar 
caminhos para educar, ensinar e melhorar certos aspectos e noções que as pessoas 
possuem, diminuindo, assim, possibilidades de ocorrências de atos criminosos 
(BITTENCOURT, 1974).
No Plano de Segurança Pública atual, os diagnósticos indicam problemas 
que devem receber suas respectivas soluções através de políticas públicas de 
segurança. Para isso, definir esse público-alvo passa a ser feito pelas análises 
qualitativas e quantitativas a respeito dos crimes ocorridos, do crescimento 
de um alvo em potencial e do local de risco. Esses estudos construídos pela Cri-
minologia, a partir das análises da Vitimologia, são capazes de compreender, no 
universo vitimal, aqueles que possuem um estereótipo mais buscado por autores 
de crimes. Ao definir um público-alvo, a política de segurança estabelece que 
os impactos e resultados sejam o mais brevemente alcançados, uma vez que o 
problema já foi detectado e tende a ser resolvido, a priori (BURKE, 2022). 
UNIASSELVI
1
9
TEMA DE APRENDIZAGEM 2
O PLANO NACIONAL DE SEGURANÇA PÚBLICA E DEFESA 
SOCIAL E OS ESTUDOS DE VITIMOLOGIA
Um Plano Nacional de Segurança Pública identifica quais as melhores tomadas 
de decisão e o enfoque da segurança em determinado período de tempo. Ele é 
capaz de enfatizar a perspectiva da segurança pública e em quais assuntos ela deve 
debruçar sua atenção com maior veemência. Mas perceba que em uma sociedade 
democrática como o Brasil, a Segurança Pública deve ser vista mais como uma 
prestação de serviços para a sociedade, e menos como uma imposição por parte 
do Estado (PELLEGRINO,1987).
O último plano escrito em 2021, com validade até o ano de 2030, define a Po-
lítica Nacional de Segurança Pública e Defesa Social. A partir dele, a disposição de 
uma ordenação que visa o combate contra a criminalidade prevê a importância de 
um plano único e centralizado, mas que ao mesmo tempo descentralize as tomadas 
de decisões que devem ser realizadas pelas bases e dados estatísticos de cada região.
O Plano Nacional define as estratégias a serem tomadas em nível nacional, e 
quais áreas devem sofrer um maior impacto pela atuação da segurança pública. 
Mas ele não é um plano centralizador. Desde que sigam as especificações do plano 
nacional, os Estados podem elaborar seus próprios planos de segurança, a partir 
das suas especificidades, através da Secretaria Pública Estadual. 
4
1
No plano atual, podemos perceber a atuação da segurança a partir dos dados 
coletados e das estatísticas que definem grupos considerados vulneráveis 
e que precisam de um olhar mais crítico das forças de proteção do Estado. A 
concepção atual é compreender além das manifestações imediatas do crime e 
interpretar os motivos de determinadas ocorrências contra uma categoria es-
pecífica: “O plano que ora se apresenta tem essa preocupação: eleger, entre suas 
prioridades, ações que buscam nos aspectos sociais e culturais algumas das mais 
importantes fontes de ocorrências criminais” (BRASIL, 2021, p. 56).
O modelo lógico do Plano Nacional de Segurança Pública busca assegurar que 
a segurança pública seja destinada para todos, entretanto, objetiva tutelar grupos 
considerados necessitados da proteção do Estado, da forma mais imediata possível. 
O plano atual desenvolve um olhar atento a alguns grupos ou pessoas con-
sideradas vulneráveis pela vitimologia, e um exemplo disso é o crime contra 
mulheres, em amplo crescimento no país. Em uma de suas estratégias, há a 
especificação desses grupos: “Qualificar o atendimento às mulheres, aos jovens 
e a outros grupos vulneráveis vítimas de violência, por meio da criação ou da 
estruturação de espaços humanizados para o atendimento e o encaminhamento 
adequado das vítimas” (BRASIL, 2021, p. 37).
