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CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA (Daniel Rocha de Almeida) Formado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado do Amazonas – UEA. 2022.2. Especialista em Auditoria e Controladoria pela Universidade do Estados do Amazonas em 2023. Atuei no Tribunal de Contas do Amazonas, e atualmente sou instrutor no Centro de Ensino Literatus. Objetivos ou expectativas de aprendizagem: ● Identificar o caráter normativo da legislação tributária e seu processo de taxação, penalização, isenção, suspensão e deferimento de impostos, assim como: período base, período fiscal, depósitos e correções de valores. ● Utilizar os princípios e normas do sistema constitucional tributário e da legislação tributária como parâmetros na execução de decisões da organização. ● Compreender a legislação tributária e os tipos de tributos incidentes na atividade operacional. ● Verificar os créditos e débitos tributários e os prazos para atendimento das obrigações tributárias. Tópicos a serem abordados na disciplina de Contabilidade Tributária: UNIDADE I - NOÇÕES INTRODUTÓRIAS DE DIREITO TRIBUTÁRIO • Introdução ao direito tributário – Conceitos, função e objetivos. • Repartição de competências tributárias. • Fontes e Espécies do direito tributário. UNIDADE II - LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA • Continuação Fontes e Espécies do direito tributário. • Legislação tributária: CTN, Normas principais e complementares. • Processo administrativo tributário. • Código de processo fiscal. • Escrituração de livros fiscais, apuração e recolhimento de tributos. • Legislação fiscal-tributária – Incidência, Contribuinte, alíquotas, base de cálculo, isenções, infrações e penalidades. UNIDADE III - TRIBUTOS SOBRE O VALOR AGREGADO E INCIDENTES SOBRE O FATURAMENTO • Tributos sobre o valor agregado: IPI – Imposto sobre produtos industrializados. ICMS – Imposto sobre circulação de mercadoria e serviço. • Tributos incidentes sobre o faturamento: ISS – Imposto sobre serviço de qualquer natureza. UNIDADE IV - PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO • PIS – Programa de integração social. COFINS – Contribuição para financiamento da seguridade social. • Tributos incidentes sobre o resultado: IRPJ – Imposto de renda das pessoas jurídicas. CSLL – Contribuição social sobre o lucro líquido. • Noções de planejamento tributário: Formas de tributação das pessoas jurídicas (Lucro real, presumido, arbitrado, simples). INTRODUÇÃO Você sabia que a Contabilidade Tributária é um dos instrumentos mais importantes para o gestor das organizações empresariais no que diz respeito a organização de tributos, pois ela fornece dados de forma organizada e de fácil entendimento, para que as decisões sejam tomadas de forma correta e respeitando a legislação pertinente? A Contabilidade Tributária é uma área da contabilidade que se concentra na gestão dos aspectos fiscais e tributários de uma empresa. Ela envolve o registro, a organização e a análise das transações financeiras para garantir o cumprimento das obrigações fiscais e a otimização dos tributos a serem pagos. Na prática, os profissionais que atuam nessa área precisam conhecer, por exemplo, as leis tributárias e regulamentações fiscais em vigor. Em seguida, devem entender como cada uma delas são aplicadas dentro do modelo de negócio de uma empresa para evitar penalidade e maximizar os benefícios fiscais. O objetivo da contabilidade tributária é garantir que a empresa esteja em conformidade com as obrigações fiscais. Isso significa não apenas pagar os impostos corretamente, por exemplo, mas também procurando identificar oportunidades para minimizar a carga tributária do negócio. Por fim, a contabilidade tributária ajuda a tornar a empresa mais eficiente do ponto de vista administrativo. Afinal, quando bem feita, ela garante toda a organização e padronização dos registros contábeis e fiscais, facilitando o controle das informações financeiras da empresa e ajudando na tomada de decisão. Ao longo deste curso você vai mergulhar neste universo, e compreender melhor essa ferramenta tão importante para o sucesso das organizações atuais. UNIDADE I NOÇÕES INTRODUTÓRIAS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Objetivo: Esta unidade tem como objetivo apresentar os conceitos introdutórios da Contabilidade Tributária, sua função e objetivo para as organizações, fontes de espécies do direito tributário e repartição de competências tributárias. 1.I ntrodução ao Direito Tributário - Conceito De acordo com Luciano Amaro: “(...) o direito tributário é a disciplina jurídica dos tributos. Com isso se abrange todo o conteúdo de princípios e normas reguladoras da criação, fiscalização e arrecadação das prestações de natureza tributária.” O art. 4º do CTN (Código Tributário Nacional) evidencia que o destino da arrecadação é irrelevante para definir a natureza jurídica de um tributo. Tal tema é tratado de forma aprofundada pelo Direito Financeiro. Outra característica do Direito Tributário que você precisa guardar é que se trata de um ramo autônomo do Direito. Isso ocorre, porque tal ramo possui princípios específicos próprios, como o princípio do não confisco. O direito tributário é considerado um ramo do direito público. 1.1 Receitas Públicas Com a evolução das sociedades, tornou-se necessária a instituição de um Estado, que coordenasse as ações em prol do interesse coletivo, pois tal tarefa seria impossível de ser realizada individualmente. Cada pessoa possui seus interesses particulares, que podem ser desfavoráveis à construção de um determinado bem público, por exemplo. Ao construirmos um hospital, certamente precisaremos de dinheiro, concorda? Então, há duas formas de o Estado conseguir o dinheiro. São as chamadas receitas originárias e receitas derivadas. As receitas originárias são auferidas com base na exploração do patrimônio do Estado, por meio de aluguéis ou mesmo por empresas estatais, que não se confundem com o próprio Estado, por possuírem personalidade jurídica própria. São as chamadas empresas públicas e sociedades de economia mista. A principal característica desse tipo de receita é que, além de originar do patrimônio do próprio Estado, ela também pode ser auferida por particulares - cite-se o exemplo dos contratos de aluguéis. Da mesma forma que o Estado pode locar um terreno a outra pessoa, um particular também pode fazê-lo. Também podemos mencionar a exploração de atividade econômica pelo Estado. Justamente por esse motivo, as receitas originárias estão sujeitas ao regime do direito privado. Isso ocorre, pois o Estado não se reveste de seu poder de império para coagir as pessoas a pagarem. O vínculo obrigacional surge com um contrato, que é feito por livre e espontânea vontade da outra parte, que geralmente é um particular. Por outro lado, as receitas derivadas têm origem no patrimônio do particular e entram nos cofres públicos por meio de coação ao indivíduo. Por estarem sujeitas ao regime jurídico de direito público, o Estado pode exigi-las com base no poder de império que lhe é conferido pelo próprio povo, tendo em vista os interesses da coletividade. Podemos perceber que os tributos são típicas receitas derivadas, pois,sobre o faturamento: ICMS – Imposto sobre Circulação sobre serviços de qualquer natureza. 3. Tributos Sobre o Valor Agregado 3.1 IPI - Imposto Sobre Produtos Industrializados Certamente, você já ouviu falar de notícias como “Governo reduz IPI sobre automóveis”. Também já deve ter percebido que o mercado normalmente se aquece diante de uma redução tributária dessas, não é mesmo? Trata-se do efeito extrafiscal do IPI. Embora seja um tributo de considerável arrecadação tributária, não se pode desprezar o seu efeito sobre a intervenção na economia do País. No que se refere aos princípios aplicáveis, não obstante seja exceção ao princípio da anterioridade do exercício, sujeita-se ao princípio da noventena. Ou seja, qualquer majoração do IPI somente produz efeitos 90 dias após a publicação do decreto de alteração. A Constituição Federal (CF/88) estabeleceu no art. 153, §3º, os seguintes regramentos para o IPI: Primeiramente, temos que saber que o IPI será necessariamente seletivo. Mas o que vem a ser a seletividade? A seletividade é a graduação das alíquotas do imposto conforme a essencialidade dos produtos tributados. Ou seja, produtos essenciais recebem tributação inferior aos produtos supérfluos. Logo, o arroz será tributado com alíquota inferior aos brinquedos, por exemplo. A não cumulatividade, por sua vez, diz respeito à possibilidade de se compensar o imposto devido nas etapas anteriores de uma cadeia de produção com o montante devido nas operações subsequentes, constituindo o mecanismo de débitos e créditos. Esse conceito já deve ser familiar, certo? Imagino que sim. Figura 08: Imposto Sobre Produtos Industrializados - IPI. Fonte: https://dev.mennoinst.astrusweb.dataware.com.br/blog/o-que-e-ipi-2/. Há ainda no inciso III do § 3º do art. 153 uma imunidade específica do IPI, relativa às operações de exportações. Nesse sentido, o IPI não incide sobre produtos industrializados destinados ao exterior! Com o advento da EC 42/03, foi acrescentado o inciso IV ao § 3º do art. 153, da CF/88, passando a prever que o IPI terá reduzido seu impacto sobre a aquisição de bens de capital pelo contribuinte do imposto, na forma da lei. Trata-se de um incentivo concedido àqueles que adquirirem os denominados bens de capital, com a finalidade de promover o desenvolvimento econômico. 3.1.1 Fato Gerador No tocante ao estudo do fato gerador do IPI, vejamos o que diz o art. 46 do CTN (Código Tributário Nacional): 3.1.2 Base de Cálculo Vimos que há três fatos geradores para o IPI, correto? Para cada um desses fatos geradores, o CTN estabeleceu uma base de cálculo específica. Vamos ver o que diz o art. 47 do CTN: Tratando-se de operação de importação de produtos, ocorre o fato gerador do IPI com o desembaraço aduaneiro, sendo que a base de cálculo é o preço normal (ou valor aduaneiro), que é a própria base de cálculo do II, acrescentada do montante do próprio II, das taxas exigidas para entrada do produto no País, bem como dos encargos cambiais efetivamente pagos pelo importador ou dele exigíveis. No caso de saída dos produtos industrializados nacionais dos estabelecimentos, a base de cálculo é o valor da operação da qual decorrerá a saída da mercadoria, incluídos neste valor: o preço do produto, o valor do frete e as demais despesas acessórias. Na falta desse valor, a base de cálculo será o preço corrente da mercadoria ou sua similar, no mercado atacadista (não é varejista) da praça do remetente (não é do destinatário). Por fim, no caso de produtos apreendidos ou abandonados e levados a leilão, a base de cálculo é o preço da arrematação. 3.1.3 Contribuintes Quanto aos contribuintes do IPI, não há segredos, as pessoas estão elencadas no art. 51 do CTN: Art. 51. Contribuinte do imposto é: I - o importador ou quem a lei a ele equiparar; II - o industrial ou quem a lei a ele equiparar; III - o comerciante de produtos sujeitos ao imposto, que os forneça aos contribuintes definidos no inciso anterior; IV - o arrematante de produtos apreendidos ou abandonados, levados a leilão. 3.1.4 Lançamento Da mesma forma como a grande maioria dos impostos, o IPI é lançado por homologação. 3.2 ICMS - Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços Vamos estudar, a partir de agora, o imposto que possui a maior arrecadação do País. O fato de a competência tributária, para instituir esse importante imposto ter sido delegada aos Estados e ao Distrito Federal, gerou a necessidade de se estabelecer diversas regras, a fim de evitar a disputa entre os entes federados pela arrecadação do ICMS (guerra fiscal). Inicialmente, podemos afirmar que o ICMS é um imposto com nítida finalidade fiscal, até porque é a principal fonte de receita dos Estados. Além disso, trata-se de um tributo real – incidente sobre “coisas”, independentemente das características subjetivas dos contribuintes, sendo também considerado proporcional, pois suas alíquotas não variam em função da base de cálculo. Destacamos, ainda, duas características que a CF atribuiu ao ICMS: não cumulatividade e seletividade, sobre as quais falaremos nos subtópicos a seguir. 3.2.1 Não Cumulatividade Sabe-se que o ICMS é, como regra, um tributo plurifásico, ou seja, incide sobre todas as etapas de circulação das mercadorias. A incidência plurifásica do ICMS tem, por consequência, o princípio da não cumulatividade (da mesma forma como ocorre com o IPI), nos termos do art. 155, § 2º, I. Segundo tal princípio, compensa-se o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado. Vamos trazer para nossa aula um exemplo prático! Vamos imaginar uma cadeia produtiva, com os elementos inseridos no esquema a seguir: Figura 09: Exemplo de uma cadeia produtiva. Fonte: Estratégia Concursos, 2023. Veja que ocorre a circulação de mercadorias em três momentos, havendo, por conseguinte, três incidências de ICMS, por conta da incidência plurifásica do imposto. Digamos que a indústria venda seus produtos pelo preço de R$100,00 ao distribuidor, que, por sua vez, revende ao estabelecimento varejista por R$200,00. Este, por fim, revende ao consumidor final os produtos pelo preço de R$300,00. Suponhamos, ainda, que a alíquota de ICMS seja de 18% em todos os casos. Vejamos como seria a incidência cumulativa do ICMS: Tabela 3: Exemplo Incidência Cumulativa ICMS. INCIDÊNCIA CUMULATIVA INCIDÊNCIA ALÍQUOTA PREÇO DE VENDA IMPOSTO DEVIDO Incidência 1 18% R$ 100,00 R$ 18,00 Incidência 2 18% R$ 200,00 R$ 36,00 Incidência 3 18% R$ 300,00 R$ 54,00 TOTAL R$ 108,00 Fonte: Estratégia Concursos, 2023. Perceba que no total foi recolhido R$108,00 de ICMS, pois nada do que foi pago nas etapas anteriores pôde ser compensado. Bom, vejamos, então, como funciona a incidência não cumulativa: Tabela 4: Exemplo Incidência Cumulativa ICMS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA INCIDÊNCIA ALÍQUOTA PREÇO DE VENDA IMPOSTO DEVIDO Incidência 1 18% R$ 100,00 R$ 18,00 Incidência 2 18% R$ 200,00 R$ 36,00-R$ 18,00 = R$ 18,00 Incidência 3 18% R$300,00 R$ 54,00-R$ 36,00 = R$ 18,00 TOTAL R$ 54,00 Fonte: Estratégia Concursos, 2023. Percebe-se que, o que foi tributado na etapa anterior, pôde ser compensado na etapa seguinte da cadeia, produzindo, ao final, o mesmo imposto que incidiria caso houvesse apenas uma única etapa (a última), pois R$300 x 18% = 54,00. Entendido? Então, quando o distribuidor, por exemplo, adquire as mercadorias, ele tem o direito de se creditar do valor que já foi pago de ICMS pela indústria. No momento da revenda, ele deve debitar o valor total, recolhendo apenas a diferença. Esse é o mecanismo de débitos e créditos. Com base nos exemplos fornecidos, é possível perceber que quem acaba por assumir o encargo financeiro do imposto incidente sobre toda a cadeia é o consumidor final. Portanto, pode-se dizer que o ICMS é um tributo indireto, pois quem sofre o ônus tributário não é a mesma pessoa que efetua o recolhimento do imposto. 