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Vestibulares Brasil Colonial Capitanias, Economia e Escravidão H0148 - (Uece) Leia atentamente o seguinte trecho do Regimento de Feitor-mor de engenho: “O cas�go que se fizer ao escravo não há-de ser com pau nem �rar-lhe com pedras ou �jolos e quando o merecer o mandará botar sobre um carro e dar-se-lhe-á com um açoite seu cas�go; e, depois de bem açoitado, o mandará picar com navalha ou faca que corte bem e dar-se-lhe-á com sal, sumo de limão e urina e o meterá alguns dias na corrente. [...]” João Fernandes Vieira. Regimento de feitor-mor de engenho. Apud ALVES FILHO, Ivan. Brasil, 500 anos em documentos. Rio de Janeiro: Mauad Editora, 1999. Considerando o excerto acima e o conhecimento que se tem a respeito da escravidão no Brasil, é correto afirmar que a) os cas�gos a que o texto se refere configuram-se como exceção, pois, nessa época, a regra era a proibição de maus tratos �sicos aos escravos. b) o uso do trabalho escravo e a desvalorização do homem, implícita nele, não �veram impactos na sociedade brasileira atual. c) durante o período colonial e imperial brasileiro, o trabalho escravo foi a base da economia, razão pela qual era norma�zado. d) a escravidão indígena ou africana só era possível como forma de penalização a grupos que se revoltaram contra a coroa portuguesa. H0151 - (Uece) Sobre a presença de europeus, durante os séculos XVI, XVII e XVIII, no território que hoje pertence ao Brasil, é correto afirmar que a) se restringiu aos portugueses que, desde o Tratado de Tordesilhas, eram os únicos com direito sobre esta terra plenamente reconhecido pelas demais nações europeias. b) diferentemente de outras regiões da América, nenhuma das cidades do Brasil sofreu ataques de piratas ou corsários de origem europeia. c) devido ao Tratado de Tordesilhas, apenas portugueses e espanhóis es�veram pelas terras brasileiras durante os séculos de nossa colonização. d) além dos portugueses, em diversas regiões do atual território brasileiro, nos primeiros séculos da colônia, houve presenças de espanhóis, franceses e holandeses. H0157 - (C�rj) Os africanos foram trazidos do chamado con�nente negro para o Brasil em um fluxo de intensidade variável. Os cálculos sobre o número de pessoas transportadas como escravos variam muito. Es�ma-se que, entre 1550 e 1855, entraram pelos portos brasileiros 4 milhões de escravos, na sua grande maioria jovens do sexo masculino. (FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Ed. da Universidade de São Paulo, 1995. p. 51.) Entre as razões que jus�ficavam o tráfico negreiro estava: a) O desejo do colonizador em proteger o índio do trabalho escravo trazendo o Africano para subs�tuí-lo. b) Permi�r a livre concorrência entre trabalhadores indígenas e africanos para baratear a mão de obra. c) Possibilitar maior dinamismo comercial entre as colónias e os países europeus. d) A lógica de funcionamento da prá�ca mercan�lista, onde o tráfico ultramarino de escravos era um negócio relevante tanto para os comerciantes metropolitanos como para a coroa. 1@professorferretto @prof_ferretto H0161 - (U�pr) Se as especiarias dominaram o comércio marí�mo português durante o século XV, um século depois esse papel foi ocupado, no Brasil, pela produção açucareira, que abrangia a lavoura de cana propriamente dita e a fabricação do açúcar nos engenhos. Muitos historiadores denominam essa economia de planta�on, expressão emprestada dos ingleses para indicar as lavouras tropicais. Assinale a alterna�va que apresenta os três elementos nos quais esse �po de produção se fundamentava. a) La�fúndio, monocultura e mão de obra escrava. b) La�fúndio, policultura e mão de obra escrava. c) La�fúndio, monocultura e mão de obra livre. d) Minifúndio, monocultura e mão de obra escrava. e) Minifúndio, policultura e mão de obra livre H1189 - (Unesp) Estátuas famosas da cidade de São Paulo como a do bandeirante Borba Gato, em Santo Amaro, na Zona Sul, e a de Bartolomeu Bueno da Silva, no Parque Trianon, na Avenida Paulista, ganharam um “adereço macabro” nas úl�mas semanas. Com o obje�vo de ressignificar a história das figuras que elas representam, um grupo de manifestantes colocou caveiras em frente a essas estátuas e as fotografou. As fotos viralizaram nas redes sociais. Bandeirantes como Borba Gato desbravaram territórios no interior do país e capturaram e escravizaram indígenas e negros. Isso quando não os matavam em confrontos que acabaram por dizimar etnias, segundo historiadores. (Bárbara Muniz Vieira. “Crânios são colocados ao lado de monumentos de bandeirantes para ressignificar história de SP”. g1.globo.com, 27.10.2020. Adaptado.) Do ponto de vista histórico, a proposta de “ressignificar monumentos”, realizada pelo grupo, a) é uma transferência para a história e a historiografia da prá�ca de cancelamento de pessoas nas redes sociais. b) entende a função da história como celebração dos mitos e heróis do passado. c) representa uma análise crí�ca e um esforço de revisão da memória histórica. d) demonstra uma percepção o�mista e ufanista da iden�dade e do passado brasileiros. e) mostra clara descrença na história e a valorização do trabalho de ar�stas consagrados. H0182 - (Uece) Atente para o que disse o jesuíta André João Antonil sobre a escravidão no Brasil: “No Brasil, costumam dizer que para o escravo são necessários três PPP, a saber, pau, pão e pano. E, posto que comecem mal, principiando pelo cas�go que é o pau, contudo, prouvera a Deus que tão abundante fosse o comer e o ves�r como muitas vezes é o cas�go, dado por qualquer causa pouco provada, ou levantada; e com instrumentos de muito rigor(...), de que se não usa com os brutos animais, fazendo algum senhor mais caso de um cavalo que de meia dúzia de escravos...” ANTONIL, André João. Cultura e opulência do Brasil. 3. ed. Belo Horizonte: Ita�aia/Edusp, 1982, p. 37. (Coleção Reconquista do Brasil). Disponível em: h�p://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/ DetalheObraForm.do?select_ac�on=&co_obra=1737 Com base no trecho acima e no que se sabe sobre o sistema escravista ocorrido no Brasil, é correto dizer que a) a visão do jesuíta Antonil apresenta uma perspec�va da colonização portuguesa em que a escravidão aparece de uma forma humanizada, pois eram garan�dos aos escravos o alimento e as ves�mentas. b) não há, no texto de Antonil, qualquer crí�ca ao sistema escravista, aos cas�gos �sicos dados aos escravos nem a sua desvalorização como ser humano. c) o sistema escravista, centrado no trabalho compulsório, no tráfico de africanos para a colônia e em uma rígida estrutura de controle e punição, foi a base da economia colonial e criou uma sociedade desigual. d) apesar de aparentar opressão e violência, o sistema escravista foi posi�vo para os africanos trazidos ao Brasil, pois possibilitou a eles acesso a uma cultura superior e a uma religião organizada, já que, na África, viviam primi�vamente. H0171 - (Espcex) Do ponto de vista econômico, o sistema de capitanias, implantado em 1534, não alcançou os resultados esperados pelos portugueses. Entre as poucas capitanias que progrediram e ob�veram lucros, principalmente com a produção de açúcar, estavam as de a) Rio Grande e Itamaracá. b) São Vicente e Rio Grande. c) Santana e Ilhéus. d) Maranhão e Pernambuco. e) São Vicente e Pernambuco. 2@professorferretto @prof_ferretto H0160 - (U�f) Com as grandes navegações, portugueses e espanhóis cruzaram o oceano Atlân�co chegando ao con�nente americano, a que denominaram Novo Mundo. Nessas terras, estabeleceram colônias que ficaram conhecidas como América portuguesa e América espanhola. Acerca da colonização nesses dois territórios, assinale a alterna�va CORRETA: a) Na América portuguesa as riquezas encontradas no início da colonização foram ouro, prata e pedras preciosas, o que levou a coroa a se posicionar favoravelmente à exploração do território encontrado. b) Na América espanhola o início da colonização foi marcado pelo estabelecimentode matriz africana. e) ins�tuições de apoio e auxílio aos escravizados, cria- das e man�das por meio da atuação catequizadora dos jesuítas espanhóis. H1480 - (Unesp) [O rei D. João III] ordenou que se povoasse esta província, repar�ndo as terras por pessoas que se lhe ofereceram para as povoarem e conquistarem à custa de sua fazenda, e dando a cada um 50 léguas por costa com todo o seu sertão [...]; são sismeiros das suas terras, e as repartem pelos moradores como querem, todavia movendo-se depois alguma dúvida sobre as datas, não são eles os juízes delas, senão o provedor da fazenda, nem os que as recebem de sesmaria têm obrigação de pagar mais que dízimo a Deus dos frutos que colhem [...]. (Frei Vicente do Salvador. História do Brasil (1500- 1627). In: www.dominiopublico.gov.br.) O excerto, do século XVII, caracteriza a a) definição de rigoroso sistema tributário voltado aos interesses da Coroa portuguesa. b) autorização para a instalação de sesmarias des�nadas exclusivamente ao cul�vo de algodão e tabaco. c) cons�tuição de um regime fundiário apoiado na pequena propriedade rural. d) atribuição de poder polí�co, econômico e jurídico aos senhores de engenho. e) criação das capitanias hereditárias e a atribuição de direitos aos donatários. H1496 - (Unicamp) Os quilombos, espaços da resistência e da insurgência negra desde a sua origem, foram criados como estratégia de enfrentamento ao sistema escravocrata. Nos processos de resistência e sobrevivência dos quilombos que chegam aos dias atuais, as relações culturais, as iden�dades e os conflitos têm como elemento central os territórios, tensionados por interesses ilegí�mos e incons�tucionais de terceiros em disputa pela propriedade da terra. Pouco se divulga que existem, atualmente no território brasileiro, aproximadamente 3.500 comunidades quilombolas que guardam um sen�mento de pertença a um grupo e a um lugar. Estão distribuídas por todas as regiões do país, com destaque para os estados do Pará, Maranhão, Bahia, Minas Gerais, Pernambuco e Rio Grande do Sul. (Adaptado de Coordenação Nacional de Ar�culação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas [CONAQ]; TERRA DE DIREITOS, Racismo e violência contra quilombos no Brasil. Disponível em h�ps://cdhpf.org.br/cat_galeria/publicacoes/estudos/racismo- e-violencia-contra-quilombos-no-brasil/. Acessado