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1 Sumário Unidade 1 - Alterações celulares ................................................................................................. 2 Patologia Geral e Comparada ................................................................................................... 2 Agressão celular, doença e morte celular - degeneração e necrose ........................................ 2 Agressão celular, morte celular ............................................................................................. 4 Necrose ................................................................................................................................. 5 Tipos morfológicos de necrose ................................................................................................. 9 Necrose da gordura/tecido adiposo ....................................................................................... 14 Consequências da necrose ...................................................................................................... 16 Gangrena ............................................................................................................................. 16 Calcificação Patológica ........................................................................................................ 19 Conceitos e morfologia de apoptose ...................................................................................... 23 Degenerações celulares/acúmulos celulares .......................................................................... 27 Degeneração gordurosa .......................................................................................................... 37 Acúmulo/deposição por glicogênio ........................................................................................ 42 Degeneração Hialina ............................................................................................................... 44 Distúrbios de pigmentação ..................................................................................................... 52 Distúrbios de pigmentação II .................................................................................................. 55 Fotossensibilização .................................................................................................................. 65 Unidade 2 - Distúrbios circulatórios............................................................................................. 0 Hiperemia ou congestão ........................................................................................................... 1 Desordens vasculares: Espaço intersticial - edema .................................................................. 6 Edema .................................................................................................................................... 7 Hemostasia .............................................................................................................................. 16 Desordens vasculares: Hemorragia ......................................................................................... 20 Trombose ................................................................................................................................ 29 Embolia .................................................................................................................................... 36 Diminuição perfusão/Infarto ................................................................................................... 39 Choque .................................................................................................................................... 44 2 Unidade 1 - Alterações celulares Patologia Geral e Comparada Patologia é o estudo da doença a partir de várias perspectivas Dividia em patologia geral e especial (sistêmica), para facilitação acadêmica. A patologia geral trás as alterações básicas, ou seja, o que ocorre na célula independente do agente causador, o que acontece no vaso (venoso, arterial ou linfático) para informar alguma alteração; o processo inflamatório é a relação do indivíduo com o ambiente. A expressão exagerada dele é um indicativo da doença normalmente, seja ela infecciosa, tóxica, física, imunológica. A patologia pode ser encarada como uma introdução ao estudo (gr. “logos”) da doença (gr. “pathos”), abordando principalmente o mecanismo de formação das doenças e também as causas, as características macro e microscópicas e as consequências destas sobre o organismo. Representa um dos primeiros contatos com a terminologia medica e compreensão do mecanismo de formação das doenças é que vai ser a base para a boa prática clínica, potenciando diagnósticos e indicando terapêuticas. Patologia é um importante elo entre as disciplinas básicas (anatomia, histologia, embriologia, fisiologia, microbiologia, bioquímica e parasitologia) e as profissionalizantes (clínicas, cirurgias, reprodução e inspeção de produtos de origem animal). Conceitos básicos: Etiologia: parte da patologia que se atém às causas das lesões Patogenia: termo que se relaciona ao mecanismo de formação das lesões Fisiopatologia: estudo das alterações da função de órgãos lesados Morfopatologia: o Anatomia patológica: parte da patologia que estuda as características macroscópicas das lesões o Histopatologia: parte da patologia que estuda as características microscópicas das lesões Dica: Aprenda a ver, a ouvir, a sentir, a cheirar e saber que por si: somente a prática pode te levar a perfeição. Medicina se aprende ao lado do paciente e não na sala de aula. Leia muito, se atualize diariamente, mas não deixe suas concepções das manifestações da doença apenas vir a partir de palavras ouvidas na sala de aula ou do texto lido. Veja, em seguida, use a razão para comparar e controlar. Mas veja primeiro. Agressão celular, doença e morte celular - degeneração e necrose Quando a célula morre ou adoece, ela muda Alteração celular estrutural e/ou bioquímica que impede a função normal da célula Lesão: altera a homeostasia o Depressão de ATP o Permeabilidade de membrana o Alteração/desequilíbrio bioquímico o Comprometimento do ácido nucleico 3 É possível saber que a célula está doente quando ela altera o formato, quando há tumerfação do retículo endoplasmatico, quando as mitocôndrias estão aumentadas, ribossomos se desacoplam do retículo A célula pode se recuperar, as estruturas nucleares se recompõem, os ribossomos se conectam novamente, as mitocôndrias que têm capacidade de fusão ou divisão se restabelecem, a energia é produzida e aí pode voltar à normalidade. Caso contrário, se a agressão for intensa, as alterações serão mais severas também. Então as organelas começam a ser digeridas, os lisossomos liberam enzimas dentro, digerindo a membrana nuclear e ácidos nucleicos, as mitocôndrias acabam sendo degradadas. Quando se inicia a necrose, não há reversão. O quadro intermediário é denominado doença degenerativa, caracterizada quando a célula começa a acumular trabalho, água, gordura, carboidrato, lipídeos. O excesso delas é indicativo de doença degenerativa. A melhor alternativa para observar alterações celulares é a microscopia óptica e as estruturas mais visíveis são o núcleo e o citoplasma. Para isso, são necessários alguns procedimentos químicos, como a fixação, processamento utilizando gradientes, xilol, coloração padrão hematoxilina eosina (hematoxilina fixa mais ácidos nucleicos, é um corante basofílico e cora em roxo/azul; eosina marca componentes ácidos, se liga onde tem mais proteína principalmente. Causas de doença e morte celular: Deficiência de oxigênio (hipóxia) Agentes físicos - calor, frio, fogo, nitrogênio Microrganismos infecciosos - bactérias, vírus, fungos Desequilíbrios nutricionais Alterações genéticas baixa e tem função de ligar os triglicerídeos e colesterol excedentes dentro dos hepatócitos e transportam para locais que estejam precisando. A tendência é que esse VLDL fique com uma quantidade grande de colesterol e poucos triglicérides, sendo denominada LDL. Esta molécula tem grande capacidade de se ligar a endotélio, começa a se depositar na parede vascular e causa reação inflamatória, podendo obstruir a luz do vaso (aterosclerose). O fígado pode ser considerado um órgão “ruim” porque produz uma estrutura com certo defeito, que está relacionado com esse acúmulo de colesterol na parede dos vasos. Com isso, ele corrige produzindo uma outra apoproteína com uma finalidade muito específica, a HDL (proteína de alto peso), que é liberado do hepatocito 39 e volta captando o colesterol em excesso na corrente circulatória. Quando não utilizado na produção de hormônios, o excesso de colesterol é liberado pela vesícula biliar. Endógeno: aquele que o VLDL saiu para distribuir lipídeos e o que sobrou foi para os adipócitos, formando a gordura abdominal, o que está intra-abdominal, no omento, no mesentério, perirrenal, pericárdio. Para que ocorra mobilização da gordura corporal, é necessária uma atividade de sinalização hormonal, produzida por uma série de estímulos, como o déficit energético (muito importante). Quando falta glicose (jeito mais fácil de obter ATP), o organismo lança mão de uma via secundária (neoglicogênese), que são as reservas de gorduras. Esse é um exercício de alta intensidade que faz um esgotamento da reserva de energia originária da glicose é estimulado por hormônios como cortisol, noradrenalina, adrenalina, GH (hormônio do crescimento), glucagon*. Há uma sinalização, precisa de uma energia secundária, produz a molécula glucagon, se liga à superfície do adipócito e isso sinaliza para iniciar a atividade de enzimas lipolíticas dos adipócitos, que vão quebrar o triglicerídeo em glicerol (via do piruvato) e ácido graxo (vão para o fígado, mas precisa de mecanismo para ser transportado já que é apolar, a proteína de transporte albumina. Ao chegar no fígado, entra no mesmo caminho que a gordura exógena seguiu para a produção de energia (acetil CoA - ATP) e se esse estímulo for longo, vai diminuir as reservas de gordura e quando escassear, a próxima alternativa será de aminoácidos. Obs: o excesso de consumo de carboidrato e proteína (não utilizados para produção de ATP) vai ser transformado por neoglicogênese em triglicerídeos, vai juntar C formando ácidos graxos e aí será depositado na gordura. Há uma enzima que media a transformação dos triglicerídeos em colesterol, a HGM redutase. Ela é importante porque geralmente é alvo de alguns inibidores como a estatina, que é usada para controlar o nível elevado de colesterol Outra questão muito importante é que no momento da formação de ATP na via da beta oxidação, vai ocorrer a formação de algumas estruturas carbonadas chamadas de corpos cetônicos (acetoacetato, acetona e beta-hidroxibutirato). Essas estruturas são formadas normalmente e acabam produzindo energia, mas o excesso dessa produção acaba sendo tóxico, causando principalmente quadro clínico neurológico em algumas espécies, que possuem passagem mais facilitada de corpos cetônicos pela barreira hematoencefálica e isso leva a dano neuronal e quadro clínico neurológico. Essa alteração é mais comum quando há um excesso de acúmulo de ácidos graxos dentro da célula e é um complicador da lipidose celular. 40 Patogenia da lipidose hepática Excesso de ácidos graxos livres originários da dieta ou do tecido adiposo Diminuição da oxidação de ácidos graxos, devido à lesão mitocondrial (hipóxia) Baixo aporte de apoproteinas (parte proteica da proteína conjugada - lipoproteína). Apoproteína-A está associada ao colesterol HDL, facilitando o transporte de colesterol do plasma para os tecidos. Impedimento da síntese de apoproteínas (CCl4, aflatoxina) Obs: uma substância chamada de tetracloreto de carbono que era usada como vermífugo na medicina veterinária, é uma substância com instabilidade química, chega no hepatocito, pode liberar os cloros e essas moléculas se ligam a apoproteínas, impedindo a atividade delas. O mesmo ocorre com aflatoxinas, faz com que ocorra ligação de proteína com triglicerídeos. Lipidose em animais domésticos Aumento da mobilização de gordura corporal o Gestação e lactação em ruminantes - toxemia da prenhez em ovinos e cetose em bovinos o Desordens nutricionais - obesidade x desequilíbrio nutricional x fome (mobilização de gordura corporal) o Tetracloreto de carbono o Síndrome do fígado gordo dos felinos e bovinos Em algumas situações, mesmo que aparentemente fisiológica, há ocorrência de mobilização de gordura corporal. Um exemplo disso é a gestação e a lactação, mas dependendo do momento e do tipo, necessitam de enorme quantidade de energia para serem executadas. A gestação principalmente em ovinos, especialmente de gemelares, requerem enorme quantidade de energia para desenvolvimento do feto e manutenção da mãe. O espaço físico ocupado pelos gêmeos já é um limitador para ingestão de alimentos. Esse quadro é denominado de toxemia da prenhez em ovinos e em determinado momento, principalmente no terço final da gestação, vai ocorrer déficit metabólico e vai ocorrer uma série de sinalização por hormônios (cortisol, adrenalina, GH, glucagon) para que adipócitos liberem bastante gordura, grudem na albumina, cheguem ao fígado e começa a sobrecarregar o hepatócito. Uma característica extremamente importante desse fato é que o animal tem que ter uma grande reserva de gordura. Uma situação agravante nesse processo é a alta formação de corpos cetônicos e normalmente os ovinos desenvolvem quadro neurológico de difícil reversão medicamentosa por conta da cetonemia. Em bovinos, há um quadro parecido em relação à lactação, mais especificamente das vacas leiteiras de produção. Em determinado momento hormonal, principalmente nas primeiras semanas após o parto, o bovino entra em déficit energético independente da qualidade nutricional. Se ele tiver bastante reserva de gordura corporal e déficit de glicogênio, glicose para formação dos ATPs, vai haver sinalização hormonal para que seja mobilizada a gordura corporal até sobrecarregar os hepatocitos, como ocorre na toxemia da prenhez. Outra situação é qualquer quadro de desordem nutricional, como obesidade, diabetes mellitus e insipidus. Gatos muito frequentemente, quando possuem doenças imunodeficitárias como FIV e FELV, aquelas produzidas pelo coronavírus, a PIF (peritonite infecciosa felina), se 41 forem obesos, podem desenvolver quadro clínico de déficit metabólico e mobilização de gordura corporal, causando a síndrome do fígado gordo ou lipidose hepática em gatos Um achado comum é o órgão ao ser colocado em formol boiar, já que a gordura tem baixa densidade. Além disso, quando há degeneração gorda, o fígado apresenta evidenciação dos lóbulos como vemos na foto a seguir (lembrar que não é alteração específica, na degeneração hidrópica também ocorre) Durante o processamento histológico, há solventes como o xilol que deixam buracos (vacúolos) pequenos com aspecto espumoso ou grandes. A gordura tem uma coesão maior do que a água e acaba empurrando o núcleo para a periferia. Em humanos, isso pode ocorrer pelo excesso de álcool. 42 Há corantes específicos para reconhecer gordura Em gatos com lipidose, ocorre icterícia porque retém o pigmento da hemoglobina, a bilirrubina, fica retida no organismo porque o hepatócito não consegue retrair/conjugar a bilirrubina com o ácido glicurônico e consequentemente ele se acumula na corrente circulatória e a partir de um determinado limiar, começa a se depositar e quanto mais claros os órgãos, mais se observa essa alteração. O rim também pode ser afetado. Aves migratórias se preparamcomendo muita gordura, carboidrato e proteína, se preparam para viagem reservando combustível através da gordura que é depositada no subcutâneo e no próprio fígado. Com isso, possuem um fígado muito grande e amarelado, não necessariamente representando doença hepática. Na França, era muito comum “Le foie gras”, que utiliza fígado de ganso. Além disso, é comum em raças europeias a infiltração gordurosa (marmoreio), que produz algumas propriedades organolépticas apreciada. Nesse caso também não é doença necessariamente. Acúmulo/deposição por glicogênio É normal ter água, gordura, glicogênio na célula, o excesso é que pode causar dano à função celular. Os hepatócitos de uma maneira geral possuem 10% da massa tecidual composta por glicogênio/glicose, 1% da massa muscular também é composta, o miocárdio também possui, no feto, na cartilagem, na parótida, no pâncreas, nas glândulas salivares, na pele, no rim, incluindo as células do sistema imune (células inflamatórias). Quando se fala de glicogênio, deve-se acompanhar uma abordagem que leva em conta o desempenho da atividade celular, se está causando ou não doença. A presença do glicogênio não indica doença e sim o excesso dele e a disfunção celular associada a esse componente Acúmulo anormal intracelular de glicogênio - consequência de desequilíbrios na síntese ou catabolismo do mesmo. Ocorre a vacuolização celular. Hiperglicemia: o Diminuição da insulina (pode ser por defeito nas ilhotas pancreáticas, célula não responde adequadamente ao estímulo induzido por insulina), levando ao aumento da glicemia. Como consequência, haverá uma filtração maior do glicogênio, para tentar reverter esse processo há uma reabsorção do glicogênio na luz tubular para o epitélio tubular, que pode induzir a uma alteração mecânica da função celular, fazendo com que haja uma filtração reduzida de componentes tóxicos do organismo ou uma reabsorção inadequada daqueles componentes que deveriam ser reabsorvidos mas são liberados. Tanto a 43 liberação quanto a filtração inadequada podem levar a doença renal, havendo uma série de síndromes renais associadas (retenção de P, de ureia - causa dano vascular, de creatina) o Alimentares, por lesão no SNC por narcóticos, por adrenalina ou glucagon, por hiperadrenocorticismo ou por diabetes mellitus - podem levar à mobilização excessiva de ácidos graxos e consequentemente uma produção elevada de glicose. Glicogenoses ou doença do armazenamento do glicogênio: síndromes de origem genética determinando deficiências de enzimas que condicionarão defeitos na síntese e/ou na degradação do glicogênio. Exemplos: o Doença de Von Gierke [I] - deficiência de glicose 6-fosfatase no fígado o Doença de Pompe (alfaglicosidose) - deficiência de Amilo 1-4 Glicosidase ou de Glicosidase lisossomica; o Doença de McArdle [V] - deficiência de fosforilase muscular o Obs: ocorrência de defeito na atividade enzimática ou não produção de enzima que faz o catabolismo ou síntese do glicogênio. Aspectos microscópicos o Quanto ao uso indiscriminado de corticoides, por exemplo, no quadro relacionado a covid-19, verificou-se que o uso de dexametasona tem um efeito nos casos graves, causando casos graves de hiperglicemia. Os hepatócitos ficam tumefeitos e vacuolizados, há eliminação de glicose pelos glomérulos renais e a reabsorção desta glicose que pode causar a vacuolização do epitélio renal mas também se deposita no glomérulo, causando dificuldade de filtração e levando à insuficiência renal. Doença de depósito lisossomais o Plantas que possuem alcaloide que inibem uma enzima chamada alfa- manosidase, podem causar uma doença denominada manosidose. Pode se acumular e afetar células do SNC, rim, fígado. o Uma característica histológica importante dessas situações (tanto de hiperglicemia quanto de depósito lisossomal) é a vacuolização citoplasmática, que também é característica do edema celular agudo e da degeneração gordurosa. Para diferenciar uma da outra, quando se suspeita armazenamento de glicogênio é usar uma coloração especial específica que se ligue ao glicogênio (PAS - ácido periódico de Shir - esse corante se liga a carboidratos mas não 44 especificamente à glicose). Com esse corante, pode tentar digerir a glicose e fixar em álcool. Degeneração Hialina Deposição intracelular e extracelular de proteínas (hialinose - hialinização) Hialina: os gregos acreditavam que o quartzo hialino, também denominado cristal de rocha, era pela sua transparência de gelo congelado pelos deuses que jamais se derreteria. O nome hialino significa que este tipo de quartzo é diáfano como o vidro ou parecido com ele. Translúcido. Degeneração hialina (acúmulo de proteína/desnaturação proteica intracelular) o Deposição de substância translúcida e albuminoide no citoplasma celular que deixa a célula com aspecto vítreo e homogêneo. o Acúmulo intracelular de material de natureza proteica, conferindo às células e tecidos afetados um aspecto hialino [gr. “hyalos” = vítreo, claro, homogêneo, translúcido, amorfo, denso, eosinofílico e refringente]. O que acumula dentro das células são as proteínas, neste caso, será estudado as alterações do componente proteico dentro da célula. Somando-se a isso, há ocorrência de alterações no interstício celular, na parede vascular, em áreas extracelulares que são relacionadas a agregados/acúmulos, levando ao aumento da quantidade de proteína no local. Apenas a coloração que lembra a hialina, não a conformação. Pode ser intracelular e extracelular: - Extracelular: - Cicatrizes: ocorrem quando há um rompimento, rasgadura, um traumatismo tecidual de uma víscera, sofre reação inflamatória e há liberação de fatores de crescimento para fibroblasto, endotélio. Os fibroblastos têm por objetivo produzir uma massa orgânica (colágeno) para reparar o local que está ocorrendo a agressão. Essa matriz de colágeno é histologicamente eosinofílica e praticamente acelular, então se cora com um tom róseo homogêneo quase translúcido. Em síntese, é uma alteração hialina, uma deposição do colágeno que se cora de forma hialina à observação histológica. - Trombos: de maneira similar, quando há obstrução da luz vascular por uma massa tecidual, a tendência é que ocorra a reparação inflamatória, proliferação de fibroblastos, produção de colágeno ou, em uma fase mais aguda, com deposição de fibrina (proteína que se cora em tom róseo homogêneo). Observar esse material hialino tanto na fase aguda quanto na fase reparativa, é um sinal de que ocorreu uma alteração e o sinal está baseado em uma característica de coloração, como se fosse um vidro róseo homogêneo hialino. - Deposições de complexos imunes: sempre que há excesso de complexo antígeno-anticorpo no glomérulo, nos sinusóides hepáticos, na membrana basal, intestinal, da pele (como no lupus), ocorre um espessamento do tecido com uma característica microscópica rósea homogênea. Logo, o glomérulo fica maior e róseo, a membrana basal da pele ficará espessada, os sinunosoides hepáticos ficam grandes por causa da deposição de imunocomplexos. - Espessamento arterial/esclerose glomerular por hipertensão: comum em humanos, mas pode ocorrer em animais também. Está relacionada frequentemente 45 com lesão da parede vascular, reação inflamatória e alteração proliferativa e reparativa, que frequentemente ganha uma tonalidade eosinofilica homogênea hialina. - Membranas hialinas intra-alveolares (angústia respiratória): tem sido discutida em casos de covid-19, nos casos graves frequentemente há danos alveolares significativos com extravasamento de grande quantidade de proteína plasmática, de imunocomplexo, de citocinas que preenchem o alvéolo pulmonar com material proteináceo homogêneo, com membranas hialinas, tendo como consequência o impedimento de uma adequada troca gasosa que leva a quadros graves. Também ocorre em outras doenças inflamatórias,infecciosas. - Amiloidose: amilo relacionado com amido (sacarídeo), são proteínas produzidas em grande quantidade em momento patológico, se depositam em alguns locais semelhantes a complexos antígeno-anticorpo e acabam causando alteração. Tem esse nome porque tem algumas características tintoriais principalmente macroscópicas similar a quando se cora amido (escura, acastanhado tendendo ao enegrecido dependendo da quantidade). Há algumas técnicas que usam lugol (iodo) para detectar se tem ou não amido, como em produtos embutidos, bebidas destiladas. O amiloide pode ter origem de 2 causas principais: doenças inflamatórias crônicas (tuberculose, brucelose) fazem com que haja produção de proteínas fibrilares pelo fígado, que acabam se depositando na parede de vasos no baço, fígado, rim, linfonodos e reagem com o iodo; doenças de plasmócitos (neoplasias, linfoma)faz com que produzam proteínas que reagem com iodo e também se depositam da mesma forma anterior. - Degeneração/necrose fibrinoide: outra alteração bastante comum com deposição de fibrina importante no diagnóstico é a lesão vascular, que ocorre em varias doenças tóxicas, infecciosas ou virais, em que faz com que ocorra lesão do endotélio vascular e extravasamento de proteínas (albumina, fibrina na parede do vaso - a fibrina praticamente obscurece os contornos das células que formam a parede do vaso e, por consequência, o vaso fica com um aspecto hialino) - Na foto anterior, a primeira imagem se refere a um corpo cicatricial no ovário, está normal mas não deixa de ser um exemplo de hialinização. O material é mais homogêneo e translúcido por conta da intensa deposição de colágeno. Na segunda, há uma luz de um vaso com a deposição de fibrina, então há um trombo agudo dentro do vaso e fica mais homogêneo. 