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1 Diagnóstico por análise de imagem DIAGNÓSTICO POR ANÁLISE DE IMAGEM MARIA LUIZA BORGES BARRETO O ultrassom ele se origina pela vibração de um material que se propaga em forma de onda. A onda é uma perturbação temporária situada no meio físico que vai se propagar no mesmo meio. O ultrassom é um meio mecânico, ou seja, ele precisa de um meio para se propagar. Dessa forma, o ultrassom utiliza os tecidos do animal para se propagar. O ultrassom vai ser uma onda mecânica com uma frequência superior à o que um ouvido humano pode perceber. São acima de 20.000 Hrz. Ondas de comprimento maior tem a frequência menor e ondas de comprimento menor tem uma frequência maior. Quando se está falando de ondas de alta frequência, vai visualizar melhor estrutura superficiais. Então uma onda de maior comprimento, de menor frequência vai ser visualizado estruturas mais profundas. Dentre as características da ultrassonografia, tem-se: [ Exame subjetivo [ Não invasivo [ Dinâmico [ Operador dependente [ Varredura completa O aparelho de ultrassonografia contém: um monitor, um transdutor/proebe/sonda, um cabo e vídeo printer (não existe tanto atualmente, usa-se mais USB). [Transdutores] Todos os transdutores são multifrequenciais e a frequência é importante na realização da ultra pois quando maior a frequência, mais detalhes consegue se observar na imagem. A frequência é uma escala de MHz e em veterinária vai de 1,5MHz a 10MHz. A alta frequência é utilizada apenas ara estruturas mais superficiais e tem menor poder de penetração das ondas. Já a baixa frequência é usada para estruturas mais profundas pois elas têm maior poder de penetração. Existem os transdutores: [ Linear → É um transdutor reto, então produz uma imagem linear. É de alta frequência, logo produz imagens de maior qualidade e detalhamento. É utilizado para estruturas superficiais (como baço e bexiga). Como exemplo, quando um animal chega atropelado, a maior preocupação é se há rompimento da bexiga ou baço, então utiliza-se o linear. Ele possui profundidade de 7 a 8cm. [ Convexo/Microconvexo → Produz profundidade de 15 a 18cm, então, possui uma baixa frequência, tendo maior poder de penetração. Há uma perda da resolução da imagem e é utilizada para superfícies profundas. 2 Diagnóstico por análise de imagem DIAGNÓSTICO POR ANÁLISE DE IMAGEM MARIA LUIZA BORGES BARRETO [ Setorial → Utilizado para avaliar a região torácica (avaliar ecocardiograma). É um quadrado na base. [ Transretal → Utilizado mais na parte de reprodução de grandes animais. É bem similar ao linear. Pode servir para sistema locomotor de grandes animais, caso o Veterinário não disponha de um transdutor linear (mais recomendado). [Bases físicas] [ Ultrassom → É um som que vai ser emitido e refletido. Ele não é audível para o ser humano. Quem produz o ultrassom é o transdutor. [ Eco → É aquilo que foi refletido para o equipamento. [ Cristais piezoelétricos → São cristais que estão presentes na borracha do transdutor. Eles vibram e emitem o ultrassom. Quando eles repulsam e repousam, mostram a informação. Temos o efeito piezoelétrico, que é a capacidade de uma substância de produzir uma onda sonora quando submetida a um estímulo elétrico. Há a emissão de um pulso sonoro pelo transdutor nos tecidos do paciente. Os tecidos irão interagir com o som, retornando ao aparelho em forma de eco e formando pontos de luz na tela. [ Impedância acústica → É a forma como o ultrassom reage com a densidade de cada um dos tecidos pois cada tecido possui uma densidade diferente. [ Espalhamento → É a onda que não é refletida em direção ao transdutor. Ocorre principalmente em superfícies não planas. Como não retorna ao transdutor, nunca iremos visualizá-la. [ Imagem ultrassonográfica → Tudo que é refletido em direção ao transdutor, o que é visto na tela. Corte longitudinal e transversal → São os dois tipos de cortes na ultrassonografia. No corte longitudinal o marcador está voltado para a região cranial do paciente. A parte ventral e dorsal nunca muda pois o paciente está sempre na posição ventral. O corte transversal o marcador do transdutor está sempre para o lado direito do animal. Corte longitudinal/transversal Cranial/ Lado direito Ventral Dorsal Caudal/Lado esquerdo 3 Diagnóstico por análise de imagem DIAGNÓSTICO POR ANÁLISE DE IMAGEM MARIA LUIZA BORGES BARRETO [Ecogenicidade] [ Hiperecogênico → Produz muito eco, é mais ‘’branco’’. [ Ecogênico → Padrão cinza [ Hipoecogênico → Mais escuro que o padrão ecogênico [ Anecogênico → Não produz eco, padrão preto. [Ecotextura] [ Homogênea → Textura lisa, uniforme, sem presença de nódulos e cistos. [ Heterogênea → Textura não uniforme, com presença de nódulos, cistos, etc. [Paredes/Contornos] A parede é usada em órgãos ocos e ela pode ser regular ou irregular. O contorno é um termo usado para órgão parenquimatoso e ele pode ser regular ou irregular [Artefatos de imagem] [ Reverberação → São inúmeras linhas ecogênicas paralelas sendo resultado de múltiplas reflexões, aparecendo em cavidades com gás como o estômago, intestino e pulmão, isso porque o ar é inimigo do ultrassom. Vai ser direcionado para várias direções, formando uma cortina (cauda de cometa). Muitas vezes vai ter todo um prepara para se fazer este tipo de exame. Quanto mais gás, mais branca serão as linhas porque está tendo maior reverberação. Figura 1 - Cauda de cometa [ Imagem em espelho → Difícil de visualizar. Ocorre quando o ultrassom é refletido a partir de uma interface curva altamente refletiva, como o diafragma. Acontece que o ultrassom caminha até bater em uma superfície curva, que é refrataria, e assim vai voltar para o transdutor. O aparelho vai entender que demorou para voltar, então a distância da estrutura está mais profunda, mas na verdade está é refratada, então vai gerar uma imagem mais profunda. [ Sombra acústica posterior → É resultante da interação do feixe do som com um limite acústico altamente 4 Diagnóstico por análise de imagem DIAGNÓSTICO POR ANÁLISE DE IMAGEM MARIA LUIZA BORGES BARRETO reflexivo, como estruturas mineralizadas (osso ou cálculo). Há o bloqueio da passagem do som para a camada mais profunda do tecido. Teremos uma imagem hiperecogênica seguida por uma sombra, como uma imagem anecogênica, pois refletiu totalmente o som. [ Reforço acústico posterior → É observado após os tecidos ou estruturas com baixa atenuação, ou seja, líquidos densos. Teremos uma área de sombra mais hiperecogênica, posterior a estruturas com fluídos (vesícula biliar, vesícula urinária, cistos). [ Sombreamento lateral → Ele é o que vai ocorrer nas margens de superfícies curvas. Acontece que se tem um feixe sonoro e ele bate na margem da superfície curva, assim ele será desviado, sendo refratado. Ele se perde, não voltando para o transdutor e assim se tem uma ausência de imagem nas margens. Isso ajuda muito para se procurar um testículo na cavidade pois ele tem a superfície curva, os ovários também. Tudo o que tiver estrutura curva vai formar esta imagem. 5 Diagnóstico por análise de imagem DIAGNÓSTICO POR ANÁLISE DE IMAGEM MARIA LUIZA BORGES BARRETO [Laudos] [ Bexiga (orgão oco) (Localização/Paredes/Grau de distenção/Conteúdo) Bexiga em sua TOPOGRAFIA HABITUAL, DISCRETAMENTE DISTENDIDA pela urina. PAREDES REGULARES, normopessas. URINA ANECÓICA, sem pontos hiperecogênicos ao balotamento. [ Baço (orgão parenquimatoso) (Localização/Ecotextura/Ecogenicidade/Co ntorno) Baço em sua TOPOGRAFIA HABITUAL, com dimensões normais e formatoanatômico. Parênquima com CONTORNOS REGULARES, ECONOGENICIDADE HABITUAL e ECOTEXTURA HOMOGÊNEA. A endoscopia consiste em observar o que tem dentro de uma cavidade/estrutura. Alguns diagnósticos só são possíveis pela endoscopia. É um exame de imagem, dinâmico (exame em movimento), minimamente invasivo quando comparado com outros (entra em cavidades já abertas), não é traumático, é obrigatório a sedação, é necessário observar se o paciente tem condições de ser submetido ao exame, exame diagnóstico/ ''terapêutico'', pode evitar cirurgias, possui ampla e rápida recuperação do paciente, permite a retirada de fragmentos para exames complementares, e é dinâmico. [ Trato digestório Endoscopia digestiva alta → Esôfago, estomago, duodeno. Endoscopia digestiva baixa → Ceco, cólon, reto. [ Trato respiratório Laringoscopia, traqueoscopia, broncoscopia. Órgão oco Órgão parenquimatoso Localização Topografia