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Disciplina Fenômenos de Transporte Unidade 1 Estática e cinemática dos �uidos Aula 1 De�nição e propriedades dos �uidos Introdução Olá, estudante! Espero que esteja bem! Vamos começar nosso estudo de Fenômenos de Transporte entendendo o que é um �uido. Entender como um �uido se comporta, te ajudará a compreender suas propriedades, como massa e peso especí�co, viscosidade absoluta ou dinâmica, além da Lei de Newton da Viscosidade. A partir disso, �cará claro a importância dessas propriedades para aplicações na Engenharia e áreas correlatas, como estimar qual a pressão que um equipamento subaquático de exploração de petróleo sofre a determinada profundidade, como projetar sistemas hidráulicos para a construção civil e mecânica, entender como uma usina hidrelétrica gera energia e muitas outras aplicações de grande importância para o cotidiano de sua pro�ssão. Poderia listar mais uma grande quantidade de aplicações, mas convido você a estudar e se aprofundar no tema, o que lhe trará novos conhecimentos totalmente aplicáveis e que lhe farão a Disciplina Fenômenos de Transporte diferença em sua carreia. Bons estudos! De�nição e propriedades dos �uidos De acordo com Brunetti (2008, p. 1) “�uido é uma substância que não tem uma forma própria, assume o formato do recipiente”. Por de�nição, um sólido, colocado em um recipiente, não alterará sua forma. Já o líquido e gás tomarão a forma desse recipiente (Figura 1). Figura 1 | Exemplo de como os sólidos, líquidos e gases se comportam dentro de recipientes. Fontes: Pixabay. Na Figura 1, as frutas não alteram seu formato quando colocadas no recipiente. Já água no copo, toma a sua forma. Nos cilindros de gás, o �uido toma o formato do recipiente. O conceito de �uido é explicado também pelo modelo das “duas placas” (Brunetti, 2008). Considere um sólido �xo entre duas placas, em que a superior é móvel e a inferior �xa. A aplicação de uma força tangencial na placa superior faz o sólido se deformar até atingir o equilíbrio estático. Quando a mesma con�guração é aplicada a um �uido, a placa superior e a primeira camada adjacente do �uido à placa móvel adquirem uma velocidade . As demais camadas adquirem velocidades inferiores à primeira camada, até que a camada adjacente à Disciplina Fenômenos de Transporte placa �xa apresentará velocidade zero. A Figura 2 mostra o diagrama de velocidades das camadas de um �uido cisalhado por ação de uma força tangencial. Figura 2 | Per�l de velocidades de um �uido entre duas placas. Fonte: adaptada de Çengel e Cimbala (2015, p. 51). Ainda segundo Brunetti (2008), esse fenômeno é chamado de Princípio da Aderência ou Condição de não deslizamento, pois os pontos do �uido que estão em contato com a superfície sólida “aderem” a ela. A Figura 3 mostra as resultantes das forças que atuam em um �uido. Uma força transversal à superfície, , e outra, normal à superfície, . Essas forças, aplicadas sobre uma determinada área , geram as tensões de cisalhamento, , e normal, , respectivamente. F Ft Fn A τ σ Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 3 | Forças atuantes sobre um �uido. Fonte: adaptada de Fox et al. (2018, p. 27). Considere a tensão de cisalhamento: Existe, entre as camadas do �uido, uma espécie de atrito devido às interações entre elas. Quanto maior o atrito, mais viscoso é o �uido. Se a tensão de cisalhamento do �uido é proporcional ao gradiente de velocidade, temos que esse �uido é newtoniano, e, portanto, segue a Lei de Newton da Viscosidade. Os �uidos newtonianos são equacionados como se segue, em que a viscosidade dinâmica, , é a constante de proporcionalidade e é a distância entre as placas: Outras propriedades dos �uidos devem ser apresentadas: Massa especí�ca ( ): é a relação entre a massa do �uido ( ), e o volume ( ) ocupado por essa massa de �uido. Peso especí�co ( ): é a razão entre o peso do �uido ( ) e o volume ocupado. τ = Ft A μ ε τ = μ v ε ρ m V ρ = m V γ P γ = P V = m×g V Disciplina Fenômenos de Transporte onde g é a aceleração da gravidade. Peso especí�co relativo (para �uidos no estado líquido – ( ): é a relação entre o peso especí�co de um determinado líquido em relação ao peso especí�co da água (por padrão). Viscosidade cinemática ( ): é a relação entre a viscosidade dinâmica e a massa especí�ca. É uma propriedade cuja aplicação principal está no estudo da cinemática dos �uidos. Fluidos compressíveis e incompressíveis: de acordo com Brunetti (2008), um �uido é considerado compressível se ao aplicar uma força sobre uma determinada área, seu volume diminui. Para �uidos incompressíveis, com a aplicação da força seu volume não muda ou a mudança é praticamente desprezível. Os gases costumam a ser classi�cados como �uidos compressíveis, e os líquidos e gases com pequena pressão aplicada são classi�cados como incompressíveis. Relação entre as propriedades dos �uidos γr γr = γ γH2O ν ν = μ ρ Disciplina Fenômenos de Transporte É de fundamental importância relacionar as propriedades dos �uidos. Massa especí�ca e densidade, apesar de serem expressas pela mesma grandeza, kg/m3, no Sistema Internacional de Unidades, são conceitualmente diferentes. A massa especí�ca, diz respeito à massa de uma porção homogênea e contínua de uma substância (Brunetti, 2008). A densidade é um conceito mais amplo, que pode incluir uma substância contínua e homogênea, mas também uma substância como um sólido não homogêneo, com espaços vazios em seu interior. Nesse caso, medir a densidade aparente também é importante. Aqui é adotado, por motivos de simpli�cação prática, sobretudo para �uidos newtonianos, a massa especí�ca e o peso especí�co. É comum pensar que quanto maior a massa especí�ca, maior a viscosidade de um �uido. Na verdade, essas duas propriedades não possuem relação direta. Tomemos como exemplo água e óleo, com os dados apresentados no Quadro 1: Quadro 1 | Comparação entre os valores médios das propriedades da água e do óleo Fluido Massa especí�ca média, a 20 ºC Viscosidade média, a 20 ºC Água destilada Óleo lubri�cante 998 kg/m3 1, 0 × 10( − 3)N . s/m2 800 kg/m3 1, 0 × 10( − 1)N . s/m2 Disciplina Fenômenos de Transporte automotivo Fonte: Fox et al. (2018, p. 655-660). Note que apesar da massa especí�ca da água ser superior à massa especí�ca do óleo, a viscosidade média da água é inferior em duas ordens de grandeza em relação ao óleo. Isso é explicado pela con�guração molecular e as forças de atração entre as moléculas de cada uma das substâncias. Os óleos possuem cadeias moleculares maiores que as moléculas de água, nas quais as forças de interação acabam superando inclusive as forças geradas pelas pontes de hidrogênio da água. Esse tipo de análise, baseado na interação entre as partículas ou moléculas de um �uido, não é de abordagem comum dentro de fenômenos de transporte (Brunetti, 2008; Fox et al. , 2018). Apesar disso, entender os fenômenos no nível molecular facilita o entendimento do comportamento dos �uidos. Outro exemplo clássico é a comparação entre as viscosidades e as densidades da água e da glicerina. Ao contrário da comparação entre água e óleo, aqui temos a água com densidade e viscosidade menores que a densidade e viscosidade da glicerina. Outra importante relação é entre massa e peso especí�co. Da física newtoniana, sabemos que o peso é o produto da massa de um corpo pela aceleração da gravidade. Assim, podemos relacionar a massa especí�ca com o peso especí�co da seguinte forma: Se a massa especí�ca é calculada por: e o peso especí�co é calculado por: Substituindo por , temos que o peso especí�co é igual à massa especí�ca multiplicada pela aceleração da gravidade: Essas relações são úteis para cálculos envolvendo energia associada a um �uido, por exemplo. Outra relação importante é entre a viscosidade dinâmica (ou absoluta) e força tangencial, que é aplicada em cálculos de sistemas de pistões com �uidos lubri�cantes, por exemplo. A viscosidade dinâmica, para �uidos newtonianos, tem relação com a tensão+ m1.v2 1 2 + p1dV1 = m2. g. z2 + m2.v2 2 2 + p2dV2 g. z1 + v2 1 2 + p1 ρ = g. z2 + v2 2 2 + p2 ρ z1 + v2 1 2g + p1 γ = z2 + v2 2 2g + p2 γ H1 = H2 H = z + v2 2g + p γ = constante Disciplina Fenômenos de Transporte Podemos observar diversas aplicações práticas da equação de Bernoulli, desde um avião, que depende do princípio de Bernoulli para gerar sustentação em suas asas; até um spray de inseticida, que também usa o princípio de Bernoulli para espalhar o conteúdo em uma área maior. Assim, essas aplicações estão presentes tanto no cotidiano quanto em processos industriais. Vamos começar analisando uma situação em que existe um desnível. Imagine que uma torre de água cilíndrica de 3,0 m de diâmetro fornece água para uma casa. O nível da água na caixa d’água está 35 m acima do ponto onde a água entra na casa por meio de um cano com diâmetro interno de 5,1 cm. O tubo de entrada fornece água a uma taxa máxima de 2,0×10−3m3 s−1. O tubo está conectado a um tubo mais estreito que leva ao segundo andar que tem um diâmetro interno de 2,5 cm. Vamos determinar a pressão e a velocidade da água no cano mais estreito em um ponto que está a uma altura de 5,0 m acima do nível onde o cano entra na casa (observe que existe uma diferença de altura – ou seja, temos um desnível). Para resolvermos essa questão, vamos assumir que a água é um �uido ideal, que o �uxo é constante e que o nível da água na torre de água é também mantido constante. Vamos analisar três pontos principais deste sistema: o ponto 1 no topo da água na torre (35 m), o ponto 2 onde a água entra na casa e o ponto 3 no cano estreito a uma altura h2 = 5,0 m acima do nível onde o cano entra na casa. Começamos aplicando a equação de Bernoulli ao �uxo da caixa d’água do ponto 1 ao ponto 2. A equação de Bernoulli é apresentada na Equação (09). Disciplina Fenômenos de Transporte Como assumimos que a velocidade da água no topo da torre é desprezível devido ao fato de que o nível da água na torre é mantido constante, podemos considerar que v1=0. A pressão no ponto 2 pode ser isolada da equação de Bernoulli, como: Se considerarmos que nesse sistema são válidas as seguintes condições: Se considerarmos que nesse sistema são válidas as seguintes condições: γ = 9810 N/m3 g = 9,81 m/s2 p1 = 1 atm = 101325 Pa E sabendo que, de acordo com as condições apresentadas: z1 – z2 = 35 m Podemos veri�car que a única informação que falta para determinarmos p2 é v2. Porém, foi fornecida a vazão do sistema. Considerando que o tubo tem área de seção transversal circular, podemos determinar a velocidade no ponto 2 por meio da de�nição da vazão volumétrica (Q), apresentada na Equação (10), em que A é a área da seção transversal O diâmetro da tubulação em 2 é de 5,1 cm = 5,1 x 10-2m. Logo: Portanto, a pressão no ponto 2 é: Agora aplicamos a equação de Bernoulli aos pontos 2 e 3: A pressão no ponto 3 pode ser determinada por: z1 + v2 1 2g + p1 γ = z2 + v2 2 2g + p2 γ p2 = γ(z1 − z2) + p1 − γv2 2 2g Q = v2A2 → v2 = Q A2 v2 = 2×10−3m3/s π( 5,1×10−2 2 ) 2 = 1 m s p2 = 9810 N m3 × (35m) + 101325Pa − 9810N/m3×(1 m /s)2 2×9,81 m /s2 p2 = 444175Pa z2 + v2 2 2g + p2 γ = z3 + v2 3 2g + p3 γ Disciplina Fenômenos de Transporte A mudança na altura y2 −y3 = −5,0 m. A velocidade da água no ponto 3 é: O diâmetro da tubulação em 2 é de 2,5 cm = 2,5 x 10-2m. Logo: Portanto, a pressão no ponto 3 é: Pode-se concluir que, como a velocidade da água no ponto 3 é muito maior do que no ponto 2, a contribuição da pressão dinâmica no ponto 3 é menor do que no ponto 2. Videoaula: Equação de Bernoulli Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Nesta videoaula, vamos abordar umas das equações mais importantes para a mecânica dos �uidos: a equação de Bernoulli. Na dinâmica dos �uidos, o princípio de Bernoulli a�rma que um aumento na velocidade de um �uido ocorre simultaneamente com uma diminuição na pressão estática ou uma diminuição na energia potencial do �uido. Saiba mais p3 = γ(z2 − z3) + γ( v2 2 2g − v2 3 2g ) + p2 Q = v3A3 → v3 = Q A3 v3 = 2×10−3m3/s π( 2,5×10−2 2 ) 2 = 3,9 m s p3 = 9810 N m3 (−5m) + 9810 N m3 ( 12m2/s2 2×9,81 m /s2 − 3,92m2/s2 2×9,81 m /s2 ) + 444175Pa p3 = 388020Pa Disciplina Fenômenos de Transporte Vimos que a equação de Bernoulli é uma equação de conservação de energia que possui diversas aplicações, tanto industrias, quanto comuns ao nosso dia a dia. Para entender mais a respeito da conexão entre os conceitos matemáticos e as questões de Engenharia, bem como abordar as diferentes aplicações dessa equação, acesse: CESAD. Referências https://cesad.ufs.br/ORBI/public/uploadCatalago/15323215102012Instrumentacao_para_o_Ensino_de_Fisica_I_Aula_10.pdf Disciplina Fenômenos de Transporte FOX, R. W.; MCDONALD, A. T.; PRITCHARD, P. J. Introdução à Mecânica dos Fluidos. 6ª ed. Rio de Janeiro: LTC, 2004. HALLIDAY, D. E.; RESNICK, R. Fundamentos de Física 2. 4ª ed., vol. 2. Rio de Janeiro: LTC, Livros Técnicos e Cientí�cos Editora S. A., 1991. WHITE, F. M. Fluid Mechanics. Nova York: Mc Graw Hill, 2002. Aula 2 Equação da energia Introdução Disciplina Fenômenos de Transporte Olá, estudante! Nesta aula, vamos abordar a equação da energia com a inserção de uma máquina no sistema. Sabendo que a energia não pode ser criada nem destruída, mas apenas transformada, é possível construir uma equação que permitirá fazer o balanço das energias – o que �zemos na aula anterior, com a de�nição da equação de Bernoulli. Entretanto, podemos ter uma máquina inserida no sistema, o que modi�ca a análise. A máquina é qualquer dispositivo que pode ser introduzido no escoamento e retira energia do sistema (nesse caso, turbinas) ou fornece-a (nesse caso, bombas) para ele, na forma de trabalho, como veremos no Bloco 1. Bons estudos! Máquinas e equação da energia Disciplina Fenômenos de Transporte A equação de Bernoulli calcula a carga total (H) do escoamento, a qual é constante ao longo de uma linha de corrente, considerando as hipóteses simpli�cadoras pertinentes, de acordo com a Equação (01). Entretanto, para chegarmos a essa equação, �zemos diversas hipóteses simpli�cadoras, como a eliminação da perda por atrito e do trabalho do eixo. Nosso intuito agora será remover a hipótese (e): “sem trabalho de eixo, ou seja, sem bombas, turbinas, ventiladores ou outros dispositivos que realizem trabalho (positivo ou negativo) no sistema”. Muitos sistemas de �uidos são projetados para transportar um �uido de um local para outro a uma taxa de �uxo, velocidade e diferença de elevação especi�cadas, e o sistema pode tanto gerar quanto consumir trabalho. Isto signi�ca que inseriremos máquinas nos nossos problemas. Elas poderão fornecer ou retirar energia desse processo de escoamento. O raciocínio a seguir será muito simples: ao adicionar máquinas ao sistema, devemos acrescentar um termo na equação de Bernoulli, referente ao trabalho de eixo realizado ou retirados pela máquina. Vamos, então, incluir esta quantidade de energia (na forma de carga de pressão) na igualdade acima, indicando-a por HM, conforme Equação (02). H1 = H2 H1 + HM = H2 Disciplina Fenômenos de Transporte Esses sistemas não envolvem a conversão de energia nuclear, química ou térmica em energia mecânica. Além disso, eles não envolvem nenhuma transferência de calor em quantidade signi�cativa e operam essencialmente a temperatura constante. Tais sistemas podem ser analisados convenientemente considerando apenas as formas mecânicas de energia e os efeitos de fricção que fazem com que a energia mecânica seja perdida (isto é, convertida em energia térmica que geralmente não pode ser usada para nenhum propósito útil). A energia mecânica pode ser de�nida como a forma de energia que pode ser convertida em trabalho mecânico completa e diretamente por um dispositivo mecânico ideal,como uma turbina ideal. As energias cinética e potencial são as formas familiares de energia mecânica. Entretanto, a energia térmica não é energia mecânica, uma vez que não pode ser convertida em trabalho direta e completamente (a segunda lei da termodinâmica). Uma bomba transfere energia mecânica para um �uido aumentando sua pressão, e uma turbina extrai energia mecânica de um �uido diminuindo sua pressão. Portanto, a pressão de um �uido �uindo também está associada à sua energia mecânica. Em relação às bombas, elas podem ter diferentes con�gurações, como bombas de deslocamento positivo, bombas rotativas, bombas centrífugas, entre outras. No momento, focaremos principalmente no aumento de pressão proporcionado ao �uido à medida que passa por uma bomba. O trabalho realizado pelo �uido na turbina é considerado uma perda de energia para o sistema de escoamento. Assim, caso a máquina em questão seja uma bomba ou um ventilador, por exemplo, o termo HM será positivo, pois estas máquinas fornecem energia para o �uido. Se a máquina for uma turbina, o termo HM será negativo, pois ela retira energia do �uido. Expandindo os termos anteriores com a equação de Bernoulli, obtemos a Equação (03). Entretanto, os conceitos de potência e de rendimento da máquina também estão relacionados ao trabalho que ela realiza, e serão abordados no próximo bloco. E�ciência e potência das máquinas z1 + v2 1 2g + p1 γ + HM = z2 + v2 2 2g + p2 γ Disciplina Fenômenos de Transporte Antes de aplicarmos a equação de energia, que engloba os conceitos de Bernoulli e de máquinas, é importante que você compreenda o conceito destas máquinas de forma apropriada. Como você sabe, pelo princípio de conservação da energia, a energia fornecida por uma bomba não surge do nada. Da mesma forma, a energia retirada por uma turbina não simplesmente desaparece. Ambas passam por um processo de transformação de energia. Por exemplo, se considerarmos uma bomba que utiliza eletricidade, transformamos energia elétrica em energia mecânica ao �uido; há também o processo inverso – uma turbina pode ser usada para transformar a energia mecânica do �uido em energia elétrica (como é o caso das usinas hidrelétricas). Por causa disso, é razoável a ideia de que tais máquinas possuem um input (entrada) e um output (saída) de energia. Isto nos leva ao conceito de rendimento ou e�ciência total (ηmáq) da máquina, de acordo com as Equações (04) e (05). Dessa forma, podemos perceber que a e�ciência (rendimento) é a razão entre a potência fornecida e a potência recebida pela máquina. Naturalmente, deve ser um valor entre 0 e 1. Uma e�ciência de 100% sugere que a conversão de energia foi perfeita, ou seja, sem efeitos de atrito ou outras irreversibilidades que convertam a energia elétrica ou mecânica em energia térmica. ηbomba = Potência recebida pelo fluido Potência da bomba ηturbina = Potência da turbina Potência cedida pelo fluido Disciplina Fenômenos de Transporte Utilizaremos a letra N para representar a potência teórica da máquina, seja ela uma bomba ou turbina. Observe que, ao usar a equação de Bernoulli com o termo HM, isso signi�ca que o resultado estará com dimensões de carga de pressão, ou seja, comprimento. Como geralmente estamos habituados a lidar com potências em unidade de trabalho (energia) por unidade de tempo (J/s ou W), a potência teórica da máquina propriamente dita pode ser avaliada pela Equação (06). Após a determinação da potência teórica, é preciso realizar a seleção da máquina, seja ela uma bomba, um ventilador ou uma turbina. Para tanto, são utilizadas curvas características e catálogos que são fornecidos pelos próprios fabricantes desses equipamentos. Em geral, os fabricantes fornecem grá�cos da capacidade energética da bomba, em termos de altura manométrica total, ou em função da vazão. Assim, conhecendo o processo e a potência necessária, podemos consultar esses grá�cos e determinar qual dos equipamentos se enquadram nas necessidades do processo. Além disto, em instalações hidráulicas, é preciso observar (e prevenir) a possibilidade de ocorrência de cavitação. Ela é um fenômeno que ocorre em máquinas hidráulicas devido às variações súbitas de pressão que a água pode sofrer com o movimento dos rotores das bombas e das turbinas. Este fenômeno consiste na implosão de pequenas bolhas de vapor, que chegam a provocar a erosão do metal dos rotores, reduzindo drasticamente sua vida útil. De maneira geral, a cavitação provoca perda de e�cácia e de rendimento da máquina hidráulica. Bomba ou turbina? N = γ.Q.HM Disciplina Fenômenos de Transporte É muito comum encontrarmos problemas da mecânica dos �uidos que envolvem linhas de escoamento onde está instalada uma máquina, seja uma bomba ou turbina. Além disso, se o �uido na linha é considerado ideal, então não há perda de carga; já se o �uido for real, então há perda de carga, o que deve ser considerado no equacionamento. Vamos considerar a seguinte situação: Uma empresa possui reservatório de água de grandes dimensões, conforme Figura 1. Este reservatório descarrega água para atmosfera através de uma tubulação com uma vazão de 10 L/s. A área da seção transversal dos dutos à jusante e à montante da máquina é a mesma e igual a 10 cm². Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 1 | Reservatório instalado na empresa. Se supormos que o �uido neste sistema é ideal, como podemos determinar se a máquina utilizada neste processo é uma bomba ou turbina? Nesse caso, como estamos interessados em saber se a máquina, que vamos denominar de M, é uma bomba ou turbina, temos que determinar a carga HM da máquina. Se a máquina for uma bomba, HM será positivo; se for uma turbina, HM será negativo. Conforme a Equação (02), temos que: Nosso objetivo é determinar o termo HM. Então, podemos rearranjar a Equação (02), isolando a diferença de carga entre os pontos (1) e (2), conforme Equação (07). Para H1 e H2, vamos utilizar a de�nição da equação de Bernoulli. A Equação (08) apresenta a expressão para H1. Contudo, de acordo com as informações fornecidas, a Equação (08) pode ser simpli�cada. Como a pressão no ponto (1) é atmosférica, podemos considerar somente a pressão manométrica, então podemos fazer P1 = 0. Como o reservatório é de grandes proporções, podemos considerar que a superfície é calma e, portanto, v1 = 0. Com isso, H1 se reduz à altura piezométrica do ponto (1), que pode ser observada na Figura 1, conforme Equação (09). Aplicando o mesmo raciocínio para H2, obtemos a Equação (10): H1 + HM = H2 HM = H2 − H1 H1 = z1 + v2 1 2g + p1 γ H1 = z1 = 20m Disciplina Fenômenos de Transporte Entretanto, no ponto (2), a única simpli�cação que podemos fazer é a da descarga atmosférica, semelhante ao caso no ponto (1), então P2 = 0. Assim, temos a Equação (11) para H2. A velocidade V2 no ponto (2) pode ser determinada por meio da vazão volumétrica fornecida no enunciado (Q = 10 L/s) e da área transversal do duto mostrado na �gura no ponto (2) (A = 10 cm²). Colocando as unidades de Q e A no SI, obtemos: Substituindo v2 e z2 (Figura 1) na Equação (11), e considerando que a gravidade é igual a 10 m/s2, obtemos o valor de H2, como mostra a Equação (12): Assim, substituindo as Equações (09) e (12) na Equação (07) e resolvendo para HM, obtemos a Equação (13): Como HMvariados processos. O foco principal será determinar o equacionamento destas máquinas, baseado nos conceitos vistos nas aulas anteriores, como a equação de Bernoulli. Saiba mais O escoamento dos �uidos e sua interação com os mecanismos de promoção e controle são regidos pelas leis da mecânica aplicadas aos meios contínuos. O estudo disso originou a disciplina conhecida como mecânica dos �uidos. Para saber mais sobre o assunto, acesse: http://repositorio.eesc.usp.br/bitstream/handle/RIEESC/7516/Introdu%C3%A7%C3%A3o%20%C3 %A0s%20m%C3%A1quinas%20hidr%C3%A1ulicas.pdf?sequence=1 Referências http://repositorio.eesc.usp.br/bitstream/handle/RIEESC/7516/Introdu%C3%A7%C3%A3o%20%C3%A0s%20m%C3%A1quinas%20hidr%C3%A1ulicas.pdf?sequence=1 http://repositorio.eesc.usp.br/bitstream/handle/RIEESC/7516/Introdu%C3%A7%C3%A3o%20%C3%A0s%20m%C3%A1quinas%20hidr%C3%A1ulicas.pdf?sequence=1 Disciplina Fenômenos de Transporte FOX, R. W.; MCDONALD, A. T.; PRITCHARD, P. J. Introdução à Mecânica dos Fluidos. 6ª ed. Rio de Janeiro: LTC, 2004. HALLIDAY, D. E.; RESNICK, R. Fundamentos de Física 2. 4ª ed., vol. 2. Rio de Janeiro: LTC, Livros Técnicos e Cientí�cos Editora S. A., 1991. WHITE, F. M. Fluid Mechanics. Nova York: Mc Graw Hill, 2002. Aula 3 Escoamento permanente de um �uido incompressível em conduto fechado Introdução Disciplina Fenômenos de Transporte Olá, estudante! Nesta aula, vamos abordar o seguinte fenômeno: imagine que um �uido passa sobre uma superfície; suas moléculas próximas ao objeto sofrem uma perturbação. As moléculas logo acima da superfície são desaceleradas em suas colisões com as moléculas que aderem à superfície. Essas moléculas, por sua vez, diminuem o �uxo logo acima delas. Quanto mais se afastam da superfície, menos colisões são afetadas pela superfície do objeto. Isso cria uma �na camada de �uido perto da superfície na qual a velocidade muda de zero na superfície para o valor de �uxo livre longe da superfície. Os engenheiros chamam essa camada de camada limite porque ocorre no limite do �uido. Bons estudos! Camada limite em placas planas Disciplina Fenômenos de Transporte Avançando nos estudos da dinâmica dos �uidos, um conceito muito importante para os fenômenos de transporte é o da camada limite. Ela é de�nida como a região na qual o �uxo se ajusta da velocidade nula (zero) na parede até um máximo na corrente principal do �uxo. A compreensão deste conceito é fundamental para a compreensão dos escoamentos em si. Da mesma forma, como uma camada limite de velocidade se desenvolve quando o �uido �ui sobre uma superfície, uma camada limite térmica deve se desenvolver se a temperatura do corpo e a temperatura da superfície diferirem. Em geral, quando um �uido �ui sobre uma superfície estacionária, por exemplo, a placa plana, o leito de um rio ou a parede do tubo, o �uido que toca a superfície é levado ao repouso pela tensão de cisalhamento na parede (vide a seção de Saiba Mais). A camada limite é a região na qual o �uxo se ajusta de velocidade zero na parede até um máximo no �uxo principal do �uxo. O conceito de camadas limite é importante em toda dinâmica de �uidos viscosos e na teoria da transferência de calor, já que ajuda a explicar como esses eventos ocorrem. A Figura 1 representa a distribuição de velocidade na camada limite para diferentes posições. Antes de atingir a placa, o per�l de velocidade é uniforme ( ). Com o aumento da distância do bordo de ataque, a espessura δ de �uido retardado aumenta. u0 Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 1 | Desenvolvimento da camada limite em uma placa plana. Fonte: adaptada pela autora a partir de Wikimedia Commons. A camada limite pode ser laminar ou turbulenta, dependendo do valor do número de Reynolds. A camada limite é laminar para números de Reynolds menores, e a velocidade no sentido do �uxo muda uniformemente ( ) à medida que nos afastamos da parede, conforme mostrado na Figura 1. À medida que o número de Reynolds aumenta (com x), o �uxo torna-se instável. Finalmente, a camada limite é turbulenta para números de Reynolds mais altos, e a velocidade no sentido do �uxo é caracterizada por �uxos turbulentos instáveis (mudança com o tempo) dentro da camada limite. A transição da camada limite laminar para turbulenta ocorre quando o número de Reynolds em x (posição no eixo x) excede Rex ≈ 500.000. A transição pode ocorrer mais cedo, mas depende principalmente da rugosidade da superfície. A camada limite turbulenta engrossa mais rapidamente do que a camada limite laminar devido ao aumento da tensão de cisalhamento na superfície do corpo. A espessura da camada limite (δ) é de�nida como a distância da parede até o ponto onde a velocidade do �uxo da camada limite é igual a 99% da velocidade do “�uxo livre”. Para camadas limite laminares, escoando sobre uma placa plana, a solução de Blasius das equações que governam o �uxo fornecem a equação para determinação da camada limite – Equação (01). Em que Rex é o número de Reynolds baseado no comprimento da placa. Para um �uxo turbulento, a espessura da camada limite é dada pela Equação (02). u(y) δ ≈ 5,0 √Rex x δ ≈ 0,37 Re 1/5 x x Disciplina Fenômenos de Transporte Esta equação foi derivada com várias suposições. A fórmula da espessura da camada limite turbulenta assume que o �uxo é turbulento desde o início da camada limite. Entretanto, isso é válido apenas para placa plana. Quando trabalhamos com tubos, dutos ou condutos, o equacionamento é diferente, como veremos no próximo bloco. Camada limite em condutos forçados Os condutos forçados são aqueles nos quais a pressão interna é diferente da pressão atmosférica. Nesse tipo de conduto, as seções transversais são sempre fechadas e o �uido circulante as enche completamente. O movimento pode se efetuar em qualquer sentido do conduto; útil e que, de maneira geral, provoca perda de e�cácia e de rendimento da máquina hidráulica. A camada limite desempenha um papel importante no �uxo através de tubos. Na entrada do tubo, muitas vezes há uma distribuição de velocidade constante. Uma camada limite é formada na parede e sua espessura aumenta com o aumento da distância à jusante da entrada do tubo. O �uxo do núcleo que ainda não foi afetado pelo atrito é acelerado até que, após uma distância su�ciente, a camada limite tenha crescido até sua largura total. A partir deste ponto à jusante (A), o per�l de velocidade do �uxo do tubo permanece inalterado, conforme mostrado na Figura 2. Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 2 | Camada limite no escoamento em condutos. Fonte: adaptada pela autora a partir de Guia da Engenharia. Considere um �uxo uniforme entrando em um tubo. Assim que este �uxo atinge o tubo, muitas mudanças ocorrem. A mais importante delas é que a viscosidade se impõe ao �uxo e a condição de não escorregamento na parede do tubo entra em vigor. Consequentemente, as componentes da velocidade são zero na parede, ou seja, u = v = 0. O �uxo adjacente à parede desacelera continuamente. Temos uma camada próxima ao corpo onde a velocidade aumenta lentamente de zero na parede até uma velocidade uniforme em direção ao centro do tubo. Essa camada é chamada de camada limite. Os efeitos viscosos são dominantes dentro da camada limite. Fora desta camada está o núcleo invíscido, para o qual os efeitos viscosos são desprezíveis ou ausentes. A camada limite não é um fenômeno estático; é dinâmico e cresce, o que signi�ca que sua espessura aumenta à medida que nos movemos à jusante. A camada limite das paredes cresce de tal forma que todas se fundem na linha central do tubo. Uma vez que isso ocorre, o núcleo invíscido termina e o �uxo é totalmente viscoso. O �uxo agora é chamado de �uxo totalmente desenvolvido. O per�l de velocidade torna-se parabólico (Figura 2). Uma vez que o �uxo esteja totalmente desenvolvido, o per�l de velocidade não varia na direção do �uxo. De fato, nesta região, o gradiente de pressão e a tensão de cisalhamento no �uxo estão em equilíbrio. O comprimento do tubo entre o início e o ponto onde o �uxo totalmentedesenvolvido começa é chamado de comprimento de entrada. Denotado por Le, o comprimento de entrada é uma função do número de Reynolds do �uxo e expresso pelas Equações (03) e (04). Para �uxo laminar: Para �uxo turbulento: Em condição crítica, ou seja, Red = 2300, o Le/d para um �uxo laminar é 138. Sob condições turbulentas, varia de 18 (em Red = 4000) a 95 (em Red = 108). Le d ≈ 0,06Red Le d ≈ 4,4Re1/6 d Disciplina Fenômenos de Transporte Entendendo condutos É muito comum encontrarmos problemas da mecânica dos �uidos que envolvem condutos. Vimos anteriormente que conduto é qualquer estrutura sólida destinada ao transporte de �uidos. Os condutos são classi�cados quanto ao comportamento dos �uidos em seu interior: podem ser forçados ou livres. Os condutos livres e os condutos forçados, embora tenham pontos em comum, diferem em um importante aspecto: os livres apresentam superfície livre sobre a qual atua a pressão atmosférica; enquanto, nos condutos forçados, o �uído enche totalmente a secção e escoa com pressão diferente da atmosférica. No que se refere às semelhanças entre estes condutos, os problemas apresentados pelos canais são mais difíceis de se resolverem, porque a superfície livre pode variar no tempo e no espaço e, em consequência, a profundidade de escoamento, a vazão, a declividade do fundo do canal e a da superfície livre são grandezas interdependentes. De modo geral, a secção transversal do conduto forçado é circular, enquanto nos condutos livres pode assumir qualquer outra forma. No conduto forçado, as rugosidades das paredes internas têm menor variedade do que a do conduto livre, que pode ser lisa ou irregular, como a dos canais naturais. Além disto, a rugosidade das paredes pode variar com a profundidade do escoamento e, consequentemente, a seleção do coe�ciente de atrito é cercada de maiores incertezas do que no caso de condutos forçados. Os elementos geométricos constituem propriedades da secção transversal do canal, as quais podem ser caracterizadas pela forma geométrica e pela altura de água. Estes elementos são Disciplina Fenômenos de Transporte indispensáveis ao dimensionamento hidráulico. Os elementos geométricos que merecem destaque são: Altura de água ou profundidade de escoamento (h): distância vertical entre a superfície livre e a base do canal. Na prática, é comum desprezar o efeito da declividade no canal (I) sobre a medida de (h), em função do cosseno do ângulo, por ser um erro muito pequeno. Área molhada (AM): área da secção transversal ocupada pela água. Perímetro molhado (σ): comprimento da linha de contato entre a água e as paredes e o fundo do canal ou trecho do período, da seção de área A, em que o �uido está em contato com a parede do conduto. Raio hidráulico (RH): resultado da divisão da área molhada pelo perímetro molhado, conforme Equação (05). Diâmetro hidráulico (DH): de�nido como quatro vezes o raio hidráulico, conforme Equação (06). A determinação do diâmetro hidráulico pode ser crucial no projeto e na implementação de certos sistemas que lidam com o �uxo de �uidos. Para projetar contra condições turbulentas em orifícios não circulares, a determinação do valor torna-se necessária. Por exemplo, quando se trata do �uxo controlado de misturas de lama na tubulação, o �uxo turbulento torna-se uma possibilidade e a utilização de tubulações e condutos que consideram condições turbulentas e laminares torna o valor crucial nas considerações de projeto para sistemas operacionais seguros e adequados. Como resultado, os sistemas podem sofrer tensões desnecessárias nas juntas, válvulas e outros componentes com os quais você pode lidar na fase inicial do projeto. Por �m, em combinação com o número de Reynolds, os diâmetros hidráulicos desempenham um papel importante na simulação e predeterminação dos parâmetros de projeto que lidam com o �uxo viscoso. Outro elemento que merece atenção é a rugosidade. Os condutos apresentam asperezas nas paredes internas que in�uem na perda de carga dos �uidos em escoamento. Em geral, tais asperezas não são uniformes, mas apresentam uma distribuição aleatória tanto em altura como em disposição. No entanto, para efeito de estudo, supõe-se inicialmente que as asperezas tenham altura e distribuição uniformes. A altura uniforme das asperezas será indicada por ε e denominada “rugosidade uniforme”. Para efeitos do estudo das perdas no escoamento de �uidos, é fácil compreender que elas não dependem diretamente da rugosidade, mas do quociente DH/ε que será chamado “rugosidade relativa”. Videoaula: Escoamento permanente de um �uido incompressível em conduto fechado RH = A σ DH = 4RH Disciplina Fenômenos de Transporte Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Nesta videoaula, vamos introduzir algumas de�nições e conceitos utilizados na abordagem de camada limite para diferentes geometrias, e que tem relação com o escoamento de um �uido escoa sobre uma superfície sólida. Também serão abordadas outras de�nições importantes para o estudo de escoamento e de mecânica dos �uidos, como rugosidade e raio e diâmetro hidráulico. Saiba mais Diversas operações nas indústrias envolvem a utilização de �uidos em seus processos. O estudo completo do comportamento e das características desses �uidos, como a tensão de cisalhamento, por exemplo, é necessário para a determinação de suas aplicações em diferentes equipamentos, como bombas, tubulações, trocadores de calor, misturadores, entre outros. Saiba mais em: PUC-Rio. https://www.puc-rio.br/ensinopesq/ccpg/pibic/relatorio_resumo2017/relatorios_pdf/ctc/MEC/MEC-Camila%20Moreira%20Costa.pdf Disciplina Fenômenos de Transporte Referências FOX, R. W.; MCDONALD, A. T.; PRITCHARD, P. J. Introdução à Mecânica dos Fluidos. 6ª ed. Rio de Janeiro: LTC, 2004. HALLIDAY, D. E.; RESNICK, R. Fundamentos de Física 2. 4ª ed., vol. 2. Rio de Janeiro: LTC, Livros Técnicos e Cientí�cos Editora S. A., 1991. WHITE, F. M. Fluid Mechanics. Nova York: Mc Graw Hill, 2002. Aula 4 Perda de carga em um escoamento interno Introdução Disciplina Fenômenos de Transporte Olá, estudante! Nesta aula, vamos abordar a perda de energia, chamada de perda de carga. Trata-se de um fenômeno que ocorre durante o escoamento dos �uidos em uma tubulação sob pressão, devido à resistência da parede ao processo de escoamento. A perda de carga pode ser classi�cada em distribuída (aquela que ocorre em trechos de tubulação retilíneos e de diâmetro constante) ou localizada (aquela que ocorre em trechos da tubulação onde há presença de acessórios, sejam eles: válvulas, curvas, derivações, registros ou conexões, bombas, turbinas e outros). A perda de carga pode ser determinada por meio de diferentes equações, como a equação de Darcy, por exemplo. Entretanto, um ponto importante que deve ser considerado nessas equações é o fator de atrito – que pode ser determinado pela utilização do diagrama de Moody. Bons estudos! Perdas de carga Disciplina Fenômenos de Transporte Analisaremos a equação da energia não considerando mais o �uido como ideal. Isto signi�ca que os efeitos da viscosidade (atrito) entram em jogo e precisam ser equacionados. Mantidas as hipóteses de regime permanente, �uido incompressível, escoamento uniforme na seção e sem troca de calor com o meio, temos que a equação de Bernoulli pode ser reescrita conforme a Equação (01): Por ser essencialmente uma perda de energia do escoamento, o termo Hp1,2 é geralmente chamado de “perda de carga”. Na prática, esta expressão é utilizada para se referir a diversas perdas de energia do escoamento relacionadas à tubulação, englobando outros fatores além do atrito, como curvas e cotovelos na tubulação ou a presença de válvulas e outros dispositivos. Dessa forma, a partir da equação de Bernoulli, com a presença de uma máquina entre dois pontos, (1) e (2), e considerando a dissipação de energia por efeitosviscosos, podemos escrever a equação da energia conforme a Equação (02): A perda de carga pode ser convertida para a forma de potência dissipada, por meio da Equação (03). H1 = H2 + Hp1,2 z1 + v2 1 2g + p1 γ + HM = z2 + v2 2 2g + p2 γ + Hp1,2 Disciplina Fenômenos de Transporte Existem essencialmente dois tipos de perda de carga que ocorrem em um circuito hidráulico: distribuída e localizada. Quanto maior a perda de carga distribuída e localizada, mais energia deve ser fornecida ao �uido para garantir o desempenho do sistema. A perda de carga distribuída é uma perda de pressão causada pelo atrito que o �uido encontra à medida que �ui. A perda é diretamente proporcional ao comprimento do circuito; por isso, falamos de perda distribuída ao longo de todo o comprimento da tubulação. Essas quedas de pressão são diretamente proporcionais à viscosidade e velocidade do �uido. Quanto mais viscoso for um �uido, maior será o atrito entre suas camadas conforme ele se move; da mesma forma, se a velocidade for dobrada, a perda de carga torna-se quatro vezes maior devido ao atrito gerado. A perda de carga é inversamente proporcional à seção da tubulação. Nas mesmas condições de vazão, se o diâmetro do tubo diminuir, a perda de carga aumenta consideravelmente após o aumento da velocidade. Outros elementos, como a rugosidade da superfície interna da tubulação, também in�uenciam na perda de carga distribuída em um circuito hidráulico. Já a perda de carga localizada ou concentrada é resultado de elementos de circuito único. Pode estar vinculada à construção do sistema, por exemplo, se houver conexões, curvas, junções ou variações de seção, ou pode depender do �uxo de �uido dentro de componentes, como válvulas hidráulicas. Em todos esses casos, é gerada uma resistência que causa dissipação de energia e, como resultado, perda de carga. Uma das equações que ajudam a determinar a perda de carga é a equação de Darcy, que veremos no próximo bloco. Equação de Darcy Ndiss = γ.Q.Hp1,2 Disciplina Fenômenos de Transporte Em 1856, Henry Darcy investigou o �uxo de água através de �ltros de areia para �ns de puri�cação de água. Nesse experimento, ele fez as seguintes suposições: 1. Fluxo monofásico (somente água). 2. Meio poroso homogêneo (areia). 3. Fluxo vertical. 4. Fluido não reativo (água). 5. Geometria única. Depois de muito estudo e principalmente observações, Darcy foi o primeiro a apresentar um estudo e fórmula que resumisse uma perda de pressão no escoamento devido ao atrito do �uido com a superfície interna do tubo. Desta forma, quanto mais velho e rugoso for a parede interna da tubulação ou mais viscoso for o �uido, maior será a perda de pressão ou energia hidráulica ao longo da tubulação. Quando o �uido �ui dentro de uma tubulação, ocorre atrito entre o �uido em movimento e a parede estacionária do tubo. Esse atrito converte parte da energia hidráulica do �uido em energia térmica. Essa energia térmica não pode ser convertida de volta em energia hidráulica, então o �uido sofre uma queda de pressão. Essa conversão e perda de energia é conhecida como perda de carga. A perda de carga em uma tubulação com �uidos newtonianos pode ser determinada usando a equação de Darcy, apresentada na Equação (04): hL = f L D v2 2g Disciplina Fenômenos de Transporte A Equação (04) pode ser reescrita, em outros termos, como a Equação (05): Em que: hL = Perda de carga. f = Fator de atrito de Darcy. L = Comprimento do tubo. D = Diâmetro interno do tubo. v = Velocidade do �uido. g = Constante gravitacional. d = Diâmetro interno do tubo. Q = Vazão volumétrica. A equação de Darcy fornece informações sobre os fatores que afetam a perda de carga em uma tubulação. Se o comprimento do tubo for dobrado, a perda de carga também dobrará. Se o diâmetro interno do tubo for dobrado, a perda de carga será reduzida pela metade. Se a taxa de �uxo for dobrada, a perda de carga aumentará por um fator de quatro. Com exceção do fator de atrito de Darcy, cada um desses termos pode ser facilmente medido. Nesse caso, poucas informações sobre as propriedades do �uido do processo ou a rugosidade da superfície no interior do material do tubo estão disponíveis. Embora esses fatores pareçam para a maioria das pessoas ter um efeito sobre a perda de carga, a equação de Darcy não os considera. Apesar dessas limitações, uma aplicação da lei de Darcy é o �uxo de água através de um aquífero. A lei de Darcy com a equação de conservação de massa é equivalente à equação de �uxo de águas subterrâneas, sendo uma das relações básicas da hidrogeologia. A lei de Darcy também é aplicada para descrever �uxos de petróleo, gás e água através de reservatórios de petróleo. Fator de atrito hL = 0,0311fL Q2 d3 Disciplina Fenômenos de Transporte Como podemos encontrar o fator de atrito para calcularmos a perda de carga? O fator de atrito “f”, apresentado anteriormente, pode ser obtido por meio de tabelas ou por meio do diagrama de Moody. Em 1944, L. F. Moody traçou os dados da equação de Colebrook e o grá�co resultante �cou conhecido como o diagrama de Moody. Foi este grá�co que primeiro permitiu ao usuário obter um fator de atrito razoavelmente preciso para condições de �uxo turbulento, com base no número de Reynolds e na rugosidade relativa do tubo. Na Figura 1, podem ser identi�cadas linhas que traçam o fator de atrito para diferentes tipos de �uxo (laminar, turbulento e transição). Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 1 | Diagrama de Moody. Fonte: Wikimedia Commons. Para ler um grá�co Moody, primeiro é necessário determinar a rugosidade relativa do tubo, ε/D. ε é a altura da rugosidade das paredes internas do tubo e está publicada em diversas tabelas como, por exemplo, o Quadro 1. Quadro 1 | Rugosidade de tubulação de diferentes materiais Material da Tubulação Rugosidade ε (mm) Aço inox 0,002 Aço comercial 0,046 Cobre 0,002 Plástico 0,0015 Vidro Liso Concreto liso 0,04 Borracha lisa 0,01 Fonte: elaborado pela autora. Em seguida, calcule o número de Reynolds para o �uxo de �uido. O número de Reynolds é calculado pela Equação (06). Re = ρvD μ Disciplina Fenômenos de Transporte Em que: ρ é a massa especí�ca do �uido. v é a velocidade média do �uido. D é o diâmetro interno do tubo. µ é a viscosidade dinâmica do �uido. Os passos seguintes são: encontre a curva correspondente à rugosidade relativa no lado direito do diagrama de Moody. Em seguida, localize o número de Reynolds na parte inferior do grá�co e descubra onde o número de Reynolds intercepta a curva de cima. Finalmente, estime o fator de atrito olhando horizontalmente da interseção entre a rugosidade relativa e o número de Reynolds para o eixo esquerdo. Para entendermos melhor este diagrama, precisamos entender que o fator de atrito para �uxo laminar é determinado pela Equação (07). Quando o �uxo ocorre entre as condições de �uxo laminar e turbulento (Re 2300 a Re 4000), a condição de �uxo é conhecida como crítica e é difícil de prever. Aqui o �uxo não é totalmente laminar nem totalmente turbulento. É uma combinação das duas condições de �uxo. Já o fator de atrito para �uxo turbulento (Re > 4000) é calculado usando a equação de Colebrook- White, apresentada na Equação (08). Devido à formação implícita da equação de Colebrook-White, o cálculo do fator de atrito requer uma solução iterativa por meio de métodos numéricos. Mesmo tendo o diagrama de Moody em mãos, achar o fator “f” não é simples, pois, para tal, é necessário saber ou medir a rugosidade do tubo e ainda calcular o número de Reynolds para depois aplicar o diagrama. Diante desse fato, às vezes, complicado, mais fácil é medir diretamente com equipamentos eletrônicos a perda de carga “dP” entre dois pontos conhecidos e com o mesmo equipamento ou qualquer outro auxiliar medir a velocidade e então achar o “f” pela formula de Darcy. Vamos agora aos exercícios! Videoaula: Perda de carga em um escoamento interno Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador oupelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. f = 64 Re 1 √f = 1,14 − 2log10( e D + 9,35 Re√f ) Disciplina Fenômenos de Transporte Nesta videoaula, vamos introduzir conceitos importantes para a determinação da perda de carga em um escoamento. Também serão abordados os tipos de perdas de carga, bem como todo o equacionamento e cálculo relacionado a essa determinação, como a equação de Darcy e o diagrama de Moody. Saiba mais De quais parâmetros a perda de carga é dependente? Ela varia com o diâmetro da tubulação e com a pressão? Para saber mais sobre o assunto, acesse: Scielo. Referências https://www.scielo.br/j/rbeaa/a/dMBPB3djzSN4K45fwsSJ76p/abstract/?lang=pt Disciplina Fenômenos de Transporte FOX, R. W.; MCDONALD, A. T.; PRITCHARD, P. J. Introdução à Mecânica dos Fluidos. 6ª ed. Rio de Janeiro: LTC, 2004. HALLIDAY, D. E.; RESNICK, R. Fundamentos de Física 2. 4ª ed., vol. 2. Rio de Janeiro: LTC, Livros Técnicos e Cientí�cos Editora S. A., 1991. WHITE, F. M. Fluid Mechanics. Nova York: Mc Graw Hill, 2002. Aula 5 Revisão da Unidade Equação de Bernoulli, máquinas e perda de carga Disciplina Fenômenos de Transporte Olá, estudante! A equação do balanço de energia para sistemas em regime permanente, sem geração e sem consumo de energia, considera a energia na forma de energia potencial, de pressão e energia cinética. A soma dessas três energias, fornece a de�nição de Energia Mecânica (Equações 01 e 02). Considerando a entrada do sistema como (1) e a saída como (2), obtemos a Equação (03). A Equação (03) ainda pode ser simpli�cada se considerarmos que o �uido em estudo é incompressível e que as propriedades permanecem uniformes nas seções do escoamento. Aplicando essas hipóteses simpli�cadoras à Equação (03), ela pode ser simpli�cada na Equação (04). A Equação (04) é a equação de Bernoulli. No entanto, podemos fazer mais uma simpli�cação, que consiste em dividir a equação de Bernoulli pela gravidade (g) e utilizar a relação do peso especí�co, de�nido como γ = ρ.g. Dessa forma, obtém-se a Equação (05). Ė1 = Ė2 EP1 + EC1 + EPr1 = EP2 + EC2 + EPr2 m1. g. z1 + m1.v2 1 2 + p1dV1 = m2. g. z2 + m2.v2 2 2 + p2dV2 g. z1 + v2 1 2 + p1 ρ = g. z2 + v2 2 2 + p2 ρ Disciplina Fenômenos de Transporte Sem embargo, muitos dos sistemas reais utilizam uma máquina para o �uxo. Assim, caso a máquina em questão seja uma bomba ou um ventilador, por exemplo, o termo HM será positivo, pois estas máquinas fornecem energia para o �uido. Se a máquina for uma turbina, o termo HM será negativo, pois ela retira energia do �uido. Expandindo os termos anteriores com a equação de Bernoulli, obtemos a Equação (06). Ainda sim, a experiência não con�rma rigorosamente o teorema de Bernoulli, porque os �uidos reais se afastam do modelo perfeito. A viscosidade e o atrito são os principais responsáveis pela diferença; o escoamento somente ocorre com uma perda de energia: a perda de carga, conforme Equação (07). A perda de carga em uma tubulação com �uidos newtonianos pode ser determinada usando a equação de Darcy, apresentada na Equação (08): A Equação (08) pode ser reescrita, em outros termos, como a Equação (09): Em que: hL = Perda de carga. f = Fator de atrito de Darcy. L = Comprimento do tubo. D = Diâmetro interno do tubo. v = Velocidade do �uido. g = Constante gravitacional. d = Diâmetro interno do tubo. Q = Vazão volumétrica. Um conceito muito importante para os fenômenos de transporte é o da camada limite. É de�nida como a região na qual o �uxo se ajusta da velocidade nula (zero) na parede até um máximo na corrente principal do �uxo; sua compreensão é fundamental para a compreensão dos escoamentos em si. Em geral, quando um �uido �ui sobre uma superfície estacionária, por exemplo, a placa plana, o leito de um rio ou a parede do tubo, o �uido que toca a superfície é levado ao repouso pela z1 + v2 1 2g + p1 γ = z2 + v2 2 2g + p2 γ z1 + v2 1 2g + p1 γ + HM = z2 + v2 2 2g + p2 γ z1 + v2 1 2g + p1 γ + HM = z2 + v2 2 2g + p2 γ + Hp1,2 hL = f L D v2 2g hL = 0,0311fL Q2 d3 Disciplina Fenômenos de Transporte tensão de cisalhamento na parede. A camada limite é a região na qual o �uxo se ajusta de velocidade zero na parede até um máximo no �uxo principal do �uxo. Videoaula: Revisão da Unidade Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Nesta videoaula, vamos fazer um apanhado geral dos diversos assuntos abordados ao longo da Unidade, principalmente em relação ao balanço de energia no �uxo de um �uido, abordando a equação de Bernoulli, e depois introduzindo conceitos de máquinas (bombas e turbinas) bem como o de perda de carga e o de camada limite do escoamento. Estudo de caso Para contextualizar sua aprendizagem, imagine que você trabalha para uma empresa cujo processo necessita do escoamento de um determinado óleo de um tanque para o outro. Disciplina Fenômenos de Transporte Como encarregado deste processo, você sabe que esse óleo apresenta as seguintes características: viscosidade cinemática = 1,1.10−4 2/ e peso especí�co = 8829 / 3, à temperatura ambiente; ele escoa no interior de um tubo inclinado, diâmetro 0,0127 . Você também está ciente de que esse escoamento é lento, que ocorre em regime laminar e que a vazão do escoamento é de 0,142 3/ , através de um tubo inclinado cujo ângulo é de = 30° (Figura). Com base nessas informações, você deseja determinar qual a variação da pressão interna, a cada metro, entre dois pontos quaisquer – como você realizaria esse processo? Figura 1 | Representação grá�ca do Estudo de caso. Dados: g = 10 m/s2. Sugestão: para os cálculos, considere duas seções quaisquer, 1 e 2, distantes 1 . ______ Re�ita A viscosidade cinemática de um �uido tem uma in�uência signi�cativa na velocidade do escoamento desse �uido em sistemas e dutos. A relação entre a viscosidade cinemática e a velocidade do escoamento é geralmente descrita pela Lei de Newton da Viscosidade, que é uma das leis fundamentais da mecânica dos �uidos. Fluidos com baixa viscosidade cinemática têm uma maior taxa de cisalhamento e, portanto, tendem a �uir mais facilmente com velocidades mais altas para um gradiente de velocidade dado. Já �uidos com alta viscosidade cinemática têm uma menor taxa de cisalhamento e, portanto, tendem a �uir mais lentamente com velocidades mais baixas para o mesmo gradiente de velocidade. Pensando em aplicações práticas, no projeto de tubulações, quais grandezas são determinadas utilizando a viscosidade cinemática no seu cálculo? Disciplina Fenômenos de Transporte Videoaula: Estudo de caso Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estamos considerando condições de operação em regime permanente, sem troca térmica com o ambiente, �uido incompressível, escoamento completamente desenvolvido e sem a presença de máquinas ou singularidades. Considerando duas seções quaisquer, 1 e 2, distantes 1 . Aplicando a equação da energia entre esses pontos, tem-se: Como o escoamento é laminar, analisando o diagrama de Moody, temos que o coe�ciente da perda de carga distribuída, para esse regime, vale: Como no problema não existem perdas de carga devido a singularidades, tem-se: Aplicando a equação da continuidade entre os pontos 1 e 2, tem-se: Pela �gura, temos que (considerando ) Como 1 = 2, tem-se: H1 = H2 + Hp1,2 z1 + v2 1 2g + p1 γ = z2 + v2 2 2g + p2 γ + Hp1,2 f = 64 Re = 64μ ρvD Hp1,2 = 64μ ρvD Lv2 D2g z1 + v2 1 2g + p1 γ = z2 + v2 2 2g + p2 γ + 64μ ρvD Lv2 D2g v = Q A = 0,142 m3 h 1h 3600s π(0,0127)2 4 = 0,31 m/s L = 1m sen 30°= z1−z2 L z1 − z2 = 0,5 m p1−p2 γ = z2 − z1 + 64μ ρvD Lv2 D2g DisciplinaFenômenos de Transporte Da de�nição de viscosidade cinemática: Resumo Visual ν = μ ρ p1−p2 γ = z2 − z1 + 64ν vD Lv2 D2g p1−p2 γ = −0,5 m + 64×1,1.10−4 m2 s ×1m×0,31 m s (0,0127)2 m2×2×10 m s2 p1−p2 γ = −0,5 m + 0,68 m p1−p2 8829 N m2 = 0,18m p1 − p2 = 1589,22 N m2 Disciplina Fenômenos de Transporte Fonte: elaborada pela autora. Disciplina Fenômenos de Transporte Referências FOX, R. W.; MCDONALD, A. T.; PRITCHARD, P. J. Introdução à Mecânica dos Fluidos. 6ª ed. Rio de Janeiro: LTC, 2004. HALLIDAY, D. E.; RESNICK, R. Fundamentos de Física 2. 4ª ed., vol. 2. Rio de Janeiro: LTC, Livros Técnicos e Cientí�cos Editora S. A., 1991. WHITE, F. M. Fluid Mechanics. Nova York: Mc Graw Hill, 2002. , Unidade 3 Introdução à transferência de calor Aula 1 Introdução à condução Introdução Disciplina Fenômenos de Transporte Olá, estudante! Nesta unidade, você vai aprender os conceitos que estão relacionados à transferência de calor. Você já pensou como um �uido é resfriado ou aquecido? Podemos imaginar que, no nível microscópico, as moléculas com maior quantidade de calor (consequentemente, mais agitadas) transmitem calor para as moléculas mais lentas que estão em menor temperatura e em uma determinada distância e tempo. A energia não pode ser observada com nossos olhos; porém, podemos sentir a mudança de temperatura, assim como visualizar a mudança de estado. Como essa transferência de calor ocorre? Existem três mecanismos para isso: condução, convecção e radiação. Eles transferem calor para �uidos e superfícies por meios distintos e com vastas aplicações na engenharia. Nesta aula, vamos iniciar esse processo de aprendizagem pelo mecanismo de condução. Bons estudos! Condução unidimensional em regime estacionário Disciplina Fenômenos de Transporte Calor é a transferência de energia que ocorre em um espaço delimitado que chamamos de contorno. Ela é ocasionada pela diferença de temperatura entre o sistema onde está ocorrendo a transferência e o seu meio. Geralmente quando pensamos em aplicações de engenharia, como os trocadores de calor, é interessante que o equipamento seja isolado para não transmitir calor ao ambiente, causando um desperdício de energia. Esse processo denomina-se adiabático e apresenta transmissão de calor nula com o ambiente; nesse caso, os mecanismos de transferência de calor atuam no interior do equipamento. Chamamos de Q o calor transmitido da região 1 para uma região 2; em um processo de transferência de calor, temos a �nalidade de calcular a taxa de transferência designada como q, e que pode ser representada por unidade de massa, por área (Equação1), por comprimento (Equação 2) e por volume. As representações por área e comprimento são as mais utilizadas em aplicações de engenharia. Nesse caso, o calor é aplicado com o conceito de �uxo; utiliza-se a simbologia , que representa o �uxo de calor e a unidade no sistema internacional (SI) é watts (W). Em que q é a taxa de transferência de calor (W/m2), é o �uxo de calor (W) e A é a área de troca térmica. Q ̇, q = Q̇ A (1) Disciplina Fenômenos de Transporte Em que q é a taxa de transferência de calor (W/m2), é o �uxo de calor (W) e L é comprimento ao longo do qual ocorre a transferência de calor. Conhecendo esses conceitos, podemos adentrar na teoria que envolve o primeiro mecanismo de transferência de calor: a condução. Ela representa a transferência de calor que ocorre através do movimento molecular aleatório, não considerando a diferença de velocidade. Logo, a condução pode ocorrer em todos os estados da matéria, ou seja, em sólidos, líquidos e gases. A lei de Fourier de transmissão de calor descreve a relação entre o �uxo de calor e a diferença de temperatura e pode ser representada pela Equação 3. Em que k é uma propriedade do material onde está ocorrendo a transferência de calor: a condutividade térmica; sua unidade no SI é W/m.K. X representa o eixo que representa a direção na qual está ocorrendo a transferência de calor. A Figura 1 descreve o comportamento representado pela lei de Fourier. Vale ressaltar que a transferência de calor ocorre espontaneamente da maior para a menor temperatura, sendo o contrário possível somente através de um sistema de resfriamento. q = Q̇ L (2) Q ̇ qx = −k. dT dx (3) Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 1 | Representação do fenômeno descrito pela lei de Fourier. Fonte: Wikimedia Commons . Disciplina Fenômenos de Transporte Para descrever o mecanismo de condução unidimensional em regime estacionário, podemos imaginar o �uxo de calor através de uma parede plana de comprimento L, sendo o comportamento da diferença de temperatura linear. Dessa forma, a lei e Fourier pode ser escrita conforme a Equação 4. Como poderemos encontrar a condutividade térmica? Veremos isso no próximo bloco. Condutividade térmica A condutividade térmica representa a taxa com que um material pode transportar energia com as mesmas condições de geometria e temperatura. Trata-se de uma propriedade individual de cada material; pode ser aplicada em materiais sólidos, líquidos e gasosos. Devido ao maior espaçamento molecular dos líquidos e gases, sua condutividade térmica possui valores menores em comparação à dos sólidos, como pode ser observado nos exemplos citados no Quadro 1. Nele, vemos que os materiais gasosos são menos condutivos, seguidos pelo líquido. Os materiais sólidos possuem valores muito maiores. Materiais Condutividade térmica (W/m.K) Gás hidrogênio (200 K) 0,1282 Gás oxigênio (200 K) 0,01833 qx = −k. T2−T1 L (4) Disciplina Fenômenos de Transporte Etanol (300 K) 0,1676 Água (300 K) 0,6089 Mercúrio (373,2 K) 10,50 Sódio (373,2 K) 86,2 Quadro 1 | Proporção aproximada para a condutividade térmica entre materiais sólidos, líquidos e gasosos. Fonte: Bird et al. (2004, pp. 260-261). Tratando de materiais sólidos, lembramos que existem diferenças entre os materiais não metálicos e metálicos. Na categoria de materiais não metálicos, estão os isolantes, que são uma combinação entre materiais não metálicos e ar, como as espumas e as �bras. Esses materiais possuem o valor de condutividade térmica aproximadamente 10 vezes menor que os materiais metálicos. Materiais isolantes são grandemente utilizados na indústria para isolar equipamentos que dependem de temperatura e transmissão de calor, como reator e trocadores de calor, por exemplo, minimizando a transferência de calor com o ambiente e aproximando-os de um processo adiabático. Entre os materiais altamente condutivos, encontramos a prata (429 W/m.K), o cobre (401 W/m.K), o alumínio (204 W/m.K), o aço (52 W/m.K) e o latão (109 W/m.K). O cobre é bastante aplicado na indústria por apresentar características como maleabilidade, ductilidade e resistência à corrosão, alta condutividade térmica e acessibilidade. É usado na construção de equipamentos responsáveis por aquecimentos e resfriamentos, como os trocadores de calor mostrado pela Figura 2. Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 2 | Cobre presente em um trocador de calor para fabricação de cerveja. Fonte: Freepik. Agora que você já conhece os conceitos relacionados à lei de Fourier e à condutividade térmica, que tal aplicar um exemplo? Você precisa aquecer água para fazer um chá; para isso, utilizará uma panela de aço inox que possui uma condutividade térmica de 17 W/m.K e 0,5 cm de espessura. Como a panela estava no seu armário, considere que a temperatura inicial do material é de 25 ºC. Você colocou água na panela e levou ao fogão, acendendo a chama e logo o aço inox atingiu a temperatura de 100 ºC. Calcule o �uxo de calor que está passando pela espessura da panela de aço inox. O primeiro passo é converter a unidade da espessura da panela de centímetros para metros: 0,5 cm equivale a 0,05 m. Aplicando os dados na equação da lei de Fourier, você terá: Vale lembrar que o sinal representa a direção do �uxo de calor. O sinal positivo mostra que o �uxoestá entrando no sistema, indicando um aquecimento. Resistência térmica dos materiais qx = −k. T2−T1 L = − 17 W m.K . 