46 - Na foto acima, nota-se a deposição de um material eosinofílico homogêneo na luz dos brônquios e alvéolos. Indica que há uma lesão vascular tóxica ou infecciosa, que faz com que haja um derrame de conteúdos proteicos inflamatórios da luz vascular, os quais se depositam e impedem as trocas gasosas do local. Logo, várias doenças virais incluindo o coronavírus apresentam como característica a hielinização da luz alveolar. - Na foto anterior, é possível observar os cordões de hepatócitos e o material eosinofílico homogêneo entre eles, com a deposição de material hialino. Na macroscopia, realiza o teste com lugol, já que reage com iodo, os pontos enegrecidos indicam o glomérulo renal amiloide. 47 - Retomando a degeneração fibrinoide, que é termo usado para descrever a deposição no material hialino (material acelular amorfo, brilhante, eosinófilo semelhante à fibrina (“fibrinoide”) em paredes se arteríolas. Os componentes da parede vascular ficam pouco evidente ou não são notados (“degeneração ou necrose fibrinoide”). Várias doenças podem causar esse tipo de dano, histologicamente apresentado na foto anterior. - O herpes vírus é uma delas, principalmente o equino e ovino. O ovino não causa doença de importância nessa espécie, mas causa infecção cruzada do bovino com herpes virus ovino, levando a uma doença panssistemica em que uma das principais alterações notada é a necrose fibrinoide da parede vascular, ou seja, deposição de material hialino na parede. Essa doença é chamada também de febre catarral maligna porque normalmente o bovino apresenta quadro febril, “hiperexia” significativa, bastante corrimento nasal e oral por conta das lesões de mucosa que o vírus induz, além de doença pansistêmica afetando aparelho reprodutivo, fígado, rim, SNC. O herpes vírus normalmente causa reação inflamatória perivascular (envolve agregado de células inflamatórias em volta do vaso, mas sem dano vascular visível, ou seja, sem degeneração fibrinoide), mas em cavalos causa uma vasculite (dano vascular com infiltração de material hialino na parede do vaso). - Intracelular: - Degeneração hialina (tubular renal): por algum desequilíbrio, o glomérulo perde a capacidade e começa a filtrar proteínas, moléculas maiores. Uma parte será perdida mas a tendência é que o epitélio tubular reaproveite alguma coisa. A própria luz tubular se enche de proteína, formando cilindros hialinos, que é um indicativo de dano ao rim. - Corpúsculos de Russell: é a hialinização do citoplasma e dos plasmócitos, que, quando ativos, produzem imunoglobulinas. Assim, se observa um citoplasma mais amplo e vermelho (mais hialino). Pode ser fisiológico, mas o excesso pode ser um indicativo de doença. - Corpúsculos de Councilman: o hepatócito quando passa por um dano, por vezes, sequestra proteínas citoplasmáticas em fagossomos e a isso é chamado de corpúsculos de Councilman. É um material proteico, eosinofílico, homogêneo, é uma degeneração hialina. - Degeneração hialina células ACTH (Crooke) cushing: existe uma doença que ocorre na hipófise chamada doença de Crooke ou que produz corpúsculos de Crooke, que está relacionada com excesso de produção de ACTH. Isso pode ser um distúrbio endógeno, por exemplo, uma alteração da adrenal, da própria hipófise, criando a 48 produção de corticoides; mas também pode ser pela aplicação exógena de cortisona, então o excesso de administração de corticoide pode levar a alteração morfológica nas células da hipófise. - Degeneração/necrose de Zenker: as fibras musculares estriadas esqueléticas ou cardíacas, quando estão em processo de degeneração, normalmente elas perdem as estriações contráteis, as bandas de contração de actina e miosina, e consequentemente ficam mais homogêneas que o normal. - Corpúsculos de inclusão: podem ser não virais ou virais e são extremamente importantes para o diagnóstico. - A foto anterior mostra um caso de necrose muscular (Zenker - coagulativa), em que a massa muscular afetada tende a ficar com vermelho menos intenso porque as bandas contrateis praticamente desaparecem pois são digeridas. Macroscopicamente há alteração de cor, consistência, linha de demarcação. - Acima, há gotículas de hialina no epitélio tubular principalmente quando o glomérulo não está funcionando bem. A tendência é que ele excrete proteínas que vão preencher a luz tubular e outras sejam reabsorvidas, formando esse material globular dentro do epitélio, indicando doença celular. A deposição intracelular e extracelular de proteínas (hialinose) pode ser fisiológica: o Gotas de proteínas reabsorvidas por células epiteliais dos túbulos proximais do rim (intracelular) o Gotas de imunoglobulinas no epitélio intestinal o Produção excessiva de proteína normal (plasmócitos) o Penetração no citoplasma (via absorção ou pinocitose) de proteínas complexas Retomando os corpúsculos de inclusão: o Termo genérico para qualquer massa circunscrita de materiais estranhos (metais pesados-agregados virais) ou metabólitos inativos (ceróide/lipofussina) dentro do citoplasma ou núcleo da célula. o Corpúsculo de Russel (plasmócitos) - agregados de proteína hialina dentro do plasmócito. Pode ou não significar doença e não é viral. o Corpúsculo de Mallory (hepatocitos) - ocorre dentro do hepatocito, quando há uma agressão no hepatócito, algumas proteínas se condensam, se dobram e 49 formam um agregado que é visto homogeneamente. Indica uma doença degenerativa hepatocelular mas não é um achado específico. o Corpúsculos de Crooke (hipófise) - também são processos relacionados aos corpúsculos de inclusão mas não é viral. o Corpos pseudopsamomatosos (neoplasias) - são proteínas produzidas por algumas células principalmente neoplasicas, que ficam acumuladas dentro do citoplasma e as vezes excretada também. Neoplasia de meninge principalmente. o Metais pesados como o chumbo se acumulam em células epiteliais tubulares em hepatocitos, podendo alterar a sua funcionalidade. A foto a seguir mostra hepatocitos com degeneração gorda, com buracos, agregados de proteína (corpúsculos de Mallory- não vorais), plasmócitos carregados de Ig (corpúsculo de Russel), material marrom lipofucsino ou ceroide. o Corpúsculos de inclusão virais: o vírus normalmente redireciona o metabolismo celular para produção de proteína e ácido nucleico para formação de novos capsídeos e material nucleico para os novos membros virais. Consequentemente, em algumas situações, a quantidade de material produzido é tanta que ele se agrega dentro do citoplasma ou do núcleo celular e pode ser observado histologicamente. o O formato e a localização dele ajuda no diagnóstico, por exemplo, células epiteliais com corpúsculos de inclusão intracitoplasmáticos além de outras alternativas degenerativas indicam que seja o vírus da Vaccinia (pox vírus), ocupam mais de metade do citoplasma da célula epitelial; 50 o Algumas células alvos do herpesvírus frequentemente se aglutinam formando estruturas únicas denominadas sincícios, que são células epiteliais ligadas uma à outra. Esses vírus produzem corpúsculos de inclusão intranuclear. o Diarreias por reovirus frequentemente tem por característica uma meia lua em volta do núcleo, o corpúsculo perinuclear. o Os adenovírus produzem corpos de inclusão dentro do núcleo (intranucleares), são grandes (ex: hepatite infecciosa, adenovírus respiratório). o O vírus da raiva produz corpúsculos de inclusão em neurônios, dentro do citoplasma. É bem significativo para o diagnóstico, pois quase nenhuma outra doença manifesta essa característica. o O vírus da cinomose produz corpúsculos de inclusão intracitoplasmáticos (RNA) e intranuclear (paramyxovirus produz dentro do núcleo de astrócitos e e morbilivirus tem formação de sincícios. o Intracitoplasmáticos - Poxvirus - varíola (corpúsculo de Guarniere) - Rabdovirus - raiva (corpúsculo de Negri), - Morbilivirus - cinomose (corpúsculo de Lens) - Herpesvirus o Intranucleares - Herpesvirus - Hepatite infecciosa canina (adenovírus) - hepatocitos, células ependimarias - Cinomose canina (morbilivirus) - Parvovirose - Às vezes pode alterar de coloração (corpúsculos de inclusão), dependendo da quantidade de proteínas, ácidos. - A raiva é uma das doenças que mais matam bovinos no Brasil, tem um transmissor muito eficiente (morcego). O vírus da raiva é inoculado, migra para o SNC e um dos achados é o material eosinofÍlico dentro do citoplasma (foto ao lado), os 51 corpúsculos de Negri. Macroscopicamente não se observa, mas há sinais clínicos característicos. À medida em que os neurônios vão morrendo, os vírus são liberados, vai ocorrendo inflamação (perivascular), diferente da degeneração fibrinoide. O vírus da raiva não causa isso, mas o infiltrado perivascular como se vê pela foto a seguir. - Nem sempre os vírus produzem inclusão visível histologicamente, sendo necessário ferramentas como a técnica de imunofluorescência (requer que o material esteja refrigerado, não pode estar em formol), imunohistoquímica, como vemos na próxima foto. - A foto a seguir é do vírus da cinomose no epitélio respiratório, com inclusões intracitoplasmáticas. À esquerda, há um material hialino dentro do núcleo, em astrócito no SNC. 52 - Em seguida, poxvirus causando doença em espécies de suíno, ovino e pombo. Encontra-se corpúsculos enormes, preenchendo quase todo o citoplasma celular. - A seguir, outro vírus importante, que causa emagrecimento de suínos, circovirus, que causa doença pansistemica, neurológica, digestiva, linfonodos extremamente grandes, pneumonia, cardiomiopatia, pancreatite. Histologicamente, pode se observar corpúsculos de inclusão que lembram cachos de uvas, chamados corpos de inclusão ‘racemoides’, característica histológica desse vírus. Distúrbios de pigmentação Distúrbios de pigmentação ocorrem por conta de substâncias que alteram a cor habitual do corpo ou tecido. Normalmente ocorre por conta do acúmulo ou aumento do depósito de alguma substância pigmentada que altera morfologicamente a cor do indivíduo clinicamente ou no tecido e ocasionalmente na célula. Há algumas alterações que são só observadas clinica e macroscopicamente e durante a análise microscópica é difícil notar, porque uma boa parte desses pigmentos são dissolvidos no processamento. Degeneração celular/acúmulos intracelulares: Indicativos da doença celular: há acúmulo de substâncias (normais) no interior da célula: água, gordura, proteína, carboidrato, moléculas complexas Substância endógena é produzida num nível normal ou aumentado mas o padrão metabólico da célula é inadequado para remoção (lipidose hepática, filtração glomerular) Acúmulo por defeito genético ou adquirido de enzimas de biotransformação 53 Incapacidade da célula para metabolizar substância exógena ou excretar catabólitos Distúrbios da pigmentação Pigmento: substâncias de composição química e cores próprias, amplamente espalhadas na natureza, também encontradas nas células e tecidos, alguns com importantes funções, mas que em determinadas circunstâncias são notadas e auxiliam reconhecer alterações funcionais. Pigmentações exógenas - Pneumoconioses - São alterações pulmonares e de linfonodos regionais decorrentes da inalação de partículas provindas do ambiente (poeiras/poluição do ar) - Antracose ou “pulmão negro” - doença da poeira de carvão: tem a ver com a cor negra (antrax x carvão), apesar de não ser altamente inflamatória ou degenerativa, o excesso de acúmulo fazia com que os mineiros e animais presentes fossem mais predispostos a outras doenças. Hoje, esse quadro ocorre em animais por conta da poluição. - Asbestose - amianto: atividade de extração do amianto (fibra de qualidade térmica, plástica de maleabilidade para produzir principalmente material de proteção). Causa doença chamada asbestose, pode ter acúmulo gradativo, desenvolvendo tumores respiratórios, fibrose intesticial, doença pleural. - Silicose ou “doença do esmeril” - poeira de sílica (vidro): durante a exploração, as partículas de sílica entram pela cavidade nasal e podem causar doença respiratória que leva a doença inflamatória, fibrose, principalmente no pulmão. - Fibrose de bauxita - alumínio: a aspiração induz a fibrose respiratória também. - Beriliose - poeira de berílio - ligas metálicas - doença pulmonar granulomatosa: durante a exploração, a aspiração dessas partículas causa doença respiratória crônica granulomatosa. - Siderose ou “pulmão de soldador” - poeira de ferro: apesar de não ser tão inflamatória como as outras, mas levam a uma maior predisposição das vias respiratórias a doenças de causas fungicas e bacterianas, como pneumonia. 54 - Bissinose - poeira de algodão: também leva a um acúmulo nas vias aéreas, diminuição da atividade de limpeza respiratória e maior exposição a patógenos, tornando suscetíveis a doenças respiratórias. - Antracose: ß Deposição de carvão (carbono-poeira) nos pulmões e linfonodos regionais e em outros órgãos ß O carvão é o mais inócuo e mais frequente dentre as substâncias inaladas. ß Macroscopicamente verifica-se um pontilhado preto acinzentado, mais intenso nas porções mais ventrais. Linfonodos regionais também escurecidos. ß Microscopicamente observa-se grânulos enegrecidos histoquimicamente resistentes a todos solventes, nos alvéolos e nos septos interalveolares, as vezes dentro de macrófagos. ß Quando se abre a cavidade torácica de animais, principalmente os de companhia, é possível observar um pigmento enegrecido na superfície pleural e de corte do órgão, como vemos na foto acima. Na maior parte das vezes indica antracose, apesar de não ter uma doença importante relacionada, mostra os efeitos da poluição ambiental ß Microscopicamente vai permanecer enegrecido, já que não é solúvel praticamente, com a cadeia carbonada depositada no tratorespiratório. Outros componentes exógenos que causam alteração de pigmentação é o flúor, que é extremamente importante para a formação dentária. No entanto, o excesso de flúor notado em animais que pastoreiam em locais de rochas, produção de adubo, leva a uma fragilidade dentária e tem frequentemente uma deposição de material opaco e brancacento na dentina e à medida que o tempo vai passando, isso vai se tornando uma coloração amarelada bastante intensa. Pode ter a ver com uso de tetraciclina e em animais que não tem a dentição permanente, vai reagir com fosfato 55 de cálcio e se depositar nos ossos e dentes, apresentando uma coloração mais amarelada. Ao se tratar de pigmentos amarelos endógenos, especialmente a bilirrubina, tem a ver com os pigmentos carotenoides, que fazem parte dos vegetais (milho, aveia, entre outros grãos). São apolares e esterificados juntos com ácidos graxos, sendo depositado na gordura. Em cavalos principalmente é comum observar essa gordura amarelada sistemicamente e geralmente se recebe reclamações de que esses animais têm distúrbios da degradação da hemoglobina, insuficiência hepática, relacionada a essa gordura amarelada. Então, deve-se analisar com muito cuidado se isso é um distúrbio do metabolismo da hemoglobina, como a icterícia, ou se é pigmento carotenoide. Alguns bovinos também podem ter. Distúrbios de pigmentação II Pigmentos endógenos Podem ser relacionados com a melanina e com a hemoglobina Melanina: - Responsável pela cor escura à pele, ao cabelo, à íris, retina, corpo ciliar e coroide, mucosa oral de cães, aos cascos e chifres (conforme a raça) - Pigmento granular, amarelo, pardo ou negro, de natureza proteica, insolúvel nos solventes comuns, que não contém ferro nem gordura e resiste aos ácidos e alcalis, sendo destruído pela oxidação (H2O2). - Pode variar de acordo com a lesão: - Hiperpigmentação - Hipopigmentação (tirosinase - cobre) - A localização dessa pigmentação (melanina) não significa necessariamente uma doença. Pode estar mais ou menos agregada dependendo da concentração. - A origem dela é de uma proteína, que é difícil de ser dissolvida. Um dos componentes que pode realizar isso é o peróxido de hidrogênio (H2O2). - Em relação a lesão, vai ser tratado principalmente aquelas relacionadas com pigmentação mais evidente, mas há também doenças relativas a hipopigmentação. 56 - A melanina é produzida a partir de melanoblastos e uma das enzimas fundamentais para esse processo é a tirosinase, em que precisa de disponibilidade de cobre para seu funcionamento. As deficiências relacionadas a atividade da tirosinase ou de cobre frequentemente leva a quadros de hipopigmentação, como ocorre no vitiligo, albinismo, pseudoalbinismo. Em animais que costumam ter pele bem pigmentada, é fácil observar que quando há deficiência de cobre, eles tendem a ter um pelame com tom mais claro, tendendo ao avermelhado ou amarelado, ou até havendo perda completa da pigmentação. - Hiperpigmentação: - Doenças crônicas de pele: como a síndrome de Cushing, que há uma elevação do nível de glicocorticoides, sendo ela por doença de adrenal ou excesso de suplementação com corticoides. A própria mutilação induzida por atividades de ácaros e carrapatos pode levar a uma hiperpigmentação. - Nevos ou pintas, que são deposições locais de melanina, principalmente em humanos, mas pode ocorrer também em animais de interesse veterinário, como cães e suínos. Não implica em doença clínica, é apenas uma deposição maior de melanina. - Neoplasias: tumores malignos ou benignos de melanoblastos. - Melanomas: neoplasias comuns em cães, suínos, equinos tordilhos ou albinos; incomuns em bovinos e raros em gatos e ovinos. Quando há baixa pigmentação, é chamado de melanótico e tende a ser mais agressivo. No palato duro de cães também são muito invasivas e emitem metástases por vezes coradas com a melanina. - As fotos a seguir representam tumores na base do coração, que são bastante agressivos e coloração bem significativa; 57 - Melanose: denomina-se o pigmento de melanina que está fora da pele e pelo, por vezes também as áreas de concentração do pigmento da pele (nevo). Geralmente congênita, afetando principalmente serosas como as meninges, pleura, cápsula hepática e as vezes a aorta, sendo mais frequentes e intensas em animais (principalmente ovinos) jovens. Não tem significado clínico. - Pigmentos hemoglobínicos - A hemoglobina é composta basicamente de uma proteína do grupo das justonas (globina) e de 4 grupos prostéticos derivados da síntese de porfirinas (grupo heme, cromático, tetrapirrolico) - O grupo heme é constituído de um grupo férrico (pigmentos ferruginosos) e de um grupo cromático isento de ferro (protoporfirina III) - Transporte de oxigênio e gás carbônico: estão relacionadas com a tensão de oxigênio, então quanto maior a tensão, maior a afinidade da hemoglobina de captar o oxigênio e ligar ao ferro. Uma grande parte se liga ao oxigênio e uma pequena parte é dissolvida pelo próprio plasma e acaba se difundindo pra célula e quando chega em local com baixa tensão de oxigênio, há um desligamento do oxigênio da hemoglobina e passa por difusão simples para dentro do citoplasma celular e será usado para produção de energia. A Hb ligada ao oxigênio tende a ter coloração vermelho viva. - Já o CO2 é transportado e também dissolvido no plasma. Uma parte mais significativa estará ligada a hemoglobina, formando a carboxihemoglobina e uma parte sofre uma atividade dentro da própria hemácia? Por uma enzima chamada anidrase carbônica, que transforma esse CO2 com uma reação química com a água, formando carbonatos. Essa reação é extremamente importante para o equilíbrio do pH orgânico. Uma situação que ocorre com bastante frequência é a troca do bicarbonato com o cloro, para tentar 58 manter o potencial iônico da hemácia. Quando chega no capilar pulmonar, o CO2 que está ligado a hemoglobina é dissociado e vai para o alvéolo, sendo assim liberado para o exterior. Tende a ter um tom mais azulado (ciano) quando a Hb está ligada ao CO2. - Uma situação que ocorre com relativa frequência é a formação de oxihemoglobina. Em alguns casos, a hemoglobina pode ter uma ligação mais intensa, uma oxidação a Hb. Isso dificulta o desligamento do oxigênio da Hb mesmo quando ela passa por um local com baixa tensão de O2. Uma das situações mais comuns conhecidas como causa da formação da oxihemoglobina é a intoxicação por cianeto, em que o HCN ou seus derivados fazem um bloqueio da citocromo oxidasse e consequentemente o O2 não pode ser liberado para aproveitamento na produção de ATP. Situações como essa causam quadro clínico extremamente rápido, até a morte rápida e na necropsia ou mesmo clinicamente, apresenta o sangue venoso com tom de vermelho intenso, parecendo o arterial. - Outra situação que ocorre com certa frequência é o processo da formação da carboxihemoglobina. Tem relação com a intoxicação por CO, derivado da combustão (motores a diesel, gasolina), quando a saturação está bastante alta, esse monóxido se liga a hemoglobina pois possui alta afinidade e impede a troca respiratória, levando rapidamente o indivíduo à morte. Um achado morfológico clínica ou pós mortem de uma situação como essa é que os tecidos que estão impregnados por carboxihemoglobina estão róseos. - Outra situação bastante frequente é a formação da metemoglobina. O mais comum causador dessa situação é a intoxicação por nitritos, que são usados na adubação agrícola, como fonte de nitrogênio. Quando o nitrito se combina com a Hb, ele muda a proporção de ferro ferroso circulatório para uma quantidade maior de ferro na forma férrica, o que impede a troca gasosa dependente da pressão de O2 e CO2 tecidual. A alteração morfológica é que o organismo fica com sangue cor chocolate porque háexcesso da formação da metemoglobina. Além do nitrito, há alguns anestésicos locais, como acetominofen, o próprio cobre são exemplos de agentes formadores de metemoglobina. 59 - Outro componente que leva a intoxicação são os sulfetos inorgânicos, que combinam com a Hb, dando também uma coloração marrom. - A foto anterior representa alguns exemplos que levam a intoxicação de animais por ácido cianídrico, relacionada com o consumo dessas plantas que possuem um glicosídeo chamada cianogênio, que quando degradado pela microbiota ruminal, fazem com que se forme estruturas glicosideocianogenicas e dependendo da quantidade, vão causar formação de oxihemoglobina e consequentemente impedir a troca gasosa. Esses exemplos são a mandioca, capim estrela dependendo da quantidade de adubação, maçã, pera, pessegueiro bravo. Uma característica das plantas que produzem conteúdo cianogênico é o odor de amêndoas e pêssego. Classificação dos pigmentos hemoglobineos: Hemoglobina - Carboxihemoglobina - intoxicação por monóxido de carbono torna coloração rósea. Antigamente, era feita eutanásia com CO, mas caiu em desuso já que há o sofrimento da angústia respiratória, sendo uma técnica que deve ser evitada - Metahemoglobina - hemoglobina oxidado (ferro férrico) torna coloração chocolate - intoxicação por nitratos e nitritos. A destruição da hemácia normalmente é realizada no baço, órgão de hemocaterese, sempre que há alguma lesão de parede na hemácia a própria passagem mecânica dela pela rede vascular esplênica provoca um fissura e destruição da hemácia. Isso tende a acontecer quando a hemácia esta velha. Essa situação frequentemente faz com que macrófagos que estão no baço fagocitem essa hemácia. Alguma porção da hemoglobina acaba saindo do baço, mas essa quantidade não suficiente para extravasar por via renal, ou seja o rim no filtra esse nível basal normal de hemoglobina que existe no circulatório. Quando ocorre uma destruição muito grande de hemácias em um quadro de doença, a tendência é que a quantidade de hemoglobina circulante seja maior, e as vezes essa quantidade ultrapassa a capacidade de seleção glomerular e acaba saindo 60 pelo glomérulo e sendo excretado pela urina. A hemoglobina excretada em grande quantidade pela urina vai dar um tom vermelho até enegrecido (hemoglobinúria). Isso ocorre quando há anemia hemolítica. A anemia hemolítica, ou seja a hemólise das hemácias pode ocorrer no baço, hemólise extravascular (dentro da estrutura vascular, mas não em vasos venosos e arteriais e sim no baço), e dependendo do patógeno ela pode ser intravascular (dentro da luz dos vasos arterial e venoso). A babesiose, a leptospirose e a intoxicação por cobre fazem com a destruição da hemácia ocorra em qualquer lugar. A maior possibilidade de aumento do nível sérico de hemoglobina ser significativo o suficiente para que seja filtrado e excretado pelo rim é quando ocorre hemólise intravascular. Algumas patologias estão extremamente associadas ao escurecimento da urina pela presença de hemoglobina. Hemoglobinemia - anemia hemolítica (excessiva destruição de eritrócitos circulantes): crises hemolíticas com hemólise intravascular. - Babesiose, Leptospira, Intoxicação por cobre. Características: Icterícia- bilirrubina corrente sanguínea; Hemoglobinemia; Hemoglobinúria. Hemoglobinemia- anemia hemolítica. Os achados morfológicos normalmente são o rim com uma coloração enegrecida, o fígado tende a ficar maior e amarelado; as gorduras, serosas e meninges ficam amareladas. O baço tende a ficar aumentado. A cor da urina fica de um vermelho escuro acastanhado até uma coloração enegrecida. 