habitual/ectópico Topografia habitual/ectópico Ecotextura X Homogênea Heterogênea Ecogenicidade X Hipoecóico Hiperecóico Isoecóico/anecóico Contornos/paredes Regulares Irregulares Regulares Irregulares Conteúdo Anecóido com/sem celularidade X Grau de distensão Discretamente Moderadamente Acentuadamente X 6 Diagnóstico por análise de imagem DIAGNÓSTICO POR ANÁLISE DE IMAGEM MARIA LUIZA BORGES BARRETO [ Trato urinário Cistoscopia. Não realizada em cães machos, indicadas para fêmeas. [ Otológico Otoscopia. [ Reprodutivo Histeroscopia. [Características] [ Operador dependente [ Não radioativo [ Aparelho de alto custo [ Composto por tela, fibra óptica, canal de biópsia, joystick [ Endoscópio rígido e flexível [ Endoscópio rígido → Usado para: Reto, cavidade nasal, trato urinário inferior, articulações e cavidade abdominal e torácica. [ Endoscópio flexível → Usado para: Trato gastrointestinal e vias aéreas [ Observar se não existem resíduos nas lentes [ Observar conexão de fibras [ Certificar-se de que o paciente está bem sedado [ Exame rápido → 30 a 50 minutos, em média [Possíveis diagnósticos] [ Doenças inflamatórias e infecciosas [ Nódulos e neoplasias [ Alterações anatômicas [ Ulcerações e erosões nas mucosas [ Corpo estranho Permite realizar: [ Histopatologia/biópsias [ Culturas fúngicas/bacteriológicas [ Lavados [ Análises citopatológicas / microbiológica [ Promover dilatação esofágica [ Fixar sonda gástrica [ CE gástrico/ esofágico / vias aéreas [sinais clínicos] [ Inespecíficos para as doenças envolvidas [ Vômitos ≠ regurgitação [ Inapetência [ Emagrecimento → Baixa absorção de nutrientes [ Icterícia → Comprometimento hepático [ Melena → Sangue digerido [ Hematoquezia → Sangue vivo [ Distensões abdominais [ Massas abdominais palpáveis → Pólipos, tumores gástricos, intestinais [ Retenções fecais [ Perversão do apetite (madeira, fezes...) [ Enjoos [ Sialorreia [ Corpo estranho [ Úlceras/ Gastrite [Dificuldades] [ Presença de conteúdo no TGI [ Dificuldade de visualização [ Combinação de técnicas de imagem → RX simples; RX contrastado; USG abdominal [Papel dos exames de imagem] [ Confirmar se a lesão é no sistema digestório [ Localizar o segmento afetado [ Graduar a lesão (extensa, localizada, difusa...) [ Identificar a lesão [ Coletar material desta lesão: endoscopia [ Indicar outras técnicas de imagem [ Exames complementares [ Distinguir procedimento clínico de cirúrgico → Tumor ≠ úlceras [ Acompanhar a lesão 7 Diagnóstico por análise de imagem DIAGNÓSTICO POR ANÁLISE DE IMAGEM MARIA LUIZA BORGES BARRETO [Preparo do paciente] Importante, principalmente, para exame eletivo. [ Jejum alimentar de 12 a 24hrs [ Endoscopia digestiva baixa → Laxantes para esvaziar TGI [ Endoscopia genitourinária → Restrição hídrica de 4hrs [ Enemas [ Emergências → Dispensado preparo! [ Sem preparo → Endoscopia pode não ajudar! [ Grandes animais → Endoscopia feita com paciente em estação. [ Pequenos animais → Feita em decúbito lateral esquerdo. [ Pós procedimento → Evitar oferecer água e comida em quantidade. [ Lembrar → Sistema digestório estará sensível! [Faringe e laringe] É um órgão tubular com dupla função, sendo elas respiração e passagem do alimento. [ Nasofaringe e Orofaringe [ RX → Corpo estranho com radiopacidade (trauma, massas, perfurações) [ Fluoroscopia → RX dinâmico [ USG → Irá ter pouca contribuição [ A endoscopia é o exame mais realizado nessa região, auxiliado na visualização e remoção do corpo estranho. [ Laringe → Epiglote/cartilagem tireóide/cartilagem cricóide [Esôfago] [ Região entre a faringe e a cárdia [ Segmentos → Cervical e torácico 8 Diagnóstico por análise de imagem DIAGNÓSTICO POR ANÁLISE DE IMAGEM MARIA LUIZA BORGES BARRETO [ Esôfago cervical → Dorsalmente à traqueia. [ Pregas da mucosa Pela endoscopia, podemos diferenciar o esôfago de um canídeo para um felídeo. A organização das pregas esofágicas dos cães é longitudinal, enquanto as pregas dos felídeos são oblíquas no terço final Radiografias Simples → Não visualizado; conteúdo: ar, restos de alimento; CE (bolas, osso de pet shop). Esofagograma → Sulfato de Bário 3mL/kg/VO ou Soluções Iodadas (suspeita de perfuração ou ruptura). Massas esofágicas Intramurais → Neoplasias; fibrose; granuloma parasitário (Spirocerca lupi). Extramurais → As massas esofágicas extra-luminais podem pressionar o esôfago e reduzindo a sua luz. Geralmente, são linfoadenopatias, granulomas, tumor, cardiomegalias. Já as intra-murais, podem ser neoplasias, fibrose, granuloma parasitário, e podemos retirar fragmentos dela para enviar para o exame histopatológico. [Esofagoscopia] Antes de indicarmos uma esofagoscopia, faremos uma raio-x primeiro para tentar descartas algumas patologias. Indicações: [ Regurgitações [ Disfagia (dificuldade de deglutir) [ Hipersalivação [ Anorexia [ Tosse [ Principais alterações diagnosticadas: [ Esofagite [ Estenose [ Corpo estranho [ RX contrastado → Megaesôfago/divertículo/persistência do arco aórtico. [Estômago] [ Localização → Região epigástrica esquerda [ Regiões → Cárdia, corpo, fundo, piloro [ Relações anatômicas → Fígado, baço, rim esquerdo, pâncreas 9 Diagnóstico por análise de imagem DIAGNÓSTICO POR ANÁLISE DE IMAGEM MARIA LUIZA BORGES BARRETO [ Região com gás/conteúdo [ Presença de CE [ Úlcera /Gastrite [ Helicobacter spp. → Bactéria espiralada que coloniza o estômago de humanos e animais [ Gastrite [ Úlceras [ Linfoma [ Adenocarcinoma gástrico [Duodeno] [ Ascendente [ Descendente [ Endoscópio precisa passar o piloro [ Possui grandes e numerosas vilosidades [ Mais rígido que a cárdia [ Muitos CE não consegue atingi-lo [Gastroduodenoscopia] Indicação: [ Vômitos [ Náuseas [ Diarreia [ Perda de peso [ Anorexia [ Melena (sangue escuro nas fezes). [ Hematêmese (vômitos com sangue). 10 Diagnóstico por análise de imagem DIAGNÓSTICO POR ANÁLISE DE IMAGEM MARIA LUIZA BORGES BARRETO [Jejuno e íleo] [ Quase não são atingidos na endoscopia [ Utiliza-se outras formas de diagnóstico por imagem [ RX simples/contrastado [ USG abdominal [ Tomografia computadorizada [Cólon e reto] [ Cólon Ascendente; Transverso; Descendente [Colonoscopia] [ Avalia mucosa do cólon, reto e até do íleo [ Pacientes com diarreias crônicas [ Não responsivos aos antimicrobianos 11 Diagnóstico por análise de imagem DIAGNÓSTICO POR ANÁLISE DE IMAGEM MARIA LUIZA BORGES BARRETO Asadrenais são pequenas glândulas localizadas próximo à face medial dos rins e aos grandes vasos (aorta abdominal do lado esquerdo e veia cava caudal do lado direito). Localizam-se entre o hilo renal e os grandes vasos (localização craniomedial aos rins). São órgãos pares e possuem duas camadas: cortical e medular. A camada cortical é a mais externa e responsável pela produção de diversos hormônios, dentre eles o cortisol. Já a camada medular produz outros hormônios, como adrenalina e noradrenalina. São órgãos de difícil avaliação ultrassonográfica devido ao seu tamanho bem reduzido e por serem estruturas um pouco mais profundas, não tão superficial. Atualmente ela é considerada parte do exame ultrassonográfico do abdômen, ou seja, quando se solicita uma ultra abdominal, independente da suspeita clínica, o médico veterinário ultrassonografista precisa avaliar essas glândulas, já que ela pode apresentar alterações, sem manifestação de sintomas clínicos evidentes. Em pacientes de grande porte, como Golden Retrivier, Dobermann, Rottweiller e outros possuem mais musculatura abdominal, bem como gordura, sendo necessário mais pressão do transdutor para conseguir ver as adrenais. Exige mais força e experiência do ultrassonografista. Por serem estruturas pequenas, o uso de transdutores lineares permitirá melhor detalhe da imagem, por isso ele é mais recomendado, já que pequenas alterações podem ser visualizadas, como pequenos nódulos, sendo melhor avaliados com alta frequência. Os pacientes que não permitem o posicionamento ultrassonográfico ou que ficam ofegantes e agitados, podem necessitar de sedação para melhor conforto do animal e para melhor execução do exame. Com isso, a musculatura abdominal relaxada facilitará a execução do exame. A tricotomia irá auxiliar na melhor visualização da glândula adrenal, assim como ela será necessária para qualquer exame ultrassonográfico. Se o paciente estiver com muito conteúdo gasoso no TGI, podemos fazer uma manobra para tentar minimizar a interferência do gás (lembrar que o gás faz artefato de reverberação). Essa manobra