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VIOLÊNCIA DE GÊNERO Lorena & Monique Pedagogia| 7º semestre | Unitoledo O QUE É GÊNERO? ● De modo geral, para as ciências sociais, o gênero se refere a um conjunto de atributos particulares da masculinidade e da feminilidade. Nesse sentido, entende-se que o gênero é uma construção social que não decorre de aspectos naturais. ● Em outras palavras, as características sociais entre homens e mulheres, que definem os seus papéis e responsabilidades dentro de uma sociedade, não são estabelecidas pelo sexo – como determinação biológica – mas influenciadas pela cultura. Ou seja, gênero é um elemento subjetivo não estático que refere a ser menino ou menina, homem ou mulher em uma determinada cultura. O QUE É A VIOLÊNCIA DE GÊNERO? A violência de gênero se define como qualquer tipo de agressão física, psicológica, sexual ou simbólica contra alguém em situação de vulnerabilidade devido a sua identidade de gênero ou orientação sexual. OBS.: ressalta-se que embora os termos sejam utilizados como sinônimos, nem todo ato contra a mulher é violência de gênero. Isso por que para que uma agressão seja classificada como violência de gênero deve ser direcionada a vítima em razão de sua identificação sexual ou de gênero. De acordo com a estimativa global publicada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) em 2017, uma em cada três mulheres em todo o mundo, especificamente 35%, já foram vítimas de violência física ou sexual durante a sua vida. Dessa forma, constata-se que as mais atingidas por essa coerção são pessoas do sexo feminino. Contudo, vale lembrar que homens e minorias sexuais e de gênero também podem ser alvos dessas agressões. A regulamentação, que busca estabelecer parâmetros mínimos nas ações estatais para promover os direitos humanos das mulheres e reprimir violações, define como discriminação: “toda a distinção, exclusão ou restrição baseada no sexo e que tenha por objeto ou resultado prejudicar ou anular o reconhecimento, gozo ou exercício pela mulher, independentemente de seu estado civil, com base na igualdade do homem e da mulher, dos direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural e civil ou em qualquer outro campo” Convenção sobre Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra as Mulheres POR QUE A VIOLÊNCIA DE GÊNERO OCORRE? ● São estabelecidas relações de gênero, elos sociais de poder entre homens e mulheres nos quais cada um recebe um papel social de acordo com suas diferenças sexuais. ● Existe uma “tendência universal a associar o masculino com a cultura e a considerar que o feminino se encontrava mais perto da natureza”, segundo a historiadora Joan Scott (1980) E QUAIS AS PRINCIPAIS FORMAS DE VIOLÊNCIA DE GÊNERO? VIOLÊNCIA FÍSICA Nela o agressor faz uso da força física ou de objetos para ferir fisicamente a vítima, isso pode lhe causar cicatrizes e até levar a morte. Neste último caso, quando o crime ocorre contra uma mulher por conta da condição de sexo feminino, fala-se em feminicídio. Segundo levantamento feito pela organização Gênero e Número, em 2017, foram registrados 225 casos de violência por dia contra a população LGBT+ e nas agressões físicas protocolizadas 67% das vítimas eram mulheres. Além disso, o Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência e Desigualdade Racial, de 2017, revelou que uma jovem negra é duas vezes mais suscetível a sofrer coação que uma jovem branca. VIOLÊNCIA SEXUAL A Organização Mundial da Saúde (OMS) define violência sexual como: “todo ato sexual, tentativa de consumar um ato sexual ou insinuações sexuais indesejadas; ou ações para comercializar ou usar de qualquer outro modo a sexualidade de uma pessoa por meio da coerção por outra pessoa, independentemente da relação desta com a vítima, em qualquer âmbito, incluindo o lar e o local de trabalho”. No cenário brasileiro, conforme dados do Fórum de Segurança Pública, nos casos de violência sexual registrados em 2018, mais de 80% das vítimas eram do sexo feminino. Em geral, no país, ocorrem cerca de 180 estupros por dia. Ademais, o abuso sexual infantil tem altos índices no Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde, 42% de crianças e adolescentes que sofrem abuso sexual são vítimas recorrentes e 72% das pessoas estupradas são menores de idade. https://forumseguranca.org.br/estatisticas/ https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2019/09/42-das-criancas-e-adolescentes-que-sofrem-abuso-sexual-sao-vitimas-recorrentes.shtml https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2019/09/42-das-criancas-e-adolescentes-que-sofrem-abuso-sexual-sao-vitimas-recorrentes.shtml PRÁTICAS CULTURAIS NOCIVAS Existem algumas práticas culturais que ferem os direitos universais do indivíduo e são classificadas como violência de gênero, tais como: ● CASAMENTO INFANTIL, que segundo a UNICEF é qualquer união formal ou informal em que uma das partes é menor de 18 anos. (o Brasil apresenta uma média maior que a global de casos de casamento infantil. Aqui, 1 em cada 4 meninas se casa antes dos 18 anos.) ● INFANTICÍDIO: essa prática é comum