61 O córtex fica com uma coloração rósea, só é observado em bovinos com infecção por Babesia bovis. Os eritrócitos infectados passam a se aglutinar nos vasos do SNC onde são degradados. Anemia hemolítica- Babesia bovis. Histologicamente se nota as hemácias parasitadas aderidas ao capilares do endotélio. Esfregaço do SNC. Classificação dos pigmentos hemoglobíneos Pigmentos ferruginosos: Hemoglobina. Hematina. Hemossiderina: pigmento brilhante, amarelo ouro ou castanho escuro, resultante da degradação da HB. Pigmentos não ferruginosos. Porfirinas. Hematoidina. Pigmentos biliares. Hemossiderose: acúmulo anormal de hemossiderina nos tecidos, especialmente nos macrófagos (derme, fígado, baço, medula óssea, linfonodos e pulmões). Quando há um excesso de produção de ferritina ela começa a se ramificar e formam moléculas grandes que acabam retendo a hemossiderina. Podendo levar a uma alteração de cor, não causa dano estrural, mas é difícil de ser quebrada. Podendo indicar que há muita destruição de hemácias ou absorção aumentada de ferro. Microscopicamente: tem aspectos granular amorfo, de ocorrência principalmente intracelular em locais onde esteja ocorrendo desintegração excessiva de hemácias. Reage a coloração azul de Prússia, a antracose não reage com essa coloração. Etiologia: Hemorragias; Hiperemias passivas prolongadas (acumulo de hemácias no vaso); Anemias hemolíticas leva é uma intensa hemossiderose no fígado e baço. Hemossiderose- formação acastanhada pelo acúmulo de hemossiderina no coração de um cão. Proveniente de hemorragias. 62 Distúrbios de pigmentação: pigmentos biliares Pigmentos biliares: grupo de pigmentos oriundos da metabolização do grupo corado (protoporfirina III), isentos de ferro ocorrendo normalmente nas células so sistema monocítico da hemocatarese (eliminação de células velhas). Hemácia: 90 a 140 dias (vida útil). Hemocatarese- eritrócito é fagocitado por macrófagos do sistema monocítico fagocitário (normal). Em centros de hemocatarese, nos macrófagos, localizados principalmente no baço, fígado e medula óssea, a hemácia é lisada liberando a hemoglobina que é quebrada em globina e em grupos heme. O grupo heme sofre ação de enzimas (heme-oxidase e citocromo p450), liberando o grupo férrico e o grupo corado. Este último será transformado, biliverdina, que será reduzida para bilirrubina (Bb). Esta Bb (insolúvel em água) é liberada no plasma e combina-se com a albumina, sendo então denominada Bb indireta ou Hemo Bb ou ainda Bb- não-conjugada. No fígado, os hepatócitos liberam a albumina plasmática da Bb I e a conjugam com ácido glicorônico (ação da UDP glicoronil transferase) no RE, formando assim Bb direta *II) ou colebilirrubina ou diglucoronato de Bb ou aindaa bilirrubina conjugada hidrossolúvel. A bilirrubina conjungada e os sais biliares, são levados ao duodeno pelas biliares, onde sofre a ação de redutases bacterianas se convertendo em urobilinóides. Parte desses urubilinóides são absorvidos pelo intestino e alcançam a circulação sistêmica. Os urobilinóides absorvidos que passarem a circulaçãoporta-hepática são removidos pelos hepatócitos e reconvertidos em ColeBb. Já os pigmentos que chegam a circulação sistêmica são filtrados, sendo excretados pela urina (a urobilina é responsável pela coloração amarela da urina). Os urobilinóides não absorvidos no intestino serão eliminados pelas vezes na forma de urobilina e estercobilina (responsáveis pela coloração característica). Distúrbios de pigmentação: icterícias Desordem importante caracterizada por um coloração amarelo- esverdeada nos tecidos, causada pela elevação dos níveis séricos de pigmentos biliares. Quando há 63 aumento da bilirrubina ou dificuldade na excreção, ocorre o acúmulo de bilirrubina o que caracteriza a icterícia. Características macroscópicas: facilmente reconhecível em tecidos mais pálidos como a esclerótida ocular, omento, mesentério, gorduras pericárdicas e perirrenais. A icterícia não é localizada ela se acumula de forma difusa, pelo aumento sérico de bilirrubina. Nos pigmentos carotenoides só a gordura fica amarelada. O pigmento carotenoide não se dissolve na água, diferente da bilirrubina,assim a água fica com uma coloração amarelada. Na intima de vasos não se deposita carotenoide, mas bilirrubina sim. Classificação: Pré-hepática ou hemolítica por superfunção. Relacionadas ao aumento de produção de bilirrubina, relacionada a hemólise levando ao aumento sérico de bilirrubina circulante; 64 Hepática ou tóxico infecciosa ou por retenção. Relacionada a conjugação da bilirrubina, se o hepatócito não esta cumprindo a função corretamente há retenção da bilirrubina; Pós hepática ou obstrutiva ou por reabsorção. A condição morfológica de ductos da vesícula biliar, quando não estiverem com fluxo adequado. Icterícia: pré-hepática ou hemolítica Doenças hemolíticas graves: anemia infecciosa equina, complexo tristeza parasitária bovina, leptospirose, infecções com Clostridium spp., com Bacillus antharacis, intoxicação com ricina, saponinas, veneno de cobra, chumbo e cobre. Aumenta a hemobilirrubina (não conjugada) no plasma. Não há como diferenciar microscopicamente o tipo de icterícia. Somando os sinais macroscópicos dá para chegar à conclusão de icterícia pré- hepatica pela caracterização da doença hemolítica. Baço bem aumentado. Icterícia pré-hepática. Icterícia hepática Causas: lesões hepáticas que determinam diminuição da capacidade dos hepatócitos. Como: intoxicações; infecções; neoplasias. Causam disfunção hepática. Aumenta a bilirrubina conjugada no plasma. Icterícia pós hepática Obstruções nas vias biliares intra ou extra hepáticas causando o acúmulo de Colebilirrubina. Faz com que ocorra aumento nos níveis séricos de colebulirrubina; diminui o fluxo biliar de colerrubina; diminui a formação de urobilinogênio e as fezes e urinas podem ficar descoradas. Parasitos intestinais (Ascarídeos); Colelitíases, duodenite, compressões ductais (tumores, granulomas, abcessos, cirrose hepática) podem ser causas. Compressões dentro do ducto biliar. ↑ e semente da mamona princ. das Jararacas · bactérias e loxinas hemolíticas Acor mais clara At volumoso 65 Fotossensibilização Dermatite fotessensibilisacional/fotossensibilizante ou requeima. É importante na veterinária, principalmente na herbívoria. Queimadura solar: reação comum na pele, desprotegida, quando exposta em excesso à luz solar e só aparece algum tempo após a exposição produzida por ondas de radiação ultravioleta (320 nm). Agride as camadas superficiais da pele causando reação com moléculas químicas que causa de degeneração e necrose celular, formando edemas e bolhas, isso associado ao processo inflamatório. Fotessensibilização: sensibilidade exagerada do animal aos raios solares, com lesões de aparecimento muito rápidas, em geral causado por ondas de radiação dentro da faixa visível, mas determinadas por um agente fotossensibilizador, que é um pigmento fotodinâmico causando queimadura e reação inflamatória severa. Fotossensibilização por síntese de pigmentos aberrantes Fotossensibilização porfirínica: situação incomum a MV, e está relacionada com um aumento de deposição de grupos porfirinas na corrente circulatória se depositando na pele. E essas moléculas normalmente reagem a luz solar liberando calor e causando dano estrutural a célula. Porfirias- grupo de alterações relacionadas com a síntese de radical heme; Porfiria eritropoiética bovina (dente rosa ou osteohemocromatose)- uroporfirinogênio III colinesterase. A porfirina formada não é completamente integrada a hemácia se depositando nos tecidos, incluindo a pele; Protoporfiria eritopoiética bovina- deficiência de ferroquelatase (limousan e Blond’ Alquitaine). É um quadro mais frequente em algumas raças de gado, causa defeito porfirinico, fazendo com que haja acumulo na pele. Protoporfiria eritopóietica congênita: ossos e dentes de cor rósea. Primária: uma molécula química (pigmento) fotossensibilizadora, presenta na dieta, é absorvida no intestino, e posteriormente é distribuído nos tecidos, incluindo a pele. Extremamente relacionada a herbivoria. Consumo do pigmento que foi diretamente formado na planta, este se acumulada nos tecidos, e quando depositada na pele em contato com o sol pode reage, causando queimaduras. Pigmento: Heliatronas (hipercina e fagopirina). o Fagopyrum esculentum-planta: 66 o Trigo-sessaceno ou trigo – mourisco, sementes usadas na panificação de pães árabes; o Doença: fagopirismo (raro). Hypericum perforatum (hipericina - causa fotossesibilização). Pigmento: furocumarinas (psoralenos). o Ammim majus - planta. Hepatógena: ocorre alteração o parênquima hepático com dificuldade na eliminação de filoeretrina. É o tipo mais comum de fotossensibilização. Sempre que há uma diminuição do número de hepatócitos, seja qual a razão, há diminuição da função hepática. Quando o animal ingere a clorofila, em animal com dano hepatocelular pré-existente, no rúmen a clorofila é alterada formando a filoeritrina, essa fica retida e se deposita nos tecidos. Filoeritrina: pigmento fotodinâmico formado nos pré-estômagos de ruminantes (metabolismo da clorofila). Filoeritrina é absorvida pela mucosa intestinal e normalmente excretada por via bile; Quando há lesão hepática pode ocorrer insuficiente eliminação da filoeritrina que circula e se deposita em vários tecidos incluindo pele; Filoeritrina causa queimadura de pele a luz solar. Independente do agente fotossensibilizante ou do tipo de fotossensibilização as lesões de pele são similares. Peles de menos protegidas, áreas de mucosa, conjuntiva, com pele mais delicada (orelha, virilha, axilas) são mais afetadas. O processo está associado com o processo inflamatória. E frequentemente se nota lesão hepatocelular- fígado diminuído, duro tem fibrose. O animal normalmente tem fotofobia, e se esconde do sol. Gangrena seca (mumificação)- causada por fotossensibilização. Causa de fotossensibilização secundária ou hepatógena. Brachiaria, tem componentes (do grupo químico da saponinas) que quando o animal ingere ela cristaliza nos hepatócitos e nos ductos de excreção hepatocelular (sais biliares, bilirrubina, fileritrina) isso tem como consequência que quando o hepatócito tenta expulsar componentes ele vai ter dificuldade, fazendo com que os pigmentos fiquem retidos. Levando também a icterícia pela 67 dificuldade de excreção. A Brachiaria jovem tem mais potencial de intoxicar o animal. Ovinos morrem bastante por essa intoxicação, em bovinos não. Queimadura de língua. Fígado frequentemente grande e amarelado. Rim escurecido. Icterícia. Achado histológico. Estrutura aculitiformes em meio a massa laranja, são estruturas cristaloides nos hepatócitos. Animais que se recuperam tem substituição dos hepatócitos por células espumosas. Unidade 2 - Distúrbios circulatórios Aumento de volume líquido circulatório Aumento de volume de líquido intersticial Hemostasia x hemorragia x trombose Alteração de perfusão tecidual Choque circulatório Sistema circulatório: ß Sangue (conteúdo liquído); ß Bomba (mecanismo de bombeamento- coração); ß Rede de distribuição (artérias, arteríolas e leito capilar); ß Rede de coleta (sistema venoso). ß É auxiliado pelo sistema linfático. O coração produz uma força para que esse sangue seja distribuído e contribui para formação do vácuo que possibilita o retorno sanguíneo. Os volumes iguais normalmente se distribuem do lado esquerdo para o pulmão e do lado direito para a grande circulação. A força de bombeamento do lado esquerdo é maior do que a do lado direito, o volume das estruturas do lado esquerdo é maior. O volume que circula no coração dentro de um minuto é praticamente o total do volume sanguíneo que se tem dentro do sistema circulatório. As artérias têm um diâmetro maior, facilitando a passagem do fluxo, fazendo com que ocorra menor resistência ao bombeamento sanguíneo. As paredes das artérias são espessas e consistembasicamente de fibras musculares lisa, que permitem maleabilidade, estiramento e tensão, revestidas por endotélio, normalmente são camadas simples de revestimento da luz. Há também fibras elásticas, que permite a expansão das artérias. As arteríolas são vasos que suportam uma resistência maior dentro do sistema circulatório; a pressão intravascular pode cair no sistema arteriolar (60 mm de mercúrio) em pelo menos a metade da pressão de bombeamento do coração (125 mm de mercúrio), e vai perdendo a força a medida que vai chegando aos capilares. As arteríolas têm um lúmen relativamente estreito, formado por fibras musculares lisas (principal componente da parede), tem efeito da inervação simpática extrínseca, e os estímulos extrínsecos locais regulam a contração do músculo arteriolar resultando ou em contração ou relaxamento. Os capilares, são uma rede extremamente ampla, por volta de 5% está dentro do leito vascular. Dependendo principalmente da pressão de CO2 e O2 os esfíncteres arterio-capilares se abrem ou se fecham permitindo o fluxo circulatório para aquele local, para irrigar um determinado volume celular. A luz capilar é extremamente estreita, fazendo com que os eritrócitos circulem em “fila indiana” no leito capilar, isso permite uma proximidade maior da estrutura celular, que contém a hemoglobina, com endotélio onde vão ocorrer as trocas gasosas, a resposta a pressão de oxigenação é bastante variável. Os capilares tem bastante variação, alguns têm o endotélio bastante ocluso, principalmente dentro do sistema nervoso central e do sistema ósseo, formando até 1 uma barreira de proteção; há o capilar fenestrado, glomérulo, que permite a passagem de substâncias maiores; já o capilar sinusoidal, fígado/baço/linfonodos/medula óssea, permite um fluxo de proteínas e elementos moleculares estruturais maiores. O retorno sanguíneo se dá por vênulas, são muito delgadas com musculatura lisa que vai se espessando ao passar para vênulas e para veia. Por sua alta maleabilidade fazem um armazenamento grande do volume sanguíneo. A pressão e velocidade do fluxo de retorno tem pouca relação com o bombeamento, tende a ser mais passiva em relação do fluxo arterial; isso ocorre através da movimentação do volume que vai entrado do capilar para as vênulas e das vênulas para as veias. A pressão dentro do sistema venoso é muito menor do que a do arterial. Existe também um sistema de válvulas nas veias que impedem o refluxo. O movimento de retorno de sangue venoso é bastante dependente das válvulas; da contração do músculo esquelético e da vasoconstrição venosa. O sistema linfático, é um sistema de fundo cego termina nos pontos capilares, ele vai coletando os excessos de fora e alguns componentes estruturais maiores. Para que ocorra movimentação de fluído é necessária movimentação muscular esquelética, existe um sistema valvular que auxilia a evitar o refluxo. O endotélio não é simples, tem algumas camadas formando pilares, permitindo a entrada de liquido e cria um ”tampão” que evita que líquido extravase do sistema linfático para fora (sistema intersticial). Os capilares linfáticos vão convergindo até chegar no ducto torácico, onde todo o conteúdo cai no sistema venoso e dali para o coração. Praticamente todo o sistema circulatório é revestido por uma camada simples de endotélio, e dependendo do local a camada média vascular tem mais ou menos músculo. A maior parte da troca de gases e componentes é dada nos capilares. Hiperemia ou congestão Hiperemia/congestão: aumento do volume sanguíneo no leito vascular, localizado num órgão ou parte dele, com consequente dilatação vascular por alteração no sistema pressão arterial. Causa diminuição do fluxo tecidual, de componente vascular para o interstício e do interstício para célula e ao contrário. Hiperemia ou hiperemia ativa no sistema arterial e congestão ou hiperemia passiva no sistema venoso. Não implica em uma maior troca gasosa e de nutrientes. 2 Classificação: ß Hiperemia ativa: o Fisiológica o Patológica ß Hiperemia passiva: o Local ou setorial o “geral” ou sistêmica Características clínicas/lesionais: “in vivo” = aumento de volume do órgão comprometido, avermelhamento, aumento da temperatura local e as vezes pulsação. Características microscópicas: ingurgitamento - evidenciação vascular. Vasos dilatados e repletos de conteúdo circulatório. Hiperemia ativa: alteração que ocorre no leito arterial. Fisiológica: Aumento do suprimento de O2 e nutrientes, paralelamente à demanda de maior trabalho. Exemplos: tubo gastrointestinal durante a digestão; musculatura esquelética durante exercícios físicos; cérebro durante estudo; glândula mamária durante lactação; rubor facial após hiperestimulação psíquica; corpos cavernosos durante excitação sexual. Avermelhamento do estômago pelo processo de digestão. Patológica: Aumento do afluxo sanguíneo devido á liberação local de mediadores bioquímicos da inflamação. Aporte sanguíneo maior pela ação inflamatória. Permitindo que as células migrem da luz para o interstício. Exemplos: inflamação aguda; injúria térmica (queimaduras por congelamento); irradiações intensas, traumatismos, infecções; descompressão súbita (“hipertermia Ex vácuo”, vista nas retiradas abruptas de líquido ascístico ou pleural); síndrome de Horner (paralisia de nervos vasoconstritores). 3 À esquerda, observa-se uma vascularização um pouco mais evidente na serosa intestinal do cachorro. À direita, o encéfalo de bovino com doença viral, vascularização mais evidente do que o normal. Obs: Nunca vai existir hiperemia ativa generalizada, a não ser em eventos próximos a morte. Hiperemia passiva: envolve o sistema venoso, a drenagem está diminuída, pois há aumento da resistência. Local: o Diminuição da drenagem venosa por aumento da resistência pós capilar. Envolve acidentes topográficos vasculares, na maior parte das vezes. Exemplos: Obstrução ou compressão vascular; garroteamento na punção venosa; torção de vísceras (H. passiva aguda); trombos venosos; embolias em sistema porta; compressão vascular por neoplasias, abcessos, granulomas e útero gravítico (H. passiva crônica). A parede venosa tem uma resistência menor do que a parede de arterial, quando há torção veia e artérias também sofrem torção, mas as veias se ocluem mais, por ter uma parede menos resistente, a consequência disso é que artéria, mesmo torcida, tem um fluxo circulatório maior que as veias, o que leva ao um acúmulo de sangue no sistema venoso. Torção gástrica em cão. Os ligamentos do estômago distendem e o estômago sofre um movimento de torção transversal, isso tem como consequência torção dos vasos venosos mais intensamente do que os vasos artérias, o que leva ao acúmulo de sangue pobre em oxigênio. As vísceras afetadas começam a sofrer um processo de hipóxia e as células começam a morrer. 4 Cachorro com quadro de gastroenterite, por causa do alto peristaltismo uma alça intestinal começa a se insinuar uma sobre a outra, causa torção dos vasos o que leva a congestão e necrose, complicando o quadro de gastroenterite. Hiperemia passiva crônica: normalmente o principal órgão afetado é o coração. Se ocorrer qualquer doença cardíaca, frequentemente o coração não vai cumprir sua função o que faz com que o coração diminua o seu débito cardíaco e começa a sobrar sangue na circulação anterior. O direito começa a acumular sangue dentro da veia cava, do rim, do fígado e do baço. E o esquerdo o sangue permanece dentro da pequena circulação- circulação pulmonar, já não bombeia sangue para a grande circulação. Isso leva a quadros que se instalam com um tempo bastante longo, deixando alterações bastante significativas. Normalmente se trata de defeito cardíaco primário, mas pode ocorrer por obstrução da cava. ß H. passiva “geral” ou setorial ou sistêmica; na insuficiência Cardíaca Congestiva; ß Trombose e embolia pulmonar; ßNas lesões pulmonares extensas (efisemas graves em equinos, tuberculose, neoplasias pulmonares). Na foto esquerda, há um coração de um cachorro com trombo na válvula do lado direito, consequentemente o sangue que deveria ser bombeado para o pulmão, permanece em maior parte na veia cava e fígado. Na direita, quando há insuficiência cardíaca congestiva o fígado se assemelha a superfície de corte de uma noz-moscada, isso ocorre porque o sangue que deveria ir para o pulmão se acumula na cava e da cava volta para o sistema portal, as veias hepáticas começam a ter um volume de sangue maior. Esse sangue vai se acumulando principalmente na vênula hepática, ou veia centro-lobular. O lóbulo hepático lembra um icosaedro com uma veia central, o lóbulo recebe o sangue pelos ácinos hepáticos, pela artéria hepática, e a drenagem e pela veia hepática. Se o coração não esta bombeando corretamente começa a acumular sangue venoso no lóbulo, o que faz com que o tecido sofra hipóxia, degeneração hidrópica e gordurosa, necrose, os componentes produzidos pelo hepatócito 5 (bilirrubina e colesterol, ácidos biliares) ficam retidos ali. Essa micelania faz com que essa parte do lóbulo fique mais visível, em um tom mais acastanhado. Isso acontece praticamente em todos os lóbulos. Na foto anterior à esquerda, quando o fígado fica com esse aspecto, principalmente após a fixação, de fígado de noz moscada. É altamente indicativo de insuficiência cardíaca congestiva, problema no lado direito. Na foto direita, quando o lado esquerdo esta afetado, frequentemente o pulmão vai ficar alterado, visto que o sangue que deveria ser bombeado para grande circulação permanece na circulação pulmonar, portanto o pulmão fica maior e mais avermelhado, pelo maior d=acúmulo de sangue. Outra coisa que acontece frequentemente no pulmão e a formação de bastante hemossiderina (ocorre no fígado também), isso ocorre porque a pressão sanguínea pela estase do sangue no pulmão acaba extravasando o sangue para dentro do alvéolo; esse sangue dentro do alvéolo é hemorragia, precisa ser limpo, essa limpeza é feita por macrófagos que degradam a hemácias e começa-se a acumular ferritina que vai se juntando e formando hemossiderina, com o passar do tempo (meses), observa-se uma mudança de cor na superfície pulmonar tendendo para um tão acastanhado, relacionada ao acúmulo de macrófagos carregados de hemossiderina. Os macrófagos carregados com hemossiderina são classicamente indicativos de doença cardíaca que são chamadas de células da falha cardíaca ou células do vício cardíaco. Alteração cardíaca crônica causando hemossiderose no pulmão. Microscopicamente se observa os macrófagos cheios de hemossiderinas que cora de azul. **Fígado de noz moscada tem relação com doença cardíaca. 6 Tumor dentro da veia cava impedindo o fluxo sanguíneo, ocorrendo o quadro de congestão passiva, com fígado de noz moscada. Quando há ingestão de objetos perfurantes por ruminantes estes ficam no retículo onde podem perfura- lo e consequentemente se atingir o diafragma e pericárdio, o que ocasiona o extravasamento do conteúdo do retículo, que tem uma microbiota rica, gerando uma reação inflamatória no pericárdio. Retículo pericardite traumática. Leva insuficiência do lado esquerdo e direito, tendo como característica o fígado de noz moscada e a hemossiderose. O acúmulo de sangue nos vasos altera a pressão levando a formação de edemas, principalmente nas partes baixas. Doenças cardíacas crônicas que cursam com congestão, normalmente, tem edema. Congestão passiva crônica. Desordens vasculares: Espaço intersticial - edema Acúmulo de água é denominado de edema, causando um inchaço, pelo acúmulo de líquido no espaço intersticial. Microcirculação, interstício e células ß Interstício (1mm): espaço entre a célula e o capilar, com a matriz extracelular (componentes estruturais). o Colágeno tipo I, principal componente estrutural da matriz extracelular e forma a estrutura em que as células se mantêm, estas justapostas ao colágeno da membrana basal- (colágeno tipo IV- membrana basal); o Glicoproteínas aderentes (fornecem aderência estrutural e se ligam aos receptores das células que transitam no espaço intersticial); o Complexos aderentes (glicosaminoglicana e proteoglicanas). o Existe um grande volume de água no espaço intersticial. Por volta de 60% do peso corporal é água: ß Sendo essa água 2/3 intracelular; ß E 1/3 extracelular; sendo 80%no interstício e 20% no plasma. A estrutura vascular tem uma quantidade menor de líquido do que dentro do interstício. A membrana plasmática é uma barreira seletiva que separa o meio intracelular do extracelular, compostos lipossolúveis transitam mais facilmente pela membrana seguindo o gradiente de concentração, já as partículas não lipossolúveis necessitam de moléculas de facilitação (difusão facilitada). A água circula facilmente pela membrana seguindo o gradiente de concentração, mas o conteúdo permanece relativamente estável pela ação das bombas de controle de fluído (bomba de sódio e potássio) mantendo o nível de água dentro da célula adequado. A parede do capilar também é uma barreira meio permeável para água, mas existem diferenças entre os endotélios (contínuo/fenestrado/sinusoidal), as moléculas têm como barreira de transito essa estrutura endotelial. Mas, a água de maneira geral atravessa essa barreira facilmente. Moléculas lipossolúveis podem atravessar o endotélio capilar por dissolução da camada fosfolipídica e as moléculas grandes precisam de auxílio. 