consiste em posicionar o transdutor nas laterais do abdômen, retirando a 12 Diagnóstico por análise de imagem DIAGNÓSTICO POR ANÁLISE DE IMAGEM MARIA LUIZA BORGES BARRETO sobreposição do intestino delgado e do cólon. O formato das glândulas irá variar de acordo com a espécie. Em cães, as adrenais terão formato de feijão ou amendoim com casca (semelhante ao amendoim de elefante). Lembrando que a adrenal esquerda é mais alongada e bilobada que a adrenal direita. Em gatos, as adrenais tem formato arredondado, mais ovalado. Há uma técnica para visualização dessas glândulas. Primeiro precisa-se visualizar o rim. Depois, iremos pressionar um pouco o transdutor, apertando lentamente sobre o órgão. Em seguida, iremos inclinar o transdutor para a face medial do abdômen, na tentativa de visualizar os grandes vasos. Essa varredura precisa ser bem lenta, já que é uma estrutura pequena. [Aspecto Ultrassonográfico] Elas serão hipoecogênicas em relação à gordura abdominal, terão contornos regulares, parênquima com ecotextura homogênea e dimensões dentro da normalidade para o porte do paciente/raça. Em alguns animais, podemos observar as camadas cortical e medular de forma bem evidenciada. Essa visualização das camadas dependerá da qualidade do seu equipamento, bem como da frequência e do paciente. Nem sempre iremos visualizá-las, porém isso não significa uma alteração. A adrenal esquerda é bem definida, formato mais alongado e bilobada. Já a adrenal direita é mais difícil de ser visualizada, mas também pode ter forma alongada e ovóide. As medidas das adrenais irão variar, principalmente nos cães, já que há uma grande variedade de raças/porte, com raças pequenas (cães pesando 2kg) e raças gigantes (cães pesando 60kg). Devido a essa grande variação, o comprimento das adrenais nos cães é bem variável, podendo chegar a 3cm. De largura, adota- se a medida média de 0,50cm, principalmente nos cães até médio porte. Claro que se o paciente for maior, essa medida poderá sofrer alterações. Nos gatos, no entanto, essas glândulas não sofrem tanta variação de tamanho, já que eles não variam tanto de porte como os cães (exceto algumas raças, que não são tão comuns, como os Maine Coon). 13 Diagnóstico por análise de imagem DIAGNÓSTICO POR ANÁLISE DE IMAGEM MARIA LUIZA BORGES BARRETO Na imagem acima, visualiza-se a glândula adrenal esquerda, com polo cranial medindo 0,50cm e polo caudal medindo 0,51cm. Percebe-se que ela é bilobada, ou seja, os polos são bem marcados, bem distintos. Na parte mais ventral (superior da imagem) visualiza-se o baço. Com o doppler colorido, visto assim, consegue-se evidenciar a vascularização do órgão. Na imagem está marcada a frênico abdominal, que é o vaso que passa na ''cintura'' da adrenal, contornando o órgão. Observa-se a adrenal direita, com largura medindo 0,57cm (discretamente aumentada). Ela não tem aquele formato tão bonito e clássico, quanto a adrenal esquerda. Não evidencia os polos bem distintos nessa imagem. Essa grande estrutura tubular anecogênica é a veia cava caudal. Nessa imagem, utiliza-se um equipamento da marca Esaote e consegue-se visualizar, de forma bem evidenciada, as camadas cortical (mais hipoecogênica) e a camada medular (mais hiperecogênica, central). Há uma hiperplasia bilateral das adrenais, ou seja, ambas estão com as dimensões dos polos aumentadas. [Hiperadrenocorticismo] A síndrome de Cushing, também chamada de hiperadrenocorticismo, é a endocrinopatia mais comum em cães, assim como a Diabetes Mellitus. A ultrassonografia irá auxiliar o diagnóstico do HAC, porém ela não é o teste padrão ouro. A ultra consegue visualizar se a adrenal está aumentada, se esse aumento é bilateral ou unilateral e se há presença de nódulos, massas nessas adrenais. Porém, a ultrassonografia não tem como dizer se essa adrenal está produzindo cortisol em excesso ou se ela produzindo outro hormônio, como adrenalina. Por isso, o teste padrão ouro é o hormonal (ACTH ou Dexametasona). Existem 3 tipos de HAC: hipófise dependente, adrenal dependente ou 14 Diagnóstico por análise de imagem DIAGNÓSTICO POR ANÁLISE DE IMAGEM MARIA LUIZA BORGES BARRETO iatrogênico (também conhecido por induzido por corticoides). No HAC hipófise dependente, a hipófise irá liberar ACTH em maior quantidade, estimulando ambas as adrenais (esquerda e direita) a produzirem cortisol. Dessa forma, haverá uma hiperplasia bilateral das adrenais, ou seja, ambas ficarão aumentadas. No HAC adrenal dependente, uma adrenal estará tumoral ou aumentada, produzindo cortisol em excesso, enquanto que a adrenal contralateral ficará atrofiada, já que ela entende que não precisa produzir cortisol, já que a outra está produzindo muito. O HAC induzido por corticoides ocorre por aquele tutor que fornece corticoide m doses altas ou por longo período de tempo. Desta forma, as adrenais entendem que não precisa produzir cortisol, já que ele recebe por via exógena. Então, nesse HAC ambas as adrenais estarão atrofiadas/hipoplásicas. A ultrassonografia é importante para saber se há presença de nódulos, massas, etc. Caso haja um tumor muito grande, que altere o formato das adrenais, pode ser necessário realização de uma tomografia computadorizada para diagnosticar se aquele tumor de fato é a adrenal ou se há invasão de alguma estrutura adjacente, como veia cava caudal. Observa-se acima a adrenal esquerda com aumento dos polos, cranial e caudal. Na imagem acima, há uma adrenal esquerda com aumento de ambosos polos e com presença de um tumor hiperecogênico, com centro arredondado hipoecogênico. Há presença de um tumor em polo caudal de adrenal esquerda. Essa imagem está identificada como topografia de adrenal esquerda, porque ela já perdeu o formato característico da glândula, está com as dimensões muito aumentadas e disforme. Por isso, o ideal seria realizar uma TC para ter a certeza de que se trata de uma adrenal e observar se há invasão de estruturas/órgãos adjacentes. Observa-se a presença de um nódulo hiperecogênico, arredondado ocupando todo o polo cranial dessa adrenal. 15 Diagnóstico por análise de imagem DIAGNÓSTICO POR ANÁLISE DE IMAGEM MARIA LUIZA BORGES BARRETO [Hipoadrenocorticismo] A síndrome de Addison, também chamado de hipoadrenocorticismo, consiste na baixíssima produção de cortisol pelas glândulas adrenais. Dessa forma, as adrenais ficam muito atrofiadas/hipoplásicas e muitas vezes temos dificuldade de visualizá-las pela ultrassonografia. Às vezes, nem conseguimos vê-las. Pode ser necessário uma TC para melhor visualização. É fundamental a realização dos testes hormonais para elucidação diagnóstica, bem como a dosagem de eletrólitos, como sódio/potássio/cálcio, já que pode haver um desequilíbrio eletrolítico nesta afecção hormonal. Observa-se essa adrenal marcada pelo cursor 1 e 2, com atrofia de toda a glândula. Ela é tão fina, quase imperceptível ao exame ultrassonográfico, parece um filete. Os gatos apresentam mais alterações na tireoide do que na adrenal. Os gatos idosos podem apresentar, mais frequentemente, mineralização das adrenais. Pode ocorrer presença de massas, nódulos nessas glândulas, porém são muito raros. [Nódulos adrenais] Os nódulos e massas vão variar em ecotextura, ecogenicidade e tamanho. A ultrassonografia não é capaz de dizer se um nódulo é benigno e maligno. Apenas a histopatologia e imunohistoquímica podem fazer o diagnóstico definitivo. No entanto, sabe-se que tumores malignos podem metastizar para fígado, baço, estômago, pulmões, linfonodos, etc. e que esses tumores malignos podem invadir grandes vasos e estruturas, como veia cava caudal, por exemplo. Os principais tumores malignos relatados das adrenais são: feocromocitoma e carcinoma. [Trombos] Os trombos neoplásicos são tumores de adrenal que cresceram para dentro da luz/lúmen do vaso. Eles dificultam o fluxo sanguíneo e esse paciente pode ter como consequência um aumento de pressão arterial pela ocorrência deste trombo. Não são trombos móveis como os coágulos. São trombos fixos. Normalmente, são malignos e quando já há invasão de grandes vasos a cirurgia não é indicada (maior risco de complicações trans operatórias). 