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Aula 3 - Indicadores de Preparo de Alimentos Os indicadores de preparo de alimentos foram estabelecidos para indicar a relação de perdas ou ganhos de peso do alimento durante as etapas de pré-preparo e preparo (ABREU; SPINELLI, 2014). A retirada de partes do alimento durante o seu pré-preparo e o aumento ou perda de peso durante o preparo, quando comparado com o peso inicial, motivaram a criação do fator de correção (FC) e do indicador de conversão (IC), que podem ser utilizados para dimensionar compra, custo e rendimento de alimentos e preparações, além do índice de reidratação (IR), que prevê o ganho de peso de um alimento quando submetido à etapa de remolho. Antes de conhecermos detalhadamente cada um dos indicadores é importante que alguns conceitos sejam apresentados: PESO BRUTO (PB): É a quantidade de alimento para um determinado número de pessoas. É o peso do alimento in natura, com suas partes comestíveis e não comestíveis. Peso real do alimento, sem tirar cascas e sementes. PESO LÍQUIDO (PL): É a quantidade de alimento cru e limpo para um determinado número de pessoas. É o peso do alimento sem as partes não comestíveis. Peso líquido do alimento pronto para o consumo. PESO DO ALIMENTO COZIDO (PAC) É o peso do alimento cozido, empregado para o cálculo do IC e do valor energético. RESÍDUO: É a parte não comestível do alimento. RENDIMENTO (R): É o peso final da preparação, incluindo todos os ingredientes, incluindo caldos, molhos, condimentos etc., levando em consideração o fator térmico. Serve para calcular o valor energético, além de ser usado para alimentos compostos de vários ingredientes. Ex.: sopas, tortas, cozidos, feijoadas, entre outros. PER CAPITA Quantidade do alimento cru por pessoa PORÇÃO: É a quantidade de alimento já preparado para uma só pessoa. É obtida pelo rendimento dividido pelo número de pessoas para a qual foi feita a preparação. OBS: a porção pode ser de alimento cozido ou não. Os alimentos crus têm sua porção igual ao per capita, enquanto os alimentos submetidos à cocção poderão tê-la maior ou menor que o per capita, conforme o seu comportamento ao calor. DENSIDADE: É a relação entre a massa e o volume ocupado por uma preparação. Importante para se determinar a escolha dos equipamentos e utensílios que serão utilizados em uma Unidade de Alimentação e Nutrição (UAN). Conhecendo-se a massa total (porção x nº clientes) e a densidade das preparações, pode-se calcular os volumes que estas ocuparão. Assim pode-se quantificar e dimensionar os equipamentos e utensílios que serão adquiridos para a UAN. INDICADOR DE PARTES COMESTÍVEIS (IPC) O Indicador de Partes Comestíveis (IPC) é popularmente conhecido como fator de correção (FC) e sua intenção é prever as perdas inevitáveis ocorridas no pré-preparo, quando os alimentos são limpos (folhas murchas, queimadas, sementes, sujidades, entre outros), descascados (casca e talos), desossados (ossos) ou cortados (aparas) (PHILIPPI, 2014). É uma constante para um determinado alimento e é decorrente da relação entre peso bruto (PB) do alimento, conforme adquirido, e peso líquido (PL) do alimento depois de limpo e preparado para utilizar. É importante esclarecer que os alimentos utilizados para determinar o FC sempre estão crus, seja ele o PB ou o PL. Para alimentos que passaram pelo pré-preparo nas mesmas condições, o valor encontrado da relação entre o peso bruto (PB) e peso líquido (PL) do alimento, depois de limpo e pronto para utilizar, é consideração uma constante que será sempre maior ou igual a 1. A fórmula mostrada abaixo é utilizada para determinar o fator de correção: IPC = Peso bruto (PB)em gramas Peso líquido (PL) do alimento OBS: Para os alimentos (principalmente os não perecíveis) em que não se faz necessária a etapa de limpeza, o FC é igual a 1, pois o PB é igual ao PL. Nos serviços de alimentação sempre se busca um FC mais próximo de 1, pois isto indica menor perda e, consequentemente, menor custo. Cada Unidade Produtora de Refeição deve estabelecer sua tabela de IPC de acordo com: ✓ Tipo de alimento que adquire (qualidade do alimento - ex.: tomates estragados teriam um FC maior); ✓ Mão-de-obra do serviço (se são treinados para evitar desperdício); ✓ Utensílios (a faca afiada evita desperdício, pois tem melhor controle para tirar somente as partes que se deseja); ✓ Equipamentos (descascador regulado) utilizados, para maior segurança a respeito das quantidades a comprar; ✓ Além do tipo de corte, condições de armazenamento e grau de amadurecimento do alimento. Falhas causadas por estimativas incorretas podem acarretar problemas operacionais em Unidades de Alimentação e Nutrição (UAN), como: ✓ Aumento nos custos ✓ Desperdícios com sobras de alimentos já preparados ✓ Aquisição superfaturada INDICADOR DE CONVERSÃO (IC) O indicador de conversão prevê as modificações sofridas (aumento ou redução de peso) pelos alimentos em razão de agentes químicos (ação de ácidos), agentes biológicos (fermentos) ou fatores físicos (temperatura), ou seja, é a ação externa que os alimentos recebem na passagem de um estado para outro (cocção, congelamento, descongelamento), fazendo com que ganhem ou percam peso (líquido) (ABREU; SPINELLI, 2014; PHILIPPI, 2014). Destes fatores, o mais comum é o físico, por isso, quando falamos de indicador de conversão, estamos fazendo referência ao INDICE OU FATOR DE COCÇÃO (IC) OU FATOR TÉRMICO. Além do tipo de calor (úmido ou seco), outros fatores interferem no produto: ✓ Intensidade de calor ✓ Tempo de cocção ✓ Espécie de utensílios ✓ Adequação de equipamentos ✓ Qualificação da mão de obra ✓ Diferentes preparações para um mesmo alimento (assado, grelhado, gratinado, refogado e desidratado) O IC determina as alterações de massa, sendo a relação entre o peso do alimento cozido e o peso do alimento cru. Determina a porção da preparação (quantidade de preparação a ser servida) a partir do per capita (quantidade de alimento cru e limpo para uma pessoa, base de cálculo para análise da dieta). O resultado da conversão do alimento pode ser maior ou menor que 1. Quando que 1, indica que houve ganho de peso. Geralmente, os alimentos de origem vegetal, ricos em carboidratos, apresentam alto fator térmico (>1) e alimentos de origem animal ricos em proteínas apresentam baixo fator térmico (