7 Quando há alteração da permeabilidade vascular a junção entre o endotélio se altera criando poros maiores, como ocorre no processo inflamatório, possibilitando que essas moléculas maiores sejam carreadas junto mais água, formando o edema. Então, basicamente o edema pode se formar com o endotélio integro e com endotélio com alteração, que ocorre frequentemente quando a ação do processo inflamatório. Pressão hidrostática: a força de contração do coração gera uma pressão que empurram os líquidos dos vasos arteriais em direção aos capilares, devido a resistência há uma perda de pressão, mas ainda assim é uma pressão suficientemente grande para empurrar líquido dos capilares arteriolares para o interstício, passando principalmente eletrólitos e água. A medida que essa água vai se acumulando no espaço intersticial, também é gerada uma pressão que empurra o líquido do interstício para o lado venular, para dentro do vaso. Pressão oncótica: pressão realizada por proteínas que atraem água, existem proteínas dentro do vaso, albumina. Quando o endotélio está integro não existe diferença na concentração de albumina que passa na luz arteriolar e na luz venular. A albumina transitando na luz arteriolar retém um pouco de líquido, mas não o suficiente para se opor a pressão hidrostática; quando chega no lado venular a pressão diminui e a força da pressão oncótica é maior puxando desta forma, a água. Mas existe um contraponto que são os componentes da matriz celular (colágeno, aminoglicanos) que atraem água para o interstício, e quantidade de proteína que se tem de proteína é igual, o que se altera é a pressão hidrostática. Essas pressões estão praticamente equilibradas, mas existe uma certa sobra e essa sobra é suprida pelos leitos capilares linfáticos. O excesso de água do interstício é removido pelo vaso linfático e a disposição anatômica do vaso linfático, com a sobreposição de célula endotelial, facilita a entrada de água do interstício para dentro do vaso e dificulta a saída de dentro do linfático para fora. Quando a pressão externa é maior o vaso se abre e quando a pressão interna é maio ele se oclui. O líquido vai em direção ao ducto torácico que desemboca na cava. Edema Edema: acúmulo anormal de líquido nos espaços teciduais. Não é uma doença específica, é um sinal clínico. Grego “oidema”= inchação- inchaço. 8 O edema pode ocorrerde duas maneiras. O endotélio que é seletivo ao fluxo circulatório pode ter alteração ou não, quando ele tem alteração se diz que ele tem aumento da permeabilidade vascular e esta situação é muito relacionada ao processo inflamatório, mediante a liberação de componentes inflamatórios o espação interendotelial aumente e consequentemente, o fluxo de líquido pro interstício ou para as cavidades aumenta, levando ao acúmulo- edema. O outro caso é quando o endotélio está integro, não há alteração, contração do endotélio e consequentemente os espaços e poros interendoteliais estão dentro de uma normalidade. A formação de edema vai se dar por distúrbios de pressão da circulação, bombeamento cardíaco e as proteínas que circulam dentro do vaso (espaço venular e arterial) e as proteínas presentes no interstício, se ocorre alterações nessas pressões o distúrbio de pressão vai causar o acúmulo de água. Classificação: ß Inflamatório (Com aumento da permeabilidade vascular); ß Distúrbio hidrosmótico (endotélio normal). Há dois tipos de pressão que controlam o fluxo circulatório a pressão hidrostática, que se relaciona a força de bombeamento do coração sobre o volume circulatório, e pressão oncótica, relacionada a quantidade de proteínas que existem no leito vascular e no interstício, quando a diminuição no número de proteínas vasculares se diminui a força de atração da água e consequentemente há acúmulo desta. O acúmulo normal de líquido é trazido de volta para a circulação pelo linfático, portanto independentemente das pressões se houver obstrução no linfático haverá acúmulo de líquido no interstício, formando o edema. O edema está muito relacionado a diferença entre a filtração e drenagem do líquido. Distúrbio hidro-osmótico Causas: ß Aumento na pressão hidrostática. É improvável que ocorra edema quando a força de contração do lado esquerdo ou direito esta aumentada, porque há uma compensação. Não é o aumento de pressão que causa o edema, mas sim a perda da capacidade de contração. Se o coração não estiver funcionando adequadamente, independente do local onde é o problema e do agente causador, esse quadro pode levar há uma dificuldade de bombeamento, consequentemente vai haver um déficit circulatório e no momento do retorno venoso vai ficar retido sangue dentro do sistema venular, por uma menor força de contração. Normalmente as alterações hidrostáticas se relacionam a um acúmulo de sangue no sistema venoso, congestão ou hiperemia passiva- aumento da pressão no leito venoso. ß Diminuição da pressão coloidosmótica. Quando há distúrbios gastrointestinais, que impedem o aproveitamento dos aminoácidos para a formação da albumina e de outras globinas, a exemplo da expoliação parasitária. Outra situação é se houver problema no fígado, pois é nele que a albumina é produzida, não haverá produção suficiente de albumina e 9 consequentemente vai ocorrer edema. Outra situação é a perde de proteína, principalmente renal, no rim normal a albumina não é filtrada, mas se há uma lesão glomerular a consequência é a perda de moléculas maiores, entre elas a albumina, o que leva a diminuição da albumina circulatória acarretando edema. ß Obstrução linfática. Por alteração inflamatória em linfonodos, por neoplasias. ß Retenção de eletrólitos. Principalmente sódio, é uma situação pouco frequente na MV, porque há um equilíbrio entre cloro e potássio que mantém a situação eletrolítica estável. Classificação do edema quanto a sua distribuição: ß Generalizado. Edemas por falha cardíaca, diminuição da produção de proteínas, tendem a ser generalizados ß Localizado. Edemas inflamatórios tendem a ser localizados. A pressão hidrostática do plasma é que mais varia ela chega na arteríola com um pressão de 30 mmHg, mas como perde volume circulatório para fora a pressão diminui, chega a vênula com uma pressão de 17 mmHg. O linfático reabsorve esse déficit (excedente) que fica no interstício. Quando ocorre alteração nesse sistema vai haver edema. ß Causas de edema: inflamação; alterações hidrosmóticas; aumento da pressão hidrostática; diminuição da pressão coloidosmótica; obstrução linfática. Diminuição da pressão coloido-osmótica Alteração da proteína plasmática, principalmente da albumina, contribui cerca de 80% da pressão osmótica. Para que essa quantidade de albumina esteja adequada o animal precisa comer bem, não pode ter parasitos intestinais, o fígado precisa estar sintetizando e o rim não pode estar eliminando. A hipoalbuminemia está normalmente relacionada à diminuição da síntese de proteína ou aumento da excreção da proteína. 10 Parasitos levam a hipoproteinemia. Hipoproteinemia e doença glomerular. Aumento da pressão hidrostática O principal local de alteração da pressão que se reflete no aumento da pressão hidrostática é no capilar venoso fazendo com que a pressão dentro do capilar venoso pelo acúmulo de líquido ali dentro acabe ficando maior do que o normal contribuindo para um retorno menor de sangue do interstício do lado venular para o interior do vaso. Principal causa de edema generalizado é a insuficiência cardíaca. E a edema localizado a principal causa são torções (sucepção/hérnias). O acúmulo de sangue na pequena circulação aumenta a pressão hidrostática principalmente no pulmão; o líquido passa para o interstício para a parede alveolar para o espaço subpleural e então começa a gotejar dentro da cavidade torácica, isso leva a um acúmulo de sangue/água dentro da cavidade torácica. Já o acúmulo de sangue na grande circulação, frequentemente, leva a congestão passiva em que um dos órgão mais afetados é o fígado, levando ao fígado de noz moscada. Similar ao que acontece no pulmão no espaço intersticial e começa a gotejar água pela cápsula de glison para dentro da cavidade torácica. 11 Observa-se um aumento de sangue no pericárdio – hidropericárdio. Extravasamento de líquido na cavidade abdominal – ascite ou hidroperitônio. Acúmulo de sangue na cavidade torácica- hidrotórax. Na foto à direita, há caso de cirrose que leva a diminuição da produção de proteína e consequentemente a ascite. A foto é de um animal que tem doença crônica infecciosa Paratuberculose, nota-se o intestino cheio de reação inflamatória que impede o fluxo normal de linfa, podendo causar edema. O edema linfático causa um edema assimétrico, diferentemente dos outros citados anteriormente. Classificação morfológica e consequências do edema Tecido subcutâneo, cavidades, órgãos parenquimatosos, microscopia. Bovino com edema subcutâneo. A barbela está com volume aumentado, assim como a região submandibular. É possível que esse animal tenha um edema torácico e abdominal. Dificilmente será por espoliação parasitária, mas ele pode ter uma doença inflamatória ou gastrointestinal que pode contribuir com baixa absorção de proteína. Com ausculta cardíaca ou gastrointestinal, ou avaliação do fígado através da mensuração da atividade de enzimas de função hepatocelular, é possível realizar um bom direcionamento clínico. O edema frequentemente tem a mesma coloração do plasma. Observa-se um aumento de volume 12 O edema no sistema respiratório tem dois caminhos diferentes clinicamente. O acúmulo de líquido no alvéolo pulmonar ele é muito importante clinicamente, muito frequentemente a reação inflamatória e os agentes levam a alteração do endotélio, capilar alveolar e consequentemente extravasa líquido para o interior do alvéolo impedindo as trocas gasosas. No edema por aumento da pressão hidrostática o diminuição da pressão osmótica, frequentemente, o que se tem é um extravasamento do fluído para o interstício, como se tem uma alteração de pressão a tendência é que o líquido saia para interstício, pela existência de uma barreira (capilar continuo), fluindo para o lado da pleura, gotejando para a cavidade, a importância desse edema é clinicamente menos importante que o alveolar que mata em questãoDesequilíbrio de atividade (carga de trabalho) Substâncias químicas - pesticida, metais pesados Desequilíbrios imunológicos Envelhecimento 4 Qualquer evento desse vai estar relacionado com a diminuição de energia, obstrução respiratória celular, diminuição da produção bioquímica celular ou alteração no DNA. Um exemplo disso é a falta de oxigênio, tem a obstrução de um vaso, cria-se uma camada de gordura dentro da luz vascular, diminui o fluxo sanguíneo. Esse processo é chamado de hipóxia. Falta energia, as mitocôndrias não vão ter energia adequada pela falta de O2, apesar de haver a via lactato (via anaeróbica), mas é dependente da via aeróbica. A regulação da bomba Na/K também é um exemplo, a falta de ATP faz com que entre mais Na, atraindo água e fazendo a célula inchar. O citosol e as organelas aumentam em volume. O Ca é altamente importante para a atividade celular, mas como depende de energia para entrar no retículo sarcoplasmático ou dentro da célula, na falta de energia, não consegue entrar e acaba se acumulando no citosol, levando a sinalização de doença, inclusive com alteração morfológica da célula tanto de cor quanto de volume. À medida que falta energia, começa a ocorrer o metabolismo anaeróbio, o glicogênio é utilizado, ocorre a produção de ácido lático, que acaba agredindo as proteínas, membrana fosfolipídicas, levando à morte celular. Agressão celular, morte celular Cessar a atividade e é algo irreversível Pode ser acidental (características morfológicas da morte acidental recebem a denominação de necrose - oncose) ou programada (características morfológicas e a patogenia da morte programada/mediada por algum fator denominam- se apoptose) Um feto, por exemplo, vai se remodelando e, para isso, é necessário que algumas células sejam induzidas à morte. Outro exemplo é a glândula mamária em fêmeas gestantes, que são preparadas para a lactação, aumentando a quantidade de células e sua atividade celular. Quando a lactação cessa, o número excedido de células não devem continuar consumindo energia e acabam sendo induzidas a morte, sendo liberadas até junto com excretas de ácinos mamários. 5 A necrose está sempre relacionada a algum processo negativo, em que há algum dano acidental à célula. Geralmente encontra um agente agressor e a célula arrebenta e libera os seus componentes, alguns que incitam resposta inflamatória. A apoptose é muito mais discreta. Então quando há uma agressão celular vindo de fora ou dentro da célula, vai ser caracterizado como lesão quando há agressão que altera o formato celular (sempre caracterizar o tamanho, a forma, a cor para tentar relacionar com algum patógeno). Essa lesão pode ser reversível (causa alterações degenerativas) ou irreversível (expressa característica da morte celular - necrose ou apoptose). Quando a lesão celular se limita a danos não reparáveis ao DNA, frequentemente pode ser um sinal de envelhecimento celular (senescência); indutor de neoplasias, então a célula começa a expressar um componente, aumentar o número de células; pode também induzir a apoptose. Necrose Necrose são as características macroscópicas e microscópicas que definem a morte celular; Ocorrem aproximadamente 8h após a morte celular Na necrose (do grego “Nekros”: morte + “osis”: estado de), um tecido estaria morto enquanto o indivíduo como um todo estaria ainda vivo. Na morte somática, o indivíduo como um todo estaria morto enquanto alguns tecidos ainda poderiam estar vivos. As alterações morfológicas as vezes não são imediatas a agressão. Por exemplo, quando há anóxia, que é uma obstrução vascular, no coração por exemplo, vai diminuir o fluxo circulatório, a célula começa a sofrer efeito mas sem muitas mudanças morfológicas. A medida em que as membranas celulares começam a perder seletividade, começa a entrar água, organelas não conseguem excretar catabólitos, começa a acumular resíduos de gordura e carboidratos, a célula vai se alterando (formato). Às vezes a célula já está em um mecanismo não reversível, mas a característica morfológica demora mais que a própria morte. Infarto: é a diminuição da circulação em determinado local. Nos humanos, o principal local é o coração por conta de ateroma, que é o acumulo de placas de gordura no coração. Características de células necróticas: o Alterações nucleares: ß Picnose (cariopicnose): núcleo está diminuído, escuro, redondo e homogêneo. 6 ß Cariorrexia: ruptura do envelope nuclear com fragmentos dispersos no citoplasma ß Cariólise (cromatólise): dissolução do núcleo que fica pálido, aspecto fantasma (membrana nuclear tem certa consistência) ß Desaparecimento nuclear: lise completa do núcleo. ß A imagem à direita mostra hepatócitos (obs: essas alterações são concomitantes) o Neurônio ß No SNC, o neurônio tem bastante retículo endoplasmático rugoso, então ele marca o citoplasma com hematoxilina. Essa marcação é chamada de complexo ... do retículo endoplasmático rugoso, núcleo é claro com cromatina marginada e nucléolo bastante evidente. O neurônio em questão possui a conformação de agressão por conta de hipóxia, em que o núcleo fica picnótico e o ácido nucleico, retículo endoplasmatico praticamente desaparece. O mais importante é a característica do núcleo. ß O tempo entre a agressão e a observação morfológica do músculo é de 8h, no neurônio é em torno de 5 min. o Alterações citoplasmáticas: ß Aumento da eosinofilia citoplasmática: diminuição de RNA no citoplasma, aumento de ácido láctico no citosol, desnaturação de proteínas com incremento de cargas negativas, lise das organelas e coagulação das proteínas - massa opaca e acidófila (homogeneização). ß Citoplasmólise (desaparecimento do citoplasma): ruptura de membranas/digestão citoplasma 7 ß Desaparecimento dos limites celulares, dificultando a individualização da célula, devido às alterações da membrana celular. ß Na figura anterior, vemos um tecido muscular dentro da normalidade (figura menor) e outra de fibras musculares com alterações (na parte mais abaixo está inchada, as mais vermelhas estão necróticas). Lembrar que fibra muscular é multinucleada e, frequentemente, sofre lesão segmentar, então se um segmento sofre agressão, vai sofrer doença degenerativa ou evoluir pra morte (necrose segmentar). ß As mais vermelhas já são células mortas e as demais em degeneração, o núcleo quase desapareceu ou então está picnótico. ß A figura anterior se trata de um lóbulo hepático (8 lados, veia centrolobular). É possível ver uma alteração de coloração, a área mais escura provavelmente está sob processo de necrose. 8 Características dos tecidos em necrose - alterações macroscópicas que caracterizam o tecido necrótico o Alterações de coloração: palidez e opacidade, determinando uma coloração mais brancacenta ou acinzentada (isquemia); ou escurecimento do órgão, acúmulo de sangue, dependendo do tipo de tecido afetado. o Alteração da consistência/perda da força de tensão: diminuição da consistência e elasticidade (devido à lise dos constituintes celulares), amolecimento de órgãos parenquimatosos. Fácil perfuração da cápsula ou de órgãos tubulares. Ocorre pelos próprios exsudatos, líquidos que acumulam ali dentro e pela própria degradação de estruturas de união entre as células. o Odor: oxidação, alguns patógenos podem alterar cheiros também como infecção por Pseudomonas, por Clostridium. o Linha de demarcação: o local que está morrendo tem uma cor diferente daquela normal. Isso ocorre porque o tecido que morreu provavelmente está desvitalizado, não tem suprimento sanguíneo adequado, não tem oxigenação, não há retorno/fluxo sanguíneo adequado e o tecido normal mantém sua coloração. Logo, se forma uma linha de demarcação que, na maior parte das vezes, é intensificada pelo processo inflamatório na área onde ocorre a agressão.de minutos, esse edema o animal convive com ele por um período maior até que chegue o momento em que o alvéolo não consiga mais expandir e o animal tenha dificuldade respiratória, levando a morte. O edema por pressão altera a tanto na cavidade torácica como na abdominal mais significantemente que os alvéolos. Hidrotoráx: permeação do plasma pelos vasos linfáticos e superfície da pleura. Ocasionado por insuficiência cardíaca esquerda ou atelectasia por compressão. Ascite: a maior parte do plasma permeia através da cápsula do fígado. É ocasionada por: ICC-direita; doenças hepáticas crônicas; obstrução de cava; obstrução de linfáticos e hipoproteínemia. A insuficiência cardíaca congestiva, se for causada por problema muscular (epicárdico, pericárdio), o edema vai ser generalizado. Quando é valvular, lado direito afeta a grande circulação e se for do lado esquerdo a respiração pulmonar, é generalizado, mas pode afetar mais uma cavidade do que a outra. A maior parte das doenças cardíacas afetam os dois lados, resultando em edema generalizado. 13 O edema não indica a causa, deve se buscar o órgão afetado. Quando é doença hepática crônica o edema é generalizado. Pode ter mais edema de um lado do que o outro, geralmente porque a obstrução de vasos de retorno, afetando principalmente a cava caudal, pode levar mais edemas, mas a deficiência de albumina é sistêmica. Não há local específico que indique o tipo de edema. Problema renal e consequente perda de proteína. Reconhecimento do edema: a importância do edema depende muito do local. Em órgão parenquimatosos como no encéfalo, encéfalo não tem muita capacidade de expansão, um sinal de que esteja ocorrendo edema é que o cérebro incha comprimindo o córtex isso leva a uma série de sinais clínicos, perda da função do córtex; se compromete a base do cérebro é muito mais grave, ele perde as circunvoluções, o cerebelo é empurrado ao forame magno. Edema pulmonar: causa imediata da morte. Acúmulo de plasma nos alvéolos. Relaciona a falência circulatória e lesão difusa no endotélio. 14 Quando há lesão do endotélio não extravasa somente água e íons, mas também proteínas que se coram com eosina de maneira homogênea chamam-se de material hialínico, a formação de membranas hialinas significa que houve doença grave. Quando não há extravasamento de proteína, frequentemente, o alvéolo fica destendido. O pulmão com edema fica aumentado de volume e ao ser aberto ele não colaba, como deveria em seu estado normal, as marcações de costela ficam mais evidentes. Quando é edema alveolar há bastante extravasamento de fluído ele, frequentemente, é espumoso pela presença de ar e água + substância surfactante formando espuma. Edema cerebral: pode ser inflamatório; alérgico ou tóxico. Pode ser mais ou menos grave, sendo normalmente grave pela baixa capacidade de expansão do encéfalo. Edema microscópico: frequentemente é observado com o aumento do volume do alvéolo ou com a formação de membranas hialinas. Permeabilidade vascular: a membrana vascular é permeável para água e cristaloides; resulta de danos diretos ao vaso: inflamação; traumatismo ou anóxia. 15 Edema por espoliação parasitária, frequentemente acompanhada com bastante anemia, as mucosas estão com coloração branca porcelana, porque o Haemonchus ou outro parasito se fiz na mucosa e espolia o animal. Junto com o sangue, vai eletrólitos, plasma, albumina, imunoglobulinas e o animal começa a ter um quadro de hipoalbuminemia e formar edema, por exemplo, na região submandibular. À esquerda, um cão com edema associado a doença linfática, o animal tem linfoma, linfonodos estão bastante salientes, causa compressão e edema. À direita, animais passando fome, pasto ruim, mal sabiam se alimentar, sofreram espoliação parasitária. À esquerda, canino com doença respiratória, estava retendo componentes nitrogenados que deveriam ser excretados pelo rim, sinal de uremia (alteração renal). Rim duro, em fibrose, doença glomerular crônica. Isso leva a uma diminuição da excreção de componentes incluindo a ureia, que causa dano em mucosas, úlceras e o pulmão também é afetado por conta da lesão endotelial. O edema cavitário associado a perda de proteínas. Nessas lesões urêmicas, o animal tem calcificação metastática. À direita, caso de ascite: cães normalmente apresentam nódulos no fígado na doença terminal e bovinos tem fibrose com poucos nódulos. Ambos indicam perda de hepatocitos, que leva à ascite. À esquerda, picada de abelha, edema de glote. À direita, relação com produção de toxina produzida por Escherichia coli 16 Hemostasia É a parada do sangramento, É uma resposta fisiológica a uma lesão vascular e funciona como um mecanismo para selar um vaso lesionado e evitar perda de sangue. A hemostasia é um processo finamente regulado que envolve predominantemente as interações entre o endotélio, as plaquetas e os fatores de coagulação. A hemostasia fisiológica ocorre somente no local da lesão vascular, sem afetar a fluidez e o fluxo sanguíneo na vasculatura não danificada. A alteração do delicado equilíbrio da hemostasia pode resultar nos estados patológicos de perda de sangue (hemorragia) ou hemostasia inadequada e na formação de trombo (trombose). O endotélio normal possui uma superfície que promove o fluxo suave e não turbulento do fluxo sanguíneo. Ele produz e responde aos mediadores que aumentam a vasodilatação e inibem a ativação plaquetária e a coagulação. Em contrapartida, após a lesão ou a ativação, o endotélio produz ou responde aos mediadores que induzem a vasoconstrição, aumentam a aderência e a agregação plaquetária e estimulam a coagulação. As plaquetas são fragmentos anucleados de células, derivados dos megacariócitos, que circulam como um componente do sangue. Após a lesão vascular, as plaquetas aderem ao colágeno subendotelial e a outros componentes da matriz extracelular (ex: laminina, fibronectina, vitronectina). As plaquetas aderidas expressam receptores que promovem o recrutamento e a agregação de plaquetas adicionais e se tornam ativadas para liberar os produtos de seus grânulos citoplasmáticos e produzir outros mediadores da coagulação. Os fosfolipídios plaquetários expostos durante a agregação das plaquetas (particularmente a fosfatidilserina e a fosfatidiletanolamina) desempenham um papel fundamental na criação de uma superfície biológica para a localização e concentração dos fatores de coagulação ativados, Além de seu papel na coagulação, as plaquetas participam também de reações imunológicas e inflamatórias. Os fatores de coagulação são proteínas plasmáticas produzidas principalmente pelo fígado e encontram-se divididos em (1) um grupo de contato estruturalmente associado e funcionalmente interdependente (pré-calicreína, cininogênio de alto peso molecular [HMWK, na sigla em inglês] e fatores XI e XII); (2) um grupo dependente de vitamina K (fatores II, VII, IX e X); e (3) um grupo fibrinogênio altamente lábil (fatores I, V, VIII e XIII). Os fatores de coagulação são ativados pela hidrólise dos peptídeos ricos em arginina e lisina pra convertê-los em serinoproteases enzimaticamente ativas (à exceção do fator XIII, que possui sítios ativos ricos em cisteína). Os fatores de coagulação dependentes de vitamina K desempenham um papel importante na localização da coagulação pela y-carboxilação dos resíduos de ácido glutâmico das extremidade N- terminais dos fatores precursores, para que eles possam se ligar ao cálcio para formar pontes de cálcio com os fosfolipídios plaquetários. Principais pontos Os fatores de coagulação são proteínas plasmáticas produzidas principalmente pelo fígado e encontram-se dividido em: grupo de contato estruturalmente associado (pré-calicreína, cininogênio de alto peso molecular, fatores XI e XII), grupo dependente de vitamina K (fatores II, VII, IX e X) e grupo fibrinogênio altamente lábil (fatores I, V, VIII,XIII); O fator tecidual está presente em fibroblastos, fragmentos de endotélio, plaquetas, células inflamatórias e células apoptóticas; 17 A ligação cruzada da rede de fibrina, juntamente com a contração plaquetário concomitante e a presença de quantidades abundantes de Ca, trombina e ATP, provoca a retração do trombo fibrinoplaquetário; Os participantes interdependentes principais da hemostasia são as plaquetas, endotélio e fatores de coagulação; Os eventos que caracterizam a hemostasia primária são: estímulos neurogênicos, aderência plaquetária, liberação de conteúdo de corpos densos plaquetários, diminuição do fluxo e volume circulatório local e vasoconstrição; Os componentes do complexo tenase são fator IXa, fator VIIIa, Ca+2, fosfolipídios, fator VIIa/TF; Aproximadamente 1% do fator circulante VII se encontra no estado ativado mesmo na ausência de lesão vascular; A atividade da tenase intrínseca é muitas vezes mais eficiente que TF:VIIa para formação de trombina; O endotélio normal é bioquimicamente propenso a atividade anticoagulante; A trombina pode ter atividade: pro-coagulante ativando plaquetas e fatores hemostáticos e clivando fibrinogênio; anticoagulante ativando proteína C e inibindo a adesão plaquetária; fibrinolítica, estimulando a liberação de plasminogênio; antifibrinolítica, estimulando a atividade de inibição da ativação do plasminogênio; atividades inflamatórias, estimulando a atividade de células inflamatórias, aumentando a permeabilidade vascular e auxiliando na quimiotaxia; As plaquetas são fragmentos anucleados de células derivadas de megacariócitos e que tem envolvimentos característicos a funções hemostáticas, inflamatórias e imunológicas; O ATP inibe a agregação plaquetária; O fator de crescimento epidérmico promove a proliferação de fibroblastos. Hemostasia (youtube) É um conjunto de eventos mecânicos e bioquímicos pelo qual o organismo faz com que o sangue permaneça circulando nos vasos no estado líquido. Quando um vaso é lesado, forma um coágulo para coibir a hemorragia. Busca reparar a lesão e dissolver coágulo adequadamente. Para a hemostasia ocorrer, deve haver um processo sincrônico e sequencial, envolvendo os vasos sanguíneos, as plaquetas/trombócitos, os fatores da coagulação, assim como os fatores fibrinolíticos. Fisiologicamente, o endotélio dos vasos sanguíneos inibe a aderência das plaquetas e dos leucócitos, evitando assim a formação de trombos. Já quando existe uma lesão vascular, ocorre exposição do colágeno lesado, que faz com que os mecanismos hemostaticos entrem em ação para coibir uma hemorragia mediante redução do fluxo sanguíneo favorecendo ações das plaquetas e favorecendo os fatores da coagulação. O processo da hemostasia que é ativado por uma lesão vascular está constituído por três etapas que estão relacionadas entre si: a hemostasia primária, a secundária e a terciária. 