16 Diagnóstico por análise de imagem DIAGNÓSTICO POR ANÁLISE DE IMAGEM MARIA LUIZA BORGES BARRETO As vantagens da avaliação pancreática através da ultrassonografia consistem na rapidez e segurança do exame, demorando em torno de 15 a 30 minutos de realização, com resultado na hora da avaliação do órgão. É um exame seguro e de baixo custo, que não oferece riscos ao paciente, além de ser não invasivo. Não necessita sedar esse animal, como na Tomografia Computadorizada e na Ressonância Magnética. E não emite radiação ionizante. Vale lembrar que o RX não oferece nenhuma contribuição para a avaliação pancreática. Em humanos, a ultrassonografia pancreática pode ser realizada utilizando-se um ultrassom endoscópico. Como que ele funciona? Existe um transdutor/probe na ponta do endoscópio. Ele é introduzido pela boca, esôfago e alcança a região do piloro. Esse endoscópico que tem uma probe acoplada na sua ponta fica apoiada na parede do estômago, bem próximo ao pâncreas, permitindo uma excelente resolução. Com essa proximidade com o órgão, consegue-se avaliar melhor ele, já que não tem gordura abdominal interferindo por esse método de exame. Além disso, retira todos os artefatos de imagem que podem prejudicar a avaliação, como reverberação e sombra acústica posterior. Vale lembrar que esse método da avaliação ainda NÃO é utilizado na Medicina Veterinária. O pâncreas é um órgão muito pequeno, que possui os limites muito pouco definidos. Na própria macroscopia, se observar o órgão, percebe-se que ele é parecido com uma gordura. Desta forma, a ecogenicidade do Pâncreas é muito parecida com a ecogenicidade da gordura/mesentério adjacente. Por isso, quando fazer a ultrassonografia, observa que por ser um órgão pequeno, com limites pouco definidos, com o tom de cinza (ecogenicidade) semelhante ao mesentério, temos dificuldade de encontrá-lo. No entanto, como faz para saber que é ele? Pela posição anatômica. Sabe-se que ele possui lobo esquerdo e direito. O lobo direito estará bem próximo ao duodeno, ou seja, na sua face dorsal (lembrando que se está dorsal, está na parte debaixo da tela do aparelho). E o lobo esquerdo estará próximo ao baço, estômago e cólon (transverso e descendente). Pacientes que apresentam dor abdominal, principalmente naqueles que tem suspeita de pancreatite, qualquer pressão do transdutor no abdômen, por menor que seja, poderá causar um desconforto muito grande. E aqueles pacientes que ficam muito agitados e ofegantes durante o exame (tipo aquele Labrador feliz, respirando com a boca aberta e agitado, fazendo aerofagia), irá comprometer a qualidade do exame: primeiro porque os movimentos abdominais irão dificultar a visualização de uma imagem nítida na tela; segundo porque haverá muitos gases e, consequentemente, artefato de reverberação, devido à aerofagia. A obesidade é um fator que também irá dificultar a visualização. 17 Diagnóstico por análise de imagem DIAGNÓSTICO POR ANÁLISE DE IMAGEM MARIA LUIZA BORGES BARRETO Na imagem à A, é possível observar o pâncreas normal, envolto pelo mesentério. Na imagem à B, observa-se o pâncreas maior, mais reativo, em um quadro provável de pancreatite. [Anatomia ultrassonográfica] O pâncreas terá margens pouco definidas, ecotextura homogênea (sem presença de nódulos, massas, abscessos, etc.), ecogenicidade semelhante ao mesentério e à gordura adjacente. O lobo direito será um pouco mais claro, mais ecogênico quando comparado aos lobos hepáticos adjacentes. Já o lobo esquerdo do pâncreas será menos ecogênico, um pouco mais escuro do que o parênquima do baço. É possível visualizar a veia pancreático duodenal e o ducto também, percorrendo todo o parênquima do órgão. Tem-se dois lobos do pâncreas (esquerdo e direito), além de termos o corpo do pâncreas, que dão um aspecto em V para o órgão. O lobo direito é mais longo e estreito, enquanto que o lobo esquerdo é mais curto e largo (mais grosso). Nos cães, o lobo direito é mais fácil de ser visualizado e nos gatos o lobo esquerdo é mais fácil de ser visto. É um pouco mais fácil visualizar o pâncreas do gato do que do cão, devido ao porte do paciente e normalmente eles possuem menos gordura abdominal que os cães. Na imagem acima, é possível visualizar o duodeno na parte ventral e o pâncreas abaixo dele (ou seja, dorsal). O pâncreas está sendo indicado pela seta branca. Ele não tem os limites bem definidos. Isso ocorre devido à semelhança da ecogenicidade com o mesentério. Se esse duodeno estivesse repleto de conteúdo, seria visto a presença de artefatos, como a reverberação e a sombra acústica posterior, que dificultariam a visualização do órgão. Como diferencia veia pancreático duodenal ou ducto pancreático? Através do Doppler. O Doppler vai conseguir capturar a vascularização sanguínea. Ou seja, ele vai colorir a veia pancreático duodenal. Se o aparelho não tiver Doppler, irá diferenciar pela posiçãoanatômica. Sabe-se que o ducto pancreático duodenal está ventral aos vasos. [Pâncreas Felino] O pâncreas do gato vai ser melhor avaliado com o uso de um transdutor de alta frequência, acima de 7,5MHz (de preferência, 10MHz). Esse tipo de 18 Diagnóstico por análise de imagem DIAGNÓSTICO POR ANÁLISE DE IMAGEM MARIA LUIZA BORGES BARRETO transdutor fornece maior detalhe das imagens e como é um órgão muito pequeno, esses detalhes farão diferença. O ducto pancreático vai percorrer todo o parênquima do órgão. A medida do pâncreas é relativa, a média é que o lobo direito tenha 4,5mm, o esquerdo 5,4mm e o corpo do pâncreas tenha 6,6mm. [Ajudas na Avaliação] Como o pâncreas é um órgão bem difícil de ser visualizado pela ultrassonografia, o que eu posso fazer para tentar facilitar a visualização? Usar uma boa resolução do aparelho, lembrar de usar um transdutor de alta frequência, principalmente nos gatos. A presença de líquido livre também facilitará, já que o líquido é anecogênico (preto) e criará um contraste grande com o pâncreas (ecogênico). Além disso, quando temos efusão abdominal, o pâncreas ficará boiando no líquido, assim como os outros órgãos. Animais com pancreatite costumam ter o pâncreas aumentado e com ecogenicidade alterada, então poderá diferenciar da ecogenicidade da gordura/mesentério, facilitando a visualização. Animais submetidos à laparotomia recente tendem a ter o mesentério mais reativo, permitindo um contraste de ecogenicidade maior. [Preparo do Paciente] Sabe-se que o preparo para o paciente realizar o exame ultrassonográfico é o mesmo. Porém, para avaliar bem o pâncreas podemos solicitar um jejum alimentar um pouco mais longo, de 12 a 18hr. Com isso, reduziremos o conteúdo no TGI. É necessário utilizar transdutores convexos ou lineares com frequência de 5MHz para os gatos e 7,5MHz para os cães. porém atualmente recomendamos utilizar frequências mais elevadas, preferencialmente com os transdutores lineares. Além disso, recomendar antifiséticos e o animal deverá estar na posição de decúbito dorsal. [Técnica de Varredura] Deve-se colocar o transdutor na posição subxifóide com corte longitudinal. É necessário localizar o estômago e direcionar o transdutor para o lado direito do animal, identificando o piloro e a região do duodeno. O pâncreas está localizado dorsalmente a eles. Para visualizar o lobo direito, deve-se colocar o transdutor em corte longitudinal, deslocando-o medialmente até o duodeno, próximo a margem cranial do Os cães que possuem tórax profundo/estreito como os galgos/whippet utilizaremos o decúbito lateral esquerdo, já que no decúbito dorsal, devido à conformação torácica teremos dificuldade de realizar esse exame. O transdutor deve ser posicionado nos espaços intercostais. [Afecções Pancreáticas] [ Pancreatite → A pancreatite pode ser aguda ou crônica e é mais comum em cães do que em gatos. Inclusive, os gatos possuem apetite mais seletivo que os cães. E como a pancreatite é uma afecção que está diretamente relacionada à alimentação, os cães podem ser mais acometidos. Há também uma linha médico veterinária que explica essa ocorrência pela conformação anatômica. Os gatos costumam desenvolver a tríade felina, que acomete pâncreas, fígado/vias biliares e duodeno (pancreatite + colangiohepatite + doença intestinal inflamatória). 