em 03/07/2021.) Sobre a demarcação e �tulação das terras quilombolas no Brasil, é correto afirmar que teve início com a a) lei de Terras de 1850; avançou na segunda metade do século XIX, especialmente após a abolição da escravatura e a ins�tucionalização dos territórios quilombolas rurais. b) Cons�tuição de 1988; ainda está em curso o processo de demarcação e poucos territórios quilombolas (rurais e urbanos) receberam a �tulação da propriedade até o momento. c) lei de Terras de 1850; na ocasião, foram demarcados os territórios rurais quilombolas, uma vez que não havia trabalho para homens negros e mulheres negras nas cidades. d) Cons�tuição de 1988; na década passada, por meio de polí�cas públicas, foi finalizada a demarcação e a �tulação dos territórios quilombolas rurais e urbanos, tendo pendente a �tulação dos quilombos urbanos. H1505 - (Unicamp) As es�ma�vas sobre a população de Palmares no século XVII oscilam entre 5 e 20 mil pessoas. A crônica abaixo, de 1678, descreve o território palmarino: Reconhecem-se todos obedientes a um que se chama “o Ganga Zumba”, que quer dizer “Senhor Grande”. A este tem por seu rei e senhor todos os mais, assim naturais dos Palmares como vindos de fora. Habita na sua cidade real que chamam o Macaco. Esta é a metrópole entre as mais cidades e povoações. Está for�ficada toda em cerco de pau a pique, com torneiras abertas para ataque e defesa. E pela parte de fora toda se semeia de 20@professorferretto @prof_ferretto estrepes de ferro e buracos no chão. Ocupa esta cidade dilatado espaço, forma-se mais de 1500 casas. A segunda cidade chama-se Sirbupira; nesta habita o irmão do rei que se chama “o Zona”. É for�ficada toda de madeira e pedras, compreende mais de oitocentas casas. Das mais cidades e povoações darei no�cia quando lhe referir as ruínas. (Adaptado de: ANTT, Manuscrito da Livraria, cod. 1185, fls. 149-55v. In: LARA, Silvia; FACHIN, Phablo (org.). Guerra contra Palmares: o manuscrito de 1678. São Paulo: Chão Editora, 2021, p. 9 – 49.) Sobre a organização do espaço palmarino, é correto afirmar que a) os negros que fugiram para Palmares ocuparam os espaços urbanos das vilas coloniais na Serra da Barriga; essas vilas �nham sido abandonadas por Portugal durante as guerras de expulsão, de Pernambuco, dos holandeses. b) o que se convencionou chamar de quilombo de Palmares era uma rede de povoações for�ficadas, formadas por centenas de casas e interligadas por meio de um sistema polí�co influenciado por lógicas culturais africanas. c) as povoações que cons�tuíam Palmares se originaram da estrutura urbanís�ca construída por Nassau nas serras de Pernambuco e Alagoas, a par�r da racionalidade holandesa na época da luta pelo domínio do açúcar. d) a maioria da população negra que vivia nos mocambos de Palmares no século XVII era crioula, ou seja, nascida no Brasil, e combinava a influência da organização polí�ca de Angola e das redes urbanas litorâneas e europeias de Pernambuco. H1509 - (Unicamp) “Dos pretos é tão própria e natural a união que a todos os que têm a mesma cor, chamam parentes; a todos os que servem na mesma casa, chamam parceiros; e a todos os que se embarcam no mesmo navio, chamam malungos.” (VIEIRA, Padre Antônio. Sermão XX. Parte II. Lisboa: Impressão Craesbeeckiana, p. 165, 1688.) Sobre as comunidades de malungos no período da escravidão, é correto afirmar, de acordo com o texto, que são formadas a) nos laços entre africanos de múl�plas etnias, os quais ha- viam atravessado juntos o Atlân�co. b) no encontro dos africanos nas senzalas, no exercício de o�cios e no trabalho da lavoura. c) no Novo Mundo por pessoas de uma mesma etnia que se reconheciam como iguais. d) nos quilombos rurais e urbanos, formados por escravizados fugidos de muitas etnias. H1518 - (Fuvest) Não há trabalho, nem gênero de vida no mundo mais parecido à cruz e à paixão de Cristo, que o vosso em um destes engenhos [...]. A paixão de Cristo parte foi de noite sem dormir, parte foi de dia sem descansar, e tais são as vossas noites e os vossos dias. Cristo despido, e vós despidos; Cristo sem comer, e vós famintos; Cristo em tudo maltratado, e vós maltratados em tudo. Os ferros, as prisões, os açoites, as chagas, os nomes afrontosos, de tudo isto se compõe a vossa imitação, que, se for acompanhada de paciência, também terá merecimento e mar�rio[...]. De todos os mistérios da vida, morte e ressurreição de Cristo, os que pertencem por condição aos pretos, e como por herança, são os mais dolorosos. P. Antônio Vieira, Sermão décimo quarto. In: I. Inácio & T. Lucca (orgs.). Documentos do Brasil colonial. São Paulo: Á�ca, 1993, p.73-75. A par�r da leitura do texto acima, escrito pelo padre jesuíta Antônio Vieira em 1633, pode-se afirmar, corretamente, que, nas terras portuguesas da América a) a Igreja Católica defendia os escravos dos excessos come�dos pelos seus senhores e os incitava a se revoltar. b) as formas de escravidão nos engenhos eram mais brandas do que em outros setores econômicos, pois ali vigorava uma é�ca religiosa inspirada na Bíblia. c) a Igreja Católica apoiava, com a maioria de seus membros, a escravidão dos africanos, tratando, portanto, de jus�ficá-la com base na Bíblia. d) clérigos, como P. Vieira, se mostravam indecisos quanto às a�tudes que deveriam tomar em relação à escravidão negra, pois a própria Igreja se man�nha neutra na questão. e) havia formas de discriminação religiosa que se sobrepunham às formas de discriminação racial, sendo estas, assim, pouco significa�vas. H1525 - (Fuvest) Se o açúcar do Brasil o tem dado a conhecer a todos os reinos e províncias da Europa, o tabaco o temde feitorias – entrepostos comerciais que armazenavam mercadorias, alimentos, armas – que se espalhavam pela costa. c) Sob ameaça de invasão estrangeira, foi estabelecido na América espanhola um sistema administra�vo centralizado e uma polí�ca de povoamento pautada na planta�on açucareira. d) Para a administração da América portuguesa, inicialmente foram estabelecidas as capitanias hereditárias, que fracassaram, sendo criadas, posteriormente, o governo-geral e as câmaras municipais. e) Tanto na América portuguesa quanto na América espanhola, durante todo o processo de colonização, o contato com as populações na�vas foi pacífico, baseado exclusivamente em diplomacia e negociações. H0184 - (Ifsp) Observe a figura abaixo e, em seguida, assinale a alterna�va que apresenta a relação comercial pra�cada entre a Metrópole portuguesa e a sua colônia brasileira. a) Acordo Monopolista. b) Pacto Colonial. c) Acordo Real. d) Pacto Con�nental. e) Pacto Geral. H0183 - (Uel) Leia o trecho do poema a seguir. – Essa cova em que estás, com palmos medida, é a cota menor que �raste em vida. – É de bom tamanho, nem largo nem fundo, é a parte que te cabe neste la�fúndio. – Não é cova grande. é cova medida, é a terra que querias ver dividida. (MELO NETO, J. C. Morte e Vida Severina. Universidade da Amazônia, NEAD – Núcleo de Educação à Distância. p.21-13. Disponível em: . Acesso em: 28 ago. 2017). O poema trata da relação entre o homem e a terra no Brasil. Com base nos conhecimentos sobre propriedade e usos da terra, assinale a alterna�va correta. a) No decorrer do segundo Reinado, a Lei de Terras, promulgada em 1850, possibilitou o livre acesso das terras devolutas aos primeiros imigrantes europeus, garan�ndo-lhes a sobrevivência. b) Na Colônia, as terras doadas como sesmarias garan�am privilégios aos senhores de engenho, mas restringiam a prá�ca de certas a�vidades econômicas. c) No Império, formaram-se os primeiros quilombos cuja propriedade dessas terras foi reconhecida legalmente durante a primeira República. d) Em 1964, João Goulart realizou desapropriações das pequenas propriedades no entorno das metrópoles para o cul�vo de sobrevivência por parte dos trabalhadores. e) No governo de Fernando Henrique Cardoso (1995- 2002), retomou-se a polí�ca econômica de esta�zação das propriedades agrícolas resultando em elevadas taxas de crescimento econômico. H0165 - (Unesp) 3@professorferretto @prof_ferretto Nem exis�a Brasil no começo dessa história. Exis�am o Peru e o México, no contexto pré-colombiano, mas Argen�na, Brasil, Chile, Estados Unidos, Canadá, não. No que seria o Brasil, havia gente no Norte, no Rio, depois no Sul, mas toda essa gente �nha pouca relação entre si até meados do século XVIII. E há aí a questão da navegação marí�ma, torna-se importante aprender bem história marí�ma, que é ligada à geografia. [...] Essa compreensão me deu muita liberdade para ver as relações que Rio, Pernambuco e Bahia �nham com Luanda. Depois a Bahia tem muito mais relação com o an�go Daomé, hoje Benin, na Costa da Mina. Isso formava um todo, muito mais do que o Brasil ou a América portuguesa. [...] Nunca os missionários entraram na briga para saber se o africano havia sido ilegalmente escravizado ou não, mas a escravidão indígena foi embargada pelos missionários desde o começo, e isso também é um pouco interesse dos negreiros, ou seja, que a escravidão africana predomine. [...] A escravização tem dois processos: o primeiro é a despersonalização, e o segundo é a dessocialização. (Luiz Felipe de Alencastro. Entrevista a Mariluce Moura. “O observador do Brasil no Atlân�co Sul”. In: Revista Pesquisa Fapesp, no 188, outubro de 2011.) A “despersonalização” e a “dessocialização” dos escravizados podem ser associadas, respec�vamente, a) ao fato de que os escravos eram iden�ficados por números marcados a ferro e à interdição do contato entre os ca�vos e seus senhores. b) à noção do escravo como mercadoria e ao fato de que os africanos eram extraídos de sua comunidade de origem. c) à noção do escravo como tolerante ao trabalho compulsório e ao fato de que ele era proibido de fazer amizades ou cons�tuir família. d) ao fato de que os escravos eram etnologicamente indis�ntos e à proibição de realização de festas e cultos. e) à noção do escravo como desconhecedor do território colonial e ao fato de que ele não era reconhecido como brasileiro. H0176 - (Uece) Atente para os excertos apresentados a seguir. “(...) No Brasil atual, ainda se acredita que os amuletos estão associados a cultos afro-brasileiros, o que nem sempre é verdadeiro. Um caso clássico é o da figa. Vinculada a um passado escravista e, por isso, a uma origem africana, é um amuleto an�quíssimo, provavelmente da Europa mediterrânica, e que não teve só a função que hoje se conhece, de trazer sorte e proteger o usuário:(...) E mesmo vindo do Mediterrâneo, foi perfeitamente incorporado aos amuletos afro- brasileiros, evidenciando assim uma mistura de culturas”. PAIVA, Eduardo França. Pequenos objetos, grandes encantos. In: Revista Nossa História. Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, ano 1, nº 10, agosto 2004. p.58-59 “(...) A abundância diversificada e o recrudescimento do devocionário privado no Brasil an�go explicam-se, antes de mais nada, pela mul�plicidade dos estoques culturais presentes desde os primórdios da conquista e ocupação do novo mundo, onde centenas de etnias indígenas e africanas prestavam culto a panteões os mais diversos. Por se tratar de crenças e rituais condenados pelos donos do poder espiritual, �veram de ocultar-se no recôndito das matas ou no secreto das casas”. MOTT, Luiz. Co�diano e vivência religiosa: entre a capela e o calundu. in: História da vida privada no Brasil: Co�diano e vida privada na América portuguesa. São Paulo: Companhia das Letras,1997, p.220. A par�r dos excertos acima, é correto afirmar que 4@professorferretto @prof_ferretto a) não houve uma miscigenação cultural no Brasil, tão forte foi a predominância da cultura europeia e do catolicismo na construção da cultura brasileira. b) o sincre�smo religioso é uma marca da cultura brasileira, pois os cultos brasileiros adotaram, desde a colonização, matrizes europeias, africanas e indígenas. c) apesar de diversas etnias indígenas e africanas terem par�cipado da formação cultural brasileira, resta apenas a religiosidade cristã católica europeia em nossa cultura. d) todo o conjunto de crendices e amuletos que ainda hoje são u�lizados na crença dos brasileiros é originário só dos cultos afro-brasileiros e foi incorporado à fé cristã. H1187 - (Albert Einstein) Nos dois primeiros séculos de colonização, a empresa colonial giraria em torno da cana: a formação de vilas e cidades, a defesa de territórios, a divisão de propriedades, as relações com diferentes grupos sociais e até a escolha da capital. (Lilia M. Schwarcz e Heloisa M. Starling. Brasil: uma biografia, 2018. Adaptado.) O excerto apresenta o avanço da produção de cana-de- açúcar no Brasil colonial como a) a adoção de uma sociedade de modelo feudal, que determinou a forte dependência da economia brasileira em relação às grandes potências europeias do período. b) a definição de um perfil para a ação portuguesa na América, que incluiu a produção voltada ao mercado externo e a consolidação da ocupação territorial. c) o estabelecimento de mecanismos reguladores da relação colônia-metrópole, que passava a funcionar a par�r do princípio da liberdade comercial. d) a conformação de uma economia diversificada, que assegurava a expansão territorial e uma distribuição equilibrada dos recursos metropolitanos nas áreas de colonização. e) o deslocamento do eixo econômico da colônia, que avançou para o centro do território e passou a privilegiar a agricultura extensiva baseada em mão de obra indígena. H0186 - (Uece) Enquanto na maioria das regiões do Brasil as primeiras vilas e cidades surgiram no litoral (Igaraçude adivinhação (como o jogo de búzios), muitos escravos e libertos conseguiram formar outra família, família essa que muito se assemelhava com as grandes linhagens existentes em diversas localidades africanas. (Ynaê Lopes dos Santos. História da África e do Brasil afrodescendente, 2017.) O texto caracteriza o Candomblé como a) uma estratégia de recusa e resistência dos escravizados diante dos esforços de catequização empreendidos pelos jesuítas portugueses. b) uma tenta�va de conciliar caracterís�cas de dis�ntas religiosidades de matriz africana, como o politeísmo e as idolatrias. c) uma religião derivada de crenças de origem africana, que possibilitou o surgimento de espaços de sociabilidade e solidariedade entre escravizados. d) uma religião trazida da África e pra�cada no Brasil pelos escravizados como uma forma de manter contato com as origens e os antepassados. e) uma religião de matriz islâmica que permi�a a unificação dos escravizados procedentes de diversas regiões da África H0178 - (Esc. Naval) Leia o texto a seguir. "Deu no Mercurio Portuguez: "... e do Brasil vira também o galeão chamado Padre Eterno, que se faz no Rio de Janeiro, e é o mais famoso baixei de guerra que os mares jamais viram". A gazeta mensal lisboeta trazia a no�cia acima fechando a edição de março de 1665. O periódico de Antônio de Souza de Macedo, secretário de estado do Reino de Portugal, se referia ao barco de metros que deslocava mil toneladas com um mastro feito num só tronco de de circunferência na base. O navio começou a ser construído em 1659 a mando do governador da capitania do Rio, Salvador Correia de Sá e Benevides, na Ilha do Governador, em um local conhecido como Ponta do Galeão (onde fica hoje o Aeroporto Internacional Tom Jobim). Militar e polí�co português, dono de engenhos e currais, Sá fez o mais potente galeão que pôde para evitar depender da proteção das frotas do governo ao se aventurar no comércio pelos mares." MARCOLIN, Neldson. Por mares sempre navegados. Disponível em: h�p://revistapesquisa.fapesp.br/2011/11/30por-mares- nevegados. Acesso em: 09 de abril de 2019. É correto afirmar que a existência de estaleiros des�nados à construção de grandes navios no Brasil do século XVII demonstrava a) que o Brasil possuía uma economia dinâmica que superava Portugal e Inglaterra na produção naval. b) que a indústria naval apenas servia para transportar o açúcar para a Europa. c) que havia outras a�vidades econômicas na colônia, além da produção e exportação de cana-de-açúcar. d) a necessidade de numerosas embarcações para a navegação fluvial no Brasil, como o galeão Padre Eterno. e) a existência de colonizadores franceses no Brasil, os únicos capazes de construir grandes navios. H0177 - (C�rj) No�cias do Brasil (Os Pássaros Trazem) (...) A novidade é que o Brasil não é só litoral! É muito mais, é muito mais que qualquer zona sul. Tem gente boa espalhada por esse Brasil, que vai fazer desse lugar um bom país! Uma no�cia está chegando lá do interior. Não deu no rádio, no jornal ou na televisão. Ficar de frente para o mar, de costas para o Brasil, não fazer desse lugar um bom país! (Milton Nascimento e Fernando Brant) O trecho acima da canção No�cias do Brasil, de Milton Nascimento e Fernando Brandt, composta em 1981, reivindica a valorização da natureza, da paisagem e da cultura do interior do Brasil. Sobre o processo de desbravamento e exploração do interior do Brasil no período colonial, assinale a alterna�va incorreta: a) A busca pelas chamadas “drogas do sertão” es�mulou a exploração da região amazônica. b) A produção de gado no interior não representou uma a�vidade econômica importante no período colonial. c) A descoberta das Minas Gerais nas décadas de 1680 e 1690 promoveu a ocupação mais sistemá�ca do interior do centro-sul. d) Os bandeirantes paulistas desbravavam o interior em busca de indígenas que seriam comercializados como escravos. H1185 - (Famerp) A difusão do uso desses machados [de ferro] em subs�tuição aos de pedra aumentou imensamente a produ�vidade do trabalho, reduzindo em mais de dez vezes o tempo para a derrubada dos troncos [de pau- brasil]. Não é pois de admirar que no século XVI mais de 8@professorferretto @prof_ferretto dois milhões de árvores tenham sido derrubadas e reduzidas a toras. Mas é também certo que os na�vos souberam aproveitar a tecnologia dos instrumentos europeus para bene�cio próprio, incluindo machados e facas de metal quer nas suas guerras, quer nas a�vidades de subsistência. (Ronaldo Vainfas (org.). Dicionário do Brasil colonial (1500-1808), 2000.) O excerto caracteriza a) a preocupação com o replan�o das árvores pelos na�vos e portugueses, no primeiro século da colonização. b) a assimilação de novas técnicas pelos indígenas, a par�r do contato com os portugueses no primeiro século da colonização. c) a sofis�cação técnica do plan�o e da exploração de pau-brasil, desde o início da colonização portuguesa da América. d) a o�mização da produção agrícola desenvolvida pelos portugueses durante a colonização brasileira. e) a submissão da mão de obra na�va à escravidão na a�vidade econômica da extração de madeira �ntorial. H1182 - (Albert Einstein) Numa primeira aproximação, o sistema colonial apresenta-se-nos como o conjunto das relações entre as metrópoles e suas respec�vas colônias, num dado período da história da colonização. (Fernando A. Novais. Portugal e Brasil na crise do An�go Sistema Colonial (1777-1808), 2019.) O “conjunto das relações” mencionado no excerto abrangia a) o equilíbrio con�nuo da balança comercial entre colônia e metrópole, que assegurava a isonomia nas relações comerciais. b) o instrumento do exclusivo metropolitano do comércio, que regulava as trocas de mercadorias entre colônia e metrópole. c) o estabelecimento de domínio polí�co da colônia sobre a metrópole, que caracterizava o vínculo imperialista. d) o prevalecimento de formas assalariadas de trabalho, que permi�am a ampliação do mercado consumidor colonial. e) o predomínio de princípios e ideias liberais, que ar�culavam a polí�ca econômica mercan�lista. H1190 - (Pucgo) Conforme João Capistrano de Abreu, primeiro professor da disciplina História do Brasil no país, a ação das Bandeiras seria bem semelhante a: “[...] homens munidos de armas de fogo atacam selvagens que se defendem com arco e flecha; à primeira inves�da morrem muitos dos assaltados e logo desmaia-lhes a coragem; os restantes, amarrados, são conduzidos ao povoado e distribuídos segundo as condições em que se organizou a bandeira.” (ABREU, João C. Capítulos de história colonial. Brasília: Conselho Editorial do Senado Federal, 1998, p. 109. Adaptado.) Assinale a única alterna�va que indica corretamente outra ação comum dos bandeirantes de São Paulo, além da referida destruição das aldeias: a) O ataque a quilombos, a exemplo do Quilombo dos Palmares localizado no território do atual estado de Alagoas. b) O ataque aos invasores europeus, a exemplo dos franceses que buscaram expandir suas colônias dominando