18 o A primária consiste na ação conjunta dos vasos sanguíneos e das plaquetas. Quando ocorre lesão vascular, a musculatura lisa dos vasos sanguíneos é estimulada à vasoconstrição, diminuindo o lúmen do vaso, o fluxo sanguíneo local e consequentemente a permeabilidade vascular. Já as plaquetas que em situação fisiológica buscam manter a integridade do endotélio vascular, quando os vasos sofrem danos, elas se ativam e se agregam no local da lesão, formando um tampão plaquetário com intuito de amenizar a hemorragia inicial. A adesão e a agregação plaquetária são eventos que podem ocorrer simultaneamente ou separadas, dependendo do estímulo. Entretanto, para que ocorra a adesão e agregação plaquetária e consequente formação do tampão plaquetário inicial, é necessário a presença do fator de von Willebrand (FvW), pois a adesão das plaquetas ao endotélio do vaso é realizada através de seus receptores da superfície para o colágeno e para o FvW. Este fator se une ao colágeno subendotelial, liberando aminas vasoativas que promovem a vasoconstrição local com a liberação de ADP. A agregação plaquetária é produzida em resposta a essa liberação de ADP, na presença de íons Ca, formando tampão plaquetário e finalizando a 1ª fase da hemostasia. Além disso, devido ao fato das plaquetas produzirem fator plaquetário III e de armazenarem outros fatores da coagulação, elas também estimulam a hemostasia secundária, pois ela é dependente dos fatores de coagulação, que atua em uma série de reações sequenciais denominada cascata de coagulação, resultando na formação de um coágulo de fibrina estável. o Nessa 2ª fase da hemostasia, a coagulação é o processo fisiológico que modifica o sangue do estado líquido para o estado sólido. O processo de coagulação possui uma cascata com passos sequenciais envolvendo 3 vias que finalizam com a formação do tampão de fibrina polimerizada. Os fatores de coagulação correspondem ao fibrinogênio (fator I), a protrombina (fator II), ao Ca+2 e uma série de fatores enzimáticos (VII, IX, X, XII, XIII, HMWK - fator de Fitzgerald, PK - fator de Fletcher). A maioria dos fatores da coagulação são sintetizados no fígado, circulando como precursores inativos e atuam após ativar-se. Depois da ativação, os fatores são estimulados de forma sequencial e se amplificam por retroalimentação. A cascata da coagulação é dividida em via intrínseca, que é ativada pelo contato do sangue com o colágeno subendotelial da parede vascular traumatizada, com a ativação do fator XII, que ativa em sequência o fator XI, que por sua vez ativa o fator IX, o qual em presença de Ca+2 e do fator plaquetário III, leva à finalização da via intrínseca mediante ativação do fator VIII. Já a via extrínseca é iniciada pela lesão vascular ou pelo contato com o tecido extravascular, expondo o sangue à tromboplastina tecidual e ativando o fator VII consequentemente. A ativação do fator VII e VIII, em presença de fosfolipídios plaquetários e Ca+2, inicia a via comum, com a ativação do fator X. Esse último fator por sua vez converterá a protrombina em trombina, que converterá o fibrinogênio em fibrina, culminando na formação da malha de fibrina, que constitui o coágulo sanguíneo. Posteriormente, o fator XIII estabilizará a fibrina polimerizada com endotélio lesionado e o tampão plaquetário. É 19 importante ressaltar que a cascata da coagulação necessita de vitamina K, que é essencial na formação e ativação dos fatores de coagulação dependentes dessa, como o fator IX, VII, X e II. o A 3ª fase é conhecida como fibrinólise, processo pelo qual a fibrina é degradada enzimaticamente, eliminando coágulo formado na hemostasia secundária, com a formação dos produtos de degradação da fibrina. A fibrinólise considera 3 etapas: a 1ª é a formação dos ativadores do plasminogênio, a 2ª é a transformação do plasminogênio em plasmina e a 3ª é a fibrinólise propriamente tal, que nada mais é que a lise da fibrina pela ação da plasmina, com formação dos produtos de degradação da fibrina, conhecidos como PDFs. Estes são pequenos fragmentos liberados do coágulo na circulação e que são eliminados por macrófagos. Na hemostasia terciária, também ocorre a reparação da lesão do vaso sanguíneo. É importante lembrar que apesar da fibrinólise ser parte da hemostasia terciária, ela se ativa simultaneamente com a hemostasia secundária, mantendo um equilíbrio entre a coagulação e a degradação do coágulo. A plasmina vai atuar localmente, degradando coágulo de fibrina. Coagulação sanguínea - Complemento Bioaulas Hemostasia é um conjunto de ações que tem como objetivo manter o sangue fluindo dentro dos vasos. Corresponde ao funcionamento normal dos vasos e da circulação sanguínea. A partir de um momento em que o vaso é lesionado e começa a extravasar sangue, ocorrendo hemorragia, vai iniciar o processo de coagulação sanguínea. A hemostasia vai atuar justamente para impedir essa hemorragia. A hemostasia primária corresponde a ação dos vasos sanguíneose das plaquetas para impedir o sangramento. Caso seja pequeno, como um furo com agulha, apenas a hemostasia primária é capaz de impedir de forma permanente aquele sangramento. Quando for um pouco maior, por exemplo um corte com faca, entra também a hemostasia secundária que corresponde à ação dos fatores de coagulação que vão trabalhar tudo isso para ativar a fibrina, que por sua vez vai formar um coágulo mais estável e difícil de ser removido. Na hemostasia primária, as protagonistas são as plaquetas. Quando o sangue extravasa para fora do vaso, entra em contato com substâncias que estão na parede do vaso e isso faz com que seja ativado o processo de coagulação sanguínea. A 1ª ação é vascular, sofrendo vasoconstrição (diminui calibre no local da lesão), diminuindo o tamanho da lesão e o fluxo sanguíneo local, reduzindo o sangramento. Em seguida, as plaquetas entram em ação e vão aumentar o seu tamanho e forma, vão se aderir/se ligar ao endotélio do vaso sanguíneo, principalmente no colágeno. Quando ocorre a adesão, elas vão liberar diversas substâncias que vão atrair mais plaquetas e assim vão realizar a agregação plaquetária, quando uma plaqueta se liga a outra para formar o tampão plaquetário e estancar o sangramento. Elas vão se aderir e agregar através de glicoproteínas presentes em suas superfícies. Tem uma proteína presente no endotélio vascular e nas plaquetas que é muito importante para a adesão plaquetária e consequentemente para agregação também, que é o fator 20 de von Willebrand. Forma uma espécie de ponte que une o endotélio às plaquetas. A hemostasia secundária corresponde aos fatores de coagulação, que também são proteínas (algumas são enzimas) produzidas pelo fígado e esses fatores de coagulação vão estar circulando no sangue na forma inativa. Para que eles sejam ativados, precisam do estímulo da lesão vascular promovida pelo colágeno, pela calicreína que é uma substância liberada decorrente da lesão vascular. Um vai ativando o outro, por isso é denominada cascata. A via intrínseca ocorre com a liberação de fatores tissulares pelos vasos, como o colágeno e calicreína, que vão ativar o fator XII. Esse por sua vez quando ativado, vai ativar o fator XI. Em seguida, na presença de Ca+2, o fator XI vai ativar o IX. Esse último na presença de Ca+2 e do fator VIII, vai ativar o fator X. Este fator X por sua vez, na presença também de Ca+2 e fator V, vai ativar o fator II, conhecido como protrombina, se tornando em trombina. A trombina vai ativar o fator I, denominado fibrinogênio e quando ativado é chamado fibrina. Na via extrínseca também ocorrerá a liberação de fatores tissulares, mas há um importante fator liberado pelo vaso traumatizado que é a tromboplastina, que vai dar início a via extrínseca. Ela ativa o fator VII, que por sua vez ativa o fator X. A partir daí ocorre a via comum, porque ocorre a mesma coisa na extrínseca e intrínseca a partir do fator X. Outra coisa que a tromboplastina faz é inativar a heparina, que é um anticoagulante, e permite que o coágulo de fibrina permaneça até que o tecido se recupere. Depois, ele precisa ser eliminado caso contrário pode obstruir o vaso. Com isso, ocorre a hemostasia terciária, que corresponde à remoção desse coágulo através do mecanismo fibrinolitico. O vaso lesionado vai liberar o ativador de plasminogenio tecidual (APT), transformando o plasminogenio em plasmina, que vai degradar o coágulo de fibrina de vez mas aos poucos, porque é inibida pela antiplasmina. Desordens vasculares: Hemorragia Escorrer sanguíneo/derrame; extravasamento sanguíneo para fora do sistema cardiovascular. Pode ser classificada de acordo com o local em que está ocorrendo o extravasamento: venosa, arterial, capilar, cardíaca. Pode ser atingido varias origens, o que dificulta um pouco a classificação de origem. Em relação à origem orgânica, ela pode ser externa ou interna. Na interna, pode ser com fluxo (envolve órgãos tubulares, podendo causar gastrorragia, enterorragia, otorragia, rinorragia, pneumorragia, nefrorragia) ou ocultas (viscerais ou cavitárias - hemotórax/hemopericardio/hemoperitôneo). A evolução pode ser aguda ou crônica (liberação de pigmentos ferruginosos - hemossiderose). Epistaxe: perda de sangue pelo nariz ou através deste para a boca (rinorragia) Hemoptise: expectoração de sangue proveniente do trato respiratório inferior (pneumorragia) 21 Hematemese: vômito com sangue (esôfago, estômago) Gastrorragia: quadro hemorrágico afetando estômago Muito frequentemente quando o sangue fica durante um determinado período dentro do estômago e ele flui tanto por vômito ou diarreia (enterorragia), quando ocorre a digestão do sangue, há formação de um pigmento denominado hematina ácida. Quando o sangue é submetido a acidificação, a hemoglobina tende a ficar mais escura e isso forma um conteúdo similar a borra de café, denominada melena. Hemoglobinúria x Hematúria: a primeira é assim denominada devido ao fato de ter hemoglobina na urina, frequentemente relacionado com aumento do nível sérico de hemoglobina quando há hemólise principalmente intravascular. Quando há sangramento do trato urinário superior do rim, ureter, bexiga*, uretra, o sangue vai se misturar à urina e o animal urina um conteúdo escuro avermelhado, o que se denomina hematúria. Clinicamente, o conteúdo com 22 sangue coagula, então geralmente há gumos de sangue durante a micção do animal. Na foto a seguir, observa-se um quadro de hematúria, para isso deve ser feito diagnóstico diferencial, saber qual o pigmento que está deixando isso vermelho (se tem origem alimentar, se é hemoglobina, mioglobina ou sangue). Classificação morfológica e clínica: o Petéquias: serosa, mucosa ou o próprio órgão apresenta pontilhados de sangue, sem formar massa tridimensional. É uma mancha roxa ou hemorragia puntiforme. Hemorragias minúsculas esparsas de 1 a 2 mm de diâmetro. o Equimose: ou com dimensões maiores que petequias e menores que a sufusão - 2 a 3 cm. o Sufusões: extravasamento de humores, também chamadas de máculas hemorrágicas ou hemorragias em lençol. Refletem manchas difusas, planas e irregulares. 23 o Púrpuras: termo utilizado para descrever um quadro hemorrágico generalizado (petéquias, equimoses e sufusões extensas em várias serosas e mucosas, geralmente associado às diáteses hemorrágicas - síndromes com tendência à hemorragia por deficiência na coagulação e também às septicemias. Diferentes locais e proporções de hemorragia. o Hematoma: refere-se a formação de uma coleção sanguínea, tem um volume, tamanho, profundidade e largura mensuráveis. Não importa se está na mucosa, na cavidade, na pele. A primeira foto é de um hematoma no estômago, provavelmente relacionado com úlceras e a segunda no subcutânea possivelmente devido a um trauma. A terceira é de um hematoma por acúmulo de sangue na cavidade peritoneal (hemoperitônio) o Pode ocorrer na cavidade torácica ou até dentro do olho, como nas fotos a seguir: Mecanismos da hemorragia: o Por rexe ou ruptura de vasos: quando há rasgadura/ruptura, é o tipo de hemorragia mais comum. o Por diabrose ou digestão/erosão de vasos: visto em úlceras, doenças inflamatórias em que há não só a digestão dos patógenos, mas também a digestão inflamatória dos tecidos, inclusive de paredes vasculares. o Por diapedese ou diátese hemorrágica: sem lesão morfológica macroscópica evidente nos vasos, mas há sangramento, púrpuras, equimose, petéquias, sufusões, inclusive hematoma. Tem relação com alteração naqueles elementos relacionados a coagulação sanguínea, principalmente plaquetas, cascata de coagulação. Há uma falha nesses componentes e pode ocorrer hemorragia. Às vezes o próprio endotélio 24 tem lesão e pode apresentar sangramento, mas ainda sim não é muito evidente macroscopicamente. Anormalidades de endotélio na hemorragia:o Trauma per rexis = ruptura ß Traumas físicos ß Inflamação ß Neoplasia o Por diabrose ou digestão/erosão de vasos: (obs: tbm pode ser considerado por rexis) ß Doenças inflamatórias crônicas - cavernas pulmonares na tuberculose/micose ß Digestão enzimática - úlceras pépticas ß Quando há inflamação respiratória por vezes entra conteúdo incluindo patógenos dentro da bolsa gutural em equinos, podendo ocorrer um processo inflamatório infeccioso crônico, pode ocorrer digestão do vaso e intenso sangramento (guterocistite - pode ser fúngica ou bacteriana) ß A úlcera na porção aglandular do estômago de suínos é frequente, podendo ocorrer devido ao estresse do confinamento, a qualidade da ração, a espessura da ração. o Diapedese: parede vascular morfologicamente aparenta integridade ß Endotoxemia ß Uremia ß Sepses - bacterianas e virais (adenovírus canino, leptospirose) ß Imunocomplexos 25 ß Defeito de colágeno (deficiência de vit C) ß Falhas em plaquetas, falha na formação do tampão plaquetário ß Esse cavalo teve assepsia bacteriana, tendo quadro de púrpura trombocitopenica e com varias hemorragias, mas sem ter lesão no vaso. ß O sangramento contínuo sem a lesão vascular pode levar à formação de hematoma. É uma hemorragia por diapedese. Geralmente, doenças crônicas renais como na foto anterior causam esse quadro principalmente em cães. Na foto, há um quadro de má-formação renal, conhecida como displasia renal, em que há efeito tóxico de algumas excretas renais (como a ureia), causando efeito negativo na formação de plaquetas na medula óssea, então afeta megacariócitos, não há quantidade adequada de plaquetas (trombocitopenia) e consequentemente não há formação do tampão plaquetário para controle das hemorragias. 26 ß Doenças virais também podem afetar o endotélio, fatores de coagulação ou plaquetas. A primeira foto acima é um caso de síndrome de deficiência imunológica felina, que frequentemente afeta a formação de plaqueta. Um achado é a estomatite, bastante inflamação da cavidade oral (principalmente estruturas linfoides), causa muita dor e incômodo, impedindo a alimentação do animal. Além disso, pode haver sangramentos em varios locais, sendo púrpuras, equimoses, petéquias, sufusões no trato respiratório, digestivo, SNC, associado à diminuição da quantidade de plaquetas. ß Doenças tóxicas como as metaloproteínas presente as vezes nos venenos de cobras, principalmente de jararacas, chamadas de desintegrinas, que impedem a coagulação sanguínea e pode levar a extensos hematomas na região da picada, além das necroses teciduais. O hematoma é um achado bastante frequente nesse caso. Essa atividade trombocitopenica relacionada com essas metaloproteinas sao muito estudadas inclusive para remédios que impedem trombose vascular. 27 Hemorragia (diapedese) - diminuição de plaquetas o Trombocitopenia: ß Diminuição da produção: radiação, toxicidade por estrógeno, doenças infecciosas virais (parvovirus - causa necrose das células da medula óssea), quadros agudos de intoxicação por samambaias ß Aumento da destruição - imunomediado - lúpus eritematoso sistêmico, trombocitopenia pós-amamentação, anemia infecciosa equina. ß Aumento de uso - dano endotelial difuso, como queimaduras, infecções por herpesvirus por exemplo. ß Doença viral que causa lesão vascular em bovino é a “febre catarrão maligno”, causada por um herpesvirus do ovino que contamina bovino, produz reação alérgica com intensa formação de complexos antígeno-anticorpo que se deposita no endotélio. A consequência disso é a depressão de plaquetas e por consequência extensas áreas de hemorragia em todo o organismo (pleura, pericárdio, rim, fígado, pâncreas, subcutâneo, pele, conjuntivas). 28 ß Intoxicação por samambaia pode causar necrose da medula óssea como na foto a seguir. As células praticamente desaparecem, as plaquetas, linfócitos, a própria produção de hemácias fica comprometida, o animal tem anemia, fica suscetível a infecções secundárias mas tem também quadro de hemorragia. Um achado frequente é a palidez pela anemia e extensas áreas de hemorragia (se tinge praticamente toda a extensa do órgão é chamada de sufusão). Hemorragia - diminuição da função plaquetária: o Administração de fármacos anti-inflamatórios não esteroidais (aspirina) = Inibe COX, reduz a agregação plaquetária e reduz tromboxano. No entanto, se a dose for muito elevada, frequentemente o paciente vai entrar em quadros de hemorragia, com petéquias, equimoses, sufusões. o Doenças renais crônicas são muito comuns em clínica de pequenos, causam quadros de uremia, que diminui a agregação plaquetária levando à lesão endotelial (hemorragia com petéquias, equimoses, sufusões e púrpuras. Hemorragia - diminuição de concentração ou função de fatores de coagulação (sem lesão vascular) o Deficiências adquiridas ß Doenças hepáticas graves ß Deficiência de Vit K - diminuição na produção de fatores II, VII, IX, X, proteína C e S ß Dicumarol (intoxicação por trevo) - comum no Sul - inibidor da vit K ß Warfarinicos (rodenticidas) 29 Trombose Caracteriza-se pela formação patológica de trombo de fibrina/plaquetas na parede de vasos sanguíneos ou linfáticos no coração ou livre (tromboembolismo), na luz vascular Deve ser diferenciado da coagulação (hemostasia) e da coagulação post mortem Os principais fatores envolvidos na trombose são as lesões, principalmente de endotélio dos vasos sanguíneos, um exagero da atividade de fatores de coagulação ou de plaquetas (hipercoagulabilidade) e a dinâmica do fluxo sanguíneo - se ocorrer uma estase (processo congestivo agudo ou crônico), isso também predispõe a formação de um trombo. Quando há alguma alteração na circulação, como turbulência, fazendo com que plaquetas se aproximem do endotélio, pode ocorrer coagulação e causar dano tecidual, ou seja, trombose. Esses três fatores (lesão de endotélio, coagulação exagerada ou falta de atividade de anticoagulante e turbulência circulatória ou estase) é denominada tríade de Virchow. Após a morte do indivíduo, os anticoagulantes deixam de ser produzidos, formando coágulos post mortem, como na foto acima. Acontecem em mais ou menos tempo depois da morte e frequentemente estão obliterando a luz do vaso e devem ser diferenciados de trombose. Podem ser brancos ou vermelhos, mas será visto com mais detalhes na prática. Os coágulos podem ter diferentes conformações, mas frequentemente estão relacionados com dano endotelial, então estão aderidos ao endotélio e quando tem fluxo circulatório mais ou menos dentro do normal eles tendem a ser mais 30 brancacento, pois coagula o plasma sanguíneo, plaquetas, poucos leucócitos e hemácias. Os coágulos arteriais frequentemente têm a conformação da foto acima à esquerda. Quando há estase sanguínea, os coágulos tendem a ter um agregado/uma mistura bastante grande de hemácias e isso é chamado de trombose vermelha (foto acima à direita) A trombose frequentemente está envolvida com dano tecidual, com diminuição do fluxo circulatório e consequentemente causa necrose Esses 3 fatores são importantes na formação de trombose, sendo o dano endotelial o principal. A integridade endotelial é extremamente importante para que o sangue flua sobre uma superfície lisa, sem que se agite demasiadamente. A elevação de fatores de coagulação principalmente quando há um estímulo inflamatório, tóxico, traumático é um fator que leva também a agregação de plaquetas e ativação de fibrinogênio e consequentemente a coagulação sanguínea e possivelmente trombose. A estase sanguínea facilita a adesão plaquetária e a ativação de fibrinogênio. Causas da trombose - lesão endotelial: o Vírus = adenovírus canino, morbilivirus equino, herpesvirus, orbivirus, pestivirus o Bactérias = Salmonela, Mannheimia, Erisipelothrix, Hemophilus o Fungos = Aspergillus,Mucor, Absidia, Rhizopus o Nematóides = Strongylus - comum em equinos, Dirofilaria, Spirocerca, Aelurostrongilus 31 o Vasculite imunomediada = púrpura hemorrágica, peritonite infecciosa felina, febre catarral maligna, produção de complexos antígeno- anticorpo e adesão ao endotélio predispondo ao dano o Toxinas = Claviceps produz ergotamina, causando alteração da estrutura vascular e pode predispor à isquemia, trombose o Deficiência de vitamina E e selênio = induzem à microangiopatia, formação de trombos em pequenos vasos. o Coagulação intravascular disseminada = danos de sepses podem ser tão intensos que ocorre uma trombose sistêmica. o Uma das causas comuns de trombose são as doenças periodontais, pois são frequentemente portas de entrada de patógenos, causam sepse e consequentemente formam trombos em outros locais, principalmente em válvulas cardíacas. Além disso, lesões de pele em qualquer espécie frequentemente causa esses danos. Um dos cães apresentados na foto teve um enforcamento por arame, causando uma ferida que foi contaminada por miíase e abriu porta para bactérias, resultando em endocardite valvular. o Nas bifurcações valvulares também pode ocorrer trombose, no caso em cela. O pulmão tem possibilidade de formação de trombos principalmente por sepses. o Na foto a seguir, se trata de achados um cavalo infectado por Strongylus, com as artérias mesentéricas com aumento bastante evidente do vaso. A migração desse parasito na luz vascular, gruda no endotélio, causa dano, agrega plaqueta, começa a ativar a cascata de coagulação e fibrinogênio e se adere, formando trombos e podendo levar à trombose. 32 Causas da trombose - alterações no fluxo sanguíneo: o Estase local ou fluxo reduzido (acidente topográfico visceral) o Doença cardíaca crônica o Aneurisma o Hipovolemia o Por estase: importante principalmente na trombose venosa. A estase altera o fluxo lamelar fazendo com que as células (inclusive plaquetas) que ocupavam a corrente axial passem à corrente marginal, facilitando o contato plaquetas-endotélio, ao tempo que concentra os fatores da coagulação. o Por turbulência: predispõem à deposição de plaquetas e por traumatizara íntima cardiovascular, facilita a exposição do colágeno subendotelial. É consideravelmente maior a frequência de trombose nas áreas de estenose e bifurcação vasculares. o Foto acima à direita é um prolapso de reto, em que essa dobra obstrui vasos, causa estase, relacionada à coagulação sanguínea e formação de trombose. o Alterações cardíacas, no caso da foto ao lado, cardiomiopatia dilatada, faz com que haja uma estase sanguínea maior no coração, então o débito cardíaco altera e consequentemente esse acumulo de sangue pode ter relação com a trombose. 