19 Diagnóstico por análise de imagem DIAGNÓSTICO POR ANÁLISE DE IMAGEM MARIA LUIZA BORGES BARRETO Na imagem acima, observa-se uma peça anatômica com o pâncreas inflamado, aumentado de tamanho e com aspecto grosseiro, meio ‘’flocado’’, característico de pancreatite. O pâncreas está sendo delimitado no cursor. Observa-se o órgão bem aumentado, quase 2cm de espessura/largura. Além disso, a borda dele bem arredondada. [ Abcessos/pseudocistos → O pâncreas pode ser acometido por diversas alterações, como tumores, cistos e abscessos. Nessas afecções, eles ficam com ecotextura heterogênea, com aspecto cavitário. Os cistos e abscessos podem ser diferenciados pelas características anatômicas. Os cistos possuem paredes finas, regulares e conteúdo anecogênico. Podem formar artefato de reforço acústico posterior ou não. Já os abscessos podem apresentar paredes mais espessas, podendo ser irregular e seu conteúdo é mais ecogênico. O cisto costuma possuir um formato mais arredondado, enquanto que o abscesso é mais oval/irregular. [ Neoplasias → As neoplasias são raras em cães e gatos, porém pode acontecer. O ideal é que se houver suspeita de neoplasia pancreática, encaminhar esse paciente à Tomografia Computadorizada. Os tumores podem acometer a parte endócrina ou exócrina do pâncreas. Os relatos observam que os carcinomas são mais frequentes no corpo do pâncreas. São tumores agressivos, que promove metástases com frequência, principalmente no fígado, estômago e linfonodos (já que são órgãos e estruturas adjacentes ao pâncreas). O pulmão também poderá ser acometido, assim como qualquer outro órgão. Os insulinomas são os tumores pancreáticos mais frequentes. Eles costumam causar hipoglicemia persistente nesses pacientes. O seu aspecto ultrassonográfico é variável, mas a literatura aborda que eles costumam ser esféricos, hipoecogênicos e bem definidos. No entanto, a histopatologia é o único tipo de exame que me permite ter a certeza do diagnóstico (padrão ouro). ‘’Qualquer procedimento que se utiliza a imagem da ultrassonografia para direcionar agulhas ou qualquer instrumento perfurocortante para drenar ou colher amostras de coleções líquidas ou realizar biópsias.’’ 20 Diagnóstico por análise de imagem DIAGNÓSTICO POR ANÁLISE DE IMAGEM MARIA LUIZA BORGES BARRETO Então, utilizamos a ultrassonografia intervencionista como um mecanismo para auxiliar um procedimento, como por exemplo realizar a coleta de algum material. A ultrassonografia é capaz de detectar nódulos, massas, alterações de contorno, ecogenicidade, dimensões de órgãos e estruturas. Essas alterações são facilmente detectáveis e são chamados de lesões. Pela ultrassonografia não dizemos se as lesões são benignas ou malignas, apenas que são inespecíficas. Para então classificar a lesão, coleta-se material e o encaminha para a análise laboratorial (citologia, histopatologia, análise de líquido cavitário). [Biópsias] Indicadas para confirmar ou eliminar probabilidades diagnósticas. [ Biopsias incisionais → Remoção cirúrgica de uma porção da lesão ou tecido, normalmente através de procedimentos cirúrgicos invasivos. [ Biopsias percutâneas → Minimamente invasivas, não tem a necessidade de realizar uma cirurgia. A ultrassonografia será guia para visualizar se de fato a agulha coletará o material do local desejado. Se coletar fragmento → Histopatologia. Se coletar células → Citologia. [Biópsia percutânea Guiada Pela Ultra] Por ser um procedimento guiado, há maior probabilidade de obter boa amostra e diagnóstico. A agulha será direcionada ao local específico da lesão. É necessário sempre evitar áreas de tecido necrosado porque teremos pouca celularidade para auxiliar no diagnóstico. Também deve-se evitar áreas muito cavitárias (como os grandes vasos pois o material muito heterógeno, tem risco de ter ruptura, hemorragia ou qualquer outra intercorrência). Estabelecer rota mais curta entre o alvo e a pele evitando grandes vasos e estruturas como a vesícula biliar, e minimizar os riscos. [Vantagens de guiar procedimentos pela ultra] [ O custo da ultrassonografia é mais barato do que tomografia ou ressonância [ Aparelho portátil [ Não emite radiação ionizante – seguro. [ Exame em tempo real – dinâmico[Técnicas para guiar procedimento] 1. Com o uso de guias acoplados ao transdutor → Não é muito utilizado na veterinária devido ao custo. 2. À mão livre Essas técnicas se subdividem em: [ PAF (citologia) [ PAAF (citologia) [ Biópsia por fragmento (histopatologia) 1) Com uso de guia acoplado ao transdutor Semelhante a uma cinta rígida que se prende ao transdutor e apresenta um apêndice com angulação fixa em relação à probe, onde as agulhas são encaixadas. Nos aparelhos novos existe o comando de biópsia, que é uma faixa demarcada na tela e agulha aparecerá naquele local. É um tracejado na tela e a agulha passa obrigatoriamente pelo tracejado. 21 Diagnóstico por análise de imagem DIAGNÓSTICO POR ANÁLISE DE IMAGEM MARIA LUIZA BORGES BARRETO Então, as vantagens da técnica é que é possível visualizar a agulha toda (feixe maior se sobrepondo ao feixe sonoro), requer menos treino, menos coordenação motora e facilita biopsias em pequenas lesões. As desvantagens são que depois de introduzida pela pele, a agulha impede o movimento do transdutor. Além disso, ela não é prontamente retirada e se o animal se movimentar bruscamente vai haver risco de ruptura e lacerações. Lembrando que, esse tipo de biópsia é raramente utilizado na rotina da medicina veterinária, sendo mais comum a técnica de biópsia à mão livre. 2) À mão livre É realizada sem a utilização de guias. O operador deve calcular onde o feixe sonoro passa e introduzir a agulha em um ângulo de 45° aproximadamente porque assim dá para visualizar a agulha passando debaixo do feixe sonoro de ultrassom. Essa técnica requer bastante treino antes de ser utilizado em um paciente e o ultrassonografista precisa estar familiarizado com o transdutor e como manipulá-lo. Treino em ‘’PHANTOM’’ → Técnica com preparo de uma gelatina para treinar capacidade motora e visual. Á mão livre técnica indireta → É utilizada quando temos alvos grandes e palpáveis externamente. Localiza-se a região ideal da biópsia, sem presença de líquido, longe de vasos calibrosos e cavidades císticas. Pode ser utilizada para punções de líquidos (como na cistocentese). [ Biópsia por fragmento → Fornece fragmentos para análise histopatológica. Há agulhas específicas para o procedimento, que são chamadas trucut – para retirada de fragmentos: agulha longa, com calibre considerável, sendo a parte branca o disparador, que pega um fragmento da lesão. Normalmente são utilizadas para grandes lesões, se forem lesões pequenas tenta fazer citologia. É recomendada anestesia/sedação visando o bem-estar porque é um procedimento doloroso, mesmo sendo rápido (cerca de 10 minutos). Para essa biópsia o preparo é semelhante a um procedimento cirúrgico com paciente e equipe. Normalmente, em lesões mais superficiais. Proteger o transdutor com material estéril (preservativo). A técnica é: [ Localiza o alvo por meio do transdutor [ Realizar pequena incisão na pele, com uso de bisturi, por onde a agulha passará [ Introduz-se agulha pela pele até a mesma atingir 1cm do alvo [ Dispara o gatilho [ Retira-se a agulha lentamente [ Retira-se a agulha da pistola [ Retira-se o fragmento do tecido de dentro da agulha [ Armazena-o em formol 10% e faz um ponto para aproximar a pele [ Citologia aspirativa por agulha fina (PAAF) A citologia não é diagnóstico definitivo quando se compara com a histopatologia, mas dependendo da lesão não consegue-se realizar a histopatologia, então a citologia não pode ser descartada. É um método simples e de baixo custo, e o diagnóstico é rápido. Obtém-se material para análise citológica e não necessita de anestesia, podendo ser benéfico em casos específicos, por exemplo, pacientes cardiopatas não liberados para anestesia. Além disso, pode ser feito a nível ambulatorial. 