25 ºC−100ºC 0,05 m = 25500 W = 25,5 kW Disciplina Fenômenos de Transporte Agora imagine que o material onde vai ocorrer a condução de calor está sujo, com incrustação, por exemplo. Isso di�cultará a transferência de calor. A propriedade que mede essa di�culdade de o �uxo de calor passar através dos materiais é denominada resistência térmica e pode ser aplicada a qualquer um dos mecanismos de transferência de calor. Nesse momento, vamos aplicá-la ao mecanismo de condução. A resistência térmica é o inverso da condutividade térmica, como mostra a Equação 5 a seguir. A unidade no SI é K.m/W. Em que L é o comprimento da parede plana ou tubulação, k é a condutividade térmica e A é a área de troca térmica. O cálculo do �uxo de calor condutivo com a resistência térmica é dado pela Equação 6. A resistência térmica também está relacionada a aplicações muito úteis em nosso cotidiano, como no conforto térmico aplicado à construção civil. Pense em uma casa localizada em uma cidade muito fria onde há um isolante térmico entre as paredes, conforme Figura 3. O �uxo de calor �cará retido no interior da casa, mantendo-a aquecida. O mesmo raciocínio é aplicado em geladeiras domésticas, e também nas roupas que vestimos quando está frio. Rcond = L kA (5) Q̇condução = qx.A = k. T1−T2 L .A = T1−T2 Rcondução (6) Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 3 | Condução de calor através de parede composta. Fonte: Bird et al. (2004, p. 293). No caso de condução de calor em paredes compostas, vale lembrar que a resistência precisa ser calcula individualmente para cada camada que constitui a parede, logo: Industrialmente, o conceito de resistência térmica é utilizado no isolamento de trocadores de calor, tubulações de vapor, reatores químicos, dentre outros, e na conservação da temperatura de data centers. Vamos analisar um exemplo prático? Em uma casa, há uma janela de vidro de 1m2 e 4 mm de espessura que está submetida a uma temperatura interna da casa de 30 ºC e uma temperatura externa de -10 ºC. A condutividade térmica do vidro é igual a 0,8 W/K.m. Calcule a resistência térmica condutiva e o �uxo de calor que passa pelo material em questão. Utilizando primeiramente a Equação 5 para calcular a resistência e convertendo a unidade da espessura para metros, temos que: Agora vamos usar a Equação 6 para calcular o �uxo de calor. Aqui vale lembrar que devemos seguir o sentido espontâneo do �uxo de calor, que é do quente para o frio, logo: T1 = 30ºC e T2 = -10 ºC . Rcondução = Rtotal = R1 + R2 + R3 + … + Rn (7) Rcond = L kA = 0,004 0,8.1 = 0,005 K.m W Disciplina Fenômenos de Transporte O resultado de um �uxo de calor de 8000 W indica que, se não houvesse o isolamento, o calor que está dentro da casa sairia, pois o sistema sempre buscará o equilíbrio térmico. Videoaula: Introdução à condução Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Esta videoaula tem a �nalidade de iniciar os seus estudos sobre os mecanismos de transferência de calor. Nela, você aprenderá sobre a condução de calor, condutividade térmica e resistência térmica. Verá que existem diversas aplicações para esse mecanismo, muitas das quais estão ao seu redor. No �nal desta aula, você vai se familiarizar com o mecanismo de condução de calor. Saiba mais ∈ Q̇condução = T1−T2 Rcondução = 30−(−10) 0,005 = 8000 W Disciplina Fenômenos de Transporte Para que você possa aprofundar os seus conhecimentos sobre a condução de calor permanente, indicamos o capítulo 3, páginas 154 a 165, do livro Transferência de Calor e Massa, dos autores Çengel e Ghajar, presente na Biblioteca Virtual. Referências BIRD, R. B.; STEWART, W. E.; LIGHTFOOT, E. N. Fenômenos de Transporte. Rio de Janeiro: LTC, 2004. BRAGA FILHO, W. Fenômenos de Transporte para Engenharia. 2ª ed. Rio de Janeiro: LTC, 2012. SIMÕES, R. M. I. Fenômenos de Transporte. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S. A., 2016. Aula 2 Introdução à convecção Introdução Disciplina Fenômenos de Transporte Olá, estudante! Nesta aula, vamos continuar estudando a transferência de calor. Você já conheceu o mecanismo de condução, responsável pela troca de calor entre as moléculas de uma substância. Ela é dependente da condutividade térmica. Agora você conhecerá o segundo mecanismo de transferência de calor: a convecção. A convecção está relacionada com a transferência de energia entre uma superfície e um �uido em movimento sobre ela. A convecção combina dois fenômenos de transferência de energia que são a advecção (responsável pelo movimento global do �uido) e a condução (que descreve o movimento aleatório das moléculas do �uido). Bons estudos! As camadas-limite de convecção Disciplina Fenômenos de Transporte Vamos começar os nossos estudos sobre convecção conhecendo o conceito de camada-limite, desenvolvido no início do século XX por L. Prandtl. Ele consiste em um escoamento com duas regiões distintas. A primeira está distante da superfície do material, e os efeitos viscosos nela são desprezíveis. A segunda está muito próxima à superfície do material e possui espessura muito pequena; apresenta velocidade de escoamento reduzida e diversi�cada entre a própria velocidade do material e a velocidade do escoamento livre. As camadas-limite são classi�cadas em de velocidade, térmica e de concentração. Vejamos os seus conceitos e as diferenças. A camada-limite de velocidade É também conhecida como camada-limite �uidodinâmica, por estar relacionada à velocidade do �uido. Durante o escoamento do �uido, as velocidades da região em contato com a superfície do material são bastante reduzidas em relação à velocidade à montante da superfície; é possível considerar que a velocidade na parede é zero. Segundo Bergman (2019), a tensão de cisalhamento (t) é responsável pela redução do movimento do �uido e está associada ao atrito e rugosidade do material. A Figura 1 representa o conceito de camada-limite de velocidade; é possível veri�car a atuação da tensão de cisalhamento da superfície do material e as diferentes velocidade conforme o aumento da espessura (d) da camada-limite. Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 1 | Desenvolvimento da camada-limite de velocidade sobre uma placa plana. Fonte: Bergman (2019, p. 221). Dessa forma, podemos de�nir o coe�ciente de atrito local (Cf) como a equivalência entre a tensão de cisalhamento (t), a densidade (r) e a viscosidade (m): Já a tensão de cisalhamento (t) é dada pela viscosidade multiplicada pela variação da velocidade em relação ao comprimento da superfície. A camada-limite de térmica O conceito que descreve a camada-limite térmica está associado ao desenvolvimento do per�l de temperaturas do �uido em função da espessura da camada (dt) partindo da superfície da placa, conforme a Figura 2: Figura 2 | Camada-limite térmica sobre uma placa plana isotérmica. Fonte: Bergman (2019, p. 222). Observa-se na �gura que as partículas de �uido atingem o equilíbrio térmico em contato com a superfície da placa. Essas partículas trocam calor com as que estão posicionadas acima e assim sequencialmente até a espessura máxima, onde a temperatura se torna constante, atingindo a corrente livre e formando o per�l ilustrado. Cf s 2/2 Disciplina Fenômenos de Transporte A camada-limite de concentração Está relacionada à transferência de massa aplicada em processos que apresentam mudanças de concentração, como reações químicas, absorção de gases, dentre muitos outros. Conforme a Figura 3 e em comportamento análogo às demais camadas-limites já apresentadas, pode-se observar o comportamento constante da concentração na superfície da placa e, conforme aumenta a espessura da camada-limite, o per�l de concentraçãodeforma-se até atingir a corrente livre. Através das condições da camada-limite, é possível determinar a transferência de massa por convecção entre a superfície e a corrente livre de �uido. Para analisar a transferência de massa, é necessário o cálculo do �uxo da espécie envolvida por meio da lei de Fick. Figura 3 | Camada-limite de concentração de uma espécie sobre uma placa plana. Fonte: Bergman (2019, p. 222). Agora que você compreendeu os diferentes conceitos que envolvem as camadas-limite de convecção, seguiremos com os estudos sobre esse mecanismo de transferência de calor. Aprenderemos a calcular o coe�ciente convectivo. Não se esqueça de resolver os exercícios, eles são importantes para a �xação do conteúdo. Coe�ciente convectivo Disciplina Fenômenos de Transporte Agora que você já conhece o conceito de camada-limite, vamos estudar o coe�ciente convectivo. Ele é de�nido pela taxa de transferência de calor entre um �uido e uma superfície sólida por unidade de área e diferença de temperatura. O coe�ciente convectivo é imprescindível no cálculo de trocadores de calor de todos os tipos, bem como de qualquer equipamento que execute troca térmica. Não é uma propriedade do �uido, mas está atrelado às propriedades físicas e estado físico dele. Pode ser determinado experimentalmente por meio de todas as variáveis que in�uenciam a convecção, como a geometria da superfície, regime do escoamento, a velocidade e as propriedades do �uido. O comportamento da camada-limite tem um papel fundamental para o entendimento do coe�ciente convectivo, principalmente nas regiões de estagnação que ocorrem na superfície da placa. Disciplina Fenômenos de Transporte O coe�ciente convectivo pode ser calculado empiricamente por meio da combinação de números adimensionais como Nusselt (Nu), Prandtl (Pr) e Reynolds (Re). Fisicamente, o número de Nusselt é para a camada-limite térmica o equivalente do que o coe�ciente de atrito é para a camada-limite de velocidade. Pode ser calculado pela razão entre o produto do coe�ciente convectivo (h) e o comprimento da superfície (L) onde está ocorrendo a transferência de calor, pela condutividade térmica (k) do material, como pode ser representado pela Equação 3: O número de Prandtl representa uma aproximação das difusividades de momento e térmica de um �uido por meio da relação entre a quantidade de movimento e transferência de calor, sendo uma medida e�ciente desses fenômenos nas camadas-limites de velocidade e térmica por controla a espessura dessas camadas. Pode ser expressa pela razão do produto do calor especí�co (cP) e viscosidade dinâmica (m) pela condutividade térmica (k), como apresentado pela Equação 4. O número de Reynolds caracteriza a ação da inercia e das forças viscosas; é usado para de�nir o comportamento do escoamento na camada-limite. A Equação 5 foi desenvolvida para tubulações que são mais aplicadas aos trocadores de calor. Saberemos se há um regime laminar ou turbulento; esse conhecimento é necessário para a de�nição do coe�ciente convectivo. Em que r é a densidade do �uido, v é a velocidade do escoamento, D o diâmetro da tubulação e m a viscosidade dinâmica. Agora que você já conhece esses três números adimensionais, vamos voltar ao número de Nusselt. Ele também pode ser representado como uma função do número de Reynolds e do número de Prandtl, como mostra a Equação 6. Nu = h.L k Nu = f(Re,Pr) Disciplina Fenômenos de Transporte Considerando a aplicação desses conceitos para encontrar o coe�ciente convectivo necessário para o cálculo de trocadores de calor tubulares (por serem mais comuns e utilizados industrialmente), teremos a seguinte expressão: Sendo a, p e q parâmetros encontrados experimentalmente. Normalmente, quando o regime é laminar, o coe�ciente convectivo possui um valor melhor quando comparado ao regime turbulento. Esse fenômeno ocorre devido ao fato de a região de estagnação apresentar espessura mais �na na camada-limite com a turbulência. Dessa forma, a Equação 7 apresentará peculiaridades referentes a cada regime. A Equação 8 representa o regime laminar e a Equação 9, o regime turbulento; ambas são aplicadas ao escoamento em tubulações: Em que a expressão descreve a diferença de viscosidade do �uido entre a área de estagnação representada pela viscosidade na parede do tubo ( ) e a viscosidade do �uido na área transversal dele. Vale ressaltar que as propriedades físicas dos �uidos podem ser encontradas tabeladas na literatura. No próximo bloco você aprenderá como aplicar os conceitos vistos até aqui, compreendendo a importância da aplicação da teoria da camada-limite e o cálculo do coe�ciente convectivo. Para �xar melhor todo esse aprendizado, resolva os exercícios. Lei de resfriamento de Newton Nu = (Re)p(Pr)q Nu = 1,86Re1/3Pr1/3(D/L)1/3(/w)0,14 Nu = 0,027Re0,8Pr1/3(/w)0,14 (μ/μw)0,14 μw Disciplina Fenômenos de Transporte Agora que você já conhece os conceitos e importância do estudo da camada-limite e sabe como encontrar o coe�ciente convectivo, vamos entender como calcular o �uxo de calor proveniente da convecção. A lei de resfriamento de Newton é utilizada para expressar a convecção entre um �uido e uma superfície através da diferença entre a temperatura no interior do �uido (T¥) e a temperatura na superfície sólida (Ts). Dessa forma, possibilita-se o cálculo do �uxo de calor relacionado ao mecanismo de convecção por meio da Equação 10. O �uxo de calor é expresso por: A lei de resfriamento de Newton pode também ser expressa pela Equação 12: Para completar os conceitos relacionados à convecção, vale mencionar que esse mecanismo de transferência de calor pode ser classi�cado em convecção forçada ou natural. Na convecção forçada, o movimento do �uido está relacionado com as forças externas; na convecção natural, q '' = Q̇ A (11) Q̇ = h.A. (Ts − T∞) (12) Disciplina Fenômenos de Transporte com a diferença de densidade do �uido com a temperatura. Por exemplo, em trocadores de calor, a convecção é forçada devido ao envio do �uido ocorrer através de sistemas de bombeamento; já em uma operação gravitacional, a convecção é natural devido ao seu resfriamento (aumento de densidade) ou aquecimento (redução de densidade). Vale destacar que, na convecção forçada, os valores do coe�ciente convectivo são bem maiores; logo, o �uxo de calor aumenta proporcionalmente, tornando a troca de calor mais efetiva. Isso ocorre também quando a troca de calor é aplicada entre líquidos, pois suas propriedades condutivas são maiores do que em gases para as mesmas condições de escoamento. Vamos resolver um exemplo para aplicar todo o conhecimento que você adquiriu nessa aula. Imagine a seguinte situação: você trabalha para uma empresa e percebe que há uma tubulação fazendo com que a água aquecida tenha uma perda de calor. Você decide instalar um isolamento térmico nessa tubulação, mas, para isso, precisa descobrir o �uxo de calor que está sendo dissipado para a atmosfera. Sabendo que a água entra em uma tubulação de 0,047 metros de diâmetro e 2 metros de comprimento a 60ºC e sai a 40ºC com uma velocidade de 0,3 m/s, e que a temperatura no interior da parede do tubo é de 35 ºC, calcule o �uxo de calor que se dissipa da tubulação para a atmosfera. Primeiramente, você consultou tabelas de propriedades físicas e coletou a densidade, viscosidade, calor especí�co e condutividade térmica para a água na faixa de temperatura mencionada no problema e encontrou: r = 997 kg/m3; m = 0,001 kg/(m·s); cP = 4186 J/kg e k=0,64 W/(m.K). No segundo passo, você precisará calcular os números adimensionais de Reynolds e Prandtl: Identi�cando que o regime do escoamento é turbulento, utiliza-se a Equação 9. A viscosidade da água na faixa de temperatura dado no exemplo possui variações desprezíveis, logo é igual a 1. Dessa forma, é encontrado no valor do número de Nusselt. Calculando o coe�ciente convectivo, do teremos: Utilizando a lei de resfriamento de Newton, saberemos que o �uxo de calor terá o valor de: Vale ressaltar que osinal negativo indica a direção do �uxo, mostrando a dissipação para a atmosfera. Não se esqueça de fazer os exercícios para melhor �xação do conteúdo. Re = ρ.v.D μ = 997.0,3.0,047 0,001 = 14058 (regime turbulento) Pr = cP .μ k = 4186.0,001 0,64 = 6,54 ( μ μw ) 0,14 Nu = 0,027Re0,8Pr 1 3 ( μ μw ) 0,14 = 0,027. 140580,8. 6,541/3. 1 = 105,09 Nu = h.L k h = Nu.k L = 105,09.0,64 2 = 33,63 W/(m2.K) q '' = h. (Ts − T∞) = 33,63. (35 − 60) = −840,73 W/m2 Disciplina Fenômenos de Transporte Videoaula: Introdução à convecção Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. O vídeo que você assistirá trará uma maior compreensão sobre o mecanismo de convecção e seus principais conceitos, como as camadas-limite convectivas e o coe�ciente convectivo, facilitando assim os seus estudos e fazendo com que você tenha um domínio maior sobre os mecanismos de transferência de calor. Saiba mais Para que você aprofunde os seus conhecimentos, acesso o capítulo 6 (p. 220) do livro Fundamentos de Transferência de Calor e de Massa, disponível na Biblioteca Virtual. Referências Disciplina Fenômenos de Transporte BERGMAN, T. L. Incropera – Fundamentos de Transferência de Calor e de Massa. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2019. BIRD, R. B.; STEWART, W. E.; LIGHTFOOT, E. N. Fenômenos de Transporte. Rio de Janeiro: LTC, 2004. BRAGA FILHO, W. Fenômenos de Transporte para Engenharia. 2ª ed. Rio de Janeiro: LTC, 2012. SIMÕES, R. M. I. Fenômenos de Transporte. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S. A., 2016. Aula 3 Introdução à radiação Introdução Disciplina Fenômenos de Transporte Olá, estudante! Nesta aula, você conhecerá a radiação térmica. Provavelmente você já passou ao lado de uma lareira ou de uma fogueira e sentiu o calor emitido. Você sabia que essa sensação está relacionada ao fenômeno da radiação térmica? O estudo dela se iniciou muito tempo atrás, em meados do século XIX, com o calor emitido pela luz de corpos aquecidos, por exemplo, do ferro em brasa manipulado pelos ferreiros da época. Atualmente, a radiação térmica é empregada na indústria com a aplicação de trocadores de calor de alta performance, assim como fornos utilizados em processos de craqueamento térmico tão importantes na produção de químicos básicos destinados à fabricação de plásticos. Bons estudos! Radiação do corpo negro Disciplina Fenômenos de Transporte A radiação térmica é um mecanismo de transferência de calor por meio de fótons. Estes são de�nidos como partículas que compõem a luz e são capazes de transportar energia. A radiação térmica pode ser propagada através de substâncias como o ar e é o único mecanismo de transferência de calor que pode ocorrer no vácuo. Pode dar-se em sólidos, líquidos e gases. Em aplicações reais, a radiação térmica pode ocorrer juntamente com a condução e a convecção, porém em proporções diferentes. Vale lembrar que, nos estudos sobre condução e convecção, você aprendeu que esses mecanismos ocorrem no sentido da redução da temperatura, ou seja, de uma temperatura alta para uma temperatura inferior. No entanto, a radiação térmica não apresenta essa limitação e pode ocorrer no sentido contrário, transferindo calor de um meio mais quente para um mais frio, como pode ser visto na Figura 1, a qual ilustra uma pessoa que se aquece com o auxílio de uma fogueira. Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 1 | Exemplo de ocorrência de radiação térmica. Fonte: Bergman (2019, p. 698). Para uma dada temperatura, existe uma quantidade máxima de radiação que pode ser emitida e a única superfície capaz de transmitir essa quantidade máxima sem re�eti-la é denominada como corpo negro. O corpo negro é um modelo idealizado, totalmente negro, criado para auxiliar no estudo da radiação e capaz de ser um perfeito emissor e absorvedor de todo o calor proveniente independente do comprimento de onda e direção para uma determinada temperatura. A Figura 2 apresenta a diferença do corpo negro (idealizado) e um corpo real; é interessante observar a irregularidade do corpo real que pode apresentar defeitos e assimetrias em comparação com o corpo negro, que possui simetria perfeita. Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 2 | Comparação entre o corpo negro e um corpo real. Fonte: Bergman (2019, p. 701). Apesar do nome e de parecer totalmente negro aos nossos olhos, há uma distinção entre o corpo negro idealizado e uma superfície negra real. Superfícies reais revestidas com pigmento negro (por exemplo, o negro de fumo) têm boa aproximação com o comportamento idealizado do corpo negro, porém não são perfeitas. No que toca à absorção de luz, as superfícies negras têm maior êxito nela. Você pode sentir esse fenômeno vestido roupas dessa cor: perceberá que sente mais calor com elas. Já as superfícies brancas re�etem a luz; seguindo esse raciocínio, roupas brancas são mais indicadas para os dias quentes. Existe um outro tipo de corpo utilizado para os mesmos �ns do corpo negro; ele é denominado grande cavidade com pequena abertura. No caso desse corpo, a radiação térmica entra pela abertura de área e é submetida a múltiplas re�exões, possibilitando que a luz tenha diversas chances de ser absorvida pelas superfícies internas da cavidade antes que qualquer parte dela possa eventualmente escapar. Propriedades radioativas Disciplina Fenômenos de Transporte As propriedades radioativas estão relacionadas às características químicas dos materiais, que podem exibir comportamentos distintos em diferentes comprimentos de onda. A dependência do comprimento de onda é um fator importante a ser considerado no estudo das propriedades radioativas, como emissividade, absortividade, re�etividade e transmissividade dos materiais. Como nenhum corpo real pode emitir maior quantidade de calor por radiação térmica do que o corpo negro, o mesmo pode ser usado como referência para descrever as características de emissão e de absorção de superfícies reais. A emissividade de uma superfície pode ser representa pela razão entre a radiação emitida pela superfície real a uma determinada temperatura e a radiação emitida pelo respectivo corpo negro na mesma temperatura. Logo, o valor da emissividade varia entre 0 e 1, sendo 1 para o corpo negro, apresentando 100 % de emissividade. A emissividade de corpos reais �ca abaixo de 1. Ela pode variar com a temperatura da superfície, o comprimento de onda e a direção das radiações emitidas. Dessa forma, diferentes comportamentos podem ser encontrados para uma única superfície somente com a variação da temperatura. Por exemplo, em baixas temperaturas, alguns corpos não metálicos podem apresentar comportamento próximo ao de um corpo negro, com emissividades de 0,8. No entanto, superfícies metálicas podem apresentar emissividades baixas. É possível observar a emissividade na natureza, como a do solo para o ar apresentando valores de aproximadamente 0,35, e da neve para o ar de 0,95. Absortividade é a quantidade de radiação incidente que é absorvida por um corpo; logo, para um corpo negro, absortividade é de 100%, pois a luz é totalmente absorvida por ele. Seguindo com o raciocínio, pense sobre o conceito da re�etividade, que trata da quantidade de radiação que é Disciplina Fenômenos de Transporte re�etida por uma superfície. Você já pode imaginar que um corpo negro re�ete 100%, logo o valor é zero. Por �m, tratamos da transmissividade, que é a quantidade de irradiação que incide no corpo e é transmitida através de um meio material semitransparente, por exemplo, através dos vidros. A Figura 3 representa o comportamento para a absortividade, re�etividade e transmissividade. Figura 3 | Propriedades radioativas. Fonte: Bergman (2019, p. 718). Disciplina Fenômenos de Transporte Lei Stefan-Boltzmann Agora que você já conhece o conceito do corpo negro, vamos aprender a calcular a radiação emitida por ele. Parade cisalhamento aplicada por uma força tangencial sobre este: Isso quer dizer que, se considerarmos que a força resultante aplicada sobre um �uido seja nula, com viscosidade dinâmica conhecida, é possível obter, por exemplo, a velocidade com que um pistão deve se mover para que o sistema pistão-cilindro esteja em equilíbrio estático (Brunetti, 2008), como mostrado na Figura 4. ρ = m V γ = P V = m V × g m V ρ γ = ρ × g τ = Ft A = μ v ε Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 4 | Esquema de um pistão de diâmetro D1 de largura 5 cm inserido dentro de um cilindro de diâmetro D2, com um �uido entre eles. Fonte: adaptada de Brunetti (2008, p. 12). Aplicação das propriedades dos �uidos em exemplos e casos Disciplina Fenômenos de Transporte Para compreender os conceitos apresentados, vamos aplicá-los em dois casos clássicos. Pense em uma das caixas d’águas de uma cidade, em que é conhecida a massa de água contida em seu interior, que é de 2000 kg com peso especí�co de 1000 kg/m3. Como você faria se você precisasse determinar o volume e o peso especí�co da água dessa caixa? Para resolver essa questão, você usará as relações entre as propriedades dos �uidos. O volume é obtido por: Substituindo os valores fornecidos pela questão, o volume �ca como incógnita: O peso especí�co é obtido pela relação Em problemas de fenômenos de transporte é comum manipular e trabalhar unidades de medida e sistemas de unidades diferentes. No exemplo apresentado, todas as unidades estão no Sistema Internacional, e como resultado, temos o volume já expresso em . O volume poderia ser expresso em litros, o que geralmente é mais comum. Para isso, seria necessária uma conversão de metros cúbicos para litros ( ). Por de�nição, . ρ = m V 1000 kg m3 = 2000kg V ⟹ V = 2000kg 1000 kg m3 = 2m3 :(g = 10m/s2) γ = ρ × g ⟹ γ = 1000 kg m3 × 10 m s2 = 10.000 kg m2s2 = 10.000 N m3 m3 L 1 m 3 = 1000L. Disciplina Fenômenos de Transporte De acordo com Brunetti (2008), os sistemas de unidades chamados coerentes, pois de�ne as unidades das grandezas fundamentais, comumente utilizados no estudo de �uidos são: Quadro 2 | Sistemas de Unidades Coerentes e suas unidades de grandeza fundamentais Sistema de unidades unidade de comprimento unidade de massa | unidade de força unidade de tempo MKS técnico ou MK*S metro (m) quilograma (kg) | quilograma-força (kgf) segundo (s) SI metro (m) quilograma (kg) segundo (s) CGS centímetro grama (g) segundo (s) Em uma outra situação, você precisará especi�car um óleo lubri�cante para um sistema de pistão e cilindro. Para isso, você precisará determinar a viscosidade dinâmica. O pistão possui massa de 0,5 kg, com 5 cm de comprimento e 10 cm de diâmetro ( ), e está colocado dentro de um cilindro de comprimento in�nito (vamos usar aqui essa de�nição, por simpli�cação prática) e 10,5 cm de diâmetro ( ). O �uido colocado entre eles garante que o movimento do pistão ocorra com velocidade constante (Figura 5) de 1 m/s para cima. D1 D2 Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 5 | Esquema de um pistão e cilindro para o Exemplo 2. Fonte: adaptada de Brunetti (2008, p. 12). Para encontrar o valor da viscosidade dinâmica, vamos partir da relação e dos dados fornecidos e, como sugestão, seguir o passo a passo: A força tangencial é igual, em magnitude, ao peso do pistão, pois é a força atuante sobre a superfície do �uido lubri�cante, logo .. O valor de corresponde à toda a área do pistão que está em contato com o �uido. A área é calculada multiplicando-se o perímetro do círculo do corte transversal do pistão por sua altura. Para que as unidades estejam de acordo com o sistema internacional, vamos transformar as medidas de comprimento que estão em centímetros para metros. Dessa forma: A velocidade é fornecida e é igual a O valor de corresponde a diferença de diâmetro entre o pistão e o cilindro, dividido por dois, pois, como mostra a Figura 5, o espaço entre eles, em um corte frontal do conjunto, está dos dois lados do sistema. Assim: τ = Ft A = μ v ε Ft = m × g = 5 × 10 = 50 N A A = 2 × π × D1 2 × L = 2 × 3,1415 … × 0,1m × 0,05m = 3,14 × 10−2m2 1 m/s. ε ε = D2−D1 2 = 0,105m−0,10m 2 = 2,5 × 10−3 m Disciplina Fenômenos de Transporte Como o valor obtido para a distância entre as duas superfícies é muito pequena, o diagrama de velocidades pode ser aproximado para uma reta (diagrama linear), o que permite a aplicação da relação: Videoaula: De�nição e propriedades dos �uidos Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Nesta aula, você irá aprender sobre as propriedades básicas de um �uido. Delas, destacam-se a massa especí�ca, o peso especí�co, a viscosidade dinâmica e a viscosidade cinemática. Além disso, você vai entender como usá-las, junto com os conceitos básicos de fenômenos de transporte para resolver problemas práticos de Engenharia. Dessa forma, te convido a assistir o vídeo como forma de você aprofundar mais seus estudos. Saiba mais Ft A = μ v ε ⟹ μ = Ft×ε A×v = 50N×2,5×10−3m 3,14×10−2m2× 1m s = 3,98 N . s/m2 Disciplina Fenômenos de Transporte Olá, estudante! Para aprofundar ainda mais seus estudos na de�nição e propriedade dos �uidos, aplicação dos sistemas de unidades, recomendo a leitura e estudo dos exemplos contidos no capítulo 1, nas páginas 9, 10 e 11 – do livro Mecânica dos Fluidos, de Frank M. White, disponível na Biblioteca Virtual: Esse capítulo trata das propriedades dos �uidos de forma escalar e vetorial, quando aplicável, além de apresentar o estudo de análise dimensional em seus problemas. Referências https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580556070/ Disciplina Fenômenos de Transporte BRUNETTI, F. Mecânica dos �uidos. São Paulo: Pearson, 2008. ÇENGEL, Y. A.; CIMBALA, J. M. Mecânica dos �uidos. Porto Alegre: Grupo A, 2015. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580554915/. Acesso em: 18 jul. 2023. FOX, R. W. et al. Introdução à mecânica dos �uidos. 9. ed. Barueri: Grupo GEN, 2018. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521635000/. Acesso em: 18 jul. 2023. WHITE, F. M. Mecânica dos �uidos. Porto Alegre: Grupo A, 2018. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580556070/. Acesso em: 18 jul. 2023. Aula 2 Estática dos �uidos Introdução https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580554915/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521635000/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580556070/ Disciplina Fenômenos de Transporte Olá, estudante! Espero que esteja bem! Vamos estudar os conceitos relacionados ao comportamento estático dos �uidos. Para isso, começaremos com o conceito geral de pressão, como se calcula a pressão que age sobre um �uido e quais os medidores de pressão, ou manômetros, mais comuns utilizados em projetos de engenharia. Além disso, estudaremos a Lei de Pascal, e sua importância em aplicações como a prensa hidráulica e o elevador hidráulico, e o Teorema de Stevin, que permite calcular a pressão sobre um corpo submerso em um �uido, o que é muito útil para projetos de embarcações e estruturas submarinas. Bom estudo para você! Conceitos de pressão, manômetros, Lei de Pascal e Teorema de Stevin Disciplina Fenômenos de Transporte A estática dos �uidos trata de problemas e dos fenômenos considerados como os mais simples dentro do estudo de �uidos em Fenômenos de Transporte (Fox et al., 2018), mas não por isso sejam os menos importantes. Aqui, além de conceituar �sicamente o que é pressão, estudaremos os seus efeitos sobre os corpos submersos, como é possível medir a pressão e como esses conceitos são aplicados em projetos hidráulicos em engenharia. Basicamente duas forças atuam sobre os �uidos: a força tangencial, , que, aplicada sobre uma árearealizar esse cálculo, utilizaremos a lei de Stefan-Boltzmann, que pode ser representada pela Equação 1: Em que s é a constante de Stefan-Boltzmann, igual a 5,67 x 10-8 W/m2.K4 e T é a temperatura absoluta em Kelvin. Sabendo que , sendo A igual a área onde está ocorrendo a transferência de calor, temos a Equação 2: Lembrando que o corpo negro representa a quantidade de calor máxima que pode ser irradiada, é necessário adequar a equação para ser aplicada em corpo reais que emitem uma parte desse limite. Logo, é necessário introduzir o conceito de emissividade. Dessa forma, a lei de Stefan- Boltzmann para corpos reais é dada pela Equação 3. q '' = σ.T 4 q '' = q/A q = σ.A.T 4 q = ε.σ.A.T 4 Disciplina Fenômenos de Transporte Em muitos casos, há o interesse em calcular a quantidade de energia transmitida por radiação de uma superfície para um meio de temperatura constante; desta forma, modi�ca-se a lei de Stefan- Boltzmann com a Equação 4. Nesses casos, o mecanismo de radiação atuará juntamente com o de convecção para transferência de calor para o meio (vizinhança). Assim, é importante conhecermos a Equação 5, que apresenta o cálculo do coe�ciente convectivo para a aplicação. Para auxiliar a �xação dos conceitos vistos nessa aula, vamos resolver a aplicação a seguir, que é uma adaptação de Bergman (2019, p. 762). Considere uma superfície exposta à radiação solar. A temperatura da superfície é 320 K nesse momento. Considerando a temperatura efetiva do céu em 260 K, determine a taxa líquida de transferência de calor por radiação para os casos: a) e = 0,9 (superfície cinza absorvedora). b) e = 0,1 (superfície cinza re�etora). Para começar, podemos observar que o valor da área ou formato da superfície não foi mencionado. Portanto, vamos calcular a quantidade de calor em relação à área. Observa-se que a quantidade de calor emitida por radiação para corpos reais com grande emissividade é maior do que para os corpos com baixa emissividade. Vamos ver mais um exemplo? Considere uma placa opaca horizontal bem isolada nas bordas e na superfície inferior. A placa é uniformemente irradiada de cima enquanto o ar a Tviz = 321 K �ui sobre a superfície, fornecendo um coe�ciente convectivo de 40 W/m2.K e a temperatura da placa é uniformemente mantida a 350 K. Calcule a quantidade de calor sendo transmitida pelo mecanismo de radiação. Primeiramente, vamos calcular a emissividade através do coe�ciente convectivo: Para encontrar a quantidade de calor emitida por radiação aplique a lei de Stefan-Boltzmann: q = ε.