3.2.2 Seletivo Outra característica do ICMS é possibilidade de ser seletivo, isto é, poderá ou não ser seletivo, em função da essencialidade das mercadorias e dos serviços (art. 155, § 2º, III). Conferir caráter seletivo ao ICMS significa tornar sua incidência inversamente proporcional ao grau de essencialidade das mercadorias e serviços. Assim, mercadorias supérfluas (menos essenciais) sofreriam tributação com alíquotas mais elevadas! Mas, lembre-se, trata-se de um critério facultativo, no que diz respeito ao ICMS. Normalmente, os Estados fixam uma alíquota básica do ICMS, para as operações em geral, e estabelecem algumas alíquotas específicas para determinados produtos. O que o STF decidiu é que serviços essenciais, como telecomunicações e fornecimento de energia elétrica, não podem sofrer uma carga tributária mais elevada que as demais operações, em contraponto com o que prevê a regra da seletividade. Seguindo essa linha do posicionamento do STF, outro ponto relevante a ser destacado neste tópico é a inclusão do art. 18-A à redação do Código Tributário Nacional, referindo-se ao ICMS, como se observa abaixo: O dispositivo classifica os combustíveis, o gás natural, a energia elétrica, as comunicações e o transporte coletivo como bens e serviços essenciais e indispensáveis. Por essa razão, tais bens e serviços não podem ter alíquotas de ICMS superiores àquela fixada para as operações em geral. Permite ainda que o ente federativo reduza as alíquotas do ICMS em relação a tais bens e serviços, com o objetivo final de beneficiar os consumidores em geral. E também veda a fixação de alíquotas reduzidas para os combustíveis, a energia elétrica e o gás natural em percentual superior ao da alíquota atualmente aplicável, à data da publicação da LC 194/22. 3.2.3 Fato Gerador Primeiramente, vamos desmembrar o que está disposto no art. 155, II da CF/88, no momento em que o legislador constituinte afirmar sobre “o quê” incidirá o ICMS. Vejamos: Devemos saber que o conceito de mercadorias está atrelado aos bens móveis relacionados a uma finalidade comercial. O conceito de circulação, por sua vez, está relacionado à circulação jurídica da mercadoria, e não a mera movimentação física, de um lugar para outro. Assim, deve haver mudança de propriedade para que se caracterize o fato gerador do ICMS. Partindo-se do mesmo pressuposto, podemos dizer que também não constitui fato gerador do ICMS o deslocamento de mercadoria de um para outro estabelecimento da mesma pessoa jurídica. Destaque-se que a LC 87/96 estabeleceu como contribuintes as pessoas físicas ou jurídicas que realizem com habitualidade ou em volume que caracterize intuito comercial as operações descritas no art. 155, II, da CF/88. Com base no exposto, pergunto: se você vende o seu computador antigo em um site na internet, para adquirir uma máquina nova, de última geração, a venda do seu PC estaria sujeita ao ICMS? Certamente não! Afinal de contas, trata-se de uma venda esporádica. Retornando ao campo de incidência do ICMS, além das mercadorias, o imposto também incide sobre a prestação de serviços, sejam eles de transporte ou de comunicação. No tocante aos serviços de transporte, há que se ressaltar que a incidência do ICMS ocorre em relação aos transportes interestaduais e intermunicipais, não havendo incidência de ICMS sobre serviços de transportes intramunicipais. 3.2.4 Base de Cálculo Em relação à base de cálculo do ICMS, o legislador constituinte estabeleceu o seguinte (art. 155, § 2º, XII, i da CF/88): De antemão, é necessário entender que o dispositivo constitucional quis dizer que: a base de cálculo do ICMS integra o montante do próprio imposto. Trata-se da denominada tributação “por dentro”, em que o valor do tributo já se encontra embutido no valor das mercadorias. Vamos ver um exemplo? Determinada empresa vende um celular por R$1.000,00, incidindo sobre 20% de ICMS sobre a operação. Nesse caso, o valor do ICMS é de R$200,00, sendo que este já está embutido no valor total da operação. Ou seja, R$800,00 é o valor do celular e R$200,00 equivale ao montante devido a título de ICMS. Repare que se o imposto não integrasse a sua própria base de cálculo (tributação “por fora”), o valor devido seria de R$800,00 x 20% = R$160,00, pois incidiria apenas sobre a mercadoria, que custa R$800,00. Obedecendo ao comando constitucional (de que lei complementar define a base de cálculo dos impostos), a LC 87/96 estabeleceu a base de cálculo do ICMS. Grosso modo, a base de cálculo do imposto é o valor da operação ou o preço do serviço prestado. Há ainda outra disposição na CF/88 sobre a base de cálculo do ICMS (art. 155, § 2º, XI): A interpretação da citada norma é a de que o IPI não integrará a base de cálculo do ICMS, quando ocorrer cumulativamente as seguintes situações: 1. Operação realizada entre contribuintes; 2. Relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização; 3. Que configure fato gerador dos dois impostos (IPI e ICMS). Um exemplo prático seria a comercialização de mercadorias de uma indústria para um estabelecimento comercial (contribuintes do ICMS), pois ocorre o fato gerador do ICMS e do IPI. 3.2.5 Alíquotas Para entender os próximos assuntos que estudaremos acerca do ICMS, é necessário entender um pouco sobre as alíquotas desse imposto. Como o ICMS é um tributo de competência estadual, há dois tipos de alíquotas, quais sejam: internas (aplicáveis sobre operações dentro de um mesmo Estado) e interestaduais (aplicáveis em operações destinadas a outros Estados). Assim sendo, faremos uma análise individual, para que você possa compreender com mais facilidade. 3.2.5.1 Alíquotas Interestaduais No que se refere às alíquotas interestaduais, aplica-se o disposto no art. 155, § 2º, IV, da CF/88: Vamos esquematizar: Tabela 5: Alíquotas Interestaduais ICMS. ESTABELECIMENTO DE ALÍQUOTAS INTERESTADUAIS Ato Normativo Resolução do Senado Federal Iniciativa Pres. da República ou 1/3 Senadores AprovaçãoMaioria absoluta de Senado Federal Fonte: Elaborado pelo autor com base na CF, 2023. Antes de prosseguir, é importante que você entenda os exemplos seguintes: as alíquotas interestaduais, em regra, são inferiores às alíquotas internas. Vamos continuar. Nas operações internas, ou seja, em que há circulação de mercadorias dentro do território de determinado Estado, o ICMS será calculado com base na alíquota interna daquele Estado. Isso é bastante lógico, não é mesmo? Contudo, nas operações interestaduais, isto é, quando a mercadoria é remetida de um Estado para outro, algumas particularidades tomam relevância e devem ser estudadas. Quais são elas? 1. Mercadoria remetida a outro Estado, com o objetivo de ser revendida pelo adquirente. 2. Mercadoria remetida a outro Estado, com o objetivo de ser consumida pelo adquirente, sendo este contribuinte do ICMS. 3. Mercadoria remetida a outro Estado, com o objetivo de ser consumida pelo adquirente, não sendo este contribuinte do ICMS. Vamos entender por meio de exemplos: A empresa FD Ltda ., localizada em São Paulo, realiza três vendas para o Estado de Minas Gerais. Os adquirentes possuem as seguintes características: Adquirente A – Pessoa jurídica (contribuinte do ICMS) que adquire mercadorias para revenda. Adquirente B – Pessoa jurídica (contribuinte do ICMS) que adquire mercadorias como consumidor final, para o seu próprio consumo. Adquirente C – Pessoa física (não contribuinte do ICMS) que adquire mercadorias para o seu próprio consumo. É, portanto, consumidor final. Para facilitar a sua compreensão, vamos supor os seguintes dados hipotéticos: ➔ Alíquota Interestadual (SP-MG) – 10%. ➔ Alíquota Interna de SP – 15%. ➔ Alíquota Interna de MG – 20%. Tabela 6: Exemplo Incidência de alíquotas. Operação Preço de Venda Operação Preço de Venda FD → A R$ 100,00 A → Terceiros R$ 200,00 FD → B R$ 100,00 - - FD → C R$ 100,00 - - Fonte: Elaborado pelo autor com base no Livro - Contabilidade Tributária 1ª Edição,, 2023. No caso do Adquirente A, como se trata de aquisição para revenda, haverá aplicação da alíquota interestadual, cabendo o ICMS no valor de R$10,00 (10% x 100,00) ao Estado de São Paulo. Posteriormente, quando da revenda a terceiros, por R$200,00, o Adquirente A irá calcular o ICMS com base na alíquota interna do Estado de MG (20% x 200,00), o que daria R$40,00 a recolher. Lembre-se, no entanto, que a empresa adquirente faz jus ao crédito do valor devido na etapa anterior, de sorte que o montante a ser recolhido será apenas de R$30,00 (40,00 – 10,00). Nos casos dos Adquirentes B e C, a situação torna-se um pouco mais complexa, razão pela qual iremos transcrever o disposto no art. 155, § 2°, VII, da CF/88, com redação dada pela EC 87/2015: Veja que o inciso VII se aplica tanto ao Adquirente B (consumidor final contribuinte do ICMS), como ao Adquirente C (consumidor final não contribuinte do ICMS). Logo, em ambos os casos, aplica-se a alíquota interestadual, cabendo o ICMS daí decorrente ao Estado remetente, e ao Estado de localização do destinatário (Adquirente B ou C) cabe o ICMS correspondente à diferença entre a alíquota interna do Estado destinatário e a alíquota interestadual (20% - 10%). Em termos numéricos, nas duas situações, o ICMS devido ao Estado de SP seria de R$ 10,00 (10% x 100,00), e ao Estado de MG caberia o ICMS no valor de R$ 10,00, já que a diferença entre a alíquota interna de MG e a alíquota interestadual (SP-MG) seria de 10% (20 – 10). Entenda que a ideia do legislador foi a seguinte: se o destinatário é contribuinte do ICMS, ele possui aparato contábil e administrativo para promover o recolhimento do imposto. Por esse motivo, foi eleito responsável por essa obrigação. Relativamente ao destinatário não contribuinte do ICMS, como não possui estrutura para efetuar o recolhimento, como é o caso de uma pessoa física, por exemplo, o constituinte derivado definiu como responsável o próprio remetente da mercadoria. 3.2.5.1 Alíquotas Internas Agora que já aprendemos como funcionam as operações interestaduais e as alíquotas a elas aplicáveis, vejamos o que a CF/88 diz acerca das alíquotas internas (art. 155, § 2º, V e VI): V - é facultado ao Senado Federal: a) estabelecer alíquotas mínimas nas operações internas, mediante resolução de iniciativa de um terço e aprovada pela maioria absoluta de seus membros; b) fixar alíquotas máximas nas mesmas operações para resolver conflito específico que envolva interesse de Estados, mediante resolução de iniciativa da maioria absoluta e aprovada por dois terços de seus membros; VI - salvo deliberação em contrário dos Estados e do Distrito Federal, nos termos do disposto no inciso XII, "g", as alíquotas internas, nas operações relativas à circulação de mercadorias e nas prestações de serviços, não poderão ser inferiores às previstas para as operações interestaduais; Assim, perceba que a competência do Senado Federal é facultativa. Além disso, somente estabelece os limites mínimos e máximos das alíquotas internas, sendo que, nesse intervalo, cada Estado determina suas alíquotas, respeitados os princípios constitucionais (legalidade, irretroatividade, anterioridade, noventena etc.). Resumindo: Tabela 7: Alíquotas Mínimas e Máximas. ESTABELECIMENTO DE ALÍQUOTAS INTERNAS MÍNIMAS Ato Normativo Resolução do Senado Federal Iniciativa 1/3 Senadores Aprovação Maioria absoluta do Senado Federal ESTABELECIMENTO DE ALÍQUOTAS INTERNAS MÁXIMAS Ato Normativo Resolução do Senado Federal Iniciativa Maioria absoluta do Senado Federal Aprovação 1/3 Senadores Fonte: Elaborado pelo autor com base na CF, 2023. 3.2.6 Imunidades Relativas ao ICMS A primeira imunidade que vamos estudar refere-se às exportações. Assim preceitua o art. 155, § 2º, X, a: Duas observações devem ser feitas em relação à citada imunidade: é aplicável a quaisquer mercadorias e serviços destinados ao exterior. A segunda observação diz respeito à possibilidade de manter os créditos relativos ao que foi cobrado nas operações anteriores. Devemos sempre ter em mente que a desoneração do comércio exterior como pressuposto para o desenvolvimento nacional com a diminuição das desigualdades regionais. Outra imunidade relativa ao ICMS diz respeito às operações que destinem a outros Estados petróleo, inclusive lubrificantes, combustíveis líquidos e gasosos dele derivados, e energia elétrica. O objetivo do legislador constituinte foi evitar que os Estados produtores dessas mercadorias levassem uma grande vantagem arrecadatória, em detrimento daqueles que não possuem os mesmos recursos naturais. Não podemos nos esquecer da imunidade do ICMS sobre os livros, jornais e periódicos e o papel destinado à sua impressão. Trata-se da imunidade cultural, prevista no art. 150, VI, “d”, da CF/88. 3.2.7 Contribuintes Art. 4º da Lei 87/96: 3.2.8 Lançamento O ICMS é lançado por homologação, pois o sujeito passivo deve verificar, por meio do confronto dos créditos e débitos do período, a existência de imposto a ser recolhido, antecipando o pagamentosem prévio exame da autoridade administrativa. 