22 Diagnóstico por análise de imagem DIAGNÓSTICO POR ANÁLISE DE IMAGEM MARIA LUIZA BORGES BARRETO [Equipamentos] Ideal que tenha doppler colorido para ver os vasos e evitar hemorragias ou outras possíveis intercorrências; Além disso, transdutor microconvexo ou linear - depende da lesão e da profundidade da estrutura. [Materiais] [ Seringas descartáveis de 10 ml [ Agulhas descartáveis de comprimento e de calibre variáveis [ Agulhas 20 x 5,5 [ Cateter endovenoso para estruturas mais profundas (mandril – 24G – fino e longo) [ Citoaspirador (puxa o êmbolo da agulha e o mantem com pressão negativa) [ Lâmina de microscopia [ Material de assepsia antes da punção [ Álcool iodado [ Soro fisiológico com clorexidine [ Lembrar sempre de fazer a tricotomia prévia do local da punção [ Atenção a proteção da equipe (jaleco, calça comprida, calçado fechado, luvas). [Preparo do Paciente] [ Normalmente os procedimentos são realizados sem sedação, mas em pacientes agressivos e agitados é necessário sempre prezar a proteção da equipe e do paciente [ Jejum alimentar de 12 horas [ Lembrando que a citologia é um procedimento rápido, minimamente invasivo e seu desconforto é semelhante a uma coleta de sangue. [Passo a passo da punção] [ Preparo da equipe [ Preparo do paciente [ Avaliação prévia da lesão [ Escolha do material – agulha, cateter, etc. [ Escolha da técnica – PAF/PAAF [ Introduzir a agulha acoplada na seringa – mais firmeza para o procedimento [ Visualizar a agulha na tela do equipamento [ Confirmar que a agulha a atingiu o alvo desejado [ Realizar movimentos de vai e vem com a agulha [ Realizar movimentos de leque – diversas direções [ Retirar a agulha e realizar o squash – Citologia [ Retirar o tru-cut e armazenar o fragmento em formol 10% [ Jamais continuar aspirando se sair do alvo [ Se o paciente se movimentar, retirar imediatamente a agulha [ Evitar puncionar lesões muito cavitárias, heterogêneas, císticas- risco de ruptura – emergência. [ Confeccionar o maior número de lâminas possíveis [ De preferência, realizar pelo menos 3 punções em cada lesão [ E confeccionar, pelo menos, 3 lâminas em cada punção [ Todas as lâminas devem ser encaminhadas ao laboratório para ser feita a leitura Não aspirar para não haver risco de carrear para a agulha células que não são da lesão, que não são interessantes de serem analisadas. Bom fazer pelo menos 5 lâminas da lesão para evitar estresse de um novo procedimento e fechar mais rapidamente o diagnóstico. [PAF X PAAF] De preferência realizar as duas técnicas e informar na lâmina qual técnica foi utilizada. Sempre lembrar que PAAF, 23 Diagnóstico por análise de imagem DIAGNÓSTICO POR ANÁLISE DE IMAGEM MARIA LUIZA BORGES BARRETO normalmente, tem maior contaminação por sangue – hemácias. [Cuidados pós procedimento] Sempre realizar um fast ultrassonográfico, após a punção e observar se houve hemorragia, ruptura de órgãos e etc. É recomendado repouso do paciente por 24 horas pós punção, pode colocar gelo na pele para evitar hematomas. [Outras Formas de Intervenção guiada por Ultra] [ Cistocentese → Coleta de urina para cultura/antibiograma/EAS; [ Paracentese → Coleções líquidas em pequenas quantidades, a US escolhe o melhor ponto de coleta; [ Toracocentese → Melhor escolha do local de punção, evitando puncionar coração, pulmão e grandes vasos; [ Pericardiocentese → Jamais colocar o cateter em contato com o coração; [ Drenagem de cistos → Tentativa de aliviar a compressão abdominal; [ Drenagem de abcessos → Coletar material para cultura e antibiograma. [Conversa com Tutor] Antes de realizar o procedimento, é necessário explicar todo o processo. Informar que vai utilizar agulha e sobre o risco do procedimento. Todas essas informações devemser feitas por via oral (conversando) e escritas – pedindo para que ele assine um termo de ciência. Lembrar que intercorrências podem acontecer. Ideal é deixar de sobreaviso um anestesista e um cirurgião, dependendo da lesão/quadro do paciente. Deixá-lo ciente que a amostra pode ser não diagnóstica. Por que é importante fazer o exame ultrassonográfico do sistema locomotor de equinos? Principalmente nos animais de esporte, de corrida, de salto, de pista. Porque eles exigem muitos dos membros locomotores tanto os anteriores quanto os posteriores para realização das suas atividades. Isso envolve uma grande questão econômica também, pelo dinheiro envolvido nessas competições e corridas. A ultrassonografia consegue auxiliar tanto na detecção das lesões (diagnosticando uma lesão) e também o acompanhamento dessa lesão, saber se a lesão está piorando ou não com um tipo de tratamento. É importante quando há o comprometimento do sistema locomotor desses animais, que se tenha repouso e seja afastado das suas atividades (independentemente do tipo de lesão), para o tratamento ser mais favorável. Podendo dar um prognóstico do quadro do paciente por meio do exame ultrassonográfico. Lembrando que é um exame complementar, e sempre associar histórico, anamnese, exames laboratoriais e etc. É avaliado tendões, ligamentos e bordas ósseas. É um exame não invasivo com diagnóstico é preciso, sendo eficaz, obtendo muita informação. Importante para animais de esporte: salto e corrida. 24 Diagnóstico por análise de imagem DIAGNÓSTICO POR ANÁLISE DE IMAGEM MARIA LUIZA BORGES BARRETO Exemplo: Em animais de salto, quais são os membros que irão sofrer maior sobrecarga? Normalmente, os membros anteriores pois quando ele salta os dois membros que vão suportar todo o peso do animal. Além disso, a ultrassonografia vai auxiliar no prognóstico da lesão e acompanhamento para evolução do caso clínico. Auxilia também em procedimentos ecodirigidos: Infundir plasma rico em plaquetas (PRP) – Animais que possuem alguma lesão e necessitam de infusão de células troncos para acelerar a recuperação desse paciente. Em casos de tendinites e desmites, por exemplo. A tricotomia da região facilita a higienização da região, além disso o pelo dificulta a transmissão das ondas de ultrassom (dificultando a imagem ultrassonográfica). Deve-se fazer a limpeza do local para não prejudicar a qualidade da imagem. Faz-se a varredura das regiões: metacárpica e metatársica. Fazer toda a varredura do membro, é fundamental avaliar o membro contra lateral da lesão. Não se começa a varredura pelo membro acometido (onde está a lesão) é indicado começar pelo membro contra lateral ao que está com a lesão, é ótimo para ver o aspecto ultrassonográfico de normalidade do paciente. Após isso ver o membro com a lesão. É utilizado um transdutor linear de alta frequência que é indicado para estruturas superficiais. São transdutores caros, normalmente o ultrassonografista que trabalha com grandes animais vai utilizar o transdutor transretal que é parecido com o linear (por questão de adaptação). Não dá para fazer com o convexo e microconvexo. Usa-se alta frequência: 7,5 MHz pois precisa de um menor poder de penetração porque são estruturas superficiais para ter uma melhor resolução (qualidade de imagem). Utiliza-se gel transdutor ou standoff (anteparo de silicone). O gel não adere na pele do paciente, pois está de estação e acaba caindo. O standoff protege o transdutor e facilita a transmissão das ondas ultrassonográficas. Não é barato e tem tempo de vida útil. [Preparação e Técnica] Divide a região em 6 zonas menores, vai ter 4cm cada uma aproximadamente (divisão visual). Inicia-se a medição a partir do osso acessório do carpo. É dividido em zonas: [ 1 A [ 1 B [ 2 A [ 2 B [ 3 A [ 3 B O exame inicia-se da parte mais proximal para distal. A parte mais proximal é a parte mais próxima, no caso do membro anterior da escápula e do membro posterior do osso coxal. E a parte mais distal, parte mais próxima da extremidade (da mão e do pé, do membro anterior e posterior). Algumas lesões vão ser mais facilmente visualizadas em um tipo específico de corte do que de outro. São utilizados cortes longitudinais e transversais, tem que fazer os dois cortes para cada zona que está sendo avaliada. Exemplo: Corte longitudinal e transversal para a zona 1A e 1B, 2A e 2B, 3A e 3B. 25 Diagnóstico por análise de imagem DIAGNÓSTICO POR ANÁLISE DE IMAGEM MARIA LUIZA BORGES BARRETO [Anatomia Ultrassonográfica] As estruturas avaliadas da região metacárpica/metatársica: [ Tendão flexor digital superficial [ Tendão flexor digital profundo [ Ligamento acessório do tendão flexor digital profundo (check inferior) [ Ligamento suspensor do boleto São as principais estruturas afetadas no cavalo atleta. Quando o médico veterinário for fazer o exame, não é preciso ser feito o jejum, apenas tricotomia e limpeza. Avaliar todo o membro, não só as principais estruturas mais afetadas. [Aspecto ultrassonográfico] Na imagem A, há um corte transversal de parênquima granular com pontos anecogênicos. Na imagem B há um corte longitudinal do parênquima dos tendões com uma serie de linhas hiperecoicas e grosseiras. 