o território do atual estado do Maranhão. c) O ataque aos contrabandistas, especialmente os que roubavam esmeraldas, atuando como policiais nos territórios dos atuais estados de Minas Gerais e de Goiás. d) As expedições contra os argen�nos, que fizeram ataques regulares buscando conquistar o território dos atuais estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. H1180 - (Unicamp) As es�ma�vas sobre a população de Palmares no século XVII oscilam entre 5 e 20 mil pessoas. A crônica abaixo, de 1678, descreve o território palmarino: Reconhecem-se todos obedientes a um que se chama “o Ganga Zumba”, que quer dizer “Senhor Grande”. A este tem por seu rei e senhor todos os mais, assim naturais dos Palmares como vindos de fora. Habita na sua cidade real que chamam o Macaco. Esta é a metrópole entre as mais cidades e povoações. Está for�ficada toda em cerco de pau a pique, com torneiras abertas para ataque e defesa. E pela parte de fora toda se semeiade estrepes de ferro e buracos no chão. Ocupa esta cidade dilatado espaço, forma-se mais de 1500 casas. A segunda cidade chama-se Sirbupira; nesta habita o irmão do rei que se chama “o Zona”. É for�ficada toda de madeira e pedras, compreende mais de oitocentas casas. Das mais cidades e povoações darei no�cia quando lhe referir as ruínas. (Adaptado de: ANTT, Manuscrito da Livraria, cod. 1185, fls. 149-55v. In: LARA, Silvia; FACHIN, Phablo (org.). Guerra contra Palmares: o manuscrito de 1678. São Paulo: Chão Editora, 2021, p. 9 – 49.) Sobre a organização do espaço palmarino, é correto afirmar que 9@professorferretto @prof_ferretto a) os negros que fugiram para Palmares ocuparam os espaços urbanos das vilas coloniais na Serra da Barriga; essas vilas �nham sido abandonadas por Portugal durante as guerras de expulsão, de Pernambuco, dos holandeses. b) o que se convencionou chamar de quilombo de Palmares era uma rede de povoações for�ficadas, formadas por centenas de casas e interligadas por meio de um sistema polí�co influenciado por lógicas culturais africanas. c) as povoações que cons�tuíam Palmares se originaram da estrutura urbanís�ca construída por Nassau nas serras de Pernambuco e Alagoas, a par�r da racionalidade holandesa na época da luta pelo domínio do açúcar. d) a maioria da população negra que vivia nos mocambos de Palmares no século XVII era crioula, ou seja, nascida no Brasil, e combinava a influência da organização polí�ca de Angola e das redes urbanas litorâneas e europeias de Pernambuco. H0150 - (Ifce) Sobre a pecuária durante o período colonial no Brasil, é correto afirmar-se que a) era uma a�vidade complementar às lavouras do café durante o período colonial. b) teve papel de destaque na ocupação das áreas litorâneas. c) contribuiu para a expulsão dos trabalhadores assalariados do campo. d) os primeiros criadores de gado contribuíram para a interiorização da colonização. e) a pecuária no sertão nordes�no usava a mão de obra escrava. H0175 - (Upf) “Não é fácil saber de onde foi que Jorge Velho par�u para ir combater Palmares, se de São Paulo ou do Piauí. Tanto se pode admi�r uma versão como a outra, já que ambas se apoiam em documentos de igual autoridade [...]. Há também muita controvérsia sobre os seus efe�vos. Em diferentes documentos o número de indígenas oscila entre 800 e 1.300, e o de brancos entre 80 e 150, não falando nas mulheres e crianças que costumava levar consigo. A marcha de seiscentas léguas até Pernambuco foi uma estupenda façanha. Custou-lhe a perda de 396 pessoas, das quais 196 morreram de fome ou doença e 200 desertaram.” O bandeirante Domingos Jorge Velho foi contratado pelo governo português para destruir o quilombo de Palmares. Isso se deu porque a) os paulistas, excluídos do circuito da produto colonial centrada no Nordeste, queriam estabelecer pontos de comércio, sendo impedidos pelos quilombos. b) os paulistas �nham prá�ca na perseguição de índios, os quais, aliados aos negros de Palmares, ameaçavam o governo com movimentos milenaristas. c) o quilombo desestabilizava o grande con�ngente escravo existente no Nordeste, ameaçando a con�nuidade da produção açucareira e da dominação colonial. d) os senhores de engenho temiam que os quilombolas, que haviam atraído brancos e mes�ços pobres, organizassem um movimento de independência da colônia. e) os aldeamentos de escravos rebeldes incitavam os colonos à revolta contra a metrópole, visando trazer novamente o Nordeste para o domínio holandês. H1193 - (Unesp) A liberdade pouco valia para o indivíduo pobre que o mundo da produção e os aparelhos de poder esmagavam sem trégua, e no entanto ele era homem livre numa sociedade escravista. Aproveitado de modo intermitente mas regular pelo Estado e pelos homens bons, a sua u�lidade real e empiricamente detectável era reves�da por um ônus que o deixava sem razão de ser. A formulação dessa inu�lidade jus�ficava o sistema escravista, e o atributo da vadiagem passava a englobar toda uma camada social, desclassificando-a: no meio fluido dos homens livres pobres, todos passavam a ser vadios para a óp�ca dominante. Vadios e inúteis, era como se não exis�ssem, como se o país não �vesse povo — pois, ca�vo, o escravo não era cidadão. E assim, inexis�ndo ou sendo iden�ficado à animalidade, o homem livre pobre permaneceu esquecido através do século. (Laura de Mello e Souza. Desclassificados do ouro: a pobreza mineira no século XVIII, 2015. Adaptado.) Ao tratar dos “desclassificados” na sociedade das Minas Gerais do século XVIII, o texto caracteriza-os como 10@professorferretto @prof_ferretto a) uma camada marcada pela ambiguidade e que revelava os mecanismos de exclusão sociopolí�cos do período. b) uma classe potencialmente rebelde, que recorria a ações clandes�nas e ilegais para subverter a ordem social. c) um setor improdu�vo da economia local, que gerava gastos para os governantes, mas sem produzir ganhos e rendimentos. d) um grupo à margem da sociedade, que conseguia escapar dos tributos e dos rigores do trabalho. e) um segmento de técnicos e profissionais liberais, que era socialmente desprezado, mas fundamental na exploração de ouro. H0172 - (Uece) Atente para o seguinte excerto: “(...) trocar manufaturas baratas por negros na costa ocidental da África; permutar os negros por matérias- primas nas colônias americanas: por fim, vender as matérias primas na Europa a altos preços, ou seja, a dinheiro contado. Comércio de resultados fantás�cos em que o lucro nunca ficava por menos de 300% e podia em certos casos render até 600%”. FREITAS, Décio. O escravismo brasileiro. 2.ed. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1982. p.24. Esse sistema de comércio que foi fundamental para a colonização brasileira por custear a Coroa portuguesa através da sua taxação é conhecido como sistema a) de comércio liberal. b) de comércio triangular. c) de comércio quadrangular. d) internacional de comércio livre. H1184 - (Unesp) O diabo parece ter sido estranho tanto para os tupis do Brasil quanto aos nauas, maias, incas e demais povos americanos. O cosmos maia era neutro, as forças e os seres sagrados “não eram nem bons, nem ruins, mas apenas caprichosos”. [...] A cosmologia das populações andinas não contava com a noção de mal personificada num ser satânico [...]. (Laura de Mello e Souza. Inferno atlân�co. Demonologia e colonização: Séculos XVI-XVIII, 1993.) O excerto permite afirmar que a) os sacri�cios humanos realizados por alguns povos na�vos da América eram des�tuídos de significado religioso. b) a influência do catolicismo europeu na colonização da América facilitou a preservação de elementos religiosos na�vos. c) a carência da noção de mal nas culturas originárias da América indica a ingenuidade e a pureza dos povos na�vos. d) os povos na�vos americanos �nham uma visão religiosa binária e incompleta das forças que os afetavam. e) a presença de representações do diabo no imaginário americano derivou do processo colonizador. H1179 - (Unesp) Na formação do território brasileiro, nos séculos XVII e XVIII, as a�vidades econômicas da pecuária e da mineração foram responsáveis pela a) construção de feitorias no litoral. b) conquista dos sertões. c) grilagem de terras. d) elaboração de polí�cas aduaneiras. e) realocação espacial das agroindústrias. H0187 - (Mackenzie) No Brasil do século XVI, a sociedade �nha, no engenho, o centro de sua organização. Assinale a alterna�va que NÃO atesta a importância do engenho no período colonial. 11@professorferretto @prof_ferretto a) A grande propriedade era monocultora e também escravocrata, voltada para o mercado externo, sendo a montagem da estrutura de produção açucareira, um empreendimento de alto custo. b) Os senhores de engenhos, por serem proprietários de terras e escravos, de�nham o poder polí�co e controlavam as Câmaras Municipais, sendo denominados de “homens bons”, estendendo tal poder para o interior de sua família. c) Alguns engenhos funcionavam comounidades de produção autossuficientes, pois além de oficinas para reparos de suas instalações, produziam alimentos necessários à sobrevivência de seus moradores. d) No engenho também havia alguns �pos de trabalhadores assalariados, como o feitor, o mestre de açúcar, o capelão ou padre, que se sujeitavam ao poder e à influência do grande proprietário de terras. e) Os grandes engenhos contavam com toda a infraestrutura não apenas para atender às necessidades básicas de sobrevivência, mas voltadas à a�vidade intelectual que tornava o engenho centro de discussões comerciais. H1181 - (Uece) Das 16 primeiras vilas criadas no Ceará, apenas 4 delas (Aquiraz – 1699; Fortaleza – 1725; Araca� – 1747 e Caucaia – 1750) estavam diretamente no litoral ou bem próximo dele. As demais 12 vilas mais an�gas localizavam-se ser adentro, próximas a cursos d’agua ou em regiões serranas (Icó – 1735; Visa do Ceará – 1759; Baturité – 1762; Crato – 1762; Sobral – 1766; Granja – 1776; Quixeramobim – 1789; Guaraciaba do Norte – 1791; Russas – 1799; Tauá – 1801; Jardim – 1814 e Lavras da Mangabeira – 1816). Esse aspecto da ocupação do espaço cearense se deveu a) à ação dos coronéis que conduziram a polí�ca local desde o início da colonização, voltando as atenções do Estado para as regiões de seu interesse. b) ao desenvolvimento de uma grande a�vidade de produção canavieira nos