3.3 Tributos Incidentes Sobre o Faturamento 3.3.1 ISS - Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza De acordo com o art. 156, III, da CF/88, compete aos Municípios instituir imposto sobre serviços de qualquer natureza, não compreendidos no campo de incidência do ICMS, desde que estejam definidos em lei complementar. A lei complementar define os serviços tributáveis pelo ISS. A instituição do tributo, todavia, ocorre por meio de lei ordinária municipal. Normalmente, os Municípios copiam a lista da lei complementar, exercendo plenamente a competência tributária. Antes de qualquer coisa, vamos relembrar quais são os serviços que foram compreendidos na competência tributária dos Estados, os quais não podem sofrer a incidência do ISS: • Serviços de transporte interestadual (entre dois Estados distintos) e intermunicipal (entre dois Municípios); • Serviços de comunicação (como a telefonia móvel, por exemplo). Desse modo, cabe observarmos que, em relação aos serviços de transporte, o ISS incidirá apenas sobre aqueles de caráter exclusivamente municipal. Os demais já foram compreendidos na competência tributária dos Estados. Continuando nossa análise sobre o ISS e a lei complementar, vamos nos dirigir ao § 3º, do art. 156, da própria CF/88, o qual atribuiu outras tarefas à lei complementar: Perceba que a autonomia dos Municípios no estabelecimento de regras sobre o ISS é um tanto limitada, haja vista as diversas regras a serem definidas na lei complementar federal. Dando continuidade ao nosso estudo, de acordo com o § 3º do art. 156, o legislador constituinte conferiu à lei complementar a capacidade de isentar as exportações de serviços para o exterior do ISS. Em cumprimento ao dispositivo constitucional, repare o que diz o art. 2º, I, da LC 116/2003: Por outro lado, o imposto incidirá, caso os serviços sejam desenvolvidos no Brasil, desde que tenham seus respectivos resultados verificados aqui, ainda que o pagamento seja feito por residente no exterior. É o que prevê o parágrafo único, do art. 2º, da LC 116/03. 3.3.2 Fato Gerador O fato gerador do ISS foi previsto no art. 1º da LC 116/2003: Como vimos no tópico anterior, o ISS incide sobre os serviços listados em lei complementar, desde que estejam fora do âmbito de incidência do ICMS. Um detalhe a ser esclarecido é que a LC não institui o ISS, sendo esta tarefa de cada Município, que a exerce por meio de lei ordinária, em face do princípio da legalidade, estampado no art. 150, I, da CF/88. Na lei instituidora, é permitido que os Municípios exerçam sua competência tributária por completo, isto é, discriminem todos os serviços estabelecidos na LC 116/03. No entanto, é possível também a previsão de apenas parte dos serviços listados. O que não pode haver é o estabelecimento de serviços que não constam na LC 116/03, sob pena de inconstitucionalidade. 3.3.3 Local de Incidência No que diz respeito ao município competente para tributar o ISS, dispõe o art. 3°, da LC 116/03, que, em regra, o serviço considera-se prestado e o imposto devido no local do estabelecimento prestador ou, na falta do estabelecimento, no local do domicílio do prestador. A própria norma conceitua “estabelecimento prestador” como sendo o seguinte: Com base no que foi exposto acima, deve ficar claro que nem sempre o ISS será devido ao Município onde estiver sendo prestado o serviço, pois, frise-se, o tributo cabe ao Município onde estiver situado o estabelecimento prestador ou o domicílio do prestador. Assim, se o estabelecimento estiver localizado no Município A, e prestar serviços a um tomador localizado no Município B, a regra é o ISS ser devido ao Município A. Como dito, essa é a regra geral, possuindo diversas exceções. 3.3.4 Base de Cálculo Sem muitas informações a serem detalhadas, basta ter em mente que a base de cálculo do ISS é o preço do serviço (LC 116/03, art. 7º). 3.3.5 Contribuintes De modo bastante simples, o art. 5º da LC 116/03 estatui que os contribuintes do ISS são os prestadores de serviço. Encerramos este tópico, destacando que é possível que o prestador do serviço (contribuinte do imposto) realize a atividade ensejadora da incidência do ISS em Município diverso daquele que constitui o seu domicílio. 3.3.6 Alíquotas Máximas e Mínimas do ISS No tocante à fixação de alíquotas máximas e mínimas, cumpre ressaltar que o objetivo foi evitar a tributação excessiva (alíquotas máximas) e também a guerra fiscal (alíquotas mínimas). Destaque-se que, foi fixada a alíquota máxima de 5% e mínima de 2% pela lei complementar. Vale lembrar que a fixação da alíquota mínima passou a ser prevista na LC 116/03, apenas com a alteração promovida pela LC 157/16, já que antes dessa norma o limite já existia, porém em regra transitória prevista no art. 88, do ADCT. A LC 157/16 ainda definiu que o ISS não será objeto de concessão de isenções, incentivos ou benefícios tributários ou financeiros, inclusive de redução de base de cálculo ou de crédito presumido ou outorgado, ou sob qualquer outra forma que resulte, direta ou indiretamente, em carga tributária menor que a decorrente da aplicação da alíquota mínima de 2%. Qual é o objetivo dessa vedação? Ora, como vimos, a regra é que o ISS seja devido ao Município onde estiver localizado o estabelecimento do prestador do serviço. Se não houvesse a referida restrição, a tendência seria de uma tremenda guerra fiscal, já que o objetivo dos Municípios seria manipular o valor do imposto por meio de incentivos fiscais com o objetivo de atrair os prestadores de serviços para o seu território. Tal vedação, entretanto, não se aplica aos seguintes serviços da lista anexa: 7.02 – Execução, por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, hidráulica ou elétrica e de outras obras semelhantes, inclusive sondagem, perfuração de poços, escavação, drenagem e irrigação, terraplanagem, pavimentação, concretagem e a instalação e montagem de produtos, peças e equipamentos (exceto o fornecimento de mercadorias produzidas pelo prestador de serviços fora do local da prestação dos serviços, que fica sujeito ao ICMS). 7.05 – Reparação, conservação e reforma de edifícios, estradas, pontes, portos e congêneres (exceto o fornecimento de mercadorias produzidas pelo prestador dos serviços, fora do local da prestação dos serviços, que fica sujeito ao ICMS). 6.01 - Serviços de transporte coletivo municipal rodoviário, metroviário, ferroviário e aquaviário de passageiros. 3.3.7 Lançamento A modalidade de lançamento a que está sujeito o ISS é por homologação, pois o contribuinte, a cada fato gerador, fica obrigado a calcular o valor do imposto devido e antecipar o pagamento sem o prévio exame da autoridade administrativa. UNIDADE III Questões Objetivas 1. A respeito do imposto sobre produtos industrializados, é correto afirmar com base na Constituição Federal que a) será seletivoem função da essencialidade do produto. b) incidirá também nas operações de venda destinadas ao exterior. c) será progressivo e terá suas alíquotas fixadas de forma a desestimular a manutenção de plantas industriais improdutivas. d) será informado pelos critérios da generalidade, da universalidade e da não cumulatividade. e) terá majorado seu impacto na aquisição do exterior de bens de capital pelo contribuinte. 2. O princípio da não cumulatividade referente ao ICMS pretende a: a) cumulatividade do tributo, prescrevendo a compensação do que for cobrado em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante devido nas anteriores pelo mesmo ou outro Município. b) não cumulatividade do tributo, prescrevendo a compensação do que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante efetivamente pago nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal. c) não cumulatividade do tributo, prescrevendo a compensação do que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante efetivamente pago nas anteriores pelo mesmo ou outro Município. d) não cumulatividade do tributo, prescrevendo a compensação do que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal. e) não cumulatividade do tributo, prescrevendo a compensação do que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores exclusivamente pelo mesmo Estado ou Distrito Federal. 3. Analise as assertivas e identifique as corretas: I. A incidência do imposto depende da denominação dada ao serviço prestado. II. O Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, de competência dos Municípios e do Distrito Federal, tem como fato gerador a prestação de serviços constantes da lista anexa, ainda que esses não se constituam como atividade preponderante do prestador. III. Contribuinte é o prestador do serviço. É correto o que se afirma em: Alternativas a) I, II e III. b) I e II, apenas. c) I e III, apenas. d) II e III, apenas. e) II, apenas. UNIDADE IV PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO Objetivo: Esta unidade tem como objetivo apresentar a continuação sobre os tributos incidentes sobre o faturamento, os tributos incidentes sobre o resultado e noções de planejamento tributário e formas de tributação. 4. Tributos Incidentes Sobre o Faturamento, Tributos Incidentes Sobre o Resultado 4.1 PIS - Programa de Integração Social e COFINS A contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) foi criada pela Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970. Já a contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP) foi criada pela Lei Complementar nº 8, de 3 de dezembro de 1970. De agora em diante, ao nos referirmos ao PIS/PASEP, escreveremos apenas PIS. A COFINS foi instituída pela lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991. É a Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social. Essas contribuições existem na modalidade cumulativa e não cumulativa. Figura 09: PIS/PASEP. . Fonte: https://institutomontanari.com.br/tudo-sobre-o-pis/. 4.1.1 Não Cumulativa Pode ser adotada apenas pelas empresas tributadas com base no Lucro Real, pelo Imposto de Renda. É semelhante à não cumulatividade do ICMS. A empresa toma o crédito do PIS/COFINS incidente sobre as compras e compensa com o tributo devido pelas vendas. As alíquotas são: PIS não cumulativo – 1,65%. COFINS não cumulativo – 7,6%. A base de cálculo é a receita bruta, que compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria; o preço da prestação de serviços em geral; o resultado auferido nas operações de conta alheia; e outras receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica. 4.1.2 Cumulativa As empresas tributadas pelo Lucro Presumido e as optantes pelo Simples Nacional devem usar a modalidade cumulativa. Nesse caso, não há o aproveitamento do crédito do PIS/COFINS referente às compras. As alíquotas são: PIS não cumulativo – 0,65%. COFINS não cumulativo – 3,0%. Há também o PIS sobre a folha de pagamento, na alíquota de 1 %, para os templos, condomínios, partidos políticos e entidades sem fins lucrativos. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, no regime de incidência cumulativa, é o faturamento mensal, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Lei nº 9.718, de 1998, art. 3º, ß 1º). Exclusões da Base de Cálculo: para fins de determinação da base de cálculo, podem ser excluídos do faturamento, quando o tenham integrado, os valores: (Lei nº 9.718, de 1998, art. 3º, ß 2º, com alterações da MP 2.158-35/2001; IN SRF nº 247, de 2002, art. 23): 1. Das receitas isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); 2. Das vendas canceladas; 3. Dos descontos incondicionais concedidos; 4. Do IPI; 5. Do ICMS, quando destacado em nota fiscal e cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 6. Das reversões de provisões; 7. Das recuperações de créditos baixados como perdas, que não representem ingresso de novas receitas; 8. Dos resultados positivos da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido (equivalência patrimonial); 9. Dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; 10. Das receitas decorrentes da venda de bens do ativo não circulante, classificados como investimento, imobilizado ou intangível. 4.2 Tributos Incidentes Sobre o Resultado: IRPJ - Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas 4.2.1 Noções Introdutórias Sobre Imposto de Renda O Imposto de Renda é um dos impostos de competência da União, previsto no art. 153, III, da CF/88. Trata-se de imposto com finalidade fiscal, pois o objetivo da sua instituição é arrecadar recursos para o Estado. Como prova disso, é o imposto federal com maior volume de arrecadação. Antes de estudarmos as disposições do Código Tributário Nacional acerca desse imposto, é importante destacar que a CF/88 submeteu a majoração do IR ao princípio da anterioridade, mas a excepcionou do princípio da noventena. Ademais, no art. 153, § 2º, I, o legislador constituinte estabeleceu que o IR será informado pelos critérios de generalidade, universalidade e progressividade, na forma da lei. O que vem a ser isso? Vejamos! Perceba que os três critérios decorrem do princípio da isonomia, alcançando as pessoas de um modo geral (generalidade), e as rendas de modo universal (universalidade), sempre considerando que aquele que ganha mais deve sofrer maior incidência tributária (progressividade). Emoutras palavras, todas as rendas, de todas as pessoas (físicas e jurídicas), estão sujeitas a este imposto. Além disso, trata-se de um tributo progressivo, isto é, quem ganha mais, contribui em maior escala. A progressividade, dessa forma, é garantida pelo Princípio da capacidade contributiva. Ainda, segundo a CF/88 , em seu artigo 150, apenas estão imunes ao imposto de renda: ● entes da federação – quando são contribuintes de direito, e não de fato*; ● templos de qualquer culto; ● patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; ● livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. ● fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros bem como os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham, salvo na etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser. 4.2.2 Fato Gerador Para compreender o fato gerador do Imposto de Renda, vamos nos debruçar sobre o art. 41 do CTN. É importante que saibamos diferenciar a disponibilidade econômica e a jurídica: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm • Disponibilidade Jurídica: ocorre quando se tem direito a um crédito, não sujeito a alguma condição, ou seja, um direito que seja certo. • Disponibilidade Econômica: ocorre quando se obtém dinheiro em espécie (ou crédito em conta) ou bens nele conversíveis. Além disso, precisamos também ter uma noção dos conceitos de renda e proventos de qualquer natureza, já que esses são os dois pressupostos de incidência do IR. Nos dizeres do CTN, o conceito de renda pode ser entendido como produto do capital, do trabalho ou da combinação do trabalho e do capital. Vamos exemplificar: Acredito que com os exemplos acima, não restou dúvida nenhuma sobre o conceito de renda. Entretanto, o que vem a ser provento? Trata-se de acréscimo patrimonial que não esteja compreendido no conceito de renda, que é o produto do trabalho ou capital. Imagino que você queira mais um exemplo, certo? Vamos lá: Se você ganhar na Mega-Sena, você vai receber um provento, pois o prêmio de loteria não decorre do produto do seu trabalho (você nem “suou” para consegui-lo, certo?) nem do produto do seu capital. Além disso, podemos citar também os ganhos de capitais verificados na alienação de bens, bem com os acréscimos patrimoniais cuja origem não pode ser comprovada pelo sujeito passivo. Finalizando o estudo do fato gerador do IR, o CTN assevera nos §§ 1º e 2º do art. 43 o seguinte: Note a coerência desses dispositivos com os critérios da generalidade e da universalidade. O objetivo do legislador foi exatamente incluir no âmbito da incidência do IR as pessoas e os rendimentos que poderiam “escapar” da tributação. É o caso, por exemplo, dos rendimentos auferidos no exterior por pessoas domiciliadas no Brasil. 