33 o Fatores como a diarreia, perdas de sangue, vômitos predispõem também a formação de trombose, há uma hipercoagulação sanguínea. Em casos de parvovirose, é comum a perda sanguínea, por varios fatores, não só pela estase, diminuição do fluxo circulatório, mas também pela lesão endotelial causada pelo patógeno pela reação inflamatória produzida por esse organismo. É comum no intestino e baço. Causas da trombose - alterações na composição do sangue: o Atividade plaquetária aumentada: diabetes melito, síndrome nefrótica, neoplasia, uremia o Ativação de fatores de coagulação (neoplasia, uremia) o Deficiência de antitrombina: doença hepática o Anomalias metabólicas: hiperadrenocorticismo, hipotireoidismo o Doenças renais como amiloidose, que é a alteração glomerular pela proteína parecida com amido. Uremia - atividade plaquetária aumentada o Rim de um cachorro com doença renal crônica, apresentando uma intensa fibrose, uma doença glomerular. Isso vai causar um dano endotelial, causa alteração da atividade plaquetária, diminuição da depuração de fatores de coagulação. Deficiência de antitrombina 34 o Doenças hepáticas como a degeneração gorda, glicogenose hepática, as doenças crônicas hepáticas como a cirrose, os tumores hepáticos de uma maneira geral, tanto de ductos como de hepatócitos, podem induzir uma alteração na produção de fatores de coagulação produzidos no fígado e consequentemente levar à trombose. Doenças da adrenal o É possível ver uma síndrome de hiperadrenocorticismo, frequentemente a produção exagerada desses corticoides pode levar à coagulação. Neoplasia o Na foto, observa-se um tumor de adrenal, chamado de feocromocitoma. Ele por si só invade o vaso, ou seja, é um trombo que causa o dano endotelial, causa o trombo na luz vascular, mas por vezes é funcional, liberando mineralocorticoides que afetam a coagulação sanguínea. Características macroscópicas: o Venosos: geralmente vermelhos e oclusivos, de aspecto úmido e gelatinoso (lembrando os coágulos post-mortem, porém firmemente aderidos ao endotélio [quando retirados à necropsia, deixam uma superfície rugosa e sem brilho]). Tendem a ser resultantes de estase. o Cardíacos e arteriais: brancos (secos, friáveis, inelásticos, associados a alterações no endocárdio) ou vermelhos (semelhantes aos venosos, associados sobretudo ao retardamento da circulação sanguínea nas câmaras cardíacas). 35 o A foto anterior retrata tromboarterite verminótica em um cavalo, em que há um trombo brancacento aderido firmemente ao endotélio junto com os nematóides. Esse trombo pode levar à obstrução da luz e consequentemente a uma área de infarto no ceco ou no cólon como na foto a seguir. o Trombo causado por erisipela, é um patógeno de pele, entra pela lesão que é uma porta de entrada e chega a se fixar nas válvulas cardíacas, pois tem uma certa predisposição e como o fluxo circulatório é muito forte, tende a lavar e ter poucas hemácias, ficando brancacento (foto abaixo à esquerda). À medida que esse trombo vai obstruindo a luz vai causando uma certa estase, então em um certo momento pode ficar avermelhado (foto abaixo no meio). A foto abaixo à direita mostra um trombo (região mais clara na esquerda) de estase em uma insuficiência cardíaca congestiva apresentando coágulo post-mortem (bem escuro à direita). o Aspectos do trombo: ß A tendência da coagulação post-mortem é que ela seja estratificada, ou seja, a parte mais pesada tende a se acomodar gravitacionalmente. As células mais pesadas (leucócitos, hemácias) tendem a sedimentar na parte mais baixa do cadáver e o plasma tende a ficar mais na parte de cima. Há uma linha de separação bem evidente, como se vê a seguir. 36 Embolia O termo embolia vem de tampão, um êmbolo, um material que obstrui. Tem intensa relação com a trombose. Destino/consequência da trombose: o Uma das situações bastante comuns como consequência da trombose é a resolução, o vaso volta à normalidade por causa da fibrinólise, que é parte da hemostasia. Independente da consequência do trombo, o plasminogenio vai ser ativado formando a plasmina e vai quebrar a fibrina nos fragmentos específicos e eles vão ser removidos da área. Nessa condição, o vaso volta à normalidade. Durante a dissolução, quando há uma aderência mais ou menos débil do trombo em relação ao vaso, ele pode se soltar e isso vai levar ao que se chama de embolização. o Em uma trama de tecido fibrinoso, pode ocorrer proliferação de células, fibroblastos. São componentes de cicatrizes, tem colágeno e na superfície há crescimento de endotélio. Algumas vezes, essa formação de cicatriz é tão ampla que praticamente obstrui a luz vascular e dependendo da situação pode haver liberação de fatores de crescimento, de endotélio, de vasos. 37 o A foto anterior à esquerda mostra uma luz vascular integra, se teve um trombo ele foi removido e voltou à normalidade, aparentemente sem consequência. À direita, há um trombo com cicatrização, uma extensa substituição do preenchimento da luz por material celular, principalmente fibroblastos. Épossível ver uma parte da luz do vaso com fluxo circulatório. Embolia: massa anormal transportada de uma área para outra dentro da corrente circulatória. É a ocorrência de qualquer elemento estranho (êmbolo) à corrente circulatória, transportado por esta, até eventualmente se deter em vaso de menor calibre. 99% dos êmbolos são derivados de trombos - tromboembolia o Ar, gordura, colônias bacterianas, fungo, células tumorais e corpos estranhos A foto a seguir (1) representa um êmbolo de gordura dentro de um vaso do SNC. As massas não coradas são de gorduras provavelmente oriundas de medicamento ou traumatismo de tecido adiposo com liberação de gordura para a corrente circulatória. A foto 2 mostra êmbolos com células atípicas (neoplásicas), grande parte das metástases de tumores se relacionam com embolização. Na 3 observa-se uma estrutura cartilaginosa obstruindo a luz vascular, que ocorre nas hérnias intervertebrais, em que o disco articular, o anel puposo por traumatismo acaba se insinuando pro interior do tecido e se houver lesão vascular, ele pode tomar o rumo circulatório e acabar obstruindo vasos durante essa circulação. Na 4, observa-se células inflamatórias, com embolias relacionadas a trombos, que é o mais comum. Embolias circulatórias o Embolias pulmonares: ß Trombos localizados no sistema venoso; ß Endocardites de tricúspides; 38 o Embolias sistêmicas: ß Trombos da circulação arterial; ß Endocardites de bicúspides; Um local frequente de embolização é o rim Na tromboembolite verminosa por exemplo, o verme é um êmbolo e normalmente se adere à parede, formando trombos. Se ele se soltar ou morrer após tratamento parasitário, ele pode circular e causar uma obstrução do intestino, em algum segmento com vaso menor que essa estrutura, causando diminuição do fluxo circulatório e os infartos. Na terceira foto, observa-se um tromboembolismo bastante comum, que ocorre em gatos quando há trombose de ilíacas, podendo causar infarto de membro posterior. Os trombos que circulam no retorno sanguíneo tendem a parar no pulmão. Nesse órgão se observa muitos efeitos das embolias, como o infarto. É muito comum a embolização de células neoplasicas pararem no pulmão. Tipos de êmbolos: o Êmbolos sólidos: ß “Tromboembolismo” ou “embolia trombótica” ß Massas neoplásicas, massas bacterianas, larvas e ovos de parasitos ß Representa a maioria dos êmbolos ß Em humanos, as placas ateromatosas são bem comuns, podem embolizar e causar danos na circulação. O AVC é comum em humanos e pode ocorrer também em animais. o Êmbolos líquidos: ß Embolia amniótica: contrações uterinas durante o parto predispondo à coagulação intravascular disseminada ß Embolia por lipídeos: esmagamento ósseo e/ou de tecido adiposo, esteatose hepática intensa, queimaduras extensas da pele, inflamações agudas e intensas da medula óssea e tecido adiposo (osteomielites e celulites), injeção de grandes volumes de substâncias oleosas via endovenosa. o Êmbolos gasosos: ß Injeção de ar nas contrações uterinas durante o parto 39 ß Perfuração torácica, com aspiração de ar para instalação de pneumotórax tornando possível a aspiração de ar também para vasos rompidos na área; ß Nas descompressões súbitas ocorre aumento do volume de gás dissolvido no plasma. Com a descompressão súbita, o gás se torna insolúvel também rapidamente na própria circulação. É muito difícil observar morfologicamente, tanto de forma macro e microscópica, o êmbolo circulando, tem algumas coisas específicas como parasitos, ou quando o trombo é muito intenso principalmente nas câmaras cardíacas. Geralmente se observa uma alteração relacionada com esse êmbolo, que vai obstruir o vaso, que vai diminuir o fluxo circulatório e que por sua vez vai levar à necrose tecidual ou infarto. Diminuição perfusão/Infarto Diminuição da perfusão (isquemia) em uma área. Sem supressão da causa evolui para necrose (coagulativa) tecidual = infarto Trombose e embolia são causas principais A perfusão tecidual é principalmente dada pelo funcionamento adequado do coração, o coração tem uma força de contração para bombear sangue em determinada pressão, apressa/ abre receptores nos seios carotídeos por exemplo e no arco aórtico, que respondem aumentando ou diminuindo essa pressão dependendo das necessidades orgânicas. Centros cardíacos, centros autônomos no SNC, principalmente medulares, de controle do volume circulatório e do volume de eletrólitos, sobretudo Na, afetam o fluxo circulatório e consequentemente a perfusão. O funcionamento adequado do coração, o adequado reconhecimento e manutenção da PA, do volume circulatório arterial são extremamente importantes para a manutenção da homeostase celular, com as trocas de O2, de eliminação de CO2, de excreta da célula e o recebimento de outros nutrientes pela célula. O carreamento desses nutrientes para o interstício e como ele vai entrar na célula e a drenagem dos resíduos para ser eliminado do organismo por via enterohepatica, renal ou respiratória. O fluxo sanguíneo é variável nos diferentes órgãos, como o fígado, intestino, pulmão, glândulas de modo geral, devido às necessidades metabólicas, à atividade digestória, à produção glandular, produção de proteínas. Estas recebem um aporte sanguíneo maior que a necessidade metabólica, a pele exemplo recebe um aporte sanguíneo maior que a necessidade para a regulação principalmente. O ADP contribui para a vasodilatação, sendo extremamente importante para aumentar a perfusão tecidual quando há um quadro de anóxia. Quando a isquemia é prolongada, o retorno do fluxo sanguíneo pode ser danoso, o refluxo pode levar fluidos para o interstício, causando elevação da pressão 40 tecidual e, assim como visto no edema, ele dificulta/comprime ainda mais as veias e intensifica o fluxo sanguíneo, amplificando a perfusão reduzida. Nas células isquêmicas, um produto da quebra do ATP é a hipoxantina, a ausência de O2 não é reativa. Entretanto, quando retorna O2, a xantina é convertida em hipoxantina, uratos, peróxidos de hidrogênio, anions, e isso causa reações químicas nas membranas celulares, intensificando a agressão celular. Por isso a perfusão tecidual reduzida prolongada é extremamente danosa para a célula, porque além da falta de O2, há uma amplificação de radicais livres. Perfusão tecidual reduzida o Causa: ß Arterial: bloqueia luminal, trombose/embolo ß Venosa: pressão estase ou externa o Consequências (isquemia): ß Depende do tecido e velocidade de oclusão, tipo de vascularização (anastomoses, circulação colateral) ß Encéfalo e coração: suscetíveis - necessidade energética e circulação colateral ineficiente ß Pulmão, fígado, intestino e pele - resistentes: circulação colateral/anastomoses ß Obstrução rápida: ATP é degradado adenosina (vasodikatador) aumenta perfusão: aumenta produção ATP. Normalidade. ß Isquemia prolongada - aumenta pressão hidrostática - edema ß Inibe retorno venoso - congestão ß Aumenta espaço endotelial - hemorragia ß Há lesão endotelial - exposição de fator tecidual ß ATP - reduzido a hipoxantina, xantina oxidase, O2 = urato, H2O2, O2 o Aspectos patológicos ß Depende da localização e evolução ß Inicialmente há edema e hemorragia 41 ß Posteriormente: infartos pálidos (coração, rim, encéfalo - após 8h a area afetada fica amolecida, demarcada e amarela-clara) ou infartos vermelhos (pulmão, intestino, fígado - circulação colateral ou dupla: intenso sangramento para área do infarto. ß Evolução: regeneração/fibrose Nos animais de interesse veterinário, a formação de trombos em rins é muito comum A tendência dos infartos é que sejam triangulares, a base frequentemente tende a ser externa, na região cortical, e o ápice próximo do local obstruído. O tecido conjuntivo tende a se contrair à medida em que ele vai ser organizando. A foto a seguir éum indício disso, com as áreas de depressão mostrando que houve infarto antigo. A área afetada é mais firme que o normal. 42 Uma causa muito comum de infarto em animais é relacionada com trombose valvular (principalmente coração esquerdo). A foto abaixo à direita mostra um trombo bacteriano na bicúspide, que vão soltando pequenos fragmentos que circulam pela aorta e causam obstrução no rim, em diferentes tempos. Na foto do rim, observa-se um infarto um pouco mais antigo (mancha mais acastanhada por conta da hemossiderina) e outros mais recentes. No baço, há varias áreas de infarto, também relacionada com tromboembolismo de origem da tricúspide. A foto a seguir é de um trombo no coração direito e quando se desprendeu chegou ao pulmão (foto abaixo), causando um infarto. O tamanho da área afetada depende do tamanho do trombo/êmbolo. A quantidade de plasminogênio no pulmão tende a ser maior que nos outros tecidos, exatamente porque a formação de trombos é comum. 43 A foto a seguir (amarela) mostra uma arterite micótica, há formação de trombos, eles se desprendem e pode ocorrer trombose em vários locais, como fígado, pele (orelhas na foto). Cardiomiopatia também é uma causa frequente de trombos e a obstrução dos vasos pode levar à isquemia de patas. Muito comum em gatos e foi frequente quando houve deficiência de taurina. Os parasitos também podem causar trombose, como já mencionado. O desprendimento do trombo pode levar à obstrução de vasos que irrigam parte do intestino, causando alteração de cor, consistência, os infartos. 44 Em relação às tromboses valvulares, com muita frequência se relaciona com as doenças periodontais, em humanos é muito frequente assim como em pets. Na foto, é possível ver placas bacterianas, formam-se filmes no dente, depositando cálcio. Quando há periodontite, as bactérias podem entrar via circulatória e (Staphylococcus, Streptococcus) tendem a parar nas válvulas cardíacas, formando os trombos. Se eles se desprendem, podem causar infarto, na bicúspide é frequente infarto de rim, se for na tricúspide o pulmão. Uma consequência dessas tromboarterites são os choques circulatórios. Choque Choque ou colapso circulatório é uma dishomeostasia circulatória, que ocorre por conta da perda de volume sanguíneo circulante, da diminuição no rendimento cardíaco e/ou da resistência vascular periférica inapropriada. As principais causas de choque são: hemorragia severa ou diarreia, queimaduras, trauma tecidual ou endotoxemia. Ocorre principalmente pela hipotensão, em que a perfusão tecidual é prejudicada, ocorrendo hipóxia celular e mudança no metabolismo anaeróbico pelas células, degeneração celular e morte. Caso esse choque persista, vai levar à lesão celular e tecidual irreversível Classificação: o Cardiogênico o Hipovolêmico o Pela má distribuição de sangue: podendo ser choque séptico, choque anafilático e choque neurogênico. Choque cardiogênico: o Ocorre pela falência do coração, isto é, ocorre uma diminuição do bombeamento, devido ao infarto do miocárdio, taquicardia ventricular, fibrilação ou arritmias, cardiomiopatias, embolismo ou estenose pulmonar/aórtica. o A estimulação simpática do coração permite a contratilidade cardíaca, volume circulante, rendimento cardíaco e taxa cardíaca. Caso isso não ocorra, vai haver estagnação do sangue e hipoperfusão tecidual. 45 Choque hipovolêmico o Ocorre pela diminuição do volume circulante decorrentes de hemorragia, vômito, diarreia e queimaduras. o Diminuindo a pressão vascular e a hipoperfusão tecidual se instala o choque. Os mecanismos fisiológicos que vão conter são a vasoconstrição periférica e o movimento do plasma. o Aumentando a pressão vascular, leva sangue aos órgãos como coração, SNC e rins. Se ocorrer cerca de 10% de sangue, o animal continua normal (casos de transfusões), mas perdas de 35-45% o animal provavelmente morrerá. Choque pela má distribuição de sangue: o Ocorre pela resistência vascular e acúmulo de sangue, vasodilatação por citocinas ou sistema neuronal, decorrentes de trauma, estresse emocional (muito comum em silvestres na hora da contenção), hipersensibilidade sistêmica ou endotoxinas. o Choque anafilático: ß Ocorre pela hipersensibilidade tipo 1 decorrente da ingestão de plantas ou picadas de insetos, reação de fármacos ou vacinas. ß As IgE reagem com o agente agressor, liberam mastócitos na corrente sanguínea, que por sua vez vão liberar histaminas e substâncias vasoativas. Estas irão causar vasodilatação sistêmica, que aumenta a permeabilidade vascular, causando hipotensão e hipoperfusão tecidual. o Choque neurogênico: ß Ocorre principalmente por trauma no SN, decorrente de eletrocussão, medo ou estresse emocional ß Ocorre a liberação de citocinas, mas não é o fator inicial ß Ocorre uma descarga autonômica de hormônios, uma vasodilatação periférica, seguida de acúmulo de sangue venoso e hipoperfusão. o Choque séptico: ß Ocorre por conta da vasodilatação periférica, quando há proliferação de bactérias ou fungos no local. As endotoxinas são liberadas da membrana de lipopolissacarideos das gram -. Isso leva à liberação de mediadores vasculares e inflamatórias. ß Placas periodontais são causas bem comuns de choque, podendo causar endocardite bacteriana, mencionado na aula passada. Fisiopatologia do choque: Na microcirculação, temos as arteríolas e as vênulas controladas pelo SNA (simpático e parassimpático). Nos capilares, há fatores humorais que respondem a hormônios, podendo ser locais ou sistêmicos. No SNA parassimpático, há liberação de substâncias vasodilatadoras: enzimas lisossomais, proteases, serotonina, histamina, bradicinina e ácido lático. No SNA simpático há liberação de substâncias vasoconstritoras: adrenalina, noradrenalina, angiotensina, vasopressina. Mecanismos compensatórios fase I (adrenérgica), quando ocorre a diminuição da PA, o coração sente isso pelos receptores e o SNC vai diminuir a atividade vagal 46 (parassimpático). O aumento do simpático leva à taquicardia e vasoconstrição principalmente na pele, rim, intestino, baço e músculos esqueléticos. Vai favorecer principalmente a circulação central (dos órgãos vitais). Com a diminuição da PA, ocorre anóxia, que é a redução de O2, e os quimiorreceptores periféricos vão notar e estimular a vasoconstrição periférica e taquipneia. Com o aumento da PA, vai haver isquemia do SNC caso a injúria continue. Aumentando o simpático, ocorre taquicardia e vasoconstrição, além de aumentar as catecolaminas, uma vasoconstrição esplênica. Se não ocorreu, vai aumentar a cronotropia, ou seja, a força do batimento cardíaco sistólica, e a inotropia cardíaca, que é a fase diastólica, aumenta a força de expansão para um maior rendimento do fluxo sanguíneo. Quando há menor perfusão renal, ocorre liberação de renina, que vai liberar angiotensinogenio e por fim a angiotensina, causando uma vasoconstrição ainda maior e liberando aldosterona, retendo Na. Com a diminuição da pressão sanguínea do átrio a hipófise libera a vasopressina e o ADH que faz com que o rim perca menos sangue; ocorre também a liberação de ACTH que libera corticoesteróides (aldosterona e hidrocortisona- potencializa ação das catecolaminas e causa a neoglicogênese. Caso ainda ocorra a diminuição da pressão sanguínea o nosso sistema age aumentando a pressão oncótica, fazendo um afluxo do líquido intersticial para o lúmen capilar. Com tudo isso o animal vai apresentar: taquipnéia, taquicárdia, vasocontrição periférica e esplênica, secreção de aldosterona e vasopressina; afluxo de líquido tecidual para o lúmen vascular. Mecanismos compensatórios fase II: caso a isquemia continue vai ocorre estase e vasoplegia levando a hipóxia tecidual pela diminuição do volume sanguíneo. Mecanismos compensatórios fase III e IV: ocorre coagulação intravascular disseminada e a diátesehemorrágica (várias hemorragias pelo organismo). Mecanismos descompensatórios: ß Hipotensão: o Diminui o fluxo sanguíneo no coração; o Diminui o fluxo nas coronárias; o Deprime a função cardíaca; o Isquemia pâncreas (substância cardiopressora); o Com a diminuição da pressão ocorre alterações microcirculatórias: esfinctérs dos capilares ficam contraídos diminuído a perfusão de arteríolas e vênulas. Características clínicas e morfológicas do choque: ß Hipotensão; ß Pulso fraco; ß Taquicardia; ß Hiperventilação com estalidos pulmonares; ß Redução na produção de urina; ß Hipotermia; ß Estágios finais: insuficiências (principalmente renal), tem sinais clínicos específicos; ß Lesões variadas, depende da natureza do choque; ß Sempre ocorre degeneração celular e áreas de necrose; 47 ß Edema, hemorragia (petequial e equimótica) e trombose; ß As lesões do choque são mais proeminentes nos neurônios e miócitos, também pode ocorrer nos hepatócitos causando uma evidenciação no padrão lobular; ß Epitélio tubular renal causando necrose tubular ou degeneração celular; ß Epitélio cortical adrenal; ß Epitélio gastrointestinal; ß Um animal pode apresentar: o Congestão pulmonar severa; o Edema e hemorragia com necrose epitelial alveolar; o Exsudação de fibrina e formação de membrana hialina; o Congestão passiva e necrose hepática centrolobular; o Necrose tubular; o Coagulaão de miofibrila hipercontração de sarcômeros (histologia); o Necrose laminar cérebro cortical- isquemia (visto somente na histologia). Caso esses fatores patológicos não cessem o animal vem a óbito.o Na foto anterior, observamos uma área amarela, que indica um tecido necrótico em uma evolução mais longa, intensamente demarcada e tecido com tendência reparativa, com muito fibroblasto. Essa alteração na articulação de frangos de postura é relacionada a gota (deposição de ácido úrico articular), que leva a um processo inflamatório que causa uma agressão tecidual, que causa a morte da célula e uma resposta em volta. o Na foto ao lado, se trata de uma lesão em fígado de bovino. Uma área bastante delimitada, pelo processo circulatório, tem bastante hemorragia, deve ter processo inflamatório também. Está relacionado com uma doença infecciosa chamada necrobacilose, causada por um agente bacteriano. Alterações microscópicas indicativas de morte tecidual no conjunto celular/tecidos: o Na maior parte dos indivíduos, há uma reserva funcional muito grande. Se pegar um fígado com 20% funcional, a atividade dessa parcela pode estar dentro da normalidade. O pulmão também até 60% ainda funciona bem, 9 porém após passar de 70% começa a complicar. Então quando se fala em necrose, é bom falar em conjunto celular. o Dentro desse contexto, o que caracteriza a necrose tecidual é o aspecto que ela está no tecido. A primeira foto acima é um corte histológico de um rim, com glomérulo e túbulos renais com material intensamente eosinofílicas (provavelmente com alteração degenerativa necrótica), mas ainda é possível distinguir as estruturas. Na segunda foto, observamos um linfonodo pela parte normal, já o tecido eosinofílico não é reconhecível. o De acordo com o agente causador, local, tempo e tecido agredido, há diferentes aspectos de necrose/morte tecidual. Tipos morfológicos de necrose Tipos de Necrose: de coagulação ou coagulativa, necrose caseosa ou de caseificação, necrose de liquefação ou liquefativa. Esses tipos estão relacionados ao local de ocorrência. Quando o órgão tem predominância de proteínas, a necrose tende a ser coagulativa. Quando a resposta inflamatória é persistente, tende a ter um aspecto caseoso. Em locais com predomínio de tecido gorduroso, como o SNC, esse material morto tende a se tornar liquefativo Necrose de coagulação ou coagulativa: o Ocorre principalmente onde predominam as proteínas. A massa muscular esquelética cardíaca, tecido epitelial da epiderme, tecido hepático, renal, pancreático, de glândula salivar. Normalmente o citosol e as estruturas de sustentação das células são locais ricos em proteínas e a tendência é que quando há uma agressão celular, como anóxia, acidificação ou agressão por agentes microbianos ou processo inflamatório, o conjunto proteico que forma o tecido de sustentação se desnature e tende a coagular. o Há desnaturação e coagulação de proteínas celulares associadas com atividade de enzimas hidrolíticas o A arquitetura tecidual é reconhecível - um hepatócito com características alteradas como núcleo menor e citoplasma mais avermelhado, ainda é reconhecível pela sua morfologia. o O tecido está com coloração alterada (mais claro ou mais escuro que o normal) 10 o Necrose de Zenker (Friedrich Alberd von Zenker) - sinônimo - pesquisador de alterações de miocárdio, notou que quando ocorria infarto, a área ficava mais clara, frágil e com linha de demarcação, além do arcabouço celular mantido, mas o núcleo picnótico e citoplasma mais avermelhado, tendendo a desaparecer. o A necrose coagulativa é um tipo de necrose de evolução aguda, à medida em que o tempo vai passando, as células que vão morrendo são fagocitadas, digeridas ou autolisadas. Geralmente é recente, até por isso a arquitetura tecidual é reconhecível. o Microscopicamente, a área mais vermelha é a mais afetada e o local onde ocorre a agressão normalmente tem processo inflamatório relacionado. o Mesmo com a caracterização da necrose coagulativa associada à diminuição da circulação, ainda assim é possível reconhecer estrutura tubular e o glomérulo como vemos na foto anterior. 