sertões cearenses, que apresentam clima quente e chuvoso, condições ideais para aquele cul�vo. c) aos esforços dos bandeirantes, que, na busca por metais e pedras preciosas fundaram povoados que resultaram nas vilas e cidades mais an�gas do Ceará. d) à pecuária, a�vidade subsidiária da produção açucareira, que se expandiu para o interior das capitanias, pois o litoral era dominado pela monocultura canavieira para exportação. H0163 - (Co�l) O quadro ‘A Primeira Missa’, pintado em 1860 por Victor Meireles, representa a primeira celebração católica no país, realizada em 1500, além de expor as diferenças entre o colonizador português e os indígenas brasileiros. Tais diferenças, quando considerada a realidade de 1500 até o século XXI, sobre a apropriação da natureza pelo europeu em comparação ao indígena, revelam que: a) os colonizadores portugueses se adaptaram rapidamente ao modo de vida dos indígenas, o que favoreceu a manutenção do espaço geográfico e a sobrevivência dos na�vos. b) enquanto entre os europeus não havia dinheiro, desejo de lucro, propriedade individual, posse da terra e de recursos naturais, esses elementos já eram observados entre os indígenas. c) a visão de mundo, as crenças e os costumes geraram muitos conflitos entre os indígenas e os colonizadores, ocasionando assim disputa de território que durou até 1550. d) os interesses pelo agronegócio tem conflitado com os das tribos indígenas até hoje, e uma das razões para esse conflito é a demarcação de terras indígenas. H0162 - (Famema) Havia muito capital e muita riqueza entre os lavradores de cana, alguns ligados por laços de sangue ou matrimônio aos senhores de engenho. Havia também um bom número de mulheres, não raro viúvas, par�cipando da economia açucareira. Digno de nota até o fim do século XVIII, contudo, era o fato de os lavradores de cana serem quase invariavelmente brancos. Os negros e mulatos livres simplesmente não dispunham de créditos ou capital para assumir os encargos desse �po de agricultura. (Stuart Schwartz. “O Nordeste açucareiro no Brasil Colonial”. In: João Luis R. Fragoso e Maria de Fá�ma 12@professorferretto @prof_ferretto Gouvêa (orgs). O Brasil Colonial, vol 2, 2014.) O excerto indica que a sociedade colonial açucareira foi a) organizada em classes, cuja posição dependia de bens móveis. b) apoiada no trabalho escravo, principalmente o dos lavradores de cana. c) baseada na “limpeza de sangue”, portanto se proibia a miscigenação. d) determinada pelos recursos financeiros, o que impedia a mobilidade. e) hierarquizada por critérios diversos, tais como a etnia e riqueza. H0159 - (Espm) Em 1549 o rei D. João III decidiu, sem abolir o sistema de capitanias hereditárias, ins�tuir um novo regime. Acompanhado por quatrocentos soldados, seiscentos degredados, seis jesuítas e muitos mecânicos, par�u de Lisboa o primeiro governador-geral, Tomé de Souza, que aportou à baía de Todos-os-Santos em fins de março de 1549. Com o governador chegaram também o ouvidor-geral, Pero Borges e o provedor-mor, Antônio Caridoso de Barros. (Capistrano de Abreu. Capítulos de História Colonial) O ouvidor-geral e o provedor-mor desempenhavam, respec�vamente, funções de: a) defesa – administração civil; b) jus�ça – fazenda; c) fazenda – defesa; d) administração militar – jus�ça; e) administração da capital – vereança. H0188 - (Ufrgs) Observe o mapa abaixo. Considere as seguintes afirmações sobre a origem dos grupos étnicos africanos escravizados, trazidos para o Brasil entre os séculos XV e XIX. I. A maior parte dos grupos étnicos são oriundos do norte da África. II. As principais áreas de saída de africanos foram os atuais territórios de Moçambique e Angola. III. Os grupos étnicos africanos escravizados, levados ao nordeste, vêm do leste da África, e aqueles levados para o sudeste e o sul são oriundos da África ocidental. Quais estão corretas? a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas III. d) Apenas II e III. e) I, II e III. H0158 - (Ufpr) Aqui no Brasil tratou-se desde o início de aproveitar o índio, não apenas para obtenção dele, pelo tráfico mercan�l, de produtos na�vos, ou simplesmente como aliado, mas sim como elemento par�cipante da colonização. Os colonos viam nele um trabalhador aproveitável; a metrópole, um povoador para a área imensa que �nha de ocupar, muito além de sua capacidade demográfica. Um terceiro fator entrará em 13@professorferretto @prof_ferretto jogo e vem complicar os dados do problema: as missões religiosas. (PRADO JÚNIOR, Caio. A formação do Brasil Contemporâneo. São Paulo: Brasiliense, 1963, p. 91.) Baseando-se no trecho acima sobre o trabalho indígena no Brasil Colônia, assinale a alterna�va correta. a) Os indígenas serviram como um elemento a�vo e fundamental na colonização da região Nordeste, enquanto na região Centro-Sul sua mão de obra foi u�lizada de maneira escassa. b) Os jesuítas segregavam os indígenas em aldeias, para evitar a escravização da mão de obra na�va durante a colonização portuguesa. c) Os colonizadores espanhóis, ao contrário dos portugueses, não u�lizaram a mão de obra indígena, cons�tuindo uma sociedade baseada na colonização de povoamento. d) O �po de trabalho executado pelos indígenas era bastante rudimentar, e a dependência da metrópole em relação a essa mão de obra provocou atraso econômico e cultural para a colônia brasileira. e) Com o início do tráfico de escravos africanos, a mão de obra indígena deixou de ser u�lizada no processo de colonização. H0174 - (Espm) A primeira vez que se mencionou o açúcar e a intenção de implantar uma pro dução desse gênero no Brasil foi em 1516, quando o rei D. Manuel ordenou que se distribuíssem machados, enxadas e de mais ferramentas às pessoas que fossem povoar o Brasil e que se procurasse um homem prá�co e capaz de ali dar princí - pio a um engenho de açúcar. Os primeiros engenhos começaram a funcionar em Pernambuco no ano de 1535, sob a direção de Duarte Coelho. A par�r daí os registros não parariam de crescer: quatro estabelecimentos em 1550; trinta em 1570, e 140 no fim do século XVI. A produção de cana alastrava-se não só nu mericamente como espacialmente, che gando à Paraíba, ao Rio Grande do Norte, à Bahia e até mesmo ao Pará. Mas foi em Pernambuco e na Bahia, sobretudo na re gião do recôncavo baiano, que a econo mia açucareira de fato prosperou. Tiveram início, então, os anos dourados do Brasil da cana, a produção alcançando 350 mil ar robas no final do século XVI. (Lilia M. Schwarcz. Brasil: uma Biografia) A par�r do texto e considerando a econo mia açucareira e a civilizaçãodo açúcar, é correto assinalar: a) a cana de açúcar era um produto autóc tone, ou seja, na�vo do Brasil e grada�va mente foi caindo no gosto dos portugueses e dos europeus, a par�r do século XVI; b) a produção e comercialização do açúcar ocorreram sob a influência do livre-cam bismo em que se baseou o empreendi mento colonial português; c) a metrópole estabeleceu o monopólio real, porém a comercialização do açúcar pas sou para os porões dos navios holandeses, que acabaram por assumir parte substan cial do tráfego entre Brasil e Europa; d) os portugueses man�veram um rigoroso monopólio sobre o processo de produ ção e refinação do açúcar, só permi�ndo a par�cipação de estrangeiros na comer cialização do produto; e) para implantação da indústria canavieira no Brasil, o projeto colonizador luso pre cisava contar com mão de obra compul sória e abundante, dada a extensão do território e por isso sempre privilegiou a u�lização dos na�vos, cuja captura pro porcionava grandes lucros para a coroa. H0181 - (Unicamp) As plantações de mandioca encontradas pelas saúvas cortadeiras nas roças indígenas eram apenas uma entre várias outras. Em muitas situações, a composição química das folhas favorecia a escolha de outras plantas e a folhagem da mandioca era cortada apenas quando as preferidas das saúvas não eram suficientes. Já na agricultura comercial, machados e foices de ferro permi�am abrir clareiras em uma escala maior, resultando em grande homogeneidade da flora. Nas lavouras de mandioca de finais do século XVII e do início do século XVIII, as folhas da mandioca tornavam-se uma das poucas opções das formigas. Depois de mais algumas colheitas, a infestação das formigas tornava-se insuportável, por vezes causando o completo despovoamento humano da área. (Adaptado de Diogo Cabral, 'O Brasil é um grande formigueiro’: território, ecologia e a história ambiental da América Portuguesa – parte 2. HALAC - História Ambiental La�noamericana y Caribeña. Belo Horizonte, v. IV, n. 1, p. 87-113, set. 2014-fev. 2015.) A par�r da leitura do texto e de seus conhecimentos sobre História do Brasil Colônia, assinale a alterna�va correta. 14@professorferretto @prof_ferretto a) A principal diferença entre as lavouras indígenas e a agricultura comercial colonial estava no uso de queimadas pelos europeus, o que não era pra�cado pelas populações autóctones. b) Comparadas à mandioca cul�vada pelos indígenas, as novas espécies de mandioca trazidas da Europa eram menos resistentes às formigas cortadeiras, e por isso mais suscep�veis à infestação. c) Os colonizadores introduziram no território colonial novas espécies de mandioca e milho, que desequilibraram o sistema agrícola ameríndio, baseado no sistema rota�vo de plantação. d) A agricultura comercial tendia à homogeneização da flora nas lavouras da América Portuguesa, combinando tradições europeias de plan�o com prá�cas indígenas. H0155 - (Ufms) A astúcia portuguesa rela�va ao processo de conquista de sua parcela do território americano é relatada em diversas obras da historiografia brasileira e mundial. Este protocolo de integração portuguesa com outros povos pode ser notado, por exemplo, no trecho a seguir, de autoria de Jessé Souza. “O português entra em contato com o elemento na�vo e o adven�cio, formando, em contraposição ao colonizador anglo-saxão, por exemplo, uma nova ligadura, um novo produto social e cultural. Por outro lado, o elemento português permanece, malgrado todos estes contatos, sempre igual a si mesmo. O português é ele e o outro ao mesmo tempo. Ele é plás�co por já possuir dentro de si todos os opostos. Essa espantosa qualidade cultural permite que, ao encontrar alguma alteridade fora dele, o português possa lançar mão de