4.2.3 Base de Cálculo Em relação à base de cálculo do IR, o CTN prevê que “é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis”. Nesse ponto, é válido destacar que o CTN apenas discriminou a base de cálculo aplicável ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas. No entanto, como é sabido, tal imposto incide também sobre os rendimentos auferidos pelas pessoas físicas. 4.2.4 Contribuintes No tocante à sujeição passiva, segue a redação do art. 45 do CTN: Em síntese, o contribuinte é o titular da disponibilidade de renda ou dos proventos de qualquer natureza. Além dos titulares, a lei pode atribuir essa condição ao possuidor, ou seja, mesmo não sendo proprietário do bem cuja renda foi gerada, pode ser considerado contribuinte. 4.2.5 Lançamento Muitas pessoas afirmam que o IR é um tributo cujo lançamento é feito por declaração. Isso se dá por causa da famigerada Declaração de Imposto de Renda das Pessoas Físicas (DIRPF). No entanto, destaca-se que o IR é lançado por homologação, pois o contribuinte presta sua declaração, antecipando o imposto porventura devido, sem prévio exame da autoridade administrativa. Esta, por sua vez, realiza a posterior homologação. 4.3 Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ A Lei 9.430 de 1996 dispõe sobre o Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Em primeiro lugar, tanto as PJ, quanto as PF equiparadas à PJ devem apurar o IRPJ com base no lucro, que pode ser real, presumido ou arbitrado. Além disso, a alíquota do IRPJ é de 15% sobre o lucro apurado, com adicional de 10% sobre a parcela do lucro que exceder R$20.000,00 / mês. Figura 10: Imposto de Renda de Pessoa Jurídica. Fonte: https://arquivei.com.br/blog/irpj/. 4.3.1 Base de Cálculo Como salientado, a base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica é o lucro, que poderá ser o lucro real, presumido ou arbitrado. Vejamos a diferença entre cada um deles. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9430.htm 4.4 CSLL - Contribuição Sobre o Lucro Líquido A Contribuição sobre o Lucro Líquido é um tributo de competência federal instituído pela Lei n.º 7.689/88 e tem como fonte de custeio o lucro das pessoas jurídicas domiciliadas no país e as que lhes são equiparadas pela legislação tributária. É importante ressaltar que este tributo também é arrecadado e fiscalizado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – SRFB, devendo ser seguidas, portanto, as normas específicas emitidas pela RFB. Com base na Lei 7.689: “ Art. 1.º Fica instituída contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, destinada ao financiamento da seguridade social.” Para as pessoas jurídicas enquadradas nos regimes de lucro real ou presumido, a alíquota é de 9% aplicada sobre o Lucro Antes do Imposto de Renda (LAIR). Para as instituições financeiras, seguros privados e capitalização, a alíquota é de 15%. A apuração da CSLL deve acompanhar a forma de tributação do lucro adotado para o IRPJ. No imposto de renda, temos Lucro ou Prejuízo. Na CSLL, temos base de cálculo (quando for positiva) ou base de cálculo negativa. A pessoa jurídica pode compensar a base de cálculo negativa, observado o limite máximo de redução de 30% da base de cálculo do período. Exemplo: uma empresa apura base de cálculo para a CSLL de 100.000. A empresa tem uma base de cálculo negativa de 150.000. Nesse caso, a empresa pode compensar 30% (100.000 x 30% = 30.000), e irá pagar CSLL sobre $70.000. Supondo alíquota de 9%, temos: Base de cálculo: R$70.000 x 9% = R$6.300 de CSLL. 4.5. Noções de Planejamento Tributário: Formas de Tributação 4.5.1 Lucro Presumido O Lucro Presumido é uma forma de tributação simplificada do IRPJ. Desde que não exerça alguma atividade que seja obrigada à apuração pelo lucro real, a partir de janeiro de 2014, o limite de receita bruta total anual, para opção pelo lucro presumido, é de R$ 78.000.000,00, ou o proporcionalao número de meses de atividade do ano-calendário anterior, quando inferior a 12. A receita bruta total, para efeito do lucro presumido, é a receita bruta de vendas somada aos ganhos de capital e às demais receitas e resultados positivos decorrentes de receitas não compreendidas na ativ idade . A pessoa jurídica, optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, poderá adotar o critério de reconhecimento de suas receitas de venda de bens ou direitos ou de prestação de serviços pelo regime de caixa ou de competência. No lucro presumido o imposto é calculado trimestralmente. Dessa forma, é calculado multiplicando o faturamento da empresa por uma alíquota que varia de 1,6% à 32%. Para achar a base de cálculo, basta que saibamos achá-la por presunção (resultado da receita bruta total x alíquota da presunção). Uma vez encontrada, procede-se à apuração pela multiplicação com a respectiva alíquota. A tabela a seguir apresenta as atividades econômicas e as respectivas alíquotas de tributação: Tabela 8: Alíquotas de Acordo com a Atividade Econômica. Atividade Alíquota Indústria e comércio em geral 8% Serviços em geral 32% Serviços hospitalares e de transportes de cargas 8% Demais serviços de transportes 16% Revenda de combustíveis para consumo 1,6% Fonte: Código Tributário Nacional - CTN. A alíquota do imposto de renda que incidirá sobre a base de cálculo é de 15% (quinze por cento). O adicional do imposto de renda devido pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido será calculado mediante a aplicação do percentual de 10% (dez por cento) sobre a parcela do lucro presumido que exceder ao valor de R$60.000,00 (sessenta mil reais) em cada trimestre. Ou seja: 15% de alíquota normal. O que exceder $20.000 por mês (ou $60.000, no caso de apuração trimestral) terá tributação adicional de 10%. 4.5.2 Lucro Real Outra opção, mais trabalhosa, é o lucro real. Como o próprio nome sugere, a base de cálculo do IRPJ será o lucro de fato ocorrido durante o período de apuração (Receitas – Despesas). Nessa hipótese, caso a empresa tenha prejuízo, nada será devido a título de imposto de renda. Hipótese que não acontece no lucro presumido (a não ser que haja faturamento no período). Todavia, nem sempre é vantajoso optar pelo lucro real. O lucro real, é o lucro líquido do período ajustado por adições, exclusões e compensações. Funciona da seguinte forma: Lucro apurado na contabilidade antes do IR (LAIR) + Adições (-) Exclusões (-) Compensações = Base de cálculo do imposto de renda. As adições aumentam a base do imposto. Um exemplo clássico são as multas. Na demonstração do resultado do exercício, as multas reduzem o valor do lucro e, consequentemente, do imposto a ser apurado. Permitindo-se esta situação, estar-se-ia sendo condescendente com aqueles que cometem ilícitos, uma vez que teriam sua tributação diminuída. As exclusões têm por fim reduzir a base de cálculo do imposto, tendo em vista que no resultado contábil foram considerados resultados que não devem ser tributados, como as receitas de dividendos, que são tributadas na empresa que os distribui. 4.5.3 Base de Cálculo Sobre a base de cálculo, incide o imposto de 15%, com adicional de Imposto de Renda de 10%, quando a base de cálculo ultrapassar $20.000 por mês (considerando-se o período de apuração do imposto), conforme abaixo: Vejamos na prática, como é… De acordo com o Princípio Contábil da Competência, se a contabilidade já reconheceu uma receita ou lucro, a despesa de Imposto de Renda deve ser reconhecida nesse mesmo período, ainda que tais receitas e lucros tenham a sua tributação diferida para efeitos fiscais, ou seja, o Imposto de Renda incidente sobre elas será pago em períodos futuros. A entidade deve reconhecer esses efeitos fiscais por meio da contabilização do passivo fiscal diferido, no exercício em que ocorrer. Ressalte-se que o diferimento do Imposto de Renda é feito somente para fins fiscais no LALUR, não alterando o lucro líquido na contabilidade, pois em função do regime de competência, na contabilidade não há postergação do reconhecimento do resultado. Nesses casos, a receita ou o lucro já foram registrados contabilmente pelo regime de competência e a despesa de Imposto de Renda também deve ser reconhecida no mesmo período, mediante crédito na conta de Provisão para Imposto de Renda Diferido, classificada no Passivo Circulante ou no Passivo Não Circulante e débito na conta de despesa de Imposto de Renda no Resultado. Quando a receita ou o lucro se tornarem tributáveis, o valor constante da conta de Provisão para Imposto de Renda Diferido será transferido para a conta de Provisão para Imposto de Renda no Passivo Circulante, não alterando o resultado desse período. 4.5.7 Tratamento do Prejuízo Acumulado O Prejuízo Acumulado, para efeito do Imposto de Renda, é apurado no LALUR (Livro de apuração do Lucro Real). E apresenta a seguinte particularidade, em relação ao Prejuízo contábil: só pode abater 30% do Lucro Real apurado no exercício. Vamos supor que uma empresa tenha prejuízos acumulados no valor de $10.000 (e que tal prejuízo seja também o prejuízo fiscal, para efeito de IR). Caso a empresa obtenha lucro de $12.000 no exercício, para a contabilidade ficará assim: Lucro do exercício $12.000 – prejuízo acumulado $10.000 = $2.000 de lucros acumulados. A empresa irá constituir reservas e pagar dividendos sobre o valor de $2.000. Para o Imposto de Renda: só pode compensar 30% do lucro. Fica assim: Lucro do Exercício $12.000 Prejuízo fiscal (30%) ($3.600) Base para IR $8.400 IR (15% x 8400) $1.260 4.5.8 Lucro Arbitrado O Lucro Arbitrado é mais comumente adotado por iniciativa do Fisco, quando se torna difícil mensurar o desempenho financeiro da empresa, por razões diversas, incluindo fraudes. O lucro arbitrado é lançado de ofício pela Secretaria da Receita Federal, por meio de seus auditores fiscais, geralmente, quando flagradas fraudes, vícios, omissões, inconsistências na escrituração de sujeito passivo. No entanto, pode também ser usado pelo contribuinte (o chamado “arbitramento voluntário”), conforme o Regulamento do Imposto de Renda: Figura 11: Esquema do Arbitramento do Lucro. Fonte: Regulamento do Imposto de Renda, 2023. Vamos em frente. Vejamos o que diz o Regulamento do Imposto de Renda: Resumindo, é aplicável pela autoridade tributária quando a pessoa jurídica deixar de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido, conforme o caso. O lucro arbitrado será apurado mediante a aplicação de percentuais: a. sobre a receita bruta quando conhecida, segundo a natureza da atividade econômica explorada; b. quando desconhecida a receita bruta, sobre valores (bases) expressamente fixados pela legislação fiscal. Os percentuais a serem aplicados sobre a receita bruta, quando conhecida, são os mesmosaplicáveis para o cálculo da estimativa mensal e do lucro presumido (32%), acrescidos de 20 % , exceto quanto ao fixado para as instituições financeiras, que variam caso a caso. Figura 12: Percentual do Lucro Arbitrado. Fonte: Elaborado pelo autor, 2023. 4.6 Período de Apuração O imposto de renda pessoa jurídica determinado com base no lucro real, presumido ou arbitrado, possui período de apuração trimestral, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano-calendário. À opção do contribuinte, o lucro real também pode ser apurado por período anual. UNIDADE IV Questões Objetivas 1. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, com a incidência não cumulativa, é o valor do faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Para fins de determinação da base de cálculo, o valor que NÃO pode ser excluído do faturamento, uma vez que o tenha integrado, é o valor: a) vendas canceladas. b) reversões de provisões. c) descontos financeiros concedidos. d) Imposto sobre Produtos Industrializados. e) receitas decorrentes das vendas de bens do ativo permanente. 2. A CF determina que o imposto de renda será informado pelos critérios da generalidade, da universalidade e da progressividade, na forma da lei. É correto afirmar que o critério da generalidade: a) constitui técnica de incidência de alíquotas por meio da qual se procura variá-las em uma razão proporcional à base de cálculo. b) determina que a totalidade da renda do sujeito passivo deve sujeitar-se à tributação, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos. c) tem por finalidade implementar a isonomia na tributação da renda, onerando mais gravosamente os contribuintes que tenham maior capacidade contributiva. d) impõe a sujeição de todos os indivíduos à tributação do imposto de renda, independentemente de quaisquer características do contribuinte. e) Significa dizer que a tributação alcança todas as espécies de rendimentos. 3. O arbitramento do lucro aplica-se quando: a) a escrituração apresentar indícios de impropriedades formais. b) houver opção pelo lucro presumido, sendo possível a apuração do resultado pelo lucro real. c) o contribuinte adotar escrituração resumida nos livros principais. d) Houver opção indevida pelo lucro presumido. e) os lançamentos da escrituração fiscal estiverem destacados em livros auxiliares. CONSIDERAÇÕES FINAIS A partir do conteúdo trabalhado no material em PDF e das aulas em vídeo, foi possível compreender a organização e o planejamento tributário a partir das análises financeiras, apuração e recolhimento de tributos seguindo os preceitos estabelecidos no Código Tributário Nacional - CTN, além da identificação de como cada componente de uma empresa interfere no dia a dia de um departamento fiscal de contabilidade. Muitas empresas não conseguem sobreviver ao primeiro ano de funcionamento, simplesmente por não entenderem bem em qual regime fiscal (tributário) se encaixam e não levantarem corretamente seus tributos. Essa problemática pode colocar os negócios em uma situação menos favorável diante dos concorrentes. Daí a importância do entendimento da contabilidade tributária. A Contabilidade Tributária é importante porque ela promove a economia de recursos, maior controle financeiro e garante o cumprimento das obrigações legais, além disso, por meio dela, é possível reduzir riscos de contingências fiscais, evitar penalidades e autuações. Por fim, sua aplicação é uma forma de garantir transparência nas operações da empresa e manter sua credibilidade no mercado, diante de clientes, órgãos reguladores, investidores e instituições financeiras. O ideal é realizar um bom planejamento tributário com profissionais qualificados, uma vez que erros dessa natureza podem gerar graves problemas com o Fisco e representarem a inoperância da empresa no mercado. É importante frisar que o papel do profissional contábil nas empresas é cada vez mais importante, dada a ampliação da capacidade de fiscalização do governo, assim tem se tornado cada vez mais importante que as empresas contem com profissionais especializados em contabilidade fiscal e tributária. Todos os aspectos mencionados são de suma importância para a compreensão dos futuros profissionais da área de gestão empresarial e contábil. Dessa forma concluímos nosso módulo de contabilidade tributária, foi um prazer está com vocês. Nos encontramos em uma próxima oportunidade. Até breve. REFERÊNCIAS BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 .DF:Presidência da República, [2023]. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm . Acesso em: 1 de dezembro de 2023. BRASIL. Lei Nº 9.718, de 27 de Novembro de 1998 .DF:Presidência da República, [2023]. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9718.htm . Acesso em: 4 de dezembro de 2023. BRASIL. Lei Nº 9.250, de 26 de Dezembro de 1995 . DF:Presidência da República, [2023]. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9250.htm . Acesso em: 5 de dezembro de 2023. BRASIL. [Código Tributário Nacional (1966)]. Código Tributário Nacional de 1966 . DF:Presidência da República, [2023]. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5172compilado.htm . Acesso em: 3 de dezembro de 2023. CARDOSO, Júlio; ROSA, Luciano. Contabilidade Geral . 2020. Disponível em: https://cdn.estrategiaconcursos.com.br/storage/temp/aula/771403/1516502/curso-11 4205-aula-00-e06d-completo.pdf . Acesso em :1 de dezembro de 2023. CHAVES, Francisco Coutinho; MUNIZ, Érika Gadêlha Contabilidade tributária na prática 1° Ed. Atlas, São Paulo 2010. FABRETTI, L. C. Prática tributária do micro, pequeno e média empresa Atlas, São Paulo 2003. MARTINS, Sergio Pinto Manual de direito tributário 7° Ed. Atlas, São Paulo, 2008. OLIVEIRA, Gustavo Pedro de. Contabilidade tributária 3° Ed. Saraiva, São Paulo, 2009. ROSA, Luciano. Contabilidade Tributária .2021. Disponível em: 300-aula-00-profs-gabriel-e-luciano-ce26-completo.pdf . Acesso em :1 de dezembro de 2023. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9718.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9250.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5172compilado.htm https://cdn.estrategiaconcursos.com.br/storage/temp/aula/771403/1516502/curso-114205-aula-00-e06d-completo.pdf https://cdn.estrategiaconcursos.com.br/storage/temp/aula/771403/1516502/curso-114205-aula-00-e06d-completo.pdf https://cdn.estrategiaconcursos.com.br/storage/temp/aula/184343/1516502/curso-39300-aula-00-profs-gabriel-e-luciano-ce26-completo.pdfalém de originarem do patrimônio do particular, estão sujeitas ao regime jurídico de direito público, que é necessário para que a arrecadação seja eficazmente realizada. Além dos tributos, temos ainda as multas e as reparações de guerra, que se enquadram no conceito de receitas derivadas. 1.2 Conceito de Tributo Até agora falamos que os tributos são uma forma de receita pública denominada receita derivada. Também dissemos que o Direito Tributário está sujeito ao regime jurídico de direito público. Mas, afinal, o que vem a ser tributo? Como podemos distinguir os tributos dos demais encargos que nos são cobrados diariamente? O conceito de tributo está definido no art. 3º do Código Tributário Nacional (CTN), abaixo citado: Figura 01: Tributos. Fonte: https://www.goconqr.com/mindmap/29060516/los-tributos-y-su-clasificacion. Cumpre observar que o art. 3º do CTN traz a definição de tributos exigida pela CF/88, no art. 146, III, a, primeira parte, conforme vemos a seguir: Tal definição do CTN pode ser dividida em 5 etapas, para facilitar o entendimento do aluno. Vamos a elas: 1.3 Prestação pecuniária em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir A afirmação acima deixa claro que o pagamento deve ser feito em pecúnia, que significa dinheiro. Isso vai ao encontro do que comentamos acima, sobre a necessidade de que o Estado tem de arrecadar dinheiro para custear suas atividades. O conceito ainda permite inferir que não é possível a instituição de tributos in natura ou in labore, cujo pagamento seria feito em bens ou em serviços, respectivamente. Por último, há que se ressaltar a alteração trazida pela Lei Complementar 104/2001, ao acrescentar o inciso XI ao art. 156 da Lei 5.172 (CTN). O dispositivo prevê o seguinte: Para os que não sabem, dação em pagamento significa pagar com algo que não seja dinheiro. No caso em tela, o contribuinte poderá quitar a sua dívida oferecendo bens IMÓVEIS ao fisco. Tal hipótese não derroga o art. 3º do CTN, tendo em vista que este afirma que a quitação do tributo pode ser feita por algo que possa ser expresso em moeda. Os bens imóveis inegavelmente podem ser expressos em moeda. 1.3.1 Prestação Compulsória O pagamento de tributos não é uma faculdade, mas, sim uma obrigação. Não há opção para o contribuinte, senão o pagamento do que lhe é cobrado. É claro que o indivíduo pode contestar o valor devido ou mesmo a legalidade da cobrança. 1.3.2 Prestação instituída em lei O autor João Marcelo Rocha faz uma excelente observação, ao dizer que esse item nem mesmo precisaria constar no conceito de tributo, eis que este já é uma obrigação compulsória, e por esse motivo deve, necessariamente, estar instituído em lei, conforme expressa previsão no texto constitucional: Tal inciso demonstra claramente o princípio de um Estado de Direito. Ou seja, o povo somente é obrigado a fazer aquilo que está em lei. Como a lei é editada pelos seus próprios representantes (parlamentares), é o próprio povo, em tese, que decide ao que estará obrigado a fazer ou deixar de fazer. Trata-se de uma velha regra “No taxation without representation”, que significa que não haverá tributação sem representação popular. A regra, portanto, é que os tributos sejam instituídos por lei. 1.3.3 Prestação que não constitui sanção de ato ilícito Outro ponto importante do conceito de tributos é o que os distingue do conceito de multa. Os tributos são cobrados em decorrência de um fato gerador, que pode ser, por exemplo, a manifestação de riqueza por parte do contribuinte ou mesmo a prestação de um serviço específico e divisível pelo Estado. Com isso, percebemos que a cobrança de tributos não possui o objetivo de punir, mas, sim, de arrecadar. Vale destacar que há tributos cuja finalidade principal não é a arrecadação, mas, sim, a intervenção em um setor econômico. São os denominados tributos extrafiscais. De qualquer modo, também não têm como finalidade a sanção por um ato ilícito. As multas, embora também sejam receitas derivadas, compulsórias e instituídas em lei, não podem ser comparadas aos tributos, pois possuem natureza claramente sancionatória. Na verdade, o ideal é que os atos ilícitos não sejam praticados, para que as multas não venham a ser cobradas. Há de se ressaltar que, sobre o rendimento decorrente de atividades ilícitas, deve incidir imposto de renda (art. 43, CTN). Perceba que o tributo não está sendo utilizado como punição, pois o fato gerador desse tributo ocorreu, e o valor será devido. O embasamento legal é o art. 118 do CTN, que afirma que a definição legal do fato gerador do tributo é interpretada abstraindo da validade jurídica dos atos praticados pelos contribuintes, bem como da natureza do objeto a ser tributado ou dos seus efeitos. 1.4 Natureza Jurídica dos Tributos Dando continuidade ao nosso estudo, vamos observar, com atenção, outros dois importantes artigos do CTN: Ao analisarmos o art. 5º do CTN, vemos que o entendimento adotado pelo legislador, lá em 1966 – ano de publicação do CTN -, foi a corrente tripartida. Ou seja, havia apenas 3 tributos: impostos, taxas e contribuições de melhoria. Contudo, após o surgimento da Constituição Federal de 1988, o entendimento predominante é o de que existem não apenas três, mas cinco espécies tributárias, dando origem à corrente pentapartida. Isso ocorreu, pois a própria CF inseriu, em seu Capítulo que trata do Sistema Tributário Nacional, novas espécies tributárias que serão vistas adiante. Uma rápida leitura do art. 145 da CF/88, nos leva a crer que há apenas impostos, taxas e contribuições de melhoria (da mesma forma com o que está disposto no art. 5º do CTN). No entanto, segundo o STF, ali estão elencados apenas os tributos cuja competência é comum a todos os entes federados. Segundo a Suprema Corte, “os arts. 148 e 149 aludem a duas outras modalidades tributárias, cuja competência é, via de regra, da União: o empréstimo compulsório e as contribuições sociais, inclusive as de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas.” O esquema abaixo ilustra as espécies tributárias segundo a teoria pentapartida: Figura 02: Espécies Tributárias. Fonte: Elaborado pelo autor com base no CTN, 2023. Por último, cabe destacar as diferenças entre tributo vinculado e não vinculado. Ao dizer que um tributo é vinculado ou não, estamos dizendo que o fato gerador está vinculado ou não a uma atividade realizada pelo Estado relativa ao contribuinte. Como exemplo de tributo vinculado, pode-se citar as taxas e as contribuições de melhoria. Já os tributos não vinculados, podemos citar os impostos. Há certa diferença entre o que foi dito acima e o conceito de arrecadação vinculada. Neste caso, estamos nos referindo a tributos, cujo destino de tudo o que foi arrecadado com sua cobrança está vinculado ao custeio de algo previsto na lei. Como exemplo, temos os empréstimos compulsórios (art.148, parágrafo único, CF/88). 1.5 Espécies de Tributos Vamos tratar primeiramente dos impostos. 1.5.1 Impostos Como vimos, os tributos não vinculados estão relacionados a um fato do contribuinte que, ao se enquadrar na hipótese prevista em lei, dá origem ao fato gerador. Os impostos são tributos não vinculados por excelência, por estarem relacionados com uma manifestação de riqueza do contribuinte. Trata-se de tributos que buscam realizar a solidariedade social. As pessoas contribuem para consecução do bem comum, pois o poder público não se obriga em prestar qualquer tipo de serviço específico para aqueles que pagaram impostos. Figura 03: Imposto. Fonte: https://editalconcursosbrasil.com.br/blog/impostos_o-que-imposto/#google_vignette. O art. 16 do CTN é claro, ao dizer que: “o imposto é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica, relativa ao contribuinte.” Isto é, cabe ao contribuinte apenas pagar! Podemos dizer, em outros termos, que o pagamento de impostos não exige uma contraprestação por parte do Estado. Ademais, a receita auferida com os impostos não está vinculada, em regra, a qualquer destinação. Ou seja, esse é mais um argumento de que os recursos devem ser usados em benefício da coletividade, remunerando os chamados serviços gerais – uti universi . Cite-se, como exemplo, o serviço de segurança pública. Por serem tributos não vinculados, é mais do que justo que haja um limite para a criação de impostos, pois, caso contrário, os governos tenderiam a criar uma infinidade deles, concorda? Então, a CF/88 definiu em seu texto os impostos que podem ser criados por cada ente federado. Cabe ressaltar que, em regra, a competência é privativa de cada um deles. A exceção fica por conta da União, que poderá instituir Impostos Extraordinários de Guerra – IEG – até mesmo sobre fatos geradores que foram atribuídos aos demais entes. Trata-se de uma exceção prevista pelo constituinte originário (art. 154) e, portanto, perfeitamente válida. Outro detalhe, a ser ressaltado, é que a União pode criar outros impostos e outras contribuições para a seguridade social não previstos na CF/88. É a chamada competência residual só permitida para a União, desde que respeitados os requisitos constitucionais. Além disso, a CF/88 ainda determina em seu art. 146, III, a, que todos os impostos nela discriminados tenham os respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes definidos em lei complementar (LC). Trata-se de uma exigência feita apenas aos impostos, não alcançando os demais tributos. A CF não cria tributos, mas, apenas, defere a competência tributária aos entes federados para que eles editem as leis instituidoras. Como prova disso, temos o Imposto sobre Grandes Fortunas – IGF, que está previsto na CF/88, mas que ainda não foi criado pela União. Observe abaixo, os impostos previstos na CF/88: Figura 04: Espécies de Impostos. Fonte: Elaborado pelo autor com base na CF, 2023. Observação: 1) Primeiramente, vamos identificar o nome de cada um dos impostos acima: ISS – Imposto sobre Serviços; IPTU – Imposto sobre a propriedade territorial urbana; ITBI – Imposto sobre a transmissão de bens imóveis; ITCMD – Imposto sobre transmissões causa mortis e doações; ICMS – Imposto sobre a circulação de mercadorias e prestação de serviços; IPVA – Imposto sobre a propriedade de veículos automotores; II – Imposto de importação; IE – Imposto de exportação; IR – Imposto de renda; IPI – Imposto sobre produtos industrializados; IOF – Imposto sobre operações financeiras; ITR – Imposto sobre a propriedade territorial rural; IGF – Imposto sobre grandes fortunas; IEG – Impostos extraordinários de guerra; I. Residuais – Impostos residuais; 2) O Distrito Federal pode instituir tanto os impostos estaduais como os impostos municipais. É o que se denomina de competência cumulativa. 1.5.1.1 Os impostos e o princípio da capacidade contributiva Vamos discorrer neste tópico acerca da relação entre os impostos e o princípio da capacidade contributiva. Veja o que diz a CF/88: Pela redação do dispositivo, percebemos que é obrigação do legislador, se possível, conferir caráter pessoal aos impostos. O que seria isso? Vamos citar o exemplo do Imposto de Renda, que é um imposto que incide sobre os rendimentos das pessoas, sendo, portanto, um imposto pessoal (veremos que também existem os impostos reais, que incidem sobre coisas). Podemos dizer que graduá-lo segundo a capacidade econômica do contribuinte seria possibilitar que contribuintes que ganham o mesmo salário, mas tenham despesas totalmente diferentes, possam contribuir com valores diferentes. Ou seja, considera-se os aspectos pessoais de cada contribuinte. Se João e Pedro ganham R$5.000,00 mensais cada um, sendo que João é solteiro e Pedro é casado e possui dois filhos, não seria justo tributá-los de maneira igual, pois certamente o padrão de vida de ambos não são iguais, certo? Da mesma maneira, obviamente, se João e Pedro ganharem salários distintos, a tributação também deve ser diferenciada para cada um deles. 