26 Diagnóstico por análise de imagem DIAGNÓSTICO POR ANÁLISE DE IMAGEM MARIA LUIZA BORGES BARRETO 27 Diagnóstico por análise de imagem DIAGNÓSTICO POR ANÁLISE DE IMAGEM MARIA LUIZA BORGES BARRETO Zona 1 possui aspecto ultrassonográfico mudado em comparação ao corte longitudinal. As fibras ficam alongadas dispostas uma em cima da outra. A zona dois possui área mais hipoecogênica entre o ligamento acessório do TFDP e o ligamento SDB. A zona 3B é parecida com a zona 2B. 28 Diagnóstico por análise de imagem DIAGNÓSTICO POR ANÁLISE DE IMAGEM MARIA LUIZA BORGES BARRETO [Anormalidades Ultrassonográficas] Acontecem logo após uma prova, quando o animal cai de mal jeito, ou teve uma queda, fratura. Lesão que acontece de uma hora para outra. [ Tendinites/Desmites → Processos inflamatórios. Após a ocorrência da lesão, tem-se um edema que é o acumulo de líquido na região, rompimento de pequenos vasos (microhemorragia), debris celulares. Tudo isso contribui para uma estrutura heterogênea e de variável ecogenicidade. Então, numa lesão aguda há o aumento do membro (tamanho), áreas heterogêneas, redução da ecogenicidade (pelo edema que é líquido) e perda do alinhamento normal das fibras (desestruturação das fibras). Paciente que um dia se lesionou e não foi feito tratamento, animal ainda conseguia competir. Foi uma lesão que um dia foi uma lesão aguda, paciente continuou sobrecarregando esse membro e com o tempo essa lesão se tornou uma lesão crônica. Logo, cura incompleta de uma lesão que um dia foi uma lesão aguda. Lesões de sistema locomotor é um tratamento que dura meses. Tendinopatias/Desmiopatias → Processos inflamatórios. Ultrassonografia → Tecido que já tem fibrose (hiperecogênica), padrão mais claro. Parênquima grosseiro e heterogêneo. [Cálculo da lesão] É possível calcular o tamanho da lesão. Porcentagem da área da lesão com a área do tendão/ligamento. Fazer o cálculo tem o objetivo acompanhar o tratamento e auxiliar a determinar prognóstico. As lesões são classificadas em: [ Lesão sutil → 15% da área [ Lesão moderada → 16 a 25% da área [ Lesão severa → > 25% da área 29 Diagnóstico por análise de imagem DIAGNÓSTICO POR ANÁLISE DE IMAGEM MARIA LUIZA BORGES BARRETO Esse método de exame é um diagnóstico por imagem e aos poucos tem sido introduzido na rotina da MedicinaVeterinária. Para que serve a endoscopia? Há diversas doenças respiratórios que acometem cães e gatos, porém, essas doenças tem sinais clínicos inespecíficos, como tosse, espirro, secreção nasal, apatia, febre, prostração. As afecções respiratórias são frequentes no atendimento na clínica veterinária, principalmente nos meses de inverno. Os Braquicefálicos possuem focinho curto e frequentemente causa esses problemas respiratórios. A inspeção clínica da cavidade nasal é necessária, porém é dificultosa na rotina. Por isso, é imprescindível realizar os exames de imagem para auxiliar o diagnóstico. Além disso, é necessário correlacionar com outros exames complementares. Para ver se há leucocitose, presença de bastão, desvio a esquerda, se há algum acometimento de rim ou fígado, etc. As alterações do trato respiratório, as rinopatias, exigem um tratamento longo e um planejamento terapêutico. Normalmente possui um tratamento longo e um planejamento terapêutico. [Anatomia] O crânio é extremamente complexo, possui diversos ossos, musculaturas, etc. Os ossos da calota craniana e da face são numerosos e no exame radiográfico há muita sobreposição dessas estruturas, dificultando a avaliação radiográfica da região. Então muitas vezes ele não é suficiente e não irá concluir o diagnóstico. A passagem nasal vai desde o limite rostral até a parte mais caudal, porção final da laringe. O plano nasal é composto por tecido cartilaginoso e as narinas precisam ser simétricas. Elas são divididas por um sulco. A fração mais caudal está no interior da cavidade nasal e vão ser divididas em esquerda e direita internamente pelo septo nasal (placa osteocartilaginosa). Há a classificação de algumas raças pela anatomia: [ Dolicocéfalos → Possuem cabeça longa, estreita e o focinho alongado. Cães como Galgo, Collies. [ Braquicéfalos → Cavidade nasal curta e crânio muito largo. Como em Pugs, buldogues. [ Mesaticéfalos → Possuem a cavidade nasal e o diâmetro do crânio proporcionais. Cães como o pastor alemão, Golden, labrador, beagle e Rottwailer, etc. Os Braquicefálicos terão uma maior dificuldade respiratória e com a popularização da raça surgiram alguns programas de cirurgia (projeto narizinho) para realizar a rinoplastia dos pacientes. Os cães não possuem glândulas sudoríparas então não transpiram pela pele, eles dependem de realizar a troca de calor com ambiente principalmente por meio da respiração. Se ele não consegue respirar direito, consequentemente, ele não realiza a troca de calor de forma eficaz e como consequência há um aumento da temperatura interna corporal. [Sinais Clínicos] [ Febre [ Apatia [ Sensibilidade na face [ Secreção nasal uni (suspeita de alteração anatomia na região, corpo estranho, neoplasia) ou bilateral (pensa em algo sistêmico como pneumonia). 30 Diagnóstico por análise de imagem DIAGNÓSTICO POR ANÁLISE DE IMAGEM MARIA LUIZA BORGES BARRETO Além disso, é fundamental saber o aspecto da secreção: mucosa (presença de muco branco e espesso), serosa (liquido, transparente, como coriza), mucopurulenta (quando há presença de pus), serosanguinolenta (avermelhada). [ Espirros [ Respiração por via oral [ Estertor [ Epistaxe [ Deformidade nasal Observa-se na imagem uma região bem hiperêmica, com um pouco de sangue. O animal possui provavelmente dor e sensibilidade ao toque. Apresenta também despigmentação de plano nasal e perda de pelo. Pode ser desde uma doença infecto contagiosa até uma neoplasia. Logo, é necessário realizar exames complementares, pode fazer uma citologia da região, um exame de sangue para ver se há leucocitose, disfunção renal ou hepática, e radiografia da face e tórax para avaliar o pulmão. Na imagem acima, observa-se um cão com epistaxe. A princípio aparenta ser bilateral, o que faz pensar em algo sistêmico. Esse cão pode estar perdendo sangue por uma possível baixa de plaquetas (trombocitopenia), podendo ser causada por uma Erlichia. Então as vezes o animal tem uma manifestação clínica do sistema respiratório, porém, a causa é outra (no caso hematológico). Logo, é necessário avaliar o paciente como um todo. Na imagem acima observa-se um cão com epistaxe unilateral (narina esquerda). Essa informação já auxilia o veterinário na suspeita diagnostica. Pode ser causada por um tumor, pólipo acometendo a região, etc. Logo, é necessário fazer uma boa anamnese para tentar descobrir a causa. Na imagem acima, há presença de secreção unilateral purulenta. Na imagem acima, há praticamente obstrução das narinas (pela abertura da 31 Diagnóstico por análise de imagem DIAGNÓSTICO POR ANÁLISE DE IMAGEM MARIA LUIZA BORGES BARRETO boca mostra a dificuldade respiratória), muita presença de secreção purulenta. Isso pode ser em decorrência de rinotraqueite, pneumonia, etc. Quando a manifestação é de sistema respiratório, sabe-se que muitos proprietários tem dificuldades financeiras, então nem sempre eles conseguirão fazer os exames que o veterinário solicita. O tratamento clinico/terapêutico sem realização dos exames complementares não é muito bem-vindo, principalmente se tiver manifestação respiratória. É necessário no mínimo exame de sangue e radiografia. Os dois cães na imagem em relação ao plano nasal (focinho) a princípio não aparentam muita alteração, porém, quando sabe-se que o sistema respiratório e o plano nasal não se limitam apenas ao focinho, se suspeita nesses casos de alterações do trato respiratório. Na foto há aumento de volume, uma massa. Para esses pacientes é necessária uma radiografia de face para ver se é uma massa, se há lise óssea, etc. Se for confirmado a massa, é necessário uma ultrassonografia abdominal e radiografia do tórax para ver se há metástase. Se foi confirmado uma massa e não há metástase, é necessária uma citologia ou histopatologia (biopsia) para saber se é um tumor benigno ou maligno e que tipo de tumor é. Esse paciente provavelmente vai ter dificuldade de se alimentar, de visão, etc. [Principais Rinopatias] [ Neoplasias [ Corpo estranho [ Estenose → Quando há diminuição da narina gerando redução da passagem do fluxo do ar. Isso acontece naturalmente nas raças braquicefálicas. [ Rinite, que é a inflamação da mucosa nasal [ Sinusite que é inflamação dos seis nasais [ Infecção fúngica [ Infecção bacteriana [ Parasitaria [ Inflamatória [ Alérgica → Pacientes que tem atopia podem ter espirros [Tumores Nasais] A maioria dos tumores que acometem sistema respiratório de cães e gatos são malignos. Porém, as metástases são raras. Esses tumores são bem agressivos então muitas vezes não há tempo do animal apresentar metástase. Eles correspondem a 1% dos tumores na medicina veterinária. O Carcinoma é o tumor maligno mais comum junto ao Fibrossarcoma e Sarcoma. Os tumores nasais ocorrem em maior número em grandes cidades pois os cães e gatos que vivem em grandes cidades vão mais ao veterinário e fazem exames complementares, conseguindo fechar o diagnóstico. 