caracterís�cas assemelhadas à esse alter na sua própria personalidade, que possibilita interpenetração cultural sem perda da sua substância original.” (Fonte: SOUZA, Jessé. Subcidadania brasileira: para entender o país além do jei�nho brasileiro. Rio de Janeiro: LeYa, 2018. p. 162. Adaptado). Deste modo, e de acordo com seus conhecimentos, assinale a resposta correta que corresponde ao ápice deste processo sócio-histórico. a) O legado português na formação da sociedade brasileira pode ser notado na manifestação do idioma, na religiosidade, na organização social e, principalmente, no que o difere dos demais modelos colonizadores, na integração com diferentes culturas, como a africana e a indígena, por exemplo. b) A herança cultural portuguesa é predominante na formação da sociedade brasileira, sendo que os aspectos culturais adven�cios são pouco notáveis ou quase impercep�veis quando levamos em consideração a real situação do Brasil em comparação com os demais países sul-americanos. c) A habilidade social portuguesa pode ser notada, principalmente, em regiões fronteiras limítrofes, quando o elemento português precisou se associar ao elemento na�vo indígena, e nas regiões produ�vas canavieiras como o Nordeste, quando foi imprescindível contar com o suporte da mão de obra africana, já que nas demais regiões do País o que se percebe é a predominância do elemento cultural branco europeu em detrimento das demais culturas. d) A conquista da América portuguesa ocorre quando o português forja sua integração social por meio da exploração de africanos escravizados e de na�vos indígenas, no momento em que eles eram úteis unicamente como fonte de mão de obra para a manutenção do sistema colonial, visando a acumular recursos para a Coroa portuguesa. e) Ao chegar ao Brasil, o colonizador português permanece isento no processo de miscigenação para o surgimento da sociedade brasileira, ao contrário de outras culturas e sociedades (africanos e nações indígenas) que precisam se reorganizar e se moldar para que possam con�nuar presentes enquanto elementos forma�vos do povo brasileiro. H0168 - (Fgv) Como a sociedade do reino e as dos núcleos mais an�gos de povoamento – a de Pernambuco, Bahia ou São Paulo – seguiam, em Minas, os princípios estamentais de estra�ficação, ou seja, pautavam-se pela honra, pela es�ma, pela preeminência social, pelo privilégio, pelo nascimento. A grande diferença é que, em Minas, o dinheiro podia comprar tanto quanto o nascimento, ou “corrigi-lo”, bem como a outros “defeitos” (...) Como rezava um ditado na época, “quem dinheiro �ver, fará o que quiser”. (Laura de Mello e Souza. Canalha indômita. Revista de História da Biblioteca Nacional, ano 1, nº 2, ago. 2005. Adaptado) No Brasil colonial, tais “defeitos” referem-se 15@professorferretto @prof_ferretto a) aos que fossem acusados pelo Tribunal da Santa Inquisição e aos que es�vessem na Colônia sem a permissão do soberano português. b) ao exercício de qualquer prá�ca comercial desvinculada da exportação e à condição de não ser proprietário de terras e escravos. c) aos que explorassem ilegalmente o trabalho compulsório dos indígenas e aos colonos que não fizessem parte de alguma irmandade religiosa. d) aos colonos que se casavam com pessoas vindas da Metrópole e aos que afrontassem, por qualquer meio, os chamados “homens bons”. e) aos de sangue impuro, representados pela ascendência moura, africana ou judaica, e aos pra�cantes de a�vidades artesanais ou relacionadas ao pequeno comércio. H1191 - (Fcmscsp) Sabemos que a expansão bandeirante deveu seu impulso inicial sobretudo à carência, em São Paulo, de braços para a lavoura ou antes à falta de recursos econômicos que permi�ssem à maioria dos lavradores socorrer-se da mão de obra africana. Falta de recursos que provinha, por sua vez, da falta de comunicações fáceis ou rápidas dos centros produtores mais férteis, se não mais extensos, situados no planalto, com os grandes mercados consumidores. (Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil, 2001.) A par�cularidade da colonização de São Paulo, quando comparada com a de Recife e de Salvador, deveu-se a) ao trabalho de pacificação dos índios guerreiros pela Companhia de Jesus. b) ao rápido processode urbanização em decorrência da exploração aurífera. c) à oposição dos habitantes às exigências econômicas da metrópole. d) ao isolamento social de uma colonização de interior afastada do litoral. e) à inadaptabilidade das espécies vegetais tropicais ao clima temperado. H0152 - (Esc. Naval) Leia o texto abaixo e responda a pergunta a seguir. [...] Além da capitania, em 1541 foi instalada a vila de Olinda, com a repe�ção de todas as formalidades de São Vicente: �tulos de sesmarias, lista de homens bons aptos a votar, eleição de vereadores, alternância no poder. [...] Em Pernambuco passou a funcionar de maneira efe�va a autoridade do donatário, em dois sen�dos. No das receitas, implantou cobrança de impostos, inclusive com repasses ao rei, e tais recursos financiavam serviços delegados ao donatário, como o de atuar como instância mais alta que o Judiciário da vila e o de controlar a vida civil. (CALDEIRA, Jorge. História da Riqueza no Brasil. Rio de Janeiro: Estação Brasil, 2017.) De acordo com o texto é correto afirmar que o autor buscou descrever as medidas que: a) levaram à capitania de Pernambuco a prosperar. b) causaram o impasse polí�co responsável pela Guerra dos Mascates. c) levaram o sistema de capitanias hereditárias a fracassar. d) causaram o impasse polí�co gerados da Insurreição Pernambucana. e) transformaram as capitanias hereditárias em governo- geral. H1188 - (Upe) O rabino português Isaac Aboab da Fonseca foi o autor da primeira literatura em língua hebraica das Américas, no Recife, durante o domínio holandês. Leia um trecho a seguir: “Lá fora, a espada semeava a morte; dentro era o terror, porque há conspiração tanto interna quanto externa. Bastardos e mamelucos, meus perseguidores e traidores, revelam segredos meus aos inimigos, e traiçoeiramente querem entregar minha fortaleza. Isso irrita minha alma. Doía-me o coração de tanto esperar. Mais a longa demora do auxílio prome�do, e a fome, o racionamento com redistribuição de rações habituais. O corpo reduziu- se em carne e ossos devido à fome. O pão era pesado e racionado. Meu povo acostumou-se a subs�tuir o pão pelo peixe, até quando os intes�nos se ressen�ram. Este é o dia almejado para assaltar o povo revoltado, disse o inimigo, para tomarmos suas casas e todos os seus bens”. Disponível em: h�p://www.morasha.com.br/profetas-e- sabios/rabi-aboab-da-fonseca.html. Acesso em: 15 jun. 2021. Nesses versos, Fonseca descreveu a) a recepção aos judeus na corte de Nassau. b) a construção de Frederikstad, atual João Pessoa. c) a vitória dos holandeses na conquista de Salvador. d) as agruras do cerco luso-brasileiro à cidade do Recife. e) os rituais de penitência e jejum, �picos da religião judaica. H0169 - (Esc. Naval) Leia o texto a seguir. "Eu ElRei, faço saber a vós, Tomé de Sousa, fidalgo de minha casa, que vendo eu quanto serviço de Deus e meu 16@professorferretto @prof_ferretto é conservar e enobrecer as Capitanias e povoações das terras do Brasil e dar ordem e maneira com que melhor e mais seguramente se possam ir povoando, para exalçamento da nossa Santa Fé e proveito de meus Reinos e Senhorios, e dos naturais deles, ordenei ora de mandar nas ditas terras fazer uma fortaleza e povoação grande e forte, em um lugar conveniente, para daí se dar favor e ajuda às outras povoações e se ministrar jus�ça e prover nas cousas que cumprirem a meu serviço e aos negócios de minha Fazenda e a bem das partes." Fonte: Regimento que levou Tomé de Sousa Governador do Brasil, Almerím,17/12/1548. Lisboa, Arquivo Histórico Ultramarino (AHU), códice 112, fls 1-9. Sobre o texto, que é um importante marco da História do Brasil, é correto afirmar que representava a) o obje�vo da monarquia portuguesa de iniciar a colonização do Brasil cedendo territórios para que grupos par�culares pudessem explorá-los a custa de seus próprios recursos, enquanto o governo atuaria como uma espécie de Órgão regulador do que ficou conhecido como Capitanias Hereditárias. b) a pretensão do governo português em promover a colonização efe�va do território brasileiro e de es�mular a produção colonial, sendo um dos seus primeiros atos a construção de urna cidade para ser a capital da colônia, concre�zada por Tomé de Sousa com a fundação de São Salvador em 1549. c) o desejo português de não inves�r recursos no território colonial do Brasil, permi�ndo que grupos privados construíssem feitorias com dois obje�vos: a exploração do pau-brasil realizada a par�r do escambo com os indígenas e a proteção das ameaças estrangeiras. d) o primeiro passo para o processo de povoamento da colônia, que previa a criação de urna capital estruturada no modelo espanhol de ocupação do território, além da construção de estradas e sistemas de coleta de esgoto em locais estratégicos, que serviriam de base para o surgimento de novas cidades. e) a ocupação ele�va do território colonial, principalmente após a descoberta de jazidas de ouro no interior da colônia, que demandou maia recursos do governo português para a defesa da região de invasores estrangeiros e de piratas que desejavam roubar as riquezas do Brasil. H0156 - (Famerp) A Bahia é cidade d’El-Rei, e a corte do Brasil; nela residem os Srs. Bispo, Governador, Ouvidor-Geral, com outros oficiais e jus�ça de Sua Majestade; [...]