1.5.2 Taxas Diferentemente do que vimos em relação aos impostos, o fato gerador das taxas é uma atividade que o poder público realiza para o contribuinte. Para custear tais atividades, são instituídas as taxas. Assim, pode-se afirmar que o fato gerador da taxa, ou melhor, a situação que faz surgir a obrigação de um contribuinte arcar com o pagamento de taxa, é um fato do Estado, e não do contribuinte. Isso significa que é o Estado que deve agir para realizar a cobrança da taxa. Com base em tais informações, pode-se afirmar que ocorre a referibilidade da atividade estatal em relação ao contribuinte, isto é, a atuação estatal que constitui o fato deve ser direcionada ao contribuinte, e não à coletividade. É por isso que se diz que as taxas são tributos retributivos ou contraprestacionais. Mas quais seriam os fatos geradores das taxas? Vamos observar o que diz o art. 77 do CTN: Figura 05: Taxas. Fonte: https://sapodavez.blogspot.com/2012/10/dica-de-direito-tributario-sobre-taxas.html. Em primeiro lugar, precisamos nos atentar ao fato de que as taxas são tributos que podem ser instituídos por qualquer um dos entes federados (União, Estados, Distrito Federal e Municípios), a depender das atribuições constitucionalmente conferidas a cada ente. Por isso, dizemos que a competência para instituir taxas é comum. Segundo o art. 77 do CTN são os fatos geradores da taxa, quais sejam: exercício regular do poder de polícia e a utilização, efetiva ou potencial, de serviço público específico e divisível. Por serem itens importantes, vamos dividi-los em dois tópicos, abordando detalhadamente cada um dos fatos geradores que ensejam a cobrança da taxa. 1.5.2.1 Taxas de Serviços As taxas de serviço são criadas para custear serviços públicos prestados pelo poder público à população em geral. Cabe observar, como é do conceito dos tributos, que o contribuinte não poderá fazer opção por não receber determinadaprestação de serviço estatal. Por outro lado, o Estado pode ou não optar por tributar determinado serviço (dependendo de uma lei para instituir a respectiva taxa) que se enquadre na definição do CTN, que a seguir veremos: Veja que o serviço prestado pode ser utilizado efetivamente pelo usuário ou não. Quando o CTN fala em utilização potencial, está se referindo àqueles casos em que o serviço foi oferecido ao contribuinte, mas ele não o utilizou. O que deve ser gravado é que a disponibilização do serviço deve ser efetiva, e o que pode ser potencial ou efetivo é a utilização por parte do contribuinte. Vamos citar o exemplo da coleta domiciliar de lixo. Um caminhão passa em frente à casa do Sr. João todos os dias para retirar o seu lixo domiciliar. Consideremos, ainda, que João viaje e fique um mês de férias. Deverá pagar a taxa decorrente desse serviço público? É evidente que sim. Percebam que houve a disponibilização do serviço, ainda que o contribuinte não o tenha utilizado (utilização potencial, neste caso). Outra característica referente aos serviços públicos é a de que devem ser específicos e divisíveis. Mas o que vem a ser isso? Agora que já vimos a parte conceitual a respeito da taxa de serviço, surge a dúvida: quais serviços estatais se enquadram no conceito legal e são dignos de cobrança, por meio de taxas? E quais não podem? Veremos tudo isso a seguir! Em primeiro lugar, devemos ter em mente que as taxas só podem custear serviços específicos e divisíveis, que também podem ser chamados de uti singuli. Os serviços gerais (uti universi), por outro lado, não podem ser custeados por taxas, pela ausência da especificidade e divisibilidade. Estes devem ser financiados com a arrecadação de impostos. Esta é a regra geral e o que você deve guardar. Por tal motivo, devemos saber que, segundo o STF, o serviço de iluminação pública não pode ser remunerado mediante taxa. Ora, é possível identificar todos os beneficiários de tal serviço? Certamente não é! Por isso, o Tribunal publicou a seguinte súmula vinculante: - Súmula Vinculante 41 – O serviço de iluminação pública não pode ser remunerado mediante taxa. 1.5.2.2 Taxas de polícia Vimos que o art. 77 do CTN fala que o fato gerador das taxas tanto pode ser a prestação de serviços públicos como o exercício do poder de polícia. Mas o que vem a ser poder de polícia? Na definição do próprio CTN, temos que: O poder de polícia é aquele que a administração pública dispõe para restringir alguns direitos individuais de cada particular, tendo em vista os interesses coletivos. Há diversas atividades fiscalizadoras que podem ensejar a cobrança da taxa de polícia. Vejamos algumas delas. Cite-se, primeiramente, a taxa de alvará (ou taxa de localização), que é cobrada para custear a fiscalização sobre as obras realizadas em determinado município, verificando-se as características arquitetônicas destas obras. Temos também a Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental (TCFA), cobrada em função do exercício regular do poder de polícia, realizado pelo IBAMA, com objetivo de controlar e fiscalizar as atividades potencialmente poluidoras e utilizadoras de recursos naturais. Por fim, deve-se frisar que o exercício do poder de polícia deve ser regular, isto significa, de acordo com o par. único do art. 78, do CTN, que deve ser desempenhado pelo órgão competente nos limites da lei aplicável, com observância do processo legal e, tratando-se de atividade que a lei tenha como discricionária, sem abuso ou desvio de poder. 1.5.2.3 Base de cálculo das taxas De acordo com Aires Barreto, a base de cálculo consiste em critério abstrato para medir os fatos tributários que, conjugados à alíquota, permite obter a ‘dívida tributária’. No que se refere às taxas, a base de cálculo deve ser utilizada para permitir que o ente federado encontre um valor que satisfaça apenas as despesas que ele teve com a prestação dos serviços. Caso contrário, haveria enriquecimento sem causa por parte do Estado. É claro que não é exigida uma precisão dos valores, mas apenas que não haja total desvinculação entre um valor e outro. A base de cálculo também pode ser usada para identificar a natureza jurídica de um tributo, juntamente com a análise do fato gerador. Nesse contexto, se o legislador criar um tributo e denominá-lo taxa, mas, em sua base de cálculo, inserir uma grandeza que não tenha a ver com qualquer atividade estatal relativa ao contribuinte, estará na verdade criando um “imposto disfarçado”. É por isso que a nossa Constituição Federal proibiu a identidade entre a base de cálculo de uma taxa e de um imposto (tal proibição também pode ser encontrada no art. 77, parágrafo único, do CTN). Veja: Ainda sobre a base de cálculo das taxas, o CTN acrescentou outro detalhe, dizendo que as taxas também não podem ser calculadas em função do capital social das empresas, como vemos a seguir: Ora, o motivo é óbvio. Sabemos que o fato gerador das taxas deve ser necessariamente um serviço público prestado ou o exercício do poder de polícia. Sabemos também que deve haver uma correlação entre o custo da atividade prestada ao contribuinte e o valor a ser cobrado dele. 1.5.3 Contribuição de Melhoria As contribuições de melhoria são tributos que surgem com a realização de uma obra pública da qual decorra valorização imobiliária aos contribuintes. O motivo é evitar que haja enriquecimento de um determinado número de pessoas às custas da coletividade. Vou dar um exemplo para que você entenda melhor o motivo da cobrança. Digamos que o Sr. João more em um loteamento onde as ruas não são calçadas e existam poucos vizinhos naquele isolado bairro. Com o passar dos anos, o Município realiza a pavimentação de todas as ruas do bairro, providenciando iluminação, arborização, a construção de um parque entre outras benfeitorias. A casa do Sr. João, que antes era avaliada em R$50.000,00, agora já está valendo cerca de R$200.000,00, em decorrência da valorização do lote naquele bairro. Vamos analisar a situação: o poder público gastou recursos públicos para realizar tais obras públicas. Tudo isso foi feito com o dinheiro público que, como sabemos, pertence à sociedade como um todo. Seria justo o Sr. João ter o seu imóvel valorizado nesse montante sem dispor de qualquer centavo de seu bolso? É óbvio que não. É nesse instante que surge a cobrança da contribuição de melhoria. Vamos ler o que diz a CF/88 acerca desse tributo: Perceba que a CF/88 definiu que todos os entes federados (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) poderão instituir a contribuição de melhoria. Podemos dizer, então, que é um tributo de competência comum, assim como a taxa. Vamos abordar agora os conceitos trazidos pelo CTN, e que dizem respeito a esse tributo: Veja que se a obra pública não gerar valorização imobiliária, não há justificativa para cobrança do tributo. Portanto, devemos gravar que o fato gerador é a valorizaçãoimobiliária, e não a obra pública em si. Vamos confirmar isso, lendo o art. 1º, do DL 195/67: Ao analisar o art. 81, do CTN, também podemos dizer que o CTN trouxe detalhes não mencionados na CF/88. Esses detalhes se referem aos limites aos quais a contribuição de melhoria está sujeita. O limite total se refere ao valor máximo que pode ser arrecadado a título de contribuição de melhoria. O CTN estabeleceu como limite o valor total gasto com a obra. Como limite individual, foi estabelecido o valor que corresponde à valorização que a obra pública gerou para cada particular. No caso do Sr. João, a contribuição de melhoria poderia chegar até a R$150.000. É inacreditável, mas é possível. Precisamos ficar atentos também que, da mesma forma como ocorre com as taxas, o fato gerador que justifica a cobrança das contribuições de melhoria é uma atividade estatal, que no caso é uma obra pública. Portanto, podemos dizer que se trata de um tributo vinculado. O § 1º, do art. 82, do CTN, estabelece, ainda, que a contribuição de cada imóvel deve ser determinada pelo rateio da parcela do custo da obra pública realizada pelos imóveis situados na zona beneficiada em função dos respectivos fatores individuais de valorização. Ademais, o § 2º, do art. 81, previu que, por ocasião do respectivo lançamento (com o objetivo de exigir o tributo do contribuinte), cada contribuinte deverá ser notificado do montante da contribuição, da forma e dos prazos de seu pagamento e dos elementos que integram o respectivo cálculo. Por fim, destaque-se que o tributo não pode ser cobrado antes da realização da obra pública, já que é a consequência dela que justificaria a cobrança tributária. Contudo, nada impede a instituição do tributo após o término de parte da obra, se já houver resultado em valorização imobiliária para o contribuinte. 1.5.4 Empréstimos Compulsórios Os empréstimos compulsórios constituem uma espécie distinta de tributos, que não se confunde com as demais. Você se lembra de que falamos da corrente pentapartida? Lá, estudamos que uma das espécies eram os empréstimos compulsórios, certo? Portanto, podemos dizer que eles são uma espécie autônoma de tributos, conforme a doutrina majoritária e jurisprudência. Outro aspecto importante sobre os empréstimos compulsórios, é o de que eles devem ser instituídos por lei complementar. Uma peculiaridade diz respeito à competência tributária para instituir tal espécie de tributo. Saiba que somente a União pode instituí-los. Trata-se, portanto, de um tributo de competência exclusiva da União. Vejamos agora o artigo que aborda esse assunto na CF/88: Perceba que há três pressupostos fáticos ou situações autorizadoras que justificam a cobrança de um empréstimo compulsório: despesas extraordinárias decorrentes de calamidade pública, despesas extraordinárias decorrentes de guerra externa ou sua iminência e os investimentos públicos de caráter urgente e de relevante interesse nacional. Por último, o parágrafo único do art. 15 do CTN exige que a lei instituidora do tributo fixe o prazo do empréstimo e as condições de resgate. Ressalte-se que o STF possui entendimento no sentido de que a restituição deve ser efetuada na mesma espécie do que foi recolhido. Como sabemos que o tributo é uma prestação pecuniária, sua devolução também deve ser em moeda. UNIDADE I Questões Objetivas 1. De acordo com a definição do Código Tributário Nacional, tributo é toda prestação: a) compulsória, em moeda ou em quaisquer tipos de bens e direitos, cujo valor nela se possa exprimir, que constitua ou não sanção de ato ilícito, instituída pela legislação tributária e cobrada mediante atividade administrativa ou judicial plenamente vinculada. b) pecuniária compulsória, em moeda ou em quaisquer tipos de bens e direitos, cujo valor nela se possa exprimir, que constitua ou não sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa ou judicial plenamente vinculada. c) compulsória, preferencialmente em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída pela legislação tributária e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. d) pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. e) compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que constitua ou não sanção de ato ilícito, instituída pela legislação tributária e cobrada mediante atividade administrativa ou judicial plenamente vinculada. 2. A natureza jurídica específica do tributo é determinada: a) pelo fato gerador. b) pela alíquota aplicada. c) pela base de cálculo. d) pela destinação legal do produto de sua arrecadação. e) pela sua denominação. 3. De acordo com o Código Tributário Nacional, a exação cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica, relativa ao contribuinte, denomina-se: a) empréstimo compulsório, quando sua ocorrência for eventual. b) imposto, tanto quando a competência for da União, como quando for dos Estados ou dos Municípios. c) expectativa de benefício, decorrente de pagamento de contribuição social. d) taxa, pelo uso potencial de serviço público específico e divisível. e) preço público, por serviço a ser prestado em exercício futuro. UNIDADE II LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA Objetivo: Esta unidade tem como objetivo apresentar a continuação das espécies tributárias, e as principais legislações tributárias pertinentes, assim como, a escrituração dos livros fiscais. 