σ.A. (T 4 − T 4 viz) h = ε.σ.(T 4− T 4 viz) T−Tviz q '' = ε.σ. (T 4 − T 4 viz) = 0,9. 5,67x10−8. (3204 − 2604) = 301,89 W/m2 q '' = ε.σ. (T 4 − T 4 viz) = 0,1. 5,67x10−8. (3204 − 2604) = 33,54 W/m2 h = ε.σ.(T 4− T 4 viz) T−Tviz → 40 = ε.5,67x10−8.(3504−3214) 350−321 → ε = 0,8 q '' = ε.σ. (T 4 − T 4 viz) = 0,8. 5,67x10−8. (3504 − 3214) = 199,1 W/m2 Disciplina Fenômenos de Transporte Videoaula: Introdução à radiação Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. O vídeo que você assistirá trará uma maior compreensão sobre o mecanismo de radiação térmica e seus principais conceitos, como a teoria do corpo negro e as propriedades radioativas, facilitando assim os seus estudos e fazendo com que você tenha um domínio maior sobre os mecanismos de transferência de calor. Saiba mais Para que você aprofunde os seus conhecimentos, acesse o capítulo 12 (p. 697) do livro Fundamentos de Transferência de Calor e de Massa, disponível na Biblioteca Virtual, e estude a página 701, que apresenta a teoria completa sobre o corpo negro. Disciplina Fenômenos de Transporte Referências BERGMAN, T. L. Incropera – Fundamentos de Transferência de Calor e de Massa. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2019. BIRD, R. B.; STEWART, W. E.; LIGHTFOOT, E. N. Fenômenos de Transporte. Rio de Janeiro: LTC, 2004. BRAGA FILHO, W. Fenômenos de Transporte para Engenharia. 2ª ed. Rio de Janeiro: LTC, 2012. SIMÕES, R. M. I. Fenômenos de Transporte. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S. A., 2016. Aula 4 Trocadores de calor Introdução Disciplina Fenômenos de Transporte Olá, estudante! Nesta aula, vamos exempli�car, com os trocadores de calor, os conhecimentos adquiridos nesta Unidade. Eles são equipamentos utilizados em diversas aplicações relacionadas à engenharia, nos mais diversos setores da indústria. Por exemplo, para adequar a temperatura de matérias- primas que serão processadas; para acondicionar produtos que passarão por processos de puri�cação; para controlar a temperatura em tratamentos de e�uentes, assim como para resfriar computadores presentes em um data center. Existem diferentes tipos de trocadores de calor que são aplicados conforme o seu objetivo e demanda. Há também as torres de resfriamento que seguem o mesmo princípio de funcionamento, unindo os conceitos da condução, convecção e radiação. Bons estudos! Tipos de trocadores de calor Disciplina Fenômenos de Transporte Trocadores de calor podem ser de�nidos como equipamentos com o �uido mais quente, o qual transfere calor para o �uido mais frio. Existem três tipos mais comuns de trocadores de calor: os recuperadores, os regeneradores e os trocadores de calor de contato direto. Os recuperadores são equipamentos nos quais o �uido quente está separado do �uido frio por uma parede que pode ser uma tubulação ou uma placa. Dessa forma, o calor é transferido através da combinação dos mecanismos de condução e convecção, podendo haver radiação se houver a presença de aletas ou outros aparatos que aumentem a e�ciência da transferência de calor. Os recuperadores são os trocadores de calor com maior variedade de aplicações, tornando-se os mais comuns em setores industriais. São utilizados em processos de aquecimento, resfriamento, condensação e evaporação, e podem operar com correntes paralelas e contracorrentes. Os regeneradores executam a troca de calor através da ocupação alternada dos �uidos quente e frio em um mesmo espaço denominado núcleo do trocador ou matriz. Um exemplo dessa classi�cação é o leito compactado. Os trocadores de calor de contato direto são aqueles que expõem os �uidos quente e frio intimamente; são exemplos desse tipo de operação as torres de resfriamento, onde a água entra em contato direto com o ar dos ventiladores para que haja uma redução de temperatura, ou um secador que aquece uma superfície para retirar a umidade. Podemos destacar três principais tipos de trocadores de calor que possuem o projeto baseado nos mecanismos de condução e convecção: trocadores duplo-tubo (bitubulares), trocadores casco e tubos e trocadores a placa. Os trocadores de calor duplo-tubo ou bitubulares são utilizados para áreas de troca térmica maior do que 50 m2. São extremamente úteis, pois podem ser dispostos em qualquer conjunto Disciplina Fenômenos de Transporte com conexões de tubos através de partes padronizadas, fornecendo uma superfície de baixo custo para a transmissão de calor. Devido ao seu formato, uma unidade denomina-se grampo, pela sua semelhança com este objeto. A Figura 1 apresenta o esquema de trocadores de calor duplo-tubo em correntes paralelas (a) e contracorrente (b). Figura 1 | Trocadores de calor duplo-tubo. Fonte: Bergman (2019, p. 645). O trocador de calor casco e tubos é composto por um casco e diversos tubos em seu interior, podendo chegar a centenas deles. Estes são organizados por arranjos quadráticos ou triangulares, �xos através dos espelhos e, para elevar a turbulência no escoamento do �uido, utilizam-se chicanas. Esse trocador opera através de correntes paralelas ou contracorrente e é utilizado quando necessários mais do que 50 m2 de área de troca térmica. Os trocadores de caso e tubos são classi�cados pelo número de passes no casco e no tubo, por exemplo: um trocador de calor casco e tubos que possui um passe no cascoe dois nos tubos é denominado trocador 1-2. A Figura 2 apresenta um trocador de calor casco e tubos. Figura 2 | Trocador de calor casco e tubos. Fonte: Bergman (2019, p. 646). Disciplina Fenômenos de Transporte Para �nalizar, entre os tipos mais comuns de regeneradores, temos o trocador de calor a placas, que é utilizado devido a sua versatilidade de tamanhos e facilidade em ampliar ou reduzir a água de troca térmica. Também apresenta facilidade de limpeza, característica importante nas indústrias alimentícias e farmacêuticas. A Figura 3 apresenta a estrutura de um trocador de calor a placas. Figura 3 | Trocador de calor a placas. Fonte: Bergman (2019, p. 647). Vale ressaltar: existem trocadores que apresentam o seu funcionamento aplicando os três mecanismos de transferência de calor (condução, convecção e radiação) através a presença de aletas, denominados trocadores de calor de escoamento cruzado. Coe�ciente global de transferência de calor Disciplina Fenômenos de Transporte O coe�ciente global de transferência de calor (U) representa a ação dos mecanismos de transferência de calor através das resistências presentes no equipamento. Ele refere-se à qualidade com que o calor é conduzido através de resistência, por exemplo, as paredes dos tubos e incrustações. Sua unidade no SI é W/(m2°C). Existem duas classi�cações para o coe�ciente global de transferência de calor. A primeira, chamamos de UC; a letra C simboliza a palavra em inglês clean, que signi�ca limpo. Logo, UC é utilizado para projetar o trocador de calor, pois está relacionado a um equipamento que teve contato com nenhum tipo de �uido. A segunda classi�cação é denominada UD; a letra D simboliza a palavra em inglês dirty, que signi�ca “sujo”. Assim, UD é utilizado para designar trocadores de calor em funcionamento. Quanto menor o valor, pior está a transferência de calor, indicando a necessidade de limpeza no equipamento. O coe�ciente global de transferência de calor limpo (UC) é calculado através de uma relação entre os coe�cientes convectivos referentes à transferência de calor de ambos os �uidos que estão no equipamento. Na Figura 4, você pode observar um esboço de um trocador de calor duplo-tubo onde há um �uido passado pelo tudo interno (i) e outro �uido passando pelo tubo externo (o). Assim, teremos o coe�ciente convectivo hi relacionado ao �uido interno e ho para o tubo externo. Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 4 | Coe�cientes convectivos associados a um trocador de calor duplo-tubo. Fonte: Bergman (2019, p. 648). Dessa forma, hi e ho podem ser calculados empiricamente por meio da combinação de números adimensionais como Nusselt (Nu), Prandtl (Pr) e Reynolds (Re), como mostra a Equação 1: Quando aplicamos a Equação 1 para �uidos escoando através de tubos em regime turbulento, teremos a expressão apresentada pela Equação 2: Em que a expressão descreve a diferença de viscosidade do �uido entre a área de estagnação representada pela viscosidade na parede do tubo ( ) e a viscosidade do �uido na Nu = a(Re)p(Pr)q (1) Nu = 0,027Re0,8Pr1/3(m/mw)0,14 (2) (m/mw)0,14 mw Disciplina Fenômenos de Transporte área transversal dele. Expandindo a Equação 2 para que o coe�ciente convectivo seja diretamente calculado teremos a Equação 3 para hi e Equação 4 para ho: Em que De é o diâmetro equivalente representando a diferença entre o tubo interno e o tubo externo; essa diferença é denominada anel. Para trocadores de calor casco e tubos, o coe�ciente convectivo para o �uido e escoamento pelo casco em regime turbulento é dado pela Equação 5. Conhecendo os valores de hi e ho, o próximo passo é realizar uma correção no hi para que se obtenha o coe�ciente convectivo referente ao calor que atravessa a parede do tudo interno em um trocador duplo-tubo ou os múltiplos tubos em um casco e tubos, denominado hio. Ele pode ser calculado pela Equação 6. Em que DI é o diâmetro interno e DE, o diâmetro externo referentes ao tubo interno. Agora podemos calcular o UC por meio da Equação (7), que relaciona os coe�cientes convectivos hio e ho: Para �nalizar, o UD pode ser calculado por meio da relação do UC com fator de incrustação (Rd) por meio da Equação (8). Também pela equação de conservação da energia, que será apresentada no próximo bloco desta aula. Análise de um trocador de calor hi.D k = 0,027( r.v.D m ) 0,8 ( cP .m k ) 1/3 (m/mw)0,14 (3) ho.De k = 0,027( r.v.D m ) 0,8 ( cP .m k ) 1/3 (m/mw)0,14 (4) ho.De k = 0,36( r.v.D m ) 0,55 ( cP .m k ) 1/3 (m/mw)0,14 (5) hio = hi. DI DE (6) UC = hio.ho hio+ho (7) 1 UD = 1 UC + Rd (8) Disciplina Fenômenos de Transporte Para realizar o cálculo a área de troca térmica de trocadores de calor, dispomos de dois métodos bastante consolidados que podem ser aplicados para qualquer tipo de trocador de calor, tanto em correntes paralelas quanto contracorrente. Esses métodos são o da conservação de energia e o e-NUT, que está relacionado a efetividade do trocador de calor. O método da conservação da energia possui origem na lei da conservação da energia, que é a 1º lei da termodinâmica, e pode ser representado pela Equação 9: Em que A é a área de troca térmica, U é o coe�ciente global de transferência de calor podendo ser usado o UC na fase de projeto e o UD na fase de operação. Q é o calor trocado entre os �uidos, podendo ser calculado de Equação (10), e LMTD é a média logarítmica das temperaturas, que pode ser calculada pela Equação (11). A troca de calor que ocorre entre os �uidos (Q) pode ser calculado pelo calor sensível, como mostra a Equação (10): Em que ṁ é a vazão mássica do �uido; cp é o calor especí�co do �uido, que pode ser encontrado em tabelas; e DT é a diferença entre as temperaturas de entrada e saída do �uido. A = Q U .LMDT (9) Q = ṁ. cp.DT (10) Disciplina Fenômenos de Transporte A média logarítmica de temperatura (LMTD) é uma relação entre as quatro temperaturas que envolvem a operação de um trocador de calor, ou seja, as temperaturas de entrada e saída para os dois �uidos que estão realizando essa troca térmica. A LMTD é calculada pela Equação (11): Onde os DTmáx e DTmín são dependentes do tipo de escoamento do trocador de calor, que pode ser paralelo ou contracorrente, como mostra a Figura 5. Observando a �gura, é possível compreender que deve ser construído um grá�co no qual a linha superior representa as temperaturas de entrada e saída do �uido de aquecimento; e a linha inferior, as temperaturas de entrada e saída do �uido de resfriamento. As temperaturas devem ser posicionadas conforme o escoamento das correntes e, na sequência, deve ser realizada uma subtração das temperaturas nos extremos no grá�co. A maior subtração é chamada de DTmáx e a menor de DTmín. Figura 5 | Escoamentos paralelo e contracorrente em trocadores de calor. Fonte: Bergman (2019, pp. 657 e 659). LMTD = DTmáx− DTmín ln( DTmáx DTmín ) 11 Disciplina Fenômenos de Transporte Para trocadores de calor casco e tubos, é aplicado um fator de correção (Ft) no cálculo do LMTD. O fator de correção é encontrado gra�camente perante o tipo de trocador de calor, como pode ser visualizado da Figura 6 para trocadores casco e tubos com um passe no casco e 2, 4, 6, etc. (qualquer múltiplo de 2) passes nos tubos. Figura 6 | Fator de correção para trocadores de calor casco e tubos com um passe no casco e 2, 4, 6, etc. (qualquer múltiplo de 2) passes nos tubos. Fonte: Bergman (2019, p. 660). Agora com todos os conhecimentos necessários para analisar um trocador de calor, você está apto a resolver os exercícios, bem como problemas reais aplicando esse equipamento tão usando em diversas áreas da engenharia. Videoaula: Trocadores de calor Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. O vídeo que você assistirá agora trará uma maior compreensãosobre a análise de trocadores de calor com o objetivo de encontrar a área de troca-térmica, bem como o cálculo do coe�ciente global de transferência de calor aplicado a trocadores duplo-tubo e casco e tubos. Trata-se de um assunto de grande importância, pois esses equipamentos são vastamente aplicados em diversos setores da engenharia. Disciplina Fenômenos de Transporte Saiba mais Para que você aprofunde os seus conhecimentos, acesse o capítulo 11 (p. 644) do livro Fundamentos de Transferência de Calor e de Massa, disponível na Biblioteca Virtual, e estude as páginas 658 e 659, que apresentam a teoria completa sobre o cálculo da média logarítmica da temperatura. Referências Disciplina Fenômenos de Transporte BERGMAN, T. L. Incropera – Fundamentos de Transferência de Calor e de Massa. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2019. BIRD, R. B.; STEWART, W. E.; LIGHTFOOT, E. N. Fenômenos de Transporte. Rio de Janeiro: LTC, 2004. BRAGA FILHO, W. Fenômenos de Transporte para Engenharia. 2ª ed. Rio de Janeiro: LTC, 2012. SIMÕES, R. M. I. Fenômenos de Transporte. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A, 2016. Aula 5 Revisão da Unidade Mecanismos de transferência de calor e análise de trocadores de calor Disciplina Fenômenos de Transporte Olá, estudante! Vamos rever agora os principais conceitos para a aplicação dos mecanismos de transferência de calor, bem como para a análise e cálculo da área de troca térmica de um trocador de calor. O primeiro mecanismo de transferência de calor a ser estudado é a condução, que representa a transferência de calor através do movimento molecular aleatório, não considerando a diferença de velocidade. Logo, a condução pode ocorrer em todos os estados da matéria, ou seja, em sólidos, líquidos e gases. O calor transferido por condução deve ser calculado pela lei de Fourier, que descreve a relação entre o �uxo de calor e a diferença de temperatura, e pode ser representada pela Equação 1. A convecção está relacionada com a transferência de energia entre uma superfície e um �uido em movimento sobre essa superfície. Combina dois fenômenos de transferência de energia, que são a advecção (responsável pelo movimento global do �uido) e a condução (que descreve o movimento aleatório das moléculas do �uido). A lei de resfriamento de Newton é utilizada para expressar a convecção entre um �uido e uma superfície através da diferença entre a temperatura no interior do �uido (T¥) e a temperatura na superfície sólida (Ts). Dessa forma, possibilita o cálculo do �uxo de calor relacionado ao mecanismo de convecção através da Equação 3. Q̇ = −k.A. T2−T1 L Q̇ = h.A. (Ts − T∞) (3) Disciplina Fenômenos de Transporte A radiação é aplicada aos trocadores de calor aletados, que são tipos bastante especí�cos e com alta e�ciência de troca térmica. O �uxo de calor transmitido por radiação pode ser calculado pela lei de Stefan-Boltzmann, representada pela Equação 4. Agora que relembramos os mecanismos de transferência de calor, vamos seguir com a revisão dos conteúdos sobre os trocadores de calor. O principal objetivo de um projeto de trocador de calor é encontrar a área de troca térmica. Esse objeto se inicia calculando o coe�ciente global de transferência de calor (U) que pode ser classi�car em UC (limpo) e UD (sujo). O coe�ciente global de transferência de calor limpo (UC) é calculado através de uma relação entre os coe�cientes convectivos referentes à transferência de calor de ambos os �uidos no equipamento; ou seja o �uido que passa pelo tudo interno (i) e outro �uido passando pelo tubo externo (o). Assim, teremos o coe�ciente convectivo hi relacionado ao �uido interno e ho para o tubo externo. Os coe�cientes convectivos hi e ho podem ser calculados para tubulação pelas Equações 5 e 6; e, para trocadores de calor casco e tubos, o coe�ciente convectivo para o �uido e escoamento pelo casco em regime turbulento é dado pela Equação 7. Conhecendo os valores de hi e ho, o próximo passo é realizar uma correção no hi para que se obtenha o coe�ciente convectivo referente ao calor que atravessa a parede do tudo interno em um trocador duplo-tubo ou os múltiplos tubos em um casco e tubos, denominado hio. Ele pode ser calculado pela Equação 8. Agora podemos calcular o UC através da Equação 9, que relaciona os coe�cientes convectivos hio e ho: Para �nalizar, o UD pode ser calculado através da relação do UC com fator de incrustação (Rd) por meio da Equação 10, como também pela equação de conservação da energia, apresentada na Equação 11: Q̇ = ε.σ.A. (T 4 − T 4 viz) hi.D k = 0,027( ρ.v.D μ ) 0,8 ( cP .μ k ) 1/3 (μ/μw)0,14 ho.De k = 0,027( ρ.v.De μ ) 0,8 ( cP .μ k ) 1/3 (μ/μw)0,14 ho.De k = 0,36( ρ.v.De μ ) 0,55 ( cP .μ k ) 1/3 (μ/μw)0,14 hio = hi. DI DE UC = hio.ho hio+ho Disciplina Fenômenos de Transporte O método da conservação da energia é utilizado para calcular a área de troca térmica e possui origem na lei da conservação da energia, que é a 1º lei da termodinâmica. Pode ser representado pela Equação 11: Agora que você relembrou todos os conceitos sobre mecanismo de transferência de calor, vamos aplicá-lo? Siga em frente com os seus estudos e analise os trocadores de calor. Videoaula: Revisão da Unidade Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Este vídeo apresenta uma revisão dos principais conceitos sobre os mecanismos de transferência de calor, bem como as etapas necessárias para o cálculo da área de troca térmica de um trocador de calor. Os trocadores de calor são amplamente utilizados nos diversos setores da engenharia, logo, é bastante importante que você compreenda esses conceitos e saiba aplicá- los. Estudo de caso 1 UD = 1 UC + Rd A = Q U .LMDT Disciplina Fenômenos de Transporte Trocadores de calor são largamente aplicados nos mais diversos setores da engenharia, como indústrias químicas, farmacêuticas, alimentos, petróleo, assim como sistemas de ar- condicionado de grande porte. Podem ser usados na troca de calor sensível (quando há diferença de temperatura) ou na troca de calor latente (quando há apenas mudança de estado). Logo, pode ser empregado como condensador e evaporador em sistemas de refrigeração e colunas de destilação. Nesse contexto, você se colocará no papel de um engenheiro responsável pelo projeto de uma indústria química e precisa avaliar se um determinado trocador de calor 1-2 (um passe no casco e 2 passes nos tubos) em contracorrente com área de troca térmica de 290 m2 é aplicável ao resfriamento de 22 kg/s de água destilada de 33 °C a 29 °C utilizando 35 kg/s de água comum proveniente de um reservatório de 24°C. A troca de calor fornece um fator de incrustação de 1 m2.ºC/kW com uma velocidade do tubo de 1,8 m/s e 1,07 m/s no casco. Dispõe-se para este serviço de um trocador com casco de 0,387 m de diâmetro interno e tubos com 0,018 m de diâmetro externo (DE) e 0,016 de diâmetro interno (DI) com comprimento igual a 5 m. O diâmetro equivalente (De) é de 0,14 m. Avalie se ele poderá ser instalado e atenderá a demanda ou se será necessária a compra de um novo trocador de calor. Para realizar esse projeto, você precisará percorrer os seguintes passos: Encontrar as propriedades físicas da água (densidade, viscosidade, calor especí�co e condutividade térmica). Calcular os coe�cientes convectivos para o �uido que escoa pelos tubos e pelo casco. Calcular os coe�cientes globais de transferência de calor limpo e sujo. Calcular a área de troca térmica. ______ Disciplina Fenômenos de Transporte Re�ita Para entregar um ótimo relatório ao seu gestor, você deverá realizar os seguintes cálculos para o trocador de calor casco e tubos, alvo do seu projeto: Procurar as propriedades necessárias na literatura: condutividade térmica, densidade, viscosidade e calor especí�co. A quantidade de calor trocada através do mecanismo de condução para os �uidosenvolvidos nesse projeto. O mesmo do item anterior para o mecanismo de convecção. Calcular os coe�cientes convectivos. Calcular a área de troca térmica do trocador de calor. Lembre-se de que você também pode utilizar o livro da disciplina, bem como a Biblioteca Virtual. Elabore o relatório com os cálculos do seu projeto e apresente-os ao seu gestor. Videoaula: Estudo de caso Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Como ambos os �uidos que escoam no casco e nos tubos são água em uma faixa de temperatura semelhante, vamos iniciar encontrando as propriedades físicas (densidade, viscosidade, calor especí�co e condutividade térmica) que podem ser aplicadas para os dois setores do trocador de calor. Você poderá encontrar esses dados em diversos livros de fenômenos de transporte presentes na Biblioteca Virtual, como os citados na bibliogra�a dessa aula. Quadro 1 | Propriedades físicas da água Propriedade Física Valor Densidade 997 kg/m3 Viscosidade 0,001 kg/(m.s) Calor Especí�co 4,186 kJ/kg Condutividade Térmica 0,61 x 10-3 kW/(m2.ºC) Fonte: elaborado pela autora. Disciplina Fenômenos de Transporte Temos todas as propriedades físicas necessárias, então é hora de calcular os coe�cientes convectivos para o casco e para os tubos do trocador 1-2. Siga as equações. Primeiramente, para o casco, temos a velocidade de 1,07 m/s e diâmetro externo de 0,14 m (DE), juntamente com as propriedades físicas. Vamos calcular o ho através a equação a seguir: Para calcular o hi, temos que o diâmetro internos dos tubos é 0,016 e a velocidade é de 1,8 m/s. Juntamente com as propriedades físicas, é possível calcular o hi conforme equação a seguir: Encontrados os coe�cientes convectivos, vamos fazer a correção do hi calculando o hio, sabendo que o diâmetro externo dos tubos é de 0,018 m: Agora podemos calcular o UC: Para �nalizar o cálculo do coe�ciente global de transferência de calor, vamos calcular o UD, sabendo que o fator de incrustação é 1 m2.ºC/kW. Para seguir com os cálculos, é necessário calcular a temperatura de saída da água do reservatório. Para isso, podemos considerar que todo calor que a água destilada transmite, a água do reservatório absorve. Aplicando esse conceito em equação para o cálculo do calor sensível e sabendo que a água destilada possui temperatura de entregada e saída de 33 °C e 29 °C, respectivamente, e vazão mássica de 22 kg/s, enquanto a água comum proveniente de um reservatório tem uma temperatura de entrada de 24°C e vazão mássica de 35 kg, teremos: ho.De k = 0,36( ρ.v.De μ ) 0,55 ( cP .μ k ) 1/3 (μ/μw)0,14 ho. 0,14 0,61 x 10−3 = 0,36( 997.1,07.0,14 0,001 ) 0,55 ( 4,186.0,001 0,61 x 10−3 ) 1/3 (0,001/0,001)0,14 ho = 2,09 kW m2.ºC hi.D k = 0,027( ρ.v.D μ ) 0,8 ( cP .μ k ) 1/3 (μ/μw)0,14 hi. 0,016 0,61 x 10−3 = 0,027( 997.1,07.0,016 0,001 ) 0,55 ( 4,186.0,001 0,61 x 10−3 ) 1/3 (0,001/0,001)0,14 hi = 0,42 kW m2.ºC hio = hi. DI DE = 0,42. 0,016 0,018 = 0,37 kW m2.ºC UC = hio.ho hio+ho = 0,37.2,09 0,37+2,09 = 0,31 kW m2.ºC 1 UD = 1 UC + Rd = 1 0,31 + 0,0005 + 0,0015 ® UD = 0,24 kW m2.ºC Qquente = Qfrio Disciplina Fenômenos de Transporte A taxa de calor sensível pode ser calculada tanto para o �uido quente quanto para o frio, pois, conforme visto na equação acima, os dois possuem o mesmo valor. Logo, teremos: Em posse das quatro temperaturas podemos calcular o LMTD para regime contracorrente. Vamos de�nir DTmáx e DTmín, observe o esquema a seguir (Figura 1) que simboliza a entrada e saída em contracorrente. Fazendo a subtração dos extremos, temos que DTmáx = 6,49 ºC e DTmáx = 5 ºC. Substituindo na equação: Figura 1 | Esquema que simboliza a entrada e a saída em contracorrente. Fonte: elaborada pela autora. Após calculada a LMTD, precisamos realizar a correção, por se tratar de um trocador de calor casco e tubos. Para isso, precisamos calcular o R e P; a letra T (maiúscula) se refere às temperaturas do �uido quente e t (minúscula), às temperaturas do �uido frio. Posteriormente, utilizamos a Figura 2 para encontrar o fator de correção. ṁq. cP .DT = ṁf . cP .DT 22.4,186. (33 − 29) = 35.4,186. (Tsaída − 24) Tsaída = 26,51ºC Qquente = ṁq. cP .DT = 22.4,186. (33 − 29) = 368,37 kW LMTD = ΔTmáx− ΔTmín ln( ΔTmáx ΔTmín ) = 6,49− 5 ln( 6,49 5 ) = 5,71 º R = T1−T2 t1−t2 = 33−29 26,51−24 = 1,59 P = t2−t1 T1−t1 = 26,51−24 33−24 = 0,28 Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 2 | Fator de correção para trocadores de calor casco e tubos com um passe no casco e 2, 4, 6, etc. (qualquer múltiplo de 2) passes nos tubos. Fonte: Bergman (2019, p. 660). Dessa forma, o fator de correção é de 0,95. Corrigindo a LMTD, temos que: Calculando a área de troca térmica, temos: Dessa forma, o trocador 1-2 já existente poderá ser instalado e utilizado para essa função. Resumo Visual LMTDcorrigido = LMTD.Ft = 5,71.0,95 = 5,42 ºC A = Q U .LMDT = 368,37 0,24.5,42 = 283,19 m2 Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 3 | Principais conceitos sobre os mecanismos de transferência de calor e análise de trocadores de calor. Referências Disciplina Fenômenos de Transporte BERGMAN, T. L. Incropera – Fundamentos de Transferência de Calor e de Massa. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2019. BIRD, R. B.; STEWART, W. E.; LIGHTFOOT, E. N. Fenômenos de Transporte. Rio de Janeiro: LTC, 2004. BRAGA FILHO, W. Fenômenos de Transporte para Engenharia. 2ª ed. Rio de Janeiro: LTC, 2012. SIMÕES, R. M. I. Fenômenos de Transporte. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S. A., 2016. , Unidade 4 Introdução à transferência de massa e termodinâmica básica Aula 1 Transferência de massa Introdução Disciplina Fenômenos de Transporte Olá, estudante! Seja bem-vindo à aula sobre Transferência de Massa. Nesta aula, você aprenderá sobre a transferência de massa entre diferentes meios, como gasosos e líquidos, e como isso é aplicado em processos industriais. Existem inúmeros exemplos de transferência de massa na vida diária: a difusão do açúcar numa xícara de café, a vaporização da água numa chaleira, o movimento do ar carregado de umidade sobre o oceano e sua precipitação em forma de chuva, o processo de combustão, o condicionamento de ar, como o exemplo da secagem de roupas ao sol mostrado na Figura 1. Ao �nal desta aula, você será capaz de calcular os �uxos de massa e as concentrações de cada componente em uma mistura e sua difusão, compreender os fenômenos de transferência de massa na engenharia e suas aplicações. Boa aula! Noções de transferência de massa Disciplina Fenômenos de Transporte Na natureza, toda substância ou mistura de substâncias que estão em desequilíbrio, tende a se redistribuir até que o equilíbrio seja restabelecido. Essa tendência é conhecida como força motriz, que é o mecanismo subjacente a muitos fenômenos de transporte como os que vamos abordar nesta aula em Transferência de Massa. As moléculas se moverão em qualquer direção, mas têm a tendência de ocupar novos espaços em que a população delas é menor. A diferença entre essas concentrações é a força motriz na transferência de massa que permite o �uxo de matéria na direção A para B, conforme a Figura 2. Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 2 | Sentido do �uxo de matéria. Fonte: Cremasco (2016, p. 27). O balanço de massa é a aplicação da lei da conservação de massa, e considera as taxas de entrada e saída de massa uma substância em um sistema. O processo de balanço de massa e energia é muito empregado na indústria química. Um exemplo disso é na extração do sal contido no petróleo cru. Antes de ser processado na re�naria, este sal deve ser eliminado em um lavador. Neste lavador, a água é misturada ao petróleo que dissolve parte do sal. O processo de balanço de massa é utilizado para o cálculo das concentrações de sal no �uxo de alimentação do petróleo e no �uxo de saída do lavador, para queseja quanti�cada a concentração de sal e a razão petróleo/água (Santos et al., 2022, p. 50). O �uxo é o movimento das partículas de uma substância de uma região de alta concentração para uma região de baixa concentração. Esse processo é impulsionado pela tendência natural das substâncias de se espalharem e alcançarem um equilíbrio. A taxa de �uxo de massa é in�uenciada pelo coe�ciente de difusão. O coe�ciente de difusão ou difusividade, é a representação numérica da velocidade de uma substância se mover através de um meio. Substâncias com coe�cientes de difusão mais altos se difundem mais rapidamente. Isso é vital em processos como a osmose, em que a água se move através de membranas celulares. Na Figura 3, ilustramos a concentração, que é a medida da quantidade de uma determinada espécie A e B em uma mistura, representada por e . A concentração pode ser expressa em termos de massa ou mol, e a concentração é in�uenciada diretamente no �uxo de massa. Quanto maior a diferença de concentração entre duas regiões, maior será a força motriz para a transferência de massa atingir o estado de equilíbrio. CA CB Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 3 | Transferência de massa por difusão em uma mistura. Fonte: Bergman (2019, p. 554). Quando falamos de difusão, estamos nos referindo a outro conceito crucial que exploraremos. A difusão é o processo pelo qual as substâncias se deslocam de áreas de alta concentração para regiões de baixa concentração. Esse fenômeno ocorre de forma natural e busca equalizar as disparidades de concentração, conforme previsto pela Lei de Fick. É fundamental fazer uma distinção entre transferência de massa e movimento de massa de �uido (ou escoamento de �uido), que ocorre em nível macroscópico quando o �uido é transportado de um local para outro. A transferência de massa exige a presença de duas regiões com diferentes composições químicas e refere-se ao movimento da espécie química a partir da região de concentração mais elevada em direção à região de menor concentração. A principal força motriz para o escoamento do �uido é a diferença de pressão, enquanto, para a transferência de massa, é a diferença de concentração (Çengel e Ghajar, 2009, p. 808). A Lei de Fick da difusão, formulada em 1855, estabelece que a taxa de difusão de uma espécie química em um determinado ponto, em uma mistura de gases (ou solução líquida ou sólida), é proporcional ao gradiente de concentração dessa espécie neste ponto. Embora uma maior concentração da espécie indique a presença de mais moléculas desta mesma espécie por Disciplina Fenômenos de Transporte unidade de volume, a sua concentração pode ser expressa de diversas maneiras que veremos ao longo desta aula. Composição das misturas Agora vamos desvendar as de�nições da transferência de massa em misturas. Para alcançar esse entendimento, vamos dar uma olhada mais aprofundada em alguns conceitos fundamentais da termodinâmica. Imagine uma mistura como um quebra-cabeça químico, em que temos várias peças, ou seja, os constituintes químicos representados pela letra i, também chamados de espécies. Então para compreender a quantidade de cada peça i individualmente, temos duas formas de fazer isso: a concentração mássica, que é como atribuir um peso a cada peça em relação ao espaço que ela ocupa dada por ( ), ou a concentração molar, que é mais como contar quantas peças temos em um espaço especí�co dado por ( ). E aqui está a parte interessante: a concentração mássica e a concentração molar estão entrelaçadas mediante o peso de cada peça, ou seja, a massa molar da espécie, representada por ( ), de tal forma que: kg/m3 Ci kmol/m3 Mi kg/kmol Disciplina Fenômenos de Transporte Sabendo que está representando a massa de cada espécie i por unidade de volume da mistura, logo, a massa especí�ca da mistura (ou densidade mássica) será expressa por: Em analogia, o número total de moles por unidade de volume da mistura será dado por: A quantidade da espécie i em uma mistura também pode ser quanti�cada em termos da sua fração mássica y, por meio da relação a seguir: Ou ainda, pela sua fração molar x, a seguir: Por meio do balanço de massa, aprendemos que massa total m da mistura se conserva, então a soma de massa de todas as espécies i, será representada pela relação: E para fração molar, a equação anterior pode ser rescrita por: Em uma mistura de gases ideais, a relação entre a concentração mássica e a concentração molar de qualquer componente é estabelecida pela pressão parcial desse componente, seguindo os princípios da lei dos gases ideais. Em outras palavras: E, para a concentração molar tem-se que: Onde representa a pressão parcial de uma espécie i, é a constante dos gases para a espécie i, é a constante dos gases universal, T é a temperatura da mistura. Logo, é possível relacionar a fração molar com as pressões parciais da mistura por meio da expressão matemática a seguir: ρi = MiCi ρi ρ = ∑i ρi C = ∑i Ci yi = ρi ρ = mi m xi = Ci C m = ∑imi ∑i xi = 1 ρi = pi RiT Ci = pi RT pi Ri xi = Ci C = pi p Disciplina Fenômenos de Transporte Foram propostas duas maneiras distintas para determinar a concentração de uma mistura, e é natural questionar qual método é o mais adequado. A resposta é que isso depende da situação. Ambas as abordagens têm semelhanças, e a escolha entre elas dependerá da facilidade com que cada uma conduz a solução desejada. Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 4 | Difusão de uma mistura binária. Fonte: Çengel e Ghajar (2009, p. 814). A equação fundamental da difusão molecular (unidimensional) demonstrada na Figura 4, é conhecida como Lei de Fick da Difusão foi deduzida da teoria cinética dos gases e para uma Disciplina Fenômenos de Transporte mistura binária em 1855, pode ser escrita na base molar por: Onde, x é a comprimento na direção perpendicular a área A ilustrado na Figura 4. E o �uxo molar (difusivo) da espécie A em B, ou seja, transferência de massa molar por difusão por unidade de tempo e por unidade de área normal na direção x em . Note que é a concentração molar da mistura binária foi considerada constante para simpli�car a expressão, essa hipótese é mais apropriada para situações que envolvem soluções de sólidos e líquidos diluídos. De outra forma, para determinar o �uxo mássico difusivo da espécie A em relação B em , por meio da densidade da mistura binária conhecendo a densidade da mistura , a Lei de Fick da difusão assume a forma na base mássica abaixo: Além disso, a constante de proporcionalidade na Lei de Fick é de�nida como outra propriedade de transporte de massa denominada de coe�ciente de difusão ou difusividade de massa da espécie A em relação à espécie B. A unidade SI da difusividade de massa é , que é a mesma que as unidades da difusividade térmica ou difusividade da quantidade de movimento (também chamada viscosidade cinemática). Difusividade mássica Jdif,A = −CDAB d( CA C ) dx = −DAB dCA dx com C = constante Jdif,A kmol/s ⋅ m2 C = CA + CB Jdif,A kg/s ⋅ m2 ρ = ρA + ρB Jdif,A = −ρDAB d( ρA ρ ) dx = −DAB dρA dx com ρ = constante DAB m2/s Disciplina Fenômenos de Transporte Em razão da complexidade da difusão de massa, geralmente os coe�cientes difusão são determinados de forma experimental. A teoria cinética dos gases sugere que o coe�ciente de difusão tem a tendência de aumentar conforme a temperatura sobe, mas diminuir à medida que a pressão aumenta. Em outras palavras, a teoria aponta para a razão: As variáveis T e P na equação representam a temperatura e a pressão. A partir do conhecimento do coe�ciente de difusão em determinada temperatura e pressão em dois estados 1 e 2 de uma mistura, é possível calcular o coe�ciente de difusão de gases através da relação matemática, a seguir: Em uma usina verde de energia, a e�ciência da célula a combustível está diretamente ligada à taxa de difusão do hidrogênio através de uma membrana seletiva. Neste exercício, a célula a combustível de tamanho laboratorial operade acordo com a Figura 5. A temperatura de operação é de 60 °C e pressão atmosférica (1 atm). A membrana seletiva possui uma espessura de 0,5 mm e coe�ciente de difusão efetivo do hidrogênio no material é de . DAB~ T 3/2 P DAB,1 DAB,2 = P2 P 1( T1 T2 ) 3 2 2,5 × 10-5 m2/s Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 5 | Esquema de uma célula de combustível. Fonte: Wikipedia Commons. Considere que o hidrogênio se difunde através da membrana seletiva de maneira unidimensional e que o per�l de concentração inicial de hidrogênio na extremidade de alimentação é de 0,05 kg/m³, enquanto a concentração de hidrogênio no ar é praticamente zero. Você deve avaliar o desempenho da célula a combustível e determinar quanto tempo levará para que a concentração de hidrogênio atinja 80% do valor de equilíbrio ao longo da espessura da membrana. Tarefas: Calcule o �uxo de difusão de hidrogênio através da membrana seletiva. Determine o tempo necessário para que a concentração de hidrogênio atinja 80% do valor de equilíbrio. Discuta como a espessura da membrana e o coe�ciente de difusão efetivo afetam o tempo de equilíbrio da difusão. Dados: · Concentração inicial de hidrogênio na alimentação: · Concentração de hidrogênio para o equilíbrio (80%): · Coe�ciente de difusão do hidrogênio na membrana: · Espessura da membrana: CH2,inicial = 0,05 kg/m3 CH2,final = 0,8 × 0,05 = 0,04 kg/m3 DH2-Membrana = 2,5 × 10-5 m2/s L = 0,5 mm = 5 × 10-4 m Disciplina Fenômenos de Transporte · Temperatura de operação: Passo 1: Cálculo do �uxo de difusão ( ): A Lei de Fick para difusão unidimensional é dada pela equação (11). Onde temos que é o �uxo difuso de massa (kg/m²s), é o coe�ciente de difusão efetivo (m²/s) e é o gradiente de concentração (kg/m⁴). Neste caso, o gradiente de concentração é dado por: Substituindo os valores na equação (15), tem-se: Agora, resolvendo a equação (16), substituído o gradiente de concentração na equação (11) permitiu determinar o �uxo de massa da difusão: Passo 2: Cálculo do tempo para 80% do equilíbrio: A equação (11) Lei de Fick da difusão na forma diferencial, permite deduzir a expressão para calcular o tempo necessário que a concentração de hidrogênio leva para atingir o valor de equilíbrio, e aplicando as condições de contorno e resolvendo a equação diferencial, temos que: Onde: · Concentração de hidrogênio na alimentação: · Concentração na superfície da membrana: · Concentração de hidrogênio para equilíbrio: Iniciando as substituições na equação (17), resulta em: Na matemática, a função erro é uma função especial (não elementar) com formato sigmoide. Ela é conhecida como função erro de Gauss ou integral de probabilidade. Você pode T = 60 °C = 60+273 = 333 K Jdif,A Jdif,A dCA dx dCA dx = CH2,final−CH2,inicial L dCA dx = (0,04−0,05) 5×10−4 = −20 kg/m4 JH2,Membrana = −DH2−Membrana dCA dx JH2,Membrana = −2,5 × 10−5(−20) JH2,Membrana = 0,0005 kg/m2s Cx−Ci Cs−Ci = 1 − erf( x 2√Dt ) Ci = 0,05 kg/m3 Cs = 0 Cx = 0,8 × 0,05 = 0,04 kg/m3 0,04−0,05 0−0,05 = 1 − erf( L 2√DH2−Membranat ) 0,8 = erf( L 2√DH2−Membranat ) erf(x) = x Disciplina Fenômenos de Transporte utilizar calculadoras on-line ou tabelas dos livros para obter os valores da função, neste caso, a função erro será representada por , logo tem-se: Realizando as substituições das variáveis restantes do exercício, tem-se: Agora, isolando a variável tempo (t), temos que: Portanto, levará cerca de 0,002 segundos para que a concentração de hidrogênio atinja 80% do valor de equilíbrio ao longo da espessura da membrana. Passo 3: Como a espessura da membrana e o coe�ciente de difusão afetam o tempo de equilíbrio A membrana seletiva possui uma espessura de apenas 0,5 mm relativamente próximo da espessura de uma folha de papel. Quanto mais �na a membrana, menor é a distância a ser percorrida, o que resulta em um tempo de equilíbrio mais curto. Outra informação importante, tem sido o coe�ciente de difusão de vapor de água na atmosfera tem sido objetivo de vários estudos. Algumas fórmulas empíricas foram desenvolvidas, Marrero e Mason (1972) propuseram a expressão mais assertiva, dada por: Onde P é a pressão total em atm e T é a temperatura em K. Existem inúmeras tabelas com valores de coe�ciente de difusão para diversas espécies nos livros do Çengel (2009), Lightfoot (2004), Cremasco (2016) e Bergman (2019) disponíveis na sua Biblioteca Virtual (https://integrada.minhabiblioteca.com.br/) para consulta. Videoaula: Transferência de massa Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Preparado para uma imersão profunda nos principais conceitos de Transferência de Massa? Nesta aula, você terá a chance de explorar de maneira aprofundada os conceitos de concentração, �uxo e balanço de massa, saber qual é a diferença entre base mássica e molar. erf(0,748) = 0,8 0,748 = L 2√DH2−Membranat 0,748 = 5×10−4 2√2,5×10−5t 0,5595t = 25×10−8 4×6,25×10−5 t = 0,00178 ≈ 0,002 s DH2O−Ar = 1,87 × 10−10 T 2,072 P para 280 Khttps://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-216-1923-9/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786556903217/ Disciplina Fenômenos de Transporte Olá, estudante! Esta aula é de Introdução à Termodinâmica! Vamos abordar os conceitos fundamentais como a conservação da energia mecânica. Você aprenderá sobre a energia cinética, potencial e interna, além de entender o que são propriedades, estados e processos em sistemas termodinâmicos. Ao �nal desta aula, você será capaz de aplicar os conceitos aprendidos para resolver problemas de forma prática e entender como esses fenômenos são importantes em diversas áreas da engenharia. Lembre-se de fazer todos os exercícios propostos e seguir o material didático indicado para leitura na seção Saiba Mais. Aproveite esta oportunidade para aprimorar seus conhecimentos e desenvolver habilidades importantes para sua carreira pro�ssional. Vamos começar! Os conceitos da termodinâmica Disciplina Fenômenos de Transporte Um aspecto importante para se apreender os conceitos fundamentais da Termodinâmica consiste em conhecer as de�nições habituais. Tais princípios são aplicados por engenheiros para analisar e projetar uma grande variedade de dispositivos destinados a atender às necessidades humanas. A termodinâmica é encontrada normalmente em muitos sistemas de engenharia e em outros aspectos da vida; não é preciso ir muito longe para ver algumas áreas de sua aplicação. Na verdade, não é preciso ir a lugar algum. O coração está constantemente bombeando sangue para todas as partes do corpo humano, diversas conversões de energia ocorrem em trilhões de células do corpo e o calor gerado nele é constantemente rejeitado para o ambiente. O conforto humano está intimamente ligado a essa taxa de rejeição do calor metabólico. Tentamos controlar a taxa de transferência de calor ajustando nossas roupas às condições ambientais (Assunção e Godoi 2019, p. 12). Os sistemas termodinâmicos podem ser classi�cados como abertos, fechados ou isolados, dependendo da quantidade de matéria e energia que pode entrar ou sair do sistema. Um sistema aberto permite a entrada e saída de matéria e energia também conhecido como volume de controle, enquanto um sistema fechado permite apenas a troca de energia, veja a diferença entre eles na Figura 1. Já um sistema isolado não permite a entrada ou saída de matéria ou energia. Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 1 | Exemplos de sistema e volume de controle. Fonte: Braga Filho (2020, p. 3). De acordo com Moran (2018), tudo o que é externo ao sistema é considerado parte das vizinhanças do sistema. O sistema é distinguido de suas vizinhanças por uma fronteira tracejada, que pode estar em repouso ou em movimento. Uma propriedade é uma característica mensurável de um sistema termodinâmico, como pressão, temperatura, volume, massa, densidade, entalpia, entropia, etc. As propriedades podem ser classi�cadas em intensivas ou extensivas. As propriedades intensivas não dependem da quantidade de matéria do sistema, como a pressão e a temperatura. As propriedades extensivas dependem da quantidade de matéria do sistema, como a massa e o volume. Um estado é uma condição especí�ca de um sistema termodinâmico, de�nida por um conjunto de propriedades. Por exemplo, um gás pode estar em um estado de alta pressão e baixo volume, ou em um estado de baixa pressão e alto volume. Um processo é uma transformação de um estado para outro, envolvendo trocas de calor e trabalho com o ambiente externo. Por exemplo, a Figura 2 representa um gás pode sofrer uma compressão isotérmica, ou seja, um processo em que o volume diminui, mas a temperatura permanece constante. Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 2 | Diagrama de um processo de compressão. Fonte: Çengel e Boles (2013, p. 16). Uma das leis mais importantes da física é a lei da conservação da energia, que a�rma que a energia não pode ser criada nem destruída, apenas transformada de uma forma para outra. A Disciplina Fenômenos de Transporte energia pode se manifestar de diversas formas, como elétrica, térmica, química, nuclear, luminosa, sonora, etc. No dia a dia, toda vez que você dirige seu carro, liga o ar-condicionado ou usa um eletrodoméstico, você está usufruindo dos benefícios proporcionado pela Termodinâmica, o estudo das relações envolvendo calor, trabalho mecânico e outros aspectos da energia e da transferência de energia. Por exemplo, o processo termodinâmico do motor do carro, veja na Figura 3, o motor antigo de Volkswagem Fusca que transforma calor através da reação química entre o oxigênio e a gasolina ou álcool (combustão) em trabalho mecânico dentro dos cilindros, pressionando os pistões que resultam em torque e rotação para dar movimento ao carro. Figura 3 | Motor de Volkswagem Fusca. Fonte: Pixabay. Para Çengel (2013), a conservação da energia está implícita no enunciado da primeira lei. Embora a essência da primeira lei seja a existência da propriedade energia total, a primeira lei quase sempre é vista como uma declaração do princípio de conservação da energia. Dessa forma, primeira lei da termodinâmica é fundamental para a compreensão de tais processos, é uma extensão do princípio da conversão da energia. Ela amplia esse princípio para incluir trocas de energia tanto por transferência de calor quanto por realização de trabalho, e introduz o conceito de energia interna de um sistema termodinâmico. É importante entender os conceitos de propriedade, estado e processo em sistemas termodinâmicos para aplicar a conservação da energia mecânica em problemas práticos. As propriedades termodinâmicas são medidas que descrevem o estado de um sistema, enquanto o estado é a combinação de todas as propriedades termodinâmicas em um determinado momento. Já o processo termodinâmico é a mudança de estado de um sistema, que pode ocorrer de diversas formas. Disciplina Fenômenos de Transporte Os fundamentos da termodinâmica Existem duas formas de estudar a Termodinâmica na engenharia: a abordagem macroscópica e a microscópica. A abordagem macroscópica se concentra no comportamento global do sistema, sem se preocupar com os detalhes da estrutura interna da matéria. Por exemplo, na Figura 4 note que quando você aquece uma panela de água no fogão, você pode observar que a temperatura e o volume da água mudam, mas não precisa saber como as moléculas de água se movem. Essa forma de estudar a termodinâmica é chamada de Termodinâmica Clássica. Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 4 | Panela com água em aquecimento. Fonte: Freepik. A abordagem microscópica leva em conta a estrutura da matéria, ou seja, como as partículas que formam o sistema se comportam. Por exemplo, na Figura 5, quando você aquece uma panela de água no fogão, você pode imaginar que as moléculas de água �cam mais agitadas e se afastam umas das outras. Essa forma de estudar a termodinâmica é mais complexa e teórica, e é chamada de Termodinâmica Estatística. Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 5 | Panela com água em ebulição. Fonte: Freepik. Já quando uma propriedade é aditiva, ou seja, resultante da soma de cada elemento in�nitesimal que compõe o sistema, normalmente dependente do tamanho e da extensão do sistema e varia com o tempo, logo trata-se de uma propriedade extensiva, por exemplo massa, volume e energia. As propriedades intensivas não são aditivas, apresenta os mesmos valores em todos os elementos in�nitesimais, e não dependem do tamanho e da extensão do sistema, podem variar de um lugar para o outro dentro do sistema em qualquer momento, como a temperatura e a pressão. A propriedade extensiva densidade de uma substância é a massa m dividida pelo volume V ocupado pela massa: O volume especí�co v é de�nido como o volume ocupado por uma substância pela sua mesa, basicamente trata-se de ser o inverso da densidade, dado por: A pressão é de�nida como componente normal de uma força F que atua sobre uma superfície dividida pela área A da superfície: ρ ρ = m V v = V m = 1 ρ P =F A Disciplina Fenômenos de Transporte A pressão absoluta é a medida em relação à pressão do zero absoluto, e a pressão manométrica é medida em relação a pressão atmosférica local, elas se relacionam por: A variação da pressão manométrica exercida pelo peso de uma coluna de líquido de altura z sobre uma superfície, pode ser calculada conhecendo a aceleração da gravidade g e a densidade do líquido, através da relação matemática: Na Figura 7 observa-se que a parte externa ao sistema em estudo é considerada como vizinhança do sistema, a fronteira é a superfície real ou imaginária que separa o sistema da vizinhança, podendo estar em repouso ou em movimento. Um sistema fechado (também conhecido como massa de controle) consiste em uma quantidade �xa de massa, e nenhuma massa pode atravessar sua fronteira. Ou seja, nenhuma massa pode entrar e sair de um sistema fechado, como mostra na Figura 6. Pabsoluta = Pmanométrica + Patmosférica ΔP ρ ΔP = ρgz Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 6 | Delimitação de sistema fechado com vizinhança e fronteira. Fonte: Moran (2018, p. 4). Disciplina Fenômenos de Transporte Agora em sistema aberto, ou um volume de controle, é usualmente uma região criteriosamente selecionada no espaço. Em geral, ele inclui um dispositivo que envolve �uxo de massa, como um compressor, uma turbina, ou um bocal (Figura 7). As fronteiras de um volume de controle denominadas de superfície de controle podem ser reais ou imaginárias. Figura 7 | Delimitação de sistema aberto pelas fronteiras. Fonte: Çengel e Boles (2013, p. 12). Um sistema está em equilíbrio termodinâmico quando mantém o equilíbrio térmico, mecânico, de fase e químico. Qualquer alteração de um estado para outro é chamado de processo. Um processo com estados inicial e �nal idênticos é chamado de ciclos. Durante um processo quase- estático ou de quase-equilíbrio, o sistema permanece praticamente em equilíbrio durante todo o tempo. O estado de um sistema simples e compressível é completamente determinado no mínimo por duas propriedades independentes e intensivas, como temperatura e pressão. Agora, você vai relembrar as formas de energia, onde viu-se que a energia mecânica que está relacionada ao movimento e à posição de um corpo ou de um conjunto de corpos que pode ser convertida completa e diretamente em trabalho mecânico por um dispositivo mecânico, como uma bomba, por exemplo. Por de�nição, energia mecânica E é a soma da energia cinética EC e Disciplina Fenômenos de Transporte da energia potencial Ep de um sistema. A energia cinética está associada ao movimento de um corpo, e a potencial é a energia armazenada em um corpo devido à sua posição ou con�guração em relação a um campo de forças gravitacional. Onde m é massa do objeto de estudo, V é a velocidade, g é aceleração gravitacional e z é a elevação do centro gravidade do sistema com relação a algum nível de referência escolhido arbitrariamente. A terceira forma de energia mencionada anteriormente, a energia interna U, está associada à energia contida em uma partícula decorrente do acúmulo devido às variações de temperatura, ou seja, mensura o nível de agitação das moléculas dentro de um sistema. Logo, a variação total de energia de um sistema será representada por: Em um sistema isolado, ou seja, que não troca massa nem energia com o ambiente externo, a energia mecânica se conserva, ou seja, as energias cinéticas e potenciais podem ser desprezadas. Isso signi�ca que a soma das energias do sistema não varia ao longo do tempo. Portanto, para um estado inicial e �nal, a conservação de energia assume uma forma aplicação, dada por: Alguns raros sistemas são totalmente isolados de fato. Mas é normal fazer suposições para obter uma solução aproximada. Metodologia de solução de problemas E = Ec + Ep = Energia Cinética mV 2 2 + Energia Potencial mgz ΔE = ΔEc + ΔEp + ΔU Ec, inicial + Ep, inicial + Uinicial = Ec, final + Ep, final + Ufinal Disciplina Fenômenos de Transporte Para começar a aprender qualquer ciência, é importante entender e absorver suas bases teórica. Após isso, vem a etapa seguinte: testar o que você aprendeu. Para ajudar nesse processo, um estudante de engenharia pode transformar a solução de um problema complexo em uma série de problemas simples utilizando um método passo a passo. Etapa 1: compreensão do problema Em suas próprias palavras, procure explicar de forma sucinta o problema, destacando as informações principais fornecidas e as quantidades que você precisa calcular. Etapa 2: representação grá�ca Crie um esboço simpli�cado do sistema físico envolvido e destaque as informações relevantes na ilustração. Enumerar as informações presentes na ilustração ajuda a ter uma visão completa do problema. Etapa 3: hipóteses e aproximações Apresente todas as hipóteses relevantes e aproximações feitas para simpli�car o problema e permitir sua resolução. Utilize valores coerentes para as quantidades ausentes e necessárias. Por exemplo, observe na Figura 8 que na cidade de Denver, nos Estados Unidos, a pressão cai para 0,83 atm devido à altitude de 1.610 m. Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 8 | Relação de hipóteses e aproximações. Fonte: Çengel e Boles (2013, p. 36). Etapa 4: princípios físicos Disciplina Fenômenos de Transporte Aplique todos os princípios e as leis básicas relevantes da física (como balanço de massa e conservação da energia) e simpli�que-os usando as hipóteses feitas. Etapa 5: propriedades Identi�que as propriedades desconhecidas em estados conhecidos e necessárias para resolver o problema, utilizando relações ou tabelas de propriedades. Etapa 6: cálculos Substitua as quantidades conhecidas nas relações simpli�cadas e realize os cálculos para determinar as incógnitas. Preste atenção especial às unidades e aos cancelamentos de unidades, lembrando que uma quantidade sem unidades dimensionais não tem signi�cado. Etapa 7: análise, veri�cação e discussão Avalie se os resultados obtidos são lógicos e intuitivos, e examine a validade das suposições que podem ser questionadas. Agora vamos aplicar as etapas na resolução para um exemplo de um rio escoando em direção a um lago com uma velocidade média de 3 m/s a uma vazão de 500 m3/s em um local 90 m acima da superfície do lago. Determine a energia mecânica total da água do rio por unidade de massa e o potencial para geração de potência do rio naquele local. Etapa 1 – A energia mecânica total da água do rio por unidade de massa e o potencial de geração de energia de todo o rio precisam ser determinados. Etapa 2 – Representação grá�ca do problema na Figura 9. Figura 9 | Esboço simpli�cado. Etapa 3 a 5 – Hipóteses assumidas: a) A elevação fornecida é a elevação da superfície livre do rio. b) A velocidade fornecida é a velocidade média. c) A energia mecânica da água na saída da turbina é negligenciável. A densidade da água é ρ = 1000 kg/m³ e a aceleração da gravidade é 9,81 m/s². Etapa 6 e 7 – Cálculos, Análise e Discussão.: Disciplina Fenômenos de Transporte Para determina o �uxo de massa, utilizamos a densidade e a velocidade fornecida pelo problema. Aplicando a Equação 7, assumindo que e observando que a soma da energia de �uxo e energia potencial é constante para um �uido dado, podemos considerar que a elevação de toda a água do rio é a elevação da superfície livre. Realizando as substituições na Equação 11 e realizando a conversão, tem-se que: Conhecendo o fator conversão: 1 MW = 1000 kW = 1000 kJ/s, é possível realizar a conversão do valor encontrando para 444,7 MW que corresponde à energia gerada para fornecimento de energia elétrica. Na discussão, notamos que a porção de energia cinética na Equação (12) em comparação com a energia potencial, é negligenciável e pode ser desprezadas nos cálculos da potência fornecida pela queda do rio em 90 m de altura. Videoaula: Avaliação de propriedades e modelo de gás ideal Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo.Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Boas-vindas a nossa aula de Termodinâmica. Aqui, exploraremos conceitos cruciais como caracterizar fases e processos de substâncias puras através do diagrama de fases. Aprender de�nições importantes como pontos críticos, temperatura e pressão de saturação e estados de equilíbrio. Além disso, você conhecerá diversas equações advindas do modelo de gás ideal e o signi�cado do expoente “n” para processos politrópicos. Ao �nal, você será capaz de aplicar esses conhecimentos na prática pro�ssional do engenheiro. Preparado para ampliar seu entendimento? Vamos começar! ṁ = ρV̇ ṁ = 1000 kg m3 × 500 m3 s = 500.000 kg s ΔU = 0 ΔE = ΔEc + ΔEp + ΔU = m v2 2 + mgz = m( v2 2 + gz) ΔE = 500.000 kg s ( (3 m s ) 2 2 + 9,81 m s2 90 m)( 1 kJ kg 1000 m2 s2 ) = 443.700 kJ s Disciplina Fenômenos de Transporte Saiba mais Dê um passo além! Explore nossa Biblioteca Virtual para encontrar materiais que aprofundam os conceitos discutidos na aula. Lá, você poderá acessar uma variedade de livros relacionados à termodinâmica, disponíveis para leitura on-line. É uma oportunidade incrível para enriquecer seu conhecimento de forma conveniente e acessível. Saiba mais sobre as aplicações na engenharia realizando a leitura do item 1.12 na página 40 do livro Fundamentos da termodinâmica, de Claus Borgnakke; Richard E. Sonntag. Este livro é um guia essencial para a compreensão profunda dos princípios termodinâmicos. Com uma abordagem clara e exemplos práticos, ele é uma referência valiosa para estudantes de engenharia que desejam dominar a matéria. Referências https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788521207931/pageid/43 Disciplina Fenômenos de Transporte ASSUNÇÃO, G. S C.; GODOI, P. J. P M. Termodinâmica. Porto Alegre: Grupo A, 2019. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788533500167/. Acesso em: 17 ago. 2023. BORGNAKKE, C.; SONNTAG, R. E. Fundamentos da termodinâmica. São Paulo: Editora Blucher, 2018. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521207931/. Acesso em: 17 ago. 2023. BRAGA FILHO, W. B. Termodinâmica para engenheiros. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2020. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521637196/. Acesso em: 17 ago. 2023. ÇENGEL, Y. A.; BOLES, M. A. Termodinâmica. Porto Alegre: Grupo A, 2013. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580552010/. Acesso em: 17 ago. 2023. MORAN, M. J. Princípios de termodinâmica para engenharia. 8. ed. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2018. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521634904/. Acesso em: 17 ago. 2023. WYLEN, G. V. Fundamentos da termodinâmica clássica. São Paulo: Editora Blucher, 1995. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521217862/. Acesso em: 17 ago. 2023. Aula 3 Avaliação de propriedades e modelo de gás ideal Introdução https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788533500167/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521207931/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521637196/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580552010/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521634904/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521217862/ Disciplina Fenômenos de Transporte Olá, estudante! Nesta aula, aprenderemos como estabelecer a fase e o estado que são aspectos chaves na análise termodinâmica por meio do diagrama de fases P-v-T. A competência de determinar estados e empregar diagramas de propriedades é individualmente importante na resolução de problemas envolvendo o balanço de massa e energia. Você vai conhecer quando e como aplicar o gás de estudo pode ser considerado para o modelo de gás ideal, ou seja, uma equação empírica que foi deduzida através da relação proporcionalidade entre pressão, volume e temperatura para dar origem à famosa equação do estado para gases ideais. Alguns gases ideais possuem desvios no comportamento em relação à equação do estado dos gases ideais, que serão estudados como relações com processos politrópicos. Você �cou curioso para conhecer mais sobre esses assuntos? Vamos lá! Características de fases e substâncias puras Disciplina Fenômenos de Transporte Vamos entender como as bases fundamentais regem o comportamento dos gases, as mudanças de fase das substâncias puras, a equação do estado para os gases ideais e os processos politrópicos. A fase se refere ao estado físico no qual uma substância pura se encontra, podendo ser sólido, líquido ou gasoso. A transição entre essas fases ocorre em pontos especí�cos de temperatura e pressão, conhecidos como pontos críticos. A substância pura é aquela que tem composição química invariável e homogênea. Pode existir em mais de uma fase, mas a composição química será sempre a mesma em todas as fases, conforme o ilustrado na Figura 1(b). A palavra homogênea é utilizada de duas maneiras, quimicamente para representar uma substância pura, ou �sicamente quando as propriedades não são dependentes da posição no volume de interesse. Há inúmeras situações práticas em que duas fases de uma substância pura coexistem em equilíbrio. A água existe como uma mistura de líquido e vapor na caldeira e no condensador de uma usina termoelétrica. O refrigerante passa de líquido para vapor no congelador de um refrigerador. Por ser uma substância conhecida, a água é usada para demonstrar os princípios básicos envolvidos na mudança de fase (Çengel e Boles, 2013, p. 113). Além disso, será comum o uso do termo substância compressível simples para substância pura em que são desprezíveis as variações de volume, isto é, um comportamento típico dos gases e líquidos, observe a mudança de volume da Figura 1(a) para Figura 1(c). O termo vapor é utilizado para indicar a fase de gás, embora em algumas situações é aplicado para indicar que um gás está muito próximo de condensar para uma fase líquida. Quando uma substância existe em duas fases simultaneamente, se diz que existe um equilíbrio de fases, ilustrado na Figura 1(b). Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 1 | Mudança de fase líquida para o vapor em substância pura a pressão constante. Fonte: Borgnakke e Sonntag (2018, p. 56). Por de�nição, o ponto crítico é o estado no qual não ocorre mais uma distinção clara entre as fases líquida e gasosa durante o processo de vaporização, ilustrado na Figura 2(a). A uma pressão supercrítica, uma substância pura experimenta uma expansão gradual e uniforme da Disciplina Fenômenos de Transporte fase líquida para a fase gasosa. Ao longo da linha tripla, que é de�nida pelas condições de temperatura e pressão do ponto triplo na Figura 2(b), as três fases de uma substância pura coexistem em equilíbrio. Nesse ponto, a substância pura está no limite entre as fases líquida e gasosa, e a transição entre elas se torna gradual. É importante ressaltar que o ponto crítico é um marco no comportamento das substâncias puras, indicando um estado singular em que as propriedades físicas se assemelham àquelas de ambas as fases líquida e gasosa demonstrado na Figura 2(c). Figura 2 | Diagrama P-v-T da água. Fonte: Moran (2018, p. 78). O conceito de temperatura de saturação se refere à temperatura em que uma transição de fase acontece para uma pressão especí�ca, conhecida como pressão de saturação nesse ponto. Os Disciplina Fenômenos de Transporte diagramas de fase elucidam que cada pressão de saturação está associada a uma temperatura de saturação exclusiva, e eles valem no sentido inverso. Todas as equações que envolvem pressão, temperatura e volume especí�co de uma substância é classi�cada como equação de estado, e as relações envolvendo outras propriedades de uma substância em estados de equilíbrio também são chamadas de equações de estado. Existem várias equações de estado, algumas mais simples, outras mais complexas. A equação de estado que surgiu com base nas observaçõesexperimentais do comportamento de substâncias na fase gasosa em pressão e densidade relativamente baixas é conhecida como a equação de estado do gás ideal. Esta equação prevê o comportamento P-v-T de um gás com bastante precisão dentro de uma determinada região. A importância de conhecer as propriedades e o comportamento dos gases é crucial em vários campos da engenharia até a medicina. De acordo com Moran (2018), o gás nitrogênio é utilizado em aplicações médicas. Uma delas corresponde à prática da criocirurgia, utilizada pelos dermatologistas, que consiste no congelamento localizado do tecido da pele para a remoção de lesões indesejáveis, inclusive lesões pré-cancerosas. Para esse tipo de cirurgia aplica-se nitrogênio líquido a partir de um spray ou uma sonda. A criocirurgia é rapidamente realizada, em geral sem o uso de anestesia. Por �m, todos esses processos vistos representam mudanças em sistemas termodinâmicos que envolvem variações simultâneas de pressão, volume e temperatura. Em algumas situações, eles podem ser expressos por uma equação com pressão e volume relacionado ao expoente politrópico "n", os valores variando de menos in�nito e mais in�nito para processos politrópicos. Os valores de "n" representam diferentes tipos de processos, como isobáricos (pressão constante) e isocóricos (volume constante) que será estudado durante a aula. Relações termodinâmicas para gases ideais Disciplina Fenômenos de Transporte Em 1662, Robert Boyle notou a relação inversa entre pressão e volume dos gases, enquanto em 1802, J. Charles e J. Gay-Lussac descobriram que o volume dos gases era proporcional à temperatura em baixas pressões. Esses marcos culminaram na formulação da equação de estado, que de�ne as propriedades dos gases em termos de pressão, volume e temperatura. Foi quando surgiu a equação de estado a seguir: Note que a constante de proporcionalidade R é denominada de constante do gás. A Equação 1 é conhecida como a equação de estado do gás ideal, ou também, relação do gás ideal, e todo gás que atende essa relação é chamado de gás ideal. Onde P é a pressão absoluta, T a temperatura absoluta e v o volume especí�co. A constante R do gás é especí�ca para cada gás, porque é determinada a partir da massa molar do gás, dada por: Em que é a constante universal dos gases e M é a massa molar (peso molecular) do gás, a constante tem o mesmo valor para todos os gases, podemos assumir os valores a seguir Pv = RT R = − R M − R − R Disciplina Fenômenos de Transporte conforme as diferentes unidades apresentadas em cada situação. Você viu a relação da massa com massa molar M e número de mols N, dessa forma a equação do gás ideal assume outras formas muito usuais, descritas a seguir: Onde é o volume especí�co molar, por de�nição, é o volume por unidade de mol (m³/kmol). E agora, diante de um processo termodinâmico com dois estados diferentes especi�cados com os subscritos 1 e 2 de um determinado gás ideal (como oxigênio, nitrogênio, hélio, argônio, ar entre outros), a equação (1) adota uma forma que é possível relacionar os dois estados por: Agora, já no processo termodinâmico de quase equilíbrio conhecido como o processo politrópico, a expressão matemática desse processo é dada por: Relacionando dois estados no processo politrópico, tem-se: Ou ainda, na forma de: − R = 8,31447 kJ kmol∙K 8,31447 kPa∙m3 kmol∙K 0,0831447 bar∙m3 kmol∙K 1,98588 Btu lbmol∙R 10,7316 psi∙ft3 lbmol∙R 1545,37 ft∙lbf lbmol∙R m = M.N PV = mRT PV = N − RT P − v = − RT − v P1V1 T1 = P2V2 T2 PV n = constante P1V n 1 = P2V n 2 P2 P1 = ( V1 V2 ) n Disciplina Fenômenos de Transporte Quando , o processo é denominado isobárico acontece a pressão constante, e quando , o processo é denominado isométrico, ou seja, acontece a volume constante. Relacionando a temperatura a equação (1) de estado do gás ideal, a equação (10) assume a forma de: Além disso, quando tivermos o valor corresponde a um processo isotérmico, de acordo com a equação de estado do gás ideal. Explorando o modelo do gás ideal Neste bloco, chegou o momento de aplicar as equações do modelo de gás ideal a uma situação real. Imagine que você é o engenheiro responsável por supervisionar um tanque de armazenamento feito de aço inoxidável na indústria similar ao ilustrado na Figura 3. Esse tanque tem um volume interno de 0,5 m³ e contém um gás com uma massa molar de 28 kg/kmol. Inicialmente, o gás está à temperatura de 25 ºC e uma pressão atmosférica de 101,3 kPa. Após fechado e ser aquecido para �ns de esterilização, sua temperatura aumentou para 300 ºC. Agora, sua tarefa é resolver os seguintes desa�os: a) calcular a massa do gás no tanque; b) determinar a pressão �nal do processo usando o modelo de gás ideal; c) encontrar a pressão �nal do n = 0 n → ±∞ T2 T1 = ( P2 P1 ) n−1 n = ( V1 V2 ) n−1 n = 1 Disciplina Fenômenos de Transporte politrópico especí�co, onde o expoente é 1,4. É importante analisar e comparar os resultados obtidos. Vamos trabalhar juntos para resolver esses pontos! Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 3 | Tanque de armazenamento. Fonte: Freepik. Dados: · Volume interno do tanque · Massa molar do gás · Temperatura inicial · Pressão inicial · Temperatura �nal · Expoente politrópico Passo 1: Calcular a massa do gás contida no tanque (a): Inicialmente, usaremos a equação (2) e os valores da equação (3) para calcular a constante do gás: Após encontrado o valor , conhecendo a pressão e temperatura é possível determinar a massa do gás utilizando a equação do estado de gás ideal: Signi�ca que dentro do tanque está con�nado uma massa de 1,75 kg de gás em estudo. Passo 2: Determinar a pressão �nal usando o modelo de gás ideal (b): Para calcular a pressão �nal, devemos utilizar a equação (7), considerando que o volume durante o aquecimento será constante, é possível simpli�car a mesma para: E realizando as substituições para encontrar a pressão �nal, temos que: Logo, resolvendo a equação (15), concluiu-se que a pressão dentro do tanque após o aquecimento será de . Passo 3: Determinar a pressão �nal do processo politrópico (c): Agora, utilizando a equação (11) para determinar a pressão �nal em um processo politrópico com expoente , temos que: V = 0,5 m³ M = 28 kg/kmol T1 = 25 ºC (298,15 K) P1 = 101, 3 kPa T2 = 300 ºC (573,15 K) n = 1,4 R = − R M = 8,31447 kPa∙m3 kmol∙K/28 kg kmol = 0,2969 kPa∙m³ kg∙K R = 0,2969 kPa∙m³/kg∙K m = RT PV = 0,2969 kPa∙m³ kg∙K ×298,15 K 101,3 kPa×0,5 m³ ≅1,75 kg P1 T1 = P2 T2 101,3 kPa 298,15 K = P2 573,15 K P2 = 194,73 kPa n = 1,4 573,15 K 298,15 K = ( P2 101,3 kPa ) 1,4−1 1,4 Disciplina Fenômenos de Transporte Realizando os cálculos da equação (16), encontrou-se que a pressão dentro do tanque após o aquecimento será de . Neste exercício, aplicamos os conceitos do modelo de gás ideal e do processo politrópico para resolver os desa�os propostos. Esses cálculos e comparações nos ajudam a entender como diferentes abordagens podem levar a resultados distintos em termos de pressão �nal. Videoaula: Avaliação de propriedades e modelo de gás ideal Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Boas-vindas a nossa aula de Termodinâmica. Aqui, exploraremos conceitos cruciais como caracterizar fases e processos de substâncias puras através do diagrama de fases. Aprender de�nições importantes como pontos críticos, temperatura e pressão de saturação e estados de equilíbrio. Além disso, você conhecerá diversas equações advindas do modelo de gás ideal e o signi�cado do expoente “n” para processos politrópicos. Ao �nal, você será capaz de aplicar esses conhecimentos na prática pro�ssional do engenheiro. Preparado para ampliar seu entendimento? Vamos começar! Saiba mais P2 = 265,35 kPa Disciplina Fenômenos de TransporteA, gera a tensão de cisalhamento das camadas do �uido ( ) e a força normal ( ), perpendicular ao �uido, que aplicada sobre uma determinada área , gera a tensão normal ou, de forma mais prática, a pressão ( ), como mostrado na Figura 1. Figura 1 | Esquema que mostra a força normal que atua sobre uma área , que gera pressão sobre o �uido Ft τ Fn A p Fn p Disciplina Fenômenos de Transporte De acordo com Brunetti (2008), existem diferentes medidores de pressão, com aplicações especí�cas, mas que, em comum, têm como base o princípio de que a pressão é proporcional (aumenta ou diminui) ao peso especí�co do �uido ( ) multiplicado pela diferença de altura – que chamaremos de cotas – entre dois pontos. Essa de�nição é conhecida como o Teorema de Stevin. O barômetro de mercúrio, ainda segundo Brunetti (2008), é utilizado para medir a pressão atmosférica (ou pressão barométrica – ), através da altura do líquido que está dentro de um tubo que é virado de ponta-cabeça sobre um recipiente com mercúrio (Figura 2). γ patm Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 2 | Representação esquemática de um barômetro. Para a medição da pressão atmosférica temos também o barômetro metálico, que de acordo com Godoi e Assunção (2019), apresenta uma precisão menor do que o de mercúrio (Figura 3). Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 3 | Barômetro metálico. Fonte: Pixabay. Outro tipo de medidor, especí�co para a medição de pressão de líquidos e gases em recipientes fechados é o manômetro. Os tipos de manômetros podem variar, de acordo com a aplicação, como o manômetro com tubo em U, o manômetro de Bourdon (Figura 4) ou metálico e os vacuômetros (manômetros de vácuo). Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 4 | Manômetros metálicos ou de Bourdon. Fonte: Pixabay. Devido à incompressibilidade da grande maioria dos �uidos utilizados na engenharia, podemos dizer que “a pressão aplicada num ponto de um �uido em repouso transmite-se integralmente a todos os pontos do �uido” (Brunetti, 2008, p. 21). Esse conceito, na verdade, é o enunciado da Lei de Pascal, e tem sua importância para projetos hidráulicos, como a prensa e o elevador hidráulico, que permite aplicar uma força muito menor de um dos lados do sistema, para elevar cargas maiores do outro lado (Figura 5). Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 5 | Elevador hidráulico automotivo: aplicação da Lei de Pascal. Fonte: Freepik. Quando um corpo ou um objeto é submerso em um determinado �uido, ele sofre pressão proporcional à profundidade em que se encontra e ao peso especí�co do �uido. Brunetti (2008, p. 19) enuncia esse fenômeno como o Teorema de Stevin que diz que “a diferença de pressão entre dois pontos de um �uido em repouso é igual ao produto do peso especí�co do �uido pela diferença de cotas dois pontos”. Esse teorema também é conhecido como o Teorema Fundamental da Hidrostática e explica o porquê a pressão não depende do formato do recipiente. As principais aplicações vão desde o cálculo da pressão sentida por um mergulhador a determinada profundidade e aplicações em engenharia como projetos de estruturas para grandes profundidades, como um submarino, que possui formato próximo de um cilindro, para aumentar a resistência às elevadas pressões que ele pode sobre determinada distância da superfície (Figura 6). Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 6 | Submarino Bangor (EUA). Fonte: Pixabay. Interpretação e equacionamento em Estática dos Fluidos Disciplina Fenômenos de Transporte A Estática dos Fluidos é melhor compreendida através da aplicação em estudos de caso e problemas de Engenharia. Para tanto, é necessário inicialmente compreender os fenômenos envolvidos e modelá-los por meio de equações que serão utilizadas para cálculos em projetos. A pressão atuante sobre uma superfície de um sólido ou de um �uido corresponde à força normal aplicada sobre uma determinada área. No caso dos sólidos, essa força não necessariamente será perpendicular ao plano horizontal, mas no caso dos �uidos, a força será perpendicular ao plano horizontal (Brunetti, 2008). Aqui vamos considerar que a pressão é aplicada de forma uniforma sobre toda a área de estudo. Dessa forma, obtemos o valor da pressão média atuante, através da relação: A Figura 7 mostra, esquematicamente, como é a atuação dessa força normal: p = Fn A Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 7 | Atuação de uma força normal sobre uma área A O Teorema de Stevin, como já apresentado, relaciona pressão e profundidade. Pense que tudo que está sobre a superfície da Terra (inclusive os seres humanos) também está imerso em um �uido, o ar, e por isso, sofre também a atuação da pressão, inclusive nós, seres humanos. Aqui, se considerarmos a grande diferença de cotas entre o limite da atmosfera e o solo, veremos que a massa especí�ca do ar muda de acordo com a altitude, o que torna o cálculo mais complexo, mas não impossível. Para nossos estudos, vamos considerar que para pequenas diferenças de cotas ( ) em �uidos gasosos, podemos desprezar a diferença de pressão entre eles. Já para �uidos líquidos, e para diferenças muito grandes em �uidos gasosos, o cálculo da diferença de pressão ( ) pelo teorema de Stevin se dá por: Ou, utilizando uma representação esquemática de um reservatório, onde se quer medir a diferença de pressão entre as cotas e (Figura 8): Figura 8 | Representação esquemática de um reservatório preenchido com �uido. Δh Δp Δp = γ × Δh z1 z2 Disciplina Fenômenos de Transporte Nesse caso a equação pode ser escrita na forma: Observe que na relação gerada através do Teorema de Stevin, não temos nenhuma variável relacionada à forma do recipiente, e que a pressão em um mesmo plano horizontal é o mesmo entre dois pontos contidos nesse plano (Figura 9), que explica também os vasos comunicantes, onde o �uido �ca no mesmo nível em todos. Figura 9 | Recipientes diferentes com a mesma pressão na mesma linha horizontal (linha pontilhada). Fonte: adaptada de Halliday, Resnick e Walker (2016, p.57). Por meio da relação do Teorema de Stevin, é possível calcular a pressão entre dois pontos e utilizar nos cálculos com manômetros em U, em que se utiliza a seguinte regra prática, de acordo com Brunetti (2008, p. 29) “começando do lado esquerdo, soma-se à pressão a pressão das colunas descendentes e subtrai-se aquela das colunas ascendentes. Notar que as cotas são sempre dadas até a superfície de separação de dois �uidos do manômetro”. Nesse tipo de manômetro, o �uido manométrico – geralmente o último da esquerda para a direita – é o mercúrio (Hg): p2 − p1 = γ × (z1 − z2) pA Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 10 | Manômetro em U fechado. Fonte: Brunetti (2008, p. 29). Seguindo a regra prática, a equação manométrica para o manômetro da Figura 10 �ca: Para o cálculo de sistemas de elevação hidráulicos, comuns em engenharia, utiliza-se a Lei de Pascal. Como ela enuncia que a pressão aplicada em um ponto é transmitida integralmente por todos os pontos de um �uido. Considere o sistema da Figura 11, que representa esquematicamente uma prensa hidráulica: pA + γ1h1 + γ2h2 − γ3h3 + γ4h4 − γ5h5 − γ6h6 = pB Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 11 | Representação esquemática da prensa hidráulica. Como a pressão é transmitida integralmente por todos os pontos do �uido, as superfícies que entram em contato com os êmbolos 1 e 2 na Figura 11 possuem a mesma pressão: Logo: Aplicação dos conceitos de Estática dos Fluidos Em meados do ano de 2023, uma expedição aos destroços do famoso navio Titanic, localizado a quatro quilômetros de profundidade, no Oceano Atlântico, terminou em uma tragédia, em que cinco pessoas morreram devido à implosão catastró�ca do submarino Titan (Amos, 2023). Algumas das partes desse submarino foram resgatadas, o que revelou alguns pontos e questionamentos importantes, como a janela de acrílico, se o casco de �bra de carbono e os �anges de titânio suportariam a pressão da água a uma profundidade de quatro mil metros.No universo da Termodinâmica, o coe�ciente de compressibilidade, também conhecido como fator de compressibilidade Z, desempenha um papel crucial. Ele é uma ferramenta essencial para entender o comportamento de gases reais, que existem em contraposição aos gases ideais, os quais são uma simpli�cação teórica. Enquanto os gases ideais não existem perfeitamente na realidade, muitos gases, como o ar, se aproximam bastante desse comportamento. O coe�ciente de compressibilidade Z é uma medida do desvio do comportamento de um gás em relação ao comportamento de um gás ideal. Este fator leva em consideração fatores como pressão e temperatura, permitindo corrigir as diferenças entre o comportamento teórico dos gases ideais e o comportamento observado em gases reais. Saiba mais sobre fazendo a leitura do item 5.2 – Gases Reais da página C50 do livro Termodinâmica para Engenheiros, de W. Braga Filho. Referências https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788521637196/epubcfi/6/32%5B%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter05%5D!/4/282/18/3:134%5Brad%2Co%3F%5D https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788521637196/epubcfi/6/32%5B%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter05%5D!/4/282/18/3:134%5Brad%2Co%3F%5D Disciplina Fenômenos de Transporte ASSUNÇÃO, G. S. C.; GODOI, P. J. P M. Termodinâmica. Porto Alegre: Grupo A, 2019. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788533500167/. Acesso em: 24 ago. 2023. BORGNAKKE, C.; SONNTAG, R. E. Fundamentos da termodinâmica. São Paulo: Editora Blucher, 2018. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521207931/. Acesso em: 24 ago. 2023. BRAGA FILHO, W. B. Termodinâmica para engenheiros. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2020. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521637196/. Acesso em: 17 ago. 2023. ÇENGEL, Y. A.; BOLES, M. A. Termodinâmica. Porto Alegre: Grupo A, 2013. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580552010/. Acesso em: 24 ago. 2023. MORAN, M. J. Princípios de termodinâmica para engenharia. 8. ed. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2018. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521634904/. Acesso em: 24 ago. 2023. Aula 4 Primeira e Segunda Leis da Termodinâmica – Ciclos de Carnot Introdução https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788533500167/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521207931/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521637196/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580552010/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521634904/ Disciplina Fenômenos de Transporte Olá, estudante! Você está pronto para compreender o funcionamento de motor a combustão, ou um refrigerador, até uma grande usina de álcool? Vamos explorar detalhadamente as leis que governam a transferência de energia e a conversão de calor em trabalho entre diferentes sistemas e suas vizinhanças. Primeiro, vamos aprender mais sobre a relação entre trabalho e calor, aprofundando no balanço de energia e explorando a e�ciência teórica do Ciclo de Carnot. À medida que avançamos, vamos aprofundar nossos conhecimentos em conceitos centrais, permitindo-nos compreender com maestria o funcionamento de máquinas térmicas. Mergulharemos em tópicos como ciclos de potência, ciclos de refrigeração e a fascinante bomba de calor. Fique �rme nos estudos e vamos juntos explorar os meandros desses temas, e bons estudos! Introdução aos ciclos termodinâmicos Disciplina Fenômenos de Transporte Vamos iniciar destacando o trabalho W, ou seja, a transferência de energia que ocorre quando uma força age em um objeto e o move por uma distância. Conforme exempli�cado na Figura 1, a energia sob a forma de trabalho acontece ao cruzar as fronteiras. Além do trabalho mecânico executado por uma força, é possível encontrar situações como a rotação de um eixo em um sistema de transmissão automotivo, a realização de trabalho elétrico por meio de uma bateria ou sistema de potência, e até mesmo o trabalho químico, entre outras formas. Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 1 | Exemplo de trabalho cruzando a fronteira do sistema. Fonte: Borgnakke e Sonntag (2018, p. 94). A convenção de sinais para o trabalho é baseada na seguinte regra: se o trabalho for positivo , signi�ca que o sistema realiza trabalho sobre as vizinhanças; se o trabalho for negativo , signi�ca que as vizinhanças realizam trabalho sobre o sistema. Já o calor, representado pela letra Q, é de�nido como a energia transferida por meio de uma força motriz entre dois sistemas e sua vizinhança devido a uma diferença de temperatura. E para diferenciar, o trabalho é uma interação de energia que não é causada por uma diferença de temperatura entre um sistema e sua vizinhança. Além disso, conveniou-se sinais para quando a transferência de calor for positiva , o �uxo de calor é da vizinhança para o sistema e quando a transferência de calor for negativa , o �uxo de calor é do sistema para a vizinhança. Um processo pode ser considerado adiabático de duas formas: quando o sistema está bem isolado, de modo que apenas uma quantidade desprezível de calor passe através da fronteira, ou quando o sistema e a vizinhança estejam à mesma temperatura e, portanto, não haja força motriz (diferença de temperatura) para a transferência de calor (Çengel e Boles, 2013, p. 61). Ao analisar ciclos termodinâmicos para um sistema fechado, é essencial entender o balanço de energia, que trata das entradas e saídas de energia de um sistema, nos quais seus estados inicial W > 0 W 0 Qde refrigeração e bomba de calor. Fonte: Moran (2018, p. 57). Agora, vamos observar as diferenças entre os ciclos representados na Figura 4, os Ciclos de Refrigeração e Bomba de Calor desa�am nossa intuição, pois transferem calor da região de temperatura do corpo frio para a região de temperatura do corpo quente. Embora tenham sido tratados do mesmo modo até este ponto, na realidade os ciclos de refrigeração e bomba de calor têm objetivos diferentes. O objetivo de um ciclo de refrigeração é reduzir a temperatura de um espaço refrigerado ou manter a temperatura do interior de uma residência, ou de outra construção, abaixo daquela do meio ambiente. O objetivo de uma bomba de calor é manter a temperatura do interior de uma residência, ou outra construção, acima daquela do meio ambiente ou fornecer aquecimento para certos processos industriais que ocorrem a temperaturas elevadas (Moran, 2018, p. 59). Exploramos conceitos essenciais em engenharia, como trabalho, calor, e�ciência e ciclos termodinâmicos. Na sequência com exemplos claros, aprendemos como máquinas térmicas convertem energia, melhorando processos e reduzindo impactos ambientais. Disciplina Fenômenos de Transporte Análise de energia para ciclos Em primeiro lugar, é fundamental você conhecer o balanço de energia para um ciclo termodinâmico, originário da aplicação da primeira lei da termodinâmica para sistemas: E como, o sistema sempre retorna ao seu estado inicial após o ciclo se completar, não haverá variação da sua energia total, reduzindo a equação (1) para: A conservação da energia sempre deve ser satisfeita para todo ciclo termodinâmica, não importando a sequência de processos que é submetido ao ciclo de um sistema. Além disso, o trabalho fornecido por um ciclo de potência ilustrado na Figura 4(a) para sua vizinhança durante o ciclo, é dado pela expressão: O desempenho de um sistema que percorre um ciclo de potência, conhecido como e�ciência térmica, é a razão entre calor adicionado que é convertido em trabalho líquido do ciclo que pode ser determinada por: ΔEciclo = Qciclo − Wciclo Qciclo = Wciclo Wciclo = Qentra − Qsai Qentra Wciclo Disciplina Fenômenos de Transporte Devido à conservação de energia, podemos inferir que a e�ciência térmica nunca ultrapassará a unidade (100%). Contudo, a prática com ciclos de potência reais demonstra que a e�ciência térmica permanece sempre abaixo da unidade. Isso signi�ca que nem toda energia acrescentada ao sistema via transferência de calor se transforma em trabalho; uma porção é liberada para o corpo frio por meio da transferência de calor. A seguir, os ciclos de refrigeração e bomba de calor mostrados na �gura 4(b), é a energia transferida por calor do corpo frio para o sistema que percorre o ciclo e é a energia descarregada por transferência de calor do sistema para o corpo quente, para tudo acontecer é necessária a alimentação do sistema com trabalho líquido , portanto, o balanço de energia assume a forma de: Considerando que os ciclos de refrigeração e as bombas de calor possuem �nalidades distintas, os coe�cientes de desempenho, que medem seu rendimento, são estabelecidos de maneiras variadas. O desempenho do ciclo de refrigeração pode ser escrito por: A Figura 5 mostra um refrigerador doméstico, onde o calor é descarregado para o ambiente no qual o refrigerador está localizado e o é o trabalho executado pelo compressor consumindo energia elétrica. η = Wciclo Qentra = Qentra−Qsai Qentra = 1 − Qsai Qentra Qentra Qsai Wciclo Wciclo = Qsai − Qentra β = Qentra Wciclo = Qentra Qsai−Qentra Qsai Wciclo Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 5 | Refrigerador doméstico. Fonte: adaptada de Çengel e Boles (2013, p. 309). Disciplina Fenômenos de Transporte O desempenho das bombas de calor é de�nido pela razão entre a energia descarregada pelo sistema que percorre o ciclo, para o corpo quente e o trabalho líquido sobre o sistema para produzir o efeito, logo, é dado pela expressão: Os coe�cientes de desempenho e são estabelecidos como as proporções entre a transferência de calor desejada e o esforço em trabalho necessário para alcançar esse resultado. Do ponto de vista termodinâmico, é vantajoso que esses coe�cientes alcancem os valores mais elevados possíveis. E�ciência máxima para Ciclo de Carnot Qsai Wciclo γ = Qsai Wciclo = Qsai Qsai−Qentra β γ Disciplina Fenômenos de Transporte Existe uma forma de determinar se uma máquina térmica é viável ou não. E isso é o que aprenderemos agora! A equação (8) representa a e�ciência térmica máxima para ciclo de potência hipotético operando entre dois reservatórios de fonte quente e fria, lembrando que esta relação é válida somente para ciclos operando segundo Ciclo de Carnot com temperaturas em Kelvin (K), desprezando perdas de calor para as vizinhanças. Onde a é a temperatura de fonte fria e a é a temperatura de fonte quente na escala Kelvin (K), para a idealização de uma máquina térmica de ciclo de potência ser possível de invenção ηmax = 1 − TF TQ TF TQ Disciplina Fenômenos de Transporte deve ser veri�cado se atende a . Além disso, é importante você compreender que as relações para a avaliação da e�ciência térmicas baseadas em trabalho e calor são para situações e ciclos reais podendo ser calculada por meio das equações (4), (6) e (7). E um refrigerador será possível quando . E para a bomba de calor, o coe�ciente de desempenho máximo operando entre dois reservatórios, será expresso por: Agora, você será capaz de determinar o trabalho, a e�ciência térmica e máxima para um motor a combustão do carro, no qual recebe 600 kJ de calor a uma temperatura de 600 ºC e rejeita 300 kJ de calor para um ambiente com a temperatura de 10 ºC. Dados: 1. O trabalho realizado pela máquina é encontrado por meio da aplicação da equação (3): 2. A e�ciência térmica do ciclo pode ser calculada pela equação (4): 3. A e�ciência térmica máxima para o ciclo pode ser determinada pela equação (8): A e�ciência térmica real do ciclo é 17% menor que a e�ciência térmica máxima, portanto, a máquina térmica é possível de ser inventada. Outro exemplo interessante, comum do seu dia a dia, você deverá ser capaz de calcular o calor rejeitado, o coe�ciente de desempenho real e máximo do seu ar-condicionado residencial que em funcionamento ele mantém a temperatura de sua residência em 23 ºC, enquanto a temperatura do lado de fora é em torno de 40 ºC. Considerando que ciclo de refrigeração remove 8 kJ da casa η ≤ ηmax βmax = TF TQ−TF β ≤ βmax γmax = TQ TQ−TF Qentra = 600 kJ Qsai = 300 kJ TQ = 600 ºC = 873 K TF = 10 ºC = 283 K Wciclo = Qentra − Qsai = 600 − 300 = 300 kJ η = Wciclo Qentra = 300 600 = 0,5 ou 50% ηmax = 1 − 283 873 = 0,67 ou 67% Disciplina Fenômenos de Transporte e compressor faz 2 hp de trabalho no �uido refrigerante para diminuir a temperatura do seu quarto. Dados: a) Aplicando a equação (5), determinamos o calor rejeitado do ar-condicionado: (14) b) O coe�ciente de desempenho real será calculado por meio da equação (8): (15) c) O coe�ciente de desempenho máximo para ciclo de refrigeração pode ser calculado através da equação (10), a seguir: 6) O coe�ciente de desempenho térmico real do ar-condicionado é possível e não infringe as leis da Termodinâmica para ciclos de refrigeração que operam com os reservatórios de fonte quente e fria, porque é menor que o coe�ciente de desempenho máximo do ciclo. Videoaula: Primeira e Segunda Leis da Termodinâmica – Ciclos de Carnot Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Em nossa aula, você vai descobrir os segredos dos ciclos termodinâmicos, desde o famoso Ciclo de Carnot até os práticos ciclos de potência, refrigeração e a intrigante bomba de calor. Vamos explorar juntos as e�ciências térmicas máximas que esses processos podemalcançar. Prepare- se para uma jornada de conhecimento. Vamos à aula! Qentra = 8 kJ s Wciclo = 2 hp = 1,492 kW TQ = 40 ºC = 313 K TF = 23 ºC = 296 K 1,492 = Qsai − 8 ↔ Qsai = 9,49 kJ β = 8 1,49 = 5,36 βmax = 296 313−296 = 17,41 Disciplina Fenômenos de Transporte Saiba mais Você sabia que a grande preocupação nacional atualmente é o armazenamento de energia? Ficou curioso em descobrir por quê? Saiba mais sobre o assunto e leia o tópico 2.7 Armazenamento de Energia da página 56 do livro Princípios de Termodinâmica para Engenharia, disponível na sua biblioteca virtual. Referências https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521634904 Disciplina Fenômenos de Transporte ASSUNÇÃO, G. S. C.; GODOI, P. J. P M. Termodinâmica. Porto Alegre: Grupo A, 2019. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788533500167/. Acesso em: 24 ago. 2023. BORGNAKKE, C.; SONNTAG, R. E. Fundamentos da termodinâmica. São Paulo: Editora Blucher, 2018. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521207931/. Acesso em: 24 ago. 2023. BRAGA FILHO, W. B. Termodinâmica para engenheiros. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2020. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521637196/. Acesso em: 17 ago. 2023. ÇENGEL, Y. A.; BOLES, M. A. Termodinâmica. Porto Alegre: Grupo A, 2013. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580552010/. Acesso em: 24 ago. 2023. MORAN, M. J. Princípios de termodinâmica para engenharia. 8. ed. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2018. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521634904/. Acesso em: 24 ago. 2023. Aula 5 Revisão da unidade Entendendo da difusão até a e�ciência de ciclos termodinâmicos https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788533500167/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521207931/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521637196/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580552010/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521634904/ Disciplina Fenômenos de Transporte Olá, estudante! Vamos relembrar alguns conceitos importantes sobre transferência de massa, termodinâmica e e�ciência de máquinas térmicas, refrigeradores e bombas de calor. A Lei de Fick da difusão nos ajuda a entender como as substâncias se difundem por meio de outras substâncias. Imagine que você adiciona um torrão de açúcar em um copo de água. Essa lei nos diz como o açúcar se espalha na água com base na diferença de concentração e na capacidade de difusão do açúcar na água. Portanto, difusão de uma espécie química i, com o representando o �uxo difusivo na base molar em função da concentração C (kmol/m³) por uma unidade de área normal na direção x, é dada pela expressão abaixo: (1) De outra forma, também possível calcular o �uxo difusivo na base mássica em função da densidade , através de: (2) Onde a constante DAB é denominada como o coe�ciente difusividade, ou seja, uma grandeza que mensura a capacidade de difusão de uma espécie química. Além disso, você conheceu a relação Jdif,A = −CDAB d( CA C ) dx = −DAB dCA dx com C = constante ρA, Jdif,A = −ρDAB d( ρA ρ ) dx = −DAB dρA dx com ρ = constante Disciplina Fenômenos de Transporte entre massa e volume de uma propriedade termodinâmica extensiva densidade e volume especí�co, que são variáveis importantes para de�nição de estado, dado por: (3) A variação total de energia de um sistema, envolve a energia cinética associada ao movimento de um corpo, e a energia potencial que é armazenada a corpo devido sua posição em relação ao campo gravitacional, e a energia interna está relacionada ao nível de agitação das moléculas de um sistema decorrente das oscilações de temperatura, resumida em: (4) A conservação da energia para estado inicial e �nal assume a forma de aplicação a seguir: (5) É importante para você conhecer as variações e aplicações para a formulação da equação de estado do gás ideal, sempre relacionando as variáveis: P representa a pressão de um gás, é o volume especí�co, R a constante do gás e T a temperatura, através de: (6) Diante de um processo com dois estados diferentes associados aos subscritos 1 e 2, a equação (6) assume uma forma de aplicação para relacionar esses estados, dado por: (7) Agora, já no processo termodinâmico de quase equilíbrio conhecido como o processo politrópico, a expressão matemática será representada pela relação, a seguir: (8) Onde o índice n pode variar conforme o processo em análise. E, você pode associar dois estados no processo politrópico, com a expressão a seguir: (9) O trabalho W pode ser convertido em calor, porém, o calor Q só pode ser convertido em trabalho por alguns equipamentos conhecidos como máquinas térmicas. A e�ciência térmica dessa máquina, é de�nida por: (10) v = V m = 1 ρ ΔE = ΔEc + ΔEp + ΔU Ec, inicial + Ep, inicial + Uinicial = Ec, final + Ep, final + Ufinal Pv = RT P1V1 T1 = P2V2 T2 PV n = constante P1V n 1 = P2V n 2 η = Wciclo Qentra = Qentra−Qsai Qentra = 1 − Qsai Qentra Disciplina Fenômenos de Transporte Em que, o é o trabalho realizado pela máquina térmica, é a quantidade de calor fornecida à máquina e o é a quantidade de calor rejeitada pela máquina, ou seja, o calor cedido do sistema as vizinhanças por perdas de processo. Você aprendeu como analisar e�ciência de refrigeradores e bombas de calor que são equipamentos que retiram calor de meios a baixa temperatura e o rejeitam para meios a alta temperatura. O desempenho de um refrigerador ou de uma bomba de calor é expresso pelo coe�ciente de desempenho, de�nidos como: (11) (12) Do ponto de vista termodinâmico, é vantajoso que esses coe�cientes de desempenho e alcancem os valores mais elevados possíveis. Entendendo da difusão até a e�ciência de ciclos termodinâmicos Olá, estudante! Vamos relembrar alguns conceitos importantes sobre transferência de massa, termodinâmica e e�ciência de máquinas térmicas, refrigeradores e bombas de calor. A Lei de Fick da difusão nos ajuda a entender como as substâncias se difundem por meio de outras substâncias. Imagine que você adiciona um torrão de açúcar em um copo de água. Essa lei nos diz como o açúcar se espalha na água com base na diferença de concentração e na capacidade de difusão do açúcar na água. Portanto, difusão de uma espécie química i, com o representando o �uxo difusivo na base molar em função da concentração C (kmol/m³) por uma unidade de área normal na direção x, é dada pela expressão abaixo: Wciclo Qentra Qsai β = Qentra Wciclo = Qentra Qsai−Qentra γ = Qsai Wciclo = Qsai Qsai−Qentra β γ Jdiff,A Disciplina Fenômenos de Transporte De outra forma, também possível calcular o �uxo difusivo na base mássica em função da densidade , através de: Onde a constante DAB é denominada como o coe�ciente difusividade, ou seja, uma grandeza que mensura a capacidade de difusão de uma espécie química. Além disso, você conheceu a relação entre massa e volume de uma propriedade termodinâmica extensiva densidade e volume especí�co, que são variáveis importantes para de�nição de estado, dado por: A variação total de energia de um sistema, envolve a energia cinética associada ao movimento de um corpo, e a energia potencial que é armazenada a corpo devido sua posição em relação ao campo gravitacional, e a energia interna está relacionada ao nível de agitação das moléculas de um sistema decorrente das oscilações de temperatura, resumida em: A conservação da energia para estado inicial e �nal assume a forma de aplicação a seguir: É importante para você conhecer as variações e aplicações para a formulação da equação de estado do gás ideal, sempre relacionando as variáveis: P representa a pressão de um gás, é o volume especí�co,R a constante do gás e T a temperatura, através de: Diante de um processo com dois estados diferentes associados aos subscritos 1 e 2, a equação (6) assume uma forma de aplicação para relacionar esses estados, dado por: Agora, já no processo termodinâmico de quase equilíbrio conhecido como o processo politrópico, a expressão matemática será representada pela relação, a seguir: Jdif,A = −CDAB d( CA C ) dx = −DAB dCA dx com C = constante ρA Jdif,A = −ρDAB d( ρA ρ ) dx = −DAB dρA dx com ρ = constante v = V m = 1 ρ ΔE = ΔEc + ΔEp + ΔU Ec, inicial + Ep, inicial + Uinicial = Ec, final + Ep, final + Ufinal v Pv = RT P1V1 T1 = P2V2 T2 PV n = constante Disciplina Fenômenos de Transporte Onde o índice n pode variar conforme o processo em análise. E, você pode associar dois estados no processo politrópico, com a expressão a seguir: O trabalho W pode ser convertido em calor, porém, o calor Q só pode ser convertido em trabalho por alguns equipamentos conhecidos como máquinas térmicas. A e�ciência térmica dessa máquina, é de�nida por: Em que, o é o trabalho realizado pela máquina térmica, é a quantidade de calor fornecida à máquina e o é a quantidade de calor rejeitada pela máquina, ou seja, o calor cedido do sistema as vizinhanças por perdas de processo. Você aprendeu como analisar e�ciência de refrigeradores e bombas de calor que são equipamentos que retiram calor de meios a baixa temperatura e o rejeitam para meios a alta temperatura. O desempenho de um refrigerador ou de uma bomba de calor é expresso pelo coe�ciente de desempenho, de�nidos como: Do ponto de vista termodinâmico, é vantajoso que esses coe�cientes de desempenho e alcancem os valores mais elevados possíveis. Videoaula: Revisão da Unidade Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Você está pronto para relembrar todos os conceitos essenciais nesta unidade? Iremos tratar sobre a Lei de Fick da difusão de massa, entender propriedades importantes na termodinâmica e a equação de estado dos gases ideais. Vamos desvendar como trabalho e calor se relacionam em ciclos termodinâmicos e como calcular a e�ciência térmica com exemplos práticos. Vamos assistir a este vídeo resumo! Bons estudos! P1V n 1 = P2V n 2 η = Wciclo Qentra = Qentra−Qsai Qentra = 1 − Qsai Qentra Wciclo Qentra Qsai β = Qentra Wciclo = Qentra Qsai−Qentra γ = Qsai Wciclo = Qsai Qsai−Qentra β γ Disciplina Fenômenos de Transporte Estudo de Caso Imagine que você é um engenheiro recém-contratado por uma empresa especializada em soluções de refrigeração comercial. Um dos clientes da empresa é um estabelecimento que vende bebidas geladas e está preocupado com o alto consumo de energia de seu refrigerador comercial, como ilustra a Figura 1. Sua missão é ajudar o cliente a entender como o uso do refrigerador impacta no consumo anual de energia e propor medidas para melhorar a e�ciência, aplicando os princípios da termodinâmica aprendidos em aula. Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 1 | Refrigerador comercial de bebidas. Fonte: Freepik. O cliente possui dez refrigeradores comercial para gelar bebidas com as seguintes características: volume interno de 0,9 m³, temperatura média interna de 4 ºC e e�ciência (coe�ciente de desempenho) do refrigerador é de 1,2. O refrigerador é frequentemente aberto pelos clientes em média 50 vezes ao longo do dia, e o ar mais quente da área de vendas entra no interior do refrigerador, substituindo metade do ar frio dentro do equipamento. Na maior parte do tempo, dois terços do espaço refrigerado está ocupado com bebidas e os 0,3 m³ restante é preenchido pelo ar. A temperatura e a pressão média na condição local é de 30 ºC e 95 kPa. Você precisa calcular a quantidade de energia elétrica consumida pelos refrigeradores comercial em um ano, levando em consideração o seu coe�ciente de desempenho e o custo de eletricidade de R$ 1,00 por kWh. Estime o desperdício de energia resultante da abertura frequente da porta do refrigerador e o do in�uxo de ar quente da área de vendas. Além de tudo, será necessário propor medidas práticas para reduzir o desperdício de energia do refrigerador, com a organização interna das bebidas e a manutenção da porta. ______ Re�ita Depois de analisar o caso do refrigerador comercial de bebidas geladas. Primeiramente, lembre- se de que a e�ciência de um refrigerador está relacionada ao coe�ciente de desempenho (). Quanto maior o , mais e�ciente o aparelho. Portanto, ao aconselhar o cliente, considere a substituição do equipamento por um mais e�ciente. A frequência de abertura da porta e a exposição ao ar quente são críticas para o consumo de energia. Sugira ao cliente que organize as bebidas de forma a minimizar a perda de frio sempre que a porta for aberta, e que a mantenha fechada sempre que possível. Disciplina Fenômenos de Transporte Como engenheiro, você não apenas resolve problemas, mas também contribui para a e�ciência e a sustentabilidade dos negócios. Ao aplicar os princípios da termodinâmica de forma prática, economiza dinheiro para o cliente e reduz o impacto ambiental. Portanto, seja criativo e faça a diferença no mundo real! Videoaula: Resolução do Estudo de Caso Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. A porta de um refrigerador é aberta 50 vezes por dia, e metade do ar frio do interior é substituído pelo ar mais quente da sala. O custo de energia desperdiçada por ano será calculado em razão da abertura da porta do refrigerador comercial. Primeiramente vamos assumir que a local é mantida a 30 ºC e 95 kPa na maior parte do tempo. O ar é modelo como gás ideal. A metade do volume de ar dentro do refrigerador contido entre as bebidas é substituído pelo ar quente . As propriedades termodinâmicas extraídas de tabelas, são: Constante dos gases para o ar O calor especí�co do ar no estabelecimento Volume de ar substituído por ano Agora, com base nas informações, você pode calcular a densidade do ar contida dentro do refrigerador através da equação de estado dos gases ideais, por meio de: (13) E a massa de ar que será renovada durante o ano, será dada por: (14) mar = 0,3 2 = 0,15 m³. R = 0,287 kPa∙m³/kg∙K Cp = 1,005 kJ/kgºC Var = 0,15 m3(50/dia)(365 dia/ano) = 2737,5 m³/ano ρar = P/RT = (95kPa)/(0, 287(kPa ∙ m3)/(kg ∙ K)(4 + 273)K) = 1, 195kg/m3 mar = ρarVar = 1,195 kg m3 × 2737,5 m3 ano = 3271,3 kg ano Disciplina Fenômenos de Transporte O calor gasto para refrigerar todo ar da renovação em razão da frequente abertura de portas será de: (15) Agora para o desempenho , você vai determinar o trabalho do ciclo necessário para refrigeração, através de: (16) Considerando que potência é sinônimo de trabalho realizado por tempo, você pode calcular o custo de energia ano em razão de frequente abertura de porta do refrigerador no estabelecimento. (17) Portanto, um refrigerador consome a mais R$ 19,8 por ano, porém, o estabelecimento possui dez refrigeradores, resultando em um custo de R$ 198 por ano em razão da abertura da porta com frequência. Por �m, você propõe soluções ao cliente para redução no consumo desses refrigeradores. Pense na organização interna – recomende que o cliente organize as bebidas mais compradas de forma mais acessível para reduzir o tempo de abertura das portas. Sugira instalação de cortinas de ar para minimizar a entrada de ar quente no interior do refrigerador, fomente a manutenção regular do equipamento para garantir seu pleno funcionamento e uma boa vedação tornando o processo de refrigeração mais e�ciente. Qentra = marCp Δ T = 3271, 3kg/ano × 1, 005kJ/(kgºC) × (30 − 4)ºC = 85479, 4k β = 1,4 β = Qentra Wciclo ↔ Wciclo= 85479,3kJ/ano 1,2 ( 1 kWh 3600 kJ ) = 19,8 kWh ano Custo = 19,8 kWh ano × 1 R$ kWh = R$ 19,8/ano Disciplina Fenômenos de Transporte Roteiro de Aula Prática Olá, estudante! Segue abaixo link do Roteiro de Aula Prática. Clique aqui, e acesse o roteiro U3 Resumo Visual https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202401/RAP/FENOMENOS_DE_TRANSPORTE/RAP_U3.pdf Disciplina Fenômenos de Transporte Disciplina Fenômenos de Transporte Ciclos termodinâmicos. Fonte: elaborada pelo autor. Referências BERGMAN, T. L. Incropera - Fundamentos de transferência de calor e de massa. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2019. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521636656/. Acesso em: 6 ago. 2023. ÇENGEL, Y. A.; GHAJAR, A. J. Transferência de calor e massa: uma abordagem prática. São Paulo: Grupo A, 2009. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580551280/. Acesso em: 6 ago. 2023. BORGNAKKE, C.; SONNTAG, R. E. Fundamentos da termodinâmica. São Paulo: Editora Blucher, 2018. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521207931/. Acesso em: 17 ago. 2023. BRAGA FILHO, W. B. Termodinâmica para engenheiros. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2020. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521637196/. Acesso em: 17 ago. 2023. ÇENGEL, Y. A.; BOLES, M. A. Termodinâmica. Porto Alegre: Grupo A, 2013. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580552010/. Acesso em: 17 ago. 2023. MORAN, M. J. Princípios de termodinâmica para engenharia. 8. ed. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2018. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521634904/. Acesso em: 17 ago. 2023. WYLEN, G. V. Fundamentos da termodinâmica clássica. São Paulo: Editora Blucher, 1995. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521217862/. Acesso em: 17 ago. 2023.Mesmo construído com materiais de alta resistência, a estrutura não suportou a pressão. Esse é um caso emblemático, no qual podemos estimar a pressão que o submarino sofreria a essa profundidade. Para o cálculo da pressão, utilizaremos o Teorema de Stevin, considerando a pressão atmosférica na superfície da água. Temos que: p1 = p2 F1 A1 = F2 A2 Disciplina Fenômenos de Transporte onde o ponto 2 é onde o Titanic se encontra e o ponto 1 é a superfície do Oceano Atlântico. Então, é a nossa incógnita e (BRUNETTI, 2008). O peso especí�co da água do mar é maior do que o da água destilada devido aos sais presentes, e é em média, igual a (Fox et al., 2018). A cota e a cota . Dessa forma: Podemos ter uma ideia do quão elevada é a pressão obtida se dividirmos o valor da pressão pelo valor da aceleração da gravidade. O valor corresponderia na superfície terrestre a uma massa de mais de quatro milhões de quilogramas agindo sobre uma área de um metro quadrado. É por isso que o submarino Titan sofreu o que foi chamado de implosão catastró�ca, pois sua estrutura não suportou a pressão, provavelmente a uma profundidade menor do que a profundidade onde encontra-se o Titanic. Outra aplicação típica da Estática dos Fluidos é o elevador hidráulico utilizado para elevar um veículo para manutenções ou troca de óleo. Suponha que o veículo a ser elevado possui a massa de e está sobre uma plataforma de de área. Qual a força que deve ser aplicada sobre o outro extremo desse sistema hidráulico que possui de área? Temos uma situação hipotética apresentada, mas que é um exemplo simpli�cado ou um esboço de um projeto hidráulico em engenharia. Para determinar essa força, vamos considerar que a aceleração da gravidade é . Para �car mais claro, podemos simpli�car nosso sistema para o esquema apresentado na Figura 12. Figura 12 | Desenho esquemático do elevador hidráulico. Devemos aplicar a Lei de Pascal: p2 − p1 = γ × (z1 − z2) p2 p1 = patm ≅101,3 kPa 10.300 N/m3 z1 = 4000 m z2 = 0 m p2 − 101300 = 10.300 × (4000 − 0) p2 = 4,11 × 107 N m2 ou 4,11 × 107 Pa 1.200 kg 4 m2 0,2 m2 10m/s2 F1 A1 = F2 A2 ⟹ F1 0,2 = 12.000 4 ⟹ F1 = 600 N Disciplina Fenômenos de Transporte Veja que a força a ser aplicada é vinte vezes menor, o que facilita a construção do sistema. É importante observar que poderíamos obter o valor da força sabendo quantas vezes a área 2 é maior que a área 1, pois a Lei de Pascal aqui aplicada mostra que a força é proporcional à área. Obviamente trata-se de um esboço simpli�cado de um sistema de elevação hidráulico, mas que pode auxiliar o início de um projeto de um sistema mais complexo, e com a possibilidade de diminuir ainda mais a força necessária para elevar o veículo. Videoaula: Estática dos �uidos Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Nesta aula, você irá aprender sobre Estática dos Fluidos. Você irá aprender como é calculada a pressão média sobre um �uido. Também irá entender como é possível saber a pressão atuante sobre um corpo ou um objeto submerso, mediante aplicação do Teorema de Stevin. Verá também que a Lei de Pascal pode ser utilizada para projetar sistemas hidráulicos comuns na engenharia. Dessa forma, te convido a assistir o vídeo como forma de você complementar seus estudos. Saiba mais Disciplina Fenômenos de Transporte Olá, estudante! Para aprofundar ainda mais seus estudos em Estática dos Fluidos, recomendo a leitura e o estudo dos exemplos contidos no capítulo 14, na página 57 do livro Fundamentos de Física - Vol. 2 - Gravitação, Ondas e Termodinâmica, de Halliday, Resnick e Walker (2016). Os exemplos dessa página versam sobre a aplicação da Lei de Stevin para um mergulhador e outro exemplo que também se utiliza da mesma Lei em conjunto com o cálculo de pressão com a utilização de manômetros em U. Referências https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521632078/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521632078/ Disciplina Fenômenos de Transporte AMOS, J. O que restos do submarino Titan implodido podem revelar sobre a tragédia. BBC News Brasil, 30 jun. 2023. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c3g0kz71pkno, Acesso em 30 jun 2023. BRUNETTI, F. Mecânica dos �uidos. São Paulo: Pearson, 2008. ÇENGEL, Y. A.; CIMBALA, J. M. Mecânica dos �uidos. Porto Alegre: Grupo A, 2015. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580554915/. Acesso em: 18 jul. 2023. FOX, R. W. et al. Introdução à mecânica dos �uidos. 9. ed. Barueri: Grupo GEN, 2018. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521635000/. Acesso em: 18 jul. 2023. GODOI, P. J. P M.; ASSUNÇÃO, G. S. C. Mecânica dos �uidos. Porto Alegre: Grupo A, 2019. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595028494/. Acesso em: 30 jul. 2023. HALLIDAY, D.; RESNICK, R.; WALKER, J. Fundamentos de física - Vol. 2 - Gravitação, ondas e termodinâmica. 10. ed. Barueri: Grupo GEN, 2016. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521632078/. Acesso em: 30 jul. 2023. WHITE, F. M. Mecânica dos �uidos. Porto Alegre: Grupo A, 2018. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580556070/. Acesso em: 18 jul. 2023. Aula 3 Escoamento de um �uido Introdução https://www.bbc.com/portuguese/articles/c3g0kz71pkno https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580554915/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521635000/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595028494/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521632078/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580556070/ Disciplina Fenômenos de Transporte Olá, estudante! Espero que esteja bem! Vamos estudar os conceitos relacionados ao escoamento de �uidos, velocidade e vazão. Para isso, começaremos com o conceito de velocidade de um �uido e sua aplicação para o cálculo do Número de Reynolds. A partir do valor obtido para o Número de Reynolds é possível classi�car o escoamento como laminar e turbulento, o que torna esse parâmetro algo muito importante em projetos de engenharia, assim como a vazão, que pode ser volumétrica, a mais comum, a mássica e a em peso. O cálculo da vazão é muito útil para aplicações em que é necessário dimensionar tubulações, abastecimento de bairros e de cidades e vários projetos de engenharia. Ótimo estudo para você! Número de Reynolds, conceito de vazão e de velocidade de escoamento Disciplina Fenômenos de Transporte De acordo com Brunetti (2008), existem dois tipos de escoamento em �uidos: o laminar e o turbulento. Se imaginarmos que as camadas dos �uidos em repouso podem ser comparadas como lâminas, teremos que �uidos que escoam de forma laminar mantêm essas camadas separadas. Em outras palavras, as camadas ou lâminas não se misturam. Obviamente que essa explicação é um modelo, pois pode ocorrer, no nível microscópico, a mistura de partículas de cada camada. Já no escoamento turbulento, as camadas dos �uidos se misturam. Para delimitar um escoamento laminar de um escoamento turbulento, Reynolds (1883) demonstrou por meio de uma experiência envolvendo água e um �uido colorido. O sistema construído ainda continha uma válvula para controlar a velocidade de saída do �uido (Figura 1). Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 1 | Experiência de Reynolds. Fonte: Brunetti (2008, p. 68). A partir da experiência de Reynolds (Figura 1), é possível de�nir, de acordo com a velocidade de saída do líquido pelo bocal ( ), como se comporta o �lete de líquido colorido através do tubo de vidro de diâmetro . Se o líquido colorido não se mistura com a água, temos um escoamento laminar, pois entende-se que as camadas dos dois �uidos não se misturaram. À medida que se aumenta a velocidade – por meio do aumento da vazão – o líquido colorido se mistura com aágua e temos então um escoamento turbulento. Costuma-se de�nir também um regime de transição, conforme a Figura 2. Figura 2 | Aspecto do �lete do líquido colorido em cada regime de escoamento. Fonte: adaptada de Reynolds (1883). O Número de Reynolds depende da velocidade de escoamento, que é obtida pelo cálculo da vazão. A vazão volumétrica, , por sua vez, é calculada através do volume de �uido que passa por um determinado orifício de área no tempo . v D Q A t Disciplina Fenômenos de Transporte A vazão de um determinado �uido pode ser determinada, experimentalmente, medindo-se o volume de �uido que preenche um determinado reservatório em um determinado intervalo de tempo. A partir dessa relação, podemos relacionar a vazão também com a velocidade de escoamento desse �uido que passa por um tubo de área : Essas relações serão equacionadas para serem utilizadas em cálculos importantes dentro de Fenômenos de Transporte. Além da vazão volumétrica, temos a vazão em massa e em peso. A forma de obtenção e o sentido físico é semelhante ao da vazão volumétrica: A vazão em massa é obtida pela quantidade de massa de �uido que passa pela seção transversal de um tubo em um determinado intervalo de tempo. A vazão em peso é obtida pela razão do peso do �uido ( ) que passa pela seção transversal de um tubo em um determinado intervalo de tempo. A relação de vazão volumétrica é a mais utilizada (Brunetti, 2008), e permite o cálculo da velocidade média de escoamento em uma seção transversal. Interpretação e equacionamento do Número de Reynolds, da vazão e da velocidade de escoamento de �uidos v A Q = v × A = m × g Disciplina Fenômenos de Transporte “Entende-se que o escoamento laminar é aquele em que as partículas se deslocam em lâminas individualizadas, sem trocas de massa entre elas” (Brunetti, 2008, p. 69). Ao contrário do escoamento laminar, que é menos comum de ocorrer na prática, temos o escoamento turbulento. Entre os dois tipos de escoamento temos o escoamento de transição. Para delimitar e classi�car os tipos de escoamento, Reynolds realizou a experiência do escoamento de água com o �uido colorido, como mencionado, e veri�cou que o fenômeno poderia ser descrito por meio de um número adimensional, , ou Número de Reynolds. Para o cálculo desse adimensional, utiliza-se a seguinte relação: onde: é a massa especí�ca do �uido. é a velocidade de escoamento do �uido. é o diâmetro do tubo. é a viscosidade dinâmica do �uido. é a viscosidade cinemática do �uido. Observação 1: deve-se tomar cuidado com de velocidade e de viscosidade cinemática, pois são símbolos muito parecidos. Observação 2: dentro da disciplina de fenômenos de transporte, mecânica dos �uidos e outras relacionadas, existem número que chamamos de adimensionais, pois eles não possuem unidade de medida. O Número de Reynolds é um deles. A partir do valor obtido pelo cálculo do Número de Reynolds, é possível estabelecer a classi�cação do tipo de escoamento em tubulações (Brunetti, 2008; Fox et al., 2018): Se , temos escoamento laminar. Se , temos escoamento de transição. Se , temos escoamento turbulento. O Número de Reynolds depende de parâmetros intrínsecos ao tipo de �uido, mas também depende do diâmetro da tubulação e da velocidade. Para a obtenção da velocidade, faz-se necessário equacionar o cálculo de vazão. Basicamente, a vazão relaciona o volume do �uido com o intervalo de tempo , como segue: Para obtermos o valor da velocidade de escoamento do �uido nessa tubulação, é necessário utilizar a relação geométrica de volume com comprimento e área. De acordo com a Figura 3, temos que, para um intervalo de tempo t, o �uido percorreu uma distância s em uma tubulação de área A: Re = ρvD μ = vD ν ρ v D μ ν v v Re 2400 Q V t Q = V t Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 3 | Representação esquemática do escoamento de um �uido em uma tubulação. Fonte: adaptada de Brunetti (2008, p. 72). Assim: Da cinemática, temos que Então, substituindo: Ou, se for necessário calcular a velocidade, basta isolar a velocidade na fórmula: De forma semelhante, a vazão em massa é calculada da seguinte forma: Utilizando o mesmo raciocínio do cálculo da vazão volumétrica, chegamos em: E para a vazão em peso (com sendo o peso especí�co): e da mesma forma chegamos em: As unidades de vazão, no Sistema Internacional de Unidades, são: Q = V t = sA t s t = v Q = v × A v = Q A Qm = m t = ρV t Qm = ρ × V × A QG = G t = γV t QG = γ × v × A Disciplina Fenômenos de Transporte vazão volumétrica: vazão em massa: vazão volumétrica: Dessa forma, para a obtenção do valor de velocidade de escoamento de um �uido é necessário conhecer as suas propriedades e colocar a velocidade como incógnita nas relações apresentadas. Aplicação dos conceitos de Reynolds, vazão e velocidade de escoamento Um fenômeno conhecido e indesejável em turbinas (como as de hidrelétricas) é a cavitação (Çengel e Cimbala, 2015). Ela ocorre pelas implosões de bolhas de água sobre a superfície dessas turbinas, causando um desgaste prematuro e a perda da e�ciência do equipamento. Isso também pode ocorrer em cotovelos de tubulações, no qual há um desavio do �uxo de água. Di�cilmente os escoamentos nessas situações são laminares, devido à elevada velocidade deste escoamento dentro das tubulações, o que facilita a formação de bolhas. Uma das formas de amenizar escoamentos turbulentos é diminuir o diâmetro da tubulação, o que nem sempre é possível, por questões de projeto. Se fosse possível aumentar a velocidade do �uido, também m3 s kg s N s Disciplina Fenômenos de Transporte diminuiríamos o Número de Reynolds e o escoamento turbulento. A velocidade nem sempre é controlável, principalmente em turbinas de usinas. A forma mais plausível de diminuir os efeitos da cavitação é escolher materiais mais resistentes, capazes de vencer o poder de erosão da água, além de manutenções periódicas. Estudar a magnitude do número de Reynolds é importante para aplicações como essas apresentadas, na engenharia. Suponha que temos água sendo escoada por uma tubulação de diâmetro D = 0,1 m, com , , e que escoa a uma velocidade de 2 m/s Como poderíamos determinar o valor do Número de Reynolds nesse caso e dizer se o escoamento é laminar ou turbulento? Para isso, temos inicialmente determinar o Número de Reynolds através da relação: Assim: Como o valor encontrado é muito maior que 2400, temos aqui um escoamento turbulento. Em uma outra situação você se depara com a necessidade de calcular o tempo necessário para encher um tanque de 8000 litros de água que escoa com uma velocidade de através de uma tubulação cuja saída possui área de . Para a solução desse caso, é necessário utilizar as relações de vazão volumétrica com tempo e com velocidade e com área. A representação esquemática desse sistema está apresentada na Figura 4. ρ = 1.000 kg m3 μ = 0,001 Pa (Pa = N×s m2 ) Re = ρvD μ Re = 1.000 kg m3 ×2 m s ×0,1 m 0,001 N×s m2 = 200.000 4 m/s 0,1 m2 Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 4 | Representação esquemática de um tanque de 8000 litros. Fonte: adaptada de Brunetti (2008). Para resolver esse caso, primeiramente devemos transformar o volume em metros cúbicos, para trabalharmos dentro do Sistema Internacional de Unidades. É conhecido, para a água, que: Assim, precisamos encher o tanque com . Aplicando as relações de vazão volumétrica, temos que: Logo: Dessa forma, obtemos o valor do tempo necessário para encher o tanque com 8000 L, que é 40 segundos. Observe que, devido a uma velocidade de escoamento elevada e um diâmetro pequeno, o tempo foi baixo. Podemos também calcular a vazão volumétrica, utilizando as mesmas relações: Aqui também temos uma vazão relativamente elevada. Uma observação importante na aplicação das relações de vazão, é imaginar ou até esboçar a situação �sicamente. Por exemplo, um caso clássico é não memorizar que um metro cúbico de1 m3 = 1000 L 8 m3 Q = V t = v × A 8 m3 t = 2 m s × 0,1 m3 Q = V t = 8 m3 40 s = 0,2 m 3 s Disciplina Fenômenos de Transporte água é mil litros, mas imaginar uma caixa d’água com 1000 litros e entender que temos 1 metro cúbico de água nela. Videoaula: Escoamento de um �uido Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Nesta aula, você irá compreender a diferença entre um escoamento laminar de outro turbulento e perceber a transição que existe entre eles. Esta distinção pode ser determinada por meio do Número de Reynolds. A importância de saber se um escoamento é laminar ou turbulento pode determinar o tempo de vida de uma estrutura hidráulica, por exemplo. Outro assunto importante é o estudo da vazão, que pode ser volumétrica – a mais comum, vazão em massa e vazão em peso. As relações da vazão permitem o cálculo da velocidade de escoamento, que são importantes para diversas outras aplicações em fenômenos de transporte. Bons estudos! Saiba mais Disciplina Fenômenos de Transporte Para aprofundar ainda mais seus estudos em fenômenos de transporte e o estudo do escoamento dos �uidos, recomendo a leitura sobre cavitação e a relação com a pressão de vapor, responsável pelas bolhas de cavitação que causam erosão em tubos e turbinas. Para isso, acesse as páginas 41 a 43 do livro Mecânica dos Fluidos, de Çengel e Cimbala. Referências BRUNETTI, F. Mecânica dos �uidos. São Paulo: Pearson, 2008. ÇENGEL, Y. A.; CIMBALA, J. M. Mecânica dos �uidos. Porto Alegre: Grupo A, 2015. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580554915/. Acesso em: 18 jul. 2023. FOX, R. W. et al. Introdução à mecânica dos �uidos. 9. ed. Barueri: Grupo GEN, 2018. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521635000/. Acesso em: 18 jul. 2023. LIGHTFOOT, N. R.; BIRD, R. B.; STEWART, W. E. Fenômenos de transporte. 2. ed. Barueri: Grupo GEN, 2004. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-216-1923- 9/. Acesso em: 4 ago. 2023. Aula 4 Cinemática dos �uidos https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580554915/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580554915/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521635000/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521635000/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521635000/ Disciplina Fenômenos de Transporte Introdução Olá, estudante! Espero que esteja bem! Vamos estudar os conceitos relacionados ao escoamento unidimensional, em que a velocidade é constante em toda a seção de escoamento. Junto com este estudo temos o conceito de escoamento permanente, onde não há variação de propriedades do �uido na seção. Se não há variação de propriedade em cada seção, podemos enunciar a equação da continuidade, no qual o valor da vazão volumétrica se mantém, o que permite calcular velocidades em seções diferentes e ver como se aplica este fenômeno em tubos de Venturi e placas de orifício, por exemplo. Bons estudos para você! Conceitos de escoamento unidimensional e equação da continuidade Disciplina Fenômenos de Transporte Quando utilizamos apenas uma coordenada cartesiana para descrever um escoamento, dizemos que ele é unidimensional, em que apenas esta única coordenada é su�ciente para descrever o movimento do �uido (Figura 1). Nos escoamentos unidimensionais, a velocidade se é a mesma em cada seção do tubo ou do conduto. Figura 1 | Escoamento unidimensional. Fonte: Brunetti (2008, p. 68). Em outras palavras, aqui serão estudados os escoamentos em apenas um dos eixos. No caso da Figura 1, a velocidade vx está na direção x apenas, e se formos escolher outras seções do conduto, teremos velocidades diferentes, porém sem variação ao longo da sua seção (Brunetti, 2008). Aqui temos uma simpli�cação prática, pois devido à viscosidade dinâmica do �uido, a camada deste que �ca em contato direto com as paredes do tubo apresenta o que é chamado de princípio da adesão. As camadas subjacentes a esta primeira terão velocidades diferentes, até o ponto mais distante da parede do tubo que atingirá a velocidade máxima. Para esse caso, em Disciplina Fenômenos de Transporte que se considera o princípio da adesão, a viscosidade absoluta do �uido e um per�l de velocidade que varia de acordo com a distância da parede do tubo, temos os escoamentos bidimensionais (Figura 2), onde a variação ocorre em duas direções e tridimensionais, em três direções. Figura 2 | Representação esquemática do escoamento bidimensional. Fonte: adaptada de Brunetti (2008, p. 71). O regime de escoamento de um �uido pode ser classi�cado como transiente ou permanente. Quando as condições do �uido em alguns pontos ou em um conjunto de pontos deste variam com o tempo, temos o que chamamos de regime variado. As condições podem ser velocidade, pressão, massa especí�ca, entre outras. No regime permanente, que será utilizado aqui, temos que as propriedades do �uido não variam em um ponto ou conjunto de pontos em função do tempo. De acordo com Brunetti (2008), para um mesmo instante, dois pontos ou dois conjuntos de pontos de um �uido podem apresentar propriedades diferentes que não podem variar com o tempo. Como exemplo, considere o reservatório que escoa um líquido por sua tubulação, mantendo seu nível constante (Figura 3). Isso é possível pois temos o abastecimento externo, que mantém o nível na seção (1) constante, o que garante também que a quantidade de água que sai na seção (2) por igual intervalo de tempo é a mesma que chega em (1), o que prova que a velocidade se mantém constante, e não alterações nas propriedades do �uido, ou seja, temos um exemplo de regime permanente. Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 3 | Escoamento permanente em um tanque. Fonte: adaptada de Brunetti (2008, p. 68). Em um tubo ou conduto no qual temos regime permanente, mesmo com diferentes valores de determinadas propriedades do �uido, a vazão em massa entre dois pontos não pode variar, inclusive porque dentro do volume de controle, não pode haver perda de massa lateral nesse tipo de regime (Çengel e Cimbala, 2015). Se o �uido for incompressível, podemos considerar que a vazão em massa (Qm) e volumétrica (Q) na seção (1) será a mesma. A partir desse conceito, chegamos à equação da continuidade, em que a soma das vazões de entrada de um sistema, sem �uxo lateral de massa, é igual à soma das vazões de saída deste mesmo sistema. A partir da equação da continuidade, é possível determinar a velocidade de escoamento e de saída em placa de orifício, além do tubo de Venturi, que é utilizado para medir a pressão no escoamento de um �uido por um tubo com áreas diferentes (Fox et al., 2018). Equação da continuidade para regime permanente e equacionamento em orifícios, bocais e tubos de Venturi Disciplina Fenômenos de Transporte De acordo com Brunetti (2008): “seja a vazão em massa na seção de entrada Qm1 e na saída Qm2. Para que o regime seja permanente, é necessário que não haja variação de propriedades, em nenhum ponto do �uido com o tempo”. A Figura 4 mostra como isso ocorre em um tubo de corrente com destaque para duas seções de áreas diferentes. Figura 4 | Representação esquemática de um tubo com entrada e saída diferentes. Fonte: adaptada de Çengel e Cimbala (2015, p. 255). Disciplina Fenômenos de Transporte A partir da Figura 4, considerando que o �uído é incompressível e que não há �uxo de massa lateral, por todo o volume do conduto, a vazão do �uido na seção (1) deverá ser a mesma que a vazão na seção (2): Sabendo que a vazão volumétrica é calculada a partir do produto da velocidade pela área da seção, temos que (aqui vamos considerar a velocidade escalar em cada uma das seções): Pode-se entender, pela equação anterior, que se a área 1 é maior que a área 2, então tanto �sicamente quanto matematicamente, chegamos àconclusão de que a velocidade 1 será menor que a velocidade 2, para que se mantenha a igualdade e a igualdade da vazão. Essa equação é a forma mais simples da equação da continuidade para um regime permanente. Quando um reservatório possui duas entradas e três saídas, como mostra a Figura 5, temos que a equação da continuidade é obtida mediante as somas das vazões de entrada e saída. Figura 5 | Reservatório com mais de uma entrada e mais de uma saída. Assim, podemos calcular o sistema da Figura 5 da seguinte forma: Assim, podemos calcular o sistema da Figura 5 da seguinte forma: Desenvolvendo para o sistema de duas entradas e três saídas: Outra situação é quando temos tubos com diâmetros constantes, o que é muito comum na construção civil com as tubulações de PVC para água. Nesse caso, considerando a água como Q1 = Q2 v1 × A1 = v2 × A2 ∑Qentrada = ∑Qsaída v1 × A1 + v2 × A2 = v3 × A3 + v4 × A4 + v5 × A5 Disciplina Fenômenos de Transporte um �uido incompressível, não utilizamos a massa especí�ca para os cálculos, então: Como A entrada é igual a A saída, então: Mas se um conduto transportar, por exemplo, um �uido compressível, como um determinado gás, consideramos a massa especí�ca em cada uma das seções. Então: Para o caso de um tubo de Venturi, que é um tubo convergente-divergente, se considerarmos que o �uido que passa por ele é incompressível, podemos, por exemplo, calcular a velocidade do �uido na garganta pela equação já apresentada , em que geralmente é instalado um manômetro para a medição de pressão. Figura 6 | Tubo de Venturi. Fonte: adaptada de Brunetti (2008, p. 76). Semelhantemente para o cálculo da vazão ou da velocidade em placas de orifício e bocais convergentes e divergentes, deve-se considerar as áreas das seções analisadas. Aqui vale ressaltar as diferenças, como mostra a Figura 7. ventrada × Aentrada = vsaída × Asaída ventrada = vsaída ventrada × Aentrada × ρgas, entrada = vsaída × Asaída×ρgas, entrada v1 × A1 = v2 × A2 Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 7 | Representação esquemática do escoamento em uma placa de orifício. Aplicações da equação da continuidade para regime permanente Disciplina Fenômenos de Transporte Para que possamos entender de uma forma mais prática o uso da equação da continuidade, vamos aplicá-la em casos do cotidiano. A equação da continuidade pode ser utilizada para calcular, por exemplo, a velocidade de saída de água de torneiras de espaços públicos em que se deseja reduzir o consumo de água. Nesse caso, as torneiras são substituídas por torneiras do tipo chuveirinho, com furos. Com uma menor vazão e, portanto, menor volume de água, e com menor área de saída, a velocidade aumenta dando a sensação de que o volume de água que sai pelos furos da torneira é maior do que o real (Figura 8). Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 8 | Exemplo de torneira com redução de saída de água. Fonte: Pixabay. Para um estudo comparativo, vamos considerar duas situações – com e sem redutor de área de saída – e calcular a velocidade de saída da torneira. Para isso, considere que a torneira de água é abastecida por uma caixa d’água, cujo nível se mantém constante com o tempo. Podemos considerar essa caixa d’água como um “reservatório de grandes dimensões” e o escoamento como permanente. A velocidade de saída de água no reservatório é feita por um tubo de 50 é de 2 m/s. Se a tubulação na saída da torneira comum possui 0,00127 m, podemos descobrir qual a velocidade de saída da água: Pela equação da continuidade e considerando que a água é um �uido incompressível: Assim, sabendo que , e transformando as medidas em milímetros para centímetros, temos: Substituindo os valores fornecidos e simpli�cando os termos equivalentes, segue que: Dessa forma obtemos o valor de v2 = 6,86 m/s. v1 × A1 = v2 × A2 A = πD2 4 v1 × πD2 1 4 = v2 × πD2 2 4 2 m/s × (0,05 m)2 = v2 × (0,0127 m)2 Disciplina Fenômenos de Transporte Com a mesma instalação, a área de saída de água da torneira foi reduzida para 0,0001 m². Nesse caso esperamos que a velocidade da água aumente, o que possibilitará diminuir a vazão de entrada. Para calcular a velocidade de saída, considerando a mesma vazão, temos que: Então: Aqui obtemos então que v2 = 39,27 m/s, conforme esperado, maior do que no caso inicial. Vamos também analisar o caso do tubo de Venturi. De acordo com Çengel e Cimbala (2015), o tubo de Venturi, junto com a placa de orifício e os bocais convergentes e divergentes, são medidores de vazão de gases e de líquidos, por obstrução, justamente porque há uma redução no diâmetro do tubo ou do conduto. Considere o tubo de Venturi da Figura 9, em que há duas seções, e consequentemente, áreas notáveis: Ae, que é a área de entrada e AG, que é a área da garganta, da obstrução. Considerando o ar da atmosfera, um gás compressível, na área da garganta, podemos determinar a velocidade nessa área de obstrução, com os seguintes dados: , , velocidade de entrada de 5 m/s e sabendo que a área da garganta é metade da área de entrada. Figura 9 | Tubo de Venturi por onde passa ar atmosférico. Aplicando a equação da continuidade para �uidos compressíveis, temos: Assim, o valor de vG = 13,33 m/s. A aplicação do tubo de Venturi se completa quando é acoplado a ele um ou mais manômetros (Figura 10), que por meio de outros conceitos, nos permite determinar a vazão, e com esses v1 × πD2 1 4 = v2 × A2 2 ms × π(0,05 m)2 4 = v2 × 0,0001 m2 ρe = 1,2 kg/m3 ρG = 0,9 kg/m3 ρe × v1 × A1 = v2 × A2 × ρe 1,2 kg/m3 × 5 m/s × Ae = 0,9 kg/m3 × v2 × 0,5Ae Disciplina Fenômenos de Transporte valores de vazão, dimensionar tubulações, especi�car os materiais dos tubos e condutos, entre outros projetos de engenharia. Figura 10 | Tubo de Venturi com manômetro acoplado. Fonte: adaptada de Brunetti (2008, p. 89). Videoaula: Cinemática dos �uidos Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Nesta aula, você irá estudar cinemática dos �uidos, ou seja, entender como funcionam os �uidos em movimento, tanto para �uidos compressíveis, como para �uidos incompressíveis, ou seja, que não tem sua massa especí�ca alterada durante o escoamento. Também verá o conceito de escoamento permanente, onde as propriedades do �uido não mudam com o tempo. A equação da continuidade, que utiliza o conceito de vazão constante, é muito útil para calcular a velocidade em pontos especí�cos do tubo ou conduto, além de ser aplicável à medidores de vazão, muito úteis em engenharia, como o tubo de Venturi. Vamos lá? Bons estudos! Saiba mais Disciplina Fenômenos de Transporte Olá, estudante! Para aprofundar ainda mais seus estudos em fenômenos de transporte e o estudo da cinemática e do escoamento permanente de �uidos, recomendo a leitura do texto que se encontra na página 393, do livro Mecânica dos Fluidos, de Çengel e Cimbala. O texto traz de forma fácil e com imagens, os três exemplos de medidores de vazão por obstrução: medidor de orifício, medidor de bocal e medidor ou tubo de Venturi. Referências https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580554915/ Disciplina Fenômenos de Transporte BRUNETTI, F. Mecânica dos �uidos. São Paulo: Pearson, 2008. ÇENGEL, Y. A.; CIMBALA, J. M. Mecânica dos �uidos. Porto Alegre: Grupo A, 2015. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580554915/. Acesso em: 18 jul. 2023. FOX, R. W. et al. Introdução à mecânica dos �uidos. 9. ed. Barueri: Grupo GEN, 2018. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521635000/. Acesso em: 18 jul. 2023. Aula 5 Revisão da Unidade Principais propriedades, estática e cinemática dos �uidos https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580554915/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521635000/ Disciplina Fenômenos de Transporte Compreender as principais propriedadesdos �uidos e utilizá-las em aplicações como �uidos em equilíbrio estático e suas aplicações em sistemas hidráulicos em engenharia, e compreender as características dos escoamentos, sejam eles laminares ou turbulentos, além de entender o que é um escoamento permanente com vazão constante são competências fundamentais para você se aprofundar no estudo de fenômenos de transporte de massa, no caso, �uidos. Das características fundamentais dos �uidos, temos a capacidade de estes tomar a forma do recipiente (Figura 1). Isso se deve ao cisalhamento entre as camadas do �uido (Brunetti, 2008). Figura 1 | Representação esquemática de um sólido e dos �uidos. Fonte: adaptada de Brunetti (2008, p. 1). Disciplina Fenômenos de Transporte Para �uidos chamados newtonianos, a viscosidade dinâmica , dada em N.s/m2, é um termo que não varia para o mesmo �uido e que traz proporcionalidade na seguinte relação: onde é a tensão de cisalhamento, em N/m2, é a força transversal, que causa o cisalhamento entre as camadas, em Newtons, A é a área, em m2, v é a velocidade da placa móvel no modelo de duas placas (uma �xa e outra móvel), com o �uido estudado entre elas, e é a distância entre as placas ou espessura da camada de �uido, em metros. Outras duas propriedades importantes a se destacar são a massa especí�ca (da qual obtemos o peso especí�co), e a viscosidade cinemática, utilizada nos estudos de cinemática de �uidos. Os �uidos podem apresentar-se em equilíbrio estático, e quando se encontram dessa forma, são estudados dentro da Estática dos Fluidos. Além da pressão média p (em N/m2) sobre uma superfície de área A (em m2), dois assuntos são importantes e merecem destaque, pois servem como ferramentas para projetos em Engenharia: Princípio de Stevin, que diz que a pressão aumenta com a profundidade z (em metros): Aqui temos o termo , em N/m3, que é o peso especí�co. Isso quer dizer que �sicamente um corpo sofrerá maior pressão com o aumento da profundidade e com o aumento do peso especí�co. Lei de Pascal, cujo enunciado, segundo Brunetti (2008), diz que a pressão aplicada em um ponto do �uido se distribui integralmente a todos os pontos desse �uido. Dessa forma, podem ser construídos sistemas hidráulicos que ampli�cam a força aplicada em uma das extremidades, para poder elevar pesos maiores na outra extremidade (Figura 2), pois há a proporcionalidade: F1/A1 = F2/A2. μ τ = Ft A = μ v ε τ Ft ε Δp = γΔz Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 2 | Sistema Hidrostático com aplicação da Lei de Pascal. Aqui também você analisará conceitos de cinemática dos �uidos, onde se destacam: Reynolds e o comportamento do escoamento: por meio de trabalhos experimentais, Reynolds chegou a um adimensional para classi�car o escoamento em laminar, de transição e turbulento. Os escoamentos podem ser variáveis e permanentes, aqui você estudará os escoamentos permanentes, onde em uma determinada seção as propriedades dos �uidos não se alteram. Com o conceito de vazão volumétrica, que é, �sicamente, o volume de �uido que passa por uma determinada seção transversal em um período de tempo t, podemos chegar à equação da continuidade, onde há a conservação de massa, o que possibilita o cálculo de velocidade de escoamento em pontos de redução ou aumento de área de um tubo por onde este �uido escoa. Videoaula: Revisão da Unidade Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. O vídeo apresenta uma revisão sobre as propriedades de um �uido. Em estática dos �uidos, estudamos a pressão e sua variação com a profundidade – o Princípio de Stevin, e a Lei de Pascal. Em Cinemática de Fluidos, pelo Número de Reynolds, determina-se a característica de um escoamento. Estudaremos os escoamentos permanentes de �uidos incompressíveis, vazão Disciplina Fenômenos de Transporte volumétrica e equação da continuidade. Te convido a assistir o vídeo como forma de você rever e se aprofundar. Bons estudos! Estudo de caso Você é uma pessoa que possui o cargo elevado na Engenharia de Projetos de uma multinacional inovadora, na área de turismo subaquático, que resolveu começar suas operações no Brasil, com seus mais de 7.000 quilômetros de litoral, além dos muitos rios navegáveis utilizados inclusive para o turismo. Para tanto, você e sua equipe devem desenvolver um submarino que permita suportar a pressão do local mais profundo, dentro da área marítima pertencente ao Brasil, pois não podemos navegar em águas internacionais, o que incorreria em maior burocracia e custos de operação. O submarino também deve ser capaz de suportar os locais mais profundos dos rios navegáveis. A parede do submarino é feita de �bra de carbono com algumas janelas transparentes em policarbonato. Supondo que a maior profundidade em águas marítimas brasileiras é de aproximadamente 6000 metros, e supondo também que a maior profundidade em águas �uviais é de 100 metros, determine a pressão que o casco e as janelas terão que suportar em cada caso e discuta se a construção de tal submarino é viável. Trace considerações sobre o formato do submarino, bem como outras questões de segurança que considerar importantes. Temos aqui pesos especí�cos diferentes para água do mar e água �uvial. Para águas marítimas, considere , e para águas �uviais, . γ = 10.050 N/m3 γ = 10.000 N/m3 Disciplina Fenômenos de Transporte ______ Re�ita Olá, estudante! Depois de apresentarmos todos esses conceitos de propriedades dos �uidos, pressão, teorema de Stevin, escoamento laminar e turbulento e equação da continuidade, pare e re�ita como simples conhecimentos e suas aplicações são importantes para grandes projetos em Engenharia, bem como para a segurança do ser humano, como um projeto de um submarino, um navio, um carro ou um avião. Videoaula: Estudo de caso Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. A primeira consideração é que conceitos relativamente simples dentro da engenharia podem ser determinantes e fundamentais para permitir a construção de projetos como um submarino, e trazer segurança para a tripulação. Outra consideração é que os materiais empregados devem ser de alta qualidade e resistência mecânica, certi�cados e testados. Também é importante observar que janelas e outras aberturas precisam ter cantos arredondados, que aumentam a resistência mecânica e diminuem cantos vivos. O mesmo com o formato cilíndrico da embarcação, semelhante a vasos de pressão, cilindros de gás e até aviões. Para o caso marítimo: Observe que a pressão é tão elevada, que torna o projeto inviável (teríamos 600 vezes a pressão atmosférica atuando sobre o submarino. Uma possibilidade de solução é veri�car qual a maior profundidade pode ser alcançada. Para o caso �uvial: Observe que a pressão é elevada, mas o projeto é viável, com a pressão obtida igual a dez vezes a pressão atmosférica. O desa�o agora seria de�nir uma profundidade máxima marítima, o que deve ser conversado com a presidência da empresa. p (Pa) = γ ( N m3 ) × profundidade (m) p = 10.050 ( N m3 ) × 6000 (m) = 60.300.000 Pa = 60 MPa p (Pa) = γ ( N m3 ) × profundidade (m) p = 10.000 ( N m3 ) × 100 (m) = 1.000.000 Pa = 1 MPa. Disciplina Fenômenos de Transporte Resumo Visual Disciplina Fenômenos de Transporte Figura 3 | Fenômenos de transporte – Estática e cinemática dos �uidos Disciplina Fenômenos de Transporte Referências BRUNETTI, F. Mecânica dos �uidos. São Paulo: Pearson, 2008. ÇENGEL, Y. A.; CIMBALA, J. M. Mecânica dos �uidos. Porto Alegre: Grupo A, 2015. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580554915/. Acesso em: 12 ago. 2023. FOX, R. W. et al. Introdução à mecânica dos �uidos. 9. ed. Barueri: Grupo GEN, 2018. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521635000/.Acesso em: 12 ago. 2023. WHITE, F. M. Mecânica dos �uidos. Porto Alegre: Grupo A, 2018. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580556070/. Acesso em: 12 ago. 2023. , Unidade 2 Equação da energia e escoamento externo Aula 1 Equação de Bernoulli Introdução https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580554915/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521635000/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580556070/ Disciplina Fenômenos de Transporte Olá, estudante! A mecânica dos �uidos tem por objetivo aprofundar seus conhecimentos sobre �uidos, que são substâncias no estado líquido ou gasoso com a característica principal de se deformarem facilmente quando submetidos à tensão de cisalhamento. Os �uidos são fundamentais dentro das empresas, o que torna necessário o estudo do seu comportamento físico e as leis que o regem. A mecânica dos �uidos pode ser considerada uma ciência fundamental em diversas vertentes da engenharia; tem aplicação prática em muitas situações, como escoamentos em tubulações, pressões em barragens, deslocamento de �uidos e até mesmo na aerodinâmica (a�nal, o próprio ar atmosférico é um �uido). A equação de Bernoulli é a principal equação dos estudos da mecânica dos �uidos e explica, por exemplo, como os aviões mantêm-se no ar. Dessa forma, esperamos que você consiga relacionar os conteúdos aqui apresentados com o seu dia a dia e possa contribuir para a melhor compreensão dos processos industriais. Bons estudos! Tipos de energia Disciplina Fenômenos de Transporte Antes de abordarmos a equação de Bernoulli, é necessário abordarmos as de�nições de balanço de energia e os tipos de energia que podemos encontrar em um sistema (quantidade de matéria, com massa e identidades �xas, à qual nossa atenção é dirigida e que é delimitada �sicamente por superfícies geométricas arbitrárias reais ou imaginárias, �xas ou móveis). Apesar de ser tão presente no nosso dia a dia, o conceito de energia não é facilmente de�nido, porque é muito abrangente. Com isso, mostra-se muito abstrato e de difícil explicação. Entretanto, sabemos que a energia é fundamental para o funcionamento de diversos sistemas. Por esse motivo, devemos começar esse tópico pelo enunciado do princípio de conservação da energia: a primeira lei da termodinâmica. Durante um processo, para um sistema isolado, a energia não pode ser criada nem destruída, apenas transformada. Um sistema fechado, por sua vez, pode perder ou ganhar energia do meio que o envolve. Assim, é razoável escrever a seguinte equação para o balanço de energia de um sistema: Em que é a taxa de energia que entra no sistema; é a taxa de energia que sai dele e é a taxa de variação de energia total nele. No regime permanente, a variação de energia no tempo será nula (como visto na Unidade 1, Aula1). Então, a Equação (01) pode ser simpli�cada, conforme podemos observar na Equação (02). Essa entrada e saída de energia do sistema pode ocorrer de diversas maneiras, já que existem diferentes formas de energia, tais como a potencial, a cinética e a de pressão. Além disso, a energia pode ser transformada, ou convertida, de uma forma a outra. Ėentra − Ėsai = dEsistema dt Ėentra Ėsai dEsistema dt Ėentra = Ėsai Disciplina Fenômenos de Transporte A energia potencial (EP) é a medida do potencial de o �uido realizar trabalho, e é dependente da posição que esse �uido ocupa (altura – z) no centro gravitacional (gravidade – g), bem como de sua massa (m), conforme Equação (03) a seguir: A energia cinética (EC) é aquela associada ao movimento (nesse caso, o movimento dos �uidos), ou seja, que está relacionada à velocidade de escoamento do �uido (v). Pode ser avaliada de acordo com a Equação (04). Por �m, o último tipo de energia que vamos abordar é a energia de pressão (EPr). Este tipo de energia se apresenta de uma forma muito semelhante à energia potencial, sendo também possível analisar o trabalho potencial das forças de pressão atuantes durante o escoamento de um �uido. É descrita pela Equação (05). Chamamos de energia mecânica todas as formas de energia relacionadas com o movimento de corpos ou com a capacidade de colocá-los em movimento ou deformá-los. Assim, a energia mecânica total (EM) de um sistema de �uido consiste na somatória das energias associadas a ele, excluindo-se as energias térmicas e mantendo apenas as causadas por efeitos mecânicos. O resultado é a Equação (06). Esses conceitos de energia são fundamentais para o entendimento da equação de Bernoulli. Equação de Bernoulli EP = m. g. z EC = m.v2 2 E ∫ V pdV Pr EM = EP + EC + EPr Disciplina Fenômenos de Transporte Com as de�nições de energia apresentadas anteriormente, podemos prosseguir para a de�nição da equação de Bernoulli. Como se trata de uma equação que é, essencialmente, um balanço de energia entre dois pontos de um escoamento, a equação de Bernoulli é chamada de equação da energia – mas o que ela fornece é a carga total do escoamento (H). Para de�nir esta equação, são usadas diversas hipóteses simpli�cadoras para facilitar a interpretação dos problemas. Naturalmente, simpli�car o problema tende a produzir resultados cada vez mais distantes da realidade; por isso, a importância desta equação se dá por dois aspectos: primeiro, apresenta grande signi�cado conceitual sobre o escoamento de um �uido; e, segundo, serve como etapa inicial para a elaboração de uma equação geral da energia mais rigorosa e detalhada. Seis hipóteses devem ser consideradas. São elas: 1. O sistema está em condição de regime permanente (é aquele em que as propriedades do �uido são invariáveis em cada ponto com o passar do tempo). 2. O �uido em estudo é ideal (viscosidade nula e, consequentemente, sem perdas por atrito). 3. O �uido em estudo é incompressível (massa especí�ca constante). 4. Não existe trocas de calor no sistema. 5. Não há trabalho de eixo, ou seja, não existem bombas, turbinas, ventiladores ou outros dispositivos que realizem trabalho (positivo ou negativo) no sistema. �. As propriedades permanecem uniformes nas seções do escoamento. Substituindo a Equação (06) na Equação (02) e depois cada item da Equação (02) pelas Equações (03), (04) e (05), e considerando a entrada do sistema como (1) e a saída como (2), obtemos a Equação (07). Disciplina Fenômenos de Transporte Aplicando as hipóteses simpli�cadoras (�uido ideal, �uido em estado incompressível e propriedades uniformes nas seções do escoamento), a Equação (07) pode ser simpli�cada na Equação (08). Na prática, a Equação (08) já é a equação de Bernoulli. No entanto, podemos fazer mais uma simpli�cação, que consiste em dividir a equação de Bernoulli pela gravidade (g) e utilizar a relação do peso especí�co, de�nido como γ = ρ.g. Dessa forma, obtém-se a Equação (09). A equação de Bernoulli é uma declaração matemática de que o trabalho realizado sobre uma partícula por todas as forças que atuam sobre ela é igual à variação da energia cinética da partícula. É importante destacar: pode-se a�rmar que a equação de Bernoulli nesta forma calcula a carga total (H) do escoamento. Dessa forma, essa equação a�rma que a soma da carga de pressão, da carga de velocidade e da carga de elevação é constante ao longo de uma linha de corrente, o que é demonstrado pelas Equações (10) e (11). Embora apresente inúmeras aplicações, alguns problemas de escoamento podem invalidar o uso da equação de Bernoulli, sendo os principais: os efeitos de compressibilidade (comuns em escoamento de gases, quando existem grandes diferenças de pressão), efeitos rotacionais (a equação de Bernoulli descreve o movimento de partículas �uidas ao longo da linha de corrente – se as partículas giram em torno da linha de corrente, então a Bernoulli não é mais válida), efeitos instáveis (escoamentos não estacionários, que variam com o tempo). Vamos agora ver alguma das aplicações da equação de Bernoulli. Aplicações da equação de Bernoulli Ė1 = Ė2 EP1 + EC1 + EPr1 = EP2 + EC2 + EPr2 m1. g. z1