. É terra farta de man�mentos, carnes de vaca, porco, galinha, ovelhas, e outras criações; tem 36 engenhos, neles se faz o melhor açúcar de toda a costa; [...] terá a cidade com seu termo passante de três mil vizinhos Portugueses, oito mil Índios cristãos, e três ou quatro mil escravos da Guiné. (Fernão Cardim. Tratados da terra e gente do Brasil, 1997.) O padre Fernão Cardim foi testemunha da colonização portuguesa do Brasil de 1583 a 1601. O excerto faz uma descrição de Salvador, sede do Governo-Geral, referindo- se, entre outros aspectos, à a) incorporação pelos colonizadores dos padrões culturais indígenas. b) ligação da a�vidade produ�va local com o comércio internacional. c) miscigenação crescente dos grupos étnicos presentes na cidade. d) existência luxuosa da nobreza portuguesa na capital da colônia. e) dependência da população em relação à importação de produtos de sobrevivência. H0170 - (I�a) Que Deus entendeu de dar A primazia Pro bem, pro mal Primeira mão na Bahia Primeira missa Primeiro índio aba�do também Que Deus deu Que Deus entendeu de dar Toda magia Pro bem, pro mal Primeiro chão da Bahia Primeiro carnaval Primeiro pelourinho também Gilberto Gil, Toda menina baiana. In.: CD Realce, Warner: 1979. Trecho disponível em h�ps://www.letras.mus.br/gilberto-gil/46249. Acesso em 24 jul 2017. Com base no trecho da música acima, é possível afirmar historicamente que: 17@professorferretto @prof_ferretto a) A primeira missa na Bahia foi feita pelos portugueses com o intuito de converter os índios ao catolicismo e assim evitar que fosse feita uma guerra contra eles. b) Para o bem ou para o mal, a Bahia foi o primeiro local no Brasil em que os portugueses colocaram suas mãos. c) O carnaval sempre foi feito durante as festas profanas que acontecem ao redor das festas religiosas católicas. Assim, esse texto seria uma metáfora para entender as contradições do Brasil: carnavalesco e religioso. d) Deus seria a en�dade que moveria a história dos homens. Os homens apenas reproduziriam as suas vontades. A vontade de Deus, “pro bem ou pro mal”, espalhou o cris�anismo pelo mundo, uma das principais ins�tuições colonialistas dos séculos XV até os dias atuais. e) Ao destacar o abate indígena, o pelourinho e as missas religiosas, o autor chama atenção para o caráter violento da colonização brasileira. H0180 - (Ufrgs) Sobre as a�vidades econômicas e a mão de obra na América Portuguesa, entre os séculos XVI e XVII, é correto afirmar que a produção a) era voltada exclusivamente para o mercado externo, restrita ao cul�vo em planta�ons, e a mão de obra era exclusivamente de indígenas e africanos escravizados. b) era voltada paraalém do mercado externo, com diversas culturas ligadas ao mercado interno, e a mão de obra era majoritariamente de escravizados, mas com a presença de trabalhadores livres. c) era voltada exclusivamente para o mercado interno, através do cul�vo de itens de subsistência, e a mão de obra era exclusivamente de indígenas e africanos escravizados. d) não se resumia ao mercado externo, com diversas culturas voltadas ao mercado interno, e a mão de obra era exclusivamente de indígenas e africanos escravizados. e) era voltada exclusivamente para o mercado externo, restrita ao cul�vo em planta�ons, e a mão de obra era majoritariamente de escravizados, mas com a presença de trabalhadores livres. H0164 - (Fuvest) A respeito dos espaços econômicos do açúcar e do ouro no Brasil colonial, é correto afirmar: a) A pecuária no sertão nordes�no surgiu em resposta às demandas de transporte da economia mineradora. b) A produção açucareira es�mulou a formação de uma rede urbana mais ampla do que a a�vidade aurífera. c) O custo rela�vo do frete dos metais preciosos viabilizou a interiorização da colonização portuguesa. d) A mão de obra escrava indígena foi mais empregada na exploração do ouro do que na produção de açúcar. e) Ambas as a�vidades produziram efeitos similares sobre a formação de um mercado interno colonial. H0153 - (Fgv) Podem-se apanhar muitos fatos da vida daqueles sertanejos dizendo que atravessaram a época do couro. De couro era a porta das cabanas, o rude leito aplicado ao chão duro, e mais tarde a cama para os partos; de couro todas as cordas, a borracha para carregar água, o mocó ou alforge para levar comida, a maca para guardar roupa, a mochila para milhar cavalo, a peia para prendê- lo em viagem, as bainhas de faca, as broacas e surrões, a roupa de entrar no mato, os banguês para curtume ou para apurar sal. (Capistrano de Abreu. Capítulos de história colonial: 1500-1800, 2000.) O texto descreve a cultura material da pecuária, que a par�r do século XVI estendeu-se ao interior nordes�no da colônia do Brasil. A criação de gado a) empregava predominantemente a mão de obra escrava africana e consolidou a pequena propriedade rural às margens dos grandes rios da região. b) contribuía com o complexo econômico litorâneo e funcionou em um regime de contenção econômica de gastos devido ao aproveitamento de recursos locais. c) transgredia os ordenamentos legais da administração metropolitana e jamais se caracterizou como a�vidade econômica lucra�va. d) deslocava o centro dinâmico da exploração econômica da colônia e contribuiu para o adensamento demográfico em novos territórios. e) favorecia o surgimento de cidades autoadministradas e revelou a existência de jazidas de metais preciosos nas áreas recém-descobertas. H1426 - (Fuvest) Se vamos à essência da nossa formação, veremos que na realidade nos cons�tuímos para fornecer açúcar, tabaco, alguns outros gêneros; mais tarde ouro e diamantes; depois, algodão, e em seguida café, para o comércio europeu. 18@professorferretto @prof_ferretto Caio Prado Jr. Formação do Brasil Contemporâneo. São Paulo: Companhia das Letras, 2011, p. 29. Sobre o sen�do da colonização do Brasil, é correto afirmar: a) Permi�u o desenvolvimento de um extenso parque industrial. b) Caracterizou-se pela forte presença da mão de obra assalariada. c) Esteve voltado, principalmente, para o mercado externo. d) Baseou-se na produção de manufaturas têxteis ou alimentares. e) Garan�u a expansão da pequena propriedade agrícola. H1446 - (Fuvest) “Na coluna do a�vo como na do passivo, seria di�cil exagerar o papel do açúcar na história do Brasil colonial. Se ele foi o produto que proporcionou a base inicial solidamente econômica para o esforço do colonizador, foi também o que plasmou o regime de propriedade la�fundiária, instalou a escravidão africana na América portuguesa e, no seu exclusivismo, inibiu o desenvolvimento da policultura (...), embora es�mulando, em áreas apartadas, a pecuária e a lavoura de subsistência. (...) Ele desenvolveu um es�lo de vida que marcou a existência de todas as camadas da população que integrou, reservando, contudo, seus privilégios a uns poucos.” MELLO, Evaldo Cabral de. Um imenso Portugal: História e historiografia. São Paulo: Ed. 34, 2002. p.110. O texto indica que, no Nordeste açucareiro dos séculos XVI e XVII, a) a mão de obra de escravizados de origem africana e indígena era empregada nos canaviais, na pecuária e na lavoura de subsistência. b) a distribuição de terras baseava-se na concessão, pela Coroa portuguesa, de privilégios e pequenos lotes a donatários. c) os privilégios concentravam-se nas mãos dos senhores de engenho, em detrimento da população escravizada ou livre e pobre. d) o desenvolvimento de relações socioeconômicas fundadas na horizontalidade recebia es�mulos governamentais. e) o modo de produção feudal prevaleceu na exploração agrícola pela metrópole. H1455 - (Unesp) O mundo natural é o concreto, que tocamos, sen�mos, no qual vivemos. O mundo social é resultado da nossa vida em grupo e em determinado meio ambiente. O mundo sobrenatural é o das religiões, da magia, ao qual os homens só têm acesso parcial, por meio de determinados ritos e cerimônias. Ele é mais ou menos importante, dependendo da sociedade. Numa sociedade como a nossa, na qual quase tudo é explicado pela ciência e pelo pensamento lógico e racional, o espaço do sobrenatural é bastante limitado. Já nas sociedades africanas, onde foram capturados os escravizados trazidos para o Brasil, toda a vida na terra estava ligada ao além, a dimensões que só conhecedores dos ritos e objetos sacralizados podiam a�ngir. (Marina de Mello e Souza. África e Brasil africano, 2007. Adaptado.) Ao comparar o pensamento lógico predominante no Ocidente contemporâneo com as mentalidades das sociedades africanas de onde foi proveniente a maioria das pessoas trazidas ao Brasil como escravizadas, o excerto a) cri�ca a rela�vização dos valores morais e religiosos nas sociedades africanas e europeias no período do tráfico de escravizados. b) iden�fica o descompasso entre o primi�vismo dos povos africanos e o avanço civilizatório da Europa colonizadora. c) caracteriza duas percepções de mundo, enfa�zando sua diferença na relação com as dimensões mí�cas e sagradas. d) dis�ngue dois modelos de pensamento, sustentando a superioridade daquele que é movido pelo esforço racional. e) valoriza a religiosidade do mundo atual, destacando a centralidade das crenças e das prá�cas religiosas co�dianas. H1467 - (Unesp) [...] as irmandades de negros eram espaços permi�dos dentro da legalidade, nos quais o escravo podia manifestar-se fora de suas relações de trabalho. [...] Em certo sen�do, era através da religião católica que o escravo encontrava algum leni�vo para sua situação. Tudo indica que a permissão para a criação das irmandades de negros tenha sido dada com o intuito de obter melhores resultados na cris�anização dos escravos [...]. Paradoxalmente, os negros u�lizaram as irmandades para resguardar valores culturais, em especial suas crenças religiosas. [...] Tudo leva a crer que, a par�r da realidade vivida naquela época, bem como considerando 19@professorferretto @prof_ferretto as dificuldades, o negro recriou e reinterpretou a cultura dominante, adequando-a à sua maneira de ser. (Ana Lúcia Valente. “As irmandades de negros: resistência e repressão”. In: Horizonte, v. 9, no 21, 2011.) Segundo o excerto, as irmandades religiosas de negros, no Brasil colonial, eram a) organizações culturais des�nadas à difusão do catolicismo e, paralelamente, à valorização do sincre�smo religioso. b) confrarias em que era proibido, por ordens metropolitanas, o contato direto entre escravizados. c) templos em que era permi�da, pelas autoridades coloniais, a realização de cultos religiosos de origem africana. d) espaços de imposição de princípios europeus aos escravizados e, simultaneamente, de manifestação de traços culturaisde matriz africana. e) ins�tuições de apoio e auxílio aos escravizados, cria- das e man�das por meio da atuação catequizadora dos jesuítas espanhóis. H1480 - (Unesp) [O rei D. João III] ordenou que se povoasse esta província, repar�ndo as terras por pessoas que se lhe ofereceram para as povoarem e conquistarem à custa de sua fazenda, e dando a cada um 50 léguas por costa com todo o seu sertão [...]; são sismeiros das suas terras, e as repartem pelos moradores como querem, todavia movendo-se depois alguma dúvida sobre as datas, não são eles os juízes delas, senão o provedor da fazenda, nem os que as recebem de sesmaria têm obrigação de pagar mais que dízimo a Deus dos frutos que colhem [...]