São relevantes e perceptíveis os estudos estatísticos de qualidade da Vitimologia, 
para o entendimento das ações e estratégias tomadas pela Segurança Pública, 
através do Plano Nacional. Ao desenvolver estudos sobre as ocorrências regis-
tradas e especificar as vítimas mais usuais, existe a possibilidade de programas de 
atendimento, educação e de acompanhamento a essas pessoas. Da mesma forma, 
pode-se traçar a concepção de criminoso e os fatores motivantes do crime, por 
uma visão mais detalhada e prospecta da atuação de determinados desviantes.
Se quiser aprender mais sobre o atual Plano Nacional de Segurança Pública e 
Defesa Social, você pode acessá-lo no site.
Nele, você pode ter acesso aos últimos estudos acerca dos grupos criminosos 
atuantes em cada estado do país e quais os planejamentos estruturais de com-
bate ao crime organizado. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do 
ambiente virtual de aprendizagem.
EU INDICO
UNIASSELVI
4
1
TEMA DE APRENDIZAGEM 2
OBJETIVOS DA VITIMOLOGIA
Podemos perceber que vitimologia não serve apenas para a coleta de dados a 
respeito das vítimas de crimes, mas se envolve também com debates políticos 
específicos e políticas públicas fora dos âmbitos da segurança pública, que vi-
sem atender o público analisado, de forma extrajudicial ou extrapenal, fora dos 
inquéritos e das delegacias de polícia. A vitimologia contempla “vários níveis de 
atuação em diferentes contextos” repousando em um “tripé: estudo e pesquisa, 
mudança de legislação e assistência e proteção à vítima” (KOSOVSKI, 1992, p. 
12). A importância de se analisar cada um desses segmentos é desenvolver uma 
nova perspectiva para o crime e para o sistema penal também.
Kosovski (1992) apresenta a necessidade da mudança de paradigma, que fez 
com que a vítima passasse a ser representada também nos estudos empíricos, tendo 
sua importância no processo tanto quanto em sua própria situação após o crime. 
4
1
 “ A visão, que duranteséculos prevaleceu, da importância primordial 
que deveria ser dada ao crime e ao criminoso, sendo a vítima a 
grande esquecida no drama criminal, está sendo modificada com 
abordagem vitimológica da relevância da vítima e da necessidade 
da sua inclusão no processo e assistência a quem tem direito (KO-
SOVSKI, 1992, p. 28).
Para a estudiosa, um dos fatores de maior contribuição da vitimologia é a 
criação de programas especiais e assistenciais para as vítimas, bem como 
formas de penalização que se destacam a partir do desvio e crime cometido. 
Dessa maneira, pensar em programas de intervenção de crises, ressarcimento 
e compensação à vítima, bem como “assistência médica, psicológica e jurídica”, 
prevendo uma real orientação na mediação das mazelas causadas e mesmo 
no “processo criminal ou cível quando instaurado” (KOSOVSKI, 1992, p. 28).
Pensar assim, remete-nos também a probabilidade de que medidas extraju-
diciais, em casos determinados, passem a ser avaliadas para a melhor resolução 
de conflitos. Casos em que envolvam situações de menor potencial ofensivo, ou 
que possam não chegar à persecução penal através da força punitiva do Estado, 
podem ser remediados já em seu início, com a participação da vítima como 
personagem essencial em busca de reparação (KOSOVSKI, 1992).
Há um entendimento máximo de que, em um Estado Democrático, deve-se 
enfatizar a cidadania plena em detrimento de uma cidadania vazia, lembrada 
apenas em épocas eleitorais (SARLET, 2012). Ampla cidadania significa pos-
suir os direitos individuais e coletivos respeitados e assegurados. Tais direitos, 
preconizados pela Carta Constitucional de 1988, são também garantidos por 
tratados de direitos humanos internacionais, sobretudo a Declaração Universal 
dos Direitos Humanos, da qual o Brasil é um dos membros signatários. 
Nesse sentido, entende-se, através das lentes da vitimologia, não apenas o 
acompanhamento da vítima, mas também possibilidades diversas para a reso-
lução de conflitos e se necessário, para a penalização do criminoso; por esse 
motivo a matéria trata e posiciona as vítimas relacionando-se com o real sentido 
de ampla cidadania (BURKE, 2022).