11 o Caprino com sinais clínicos associados a necrose muscular: ß A necrose muscular é caracterizada por estriações, a parte mais clara é a região em necrose e a mais escura é a normal. ß Esse quadro do caprino tem relação com uma doença bem comum associada à falta de vitamina E e selênio, que são moléculas antioxidantes importantes pro metabolismo de ácidos graxos, eles podem reagir com radicais livres. Essas moléculas fazem parte de enzimas que transformam radicais livres em algo inerte para atividade celular e quando há deficiência desses minerais, consequentemente ocorrem agressões na célula ou músculo. o A foto a seguir é de um caso de necrose muscular em um búfalo, observa- se que as fibras musculares se desnaturam, ficam mais homogênea (perdendo as estriações), aumentam em volume e tem bastante inflamação. Necrose caseosa ou de caseificação: o Necrose que ocorre em casos de reação inflamatória em que o agente infeccioso permanece na lesão (tuberculose, sífilis, linfadenite caseosa, doenças micóticas, granulomas fúngicos, alguns componentes de difícil fagocitose, como a queratina, cutícula de nematóides, ácaros e pulgas). Esse agente de difícil degradação incita uma resposta inflamatória aguda inicialmente e tende a proliferar para crônica, predominam macrófagos que liberam ocitocinas que vão degradando o patógeno ou o próprio tecido. o Há perda da morfologia celular - característica importante! o Coloração brancacenta, acinzentada, amarelada o Forma similar ao requeijão (caseosa) o Área que está seca ou levemente cremosa, firme mas sem força de coesão 12 o As fotos a seguir são sinais de infecção por Mycobacterium, causador da tuberculose, tem uma estrutura capsular resistente à digestão. Os macrófagos fagocitam o agente dependendo do estado imunológico do indivíduo. Se não conseguir degradar a parede bacteriana, a própria bactéria produz estímulos que vão inibir a atividade inflamatória e assim poder se proliferar. Uma característica é a formação de uma rede de tecido conjuntivo em volta, formando uma cápsula. o A área afetada não tem morfologia reconhecível, nem histologicamente como vemos a seguir: Necrose de liquefação ou liquefativa: o Os dois principais locais onde ocorre: encéfalo (predominam esfingolipídeos) e em abscessos; o Está mais associada à infecção aguda, que é estimulada por uma série de fatores; o A área de necrose independe do tamanho, fica como um espaço contendo líquido, ou então está vazio. o Terminologia para necrose do encéfalo: malacia (amolecimento) o Essa resposta aguda é observada com intensa exsudação de líquido, de proteínas inflamatórias (fibrinogênio - fibrina), migra grande volume de neutrófilos que começam a produzir enzimas “embromíticas” e vão digerindo o tecido em volta, liquefazendo, tornando-o amolecido e degradado. Esse conjunto de água, fragmentos, restos 🔗 - 13 celulares, microrganismos vai formar pus. Se houver tempo, vai ocorrer estímulo para formação de uma cápsula em torno dessa inflamação. Quando se forma uma cápsula, se forma um abcesso, que é uma área com degradação/morte tecido que vai ser digerido pelo processo inflamatório da resposta aguda (neutrófilo/heterófilo). o A diferença entre granuloma e abscesso é basicamente o agente causador, o tipo da necrose, resposta inflamatória (mas ambos são envolvidos por cápsula) e a mineralização de algumas áreas, principalmente nos granulomas. o Nem sempre a inflamação aguda está associada a um abscesso, pode ter secreção bem líquida. o No encéfalo pode ocorrer leucoencefalomalacia, que é o amolecimento/necrose da substância branca do encéfalo, comum em cavalos. Conhecida como doença do milho mofado, em que o grão geralmente vem contaminado da lavoura e com alteração de temperatura (baixa), o fungo Fusarium tende a produzir proteínas de proteção - toxinas - por uma estrutura denominada fumosinas,causando agressão na substância branca do encéfalo do cavalo que se alimenta do alimento contaminado. Diminui a oxigenação e leva consequentemente à necrose de uma série de células. Geralmente afeta apenas um lado, pode formar uma “gordura coagulada” (mielina principal estrutura degradada) o Poliencefalomalacia: amolecimento da substância cinzenta do encéfalo, doença comum em ruminantes (pode acometer outras espécies). Tem o córtex afetado, dificuldade motora, auditiva. Morfologicamente o cérebro fica com o córtex necrosado, inchado. No corte é possível ver que tende a ficar amarelado na área afetada. Microscopicamente, há muita reação inflamatória composta principalmente por macrófagos e micróglias, há também célula morta. 14 o Mielo: medula; leuco: substância branca (medular no encéfalo e cortical na medula); poli: substância cinzenta (cortical); Necrose da gordura/tecido adiposo Glicerol Ácidos graxos o Combina-se com íons: Na, Ca, K o Histologicamente na necrose da gordura ocorre substituição do tecido adiposo por material homogêneo, opaco, as vezes azulado róseo, purpúreo dependendo da composição. o Macro: aspecto polvilhado de giz. o Causa: necrose do pâncreas ou por traumática. A maior parte da gordura armazenada no tecido adiposo está na forma de triglicerídeos, que são 3 moléculas de ácido graxo agregada a uma estrutura alcoólico glicerol. A tendência é que o glicerol seja clivado dos ácidos graxos, o glicerol vai para produção de energia, ácido graxo também, principalmente nos hepatócitos. Quando ocorre uma alteração traumática/lesional no tecido adiposo, ocorre a necrose da gordura. Para produzir sabão de soda é necessário gordura, coloca em recipiente e agride ela causando dano com aquecimento ou jogando uma base forte (a soda), que por transformação química vai fornecer um mineral que vai se grudar ao ácido graxo. Quando provoca uma catálise, a molécula de triglicerídeo do tecido adiposo em aquecimento se rompe liberando glicerol (evapora/dissolve), deixando ácidos graxos livres que vão reagir. Geralmente se usa NaOH, em que o Na vai se ligar ao ácido graxo, tende a ganhar consistência quando se estabiliza a temperatura. A célula tem uma carga enzimática e essas enzimas podem ter a capacidade de clivar os triglicerídeos em glicerol e ácidos graxos. O sistema orgânico é rico em minerais que tem afinidade com ácidos graxos, fazendo com que ocorra formação de estruturas que lembram sabões dentro do organismo. Essa estrutura é altamente inflamatória, ela incita a resposta inflamatória crônica inclusive com a formação de granulomas. Macroscopicamente, observa-se a perda da característica da gordura, fica mais opaca, como se tivesse polvilhado pó de giz sobre a massa de gordura mesentérica, subcutânea, pericárdica, perirrenal, qualquer local de reserva de gordura. Microscopicamente, a gordura 15 é dissolvida durante o processo para análise histológica geralmente, mas os sabões que se formam (estruturas mineralizadas) se mantêm e coram com hematoxilina ou eosina, além da intensa resposta crônica. As principais causas da necrose da gordura são: o Enzimática: frequentemente associada a traumatismo, inflamação, tumores de pâncreas; o Traumáticas: compressão, pancada, batida. O pâncreas está na 1ª porção do ID, adjacente ao duodeno, envolto pelo mesentério e omento, que são locais de depósito de gordura. O pâncreas produz uma série de enzimas e quando ocorre uma lesão (seja inflamatória, tumoral, necrose, traumatismo), a tendência é que essas células-troncos morram e liberem essas enzimas que vão agredir o tecido. Como a reação inflamatória é muito intensa, a tendência é que ocorra a formação das estruturas que parecem sabões (imagem anterior), duras, opacas e com intensa aderência. Em bovinos, é comum a necrose da gordura subcutânea da região esternal, que ocorre quando animais bem nutridos, com boa reserva de gordura, mas com manejo não adequado em piso muito duro, ao ficar em decúbito esternal, acabam comprimindo essa área, diminui a circulação local e consequentemente isso leva à necrose da gordura nessa área do esterno. Além da necrose, há uma intensa resposta inflamatória, fica escuro, além do desconforto no animal, há prejuízo estético na produção (fístulas resultantes do processo inflamatório). Os “sabões” formados praticamente não são fagocitados, levando a uma resposta inflamatória longa. 16 Consequências da necrose Desaparecimento o Remoção - fagocitose o Erosões (se atingir até a membrana basal), ulceras (se ultrapassar a membrana basal), drenagem Inflamação (inflamação aguda, abscessos, granulomas) o Reparação o Regeneração Gangrena Calcificação. Gangrena Evolução da necrose resultante de ação de agentes externos sobre tecido morto Complicada com putrefação (com variável intensidade de invasão bacteriana) ou desidratação tecidual (mumificação) ocorrendo principalmente em extremidades e em vísceras internas. Pose ser seca, úmida ou gasosa Gangrena seca o Está usualmente associada com a necrose isquêmica de extremidades (orelhas, mãos, pés), com evolução lenta e gradual, que possibilita a evaporação de líquidos teciduais. Conhecida também como mumificação de extremidades. o Etiologia: ß Fisiológica no cordão umbilical - após o corte, diminui fluxo circulatório, tende a ressecar, enegrecer e se desprender ß Intoxicações com alcalóides do Ergot (produzidos pelo fungo Claviceps purpureum eCl. paspali, parasitos do esporão de centeio e de outros cereais) - toxina ergotamina que tem efeito constritor do vaso, afetando a extremidade ß Intoxicações com Festuca arundinacea (gramínea comum no Sul da América do Sul, com propriedades vasoconstritoras); ß Frio/congelamento - temperatura abaixo de zero ß Gesso, garroteamento e bandagens muito apertadas - pode diminuir muito o fluxo circulatório o Características macroscópicas ß A área afetada fica ressecada, endurecida, fria e mumificada. ß Fica escurecida (cor pode variar de amarelo esverdeado à pardo enegrecido, em decorrência da decomposição local da hemoglobina) 17 ß A reação inflamatória do tecido vivo adjacente é intensa e delimita uma linha de separação nítida entre o tecido sadio e a gangrena. Pode ocorrer também separação do tecido sadio do tecido necrótico e queda do segmento gangrenado. ß Em casos de pneumonia, é bem comum a gangrena em ponta de orelha Gangrena úmida o Sinonímia: gangrena pútrida o Ocorre também em extremidades (pele, membros apendiculares, glândula mamária) e em vísceras internas (útero, pulmão, intestino). Tem que haver fácil acesso de bactérias ao tecido necrótico. o Quando as células morrem, a expressão da proteção diminui e as bactérias começam a atuar nesse material morto e liberam grande quantidade de toxina que acaba deprimindo o sistema vascular e central do indivíduo afetado. o Etiologia: ß Extremidades (isquemias graves, intensas e de rápida instalação, de maneira que o processo de necrose seja desencadeado sem que haja tempo para se desidratar o tecido em necrose. ß Trombo-angeíte obliterante e trombose (gangrna senil), causando infartos de extremidades ß Feridas traumáticas graves, infectadas (trânsito, guerra) ß Torções de alças intestinais, trombose de artérias mesentericas, com proliferação descontrolada da flora bacteriana saprófita - muito frequentemente numa situação como essa há uma intensa resposta inflamatória vascular com exsudação intensa de líquido, água, fibrina ß Pneumonias por aspiração de corpos estranhos - falsa via, por exemplo, em pós-cirúrgico ß Evolução da metrite puerperal o Características macroscópicas: ß Aumento de volume (edema) e amolecimento progressivo (coliquação tecidual) com hemorragias e escurecimento (decomposição local da hemoglobina) do local. ß A ação das bactérias saprófitas determina tambémodor extremamente fétido e a produção de grande quantidade de toxinas, o causando toxemia grave, geralmente fatal. ß Exige tratamento imediato (amputação ou exérese da área gangrenada) o A foto a seguir à esquerda é de mastite gangrenosa o A foto a seguir à direita, quadro de contaminação por pneumonia. Essas bactérias da putrefação liberam uma série de proteases, lipases, digerem carboidratos, e isso faz com que ocorra dissolução do tecido parenquimatoso do pulmão, formando crateras. Pode acometer pulmão, útero (no próprio parto), glândula mamária. 18 Gangrena gasosa o Trata-se de um grupo se entidades específicas (“edema maligno” e “carbúnculo sintomático”) o São causadas por bactérias anaeróbicas produtoras de gás (H2, CO2, CH4, NH3, SH2), de ácido butírico (odor característico de manteiga rançosa) e de ácido acético. o Enzimas proteolíticas produzidas degradam os tecidos tornando-os escuros, tumefeitos e crepitantes. o Etiologia: ß Bactérias do gênero Clostridium (Cl. perfringens; Cl. novyi; Cl. norsi; Cl. septicum; Cl. hystoliticum; Cl. feseri/chauvoei*; Cl. bifermentans) ß Cl. feseri/chauvoei* é um dos mais importantes porque causa um quadro clínico chamado de carbúnculo sintomático. O local afetado por esses organismos é a massa muscular. Em bezerros, esses microrganismos são carreados junto com o leite e tende a ser disseminado pela corrente circulatória assim que tiver oportunidade. Essas bactérias produzem muitos gases. Carbúnculo sintomático é diferente de carbúnculo hemático, que é causado pelo bacilo “Andracis”, uma doença septicêmica que pode atingir bovinos e humanos. ß Qualquer órgão pode ser afetado 19 Calcificação Patológica Mineralização Calcificação patológica - deposição de mineirais (carbonatos, fosfatos, citratos) em tecidos moles Tipos: distrófica (quando há uma lesão/distrofia e o cálcio se deposita lá) ou metastática (tecido afetado não se altera mas o mineral se deposita lá) Há algumas situações que ocorrem a mineralização tecidual sem que a célula esteja morta, apenas doente e até sem alteração morfológica. Calcificação distrófica: o Ocorre deposição de cálcio em tecidos com lesão (degeneração ou necrose) o Nível sérico de Ca está normal (100mg/L) o (Ca10(PO4)6(OH)2) - hidroxiapatita o Resultado de necroses antigas e não reabsorvidas, como na linfadenite caseosa, granulomas, infartos antigos, ao redor de parasitas e larvas mortas, na necrose de gorduras da pancreatite, abcessos de difícil resolução, em trombos venosos crônicos, em órgãos tubulares (formação de cálculos) Uma célula que não está funcionando direito, que está doente ou que morreu, ou seja, está em agressão celular (isquemia), apresenta as seguintes características: o Perda do equilíbrio celular de cálcio o Aumento de Cálcio no citosol, ativando enzimas (calpainas) que cliva, os trocadores de Na/Ca de membranas das organelas (mitocôndrias, retículo endoplasmático, sarcoplasmático) o Acúmulo de Ca no citosol - sequela da necrose o Microscopia: pontilhado basofílico na célula morta - seguido por basofilia intensa de toda a célula - interstício o Macroscopia: tecido afetado fica brancacento e friável - ruídos de arenoso durante o corte do tecido afetado Uma situação que ajuda também na concentração de Ca é a alcalinização do ambiente, que ocorre quando há clivagem de proteínas dentro do citosol. Outra situação bastante frequente são os ácidos graxos (triglicerídeos) dentro da célula, que acabam se ligando com o Ca também, favorecendo a agregação e aumento de Ca dentro do citoplasma. A foto ao lado é um exemplo de calcificação patológica em um linfonodo com granuloma, muito comum de ter calcificação associado a Mycobacterium (tuberculose). Relembrando que granuloma é caracterizado por reação inflamatória crônica, associada a um tipo de necrose (caseosa), envolta por um tecido fibroso ou por uma reação inflamatória já com reparação tecidual. As áreas amarelas indicam áreas de necrose caseosa com mineralização. 20 A foto a seguir mostra áreas de necrose do miocárdio com mineralização, frequente na deficiência de Vit E e selênio. A foto a seguir é de testiculo de touro com doença degenerativa, teve seu volume 10x maior que o normal e observou-se intensa mineralização (áreas brancas). Microscopicamente, observa-se áreas de granuloma com necrose caseosa, apresentando um tecido diferente do normal, com intensa reação inflamatória e áreas com mineralização (áreas mais roxas). Resumindo, a calcificação distrófica se relaciona com níveis normais de Ca sérico, no entanto, há uma lesão prévia. É um indicador quando há doença necrótica, quando há morte celular, mas pode haver também doença degenerativa. Lembrar que o Ca não é um elemento estranho à célula, não é imunologicamente reativo, a associação entre Ca e ácido graxo é inflamatória mas o Ca em si não. Ele se acumula às vezes nas doenças degenerativas como uma consequência do fluxo de atividade enzimática alterada. Calcificação metastática: o Deposição de sais de Ca em tecidos moles o Nível sérico de Ca elevado o O tecido afetado não apresenta lesão prévia o Relembrando o retrocontrole da absorção de Ca nos indivíduos: ß Uma participação importante é em relação a Vit D. As fontes de Ca que o índice tem normalmente é a alimentar, ingestão diária de Ca 500mg diariamente em média, mas a perda geralmente é maior em torno de 700mg. Para compensar isso, deve ter uma atividade óssea de 21 modelamento e remodelamento, ou seja, absorção de Ca bastante dinâmica. Esse dinamismo é produzido por atividade hormonal, principalmente pelo paratormônio. Uma situação bastante significativa dessa atividade hormonal se relaciona com a Vit D3, cuja origem se relaciona com colesterol. ß O metabolismo das gorduras, determinado nível de colesterol, é depositado em vários tecidos, incluindo na pele. Nesse local, sofre ação dos raios UV e formam 7-dehidrocolesterol, que é uma pré Vit D sem atividade de absorção de Ca. Essa pré vitamina circula ligada a proteína de transporte e é direcionada ao fígado, onde vai receber uma hidroxila, formando a 25(OH)D3. Esse metabólito ligado a proteína é direcionado ao rim e fica ali depositado. Quando o organismo precisa de Ca, frequentemente há um estímulo para produção de atividade do hormônio da paratireoide. O paratormônio vai atuar nas alças renais colocando mais uma hidroxila no carbono alfa e consequentemente vai formar um metabólito ativo (está em verde no desenho abaixo), que tem enorme importância na absorção de Ca intestinal. Ela se liga a uma proteína do epitélio intestinal e ativa canais de absorção de Ca. Aumenta através da atividade dessa enzima a absorção de Ca e consequentemente de P na luz intestinal. Essa enzima também, junto com o paratormônio, atua sob a atividade osteoclástica, aumentando a reabsorção de minerais ósseos. ß Resumindo, as fontes de Ca são pelo Ca alimentar (tanto de origem animal quanto vegetal), pelo estímulo de vitamina D. O metabólito extremamente importante para essa atividade é o paratormônio, que é estimulado quando o nível sérico de Ca, o balanço entre Ca e P se altera, entrando em equilíbrio ou aumentando P (normal é Ca:P de 2:1 ou 3:1). O cálcio abaixa porque a gente perde na atividade muscular, na complexação com proteínas, porque perde por urina, sudorese na produção de hormônios e fluidos corporais. 22 o A mineralização patológica sistêmica ocorre por hiperparatireoidismo primário, secundário renal ou secundário nutricional. o O hiperparatireoidismo primário é quando há um aumento da produção por alguma atividade da própria paratireoide, com tumores, hiperplasia, reações inflamatórias. Isso leva a um maior remodelamento ósseo e uma maior reabsorção de Ca intestinal, fazendo com que ocorra hipercalcemia. Esse tipo não ocorre com muita frequência.o O hiperparatireoidismo secundário ocorre quando há doença renal crônica. O rim deve filtrar o Ca e reabsorver no epitélio tubular e o fósforo deve ser excretado, mas se está doente, o Ca pode não ser reabsorvido e P não ser excretado, causando consequentemente hiperparatireoidismo. Isso leva a um maior remodelamento ósseo e uma maior reabsorção de Ca intestinal, fazendo com que ocorra hipercalcemia. Essa já é mais comum em animais de companhia, os ossos ficam muito moles. o O hiperparatireoidismo nutricional ocorre quando os animais estão submetidos a dietas muito rica em fosfatos, principalmente quando consomem muitos grãos como milho, sorgo, trigo. o Outra situação importante é quando há excesso de vitamina D3, importante na medicina veterinária principalmente em animais de produção. ß Ocorre produção excessiva de CaBP (Calcium-binding protein) aumentando a absorção de Ca ß Ocorre hipercalcemia ß Os alimentos ricos em gorduras são fundamentais para que tenha formação de colesterol importantes para processos hormonais e produção de Vit D. Esses precursores estão presentes em quase todos os alimentos. Algumas plantas contêm princípios ativos similares a Vit D3 (1,25 di-hidroxicalciferol), então se o indivíduo consumir essa planta ou receber a vitamina D3 ativa em grande quantidade, ela vai entrar no organismo e produzir os efeitos que a reabsorção óssea e Ca intestinal, levando a hipercalcemia e deposição em tecidos moles, como vasos, serosas, parede pulmonar, tendões. 23 ß No Brasil, plantas que possuem esse princípio ativo são Solanum malacoxylon, presente no pantanal mato-grossense, e quando o bovino consome apresenta quadros clínicos de mineralização. Articulações são calcificadas e o animal tem dificuldade de locomoção, apresenta emagrecimento, pode até desenvolver insuficiência cardíaca. Conceitos e morfologia de apoptose Na necrose, a célula tende a aumentar de volume, explodem e lançam uma série de componentes para o interstício que vão gerar uma resposta inflamatória que amplificam o processo relacionado com a morte celular. Apoptose: Tem relação com uma palavra grega que significa “queda das folhas” - sistema de defesa celular - sistema normal de proteção É um mecanismo fisiológico da formação e manutenção do indivíduo Estima-se que em torno de 60 bilhões de células morrem diariamente para dar origem a células com maior capacidade funcional. Esse processo é pouco perceptível para o organismo porque lança mão de mecanismos que normalmente não geram um processo inflamatório e consequentemente não é notada. Exemplo: troca do epitélio da epiderme, mucosas digestivas, respiratória, endometrial, do trato urinário. A célula condensa e encolhe. É a morte celular programada - importante no desenvolvimento embrionário, por exemplo, para as membranas entre os dedos, caso não ocorra a apoptose, o indivíduo pode ter sindactilia. Além disso, é extremamente importante para involução de tecidos, controle do crescimento celular. Tem importância hormonal, por exemplo na gestação, a glândula mamária aumenta de volume em resposta a atividade hormonal e após a amamentação, as células devem morrer. Para isso, há uma sinalização celular e ocorre a apoptose. Após um processo infeccioso por uma bactéria piogênica, que estimula a proliferação de muitos neutrófilos, deve haver sinalização do processo inflamatório para que ocorra a destruição por apoptose, para que não haja excesso de células inflamatórias circulando e não desperdice energia mantendo células que não estão em atividade. A apoptose pode ser patológica, às vezes alguma célula expressa proteína de superfície ou tem alguma alteração que gera uma sinalização inflamatória no próprio citosol celular e desencadear apoptose. Isso ocorre em doenças autoimunes em que há aparecimento excessivo de células apoptóticas que reduzem a função de determinado órgão. Exemplo disso é o lúpus eritematoso, 24 em que as células epiteliais ou glandulares são reconhecidas como alteradas e recebem sinalização para que morram. Há duas vias apoptóticas: o Via apoptótica extrínseca: fora da célula (recebe sinalização por citocina do evento inflamatório ou fator de necrose tumoral por exemplo, comum no coronavírus, e na superfície da célula há um receptor de morte e quando recebe esse sinal, ele se internaliza, forma uma estrutura na membrana interna da célula e vai fazer com que uma proteína procaspase se ligue e comece um evento em cascata de ativação de caspases efetoras o Via apoptótica intrínseca: o mesmo processo anterior pode ocorrer dentro da célula, então há uma sinalização na mitocôndria quando houver um dano citocavitário, tem uma resposta, forma canais na parede da mitocôndria e começa a extravasar algumas enzimas, entre o citocromo P450, que é um ativador de uma caspase específica, a caspase 9, que vai ser a sinalização para as caspases efetoras (3, 6, 7 e 12) o O objetivo desse processo é a ativação das caspases, que são uma série de proteínas que tem o objetivo de induzir a morte da célula. Ambas vias podem ser ativadas e vão fazer com que culmine na morte da célula. Aspectos morfológicos 25 o A ativação dessas caspases faz com que a célula encolha, porque o citoesqueleto celular é clivado e consequentemente há uma retração celular bem evidente. o Outra situação que acontece é a degradação de proteínas, então há uma série de enzimas que são ativadas e a função delas é degradar as proteínas do citoplasma, incluindo as proteínas de organelas celulares (por isso também diminui de volume). o Além disso, ocorre a degradação do ácido nucleico, principalmente DNA. Essa degradação tem uma característica, forma nucleossomas, que são estruturas mais ou menos do mesmo tamanho, a ativação é feita por enzimas específicas (nucleases), que degradam pontos específicos do ácido nucleico e vai formando nucleossomas que tenham aproximadamente 180 pares de base. Na morte celular acidental isso não ocorre, a degradação de ácido nucleico leva em consideração outros fatores, como alteração de pH, outras nucleases digerem ácidos nucleicos em tamanhos diferentes então ao caracterizar um tipo de morte, é importante buscar nucleossomos. A tendência é que sejam jogados na periferia. o Formação de corpos apoptóticos é muito importante porque basicamente quando os componentes celulares degradados, as proteínas, ácidos nucleicos, organelas são degradados e liberados pra fora da célula, eles não incitam a resposta inflamatória, há a atividade de macrófagos que reconhecem esses corpos apoptoticos e os fagocitam sem causar uma tempestade de enzimas, citocinas, que vão causar agressão em células em volta. o A apoptose não causa essa cascata inflamatória. Se lembrarmos da bicamada da membrana, a interna é composta por fosfatideocerina, que é uma estrutura fosfolipídica estimulante para fagocitose de macrófagos, sem a necessidade de atividades imunomediadas ou inflamação aguda por polimorfonucleados. O organismo recebe essas excretas celulares em corpos apoptóticos e praticamente não incita resposta inflamatória nenhuma. Isso é extremamente importante na manutenção do organismo. 