. (Frei Vicente do Salvador. História do Brasil (1500- 1627). In: www.dominiopublico.gov.br.) O excerto, do século XVII, caracteriza a a) definição de rigoroso sistema tributário voltado aos interesses da Coroa portuguesa. b) autorização para a instalação de sesmarias des�nadas exclusivamente ao cul�vo de algodão e tabaco. c) cons�tuição de um regime fundiário apoiado na pequena propriedade rural. d) atribuição de poder polí�co, econômico e jurídico aos senhores de engenho. e) criação das capitanias hereditárias e a atribuição de direitos aos donatários. H1496 - (Unicamp) Os quilombos, espaços da resistência e da insurgência negra desde a sua origem, foram criados como estratégia de enfrentamento ao sistema escravocrata. Nos processos de resistência e sobrevivência dos quilombos que chegam aos dias atuais, as relações culturais, as iden�dades e os conflitos têm como elemento central os territórios, tensionados por interesses ilegí�mos e incons�tucionais de terceiros em disputa pela propriedade da terra. Pouco se divulga que existem, atualmente no território brasileiro, aproximadamente 3.500 comunidades quilombolas que guardam um sen�mento de pertença a um grupo e a um lugar. Estão distribuídas por todas as regiões do país, com destaque para os estados do Pará, Maranhão, Bahia, Minas Gerais, Pernambuco e Rio Grande do Sul. (Adaptado de Coordenação Nacional de Ar�culação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas [CONAQ]; TERRA DE DIREITOS, Racismo e violência contra quilombos no Brasil. Disponível em h�ps://cdhpf.org.br/cat_galeria/publicacoes/estudos/racismo- e-violencia-contra-quilombos-no-brasil/. Acessado em 03/07/2021.) Sobre a demarcação e �tulação das terras quilombolas no Brasil, é correto afirmar que teve início com a a) lei de Terras de 1850; avançou na segunda metade do século XIX, especialmente após a abolição da escravatura e a ins�tucionalização dos territórios quilombolas rurais. b) Cons�tuição de 1988; ainda está em curso o processo de demarcação e poucos territórios quilombolas (rurais e urbanos) receberam a �tulação da propriedade até o momento. c) lei de Terras de 1850; na ocasião, foram demarcados os territórios rurais quilombolas, uma vez que não havia trabalho para homens negros e mulheres negras nas cidades. d) Cons�tuição de 1988; na década passada, por meio de polí�cas públicas, foi finalizada a demarcação e a �tulação dos territórios quilombolas rurais e urbanos, tendo pendente a �tulação dos quilombos urbanos. H1505 - (Unicamp) As es�ma�vas sobre a população de Palmares no século XVII oscilam entre 5 e 20 mil pessoas. A crônica abaixo, de 1678, descreve o território palmarino: Reconhecem-se todos obedientes a um que se chama “o Ganga Zumba”, que quer dizer “Senhor Grande”. A este tem por seu rei e senhor todos os mais, assim naturais dos Palmares como vindos de fora. Habita na sua cidade real que chamam o Macaco. Esta é a metrópole entre as mais cidades e povoações. Está for�ficada toda em cerco de pau a pique, com torneiras abertas para ataque e defesa. E pela parte de fora toda se semeia de 20@professorferretto @prof_ferretto estrepes de ferro e buracos no chão. Ocupa esta cidade dilatado espaço, forma-se mais de 1500 casas. A segunda cidade chama-se Sirbupira; nesta habita o irmão do rei que se chama “o Zona”. É for�ficada toda de madeira e pedras, compreende mais de oitocentas casas. Das mais cidades e povoações darei no�cia quando lhe referir as ruínas. (Adaptado de: ANTT, Manuscrito da Livraria, cod. 1185, fls. 149-55v. In: LARA, Silvia; FACHIN, Phablo (org.). Guerra contra Palmares: o manuscrito de 1678. São Paulo: Chão Editora, 2021, p. 9 – 49.) Sobre a organização do espaço palmarino, é correto afirmar que a) os negros que fugiram para Palmares ocuparam os espaços urbanos das vilas coloniais na Serra da Barriga; essas vilas �nham sido abandonadas por Portugal durante as guerras de expulsão, de Pernambuco, dos holandeses. b) o que se convencionou chamar de quilombo de Palmares era uma rede de povoações for�ficadas, formadas por centenas de casas e interligadas por meio de um sistema polí�co influenciado por lógicas culturais africanas. c) as povoações que cons�tuíam Palmares se originaram da estrutura urbanís�ca construída por Nassau nas serras de Pernambuco e Alagoas, a par�r da racionalidade holandesa na época da luta pelo domínio do açúcar. d) a maioria da população negra que vivia nos mocambos de Palmares no século XVII era crioula, ou seja, nascida no Brasil, e combinava a influência da organização polí�ca de Angola e das redes urbanas litorâneas e europeias de Pernambuco. H1509 - (Unicamp) “Dos pretos é tão própria e natural a união que a todos os que têm a mesma cor, chamam parentes; a todos os que servem na mesma casa, chamam parceiros; e a todos os que se embarcam no mesmo navio, chamam malungos.” (VIEIRA, Padre Antônio. Sermão XX. Parte II. Lisboa: Impressão Craesbeeckiana, p. 165, 1688.) Sobre as comunidades de malungos no período da escravidão, é correto afirmar, de acordo com o texto, que são formadas a) nos laços entre africanos de múl�plas etnias, os quais ha- viam atravessado juntos o Atlân�co. b) no encontro dos africanos nas senzalas, no exercício de o�cios e no trabalho da lavoura. c) no Novo Mundo por pessoas de uma mesma etnia que se reconheciam como iguais. d) nos quilombos rurais e urbanos, formados por escravizados fugidos de muitas etnias. H1518 - (Fuvest) Não há trabalho, nem gênero de vida no mundo mais parecido à cruz e à paixão de Cristo, que o vosso em um destes engenhos [...]. A paixão de Cristo parte foi de noite sem dormir, parte foi de dia sem descansar, e tais são as vossas noites e os vossos dias. Cristo despido, e vós despidos; Cristo sem comer, e vós famintos; Cristo em tudo maltratado, e vós maltratados em tudo. Os ferros, as prisões, os açoites, as chagas, os nomes afrontosos, de tudo isto se compõe a vossa imitação, que, se for acompanhada de paciência, também terá merecimento e mar�rio[...]. De todos os mistérios da vida, morte e ressurreição de Cristo, os que pertencem por condição aos pretos, e como por herança, são os mais dolorosos. P. Antônio Vieira, Sermão décimo quarto. In: I. Inácio & T. Lucca (orgs.). Documentos do Brasil colonial. São Paulo: Á�ca, 1993, p.73-75. A par�r da leitura do texto acima, escrito pelo padre jesuíta Antônio Vieira em 1633, pode-se afirmar, corretamente, que, nas terras portuguesas da América a) a Igreja Católica defendia os escravos dos excessos come�dos pelos seus senhores e os incitava a se revoltar. b) as formas de escravidão nos engenhos eram mais brandas do que em outros setores econômicos, pois ali vigorava uma é�ca religiosa inspirada na Bíblia. c) a Igreja Católica apoiava, com a maioria de seus membros, a escravidão dos africanos, tratando, portanto, de jus�ficá-la com base na Bíblia. d) clérigos, como P. Vieira, se mostravam indecisos quanto às a�tudes que deveriam tomar em relação à escravidão negra, pois a própria Igreja se man�nha neutra na questão. e) havia formas de discriminação religiosa que se sobrepunham às formas de discriminação racial, sendo estas, assim, pouco significa�vas. H1525 - (Fuvest) Se o açúcar do Brasil o tem dado a conhecer a todos os reinos e províncias da Europa, o tabaco o temfeito 21@professorferretto @prof_ferretto muito afamado em todas as quatro partes do mundo, em as quais hoje tanto se deseja e com tantas diligências e por qualquer via se procura. Há pouco mais de cem anos que esta folha se começou a plantar e beneficiar na Bahia [...] e, desta sorte, uma folha antes desprezada e quase desconhecida tem dado e dá atualmente grandes cabedais aos moradores do Brasil e incríveis emolumentos aos Erários dos príncipes. André João Antonil. Cultura e opulência do Brasil por suas drogas e minas. São Paulo: EDUSP, 2007. Adaptado. O texto acima, escrito por um padre italiano em 1711, revela que: a) o ciclo econômico do tabaco, que foi anterior ao do ouro, sucedeu o da cana-de-açúcar. b) todo o rendimento do tabaco, a exemplo do que ocorria com outros produtos, era direcionado à metrópole. c) não se pode exagerar quanto à lucra�vidade propiciada pela cana-de-açúcar, já que a do tabaco, desde seu início, era maior. d) os europeus, naquele ano, já conheciam plenamente o potencial econômico de suas colônias americanas. e) a economia colonial foi marcada pela simultaneidade de produtos, cuja lucra�vidade se relacionava com sua inserção em mercados internacionais. H1566 - (Fuvest) [No Brasil], a transição da predominância indígena para a africana na composição da força de trabalho escrava ocorreu aos poucos ao longo de aproximadamente meio século. Quando os senhores de engenho, individualmente, acumulavam recursos financeiros suficientes, compravam alguns ca�vos africanos, e iam acrescentando outros à medida que capital e crédito tornavam-se disponíveis. Em fins do século XVI, a mão de obra dos engenhos era mista do ponto de vista racial, e a proporção foi mudando crescentemente em favor dos africanos importados e sua prole. Stuart Schwartz, Segredos internos. São Paulo: Companhia das Letras, 1988, p.68. Com base na leitura do trecho e em seus conhecimentos, pode-se afirmar corretamente que, no Brasil, a) a implementação da escravidão de origem africana não fez desaparecer a escravidão indígena, pois o emprego de ambas podia variar segundo épocas e regiões específicas. b) do ponto de vista senhorial, valia a pena pagar mais caro por escravos africanos porque estes viviam mais do que os escravos indígenas, que eram mais baratos. c) o comércio de escravos africanos foi incompa�vel com o comércio de indígenas porque eram exercidos por diferentes traficantes, que concorriam entre si. d) havia créditos disponíveis para a compra de escravos africanos, mas não de escravos indígenas, pois a Igreja estava interessada na manutenção de boas relações com os na�vos. e) a escravização dos indígenas pelos portugueses foi inviabilizada pelo fato de que os povos na�vos americanos eram contrários ao aprisionamento de seres humanos. 22@professorferretto @prof_ferretto