2. Contribuições especiais Há, ainda, mais uma espécie de tributo que tem sido reconhecida pela doutrina e jurisprudência, que são as contribuições especiais, também denominadas “contribuições”. Observação: As “contribuições” não se confundem com as “contribuições de melhoria”. São espécies tributárias distintas! Devemos lembrar que, o art. 4º do CTN afirma que a natureza jurídica do tributo é definida pelo fato gerador, e que o destino da arrecadação não é um critério relevante para definir as espécies tributárias. Entretanto, já sabemos que isso é aplicável apenas aos impostos, taxas e contribuições de melhoria, certo? Quando o assunto é contribuições especiais e empréstimos compulsórios, lembre-se de que, por se tratarem de tributos de arrecadação vinculada (também denominados tributos finalísticos), o destino do que foi arrecadado é um critério relevante para definir de que tributo estamos tratando. Portanto, a análise do fato gerador é insuficiente para determinar a natureza jurídica das contribuições especiais. Mas quem seria competente para instituí-las? Somente a União ou todos os entes federados? Vejam o que diz o art. 149 da CF/88: Veja que cabe somente à União instituir tais contribuições, e que elas se dividem basicamente em três tipos. Mas é preciso saber que, em relação à previdência social dos servidores públicos(regimes próprios de previdência social destinados apenas aos servidores públicos titulares de cargos efetivos), existe competência tributária para os Estados, DF e Municípios instituírem contribuições destinadas ao financiamento de tais regimes. Senão, vejamos: Além das contribuições relacionadas nos dispositivos acima citados, há também a contribuição para o custeio do serviço de iluminação pública. Essa contribuição foi permitida com a EC 39/2002, e a competência para instituí-la é do Distrito Federal e dos Municípios. Com o conhecimento que já temos podemos fazer o seguinte esquema: Tabela 1: Contribuições Especiais. CONTRIBUIÇÕES ESPECIAIS COMPETÊNCIA PARA INSTITUIR Contribuições Sociais União (Exceção: todos os demais entes podem instituir contribuição previdenciária a ser cobrada de seus servidores) Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) Somente a União Contribuições de interesse das categorias profissionais Somente a União Contribuição para Custeio do Serviço de Iluminação Pública Somente Distrito Federal e Municípios Fonte: Estratégia Concursos, 2023. É de se destacar também que, as contribuições sociais são divididas da seguinte forma: contribuições de seguridade social, outras contribuições sociais e contribuições sociais gerais. 2.1 Contribuições de Seguridade Social As contribuições de seguridade social têm, por objetivo, carrear recursos para a seguridade social, obviamente. A seguridade social, de acordo com o art. 194 da CF/88, “compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social”. As regras específicas dessas contribuições foram dispostas fora do capítulo do Sistema Tributário Nacional, estando inseridas capítulo que trata especificamente da seguridade social. Por esse motivo, vários aspectos atinentes ao Direito Tributário serão vistos no art. 195 da Magna Carta. De acordo com esse artigo, as contribuições para seguridade social poderão incidir sobre várias bases econômicas. Vou listar os principais e apresentar os tributos que foram instituídos para satisfazer a disposição constitucional. Tabela 2: Contribuições Especiais. BASE ECONÔMICA CONTRIBUIÇÃO INSTITUÍDA Receita ou Faturamento COFINS Lucro CSLL Importação de bens ou serviços do exterior PIS/PASEP-Importação e COFINS-Importação Fonte: Elaborado pelo autor com base no CTN,, 2023. Além disso, as contribuições sociais poderão incidir sobre as seguintes bases econômicas: ➢ Folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que preste serviço ao empregador; ➢ Do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, podendo ser adotadas alíquotas progressivas de acordo com o valor do salário de contribuição, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo Regime Geral de Previdência Social; ➢ Receita de concursos prognósticos. O art. 195, § 9º, da CF/88, estabelece que as contribuições devidas pelo empregador (incidentes sobre a folha de salários, receita ou faturamento e lucro) poderão ter alíquotas diferenciadas em razão da atividade econômica, da utilização intensiva de mão de obra, do porte da empresa ou da condição estrutural do mercado de trabalho, sendo também autorizada a adoção de bases de cálculo diferenciadas (neste caso apenas para receita ou faturamento e lucro). Há também outra contribuição que incide sobre o faturamento, que é a contribuição ao PIS/PASEP, instituída com base no art. 239 da própria CF/88. De acordo com o STF, trata-se, na verdade, de um bis in idem permitido pela CF/88. Bis in idem ocorre quando um ente federado institui mais de um tributo sobre um mesmo fato gerador. No caso em tela, o fato gerador é o faturamento. Se a própria CF permite que se cobrem os dois tributos concomitantemente, não há que se falar em qualquer restrição. 2.2 Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico Dando continuidade ao nosso estudo sobre as contribuições especiais, vejamos alguns aspectos importantes sobre a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, amplamente conhecida por CIDE. Tal contribuição é de competência apenas da União. Pela própria nomenclatura que lhe foi dada pelo constituinte, percebemos que a CIDE não se trata de um imposto, cuja finalidade principal é arrecadar recursos para os cofres públicos. A sua denominação nos remete a uma intervenção estatal na economia, no mercado. Portanto, é um tributo extrafiscal, pois a finalidade é intervir no funcionamento da economia do país. 2.3 Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública O serviço de iluminação pública não pode ser custeado por taxas, por não atender aos requisitos de especificidade e divisibilidade exigidos tanto pela CF/88 (art. 145, II) quanto pelo CTN (art. 77). Diante desse impedimento, o correto é que fosse utilizada parte da arrecadação decorrentes dos impostos. Contudo, os municípios alegavam que não havia recursos disponíveis para financiar este serviço. Por esse motivo, o legislador constituinte derivado, por meio da Emenda Constitucional 39/2002, acrescentou o art. 149-A ao texto constitucional. Tal dispositivo prevê a criação da Contribuição para o custeio do serviço de iluminação pública (COSIP) . Vejamos o que diz o art. 149-A: Três aspectos devem ser levados em conta, na leitura dos dispositivos supracitados: ➢ A competência é restrita aos Municípios e ao DF; ➢ A arrecadação do tributo é vinculada ao custeio do serviço de iluminação pública; ➢ É facultado que a cobrança desse tributo seja feita na fatura de consumo de energia elétrica. 2.4 Legislação Tributária: CTN, Normas Principais e Complementares O Código Tributário Nacional inicia o seu Livro Segundo a partir do art. 96, tratando do tema “Legislação Tributária”. Mas o que vem a ser Legislação Tributária? Legislação tributária deriva de fontes, que são divididas em materiais e formais. As fontes materiais (ou reais) representam os fatos que justificam a tributação, como, por exemplo, o patrimônio, os serviços, a importação, a exportação, a transmissão de propriedade etc. Contudo, as fontes materiais, por si só, não são capazes de fazer surgir a obrigação tributária, pois é necessário que elas (as fontes materiais) tomem uma forma. Tal forma diz respeito ao processo de elaboração de atos normativos, como as leis ou medidas provisórias, capazes de estabelecer uma relação jurídico-tributária entre o sujeito ativo (União, por exemplo) e o contribuinte. Figura 06: Legislação Tributária. Fonte: https://www.admfacil.com/legislacao-tributaria-e-trabalhista/. Como consequência desse processo legislativo, por assim dizer, temos as denominadas fontes formais, que foram rotuladas no art. 96 do CTN como legislação tributária, nos seguintes termos: “Professor, então quer dizer que as fontes formais do Direito Tributário são as leis, tratados internacionais, decretos e as normas complementares? Exatamente!Nesse contexto, é importante ter em mente o conceito de ato normativo. Trata-se de hipóteses normativas que são aplicadas às pessoas de um modo geral e às diversas situações fáticas. Em síntese, são dotados de generalidade e abstração. Imaginemos, a título de exemplo, uma lei municipal que institui o IPTU em um determinado Município. Essa lei é dotada de generalidade, pois não possui um destinatário específico, incidindo sobre a todas as pessoas que praticarem o fato gerador do IPTU (possuir imóvel em território urbano). Além disso, o fato de a lei apenas estabelecer hipóteses de incidências abstratas (que podem vir ou não a ocorrer no mundo concreto), faz com que a doutrina caracterize tais atos normativos como dotados de abstração. Diferentemente do que foi visto acima, os atos concretos são de caráter individual, incidindo sobre pessoa determinada, bem como relativo a situações ocorridas no mundo concreto. Assim, por exemplo, quando um Auditor-Fiscal da Receita Federal, durante procedimento de fiscalização, detecta que o contribuinte auferiu rendimentos e deixou de pagar o IR devido, faz-se um lançamento de ofício, que é, por essência, um ato concreto. No entanto, nem todos os atos normativos possuem a mesma “força” jurídica. Assim, podemos definir os atos normativos como primários e secundários. Os atos normativos primários, assim denominados por buscarem seus fundamentos diretamente da Constituição Federal, são capazes de inovar no ordenamento jurídico, criando novos direitos e obrigações. Por outro lado, os atos normativos secundários, aqueles cujo fundamento de validade é uma norma infraconstitucional (leis, por exemplo), não têm o condão de inovar no ordenamento jurídico. Retornando nossos olhares ao art. 96 do CTN, podemos dizer que a são fontes formais principais do Direito Tributário: Constituição Federal e Emendas à Constituição, Leis Complementares e Ordinárias, Leis Delegadas, Medidas Provisórias, Decretos Legislativos e Resoluções . 2.4.1 Constituição Federal e Emendas à Constituição A Constituição Federal é a base de todo o Sistema Tributário Nacional. Afinal de contas, é dela que os entes recebem a competência tributária para instituir tributos. Além disso, como Lei Maior, traz os princípios norteadores do Direito Tributário que, juntamente com as imunidades tributárias, constituem as limitações ao poder de tributar. A CF também é responsável por disciplinar o processo legislativo, isto é, o processo de criação das principais normas tributárias (leis complementares, leis ordinárias etc.). No que se refere à modificação da CF/88, há que se destacar que isso somente se faz possível, por meio das denominadas emendas à Constituição. Tal processo pode resultar na alteração das regras do jogo, ou melhor, das regras norteadoras do todo o sistema tributário, já que, após aprovadas, as normas das emendas à Constituição passam a ter a mesma hierarquia desta. 2.4.2 Leis Complementares A lei complementar é ato normativo, cujo processo de aprovação é mais dificultoso do que o rito comum das leis ordinárias. Em matéria tributária, vários aspectos foram submetidos à lei complementar, inclusive a instituição de alguns tributos. Em relação à instituição de tributos, estão submetidos à lei complementar: • Empréstimo Compulsório (EC); • Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF); • Impostos Residuais (I.Res.); • Contribuições Sociais Residuais (CSR). Em relação à regulamentação específica de alguns tributos, fica a lei complementar responsável pelas seguintes funções: • ITCMD: em casos relacionados ao exterior (ler art. 155, § 1º, III, “a” e “b”); • ICMS: temas que possam gerar conflitos entre os Estados, situações peculiares ao ICMS e base de cálculo e contribuintes (ler art. 155, § 2º, XII, “a” a “i”); • ISS: define serviços tributáveis pelo ISS, fixa alíquotas mínimas e máximas, exclui sua incidência sobre as exportações de serviços e regula a forma como os benefícios fiscais são concedidos (ler art. 156, III, c/c art. 156, § 3º, I, II, e III); • Contribuições Sociais: fixa limites para a concessão de isenção ou anistia de algumas contribuições sociais (art. 195, § 11). Além do que já foi visto, a CF/88 também concedeu três importantes funções para a lei complementar, quais sejam: • Dispor sobre conflitos de competência em matéria tributária; • Regular as limitações constitucionais ao poder de tributar; • Estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária. No que se refere especificamente às normas gerais em Direito Tributário, a CF/88 discriminou o que deve ser disciplinado nas leis complementares. Você vai perceber que alguns casos já foram estudados no nosso curso, outros, não: 2.4.3 Leis Ordinárias Em nosso sistema tributário, as leis ordinárias são a regra quando o assunto é instituição de tributos. Vimos no tópico anterior que há alguns tributos cuja instituição fica a cargo da lei complementar. Contudo, trata-se de exceções pontuais. Assim, é a lei ordinária municipal, estadual ou federal que institui, por exemplo, as taxas e as contribuições de melhoria. Seguindo a linha de raciocínio desse dispositivo, somente a lei pode instituir os tributos, como também somente a lei pode extingui-los. Do mesmo modo, embora haja algumas exceções (exceções ao princípio da legalidade), somente as leis podem majorar ou reduzir os tributos. No que se refere à definição do fato gerador, da fixação da alíquota e da base de cálculo dos tributos, você deve saber que isso se refere ao momento de instituição dos tributos. Ou seja, quando se está instituindo um determinado tributo, a lei deve prever tais elementos. 2.4.5 Medidas Provisórias Quanto a este ponto, cabe-nos apenas relembrar que as medidas provisórias são atos normativos temporários com força de lei, expedidos pelo Chefe do Poder Executivo, que podem vir ou não a ser convertidos em lei. Deve-se saber que as MPs podem tratar, sim, de matéria tributária, bem como instituir tributos, inclusive isso consta na CF/88 (art. 62, § 2°), quando esta dispõe sobre a instituição e majoração de impostos por meio de MP. 2.4.6 Leis Delegadas Semelhantemente às medidas provisórias, as leis delegadas são elaboradas pelo Presidente da República e possuem a mesma força de uma lei ordinária. Contudo, como o próprio nome do instrumento normativo se apresenta, faz-se necessária uma delegação do Poder Legislativo, por meio de uma resolução do Congresso Nacional. Destaque-se que não há nada que impeça o Poder Executivo de introduzir normas tributárias por meio de leis delegadas, desde que não sejam temas reservados à lei complementar. 