UNIASSELVI
4
1
TEMA DE APRENDIZAGEM 2
Vitimologia e Direitos Humanos andam sincronicamente. É óbice à evolução de 
um País o desrespeito aos grupos hipossuficientes, aos carentes e pessoas vul-
neráveis. Nos estudos das Nações Unidas, que idealizaram a Declaração dos 
Princípios Básicos de Justiça para as Vítimas de Delitos de Abuso de Poder, 
realizada em Milão no ano de 1985, vítimas seriam incapazes perante seus abu-
sadores, portanto vulneráveis.
Nesse sentido, a Organização das Nações Unidas reconhece que, na maioria 
das vezes, vítimas de delitos e abusos de poder não recebem atendimento espe-
cializado e não têm seus direitos reconhecidos de forma adequada. Isso se refere 
aos inúmeros países, entre eles, aqueles que também são signatários da maioria 
dos tratados idealizados e escritos pela ONU (KOSOVSKI, 1992).
A Declaração de 1985 aprovou a Resolução 40/34, texto recomendado 
pela Assembleia Geral da ONU, no Sétimo Congresso das Nações Unidas so-
bre a Prevenção do Crime e o Tratamento do Delinquente, em Milão. Em seu 
preâmbulo determina:
4
4
A Declaração recomenda que devam ser tomadas medidas a nível interna-
cional e regional para melhorar o acesso à justiça, ao tratamento justo, ao res-
sarcimento, à indenização e à assistência social às vítimas de delitos, e, esboça as 
principais medidas que deverão ser tomadas para prevenir a vitimização ligada ao 
abuso de poder, e proporcionar os recursos às destes abusos (KOSOVSKI, 1992).
Esse reconhecimento, segundo Kosovski (1992), é um dos primeiros diag-
nósticos internacionais a respeito da qualidade e representação que se tem das 
vítimas em crimes e delitos, posicionando-a realmente como a padecedora de 
algum ato criminal, não mais como mero instrumento para o processo penal 
(KOSOVSKI, 1992).
A importante Declaração de 1985 da ONU também destaca o significado 
de vítima, realçando seu entendimento sobre o assunto, efetivando também os 
estudos de vitimologia que, na época, já ganhavam força na criminologia. 
AS VÍTIMAS DE DELITOS, SIGNIFICADO 1
“Entende-se por ‘vítimas’ as pessoas que, individual ou coletivamente, tenham sofrido 
danos, inclusive lesões físicas ou mentais, sofrimento emocional, perda financeira ou 
diminuição substancial de seus direitos fundamentais, como consequência de ações 
ou omissões que violem a legislação penal vigente nos Estados-Membros, incluída a 
que prescreve o abuso criminal de poder” (KOSOVSKI, 1992, p. 38).
AS VÍTIMAS DE DELITOS, SIGNIFICADO 2
“Uma pessoa poderá ser considerada vítima, de acordo com a presente Declaração, 
independentemente do modo como o vitimizador foi identificado, detido, julgado ou 
condenado, bem como independentemente da relação familiar entre o vitimizador 
e a vítima. A expressão “vítima” inclui, quando apropriado, os familiares ou pessoas 
dependentes que tenham relação imediata com a vítima e as pessoas que tenham so-
frido danos ao intervir para dar assistência à vítima em perigo ou para prevenir a ação 
danificadora” (KOSOVSKI, 1992, p. 38).
UNIASSELVI
4
5
TEMA DE APRENDIZAGEM 2
AS VÍTIMAS DE DELITOS, SIGNIFICADO 3
“As disposições da presente Declaração serão aplicáveis a todas as pessoas sem 
distinção de raça, cor, sexo, idade, idioma, religião, nacionalidade, opinião política, 
crenças ou práticas culturais, situação econômica, familiar, origem étnica, social ou 
impedimento físico” (KOSOVSKI, 1992, p. 38).