32 Diagnóstico por análise de imagem DIAGNÓSTICO POR ANÁLISE DE IMAGEM MARIA LUIZA BORGES BARRETO Os tumores benignos que acometem os animais no trato respiratório são fibroma, TVT e papiloma. A maioria dos animais que apresentam são acima de 10 anos, considerado idosos. Importante não descartar a possibilidade de tumor em animais jovens. Se o tumor for na porção dorso caudal vai ter uma rápida proliferação de microrganismos e será altamente invasivo, podendo atingir cavidade oral, região ocular, região encefálica. E assim, causando metástases nos linfonodos. [Pólipos Nasais] Os pólipos nasais são espessamentos focais de tecidoda mucosa nasal. O pólipo é quando a mucosa nasal terá um espessamento localizado. A passagem do ar antes do pólipo passava em toda a região entre as mucosas e após o pólipo, ela terá uma passagem reduzida. Logo, haverá estenose/estreitamento. Normalmente os pólipos são pedunculados (a base que liga ele na mucosa é uma base bem pequena e estreita). O pólipo séssil é quando o pólipo tem uma base mais larga, ele está mais aderido, sendo mais difícil de ser removido cirurgicamente. Normalmente é unilateral e aparece em animais de 3 a 14 anos. Eles podem fazer uma obliteração da passagem nasal. Quando há redução do fluxo nasal na região, pode haver um acumulo de secreção. Isso irá facilitar a proliferação de fungo, bactéria. Ou seja, pode haver a presença de microrganismos patogênicos. Pode gerar uma sinusite bacteriana. [Rinite Bacteriana] A rinite bacteriana que afeta os cães vão ser: Bordetella bronchiseptica ou Mycoplasma sp. Se for a primeira vez que o animal está tendo a rinite bacteriana (rinite primária), ele provavelmente irá responder ao antibiótico. Qual será o antibiótico de escolha? Antibiótico de eleição para trato respiratório como Amoxicilina com Clavulanato (parte respiratório inferior) e Azitromicina (parte respiratório superior). O mais adequado é coletar material da secreção, encaminhar para o laboratório para realizar o exame de cultura e antibiograma, assim vai saber qual bactéria tem e qual antibiótico será utilizado. Quando está lidando com problemas secundários (recidivas) tem que tentar solucionar a causa de base (as vezes há um pólipo). Pode fazer uma Rinoscopia para visualizar dentro da cavidade nasal para saber se há algo como pólipo, tumor, presença de corpo estranho. Pode até coletar material para mandar para biopsia pela Rinoscopia. [Rinite Fúngica] É comum sendo que 34% das doenças nasais crônicas são por conta de fungos. Acomete mais mesaticéfalos e dolicocéfalos Aspergillus sp; Criptosporidium sp.; Penicillium sp; são os agentes mais comuns que causam a rinite fúngica. Os animais aspiram os esporos e se o animal for imunossuprimido, ele terá uma colonização oportunista. O fungo se aloja, o sistema imunológico não consegue combater e ele se prolifera, colonizando. Quando entra com o endoscópio dentro do nariz (paciente anestesiado, dentro do centro cirúrgico), visualiza-se colônias de aspecto aveludado podendo ser de coloração branca, cinza, esverdeada, etc. O paciente pode apresentar uma secreção mucopurulenta (pode haver bactérias como infecção secundária), pode haver também mucosa hiperêmica. 33 Diagnóstico por análise de imagem DIAGNÓSTICO POR ANÁLISE DE IMAGEM MARIA LUIZA BORGES BARRETO [Rinite Parasitária] A literatura diz que é raro na América do Sul pois muita gente não fecha diagnostico. Ela é ocasionada por um ácaro branco, pequeno com cerca de 1mm de diâmetro. Ele é chamado de Pneumonyssoides caninum. Vai habitar a nasofaringe, a cavidade nasal e os seios frontais. Pode ser carreado pelos países no mundo por conta da globalização. Basta um único animal infectado podendo disseminar para outros animais. [Rinite Inflamatória] É a rinite linfoplasmocítica. Ela pode ser um processo apenas inflamatório, sem agente infeccioso. Pode ser do tipo aguda ou crônica. Na crônica vai haver uma área bem hiperêmica, avermelhado com infiltrado linfoplasmocítico predominante. Quando entra com endoscópio é possível visualizar a coloração da mucosa, podendo ver secreção bilateral, mucoide, edema, hiperemia. A mucosa pode estar rugosa e pode haver destruição ou atrofia dos turbinados. [Rinite Secundária a afecção dental] É muito comum na rotina por mais que a odontologia veterinária esteja sendo difundida. Ocorre em animais em que os tutores não fazem uma profilaxia dentária e uma higienização adequada. Prolifera bactéria que formam os cálculos dentais, sendo necessário anestesiar o paciente e muitas vezes arrancar os dentes pela proliferação bacteriana. É normal apresentar gengivite, fistulas (bactérias presentes na maxila permitindo a translocação bactéria até a cavidade nasal, gerando rinite bacteriana) e abcessos dentários. [Corpo Estranho Nasal] Os animais são seres irracionais então é muito comum ocorrer. Ocorre principalmente em filhotes e animais mais curiosos. O sinal clinico é agudo e em seis horas ele apresenta incomodo, secreção, coceira no nariz. É comum ver grama, graveto, feijão, insetos, etc. A Rinoscopia é de fácil identificação. Pode ter muita secreção (em consequência ao processo inflamatório) encobrindo então é necessário lavar para limpar a secreção e visualizar o corpo estranho. [Radiografias] [ Baixo custo [ Fácil acesso [ Exame rápido [ Realizado sem sedação na maioria das vezes, porém para radiografia de crânio é melhor haver a sedação para evitar a sobreposição das estruturas ósseas e visualizar melhor. [ Posicionamento difícil 34 Diagnóstico por análise de imagem DIAGNÓSTICO POR ANÁLISE DE IMAGEM MARIA LUIZA BORGES BARRETO [ Sobreposição de estruturas ósseas [ Radiografia deve sempre preceder a Rinoscopia → Quando faz a Rinoscopia entra com um endoscópio dentro do nariz e é normal o sangramento nasal durante a Rinoscopia. Para isso, é feito uma lavagem e retirada do liquido, mas acaba sempre ficando um resquício de liquido. Se fizer a radiografia depois da Rinoscopia vai haver acumulo de liquido e não vai saber se o paciente tinha acumulo de liquido antes ou se foi resquício da Rinoscopia. [Rinoscopia] [ Amplo crescimento [ Permite um grande detalhamento das lesões [ Permite inspeção direta da cavidade nasal [ Minimamente invasivo, porém necessário a sedação [ Custo menor que a tomografia e ressonância magnética [ Rinoscópio → Há o endoscópio rígido e o flexível. Com o rígido é possível avaliar a parte mais anterior da cavidade nasal (acesso limitado a cavidade) e com o flexível consegue avaliar toda a cavidade nasal. O flexível é móvel e é possível realizar a manobra em J onde a ponta do endoscópio consegue virar e ir em direção até a nasofaringe. Logo, com o flexível é possível avaliar uma maior região. [ É possível fazer captura de imagens [ Definir o grau de severidade das lesões [ Distinguir a origem das rinopatias [ Visualizar se há atrofia ou destruição de turbinados [ Se há desvio/destruição de septo nasal [ Detecção de formação polipoides/neoplasias etc [Preparo] [ Decúbito esternal/dorsal [ Necessária sedação/anestesia geral [ Importância de exames prévios [ Abordagem bilateral mesmo tendo alteração apenas unilateralmente [ Começar sempre pela narina menos acometida → Se começar pela mais acometida e a narina estiver sangrando, vai ter dificuldade de visualizar e se o sangramento aumentar, vai necessário interromper o exame antes de visualizar as duas narinas. [ Paramentação → Luva e mascara [ Fórceps endoscópios → É usado para retirar algum fragmento e utilizando o fórceps causa menor sangramento do que a pinça anatômica. [ Pra evitar sangramento → Importante lubrificar o endoscópio e injetar uma solução salina fria pelo canal do instrumento para causar vasoconstrição [ Estancar sangramento → Infundir dentro do nariz adrenalina 1% diluída com soro fisiológico gelado para fazer vasoconstrição periférica. [ Otoscópio → Pode ser utilizado para avaliar o nariz, mas não é recomendado pois ele é rígido e curto. [ Rinoscopia anterior → Avaliação do septo nasal, meato nasal comum dorsal/médio/ventral, concha nasal ventral e dorsal, etnoturbinados. Com o flexível é possível avaliar todas essas regiões