26 o Basicamente, o processo de apoptose envolve a formação desses corpos apoptóticos, há um estímulo na célula que pode vir de fora ou de dentro dela (na lesão mitocondrial), essa resposta leva à formação de enzimas que degradam proteínas, organelas, ácidos nucleicos em pedaços parecidos. Isso tudo vai para perto da membrana celular, que apresenta a fosfatideocerina que, por sua vez, estimulará o macrófago a fagocitar. Isso tudo faz com que ocorra a apoptose. o As estruturas dos corpos apoptóticos são observadas histologicamente, como vemos a seguir: o Observa-se fragmentação da célula, formação das estruturas de corpos apoptóticos e nota-se quase não há reação inflamatória evidente, a célula encolhe,as proteínas são degradadas, a coloração muda. Já a necrose frequentemente tem muita reação inflamatória, morfologicamente possui diferentes características como o citoplasma. Complemento do vídeo Bio Aulas A apoptose é um programa de suicídio altamente regulado e pode ser fisiológica ou patológica, diferente da necrose que é patológica. Acontece em 2 fases: 1. Ativação das caspases: pode ser via extrínseca ou via intrínseca/mitocondrial 2. Execução das caspases Caspases são família de enzimas e são as protagonistas das caspases Via intrínseca/mitocondrial 1. No interior das mitocôndrias, existem algumas moléculas pró- apoptóticas que vão ativar as caspases e desencadear a apoptose. Uma dessas moléculas é o citocromo C. Se ele chega ao citoplasma, que é o lugar em que estão as caspases, vai ativar e desencadear a apoptose. Também existem moléculas anti-apoptóticas, que estão tanto no citoplasma como na membrana das mitocôndrias, impedindo que as moléculas pró-apoptóticas vão para o citoplasma. Essas moléculas anti- apoptóticas são proteínas da família BCL (BCL-2, BCL-X). 2. Quando a célula é lesionada e precisa fazer apoptose, vão ser ativados sensores BIM, BID e BAD, que também são da família BCL. Esses sensores ativados vão ativar efetores BAX e BAK, que, por sua vez, vão formar poros na mitocôndria e vão bloquear as moléculas anti- apoptóticas BCL 27 Via extrínseca: 1. É bem mais simples, algumas células como linfócitos possuem os receptores de morte em sua membrana. Quando alguma substância se ligar a esse receptor em decorrência de lesão ou outro processo, sinais químicos vão ser enviados pra dentro da célula e esses sinais vão gerar a ativação das caspases. 2. Algumas células podem ativar as caspases através da granzima B, que é uma enzima presente nos linfócitos e podem introduzir essa enzima em alguma alterada, para que ela ative as caspases e a apoptose aconteça. Fase de execução: 1. Quando ativadas, as caspases degradam o DNA, as proteínas, o citoesqueleto... 2. Após morrer, a célula vai se fragmentar, formando os corpos apoptóticos que serão fagocitados por macrófagos ali presentes. Em situações fisiológicas, a apoptose vai ocorrer no: 1. Desenvolvimento embrionário 2. Involução de tecidos dependentes de hormônios 3. Morte de células que já tenham cumprido seu papel 4. Resposta imunológica a um agente invasor Situações patológicas 1. Lesões no DNA 2. Hipóxia ou isquemia Degenerações celulares/acúmulos celulares A célula quando está doente, mostra morfologicamente, sendo assim microscopicamente e em conjunto macroscopicamente, alterações que indicam essa doença e a isso é denominado alteração degenerativa. Alteração degenerativa está normalmente relacionada com o acúmulo de substâncias (que são consideradas normais no trânsito celular, como água, 28 glicoproteína, glicogênio, lipídeos, proteína, moléculas complexas) dentro da célula. Substância endógena é produzida num nível normal ou aumentado mas o padrão metabólico da célula é inadequado para remoção (lipidose hepática) Acúmulo por defeito genético ou adquirido de enzimas de biotransformação Incapacidade da célula para metabolizar substância exógena (pigmentos/carbono, silica) Resposta celular ao estresse e agressão Uma célula normal ao sofrer uma carga de estresse (aumento da carga de trabalho, agente infeccioso, agressão química ou física), ela tende a se adaptar, aumentando mitocôndrias, retículo endoplasmático, ribossomos, para produzir mais energia e proteínas de modo a manter a atividade aumentada de trabalho. Com isso, a célula aumenta de volume ou aumenta a quantidade de células. Isso não é uma manifestação de doença e sim uma adaptação da célula à agressão. Dependendo da situação, se ela não consegue se adaptar, a atividade que ela deveria executar fica comprometida e consequentemente vai causar um dano morfológico (aumento de volume, vacúolo dentro da célula...). Se essa carga de trabalho não for adequada, essa célula vai morrer, aparecendo alterações nucleares e/ou citoplasmáticas. - Quais as falhas que levam à doença que se manifesta a nível celular e à medida que vai amplificando, que pode ser notada macroscopicamente? 1. Alterações de membrana: a membrana tem grande importância para permeabilidade, controle de fluxo de moléculas, eletrólitos, solução e solutos dentro da célula e sempre que ocorrer um dano estrutural, consequentemente, a qualidade química iônica e osmótica se altera. Assim, a manifestação é o acúmulo de substâncias dentro da célula. 2. Respiração aeróbica - fosforilação oxidativa com produção de ATP (mitocôndrias) - para que isso ocorra é extremamente importante uma adequada circulação sanguínea. Se ocorrer uma diminuição, consequentemente o aporte de O2 para a célula diminui e a produção de ATP também, fazendo com que algumas enzimas falhem e ocorra acúmulo de materiais dentro da célula. 3. Síntese de proteínas e manutenção do citoesqueleto - permitem a movimentação celular e inclusive a excreção de alguns componentes celulares. Sempre que houver um dano na possibilidade da célula contrair (acúmulo de substâncias, mesmo que normais), vai impedir a contração celular e vai ocorrer lesão degenerativa. 4. DNA - extremamente importante e sempre que houver alteração no DNA por causas químicas, infecciosas, radiação, frequentemente as sinalizações para produção de proteínas estruturais vão falhar e vai ocorrer um dano degenerativo celular. 29 Quando se fala em degeneração, o conceito básico dessa situação é de que ela é uma lesão reversível e a morte celular é uma lesão irreversível. O momento de transição entre um e outro é um pouco complicado de identificar, por exemplo, a agregação ou aumento de Ca já é praticamente um indicador de um dano celular irreversível. As falhas na produção de energia frequentemente levam a falha de uma série de enzimas, bombas de controle iônico dentro da célula. Enquanto não houver dano estrutural às membranas celulares, é possível que essa alteração seja revertida. Enquanto a síntese proteica estiver diminuída ou alterada, também é possível que seja revertido. Enquanto a função dos ácidos nucleicos estiver sendo cumprida, a célula pode reverter a alteração mas não sem mostrar alterações morfológicas. Se houver uma falha na produção de energia ou um dano na síntese de proteína, vai entrar componentes dentro da célula (água principalmente), levando ao aumento do volume da célula, ou seja, edema celular agudo. Organelas também são afetadas, retículo endoplasmático diminui a produção de proteína e tem normalmente tumefação, desagregação de ribossomos, sinalizando que a célula está doente. As estruturas especializadas das células doentes por vezes desaparecem, como os cílios, as microvilosidades, que facilitam a atividade de excreção e captação de nutrientes de uma célula, por vezes, é alterada quando há uma doença celular. A bicamada fosfolipídica por vezes acumula um componente dentro, formam bolhas, se desacoplam, etc, mas ainda há possibilidade de restauração dessas estruturas. É frequente também o acúmulo de gordura dentro da célula, ele pode ser revertido ou dependendo do estágio, pode complicar a situação até a morte. Além disso, pode ocorrer a agregação do ácido nucleico, levando a picnose nuclear; as proteínas começam a se dobrar, formando figuras de mielina (enovelados dentro do citoplasma celular), em que há possibilidade de reversão mas a partir de determinado ponto, quando se nota alterações de membrana e organelas (mitocôndria, lisossomos e suas enzimas lisossomais), indica que chegou ao estágio irreversível, manifestando sinais de necrose ou apoptose. 30 Mecanismos de agressão celular: Privação de O2: o Hipóxia/anóxia/isquemia = redução na produção de energia. o Sempre que a célula recebe um fluxo menor de O2 e consequentemente drena umaquantidade menor de CO2, leva a hipóxia que é a diminuição da oxigenação celular e diminuição da produção de energia. Isso acontece porque pode haver um defeito respiratório, devido à pneumonia, gases ambientais, inalação de componentes tóxicos para hemácias (HCN, componentes cianogênicos que se ligam forte e rapidamente ao grupo heme da hemoglobina, diminui a quantidade de O2 circulante) ou principalmente pela obstrução do sistema circulatório por quadros de anemia, acúmulo de placas de gordura na parede vascular (aterosclerose). Radicais livres (espécies reativas do metabolismo do oxigênio) o Os radicais livres são definidos como qualquer molécula capaz de permanecer com um ou mais elétrons desemparelhados dentro de sua última camada eletrônica, sendo assim altamente instáveis e reativos. o Superóxido (O2-)*, hidroxila (OH-)* (*altamente reativos), peróxido de hidrogênio (H2O2) o Quando produzidos em grande quantidade, são considerados altamente tóxicos para a célula porque o radical livre é um elétron desemparelhado na última órbita, com isso, tem uma alta capacidade de se ligar a estruturas celulares. Durante o processo metabólito celular, alguns íons/radicais são produzidos de forma abundante, há um sistema de defesa, mas caso ele falhe, essas moléculas se ligam a proteínas. Lesão celular isquêmica 31 A isquemia é a redução do fluxo sanguíneo em algumas regiões do corpo normalmente por obstrução vascular levando a privação de O2. Privação de O2 leva a inabilidade do metabolismo aeróbico e diminuição da produção de ATP. Um dos exemplos mais comum é a deposição de placas ateromatosas na parede de vasos, que aumenta gradativamente até que o fluxo de hemácias caia de forma brusca (acima de 70/80%), levando a um estresse celular por conta da diminuição de oxigênio e consequentemente da fosforilação oxidativa. Então se há uma obstrução do fluxo circulatório, leva a uma diminuição da chegada de O2 (isquemia/anóxia/hipóxia), os gases no interstício, O2 não se difundem se estiver dentro da célula e, consequentemente, a atividade das organelas diminui, sobretudo a mitocôndria, que ocorre a diminuição da produção de ATP do ciclo de Krebs e por consequência a bomba de Na/K falha. Isso leva a um equilíbrio osmótico e eletrolítico da célula. A via anaeróbica de produção de energia, com a quebra do glicogênio, é priorizada. Quando há glicólise aumentada, há uma produção de lactatos e ácidos que aumentam o pH celular e os H+ vão reagindo com a membrana de organelas e vão produzir danos à bicamada lipídica. A maior parte desse dano está relacionada com a ativação de enzimas que degradam a própria bicamada. Então as fosfolipases são ativadas porque ocorre uma acidificação do citoplasma e isso facilita a entrada de cálcio dentro da célula e consequentemente ativa essa série de enzimas, quebram a bicamada e a célula começa a acumular uma grande quantidade de material. Reação inflamatória por radicais livres É muito comum dentro do sistema orgânico, é a própria reação inflamatória. Quando há uma invasão bacteriana, um dos estímulos para combater essa infecção está associado com o processo inflamatório agudo. Então os neutrófilos chegam no sítio de invasão, produzem estruturas com alta capacidade de reagir com as membranas das bactérias, que vão ser fagocitadas, e, por um estímulo da produção de radicais livres, essas bactérias são digeridas. No entanto, um pouco desse conteúdo pode vazar e agredir as células em volta (radicais livres, peróxido, hidroxila, ácido hipocloroso...). 32 Defesas celulares contra radicais livres Superóxido dismutase (SOD): converte O2 em H2O2 e O2 Catalase: converte H2O2 em H2O e O2 Glutationa peroxidase (GPX): converte H2O2 em peróxidos lipídicos Vitamina E: em vitamina C Ler o artigo sobre as espécies reativas do oxigênio e as doenças respiratórias Sequência de eventos na lesão reversível/irreversível A diminuição do fluxo circulatório, a diminuição da perfusão tecidual frequentemente causa anóxia, hipóxia, isquemia, diminui a quantidade de O2, e por consequência a mitocôndria vai produzir menos ATP e várias proteínas celulares deixam de cumprir sua função (NaK ATPase - enzima da bomba de Na/K) o que faz com que haja um equilíbrio iônico celular, entrando Na e eliminando K, entrando também Ca que vai causar maior agressão, ativação enzimática, mais degradação proteica, aumentando também o fluxo de água pra dentro da célula. Concomitantemente, como há uma falha da via oxidativa, a via anaeróbica através da quebra do glicogênio e aproveitamento da glicose começa a se pronunciar, reduzindo o pH, fazendo com que os radicais livres se liguem à membrana, além do aumento do influxo de Ca que elevam a atividade enzimática e podem culminar na degradação de proteínas estruturais, do citoesqueleto e da própria bicamada fosfolipídica da célula. Essa falha na bomba de Na/K e os buracos que ocorrem na membrana celular levam ao influxo de água para dentro da célula, conhecido como edema celular agudo. Eletrólitos Junto com a água entram eletrólitos, que são substâncias capazes de se dividir em íons eletricamente carregados quando dissolvidos em solução. 33 Relembrando que há osmose e difusão, podendo ser simples ou facilitada. Todas elas permitem a passagem de um composto de um meio mais concentrado para um meio menos concentrado, com a tendência de ocorrer um equilíbrio elétrico e hídrico dentro da célula. A osmose é relacionada principalmente com a capacidade de atração de alguns eletrólitos em relação a água, então ela passa de um meio que tenha menor concentração para o que tenha maior concentração de eletrólitos. A difusão é a passagem de um meio mais concentrado para o menos concentrado, podendo ser simples (permite a passagem sem a proteína carreadora, como pequenas moléculas, gases) ou facilitada (dada por uma proteína carreadora - permeases - que permite a passagem sob o controle do gradiente de concentração). A consequência dessa situação é que ocorre um equilíbrio celular, mas a célula não pode trabalhar em equilíbrio, ela precisa ter um potencial de membrana estimuladas para que exerça algumas atividades/funções. O líquido intersticial (fora da célula) tem mais sódio que dentro da célula. O liquido intracelular tem mais potássio que fora da célula. As cargas negativas (Cl, HCO3-, as substâncias orgânicas) tendem para uma negatividade do interior da célula. O que faz com que haja a diferença de carga de potencial elétrico? As proteínas de transporte, como a bomba Na/K. A bomba precisa de energia para funcionar, sendo um transporte ativo. A figura abaixo é uma pequena demonstração de seu funcionamento: à esquerda, a permease está aberta para o interior da célula e tem uma alta afinidade para Na. Quando a concentração de Na aumenta, frequentemente uma molécula de ATP produzida por uma mitocôndria se liga a um sítio específico da enzima e ocorre uma reação química, em que a molécula libera um fosfato e torna ADP, sendo liberado para ser refosforilado. Essa ligação é uma sinalização para que a bomba ou enzima mude o lado de abertura, como vemos à direita. Quando a enzima abre para fora, ela libera o Na e gruda K, abrindo para o interior novamente e assim repetindo o ciclo. Isso é importante porque cria potencial de membrana, extremamente importante para o movimento/atividade celular, então sempre que a célula precisar se movimentar/receber um estímulo, precisa haver uma troca desse potencial. Uma célula em repouso tem mais moléculas de Na fora do que dentro e K o contrário. O carbono, OH-, CO2, Cl também tem potencial negativo, o que faz com que o interior da célula tenha um potencial mais negativo, causando um potencial de membrana. Sempre que há um estímulo, esse gradiente elétrico diferencial deve mudar. Se isso não funcionar, não vai haver atividade celular e haverá o acúmulo deágua e eletrólitos. Então o potencial de ação de uma célula é extremamente importante como um indicador da função celular. Alterações celulares reversíveis O acúmulo de água em qualquer local é chamado de edema e dentro da célula se chama edema celular agudo ou tumefação celular (pode ser também degeneração hidrópica - geralmente observada no epitélio tubular renal, nos hepatócitos, outros 34 epitélios glandulares; degeneração balonosa - degeneração do epitélio de revestimento; edema citotóxico - edema em neurônios) Tumefação celular o A entrada de água na célula é um dos principais indicativos que há uma doença celular; o Primeira resposta celular a alterações da hemostasia o Frequentemente relacionada a hipóxia (isquemia) o Lesões de membrana causam alterações na barreira que coordena a permeabilidade seletiva, alterando no citosol a quantidade de líquidos/coloides e eletrólitos o Radicais livres são os principais agressores a membrana celular, mas também a oxidação, peroxidação, reações inflamatórias, atividades infecciosas de citocinas bacterianas. o A tumefação é observada pelo aumento do volume citoplasmático, que é a expressão da lesão celular mais comum e fundamental. Não é específico, mas possibilita identificar uma agressão. Manifesta-se como aumento do tamanho celular por sobrecarga de água. o Forma buracos porque a água, durante a fixação e o processamento histológico, é retirada. o Além disso, existem perdas de estruturas de membrana celular, as organelas por vezes estão alteradas, o citoesqueleto degrada, as proteínas celulares também. 35 o Macroscopicamente, há um aumento do volume do órgão, diluindo a coloração normal e tornando pálido. O parênquima apresenta protusão (fica mais saliente que o normal) ao corte da cápsula. o Microscopicamente, ocorre diluição da matriz citoplasmática, também há palidez por conta da coloração diluída, redução do lúmen (tubular renal, alveolar, acinar). Lembrando que citoplasma tem vacúolos que não se coram. o A foto anterior é de epitélios tubulares normais (eosinofilicos com o núcleo basofilico) em comparação com células multivacuolizadas, sem a coloração normal e maiores que o normal (tumefeitas e com degeneração hidrópica) o Já a foto anterior, mostra cordões de hepatócitos, aumentados e com vacúolos (degeneração hidrópica) 36 o Na foto anterior, é um achado de intoxicação por monofluoracetato de sódio, que é um rodenticida da família dos acetatos que se ligam ao carbono com dupla ligação (difícil fazer a quebra). Essa molécula e o citrato são muito parecidos e, no ciclo de Krebs, o monofluoracetato substitui o citrato e a enzima que faz a degradação (a tumitase) não consegue quebra-lo e não consegue fornecer o carbono para produção de energia. Com isso, algumas células são afetadas, como as fibras cardíacas do coração ou os neurônios. Em bovinos afeta mais o coração e cães os neurônios. É uma morte muito rápida. o Algumas plantas produzem componente similar ao monofluoracetato, para seu sistema de defesa. A foto a seguir é uma delas, conhecida como cafezinho, erva de rato... o Quadro clínico: morte súbita, em torno de 5 a 10 minutos, porque há falta de energia para contração das fibras cardíacas. Como é muito rápido, praticamente não há lesão do miocárdio, mas a célula do epitélio tubular sofre degeneração hidrópica, como vemos abaixo. o Atividade viral, como cinomose, também há degeneração hidrópica no epitélio do estômago, respiratório e na foto abaixo, da bexiga. 37 o Papilomavírus o Acidose ruminal - também ocorre degeneração hidrópica - quando o ruminante tem sua dieta substituída com grande quantidade de carboidrato sem uma adaptação prévia, acaba fermentando, produzindo ácido láctico e outras moléculas que vão reagir com a parede ruminal, lesionando-a. Um achado morfológico é a vacuolização do epitélio de revestimento do rúmen. Degeneração gordurosa Lipidose (degeneração gorda, esteatose hepática, metamorfose gordurosa, deposição ou transformação gordurosa, adipose degenerativa, lipofanerose e lipose celular) - acúmulo de gotículas de gordura no citoplasma de células parenquimatosas o Triglicerídeos, colesterol e fosfolipídios o Ocorre no coração, músculo esquelético, rim, mas principalmente no fígado. Formação de tecido adiposo Ingestão Fracionamento de triglicérides no intestino Síntese de triglicérides na mucosa intestinal (quilomicrons) e fígado - lipoproteínas de muita baixa densidade (VLDL) Fracionamento dos quilomicrons e VLDL pela lipoproteína lipase dos adipócitos (resultando em ácidos graxos e glicerol) Entrada de ácidos graxos nos adipócitos e ida do glicerol para o fígado e rins Síntese de triglicérides nos adipócitos 38 Obs: relembrando a função das gorduras - entrar no ciclo de Krebs com o objetivo de produzir ATP, então entra no ciclo da acetil-CoA e produz ATP. A eficiência dessa produção a partir de ácido graxo é muito maior do que aquela produzida por glicogênio ou aminoácidos, por exemplo. O organismo “lança mão” dessa fonte preciosa por dois mecanismos principais: obtenção externa de lipídeos (exógenos - oriundos de fonte vegetal ou animal) e lipídeos endógenos. O tecido adiposo é uma reserva de gordura e quando o organismo precisa, ele lança mão da reserva endógena para atender suas necessidades energéticas. Exógena: bacon, panceta, carne de frango, entre outros, são mecanicamente triturados na boca e partem para o tubo digestivo. Ao chegar no estômago, ocorre a diminuição do tamanho das estruturas alimentares e liberação das gotículas de gordura que acabam se agrupando no trato digestivo. Nos segmentos do intestino, principalmente no jejuno, começa a parte de transformação dessa gordura, preparando- a para que seja absorvida. Ele recebe principalmente atividade pancreática e biliar. Quando o alimento chega no intestino, há um estímulo fazendo com que libere hormônios, faz o pâncreas contrair e liberar lipases, que degradam triglicerídeos que estavam no alimento consumido, quebrando o glicerol e liberando os ácidos graxos. No entanto, a gordura é apolar e não se mistura com a água e não pode ser absorvida como a glicose e os aminoácidos, ela precisa de um tratamento diferente, feito pelo produto da excreção da contração da vesícula biliar (sais biliares, composto por colesterol, lectinas, ácidos), que emulsificam os componentes da digestão da gordura, formando pequenas gotículas que são absorvidas pelos enterócitos. Neles, pequenas gotículas são envoltas por uma camada de fosfolipídio, formando as micelas/quilomicrons, que são excretadas para o interstício do enterócito. Esse material entra na via linfática, seguindo o caminho até o ducto torácico e se mistura na corrente sanguínea. A tendência desses quilomicrons é chegar nos hepatócitos, onde vai ser degradada a capa protetora e liberando tudo que está dentro (vitamina, colesterol, ácidos graxos, triglicerídeos). Com isso, se houver um déficit energético na célula, a tendência é que tanto o glicerol (pela via dos piruvatos) quanto os ácidos graxos (pela via da acetil CoA) acabem fornecendo os pares de carbonos para a produção de ATP. A quantidade de ATP que um ácido graxo produz em relação ao glicerol é muito mais significativa. Enquanto uma molécula de glicerol produz 32 ATPs, um ácido graxo de 14 cadeias é capaz de produzir mais de 100 unidades de ATP, considerando o potencial do NAD e FAD. Para que o ácido graxo entre na mitocôndria, ele precisa de uma molécula transportadora (L carnitina). O excesso deles deve ser retirado, indo para tecido de reserva ou para onde há necessidade. Para tirar os ácidos graxos de dentro dos hepatócitos, normalmente o fígado produz uma molécula chamada lipoproteína, que transportam triglicerídeos para dentro ou para fora. Nesse processo, a lipoproteína importante é a VLDL, que tem densidade muito