em alguns países asiáticos devido políticas públicas de reprodução e culturas nacionais. Conforme relatório publicado pelo Centro Asiático de Direitos Humanos, China e Índia lideram a lista mundial de morte de bebês do sexo feminino. ● MUTILAÇÃO GENITAL FEMININA: é um ritual de passagem da infância à vida adulta praticado em 28 países africanos e em grupos na Ásia e no Oriente Médio. Ao violar o direito humano de integridade física e emocional, o rito expõe meninas e mulheres a situações traumáticas ainda na infância, submetendo-as a uma série de complicações que vão desde o risco à saúde até o abandono escolar. http://www.fides.org/pt/news/60415-ASIA_Infanticidio_feminino_China_e_India_em_cima_na_lista VIOLÊNCIA VIRTUAL Existem várias manifestações online que intimidam e causam constrangimento às pessoas devido a sua identidade de gênero: ● REVENGE PORN, ou pornografia de vingança em tradução literal. Neste o ato, a vitima é intimidada a ter seus videos ou fotos íntimas compartilhadas. ● CYBERSTALKING: e define pelo monitoramento e vigilância constante das atividades de uma pessoa, da vida cotidiana ou de informações pessoais públicas ou privadas, por meio da internet. Este tipo de perseguição obsessiva pode gerar sérias consequências psicológicas à vítima. Das pessoas que buscaram assistência no Helpline em 2019, canal que oferece orientação sobre segurança na internet, aproximadamente 85% eram do sexo feminino. ● DISCURSO DE ÓDIO: se refere a palavras, símbolos ou falas proferidos com a intenção de instigar a violência, o ódio e a discriminação contra outras pessoas devido a sua raça, cor, etnicidade, sexo, religião ou nacionalidade. Nas denúncias registradas no SaferNet Brasil, entre os anos de 2006 e 2019, o racismo corresponde a 28% dos crimes de ódio e 68% das vítimas que procuram ajudam no Helpline são mulheres. VIOLÊNCIA SIMBÓLICA Essa expressão foi criada pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu e se refere a uma forma de violência “imperceptível” praticada através de comportamentos, pensamentos e até mesmo modelos de organização das instituições sociais. Este conjunto de mecanismos criam uma estrutura simbólica que impõe concepções transmitidas como legítimas e que visam dissimular o pensamento da vítima estabelecendo a dominação do agressor. O “manterrupting” é um exemplo desse tipo de violência de gênero. A prática ocorre quando um homem, com intuito de calar ou impedir a participação da mulher em uma conversa, não a deixa se expressar ou interrompe a fala dela. Existe ainda o “mansplaining” que é quando o indivíduo do sexo masculino busca menosprezar o conhecimento da mulher julgando-a como incapaz ou desqualificada. 5 AÇÕES NECESSÁRIAS PARA ACABAR COM A VIOLÊNCIA DE GÊNERO 1. Garantir que sobreviventes e pessoas em risco de violência tenham acesso a apoio abrangente 2. Promova o empoderamento econômico, social e político demulheres e meninas. 3. Apoiar e expandir políticas, programas e estratégias que promovam a igualdade de gênero nas normas, atitudes e comportamentos sociais e que abordem as causas profundas da violência. 4. Aumentar o financiamento, o apoio e o espaço para organizações que promovem os direitos das mulheres e meninas 5. Garantir que os processos de planejamento e orçamento público e os sistemas financeiros públicos integrem os princípios de igualdade de gênero COMO PROMOVER A CONSCIENTIZAÇÃO DE GÊNERO? ● A ONG Plan International desde 2011 concentra-se no movimento global chamado “Por Ser Menina” tendo o objetivo principal o engajamento contra as raízes de discriminação, exclusão e vulnerabilidade feminina na tenra infância e lança em 2016 o “#DesafioDaIgualdade” para a conscientização do debate e práticas da educação de gênero e assim promover a equidade entre meninos e meninas ● E a partir deste encontro nasce o caderno de apoio aos professores “Educação Sobre Gênero na Infância”, contendo inúmeros materiais, atividades e informações básicas sobre o tema para assim haver uma familiarização entre professores e alunos, iniciando uma abordagem capaz de identificar as desigualdades de gênero e tecendo linhas para combatê-las. REFERÊNCIAS IGUALDADE, Desafio da. Criação e realização de Catalize Lab. Desenvolvido pela PLAN International Brasil. Apresenta textos sobre gênero, educação e guia de atividades. Disponível em: http://desafiodaigualdade.org.br/. Acesso em: 17 mai. 2021. RAMOS, Rhaellen. O que é violência de gênero e como se manifesta? Politize! 11 set. 2020. Disponível em: https://www.politize.com.br/violencia-de-genero-2/ SINEIRO, Sofia Sprechmann. 5 ações necessárias agora para acabar com a violência de gênero. Care. 24 nov. 2020. Disponível em: https://www.care.org/pt/news-and-stories/health/5-actions-needed-now-to-end-gender-based-v iolence/ SCOTT, Joan. Gênero: uma categoria útil da análise histórica. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 20, n. 2, 71-99, jul./dez., 1995. VERMELHO, Alice. Mutilação genital feminina e a violção dos direitos dasmulheres: entenda! Politize! 25 nov. 2020. Disponível em: https://www.politize.com.br/mutilacao-genital-feminina/