2.4.7 Resoluções As resoluções são atos normativos com força de lei, emanados pelo Poder Legislativo sem qualquer participação do Executivo, o que faz com que a doutrina as denomine “leis sem sanção”. Podem ser editadas pelo Congresso Nacional ou por suas casas, Câmara dos Deputados e Senado Federal. São as resoluções do Congresso Nacional que são utilizadas para aprovar a delegação aoPresidente da República para editar as leis delegadas. Em matéria especificamente tributária, toma relevância as resoluções do Senado Federal, Casa de representação dos Estados-Membros no Congresso Nacional, ao tratar de vários aspectos atinentes aos impostos de competência estadual. 2.4.8 Decretos Legislativos De forma análoga às resoluções, os decretos legislativos são atos normativos de competência exclusiva do Poder Legislativo, não estando sujeitos à sanção presidencial. Em matéria tributária, os decretos legislativos entram em cena em dois momentos, que consistem na aprovação de tratados internacionais firmados pelo Presidente da República, bem como no disciplinamento das relações jurídicas decorrentes de medida provisória não convertida em lei. 2.5 Escrituração de Livros Fiscais O registro dos fatos contábeis, em seu conjunto, denomina-se escrituração. A escrituração é encontrada nos livros contábeis e fiscais. Estudemos os principais. Figura 07: Livros Fiscais. Fonte: https://www.linkedin.com/pulse/quer-destruir-seus-livros-fiscais-marcos-martins/?original. 2.5.1 Livro Diário O livro diário é um livro que contém o registro de todo e cada lançamento em ordem cronológica, fato que nos permite compreender a sequência de acontecimentos ocorridos na empresa. Ele é obrigatório para a quase totalidade dos empresários (ressalva-se o pequeno empresário previsto na LC 123/2006). O registro de uma operação no livro Diário é denominado de partida de diário, ou simplesmente lançamento. Alguns requisitos existem para essas partidas de diário, a saber: No Diário serão lançadas, com individuação, clareza e caracterização do documento respectivo, dia a dia, por escrita direta ou reprodução, todas as operações relativas ao exercício da empresa. Admite-se a escrituração resumida do Diário, com totais que não excedam o período de trinta dias, relativamente a contas, cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares regularmente autenticados, para registro individualizado, e conservados os documentos que permitam a sua perfeita verificação. Serão lançados no Diário o balanço patrimonial e o de resultado econômico, devendo ambos ser assinados por técnico em Ciências Contábeis legalmente habilitado e pelo empresário ou sociedade empresária. Vejam que não necessariamente as demonstrações serão assinadas por contadores, mas, sim, por contabilista, o que inclui os técnicos e bacharéis. O livro diário possui algumas formalidades, extrínsecas e intrínsecas, vamos vê-las: 2.5.2 Livro Razão O livro razão é facultativo, principal (isto é, registram todos os fatos) e sistemático (leva em conta principalmente a organização das informações). Segundo a legislação do IR, os contribuintes sujeitos à apuração do lucro real devem escriturar o livro razão. Vejamos um exemplo de lançamento no livro razão: Figura 03: Exemplo de um Livro Razão. Razão Analítico DRA Comércio Ltda CNPJ: 00.000.000/0001-00 Período 12/2023 Conta: Bancos Cta. Movimento Data Histórico Débito Crédito Saldo 01.12.2023 Saldo Inicial - - 10.000,00 D 10.12.2023 Depósito 5.000,00 - 15.000,00 D 30.12.2023 Cheque nº 1 - 2.000,00 13.000,00 D Totais 5.000,00 2.000,00 13.000,00 D Fonte: Estratégia Concursos, 2023. 2.5.3 Livro Caixa Registra as entradas e saídas de numerário. Os registros devem ser efetuados em ordem cronológica e, por isso, pode ser utilizado como auxiliar do Livro Diário, devendo atender a todas as formalidades exigidas. O livro caixa é obrigatório para contribuintes que estejam no regime simplificado previsto na Lei Complementar 123/2006, desde que não optem por escriturar o diário e razão, hipótese em que o Livro Caixa estará dispensado. 2.5.4 Livro Registro de Inventário e Entrada e Saída de Mercadorias Registra os bens de consumo, as mercadorias, as matérias-primas e outros materiais que se achem estocados nas datas em que forem levantados os balanços. Temos ainda os livros registros de entrada e saída de mercadorias, que servem para auxiliar os empresários a apurarem o quanto entra e sai de mercadoria no estoque da empresa durante o exercício. 2.5.5 Livro de Apuração do Lucro Real O Livro de Apuração do Lucro Real, também conhecido pela sigla LALUR, é um livro de escrituração de natureza eminentemente fiscal, criado pelo Decreto-lei nº 1.598, de 1977, em obediência ao ß 2 o do art. 177 da Lei nº 6.404, de 1976, e destinado à apuração extracontábil do lucro real sujeito à tributação pelo imposto de renda em cada período de apuração, contendo, ainda, elementos que poderão afetar o resultado de períodos de apuração futuros. O LALUR é destinado a registrar valores que, por sua natureza eminentemente fiscal, não devam constar da escrituração comercial. Assim, não pode ser utilizado para suprir deficiências da escrituração comercial (registrar despesas não constantes da escrituração comercial ou insuficientemente registradas). 2.5.5.1 Quem está obrigado à escrituração do LALUR Todas as pessoas jurídicas contribuintes do imposto de renda com base no lucro real, inclusive aquelas que espontaneamente optarem por esta forma de apuração. O LALUR, cujas folhas são numeradas tipograficamente, terá duas partes, com igual quantidade de folhas cada uma, reunidas em um só volume encadernado, a saber: - Parte A: Destinada aos lançamentos de ajuste do lucro líquido do período (adições, exclusões e compensações), tendo como fecho a transcrição da demonstração do lucro real; e - Parte B: Destinada exclusivamente ao controle dos valores que não constem da escrituração comercial, mas que devam influenciar a determinação do lucro real de períodos futuros. O LALUR poderá ser escriturado mediante a utilização de sistema eletrônico de processamento de dados, observadas as normas baixadas pela Secretaria da Receita Federal. A escrituração em formulários contínuos, cujas folhas deverão ser numeradas, obedecerá a ordem sequencial, mecânica ou tipograficamente, e conterá termos de abertura e encerramento. 2.6 Obrigações Tributárias: Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, também conhecida por DCTF, é uma declaração apresentada obrigatoriamente à Receita Federal. Seu objetivo precípuo é informar os tributos apurados pela empresa. 2.6.1 Quem deve apresentar a DCTF Mensal? - As pessoas jurídicas de direito privado em geral, inclusive as equiparadas, as imunes e as isentas, de forma centralizada pela matriz; - As unidades gestoras de orçamento das autarquias e fundações instituídas e mantidas pela administração pública dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; - As unidades gestoras de orçamento dos órgãos públicos dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário dos Estados e do Distrito Federal e dos Poderes Executivo e Legislativo dos Municípios; - Os consórcios que realizem negócios jurídicos em nome próprio, inclusive na contratação de pessoas jurídicas e físicas, com ou sem vínculo empregatício.2.6.2 Quem está dispensado de apresentar DCTF Mensal? - As Microempresas e as Empresas de Pequeno Porte enquadradas no Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123/2006. - As pessoas jurídicas inativas, enquanto se mantiverem nesta condição. - As pessoas jurídicas e os consórcios que não tenham débitos a declarar, a partir do 2º (segundo) mês em que permanecerem nessa situação. 2.6.3 Tributos declarados na DCTF: - Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); - Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); - Imposto sobre Operações de Crédito, Cambio e Seguro, ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários (IOF); - Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); - Contribuição para o PIS/Pasep; - Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); - Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico incidente sobre a importação e a comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados, e álcool etílico combustível (CIDE-Combustível); - Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico destinada a financiar o Programa de Estímulo à Interação Universidade-Empresa para o Apoio à Inovação (CIDE-Remessa); - Contribuição do Plano de Seguridade do Servidor Público (CPSS); - Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), de que tratam os arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011. 2.6.4 Como apresentar a DCTF A DCTF deve ser elaborada mediante a utilização do Programa Gerador da Declaração (PGD) e transmitida pela Internet com a utilização do programa Receitanet. Para a apresentação da DCTF, é obrigatória a assinatura digital da declaração mediante utilização de certificado digital válido. As pessoas jurídicas devem apresentar a DCTF até o 15º (décimo quinto) dia útil do 2º (segundo) mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores. 2.7 Apuração e Recolhimento de Tributos Há duas grandes formas de fazer a apuração de impostos: primeiro em relação à rotina (mensal ou anual) e ainda em relação ao tipo do regime (cumulativo ou não cumulativo). 2.7.1 Apuração de Impostos no Regime Cumulativo O regime tributário cumulativo, também conhecido como regime apurado em cascata, é aquele no qual a empresa apura o total de suas operações. Nessas operações são calculadas, portanto, o total de saídas excluindo as devoluções, dos abatimentos e os cancelamentos. Sendo que no resultado dessa operação aplica-se a alíquota do tributo sobre a base de cálculo do tributo em questão. Nessa forma de apuração cumulativa, o contribuinte não tem direito a crédito tributário através de suas operações de entrada. Por isso, não é possível abater os créditos das operações anteriores. Um exemplo bastante conhecido de tributo do tipo cumulativo são as contribuições PIS e COFINS. São impostos do tipo cumulativo aplicáveis nas apurações das empresas, normalmente, enquadradas no regime tributário do Lucro Presumido. 2.7.2 Apuração de Impostos no Regime Não Cumulativo Nesta forma de apuração o contribuinte tem direito de creditar o tributo da cadeira anterior. Isso indica que existe a possibilidade da compensação nas operações futuras daquele tributo, ou seja, as operações que incidem na etapa anterior. A diferença entre os regimes de tributação cumulativo e não cumulativo, reside basicamente na forma de apuração. A apuração da base de cálculo do regime cumulativo não admite crédito tributário através das operações de entrada. Fato que diverge no cálculo do não-cumulativo, já que esse permite as operações anteriores. 2.8 Infrações e Penalidades As infrações tributárias podem ser entendidas como a inobservância de normas estabelecidas na legislação tributária. Nessas situações, os contribuintes podem ser penalizados de diversas formas, conforme as regras que foram desrespeitadas. Quando falamos sobre infração tributária, é comum fazer uma relação direta com a ausência de pagamento de impostos. Porém, essas infrações podem ir muito além disso: recolhimento de valor incorreto, registros incorretos de ativos e patrimônio, falta de documentos obrigatórios, falha na entrega de declarações contábeis e fiscais, descumprimento de obrigações acessórias, entre outras. Entre as principais infrações se destacam: evasão fiscal e sonegação fiscal. A evasão fiscal consiste no uso de mecanismos ilegais para pagar menos impostos. Isso pode ser feito por meio da omissão de informações, fraudes à fiscalização, falsificação de documentos, entre outros. Já a sonegação fiscal representa a omissão ou ocultação de valores e bens com o objetivo de pagar menos impostos do que o obrigatório. Enquanto a evasão e sonegação fiscal são artifícios ilegais usados por empresas que buscam obter vantagem indevida, a ausência de recolhimento de impostos nem sempre ocorre por má-fé. Em muitos casos, os empreendedores deixam de pagar os tributos devidos por descuido ou esquecimento. Entretanto, para fins legais, toda ausência de recolhimento de impostos é considerada uma infração tributária e gera penalidades. Nessas situações, as empresas são penalizadas com uma multa de 0,33% por dia de atraso, podendo chegar a 20%. Além disso, se o atraso no pagamento for superior a um mês, incidem juros de mora, que são cobrados a partir do mês seguinte à inadimplência. UNIDADE II Questões Objetivas 1. A Constituição Federal atribuiu às leis complementares federais várias funções, dentre as quais, a de: a) estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre a definição de tributos e de suas espécies. b) estabelecer normas gerais sobre obrigação, lançamento e prescrição tributários, bem como fixar a alíquota dos impostos federais. c) reduzir ou ampliar as limitações constitucionais ao poder de tributar. d) dispor sobre conflitos de competência em matéria tributária, exceto quando se tratar do ICMS, cujos conflitos se resolvem por meio de convênios entre os Estados e o Distrito Federal. e) estabelecer normas atinentes à definição dos fatos geradores, das bases de cálculo e dos contribuintes dos tributos discriminados na Constituição Federal. 2. A espécie normativa encarregada de dispor sobre conflitos de competência em matéria tributária entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios é: a) Emenda Constitucional; b) Lei Complementar federal; c) Decreto federal; d) Lei Ordinária federal; e) Convênio. 3. Conforme previsão constitucional, a contribuição para o custeio do serviço de iluminação pública pode: a) ser cobrada na fatura de consumo de energia elétrica; b) ser instituída pela União e pelos Estados; c) ter alíquotas máximas e mínimas fixadas pelo Senado Federal; d) ser cobrada no mesmo exercício financeiro em que seja publicada a lei que a instituir; e) ter suas alíquotas aumentadas por decreto. UNIDADE III TRIBUTOS SOBRE O VALOR AGREGADO E INCIDENTES SOBRE O FATURAMENTO Objetivo: Esta unidade tem como objetivo apresentar os tributos incidentes sobre o valor agregado: IPI – Imposto sobre produtos Industrializados e Tributos incidentes