A Declaração da ONU de 1985, realizada na Assembleia Geral em Milão, é um im-
portante instrumento para a identificação e hermenêutica do que seja vítima. Foi 
escrita em uma época conturbada, de abusos de poder de países e governantes 
contra seus governados, em um período que entrou para a história como Guerra 
Fria. A Declaração também versa sobre os delitos internos de países, que causam 
a vitimização e devem ser regulados, estudados e interpretados também através 
da vítima. Se você quiser ficar por dentro da importante Declaração dos Princí-
pios Básicos de Justiça para as Vítimas de Delitos de Abuso de Poder, você pode 
acessá-la na íntegra na página do Ministério Público Federal. Recursos de mídia 
disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem.
EU INDICO
4
1
A Declaração também contribui para os objetivos dos estudos da vitimologia, 
quando realça:
A Declaração também destaca o acesso à justiça e tratamento justo às víti-
mas de crimes, que “terão direito de acesso aos mecanismos de justiça e a uma 
imediata reparação do dano que tenham sofrido, de acordo com o disposto na 
legislação nacional” (KOSOVSKI, 1992, p. 38).
Insta salientar que os mecanismos judiciais e extrajudiciais de resolu-
ção de conflitos devem estar aptos ao tratamento com dignidade de vítimas, 
colaborando com a adequação dos processos judiciais às necessidades das ví-
timas envolvidas. Ao prestar informações sobre os detalhes do processo e sua 
real participação (andamento processual e testemunho em juízo), ao examinar 
as preocupações, medos e receios, prestando “assistência apropriada durante 
todo o processo judicial”, tem-se uma real modificação de todo o teor do pro-
cesso penal, em prol do vitimizado e em busca de uma penalização mais precisa 
(KOSOVSKI, 1992, p. 38).
PONTO A
As lesões sofridas por vítimas diversas determinam em primeiro plano a hipossuficiên-
cia ou carência dessas frente ao(s) meliante(s); e, em segundo, indica que os crimes 
ou desvios ocorridos fazem parte da carência ou omissão do Estado em fazer valer os 
direitos fundamentais do cidadão, como a segurança pública;
PONTO B
A inclusão de familiares e dependentes das vítimas de crimes como vítimas em si, através 
de uma relação imediata com os danos sofridos pela pessoa padecente. Importante ressal-
tar que a assistência se estende aos seus familiares, ou a quem tenha ligação direta com a 
vítima e entenda-se subjetivamentepela Vítima. Curitiba: 
Ed. Juruá, 2018.
ZAFFARONI, E. R. Manual de direito penal brasileiro. v. 1: parte geral. 9. ed. rev. e atual. São Pau-
lo: Editora Revista dos Tribunais, 2011.
ZAFFARONI, E. R. Em busca das penas perdidas: a perda de legitimidade do sistema penal. 
Tradução por Vânia Romano Pedrosa e Amir Lopez da Conceição. Rio de Janeiro: Revan, 1991.
ZEHR, H. Trocando as lentes: um novo foco sobre o crime e a justiça. São Paulo: Palas Athena, 
2008.
1
1
5
1. Opção C. Fazendo com que as afirmativas III e IV estejam corretas. A afirmativa I está erra-
da, pois a justiça restaurativa busca despenalizar sempre que possível. A afirmativa II está 
incorreta, pois a busca é por instituições de apoio especializadas para esses casos, sendo 
contrária à penalização.
2. Opção A. B está incorreta, pois política criminal e políticas públicas em conjunto teriam 
melhores e mais apropriadas respostas. C está errada, pois isso é trabalho do direito penal 
e do direito processual penal, mas não de uma política criminal. D está errada pelo fato que 
política criminal pode se envolver com outras políticas públicas. E é incorreta, uma vez que 
a Lei dos Juizados Especiais tenta minimizar a força de penalização do direito penal. 
3. Opção D. A está incorreta, pois o minimalismo é um movimento revolucionário que condena 
o direito penal máximo. B está incorreta, pois por ser reconhecido como minimalismo míni-
mo, sua luta é a favor da contração punitiva. C está errada, pois a despenalização máxima é 
tema do abolicionismo penal. E está errada, uma vez que sugere a despenalização ao invés 
do castigo punitivo.
GABARITO
1
1
1
MINHAS ANOTAÇÕES
1
1
1
MINHAS ANOTAÇÕES
1
1
8

Mais conteúdos dessa disciplina